quarta-feira, novembro 11, 2015

A oitava maravilha - ROSÂNGELA BITTAR

Valor Econômico - 11/11

Por que Henrique Meirelles e não Joaquim Levy? Qual a diferença entre os dois nomes do agrado do mercado nacional e internacional e do desagrado do PT? É simples a argumentação do ex-presidente Lula e seus acólitos no processo de convencimento da presidente Dilma Rousseff, dona da caneta que na virada do ano deverá promover a troca de ministro da Fazenda: Levy é o comandante da economia que faz o "ajuste pelo ajuste", e Meirelles poderá fazer o ajuste mas flexibilizará a política econômica com medidas que podem levar a economia a reagir e o país a entrar em uma espiral de crescimento. Com uma providência-mestra: a liberação do crédito para as empresas, os Estados, e as pessoas.

E por que não Nelson Barbosa, o ministro do Planejamento petista, ex-ministro interino da Fazenda no governo petista, economista chefe do Instituto Lula, se é que se pode titular assim o papel que ali exerceu e exerce, e sempre manteve a expectativa de ser lider na execução da política econômica? A resposta também já circula entre os promotores das mudanças: "Ninguém crê no PT comandando a economia e não há tempo para reverter isso", é a verdade admitida.

A pá de cal em Joaquim Levy foi jogada por Pezão, governador do Rio, dia desses, numa roda de autoridades do governo que avaliavam a proposta de mudança feita por Lula e onde se reclamava que o ministro da Fazenda não libera recursos aos Estados. "Levy quer arrochar até matar o paciente, essa é a chave do seu trabalho e da sua personalidade como economista".

O Congresso, nas avaliações do próprio governo, não é tão responsável pela paralisia do país e já aprovou iniciativas e legislação que foram, no âmbito do ajuste fiscal, propostas pelo ministro Joaquim Levy mas não tiveram o efeito esperado. A isso definem como "Levy não deu certo, não conseguiu". Foram entregues: três medidas provisórias, projeto de lei da desoneração, corte de benefícios, aumento da CSLL, manutenção dos vetos a medidas que aumentam despesas, cortes orçamentários.

Nas negociações de cada uma, Levy dizia aos líderes da política que eram medidas duras para liquidar a questão no primeiro semestre de 2015. Mas não resolveram, ele continuou apertando, a crise não saiu do lugar. O governo tem substituto para a CPMF, contam autoridades com acesso às negociações, mas agora Levy decidiu que sem CPMF não há salvação. Entre outros motivos, Levy foi chamado ao governo como recurso para evitar o rebaixamento do Brasil, e vieram as notas reduzidas sem consideração à sua presença. Levy não é transparente, não se sabe onde quer chegar, alegam muitos, com as mesmas palavras.

O argumento inclui ainda a constatação de que Levy não muda o disco porque não sabe. Há dinheiro, asseguram os que conhecem as contas. Podemos conseguir até mais do que o necessário, mas o governo recusa a opção por medidas que aumentam outras contribuições, como a Cide, que somada às criações novas resultariam em mais do que um imposto do cheque. De cabeça, os negociadores da mudança recitam também o trilhão e meio de reais das reservas (US$ 360 bilhões) para atestar que poderiam ser usadas na crise e que Lula recebeu de Fernando Henrique o governo com US$ 37 bilhões, dez vezes menos, sem problemas.

É a essa ideia fixa a restrição que denominam "ajuste pelo ajuste", a resistência a tomar medidas concomitantes para promover saídas, principalmente para as empresas. A rigor, dos pacotes de contenção, só faltam as votações finais da DRU, a MP 688 do setor elétrico e o projeto de repatriação, todos bem encaminhados.

Outra prova arrolada pelos defensores da mudança com base no depoimento dos governadores: Levy não quer liberar nada, os Estados podem se endividar até 2,5% da receita corrente líquida, ele não libera recursos para os governadores. "O Brasil também pode se endividar, qual o problema de se endividar?" Dizem que há recursos do Banco Mundial para obras "estruturantes" cujo empréstimo não é autorizado.

"Não queremos desonerar, queremos livre financiamento para as empresas para aumentar o giro da economia e em consequência aumentar a arrecadação".

Os que discutem as mudanças apontam à presidente Dilma a forma como os países desenvolvidos e mesmo os não desenvolvidos têm saído da crise para concluir que a restrição fiscal em demasia arrebenta com o Brasil. O diagnóstico resume o impacto da crise como sendo forte na indústria, com o desemprego, e no setor público, com os obstáculos para retomada das obras. Dois problemas que Henrique Meirelles, tratado nas negociações como uma espécie de oitava maravilha, saberia resolver ao mesmo tempo em que tocaria o ajuste. Meirelles, definem, é respeitado no Brasil e no mundo, é transparente, tem autoridade política.

O ex-presidente Lula está empenhado em solucionar esse problema por uma única razão, explicam seus interlocutores: O PT está desgastado demais e a única saída para se recuperar é manter viva a expectativa da volta de Lula ao poder em 2018, mesmo que não volte de fato. Para isso, Lula executa um plano político que seus auxiliares na tarefa mostram estar andando: primeiro, unificou o PT; depois voltou-se para os movimentos sociais, para a "Igreja progressista" (termo que inclusive voltou a ser usado), para os sem-terra e sem-teto, a CUT, com a defesa da manutenção dos seus direitos; recompôs o que definem como "a base social do PT". Em seguida teve a dificílima operação da troca de Aloizio Mercadante por Jaques Wagner na chefia da Casa Civil. Tentou o ex-presidente trocar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, mas como era por questões pessoais e não de Estado, a presidente Dilma não lhe cedeu o espaço. Por último, acha que está passando da hora de tirar Levy e entregar o processo de recuperação a quem pode dar conta dele, Meirelles. A mudança estava pronta há um mês, mas foi abortada por inconfidência de um membro da direção do PT.

Com todas as dificuldades políticas que tem enfrentado, com sua família e ele próprio na boca da Lava-Jato, o ex-presidente, decretado nas pesquisas como derrotado se as eleições fossem hoje, conseguiu índices que os petistas exibem: 38% do Nordeste na espontânea sobre em quem votaria o eleitor consultado. Dilma, na mesma pergunta, foi apoiada só por 12%. Um fenômeno. Lula preocupa-se com a sobrevivência do governo para ter força em 2018, por isso entrou no jogo, por isso a tem convencido que "o rei Levy está nu", conclui, em tom grandiloquente, um dos políticos petistas metido nas providências.

Enxugando gelo - SACHA CALMON

ESTADO DE MINAS - 11/11

Tivéssemos o regime parlamentarista, como a Europa inteira e o Canadá, a crise que nos consome estaria politicamente resolvida


Nada salvará o Brasil enquanto Dilma continuar a governar o país. Faltará aos investidores e consumidores confiança, a moeda política imprescindível ao funcionamento da economia em qualquer democracia, por mais autoritária que seja. A assertiva não parte de posição contrária à presidente, que realmente existe, política e ideológica, mas de constatação sociológica e de estudos de ciência política.

Tivéssemos nós o regime parlamentarista, como a Europa inteira e o Canadá, sejam repúblicas ou reinos, a crise que nos consome estaria politicamente resolvida. Outras soluções teriam sido adotadas, sem prejuízo e até em proveito da persecução penal à corrupção nestes anos de governo do PT.

Acontece que somos presidencialistas e temos o pior deles, o presidencialismo de coalizão, com centenas de partidos amorfos, gravitando como satélites do Poder Executivo. Exceto o PT e o PSDB, os outros vivem do Poder Executivo federal e das suas sinecuras e benesses, altamente hipertrofiado dentro da Federação de estados-membros que formam a nossa República. O regime, ele próprio, impede o desfazimento das crises.

O PT e o PSDB, de fato, marcam presença na cena política, queiramos ou não (o PMDB é um conglomerado aideológico de interesses políticos estaduais e municipais de ex-políticos do PSD, UDN e PR de antes do período militar). O PT reúne todas as tendências de esquerda, inclusive religiosas, até os trotskistas, dissidentes do partido comunista, caso de Tasso Genro e de sua filha, hoje no Psol, bolivarianos de carteirinha. Em suma, o PT é a esquerda radical mais a polimorfa, populista e demagoga, em que os fins justificam os meios. O PSDB, ideologicamente, cresceu de uma divisão do PMDB conservador e forte em São Paulo, Minas, Paraná e Ceará. Reúne o centro à esquerda, seus quadros tendem à social-democracia europeia, com pretensões de praticar políticas inclusivas para diminuir as desigualdades, daí as várias tentativas nos últimos 15 anos de coligar os dois partidos. Mas o fiel da balança - outra tragédia tipicamente nacional - é o PMDB, aideológico, amórfico, sem rigor ético, porém, centrista.

Estudiosos da política nacional, entretanto, estão constatando um crescente descasamento da população, desde a de renda média baixa até a de alta renda, e o quadro político, que, supostamente, a representaria. Noutras palavras, os partidos políticos atuais não agradam os eleitores. Chega-se a falar em 40% da população votante, especialmente na faixa etária de 16 a 30 anos, refratária a qualquer partido, o que complica ainda mais a saída consistente da crise institucional, pois nenhum poder dela escapa, sequer o Judiciário, onde Moro e o Supremo Tribunal Federal (STF) se colocam em pontos opostos perante o contingente crescente de eleitores céticos. É essa geleia geral, que ora ensaia a desesperada "saída combinada" da crise, ora insinua o impeachment da presidente.

Enquanto isso, a economia, a cada mês que passa, se deteriora a olhos vistos e já começa a trazer desespero a largos setores da sociedade brasileira, pois se antevê com clareza que, quanto mais ela se desintegra, mais difícil será o recomeço. Perdas do PIB anuais superiores a 2% ou 3%, crescente desemprego, fuga de capitais, perda do grau de investimento, inflação entre 7% e 12%, perda progressiva do poder de compra são realidades insuportáveis num horizonte de 36 meses sucessivos. Quando o establishment se der conta de que seus incontáveis privilégios estão entrando em risco, a crise se resolverá. A saída de Dilma será inevitável.

O Brasil gastou muito dinheiro com ONGs suspeitas e os países bolivarianos (Venezuela, Equador, Nicarágua, Cuba, Bolívia e Argentina), para solidificar o Foro de São Paulo (congregação de partidos socialistas sul-americanos e da América Central) e também para manter o absurdo projeto de poder do PT, desorganizando a economia nacional. A dívida pública encaminha-se para 70% do PIB, já beirando os R$ 3 trilhões, o que implicará para logo o seu rebaixamento para o grau de país perigoso, especulativo, sem credibilidade.

Manter Dilma e o PT no poder é profundo erro político. O impeachment é necessário. Motivo já existe: o uso de bancos oficiais para financiar despesas governamentais, expressamente vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal e claramente crime orçamentário, é motivo para o impeachment. Aliás, para evitar tais práticas, foram extintos os bancos estaduais e a "conta-movimento" do Banco do Brasil. Lula e Dilma vão passar assim, de "fininho"? Depois de arruinarem o país? Fora disso, estaremos enxugando gelo, perdendo empregos e dinamismo econômico. Essa mesmice não pode e nem deve continuar. Diziam os romanos que "tempus fugit". Mas "time is money", completam os americanos mais pragmáticos e menos filosóficos

Sacha Calmon - Advogado, coordenador da especialização em direito tributário das Faculdades Milton Campos, ex-professor titular da UFMG e da UFRJ

Dividir o indivisível - MÍRIAM LEITÃO

O GLOBO - 11/11

STF esvazia a Lava-Jato ao ignorar conexão entre crimes. A melhor forma de o Supremo Tribunal Federal ameaçar a Lava-Jato é ir tirando pedaços do processo de Curitiba e enviando para outras cidades. Desta forma a investigação e o processo judicial perdem consistência. O caso da Eletronuclear torna claro o risco de o STF quebrar a lógica do que tem sido até agora o mais importante e efetivo ataque à corrupção no país.

