quarta-feira, maio 26, 2010

DORA KRAMER

Veracidade ideológica 
Dora Kramer 

O Estado de S.Paulo - 26/05/2010

Quem almeja um posto por meio da conquista de votos evidentemente precisa mostrar os seus melhores atributos aos potenciais eleitores.


Daí que ressaltar qualidades e amenizar defeitos não subtrai legitimidade de candidatos nem faz de ninguém só por isso um fingidor. Mas há limites.

O exemplo clássico no que tange à ultrapassagem de todos eles na montagem de um candidato cujas ações eram meras reações às demandas detectadas pela área de marketing da campanha e depois de eleito revelou-se um presidente inepto, foi Fernando Collor de Mello.

Mas, deixemos as profundezas aos seus e voltemos à superfície que nada tem a ver com aquilo que nos serve apenas como referência extrema sobre os riscos dos exageros nos truques e das encenações a que se prestam os políticos para sensibilizar, despertar simpatia ou mesmo não ferir suscetibilidades do eleitorado.

Há maneiras e maneiras de se fazer isso. Resultados e resultados. Uns ficam pelo meio do caminho, vítimas de personagens excessivamente postiços. Quem se sai melhor aproveita o que já havia de bom em si e deixa fluir a autenticidade. Prova clássica e máxima: Luiz Inácio.

Mas, antes de falar dele nesse contexto face à campanha eleitoral em curso para dizer de Dilma Rousseff, falemos do adversário, José Serra, que ontem na sabatina dos candidatos (vamos nos acertar que pré-candidato é eufemismo?) na Confederação Nacional da Indústria apareceu de roupa nova.

Ou melhor, de roupa velha. Quem se sentou ali com os empresários já não era o sujeito inexpressivo que não se assumia de situação nem de oposição. Que depois de alinhavar um projeto de boas pensatas no marco inicial da trajetória em 10 de abril passou o resto do tempo fazendo repetidas louvações ao presidente da República.

Não que não pudesse elogiar Lula. Inclusive porque o faz no particular. Mas daí a transformar isso em exercício diário e exacerbado ao ponto de dizer que o presidente está "acima do bem e do mal", avalizando inclusive as infrações de Lula à Lei Eleitoral, já parecia algo meio tolo.

Ou ação decorrente de excesso de reverência estratégica ao axioma: em Lula ninguém mexe.

Uma parcela do eleitorado poderia até se perguntar por que Lula pode mexer com todo mundo sem encontrar paradeiro. Covardia? Cálculo? Neste caso, tanta amabilidade decorre de uma tentativa de criar uma situação ilusória.

Quem sentou no auditório da CNI? Um homem crítico, exigente que expôs o rol dos erros que sempre apontou no governo: taxa de juros, incapacidade de escalonar investimentos, aparelhamento da máquina, falta de planejamento, má qualidade de gestão etc.

Pediu confronto de ideias candidato a candidato. Delineou seu campo e pôs suas cartas. Vai agradar? Outros quinhentos a serem conferidos adiante, mas ao menos deixou de se fazer de desentendido a respeito de questões que alguém que pretende governar um país precisa necessariamente abordar com clareza.

O adversário pode não aceitar o embate proposto. Não é obrigado a jogar na regra do oponente. Mas de todo modo o osso fica mais duro de roer. Se isso ganha eleição ou leva à derrota, problema do partido, da campanha e do candidato.

Do ponto de vista de quem precisa escolher o governante interessa é ter o máximo de informações a respeito dos concorrentes. Quantitativa e qualitativamente falando. Os dados precisam ser verdadeiros, guardar relação com a realidade.

E aqui chegamos a Dilma e a candidaturas nascidas das costelas alheias. A origem não pode condená-las, é certo. Desde que no processo consigam adquirir vida própria.

A subida de Dilma nas pesquisas, e vamos nos ater apenas só à mais recente, é atribuída à presença do presidente Lula na televisão. Ninguém se refere a uma possível melhoria do desempenho dela.

Vamos que Dilma seja eleita presidente. Ela governará sob a escora de Lula que lhe transferirá expertise, por exemplo, para lidar com o Congresso?

Não? Então é preciso que se dê ao eleitor a chance de conferir, o que não se faz com pontos porcentuais em pesquisas produzidos artificialmente por colagem da imagem de outrem.

NÃO E NÃO

JOSÉ NÊUMANNE

O espectro do Estado policial paira sobre nós
José Nêumanne 
O Estado de S.Paulo - 26/05/10

Na semana passada, este jornal noticiou o fim da negociação de dois anos que terminou com a autorização do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para a Polícia Federal (PF) empregar uma avançada tecnologia de escutas telefônicas, capaz de dispensar a intermediação das operadoras. O feito é comemorado como mais um notável triunfo da repressão do Estado brasileiro contra o crime organizado, pois tal método de investigação tem conseguido êxito no combate a essa terrível praga de nosso mundo contemporâneo. Será? Oxalá seja!

