
sexta-feira, junho 27, 2008
PIAAAAADA
DJALMÃO
Favela, dia de sol, calor infernal. Três homens entram num barraco
pequeno, quente e úmido, arrastando um rapaz magrinho e franzino pelos braços.
Lá dentro, o Djalmão, um negão enorme, muito suado, fedendo, cara de enjoado, palito no canto da boca, limpando as unhas com um facão de cortar côco.
Um dos homens diz:
- Djalmão, o Chefe mandou você comer o cu desse cara aí. Disse que é pra ele aprender a não se meter a valente com o pessoal da favela.
A vítima grita de desespero e implora por perdão. Mas o Djalmão apenas rosna, ignorando os lamentos do homem:
- Pode deixar ele aí no cantinho, que eu cuido dele daqui a pouco.
Quando o pessoal sai, o rapaz disse:
- Sr. Djalmão por favor, não faz isso comigo não, me deixa ir embora, eu não digo para ninguém que o senhor me deixou ir embora sem a punição...
Djalmão disse: - Cala boca e fica quieto aí.
Cinco minutos depois, chegam mais dois homens arrastando um outro:
- O chefe mandou você cortar as duas mãos e furar os olhos desse elemento aí. É pra ele aprender a não roubar dinheiro das "bocas de fumo" e nem botar olho grande no que é dos outros.
Djalmão, com voz grave: - Deixa ele aí no cantinho que eu já resolvo.
Pouco depois, chegam os mesmos homens, arrastando outro pobre coitado:
- Djalmão, o chefe disse que é pra você cortar o bilau desse cara aqui, pra ele aprender a não se meter com a mulher do chefe. Ah! Ele falou ainda pra você cortar também a língua dele e todos os dedos das mãos, para não haver a menor possibilidade dele bolinar mulher nenhuma na favela, tá?
Djalmão, voz mais grave ainda: - Já resolvo isso. Bota ele ali no cantinho, junto com os outros.
Os homens saem do barraco, e o primeiro rapaz entregue aos cuidados do Djalmão diz, com voz baixa:
- Seu Djalma, com todo o respeito...eu sei que o senhor é um homem muito ocupado, e eu estou vendo que tem muito serviço...Eu só queria lembrar, para o senhor não se confundir: O do cu sou
eu, tá?
COLABORAÇÃO ENVIADA POR APOLO.
DJALMÃO
Favela, dia de sol, calor infernal. Três homens entram num barraco
pequeno, quente e úmido, arrastando um rapaz magrinho e franzino pelos braços.
Lá dentro, o Djalmão, um negão enorme, muito suado, fedendo, cara de enjoado, palito no canto da boca, limpando as unhas com um facão de cortar côco.
Um dos homens diz:
- Djalmão, o Chefe mandou você comer o cu desse cara aí. Disse que é pra ele aprender a não se meter a valente com o pessoal da favela.
A vítima grita de desespero e implora por perdão. Mas o Djalmão apenas rosna, ignorando os lamentos do homem:
- Pode deixar ele aí no cantinho, que eu cuido dele daqui a pouco.
Quando o pessoal sai, o rapaz disse:
- Sr. Djalmão por favor, não faz isso comigo não, me deixa ir embora, eu não digo para ninguém que o senhor me deixou ir embora sem a punição...
Djalmão disse: - Cala boca e fica quieto aí.
Cinco minutos depois, chegam mais dois homens arrastando um outro:
- O chefe mandou você cortar as duas mãos e furar os olhos desse elemento aí. É pra ele aprender a não roubar dinheiro das "bocas de fumo" e nem botar olho grande no que é dos outros.
Djalmão, com voz grave: - Deixa ele aí no cantinho que eu já resolvo.
Pouco depois, chegam os mesmos homens, arrastando outro pobre coitado:
- Djalmão, o chefe disse que é pra você cortar o bilau desse cara aqui, pra ele aprender a não se meter com a mulher do chefe. Ah! Ele falou ainda pra você cortar também a língua dele e todos os dedos das mãos, para não haver a menor possibilidade dele bolinar mulher nenhuma na favela, tá?
Djalmão, voz mais grave ainda: - Já resolvo isso. Bota ele ali no cantinho, junto com os outros.
Os homens saem do barraco, e o primeiro rapaz entregue aos cuidados do Djalmão diz, com voz baixa:
- Seu Djalma, com todo o respeito...eu sei que o senhor é um homem muito ocupado, e eu estou vendo que tem muito serviço...Eu só queria lembrar, para o senhor não se confundir: O do cu sou
eu, tá?
COLABORAÇÃO ENVIADA POR APOLO.
SEXTA NOS JORNAIS
Folha de S.Paulo-País ignora o que ocorre em 14% da Amazônia, diz Incra
O Estado de S.Paulo- Bolsas desabam com risco nos EUA e petróleo
Jornal do Brasil- STJ concede liberdade a contraventor
O Globo- Bolsa Família sobe acima da inflação em ano eleitoral
Gazeta Mercantil- Petróleo bate novo recorde e se aproxima dos US$ 140
Valor Econômico- Ministro quer nova estatal e partilha para o petróleo
Estado de Minas- Terror assombra Contagem
Jornal do Commercio- Desembolsos do BNDES chegam a R$ 78,6 bilhões em 12 meses
Folha de S.Paulo-País ignora o que ocorre em 14% da Amazônia, diz Incra
O Estado de S.Paulo- Bolsas desabam com risco nos EUA e petróleo
Jornal do Brasil- STJ concede liberdade a contraventor
O Globo- Bolsa Família sobe acima da inflação em ano eleitoral
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Valor Econômico- Ministro quer nova estatal e partilha para o petróleo
Estado de Minas- Terror assombra Contagem
Jornal do Commercio- Desembolsos do BNDES chegam a R$ 78,6 bilhões em 12 meses
quinta-feira, junho 26, 2008
DE QUADRILHA
Que fique bem claro. É quadrilha junina.
A festança vai ser no Clube de Engenharia, amanhã 27 de junho. Pelas informações da rádio corredor, dizem que o capacete vai voar, pois tem umas engenherinhas que levantam qualquer estrutura. Lá, vai ter ainda, Mestre de Obra, Carpinteiro, Eletricista, Encanador etc. Estarei presente, por medida de segurança, levarei um rolo de VEDA ROSCA.
INFORMAÇÕES: TEL. 84 3211-1229
clique na foto para ampliar
Que fique bem claro. É quadrilha junina.A festança vai ser no Clube de Engenharia, amanhã 27 de junho. Pelas informações da rádio corredor, dizem que o capacete vai voar, pois tem umas engenherinhas que levantam qualquer estrutura. Lá, vai ter ainda, Mestre de Obra, Carpinteiro, Eletricista, Encanador etc. Estarei presente, por medida de segurança, levarei um rolo de VEDA ROSCA.
INFORMAÇÕES: TEL. 84 3211-1229
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MUDANÇA DE FOCO
Imprensa de Natal, se faz de morta para comer o cu do (e)leitor.
Passada duas semanas, que o chefe da quadrilha, o elemento Lauro Maia, foi preso junto com a sua gangue, os jornais de Natal não tocam mais no assunto. A mãe do marginal, a governadora Wilma Faria, inventou uma mudança no secretariado para tirar o foco da roubalheira do seu filho, irmãos e genro. Os jornais, bem, os jornais precisam de publicidade oficial.
O (e)leitor, foda-se.
Imprensa de Natal, se faz de morta para comer o cu do (e)leitor.
Passada duas semanas, que o chefe da quadrilha, o elemento Lauro Maia, foi preso junto com a sua gangue, os jornais de Natal não tocam mais no assunto. A mãe do marginal, a governadora Wilma Faria, inventou uma mudança no secretariado para tirar o foco da roubalheira do seu filho, irmãos e genro. Os jornais, bem, os jornais precisam de publicidade oficial.
O (e)leitor, foda-se.
INDEPENDENTE, MAS NEM TANTO
Presidência pede foco no longo prazo, e Ipea suspende projeções trimestrais
CIRILO JUNIORda Folha Online, no Rio
O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) não divulgará mais, a cada trimestre, as projeções para o cenário econômico. A ordem é da diretoria do órgão, que é subordinado à secretaria de Planejamento de Longo Prazo, dirigida pelo ministro Mangabeira Unger.
Técnicos do Ipea afirmaram que as novas projeções, que seriam divulgadas neste mês, já estão feitas, mas a ordem da diretoria é que não sejam anunciadas.
(...)Questionado sobre a decisão de não divulgar mais as projeções trimestrais, Sicsú explicou que ela foi tomada pelo colegiado do Ipea, que é independente mas segue orientação da Presidência para focar pesquisas de médio e longo prazo, uma vez que os indicadores presentes indicam estabilidade..
Presidência pede foco no longo prazo, e Ipea suspende projeções trimestrais
CIRILO JUNIORda Folha Online, no Rio
O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) não divulgará mais, a cada trimestre, as projeções para o cenário econômico. A ordem é da diretoria do órgão, que é subordinado à secretaria de Planejamento de Longo Prazo, dirigida pelo ministro Mangabeira Unger.
Técnicos do Ipea afirmaram que as novas projeções, que seriam divulgadas neste mês, já estão feitas, mas a ordem da diretoria é que não sejam anunciadas.
