segunda-feira, abril 05, 2010

PAINEL DA FOLHA

Circuito mineiro
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 05/04/10

Com a candidatura de José Serra ao Planalto colocada na praça, a prioridade do PSDB é tentar fazer com que Aécio Neves, mesmo mantendo a decisão de não ser vice na chapa, se envolva de fato na campanha. O recado mais recente foi registrado ontem em artigo de Fernando Henrique Cardoso. "A aliança entre Minas e São Paulo -que se pode dar de forma variada- salvou-nos do autoritarismo no passado", escreveu o ex-presidente. O PSDB pretende organizar um roteiro para que, em maio, Serra faça uma imersão no segundo colégio eleitoral do país ao lado de Aécio e de seu candidato ao governo, Antonio Anastasia. Uma das paradas será no Vale do Jequitinhonha, onde Lula levou Dilma Rousseff (PT) recentemente.


Água fria 1. O Datafolha sobre a sucessão gaúcha desanimou o PSDB, que, com base em pesquisas próprias, apostava na recuperação de Yeda Crusius. Com 8%, contra 31% de Tarso Genro (PT) e 30% de José Fogaça (PMDB), ela está muito longe dos "quase 20%" que vinham lhe atribuindo.
Água fria 2. A perspectiva de Yeda ir ao segundo turno voltou a parecer remota. De todo modo, os tucanos acreditam que a polarização com o PT obrigará Fogaça, cujo PMDB participa do governo estadual, a dar palanque a José Serra, mesmo que apenas na fase final da campanha.
Veja bem. Para justificar o fraco desempenho, aliados de Yeda afirmam que PTB e DEM teriam acertado que apoiarão sua reeleição. Luis Augusto Lara (PTB) tem 3%, e Paulo Feijó (DEM), 2%.
Ondas 1. A área de comunicação da campanha de Dilma prepara ofensiva focalizada nas rádios. A ideia é produzir conteúdo para distribuir no interior, além de aumentar o número de entrevistas concedidas pela candidata a emissoras dos grandes centros.
Ondas 2. A preocupação em elevar a exposição de Dilma coincide com o diagnóstico da coordenação da campanha de que o Datafolha no qual Serra ampliou a vantagem sobre a petista captou um momento em que ela teve exposição mais modesta na mídia. Quando da morte do dissidente cubano e do estouro do caso Bancoop, Dilma fora aconselhada a evitar polêmicas, e portanto entrevistas.
Sem marola. Cotado para vice na chapa de Dilma, Michel Temer tem dito que será comedido nas opiniões sobre o programa de governo do PMDB. Quer palpitar apenas no capítulo da segurança pública, área na qual já atuou.
Missão... Os mediadores mais otimistas avaliam que ainda é possível resolver o impasse oposicionista no Rio, onde o PV do candidato ao governo Fernando Gabeira se recusa a aceitar Cesar Maia (DEM) ao Senado na chapa.
... de paz. Para tanto, seria necessário conter os mais inflamados: de um lado, o filho de Cesar, deputado Rodrigo Maia; de outro, Alfredo Sirkis, cuja rejeição ao ex-prefeito é menos ideológica do que fruto de desavença pessoal.
Mais um. O prefeito de Belém, Duciomar Costa, trabalha para introduzir um candidato do seu PTB na disputa pelo governo do Pará. Trata-se do empresário Fernando Yamada. A articulação preocupa o PT, que não consegue se acertar com o PMDB de Jarder Barbalho e contabilizava o PTB no arco de apoios à reeleição de Ana Júlia Carepa.
De presente. Com a saída de dez governadores para disputar as eleições, na maioria dos casos ao Senado, ocorreram seis trocas de partidos à frente das máquinas estaduais. O nanico PMN passou a administrar o Amazonas, o PPS herdou Rondônia e o PSB ficou com o Piauí. Dos partidos de maior porte, o PMDB assumiu em Mato Grosso, o PSDB em Santa Catarina e o PP ganhou o Amapá.
Fazer o quê? A reação ao veto do Tribunal Superior Eleitoral às chamadas doações ocultas de campanha esfriou na Câmara depois que deputados foram convencidos de que a aprovação de um decreto legislativo anulando a decisão seria facilmente derrubada no Supremo. Diante do impasse, deputados avaliam a possibilidade de contestar judicialmente as novas regras impostas pelo tribunal. 

com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER
Tiroteio 
Resta saber de qual petista graúdo esses aloprados estão a serviço desta vez. 
De JOSÉ CARLOS ALELUIA (DEM-BA), sobre a fazenda na Bahia, avaliada em R$ 1,5 mi, comprada pelo petista Hamilton Lacerda, carregador da mala de dinheiro para comprar o dossiê antitucanos em 2006.
Contraponto 
Em treinamento
Dias atrás, quando ainda era secretário de Desenvolvimento, o agora desincompatibilizado Geraldo Alckmin, líder disparado nas pesquisas sobre a sucessão paulista, chegou muito atrasado à cerimônia de assinatura de um convênio para a construção de escola técnica de mídia eletrônica na zona sul da capital.
No que Alckmin saltou do carro, o deputado estadual tucano Orlando Morando conferiu o relógio e observou:
-Ele já está se preparando para suceder o Serra...

