segunda-feira, abril 13, 2009

ANCELMO GOIS

Cultura em transe I


O Globo - 13/04/2009
 


Quarta, uma caravana rolidei de artistas vai a Brasília. 

Fernanda Abreu, Ivan Lins, Francis Hime, Frejat e outros vão protestar contra a decisão de Guido Mantega, pai da atriz Marina Mantega, de elevar em uns 20% o imposto de pequenas produtoras de audiovisual inscritas na categoria Super Simples. 

Cultura em transe II 

Hoje, Juca Ferreira se reúne com o pessoal das artes cênicas, no Teatro Leblon, no Rio. 

Em pauta, o projeto do MinC de reformar a Lei Rouanet de incentivo fiscal à arte. Num encontro igual, em São Paulo, o projeto do ministro dividiu opiniões. 

Só que... 

A Lei Rouanet tem distorções e não é pelo escândalo que foi dar R$9 milhões (dinheiro meu, seu, nosso) ao Cirque du Soleil. 

Há grandes empresas - muitas delas, bancos - que não tiram um centavo do próprio bolso. Tudo vem da viúva. 

Miséria humana 

Gilvan Costa (PTB), o suplente que pode assumir o lugar de Carlos Wilson (PT), falecido ontem, deveria ser submetido ao Conselho de Ética da Câmara. 

É que, em fevereiro, com o agravamento da doença de Wilson, pediu para assumir mesmo sem o titular pedir licença. 

A mina dos miúdos 

Vale e Bradesco vão criar uma linha de financiamento para micro, pequenos e médios fornecedores da mineradora, com juros menores que os de mercado. 

A Vale espera alavancar até R$120 milhões em crédito para os miúdos. 

Nelson Alcolumbre 

O nome do aeroporto de Macapá é... não sei. 

No início do mês, passou a se chamar Nelson Salomão Santana, por lei aprovada no Congresso. Uma semana depois, o mesmo Congresso aprovou outro nome: Alberto Alcolumbre. 

Navio Maximiano 

Lula, para ir ao Campo de Tupi, dia 1º de maio, usará o Navio Polar Almirante Maximiano, comprado na Alemanha por 29 milhões de euros e cuja cerimônia de transferência é hoje, às 10h, no Rio. 

Maximiano foi ministro da Marinha e diretor da Petrobras. 

Fator Sudeste 

Pelo visto, a crise tem afetado mais os estados ricos. Até fevereiro, por exemplo, o consumo de energia no Sudeste caiu 6,5% em relação ao mesmo período de 2008. No Brasil como um todo, a queda foi menor: 4,5%. 

A conta consta de um estudo feito por Jose Luís Alqueres, presidente da Light. 

Segue... 

No caso do Sudeste, o baque é no setor industrial (menos 16,4% até fevereiro). 

Até porque o consumo residencial cresceu 3,4%.

INFORME JB

A campanha já passa pela Câmara

Leandro Mazzini

JORNAL DO BRASIL

O DEM e o PSDB paulistas começam a mexer o xadrez dos mandatos para fortalecer as turmas pró-José Serra, do governador paulista, e pró-Gilbero Kassab, do prefeito paulistano, para 2010. O deputado federal Jorge Tadeu Mudalen (DEM) será nomeado para a Secretaria Especial de Articulação Metropolitana da cidade de São Paulo. Terá a missão de ampliar a interlocução da prefeitura com as dezenas de cidades vizinhas. Tem gente da oposição que já vê isso como manobra de Kassab para aumentar sua influência política, um salto para a candidatura ao governo. Para a Câmara, a fim de fortalecer a campanha presidencial do governador, sobem suplentes Serristas, para a vaga de Mudalen e de Paulo Renato (PSDB) – empossado hoje secretário de Educação do governo.

Serra x Aécio Trio nortista

Explica-se: apesar de ninguém assumir, há duas bancadas tucanas hoje na Câmara. A de Serra e a do governador Aécio Neves, atualmente a mais forte.

Apesar dos sorrisos conterrâneos, é quente o clima entre os senadores José Agripino Maia (DEM), Garibaldi Alves (PMDB) e a governadora Wilma de Farias (PSB). Os três, cada um por si, vão disputar duas vagas ao Senado pelo Rio Grande do Norte. Não haverá acordo para chapa.

A outra

Tranquila, até aqui, segue a senadora Rosalba Ciarlini (DEM). Apadrinhada por Agripino Maia, é a favorita para o governo do estado.

Torneira

O governo abriu o cofre para os agricultores que perderam muito na safra por causa da seca. Cerca de 133 mil agricultores familiares do semi-árido vão receber, cada, R$ 220 referentes a duas parcelas a que têm direito. O programa ajuda a quem perdeu pelo menos 50% da colheita.