(...)Questionado sobre a decisão de não divulgar mais as projeções trimestrais, Sicsú explicou que ela foi tomada pelo colegiado do Ipea, que é independente mas segue orientação da Presidência para focar pesquisas de médio e longo prazo, uma vez que os indicadores presentes indicam estabilidade..
REINALDO AZEVEDO
RUTH CARDOSO 1 - Como não sou político, jamais deixo de lado a política
Em dois dos posts que escrevi sobre a morte da professora e antropóloga Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, lembrei, claro, do dossiê que foi tramado contra ela e o marido na Casa Civil, cuja titular é Dilma Rousseff. Alguns petralhas reclamaram indignados: “Nem numa hora como essa você deixa de falar sobre política, seu...” Não! Eu não sou e não serei político. Por isso jamais deixo a política de lado. Entenderam?
Os profissionais da área podem fazê-lo. Eu não. Lula é um que vive acusando os outros de “fazer política”. O homem determinou o reajuste dos valores do Bolsa Família. E ai de quem reagir, sugerindo que ele deveria fazê-lo depois das eleições de outubro. Ele diria que a pessoa está... “fazendo política”. O Babalorixa só pensa no bem das pessoas, ora essa. Esta estupidez perigosa — negar a política fazendo política — está na moda. Querem um exemplo? Barack Obama nos EUA. Parte de seu charme, para quem o acha charmoso, deriva de ele parecer um não-político acusando os adversários de... mesquinharias políticas
.Mas volto ao ponto. Sim, eu lembrei, sim, a obra do ministério de Dilma Rousseff, que teve o mau gosto de comparecer ao velório. E lembrarei outras vezes. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso conserva um papel institucional mesmo fora do poder. Ademais, é um homem civilizado. E não lhe cabia outro papel que não receber as condolências de Lula e seus ministros. É o que lhe recomendaria a sua parceira, mulher e amiga de mais de 56 anos. Na verdade, ele e Ruth se conheceram em 1948.
A morte de Ruth Cardoso nos surpreendeu a todos e, por algum tempo ao menos, parece ter tirado o país de uma espécie de transe. E nos demos conta, de súbito, de que chegava ao fim a trajetória de uma intelectual que, nos oito anos em que o marido foi presidente da República, comportou-se com uma elegância e discrição ímpares, sem, no entanto, deixar de fazer o seu trabalho: quem quer faça a genealogia honesta dos programas sociais em curso vai chegar às iniciativas de Ruth à frente do Comunidade Solidária. Mas uma lição da professora, no entanto, foi esquecida: ela tinha horror ao assistencialismo. Aliás, não custa anotar à margem: o governo FHC tinha uma espécie de vergonha de fazer propaganda de seus programas de transferência de renda. O lulismo, ao contrário, faz publicidade até da renda que não transfere.
Aos 77 anos, podendo viver uma vida confortável, dedicar-se apenas a seus livros, aos netos, às viagens que eventualmente fazia em companhia do marido em palestras mundo afora, Ruth, não obstante, trabalhava pra valer na ONG Comunitas, sucessora do Comunidade Solidária. E com recursos que buscava na iniciativa privada — aliás, era o que fazia também o Comunidade Solidária. A ONG de Ruth era mesmo “não-governamental”. Desde que se fez professora, no Brasil ou no exílio, jamais deixou de trabalhar. E a morte a encontrou, perto dos 80 anos... trabalhando! Não é espantoso? Ruth, sozinha, era um verdadeiro Partido dos Trabalhadores.
Sua frugalidade era notável e notória. Em tudo: dos gestos à vestimenta, do comportamento às palavras. Tinha uma incompatibilidade que parecia inata com o espetaculoso, o vulgar, o mundano. Media as palavras e ouvia educadamente o outro, sempre atenta ao sentido exato do que se dizia, cobrando precisão. Era, em suma, uma pessoa admirável.
Não é que certa estirpe hoje no poder ousou envolver o nome desta senhora exemplar numa tramóia para livrar o governo de revelar seus desatinos com os cofres públicos? A canalha comprometida com o dossiê sabe muito bem que o trabalho de plantação de notinhas em jornal sugerindo que FHC e Ruth viviam como nababos já havia começado. Sim, dossiê clandestino, mas forjado nos porões da Casa Civil. Quando as pegadas do comando já não podiam mais ser escondidas, então se inventou uma nova desculpa: aqueles gastos não eram mais sigilosos.Não, eu não sou político. Também não preciso, felizmente, sustentar nos ombros o papel institucional de FHC. E por isso reitero: a senhora Dilma Rousseff deveria ter alegado uma indisposição qualquer. De fato, poderia ter ficado em Brasília, reunida com Franklin Martins e José Múcio — também presentes ao velório —, todos eles personagens com algum grau de participação no — como é mesmo, Dilma? — “banco de dados” criado na Casa Civil.
Que as Erínias se encarreguem dos covardes que praticaram a lambança. Eu só ajudo com a memória. O ex-presidente está institucionalmente obrigado a poupá-los. Eu não estou. Três meses antes de Ruth morrer — trabalhando, aos 77 anos —, eles tentaram assassinar a sua reputação. Uma trama palaciana. Onde há um chefe inequívoco.
Morta, Ruth sobreviveu. Mesmo vivos, espero que eles não sobrevivam.
RUTH CARDOSO 1 - Como não sou político, jamais deixo de lado a política
Em dois dos posts que escrevi sobre a morte da professora e antropóloga Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, lembrei, claro, do dossiê que foi tramado contra ela e o marido na Casa Civil, cuja titular é Dilma Rousseff. Alguns petralhas reclamaram indignados: “Nem numa hora como essa você deixa de falar sobre política, seu...” Não! Eu não sou e não serei político. Por isso jamais deixo a política de lado. Entenderam?
Os profissionais da área podem fazê-lo. Eu não. Lula é um que vive acusando os outros de “fazer política”. O homem determinou o reajuste dos valores do Bolsa Família. E ai de quem reagir, sugerindo que ele deveria fazê-lo depois das eleições de outubro. Ele diria que a pessoa está... “fazendo política”. O Babalorixa só pensa no bem das pessoas, ora essa. Esta estupidez perigosa — negar a política fazendo política — está na moda. Querem um exemplo? Barack Obama nos EUA. Parte de seu charme, para quem o acha charmoso, deriva de ele parecer um não-político acusando os adversários de... mesquinharias políticas
.Mas volto ao ponto. Sim, eu lembrei, sim, a obra do ministério de Dilma Rousseff, que teve o mau gosto de comparecer ao velório. E lembrarei outras vezes. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso conserva um papel institucional mesmo fora do poder. Ademais, é um homem civilizado. E não lhe cabia outro papel que não receber as condolências de Lula e seus ministros. É o que lhe recomendaria a sua parceira, mulher e amiga de mais de 56 anos. Na verdade, ele e Ruth se conheceram em 1948.
A morte de Ruth Cardoso nos surpreendeu a todos e, por algum tempo ao menos, parece ter tirado o país de uma espécie de transe. E nos demos conta, de súbito, de que chegava ao fim a trajetória de uma intelectual que, nos oito anos em que o marido foi presidente da República, comportou-se com uma elegância e discrição ímpares, sem, no entanto, deixar de fazer o seu trabalho: quem quer faça a genealogia honesta dos programas sociais em curso vai chegar às iniciativas de Ruth à frente do Comunidade Solidária. Mas uma lição da professora, no entanto, foi esquecida: ela tinha horror ao assistencialismo. Aliás, não custa anotar à margem: o governo FHC tinha uma espécie de vergonha de fazer propaganda de seus programas de transferência de renda. O lulismo, ao contrário, faz publicidade até da renda que não transfere.
Aos 77 anos, podendo viver uma vida confortável, dedicar-se apenas a seus livros, aos netos, às viagens que eventualmente fazia em companhia do marido em palestras mundo afora, Ruth, não obstante, trabalhava pra valer na ONG Comunitas, sucessora do Comunidade Solidária. E com recursos que buscava na iniciativa privada — aliás, era o que fazia também o Comunidade Solidária. A ONG de Ruth era mesmo “não-governamental”. Desde que se fez professora, no Brasil ou no exílio, jamais deixou de trabalhar. E a morte a encontrou, perto dos 80 anos... trabalhando! Não é espantoso? Ruth, sozinha, era um verdadeiro Partido dos Trabalhadores.
Sua frugalidade era notável e notória. Em tudo: dos gestos à vestimenta, do comportamento às palavras. Tinha uma incompatibilidade que parecia inata com o espetaculoso, o vulgar, o mundano. Media as palavras e ouvia educadamente o outro, sempre atenta ao sentido exato do que se dizia, cobrando precisão. Era, em suma, uma pessoa admirável.
Não é que certa estirpe hoje no poder ousou envolver o nome desta senhora exemplar numa tramóia para livrar o governo de revelar seus desatinos com os cofres públicos? A canalha comprometida com o dossiê sabe muito bem que o trabalho de plantação de notinhas em jornal sugerindo que FHC e Ruth viviam como nababos já havia começado. Sim, dossiê clandestino, mas forjado nos porões da Casa Civil. Quando as pegadas do comando já não podiam mais ser escondidas, então se inventou uma nova desculpa: aqueles gastos não eram mais sigilosos.Não, eu não sou político. Também não preciso, felizmente, sustentar nos ombros o papel institucional de FHC. E por isso reitero: a senhora Dilma Rousseff deveria ter alegado uma indisposição qualquer. De fato, poderia ter ficado em Brasília, reunida com Franklin Martins e José Múcio — também presentes ao velório —, todos eles personagens com algum grau de participação no — como é mesmo, Dilma? — “banco de dados” criado na Casa Civil.
