quarta-feira, abril 07, 2010
JOSÉ SIMÃO
Socuerro! Sudeste vira chuveste!
FOLHA DE SÃO PAULO - 07/04/10
Barco com isenção de IPI! Sair de carro acaba com a capota boiando no "Jornal Nacional!"
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Dilúvio! Chama o Noé! Tá chovendo ou tão cuspindo na gente? Tão cuspindo! Num guento mais chuva. Tô ficando com cara de ácaro! E Sudeste vira Chuveste. Chuveste Stallone, é cada pancada! Rio embaixo d'água! São Paulo alagada! Enchente ponte aérea! Queremos barco com isenção de IPI! Carro já era! Sair de carro sempre acaba com a capota boiando no "Jornal Nacional"!
Essa é a foto que mais saiu nos jornais em 2009 e 2010: capota de carro! E o Paes pediu pros cariocas não saírem de casa. Os "não pode" das enchentes. 1) Não pode sair de casa. 2) Não pode sair de carro. Senão a capota aparece boiando no Datena. 3) Não pode jogar lixo. Aliás, não pode jogar lixo e nem votar em lixo! 4) E não pode chapinha. Devido à temporada de chuvas, as chapinhas estão suspensas. Imagine a Fátima Bernardes numa enchente. Rarará!
E é sempre assim: Santos Dumont opera por instrumentos. Congonhas opera por instrumentos. Pandeiro, cuíca, reco-reco e tamborim.
E em virtude das chuvas, a próxima crise do transporte brasileiro vai ser a dos barcos. Não vai ter barco pra salvar tanta gente. É o overbooking das enchentes!
E Rodoanel é todo mundo de rodo na mão. Rarará!
Pedofilia na política: Dilma afaga Garotinho! Sendo que a última coisa que o Garotinho fez foi greve de fome. Desculpa pra não comer a Rosinha. Rarará! Aliás, o único que se deu bem na enchente foi o Garotinho. Porque ele sai boiando. Rarará.
E programa de paulista agora é convidar pra assistir a chuva em casa. "Ah, vem assistir a chuva daqui de casa que a gente chama uma pizza." Rarará!
É mole? É mole, mas sobe! OU como disse aquele outro: "É mole, mas trisca pra ver o que acontece!".
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que no Mato Grosso tem uma cidade chamada Reserva do Cabaçal. Ueba! Espécie em extinção tem que ficar em reserva mesmo. Rarará. Mais direto, impossível. Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Pedófilo": companheiro que faz os pés no pediatra. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
E vai indo que eu não vou!
ELIO GASPARI
De Cazemiro@edu para Demóstenes.Torres@gov
O Globo - 07/04/2010
ILUSTRE SENADOR Demóstenes Torres,
Quem lhe escreve é Cazemiro, um Nagô atrevido. Faço-o porque li que o senhor, um senador, doutor em leis, sustenta que a escravidão brasileira foi uma instituição africana. Referindo-se aos 4 milhões de negros trazidos para o Brasil, vosmicê disse o seguinte: "Lamentavelmente, não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos, mas chegaram..."
Vou lhe contar o meu caso. Eu cheguei ao Rio de Janeiro em julho de 1821 a bordo da escuna Emília, junto com outros 354 africanos. O barco era português e o capitão, também. Fingia levar fumo para o Congo, mas foi buscar negros na Nigéria e, na volta, acabou capturado pela Marinha inglesa. Desde 1815, um tratado assinado por Portugal e Grã Bretanha proibia o tráfico de escravos pela linha do Equador.
Quando a Emília atracou no Rio, fomos identificados pelas marcas dos ferros. A minha, no peito, parecia um arabesco. Viramos "africanos livres". Livres? Não, o negro confiscado a um traficante era privatizado e concedido a um senhor, a quem deveria servir por 14 anos. O Félix Africano, resgatado em 1835, penou 27 anos. Doutor Demóstenes, essa lei era brasileira.
A turma da Emília trabalhou na iluminação das ruas e no Passeio Público. Algumas mulheres tornaram-se criadas. A gente se virou, senador. Havia senhores que compravam negros mortos, trocavam nossas identidades e não nos liberavam. As marcas a ferro nos ajudaram.
Alguns de nós conseguiram juntar dinheiro. Como estávamos sob a supervisão dos juízes ingleses, em 1836 compramos lugar num barco. Dos 354 que chegaram, talvez 60 retornaram à África.
Como doutor em leis, vosmicê sabe que o Brasil se comprometeu a acabar com todo o tráfico em 1830. Entre 1831 e 1856 chegaram 760 mil negros, os confiscados devem ter sido 11 mil, ou 1,5%. Aquela propriedade da Marinha, na Marambaia, onde às vezes o presidente brasileiro descansa, era um viveiro de escravos contrabandeados. Não apenas a escravidão do Império era uma instituição brasileira, como assentava-se no ilícito, no contrabando.
Outro dia eu encontrei o Mahommah Baquaqua, mais conhecido nos Estados Unidos do que no Brasil. Ele foi capturado no Benin, lá por 1840, vendido a um padeiro em Pernambuco e revendido no Rio ao capitão do navio "Lembrança".
Em 1847, o barco fez uma viagem ao porto de Nova York e lá o Baquaqua fugiu. Teve a proteção dos abolicionistas, razoável cobertura jornalística, estudou e escreveu um livro contando sua história (inédito em português, imagine). Fazia tempo que eu queria perguntar ao Baquaqua por que, em suas memórias, não contou que, de acordo com as leis brasileiras, o seu cativeiro era ilegal. Ele diz que esqueceu, mas que, se tivesse lembrado, não faria a menor diferença.
