terça-feira, outubro 20, 2009

GOSTOSA


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ARI CUNHA

Lula mal informado

CORREIO BRAZILIENSE - 20/10/09


João Pedro Stédile faz parte da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Presidente Lula da Silva está mal informado ao chamar de “vandalismo” a invasão do MST nos laranjais da Cutrale. Para Stédile, o suco de laranja é para exportação e não para o povo brasileiro. Certo que vai para exportação. A tecnologia do trato com laranjais deu ao Brasil sucos que mantêm o sabor da fruta. Já o exportado é manipulado pelo importador com adições de químicos, que dão sabor diferente. Outra coisa é que, exportando, o Brasil melhora sua reserva cambial. Há muito tempo não temos tido superávit como nos dias atuais. Stédile está enganado quando fala com esse vigor. Melhor seria orientar o MST contra a devastação ou destruição de bens.


A frase que não foi pronunciada

“Aqui, a meninada, antes de aprender a andar, já sai correndo.”
Carioca do morro pensando entre a dor e o riso.



Educadores
Homenagem do Brasil prestada aos mestres que transmitem sabedoria e cultura para filhos e netos. Consequências danosas. Em vez de agradecimentos, o professor fez protestos em toda parte. A dedicação ao ensino está diminuindo. É profissão mal paga. No DF, o professor é atendido. Há estados em que ganham como profissão sem relevo.

São Paulo
Imprensa paulista critica acerbadamente governador José Serra. A ação, procedente ou não, dizem revoltados os habitantes, é que ele tem cuidado mais da eleição do que das atividades de governador.

Difícil
Não está fácil a volta de Zelaya ao governo federal de Honduras. Há briga nas ruas, nas casas e nas cidades. O país está paralisado e o comércio sofre dificuldades para as vendas de Natal. Ninguém abre mão do poder. O antigo presidente da Câmara, que está no palácio presidencial como interino, tem buscado argumentos para a sua permanência.

Produção
Indústria brasileira está contente com aumento de produção. A festa do Natal deve ser farta. Já o cidadão não pensa de forma uníssona. Há reclamação de que comerciantes reduzem peso ou quantidade das mercadorias e aumentam levemente o preço. Parece ilusão de vida. A dona de casa gasta mais e traz menos.

Empréstimos
Caixa Econômica recebe instrução para criar empréstimos a longo prazo. BNDES vai arcar com despesas. Para 6 bilhões serem investidos. Sofrerão correção de tarifas para estender o vencimento. O prazo mínimo será de seis anos.

Livro do Senado
Conselho Editorial do Senado sempre busca as melhores obras para estudos. Recebemos três volumes da coleção sobre Hipólito José da Costa. É aqui que vamos encontrar a figura de lutador que é nosso fundador. Aparece a viagem do imperador para o Brasil, fugindo ao cerco de Napoleão. São histórias que valem a pena chegar às mãos dos jovens. A lembrança do envio dessas obras está ligada ao interesse de Joaquim Campelo, que tem ilustrado as coleções com o seu saber.

Novo tempo
Notícia do Lago Norte dá conta de que passa a viver novo tempo. O otimismo tem levado o Brasil a grandes distâncias. Mas é bom que se lembre. A Península Norte está à beira do pior. Construção de moradas, shoppings e aumento de trânsito… Está mal. Pior vai ser quando inaugurados os vistosos magazines da área. Vai faltar transporte em todas as latitudes.

Educação
Se existe uma briga que vale a união dos parlamentares pelo Brasil, essa é a votação pelo fim da DRU sobre os recursos para a educação. À frente, a senadora Ideli Salvati espera um acordo com as lideranças. O ministro Haddad tem esperanças de que o Ministério da Educação receba ainda este ano por volta de R$ 4 bilhões.

Sério
Trabalho dos Conselhos Tutelares, aproveitamento da água da chuva em prédios e fumaça de cigarro longe de crianças. Esses serão os três projetos que a meninada da escola pública votará no plenário da Câmara dos Deputados no dia 22. Brincadeiras acontecidas durante a Câmara Mirim viraram realidade. Um projeto que proibia o transporte de crianças no pau de arara é um exemplo.

História de Brasília

O óleo de amendoim nacional, que quase sempre é misturado ao azeite de algodão, de preço inferior, está custando quase que o mesmo preço do azeite de oliva espanhol. A comparação dos preços é um libelo contra a indústria nacional. (Publicado em 11/2/1961)

ARNALDO JABOR

Tarantino é nosso vingador

O GLOBO - 20/10/09

Finalmente um filme de cinema. Finalmente um filme que nos prende na cadeira, eletrizados, não por fogos de artifício, mas pelo roteiro, pela "suspensão da descrença", como dizem os dramaturgos americanos, pela "paixão, emoção e ação" como sentenciou Samuel Fuller, um dos pais de Tarantino. Para mim, ele é o cineasta mais interessante do mundo. É corrosivo e contra o mal (exibindo-o) e vai muito alem dos filmes "engajados" que mostram que a justiça é injusta ou que a miséria é miserável.

Ali, na ponta da língua, no "bate-pronto", no drible ao obvio e no uso do obvio, nos gols de placa da "mise-en-scene" é que Tarantino critica (se é que esta palavra antiga serve) o tempo atual: pela "forma", pelo estilo.

Seu alvo é a estupidez do cinema hipócrita e careta, falsamente "correto". Em "Kill Bill 2" ( o "Kill Bill 1" é uma porcaria, bem como os filmes que ele produziu para o oportunista mexicano Roberto Rodriguez) Tarantino põe na boca de David Carradine (que morreu se masturbando em Hong Kong, como numa cena de Tarantino) a sentença: "O Clark Kent é a idéia que o Super-Homem faz da humanidade"...

Tarantino não perde tempo em condenar mais nada. Sabe que não adianta. Ele filma dramas com a lente do cinismo, faz parodias sem finalidades didáticas, sem esperança de melhorar nada. Seu tema principal é a "vingança". Desde "Cães de Aluguel", ele trabalha com este "plot" primitivo e eterno. Desde os gregos, a vingança é o tema maior de tragédias e epopéias.

Em "Bastardos Inglórios" ele nos serve a "vingança" como um copo de fogo, um "drinque no inferno", que aqui é bem mais ampla do que Uma Thurman querendo se vingar de Bill. Em "Bastardos" temos a vingança dos judeus humilhados, a vingança dos homens delicados contra os boçais e brutos, a vingança dos inteligentes contra os estúpidos que hoje dominam o mundo. Um planeta onde há ditadores como Chavez ( que a mula do Oliver Stone idolatra) ou como aquele rato do Irã, não há lugar para criticas em nome da "razão", essa pobre mendiga francesa do Iluminismo. No entanto, ele nos vinga. Ele avacalha o que não pode resolver, como uma vez falou o "Bandido da Luz Vermelha". Tarantino não se preocupa com realismo histórico, com regras narrativas "progressistas"; neste filme, ele tranca o Hitler, o Goering, o Borman e o Goebells, dentro de uma sala de cinema em Paris, (o poético ninho da esperança com que os diretores/autores sonharam nos anos 60) e muda o fim da Segunda Guerra. Sua violência é cômica.

