sexta-feira, setembro 10, 2010

GOSTOSA

DORA KRAMER

Cala boca já morreu 
Dora Kramer 

O Estado de S.Paulo - 10/09/2010

A intervenção radical do presidente Luiz Inácio da Silva no contra-ataque para transformar o candidato da oposição de vítima em algoz no caso das violações de sigilo fiscal pode ter sido motivada por algum sinal negativo nas pesquisas ou, então, foi uma tentativa do presidente de aplicar um corretivo no adversário a fim de calar as críticas.


A segunda hipótese parece a mais provável como medida preventiva à primeira. Tendo sido isso mesmo - aqui e ali aparecem notícias de assessores do presidente dizendo que ele decidiu "dar um tranco" na oposição -, a participação de Lula no horário eleitoral para defender sua cidadela não atingiu o objetivo como em outras vezes.

A fala do presidente, por extremamente inadequada do ponto de vista institucional, suscitou reações de toda parte, Judiciário incluído. O candidato José Serra, que já havia delegado a função de falar a respeito ao presidente do PSDB, Sérgio Guerra (o equivalente a deixar morrer o assunto), pôde voltar ao tema.

Serra tem pouco a perder e, portanto, começou a jogar sem medo da derrota em busca de uma difícil vitória, enquanto o PT atua para não errar, tenso apesar da dianteira porque está não só obrigado a ganhar como a vencer no primeiro turno.

Depois da entrada no horário eleitoral, as críticas se voltaram contra a falta de senso de limite do presidente. Não que ele esteja muito preocupado com esse tipo de público que reclama. Mas é de se notar que até há pouco tempo quando Lula falava havia encolhimento ou consentimento.

No caso do mensalão, quando ele falou que "todo mundo" usava caixa 2, houve consenso de que o presidente havia dito algo impróprio, mas verdadeiro e, portanto, aceitável.

Agora há rejeição, estranheza ou silêncio, mas não apoio. E como se sabe foi a esse estrato que o PT conseguiu convencer primeiro sobre seus propósitos éticos e sua disposição de modernizar o Brasil.

Os pobres vieram depois, já na era do pragmatismo.

Cabeça fria. O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso, assegura que o tribunal não deixará se prolongar a expectativa acerca da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa: decidirá ainda antes da eleição se políticos condenados em julgamentos colegiados ou que tenham renunciado para fugir de processos de cassação de mandatos podem seguir na disputa.

Grosso modo o Judiciário vem se manifestando favoravelmente à vigência e aplicabilidade da lei para a eleição do próximo dia 3 de outubro. A maioria dos Tribunais Regionais Eleitorais assim se posicionou e também o Tribunal Superior Eleitoral decidiu que a lei vale agora e alcança a todos.

Com base no fato de que não se trata de uma regra eleitoral, mas de uma condição de elegibilidade. Por isso não precisaria ter sido aprovada um ano antes das eleições. Da mesma forma não se pode alegar o preceito da não-retroatividade por não se tratar de uma pena, mas de um requisito para o candidato conseguir obter o registro para concorrer.

É assim que a coisa está e, por enquanto, vários candidatos fichas-sujas - segundo o enquadramento previsto na lei - ficam de fora.

O STF poderá mudar isso? Poderá e se o fizer não merecerá as diatribes que cairão sobre os magistrados. Se acontecer terá sido inépcia dos legisladores.

Nessa hora é que entra o cidadão e, no lugar de espernear de cabeça quente, faz a sua parte com a cabeça fria e não vota em quem não tenha vida pregressa apresentável.

Na muda. Não se ouve do PMDB uma só voz em defesa da tese de que a quebra de sigilo fiscal nas dependências da Receita é uma coisa, mas a conduta do PT é outra completamente diferente.

Já que se arvora ao papel de poder moderador, seria adequado que o PMDB nesta hora oferecesse ao País demonstração inequívoca de seus dotes de mediação republicana.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Na sombra
RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 10/09/10 

Quem conhece o temperamento de Dilma Rousseff acredita que, sem prejuízo da admiração e gratidão infinitas por Lula, ela não achou o máximo o fato de o presidente ter chamado para si a resposta à oposição no "Receitagate", com direito a protagonismo na propaganda de TV. Depois de semanas de consolidação da imagem própria da candidata, na esteira de sua escalada nas pesquisas, o episódio lançou dúvidas sobre a capacidade de Dilma de se defender sozinha. 
Paciência, diz um PhD em Lula. Ele fez como lhe pareceu melhor. Não achará ruim se Dilma chegar ao Planalto cem por cento devedora de sua ajuda. 


Vai indo Em razão do nascimento do neto de Dilma, da preparação para debates e da necessidade de poupar a voz, Lula poderá comandar sozinho comícios pré-agendados. Seria o terceiro evento na campanha em que o presidente pede votos sem a candidata a tiracolo. Os outros foram em Guarulhos e Ribeirão Preto. 

In loco Depois do comício de Lula e Dilma em Minas, Hélio Costa e os petistas Patrus Ananias e Fernando Pimentel foram a Brasília ontem gravar com o presidente. Ele estava na companhia do peemedebista quando telefonou a Dilma para cumprimentá-la pelo neto. 

Lobby Apoiador de Aécio Neves (PSDB), o empresário Sérgio Andrade, da construtora Andrade Gutierrez, conversou com mais de um integrante do primeiro escalão de Lula na tentativa de evitar a ida do presidente a Minas em apoio a Hélio Costa. Não surtiu efeito. 

Pá de cal A coligação de Geraldo Alckmin sepultou ontem as chances de Soninha Francine virar candidata ao Senado no lugar de Orestes Quércia. Levado ao presidente do PPS-SP, Davi Zaia, o veredicto foi creditado ao PMDB, que só se contentará com a suplência de Aloysio Nunes (PSDB) se não houver substituto para a outra vaga. 

