sábado, setembro 26, 2009

AMERICA DA BOSTA

CLAUDIO DE MOURA CASTRO

REVISTA VEJA
Claudio de Moura Castro

A arte de governar

"A história classifica como estadistas aqueles que perceberam
as reais necessidades do país, assumiram o risco da impopularidade
no curto prazo, mas souberam vender suas ideias com sucesso"

Nas democracias, o governo cumpre os desígnios dos cidadãos. O povo diz o que quer, o governante executa. Parece uma receita infalível. Mas será? Em cidade relativamente próspera de Minas Gerais, uma pesquisa de opinião mostrou que três quartos dos jovens reclamavam da falta de diversões. Apesar de os esgotos serem jogados in natura nos córregos, nem mesmo entre os adultos houve reclamações quanto à falta de tratamento de efluentes. Sabidamente, esse é o investimento que mais faz cair a mortalidade infantil. O que deve fazer o prefeito? Esgotos que salvam vidas ou espetáculos de música sertaneja que trazem votos?

Um livro recente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Understanding Quality of Life, mostra abundantes estatísticas sobre o que os latino-americanos mais valorizam. Nelas fica claro o conflito entre o que as pessoas querem e o que é necessário para garantir um futuro promissor para o país. Pesquemos alguns temas do livro. As pessoas querem medicina de alta tecnologia e atendimento hospitalar. Contudo, a saúde pública preventiva é mais barata e evita as doenças. Verificou-se também que o estado de saúde das pessoas pouco se associa com as suas percepções de saúde. No Brasil, pobres e ricos estão igualmente satisfeitos com os serviços de saúde. Mas sabemos serem piores para os pobres. Nos países mais ricos da América Latina, há mais contentamento com a situação da saúde. No entanto, quando o país cresce, baixa essa satisfação. Não dá para entender. No Brasil, 65% dos entrevistados estão satisfeitos com a educação. Somente os mais educados percebem como ela é ruim. De fato, sabemos ser péssima a sua qualidade: último lugar no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) de 2001. Ainda pior, entre 1980 e 2000, em um grupo de 35 países, o Brasil foi o que mais recuou de posição.

Ilustração Atômica Studio


Na área econômica, as percepções também estão desalinhadas com a realidade. Mais renda se associa a mais satisfação. Até aqui, vamos bem. Mas o crescimento econômico traz desagrados. Entre outras coisas, requer mudança de políticas, reformas e outros sustos, mais temidos do que a pobreza. Apesar de o desenvolvimento econômico acabar beneficiando os pobres, são eles que mais resistem às mudanças. Ademais, têm uma opinião mais ingênua acerca da competência do governo. Nessa área, entra em cena um mecanismo maldito. As aspirações crescem mais rápido do que a renda.

Em suma, os governados indicam aos governantes algumas prioridades incompatíveis com o progresso. Pensam no curto prazo e são consumistas impenitentes. Dizem que querem sistemas de saúde mais caros (e mais ineficientes). Querem conforto nas escolas e desdenham mais aprendizado. Não querem as reformas econômicas imprescindíveis para crescer.

A reação mais imediata diante dessa miopia nas preferências é perguntar se não seria a melhor receita um governo autoritário, do tipo "déspota esclarecido". Contudo, como Churchill nos advertiu, a democracia é um péssimo sistema de governo, com a agravante de que não há outro melhor. A experiência com déspotas de todos os sabores não mostra um bom registro histórico. Quando acertam aqui, acolá cometem um erro mais estrondoso. Não é por aí. Temos de insistir nos acertos capengas que nos oferece um sistema democrático e na tentativa de esclarecer a opinião pública.

Os governantes se equilibram em um terreno resvaladiço. Se tentam oferecer o que trará mais progresso e desenvolvimento, sem ouvir o povo, arriscam-se a perder sua popularidade e, com ela, seu poder de implementar reformas. Podem acabar execrados e sem reformas (veja-se Jimmy Carter). Governos populistas fecham as portas para o futuro se jogam confete ao povaréu ou alimentam seus anseios imediatistas. Os exemplos latino-americanos estão nos jornais. Em contraste, governantes bem-sucedidos não perdem a ressonância com a sociedade, mas negociam também uma agenda de futuro.

A história classifica como estadistas aqueles que perceberam as reais necessidades do país, assumiram o risco da impopularidade no curto prazo, mas souberam vender suas ideias com sucesso. Na teoria, a receita é simples: visão, coragem e liderança. A pílula pode ser amarga. Churchill jogou pesado quando ofereceu aos ingleses apenas "sangue, suor e lágrimas". Mas ganhou. Pena que não adianta colocar um anúncio classificado do tipo "Precisa-se de um estadista"..

PAINEL DA FOLHA

Jogo de espertos

RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 26/09/09


Para tranquilizar seus futuros correligionários, Henrique Meirelles disse ao PMDB que se dará por satisfeito concorrendo ao Senado. Esse, porém, jamais foi o plano do presidente do BC, que, em diferentes momentos, cogitou ser candidato a: a) presidente; b) vice na chapa de Dilma Rousseff; c) governador de Goiás. Nada indica que tenha enterrado os três projetos. Apenas dá tempo ao tempo.
É a mesma tática do PMDB, que marca um ponto ao filiar Meirelles, mas não tem a menor intenção de lhe entregar ‘a’ (com ou sem Dilma no páreo), ‘b’ (a vaga é de Temer e ninguém tasca) ou mesmo ‘c’ (bem posto nas pesquisas, Íris Resende por enquanto mantém firme a intenção de disputar o governo).

Terreno na Lua - Sobre a opção de não ser candidato a nada e permanecer num próximo governo petista, também cogitada para Henrique Meirelles, vale lembrar o que Lula disse recentemente ao cobrar resultados de seus ministros da área social: “Vocês têm mais um ano para mostrar serviço. Ninguém aqui vai ser ministro da Dilma”.

Mão única - De Lula ontem aos jornalistas, sobre o ingresso de Meirelles no PMDB: “Vocês estão sabendo mais do que eu. Ultimamente, eu só sei quem sai do PT”.

Porta fechada - Com a ida de Meirelles para o PMDB, ruiu a tentativa de apoio do DEM ao presidente do BC, que estava sendo costurada por intermédio do PP do governador Alcides Rodrigues.

