sábado, setembro 20, 2014

Governança global - CELSO MING

PARA PRESIDENTE VOTE AÉCIO NEVES 45



O ESTADÃO - 20/09



Os altos custos de uma Escócia independente ficaram mais evidentes depois que o escocês se deu conta do impacto sobre seu patrimônio pessoal, a ser enfrentado pela perda inevitável da libra esterlina e da tutela do Banco da Inglaterra (banco central)

A rejeição contundente da proposta da independência da Escócia é o resultado da avaliação realista feita por parte do cidadão escocês de que os custos econômicos e políticos de uma separação, ainda que amigável, seriam altos demais. Mas deve apontar para mais do que isso. Parece indicar, por exemplo, que o processo de globalização, que alguns entendiam em reversão, tende a aprofundar-se.

Os altos custos de uma Escócia independente ficaram mais evidentes depois que o escocês se deu conta do impacto sobre seu patrimônio pessoal, a ser enfrentado pela perda inevitável da libra esterlina e da tutela do Banco da Inglaterra (banco central). Ele entendeu, também, que era ilusória a propalada vantagem de administrar uma moeda própria – que garantiria uma política monetária também independente. Na impossibilidade de ficar com a libra, a proposta alternativa seria aderir ao euro, como a Irlanda, e não aventurar-se com uma moeda nacional, com respeitabilidade ainda a construir.

Os grandes bancos da Escócia bem que avisaram que transfeririam suas sedes para Londres para garantir o guarda-chuva do Banco da Inglaterra. Os cotistas dos fundos de pensão e os aposentados temeram pela renda futura. Os trabalhadores sentiram que os fundamentos do seu seguro-desemprego corriam risco e que a política de saúde hoje exercida pelo governo inglês teria de ser repassada ao novo governo escocês, sabe-se lá com que eficácia. A decisão, mais movida pelo medo do que pela ousadia, de não trocar o certo pelo duvidoso, está agora grávida de consequências.

A força do movimento pela independência da Escócia e de outras dinâmicas separatistas, como a da Catalunha, do País Basco, da Valônia belga e do Leste da Ucrânia vinha sendo apontada como sinal de que o processo de globalização atingira seus limites. Essa percepção foi reforçada por outras novidades: pelo retorno das grandes empresas e de novos investimentos para os Estados Unidos e pela impressão de que a civilização muçulmana dificilmente se integraria ao bloco ocidental, como a tentativa de consolidação de um novo Estado islâmico, de natureza fundamentalista, pode indicar.

No entanto, além de enfraquecer outros movimentos separatistas, a rejeição da autonomia pelo povo escocês aponta para mais globalização e não para o contrário. A revoada de investimentos para os Estados Unidos é o resultado de outros fatores, especialmente da forte redução dos preços da energia, graças à obtenção de gás de xisto a baixo custo e à mais adiantada recuperação da economia.

Mesmo com resultados ainda reduzidos, há progressos na coordenação global de políticas. As sucessivas reuniões dos chefes de Estado nas cúpulas do G-20 são uma demonstração disso. Os presidentes dos grandes bancos centrais reúnem-se periodicamente na cidade da Basileia para articular suas políticas monetárias. E até mesmo as críticas que se fazem ao mau funcionamento dos acordos multilaterais de comércio demonstram a existência de inconformismo com o que está aí e de criação de mais pressões também por mais governança global e não por menos.

CONFIRA:

O IPCA-15 (período de 30 dias fechado a cada dia 15) de setembro mostrou que a inflação voltou a dar seus pinotes. No mês, avançou 0,39% e, em 12 meses, 6,62%.

Voltou a subir
A redução dos preços dos alimentos e das passagens aéreas anotada nos meses anteriores já se inverteu. Fica agora mais provável que a inflação de setembro avance para a casa do 0,5%. Em 12 meses, pode atingir os 6,7%. Se isso se confirmar, a campanha eleitoral para o segundo turno conjugará uma evolução negativa do PIB e inflação acima do teto da meta.

O tamanho do pré-sal - CRISTOVAM BUARQUE

PARA PRESIDENTE VOTE AÉCIO NEVES 45



O GLOBO - 20/09

Brasil não cabe dentro de um poço de petróleo, nem deve esperar por ele

Não usar a riqueza do pré-sal seria uma estupidez, usá-la para iludir a nação é uma indecência. As estimativas para as reservas do pré-sal podem não ser exatas, mas não são mitos, são resultados de pesquisas geológicas; a exploração na sua profundidade não é um mito, a engenharia dispõe de ferramentas; a crença de que pode ser feita sem riscos para a ecologia não é um mito, embora haja exemplos de vazamentos em campos similares; a expectativa de que a demanda e os preços continuarão altos não é um mito, apesar das novas fontes.

Mito, contudo, é a afirmação de que o pré-sal mudará a realidade brasileira.

Se tudo der certo, em 2036 a receita líquida prevista do setor petrolífero corresponderá a R$ 100 bilhões, aproximadamente R$ 448 por brasileiro, quando a renda per capita será de R$ 27.800, estimando crescimento de 2% ao ano para o PIB. Apesar da dimensão da sua riqueza, o pré-sal não terá o impacto que o governo tenta passar. Explorá-lo é correto, concentrar sua receita na educação é ainda mais correto, mas é indecente usar o pré-sal como uma ilusão para enganar a nação e como mecanismo para justificar o adiamento de investimentos em educação.

O Brasil não cabe dentro de um poço de petróleo, nem deve esperar por ele.

Mito também é a afirmação de que a educação brasileira será universalizada e dará um salto de qualidade graças ao pré-sal. Em 2030, uma educação de qualidade universal custará cerca de R$ 511 bilhões, para o custo/aluno/ano de R$ 9.500. Se tudo der certo, a totalidade dos recursos do setor petrolífero destinada à educação corresponderá a R$ 37 bilhões, apenas 7,2% do necessário.

Também é um mito dizer que o atual governo teve a iniciativa da proposta de investir 75% dos royalties do petróleo em educação. A partir do momento da descoberta do pré-sal, 44 projetos de lei foram apresentados na Câmara e no Senado.

Mas foi com a aprovação do substitutivo PLC 41/2013 ao PL 323/2007, do deputado Brizola Neto, em 14/8/2013, após parecer favorável do deputado André Figueiredo (PDT-CE), que se determinou o destino de 100% dos royalties para a educação e a saúde. As atas mostram que os líderes da base de apoio ao governo tentaram impedir a aprovação, mas foram derrotados no voto.

Além de não serem destinados à educação os R$ 15 bilhões dos Bônus de Assinatura do Leilão do Campo de Libra, os recursos dos royalties não estão sendo aplicados. Até 28 de agosto, um ano depois da sanção da lei, apenas R$ 912 milhões foram efetivamente transferidos para o Ministério da Educação, ou seja, somente 13,5% do valor de R$ 4,2 bilhões previsto pela Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2014.

Enquanto o mundo vive uma revolução no conhecimento, estamos ficando para trás, eufóricos com a promessa de mudar nossa triste realidade educacional no futuro distante, com base em um recurso ainda na profundidade de sete mil metros e que não será suficiente. E o pouco prometido não está sendo cumprido.


Executivo municipal perdeu o guidão - ANDREA MATARAZZO

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FOLHA DE SP - 20/09


Temos assistido às ações da prefeitura para incentivar o uso da bicicleta, baseadas em tinta e pincel, sem projeto. O que os cidadãos já podiam constatar em sua vizinhança agora chega à avenida Paulista, um dos cartões postais da cidade.

Sobre este assunto adoto a seguinte premissa: sou favorável e acho importante a ciclovia como forma de equilibrar os modais de transporte, integrando-os, sem prejudicar o comércio nem transformar a cidade num caos.

Não tenho dúvidas de que a avenida Paulista pode ser objeto de estudo para receber uma ciclovia, já que liga um eixo plano da Consolação até o Jabaquara. Contudo, não estou nem um pouco convencido de que a melhor alternativa seja a retirada do canteiro central.

A Paulista possui 48 metros de largura e 2,5 km de extensão e, segundo dados da CET (Companhia de Engenharia e Tráfego), apenas a faixa de pedestres em frente ao Conjunto Nacional recebe mais de 3.000 pedestres por hora. Por toda a avenida passam 1,5 milhão de pessoas por dia e 20 mil carros por hora durante o pico da manhã.

O canteiro central exerce importante papel na segurança da travessia dos pedestres e na segregação dos sentidos por onde fluem automóveis, além de abrigar iluminação pública e floreiras que atuam como barreiras aos pedestres e tem importante função estética.

Além disso, existe na Paulista bens tombados pelo município e pelo Estado que devem ser consultados previamente. Por acaso foi estudada a possibilidade de melhorar as vias paralelas como alternativa à ciclovia ou ao trânsito?

As intervenções na avenida Paulista, estimadas em R$ 15 milhões, devem ser qualificadoras, e não degradadoras, ainda que em caráter experimental.

O caso da Paulista deve servir de reflexão: qual política pública queremos para a mobilidade? Entre 2009 e 2012 foi implementado em São Paulo o maior programa de incentivo à bicicleta existente até hoje no país: por meio da Lei Cidade Limpa (2006), viabilizou-se a cooperação com parceiros privados e, sem qualquer gasto da prefeitura, permitiu-se a publicidade institucional em troca de melhorias na infraestrutura pública.

Os projetos Bike Sampa, Ciclo Sampa e Ciclofaixa, que atendem centenas de milhares de ciclistas todas as semanas, são resultado dessa política. A prefeitura disponibiliza, em parceria, mais de 2.000 bicicletas em 200 estações, com manutenção, sinalização e mais de 100 km de ciclofaixas. Uma das primeiras ciclovias de São Paulo é de 2007, na Radial Leste.

O incentivo ao transporte por bicicletas deve vir acompanhado de ações para tornarem a cidade amiga do ciclista: bicicletários, sinalização vertical e horizontal, rotas adequadas (se possível segregadas), pavimentação decente, monitoramento do número de viagens feitas (da eficácia das ações) e priorização de áreas onde as bicicletas já são utilizadas, como no Jardim Helena.

As bicicletas, se bem incentivadas, podem contribuir para a redução do ruído urbano e da emissão de poluentes, além de despertar um hábito saudável. Há em curso na União Europeia a elaboração de uma rede com mais de 20 mil km de estradas para ciclistas, o que nos desafia a pensar algo ousado e inovador, como a ciclovia do Parque Várzeas do Tietê até Salesópolis, em implementação, que terá 175 km.

