domingo, agosto 01, 2010
GAUDÊNCIO TORQUATO
As voltas que o mundo dá
Gaudêncio Torquato
O ESTADO DE SÃO PAULO - 01/08/10
A China faz questão de atribuir os êxitos de seu extraordinário crescimento econômico ao que chama de "economia de mercado socialista", que nada mais é que a adoção de mecanismos próprios do capitalismo sob um sistema autoritário, no qual não funcionam as ferramentas das democracias ocidentais, como eleições abertas, separação de Poderes, imprensa livre, preservação de direitos individuais e sociais, etc. Apesar disso, o país não consegue conter a pressão sobre a base do edifício do trabalho e que tem como alavanca o capital, fator que move e direciona as economias contemporâneas, seja qual for o regime político. Gigantes da produção enfrentam ali ondas de greves por aumento de salários. A maior fabricante de produtos eletrônicos do mundo, a Foxconn, elevou em um terço o salário de seus 600 mil trabalhadores e a japonesa Honda, para administrar quatro grandes greves, teve de dar um aumento de 45%, elevando a remuneração para 1.420 yuans (R$ 370, bem menos que o salário mínimo brasileiro, de R$ 510). Chama a atenção o fato de que o território da mão de obra barata por excelência começa a mudar a identidade. Os 150 milhões de migrantes rurais do país ganharam incentivos do governo e, com a renda em alta, começam a se libertar da prisão dos salários precários. O esgotamento do ciclo da mão de obra barata na China já é algo que a vista alcança.
Se é arriscado apostar na tese de que a mais forte nação emergente - e socialista - se curva aos domínios do capital, é razoável supor que a barreira imposta aos mecanismos que dão vida às democracias deixa uma fresta para o respiro social dos ares trabalhistas. Tal escape tem que ver com a válvula da panela de pressão. Não existisse para deixar vazar o vapor, a panela poderia estourar. É preciso convir também que a China faz esforço para se integrar à nova ordem imposta pela sociedade pós-industrial, na qual se abrigam fatores como a expansão desenvolvimentista, o fomento dos setores produtivos, a garantia de postos de trabalho para sustentar populações economicamente ativas e contingentes de aposentados, o incentivo à produção de alimentos e a crescimento dos setores de serviços. A conjunção desses elementos implica menores disparidades sociais, supressão de antagonismos de classes e arrefecimento das facções ideológicas. Por mais que a China proclame sua devoção ao socialismo, não resiste a participar do jogo do mercado, em especial o do tabuleiro do capital e o da mesa dos investimentos. Para não se isolar, o país tem de se ajustar aos parâmetros de uma nova ordem, que busca de maneira incessante meios para atingir a aspiração maior de suas populações: o bem-estar.
Se a China se movimenta em direção ao ponto da roda onde se encontra a praça capitalista, o Brasil, sob a égide das liberdades democráticas, já passeia por ela há bom tempo. Da década de 70 - quando Lula, o metalúrgico, exibia na camiseta a exclamação "hoje não tô bom", expressa por um carrancudo João Ferrador - aos nossos dias, este país deu um giro de 360 graus. Se o regime militar carecia de logotipia revolucionária para simbolizar o contraponto, a redemocratização eliminou excessos e buscou acalmar o espírito social. A barba desgrenhada e as feições de quem estava pronto para entrar no ringue deram lugar a um perfil bem arrumado. A estética ganhou o refino dos melhores salões. E a semântica, apesar de ainda incorporar parcela da linguagem das ruas, apurou significados para corresponder ao novo perfil. Luiz Inácio ganhou o status de mais alta autoridade do País. E transformou o berço que lhe deu fama em gigantesca cama do sindicalismo. Centrais sindicais ganharam posição legal e munição financeira, tomaram conta das relações do trabalho, produziram um dicionário de costumes. Foi assim que o sindicalismo passou a tecer o cobertor que cobre as relações entre o capital e o trabalho e que tem como lema: trabalhadores ganharão mais se as empresas aumentarem a produtividade e os lucros.
Por isso o grevismo tem de ser contido. As conquistas em série passam a ser preservadas e expandidas com a tinta da caneta que jorra forte dos tinteiros das fontes instaladas no Planalto. Sob essa fortaleza, a base sindical no ABC de Lula alargou-se e é a maior em 15 anos, conforme esclarecedora matéria de Marcelo Rehder neste jornal (25/7). A mobilização das categorias incorpora novas motivações. E bloqueios de fábricas podem sinalizar contrariedade e borrar a imagem do governo. Em seu lugar, o clima de harmonia imanta o conceito da administração. E assim avançam os núcleos trabalhistas. Satisfeitos e endinheirados. À procura de novos horizontes. Agora é a mídia que funcionará como tuba própria de comunicação. Em breve os trabalhadores verão sua primeira emissora de televisão, a TVT. O Estado-espetáculo chega, fosforescente, ao mundo do trabalho.