RICARDO MELO

Alma do negócio

FOLHA DE SÃO PAULO - 05/04/10

SÃO PAULO - Quanto mais a cúpula do Vaticano tenta abafar os escândalos de pedofilia, mais ela se complica. Uma das cartadas recentes foi a de comparar ao antissemitismo a reprovação aos descalabros sexuais cometidos em dioceses. Ninguém engoliu o paralelo descabido. Mesmo porque até hoje pairam sombras, para dizer o menos, sobre o verdadeiro papel da Igreja Católica nos tempos do nazismo.
No domingo de Páscoa, o Vaticano mudou o discurso e simplesmente omitiu referências à tragédia moral que corrói seu rebanho. Em sua oração, Bento 16 foi buscar abrigo nas generalidades habituais. Disse que a humanidade precisa de "mudanças profundas", citou desde o narcotráfico na América Latina até o impasse no Oriente Médio como flagelos a serem combatidos e terminou com os apelos de sempre ao diálogo e à convivência serena.
Aparentemente, a tática é trocar de assunto esperando que a poeira vá baixar. Mas vai baixar? Os fatos caminham na direção contrária. Não é de agora que as denúncias sobre as mazelas do povo de batina chegam a público, e elas só têm feito se multiplicar. Em quantidade e gravidade. Um das mais impactantes envolveu Bento 16, acusado de acobertar a má conduta de subordinados antes de se tornar papa.
Dizer que a pedofilia é um problema que pode acometer qualquer instituição, como muitos católicos têm argumentado, não faz nenhum sentido. Equivale a afirmar que, dentro de um hospital, sempre há o risco de existir delinquentes seriais em vez de pessoas dedicadas a salvar vidas, e nada pode ser feito.
Ora, os fiéis que procuram a Igreja vão atrás de conforto moral, espiritual e, muitas vezes, atrás de uma saída derradeira para males que não conseguem extirpar. Esta é, por assim dizer, a alma deste negócio.
Quando se recusa a admitir, identificar e punir abusos escabrosos, a cúpula católica acrescenta uma nova contradição a uma instituição que adora pregar "verdades" e o combate à miséria, mas cuja hierarquia nunca dispensou o fausto e o sigilo sepulcral sobre seus erros.

NELSON DE SÁ - TODA MÍDIA

Jornal e o diabo
FOLHA DE SÃO PAULO - 05/04/10
 
"Hierarquia católica se une em torno do papa para a Páscoa", dizia a manchete no site do "New York Times", ontem à tarde. Abrindo a reportagem, "um cardeal proeminente, em desvio marcante na tradição da missa de Páscoa na Santa Sé, se postou diante de Bento 16 e pronunciou uma demonstração de apoio, em resposta à raiva crescente pelo escândalo de abuso sexual da Igreja Católica".
No texto "mais popular" do "NYT" de ontem, a colunista Maureen Dowd respondeu aos padres Gabriele Amorth, "exorcista chefe da Santa Sé", que acusou "a cobertura do "NYT" de ser instigada pelo diabo", e Raniero Cantalamessa, "pregador da casa papal", que comparou os "ataques" ao antissemitismo. Sobre o primeiro, "não foi o diabo que me fez agir assim, foram os fatos". Sobre o segundo, fez "insulto" a judeus -do qual o próprio padre já se penitenciou.

Fim do dia, o site do "Zero Hora" noticiou, com eco pelos portais, que a igreja do Rosário havia sido alvo de vandalismo, em Porto Alegre.
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REDENÇÃO 
Desde sexta-feira na BBC e no "NYT" de papel, ecoa mundo afora o assassinato de Pedro Alcântara de Souza, "líder de um sindicato de sem-terra no Pará". Dois homens em motos acertaram cinco tiros na cabeça de Souza, "por suas atividades políticas", segundo policiais de Redenção. Ele estava com a mulher, no limite de um assentamento na cidade.
O site da revista "Time" destacou ontem longo texto do correspondente Andrew Downie, que entrevistou a viúva do sindicalista, sob o enunciado "O lado escuro do milagre econômico do Brasil", lembrando que a freira Dorothy Stang também foi morta na região.
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RESULTADOS 
Boris Casoy noticiou no "Jornal da Band" e foi manchete no UOL, de sábado para domingo, "Diferença entre José Serra e Dilma Rousseff cai, diz Vox Populi". No Terra, "Serra tem 34% contra 31% de Dilma". Por outros, também manchete, "Dilma sobe e encosta em Serra".
A cobertura on-line ecoou nota da coluna Painel, no sábado, informando que o questionário incluiu pergunta relativa aos cargos que os candidatos já ocuparam, "procedimento conhecido por distorcer resultados".