Em teoria, nada na adoção do Sistema de Interceptação de Sinais (SIS) - que permite a redução de entraves burocráticos, pois os pedidos dos procuradores e dos policiais encarregados da investigação passarão a ser feitos em tempo real diretamente aos juízes, ao contrário do que ocorre hoje - prejudicará inocentes. Atualmente, um pedido de quebra de sigilo telefônico é encaminhado em papel ao juiz, que decide e, caso concorde, encaminha a autorização também por escrito. O documento é entregue à operadora de telefonia, que tem acesso aos dados da movimentação do número do telefone a ser investigado. E esta submete a determinação judicial a seu Departamento Jurídico antes de cumprir a ordem. Nada impede que funcionários da operadora compartilhem as informações trocadas na linha investigada. O aparelho do SIS, acoplado à central telefônica, desviará um canal de áudio para o computador de interceptação da polícia, que passará a acompanhar as conversas mantidas naquela linha. Em princípio, pode até ser benéfico que, quando o sistema for adotado, as operadoras nem sequer saibam quais números sob sua administração são interceptados pela polícia. Do ponto de vista do direito do cidadão ao sigilo telefônico, uma das garantias constitucionais que asseguram o funcionamento de um autêntico Estado Democrático de Direito, nada há a obstar, pois será mantida a necessidade de uma ordem judicial para a escuta ser realizada.

Mas fica no ar a constatação de que, como previu George Orwell em seu profético romance 1984, o avanço tecnológico favorece mais a xeretice do Estado policial do que o direito à privacidade da cidadania. O SIS deverá eliminar a intervenção indesejável das operadoras de telefonia, mas em nada ajudará algum inocente a evitar a intolerável invasão de sua vida particular por agentes do Estado. Se mesmo com os obstáculos adicionados pela teoricamente nociva burocracia se cometem excessos notórios em muitos pedidos feitos pela Promotoria ou por policiais, e assinados sem leitura muito atenta por juízes, o que pode levar a crer que a cibernética seja capaz de proteger cidadãos indefesos da bisbilhotice indevida de agentes do Estado, nem sempre dotados de boas intenções? Ou, ainda nesse caso, nem sempre com justas razões.

É possível argumentar que a invasão da privacidade do cidadão comum que não tiver pendências com o aparelho encarregado de exercer a força legítima para investigar e encaminhar a punição de quem desobedeça à lei não é atributo exclusivo da autoridade policial. Graças à informática, um burocrata do Banco Central ou um fiscal da Receita Federal já pode devassar a conta bancária nada secreta de cada um de nós. Alguém procurado por qualquer motivo pode ser localizado com exatidão em poucos segundos em qualquer lugar do planeta, bastando que recorra ao prosaico expediente de tirar dinheiro numa caixa de banco ou de pagar a conta numa loja com cartão de crédito. Isso é verdadeiro, mas não justifica que a aquisição de um sistema de ponta, que dispensa a burocracia em escutas telefônicas, não venha obrigatoriamente acompanhada de medidas capazes de garantir a segurança de quem não pratique delitos capazes de expô-lo à vigilância de agentes da lei.

No caso em tela, o CNJ deveria condicionar a utilização do SIS à observação redobrada sobre as autorizações dadas pelos juízes para o emprego da escuta telefônica. E a PF teria de obter a permissão de utilizá-lo desde que passasse por uma vasta e profunda reforma em seus métodos. O espectro do Estado policial, mesmo numa democracia que tem passado por testes importantes, caso da nossa, só deixará de pairar sobre a cabeça limpa dos brasileiros sem culpa se houver a garantia de que as autorizações judiciais serão dadas após exame rigoroso do pedido de quem investiga. E de que este não tenha nenhuma outra motivação que não seja a alegação dada para sua demanda: a devassa da vida oculta de um malfeitor.

Não parece racional exigir que só se utilize tecnologia de ponta contra o crime organizado quando a Justiça deixar de ser lerda e a corrupção deixar de contaminar os atos da polícia. E havemos de convir que não se trata apenas disso. Há sérias dúvidas quanto à unidade do comando da PF e essa dispersão de chefias, que parece conduzir um tentáculo tão importante de garantia da obediência à lei, desperta receios sobre o uso do SIS apenas para o bem. A recente instrumentalização do Ministério Público e da própria magistratura para atendimento a tendências ideológicas deixa em alerta qualquer democrata que teme abusos do emprego da força estatal contra os direitos elementares da cidadania. A PF, que tem sido pródiga em operações espetaculares, tem encontrado dificuldades para agir contra suspeitos com padrinhos fortes na "República petista". Waldomiro Diniz, que foi o faz-tudo da Casa Civil à época de José Dirceu, conseguiu escapar das acusações que lhe pesavam nas costas, apesar de réu confesso e ter sido pilhado em flagrante delito.

É o CNJ um dos raros bastiões dos direitos pessoais a conter a fúria que o Estado tem, pela própria natureza, de se intrometer na sagrada vida alheia e de tentar impor a vontade de quem pode e manda sobre quem tem juízo e obedece. E o Executivo contribuirá muito se dotar a PF de um comando unitário e permitir que cumpra seu dever de forma isenta, sem interferir nem influir em seus atos de rotina.

ANCELMO GÓIS

MARKETING EMBOSCADA
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 26/05/10
 
Nada menos de 24 empresas, algumas gigantes pela própria natureza, foram acionadas pela CBF sob acusação de “marketing de emboscada”. Segundo a CBF, elas estariam fazendo “de forma irregular, ilegal e abusiva, campanhas publicitárias e promocionais em que associam, indevidamente, as respectivas imagens a símbolos de propriedade da entidade”.