A prova de um crime ajuda a provar o outro. Isto é, inclusive, um dos princípios estabelecidos no Código de Processo Penal para manter a unidade do processo. O STF tem ignorado isso. Primeiro na decisão de mandar a parte da corrupção da Consist, que envolvia os políticos paranaenses, Paulo Bernardo e Gleisi Hoffman, entre outros, para São Paulo. Agora, a decisão do ministro Teori Zavascki de mandar o processo da Eletronuclear, que envolve o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva e o ex-ministro Edson Lobão, para o Rio.

O que o caso da Eletronuclear tem a ver com o da Petrobras? Os mesmos corruptos e corruptores, os mesmos operadores, o mesmo modus operandi, os mesmos métodos de tirar recursos em contratos com estatais para enviar para pessoas, políticos e partidos da base governamental beneficiários do mesmo esquema. E esse é outro motivo estabelecido na lei para manter juntas as partes do processo. A conexão por similaridade. É um único caso em que várias pessoas praticam crimes similares que têm igual formato, objetivo e agentes. As infrações se sobrepõem. O processo tem unidade. Na Petrobras os beneficiários foram o PT, PP e PMDB; na Eletronuclear o PT e o PMDB.

O Ministério das Minas e Energia é o órgão que coordena as duas estatais. Como separar? É difícil entender o que quer o ministro Teori com o fatiamento: tornar o processo mais leve, dividir responsabilidades até dentro do Supremo criando ações penais separadas, alguma razão jurídica que lhe pareça mais relevante que as muitas provas das conexões entre as partes. Mas é fácil perceber que os advogados de todos os acusados ou condenados vibram a cada fatiamento e que a opinião pública informada tem a impressão que o caso se enfraquece a cada parte que é tirada da Força Tarefa do Ministério Público Federal no Paraná, ou da alçada do Juiz Sérgio Moro.

A ideia na Petrobras, Consist e Eletronuclear foi a de gerenciar o apoio ao governo, arrecadando recursos financeiros para o processo eleitoral ou para proveito próprio através do esquema de superfaturar e fraudar contratos de empresas com seus fornecedores. Qualquer pessoa que analisar objetivamente o caso verificará que há uma conexão porque são as mesmas pessoas que se repetem nos esquemas montados em empresas diferentes mas que formam a mesma organização criminosa. E há clara conexão probatória. Enfraquecerá o Supremo a nossa melhor chance na difícil luta contra a corrupção se continuar dividindo o indivisível.

No caso da Consist não havia cartel, mas era uma série de crimes cometidos em Curitiba. Há contudo repetição de pessoas e também de políticos da base envolvidos. No caso da Eletronuclear há outras similitudes. Dividir será enfraquecer. Espera-se que os ministros do Supremo pensem na floresta em vez de cada árvore. Os especialistas em questões ambientais costumam dizer que há um momento em que a retirada de árvores de um fragmento florestal o torna insustentável e ele começa a morrer. Quantas árvores mais se pode tirar da Lava-Jato sem que o processo fique um conjunto sem lógica interna, sem a dinâmica necessária, e comece e perder consistência? Aonde quer chegar o fatiamento se as partes forem espalhadas por outras áreas do país?

A forma de o Brasil perder a maior chance que já tivemos na luta difícil e árdua contra o crime da corrupção é ir desidratando a Operação Lava-Jato prendendo-se a firulas jurídicas que ignoram a claríssima conexão entre os crimes e o conjunto probatório. Agora o ex-ministro Antonio Palocci quer anular os depoimento de Alberto Youssef e de Fernando Baiano. O ataque à Lava-Jato é assim, por partes. E nestas fatias partidas o país se enfraquecerá em momento decisivo. Por isso, o que o STF tem que olhar é o todo. É neste todo, unido, que está a nossa melhor chance.


Problema errado - CELSO MING

ESTADÃO - 11/11

O PT pegou um bode do ministro da Fazenda, como se o problema fosse ele


Para usar uma expressão popular, o PT pegou um bode do ministro da Fazenda. Quer porque quer a demissão dele, como se o problema fosse ele.

Há quatro semanas, o ex-presidente Lula avisou que “o ministro perdeu o prazo de validade”. Depois, se mudou de ideia, não foi por muito tempo. Agora os petistas preferem dizer que “Levy não entregou o que prometeu”, sem levar em conta que ele só não entregou porque seu programa de saneamento das finanças públicas e de virada do jogo está sendo boicotado por toda parte: no miolo do governo, no Congresso, por um vasto grupo de empresários e até pela oposição, que tem votado contra seus projetos de lei, pretendendo com isso deixar que a presidente Dilma continue sangrando politicamente.

O motivo verdadeiro desse bode é a crescente deterioração da economia. É a inflação que cavalga em direção aos dois dígitos, é a atividade econômica que desaba para uma retração do PIB de pelo menos 3% e é o desemprego que avança para os 10%.

Como tudo o que é sólido vai se desmanchando no ar e como o calendário eleitoral avança inexoravelmente para outubro de 2016, os políticos se desesperam. Querem distribuição de pacotes salvadores, baseados na fartura de crédito, distribuição de recursos subsidiados e derrubada drástica de juros. É abaixo a austeridade, pelo menos até as eleições. Depois se vê no que dá e se juntam os cacos, se for o caso.

Para esse projeto eleitoral, Joaquim Levy e seu mantra do ajuste fiscal como precondição da retomada do crescimento são sérios obstáculos.

Para substituir o bode a ser expulso porta afora, a todo momento os companheiros do PT se lembram do ex-presidente do Banco Central que um dia o então presidente Lula chamou de “companheiro Henrique Meirelles”.

Ele pode ter um estilo diferente, pode manter um sorriso sempre disponível no canto da boca, mas pensa do mesmo jeito. Os petistas que acusam Levy de fazer o jogo dos banqueiros parecem se esquecer de que Meirelles foi presidente mundial do grupo FleetBoston. À frente do Banco Central, mesmo no auge do ciclo das vacas gordas e da farta receita do País com commodities, tratou de colocar em prática uma política monetária (política de juros) apertada, a apropriada para a época. E trombou permanentemente com o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, pela flacidez com que conduziu a política fiscal.

Dá para dizer que Meirelles pode ser mais maneiro do que Levy, digamos assim, mas é movido pelas mesmas convicções ortodoxas. Ele sabe, também, que não dá para brincar e pedalar com as contas públicas, especialmente numa paisagem adversa, em que o conjunto das fatias reivindicadas é substancialmente maior do que o bolo da renda nacional.

Soltar o crédito agora significa implodir a política monetária, a única âncora que ainda segura a inflação em alguma coisa. Se a política fiscal continuar desandada, essa composição é desastre anunciado, com resultado correspondente nas urnas.

Por isso, é pouco provável que um administrador público responsável aceite tocar a Economia nessas condições. Que pensem nisso os bodeados.

CONFIRA:


Safra de grãos


Aí está a evolução da produção de grãos em milhões de toneladas.

Avaliações divergentes

Desta vez, os dois organismos que fazem a previsão das safras chegaram a conclusões diferentes. O IBGE estima que a produção de grãos de 2016 alcançará os 206,5 milhões de toneladas e será 1,9% menor do que a anterior. A Conab aponta para algo entre 208,6 milhões e 212,9 milhões de toneladas, crescimento de até 2,1%. Mas ambos concordam em que a produção de soja ultrapassará os 100 milhões de toneladas, o equivalente à metade da produção de grãos.

Voltar ao começo? - MARCELO DE PAIVA ABREU

ESTADÃO - 11/11

Nos tempos que correm há muita incerteza quanto ao que será necessário para que o País supere as crises em que está mergulhado. Há os que consideram prioritária a reversão da crise econômica e defendem a tese de que, se a economia voltar a crescer, a crise política será superada. Por outro lado, há os mais céticos – e provavelmente mais realistas – que enfatizam o papel central da crise política e reconhecem quão problemática é a superação dos obstáculos à sua solução. Há ampla justificativa para dúvidas sobre o que deve ser feito. Deveria haver menos dúvidas quanto ao que não se deve fazer.

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), principal órgão federal de financiamento à inovação, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, promoveu recentemente seminário intitulado Desenvolvimento produtivo e inovativo – Oportunidades e novas políticas. Aproveitou a oportunidade para comemorar os 85 anos da professora Maria da Conceição Tavares, que foi consultora da empresa no governo Geisel e no início do governo Figueiredo.

A professora aproveitou o ensejo para defender “voltar ao começo” como estratégia para o País, ou seja, voltar ao nacional-desenvolvimentismo, baseado na substituição de importações. O banzo foi completado pela menção à necessidade de uma frente de esquerda aliar-se a uma “fração da burguesia, por mais que não se goste dela”. É a volta à temática da burguesia nacional que ocupou tanto espaço no debate político meio século atrás.

É irônico que num seminário com ênfase em inovação tenha havido tão enfática peroração em defesa de uma estratégia tão vetusta, notória por sua resistência à absorção de inovações. É certo que a ênfase na substituição de importações funcionou como motor do desenvolvimento, especialmente a partir do fim da 2.ª Guerra Mundial. Mas deu mostras de esgotamento já no início da década de 1960 – como analisado pela própria professora – e, após ressurgência sob o regime militar, entrou em colapso na década de 1980.

Paralelamente, deteriorou-se a capacidade de gestão do Estado, outro pilar do modelo de desenvolvimento adotado no pós-guerra. A constatação dessas inadequações nos anos 80, em meio à estagnação combinada com hiperinflação, criou as condições para que prosperassem iniciativas que levaram à abertura da economia e à privatização de empresas controladas pelo Estado.

Poucos questionariam que o segundo mandato do presidente Lula e o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff foram marcados por gradativa restauração do nacional-desenvolvimentismo. O formato que marcou essa regressão a políticas que haviam fracassado no passado culminou na sistemática violação da Lei de Responsabilidade Fiscal, combinada à concessão de favores fiscais seletivos que implicaram o retrocesso da abertura, a despeito dos compromissos assumidos internacionalmente pelo Brasil.

Trata-se de repetição das estripulias dos anos 50, sempre em nome do nacional-desenvolvimentismo. Já existiam pedaladas nos anos 50, com formato levemente diferente, mas com o mesmo objetivo: contornar limitações legais ao gasto público. Além disso, o mercado interno era quase completamente segregado do mercado internacional, com a tarifa de importação rondando os 150%. Nos anos Rousseff a tarifa de 35% foi praticamente dobrada pelo regime discriminatório do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) baseado em conteúdo nacional de partes e peças.

No mundo ideal, o objetivo deve ser a reforma política que supere o atual atoleiro. Na economia, será que queremos mais proteção, política macroeconômica macunaímica e Estado grande e corrupto?

A prioridade deve ser a recuperação da credibilidade do Estado como gestor, a volta a políticas macroeconômicas prudentes, o abandono do ranço autárquico e reformas tributária e previdenciária. Em suma, afastar os fantasmas do passado.

* Marcelo de Paiva Abreu é doutor em economia pela Universidade de Cambridge. É professor titular no Departamento de Economia da PUC-Rio

Estelionato à vista - EDITORIAL O ESTADÃO

ESTADÃO - 11/11

Tudo leva a crer que Lula está prestes a assumir o controle total do governo, agora forçando Dilma Rousseff a demitir o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e substituindo-o por alguém de confiança do ex-presidente e disposto a adotar uma “nova política econômica” destinada a “acelerar a retomada do crescimento econômico”. Segundo se informa, Lula e os ministros do núcleo político do Planalto – políticos alinhados com o ex-presidente, que os colocou onde estão exatamente para isso – intensificaram na última semana a pressão sobre a presidente da República para que substitua urgentemente Levy, de preferência pelo ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.

Considerando que a crise econômica e a debacle moral e o consequente impasse político paralisaram o governo e provocaram o rebaixamento da popularidade de Dilma a índices sem precedentes, faz sentido que Lula tenha pressa em preencher o vazio deixado por sua pupila no comando da ação governamental, tarefa que já executou com êxito no que se refere à área política, ao “nomear” Jaques Wagner e Ricardo Berzoini para o comando da Casa Civil e da Secretaria de Governo.