Ossos do ofício

Ontem completaram-se 37 anos do início da Guerrilha do Araguaia. Como mostrou o JB em reportagem recente, ossadas de guerrilheiros ainda dormem dentro de caixas no Ministério da Justiça.

Barrados

Enfermo, o ex-prefeito do Rio Luiz Paulo Conde tem uma lista de políticos, na portaria de seu prédio, autorizados a subir. Mas a portaria tem mandado alguns de volta para casa.

Fumaça no campo

Ainda sobre a guerra dos fertilizantes: representantes do setor denunciam anacronismo grave, a cobrança do ICMS. O nacional paga de 4,9% a 8,4%. O fertilizante importado é isento.

Fumaça no campo 2

O Brasil pode se tornar autossuficiente na produção de adubos fosfatados, dizem senadores. Só precisa de isenção no setor, e investimentos em reservas de potássio e tecnologia.

Decolando

A crise não passou do chão para uma turma. Voam em céu de brigadeiro algumas empresas de táxi aéreo do país. Além dos fretes, a Colt Aviation, de Alexandre Eckmann (foto), encontrou um filão em tempos de aperto: investe também nos empty leg.

Lotação de luxo

Os empty – voos tipo lotação de luxo, em que vários clientes viajam para um destino, previamente avisados de decolagens via e-mail – viraram a saída para empresários que querem economizar.

Lua de mel

A Colt avisou a Dória Jr. que vai transportar, de cortesia, oito casais para o Fórum de Comandatuba, a meca anual do empresariado.

De castigo

Não vai bem a imagem da UFMG. Denúncias são variadas: concursos para professor nos quais são aprovados filhos e mulheres de dirigentes de departamentos e reitoria; resultado de banca examinadora de concurso para mestre antecipado em classificado de jornal; favorecimento de orientandos de pós-graduação, sem diploma, em seleção para docente.

Um brasileiro

O incrível: apesar dos indícios, o MPF em Minas vai investigar... o denunciante: o doutor em direito e professor em dedicação exclusiva Lucas Barroso. Contra ele foi apresentada representação na Procuradoria da República.

Agenda PSC

O PSC reúne suas bancadas de todo o país hoje no Hotel Kubitschek Plaza, em Brasília, para debater a Agenda 20, ações conjuntas para o partido. Aproveitam o encontro para gravar para o horário de TV.

FLA


PAINEL

Mudando de assunto


RENATA LO PRETE

FOLHA DE SÃO PAULO - 13/04/09

Atolada na pauta negativa dos abusos no uso da verba indenizatória, a Câmara tenta nesta semana um movimento articulado entre as forças governistas e oposicionistas para votar uma agenda própria de projetos. 
A ideia combinada a portas fechadas na semana passada é votar a toque de caixa amanhã as oito medidas provisórias que trancam a pauta. Na quarta, então, entraria em votação um pacote de ações de impacto, como o cadastro positivo de consumidores e projetos na área de segurança. A oposição ainda quer incluir no rol a extinção do pacote previdenciário, da qual o governo não pode nem ouvir falar.

Cartilha - A Universidade Federal de Minas Gerais ganhou concorrência do Ministério das Cidades para tocar projeto do Plano Nacional de Saneamento Básico. O contrato será de R$ 2,6 milhões.

Desagravo - O deputado Moreira Mendes (PPS-RO) defendeu na tribuna da Câmara, na semana passada, a construtora Camargo Corrêa do ‘verdadeiro massacre’ que estaria sofrendo por parte da Polícia Federal. Ele repudiou o vazamento de informações sobre doações a partidos e a decisão da PF de investigar outras obras da empresa.

Parceria - Em julho de 2008, os responsáveis pela construção da usina de Jirau, em Rondônia, estiveram com Mendes para apresentar o projeto. Entre os presentes estavam Marcelo Bisordi, da Camargo Corrêa, que aparece no grampo da Operação Castelo de Areia negociando recursos para políticos, e Guilherme Cunha Costa, lobista da empreiteira investigada.

Empacou - O Ministério da Integração Nacional terá de licitar de novo um trecho no Eixo Norte da transposição do rio São Francisco. A empreiteira que venceu a concorrência desistiu da obra e foi multada. Como o trecho é um dos últimos, a pasta avalia que o cronograma não será afetado.

Dois pratos.... - O corregedor nacional de Justiça, ministro Gilson Dipp, requisitou dois processos disciplinares do Tribunal de Justiça de São Paulo, diante da demora na apuração de pedido de afastamento de um juiz e de dois servidores. O TJ-SP ainda não comentou a decisão.

...da balança - Enquanto o CNJ vê corporativismo na demora, avalia-se no TJ paulista que o conselho esteja em busca de holofotes. Está na pauta da próxima sessão do Órgão Especial do tribunal nesta quarta-feira, por exemplo, inquérito policial envolvendo um desembargador e processo administrativo disciplinar contra uma magistrada.