JORNALISTA, É PROFESSOR TITULAR DA USP E CONSULTOR POLÍTICO E DE COMUNICAÇÃO
PAINEL DA FOLHA
Segunda tentativa
RANIER BRAGON
FOLHA DE SÃO PAULO - 01/08/10
Praticamente varridos do Legislativo nas eleições de 2006, congressistas que tiveram o nome ligado à máfia dos sanguessugas planejam a volta aos gabinetes de Brasília ou às Assembleias do país. De um total de 86 deputados federais e senadores contra os quais a CPI ou a Procuradoria da República apontaram indícios de envolvimento, mais da metade -46- são candidatos à Câmara, ao Senado ou às Assembleias.
Entre eles estão o ex-deputado Nilton Capixaba (PTB-RO), acusado de integrar o "braço político" do esquema, e o 2º suplente na chapa ao Senado de Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Gilberto Nascimento, que decidiu na sexta abandonar a disputa, após ser procurado pela coluna.
Processo Nascimento teve o seu caso arquivado pela CPI dos Sanguessugas, por falta de provas, mas o Ministério Público de Mato Grosso -que concentra as investigações- o denunciou por formação de quadrilha e corrupção passiva. Ele diz que se limitou a apresentar uma emenda ao Orçamento e que a Justiça comprovará a lisura de seus atos. Aloysio Nunes afirmou, via assessoria, que tinha ciência apenas do arquivamento do caso na CPI.
Ficha A lista dos candidatos inclui os dois ex-deputados que renunciaram ao mandato para escapar da cassação, Coriolano Sales (PSDB-BA) e Marcelino Fraga (PMDB-ES). Este, porém, é um dos 18 candidatos barrados agora pelos TREs por causa da Lei da Ficha Limpa.
Senado Entre os que concorrem ao Senado ou à suplência, também são réus na Justiça os ex-deputados João Correia (PMDB-AC), Agnaldo Muniz (PSC-RO) e Pastor Amarildo (PSC-TO). No ranking partidário dos 46 candidatos, destaque para PTB (10), PR (9) e nanicos como o PRB (5).
Memória A CPI dos Sanguessugas listou indícios contra 69 deputados. Desses, apenas cinco se reelegeram em 2006. As investigações tomaram corpo com o depoimento da família Vedoin, que revelou a venda superfaturada de ambulâncias a prefeituras, com intermediação de congressistas. Embora a PF e Ministério Público tenham incluído novos nomes no rol de suspeitos, alguns dos listados pela CPI não sofreram processo na Justiça, por falta de provas.
Linguagem 1 O material do PT voltado à juventude, que será distribuído em ato na favela Cidade de Deus (RJ) no próximo sábado, dia 7, cita o Programa Nacional de Combate ao Crack como uma das realizações do governo Lula para os jovens. O programa nacional foi lançado só em maio, após Dilma Rousseff passar a abordar o tema na campanha.
Linguagem 2 Na parte das promessas, Dilma diz que, se eleita, irá "inserir a juventude nos preparativos para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016". Mas não detalha como. As outras sete promessas do panfleto são extensões de benefícios criados no governo Lula.
New look Em junho, quando o marqueteiro João Santana lhe apresentou uma sugestão de roupas para uso nas gravações dos programas de TV, Dilma não gostou muito do que viu. Acabou vetando as peças e indicando uma loja de aluguel de roupas de Porto Alegre.
Contenção Coordenador da campanha de José Serra, o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) agendou um comício para o candidato em Pernambuco, no sábado. No Estado, há uma debandada em curso de prefeitos e candidatos a deputado.
com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER
Tiroteio
"Há oito anos o Brasil sabe o que Dilma pensa. Já o Serra mais parece um camaleão: começou a campanha dizendo que não era de oposição e hoje parece um troglodita." DO DEPUTADO CÂNDIDO VACCAREZZA (PT-SP), sobre a afirmação de Serra de que não sabe o que sua adversária pensa porque ela não iria a debates.
Contraponto
O tempo voa
Agora candidato ao Senado, o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) tentava driblar um plenário da Câmara lotado, em março, para chegar à tribuna:
-Presidente, o congestionamento tirou quase um minuto do tempo da minha fala! Quando cheguei à tribuna, ele já estava correndo!
-É que aqui as coisas passam rapidamente -, devolveu Michel Temer (PMDB-SP). Ao que Aleluia, 62, resolveu apelar, para gargalhada geral:
-É que eu já não tenho tanta mobilidade assim.