Senador Demóstenes, a escravidão foi brasileira, assim como é brasileira uma certa dificuldade para lidar com os negros livres. Eu que o diga.
Axé, Cazemiro
P.S.: Há uma referência ao caso da Emília no artigo "A proibição do tráfico atlântico e a manutenção da escravidão", da professora Beatriz Gallotti Mamigonian, publicado recentemente na coletânea de ensaios "O Brasil Imperial". Que Xangô apresse a publicação de seu livro sobre os "africanos livres" no Brasil.
DORA KRAMER
Jogo de amarelinha
O Estado de S.Paulo - 07/04/10
Pelo revés na formação do palanque para José Serra no Rio de Janeiro a direção nacional do PSDB realmente não esperava. Ao contrário.
Os tucanos andavam se jactando de que estavam muito mais adiantados que o PT na formação dos palanques regionais nos três principais colégios eleitorais do País: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
São Paulo, tudo certo com Geraldo Alckmin, candidato disparado nas pesquisas; Minas, sob a administração do ex-governador Aécio Neves; no Rio, com Fernando Gabeira de candidato a governador, dividindo palanque com Marina Silva, numa aliança de quatro partidos: PSDB, PV, PPS e DEM.
Agora, embora não se possa dizer que a situação tenha se invertido, constata-se, no mínimo, um abalo. Só São Paulo segue sendo um porto seguro.
Mesmo assim, o adversário que estava perdido entre a indefinição total e uma situação quase esdrúxula de ter Ciro Gomes como candidato do PT, hoje já pode apresentar nome definido: Aloizio Mercadante.
No PT de Minas permanece a pressão pela candidatura própria e a contrapressão do Planalto pelo apoio à candidatura de Hélio Costa do PMDB. Mas no PSDB reina uma tênue, sutil, quase imperceptível insegurança a respeito do grau de empenho de Aécio Neves na campanha de José Serra.
Mas a desarrumação mesmo, explícita, deu-se no Rio de Janeiro, terceiro colégio eleitoral.
O presidente do PV, Alfredo Sirkis, e a vereadora Andrea Gouveia Vieira, do PSDB, comandam uma rebelião contra a presença do DEM na aliança. Mais precisamente contra a candidatura do ex-prefeito Cesar Maia a senador.
Argumentam, grosso modo, que há rejeição da classe média ao ex-prefeito e pressionam o candidato a governador, Fernando Gabeira, a anunciar o rompimento.
O PSDB nacional já entrou em cena para impedir que se desfaça a coligação. Com alguma dificuldade, diga-se, porque o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia, resolveu agredir Gabeira, que, na verdade, era o menos interessado na confusão.
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, estará hoje no Rio, mas a discussão do problema deverá ser adiada para a semana que vem, a fim de evitar que as animosidades contaminem o lançamento da candidatura presidencial no próximo sábado.
E qual é a posição da direção nacional?
Simples. Ou se faz a coligação com todos ou não se faz coligação com ninguém, porque todos precisam de todos.
Serra precisa de Gabeira para ter um bom candidato a governador. Gabeira precisa do PSDB para ter tempo de televisão. Ambos precisam do DEM para aumentar o tempo de televisão e ganhar densidade em termos de estrutura partidária. Marina, como candidata a presidente, também precisa de Gabeira, que precisa do PSDB, que precisa do DEM, que precisa de Gabeira, que precisa de Serra.
Resumindo: política, eleitoral e friamente falando, soltos, cada um dos quatro partidos em questão não somam meio. No máximo flanam pelo cenário brincando de amarelinha
Bom combate. A título de provocação, o PSDB pôs o tema da ética na mesa e o PT, a fim de não parecer acuado, aceitou o debate de pronto. Foi um avanço, já que não faz muito tempo as duas principais forças políticas avaliavam que o assunto estaria fora do cenário eleitoral.
Primeiro, porque o eleitorado teria outras prioridades na vida antes de discutir coisas que só interessam a "falsos moralistas", os chamados udenistas de plantão desde a extinção dos partidos pré-ditadura.
Depois, segundo esses autores, a discussão estaria interditada por conta da existência de escândalos nas searas governista e oposicionista. Foram defendidas teses profundas a respeito da política das mãos sujas.
A ideia ganhou reforço especial no fim do ano passado, quando surgiu o caso Arruda, então governador do Distrito Federal filiado ao DEM, principal aliado do PSDB.
Diante daquele acordo tácito segundo o qual a ética estaria fora do debate político, por um nefasto zero a zero entre o roto e o esfarrapado, é motivo de celebração a entrada desse item na agenda de campanha.
CLÁUDIO HUMBERTO
Yeda manda a ‘técnica’ Dilma reassumir o cargo
A candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, terá de reassumir a função de técnica da Fundação de Economia e Estatística Siegrefried Emanuel Heuser (FEE), do governo do Rio Grande do Sul, sob pena até de demissão por abandono de emprego. Há anos Dilma estava à disposição do governo federal, “com ônus” para o governo gaúcho, mas a governadora tucana Yeda Crusius revogou a cessão.
“Continuo intolerante ao mau-caratismo, à mentira, à deslealdade”
NOVO GOVERNADOR DE SÃO PAULO, ALBERTO GOLDMAN (PSDB), APÓS ASSUMIR O CARGO
ASSIM NÃO PODE
Dilma Rousseff tem fama de “Caxias”, mas em sua ficha funcional já constam três faltas ao trabalho: ela deveria ter reassumido no dia 1º.
