segunda-feira, janeiro 27, 2014

PREÇOS ABUSIVOS - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 27/01

Empresas estão desistindo de trazer convidados para a Copa do Mundo em razão dos preços dos pacotes corporativos. Um grande grupo brasileiro, por exemplo, recuou após receber orçamento de R$ 777.200 para hospedar 18 estrangeiros durante seis dias no Rio (R$ 506.016), no período da final, e outros três na semifinal, em Belo Horizonte (R$ 206.184).

ABUSIVO 2
O valor no Rio chega a R$ 28.112 por pessoa. Inclui hospedagem em hotel quatro estrelas no centro, traslado para o estádio e "esquenta" antes das partidas. Ingressos à parte. A cotação é da agência Planeta Brasil, do Grupo Águia, que detém os direitos de venda dos camarotes corporativos para o Mundial. A agência informa que os pacotes estão esgotados.

ABUSIVO 3
O presidente da Embratur, Flávio Dino, diz que é hora de o Procon e o Ministério Público agirem com base no Código de Defesa do Consumidor para coibir "valores abusivos". "O momento do diálogo se encerrou", diz ele, que se reuniu com representantes do setor de hotelaria em dezembro. Segundo Dino, a reputação de destino caro terá repercussão negativa a longo prazo para o turismo no Brasil.

ABUSIVO 4
Para Enrico Fermi, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, os casos de desistência em função de preço são pontuais. Ele diz que "as tarifas estão dentro dos parâmetros aceitáveis para um evento desse porte". "É errada essa impressão de que há uma alta de preços", afirma. "A Embratur não deveria se intrometer no mercado. Nós não somos concessão."

MINA
A top Cara Delevingne faz pose ao lado dos integrantes do grupo de funk Os Leleks na favela Santa Marta, no Rio; a inglesa aproveitou a sessão de fotos para a "Vogue Brasil" para aprender coreografias de sucesso no morro

O PAI DA CRIANÇA
A exemplo de José Serra (PSDB), que deixou como marca de sua gestão no Ministério da Saúde os medicamentos genéricos, Alexandre Padilha quer sair do cargo para se candidatar ao governo de SP com o trunfo dos remédios similares. O ministro fez questão de participar do lançamento da consulta pública sobre a nova categoria de produtos a ser criada e que também custarão menos que os de referência. Na cerimônia, o petista não deu crédito ao tucano. Disse que os genéricos são do governo Itamar Franco.

PELO RALO
O Brasil perde 1,38% do PIB com a corrupção, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria). A entidade, que apresentou sete propostas para combater o problema, espera que elas sejam incluídas na lei que pune empresas envolvidas em prejuízos à administração pública. A regulamentação sairá nos próximos dias.

PARA TRÁS
Usuários esqueceram 9.905 objetos --entre documentos, cadeiras de rodas, troféus e até pranchas-- em Congonhas no ano passado, 12% a mais que em 2012. Os itens foram achados nas salas de embarque e desembarque, no check-in e nos banheiros do aeroporto, por onde passaram 17 milhões de pessoas. Cerca de 40% foram devolvidos.

RIO, MON AMOUR
Vanessa Paradis está no Brasil para filmar "Rio, Eu te Amo". A atriz e cantora francesa é protagonista de uma das histórias do próximo filme da franquia, que já retratou Paris e Nova York. A ex-mulher de Johnny Depp filma até quinta na ilha de Paquetá o curta dirigido pelo ator John Turturro, de "Transformers".

PEIXE GRANDE
O barco de Neymar, que não faz parte da Boat Xperience, tem chamado a atenção dos visitantes da feira. Atracado no Guarujá, na mesma marina da exposição, o iate de 38 pés, avaliado em R$ 12 milhões, virou ponto de parada para fotos de curiosos.

TANTAS LUAS
O produtor e diretor Roberto d'Avila, da Moonshot, recebeu convidados para sua festa de 50 anos, ao lado da mulher, Suraia Lenktaitis, no espaço Oca Tupiniquim, na Vila Madalena. Selton Mello e Adriana Lessa compareceram ao evento, que também contou com a presença do casal Kiko Bertholini e Clarissa Kiste e do ator e cenógrafo Giulio Lopes.

ENCONTRO DE COMADRES
O ator Blota Filho está em cartaz com o espetáculo "Chá das Cinco", que também tem no elenco nomes como Eduardo Martini e Tiago Pessoa. Fernando Scherer, o Xuxa, e sua mulher, Sheila Mello, assistiram à peça, no Teatro Augusta, na Consolação.

CURTO-CIRCUITO
Lala Rudge e Caroline Celico se encontram hoje no Dubai Shopping Festival, onde farão compras acompanhadas de duas "it girls" dos Emirados Árabes.

A SP Escola de Teatro promove a partir de hoje o SP TransVisão II, série de eventos sobre diversidade, na praça Roosevelt.

A Cartier recebe até o dia 28/2, pelo site, inscrições para seu prêmio de empreendedorismo feminino.

Laços de família - BERNARDO MELLO FRANCO - PAINEL

FOLHA DE SP - 27/01

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), repassou R$ 116.420 de sua cota parlamentar a um sócio do sogro e do cunhado. A verba pública foi para a Assaf e Sousa Comunicação, que gravou seus pronunciamentos em cadeia nacional de TV em outubro e dezembro de 2013. A produtora pertence a Adriano de Sousa e foi contratada sem licitação. Sousa é sócio, em outra empresa, de Cassiano Arruda e Arturo Arruda --pai e irmão da mulher de Alves.

Ah, bom! A assessoria de Alves diz que ele usou sua cota individual, e não a verba da presidência da Câmara, para não ter que fazer licitação. Sua equipe afirma ainda que Sousa foi escolhido porque o deputado já o conhecia e confiava em seu trabalho.

Confie em mim Do principal colunista do "Financial Times", Martin Wolf, sobre a passagem de Dilma Rousseff por Davos: "Ela não me convenceu de que o Brasil vai retomar o crescimento forte, mas me convenceu de que é uma pessoa competente".

Prevenção O futuro ministro da Saúde, Arthur Chioro, avisou a aliados que a empresa de consultoria que passou para o nome da mulher vai ficar inativa. Ele só não quer fechar a firma de vez porque pensa em reativá-la quando deixar o governo.

Ombro amigo O ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh tem sido um dos principais conselheiros de João Paulo Cunha (PT-SP) nos dias que antecedem a prisão do ex-presidente da Câmara.

Non grata Parte dos petistas se afastou de Greenhalgh em 2007, quando ele prestou consultoria para o banco Opportunity, de Daniel Dantas.

Grudados Aécio Neves (PSDB-MG) e Paulinho da Força (SDD-SP) estarão juntos hoje em Santa Catarina. O Solidariedade vai anunciar apoio à candidatura do senador Paulo Bauer (PSDB-SC) ao governo do Estado.

Marcha lenta A Procuradoria Eleitoral em São Paulo ainda não ajuizou nenhuma ação por campanha antecipada contra os pré-candidatos a governador. No Rio, o Ministério Público já fez ao menos 22 denúncias contra três dos principais pré-candidatos.

Canja de galinha O procurador paulista André de Carvalho Ramos acha que os partidos estão "mais cautelosos" este ano. Resultado das punições aplicadas pela Justiça Eleitoral nas eleições de 2012, ele afirma.

Pensou bem O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), disse em agosto ao procurador-geral de Justiça, Marfan Vieira, que não viajaria mais de helicóptero oficial com a família. "A decisão envolve um risco que decidi assumir", escreveu.

Pensou melhor Dois meses depois de enviar o ofício, Cabral começou a usar o helicóptero novamente. No último dia 5, até a babá de seus filhos voltou a ser vista a bordo da aeronave do Estado.

Filme queimado O site "Arquivos da Ditadura", do jornalista Elio Gaspari, vai mostrar hoje como o SNI (Serviço Nacional de Informações) tentou interferir na escolha do presidente da Embrafilme, a estatal que financiava o cinema nacional.

Lista negra Os arapongas disseram ao presidente João Figueiredo que oito cineastas "comprometidos com as esquerdas" eram cotados para a vaga do hoje ministro Celso Amorim (Defesa), derrubado em 1982.