MÍRIAM LEITÃO
Lendo o passado
Miriam Leitão
O GLOBO - 01/08/10
Dias atrás, Roberto da Matta e eu concordamos sobre a frase que mais gostamos no livro “Paris é uma festa”, de Hemingway: “todas as gerações são perdidas.” No contexto, a frase ganha em beleza e significado. Minha geração se perdeu entre dois horrores: a ditadura e a hiperinflação. Vivemos entre eles nossa infância, adolescência e juventude. Já éramos maduros quando a inflação foi derrubada.
A maioria dos brasileiros de hoje não viu a ditadura que tornava qualquer pequena rebeldia em ato contra a segurança nacional.
Tem apenas vagas lembranças, ou relatos da família, sobre a hiperinflação que tornava cada ato banal da vida, como fazer as compras do mês, pagar as escolas das crianças, planejar as férias de fim de ano, um enorme tormento que exigia cálculos, perícia e capacidade de prever o imprevisível. Hoje, quando a preocupação que mobiliza os analistas é se a inflação do ano ficará um ponto ou 0,75 ponto percentual acima dos 4,5% da meta, parece delirante aquele cotidiano.
Mês passado, na cidade em que nasci, me encontrei com sete amigos de adolescência.
Éramos nos anos 70 jovens românticos com a dose certa de rebeldia e inquietação de uma juventude saudável. Nosso maior desafio à ordem vigente era ler tudo o que conseguíamos ler, e passar horas em discussões infindáveis sobre como enfrentar o poder militar, como se tivéssemos essa força. Nos relatos dos serviços secretos do regime, fomos definidos como “o grupo Caratinga”, e tratados como ameaça ao regime.
Tempos depois fomos todos presos; alguns sofreram muito. O reencontro foi para uma delicada homenagem da cidade. Na praça principal foi colocada uma placa com nossos nomes e a frase: “Para que não se esqueça e nunca mais aconteça.” O difícil foi explicar para os jovens o que o grupo tinha feito de tão ameaçador.
Eles não entendiam como nossos pequenos atos de contestação poderiam ter levado alguém à prisão. Pois é. Era outro tempo, felizmente findo.
Saímos do horror político para o econômico. No início do período democrático a inflação disparou chegando à hiperinflação.
Outro dia, vi um ministro do atual governo acusar um dos seus críticos de ter “criado a hiperinflação.” É preciso não ter entendido coisa alguma do complicado processo para achar que aquela longa doença foi imposta pela ação de uma só pessoa. Ela nasceu dos equívocos cometidos ano após ano na economia brasileira. Uma de suas raízes foi, sem sombra de dúvida, a desordem fiscal deixada como herança pelos militares. Eles achavam que o Estado tinha o poder de forçar o crescimento econômico através da distribuição de favores, subsídios e dinheiro público a algumas empresas escolhidas. Eles achavam que era inofensivo criar atalhos na contabilidade do dinheiro público, através dos quais se gastava muito sem que isso aparecesse nas contas públicas. Eles estavam convencidos de que bancos públicos e empresas estatais devem ser braços do governo para políticas públicas discutíveis, e que podem emprestar dinheiro umas às outras na base da camaradagem.
O país perdeu anos para entender o mal feito e sanear os enormes e intrincados passivos que ficaram desse período do voluntarismo econômico e de descuido fiscal. Uma lição foi que a conta não aparece de imediato. Num primeiro momento, tudo parece até meritório já que o país cresce em marcha forçada. A segunda lição é que a conta sempre chega.
A economia não aceita desaforos.
Ela os devolve em forma de inflação, recessão, desequilíbrios.
O pior que pode acontecer a uma geração é não saber onde foi que ela se perdeu. Na política, o erro foi a falta de respeito à democracia representativa.
Com todos os defeitos que tenha, seus rituais têm que ser seguidos rigorosamente.
Decisões da Justiça têm que ser cumpridas. Limites à ação do governante têm que ser respeitados.
Palavras dos líderes de menosprezo às instituições devem ser evitadas.
O cientista político Jorge Castañeda, no debate com Roberto da Matta que mediei, disse que o governo da Venezuela não pode ser descrito como uma ditadura, como aquelas que a América Latina viveu nos anos 70, mas não é mais uma democracia. O entendimento de quanto Hugo Chávez está minando as bases democráticas é fundamental para se saber que erros evitar. Seu ataque sistemático à independência dos poderes, à liberdade de imprensa são perigosos demais num continente onde a democracia é recente e de presença errática.
Não por acaso é a Venezuela que vive a maior inflação do continente. Pode chegar a 40% este ano.
Não por acaso é o país onde o presidente decide que empresas devem viver, atuar, investir; ou que empresas terão seus bens estatizados.
