sexta-feira, dezembro 19, 2008

DORA KRAMER

Um elogio à divergência


O Estado de S. Paulo - 19/12/2008

Se o PMDB estivesse nessa história à vera, primeiro não teria feito a escolha mais polêmica, legal e politicamente falando; segundo, teria sacramentado a candidatura de Garibaldi Alves à reeleição na presidência do Senado muito antes, como fez o PT com o senador Tião Viana e o PMDB na Câmara, com Michel Temer.


Logo, vale a velha norma: em matéria de partidos (especialmente o PMDB), de políticos, de eleições e dos três juntos, duvide do que os olhos vêem, desconfie dos que os ouvidos ouvem. Quando uma coisa não combina com a outra e nenhuma delas bate com a lógica, é mentira na certa.

Nessa apresentação do nome do senador Garibaldi como a solução do PMDB para a presidência do Senado, nada combina com nada.

O partido é, junto com o PT, o maior aliado do governo Luiz Inácio da Silva, cujo apreço pelo escolhido é zero menos 20; entre várias possibilidades, escolhe-se logo a única passível de contestação na Justiça; ninguém no PMDB nunca deu a menor pelota para o desejo de Garibaldi de se reeleger.

De repente, ele que vinha se escorando em pareceres de juristas amigos - entre outros motivos para não pagar uma fortuna - aparece com três opiniões técnicas diferentes, uma delas pelo menos de profissional sabidamente caro e reconhecidamente enfronhado no mundo político. 

Garibaldi Alves saiu-se bem melhor que a encomenda nesse um ano na presidência do Senado, em substituição a Renan Calheiros. Se se fizer uma enquete na rua é possível que seja citado como um dos mais - se não o mais - bem avaliados dos parlamentares. 

Mas a mola do Congresso não são os gestos de grandeza, as ações ousadas, os atos admirados. Lá o critério é o do acerto, do arranjo, cuja matéria-prima base é a convergência.

Pois a candidatura de Garibaldi, noves fora a legitimidade do desejo pessoal de cada um, é um verdadeiro elogio à divergência. 

O governo é contra, o PT avisa que vai contestar na Justiça, a oposição não fecha toda com Garibaldi e nem no PMDB há unanimidade. Ao contrário, também nessa questão o partido está a léguas de distância da unanimidade.

Isso, deixando de lado o questionamento jurídico.

Está tudo muito esquisito. Muito mais com cara de manobra do que com jeito de solução. A dúvida é: o PMDB manobra para quê?

Por enquanto, muito se suspeita, mas pouco se sabe. No momento, o partido parece mais interessado em embaralhar as peças e confundir quem assiste ao jogo.

Da forma sinuosa de quem quis uma coisa querendo outra, o partido explicita um problema qualquer. É nítida a existência de intenções subjacentes, mas a vista não consegue distinguir exatamente quais sejam.

No máximo vislumbra-se a vontade do PMDB de ter uma conversa com o presidente Luiz Inácio da Silva. Dá para perceber também que a idéia é que o interlocutor direto seja o senador José Sarney.

Além desse ponto, porém, não é possível ver mais nada com clareza: é fisiologismo misturado com briga interna, junto com movimentos antecipados de 2010, associados a interesses individuais, acoplados a planos mais ou menos coletivos, tudo envolto em gestos, palavras e atos fictícios, pérfidos e traiçoeiros.

Trata-se por ora de pura embromação, pois o desfecho mesmo só começa a se desenhar no horizonte lá por meados de janeiro quando a proximidade da escolha (início de fevereiro) dos novos comandantes do Congresso obrigar os interessados a deixar de lado a problemática para tratar da solucionática.

Cru e quente

A recusa da Mesa da Câmara em aceitar a emenda constitucional que aumenta em 7.343 as vagas de vereadores em todo o País, aprovada pelo Senado, não foi “hostil” como qualificou o presidente da Casa, Garibaldi Alves.

A Câmara simplesmente não tinha outra saída. Se o Senado alterou a proposta - e alterou ao retirar um artigo que reduzia os porcentuais de receitas dos municípios para as Câmaras Municipais -, a emenda não poderia mesmo ser promulgada.

O Senado atropelou-se na pressa de atender à pressão dos vereadores e a Câmara cumpriu o regimento. Nada além disso. 

Trama

O ex-deputado Walter Brito foi eleito por um partido de oposição, mudou para a situação, uma vez desembarcado em Brasília - vindo da Paraíba -, fez isso depois do prazo estipulado pela Justiça para mudanças injustificadas de partido, confrontou as decisões de dois tribunais superiores, mas se acha vítima de uma insidiosa conspiração.

Urdida nas entranhas do Supremo, naturalmente, dada a comparação que ele faz da cassação de seu mandato por infidelidade partidária com julgamentos do caso Daniel Dantas. “Vale a pena uma reflexão a respeito”, diz o rapaz, cuja suspeita é a de que tenha “contrariado interesses”. Poderosíssimos, claro.

Mais ridículo impossível.

ANCELMO GOIS

Assim na terra...


O Globo - 19/12/2008
 

Não se faz mais comunista como antigamente. 

Raúl Castro saiu do almoço no Itamaraty de braços dados com o núncio apostólico Dom Lorenzo Baldisseri. 

Toca "Travessia"? 

Quem tem soltado a voz nas festas de fim de ano em Brasília é Dilma Rousseff. 

Já virou piada entre petistas: a superministra de Lula, dizem os gaiatos, não pode ver alguém com um violãozinho que já quer cantar. 

Aliás... 

As preferidas da pré-candidata do PT à Presidência em 2010 são as de Roberto Carlos. 

Fez sucesso um dueto dela com o ministro José Múcio em "Debaixo dos caracóis", homenagem do Rei a Caetano Veloso, gravada depois pelo baiano.

Dinheiro ao mar 

Há horas em que a Petrobras parece gostar de jogar dinheiro no mar. Está fundeado no Porto de Pecém, no Ceará, desde 22 de julho, um navio carregado de GNL (Gás Natural Liquefeito). 

Pela conta de gente do setor, por dia parado, a estatal perde uns US$100 mil. No caso, a conta do preju estaria na casa de uns US$15 milhões.

Parque Bossa Nova 

Rendeu novo fruto o chamego de Sérgio Cabral com Lula. O ministro do Turismo, Luiz Barreto, ligou quarta para o governador e liberou os primeiros R$2 milhões da construção do Parque da Bossa Nova, no Leblon, onde hoje está o 23º Batalhão da PM. 

A obra vai custar R$10 milhões, mas Cabral só entrará com R$2 milhões. Os demais R$8 milhões serão federais 

Caixa no Rio 

Eduardo Paes esteve com Maria Fernanda Ramos Coelho, presidente da Caixa. 

O prefeito eleito atua para que o banco de investimento que a CEF está criando tenha sede no Rio

ILIMAR FRANCO

Ano ruim

Panorama Político

O Globo - 19/12/2008
 

O Congresso não tem o que comemorar, de acordo com o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar. O Diap fez uma avaliação da produção legislativa, neste ano, e concluiu: "grande quantidade, baixa qualidade". Ao dizer que "a produção legislativa ficou a desejar em termos de qualidade", cita os fracassos na votação das reformas política e tributária e da lei que dá nova regulamentação à edição de medidas provisórias. 

