terça-feira, abril 06, 2010

ELIANE CANTANHÊDE

À mineira 
FOLHA DE SÃO PAULO -  06/04/2010


Hugo Chávez é um líder militar, de um país rico, alavancado pelo petróleo. Evo Morales é um líder indígena, de um dos países mais pobres do continente, dependente do gás. Petróleo é petróleo, gás é gás. As reservas petrolíferas bolivianas não chegam perto das venezuelanas.
Pois bem. Enquanto as atenções e expectativas se concentravam na Venezuela e em Chávez, quem surpreende são a Bolívia e Morales. E não apenas a imprensa, mas até o governo brasileiro -positivamente.
As eleições regionais do final de semana confirmam que Morales já passou pelo pior. Enfrentou grandes empresas estrangeiras, a começar da Petrobras e da EMX brasileiras; confrontou os líderes "autonomistas" das regiões mais ricas; conseguiu mudar a Constituição e imprimir novos valores, até novos símbolos, para uma Bolívia que é indígena na história e na alma.
Na política, o sucesso de Morales pode ser resumido na sua reeleição, no final do ano passado: ele teve 64% dos votos, um recorde incomparável nos últimos 50 anos no país.
E ninguém mais parece ter força para retomar a pressão pela autonomia das Províncias.
Na economia, os números são favoráveis: 3,7% de crescimento em 2009, ano de crise, inflação em 4% e reservas internacionais em US$ 8,5 bilhões, para uma dívida externa de U$ 2,5 bilhões. Nada mal.
Agora, é transformar tudo isso em credibilidade externa, para atrair investimentos, industrializar o país e construir infraestrutura. A hora é esta. Inclusive por causa da comparação: se a Bolívia é ascendente, a Venezuela vive racionamento de energia, divisão polícia, recessão. Sem falar na prisão de adversários e donos de TV.
Se você fosse investidor e quisesse apostar em hidrelétricas, petroquímicas, estradas, pontes e novos polos agrícolas, iria para a Venezuela ou para a Bolívia? O governo brasileiro, a Petrobras e a EMX já têm a resposta pronta.

MÔNICA BERGAMO

Mil e uma tulipas 

Folha de S.Paulo - 06/04/2010

Cantora, compositora e ilustradora, Tulipa Ruiz se prepara para lançar seu primeiro álbum, "Efêmera", cujos desenhos da capa ela também assina; os cantores Céu, Thalma de Freitas, Tiê, Kassin, Mariana Aydar e Tatá Aeroplano têm participações especiais no disco de Tulipa, que se apresenta hoje, no Studio SP, e lança o álbum no dia 30 de maio com show no Auditório Ibirapuera, em SP.
Primeiro susto
O processo que condenou o ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira, do Banco Santos, a 21 anos de prisão por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e crime contra o sistema financeiro voltou a tramitar no STF (Supremo Tribunal Federal). E as notícias não são boas para ele: num primeiro voto, o relator do caso, ministro Joaquim Barbosa, defendeu que a liminar que permite que Cid Ferreira fique em liberdade seja revogada e que ele volte para a prisão.
NA TURMA
O caso está sendo apreciado por uma das turmas do STF -ainda faltam os votos de Eros Grau, Ellen Gracie, Celso de Mello e Cezar Peluso.
SEM BLUSA
Os ladrões que invadiram a casa de Lurian, filha do presidente Lula, na sexta, em Florianópolis, ficaram pelo menos meia hora no lugar. O cálculo é da própria vítima, que diz não ter nem como se vestir direito: os assaltantes surrupiaram todas as blusas dela, todas as calças jeans da filha, Beatriz, 14, e os DVDs do filho, João, 5, além de um computador e de um videogame. "Comeram até pizza na cozinha", diz Lurian, que assistia à programação da Canção Nova na TV e não deu bola para a barulheira. Ela estava sozinha em casa, pois se separou recentemente de Marcelo Sato. Os filhos estavam com ele em SP e os seguranças, numa casa a 500 metros de seu apartamento.
SEM TETO
Lurian, por sinal, pensa em se mudar do prédio em que vive, no bairro de Itaguaçu.
LINHAS TORTAS
E o presidente Lula, além de telefonar para Lurian, pediu nos últimos dias para outro filho, o caçula Luis Claudio, auxiliar de preparação física do Corinthians, para "tomar cuidado com o que escreve" no Twitter. Na semana passada, Lulinha causou polêmica ao reproduzir uma piada em que chamava os são paulinos de "monte de gay".
PÚLPITO
A senadora Marina Silva, pré-candidata do PV à Presidência, vai se encontrar com lideranças evangélicas mineiras no final de semana, quando irá ao Estado para o lançamento da candidatura do deputado José Fernando Aparecido (PV-MG) ao governo. No sábado, ela participa de encontro do Conselho Estadual de Pastores local.
TREM DAS ONZE
Mais um show para celebrar o centenário de Adoniran Barbosa está marcado em São Paulo. No dia 25, Arnaldo Antunes, Jair Rodrigues, Eduardo Gudim, Vânia Bastos e Roger, do Ultraje a Rigor, fazem apresentação gratuita no parque Ibirapuera, cantando os clássicos do compositor paulista.
CALDO DE GALINHA
Mudanças de planos no lançamento do DVD de "Lula, o Filho do Brasil": em vez de colocarem no mercado 1 milhão de cópias, como anunciado, os produtores do longa vão se limitar a vender o filme para as cerca de 10 mil locadoras de vídeos do país. "Lula" foi considerado um fracasso de público. Até agora, foi visto por cerca de 800 mil pessoas -ou 10% dos 8 milhões que os produtores esperavam arrastar para as salas de cinema do país.
EM BREVE
E Fábio Barreto, diretor do filme "Lula", que sofreu acidente de carro no fim de 2009, já tem condições de "despertar a qualquer momento" do coma, diz seu pai, Luiz Carlos Barreto. "O médico nos disse que isso pode acontecer em dois meses, um mês ou até em uma semana." A expectativa é de que Fábio enfrente problemas de fala e de memória, mas que mantenha todos os movimentos.
HERMANOS
O cantor e compositor argentino Noel Schajris grava hoje a música "Hay Luna Nueva" com o brasileiro Jair Oliveira. A faixa fará parte do novo álbum de Jairzinho, "Sambazz", que virá encartado dentro de livro homônimo, lançado pela Leya.
MAQUETE FRANCESA
Ruy Ohtake foi convidado a integrar o acervo de arquitetura do Centre Pompidou, em Paris. O arquiteto brasileiro deverá enviar ao museu desenhos originais de projetos e algumas de suas maquetes. Entre os próximos projetos de Ohtake está a reforma do estádio do Morumbi para a Copa de 2014.
UM LIVRO POR ANO
Terá tiragem de 102 exemplares, correspondentes à idade atual do arquiteto, a edição de luxo do livro de cartas trocadas por Oscar Niemeyer com personalidades mundiais.
CURTO-CIRCUITO
O QUINTETO Pitanga em Pé de Amora se apresenta hoje, às 21h, no Sesc Pompeia. O evento é gratuito. Classificação: 10 anos.
ACONTECE HOJE , às 21h30, a pré-estreia de "Rita Cadillac, a Lady do Povo", no Espaço Unibanco de Cinema. 18 anos.
O ESTILISTA Ricardo Almeida promove hoje, a partir das 21h, o desfile da coleção de inverno, na Vila Nova Conceição.
SERÁ INAUGURADO HOJE , às 19h30, no Alto de Pinheiros, o espaço Kurma, com cursos e palestras na área de saúde e atividades como ioga, meditação, pilates e relaxamento.
O HOSPITAL SÃO CAMILO, da Pompeia, foi acreditado com a Certificação Internacional Canadense, uma das mais importantes do mundo e concedida pela Accreditation Canada, em parceria com o Instituto Qualisa de Gestão.
A MARCA de esmaltes Risqué lança coleção especial hoje, às 10h, com brunch na loja Accessorize da rua Haddock Lobo.
GIULIO ADRIANI lança hoje, às 20h, pizza com certificado da Associazione Verace Napoletana, na Speranza de Moema.

