POR UM BRASIL MELHOR, VOTE AÉCIO 45
O GLOBO - 04/10
Fraude pela mentira é grave porque perverte a própria democracia
O Brasil descobriu o quanto o seu sistema político-administrativo é corrupto no comportamento de seus dirigentes. Não percebeu ainda as outras formas de corrupção que este sistema carrega.
Mesmo quando um político ou administrador não desvia dinheiro para sua conta pessoal, ele está sendo corrupto quando desperdiça recursos, beneficia apenas privilegiados, depreda o meio ambiente, aumenta a violência, provoca escassez ou inflação. Esta é uma forma discreta, às vezes mais grave, de corrupção, pelo seu tamanho e duração nos impactos negativos dos resultados. Por exemplo, em um tempo em que a população não tem água potável, nem tratamento de esgoto e as escolas estão degradadas, é corrupção construir prédios públicos suntuosos, mesmo sem apropriação privada do dinheiro público.
Outra corrupção política é a velha fraude eleitoral que foi praticada no Brasil ao longo da história. As urnas eletrônicas permitem imaginar que esta corrupção foi eliminada, pelo menos até quando algum hacker for capaz de manipular os dados eleitorais. Se esta corrupção parece superada no momento, a atual eleição tem sido exemplo de outra corrupção eleitoral pelo sistemático uso de marketing com mentiras para desconstruir imagens de oponentes. É a corrupção do tipo Joseph Goebbels.
O debate e o enfrentamento de ideias são características fundamentais da democracia. Seria extremamente positivo um debate sério sobre o impacto da autonomia do Banco Central: se esta é uma forma de proteger a moeda ou, ao contrário, de entregá-la à voracidade do sistema financeiro. Mas uma forma de corrupção eleitoral é repetir, até virar verdade na opinião do eleitor, que a autonomia do Banco Central seria a forma encontrada por uma candidata para tirar comida da mesa dos pobres e enriquecer os ricos banqueiros. Dizer que um candidato vai desfazer programas sociais que estão previstos no próprio programa do candidato também é uma forma de corrupção.
A fraude pela mentira é grave porque perverte a própria democracia, graças aos truques de marketing que transformam mentiras em verdades. A fraude corrompe por meio do desconhecimento que o eleitor tem da realidade e pela dificuldade de analisar os discursos no curto período eleitoral. Nas últimas semanas, o candidato Aécio acusou Marina de ser o mesmo que o PT, a candidata Dilma acusou Marina de ser igual ao PSDB e o eleitor acreditou nas duas afirmações, mesmo que uma anule a outra.
Ninguém pode criar regras para impedir a mentira nas campanhas. A única maneira de abortar a corrupção eleitoral da mentira é educar o eleitor. Eis a maior das corrupções da política no Brasil: o desprezo à educação de nossas crianças e, consequentemente, à da população. A esperteza praticada pelo político é a mãe da corrupção, o pai é o desconhecimento do eleitor. Talvez, por isso, a esperteza não trabalhe para eliminar o desconhecimento.
sábado, outubro 04, 2014
Educação sem base - CORREIO BRAZILIENSE
POR UM BRASIL MELHOR, VOTE AÉCIO 45
CORREIO BRAZILIENSE - 04/10
CORREIO BRAZILIENSE - 04/10
A educação básica no Brasil é mantida, em grande parte, pelo Fundo de Financiamento da Educação Básica (Fundeb), que garante o investimento mínimo anual, por aluno, em R$ 2.022,51 (referência 2013). O Fundeb - regulamentado pela Lei nº 11.494/07 - é voltado, exclusivamente, para a escola pública estadual. Ali se concentram os custos mais elevados pela natureza do planejamento didático e pela duração das séries de cada grupo de estudo. Há sete anos, os recursos foram ampliados em 22% em relação às antigas complementações financeiras para as escolas.
O dinheiro repassado pelo Fundeb tem peso substantivo nas regiões Norte e Nordeste, nas quais as unidades escolares funcionam aquém dos parâmetros médios aferidos pelos municípios de áreas mais desenvolvidas do país, como mostra o Índice de Desenvolvimento Básico da Educação (Ideb). Mas o reforço financeiro federal não foi capaz de influir na qualidade do ensino das redes públicas estaduais, o que demonstra que dispor de recursos financeiros é de medular importância, mas, caso eles não sejam bem gerenciados, a qualidade fica sempre a desejar.
Certo é que as transferências evoluíram de R$ 2,9 bilhões em 2007 para R$ 9,2 bilhões em 2013. Além do expressivo suporte liberado anualmente pela União aos estados, o fundo dispõe de outros meios para suplementar despesas das redes públicas. No ano passado, foram R$ 116 bilhões, destinados ao pagamento da complementação de salários de professores, compra de equipamentos e manutenção da merenda e do transporte escolares.
Levantamento da Controladoria-Geral da União (CGU) realizado em 2013 em 120 municípios revelou que em 73% deles houve desvio de verbas. O setor da educação no país está quase sempre envolvido por escândalos, quase nunca apurados. Constata-se, pois, que os estados não conseguiram melhorar a qualidade do ensino básico, como avalia o Ideb. O Ministério da Educação admite que há necessidade de aumentar o acompanhamento do emprego dos recursos liberados aos estados e municípios.
Caso fosse bem administrada, boa parte da verba do Fundeb poderia até formar reserva para a ampliação das atividades. Contudo, são raros os gestores comprometidos com a melhoria da merenda ofertada aos alunos, com o aprimoramento do transporte escolar e das condições das escolas. Que os novos governantes - presidente e governadores - reflitam e monitorem o dinheiro do Fundeb desde a saída de Brasília até o emprego nas cidades. Do contrário, o Brasil continuará a conviver com educação carregada de estatística, porém, sem o resultado proativo que se deseja para ela.
O dinheiro repassado pelo Fundeb tem peso substantivo nas regiões Norte e Nordeste, nas quais as unidades escolares funcionam aquém dos parâmetros médios aferidos pelos municípios de áreas mais desenvolvidas do país, como mostra o Índice de Desenvolvimento Básico da Educação (Ideb). Mas o reforço financeiro federal não foi capaz de influir na qualidade do ensino das redes públicas estaduais, o que demonstra que dispor de recursos financeiros é de medular importância, mas, caso eles não sejam bem gerenciados, a qualidade fica sempre a desejar.
Certo é que as transferências evoluíram de R$ 2,9 bilhões em 2007 para R$ 9,2 bilhões em 2013. Além do expressivo suporte liberado anualmente pela União aos estados, o fundo dispõe de outros meios para suplementar despesas das redes públicas. No ano passado, foram R$ 116 bilhões, destinados ao pagamento da complementação de salários de professores, compra de equipamentos e manutenção da merenda e do transporte escolares.
Levantamento da Controladoria-Geral da União (CGU) realizado em 2013 em 120 municípios revelou que em 73% deles houve desvio de verbas. O setor da educação no país está quase sempre envolvido por escândalos, quase nunca apurados. Constata-se, pois, que os estados não conseguiram melhorar a qualidade do ensino básico, como avalia o Ideb. O Ministério da Educação admite que há necessidade de aumentar o acompanhamento do emprego dos recursos liberados aos estados e municípios.
Caso fosse bem administrada, boa parte da verba do Fundeb poderia até formar reserva para a ampliação das atividades. Contudo, são raros os gestores comprometidos com a melhoria da merenda ofertada aos alunos, com o aprimoramento do transporte escolar e das condições das escolas. Que os novos governantes - presidente e governadores - reflitam e monitorem o dinheiro do Fundeb desde a saída de Brasília até o emprego nas cidades. Do contrário, o Brasil continuará a conviver com educação carregada de estatística, porém, sem o resultado proativo que se deseja para ela.
O preço da pressa - EDITORIAL O ESTADÃO
POR UM BRASIL MELHOR, VOTE AÉCIO 45
O ESTADO DE S.PAULO - 04/10
Foi decepcionante para o governo o resultado financeiro do novo leilão de internet por telefonia celular móvel de quarta geração (4G). Muito mais interessado no dinheiro que poderia arrecadar com a concessão desses serviços do que nos efetivos benefícios que eles poderão trazer para o usuário - conexão bem mais rápida, ampliação da área de cobertura, economia, entre outros -, o governo receberá pouco mais de 60% dos R$ 8,2 bilhões que esperava obter caso todos os seis lotes oferecidos fossem arrematados com ágio expressivo.
Contrariando o interesse e a disposição das operadoras, o Ministério das Comunicações forçou a rápida realização do leilão, para apropriar-se dos resultados ainda este ano e, assim, evitar a deterioração mais aguda das contas públicas. Uma grande operadora desistiu de participar do leilão, não houve disputa pelos lotes leiloados (por isso o ágio foi próximo de zero) e dois lotes ficaram sem nenhuma oferta. O governo pagou por sua avidez.
A pressa, determinada pela necessidade de fazer caixa para ampliar o superávit primário - economia necessária para o pagamento dos juros da dívida -, prejudicou o Tesouro. O Ministério da Fazenda tem afirmado que conta com outras fontes de recursos para alcançar o resultado primário prometido para este ano, de R$ 80,8 bilhões, embora até agosto tenha acumulado apenas R$ 4,67 bilhões - ou seja, nos quatro últimos meses do ano terá de apresentar um resultado positivo de R$ 76,13 bilhões.
Embora as principais operadoras considerassem o momento inadequado para a realização de investimentos vultosos, como os que serão exigidos, o governo insistiu no leilão da faixa de 700 megahertz (MHz) da telefonia móvel, dividida em seis lotes, cujo preço mínimo total era de R$ 7,7 bilhões. O governo esperava ágio de 6,5% sobre esse preço (o ágio nos quatro lotes arrematados ficou em 0,65%, apenas um décimo do esperado).
Para tentar mostrar que não havia riscos para o êxito do leilão, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, garantia há meses que as quatro grandes operadoras do País participariam da disputa e que pelo menos dois grandes grupos do exterior, que ainda não atuam no Brasil, tinham interesse nos lotes a serem leiloados. Não foi o que se viu no leilão.
Apenas três operadoras nacionais (Claro, TIM e Vivo) e uma regional (Algar) ofereceram lances. Às voltas com problemas societários, a quarta operadora (Oi) nem se inscreveu para participar da disputa. Com a ausência desta operadora, não houve interessados para dois lotes. Um deles abrangia dois municípios do Paraná, mas o outro compreendia todo o território nacional excluídos a área do outro lote não arrematado e os 87 municípios incluídos no lote adquirido pela operadora regional.
O leilão rendeu R$ 5,851 bilhões, mas, desse valor, o governo deverá descontar R$ 874,4 milhões, que é sua parte no custo de R$ 3,6 bilhões da chamada "limpeza" da faixa de 700 MHz, isto é, a retirada dessa faixa dos canais de TV analógicos que hoje a ocupam e a compra de equipamentos para que essas emissoras transmitam em outra frequência, digital. Assim, com o novo leilão do G4 o governo arrecadou R$ 4,98 bilhões líquidos, ou 39% menos do que pretendia obter.
Tendo forçado a realização do leilão nas atuais circunstâncias, o ministro Paulo Bernardo acabou reconhecendo que as coisas não saíram como ele esperava. "Do ponto de vista do Tesouro, é negativo que a arrecadação tenha sido menor. Do ponto de vista do Ministério (das Comunicações), não vamos desenvolver o setor como queríamos", admitiu.
No leilão de 4G na frequência de 2,5 gigahertz (GHZ), em junho de 2012, o governo obteve R$ 2,93 bilhões. O ágio em alguns lotes chegou a 67%. Agora, com espectro de frequência mais amplo, as operadoras terão mais capacidade para oferecer serviços de internet de banda larga móvel, por meio de smartphones e tablets. E a um custo menor, pois a faixa de 700 MHz permite maior cobertura com menos antenas. Os serviços nessa frequência serão oferecidos a partir de 2019.
O ESTADO DE S.PAULO - 04/10
Foi decepcionante para o governo o resultado financeiro do novo leilão de internet por telefonia celular móvel de quarta geração (4G). Muito mais interessado no dinheiro que poderia arrecadar com a concessão desses serviços do que nos efetivos benefícios que eles poderão trazer para o usuário - conexão bem mais rápida, ampliação da área de cobertura, economia, entre outros -, o governo receberá pouco mais de 60% dos R$ 8,2 bilhões que esperava obter caso todos os seis lotes oferecidos fossem arrematados com ágio expressivo.
Contrariando o interesse e a disposição das operadoras, o Ministério das Comunicações forçou a rápida realização do leilão, para apropriar-se dos resultados ainda este ano e, assim, evitar a deterioração mais aguda das contas públicas. Uma grande operadora desistiu de participar do leilão, não houve disputa pelos lotes leiloados (por isso o ágio foi próximo de zero) e dois lotes ficaram sem nenhuma oferta. O governo pagou por sua avidez.
A pressa, determinada pela necessidade de fazer caixa para ampliar o superávit primário - economia necessária para o pagamento dos juros da dívida -, prejudicou o Tesouro. O Ministério da Fazenda tem afirmado que conta com outras fontes de recursos para alcançar o resultado primário prometido para este ano, de R$ 80,8 bilhões, embora até agosto tenha acumulado apenas R$ 4,67 bilhões - ou seja, nos quatro últimos meses do ano terá de apresentar um resultado positivo de R$ 76,13 bilhões.
Embora as principais operadoras considerassem o momento inadequado para a realização de investimentos vultosos, como os que serão exigidos, o governo insistiu no leilão da faixa de 700 megahertz (MHz) da telefonia móvel, dividida em seis lotes, cujo preço mínimo total era de R$ 7,7 bilhões. O governo esperava ágio de 6,5% sobre esse preço (o ágio nos quatro lotes arrematados ficou em 0,65%, apenas um décimo do esperado).
Para tentar mostrar que não havia riscos para o êxito do leilão, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, garantia há meses que as quatro grandes operadoras do País participariam da disputa e que pelo menos dois grandes grupos do exterior, que ainda não atuam no Brasil, tinham interesse nos lotes a serem leiloados. Não foi o que se viu no leilão.
Apenas três operadoras nacionais (Claro, TIM e Vivo) e uma regional (Algar) ofereceram lances. Às voltas com problemas societários, a quarta operadora (Oi) nem se inscreveu para participar da disputa. Com a ausência desta operadora, não houve interessados para dois lotes. Um deles abrangia dois municípios do Paraná, mas o outro compreendia todo o território nacional excluídos a área do outro lote não arrematado e os 87 municípios incluídos no lote adquirido pela operadora regional.
O leilão rendeu R$ 5,851 bilhões, mas, desse valor, o governo deverá descontar R$ 874,4 milhões, que é sua parte no custo de R$ 3,6 bilhões da chamada "limpeza" da faixa de 700 MHz, isto é, a retirada dessa faixa dos canais de TV analógicos que hoje a ocupam e a compra de equipamentos para que essas emissoras transmitam em outra frequência, digital. Assim, com o novo leilão do G4 o governo arrecadou R$ 4,98 bilhões líquidos, ou 39% menos do que pretendia obter.
Tendo forçado a realização do leilão nas atuais circunstâncias, o ministro Paulo Bernardo acabou reconhecendo que as coisas não saíram como ele esperava. "Do ponto de vista do Tesouro, é negativo que a arrecadação tenha sido menor. Do ponto de vista do Ministério (das Comunicações), não vamos desenvolver o setor como queríamos", admitiu.
No leilão de 4G na frequência de 2,5 gigahertz (GHZ), em junho de 2012, o governo obteve R$ 2,93 bilhões. O ágio em alguns lotes chegou a 67%. Agora, com espectro de frequência mais amplo, as operadoras terão mais capacidade para oferecer serviços de internet de banda larga móvel, por meio de smartphones e tablets. E a um custo menor, pois a faixa de 700 MHz permite maior cobertura com menos antenas. Os serviços nessa frequência serão oferecidos a partir de 2019.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
POR UM BRASIL MELHOR VOTE AÉCIO 45
“Nossa ideia é instalar uma operação Granero em Brasília”
Walter Feldman (PSB) imaginando uma fila de caminhões de mudança de petistas
DELATOR PODE ADERIR à ‘PROTEÇÃO DE TESTEMUNHA’
São tão graves as revelações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que seu acordo de “delação premiada” com o Ministério Público Federal prevê seu ingresso “imediato” no “programa federal de proteção ao depoente especial”. Isso foi incluído no acordo para garantir sua segurança, de sua mulher, de duas filhas e genros, caso qualquer um venha a ser ameaçado seriamente pelos delatados.
NA MÃO DO ESTADO
Caberá ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e à Justiça Federal do Paraná garantir a segurança de Costa e sua família.
SE HOUVER AMEAÇA
O pedido para ingressar no programa de proteção a testemunhas pode ser feito pelo próprio Paulo Roberto ou seus advogados.
COM PASSAPORTES
Pelo acordo, o Ministério Público Federal se compromete a ajudar a liberar os passaportes de Paulo Roberto Costa e família, após 1 ano de prisão domiciliar.
DELATOR SEM DELAÇÃO
O acordo de delação premiada deixa explícito que nem o próprio delator terá cópias dos depoimentos e provas que cedeu ao MPF.
CHANCELER AMEAÇA RETALIAR DIPLOMATAS ANTIDILMA
O ministro Luiz Figueiredo (Relações Exteriores) adora alimentar sua birra contra diplomatas, na maioria jovens, que se expressam em suas páginas pessoais no Facebook criticando o atual governo ou apoiando a oposição. Em jantar recente com diplomatas na embaixada do Brasil em Washington, ele se queixou de novo desses colegas e disse textualmente: se Dilma ganhar, não poderia “aproveitar esse pessoal”.
CHAVISMO LIGHT
A perspectiva de reeleição de Dilma provoca nervosismo no Itamaraty, ante os indícios de que o País caminha para um certo “chavismo light”.
TIRO NO PÉ
O tal “chavismo light”, advertem experientes diplomatas, comprometeria a capacidade do Itamaraty de implementar políticas de Estado.
‘REGULAÇÃO’ FASCISTA
A guinada de Dilma se une à “regulação da mídia” – fantasia petista de inspiração fascista – que ela prometeu a blogueiros que a bajulam.
DUDA COM SKAF
Já assediado para eventual segundo turno das eleições presidenciais, o marqueteiro Duda Mendonça avisa: seu compromisso é com Paulo Skaf, candidato do PMDB ao governo de São Paulo.
GANHOU O DEBATE
Os tucanos ficaram animados com pesquisas até de outros partidos indicando que Aécio Neves foi o candidato de melhor desempenho, no debate promovido quinta-feira (2) pela Rede Globo.
PROBLEMA DELA
Candidato a vice de Marina Silva, o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) afirmou que a ordem é “partir para cima”: “Quem tem que responder a perguntas é Dilma, especialmente sobre corrupção”.
RUSSOMANNO DE SAIAS
O PSDB tem esperança de que Marina sofra o mesmo fenômeno de Celso Russomanno (PRB) nas eleições de 2012 para prefeito de São Paulo: após o boom inicial, nem sequer conseguiu ir ao 2º turno.