O alvo é a opinião pública 

Apesar do fraco desempenho do Legislativo, os presidentes do Senado e da Câmara procuraram salvar suas imagens na reta final do mandato. O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), devolveu a Medida Provisória das Filantrópicas depois de ela ter sido admitida. Arrancou aplausos da oposição e da sociedade. Ontem foi a vez da operação resgate da imagem do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Ele negou-se a promulgar a lei que aumenta o número de vereadores no país. Os dois gestos foram bombásticos. Garibaldi é candidato à reeleição no Senado e dizem que Chinaglia é candidato a ministro. 

O fundo ficou sem fundos" - Sérgio Guerra, presidente do PSDB, ironizando a não aprovação de crédito suplementar de R$14 bilhões para o Fundo Soberano 

O DOM DA PALAVRA. Em audiência pública, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) chamou ontem o presidente do BC, Henrique Meirelles, de senador. Ao se desculpar, o petista se justificou, dizendo que Meirelles foi eleito deputado federal, mas agora tinha se acostumado ao Senado. "É a diferença entre o aeroporto e a rodoviária", disse o petista. Pegou mal. Mais tarde, ele tentou consertar dizendo que comparava o Congresso (rodoviária) ao BC (aeroporto), e não a Câmara ao Senado. 

Promessas 

Osmar Serraglio (PMDB-PR) lança hoje sua candidatura à presidência da Câmara. Entre as suas propostas: construção de um novo prédio para ampliar os gabinetes dos deputados e plano de saúde para os funcionários comissionados.

Atarantada 

Depois da queda do Fundo Soberano e da PEC dos Vereadores, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) deu um ataque ontem com um lobista: "Não dá! Estou com uma bomba estourando atrás da outra! Estou sem dormir! Não vou te ouvir!" 

Pegou mal e ele vai assumir 

Diante da repercussão negativa, o deputado Frank Aguiar (PTB-SP) recuou e vai assumir a vice-prefeitura de São Bernardo. Ele pretendia ficar na Câmara e concorrer ao Senado pelo Piauí em 2010. "Não posso trair a confiança de um povo. Não sou eu quem vai deixar essa história manchada. Agradeço ao presidente Lula e ao prefeito (Luiz Marinho), que achavam que eu ajudaria mais a cidade ficando na Câmara", disse ele. 

PÉROLA do senador Mão Santa (PMDB-PI) ao defender a PEC dos Vereadores: "Um vereador para mim é um senador municipal, e um senador é um vereador federal". Que tal, hein!? 

ASSEDIADO por um suplente de vereador, o líder do PT, Maurício Rands (PE), não agüentou: "Não resmunga para mim. Resmunga com o Arlindo (Chinaglia)". 

OS PETISTAS definiram seus nomes para a Mesa da Câmara: Marco Maia (RS) na primeira vice-presidência e Odair Cunha (MG) na terceira secretaria.

ESPOSA PERFEITA, AGORA ELA EXISTE

Programador constrói esposa robótica no Canadá



da Folha Online

Seu corpo é de pin-up, seu rosto é bonito e seus cabelos, sedosos. Além disso, é boa na matemática, fala dois idiomas, é ótima dona-de-casa e sempre está feliz ao servir drinques para seu companheiro. Não dorme e não come. Aiko, 2, é uma robô que foi criada pelo seu "marido", o programador canadense Lê Trung, 33, que nunca encontrava tempo para relacionamentos reais.

Durante os dois anos em que trabalhou em Aiko, Trung gastou por volta de 14 mil euros criando a sua garota dos sonhos. A robô foi gerada a partir de silicone e genuína tecnologia de inteligência artificial. "Aiko é a concretização da ciência encontrando a beleza", disse o programador ao tablóide inglês "The Sun".

Barcroft Media
Le Trung, 33, mostra sua "esposa" à sociedade; mulher robótica, feita de silicone e tecnologia artificial, sente toques e fala dois idiomas
Le Trung, 33, mostra sua "esposa" à sociedade; mulher robótica, feita de silicone, sente toques, serve drinques e fala dois idiomas

Ela também identifica rostos, aromas e fala 13 mil palavras. Aiko "sente" quando é tocada, e produz reações ao toque --e pode se "irritar" quando alguém é brusco. "Como uma mulher de verdade, ela terá reações quando tocada, em certas situações. Se você a tocar com força, ela dá um tapa em você".

A mulher robótica de Trung começa o dia lendo as manchetes dos jornais para ele, em inglês ou japonês. O casal passeia de carro, e Aiko geralmente dita as direções a seguir. Sempre jantam juntos --Aiko não tem muito apetite, mas acompanha o marido todas as noites.

O programador diz que seu relacionamento com Aiko ainda não se estende ao leito nupcial, mas é tudo uma questão de um "pequeno ajuste" para que ela se torne a sua esposa por completo. "Seu software pode ser redesenhado para que ela simule que está tendo um orgasmo", afirma Trung.

Sobre como a sociedade encara o relacionamento, Trung disse ao jornal "Daily Mail" que "as pessoas têm reações distintas quando conhecem Aiko. Alguns a amam, outros a odeiam. Algumas pessoas ficam com raiva, e me acusam de brincar de Deus. Outros querem tacar pedras nela. Mas muitas pessoas ficam fascinadas", conta.

Barcroft Media
Mulher-robô Aiko, 2, faz limpeza e orienta passeios de automóvel
Mulher-robô Aiko, 2, faz limpeza; seu "marido" diz que um "pequeno ajuste" permitirá as núpcias do "casal"

SEXTA NOS JORNAIS

Globo: Senado ignora a crise e aprova na madrugada pacote de gastos

Folha: Lula não vê motivos para demissões nas empresas

Estadão: Orçamento corta R$ 4,8 bi do PAC

JB: Maia é obrigado a cancelar sua festa

Correio: Condomínios entram na lei

Valor: Petrobras confirma plano de US$ 31 bi para refinarias

Gazeta Mercantil: Autopeças recebem R$ 3 bilhões do BB

Estado de Minas: Farra termina antes de começar

Jornal do Commercio: HR sem solução

quinta-feira, dezembro 18, 2008

D.EUZÉBIA MG


ALGUMAS IMAGENS DA TRAGÉDIA EM DONA EUZÉBIA MG

CLIQUE NAS FOTOS PARA AMPLIAR
FOTOS DE ALINE







MG:TRAGÉDIA EM D. EUZÉBIA E CATAGUASES


Em Cataguases, na Zona da Mata, só é possível entrar ou sair de barco. A água encobriu carros e quase atingiu o telhado das casas. Móveis e eletrodomésticos foram arrastados. Famílias se arriscavam para salvar o que restou. 

“Perdi guarda-roupa, estante nova... Eu perdi todas as minhas coisas”, lamenta Marisfátima Ferreira, dona de casa. 

Sem poder voltar para casa, muitos ficaram na rua. “Tivemos que sair correndo, largar tudo, mas não tem jeito a gente tem que enfrentar a situação de frente”, fala Edvaldo Coelho, vigia. 