O Brasil sabe o que deve evitar. Em alguns dos seus atos, o governo atual tem perigosamente repetido o intervencionismo econômico, a distribuição de favores às empresas, a criação de atalhos fiscais que nos levaram à longa doença econômica. Hoje, tudo parece festa. O Brasil é uma festa. Só não vê os riscos os muito jovens.
Os que repetem hoje os erros de ontem nem podem alegar desconhecimento.
Eles viram o resultado.
Pertencem às gerações que perderam anos no esforço de corrigir o legado dos equívocos econômicos.
Uma geração pode ser considerada definitivamente perdida quando comete duas vezes o mesmo erro. É o que me assusta quando vejo velhos desvios repetidos no tempo presente.
EMÍLIO ODEBRECHT
Lições para não esquecer
EMÍLIO ODEBRECHT
FOLHA DE SÃO PAULO - 01/08/10
Em uma noite há semanas atrás, surpreso com a avalanche de notícias sobre dois casos policiais (o assassinato de uma jovem advogada em São Paulo e o suposto envolvimento do goleiro Bruno, do Flamengo, em episódio ainda não esclarecido pela polícia), decidi cronometrar o espaço que lhes seria dedicado nos jornais de TVs abertas e a cabo: nada menos do que 57% do tempo daqueles que pude assistir.
Contudo, o que me chamou a atenção não foi apenas a quantidade de tempo usada com os dois assuntos durante vários dias, mas, principalmente, a abordagem da cobertura jornalística, marcada aparentemente pelo compromisso exclusivo com os índices de audiência.
Não tenho dúvidas de que são acontecimentos que mexem com a opinião pública e que cabe à imprensa selecionar e noticiar os fatos que impactam nosso dia a dia. Porém, o papel adicional que a televisão pode exercer, de contribuir para a formação das pessoas em momentos como este, não pode ser esquecido.
Fiquei com a sensação de que, refém dos índices de audiência, a televisão acaba se deixando dominar por notícias dessa natureza. Em quase sua totalidade, o noticiário concentrou-se na exibição e no relato de detalhes que atraem uma certa curiosidade mórbida dos espectadores, sem buscar no bojo das tragédias as profundas lições que deixam e que servem para educar para a vida as novas gerações. Na cobertura jornalística dos dois fatos, o tratamento tem sido semelhante ao que é dado aos espetáculos, quando, em minha opinião, deveria ser aproveitada a oportunidade para reflexão, análise e investigação serena e cuidadosa das causas que resultam em episódios tão dramáticos.
No caso do goleiro Bruno, por exemplo, muitos aspectos poderiam ser aprofundados pelas reportagens das TVs. No Brasil, olhamos com um certo descompromisso para jovens como ele, que, de repente, sem o menor preparo pessoal ou social, se deparam com o sucesso e a riqueza. Transformam-se em ídolos, fazem opinião, são imitados, mas perdem a noção dos limites e acabam vítimas trágicas das próprias escolhas – porque não receberam na hora certa amparo e orientação.
É desejável, portanto, que a televisão mude o enfoque ao contar essas histórias, de modo a retirar de cada uma delas lições que sirvam à construção de uma sociedade melhor. Ter a audiência como a única referência da quantidade e da qualidade da abordagem é visão de curto prazo – porque, dessa forma, as emissoras não criarão telespectadores mais críticos e mais preparados para assistir programas melhores no futuro. Perdem elas próprias, perde a sociedade, perde o Brasil.
LUIS FERNANDO VERISSIMO
O GLOBO - 01/08/10
por baixo dos tailleurs judiciais, no filme. Mas pelo pouco que deu para ver, ele também é perfeito.
O perigo, depois do sucesso do filme, que venceu o Oscar de melhor estrangeiro, é levarem a Soledad embora, e da próxima vez que a virmos ela ser uma coadjuvante mexicana num filme de Hollywood. Proponho que se comece uma campanha preventiva, “Fica, Soledad”, para impedir que isto aconteça. Fique na Argentina, Soledad. Ou venha para o Brasil. Lá em casa tem lugar.
CLÁUDIO HUMBERTO
“A internet é um abacaxi, tem que cortar devagarzinho”
ERICK WILSON PEREIRA, JURISTA, SOBRE A UTILIZAÇÃO DESSA NOVA FERRAMENTA DE CAMPANHA
GOVERNO LULA TORROU R$ 3,83 BILHÕES EM DIÁRIAS
Desde o primeiro ano de governo até agora, a administração chefiada pelo presidente Lula já gastou R$ 3,83 bilhões no pagamento de diárias a assessores e funcionários em supostas “viagens de serviço”. O recorde foi o ano de 2009, com R$ 791 milhões pagos a título de diárias para viagens, mas o ano de 2010 segue no mesmo padrão: nos seis primeiros meses deste ano já fora torrados R$ 347,1 milhões.