PESOS E MEDIDAS
Luizianne Lins (PT) tem um motivo a mais para trabalhar por Eunício Oliveira (PMDB), candidato a governador. O suplente dele é Waldemir Catanho, carne e unha com a ex-prefeita de Fortaleza.
DERROTA É A CHANCE
Vítima da omissão do nosso governo, e mantido 452 dias em cubículo na embaixada do Brasil em La Paz, o ex-senador Roger Pinto Molina vê numa derrota de Dilma a chance de, finalmente, obter refúgio político.
MARINA SABE
“Com Marina ou Aécio, seria mais fácil resolver a situação”, diz Molina. Por ser do Acre, Marina conhece o problema do narcotráfico e das perseguições políticas contra a oposição boliviana.
SALADA ELEITORAL
Apesar de pertencerem a grupos rivais, pesquisas apontam que Gastão Vieira (PMDB), que se descolou do clã Sarney, tem grande chance de ser eleito ao Senado ao lado de Flávio Dino (PCdoB) ao governo.
OLHANDO BEM...
...se fosse mais nova, poder-se-ia dizer que a candidata a presidente Luciana Genro (PSOL) foi separada do zagueiro David Luiz no berço.
PODER SEM PUDOR
OOOPS, ERREI!
Em junho de 1991, deputado tucano, o desligado José Serra visitava Washington e foi almoçar na casa do embaixador Marcílio Marques Moreira. Desceu do táxi, bateu à porta e entrou. A empregada, cucaracha, avisou que o embaixador ainda não havia chegado. À vontade, Serra disparou telefonemas por conta da embaixada e, após folhear livros e mexer em papéis, descobriu meia hora depois que entrara na casa vizinha, do embaixador da Bolívia.
“Nossa ideia é instalar uma operação Granero em Brasília”
Walter Feldman (PSB) imaginando uma fila de caminhões de mudança de petistas
DELATOR PODE ADERIR à ‘PROTEÇÃO DE TESTEMUNHA’
São tão graves as revelações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que seu acordo de “delação premiada” com o Ministério Público Federal prevê seu ingresso “imediato” no “programa federal de proteção ao depoente especial”. Isso foi incluído no acordo para garantir sua segurança, de sua mulher, de duas filhas e genros, caso qualquer um venha a ser ameaçado seriamente pelos delatados.
NA MÃO DO ESTADO
Caberá ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e à Justiça Federal do Paraná garantir a segurança de Costa e sua família.
SE HOUVER AMEAÇA
O pedido para ingressar no programa de proteção a testemunhas pode ser feito pelo próprio Paulo Roberto ou seus advogados.
COM PASSAPORTES
Pelo acordo, o Ministério Público Federal se compromete a ajudar a liberar os passaportes de Paulo Roberto Costa e família, após 1 ano de prisão domiciliar.
DELATOR SEM DELAÇÃO
O acordo de delação premiada deixa explícito que nem o próprio delator terá cópias dos depoimentos e provas que cedeu ao MPF.
CHANCELER AMEAÇA RETALIAR DIPLOMATAS ANTIDILMA
O ministro Luiz Figueiredo (Relações Exteriores) adora alimentar sua birra contra diplomatas, na maioria jovens, que se expressam em suas páginas pessoais no Facebook criticando o atual governo ou apoiando a oposição. Em jantar recente com diplomatas na embaixada do Brasil em Washington, ele se queixou de novo desses colegas e disse textualmente: se Dilma ganhar, não poderia “aproveitar esse pessoal”.
CHAVISMO LIGHT
A perspectiva de reeleição de Dilma provoca nervosismo no Itamaraty, ante os indícios de que o País caminha para um certo “chavismo light”.
TIRO NO PÉ
O tal “chavismo light”, advertem experientes diplomatas, comprometeria a capacidade do Itamaraty de implementar políticas de Estado.
‘REGULAÇÃO’ FASCISTA
A guinada de Dilma se une à “regulação da mídia” – fantasia petista de inspiração fascista – que ela prometeu a blogueiros que a bajulam.
DUDA COM SKAF
Já assediado para eventual segundo turno das eleições presidenciais, o marqueteiro Duda Mendonça avisa: seu compromisso é com Paulo Skaf, candidato do PMDB ao governo de São Paulo.
GANHOU O DEBATE
Os tucanos ficaram animados com pesquisas até de outros partidos indicando que Aécio Neves foi o candidato de melhor desempenho, no debate promovido quinta-feira (2) pela Rede Globo.
PROBLEMA DELA
Candidato a vice de Marina Silva, o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) afirmou que a ordem é “partir para cima”: “Quem tem que responder a perguntas é Dilma, especialmente sobre corrupção”.
RUSSOMANNO DE SAIAS
O PSDB tem esperança de que Marina sofra o mesmo fenômeno de Celso Russomanno (PRB) nas eleições de 2012 para prefeito de São Paulo: após o boom inicial, nem sequer conseguiu ir ao 2º turno.
PESOS E MEDIDAS
Luizianne Lins (PT) tem um motivo a mais para trabalhar por Eunício Oliveira (PMDB), candidato a governador. O suplente dele é Waldemir Catanho, carne e unha com a ex-prefeita de Fortaleza.
DERROTA É A CHANCE
Vítima da omissão do nosso governo, e mantido 452 dias em cubículo na embaixada do Brasil em La Paz, o ex-senador Roger Pinto Molina vê numa derrota de Dilma a chance de, finalmente, obter refúgio político.
MARINA SABE
“Com Marina ou Aécio, seria mais fácil resolver a situação”, diz Molina. Por ser do Acre, Marina conhece o problema do narcotráfico e das perseguições políticas contra a oposição boliviana.
SALADA ELEITORAL
Apesar de pertencerem a grupos rivais, pesquisas apontam que Gastão Vieira (PMDB), que se descolou do clã Sarney, tem grande chance de ser eleito ao Senado ao lado de Flávio Dino (PCdoB) ao governo.
OLHANDO BEM...
...se fosse mais nova, poder-se-ia dizer que a candidata a presidente Luciana Genro (PSOL) foi separada do zagueiro David Luiz no berço.
PODER SEM PUDOR
OOOPS, ERREI!
Em junho de 1991, deputado tucano, o desligado José Serra visitava Washington e foi almoçar na casa do embaixador Marcílio Marques Moreira. Desceu do táxi, bateu à porta e entrou. A empregada, cucaracha, avisou que o embaixador ainda não havia chegado. À vontade, Serra disparou telefonemas por conta da embaixada e, após folhear livros e mexer em papéis, descobriu meia hora depois que entrara na casa vizinha, do embaixador da Bolívia.
sexta-feira, outubro 03, 2014
O curral eleitoral e seu poder na eleição - ALOÍSIO DE TOLEDO CÉSAR
O ESTADO DE S.PAULO - 03/10
Os mais jovens talvez nunca tenham ouvido a expressão "curral eleitoral". Nem "voto de cabresto". O que será isso?, perguntaria a menina de 15 anos ao avô.
Quando foi proclamada a República, a Constituição federal brasileira tardou em prever a figura do voto secreto e, com isso, as primeiras eleições no País se realizaram por um sistema que permitia identificar a pessoa em quem o eleitor votava. Realmente, naqueles tempos nada saudosos, o eleitor levava consigo um pedaço de papel com o nome de seu candidato e o depositava na urna, permitindo que os coronéis da época entregassem a cada um de seus empregados uma cédula já preenchida.
E lá seguia o eleitor de cabresto para cumprir o dever de votar naquele político de quem era dependente.
Graças a esse sistema nada democrático, ganharam força as expressões "voto de cabresto" e "curral eleitoral", porque, sobretudo no Nordeste, os políticos mais poderosos adotavam essa conduta para garantir os seus votos. Sim, a grande maioria dos eleitores, por dependerem economicamente desses "coronéis", recebia pelo voto um pagamento de diversas formas - comida, roupas, casa para morar e até mesmo dinheiro.
Curiosamente, esse costume se arraigou de tal forma em nosso sistema de escolha dos governantes que hoje temos talvez o maior curral eleitoral de todos os tempos. Há uma diferença: na sua fase inicial, os eleitores "de cabresto" recebiam o pagamento do próprio político ao qual estavam submetidos, mas hoje, no enorme curral eleitoral do presente, quem paga a esses eleitores somos nós.
Nisso talvez resida a conhecida esperteza do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - como sempre, uma esperteza para o mal. Tendo Lula percebido que é bom em cada eleição poder contar com um curral eleitoral obediente e confiável, ele carreou esforços (e o nosso dinheiro) para pagar a esses eleitores na forma disfarçada de Bolsa Família e outras benesses governamentais.
Por incrível que pareça, essas pessoas, que não recebem a necessária instrução e por isso mesmo são mais fáceis de se deixar conduzir, se tornaram dependentes economicamente do atual governo e representam a grande força da candidata oficial, Dilma Rousseff. Não será exagero admitir que tais eleitores poderão decidir a eleição deste domingo, pois representam uma massa de votos que os pesquisadores calculam em até 40 milhões.
As pesquisas têm demonstrado que nas áreas de pessoas de melhor instrução (a educação liberta), a candidata oficial não detém tão grande apoio. Mas quando envolve dependentes do Bolsa Família, a adesão à sua candidatura é quase unânime.
Isso equivale a dizer que o nosso dinheiro, aquele que é coletado dos impostos pagos por cada um de nós, está servindo para beneficiar o projeto político de um grupo que chegou ao poder, gostou disso ao extremo e não quer mais sair (até porque, se sair, sabe que os riscos de uma devassa serão incalculáveis).
Esses eleitores de cabresto estão comprando geladeiras, televisões, comendo melhor, e isso, sem nenhuma dúvida, é melhor do que viver na faixa da pobreza extrema. Mas como recebem de graça, sem que tenham realizado nenhum trabalho que mereça a devida retribuição, torna-se elementar o paternalismo, inimigo antagônico do livre desenvolvimento.
Sem dúvida alguma, os programas sociais das Bolsas Família e outros deveriam ter sido complementados por outras providências que proporcionassem efetivo desenvolvimento educacional e econômico e, enfim, libertassem os assistidos, ao invés de deixá-los numa dependência que é contrária ao interesse do País. Carentes de instrução e sem alcançar a liberdade que o saber proporciona, permanecem socialmente anestesiados e sempre esperando o dia de receber os valores do governo federal.
Para essas pessoas, fatos de extrema relevância como o mensalão e a farra com o nosso dinheiro na Petrobrás, por exemplo, nem sempre têm relevância, nem são objeto de preocupação. O que as preocupa mesmo é o dia de receber o dinheirinho do patrão governo, porque, afinal, é necessário pagar a prestação da geladeira, da televisão e mesmo do primeiro automóvel. Dois anos atrás houve o rumor de que não seria feito tal pagamento e isso provocou uma enorme correria aos bancos, somente acalmada com a abertura dos caixas para que cada um o recebesse.
É muito triste observar que essas pessoas votam muito mais com o estômago do que com a cabeça. Superar tal poder eleitoral é tarefa muito difícil para os candidatos da oposição, pelo círculo vicioso suicida: se condenam e denunciam a sistemática eleitoreira do tipo Bolsa Família, isso significa renunciar a esses milhões de votos; por outro lado, se aceitam e dizem que vão manter esse programa assistencial, no caso de eleitos, acabam convalidando a prática que fortalece a candidata oficial.
Criou-se no País, portanto, por força dessa conduta condenável, uma forma de realizar eleições que premia exatamente a pessoa que deveria ser punida por usar dinheiro público em seu próprio favor. É possível que tal sistema, contrário ao próprio País, só venha a ser repelido a partir do momento em que o aprimoramento educacional e o desenvolvimento econômico libertarem esses milhões de brasileiros da dependência quase escrava de um governo contrário aos princípios morais e de respeito à verdadeira democracia.
Mas como não são feitos na área da educação tais esforços e investimentos, criou-se a impressão de haver o propósito de deixar tudo como está porque, afinal, esses eleitores são fáceis de manobrar. Enfim, parecemos estar condenados a viver num país que vai a cada dia encolhendo, ao invés de crescer.
Os mais jovens talvez nunca tenham ouvido a expressão "curral eleitoral". Nem "voto de cabresto". O que será isso?, perguntaria a menina de 15 anos ao avô.
Quando foi proclamada a República, a Constituição federal brasileira tardou em prever a figura do voto secreto e, com isso, as primeiras eleições no País se realizaram por um sistema que permitia identificar a pessoa em quem o eleitor votava. Realmente, naqueles tempos nada saudosos, o eleitor levava consigo um pedaço de papel com o nome de seu candidato e o depositava na urna, permitindo que os coronéis da época entregassem a cada um de seus empregados uma cédula já preenchida.
E lá seguia o eleitor de cabresto para cumprir o dever de votar naquele político de quem era dependente.
Graças a esse sistema nada democrático, ganharam força as expressões "voto de cabresto" e "curral eleitoral", porque, sobretudo no Nordeste, os políticos mais poderosos adotavam essa conduta para garantir os seus votos. Sim, a grande maioria dos eleitores, por dependerem economicamente desses "coronéis", recebia pelo voto um pagamento de diversas formas - comida, roupas, casa para morar e até mesmo dinheiro.
Curiosamente, esse costume se arraigou de tal forma em nosso sistema de escolha dos governantes que hoje temos talvez o maior curral eleitoral de todos os tempos. Há uma diferença: na sua fase inicial, os eleitores "de cabresto" recebiam o pagamento do próprio político ao qual estavam submetidos, mas hoje, no enorme curral eleitoral do presente, quem paga a esses eleitores somos nós.
Nisso talvez resida a conhecida esperteza do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - como sempre, uma esperteza para o mal. Tendo Lula percebido que é bom em cada eleição poder contar com um curral eleitoral obediente e confiável, ele carreou esforços (e o nosso dinheiro) para pagar a esses eleitores na forma disfarçada de Bolsa Família e outras benesses governamentais.
Por incrível que pareça, essas pessoas, que não recebem a necessária instrução e por isso mesmo são mais fáceis de se deixar conduzir, se tornaram dependentes economicamente do atual governo e representam a grande força da candidata oficial, Dilma Rousseff. Não será exagero admitir que tais eleitores poderão decidir a eleição deste domingo, pois representam uma massa de votos que os pesquisadores calculam em até 40 milhões.
As pesquisas têm demonstrado que nas áreas de pessoas de melhor instrução (a educação liberta), a candidata oficial não detém tão grande apoio. Mas quando envolve dependentes do Bolsa Família, a adesão à sua candidatura é quase unânime.
Isso equivale a dizer que o nosso dinheiro, aquele que é coletado dos impostos pagos por cada um de nós, está servindo para beneficiar o projeto político de um grupo que chegou ao poder, gostou disso ao extremo e não quer mais sair (até porque, se sair, sabe que os riscos de uma devassa serão incalculáveis).
Esses eleitores de cabresto estão comprando geladeiras, televisões, comendo melhor, e isso, sem nenhuma dúvida, é melhor do que viver na faixa da pobreza extrema. Mas como recebem de graça, sem que tenham realizado nenhum trabalho que mereça a devida retribuição, torna-se elementar o paternalismo, inimigo antagônico do livre desenvolvimento.
Sem dúvida alguma, os programas sociais das Bolsas Família e outros deveriam ter sido complementados por outras providências que proporcionassem efetivo desenvolvimento educacional e econômico e, enfim, libertassem os assistidos, ao invés de deixá-los numa dependência que é contrária ao interesse do País. Carentes de instrução e sem alcançar a liberdade que o saber proporciona, permanecem socialmente anestesiados e sempre esperando o dia de receber os valores do governo federal.
Para essas pessoas, fatos de extrema relevância como o mensalão e a farra com o nosso dinheiro na Petrobrás, por exemplo, nem sempre têm relevância, nem são objeto de preocupação. O que as preocupa mesmo é o dia de receber o dinheirinho do patrão governo, porque, afinal, é necessário pagar a prestação da geladeira, da televisão e mesmo do primeiro automóvel. Dois anos atrás houve o rumor de que não seria feito tal pagamento e isso provocou uma enorme correria aos bancos, somente acalmada com a abertura dos caixas para que cada um o recebesse.
É muito triste observar que essas pessoas votam muito mais com o estômago do que com a cabeça. Superar tal poder eleitoral é tarefa muito difícil para os candidatos da oposição, pelo círculo vicioso suicida: se condenam e denunciam a sistemática eleitoreira do tipo Bolsa Família, isso significa renunciar a esses milhões de votos; por outro lado, se aceitam e dizem que vão manter esse programa assistencial, no caso de eleitos, acabam convalidando a prática que fortalece a candidata oficial.
Criou-se no País, portanto, por força dessa conduta condenável, uma forma de realizar eleições que premia exatamente a pessoa que deveria ser punida por usar dinheiro público em seu próprio favor. É possível que tal sistema, contrário ao próprio País, só venha a ser repelido a partir do momento em que o aprimoramento educacional e o desenvolvimento econômico libertarem esses milhões de brasileiros da dependência quase escrava de um governo contrário aos princípios morais e de respeito à verdadeira democracia.
Mas como não são feitos na área da educação tais esforços e investimentos, criou-se a impressão de haver o propósito de deixar tudo como está porque, afinal, esses eleitores são fáceis de manobrar. Enfim, parecemos estar condenados a viver num país que vai a cada dia encolhendo, ao invés de crescer.
Detalhes eleitorais - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 03/10
Em momentos tensos como os da reta final desta eleição presidencial, em que se disputa ainda quem vai para o segundo turno ou, no limite, se a disputa termina já no primeiro turno com a reeleição da presidente Dilma, as teorias da conspiração andam soltas e, junto com muitas desconfianças indevidas (se as urnas eletrônicas são seguras é uma pergunta muito comum nestes últimos dias), surgem ações, como a dos Correios a favor do PT, que justificam o alerta que está sendo dado.
A confissão do deputado petista de que "há o dedo" dos militantes petistas dos Correios na subida de intenção de votos da presidente Dilma em Minas é de uma clareza exemplar, e o presidente dos Correios, Wagner Pinheiro, ouvindo tudo aquilo calado, como se estivesse recebendo um elogio. No fundo, era um elogio mesmo o que o deputado estava fazendo.
O aparelhamento dos Correios pelo PT parece ter efeitos disseminados pelo país, prejudicando principalmente candidatos a deputado federal de outros partidos em diversos estados. O PSDB está recebendo informações de candidatos de outros partidos que também estão se considerando afetados por essa estranha falha seletiva dos Correios.
Fatores extracampo podem afetar o resultado da eleição, ainda mais quando a nossa Justiça Eleitoral, como todo o aparelho judicial, é lenta. Os repetidos casos de governadores que são cassados depois de exercerem a maior parte de seus mandatos não nos deixam mentir.
Aliás, caminhamos para uma grave crise institucional no próximo governo, seja qual for o eleito. O processo em curso da delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Yousseff vai colocar no caminho da cadeia uma leva de políticos e autoridades que serão eleitos dentro de poucos dias. A acreditar nas palavras do ministro Teori Zavascki, são deputados, senadores e governadores que se locupletaram com as verbas da Petrobras.