A enxurrada formou uma corredeira nesta avenida do município de dona euzébia, também na Zona da Mata. No fim da tarde, o Rio Pomba já ameaçava encobrir esta ponte. 

DONA EUZÉBIA MG:TRAGÉDIA EM MINAS

PARA VER ENCHENTE DE 2012 CLIQUE AQUI

A cidade mineira de Dona Euzébia, zona da mata, encontra-se debaixo d'água. Os moradores foram retirados de suas residências em barcos. O rio Pomba que corta a cidade, atingiu, segundo moradores, o seu maior volume. No momento a cidade encontra-se sem água e sem enérgia. Mais detalhes logo mais aqui no blog.
vejam abaixo algumas fotos da tragédia.



ELIANE CANTANHÊDE

Voltas que o mundo dá


Folha de S. Paulo - 18/12/2008
 

Enquanto Bush leva sapatadas no Iraque e é excluído da Cúpula da América Latina e do Caribe na Bahia, Raúl Castro vira a estrela do megaencontro de 33 países e é recebido com tapete vermelho por Lula hoje em Brasília. São as voltas que o mundo dá.
Jornalista deve ser imparcial, apartidário e todas essas coisas, mas, se o regime é de exceção, o jornalismo também é. Bush mandou tropas e levou sapatos, legando para a história uma imagem contundente da sua saída da Casa Branca, no rastro de duas guerras e de uma crise internacional jamais vista.
Já os presidentes sul-americanos estão cada vez mais parciais, partidários e todas essas coisas contra os EUA, com ou sem Bush, e a favor de Cuba, com Fidel e agora mais ainda com o moderado Raúl, que promete abrir a ilha. Só não se sabe como.
Segundo Raúl, seu desejo é transformar o Brasil no sócio "número um" de Cuba, mas ele fez questão de passar em Caracas antes de chegar à Bahia e a Brasília na sua primeira viagem depois de assumir o cargo.
Se o Brasil e Lula são o número um, Chávez vem antes do um. E a competição passa pelo petróleo.
Chávez faz jorrar petrodólares em Cuba, e a Petrobras anunciou investimentos de US$ 8 milhões para prospecção na ilha. Isso é só o começo, e os negócios bilaterais cresceram cerca de 60%. São decisões objetivas, ao contrário do lero-lero démodé da Venezuela, da Bolívia e cia. contra Washington, e bem mais produtivas do que as sapatadas que, vira e mexe, Evo Morales e Rafael Correa dão, e outros ameaçam dar, no Brasil.
Ao criar o Conselho Sul-Americano de Defesa, o Cone Sul começa a enterrar a JID (Junta Interamericana de Defesa). Com a Cúpula da América Latina e do Caribe e a volta de Cuba, a região começa a enterrar a OEA. A diferença? É que os EUA fazem parte da JID e da OEA, mas estão fora do Conselho e da Calc.
Tomara que seja uma estratégia adulta, não uma birra infantil.

ANCELMO GOIS

Operação abafa


O Globo - 18/12/2008
 

O deputado Miro Teixeira tem recebido pressão política para desistir da proposta de criar uma CPI do COB. 

É gente que diz temer que o barulho da CPI atrapalhe a candidatura do Rio às Olimpíadas de 2016. É. Pode ser. 

Malan sai do conselho 

Com a fusão Itaú-Unibanco, alguns conselheiros dos dois bancões não vão continuar na nova sociedade. 

Um é o ex-ministro Pedro Malan, que era do Unibanco. 

Partido da Boquinha 

No mesmo dia em que o PMDB confirmou sua indicação para disputar a presidência do Senado, Garibaldi Alves Filho, que já comanda a Casa, emplacou a indicação de Paulo Varella para o cargo de diretor da Agência Nacional de Águas. 

A fila anda 

Com a previsão de saída hoje da Câmara do deputado Walter Brito, por infidelidade partidária, a fila de processos no TSE vai começar a andar. 

Quatro casos de deputados que trocaram de partidos ainda não foram julgados - Clodovil, Geraldo Resende, Paulo Rubem Santiago e Davi Alves.

MÓNICA BÉRGAMO

De Sanctis é "premiado" por Fernando Meirelles


Folha de S. Paulo - 18/12/2008
 

O juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo e responsável, entre outras, pela prisão do banqueiro Daniel Dantas, ostenta em sua mesa, orgulhoso, um troféu que a revista "Veja São Paulo" entregou aos "Paulistanos do Ano" há uma semana.

Não, o juiz não estava entre os premiados (um grupo que incluía a atriz Sandra Corveloni, a geneticista Mayana Zatz e o jornalista Laurentino Gomes). O troféu acabou em sua mesa porque o cineasta Fernando Meirelles, homenageado na categoria cinema, decidiu enviá-lo ao juiz junto com uma cartinha.

"Ao subir no palco para receber o troféu, disse que me sentia honrado pelo reconhecimento mas que havia um paulistano que merecia o prêmio muito mais do que eu, que nos orgulhava pela sua postura e capacidade de resistir às pressões e que como ele não estava na lista dos contemplados da noite eu repararia o lapso e daria a ele meu prêmio. Este paulistano evidentemente é você [Fausto] e o prêmio, conforme o prometido diante de muitas testemunhas, aí está", escreveu Meirelles ao juiz.

Os dois não se conhecem, mas, na carta, o cineasta se derrama ainda em elogios e dá os "parabéns" ao juiz "pela sua coragem, correção e fibra, que são inspiradoras. Seu exemplo tem uma dimensão transformadora que raras figuras neste país igualam".

Sobre a placa no troféu que leva seu nome, o cineasta colocou um papel e escreveu, a caneta, o nome de seu homenageado particular.

Côncavo

A defesa do caso em que Antonio Palocci é acusado de ordenar a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo se dividiu. Os advogados do ex-ministro pediram ao STF (Supremo Tribunal Federal) o desmembramento do processo. Eles ficaram contrariados com mais um pedido de adiamento do julgamento feito pela defesa de Jorge Mattoso, ex-presidente da CEF (Caixa Econômica Federal), onde o sigilo foi quebrado.

CONVEXO 
O advogado de Mattoso, Alberto Toron, afirma que pediu o adiamento do julgamento, que seria realizado nesta semana, porque vai viajar para os EUA. E diz que não se opõe ao desmembramento do caso.

CADEIRA ELÉTRICA 
Depois de Gilmar Mendes, presidente do STF, entrevistado na segunda passada, a TV Cultura leva o delegado Protógenes Queiroz, da Operação Satiagraha, ao centro do "Roda Viva" na próxima semana.

COMPANHEIROS


QUINTA NOS JORNAIS

Globo: Petróleo tem maior corte de produção da História

Folha: Governo libera até R$ 95 bi para crédito

Estadão: Bancos terão R$ 95 bi a mais para emprestar

JB: Rio acelera desmatamento

Correio: Aumento de servidor fica para depois...