Os vetados A relação incluía Nelson Pereira dos Santos, Luiz Carlos Barreto, Cacá Diegues e Arnaldo Jabor. O general respondeu que o aviso não era necessário, e não nomeou ninguém da lista.

tiroteio
"Dilma e sua comitiva fizeram turismo com dinheiro público. Estão na contramão da austeridade exigida em momentos difíceis."

DO SENADOR ÁLVARO DIAS (PSDB-PR), sobre a escala da presidente Dilma Rousseff em Lisboa, após participar do Fórum Econômico Mundial, na Suíça.

contraponto


Sacrifícios de campanha
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) passou exatos 44 minutos posando para fotos na saída do aniversário do deputado Paulinho da Força (SDD-SP), no sábado, em São Paulo. A cada passo, um grupo de convidados se aproximava e pedia um retrato com o presidenciável tucano. Um sindicalista percebeu que o assédio das mulheres sobre o mineiro era grande e brincou:

--Deixa ele em paz! Acho que ele não gosta de mulher!

--Só um pouquinho... --respondeu Aécio, rindo.

Depois de uma pausa, o senador completou:

--Na verdade, só um pouquinho por dia.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 27/01

Unilever vai ampliar investimentos no Brasil
A Unilever vai aumentar os investimentos que faz anualmente no Brasil e alocar cerca de € 500 milhões (aproximadamente R$ 1,65 bilhão) nos próximos três anos, disse à coluna Harish Manwani, COO da companhia, durante o Fórum Econômico Mundial, encerrado ontem, em Davos.

O grupo anglo-holandês foi um das cinco multinacionais que tiveram reunião individual com a presidente Dilma Rousseff na cidade alpina na sexta-feira passada.

As outras companhias foram Saab, AB InBev e Novartis, além do Bank of America Merrill Lynch.

O montante citado de investimentos não inclui os recursos para marketing e será aplicado em uma fábrica e na expansão da capacidade de produção, em especial, de desodorantes, detergentes líquidos e sorvetes.

"Nosso investimento tem sido de 3% a 4% do total de receitas por ano, mas será maior nos próximos anos com a alocação desses recursos", disse.

"Cerca de 57% do nosso resultado global vem de países emergentes", disse, sem dar números relativos ao Brasil, que é o segundo maior mercado, apenas atrás dos EUA.

A empresa sentiu o aumento das taxas de juros no Brasil em 2013, mas diz que o resultado final foi muito bom.

"Para nós, é importante ter um crescimento constante. Apesar das dificuldades citadas [com juros, logística e regime tributário], posso lhe dizer que tivemos um crescimento sólido de dois dígitos."

Indagado se uma eventual volatilidade em razão das eleições preocupa, respondeu que o seu foco não é de curto prazo.

"Problemas temos em vários países e há aqueles com desemprego, que não crescem", afirmou.

De volta... Depois de anos de pessimismo com a crise, participantes notaram que o Fórum Econômico Mundial deste ano tinha ares de otimismo, ainda que cauteloso.

...para o jogo A volta da autoconfiança de empresários dos EUA também não passou despercebida.

Frasco menor A Unilever criará uma embalagem para desodorantes em aerosol, com latas menores. A tendência do grupo é criar produtos de marcas já consolidadas.

Zen... Nem só de economia vive o fórum de Davos. Houve também painéis com temas leves, inclusive para distrair as mulheres de poderosos que foram às montanhas a trabalho. "Meditação: Por que o Hype'?" foi um dos eventos.

...nos Alpes Acadêmicos de neurociência e de psicologia, além da atriz americana Goldie Hawn, de "Todos Dizem Eu Te Amo", debateram sobre o uso da meditação na saúde, na educação e na liderança.

Indústria de brinquedos deve ganhar espaço, diz associação
Os brinquedos brasileiros devem ganhar mercado neste ano em decorrência da falta de apoio por parte do governo da China aos fabricantes do produto daquele país.

Essa é a análise do presidente da Abrinq (associação brasileira dos fabricantes), Synésio Batista, que acabou de retornar da Ásia, onde se reuniu com executivos do setor de Hong Kong.

"O novo governo chinês [de Xi Jinping, que assumiu o comando em março de 2013] fez uma opção de priorizar tecnologia. As empresas de brinquedos passaram a pagar altos encargos", diz.

A elevação do preço da mão de obra também deve favorecer a indústria nacional.

Em 2008, os importados chegaram a dominar 61,6% do mercado. Quatro anos depois, eles haviam recuado para 48%. Em 2012, os chineses foram responsáveis por 83,2% dos brinquedos que entraram no Brasil.

"A expectativa é que, em cinco anos, tenhamos [a indústria brasileira] 70% do mercado nacional", afirma.

Para este ano, a projeção é aumentar a participação em três pontos percentuais. A estratégia será disponibilizar lançamentos, diz Batista.

DE OLHO NA RUA
Para atingir a meta de 700 unidades e um faturamento de R$ 2 bilhões até 2018, a rede de restaurantes Giraffas pretende se expandir em todo o país.

Hoje, 80 dos cerca de 400 pontos da marca se concentram no eixo Brasília-Goiânia, onde a companhia nasceu.

O plano de ampliação contemplará também unidades fora de shoppings.

"As lojas de rua, mais amplas e com maior diversidade de serviços, ficarão nas capitais", afirma Alexandre Guerra, CEO do Giraffas, que faturou R$ 768 milhões no ano passado.

Serão abertas 30 lojas neste ano (quatro de rua). O investimento mínimo em uma franquia de shopping é de R$ 600 mil. Fora dos centros de compras, pode chegar a R$ 1,5 milhão.

A rede Seletti também segue a tendência de instalar pontos fora de shoppings. A empresa quer inaugurar sua primeira unidade com esse modelo neste ano, no Rio ou em São Paulo.

O plano é ter 10 lojas de rua e 150 de shopping nos próximos cinco anos. Hoje, são 40 unidades.

Para acelerar a expansão, a marca também vai apostar no formato de ponto "express", para cidades menores, academias e postos de gasolina.

"Não queremos ser reféns somente de shoppings. É interessante ter vários canais", diz Luis Felipe Campos, idealizador da Seletti.

Inflação da pedra - VINICIUS MOTA

FOLHA DE SP - 27/01

SÃO PAULO - A prefeitura paulistana produziu nesta sexta um raro experimento de laboratório em economia. Despejou um balde de dinheiro novo no mercado do crack na região central. O resultado, a inflação da pedra, confirmou a cartilha.

Dependentes receberam da prefeitura o primeiro pagamento semanal de R$ 120 por atuar em atividades como limpeza e varrição. Foi um choque potencial de R$ 36 mil na procura pela droga.

A oferta não estava preparada --falamos de um micromercado de 500 a 800 pessoas pobres--, e o preço subiu. Nesta semana, se a polícia não interferir, o tráfico deve reequilibrar um pouco a balança, elevando a disponibilidade da pedra.

O que foi inicialmente inflação tende a transformar-se, com o tempo, em aumento do consumo. A expectativa se reforça porque, como se depreende da confusão com policiais civis na quinta-feira, o combate ao tráfico ficará dificultado no novo mix de abordagens apregoado pela gestão Fernando Haddad (PT), apoiado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Esse incentivo financeiro ao consumo da droga é a nota mais duvidosa do programa "Braços Abertos". Acolher dependentes em hotéis e pagar-lhes por pequenos serviços públicos pode dar-lhes mais dignidade e até reduzir danos associados ao vício. Mas mantê-los a poucos passos do pregão do tráfico é arriscar tudo isso.

Em toda a já longa discussão sobre a melhor abordagem para a cracolândia, talvez tenhamos nos acostumado a vincular uma coisa a outra, um local da cidade ao consumo dessa droga. Que tal, apenas para variar, separar essas duas categorias?

Tráfico e consumo de crack são tenazes e flexíveis, podendo desenvolver-se em vários locais, públicos e privados --são temas de repressão policial e saúde pública. É a cracolândia que não precisa necessariamente continuar. A solução, sempre adiada, é sobretudo urbanística.

Tributação do IOF - inoportuna, obsoleta e falha - ROBERTO LUIS TROSTER

O ESTADO DE S. PAULO - 27/01

A elevação da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para cartões pré-pagos, saques no exterior e cheques de viagem, entre os feriados de Natal e ano-novo, puniu brasileiros fora do País com 6% adicionais em seus gastos.