XICO GRAZIANO

Fosso perigoso
O Estado de S.Paulo - 06/04/10

As crianças se deliciam com os ovos de Páscoa sem conhecer a origem do chocolate. Poucos adultos, inclusive, sabem que por trás da venerada guloseima se esconde o suor de anônimos agricultores. Cacau depende do campo.

Fruta originária da América Central, a bebida de cacau era considerada sagrada pelos antigos maias, na civilização pré-colombiana. Foi o próprio Cristóvão Colombo quem levou, em 1502, as primeiras sementes da inusitada planta para a Europa, entregando-as diretamente ao rei Fernando II. Pouco adiantou.

Espécie tropical por excelência, o cacaueiro gosta de calor, mas cresce na sombra. Por essa razão, plantado sob a mata atlântica, bem se aclimatou na região de Ilhéus. Ali, no sul da Bahia, floresceu uma singular economia, com apogeu na década de 1920. Época latifundiária.

Cenário dos magníficos romances de Jorge Amado, a opulenta, porém desigual, oligarquia cacaueira surge retratada em Cacau (1933), São Jorge dos Ilhéus (1944) e, mais tarde, no inesquecível livro Gabriela, Cravo e Canela (1958). Ainda hoje os baianos lideram as plantações de cacau, concentrando 67% da produção nacional. Segue-se, longe, o Pará (21%).

Engana-se, porém, quem pensa que o País manda no mercado. A liderança mundial está na Costa do Marfim, oeste africano, cuja cacauicultura supera em quase seis vezes a brasileira. À frente do Brasil, no ranking mundial, ainda se encontram Gana, Indonésia e Nigéria. Quem diria.

O "tchocolath", um licor valioso, era utilizado nos rituais religiosos e nas cerimônias importantes daquele ancestral povo mexicano. A bebida, também considerada medicinal, se fabrica a partir das sementes do cacau. Cada fruta contém, em média, 50 caroços, originariamente cobertos por uma polpa branca e viçosa. Algo parecido com o café.

Colocadas em terreiros para secar ao sol, depois industrialmente torradas e moídas, as sementes seguem para as fábricas de chocolate. Daí em diante, sua história se revela ao mundo urbano. Todos os povos o adoram. A Bélgica e os EUA lideram o consumo per capita de chocolate, com 15 kg/ano. No Brasil a média está em 3 kg/habitante/ano. Nada mal.

Ninguém, claro, é obrigado a conhecer a economia rural brasileira, muito menos o ciclo de produção do cacau. Coisa de agrônomo. Aqui apenas se pretende apontar a existência de um crescente fosso entre a sociedade moderna e a agricultura. A urbanização e a consequente industrialização do alimento rompem os elos originais entre a comida e quem dela usufrui. Um processo histórico.

Argumenta-se, exagerando, que as crianças dos grandes centros urbanos mal sabem de onde brota o leite que tomam nas mamadeiras, acreditando elas, talvez, que das prateleiras do supermercado surja, por milagre, o branco líquido que bebem. Afinal, quem já presenciou a ordenha de uma vaca?

Essa distância entre o campo e a cidade, facilmente perceptível no exemplo do chocolate ou do leite, esconde um terrível perigo. Ao desconhecerem as ligações do alimento desde quando sai produzido na roça até chegar à mesa, as pessoas acabam por se esquecer, também, dos homens que vivem longe na labuta rural. E ninguém valoriza aquilo que desconhece.

Nada mais aflige o agricultor nacional que se perceber menosprezado pela sociedade, algumas vezes até tratado de forma preconceituosa na opinião pública, como se dispensável fosse. Além da já citada ilusão alimentar, existem com certeza outras razões explicativas desse triste fenômeno da atualidade brasileira. Bom tema para a academia estudar.

Pelo sim pelo não, certa má fama acomete, desgraçadamente, os agricultores nacionais, retirando-lhes o prestígio de que deveriam gozar graças à importância fundamental de sua atividade, qual seja, de provedores do alimento humano. Para não falar das matérias-primas essenciais cultivadas, como o algodão, presentes nas calças jeans e nas camisetas ostentadas pela juventude. Reconheceriam eles um pé de algodão?

Há tempos as lideranças rurais procuram caminhos para melhorar sua imagem perante a sociedade. Uma hipótese de trabalho é exatamente esta: explicitar melhor a origem das coisas. Campanha de comunicação de massa poderia mostrar que o suor do agricultor abastece a mesa da salada, do arroz com feijão, da mistura boa, da fruta gostosa. Pedagogia fácil.

Nos alimentos processados, todavia, mais difícil se percebe o vínculo da terra com o garfo. Embutidos, como os presuntos, enlatados, como o óleo de cozinha, engarrafados, como a bebida, as embalagens escondem o começo do gosto. Pode-se apelar ao emocional: inexiste cerveja sem cultivo de cevada, nem camisinha sem látex de borracha. Viva os fazendeiros!