Disse o ministro do supremo tribunal Federal, ao chancelar o acordo de delação premiada, que há nos depoimentos de Paulo Roberto indicações de "vantagens econômicas ilícitas oriundas dos cofres públicos" (...) "distribuídas entre diversos agentes públicos e particulares" Confirmando o noticiário que tem saído na imprensa, Zavascki disse que "(...) há elementos indicativos, a partir dos termos do depoimento, de possível envolvimento de várias autoridades detentoras de prerrogativa de foro perante tribunais superiores, inclusive de parlamentares federais".
Além do STF, portanto, governadores que têm foro no Superior Tribunal de Justiça (STJ) estão na lista dos denunciados. Esse é um tema que continuará pautando os debates políticos nesta eleição e que pode afetar o resultado dela caso surjam novos vazamentos dos depoimentos.
Outro fato que pode afetar o resultado final da eleição, especialmente na definição de quem será o adversário da presidente Dilma no segundo turno, é a estrutura partidária, o que favorece o candidato tucano, Aécio Neves. Referindo-se à eleição de 1989, de que ele participou como um dos apoios políticos do então candidato Collor de Mello, o dirigente nacional do PTC Daniel Tourinho acha que a candidata do PSB, Marina Silva, em razão da fragilidade da sua estrutura partidária, deverá perder algo em torno de 4% dos votos no dia da eleição, e, em sentido inverso, o candidato do PSDB, com uma estrutura partidária muito mais capilarizada, deverá crescer cerca de 4%.
Ele lembra a eleição de 1989, quando, logo após a apuração do primeiro turno, a primeira pesquisa dava a Collor uma vantagem de 15 pontos percentuais frente a Lula. À véspera da eleição, porém, essa diferença estava reduzida a 1%. Ou seja, um quadro claro de ascensão de Lula e queda de Collor. Ao final da apuração dos votos do segundo turno, o resultado apontava a vitória de Collor com 5% de votos a mais do que Lula.
Para ele, a fragilidade da estrutura partidária da candidatura de Lula àquele tempo ante a que dava apoio a Collor fez a diferença.
A confissão do deputado petista de que "há o dedo" dos militantes petistas dos Correios na subida de intenção de votos da presidente Dilma em Minas é de uma clareza exemplar, e o presidente dos Correios, Wagner Pinheiro, ouvindo tudo aquilo calado, como se estivesse recebendo um elogio. No fundo, era um elogio mesmo o que o deputado estava fazendo.
O aparelhamento dos Correios pelo PT parece ter efeitos disseminados pelo país, prejudicando principalmente candidatos a deputado federal de outros partidos em diversos estados. O PSDB está recebendo informações de candidatos de outros partidos que também estão se considerando afetados por essa estranha falha seletiva dos Correios.
Fatores extracampo podem afetar o resultado da eleição, ainda mais quando a nossa Justiça Eleitoral, como todo o aparelho judicial, é lenta. Os repetidos casos de governadores que são cassados depois de exercerem a maior parte de seus mandatos não nos deixam mentir.
Aliás, caminhamos para uma grave crise institucional no próximo governo, seja qual for o eleito. O processo em curso da delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Yousseff vai colocar no caminho da cadeia uma leva de políticos e autoridades que serão eleitos dentro de poucos dias. A acreditar nas palavras do ministro Teori Zavascki, são deputados, senadores e governadores que se locupletaram com as verbas da Petrobras.
Disse o ministro do supremo tribunal Federal, ao chancelar o acordo de delação premiada, que há nos depoimentos de Paulo Roberto indicações de "vantagens econômicas ilícitas oriundas dos cofres públicos" (...) "distribuídas entre diversos agentes públicos e particulares" Confirmando o noticiário que tem saído na imprensa, Zavascki disse que "(...) há elementos indicativos, a partir dos termos do depoimento, de possível envolvimento de várias autoridades detentoras de prerrogativa de foro perante tribunais superiores, inclusive de parlamentares federais".
Além do STF, portanto, governadores que têm foro no Superior Tribunal de Justiça (STJ) estão na lista dos denunciados. Esse é um tema que continuará pautando os debates políticos nesta eleição e que pode afetar o resultado dela caso surjam novos vazamentos dos depoimentos.
Outro fato que pode afetar o resultado final da eleição, especialmente na definição de quem será o adversário da presidente Dilma no segundo turno, é a estrutura partidária, o que favorece o candidato tucano, Aécio Neves. Referindo-se à eleição de 1989, de que ele participou como um dos apoios políticos do então candidato Collor de Mello, o dirigente nacional do PTC Daniel Tourinho acha que a candidata do PSB, Marina Silva, em razão da fragilidade da sua estrutura partidária, deverá perder algo em torno de 4% dos votos no dia da eleição, e, em sentido inverso, o candidato do PSDB, com uma estrutura partidária muito mais capilarizada, deverá crescer cerca de 4%.
Ele lembra a eleição de 1989, quando, logo após a apuração do primeiro turno, a primeira pesquisa dava a Collor uma vantagem de 15 pontos percentuais frente a Lula. À véspera da eleição, porém, essa diferença estava reduzida a 1%. Ou seja, um quadro claro de ascensão de Lula e queda de Collor. Ao final da apuração dos votos do segundo turno, o resultado apontava a vitória de Collor com 5% de votos a mais do que Lula.
Para ele, a fragilidade da estrutura partidária da candidatura de Lula àquele tempo ante a que dava apoio a Collor fez a diferença.
A navalha de Hanlon - MONICA BAUMGARTEN DE BOLLE
A FAVOR DO TRIPÉ ECONÔMICO, VOTO AÉCIO 45
"Jamais atribua à malícia aquilo que pode ser adequadamente explicado pela estupidez", frase epônima (atribuída a Robert J. Hanlon) que ilustra perfeitamente como se devem considerar os desmandos da economia brasileira. Acham que a degradante situação fiscal do Brasil resulta das artimanhas astutas de Arno Augustin? Pensam que Guido Mantega é maroto quando afirma que a súbita desvalorização do real é fruto do fortalecimento do dólar mundo afora? Pensem novamente. Pensem em Hanlon.
O Brasil registrou o pior resultado fiscal para o mês de agosto na história. Estamos firmemente entranhados no território do déficit primário, coisa do passado, estilo anos 90, com um crescimento dos gastos públicos de quase 30% no mês. Vá lá que a presidente Dilma não goste de austeridade, fala mal da austeridade para quem quiser ouvir, inclusive para a chanceler alemã, Angela Merkel, num inominável gesto de falta de malícia. Mas não precisávamos ir tão longe, não era necessário nos colocarmos tão próximos da queda, cada vez mais perto do rebaixamento da classificação de risco. Ou precisávamos? Confesso que já não sei, tamanha a confusão da economia brasileira.
Sem muito o que dizer de diferente neste artigo publicado às vésperas do primeiro turno - pesadelo para qualquer colunista -, andei relendo o que escrevi neste espaço nos últimos quatro anos. A conclusão: a bagunça econômica certamente não se deve a qualquer malícia ou esperteza do governo. Foram atos sequenciais de... bem, chamemos de "falta de bom senso". Augustin, o chefe do Tesouro, diz que é possível alcançar a meta fiscal de 2014 e que os resultados apresentados não são tão ruins quanto parecem. Falta de bom senso exemplar.
O Brasil tem um rombo nas contas públicas. O Brasil também tem um rombo nas contas externas. Como constatou o FMI no mais recente World Economic Outlook (WEO), tínhamos um superávit na conta corrente de 1,3% do PIB em 2006, que se transformou em déficit de 3,6% do PIB em 2013. Isso equivale a US$ 81 bilhões,valor que, em termos absolutos, só fica atrás dos EUA e do Reino Unido, países diretamente afetados pela crise financeira de 2008. Países que, além de apresentarem claros sinais de recuperação, têm moedas ainda consideradas fortes, moedas de reserva internacionais - o dólar, a libra. Quem quer reais às vésperas das eleições brasileiras?
O FMI também destacou que, com um déficit externo dessa magnitude, o Brasil aproxima-se da zona de perigo, aquela em que qualquer soluço nos mercados globais pode se transformar em fuga de recursos do país. Ou seja, em mais desvalorização do real e uso ainda mais amplo das reservas internacionais para conter o enfraquecimento da moeda. Com a inflação no nível em que está, flertando sistematicamente com o teto do regime de metas, 6,5%, o Banco Central não pode se dar ao luxo de fazer outra coisa. Não chegamos até aqui por malícia.
Fica estabelecido, pois, que enfrentamos situação conhecida como "déficits gêmeos": um rombo nas contas públicas, outro na conta corrente. Agora, vejam o que mais o FMI tem a dizer. Num dos capítulos analíticos do recém-divulgado WEO, há sólidas evidências de que o investimento público em infraestrutura aumenta o nível de atividade tanto no curto quanto no longo prazo. Isso sugere que, para países que têm muita necessidade de infraestrutura a fim de alcançar patamares mais elevados de crescimento, não há melhor momento do que o atual, quando as taxas de juros internacionais são baixas e assim devem permanecer. Nessas condições, projetos de investimento financiados por endividamento público podem ter grandes efeitos sobre o crescimento sem aumentar muito a relação dívida/PIB. Contudo, é preciso contar com recursos da poupança pública, o que não temos.
O Brasil desperdiçou inúmeras possibilidades nos últimos anos que poderiam ter posto o País em outro patamar de crescimento, de solidez. Jogou fora a chance de aumentar o investimento público com recursos da poupança inexistente do governo.
É muita malícia, não?
A urna de domingo e os ladrões - REINALDO AZEVEDO
LUGAR DE PETISTA É NO CAMBURÃO!
VOTE AÉCIO 45
Paulo Roberto Costa era apenas um tipo comum. Jamais seria incluído numa lista de mais influentes nem era chefe de nada. Não levava jeito para "capo di tutti i capi". Permaneceu por nove anos à frente da diretoria de Abastecimento da Petrobras. Chegou pelas mãos do PP e, bom rapaz, foi logo adotado pelo PT e pelo PMDB.
Lula, que sempre soube empregar o diminutivo com grande eficiência, o chamava de "Paulinho". Há "Paulinhos" à mancheia nas outras estatais, nos fundos de pensão, nas autarquias, na alta administração federal, em toda parte. Os "Paulinhos" sem rosto são mais influentes na República do Babalorixá de Banânia do que os eunucos no Império Persa.
Costa está em prisão domiciliar, ornado por uma tornozeleira eletrônica. No acordo de delação premiada, aceitou devolver aos cofres públicos espantosos R$ 70 milhões. É o que admite ter capturado, em proveito próprio, como operador do esquema criminoso, suprapartidário e governista, incrustado na estatal. Ele separava para si, note-se, apenas uma pequeníssima parcela do saque. Quanto levavam seus "chefes"?
Um termo de comparação: o mensalão, segundo Roberto Gurgel, ex-procurador-geral da República, distribuiu R$ 141 milhões em propina. No petrolão, um corrupto menor assume que a, digamos, taxa de administração da canalhice lhe rendeu o correspondente a 50% do que movimentou um dos maiores esquemas de corrupção da história do país.
Dado o tamanho do Estado no Brasil, é forçoso concluir que vivemos sob a permanente rapinagem de uma súcia. Se uma empresa como a Petrobras não dispõe de um sistema de "compliance" que a torne imune a práticas dessa natureza, pode-se imaginar a desenvoltura com que atua a bandidagem em áreas bem menos expostas à curiosidade pública e desobrigadas de fazer ao menos a mímica da boa governança corporativa.
Não obstante, o estatismo goza de grande prestígio no Brasil, especialmente junto a acadêmicos, artistas e jornalistas, que ajudam, sim, a formar opinião e a plasmar consensos. Os escândalos na Petrobras se tornaram tema de campanha –e nem poderia ser diferente. Mas nós os estamos debatendo como se fossem apenas casos de polícia, e esta é a sua face menos importante. O assalto organizado à Petrobras é um caso de política.
Há quatro eleições já, incluindo a deste ano, o petismo sufoca o país com a sua ladainha estatista, que só interessa à burguesia sindical do capital alheio e, portanto, aos aparelhos que garantem a influência e o poder do próprio... petismo.
Os verdadeiros espoliadores do Brasil, a "classe" de fato dominante, são justamente aqueles que saem por aí a falar em nome da igualdade e da justiça social. Praticam a forma mais porca e perversa do discurso ideológico, que é a do mascaramento da verdade. Quando é que voltaremos a ter uma candidatura viável, com a coragem de dizer os nomes daqueles que nos assaltam e condenam?
Ah, sim: na vigência do esquema criminoso, a Petrobras financiava boa parte da "consciência crítica" da "arte brasileira". Afinal, os desdentados, miseráveis e barrigudinhos produzidos por esse modelo merecem ao menos as metáforas pedestres –de esquerda, claro!– expelidas por "artistas" financiados. É de dar nojo.
Três personagens e um país à deriva - BOLÍVAR LAMOUNIER
VOTO AÉCIO 45
Se eleito, Aécio terá algumas prioridades inescapáveis. É imperativo desmontar a 'herança maldita' deixada por Lula e Dilma Rousseff
A ordem em que os três principais candidatos à Presidência da República têm aparecido nas pesquisas parece-me ser o inverso de suas capacidades e do que deles se pode esperar de positivo para o Brasil.
Dilma Rousseff chegou ao Planalto como atriz num dos muitos enredos maliciosos que Lula é capaz de conceber. Com seus próprios recursos ela dificilmente se elegeria vereadora em Porto Alegre ou em Belo Horizonte. Lula "vendeu-a" como uma exímia conhecedora da máquina pública e a grande gestora de projetos que daria continuidade às "grandes conquistas" de seu próprio governo.
Tendo já cumprido um segundo mandato, Lula não iria se desgastar numa luta interna, muito menos emprestar sua popularidade a um candidato político. Queria um candidato que lhe devotasse uma fidelidade canina, o melhor "poste" que pudesse encontrar.
Na campanha e nos debates, ela quase nada precisaria falar; dos votos encarregar-se-iam Lula e os marqueteiros. Foi assim que o Brasil viveu um dos maiores paradoxos eleitorais de que se tem notícia. Nas democracias, candidatos sabem que suas chances de sucesso dependem de se tornarem conhecidos do maior número possível de eleitores. Com Dilma, deu-se o oposto: seu sucesso deveu-se à quase total clandestinidade em que ela se manteve.
Sob muitos aspectos, Marina Silva é o oposto de Dilma. Não creio que ela se prestasse a uma farsa eleitoral. Suas ideias parecem-me se constituir, parte por elaboração própria, parte por uma saudável utilização dos órgãos auriculares.
Apesar dessas qualidades, tinha certeza que o status de favorita que ela chegou a atingir não se sustentaria. Resultara de uma situação extraordinária que se diluiria. O desaparecimento de Eduardo Campos e a comoção dele decorrente catapultaram-na para a segunda posição.
O súbito aumento do apoio a Marina deveu-se à simpatia com que ela passou a ser vista por eleitores que, de outra forma, não a veriam como opção; à reativação e a uma tentativa de canalização mais positiva do manancial de votos contra Dilma e Serra que ela mobilizara em 2010; e à sensação de que ela passara a encarnar uma concepção idealizada de política com possibilidade real de chegar ao Planalto.
Ao envolvê-la numa aura de vencedora, os elementos mencionados proporcionaram-lhe a indispensável interlocução com grupos sociais que até a morte de Campos a viam como problema. Facilitaram a substituição da acanhada plataforma de 2010 por uma mais ampla e realista, respaldada por economistas competentes.
As últimas pesquisas mostram Aécio Neves na terceira posição. Admitindo que as intenções de voto em Dilma e as de votar em branco ou nulo estão mais ou menos consolidadas, Aécio precisa "tomar" de Marina só mais alguns pontos para ultrapassá-la. Difícil é; impossível, não. Se for ao segundo turno, terá o mesmo tempo de TV que Dilma e será visto como uma alternativa real ao oficialismo petista.
Na segunda (29), os agentes econômicos reagiram à melhora de Dilma nas pesquisas avisando que a reeleição será um desastre. As ações da Petrobras despencaram 10%. Corteses como são, Lula e Dilma deveriam pedir desculpas à analista do Santander cuja demissão exigiram por ter tido a "ousadia" de fazer uma previsão nessa mesma linha.
Se eleito, Aécio Neves terá prioridades inescapáveis. Em termos gerais, é imperativo desmontar a "herança maldita" deixada por Lula e Dilma. Reverter o clima de desmoralização que tomou conta do país desde 2003, a aceitação passiva da incompetência e da falta de responsabilidade, a condução ideológica e amadorística da política econômica e a tibieza no combate à corrupção.
Urge restabelecer o império da lei, a validade dos contratos, o valor das instituições e a independência entre os Poderes. Na política externa, Lula e Dilma deram seguidas mostras de obtusidade, no melhor estilo terceiro-mundista. Mas foram além: praticaram ativamente uma opção preferencial por regimes populistas e ditaduras, sabe Deus se como fruto de alguma convicção ou só no juvenil afã de marcar posições antiamericanas.
Dilma e a Polícia Federal - EDITORIAL O ESTADÃO
LUGAR DE PETISTA É NO CAMBURÃO! VOTE AÉCIO 45
Para tentar impedir que o escândalo do mensalão e as denúncias de corrupção contra o governo respinguem sobre sua campanha pela reeleição, a presidente Dilma Rousseff vem alegando que concedeu à Polícia Federal (PF) total liberdade para investigar as denúncias de corrupção na Petrobrás, inclusive orientando-a a instaurar inquéritos criminais e a adotar medidas para acabar com o uso de caixa 2 pelos partidos políticos e esquemas de lavagem de dinheiro para financiar campanhas eleitorais.
O argumento foi usado por ela em um dos últimos debates entre os presidenciáveis. "Eu dei autonomia à PF para prender o senhor Paulo Roberto e os doleiros todos", afirmou na ocasião. O mesmo argumento também foi repetido nos programas do PT durante o horário eleitoral, que deram a entender ter sido Dilma a primeira inquilina do Palácio do Planalto a ter colocado a PF a serviço do combate à corrupção e dos ilícitos cometidos em empresas estatais.
A propaganda do PT é enganosa e a fala de Dilma carece de consistência técnico-jurídica, deixando claro o quanto ela desconhece a Constituição que há quatro anos jurou cumprir. Em palestra para cerca de 200 estudantes e professores de direito de uma universidade de Brasília, quando discorreu por mais de uma hora sobre reforma política, financiamento de campanha eleitoral, compra de votos, corrupção e fortalecimento do regime democrático, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa enfatizou esse ponto.
"Não é a presidente da República que manda prender. Ela tem, no máximo, poderes para não interferir na atuação do órgão", disse Joaquim Barbosa, confessando-se "surpreso" com o desconhecimento generalizado de direito constitucional por parte dos políticos - inclusive Dilma.
Essa foi uma crítica sutil às afirmações não só da presidente da República, mas também a recentes declarações do vice-presidente, Michel Temer, e do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Eles haviam protestado contra a vistoria, por agentes da PF, de um avião da campanha do senador Edison Lobão Filho, candidato ao governo do Maranhão e filho do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, acusando a corporação de ter sido "instrumentalizada para atingir candidaturas legitimamente constituídas".