Falta agora o chefão do PT colocar alguém de sua confiança à frente do Ministério da Fazenda, para executar a “nova política” que, na verdade, nada tem de nova, pois se trata apenas da reedição da gastança na forma da liberação de crédito para a aquisição de bens de consumo. É óbvio que não se pode pensar em crescimento econômico sustentável sem investimentos em infraestrutura, nos chamados bens sociais como educação, saúde, saneamento, segurança, transportes, etc. Mais uma vez, porém, não é hora de pensar em projetos que só dão retorno a longo prazo.

Resta saber se Henrique Meirelles estará disposto a assumir os enormes riscos da “política econômica” com a qual Lula sonha como último recurso para salvar sua pretensão de chegar de novo à Presidência da República em 2018. E se, para fazê-lo, tolerará o convívio com a presidente que o detesta.

A economia brasileira foi jogada num buraco cada vez mais profundo pelo delírio populista do PT, associado ao dogmatismo ideológico e à incompetência de Dilma. Beneficiado por uma conjuntura favorável, que encheu os cofres públicos com impostos, o governo se permitiu gastar sem fazer contas, subsidiar programas com inaudita generosidade, fornecer crédito abundante e fácil para consumo e fazer uma impensada desoneração fiscal.

Quando começou a “sair mais dinheiro do que entrava” – como admitiu dias atrás o próprio Lula –, a crise econômica se apresentou aos brasileiros como o resultado inescapável da insustentabilidade do delírio consumista no qual o lulopetismo tentou – e, pelo jeito, vai insistir nisso – ancorar seu projeto de poder.

Dilma e o próprio Lula estavam convencidos, na transição do primeiro para o segundo mandato da presidente, de que a situação econômica era grave e exigia, prioritária e urgentemente, que as arrombadas contas do governo fossem colocadas em ordem. Era a necessidade do ajuste fiscal que entrava em cena. E Lula indicou para o ministério da Fazenda um executivo de perfil liberal, ninguém menos que o presidente do Bradesco, Luiz Trabuco. Trabuco não foi liberado para o cargo pelo conselho do banco e Dilma ficou com Joaquim Levy.

Mas a discussão das medidas necessárias ao ajuste fiscal, especialmente aquelas que contrariam os interesses dos assalariados, assustou as correntes esquerdistas do Parlamento, as bases sindicais do PT e as organizações filopetistas. O ajuste fiscal passou a ser apontado como uma ameaça às conquistas sociais. E não demorou para que Lula, sempre atento aos reflexos eleitorais dos acontecimentos, passasse a sabotar o demonizado ajuste e fazer eco às reivindicações de uma “nova política econômica” – como se o governo tivesse alguma.

Mais do que depressa, Lula quer reviver o consumismo inconsequente que o transformou num grande líder popular. Com que dinheiro se produzirá esse milagre? Bem, o interesse eleitoral de Lula é mais importante do que detalhes como esse. Afinal, como creem os petistas, o governo tudo pode, basta querer.

Luta política - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 11/11

Desde que ficou claro que o tempo da bonança havia passado, e que a popularidade de Dilma se mantém em um dígito das pesquisas de opinião, os governistas de modo geral e os petistas em particular deixaram a arrogância de lado, mas não vestiram as sandálias da humildade.

Eles, que gozavam abertamente os 10% que consideravam o governo ruim ou péssimo quando a esmagadora maioria da população o considerava bom ou ótimo, passaram a exigir dos adversários uma posição que jamais tiveram.

Dilma, que na noite em que foi reeleita sequer mencionou o nome do adversário do 2? turno a quem derrotara por só 3% dos votos, após ter sido procurada por um Aécio que àquela altura reconhecia a derrota e demonstrava disposição para o diálogo, passou a exigir comportamento conciliatório da oposição, afirmando em diversas ocasiões que o país não estava dividido.

Mas jamais estendeu a mão para um verdadeiro diálogo, mesmo estando em clara desvantagem na avaliação popular logo depois que as urnas se fecharam, e que os eleitores descobriram que haviam sido iludidos pelo mundo encantado que o marqueteiro João Santana vendeu sem poder entregar.

A insatisfação com o governo só fez aumentar, e logo seus ministros e principais assessores viram-se constrangidos em locais públicos pelas manifestações de repúdio ao governo e à corrupção.

Não deveria ser assim, mas o clima de disputa permanente foi instalado no país pelo próprio PT, que, cego pela hubris, acabou sendo punido pelos deuses da política que não gostam dos arrogantes. Foi Lula quem instituiu o "nós contra eles" e foi a palavra de ordem do PT até mesmo fora do poder que determinou que os adversários tinham que apanhar "nas urnas e nas ruas" como anunciou um dia José Dirceu, no tempo em que não estava na cadeia e ainda ditava as ordens no PT.

Em que mundo vivem os 10% que criticam o governo Dilma, perguntavam os áulicos do governo petista, insinuando que era impossível não gostar do PT, ou que apenas os com outros interesses, nada confessáveis, estavam na oposição.

Tornou-se uma ação política comum fazer um "esculacho" contra os adversários do PT, legitimada pelas demonstrações em frente às residências de antigos torturadores.

Quando o clima mudou, logo o PT vestiu-se de vítima de uma direita agressiva, e passou a denunciar perseguição ao partido e a Lula e sua família, como se Justiça, PF e MP tivessem feito acordo para persegui-los.

O mais recente petista de alto escalão a sofrer "esculacho" foi o ministro do Desenvolvimento, Patrus Ananias, que outro dia foi agredido verbalmente por frequentadores de um restaurante em BH onde almoçava com família e amigos.

Ele mesmo trouxe o caso a público, dizendo que reagiu às acusações de corrupção e ameaçou processar o acusador, como fez o ex-ministro Guido Mantega, que ganhou uma retratação de dois empresários que o acusaram de corrupto em ocasiões distintas em SP.

Não deveria ocorrer, repito, numa democracia em que todos os direitos fossem respeitados. Mas repito que o clima de duelo foi instituído pelo próprio PT. Patrus, homem afável, deu declarações importantes: "Este não será o país do ódio, onde quem grita mais alto tem razão. Este vai continuar sendo o país da democracia, de quem sabe ouvir, compreender e debater" Deveria ser assim, mas depende, sobretudo, do PT, que há muito instituiu a "luta política" como comportamento cotidiano. Não me esqueço da conversa que tive com o então presidente da Câmara, João Paulo Cunha, hoje cumprindo pena em prisão domiciliar, quando o PT levou ao Congresso, no primeiro momento do governo Lula, uma reforma da Previdência que em tudo era compatível com a que o governo FH tentara aprovar, com a oposição sistemática do PT.

"Qual a razão dessa mudança?" perguntei. E ele, candidamente: "Luta política" Hoje, o PSDB faz a mesma coisa ao aprovar o fim do fator previdenciário, e assim, de "luta política" em "luta política" o país vai à breca e as pessoas se digladiam nas ruas.

Esse ambiente estressado é um dos maiores obstáculos à superação da crise em que nos debatemos. Mas a cada dia fica mais distante, pelos fatos que vão sendo revelados, a possibilidade de uma conciliação.

Para PT, objetivo de Moro é "acabar com a sigla" - CRISTIANE AGOSTINE

VALOR ECONÔMICO - 11/11

Em meio a denúncias de corrupção, o PT divulgará hoje um documento para municiar a militância com fortes críticas ao juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato, e ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. No recado aos petistas, o comando partidário afirma que o alvo de Moro, da Lava-Jato e de Mendes é acabar com o partido.

"O juiz Sergio Moro e sua ´equipe´ de delegados da PF e procuradores do MPF do Paraná fazem de tudo (até mesmo anistiar criminosos confessos) para atingir o PT. Eles não querem detectar os crimes e acabar com a corrupção. O objetivo é prejudicar a imagem do PT e de seu governo", diz o partido.

Na cartilha "Em defesa do PT, da verdade e da democracia", com 32 páginas, a legenda diz que há uma campanha de "cerco e aniquilamento" de setores do Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e da mídia para cassar o registro da sigla. De acordo com o PT, opositores ao governo "mentem sob a proteção da toga, nos mais altos tribunais, afrontando a consciência jurídica".

"Desde a campanha de 2014, nossos adversários escolheram as investigações da ´Operação Lava-Jato´ para insistir em criminalizar o PT. Repetindo o método do mensalão, tentam atribuir ao PT - e exclusivamente ao PT - os crimes de bandidos confessos, vinculados a diversos partidos, inclusive da oposição, que agiam impunemente há décadas e hoje negociam depoimentos em troca de benefícios, sem apresentar provas", diz. Com críticas à delação premiada, afirma que Moro beneficiou "criminosos" que desviaram de recursos da Petrobras, ao mesmo tempo em que criminaliza a sigla.

A legenda também ataca Gilmar Mendes e diz que "são notórias" as ligações do ministro com os tucanos, "assim como é escancarado seu comportamento faccioso contra o PT, tanto no STF quanto no Tribunal Superior Eleitoral". O partido diz ainda que o ministro age "como um coronel da Velha República".

Governo deixa Petrobras à beira do abismo - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 11/11

O tempo passa, o governo não mexe no seu irrealista ‘modelo’ de partilha e a Petrobras, sem crédito e sem caixa, continua próxima ao precipício

O tempo passa e a Petrobras não se move. Submersa em gestão temerária e corrupção durante o período Lula, a administração da maior empresa estatal do país virou tema de um folhetim policial no governo Dilma Rousseff.

Sua produção estagnou na faixa dos 2,8 milhões de barris diários; a receita entrou em declínio também por efeito da queda à metade dos preços do petróleo, em comparação com os valores de 2014; o endividamento em moeda estrangeira ascende a US$ 100 bilhões; e a companhia já não consegue renovar créditos, porque porque foi banida do mercado.

Dilma, reeleita, sinalizou uma faxina na empresa e mudanças na política setorial. No Congresso, alguns partidos aliados do governo e da oposição uniram-se na reavaliação do “modelo” de partilha da produção, adotado para o pré-sal numa conjuntura em que a Petrobras era outra companhia — tinha caixa, crédito, gastava menos dinheiro com exércitos de advogados e menos tempo e energia com problemas em tribunais do Brasil e do exterior.

O tempo passou, porém quase nada foi feito. Por fé ideológica, o governo resolveu manter o seu irrealista “modelo” de partilha, com monopólio da Petrobras na operação e imposição do controle de 30% de todos os consórcios.

A cúpula da empresa, por sua vez, manteve-se refém de um outro “modelo”, o político: cumpre ordens de Brasília enquanto, tacitamente, compõe interesses corporativos com os da nomenclatura sindical, usufrutuária de benesses por se alinhar ao partido do governo, o PT.

Da lassidão surgiu a atual greve de petroleiros, organizada em torno de uma “pauta política", com efeito vinculante sobre “um novo acordo coletivo", conforme a federação dos petroleiros.

Nele, essa burocracia beneficiária da gestão política que conduziu a Petrobras ao abismo pretende decidir o rumo da empresa controlada pelo Estado, à margem da vontade da coletividade, acionistas e representados no Legislativo.

Sob o silêncio obsequioso do governo e da direção da empresa, exigem que a Petrobras “assuma o interesse em permanecer como operadora única do pré-sal", conforme a atual lei da partilha. E mais: compromisso de não realizar “qualquer abertura de capital" da BR Distribuidora, incorporação “integral e imediata" das subsidiárias Transpetro e Araucária Nitrogenados, “manutenção e/ou ampliação" das atividades de exploração e produção no país e preservação da política de conteúdo local.