Onde estão os estudos da prefeitura para escolha das rotas? Haverá bicicletários e empréstimo de bicicletas? Como será medido o aumento das viagens feitas? Estacionamentos comerciais receberão bicicletas? O uso será compartilhado com skate e patins?

Assunto tão importante não pode ficar refém de tinta, pincel e de uma administração que perdeu o guidão faz tempo.

A desastrada revisão da Pnad 2013 - EDITORIAL O GLOBO

PARA PRESIDENTE VOTE AÉCIO NEVES 45


O GLOBO - 20/09


O IBGE é inatacável, mas como a reputação do governo Dilma no manejo de estatísticas oficiais deixa a desejar, o tema deve entrar na agenda da campanha eleitoral



Em ano eleitoral, os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), um precioso retrato anual do Brasil que o IBGE elabora, tendem a ter diferentes leituras e interpretações, conforme a visão de cada candidato .

Foi o que aconteceu na quinta-feira, tão logo o IBGE divulgou a Pnad referente a 2013 com informações que soaram como música aos ouvidos dos candidatos de oposição: após 20 anos de queda ininterrupta, a concentração de renda voltou a aumentar, e, no ano passado, surgiu o primeiro sinal de que o mercado de trabalho, pujante desde 2009, fraquejava.

Mas ontem, uma entrevista coletiva foi convocada às pressas a fim de o IBGE comunicar que errara: a desigualdade de renda não só não aumentou, como diminuiu. O índice de Gini, usado nessas medições, não passara de 0,496 para 0,498 — quanto mais próximo de 1, pior —, mas caíra até 0,495.

A taxa de desemprego de 6,5% — acima dos 6,1% calculada em 2012 — foi mantida, porém a população desocupada cresceu menos: 6,3%, em vez de 7,2%.

O diretor de pesquisas da instituição, Roberto Olinto, explicou o erro, cometido na extrapolação para todo o país das informações levantadas na amostra. O equívoco técnico distorceu dados referentes a sete estados: São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas, Bahia, Pernambuco e Ceará, onde estão 59% da população brasileira.

Já na quinta-feira, ao comentar os resultados negativos, o ministro secretário de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri, ele mesmo um economista pesquisador neste campo, chamava a atenção para o fato de a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), também do IBGE, indicar uma redução da desigualdade de renda em 2014. Deduz-se que o IBGE recebeu ordens para rever os cálculos.

A instituição, pela reputação e história, é e continua inatacável. “Foi algo extremamente grave. Toda vez em que o IBGE erra, é nosso dever tornar isso público e pedir desculpas a toda a sociedade”, declarou a presidente do instituto, Wasmália Bivar. Fez bem.


Mas as circunstâncias não ajudam. A campanha eleitoral em si já amplificará as repercussões da revisão de última hora da Pnad, e mais ainda porque os novos cálculos devolveram à presidente-candidata argumentos para se apresentar nos palanques como campeã na luta contra a pobreza.

Por outro lado, o relacionamento tortuoso do governo Dilma com estatísticas oficiais sempre estimula suspeitas de malfeitos com os números. Difíceis de acreditar no caso do IBGE, reconheça-se.

Com a campanha eleitoral em fase de reta final para o primeiro turno, é possível, no entanto, que o conteúdo da pesquisa fique em segundo plano nos debates, infelizmente.

As "cartas sem selo" do PT - EDITORIAL O ESTADÃO

PARA PRESIDENTE VOTE AÉCIO NEVES 45


O ESTADO DE S. PAULO - 20/09
Quando discutem os prós e os contras do direito à reeleição dos detentores de mandatos executivos, costuma-se pôr em um prato da balança os ganhos de estabilidade política e coerência administrativa proporcionados, nos regimes presidencialistas, pela possibilidade aberta a prefeitos, governadores e presidente da República de conquistar um segundo período de governo. No outro prato, contrapõe-se o inevitável desequilíbrio de oportunidades eleitorais que a modalidade acarreta.
À parte quaisquer outros fatores e as eventuais medidas para aplainar por igual o campo da disputa, mesmo o mais austero e ético dos candidatos incumbentes dificilmente abrirá mão dos seus recursos de poder para percorrer com o máximo de conforto a nova jornada rumo às umas. O fato de, nos Estados Unidos, a regra ser a reeleição do ocupante da Casa Branca e a grande exceção ser o seu despejo não resulta de uma improvável superioridade intrínseca dos mandatários de turno sobre os rivais empenhados em desalojá-los.

A menos que carreguem nas costas quatro anos de governo desastroso ou sejam responsabilizados por um único fiasco de grandes proporções -como o patético fracasso da expedição ordenada em abril de 1980 pelo então presidente Jimmy Carter para resgatar 52 reféns americanos no Irã, o que acabou com as suas chances de reeleição -, o tiro de largada das corridas presidenciais já encontra o ocupante do cargo à frente dos adversários de prontidão na raia.

Mas, conforme a mentalidade do interessado e os usos e costumes de seu partido, não há preço que pague manter, se não ampliar, essa vantagem. A expressão, nesses casos, não se esgota no sentido estrito de gastança desabrida pelo voto nem tampouco na posta em marcha de grandes baixarias para solapar, entre as parcelas mais desinformadas do eleitorado, eventuais preferências por um ou outro dos demais candidatos. Abrange também um vasto rol de malandragens comparativamente miúdas.

Quando vem a público um desses "pequenos assassinatos", entende-se melhor o que significa, no nível da sarjeta, "fazer o diabo" para ganhar eleições, na inesquecível confissão da petista Dilma Rousseff. O exemplo da hora é o trambique armado nos Correios pela sua campanha. Quando um usuário se prepara para despachar um grande número de mensagens do mesmo tipo - a chamada "mala direta postal domiciliária" deve ele próprio chancelar, uma a uma, as peças a serem enviadas.

Ou seja, imprimir os seus dados.

Tratando-se de propaganda eleitoral, devem constar ainda o nome do remetente, o CNPJ, o ano do pleito e a origem da postagem. Isso é necessário para que os Correios saibam quantos exemplares farão chegar aos destinatários e cobrar de acordo. Mas, como apuraram os repórteres Andreza Matais e Fábio Fabrini, da sucursal de Brasília do Estado, a estatal aceitou entregar alegados 4,8 milhões de folhetos pedindo votos para Dilma sem o necessário registro de controle. "Alegados" porque, embora a campanha tenha pago pelo serviço, não se tem como conferir se o total foi de feto aquele ou maior.

"O cara entrega 1 milhão de impressos para serem distribuídos", argumenta o ex-presidente dos Correios João Henrique de Almeida Souza. "Se não tiver a chancela, como é que eu sei se a quantidade é essa mesma?" "É como entregar uma carta sem o selo", resume o coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos, Luís Aparecido de Moraes. Quem autorizou, "em caráter excepcional", a remessa daqueles milhões de cartas sem selo foi um departamento da empresa chefiado por um certo Wilson Abadio de Oliveira, afilhado político do vice de Dilma, o peemedebista Michel Temer.

Em nota, os Correios justificaram a facilidade a pedido do PT para não ter de inutilizar o material. A autorização, prevista nos seus procedimentos, já teria sido dada a clientes, não identificados, "de diversos partidos políticos". De todo modo, é sabido que a estatal se tomou um feudo do PT desde que, em fins de 2010, Dilma nomeou para comandá-la o sindicalista Wagner Pinheiro, filiado à legenda no Rio de Janeiro. Os petistas radicalizaram a lei de Gérson: nada é pequeno demais para dele não se tirar vantagem.

Jogo indefinido - EDITORIAL FOLHA DE SP

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FOLHA DE SP - 20/09


Gradual decréscimo de Marina Silva nas pesquisas se explica tanto pelos ataques recebidos como por fragilidades próprias


Os números da última pesquisa do Datafolha parecem dar consistência à tese de que haveria um componente emocional na súbita ascensão das preferências por Marina Silva (PSB) após o acidente que vitimou seu companheiro de chapa, Eduardo Campos.

A solidariedade diante da tragédia ou a repentina descoberta, por parte do eleitorado, de que a disputa presidencial não se resumia à alternativa entre PT e PSDB estariam, assim, por trás dos altos índices atingidos pela candidata.

Dos 21% que obtinha no levantamento realizado em 14 e 15 de agosto, imediatamente após a morte de Campos, Marina Silva passaria a 34% duas semanas depois, empatando com a primeira colocada, a presidente Dilma Rousseff (PT).

Se o fator emocional fosse o mais determinante, contudo, o declínio da ex-ministra do Meio Ambiente seria mais acentuado. Mas sua trajetória cadente nas últimas semanas se mostra bastante gradual --e acompanhada de discreta recuperação nos índices tanto de Dilma como de Aécio Neves (PSDB).

Ainda que muitas causas possam ser atribuídas a essa oscilação sutil, é plausível que, antes de um fenômeno puramente emocional, esteja em curso uma corrosão política da postulação marinista.

Não foram poucos os ataques que recebeu. Houve a tentativa de lhe atribuir uma imagem de subserviência ao mercado financeiro --como se o PT, em desespero de causa, estivesse de volta aos tempos estreitos de 1989--, assim como uma incipiente campanha do medo em torno da inconvincente ideia de que sua vitória poderia acarretar o fim do Bolsa Família.

A tática poderá ter surtido efeito nos setores de menor renda do eleitorado; nos municípios com menos de 200 mil habitantes, foi especialmente intenso o crescimento dos índices de rejeição à pessebista.

Também se vê a queda, porém, em outras parcelas da sociedade. Desse ponto de vista, a ofensiva dos adversários de Marina pode ser entendida como a tradução publicitária das fragilidades e inconsistências de sua própria candidatura.

Desmentidos sucessivos e ajustes emergenciais de discurso --na questão do casamento homoafetivo, na política energética, nas relações com o agronegócio, nas diferenças de imagem entre ela e seu vice-- talvez sejam sinal do quanto uma postulação de "terceira via" ainda carece de maturação ideológica para blindar-se contra as investidas dos oponentes.

Quanto a estes, beneficiam-se de uma divisão ideológica real, a que entretanto se esquivam numa mesma inexplicitude programática. A velha política --da qual Marina Silva, aliás, não se afasta tanto quanto quer aparentar-- continua, silenciosamente, a dar suas cartas num jogo ainda indefinido.