Para Tarantino a realidade é sua cabeça de cinéfilo. Tarantino brilha e traz de volta às telas a grande tradição do melhor que o cinema americano já fez. Ele escreve bobagens, diálogos vazios , reações absurdas de personagens, citações de cinema ("Dirty Dozen" de Aldrich é uma das sementes de "Bastardos" ), e assim enfrenta o drama atual da arte: retratar o quê? Com que fim? Para o bem? Para a moral, para a política? Como fazer um cinema bondoso num mundo mau? Como construir esperança num mundo ridículo?

Para isso, transforma as personagens em "coisas". Acaba com a "psicologia" naturalista e assume uma aparente "superficialidade", que nos traz saudades de uma seriedade perdida.

O cinema comercial de Hollywood transforma a vida humana em "clichês" e Tarantino usa os "clichês" para falar da vida humana. Ele mostra que somos todos "clichês".

Ao ser absolutamente desumano, cínico e violento, ele expõe a decadência da compaixão e do humanismo. Ao adotar o debochado cinismo diante de qualquer romantismo, ele nos lembra uma delicadeza que se perdeu. Ao usar uma linguagem solta e louca, ele nos dá uma "pala" de um cinema livre da mediocridade de Hollywood. Ao não dizer nada, ele diz tudo.

Alem das revistas de crimes, e dos gibis "noir", a grande influência sobre Tarantino, (como a de Jarmusch, Hal Hartley, Van Sant) foi Jean-Luc Godard. Ali está a raiz de sua liberdade. É curioso que os talentos americanos comam do pão que Godard amassou nos anos 60.

Jean-Luc ficou no limbo do cinema há anos, transformado pela caretice internacional em caso "excêntrico", em um dinossauro estruturalista. A liberdade que esse Picasso do cinema nos deu foi batizado de "chatura", de "complicação", um passado incômodo a ser esquecido para que o cinema careta voltasse a fluir. Assim, alem da publicidade e videoclips, Godard acabou diluído pelo baixo anarquismo de imitadores baratos tipo Leos Carax ou Luc Besson.

Mas, como o tempo não pára, Hollywood teve de dar comida para a fome contemporânea de mutações incessantes e passou a produzir filmes que são o simulacro de um tempo "descontrolado". A "loucura do mundo" virou tema de grandes produções - nuvens de fumaça para disfarçar a estupidez do óbvio, como os "Matrix", "Clube da Luta" e tantos outros. Esses filmes são delírios de imaginação, com fotografias extraordinárias, montagem frenética e sincopada, contraluzes infernais, tudo eficientíssimo, mas , por baixo do pano, não passam de abacaxis lineares. A falsa "novidade" desses filmes vem somente para deixar tudo exatamente como sempre foi.

Daí a importância de Tarantino. Ele rompe com o segredo mais bem-guardado do cinema americano: o realismo burguês. Hollywood aceita tudo: comédia, pastelão,

menos a paródia; aceitam tudo, desde que dentro da moldura frouxa da "verossimilhança" americana.

Aí, Tarantino chega e polui a limpeza do "mainstream" com sua linguagem cínica e, ainda por cima, faz imenso sucesso comercial sua vingança.

Por trás da paródia de Tarantino não há o louvor de uma "outra realidade" melhor. Ela já esta condenada quando o filme começa.

Tarantino ri da superficialidade da violência e, assim, expõe em carne viva o problema maior do mundo atual: a violência da superficialidade.

BONS "CUMPANHERO"

MÍRIAM LEITÃO

Questão de todos

O GLOBO - 20/10/09


A derrubada de um helicóptero da Polícia Militar não é apenas mais um episódio da guerra do tráfico de drogas no Rio. É um agravamento, uma mudança de escala. Não é como o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, pensa: “Um ato de desespero dos bandidos.” É uma demonstração de força. O Rio ser uma cidade olímpica dá mais destaque à notícia, mas o crime tem que ser combatido por nós.

Não é pela Olimpíada que o Rio tem que encontrar caminhos de solução do seu pior problema — a violência ligada ao tráfico de drogas —, mas porque essa é a única forma de salvar a cidade.

Outro dia, estive no Complexo do Alemão para fazer uma gravação. O PAC estava lá, com suas obras. Era fácil até ouvir o martelar da construção.

Mas não havia Estado.

Havia obras, mas não a presença do Estado. Vi na rua central da Grota jovens armados com fuzis, à luz do dia. Subi uma daquelas ruelas sinuosas até à laje onde faria a gravação. As ruelas não são mais de chão batido, escorregadias. Agora estão cimentadas. Melhor.

Mas numa das encruzilhadas da subida, vi uma mesa de venda de cocaína, com inúmeras sacolinhas de pó.

Em outra mesa, o dinheiro exposto. Na volta, vi que havia mais dinheiro e menos sacolinhas. Cruzei com trabalhadores voltando das obras do PAC. Melhor que elas sejam feitas e que eles tenham emprego, mas não basta edulcorar a realidade, é preciso transformá-la.

Não é um problema banal.

Fosse, teria sido resolvido.

Mas ontem, a ministracandidata Dilma Rousseff disse que a violência no Rio mostra “o quanto faltou o Estado, no sentido amplo da palavra, nestas comunidades.” Exatamente. Mas pertencendo a um governo que está no seu sétimo ano, sendo aliada do atual governador e tendo o apoio dos dois últimos governadores à sua candidatura — Rosinha e Anthony Garotinho — talvez ela devesse ter mais a dizer do que culpar um ser incorpóreo. Devia perguntar aos seus três apoiadores o que deu errado até agora na política de segurança pública do Rio nos últimos 10 anos. O problema, claro, é mais antigo: mas uma década já faria diferença se o Estado estivesse estado presente, no seu sentido amplo, nestas comunidades.

Uma das dificuldades óbvias é a falta do governo federal. A cada crise, o governo oferece a Força Nacional.

A Força é para emergências e nós temos aqui uma rotina de uma complexa violência cujo pior ingrediente é o tráfico de drogas.

E o tráfico é responsabilidade do governo federal combater. É ele que tem que estar nas fronteiras secas e molhadas, é o aparato policial federal que tem que combater o tráfico. Aqui, as polícias Civil e Militar, além das funções de prevenção, policiamento e investigação, ainda acumulam o combate de uma verdadeira guerra contra o tráfico.

Em 2002, fui ao Morro dos Macacos com Rodrigo Baggio, do Centro de Democratização da Informática.

Lá, ouvi dos moradores a seguinte explicação para a geografia do drama local: a favela está sob o controle de um grupo de traficantes, cercada por traficantes rivais por todos os lados. Por isso vive em guerra. Sete anos depois, tudo igual.

Na primeira entrevista coletiva que deu no segundo mandato — cinco meses depois de reassumir — o presidente Lula disse o seguinte, quando perguntado sobre o assunto segurança: “Vamos colocar as coisas no seu devido lugar. A questão da segurança pública, o governo federal não é um foco principal, é uma força auxiliar de um sistema que é majoritariamente controlado pelos estados. O governo federal só entra quando é pedido.” Resposta errada.