Fosse privada, a Petrobras já estaria em concordata, devido ao cardápio de malfeitos lulopetistas. Sem realismo sobre o seu papel (o ideal seria o retorno ao exitoso formato de concessões), não se realizam leilões para o pré-sal, porque a estatal não consegue participar. Assim, não entra dinheiro no caixa, não há crédito e o endividamento se multiplica. A Petrobras está à beira do precipício.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

LEI PARA ‘REPATRIAR’ DINHEIRO ATENDE A BANDIDAGEM
É mesmo estarrecedor o projeto que prevê a “repatriação” de dinheiro transferido ilegalmente ao exterior. Na prática, permite anistiar dinheiro sujo de corrupção, contrabando, sonegação, assalto, tráfico, resgate de sequestrados etc. O projeto veda a punição de sonegação, inclusive de contribuição ao INSS, falsificação de documento (público ou particular), evasão de divisas e lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores.

PROJETO CARIMBADO
Na oposição, prospera a suspeita de que o projeto de “repatriação” de dinheiro foi criado para beneficiar pessoas ligadas ao governo.

CONVERSA MOLE
A “expectativa de receita” é falsa: quem mantém dinheiro lá fora para protegê-lo ou se proteger, não tem motivos para repatriar coisa alguma.

PRAZO ABERTO
Poderá se beneficiar da nova lei qualquer pessoa física ou jurídica, até 210 dias após a regulamentação da lei pela Receita Federal.

EMPURRADO GOELA ABAIXO
Servidores da Câmara e da Receita estão estarrecidos com o projeto de repatriação de dinheiro sujo, mas são obrigados a engolir a seco.

PM-DF FICOU SEM HELICÓPTEROS POR FALTA DE SEGURO
O governo do DF deixou a Polícia Militar impedida de usar seus quatro helicópteros durante cinco meses, até sábado passado (7), por falta de seguro. Saiu mais caro: após tanto tempo paradas, as aeronaves serão submetidas a manutenção dispendiosa. E continuam sem voar. Mas o governador Rodrigo Rollemberg (PSB), não: ele tem sido criticado por gastar R$ 1,2 milhão no aluguel de helicópteros para seu próprio uso.

MUITO ÚTEIS
Além de ajudar a monitorar o trânsito e apoiar o policiamento ostensivo, os helicópteros da PM são usados também em socorros de urgência.

EQUIPAMENTOS NOVOS
Três dos cinco helicópteros da PM-DF, essenciais à corporação, são novos: foram adquiridos no governo de Agnelo Queiroz (PT).

BATALHÃO
No total, cerca de cinquenta homens compõem Bavop, batalhão de aviação da PM-DF. Foram cinco meses sem terem muito o que fazer.

APOIO AO IMPEACHMENT
A Frente Parlamentar Agropecuária, de 284 deputados, anunciou apoio ao processo de impeachment de Dilma. "O processo não pode ser usado para interesses individuais", diz Jerônimo Goergen (PP-RS).

CAIXA REFORÇADO
A campanha eleitoral de Fausto Pinato (SP), relator do caso Eduardo Cunha na Câmara, recebeu por meio do partido, o PRB, doações da Queiroz Galvão, empreiteira do cartel acusado de roubar a Petrobras.

O ADEUS A SANDRA
O jornalismo brasileiro fica menor, com o falecimento da jornalista Sandra Moreyra, ontem. Era tão dedicada e competente quanto generosa e profissional. E ainda por cima torcia pelo Botafogo.

CALOURO
A pedido de uma prima, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) cantou a música “Funiculí Funiculá” na Rádio Jornal, de Pernambuco. Sua excelência arrancou risadas do público.

CONTRABANDO EM ALTA
O consumo de cigarros contrabandeados entre paulistas cresceu, diz pesquisa do Ibope. Entre 2010 e 2014, as vendas de marcas nacionais caíram 24%, período em que o consumo das paraguaias subiu 44%.

PIZZAIOLO PALACIANO
O deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) foi escalado pelo Planalto para articular o fim da CPI do BNDES. Ele vive se reunindo com aliados para evitar convocações que desagradem o governo.

VIRADA NO CONSELHO
O Solidariedade entrou em campo no Conselho de Ética para salvar Eduardo Cunha. O deputado Paulinho da Força (SP) garante que agora seu amigo Cunha já conta com 11 dos 21 votos no Conselho.

FECHANDO A BOCA
Leonardo Quintão (PMDB-MG) faz a dieta do hormônio da gravidez: perdeu 12 quilos. “O Legislativo engorda”, diz. Rogério Peninha (SC), José Priante (PA) e João Marcelo (MA) decidiram imitá-lo.

PENSANDO BEM...
...sobe tudo no Brasil, do desemprego à inflação, do preço da energia às tarifas do transporte; só não cresce a credibilidade de Dilma.

terça-feira, novembro 10, 2015

Feministas igualitárias - RODRIGO CONSTANTINO

O GLOBO - 10/11

Nossa primeira demanda é acabar com a diferença na idade de aposentadoria. Onde já se viu a mulher poder se aposentar antes?


Sou o presidente da ONG Feministas Unidas pelas Mulheres Estranhas e Igualitárias (Fumei), e ia aderir à campanha #AgoraÉQueSãoElas, cedendo este espaço para a jornalista Joice Hasselmann, que acaba de sair da VEJA. Mas desisti, pois Joice é muito independente e pouco igualitária para representar minha ONG, que não aprecia esse tipo de postura. Ela também é bonita e feminina demais para falar em nome das mulheres estranhas que idolatram Simone de Beauvoir, aquela submissa ao amante Sartre. Sei que o leitor pode achar estranho que um homem presida uma entidade feminista, mas não há nada de anormal nisso. Ora, todos esses homens que cederam o espaço nos jornais por um dia às mulheres, preservando os demais dias do ano para si, agem de forma similar, como se a mulher fosse tão fraca a ponto de necessitar de um empurrãozinho masculino, uma concessão abnegada. Vai entender!

A Fumei defende bandeiras mais radicais, pois percebeu que muitas mulheres que se dizem feministas chegam a um limite o qual não estão dispostas a avançar. A Fumei, ao contrário, busca igualdade plena entre homens e mulheres. Por isso que nossa primeira demanda é acabar com a diferença na idade de aposentadoria. Onde já se viu a mulher poder se aposentar antes? Ainda mais quando sabemos que sua expectativa de vida é maior. Qual a lógica desse privilégio?

Além da idade igual de aposentadoria, a Fumei defende o alistamento obrigatório das mulheres nas Forças Armadas. Algumas feministas lutaram no passado pelo direito de a mulher ingressar no Exército, mas achamos isso muito pouco. Queremos o dever, tal como ocorre com os homens.

Outra coisa que tem chamado a nossa atenção é a enorme desproporção entre homens e mulheres na população carcerária do país. Simplesmente quase 95% do total de presos são homens. Onde está a igualdade? Como podemos combater as desigualdades no mercado de trabalho se não atacarmos também a desigualdade na quantidade de presidiários?

A Fumei condena veementemente os protestos de outras feministas em igrejas, esfregando os seios nus na cara dos padres. Isso já é coisa do passado, não tem mais graça. Em nome da igualdade, queremos ver as feministas balançando os peitos na cara dos aiatolás do Oriente Médio, na cara dos líderes do Estado Islâmico. A mulher na Arábia Saudita não pode nem dirigir ou usar biquíni, e as feministas vão focar na “opressão” ocidental?

Algo que irrita profundamente nós da Fumei é mulher que deixa o homem trocar o pneu furado do carro ou matar baratas. Coisa de mulherzinha que alimenta a desigualdade. O certo é a mulher meter a mão na massa e trocar o pneu sozinha, mesmo debaixo de chuva, e deixar de frescura e pisar na maldita barata, mesmo que descalça. A igualdade é fundamental, companheiras!

Alguns chatos, como aquele presidente do Instituto Liberal, falam que o feminismo igualitário é coletivista, que não enxerga indivíduos, que não reconhece que homem e mulher são complementares, e não inimigos mortais. Mas não caímos nessa ladainha. Sabemos que a família é como uma luta marxista, só que em vez de classes, se dá entre gêneros. O macho oprime a fêmea, e isso precisa acabar.

Economistas mostram que diferenças em salários médios derivam das escolhas feitas, do perfil de trabalho, da maior quantidade de mulher em profissões mais flexíveis com o tempo, e pelo fato de serem elas que engravidam, algo que ainda não temos muito como mudar. Não importa essa lógica toda. Somos pós-modernos, estamos acima da razão, não precisamos de coerência. O relevante é só pintar a mulher como vítima e o homem como opressor, tudo em nome da igualdade.

Por isso, não suportamos essas mulheres fortes, independentes, tais como Margaret Thatcher, Carly Fiorina ou Ayn Rand. Preferimos aquelas que só chegaram aonde chegaram graças a um homem, como Dilma, criatura de Lula. A nossa presidenta sempre usou a cartada sexual, inclusive no título do cargo, lembrando que era mulher e que toda crítica que recebe é fruto do machismo. Thatcher nunca se vitimizou assim, nem Ayn Rand. Não ajudam em nossa causa.

Mas, apesar de toda a consideração para com Dilma, a Fumei precisa defender seu impeachment. Afinal, estamos aqui lutando pela igualdade plena das mulheres estranhas, e convenhamos, Dilma é excelente ícone do grupo. Se Fernando Collor, com “aquilo roxo”, foi alvo de um processo de impeachment, não seria justo blindar Dilma agora. Queremos igualdade, e só haverá igualdade se Dilma também cair, como aconteceu com Collor. Seja nobre, Dilma. Renuncie em nome da igualdade!

Rodrigo Constantino é economista e presidente do Instituto Liberal

Os caminhos da crise - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 10/11

A melhor solução para Lula é o impeachment de Dilma, segundo o ex-ministro de FHC, Lula e Dilma Nelson Jobim, que se transformou na figura mais importante a atuar nos bastidores dos três poderes de que já participou: foi o relator da Constituinte, foi ministro de Estado, e presidiu o Supremo Tribunal Federal.
A melhor solução para Dilma é Eduardo Cunha permanecer na presidência da Câmara, na avaliação de importantes assessores do Palácio do Planalto. Enquanto Cunha tiver o poder de aceitar o processo de impeachment, terá força para continuar a chantagear governo e oposição, sem sair do lugar.
Até que o tirem de lá, tarefa que depende basicamente dos deputados, mas que tudo indica não será cumprida devido ao receio, diria mesmo pânico, de que Cunha revele os muitos segredos que sabe de vários deputados e senadores.
Este é o resumo da situação a que chegamos, em que de chantagem em chantagem os poderes da República vão ficando paralisados, cada um tentando sobreviver aos ataques previsíveis apenas para sobreviver, sem maiores projetos para o futuro.
Para a presidente Dilma, o mais importante é não cair, seguir adiante até que seu mandato termine e ela possa ir para casa com o troféu de pior presidente da República da história, mas sem o constrangimento de ter sido derrubada.
Já Eduardo Cunha luta para não ser preso. Assim como acha que o Palácio do Planalto tem capacidade de manipular a Polícia Federal e o Ministério Público para persegui-lo, acha também que o Procurador-Geral da República não terá coragem de processá-lo enquanto presidir a Câmara, pois o Planalto o protegerá. Ledo e ivo engano, como diria o Cony.
Tudo indica que Cunha vai ter que explicar para os ministros do STF essa história da carne moída num processo que, de acordo com as provas que já foram anunciadas, possivelmente o levará para a cadeia.
Desse ponto de vista, é mais fácil derrubar Cunha do que Dilma, pois no Brasil criou-se a fantasia de que só roubo em benefício próprio justifica um impeachment. Com essa tese jurídica, permite-se que diversas leis sejam violadas pelo presidente da República do momento, dando a ele o poder de estar acima das leis se não for um reles ladrão.
Roubar pela causa, ou utilizar o dinheiro público para criar as condições para a eleição de seu candidato, como fez Lula em 2010, fazendo o país crescer a 7,5% no ano, mas escangalhando as contas públicas, isso pode. Ou facilitar a reeleição com abuso do poder econômico, hábito da política brasileira que a Lei de Responsabilidade Fiscal pretendeu evitar, isso também pode, sem que se veja nesses atos o que eles realmente são, crimes contra o patrimônio público puníveis com impeachment.
Enquanto a política brasileira segue nessa pasmaceira, pioram as previsões para a economia também em 2016 e a crise tripla – política, econômica e moral – não parece ter uma saída plausível, pois os acordos políticos já não obedecem a parâmetros civilizados.
Os players desse jogo truncado ganham com a paralisia das ações, e não há regras morais que as limitem. Vale tudo para alcançar o objetivo imediato, que é o de sobreviver no cargo.
Esse, como se vê, não pode ser o caminho virtuoso de um país em busca de seu destino. Não temos hoje na vida pública figuras que inspirem confiança, e por isso não é surpreendente que pesquisas de diversas procedência informem a rejeição maciça aos políticos e aos partidos.
Forma-se nessa marcha a condição para uma disputa presidencial em 2018 mais fragmentada do que a de 1989, a primeira eleição direta para presidente da República depois dos anos ditatoriais e a transição para a democracia iniciada com a eleição indireta de Tancredo Neves.
A não ser que saiam das operações Lava-Jato, Zelotes e similares definições de culpa que mudem o panorama atual e encurtem o caminho.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

CPI APOSTA EM DELAÇÃO PREMIADA NA LAVA JATO
Sem qualquer operação da Polícia Federal para subsidiá-la, a CPI que investiga os fundos de pensão aposta na delação premiada do empresário Gerson Almada, dono da Engevix Engenharia, e do ex-presidente da Sete Brasil João Carlos Ferraz, no âmbito da Lava Jato. A CPI suspeita de repasse à Engevix de R$ 350 milhões do Funcef, fundo dos funcionários da Caixa presidido pelo petista Carlos Caser.