As mazelas do campo, carregadas desde o passado escravocrata, infelizmente turvam os olhos da sociedade, impedindo-a de perceber com nitidez os amplos benefícios da roça, valorizando-a adequadamente. Ruralismo, em vez de virtude, vira defeito.

Parte da culpa cabe, por certo, aos próprios agricultores. Lideranças caquéticas, discursos atrasados que irritam os formadores de opinião, causam um verdadeiro antimarketing rural. Existem também, é verdade, produtores caloteiros, outros antiecológicos, cujo comportamento perdulário agride o bom senso. Nada estranho. Em todos os setores da sociedade existem os bocós de seu tempo. Pode procurar.

Os cientistas já comprovaram o poder antidepressivo do chocolate, provocado pelo aminoácido triptofano. No cérebro ele se converte em serotonina, um poderoso neurotransmissor. Mas cuidado com a euforia. Exagerar na doçura pode provocar engordante dependência. Chocólatras que o digam.

Como se vê, nada é perfeito. Nem o chocolate, nem os agricultores.

Agrônomo, é Secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. 

QUADRILHA

ILAN GOLDFAJN

Incerteza certa
O Estado de S.Paulo - 06/04/10

Ocorreu de tudo na semana passada. O presidente do Banco Central (BC) do Brasil provavelmente iria deixar o BC, resolveu ficar. O candidato principal ao cargo iria assumir, acabou que não. Houve rumores de que outros candidatos iriam ser indicados pelo presidente da República, mas ficou nisso. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) explicou tudo coerentemente, menos por que os diretores mantiveram a taxa de juros parada. O Relatório de Inflação de março apressou-se a fornecer essa explicação, mas não sob o comando do diretor responsável, que deixou a função pouco antes da divulgação, após quatro anos no cargo. Enquanto isso a expectativa de inflação atingiu 5,2% para este ano, acima do centro da meta de 4,5%, e continua subindo. Há motivo de preocupação?

Tudo indica que não, pelo menos no curto prazo. O problema de inflação atual do Brasil resulta do excesso, não da falta, de crescimento (como será o caso dos países avançados). Excesso de demanda tem gerado um crescimento acima do sustentável (no último trimestre, o PIB cresceu acima de 8%) e uma inflação incipiente. A permanência do atual presidente do Banco Central é uma garantia de que a subida recente da inflação será combatida. Os novos (e antigos que ficaram) diretores deverão auxiliá-lo nessa tarefa, com a mesma competência reconhecida dos que saíram. Ao longo do tempo essa política, se mantida como no passado, irá fazer a inflação recuar para o centro da meta e o Brasil crescer sustentadamente por mais tempo.

Mas o sistema de governança atual gera incerteza em momentos críticos. Quando termina o mandato do presidente da República, há sempre dúvidas sobre as políticas futuras. E é nesse momento que ocorrem as substituições no BC. E com elas surgem dúvidas adicionais desnecessárias, como: Será que o novo Banco Central terá o mesmo compromisso no combate à inflação?

Uma solução simples é encontrada no resto do mundo. Separa-se o término do mandato presidencial das substituições no Banco Central, que ocorrem intercaladas ao longo do tempo. Com isso, diminuem-se as incertezas e, ao longo do tempo, fica claro que não haverá rupturas em políticas responsáveis básicas no Brasil. O País amadurece e evita-se a tentação de soluções curto-prazistas. A sociedade pode continuar a se concentrar em melhorar, investir e aumentar a sua produtividade, em vez de recorrentemente voltar a pensar na inflação.

A sociedade, por meio do presidente da República eleito, continua com a prerrogativa de escolher a diretoria do Banco Central e seus diretores ao longo do tempo, à medida que vençam os mandatos individuais. No futuro, a manutenção dessa política básica (combate à inflação) dependerá mais da própria instituição (BC) e menos (sem nunca prescindir) dos indivíduos escolhidos para as funções. Quanto mais a sociedade dependa das instituições, e quanto mais sólidas elas sejam, maior a chance de os indivíduos fazerem a diferença em outros aspectos da economia, como no empreendedorismo e na inovação, fundamentais ao crescimento.

Vários artigos na literatura acadêmica têm ressaltado a importância do desenvolvimento das instituições sobre o crescimento. (Vejam, por exemplo, Institutions as the Fundamental Cause of Long-Run Growth, por Daron Acemoglu, Simon Johnson e James A. Robinson, no livro Handbook of Economic Growth, editado por Philippe Aghion e Stephen Durlauf, Elsevier, North Holland, 2005.)

Mas por que uma solução tão simples (e adotada no resto do mundo) não tem tido eco no Brasil até hoje? Por diversos receios. Entre eles os que advêm do próprio nome da reforma: "autonomia operacional" do BC. Nesse regime, ao contrário da "independência", o executivo define as metas futuras do BC. Mesmo assim, há receio de outorgar a "autonomia" por razões técnicas (como fazer quando é necessário mudar a pessoa no meio do mandato por razões justas como problema ético ou até incompetência comprovada?) ou ideológicas (autonomia para aqueles que não foram eleitos?). Um desenho adequado da reforma pode permitir separar o joio do trigo (razões políticas de curto prazo versus ética/incompetência) e apaziguar a questão ideológica (afinal, os membros do BC seriam escolhidos pelos eleitos para buscar as metas predefinidas por outros).

Hoje o Banco Central tem autonomia "de facto". Seus dirigentes têm, de fato, autonomia para perseguir as metas estabelecidas de inflação e, assim, cumprir o papel de guardiães do poder de compra da moeda. Isso é um grande avanço, dado que a sociedade está organizada (mesmo que informalmente) para combater a inflação. Essa organização tem permitido o trabalho do Banco Central e a estabilidade alcançada nos últimos anos.

A autonomia "de facto" atinge muito, mas não tudo. Falha nos momentos de mudança de governo, em que a continuidade dos usos e costumes (arranjos "de facto") é questionada e a organização formal "de jure" (por lei) começa a fazer falta. As expectativas de inflação podem começar a subir com dúvidas sobre o compromisso do futuro Banco Central em combater a inflação.

O Brasil carece ainda de várias reformas - educacional, trabalhista, previdenciária, administrativa, política, entre outras - e todas demandam esforço e capital político para serem desenhadas, aprovadas e implementadas: algumas reformas são essenciais para a continuidade do crescimento atual.

Não é fácil argumentar sobre a necessidade de mais uma reforma, por mais simples que seja (outorgar mandatos fixos e escalonados para os dirigentes do Banco Central), quando há muitas a fazer e a política monetária tem funcionado "de facto" a contento, quase o tempo todo. O problema é o quase: pode haver falhas nos momentos críticos, quando é essencial manter sob controle as expectativas de inflação para facilitar a transição e dirimir dúvidas quanto ao futuro.