Por conveniência - Sem Meirelles, o DEM terá de passar por cima das divergências entre Ronaldo Caiado e Marconi Perillo e apoiar o tucano para o governo. O palanque repetiria a aliança nacional.

Escada - A associação dos correspondentes estrangeiros no Brasil aproveitou entrevista com Dilma Rousseff, ontem em São Paulo, para pedir que a ministra levasse a Lula o pleito de recebê-los para uma coletiva, algo inédito na agenda do presidente.

Tempo real - Depois do sucesso do PV com a transmissão pela internet da filiação de Marina Silva, o PSDB utilizará o recurso no evento que reunirá hoje em Natal a dupla José Serra-Aécio Neves.

Adesões - A lista de filiações de última hora ao PSDB inclui o ex-ministro do Supremo Maurício Corrêa e o ex-governador da Bahia Nilo Coelho, que deixa o PP. Ambos devem tentar vaga na Câmara.

Quem quer pão? - O governo de Minas fechou contrato para fornecimento de pães. Para o Mangabeiras, residência oficial de Aécio Neves, serão 82 por dia. Trabalham no palácio 77 pessoas, entre civis e militares.

Bumbo - Um batalhão de prefeitos irá a Brasília, na segunda, prestigiar a posse de Alexandre Padilha, subchefe de Assuntos Federativos da Casa Civil, como ministro das Relações Institucionais. “Ele terá o nosso apoio nesse novo desafio”, diz João Coser (PT), de Vitória, presidente da Frente Nacional de Prefeitos.

Senatur 1 - Técnicos do Senado levaram à Mesa Diretora o relato de mais um descalabro administrativo: os gastos das missões oficiais ao exterior. Nessas viagens, os senadores costuma se fazer acompanhar de equipes de TV.

Senatur 2 - O atual campeão de gastos no exterior é Magno Malta (PR-ES). Na condição de presidente da CPI da Pedofilia, o senador fará em breve sua segunda viagem ao Egito. Instalada em maio do ano passado, a comissão já foi prorrogada três vezes e deve terminar apenas em maio de 2010. Malta é candidato à reeleição.

Liga pra mim - O levantamento de gastos das missões ao exterior identificou contas telefônicas de assessores no patamar de R$ 5.000.

Tiroteio

Sarney deveria ter autonomia para agir como presidente do Congresso, e não como despachante do Planalto ou dos sem-terra.

Do deputado RONALDO CAIADO (GO), líder do DEM, sobre a demora do presidente do Senado em instalar a CPI do MST.

Contraponto

Cara pálida

A Câmara debatia na semana passada a reforma eleitoral, quando Miro Teixeira (PDT-RJ) pediu a palavra para defender a manutenção de emenda vinda do Senado que exigia “idoneidade moral e reputação ilibada” de todos os candidatos - no final derrubada pelos deputados.
- Veja, não se está pedindo nada demais. Esta exigência obviamente já foi atendida por absolutamente todos os que aqui se encontram...
Ao contrário do que o deputado esperava, seu comentário foi recebido pelo plenário com absoluto silêncio. Até que alguém sussurrou para o pedetista:
- Menos, Miro, menos...

GOSTOSA


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DORA KRAMER

Azeite, não é meu parente

O ESTADO DE SÃO PAULO - 26/09/09


Na noite de quinta-feira, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, Eduardo Azeredo, disse na televisão que falou com o chanceler Celso Amorim sobre a crise em Honduras e ficou “tranquilo”. Azeredo só não é o único, porque a maioria de seus pares no Parlamento também parece bastante sossegada, alheia até. Aliás, como de resto se mantém indiferente aos assuntos importantes para o País, ocupada que está em assegurar cadeiras extras para 7.700 vereadores Brasil afora, burlar a regra antinepotismo e arrumar um jeito de aumentar os próprios salários.
Se o Congresso fosse um Poder realmente autônomo, ciente de suas prerrogativas e responsabilidades, o senador Azeredo deveria ser o primeiro a alimentar em sua comissão a boa inquietação. Não para organizar trincheiras nem para tão somente criticar a posição do governo brasileiro, mas para participar - e, se possível, ajudar - na redução dos danos para o Brasil nesse episódio.
Por exemplo, auxiliando no esclarecimento sobre a participação brasileira na volta de Manuel Zelaya a Tegucigalpa. Num primeiro momento, o chanceler Celso Amorim saudou a chegada o presidente deposto à Embaixada do Brasil como “um sinal da importância” do País na cena internacional, assegurando que o Itamaraty foi pego de surpresa com a chegada de Zelaya e 70 agregados.
Depois, quando o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, admitiu que o “truque” para enganar o governo de facto e permitir a entrada de Zelaya em Honduras foi arquitetado por ele, o presidente Luiz Inácio da Silva assumiu o discurso de que o principal não é “a embaixada em que ele está o como chegou lá”.
Agora que o próprio Manuel Zelaya disse à rádio Jovem Pan que sua decisão de abrigar-se na representação brasileira foi precedida de consultas ao chanceler e ao presidente Lula, é de se perguntar quem está mentindo. Isso na hipótese generosa de haver alguma dúvida. Se houver, é preciso considerar a possibilidade de o Brasil cobrar do aliado Chávez e do hóspede Zelaya uma satisfação à altura da arapuca que os dois armaram para um país tão amigo.
Faz cinco dias que a embaixada brasileira serve como “bunker” de uma das partes em conflito e o Congresso até agora não se deu ao trabalho de tratar do assunto. No máximo emitiu nota de repúdio ao cerco das forças do governo de facto ao prédio da embaixada. Puro formalismo.
Um debate profundo e profissional na casa (em tese) de ressonância dos assuntos de interesse nacional poderia ajudar a entender se há alguma saída razoável para o Brasil em mais uma história em que se envolve de maneira torta atrás de firmar a posição de protagonista que naturalmente já ocupa na região.
Um dos senadores a se pronunciar de modo contundente durante a semana, Demóstenes Torres, presidente da Comissão de Constituição e Justiça, não vê como o Brasil possa se sair bem “Hoje, na realidade, Zelaya é o embaixador do Brasil em Honduras. Coordena a distribuição de alimentos, dorme no sofá, dá as ordens como se ali não fosse território de outro país”, diz, preocupado de o Brasil vir a ser alvo de reparos internacionais caso se confirme a versão de que Zelaya comunicou seus planos com antecedência às autoridades brasileiras.
“Somando-se a isso a armação de Chávez, temos um verdadeiro conluio”, conclui o senador, para quem o Brasil erra nas suas repetidas tentativas de se firmar como líder do terceiro mundo. “Só perdemos e não entendemos que, vencidos os nossos déficits social e educacional, nossa tendência é integrar o primeiro mundo. Em segundo lugar, não compreendemos que esse pessoal que a política externa tenta conquistar não quer o Brasil como líder porque escolhemos outro caminho: aumentamos nossa projeção mundial e fizemos uma opção pelo desenvolvimento e a economia do mercado internacional.”
Por “esse pessoal” entenda-se desde os latinos Chávez, Evo Morales, Raphael Correa e adjacências até os ditadores africanos, passando por governos autoritários do Oriente, cuja companhia não rendeu uma só vitória ao Itamaraty.