Esperança e decepção - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

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CORREIO BRAZILIENSE - 20/09
A 15 dias das eleições gerais que levarão cerca de 141 milhões de brasileiros às urnas, a tendência é de que a disputa eleitoral esquente ainda mais daqui para frente. Mas ainda não é desta vez que o debate se dá sobre questões cruciais para o país. Tampouco há um rumo ou programa em discussão. Nem as reivindicações populares levadas às ruas nas manifestações do ano passado ecoam mais.
É gritante o descolamento da realidade. Aqui não vale nem a máxima cunhada em 1992 pelo marqueteiro de campanha de Bill Clinton na sucessão presidencial dos Estados Unidos. "É a economia, estúpido", disse James Carville, em frase que entrou para a história como alerta para o peso que o bolso do cidadão tem numa disputa eleitoral. Pois a inflação em alta, corroendo o poder aquisitivo dos assalariados, pouca diferença faz na campanha brasileira.

A propaganda da disputa nacional firma-se em peças de ficção, como se a dissimulação fosse inerente à vida política do país. O descrédito, sim, contagia. Há quase 30 anos da redemocratização do país, as lideranças ainda não encontraram o canal nem o discurso corretos para um diálogo consistente com o povo. Tergiversações e falácias ganham espaço. Os candidatos são incapazes de esclarecer quem quer que seja sobre o que quer que seja.

A democracia brasileira é suficientemente firme para manter as instituições funcionando, promover eleições com periodicidade definida, limpas, com votação e apuração exemplares, mas peca por não avançar na essência da troca de ideias, na discussão do país que todos gostariam de ter. Enquanto isso, uma máquina burocrática ineficiente e cara ganha sobrevida, reformas são eternamente adiadas, a economia anda para trás, mas partidos sem um único representante no parlamento federal conseguem emplacar um nome na sucessão presidencial.

Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), que protagonizam a disputa, têm de dividir o tempo de debates com outros seis candidatos, dois deles na faixa de 1% das preferências eleitorais, e os demais com traço nas pesquisas. Não se está condenando a ampla participação, mas certamente há grande diferencial entre os compromissos de uns e outros na defesa e também na crítica de teses de interesse do cidadão. Sem contar que nem as prerrogativas do cargo em disputa costumam ser observadas. Tanto que são comuns promessas desprovidas do mínimo de condições de concretização pelo simples fato de serem responsabilidade de candidatos a cargos de natureza diversa.

A democracia brasileira precisa evoluir. Partidos têm de ter plataformas claras, propostas conhecidas, posições firmes sobre as questões fundamentais à cidadania, espécie de pacto inviolável a ser observado pelos candidatos da legenda. Devem ser mais que uma sigla vazia formada por simpática sopa de letrinhas, verdadeiros sustentáculos de propósitos que funcionem como bússola para o eleitor. A partir daí, as campanhas eleitorais vão superar a mesmice que, em vez de esperança de mudança, traz insegurança quanto ao risco de mais decepção.

Reprovação internacional - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

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GAZETA DO POVO - PR - 20/09


O problema maior do Brasil é a existência simultânea de vários indicadores ruins


As agências internacionais de classificação de risco existem para estudar os países, acompanhar o desempenho de suas economias, avaliar o ambiente político e a estabilidade jurídica, com a finalidade de extrair conclusões técnicas a respeito da capacidade do país em pagar os empréstimos tomados no exterior pelo governo e pelas empresas nacionais. À moda das escolas, essas agências atribuem aos países determinadas notas resultantes dos exames e provas que aplicam. A nota reflete a saúde econômica, financeira, política e social do país.

Após décadas de inflação e baixo desempenho econômico, o Brasil conseguiu atingir a nota conhecida por “grau de investimento”, que é atribuída aos países considerados em situação bastante boa, com capacidade de tomar dinheiro emprestado no exterior e pagar normalmente as dívidas nas datas de seu vencimento. O Brasil foi aprovado nos testes, como consequência da melhoria econômica e social obtida desde que a inflação foi domada a partir do Plano Real, em 1994.

Além de mais facilidade na obtenção de crédito no exterior, a melhoria da nota do país implica taxa de juros mais baixa nos emprestadores internacionais, diminuindo o desembolso com o pagamento de encargos da dívida em moeda estrangeira. Por outro lado, bancos, fundos de pensão e fundos de investimentos sediados no exterior têm, em seus estatutos, regras para fazer empréstimos a governos e empresas situadas em país estrangeiro. Em muitos casos, somente podem ser concedidos empréstimos a países que, na classificação de risco feita pelas agências, obtêm notas a partir de um dado nível. Inversamente, são proibidos os empréstimos a governos e empresas situados em países com notas que implicam risco de calote.

O Brasil somente conseguiu obter elevação de sua nota após ter alcançado bons fundamentos macroeconômicos por vários anos, com destaque para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o controle da inflação, a melhoria das contas externas e o superávit fiscal primário. Tornando-se um país de economia menos vulnerável e apresentando situação externa saudável, a taxa de juros paga por empresas nacionais e pelo governo brasileiro caiu, pois a taxa de risco embutida no custo total dos empréstimos internacionais foi reduzida.

Na semana passada, a agência Moody’s colocou a nota do Brasil em perspectiva negativa. Durante o tempo em que a nota é mantida, é hábito da agência dizer se a avaliação segue com perspectiva de ser melhorada, mantida estável ou piorada. As razões que levam uma agência de classificação de risco a colocar a nota em perspectiva negativa estão na piora dos indicadores econômicos. Esse é o caso do Brasil. Baixo crescimento do PIB por vários anos, inflação acima do centro da meta fixada pelo governo, piora das contas fiscais, aumento do déficit público nominal e crescimento preocupante da dívida consolidada do governo são os indicadores que fizeram acender o sinal vermelho da agência.

Todo esse panorama significa uma espécie de reprovação internacional da situação brasileira e desaprovação da condução da política econômica. Porém, mais importante do que a advertência da agência Moody’s é a consciência de que o governo e a sociedade brasileira devem adotar uma reprovação interna e admitir que o país não está em bom caminho. Embora seja costume do governo – em especial do ministro da Fazenda, Guido Mantega – tentar sempre desqualificar as críticas e não admitir seus erros, desta vez tanto a presidente Dilma quanto o ministro resolveram não atacar a agência, mas ainda assim tentaram minimizar a perspectiva negativa.

O momento talvez não seja dos melhores para o debate em torno da situação econômica, já que a proximidade das eleições faz que o jogo eleitoral prevaleça sobre a lógica e a razão. Entretanto, os fatos não podem ser colocados de lado e a economia segue seu curso, com suas virtudes e seus defeitos. O problema maior do Brasil é a existência simultânea de vários indicadores ruins, alguns de natureza interna, outros de natureza externa. Entre estes últimos, o mais grave é o déficit resultante das importações menos as exportações de bens e serviços, que ameaça corroer rapidamente o volume de reservas internacionais do país.

Passadas as eleições e definido quem será o futuro presidente, o país não escapará de debater a situação econômica e quais medidas precisarão ser tomadas para a recuperação da economia nacional.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

PARA PRESIDENTE VOTE AÉCIO NEVES 45

“Não estou preocupada”

Marina Silva (PSB) sobre o crescimento das intenções de voto para Dilma (PT)



DELAÇÃO: POLÍTICOS PEDEM ACESSO PARA FAZER CENA

A presidente Dilma pediu acesso à delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, e até recorre ao Supremo Tribunal Federal, mesmo sabendo que o processo está sob segredo de Justiça e não pode ser compartilhado. O “jogo de cena” é igual ao das demais autoridades que pretendem a mesma coisa: todos fingem que não temem o que deveras temem, que seus nomes tenham sido citados.

INSISTÊNCIA

Além de Dilma, outros órgãos federais solicitaram acesso à delação premiada, como Ministério da Justiça e Petrobras. Foram indeferidos.

NADA FEITO

A Controladoria-Geral da União, que nada controla e sempre age após a “porteira arrombada”, também pediu e teve negado acesso à delação.

OUTRAS INTENÇÕES

Alguns líderes da oposição, que também temem o teor da delação, queriam saber o que foi revelado por Paulo Roberto Costa. Negado.

MEDO

Só na primeira fase de depoimentos da delação premiada, o ex-diretor citou 49 deputados federais, senadores e ministros. Há mais.

DILMA DESPREZA 22 EMBAIXADORES ESTRANGEIROS

Além da conhecida repulsa por diplomatas brasileiros e pelo Ministério das Relações Exteriores, a presidente Dilma Rousseff também não dá a menor pelota para diplomatas de outros países, negligenciando um dos seus papéis institucionais mais importantes: receber credenciais de embaixadores designados para atuar no Brasil. Até agora, 22 embaixadores estrangeiros aguardam que Dilma agende a cerimônia.

TORCENDO O NARIZ

O embaixador do Paraguai, Manuel Cáceres, chegou ao Brasil em novembro de 2013. Até hoje, não conseguiu entregar as credenciais.

CANSOU DE ESPERAR

O embaixador paraguaio anterior, Evelio Arévalos, chegou em março de 2012 e foi embora há um ano sem conseguir entregar credenciais.

PRECONCEITO

Para Dilma, todos diplomatas são como o ex-ministro Antônio Patriota. Ignora que o Itamaraty é um centro de excelência do serviço público.

ESCOLHA QUE DIVIDE

O mundo jurídico em Brasília sabe que, reeleita, Dilma deve indicar em novembro o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) para a vaga de Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal. É uma das razões de crítica do ex-presidente Lula à sucessora. Ele não gosta de Cardozo.

PV COM MARINA

Apesar das mágoas em relação a Marina Silva, que disputou em 2010 a Presidência da República pelo PV, dirigentes do partido não veem outro caminho a não ser apoiá-la em no segundo turno contra Dilma.

GASTÃO GASTADOR

Está marcado para quarta (24) o julgamento no Tribunal de Contas da União do presidente da Fecomércio do Ceará, Luiz Gastão. O processo pede o ressarcimento de mais de R$ 4 milhões ao erário, por contratos e pagamentos irregulares durante a gestão de Gastão no Sesc-CE.

FAVORITISMO

Candidato à reeleição, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB-PR) decidiu apertar o passo para derrotar Roberto Requião (PMDB) já no primeiro turno. Sabe que é grande a chance de liquidar a fatura logo.

É O CARA

Com habilidade e diálogo, o diretor regional dos Correios no Rio Grande do Norte, José Alberto Brito, evitou pela terceira vez em menos de dois anos que a população sofresse com greve nos Correios.

PEGA MAL

O PT não quer a presidente Dilma ajudando Armando Monteiro (PTB) na briga pelo governo de Pernambuco. “A gente não pode, agora, desagradar ao eleitor de Eduardo Campos”, explica um coordenador nacional do PT.

TOLERÂNCIA ZERO

Na briga para tentar aumentar a bancada federal em 2015, o PV agora ameaça expulsar prefeitos, vereadores e dirigentes que apoiarem candidatos de outros partidos. A ordem é ser “implacável contra infiéis”.