DEMISSÃO IMINENTE
Como não se cogita que Dilma Rousseff abandone a campanha para voltar ao emprego em Porto Alegre, espera-se que ela se demita.
NOVO DESAFIO
O ex-ministro de Infraestrutura João Santana assumiu a presidência da Constran, importante grupo de obras e transportes do País.
PRECE EM VÃO
Suspeito de irregularidades e com rombo de R$ 630 milhões, o fundo Prece, da Cedae (RJ), teve as contas aprovadas pelos conselheiros.
DEPUTADO ‘TABELIÃO’ LEGISLA EM CAUSA PRÓPRIA
É mesmo ligado a cartórios o deputado Alex Canziani (PTB-PR), autor do projeto que altera a Lei da Arbitragem, criando malandramente outra reserva de mercado para o setor. Em carta a esta coluna, o sofista negou ser “tabelião”, mas omitiu o detalhe de que sua mulher é tabeliã, só para comprovar que mentira tem pernas curtas. Ana Lúcia (“Lucy”) Canziani é titular do 2o Ofício de Registro de Imóveis de Londrina (PR).
ATÉ O PESCOÇO
Alex Canziani até foi eleito “diretor de política” da Anoreg, a associação de cartórios, e revela a profissão em seu site: “Registrador de Imóveis”.
QUE VERGONHA...
Sempre legislando em favor dos cartórios, Alex Canziani defende o trem da alegria efetivando tabeliães sem concurso público.
AGORA, BRICKS
Para a consultoria americana RWN, faltam Coreia do Sul e Cingapura na sigla Bric (Brasil, Rússia, Índia, China). Em inglês, vira Bricks.
DITO E FEITO
O ex-deputado Chico Vigilante (PT) não esquece a advertência que fez ao então governador eleito do DF José Roberto Arruda para não cair na tentação do mensalão: “Se fizer isso, você se acaba”. Não deu outra.
INTERVENÇÃO NO DF
A provável eleição de um deputado distrital, para governador do DF, fortaleceu tese da intervenção. O ex-deputado Sigmaringa Seixas lidera as preferências de quem de fato importa no governo: o presidente Lula.
QUEM NÃO CHORA...
O governador do Rio, Sérgio Cabral, chorou suas mágoas no ombro de Lula, pedindo para impedir Dilma Rousseff de ir ao lançamento da candidatura do arqui-inimigo Garotinho, sábado, ao governo do Estado.
CONFISSÃO DE ‘ZERO-UM’
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, classificou ontem de “abaixo de zero” as condições da cidade para enfrentar chuvas. Deve ter ouvido, lá no fundo, a voz de sua consciência: “Então pede pra sair, zero-um!”
A MODA PEGOU
Quem não tem scanner corporal, improvisa: a Infraero vai instalar equipamentos em aeroportos do Centro-Oeste para checar armas e explosivos em sapatos, meias e calças, mas só até a panturrilha.
RACIOCÍNIO TORTUOSO
Tarzia Medeiros, da Secretaria de Mulheres do PSOL, afirmou em artigo para o “Novo Partido Anticapitalista” francês que “políticos fascistas” brasileiros querem legalizar o aborto para diminuir a taxa de natalidade dos mais pobres e, assim, diminuir a criminalidade. Pirou?
O POVO QUE SE LIXE
A PM-DF voltou a fazer concessão à baderna: isolou grande extensão da Esplanada dos Ministérios, ontem, para que policiais e bombeiros se manifestassem pelo seu piso salarial, provocando o caos no trânsito e infernizando a vida de quem passou por lá.
RECORDE
A frota de Brasília atingiu em maio de 2008 a incrível marca de 1 milhão de veículos. Menos de dois anos depois, já aumentou mais de 15%. Toda a população do Distrito Federal pode ser conduzida somente nos bancos da frente dos carros.
PENSANDO BEM... ...o Rio vive há dois dias a Olimpíada da Chuva.
PODER SEM PUDOR
LUSTRE GENERAL
Getúlio Vargas demitiu o interventor que nomeara na Bahia, o general Pinto Aleixo, alvo de insinuações da oposição sobre o seu suposto apego aos bens públicos. Afastado, Aleixo mandou para o porto vários volumes da sua mudança, e lá estava a oposição dizendo que era móveis do palácio e até um lustre centenário. Encarregado de avisar quando o general embarcasse para o Rio, um funcionário baiano sapecou um trocadilho, no telegrama:
- Segue general e lustre.
A candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, terá de reassumir a função de técnica da Fundação de Economia e Estatística Siegrefried Emanuel Heuser (FEE), do governo do Rio Grande do Sul, sob pena até de demissão por abandono de emprego. Há anos Dilma estava à disposição do governo federal, “com ônus” para o governo gaúcho, mas a governadora tucana Yeda Crusius revogou a cessão.
“Continuo intolerante ao mau-caratismo, à mentira, à deslealdade”
NOVO GOVERNADOR DE SÃO PAULO, ALBERTO GOLDMAN (PSDB), APÓS ASSUMIR O CARGO
ASSIM NÃO PODE
Dilma Rousseff tem fama de “Caxias”, mas em sua ficha funcional já constam três faltas ao trabalho: ela deveria ter reassumido no dia 1º.
DEMISSÃO IMINENTE
Como não se cogita que Dilma Rousseff abandone a campanha para voltar ao emprego em Porto Alegre, espera-se que ela se demita.