SÃO ELAS
Claro, Tim, Café Pelé, Banco Votorantim, GM, Mastercard, Chevrolet Américas Barra, Hyundai, MRV Engenharia, Samsung, Walmart, Ypiranga, ALE, Ponto Frio, Ricardo Eletro, Casas Bahia, Diário de S. Paulo, Magazine Luiza, Noova Produtos Promocionais, Ponto Inicial Brindes, The Leadership Group, Prensa Popular, Definitive 1 e Perfumaria Ribeiro Box. 

NO MAIS
Lula criticou analistas e colunistas políticos que fazem cursos lá fora e que têm “mentalidade de exterior”. Será que o presidente estava se 
referindo a Mangabeira Unger? Com todo o respeito.

MINISTRO EDUARDO
Do bem humorado Antonio Palocci diante do séquito que acompanhava Dilma na CNI, entre eles os dois José Eduardo – o Cardozo e o Dutra:
– Já está igual à fila do ministério do Lula.

A OUTRA FERNANDA 
Tem auxiliar do ministro Guido Mantega sonhando acordado. 
No informe sobre a assinatura de um contrato no Ministério da Fazenda o nome da presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, foi trocado pelo da bela atriz Maria Fernanda Cândido. 

PRÉ-SAL 
O Brasil surge em destaque nas projeções de oferta de petróleo divulgadas pelo Departamento de Energia dos EUA. 
O País aparece ao lado da Rússia e do Cazaquistão como os três únicos que aumentarão, de forma significativa, a produção de óleo até 2035.

APOSENTADORIA 
Ronaldo Fenômeno, ontem, numa roda na conferência do grupo WPP, gigante da propaganda, no Rio, comentou:
– Meu corpo está pedindo para parar. Estou ficando velho.

MOTIVADOR
Ronaldo também falou sobre Dunga:
– Importante é o técnico não fazer cagada. Técnica e tática, todo jogador tem. Técnico tem que ser motivador.

PROIBIDO FOTOGRAFAR
Os traficantes da Rocinha botaram três cartazes na Rua do Valão, domingo, com os dizeres: “Proibido tirar fotos ou filmar.”
É que um famoso jogador de futebol (não é o Adriano) estava sendo esperado para a comemoração do aniversário do chefe do tráfico, Nem.
Meu Deus!

VACINA DA CHINA
A tecnologia do Brasil para promover grandes campanhas de vacinação está ganhando o mundo. Depois de fazer sucesso na Suíça, o programa de vacinação do Ministério da Saúde vai ser exemplo na China. O governo chinês quer aplicar a logística brasileira para vacinar a população contra o sarampo, que atinge aquele país. Hoje, uma delegação de chineses chega a Brasília para conhecer as megas campanhas de vacinação contra a Rubéola e a Influenza brasileiras. 

É QUE... 
Em 2008, foram imunizadas 67,9 milhões de pessoas contra Rubéola. Já contra a gripe passam de 65 milhões o número de pessoas vacinadas.

GOSTOSA

MÍRIAM LEITÃO

O insustentável 
Miriam Leitão 

O Globo - 26/05/2010

A Polícia Federal trabalhou mais de dois anos usando duas armas: monitoramento telefônico e perícia de imagens de satélite. Depois, foi usada uma terceira arma: a quebra do sigilo bancário e fiscal dos suspeitos. Isso levou dezenas de pessoas à prisão na Operação Jurupari, em Mato Grosso, e levantou uma dúvida: o ex-governador Blairo Maggi não tinha mudado?

Seu ex-secretário de Meio Ambiente Luiz Henrique Daldegan era o chefe da operação limpeza de reputação de Blairo, que no passado era o maior antiambientalista e depois passou a dizer que era um defensor do meio ambiente.

Daldegan hoje está preso como suspeito de fazer parte de um esquema de esquentamento de madeira retirada ilegalmente de terras públicas. O ex-secretário de Mudanças Climáticas Afrânio Migliari também está no mesmo processo, como chefe de inúmeros ilícitos. Ao todo, foram expedidas ordens de prisão de 91 pessoas entre políticos, servidores, autoridades da Secretaria de Meio Ambiente, empresários.

Na questão ambiental houve dois Blairo Maggi nos últimos anos. O primeiro disse que destruir 24 mil km2 de floresta num ano era pouco perto do tamanho da Amazônia; afirmou que o país não podia ficar catando coquinho na floresta; hostilizou ministros do Meio Ambiente e acusou o Inpe de erro técnico.

Um segundo Blairo Maggi disse que tinha se convencido de que estava errado.

Numa entrevista que me concedeu em agosto de 2009, Blairo disse: — Tive que fazer uma inflexão, reavaliar as minhas posições.

Não só minhas, como as dos demais componentes do agronegócio do meu estado.

Tive que chamá-los e dizer que o caminho que estávamos seguindo não era o mais correto.

O que o delegado da PF Franco Perazzoni, que comandou a investigação, conta é que foi flagrado um grande conluio entre empresas, funcionários públicos, políticos e autoridades com poder para liberar os “planos de manejo”.

— As grandes fraudes acontecem no inventário da madeira. Pelo plano de manejo é preciso dividir a terra em 30 talhões, ir explorando um a cada ano, de tal forma que só no final do trigésimo ano se volte ao primeiro talhão.

Com planos assim é que se consegue a emissão do guia florestal, documento exigido para se transportar madeira e vendê-la no mercado legal. A fraude consiste em pôr no inventário o que não tem. Isso gera um registro fictício que é usado, depois, para legalizar madeira retirada ilegalmente de área pública.