Economista-Chefe do Itaú Unibanco

PAINEL DA FOLHA

A ordem é repetir
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 06/04/10

Dilma Rousseff (PT) fez ontem, em evento do aliado PR, uma clara investida para atrapalhar o esforço do adversário José Serra (PSDB) de tirar o presidente Lula do centro do debate eleitoral, protegendo-se do potencial efeito negativo de criticar a gestão do petista, hoje com popularidade recorde.
Na avaliação do núcleo da campanha de Dilma, o tucano tentará se livrar do que pode derrotá-lo, a saber, a marca de anti-Lula. Por isso, a orientação é clara: nos próximos discursos, a ex-ministra seguirá tentando caracterizar a candidatura de Serra como um projeto em tudo oposto ao atual.


Entre nós. Dilma teve uma conversa reservada com Alfredo Nascimento e Anthony Garotinho tão logo encerrado o evento do PR. O ex-governador negou ter sido a origem da notícia de que ela iria ao lançamento de sua pré-candidatura, neste sábado no Rio. O PT diz que Dilma não estará no Estado nessa data.
PPP. O sub-síndico da quadra no Lago Sul onde Dilma passou a morar em Brasília quer compartilhar a segurança da rua com a candidata. Alega que, em virtude da mudança dela, o fluxo de veículos cresceu bruscamente.
GPS 1. Segundo dados fornecidos à Justiça Eleitoral, a pesquisa Vox Populi de intenção de voto para a Presidência recém-divulgada pela Band repetiu o itinerário (incluindo ruas, casas e endereços dos entrevistados) da sondagem anterior do instituto, feita em janeiro. Em ambas, Dilma aparece em ascensão. Na mais recente está tecnicamente empatada com Serra.
GPS 2. De acordo com profissionais da área, voltar aos mesmos lugares para uma nova rodada de pesquisa é procedimento que ameaça "viciar" o resultado. Além disso, pode fazer com que partidos tentem influenciar no campo determinado. Institutos como o Datafolha optam por variar os municípios e/ou os endereços pesquisados.
Outro lado. Diretor do Vox Populi, Marcos Coimbra nega que o instituto tenha voltado aos mesmos locais na nova pesquisa. Diz ainda não ver problema em fazer pergunta sobre o grau de conhecimento dos candidatos interposta entre as questões para aferir intenção de voto espontânea e estimulada. Segundo ele, tal procedimento tem respaldo na literatura internacional sobre o tema.
Tô fora. O enfático alerta de Nelson Jobim (Defesa) na reunião com o novo time ministerial ontem, para que integrantes do primeiro escalão tenham cautela na campanha em virtude das restrições da Justiça Eleitoral, levou um colega a observar: "Estaria ele tentando justificar sua já esperada inércia?"
Tô dentro. Coube ao vice José Alencar (PRB) fazer o contraponto a Jobim. O mineiro disse que tudo bem ter cautela, mas ressalvou que político não pode ter "medo".
Vagas. De volta ao Senado, o ex-ministro Edison Lobão (Minas e Energia) ficará com a relatoria do projeto que cria o Fundo Social do pré-sal na Comissão de Assuntos Econômicos. A intenção do governo é acelerar a tramitação. Até agora os projetos receberam 80 emendas na Casa.
Vide verso. Autor da emenda sobre a patilha dos royalties do pré-sal, Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) mandou imprimir o polêmico parágrafo em cartões de visitas que carrega a tiracolo. Tem distribuído em todos os cantos.
Fora de casa. Depois de passar incólume pelo Senado, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, será ouvido amanhã na Assembleia Legislativa paulista sobre o caso Bancoop. A diferença é que desta vez os tucanos serão maioria.

com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER
Tiroteio 
"Antes de falar em ética, Dilma precisa explicar o que fazem mensaleiros e aloprados em sua campanha." 

Do senador SÉRGIO GUERRA (PE), presidente do PSDB, sobre a candidata do PT à Presidência, segundo quem "o debate centrado na ética é muito bom para a gente".
Contraponto 
Objeto de desejo A deputada distrital Eurides Brito, que foi flagrada escondendo dinheiro na bolsa no escândalo do mensalão candango, entrou na tarde de ontem no elevador de um edifício comercial junto de outras duas mulheres. Falavam amenidades. De repente, a peemedebista olhou para o figurino de uma delas e não conteve o entusiasmo:
-Mas que lindo o seu sapato!
As três riram, e Eurides continuou:
-Minhas grandes paixões são sapatos e bolsas!
A deputada se despediu e desembarcou no andar desejado. Imediatamente, a dona do sapato comentou:
-Bem, que ela gosta de bolsas Brasília inteira sabe...

GOSTOSA

MÍRIAM LEITÃO

Risco fiscal
O GLOBO - 06/04/10

As capitalizações em série do BNDES são obviamente um risco fiscal de grandes proporções.

Se o governo fizer mais uma operação de R$ 100 bilhões significa um montante equivalente a oito anos de Bolsa Família. Isto é 3% do PIB, é toda a dimensão da indústria de petróleo. E essa é a terceira operação recente. Já foram feitas duas: uma de R$ 100 bilhões e outra de R$ 80 bilhões.

Fala-se pouco disso no Brasil. O silêncio é por interesse.

A maioria das empresas do país, todos os bancos, os bancos de investimento dependem do BNDES para seus negócios. O Tesouro está se endividando para pôr dinheiro no banco, que transfere para as empresas por critérios discutíveis.

E com isso está também concentrando renda.

O primeiro critério é a ideia de criar “campeões nacionais”.

Foi exatamente assim que o contribuinte brasileiro teve que arcar com enormes rombos nos anos 70 de empresas que, alimentadas com dinheiro público, se tornaram dependentes, e depois quebraram.

O segundo critério é o de aumentar a estatização do crédito por razões ideológicas.

Os grandes projetos estão todos estatizados na prática porque os consórcios são formados por uma estatal, fundos de pensão de estatal e o banco público.

O BNDES na atual gestão não explica absurdos como o de ter aplicado R$ 100 milhões de capital de risco para virar sócio do frigorífico Independência, três meses antes de a empresa familiar quebrar.

Quando esta coluna perguntou sobre isso ao banco, ele respondeu por escrito que o assunto está entregue ao departamento jurídico.

