quinta-feira, outubro 23, 2014

A vida vai melhorar. Quando? - CELSO MING

EU VOTO #AÉCIO45


O ESTADÃO - 23/10

O brasileiro parece não dar importância à macroeconomia


Foi o presidente Médici que identificou em 1970 o desencontro entre a qualidade da economia do País e a qualidade de vida do brasileiro: “A economia vai bem, mas o povo vai mal”, resumiu ele, frase que vai sendo repetida, como agora, nesta Coluna.

A Pesquisa Datafolha realizada terça-feira entre 4,3 mil eleitores de todas a regiões do País, com a metodologia do gênero, identifica situação inversa. O povão parece mais satisfeito com a vida e mais otimista com a economia, embora os indicadores técnicos apontem para o contrário – e muita reclamação continue acontecendo.

O crescimento econômico do Brasil é uma sucessão de mediocridades e promete ainda muitos meses de paradeira. A inflação, que vai perfurando o teto da meta e o bolso do consumidor, não dá sinais de trégua. Ao contrário, a simples correção dos preços atrasados, como o dos combustíveis, da energia elétrica e dos transportes urbanos, acena com ainda mais inflação, e não com menos. O investimento vai sumindo, a indústria está sendo sucateada e perde competitividade todos os dias. São realidades objetivas, medidas, avaliadas, interpretadas.

E, no entanto, o brasileiro parece não dar importância à macroeconomia. A campanha da presidente Dilma, que começou discutindo temas áridos até para especialistas, como autonomia do Banco Central e o tripé da política econômica, enveredou agora para o viés da tua-vida-melhorada. Tanta gente simples – dizem essas mensagens – acaba de pôr os pés em casa própria ou, se ainda não, acha que logo terá condições para isso. Tanta gente simples comprou geladeira e trocou a velha TV por um modelo de última geração. Tanta gente, algumas vezes por ano, passou a esticar um fim de semana na praia e passou a viajar de avião pra Belém do Pará. E quem hoje não pilota um celular, aparelhinho que facilita a vida, permite o uso de aplicativos espertos e já não deixa ninguém mais ilhado no mundo?

Completam a paisagem otimista os números do mercado de trabalho que apontam para uma situação de pleno-emprego. Cada vez mais gente sacudida prefere não buscar emprego, porque alguém de casa ganha Bolsa Família. É só completar o orçamento com uma viração, um servicinho no jeito – coisa que há alguns anos não acontecia.

A conclusão dessa pesquisa acena para alguma coisa errada porque esse quadro não é tudo nem a maior parte. Outros fatos ficaram repentinamente esquecidos. Há todo o sufoco conhecido, a baixa qualidade do ensino; o mau atendimento à saúde pública; a falta de segurança; as horas diárias perdidas na condução ruim e cara; e, mais que tudo, na cada vez maior falta de oportunidades para subir na vida.

Enfim, não dá para desconsiderar toda a energia das manifestações de junho/julho do ano passado e a carga de reclamações contra a qualidade de vida nas grandes cidades. Na própria área próxima do governo e do PT há os movimentos sociais, o dos Sem-Terra, o dos Sem-Teto e o dos sem outras coisas, que todos os dias passam o recado de que, ao contrário do que diz o governo, a vida é dura de levar, mesmo sem colocar nessa conta a falta d’água e a incerteza que vem com ela. A vida vai melhorar – canta Martinho da Vila. Mas ainda falta muito.

CONFIRA:



Aí está a evolução do faturamento do setor de serviços. Indica enfraquecimento, uma vez que, dependendo da maneira como é medida, não compensa nem a inflação do período.

Queda
O rebaixamento da qualidade dos títulos da Petrobrás pela agência Moody’s é consequência da forte deterioração do caixa da empresa. É o que coloca em risco o pagamento da dívida de R$ 241 bilhões. Vários fatores concorreram para isso. Mas o maior predador das finanças da Petrobrás é o represamento dos preços dos combustíveis.

Fora PT! - MARCO ANTONIO VILLA

EU VOTO #AÉCIO45


FOLHA DE SP - 23/10

A socialização dos meios de produção se transformou no maior saque do Estado brasileiro em proveito do partido e de seus asseclas


Estamos vivendo o processo eleitoral mais importante da história da República. Nesta eleição está em jogo um mandato de 12 anos. Caso o PT vença, estarão dadas as condições para a materialização do projeto criminoso de poder --expressão cunhada pelo ministro Celso de Mello no julgamento do mensalão.

Em contrapartida, poderemos pela primeira vez ter uma ruptura democrática --pelo voto-- com a vitória da oposição. Isso não é pouco, especialmente em um país com a tradição autoritária que tem.

O PT não gosta da democracia. Nunca gostou. E os 12 anos no poder reforçaram seu autoritarismo. Hoje, o partido não sobrevive longe das benesses do Estado. Tem de sustentar milhares de militantes profissionais.

O socialismo marxista foi substituído pelo oportunismo, pela despolitização, pelo rebaixamento da política às práticas tradicionais do coronelismo. A socialização dos meios de produção se transformou no maior saque do Estado brasileiro em proveito do partido e de seus asseclas de maior ou menor graus.

Lula representa o que há de mais atrasado na política brasileira. Tem uma personalidade que oscila entre Mussum e Stálin. Ataca as elites --sem defini-las-- e apoia José Sarney, Jader Barbalho e Renan Calheiros. Fala em poder popular e transfere bilhões de reais dos bancos públicos para empresários aventureiros. Fez de tudo para que esta eleição fosse a mais suja da história.

E conseguiu. Por meio do seu departamento de propaganda --especializado em destruir reputações--, triturou Marina Silva com a mais vil campanha de calúnias e mentiras de uma eleição presidencial.

Dilma nada representa. É mera criatura sem vida própria. O que está em jogo é derrotar seu criador, Lula. Ele transformou o Estado em sua imagem e semelhança. Desmoralizou o Itamaraty ao apoiar terroristas e ditadores. Os bancos e as estatais foram transformadas em seções do partido. Nenhuma política pública foi adotada sem que fosse tirado proveito partidário. A estrutura estatal foi ampliada para tê-la sob controle, estando no poder ou não.

A derrota petista é a derrota de Lula. Será muito positiva para o PT, pois o partido poderá renovar sua direção e suas práticas longe daquele que sempre sufocou as discussões políticas, personalizou as divergências e expulsou lideranças emergentes. Mas, principalmente, quem vai ganhar será o Brasil porque o lulismo é um inimigo das liberdades e sonha com a ditadura.

Daí a importância de votar em Aécio Neves. Hoje sua candidatura é muito maior do que aquela que deu início ao processo eleitoral.

Aécio representa aqueles que querem dar um basta às mazelas do PT. Representa o desejo de que a máquina governamental esteja a serviço do interesse público. Representa a disposição do país para voltar a crescer --de forma sustentável-- e, então, enfrentar os graves problemas sociais. Representa a ética e a moralidade públicas que foram pisoteadas pelo petismo durante longos 12 anos.

Cabe aos democratas construir as condições para a vitória de Aécio. Não é tarefa fácil. Afinal, os marginais do poder --outra expressão utilizada no julgamento do mensalão-- tudo farão para se manter no governo. Mas o país clama: fora PT!

Menor do que entrou - MERVAL PEREIRA

EU VOTO #AÉCIO45


O GLOBO - 23/10

Lula tem tido atuação ambígua nesta eleição. O ex-presidente Lula tem tido uma atuação ambígua nesta eleição. De vez em quando desaparece, dando margem a boatos de que estaria doente ou teria brigado com a presidente Dilma. De repente, eis que Lula surge cheio de gás num palanque no interior do Pará ou no Rio, fazendo discursos, mais que exaltados, delirantes, em defesa do PT e da reeleição de Dilma. Do jeito que ataca seus adversários, atirando para tudo quanto é lado, não parece estar muito certo da vitória.

Oato falho de pedir "só mais esta vitória" para o PT, como fez ontem, indica que o apelo é quase desespero pela possibilidade de derrota, que nunca foi tão grande. Além da baixaria de induzir a plateia a chamar o adversário de bêbado e drogado, ou de investir contra jornalistas que considera adversários, Lula apela para mistificações diversas. Chegou a perguntar onde estava Aécio Neves quando Dilma lutava contra a ditadura com armas na mão. Ora, Aécio tinha 7 anos de idade quando Dilma tinha 20.

Fazendo-se de ofendido, Lula disse que Aécio não sabia como tratar uma mulher, por ter enfrentado Dilma com palavras duras. E citou "leviana" como sendo uma ofensa à presidente. Aproveita-se Lula do fato de que em algumas regiões do país, sobretudo no Nordeste, "leviana" tem a conotação de prostituta. E ajuda a disseminar a ideia de que o adversário agride mulheres, inclusive fisicamente, como a rede suja da internet espalha incessante e anonimamente.

Mas os vídeos mostram que o próprio Lula chamou Alckmin de leviano várias vezes nos debates de 2006. E atacou adversários hoje aliados, como Sarney e Collor, chamando-os diretamente de "ladrão" e palavras do gênero, o que diz nunca ter feito. Mesmo que vença, como as pesquisas do Datafolha indicam hoje, o PT sai da eleição menor do que entrou. E Lula também. Sobretudo por se valerem dos métodos mais baixos para vencer.

O partido continua com a maior bancada da Câmara, mas perdeu nada menos que 18 deputados federais. Elegeu apenas três governadores no primeiro turno - sendo que a joia da coroa é sem dúvida Minas, arrebatada do grupo político de Aécio -, e, nos três estados em que ainda disputa o segundo turno, pode vencer no CE e no MS, mas deve ser derrotado no RS, estado emblemático para o partido e para Dilma.

No Senado, continuará sendo a 2ª maior bancada, mas com menos um senador. Para culminar a má atuação, o PT perdeu nas eleições deste ano o privilégio de ser o partido com maior número de votos na legenda para a Câmara, que ostentava desde 90. Para mal de seus pecados, ainda ficou atrás do PSDB nesse tipo de voto, o que mostra a vitalidade do partido de oposição.

Os tucanos receberam 1,92 milhão de votos, correspondentes a quase 24% dos votos válidos; o PT recebeu 1,75 milhão de votos de legenda, ou 21,6% do total de votos válidos. Em 90, quando iniciou a hegemonia agora derrubada, o PT teve 1,79 milhão de votos, 24,1% dos válidos; e o PSDB, apenas 340 mil votos, ou 4,6%.

Por fim, com o eleitorado literalmente dividido, o vencedor receberá um país traumatizado pela violência da campanha desde o 1º turno, quando o PT usou de técnicas de propaganda negativa para desmoralizar Marina Silva, e a própria Dilma, sem nenhum pudor, insinuou que ela era sustentada por banqueiros, em referência à sua principal assessora, Neca Setubal. É muito mais exagerado do que dizer que Lula é sustentado por empreiteiras, o que ninguém disse.

O PT vem, desde 2010, recebendo menos votos para presidente do que nas eleições anteriores, e a oposição cresce. Após perder duas vezes seguidas no primeiro turno para o ex-presidente Fernando Henrique, Lula só conseguiu vencer no 2º turno, quando tinha uma votação em torno de 60%. Dilma foi eleita em 2010 com 56% e hoje aparece nas pesquisas do Datafolha com 52%, empatada tecnicamente e com o risco de perder a eleição.

A oposição já agrega a metade dos votos válidos e, dependendo da famosa margem de erro, pode vencê-la. Além do mais, o país ganhou uma oposição aguerrida, que, se não vencer, terá atuação muito mais eficaz no eventual 2º mandato de Dilma, com todos os problemas que são esperados nos próximos anos, crises econômicas combinadas com institucionais decorrentes da delação premiada sobre a corrupção na Petrobras.

Vencedora, a oposição terá pela frente um PT jogado novamente na oposição, com uma multidão de burocratas partidários desempregados, cheios de rancor para dar.