ESTRATÉGIA

Após ganhar fôlego nas últimas pesquisas, Aécio Neves (PSDB) deverá subir o tom contra a presidente Dilma Rousseff (PT) e segurar um pouco ataques contra Marina Silva (PSB).

FRAUDE

Nada como uma campanha eleitoral no meio para explicar por que a pesquisa do IBGE mostrando que aumentaram as desigualdades mudou de repente para “caíram as desigualdades”.


PODER SEM PUDOR

UM MAR DE LEITE

A base eleitoral do senador potiguar Agenor Maria era o Alto Sertão, município de Currais Novos, onde tinha uma fazenda de gado leiteiro.

Certa vez, durante o prolongado recesso parlamentar, decidiu alugar uma casa à beira-mar, em Natal, e, além da numerosa família, levou para a temporada de veraneio um velho empregado da fazenda, seu Chico, que nunca tinha visto o mar.

- Chico, veja só que imensidão. Imagine tudo isso sendo nosso e, em vez de água, leite! - disse Agenor, puxando conversa na varanda da casa.

A resposta do velho vaqueiro foi carregada de significado:

- Prestava não, dr. Agenor. E aonde a gente ia achar tanta água pra misturar nesse leite?

sexta-feira, setembro 19, 2014

Getúlio 'modernizou o Brasil'? - FERNÃO LARA MESQUITA

PARA PRESIDENTE VOTE AÉCIO NEVES 45


O ESTADO DE S.PAULO - 19/09


Com a chegada às livrarias do terceiro e último volume do Getúlio de Lira Neto, que começa com Gregório Fortunato comandando mais uma das sessões de "degolas sistemáticas", ao estilo Estado Islâmico, das sucessivas guerras da fronteira gaúcha e termina com o tiro no peito a que o encurralou esse mesmo filho da antiga cozinheira da família Vargas feito chefe da guarda pessoal do presidente ao levar o tradicional método de solução de problemas com desafetos de São Borja para a então capital federal no atentado contra Carlos Lacerda, já não há como sustentar enganos sobre o que foram Getúlio Vargas e os 24 anos que o Brasil viveu sob a mais longeva, violenta e corrupta das ditaduras de sua História.

Mesmo assim, Getúlio segue, nas discussões de muita gente séria, sendo apresentado como "o homem que modernizou o Brasil".

Não quero negar a Getúlio os traços de personalidade que pudessem tê-lo feito simpático e mesmo fascinante para aqueles que ele nunca teve motivos para temer ou de quem nunca tenha querido se livrar, mesmo não comungando a admiração que parece ter a maioria dos jornalistas brasileiros pela "matreirice" e pelo "embaçamento" sistemáticos diante de qualquer situação que exigisse uma tomada de posição clara, esse modo enviesado de cultivar a mentira tida como a sua maior qualidade "política".

Mas a pergunta é: "modernizou" quem, cara-pálida?

O homem que esteve no poder de 1930 até 1954 presidiu o Brasil no período em que o mundo inteiro passou por um processo intensivo de industrialização e urbanização. O que se quer insinuar, portanto, é que o Brasil não se teria industrializado se Getúlio não estivesse ali? Teria continuado para sempre agrário e quase medieval? Não se teria apercebido do que estava acontecendo à sua volta? Não conseguiria caminhar pelo novo padrão de desenvolvimento que se impunha ao mundo sem ele?

Essa, parece-me, é a visão dos que foram treinados desde sempre na visão distorcida de nossos primeiros historiadores pseudomarxistas que criaram a falácia de um Brasil sem empreendedores, só com demiurgos a moldar-lhe as decisões e o destino, que Jorge Caldeira, no seu brilhante e amplamente fundamentado estudo Um Brasil com empreendedores, provou com documentação abundante e demonstrações aritméticas conclusivas que nunca existiu, nem antes nem muito menos depois da onda de imigração europeia.

Petrobrás? Volta Redonda?

Que "modernização" foi essa, considerado tudo o mais com que nos foram servidas as nossas duas primeiras estatais, tumores que se têm provado até hoje inextirpáveis?

O que é que ele mirava quando instalou no País o sindicalismo e o capitalismo "pelegos", copiados da Itália de Mussolini: o Brasil para os brasileiros do futuro ou apenas a maneira mais segura de se manter indefinidamente no poder?

A verdade é o inverso: Getúlio condenou-nos ao atraso. Entortou irremediavelmente o Brasil no momento do nascimento da modernidade. Violentou a criança. Moldou-a para o crime.

Plantou uma forma sistêmica de corrupção da base da sociedade brasileira oferecendo-lhe, com a dobradinha do sindicalismo pelego com uma "Justiça do Trabalho" irreversivelmente torta, pautada por imperativos "classistas" - na verdade, tão aritméticos e eleitoreiros quanto as "bolsas" de Lula -, em lugar dos imperativos da verdade e da justiça, um apelo irresistível para a venalidade: "traia, minta, falseie que o governo garante".

Como resistir, no país onde o que foi contratado e acertado entre dois homens, por escrito ou no "fio do bigode", é letra que já nasce morta, quando o colega do lado, ao ceder à sedução de um advogado corrupto, aciona o patrão com base numa coleção de mentiras e arranca-lhe, sem medo de errar, mais do que ganhou trabalhando anos a fio?

Lula tem razão: somos todos corruptos no Brasil que Getúlio nos legou. Daí a corrupção "não colar" como fator decisivo de eleições: é contra a lei ser honesto no Brasil. Não se consegue transitar por suas instituições sem se corromper.

Contratar trabalho no que Getúlio fez do Brasil é condenar-se à chantagem certa. Têm custado a cada ano, somente as condenações passadas a cada 365 dias, R$ 50 bilhões às empresas brasileiras os litígios com seus empregados e ex-empregados. Mas o passivo acumulado, só nesse quesito, é maior que o PIB nacional. Bem mais que a metade dos advogados do Brasil, os supostos agentes da Justiça, aliás, dedicam-se a operar diuturnamente essa ordenha certa; a levar cada brasileiro pela mão pela trilha que Getúlio abriu e dividir com ele o produto do assalto.

Na ponta de cima não é diferente. Lá, no território do sucesso, onde a presença do dinheiro grosso já tem o efeito corrosivo natural que tem em toda parte, nos aproximamos do que é o resto do mundo, em matéria de corrupção, só que com os agravantes da impunidade ampla, geral e irrestrita. Nossos corruptos seguem podendo exibir livremente o seu sucesso, o que é altamente subversivo.

Mas também aí Getúlio inovou ao sinalizar que o grande capitalismo, aqui, é só o de compadrio. Não é apenas depois do sucesso, com o dinheiro que dele advém, que a corrupção pesada se instala. É antes. Da outorga das indústrias de base aos amigo do regime da "Era Getúlio" aos "campeões do BNDES" de hoje há um caminho reto que torna facilmente possível - descartadas as raras exceções que confirmam a regra - traçar a genealogia de cada grande fortuna privada do País até a raiz do governante que proporcionou a algum amigo/financiador de campanhas a oportunidade de amealhá-la sem fazer muita força.

Até há pouco tempo, em economias nacionais "fecháveis" e "protegíveis", deu pra ir indo assim, apesar da miséria que isso custa. Mas dará para seguirmos refestelados nas nossas mentiras na economia globalizada, competindo com o mundo?

É hora de encarar a verdade: Getúlio não modernizou o Brasil. Ele o mantém preso ao passado como uma gigantesca e irremovível âncora. E não haverá hipótese de nos livrarmos dela antes que reconheçamos a sua existência.


Dilma, ignorância e espanto - REINALDO AZEVEDO

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FOLHA DE SP - 19/09


Se o PT não quiser cometer erro brutal, convém não se comportar como expressão de uma elite insensível


Ao combater Marina Silva com truculência, Dilma Rousseff mexe com forças cujo poder ignora. Consta que, na juventude, a presidente-candidata foi professora de marxismo. Huuummm...

Dada a sua inclinação para anacolutos, imagino que a tarefa dos alunos não fosse fácil. Até porque há dois Marx, né? O de "O 18 de Brumário" e "A Ideologia Alemã", por exemplo, é brilhante, goste-se ou não do que lá vai. O de "O Capital", ao qual Dilma se dedicava, é intragável e, já conversei com especialistas, às vezes, não faz sentido nem em alemão. Imagino o bruto traduzido para o português e depois filtrado pelo "dilmês castiço". É bem possível que a luta armada só tenha sido tentada no Brasil por erro de tradução e de leitura.

O povo que aparece nos manuais de esquerda é o inventado pela taxidermia socialista. Não tem vísceras nem alma, só palha. Faltar-lhe-ia um conteúdo, a ser preenchido pelas utopias redentoras. É destituído de verdade e de história.

Sua consciência possível, segundo essa visão, é a de classe, que lhe seria fornecida pelas vanguardas revolucionárias. A alternativa é a falsa consciência.

O que vai acima é uma caricatura realista de um partido socialista à moda antiga, como o PSTU, o PCO ou mesmo o PSOL, esses pterodáctilos que voejam na bondade do Fundo Partidário do "Estado burguês" que querem destruir. Lixo. O PT é outra coisa, bem mais pragmática, mas conserva a visão autoritária do que seja o povo.

Lula só representou um sopro de renovação nas esquerdas porque trazia um pouco de verdade à luta política. À época, eu tinha 16 anos e era da Convergência Socialista (origem do PSTU). Malhávamos sem dó aquele sindicalista porque o considerávamos reformista, despolitizado, cooptável, não revolucionário.

Eu endossava a crítica, mas... O que me incomodava um pouco é que ele lembrava meu pai, um operário. Os meus amigos socialistas da época, a exemplo de Dilma, nunca tinham visto o povo de perto.

Marina pertence à Família Silva, uma força política inventada por Lula. Ela não respondeu à pregação terrorista do PT sobre a suposta extinção do Bolsa Família com uma simples negativa. Foi buscar na memória o tempo em que os pais dividiam com uma penca de filhos um ovo, um pouco de farinha e algumas lascas de cebola. Quase chorou.

Pobreza pregressa não é categoria de pensamento nem fonte legitimadora de convicções e utopias. Mas, se o PT não quiser cometer um erro brutal (do seu ponto de vista; do meu, resta o divertimento), convém Dilma não se comportar como a expressão de uma elite insensível (outra criação de Lula), que reage com truculência quando o povo -Marina!- acorda e fala.