Que as Erínias se encarreguem dos covardes que praticaram a lambança. Eu só ajudo com a memória. O ex-presidente está institucionalmente obrigado a poupá-los. Eu não estou. Três meses antes de Ruth morrer — trabalhando, aos 77 anos —, eles tentaram assassinar a sua reputação. Uma trama palaciana. Onde há um chefe inequívoco.
Morta, Ruth sobreviveu. Mesmo vivos, espero que eles não sobrevivam.
QUINTA NOS JORNAIS
-FOLHA: Bolsa Família sobre acima da inflação em ano de eleições
-O ESTADÃO: BC eleva estimativa da inflação para 6%
-Jornal do Brasil:TRE autoriza obras na Providência
-O Globo: Bolsa Família sobe acima da inflação em ano eleitoral
-Gazeta Mercantil: Citigroup reestrutura o comando no Brasil
-Valor Econômico: Toyota decide construir fábrica de US$ 1 bi em SP
-Estado de Minas: Bolsa-família sobe 8% e passa inflação
-Jornal do Commercio: BC eleva projeção de inflação para 6% no ano
-FOLHA: Bolsa Família sobre acima da inflação em ano de eleições
-O ESTADÃO: BC eleva estimativa da inflação para 6%
-Jornal do Brasil:TRE autoriza obras na Providência
-O Globo: Bolsa Família sobe acima da inflação em ano eleitoral
-Gazeta Mercantil: Citigroup reestrutura o comando no Brasil
-Valor Econômico: Toyota decide construir fábrica de US$ 1 bi em SP
-Estado de Minas: Bolsa-família sobe 8% e passa inflação
-Jornal do Commercio: BC eleva projeção de inflação para 6% no ano
quarta-feira, junho 25, 2008
terça-feira, junho 24, 2008
OLHA AÍ, PALHAÇO
Essa é uma pequena amostra dos últimos dias
-PF prende 19 em operação contra lavagem .de dinheiro no Ceará
-Operação contra fraude em SC e SP prende delegados da PF e da Receita
-PF prende 40 acusados de integrar quadrilha de contrabando
- Receita e PF prendem 17 suspeitos por fraude de R$ 2 bi no setor de cana
-Receita e PF desmontam esquema que fraudou R$ 3 milhões no IR
-PF prende quatro em operação contra doleiros em SP
-Empresário é preso em SC acusado de lavagem de dinheiro
-Filho da governadora do RN é preso
-PF prende 18 por fraude de R$ 25 mi em financiamento de veículos
-Justiça Eleitoral embarga obras no morro da Providência
-Teixeira teve mais reuniões com Lula que com ministros
Essa é uma pequena amostra dos últimos dias
-PF prende 19 em operação contra lavagem .de dinheiro no Ceará
-Operação contra fraude em SC e SP prende delegados da PF e da Receita
-PF prende 40 acusados de integrar quadrilha de contrabando
- Receita e PF prendem 17 suspeitos por fraude de R$ 2 bi no setor de cana
-Receita e PF desmontam esquema que fraudou R$ 3 milhões no IR
-PF prende quatro em operação contra doleiros em SP
-Empresário é preso em SC acusado de lavagem de dinheiro
-Filho da governadora do RN é preso
-PF prende 18 por fraude de R$ 25 mi em financiamento de veículos
-Justiça Eleitoral embarga obras no morro da Providência
-Teixeira teve mais reuniões com Lula que com ministros
23/06/2008
Lula sabe o que fez
Fernando Canzian
Folha de são Paulo
O advogado Roberto Teixeira é amigo do presidente Lula há mais de 25 anos. Nessas duas décadas e meia prestou vários serviços ao presidente, pessoais e financeiros.
Além de ser padrinho de Luís Cláudio, filho mais novo do presidente, Roberto Teixeira tem a sua filha Valeska como afilhada de Lula. Por oito anos, Teixeira também cedeu à família Lula da Silva (sem cobrar nada) uma casa para que ela pudesse morar.
Quando Lula finalmente decidiu comprar um imóvel em 1996 (uma cobertura em São Bernardo do Campo), foi Teixeira quem o ajudou a fechar o negócio. O advogado chegou a comprar um carro de Lula para que o presidente pudesse "inteirar" a compra do imóvel. Outros dois apartamentos de Lula também já pertenceram a uma empresa que foi de Roberto Teixeira.
Após tanta generosidade, ficamos sabendo agora que Teixeira embolsou vários milhões de dólares para intermediar a venda da Varig à VarigLog. É um negócio cercado de suspeitas e possivelmente fora da lei, já que a legislação brasileira impede que grupos estrangeiros controlem uma empresa aérea nacional.
Com a ajuda de Teixeira, a VarigLog passou para as mãos do fundo estrangeiro Matlin Patterson. Outros três sócios brasileiros que entraram no negócio seriam apenas uma fachada para não caracterizar a ilegalidade.
Segundo a ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu, partiu do próprio Palácio do Planalto a decisão de dispensar os sócios na transação de comprovarem a origem do dinheiro para o negócio.
Lula já disse no passado que sua relação com Teixeira é só de amizade e que não é casado em comunhão de bens com o advogado. Disse também não saber quem são os clientes dele.
Não é verdade. No caso específico da VarigLog, o presidente não apenas sabia quem eram os clientes de Teixeira como se deixou fotografar com todos eles dentro do Palácio do Planalto. Nesse caso, o presidente não tem como negar, como já fez no passado, que não conhecia os clientes do advogado. Clientes que, por sinal, devem ter ficado muito impressionados com o acesso que Teixeira tem ao seu amigo presidente.
Teixeira também não conta toda a verdade sobre o caso. Na semana passada, enrolou senadores em Brasília ao dizer que recebeu apenas US$ 350 mil da VarigLog para dar uma força no negócio. Quatro dias depois, reportagem do 'Estado' revelou que Teixeira recebeu pelo menos US$ 3,2 milhões. Agora, o próprio Teixeira admite que o contrato tem um valor total de US$ 5 milhões (R$ 8 milhões).
Em 2005, Lula afirmou que não sabia e que não foi avisado sobre o maior escândalo de seu governo, o mensalão. No caso da VarigLog, o presidente também pode negar que tenha tomado conhecimento das suspeitas de irregularidade que cercam o negócio, como a preponderância do capital estrangeiro no controle da empresa.
Mas não há dúvida sobre o que o presidente sabe: onde morou de graça nos oito anos financiados por Teixeira e o que estava fazendo naquela foto.
Lula sabe o que fez
Fernando Canzian
Folha de são Paulo
O advogado Roberto Teixeira é amigo do presidente Lula há mais de 25 anos. Nessas duas décadas e meia prestou vários serviços ao presidente, pessoais e financeiros.
Além de ser padrinho de Luís Cláudio, filho mais novo do presidente, Roberto Teixeira tem a sua filha Valeska como afilhada de Lula. Por oito anos, Teixeira também cedeu à família Lula da Silva (sem cobrar nada) uma casa para que ela pudesse morar.
Quando Lula finalmente decidiu comprar um imóvel em 1996 (uma cobertura em São Bernardo do Campo), foi Teixeira quem o ajudou a fechar o negócio. O advogado chegou a comprar um carro de Lula para que o presidente pudesse "inteirar" a compra do imóvel. Outros dois apartamentos de Lula também já pertenceram a uma empresa que foi de Roberto Teixeira.
Após tanta generosidade, ficamos sabendo agora que Teixeira embolsou vários milhões de dólares para intermediar a venda da Varig à VarigLog. É um negócio cercado de suspeitas e possivelmente fora da lei, já que a legislação brasileira impede que grupos estrangeiros controlem uma empresa aérea nacional.
Com a ajuda de Teixeira, a VarigLog passou para as mãos do fundo estrangeiro Matlin Patterson. Outros três sócios brasileiros que entraram no negócio seriam apenas uma fachada para não caracterizar a ilegalidade.
Segundo a ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu, partiu do próprio Palácio do Planalto a decisão de dispensar os sócios na transação de comprovarem a origem do dinheiro para o negócio.
Lula já disse no passado que sua relação com Teixeira é só de amizade e que não é casado em comunhão de bens com o advogado. Disse também não saber quem são os clientes dele.
Não é verdade. No caso específico da VarigLog, o presidente não apenas sabia quem eram os clientes de Teixeira como se deixou fotografar com todos eles dentro do Palácio do Planalto. Nesse caso, o presidente não tem como negar, como já fez no passado, que não conhecia os clientes do advogado. Clientes que, por sinal, devem ter ficado muito impressionados com o acesso que Teixeira tem ao seu amigo presidente.
Teixeira também não conta toda a verdade sobre o caso. Na semana passada, enrolou senadores em Brasília ao dizer que recebeu apenas US$ 350 mil da VarigLog para dar uma força no negócio. Quatro dias depois, reportagem do 'Estado' revelou que Teixeira recebeu pelo menos US$ 3,2 milhões. Agora, o próprio Teixeira admite que o contrato tem um valor total de US$ 5 milhões (R$ 8 milhões).