O registro falso esquenta a madeira ilegal — diz.

A diferença de preço entre a madeira ilegal e a supostamente legal é imensa: — Numa tora, numa árvore em pé, em área que não pode ser explorada, não se dá mais que R$ 50,00. Se ela for apresentada como retirada de plano de manejo, pode chegar a R$ 1.400 o m3. Nem tráfico de drogas dá lucro tão grande.

Pelo monitoramento telefônico foi possível acompanhar o tráfico de influências para conseguir licenças falsas.

Com as imagens de satélite era possível verificar, por exemplo, que a terra da qual se pedia licença para retirar madeira já estava degradada há muito tempo. O que os proprietários conseguiam eram relatórios de vistoria feitos por técnicos atestando haver a madeira que não havia no local. Depois, era só ir numa área pública, muitas vezes indígena, tirar a madeira e usar a guia falsa para esquentar aquela madeira.

Tudo passava pela Secretaria de Meio Ambiente.

O curioso é que o braço direito de Maggi, para provar que o estado do Mato Grosso tinha virado exemplo de sustentabilidade, era justamente o secretário Daldegan. Com ele, e grande comitiva, o governador foi a Copenhague participar de debates sobre créditos pelo desmatamento evitado. Alegava ter desenvolvido ferramentas modernas para detectar, prevenir e combater o desmatamento.

Enquanto isso, a Polícia Federal investigava: — O monitoramento telefônico não é usado como elemento de prova, mas como orientação para conduzir as investigações que ganharam consistência com os laudos periciais — diz Perazzoni.

Inúmeras falsas licenças foram assinadas exatamente pelo subsecretário de gestão de florestas, e depois secretário de Mudanças Climáticas, Afrânio Cesar Migliari.

Existem indícios, diz o relatório da Polícia Federal, de que Migliari era dono de fato de empresas investigadas e inclusive madeireiras.

As propriedades investigadas ficavam perto de áreas indígenas ou protegidas. Em geral, já estavam desmatadas, mesmo assim conseguiam licenças de exploração que tinham indícios eloquentes de fraude. Por exemplo, segundo o delegado, houve um inventário que registrava que uma determinada terra estava 60% ocupada pela mesma espécie nobre. Com a diversidade da floresta nativa é difícil acreditar em tal percentual de uma mesma espécie.

Há uma licença espantosa dada pela Secretaria de Meio Ambiente: plantar eucalipto na Chapada dos Guimarães, uma Área de Preservação Permanente onde era proibido plantar espécies exóticas.

Blairo, candidato ao Senado e líder nas pesquisas, aparece no inquérito pressionando para apressar a liberação de licenças que favoreciam políticos. É assim que se desmata na Amazônia com o conluio de gente muito fina. E que fica por aí usando em vão a palavra sustentabilidade.

CLÁUDIO HUMBERTO

“É o Estado remunerando a política de determinados partidos”
PRESIDENTE EM EXERCÍCIO DA OAB, ALBERTO MACHADO, SOBRE O USO DE CARGOS EM COMISSÃO

ARRUDA ATRIBUI SUA QUEDA À “INVEJA” E À “COBIÇA”
Após 40 dias presos na Polícia Federal, acusado de tentar subornar uma testemunha, o ex-governador do DF José Roberto Arruda revela uma preocupação política curiosa, para quem já anunciou o fim de sua carreira. Ele tem enviado carta de próprio punho a ex-colaboradores agradecendo o “apoio e amizade”. Evita ataques a adversários e não faz “mea culpa”: diz ter sido destituído pela “inveja” e “cobiça”.

MARCAS
Na carta manuscrita aos amigos e antigos auxiliares, Arruda diz confiar nas “marcas do nosso trabalho e do nosso amor por Brasília.”

COM FUNDOS
Aos poucos, Arruda retoma a rotina de homem comum. Estes dias foi visto em uma agência da Caixa sacando seu fundo de garantia. 

QUERER É PODER
O governador do DF, Rogério Rosso, não será mesmo candidato: “Não bastam as pressões, é preciso querer. Eu não quero, não devo”, disse.

MAIS UMA
Lula sancionou ontem a lei que autoriza a instalação de salas de aula em presídios. É a sétima lei do senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

EMBAIXADAS REAGEM À CRIMINALIDADE EM BRASÍLIA
Após um funcionário ter sido agredido e seu carro roubado na porta da embaixada da Austrália, em Brasília, a Diretoria Regional de Segurança no Exterior do consulado da Inglaterra em São Paulo preparou um manual com “dicas” de como diplomatas da commonwealth (países de origem britânica) devem se comportar. Recomenda “ficar longe das favelas” e cuidados na entrada e saída de recintos e onde estacionar.

CUIDADO, ELAS ATIRAM 
O consulado inglês também avisa que em São Paulo e no Rio há gangues de crianças armadas capazes de atirar “sem provocação”.

ESCOLTA ATÉ O CARRO
Desde o incidente na embaixada australiana, no dia 19, um guarda acompanha até o carro funcionários que trabalharem até a noite.

EFICIÊNCIA PERDIDA 
Já era a eficiência do Batalhão Barão de Rio Branco, da PM-DF: a embaixada da Austrália pediu ao Itamaraty reforço na segurança.