CIRANDA
A senadora Marina Silva não perdeu a chance de criticar o pronunciamento do presidente Lula na Assembleia-Geral da ONU, foi criticada pelo sucessor Carlos Minc, a quem havia criticado no dia anterior, e já começa a sofrer ataques de setores do PSDB por causa de sua gestão no Ministério do Meio Ambiente.
Efeitos de uma candidatura presidencial que dá sinais de vir a se tornar competitiva. Se isso se confirmar, os adversários começarão a tratar Marina de igual para igual: na base do tiroteio. Dizendo aos modernos que ela é contra o aborto e partidária da tese criacionista para a origem do Universo, e, junto aos conservadores, tirando partido de sua identificação com os movimentos sociais, como o MST. A ideia é carimbá-la como “fundamentalista”.

ANCELMO GÓIS

NA TERRA DE FIDEL

O GLOBO - 26/09/09

A Gol ganhou da Anac duas frequências semanais para Cuba, duas para Porto Rico e seis para a República Dominicana.
BAILE DA ONU
Lula alegrou os jornalistas ontem, no G-20, com suas metáforas heterodoxas. Perguntado se a ascensão do Brasil não faz do País um candidato forte a um lugar no Conselho da ONU, disse:
– Tirando o Khadafi, todos sabem que o Conselho de Segurança precisa de reforma. É questão de tempo e maturação. É como um baile cheio de homens e com pouca mulher. Quem está dentro não quer deixar mais ninguém entrar.
E MAIS...
O presidente jurou desconhecer que Henrique Meirelles tenha se filiado ao PMDB:
– Só sei quem saiu do PT.
É. Pode ser.
PARA CONCLUIR
Lula estava tão feliz com as notícias na área econômica, que sapecou elogios a Mantega.
O ministro, como sabe, enfrentou seu inferno astral em agosto com a polêmica saída de Lina Vieira da Receita Federal.
ANDRÉ É FANTA?
O governador André Puccinelli, que chamou Carlos Minc de “veado”, foi batizado com o nome de Andrea em Viareggio, na região da Toscana, na Itália, onde nasceu, em 1948.
Lá é comum. Mas na minha terra... deixa pra lá.
LEÃO NO ESGOTO
O Leão de Brasília tem um apetite aguçado, quando se trata de empresas concessionárias de água e esgoto. Pelas contas do economista José Roberto Afonso, nos últimos sete anos, a receita de impostos vinda das grandes empresas do País cresceu 27%.
Mas, a do pessoal que põe a mão na m... subiu 212%.
SEGUE...
Como 48,9% das casas não têm rede de esgoto, pondera Afonso, não seria melhor deixar parte do imposto com as empresas, obrigando-as a aplicar no aumento da coleta de esgoto e lixo e na oferta de água?
Faz sentido.
AÍ TEM...
No ti-ti-ti de Lula e Eike Batista no jantar segunda no Waldorf Astoria, em Nova York, os dois acharam um ponto em comum: são do signo de escorpião. Lula, de 27 de outubro, e Eike, de 3 de novembro.
GALINHO DE BRIGA
Zico, o ídolo rubro-negro, foi intimado esta semana para se explicar na Justiça Desportiva do Rio.
É que dia 2, o craque, num jogo do seu time, o CFZ, contra o Quissamã, teria xingado o trio de árbitros de corruptos.
CORVETTE EM LEILÃO
A Receita Federal no Rio leiloa, dia 1º, bens apreendidos avaliados em R$ 4,5 milhões. São seis carros das marcas Mercedes-Benz, Porsche, Corvette e Mustang, 25 motos (Ducati, Yamaha, Honda e Suzuki), além de outras coisitas mais.
DIVA NO MORRO
Jeanne Moreau, a grande atriz francesa, que está no Rio para o Festival de Cinema, vai ao Vidigal amanhã conhecer o admirável trabalho do grupo Nós do Morro.
Ela vai conversar com os jovens que participaram de 5XFavela, agora por nós mesmos, produção organizada por Cacá Diegues.

GOSTOSA DO TEMPO ANTIGO

RUY CASTRO

Escrito na história

FOLHA DE SÃO PAULO - 26/09/09


Para quem gosta de futebol, um velho álbum de figurinhas vale por uma caixa de “madeleines”, no sentido de reavivar lembranças. Um deles, “As Figurinhas da Copa União”, editado pela Placar, dirigida por Juca Kfouri, caiu-me às mãos outro dia.

Refere-se ao famoso Campeonato Brasileiro de 1987, aquele que a CBF, por falta de organização e recursos, abriu mão de comandar e foi oficialmente assumido pelos principais clubes do país, reunidos no Clube dos 13. Não por acaso, o álbum, lançado no início da competição, trazia como subtítulo “O Verdadeiro Campeonato Brasileiro”.

Que timaços! O São Paulo tinha Rojas, Zé Teodoro, Darío Pereyra, Silas, Pita, Müller e Raí. O Corinthians tinha Valdir Peres, Wladimir, Biro-Biro e Everton. O Palmeiras, Zetti, Célio, Edu e Tato. E o Santos, Rodolfo Rodrigues, César Sampaio e Mendonça. Isso apenas entre as figurinhas carimbadas.