A medida complementa outra anterior que aumentou o IOF nas transações com cartões de crédito internacionais. O objetivo das duas altas é reduzir o déficit na conta turismo com o resto do mundo, dificultando o fluxo de saída de brasileiros ao exterior e compras fora do Brasil.

Considerando que as diferenças de preços para alguns produtos são superiores a 100%, poderiam subir a alíquota em 16%, ou até em 36%, que as viagens para comprar fora continuariam.

O imposto é perverso, perde-se mais do que se arrecada com ele e agrava, em vez de aliviar, o déficit de turismo. É a mesma estratégia adotada para a indústria, que é dificultar a importação em vez de aumentar a exportação. Não funciona, a cada ano piora a balança com o resto do mundo.

O número de turistas brasileiros que vão ao exterior aumenta a um ritmo maior do que o dos que vêm conhecer as belezas daqui. Com isso o déficit só aumenta. O Brasil tem 6% do território mundial, com atrações extraordinárias e um povo hospitaleiro. Mesmo assim, não consegue atrair 1% dos viajantes do mundo.

Há claramente um descompasso entre a oferta e a demanda. Mantida a proporção território e visitantes, e fazendo os ajustes necessários, o Brasil poderia aumentar muito o fluxo de visitantes estrangeiros. Note-se que o turismo é uma indústria que não polui, é intensiva em mão de obra, usa insumos nacionais, não esgota os recursos naturais e exige baixos investimentos.

A medida mais importante para fomentar o turismo no Brasil é a organização da Copa do Mundo de Futebol este ano. Estão sendo gastos dezenas de milhões de reais. Todavia, se ajustes não forem feitos rapidamente,o efeito pode ser negativo, o País pode ficar com má fama e espantar, em vez de atrair, visitantes para aqui.

Este mês, a CNN Travei, empresa de jornalismo de turismo, classificou o Aeroporto de Guarulhos como o pior entre os maiores do mundo. O destaque é que não foi pela falta de investimentos, mas, sim, pelo mal gerenciamento: filas de imigração longas, falta de pontos de energia, mudanças de portões de embarque, atrasos nos voos e preços caros nas lanchonetes.

Ao sair de Guarulhos, a percepção não melhora: o ônibus do aeroporto para o terminal de metrô é seis vezes mais caro que o da rodovia que passa em frente. Se tentar ir ao Rio de Janeiro, uma passagem de avião, em determinados momentos, é mais cara do que uma para Miami.

O estrangeiro que quiser gastar seus dólares (ou outra moeda) terá como primeira surpresa a de que tem de pagar o,38%de IOF para trocar seu dindin pela moeda nacional. Será tributado de novo na saída, para converter os reais que sobraram. E óbvio que se sentirá extorquido com o tributo.

Se optar por não trocar e pagar as contas em dólares, terá dificuldades, verá que são raros os locais que aceitam moeda estrangeira. Enquanto no exterior, onde há muito turismo de brasileiros, há placas com os preços em reais e eles são aceitos com sorrisos, aqui, o uso de divisas estrangeiras tem restrições operacionais.

É importante para quem lida com turistas poder depositar os dólares (não ter de colocar embaixo do colchão), ter troco, guardar os recursos para pagar comissões no exterior, quando for o caso. Mas não pode. Bancos no Brasil, diferentemente de outros países, não podem ter contas em divisas. Outra incoerência.

Há mais problemas com o IOF. Um é que é um imposto só para pobres. A partir de um determinado volume, é possível abrir uma conta no exterior, transferir legalmente os recursos pagando 0,38%, apenas, e ter cartões de crédito e de débito e fazer saques sem pagar os 6% adicionais. Ocorre algo semelhante com investimentos, em que o pequeno investidor tem mais barreiras que o grande.

Outra distorção é que, como a alíquota para o papel-moeda é menor, a alta do imposto induz ao papel-moeda, mais vulnerável, informal e arriscado.

O IOF no câmbio é um imposto ruim, o que o governo arrecada com ele é menos do que perde com a redução do turismo. Algo parecido com o que ocorre com seu impacto no crédito, outra aberração que faz com que a cunha bancária (spread) aumente para juros mais baixos e operações menores.

Conclusão,o IOF é inoportuno, obsoleto e lalho. O quadro institucional do mercado de câmbio no Brasil piora ainda mais seu impacto, com a proibição de contas em divisas, a dinâmica na formação de preços e restrições operacionais. O que fazer? Mudar. O Brasil tem condições de ter um superávit na conta turismo, e três medidas podem começar a fazer diferença. Há mais.

A primeira é eliminar o IOF no câmbio e no crédito. O dinheiro é um insumo intermediário e a literatura prova que se arrecada mais tributando consumo final.

Uma mudança conveniente seria uma reforma institucional abrangente no mercado cambial (por que não em todo o mercado financeiro?). A atual é um freio, em vez de ser um propulsor para o País. Ha ganhos consideráveis com mudanças adequadas.

O mais urgente é melhorar o acolhimento aos turistas. Algumas medidas simples e baratas podem ter um impacto grande, como colocar mais agentes nos guichês de imigração, melhorar o controle de voos e proibir as redes de lanchonetes de cobrar mais no aeroporto do que na cidade.

Pôr uma linha de ônibus do aeroporto até uma estação do metrô a um preço razoável e com uma frequência maior ajudaria a melhorar a percepção dos turistas e contribuiria para descongestionar o estacionamento. Aumentar o número de táxis e reduzir seus preços são complementos oportunos.

O Brasil tem encantos mil, vamos compartilhar!

Amor e ódio à classe média - GUSTAVO PATU

FOLHA DE SP - 27/01

BRASÍLIA - "Eu quero que todos sejam classe média. Porque o que a classe média tem de benefícios, de casa, de educação, de saúde, de emprego, de salário, de poder almoçar num restaurante uma vez por mês, de poder tomar uma cervejinha no final do expediente... Todo mundo é filho de Deus e todo mundo tem direito às coisas boas deste país."

Assim falava Lula na campanha de 1989, quando sua barba preta e sua promessa de socialismo democrático ainda metiam medo --e não apenas em quem podia almoçar fora de casa mais de uma vez por mês.

Quase 25 anos depois, a expansão da classe média é o que de melhor a administração petista tem para mostrar ao mundo rico, como neste mais recente Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça. Pelas contas oficiais, dois terços dos brasileiros já estão na classe média; segundo o Itaú, serão três quartos até 2016.

É claro que sempre haverá muito a questionar nos critérios para demarcar quem é pobre, rico ou remediado. As estatísticas do governo encaixam na classe média uma mãe solteira de um filho, trabalhando como empregada doméstica por um salário mínimo. A grande maioria dos considerados de classe alta certamente se considera classe média.

No debate de Davos, segundo o relato de Clóvis Rossi, da Folha, o ministro Marcelo Neri, de Assuntos Estratégicos, brincou com uma definição americana segundo a qual classe média é quem possui dois cachorros, dois carros e uma piscina.

Historicamente, a turma da cervejinha e da piscina sempre foi uma pedra no sapato do pensamento de esquerda. Marx descreveu a classe média como reacionária e fadada à extinção num mundo dividido entre exploradores e explorados.

"Eu odeio a classe média", como disse sem rodeios a filósofa petista Marilena Chaui. Contrariando a profecia marxista, os pequenos burgueses se expandem e levam o governo ao centro e Dilma Rousseff à Suíça.

Ecos de Davos - PAULO GUEDES

O GLOBO - 27/01
A fala de Dilma atesta que, mesmo em ciências tão inexatas quanto a economia, o bom desempenho exige respeito aos seus fundamentos
A presidente Dilma assegurou no Fórum Econômico Mundial que tem compromissos com a responsabilidade fiscal, as metas de inflação e um ambiente institucional favorável aos investimentos. Uma política fiscal frouxa e uma política monetária hesitante foram responsáveis por expectativas inflacionárias adversas. E o controle de preços nas áreas de energia e petróleo bem como a indefinição de marcos regulatórios em setores de infraestrutura desestimularam os investimentos.
A ida e a fala de Dilma em Davos indicam que a presidente percebeu a importância do compromisso com políticas públicas de qualidade para uma coordenação bem-sucedida das expectativas que movimentam toda a engrenagem econômica.