Todas as instâncias de poder têm uma parte da responsabilidade, e o governo federal não é “auxiliar” no combate ao tráfico de drogas e armas, é o principal ator.

Está claro que está havendo um aumento do poderio das armas dos grupos de traficantes no Rio de Janeiro.

Como o Rio tem cerca de mil favelas, pelo menos trezentas delas ocupadas pelo tráfico de drogas através de três facções inimigas — e isso sem falar na milícia —, está havendo uma corrida armamentista na cidade. Só de 2007 para cá, as polícias do Rio capturaram 35 metralhadoras antiaéreas, fora as incontáveis granadas e fuzis.

Armas de guerra. Se está ocorrendo isso, as forças federais têm responsabilidade porque são elas quem têm que combater o tráfico de armas. Não é um favor ao Rio ou ato de solidariedade.

Há casos bem sucedidos nesse mar de fracasso que é a política de segurança pública do Brasil. Liguei ontem para o sociólogo Gláucio Soares para ver se ele me contava alguns desses bons casos, para amenizar essa coluna. Gláucio começou com uma frase forte.

“Passei as duas últimas semanas na prisão.” Deu uma pausa e completou: “pesquisando.” Foi na prisão de Caruaru, dirigida por uma mulher, Sirlene, onde ele encontrou um recorde: não há rebelião, ninguém quer ser removido, e há casos muito bem sucedidos de integração.

Uma das razões é a mobilização de empresas feita pela direção do presídio para o ensino de vários ofícios dentro da prisão, o trabalho remunerado, e a esperança de contratação na saída.

Há alguns casos de queda de criminalidade, de homicídios, mas há um sub-registro também. Segundo a Secretaria Nacional de Segurança Pública, menos de 20% dos crimes ocorridos chegam à Polícia para registro.

Isso dificulta a análise das estatísticas e penaliza os estados onde a população confia na Polícia.

O total de gastos realizados pelos governos estaduais em segurança pública subiu de R$ 24 bilhões para R$ 33,5 bilhões, de 2005 para 2008, mas os gastos federais são apenas 0,6% do Orçamento, segundo o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Pouco. Quase nada.

ANCELMO GÓIS

DEUS E A AIDS

O GLOBO - 20/10/09


O Ministério da Saúde anuncia quinta uma parceria com a CNBB para o combate à aids.
A igreja mobilizará suas pastorais para sensibilizar os fiéis sobre a importância do diagnóstico precoce. A parceria vai começar por cinco capitais: Manaus, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre e João Pessoa.
COISA DE PAÍS RICO
Veja como, às vezes, fica difícil provar ao Tio Sam que o Brasil é um País sério. Um coleguinha americano que vive aqui quis dar a um amigo brasileiro a edição em português de Codex 632, do lusitano José Rodrigues dos Santos.
Mas descobriu que, na língua dele, o romance custa US$ 14,99. Já na de Lula, R$ 57,90.
O AMOR É LINDO
Do senador Mão Santa, que fez 67 anos, em discurso, numa declaração de amor à mulher:
– Tenho apenas 40 anos. Só considero a vida depois que casei com Adalgisa. Antes, eu era um pé-de-pau, um gelo baiano, um poste, não tinha vida.
SILÊNCIO POR OITICICA
Sábado, Walter Carvalho, o badalado diretor, pediu um minuto de silêncio num evento em sua homenagem, em Laranjeiras, no Rio, pelo fogo que consumiu as obras de Hélio Oiticica.
Foi atendido.
TEM CULPA EU?
Aliás, não é verdade, como saiu aqui ontem, que Juca Ferreira ficou calado sobre o incêndio no acervo de Oiticica.
O ministro da Cultura veio, sim, a público para dizer que a culpa é da imprensa. Ah, bom!
O REI E OS POLÍTICOS
Roberto Carlos, na hora de marcar este show de sexta passada em Brasília por seus 50 anos de carreira, pediu para que não fosse de segunda a quinta.
O Rei queria evitar o assédio dos políticos, que, em geral, debandam da capital já na quinta-feira.
MAGOOU
O ministro Tarso Genro ficou chateado com o secretário de Segurança do Rio, José Beltrame, porque a polícia carioca atribuiu aos traficantes presos em Catanduvas, PR, as ordens para os ataques na cidade no fim de semana.
Ficou a impressão de que a intenção foi passar responsabilidade para a União.
NO MAIS...
Telejornais do mundo todo deram destaque às cenas do helicóptero da PM em chamas, derrubado pelo tráfico no Rio.
É como disse o editorial de ontem do Diário de Notícias, de Lisboa: “O Brasil está na moda por causa da economia, de Lula, do pré-sal, da Copa e das Olimpíadas. Mas, antes que o sonho vire pesadelo, deve vencer a questão da segurança pública”.
BOLETIM MÉDICO
Lulu Santos desmarcou todos os shows que faria nos próximos 30 dias.
O cantor teve hemorragia estomacal e foi internado no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro. Passa bem, já está em casa, mas terá de ficar longe dos palcos até a total recuperação.
PELADA DO CHICO
De Chico Buarque, gaiato, para um jovem bicão que pediu para jogar no Politheama, seu time de peladas no Recreio, no Rio:
– No meu time só joga artista, músico, pessoal da terceira idade e... Gay. Em qual categoria você se encaixa?

GOSTOSA

DORA KRAMER

Mais alto o coqueiro

O ESTADO DE SÃO PAULO - 20/10/09


A mais recente batalha da guerra do narcotráfico nos morros do Rio trouxe uma novidade além da demonstração do poderio - que não chega a ser nada de novo - dos bandidos no uso de armamentos antiaéreos na derrubada de um helicóptero da polícia: a imediata e forte repercussão (negativa) na imprensa internacional.

Notícias e análises em sua maioria evidentemente relacionando o episódio à realização da Olimpíada de 2016 na cidade.

Quase 20 dias após a vitória do Rio sobre Chicago, Madri e Tóquio, a credibilidade do Brasil para abrigar um evento daquele porte já é posta em questão. E pela simples exposição da realidade.

Nenhuma das ponderações e chamadas à responsabilidade das autoridades feitas na ocasião, e qualificadas pelo presidente Luiz Inácio da Silva de "azedume" da imprensa nacional, chegarão nem perto da cobrança que o País enfrentará daqui em diante.

Os problemas de segurança no Rio sempre renderam notícias. Agora tendem a virar manchetes.

Portanto, não há que se ignorar uma mudança de patamar. Para o bem e para o mal. Com os bônus e os ônus, cujo enfrentamento seria excelente que o poder público percebesse, afinal, que não é tarefa para um governo estadual.

Inclusive porque o problema é de caráter nacional. A briga deu-se na zona norte do Rio, mas a ordem para a invasão de um morro por facções inimigas partiu, segundo a polícia do Rio, de um presídio - note-se, de segurança máxima - localizado no Estado do Paraná.

No Rio, houve a cena, mas a produção e a direção do espetáculo ocorrem sem fronteiras. Internacionais, inclusive, como se concluiu pela natureza dos armamentos utilizados em combate. Vieram de algum lugar, entraram no País de alguma forma, são operados por ordem de presos sob custódia do Estado.