O Grêmio ostentava Mazaropi, Bonamigo, Valdo, Lima e, olha só, o Cuca. O Internacional vinha de Taffarel, Gilberto Costa e Amarildo. O Atlético Mineiro trazia João Leite, Luizinho, Sergio Araújo e Zenon. O Cruzeiro apresentava Ademir, Careca e Claudio Adão.

O Botafogo, menos reforçado, dependia de Josimar e Mauricio. Já o Fluminense, com Paulo Vitor, Ricardo Gomes, Leomir, Romerito, Washington e Assis, era uma potência. E o Vasco, com Acácio, Mazinho, Geovani, Roberto Dinamite e um gênio de 21 anos chamado Romário, não ficava atrás. Mas o Flamengo, treinado pelo estreante Carlinhos, era um escrete: Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Aldair, Leonardo, Andrade, Zico, Renato Gaúcho, Bebeto e Zinho, com Edinho, Alcindo e Nunes na reserva.

Grandes times, grandes jogos, grande campeonato. Está escrito na história de todos que o disputaram, tanto no campo como no bafo-bafo.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Eu sou a única mulher no Brasil dura cercada por homens meigos”
DILMA ROUSSEFF (CASA CIVIL) SOBRE A FAMA DE SER TÃO DELICADA QUANTO PAPEL DE EMBALAR PREGOS.

LULA FALA GROSSO, MAS O BRASIL NÃO É AMEAÇA
Apesar das advertências do presidente Lula, se a nossa embaixada em Honduras for mesmo invadida por tropas locais, num ato de guerra, o Brasil só chegaria a Tegucigalpa em algumas semanas, mesmo assim em embarcações de poderio bélico modesto, segundo especialistas em defesa. E correria o risco de perder a batalha. Nosso único porta-aviões, “São Paulo”, adquirido em segunda mão, está fora de combate.
SEM AVIÕES
O porta-aviões “São Paulo” não tem aviões: dos 14, dois voam à meia boca e 12 estão no chão. Não há verbas para peças de reposição.
COMO FAZ GENTE GRANDE
Ao ameaçar outros países, os EUA mandam porta-aviões, caças, helicópteros de resgate, etc, e tropas motivadas, com salários decentes.
SEM PROTEÇÃO
A embaixada do Brasil em Honduras tem só um vigia desarmado. A dos EUA em Brasília, que nem mesmo é ameaçada, tem 62 marines.
MEA CULPA
Iniciada a crise com Honduras, Lula fez mea culpa num papo reservado em Nova York: “Foi um erro não investir antes nas Forças Armadas”.
ACIDENTE DERRUBA FAVORITISMO DOS CAÇAS RAFALE
A trombada que derrubou dois caças franceses no Mediterrâneo azedou o favoritismo dos franceses da Dassault na venda dos aviões. Os apostadores da bacia das almas fazem seu lance: as fotos de Nicolas Zarkozy, na Cúpula do G-20, mostram o presidente francês com um ar sombrio. Já Barack Obama, louco para vender ao Brasil os caças americanos, sorria de orelha a orelha, abraçado a Lula.
VIROU PIADA
Nunca o Mar Mediterrâneo foi tão aprazível à FAB. Há brigadeiros morrendo de rir com o acidente dos dois caças Rafales naquele mar.
POÇO SEM FUNDO
Bagunçou o coreto com a trapalhada em Honduras? Tome pré-sal: a Petrobras anunciou ontem possível reserva “ainda maior” na Bahia.
NOSSA GRANA
Não bastou o AirForce 51, de R$ 156 milhões. A Presidência divulgou ontem o custo dos dois novos “sucatinhas” de Lula: R$ 211 milhões.
TOP-TOP DA MENTIRA
O aspone Marco Aurélio Garcia chama de “mentiroso” o governo de Honduras, mas atropela a verdade quando trata Manuel Zelaya de “presidente constitucional”. Zelaya tentou alterar a Constituição do país para se reeleger, e isso, lá, é punido com perda de mandato. Que golpe?
BB METE A MÃO
O Banco do Brasil cobra R$ 20 pelo simples toque para fazer transferência de pontos do cartão de crédito para o programa de milhagem das companhias aéreas. No bom
português, pode-se chamar isso de afano.
TRATANDO DA SAÚDE
De licença remunerada para tratamento de saúde, a senadora Patrícia Saboya foi vista semana passada participando de uma corrida de pedestres em Fortaleza. Deve fazer parte do tratamento.
SINAIS DE ALARME
Triunfalista quando se trata da candidatura Dilma Rousseff, o ex-ministro José Dirceu já demonstra inquietação, diante do desempenho sofrível da ministra nas pesquisas. Fala até em “alarme de pré-campanha”.
POUPANÇA EM BAIXA
Além da tunga anunciada pelo governo federal nos rendimentos da poupança, seu rendimento vem sendo o mais baixo, desde o lançamento do Plano Real. Daí para uma fuga em massa é só um pulo.
MALDADE DE POLÍTICO
Sugestão ouvida ontem no Congresso vazio: Lula poderia mandar o ministro José Antonio Dias Toffoli negociar a crise em Honduras. Depois, ficaria por lá como embaixador. Com comida da Cruz Vermelha.
RESERVAS CONTRA EVO
Só mesmo Lula leva a sério o cocaleiro Evo Morales. Para o jogo do dia 11 contra a Bolívia, Dunga vai escalar reservas. Titulares só entram contra a Venezuela de Hugo Chávez, dia 14, em Campo Grande (MS).
MEMÓRIA
O BNDES vai patrocinar o restauro da documentação, em Fernando de Noronha, sobre o período em que virou prisão política, após o golpe de 1964. Lá estiveram Gregório Bezerra, Seixas Dória e Miguel Arraes.
PENSANDO BEM...
...Manuel Zelaya não é bem um asilado político. É, no máximo, um sem-teto.

PODER SEM PUDOR
REPÓRTER NO RINGUE
Ao chegar no Ministério da Fazenda para entrevista com o então secretário-adjunto da Receita, Ricardo Pinheiro, na crise entre o ex-secretário titular Jorge Rachid e o ex-corregedor Moacir Leão, uma repórter da rádio Jovem Pan foi responsável por um instante de grande constrangimento. Gesticulando, como se estivesse num ringue, ela disparou o seu “cruzado”:
– E aí, secretário, é Rachid ou Leão?