COM LULA, SEM FHC
No jornal "O Globo" de ontem, em papel e no site, "Nos discursos, Dilma só fala em Lula, enquanto Serra evita Fernando Henrique". Analisando 13 discursos de Dilma e 32 de Serra, destaca que a primeira citou "presidente" 96 vezes e o segundo citou o ex-presidente 4 vezes.

MAS FHC CONTINUA
FHC publicou coluna ontem no "Globo" e em outros jornais, sob o título "Hora de união", conclamando: "Cabe a Serra e a Aécio conduzir-nos a uma vitória. Eles não nos decepcionarão". O jornal "O Estado de S. Paulo" abriu espaço também para uma sabatina com o ex-presidente.
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RISCO BRASIL 
Correspondente da Reuters, Raymond Colitt fez um guia dos "riscos políticos que requerem atenção". A eleição brasileira é "a de menor risco para os investidores no último quarto de século, mas há alguns".
Diz que tanto Dilma como Serra "acreditam num papel forte para o governo na economia" e que "o mercado não tem preferido". Avisa para acompanhar: "a escolha dos assessores econômicos nas próximas semanas"; o possível desacordo no pré-sal, com efeito nas ações da Petrobras; e um eventual favoritismo de Serra, com efeito nos investimentos na Argentina e na Bolívia.
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BOEING VS. EMBRAER 
O "Wall Street Journal" noticiou que as "Negociações da aviação são paralisadas pelo surgimento de novos rivais no Canadá e no Brasil". A americana Boeing e a europeia Airbus, que têm "acordo informal" para não vender aviões com financiamento estatal nos EUA e na Europa, querem que a canadense Bombardier e a brasileira Embraer passem a seguir o mesmo padrão.
"Mas as emergentes estão rejeitando, segundo pessoas informadas sobre a questão." O problema é que a Bombardier e a Embraer passaram a produzir aviões maiores -que poderão concorrer com as duas gigantes do setor aéreo, por exemplo, por uma grande "encomenda da United Airlines programada para este ano".
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RÁPIDO COMO UMA BALA 
Sob o título "É um pássaro, é um avião, é Obama!", Frank Rich ironiza no "NYT" a "troca instantânea de imagem" após a reforma na saúde. Do site Daily Beast ao "FT", Obama é agora o "Super-Homem". O colunista liberal avisa que o teste será "a velocidade com que sair da recessão" 

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

RUY CASTRO

O último rugido

FOLHA DE SÃO PAULO - 05/04/10

RIO DE JANEIRO - A MGM, lembra-se? Metro-Goldwyn-Mayer. Aquela cujos filmes eram anunciados por um leão. Filmes com Greta Garbo, Jean Harlow, Clark Gable, Joan Crawford, Spencer Tracy, Mickey Rooney, Judy Garland, Gene Kelly, Lana Turner, Frank Sinatra, Ava Gardner, Elizabeth Taylor. Todos deuses.
De 1924 a 1954, foi uma das instituições mais poderosas do mundo. Basta dizer que, dos 60 milhões de americanos que iam ao cinema nesse período -por semana-, a MGM respondia por quase metade. Louis B. Mayer, chefe do estúdio, era mais importante que o governador da Califórnia. E Gable, mais popular que o presidente Roosevelt.
Em 1950, ninguém imaginaria que, um dia, duas potências daquele tempo iriam acabar: a URSS e a MGM. Mas foi o que aconteceu. A URSS se desmanchou em 1990, depois da queda do Muro de Berlim; já a MGM começou a morrer nos próprios anos 50, quando uma lei antitruste nos EUA obrigou os estúdios a vender suas cadeias de cinemas, privando-os de exibir o pouco que agora tinham passado a produzir. Para completar, veio a televisão e segurou as pessoas em casa. A partir daí, a sigla MGM converteu-se numa marca para abrigar produções alheias.
Nesses quase 60 anos, a MGM foi vendida várias vezes, por inteiro ou aos pedaços. Suas lindas ruas cenográficas viraram estacionamento; as cartolas de Fred Astaire foram leiloadas; o lote de filmes, retalhado entre a United, a Warner e a Turner. O auge da humilhação foi quando um de seus compradores reduziu o ex-grande estúdio a subsidiário de um hotel em Las Vegas. E nem assim as dívidas cessaram.
Em maio próximo, a MGM terá de pagar US$ 3,7 bilhões a seus credores para não fechar de vez. Confirmando o meu amigo Baiano, que assim definiu o pobre leão: "Dois rugidos. O resto é fita".

CLÁUDIO HUMBERTO


Desempenho de Serra deixa PMDB assanhado

Já se ouve de parlamentares peemedebistas que o partido "não está 1 fechado com Dilma Rousseff", a candidata do PT e também (por enquanto) do PMDB à Presidência da República. É que, caso o ex-governador paulista José Serra continue crescendo nas pesquisas, como mostrou o Datafolha (com o tucano abrindo 9% em relação à petista), o partido já admite desembarcar do barco da ex-ministra da Casa Civil.