Na ocasião, Dilma - que hoje elogia as ações da PF - criticou a corporação. "Qualquer órgão integrado por pessoas pode cometer um erro. Mas autonomia não significa autonomia para cometer coisas incorretas. Uma das coisas que a gente tem que garantir, principalmente em processos eleitorais, é que órgãos governamentais não sejam usados em proveito de um ou outro candidato", afirmou Dilma, com sua maneira tortuosa de se expressar, e de certo modo endossando a tese de que a ação de busca e apreensão executada pela PF teria tido o objetivo de "constranger" e "intimidar" políticos peemedebistas maranhenses.
Na realidade, como afirma o ex-ministro Joaquim Barbosa, a Polícia Federal é um órgão de Estado e não precisa de qualquer autorização presidencial para exercer suas atribuições funcionais. Pela Constituição, ela tem competência para promover investigações independentes, mesmo quando os investigados sejam políticos da base do governo ou mesmo integrantes da administração direta e indireta. Em outras palavras, a autonomia da Polícia Federal não é administrativa nem financeira. É uma autonomia funcional. E se seus delegados e agentes deixarem de agir, em casos de denúncias de algum ilícito, incorrem em crime de responsabilidade.
Por isso, quando a presidente da República alegou no debate entre os presidenciáveis que estimulou a PF a investigar as denúncias de corrupção na Petrobrás, "o que não acontecia nos governos anteriores", ela contrariou a verdade.
Seu comitê eleitoral ainda tentou refutar as críticas de Barbosa, distribuindo uma nota em que alega que as palavras de Dilma acerca dos "atos de atuação legal da PF" estariam sofrendo "interpretações maliciosas e inverídicas". Maliciosa é, mais uma vez, a insistência da assessoria de Dilma em desmentir as bobagens que ela fala.
Aparelhamento sem pudor - EDITORIAL O ESTADÃO
CONTRA O APARELHAMENTO DO ESTADO, VOTO AÉCIO 45
Os Correios já foram uma das estatais mais admiradas, pela qualidade e capilaridade dos seus serviços. Era um símbolo inequívoco da unidade do País, aproximando a sua população, do Oiapoque ao Chuí. Mas o aparelhamento promovido pelo PT na última década desfez esse símbolo e a cada dia reescreve a história da estatal, transformando-a num mero cabo eleitoral. O episódio mais recente dessa triste história é um vídeo obtido com exclusividade pelo Estado, no qual o deputado estadual mineiro Durval Ângelo (PT) expressa satisfação e orgulho pelos bons serviços prestados pelos Correios à campanha petista em Minas Gerais, pelo apoio tanto à candidata à reeleição Dilma Rousseff como ao candidato a governador Fernando Pimentel.
O conhecido aparelhamento da administração pública promovido pelo PT recebeu nova prova - histórica -, agora em vídeo. Uma prova que não pode ser negada nem contestada. O vídeo em questão é similar aos vídeos - infelizmente, bastante conhecidos dos brasileiros - que flagram um corrupto recebendo, por exemplo, uma mala de dinheiro. No caso dos Correios, é a prova incontestável do uso de uma empresa estatal - que deveria servir ao público - em benefício de um partido.
Na reunião gravada, tudo é dito abertamente, sem qualquer escrúpulo, sem qualquer pudor. Diz o deputado petista: "Se hoje nós temos a capilaridade da campanha do (Fernando) Pimentel e da Dilma em toda Minas Gerais, isso é graças a essa equipe dos Correios".
Para que não pairasse dúvida do grau de importância da reunião, o próprio presidente dos Correios, Wagner Pinheiro, está lá presente, como testemunha do aparelhamento. Da mesma forma que um presidente de uma empresa privada ouve dos seus gerentes os bons resultados operacionais da empresa, Wagner Pinheiro ouve de Durval Ângelo os bons resultados da ação dos Correios em prol das campanhas de Dilma e de Fernando Pimentel no Estado de Minas Gerais. "Se hoje nós estamos com 40% em Minas Gerais, tem dedo forte dos petistas dos Correios", diz Durval, acintosamente.
Diante da revelação feita pelo Estado, o presidente dos Correios emitiu uma nota na qual afirma que "os Correios não estão contribuindo com a campanha de qualquer candidato". Justifica-se dizendo que "a reunião não ocorreu durante o expediente e a empresa não custeou despesas relacionadas a ela". É como dizer que um deputado não recebeu propina como deputado porque não era no seu horário de trabalho.
No vídeo, o deputado pede a Pinheiro que faça a direção nacional do PT saber dos bons serviços prestados pela estatal. "Queremos que você leve à direção nacional do PT, que eu também faço parte do diretório, mas também à direção nacional da campanha da Dilma a grande contribuição que os Correios estão fazendo". O vídeo explicita assim não apenas o aparelhamento, mas como é feita a coordenação do aparelhamento e como o PT não brinca no poder. Instala-se e cobra resultados - e os camaradas têm grande zelo em mostrar os resultados obtidos. Que não fique nas sombras o empenho deles no aparelhamento.
Durval não podia ser mais explícito: "No dia da reunião que tivemos no hotel (da qual participou Pimentel), o Helvécio Magalhães (coordenador da campanha do petista) falou: vou me reunir com a equipe ainda esta semana e liberar a infraestrutura. E se hoje nós temos a capilaridade da campanha do Pimentel e da Dilma em toda Minas Gerais, isso é graças a essa equipe dos Correios". Diante da repercussão do caso, Durval explicou que "liberar a infraestrutura" era uma referência a funcionários petistas dos Correios que pediam férias para fazer campanha. O vídeo mostra o contrário: o uso da máquina pública, e não do tempo livre privado, para fazer campanha.
O que se vê no vídeo é uma espécie de sentimento do dever cumprido. Mas o parlamentar petista alerta: aquilo ainda não era uma prestação de contas completa. Esta virá após a eleição de Dilma e Pimentel, na qual - pelas suas palavras - a estatal está fortemente empenhada. É o aparelhamento sem pudor e sem escrúpulos.
Aparelhos atuam nas eleições e na corrupção - EDITORIAL O GLOBO
CONTRA O APARELHAMENTO DO ESTADO, VOTO AÉCIO 45
Usam-se fundos de pensão de estatais em altas negociatas, mas não se ouvem reclamações das vítimas, talvez por uma estranha solidariedade ideológica
Prestes a completar 12 anos de Planalto, o PT, ou facções dele, vê-se envolvido em alguns casos emblemáticos de uma característica relevante desse longo período no poder, a montagem de aparelhos do partido na máquina pública.
A invejável disciplina e empenho petistas na defesa da visão de mundo do partido se reflete no exercício do perigoso princípio de que “os fins justificam os meios”. Com este pano de fundo é que foi engendrado o mensalão, abastecido com dinheiro público desviado sem pudores para comprar apoio político-parlamentar ao primeiro governo Lula.
Os últimos meses têm sido férteis em casos nada abonadores derivados da atuação de aparelhos petistas. O que operou desde o primeiro governo Lula na Petrobras, num conluio entre sindicalistas, políticos e empreiteiros, apenas começa a ser conhecido com vazamentos de partes de longos depoimentos prestados sob acordo de delação premiada pelo ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa.
O doleiro desse e outros esquemas, Alberto Youssef, fez o mesmo acordo com a Justiça e deve contribuir com informações também esclarecedoras deste que talvez seja o maior escândalo, em cifras, dos últimos tempos.
Soube-se há pouco da atuação enviesada dos Correios, em Minas, para privilegiar as candidaturas de Dilma e de Fernando Pimentel, esta ao governo do estado, na distribuição de peças de propaganda eleitoral.
Desvendada pelo jornal “O Estado de S.Paulo”, a história também é exemplar da atuação de aparelhos petistas, cujo resultado é a “privatização” dessas estatais por interesses partidários. E como a eleição presidencial tem sido a mais dura enfrentada pelo PT desde a vitória de Lula em 2002, todo este aparato de militantes instalados dentro da máquina do Estado — funcionários concursados ou não — trabalha nestes dias com empenho extra. Há muita coisa em jogo nas urnas — além do poder em si, empregos e dinheiro.
Na mesma linha dos golpes dados na Petrobras, há o uso criminoso de fundos de pensão de funcionários de empresas públicas, em altas negociatas, diante do silêncio do braço sindical petista e, por tabela, dos funcionários.
O próprio Youssef e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, são citados em investigações sobre malfeitos com dinheiro da Petros, fundo dos empregados da Petrobras, e Postalis, não por acaso o fundo dos Correios. Há várias operações de que resultam prejuízos para os fundos e, claro, lucros para os operadores.
Pouco ou nada se sabe de reclamações contra esses virtuais assaltos aos fundos. Talvez o silêncio se explique por alguma estranha solidariedade ideológica. Na Petrobras, há quem não critique a gestão no mínimo temerária de José Sérgio Gabrielli, em cuja administração Paulo Roberto fez a festa, por considerá-lo um “nacionalista”. Mais uma vez, fins justificam meios.
Prestes a completar 12 anos de Planalto, o PT, ou facções dele, vê-se envolvido em alguns casos emblemáticos de uma característica relevante desse longo período no poder, a montagem de aparelhos do partido na máquina pública.
A invejável disciplina e empenho petistas na defesa da visão de mundo do partido se reflete no exercício do perigoso princípio de que “os fins justificam os meios”. Com este pano de fundo é que foi engendrado o mensalão, abastecido com dinheiro público desviado sem pudores para comprar apoio político-parlamentar ao primeiro governo Lula.
Os últimos meses têm sido férteis em casos nada abonadores derivados da atuação de aparelhos petistas. O que operou desde o primeiro governo Lula na Petrobras, num conluio entre sindicalistas, políticos e empreiteiros, apenas começa a ser conhecido com vazamentos de partes de longos depoimentos prestados sob acordo de delação premiada pelo ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa.
O doleiro desse e outros esquemas, Alberto Youssef, fez o mesmo acordo com a Justiça e deve contribuir com informações também esclarecedoras deste que talvez seja o maior escândalo, em cifras, dos últimos tempos.
Soube-se há pouco da atuação enviesada dos Correios, em Minas, para privilegiar as candidaturas de Dilma e de Fernando Pimentel, esta ao governo do estado, na distribuição de peças de propaganda eleitoral.
Desvendada pelo jornal “O Estado de S.Paulo”, a história também é exemplar da atuação de aparelhos petistas, cujo resultado é a “privatização” dessas estatais por interesses partidários. E como a eleição presidencial tem sido a mais dura enfrentada pelo PT desde a vitória de Lula em 2002, todo este aparato de militantes instalados dentro da máquina do Estado — funcionários concursados ou não — trabalha nestes dias com empenho extra. Há muita coisa em jogo nas urnas — além do poder em si, empregos e dinheiro.
Na mesma linha dos golpes dados na Petrobras, há o uso criminoso de fundos de pensão de funcionários de empresas públicas, em altas negociatas, diante do silêncio do braço sindical petista e, por tabela, dos funcionários.
O próprio Youssef e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, são citados em investigações sobre malfeitos com dinheiro da Petros, fundo dos empregados da Petrobras, e Postalis, não por acaso o fundo dos Correios. Há várias operações de que resultam prejuízos para os fundos e, claro, lucros para os operadores.
Pouco ou nada se sabe de reclamações contra esses virtuais assaltos aos fundos. Talvez o silêncio se explique por alguma estranha solidariedade ideológica. Na Petrobras, há quem não critique a gestão no mínimo temerária de José Sérgio Gabrielli, em cuja administração Paulo Roberto fez a festa, por considerá-lo um “nacionalista”. Mais uma vez, fins justificam meios.
quinta-feira, outubro 02, 2014
Licença para enganar - CARLOS ALBERTO SARDENBERG
O GLOBO - 02/10
Fica, pois, assentado que campanha é assim mesmo, um vale-tudo emocional, sem relação com os fatos e com a lógica
Dá para compreender: eleição tem muito de emoção, de modo que as campanhas, dominantemente de rádio e TV, precisam apelar para o sentimento dos eleitores. Mas vale enganar, especialmente, as pessoas mais desinformadas?
Pessoal que trabalha com Dilma tem dito que muitas afirmações feitas pela presidente, como a que os banqueiros querem dominar o Banco Central para tirar a comida do povo, são “coisa de campanha”. Reparem: o pessoal faz essa ressalva para os eleitores mais informados, líderes de setores, formadores de opinião ou, para usar a linguagem de Lula, a elite rica.
Supondo que vale a ressalva, fica assim, portanto: a campanha tem umas mentirinhas para pegar o voto daquela turma que, vocês sabem, não é muito esperta; mas no governo será diferente, mais razoável e menos emocional.
Se for isso, a conclusão é inevitável: campanha é uma licença para mentir; e não se trata “apenas de propaganda”, mas de propaganda enganosa.
Muita gente diz que nos Estados Unidos é pior. Não é. Sobram lá os ataques pessoais, assim entendidos como a crítica feita diretamente à pessoa do candidato, não tanto a suas posições. Por exemplo: dizer que o adversário é incompetente, falso e sem moral.
Acontece. Cada campanha assume os riscos desses ataques. Sim, riscos, porque muitas vezes produzem efeito contrário. De todo modo, os candidatos não têm como escapar de posições definidas sobre os grandes temas nacionais e internacionais. Trata-se de uma cobrança do ambiente político.
Considerem os debates pela televisão, aliás, uma invenção da democracia americana. As regras são mínimas, em geral, selecionando apenas o assunto central, por exemplo, diplomacia ou economia. Os mediadores, jornalistas, têm ampla liberdade para perguntar e reperguntar, para gastar tanto tempo quando considerem necessário para esclarecer uma posição.
Aqui, por exigência dos candidatos, nisto apoiados pela legislação eleitoral, não por acaso feita pelos próprios políticos, as regras são colocadas de modo a criar menos riscos para os participantes. Falando francamente: são regras para permitir que os candidatos se escondam nas generalidades e não sejam cobrados por isso.
Fica, pois, assentado que campanha é assim mesmo, um vale-tudo emocional, sem relação com os fatos e com a lógica, e, sobretudo, não constitui um compromisso de governo. Eis uma ideia generalizada por aqui.
Trata-se de um dano para a democracia. Primeiro, porque coisas de campanha acabam sendo coisas de governo. O candidato passa o tempo todo fugindo de temas como reforma da Previdência, da legislação trabalhista ou ineficiência do serviço público — e não terá como introduzi-los no governo, mesmo porque logo haverá outra eleição.
Segundo, essas campanhas não formam opinião geral ou consensos ou mesmo maiorias sobre políticas de governo. Surgiu assim uma geração de líderes de campanha, tão vagos e tão indefinidos como suas propagandas de rádio e TV. No governo, esses líderes tratam de empurrar com a barriga, atender clientelas organizadas e não criar caso com ninguém.
Por isso, aliás, acontecem alianças que parecem estranhas, mas que, na verdade, são muito lógicas, pois estão todos na geleia geral.
Claro, não é todo mundo igual. Há níveis e escalas. Marina, por exemplo, foi surpreendentemente clara, para os padrões vigentes, quando propôs a independência do Banco Central ou a flexibilização da legislação trabalhista. Verdade que precisou depois “amenizar” a última proposta, mas foi um avanço.
Pequeno. Por exemplo, ninguém discutiu a sério, em todo o período eleitoral, um tema crucial para a produtividade da economia brasileira: a terceirização do trabalho.
E a campanha da presidente Dilma está no lado oposto, no lado do máximo vale-tudo: banqueiro é ladrão de comida, os ricos querem expulsar os pobres dos aeroportos, a imprensa é contra o povo, as empresas querem matar os seus trabalhadores para ter mais lucro, ter uma colaboradora acionista de banco é grave falta pessoal.
Já ter aliados na cadeia ou perto disso é perseguição política do Judiciário das elites.
Classificar isso de esquerda, progressista ou popular, é até injusto com as doutrinas socialistas ou trabalhistas. Cai mesmo no lado dos bolivarianos. E se é tudo coisa de campanha, é pior ainda: um falso bolivarianismo seria o quê?
Fica, pois, assentado que campanha é assim mesmo, um vale-tudo emocional, sem relação com os fatos e com a lógica
Dá para compreender: eleição tem muito de emoção, de modo que as campanhas, dominantemente de rádio e TV, precisam apelar para o sentimento dos eleitores. Mas vale enganar, especialmente, as pessoas mais desinformadas?
Pessoal que trabalha com Dilma tem dito que muitas afirmações feitas pela presidente, como a que os banqueiros querem dominar o Banco Central para tirar a comida do povo, são “coisa de campanha”. Reparem: o pessoal faz essa ressalva para os eleitores mais informados, líderes de setores, formadores de opinião ou, para usar a linguagem de Lula, a elite rica.
Supondo que vale a ressalva, fica assim, portanto: a campanha tem umas mentirinhas para pegar o voto daquela turma que, vocês sabem, não é muito esperta; mas no governo será diferente, mais razoável e menos emocional.
Se for isso, a conclusão é inevitável: campanha é uma licença para mentir; e não se trata “apenas de propaganda”, mas de propaganda enganosa.
Muita gente diz que nos Estados Unidos é pior. Não é. Sobram lá os ataques pessoais, assim entendidos como a crítica feita diretamente à pessoa do candidato, não tanto a suas posições. Por exemplo: dizer que o adversário é incompetente, falso e sem moral.
Acontece. Cada campanha assume os riscos desses ataques. Sim, riscos, porque muitas vezes produzem efeito contrário. De todo modo, os candidatos não têm como escapar de posições definidas sobre os grandes temas nacionais e internacionais. Trata-se de uma cobrança do ambiente político.
Considerem os debates pela televisão, aliás, uma invenção da democracia americana. As regras são mínimas, em geral, selecionando apenas o assunto central, por exemplo, diplomacia ou economia. Os mediadores, jornalistas, têm ampla liberdade para perguntar e reperguntar, para gastar tanto tempo quando considerem necessário para esclarecer uma posição.
Aqui, por exigência dos candidatos, nisto apoiados pela legislação eleitoral, não por acaso feita pelos próprios políticos, as regras são colocadas de modo a criar menos riscos para os participantes. Falando francamente: são regras para permitir que os candidatos se escondam nas generalidades e não sejam cobrados por isso.
Fica, pois, assentado que campanha é assim mesmo, um vale-tudo emocional, sem relação com os fatos e com a lógica, e, sobretudo, não constitui um compromisso de governo. Eis uma ideia generalizada por aqui.
Trata-se de um dano para a democracia. Primeiro, porque coisas de campanha acabam sendo coisas de governo. O candidato passa o tempo todo fugindo de temas como reforma da Previdência, da legislação trabalhista ou ineficiência do serviço público — e não terá como introduzi-los no governo, mesmo porque logo haverá outra eleição.
Segundo, essas campanhas não formam opinião geral ou consensos ou mesmo maiorias sobre políticas de governo. Surgiu assim uma geração de líderes de campanha, tão vagos e tão indefinidos como suas propagandas de rádio e TV. No governo, esses líderes tratam de empurrar com a barriga, atender clientelas organizadas e não criar caso com ninguém.
Por isso, aliás, acontecem alianças que parecem estranhas, mas que, na verdade, são muito lógicas, pois estão todos na geleia geral.