Oferta Os tucanos propuseram ao PTB acordo com o senador Romeu Tuma, que está hospitalizado. Ele seria guindado informalmente ao posto de segundo nome "solteiro" ao Senado da coligação e abastecido com material de propaganda e declarações de apoio de Alckmin. 

Bem na foto As primeiras sondagens da eleição para deputado mostram que a estratégia do PT-SP de priorizar na TV a pregação do voto na legenda vai se revelando exitosa. As citações diretas ao partido, somadas ao fenômeno Tiririca (PR), projetam bancada de 20 federais pela coligação liderada pelos petistas. O "blocão" que une PSDB-DEM-PPS faria 16. 

Top of mind Pelas mesmas projeções, o PSB, catapultado pelo trio Márcio França, Gabriel Chalita e Marcelinho Carioca, daria um salto na sua representatividade, elegendo até nove nomes. Já a sobrevivência do PP depende da elegibilidade de Paulo Maluf, barrado pela Lei da Ficha Limpa. Se ele conseguir o registro, a sigla pode ter sete vagas. 

Cosmética A equipe de Paulo Skaf, candidato do PSB ao governo paulista, dispensou o suporte da TV Globo e pediu à emissora que libere a presença de maquiador de seu próprio estafe para o debate do dia 28. 

Dianteira Fernando Collor (PTB) aparece na frente em pesquisa Sensus encomendada por "O Jornal" de Alagoas e realizada entre os dias 3 e 5. O petebista tem 35,2% das intenções de voto, contra 27,7% de Ronaldo Lessa (PDT) e 21% do governador Teo Vilela (PSDB). 
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELLI 

tiroteio 

O PTB tem comando e não aceita conselho de desconhecidos. Pelas declarações do candidato, posso medir seu desespero. 
DO DEPUTADO ESTADUAL CAMPOS MACHADO, presidente do PTB-SP, sobre a "sugestão" feita pelo candidato Ricardo Young (PV) para que o concorrente Romeu Tuma, hospitalizado, retire-se da disputa pelo Senado. 

contraponto 

Enrolation 

À espera da chegada de José Serra num evento com 2.000 pessoas no Credicard Hall, Guilherme Afif (DEM) passou a improvisar na lista de políticos que usariam o microfone. Para entreter a plateia, foi chamando ao palco os senadores presentes: 
-Agora vamos saudar o senador Flexa Ribeiro! 
Constrangido, o paraense alertou: 
-Eu? De novo? Acabei de falar... O meu prestígio é tão grande assim em São Paulo? 
-Em eventos como este, apelo sempre a um senador. Ninguém contesta. Mesmo que fale duas vezes...

RECEITA FEDERAL: O PUTEIRO

MÍRIAM LEITÃO

O 'nuncantismo' 
Miriam Leitão 

O Globo - 10/09/2010

O Banco Central ontem anunciou mais um avanço brasileiro: as taxas de juros de equilíbrio podem ser mais baixas. Equivale a dizer que o país precisa de menos juros para manter a inflação sob controle. O IBGE divulgou na quarta-feira uma série de dados mostrando várias boas notícias. O país avança, só não é nunca antes. Avança como antes, em alguns pontos devagar, em outros mais rapidamente.

Uma das mais irritantes obsessões do governo atual é a apropriação indébita do mérito alheio, expresso no “nuncantismo”. Na ata do Copom, a excelente notícia que o Banco Central deu é que a potência da política monetária é maior, o que pode levar a taxa de juros para níveis mais baixos. O BC precisa explicar melhor sua afirmação e deve fazê-lo no próximo relatório de inflação, e assim acabar com algumas dúvidas que surgiram nos últimos meses sobre sua comunicação com o mercado. Mas até esse ritual de reuniões, atas e relatórios foi institucionalizado antes do governo Lula.

O pior do “nuncantismo” é que ele emburrece e desinforma.

Levado a extremo eliminará Pedro Álvares Cabral para entregar o feito do descobrimento ao próprio Lula.

Além disso, o cacoete do presidente produz desperdício de esforços. Gasta-se um tempo enorme, páginas de jornais, minutos de mídia eletrônica para repor os fatos e dar os méritos a quem os tem em cada etapa do processo histórico do país.

O IBGE está ainda protegido desse vírus que hoje inutilizou parte do Ipea como centro de inteligência — lá ainda resistem alguns devotos do pensamento livre; poucos, mas valorosos.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios exibiu um retrato desse processo de evolução pegando o período desde o fim do governo Collor. Estão lá erros, omissões e vitórias de três governos: o curto período de Itamar, oito anos de Fernando Henrique e sete anos de Lula. O resultado anima e desanima, depende do que se olha e como se olha.

Na informação conjuntural dada pelo Banco Central, ontem, o que se vê é também o quadro de um filme. A hiperinflação derrubada em 94 levou a um corte com o passado com grandes reflexos nos anos seguintes. A nova ordem monetária foi garantida e depois consolidada. Mais recentemente, no governo Lula, tem sido possível ampliar o crédito e agora — oxalá o BC tenha razão — ter taxas de juros que, com movimentos menores, mais sutis, evitem qualquer elevação indesejada da taxa de inflação. Com o IPCA de 0,04% de agosto, o país completa três meses de inflação zero, o que, num contexto de crescimento forte, melhoria de renda, aumento de emprego, é uma excelente notícia. Cada ponto da melhoria de renda é capturada pelo seu dono — o trabalhador, a trabalhadora — e as pessoas preservam seu poder de compra.

Que diferença com o antes, o muito antes, quando perdia-se metade do salário real num mês. O IBGE mostrou que houve um salto ornamental na renda após a queda da inflação no Plano Real. Tão alto — de 43% — nos primeiros dois anos, que até hoje, mesmo com o aumento da renda desde 2004, não interrompida nem mesmo no ano de crise de 2009, o país ainda não voltou ao melhor ano da renda do trabalhador que foi 1996. Outra excelente notícia: desde 2001 cai sistematicamente a desigualdade de renda.