Trair e coçar...

A ala do PMDB louca para trair Dilma Rousseff não se conforma com o alinhamento incondicional da turma de Michel Temer (SP) à petista.

Humilde, de novo

Já a turma de Michel Temer também adorou a queda de Dilma nas pesquisas. "Fez ela calçar as sandálias da humildade", diz um senador.

Ela já se achava

Dilma Rousseff já posava de presidente e até esnobava os políticos do PMDB, quando as pesquisas atestaram o crescimento de José Serra.

Candidato

Chama-se Luiz Felipe Coelho o advogado filiado ao PTB que pretende dispu tar o Governo do Distrito Federal. Ele é ex-dirigente da OAB.

Celso Daniel

Beneficiados por habeas do Supremo Tribunal Federal, há dias, dois dos três réus no assassinato do prefeito Celso Daniel quase foram resgatados em 2006: um Ford Ranger, um Santana e duas motos interceptaram o camburão que levava José Edson da Silva e Marcos Roberto dos Santos ao fórum de Itapecerica da Serra (SP). Houve tiroteio. Os agentes denunciaram o ataque ao Ministério Público.

Vida em risco

O Ministério Público anexou a denúncia aos autos para reforçar a periculosidade dos réus, fora o risco iminente a Marcos, único solto.

Bate, coração

O que admitiu participação de Sérgio da Silva, o "Sombra", fica na cadeia por outros crimes. O júri dos seis réus será em 3 de agosto.

Boquinha

A Presidência da República abriu licitação para gastar R$132,9 mil até dezembro em sucos, cafés, biscoitos e petiscos variados.

ONGs 

Entre 2003 e o final de 2009, o Governo federal repassou R$ 390,2 milhões a Organizações Não-Governamentais envolvidas em agropecuária e reforma agrária. Algumas envolvidas com o MST.

Só cresce

No primeiro ano do presidente Lula, as ONGs envolvidas com o campo receberam R$ 16 milhões do Governo, o menor valor dos últimos sete anos. Em 2006, 2007 e 2008, os repasses ultrapassaram R$ 70 milhões.

Filme velho

Tudo no PT é reprise, até sigla. A enroladíssima Bancoop criou, em 2005, o Programa de Aceleração Construtiva (PAC), em conjunto com consultorias, para "trazer mais agilidade, qualidade e segurança". Humm.

Verdade

Relatório da OAB envolve diretores, juízes federais e procuradores no escândalo das visitas íntimas de presos gravadas no Mato Grosso do Sul, revelado pela ONG Brasil Verdade. A Justiça determinou a apreensão de computadores da ONG, mas as provas estão num provedor nos EUA.

Crime no Pará

Dos 1.169 homicídios ocorridos em Belém do Pará, em 2009, 90% são executados por adolescentes e resultam do tráfico. Segundo a Polícia, só neste ano 64 traficantes foram presos e 44 pontos de drogas fechados.cursos das "obras" do PAC dizendo "quem viver, verá?".

FRASE DO DIA


"Não quer dizer que não posso fazer um bom governo"
Alberto Fraga (DEM-DF), ao explicar a amizade e as visitas a José Roberto Arruda
PODER SEM PUDOR

Argumento infalível

Na véspera da posse do companheiro Lula, o diretor-comercial da Anhembi Eventos e Turismo, Sérgio Bacci, pediu demissão da prefeitura paulista e acampou em Brasília, esperando o cargo prometido pelo padrinho, deputado Professor Luizinho, do PT. Conseguiu nove meses depois deste diálogo com Waldomiro Diniz, na Casa Civil:
- Mas o que o sr. entende de Marinha Mercante?
- O mesmo que você endente de Casa Civil, respondeu Bacci.
Virou diretor do Fundo de Marinha Mercante, do ministério dos Transportes.

A MULA

SEGUNDA NOS JORNAIS

Globo: Tesouro pode arcar com novo aporte no BNDES

Folha: Poder das facções pode inviabilizar voto de preso

Estadão: Dilma reage a Serra e diz não temer embate ético com tucanos

JB: Previ-Rio: Além de CPI, a intervenção

Correio: Mais rigor no controle das cirurgias plásticas

Valor: 'Efeito Petrobras' leva empresas a antecipar ofertas

Estado de Minas: BH campeã em violência no trânsito

Jornal do Commercio: Sport garante o 1º lugar

domingo, abril 04, 2010

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Justiça manda retirar vídeos do YouTube