PROVAS ROBUSTAS
Para o presidente da CPI, deputado Efraim Filho (DEM-PB), há indícios de tráfico de influência e irrigação de campanhas petistas.

LOBISTA AMIGO
Almada contou à Polícia Federal que acertou o pagamento de US$ 120 milhões para o lobista Milton Pascowitch em obras de estaleiros.

RASTRO DE PÓLVORA
Em audiência da CPI, Milton Pascowitch admitiu que esteve e até almoçou com Carlos Caser, o presidente da Funcef.

PODEROSO CHEFÃO
Efraim suspeita ainda de negócios na área de energia. “O ex-presidente Lula defendia negócios suspeitos na área”, afirma.

PARTIDOS DISPUTAM ESPAÇOS ESCASSOS NA CÂMARA
A multiplicação de partidos políticos criou um problema: não há espaço para todas as 29 siglas com representação na Câmara dos Deputados. Com direito a acomodação, além de água, luz e telefone pagos. O recém-criado Rede teve de ir para o Anexo IV da Câmara, bem distante dos demais, por não haver espaço no prédio principal. Por isso, sobrou para o Comitê de Imprensa, que perderá metade de toda a sua área.

VIDROS BLINDADOS
O Comitê de Imprensa cederá espaço ao gabinete do presidente da Câmara, que terá vidro blindado para proteger Eduardo Cunha.

TORNEIRA ABERTA
Se os partidos usassem um pouco do milionário fundo partidário para pagar aluguel por suas salas, a Câmara faria uma bruta economia.

LATIFÚNDIO
A distribuição de salas para os partidos, na Câmara, observa o critério da proporcionalidade. PT, PMDB e PSDB ocupam corredores inteiros.

ALUNA RELAPSA
A Dilma pode passar de ano, mas raspando. Aluna relapsa, terá recuperações e segundas épocas. Foi reprovada em economia, ciências políticas, relações públicas, ética, moral e cívica, higiene e saúde e oratória. A continuar assim, em 2016 será expulsa do colégio.

UÍSQUE, NEGÓCIOS À PARTE
Ex-presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PSD-SP) defende o relator do processo contra Eduardo Cunha, Fausto Pinato (PRB-SP): “Tomar uísque é uma coisa, ter relação política é outra”, analisa.

AGENTE DUPLO
O deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) avalia que Eduardo Cunha inviabiliza o impeachment de Dilma: “Primeiro, ele joga com oposição e governo. Segundo, ele tira a legitimidade do processo”.

TEMPO RUIM
A relação entre PTB e PMDB já foi melhor. O clima azedou porque o ministro Armando Monteiro (Desenvolvimento), enrola, enrola, e não entrega aos peemedebistas o prometido comando do Inmetro.

PRESSÃO ALTA
É a segunda vez que o sócio da ASM, Antônio Luis de Mello, não aparece para depor na CPI dos Fundos de Pensão. Na primeira vez, alegou “crise hipertensiva”. Agora, acidente a caminho do aeroporto.

MORTE TRÁGICA
O embaixador Sebastião Rego Barros caiu ontem do 11º andar do prédio onde morava, ao lado do hotel Copacabana Palace, no Rio. Sentiu uma tontura ao pegar um livro na estante e se desequilibrou.

LUTO NO ITAMARATY
O Itamaraty perdeu, em 2015, três diplomatas estimados e admirados por toda Casa de Rio Branco: os embaixadores Bernardo Pericás, Clodoaldo Hugueney e, agora, Sebastião “Bambino” Rego Barros.

QUE JEITO?
O ruralista Valdir Collato (PMDB-SC) mostra falta de sensibilidade e de conhecimento da língua portuguesa: “Do geito (sic) que a coisa anda, teremos que soltar os animais nas ruas e colocar pessoas em jaulas”.

PENSANDO BEM...
...pulando de funcionário de zoológico a dono de patrimônio milionário, o filho de Lula bem que merece o cargo de ministro da Fazenda.

segunda-feira, novembro 09, 2015

O silêncio de Marte - LUIZ FELIPE PONDÉ

Folha de SP - 09/11

O filme "Perdido em Marte", de Ridley Scott, como disse minha mulher, psicanalista winnicottiana, é o "anti-Avatar".

Você lembra do desfile de bobagens que era o filme de James Cameron de 2009, chamado "Avatar", no qual feras "mordiam" apenas capitalistas malvados?

E onde a "Natureza" era uma grande deusa-mãe? A natureza, na verdade, está mais para uma besta fera maravilhosa do que para mamãe deusa acolhedora. "Avatar" é infantil, "Perdido em Marte" é adulto.

Ridley Scott fez uma obra para gente grande. Na linguagem dos winnicottianos, gente que percorreu a linha do amadurecimento de forma consistente.

O filme é uma ode a capacidade humana de sobreviver e se relacionar com a vida e com os outros. Mesmo sendo um herói, o personagem de Matt Damon (que é deixado para trás em Marte pelos companheiros, que o tomam como morto) depende diretamente da capacidade de seus pares em manter a decisão de salvá-lo, objetivo este que perseguem de forma honesta, organizada e sem arroubos grandiloquentes.

Todos os personagens são decentes. Aliás, essa é a única crítica negativa possível ao filme: canalhas abundam em toda parte, mas a Nasa do filme é um exemplo de decência possível.

Não vivemos numa época em que se privilegie o amadurecimento, me parece.

Somos, nós contemporâneos, excessivamente barulhentos e militantes. Temos concepções de mundo aos montes. Cremos na salvação através da alface e da política. Alguns mesmo chegam a dizer que a verdadeira clínica é a política, quando esta é, na verdade, uma arte grosseira de simplificar o mundo a fim de gerir o poder nele.

Vou dar outro exemplo (além de "Avatar") do que tenho em mente como típico de nossa cultura imatura que mente sobre as coisas para fazer com que tudo lhe pareça mais palatável. Este exemplo vai no sentido oposto do que o filme revela como um ser humano mais maduro e menos infantil (estou seguro que nosso tempo será lembrada como uma era de mimados e ressentidos).

Vi, recentemente, uma propaganda (não interessa do que, apesar de que lembro bem do que era) em que se afirmava que a interpretação da natureza como violenta e competitiva era um erro. Segundo o "entrevistado" na propaganda, a natureza é solidária e colaborativa.

Tudo bem que devemos ser colaborativos (e o filme é um exemplo disso, de forma sóbria e sem exageros "solidários"), mas daí a dizer que a natureza seja solidária e não competitiva é um absurdo, não?

Sempre achei a publicidade um oásis de honestidade intelectual (pensando a vida como ela é), mas, talvez, seja eu um ingênuo no tocante ao produto final dela. Ora, para se vender vale tudo, e se o mundo ficar bobo, temos de defender coisas bobas para fazer os bobos ficarem felizes consigo mesmos, não?

Portanto, já que está na moda cobrir a competição violenta da vida e do mercado com o manto da santidade solidária, a publicidade o fará.

Agora veja o oposto no filme.

Num dado momento, o herói astronauta, numa cena em que está dando aula na academia de astronautas, diz para seus alunos: "Preparem-se porque sempre algo dá errado no espaço, e o espaço não colabora nunca com você".

O espaço de nosso astronauta é a figura da realidade (cósmica) tal como ela é. A natureza na propaganda a qual me referi é a representação infantil de nossa época mimada.

Freud já dizia que o amadurecimento é coisa rara. Podemos agregar que o é porque exige de nós um enorme esforço "anti-Papai Noel".

O grande ganho do imaturo é a percepção de si mesmo como um ser angelical num mundo sem nuances e sombras.

O filme "Perdido em Marte" é uma ode à esperança no ser humano e na sua capacidade de sobreviver e se sacrificar, mas sem baratear o custo dessa esperança e desse sacrifício.

É um exemplo de como a virtude é sempre silenciosa e discreta, e o bem sempre entra pela fresta da porta.

Quem viu o filme (e quem não viu, vá ver) vai lembrar de uma cena final em que o jovem cientista diretamente responsável pela solução do problema assiste de longe ao resultado de seu trabalho, do canto da sala, recusando, discretamente, os holofotes.


A hora do impeachment - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - 09/11

Há elementos suficientes para caracterizar crime de responsabilidade cometido por Dilma


O lulopetismo, que está prestes a completar 13 anos no Palácio do Planalto, implodiu o Brasil. O PT recebeu um país cuja economia mal completara o trabalho de estabilização e, em vez de consolidá-lo, resolveu que o tripé macroeconômico dividiria espaço com uma política econômica baseada em muito consumo e pouco investimento; por fim, o tripé foi abandonado com a adoção da “nova matriz econômica” e a manutenção dos estímulos ao consumo. Os resultados aparecem agora: recessão, inflação e desemprego. O surgimento da “nova classe média” tão celebrada pelo petismo começou a se reverter. A consultoria Tendências estima que, de 2015 a 2017, 3,1 milhões de famílias da “nova classe C” devem cair para as classes D e E – é quase a anulação da ascensão social verificada entre 2006 e 2012, quando 3,3 milhões de famílias das classes D e E subiram degraus.

No campo moral, o petismo consagrou a noção de que os fins justificam os meios. Mensaleiros condenados são aclamados como “guerreiros do povo brasileiro” porque, no fim, tudo o que fizeram foi trabalhar pelo partido. Antigos inimigos com invejável folha corrida viraram amigos do peito. No campo institucional, fez-se o que foi possível para aparelhar o que estivesse pela frente, em alguns casos com consequências trágicas para os trabalhadores, como na administração temerária dos fundos de pensão de estatais. Além disso, as lideranças petistas não perderam nenhuma oportunidade de atacar a liberdade de imprensa. No campo diplomático, o lulopetismo fez do Brasil aliado incondicional do que há de pior na América Latina e transformou o país em adversário do livre comércio.

Incompetência generalizada, economia em frangalhos, popularidade em queda livre, alinhamentos ideológicos nocivos – nada disso, no entanto, é causa para a remoção de um presidente da República de seu cargo. A legislação brasileira exige atos muito concretos de um chefe do Executivo para o impeachment. E, em nossa opinião, esses elementos estão, sim, presentes nas ações de Dilma Rousseff.

Podemos começar com as “pedaladas fiscais”, apenas uma das irregularidades apontadas pelo TCU, que no início de outubro recomendou ao Congresso que rejeitasse as contas de 2014 de Dilma. Na última quarta-feira, o Ministério da Fazenda informou ao Congresso Nacional que pagaria, neste ano, R$ 57 bilhões para quitar as “pedaladas”, em uma admissão implícita do mau uso dos bancos estatais. Isso sem falar das maquiagens orçamentárias que ganharam o sugestivo nome de “criatividade contábil”. Nunca antes na história deste país houve uma falsificação global em larga escala da realidade econômica da nação.