A educação avança morosamente e reduziu o passo em alguns indicadores.

O mercado de trabalho acelerou a melhora, com a elevação do percentual dos trabalhadores do mercado formal. Ainda assim, o Brasil tem 22 milhões de trabalhadores informais, oito milhões de desempregados, e quatro milhões de brasileiros trabalhando antes dos 17 anos. Pior é ter ainda um milhão de crianças, de cinco a 13 anos, trabalhando, quando deveriam estar apenas estudando e brincando.

O passo de cágado do avanço do saneamento é uma vergonha nacional.

Melhorar, melhoramos, mas ninguém pode se vangloriar de um fato até estranho: o encolhimento de 59,3% para 59,1% de domicílios com esgoto ou fossa séptica ligada à rede coletora.

Isso acontece após dois anos de funcionamento do PAC que, a julgar pela ensurdecedora publicidade do governo, é o coração do “nuncantismo”.

Herdeira do defeito lulista de negar o mérito alheio e inflacionar o próprio, a candidata Dilma Rousseff poderia ter diante desse dado de saneamento uma epifania: a de que os dados são teimosos e os fatos se impõem por si mesmos, independentemente do que diga o marketing.

É bom para todos que o Brasil tenha avançado no passado, esteja avançando agora e se prepare para novos avanços.

É natural comemorar o próprio êxito, o que não é honesto é negar o dos outros.

Nem honesto, nem produtivo, porque sem aprender com os acertos alheios e os próprios erros, certamente, ninguém consegue acertar o passo, insistir no que deu certo, preparar o caminho para novas arrancadas. Entende-se que numa campanha todos ressaltem os próprios acertos, mas o problema do presidente Lula é que ele faz isso antes, durante e depois das campanhas.

Na quarta, Lula disse que só agora o Brasil é independente e enfrenta as outras nações. Deu como exemplo a briga na OMC contra o subsídio do algodão dos Estados Unidos.

Quem começou a briga foi Pedro de Camargo Neto, no governo Fernando Henrique.

A propósito: a expressão usada por Lula para definir os Estados Unidos, “o elefante que se borra”, é... como dizer... Melhor nem tentar definir. Perda de tempo. Todos sabem que presidentes não falam assim de países com quem temos densas, intensas e produtivas relações econômicas e políticas.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Casamentos 
Sonia Racy 

O Estado de S.Paulo - 10/09/2010

Abilio Diniz participou ontem, pela manhã, de encontro com analistas e investidores para falar sobre o plano estratégico do Grupo Pão de Açúcar. Entrou em temas como a profissionalização e gestão, distribuindo elogios a Jean-Charles Nouri - chairman e CEO do Casino -, Rafael Klein e toda equipe da Casas Bahia bem como para seus executivos, ressaltando que a integração vai de vento em popa.

Nenhuma palavra sobre plano de compra da parte do Casino no Pão de Açúcar. Indagado, Diniz foi mais que categórico: "Somos sócios há 11 anos e pretendo que esta parceria dure muitos e muitos anos,"assegurou à coluna.


Cloro na piscina

Alexandre Schwartsman, do Santander, não titubeou depois da divulgação da Ata do Copom, ontem, justificando a decisão tomada semana passada de manter a taxa em 10,75% ao ano. "Se alguém tinha alguma dúvida, a mensagem do Banco Central foi clara: não há intenção de subir juros no curto prazo".

O BC foi assertivo na sua visão positiva sobre a trajetória inflacionária.


Quarentena

Nizan Guanaes ainda estuda o destino que dará a MPM - marca do Grupo ABC -, depois que foi retirada da fachada do prédio da Loducca.

E avisa: "Não será aposentada nem tão pouco enviada para a lata do lixo da propaganda".


Do bem

Xuxa topou e será a madrinha de uma campanha contra a exploração sexual infantil.

Fernando Torquatto e outros artistas também serão convidados.


Póstuma

Rogério Ceni não terá um busto tão cedo no Morumbi. Perguntado depois da homenagem prestada ao goleiros por seus 20 anos no Tricolor, Juvenal Juvêncio foi direto: "Estátua aqui no São Paulo só para quem já foi dessa para melhor".


Preservados

Luciana Garcia, advogada da ONG Justiça Global, recebeu com alívio a notícia de que o Ibama autorizou nova base de lançamento de veículos espaciais no território da Aeronáutica, em Alcântara, no Maranhão. "A pressão é grande para que os sítios sejam construídos em áreas quilombolas", explica.


Desembarque

Marcado: se nada acontecer pelo caminho, o iPhone 4 começa a ser vendido no Brasil na virada de quinta para sexta-feira da semana que vem, conforme antecipado ontem no blog da coluna.

Como faz no mundo inteiro, a Apple aguardará até meia-noite, com as lojas abertas, para iniciar as vendas. Preço previsto? R$ 3 mil.

Desde sábado, Vivo e TIM estão oferecendo degustação do aparelho para clientes especiais.


Congelado?

O mundo de futebol está preocupado. Nada andou, desde o dia em que se decidiu formalmente que o Estádio do Corinthians abrigará a Copa de 2014.

O Comitê Organizador da Copa só falará sobre assuntos relacionados a São Paulo quando receber o projeto sabidamente pronto há mais de um mês. Demora? Ao que se sabe, os Correios não estão em greve. Nem aeroportos.


Debate

Alckmin, par constante de Serra, foi a ausência mais sentida no debate, anteontem, promovido pela TV Gazeta e Estadão. Oficialmente, estava muito cansado. Kassab tampouco apareceu.

Índio da Costa foi, ficou e ainda acompanhou Serra na longa madrugada de gravações.


Quem veio para almoçar

Aécio Neves almoçava ontem no restaurante A Bela Sintra, com... Tom Cavalcante. Confundido com Juca Chaves.