Obviamente isso não resolve a questão. As dúvidas são: Quem autorizou tal negócio? Como ninguém soube da verdadeira situação da empresa? Não houve uma avaliação da situação patrimonial antes de entrar no capital de uma empresa familiar e fechada? A ideia agora, informou O GLOBO de ontem, é a de capitalizar o BNDES para ele financiar o PAC. O problema é que isso não é neutro do ponto de vista fiscal. O governo informa que a operação não vai aumentar a dívida líquida porque o Tesouro diz que receberá de volta ao longo do tempo. Mas a dívida bruta voltou a subir, como se pode ver no gráfico abaixo.

O “Wall Street Journal” publicou uma reportagem recomendando conter o otimismo em relação ao Brasil.

Disse que não somos mais o país da hiperinflação graças às reformas feitas no governo anterior ao Lula. Que as reformas já eram incipientes neste governo e desapareceram depois da descoberta do pré-sal.

O jornal não sabe de toda a má notícia. O pior é a recriação de riscos fiscais que podem abalar a base da estabilidade. Como o dinheiro do banco é subsidiado, o que o Tesouro está fazendo é transferindo R$ 280 bilhões — se for confirmada essa terceira capitalização — para que o banco possa emprestar para as empresas abaixo do custo que o próprio Tesouro se financia. Não há transparência sobre esse custo fiscal, nem sobre os riscos que o banco tem assumido.

O economista Felipe Salto, da Tendências Consultoria, lembra que o Brasil tem precisado de poupança externa para financiar o crescimento.

Isso significa que o passo do governo vai na direção contrária, pois aumenta a dívida ao invés de estimular a poupança interna. Salto observa também que continua o descompasso entre as políticas monetária e fiscal. Enquanto o Banco Central é obrigado a subir juros para controlar a inflação, o governo aumenta gastos e contribui para pressionar os preços: — A política fiscal é o nosso principal risco no médio e longo prazo. O governo se aproveita do crescimento econômico e dos efeitos que o superávit primário têm sobre o perfil da dívida. Elas funcionam como um freio.

Porém, se tivéssemos uma política fiscal mais sólida, a expectativa mudaria para melhor, haveria menos pressão sobre a demanda e os juros seriam mais baixos. No final, o país cresceria mais.

Entre 2008 e 2009, a dívida bruta subiu de 57% do PIB para 63%. O governo dirá que isso aconteceu por causa de ações de combate à crise.

Esse argumento já não serve para 2010 porque as previsões de crescimento para este ano estão em torno de 6%.

Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, a nova capitalização do BNDES é um mau sinal para um ano eleitoral.

— No aspecto fiscal, é preocupante a pressão sobre a dívida bruta, ainda mais porque teremos mudança de governo — disse.

JOSÉ SIMÃO

Padrefolia! Continua a sacranagem!
FOLHA DE SÃO PAULO - 06/04/10

E um amigo disse que eu vou ser excomungado. Eu quero ser excomungado do IR!


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Gerente dos Transportes de Curitiba é contra o aumento das linhas de ônibus porque causa engarrafamento. Como é o nome dele? Luiz FILLA!
E essa: "Peru isenta o Papa Bento 16". A recíproca é verdadeira. Papa Bento 16 isenta o Peru! Rarará! Continua a sacranagem. A PADREFOLIA! Eu já disse que padre que transa com menor de idade não é pedofilia, é PADREFOLIA! Um Carnaval fora de época! E quem gosta de ver véia pelada? É geriatrofolia!
E essa: "Padre é preso com quatro menores num motel". Aí não é pedofilia, é gulodice. Rarará! Mas também olha essa pesquisa: 41% dos padres admitem ter relações com mulheres. E os outros 59% fazem o quê? Rarará! E um vereador de Abaetetuba, no Pará: "Doentes dos rins tem que fazer AMODIÁLISE". Mais um serviço pra saúde pública: amodiálise! E um amigo meu disse que eu vou ser excomungado. Eu quero ser excomungado do Imposto de Renda!
E o Serra e a Dilma vão inaugurar o que hoje? O Serra vai inaugurar o metrô Trans Vampiro: só vai ter fantasma e gente voltando da balada. E a Dilma vai inaugurar o puxadinho do bar do Zé Peidão, lá em Maragogipe! E um leitor me disse que a Dilma é mãe do Chuck e irmã da Susan Boyle! E o chargista Bennet chamou o Vox Populi de Vox Páscoa! E adorei a charge do Elvis: "Casa do Ricky Martin. Vende-se armário usado".
E lá em Cordoba, na Argentina, tem o Sanatório Morra. É pra lá que os brasileiros querem mandar o Maradona depois da mordida do cachorro. Deus é brasileiro e o cachorro que mordeu o Maradona também. Mas o máximo da implicância de brasileiros com argentinos é esse e-mail que eu recebi de um leitor: "Meu filme predileto é "Tropas Estelares'! Porque logo no início o cara fala: Buenos Aires foi totalmente destruída". Rarará! Bem escroncho.
É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em Maceió, Alagoas, tem uma carvoaria chamada Joana Darc. Ueba. Humor mais negro que o carvão. Mais direto impossível! Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Pedofilia": companheiro que tem mania de roer a unha do pé. O lulês é mais fácil que o ingrêis! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
E vai indo que eu não vou!

ARNALDO JABOR

O camarada de nariz cor-de-rosa
O GLOBO - 06/04/10


Eu tinha 18 anos e vivia na UNE, ali na praia do Flamengo, ao lado do botequim Cabanas, onde fundamos o Centro Popular de Cultura (CPC), saindo pelo Brasil para "conscientizar o povo alienado, a classe média conformista e os operários ignorantes e explorados do Terceiro Mundo, com uma classe dominante títere do imperialismo norte- americano".

Éramos assim em 1963. Como eu era orgulhoso da minha condição de comunista... Sim. Eu pensava: "Como sou feliz!... Somos o sal da terra, minha vida tem um sentido...".
Éramos tão românticos - antigamente, tudo era romântico... Com a luta armada, conhecemos a tragédia previsível.
Lembro-me que muitos queriam derrubar o Exército sem uma reles pistola e eu pensava: "Meu Deus... eles vão morrer e não sabem...".
Vejo na memória a grande bandeira negra na porta da UNE quando o Eisenhower visitou o Brasil: "We like Fidel". Por isso, sofro ao ver o Fidel Castro caquético e trêmulo dentro de um abrigo "Adidas" e me pergunto: "Por que ‘Adidas’?...".
Falávamos em revolução como de futebol. O PCB e o socialismo eram imagens impalpáveis que viriam quase que por magia, sem lutas, sem sangue... Era como um direito que tínhamos porque éramos do lado do bem...
Tenho saudades desse tempo nacionalista, onde tudo era claro, quando os operários eram figuras alegóricas, de dorsos fortes, com martelos na mão.
Eu e meus colegas fazíamos o jornal dos estudantes e ficávamos até altas horas na oficina vendo os gráficos fecharem as páginas no chumbo. Olhávamos fascinados aqueles homens, cobrindo-os de perguntas e gentilezas. E os operários até estranhavam nosso forte amor.
"Serão veados?", pensava o povo. Não, éramos comunistas. A miséria era-nos irresistível. Como não cair na sedução revolucionária, com Che dirigindo Cuba, barbudos e jovens como beatnicks políticos?

