sexta-feira, novembro 20, 2009

A SINFONIA DA MALUQUICE

PAINEL DA FOLHA

Salvo-conduto

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 20/11/09

Segundo relato de auxiliares próximos, foi durante a viagem à Itália, no final de semana passado, que Lula mudou de posição quanto a Cesare Battisti, passando a considerar que o melhor seria obter do
Supremo Tribunal Federal o direito à palavra final sobre o caso.
Sem prejuízo das manifestações favoráveis à extradição do terrorista ouvidas de políticos italianos da direita à esquerda, o presidente recebeu sinalização de que o governo não iria esbravejar caso o STF lhe devolvesse a bola, na prática postergando (e criando incerteza sobre) o desfecho da novela. Nos dias que antecederam o julgamento de quarta-feira, operadores do Planalto atuaram fortemente no Supremo para chegar ao resultado desejado por Lula.


Fora do ar. Henrique Meirelles não gravará participação no programa do PMDB a ser exibido na próxima quinta. O presidente do Banco Central disse a correligionários que uma coisa é ser filiado, outra, pronunciar-se politicamente estando no cargo.

Ficando. Pós-encrenca na troca do diretor Mario Torós, Meirelles passou a emitir repetidos sinais de que pretende permanecer no comando do BC até o fim de 2010, abdicando de disputar a eleição.

RT. Arquidesafeto de Lula, o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) postou no Twitter link para vídeo de evento no Planato em 2003: "Vejam o presidente, em carne e osso, agradecendo a minha colaboração para o aperfeiçoamento do programa Bolsa Família".

Fazer... Dilma Rousseff enfrentará saia-justa na eleição interna do PT neste domingo. A ministra votará no Rio Grande do Sul, hoje dividido entre os candidatos Raul Pont, da Mensagem, e Marcel Frison, que tem o apoio da Construindo um Novo Brasil.

...o quê? Pont é o candidato do presidente do PT gaúcho, Olívio Dutra, de cujo governo Dilma foi secretária. Mas ela vem sendo pressionada a dar declaração de apoio a Frison.

Engorda. A festa de fim de ano do PT, no dia 8 em Brasília, servirá para reforçar o caixa do partido. Convites de R$ 50 a R$ 5.000 estão à venda.

Versão power. Durante reunião da Executiva do PV, ontem, Marina Silva disse que a "interpretação de pesquisas pode criar fatos" e que "o uso das máquinas tenta projetar uma eleição plebiscitária". A pré-candidata vem sendo pressionada pelos verdes a "aparecer mais".

Lava-rápido. Deputados discutiam na comissão de mudanças climáticas quando alguém citou Hugo Chávez. Fernando Gabeira (PV-RJ) observou que tem muitas divergências com o presidente venezuelano, menos uma: "Acho que banho tem de durar no máximo três minutos".

Pressão 1. Contrariados com o fracasso do esforço de derrubar foro privilegiado, líderes do PR ameaçaram retaliar barrando a emenda constitucional dos precatórios.

Pressão 2. Ainda no que diz respeito aos precatórios, há quem aponte descompasso entre o líder da bancada do DEM, Ronaldo Caiado, que não demonstra pressa, e o correligionário Gilberto Kassab, advogado maior da aprovação do texto. Caiado defende urgência na definição do candidato do PSDB. Kassab, pró-Serra, está em outra.

Ai meu Deus! Ontem, em meio ao "apagão" no sistema da TAM em São Paulo e no Rio, passageiros lembravam ter recebido da empresa, dias antes, e-mail noticiando a conclusão "com sucesso da migração para a plataforma tecnológica da Amadeus".

Visita à Folha. Luiz Lara, presidente da Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade), visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Marcelo Parada, da Comunicação e Estratégia.

com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER

Tiroteio

"O presidente Michel Temer instituiu a pauta do susto. Cada semana é uma surpresa."
Do deputado GUSTAVO FRUET (PSDB-PR), sobre a inclusão, em cima da hora, da proposta que acaba com o foro privilegiado, ao final derrotada na noite de anteontem.

Contraponto

O roto e o rasgado


Em reunião ontem da Executiva Nacional do DEM, a conversa girava em torno do apagão quando o deputado Roberto Magalhães (PE) perguntou em tom indignado:
-Eu queria saber se é verdade que o governo colocou um engenheiro agrônomo na diretoria-geral de Itaipu!
Vários dos presentes confirmaram que sim, era essa a formação do petista Jorge Samek. E o deputado Eduardo Sciarra (PR) acrescentou uma advertência:
-Mas é melhor a gente não falar nada...
Diante do olhar intrigado de Magalhães, ele completou:
-É que no governo do Fernando Henrique o diretor-geral de Itaipu era o Euclides Scalco, farmacêutico...

DIRETO DA FONTE

O custo Brasil do custo Planeta

SONIA RACY

O ESTADO DE SÃO PAULO - 20/11/09

O Brasil vai fazer o seu próprio cálculo dos estragos causados pelas mudanças climáticas. Um grupo de especialistas está montando, até o fim do mês - para ser levada a Copenhague -, uma versão brasileira do Relatório Stern.
Esse é o nome do estudo montado pelo inglês Nicholas Stern, em 2006, dando nome aos bois. Isto é, números ao impacto do aquecimento global sobre a economia. Saiu do Relatório Stern, por exemplo, a quantia de US$ 100 bilhões/ano para manter o planeta funcionando.

Custo Brasil 2
A versão brasileira, pelo que se apurou, terá quatro grandes capítulos.
Impacto na agricultura, a cargo da Embrapa. Energia e investimentos, da Coppe, do Rio. A UFMG analisará o semiárido. E o balanço hídrico caberá ao FBDS - Fundo Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável.

Sem melodrama
Depois de Lula, o Filho do Brasil, vem aí Eliezer Batista - O Engenheiro do Brasil, documentário que conta a história do respeitado pai de Eike, responsável pela criação da Vale.
Com estreia no dia 27.

Precaução
Serra escolheu a Estação Sacomã do Metrô para testar, ainda este ano, ideia que trouxe da Europa: a "porta de plataforma". Uma espécie de cerca de vidro separando usuários e trilhos, além de objetos.
Vai instalar a novidade em 26 estações até as eleições.

De quem sabe
Célio Borja, que já esteve no lugar de Tarso Genro e de Gilmar Mendes, acha estranhíssimo deixar a extradição de Cesare Battisti nas mãos de Lula.
"Jamais imaginei que decisões do Supremo poderiam ter um caráter facultativo", avisa o respeitado jurista.

De quem sabe 2
Ele lembra que o princípio da extradição "tem como fonte uma norma internacional, é um acordo entre países".
Em vista disso, "não é possível submeter a decisão judicial a um juízo político".

Martelo batido
Beyoncé confirmou sua vinda para o Brasil - e não é para cantar no Réveillon. Faz show aqui na última semana de fevereiro.