COMPARAÇÃO
O governo FHC gastou em média R$ 32,7 milhões ao mês, segundo a Controladoria Geral da União. Na era Lula, subiu: R$ 57,8 milhões.
TUDO A VER
Petistas detestam Joaquim Roriz (PSC) e vice-versa, mas o candidato ao governo do DF foi um dos fundadores do PT em Goiânia.
EXCLUÍDOS
O morador de rua “Zezé di Camargo”, que não tem endereço fixo há 11 anos, é candidato a deputado estadual pelo PRTB no Mato Grosso.
PERGUNTA BAIXINHO
Será que após virar “mulher de malandro” do PT, o ex-quase-tudo Ciro Gomes se incomodaria com o apelido “Mico Gomes”?
LEI MANDA O PT RESSARCIR USO DO AIRBUS DA FAB
Lula pode até usar o avião presidencial para participar de comícios da sua candidata Dilma Rousseff (PT), mas os custos decorrentes devem ser ressarcidos ao Tesouro Nacional pelo PT. É o que dispõe a lei 9504/97, cujo artigo 76 é camarada com o presidente, na medida em que fixa ressarcimento correspondente ao aluguel de um jato do tipo táxi aéreo. Mas ninguém fala nisso – governo, PT ou oposição.
ORA, A LEI
No capítulo “Condutas Vedadas ao Agente Público”, a lei 9504/97 só prevê o uso de avião presidencial em campanha de reeleição.
PÁGINA VIRADA
O PT apagou a página http://pt.uol.com.br/ do Foro de São Paulo na internet, mas tuiteiros colocaram na rede em http://bit.ly/bIzoDH.
BEM NA FOTO
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) é o que mais deferências especiais recebe de Lula. Mas não se envaidece, como outros pavões.
RESERVA DE MERCADO
A exclusão do PMDB do “G7”, grupo que comanda a campanha de Dilma, foi um recado claro: os petistas não confiam na turma do vice Michel Temer. Querem o PMDB longe da arrecadação de dinheiro.
AQUI MANDO EU
A ministra Erenice Guerra foi assessora e tem um jeitão de Dilma, mas seu estilo rendeu a ela comparações ao ex-ministro José Dirceu. Os funcionários da Casa Civil se referem a Erenice como “Dirceuzinha”.
SUBSECRETÁRIO
O ministro José Artur Filardi (Comunicações) perdeu poder para a ministra Erenice Guerra. Não manda mais nos Correios, na Telebrás, na banda larga. E ela agora vai indicar outro petista para a Anatel. Filardi virou um “subsecretário da Casa Civil para Comunicações”.
RIPONGA RICA
Com jeito riponga e anéis de prata em todos os dedos, a primeira-dama da Nicarágua, que veio com o tiranete Daniel Ortega ao Brasil, parece ter vindo a pé dofestival de Woodstock, e enriquecido no caminho.
FRUSTRAÇÃO
Funcionários dos Correios encomendaram fogos para celebrar a saída do ex-presidente da estatal, Carlos Henrique Custódio, prevista para o dia 30, mas Lula a antecipou para o dia 28 e ainda não havia fogos.
TAMOS FORA
José Serra adiou o encontro com ONGs ambientalistas nesta segunda, em Belém. São organizações, que, apesar de “não-governamentais”, vivem penduradas nas tetas do governo. Dilma Rousseff nem agendou.
LEITE DERRAMADO
A polêmica na Itália agora é o leite congelado brasileiro na mussarela de búfala, importado de uma fazenda no Brasil, que estará à venda em agosto. O governo italiano mandou ficar de olho na origem do produto.
REPRISE DO BESTEIROL
Um presidente e um ex concorrem a deputado estadual no Amapá: o “Lula” e o “Jucelino Kubstcheck” (sic). Ambos declaram não ter bens. Na Bahia, concorrem outro Lula, e um Lulinha, que não é filho dele. E um candidato “Presídio”. Pernambuco tem o Irmão Isaías da Coxinha...
PENSANDO BEM...
Com o “Dilma vai ganhar”, o subdiplomata Marco Aurélio Garcia já deve estar ensaiando seu inesquecível “top top” para o derrotado.
PODER SEM PUDOR
CORRUPTOS NO PAREDÓN
Em visita ao Rio de Janeiro, certa vez, Fidel Castro foi homenageado, em banquete, por Vasco Leitão da Cunha. De repente, aproximou-se de sua mesa um homem gordo e vermelho, que afirmou, em tom grave:
– Senhor primeiro-ministro, só não lhe perdôo os fuzilamentos em Cuba...