A procuradora de um ente de razão chamado "PT", onde o povo está empalhado, é, sem dúvida, Dilma. Mas a herdeira do Lula da Silva, com vísceras e história, que não cabe nos manuais esquerdopatas, é Marina Silva. O PT não tem como apagar da história de sua adversária o ovo, a farinha e as lascas de cebola. Marina sabe ser Lula. Mas Dilma só sabe ser Dilma.

É grande a chance de Marina segurar a cabeça de Dilma com a férrea placidez com que Davi exibe a de Golias num quadro de Caravaggio. No rosto do morto, um misto muito humano de ignorância e espanto.

A vaca e o brejo - MERVAL PEREIRA

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O GLOBO - 19/09
Como não existe almoço de graça, a conta começou a chegar. O resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) referente a 2013 mostra aumento da desigualdade de renda do trabalho, que estava estagnada em 2011 e 2012, e crescimento do desemprego no país, o que não acontecia desde 2009.
s críticos da atual política econômica se utilizam de urna definição sarcástica, em linguagem vulgar, para relacionar a crise que vivemos com a sucessão presidencial. Se referindo ao governo Dilma, dizem que "não há dúvida de que a vaca está indo paia o brejo. A questão é saber a distância do brejo e a velocidade da vaca"

Isto é, os resultados negativos desses quatro anos de desaceleração econômica são inevitáveis. O que não se sabe é se sua concretização no dia a dia do eleitor se dará a tempo de afetar a possibilidade de reeleição da presidente ou se os efeitos perversos do baixo crescimento dos últimos anos, com inflação em alta, só se farão sentir num próximo governo, talvez com Dilma à frente.

Para o economista Reinaldo Gonçalves, professor da UFRJ, a trajetória de distribuição foi influenciada pela conjuntura internacional favorável entre 2003 e 2008 e, a partir da crise internacional, desacelerou no Peru, interrompeu no Brasil ou reverteu, no Paraguai, a tendência de redução da desigualdade na América Latiria, fenômeno praticamente generalizado na região nesse período.

O Brasil experimentou melhora apenas marginal na sua posição no ranking mundial dos países com maior grau de desigualdade, entre meados da última década do século XX e meados da primeira década do século XXI, já que saiu da 4a posição no ranking mundial dos países mais desiguais para a 5ª posição.

No conjunto dos países que mostram melhores resultados quanto à redução da desigualdade, o Brasil ocupou, enquanto esse processo esteve em curso, a 3a posição, atrás da Venezuela (projeto de orientação socialista) e do Peru (projeto liberal), o que, para Gonçalves, demonstra que os programas sociais não encontraram barreiras ideológicas à sua execução.

Na redução da desigualdade de renda brasileira de 2001 a 2009, o fator fundamental foi que a renda per capita dos 10% mais ricos aumentou apenas 1,5% ao ano, e a dos 10% mais pobres, 6,8% por ano, o que era motivo de orgulho paia os técnicos do governo.

A piora em 2013 se deveu ao fato de que o aumento na renda dos 10% mais ricos ocorreu com mais velocidade do que entre os 10% mais pobres. Os rendimentos dos que ganham em média R$ 11.758 cresceram 6,3%, enquanto os com renda inferior a um salário mínimo avançaram 3,5%.

A Pnad mostra que o índice de Gini - indicador usado pela ONU para medir a desigualdade de renda nos países, e que quanto mais próximo de 0 indica melhor distribuição de renda - se mantinha estagnado desde 2011, tendo subido ligeiramente em 2013, após avanços continuados nos anos anteriores.

Para Gonçalves, não será surpresa se, no futuro próximo, ocorrer o aumento dos índices de desigualdade da renda no Brasil. Ele elenca uma série de razões para isso acontecer: a distribuição da renda foi incipiente no século XXI na América Latina; a redução da desigualdade se refere, em grande medida, aos rendimentos recebidos pela classe trabalhadora e não ao capital; não há registro de mudanças, nem mesmo incipientes, na distribuição funcional da renda (salários, lucros, juros e aluguéis); na ausência de mudanças na distribuição da riqueza e da renda (distribuição funcional), o poder econômico e o poder político continuam extraordinariamente concentrados e, de modo geral, alimentam sistemas políticos patrimonialistas, nepotistas e corruptos e geram subdesenvolvimento social e institucional em muitos países.

Gonçalves analisa as trajetórias de redução da desigualdade da renda na América Latina e constata que seguiram a "linha de menor resistência" Segundo ele, a queda vinha sendo determinada, em grande medida, pela interação dos seguintes fatores: transferências públicas de assistência social; política de salário mínimo; crescimento econômico; expansão do mercado de trabalho, num contexto internacional favorável até 2008.

Na fase descendente da economia mundial pós-2008, o Brasil se tornou vulnerável aos efeitos da situação econômica externa, que um dia o ex-presidente Lula classificou de "marolinha"," por uma razão, segundo Gonçalves: "Não há registro, pelo menos no Brasil, de mudanças estruturais" 

Gato por lebre - DORA KRAMER

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O ESTADÃO - 19/09


A eleição presidencial ainda está para entrar na fase da reta quase final para o primeiro turno de votação e o PMDB já ocupa espaço no noticiário com pose de fiador da estabilidade política, garantidor da boa governança.

“Sem o PMDB não se governa”, disseram nesta semana em entrevistas distintas o vice-presidente da República e presidente do partido, Michel Temer, e o candidato a vice na chapa do PSB, Beto Albuquerque. Tangenciaram a realidade e afirmaram ambos uma meia-verdade.

Caso seja sobre apoio institucional que falaram, Itamar Franco não o teve e governou. Fernando Henrique Cardoso, tampouco. Contou com uma ala do partido, mas teve oposição ferrenha de outra.

Mas também podemos examinar a questão pelo aspecto do peso do partido nas decisões de governo. Quando aderiu ao PT de corpo e alma, na reeleição de Luiz Inácio da Silva, em 2006, recebeu do então presidente tratamento social e político de luxo, mas jamais dividiu verdadeiramente o poder com o PT.

No ato de adesão, apresentou uma carta-compromisso com sete pontos “exigidos” pelo partido, entre os quais crescimento do PIB acima de 5%, reformas política e tributária e redução dos gastos públicos.

Ninguém se emocionou com as exigências nem as comprou pelo valor de face. O PMDB continuou onde estava sem dar um pio a despeito de contrariado sobre os itens que considerava indispensáveis à boa governança.

Veio o governo Dilma Rousseff e com ele a explicitação do racha do partido em função da contrariedade extrema com o Palácio do Planalto. Motivo: o PMDB conquistou a vice-presidência, cinco ministérios e logo percebeu que, de concreto, havia recebido uma casa de reu­niões com vista para o lago Paranoá (o Palácio do Jaburu, residência do vice) e nada mais.

Segundo relatos dos peemedebistas, eles nunca tiveram poder real nos ministérios nem influência de fato. Situação corroborada por Michel Temer em recente entrevista, ao falar sobre o papel do ministro Edison Lobão no Ministério das Minas e Energia: “Formalmente ele é o responsável pelo setor, mas na realidade não tem o controle geral”.

Ora, se é assim, de onde vem a ideia de que “não se governa sem o PMDB?” Governa-se. Tanto se governa mal quanto se governa bem.

A questão é outra e não diz respeito à qualidade de administração das políticas públicas no Poder Executivo. Tem a ver, isto sim, com o menor ou maior grau de resguardo que o partido é capaz de dar ao Palácio do Planalto no Legislativo e, a depender da extensão e da longevidade das ligações de integrantes da cúpula, até no Poder Judiciário.

O PMDB é importante porque tem poder local. Prefeitos, vereadores, governadores, deputados, senadores, bancadas amplas que lhe garantem o comando do Legislativo, tempo de televisão em períodos eleitorais e disposição de negociar (ou não) esses ativos. Oferece proteção em troca da renovação dos instrumentos desse tipo de sobrevivência.

A isso dá o nome de governabilidade. Mas quem não nasceu ontem não é obrigado a acreditar.

Tempo do onça. Numa curiosa sequência, Luiz Inácio da Silva, José Sarney e João Pedro Stédile trataram Marina como “dona” naquele sentido pejorativo que certos homens de antigamente chamavam de “dona Maria” qualquer mulher ao volante.

No sábado passado, Lula disse que nunca falou mal de “dona Marina” e acrescentou: “Dona Marina não precisa contar inverdades a meu respeito para chorar”. Na segunda-feira, Stédile ameaçou: “A dona Marina que não invente de botar as mãos na Petrobras que estaremos aqui todos os dias [em protesto na sede da empresa]”. Na quarta, Sarney, por sua vez, afirmou: “Com essa cara de santinha, ninguém é mais radical e raivosa que dona Marina”.

Um jeito rudimentar, antiquado e mal-educado de demonstrar menosprezo.


É bom, mas é ruim - ELIANE CANTANHÊDE

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FOLHA DE SP - 19/09


BRASÍLIA - Na contramão das estatais e dos órgãos de governo, o IBGE resistiu ao aparelhamento e às ingerências indevidas e continua dando valiosas contribuições para a compreensão do país e para detectar o ritmo dos avanços nas mais diferentes áreas. Doa a quem doer.

Em plena campanha eleitoral, ao largo de palanques partidários e troca de ataques, o IBGE deu duas das piores notícias não só para a presidente Dilma, mas principalmente para a candidata Dilma. O Brasil entrou em recessão técnica, com dois trimestres consecutivos de crescimento negativo. E, depois de anos de queda, a Pnad de 2013 mostra que a desigualdade social parou de cair.

São dois golpes para Dilma. Um, o pibinho devagar quase parando, ratifica a crítica generalizada de que a política econômica dos últimos quatro anos deu errado. Outro, a desigualdade estacionada, enfraquece muito o discurso petista. Lula deve estar arrancando os cabelos.

O IBGE, porém, é um copo meio cheio, meio vazio. Se contém motivos de ataque contra Dilma, inclui também argumentos de defesa.

Exemplos. A oposição pode dizer que o desemprego subiu (e deve subir mais em 2014). Mas Dilma pode alegar que, apesar disso, a renda aumentou. A oposição pode dizer que há 13 milhões de analfabetos no país. Mas Dilma pode rebater dizendo que, apesar disso, eles continuam diminuindo. A oposição pode dizer que 43% das residências até hoje não têm esgoto, outra grande tragédia. Mas Dilma pode alegar que, apesar disso, houve uma redução acentuada no total. Ou, ao contrário: Dilma se elogiar, a oposição retrucar.