Para Ahmadinejad não conseguir ver
Não vai mais acontecer a exposição sobre o Holocaustro, programada para segunda-feira, na Câmara, organizada por Marcelo Itagiba.
A Federação e a Confederação Israelita avisaram ao deputado que não vão poder mandar o material. Sabe-se lá por quê.

Para Ahmadinejad ao menos escutar
Carta assinada por cinco organizações de direitos humanos foi encaminhada ontem a Lula.
Pedindo ao presidente que enfatize o tema no encontro com Ahmadinejad.

Súditas
Roberto Carlos terá três convidadas ilustres no especial de fim ano da Globo.
Uma delas já está escolhida: será Ana Carolina.

Mudança de zona
Uma casa de tolerância, instalada há um mês, tira o sossego de moradores do Morumbi. O rendez-vous funcionava antes na Av. 9 de Julho e foi fechado pela Prefeitura.

Vendetta
Gabriel Chalita sofre retaliações na Câmara desde que deixou o PSDB. Quarta, seus ex-colegas o tiraram da poderosa CCJ.


Na Frente

Roger Agnelli será homenageado pelo Business Council for International Understanding com o Dwight D. Eisenhower Global Citizenship Award. Dia 3, em NY, no Waldorf Astoria. Com ele, Lakshimi Mittal.

Laís Bodanzky fará curso de cinema para crianças. Ano que vem, na Escola Carlitos.
O Ponta dos Ganchos está entre os indicados a melhor hotel butique da América do Sul. Pela World Travel Awards.

A Sales, Periscinoto, Guerreiro e Associados está fazendo cinco seleções de agências de publictários para clientes seus. Entre eles, Bradesco Seguros, Firjan e Santos Brasil.

O Beaujolais Nouveau 2009 chegou ontem, pelas mãos da Mistral, ao Brasil. Parte do lançamento mundial - que foi simultâneo.

Jorge Okubaro faturou, com O Súdito, pela Terceiro Nome, o Premio Nikkei 2009. Que aceitou obras em português.

A la Gay Talese, Tom "ternos brancos" Wolfe veio ao Brasil preocupado em não repetir roupa. Trouxe um terno para Porto Alegre, outro para Salvador e outro para São Paulo.

OS FILHOS DA PUTA

LUIZ GARCIA

Mais bem contada

O GLOBO - 20/11/09

Perto de mim, alguém reclama: “Por que tanto destaque para história velha? Já não se sabia há muito tempo que esse Rubens Paiva foi morto na cadeia?” É, sabia-se, sim. Mas não com os detalhes aparentemente incontestáveis expostos num documentário exibido ontem num festival de cinema em Brasília.

A família de Paiva há muito tempo descobriu que ele fora torturado e morto pelo DOI-Codi, órgão militar de repressão. Mas o cineasta Jorge Oliveira obteve arrasador depoimento de Marival Chaves, que serviu no DOICodi como sargento do Exército.

Segundo contou Marival, sem constrangimento algum, Paiva foi morto com uma injeção de matar cavalos — e seu corpo foi esquartejado.

Essa era a rotina do DOI-Codi. Com o dado agravante — como se algo possa tornar o episódio mais macabro — de que os agentes faziam apostas sobre quantos pedaços seriam produzidos pelos esquartejamentos.

Há, sim, motivos para relembrar, com esses detalhes todos, a tragédia do deputado. As Forças Armadas de hoje não têm o que temer com a revelação dos crimes cometidos naquele tempo, em nome do combate a movimentos e pessoas que se opunham ao regime.

As fardas são as mesmas, mas estão a serviço de ideias e métodos de ação radicalmente diferentes daqueles do regime militar.

Quando o país começou a voltar para a democracia — num projeto orquestrado e conduzido pelos próprios militares — houve, como se sabe e também lembra o ex-agente Chaves, um esforço para eliminar registros e outras provas de torturas e assassinatos de presos.

A tentativa foi bem-sucedida em parte; só em parte. Os detalhes sobre o caso de Rubens Paiva — um civil, é bom lembrar, sem ligações sabidas ou provadas com grupos empenhados em ações violentas contra o regime — mostram como é difícil engavetar a verdade. E há muito tempo, vale a pena registrar, não há registro de esforços nesse sentido.

De qualquer forma, os dados macabros sobre a morte de um deputado há quase 40 anos são importantes pela simples razão de que tornam o registro daqueles tempos mais completos.

E a História do Brasil sempre ganha — principalmente quanto às lições que produz — quando fica um pouco mais bem contada.

ELIANE CANTANHÊDE

Zé Eduardo x Zé Eduardo

FOLHA DE SÃO PAULO - 20/11/09


BRASÍLIA - A coincidência entre os dois nomes mais fortes para presidir o PT, no domingo, não fica só no nome. Um se chama José Eduardo Dutra, e o outro, José Eduardo Cardozo. A tendência é Dutra ganhar em primeiro turno ou disputar um segundo com Cardozo, seguido de perto por Geraldo Magela. Ao todo, são seis candidatos.
Os dois Zé Eduardo eram do Campo Majoritário, corrente que precedeu a eleição de Lula e era moderada, pragmática, decidida a ganhar a qualquer custo. Liderada por José Dirceu, defendeu o maior leque possível de alianças para Lula e abraçou vigorosamente o empresário José Alencar para vice.
Dutra, 52, vem do movimento sindical, como Lula. Geólogo mineiro, fez carreira política em Sergipe e na Petrobras. No primeiro mandato de Lula, presidiu a própria empresa. No segundo, a BR Distribuidora, sua subsidiária. Foi assim que ele se aproximou de Dilma Rousseff, ministra de Minas e Energia e membro do conselho da Petrobras até virar gerentona do governo. Dez entre dez petistas dão de barato que Dutra tem apoio de Dilma e do próprio Lula.
O outro Zé Eduardo, o Cardozo, 50, vem do movimento estudantil. Paulista, professor de direito constitucional da PUC-SP, onde estudou, ele defende algo como menos militantes fugazes e mais compromissos sólidos. Pode-se ler: menos sindicalismo, mais ideologia.Tem apoio, por exemplo, do ministro Tarso Genro.
Pergunte-se aos dois o que os separa. Dutra ri: "He, he. Essa é uma questão difícil de responder". No fundo, eles são bons caras e parecidos. Isolando-se a barafunda de tendência e siglas internas que nem o PT entende mais, todos querem: recuperar a imagem (inclusive a autoimagem) do partido, eleger Dilma e manter os rumos do governo Lula e os imensos espaços na máquina pública. Ah. E meter o "mensalão" no fundo do baú. Até Lula reescrever a história.