ESTA VOCÊ JÁ SABIA... 
O governo confirmou a informação publicada nesta coluna, domingo (23), sobre a recusa do presidente americano Barack Obama em visitar o Brasil. Lula o queria aqui em setembro, plena campanha eleitoral.

...OBAMA QUER DISTÂNCIA 
Confraternizando com autocratas e tiranos, como o venezuelano Hugo Chávez e o iraniano Ahmadinejad, Lula se queimou e acabou também queimando o filme do Brasil. Obama agora quer distância do ex-“cara”.

POLÍCIA “DAQUI NÃO SAIO”
Encafifado com “Postos Cenográficos (ex-Comunitários) de Segurança” da PM-DF, que ignoram chamados da população, um diplomata recém-chegado do Canadá não perdeu a saborosa piada: “Os canadenses têm a Polícia Montada, e em Brasília criaram a Polícia Sentada”.

NEM PENSAR
Os líderes governistas no Senado já avisaram ao Planalto: não há chances de aprovar Eduardo Costa, indicado do ministro José Gomes Temporão (Saúde), 
para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. 

SUJEIRA BEM INFORMADA 
Há meses índios emporcalham a Esplanada dos Ministérios, em frente ao Ministério da Justiça, e ninguém ousa retirá-los dali. Seu líder mora em uma casa em Sobradinho. Têm até informante, segundo órgãos de segurança: Kleber Buzatto, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). 

FINGINDO-SE DE MORTOS 
O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e a Receita Federal continuam sem responder à grave acusação de quebra de sigilo fiscal de militares do Exército, incluindo três generais da ativa.

O SERPENTÁRIO DILMOU 
São escassos os eleitores de José Serra entre diplomatas brasileiros: além da ameaça de entronização do embaixador aposentado Rubens Barbosa como ministro, o tucano tem fama de não gostar do Itamaraty. 

MANDOU, NÃO CHEGOU 
Os Correios no fundo do poço: uma estudante que mora em São João Del Rey (MG) mandou por Sedex produtos Natura para a mãe e, vinte dias depois, não chegaram em Santos (SP). A ECT confessou o “extravio” e prometeu indenizar a cliente em R$ 76. Ela gastou R$ 163.

PENSANDO BEM... 
Barack Obama deve ter se recusado a visitar Lula porque soube da temperatura do pé do “cara”. Afinal, a seleção americana vai à Copa. 

PODER SEM PUDOR
BEM TRATADO
O ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) não apenas conquistou respeito no governo, como até ganhou elogios de quem o atormentava todos os dias: os repórteres que cobriam as atividades do ministério. Certa vez, numa coletiva, eles elogiaram sua atuação “como bombeiro” no caso New York Times, liquidando uma crise desnecessária. O ministro brincou:
– Nunca participei de uma coletiva tão calorosa...

BOLA FORA

QUARTA NOS JORNAIS

Globo: Estado joga um terço do lixo em rios e aterros irregulares

Folha: SP abandona exigência para contratar professor

Estadão: Plano de regularização fundiária na Amazônia vende hectare a R$ 2,99

JB: A sombra da guerra

Correio: Dois corpos e um crime no lago

Valor: Brasil vai retaliar a Argentina

Jornal do Commercio: Governo avalia abono para aposentados

terça-feira, maio 25, 2010

JOSÉ SIMÃO

Gorete virou a Mulher Gorila!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/05/10

E ela ficou a cara da Marcia Goldsmith! Mas ela não queria ser Gisele? Eu entrava no Procon! Rarará!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
TVs entram em PÂNICO! Transformação de Gorete faz "Pânico" bater recorde de audiência. Emocionante. Parecia final de novela da Glória Perez! Com o quadro "Gorete quer ser Gisele!".
Paula Veludo, a Gorete, era desdentada e estrupiada. Aí, ela foi na Ligia Kogos e passaram reboco na cara dela. Depois, ela foi no dentista Anderson e botaram um piano na boca dela.
E ela ficou a cara da Marcia Goldsmith! Mas ela não queria ser Gisele? Eu entrava no Procon. Rarará! Podia ter sido pior, ficado com a cara da Sonia Abrão. Ela ficou incrível, mas com dente demais. Cuidado com o boquete! Rarará!
E como disse o Hugo Gloss no Twitter: "Agora, ela vai ficar com um megatique nervoso chupando dente o resto da vida!". E um outro: "A Dilma é a Gorete do Lula!". E uma outra: "Adorei a Gorete. Todo mundo devia ter acesso à beleza paga, vencer o determinismo genético". Rarará! Não existe mulher feia, mas sim desprovida de money. Agora eu quero ver ao contrário: a Gisele virar Gorete. Transformação de circo: Mulher Gorila!
E domingo, dia 23, foi Dia Mundial da Tartaruga. E por coincidência ou perseguição era o aniversário do Rubinho. Então, parabéns ao Rubinho e a todas as outras tartarugas. Rarará!
E o recado da secretária eletrônica do Lula: "Não posso falar agora, fui até ali resolver os problemas do mundo e volto logo".
E a Cópula do Mundo? Frase do ônibus da seleção do Brasil: "O único ônibus com oito volantes". E a frase no ônibus da seleção da Grécia: "Vende-se!".
Seleção dos Leitores! Os leitores continuam mandando seleções melhores que a do Dunga! Fala pro Dunga levar o time de futebol society, ao lado do Shopping Morumbi: Catota, Zezinho Pigmeu, Boneca, Japa Louco, Julio Putanheiro, Jão Cueca Freada, Dente Podre, Suvaco de Cobra e Pum de Véia!
E essa direto de Salvador: Adriano Come Lixo, Alex Caganheta, Messias Beiço de Chupar Limão, Neco Louco e Danilo Psicopata! Hexa garantido!
É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em Diadema tem um salão de beleza chamado O INCRÍVEL RUQER! Ueba! Mais direto, impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Melancólico": companheiro depois de comer a Mulher Melancia. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.