"A vitória sobre a natureza só pode ser obtida pelo respeito às suas leis fundamentais", alertava o filósofo inglês Sir Francis Bacon, um dos pioneiros do pensamento científico moderno. O homem precisaria se libertar de falácias, ídolos e ilusões, descobrindo por métodos empíricos as leis necessárias para o domínio e o uso da natureza em seu proveito.

"Em política, ainda não encontramos esse caminho.

De todos os mitos humanos, os mais perigosos e duradouros são os ídolos políticos, como indica a súbita ascensão desses mitos no século XX. Na política, a crença na magia ainda prevalece, com pequenos grupos impondo suas ideias fantásticas sobre as grandes massas. Mas esses triunfos são efêmeros, pois existe uma lógica no mundo das relações sociais, assim como existe uma lógica no mundo físico. Existem certas leis que não podem ser violadas impunemente", registra o filósofo alemão Ernst Cassirer, em seu formidável "O mito do Estado" (1946).

Pois bem, ardem nas labaredas do inferno criado por eles mesmos os socialistas bolivarianos e peronistas do século XXI. A idolatria a Perón, mais do que obsoleta, tem sido desastrosa para a Argentina. E não haveria um mito mais crível para idolatrar o libertador Bolívar do que associá-lo a Karl Marx, que o chamou de "canalha, covarde, brutal e miserável"? Aprendem agora a duras penas que, mesmo em ciências tão inexatas quanto a economia, o bom desempenho também exige conhecimento e respeito aos fundamentos.

Pois, parafraseando Bacon, a conquista dos mercados só pode ser obtida pelo conhecimento de suas leis.

A ponte entre educação e economia - JOÃO BATISTA ARAUJO OLIVEIRA

O Estado de S.Paulo - 27/01

A última rodada do Programa Internacional de Avaliação dos Alunos (Pisa), divulgada no final do ano passado, mostra que o Brasil continua firme no ranking entre os países com pior desempenho em educação. E os melhores países continuam os mesmos, com algumas mudanças de posição. As sete primeiras são ocupadas pelos asiáticos. A diferença entre os alunos do país mais bem colocado - China, Xangai - e os do Brasil é de mais de 200 pontos, ou seja, o equivalente a cinco anos escolares. É com países desse naipe educacional que competimos na arena internacional.

É fato que não se podem esperar grandes mudanças a cada aplicação do Pisa. Para isso acontecer teria sido necessário um esforço gigantesco dos brasileiros, o que não ocorreu. O que chama mesmo a atenção, contudo, é o silêncio e o alheamento dos responsáveis pela política econômica e das lideranças empresariais diante da situação educacional do Brasil em relação ao restante do mundo. Afinal, o Pisa é a ponte que liga a educação à economia do conhecimento.

Concebido na virada do século por especialistas reunidos pela Organização de Cooperação para Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Pisa logo se tornou um benchmark, o termômetro da qualidade internacional da educação. A cada ano é maior o número de países que adere a esse teste, aplicado a cada três anos e que é original em várias dimensões.

A característica mais importante do Pisa é a de que a avaliação afere habilidades consideradas essenciais para o sucesso do jovem na escola, no mercado de trabalho e na vida da economia do século 21. O teste está para a sociedade do conhecimento da mesma forma que saber ler e escrever estava para os primórdios da Revolução Industrial. É preciso ressaltar que o Pisa não é um teste escolar, ele mede a capacidade das pessoas de mobilizar conhecimentos das três disciplinas escolares básicas - Linguagem, Matemática e Ciências - para lidarem com informações e problemas do mundo real. É tudo o que um empresário gostaria de saber antes de recrutar um novo funcionário. O Pisa faz isso.

O Pisa também traz outro alerta importante para o setor produtivo: a escola deve preparar o aluno para continuar a estudar e para resolver os problemas concretos do mundo. Mas para isso é preciso existir um ensino rigoroso das disciplinas básicas no ensino fundamental. Profissionalização é assunto para o ensino médio e deve ser realizada em instituições com vocação específica, não relegadas a status inferior em escolas de educação geral.

Os dados colhidos na aplicação dos testes também revelam a importância da disciplina, da pontualidade e do respeito aos professores para o sucesso escolar dos alunos. Crianças que faltam ou se atrasam já na pré-escola se situam entre as de pior desempenho mais tarde. A escola não é fábrica. A educação escolar, contudo, deve ser também educação para a cidadania e para os valores do mundo do trabalho.

Estudos realizados com alunos que fizeram o primeiro teste do Pisa, em 2003, comprovam a sua validade preditiva quanto ao desempenho acadêmico e profissional dos jovens nas economias globalizadas. Não por acaso, em pouco menos de dez anos o Pisa virou uma espada de Dâmocles pairando sobre os países industrializados, levados a ajustar os seus sistemas educativos aos resultados do teste.

Da última rodada do Pisa participaram 65 países. O Brasil ficou entre os seis e/ou os oito piores, dependendo da disciplina considerada - Linguagem, Matemática e Ciências. O mais preocupante é a quantidade de alunos brasileiros abaixo do mínimo, o nível 2 - em Matemática são mais de 67%. Nos países da OCDE, com os quais competimos comercialmente, 23% dos alunos estão abaixo desse nível.

Outro dado que deveria preocupar as elites brasileiras: em média, 12,6% dos alunos dos países da OCDE alcançam o patamar superior da prova. Esse porcentual no Brasil é de apenas 0,8%. Não cuidamos das categorias de base nem do grupo de elite. A média dos alunos de nossas escolas particulares fica a uma boa distância abaixo da dos países mais desenvolvidos. E por aí vai.

O Brasil participa do Pisa desde a primeira rodada e tem mostrado alguns avanços. Mas a maior parte deles não se deve a melhoras na educação, e sim na economia. O melhor desempenho econômico das famílias e a escolaridade dos pais estão entre os fatores que explicam o avanço dos alunos. No País é a economia que melhora a educação, e não vice-versa. Nada que justifique qualquer demonstração de euforia.

O comentário mais interessante sobre os resultados dos Estados Unidos no Pisa de 2012 veio do economista Erik Hanushek, da Universidade Stanford. Disse ele: "Nossa economia ainda continua forte porque temos um bom sistema econômico capaz de superar as deficiências de nosso sistema educativo".

Mudar a educação não é fácil. Se fosse, muitos países teriam um sistema educacional muito melhor. Mas os caminhos para que isso ocorra são conhecidos e são muito diferentes dos que vimos trilhando ou do que está delineado no Plano Nacional da Educação (PNE). Em qualquer país, uma reforma educativa requer o estabelecimento de um consenso e uma mobilização em torno de ideias básicas e cientificamente fundamentadas, como currículo, avaliação, formação e carreira de professores e gestão. Requer foco e capacidade de definir prioridades, sem açodamento. E requer também uma enorme capacidade de implementação adequada, no caso, ao nosso modelo federalista de governo.

Se Erik Hanushek teme que a economia americana não venha a se tornar robusta o suficiente para financiar um sistema educacional que se situe na média do dos países da OCDE, o que diria ele da economia brasileira? Penso que não compartilharia a euforia que o ministro da Educação do Brasil tem demonstrado.