Folha de S. Paulo - 04/04/2010
 
 A Justiça do Pará concedeu, na última terça-feira, liminar a um candidato a prefeito do município de Ananindeua que determina que o Google retire do ar vídeos do YouTube com conteúdo considerado ofensivo.
Trata-se de decisão rara no Brasil, de acordo com advogado que participou do caso.
Helder Barbalho, autor da ação, foi filmado ao participar de um evento de sua campanha, visando a reeleição, em que visitava uma comunidade afro-religiosa.
Após o encontro, os vídeos foram editados e disponibilizados no site com o título de "Helder Macumbeiro" e sugeriam que Barbalho havia feito um "pacto com o demônio".
O autor da ação afirma que os vídeos disponibilizados possuem uma "conotação meramente agressiva e mercantilista, maculando a imagem de homem público" de Barbalho.
A decisão, do juiz Antonio Jairo de Oliveira Cordeiro, da 10ª Vara Cível de Ananindeua, no Estado do Pará, foi concedida no último dia 30. Até sexta-feira à noite os vídeos ainda estavam no ar.
A liminar determina que o Google retire as imagens do banco de dados do YouTube em dez dias, sob pena de multa diária de R$ 5.000 -a multa máxima foi fixada pelo juiz em R$ 200 mil. A decisão é de primeira instância. O Google ainda pode recorrer.
INTERCÂMBIO 
De Nordeste para Nordeste. O novo cônsul-geral britânico, John Doddrell, recém-empossado no cargo, já vai promover no dia 24 de maio uma missão que trará empresários da região nordeste da Inglaterra para Recife.
Executivos de vários setores, principalmente de energia, portos e construção, visitarão depois também o Rio e São Paulo, segundo o cônsul. Depois será a vez dos nordestinos brasileiros irem à terra de Shakespeare.
"A meta é aumentar o comércio entre Brasil e Reino Unido", disse o novo cônsul-geral que, antes de vir ao Brasil, atuava no Ministério da Indústria e Comércio, em Londres.
Para seu antecessor no cargo, Martin Raven, os cerca de US$ 4 bilhões comercializados entre os dois países ainda são pouco para o perfil de ambos.
Entre dezembro de 2006 e o mesmo mês de 2009 houve, porém, um aumento de 40% nas exportações britânicas para o Brasil e 30% nas exportações brasileiras para o Reino Unido.
No período de Raven no Brasil, o número de empresas interessadas em investir no Brasil e assessoradas pelo consulado foi cinco vezes superior.
"Eram cerca de 50 empresas e hoje são mais de 200. O interesse vem de uma combinação de fatores, mas o mais importante é o sucesso da economia no Brasil", afirma.

CELSO LAFER 
O ex-ministro e presidente da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa) comenta os livros sobre os quais se debruçou recentemente

"Este ano é o do centenário do falecimento de Joaquim Nabuco -uma figura maior do Brasil. Reli, assim, uma das suas obras menos discutidas, "Balmaceda" (1895), reeditada com apuro em 2008 pela Cosac Naify. Ao discutir a crise política do final do século 19 no Chile, que levou a uma guerra civil e terminou com o suicídio do presidente Balmaceda, penso que, subjacente à crítica de Nabuco à presidência Floriano Peixoto, antecipa ele os dilemas da governabilidade democrática na nossa região destacando, ao mesmo tempo, tanto a importância da América do Sul quanto os desafios inerentes à circunstância diplomática das relações de vizinhança e regionais para a condução da política externa brasileira."
Outro livro que acaba de reler com cuidado, pois irá prefaciar a edição brasileira, é a tese, publicada em inglês, da estudiosa brasileira Bethania Assy, intitulada "Hannah Arendt - An Ethics of Personal Responsibility" (Frankfurt am Main, Peter Lang, 2008).
"Trata-se de uma notável e original interpretação da obra de Hannah Arendt, na qual a autora elabora como se pode fundamentar uma ética de responsabilidade para os nossos dias, tendo em vista que pertencemos ao mundo -e integramos a sua pluralidade e, por isso, temos que zelar pela sua preservação e durabilidade."
Lafer releu, também, recentemente, o livro de Mike Moore, "A World Without Walls - Freedom, Development, Free Trade and Global Governance" (Cambridge, Cambridge University Press, 2003).
SOL E ÁGUA 
De olho na Copa do Mundo de 2014, a Neoenergia (associação de Iberdrola, Previ e BB) transformará o Estádio de Pituaçu, em Salvador, no primeiro da América Latina a ter suprimento de energia solar. Durante o dia, vai gerar energia por meio de painéis fotovoltaicos -da alemã GTZ- e mandar o excedente à rede elétrica da Companhia de Eletricidade da Bahia. O projeto deve estar pronto em 2011. Como o custo da geração de energia solar ainda é alto, o grupo não avançará sobre esse terreno agora; permanecerá em pequenas centrais e grandes hidrelétricas -tanto que o grupo compõe um dos consórcios para disputar Belo Monte.