GOSTOSA

CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR

ARI CUNHA

Confusão na obra

CORREIO BRAZILIENSE - 20/11/09


Complica-se a situação do Rodoanel em São Paulo, depois de observações levantadas pelo Tribunal de Contas da União. Na opinião do TCU, a obra estava quase concluída. Adiantamentos generosos foram pagos pelo governo com medições alteradas. A construção que despencou sobre a Regis Bittencourt está suspensa, enquanto se procede à limpeza. Até o momento, a Secretaria de Obras não se manifestou. O silêncio tem provocado expectativa de que as coisas não andavam bem. Consórcio da OAS e Mendes Jr. não explicou por que a empresa Carioca havia sido rejeitada na concorrência inicial do projeto, para ser admitida em seguida como participante.


A frase que não foi pronunciada

“Esqueceram-se de convocar Thor... Convocado.”

Senador Flexa Ribeiro, pensando em ouvir os culpados pelo apagão.



Solução
Salsicha de piranha, caviar de cascudo, piavuçu vira sardinha enlatada. Antonio Ferreira de Lara, da Embrapa Pantanal, é um entusiasta de novas tecnologias para transformar o pescado em alimento mais popular. O consumo de carne bovina e de frango chega a cerca de 40kg/habitante/ano e de pescado quase 7kg/habitante/ano. Os estragos na terra podem vislumbrar uma solução nos lagos, rios e mares.

Jica
O ex-senador Leonel Pavan está a par dos problemas causados por desastres naturais. Há uma planilha do governo catarinense com a previsão de recursos para o restabelecimento da normalidade nesses casos. Santa Catarina aos poucos se prepara para agir em novos casos de calamidade pública.

Consulta livre
Não é ideia nova a da Comissão de Direitos Humanos do Senado. Foi aprovado projeto que cria cadastro nacional de menores de idade desaparecidos. Há, no entanto, uma associação que presta esse serviço com dados de pessoas de qualquer idade desaparecidas no Brasil e em vários países. É a Associação Cadastro Nacional, que coloca à disposição da população, da sociedade civil e das autoridades, o mesmo cadastro com consulta livre e gratuita via internet.

Desde 1660
A cada ano a rainha Elizabeth II fala por menos tempo sobre os projetos para o país. Dessa vez, o discurso não durou 10 minutos. A oposição se debate contra a tradição, mas a pompa e a circunstância da ocasião foram as mesmas. Ela segue de carruagem do Palácio de Buckingham até o Parlamento, onde os lordes a recebem. Ano passado foram apresentados 28 projetos de lei. Em 2009, 14.

Agricultura familiar
Inegável o talento de articulação do senador Romero Jucá. Conseguiu negociar com governo e oposição projeto que considera de interesse de ruralistas e movimentos sociais. Trata-se do texto do Projeto de Lei da Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater). O orçamento pode chegar a R$ 1 bilhão até 2012. O governo aceitou mudar a lei para impedir o apadrinhamento em projetos da Ater. Mesmo assim, o TCU terá como dever monitorar as ações, já que estão dispensadas da licitação entidades públicas de assistência técnica e prefeituras.

Amigo da onça
Pela primeira vez o país se volta ao presidente Lula aguardando uma decisão pessoal. Até agora os assessores têm feito isso por ele. A solução para o caso Battisti será de responsabilidade exclusiva do presidente do Brasil. Quando aceitou o presente de grego do presidente francês Sarkozy, Lula não imaginava que o caso fosse terminar assim.

Furo
Enquanto costurava a aliança PV, PSol e PSC a senadora Marina Silva discordou do repórter. Se sua campanha está tímida, é porque a mídia não a tem acompanhado. E alfinetou: “A não ser que os meios de comunicação achem que eu deva ficar o tempo todo fazendo discursos no plenário quando estou no Senado”.

No exterior
Parecia lógico que o dinheiro do contribuinte não fosse usado em obras fora do país. Mas investimentos importantes são feitos como parte da política do governo de ocupar espaço na América Latina e na África. Construtores vão se empenhar para barrar projeto no Congresso que limita o BNDES a financiar obras em território nacional.

Anatel
Mais e mais reclamações contra as TVs a cabo. Além de cobrarem a manutenção de assinatura, o tempo de um filme tem grande porcentagem ocupada por comercial. O consumidor paga para ter acesso a uma programação diferente e leva sem querer a propaganda no pacote.


História de Brasília

A superquadra do Iapb é a única já concluída e urbanizada. O jardim de frente para o eixo era uma beleza. Pois bem. Agora é que viram que as galerias pluviais não estavam colocadas e, por isso, estão esburacando o jardim e arrancando a grama que deu tanto trabalho para pegar. (Publicado em 17/2/1961)

MERVAL PEREIRA

Próximos e distantes

O GLOBO - 20/11/09


Toda a estratégia do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, na árdua negociação política para se transformar em uma opção viável do PSDB para a eleição de presidente da República no ano que vem está baseada na sua capacidade de dialogar com adversários e de agregar apoios, como destacou na mensagem publicada na coluna de ontem. O objetivo seria construir um ambiente propício ao convívio de contrários, especialmente PT e PSDB, que há 20 anos polarizam a política nacional. A preocupação de Aécio é que o pós-Lula seja vivido num clima de radicalização entre os dois partidos, cuja origem paulista explicaria, em grande parte, esse embate e caracterizaria uma visão provinciana da política.

O próximo presidente, seja qual for, pode ter muita dificuldade de governar se não for ultrapassado esse obstáculo, e, sendo o governador paulista José Serra, a dificuldade seria maior ainda, justamente por representar o grupo tucano que domina a política paulista, em contraponto aos petistas, adversários que vêm sendo permanentemente batidos no estado.

Juntando-se a isso, há o que o cientista político Cesar Romero Jacob, da PUC do Rio, define como “a frustração dos mineiros”, que ajudaram a tirar os paulistas do poder em 1930 e os recolocaram de volta em 1994.

Ele ressalta que São Paulo, o principal estado brasileiro, ficou fora do comando da federação por 64 anos: de 1930 a 1994, tirando os nove meses de Jânio Quadros e o período dos militares, “isso porque mineiros e gaúchos se uniram contra os paulistas”.

O candidato do ex-presidente Itamar Franco à sua sucessão era o deputado federal Antonio Britto, político gaúcho, revivendo a velha aliança de Minas com o Rio Grande do Sul. E, como Britto não quis, ele apoiou Fernando Henrique, esperando voltar à política do “café com leite”, e se sentiu traído pela reeleição.

“Fernando Henrique fez com Itamar a mesma coisa que Washington Luiz em 1929, quando não apoiou Antonio Carlos, presidente de Minas”, relembra Romero Jacob, para concluir: “É claro que existe em Minas uma certa decepção”.

Para ele, é possível que, ao escolher a ministra Dilma Rousseff para candidata oficial à sua sucessão, o presidente Lula tenha levado em conta não apenas suas qualidades de gestão, ou o fato de ser uma mulher.

A questão regional também deve ter pesado, diz Jacob: Dilma é uma política do Rio Grande do Sul, e, para sorte do projeto político governista, nasceu em Minas Gerais.