Claro, não é todo mundo igual. Há níveis e escalas. Marina, por exemplo, foi surpreendentemente clara, para os padrões vigentes, quando propôs a independência do Banco Central ou a flexibilização da legislação trabalhista. Verdade que precisou depois “amenizar” a última proposta, mas foi um avanço.
Pequeno. Por exemplo, ninguém discutiu a sério, em todo o período eleitoral, um tema crucial para a produtividade da economia brasileira: a terceirização do trabalho.
E a campanha da presidente Dilma está no lado oposto, no lado do máximo vale-tudo: banqueiro é ladrão de comida, os ricos querem expulsar os pobres dos aeroportos, a imprensa é contra o povo, as empresas querem matar os seus trabalhadores para ter mais lucro, ter uma colaboradora acionista de banco é grave falta pessoal.
Já ter aliados na cadeia ou perto disso é perseguição política do Judiciário das elites.
Classificar isso de esquerda, progressista ou popular, é até injusto com as doutrinas socialistas ou trabalhistas. Cai mesmo no lado dos bolivarianos. E se é tudo coisa de campanha, é pior ainda: um falso bolivarianismo seria o quê?
A vida como ela é (ou não) - CONTARDO CALLIGARIS
FOLHA DE SP - 02/10
Melhor desconfiar da banalidade; talvez ela seja o disfarce que permite ao horror passear entre nós
Durante o fim de semana, assisti a "O Protetor", de Antoine Fuqua, com Denzel Washington.
Imaginava que não fosse nenhuma obra-prima, e de fato não é. Mas, para um público numeroso (do qual faço parte), o que se sabe da história pelo trailer torna o filme irresistível.
Robert McCall vive a rotina um pouco aflitiva de um solitário que trabalha como vendedor num supermercado de materiais de construção e passa as noites lendo clássicos num café 24 horas, ao lado da sua casa. Fora essa pequena excentricidade, ele é o retrato da mesmice: sua vida parece se justificar na simples repetição ordeira.
De repente, McCall encontra uma mocinha muito injustiçada e não consegue (mais) ficar de espectador. Claro, aprendemos nessa ocasião que McCall tem um passado "animado" (e certamente sofrido); é desse passado que ele está se escondendo na rotina de seus dias.
Quando McCall sai de sua tranquila aposentadoria entendemos um sentido e um charme diferentes da famosa frase "você não sabe com quem está falando": a ameaça não se refere apenas (estupidamente) a algum privilégio social, mas é um jeito de dizer que podemos ser bem diferentes do que aparentamos ser.
Lembre-se do Hulk: "Você não quer me ver irritado"¦". E lembre-se de Glenn Ford em "The Fastest Gun Alive", o clássico de Russell Rouse de 1956 (trad. "Gatilho Relâmpago"--mamma mia!), em que um grande pistoleiro se torna comerciante de secos e molhados até que"¦etc.
Nosso pensamento moral é livre como nunca foi: cada um pode decidir o que é, para ele, certo ou errado, sem obedecer necessariamente ao que mandam o figurino, a lei e os costumes da cidade e dos tempos. A liberdade moral moderna entra facilmente em conflito com a administração pública da justiça, que pode ser corrupta, preguiçosa e mesmo injusta.
Esse conflito, que todos vivemos um dia, resolve-se na figura do justiceiro, que age segundo suas convicções morais, sem esperar que a lei instituída saia de sua letargia.
Nota: não pense que o justiceiro seja uma invenção de Hollywood. Ele existe desde os começos da liberdade moral na nossa cultura: Robin Hood é uma lenda do século 13.
Enfim, as vítimas, em geral, estão ou deveriam estar sempre a favor do justiceiro e contra o legalismo um pouco covarde de quem nunca coloca as mãos na massa. Se você estiver em apuros na Síria ou no Iraque de hoje, você vai contar com os bombardeios dos aliados ocidentais e rezar para que nunca o Brasil consiga um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Mas o que mais me seduz em "O Protetor" e narrativas análogas não é tanto o charme do justiceiro quanto o sonho de uma virada, de uma decisão ou de um gesto que, de repente, tornem o cotidiano extraordinário e atribuam à nossa vida comum a intensidade de uma ficção.
No filme, um detalhe narrativo salienta essa possibilidade de transformar o cotidiano numa épica: claro, se o inimigo vem com uma arma, McCall pode virá-la contra ele, mas, em geral, ele só combate com objetos de todos os dias, do saca-rolha à broca elétrica.
O segredo de uma vida que valha a pena consiste em viver nosso cotidiano como uma aventura. Para isso, não é preciso matar mafiosos e salvar donzelas (até porque, às vezes, não há donzelas, embora os mafiosos estejam em toda parte).
Em suma, o cotidiano não exige nosso heroísmo (ou super-heroísmo) para mostrar uma face menos trivial e mais intensa. Só que, cuidado: nem sempre essa outra face é divertida. No fim de semana, também assisti a "Miss Violence", de Alexandros Avranas, que é uma obra-prima, imperdível (atenção: não é para crianças, e não é o caso de levar sua filha de 14 anos sob pretexto de que ela é madura).
"Miss Violence" nos leva para o cotidiano de uma família aparentemente muito "normal", mas na qual, desde o começo, um acidente nos sugere que nem tudo o que brilha é ouro. Nenhum spoiler: é preciso que a descoberta do sinistro e do horror seja lenta, gradual.
Só algumas conclusões:
1) O cotidiano aparentemente insosso (o nosso ou o do nosso vizinho) pode se transformar em conto de fadas, mas pode também revelar um romance de horror, escondido ou envergonhado.
2) Melhor desconfiar da banalidade e não perdoá-la por ela ser comum; pois a banalidade é um disfarce que permite ao horror passear entre nós (para entender como, basta escutar ou ler as palavras de Levy Fidelix no último debate da Record).
Melhor desconfiar da banalidade; talvez ela seja o disfarce que permite ao horror passear entre nós
Durante o fim de semana, assisti a "O Protetor", de Antoine Fuqua, com Denzel Washington.
Imaginava que não fosse nenhuma obra-prima, e de fato não é. Mas, para um público numeroso (do qual faço parte), o que se sabe da história pelo trailer torna o filme irresistível.
Robert McCall vive a rotina um pouco aflitiva de um solitário que trabalha como vendedor num supermercado de materiais de construção e passa as noites lendo clássicos num café 24 horas, ao lado da sua casa. Fora essa pequena excentricidade, ele é o retrato da mesmice: sua vida parece se justificar na simples repetição ordeira.
De repente, McCall encontra uma mocinha muito injustiçada e não consegue (mais) ficar de espectador. Claro, aprendemos nessa ocasião que McCall tem um passado "animado" (e certamente sofrido); é desse passado que ele está se escondendo na rotina de seus dias.
Quando McCall sai de sua tranquila aposentadoria entendemos um sentido e um charme diferentes da famosa frase "você não sabe com quem está falando": a ameaça não se refere apenas (estupidamente) a algum privilégio social, mas é um jeito de dizer que podemos ser bem diferentes do que aparentamos ser.
Lembre-se do Hulk: "Você não quer me ver irritado"¦". E lembre-se de Glenn Ford em "The Fastest Gun Alive", o clássico de Russell Rouse de 1956 (trad. "Gatilho Relâmpago"--mamma mia!), em que um grande pistoleiro se torna comerciante de secos e molhados até que"¦etc.
Nosso pensamento moral é livre como nunca foi: cada um pode decidir o que é, para ele, certo ou errado, sem obedecer necessariamente ao que mandam o figurino, a lei e os costumes da cidade e dos tempos. A liberdade moral moderna entra facilmente em conflito com a administração pública da justiça, que pode ser corrupta, preguiçosa e mesmo injusta.
Esse conflito, que todos vivemos um dia, resolve-se na figura do justiceiro, que age segundo suas convicções morais, sem esperar que a lei instituída saia de sua letargia.
Nota: não pense que o justiceiro seja uma invenção de Hollywood. Ele existe desde os começos da liberdade moral na nossa cultura: Robin Hood é uma lenda do século 13.
Enfim, as vítimas, em geral, estão ou deveriam estar sempre a favor do justiceiro e contra o legalismo um pouco covarde de quem nunca coloca as mãos na massa. Se você estiver em apuros na Síria ou no Iraque de hoje, você vai contar com os bombardeios dos aliados ocidentais e rezar para que nunca o Brasil consiga um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Mas o que mais me seduz em "O Protetor" e narrativas análogas não é tanto o charme do justiceiro quanto o sonho de uma virada, de uma decisão ou de um gesto que, de repente, tornem o cotidiano extraordinário e atribuam à nossa vida comum a intensidade de uma ficção.
No filme, um detalhe narrativo salienta essa possibilidade de transformar o cotidiano numa épica: claro, se o inimigo vem com uma arma, McCall pode virá-la contra ele, mas, em geral, ele só combate com objetos de todos os dias, do saca-rolha à broca elétrica.
O segredo de uma vida que valha a pena consiste em viver nosso cotidiano como uma aventura. Para isso, não é preciso matar mafiosos e salvar donzelas (até porque, às vezes, não há donzelas, embora os mafiosos estejam em toda parte).
Em suma, o cotidiano não exige nosso heroísmo (ou super-heroísmo) para mostrar uma face menos trivial e mais intensa. Só que, cuidado: nem sempre essa outra face é divertida. No fim de semana, também assisti a "Miss Violence", de Alexandros Avranas, que é uma obra-prima, imperdível (atenção: não é para crianças, e não é o caso de levar sua filha de 14 anos sob pretexto de que ela é madura).
"Miss Violence" nos leva para o cotidiano de uma família aparentemente muito "normal", mas na qual, desde o começo, um acidente nos sugere que nem tudo o que brilha é ouro. Nenhum spoiler: é preciso que a descoberta do sinistro e do horror seja lenta, gradual.
Só algumas conclusões:
1) O cotidiano aparentemente insosso (o nosso ou o do nosso vizinho) pode se transformar em conto de fadas, mas pode também revelar um romance de horror, escondido ou envergonhado.
2) Melhor desconfiar da banalidade e não perdoá-la por ela ser comum; pois a banalidade é um disfarce que permite ao horror passear entre nós (para entender como, basta escutar ou ler as palavras de Levy Fidelix no último debate da Record).
Momento de indecisão - DORA KRAMER
ESTADÃO - 02/10
Não chega a ser a “onda da razão” esperada pelo senador Aécio Neves, mas uma marola razoável o suficiente para levar o candidato do PSDB de volta à perspectiva de disputa por uma vaga no segundo turno, considerando-se a hipótese mais provável de que a eleição não se decida neste domingo.
Como a presidente Dilma Rousseff continua inabalável em seu patamar de 40% de intenções de votos, quem andou foi o eleitor de oposição que havia caminhado rumo à candidatura de Marina Silva e há duas semanas vem dando de maneira vagarosa passos na direção oposta.
A tendência é nítida, a única dúvida é se haverá tempo para a ultrapassagem. Situação considerada praticamente impossível pelos analistas de pesquisas em meados do mês de setembro, quando o crescimento inicial de Marina se estabilizou, mas ela parecia resistir bem à despudoradamente desleal pancadaria petista.
Não resistiu. Tampouco caiu apenas por força da credulidade popular nas falsificações do marketing da campanha de Dilma ou pelo repentino convencimento do eleitorado nos méritos do candidato Aécio. Submetida ao confronto duro do embate eleitoral na condição de favorita, Marina foi retirada à força do altar em que reinava como figura sagrada.
Não soube – não quis ou não contou com ajuda para tal – como Lula alimentar a construção do mito e submergiu ao encontro com a realidade. Isso ao menos em relação à imagem que o público fazia dela. Uma expectativa alta, artificial até por inatingível, mas era nesse campo da utopia que transitava Marina. Sentimento alimentado pela definição do projeto “sonhático” na eleição de 2010, termo deixado de lado quando assumiu a candidatura.
Tomemos o exemplo da questão da CPMF. Discussão desnecessária, assunto vencido, mas para o eleitor de Marina ela ser flagrada numa afirmação falsa sobre uma votação do passado é falta grave. O eleitor do PT está pouco se lixando para as mentiras do partido. Acostumou-se. O de Marina esperava mais e não deve ter gostado de vê-la cair em tantas contradições quando puxada para o terreno lamacento da vala dos comuns.
Foi levada a ser igualada. Com a desvantagem de ser mais frágil na reação e na resistência ao empuxo.
Elementar. O mínimo que o doleiro Alberto Youssef tem para contar em seu acordo de delação premiada é o número das contas e o nome dos respectivos beneficiados onde eram feitos, aqui e lá fora, os depósitos das propinas dos contratos da Petrobras.
Como informou sua ex-contadora Meire Poza quando esteve na CPI, ele era o “banco” do esquema.
Quanto a Paulo Roberto Costa, preso desde junho, a autorização para que responda os processos em prisão domiciliar evidencia que, ao juízo do Ministério Público e da Justiça, os cem depoimentos prestados no acordo firmado por ele contêm provas consistentes para desvendar as autorias e a materialidade (provas) dos crimes cometidos na estatal.
Com a homologação do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, já não é possível o governo dizer que as traficâncias são apenas produtos de material de imprensa desprovido de fé jurídica.
Revanche. Por enquanto não se pode dizer que a atitude do presidente da OAB-DF de negar a renovação da licença de Joaquim Barbosa para advogar seja corporativista porque, a despeito da alegação de que o ex-ministro tratou mal advogados, parece um ato de tolice à deriva.
Caso o conselho da Ordem corrobore o veto ao trabalho nem assim caberá a razão corporativa. Terá sido um gesto obscurantista.
Não chega a ser a “onda da razão” esperada pelo senador Aécio Neves, mas uma marola razoável o suficiente para levar o candidato do PSDB de volta à perspectiva de disputa por uma vaga no segundo turno, considerando-se a hipótese mais provável de que a eleição não se decida neste domingo.
Como a presidente Dilma Rousseff continua inabalável em seu patamar de 40% de intenções de votos, quem andou foi o eleitor de oposição que havia caminhado rumo à candidatura de Marina Silva e há duas semanas vem dando de maneira vagarosa passos na direção oposta.
A tendência é nítida, a única dúvida é se haverá tempo para a ultrapassagem. Situação considerada praticamente impossível pelos analistas de pesquisas em meados do mês de setembro, quando o crescimento inicial de Marina se estabilizou, mas ela parecia resistir bem à despudoradamente desleal pancadaria petista.
Não resistiu. Tampouco caiu apenas por força da credulidade popular nas falsificações do marketing da campanha de Dilma ou pelo repentino convencimento do eleitorado nos méritos do candidato Aécio. Submetida ao confronto duro do embate eleitoral na condição de favorita, Marina foi retirada à força do altar em que reinava como figura sagrada.
Não soube – não quis ou não contou com ajuda para tal – como Lula alimentar a construção do mito e submergiu ao encontro com a realidade. Isso ao menos em relação à imagem que o público fazia dela. Uma expectativa alta, artificial até por inatingível, mas era nesse campo da utopia que transitava Marina. Sentimento alimentado pela definição do projeto “sonhático” na eleição de 2010, termo deixado de lado quando assumiu a candidatura.
Tomemos o exemplo da questão da CPMF. Discussão desnecessária, assunto vencido, mas para o eleitor de Marina ela ser flagrada numa afirmação falsa sobre uma votação do passado é falta grave. O eleitor do PT está pouco se lixando para as mentiras do partido. Acostumou-se. O de Marina esperava mais e não deve ter gostado de vê-la cair em tantas contradições quando puxada para o terreno lamacento da vala dos comuns.
Foi levada a ser igualada. Com a desvantagem de ser mais frágil na reação e na resistência ao empuxo.
Elementar. O mínimo que o doleiro Alberto Youssef tem para contar em seu acordo de delação premiada é o número das contas e o nome dos respectivos beneficiados onde eram feitos, aqui e lá fora, os depósitos das propinas dos contratos da Petrobras.
Como informou sua ex-contadora Meire Poza quando esteve na CPI, ele era o “banco” do esquema.
Quanto a Paulo Roberto Costa, preso desde junho, a autorização para que responda os processos em prisão domiciliar evidencia que, ao juízo do Ministério Público e da Justiça, os cem depoimentos prestados no acordo firmado por ele contêm provas consistentes para desvendar as autorias e a materialidade (provas) dos crimes cometidos na estatal.
Com a homologação do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, já não é possível o governo dizer que as traficâncias são apenas produtos de material de imprensa desprovido de fé jurídica.
Revanche. Por enquanto não se pode dizer que a atitude do presidente da OAB-DF de negar a renovação da licença de Joaquim Barbosa para advogar seja corporativista porque, a despeito da alegação de que o ex-ministro tratou mal advogados, parece um ato de tolice à deriva.
Caso o conselho da Ordem corrobore o veto ao trabalho nem assim caberá a razão corporativa. Terá sido um gesto obscurantista.
Os erros de Marina - BERNARDO MELLO FRANCO
FOLHA DE SP - 02/10
SÃO PAULO - Mesmo que estanque a sangria nas pesquisas e garanta a ida ao segundo turno, Marina Silva deve sair das urnas no domingo menor do que há um mês, quando posava como favorita a vencer a eleição. Alguns aliados já reconhecem que o derretimento foi impulsionado por erros no discurso, no marketing e na formação de palanques.
No afã de se diferenciar dos rivais, a ex-senadora esnobou uma regra básica da política: apoio se recebe. Há limites para as alianças, mas não é razoável que alguém se ache tão virtuoso a ponto de pairar acima dos partidos ou tão forte que se dê ao luxo de recusar adesões gratuitas.
Marina fez isso nos três maiores colégios eleitorais: São Paulo, Minas e Rio. Para ficar no primeiro exemplo, desprezou a estrutura e a infantaria de Geraldo Alckmin (PSDB), prestes a ser reeleito no primeiro turno. Recuou semana passada, ao permitir que seu nome apareça nos santinhos do tucano, mas pode ter sido tarde demais: faltam três dias para a votação e 53% de seus eleitores não sabem que número digitar na urna.
Agora, no horário eleitoral dos deputados paulistas, barganha aparições-relâmpago com nanicos como PHS, PRP e PPL, o último reduto dos seguidores de Orestes Quércia.
A presidenciável também errou ao divulgar um programa de governo sem revisão, o que passou imagem de improviso e forçou uma série de recuos em temas sensíveis como os direitos dos homossexuais.
Depois se enrolou ao dizer que votou a favor da criação da CPMF e insistir no mantra da nova política em uma sigla que abriga Jorge Bornhausen e Heráclito Fortes. As contradições viraram arma da máquina de propaganda do PT, de quem não se deve esperar boa-fé com adversários.
Marina tem muitas qualidades e merece respeito por sua história e pelas bandeiras que defende. Mas precisa fazer uma autocrítica e se curvar um pouco à "realpolitik" caso queira vestir a faixa presidencial --seja agora ou em uma terceira tentativa.
SÃO PAULO - Mesmo que estanque a sangria nas pesquisas e garanta a ida ao segundo turno, Marina Silva deve sair das urnas no domingo menor do que há um mês, quando posava como favorita a vencer a eleição. Alguns aliados já reconhecem que o derretimento foi impulsionado por erros no discurso, no marketing e na formação de palanques.