Problemática antiga, cuja solucionática se tornou inadiável. As novas responsabilidades impõem ao poder público algo diferente e mais eficaz que os costumeiros anúncios de liberações de verbas, ofertas de ajuda federal, envio de homens de uma Força Nacional que vai e volta sem alterar a situação, discussões inócuas sobre a participação das Forças Armadas, declarações sobre a necessidade de um esforço para a retomada dos territórios dominados pelo crime, muitas reuniões, mais polícia nas ruas, mudanças aqui e ali e volta ao compasso de espera até o episódio seguinte.

Desta vez, estão dizendo, as coisas passaram do limite porque foi derrubado um helicóptero da polícia. Como se as coisas não tivessem ultrapassado qualquer limite do suportável há muito tempo e não fosse esperado que piorassem, já que o crime se aperfeiçoa e o Estado fica parado no mesmo lugar como quem não compreende que é a soberania nacional o que está em jogo.

A incapacidade é deste governo, foi do mesmo tamanho no governo anterior e agora com a responsabilidade posta nas mãos do País de realizar uma Copa do Mundo e depois uma Olimpíada não pode continuar sendo, porque o mundo vai cobrar.

Nesta altura, o que e como fazer é o de menos. O essencial é a disposição real de se fazer sejam quais forem as dificuldades. Dinheiro, como informa a toda hora o presidente da República, não é problema.

Articulação política entre os Poderes - acaba de demonstrar o esforço pelas conquistas de 2014 e 2016 - também não.

Mais difícil, e aí talvez resida o nó, é a disposição para ocupar as mãos com uma obra que leva tempo, não rende dividendos políticos imediatos, demanda alterações de leis, produz conflitos, requer arbitragem e, sobretudo, coragem de mudar paradigmas.

Os dois últimos governos, na origem, formados por gente que fez política no combate à ditadura, não souberam ou não quiseram enfrentar a questão com pulso firme, provavelmente por constrangimento ideológico quando o assunto é repressão.

Se esforços e recursos semelhantes aos empregados por ambos no pagamento de indenizações a gente que combateu o crime político de lesa-democracia cometido pelo regime militar fossem investidos na luta contra o crime de lesa-soberania perpetrado há anos pelo narcotráfico cada vez com mais ousadia, ao menos uma saída o Brasil já poderia enxergar.

Se forem somados todos os planos já anunciados de combate ao crime chamado organizado, às vezes em que o governo federal ofereceu ajuda ao Rio, às ocasiões em que essa ajuda foi recusada, mais as declarações de indignação das autoridades, as promessas vãs e os inúmeros discursos de vanglória por ações pontuais, teremos um estoque de inutilidades de causar vergonha aos crédulos e aos céticos.

Mas não pensemos para trás. Olhemos para frente. Com a consciência de que da mesma forma como a realização da Olimpíada representa um enorme ganho não só para o Rio, mas para todo o País, a reorganização da Segurança Pública é um projeto de Brasil, para onde o mundo lançará um olhar cada vez mais rigoroso e menos tolerante para com exotismos locais.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Este episódio serviu de alerta”
CORREGEDOR DO SENADO, ROMEU TUMA, SOBRE O “EPISÓDIO” DA CUECA DE EDUARDO SUPLICY

GENRO E MANTEGA BANCAM ADAMS NA AGU
Os ministros Tarso Genro (Justiça) e Guido Mantega (Fazenda) já dão como favas contadas a nomeação do procurador-geral da Fazenda Nacional, Luís Adams, para substituir o ministro José Antonio Dias Toffoli, novo ministro do Supremo Tribunal Federal, na Advocacia-Geral da União. Só falta combinar com o presidente Lula, que é quem nomeia. Adams sofre grande rejeição interna na AGU.
UNANIMIDADE
Em Cabrobó (PE), há dias, Lula pilheriou quando soube que ali “apenas” 95% da população o aprova: “Quero saber quem são esses 5%”.
ARREGO
O tucano Luis Paulo Veloso Lucas pediu ajuda a José Serra para se reaproximar do ex-amigo Paulo Hartung, o governador capixaba.
CHURRASCO AMIGO
Lula recebe a bancada do PMDB nesta terça, na Granja do Torto, para discutir a vaga de vice na chapa presidencial de Dilma Rousseff.
JUROS ESTÁVEIS
Após cinco cortes, o Comitê de Política Econômica do Banco Central deve manter as taxas anuais de juros em 8,75%, pela segunda vez.
DILMA FAZ CAMPANHA ANTECIPADA, DIZ ESPECIALISTA
Só o Tribunal Superior Eleitoral não vê, nem parece interessado, mas para o especialista em Direito Eleitoral Antônio Augusto Mayer, “o fato público, notório e sistemático do presidente Lula e de seu grupo político anunciarem, de forma veemente, antes da convenção partidária, que a ministra Dilma é candidata, caracteriza propaganda eleitoral”. Mayer é autor do livro Reforma Política – inércia e controvérsias.
“COINCIDÊNCIA”
O jurista Antônio Augusto Mayer se impressiona com o fato de a Casa Civil aparecer em eventos onde a candidatura de Dilma é anunciada.
COM VANTAGEM
Antônio Mayer diz que “exposição ostensiva, em eventos de discutível necessidade, caracteriza vantagem”, prejudicando os adversários.
PREVI NO PREJU
Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, amarga um buraco de R$ 8 bilhões no patrimônio. São os que tentam aparelhar a lucrativa Vale.
MESA DE OPERAÇÃO
Francisco Mendonça, o “Mendoncinha”, e Cláudio Monteiro, o “Caco”, amigos íntimos do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), devem ser cirurgiões muito requisitados. Só são citados como “operadores”.
PAÍS DA IMPUNIDADE
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) escapou do processo por quebra de decoro, após envergonhar seus eleitores e emporcalhar o Senado ainda mais, desfilando na Casa de cueca vermelha sobre a calça.
“FORA DO EIXO”
Amigos Eduardo Suplicy (que admitiu haver ficado nu certa vez, no aeroporto de Zurique, enquanto balbuciava que era Jesus ou Karl Marx), garantem que ele estaria “fora do eixo” desde que acabou seu namoro. E a moça certamente aliviada por se livrar desse mala.
DILMA LÁ
Hilton Accioly, o autor da música Lula, lá, vai compor a música de campanha de Dilma Rousseff. Natural do Rio Grande do Norte, Accioly há anos trabalha no mercado de jingles comerciais em São Paulo.
COMPADRIO CONTRA O SENADO
Lula e Hugo Chávez estarão juntos, dia 29, para a colheita da primeira safra de soja venezuelana com uso de tecnologia brasileira. No mesmo dia, o Senado brasileiro discute o ingresso da Venezuela no Mercosul.
TERROR OUSADO
O ex-ministro do Superior Tribunal Militar Flávio Bierrenbach, recém-aposentado, recebeu ameaças de morte após defender até o uso da Lei do Abate para impedir que Mahamoud Ahmadinejad, presidente belicista do Irã, visite o Brasil ou circule em nosso espaço aéreo.
AMEAÇA DE CENSURA
Acusado de improbidade, o deputado José Riva foi afastado da presidência da Assembleia Legislativa do MT, mas tenta na Justiça silenciar os blogueiros Adriana Vandoni e Enock Cavalcanti, que denunciam suas malfeitorias. O caso está na 13ª Vara de Cuiabá.
DESCARTADO
Nem adianta Lula sonhar com isso: para o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), ser vice do governador Jaques Wagner em 2010 “soa tão absurdo quando pedir a Dilma para ser vice de José Serra”.
PERGUNTANDO EM HONDURAS
Quem vai dar asilo aos moradores do Rio, que têm um governo de facto (os traficantes) e um de direito?