Valor: Juro zero nos EUA muda mercado e dólar desaba

Gazeta Mercantil: Governo injeta mais R$ 100 bi na economia

Estado de Minas: Minas debaixo d'água

quarta-feira, dezembro 17, 2008

ÉLIO GASPARI

Um bom motivo para mudar a sede do Copom


O Globo - 17/12/2008
 

O papeleiro Bernard Madoff deu um tombo de US$50 bilhões de dólares nas melhores praças do mundo, de Nova York a Palm Beach, de Tóquio a Genebra. Esse ervanário equivale a toda a carteira de financiamentos de automóveis do Brasil no início deste ano. 

Madoff era um "Senhor do Universo", ex-presidente do conselho da Bolsa Nasdaq, financiador do Partido Democrata. Morava num apartamento de 9 milhões de dólares, com iate nas Bahamas. Desde 1991 seu fundo rendia 10,5% ao ano. 

Quem quiser, acredite na seguinte história: no final de novembro, quando o índice Standard & Poor"s registrava uma queda de 37,65%, o fundo de Madoff rendia 5,6%. Na terça-feira da semana passada, depois de ter mencionado que seus investidores pretendiam sacar US$7 bilhões, ele disse aos dois filhos, com quem administrava o negócio, que pretendia distribuir um bônus de US$200 milhões na empresa. No dia seguinte eles confrontaram-no com o problema de caixa, e Madoff confessou que estourara. Um de seus filhos chamou o advogado, que procurou as autoridades. Na quinta-feira, o "Senhor do Universo" estava preso. (Foi libertado com uma fiança de US$10 milhões.) 

Os filhos de Madoff, como Nosso Guia no caso do mensalão, de nada sabiam. Tudo bem. Essa história só será conhecida quando um dos repórteres do mercado financeiro que acompanha o caso publicar um livro contando o que soube. 

Segundo Madoff, seu fundo não passava de "um gigantesco esquema de Ponzi". Referia-se ao estouro de Carlo Ponzi, que em 1920 lesou 30 mil pequenos investidores americanos oferecendo-lhes rendimento de 50% em 45 dias. Era o velho golpe da pirâmide. Como não havia atividade econômica, muito menos preços de mercadorias que remunerassem a festa, ela acabou. Ponzi detonou algo como US$200 milhões em dinheiro de hoje. Uma ninharia. 

Há uma diferença entre Ponzi e Madoff. Um enganou o andar de baixo. O outro lesou o de cima, de maganos de clubes de golfe, fundos de Wall Street e grandes bancos globais. Ponzi foi um vigarista episódico. Madoff é um vigarista num mercado financeiro neoponziano. Beneficiou-se da leniência dos serviços reguladores americanos. 

Durante nove anos driblou denúncias, até que entrou mal num cruzamento e capotou. Ao contrário de Ponzi, Madoff oferecia um rendimento modesto, semelhante à Bolsa Copom de Nosso Guia. O estouro derivou da má-fé do doutor, mas operadores de má-fé fazem parte do jogo. A anomalia esteve na falta de fiscalização, num ciclo econômico durante o qual demonizou-se a vigilância do poder público. 

Madoff irá para a cadeia, de onde dificilmente sairá, pois tem 70 anos. 

Ponzi pagou mais caro. Ele tinha 38 anos quando foi encarcerado e passou 11 preso, muitos dos quais costurando cuecas. Libertado, chegou ao Brasil em 1939 e viveu no Rio de Janeiro tentando pequenos negócios e lecionando inglês. Contava que na cadeia convivera com Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, os anarquistas eletrocutados em 1927. 

Paralítico e cego, morreu em 1949 no hospital da Santa Casa. Vivia à custa da previdência social brasileira. Morou na Rua Engenho Novo 118, apartamento 102. 

O doutor Henrique Meirelles deveria comprar o prédio e instalar nele a sede oficial do Copom. 

ANCELMO DE GOIS

Paes vai a Davos


O Globo - 17/12/2008
 

A primeira viagem ao exterior de Eduardo Paes será ainda em janeiro, mês da posse. Vai com Sérgio Cabral ao Fórum Mundial de Davos, na Suíça, dia 28. 

Os dois irão divulgar o Fórum Econômico Mundial da América Latina, que será no Rio, de 14 a 16 de abril. 

Aliás... 

Trazer essa versão latina de Davos para o Rio não foi fácil. O presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, por exemplo, tentou levar o evento para a sua Bahia. 

Em tempo: no livro de ocorrências do Palácio Guanabara, sede do governo do Rio, há outros registros de má vontade de Gabrielli com o estado. 

Lula e Roger 

Quinta retrasada, dia 4, um dia depois de a Vale anunciar a demissão 1.300 empregados no mundo, Lula teve, na Base Aérea do Rio, uma conversa com Roger Agnelli, comandante da mineradora. 

O presidente estava muito irritado com a decisão da Vale. 

O destino de Carla 

Segue o mistério sobre o que Nicolas Sarkozy e Carla Bruni farão depois do dia 23, quando acaba a agenda oficial no Rio. 

Uma opção, além de Fernando de Noronha, é o Txai Resort, em Itacarezinho, BA, já inspecionado pelos franceses.

Disque-denúncia 

Um promotor eleitoral de Seropédica, no Rio, está ameaçado de morte. As ameaças chegaram ao TRE-RJ.

AUGUSTO NUNES

Brasil faz bonito no ranking fora-da-lei

Jornal do Brasil 17.12.08

NA CABEÇA DO BRASILEIRO,o segundo lugar é o primeiro dos últimos, ensinou o piloto Nelson Piquet, duas vezes campeão mundial da Fórmula-1. No país que só festeja o vitorioso, é isto ou aquilo. É a taça ou o fiasco. O aplauso ou a piada. A ovação ou a vaia. A medalha de ouro ou o nada. O topo do ranking ou as profundezas do inferno. Um vice não merece festa. E qualquer coisa abaixo disso é motivo de vergonha nacional, notícia a confinar em cantos de página, desastre a esquecer. Melhor fazer de conta que nem aconteceu. Essa megalomania sem pé nem cabeça já não se restringe a esportes praticados em público, sugere o descaso com que foi tratado pela gente da terra um acontecimento histórico: neste começo de dezembro, o Brasil subiu para a quinta colocação no ranking dos 10 países mais corruptos entre os 22 mais ricos do mundo. A avaliação é feita pela ONG Transparência Internacional, idealizadora da competição, que atribui aos concorrentes notas de 0 a 10. Quanto menor, maior é a roubalheira. A nota 7,4 conferida à corrupção verde-amarela fez justiça a uma performance extraordinária. Pela primeira vez, o Brasil empatou com a poderosa Itália, várias vezes campeã, e derrotou rivais do calibre de Taiwan e Coréia do Sul. Só não superou as potências do G-4: Rússia (5,8), China (6,5), México (6,6) e Índia (6,8). Nada disso pareceu impressionante aos olhos sempre exigentes da nação. A cobrança é a mesma, seja qual for a modalidade. O País do Futebol é tão rigoroso com a Seleção de Dunga quanto com a equipe que representa a pátria em campeonatos fora-da-lei. A corrupção nasceu com o Descobrimento, mas só neste começo de século o Brasil assimilou os fundamentos necessários a quem pretende fazer bonito ladroagem de alto rendimento. Desde sempre, como no atletismo e em outros esportes olímpicos, o país dependeu do talento individual dos campeões de nascença, que seriam vencedores mesmo se viessem ao mundo pelo Haiti. A roubalheira em equipe, mais complexa e mais eficaz, também é bem mais recente. Estreou oficialmente em 1993, quando emergiram dos porões do Congresso os "Anões do Orçamento", assim batizados em homenagem à baixa estatura e alta periculosidade. A quadrilha formada por deputados federais de distintos partidos mostrou como se age em grupo, e em parceria com prefeituras e empreiteiras. O tamanho da bandidagem e a inventividade dos álibis avisaram que a roubalheira ficara mais atrevida. O parlamentar pernambucano João Alves, por exemplo, atribuiu à sorte os milhões que lhe caíram repentinamente no colo: acertara 221 vezes na Loteria Federal. A chegada da corrupção brasileira aos tempos modernos consumou-se em julho de 2005, com a drenagem do pântano do mensalão. Em perfeita afinação, agora a jogavam juntos delinqüentes recrutados em todos os poderes e na iniciativa privada. O Executivo cedeu artilheiros em ação nos ministérios e nas estatais. O Legislativo contribuiu com dribladores veteranos ou em ascensão. O Judiciário escalou os juízes mais clementes. O presidente da República fez de conta que não viu nem a fase de treinos. Apoiada por banqueiros e publicitários, a multidão de corruptos deixou claro que podia jogar de igual para igual com os piores adversários. O quinto lugar no ranking ficou de bom tamanho, mas a turma já pode sonhar com a liderança, informaram dois casos de polícia recentíssimos. A captura do mensaleiro com euros na cueca avisou que a turma vai voltando à rotina do pecado. A descoberta da quadrilha chefiada pelo presidente do Tribunal de Justiça capixaba provou que até desembargadores entraram em campo. É só questão de tempo. A taça vem aí.