Espelho meu - O governador José Roberto Arruda (DEM) baixou o tom da discussão e fez ‘apelo’’ para que os professores não entrem em greve por conta do cancelamento dos reajustes salariais. ‘Não é o momento de discutir aumentos, como, aliás, enfatizou o presidente Lula’, diz.

Páreo - O secretário paulistano Andrea Matarazzo pretende disputar vaga de deputado federal em 2010. Tucanos locais antecipam a competição entre o titular das Subprefeituras e o de Esportes, Walter Feldman, para ver quem terá mais votos na capital.

Largada 1 - Um ano e meio antes das eleições, o presidente da Câmara e do PMDB, Michel Temer (SP), se abalou até Teresina para lançar o deputado Marcelo Castro candidato ao governo do Piauí.

Largada 2 - A ideia da candidatura precoce é pressionar o governador Wellington Dias (PT) a fechar logo a aliança com o partido e barrar a articulação da oposição, que largou na frente nas pesquisas e pode lançar o prefeito da capital, Silvio Mendes, ou o senador João Claudino, ambos tucanos, ao governo.

Flerte - Aliado ao senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), o senador e presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, não descarta o partido apoiar a reeleição de Eduardo Campos se o PT não estiver na aliança e o peemedebista decidir não disputar o governo.

Tiroteio

A candidatura do Henrique Meirelles é igual a Saci-Pererê: todo mundo já ouviu falar, mas ninguém nunca viu. 
Do presidente da CCJ do Senado, DEMÓSTENES TORRES (DEM-GO), sobre as articulações do presidente do Banco Central para se filiar a um partido e disputar o governo ou o Senado por Goiás em 2010.

Contraponto

Auxílio-paletó

O vice-governador Alberto Goldman surpreendeu José Serra ao se apresentar em mangas de camisa para o jantar oferecido à cúpula do DEM, cerca de um mês atrás, no Palácio dos Bandeirantes. 
-E o paletó?- brincou o governador. 
-Não sabia que era uma reunião assim formal- justificou o vice, encabulado. 
Depois de cumprimentar um a um os convidados, Goldman desapareceu. Quando todos começavam a indagar sobre seu paradeiro, surgiu novamente na sala vestindo um blazer emprestado.

MOACYR SCLIAR

O pombo inconfiável

FOLHA DE SÃO PAULO - 13/04/09



Eu esperava que você procedesse do mesmo modo, que você justificasse a estima dos humanos pelos pombos



Um pombo-correio carregando partes desmontadas de um celular foi encontrado por agentes penitenciários em Sorocaba. A polícia acredita que a ave estava sendo usada para levar as peças para dentro de um presídio. De acordo com o boletim de ocorrência, o pássaro foi visto por um agente que trabalha na portaria da penitenciária Dr. Danilo Pinheiro, no bairro Jardim Paraná. O homem notou alguma coisa estranha no pássaro, que descansava em um fio de alta tensão, e fez uma armadilha para pegá-lo. Carregava uma sacolinha com peças de um telefone celular. Folha Online.

"NUNCA PENSEI que um pombo pudesse ser trapaceiro, Gabriel. Nunca. Sempre tive em mente a passagem da Bíblia contando que, depois do dilúvio, Noé, ainda na arca, resolveu mandar um pássaro para saber como estava a terra. Enviou um corvo, que nunca voltou. Enviou um pombo, que regressou trazendo um raminho de oliveira. Ou seja: pombos são confiáveis. Pelo menos era o que eu achava até que você, Gabriel, entrou em minha vida.
Eu descobri você no pátio da penitenciária. Você estava sujo, mancando, com uma pata machucada. Eu cuidei de você como se cuida de um filho. Até nome de anjo eu lhe dei: Gabriel. E eu esperava que você retribuísse o favor que lhe fiz. Foi para isso que treinei você, Gabriel. E você sabe o trabalho que isso me deu, sabe muito bem. Era uma coisa que eu só podia fazer às escondidas, para não chamar a atenção de outros presos e dos guardas. Felizmente eu tinha experiência, porque desde criança gostava de pombos; além disso, meu vizinho era dono de um pombal e me ensinou tudo sobre pombos-correio, inclusive como treiná-los.
Devo dizer, Gabriel, que como pombo você me surpreendeu. Porque você era vivo, você era inteligente, você aprendia as coisas com uma rapidez incomum. Em menos de dois meses você estava pronto para a missão. E a missão era importante, Gabriel. Eu precisava que você me trouxesse peças que estavam faltando em meu celular. E o celular, para mim, era vital: graças a ele eu poderia, mesmo de dentro do presídio, dar instruções para os meus homens. Portanto, quando eu enviei você para trazer as peças, Gabriel, estava lhe encarregando de uma tarefa importantíssima. Mas eu confiava em você, Gabriel.
Tanto quanto Noé confiava no pombo que enviou da arca. Eu esperava que você procedesse do mesmo modo, que você justificasse a estima que a nossa espécie, a espécie humana, tem pelos pombos. Mas você me decepcionou, Gabriel. Você traiu a minha confiança. Você tinha de ir até meus companheiros, receber o saquinho com as peças de celular e voltar imediatamente. Você não fez isso. Você, com uma descomunal irresponsabilidade, pousou num fio para descansar. E aí o agente penitenciário te pegou.
Acho, aliás, que era isso mesmo que você queria, ser capturado: era a maneira mais fácil de livrar-se de mim e de aderir aos caras do poder. "Cria corvos e eles te comerão os olhos", diz um provérbio espanhol. Pois eu digo: cria pombos, certos pombos, e eles te sacanareão. E aqui termino de escrever essa mensagem, Gabriel. Só não sei como vou enviá-la a você. Por um corvo, talvez?"