PODER SEM PUDOR
PREGAÇÃO SEM VOTO
O falecido médico Francisco Simões, ex-prefeito de Petrolância (PE), assessorava Miguel Arraes, em 1989, e estava na reunião em que o então governador de Pernambuco, filiado ao PMDB, pediu votos para Lula. Ele quis saber se o chefe votaria mesmo no candidato do PT a presidente.
– Claro que não – respondeu Arraes.
– Mas o senhor não pediu votos para Lula?
– E daí? Pedi, mas não voto nele. Já pensou se na minha seção o Dr. Ulysses (candidato do PMDB) não tiver nenhum voto? Como vou ficar?

SUJEIRA

TERÇA NOS JORNAIS

- Globo: Para presidente do STF, Lula e Dilma antecipam campanha


- Folha: Justiça cassa 13 vereadores de São Paulo


- Estadão: Capital externo pagará 2% de IOF


- JB: "É preciso limpar a sujeira que traficantes impõem ao Brasil"


- Correio: Fila dupla só acaba onde a PM aparece


- Valor: Brasil perde a liderança em calçados na Argentina


- Jornal do Commercio: Recifense terá imposto do Brasil colônia

segunda-feira, outubro 19, 2009

GEORGE VIDOR

Batalha longa

O GLOBO - 19/10/09

Um dos rescaldos da crise internacional é a inflação continuar a ser vista como um dos maiores problemas da economia brasileira. Enquanto os índices de preços chegaram a ficar negativos pelo mundo afora, aqui resistiram bravamente acima de 4%, em média, para os consumidores, embora no atacado a Fundação Getulio Vargas tenha apurado deflação em suas pesquisas.

Não existe risco de escassez de alimentos ou de outros bens de consumo capaz de acelerar a inflação no atual horizonte. Tais produtos podem sofrer concorrência de importações e, além disso, são beneficiados por reduções de custos decorrentes de inovações tecnológicas ou ganhos de produtividade. Como no Brasil ainda há tantos obstáculos para se produzir, quaisquer burocracia que desaparece do caminho, melhora na infraestrutura ou redução de juros e tributos acabam tendo um tremendo impacto na cadeia produtiva.

Nos serviços não há a mesma concorrência externa e a remoção de obstáculos causa menos efeito positivo do que na indústria ou na agropecuária. O setor de serviços é também muito pressionado por aumento de salários.

Como os salários no Brasil ainda estão longe de alcançar um patamar que esteja próximo da estabilização (as negociações entre patrões e empregados já não ocorrem a partir de percentuais irrealistas, mas a queda de braço sempre gira em torno de aumentos reais, bem acima da inflação), a corrida entre eles e os preços se mantém, e se realimenta via indexação.

Indexação que, por sinal, está presente também nos contratos de aluguéis, nas tarifas de serviços públicos concedidos, tendo como vantagem, em relação aos tempos de inflação galopante, o fato de as revisões serem anuais. Diga-se de passagem que, por lei, os salários são hoje negociados livremente (com exceção do mínimo), geralmente com base em acordos coletivos de trabalho.

Os dirigentes do Banco Central acreditavam que quando a inflação caísse para menos de 5% ao ano essas pressões sobre os preços diminuiriam significativamente e a barreira psicológica, que põe todos de pé atrás diante desse tema, perderia força. No início do ano que vem a inflação, medida pelo IPCA, deve recuar para 3,9%. Mesmo assim, no mercado financeiro há quase um consenso entre os analistas sobre uma possível alta nos índices de preços, impulsionados pelo aquecimento da economia, em 2011, o que obrigaria o BC a elevar os juros básicos novamente para dois dígitos (a previsão chega a 11,25%).

É pena. Somente a própria trajetória da inflação nos próximos meses será capaz de desarmar essa expectativa negativa para 2011. Ao menos por enquanto, o Banco Central (que reúne esta semana o Comitê de Política Monetária) não se mostra ainda sensibilizado por tal temor.

A batalha contra a inflação ainda será longa.

Em 1995, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) definiu como meta, baseado em estudos iniciados três anos antes, transformar o gás natural na terceira fonte da matriz energética brasileira. Na época, o objetivo traçado (reafirmado posteriormente no Plangás, da Petrobras) era ampliar de 3% para 12% a participação do gás na matriz, perdendo apenas para o petróleo e para a energia gerada em usinas hidráulicas.

No ano que vem essa percentual provavelmente estará em 11%, a um passo da meta. Como o gás tem contribuído para substituir outros combustíveis mais poluentes ou que levem ao desmatamento, esse será mais um trunfo que o Brasil poderá apresentar na conferência de cúpula sobre mudanças climáticas em Copenhague (Cop-15)

Por conta dos Jogos Olímpicos de 2016, o Rio receberá R$7,4 bilhões de investimentos além dos que precisariam ser feitos se o evento não viesse a ser realizado na cidade. Com ou sem os Jogos, o Rio necessitaria de pelo menos R$15 bilhões em investimentos nesse período para melhoria de sua infraestrutura e segurança.

Os cálculos são da secretaria estadual de Fazenda. Pelo orçamento do Comitê Olímpico, as despesas operacionais dos Jogos em si serão da ordem de R$5,6 bilhões, dos quais R$3,6 bilhões desembolsados no próprio ano de 2016. Governo federal, Estado e Prefeitura do Rio entrarão, cada qual, com R$461 milhões, se as receitas com patrocínio, licenciamentos e venda de ingressos não superarem o que está orçado. O Comitê Olímpico Internacional entrará com R$1,2 bilhão.

A crise pode estar chegando ao fim na economia mundial (já não há quem esteja à espera de nova hecatombe), mas, como gatos escaldados, os chamados países emergentes não param de acumular reservas cambiais. Na recente reunião de Istambul, a cúpula do Fundo Monetário Internacional propôs aos bancos centrais que o FMI assuma esse papel, preparando-se para financiar desequilíbrios temporários nas contas externas de economias que percam o acesso a mercados. A proposta não deve prosperar. Brasil e China, por exemplo, continuarão a acumular reservas em moeda estrangeira, para evitar que o real e o yuan se valorizem excessivamente. No caso brasileiro, as reservas provavelmente atingirão o patamar de US$250 bilhões no início de 2010.

ALBERTO TAMER

O problema não é o dólar


O Estado de S. Paulo - 18/10/2009

Em meio a tantas notícias desencontradas que surgem todos os dias, um fato vem sendo deixado em segundo plano: a economia vai bem, muito bem, bem até demais. Há riscos, sim, já apontamos alguns, mas ainda estão distantes e podem ser evitados, se o governo quiser.