NOVO DESAFIO
O ex-ministro de Infraestrutura João Santana assumiu a presidência da Constran, importante grupo de obras e transportes do País.
PRECE EM VÃO
Suspeito de irregularidades e com rombo de R$ 630 milhões, o fundo Prece, da Cedae (RJ), teve as contas aprovadas pelos conselheiros.
DEPUTADO ‘TABELIÃO’ LEGISLA EM CAUSA PRÓPRIA
É mesmo ligado a cartórios o deputado Alex Canziani (PTB-PR), autor do projeto que altera a Lei da Arbitragem, criando malandramente outra reserva de mercado para o setor. Em carta a esta coluna, o sofista negou ser “tabelião”, mas omitiu o detalhe de que sua mulher é tabeliã, só para comprovar que mentira tem pernas curtas. Ana Lúcia (“Lucy”) Canziani é titular do 2o Ofício de Registro de Imóveis de Londrina (PR).
ATÉ O PESCOÇO
Alex Canziani até foi eleito “diretor de política” da Anoreg, a associação de cartórios, e revela a profissão em seu site: “Registrador de Imóveis”.
QUE VERGONHA...
Sempre legislando em favor dos cartórios, Alex Canziani defende o trem da alegria efetivando tabeliães sem concurso público.
AGORA, BRICKS
Para a consultoria americana RWN, faltam Coreia do Sul e Cingapura na sigla Bric (Brasil, Rússia, Índia, China). Em inglês, vira Bricks.
DITO E FEITO
O ex-deputado Chico Vigilante (PT) não esquece a advertência que fez ao então governador eleito do DF José Roberto Arruda para não cair na tentação do mensalão: “Se fizer isso, você se acaba”. Não deu outra.
INTERVENÇÃO NO DF
A provável eleição de um deputado distrital, para governador do DF, fortaleceu tese da intervenção. O ex-deputado Sigmaringa Seixas lidera as preferências de quem de fato importa no governo: o presidente Lula.
QUEM NÃO CHORA...
O governador do Rio, Sérgio Cabral, chorou suas mágoas no ombro de Lula, pedindo para impedir Dilma Rousseff de ir ao lançamento da candidatura do arqui-inimigo Garotinho, sábado, ao governo do Estado.
CONFISSÃO DE ‘ZERO-UM’
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, classificou ontem de “abaixo de zero” as condições da cidade para enfrentar chuvas. Deve ter ouvido, lá no fundo, a voz de sua consciência: “Então pede pra sair, zero-um!”
A MODA PEGOU
Quem não tem scanner corporal, improvisa: a Infraero vai instalar equipamentos em aeroportos do Centro-Oeste para checar armas e explosivos em sapatos, meias e calças, mas só até a panturrilha.
RACIOCÍNIO TORTUOSO
Tarzia Medeiros, da Secretaria de Mulheres do PSOL, afirmou em artigo para o “Novo Partido Anticapitalista” francês que “políticos fascistas” brasileiros querem legalizar o aborto para diminuir a taxa de natalidade dos mais pobres e, assim, diminuir a criminalidade. Pirou?
O POVO QUE SE LIXE
A PM-DF voltou a fazer concessão à baderna: isolou grande extensão da Esplanada dos Ministérios, ontem, para que policiais e bombeiros se manifestassem pelo seu piso salarial, provocando o caos no trânsito e infernizando a vida de quem passou por lá.
RECORDE
A frota de Brasília atingiu em maio de 2008 a incrível marca de 1 milhão de veículos. Menos de dois anos depois, já aumentou mais de 15%. Toda a população do Distrito Federal pode ser conduzida somente nos bancos da frente dos carros.
PENSANDO BEM... ...o Rio vive há dois dias a Olimpíada da Chuva.
PODER SEM PUDOR
LUSTRE GENERAL
Getúlio Vargas demitiu o interventor que nomeara na Bahia, o general Pinto Aleixo, alvo de insinuações da oposição sobre o seu suposto apego aos bens públicos. Afastado, Aleixo mandou para o porto vários volumes da sua mudança, e lá estava a oposição dizendo que era móveis do palácio e até um lustre centenário. Encarregado de avisar quando o general embarcasse para o Rio, um funcionário baiano sapecou um trocadilho, no telegrama:
- Segue general e lustre.
QUARTA NOS JORNAIS
- Globo: O Rio em colapso Caderno Especial: Cadê o plano de emergência?
- Folha: Pior chuva mata 98 e paralisa Rio
- Estadão: Temporal recorde em 44 anos mata 103 e Rio entra em colapso
- JB: A maior chuva da história
- Correio: Rio afunda em caos e morte
- Valor: Projeto define ônus sobre informações na internet
- Jornal do Commercio: Tragédia no Rio
terça-feira, abril 06, 2010
FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS e Cia
Unindo forças
O GLOBO - 06/04/10
A Agenda Legislativa 2010, que a CNI lança hoje, vai incluir o pré-sal. Em nota técnica assinada também pelo IBP, a entidade critica dois pontos do marco regulatório que tramita no Congresso: a imposição da Petrobras como operadora única; e o papel da Petro-Sal nos comitês operacionais dos consórcios
Sem monopólio CNI e IBP acham que o privilégio à estatal viola a garantia constitucional de livre associação. “E limita a competitividade e a inovação tecnológica”, diz Jorge Camargo, do IBP. Já a PetroSal teria poder excessivo no projeto de lei. As decisões dos consórcios, dizem as entidades, devem sair do consenso dos participantes
Açaí Dunga vai estrelar a campanha do Guaraná Antarctica Açaí, que chega ao varejo este mês. A AmBev quer ligar o produto à energia do técnico da seleção brasileira e à Copa do Mundo
Jundiaí
A Multiplan destinará R$ 5 milhões ao lançamento do JundaíShopping, investimento de R$ 240 milhões. A inauguração será em 2012. A campanha é da Eugênio.