Em 2005, Lula afirmou que não sabia e que não foi avisado sobre o maior escândalo de seu governo, o mensalão. No caso da VarigLog, o presidente também pode negar que tenha tomado conhecimento das suspeitas de irregularidade que cercam o negócio, como a preponderância do capital estrangeiro no controle da empresa.
Mas não há dúvida sobre o que o presidente sabe: onde morou de graça nos oito anos financiados por Teixeira e o que estava fazendo naquela foto.
LULA: O CORRUPTO
24/06/2008
Teixeira fez ao menos seis reuniões com Lula no Planalto
da Folha Online
A Presidência reconheceu que Roberto Teixeira esteve ao menos seis vezes no Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu compadre, desde 2006, em encontros não registrados na agenda pública de Lula. A informação está na reportagem de Letícia Sander e Alan Gripp na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).
O advogado é acusado de influir na aprovação da venda da VarigLog ao fundo Matlin Patterson e a três sócios brasileiros, em junho de 2006.
Ao menos dois desses encontros estão relacionados diretamente com o negócio, aprovado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) em junho de 2006. No mês seguinte, a VarigLog adquiriu a Varig.
A assessoria de Teixeira diz que as demais visitas foram apenas de cortesia ao amigo Lula. O Planalto argumenta que nem todos os compromissos do presidente são divulgados.
24/06/2008
Teixeira fez ao menos seis reuniões com Lula no Planalto
da Folha Online
A Presidência reconheceu que Roberto Teixeira esteve ao menos seis vezes no Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu compadre, desde 2006, em encontros não registrados na agenda pública de Lula. A informação está na reportagem de Letícia Sander e Alan Gripp na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).
O advogado é acusado de influir na aprovação da venda da VarigLog ao fundo Matlin Patterson e a três sócios brasileiros, em junho de 2006.
Ao menos dois desses encontros estão relacionados diretamente com o negócio, aprovado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) em junho de 2006. No mês seguinte, a VarigLog adquiriu a Varig.
A assessoria de Teixeira diz que as demais visitas foram apenas de cortesia ao amigo Lula. O Planalto argumenta que nem todos os compromissos do presidente são divulgados.
segunda-feira, junho 23, 2008
SEGUNDA NOS JORNAIS
FOLHA: PSDB lança Alckmin em convenção esvaziada
ESTADÃO: Serra promove acordo e PSDB confirma Alckmin
JB: Chacina deixa sete mortos no Rio
O GLOBO: MP começa a substituir Exército na Providência
GAZETA MERCANTIL: PAC e eleições impulsionam venda de asfalto
FOLHA: PSDB lança Alckmin em convenção esvaziada
ESTADÃO: Serra promove acordo e PSDB confirma Alckmin
JB: Chacina deixa sete mortos no Rio
O GLOBO: MP começa a substituir Exército na Providência
GAZETA MERCANTIL: PAC e eleições impulsionam venda de asfalto
domingo, junho 22, 2008
Pode ser que ele esteja maluco
ponto de vista
João Ubaldo Ribeiro
Sei que, para os lulistas religiosos, a ressalva preliminar que vou fazer não adiantará nada. Pode ser até tida na conta de insulto ou deboche, entre as inúmeras blasfêmias que eles acham que eu cometo, sempre que exponho alguma restrição ao presidente da República. Mas tenho que fazê-la, por ser necessária, além de categoricamente sincera. Ao sugerir, como logo adiante, que ele não está regulando bem do juízo, ajo com todo o respeito. Dizer que alguém está maluco, principalmente alguém tido como sagrado, pode ser visto até como insulto, difamação ou blasfêmia mesmo. Mas não é este o caso aqui. Pelo menos não é minha intenção. É que às vezes me acomete com tal força a percepção de que ele está, como se diz na minha terra, perturbado da idéia que não posso deixar de veiculá-la. É apenas, digamos assim, uma espécie de diagnóstico leigo, a que todo mundo, especialmente pessoas de vida pública, está sujeito.
Além disso, creio que não sou o único a pensar assim. É freqüente que ouça a mesma opinião, veiculada nas áreas mais diversas, por pessoas também diversas. O que mais ocorre é ter-se uma certa dúvida sobre a vinculação dele com a realidade. Muitas vezes - quase sempre até -, parece que, quando ele fala "neste país", está se referindo a outro, que só existe na cabeça dele. Há alguns dias mesmo, se não me engano e, se me engano, peço desculpas, ele insinuou ou disse claramente que o Brasil está, é ou está se tornando um paraíso. Fez também a nunca assaz lembrada observação de que nosso sistema de saúde já atingiu, ou atingirá em breve, a perfeição, até porque está ao alcance de qualquer cidadão, pela primeira vez na História deste país, ter absolutamente o mesmo tratamento médico que o presidente da República.
Tal é a natureza espantosa das declarações dele que sua fama de mentiroso e cínico, corrente entre muitos concidadãos, se revela infundada e maldosa. Ele não seria nem mentiroso nem cínico, pois não é rigorosamente mentiroso quem julga estar dizendo a mais cristalina verdade, nem é cínico quem tem o que outros julgam cara-de-pau, mas só faz agir de acordo com sua boa consciência. Vamos dar-lhe o benefício da dúvida e aceitar piamente que ele acredita estar dizendo a absoluta verdade.
Talvez haja sinais, como dizem ser comum entre malucos, de uma certa insegurança quanto a tal convicção, porque ele parece procurar evitar ocasiões em que ela seria desmentida. Quando houve o tristemente célebre acidente aéreo em Congonhas, a sensação que se teve foi a de que não tínhamos presidente, pois os presidentes e chefes de governo em todo o mundo, diante de catástrofes como aquela, costumam cumprir o seu dever moral e, mesmo correndo o risco de manifestações hostis, procuram pessoalmente as vítimas ou as pessoas ligadas a elas, para mostrar a solidariedade do país. Reis e rainhas fazem isso, presidentes fazem isso, primeiras-damas fazem isso, premiers fazem isso. Ele não. Talvez tenha preferido beliscar-se para ver ser não estava tendo um pesadelo. Mandou um assessor dizer umas palavrinhas de consolo e somente três dias depois se pronunciou a distância sobre o problema. O Nordeste foi flagelado por inundações trágicas, o Sul assolado por seca sem precedentes, o Rio acometido por uma epidemia de dengue, ele também não deu as caras. E recentemente, segundo li nos jornais, confidenciou a alguém que não compareceria a um evento público do qual agora esqueci, por temer receber as mesmas vaias que marcaram sua presença no Maracanã.
Portanto, como disse Polônio, personagem de Shakespeare, a respeito do príncipe Hamlet, há método em sua loucura. Não é daquelas populares, em que o padecente queima dinheiro (somente o nosso, mas aí não vale) e comete outros atos que só um verdadeiro maluco cometeria. Ele construiu (enfatizo que é apenas uma hipótese, não uma afirmação, porque não sou psiquiatra e longe de mim recomendar a ele que procure um) um universo que não pode ser afetado por cutucadas impertinentes da realidade. Notícia ruim não é com ele, que já tornou célebre sua inabalável agnosia ("não sei de nada, não ouvi nada, não tive participação nenhuma") quanto a fatos negativos. Tudo de bom tem a ver com ele, nada de ruim partilha da mesma condição.
Agora ele anuncia que, antes de deixar o mandato, vai registrar em cartório todas as suas realizações, para que se comprove no futuro que ele foi o maior presidente que já tivemos ou podemos esperar ter. Claro que se elegeu, não revolucionariamente, mas dentro dos limites da ordem (?) jurídica vigente, com base numa série estonteante de promessas mentirosas e bravatas de todos os tipos. Não cumpriu as promessas, virou a casaca, alisou o cabelo, beijou a mão de quem antes julgava merecedor de cadeia e hoje é o presidente favorito dos americanos, chegando mesmo, como já contou, a acordar meio aborrecido e dar um esbregue em Bush. Cadê as famosas reformas, de que ouvimos falar desde que nascemos? Cadê o partido que ia mudar nossos hábitos e práticas políticas para sempre? O que se vê é o que vemos e testemunhamos, não o que ele vê. Mas ele acredita o contrário.
Acredita, inclusive, nas pesquisas que antigamente desdenhava, pois os resultados o desagradavam. Agora não, agora bota fé - e certamente tem razão - depois que comprou, de novo com o nosso dinheiro, uma massa extraordinária de votos. Não creio que ele se julgue Deus ainda, mas já deve ter como inevitável a canonização e possivelmente não se surpreenderá, se lhe contarem que, no interior do Nordeste, há imagens de São Lula Presidente e que, para seguir velha tradição, uma delas já foi vista chorando. Milagre, milagre, principalmente porque ninguém vai ver o crocodilo por trás da imagem.