De oito a 80 - DORA KRAMER

EU VOTO #AÉCIO45


O ESTADÃO - 23/10


O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Antonio Dias Toffoli, propõe uma revisão do uso do horário eleitoral para as próximas campanhas. Traz o tema à discussão no bojo da repentina - e por que não dizer tardia, radical e atabalhoada - mudança de orientação do colegiado em relação ao grau de interferência da Justiça na cobrança do cumprimento da lei por parte das forças políticas em disputa.

Toffoli considerou de muito baixo nível o que PT e PSDB apresentaram em seus programas na campanha do segundo turno. De onde concluiu que se há tempo para ofensas é porque há tempo em excesso; questionou se as campanhas não deveriam ser mais curtas e defendeu o direito do tribunal "pôr um freio de arrumação" no ambiente proibindo toda e qualquer crítica considerada inadequada, a fim de preservar os ouvidos sensíveis do eleitorado.

Tudo isso ao juízo do mesmo colegiado cuja maioria até então defendera uma atitude "minimalista" (no dizer do ministro Luiz Fux) da Justiça, no intuito de não interditar o debate político. Ou seja, o TSE, representado por seu presidente, saiu de uma posição de deliberado alheamento para uma atitude de interferência discricionária, avocando para si a decisão sobre o tempo e o conteúdo do que pode ou não ser dito.

No primeiro turno, ao contrário do que argumenta o ministro Dias Toffoli, houve sim ataques que buscavam exclusivamente desqualificar um dos oponentes e não qualificar o atacante. O que não houve foi resposta no mesmo tom por parte do atacado. No caso, atacada, a então candidata do PSB, Marina Silva. A diferença agora é que o adversário foi ao contra-ataque e a campanha virou uma guerra. Aliás, dentro do esperado. A Justiça Eleitoral, assim como o País todo não ignorava o que estava por vir.

A discussão sobre mudanças futuras proposta pelo presidente do TSE é legítima embora talvez seja algo extemporânea. Indispensável a retomada do tema após as eleições com a inclusão de diversos outros itens, entre os quais até mesmo a revisão da legislação eleitoral e as regras da reeleição.

Quando a maioria dos ministros tomou a decisão de "flexibilizar" as normas, foi deixada de lado a especificidade do momento. Já devidamente exposta na antecipação da campanha eleitoral iniciada por iniciativa do ex-presidente Lula em fevereiro de 2013. É de se reconhecer que a norma está caduca, mas não se pode ignorar que há uma lei vigente.

Enquanto não for revogada, há de ser respeitada. E o TSE resolveu fechar os olhos a ela quando não atendeu às reiteradas ações contra o uso da máquina pública, argumentando que só poderia agir quando as candidaturas estivessem oficializadas.

Até então, o Palácio do Planalto fez o que quis. Usou suas dependências para reuniões partidárias, abusou de órgãos públicos à vontade e depois disso também transformou agências dos Correios em comitês eleitorais. Agora a TV Globo inova ao incluir perguntas de eleitores indecisos, retirando o debate do controle exclusivo dos candidatos e abrindo algum espaço para algo que fuja do robótico ensaio dos marqueteiros.

Melhor do Brasil. Há um tipo de resistência que não tem consistência. Sustenta-se na insolvência e, ainda que momentaneamente vitoriosa, um dia acaba. Falta-lhe o essencial: a substância de longa distância.


Otimismo ao quadrado - ELIANE CANTANHÊDE

EU VOTO #AÉCIO45


FOLHA DE SP - 23/10


BRASÍLIA - É improvável que os otimistas com a economia no governo Dilma tenham saltado 12 pontos (de 32% para 44%) em um mês. Primeiro, porque não há nada de novo para reforçar essa percepção. Segundo, porque, ao contrário, continuam jorrando dados negativos.

O crescimento deve ser inferior a 1%, o que não deixa o Brasil exatamente bem na foto nem na América Latina nem entre os emergentes. E, na própria terça (21), chegaram duas novas más notícias: a inflação acima não só da meta, mas do próprio teto da meta, além do rebaixamento da nota de crédito da Petrobras.

Na avaliação do analista de pesquisas Antonio Lavareda, esse pulo nos índices não reflete um súbito rasgo de otimismo com Dilma e com os dois derradeiros meses desse governo. É muito tarde para dizer que "daqui pra frente, tudo será diferente". Reflete, sim, uma expectativa favorável tanto dos eleitores de Dilma quanto dos de Aécio. Os dois grupos acham que o seu candidato vai vencer e, portanto, a economia vai melhorar "nos próximos meses".

Pelo Datafolha, 50% dos eleitores de Dilma e 43% dos de Aécio acreditam na melhora da economia --provavelmente, a partir da posse do novo governo, em janeiro. Haveria, assim, uma "soma de otimismos", segundo Lavareda. Ou, numa outra forma, "todos estão [por ora] felizes".

O mais curioso é que a percepção da melhora na economia em 2015 não encontra respaldo na mais elementar análise da realidade. Dê Dilma ou dê Aécio, será um ano muito difícil, de ajustes, para retomar o crescimento, a meta de inflação, o controle fiscal, o equilíbrio das contas externas. E só a partir de 2016... A coisa não está boa. Ou Dilma não teria demitido o ministro da Fazenda no meio da campanha...

O otimismo dos eleitores, pois, nem é exatamente com a economia, mas sim com a possibilidade de vitória do seu (sua) candidato(a) domingo. Aí... as pesquisas dão indícios importantes, mas não adivinham.

Dilma 2, a crise - DEMÉTRIO MAGNOLI

EU VOTO #AÉCIO45


O GLOBO - 23/10

Em caso de vitória domingo, a presidente teria o cetro e o trono, mas careceria da legitimidade tipicamente democrática, que decorre da persuasão


Se, neste domingo, Dilma Rousseff obtiver a reeleição, estará instalado um governo de crise. A candidata terá sido eleita por metade do país, contra a vontade do eleitorado urbano do Centro-Sul e derrotando as aspirações de mudança que detonaram as manifestações de junho de 2013. Num cenário de acelerada deterioração econômica, o governo será compelido a restringir o crédito e o consumo, desonrando a nota promissória assinada pela candidata durante a campanha eleitoral. Refém da máquina do lulopetismo, a presidente que fracassou em seu primeiro mandato precisará inclinar-se a uma série de exigências políticas do PT. Então, lembraremos com saudade dos anos medíocres de Dilma 1.

Em eleições democráticas, o vencedor fica com as batatas. Na hipótese de triunfo de Dilma, mesmo que por um mísero voto de diferença, ela terá a legitimidade jurídica para governar — e Aécio deverá cumprimentá-la como presidente de todos os brasileiros. A legitimidade política, contudo, é algo diferente. Uma vitória do lulopetismo no domingo não significaria a reprodução dos triunfos anteriores de Lula e da própria Dilma, mas a reiteração anômala de um governo cujo tempo passou. Uma prova elucidativa disso está na campanha da presidente, que repete lendas sobre um passado já distante (o governo de FH) sem nunca articular um rumo de futuro.

A caravela do lulopetismo chegou ao porto do poder insuflada pelos ventos fortes de uma utopia possível: mais igualdade e justiça social. Aquela promessa de mudança rendeu alguns frutos, mas estiolou-se aos poucos, degradando-se num projeto político-partidário vazio. Dilma nada tem, hoje, a dizer aos cidadãos. A narrativa central de sua campanha é que todos os adversários (Eduardo Campos, Marina Silva, Aécio Neves) encarnam o mal absoluto. Só o PT e seus patrióticos aliados, entre os quais despontam as mais nefastas figuras da República, têm o direito de conduzir o país — eis a mensagem absurda veiculada pela campanha oficial. Dilma 2 seria o resultado do triunfo do medo, isto é, de uma inércia sustentada pela força esmagadora do aparelho de Estado. A presidente teria o cetro e o trono, mas careceria da legitimidade tipicamente democrática, que decorre da persuasão.

O lulopetismo beneficiou-se de um ciclo econômico internacional especialmente favorável, tanto sob o ponto de vista dos fluxos de capitais quanto sob o dos termos de intercâmbio. Nunca antes, sob a vigência da democracia, um mesmo bloco político experimentara doze anos ininterruptos de poder. Fenômenos similares de estabilização política, largamente influenciados pelo ciclo econômico global, verificaram-se na Rússia, na Turquia, na Venezuela e na Argentina. Contudo, desde 2010, ruíram os fundamentos externos do crescimento econômico moldado pela expansão do crédito e do consumo. A reversão do ciclo colhe o Brasil despreparado para enfrentar os desafios da conjuntura mundial. Num hipotético segundo mandato, Dilma seria obrigada a velejar contra o vento sem conhecer os segredos da triangulação.

Confrontado com a reversão do ciclo, o chavismo engajou-se na aventura de desafiar os manuais da economia de mercado, conduzindo a Venezuela aos abismos da inflação, do desabastecimento e de uma severa recessão. O lulopetismo, porém, não é uma variedade amenizada de chavismo. Ignorando o clamor dos chamados “desenvolvimentistas” do PT, Lula rejeita os desvios aventureiros extremos, preferindo oscilar em torno do eixo da ortodoxia. Os rumores sobre um possível retorno de Antonio Palocci ao leme da economia podem até se revelar falsos, mas indicam que Dilma 2 não nos atiraria no redemoinho da “venezuelanização”. Entretanto, também não avançaria na rota das reformas indispensáveis para inaugurar um novo ciclo de crescimento, que foram demonizadas impiedosamente durante a campanha eleitoral.

O vetor resultante é um governo de crise crônica. Num cenário de estagnação da economia e perda do dinamismo do mercado de trabalho, combatendo surtos inflacionários, ameaçado por desequilíbrios nas contas públicas e externas, o segundo mandato seria assombrado pelos amplos desdobramentos políticos do escândalo de corrupção na Petrobras. Então, uma presidente que perdeu o respeito da opinião pública se converteria em refém das múltiplas, contraditórias exigências de uma coalizão de poder cada vez mais esgarçada.

Dilma nunca teve peso específico no PT. Se reeleita, não terá nem mesmo a perspectiva de um novo mandato, que funciona como reserva estratégica de poder. A presidente fraca teria que se inclinar às correntes do lulopetismo descontentes com o jogo de contrapesos típico das democracias. O Congresso indócil, pronto a exercitar a arte da chantagem, o STF fortalecido pelo desenlace do julgamento do “mensalão” e a imprensa independente, que insiste em divulgar notícias desagradáveis, se converteriam em alvos do fogo do Executivo. Se chegar a existir, Dilma 2 será o governo dos “conselhos participativos” constituídos por movimentos sociais palacianos, de seletivas escolhas de juízes destinadas a desfigurar a corte suprema, da mobilização de ferramentas financeiras e políticas de atemorização da imprensa. No compasso da crise, conheceremos de fato a alma autoritária do PT.

A linguagem de uma disputa eleitoral não é mero fogo fátuo, que se dissipa na hora da proclamação do vencedor, mas um poderoso indicador do estado do sistema político. A campanha de Dilma pintou seus adversários como “inimigos do povo”, não como lideranças oposicionistas legítimas, e empregou largamente os recursos da difamação e da injúria pessoais. Num hipotético segundo mandato, seu governo não promoverá a ruptura econômica sonhada pelos insensatos, mas operará na esfera política segundo os critérios definidos nesses três meses de fúria. É só isso que, 12 anos depois, tem a oferecer o lulopetismo.