Botecos
“Quincas Berro D’Água”, o filme, fará dos botequins de Rio e São Paulo canais de propaganda. A ação de lançamento terá 15 mil bolachas de chope.
Atalho
O juiz da 7ª Vara Empresarial do Rio mandou Etna e Tok&Stok mudarem a sinalização de suas lojas, para que os clientes cheguem à saída sem passar por todas as seções. Cezar Augusto Rodrigues Costa concedeu tutela antecipada à Comissão de Defesa do Consumidor da Alerj. A deputada Cidinha Campos, presidente da Comissão, alegou que o tour forçado induz às compras.
Gato por lebre
A Royal Holiday Brasil Negócios Turísticos terá de indenizar associados de seu clube de férias. Eles pagavam mensalidades, acreditando ter as viagens cobertas. Na hora “H”, descobriam despesas adicionais. A Royal é acusada ainda de reter 35% do valor pago, como multa, de quem pedia rescisão. A decisão é da 5ª Câmara Cível do TJ-Rio.
Cabe recurso.
Recorde O desemprego na cidade do Rio bateu recorde (de baixa) em fevereiro. A taxa de 4,8% foi a menor da série histórica do IBGE, informa Felipe Goes, secretário municipal de Desenvolvimento. No Grande Rio, o índice foi de 5,6%; na média nacional, 7,4%.
De trem
O Grupo Libra apresenta hoje, na Intermodal, seu novo serviço de ligação do Porto Seco de Campinas ao Porto de Santos, por trem. A parceria com MRS e Cargill, promete reduzir em até 20% o custo logístico. O Libra quer tornar diária a frequência de viagens, hoje semanal.
Reciclagem que rende
Beiram R$ 2,5 bilhões por ano os ganhos econômicos, ambientais e climáticos do Brasil com a reciclagem de aço, alumínio, celulose, plástico e vidro. A estimativa foi feita pelo Ipea, a pedido do então ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. O levantamento será base de uma proposta de pagamento de serviços ambientais urbanos, que a pasta levará ao presidente Lula, conta Minc, agora deputado estadual fluminense: “O estudo do Ipea prova que a reciclagem traz ganhos para a sociedade, assim como o plantio de árvores e a preservação de florestas”. Só a reciclagem do plástico pode reduzir em dois terços o custo original de produção do insumo: de R$ 1.790 para R$ 626 por tonelada (veja o quadro). O estudo do Ipea também estima os benefícios da redução do consumo de energia e de emissão de gases do efeito estufa. Em cada tonelada de alumínio, a liberação de CO2 cai de 5,1 para 0,02 toneladas; no aço, de 1,46 para 0,02.
Fascínio
A GRENDHA, marca da Grendene, apresenta nova coleção da linha Fascínio, que leva a assinatura da modelo e apresentadora Anna Hickmann.
Inspirada na Rússia, terá quatro modelos produzidos em plástico e couro sintético. A campanha publicitária traz fotos da top feitas pelo craque Bob Wolfenson. As peças, desenvolvidas pela agência Escala, começam a circular em mídia nacional partir do dia 15.
Joias do Rio
As joias fluminenses terão mais destaque na Rio+Design 2010, em Milão, a partir desta quinta. A estimativa é ampliar em 20% o volume de negócios, na comparação com a edição 2009, diz Dulce Ângela Procópio, subsecretária fluminense de Comércio e Serviços.
O total de peças em exposição subiu para dez, contra seis no ano passado. A mostra terá itens dos já celebrados Antonio Bernardo, estrela da última mostra, e H.Stern, com apanhado da coleção Oscar Niemeyer. Haverá também obras outros designers cariocas, como Marzio Fiorini, criador de bijuterias em borracha. “O setor joalheiro do Rio já cresceu 10% neste início de ano. Isso mostra recuperação do impacto sofrido em 2009, por conta da crise, que afetou duramente o comércio de artigos de luxo”, conta Dulce. Em dezembro de 2008, o governo do estado aprovou a redução do ICMS para o setor joalheiro.
“Essa iniciativa já ajudou a aumentar em 12% a formalização nesse segmento no varejo”, destaca a subsecretária. A mostra, que vai até dia 13, tem logomarca e peças publicitárias criadas pela Crama.
Corrida eleitoral na ‘web’
A Imagem Corporativa monitorou a presença dos candidatos à Presidência em blogs e redes sociais no 1otrimestre.
O levantamento, que será realizado até as eleições, quer analisar a visibilidade na rede e o resultado nas urnas. “Vamos comparar números da web com pesquisas de intenção de votos”, diz a coordenadora Fernanda Vicentini. José Serra, pré-candidato do PSDB, foi o mais citado de janeiro a março.
Foi alvo de 27.034 comentários.
Em seguida, está Dilma Rousseff (PT), com 22.134. Marina Silva (PV) teve 12.793 menções e Ciro Gomes (PSB), 8.358. A agência aponta o uso do Twitter por Serra desde 2009 como fator de influência positiva.
Com 180 mil seguidores, o exgovernador de São Paulo faz em média cinco postagens diárias.
Apesar do crescimento (veja o gráfico), Dilma não tem canal oficial com internautas.
O quadro pode mudar com o lançamento oficial das candidaturas.