O IDIOTA

SÁBADO NOS JORNAIS

- Folha: Embaixada do Brasil é atingida por gás


- Estadão: Irã admite nova usina nuclear e Obama reage


- Jornal do Commercio: Último fim de semana com IPI reduzi

sexta-feira, setembro 25, 2009

CARLOS EDUARDO NOVAES

Zelando por Zelaya


Jornal do Brasil - 25/09/2009

RIO - Não me lembro de ter ouvido tanto escarcéu pelo mundo em 1992 – ontem praticamente – quando o Brasil apeou do poder o primeiro presidente eleito por voto direto desde 1960. Bem verdade que tivemos o cuidado de tomar providências legais – o tal do impeachment – evitando assim que Fernando Collor fosse colocado de pijama dentro de um avião para a Bolívia.

Se por acusações que nunca foram confirmadas – o homem está aí lépido e fagueiro – não tivemos paciência para esperar pelo fim do mandato, por que Honduras deveria aguardar as próximas eleições para os insatisfeitos mudarem o governo, como sugere o presidente Lula? É bom não esquecer que a deposição de Zelaya foi avalizada pelo Congresso, pela Justiça e pelos militares, não necessariamente nesta ordem. Confesso que não me sinto à vontade para chamar Micheletti e sua turma de golpistas, ou me verei obrigado a rever os acontecimentos de 1992 para investigar se por trás do impeachment não se escondia um golpe de Estado.

A verdade é que sempre tivemos muita classe e habilidade para rasgar nossa Carta Magna. Viemos nos aperfeiçoando desde os tempos do marechal Deodoro. Sempre arranjávamos um jeitinho de disfarçar nossas fraturas constitucionais. Que eu saiba, em nenhuma ditadura do continente houve rodízio de generais no poder, com eleições indiretas e tudo para que exibíssemos uma aparência de estado democrático. Estou certo de que Micheletti e sua turma, não estariam nessa saia justa se tivessem consultado o Brasil sobre a melhor maneira de proceder nesses casos. Talvez, sob nossa orientação, Zelaya é que estivesse sendo chamado de golpista!!!

Desconfio que as razões da deposição do bigodudo vão muito além de seu desejo de se reeleger. Pouca gente acredita que Zelaya se materializou na embaixada, como alega um diplomata brasileiro. Foi uma empreitada de alto risco que não permitia erros de cálculos. E se não tivesse ninguém em casa? (Era domingo à noite). Pela versão corrente, porém, Zelaya simplesmente bateu à nossa porta em Tegucigalpa, como um entregador de pizzas:

– Quem é? – perguntou o funcionário do lado de dentro depois de ouvir insistentes toques na campainha.

– É o presidente deposto de Honduras!

– Quem? – o funcionário pensou ter ouvido mal.

– Manuel Zelaya! Será que dá para você abrir a porta?

O funcionário cochichou temeroso com a mulher. A capital hondurenha também tem sua violência urbana. Podia ser um assalto.

– O senhor veio a mando de quem?

– Sou amigo do presidente Lula. Abra essa porta, por favor. Viajei 15 horas, estou cansado, com fome, preciso tomar um banho.

– Só temos um quarto de solteiro disponível. O senhor está sozinho?

– Estou com alguns assessores e parentes. Somos – virou-se e começou a contar – um, dois, três... setenta!

– O quêêêêê?... Só posso deixá-lo entrar se receber uma prova de que o senhor é mesmo o presidente Zelaya.

–Tudo bem. Vou jogar meu chapéu por cima do muro!

Agora o presidente Lula está com essa banana – não confundam com batata – quente nas mãos: ou entrega Zelaya às autoridades do país ou lhe concede asilo, caso em que ele pode virar um novo Stroessner – ditador paraguaio que viveu 17 anos no Brasil. Outra saída seria convencer Zelaya a fazer o caminho de volta enquanto Micheletti e sua turma disfarçam e fingem vigiá-lo na Nicarágua.

Seja como for, o imbróglio botou o pequenino país centro-americano no mapa da mídia mundial. A última vez que Honduras ganhou manchetes na imprensa brasileira foi em 2001, quando sua seleção derrotou o Brasil de Felipão, por 2 a 0, na Copa América. Mas isso já é outra história...

* Carlos Eduardo Novaes é escritor.

AUGUSTO NUNES

VEJA ON-LINE


Toffoli disse há quatro meses que quem faz o que fez há quatro anos não merece uma vaga no Supremo

25 de setembro de 2009

No outono de 2005, depois de ganhar de presente uma passagem de ida e volta, Benedito Vitor Januário dos Santos embarcou num avião em São Paulo, participou do jantar em Brasília promovido por ex-alunos da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e voltou na manhã seguinte. Quem teve a ideia de abrilhantar a noitada com a presença do folclórico Vitão, funcionário do Departamento Jurídico XI de Agosto e festeiro animadíssimo, foi o advogado José Antonio Toffoli, subchefe para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, que providenciou o bilhete aéreo. Quem pagou foi a Secretaria da Administração da Presidência da República. Quem bancou a viagem foram os pagadores de impostos.

O Portal da Transparência, criado pela Controladoria Geral da República para mostrar como o governo gasta o que toma dos brasileiros comuns, confirma que em 19 de maio de 2005 a Secretaria da Administração repassou R$ 290 a Benedito Vitor Januário dos Santos. O portal se limita a revelar o valor desembolsado e a identidade do ”favorecido”. A transparência não se estende ao nome de quem mandou pagar nem à razão do pagamento. No caso de Vitão, a informação é dispensável. Há quatro anos, um voo de ida e volta entre São Paulo e Brasília custava exatamente R$ 290. Toffoli vive assumindo a paternidade da ideia em jantares com amigos.

Para os padrões brasileiros, subvertidos por roubalheiras que movimentam cifras inverossímeis, parece pouco. Dinheiro de troco, diriam os senadores. Uma viagem só, e ainda por cima doméstica, é coisa de amador, desdenhariam os deputados. Num país rebaixado a viveiro de corruptos bilionários, José Antonio Toffoli subtraiu aos cofres públicos uma quantia inferior a mil reais, consumida em duas decolagens e dois pousos. Quem faz isso merece castigo?