As 60 temporadas do craque
Mirem-se no exemplo de Villas-Bôas Corrêa, sugiro aos jornalistas que vêm chegando. Nascido para caçar notícias e criado para interpretá-las com argúcia, há 60 anos Villas esbanja, em textos sempre refinados, talento, independência, coragem, equilíbrio e todas as outras qualidades que fazem um grande craque da imprensa. Ele não é apenas o mais experiente. É o melhor de todos nós.

NAS ENTRELINHAS

Caminho de tormentas


Correio Braziliense - 17/12/2008
 

Neste ambiente de incertezas econômicas, o PT começou a manobrar na Câmara para mudar as regras do jogo da sucessão presidencial


O Brasil fecha o ano navegando em mar de incertezas. A crise mundial atormenta o governo, os empresários e a oposição, mas a maior indefinição — por causa das projeções econômicas — é a sucessão presidencial. Como dizia o poeta lusitano, tudo é incerto e derradeiro, tudo é disperso, nada é inteiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo as pesquisas, ostenta os melhores índices de sua avaliação, mas a do governo e a confiança na economia já são arranhadas pela crise. Como Lula não pleiteia um terceiro mandato, a sucessão presidencial é apenas uma linha no horizonte, para usar a imagem de Fernando Pessoa. 

Todas as medidas adotadas pelo governo dos Estados Unidos e pela União Européia não foram suficientes para evitar a recessão mundial. A crise do mercado financeiro continua sendo um baú de surpresas desagradáveis. O espanto da semana foi a falência dos fundos geridos pelo ex-presidente da Nasdaq Bernard Madoff, calculados em US$50 bilhões. As bolsas dos Estados Unidos e da Europa foram atingidas, bem como investidores brasileiros que aplicavam em fundos geridos pelo Santander e HSBC. O fundo era uma pirâmide “Ponze”, uma operação financeira que pagava altos rendimentos aos seus investidores com dinheiro de novos clientes, como se fossem lucros reais. Ou seja, puro estelionato. Ontem, o Goldman Sachs anunciou prejuízo líquido de US$ 2,12 bilhões. Entre os emergentes, dois gigantes, Índia e Rússia, estão sentindo fortemente o baque; a China também, porém é mais robusta. O Brasil aparece em melhor situação, mas também sente o tranco. 

O enigma 
Todos os economistas que falam sobre a crise (alguns permanecem na muda) defendem categoricamente a redução da taxa de juros. Até agora, a única justificativa para mantê-la no patamar atual é a preservação da autoridade do Banco Central, a chamada credibilidade da autoridade monetária. É uma razão subjetiva demais para uma situação onde todos os fatores objetivos apontam em direção contrária. A expansão da economia atingiu seu ponto máximo em outubro. A arrecadação de novembro caiu. As projeções para o primeiro trimestre do ano apontam para a forte redução da atividade econômica, apesar do otimismo do discurso do presidente Lula. É que a demanda de bens de consumo desabou, principalmente de bens duráveis, como automóveis, e o crédito ficou mais curto e caro. A inflação está domada, mas o Banco Central argumenta que não baixa os juros porque ainda há muitas incertezas na economia. Ou seja, para preservar a credibilidade, promove a insegurança. 

A manobra 
Nesse ambiente de incertezas econômicas, o PT começou a manobrar na Câmara para mudar as regras do jogo da sucessão presidencial. O relatório do deputado João Paulo Cunha que propõe o fim da reeleição e mandatos de cinco anos foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça. A proposta abre espaço para a reapresentação do projeto de plebiscito que permitiria ao presidente Lula disputar o terceiro mandato. A reforma eleitoral também ameaça acabar com as coligações, restabelecer a cláusula de barreira e abrir a janela para o troca-troca partidário um ano antes da eleição. É um atalho para o golpismo continuísta. Lula não embarcou na aventura, mas o “queremismo” pode ganhar força com a crise. Enquanto isso, os governadores tucanos José Serra e Aécio Neves afiam os floretes. 

A terceira via 
Quando a candidatura do Michel Temer parecia consolidada, com a adesão do bloco de oposição PSDDB-DEM-PPS ao acordo PMDB-PT, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) se lançou candidato a presidente da Câmara com apoio do bloquinho PSB-PDT-PCdoB. Ambos são ex-presidentes da Casa e enfrentarão Ciro Nogueira (PP-PI) e Milton Monti (PR-PR). Essa eleição promete um segundo turno imprevisível. Na Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN) tenta uma estranha reeleição, mais um sinal de que o candidato petista Tião Viana (AC) não consegue o apoio da bancada do PMDB para ocupar a Presidência da Casa. Por incrível que pareça, os dois movimentos são mais sincronizados do que se imagina. Sinalizam que a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), ainda não empolgou os aliados de Lula.

DORA KRAMER

Condutor e passageiros


O Estado de S. Paulo - 17/12/2008

O governo pode não saber direito se as medidas pró-consumo terão algum efeito real sobre os efeitos da crise econômica no Brasil, mas o presidente Luiz Inácio da Silva sabe perfeitamente o que faz quando pega no microfone e enche a alma do brasileiro de otimismo, dando à crise um sentido de intriga da oposição.


Os resultados das últimas pesquisas de avaliação de desempenho mostram com nitidez a habilidade de Lula no manejo de emoções. Sem um dado preciso para embasar as opiniões, 62% das pessoas consideram que as medidas do governo estão no rumo certo e apenas 29% já sentem conseqüências negativas no dia a dia.