Fidel respondeu na bucha:
– Posso assegurar que só fuzilei ladrões dos dinheiros públicos e cáftens.
Ele respondia a Ademar de Barros, que se retirou.
ERICK WILSON PEREIRA, JURISTA, SOBRE A UTILIZAÇÃO DESSA NOVA FERRAMENTA DE CAMPANHA
GOVERNO LULA TORROU R$ 3,83 BILHÕES EM DIÁRIAS
Desde o primeiro ano de governo até agora, a administração chefiada pelo presidente Lula já gastou R$ 3,83 bilhões no pagamento de diárias a assessores e funcionários em supostas “viagens de serviço”. O recorde foi o ano de 2009, com R$ 791 milhões pagos a título de diárias para viagens, mas o ano de 2010 segue no mesmo padrão: nos seis primeiros meses deste ano já fora torrados R$ 347,1 milhões.
COMPARAÇÃO
O governo FHC gastou em média R$ 32,7 milhões ao mês, segundo a Controladoria Geral da União. Na era Lula, subiu: R$ 57,8 milhões.
TUDO A VER
Petistas detestam Joaquim Roriz (PSC) e vice-versa, mas o candidato ao governo do DF foi um dos fundadores do PT em Goiânia.
EXCLUÍDOS
O morador de rua “Zezé di Camargo”, que não tem endereço fixo há 11 anos, é candidato a deputado estadual pelo PRTB no Mato Grosso.
PERGUNTA BAIXINHO
Será que após virar “mulher de malandro” do PT, o ex-quase-tudo Ciro Gomes se incomodaria com o apelido “Mico Gomes”?
LEI MANDA O PT RESSARCIR USO DO AIRBUS DA FAB
Lula pode até usar o avião presidencial para participar de comícios da sua candidata Dilma Rousseff (PT), mas os custos decorrentes devem ser ressarcidos ao Tesouro Nacional pelo PT. É o que dispõe a lei 9504/97, cujo artigo 76 é camarada com o presidente, na medida em que fixa ressarcimento correspondente ao aluguel de um jato do tipo táxi aéreo. Mas ninguém fala nisso – governo, PT ou oposição.
ORA, A LEI
No capítulo “Condutas Vedadas ao Agente Público”, a lei 9504/97 só prevê o uso de avião presidencial em campanha de reeleição.
PÁGINA VIRADA
O PT apagou a página http://pt.uol.com.br/ do Foro de São Paulo na internet, mas tuiteiros colocaram na rede em http://bit.ly/bIzoDH.
BEM NA FOTO
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) é o que mais deferências especiais recebe de Lula. Mas não se envaidece, como outros pavões.
RESERVA DE MERCADO
A exclusão do PMDB do “G7”, grupo que comanda a campanha de Dilma, foi um recado claro: os petistas não confiam na turma do vice Michel Temer. Querem o PMDB longe da arrecadação de dinheiro.
AQUI MANDO EU
A ministra Erenice Guerra foi assessora e tem um jeitão de Dilma, mas seu estilo rendeu a ela comparações ao ex-ministro José Dirceu. Os funcionários da Casa Civil se referem a Erenice como “Dirceuzinha”.
SUBSECRETÁRIO
O ministro José Artur Filardi (Comunicações) perdeu poder para a ministra Erenice Guerra. Não manda mais nos Correios, na Telebrás, na banda larga. E ela agora vai indicar outro petista para a Anatel. Filardi virou um “subsecretário da Casa Civil para Comunicações”.
RIPONGA RICA
FRUSTRAÇÃO
Funcionários dos Correios encomendaram fogos para celebrar a saída do ex-presidente da estatal, Carlos Henrique Custódio, prevista para o dia 30, mas Lula a antecipou para o dia 28 e ainda não havia fogos.
TAMOS FORA
José Serra adiou o encontro com ONGs ambientalistas nesta segunda, em Belém. São organizações, que, apesar de “não-governamentais”, vivem penduradas nas tetas do governo. Dilma Rousseff nem agendou.
LEITE DERRAMADO
A polêmica na Itália agora é o leite congelado brasileiro na mussarela de búfala, importado de uma fazenda no Brasil, que estará à venda em agosto. O governo italiano mandou ficar de olho na origem do produto.
REPRISE DO BESTEIROL
PENSANDO BEM...
Com o “Dilma vai ganhar”, o subdiplomata Marco Aurélio Garcia já deve estar ensaiando seu inesquecível “top top” para o derrotado.
PODER SEM PUDOR
CORRUPTOS NO PAREDÓN
Em visita ao Rio de Janeiro, certa vez, Fidel Castro foi homenageado, em banquete, por Vasco Leitão da Cunha. De repente, aproximou-se de sua mesa um homem gordo e vermelho, que afirmou, em tom grave:
– Senhor primeiro-ministro, só não lhe perdôo os fuzilamentos em Cuba...