Na frente


Sonia e Eleazar de Carvalho Filho recebem convidados para um jantar, domingo, logo após o concerto da OSB em homenagem ao reconhecido maestro Eleazar de Carvalho.

A Bei Editora e a Globomarcas pilotam jantar para poucos na apresentação do livro Passione: um Roteiro pela Toscana. Domingo, no Tre Bicchieri.

Fafá de Belém canta hoje no... Cazaquistão. Mais precisamente, em Astana.

Desta vez não haverá muito espaço para a pirataria. A pré-venda dos ingressos de Tropa de Elite 2 começa hoje pela internet.

Acontece no fim de semana, a Exposição Anual de Plantas e Arte Floral do São Paulo Garden Club, no Centro Brasileiro Britânico. Entre as expositoras, Beatriz Romeiro.

Berlam Belozo aporta em Lisboa para show no Festival Lisbon Unplugged. Amanhã.

Carlos Vergara abre individual na Bergamin. Amanhã.

Pedro Costa participa do debate Cinefilia e Preservação. Hoje, na Cinemateca.

Leo Bassi, clown americano, aceitou convite de Hugo Possolo. Estará no niver do Espaço Parlapatões, amanhã.

Exaustão registrada entre os marqueteiros de Serra e Alckmin: diante do fuso horário de ambos, estão trabalhando 24 horas por dia.

GOSTOSA

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Propostas de dois consórcios se habilitam para monotrilho 
Maria Cristina Frias

Folha de S.Paulo - 10/09/2010

O consórcio Expresso Monotrilho Leste, liderado pela Queiroz Galvão e formado por OAS, Bombardier Brasil, e Bombardier Transport, classificou-se em primeiro lugar ontem na concorrência para o monotrilho que o governo de São Paulo vai fazer na zona leste.
O trecho liga a Vila Prudente à Cidade Tiradentes. A proposta do consórcio, por ora vitorioso, foi no valor de R$ 2,46 bilhões.
Outra proposta também habilitada, a do consórcio Monotrilho Tiradentes, que tem à frente a Odebrecht, além da Hitachi, Camargo Correa, Mitsubishi e Iesa Distribuidora Comercial, foi de R$ 2,98 bilhões.
O Metrô abriu ontem as propostas comerciais para a concorrência do Prolongamento da Linha 2-Verde, vai analisá-las nos próximos dias para depois divulgar o resultado do certame.
Dos quatro consórcios que apresentaram propostas no último dia 30, dois foram inabilitados: o Metropolitano, liderado pela Delta, com Trana Construção e Intamin; e Prolongamento Linha 2-Verde, capitaneado pela Andrade Gutierrez, e formado ainda por CR Almeida e Scomi.
No total, o trecho em metrô leve terá 23,8 km de extensão na ligação entre Vila Prudente e Cidade Tiradentes.
O percurso, que atualmente é feito em duas horas, segundo o Metrô, poderá ser realizado em 50 minutos, o que beneficiaria cerca de 500 mil usuários por dia útil.
Na primeira licitação para a obra, a menor proposta feita foi de R$ 2,99 bilhões, do consórcio liderado por Queiroz Galvão. Na atual licitação, alguns itens exigidos na concorrência anterior, não fazem mais parte.

TRABALHO SEGURADO

Os seguros para atender profissionais liberais impedidos de trabalhar temporariamente por motivo de acidente ou doença estão em alta.
O produto evoluiu devido ao crescimento do mercado informal, segundo Silas Kasahaya, gerente de vida e previdência da Porto Seguro, e acompanha o aumento de renda da população.
Na seguradora, a modalidade consiste em uma cláusula no seguro de vida individual e cobre diárias até R$ 400, de acordo com a região.
O potencial do mercado já atrai outras instituições para o nicho. A Itaú Seguros acaba de lançar o Renda Protegida, com diárias de até R$ 800.
"A renda desses profissionais depende de sua atuação individual. Um acidente ou doença pode comprometer o orçamento", diz Luiz Butori, diretor da Itaú Seguros.
Apesar do aumento, o produto ainda não alcançou seu potencial de mercado, segundo Alberto Filho, superintendente de operações da AD Corretora de Seguros. "Esse seguro não é muito buscado por ser ainda bastante desconhecido", afirma.

EXPANSÃO EM MODA

A Checklist, marca carioca de moda feminina, fecha o ano com 20 novas lojas franqueadas. Dez serão inauguradas em outubro e novembro, sendo uma em Porto Velho (RO), a primeira da região Norte.
"O nosso termômetro está nas multimarcas. O Nordeste e o Norte respondem muito bem", afirma Fernando Giffone, sócio responsável pela grife.
Sete dos lançamentos são no Nordeste e o restante se divide pelo Sudeste e por Brasília. Cada franquia custa R$ 200 mil.
Para 2011, a Checklist, que foi comprada pela Folic há cinco anos, prevê 25 novas lojas. "O foco são as grandes cidades", diz.

Negócios com... A ministra da Economia da Holanda, Maria van der Hoeven, vem ao Brasil na semana que vem para reforçar a estratégia do país em atrair investimentos de empresas brasileiras. Hoeven irá, no dia 16, conferir a recente joint venture entre Cosan e Shell, em uma visita à usina de Piracicaba (SP).

...holandeses A ministra também irá participar do seminário "Holanda - Porta de Entrada na Europa", realizado em São Paulo, com a presença de empresários brasileiros. Uma delegação composta por 24 empresas holandesas acompanha a ministra com o objetivo de incrementar os negócios com companhias brasileiras.

Nuclear A Construtora Andrade Gutierrez, responsável pela construção da Usina Angra 3, registrou, de 26 de julho a 31 de agosto deste ano, 110 novas contratações de funcionários para o canteiro de obras. No local, há 1.806 trabalhadores, sendo 1.404 moradores de Angra dos Reis, 100 de Paraty, 28 de Rio Claro e 274 de outras regiões.