Ou seja, a Pnad contém dados para todos os gostos e ângulos. O que importa é que o IBGE resistiu à pressão do Planalto, via senadores amigões, e continua cumprindo seu papel de pesquisar, divulgar, analisar e, assim, contribuir para o entendimento e o planejamento do país, seja quem for o (a) presidente. O IBGE é nosso! Como a Petrobras um dia foi.

O segredo de Gisele - JOSÉ PIO MARTINS

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GAZETA DO POVO - PR - 19/09


Nestes tempos tristes, em que dia após dia vemos desfilar diante de nossos olhos uma legião de homens poderosos pegos em fraudes bilionárias, picaretagens indecentes e atos de corrupção intermináveis, oferecendo-nos uma realidade pavorosa parecida com um filme de terror moral, vale a pena observar aqueles que, com mérito e decência, atingiram o sucesso e tornaram-se exemplo de competência e dignidade.

Conversando sobre isso, levantei a seguinte questão: qual é o segredo do estrondoso sucesso de Gisele Bündchen? Essa brasileira tomou o posto de modelo mais importante de todos os tempos e se mantém no topo há quase 20 anos. De onde vem esse sucesso? Muitos diriam: é o excesso de beleza. Claro, Gisele é de uma beleza estonteante, não há dúvida quanto a isso. Mas será que ela é realmente a mulher mais bonita do mundo?

Certamente há, no mundo, mulheres tão ou até mais belas que Gisele. Então, se não é a beleza, que razões podem explicar o sucesso dessa mulher? As respostas não são curtas, mas vejo alguns elementos no êxito dela: talento imenso; esforço incansável; dedicação extrema; profissionalismo na carreira; autoconfiança inabalável; comportamento irrepreensível; simpatia contagiante; e carisma de sobra.

Os fotógrafos dizem que ela é uma artista e suas fotos não captam apenas belos traços faciais e um corpo esguio; captam, também, expressões que só os artistas conseguem apresentar. Os estilistas dizem que 100 mulheres podem entrar na passarela, porém lá, no meio delas, Gisele se destacará, e sua imagem irá sobressair, única e incomparável.

Vi na televisão uma entrevistada tentando explicar por que Gisele transforma em sucesso de vendas os produtos que ela veste e divulga. É uma espécie de rei Midas: tudo o que toca vira ouro. A entrevistada dizia que os homens e as mulheres admiram e gostam de Gisele, e todos são atraídos por ela e por sua figura. Seu prestígio é tanto que é quase impossível andar pelos países ocidentais e não ver um outdoor ou uma capa de revista com a foto da modelo.

À moda dos gurus de administração, dá para identificar nos atributos e nas atitudes de Gisele as razões que a colocaram na posição de modelo número 1 do mundo. Estudar aqueles oito atributos citados e, sobretudo, observá-los quando estão presentes na mesma pessoa pode ajudar a explicar por que alguém chega tão longe, enquanto outros mal conseguem prosseguir em uma carreira medíocre.

Entre os fatores de sucesso referidos vale destacar o talento (que nada mais é que a capacidade que alguém tem de fazer com naturalidade e alta qualidade aquilo que outros mal conseguem fazer mesmo com um esforço sobre-humano) e a dedicação firme e persistente. Quando essas duas marcas se juntam, e se a elas ainda se somam outras capazes de conduzir ao êxito, então o sucesso é decorrência natural.

O Brasil precisa de exemplos de pessoas que, com talento e decência, conseguiram vencer na vida, já que exemplos de corruptos e malandros temos de sobra. Esses procriam de forma exuberante, muitos deles chafurdando nas sombras do poder, onde abandonam a decência e a moral para amealhar milhões que os transformam em ricos de dinheiro, porém miseráveis de virtudes.

O caso de Gisele Bündchen é emblemático. Ela é a maior top model do mundo. É recomendável estudar as qualidades que a levaram tão longe. Aprender com as qualidades e os méritos dos outros, eis aí um ato de inteligência.


Em eleição tudo pode acontecer - ALBERTO GOLDMAN

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FOLHA DE SP - 19/09


O que vemos hoje é o embate entre Dilma e Marina, um espetáculo pouco edificante. Enquanto isso, Aécio Neves apresenta suas propostas


A disputa eleitoral começa a entrar em sua fase aguda. Como sempre, em função das pesquisas, que mostram um quadro momentâneo, alguns cantam vitória antecipada. Outros, quando a derrota lhes parece inevitável, entregam-se, seja por desânimo, por indigência intelectual ou por puro oportunismo, e passam a procurar o "menos pior".

É o que acontece com a disputa presidencial deste ano. Em razão de um triste episódio --a morte de Eduardo Campos--, surgiu uma nova candidata, Marina Silva (PSB), que aparece em primeiro ou segundo lugares nas pesquisas, como se fosse uma das contendoras inevitáveis no segundo turno.

Minha experiência é repleta de episódios de disputas em que profundas modificações se dão no processo eleitoral, produzindo grandes mudanças na intenção de voto dos eleitores até o dia da votação. Já assisti a isso em eleições em todos os níveis. Fernando Henrique perdeu a eleição para prefeito de São Paulo nas 48 horas que antecediam a eleição de 1985. Luiza Erundina venceu o pleito municipal em São Paulo, em 1988, na última semana, atropelando Paulo Maluf e João Leiva.

Em 1989, na sucessão de José Sarney, tudo fazia crer que Brizola venceria. Para surpresa geral, o desconhecido Fernando Collor cresceu, acompanhado de Lula. Os dois foram para o segundo turno e Brizola ficou de fora. Na última disputa municipal em São Paulo, o azarão Celso Russomano parecia imbatível, disputaria sem qualquer dúvida o segundo turno. Não foi o que ocorreu.

O caso mais emblemático que vivi semelhante com o que está ocorrendo até agora foi em 1986, na disputa ao governo de São Paulo. O quadro no início da campanha era Maluf em primeiro, Orestes Quércia logo atrás. Inesperadamente, e já próximo à data da eleição, o PTB lançou Antônio Ermírio de Moraes, empresário de respeito, que imediatamente apareceu em segundo, muito perto de Maluf, jogando Quércia para baixo (com 9 % nas pesquisas).

Quércia parecia liquidado, a questão seria escolher Maluf ou Antônio Ermírio (não havia segundo turno) e muitos bandearam-se para o empresário, considerado o "mal menor". O resultado final foi Quércia vitorioso, Antônio Ermírio em segundo e Maluf lá atrás.

O processo eleitoral é complexo e muitos fatores alteram a intenção dos eleitores expressa nas pesquisas quase que de um dia para o outro. A pesquisa não tem o dom de prever o futuro, apenas retrata o presente. Na atual eleição presidencial, a mobilidade das intenções de voto dos eleitores é patente, e não poderia ser de outra forma.

Alguns números são relativamente estáveis, como o índice de rejeição da presidente Dilma Rousseff, que fica acima de 30%, com menos de 40% das intenções de voto a seu favor e a vontade de mudança expressa por 70% do eleitorado. Mas está em evolução o nível de conhecimento de Aécio Neves, ainda baixo, ao contrário dos índices altos de Dilma e Marina.

O que se vê hoje é o embate em que se meteram as duas respeitáveis candidatas que, se de um lado mostra um espetáculo pouco edificante na disputa eleitoral, por outro mostra o caráter e a personalidade de cada uma. Enquanto isso, Aécio acertadamente apresenta sua história e suas propostas.

Haverá um momento em que o eleitor se perguntará sobre quem é o melhor, levando em conta seus perfis e o que pensam das questões que são realmente importantes para a vida dos brasileiros e para o futuro da nação: petróleo, infraestrutura, preços, salários, inflação, crescimento econômico, democracia, valores éticos, escândalos. Tudo isso há de influir na decisão do eleitor.

Essa mobilidade já se mostrou nas primeiras semanas de campanha e se aprofundará nas seguintes à medida que a data fatal se aproxima. Quanto mais perto dela, mais a atenção do eleitor e mais decidida passa a ser sua intenção de voto. Até os últimos dias tudo pode acontecer.

O terceiro turno - NELSON MOTTA

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O ESTADÃO - 19/09

‘No dia seguinte à posse de Marina ou Aécio, começariam as greves, as badernas, as avenidas das grandes cidades bloqueadas diariamente por manifestações de sindicatos’



Apesar de detestar Lula e o PT e considerar desastroso o governo Dilma, meu tio Paulão, de 90 anos, que votou em todas as eleições desde 1942 e se diz um velho cínico e pragmático, embora pela idade esteja dispensado, está na firme disposição de votar em Dilma:

— No dia seguinte à posse da Marina ou do Aécio, começariam as greves, as badernas, as avenidas das grandes cidades bloqueadas diariamente por manifestações de sindicatos, o Stédile já disse que vai botar o MST na rua todo dia, a CUT já está preparando os ônibus e os lanches, o Gilberto Carvalho agora vai ter todo o seu tempo para cobrar dos “movimentos sociais” por todas as ajudas que lhes deu para infernizar a vida e inviabilizar o governo dos “usurpadores da causa popular e lacaios do capital internacional”.

— Menos, tio, menos, nem a Luciana Genro fala assim, há o Congresso, o Judiciário, a mídia, uma nova correlação de forças…

— Como você pode ser tão ingênuo com quase 70 anos? Você ainda duvida que eles são capazes de tudo pelo poder? Eles chamam esse vale-tudo de “luta politica” e vale até votar contra o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Constituição de 88. Se fizeram essa escrotice pelo partido, imagine o que não farão para não perder as suas boquinhas e bocadas? Só em cargos de confiança serão 25 mil na rua da amargura e você acha que esse pessoal vai chorar em casa e procurar trabalho?

— Calma, tio, você está meio paranoico, parece o Mário Amato dizendo que 800 mil empresários iam fugir do Brasil se o Lula fosse eleito em 1989, o Collor dizendo que o Lula ia sequestrar as poupanças, o Lula dizendo que o Alckmin ia privatizar a Petrobras…

— Se, em vez de tentar desconstruir a Marina, ou culpar o Aécio por tudo de ruim da era FH, o João Santana fizesse um filme de terror mostrando o inferno que será a vida dos brasileiros com o PT na oposição, como uma fera ferida, movido a ódio e rancor, sabotando todas as iniciativas do governo no Congresso, paralisando a administração, denunciando tudo e todos, parando o país …

Soltou uma gargalhada sinistra:

— Ia ser Dilma no primeiro turno!