Fidel respondeu na bucha:
– Posso assegurar que só fuzilei ladrões dos dinheiros públicos e cáftens.
Ele respondia a Ademar de Barros, que se retirou.
DOMINGO NOS JORNAIS
- Globo: Governo não fiscaliza repasses de R$ 162 milhões a sindicatos
- Folha: Petistas fazem dossiê contra ministro do PT
- Estadão: Fatia do Tesouro nos recursos do BNDES cresce mais de 500%
- JB: Cultura do 'pega' se espalha na internet
- Correio: Trânsito em Fúria
- Jornal do Commercio: Fantasia de aluguel
sábado, julho 31, 2010
RUY CASTRO
Canastrão incongruente
RUY CASTRO
FOLHA DE SÃO PAULO - 31/07/10
Na Hollywood clássica havia um canastrão oficial: Victor Mature. Até ele achava. Certa vez, por não aceitar atores como sócios, um clube de golfe de Los Angeles recusou sua inscrição. Mature se defendeu: "Não sou ator. E tenho 64 filmes para provar isto". Ator ou não, ganhou um Oscar (de coadjuvante, por "Paixão dos Fortes", em 1946) e ficou famoso com "O Beijo da Morte" (1947), "Sansão e Dalila" (1949) e "O Manto Sagrado" (1953).A carreira de Mature durou dez anos -em 1955, ninguém queria saber mais dele. Já a carreira de Sylvester Stallone, que lhe copiou os papéis, os músculos e a carantonha, completou 40. E olhe que, comparado a Stallone, Victor Mature era sir Laurence Olivier.
Stallone, que andou rodando um filme aqui, disse outro dia: "No Brasil, ao filmar, pode-se demolir casas e explodir prédios de verdade e matar gente. Eles agradecem e ainda nos dão um macaco de presente". Não sei se a realidade do Brasil é essa, se a nossa hospitalidade chega a tal ponto e se há tantos macacos disponíveis. Stallone poderia ter dito também que saiu devendo dinheiro a um bando de gente no Brasil, não pretende pagar e o calote ficará por isso mesmo.
Sua diatribe foi ingrata, injusta e incongruente porque a explicação para seu sucesso reside justamente no embrutecimento do cinema americano -no fato de que, de 1980 para cá, este se reduziu a uma extensão da indústria de explosivos. Nos filmes de Stallone e de outros como ele, a ação se resume em demolir cidades, cenários e seres humanos. Os americanos adoram isso, não vivem sem.
Confesso que, até hoje, só vi um filme de Stallone: o primeiro "Rambo" (1982). Ali decidi que não precisaria ver outros. Significa que há 28 anos não saio de casa para assistir às suas porcarias. Na verdade, deveria ser-lhe grato pela excepcional qualidade de vida que tenho levado desde então.
EDITORIAL - O ESTADO DE SÃO PAULO
O preço da verborragia
EDITORIAL
O Estado de S.Paulo - 31/07/10
Também os presos políticos cubanos não tinham como responder ao dirigente brasileiro quando, em março último, ele condenou a greve de fome que levou à morte o dissidente Orlando Zapata Tamoyo, por sinal na véspera de uma visita de Lula a Havana, onde considerou o seu sacrifício "um pretexto para liberar as pessoas" - e foi além. "Imagine", comparou, "se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade."
Muito menos poderia retrucar ao presidente a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento por alegado adultério. Perguntado dias atrás sobre a campanha "Liga Lula" para que interceda pela sentenciada junto ao seu bom amigo Ahmadinejad, ele reagiu: "As pessoas têm leis. Se começarem a desobedecer as leis deles para atender o pedido de presidentes, daqui a pouco vira uma avacalhação."
Mas há quem possa dar-lhe o troco. Foi o que fez o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, depois que um leviano e boquirroto Lula desdenhou do agravamento das tensões entre Bogotá e Caracas. O protoditador Hugo Chávez rompeu as relações da Venezuela com o país vizinho em represália à decisão colombiana de apresentar na OEA as provas da presença de 1.500 membros da organização narcoterrorista Farc em território venezuelano, obviamente sob a proteção do caudilho.
Lula, cuja primeira manifestação a respeito já tinha deixado claro o seu alinhamento automático com Chávez - "as Farc são um problema da Colômbia, e os problemas da Venezuela são da Venezuela", sofismou -, reincidiu na quarta-feira, véspera da reunião dos chanceleres da ineficaz União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em Quito. O tema do encontro, que deu em nada, era o conflito político entre os dois países. "Falam em conflito, mas ainda não vi conflito", minimizou Lula. "Eu vi conflito verbal, que é o que mais ouvimos aqui nessa América Latina."