Amigos do rei - PAULO BROSSARD

ZERO HORA - 27/01

Em dias da semana finda esta folha estampou notícia que não era ignorada, mas chamou a atenção por seu conteúdo. Tratava-se da taxa dos juros cobrados pela generalidade dos bancos que chega ao inacreditável, o cartão de crédito e o cheque especial, em regra, envolvendo pessoas de patrimônio modesto. Em se tratando do cartão de crédito o juro chega a 280% ao ano. Duzentos e oitenta por cento ao ano, por incrível que possa parecer. O cheque especial se aproxima da hipótese anterior, o juro anual chega a 256%.
Alega-se que ambas as modalidades são destinadas a emergências graves e urgentes e ainda pela acentuada inadimplência; sob essa inspiração evangélica os bancos esquartejam as pessoas que, por esta ou aquela razão, caem em suas malhas, das quais só conseguem escapar, quando conseguem, mediante esforços gigantescos.
(Fora desses dois casos extraordinários, existe outro que merece ser registrado, embora de outro tipo. Se uma pessoa tiver R$500.000,00 em depósito, o banco lhe concede a remuneração anual de 0,9% de juro ou que outro nome tenha. Se ela vier a necessitar de R$100.000,00 e não quiser dispor da soma depositada, preferindo captá-la junto ao mesmo banco, pagará 10% ao mês, um pouco mais. Uma pequena diferença, como se vê…)
Fecho o parêntese e volto ao cartão de crédito e ao cheque especial, ambos de largo curso entre nós. Pois bem, o juro cobrado pelos bancos em geral, uns mais do que outros, vê-se que à luz do sol isto vem ocorrendo e não é de hoje. Ora, juros como esses são insuportáveis porque são impagáveis e são impagáveis porque não há atividade econômica licita que os suportem; se houver onde se processam suas milagrosas atividades? Qual o seu CGC ou CPF? O Banco Central nada faz ou o que faz, em relação aos juros espantosos cobrados e confessados, pois noticiados nos próprios extratos das contas bancárias extraídos pelos bancos aos seus clientes e a ele compete regular os juros? A Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor terá tomado alguma providência? Não faltará quem diga que não é significativa a faixa humana que se serve do veneno da usura bancária, no entanto, não sei se é grande ou não, a meu juízo, basta que exista.
Dir-se-á que ambas as modalidades são facilidades que os bancos oferecem a seus clientes, a partir desse ponto os caminhos se bipartem; se as regras dos contratos forem cumpridas nos prazos e condições estabelecidas, torna-se uma real facilidade, caso contrário, se o cliente cair na malha sinistra da “Medusa bancária”, é transformado em presa a vida inteira à mercê de seu insaciável credor, uma vez que esses juros, ou metade que fossem, seriam impagáveis a um pobre mortal. Não me parece improprio relembrar que entre as atribuições do Banco Central está a de regular a taxa de juros, como se lê na lei que o criou. A notícia que se tem é que os bancos devem informar ao Banco Central os juros cobrados, que nada fez até hoje da informação privilegiada que possui regularmente. Esse dado torna mais estranha a sua posição, que sabe do que ocorre, mas permanece dormente. Afinal, sabe para quê?
O Ministério Público que tantas atribuições possui não estará qualificado para quebrar essa inação granítica?
Nunca antes na historia deste país, (como gosta de dizer o presidente Luiz Inácio), os bancos ganharam tanto; parece até que eles são amigos do rei.

O que o PT fala do PT - RICARDO NOBLAT

O GLOBO - 27/01

“Temos o melhor Congresso que o dinheiro poderia comprar”
Eduardo Homem, no Twitter



É a primeira vez que um dirigente do PT, ocupando cargo no governo, compartilha com o distinto público suas críticas ao partido e também ao governo. A arrogância tem sido a marca forte do PT desde que chegou com Lula ao poder federal em 2002. O escândalo do mensalão abalou, sim, a blindagem do partido. A proximidade de eleições gerais e as incertezas da economia aconselham que ele banque o humilde.

NA ÚLTIMA SEXTA-FEIRA, em Porto Alegre, durante palestra no Fórum Social Temático, o secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, disse que o modelo responsável por levar o PT ao poder exibe sinais preocupantes de desgaste. É necessário, segundo ele, debater as características de um novo projeto de governo capaz de ir além de temas “como inclusão social e distribuição de renda”.

NADA MUITO diferente do que pensam nomes de peso do PSDB, o partido que governou o país nos oito anos que antecederam à ascensão do PT. No primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, desembrulhou-se o Plano Real, a inflação de mais de 80% ao mês do governo Sarney acabou manietada e a renda distribuída como em ralas ocasiões. A inclusão social começou verdadeiramente ali. Ou ali deu um salto.

“NESTE MOMENTO, nos damos conta que as conquistas importantes que tivemos estão dadas. Foram importantes, mas absolutamente insuficientes. Tivemos um processo de inclusão social inegável e devemos nos orgulhar disso. Mas temos que reconhecer que foi absolutamente insuficiente”, desabafou Gilberto para uma plateia de esquerda, a maior parte dela do PT, que não gostou nem um pouco do que ouviu.

“A CORRIDA VELOZ para o consumo não foi acompanhada de um grande debate em torno de outros valores”, observou a propósito das manifestações de rua de junho último. “Satisfeita a demanda, a exigência passou a ser por serviços de qualidade”. O governo foi pego de surpresa. Seu sentimento, “de certa dor e incompreensão. ( ... ) Fizemos tanto por essa gente e ela agora se levanta contra nós”? A oposição concorda.

GILBERTO É DEVOTO de Lula desde que se aproximou dele nos anos 80. Lula, então, era um líder sindical. Fundaria o PT em seguida. Em 2002, Gilberto foi seu chefe de gabinete na campanha para presidente. Uma vez no governo na condição de assessor direto e conselheiro, suportou seus palavrões e maus modos. Continua suportando. Viu Lula deixar companheiros pelo meio do caminho. Sobreviveu.

O QUE FAZ OU DIZ nunca está em desacordo com o que Lula pensa e não diz. Porque não é conveniente que diga. Como outros dirigentes do PT, torce em silêncio pela volta de Lula, este ano ou em 2018. E para que tal ocorra, serve à Dilma sem traí-la. Ela subiria nas tamancas se fosse diferente. Dilma tem fama de dizer palavrões e de destratar com frequência quem trabalha com ela. Merecida fama.

AO CRITICAR O PT e o governo, Gilberto antecipa parte do discurso da oposição na campanha deste ano com a esperança de esvaziá-lo. Discursos parecidos favorecem um governo bem avaliado por mais de 40% da população. Se a oposição pouco ou nada tiver para oferecer de olho no futuro, a eleição será liquidada no primeiro turno. Que vá para o segundo turno como as eleições de 2002, 2006 e 2010.O governo vencerá.

MAIS DE 60% dos brasileiros querem mudanças, apontou o Datafolha. Fica a pergunta que vale milhões de dólares: mudanças com Dilma e o PT ou sem eles? Com Lula ou sem ele?

No palanque, em Davos - AÉCIO NEVES

FOLHA DE SP - 27/01

Quem acompanhou o discurso do presidente Dilma em Davos achou que não estava entendendo bem. Do ponto de vista político, a presidente tinha dois caminhos corretos para seguir. O primeiro, defender, com coragem, as escolhas que fez e as decisões que tomou nos últimos três anos. Mesmo que não obtivesse a concordância de quem a ouvia, poderia ganhar o respeito pessoal pela coerência e firmeza de suas convicções. O segundo seria o da autocrítica, o de reconhecer, ainda que tardiamente, os inúmeros erros cometidos e assumir o compromisso com a mudança de rumos ainda no pouco tempo que lhe resta de governo.

Mas ela não fez uma coisa nem outra. Diante de uma plateia de especialistas ela descreveu uma realidade que não é a nossa e um governo que não é o dela, fazendo de Davos uma extensão dos palanques eleitorais em que vem transformando suas viagens pelo país. Fez de Davos mais uma escala em sua turnê pela ilha da fantasia em que o governo parece estar instalado, deixando muita gente intrigada.

O que seria mais grave: a presidente ter apresentado em importante fórum internacional um retrato do país que sabe não ser verdadeiro ou, após, repeti-lo à exaustão, ter convencido a si mesma de que se trata da realidade?

Afirmou que a inflação está controlada, quando sabemos --Davos também-- que nos últimos três anos a taxa esteve sempre prestes a romper o teto da meta --e defendeu sua política fiscal, hoje conhecida pela "criatividade" de sua contabilidade. Chegou ao cúmulo de dizer que diminuiu a dívida pública bruta de 60,9% do PIB para 58,4%. Inspirada na criatividade que tão mal tem feito à nossa política fiscal, a presidente buscou o ponto mais alto da dívida no auge da crise de 2009 esquecendo-se sutilmente que, quando assumiu, ela era de 53,35%. Portanto houve, na verdade, crescimento da dívida em seu governo.

Mas, como a realidade costuma se impor, pesquisa realizada pela Bloomberg com 500 participantes do fórum apontou o Brasil como a região que oferece menos oportunidades de negócios entre as pesquisadas. Isso depois de o FMI ter divulgado estudo reduzindo as previsões de crescimento do Brasil para 2014. E da Price Waterhouse ter mostrado que o país perde espaço como opção para investimentos de grupos internacionais, e do Banco Central ter reafirmado a necessidade de continuar aumentando os juros para frear a inflação.