Merece uma punição exemplar, acha José Antonio Toffoli ─ ele mesmo, mas quatro anos mais tarde e em outro emprego. Ou achava até maio passado. ”O Brasil precisa conscientizar-se de que quem exerce uma função pública só pode gastar o dinheiro público no interesse público”, disse em entrevista a VEJA o chefe da Advocacia Geral da União. Depois de sublinhar que a corrupção endêmica e a gastança irresponsável devem ser combatidas com muito mais rigor, o entrevistado ensinou que um crime jamais será condicionado pelo tamanho do lucro ou do prejuízo. Atos ilícitos não são tabelados.

“É preciso acabar com esse costume de passar a mão na cabeça dizendo que o erro foi pequeno, que foi coisa de mil reais, que foi só uma passagem aérea”, reiterou Toffoli. “Não há erro pequeno. É preciso tolerância zero com o uso indevido de dinheiro público. Mesmo o erro pequeno precisa de punição”. Segundo o chefe da AGU, essa modalidade criminosa não comporta pecados veniais. Todos são mortais. Não há diferenças relevantes, portanto, entre o subchefe da Casa Civil que desviou R$ 290 e o mais guloso mensaleiro. O uso irregular de um bilhete é tão criminoso quanto o furto de milhagens transatlânticas.

Indicado por Lula para uma vaga no STF, Toffoli anda visitando senadores para garantir que merece nota dez nos quesitos reputação ilibada e notável saber jurídicos, que deveriam determinar o destino de um candidato à toga. Algum pai da pátria tem de apartear o discurso do visitante, apresentar-lhe simultaneamente o caso de Vitão e a entrevista de maio e convidá-lo a explicar a colisão frontal. Se renegar a entrevista, estará provado que o saber jurídico de Toffoli é notavelmente instável. Se reafirmar o que disse, estará provado que a reputação não rima com ilibada.

Seja qual for a resposta, Toffoli estará desqualificado para virar ministro do Supremo. Seu passado pode arruinar o futuro do tribunal.

GOSTOSA


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PARA....HIHIHIHI

Controle de natalidade

Um engenheiro casado com uma médica e pai de dois filhos resolveu comprar uma bela fazenda.

A fazenda era muito boa, eletrificada, muito gado, bela casa, açude grande com muita água, enfim uma estrutura magnífica.

Foi conhecer a fazenda e levou a familia.

Lá chegando pediu para conhecer o morador,que pelo acordo tratado deveria continuar trabalhando na fazenda, já que era de confiança e ali estava radicado há anos.

- O Sr. é seu Joaquim? O antigo dono fala muito bem do Sr.
- Sim Sr. patrão.
- Quantos filhos o Sr. tem?
-São 16 senhor, e a muié tá esperando outro.
- Meu amigo eu não acredito. Olhe eu sou engenheiro casado com uma médica, nós ganhamos muito bem e só temos dois filhos.- Sabe o que é patrãozinho, é porque muié de pobe não gosta de dar o cú de jeito nenhum...
COLABORAÇÃO ENVIADA POR SUELY

MÍRIAM LEITÃO

Os dois lados

O GLOBO - 25/09/09


A política de acumulação de reservas do Banco Central é feita de olho em 2010. O Banco Central quer estar preparado para qualquer incerteza criada pelo ano eleitoral. Hoje o país tem US$ 223 bilhões. Elas continuarão subindo. O governo acha que a demanda pode retomar de forma mais forte do que se imagina.

Os empresários não estão tão certos disso, mas parte está zerando as perdas neste terceiro trimestre.

Aqui na coluna Bruno e eu conversamos com pessoas do governo e das empresas para sabermos como anda a economia neste início da reta final de um ano difícil. Os dois lados passaram uma avaliação positiva da economia, mas os empresários continuam preocupados com a demanda externa e o câmbio.

O setor automotivo foi um dos primeiros a sentir os efeitos da crise. Com o mercado interno congelado e as exportações em queda, montadoras cortaram produção e empregos. O setor entrou em recuperação, com incentivos de IPI e volta do crédito. O presidente da Fiat na América Latina, Cledorvino Belini, afirma que as vendas continuam em crescimento neste terceiro trimestre e que o setor fechará o ano em alta de 4%.

— O problema continua nas exportações, em queda de 40% no acumulado do ano até agosto — diz Belini.

A taxa de câmbio já está sendo, de novo, motivo de reclamação dos exportadores, mas é resultado da entrada de capitais. Uma delas é a operação de emissão de ações do Santander. A avaliação no governo é que não é comum uma empresa achar que tem mais condições de atrair capital na emissão de ações num país onde tem uma subsidiária do que no país sede. Isso mostraria a atratividade do Brasil.

A entrada forte de dólar derruba a cotação, mas pode ser uma poderosa aliada no fortalecimento das reservas.

Para que tantas reservas? O Banco Central percebeu que a velocidade de saída de capitais numa crise é muito maior agora do que já foi no passado. São inúmeros agentes, fundos, hedge funds, bancos, empresas, investidores remetendo recursos para portos supostamente seguros durante episódios de alta de aversão a risco. Por isso será mais confortável para o país ter bastante munição em caixa para atravessar o ano de 2010 quando, no calor do debate eleitoral, muitas incertezas podem se formar.

Os empresários estão olhando de forma mais imediata para seus problemas.

Afinal, muitas empresas só agora começam a ver a recuperação da demanda. Muitos setores foram turbinados pelo gasto público, através das políticas de incentivos fiscais.

Elas custaram aos cofres públicos preciosos R$ 17,3 bilhões em queda de arrecadação de janeiro a agosto.

O setor de eletrodomésticos foi um dos beneficiados pela desoneração tributária do governo. Dona de marcas como Brastemp e Consul, a Whirlpool previu no pior momento da crise que chegaria ao final deste ano com crescimento zero.

Nos três primeiros meses do ano, a empresa vendeu 6% a menos do que no mesmo período de 2008. E entrou no segundo trimestre prevendo uma nova queda de 20%.