Com sua indicação, Lula quebrou a hegemonia paulista dos últimos 16 anos, onde ele e Fernando Henrique, dois políticos paulistas, exerceram a Presidência da República.

E é o que Aécio Neves tenta fazer dentro do PSDB.

O apoio do deputado Ciro Gomes deve ser entendido dentro dessa lógica, mas continuo considerando que foi um erro estratégico, pois Ciro transformou o grupo paulista do PSDB no inimigo a ser batido, e Aécio, mesmo sem a intenção, associou-se a ele.

As semelhanças entre PT e PSDB estão explicitadas no programa econômico do governo Lula, que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acaba de definir, em entrevista ao jornal espanhol “El País”, como uma política social-democrata, e pelos programas sociais, que tiveram início no governo tucano e foram ampliadas na gestão Lula, com a união de todos eles sob o guardachuva do Bolsa Família.

Continuidade destacada pela revista inglesa “The Economist”, na reportagem de capa sobre o Brasil, que lembra que o governo Fernando Henrique, com a implantação do Plano Real, estabilizou a economia, controlou a inflação e deu condições a que o governo Lula pudesse fazer uma política de crescimento econômico com distribuição de renda, aproveitando-se dos anos dourados da economia mundial.

Mas o decorrer do governo Lula também mostrou diferenças acentuadas entre a maneira de ver o Estado do PT e do PSDB, reforçando as separações para além da simples disputa eleitoral.

Uma das diferenças fundamentais é que o PSDB acha que programa social bom é aquele que diminui a cada ano. Reduzir o número de famílias atendidas pelo Bolsa Família significaria que elas teriam sido incluídas no mercado de trabalho, o que demonstraria o sucesso do programa.

O governo Lula, ao contrário, festeja o aumento para 11 milhões dos bolsistas, numa visão assistencialista.

O aumento da máquina estatal, e seu aparelhamento pelos sindicalistas e militantes petistas, é outro ponto de discordância entre os dois grupos políticos.

O PT diz que fortalece a máquina estatal, desmontada pela visão neoliberal do PSDB, e os tucanos acusam os petistas de usarem politicamente o Estado, abrindo mão da eficiência e não evitando desperdícios do dinheiro público.

Ao dizer que não tem condições intelectuais para redigir a decisão do Supremo sobre o caso Cesare Battisti, o relator, ministro Cezar Peluso, procura, pela ironia, ressaltar a incongruência da decisão de extraditar o italiano, mas permitir que o presidente da República não cumpra os acordos internacionais firmados pelo país.

A destacar o fato de que essa dicotomia foi uma estratégia da defesa que, perdida a causa central, “inventou” a polêmica. Todos os ministros que votaram a favor de Battisti votaram também por dar a decisão final ao presidente.

O único incoerente foi o ministro Ayres Britto, que votou pela extradição, mas abriu a brecha para que Cesare Battisti possa ficar no Brasil.

Difícil vai ser o presidente Lula encontrar um jeito de ficar bem com a esquerda e, ao mesmo tempo, com o governo italiano.

JAPA GOSTOSA

CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR

JOSÉ SIMÃO

Ueba! Lula, o Filho do BARRIL!

FOLHA DE SÃO PAULO - 20/11/09


E as últimas do filme do Lula. Aquele filme que acaba mal: no final, ele vira presidente


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! Sabe por que o PT não quer entregar o terrorista italiano Battisti? Porque ele é da facção Proletários Armados para o Comunismo, PAC! Mas os italianos são insaciáveis. Já entregamos aquele mafioso Buscetta duas vezes. Já demos o Buscetta duas vezes e eles ainda querem mais? Rarará! E tem um grito de protesto: Battisti, GO ROMA!
E as últimas do filme do Lula. Aquele filme que acaba mal: no final, ele vira presidente. E o site Comentando apresenta uma nova versão: "Lula, o Filho do Barril!". Em breve, nas biroscas do Brasil! Um filme de Fábio Velho Barreiro.
E adorei a charge do Pelicano com dois convidados da estreia: "Que escuro, o filme não vai começar?". Já começou, é a cena do apagão. Rarará!
E sabe qual o castigo pros jogadores que brigam em campo? Assistir ao filme do Lula. E diz que já tem padre dando a penitência: dez Padres Nossos e um filme do Lula.
E hoje é o Dia da Consciência Negra. A gente podia aproveitar e criar o Dia da Consciência Pesada: para políticos, assaltantes, gerente do banco que negou empréstimo e pro motoboy que quebrou o retrovisor do meu carro!
Piada pronta do dia: tribunal chinês proíbe venda de programas da Microsoft por plágio. Por plágio? Na China? Rarará! No país do Lolex, da Plada e do Miclosoft? E do Bladesco! Um amigo foi num stand center e perguntou pra chinesa: "Esse aparelho de som vem com as caixinhas surround?". "Caxinha sulound paga sepalado." "Então enfia na peleleca." Rarará! Em matéria de plágio, a China quer exclusividade! Enfia na peleleca! Rarará!
É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: "É mole, mas trisca pra ver o que acontece!".
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais um exemplo irado de antitucanês. É que em Boca da Mata, Alagoas, tem um inferninho chamado Cavalo Solto. Ueba! Mais direto, impossível! Viva o antitucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Esculhambado": companheiro que operou as hemorróidas. Rarará!
O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.
E vai indo que eu não vou!

ANCELMO GÓIS

“ELE É SEU PAI?”