RUY CASTRO

Tômara que chova

FOLHA DE SÃO PAULO - 13/04/09

RIO DE JANEIRO - Não é coisa que se diga em São Paulo, onde o que não tem faltado é chuva, mas "Tomara que Chova", a marchinha de Romeu Gentil e Paquito, finalmente encontrou quem a cante direito: "Tomára que chova/ Três dias sem parar..." -e não "Tômara que chova/ etc...", como a querida Emilinha Borba decretou no Carnaval de 1951 e nunca teve quem a corrigisse. Agora, graças ao elenco do ótimo musical "Sassaricando", a tônica pousou na sílaba certa.
Atropelos como esse vivem acontecendo. Não fosse Ronaldo Bôscoli, então seu produtor e namorado, e Maysa teria imortalizado "O Barquinho", em 1961, cantando "Diá de luz, festa de sol/ E um barquinho a deslizar/ No macio azul do mar...". Bôscoli argumentou com propriedade -afinal, era o autor da letra- que não existe "diá", existe "dia". Maysa estrilou ao ser corrigida, mas acatou e poupou-se de uma gafe histórica.
Gafe essa da qual não se livrou o próprio João Gilberto, ao cantar "Madame tem um párafuso a menos/ Só fala veneno, meu Deus, que horror", em "Pra Que Discutir com Madame", o grande samba de Janet de Almeida e Haroldo Barbosa. De fato, a frase musical leva a que se cante "párafuso", mas, com esse acento esdrúxulo, como acusar alguém de ter um parafuso a menos?
Para não falar em Vinicius de Moraes, impecável na métrica e no verso livre, mas que cantava: "Se vôce quer ser minha namorada/ Ah, que linda namorada/ Vôce póderia ser...". Seu parceiro Carlinhos Lyra, com ouvido de músico, chamava-lhe a atenção para esses passos em falso. Em vão: Vinicius levou a vida cantando "Minha Namorada" com os acentos errados.
Todo mundo, um dia, escorrega no acento e enfatiza a sílaba errada: cantor, jornalista, empresário, ministro, presidente. A graça está em disfarçar e rir do erro alheio.

FERNANDO RODRIGUES

Brasília fashion

FOLHA DE SÃO PAULO - 13/04/09

SÃO PAULO - A coleção de escândalos do Congresso Nacional na temporada verão-outono deste ano está mesmo de arrasar. Desafiando a crise mundial, nossos estilistas tropicais se mostram mais do que nunca arrojados ao lançar novas tendências de apropriação do bem comum e outras modas.
O saldão começou cedo. Servidores que recebem hora extra durante o recesso parlamentar; parlamentares que esquentam despesas inexistentes com notas das próprias empresas; diretores que procriam como coelhos pelo Senado (são 38? 181?); parlamentares "éticos" que pagam suas domésticas com verba pública; contas telefônicas de R$ 6 mil mensais, em média; um festival de livros autopromocionais impressos com o dinheiro do contribuinte na gráfica do Senado.
Funcionários fantasmas, nepotismo, compadrios -são pequenas peças a compor o figurino do patrimonialismo e o guarda-roupa da corrupção. A coleção de abusos tem a grife do PMDB, mas é confeccionada por todos os partidos. O tricô corporativo dispensa ideologia.
Fernando Collor, um velho estilista da modernidade de antigamente, tido como cafona e ultrapassado, voltou à cena fashion de Brasília. Agora divide o palco com o jaquetão de José Sarney e não chega a roubar o brilho de estrelas em ascensão no cerrado, como Gim Argelo. São todos gratos pelos serviços de alfaiataria de Renan Calheiros.
Falta à temporada de maracutaias prêt-à-porter, é verdade, o glamour de outros escândalos, como o do mensalão, que revelou ao país os segredos da alta costura do PT. Ou o dos sanguessugas, que fez sucesso no varejo do baixo clero, para não lembrar dos Anões do Orçamento, roubança de corte mais tradicional.
Nossos artistas parecem incomodados com a "perseguição" da imprensa. É preciso preservar a instituição, alertam, como se o clichê retórico pudesse legitimar ou redimir a cultura interna do descalabro.
A preocupação que eles revelam com a democracia é menos autêntica do que o sorriso da modelo diante dos flashes na passarela.