''É que, às vezes, me acomete a percepção de que ele está, como se diz na minha terra, perturbado da idéia''
''Ao sugerir que o presidente não está regulando bem do juízo, ajo com todo o respeito''
ponto de vista
João Ubaldo Ribeiro
Sei que, para os lulistas religiosos, a ressalva preliminar que vou fazer não adiantará nada. Pode ser até tida na conta de insulto ou deboche, entre as inúmeras blasfêmias que eles acham que eu cometo, sempre que exponho alguma restrição ao presidente da República. Mas tenho que fazê-la, por ser necessária, além de categoricamente sincera. Ao sugerir, como logo adiante, que ele não está regulando bem do juízo, ajo com todo o respeito. Dizer que alguém está maluco, principalmente alguém tido como sagrado, pode ser visto até como insulto, difamação ou blasfêmia mesmo. Mas não é este o caso aqui. Pelo menos não é minha intenção. É que às vezes me acomete com tal força a percepção de que ele está, como se diz na minha terra, perturbado da idéia que não posso deixar de veiculá-la. É apenas, digamos assim, uma espécie de diagnóstico leigo, a que todo mundo, especialmente pessoas de vida pública, está sujeito.
Além disso, creio que não sou o único a pensar assim. É freqüente que ouça a mesma opinião, veiculada nas áreas mais diversas, por pessoas também diversas. O que mais ocorre é ter-se uma certa dúvida sobre a vinculação dele com a realidade. Muitas vezes - quase sempre até -, parece que, quando ele fala "neste país", está se referindo a outro, que só existe na cabeça dele. Há alguns dias mesmo, se não me engano e, se me engano, peço desculpas, ele insinuou ou disse claramente que o Brasil está, é ou está se tornando um paraíso. Fez também a nunca assaz lembrada observação de que nosso sistema de saúde já atingiu, ou atingirá em breve, a perfeição, até porque está ao alcance de qualquer cidadão, pela primeira vez na História deste país, ter absolutamente o mesmo tratamento médico que o presidente da República.
Tal é a natureza espantosa das declarações dele que sua fama de mentiroso e cínico, corrente entre muitos concidadãos, se revela infundada e maldosa. Ele não seria nem mentiroso nem cínico, pois não é rigorosamente mentiroso quem julga estar dizendo a mais cristalina verdade, nem é cínico quem tem o que outros julgam cara-de-pau, mas só faz agir de acordo com sua boa consciência. Vamos dar-lhe o benefício da dúvida e aceitar piamente que ele acredita estar dizendo a absoluta verdade.
Talvez haja sinais, como dizem ser comum entre malucos, de uma certa insegurança quanto a tal convicção, porque ele parece procurar evitar ocasiões em que ela seria desmentida. Quando houve o tristemente célebre acidente aéreo em Congonhas, a sensação que se teve foi a de que não tínhamos presidente, pois os presidentes e chefes de governo em todo o mundo, diante de catástrofes como aquela, costumam cumprir o seu dever moral e, mesmo correndo o risco de manifestações hostis, procuram pessoalmente as vítimas ou as pessoas ligadas a elas, para mostrar a solidariedade do país. Reis e rainhas fazem isso, presidentes fazem isso, primeiras-damas fazem isso, premiers fazem isso. Ele não. Talvez tenha preferido beliscar-se para ver ser não estava tendo um pesadelo. Mandou um assessor dizer umas palavrinhas de consolo e somente três dias depois se pronunciou a distância sobre o problema. O Nordeste foi flagelado por inundações trágicas, o Sul assolado por seca sem precedentes, o Rio acometido por uma epidemia de dengue, ele também não deu as caras. E recentemente, segundo li nos jornais, confidenciou a alguém que não compareceria a um evento público do qual agora esqueci, por temer receber as mesmas vaias que marcaram sua presença no Maracanã.
Portanto, como disse Polônio, personagem de Shakespeare, a respeito do príncipe Hamlet, há método em sua loucura. Não é daquelas populares, em que o padecente queima dinheiro (somente o nosso, mas aí não vale) e comete outros atos que só um verdadeiro maluco cometeria. Ele construiu (enfatizo que é apenas uma hipótese, não uma afirmação, porque não sou psiquiatra e longe de mim recomendar a ele que procure um) um universo que não pode ser afetado por cutucadas impertinentes da realidade. Notícia ruim não é com ele, que já tornou célebre sua inabalável agnosia ("não sei de nada, não ouvi nada, não tive participação nenhuma") quanto a fatos negativos. Tudo de bom tem a ver com ele, nada de ruim partilha da mesma condição.
Agora ele anuncia que, antes de deixar o mandato, vai registrar em cartório todas as suas realizações, para que se comprove no futuro que ele foi o maior presidente que já tivemos ou podemos esperar ter. Claro que se elegeu, não revolucionariamente, mas dentro dos limites da ordem (?) jurídica vigente, com base numa série estonteante de promessas mentirosas e bravatas de todos os tipos. Não cumpriu as promessas, virou a casaca, alisou o cabelo, beijou a mão de quem antes julgava merecedor de cadeia e hoje é o presidente favorito dos americanos, chegando mesmo, como já contou, a acordar meio aborrecido e dar um esbregue em Bush. Cadê as famosas reformas, de que ouvimos falar desde que nascemos? Cadê o partido que ia mudar nossos hábitos e práticas políticas para sempre? O que se vê é o que vemos e testemunhamos, não o que ele vê. Mas ele acredita o contrário.
Acredita, inclusive, nas pesquisas que antigamente desdenhava, pois os resultados o desagradavam. Agora não, agora bota fé - e certamente tem razão - depois que comprou, de novo com o nosso dinheiro, uma massa extraordinária de votos. Não creio que ele se julgue Deus ainda, mas já deve ter como inevitável a canonização e possivelmente não se surpreenderá, se lhe contarem que, no interior do Nordeste, há imagens de São Lula Presidente e que, para seguir velha tradição, uma delas já foi vista chorando. Milagre, milagre, principalmente porque ninguém vai ver o crocodilo por trás da imagem.
''É que, às vezes, me acomete a percepção de que ele está, como se diz na minha terra, perturbado da idéia''
''Ao sugerir que o presidente não está regulando bem do juízo, ajo com todo o respeito''
sábado, junho 21, 2008
PERSONAL SEX TRAINER
Ultimamente tem acontecido vários lançamentos de manuais sobre sexo, sempre com tiragens esgotadas, o que mostra uma carência e falta de conhecimento no assunto. Em função desse "boom", resolvi entrar nesse mercado.
Esse é um assunto que domino muito bem, tenho pleno conhecimento, tanto prático como teórico, por isso resolvi me lançar como Personal Sex Trainer, para poder passar meus truques e práticas que não constam de manual nenhum, e faz do Kamasutra, um livrinho para pré-adolescentes. Para contratar O Grande Mestre Mumu-Sex-Trainer, entre em contato atráves do e-mail, ccmurilo@act.psi.br.
Ultimamente tem acontecido vários lançamentos de manuais sobre sexo, sempre com tiragens esgotadas, o que mostra uma carência e falta de conhecimento no assunto. Em função desse "boom", resolvi entrar nesse mercado.
Esse é um assunto que domino muito bem, tenho pleno conhecimento, tanto prático como teórico, por isso resolvi me lançar como Personal Sex Trainer, para poder passar meus truques e práticas que não constam de manual nenhum, e faz do Kamasutra, um livrinho para pré-adolescentes. Para contratar O Grande Mestre Mumu-Sex-Trainer, entre em contato atráves do e-mail, ccmurilo@act.psi.br.

Ensaio:
Roberto Pompeu de Toledo
Tudo muito normal
A morte dos três jovens do Morro da Providência foi simples dano colateral numa cadeia rotineira de eventos
"Cimento social" é o nome marqueteiro do projeto de reforma das casas do morro carioca da Providência imaginado pelo senador e candidato a prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella. O cimento que une, camada por camada, a história que vai da concepção da obra à morte de três rapazes do morro, entregues por militares a traficantes de um morro rival, revela uma arquitetura que nada tem de excepcional. Ao contrário, e isso é que é digno de nota, inscreve-se da forma mais completa na normalidade em que estamos inseridos. Se não, vejamos:
Camada nº 1 – O senador apresenta sua idéia ao governo federal. O governo concorda em levá-la adiante, e o Ministério das Cidades aloca uma verba de 16,6 milhões de reais para sua execução. Em outras partes soaria estranho o patrocínio governamental a uma obra que diz respeito à agenda pessoal de um político, ainda mais um político-candidato a poucos meses da eleição. No Brasil não. A obra iniciou-se em fins do ano passado, com previsão para terminar até o fim deste ano. Quer dizer: seu período de maior velocidade e visibilidade coincidiria com a temporada eleitoral.
Camada nº 2 – O Exército é convocado para dar segurança aos trabalhos. Em outras partes surpreenderia que uma simples obra de embelezamento de fachadas, construção de telhados e pequenos reparos no interior das residências necessitasse de uma tropa a lhe prover segurança. Nos morros do Rio de Janeiro tal necessidade é vista como normal. Também surpreenderia que um órgão da administração pública, ou, mais que isso, uma instituição do estado, fosse posto a serviço do projeto pessoal de um político. Não no Brasil, onde o loteamento do governo é a regra. Dar soldados ao senador Crivella, do PRB (o mesmo partido do vice-presidente José Alencar), inscreve-se na mesma lógica de dar ministério ao PMDB e diretoria da Petrobras ao PSC.
Camada nº 3 – Antes de iniciada a obra (segundo algumas versões), emissários do senador Crivella negociam um acordo de paz com traficantes do morro. Nós não mexemos no seu negócio e vocês não mexem no nosso. Normalíssimo.