O GLOBO - 20/11/09


Ontem, no lançamento de um programa de apoio à Apae e à Pestalozzi, no Palácio Laranjeiras, uma criança olhou para Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo, parou para pensar um pouco e perguntou à primeira-dama: “Ele é seu pai?”.
Por esta e por outras, o governador começou mais uma dieta para emagrecer.
INDISCIPLINA
Quando os chefes dão o mau exemplo, a coisa desanda.
Isto vale tanto para o Palmeiras de Beluzzo, Obina e Maurício quanto para o PT de Lula e dos aloprados.
ALIÁS...
Deu ontem no Globo: “No fim, houve briga generalizada e Fernando Henrique acabou expulso.” Mas foi na página de esportes, não na de política.
E Lula não tem nada a ver com isto.
NO MAIS
Pelé tinha razão. Quarenta anos depois do milésimo gol, o Brasil ainda precisa salvar suas criancinhas.
Escola (de qualidade) nelas!
SÉCULO 20
O sociólogo Demétrio Magnoli fechou acordo com a Editora Record. Vai escrever uma obra sobre os conflitos do século 20 no mundo.
Devem ser dois volumes. Cada um, pelo menos, com umas 500 páginas.
OBAMA E ZUMBI
Obama soltou uma nota oficial em que, “em nome do governo e do povo dos EUA, felicita o Brasil pelo Dia da Consciência Negra, também conhecido como Dia de Zumbi dos Palmares”:
– A vida do líder Zumbi e sua luta incansável contra a escravidão permanece como símbolo de resistência da liberdade e da Justiça – escreveu.
ALIÁS...
Só em 2007, 4.156 crianças e jovens até 18 anos foram mortos no país – 67,6% deles, negros.
A conta estará na 2ª edição do Relatório Anual das Desigualdades Raciais, coordenado por Marcelo Paixão, da UFRJ.
EFEITO JULIANA PAES
Modelos brasileiras morenas têm feito sucesso em Bollywood, a indústria do cinema indiano.
A gaúcha Bruna Abdalah virou estrela e abriu mercado para outras meninas daqui – que, como não falam o idioma local, são dubladas por indianas.
GOL DE YUKA
A Gol foi condenada pela 13ª Câmara Cível do Rio a indenizar em R$ 10 mil o músico Marcelo Yuka, que é cadeirante.
Numa viagem para São Paulo, em 2006, a cadeira de rodas de Yuka foi esquecida pela voadora no Rio.
SEGUE...
Para Yuka, que foi baleado numa tentativa de assalto em 2001, a decisão da Justiça é um é um alerta para a sociedade:
– Se uma empresa é capaz de extraviar algo tão importante, como uma cadeira de rodas, imagine uma simples mala de passageiro.
AHMADINEJAD NÃO
Domingo, às 10 horas, no Posto 9, em Ipanema, uma passeata contra Mahmoud Ahmadinejad promete reunir negros, judeus, gays, mulheres e até palestinos e muçulmanos contrários ao presidente do Irã, que visitará Lula. Da Mangueira, devem ir dez ônibus com negros.
BOKOVA NO BRASIL
A nova diretora-geral da Unesco, a búlgara Irina Bokova, visitará o Brasil de 29 de novembro a 2 de dezembro.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

DORA KRAMER

Presente de grego

O ESTADO DE SÃO PAULO - 20/11/09


Para quem não gosta de arbitrar, tem horror a críticas e cultiva o hábito de ficar longe de qualquer coisa que lhe possa render danos à imagem, a atribuição de decidir sobre o destino do italiano Cesare Battisti é dos males talvez o maior - e mais desnecessário - já enfrentado pelo presidente Luiz Inácio da Silva.

Um legítimo presente de grego entregue por quem compartilha da tese, já defendida anteriormente pelo presidente, de que o ex-ativista corre risco de ser morto na Itália e, portanto, por razões humanitárias deve permanecer no Brasil: o ministro da Justiça, Tarso Genro, os ministros do Supremo Tribunal Federal que votaram contra o pedido de extradição e o ministro Ayres Britto, que se juntou a eles na segunda parte da questão.

O titular da pasta da Justiça, cuja motivação humanística não alcançou os dois esportistas cubanos mandados de volta à ditadura de Fidel Castro por causa das boas relações dos atuais ocupantes do poder com o ditador, imbuiu-se do espírito de herói da resistência e resolveu contrariar a decisão do órgão que decide essas questões tecnicamente em seu ministério.

Contrariou também decisões anteriores da Justiça italiana, que condenou Battisti por quatro homicídios; da Justiça francesa, que aprovou sua extradição no período em que esteve escondido por lá; contrariou também decisão da Corte Europeia de Direitos Humanos, que não enxergou em Battisti o que Tarso Genro viu nele, mas não viu nos pugilistas cubanos: a figura de um perseguido a ser protegido da crueldade do regime em seu país de origem.

Tarso Genro bancou a concessão do refúgio, depois considerado ilegal pela Justiça brasileira, que também decidiu que os crimes não estavam prescritos e que a motivação política não servia de justificativa para assassinatos.

Muita gente no governo que outrora foi partidária da luta armada entende diferente.

Encaminhado assim de maneira torta o assunto, ficou subentendido que "progressistas" torcem pela permanência de Battisti e "conservadores" - ou, como se tornou convencional dizer, "golpistas" - acham que o governo italiano está sem seu pleno direito no exercício das normas do Estado de Direito, onde forças de todos os matizes apelam pela extradição.

Visto sob essa ótica pseudoideológica, o desfecho do caso teria representado uma vitória para o ministro da Justiça, que desde o primeiro momento manifestava opinião de que a última palavra deveria ser do presidente Lula.

Mas, do ponto de vista do presidente, a situação é de puro enrosco. Uma tarefa que lhe cai nas mãos sem que tenha hipótese de se desincumbir dela sem perdas.

Não é verdade que a decisão de não decidir de forma terminativa tenha transformado o STF numa entidade figurativa. O julgamento do pedido de extradição permitiu que todos tomassem conhecimento das variantes envolvidas e não se ficasse apenas na base da palavra do ministro contra as alegações do governo italiano.

Ficou patente, pela sentença favorável à extradição, que Battisti não se enquadrava no perfil do refugiado, até porque estava clandestino no Brasil, onde entrou com documentos falsos e não mediante um pedido formal de abrigo. Sua condição é de fugitivo da Justiça.

Tanto que responde a processo por falsidade ideológica, um dos argumentos do ministro da Justiça para que se estenda a permanência dele e que a extradição só seja resolvida após o fim da ação.

Tal dilema de dimensão internacional foi posto justamente no colo de um presidente que não investiu em reformas internas - previdenciária, tributária, política, sindical e trabalhista - para não despertar conflitos nem amealhar inimigos para poder transitar como generosa unanimidade ao longo de dois mandatos.

Ao fim do último se vê numa encruzilhada: ou segue a orientação do Supremo ou se confronta com uma questão diplomática que pode resultar em denúncia perante cortes internacionais.

Os italianos

Reunidos ontem para avaliar a decisão do Supremo, os advogados contratados pelo governo da Itália decidiram aguardar a publicação do acórdão. Depois disso, aguardarão o prazo legal de 20 dias prorrogáveis por mais 20, durante o qual o presidente Lula deverá se pronunciar.

Se o presidente optar por manter Battisti no Brasil terá de justificar juridicamente a decisão nos termos do acordo bilateral de extradição, mas, segundo os advogados, terá de obter a aceitação da Itália. Caso isso não aconteça, como é provável, o governo italiano poderá denunciar o tratado e acusar o Brasil de ferir a Convenção de Bruxelas.