A injustiça social de Dilma - VINICIUS TORRES FREIRE

PARA PRESIDENTE VOTE AÉCIO NEVES 45


FOLHA DE SP - 19/09

No que depende da renda, bem-estar ainda aumentou em 2013, mas país vai parando


A DESIGUALDADE DE RENDA no Brasil ficou na mesma entre 2011 e 2013, os três primeiros anos de governo de Dilma Rousseff. O bem-estar social no entanto aumentou bem nesses anos, inclusive no fraquinho 2013. Isto é, a renda de todas as classes cresceu. Ainda assim, a candidata-presidente Dilma Rousseff (PT) será avacalhada de modo extremo, portanto oportunista, culpada pelo fato de que a distribuição de renda parou de melhorar (não piorou).

A campanha petista vai provar um pouco do gosto do lixo ignaro que despejou na campanha marinista com aquela história de banqueiros do demo.

Isto posto, nem de longe está tudo azul ou rosa no Brasil que aparece no balanço anual da situação socioeconômica, publicado ontem pelo IBGE, a Pnad 2013.

Primeiro, porque em uma país ainda muito iníquo como o Brasil não é possível aceitar sem mais que a desigualdade deixe de diminuir. Segundo, porque ao menos parte dessa estagnação se deve ao baixo crescimento da economia dos anos Dilma. Terceiro, porque o governo não teve imaginação ou capacidade de alterar algumas características sociais e econômicas do país, as quais produzem desigualdade.

Repita-se que o bem-estar social, no que depende da renda, pode melhorar mesmo sem redução da desigualdade. Talvez a melhora se torne assim desnecessariamente mais lenta. A renda de todas as "classes" aumentou em 2013 ("classe" aqui é cada décimo em que é dividida a população). Mas os rendimentos dos 10% ou 20% mais pobres cresceram menos.

O que pegou? Provavelmente, reajustes menores do salário mínimo devido ao crescimento menor da economia, do PIB (o mínimo reajusta benefícios previdenciários e assistenciais, embora não o Bolsa Família). O crescimento menor do emprego também deve ter feito estragos.

É possível ainda que a redução adicional e rápida da desigualdade dependa agora de programas política e economicamente mais difíceis de implementar. Para dar dois exemplos elementares:

1) Mexer nos impostos de modo a favorecer os mais pobres, assim como melhorar a redistribuição de renda (as transferências de renda nem sempre favorecem os mais pobres);

2) Melhorar a educação e a infraestrutura de modo a retirar os mais pobres de trabalhos improdutivos, quando há trabalho, em especial em cafundós sem infraestrutura (sem estrada, sem acesso a mercados etc.): agricultores de subsistência, catadores em geral, prestadores de serviços primitivos, empregados do microcomércio precário, para ficar apenas em casos aberrantes.

Mas há mais: o Brasil tolera que se empreguem pessoas em ocupações de produtividade e salários baixos (para não falar do desperdício humano): frentista, cobrador de ônibus, porteiro, segurança. Falta de escola e baixo investimento dá nisso.

O governo até que se mexeu um pouquinho, com Pronatec, subsídios para faculdades (ruins...) e microcrédito. Mas é muito pouquinho. A escola básica é o que sabemos, e o investimento em infraestrutura (ou quase qualquer outro) decresceu devido à política econômica ruim.

A Pnad aliás diz coisas interessantes sobre escola, infraestrutura social e consumo. Mas isso fica para outro dia.

No trombone - LUIZ GARCIA

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O GLOBO - 19/09

Decisão de juíza ampliou consideravelmente o número de cidadãos que ficarão sabendo que Cid Gomes está entre os citados por Paulo Roberto em suas denúncias


A liberdade de imprensa, como a maioria das pessoas sabe — mas às vezes esquece —, tem dois beneficiários: aquele que diz aquilo que pensa ou relata o que sabe e a sociedade em geral, que precisa da informação para tomar suas decisões e escolher seus caminhos.

É dever do Judiciário, provocado por algum cidadão ou, em alguns casos, espontaneamente, decidir se a imprensa está usando corretamente o seu direito e dever de colocar a boca no trombone — ou se está abusando dele.

Alguma forma de censura sempre existe, mesmo nos regimes mais democráticos. Mas, principalmente nestes, decisões do Judiciário sempre estarão sujeitas à análise severa e, eventualmente, crítica e combate. No momento, há um caso ainda no ar.

Aconteceu no Ceará. A juíza Maria Marleide Maciel Queiroz tomou uma decisão de amplo alcance: proibiu a circulação no país inteiro do último número da revista “IstoÉ”. Ela atendeu prontamente a um pedido do governador Cid Gomes, do PROS. Motivo: a revista registrara que o seu nome estava incluído entre os delatados por um ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, envolvido em bandalheiras financeiras — como se dizia antigamente — na empresa estatal.

Depois disso, no entanto, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a validade da decisão da juíza.

Cid Gomes tem, é óbvio, pleno direito de defesa. Basta provar que é inocente. Pode, inclusive, processar a revista e levar para casa um bom dinheiro. Se ganhar a causa, claro. Mas o que ele e a juíza fizeram foi algo considerado bastante feio em regimes democráticos: atende pelo nome de censura prévia, o que só não é um palavrão em ditaduras.

E também não é uma reação inteligente, porque amplia consideravelmente o número de cidadãos que ficarão sabendo que Cid está entre os cidadãos citados por Paulo Roberto em suas denúncias.

No fim das contas, a “IstoÉ” pode agradecer: o governador acabou soprando no seu trombone.

Persiste a falta de clareza e precisão dos candidatos - EDITORIAL O GLOBO

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O GLOBO - 119/09


Com propostas genéricas e imprecisas, candidatos passam a impressão que tentam esconder a própria fragilidade de seus projetos



A primeira vítima numa campanha eleitoral é a verdade. A sentença, como toda frase feita, é arbitrária. Mas serve para resumir o teor de ataques petistas a Marina Silva (PSB), a maior ameaça, até agora, ao projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Diante do escasso efeito, porém, a agressiva estratégia seria revista. Também porque surgiram sinais na última pesquisa Ibope-Rede Globo de que as distorções maniqueistas de filmetes produzidos para “desconstruir” Marina estariam prejudicando a própria Dilma. Um tiro pela culatra.

A candidata-presidente, então, tenderia a ser mais propositiva. Se assim for, ganharão os eleitores. Dilma já tem feito a defesa de políticas e programas isolados, enquanto dá balanços positivos de atos do governo. Ao tratar, por exemplo, do Supersimples — desburocratiza a vida do pequeno empreendedor e estabelece uma carga tributária leve sobre ele —, a candidata se compromete a criar uma “rampa” tributária, a fim de o pequeno empresário não ser punido punido se crescer. É boa iniciativa.

Mas o que se quer saber mesmo são questões macroeconômicas, da própria filosofia de condução do país por Dilma: insistirá no intervencionismo? O Banco Central continuará uma espécie de sucursal do Planalto? Vai combater como preciso a inflação, ou a elevada taxa de 6,5% anuais foi mesmo convertida em centro da meta? A contabilidade criativa persistirá tornando cada vez menos transparente as contas públicas? É ingênuo esperar que haja respostas diretas. Mas PT e candidata podem ter certeza que a omissão em torno desses e outros assuntos cruciais soará como confirmação de que o segundo mandato será um videoteipe do primeiro, apesar do fracasso da política econômica, expresso na elevada inflação, no baixo crescimento — que já começa a afetar o emprego —, nos investimentos anêmicos, nos desequilíbrios externos e na hemorragia fiscal.

Marina Silva e Aécio Neves (PSDB) também precisam expor com clareza, e aos detalhes, qual o programa de seu eventual governo. Marina divulgou uma primeira versão de propostas e promete uma nova, mais detalhada.

Pode aproveitar para explicar de onde virão os R$ 150 bilhões que, se estima, custarão, em quatro anos, propostas que faz, sem incluir um amplo programa de mobilidade urbana para cidades com mais de 200 mil habitantes. Deveria, ainda, esclarecer a cariocas e fluminenses se irá mesmo tirar royalties do Rio, reduzir investimentos no pré-sal e interromper as obras de Angra3.

Aécio deve divulgar seu programa semana que vem. Mas anuncia-se que será genérico — um erro. Paira a sensação de que a falta de objetividade e clareza em propostas esconde a sua própria fragilidade. Tem sido assim em eleições. Mas hoje a situação do país exige uma dose bem maior de franqueza e honestidade.

'Nova política' e vida real - EDITORIAL O ESTADÃO

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O ESTADO DE S.PAULO - 19/09


Sabatinado por este jornal, o candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva, deputado federal Beto Albuquerque, do PSB gaúcho, tentou aparentemente transformar um círculo em um quadrado, ao reconhecer que "ninguém governa sem o PMDB", ressalvando, porém, que "não é preciso entregar o governo para ter governabilidade". A questão foi levantada porque toca no nervo exposto da candidatura Marina - o disseminado ceticismo sobre as suas chances, se eleita, de formar uma equipe de governo que não seja um ajuntamento de estranhos no ninho e de construir uma base parlamentar que lhe permita aprovar os projetos que lhe forem mais caros.

O que se pode chamar de bancada marineira na Câmara dos Deputados - as cadeiras hoje ocupadas pela coligação que reúne, além do PSB do falecido Eduardo Campos, o PPS e quatro siglas nanicas - soma 32 em um total de 513. Na melhor das hipóteses, segundo projeções publicadas pelo jornal Valor, os socialistas sairão das urnas com o mesmo número de vagas (34) conquistadas em 2010 para fazer parte de uma Casa provavelmente ainda mais fragmentada que a atual, de 22 siglas. Diz a candidata, em desespero de causa, que fará um governo com os "melhores" nomes do espectro partidário que compõe o Legislativo. É de rogar aos céus que ela própria descreia de suas palavras.

Do contrário revelará um desconhecimento abissal de como funciona a política, não obstante seus dois mandatos de senadora. Melhores, piores e mais ou menos, os parlamentares vivem todos numa teia de lealdades a quem os tenha feito chegar ao Congresso Nacional. E ali estão sujeitos a uma complexa estrutura de poder alicerçada no sistema de lideranças que mantêm a coesão interna das bancadas. Uma coisa e outra restringem a liberdade de movimentos de seus membros mais do que possa conceber a vã filosofia da "nova política". Descartada, por ingênua ou insincera, a retórica do tal governo dos melhores, resta o governo possível com a expressão organizada do Parlamento.

No "presidencialismo de coalizão" brasileiro, essa fórmula leva uma dose de afinidade programática, outra de convergência com os grupos de interesses do Congresso e oito partes de realpolitik - o acatamento da relação de forças entre os partidos, resultante de cada ciclo eleitoral. O que, teoricamente, abriria três possibilidades para Marina em 2015: fazer as pazes com o PT, achegar-se ao PMDB ou se aliar à frente PSDB-DEM. Na primeira e mais remota hipótese, será mais do que mais do mesmo para o País: o pior dos dois mundos. Na terceira, que poderá começar pelo apoio tucano à candidata que ameaça despejar Dilma Rousseff - a menos que o senador Aécio Neves consiga superá-la -, o produto será um governo de minoria, mas com razoável grau de coerência e capacidade de atração de outras legendas médias.