A presidente foi a Davos para enviar uma mensagem de segurança a investidores. Mas a ausência de sincronia entre o discurso e a realidade que todos conhecem termina por alimentar a crescente desconfiança nas relações entre agentes econômicos e governo. O Brasil continua perdendo o mais precioso de todos os ativos: o tempo.

Decifrando os rolezinhos - DENIS LERRER ROSENFIELD

O Estado de S.Paulo - 27/01

A questão dos rolezinhos não deixa de suscitar indagações, com diferentes atores políticos adotando posições segundo as suas próprias conveniências, como se se tratasse de um enigma difícil de decifrar. E assim é porque no Brasil tudo o que foge ao controle governamental ou coloca uma pequena dissidência em relação ao PT ou à mentalidade de esquerda reinante termina se apresentando como um "enigma".

Nas jornadas de junho foi mais fácil distinguir três momentos: a) primeiro, o das manifestações em sua irrupção, caracterizadas por autonomia e espontaneidade, configurando uma expressão legítima da sociedade dizendo não às péssimas condições de mobilidade urbana, saúde e educação. Ressaltava-se uma reação da sociedade, dizendo basta à corrupção e à malversação de recursos públicos; b) segundo, a instrumentalização desses grupos pelos movimentos sociais organizados - MST e organizações afins -, pela CUT e pelo PT, procurando apropriar-se do movimento; c) terceiro, a irrupção da violência, mais conhecida como ação dos black blocs, caracterizada pela ação radical de grupos de extrema esquerda tentando apresentar-se como os verdadeiros protagonistas.

A especificidade dos rolezinhos consiste em que os momentos a e b ocorreram quase simultaneamente, enquanto o c se encontra em gestação, podendo ou não surgir conforme o desenrolar dos acontecimentos. O momento a se caracterizaria pela participação, digamos, espontânea de jovens dos subúrbios, tentando "ocupar" os shopping centers como se fossem lugares públicos equivalentes a ruas e praças. Acontece que essas manifestações foram praticamente simultâneas às dos movimentos sociais organizados, como o dos sem-teto, um braço urbano do MST, e por diferentes grupos de extrema esquerda. Houve, por assim dizer, uma confluência entre esses dois processos, fazendo que coincidissem.

Note-se que nas jornadas de junho os jovens se manifestaram nas ruas, que é o local mais adequado para esse tipo de mobilização. Não houve, em seu primeiro momento, nenhuma conotação anticapitalista, mas, ao contrário, uma indignação apartidária com os governos federal, estaduais e municipais pela péssima qualidade dos serviços públicos. Ademais, havia uma clara insatisfação com os partidos políticos e os movimentos sociais organizados.

Agora há uma diferença essencial. As manifestações estão sendo feitas em shoppings, que são locais privados, empresariais. Isto é, os manifestantes, mesmo nos genuínos rolezinhos, apesar de gostarem de roupas de grife, já se dirigem a estabelecimentos privados apagando a distinção entre o público e o privado. De um lado, identificam-se com a economia de mercado e o consumo, procurando ter mais de seus produtos; são pró-capitalistas nessa perspectiva. De outro, não respeitam a propriedade privada.

Nesse sentido, eles se tornam massa de manobra de alto potencial de manipulação, pois são mais facilmente dirigidos contra um "símbolo" do capitalismo e do consumo, que é o caso dos shoppings. Observe-se que os representantes da esquerda governamental logo fizeram declarações contra a "discriminação racial", a favor dos "excluídos" que não seriam tolerados pelas "elites", contra os "conservadores", e assim por diante. Eles procuraram imediatamente colocar-se junto aos rolezinhos visando a cooptá-los e, na verdade, arregimentá-los para suas hostes. Estaria em curso um processo de apropriação dos rolezinhos na perspectiva dos movimentos sociais organizados, ao estilo sem-teto/MST, CUT, UNE e congêneres.

O que está hoje em foco é toda uma campanha de formação da opinião pública de parte desses grupos mais à esquerda, visando a criar uma mentalidade contrária aos shoppings que sirva de base às ações de ocupação/invasão. É como se os shoppings se colocassem de forma contrária à liberdade constitucional de ir e vir. Vejamos os termos dessa falácia.

Corredores de shoppings não podem ser equiparados a ruas ou praças. Os primeiros são locais que pertencem a empresas, os segundos são locais públicos. Não se pode confundir um locar com acesso público com um local público.

Se os corredores de shoppings são "ocupados" por grupos de centenas ou milhares de pessoas correndo de um lugar para outro, os frequentadores habituais desses estabelecimentos privados não têm mais nenhuma liberdade de ir e vir.

Corredores de shoppings não são pensados como locais para manifestações públicas, estão voltados para sua atividade-fim, que é comercial. Não se pode aplicar a eles a lógica das ruas e praças, que obedecem, isso sim, a outras finalidades.

Mesmo no caso de ruas, por exemplo, o poder público não permite que elas sejam aleatoriamente "ocupadas" por centenas ou milhares de manifestantes precisamente por impedirem a liberdade de ir e vir de outros cidadãos. Se isso não vale nem para as ruas, por que valeria para os shoppings?

Os tumultos ocasionados por essas manifestações em shoppings, além de desrespeitarem a liberdade de ir e vir de seus frequentadores habituais, podem suscitar medo em pessoas que lá passeiam com crianças. O mesmo se dá com idosos, que podem sentir-se ameaçados por jovens que correm de um lugar para outro.

Há uma questão da maior relevância, relativa à construção e arquitetura dos shoppings, planejados para serem visitados por um determinado número médio de pessoas, segundo um desenho específico. Não são pensados para abrigar manifestações públicas. Sua arquitetura não permite uma invasão de milhares de pessoas para correrem em seu interior, cantando e criando tumulto. Para esse efeito não importa que sejam jovens, idosos, brancos, negros, homens ou mulheres. Não há aí nenhuma questão de discriminação, mas tão somente de quantidade e de forma de manifestação.

Cuidado com a ótica ideológica, ela pode obliterar a visão!

Os atrasos no setor elétrico - EDITORIAL O ESTADÃO

O Estado de S.Paulo - 27/01

Embora sua monótona repetição já os tenha tornado de pleno conhecimento dos responsáveis pelo setor, velhos problemas que no passado recente dificultaram a conclusão dos projetos de transmissão de energia elétrica continuam a afetar as obras e a provocar grandes atrasos que causam prejuízos para o País. Relatório recente da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostrou que os atrasos nos projetos de transmissão de energia já chegam a quatro anos. Na média, como mostrou reportagem do Estado (23/1), as obras estão 13 meses atrasadas em relação ao cronograma original.

Nessa área, o acúmulo de experiências, em vez de produzir conhecimentos e reduzir falhas, parece realimentar os erros. Quanto mais se faz, mais se perde em qualidade, pois dados recentes mostram que, quanto mais licitações são realizadas, maior o atraso nas obras.

Trata-se de uma deformidade administrativa que causa perdas para os investidores, pois afeta o retorno financeiro do empreendimento, e ameaça a segurança do sistema interligado de transmissão, pois força o uso mais intenso da rede existente, com o risco de sobrecarga que pode causar acidentes e interrupções do fornecimento, como as que têm afetado diversas regiões do País.

Seus efeitos negativos podem tornar-se maiores, pois muitas obras terão de ser executadas nos próximos anos para atender à expansão do sistema gerador. No início de fevereiro, será leiloada na sede da BM&FBovespa a linha de transmissão de Belo Monte, que terá mais de 2 mil quilômetros de extensão e 4,5 mil torres, exigirá investimentos de R$ 5 bilhões e será uma das primeiras do mundo a transmitir energia em ultra-alta tensão (800 quilovolts). Até 2017, segundo a Empresa de Pesquisa Energética, serão leiloados 13,321 mil km de linhas e outros 6,337 mil km poderão ser acrescentados à lista, com investimentos de R$ 21 bilhões.

O Ministério de Minas e Energia reconhece que 71% das obras de transmissão estão com o cronograma atrasado. É extensa a lista dos problemas que justificariam tais atrasos, mas os principais deles são velhos conhecidos do setor, como demora na obtenção de licenciamento ambiental, dificuldades na regularização dos terrenos a serem utilizados pelos linhões, falhas de projeto e dificuldades para financiar a obra.