BRASIL S/A

Na fila de trás
Antonio Machado

CORREIO BRAZILIENSE - 04/04/10

Com pífio 1,2% do comércio global, país fica em 24º lugar na lista dos maiores exportadores


O superávit da balança comercial em março, o menor para o mês nos últimos dez anos, não foi a única notícia ruim a assombrar o antes pujante comércio exterior brasileiro, ex-alavanca do crescimento.
Em 2009, a participação brasileira no comércio global não passou de pífio 1,2% — desempenho fraco, que se repete há anos, mantendo o Brasil estagnado na 24ª posição do ranking anual da Organização Mundial do Comércio, OMC, ou WTC, na sigla em inglês.
Para a 8ª maior economia do mundo e candidata a ser a 5ª em mais uma década, na avaliação do governo, essa fatia do comércio global é um cisco. Nenhum país, fora os EUA, se desenvolveu sem uma forte participação do comércio exterior no PIB. A exceção dos EUA, país que ostenta o duvidoso cetro de maior importador do mundo, se deve ao virtual monopólio do dólar como meio de pagamentos global.
No pior ano do comércio global desde 1939, segundo a OMC, quando as exportações recuaram, a preços de 2005, 12,2%, as importações encolheram 12,9% e o PIB afundou 2,3%, o país não se saiu melhor.
No mapa da OMC, as exportações nacionais caíram tanto quanto a média mundial em dólar constante sobre 2008: 23%. As importações recuaram 27%, pondo o país na 26ª posição, com a fatia de 1,1%.
Há muita conversa, pouca ação e resultados mais modestos do que a propaganda triunfalista tenta transmitir, sobretudo quanto ao que se espera de uma atividade tão sensível para a segurança de longo prazo das contas nacionais e para a autonomia econômica do país.
O problema é menos o crescimento das importações, que expressam a retomada dos investimentos empresariais, grande demandante de bens de capitais importados, e o dinamismo do mercado interno, fator de competitividade do país em períodos de crise internacional aguda.
Grave é a rápida perda de atratividade das exportações quando os negócios internos começam a fervilhar, o que não se deve só à taxa cambial valorizada, mas também à falta de mecanismos eficazes para impulsioná-las. Há anos se fala em política de comércio exterior — e entra governo, sai governo, nada acontece. O país depende cada vez mais das exportações de minérios e grãos, especialmente para a China, criando dois tipos de dependência: uma nova, outra antiga.

Geografia regressiva

O dado novo é a China, que em 2009 passou a Alemanha como maior exportador mundial, com 9,6% de participação, contra 9% do antigo líder, 8,5% dos EUA, 4,7% do Japão e 4% da Holanda (país pequeno, que se destaca como entreposto das economias insulares da Europa).
Nesta “nova geografia comercial”, o Brasil saiu do vácuo dos EUA e entrou no da China, maior importador de várias matérias-primas, como minério de ferro, e produtos do agronegócio. Mas há nuanças.
Os EUA importam mais produtos industriais, que levam maior valor agregado, típicos de setores que geram mais e bons empregos. Já a China não só compete com as exportações industriais brasileiras e começa a desalojar firmas nacionais em mercados tradicionais como o Mercosul. Ela importa basicamente produtos básicos — a situação do Brasil até os grandes investimentos industriais nas décadas de 1960 a 1970. Por este ângulo histórico, o país regrediu.

A salvação da pátria

Não é mau ser exportador de bens primários. É melhor que ocorra isso à falta de algo a mais. O agronegócio, por exemplo, tão mal amado por organizações de esquerda, muitas mantidas com repasses de dinheiro público, gera um superávit externo que compensa todo o déficit das demais atividades. Sem o agronegócio o país estaria na situação humilhante da Grécia: quebrado e no colo do FMI.
Em 2009, o superávit do agronegócio, de US$ 49 bilhões, sustentou a balança comercial, pois os demais setores produziram déficit de US$ 23,7 bilhões. A exportação de minérios é outra dádiva. Com os novos preços de exportação da Vale, aumentados de mais de 100%, se faz conta no governo sobre quanto isso deverá ajudar a espichar o magro superávit comercial de 2010, previsto em US$ 10/12 bilhões.

Sem gambiarra cambial

O fato é que matérias-primas geram receitas, não desenvolvimento, como comprovam os países petroleiros, ricos de caixa e miseráveis socialmente. A indústria faz a diferença. Dentro dela, mais as que produzem bens de alto valor tecnológico. Entre essas, as que sabem inovar nem que seja pela engenharia reversa de conteúdo importado.
Essa sequência de valor define a estratégia comercial, o que deve ser apoiado e as parcerias externas. Sem tal esquema, o resto é só gambiarra. O real fraco e desonerações se tornam apenas subsídios.

Magias voltam à cena

O governo, premido pelo cumprimento da meta que se impôs de fazer superávit primário de 3,3% do PIB neste ano, para pagar os juros da dívida pública, reluta em dar alívio tributário ao exportador. Não libera também a criação do Eximbank Brasil, que virá como extensão do BNDES para financiar o importador de bens e serviços nacionais.
Vai acabar reagindo quando o déficit externo, que tende a 3% do PIB este ano, se avolumar e começar a inflar o dólar e a açoitar a inflação. A exportação terá o prêmio cambial na marra, mas à custa de se enfraquecer o poder aquisitivo dos salários. Não é assim que se pereniza o crescimento econômico com distribuição de renda. É bom o eleitor prestar atenção às ideias mágicas que começam a pulular.

