sábado, setembro 04, 2010

SERRA PRESIDENTE

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Cabeça feita
RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 04/09/10

A um mês do primeiro turno das eleições, 81% dos entrevistados pelo Datafolha afirmam ter feito a opção definitiva para presidente, e 18% admitem revê-la. Também a cristalização da intenção de voto favorece Dilma Rousseff. Entre os que preferem a petista, 85% se declaram totalmente decididos. No caso de José Serra, o percentual é de 77%.
Na semana em que o tucano subiu o tom das críticas à adversária, ele caiu em estratos da população normalmente mais identificados com o PSDB, como o dos eleitores com nível superior de escolaridade (queda de quatro pontos) e do Sul (três pontos).


Deu certo Os serristas comemoraram ontem o fato de que o programa de TV da véspera, quase que todo dedicado a atacar a adversária pela violação do sigilo fiscal da filha do candidato, não foi rejeitado nos grupos de eleitores que o analisaram.

Não deu Já nos grupos monitorados pela campanha de Dilma o programa de Serra foi mal avaliado, além de incompreendido em alguns momentos. Vários eleitores não sabiam quem é Francenildo Costa. O caseiro, que teve o sigilo bancário violado no escândalo que derrubou Antonio Palocci do Ministério da Fazenda, foi citado na fala do próprio tucano.

Prancheta 1 Os advogados de Serra não desistiram de apelar ao TSE para cassar o registro da candidatura de Dilma sob alegação de abuso de poder político. A defesa aguarda a publicação do despacho do ministro Aldir Passarinho, que arquivou a ação inicial, protocolada na terça-feira passada. Como a decisão é monocrática, cabe recurso ao pleno do tribunal.

Prancheta 2 Outra hipótese em estudo na assessoria jurídica da campanha é encaminhar nova ação acrescentando indícios que comprovariam atitude deliberada do governo para "acobertar" as investigações de violação de sigilo na Receita.

Sem chance No núcleo jurídico de Dilma, há convicção de que a ofensiva tucana não irá prosperar na Justiça Eleitoral. Para os advogados, o rito dos procedimentos administrativos adotados na apuração do caso foi cumprido com rigor, o que inviabilizaria caracterizar ação oficial em benefício da candidata.

Mantra A defesa do governo, abraçada pelos dilmistas, seguirá lastreada na tese de que vazamento de dados sigilosos é crime comum.

Risco O único receio do PT é que uma nova ação seja submetida ao crivo da vice-procuradora eleitoral, Sandra Cureau, que propôs multas de até R$ 250 mil para Lula por propaganda irregular.

É comigo Aviso de Paulo Maluf (PP) aos interessados no apoio de Celso Russomanno num eventual segundo turno em São Paulo: a decisão caberá apenas à Executiva estadual do partido, presidida pelo próprio Maluf.

Sem ambiente 1 Magno Malta (PR) foi do Espírito Santo ao Paraná com equipe de filmagem para colher imagem ao lado de Lula, que fez comício em Foz do Iguaçu com Dilma. Comentário de integrante da comitiva: "Se Maómé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé".

Sem ambiente 2 Convidado a falar no comício, o senador causou espécie ao elogiar efusivamente o colega Álvaro Dias (PSDB-PR), adversário de toda a turma que estava no palanque.

Visita à Folha Alejandro de La Peña, embaixador do México no Brasil, visitou ontem a Folha. Estava com Fernando Espinosa, cônsul-adjunto em São Paulo.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELLI

tiroteio

Não sofro assédio de partidos, mas das pessoas. Quando saio às ruas, não consigo andar nem alguns metros sem ser abordado.
DO DEPUTADO CELSO RUSSOMANNO (PP-SP), rejeitando a especulação de que poderia vir a abandonar a disputa pelo governo paulista.

contraponto

O meu, o seu, o nosso

O deputado Bruno Covas (PSDB) pediu a impressão de 200 exemplares de um documento da Assembleia paulista. Seriam cem para ele e cem para um colega. Ao encontrá-lo no plenário, avisou:
-Peguei os meus cem e vou te mandar os seus.
Um terceiro deputado passava por ali, ouviu a conversa e disse, felizmente brincando:
-Onde eu arrumo "cenzinho" também? Estou precisando de recursos para a minha campanha...