Já um acerto com um PMDB - que deverá continuar com a segunda maior bancada da Câmara, depois do PT, e com a maior do Senado - equivalerá a um pedido de Marina para que esqueçam o que não se cansou de repetir sobre a renovação dos costumes políticos nacionais. E não será nenhuma pechincha, diga o que disser o deputado Beto Albuquerque sobre governar com o PMDB sem lhe dar o governo. Na entrevista ao Estado, ele perguntou retoricamente por que teria de consultar o presidente do Senado, Renan Calheiros, sobre quem deveria ser indicado para uma Transpetro, por exemplo. Porque é disso que os oligarcas do PMDB alimentam o seu poder, antes e depois das urnas. Nesse jogo duro, o conselho que deixou de ser solicitado é um ato de menoscabo que não pode passar em branco.

"Nosso governo", promete o candidato a vice, "não vai indicar gente inapta porque é pedido de alguém." Na vida real, é mais complicado. No mercado de apoios políticos, o interessado pode sair com o filé que desejava, desde que leve também uma porção de carne de pescoço. Enquanto o PMDB for o partido que trocou a disputa pelo Planalto por estar no Planalto em qualquer governo - embora os seus hierarcas falem em lançar um nome em 2018 -, e enquanto for hegemônico no Congresso, só restará a uma presidente Marina tentar a proeza de se entender com o diabo sem sair abrasada do entendimento.

Descaso programático - EDITORIAL FOLHA DE SP

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FOLHA DE SP - 19/09


Dilma e Aécio ainda não apresentaram documentos oficiais com todas as suas propostas, deixando eleitor em dúvida sobre seus planos


As erratas de Marina Silva em relação ao seu programa de governo, quem diria, não foram o que de pior aconteceu nesse capítulo da disputa presidencial. A candidata do PSB, afinal, ao menos entregou à Justiça Eleitoral um documento que consolida suas propostas.

Verdade que as emendas à carta diminuíram-lhe a credibilidade. No episódio mais polêmico, itens que versavam sobre a criminalização da homofobia e a regulamentação do casamento gay não resistiram às críticas de pastores evangélicos. Em menos de 24 horas, Marina desautorizou as passagens.

Ainda assim, e mesmo considerando o quanto recuos dessa natureza acrescentam de incerteza a sua postulação, é salutar que a ex-ministra do Meio Ambiente tenha apresentado sua agenda, permitindo que a sociedade conheça e debata um catálogo oficial.

Aécio Neves (PSDB) não chegou a tanto. O senador ainda promete finalizar seu programa de governo, mas até hoje, faltando 16 dias para a votação, não avançou além das diretrizes gerais que todo candidato deve, por lei, protocolar ao registrar sua postulação.

Diga-se, quanto a isso, que o compêndio do tucano alcança um nível de detalhamento que o esquálido congênere petista nem resvala. É pouco, porém, para que Aécio se sinta confortável a ponto de alfinetar Marina, dizendo que entregará um documento escrito a caneta, e não "feito a lápis, para apagar a depender de pressões".

Desconfortável mesmo deveria estar a presidente Dilma Rousseff (PT), que teve atitude bastante distinta. Diante das divergências entre o que defende seu partido e o que pretende seu governo, a mandatária considerou oportuno suspender a divulgação de seu programa.

Para ela, talvez seja conveniente evitar esse tipo de atrito. Quem conhece sua intransigência quase folclórica sabe que Dilma sairia perdendo se aceitasse discutir sua relação com o PT em meio a uma eleição tão apertada. A presidente não pode se dar ao luxo de brigar com a própria legenda.

Ao eleitor, por óbvio, essa lógica mesquinha de nada serve. Como saber de que maneira Dilma planeja se comportar num eventual segundo mandato se nem aceita assumir compromissos formais?

A presidente quer ser reconduzida ao Planalto para, entre outras medidas, tentar reduzir a jornada de trabalho, como quer o PT, ou para bloquear essa votação no Congresso, como tem feito seu governo? Propugnará a revisão da Lei da Anistia, seguindo orientações do partido, ou se esquivará do tema?

Dilma, infelizmente, prefere silenciar, oferecendo à população apenas o mundo mágico, e mentiroso, da propaganda eleitoral.

Mercado controlado - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

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GAZETA DO POVO - PR - 19/09

O “efeito Orloff” dos anos 80 agora parece se aplicar a Venezuela e Argentina


O Legislativo argentino deu um grande impulso ao intervencionismo estatal na economia do país na madrugada desta quinta-feira, quando a Câmara dos Deputados aprovou a reforma da Lei de Abastecimento, que já havia passado pelo Senado e agora só depende da sanção de Cristina Kirchner para entrar em vigor.

A nova legislação dá ao Estado um poder tão grande que praticamente coloca em risco a existência de um mercado livre no país. O governo argentino poderá fixar valores mínimos e máximos para o preço dos produtos, além de “dispor sobre a continuidade de produção, industrialização, comercialização, transporte, distribuição ou prestação de serviços, assim como a fabricação de determinados produtos, dentro de níveis ou cotas mínimas estabelecidas pela autoridade de aplicação, que vai considerar o volume habitual de produção e a capacidade produtiva” – em outras palavras, o governo poderá intervir sobre praticamente todas as etapas da cadeia produtiva, inclusive impondo cotas de produção que obrigariam determinada companhia a seguir fabricando algo mesmo que isso lhe cause prejuízo (a lei prevê a possibilidade de subsídios nesses casos).

A lei não obriga o Estado a colocar em prática todas essas possibilidades, mas a mera permissão para que o faça já é suficientemente preocupante. As punições para as empresas que desrespeitarem os limites impostos pelo Executivo vão de multas leves ao fechamento da companhia por 90 dias ou à suspensão do seu registro por cinco anos. O estabelecimento de cotas ficará a cargo da Secretaria de Comércio do Ministério da Economia – o mesmo órgão que, em 2012, passou a centralizar as decisões sobre o que podia ou não ser importado pelas empresas argentinas, obrigadas a enviar e-mails ao titular da pasta sempre que quisessem trazer algo do exterior.

Representantes do setor produtivo argentino manifestaram sua oposição à lei e tentarão derrubá-la nos tribunais – o que, dada a influência do kirchnerismo no Judiciário argentino, soa improvável. O deputado de oposição Mario Negri resumiu perfeitamente o espírito da nova legislação ao dizer que o governo pensa que se pode gerar disciplina gerando o temor.

Nos anos 80, graças a um anúncio de vodca que continha a frase “eu sou você amanhã”, economistas brasileiros cunharam a expressão “efeito Orloff”, que à época se referia aos erros no combate à hiperinflação cometidos pela Argentina e, depois, repetidos pelo Brasil. Desta vez, o fenômeno é o mesmo, mas é a Argentina que imita a Venezuela do falecido Hugo Chávez e seu sucessor, Nicolás Maduro. O país que exporta autoritarismo pela América do Sul – promovendo “liquidações bolivarianas”, reduzindo arbitrariamente o preço de produtos e estatizando estabelecimentos – vive hoje com inflação descontrolada e escassez de produtos, chegando ao ponto de proibir consumidores de comprar mais de uma vez o mesmo produto na mesma semana.

Na Argentina, a inflação está tomando o mesmo rumo, e o governo mascara os dados para fazer a situação parecer melhor do que realmente é. O contrabando cresce a olhos vistos, Cristina Kirchner briga com credores que não aceitaram a reestruturação da dívida externa após o calote de 2001, e o dólar no câmbio negro vale quase 80% mais que pela cotação oficial – quando alcançou 15 pesos, comediantes o apelidaram de “dólar debutante”, mas ressaltaram que um dia ele ainda chegará à maioridade. A seguir nesse caminho, não surpreenderá se os argentinos forem os próximos a fazer fila diante de supermercados para conseguir abastecer suas casas com papel higiênico.

O alerta da desigualdade - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

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CORREIO BRAZILIENSE - 19/09
Qual a cara do Brasil? A pergunta procede. Em constante mobilidade, o país apresenta mudanças cujo acompanhamento constitui importante bússola para as políticas públicas. Aplicar os recursos em setores corretos evita desperdícios e otimiza o retorno dos investimentos. É, pois, bem-vinda a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com dados de 2013, o estudo mostra retrato de corpo inteiro das condições de vida dos mais de 201 milhões de brasileiros. Há que comemorar a queda do analfabetismo, a redução do trabalho infantil e o aumento da formalidade nas relações de trabalho. Mas nem tudo são flores. Item preocupante que chama a atenção é a interrupção de ciclo de redução da desigualdade.

Depois de 12 anos de avanços, aumentou o abismo entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres. O Índice de Gini, que mede a concentração de renda, passou de 0,498 para 0,496 (quanto menor o número, maior é o distanciamento). O retrocesso significa que voltamos ao patamar de 2011. Em português claro: os ricos ficaram mais ricos; os pobres, mais pobres.

Não por acaso a Região Nordeste exibiu os piores resultados (0,523). O Piauí ficou no topo do ranking nacional - 0,566. As variações mais substantivas ficaram com os rendimentos mais elevados. A parcela menos favorecida da população recebeu, em média, R$ 235 por mês pelo trabalho - valor 3,5% superior ao do ano anterior. Os mais favorecidos, por seu lado, ganharam, em média, R$ 6.930 - montante 6,4% maior do que em 2012.

Considerados os rendimentos além da renda do trabalho, como patrimônios e investimentos, a Região Sul ficou no polo oposto à Nordeste (0,463). Santa Catarina sobressaiu, com 0,438. O Distrito Federal ostenta a taça da concentração brasileira (0,570). O índice da capital da República contaminou a Região Centro-Oeste, que registra 0,519.

A pesquisa confirma outras desigualdades históricas. É o caso da renda por gênero. A distribuição foi mais desigual entre os homens (0,503) do que entre as mulheres (0,477). O Piauí, também nesse indicador, manteve a dianteira no aumento da distância entre os que ganham mais e os que ganham menos. O Amapá, ao contrário, diminuiu o hiato.

O aumento da desigualdade acende a luz amarela nas conquistas sociais dos últimos anos. O baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), aliado à inflação que corrói a renda dos mais pobres, responde pelo resultado. A redução foi pequena. É importante que não avance.