O IDIOTA


SEGUNDA NOS JORNAIS

Globo: Infraestrutura terá R$ 62 bi de empresas em 2009

 

Folha: Crise reduz exportação e investimento da indústria

 

Estadão: Mercado dá sinais de "corrente de calotes"

 

Correio: Governo substitui 2.088 terceirizados

 

Valor: BC apóia bancos em ação que pode atingir R$ 180 bi

 

Gazeta Mercantil: Crise elimina 100 mil vagas no campo

domingo, abril 12, 2009

JOÃO UBALDO RIBEIRO

Os irrelevantes

O GLOBO - 12/04/09

Se novamente não me atraiçoa a cada vez mais rateante memória, creio que foi o senador Cristovam Buarque quem disse que o Congresso está correndo o risco de se tornar irrelevante. Que é que está nos dizendo, Excelência, mais alguma outra novidade para contar?

Aos olhos dos governados, o Congresso já não tem a menor importância, a não ser pelo vasto, mas pequeno em relação à população em geral, contingente que se beneficia, direta ou indiretamente, das esculhambações, roubalheiras, falcatruas, impropriedades e até — sei lá — de uma surubinha ou outra nos feriados, com um dos surubantes portando a chave de um excelente cômodo, de outra forma sem nenhuma serventia.Na internet apareceram umas coisas, não sei se verdadeiras. Não vejo exagero meu nisso, pelo contrário, até me imponho uma certa contenção.

O poder, na observação feita por Henry Kissinger, é afrodisíaco e, em casa onde o poder não conhece freio nem legal nem moral nem de qualquer outra espécie que não a conveniência, em casa labiríntica e ameaçadora, que combina, entre outros, aspectos da "Bleak House" de Dickens, do "Castelo" de Kafka, da casa de campo de um aristocrata libertino na França pré-revolucionária e de um filme de Buñuel, é lícito pensar que tudo pode acontecer.


Alguns episódios erótico-sentimentais que vieram à tona, certamente uma pequena fração do que ocorre naquele ambiente em que o poder envolve em concupiscência e onipotência seus detentores e, ainda para outros, se transforma em instrumento para a consecução dos objetivos mais espúrios, fornecem asas à imaginação e, desta forma, creio que a maior parte de nós acreditaria em tudo, ou quase tudo, de ruim ou afrontoso que mais contassem sobre o Congresso, ou sobre senadores e deputados. Mas que os governantes não se alarmem. O Congresso não perdeu absolutamente relevância. Ele continua indispensável por várias razões.

Entre elas, aliás, não se encontra a de que, se o presidente Lula tivesse pretensões ditatoriais, a existência de um Congresso seria um obstáculo. De novo estaríamos esquecendo que o presidente é bastante esperto e agora já deve ter visto que é com esse Congresso mesmo que ele faz o que quer. As medidas provisórias são um dos melhores instrumentos já inventados para governar sem contestação e a canetadas, não importa quanto bolodório jurídico as adorne. A famosa governabilidade é uma via excelente para proporcionar oportunidades excelentes de enriquecimento ilícito e outros trambiques, bem como expansão da órbita de influência do contemplado.

Sem o Congresso, estaríamos gastando muito menos e deixando de desbastar o patrimônio de xingamentos, pragas e invectivas insultuosas em que tanto abunda nossa língua, mas ficaria chato para Lula ser presidente de uma República sem representantes do povo (como, espantosamente, ainda são considerados os membros do Congresso, que não costumam representar nada além das próprias algibeiras). Além de não ter o que mostrar para as visitas, ainda seria obrigado a responder a perguntas chatas no exterior. Não, não, sem o Congresso todo o esquema de corrupção, furto, fraude e ladroagem, de todos os níveis, em que se fundamenta nossa vida pública teria que ser revisto e a perda do sem-número de canais e oportunidades que ele proporciona seria inevitável, quiçá irreparável.