Para tentar justificar as conhecidas dificuldades ambientais, os responsáveis do setor recorrem a truísmos. "O tempo para obtenção das licenças ambientais é alto", disse, por exemplo, o superintendente de Fiscalização de Serviços de Eletricidade da Aneel, José Moisés Machado. De fato, são muitas as exigências feitas pelos órgãos públicos da área ambiental, mas alguns procedimentos foram simplificados e, com isso, o tempo para a concessão do licenciamento tem diminuído. Em sua defesa, os organismos ambientais têm argumentado que, em muitos casos, os projetos e relatórios exigidos das empresas interessadas são incompletos ou mal elaborados.

Qualquer que seja o responsável, o que se vê na prática é grande atraso na conclusão das obras. A interligação do sistema isolado Acre-Rondônia ao Sistema Interligado Nacional - obra essencial para melhorar a qualidade dos serviços prestados aos dois Estados, atendidos apenas por um sistema de geração local, que tem apresentado muitas falhas - atrasou, porque a empresa responsável esperou 824 dias para obter o licenciamento ambiental. Além disso, depois de obtida a licença, a empresa demorou para iniciar as obras, como reclama a Aneel.

Erros de planejamento, que levam a defasagens entre as obras de geração, transmissão e distribuição, igualmente prejudicam as empresas e os consumidores. É conhecido o caso das usinas eólicas do Nordeste que, concluídas, não puderam operar porque não havia linhas de transmissão da energia que elas produziriam. Agora, fica-se sabendo que a malha final do linhão da Usina de Tucuruí, que finalmente ligará o Amapá ao sistema interligado, acaba de ser concluída. Mas o Estado não poderá receber a energia de Tucuruí, porque a companhia local de eletricidade não fez a sua parte (a subestação rebaixadora e a conexão ao linhão).

Argentina esgotada - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 27/01

Maior desvalorização do peso desde 2002 é reflexo dos desequilíbrios que se acumularam no país vizinho ao longo dos últimos anos


A forte desvalorização do peso é um sintoma de que o modelo econômico e político vigente na Argentina faz 12 anos está próximo do esgotamento.

O país vizinho padece de escassez crescente de moeda forte, de dólares. Está desconectado do mercado financeiro internacional desde os calotes da dívida pública de 2001-2002. Não dispõe, portanto, de financiamento externo.

As intervenções do governo, tais como desapropriações, confiscos financeiros disfarçados, tabelamento de preços e controles no comércio exterior, afastam investimentos. O país conta apenas com o comércio exterior para obter divisas e pagar importações.

Tal fonte tem secado, no entanto. O baixo crescimento mundial desde 2008 limitou o preço e a quantidade de exportações. As intervenções do governo limitam a capacidade de produção. A inflação crescente e alta encarece os produtos argentinos, o que abala o saldo do comércio exterior.

Desde o final de 2010, as reservas argentinas em moeda forte baixaram em 43%. A fim de evitar redução crítica das reservas, o governo intensificou restrições ao comércio e aos negócios com dólares.

Tais medidas e a inflação, que afasta os argentinos do peso, criam uma demanda nervosa por dólares, o que por vezes suscita pânicos.

Na base dos problemas está a inflação, por sua vez alimentada por políticas econômicas entre extravagantes e insustentáveis. Desde 2009, o governo tem deficit. Gasta demais com salários, benefícios sociais e subsídios ao preço de energia e transportes públicos.

Embora aparentemente ainda pequenos, tais deficit são financiados de modo inflacionário e, além do mais, sustentam um crescimento econômico ora acima das possibilidades argentinas. O Banco Central financia o governo, além de ter o exótico papel de um banco de desenvolvimento.

O gasto excessivo produz inflação, que torna a Argentina pouco competitiva, o que leva à escassez de dólares, evidente na febre da desvalorização --que, em si mesma, seria um dos corretivos do problema. O peso não estava tão valorizado desde 2002.

Porém, de nada adianta uma desvalorização, que barateia a produção argentina, se a inflação continua a subir e a apagar tais ganhos de competitividade. Parece incontornável o controle do gasto público e o aumento da taxa de juros.

Seria, enfim, uma política temporariamente recessiva, de contenção de salários e gastos sociais --o que evidentemente colocaria em cheque o pacto que mantém o peronismo do casal Kirchner no poder desde 2003.

A Argentina teve grande sucesso na superação da crise de 2001-2002. Não teve a capacidade de ver que eram necessários ajustes, pelo menos desde 2009. Os malabarismos da política econômica agora não dão mais conta de evitar os enormes desequilíbrios que se acumularam desde então.

O efeito Davos - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 27/01


Conseguirá a presidente desfazer a imagem construída em seus três anos de governo e inspirar confiança nos agentes econômicos?


Pela primeira vez, a presidente Dilma compareceu ao encontro anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Espera-se que o clima político e econômico de Davos faça bem à presidente, sobretudo pela relevância de seus participantes e dos temas debatidos. Lá se reúnem líderes da economia mundial – empresários, ministros e presidentes de bancos centrais, diretores do FMI, do Banco Mundial e dirigentes de organismos internacionais –, com o objetivo de discutir temas ligados ao crescimento econômico, ao desenvolvimento social e a questões ambientais.

Num gesto de profunda arrogância, que acabou transmitindo sinal altamente negativo aos investidores privados nacionais e internacionais, Dilma se recusou, em todos os anos anteriores, a participar do Fórum de Davos. Com essa atitude, ela passou a imagem de que sua veia socialista e sua postura intervencionista continuavam presentes em sua personalidade e em seus atos de governo. O resultado foi que investidores, órgãos importantes e a imprensa econômica mundial firmaram a crença de que a presidente é contra o capitalismo, contra o livre mercado e contra capitais privados.

Neste ano, em razão dos maus resultados em várias frentes de sua política econômica, Dilma compareceu, pela primeira vez, ao encontro e fez um pronunciamento montado para apagar a imagem negativa construída por ela mesma a seu respeito. O Fórum é importante, os olhos do mundo se voltam para lá e, mesmo assim, a presidente se recusava a participar sob o argumento de que se trata de um evento a favor da globalização; uma atitude infantil para um presidente da República. Se a presidente é contra a globalização, o melhor lugar para manifestar sua posição e explicitar os motivos é justamente o Fórum.

Neste ano, o tema principal leva o título de “Novos começos: fazendo uma diferença”, e a pauta do encontro incluiu assuntos econômicos, os impactos da globalização em mercados emergentes, a regulamentação dos mercados financeiros e as novas tecnologias, entre outros. Dilma compareceu e fez seu pronunciamento, talvez por ter percebido que, além da relevância dos temas, o mundo econômico não se curva a sua vontade presidencial.

Os resultados negativos advindos de medidas do governo explicam por que os três anos de seu mandato, ainda que políticas boas possam ser apontadas, foram um fracasso em pelo menos quatro variáveis econômicas: o crescimento do PIB (que foi pífio em todos os anos), o desinteresse dos capitais privados na infraestrutura (como aconteceu com alguns editais de concessão nas áreas de energia, estradas, portos e aeroportos), o aumento do déficit público nominal (depois de pagos os juros da dívida) e, agora em 2013, também o enorme déficit em transações correntes (a soma dos saldos da balança comercial e do balanço de serviços).

O pronunciamento da presidente, as entrevistas de autoridades brasileiras e as declarações de assessores próximos ao gabinete presidencial foram na direção de que Dilma percebeu que ela e seu governo erraram, e é hora de consertar as coisas, caso se queira a volta do crescimento econômico e dos investimentos privados, sobretudo os internacionais. A pergunta que surge disso tudo é: conseguirá a presidente desfazer a imagem construída em seus três anos de governo e inspirar confiança nos agentes econômicos?

Mais que isso, é importante saber se em 2014 – ano de eleição, no qual a própria presidente é candidata a mais um mandato – o governo conseguirá mudar seu comportamento em relação ao déficit público, às medidas intervencionistas e à manipulação das contas fiscais. Só o tempo dirá. Esperar a reversão de um panorama negativo apenas pelo discurso feito em Davos é um pouco de exagero. O tom do discurso foi conciliador, mas o conteúdo foi burocrático e nada empolgante.