O nazismo na boca de Lula - EDITORIAL O ESTADÃO

EU VOTO #AÉCIO45


O ESTADO DE S.PAULO - 23/10

A frequência com que as palavras "nazismo" e "nazista" são usadas para insultar tende a ser tanto maior quanto menor o conhecimento dos que as empregam do que foi efetivamente o mais hediondo regime que o Ocidente experimentou ao longo de sua história e do que fizeram os seus seguidores. Se mesmo na Europa as novas gerações parecem saber cada vez menos da barbárie que a devastou há 70 anos, não surpreende que em outras paragens os termos que a revestem tenham se tornado ao mesmo tempo corriqueiros e caricaturais - e, nessa medida, uma ofensa permanente à memória de suas vítimas. Um exemplo de livro de texto dessa banalização do mal acaba de ser dado pelo ex-presidente Lula, no lugar onde mais ele fica à vontade para usufruir da sua inesgotável propensão à baixeza: um palanque eleitoral.

Ao lado da afilhada Dilma Rousseff, em um comício que reuniu cerca de 40 mil pessoas no Recife, anteontem, ele equiparou as supostas agressões ao Nordeste da campanha do tucano Aécio Neves e de seus aliados às práticas nazistas na 2.ª Guerra Mundial. Lula falava para um público que, em geral, tem disso informação precária ou nenhuma. Mas aprendeu, como quase toda a gente, que o tal do nazismo é a coisa mais medonha que se pode conceber. Portanto, se ouve de Lula que a esse extremo chegam os presumíveis preconceitos e injustiças da oposição "contra nós", os nordestinos, deve ser a pura verdade. Lula não imaginaria que o sentimento de revolta que se esmerava em inculcar à sua plateia a dotaria do poder mágico de votar duas vezes em Dilma na decisão de domingo para se vingar dos "preconceituosos". Nem seria preciso: no primeiro turno, vencido em Pernambuco por Marina Silva, Dilma obteve 44% dos sufrágios ante menos de 6% de Aécio.

Logo se vê que a fúria de Lula não tem nada que ver com um hipotético imperativo de conseguir que a sua apadrinhada prevaleça numa capital, em um Estado e numa região onde ela e o seu adversário - a exemplo do que se passa em âmbito nacional, segundo as pesquisas - estariam engajados numa guerra sem quartel pelo voto de cada eleitor. O comício do Recife foi apenas (e tudo isso) uma oportunidade para ele dar vazão ao ódio que sente pelas "elites" - e que soube guardar no congelador quando, presidente, se amancebou com o que elas têm de pior. Muito mais do que o combate político, é esse sentimento que o leva a perder o que ainda possa ter em matéria de senso de proporção, ao comparar os adversários não só aos nazistas, mas a Herodes, "que matou Jesus Cristo por medo de ele se tornar o homem que virou".

Já investir contra Aécio, como também fez em Pernambuco, acusando-o de "grosseiro" com Dilma, é frio cálculo eleitoral. O neofeminista da temporada havia feito a sua aparição na antevéspera, em outro comício, então em Itaquera, na zona leste paulistana. "Esse rapaz não teve educação de berço para respeitar as mulheres", atacou. "E, sobretudo, uma presidente, mãe e avó."

Logo ele, que fez com brio a sua parte na profusão de baixarias para desqualificar a candidata Marina Silva na disputa do primeiro turno. A campanha de Dilma decerto tentará até o último instante mostrar um Aécio desdenhoso com as mulheres. Acredita que a ligeira ultrapassagem do senador pela presidente, no empate técnico registrado na pesquisa de segunda-feira do Datafolha, se deve em parte à irritação de uma parcela do eleitorado feminino com o fato de Aécio ter chamado Dilma de "leviana" em um debate.

Mas vêm de muito antes os primeiros registros da extensa folha corrida de Lula, no quesito relações de gênero. Todos quantos o conhecem de longa data - e também os seus interlocutores mais recentes, porque nisso ele não mudou - sabem o que ele diz das mulheres em conversas privadas, a sua queda por chulas piadas machistas, a sua prontidão para atribuir à condição feminina defeitos percebidos, por exemplo, em companheiras de partido e servidoras federais. Sem falar no palavreado que usou publicamente - numa feira de produtos comestíveis em Pelotas, em junho de 2003 - ao falar de seu primeiro filho com a esposa Marisa Letícia: "A galega engravidou logo no primeiro dia, porque pernambucano não deixa por menos".

A falácia de um argumento eleitoreiro - EDITORIAL O GLOBO

EU VOTO #AÉCIO45


 GLOBO - 23/10

Não se sustenta a ideia da candidata Dilma de que meta baixa de inflação pode levar a taxa alta de desemprego. Basta observar o que acontece no próprio continente


Em uma campanha eleitoral pobre em debates sobre projetos e infelizmente rica em ataques típicos da baixa política, têm havido poucos momentos nos embates em que se pode configurar não apenas divergências de fundo entre candidatos, mas também definir a essência do que pensam.

Uma dessas raras oportunidades ocorreu quando a candidata-presidente Dilma Rousseff, ao responder a uma questão econômica levantada pelo tucano Aécio Neves, estabeleceu uma relação mecânica, simplista, entre combate a uma inflação alta, como a brasileira, e desemprego.

No entender da candidata, se um governo estabelecer 3% como meta da inflação — número citado em entrevista por Arminio Fraga, ministro da Fazenda caso o vencedor domingo seja Aécio —, menos que os 4,5% em vigor, o desemprego irá a 15%, aproximadamente três vezes mais que o atual, na faixa dos 5%, o mais baixo desde o início do cálculo da taxa.

O objetivo da aspirante à reeleição, sob a legenda do PT, é justificar a leniência que deixou a inflação subir ao patamar de 6% e chegar aos 6,7%, acima do limite de tolerância dos 6,5%, e alertar que nada pode ser feito contra, sob o risco de gerar desemprego.

Eleições costumam patrocinar falácias. Esta é uma. Ora, nada na teoria econômica sustenta que mais inflação permite maior crescimento e, por decorrência, mais empregos, gerados de forma sustentada — um dos dogmas professados pelos “desenvolvimentistas”, “escola” da qual a economista Dilma faz parte.

Nem mesmo o Brasil serve de exemplo. O baixo desemprego no país tem curta sobrevida, diante da virtual estagnação da economia. Há muitos metalúrgicos em “lay-off” na indústria automobilística — ficam encostados um período, com parte dos salários paga pelo Estado —, devido ao desaquecimento interno e à crise argentina, enquanto a geração de empregos formais, em setembro, foi a menor desde 2001. O emprego desce a ladeira. E pior: a inflação se mantém elevada, com o país rumo à estagflação, o pior dos mundos. Quer dizer, manter a inflação nas nuvens em nada ajuda ao crescimento. Ao contrário, pois corrói o poder de compra do consumidor, portanto afeta a produção, adia investimentos, forma uma bola de neve.

No próprio continente, as autoridades de Brasília podem encontrar casos de economias com taxas de crescimento elevadas, em comparação com o atual padrão brasileiro, e inflação bem mais baixa.

Chile, Colômbia, Peru e México, não por acaso países mais abertos ao exterior, reunidos na Aliança do Pacífico, estão neste caso: o Chile, com inflação de 5%, em setembro, deve crescer 4% este ano; México, com pouco mais de 4%, expansão algo abaixo de 3%; Colômbia, inflação de 2,8%, crescimento de 4,7%; Peru, 2,7%, expansão de 4%.

Comparados à virtual estagnação brasileira e à inflação de 6,7%, são ilhas de prosperidade, e o desmentido real de argumentos eleitoreiros.

Passivo elétrico - EDITORIAL FOLHA DE SP

EU VOTO #AÉCIO45


FOLHA DE SP - 23/10


Não é só a obra colossal da hidrelétrica de Belo Monte (PA) que se acha em atraso e, assim, ajuda a adensar a nuvem de incertezas sobre a geração de energia nos próximos anos. Ao menos outras quatro usinas menores seguem pelo mesmo caminho acidentado, a praxe no país do planejamento capenga.

Belo Monte acrescentará 11.233 megawatts (MW) nominais ao parque hidrelétrico nacional. Mesmo que se considere apenas seu fornecimento garantido (4.571 MW), a controversa usina agregará sozinha quase toda a eletricidade adicional de que o país precisa, a cada ano, para sustentar sua economia.

O prazo previsto para acionar a última turbina era 2019. A primeira delas deveria rodar já no começo de 2015, mas isso só deve acontecer um ano depois.

A concessionária Norte Energia alegou atrasos no licenciamento ambiental e interrupções imprevistas. Reivindica que se reconheçam tais intercorrências como excludentes de responsabilidade, o que desobrigaria o empreendedor de pagar pelo que deixa de entregar.

Reportagem desta quarta-feira (22) no diário "Valor Econômico", contudo, indica que os "suspeitos de sempre" --greves e questionamentos na Justiça a impactos sociais e ambientais-- afetam também o andamento de projetos menores e distantes da Amazônia. Nos quatro casos indicados, está em causa um total de 830 MW.

O exemplo mais gritante é o da hidrelétrica Baixo Iguaçu, no rio de mesmo nome no Paraná. As obras da usina de 350 MW foram sustadas há mais de quatro meses, por força de uma liminar da Justiça federal que cassou a licença ambiental de instalação do projeto.

Quase todos os trabalhadores do canteiro foram dispensados. Não se sabe quando a construção será reiniciada. Até a Unesco se envolveu, por considerar que está sob ameaça a condição de patrimônio da humanidade conferida ao Parque Nacional do Iguaçu.

Os outros três casos são os das usinas Colíder (MT), Salto Apiacás (MT) e São Roque (SC). Na Amazônia, também está atrasado o cronograma das hidrelétricas Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, respectivamente 63 e 239 dias.

O padrão, portanto, se repete em toda parte. Os prazos de construção e operação das usinas desconsideram, ao que parece, o histórico de atrasos inerentes ao arcabouço regulatório do país.

Não fosse o crescimento medíocre da economia, esse planejamento deficitário acabaria por levar o país ao limiar de novos apagões.

Brasil perde espaços na integração produtiva global - EDITORIAL VALOR ECONÔMICO

EU VOTO #AÉCIO45


VALOR ECONÔMICO -23/10

Seja para melhorar a produtividade geral diante de um futuro próximo, em que a mão de obra se tornará o fator escasso, seja para reanimar sua debilitada indústria, o Brasil precisará recobrar o vigor de suas exportações de manufaturados.

Sujeitas a uma competição virtualmente ilimitada, faz parte do modo de operação - ou de sobrevivência - das empresas exportadoras dominar e disseminar tecnologias e processos de produção que, em geral, tendem a ser mais avançados que os de boa parte das empresas voltadas apenas para o mercado interno, ainda mais em um país fechado como o Brasil.

Os déficits crescentes na balança dos manufaturados são apenas uma das faces da perda de competitividade brasileira, assim como o fim dos grandes superávits comerciais e sua transformação potencial em déficits; a erosão da produção doméstica diante de bens importados e a volta da predominância dos bens primários na pauta de exportações. A integração com as redes mundiais de produção é um dos elementos cruciais para se avaliar a vitalidade da produção brasileira. Relatório recém-divulgado da Organização Mundial do Comércio mostra que não houve grandes avanços nessa relação do Brasil com o mundo.

Dirigidas pelas empresas multinacionais, as cadeias são a cara produtiva da globalização - buscam o menor custo e melhor e mais eficiente fornecedor de todos os bens e serviços que envolvem a maior parte das etapas de fabricação de um produto, integrando-os a um processo de fato internacional.

A participação do Brasil nessas redes de produção só é maior do que a do Canadá e África do Sul entre 30 países relevantes na produção global, segundo a OMC. Enquanto que em 1995, 30% das exportações do país continham insumos importados, em 2008 essa fatia evoluiu para 40%. Curiosamente, esse era o mesmo quadro há mais de duas décadas, com a diferença que China, Índia e Turquia tinham menor integração à produção global que o Brasil, e agora o ultrapassaram.

Mas o Brasil está apenas um pouco atrás nessa participação que EUA, China e Índia, o que é relevante, mas não alentador. O tamanho dessas economias "permite a esses países produzir domesticamente um leque mais amplo de bens intermediários, diminuindo sua importação", avalia a OMC.