A partir daí, se houver insistência, o Brasil pode sofrer penalidades e, internamente, o presidente é passível da acusação por crime de responsabilidade, pois o tratado de extradição foi aprovado pelo Congresso, sancionado pelo então presidente Itamar Franco e tem força de lei federal.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Há um interesse na imprensa exterior que nunca aconteceu antes”
PRESIDENTE LULA, EM MAIS UM EPISÓDIO DE “NUNCAANTESNESSEPAÍS”

DINHEIRO ENVIADO POR FHC NÃO CHEGOU À COPEIRA
Dos R$ 250 mil prometidos pelo então senador Fernando Henrique Cardoso à ex-empregada Maria Helena Pereira, mãe do seu filho Leonardo, somente R$ 30 mil chegaram às mãos dela de uma vez e cerca de R$ 100 mil em parcelas mensais no valor médio de R$ 6 mil. O dinheiro foi repassado a Maria Helena pelo então senador Ney Suassuna (PMDB-PB), transformado em fiel depositário do segredo.
EMPREGO NO SENADO
A pedido de FHC, Maria Helena foi nomeada auxiliar de copa no gabinete de Ney Suassuna, após ser demitida por d. Ruth Cardoso.
COISA DE “PETISTA”
Ney Suassuna reagiu irritado, ontem. Diz não conhecer “essa mulher”, sua ex-copeira durante anos, e que nossa fonte “só pode ser petista”.
CONEXÃO PARAÍBA
A copeira Maria Helena foi “herdada” pelo ex-senador José Maranhão, governador da Paraíba, e depois pelo suplente, Roberto Cavalcanti.
FHC ESCONDENDO
O resumo da vida do ex-presidente, no site do Instituto FHC, informa que ele teve três filhos com Ruth Cardoso. Omitiu pelo menos dois.
AVIÃO DE ALEGRIA AMAZONENSE RUMO A DUBAI
O governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), foi à reunião do Conselho de Biodiversidade do Fórum Econômico Mundial, em Dubai. Ele e a mulher viajaram de primeira classe (US$ 10 mil cada), sem contar outros seis da comitiva. O casal fica no hotel sete estrelas Burj Al Arab, onde a diária mais barata é US$ 2 mil. Tudo sob os auspícios da generosa Gauche Promoções e Eventos, fornecedora do governo.
MARAJÁS
No portal do governo, o roteiro escorrega na Geografia: Dubai foi localizada na Índia. Terra dos marajás, por sinal.
ELES ESTÃO DE VOLTA
O “núcleo duro” de Lula se reorganiza: o ex-ministro Luiz Gushiken passou a tarde, ontem, no gabinete do deputado Antonio Palocci.
O INQUILINO TRAPALHÃO
Amanhã (21), faz dois meses que o presidente deposto Manuel Zelaya é “convidado” da embaixada brasileira. Até quando ele “honduras” lá?
TOP SECRET
Acordo secreto entre os dois países, que ganhou carimbo de “secreto” no Ministério da Defesa, autoriza o Brasil a instalar uma base naval na Namíbia, país africano que adquiriu navios de guerra produzidos aqui.
“PENA” DE TERRORISTA
Lula deverá deixar “de molho”, até janeiro, a decisão sobre o terrorista Cesare Battisti, quando o ministro Tarso Genro (Justiça), padrinho do bandidão, deixa o cargo para disputar o governo gaúcho. Pode também conceder-lhe “asilo humanitário” por ele supostamente estar doente.
PAUSA FORÇADA
Lula será obrigado a não viajar por alguns dias, para receber as visitas de presidentes como os da República Tcheca (hoje), do porralouca iraniano (dia 23) e Palestina (24). Mas no dia 1º ele vai longe: Ucrânia.
MOINHOS DE VENTO
Provável substituta durante a campanha (oficial) da ministra Dilma, a subchefe da Casa Civil, Miriam Belchior está em Madri, explicando o xodó da chefe, em espanhol: o programa “Mi Casa, Mi Vida”. Olé.
O CONVIDADO INDESEJADO
Diversas entidades civis protestam de branco neste domingo, 10 horas, na praia de Ipanema, contra Ahmadinejad e a intolerância religiosa, homofobia, negação do Holocausto e outras “políticas” do porralouca.
O ETERNO RETORNO
O Ministério da Justiça concedeu ontem bolsa-ditadura e pensão do INSS a 35 vereadores obrigados a trabalhar de graça no regime militar. Com a nova leva, chega a 700 os beneficiados pela viúva este ano.
RADAR CH
O carro oficial modelo GM Omega, placa branca JFP-4613, foi utilizado para fazer compras, no final da tarde de ontem pelas 17h, no Lago Sul, em Brasília, na delikatessen Sweetcake e no supermercado Big Box.
FUTURO RICO
Os grupos hoteleiros Four Seasons e o árabe Jumeirah planejam construir no Brasil nos próximos anos. A ideia é aproveitar a onda de investimentos com a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
PENSANDO BEM...
... Petistas e tucanos estão exagerando na rivalidade: foi só Lula lançar seu filme O Filho do Brasil e FHC apareceu logo com dois.

PODER SEM PUDOR
A CARA DE UM...
O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), sempre teve o hábito de visitar a família em Tietê, interior paulista. Viajava sozinho mesmo, dirigindo o próprio carro, ao longo da rodovia Castelo Branco. Certa vez, um funcionário do pedágio observou, enquanto passava o troco:
– Já lhe disseram que o senhor se parece com o Michel Temer?
O deputado seguiu viagem, feliz da vida com sua popularidade.

INVESTIMENTO

SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: Supremo ou Superior?: STF não consegue explicar decisão sobre caso

Battisti

- Folha: Governo estuda liberar aplicações no exterior


- Estadão: Governo estuda MP para conter aposentadorias


- Correio: Taxa de condomínio no DF é a que mais sobe no país


- Valor: Brasil vai taxar royalties para retaliar americanos

AUGUSTO NUNES

VEJA ON-LINE

Cinco ministros subordinam o STF ao Grande Juiz do Planalto

19 de novembro de 2009

“Decisão do Supremo não se discute, cumpre-se”, vivia repetindo Ulysses Guimarães. Uma boa frase e um evidente exagero. Como tudo o mais, em países democráticos também decisões do Supremo Tribunal Federal estão sujeitas a discussões, debates e, se for o caso, críticas veementes. Quanto ao que vinha depois da vírgula, nenhum reparo a fazer: o que foi resolvido pelo STF é coisa para se cumprir. Supremo, segundo o dicionário, é “o que está acima de tudo”.

Não necessariamente, relativizou a espantosa decisão de entregar ao presidente da República o julgamento em última instância do caso Cesare Battisti. Na primeira parte da sessão desta quarta-feira, por 5 votos a 4, o tribunal resolveu que os crimes cometidos por Battisti não têm caráter político e aprovou o pedido de extradição formulado pela Itália. Na segunda parte, pela mesma contagem, ressalvou que, por se tratar de ”um caso de política internacional”, o que parecera uma sentença era uma autorização para que o delinquente italiano seja extraditado. A palavra final é de Lula.

Pela primeira vez na história, a Corte que, por ser suprema, deveria estar acima de tudo, colocou-se voluntariamente abaixo do chefe do Executivo. Se quiser extraditar o homicida condenado à prisão perpétua pela Justiça italiana, Lula terá a bênção do STF. Também a terá se resolver que o terrorista de estimação do ministro Tarso Genro deve ficar por aqui. Mas não pode incluir Battisti na categoria dos refugiados políticos, porque a primeira etapa da sessão inverossímil anulou a promoção decretada por Tarso Genro. É o Brasil.