Mas o mercado melhorou, o crédito voltou e a empresa vendeu 15% a mais.

— Neste terceiro trimestre crescemos mais 20%. Recuperamos as perdas da crise — diz Armando Valle Junior, diretor da Whirlpool.

O IPI reduzido para geladeiras, fogões e máquinas de lavar termina em 30 de outubro. O setor não espera uma extensão da medida, mas não está preocupado.

— Temos o Natal pela frente, e esperamos agora fechar o ano com crescimento de 6% nas vendas — afirma.

O setor químico teve grande oscilação de demanda, em parte ocasionada pelo câmbio. Uma das gigantes do mercado, a Quattor espera recuperar neste terceiro trimestre as perdas de 27% dos três últimos meses do ano passado. Calcula crescer 10% no mercado interno de julho a setembro frente ao trimestre anterior. Para Vitor Mallmann, presidente da empresa, com a recuperação já ocorrida no primeiro semestre, a empresa terá até um pequeno crescimento no acumulado do ano.

— O mercado acumulou estoques no pior momento da crise, mas já fez o ajuste.

Empresas voltarão a comprar mais resinas. Por isso, teremos um discreto crescimento neste ano.

Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza, foi apanhada pela crise no meio de um ousado plano de abertura de lojas. O varejo foi menos atingido que a indústria, mas Luiza admite que o setor poderia estar melhor. Ainda sem números fechados do trimestre, a empresária acha que os dados vão mostrar crescimento das vendas.

— Esperamos um quarto trimestre melhor do que o do ano passado, que aliás foi o pior do ano — diz Luiza, mais esperançosa sobre 2010.

No governo acredita-se que as empresas erram quando mantêm arquivados seus planos de investimento. O país, na visão deles, terá forte aumento de demanda daqui para frente. Mas as empresas ainda estão preocupadas em curar as feridas do enorme tombo de um ano atrás.

É o caso do setor siderúrgico, que suspendeu bilhões em investimentos. Parte das feridas cicatrizou. Quatro altos-fornos foram religados.

Mas as perspectivas permanecem ruins: o consumo interno de aço bruto deve cair 19% neste ano.

— O governo nos cobra investimento, mas nosso uso de capacidade ainda está em 70%, abaixo da média histórica de 80% — afirma Marco Polo de Mello Lopes, vice-presidente executivo do Instituto Aço Brasil.


COM BRUNO VILLAS BÔAS

LUGAR ERRADO

CELSO MING

Culpa no cartório

O ESTADO DE SÃO PAULO - 25/09/09

É surpreendente que as agências de classificação de risco estejam fora das listas das instituições que precisam ser mais fiscalizadas e mais supervisionadas para se evitar crises futuras. Elas mostraram atuação irresponsável. Não foram apenas os bancos que provocaram as bolhas. A crise aconteceu também por causa das agências.

Essas instituições têm a função de determinar o grau de risco inerente a um título de dívida. Elas trabalham com duas grandes categorias. Os títulos de nível especulativo são os que apresentam relativamente alto risco de calote. E os de nível de investimento são os mais seguros. As três grandes agências internacionais de classificação de risco são a Moody"s, a Standard & Poor"s e a Fitch.

Elas hierarquizam o risco dos títulos por meio de uma escala alfanumérica. Os de risco praticamente zero levam, em geral, nota Aaa (na classificação da Moody"s). Depois vêm os Aa1, Aa2... Baa1, Baa2... Lá embaixo estão os de nível C.

As agências apareceram no início do século 20 para atender à necessidade dos investidores que não dispõem de condições para avaliar previamente a canoa financeira na qual estão embarcando sua poupança. Nos anos 70, organismos oficiais americanos passaram a exigir atestados dessas instituições, seja para a concessão de financiamentos no mercado, seja para proteger os interesses dos aplicadores.

Isso significa que, em certo grau, o mercado financeiro ficou dependente do veredicto dessas empresas, que assim se tornaram árbitras poderosíssimas quando entra em jogo a qualidade de um título.

No entanto, a maior crise desde os anos 30 não teria acontecido se essas agências não tivessem feito farta distribuição de certificados de excelência a títulos que logo em seguida foram considerados "lixo tóxico" ou "ativos podres" e que, por isso, foram rejeitados por todos os bancos, o que aprofundou a crise. Isso demonstra que os critérios com que elas trabalham são no mínimo suspeitos e suas decisões, tomadas com certo grau de leviandade.

Mais do que isso, em meio à crise, aparentemente para salvar o que ainda restava de sua reputação, as agências passaram a trabalhar com uma rapidez nunca vista; logo elas, que, em geral, levam anos para mudar uma classificação, como aconteceu com os títulos de dívida do Brasil. Enquanto o mercado pegava fogo, elas se puseram a recarimbar como de nível C nada menos que US$ 1,9 trilhão em ativos que no dia anterior levavam AAA. Ou estavam erradas antes ou ficaram depois.

Pior que isso, essa corrida remarcatória acentuou a crise. Por disposição legal ou estatutária, um grande número de investidores, como fundos de pensão e carteiras conservadoras de títulos, só pode trabalhar com aplicações de risco zero. Por isso mesmo, foram obrigados a se desfazer imediatamente (e com enorme prejuízo) desses papéis, contribuindo assim para o aumento do pânico geral dos mercados.

Alguns analistas têm observado que as agências de classificação de risco são pagas pelos próprios emissores dos títulos, que, evidentemente, têm interesse na melhor nota possível, e que isso produz uma relação incestuosa com as consequências que se podem prever.

Mas, afinal, se é para dar segurança ao investidor, quando é que a atividade dessas agências será fiscalizada?

JOÃO MELLÃO NETO

Velhos tempos, belos dias


O Estado de S. Paulo - 25/09/2009

Se bem me recordo, meu pai adquiriu uma perua DKW zerinho por volta de 1962. Ele gostava de carros e entendia um pouco do assunto. Lembro-me da raiva que ele tinha do veículo - que só aumentava à medida que ele o ia conhecendo melhor - e de seu calvário por ter de levá-lo semanalmente ao mecânico. O motor era de dois tempos, o que significa que era barulhento e fumegante. A vedação era péssima: quando chovia lá fora, também chovia dentro. A maçaneta do vidro saía na mão sempre que se tentava acioná-la. Os ruídos internos davam a impressão de que a carroceria estava com todos os parafusos soltos. O câmbio "na direção" era de três marchas que teimavam em não se deixar engatar. A qualidade do carro, enfim, era sofrível. Principalmente quando comparado aos norte-americanos que predominavam em nossas ruas à época.