GOSTOSA

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Decisão de taxa de juros fica mais difícil BC 
Maria Cristina Frias

Folha de S.Paulo - 25/05/2010

Com a piora na crise europeia, analistas começam a questionar se o Banco Central tomará decisão tão rigorosa quanto se esperava.

O mercado já trabalhava com a perspectiva de elevação da taxa básica de juros, a Selic, entre 0,75 ponto percentual e um ponto percentual na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, no dia 15 de junho.

Com as incertezas acerca do impacto das turbulências sobre a atividade no Brasil, a decisão do BC torna-se mais delicada. A crise, porém, não terá o peso do caso Lehman Brothers, pelo menos pelo que se deslumbra até agora, segundo analistas.

Não há sinal de ruptura do fluxo interbancário, como ocorreu em 2008.

"A situação de Portugal e Espanha não parece tão grave quanto a da Grécia", afirma Francisco Pessoa, da LCA Consultores.

No cenário doméstico, permanecem sinais de pressão inflacionária. Para Pessoa, que já estimava aumento de 0,75 ponto percentual, a decisão da autoridade monetária deverá ser nesse patamar.

Alexandre Schwartsman, economista-chefe do banco Santander, diz que o BC não irá mudar a sua trajetória.

"Há uma clara piora do cenário inflacionário, para 2010 e 2011. O BC elevará os juros em 0,75 ponto percentual e continuará em passos contínuos e em muitos passos."
No meio
Após mais de 20 anos na Ernst & Young -12 anos como sócio-, Carlos Miranda deixa a empresa para abrir seu próprio negócio, a BR Opportunities, uma gestora de fundos de "venture capital".

O primeiro fundo nasce com capital de R$ 100 milhões e será focado no setor de alimentos e varejo.

Miranda diz que a meta será atuar numa faixa intermediária, que ele chama de "growth capital", um estágio entre o "private equity" e o "venture capital". "Há uma faixa de empresas já com porte razoável e outra muito perto do estágio inicial. Quero estar no meio, nas empresas que já têm taxa de crescimento agressiva, mas ainda estão na gestão do empreendedor", diz.

Miranda está formando um conselho consultivo que já tem Nizan Guanaes, Rodrigo Teles (Instituto Endeavor) e Jacques Gelman, da FGV.
Curativo
A Abimo (associação das indústrias médico-hospitalares e odontológicas) e a Apex-Brasil assinam nesta semana um convênio para estimular as exportações e reduzir o deficit da balança do setor, atualmente estimado em US$ 2,7 bilhões.
RemédioA expectativa é que as exportações do setor alcancem US$ 650 milhões em 2010, alta de 17% ante o ano passado, segundo a Abimo. Estão previstas a participação em feiras e missões empresariais, além de rodadas de negócios para recepcionar potenciais compradores no Brasil.
De verde e amareloMarcos Quintela, da Y&R, Sérgio Amado, da Ogilvy Brasil, e Eduardo Bicudo, da Wunderman, irão participar do seminário "Brasil 2014-2016. Potencial de Marketing", organizado por Martin Sorrel, da WPP. O evento, que acontece hoje no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, irá debater os desafios e oportunidades do marketing sobre a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.
MarcaAs 60 fábricas de embalagens do Grupo Saint-Gobain no mundo passam a ter o mesmo nome, inclusive no Brasil, que responde por 8% do resultado global.
FemininoNa última semana, subiu para mil o número de mulheres trabalhando no canteiro de obras da hidrelétrica Santo Antônio, no rio Madeira (RO). Como pedreiras, carpinteiras, soldadeiras e dinamiteiras, as mulheres agora representam mais de 9% do número de funcionários.
AntecipadoApós novos estudos, uma segunda antecipação para o início da geração de energia da Santo Antônio foi calculada e o início da operação pode ser ainda em dezembro de 2011. A primeira antecipação reduziu o prazo de dezembro de 2012 para maio de 2012.

TAJ MAHAL
A brasileira TCI, de tecnologia da informação, fechou contrato neste mês com a consultoria indiana The Jai Group.

A companhia quer entrar no mercado indiano de BPO (Business Process Outsourcing), que é a terceirização dos processos alheios ao negócio principal de uma empresa.

"A Índia já é um celeiro de TI, mas o diferencial é a tecnologia, que no Brasil é mais avançada na área de bancos", diz Roberto Marinho, presidente da TCI.

A meta é encontrar empresas de menor porte na Índia para fazer aquisições, ou de grande porte para joint ventures. O faturamento estimado para este ano é de R$ 300 milhões. Em 2009, a empresa faturou R$ 171 milhões.