Camada nº 4 – Os soldados patrulham a obra, mas não se envolvem com o que se passa ao lado. São agentes do estado, para o qual o tráfico de drogas é crime, assim como o porte ilegal de armas, que é inerente à profissão de traficante, mas a missão se restringe a não deixar que a atividade bandida atrapalhe o andamento da obra. Se não atrapalha, pode continuar. Muito normal, num país em que, no inóspito território dos morros, a soberania do estado se recolhe.
Camada nº 5 – Os soldados, depois de meses de permanência, já se inserem, para o bem ou para o mal, no contexto local. Aparentemente, funcionam com rédea solta. Provocam e são provocados. Um advogado morador das redondezas dá queixa na polícia de espancamento, depois de ter sido obrigado a parar e identificar-se. Na manhã do sábado 14, os soldados julgam-se desacatados por três jovens que saíam de um baile funk. Detêm os rapazes. Normal.
Camada nº 6 – Que corretivo aplicar aos três moços? Ora, no mundo dos morros do Rio de Janeiro, mais retalhado em facções criminosas rivais do que os Bálcãs em etnias, divertido mesmo é entregar pessoas que vivem ao abrigo de uma facção à facção adversária. Os soldados pegam os moços da Providência e os entregam aos traficantes do Morro da Mineira. Em outras partes soaria estranho que agentes do estado se envolvessem em operação que equivale ao reconhecimento diplomático de organizações dedicadas ao crime e de seu direito de exercer a justiça. No Rio de Janeiro estão todos tão acostumados a elas... Por que os soldados também não estariam?
Camada nº 7 – Os corpos dos rapazes são recolhidos por um caminhão de lixo e despejados num lixão da Baixada Fluminense. Eram eles David Wilson Florêncio da Silva, de 24 anos, Wellington Gonzaga Costa, de 19, e Marcos Paulo da Silva, de 17. Morreram, coitados, mas tecnicamente não passam de "danos colaterais", como se diz em linguagem militar, numa cadeia rotineira de eventos. Os danos colaterais acontecem, que fazer? Às vezes os bombardeios não atingem povoações civis?
•
O caso do Morro da Providência reacendeu a eterna discussão sobre o aproveitamento do Exército em operações de segurança. O.k., o Exército mostrou-se desastroso. Mas a polícia agiria melhor? Os desmandos da polícia, no Rio de Janeiro, têm uma história muito mais longa e fornida. Outra questão é: se o Exército não serve para isso, serve para quê? A resposta singela é que serve para a guerra, mas guerra contra quem? Há tempos que o país necessita de um debate sobre a função das Forças Armadas. Esse debate não se dá menos por responsabilidade dos militares do que dos políticos e da sociedade, um pouco por temor de entrar numa seara que, por herança da ditadura, ainda soa indigesta, mas no principal por puro e simples desinteresse.
Camada nº 1 – O senador apresenta sua idéia ao governo federal. O governo concorda em levá-la adiante, e o Ministério das Cidades aloca uma verba de 16,6 milhões de reais para sua execução. Em outras partes soaria estranho o patrocínio governamental a uma obra que diz respeito à agenda pessoal de um político, ainda mais um político-candidato a poucos meses da eleição. No Brasil não. A obra iniciou-se em fins do ano passado, com previsão para terminar até o fim deste ano. Quer dizer: seu período de maior velocidade e visibilidade coincidiria com a temporada eleitoral.
Camada nº 2 – O Exército é convocado para dar segurança aos trabalhos. Em outras partes surpreenderia que uma simples obra de embelezamento de fachadas, construção de telhados e pequenos reparos no interior das residências necessitasse de uma tropa a lhe prover segurança. Nos morros do Rio de Janeiro tal necessidade é vista como normal. Também surpreenderia que um órgão da administração pública, ou, mais que isso, uma instituição do estado, fosse posto a serviço do projeto pessoal de um político. Não no Brasil, onde o loteamento do governo é a regra. Dar soldados ao senador Crivella, do PRB (o mesmo partido do vice-presidente José Alencar), inscreve-se na mesma lógica de dar ministério ao PMDB e diretoria da Petrobras ao PSC.
Camada nº 3 – Antes de iniciada a obra (segundo algumas versões), emissários do senador Crivella negociam um acordo de paz com traficantes do morro. Nós não mexemos no seu negócio e vocês não mexem no nosso. Normalíssimo.
Camada nº 4 – Os soldados patrulham a obra, mas não se envolvem com o que se passa ao lado. São agentes do estado, para o qual o tráfico de drogas é crime, assim como o porte ilegal de armas, que é inerente à profissão de traficante, mas a missão se restringe a não deixar que a atividade bandida atrapalhe o andamento da obra. Se não atrapalha, pode continuar. Muito normal, num país em que, no inóspito território dos morros, a soberania do estado se recolhe.
Camada nº 5 – Os soldados, depois de meses de permanência, já se inserem, para o bem ou para o mal, no contexto local. Aparentemente, funcionam com rédea solta. Provocam e são provocados. Um advogado morador das redondezas dá queixa na polícia de espancamento, depois de ter sido obrigado a parar e identificar-se. Na manhã do sábado 14, os soldados julgam-se desacatados por três jovens que saíam de um baile funk. Detêm os rapazes. Normal.
Camada nº 6 – Que corretivo aplicar aos três moços? Ora, no mundo dos morros do Rio de Janeiro, mais retalhado em facções criminosas rivais do que os Bálcãs em etnias, divertido mesmo é entregar pessoas que vivem ao abrigo de uma facção à facção adversária. Os soldados pegam os moços da Providência e os entregam aos traficantes do Morro da Mineira. Em outras partes soaria estranho que agentes do estado se envolvessem em operação que equivale ao reconhecimento diplomático de organizações dedicadas ao crime e de seu direito de exercer a justiça. No Rio de Janeiro estão todos tão acostumados a elas... Por que os soldados também não estariam?
Camada nº 7 – Os corpos dos rapazes são recolhidos por um caminhão de lixo e despejados num lixão da Baixada Fluminense. Eram eles David Wilson Florêncio da Silva, de 24 anos, Wellington Gonzaga Costa, de 19, e Marcos Paulo da Silva, de 17. Morreram, coitados, mas tecnicamente não passam de "danos colaterais", como se diz em linguagem militar, numa cadeia rotineira de eventos. Os danos colaterais acontecem, que fazer? Às vezes os bombardeios não atingem povoações civis?
•
O caso do Morro da Providência reacendeu a eterna discussão sobre o aproveitamento do Exército em operações de segurança. O.k., o Exército mostrou-se desastroso. Mas a polícia agiria melhor? Os desmandos da polícia, no Rio de Janeiro, têm uma história muito mais longa e fornida. Outra questão é: se o Exército não serve para isso, serve para quê? A resposta singela é que serve para a guerra, mas guerra contra quem? Há tempos que o país necessita de um debate sobre a função das Forças Armadas. Esse debate não se dá menos por responsabilidade dos militares do que dos políticos e da sociedade, um pouco por temor de entrar numa seara que, por herança da ditadura, ainda soa indigesta, mas no principal por puro e simples desinteresse.
Fonte: Revista Veja
SÁBADO NOS JORNAIS
- JB: TRF: Exército continua na Providência
- Folha: Operação da PF em 7 Estados investiga deputados e prefeitos
- Estadão: Quadrilha desviava dinheiro do PAC em 7 Estados
- Correio: Fraude milionária em obras do PAC
- Gazeta Mercantil: PF prende executivos da Agrenco
- Valor: Multis se unem na Europa contra biocombustíveis
- JB: TRF: Exército continua na Providência
- Folha: Operação da PF em 7 Estados investiga deputados e prefeitos
- Estadão: Quadrilha desviava dinheiro do PAC em 7 Estados
- Correio: Fraude milionária em obras do PAC
- Gazeta Mercantil: PF prende executivos da Agrenco
- Valor: Multis se unem na Europa contra biocombustíveis
sexta-feira, junho 20, 2008
PARA QUEM VAI BEBER
ADVERTÊNCIA PARA FINS DE SEMANA OU FERIADOS
O orifício circular corrugado, localizado na parte ínfero-lombar da região glútea de um indivíduo em alto grau etílico, deixa de estar em consonância com os ditames referentes ao direito individual de propriedade.
TRADUÇÃO: (Cú de bêbado não tem dono!)
ADVERTÊNCIA PARA FINS DE SEMANA OU FERIADOS
O orifício circular corrugado, localizado na parte ínfero-lombar da região glútea de um indivíduo em alto grau etílico, deixa de estar em consonância com os ditames referentes ao direito individual de propriedade.
TRADUÇÃO: (Cú de bêbado não tem dono!)
SEXTA NOS JORNAIS
- JB: Gastos de projetos sociais sob suspeita
- FOLHA: Lula quer mais verbas para alimentos contra inflação
- ESTADÃO: 11 militares são indiciados por assassinato de jovens no Rio
- GAZETA MERCANTIL: Brasil pode liderar produção de leite em 5 anos, prevê Parmalat
- VALOR: Multis se unem na Europa contra biocombustíveis
- JB: Gastos de projetos sociais sob suspeita
- FOLHA: Lula quer mais verbas para alimentos contra inflação
- ESTADÃO: 11 militares são indiciados por assassinato de jovens no Rio
- GAZETA MERCANTIL: Brasil pode liderar produção de leite em 5 anos, prevê Parmalat
- VALOR: Multis se unem na Europa contra biocombustíveis
quinta-feira, junho 19, 2008
OPERAÇÃO ABAFA
Deu no blog chapa branca
Secretário de Segurança será um delegado da Polícia Federal
O substituto de Carlos Castim na Secretaria de Segurança que não será mais o procurador Edílson França, será um delegado da Polícia Federal.