A. P. QUARTIM DE MORAES

No reino dos best-sellers

A. P. Quartim de Moraes 
O Estado de S.Paulo - 04/09/10

As listas de livros de ficção mais vendidos no Brasil revelam claramente que a indústria editorial brasileira, no segmento sintomaticamente denominado trade (livros de interesse geral comercializados no varejo), está totalmente atrelada à norte-americana. Muito especialmente na ficção, o livro que não passa, primeiro, pelos best-sellers do jornal The New York Times tem escassas possibilidades de entusiasmar as nossas casas publicadoras. Esse desinteresse - fenômeno de natureza originariamente comercial, fruto também da globalização da economia - condena ao estiolamento a literatura brasileira. Não tem como evoluir uma literatura que não é publicada.


No ranking semanal de ficção divulgado no suplemento Sabático deste jornal em 28 de agosto, dos oito autores dos dez, digamos, romances mais procurados nas livrarias, cinco são americanos (Rick Riordan e Nicholas Sparks, com dois títulos cada, e ainda P. C. Cast, Dan Brown e Lauren Kate). Os outros três são a chilena Isabel Allende e o canadense William P. Young, não por coincidência, ambos radicados nos Estados Unidos, e, last but not least, um brasileiro, o novato Eduardo Spohr, autor de A Batalha do Apocalipse: da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo. A lista da revista semanal Veja é semelhante, à exceção da substituição de Lauren Kate por Paulo Coelho. Questão de critério, já que, na relação do Sabático, O Aleph figura entre as obras não ficcionais. Mas também não faz a menor diferença...
Para publicar um best-seller da lista do New York Times uma editora brasileira precisa investir pesado. Os direitos de publicação dessas obras são geralmente adquiridos em leilões cujos lances costumam superar os US$ 100 mil. E ainda há o custo da tradução, mais o da impressão de uma tiragem inicial de, no mínimo, 15 mil ou 20 mil exemplares necessários para atingir o ponto de equilíbrio. Soma-se a isso o dinheiro gasto na divulgação midiática e comercial. Quando dá certo, é uma beleza! Mas a experiência de prejuízos acumulados com advances não recuperados demonstra dramaticamente que o oráculo supremo das nossas casas publicadoras - as listas do New York Times ou da Amazon - está longe de garantir sucesso de vendas no Brasil.
O negócio do livro nunca foi, em época alguma, em nenhuma parte, campeão de lucros. Mas sempre cumpriu de alguma maneira sua função civilizadora. No entanto, desde que meia dúzia de grandes corporações multinacionais passou a dominar, nos últimos 30 anos, o negócio da comunicação no planeta, absorvendo nos conglomerados as mais importantes editoras europeias e norte-americanas, os conteúdos literários passaram a ser nivelados por baixo, partindo do princípio tolo de que para aumentar o número de consumidores de livros é necessário publicar obras "ao alcance" da maioria.
Bem, esse é o mundo em que vivemos, e ninguém está querendo defender a elitização dos conteúdos literários, a produção exclusiva de biscoito fino para um público selecionado. Cada vez mais, aqui e em todo o mundo, essa é uma tarefa que tem recaído sobre os ombros das pequenas editoras independentes, das casas publicadoras universitárias, daquelas mantidas por instituições públicas ou privadas sem fins lucrativos.
Mas, quando nos deparamos com a presença dominante e quase exclusiva de autores estrangeiros nas listas de romances mais vendidos no País, somos levados a uma de duas conclusões: o nosso big business editorial está negligenciando os autores nacionais ou estes estão desaparecendo/trabalhando mal. Pode-se descartar a segunda hipótese sem medo de errar. Qualquer editor conhece muito bem a enorme quantidade, e a qualidade que daí se pode extrair, de originais oferecidos por miríades de autores inéditos e também, em número igualmente surpreendente, por excelentes escritores que encontram as portas fechadas para seus novos livros apenas porque ainda não conseguiram produzir um best-seller.
Há editores e livreiros que alegam, como que se desculpando, que "o nosso leitor realmente não gosta de histórias brasileiras". Não fica muito claro, mas esse argumento parece significar que o consumidor de livros no Brasil constitui uma elite intelectual que, como tal, tem um gosto apurado demais para o "produto nacional". Daí a tendência natural de oferecer ao distinto público o "produto importado". Muito chique. Mas alguém explique, por favor: a ficção que frequenta as listas do New York Times é, no geral, de feitio a agradar a alguém de "gosto apurado"? É melhor admitir logo que o que importa mesmo é a grana.
A verdade é que literatura brasileira vende pouco porque as grandes editoras, que ditam os rumos do mercado, não estão dispostas hoje, salvo as honrosas as exceções de praxe - e, mesmo assim, vamos com calma! -, a botar dinheiro nela. Ninguém parece atentar para o fato de que conteúdos genuinamente brasileiros vendem, e muito bem, no mundo inteiro, quando se trata de teledramaturgia, porque as nossas emissoras de televisão há 50 anos investem pesado nas novelas e acabaram criando um padrão internacional de excelência.
No mundo do livro, também se investe muito, em caríssimos títulos estrangeiros - grande parte, apenas lixo - que chegam comercialmente credenciados apenas por altos índices de vendas lá fora. Então, se o segredo é o dinheiro, por que não botá-lo com a mesma generosidade na criação literária brasileira? E apoiar a produção literária nacional não significa apenas editar eventualmente uma obra com tiragem de 2 mil exemplares e abandoná-la à própria sorte.
Os publishers brasileiros precisam olhar para o futuro e pensar também na responsabilidade social e cultural que o seu negócio implica.
JORNALISTA, É EDITOR ASSOCIADO DA GLOBAL EDITORA.