Eu me lembro de um amigo que falava: "O marxismo supera a morte!". "Como?", dizia eu espantado. "Claro; uma vez dissolvido no social, o indivíduo perde a ilusão pequeno-burguesa de ser uma pessoa. Ele só existe como espécie, como ser social. E aí não morre. O marxista não morre".
E eu, em êxtase religioso, sonhava com a vida eterna.
Havia um chefe do Partidão que me fascinava. Ele era o camarada Jacques, aliás Tadeu, aliás sei-lá-o-quê. Ninguém sabia o nome dele direito; era judeu, triste, tinha o nariz cor-de-rosa em forma de couve-flor e usava meias brancas soquete com sapatos pretos "tanque" Polar, de onde sobravam os gordos tornozelos.
Sempre fui meio louco e ficava olhando esses detalhes, pensando: "Como ele pode ser tão heroico com essas meias brancas e esses sapatos?". Para o doce camarada Jacques, tudo era culpa do "imperialismo". "Qual é a ‘contradição principal’ do Brasil?", perguntava. "É o imperialismo norte-americano!", respondíamos como num colégio.
Chamava-se a isso "dar assistência à base estudantil". Um dia, eu estava num apartamento ("aparelho") conjugado em Copacabana, onde havia um sofá-cama velho. Diante de mim, a bela companheira Marina. Esperávamos os outros camaradas, para mais uma reunião da "base".
Ninguém chegava. De repente, eu estava em cima da Marina, beijando-a, traindo a revolução num infinito prazer culposo. Batem na porta. Em pânico, nos arrumamos. Entrou o chefe de nariz cor-de-rosa. Eu olhava Marina.

A culpa ali não era do imperialismo. Era nossa.
No sofá-cama, havia uma mancha úmida. Ninguém viu. Ao lado da mancha, saía um chumaço do estofamento. Naquela mancha havia uma vida nova para mim (eu era quase virgem). No chumaço de paina, eu vi que alguma coisa ia fracassar na revolução brasileira.
Como salvar o país com um chefe de nariz cor-de-rosa e um exército de sofás esfarrapados? Nossa alma ibérica rançosa, nosso mal endógeno de patrimonialistas, nada disso nos interessava. O Brasil era um país "puro", e toda a culpa de nosso atraso era só do "imperialismo norte-americano", a contradição principal.
Na época, o perigo ianque era um mal geral que nos ameaçava e absolvia ao mesmo tempo. E eu ficava olhando o nariz cor-de-rosa de couve-flor do camarada Jacques, enquanto sonhávamos com a revolução que faríamos com a ajuda do governo Jango (até para fazer revolução tínhamos de contar com apoio do Estado).
Em 64, quando caiu tudo, com a chegada dos tanques de guerra, com o fogo na UNE, com todas as ilusões perdidas, o pobre camarada nos reuniu e murmurou trêmulas palavras como "subestimamos o imperialismo", "hesitação da militância". Seu nariz estava branco de tristeza.
O nosso camarada Jacques, supervisor da base da UNE, caiu na clandestinidade. Anos depois, eu o vi passando na rua, oculto atrás de uma plástica, com o nariz operado. Naquele nariz falso, artificial, detectei a chegada da pós-modernidade, o prenúncio da queda do muro de Berlim.

Penso nisso com saudade e medo porque hoje, 40 anos depois, neste governo há muitos babacas que ainda pensam daquele modo e fazem a cabeça do nosso Lula, que está delirando em "fremente lua de mel consigo mesmo".
Penso nisso porque se esvaíram os sonhos mais belos e porque, depois do Lula, que soube (bendito seja...) conter os jacobinos saudosos da Guerra Fria, pode haver a vitória do "regressismo" mais burro, de uma velha e fracassada visão do Estado-pai.
Podem jogar fora todas as conquistas da modernização democrática.
Se fosse vivo, o querido camarada de nariz cor-de-rosa perguntaria: "Qual a contradição principal?".
Hoje, responderíamos: "É a ‘revolução’ dos oportunistas e incompetentes, camarada Jacques".

ANCELMO GÓIS

Próxima atração 
O Globo - 06/04/2010

Com o “Chico Xavier” em céu de brigadeiro, outro candidato a campeão de bilheteria começa a taxiar na pista. É a versão para o cinema de “O Bem Amado”, de Guel Arraes, com Marco Nanini como Odorico Paraguaçu.

A estreia é só dia 23 de julho.

Mas dia 26 agora começa um circuito de exibições, no Cine PE, festival de cinema em Olinda.
A guerra acabou

A pedido de Lula, o Conselho do Patrimônio Museológico do Ministério da Cultura deve, nas próximas semanas, dar parecer pela devolução ao Paraguai do canhão El Cristiano, que está no Museu Histórico, no Rio.

O Brasil já devolveu outros troféus da Guerra do Paraguai (1864-1870), inclusive a espada que pertenceu ao general Solano Lopez, em 1972.
Emoções masculinas

Roberto Carlos vai lançar a versão masculina do seu perfume Emoções, da Racco.

Último disco

A gravadora EMI está fechando as portas na América Latina.

Nos próximos dias será anunciada sua incorporação pela gravadora Universal, que quer solidificar a liderança por aqui.

Fazenda Marambaia

A pedido do banco BBM, foi marcado para sexta agora um leilão da fazenda Marambaia, em Petrópolis, um dos mais bonitos projetos de Burle Marx, pelo preço mínimo de R$ 12 milhões.

O dono do paraíso, Luiz Cezar Fernandes, fundador dos bancos Pactual e Garantia, admite o litígio com o BBM, mas crê num acordo que evite o leilão.
Caça ao Dourado

O “BBB 10” acabou há uma semana, mas Marcelo Dourado continua gerando polêmica. A ONG Fala Bicho entregou representação ao Ministério Público estadual contra o fortão.