A governadora Wilma de Faria consultou o ministro da Justiça, Tarso Genro.
Também ouviu o ex-secretário Francisco Glauberto.
Isso se chama; abrir caminho na Polícia Federal
Deu no blog chapa branca
Secretário de Segurança será um delegado da Polícia Federal
O substituto de Carlos Castim na Secretaria de Segurança que não será mais o procurador Edílson França, será um delegado da Polícia Federal.
A governadora Wilma de Faria consultou o ministro da Justiça, Tarso Genro.
Também ouviu o ex-secretário Francisco Glauberto.
Isso se chama; abrir caminho na Polícia Federal
quarta-feira, junho 18, 2008
Loteamento de agências
editorial
O Estado de S. Paulo
18/6/2008
O governo petista cumpre o seu programa: em breve não restará no Brasil uma única agência reguladora digna desse nome. Uma a uma, todas vêm sendo submetidas ao loteamento de cargos e ao aparelhamento, como todo o resto da administração pública federal. Agora chegou a vez do PMDB, que será favorecido com a próxima nomeação para uma diretoria da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Ao chegar ao governo, em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva queixou-se de ser o último a saber das decisões tomadas por diretores de agências. Demonstrando não entender a diferença entre órgão de governo e órgão de Estado, chegou a reclamar de uma “terceirização” de funções e poderes governamentais. Não havia nenhuma terceirização. Mas tem havido, nos últimos anos, um evidente e escandaloso processo de nomeações orientadas por critérios exclusivamente políticos, no sentido mais ignóbil dessa expressão.
Com a escolha de pessoa indicada pelos senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL), a Anatel terá preenchidas cinco diretorias, número necessário para a votação do novo Plano Geral de Outorgas (PGO), tornado necessário para a regularização da compra da Brasil Telecom pela Oi - antiga Telemar, do Grupo Jereissati. Os dois peemedebistas defendem a nomeação de uma assessora especial da presidência do Senado, Emília Ribeiro. Formada em administração e direito, foi nomeada em 2006 para o Conselho Consultivo da Anatel e daí decorre toda a sua experiência no setor de telecomunicações.
O episódio é especialmente instrutivo para quem pretenda estudar os estilos de ação desse governo. Durante sete meses ficou vago o assento do quinto diretor da Anatel, enquanto se discutia uma indicação política.
Tudo se passou, nesse tempo, como se a agência não fosse mais que um apêndice do Executivo, sujeito às disputas e ao toma-lá-dá-cá das conveniências político-eleitorais. Isso é a negação mais elementar do conceito de agência reguladora. Além disso, quem for nomeado assumirá o posto com a missão de regularizar uma operação realizada com estímulo do governo e sob sua proteção. Seu papel, portanto, será cumprir ordens de um ministro ou de quem estiver acompanhando o caso da compra da Brasil Telecom.
O loteamento, segundo reportagem do Estado, foi resolvido já no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com base no acordo, a diretoria vaga há sete meses deve caber ao PMDB. A próxima vaga será aberta em novembro e pertencerá, em princípio, à cota do PT. No Brasil, partidos, grupos e políticos influentes têm cotas na administração: essa é a concepção dominante de coisa pública. O nome cotado é o professor Márcio Wohlers, indicado pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho, articulador da compra da Brasil Telecom.
Para a opinião pública, o caso mais ostensivo de loteamento e aparelhamento de uma agência foi o da Anac, responsável pela definição de normas para a aviação civil. Dois dos mais graves acidentes da história da aviação brasileira, com centenas de mortos, chamaram a atenção para um quadro espantoso de incompetência. A sucessão de tragédias acabou resultando no afastamento de toda uma diretoria. Os desmandos facilitados pela relação promíscua entre Executivo e agência continuam, no entanto, aparecendo, com as denúncias sobre a articulação da venda da Varig.
A desmoralização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) começou com a nomeação de um presidente escolhido com base em critério político e ideológico. O resultado mais ostensivo dessa escolha foi a desastrada revelação da descoberta do Campo de Tupi.
Desde o início do primeiro mandato, o governo do presidente Lula vem trabalhando para destruir o sistema de agências reguladoras. Agências desse tipo, existentes em países desenvolvidos, são órgãos de Estado, não de governo. Devem funcionar com independência política, proporcionando estabilidade e previsibilidade às condições de investimento em setores básicos, como energia, transportes e telecomunicações. O presidente Lula e seus principais auxiliares nunca aceitaram essa concepção, assim como jamais aceitaram os critérios de impessoalidade e competência na gestão pública.
editorial
O Estado de S. Paulo
18/6/2008
O governo petista cumpre o seu programa: em breve não restará no Brasil uma única agência reguladora digna desse nome. Uma a uma, todas vêm sendo submetidas ao loteamento de cargos e ao aparelhamento, como todo o resto da administração pública federal. Agora chegou a vez do PMDB, que será favorecido com a próxima nomeação para uma diretoria da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Ao chegar ao governo, em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva queixou-se de ser o último a saber das decisões tomadas por diretores de agências. Demonstrando não entender a diferença entre órgão de governo e órgão de Estado, chegou a reclamar de uma “terceirização” de funções e poderes governamentais. Não havia nenhuma terceirização. Mas tem havido, nos últimos anos, um evidente e escandaloso processo de nomeações orientadas por critérios exclusivamente políticos, no sentido mais ignóbil dessa expressão.
Com a escolha de pessoa indicada pelos senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL), a Anatel terá preenchidas cinco diretorias, número necessário para a votação do novo Plano Geral de Outorgas (PGO), tornado necessário para a regularização da compra da Brasil Telecom pela Oi - antiga Telemar, do Grupo Jereissati. Os dois peemedebistas defendem a nomeação de uma assessora especial da presidência do Senado, Emília Ribeiro. Formada em administração e direito, foi nomeada em 2006 para o Conselho Consultivo da Anatel e daí decorre toda a sua experiência no setor de telecomunicações.
O episódio é especialmente instrutivo para quem pretenda estudar os estilos de ação desse governo. Durante sete meses ficou vago o assento do quinto diretor da Anatel, enquanto se discutia uma indicação política.
Tudo se passou, nesse tempo, como se a agência não fosse mais que um apêndice do Executivo, sujeito às disputas e ao toma-lá-dá-cá das conveniências político-eleitorais. Isso é a negação mais elementar do conceito de agência reguladora. Além disso, quem for nomeado assumirá o posto com a missão de regularizar uma operação realizada com estímulo do governo e sob sua proteção. Seu papel, portanto, será cumprir ordens de um ministro ou de quem estiver acompanhando o caso da compra da Brasil Telecom.
O loteamento, segundo reportagem do Estado, foi resolvido já no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com base no acordo, a diretoria vaga há sete meses deve caber ao PMDB. A próxima vaga será aberta em novembro e pertencerá, em princípio, à cota do PT. No Brasil, partidos, grupos e políticos influentes têm cotas na administração: essa é a concepção dominante de coisa pública. O nome cotado é o professor Márcio Wohlers, indicado pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho, articulador da compra da Brasil Telecom.
Para a opinião pública, o caso mais ostensivo de loteamento e aparelhamento de uma agência foi o da Anac, responsável pela definição de normas para a aviação civil. Dois dos mais graves acidentes da história da aviação brasileira, com centenas de mortos, chamaram a atenção para um quadro espantoso de incompetência. A sucessão de tragédias acabou resultando no afastamento de toda uma diretoria. Os desmandos facilitados pela relação promíscua entre Executivo e agência continuam, no entanto, aparecendo, com as denúncias sobre a articulação da venda da Varig.
A desmoralização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) começou com a nomeação de um presidente escolhido com base em critério político e ideológico. O resultado mais ostensivo dessa escolha foi a desastrada revelação da descoberta do Campo de Tupi.
Desde o início do primeiro mandato, o governo do presidente Lula vem trabalhando para destruir o sistema de agências reguladoras. Agências desse tipo, existentes em países desenvolvidos, são órgãos de Estado, não de governo. Devem funcionar com independência política, proporcionando estabilidade e previsibilidade às condições de investimento em setores básicos, como energia, transportes e telecomunicações. O presidente Lula e seus principais auxiliares nunca aceitaram essa concepção, assim como jamais aceitaram os critérios de impessoalidade e competência na gestão pública.
DORA KRAME - DE MAL A PIOR
O Estado de S. Paulo
18/6/2008
Algo de grave acontece com a sensibilidade dos espíritos quando políticos são acusados de comandar quadrilhas, a polícia se alia ao bandido e militares trabalham a soldo de traficantes, mas as pessoas acham que vai tudo muito bem porque pobre compra DVD, a Receita arrecada como nunca, o rico continua rindo à toa e o País sobe ao grau de “bom” para investimento.
Quanto à demolição dos mais comezinhos valores, a destruição de referências e a extinção paulatina da segurança, que ameaça não deixar um só brasileiro vivo para contar a história de tantas maravilhas, tudo isso horroriza, mas não mobiliza.