No afã de se diferenciar dos rivais, a ex-senadora esnobou uma regra básica da política: apoio se recebe. Há limites para as alianças, mas não é razoável que alguém se ache tão virtuoso a ponto de pairar acima dos partidos ou tão forte que se dê ao luxo de recusar adesões gratuitas.
Marina fez isso nos três maiores colégios eleitorais: São Paulo, Minas e Rio. Para ficar no primeiro exemplo, desprezou a estrutura e a infantaria de Geraldo Alckmin (PSDB), prestes a ser reeleito no primeiro turno. Recuou semana passada, ao permitir que seu nome apareça nos santinhos do tucano, mas pode ter sido tarde demais: faltam três dias para a votação e 53% de seus eleitores não sabem que número digitar na urna.
Agora, no horário eleitoral dos deputados paulistas, barganha aparições-relâmpago com nanicos como PHS, PRP e PPL, o último reduto dos seguidores de Orestes Quércia.
A presidenciável também errou ao divulgar um programa de governo sem revisão, o que passou imagem de improviso e forçou uma série de recuos em temas sensíveis como os direitos dos homossexuais.
Depois se enrolou ao dizer que votou a favor da criação da CPMF e insistir no mantra da nova política em uma sigla que abriga Jorge Bornhausen e Heráclito Fortes. As contradições viraram arma da máquina de propaganda do PT, de quem não se deve esperar boa-fé com adversários.
Marina tem muitas qualidades e merece respeito por sua história e pelas bandeiras que defende. Mas precisa fazer uma autocrítica e se curvar um pouco à "realpolitik" caso queira vestir a faixa presidencial --seja agora ou em uma terceira tentativa.
Unidade (re)forçada - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 02/10
Igual a esta eleição, só a de 1989, a primeira direta para a Presidência da República depois da redemocratização. Naquela ocasião, Brizola e Lula disputaram palmo a palmo quem iria para o segundo turno contra Collor de Mello, que venceu o primeiro com 28,52% dos votos.
Lula se classificou por menos de um ponto percentual (exato 0,63), teve 16,08% dos votos, e Brizola, que teve 15,45%, morreu certo de que havia sido roubado. O segundo turno foi dos mais disputados, e Collor venceu Lula por menos de seis pontos percentuais: 49,94% contra 44,23%. Ou, em votos válidos, 53,03% contra 46,97%.
Hoje, mesmo que a presidente Dilma apareça em pesquisas do Datafolha abrindo quase dez pontos sobre Marina ou Aécio, os analistas de pesquisas eleitorais acreditam que dificilmente a diferença para o vencedor será tamanha.
Por paradoxal que pareça, a disputa acirrada entre Marina e Aécio para ver quem chega ao segundo turno pode (re)forçar uma união que estava prevista lá atrás, quando o ex-governador Eduardo Campos ainda era o candidato do PSB.
Qualquer um dos dois que chegue ao segundo turno contra Dilma chegará praticamente empatado com o terceiro colocado, o que quer dizer que precisará do apoio do outro para se tornar competitivo. Segundo o Datafolha, a presidente Dilma está fechando o primeiro turno com a perspectiva de ter menos votos para o segundo do que teve em 2010 contra José Serra: naquela ocasião, teve 56,05% contra 43,95%. Hoje, contra Martina, tem 54% contra 46% e, contra Aécio, 55% contra 45%.
Isso demonstra que seus votos estão consolidados, mas também que não conseguiu ampliar seu eleitorado depois de quatro anos de governo. Ao mesmo tempo, a oposição, que historicamente sempre teve uma média de 40% dos votos, ampliou um pouco seu eleitorado desde 2010. O que está em jogo para a oposição é reduzir a diferença no início do segundo turno em cerca de seis pontos percentuais, enquanto a presidente Dilma tentará ampliar o seu eleitorado para a média histórica petista de 60% de votos válidos no segundo turno.
Até o momento, no entanto, a intenção de votos da presidente tem batido num teto de 40%, enquanto o eleitorado oposicionista já chegou a colocar Marina Silva à frente com dez pontos de vantagem, o que significa que ela tem potencial para recuperar esses votos que já foram seus.
Ou, como preferem os tucanos, que o candidato Aécio Neves já mostrou que ele é quem é capaz de enfrentar o aparelho petista, pois tem experiência e uma máquina partidária mais bem distribuída pelo país, com força em estados importantes como São Paulo e Minas Gerais. O problema de Aécio Neves é que ele foi surpreendido por uma reação do eleitorado mineiro que não estava nos seus planos.
A derrota do tucano Pimenta da Veiga, se não for revertida, será um baque político importante, a ponto de prejudicá-lo na corrida presidencial mesmo que vá para o segundo turno. Segundo as pesquisas, em Minas, ele disputa o primeiro lugar com Dilma, que também é mineira. Em São Paulo, ao contrário do que eu escrevi ontem, segundo o Ibope, ele está em terceiro lugar, embora crescendo de 19% para 22%.
Marina Silva, que já liderou a disputa em São Paulo, hoje está empatada com Dilma em 29%, mas em queda, enquanto a presidente está subindo. O PSDB, que já estava fora do jogo, está se recuperando de maneira imprevisível e já garantiu seu papel de força oposicionista de peso na definição do segundo turno.
Mesmo que Marina resista ao assédio de Aécio, precisará do apoio do PSDB para ter competitividade e, sobretudo, para demonstrar que tem capacidade de montar um acordo partidário pela governabilidade. Caso Aécio Neves a ultrapasse, será difícil para Marina, depois de ter sido massacrada pelo PT, ficar em cima do muro como fez em 2010.
Igual a esta eleição, só a de 1989, a primeira direta para a Presidência da República depois da redemocratização. Naquela ocasião, Brizola e Lula disputaram palmo a palmo quem iria para o segundo turno contra Collor de Mello, que venceu o primeiro com 28,52% dos votos.
Lula se classificou por menos de um ponto percentual (exato 0,63), teve 16,08% dos votos, e Brizola, que teve 15,45%, morreu certo de que havia sido roubado. O segundo turno foi dos mais disputados, e Collor venceu Lula por menos de seis pontos percentuais: 49,94% contra 44,23%. Ou, em votos válidos, 53,03% contra 46,97%.
Hoje, mesmo que a presidente Dilma apareça em pesquisas do Datafolha abrindo quase dez pontos sobre Marina ou Aécio, os analistas de pesquisas eleitorais acreditam que dificilmente a diferença para o vencedor será tamanha.
Por paradoxal que pareça, a disputa acirrada entre Marina e Aécio para ver quem chega ao segundo turno pode (re)forçar uma união que estava prevista lá atrás, quando o ex-governador Eduardo Campos ainda era o candidato do PSB.
Qualquer um dos dois que chegue ao segundo turno contra Dilma chegará praticamente empatado com o terceiro colocado, o que quer dizer que precisará do apoio do outro para se tornar competitivo. Segundo o Datafolha, a presidente Dilma está fechando o primeiro turno com a perspectiva de ter menos votos para o segundo do que teve em 2010 contra José Serra: naquela ocasião, teve 56,05% contra 43,95%. Hoje, contra Martina, tem 54% contra 46% e, contra Aécio, 55% contra 45%.
Isso demonstra que seus votos estão consolidados, mas também que não conseguiu ampliar seu eleitorado depois de quatro anos de governo. Ao mesmo tempo, a oposição, que historicamente sempre teve uma média de 40% dos votos, ampliou um pouco seu eleitorado desde 2010. O que está em jogo para a oposição é reduzir a diferença no início do segundo turno em cerca de seis pontos percentuais, enquanto a presidente Dilma tentará ampliar o seu eleitorado para a média histórica petista de 60% de votos válidos no segundo turno.
Até o momento, no entanto, a intenção de votos da presidente tem batido num teto de 40%, enquanto o eleitorado oposicionista já chegou a colocar Marina Silva à frente com dez pontos de vantagem, o que significa que ela tem potencial para recuperar esses votos que já foram seus.
Ou, como preferem os tucanos, que o candidato Aécio Neves já mostrou que ele é quem é capaz de enfrentar o aparelho petista, pois tem experiência e uma máquina partidária mais bem distribuída pelo país, com força em estados importantes como São Paulo e Minas Gerais. O problema de Aécio Neves é que ele foi surpreendido por uma reação do eleitorado mineiro que não estava nos seus planos.
A derrota do tucano Pimenta da Veiga, se não for revertida, será um baque político importante, a ponto de prejudicá-lo na corrida presidencial mesmo que vá para o segundo turno. Segundo as pesquisas, em Minas, ele disputa o primeiro lugar com Dilma, que também é mineira. Em São Paulo, ao contrário do que eu escrevi ontem, segundo o Ibope, ele está em terceiro lugar, embora crescendo de 19% para 22%.
Marina Silva, que já liderou a disputa em São Paulo, hoje está empatada com Dilma em 29%, mas em queda, enquanto a presidente está subindo. O PSDB, que já estava fora do jogo, está se recuperando de maneira imprevisível e já garantiu seu papel de força oposicionista de peso na definição do segundo turno.
Mesmo que Marina resista ao assédio de Aécio, precisará do apoio do PSDB para ter competitividade e, sobretudo, para demonstrar que tem capacidade de montar um acordo partidário pela governabilidade. Caso Aécio Neves a ultrapasse, será difícil para Marina, depois de ter sido massacrada pelo PT, ficar em cima do muro como fez em 2010.
Eleições e reforma tributária - EVERARDO MACIEL
O ESTADO DE S.PAULO - 02/10
A campanha eleitoral continua lamentável. O que prevalece é propaganda, cujo produto final poderia ser, indistintamente, política, iogurte ou sabonete. As mensagens dos candidatos às eleições proporcionais correspondem, tanto quanto em anos anteriores, a uma impressionante coleção de sandices, exibições grotescas e arroubos mitômanos. Se a razão fosse eleitora, votaria em branco.
As eleições majoritárias, salvo em raros momentos, são um festival de fantasias delirantes e difamações. A campanha abomina a discussão de temas complexos, mesmo que sejam cruciais para o futuro do País, preferindo questões de apelo midiático ou demagógico. Nada disso, contudo, é surpreendente, considerado nosso grau de maturidade política.
Reforma tributária é um desses temas complexos. Todos proclamam sua necessidade imediata, mas de forma tão abstrata que o conteúdo se ajusta a qualquer proposta.
Reformar significa mover-se de uma situação vigente até um modelo idealizado, o que desde logo torna evidente que se trata de um bom instrumento para responder à vontade de mudanças dos eleitores. No caso específico da reforma tributária, não se pode perder de vista, entretanto, que há uma enorme diversidade de paradigmas.
Como bandeira política, a reforma tributária ganhou destaque em dois momentos da história recente do País.
No governo João Goulart (setembro de 1961 a março de 1964), após o insucesso do Plano Trienal de Desenvolvimento (1963-1965), optou-se pelo discurso das "reformas de base". Esse mal alinhavado conjunto de ideias incluía a reforma tributária. Em setembro de 1963 foi constituída, no Ministério da Fazenda, uma comissão para cuidar da reforma administrativa da pasta, que findou sendo o surpreendente embrião do audacioso projeto de reforma da tributação do consumo de 1965.
Outro momento foi a Constituinte de 1988. Então, a reforma tributária foi essencialmente um movimento em direção a uma maior descentralização fiscal. A União absteve-se de participar ativamente dos debates, com graves repercussões sobre as finanças do País.
Reforma tributária é tema permanente em todos os países. A despeito das questões envolvidas, é matéria com elevada sensibilidade política. Por conseguinte, sua condução requer estratégia e habilidade negocial.
Sistemas tributários não são softwares de prateleira nem meras construções de especialistas. Decorrem de tensões políticas, e justamente por isso são intrinsecamente imperfeitos.
O imposto sobre valor agregado (IVA), sufragado por mais de 150 países, não vigora nos EUA, porque sua adoção implicaria graves perturbações nas relações federativas.
No Brasil, a desproporcional expansão das contribuições sociais resultou de sucessivos aumentos na partilha do IR e do IPI com Estados e municípios. Essas contribuições, hoje, pouco se assemelham às de outros países, guardando maior proximidade com o conceito de impostos.
Os modelos tributários são dinâmicos, porque sujeitos à obsolescência, em virtude de novas circunstâncias econômicas ou sociais. Daí o entendimento de que reforma tributária é um processo, e não um evento.
Desde a reforma de 1965, todas as emendas constitucionais que cuidaram da matéria tributária concorreram para a perda de qualidade do sistema. Representam, pois, uma perigosa via para implementar mudanças tributárias. Sempre que possível se deve optar por soluções infraconstitucionais.
Não convém acumular propostas, tendo como pretexto uma reforma abrangente. Essa é a forma segura de maximizar as tensões políticas que levam a impasses. O antônimo de abrangente não é pífio. Poderia ser cirúrgico.
Deve-se ter muito cuidado com a tentação de transportar acriticamente modelos de um país para outro, sem ter em conta que eles têm história e, em consequência, reproduzem situações específicas. A experiência internacional pode, no máximo, servir de inspiração para construir soluções locais.
Num próximo artigo, cuidarei de proposições concretas.
A campanha eleitoral continua lamentável. O que prevalece é propaganda, cujo produto final poderia ser, indistintamente, política, iogurte ou sabonete. As mensagens dos candidatos às eleições proporcionais correspondem, tanto quanto em anos anteriores, a uma impressionante coleção de sandices, exibições grotescas e arroubos mitômanos. Se a razão fosse eleitora, votaria em branco.
As eleições majoritárias, salvo em raros momentos, são um festival de fantasias delirantes e difamações. A campanha abomina a discussão de temas complexos, mesmo que sejam cruciais para o futuro do País, preferindo questões de apelo midiático ou demagógico. Nada disso, contudo, é surpreendente, considerado nosso grau de maturidade política.
Reforma tributária é um desses temas complexos. Todos proclamam sua necessidade imediata, mas de forma tão abstrata que o conteúdo se ajusta a qualquer proposta.
Reformar significa mover-se de uma situação vigente até um modelo idealizado, o que desde logo torna evidente que se trata de um bom instrumento para responder à vontade de mudanças dos eleitores. No caso específico da reforma tributária, não se pode perder de vista, entretanto, que há uma enorme diversidade de paradigmas.
Como bandeira política, a reforma tributária ganhou destaque em dois momentos da história recente do País.
No governo João Goulart (setembro de 1961 a março de 1964), após o insucesso do Plano Trienal de Desenvolvimento (1963-1965), optou-se pelo discurso das "reformas de base". Esse mal alinhavado conjunto de ideias incluía a reforma tributária. Em setembro de 1963 foi constituída, no Ministério da Fazenda, uma comissão para cuidar da reforma administrativa da pasta, que findou sendo o surpreendente embrião do audacioso projeto de reforma da tributação do consumo de 1965.
Outro momento foi a Constituinte de 1988. Então, a reforma tributária foi essencialmente um movimento em direção a uma maior descentralização fiscal. A União absteve-se de participar ativamente dos debates, com graves repercussões sobre as finanças do País.
Reforma tributária é tema permanente em todos os países. A despeito das questões envolvidas, é matéria com elevada sensibilidade política. Por conseguinte, sua condução requer estratégia e habilidade negocial.
Sistemas tributários não são softwares de prateleira nem meras construções de especialistas. Decorrem de tensões políticas, e justamente por isso são intrinsecamente imperfeitos.
O imposto sobre valor agregado (IVA), sufragado por mais de 150 países, não vigora nos EUA, porque sua adoção implicaria graves perturbações nas relações federativas.
No Brasil, a desproporcional expansão das contribuições sociais resultou de sucessivos aumentos na partilha do IR e do IPI com Estados e municípios. Essas contribuições, hoje, pouco se assemelham às de outros países, guardando maior proximidade com o conceito de impostos.
Os modelos tributários são dinâmicos, porque sujeitos à obsolescência, em virtude de novas circunstâncias econômicas ou sociais. Daí o entendimento de que reforma tributária é um processo, e não um evento.
Desde a reforma de 1965, todas as emendas constitucionais que cuidaram da matéria tributária concorreram para a perda de qualidade do sistema. Representam, pois, uma perigosa via para implementar mudanças tributárias. Sempre que possível se deve optar por soluções infraconstitucionais.
Não convém acumular propostas, tendo como pretexto uma reforma abrangente. Essa é a forma segura de maximizar as tensões políticas que levam a impasses. O antônimo de abrangente não é pífio. Poderia ser cirúrgico.
Deve-se ter muito cuidado com a tentação de transportar acriticamente modelos de um país para outro, sem ter em conta que eles têm história e, em consequência, reproduzem situações específicas. A experiência internacional pode, no máximo, servir de inspiração para construir soluções locais.
Num próximo artigo, cuidarei de proposições concretas.
Eleição é coisa séria - NELSON PAES LEME
O GLOBO - 02/10
Ninguém, em sã consciência, nomeia um bandido para seu procurador privado. Por que o desdém com a outorga pública a mandatários representada pelo voto?
Os indivíduos de uma espécie dispõem de movimentação própria limitada e pouco perceptível, como a rotação da Terra, por exemplo. Tudo o que ocorre entre os indivíduos, até o sexo e a alimentação, é decorrência de imposição anterior das próprias espécies e da movimentação coletiva à qual pertencem. Os pensadores sociais que mais se aproximaram dessa constatação singela, no caso da espécie humana, foram Durkheim, com sua “consciência coletiva”, e Jung, com seu “inconsciente coletivo”. Há uma ordem universal preconcebida e preestabelecida com rigor imutável que torna o indivíduo de qualquer espécie dependente desta, mesmo depois de morto biologicamente. Isto porque a morte de um indivíduo não significa a morte da espécie, como comprovação incontestável dessa hipótese. Já o contrário é inexorável: a extinção de determinada espécie não consegue poupar seus indivíduos, o que é outra prova dessa interdependência entre o monos e a polis, como assinalam os filósofos pré-socráticos em seus preciosos fragmentos. Portanto, as coletividades estão hierarquicamente acima das individualidades. A polis grega é a matriz, até semântica, da ciência política, como é sabido. E nessa matriz, o voto das coletividades em torno de uma liderança candidata (vindo de candura e não de arrogância ou prepotência) é a maneira mais adequada e eficaz da representação individual e coletiva ao mesmo tempo. O mandato que se outorga a um representante, nas democracias, deve ser revestido até de maior solenidade e de maior responsabilidade do que os poderes que se outorgam a alguém, no plano individual, por uma procuração, para representação na vida privada.
Ninguém, em sã consciência, nomeia um bandido, um marginal ou mesmo uma pessoa de caráter duvidoso para ser seu procurador privado. Por que, então, esse desleixo e até esse desdém com a outorga pública a mandatários representada pelo voto? Ao contrário, o mandato público requer até muito maior cautela e consciência que o mandato privado. O mandatário público, ao inverso do privado, lidará com verbas na casa de bilhões e, às vezes, trilhões. Um mandatário privado se restringe, no máximo, a milhares ou a milhões. O mandatário público lida com a saúde, a educação, a segurança, a energia, o transporte, a água, a fiscalização dos alimentos, a infraestrutura, a moeda, o crédito, a preservação do meio ambiente e a qualidade do ar que respiramos, entre tantas outras relevâncias. Um mandatário privado nunca se ocupa de temas tão abrangentes. Muitas vezes o mandato privado se restringe a um único e específico ato.