MÍRIAM LEITÃO

Tudo falhou 
Miriam Leitão 

O Globo - 25/05/2010

No sistema de concessão, se ocorrer um desastre ambiental no Brasil como está ocorrendo no Golfo do México, com a BP, a responsabilidade será da empresa. No sistema de partilha, o governo também seria responsável. A sonda necessária para explorar o pré-sal custa quatro vezes mais do que a multa que foi aplicada à BP. O Brasil não está preparado para um evento como esse.

O horroroso desastre ambiental que há 34 dias está enchendo de poluentes as águas do Golfo do México tem várias lições para nós. A primeira é que o Brasil precisa se preparar melhor para o risco de eventos assim.

Lá, a tecnologia de prevenção e os programas de contenção falharam, onde a exploração ocorre a 1.500 metros de profundidade. O présal é mais profundo e a nossa exploração é muito mais longe da costa.

O que os especialistas ouvidos dizem é que não há plano de emergência, o Brasil não tem fábrica de dispersantes, nem capacidade logística para importar esse produto em grande quantidade.

A Petrobras gastará US$ 300 milhões em cada uma das 21 sondas para iniciar a perfuração no pré-sal, como contou ontem Ancelmo Gois. A British Petroleum pagará ao governo americano US$ 75 milhões de multa por ter provocado o maior desastre ambiental americano.

O professor Segen Estefen, diretor de Tecnologia e Inovação da Coppe/UFRJ, explica que todos os procedimentos conhecidos e tecnologias disponíveis falharam ao tentar conter o vazamento. O desastre pode ser bem maior, porque o petróleo não permanece apenas na superfície, fica também no fundo do mar. As estimativas oficiais falam em 4 milhões de litros por dia, mas há projeções de que o número pode chegar a 13 milhões.

— O vazamento expôs a indústria de petróleo como um todo, não só a BP. Todos os métodos usuais falharam.

A principal arma para conter o vazamento falhou.

Os procedimentos que eram considerados infalíveis falharam. É uma situação nunca vista na indústria e se o óleo permanecer jorrando por mais uma semana, esse estrago será maior que o da Exxon Valdez (no Alasca) — afirmou.

Stefan acha que a luz amarela na indústria foi acesa.

Haverá uma nova corrida tecnológica para evitar acidentes e conter estragos.

A indústria que opera em águas ultraprofundas terá novos gastos e desafios.

— Nossa lâmina d’agua (a distância entre a superfície do oceano e o fundo do mar) é cerca de 50% mais profunda que nesse vazamento.

E a profundidade em que se encontra o petróleo na terra é cerca de 30% maior. Isso quer dizer que estamos mais expostos no processo de perfuração e temos maior probabilidade de acidentes — afirmou.

Após o vazamento, o presidente Barack Obama disse que “há uma relação promíscua entre as agências reguladoras e as empresas de petróleo”. Stefan explica que desde o acidente com a petrolífera Piper Alfa, na costa da Escócia, em 1988, que matou 167 pessoas, a responsabilidade pelo quesito segurança deixou de ser das agências e ficou a cargo das empresas. Isso aconteceu porque a petrolífera Occidental Petroleum alegou que havia cumprido as determinações exigidas pela agência, se esquivando de responsabilidades.

— Desde então, as agências se afastaram dessa função para deixar com as próprias empresas a responsabilidade pelos acidentes.

Há um lado bom nisso que é fazer com que a própria empresa assuma o problema.

Mas o lado ruim é que os órgãos se enfraqueceram tecnicamente. Acho que haverá uma rediscussão desse modelo — afirmou.

No Brasil, a legislação do modelo de concessão considera as empresas culpadas.

Essa é uma vantagem do modelo.

Mesmo assim, a multa máxima permitida é pequena: R$ 50 milhões. O especialista na área de petróleo Jean-Paul Prates acredita que se o acidente fosse no país, haveria um grande jogo de empurra entre vários órgãos.

— A ANP perdeu muita qualidade técnica e prestígio nos últimos anos por conta de um esvaziamento ocorrido no governo Lula.

Hoje, a ANP fala e ninguém obedece. Em casos de acidente em alto-mar, teríamos três órgãos envolvidos: Marinha, ANP e próprio Ministério do Meio Ambiente.

Seria um grande jogo de empurra — explicou.

Essa é uma das lições que o Brasil precisa aprender com o acidente no Golfo do México.

Em casos assim, não há espaço para improviso. A gestão precisa ser centralizada e os planos de logística precisam estar previamente definidos. Teremos aeroportos e portos preparados para levar rapidamente equipamentos até o local da exploração do pré-sal, que acontecerá a centenas de quilômetros da costa? Se for preciso importar matéria-prima para a fabricação de dispersantes, haverá menos burocracia alfandegária? Teremos uma legislação preparada para situações de emergência? Jean Paul Prates acredita que o acidente no Golfo do México colocou em xeque o setor de SMS (Segurança, Meio Ambiente e Saúde) como um todo. O resultado disso será um adiamento na exploração de petróleo em áreas remotas, como no Alasca, e na própria costa americana.

— A exploração das áreas mais sensíveis do Planeta, ou mais remotas, como em florestas, no alto-mar e em áreas geladas ficará sepultada por ora — disse.