Há menos de um mês, a Polícia Federal e o Ministério Público disseram que o ex-governador Anthony Garotinho estava no topo do esquema criminoso comandado por um ex-chefe de polícia e atual deputado estadual, e hoje a notícia está esquecida.
Não impressiona ninguém. A começar pelo governador do Estado mais atingido, ocupado em semear charme e simpatia. Para Sérgio Cabral Filho foi como se não tivesse acontecido, não obstante os acusados convivam com ele no mesmo partido.
Justiça se faça, não está só na indiferença ao indício mais acachapante já surgido sobre a promiscuidade entre o poder público e a bandidagem.
O dar de ombros é generalizado. Deu-se o dito como natural, como se algo daquela dimensão não contasse com cúmplices em toda parte, vários deles eleitos com o dinheiro das propinas coletadas pelos delegados.
Mas não era esse o fundo do poço. Isso fica evidente quando militares se alugam a facções criminosas e, como parte do trabalho, entregam gente para servir de repasto aos traficantes na macabra rotina de torturas e assassinatos já incorporada ao cotidiano dos territórios dominados pelo terror no Rio de Janeiro.
Sim, há terrorismo compartilhado por agentes do Estado na cidade mais visível do País, e nossas autoridades continuam reféns de paliativos. Uns mais fracos, outros mais fortes, mas nenhuma ação ganha o carimbo da urgência urgentíssima conveniente à situação de óbvia ameaça à segurança nacional.
O presidente da República lamenta episódios, mas no geral só comemora a chegada (dele) ao “paraíso”. Parece achar que olhar o lado podre, e sem votos, dá azar. Ou talvez, na lógica panfletária, considere esse trabalho da oposição. É também, mas ela só pode apontar a problemática. A solucionática é tarefa de governos, que há anos assistem inertes ao avanço do crime.
Algo os impede de agir. Fazem planos, prometem projetos conjuntos, visitam experiências bem-sucedidas, e nada. Sérgio Cabral mesmo é cheio de gás. Manda a polícia endurecer, de vez em quando exibe como troféus os corpos de meia dúzia de facínoras, fatura apoio da população nas pesquisas e as atrocidades prosseguem.
O auge da repercussão da mais recente alcançou Sérgio Cabral na Alemanha. Enquanto eram enterrados os rapazes arrastados para as mãos dos traficantes do Morro da Mineira por militares que atuavam clandestinamente em prol de um senador da República no Morro da Providência, o governador passeava de triciclo em frente ao Portão de Brandenburgo.
Antes de embarcar, o governador disse umas palavras de repulsa, é verdade. Ontem o presidente Lula externou “profunda indignação” com o assassinato dos rapazes.
Nenhum dos dois, no entanto, se sentiu minimamente obrigado a explicar o que faz o Exército no Morro da Providência, dando guarida à execução de um projeto de reforma de casas de autoria do senador Marcelo Crivella, candidato predileto do presidente à Prefeitura do Rio.
Muitas vezes o governador Cabral pediu o reforço das Forças Armadas no combate à criminalidade. Antes dele, outros governadores tentaram o mesmo. Os militares sempre se recusaram, sob a alegação de despreparo para ações de polícia e, à boca pequena, confessavam o temor de que soldados e oficiais pudessem vir a ser cooptados pelo crime, como ocorre com policiais.
A despeito disso, o senador conseguiu assinar um convênio com o Ministério das Cidades que, sabe-se lá como, pôs os militares no morro. Não no combate ao tráfico, mas para ajudar um candidato a prefeito filiado ao partido do vice-presidente e companheiro constante de palanques do presidente, a posar de benfeitor e amealhar votos naquela agradecida comunidade.
Isso é lícito? O governador sabia? Certamente, senão por exigência legal, pela convivência leal com Brasília. Falou a respeito depois do acontecido? Nem uma palavra.
Cabral não gosta de Crivella, mas, sabe como é, Lula, o grande carreador de verbas federais para o Rio, gosta e isso basta para fazê-lo ignorar um fato inédito até ser revelado por esse episódio: a participação das Forças Armadas na ciranda do aparelhamento do Estado em prol de afilhados políticos.
Do topo das instituições mais confiáveis na percepção do público, os militares vêem de novo seu nome misturado a torturas e assassinatos. Em nome do quê? De uma disputa político-eleitoral. Reles e, sobretudo, vil.
O Estado de S. Paulo
18/6/2008
Algo de grave acontece com a sensibilidade dos espíritos quando políticos são acusados de comandar quadrilhas, a polícia se alia ao bandido e militares trabalham a soldo de traficantes, mas as pessoas acham que vai tudo muito bem porque pobre compra DVD, a Receita arrecada como nunca, o rico continua rindo à toa e o País sobe ao grau de “bom” para investimento.
Quanto à demolição dos mais comezinhos valores, a destruição de referências e a extinção paulatina da segurança, que ameaça não deixar um só brasileiro vivo para contar a história de tantas maravilhas, tudo isso horroriza, mas não mobiliza.
Há menos de um mês, a Polícia Federal e o Ministério Público disseram que o ex-governador Anthony Garotinho estava no topo do esquema criminoso comandado por um ex-chefe de polícia e atual deputado estadual, e hoje a notícia está esquecida.
Não impressiona ninguém. A começar pelo governador do Estado mais atingido, ocupado em semear charme e simpatia. Para Sérgio Cabral Filho foi como se não tivesse acontecido, não obstante os acusados convivam com ele no mesmo partido.
Justiça se faça, não está só na indiferença ao indício mais acachapante já surgido sobre a promiscuidade entre o poder público e a bandidagem.
O dar de ombros é generalizado. Deu-se o dito como natural, como se algo daquela dimensão não contasse com cúmplices em toda parte, vários deles eleitos com o dinheiro das propinas coletadas pelos delegados.
Mas não era esse o fundo do poço. Isso fica evidente quando militares se alugam a facções criminosas e, como parte do trabalho, entregam gente para servir de repasto aos traficantes na macabra rotina de torturas e assassinatos já incorporada ao cotidiano dos territórios dominados pelo terror no Rio de Janeiro.
Sim, há terrorismo compartilhado por agentes do Estado na cidade mais visível do País, e nossas autoridades continuam reféns de paliativos. Uns mais fracos, outros mais fortes, mas nenhuma ação ganha o carimbo da urgência urgentíssima conveniente à situação de óbvia ameaça à segurança nacional.
O presidente da República lamenta episódios, mas no geral só comemora a chegada (dele) ao “paraíso”. Parece achar que olhar o lado podre, e sem votos, dá azar. Ou talvez, na lógica panfletária, considere esse trabalho da oposição. É também, mas ela só pode apontar a problemática. A solucionática é tarefa de governos, que há anos assistem inertes ao avanço do crime.
Algo os impede de agir. Fazem planos, prometem projetos conjuntos, visitam experiências bem-sucedidas, e nada. Sérgio Cabral mesmo é cheio de gás. Manda a polícia endurecer, de vez em quando exibe como troféus os corpos de meia dúzia de facínoras, fatura apoio da população nas pesquisas e as atrocidades prosseguem.
O auge da repercussão da mais recente alcançou Sérgio Cabral na Alemanha. Enquanto eram enterrados os rapazes arrastados para as mãos dos traficantes do Morro da Mineira por militares que atuavam clandestinamente em prol de um senador da República no Morro da Providência, o governador passeava de triciclo em frente ao Portão de Brandenburgo.
Antes de embarcar, o governador disse umas palavras de repulsa, é verdade. Ontem o presidente Lula externou “profunda indignação” com o assassinato dos rapazes.
Nenhum dos dois, no entanto, se sentiu minimamente obrigado a explicar o que faz o Exército no Morro da Providência, dando guarida à execução de um projeto de reforma de casas de autoria do senador Marcelo Crivella, candidato predileto do presidente à Prefeitura do Rio.
Muitas vezes o governador Cabral pediu o reforço das Forças Armadas no combate à criminalidade. Antes dele, outros governadores tentaram o mesmo. Os militares sempre se recusaram, sob a alegação de despreparo para ações de polícia e, à boca pequena, confessavam o temor de que soldados e oficiais pudessem vir a ser cooptados pelo crime, como ocorre com policiais.
A despeito disso, o senador conseguiu assinar um convênio com o Ministério das Cidades que, sabe-se lá como, pôs os militares no morro. Não no combate ao tráfico, mas para ajudar um candidato a prefeito filiado ao partido do vice-presidente e companheiro constante de palanques do presidente, a posar de benfeitor e amealhar votos naquela agradecida comunidade.
Isso é lícito? O governador sabia? Certamente, senão por exigência legal, pela convivência leal com Brasília. Falou a respeito depois do acontecido? Nem uma palavra.
Cabral não gosta de Crivella, mas, sabe como é, Lula, o grande carreador de verbas federais para o Rio, gosta e isso basta para fazê-lo ignorar um fato inédito até ser revelado por esse episódio: a participação das Forças Armadas na ciranda do aparelhamento do Estado em prol de afilhados políticos.
Do topo das instituições mais confiáveis na percepção do público, os militares vêem de novo seu nome misturado a torturas e assassinatos. Em nome do quê? De uma disputa político-eleitoral. Reles e, sobretudo, vil.
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