Mas os elementos que nos permitem concluir que Dilma cometeu crime de responsabilidade não param por aí. A pilhagem da Petrobras é obra de um grupo que já atuava na estatal desde a época em que Dilma, ainda ministra de Lula, presidia o Conselho de Administração da empresa. Impossível acreditar que, já na presidência da República, ela ignorasse o que se passava nas diretorias da estatal. Ainda que não tenha se beneficiado nem participado da roubalheira, ela prevaricou ao não agir com firmeza para promover uma limpeza que era urgente.

Se, no editorial de ontem, colocamos a saída de Eduardo Cunha em primeiro lugar na lista de prioridades, não o fizemos por considerar seus erros mais graves que os de Dilma. A realidade é justamente a oposta: a presidente da República tem prejudicado muito mais o país que o presidente da Câmara. Mas Cunha já demonstrou que vê o impeachment apenas como um brinquedo para chantagear o Planalto. Falta-lhe a seriedade necessária para cuidar do assunto. Daí a necessidade de sua substituição por um parlamentar com respaldo e autoridade moral que, além de devolver dinamismo ao Legislativo, trate o impeachment não de forma oportunista, mas analisando fatos e argumentos.

Não se trata aqui de acreditar, ingenuamente, que o dia seguinte a um eventual impeachment de Dilma e à saída de Eduardo Cunha do comando da Câmara será o início de uma nova fase para o Brasil. Ambos são a personalização de uma série de problemas que persistirão mesmo que eles se tornem cartas fora do baralho. Mas o combate a esses problemas será facilitado se os principais cargos do Executivo e do Legislativo não forem ocupados por infratores. Também não compartilhamos da crença de que é melhor manter o statu quo em nome de uma suposta estabilidade, ou mesmo pela falta de quem encarne o discurso de que falávamos no editorial de ontem. A própria situação atual já mostra que, se há algo estável no país hoje, é nossa paralisia – ou, dependendo do ponto de vista, nossa velocidade rumo ao abismo. Só haveria uma situação em que se poderia considerar deixar de fazer o que deve ser feito: no caso em que a alternativa fosse claramente pior. Mas não é este o caso e, assim, essa “preservação da estabilidade” traria consigo o risco moral de premiar governantes, ainda que cometessem crimes de responsabilidade. E esta é a pior mensagem que se poderia passar ao país neste momento.

Inflação, desemprego e a paciência da população - CLAUDIO ADILSON GONÇALEZ

ESTADÃO  - 09/11

A pressão das ruas pode crescer até o ponto que torne inviável a continuidade de Dilma Rousseff na Presidência


Em meu último artigo neste espaço (A presidente precisa tomar as rédeas do ajuste fiscal, 5/10/2015), argumentei que o impasse político que impede o avanço de medidas necessárias para estancar a hemorragia das contas públicas somente poderia ser rompido se o Poder Executivo agisse imediatamente. A sugestão era de que, sem retirar as propostas que tramitam aos trancos e barrancos no Congresso, o governo lançasse mão de aumentos de tributos e cortes adicionais de gastos que poderiam ser feitos sem necessidade de aprovação legislativa. Citei a elevação das alíquotas da Cide, do IOF e do IPI, que possibilitariam arrecadação adicional de cerca de R$ 45 bilhões, em 12 meses, sendo R$ 10 bilhões para Estados e municípios e R$ 35 bilhões para a União. Concomitantemente, deveriam ser efetuados fortes cortes de gastos, inclusive no PAC e em programas sociais. Reconheci que tais medidas são amargas e têm efeitos colaterais adversos, mas a situação é de emergência e exige medidas emergenciais.

De lá para cá o impasse político agravou-se e a única ação visível do governo foi intensificar a luta para evitar o impeachment. O déficit primário (receitas menos gastos não financeiros), incluídas as pedaladas fiscais, deverá alcançar, em 2015, montante próximo a R$ 120 bilhões. É útil lembrar que a proposta inicial do governo era de superávit de R$ 65 bilhões. Estamos, portanto, diante de uma frustração de resultado da ordem de R$ 185 bilhões, algo em torno de 3,1% do PIB. Qualquer semelhança com o desmascaramento dos dados fiscais da Grécia, em 2009, não é mera coincidência.

Diante deste quadro, tentarei, neste artigo, responder à difícil questão: qual o cenário mais provável para a economia brasileira nos próximos dois a três anos? O conceito de dominância fiscal pode ser útil para esse objetivo.

Dominância fiscal é tema controverso entre os economistas. Há várias abordagens diferentes e é difícil de caracterizar se a economia, num dado período, está ou não sob tal regime. Para os objetivos deste artigo, creio que a visão tradicional, apresentada por Sargent e Wallace (1981), é a mais útil. Por ela, o regime de dominância fiscal é aquele em que o governo gera resultado primário independentemente da necessidade de estabilização da relação dívida/PIB, e a autoridade monetária passiva perde o controle do nível de preços por ser forçada a produzir as receitas de senhoriagem (decorrente do poder de emitir moeda) necessárias à solvência da dívida pública. No sistema financeiro atual, isso somente é possível com a elevação da taxa de inflação.

A meu ver, o impasse político, os desastres registrados nas contas públicas em 2014 e em 2015 e a forte componente estrutural do desajuste fiscal brasileiro, principalmente Previdência, gastos sociais e financiamentos subsidiados via crédito direcionado, não deixam dúvidas de que o País se encontra em pleno regime de dominância fiscal. A reversão desse quadro só é possível mediante um ajuste fiscal profundo, muito improvável no atual governo.

Assumindo que tal ajuste não ocorra, e descartando o calote explícito da dívida, cujas consequências de médio e de longo prazos seriam desastrosas, a consistência macroeconômica dessa situação, como vimos, implica o crescimento contínuo da taxa de inflação. O Banco Central pouco poderá fazer para evitar que isso ocorra. O endurecimento da política monetária em resposta à elevação da inflação conduziria o estoque da dívida pública para além do seu limite sustentável. Isso provocaria elevação do risco soberano e, consequentemente, depreciação do real, em vez de apreciação, realimentando a inflação. Na verdade, como se pode deduzir da abordagem de Sargent e Wallace, essa inflação é necessária para garantir a solvência do governo.

Infelizmente, a situação da economia brasileira é ainda mais grave. O ano de 2015, mesmo que o ajuste fiscal tivesse sido um sucesso, já registraria recessão corretiva, decorrente do inchaço artificial de vários setores promovido pela chamada nova matriz macroeconômica, que incentivou o consumo à custa do erário e comprometeu irresponsavelmente o orçamento das famílias. Além disso, a dinâmica explicada nos parágrafos anteriores mina a confiança dos agentes econômicos, tanto empresários quanto consumidores, levando a quedas contínuas do investimento e do consumo das famílias. Somam-se, portanto, dois conjuntos de causas recessivas.

Dessa forma, o cenário que se apresenta para a economia brasileira, para o fim deste ano e, provavelmente, para os próximos dois ou três anos, é de crescimento da inflação e do desemprego. Sem um ajuste fiscal de verdade, não vejo como isso possa ser evitado.

População. No entanto, a análise que se apresentou até agora está incompleta, pois deixou de fora, de forma proposital, um ator importante, qual seja, a população brasileira, especialmente as classes sociais bem abaixo do pico da pirâmide de renda e riqueza.

Será que as dezenas de milhões de brasileiros que antes viam seus proventos serem corroídos pela inflação descontrolada e que passaram a desfrutar dos benefícios da relativa estabilidade de preços vão aceitar passivamente a perda dessa conquista? Da mesma forma, estes mesmos brasileiros que romperam a linha da pobreza e ingressaram na classe média consumidora vão abaixar a cabeça na medida em que se empobrecem novamente? Não sou analista político para responder de forma fundamentada essa questão, mas a intuição me diz que provavelmente não.

A pressão das ruas pode crescer até o ponto que torne inviável a continuidade de Dilma Rousseff na Presidência da República. Não cabe discutir como isso se daria, se por impeachment, renúncia ou cassação de mandato. O importante é que um novo governo e uma possível coalizão política poderiam antecipar o início do ajuste da economia brasileira. Não faria milagre, mas talvez o cenário econômico lúgubre que apresentei seja atenuado e a volta ao crescimento ocorra mais rapidamente.

*Economista, diretor-presidente da MCM Consultores, foi consultor do Banco Mundial, subsecretário do Tesouro Nacional e chefe da Assessoria Econômica do Ministério da Fazenda

Na própria armadilha - GEORGE VIDOR

O GLOBO - 09/11

Atrasos nos pagamentos dão uma pista do rombo que Dilma deixou para ela mesma nas contas públicas


Tanto o corte de investimentos federais como o atraso no pagamento de obras em andamento acenderam diversos sinais de alerta no mundo da engenharia. No caso de estradas sob responsabilidade do DNIT, há pagamentos com atraso de até cinco meses. O governo já não pode pendurar contas em bancos públicos — recorrendo às agora famosas “pedaladas” — e, sem dinheiro suficiente na caixa do Tesouro, o jeito tem sido voltar ao antigo recurso do “devo, não nego, pagarei quando puder”.

Grande parte desse rombo é herança da própria presidente Dilma, que chutou o balde nos dois últimos anos do seu primeiro mandato, o que deixa a atual equipe econômica em uma situação constrangedora. Para equacionar o desequilíbrio das finanças públicas, é preciso saber qual, de fato, é o rombo que Dilma deixou para ela mesma, e se ao longo deste exercício não foi aberta uma nova cratera. Caso contrário, existe o risco de se usar um medicamento que mascare a doença.

Sem uma definição desse quadro, fica difícil motivar investidores privados para os programas de concessões ou parcerias nos segmentos de infraestrutura, que são alavancas visíveis para ajudar a economia brasileira a reagir. Sem isso, passamos a depender apenas das exportações, que são também uma boa alavanca, mas não suficiente para carregar hoje toda a economia nas costas.

TAMBÉM PAROU

Além do Comperj, as obras de construção da usina nuclear Angra 3 pararam porque o consórcio que seria responsável pela montagem dos equipamentos desistiu, embora uma das seis empresas que o compõem tenha sido a favor de continuar. A Andrade Gutierrez estava nos dois consórcios, mas resolveu permanecer à frente apenas das obras civis, que estão estancadas. Faltam 40% do cronograma para Angra 3 ser concluída. Sem esse último atraso, o funcionamento da usina já havia sido adiado para 2019. A mesma novela ocorreu com Angra 2, iniciada em 1982 e só concluída 20 anos depois, ainda que as usinas nucleares tenham se mostrado bons antídotos contra apagões de energia elétrica na área entre Rio e São Paulo.

TENTATIVA

Todo o esforço da alta cúpula da Odebrecht no momento é para tentar convencer o Judiciário, o Ministério Público e, se possível, também a mídia de que o grupo não teria sido o canal (ou um dos) para um suposto enriquecimento da família do ex-presidente Lula. Pelas contas da empreiteira, os valores que foram pagos ao ex-presidente, quando ele deixou o governo, seriam compatíveis com os recebidos por personalidades com mesmo grau de influência pela prestação de serviços similares.

O grupo espera, assim, estancar o desgaste de imagem que tem reflexos no crédito junto aos mercados financeiros. E um grupo desse porte, com tal variedade de negócios, depende necessariamente de créditos.

AVALANCHE DE CAUSAS

Somente um grande banco brasileiro tem contra si mais de 1,6 milhão de causas, somando-se queixas no Procon, processos nos juizados de pequenas causas, ações trabalhistas, cíveis, comerciais e outros embates contenciosos. Se fosse fazer provisão para pagamento de todas as indenizações, na hipótese de perda integral de 100% das causas, teria de chegar ao equivalente a R$ 1 trilhão.