Além disso, sua produção doméstica pode ser dirigida a bens finais, com menor integração subsequente. O problema é que o Brasil não está emitindo sinais de dinamismo exportador, mas de anemia industrial e perda de fôlego competitivo.

A perda de espaço tem várias razões. Estudo realizado por Flávio Carneiro, do Ipea, mostrou que o país marca passo no comércio internacional porque se manteve bem protegido por meio de tarifas, quando seus competidores foram na direção oposta (Valor, 18 de outubro). Enquanto o Brasil manteve suas tarifas de importação praticamente inalteradas desde 1995, China, México e até a Argentina derrubaram as suas. Com outros critérios, dados da OMC levam à mesma conclusão. A tarifa média ponderada pelo comércio do Brasil caiu de 12,7% para 7,9% entre 2000 a 2011.

Ainda assim, só foi menor, entre os países do G-20, que as da Índia (8,2%) e da Coreia (8,7%).

Como a razão de ser das cadeias globais de valor é, segundo a OMC, "reduzir os custos logísticos e de transação", assim como as barreiras ao comércio, fica claro que o Brasil tem se colocado na contramão da tendência.

Deficiências estruturais sérias e não resolvidas foram penduradas no câmbio e quando ele não é favorável a indústria sofre.

Eliminada a defasagem cambial, ainda assim o país exibiria déficit de competitividade.

Abertura intempestiva ou busca aleatória de integração não dariam bons resultados. É preciso ter uma direção nesse processo, pois a integração nas cadeias não é via de mão única e pode trazer desvantagens. A OMC lista algumas: maior vulnerabilidade aos ciclos econômicos globais e a interrupções nas cadeias de suprimento; rápida realocação de investimentos e "aprendizado estreito", com especialização que não permite a setores industriais avanços tecnológicos e de conhecimento. Por experiência e erro, boa parte das empresas, especialmente as multinacionais, sabe o que quer nessa história. 


Falta a orientação de governo, que ora não é clara, ora é equivocada, como no caso dos acordos comerciais. Se o Brasil não define seu lugar no mundo produtivo, o mundo define o lugar do Brasil, que perde relevância.

Cotações caem e pressionam petrocracias - EDITORIAL O GLOBO

EU VOTO #AÉCIO45


O GLOBO - 23/10

Rússia e Irã acendem sinal de alerta diante da queda de cerca de 30% do preço do petróleo. Em situação mais frágil, para a Venezuela a luz é vermelha


A redução do crescimento da China, o fraco desempenho da economia global e a revolução energética nos EUA fizeram com que o preço do petróleo despencasse 30% desde junho — dos US$ 110 o barril, por quase quatro anos, para os US$ 80/90. E põe em situação difícil países da petrocracia, como Rússia, Venezuela e Irã, em que o poder é altamente dependente da receita dos hidrocarbonetos.

Os últimos indicadores mostram que a economia russa estagnou ou mesmo se contraiu em setembro, enquanto o rublo teve desvalorização recorde frente ao dólar e ao euro, contribuindo para uma elevação da inflação via encarecimento de produtos importados. Dados oficiais mostram que a inflação ao consumidor atingiu taxa anualizada de 8,3% no terceiro trimestre, a mais elevada do ano. Isto obrigaria o banco central a considerar a quarta elevação dos juros este ano. Apesar de dispor de amplo colchão de reservas cambiais acumuladas durante o período de bonança, a queda na receita e o efeito das sanções ocidentais, em função da questão ucraniana, criam uma situação delicada para o presidente Putin. A exportação de óleo e gás responde por cerca de metade da receita do governo russo. A alternativa seria cortar gastos ou aumentar impostos — o que desgastaria o Kremlin. O risco é a Rússia se tornar mais imprevisível em todos os sentidos.

A situação da Venezuela é muito pior. O país já sofre com desabastecimento, escassez de divisas, inflação anual acima de 60% e desinvestimento público e privado. O país acumula pagamentos atrasados de US$ 2 bilhões somente a empresas brasileiras. A queda do petróleo deverá levar ao limite a capacidade do governo chavista e da própria população de resistir ao impacto. Caracas precisaria do barril a US$ 120 para financiar programas sociais, base de sustentação do chavismo. O agravamento da crise pode levar a situações imprevisíveis.

O presidente Nicolás Maduro, como antes Hugo Chávez, se apoia nas Forças Armadas, cujos oficiais detêm altos cargos. Não se pode afastar o risco de uma intervenção militar direta, diante de um quadro de insegurança e agitação social.

Thomas L. Friedman, colunista do “New York Times”, vê um viés geopolítico na baixa do petróleo, provocada, em parte, pelo espetacular aumento da produção de gás não convencional nos EUA, que reduz, e pode acabar, a dependência americana do petróleo importado. Isto pune rivais — Rússia, Irã e Venezuela. E, em certa medida, interessa ao aliado americano entre os grandes produtores, a Arábia Saudita, inimiga do Irã. Mas, diante do avanço de um inimigo maior, o Estado Islâmico, EUA e Irã se aproximam, Irã e sauditas conversam. Sofre mais quem está sob sanções: Rússia e Irã. Mesmo sem elas, a Venezuela afunda. O petróleo mexe com a geopolítica mundial.

A verdade, doa em quem doer - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

EU VOTO #AÉCIO45


CORREIO BRAZILIENSE - 23/10


Lá se vão mais de 20 anos, desde que frase dita por um ministro da Fazenda nos bastidores de entrevista à tevê vazou via satélite e terminou por levá-lo a pedir demissão do cargo. "O que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde", disse à época o embaixador Rubens Ricupero. A máxima, inadvertidamente confessada, entrou para a história política brasileira. E agora crescem as evidências de que a prática esteja em alta.

É que, em pleno processo de sucessão presidencial, mais um ocupante de chefia do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) pôs o cargo à disposição, reforçando a suspeita de ingerência política na divulgação de dados oficiais. Primeiro foi Herton Ellery Araújo, que deixou a Diretoria de Estudos e Políticas Sociais. Desta vez, Marcelo Medeiros pede para sair da Vice-Coordenadoria de Estudos de População, Desenvolvimento e Previdência.

Herton havia sido impedido de apresentar trabalho anual da entidade mostrando que, de 2012 para 2013, a pobreza extrema parou de cair no país. Medeiros não expressou na carta o motivo do seu pedido de exoneração, mas testemunhas ouviram reclamações dele contra o represamento de dados. Sem convencer, o instituto alega respeito à legislação eleitoral para segurar a divulgação de resultados de estudos fundamentais ao norteamento das políticas públicas.

Nem que o caso do Ipea fosse um fato isolado, a explicação deixaria de ser questionável. Só que a credibilidade das estatísticas nacionais, até há pouco de excelência reconhecida inclusive por organismos internacionais, vem sendo posta em dúvida quase de modo generalizado nesta campanha eleitoral e mesmo antes dela. Grave exemplo foi a correção de última hora produzida pelo IBGE na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do ano passado (Pnad 2013). Num passe de mágica, virou queda o que seria aumento da desigualdade no país.

Na esteira da "falha banal, de fácil detecção", como a presidente Dilma Rousseff classificou o erro do IBGE, soube-se que o quadro de servidores do instituto encolheu 14% no atual governo - de 7.076 para 6.083 pessoas de janeiro de 2011 para cá. Não bastasse, o Projeto de Lei do Orçamento da União prevê menos verba para pesquisas em 2015: de R$ 462 milhões este ano, para R$ 286,2 milhões no próximo. Resultado: foram suspensos o Censo Agropecuário 2015 e a Contagem da População 2016.

Esse caldo de cultura de "o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde" já foi tratado pelo Tribunal de Contas da União como "contabilidade criativa". Na macroeconomia, costuma receber outro nome jocoso: "pedaladas fiscais". O jeito meio brincalhão de encarar os desvios não significa, contudo, que eles tenham menor gravidade. Pelo contrário. Perde o planejamento governamental. E não só a máquina pública é contaminada.

O artificialismo enevoa a realidade. A credibilidade internacional do país é posta em jogo. A maquiagem também confunde a iniciativa privada, atrapalhando investimentos. É estarrecedor que o superavit primário, o cumprimento das metas de inflação, o preço dos combustíveis e da energia tornem-se incógnitas. Urge, pois, restabelecer a verdade, doa em quem doer, a favor da transparência, da democracia, da vida republicana, enfim.

Desrespeito à população - EDITORIAL O ESTADÃO

EU VOTO #AÉCIO45


O ESTADO DE S.PAULO - 23/10

Completo descaso com a aflitiva situação de milhões de pessoas e irresponsabilidade no exercício de função pública - que, por sua natureza, deveria ser exercida de acordo com padrões rigorosamente técnicos - sintetizam o comportamento do presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), o antigo sindicalista e militante petista Vicente Andreu Guillo, ao tentar tirar proveito eleitoral da crise de abastecimento de água em São Paulo, provocada por uma das secas mais severas de que se tem registro.

Ao participar, a cinco dias da eleição presidencial, de um evento de nítido interesse eleitoral organizado pela bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo para atacar o governo de Geraldo Alckmin - e, por tabela, o modelo de gestão do PSDB do candidato Aécio Neves, adversário da petista Dilma Rousseff -, Andreu classificou a situação do fornecimento de água no Estado de pré-tragédia, desqualificou as medidas de emergência tomadas pelo governo paulista e previu que, se a intensidade das chuvas não voltar à média histórica, "não haverá alternativa a não ser ir ao lodo".

Para tentar atribuir à administração tucana uma responsabilidade que, definitivamente, não é dela - nunca se registrara uma seca tão severa -, o presidente da ANA não hesitou em alimentar o pânico, para tentar beneficiar a candidatura pela qual trabalha, como militante petista que é.

Trata-se de uma atitude que desrespeita o cidadão, fere as normas de civilidade que devem reger as relações entre as diferentes instâncias de governo e, sobretudo, amesquinha a ANA. Não está entre suas funções embalar candidaturas, como obviamente fez seu diretor.

A agência reguladora, como ela diz, tem como missão coordenar o uso sustentável da água "em benefício das atuais e futuras gerações". Ela pretende ser reconhecida como referência no desempenho de suas funções e, para bem desempenhá-las, diz ter como valores "compromisso, transparência, excelência técnica, proatividade e espírito público". Nenhum deles, infelizmente, pode ser identificado no comportamento do presidente da agência durante o encontro político-eleitoral dos petistas.

Embora possa causar repulsa entre os que lutam pela lisura e decência no exercício de funções públicas, a atitude de Vicente Andreu talvez não tenha surpreendido quem acompanhou sua carreira até a indicação, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para a presidência da ANA, que assumiu pela primeira vez em janeiro de 2010. Ex-dirigente sindical da categoria dos eletricitários de Campinas e ex-secretário de Planejamento da prefeitura de Campinas de 2007 a 2008 na gestão do prefeito Hélio de Oliveira Santos - posteriormente cassado por suspeita de corrupção -, Andreu já ocupou outros cargos no governo petista graças à sua condição de fiel militante partidário.

Com sua participação no evento eleitoral do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo, deixou claro que essa condição precede qualquer outra, inclusive a de presidente de um organismo que, por sua função reguladora e de defesa dos interesses da sociedade - contra excessos do governo ou práticas prejudiciais de empresas privadas concessionárias de serviços públicos -, deveria ser conduzido por critérios impessoais, apartidários e técnicos.

Decerto o presidente da ANA foi inspirado pelo comportamento da candidata Dilma Rousseff. Tendo tido votação pouco expressiva em São Paulo no primeiro turno, Dilma vislumbrou na crise da água no Estado um veio de onde imagina poder extrair alguns votos a mais. Por isso, vem atacando com dureza a administração de Geraldo Alckmin.