Pesquisa A Anac vai doar R$ 260 mil para equipar o laboratório da Fatec (Faculdade de Tecnologia) de São José dos Campos (SP). O Centro Paula Souza, órgão do governo paulista responsável pelas Fatecs, acaba de criar um curso voltado à construção de aviões mais leves, com tecnologia de fibra de carbono.

Moda milanesa A carioca Osklen acaba de fechar parceria com o Chic Outlet Shopping, especializado em marcas de luxo, que pela primeira vez abre espaço para uma brasileira. A grife ficará instalada em Milão até fevereiro ao lado de grifes como D&G e Versace.

MAPEADO

A Geodinâmica, empresa especializada em implantação de políticas públicas, fechou acordo para desenvolver seu programa de educação ambiental em seis municípios até o final deste ano.
Alguns deles terão parceria da Basf, que lança nesta semana um atlas com fotos em 3D em Campo Mourão (PR), com dados sobre ambiente, história e cultura da cidade, que será adotado pela rede municipal de ensino.
"O trabalho é válido como contrapartida ambiental para as empresas", diz Vinícius Saraceni, diretor-geral da Geodinâmica, que registrou aumento de quatro vezes no faturamento nos últimos dois anos, com o avanço da demanda por projetos ambientais.
O projeto piloto foi lançado em 2009. Ao final deste ano, o trabalho estará em dez municípios, em quatro Estados.

MERVAL PEREIRA

A banalização do dolo 
Merval Pereira 

O Globo - 10/09/2010

A candidata do Partido Verde à Presidência da República, Marina Silva, tocou o dedo na ferida ontem, ao acusar o presidente Lula de não ter agido em benefício do cidadão brasileiro no caso dos sigilos fiscais quebrados sucessivamente em agências da Receita Federal em São Paulo e Minas

Ela se referia ao fato de que milhares de cidadãos comuns tiveram seus sigilos violados por funcionários da Receita, e que o governo, em vez de se desculpar com essas vítimas indefesas e tomar providências imediatas para restaurar a confiança pública naquele órgão, preocupou-se apenas em defender a candidata de seu partido à sucessão.

Marina se referiu a certa altura à “banalização do dolo”, usando uma expressão que ficou famosa na definição da filósofa Hannah Arendt ao se referir aos crimes do nazismo, com base no julgamento de Adolf Eichmann, como a “banalização do mal”.

O que preocupa a candidata do Partido Verde é que fatos graves como a violação de sigilos fiscais numa repartição do Estado brasileiro passam a ser tratados como meras “futricas” de campanha, com o estímulo do próprio presidente da República.

No corolário dessa preocupação de Marina vem uma dúvida, que ela não explicitou: quem pode confiar que a apuração dos fatos pela Receita Federal e Polícia Federal seja rigorosa e republicana, se o próprio presidente da República vai à televisão para garantir aos cidadãos brasileiros que nada aconteceu, que tudo não passa de uma “armação política” contra Dilma Rousseff, coisa da oposição que é “do contra”, não é patriota e tem preconceito contra as mulheres? Marina Silva está preocupada com o estado de apatia que se abate sobre a sociedade nesta eleição, não propiciando um debate mais aprofundado das questões nacionais.

Ela tem se dedicado a incutir a ideia de que é preciso haver um segundo turno na eleição presidencial para que os candidatos finalistas — e ela espera estar entre eles — possam confrontar suas ideias com tempos iguais na televisão e nos debates frente a frente nas televisões.

Com relação à participação do presidente Lula no programa eleitoral de Dilma Rousseff, a sensação entre os políticos, tanto do PV quanto do PSDB, é a de que o presidente fez uma ação preventiva, sentindo nas muitas análises do episódio que este tem potencial para interferir na aprovação de sua candidata, embora os índices das pesquisas de tracking telefônico não indiquem ainda uma mudança de tendência.

Além de ter se exposto a críticas pela sua participação extemporânea, explicitando uma tutela de sua candidata que expõe sua fragilidade, o presidente Lula usou símbolos nacionais em sua aparição, confundindo a posição institucional de presidente da República com a de cabo eleitoral do PT.

Quando se elegeu em 2002, Lula passou bons meses usando um broche com a estrela do PT na lapela e foi muito criticado por isso.

Exigia-se na ocasião que ele abandonasse a postura de líder partidário para colocar na lapela o broche com as armas da República, símbolo da Presidência da República de todos os brasileiros.

Também dona Marisa, a primeira-dama, fez um canteiro no Palácio da Alvorada em forma de estrela, com flores vermelhas, e foi muito criticada por enfeitar um prédio público com suas preferências partidárias.

Pois hoje o presidente Lula faz o contrário: usa símbolos da República para apoiar a candidata petista à sua sucessão.

Já havia usado a biblioteca do Palácio da Alvorada como cenário de um dos programas eleitorais de Dilma, e agora, justamente no dia 7 de setembro, o presidente vai à televisão, com o broche com a bandeira do Brasil na lapela, para fazer uma declaração pública em defesa da candidata que apoia, e não sobre o caso institucional envolvendo a Receita Federal e milhares de contribuintes.

E com o Hino Nacional como fundo musical.

Ainda sobre o papel de José Dirceu na origem da montagem de um aparelho de inteligência e informação no PT e no governo Lula.

As ligações do ex-ministro e deputado federal cassado José Dirceu com Cuba são do conhecimento de todos, e ele não esconde os profundos laços que o unem aos dirigentes cubanos.

Ele esteve asilado em Cuba, depois de ter sido trocado pelo embaixador dos Estados Unidos Charles Elbrick, em 1969.

Quando era o todo-poderoso chefe da Casa Civil, teve participação decisiva no envio de homens da Agência Brasileira de Informações (Abin) para treinar em Cuba.