Alega que Dourado deu, no programa, sua receita para acabar com o estresse: chutar animais, de preferência poodles.

Acusa o vencedor de ter cometido apologia ao crime.
Filha de peixe

Sairá em julho, pela José Olympio, o livro de contos de Christina Veras, filha de José Lins do Rego, que mistura ficção e memórias de sua infância com a família às andanças pelo mundo como embaixatriz.
De bandeja

O Senado comprou semana passada na Galeria das Pratas, com dispensa de licitação, 20 bandejas de metal prateado, com o brasão da República, para serem oferecidas a chefes de estado em visita oficial à Casa.

Os mimos custaram R$ 7.480, diz a ONG Contas Abertas.
Menino do Rio

Quem viu aquele carioca largadão, passeando tranquilamente pela Aristides Espínola, no Leblon, na tarde de Sábado de Aleluia, nem imaginava que ele carregava na mochila o peso de uma decisão que pode mudar os rumos da campanha eleitoral.

Era Aécio Neves.
Intolerância religiosa

No sermão de domingo, às 10h, da Igreja da Ressurreição, em Ipanema, o padre José Roberto disse que um grupo de senhorinhas quase foi impedido de ir à missa das 9h por uma turma de Testemunhas de Jeová que estavam na Rua Bulhões de Carvalho.
Não era legal

O Órgão Especial do TJ-RJ declarou inconstitucional a lei 4636/07, da Câmara Municipal, que determinava que os semáforos ficassem, de 22h às 6h, em luz amarela intermitente, indicando que o motorista deveria seguir em baixa velocidade.

O TJ entendeu que só o prefeito pode legislar a respeito
Sumiço do carro

Uma família mineira que estacionou o carro, domingo à noite, com o serviço de manobristas do restaurante Vitória, no Jockey Club, na Gávea, levou um susto ao pedir o carro de volta.

O veículo tinha... sumido.

O caso foi parar na 14° DP.
No mais

FH revelou, no “Estadão”, que no seu governo o líder do MST José Rainha, o mesmo que volta e meia aparece na Rocinha, pedia para ser recebido escondido, à noite, no Palácio da Alvorada. Que feio...

EM ABRIL de 1966, um menino de dois anos e seis meses, Maicon de Souza, foi morto numa troca de tiros entre traficantes e policiais do 9oBPM no Conjunto Amarelinho, em Irajá. Passados 14 anos o menino vai ganhar uma estátua (que na foto aparece ainda inacabada) esculpida por seu pai, José Luiz Faria da Silva. O monumento, de 1,80m, está sendo feito com cápsulas de balas e folhas de árvores e será inaugurado dia 15, às 10h. O pai, conformado, explica: “Só cai uma folha quando Deus permite”. Desde que o filho morreu, José Luiz participa de movimentos contra a violência. Que a paz esteja com essa família

MUSA DA COLUNA, Juliana Paes retoca a maquiagem, antes da filmagem de “Bed and breakfast”, na qual interpreta uma vendedora de loja. Como se tanta beleza precisasse de ajustes...

O GAIATO Miguel Falabella recebe o abraço de Jorge Fernando e Claudia Raia, nos bastidores de “A gaiola das loucas”, em cartaz no Oi Casa Grande
PONTO FINAL

Um brasileiro chamado Leandro Carvalho faz sucesso nos EUA vendendo às americanas um tratamento que, segundo ele, deixa o bumbum igual...

ao das brasileiras. No site do moço, reproduzido aqui, a modelo Alessandra Ambrósio dá depoimento, além de clientes satisfeitas com o resultado do negócio. Acredite.

DORA KRAMER

A hora do artifício
O Estado de S.Paulo - 06/04/10

Encerrada a fase das despedidas, começa a semana das festas que marcam o início das campanhas ainda sem os candidatos oficialmente escolhidos. Depois disso se inicia o período mais perigoso de todos: dois meses de limbo, até as convenções de junho.

Os candidatos ainda não são candidatos, já deixaram os cargos importantes que ocupavam, precisam se manter em atividade permanente e diária. Só que descontando jornalistas e políticos, ninguém mais está pensando 24 horas em eleições.

Se você tem candidatos ocupando cargos no governo é uma coisa. Há a cobertura natural decorrente das atividades governamentais. Quando voltam à planície, é necessário que seus movimentos sejam jornalisticamente interessantes. Natural, então, que cada um se empenhe em assegurar presença no noticiário.

A Advocacia-Geral da União tem o entendimento de que Dilma Rousseff pode participar de eventos oficiais do governo federal como convidada do presidente Luiz Inácio da Silva. Isso não quer dizer que a Justiça Eleitoral entenda da mesma forma. A AGU é governo.

Ainda que não possa andar junto do presidente, por alguns dias Dilma estará garantida como convidada de convenções de partidos da base aliada e até do PT em vários Estados.

O mesmo vale para Serra e eventos organizados pelo PSDB e aliados. Os dois principais candidatos sempre terão repórteres junto deles. Atrás da foto mais original, da frase mais inusitada e da tolice mais saborosa ou da explosão de temperamento mais reveladora. A questão é: há eficácia real na formação do conhecimento sobre os atributos de cada um dos candidatos na cabeça do eleitor nessa fase ou a entressafra cumpre apenas um roteiro malfeito da Lei Eleitoral?

A rigor, não existe campanha. Não pode haver debates. O programa eleitoral só começará em agosto. E até lá o que fazem? De substancial para o público muito pouco.

A campanha para o eleitor será no segundo semestre. Até agora o que se viu foi campanha para arrumar a vida de partidos e candidatos.

Um duro danado. A Advocacia-Geral da União vai ter trabalho para convencer a Justiça Eleitoralde que o presidente Lula exercerá suas atividades de campanha fora do expediente de trabalho.

Ele mesmo estabeleceu a premissa de que a prioridade de governo agora é eleger Dilma Rousseff. Isso posto, avisou que quem quiser derrotá-lo terá de "acordar mais cedo". Quer dizer, já começa o dia em campanha. No horário do expediente, portanto.

Quando chama para si a disputa, se põe na condição de candidato de fato impossibilitando na prática a separação das figuras do presidente e do cabo eleitoral.

Pelo modelo que vem adotando dificilmente deixará de se licenciar do cargo mais à frente para poder continuar ajudando Dilma sem ficar tão vulnerável a ações judiciais.