Ontem o site Congresso em Foco noticiou a contratação da Blue State pela candidatura governista. A empresa conduziu a vitoriosa campanha de Barack Obama.
LIVRE MERCADO
O HOSPITAL Israelita Albert Sabin, na Tijuca, investiu R$ 4 milhões em obras e na compra de novos equipamentos.
• COMEÇA HOJE a I Exposição da Indústria Naval e Offshore, organizada pela prefeitura de Niterói e pelo Sinaval. Os estaleiros Mauá, MacLaren e Atlântico Sul participam.
• NASAJON E Premium Flex Papéis, do Rio, estão na Autocom 2010. É o maior evento da América Latina em automação comercial.
• FERNANDO PINHO, presidente da TAM Aviação Executiva, apresenta hoje, em SP, o helicóptero Bell 429.
• A REDE Hortifruti vai distribuir 16 mil brindes em promoção inspirada na Copa do Mundo.
• A APPLEBEE’S lança hoje um hambúrguer feito na hora. E prevê alta de 20% nas vendas
COM GLAUCE CAVALCANTI E MARIANA DURÃO
'Contenha seu entusiasmo pelo Brasil'
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Desde que o Brasil descobriu novas e promissoras reservas de petróleo na sua costa em 2007, o país parece ter abandonado várias reformas que deveriam deixá-lo em sintonia com sua ambição de conquistar um lugar entre as nações mais industrializadas do mundo. É o que diz um artigo publicado ontem no “Wall Street Journal” e assinado por Mary Anastasia O’Grady, editora e colunista do jornal americano de finanças. O texto, intitulado “Contenha seu entusiasmo pelo Brasil”, questiona o otimismo manifestado no país sobre o sucesso das parcerias público-privadas na reinvenção “de um Brasil com sua nova riqueza”. Mary Anastasia se refere em particular ao entusiasmo do empresário Eike Batista, dono do grupo EBX, em recente passagem por Nova York. Ela conta que Eike — o homem mais rico do Brasil e o oitavo do mundo pela revista “Forbes” — “encantou a plateia com seu entusiasmo, não apenas por seus próprios projetos no desenvolvimento da exploração de petróleo, de portos e de estaleiros, como também pelo seu país”. “Apesar dos muitos erros do passado, ele (Eike) disse que o Brasil mudou e está pronto para reclamar seu lugar de direito entre as nações industrializadas”, escreve. Mas a autora do artigo se diz “cética” quanto ao otimismo de Eike, e se pergunta se o resto do país também vai se beneficiar das oportunidades que se abriram para o empresário no setor de gás e petróleo. “Quanto mais a elite do país fala sobre sua parceria público-privada para reinventar o Brasil com sua recém-descoberta riqueza, mais soa como o mesmo velho corporativismo latino”, diz ela. Mary Anastasia admite que o Brasil melhorou “em relação ao que era em meados da década de 90, quando a hiperinflação alimentou caos nacional”, e disse que “o crédito por controlar os preços vai para o ex-presidente de dois mandatos (Fernando) Henrique Cardoso, cujo governo implementou o Plano Real”. A autora minimiza o papel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no comando do país, dizendo que “uma revisão de sua gestão revela que a melhor coisa que ele fez como chefeexecutivo do país foi nada”. “Além da reforma da lei de falências e a melhoria da legislação relativa a seguros, ele (Lula) fez muito pouco.” A jornalista considera positivo que mudanças sejam gradativas, mas diz que “o problema é que desde que o Brasil descobriu petróleo abundante na costa em 2007, parece ter abandonado até as reformas modestas”. No artigo, ela sugere que faltam reformas que facilitem a operação de muitas empresas de pequeno e médio porte. Citando relatório do Banco Mundial de 2010, a jornalista diz que o Brasil não tem bom histórico em relação à abertura de empresa, pagamento de impostos, contratação de funcionários e obtenção de alvará de construção | |||
BENJAMIN STEINBRUCH
Desoneração fiscal
FOLHA DE SÃO PAULO - 06/04/2010
Os candidatos a presidente e a governador precisam ser claros sobre as posições em relação à desoneração fiscal
NA SEMANA passada, o "Jornal da Globo" fez uma reportagem simples, mas interessante. Escolheu três tipos de carros fabricados no Brasil e exportados para conferir quanto custam na Argentina e no México.
Descobriu que os preços nesses dois países da América Latina são de 18% a 42% mais baixos do que no Brasil. Um modelo popular, por exemplo, que custa R$ 29,5 mil no Brasil, sai por R$ 24 mil na Argentina e por R$ 17 mil no México.
Uma parte dessa diferença se deve, evidentemente, à defasagem cambial brasileira, ou seja, ao fato de o real estar excessivamente valorizado em relação ao dólar e às demais moedas estrangeiras. Outra parte, porém, decorre da elevada carga tributária brasileira.
Na Argentina, os impostos incidentes sobre o automóvel variam de 15% a 20%. No México são de 20%. E no Brasil, de 27% a 40%. É adequado lembrar ao cidadão brasileiro, principalmente no momento em que vai começar a campanha eleitoral, que já passou a hora de os governantes tomarem medidas corajosas em matéria de redução de impostos no país.
Aliás, nem é necessário ter tanta coragem para cortar impostos depois do sucesso da experiência anticíclica de 16 meses feita com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos automóveis, que terminou na semana passada.