Equiparar a um bate-boca um problema dramático para a Colômbia, que passou 40 anos sob o terror das Farc antes de serem reduzidas à mínima expressão possível pela firmeza com que as enfrentou o presidente Uribe, foi nada menos do que um inconcebível insulto a uma nação e ao seu governante. Uribe, que difere de Lula por falar pouco e fazer muito, não poderia fingir que não ouviu a afronta.
Ele replicou com a mais dura mensagem já dirigida a um chefe de Estado brasileiro, até onde chega a memória. "O presidente da Colômbia", dispara a nota, "deplora que o presidente brasileiro, com quem temos cultivado as melhores relações, refira-se a nossa situação com a Venezuela como se fosse um caso pessoal." Uribe ainda o acusou de ignorar a ameaça que a presença das Farc na Venezuela representa "para a Colômbia e o continente".
Trata-se da primeira demonstração da perda de respeito por Lula no exterior - e ele só tem a culpar por isso a sua irreprimível logorreia. Não terminasse o seu mandato daqui a 5 meses, a erosão de sua imagem internacional só se intensificaria. Não seria de espantar se um dia alguém o admoestasse, como o rei da Espanha, Juan Carlos, fez com o bravateiro Chávez, perguntando-lhe: "Por qué no te callas?" Não bastasse a grosseria, Lula nada fez para assegurar aos colombianos de que poderia ser um intermediário isento entre Bogotá e Caracas.
Ele parece ecoar a batatada do chanceler venezuelano Nicolas Maduro, que falou de "um plano de paz sul-americano" para resolver "a questão de fundo" da Colômbia com as Farc. Ao que o seu colega colombiano Jaime Bermudez contrapôs ironicamente a ideia de um hipotético "plano de democracia para a Venezuela". Pensando bem, talvez fosse mesmo melhor Lula se ocupar do Irã em vez de fazer papelão perante os vizinhos do Brasil.
ZUENIR VENTURA
Indelicadeza
Zuenir Ventura
O GLOBO - 31/07/10
Não falo por mim, que sempre fui muito bem tratado pela Flip, da qual participei mais vezes até do que merecia, desde as primeiras edições. O que não entendo é o critério de seleção dos autores convidados.
Por ser uma iniciativa privada - das mais louváveis - sei que ela não precisa prestar contas: convida quem quiser de onde quiser.
Mas, por se tratar de um dos mais importantes eventos culturais do país, ela poderia ter evitado o que aconteceu este ano, quando um imprevisto resultou num gesto no mínimo deselegante da organização. Refirome à participação de Ferreira Gullar, cuja mesa ("Gullar 80") é apresentada assim: "No ano em que completa 80 anos, prestes a lançar LIVRO novo e poucas semanas após receber o 'Camões', o mais importante prêmio da língua portuguesa, o poeta Ferreira Gullar é o homenageado desta mesa em Paraty. Ele passa em revista sua trajetória e lê trechos de 'Em parte alguma', seu aguardado LIVRO de poemas." Portanto, segundo os próprios organizadores, uma presença mais do que justificada.
No entanto, apesar de todas essas circunstâncias e credenciais, o autor de "Poema sujo" só foi escalado para falar sobre sua obra na última hora, em substituição ao titular, o escritor italiano Antonio Tabucchi, que, por problemas de saúde, não pôde vir. O remédio então foi recorrer ao poeta maranhense, que estava à mão.
Se não fosse isso, sobraria para ele apenas a LEITURA de poemas de Carlos Drummond de Andrade junto com outros três colegas. Aliás, Drummond, com os 50 anos de "Alguma poesia", e José Saramago - com trechos do documentário "José & Pilar" - só receberam homenagem porque o músico Lou Reed cancelou sua participação na festa literária, deixando vago um horário. Assim, por acaso, quem saiu ganhando com a defecção dos estrangeiros foi a literatura de língua portuguesa.
Quanto a Ferreira Gullar, alguém pode alegar que ele já é por demais conhecido aqui. Quem se interessaria ainda em pagar para ouvi-lo? A resposta foi dada pelo público: as inscrições para sua mesa esgotaramse em menos de duas horas. Até por esse critério, o poeta e ensaísta, crítico de arte e cronista merecia ter sido a primeira opção, não a última.
O documentário "Uma noite em 67" é uma deliciosa viagem musical a um tempo em que tudo parecia melhor. Não era, mas a distância faz parecer. Foi a memorável noite de "Alegria, alegria", "Domingo no parque", "Roda viva", "Ponteio", entre outras.
Não sei se a gente sabia que estava assistindo a uma síntese do que seria a trilha sonora de uma geração.
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