Quando um mandatário privado lesa seu outorgante, vira procurador infiel e se submete aos rigores da lei. Mas isso é muito raro se comparado aos desmandos e à corrupção generalizada constatados nos mandatários públicos. No Brasil da impunibilidade geradora da impunidade, essa prática já virou quase regra. Dilapida-se a coisa pública, os bens e o dinheiro públicos com a mais completa desfaçatez (e até cinismo) sem qualquer punição imediata. Com as raras e honrosas exceções de praxe. De quem é a culpa primeva? Óbvio que do eleitor. Do outorgante do mandato público irresponsável e leviano. Em duas palavras: nossa culpa.
Desde o fim da ditadura militar, elegemos pelo voto universal direto e secreto (essa nossa procuração pública outorgada na solidão da cabine eleitoral e no sigilo da urna lacrada) apenas quatro mandatários para dirigir nossos destinos. O primeiro deles vinha ungido pela mística da mudança e foi deposto nas ruas por corrupção. Assumiu o vice, que evitou o retrocesso institucional. O segundo, um intelectual de peso internacional, governou por dois mandatos, reformou a economia e consolidou a democracia, mas não conseguiu fazer seu sucessor. O terceiro, um operário sindicalista, também em dois mandatos, promoveu um simulacro de crescimento e de integração social, mas sua equipe central foi parar na cadeia. A quarta, uma técnica da mesma burocracia partidária, sem qualquer experiência como mandatária, entrega um país pior do que encontrou. Estamos às vésperas de eleições gerais no Brasil. Ainda dispomos de leis muito precárias e de instituições muito tíbias e muito frágeis em nossa infante democracia. Cabe a nós, coletivamente, o aperfeiçoamento dessas leis e dessas instituições para reger o político, o social e o econômico. E não há outro caminho senão a representação, o mandato, o voto consciente e ponderado, abstraído do “marketing político”, essa aberração cosmética produzida em estúdios como qualquer personagem novelesca de ficção. Já conseguimos a Lei da Ficha Limpa e isso foi conquistado através de incisiva campanha coletiva. O voto consciente é o desdobramento natural da ficha limpa, nesse sentido. Se cada brasileiro conseguir dois votos conscientes dessas pobres vítimas do fisiologismo corporativista e do paternalismo clientelista e eleitoreiro, certamente teremos uma representação bem melhor do que esta que substituiremos nesse próximo pleito. Por isso, a política é importante e transcendental. E, nela, o voto consciente e cauteloso é, por certo, a maior arma de defesa dos verdadeiros interesses dos indivíduos e da coletividade. Um tema sério para a reflexão autocrítica de cada eleitor.
Ninguém, em sã consciência, nomeia um bandido para seu procurador privado. Por que o desdém com a outorga pública a mandatários representada pelo voto?
Os indivíduos de uma espécie dispõem de movimentação própria limitada e pouco perceptível, como a rotação da Terra, por exemplo. Tudo o que ocorre entre os indivíduos, até o sexo e a alimentação, é decorrência de imposição anterior das próprias espécies e da movimentação coletiva à qual pertencem. Os pensadores sociais que mais se aproximaram dessa constatação singela, no caso da espécie humana, foram Durkheim, com sua “consciência coletiva”, e Jung, com seu “inconsciente coletivo”. Há uma ordem universal preconcebida e preestabelecida com rigor imutável que torna o indivíduo de qualquer espécie dependente desta, mesmo depois de morto biologicamente. Isto porque a morte de um indivíduo não significa a morte da espécie, como comprovação incontestável dessa hipótese. Já o contrário é inexorável: a extinção de determinada espécie não consegue poupar seus indivíduos, o que é outra prova dessa interdependência entre o monos e a polis, como assinalam os filósofos pré-socráticos em seus preciosos fragmentos. Portanto, as coletividades estão hierarquicamente acima das individualidades. A polis grega é a matriz, até semântica, da ciência política, como é sabido. E nessa matriz, o voto das coletividades em torno de uma liderança candidata (vindo de candura e não de arrogância ou prepotência) é a maneira mais adequada e eficaz da representação individual e coletiva ao mesmo tempo. O mandato que se outorga a um representante, nas democracias, deve ser revestido até de maior solenidade e de maior responsabilidade do que os poderes que se outorgam a alguém, no plano individual, por uma procuração, para representação na vida privada.
Ninguém, em sã consciência, nomeia um bandido, um marginal ou mesmo uma pessoa de caráter duvidoso para ser seu procurador privado. Por que, então, esse desleixo e até esse desdém com a outorga pública a mandatários representada pelo voto? Ao contrário, o mandato público requer até muito maior cautela e consciência que o mandato privado. O mandatário público, ao inverso do privado, lidará com verbas na casa de bilhões e, às vezes, trilhões. Um mandatário privado se restringe, no máximo, a milhares ou a milhões. O mandatário público lida com a saúde, a educação, a segurança, a energia, o transporte, a água, a fiscalização dos alimentos, a infraestrutura, a moeda, o crédito, a preservação do meio ambiente e a qualidade do ar que respiramos, entre tantas outras relevâncias. Um mandatário privado nunca se ocupa de temas tão abrangentes. Muitas vezes o mandato privado se restringe a um único e específico ato.
Quando um mandatário privado lesa seu outorgante, vira procurador infiel e se submete aos rigores da lei. Mas isso é muito raro se comparado aos desmandos e à corrupção generalizada constatados nos mandatários públicos. No Brasil da impunibilidade geradora da impunidade, essa prática já virou quase regra. Dilapida-se a coisa pública, os bens e o dinheiro públicos com a mais completa desfaçatez (e até cinismo) sem qualquer punição imediata. Com as raras e honrosas exceções de praxe. De quem é a culpa primeva? Óbvio que do eleitor. Do outorgante do mandato público irresponsável e leviano. Em duas palavras: nossa culpa.
Desde o fim da ditadura militar, elegemos pelo voto universal direto e secreto (essa nossa procuração pública outorgada na solidão da cabine eleitoral e no sigilo da urna lacrada) apenas quatro mandatários para dirigir nossos destinos. O primeiro deles vinha ungido pela mística da mudança e foi deposto nas ruas por corrupção. Assumiu o vice, que evitou o retrocesso institucional. O segundo, um intelectual de peso internacional, governou por dois mandatos, reformou a economia e consolidou a democracia, mas não conseguiu fazer seu sucessor. O terceiro, um operário sindicalista, também em dois mandatos, promoveu um simulacro de crescimento e de integração social, mas sua equipe central foi parar na cadeia. A quarta, uma técnica da mesma burocracia partidária, sem qualquer experiência como mandatária, entrega um país pior do que encontrou. Estamos às vésperas de eleições gerais no Brasil. Ainda dispomos de leis muito precárias e de instituições muito tíbias e muito frágeis em nossa infante democracia. Cabe a nós, coletivamente, o aperfeiçoamento dessas leis e dessas instituições para reger o político, o social e o econômico. E não há outro caminho senão a representação, o mandato, o voto consciente e ponderado, abstraído do “marketing político”, essa aberração cosmética produzida em estúdios como qualquer personagem novelesca de ficção. Já conseguimos a Lei da Ficha Limpa e isso foi conquistado através de incisiva campanha coletiva. O voto consciente é o desdobramento natural da ficha limpa, nesse sentido. Se cada brasileiro conseguir dois votos conscientes dessas pobres vítimas do fisiologismo corporativista e do paternalismo clientelista e eleitoreiro, certamente teremos uma representação bem melhor do que esta que substituiremos nesse próximo pleito. Por isso, a política é importante e transcendental. E, nela, o voto consciente e cauteloso é, por certo, a maior arma de defesa dos verdadeiros interesses dos indivíduos e da coletividade. Um tema sério para a reflexão autocrítica de cada eleitor.
Mudança de rumos? - CELSO MING
O ESTADÃO - 02/10
O discurso oficial é o de que a política econômica está certa e que não haverá mudança de rumos, caso se confirme a reeleição da presidente Dilma Rousseff.
No entanto, o novo governo não encontrará uma situação de bonança como a encontrada pela presidente Dilma em 2011. Ao contrário, o quadro lhe será adverso.
A atividade econômica não terá mais o empuxo produzido por uma evolução do PIB de 7,5% no ano anterior, como aconteceu em 2010. Terá de vencer a inércia imposta pelo PIB devagar-quase-parando, ao ritmo de 0,3% a 0,5%. Nem a indústria estará avançando a 10,1% ao ano. Os investimentos não vão sendo desengavetados à velocidade de 21,8% ao ano.
O superávit primário (sobra de arrecadação para amortização da dívida) não se projetará ao nível dos 3,1% do PIB e a situação fiscal ainda enfrentará esqueletos sabe-se lá de que proporções.
Os juros básicos (Selic), hoje nos 11% ao ano, não estão muito mais altos do que em 2010, quando fecharam a 10,75%. No entanto, naquele ano, a inflação, também próxima da atual (5,91%), não ostentava atraso tão grande nos preços administrados nem um câmbio tão aflito. O Banco Central (BC) agora atua com déficit de credibilidade e não terá as mesmas condições para administrar as expectativas do mercado.
O mundo já não mais regurgitará abundância nunca vista de recursos, graças à atuação expansionista dos grandes bancos centrais, que agora começam a enxugar os mercados do excesso de moeda. A Vale do Rio Doce não contará mais com a tonelada de minério de ferro a caminho dos US$ 200 nem o agronegócio desfrutará da exuberância de preços das commodities agrícolas. A Petrobrás exibirá em 2015, como já está exibindo agora, um caixa arrasado e uma dívida que deverá exceder os R$ 250 bilhões.
Quando recebeu a faixa verde-amarela do presidente Lula, Dilma tinha à sua disposição um setor elétrico relativamente equilibrado, que, no entanto, hoje opera a custos galopantes, e, mais que tudo, incertezas na área de suprimento. O nível de confiança dos empresários e do consumidor era elevado e não esse fundo de poço em que está agora.
Ah, sim, a situação do emprego está melhor agora do que há quatro anos. Hoje, apenas 50 em cada mil pessoas estão à procura de trabalho. Em 2010, eram 67 em mil. Mas essa situação de pleno-emprego com uma economia estagnada não é propriamente um fator positivo para quem pretende um crescimento econômico de pelo menos 3% ao ano. Há hoje escassez de mão de obra especializada e estocadas nos custos trabalhistas, como até o BC, tão pouco crítico da atual política econômica, vem admitindo.
Diria o ministro Guido Mantega: apesar das dificuldades, bem menores do que as descritas acima, a situação da economia brasileira não é tão trágica como pintada pelos pessimistas de sempre; só precisa de alguns ajustes.
Se for só isso, se não houver uma virada da política econômica em direção ao fortalecimento dos fundamentos, aumentará a probabilidade de que as finanças públicas em deterioração se deteriorem mais ainda e levem ao rebaixamento da qualidade da dívida brasileira. As pressões no câmbio crescerão sabe-se lá até que ponto. A inflação tenderá a escalar e os índices de confiança afundarão. E, a partir daí, não haverá remédio senão mudar os rumos da política econômica.
CONFIRA:
O fator Argentina
Nos nove primeiros meses do ano, as exportações para a Argentina despencaram 25,7% em relação a igual período de 2013. Tendem a cair ainda mais pelo que se viu em setembro: caíram quase 40,0% em relação a agosto.
Industrializados
Também, de janeiro a setembro, as exportações de industrializados caíram 6,3%. Enquanto isso, apesar da queda de preços, as de produtos básicos aumentaram 2,3%.
O discurso oficial é o de que a política econômica está certa e que não haverá mudança de rumos, caso se confirme a reeleição da presidente Dilma Rousseff.
No entanto, o novo governo não encontrará uma situação de bonança como a encontrada pela presidente Dilma em 2011. Ao contrário, o quadro lhe será adverso.
A atividade econômica não terá mais o empuxo produzido por uma evolução do PIB de 7,5% no ano anterior, como aconteceu em 2010. Terá de vencer a inércia imposta pelo PIB devagar-quase-parando, ao ritmo de 0,3% a 0,5%. Nem a indústria estará avançando a 10,1% ao ano. Os investimentos não vão sendo desengavetados à velocidade de 21,8% ao ano.
O superávit primário (sobra de arrecadação para amortização da dívida) não se projetará ao nível dos 3,1% do PIB e a situação fiscal ainda enfrentará esqueletos sabe-se lá de que proporções.
Os juros básicos (Selic), hoje nos 11% ao ano, não estão muito mais altos do que em 2010, quando fecharam a 10,75%. No entanto, naquele ano, a inflação, também próxima da atual (5,91%), não ostentava atraso tão grande nos preços administrados nem um câmbio tão aflito. O Banco Central (BC) agora atua com déficit de credibilidade e não terá as mesmas condições para administrar as expectativas do mercado.
O mundo já não mais regurgitará abundância nunca vista de recursos, graças à atuação expansionista dos grandes bancos centrais, que agora começam a enxugar os mercados do excesso de moeda. A Vale do Rio Doce não contará mais com a tonelada de minério de ferro a caminho dos US$ 200 nem o agronegócio desfrutará da exuberância de preços das commodities agrícolas. A Petrobrás exibirá em 2015, como já está exibindo agora, um caixa arrasado e uma dívida que deverá exceder os R$ 250 bilhões.
Quando recebeu a faixa verde-amarela do presidente Lula, Dilma tinha à sua disposição um setor elétrico relativamente equilibrado, que, no entanto, hoje opera a custos galopantes, e, mais que tudo, incertezas na área de suprimento. O nível de confiança dos empresários e do consumidor era elevado e não esse fundo de poço em que está agora.
Ah, sim, a situação do emprego está melhor agora do que há quatro anos. Hoje, apenas 50 em cada mil pessoas estão à procura de trabalho. Em 2010, eram 67 em mil. Mas essa situação de pleno-emprego com uma economia estagnada não é propriamente um fator positivo para quem pretende um crescimento econômico de pelo menos 3% ao ano. Há hoje escassez de mão de obra especializada e estocadas nos custos trabalhistas, como até o BC, tão pouco crítico da atual política econômica, vem admitindo.
Diria o ministro Guido Mantega: apesar das dificuldades, bem menores do que as descritas acima, a situação da economia brasileira não é tão trágica como pintada pelos pessimistas de sempre; só precisa de alguns ajustes.
Se for só isso, se não houver uma virada da política econômica em direção ao fortalecimento dos fundamentos, aumentará a probabilidade de que as finanças públicas em deterioração se deteriorem mais ainda e levem ao rebaixamento da qualidade da dívida brasileira. As pressões no câmbio crescerão sabe-se lá até que ponto. A inflação tenderá a escalar e os índices de confiança afundarão. E, a partir daí, não haverá remédio senão mudar os rumos da política econômica.
CONFIRA:
O fator Argentina
Nos nove primeiros meses do ano, as exportações para a Argentina despencaram 25,7% em relação a igual período de 2013. Tendem a cair ainda mais pelo que se viu em setembro: caíram quase 40,0% em relação a agosto.
Industrializados
Também, de janeiro a setembro, as exportações de industrializados caíram 6,3%. Enquanto isso, apesar da queda de preços, as de produtos básicos aumentaram 2,3%.
Constrói-se uma verdadeira ‘herança maldita’ - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 02/10

Ao assumir no seu primeiro mandato, em janeiro de 2003, Lula encontrou a economia na rota da desestabilização, com o dólar nas alturas — roçou nos R$ 4 —, inflação de dois dígitos, clima tenso de insegurança. Isso, mesmo com as promessas sensatas de Lula, feitas por meio da Carta ao Povo Brasileiro, em meados do ano anterior, de que respeitaria contratos, não tentaria executar delirantes propostas que o PT passou muito tempo fazendo de palanques e tribunas.
Hábeis no marketing, criativos em frases e slogans, os petistas logo instituíram a ideia da “herança maldita”. A economia não teria fraquejado devido ao justificado medo dos mercados diante da possibilidade de um governo petista, mas por culpa dos governos do PSDB, de Fernando Henrique Cardoso. A herança, na verdade, era bendita, porque Lula receberia um país com algumas das reformas estratégicas já feitas ou encaminhadas — como privatizações, lei de responsabilidade fiscal etc.
A ironia, agora, é que o terceiro mandato petista consecutivo construiu uma herança, esta sim, de fato maldita, de responsabilidade em grande parte do governo da presidente candidata à reeleição, Dilma Rousseff. Outra curiosidade de almanaque é que a própria Dilma poderá herdar os malfeitos que cometeu na economia.
O quadro faz jus à imagem da “tempestade perfeita”, termo tomado emprestado pelo ex-ministro Delfim Netto da meteorologia, para designar a conjugação de uma série de fatores negativos na conjuntura econômica capaz de gerar crises graves. Os gráficos acima, neste sexto e último editorial da série “Problemas do Brasil”, trazem alguns ingredientes desta “tempestade”: inflação persistentemente acima da meta — característica do governo Dilma — e, no momento, além do limite superior; economia sem fôlego e gastos públicos primários — não financeiros, sem incluir os juros da dívida — em ascensão constante. Não é uma faceta apenas do PT — os tucanos praticaram o mesmo, mas, de Lula a Dilma, estas despesas, de 15,1% do PIB, galgaram 19%. Quatro pontos percentuais de PIB não são pouca coisa.
Os dados divulgados anteontem com o agravamento da situação das contas públicas em agosto são parte da “tempestade perfeita”. Além de ser o quarto mês de déficit primário consecutivo — logo, sem incluir os juros — do “setor público consolidado”, ou seja, União, estados, municípios e estatais, o resultado foi o pior para um mês de agosto desde 2001, quando a série estatística começou a ser produzida.
Nada é por acaso. Ao aprofundar o modelo intervencionista, heterodoxo, do “novo marco macroecônomico”, o governo engessou a relação juros-câmbio, foi leniente com a inflação, desestimulou os investimentos privados — por enevoar os horizontes —, não elevou os públicos, reduziu a taxa de poupança, entrou em rota perigosa de desequilíbrio das contas oficiais e ainda estimulou contadores criativos lotados na Secretaria do Tesouro para tentar embonecar as estatísticas. Grande ingenuidade.
Um dos desdobramento de tudo é que não será atingido o superávit primário prometido de 1,9% do PIB. A não ser à base de muita criatividade. E muita receita extraordinária. Mas a realização a toque de caixa do leilão da banda 4G na telefonia celular, por exemplo, rendeu menos que o esperado. Há sempre, porém, a possibilidade de alguma mágica executada pelo Tesouro. Mas sem resultado prático, pois analistas já depuram essas manobras quando calculam o superávit primário. Daí preverem algo próximo do zero este ano, antessala de aumento da dívida pública. Mesmo da líquida, conceito desacreditado pelo uso da contabilidade criativa para retirar da dívida neste conceito centenas de bilhões injetados pelo Tesouro em bancos públicos.
A candidata Dilma garante que não será necessário um ajuste fiscal em 2015. Mas a presidente em segundo mandato ou Marina ou Aécio não terá alternativa. A não ser que aceite o Brasil derrapar para uma situação de crônica de mediocridade como a da Argentina.