Segundo justificou na época, e eu registrei na coluna em março de 2005, “o serviço secreto cubano é dos melhores do mundo, junto com o de Israel e o da Rússia”.

Dirceu explicou que, apesar de todo o bloqueio econômico e político, até mesmo a CIA trocava informações com o serviço secreto cubano em matérias de interesse comum, como o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro: “Serviço secreto é assim mesmo, troca informações. Se você tem informação, recebe de volta. Aí não tem nada de política”.

Dirceu deve saber do que fala. Segundo o relato de brasileiros que estiveram exilados com ele em Cuba, mantinha uma relação bastante próxima do comandante Manuel Piñeiro, o Barba Vermelha, chefe do serviço secreto cubano, o famoso G-2.

Um dos guerrilheiros que acompanharam Fidel Castro e Che Guevara na guerrilha de Sierra Maestra, Piñeiro depois se uniu a Guevara na Bolívia.

Nos anos 1970, passou a ser o responsável pela organização do apoio logístico, com armas, dinheiro e treinamento militar, para grupos guerrilheiros da América Latina, tendo estreitado a relação com o jovem líder estudantil José Dirceu.

PARAGUAY

RUY CASTRO

Você sabia que...? 

 Ruy Castro

FOLHA DE SÃO PAULO - 10/09/10

Outro dia lembrei-me da Rádio Relógio, uma emissora especializada em dizer as horas, minuto a minuto, sob os auspícios da Galeria Silvestre, 'a galeria da luz'. Entre um minuto e outro, sobre um incansável som de tique-taque, o locutor dava informações do tipo 'você sabia que...?'. 


Você sabia, por exemplo, que o violonista José do Patrocínio Oliveira, que, em 1942, inspirou a criação por Walt Disney do papagaio Zé Carioca e lhe deu sua voz, era... paulista? Que John Wayne, o maior cowboy do cinema, não gostava de cavalos, não confiava neles e nunca viraria as costas a um deles? E que o escritor Conan Doyle, criador do ultrarracional Sherlock Holmes, acreditava em espíritos, reencarnações e ectoplasmas? 
A Rádio Relógio já fechou há muito, mas seu formato de 'você sabia que...?' ressurge todos os dias nos jornais. E esteve brilhante esta semana. Veja esta notícia: 'Abstêmios [de álcool] vivem menos que abusadores'. Uma pesquisa americana com 1.824 pessoas entre 55 e 65 anos, durante um período xis, descobriu que 69% dos abstêmios morreram no seu decorrer, contra 60% dos que bebiam exageradamente e 41% dos que bebiam com moderação. 
Ou esta: 'Cigarro vicia mais que maconha, diz estudo'. O tal estudo, também americano, demonstrou que 9% dos que experimentaram a erva ficaram dependentes, contra 15% dos que experimentaram álcool e 32% dos que experimentaram tabaco. Ou ainda esta: 'Desemprego no Brasil é menor entre os que não concluíram o 2º grau: 4,7% da população contra 6,1% dos que concluíram'. 
Em pesquisa, você sabe, o que vale é a interpretação. Neste caso, significa que, se você beber todas, fumar maconha em vez de tabaco e largar a escola antes de concluir o 2º grau, tudo indica que viverá mais tempo, não ficará 'viciado' e ainda arranjará emprego.

ANCELMO GÓIS

Brincadeira tem hora 
Ancelmo Góis 

O Globo - 10/09/2010

Marina Silva saiu ontem do debate no GLOBO, no Rio, e foi almoçar com Gilberto Gil, seu amigo verde.

A candidata mimou Gil pelo seu temperamento ameno, incapaz de alterar a voz para alguém, e disse que estava também feliz por estar conseguindo fazer uma campanha “sem agressões”.
Mas...
Mesmo sendo zen, Marina não deixa de estocar os adversários.

Ontem, no encontro no jornal, sobrou para Plínio de Arruda Sampaio, o candidato do PSOL que, no debate da Band, a chamou de “ecocapitalista”.
Foi assim...
Marina, respondendo a uma pergunta sobre a quebra de sigilo fiscal da filha de Serra, disse que ficava triste com o estilo de Plínio, que parece levar tudo na brincadeira: — Brincadeira tem hora. Há coisas que são muito graves.
Eike em Nova York
Jeffrey Immelt, presidente Mundial da General Eletric, reuniu quarta em Nova York 50 executivos tops da empresa para ouvir uma palestra de Eike Sempre Ele Batista.

Immelt é aquele que, por causa da queda de 22% no lucro da GE, abriu mão ano passado de receber um bônus de US$ 14,1 milhões.
Bush e Osama
O “CQC” não vai dar descanso a George W. Bush.

Ontem, foi ao Hotel Fasano, onde o ex-presidente está hospedado, tentar um encontro dele com um sósia brasileiro de seu arquiinimigo, Osama Bin Laden.
Barrados no baileA fiscalização na fronteira entre Brasil e Venezuela, em Roraima, barrou, os... dois tigres brancos, siberianos, que vinham ser expostos no circo Tihany, em turnê organizada pelo Grupo ABC de Nizan Guanaes.

É que a lei brasileira proíbe animais em circos, mas a trupe achou que poderia só exibi-los.
Na fronteira...
Um rugido pra lá, outro para cá, a turma procurou um zoológico interessado nos imigrantes barrados. O de Belo Horizonte até se manifestou, mas aqui particulares também não podem importar grandes felinos.

Os gatões, então, foram doados ao zoo de Caracas.
O outro lado
Sobre a nota que Lula teria dito a Michel Temer para evitar a amizade com o deputado Eduardo Cunha, o presidente da Câmara escreveu para dizer que “jamais ocorreu esta conversa”.
Estádio do Twitter
O Engenhão, principal estádio do Rio até 2013, terá cobertura exclusiva via Twitter.