GOSTOSA

MÔNICA BERGAMO

Descanso de vilã 
Mônica Bergamo 

Folha de S.Paulo - 25/05/2010

A atriz Adriana Birolli, que interpretou Isabel na novela "Viver a Vida", da TV Globo, posa no camarim do teatro Jaraguá minutos antes de sua estreia na peça "Manual Prático da Mulher Desesperada"
Dolorosa
Já chega a R$ 850 milhões o montante de impostos que deixarão de ser pagos à União na Copa de 2014. É que, à isenção de R$ 500 milhões que a Fifa obteve do governo para organizar o Mundial, somam-se agora outros R$ 350 milhões da decisão de isentar mercadorias e bens usados na construção e reforma dos estádios brasileiros que sediarão os jogos.
Sem Fundo
No cálculo, feito pela Receita e por uma autoridade envolvida diretamente nas negociações, estão incluídos só tributos federais, que correspondem a 5% do que será investido nas obras -cerca de R$ 7 bilhões. Outro tanto (8%, ou R$ 560 milhões) equivalem a impostos estaduais e municipais.
Pequena Ajuda
E cresce no governo federal a opinião de que estádios privados, como o Morumbi, em SP, sejam reformados com a ajuda do governo do Estado e da prefeitura. "Estimava-se que as obras poderiam ser feitas com R$ 250 milhões. Mas já se fala até em R$ 600 milhões, tantas são as exigências da Fifa", diz uma das autoridades que dialoga com os cartolas. "Os governos vão lucrar com turistas. Nada mais justo que ajudem os clubes na hora da conta."
Santa Ceia
Vereador mais votado do DEM em São Paulo (teve mais de 80 mil votos em 2008), Milton Leite decidiu apoiar Aloizio Mercadante (PT-SP) para o governo. "O [Geraldo] Alckmin nunca me ligou pra pedir apoio, então acho que ele não precisa. Minha chapa é Mercadante para o governo e Aloysio Nunes (PSDB-SP) pro Senado", diz. O apoio ao petista foi selado com café da manhã no domingo, depois que ambos estiveram na missa do padre Marcelo Rossi.
Ainda o Cingapura
Novo capítulo de uma disputa entre o Ministério Público e a Prefeitura de SP por causa do projeto Cingapura. A Justiça negou recurso da administração para impedir que os 39 conjuntos habitacionais do programa sejam vistoriados para verificar irregularidades em questões como posse dos terrenos e ausência de licenças ambientais. A inspeção, determinada em 2002, nunca foi cumprida, diz o MP. A prefeitura não se manifesta.
Mimo
Um jogo de 60 copos Baccarat, de R$ 50 mil, e um faqueiro de 130 peças da Christofle, de R$ 22,5 mil, estão na lista de presentes de casamento de Victoria Vasconcellos Martins e Fernando Augusto Camargo de Arruda Botelho, filho de Fernando e de Rosana Camargo de Arruda Botelho, da Camargo Corrêa. Eles se casam no dia 19 de junho, com festa para 600 convidados, em Paraty, no Rio.
Sopro
Um jardim com 60 cataventos, de cerca de dois metros de altura cada um, será montado na Bienal durante a São Paulo Fashion Week, que começa em 9 de junho.
Sonho Realizado
Surtiu efeito o apelo de Cássio Clemente, presidente da Apae, por uma garrafa de Chateau Petrus para incluir no 3º Leilão de Vinhos da entidade, que acontece hoje. Um doador anônimo doou uma garrafa para ser incluída no pregão.
Dedicação
E a renda da venda do livro "Descasos - Uma Advogada às Voltas com o Direito dos Excluídos" (Ed. Saraiva), da advogada Alexandra Lebelson Szafir, será doada à Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica. A autora, filha de Beth Szafir, é portadora da doença e se comunica por meio de movimentos dos olhos e da cabeça. O lançamento, no dia 31, será no Iate Clube de Santos, em Higienópolis.
Boleiros
O Museu Afro Brasil inaugura em 19 de junho a mostra fotográfica "O Negro no Futebol: de Arthur Friedenreich a Edson Arantes do Nascimento". Além de fotos de Pelé, Garrincha e outros, a exposição homenageará Mario Filho, autor de "O Negro no Futebol Brasileiro".
Curto-circuito
Ricardo Carvalho lança hoje o livro "O Cardeal e o Repórter - Histórias que Fazem História" (Global Editora), às 18h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

Leão Serva, Caio Túlio Costa, Adolfo Leirner e Beto Ricardo expõem fotografias suas a partir de hoje na mostra "4 Viagens", no Espaço de Arte Trio, das 12h às 15h, na Vila Olímpia, em SP. No dia 1º de junho, as fotos serão leiloadas para arrecadar fundos para o Instituto Democracia e Sustentabilidade.

Lulu Librandi e Mariângela Bordon oferecem jantar para a atriz francesa Fanny Ardant, hoje, nos Jardins.

Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi comemora cinco anos do projeto Cine Tela Brasil, hoje, às 20h, na praça Cívica do Memorial da América Latina, na Barra Funda.

A mostra "Corpos - A Exposição" será aberta hoje, às 20h, na Oca do parque Ibirapuera.

GENTE COLORIDA...
A Casa Cor fez festa anteontem no Jockey Club para comemorar a abertura de sua edição de 2010.

...NA CASA COLORIDA
Ana Maria Braga e Gugu inspiraram suítes da mostra de decoração. "É um espaço para a Ana relaxar, se jogar na banheira com vista para o jardim [uma parede com plantas] e fazer um spa vertical [um chuveiro que vira sauna]", diz a arquiteta Karina Afonso.