Trata-se, como observou o chefe da Casa Civil do governo paulista, Saulo de Castro, referindo-se à participação do presidente da ANA em um evento partidário, de uma atitude "lamentável". Em nota, a ANA disse ser "fundamental manter a cooperação e confiança entre os atores institucionais que atuam na gestão e regulação dos recursos hídricos". O que seu presidente fez, porém, foi exatamente o contrário disso.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO


“Não vou me calar diante das mentiras que Dilma vem assumindo”
Sandra Starling (MG), ex-deputada e fundadora do PT, declarando voto em Aécio Neves



PT QUER SE VINGAR DO JUIZ QUE DETONOU O PETROLÃO

A começar pelo presidente do PT, Rui Falcão, que espuma de raiva quando se refere ao juiz federal Sérgio Moro, aquele que desmantelou o esquema de corrupção instalado na Petrobras em 2006, no governo Lula, até metade do governo Dilma, o PT decidiu representar contra o magistrado no Conselho Nacional de Justiça. As críticas a Moro já foram rechaçadas por entidades de magistrados e de procuradores.

DEPOIMENTOS PÚBLICOS

O PT acusa Moro de “vazar depoimentos”, na verdade públicos, do ex-diretor Paulo Roberto Costa e do megadoleiro Alberto Youssef.

IGNORÂNCIA

As gravações dos depoimentos de Paulo Roberto e Youssef não estavam protegidas por sigilo, como a própria Justiça já esclareceu.

ARGUMENTAÇÃO

Os advogados do PT tentam construir a alegação de que o juiz “beneficiou” a oposição, ao autorizar a divulgação dos depoimentos.

NADA A DECLARAR

O advogado Antônio Figueiredo Basto pedirá ao juiz Moro para cancelar a ida de Youssef à CPMI do Petrolão: “Seria perda de tempo”.

ANTES DE REELEITA, DILMA JÁ ESCOLHE MINISTÉRIO

A presidente Dilma sinalizou a assessores próximos a intenção, caso vença domingo, de demitir o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) e nomear o deputado paulista Ricardo Berzoini (PT), atual ministro de Relações Institucionais. Ele entende tanto de Comunicações quanto de Previdência (pasta que ocupou no governo Lula), ou seja, quase nada, mas conquistou a estima e a confiança de Dilma nos últimos meses.

CAIXINHA, OBRIGADO

Paulo Bernardo e a mulher, Gleisi Hoffmann (PT-PR), foram acusados de receber R$ 1 milhão do esquema de corrupção na Petrobras.

O DELATOR FALOU

A denúncia contra Paulo Bernardo e Gleisi foi do operador do esquema de dinheiro roubado da Petrobras, o ex-diretor Paulo Roberto Costa.

CRUELDADE

A gestão de Berzoini na Previdência foi marcada pela crueldade de obrigar velhinhos a se recadastrar pessoalmente em postos do INSS.

APOIO DECISIVO

O candidato tucano Aécio Neves sonha com um apoio que pode ser decisivo, na reta final da campanha: Joaquim Barbosa, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal que o PT trata como inimigo nº 1.

REVOLTA DE PEZÃO

O governador fluminense Luiz Pezão (PMDB) ficou revoltado quando soube que Paulo Roberto Costa o citou entre beneficiados de doações. Ele disse que manteve relacionamento rigorosamente institucional com o ex-diretor da Petrobras, e deverá processá-lo na Justiça.

TRABALHO ESCRAVO NO TSE

Relatório preliminar da empresa Sedek Tecnologia & Informação aponta que em 2014 foram protocolados 21.632 processos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dois terços deles após o início das eleições.

JOGO DOS 7 ERROS

O PSDB minimiza, nos bastidores, pesquisa Datafolha que colocou Aécio Neves quatro pontos abaixo de Dilma. Lembra que o instituto errou com José Serra em 2010, e com Aécio no 1º turno este ano.

SEM LICITAÇÃO

A Secom do Planalto enviou nota à coluna negando ter contratado o Ibope para aferir audiência “traço” da TV Brasil. Mas o Portal da Transparência expõe os extratos de contratos com “inexigibilidade”, ou seja, sem licitação, para medir audiência em pelo menos seis estados.

PIZZARIA EM AÇÃO

Ciente de que não daria em nada a reunião da CPMI do Petrolão, ontem, a tropa de choque do governo nem apareceu. O único petista presente, além do relator Marco Maia (RS), foi Afonso Florence (BA).

CORRUPTICE CRÔNICA

Na CPMI, o líder do PPS, Rubens Bueno (PR), afirmou que a Petrobras deveria dar atestado de “corruptice crônica”, enquanto Afonso Florence (PT) foi ridicularizado ao apelar para o “coração valente” de Dilma.

ESCOLTA DA PF

A pedido do vice-presidente Arlindo Chinaglia (PT-SP), a Secretaria-Geral da Câmara pediu ao Ministério da Justiça o restabelecimento da escolta da Polícia Federal ao deputado Luiz Couto (PT-PB).

O NOME DO VOTO

O governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), fora do segundo turno, decidiu recomendar voto nulo aos eleitores petistas. É o voto Agnulo.


PODER SEM PUDOR

O PADRE E A PIADA

Pegou mal a piadinha que o presidente da CNBB, dom Jaime Chemello, contou durante palestra no auditório do STJ sobre os meios de combater a corrupção no País. Chemello contou aquela conhecida historinha que narra a criação do Brasil. Ele advertiu que a anedota não se referia ao Brasil, mas sim "a um país da América do Sul". Não colou:

- Quando criou esse país, Deus o poupou de vulcões, terremotos. E colocou nele praias maravilhosas, cachoeiras, terra férteis, petróleo. Aí, um anjo perguntou para que tanto privilégio num país só! Deus respondeu: "Espera para ver o povinho que eu vou colocar lá..."

Para dom Chemello, parece que isso é bíblico.

quarta-feira, outubro 22, 2014

O herói sem caráter - DORA KRAMER

O ESTADÃO - 22/10

Lula tenta vender a tese de que alternância de poder faz mal à democracia brasileira



Remexendo na gaveta de recortes de jornais – valorosos e não raro mais úteis que o Google – encontro um texto escrito em 7 de setembro de 2010. Apenas coincidência a data da Independência. O título, Macunaíma. O herói sem nenhum caráter de Mário de Andrade.

Faltava pouco menos de um mês para o primeiro turno da eleição em que o então presidente Luiz Inácio da Silva fazia o “diabo” e conseguiria na etapa final realizada em 31 de outubro eleger uma incógnita como sua sucessora.

Deu todas as garantias de que a chefe de sua Casa Civil, Dilma Rousseff, seria uma administradora de escol para o Brasil. Não foi, conforme comprovam os indicadores de um governo que se sustenta no índice positivo do emprego formal, cuja durabilidade depende do rumo da economia.

Como ex-presidente, Lula agora pede que se renove a aposta. Sem uma justa causa, apenas baseado na ficção por ele criada de que a alternância de poder faz mal à democracia brasileira. A propósito de reflexão a respeito da nossa história recente, convido a prezada leitora e o caro leitor ao reexame daquele texto.

“Só porque é popular uma pessoa pode escarnecer de todos, ignorar a lei, zombar da Justiça, enaltecer notórios ditadores, tomar para si a realização alheia, mentir e nunca dar um passo que não seja em proveito próprio?

Um artista não poderia fazer, nem sequer ousaria fazer isso, pois a condenação da sociedade seria o começo do seu fim. Um político tampouco ousaria abrir tanto a guarda. A menos que tivesse respaldo, que só revelasse sua verdadeira face lentamente e ao mesmo tempo cooptasse os que poderiam repreendê-lo tornando-os dependentes de seus projetos dos quais aos poucos se alijariam os críticos por intimidação ou cansaço.

A base de tudo seria a condescendência dos setores pensantes e falantes; oponentes tíbios, erráticos, excessivamente confiantes diante do adversário atrevido, eivado por ambições pessoais e sem direito a contar com aquele consenso benevolente que é de uso exclusivo dos representantes dos fracos, oprimidos e assim nominados ignorantes.

O ambiente em que o presidente Luiz Inácio da Silva criou o personagem sem freios que faz o que bem entende e a quem tudo é permitido – abusar do poder, usar indevidamente a máquina pública, insultar, desmoralizar – sem que ninguém consiga lhe impor paradeiro, não foi criado da noite para o dia. Não é fruto de ato discricionário, não nasceu por geração espontânea nem se desenvolveu por obra da fragilidade da oposição.

Esse ambiente é fruto de uma criação coletiva. Produto da tolerância dos informados que puseram seus atributos e respectivos instrumentos à disposição do deslumbramento, da bajulação e da opção pela indulgência. Gente que tem vergonha de tudo, até de exigir que o presidente da República fale direito o idioma do país, mas não parece se importar de lidar com quem não tem pudor algum.

Da esperteza dos arautos do atraso e dos trapaceiros da política que viram nessa aliança uma janela de oportunidade. A salvação que os tiraria do aperto em que estavam já caminhando para o ostracismo. Foram ressuscitados e por isso estão gratos.

Da ambição dos que vendem suas convicções (quando as têm) em troca de verbas do Estado.

Da covardia dos que se calam com medo das patrulhas.

Do despeito dos ressentidos.

Do complexo de culpa dos mal resolvidos.

Da torpeza dos oportunistas.

Da superioridade dos cínicos.

Da falsa isenção dos preguiçosos.

Da preguiça dos irresponsáveis.

Lula não teria ido tão longe com a construção desse personagem que hoje assombra e indigna muitos dos que lhe faziam a corte não fosse a permissividade geral. Se não conseguir eleger a sucessora não deixará o próximo governo governar. Importante pontuar que só fará isso se o país deixar que faça; assim como deixou que se tornasse esse ser que extrapola.”


Contra o ódio e o preconceito JOSÉ NÊUMANNE

O ESTADO DE S.PAULO - 22/10

Meu amigo Luiz Guimarães, engenheiro, financista, aposentado, sonha ter acesso a qualquer hora aos candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves, que disputam o segundo turno no domingo, para lhes sugerir um ritual: estender uma Bandeira Nacional defronte à cama para refletir todo dia, ao acordar, sobre seu dístico, Ordem e Progresso. Petistas, que se dizem socialistas, e tucanos, que se creem social-democratas, poderão pensar que é uma sugestão conservadora, de direita, neoliberal. Na verdade, é um lema positivista, adotado por influência dos seguidores de Auguste Comte entre os fundadores de nossa República. Para Luiz, a reflexão deve começar pela ordenação das palavras: "Sem ordem não há progresso". É, faz sentido!

A sugestão vale para todos os eleitores que irão às urnas em quatro dias. Ainda que se altere a sequência dos vocábulos, convém que o brasileiro se lembre do hino, da bandeira, do sentido de pátria e de comunidade antes que ódio e preconceito contaminem as relações entre amigos e parentes, separando pais e filhos, irmãos e primos, sócios e parceiros. Na segunda-feira, entre as lágrimas dos derrotados e os fogos dos vitoriosos, seria muito bem-vinda uma convocação à reconciliação de todos. Como escreveu Ana Maria Machado no Globo de domingo, "discordando, mas trocando ideias para vencer os problemas do país. Que não são poucos. Não precisamos acrescentar a eles a intolerância, o ressentimento, a baixaria que busca se vingar".

Papisa da literatura infantojuvenil no Brasil, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, ela sabe o que escreve. E poderá praticar a ideia em família: seu irmão, Franklin Martins, é o guerrilheiro que imaginou, planejou e comandou na rua o sequestro do embaixador americano no Brasil Charles Elbrick, na ditadura militar. Hoje ele é um dos assessores que ajustam a mira da metralhadora giratória da presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, do PT, primeiro contra Marina Silva, do PSB, e agora contra o tucano Aécio Neves.