Mas nem por isso se deve condená-lo. Ele representou um papel importante nos primórdios da indústria automotiva brasileira. O ceticismo quanto à viabilidade de uma fábrica nacional de veículos era muito grande. Para se ter uma ideia basta relembrar um argumento muito ventilado então: era tecnicamente impossível fundir blocos de motores em climas tropicais. O DKW, e também o Fusca, desafiaram todos os tipos de dúvida e descrença ao serem integralmente fabricados aqui.

Pois bem, a vida nos ensina que não é porque pranteamos um morto que desejamos, na prática, ressuscitá-lo.

Qual seria a reação dos consumidores se o saudoso DKW Vemag fosse relançado agora? Pior: se, além de reiniciar a sua produção, o governo proibisse qualquer outra marca de construir veículos em território brasileiro, sob o argumento de que é necessário prestigiar a indústria nacional?

Pois a respeitável matrona que atende pelo nome de dona Dilma já provou ser capaz de entabular raciocínios semelhantes. Em sua mais recente entrevista - publicada na Folha de S.Paulo no domingo -, ela afirma, explicitamente:

Que a presença do Estado na economia tem de aumentar;

e que patriotismo e nacionalismo são exatamente a mesma coisa.

São teses que remontam à época do DKW. E dona Dilma, ao que parece, deseja mesmo relançá-lo. Ou promover algum disparate semelhante. Se ela chegar à Presidência, mais que de imediato a indústria de vestuário tratará de recuperar o maiô de duas peças. E não é impossível que ela mesma venha a usá-lo para divulgar a nova moda.

Dona Dilma é realmente um achado único. Um precioso fóssil encontrado pelo presidente Lula. Parabéns a ele.

Ela é plenamente capaz de afirmar publicamente, sem ruborizar-se, que jamais se encontrou com as pessoas com quem de fato se encontrou. Na recíproca, a ninguém surpreenderia caso reiterasse que participou de eventos em que nunca esteve. Como a Santa Ceia ou a 3ª Internacional Comunista, por exemplo.

Consta que ela surgiu nas hostes do PDT, de Leonel Brizola. Este deve ter sido o seu grande guru em matéria de discurso político. Para quem não se recorda, Brizola caracterizava-se por pregar, na década de 90, tudo aquilo de que se falava na década de 50. Era algo que nos reportava às preleções de nossos avôs.

Para restaurar os fatos, vale a pena lembrar que a surpreendente dona Dilma estreou no cenário político muito antes do retorno de Brizola ao Brasil. Ela militou na VAR-Palmares, uma organização terrorista, e, com merecimento, passou alguns anos no calabouço.

Curiosamente, foi no período em que a indomável dona Dilma esteve a ferros que o governo militar de Geisel, sem que ninguém das esquerdas se desse conta, tomou-lhes algumas de suas mais caras bandeiras. A proliferação de empresas estatais, na época, foi avassaladora. O Estado, por sua vez, nunca antes fora maior, tampouco mais abrangente. Ele tudo previa. E também tudo provia.

O raciocínio da elite pensante da área militar seria facilmente subscrito por gente como a empertigada dona Dilma. Pregavam eles que havia na economia numerosas áreas estratégicas que, se não estivessem sob controle estatal, facilmente cairiam nas mãos dos odiosos estrangeiros. Estatizar, portanto, era um gesto de soberania. E esse raciocínio valia tanto para empresas siderúrgicas como para redes de restaurantes e - pasme-se - hotéis de alta rotatividade.

E quanto à iniciativa privada? Era vista com maus olhos e tratada com má vontade. Segundo eles, os então poucos empresários brasileiros, em sua ânsia por capitais, não teriam o menor escrúpulo em se associar às perigosas e malquistas empresas multinacionais. E isso era o fim!

A verdade é que o Estado de então apenas tolerava a existência de empresas privadas nacionais. Concedia-lhes crédito subsidiado, mas em troca exigia vassalagem. Cabia ao Estado determinar o que e quanto devia ser produzido por cada uma. No mais, sempre que surgia uma nova oportunidade na economia, antes que algum "aventureiro" dela se apossasse, logo vinha o Estado criando uma nova estatal.

Ora, esse, na prática, era o discurso das esquerdas brasileiras, desde a década de 1950. E a persistente dona Dilma, com o seu discurso "retrô", caso se consagre nas urnas, certamente o adotará. Não seria mais a volta do DKW, mas a do Maverick GT.

Confesso que tenho medo de gente como a circunspecta dona Dilma. Ela parece ser fria, determinada, alguém que de tudo faria se fosse em prol da "causa" que defende. E o pior é que tem chances reais de chegar à Presidência da República. Se isso vier a ocorrer, será que ela nos vai permitir tratá-la como "tia Dilma"?

Não é por nada, não. É que ela não tem jeito de governante. Tem, isso sim, de governanta.

GOSTOSA


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PARA....HIHIHIHI

A VIÚVA VIRGEM

Uma viúva, ao casar pela 11ª vez, diz carinhosamente ao marido:
- Benzinho,sou virgem!
- Como? Não fostes casada 10 vezes? disse o marido:
- Sim, disse ela, mas aconteceu o seguinte:

O 01° era político, só prometia e não cumpria;
O 02° era bancário, só entendia de fundos;
O 03° era poliglota, só entendia de línguas;
O 04° era massagista, só esfregava;
O 05° era caçador, só gostava de veado;
O 06° era médico, só examinava;
O 07° era juiz do interior, não tinha vara;
O 08° era coveiro aposentado, não enterrava mais;
O 09° era perfumista, se contentava só com o cheiro;
O 10° era do PT, quando estava por cima não fazia nada.

E agora, minha esperança é você....
Então o marido diz:
- E porque eu?

Porque você é Fiscal da Receita Federal, tenho certeza que vai me foder.

COLABORAÇÃO ENVIADA POR APOLO