No início de 2009, dada a gravidade da crise global, a indústria automobilística brasileira projetava vender no ano apenas 2,7 milhões de veículos no país. O incentivo do IPI, ajudado naturalmente pela oferta mais generosa de crédito, turbinou o mercado e fez com que o resultado final do ano atingisse 3,14 milhões de unidades vendidas, 16% acima da expectativa.
Com a desoneração, a arrecadação do IPI dos automóveis caiu R$ 4,32 bilhões no ano. Ainda não foi feito um estudo completo sobre o impacto positivo indireto da venda recorde de veículos em 2009.
Tudo indica, porém, que ela proporcionou receita extra de vários impostos e taxas (ICMS, IPVA, contribuição à Previdência Social e outros) que praticamente compensou a perda verificada no IPI.
O que se viu em março, último mês do incentivo fiscal para a compra de veículos, foi outra prova da eficiência da desoneração tributária. As vendas no mês atingiram o recorde de 354 mil unidades licenciadas, a maior parte delas com financiamento. Estimativas do jornal "Valor" indicam que só em março os créditos liberados para a compra de veículos somaram R$ 50 bilhões.
Não há dúvida, portanto, de que a desoneração foi um potente motor do setor automotivo, com reflexos por toda a economia. A experiência deveria incentivar a autoridade pública a ousar mais nessa matéria.
Há anos, por exemplo, foi abandonada a ideia de reduzir os encargos sociais e tributários que pesam sobre a folha de pagamento de empresas exportadoras, para que tenham mais condições de competir com outros fornecedores globais, principalmente os chineses. Com a defasagem cambial que continua a encarecer o produto brasileiro e a impor perdas aos exportadores, seria uma medida compensatória para estimular as vendas externas no momento da retomada do mercado internacional.
Como vai começar a campanha eleitoral, é hora de pedir aos candidatos, tanto a presidente como a governador, que sejam claros em seus programas sobre as posições que pretendem tomar em relação a alguns temas importantes para o país.
A desoneração fiscal é um deles.
BENJAMIN STEINBRUCH, 56, empresário, é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, presidente do conselho de administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
NELSON DE SÁ - TODA MÍDIA
Maior nível, mas caindo?
FOLHA DE SÃO PAULO - 06/04/2010
Do UOL no meio do dia à Folha Online no início da noite, "Bovespa tem maior nível em 22 meses" foi a manchete geral. No Valor Online, "maior nível desde 2 de junho de 2008". No Brasil Econômico, "sobe por alta em Wall Street e Petrobras".
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Mas o "Wall Street Journal" postou a reportagem "Alguns veem ganhos nos emergentes se esvaindo". Os "queridinhos de 2009", citando China e Brasil, "devem perder o lugar para o mercado acionário dos EUA". Ouve o Itaú Private Bank International, "mais interessado" nas ações americanas.
Já o "Financial Times" publicou a reportagem "BlackRock amontoa no crescimento do Brasil", com aplicações em Petrobras, Vale e no Itaú.
CHINA, DOS EUA AOS BRICS
No primeiro editorial do estatal "China Daily", ontem, "Grandes esperanças para cúpulas". O presidente chinês, Hu Jintao, vai semana que vem à reunião sobre segurança nuclear nos EUA, assim como Lula, e em seguida vem ao Brasil para o encontro dos Brics.
A decisão de participar de ambos "mostra que a China está pensando mais globalmente". Mas promete, "como maior país em desenvolvimento do mundo, continuar a lutar pela influência dos emergentes".
FOGUETE PRÓPRIO
Deu no portal G1, com a foto ao lado, "Brasil terá seu próprio foguete espacial em 2014, informa governo". Segundo a Agência Espacial Brasileira, em quatro anos "vamos poder colocar um satélite em órbita". Ecoou, entre outras, na agência russa RIA Novosti
OBAMA E OS LOBBIES
No primeiro editorial de ontem, "Não é sério sobre o Irã", o "WSJ" questiona que "Barack Obama age como se acreditasse que Teerã nuclear é algo inevitável". Cobra que Washington adote sanções sem esperar chineses e russos e lamenta como os "EUA se acham implorando por votos até de membros não permanentes do Conselho de Segurança, como Brasil e Turquia".
O "FT" destacou a "derrota de Obama" no Conselho, que não incluiu ontem o programa nuclear do Irã na agenda de abril. Ele agora "está sob pressão para adotar sanções unilaterais", de "lobbies influentes".
EM NEGOCIAÇÃO
O "Valor" de papel deu que "EUA pedem ao Brasil para adiar até junho as medidas de retaliação". Sua comissão, com a vice representante comercial e o subsecretário de Agricultura, "prometeu entregar propostas concretas de negociação" até ontem. E ontem no meio da tarde o Valor Online adiantou a suspensão das medidas. A proposta americana foi entregue e considerada, pelos negociadores brasileiros, "bastante concreta".
CONTRA
Poucas horas antes de o Brasil adiar a retaliação, o G1, da Globo, postou que "EUA ameaçam Brasil com "contra- retaliação'". Depois mudou para "contra-medidas", ao ser avisado pela embaixada dos EUA do "erro de tradução". Na escalada de manchetes do "JN", "Adiadas as retaliações brasileiras aos produtos americanos". De cinema e TV, inclusive.
CONTENHA-SE
A colunista conservadora Mary Anastasia O'Grady deu no "WSJ" o texto "Contenha seu entusiasmo pelo Brasil", criticando o "entusiasmo" do empresário Eike Batista, dias antes em vídeo no próprio "WSJ", parte de um especial sobre o Brasil. Ela atacou Lula e elogiou FHC e Arminio Fraga. O texto ecoou na BBC Brasil e daí amplamente por UOL, Terra etc.