Incorporados desde o começo à trama costurada para livrar Battisti do cumprimento da pena, os ministros Marco Aurélio Mello, Carmen Lúcia, Eros Grau e Joaquim Barbosa ao menos agrediram a lógica com coerência. Derrotados na tentativa de rejeitar a extradição, os quatro se juntaram para os trabalhos de parto da criatura assombrosa: o Grande Juiz do Planalto. Mais desconcertante foi o monumento à contradição erigido pelo comportamento pendular de Ayres Britto.

Em 9 de setembro, o ministro afirmou que Battisti deveria ser extraditado por não ter sido movido por motivos políticos. Menos de três meses mais tarde, invocando motivos políticos, defendeu enfaticamente a ideia de transferir para Lula a palavra final. Entre uma sessão e outra, não foram acrescentados ao processo quaisquer indícios, evidências ou provas. A única novidade foi a incorporação à tropa dos advogados de defesa do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, que sugeriu a nomeação de Ayres Britto para a vaga no Supremo.

“O presidente é chefe de Estado e titular da política internacional”, tentou explicar-se o ministro. Se é assim, por que o STF andou desperdiçando tempo, dinheiro e a paciência dos brasileiros que pensam e pagam a conta? ”O tribunal entra no circuito para garantir os direitos humanos”, complicou Ayres Britto. Difusas razões humanitárias provavelmente serão evocadas por Lula para driblar o tratado de extradição assinado pelos dois países.

“Não faz sentido entregar um perseguido ao carrasco”, declamou Tarso Genro. Foi exatamente o que fez o ministro da Justiça ao deportar para Cuba os pugilistas Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, capturados no Rio quando tentavam a fuga para a Alemanha. A misericórdia de Tarso é seletiva. Como é amigo de Battisti, estende-lhe a mão solidária que negou aos dois cubanos por ser amigo de Fidel Castro. Em ambos os casos, Lula avalizou as decisões do companheiro gaúcho.

O tratamento dispensado aos dois episódios informa que a subordinação do STF ao Executivo abre um precedente perturbador. Imagine-se, por exemplo, que os ministros tenham de julgar um caso semelhante ao dos cubanos, e decidam que um estrangeiro perseguido no país de origem merece viver em segurança no Brasil. Se quiser, Lula poderá deportá-lo. Nesta quarta-feira, o Supremo autorizou o presidente da República a fazer a opção pela infâmia sem nenhum risco de ser corrigido. É ele quem decide em última instância.

quinta-feira, novembro 19, 2009

KENNETH MAXWELL

Os pássaros de Belton


Folha de S. Paulo - 19/11/2009


O ANTIGO diplomata norte-americano William Belton morreu no dia 25 de outubro passado, em sua casa em Great Cacapon, na Virgínia Ocidental, aos 95 anos de idade.
Belton entrou para o serviço diplomático norte-americano em 1938, depois de estudar na Universidade Stanford. Ele nasceu em 1914, em Portland, no Oregon. Durante seus 32 anos como diplomata, serviu em Cuba e na República Dominicana, na Austrália e no Canadá, bem como na América do Sul. Aposentou-se em 1970, no posto de primeiro-secretário do consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro.
Ao longo dos 30 anos seguintes, porém, Belton empreendeu uma segunda e mais ilustre carreira e se tornou um ornitologista autodidata e internacionalmente respeitado. Ele conquistou renome especial por suas pesquisas sobre a vida das aves no mais meridional dos Estados brasileiros, o Rio Grande do Sul. Viajando pela região em um jipe com reboque, e carregando um pesado gravador de rolo, Belton pacientemente registrou mais de mil gravações de canto de pássaros. No período entre 1971 e 1993, ele compilou um arquivo abrangente sobre os sons dos pássaros do Rio Grande do Sul.
As gravações de campo que realizou provaram a existência de muitas espécies desconhecidas. Entre os pássaros cujo som gravou estão o poético barranqueiro-de-olho-branco, o curió-do-brejo e o acauã.
Muitos desses cantos de pássaros únicos podem ser ouvidos online, na Biblioteca Macaulay, como parte da coleção do Laboratório de Ornitologia da Universidade Cornell, que abriga grande número das gravações de Belton.
O papa-lagarta-acanelado, por exemplo, registrado por Belson no Rio Grande do Sul em 19 de fevereiro de 1974, pode ser ouvido no endereço macaulaylibrary.org/ audio/19005.
William Belton escreveu o estudo definitivo sobre os pássaros do Rio Grande do Sul, publicado em dois volumes pelo Museu Americano de História Natural em 1984 e 1985. Também compilou um livro em formato reduzido, "Aves Silvestres do Rio Grande do Sul", com cem ilustrações em cores, e, em 1993, traduziu "Birds of Brazil: a Natural History", de Helmut Sicks.
A American Bird Conservancy criou um programa de bolsas em seu nome para apoiar trabalhos de campo, viagens e planos de conservação. É um tributo digno desse homem notável.
William Belton amava o Brasil e deixou uma coleção de gravações que reflete o seu profundo afeto por um componente fascinante da rica história natural brasileira.

JAPA GOSTOSA


CLIQUE NA FOTO PARA AMPLIAR

JOÃO BATISTA ARAUJO E OLIVEIRA

Avaliação educacional em risco

FOLHA DE SÃO PAULO - 19/11/09


A única medida aceitável é o reconhecimento do erro, a anulação das provas e a mudança na sistemática que hoje permite que isso ocorra