DANUZA LEÃO

Segredos
FOLHA DE SÃO PAULO - 04/04/10


Virou uma mania contar tudo que nos acontece; mas as mais graves, mais sérias, essas não se conta a ninguém


DENTRO DE cada coração há um segredo guardado, um segredo que jamais será contado à melhor amiga, nem ao padre nem ao psicanalista. Não que seja algo que deva ser escondido, mas é uma coisa que não poderá, jamais, ser dividida com ninguém: é uma coisa só sua. Pode se tratar de um fato que aconteceu e que seria um escândalo se alguém soubesse, uma linda história de amor ou apenas um delírio de imaginação, mas dele ninguém vai saber, nunca.
Virou uma mania contar tudo que nos acontece; mas as mais graves, mais sérias, que vêm lá do fundo, essas não se conta a ninguém. A gente pensa que certos pensamentos só acontecem com mulheres muito bonitas e homens muito interessantes, gente que já percorreu o mundo e passou por todas as experiências: ledo engano. Na vida da mais humilde lavadeira da periferia podem ter acontecido coisas que fariam inveja à mais bela e elegante mulher da cidade, que talvez por cuidar tanto de sua beleza e de sua elegância nunca perdeu tempo olhando seu próprio coração.
Quando estiver num lugar cheio de gente, comece a prestar atenção às pessoas, mas uma atenção diferente, mais cuidadosa. Vai perceber que a mais escandalosamente linda de todas, aquela cujo decote vai até o umbigo, e que a fenda da saia vai até a cintura, não está vestida dessa maneira para verdadeiramente conquistar um homem, mas sim para conquistar todos eles; e todos, nesse caso, quer dizer nenhum.
Em algum canto dessa festa vai haver uma mulher absolutamente normal, de uma idade mais pra lá do que pra cá, conversando com uma amiga; uma daquelas mulheres que se olha e sobre a qual não se pensa nada -ou se pensa, é que ela namorou, noivou, casou, teve filhos, foi fiel e que sua vida foi de um tédio atroz. Pois é aí que pode -e geralmente está- o engano.
Essas, se é que viveram mesmo uma vida sem grandes e trepidantes histórias de amor, costumam ter tido desejos intensos e inconfessáveis, e quanto mais castas tiverem sido, maior a quantidade deles. Vamos deixar bem claro que desejar não é cometer nenhuma infidelidade. Por isso, nada mais natural que isso tenha acontecido com nossas mães, tias e avós.
Talvez, na época pré-Freud, elas não conseguissem identificar com clareza o que estava acontecendo, mas se pensarem agora sobre o medo que alguns homens lhes causavam, o pânico de ficar sozinha na sala com alguns deles e a aversão intensa que outros lhes provocavam, visto sob uma ótica mais moderna e esclarecida, poderia ser medo não deles, mas do desejo delas próprias; medo de se atirar no pescoço de um cunhado ou do filho do farmacêutico, que pela idade poderia ser seu próprio filho.
Quando estiver numa daquelas reuniões de família com aquelas tias que nunca perderam uma missa em toda sua existência, ofereça um licor e puxe pela sua língua.
Ela não vai dizer tudo, claro, até porque não sabe direito, mas não vai ser difícil para você desvendar os mistérios que se escondem naquele coração. E se quiser ser bem pérfida, puxe pela vida das outras, procure -sutilmente, claro -saber dos podres da família. Ou vai dizer que na sua nunca teve nenhum?
E quando olhar para sua avó, tão distinta, com os cabelos tão brancos, com um ar tão distante, imagine as loucuras que não devem ter passado pela cabeça dela. Ou que talvez ainda estejam passando.

GAUDÊNCIO TORQUATO

O vermelho de abril
 O Estado de S.Paulo - 04/04/10

Abril será tão vermelho quanto promete o Movimento dos Sem-Terra (MST)? A promessa está no ar: a meta é superar as 29 invasões de terra ocorridas no ano passado. O que está por trás dessa recorrente agenda do caos, quando se sabe que o MST ajusta as ações às estratégias eleitorais de Lula? Foi assim em 2002 e em 2006, quando o MST, detectando reais condições de vitória de seu candidato, praticamente ficou inerte. Já em anos seguintes ao pleito ? 2004, com 103 invasões, e 2007, com 74 ? o movimento procurou recompor as bandeiras encarnadas pelo território, a sinalizar a adoção do modelo "sanfona", vaivém, e passando a ser visto como organização de interesses calibrados por patronos e circunstâncias. O que caiu sobre o telhado bem fornido do MST, que será um estorvo à campanha da candidata Dilma Rousseff, caso efetivamente venha a cumprir a ameaça de perturbar a segunda quinzena de abril com as previsíveis cenas de ocupação de propriedades e destruição de equipamentos e plantações?