Compare-se a quantidade de entusiastas ao contingente de afetados e não será difícil compreender a ascensão dos índices de popularidade de Lula à casa dos 80%. Se a maioria ainda não sentiu o problema no bolso, natural que a maioria prefira acreditar que nada de mau acontecerá.

O equívoco de quem se surpreende com a capacidade de Lula de ficar no alto na adversidade é acreditar que popularidade está necessariamente ligada a razões objetivas, enquanto quase sempre guarda relação com motivações subjetivas.

Lula pegou a coisa no ar quando a crise explodiu nos Estados Unidos. Jogou a culpa no colo de George Bush, depois transferiu responsabilidade ao “sistema” neoliberal e, enquanto apontava seus adversários políticos como torcedores do desastre, montava com capricho o nicho de onde reina quando é preciso tirar o corpo fora.

De um lado, anunciando medidas para não vir a ser acusado de apatia governamental e, de outro, construindo o discurso triunfalista em ritmo de Brasil grande.

Resultado, a maioria, quando perguntada, não tem dúvida: a crise é grave, mas o governo faz a sua parte.

Uma brevíssima reflexão ensejaria a dúvida a respeito de qual parte mesmo se trata, mas no mundo das percepções captado pelas pesquisas, convenhamos, isso não passa de detalhe.

Quase tão irrelevante quanto a relação direta entre os índices de preferência eleitoral obtidos pelo rol de possíveis candidatos a presidente e o comportamento do eleitorado daqui a um ano e dez meses.

Só influem nas movimentações partidárias em torno dos pretendentes. Fora isso, vale quase zero saber que a oposição venceria qualquer candidato que não fosse Lula, que Dilma Rousseff é desconhecida por 48% das pessoas a despeito de sua exposição praticamente diária como candidata há dez meses e que 43% poderiam votar em quem o presidente pedisse.

A transferência automática de votos observada na recente eleição municipal falou bem melhor sobre a distância entre o ato da venda e a decisão de compra do produto eleitoral.

Bolha

Um tantinho demasiada a interpretação de alguns senadores de que a pretensão do presidente do Senado, Garibaldi Alves, de se reeleger poderia abrir espaço à idéia de um terceiro mandato para governantes em geral - Lula em particular.

A questão de Garibaldi não é institucional, embora seja matéria constitucional. Além disso, o plano diz respeito a um segundo e terceiro mandato.

Como as excelências estão cansadas de saber disso, há má-fé por parte dos intérpretes: tanto dos que recorrem à alegação para não assumir a rejeição a Garibaldi Alves de novo, quanto dos eternos praticantes do “se colar, colou”.

A história é simples de ser resolvida. Se o PMDB quiser mesmo lançar o nome dele, uma rodada de consultas informais a ministros do Supremo Tribunal Federal resolve o problema da segurança jurídica.

As condições e conveniências políticas da candidatura podem ser obtidas mediante sondagens no Senado mesmo. Considerando que o partido não vai entrar numa empreitada dessas para comprar briga com a Constituição nem com as intenções de voto dos senadores, a celeuma é desnecessária.

A menos que haja no PMDB e no PT gente interessada em alimentar o contencioso entre os dois partidos para amanhã transformá-lo em pretexto. 

Cerca Lourenço

A motivação dos pemedebistas para o acirramento do conflito com os petistas seria 2010. Hoje o partido arrasta um bonde pela candidatura de José Serra não por amor às suas olheiras, mas por carinho ao primeiro lugar nas pesquisas.

Uma minoria assume, a maioria faz juras de fidelidade ao presidente Lula a fim de manter uma política mais que de boa vizinhança, de ótima permanência.

Entre os minoritários assumidos estão as seções do partido em São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Piauí e Roraima.

Entre os majoritários enrustidos se incluem todos os ministros, governadores e demais interessados nas verbas e nos cargos, cujo desfrute ainda se estende por mais dois anos. São facilmente reconhecíveis pelos elogios enfáticos em público e a descrença veemente em particular à candidatura Dilma Rousseff.

SAPATADA

QUARTA NOS JORNAIS

Globo: Que país é este, em que se rouba flagelado?

Folha: Juro nos EUA cai para quase zero

Estadão: Para combater recessão, EUA deixam juros perto de zero

Correio: A crise deles...EUA reduzem taxa de juros a 0,25% ao ano... e a nossa: R$ 44 milhões para apartamento de deputado

Valor: Redução de custo tira o sono de empresários e executivos

Estado de Minas: As duas faces de uma tragédia anunciada

segunda-feira, dezembro 15, 2008

ADRIANA FERNANDES

E petização da Receita chega a escalões intermediávios

  Estadão:

Em meio à crise financeira que já mostrou forte impacto na arrecadação de novembro, a secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, promoveu nos dois últimos meses a mais profunda mudança de pessoal dos últimos 40 anos. As trocas, que no início do mês chegaram aos escalões intermediários com a substituição de mais de 50 coordenadores, têm provocado um grave problema de descontinuidade, paralisando setores como a fiscalização, combate à sonegação e repressão ao contrabando.
Auditores fiscais experientes já falam em "colapso" e "falta de comando" nessas áreas. Segundo eles, a estratégia de ações de fiscalização traçada para esse ano foi interrompida desde que a nova secretária assumiu o cargo em julho passado.Com o agravamento da crise, a reestruturação da Receita numa "tacada só" já levou apreensão à Casa Civil e a áreas do Ministério da Fazenda que lidam diretamente com a preparação de medidas tributárias, negociações com o Congresso, simulações, previsão e acompanhamento de arrecadação.
A avaliação dos fiscais é que a secretária foi politicamente inábil ao fazer uma mudança tão profunda de uma vez só e em meio à crise. Lina Maria mudou também o regimento da Receita e fez uma reforma ampla na estrutura do órgão. "Mesmo que os nomeados sejam competentes, não se muda todos os chefes sem prejuízos para a administração. É assim também nas empresas", disse uma fonte do Palácio do Planalto. Segundo a fonte, com a "crise chegando" na arrecadação o ministro da Fazenda, Guido Manteg, terá de dar uma atenção maior à Receita. No dia-a-dia, é o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, quem lida com a área. É ele o "padrinho" da escolha da secretária para o cargo.
Além de mudar os secretários-adjuntos, a secretária promoveu substituições nos cargos mais estratégicos. Entre eles, os superintendentes regionais, trocados majoritariamente por sindicalistas, conforme publicou o Estado em novembro passado.
Agora, as mudanças, publicadas no Diário Oficial da União de 5 de dezembro, chegaram ao escalão intermediário. O subsecretário Carlos Alberto Barreto, único remanescente da cúpula da equipe anterior, deve sair no início do ano.

UMA GOSTOSA SEMANA


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COLUNA PAINEL

Jardim suspenso


Folha de S. Paulo - 15/12/2008
 

O projeto do túnel ligando o Congresso ao Palácio do Planalto foi para a geladeira, mas o Senado tem pelo menos quatro concorrências em fase de tomada de preços na reta final do mandato de Garibaldi Alves (PMDB-RN), com gastos que atingem R$ 750 mil. A mais cara das obras é "um viveiro de plantas totalmente ecológico e auto-sustentável", ao preço de R$ 315 mil. Inclui banheiros em granito e escada caracol.
O pacote de benfeitorias inclui a construção de um arquivo de fitas para a TV Senado (R$ 173 mil) e de subestações para a gráfica da Casa (R$ 183 mil), além da reforma completa de banheiros e cozinhas de quatro apartamentos funcionais (R$ 82 mil).