Ao assumir no seu primeiro mandato, em janeiro de 2003, Lula encontrou a economia na rota da desestabilização, com o dólar nas alturas — roçou nos R$ 4 —, inflação de dois dígitos, clima tenso de insegurança. Isso, mesmo com as promessas sensatas de Lula, feitas por meio da Carta ao Povo Brasileiro, em meados do ano anterior, de que respeitaria contratos, não tentaria executar delirantes propostas que o PT passou muito tempo fazendo de palanques e tribunas.
Hábeis no marketing, criativos em frases e slogans, os petistas logo instituíram a ideia da “herança maldita”. A economia não teria fraquejado devido ao justificado medo dos mercados diante da possibilidade de um governo petista, mas por culpa dos governos do PSDB, de Fernando Henrique Cardoso. A herança, na verdade, era bendita, porque Lula receberia um país com algumas das reformas estratégicas já feitas ou encaminhadas — como privatizações, lei de responsabilidade fiscal etc.
A ironia, agora, é que o terceiro mandato petista consecutivo construiu uma herança, esta sim, de fato maldita, de responsabilidade em grande parte do governo da presidente candidata à reeleição, Dilma Rousseff. Outra curiosidade de almanaque é que a própria Dilma poderá herdar os malfeitos que cometeu na economia.
O quadro faz jus à imagem da “tempestade perfeita”, termo tomado emprestado pelo ex-ministro Delfim Netto da meteorologia, para designar a conjugação de uma série de fatores negativos na conjuntura econômica capaz de gerar crises graves. Os gráficos acima, neste sexto e último editorial da série “Problemas do Brasil”, trazem alguns ingredientes desta “tempestade”: inflação persistentemente acima da meta — característica do governo Dilma — e, no momento, além do limite superior; economia sem fôlego e gastos públicos primários — não financeiros, sem incluir os juros da dívida — em ascensão constante. Não é uma faceta apenas do PT — os tucanos praticaram o mesmo, mas, de Lula a Dilma, estas despesas, de 15,1% do PIB, galgaram 19%. Quatro pontos percentuais de PIB não são pouca coisa.
Os dados divulgados anteontem com o agravamento da situação das contas públicas em agosto são parte da “tempestade perfeita”. Além de ser o quarto mês de déficit primário consecutivo — logo, sem incluir os juros — do “setor público consolidado”, ou seja, União, estados, municípios e estatais, o resultado foi o pior para um mês de agosto desde 2001, quando a série estatística começou a ser produzida.
Nada é por acaso. Ao aprofundar o modelo intervencionista, heterodoxo, do “novo marco macroecônomico”, o governo engessou a relação juros-câmbio, foi leniente com a inflação, desestimulou os investimentos privados — por enevoar os horizontes —, não elevou os públicos, reduziu a taxa de poupança, entrou em rota perigosa de desequilíbrio das contas oficiais e ainda estimulou contadores criativos lotados na Secretaria do Tesouro para tentar embonecar as estatísticas. Grande ingenuidade.
Um dos desdobramento de tudo é que não será atingido o superávit primário prometido de 1,9% do PIB. A não ser à base de muita criatividade. E muita receita extraordinária. Mas a realização a toque de caixa do leilão da banda 4G na telefonia celular, por exemplo, rendeu menos que o esperado. Há sempre, porém, a possibilidade de alguma mágica executada pelo Tesouro. Mas sem resultado prático, pois analistas já depuram essas manobras quando calculam o superávit primário. Daí preverem algo próximo do zero este ano, antessala de aumento da dívida pública. Mesmo da líquida, conceito desacreditado pelo uso da contabilidade criativa para retirar da dívida neste conceito centenas de bilhões injetados pelo Tesouro em bancos públicos.
A candidata Dilma garante que não será necessário um ajuste fiscal em 2015. Mas a presidente em segundo mandato ou Marina ou Aécio não terá alternativa. A não ser que aceite o Brasil derrapar para uma situação de crônica de mediocridade como a da Argentina.
A economia além das urnas - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE
CORREIO BRAZILIENSE - 02/10
A presidente Dilma Rousseff tem quatro meses - um deles já vencido - para cumprir ao menos uma vez promessa feita ao tomar posse, em 2011: fechar as contas públicas no azul de janeiro a dezembro, ano após ano. Mas é difícil crer que mesmo os marqueteiros da campanha da candidata se arrisquem a fazer tal aposta. Com gastos superiores à arrecadação, nem sequer as manobras contábeis adotadas a partir de meados de 2012 contêm os deficits mensais. E agosto acaba de registrar rombo recorde para o mês: R$ 14,5 bilhões.
Está aí uma das mais significativas pressões sobre o custo de vida, que nem o garrote dos juros sufocando a economia é capaz de conter. Aí está, também, o motivo das apreensões sobre o mercado de trabalho. E os alertas não partem da oposição, a poucos dias das eleições gerais no país. É o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, quem avisa: o crescimento vai ser baixo; a inflação, alta; e o desemprego, ameaçador.
Não há céu de brigadeiro possível com as receitas em queda e as despesas em alta. O governo usa a desculpa da crise internacional, alegando ter sido obrigado a conceder benefícios fiscais para compensar perdas. Na verdade, muitas vezes esses programas resultam em aumento da arrecadação. O Refis (de refinanciamento de dívidas federais), por exemplo, rendeu R$ 7 bilhões em agosto. E o Brasil vive situação peculiar no contexto internacional. Tanto que o Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou o país como detentor do terceiro maior deficit das contas externas do planeta.
Pode-se argumentar que estamos bem acompanhados. Com US$ 81 bilhões de saldo negativo na conta de transações correntes no ano passado, o Brasil só ficou atrás do Reino Unido (US$ 114 bilhões) e dos Estados Unidos (US$ 400 bilhões). A diferença é a proporção em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas pela nação.
O deficit nacional é de 3,6% do PIB. O norte-americano, de 2,4%. Já o britânico alcança 4,5%, só perdendo nessa relação para o da Turquia (7,9%). A título de comparação, e para dar melhor noção do tamanho do crescimento do rombo brasileiro, 2006 fechou com superavit de US$ 13,6 bilhões.
Em tempos de campanha à reeleição, a candidata Dilma Rousseff lança um olhar sobre os problemas econômicos como quem vê pelo lado oposto do binóculo. Seria melhor enxergar a realidade como é - quando não, por retrovisor com lente de aumento e lupa sobre o futuro. Relevar questões complexas, de difícil superação, é prorrogar a agonia.
Mais do que demagógico, é irresponsável fazer-se de cego enquanto os tripés da macroeconomia desmoronam a olhos vistos. Um deles, o cumprimento da meta fiscal de 2014, de 1,9% do PIB (cerca de R$ 99 bilhões), está em xeque. Outro, o controle da inflação em torno de 4,5% no ano, já está superado - a carestia deve ficar dois pontos percentuais acima do limite. Quanto ao câmbio, com o dólar batendo recordes, a pressão sobre o custo de vida só tende a aumentar.
A presidente Dilma Rousseff tem quatro meses - um deles já vencido - para cumprir ao menos uma vez promessa feita ao tomar posse, em 2011: fechar as contas públicas no azul de janeiro a dezembro, ano após ano. Mas é difícil crer que mesmo os marqueteiros da campanha da candidata se arrisquem a fazer tal aposta. Com gastos superiores à arrecadação, nem sequer as manobras contábeis adotadas a partir de meados de 2012 contêm os deficits mensais. E agosto acaba de registrar rombo recorde para o mês: R$ 14,5 bilhões.
Está aí uma das mais significativas pressões sobre o custo de vida, que nem o garrote dos juros sufocando a economia é capaz de conter. Aí está, também, o motivo das apreensões sobre o mercado de trabalho. E os alertas não partem da oposição, a poucos dias das eleições gerais no país. É o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, quem avisa: o crescimento vai ser baixo; a inflação, alta; e o desemprego, ameaçador.
Não há céu de brigadeiro possível com as receitas em queda e as despesas em alta. O governo usa a desculpa da crise internacional, alegando ter sido obrigado a conceder benefícios fiscais para compensar perdas. Na verdade, muitas vezes esses programas resultam em aumento da arrecadação. O Refis (de refinanciamento de dívidas federais), por exemplo, rendeu R$ 7 bilhões em agosto. E o Brasil vive situação peculiar no contexto internacional. Tanto que o Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou o país como detentor do terceiro maior deficit das contas externas do planeta.
Pode-se argumentar que estamos bem acompanhados. Com US$ 81 bilhões de saldo negativo na conta de transações correntes no ano passado, o Brasil só ficou atrás do Reino Unido (US$ 114 bilhões) e dos Estados Unidos (US$ 400 bilhões). A diferença é a proporção em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas pela nação.
O deficit nacional é de 3,6% do PIB. O norte-americano, de 2,4%. Já o britânico alcança 4,5%, só perdendo nessa relação para o da Turquia (7,9%). A título de comparação, e para dar melhor noção do tamanho do crescimento do rombo brasileiro, 2006 fechou com superavit de US$ 13,6 bilhões.
Em tempos de campanha à reeleição, a candidata Dilma Rousseff lança um olhar sobre os problemas econômicos como quem vê pelo lado oposto do binóculo. Seria melhor enxergar a realidade como é - quando não, por retrovisor com lente de aumento e lupa sobre o futuro. Relevar questões complexas, de difícil superação, é prorrogar a agonia.
Mais do que demagógico, é irresponsável fazer-se de cego enquanto os tripés da macroeconomia desmoronam a olhos vistos. Um deles, o cumprimento da meta fiscal de 2014, de 1,9% do PIB (cerca de R$ 99 bilhões), está em xeque. Outro, o controle da inflação em torno de 4,5% no ano, já está superado - a carestia deve ficar dois pontos percentuais acima do limite. Quanto ao câmbio, com o dólar batendo recordes, a pressão sobre o custo de vida só tende a aumentar.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“Nós queremos a criminalização de todos os responsáveis”
Aécio Neves (PSDB) sobre o engajamento dos Correios na campanha do PT
ACORDO DE DELAÇÃO INCLUI FAMILIARES DE EX-DIRETOR
A delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa com o Ministério Público Federal, prevê a adesão de suas filhas e genros ao mesmo acordo. Eles também são processados no âmbito da Operação Lava Jato e assumiram o compromisso de contar tudo o que sabem. A conta na Suíça, de 23 milhões de dólares, está no nome de Paulo Roberto Costa, de sua mulher, Marici, e da filha Arianna.
DINHEIRO EM CAYMAN
Costa tem 2,8 milhões de dólares no Royal Bank of Canada em Cayman em nome dos genros Marcio Lewcovicz e Humberto Mesquita.
RABO PRESO
O acordo de delação com o MPF livra Paulo Roberto Costa da cadeia, mas o manterá com “rabo preso” à Justiça pelos próximos vinte anos.
OFFSHORES
Além dos valores depositados em contas pessoais na Suíça e em Cayman, Paulo Roberto Costa criou lá fora 12 empresas offshores.
ENTREGANDO OS ANÉIS
Costa vai indenizar a União R$ 5 milhões em 2 meses e entregará à Justiça lancha, imóveis e carrão presentado pelo megadoleiro Youssef.
DUDA MENDONÇA QUER AJUDAR ADVERSÁRIO DE DILMA
Rival do petista e ex-assistente João Santana, o festejado marqueteiro Duda Mendonça, responsável pela eleição de Lula em 2002, está louco para participar do 2º turno da campanha presidencial. Competente e experiente, Duda – um dos raros absolvidos no caso do mensalão – operou um milagre em São Paulo: fez do empresário Paulo Skaf (PMDB), presidente da Fiesp, um candidato competitivo a governador.
PROEZA
Com Duda Mendonça, durante toda a campanha Paulo Skaf se manteve sempre à frente do candidato de Lula, Alexandre Padilha (PT).
TAMOS AÍ
Em eventual segundo turno, Duda Mendonça está disposto a atuar, dizem os amigos, tanto na campanha de Marina quanto na de Aécio.
MAGOOU
Gilberto Kassab agora se queixa de que o ex-líder José Serra não o procurou para pedir a retirada da sua candidatura ao Senado.
ELA CONTINUA POP
Seguidores de Marina no Facebook cresceram quase dois terços, no último mês, em relação a Barack Obama, por exemplo. Entre políticos de todo o mundo, ela só fica atrás do premier da Índia, Narendra Modi.
PADRÃO LULA
Com a economia de Dilma degringolando, Lula soltou nova lorota, dizendo que se elegeu “sem pedir votos ao mercado”. Não fosse sua “Carta aos brasileiros”, com objetivo de acalmar o tal “mercado”, hoje ele continuaria sendo mais um mentiroso de porta de sindicato.
VAI SER DIVERTIDO
Indagada sobre maioridade penal, a favorita ao Senado por Rondônia, Ivone Cassol, tascou: “Isso é para os jurista (sic) e os ambientalista (sic)”. Dr. Ulysses sempre respondia, ao ouvir queixa sobre a qualidade do Congresso: “Tá achando ruim? Então espere o próximo que vem aí.”
APOSTAS DO PTB
O PTB quer aumentar de 18 para 28 o número de deputados federais e manter a bancada no Senado com Fernando Collor (AL), Wilson Santiago (PB), Elmano Férrer (PI) e Mozarildo Cavalcanti (RR).
CORPO MOLE À VISTA
Michel Temer teme troco do PMDB em Dilma no segundo turno, cruzando os braços onde a eleição local estiver definida. Rui Falcão, presidente do PT, põe lenha na fogueira. Dilma o detesta, e é correspondida.
ELEIÇÕES NO MP
Os promotores Leonardo Bessa, Diaulas Ribeiro e Carlos Cantarutti estão na lista tríplice ao cargo de procurador-geral de Justiça do Ministério Público do DF. Os nomes serão levados a Dilma.
BOLLYWOOD É AQUI
Brasília experimenta dias de cidade cinematográfica. Em dois dias teve terrorista de araque e, agora, um tornado. O vendaval “F-0” serviu para a Inframérica justificar a inundação no check-in da TAM.
NA CONTRAMÃO
Enquanto as “curtidas” de Dilma Rousseff (-5%) e Marina Silva (-18,7%) diminuíram em relação à semana passada, no Facebook, Aécio viu sua popularidade crescer 14,4% no início da tarde de ontem.
PERGUNTA NO PALANQUE
Com o engajamento dos Correios na campanha do PT, o slogan da estatal vai mudar para “Mandou, votou”?
PODER SEM PUDOR
ENTREVISTA FORÇADA
Lula sabe lidar com pingunços. Em agosto de 1989, quando ainda usava voos comerciais, aguardava o embarque no bar do aeroporto de Brasília quando um homem alcoolizado o reconheceu e puxou papo. Para se livrar dele, Lula fez a festa de um repórter cuja presença até então ele tentava ignorar. Ligou o gravador, que estava sobre o balcão, e se desculpou:
- Agora, não dá. Preciso dar uma entrevista exclusiva ao amigo aqui...
Aécio Neves (PSDB) sobre o engajamento dos Correios na campanha do PT
ACORDO DE DELAÇÃO INCLUI FAMILIARES DE EX-DIRETOR
A delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa com o Ministério Público Federal, prevê a adesão de suas filhas e genros ao mesmo acordo. Eles também são processados no âmbito da Operação Lava Jato e assumiram o compromisso de contar tudo o que sabem. A conta na Suíça, de 23 milhões de dólares, está no nome de Paulo Roberto Costa, de sua mulher, Marici, e da filha Arianna.
DINHEIRO EM CAYMAN
Costa tem 2,8 milhões de dólares no Royal Bank of Canada em Cayman em nome dos genros Marcio Lewcovicz e Humberto Mesquita.
RABO PRESO
O acordo de delação com o MPF livra Paulo Roberto Costa da cadeia, mas o manterá com “rabo preso” à Justiça pelos próximos vinte anos.
OFFSHORES
Além dos valores depositados em contas pessoais na Suíça e em Cayman, Paulo Roberto Costa criou lá fora 12 empresas offshores.
ENTREGANDO OS ANÉIS
Costa vai indenizar a União R$ 5 milhões em 2 meses e entregará à Justiça lancha, imóveis e carrão presentado pelo megadoleiro Youssef.
DUDA MENDONÇA QUER AJUDAR ADVERSÁRIO DE DILMA
Rival do petista e ex-assistente João Santana, o festejado marqueteiro Duda Mendonça, responsável pela eleição de Lula em 2002, está louco para participar do 2º turno da campanha presidencial. Competente e experiente, Duda – um dos raros absolvidos no caso do mensalão – operou um milagre em São Paulo: fez do empresário Paulo Skaf (PMDB), presidente da Fiesp, um candidato competitivo a governador.
PROEZA
Com Duda Mendonça, durante toda a campanha Paulo Skaf se manteve sempre à frente do candidato de Lula, Alexandre Padilha (PT).
TAMOS AÍ
Em eventual segundo turno, Duda Mendonça está disposto a atuar, dizem os amigos, tanto na campanha de Marina quanto na de Aécio.
MAGOOU
Gilberto Kassab agora se queixa de que o ex-líder José Serra não o procurou para pedir a retirada da sua candidatura ao Senado.
ELA CONTINUA POP
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PADRÃO LULA
Com a economia de Dilma degringolando, Lula soltou nova lorota, dizendo que se elegeu “sem pedir votos ao mercado”. Não fosse sua “Carta aos brasileiros”, com objetivo de acalmar o tal “mercado”, hoje ele continuaria sendo mais um mentiroso de porta de sindicato.
VAI SER DIVERTIDO
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APOSTAS DO PTB
O PTB quer aumentar de 18 para 28 o número de deputados federais e manter a bancada no Senado com Fernando Collor (AL), Wilson Santiago (PB), Elmano Férrer (PI) e Mozarildo Cavalcanti (RR).
CORPO MOLE À VISTA
Michel Temer teme troco do PMDB em Dilma no segundo turno, cruzando os braços onde a eleição local estiver definida. Rui Falcão, presidente do PT, põe lenha na fogueira. Dilma o detesta, e é correspondida.
ELEIÇÕES NO MP
Os promotores Leonardo Bessa, Diaulas Ribeiro e Carlos Cantarutti estão na lista tríplice ao cargo de procurador-geral de Justiça do Ministério Público do DF. Os nomes serão levados a Dilma.
BOLLYWOOD É AQUI
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NA CONTRAMÃO
Enquanto as “curtidas” de Dilma Rousseff (-5%) e Marina Silva (-18,7%) diminuíram em relação à semana passada, no Facebook, Aécio viu sua popularidade crescer 14,4% no início da tarde de ontem.
PERGUNTA NO PALANQUE
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PODER SEM PUDOR
ENTREVISTA FORÇADA
Lula sabe lidar com pingunços. Em agosto de 1989, quando ainda usava voos comerciais, aguardava o embarque no bar do aeroporto de Brasília quando um homem alcoolizado o reconheceu e puxou papo. Para se livrar dele, Lula fez a festa de um repórter cuja presença até então ele tentava ignorar. Ligou o gravador, que estava sobre o balcão, e se desculpou:
- Agora, não dá. Preciso dar uma entrevista exclusiva ao amigo aqui...
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