Não, senador, o Congresso não é irrelevante, é muita modéstia de quem fala. Não sei por que percentual da Maracutaia Interna Bruta ele é atualmente responsável, direto ou indireto, mas seguramente não se trata de parte desprezível. Talvez seja até uma cifra não passível de cálculo, o Brasil está sempre batendo recordes, é difícil acompanhar. De qualquer forma, senador, Vossa Excelência (por que a gente tem de chamar governante de excelente? por que ele é excelente e não a gente? são indagações da democracia, desculpem, por favor) estava vendo as coisas de uma perspectiva diversa da dos governados.

Estivesse Vossa Excelência do lado de cá, teria percebido que deputado e senador não têm, já de muito, a menor relevância para o povo. Só os apadrinhados, parentes e amigos é que iam sentir, se vocês todos estuporassem fedendo a enxofre, para nunca mais ninguém os ver, que não o Grão-Tinhoso. Querem ver, façam uma pesquisa séria aí. Mas nem isso adianta, melhor penando, porque ninguém mais acredita em nada sério vindo de vocês ou através de vocês. Isso, porém, é com os governados.Para os governantes, o Congresso tem toda a utilidade que esbocei acima e mais alguma. Isto porque quem se tornou irrelevante mesmo foram os cidadãos, aos quais cabe somente pagar impostos para os governantes furtarem ou desperdiçarem e votar para legitimar quem os escorcha e furta.

E o Congresso está compreendendo isso muito bem, porque vem agindo em consonância com novos paradigmas, segundo me contam. Por exemplo, vai implantar novo esquema de relacionamento com a imprensa.Perguntas da imprensa terão que ser encaminhadas às mesas, com um prazo de cinco dias para resposta. Deve ser para dar tempo de esconder algum ato delituoso, dos incontáveis que lá concebivelmente são praticados por segundo, levando-se em conta coisas miúdas, tais como papel, material de escritório, material de informática e uma transadinha ligeira com a namorada, dentro do armário de 30 metros cúbicos construído em jacarandá lavrado para abrigar a obra completa do ex-senador Sibá Machado, essas bobagens.

Só falta, pelo visto, que, no interesse de manter as instituições republicanas na plenitude de seu funcionamento, se proíba a entrada de povo por lá, a não ser em dias de festas, com convites selecionados pela Mesa. Quanto à imprensa, dia nenhum. Mente muito, pode dar o mau exemplo ao Congresso.

O CARA DE PAU

INFORME JB

Senado fará pressão ao governo por juros

Leandro Mazzini

JORNAL DO BRASIL - 12/04/09

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado vai aproveitar a mudança no comando do Banco do Brasil, causada principalmente pelo desejo do governo em baixar o spread da instituição, para pressionar o Planalto a baixar a taxa Selic. A CAE vai colocar seus 27 membros – inclusive senadores governistas que cobram a redução – para pressionar o presidente Lula. O canal para isso será a subcomissão especial da crise sob a tutela da CAE. "Há um entendimento na comissão de que já deveriam ter sido tratados a redução dos juros e dos spreads, que inclusive impediram a própria baixa da Selic. A comissão se encaminha para fazer uma crítica do que o governo poderia ter feito", revela à coluna o presidente da CAE, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).

Lula é do Rio A festa

O presidente Lula deve trocar São Paulo pelo Rio dia 1º de maio, para a tradicional festa do trabalhador que o Ministério do Trabalho vai promover na Quinta da Boa Vista.

Espera-se 1 milhão de visitantes. Haverá prestação de serviços e shows com Beth Carvalho, Dudu Nobre, D. Ivone Lara, Monarco, Diogo Nogueira, Dominguinhos do Estácio e Bateria Nota 10 (de todas as escolas de samba).

Agora vai

A comissão especial presidida pelo senador Marco Maciel conclui terça-feira a proposta para um novo regimento da Casa.

Novos tempos

"O objetivo é adequar o funcionamento da Casa às exigências dos tempos modernos, que requerem respostas cada vez mais rápidas às demandas da sociedade", lembra Maciel à coluna.

Crise no mar

O Projeto Coral Vivo, criado em 1994, perdeu o seu patrocínio principal, o do Programa Petrobras Ambiental. É tocado por pesquisadores do Museu Nacional/UFRJ, que estudam corais e recifes na costa brasileira.

Ar e terra

A Fundação Cacique Cobra Coral, aquela de médiuns que ajudam a mudar o tempo em vários lugares, anunciou que foi contratada por político italiano para reduzir terremotos lá.

Marinho perdido

Continua ruim a governabilidade do prefeito de São Bernardo (SP), Luiz Marinho, na Câmara. O PSB não quer aliança. Nem acordo mais. O partido almejava a direção do Porto de Santos, nas mãos de petistas que não cederam.

A fazendeira

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação Nacional de Agricultura, adotou a tática do MST que combate. Passou em fazendas paraenses distribuindo cartilhas que dão dicas de comportamento nas visitas surpresas do Incra e do Ibama.