DA NBC PARA A GLOBO
A avó de Sean Goldman deu uma entrevista ao "Fantástico" dizendo não conseguir mais ver o neto. A notícia ecoou ontem, via Associated Press, pelo site da rede NBC, que concentrou a campanha do pai americano pelo retorno do menino aos EUA. No fim do dia, a advogada de David Goldman falou que o pai "quer permitir" o encontro da avó com Sean.
Na cobertura, foto da AP mostra pai e filho num jogo do NY Knicks, no Madison Square Garden.
LEI & ORDEM
A série "Law & Order", da NBC, transmitiu na semana passada um episódio inédito, com o título "Brazil", que se inspirou na disputa de guarda do caso Sean
NAS ENTRELINHAS
Uma herança bem complicada
| Alon Feuerwerker | ||||
| Correio Braziliense - 06/04/2010 | ||||
Quando Lula pousar na História, ela registrará a maior oportunidade que um presidente brasileiro teve, em muito tempo, de ceifar os juros a um nível civilizado. E como deixou-a passar Preparemo-nos, que a conta vem aí. Com os indicadores registrando pressões inflacionárias, a tendência do Banco Central é subir a taxa básica de juros. Rotineiro, menos por um detalhe: ela vai elevar-se a partir de um nível já alto, um patamar que nos mantém na pole position mundial do juro básico real. O governo, naturalmente, preferirá dizer que “no tempo de FHC era pior”. Ou então mudar de assunto e tratar do crescimento. Ainda que, na média de 2009 e 2010, a evolução do PIB vá ser medíocre. O que pode ser lido como redundância, mas reflete bem a realidade. Taxa de juros não costuma dar nem tirar voto, então o governo parece não estar nem aí para um fato: o aperto monetário vindouro vai coroar talvez um dos maiores fracassos da Era Lula. Pois ela terminará do jeito que começou, refém da “pátria financeira”, na expressão criada pelos argentinos. Mas se lá atrás era uma contingência da vida, com o tempo, passou a ser produto de escolhas políticas. Vamos recapitular. Quando a crise mundial estourou, em setembro de 2008, todos os bancos centrais derrubaram imediatamente as taxas e cuidaram de prover a liquidez necessária para evitar um colapso nos moldes da crise de 1929. E quem tinha suficiente gordura fiscal para queimar, como por exemplo a China, tratou de garantir a tal demanda agregada. O que fizemos nós? Na parte fiscal, demos folegozinhos localizados a setores industriais mais influentes, de canais mais azeitados na Esplanada, com a explicação de que a medida teria efeito geral, devido à propagação da atividade. Simplesmente não aconteceu, e a indústria fechou 2009 com a língua de fora. Claro que 2010 está sendo bom, especialmente na comparação com o péssimo 2009, o que não absolve os doutores. Se o paciente consegue recuperar-se, isso não anistia o médico que errou no tratamento. Ainda que ele apareça, sorridente, ao lado do sortudo agora liberado da UTI. O que fez o BC no final de 2008 e início de 2009? Esperou meses antes de começar a baixar — e devagar — a taxa de juros. Qual era o pretexto? As ameaçadoras pressões inflacionárias decorrentes da desvalorização cambial que viria por causa do menor retorno proporcionado pelos títulos do Tesouro. Bem, mesmo com o BC de freio de mão puxado, o real desvalorizou-se, sem qualquer efeito na inflação. Simplesmente porque não havia demanda. Mas você vê alguém cobrando o BC pela barbeiragem? Ninguém. O PT não cobra porque foi neutralizado por Luiz Inácio Lula da Silva. E a oposição não cobra porque, no fundo no fundo, trata a turma do BC como se fosse da cota dela. E talvez seja mesmo. Quem arca com a conta da bonita amizade entre este governo e os bancos, caro leitor? Quem vive de trabalhar, e não de especular. Os que pagam tarifas bancárias escorchantes. Quem paga 10% ao mês no cheque especial quando a inflação está em 5% ao ano — e quando o banco remunera o poupador a 1% ao mês. Este governo do PT começou e vai terminar com o Brasil no alto do pódio do spread bancário. Um dia, quando Lula deixar de frequentar diariamente o notíciário com discursos, quando tiver pousado na História, ela registrará a maior oportunidade que um presidente brasileiro teve, em muito tempo, de ceifar os juros a um nível civilizado. De inverter a lógica-mãe do capitalismo brasileiro, da especulação para a produção. De garantir um câmbio suficiente para a competitividade da nossa indústria e a defesa dos nossos empregos, de impor uma regulação bancária centrada na razoabilidade das margens e na necesssidade de popularizar o crédito. E vai registrar como Lula, com 80% de apoio popular, com os adversários grogues, e em meio a discursos sobre “a imperiosa necessidade de evitar a volta do neoliberalismo”, deixou passar o cavalo arriado. Deixando também, quem diria?, uma herança bem complicada para a sucessora, ou sucessor. Pesquisas birutas Quando pesquisas eleitorais sucessivas se contradizem, parecendo aquelas birutas de aeródromo chinfrim, só resta uma saída: esperar pelas seguintes, as que ainda não foram feitas. Porque, como vocês estão cansados de saber, eu acredito em todas as pesquisas. Parece-lhe confortável? Talvez seja. O que não dá é o analista entrar neste samba do afrodescendente doido, na adaptação politicamente correta do termo. Querem bater boca sobre pesquisas? Sintam-se à vontade. A casa é de vocês. |
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