Serviços 1
O Senado também contratou a Plansul, vencedora de concorrência para fornecer 337 funcionários à TV da Casa, ao custo de R$ 1,9 milhão por mês durante um ano. A empresa substituirá a Ipanema, que teve o contrato suspenso após denúncias de fraudes reveladas na Operação Mão-de-Obra da PF. 

Serviços 2
Especializada em terceirização de pessoal, a Plansul vem ampliando seus negócios na Esplanada. Faturava, em média, cerca de R$ 3 milhões anuais em contratos, mas em 2007 foram R$ 9,9 milhões. Antes de vencer no Senado, já havia conseguido R$ 5,5 milhões neste ano. 

Canelada
Do ministro Tarso Genro (Justiça), sobre a afirmação de Nelson Jobim (Defesa) de que o Supremo assegurou a presença do Exército na Raposa/Serra do Sol: "O que o ministro Jobim está dizendo é o óbvio, que o Ministério da Justiça defende desde o começo para manter a continuidade [da reserva]". 

Credenciais
Diante dos pedidos para que sua fala fosse breve na reunião da ala petista Mensagem ao Partido, Marina Silva alegou que era difícil falar só 20 minutos, "por três motivos": "Sou mulher, professora e política!". 

Meteorologia
No mesmo encontro, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, listou as medidas do governo anticrise e, com ar hesitante, concluiu: "Todo esse quadro é um quadro indeterminado quanto ao seu efeito final".

Gol contra. Já defendida publicamente pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), a redução no preço da gasolina ainda não saiu pela preocupação do governo com a saúde financeira dos usineiros de álcool, que estão em plena entressafra. O aumento no desemprego rural seria grande. 

Fronteiras
Um dos pontos altos da reunião das cúpulas latino-americanas, que começa hoje na Costa do Sauípe (Bahia), será a discussão para aprovar o Código Aduaneiro do Mercosul, último passo para a união aduaneira no Cone Sul, sonho antigo de Lula. 

Lembra?
Candidatos à liderança do PSDB na Câmara, Paulo Renato e Emanuel Fernandes têm repetido à exaustão na bancada que, há dois meses, foi acertado que "não haveria recondução do líder". Argumentam que, à época, José Aníbal (SP), que agora quer ficar no posto, avalizou. 

Pano
Presidente do PSDB, o senador Sérgio Guerra (PE) contemporiza: "A Executiva está acompanhando o processo e não vai ter crise". Mas já há quem afirme na cúpula tucana que um novo nome surgirá para abafar a disputa. 

Gaveta
Caminha para o arquivamento a investigação da Corregedoria da Câmara contra Ademir Camilo (PDT-MG) e João Magalhães (PMDB-MG), alvos da Operação João de Barro da PF. O argumento é que o STF se recusa a fornecer documentos. 

Forcinha
O Ministério do Esporte repassou R$ 25 milhões à Confederação Brasileira de Futebol de Salão para a organização do mundial da categoria, em Brasília e no Rio de Janeiro, em outubro.

Tiroteio

"Nas eleições deste ano, não houve demanda por quantidade, e sim por qualidade. Mas, como em 2010 haverá outra eleição, mais vereadores equivalem a mais cabos eleitorais."


Do deputado 
CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre emenda aprovada na CCJ do Senado para criar mais 7.343 cadeiras de vereador no país.

Contraponto

Na marca do pênalti

Autoridades em série prestigiaram, na quarta passada, a posse de Ubiratan Aguiar no Tribunal de Contas da União. Embora satisfeito com o evento, o novo presidente, vascaíno apaixonado, estava um tanto sentido com o rebaixamento de seu time para a segunda divisão.
Encerrada a solenidade, o governador Jaques Wagner (PT) disse em tom grave ao grupo que o acompanhava:
-Eu estou muito preocupado com a fiscalização do TCU sobre as contas da Bahia...
A má sorte do Vasco havia sido decidida no domingo anterior, na última rodada do Campeonato Brasileiro, com uma derrota por 2 a 0 para o Vitória da Bahia.

INFORME JB

Garibaldi já tem a maioria no PMDB


Jornal do Brasil - 15/12/2008
 

Na bancada do PMDB, pelo menos 13 dos 20 senadores já apóiam a idéia de reeleição do presidente do Senado, Garibaldi Alves (RN). Garibaldi revelou o sonho na sexta. Telefonou para José Sarney (AP), o guardião do partido. Sarney achou ótima idéia. Renan Calheiros (AL) soube, ainda tem dúvidas. Sarney, outrora cotado, agora quer cuidar da saúde da filha, a senadora Roseana (MA). Para tentar a reeleição, Garibaldi se sustenta em pareceres jurídicos que encontraram brechas no regulamento da Casa. Mas o apoio da maioria não basta. Ele tem que desbancar dentro do partido os ministros Hélio Costa e Edison Lobão. Os nomes serão postos à mesa na quarta, quando o PMDB – que não abre mão da candidatura – deve escolher seu candidato. Ou reforçar favoritos. Depois, cuidam do PT, que reivindica a vaga para Tião Viana.

Não, Lula Base?

O presidente Lula chamou ao palácio um senador da base governista e pediu seu voto para Leomar Quintanilha (PMDB), que disputa vaga no TCU com o ex-senador José Jorge, do DEM. Ouviu um singelo "não posso".

Que base?

O senador declinou mesmo. Disse que já tinha compromisso com o candidato da oposição.

Confissões mineiras

O ex-presidente Itamar Franco foi dos primeiros a saber que Aécio Neves será candidato à Presidência. Com telefonema do próprio.

Caminhos certos

Dentro do PSDB há gente que explica esse lançamento adiantado. O povo mineiro não perdoa quem abandona uma luta. O fato, por ora, é que José Serra é o candidato ao Planalto, e Aécio ao Senado.

Fera ferida

Depois que Lula mandou o recado a Ciro Gomes avisando que ele não seria o vice de Dilma Rousseff, deu no que deu. O deputado começou a esbravejar contra o PT. Justamente na sexta-feira que a ministra lançou-se, extra-oficialmente, à sucessão do chefe.

Rio que te quero bem

A Anac terá um prédio de oito andares no Rio como sede. A presidente Solange Vieira ficará mais perto de casa.

Olho nele

O prefeito eleito de Juiz de Fora, deputado federal Custódio Matos (PSDB), anuncia hoje o restante de seu secretariado. Serão 18 pastas. Metade dos colaboradores já tinham sido escolhidos.

Pós-Aécio

O tucano foi secretário do governador Aécio Neves até poucos meses atrás, e pode aparecer como opção do governador de Minas para sua sucessão.

Desfiou

Depois que inaugurou sua rede varejista, a Paramount, uma das maiores produtoras de tecidos finos do país, enfrenta boicote das redes de varejo de roupas masculinas, a quem vendia a maior parte da produção de peças de lã fria.