Numa cabine só para a rede de microblogs, criada pela ALE, dois torcedores ilustres dos times envolvidos nas partidas postarão suas impressões enquanto a bola rolar. A mediação será dos humoristas Silvio Lach e Ulisses Mattos, criadores do perfil @Na_Kombi.

Começa no Fluminense x Corinthians, duelo de líderes, quarta que vem.
Caso médico
Paulo Niemeyer, o cirurgião boa-praça, está com a mão direita bastante ferida.

Ele foi atacado por dois dobermanns.
Diário do FórumRenomado escritório do Rio, o Jorge Lobo Advogados diz que tenta sem sucesso receber da multinacional White Martins por serviços prestados numa negociação com a Receita Federal.
Só Jesus salvaHoje, o padre Benedito, flamenguista roxo e ex-pároco da igreja São Judas Tadeu, vai benzer com águabenta os jogadores na sede do clube na Gávea.

Aliás, reage, Flamengo!
Beija euHoje, às 17h, vai ter beijaço no Largo de São Francisco. É um protesto de Cláudio Rocha, militar, homossexual, candidato a deputado federal pelo PCdoB que tem apoio do Livre, partido em vias de ser criado.

Ele alega que os comunistas não querem sua eleição.

NÃO É DE HOJE que o Hospital Escola São Francisco de Assis, que continua funcionando apesar do estado, precisa de uma baita restauração. A coluna mesmo já botou a boca no trombone contra o estado de abandono. Mas parece, viva!, que agora a coisa vai. O BNDES analisa um pedido de financiamento da UFRJ de R$ 1,8 milhão. Já estão sendo licitadas a restauração do telhado, das fachadas e da varanda do prédio principal. O Minc também aprovou projeto para captação de recursos para restauração total do prédio. O lugar, na Av. Presidente Vargas, perto do Sambódromo, tem história. A pedra fundamental foi lançada pela Princesa Isabel, no fim do século XIX. Ali funcionou “o asylo da mendicidade”, um abrigo que recolhia tanto marginais quanto pessoas pobres, porque na época era proibido morar na rua

GLENDA KOZLOWSKI, a coleguinha que conjuga talento e simpatia em doses generosas, posa durante o intervalo das gravações de “Hipertensão”, o novo reality show da TV Globo, apresentado por ela

PEPEU GOMES e Moraes Moreira relembram os tempos dos Novos Baianos, durante o ensaio para o show que farão juntos, terça, na inauguração do Espaço Acústica, na Praça Tiradentes
Ponto Final
De Sergio Besserman sobre esta última fábula de Lula: — O presidente anda lendo história em quadrinhos. Na vida real, se um ratinho perturbar um elefante, será mais esmagado do que o Mengão nas últimas rodadas.

Faz sentido.

GOSTOSA

CELSO MING



Algo muda no Copom 
Celso Ming
O ESTADO DE SÃO PAULO - 10/09/10

Ontem foi o dia de dois fatos positivos para a economia: uma inflação mensal pela terceira vez consecutiva próxima do zero e uma ata do Copom que aponta claramente para o fim do período de aperto monetário (alta dos juros).
O IPCA, medidor mais importante do custo de vida no Brasil, fechou o mês de agosto com um avanço de apenas 0,04% (havia sido de 0,00% em junho e de 0,01% em julho). E o principal resultado é a convergência da inflação para o centro da meta, de 4,5% não só neste ano, mas também para um período de 12 meses.

Entre os principais fatores que concorrem para a queda da inflação estão a normalização da oferta de alimentos (foco de alta nos primeiros meses do ano), o dólar cada vez mais barato (que está derrubando os preços dos produtos importados) e a conjuntura internacional (que aponta para inflação mais próxima de 1% nos países de alta renda, como Estados Unidos, zona do euro e Japão).

Desta vez, a ata do Copom foi especialmente enfática ao argumentar que o tombo da inflação interna tem muito a ver com a ação da política monetária. Ou seja, o Banco Central lembra que foi também depois do aumento de dois pontos porcentuais no tamanho dos juros básicos a partir de abril que a inflação passou a ser controlada.

O ponto principal da nova argumentação do Banco Central é o de que aumentou a eficácia da política de juros. Isso significa que não é mais preciso, como no passado, usar bombardeio aéreo pesado para controlar os preços. Basta agora um rápido tiroteio com armas leves. Ou seja, o ciclo de alta dos juros não precisa ir tão longe. Isso está acontecendo porque a política ganhou credibilidade (as metas vêm sendo cumpridas); a economia está mais previsível e já permite o esticamento dos prazos dos contratos; o câmbio não está tão volátil, como há alguns anos; e os prêmios de risco da economia estão caindo.

É um arrazoado novo na densa literatura do Banco Central e na condução da política de formação das expectativas. Ocupa o parágrafo 19 da ata e aparentemente se deve, em boa parte, à atuação do novo diretor de Política Econômica, o cearense (de Sobral) Carlos Hamilton Vasconcellos de Araújo.

Os especialistas têm agora farta matéria-prima para novos debates. Primeiramente, vão testar até que ponto o Banco Central está certo em apontar essas novidades. Depois, vão avaliar se essa nova convicção vai definir a futura trajetória dos juros, que, lá na frente, já aponta para baixo.

Essas questões estão longe de ser puramente teóricas. No meio delas, escorrem muitos dólares. Os contratos futuros do mercado financeiro ou quaisquer contratos de longo prazo (pode ser a construção de uma hidrelétrica ou um empréstimo hipotecário) que levam juros prefixados têm de considerar o rumo dos juros básicos. Prever corretamente o que vai acontecer pode economizar muito dinheiro.

Em todo caso, falta conhecer uma variável decisiva. Falta saber o que será a linha do Copom, num Banco Central sob a nova administração que tomará posse em janeiro.