Colinha

Em audiência no Senado com diretores do BB, Kátia espalhou colinha com perguntas para os colegas apertarem os executivos. Protesto contra o risco de o banco baixar o crédito ao setor agrário.

Às armas

O ministro Nelson Jobim (Defesa) abre terça a Latin America Aerospace & Defence no Rio.

MERVAL PEREIRA

Como combater a crise

O GLOBO - 12/04/09

A constatação de que a crise econômica internacional já está batendo no bolso do brasileiro médio, feita por uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas do Rio coordenada pelo economista Marcelo Neri, levanta questões sobre a melhor maneira de combatêla. Os gráficos passaram a mostrar, a partir de janeiro deste ano, um panorama econômico completamente ao contrário do que acontecia nos últimos cinco anos, com o bolo da economia crescendo menos, piorando a distribuição de renda, uma inversão de tendência que não se sabe se é permanente.

Uma desaceleração do PIB de dez pontos percentuais entre os terceiro e quarto trimestres de 2008 (de 6,3% para um crescimento negativo de 3,6%), que Marcelo Neri enfatiza como sendo “equivalente ao crescimento da China antes da crise”.

A classe C, que vinha crescendo nos últimos cinco anos, chegando a 53,8% da população em dezembro de 2008, caiu para 52% em janeiro, no primeiro e único sinal até agora de que a crise chegou ao bolso do cidadão médio.

O desafio, para Marcelo Neri, é não deixar que esse ponto crítico se torne crônico.

Ele acha que o Brasil tem fundamentos macroeconômicos sólidos e instrumentos para não deixar que os avanços se percam, mas sua preocupação é “se estamos usando esses instrumentos adequadamente, na sintonia fina”.

Neri teme o risco “de não chegarmos tão rápido quanto precisaríamos, devido à política monetária do Banco Central”.

Escaldado com a inflação, o Banco Central não estaria preparado para enfrentar a atual crise: “Não temos cultura de grandes depressões econômicas”.

Marcelo Neri ressalta que a crise atual tem o viés de afetar mais os mais prósperos, porque é uma crise financeira que atinge os setores mais modernos da economia, que lidam com a economia internacional.

Segundo seu estudo, a probabilidade de cair das classes A, B, C aumentou de setembro a dezembro em 2%, mas, em janeiro e fevereiro, essa probabilidade aumentou para 12%.

“A crise, de janeiro a fevereiro, mudou o patamar no bolso do brasileiro, que vinha sendo poupado”, avalia.

A classe dominante em termos populacionais é a C, que tem 52%, mas a classe AB é a dominante em termos econômicos, com 55% da renda.

Por isso, diz Marcelo Neri, a popularidade do presidente Lula foi poupada no começo, pois a mais atingida foi a classe AB, que não representa muita gente. Em janeiro, a classe C passou a ser atingida.

Marcelo Neri diz que Ben Bernanke, presidente do Fed, o Banco Central americano, “sabia desde o começo que esta era uma situação atípica e que ele deveria fazer alguma coisa além do que os manuais indicam”.

Por isso, no Brasil, a parada súbita de janeiro na renda do brasileiro e do PIB, uma contrapartida da outra, foi combatida de maneira errada, diz ele.

“Precisávamos injetar demanda na economia e houve uma lentidão nisso. E, na política fiscal, estamos errando porque a crise virou uma desculpa para ‘conquistas de direitos’, aumentos do salário mínimo, da Bolsa Família, que são gastos permanentes que podem afetar o equilíbrio de nossas contas públicas”, adverte Neri.

Para ele, poderíamos implementar de emergência, provisoriamente, “um abono transitório, que é o que Taiwan está fazendo, o que os Estados Unidos estão fazendo.

Agora soou o alarme de que os gastos aumentaram.

Um déficit conjuntural em época de crise, tudo bem, mas virar um déficit estrutural coloca em perigo o crescimento futuro”.

Marcelo Neri diz também que o governo está dando ênfase ao PAC e ao plano de habitação, “que têm seu lado positivo por serem planos de investimentos, mas demoram a acontecer, portanto os empregos não serão criados tão cedo”.

Ele lembra que a melhoria da renda do brasileiro pode ser atribuída da seguinte maneira: 10% salário mínimo, 40% Bolsa Família e 50% do trabalho, que tem um papel importante. “Estamos perdendo o crescimento do emprego formal, que é o grande símbolo do crescimento da classe C”, diz ele.

O Bolsa Família deveria ser usado como um instrumento de seguro. Ele lembra que o presidente Lula falou que o Pelé ainda entraria em campo, se referindo à queda dos juros. “Acho que o mercado interno é o Pelé, e a pesquisa mostra que se esse é mesmo o ponto forte, ele se contundiu em janeiro. O Bolsa Família seria o Tostão para ajudar o Pelé, o mercado interno”.