Desfiou 2

O dono da Paramount, Fuad Mattar, prepara mudanças. No final do ano passado, o grupo já rompera uma parceria de 30 anos com a famosa marca Lacoste.

Adiantou nada

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, é membro do Conselho de Administração da Paramount.

Mulheres, atentai

A jornalista Rozane Monteiro, ex-JB, lança na quarta o seu primeiro romance, Sua Excelência, o canalha (Litteris), na qual lembra as agruras de um relacionamento. Na Livraria Da Conde, no Leblon.

ARQUITETURA


ANCELMO DE GOIS

O Natal dos Silva


O Globo - 15/12/2008
 

Ontem, em São Bernardo, na casa de Frei Chico, o irmão que levou Lula para o sindicalismo, teve festa de Natal da família Silva. 

Quem veio para a reunião, diretamente de Paris, onde passa uma temporada, foi a atriz Glória Pires. É ela quem vai viver Dona Lindu, mãe do presidente, em "Lula, o filho de Lindu", cinebiografia que Fábio Barreto vai levar às telas. 

Aperte o cinto 

Amanhã, o bicho vai pegar. É que a Anac realiza uma audiência pública para discutir a proposta da agência de permitir novos vôos no Santos Dumont. 

A mudança agrada à noviça Azul e desagrada a Sérgio Cabral, TAM e Gol. 

Maluco beleza 

Da ministra Dilma Rousseff, nas comemorações dos 90 anos da Farmanguinhos, ao ser apresentada a Mauro Marzochi, subsecretário de Saúde da prefeitura do Rio: 

- Cesar Maia é completamente maluco, mas é competente, talentoso para algumas coisas e não é corrupto. 

É. Pode ser. 

Se beber, não dirija 

O Ministério da Justiça vai começar a distribuir amanhã aos estados 10 mil etilômetros (nome metido a besta dos bafômetros). 

Na primeira etapa, o Rio vai receber 279. 

Festa dos banqueiros 

Calote é coisa feia. Mas o Paraguai tem certa razão em reclamar que a dívida de Itaipu parece um saco sem fundo. 

É que ainda falta pagar US$19,6 bi da dívida, que só vence em 2023 (quase 50 anos depois do início da obra da usina).

No mais 

O Brasil deve manter distância no convescote de amanhã, na Costa de Sauípe, na Bahia, de Rafael Correa. O equatoriano, como se sabe, tenta aplicar um calote no BNDES. 

Lula deve, como lembrou um leitor, mirar-se no protesto de Antônio Callado contra a ida do ditador Costa e Silva a um almoço na ABI, em 1968: 

- Não se almoça com quem quer nos jantar. 


O deputado Marcelo Freixo, do PSOL, relator da CPI das Milícias do Rio, diz que todos os milicianos presos hoje são integrantes do DEM e do PMDB.

RICARDO NOBLAT

O truque de sempre


O Globo - 15/12/2008
 

"Tem gente que vai se deitar rezando: Tomara que a crise pegue o Brasil para esse Lula se lascar." (Lula, como de hábito)

Tomara que, ao fim e ao cabo, Lula esteja certo, e a crise econômica que abala o mundo não passe entre nós de uma marolinha vagabunda, incapaz de ser surfada. Porque, do contrário, seremos obrigados a suportar Lula e seus aliados atribuindo a culpa pela crise aos governos anteriores e, para variar, também à mídia “irresponsável e golpista”.

 

Quanto à oposição, essa não sabe sequer tirar proveito do que se tornou uma marca do discurso oficial do governo e dos seus áulicos: a previsibilidade. Há problemas? A culpa é dos governos que antecederam o atual. O PT meteu os pés pelas mãos? PSDB e DEM meteram antes. O mensalão, por exemplo, foi algo diferente de caixa dois. No caso dele, pagou-se propina a deputados. Caixa dois é dinheiro ilegal doado a partidos.

 

Lula negou o mensalão e admitiu o caixa dois, certamente um crime perdoável aos olhos dele, e cometido por todos os partidos. O Supremo Tribunal Federal aceitou a denúncia do procurador-geral da República contra 40 mensaleiros integrantes “de uma sofisticada organização criminosa” que tentou se apossar de parte do aparelho do Estado. A denúncia distingue muito bem mensalão de caixa dois.

 

Este ano, como o governo reagiu à descoberta do mau uso do cartão de crédito corporativo? Demitiu a ministra da Igualdade Racial, que pagara com cartão as compras em um shopping de aeroporto. Em seguida, a Casa Civil da ministra Dilma Rousseff providenciou um levantamento sobre despesas sigilosas do governo Fernando Henrique Cardoso pagas com cartão. A idéia era a de sempre: se erramos, nossos adversários também erraram.

 

O discurso a ser repetido diante de um possível agravamento da crise por aqui foi testado e aprovado com louvor na semana passada, durante reunião em São Paulo de 240 dirigentes do PT de 26 estados. Ricardo Berzoini, presidente do PT, esteve presente e concordou com ele. O ex-ministro José Dirceu também. Coube ao expansivo Gleber Naime, secretário nacional de Comunicação do PT, resumir o discurso: “A crise tem pai e mãe. Ela é uma crise do modelo neoliberal, daqueles que no Brasil defenderam as idéias de desregulamentação do Estado, ou seja, o PSDB e o DEM. E esse debate o PT vai fazer. Os neoliberais perderam.”

 

Curioso, no mínimo. Com que modelo o PT governou até agora? Com o que recebeu pronto. Antes de começar a governar, havia assegurado, por meio da famosa “Carta aos brasileiros”, assinada por Lula, que não mexeria no modelo — como não mexeu. Antonio Palocci, o primeiro ministro da Fazenda, mimou Pedro Malan, a quem sucedeu. Henrique Meirelles, eleito deputado federal pelo PSDB, foi nomeado presidente do Banco Central.

 

Com o tal modelo, o governo foi bem-sucedido. A decisão de conservá-lo ajudou Lula a alcançar admiráveis 70% de aprovação popular. É pura malandragem faturar o que o modelo ofereceu de bom ou de razoável e culpar a oposição por seus graves defeitos. Quer dizer: tudo que derivou de positivo do modelo deve ser creditado unicamente ao PT e ao seu líder máximo. O que derivou de ruim, a uma oposição que mal consegue se opor.

 

A denúncia do modelo que sustentou o governo, e que foi por ele sustentado, vem acompanhada da crítica à mídia, acusada de “espetacularizar” a crise porque não gosta de Lula e do PT. Nada de original há nisso também. A mídia foi sempre apontada como inimiga do governo toda vez que algum escândalo o ameaçou. A memória coletiva é curta. Confiram nos arquivos como ela tratou os governos passados envolvidos em escândalos.

 

Das figuras políticas mais antigas ainda na ativa, somente o senador José Sarney (PMDB-AP) pode dar testemunho do que é governar de fato com a mídia toda alinhada contra ele. Nem por isso foi por fraqueza que Sarney evitou antagonizá-la. Foi por entender que é melhor para a democracia uma mídia repleta de falhas do que nenhuma mídia. A companheirada prefere uma mídia amestrada. Não terá.