Quando surgiu a notícia sobre a licença semanas atrás, o presidente negou, dizendo que isso equivaleria a desqualificar a candidata. Daria a impressão de que ela por si não seria capaz de conquistar o eleitor. Ocorre que tanto Lula quanto Dilma derrubaram esse argumento na cerimônia de despedida da ministra do governo.

Lula, ao convocar o adversário à luta direta com ele, transformando a candidata em sujeito oculto da eleição; Dilma, ao se referir 28 vezes num único discurso ao "senhor" de sua plataforma presidencial.

Sem acordo. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, nega qualquer possibilidade de acordo com o PT para evitar ações na Justiça Eleitoral. Guerra diz que procurou o presidente do PT, José Eduardo Dutra, para falar sobre as greves de funcionários públicos de São Paulo e pedir ajuda para contenção dos radicais.

Dutra se dispôs a atuar "na medida do possível". Aproveitou para abordar o assunto da "judicialização" da política, mas, segundo Guerra, não pediu ao PSDB que evitasse recorrer à Justiça. "Até porque não adiantaria. Nossas relações políticas são civilizadas, mas a Lei Eleitoral é assunto dos advogados."

CLÁUDIO HUMBERTO

“Nos horários livres, nos fins de semana”
LULA DEFININDO SEU PAPEL NO PALANQUE DE DILMA, COMO SE PRESIDENTE TIVESSE FOLGA

RACHA: ASSESSORES DE DILMA BRIGAM PELO PODER 
A disputa de egos e pelo poder de influenciar Dilma Rousseff provoca “racha” no comitê do PT, com marqueteiros hostilizados por jornalistas da assessoria de imprensa, que também brigam entre si. A guerra enfraqueceu o ministro da Propaganda, Franklin Martins, cujas opiniões já não são consideradas como antes: a candidata ignorou o veto dele à recente entrevista que ela concedeu ao Estadão.

AZEDUME
Franklin Martins, que não gosta de ninguém, também detesta o marqueteiro João Santana, de quem fala muito mal sempre que pode.

BRIGANDO SOZINHO
João Santana, marqueteiro de Lula, nem está aí para Franklin Martins: seus aliados são o influente Gilberto Carvalho e o próprio presidente. 

QUESTÃO DE SEGURANÇA
O ex-policial Marcelo Toledo, enrolado no escândalo do “mensalão do DEM”, tem sido visto acompanhado por seguranças.

PERGUNTA ATRÁS DA PORTA
O que faziam os dez seguranças que pagamos em Florianópolis para a filha de Lula, Lúrian, quando os ladrões invadiram sua casa?

CEARÁ: CID PODE CONVIDAR EUNÍCIO PARA SER VICE
O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), já cansou sua beleza com a insistência do ex-ministro José Pimentel (PT) em disputar vaga no Senado. Gomes tem compromisso apenas com a candidatura de Eunício Oliveira (PMDB), e deseja facilitar a reeleição do tucano Tasso Jereissati em uma espécie de “aliança branca”. Mas, sob pressão, Cid Gomes agora examina convidar o amigo Eunício para ser seu vice.

ALIADOS NO ÓDIO
Cid Gomes não quer José Pimentel em sua chapa porque o detesta, e é correspondido. E porque em princípio caberá ao PT indicar seu vice.

SEM REUNIÃO
Candidato nanico ao governo paulista, Paulo Skaf (PSB) nega tentativa de juntar Ciro Gomes ao PSDB. Fontes do comitê tucano confirmam.

DORMINDO COM O INIMIGO
Quem ligou às 16 horas desta segunda para a assessoria de imprensa do Itamaraty ouviu de uma voz do serpentário: “Todos estão no almoço”.

FALA, TRAPALHÃO
Paulo Vannuchi nada fez como secretário de Direitos Humanos, a não ser provocar adversários. Quando resolveu trabalhar, fez bobagem. Na quinta (8) vai depor em seis comissões do Congresso sobre o plano de “direitos humanos”, roteiro de atentados contra as liberdades.

TÁ FEIA A COISA
José Rivaldo Silva, secretário-geral da Federação dos Trabalhadores dos Correios, diz que a deterioração da ECT não é pela falta de verba (tem R$ 5 bilhões em caixa), e sim por má gestão. Mas nas reuniões do conselho de administração, a diretoria diz maravilhas dela própria.

VILELA NA FRENTE 
Pesquisa Vox Populi indica uma reversão de expectativas em Alagoas: o governador tucano Teotonio Vilela, com 32%, está à frente do mais provável adversário, Ronaldo Lessa (PDT), que caiu para 30%.

É UMA ÁFRICA
A Infraero procura uma empresa para construir hotel no aeroporto de Brasília. Deveria se preocupar mais com o próprio aeroporto: domingo, baldes d’água foram espalhados no saguão devido a goteiras.

LOBBY DOS CARTÓRIOS 
O deputado Alex Canziani (PTB-PR) diz não ser tabelião e garante que seu projeto sobre a Lei da Arbitragem apenas “dá oportunidade” para cartórios fazerem a mediação. Nenhuma outra categoria é citada na lei.

IMPEACHMENT DE SANGUE
É preocupante o estado de saúde do ex-deputado Geraldo Sampaio, último sobrevivente dos que tomaram parte do tiroteio da Assembleia de Alagoas, em 1957. Depoimento inédito dele sobre isso está no livro Curral da Morte (Ed. Record), do jornalista Jorge Oliveira. 

VOTO GILETE
Tanto o deputado distrital Wilson Lima (PR) quanto Aguinaldo de Jesus (PRB) contam como “certo” o voto do colega Ailton Gomes (PR) na eleição indireta do dia 17 para o governo-tampão do Distrito Federal.

SAÚDE, KUCK 
O gaúcho Cláudio Kuck, um dos jornalistas mais admirados do País, está internado no apartamento 465 do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Como precisou de transfusões de sangue, ele agora mobiliza amigos para doações.
PENSANDO BEM...
...“o vírus da paz” de Lula virou uma espécie de PAC no Oriente Médio. 

PODER SEM PUDOR
ROSA ATLETICANO
Durante reunião com ar de despedida, na diretoria da Cemig, estatal mineira de energia, o governador Aécio Neves (PSDB), torcedor do Cruzeiro, não perdeu a piada sobre o intrigante novo terceiro uniforme cor de rosa do arquirrival Atlético. Referindo-se à Linha Verde, que liga o Centro de Belo Horizonte ao aeroporto de Confins, passando pela entrada da futura “Cidade do Galo”, centro de treinamento atleticano, Aécio foi logo recomendando: 
“Vamos fazer a ‘Linha Rosa’, pintando os postes na cor do Atlético”.