Com a enxurrada de porcaria despejada no horário que nada tem de gratuito no rádio e na TV e no debate do SBT, Jovem Pan e UOL, seis dias atrás, ficou uma impressão de que aqui se pratica uma política de terra arrasada, na qual nada sobrará para os derrotados e tampouco para os vencedores. A estes talvez nem restem as batatas, troféus da guerra das tribos na fábula escrita por outro Machado, o de Assis. Vencedores e vencidos mostram-se dispostos a negar tudo uns aos outros, nada lhes restando, mesmo que o dilúvio universal desabe sobre as nascentes dos rios que formam as represas do sistema Cantareira, quase totalmente exaurido, no momento em que este texto é lido, sob sol forte e aridez.

Este jornal publicou domingo evidências de que há uma forte tendência política em crescimento no Brasil: o antipetismo. Caudatária dessa há outra, subterrânea e sub-reptícia: é a dos anti-Lula. Ela começou, sorrateira, nas manifestações de rua de junho de 2013, em que multidões reclamaram da péssima gestão pública em serviços públicos essenciais à sobrevivência e à dignidade do cidadão. Essa não é obra exclusiva do PT nem dos herdeiros de Lula, mas há indicações seguras no noticiário recente de que se agravou muito sob a égide de uma aristocracia socialista que se considera acima do bem e do mal e acha que pode tudo. Até mesmo reduzir pela metade o patrimônio da maior empresa estatal do País, a Petrobrás, sem que ninguém perceba, proteste ou cobre.

Sem organização política nem propostas concretas, as massas rebeladas refluíram ao impacto de pedradas e coquetéis molotov de anarquistas que deturparam as manifestações quebrando tudo, violando a lei e desafiando o Estado Democrático de Direito. O movimento desfigurou-se, mas abriu uma porta de saída para antigos enfants gatés do lulopetismo. Primeiro, Marina Silva. Depois, Eduardo Campos.

A queda do avião particular em que este viajava foi uma espécie de senha para permitir a ressurreição e, depois, a organização das forças políticas contra o lulopetismo na sociedade. A volta da disputa direta entre PSDB e PT, que pareciam, de início, fadados ao convívio forçado na luta contra a direita egressa do regime autoritário, permitiu definir em definitivo os contendores. De um lado, os trabalhadores de todas as rendas, que sustentam um Estado estroina, voraz, corrupto e ineficaz, resolveram votar a contragosto em Aécio, que passou a simbolizar a insatisfação generalizada contra "tudo o que está aí". A ele se juntaram lideranças que antes sempre se reuniram sob as asas do profeta, e agora magnata, do agreste, Lula da Silva: Campos, Marina, Eduardo Jorge, etc. Do outro, a ex-guerrilheira Dilma congrega os assistidos pelo Bolsa Família e os socialistas de conveniência, que trocaram as cobranças de moralidade pelo usufruto de propinas justificadas pela secular retórica antiburguesa, que não só permite e perdoa, mas até abençoa o furto como justa expropriação. Se as pesquisas desta vez estiverem certas, o Brasil está dividido ao meio entre duas bandas radicais e inconciliáveis.

A passeata de Aécio domingo em Copacabana, com bandeiras do Brasil substituindo cartazes partidários, lançou-o como herdeiro da reconciliação feita sob Dutra após o Estado Novo e por seu avô, Tancredo Neves, no fim do regime pós-1964. O PT de Lula investe em Dilma contra a composição com intransigência feroz. Como antes: três deputados foram expulsos do partido porque votaram em Tancredo no Colégio Eleitoral. E Luiza Erundina, que costurou a aliança do PSB com Marina, foi expelida dele porque aceitou dirigir a Secretaria de Administração Pública no governo de coalizão de Itamar Franco, do qual Fernando Henrique foi alçado à glória de dois mandatos ganhos em primeiro turno graças ao real. Esse grupo se candidata a substituir o Ordem e Progresso por Ódio e Preconceito na bandeira do Brasil. É isso aí.


O PT, 25 anos depois - FERNANDO RODRIGUES

FOLHA DE SP - 22/10


BRASÍLIA - A única certeza sobre a atual corrida presidencial é a volatilidade nesta reta final entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). Estará dando apenas uma opinião pessoal quem disser ter certeza sobre qual dos dois candidatos sairá vencedor no domingo, dia 26.

Mas, no meio de tanta incerteza, há um dado cristalizado a respeito do maior partido de esquerda do Brasil, o PT. Basta comparar as pesquisas Datafolha de hoje, a poucos dias do segundo turno, com o que se passou nesta mesma época em 1989.

Assim como agora, o candidato a presidente pelo PT há 25 anos, Luiz Inácio Lula da Silva, estava colado ao seu adversário, Fernando Collor de Mello (então no PRN; hoje no PTB). Havia muitas dúvidas sobre quem poderia vencer aquela disputa.

A diferença entre 2014 e 1989 é que um quarto de século atrás quase todos os descolados votavam no PT. Só que esse eleitorado era muito concentrado. Lula estava à frente de Collor com folga apenas em uma região, o Sudeste. O PT perdia feio no Nordeste. Hoje, essa situação se inverteu de forma radical.

Há outro fator curioso instalado na política nacional. Em São Paulo, em 1989, havia um certo orgulho petista ao declarar voto. Era "cool". Agora, para alguns, é algo quase secreto. Diferentemente do Nordeste, região na qual o petismo adquiriu status próximo ao de uma religião.

Depois de ter governado o país 12 anos, as políticas sociais do PT são ao mesmo tempo o seu maior sucesso e o maior fracasso. É uma vitória porque a sigla chegou ao governo e implantou parte das propostas que defendia desde sempre --de buscar formas de reduzir a assimetria existente entre ricos e pobres no Brasil. Mas trata-se de uma derrota por ter resultado também numa divisão política perversa num país ainda tão longe do desenvolvimento sustentável.

Ganhe quem for, o próximo presidente terá a duríssima missão de unificar um pouco mais a nação.

Margem de erro - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 22/10


Tudo indica que a margem de erro das pesquisas vai perseguir os cidadãos até o dia da eleição, domingo que vem. Nada está definido, a tendência de alta de Dilma ainda tem de ser confirmada por novas pesquisas que serão feitas diariamente até sábado, o último dia possível de publicá-las (hoje, aliás, deve estar saindo uma nova do Datafolha), e os candidatos estão lutando por territórios, especialmente Rio e MG.

A Região Sudeste, a de maior eleitorado, é onde Dilma cresce, mesmo que Aécio continue na frente. Mas os 5 pontos que a candidata do PT cresceu foram suficientes para fazê-la ultrapassar seu concorrente no cômputo geral, na explicação do diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.

Aécio já superou Dilma em MG, mas não conseguiu ainda abrir frente suficientemente ampla para compensar perdas em outros locais. A previsão é que tire cerca de 1,8 milhão de votos de dianteira, bem menos que os 3 milhões a 4 milhões previstos inicialmente.

No Rio, Aécio andou empatado tecnicamente com Dilma, mas agora já foi superado por boa margem (48% a 37%). Aqui no Rio, vigora situação exemplar de como a base aliada do governo é tão ampla e heterogênea: ela apoia os dois candidatos que se digladiam pelo governo do estado, um atacando o outro impiedosamente. E os outros dois derrotados também a apoiam.

São máquinas poderosas trabalhando a favor da reeleição, e a dissidência do PMDB - o Aezão, mistura de Aécio com Pezão - não parece ser forte o suficiente para manter votação capaz de competir com a da presidente, embora desta vez a diferença a favor de Dilma seja bem menor do que da vez anterior, em que ela abriu mais de 1,5 milhão de votos de frente no estado.

Além do mais, há uma máquina oficial em favor de Pezão, que trabalha também a favor de Dilma - a quem o governador que tenta a reeleição se refere sempre como "presidenta", o que demonstra uma proximidade que se choca com o movimento dissidente que ele também alimenta. Coisas do modelo de coalizão presidencial mais apropriadamente chamado de "modelo de cooptação".

Vamos ver esta disputa voto a voto provavelmente até o final desta semana, com Aécio tentando ampliar sua votação em Minas, o que seria mais natural se não tivesse cometido um dos poucos erros de sua campanha ao abandonar seu estado no 1º turno, como se os votos a seu favor caíssem por gravidade no seu colo.

Quando se deu conta do prejuízo, Aécio dedicou-se a Minas como deveria ter feito desde o início e conseguiu reverter a situação no 2º turno, depois de o PSDB ter perdido a eleição para o governo do estado.

Outra preocupação, esta nova, é não perder votos em SP, onde a situação de crise do abastecimento de água pode estar afetando a imagem dos tucanos, a grande máquina do PSDB que reelegeu Alckmin no 1º turno e deu a Aécio cerca de 45% dos votos.

Neste 2º turno, o candidato do PSDB à Presidência já estava chegando a uma votação correspondente a 60% dos votos, mesma margem por que foi eleito José Serra senador. A piora da situação hídrica do estado, no entanto, pode estar afetando a votação de Aécio, assim como afetaria a de Alckmin caso tivesse havido 2º turno em SP.

A recente pesquisa do Datafolha mostra que hoje haveria segundo turno para governador, reflexo da piora da situação de escassez de água que está sendo muito explorada pela campanha de Dilma Rousseff.

Nesta reta final, as campanhas deverão ser mais propositivas, ficando, de parte do PT, o papel sujo a cargo do ex-presidente Lula, que está se excedendo no cumprimento da função. O debate da TV Globo sexta-feira ganhou relevo especial com a disputa apertada, e os indecisos, que participarão com perguntas aos candidatos, podem ser decisivos na definição do vencedor.

Irresponsável

"Daqui para frente, é a Míriam Leitão falando mal da Dilma na televisão, e a gente falando bem dela (Dilma) na periferia. É o (William) Bonner falando mal dela no "Jornal Nacional", e a gente falando bem dela em casa. Agora somos nós contra eles [...]". 


Essa fala irresponsável é do ex-presidente Lula no seu papel de língua de trapo da campanha petista. O PT deu agora para nomear seus "inimigos", incentivando assim ações radicais contra jornalistas que consideram adversários do "projeto popular". 

Recentemente, um dirigente do partido havia nomeado sete jornalistas numa espécie de "lista negra". É uma típica ação fascista, que está sendo usada já há algum tempo na Argentina de Cristina Kirchner. É neste caminho que vamos, caso Dilma se reeleja.

O preço de eleger 'postes' - CARLOS MATHEUS

 ESTADO DE S.PAULO - 22/10

Logo depois de ser eleito prefeito de São Paulo, Fernando Haddad declarou ser "o segundo poste de Lula". Modéstia? Presunção? Nada disso. Não passava de uma ironia contra seus adversários e também um modo de agradecer ao seu "patrono". Ser o "segundo" era o mesmo que colocar-se numa fila na qual atribuía a Dilma Rousseff o lugar de "primeiro poste".

Eleger postes é uma antiga gíria política para dar um significado popular àquilo que em Ciência Política se denomina transferência de voto - processo em que um líder com alguma ou muita popularidade sugere aos seus eleitores a adesão a alguém de sua confiança. Para que haja a transferência de voto é necessário forte empenho pessoal de quem dispõe de suficiente popularidade para tanto.

Dilma e Haddad não foram os primeiros "herdeiros" de votos no Brasil contemporâneo. Getúlio Vargas influiu na eleição de Eurico Dutra. Ademar de Barros transferiu sua influência política para Lucas Garcez e Carvalho Pinto fez o mesmo em relação a José Bonifácio Coutinho Nogueira. Com todos esses que foram apoiados por seus respectivos antecessores houve problemas: Dutra realizou um governo tão medíocre a ponto de favorecer o retorno de Vargas; Garcez entrou em conflito direto com seu patrono, ganhando a imagem de ingratidão e até de traição; e Coutinho Nogueira foi derrotado por Ademar. Algo semelhante ocorreu depois da ditadura militar. Fleury tornou-se inimigo de Quércia, seu patrono eleitoral; a eleição de Pitta contribuiu para o declínio da imagem de Maluf, seu padrinho político.