É claro que já existe no país um conjunto de jurisprudências capaz de resolver parte significativa desse contencioso. E é com base em tal experiência que bancos como esse ou outras empresas abertas (com ações e debêntures negociadas no mercado) calculam suas provisões para pagamento de eventuais indenizações. No entanto, até que a Justiça se pronuncie, é um capital que fica, na prática, empatado, sem possibilidade de ser redirecionado para algo mais rentável e produtivo.

Desatar esse nó foi um dos objetivos do escritório Nelson Wilians, o maior do país em número de advogados (e o segundo em total de causas, atrás apenas do Siqueira Castro), ao buscar uma aproximação com a Justiça europeia. O Tribunal de Justiça da União Europeia é relativamente pequeno, com 28 juízes — um para cada país membro.

Julga cerca de 700 causas por ano. Mas conseguiu criar uma espécie de jurisprudência única para toda a União Europeia, que tem agilizado os processos e a solução de contenciosos. O Brasil deu alguns passos nessa direção, com a súmula vinculante às decisões do Supremo Tribunal Federal, mas está longe ainda de encontrar solução para essa avalanche de ações judiciais.

Nelson Wilians fez uma carreira meteórica no mundo do Direito, pois tem apenas 44 anos. Filho de agricultores do Paraná, enveredou pelo ramo dos contenciosos tributários e, depois, para o dos negócios, montando mais de 40 escritórios pelo país. O escritório do Rio, por exemplo, se destaca nas chamadas parcerias público-privadas (PPPs), para as quais já desenhou vários modelos de contrato.


Memória imunológica - VINICIUS MOTA

Folha de SP - 09/11

Um novo aumento da Cide, tributo sobre o comércio da gasolina, será resposta provável ao impasse do ajuste fiscal no Congresso. Ninguém acredita na aprovação da CPMF, que depende de 60% dos votos na Câmara e no Senado, em duas votações.

A Cide, que pode subir por uma simples canetada do governo, seria substituto menos potente que o imposto do cheque para elevar a arrecadação. Teria um impacto mais direto, contudo, na inflação.

A inflação tem sido o desaguadouro desse estado de fibrilação que afeta as lideranças nacionais. O Banco Central jogou a toalha no controle da carestia, o governo e o Congresso capitularam no equilíbrio das contas públicas, empresários e trabalhadores desistiram de cobrar respostas de Brasília nos próximos três anos.

Estão todos à espera dos bárbaros, para voltar ao clichê erudito. Como no poema do grego Kaváfis, o Senado deixou de legislar, o imperador de imperar, os oradores de discursar na expectativa da invasão que, entretanto, não acontecerá.

O FMI e seus sarracenos neoliberais não romperão o portão, ao menos não tão cedo, para nos ordenar o que fazer. Dentro das muralhas, qual a peste negra no medievo europeu, a inflação fará o serviço, com seus efeitos aleatórios sobre a sociedade cujos líderes esperam inertes.

Vinte anos depois do Real, foi-se a memória imunológica que permitia a significativas parcelas dos cidadãos mitigar os danos na renda e no patrimônio produzidos pela aceleração de preços. Não se veem, por exemplo, categorias de trabalhadores a demandar discussões salariais mais frequentes do que o dissídio anual.

Ainda há tempo, portanto, para organizar a casa e fazer as coisas voltarem a funcionar com o mínimo de racionalidade. Quando os anticorpos inflacionários estivem ativos novamente, entraremos no mundo mágico do fetichismo monetário, de onde sair é muito difícil e custoso.


A ‘mcdonaldização’ da imprensa - CARLOS ALBERTO DI FRANCO

ESTADÃO - 09/11

O jornalismo moderno reclama curiosidade, rigor, ética e paixão. É o que faz a diferença


Os pessimistas me aborrecem. Fazem, como dizia Oduvaldo Vianna Filho, “do medo de viver um espetáculo de coragem”. Vivem de mal com a vida. Estão sempre em posição de combate. Não olham para a frente. São homens e mulheres de retrovisor. À semelhança do Quixote, vivem lutando contra moinhos de vento. Falta-lhes equilíbrio, serenidade e bom senso.

O que é côncavo de um lado aparece convexo do outro. Depende só do nosso ângulo de visão. Como lembrou alguém, muitas vezes um defeito é apenas a sombra projetada por uma virtude. Os pessimistas padecem da síndrome das sombras. São incapazes de ver o outro lado: o da virtude.

Algumas críticas ideológicas ao jornalismo, amargas e corrosivas, têm a garra do pessimismo amargo e do sectarismo ressentido. Irritam-se, alguns, com o vigor do jornalismo de denúncia e vislumbram interesses espúrios ou engajamentos partidários. Uma retrospectiva honesta, contudo, evidencia que os jornais nunca tiveram uma relação amorosa com governos, independentemente do colorido ideológico dos poderosos de turno. E é assim que deve ser. As relações entre jornalismo e poder devem ser pautadas por certa tensão. O estranhamento civilizado é bom para a sociedade e essencial para a democracia.

Outros, ingenuamente, criticam a compreensível preocupação dos jornais com a saúde do negócio. Esquecem que sem recursos a independência, base da credibilidade, simplesmente não existe. A saúde dos jornais é importante para uma sociedade livre. Ganhar dinheiro com informação não é um delito. É um dever ético. O lucro legítimo decorre da credibilidade, da qualidade do produto. E a qualidade é o outro nome da ética.

A ética informativa não é um dique, mas um canal de irrigação. A paixão pela verdade, o respeito à dignidade humana, a luta contra a corrupção, a defesa dos valores, enfim, representam uma atitude eminentemente afirmativa.

A ética, ao contrário do que gostariam os defensores de um moralismo piegas, não é um freio às justas aspirações de crescimento das empresas. Suas balizas, corretamente entendidas, são a mola propulsora das verdadeiras mudanças.

O jornalismo de escândalo, ancorado num provincianismo aético, é cada vez menos frequente. Recaídas ocasionais são objeto de críticas e discussões internas.

O jornalismo brasileiro, não obstante suas deficiências, tem desempenhado papel relevante. Ao lancetar os tumores da corrupção, por exemplo, cumpre um dever ético intransferível. A mídia, num país dominado por esquemas cartoriais e assustadora delinquência pública, assume significativa parcela de responsabilidade. O Brasil, graças à varredura dos jornais, está mudando. Para melhor. A cultura da impunidade, responsável pela rotina do acobertamento e dos panos quentes, está, aos poucos, sendo substituída pelo exercício da cidadania responsável.

Os pessimistas, no entanto, querem que as coisas mudem pela ação dos outros. Esquecem que a democracia não é compatível com a omissão rançosa. As críticas à imprensa, necessárias e pertinentes, são sempre bem-vindas. Espera-se, no entanto, que sejam construtivas e equilibradas.

Ouvi, recentemente, uma dessas críticas certeiras num seminário de mídia. Os jornais, dizia meu interlocutor, estão cada vez mais parecidos e sem graça. Concordo, embora parcialmente.

A “mcdonaldização” dos jornais é um risco que convém evitar. A crescente exploração do entretenimento e da superficialidade informativa em prejuízo da informação de qualidade tem frustrado inúmeros consumidores de jornais. O público-alvo dos jornais não se satisfaz com o hambúrguer jornalístico. Trata-se de uma fatia qualificada do mercado. Quer informação aprofundada, analítica, precisa e confiável.

É preciso investir na leveza formal e no fascinante mundo digital. Sem dúvida. O investimento em didatismo, clareza, pautas próprias e agenda positiva são, entre outras, algumas das alavancas do crescimento. Mas nada disso, nada mesmo, supera a qualidade do conteúdo. É aí que se trava a verdadeira batalha. Só um produto consistente tem a marca da permanência. O jornal The New York Times sabe disso como nenhum outro: “Produzir jornalismo de qualidade e matérias sérias de maneira mais atraente”. Qualidade e bom humor. É isso.

Outro detalhe: os jornalistas precisam escrever para os leitores. É preciso superar a mentalidade de gueto, que transforma o jornalismo num exercício de arrogância. Cadernos culturais e econômicos, frequentemente, dialogam consigo mesmos. O leitor é considerado um estorvo ou um chato. É preciso escrever com simplicidade e explicar os fatos.

O jornal precisa moldar o seu conceito de informação, ajustando-o às necessidades do público a que se dirige. Outro detalhe importante, sobretudo em épocas de envelhecimento demográfico: a tipologia empregada pelos jornais tem de levar em conta os problemas visuais dos seus consumidores. Falando claramente: os jornais precisam trabalhar com letras grandes.

Apostar em boas pautas (não muitas, mas relevantes) é outra saída. É melhor cobrir magnificamente alguns temas do que atirar em todas as direções. O leitor pede, em todas as pesquisas, reportagem. Quando jornalistas, entrincheirados e hipnotizados pelas telas dos computadores, não saem à luta, as redações se convertem em centros de informação pasteurizada. O lugar do repórter é a rua, garimpando a informação, prestando serviço ao leitor e contando boas histórias. Elas existem. Estão em cada esquina das nossas cidades. É só procurar.

Panela de pressão - VALDO CRUZ

Folha de SP - 09/11

O governo Dilma até que tenta, mas não consegue sair do lugar neste final de ano. Enquanto isto, novos ingredientes indigestos são lançados no caldeirão das crises gêmeas ""política e econômica.

Nesta semana, tem a ameaça da paralisação dos caminhoneiros. Se vingar, adiciona uma pitada extra de pimenta na greve dos petroleiros. Não por outro motivo o governo está preocupado com riscos de desabastecimento no país.

Aí, o humor do brasileiro vai azedar ainda mais, já bem amargo com uma inflação perto dos dois dígitos ""para a baixa renda, por sinal, já chegou lá, encarecendo a feira de cada dia do trabalhador brasileiro.

Num cenário de desemprego em alta, com a grana do seguro-desemprego no fim para muitos e o país parando, tem gente no governo temorosa com um cenário real de tensão social no ano que vem.

Há quem defina março de 2016 como o ponto alto da fervura, com ajuste fiscal ainda não aprovado no Congresso, novo rebaixamento da nota brasileira pelas agências de risco, dólar subindo, juros em alta e desemprego perto de dois dígitos.

Para evitar que esta panela de pressão exploda, vai aumentar a cobrança para que Dilma acione válvulas de escape e tome medidas para vitaminar a economia. A senha já foi dada por Lula. Ele voltou a defender jogar mais crédito na praça.

A interlocutores, o petista disse que Dilma precisa sair da letargia imediatamente.

Caso contrário, ela, ele e o PT vão apanhar todo dia de mais de 5.000 prefeitos durante a campanha municipal de 2016.

Enfim, amigos e inimigos da presidente têm avaliação semelhante. Sem reação do governo, fica difícil suportar tal cenário a médio prazo. O problema é que, no curto, a crise política está travando o Planalto.

Até quando, não se sabe. O risco é, neste meio tempo, ser criada a sensação de vácuo de poder. Aí, alguém vai tentar ocupá-lo. Candidatos não faltam. De todos os lados.


Mundo rico sobe, Brasil desce - EDITORIAL O ESTADÃO

ESTADÃO - 09/11

O Brasil perde de todos os países da União Europeia, quando se comparam as taxas de crescimento econômico estimadas para este e para o próximo ano, os balanços das contas públicas e os resultados gerais das contas externas. Perde também de 13 dos 28 membros do bloco no quesito desemprego. Fica atrás dos Estados Unidos em todas essas comparações. Os sócios da União Europeia devem crescer em média 1,9% neste ano, 2% em 2016 e 2,1% em 2017, segundo as projeções de outono, divulgadas na semana passada. Para os 19 países da zona do euro, as médias estimadas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) nesses três anos ficam em 1,6%, 1,8% e 1,9%. As taxas previstas para os Estados Unidos são 2,6%, 2,8% e 2,7%.