É pouco crível o argumento de que os líderes pretendem sinalizar descontentamento com os rumos da reforma agrária na atual administração, quando se sabe que a estreita interlocução com autoridades permite concluir que os passos tomados por ambos os lados são devidamente combinados. Aliás, o ajuste se faz necessário até para evitar interrupção do fluxo de recursos que ingressam no movimento por vias transversas. Tampouco parece lógica a ideia de que o recrudescimento do programa de invasões sinalizaria reação à criminalização dos movimentos sociais, cujo aniquilamento estaria sendo planejado por uma "direita que se rearticula", segundo o comandante do MST, João Pedro Stédile.

Até onde a vista alcança, a virada de avesso no campo causará efeito contrário ao que se pretende. Conseguirá apenas expandir a repulsa social e a pressão para conter o ímpeto dos invasores. Descartando-se mais essa hipótese para o anunciado surto emessetista, sobra o viés eleitoreiro, cujo recado pode ser: "Ou vocês, candidatos, fazem a reforma agrária que queremos ou vamos botar pra quebrar." Se for essa a intenção, o ônus recairá sobre Dilma Rousseff.

É oportuno lembrar que a tentativa de estabelecer conexão entre a candidata de Lula e a parcela que defende a "revolução socialista" é de todo indesejável nesse momento. Vamos às razões. Como se sabe, Luiz Inácio substituiu o manto programático pelo figurino pragmático. Basta expor a radiografia do governo. A linguagem cifrada da velha esquerda, com seus surrados refrãos, é usada por ele com parcimônia. Os eixos econômicos da administração são firmemente pregados à roda do neoliberalismo, mesmo se concedendo considerável espaço ? bem maior no pós-crise ? ao papel do Estado nos rumos da economia. Fosse confinado ao dogmatismo da velha cartilha, Lula não lideraria ações confrontadas por movimentos sociais, como a questão dos transgênicos, a transposição do São Francisco, a construção de hidrelétricas, a produção de biocombustível, entre outros programas. Até os PACs (1 e 2), com seu decantado aglomerado de obras, deixam boquiabertos grupos ambientalistas. Emblema dessa disposição é o caso que Lula gosta de realçar: a "perereca" que quase barrou a construção de um túnel.

Luiz Inácio tem sabido jogar com os contrários. Para arrefecer a bateria crítica, não deixa por menos. Promove amplos ensaios de cooptação. Primeiro, incentiva a abertura de locução dos movimentos sociais. Que se sentem motivados a falar mal de certos projetos. Segundo, abre dutos para irrigação de ONGs com uma batelada de recursos. Terceiro, promove articulação junto a núcleos representativos da sociedade, engajando-os em mecanismos governamentais (Câmaras, grupos de trabalho, comitês, etc.). A seguir, Lula vai ao seu encontro, prestigiando eventos, falando a linguagem que as entidades desejam ouvir, repetindo mantras e colorindo palanques com a liturgia dos bonés. A regra é: morder e assoprar. Dessa forma, agrada a gregos e troianos. Não por acaso, o grevismo na área federal passa férias sob a montanha de um vulcão extinto. Uma ou outra greve atravessa ligeirinha os horizontes da administração, sem abalar os alicerces lulistas.

Para os adversários, contudo, os canhões grevistas são intensamente usados. Veja-se essa greve de professores em São Paulo, com claras intenções de bagunçar a despedida de José Serra do governo. Já as centrais sindicais gozam de permanente festa. Locupletadas de recursos ? provenientes de contribuições do sistema confederativo ?, as gigantescas estruturas deixam as ruas para permanecer nos gabinetes.

É interessante ver um palco repleto de atores malemolentes? Não. Daí a necessidade de povoar os espaços cênicos com perfis exóticos, gente espalhafatosa, contendores desabridos e até fomentadores de ruptura de convenções. Inserem-se, aqui, os grupos que agem para demolir as bases da lei e da ordem, a partir do MST. Essa organização tem sido contumaz desafiante do sistema normativo. Seu alvo é o agronegócio, que responde por um terço dos empregos do País e por um superávit de US$ 23 bilhões da balança comercial. O curto-circuito da ilegalidade provoca incêndio. E prejuízo de monta.

O governo lava as mãos, sinalizando que outra esfera, a Justiça, é quem pode entrar em ação. Preserva-se. Mas continua a receber apoio do movimento. Agora, o governo se encontra diante de uma sinuca de bico. O MST garante que vai abandonar o esconderijo em que se abriga em anos eleitorais. Promete mais uma algazarra no campo na segunda quinzena de abril, descosturando acordo tácito feito há tempos. A vermelhidão deste abril é a proposta cromática mais adequada para José Serra melhorar a plumagem azul e amarela de seu tucano.

JORNALISTA, É PROFESSOR TITULAR DA USP, CONSULTOR POLÍTICO E DE COMUNICAÇÃO