Algo semelhante ocorreu com a atual presidente da República. Eleita por transferência de voto de seu antecessor, tornou-se devedora e dependente do apoio recebido. Seu mandato foi uma continuidade do governo do seu patrono político, mas sua popularidade inicial desmoronou subitamente, depois das manifestações de 2013, sem retornar aos níveis anteriores. E, às vésperas do segundo turno, corre risco de ser derrotada por um candidato até então desconhecido da maioria dos brasileiros, já que detinha menos de 20% dos votos no primeiro turno. Os motivos estão na fragilidade inerente ao processo de transferência de voto. Segundo Maquiavel, há duas vias de acesso ao poder: pela força e pelo mérito. Nos sistemas democráticos, o mérito pessoal dos candidatos é fundamental e se relaciona a serviços anteriormente prestados e suficientemente conhecidos pelo eleitorado.

A transferência de voto é bem mais do que um apoio: é um atestado de confiança semelhante ao que é dado por um avalista ou um fiador. É uma garantia de sucesso sem prova anterior. Por isso toda transferência de voto é fraca. Não tem a força de quem conquista prestígio popular por mérito próprio. É um empréstimo de popularidade sujeito a comprovação. É um desafio para quem recebe porque cria uma fragilidade difícil de ser superada em momentos de crise, por suspeita de incapacidade e de autonomia na tomada de decisões.

Esse é o caso de Dilma Rousseff. Saiu das sombras do ministério que ocupava para se tornar candidata de seu antecessor. A este coube a tarefa de revelá-la ao eleitorado brasileiro. Lula empenhou-se pessoalmente na justificação de sua escolha e contribuiu decisivamente para que fosse eleita, ficando ela dependente dos méritos e deméritos de seu avalista político. Os transtornos que atingiram o governo de seu antecessor fragilizaram sua imagem, acentuando sua dependência de quem a elegeu.

Todo político eleito por transferência de voto se torna vítima desse desgaste decorrente da falta de méritos próprios. Antes de chegar à Presidência da República, Dilma só ocupara cargos nomeados. Jamais concorrera a um cargo público em eleição popular. Sua carreira política fora feita nas sombras da ditadura militar e também do período de retorno à democracia.

Toda eleição tem o papel de exaltar ou condenar a carreira política de seus competidores. Há candidatos que, sendo eleitos, acabam decepcionando e há candidatos que, sendo derrotados, se tornam vitoriosos posteriormente. Esse foi o caso de Lula: derrotado três vezes, ganhou crescente prestígio que, finalmente, o conduziu à Presidência. A diferença entre Dilma e Aécio Neves reside nisso. Aécio teve uma carreira política própria, sem depender de apoios alheios. Depois de ter sido prefeito e governador, tornou-se candidato à Presidência da República, numa carreira semelhante à de outro mineiro que chegou à Presidência: Juscelino Kubitschek.

Quem é eleito pelo voto popular adquire algo significativo quanto aos méritos pessoais apontados por Maquiavel. São méritos que passam a fazer parte de sua imagem pública. Esse foi o fator que levou Leonel Brizola à vitória em 1982. Concorrendo com candidatos que jamais haviam sido eleitos pelo voto popular, demonstrou ter méritos próprios ao bradar pela TV a frase "eu já estive lá" para informar aos cariocas e fluminenses que já havia sido eleito governador do Rio Grande do Sul.

Ser eleito por transferência de voto gera uma ambiguidade incômoda: tudo o que fizer com aprovação popular agrega méritos ao antecessor, mas sofre também o declínio da imagem deste. Dilma vive um difícil dilema político: não se afastar de Lula nem pedir novamente seu apoio, o que deixa exposta sua fragilidade pessoal. O voto nos regimes democráticos tem o papel de um julgamento em que os vitoriosos precisam provar que mereceram ser eleitos e os derrotados passam pelo crivo dos julgamentos futuros que lhes abrirão ou fecharão as portas de acesso ao poder.

Ter sido eleita por méritos de Lula tornou-se para Dilma mais obstáculo do que vantagem: se reeleita, o mérito será de Lula e, se derrotada, será por falta de méritos próprios.

Por que voto em Aécio - EDMAR BACHA

FOLHA DE SP - 22/10

Aécio sabe que políticas de inclusão são um imperativo, pois o país continua a ser uma Belíndia, e que é preciso retomar o crescimento


Meu voto em Aécio se justifica de duas maneiras. A primeira é que, se Dilma tiver mais quatro anos, acabará de quebrar o país e nos encaminhará para uma séria crise política e social. Não é difícil ver o porquê. Nos quatro anos de seu governo, o crescimento da economia foi o menor de todos os períodos presidenciais completos de nossa história republicana desde Floriano Peixoto.

A culpa desse desempenho medíocre não vem de fora, pois nossos vizinhos sul-americanos (exceto pela Argentina e Venezuela que seguem políticas parecidas com as de Dilma) vão muito bem, obrigado. Neste ano, o crescimento do PIB brasileiro deverá ser zero, algo inédito na história do país em períodos sem crise cambial.

A culpa também não é da equipe econômica, pois ela apenas executa com docilidade a política determinada em cada detalhe pela presidente. Foi Dilma quem retirou a autonomia do Banco Central; criou um orçamento paralelo de alquimias contábeis entre o Tesouro e os bancos públicos; destruiu a capacidade de investimento da Petrobras e da Eletrobras; aparelhou partidariamente as agências reguladoras; fez os leilões de concessão de infraestrutura se tornarem um fiasco quando não uma fonte adicional de corrupção.

O resultado disso é a queda do PIB, a alta da inflação, a derrubada do investimento, a desindustrialização, o deficit externo e o aumento da dívida pública.

Dilma promete um governo novo, com ideias novas. Mas como faria isso se está convencida de estar no caminho certo? Se fosse reeleita, continuaria colocando em prática suas arraigadas convicções equivocadas sobre economia e administração pública. O resultado seria manter o país ladeira abaixo, com frustração popular, recessão, desemprego e inflação.

Felizmente, isso não vai acontecer porque tem Aécio Neves no meio do caminho.

Após 12 anos de "nós contra eles", que lembram o "ame-o ou deixe-o" da ditadura, Aécio é a esperança de reconciliação nacional. Sua história política é similar à de seu avô, Tancredo Neves, que sempre buscou a união dos extremos, o apaziguamento das diferenças, o convencimento pelo argumento, e não pela força.

Todo o ódio que o marqueteiro de Dilma fez destilar nessa campanha eleitoral sórdida será apagado, e Aécio, como fez em Minas Gerais, governará com competência, sem rancores ou partidarismos.

Por sua experiência no governo de Minas, Aécio sabe que políticas de inclusão social são um imperativo. Apesar da propaganda do governo sobre "a nova classe média", o Brasil continua a ser uma Belíndia --uma mistura da pobreza da Índia com a riqueza da Bélgica. Dados do Banco Mundial mostram que o Brasil mantém uma das mais desiguais distribuições de renda no mundo.

As informações que a Receita Federal finalmente começa a liberar revelam que a concentração de renda no país é bem maior do que a indicada pelas pesquisas domiciliares (Pnad) e ela não está sendo reduzida, ao contrário do que dizem os arautos do governo Dilma.

Aécio sabe também que para superar a pobreza, ao lado de uma política de transferência de renda, é fundamental ter uma estratégia de crescimento --equitativa e sustentável-- que leve o país, ao longo de uma geração, ao nível de renda do mundo desenvolvido.

Para isso precisamos restabelecer a estabilidade econômica e o equilíbrio das contas públicas e externas. Precisamos atrair o setor privado para investimentos maciços em infraestrutura, dar a nossas indústrias condições de competir no mercado internacional e, principalmente, melhorar nossos sistemas de educação, segurança e saúde.

Em seu programa de governo, Aécio tem propostas exequíveis para enfrentar esses desafios. Contará com uma equipe de auxiliares à altura da nobre tarefa de refazer a união entre os brasileiros e recolocar o país na rota do desenvolvimento.

Conselho de Itaipu é típico cabide de empregos - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 22/10

Nomeado pela ministra Dilma, João Vaccari Neto, personagem do escândalo na Petrobras, ocupa cargo de conselheiro na usina binacional



Seria injusto acusar apenas o PT de utilizar-se de conselhos de administração de estatais para abrigar correligionários, aliados políticos e similares. Outros governos foram pelo mesmo caminho, incluindo os da ditadura militar.

O artifício costuma ser usado para melhorar o rendimento de ministros, obrigados, assim como o presidente da República, a obedecer a limites salariais hipócritas. O mesmo vale para parlamentares, induzidos a se valer de copiosas verbas de gabinete para complementar os subsídios.

Mas se o PT não foge à regra, ele exagera. O que acontece no Conselho de Administração da usina Itaipu Binacional é exemplar — do que não deve ser feito, por suposto.

Este conselho entrou no noticiário porque lá se encontra, desde 2003, nomeado pela então ministra das Minas e Energia Dilma Rousseff, João Vaccari Neto, estrela em ascensão no escândalo da Petrobras, personagem também de outras histórias estranhas.

Oriundo do braço sindical petista, com atuação na categoria dos bancários — origem também, entre outros, do mensaleiro foragido Pizzolato, de Berzoini, e do falecido Gushiken — o discreto Vaccari, desde 2010, responde pela acusação de ter desviado dinheiro da Bancoop, cooperativa habitacional de sindicalizados. É acusado de estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

À folha corrida de Vaccari serão acrescentadas outras denúncias ao ser encerrado o inquérito da Operação Lava-Jato, em que ele aparece, segundo testemunhos do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, como recolhedor da parte do leão que cabia ao PT no pagamento de propinas por empreiteiras contratadas pela estatal.

João Vaccari, portanto, parecia dono de um currículo à altura do cargo de tesoureiro da legenda, já ocupado por Delúbio Soares, mensaleiro condenado em fase de cumprimento de pena. O “secretário financeiro” do PT foi tirado de um semianonimato ao ser citado por Aécio Neves no debate com Dilma promovido pela Record. “Semi” porque Vaccari já fora citado também como intermediário em negócios pouco claros com fundos de pensão de estatais, bilionário braço financeiro do sindicalismo petista.

O ex-bancário não está sozinho no conselho de Itaipu. Lá também se encontram o ministro-chefe da casa Civil, Aloizio Mercadante, petista; o pedetista histório Alceu Collares, ex-governador do Rio Grande do Sul e, entre outros, o filho do ex-governador do Paraná Orlando Pesutti, do PMDB. Todos recebendo R$ 20.804,31 por participação nas reuniões do conselho.

Mais um caso para sedimentar a ideia de que esses conselhos são sinecuras indevidamente financiadas pelo contribuinte. O escândalo na Petrobras levou à redescoberta de Vaccari e, por tabela, jogou luz sobre o conselho de Itaipu. Esta história não para de produzir surpresas.

Lula desce mais um degrau - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 22/10


O ex-presidente, em comício em São Paulo, reforça explicitamente o “nós contra eles” e faz novo ataque à imprensa


Decididamente, Lula não pertence àquele reduzido time de pessoas públicas que atualmente estão no topo da política nacional e que se mostram comprometidas com a seriedade. É mais que frequente o hábito (ou seria vício?) do ex-presidente de descambar para a demagogia barata, ultrapassando quaisquer limites – desde o do simples bom senso até o do respeito à ética e às instituições. O discurso de campanha que pronunciou em São Paulo na última segunda-feira, ao lado da presidente-candidata Dilma Rousseff, inscreve-se como um dos mais emblemáticos excessos de sua loquacidade.

É certo que a presente campanha eleitoral para a Presidência já está marcada na história como uma das mais renhidas e, por que não dizer?, sórdidas. Disputa-se não apenas o mais alto cargo da República, mas a prevalência de quem é o pior entre “nós e eles”. Estrategistas de campanha conseguiram incutir na sociedade, com elevados graus de fanatismo fundamentalista, discussões sobre qual dos lados é o mais corrupto, qual deles é o mais incompetente e qual deles mente mais. Chegamos ao ponto extremo de que a decisão de voto se dará por um terrível critério: o eleitorado está sendo chamado não a escolher o melhor, mas o menos pior.