QUADRILHA

RUY CASTRO

 Por Newton Mendonça
Ruy Castro
FOLHA DE SÃO PAULO - 04/09/10


A música popular pode ser cruel. Dois homens passam anos compondo juntos, fertilizando-se um ao outro e, por vários motivos – um é cantor, o outro, não; um é tímido, o outro, exuberante; um morre cedo, o outro segue freneticamente ativo –, o segundo engole o primeiro e, talvez malgré lui, torna-se o único autor do que fizeram a dois.
Foi assim com Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, criadores do baião; com Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, autores de Folhas secas, Pranto de poeta, A flor e o espinho, e também assim com Tom Jobim e Newton Mendonça, autores de, entre outros, Desafinado, Samba de uma nota só e Meditação. Mas, para o vulgo, só houve Luiz Gonzaga, Nelson Cavaquinho e Tom.
Newton Mendonça não cantava, era muito retraído e morreu aos 33 anos, em 1960 – justamente quando Samba de uma nota só começava a estourar. A posteridade converteu-o em letrista de Tom, como se ele fosse outro Vinicius ou Aloysio de Oliveira. Acontece que Newton era pianista, um músico completo – tanto quanto Tom, com quem compunha de igual para igual – e, só às vezes, letrista.
Sem ele naqueles anos cruciais, c. 1958, não teria havido a bossa nova. Não por acaso, das sete canções de Tom que, nesses mais de 50 anos, passaram de dois milhões de execuções estão as três com Newton, fundamentais.
Tom também morreu, em 1994, e desde então deu nome ao aeroporto internacional, ao entorno da Lagoa e a um instituto cultural e arrisca-se a virar estátua em Ipanema. Mas Newton nunca foi lembrado para batizar sequer uma sala de aula ou um torneio de peteca na praia.
Vem aí o parque da Bossa Nova, a ser construído pelo governo do Rio no Leblon. Se o chamassem parque Newton Mendonça, em homenagem ao fundador mais esquecido da bossa nova, seria uma reparação justa – e ainda insuficiente.

ANCELMO GÓIS

O novo Iuperj
ANCELMO GÓIS

O GLOBO - 04/09/10 

O cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, 49 anos, foi convidado pelo professor Candido Mendes para comandar a refundação do Iuperj. 

A instituição atravessou grave crise, que levou seus professores, com seis meses de salários atrasados, a romperem com a Universidade Candido Mendes e migrarem para a Uerj. 

Como se sabe.. 

Mendes não se conforma com a debandada e insiste na manutenção do instituto fundado por ele nos anos 1960. 

Aposta alta 

As 435 salas de cinema em que “Nosso lar” estreou ontem são o melhor termômetro para avaliar a expectativa dos distribuidores do filme espírita. 

“Chico Xavier”, a melhor bilheteria do país em 2010, com 3,5 milhões de espectadores, estreou em 338 cinemas. 

O francês da Copa 

Jerôme Valcke, o secretáriogeral da Fifa, chega amanhã ao Brasil. Vem para definir onde será o sorteio das Eliminatórias no mundo inteiro (Rio, SP e Brasília disputam), e o endereço do IBC, o centro de TV da Copa de 14. 

Monsieur Valcke vai se hospedar na casa de Ricardo Teixeira. 

O Alto Leme 

Em reunião com moradores das favelas cariocas Chapéu Mangueira e Babilônia, recémpacificadas, Ricardo Henriques, o secretário estadual de Assistência Social, recebeu sugestão de um líder da comunidade de, para fugir do estigma, mudar o nome do local para Alto Leme. 