Os estudos mostram, segundo Neri, que o mercado interno, embora abalado, ainda está aquecido, especialmente no Nordeste, e o Bolsa Família poderia ser usado como instrumento de seguro, e não para qualquer situação, “de uma maneira mais inteligente”.

Ele cita a Fundação Bill Gates e várias outras instituições que estão querendo saber sobre microsseguro. “Esta é a agenda do futuro, depois da crise, como o microcrédito foi nos últimos 20 anos. Como é que você segura a população mais vulnerável em época de crise?”.

Se o Brasil pensasse mais em seguro e menos em uma maneira mecânica de garantir os direitos sociais permanentes, diz Neri, poderia ser muito mais generoso no momento da crise porque saberia que aquele gasto não ficaria pesando no orçamento depois.

“O Bolsa Família atinge 25% da população e tem uma capilaridade e agilidade, depende apenas de uma decisão administrativa. Mas a mentalidade não é essa. Se você aumenta os direitos, aumenta os deveres de quem paga imposto e trava o lado real da economia”, finaliza Marcelo Neri.

DANUSA LEÃO

A falta de informação

FOLHA DE SÃO PAULO - 12/04/09

E claro que Obama não soube do mensalão, das vezes que Lula se esconde e finge que não é com ele, das viagens



OK, NINGUÉM É perfeito. Mas por um momento Obama nos pareceu a pessoa mais perfeita do mundo; aquele presidente que adoraríamos ter. Mas pouco tempo passou para ele dar uma pisada de bola. Foi quando disse, de maneira elogiosa, que Lula era o "cara". Tudo bem, ele não pode saber de tudo o que acontece no Brasil, mas para isso tem 500 assessores que deveriam contar as barbaridades que o nosso presidente diz -e permite que façam.
Pode, no auge da crise, Lula dizer que tudo não passava de uma marolinha? Pode dizer que a culpa de tudo era dos brancos de olhos azuis? Além da bobajada, existe na frase uma conotação racista, e se fosse o contrário -um presidente dizendo que a culpa da crise era dos morenos de olhos escuros-, seria acusado de racismo, o que no Brasil é crime. Na mão e na contramão.
E claro que Obama não soube do mensalão, das vezes que Lula se esconde e finge que não é com ele, das viagens que faz o tempo todo -acho que fica mais tempo viajando do que em Brasília-, da cara-de-pau com que cruza o país no seu lindo avião com sua protegida Dilma já fazendo campanha, quando é proibido por lei que a campanha comece dois anos antes da eleição.
Será que Obama sabe que a mulher do presidente é ítalo-brasileira, pois conseguiu um passaporte italiano para ela e para o filho, coisa jamais vista numa primeira-dama de um país? Não que seja ilegal, mas para que a mulher de um presidente quer outro passaporte, para ela e para o filho, se ela, com seu passaporte diplomático, tem todas as regalias quando chega a outro país? É claro que Lula estava de acordo; então é esse "o cara"?
Até uma estrela do PT plantaram nos jardins tombados do Alvorada, como se o palácio fosse deles. Obama não deve saber também que Lula nomeou mais de 200 mil funcionários, onerando em milhões o orçamento do país. Não deve saber também dos cartões corporativos, com os quais os funcionários gastavam sem prestar contas ao governo -e como gastavam. Nem deve saber das estrepolias de Lulinha, outro escândalo do governo.
Nem dos quase 200 diretores do Senado, pois ele não sabe de nada; nem ele nem Sarney, presidente daquela casa de marimbondos. Nem ao menos quantos são seus funcionários. Os jornais não dão conta de falar de tudo porque não há espaço, já que cada dia tem um novo. "Esse é o cara". Que mancada, Obama.
Por que Lula não chama os presidentes da Câmara e do Senado e não dá uma dura neles, para que ponham ordem na casa? Porque o que se passa ali dentro nem nosso senhor Jesus Cristo é capaz de saber. E a gráfica do Senado, com não sei quantos funcionários? E a TV do governo, que nunca ouvi falar que alguém tenha visto? Você já viu?
Eu juro que me deu pena quando ouvi Lula dizer que achava chique emprestar dinheiro ao FMI, como se fosse um lavrador que um dia emprestasse dinheiro a seu patrão que sempre o humilhou. Fiquei com pena e compreendi. O que não me impede de lembrar que Lula largou de mão seus companheiros mais próximos, como Genoino e Mercadante, como se nunca os tivesse conhecido.
Isso não é bonito, é falta de lealdade -para não dizer de caráter-, por isso acho que Obama errou feio quando disse que ele "é o cara". "O cara"; mas que pisada de bola, seu Obama.