Lula pode até não ter sido o inventor dessa estratégia, mas foi por sua voz carrascante que ela foi amplificada e aprimorada ao longo do tempo. Não apareceu agora, pois há muito se ouve dele o discurso de uma pretensa luta de classes, não com o objetivo idealista de buscar a superação das desigualdades, mas como instrumento puramente eleitoreiro. De um lado, os pobres e os trabalhadores assalariados e explorados; de outro, o que genericamente chama de “azelite” para nela incluir a “imprensa golpista”, os bancos e tantos quantos pretendam democraticamente divergir “deles”.

No comício de São Paulo, no entanto, Lula se superou. Deixou de lado suas convenientes generalidades para dar nomes aos “inimigos” que a ocasião eleitoral lhe permite. Citou nominalmente, por exemplo, a jornalista Miriam Leitão, comentarista de economia dos mais importantes veículos de comunicação do país – aquela mesma que foi vítima de manipulações sorrateiras que servidores do Palácio do Planalto promoveram para distorcer sua biografia profissional na enciclopédia aberta Wikipedia. Citou também William Bonner, apresentador e editor-chefe do Jornal Nacional. Textualmente, pediu Lula à plateia presente ao comício: “Daqui para a frente é a Miriam Leitão falando mal da Dilma na televisão, e a gente falando bem dela [Dilma] na periferia. É o [William] Bonner falando mal dela no Jornal Nacional, e a gente falando bem dela em casa. Agora somos nós contra eles”.

O ex-presidente desceu ao nível do inimaginável para alguém que já ocupou, por dois mandatos, o cargo de líder supremo da nação. Reduziu-se a um animador de palanque, não dispensando ataques também ao adversário “deles”, o senador tucano Aécio Neves: “Esse rapaz não teve educação de berço para respeitar as mulheres. E, sobretudo, uma presidente, mãe e avó. Esse cidadão agrediu, com seu cinismo, tentando deixar Dilma temerosa”, referindo-se à postura mais ofensiva de Aécio no debate da última quinta-feira.

Lula se esqueceu de que mãe e avó é também a jornalista Miriam Leitão, igualmente vítima das mesmas masmorras da ditadura em que penou a presidente Dilma. Quando da falsificação da biografia da profissional feita nas antessalas do Palácio do Planalto, não se ouviu de Lula qualquer defesa do respeito que se deve às mulheres. O mesmo ocorreu quando a máquina de marketing petista empregou todo tipo de terrorismo eleitoral contra outra mulher, Marina Silva. “Elas”, assim como “eles”, quando criticam ou discordam, passam a não fazer parte da classe do “nós”.

É lastimável que o futuro do país seja discutido neste nível.

O fiasco dos investimentos - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S.PAULO - 22/10

De fracasso em fracasso, a presidente Dilma Rousseff completará em dezembro quatro anos de fiascos no PAC 2, a segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento. Até o réveillon, só terá conseguido inaugurar 2 de 11 grandes obras com conclusão prometida para o trimestre final de seu mandato. Neste ano, o governo até acelerou os desembolsos para investimentos, como ocorre em todo período eleitoral, mas sem desemperrar a execução da maior parte dos projetos. Desde a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, orçamentos e prazos têm sido rotineiramente estourados. Esse resultado é explicável por uma invulgar incompetência administrativa temperada com boas pitadas de corrupção. A faxina realizada em 2011 no Ministério dos Transportes e a longa saga de escândalos na Petrobrás são episódios importantes e instrutivos dessa história.

Com operação recém-iniciada, a Hidrelétrica de Santo Antônio do Jari, no Amapá, é um dos dois projetos com entrega atualmente prevista para este fim de ano. O outro é a Hidrelétrica Ferreira Gomes, no mesmo Estado. Deverá funcionar em breve, se nenhuma surpresa ocorrer. As duas usinas são empreendimentos privados.

Os outros nove projetos, com prazos alongados para os próximos dois anos, incluem a transposição do Rio São Francisco, grandes obras de saneamento no Nordeste, investimentos em rodovias e a famigerada Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Esta é uma das mais vistosas gemas da coroa de escândalos da Petrobrás.

Bastaria o estouro de seu orçamento - de US$ 2,4 bilhões na previsão inicial para cerca de US$ 20 bilhões nas últimas estimativas - para converter em personagens históricas dignas de estudo as principais figuras envolvidas no projeto. A lista incluiria, naturalmente, o presidente da República, o ministro de Minas e Energia e vários dirigentes da Petrobrás.

Em 2011, quando a presidente Dilma Rousseff iniciou seu mandato, ainda se previa o começo das operações da Abreu e Lima em 2012. No fim de 2014, a obra deveria estar completa. Um dia essa história poderá ser contada a estudantes de administração como exemplo da desastrosa mistura de irresponsabilidade, incompetência gerencial, asneira ideológico-diplomática (a aliança entre lulismo e chavismo) e corrupção.

O atraso dessas nove obras prioritárias é um capítulo especialmente interessante da história iniciada em 2003, com a chega do PT ao governo federal, e ainda sem conclusão. Mas é só isso, uma coleção de exemplos particularmente interessantes de ações desastrosas. Administração e investimento nunca foram pontos fortes dos três mandatos petistas.

Neste ano, o governo federal aplicou, até setembro, R$ 45,3 bilhões em obras e na compra de equipamentos. Investiu, portanto, 30,5% mais que nos nove meses correspondentes do ano anterior. Maiores desembolsos para investimentos têm ocorrido repetidamente em anos de eleições, tanto na administração federal como nos governos estaduais e municipais.

Nem assim o governo da presidente Dilma Rousseff conseguiu tornar muito melhor a execução de projetos dependentes da União. Boa parte das obras prometidas para a Copa do Mundo de Futebol ficou sem conclusão. O caso dos aeroportos é um exemplo muito claro. Até abril deste ano, só foi concluído um terço dos empreendimentos previstos para o setor no PAC 2, segundo o último balanço divulgado pelo governo. De acordo com esse levantamento, 23 das 108 obras programadas continuavam no papel.

Além disso, nos primeiros três bimestres de 2014 a Infraero investiu mais que no ano anterior. No quarto, aplicou menos que em julho e agosto de 2013. Explicação mais plausível: depois da Copa, as obras ficaram menos urgentes. "Pela primeira vez neste ano a Infraero reduziu o ritmo dos investimentos", noticiou a organização Contas Abertas, dedicada ao exame das contas públicas.

A política de investimentos vai mal em todo o setor de infraestrutura. O PAC continua sendo principalmente um programa de obras imobiliárias e de financiamentos habitacionais. Sem estes componentes, seria mais difícil atenuar o vexame em cada balanço periódico.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

IBOPE GANHOU R$ 5,2 MILHÕES PARA MEDIR ‘TRAÇO’

Dos R$ 12,7 milhões pagos pelo governo Dilma Rousseff (PT) a institutos de pesquisa, R$ 11 milhões foram destinados somente a empresas do grupo Ibope. E sempre sem licitação. O Ibope embolsou R$ 5,2 milhões, por exemplo, somente nos últimos três anos e dez meses, para confirmar o que todo mundo já sabe, principalmente no governo: não sai do “traço” a audiência da TV Brasil, a “tevê do Lula”.

TV TRAÇO

A TV Brasil, em Brasília sintonizada no canal 2, é mantida pela estatal Empresa Brasil de Comunicação (EBC), criada no governo Lula.

PUBLICIDADE?

Os pagamentos do governo Dilma a institutos de pesquisa saíram da verba publicitária da Secretaria de Comunicação da Presidência.

TRABALHO FÁCIL

Em 2013, por exemplo, o Ibope recebeu do governo federal mais de R$ 1 milhão para aferir a audiência da TV Lula.

LÍDER DE AUDIÊNCIA

Outros institutos, como Datafolha e MDA, ganharam um bom dinheiro no governo Dilma, mas quase dez vezes menos que o Ibope.

DEPUTADO PETISTA PERDE SEGURANÇA PESSOAL DA PF

O deputado Luiz Couto (PT-PB) foi informado pela Polícia Federal, sexta (17), da suspensão de sua escolta policial, motivada por supostas ameaças de morte de grupos de extermínio na Paraíba. Couto obteve a segurança em 2010, com interveniência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, e atribui as ameaças a uma milícia que teria assassinado mais de 200 pessoas, inclusive um ativista, Manoel Matos.

CARA SEGURANÇA

É caro manter equipes de segurança como a de Luiz Couto por 4 anos, sobretudo porque a PF enfrenta hoje a maior pindaíba de sempre.

COUTO VÊ ‘RETALIAÇÃO’

Luiz Couto suspeita de “retaliação” de delegados, pelo apoio a projetos que favorecem agentes da PF, e se queixou ao ministro da Justiça.

PISTOLEIROS

Em outubro de 2013, a PF descobriu suposto plano de um ex-policial militar, que teria contratado dois pistoleiros para matar Luiz Couto.

DEPOIMENTO

O Solidariedade e o PSDB pedem na CPMI da Petrobras, nesta quarta, a oitiva da ex-ministra Gleisi Hoffmann e o marido, ministro Paulo Bernardo (Comunicações), para explicar suas relações com o petrolão.

A COISA TÁ FEIA, MADAME

Dias antes de ser acusada de envolvimento no petrolão, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) passeava tranquilamente com seu cachorro de estimação na 309 Sul, quadra onde moram senadores em Brasília.

CONDE PROBLEMA

O conde e vereador Andrea Matarazzo (PSDB), que tomou uma “surra” do deputado Arlindo Chinaglia (PT) diante de alunos da FGV, tem sido criticado até por tucanos, que atribuem à sua influência no marketing político a derrota de Serra em 2010 e o papel de Aécio no 2º turno.

PARA SORRIR E CHORAR

Seja para comemorar ou se lamuriar, parlamentares e servidores da Câmara terão dia de folga após eleições de domingo: o feriado de terça (28), Dia do Servidor, foi antecipado para segunda (27).

NEM PRECISAM IR

O comitê de Dilma no Rio decidiu cancelar a participação dela e de Lula em evento nesta quarta na Cinelândia. O PT acha que não precisam ir porque é “sólida” a liderança sobre o tucano Aécio Neves no Estado.

FRAUDE INVESTIGADA

Condenado a 2 anos e 6 meses, ontem, no Supremo, por violação de sigilo funcional qualificado na operação Satiagraha, o deputado e delegado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) diz que foi derrotado por fraude, que está sob investigação no Ministério Público paulista.

BLOCO NO INTERIOR

Candidato ao governo do Ceará, o senador Eunício Oliveira (PMDB) focará a campanha nesta reta final em municípios do interior, onde o adversário Camilo Santana (PT) tem maior intenção de votos.

INFRAESTRUTURA

O membro da Comissão Nacional de Estudos Constitucionais da OAB e diretor jurídico da Universidade Mackenzie, José Francisco Siqueira Neto participa nesta quarta da Conferência Nacional dos Advogados, no Rio. Ele vai falar sobre “A organização jurídica da infraestrutura”.

PENSANDO BEM…

… o dólar e Bolsa de Valores parecem mais cabos eleitorais que índices e instituições de mercado.


PODER SEM PUDOR

SENTENÇA NA FRALDA

O italiano Piero Luigi Vigna, o procurador antimáfia que comandou a Operação Mãos Limpas, visitou certa vez o então presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Paulo Costa Leite, e sustentou que não se pode dar mole para mafioso.

Contou que certa vez obteve permissão para que os presos pudessem ao menos abraçar os filhos, nos momentos de visita. Mas ao segurar o filho nos braços (um bebê de apenas 6 meses), um mafioso colocou na sua fralda uma lista de inimigos a serem assassinados.

A tática foi descoberta e o contato físico novamente proibido.