A AVALIAÇÃO educacional conduzida pelo governo federal e por alguns Estados é um dos poucos aspectos em que a educação brasileira se encontra em níveis comparáveis aos dos países desenvolvidos. Mas essa "conquista" está em risco diante de fatos recentes.
Para entender o risco, é preciso separar, antes de mais nada, os diferentes incidentes e suas causas. Trapalhadas, como as do Enem, são em parte fruto de açodamento de contratantes e contratados. Mas não sugerem má-fé. De certo modo, o mesmo ocorreu com a divulgação de alguns testes do Enade, dos cursos superiores. Os recentes episódios com a avaliação estadual paulista também se enquadram aí. São ocorrências lamentáveis, que as autoridades rapidamente tentaram sanar. Como fatos isolados, não colocam em perigo a avaliação. E revelam que, quando o governo quer agir rápido, tem êxito.
O cerne da questão está na substância, caso das distorções no conteúdo das provas do Enade. Como a própria mídia noticiou, houve uma ideologização de tal ordem que só a defunta velhinha de Taubaté poderia ignorar.
As autoridades poderiam até lavar as mãos e dizer, em nome de uma suposta autonomia e isenção, que o problema é dos autores das provas. Mas só à saudosa moradora de Taubaté não ocorreria perguntar: mas quem escolhe os autores? E quem faz o controle dos processos?
Distorções em questões de testes não constituem um problema inteiramente novo. O que surpreende é a natureza e a dimensão das distorções. De forma recorrente, nos últimos anos, os exames dos cursos de pedagogia apontam forte viés ideológico, tanto nos conteúdos quanto no direcionamento das respostas "corretas".
É uma falha grave, mas, infelizmente, sem consequências, porque as autoridades sabem que as fragilidades desses cursos vão muito além dessa questão. O mesmo se repete na chamada Provinha Brasil, que não resiste a uma análise psicométrica minimamente rigorosa.
Isso é terrível, mas sabemos que o Brasil ainda não se deu conta da importância de alfabetizar as crianças no primeiro ano nem se preocupa em saber que existem maneiras eficazes de conseguir isso. Não adianta avaliar -nem bem nem mal- quando não se quer corrigir.
Mas agora é diferente. Estamos ante uma forma de ideologização ligada à interpretação de políticas governamentais em curso e de assuntos diretamente vinculados às pautas eleitorais. Isso é bem mais grave do que as graves distorções apontadas em recente avaliação para ingresso de economistas no Ipea, situação rápida e devidamente apontada, mas, em seguida, varrida para debaixo do tapete.
Antes de se peronizar, o país pode correr o risco de se cubanizar -no que Cuba tem de pior, que é o monopólio governamental da verdade e a doutrinação ideológica nas escolas.
Ainda é tempo de corrigir o erro. Se mantido, irá manchar uma gestão que primou pela humildade em reconhecer os avanços do governo anterior nessa área e que, após vacilos no primeiro mandato de Lula, soube valorizar e fazer avançar a avaliação.
Foram os resultados das avaliações que levaram o ministro Haddad a se recusar a tapar o sol com a peneira e a reconhecer, pela primeira vez na história do MEC, que nosso ensino fundamental estava muito mal.
O governo se encontra diante de uma importante decisão. Cabe reconhecer o erro tanto na substância quanto no processo de escolha de pessoas e nos critérios de revisão dos conteúdos, já que também nisso se mostraram incapazes de detectar ou de impedir esse tipo de distorção.
A única medida aceitável é o reconhecimento do erro, a anulação das provas e a mudança na sistemática que hoje permite que isso ocorra.
A Prova Brasil está próxima. Seus resultados têm sido estáveis nos vários anos de aplicação. Sua maior visibilidade, com a introdução do Ideb, transformou essa prova em algo mais sensível do ponto de vista político.
Para preservar as conquistas dos últimos anos, o governo deverá desdobrar-se para evitar que a Prova Brasil seja contaminada pela ideologização, o que poderia manchar a imagem e as realizações de um dos ministros mais ilustres que a educação já teve.

JOÃO BATISTA ARAUJO E OLIVEIRA , 62, psicólogo, doutor em educação, é presidente do Instituto Alfa e Beto. Foi secretário-executivo do Ministério da Educação (1995).

DIRETO DA FONTE

''Vaquinha'' na festa de Lula

SONIA RACY

O ESTADO DE SÃO PAULO - 19/11/09

Além das empresas que garantiram os R$ 12 milhões de Lula, o Filho do Brasil, circula uma carta, enviada a alguns destinatários por e-mail, oferecendo cotas de R$ 70 mil. Para quê? Para patrocinar a pré-estreia do filme em São Bernardo do Campo, dia 28. Será a única à qual Lula vai comparecer oficialmente.
A missiva, originária do departamento de ações culturais da prefeitura, oferece, em contrapartida, 70 convites VIP, a exibição da logomarca da empresa na Vera Cruz - onde o filme será exibido - e vinheta de 5 segundos no filme institucional do pavilhão.
Não faltará lugar. Além de 300 convidados na área privativa da Presidência, outros 2.100 convites serão distribuídos por patrocinadores, prefeitura e sindicatos.


Cobertura total
Lázaro Brandão é só alegria. Quando começou a trabalhar no Bradesco, o banco estava presente em apenas seis cidades. Com a inauguração oficial, hoje, de duas agências novas, a instituição marca presença em todos os 5.565 municípios existentes do Brasil.
Será que o BB vai atrás?

Promessa e dívida
Mauro Arce, dos Transportes, prometeu. O DER vai pagar a dívida de R$ 500 milhões atrasados com as empreiteiras que tocam 1.200 obras no Estado.

Viver a vida real
Alinne Moraes enviou para Manoel Carlos fotos de Mara Gabrilli - a vereadora virou modelo depois de ficar tetraplégica em 1995.
A atriz pediu a Maneco, autor da novela Viver a Vida, que sua personagem continue na profissão.

Verde-maduro
Guilherme Leal, da Natura, voou para Londres. Onde se encontra, hoje, com Gordon Brown.
Assunto? Marina Silva.

Gosto amargo
A Ambev entrou ontem no Conar com processo contra a Kaiser. E não vai parar por aí. Entra também com ação cível.
A acusação? Uso indevido de marcas concorrentes. Em campanha na qual mostra teste cego de cervejas.

Água fria
Espanto na Defesa Civil. Contas fechadas, um ano depois da enchente de Santa Catarina ter deixado 78 mil pessoas sem casa... 24 mil continuam desalojadas.
Desde então, para lá foi enviado, entre doações e verbas públicas, mais de R$ 1 bi.

Peixe Grande
Tim Burton deve desembarcar no Brasil no ano que vem. A convite do curador Ângelo Defanti, que prepara versão "burtoniana" da mostra de Woody Allen, em cartaz no CCBB.

Quem chegou
Ronald Lauder, das marcas Estée Lauder, Clinique e MAC, está no Brasil para tratar assuntos da comunidade judaica - ele preside o Congresso Judaico Mundial.

Na frente

Valdemar Iódice virou nativo. Está pesquisando em plena floresta amazônica, a 650 km de Manaus, ideias para sua nova coleção, baseada em populações que vivem do manejo sustentável da floresta.

Derrick Green, do Sepultura, comanda dia 26 no Chakras a 1ª edição do Speak Easy. Criação do metaleiro, o evento faz releitura das festas secretas que aconteciam na época da Lei Seca nos EUA.

O Cirque du Soleil dará show no Prêmio da CBF, dia 7. Como apresentadores, Tony Ramos e Marcello Antony.

Fábio Martino apresenta recital promovido pela Rio Bravo. Hoje, no MuBE.

Depois de 20 anos, o grupo Dharana volta a tocar junto. Dia 26, no Teatro da Vila.
João Ubaldo Ribeiro ganha show-homenagem de Fabiana Cozza e Vitor Araújo, no Sesc Pinheiros. Na sexta, como parte da Balada Literária.

A inglesa Michelle Thompson encontrou namorado disposto a ajudá-la em sua doença. Qual? Síndrome da Excitação Sexual Permanente - que, segundo o The News of the World, a leva a ter 300 orgasmos por dia.