É. Pode ser. 

Melhorou um pouco 

A cúpula tucana avaliou ontem que pela primeira vez, o programa de Serra na TV acertou o tom na noite de quinta, quando ele fez uma espécie de pronunciamento sobre a queda de sigilo fiscal da filha Verônica. 

Mesmo assim, a constatação é de que a qualidade é muito inferior à do programa de Dilma Rousseff. 

É que... 

No ninho tucano, o nome de João Santana, marqueteiro da Dilma, sempre é repetido como referência de qualidade. 

O mesmo não ocorre, no QG do PSDB, em relação a Luiz Gonzalez, o santo da casa. 

Chamego no ar 

Os atores Paulo Betti e Aparecida Petrowky estão se conhecendo melhor. 

Bacanas em apuros 

Criou o maior bafafá na Praia de Geribá, em Búzios, a decisão da Justiça Federal que obriga o dono de uma propriedade a demolir o muro de sua casa, desocupar dois metros de areia, recompor a vegetação de restinga local e pagar indenização de R$ 100 mil por danos ambientais. 

É que... 

É a primeira decisão do juiz Bruno Fabiani Monteiro, da Vara Federal de São Pedro d’Aldeia sobre o assunto. 

Só que existe ao menos uma dezena de ações, como essa do MP, na Justiça. 

TV Degase 

Está no ar há dois meses o projeto da TV Degase, que funciona na unidade Ilha do Governador, produzida por dez jovens infratores que fazem a Oficina de Produção e Vídeo. 

Os jovens já entrevistaram o juiz Marcius da Costa Ferreira e a atriz Isabela Garcia. 

Voto consignado 

O vereador Paulo Pinheiro, candidato a deputado estadual, já viu de tudo nas seis campanhas que disputou. 

Mas outro dia ao entregar um santinho a um eleitor na rua, foi surpreendido com uma proposta de permuta: — Se o senhor fizer empréstimo consignado no banco que trabalho, prometo meu voto. 

Há testemunhas 

Cores da Lapa 

É hoje, no Circo Voador, na Lapa, a edição anual da “Outside Party — Love Edition”, festa GLS que bombou em 2009. 

ZONA FRANCA 

Gregório Schor faz homenagem musical a Noel Rosa, amanhã, às 15h, no Club Cib, em Copacabana. 

Cláudio Roditi e Roberto Sion tocam hoje, a partir de 22h30m, na Lapinha. 

Saturnino Braga foi o mais votado, entre 40 candidatos, na eleição do Conselho Diretor do Clube de Engenharia. 

O livro “Carlos Chagas, um cientista do Brasil”, de Simone Kropf e Aline de Lacerda, é um dos finalistas na categoria biografia 52oPrêmio Jabuti. 

Amanhã, tem feijoada na Mocidade, com o Grupo Raça e o Salgueiro como convidados. A partir de 13h. 

CasaShopping coordena recepção aos visitantes da Casa Cor Rio. 

Segunda, a partir de 18h, acontece a 60ado Conexões Urbanas Show, no conjunto de favelas do Alemão. 

A TURMA DA COLUNA se apaixonou à primeira vista pela explosão de cor oferecida por esse caramanchão de buganvília, que cresce no muro dos fundos de uma casa na Rua Silvestre Rocha, em Icaraí, Niterói. É, como bem observa o leitor Ronaldo Brandão, autor da foto, uma boa ideia para enfeitar os muros cariocas, que, muitas vezes, atrapalham nossas paisagens. Eu apoio 

O VERDADEIRO craque da Copa de 2010 (com todo o respeito), a modelo paraguaia Larissa Riquelme, numa das fotos da “Playboy” de setembro, do qual ela é a capa. 

Detalhe: Larissa será a primeira musa a ter um ensaio em 3D. Benza Deus! 

THALITA REBOUÇAS, a querida escritora de sucesso, faz charme (e põe charme nisso), durante a gravação do EE de Bolsa, quadro do “Esporte Espetacular”, da TV Globo. 

PONTO FINAL 

No mais 

Roberto Jefferson, presidente do PTB, que formalmente apoia Serra, tem dito que é difícil segurar a onda de adesão desembestada de políticos do seu partido a Dilma. Na verdade, a vocação do PTB para uma boquinha no governo, seja quem for, é tão certa como o nascer do sol, todo dia. Com todo o respeito.