CONFIRA

Mais comida

A produção de grãos deste ano bateu novo recorde. Pelos levantamentos da Conab, chegou a 149 milhões de toneladas. Foi 10,3% maior do que a de 2009 e, conjugada com os bons preços das commodities agrícolas, vai ajudar a puxar o PIB.

O outro levantamento

O IBGE, que também mede a produção agrícola, ainda não fechou o tamanho da safra deste ano. Mas apontou também ontem uma safra de grãos só um pouquinho menor do que a da Conab: 148 milhões de toneladas, aumento de 10,5%.

CLÁUDIO HUMBERTO

Receita não reage contra ingerência política
A crise na Receita Federal não diminuiu, após a nota assinada por ocupantes de cargos do alto escalão pretensamente em “defesa” da instituição. Inconformados, servidores de carreira responsáveis pela reputação conquistada pela Receita como órgão de Estado, exigiam que a nota deixasse claro, mesmo de maneira indireta, que não 
seriam mais aceitas ingerências políticas, agravadas a partir da posse de Lula. 

TUDO COMO ANTES 
A nota foi pífia, evitando o protesto contra ingerência polícia na Receita, para poupar o secretário Otacílio Cartaxo de ser obrigado a se demitir.

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“É um trabalho de quadrilha”
JOSÉ SERRA, CANDIDATO DO PSDB A PRESIDENTE, SOBRE AS VIOLAÇÕES DE SIGILO FISCAL

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LULA TENTA SALVAR ELEIÇÃO DE COSTA E PIMENTEL 
O presidente Lula entrou “de cabeça” na campanha de Minas Gerais, para tentar garantir a vitória de Helio Costa (PMDB) ao governo e o “milagre” de eleger para o Senado o ex-prefeito de BH Fernando Pimentel, que anda muito mal nas pesquisas. Além do comício em Betim, quarta, que devolveu otimismo à campanha, Lula gravou para a TV, ontem, ao lado de Costa, seu vice Patrus Ananias e Pimentel.

RETA FINAL 
Lula prometeu ao PT mineiro e a Helio Costa que vai a Minas uma vez por semana, a partir de agora, na reta final da campanha.

OLHO NAS PESQUISAS 
O PMDB avalia que Helio Costa vencerá no primeiro turno se não for superado por Antonio Anastasia (PSDB) até domingo, nas pesquisas.

PODE ENTRAR MOSCA 
É gritante o silêncio do ex-governador de Minas, Aécio Neves, sobre a violação do sigilo fiscal de tucanos ligados a José Serra.

À BEIRA DA PERFEIÇÃO 
O neto de Dilma nasceu ontem no hospital mais caro de Porto Alegre (RS). Bem longe do SUS, “uma maravilha”, como diz seu mentor Lula. 

BANCADA DO DUDA 
Pilotando campanhas em quinze estados, o marqueteiro Duda Mendonça deve eleger uma “bancada” de pelo menos dez senadores.

DESISTÊNCIA 
Após nova derrota no Supremo Tribunal Federal, Joaquim Roriz (PSC), candidato ao governo do DF, jurou ontem, peremptório: “Não desistirei”. 

SITUAÇÃO DIFÍCIL 
São modestas as chances de Joaquim Roriz no Supremo. O relator do caso, ministro Carlos Ayres Britto, homem honrado e severo, apesar do jeito doce, está entre os que mais festejaram a Lei do Ficha Limpa. 

HIDRANTE 
Após o megalonanico chanceler sugerir que o Brasil influiu no caso da “adúltera” do Irã, surge uma nova missão para a dupla Lula & Amorim: impedir o fanático religioso americano de queimar o Corão.

CADEIA PRIVADA 
O governador do DF, Rogério Rosso (PMDB), continua flertando com o perigo. A cerca de cem dias de acabar seu governo, ele articula a privatização do sistema penitenciário.

ZONA DE PERIGO 
A metralhadora giratória do candidato Fernando Gabeira (PV) ao governo do Rio não vai se limitar ao vídeo sobre as supostas alianças do governador Sérgio Cabral (PMDB) com as milícias: devem entrar em cena documentos provando a influência delas no alto escalão.

PHOTOSHOP ELEITORAL 
Candidato à reeleição ao governo do Piauí, Wilson Martins (PMDB) virou alvo de chacotas pelas imagens maquiadas na TV de um conjunto de casas. Parecia novo em folha, mas o cenário real é bem diferente.

EM FAMÍLIA 
Pendurado na brocha do TSE, desafia o perigo o candidato a senador Paulo Rocha (PT-PA) e personagem petista do mensalão do Pará: seu primeiro suplente, Waldete da Costa (PTB) é irmão do prefeito de Belém Duciomar Costa, que escapou de cassação por abuso de poder.

BIBLIOTECA PARTICULAR 
Em Brasília, o governo restringiu o acesso à ótima biblioteca da Escola Superior de Ciências da Saúde a seu “público interno”. O contribuinte, mesmo o mais pobre, que sustenta tudo isso, agora será barrado.

COITADOS 
Os bancos, que nunca lucraram tanto como no governo Lula, avançam no bolso do correntista: leitor do Rio entrou na Justiça para o Santander devolver os saques indevidos com seu cartão clonado, há 15 dias. 

GENTE HUMILDE 
O PT tem mesmo xodó com o povão: primeiro foi o caseiro Francenildo no escândalo Palocci, agora é um office boy na violação do sigilo. 

PODER SEM PUDOR
SAFADO, VÍRGULA 
Paulo Heslander era deputado pelo PTB e certa vez, no aeroporto de Confins, aguardava na fila quando um passageiro bem vestido, atrás dele, foi chamado a fazer o “check-in” antes de todos.
– Veja só que safado. Vai ver, é deputado – protestou uma passageira.
– Desculpe, minha senhora – reagiu Heslander – Safado ele pode ser, mas deputado não é. Deputado sou eu e estou na fila, como todo mundo...