A presidente Dilma Rousseff e alguns de seus ministros continuam atribuindo o péssimo desempenho brasileiro à situação externa. Devem desconhecer os números das economias mais desenvolvidas. A China, maior compradora de produtos básicos brasileiros, ainda avança em ritmo invejável, na faixa de 6% a 7%. Atribuir ao menor dinamismo chinês a vergonhosa situação brasileira também é uma tentativa inútil de esconder o fracasso das políticas de Brasília. A acomodação chinesa afeta muito mais os países mais desenvolvidos, mais abertos e mais integrados nos grandes fluxos comerciais de todos os tipos de produtos.

Só um país da União Europeia, a Grécia, deve ter recessão neste e no próximo ano. As estimativas apontam contração de 1,4% em 2015 e de 1,3% em 2016, com retorno ao crescimento (2,7%) em 2017. As taxas de desemprego ainda serão as mais altas do bloco – 25,7% neste ano, 25,8% no próximo e 24,4% no seguinte.

A Espanha continuará em segundo lugar na escala do desemprego, com taxas de 22,3%, 20,5% e 19% estimadas para os três anos. Mas a economia espanhola, assim como outras fortemente afetadas pela crise, continua a recuperar-se, com taxas de expansão estimadas em 3,1%, 2,7% e 2,4%.

Portugal, outro país submetido a um duro programa de ajuste, saiu da recessão no ano passado e deve crescer 1,7% em 2015 e 1,7% em 2016. A campeã do crescimento neste ano, com avanço de 6%, deve ser a Irlanda, uma das primeiras economias a enfrentar a dureza da arrumação fiscal e bancária nos primeiros anos depois do estouro da bolha financeira.

Em suma: a recuperação continua nos países desenvolvidos, com ritmos desiguais de crescimento econômico e taxas diferentes de desemprego. Mas as condições fiscais melhoram de forma geral e os Tesouros apresentam balanços cada vez melhores. O contraste com os números brasileiros é indisfarçável.

Enquanto se projeta algum crescimento para a maioria dos países da União Europeia neste ano e no próximo, as estimativas indicam para o Brasil mais dois anos de recessão, com o PIB encolhendo 3% ou pouco mais neste ano e cerca de 1% em 2016. A recessão, embora pessoas do governo pareçam esquecer ou desconhecer, começou no ano passado.

O déficit geral do setor público, no Brasil, passa bem de 9% e aproxima-se de 10%. As médias estimadas para a União Europeia são 2,5% neste ano, 2% no próximo e 1,6% em 2017. Para a zona do euro os números projetados são 2%, 1,8% e 1,5%. Só se projetam déficits acima de 3%, em 2015, para quatro países: Grécia (4,6%), Espanha (4,7%), França (3,8%) e Croácia (4,9%). Mas o ajuste progride em todos esses países. Nos Estados Unidos, o déficit deve ficar em 4% em 2015, 3,5% em 2016 e 3,2% em 2017. Há rumos definidos para a política fiscal em todos os países avançados, enquanto no Brasil ainda se adivinha o resultado primário deste ano (sem contar os juros) e ainda se tropeça na elaboração do orçamento para 2016.

O desemprego brasileiro está perto de 9%. A média da União Europeia, puxada para cima por alguns países, é 9,5% e deve seguir em queda. Nos Estados Unidos está em 5,3% e também recuando. Isso torna mais provável o aumento dos juros americanos até o fim do ano – notícia ruim para um país vulnerável como o Brasil.

Última que morre - NATUZA NERY - COLUNA PAINEL

FOLHA DE SP - 09/11

Sentindo que o apoio da oposição se esvaiu depois de Eduardo Cunha apresentar os termos de sua defesa, a tropa de choque do presidente da Câmara prepara reação para não perder a sustentação velada que ainda conserva no DEM e no PSDB. Os aliados querem convencê-lo a dar sinais mais claros de que vai abrir o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Para o grupo, essa expectativa poderia reverter votos de oposicionistas que hoje estão contra Cunha no Conselho de Ética.

Só vendo 1 
A esperança esbarra na percepção de parte da oposição de que Cunha e o Planalto fecharam um acordo para tocar os pedidos de impeachment em banho-maria.

Só vendo 2 
No Planalto, a avaliação corrente é a de que Cunha perde toda sua sustentação no momento seguinte à deflagração do processo.

Jogo de cena 
A fala de Aécio Neves, de que o PSDB não apoiou Cunha para a presidência da Câmara, foi vista como uma “senha” pela oposição. Apesar da relação com o peemedebista, a sigla guardava a desculpa para quando avaliasse que sua situação não tivesse mais solução.

Todo ouvidos 
Relator do processo de cassação de Cunha, Fausto Pinato (PRB-SP) se reuniu com o governador Geraldo Alckmin na sexta, ao lado de colegas da bancada.

Meia palavra basta 
O fato de a audiência ter sido agendada antes da escolha de Pinato como relator não impediu que o processo fosse tema da conversa. Alckmin recomendou “responsabilidade” ao deputado paulista.

‌Kit quorum 
Líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE) mandou distribuir pão de queijo na hora do almoço de quinta-feira para evitar que deputados saíssem sem votar a DRU na Comissão de Constituição e Justiça.

Kit voto 
O governo inicia a semana com a necessidade de uma “operação especial” para assegurar duas vitórias “essenciais”: a repatriação de recursos e a medida provisória do leilão das hidrelétricas.

Falando grego 
Investidores estrangeiros estão confusos com o que ocorre no Brasil. Apesar de precisar dar uma injeção de otimismo lá fora, o governo Dilma —raríssimas exceções — pouco tem falado com o público externo.

Alto lá 
Presidente da Fiesp, Paulo Skaf promete aumentar a pressão contra a volta da CPMF. “Se o governo quer mudar a Constituição, por que não muda para cortar gasto? Dá o mesmo trabalho. Falam de gastos obrigatórios como se eles tivessem sido mandados por Deus.”

Sinais trocados 
A adoção da idade mínima para a aposentadoria divide o governo. Enquanto Joaquim Levy (Fazenda) defende a medida publicamente, Carlos Gabas, secretário da Previdência, tentou acalmar as centrais sindicais, contrárias ao sistema, na semana passada.

Muita calma 
Aos sindicalistas Gabas lembrou a criação do fórum nacional da previdência, o que foi entendido pelos dirigentes como sinal de que a posição de Levy não é a única no Planalto.

Quase parando 
Um episódio da semana passada ilustra o processo de decisão do governo. No mundo instantâneo da internet, o Ministério da Justiça demorou 2 horas entre detectar e excluir a frase polêmica sobre jihadistas em uma rede social.

Racha trabalhista 
Cristovam Buarque (PDT-DF) tem colhido apoios para sair candidato à Presidência —apesar de a cúpula do partido já ter lançado o recém-filiado Ciro Gomes (CE) como postulante à sucessão de Dilma em 2018.

Bênção 
O senador, que tem apoio de parte da bancada, passou três dias da semana passada no Rio Grande do Sul e recebeu sinalização positiva da seção gaúcha do PDT. Aproveitou para visitar os túmulos de Leonel Brizola, João Goulart e Getulio Vargas.


TIROTEIO

Em um ponto todos concordam: a defesa de Eduardo Cunha consegue ser mais frágil que a do Brasil no 7 a 1 contra a Alemanha.

DO DEPUTADO SILVIO COSTA (PSC-PE), vice-líder do governo, sobre argumentos apresentados pelo presidente da Câmara para se salvar no Conselho de Ética.


CONTRAPONTO

Ponto de vista

A decisão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de exigir que servidores da Câmara dos Deputados passassem por detectores de metais para entrar na Casa criou mal-estar nos funcionários do Legislativo. A medida, tomada após o peemedebista ter sido alvo de uma chuva de dólares falsos durante uma entrevista no Salão Verde, acabou revogada na própria sexta-feira, dia que entrou em vigor.

Depois de encarar a fila para entrar no prédio quando a ordem ainda estava valendo, um assessor parlamentar de um deputado do PMDB desabafou:

—A Câmara não precisa de detector de metais. Precisa de detector de mentiras!

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

GARCIA É CITADO 50 VEZES NA INVESTIGAÇÃO DE LULA
O aspone para assuntos internacionais aleatórios da Presidência, Marco Aurélio Garcia, aquele do “top-top”, é citado ao menos cinquenta vezes no inquérito que investiga o ex-presidente Lula pela prática do crime de tráfico internacional de influência para beneficiar a empreiteira Odebrecht, com financiamentos do BNDES para obras no exterior. O caso vem sendo investigado pelo Ministério Público do DF e Territórios.

CONVOCAÇÃO
O protagonismo de Marco Aurélio Garcia no caso Odebrecht poderá levar o assessor presidencial a depor na CPI do BNDES.

TRÁFICO DE INFLUÊNCIA
A investigação do Ministério Público apura a acusação de tráfico de influência internacional do ex-presidente Lula durante seu governo.

INFLUÊNCIA NO BNDES
E-mails obtidos pelo Ministério Público, comprovam que era Top-top Garcia quem “garantia” a autoridades os financiamentos do BNDES.

TROPA GOVERNISTA
O pânico no governo com a possível convocação de Top-top fez com que fosse criada “tropa de choque” para sepultar a CPI do BNDES.

CPI DOS FUNDOS DE PENSÃO SE CONCENTRA NO PT
Em nova fase de investigação, a comissão parlamentar de inquérito (CPI) que apura o saque aos fundos de pensão decidiu avançar sobre o envolvimento de petistas em negócios fraudulentos. A ideia é se concentrar nos presidentes do Petros, Henrique Jäger, do Postallis, Antônio Conquista, e do Funcef, Carlos Caser. “Todos são filiados ao PT”, ressalta o presidente da CPI, Efraim Filho (DEM-PB).

APARELHAMENTO
Além de aparelhar fundos de pensão, o PT também infiltrou muitos dos seus militantes em conselhos de administração de empresas privadas.

CONTAMINAÇÃO
Podem ser mais de 300 os petistas que recebem gordos jetons em conselhos de administração de empresas privadas onde investiram.

PEDRA SOBRE PEDRA
A CPI retoma promessa inicial, defendida pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. “Fazer devassa em contratos do PT”.

CABEÇA BAIXA
Acabou o orgulho petista. Deputados do partido evitam desfilar com os tradicionais broches com uma estrela vermelha. Na Câmara, passam incógnitos pelos manifestantes que batem ponto diário.

SÓ NO BRASIL
Bandido não respeita mais nada. Pilotando uma moto, um meliante assaltou uma cabo dentro do Arsenal da Marinha, dias atrás. E ainda fugiu com a bolsa da militar, passando por duas guaritas.

RETOMADA DE DIÁLOGO
Enrolado na Operação Lava Jato, o vice-presidente da Câmara, Valdir Maranhão (PP-MA) é aliado de Eduardo Cunha, mas deu sinais de diálogo com o governo Dilma.

VOLUME MORTO
Sobre a permanência de Eduardo Cunha na presidência da Câmara, Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) é enfático: “Em período de normalidade, ele já estaria morto”. A queda é questão de tempo, diz.

PARA LER VOANDO
Hoje piloto “expatriado” na África, Marcelo Lins lança na terça (17), na Travessa em Botafogo (RJ), seu livro “Caso Varig - a história da maior tragédia da aviação brasileira”, que ele viveu dia a dia.

SANGRAMENTO
Mesmo com o fraco relatório que preservou políticos, Antonio Imbassahy (PSDB-BA) comemora o resultado dos trabalhos da CPI da Petrobras: “Foram nove meses de desgaste para o governo”.

ARRANCANDO AS PENAS
Tucanos brigam na Câmara. Apoiados por Geraldo Alckmin, deputados de São Paulo não querem que o líder da bancada de 2016 seja indicado pelo desgastado atual líder Carlos Sampaio (SP) ou por Aécio.

GOVERNO REFORMISTA
O presidente nacional do PPS, Roberto Freire (SP), acredita que o eventual governo Michel Temer seguirá os moldes de Itamar Franco. “Será um governo reformista, não subalterno à banca financeira”, diz.

PENSANDO BEM...
...o governo Dilma é nota 10, seus ingratos: 10% de inflação e 10% de desemprego, até dezembro.