Está surgindo em Brasília uma nova discordância entre o presidente e a equipe econômica. Lula e o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, querem continuar mantendo os incentivos ao consumo. A Fazenda, não: já custaram R$ 25 bilhões, R$ 400 milhões só na linha branca.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o do Planejamento, Paulo Bernardo, temem pelo equilíbrio fiscal. Afinal, os cofres do governo estão vazios e o caixa do Tesouro não é a "casa da Maria Joana" de onde só sai mais e entra menos dinheiro.

Mas Lula insiste. Podem repor o Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) dos carros, mas linha branca e outras medidas voltadas para as famílias de baixa e média renda, não. Aí, não se mexe. Afinal, não foram as classes C e D que sustentaram o aumento do consumo e, de certa forma, a economia quando o mundo todo desabava, pergunta ele. Deixem elas em paz.

É coisa de "economia elementar"? Até pode ser, mas não é isso mesmo que Barack Obama está fazendo nos EUA, ainda sem muito resultado? Não deu cheques, dinheiro vivo, devolveu imposto às famílias que ganham menos, para que consumissem mais? Só que, como deviam muito, elas preferiram pagar a consumir ou guardar em vez de gastar.

E O DÓLAR?

Lá vem ele de novo. Está derretendo? Não, só desmilinguindo, afogado pela avalanche de investimentos estrangeiros. Os gringos chegaram e estão vindo com tudo. Até os fundos das velhinhas americanas aposentadas estão aplicando no Brasil!

É tanto dinheiro e entusiasmo com a gente que o ministro da Fazenda está perdendo o sono...

CAUSA, NÃO EFEITO

Mas a desvalorização do dólar não é causa, é consequência do crescimento brasileiro, que contrasta com o desânimo geral nos países mais ricos, aqueles do G-7 que está virando agora não se sabe que "G". A causa está na boa performance do sistema financeiro e da economia, no equilíbrio das contas públicas, mesmo que ainda relativo. A casa está em ordem. Eles estão vindo porque confiam em nós mais do que nos países chamados de "desenvolvidos".

É SERIO? ATÉ QUANDO?

A pergunta se repete diariamente nas manchetes dos jornais e nos noticiários da TV. Até aonde o real pode continuar se valorizando? Affonso Celso Pastore e Maria Cristina Pinotti analisam com cuidado essa questão, em artigo de sexta-feira no no Valor. Vão às causas não ao efeito. E a causa principal não é o ganho obtido com a diferença de juros no Brasil e no mercado internacional. É no crescimento e na estabilidade da economia brasileira nos últimos anos. Eles assinalam um fato pouco lembrado pelos analistas e a imprensa: "Os investimentos estrangeiros líquidos no Brasil nos últimos 12 meses acumularam US$ 35 bilhões, superando a cifra bruta do auge do programa de privatizações no governo FHC, crescendo durante a crise".

ANTES ERA SÓ CRISE CAMBIAL

"O Brasil sai da crise internacional com o sistema bancário intacto, com a capacidade de reagir (à crise) usando medidas contracíclicas e pronto para aumentar o consumo, que já vem crescendo", afirmam os economistas.

Nas últimas décadas, quando a economia não inspirava confiança, e a moeda local desvalorizava, os investimentos não só não entravam, como saiam em roldões, havia desvalorização da moeda local e crises cambiais. Agora, não. Os investimentos externos entram sem parar com as nossas empresas, e até o governo, indo buscar lá fora dinheiro que para outros escasseiam. Resultado, o déficit em conta corrente é inevitável. E lá vai o dólar ladeira a baixo até que tudo se reequilibre novamente. Dificilmente voltará aos níveis anteriores à crise.

E DAÍ?

Daí, que o perigo não está só na desvalorização do dólar, por mais que seja dolorosa para os exportadores. E qual é o perigo? Crescer de forma inconsistente, baseado principalmente em incentivos à demanda; é crescer além da capacidade de produzir e manter por muito tempo estímulos fiscais dispensáveis. Eles foram oportunos para superar a recessão, mas podem provocar um aquecimento excessivo da economia.

MAS CADÊ O EQUILÍBRIO?

O governo tem de encontrar um certo equilíbrio entre demanda, produção, contas públicas, entre outros fatores, que quase sempre afetam os juros. Este, sim, é o papel do Estado e não criar empresas para produzir mal o que o setor privado pode produzir bem.

O presidente e a equipe econômica se encontram exatamente nesse ponto. Quando parar a política anticíclica ou recuar? Lula quer mais, Mantega e Paulo Bernardo, menos. Quem sabe eles chegam a um acordo de desativar aos poucos o mecanismo de combate à crise. Mas até agora, parece que não... E daí? Daí, meu caro leitor, que por enquanto nada disso é grave demais a ponto de tirar o nosso sono.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

ANCELMO GÓIS

Sala vazia

O GLOBO - 19/10/09


As escolas privadas vêm perdendo alunos no Rio.
A Pnad mostra que, de 2001 a 2008, o número de matriculados no ensino médio particular caiu 17%, enquanto na rede pública aumentou 21%. A proporção de alunos da rede privada passou de 29% para 22% do total.

Liquidação

Luciano Cavalcanti de Albuquerque, descendente da condessa de Belmonte e dono da maior coleção de cartas da Princesa Isabel e de sua irmã Leopoldina, procura um comprador para o tesouro.
O lote inclui correspondências e documentos raros de Dom Pedro I e Dom Pedro II.

Prazer, sou Furnas

O mercado publicitário está agitado com uma concorrência de R$20 milhões de Furnas para escolher a agência cuja missão será popularizar o nome da empresa.
A elétrica, diz o edital, quer ficar "mais conhecida" do povão.

Retratos da vida

Agora que a festa pelos Jogos passou, veja como é dura a realidade olímpica brasileira.
Aline Rodrigues, 13 anos, nadadora do Botafogo, recordista brasileira infantil e promessa para 2016, está sem competir porque seu maiô especial rasgou. O pai, pedreiro, e a mãe, doméstica, não podem pagar R$1.200.

No mais

Alguém aí ouviu a voz do ministro da Cultura, Juca Ferreira, na tragédia cultural que foi o incêndio que destruiu o acervo de Helio Oiticica?

Me dá dinheiro aí

A turma do cinema anda preocupada com o atraso no pagamento do Fundo Setorial do Audiovisual.
Ancine e Finep divulgaram em agosto os filmes contemplados com patrocínio, mas, até agora, ninguém viu a cor do dinheiro.

O COMPLEXO DE FAVELAS que abraça a Igreja da Penha, cartão-postal do Rio suburbano, deve ganhar, até dezembro, obras do PAC, coordenadas por Luiz Pezão, vice de Cabral, e orçadas em R$600 milhões. Veja algumas reproduções do projeto, que prevê museu, cinema, área de convivência, jardim e escola de arte num espaço sobre a linha férrea. É prevista ainda uma área para comércio, ligada à estação de trem, com elevadores e escadas rolantes entre os dois lados da linha. Uma passarela na Rua dos Romeiros, sobre a Avenida Brás de Pina, encurtará o caminho até o Parque Shangai, onde está a entrada da Igreja da Penha. Que a santa permita a conclusão das obras, tão importantes para o nosso Rio

Mercado vive

O furacão nos mercados em 2008 fez muita gente dizer que o neoliberalismo tinha morrido. Há quem discorde.
Relatório apresentado na reunião do FMI em Istambul pela Comissão sobre Crescimento Mundial, dos prêmios Nobel Michael Spence e Robert Solow, diz que a crise não foi fracasso da economia de mercado. É. Pode ser.

Catavento parado

A Siif Énergies espera há um ano o o.k. do Ministério da Defesa para iniciar, em Arraial do Cabo, RJ, as obras do Parque Eólico Quintanilha Machado, o maior da América Latina, orçado em R$700 milhões.
A Siif Énergies é brasileira, mas tem três sócios americanos.

Lá e cá

Pesquisa do Gallup nos EUA mostrou que 74% lá acham que a violência no país aumentou em 2009.

Deve ser terrível... você sabe.

O ministro Luís Felipe Salomão faz palestra hoje na Emerj.

Paulo dos Santos, presidente do Conselho estadual dos Direitos do Negro, apresentou agenda única Rio Zumbi 2009. O programa começa dia 5 com o projeto Sal Cultural.

Paulo Baía faz hoje palestra na Universidade Católica de Salvador.

A Onodera Estética adquiriu o Powershape.

O jornalista Mário Augusto Jakobskind recebe hoje o título de Cidadão Ilustre de Montevidéu.

A Myth abriu loja no Via Parque.

O Solar Meninos de Luz, que conta com apoio do Studio Valoarte, ganhará sala de dança no Pavão/Pavãozinho.

Bença, vô

Mestre Zuenir Ventura se desfiliou do MSN (Movimento dos Sem Netos), integrado também até há pouco por outro mestre, o nosso Verissimo.
Nasceu Alice, 45cm, 2,44kg, filha dos coleguinhas Mauro Ventura e Ana Rodit. Que seja feliz!

A guerra do Rio

Sexta à noite, em frente à Plataforma, no Leblon, a DJ Scarlet, conhecida das festas da Zona Sul do Rio, por pouco não foi atingida por um tiro disparado por um menino de uns 14 anos.
Scarlet estava no carro quando, sem nada dizer, o garoto chegou e deu o tiro, que atravessou dois vidros laterais da frente de seu Eco Sport. Fez isso e levou sua bolsa. Meu Deus...

Rio 2016

Quarta, no Jardim Botânico, no Rio, Sérgio Cabral vai presidir a formatura de 40 presos de regime semiaberto que fizeram um curso de 1.100 horas na Cedae para trabalhar no replantio de 3 milhões de árvores no estado.

Pista dupla

Eduardo Paes diz que vai duplicar a Avenida Salvador Allende, na Barra.

País do telegolpe

Quinta, um diretor da Globosat recebeu uma ligação de um telegolpista. Deu-se o diálogo:
- Alô! A Telemar e a TV Globo sortearam o senhor para um prêmio!
- Meu amigo, a Telemar mudou de nome faz tempo... Agora é Oi. E a Globo não faz esse tipo de promoção.
- Ah, o senhor acha?
- Não acho. Eu sei. Vai procurar outro otário...

MARCELO DE PAIVA ABREU

Viciados em voo de galinha

O Estado de S. Paulo - 19/10/2009


Tornou-se corriqueira a incitação semipatriótica a "agregar valor". Pode ser com referência às exportações, quase sempre envolvendo crítica ao peso "excessivo" de produtos primários na pauta de exportações. Pode ser mero início de argumento em defesa de substituição de importações. Neste caso, é parente próxima do "adensamento de cadeias produtivas", neologismo abstruso que andou assolando o BNDES tucano. A palavra que necessariamente acompanha a defesa de "agregação de valor"ou "adensamento de cadeia produtiva" é subsídio em algum formato.

É difícil encontrar quem não queira, em tese, "agregar valor" a cadeias produtivas, inclusive de exportações. Se isso não ocorre, não é por falta de patriotismo, é porque o cálculo econômico privado indica que tal procedimento não seria justificável. É claro que sempre haverá um nível de subsídios que tornaria a "agregação de valor" rentável do ponto de vista privado. O problema é que os subsídios correm à conta da taxação de contribuintes que não são beneficiados pela "agregação de valor". A única justificativa razoável para subsidiar atividades que agregam valor e não são empreendidas pelas empresas é quando há falhas de mercado, quando ocorrem divergências importantes entre custos e benefícios privados e sociais. Exemplo claro é a geração de conhecimentos científicos e tecnológicos. Dadas as dificuldades notórias que enfrentam as empresas inovadoras quanto à apropriação dos benefícios gerados por suas inovações, faz sentido que o Estado subsidie tais atividades, estimulando a geração de inovação. Cabe ao Estado aprimorar a sua pontaria para subsidiar futuros sucessos e minimizar os insucessos. E, também, ter solidez institucional para assegurar que os subsídios não sejam uma crônica transferência de recursos para alguns bem-aventurados.

Há, no País, uma tradição de desconfiança quanto à dependência "excessiva" da exportação de commodities. Isso explica a ênfase, muitas vezes injustificada, na "agregação de valor" a qualquer custo. Na década de 1920 a exportação de minério de ferro foi bloqueada pelos que julgavam que o minério deveria ser processado por grande siderurgia a ser instalada em Minas Gerais. Atrasou-se por décadas a consolidação do Brasil como exportador de minério de ferro. O golpe militar em 1964 ensejou o abandono do modelo autárquico no que diz respeito ao estímulo às exportações, embora mantivesse o mercado doméstico bastante fechado às importações. Paralelamente, a farta distribuição de subsídios, bem além de simples rebates fiscais, alterou a pauta de exportações do Brasil, com o aumento da participação de manufaturados. Essa nova estrutura virou paradigma inquestionável.

Na década de 80, quando a crise fiscal cum quase hiperinflação inviabilizou a cornucópia de subsídios, começaram a surgir dúvidas quanto à estratégia econômica brasileira, explicitados por Roberto Simonsen no debate com Eugênio Gudin: forte presença do Estado e autarquia. No final da década, a estratégia econômica começou a se reorientar rumo à abertura comercial, ao alinhamento dos estímulos às exportações às regras multilaterais, à redução do papel do Estado com a privatização de empresas estatais. Juntamente com o sucesso da estabilização em 1993-94 estavam lançadas as bases para começar a superar a estagnação econômica. O presidente Lula, no seu primeiro mandato e em parte substancial do segundo, teve o mérito de sustentar essa estratégia, ampliando o escopo das políticas de redistribuição em benefício das camadas mais pobres da população. Sua enorme popularidade decorre da convergência de fatores políticos - homem do povo, líder sindical, político astuto - com o sucesso na esfera econômica, mesmo que com políticas ao arrepio do jacobinismo petista.

Essa visão otimista - e que justificaria as loas que o Brasil e o presidente vêm merecendo de analistas internacionais - requer uma revisão profunda. Uma sucessão de episódios recentes tem revelado um Lula eleitoreiro e populista em detrimento do Lula presidente, estadista e consolidador da democracia.

A pré-campanha eleitoral da ministra Dilma Rousseff e a atuação do presidente da República como seu cabo eleitoral, utilizando a máquina pública sem pejo, conflita com qualquer interpretação razoável do que seja a separação entre interesses de governo e interesses partidários. O ataque ao Banco Central, acusado de terrorismo pelo Ministério da Fazenda, por sublinhar os problemas óbvios gerados pelo explosivo aumento de gastos públicos - que não foi desautorizado pelo Planalto -, indica a erosão da política macroeconômica prudente. As peripécias relacionadas ao pré-sal indicam retrocesso quanto aos limites do papel do Estado, ao uso da política de compras públicas e à separação dos interesses dos contribuintes e dos acionistas da Petrobrás. Se houvesse dúvidas, Dilma Rousseff esclareceu-as: enrolada no "verde louro desta flâmula", arrogou-se o monopólio do patriotismo em defesa do nacionalismo, do estatismo e do protecionismo. A recente interferência do governo na Vale envolve outros retrocessos: quanto ao papel dos fundos de pensão de empresas públicas, quanto a formas de atuação do governo na gestão nas suas relações com empresas privadas, quanto a visões toscas sobre o mix de produção da empresa.

Tudo leva a crer que essas ações façam parte de plano para que o Brasil, a partir de 2011, retome o seu habitual voo de galinha, só que com um pouco mais de inflação.

*Marcelo de Paiva Abreu, Ph.D. em economia pela Universidade de Cambridge, é professor titular do Departamento de Economia da PUC-Rio

GOSTOSA


SERGIO FAUSTO

Os perigos do triunfalismo


O Estado de S. Paulo - 19/10/2009

Embalado por uma sequência de notícias positivas, o Brasil respira um clima de otimismo. A retórica do presidente e a propaganda do governo tratam de lhes dar a mais ampla repercussão e extrair-lhes o máximo simbolismo possível. A mensagem subliminar ecoa o velho "ninguém segura este país", bordão repetido ad nauseam nos tempos do "milagre brasileiro" e da ditadura militar. Há boas e sólidas razões para ser otimista no Brasil de hoje. Não menos sólidas, porém, são as razões para evitar o triunfalismo, tanto mais quando surge acompanhado da revalorização anacrônica do Estado empreendedor.

Copa do Mundo em 2014 e Olimpíada em 2016, quem pode torcer o nariz? Daí a dizer, como disse o presidente, que não há que se preocupar com os gastos, pois todo o centavo utilizado será investimento, vai uma enorme distância. A fala presidencial mostra o primeiro perigo do triunfalismo: o de gastar além da conta e, pior, gastar mal.

O horizonte de médio prazo para as contas públicas tem nuvens, formadas por um acúmulo de decisões recentes do governo federal que implicam aumento permanente nos gastos correntes, em especial com pessoal. A redução da meta de superávit primário neste ano até se justifica, mas acomoda uma tendência à expansão dos gastos que dificilmente será revertida em 2010, deixando todo o eventual esforço fiscal adicional, em ano eleitoral, do lado da receita, que vem demorando a reagir à melhora da economia. Ao que tudo indica, do Congresso, com o beneplácito do Executivo, virão em breve novas pressões estruturais sobre o gasto, especialmente na área da Previdência.

É à luz desse quadro, ao qual se somam vários investimentos e projetos de investimento que disputam espaços cada vez mais exíguos no orçamento público, que se devem analisar os desafios representados pela realização dos dois maiores eventos esportivos globais no intervalo de apenas dois anos. Alguém supõe que a iniciativa privada será capaz de realizar os investimentos necessários? Existe quem creia que não serão imensas as pressões para que o investimento público não apenas tome a dianteira, mas também cubra toda e qualquer lacuna deixada pelo investimento privado? Pode haver quem pense que devamos nos despreocupar com o risco de que os cofres públicos tenham de derramar montante muito maior do que o inicialmente estimado, por força da urgência dos prazos, do "compromisso" com a imagem internacional do País e do jogo dos muitos e poderosos interesses mobilizados? Devemos acreditar piamente que, por exemplo, todos os investimentos para modernizar e, em alguns casos, ampliar os já superdimensionados estádios brasileiros respondam aos melhores interesses do País?

Outro perigo do triunfalismo é acreditar ser possível promover com igual empenho todos os projetos em tese "estratégicos" para o desenvolvimento: fabricaremos submarino a propulsão nuclear, enriqueceremos urânio para uso próprio e exportação, reequiparemos as Forças Armadas, reergueremos a indústria naval, iremos de São Paulo ao Rio num trem-bala, daremos saltos em vários campos da ciência e da tecnologia, construiremos 1 milhão de moradias, universalizaremos o acesso à banda larga, colocaremos todos os jovens no ensino médio, a cada cerimônia oficial se acrescenta mais um item à lista de objetivos governamentais. Grande parte deles tem mérito. Falta, porém, discussão mais profunda, com a sociedade e no Congresso, sobre as prioridades. Maior ainda é a falta de gestão para transformar objetivos em resultados, donde a distância colossal entre a retórica e os fatos. A esse respeito, nada mais exemplar que o episódio recente do Enem, em que o propósito de ampliar rapidamente seu alcance não encontrou correspondência em cuidados mínimos com a segurança na impressão e estocagem das provas, o que permitiu a uma dupla de mequetrefes roubá-las, escondendo-as debaixo das roupas (as de cima e as de baixo).

Dado que os recursos são finitos, por maiores que sejam as asas da nossa expectativa em relação às ainda longínquas receitas futuras do pré-sal, é preciso discutir a sério o que mais nos interessa (ter submarino a propulsão nuclear ou melhores professores, por exemplo?). Nem sempre as respostas são óbvias e fáceis, mas é preciso enfrentar as perguntas. O triunfalismo nos cega para a importância das próprias perguntas.

O terceiro perigo do triunfalismo é despertar reações negativas de quem tem razões, subjetivas que sejam, para temer o nosso "triunfo". Perde-se com isso capital de confiança e capacidade de influência, de um lado, sem o correspondente acréscimo de poder real, de outro. Isso porque o triunfalismo se caracteriza justamente por nos fazer parecer mais do que na verdade somos e podemos. É nas relações do Brasil com os nossos vizinhos que esse perigo aparece de forma mais clara. Não por acaso, veio de um ex-presidente do Uruguai, Julio María Sanguinetti, em artigo publicado no jornal argentino La Nación, em 2 de outubro, a primeira advertência explícita sobre os riscos do triunfalismo brasileiro. Não nos iludamos: por maior que se tenha tornado a assimetria econômica entre o Brasil e os demais países da América do Sul, as nossas possibilidades de projeção global dependem da nossa capacidade de exercer um papel de moderação política e promoção do desenvolvimento em nossa vizinhança.

Os perigos do triunfalismo não se limitam, porém, ao nosso entorno imediato. Eles podem contaminar tolamente as nossas relações com os países centrais, em especial os Estados Unidos, na sensível área da energia nuclear, na qual, de quando em vez, temos os nossos arroubos de arrependimento por havermos assinado (tardiamente) o Tratado de Não-Proliferação Nuclear.

É hora de pôr a bola no chão. Não para cair na retranca, mas para podermos jogar o nosso melhor jogo. E vencer os muitos desafios que temos pela frente.