Qualquer que seja o resultado, o fato de a presidente ter comparecido ao encontro e ter feito pronunciamento contribuiu para mostrar que ela reconhece os erros de sua política e tem disposição para fazer ajustes. Todo governante sabe que crescimento baixo, inflação alta, investimento fraco e contas fiscais frágeis geram desemprego e pobreza. Para quem quer se reeleger, nada poderia ser pior. Todavia, a presidente precisa ir além das palavras e demonstrar, com medidas práticas, que sua vontade de mudar é sincera.

Palavras e segurança - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

CORREIO BRAZILIENSE - 27/01
"De boas intenções o inferno está cheio", diz a sabedoria popular. No Brasil, o dito exige adaptação. "De palavras", diria o texto com ajustes, "o cidadão está cheio". Expressam-se, aí, duas caraterísticas que marcam os governantes. Uma: a paixão incontrolada pelo discurso. Fala-se muito. Faz-se pouco. A outra: a crença no poder mágico da língua. Com fé inabalável na força da palavra, jorram-se promessas como se, sozinhas, elas fossem capazes de resolver problemas e responder a desafios.
O manual de repressão padrão Fifa confirma a tendência inelutável de acreditar na potência sobrenatural da falação. Trata-se de cartilha de procedimentos a ser seguidos durante grandes manifestações e a Copa do Mundo. Destinado à PM, o texto autoriza o uso de armas não letais e cria centros de comando distantes das áreas de conflito. Em casos de transgressão à lei, a polícia tem de identificar a responsabilidade individual do infrator. Hoje, prende-se coletivamente antes e pergunta-se depois.

Não é sem motivo a preocupação com a segurança pública. A escalada da violência, sobretudo nas grandes cidades, tem afetado a rotina dos cidadãos - obrigados a se proteger atrás de grades e ameaçados no direito de ir e vir. A internet promove fenômeno novo. Capaz de mobilizar grandes massas num tocar de teclas, o poder da rede mundial surpreendeu as autoridades em junho passado ao convocar o povo a manifestar a contrariedade em ruas e avenidas.

Os rolezinhos, acontecimentos mais recentes concentrados em shopping centers, confirmam a necessidade de forças policiais treinadas - aptas a manter a lei e a ordem com técnica e civilidade. Polícia não se qualifica com cartilhas, mas com estudo e treinamento. A segurança pública figura no rol das especialidades com alto grau de sofisticação. Tecnologia e inteligência devem andar de mãos dadas para fazer frente aos desafios contemporâneos, bem mais refinados que os do passado.

Estão na memória dos brasileiros discursos e entrevistas das autoridades sempre que ocorre uma grande tragédia. Os responsáveis pelo setor apresentam planos, fazem promessas e juram que, dali para a frente, a realidade será outra. Apagada a emoção, porém, fica tudo como está. A novela se repete quando exigida por outra comoção. E assim sucessivamente.

Agora, porém, a situação se agrava a ritmo de internet. Além das manifestações que tomam ruas e shoppings, a polícia tem de estar preparada para enfrentar o crime organizado. Como o adjetivo denuncia, a bandidagem saiu na frente em estratégias, inteligência e investimentos em inovação. Palavras, portanto, não são suficientes para mudar paradigmas. Sem ação efetiva, manuais e cartilhas servem para inglês ver. Nem se pode dizer que as frases ali contidas entrarão por um ouvido e sairão por outro. Elas nem sequer entrarão.

A Copa da maioria - EDITORIAL ZERO HORA

ZERO HORA - 27/01

Ganha destaque no país um movimento de protestos organizado pelas redes sociais que usa como grito de guerra uma frase ameaçadora: “Não vai ter Copa!”. O coro, entoado por manifestantes que se reuniram em várias capitais no último sábado, poderia ser encarado como uma simples bravata de ativistas inconsequentes. Mas não: está sendo levando a sério pelo governo, pelas autoridades de segurança e por todos os brasileiros conscientes do compromisso assumido pelo Brasil quando se candidatou à organização do Campeonato Mundial de Futebol da Fifa de 2014.
É legítimo que as pessoas cobrem rigor e transparência nos gastos com as obras da Copa, especialmente naqueles que envolvem recursos públicos. Da mesma maneira, devem ser consideradas perfeitamente democráticas as manifestações contrárias ao evento esportivo, muitas delas geradas por pessoas e organizações sociais que reclamam investimentos em áreas essenciais como saúde e educação. O que não parece adequado nem patriótico é o uso do sentimento anticopa para o atingimento de interesses subalternos. Basta um olhar atento sobre as manifestações para se perceber a presença de militantes políticos extremistas, tanto à direita quanto à esquerda, querendo ver o circo pegar fogo. É nesse jogo que os manifestantes bem-intencionados não devem entrar.
A Copa já não é mais apenas um compromisso dos governantes que estão no poder, como reafirmou a presidente Dilma Rousseff na última sexta-feira, ao se encontrar em Zurique com o presidente da Fifa, Joseph Blatter. O Mundial passou a ser uma responsabilidade de todos os brasileiros. Não há mais como voltar atrás. E seria mesmo uma insensatez interromper tudo o que está sendo feito para o grande evento esportivo, incluindo-se aí obras de infraestrutura em diversas cidades.
Vai ter Copa, sim! O Brasil não pode passar por um vexame histórico diante da comunidade internacional, principalmente neste momento em que busca investimentos externos para retomar o desenvolvimento econômico. Vai ter Copa, também, porque o povo brasileiro ama futebol e apoia majoritariamente a realização do evento. Vai ter Copa porque suspender a competição agora, além de causar prejuízos irreparáveis ao país, seria uma rendição à atitude fascista de grupos que tentam impor suas visões com gritos e ameaças.
O Brasil vive uma democracia e todos devem ter liberdade para se manifestar. Mas o limite para tais manifestações é o respeito a quem pensa diferente _ e uma maioria, até prova em contrário, quer, aceita ou pelo menos se mantém indiferente em realização ao Mundial.

Interesses políticos - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 27/01

No final do primeiro semestre do ano passado, quando o país foi sacudido por multidões de manifestantes “contra tudo isso que aí está”, uma das bandeiras mais afinadas com o ronco das ruas foi a da rejeição da Proposta de Emenda Constitucional 37. Chamada de “PEC da Impunidade", fora apresentada em 2011 ao Congresso pelo deputado federal Lourival Mendes (PTdoB-MA), com o propósito de alijar o Ministério Público de investigações criminais.

A origem profissional do patrono da emenda, um delegado de polícia, não disfarçava o pressuposto corporativista da iniciativa. Também o alcance político do dispositivo não escondia a armadilha: a proposta ganhou entusiasmado apoio de certas alas do Parlamento, notadamente na bancada petista, que viu na PEC a chance de revide contra um MP que agira magistralmente na condução das denúncias contra os mensaleiros. Felizmente, a mobilização ajudou a derrubar, entre outras, essa tentativa de afronta à sociedade.

Repete-se agora, com a aprovação da resolução do Tribunal Superior Eleitoral que limita a atuação dos procuradores em crimes eleitorais, o movimento que visa a tolher a prerrogativa constitucional do MP de defender a sociedade. A medida, que teve como relator o ministro Dias Toffoli, foi aprovada no fim do ano passado. Como previsto, foi recebida com os devidos protestos pela Procuradoria-Geral da República, por entidades representativas do MP, como a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) e a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), e, de um modo geral, por setores do país preocupados com as brechas que tal iniciativa abre para que a lisura das eleições seja tisnada.

Com a PEC 37, o risco explícito era — em razão do tolhimento do MP, por definição constitucional uma instituição independente, sem subordinação ao Judiciário, ao Executivo ou ao Legislativo — delegar a um braço de um dos Poderes, no caso o Executivo (não raro, parte interessada em processos criminais), o monopólio da repressão ao crime. Com a resolução do TSE, o privilégio alcança o Judiciário, uma vez que para abrir inquéritos o MP precisa pedir autorização ao juiz eleitoral. Nos dois casos, perde o Estado, enfraquecido em seu papel de combater, no interesse da sociedade, a corrupção e outras ações criminais.

Também nessa questão da resolução do TSE, entidades contrárias à medida enxergam as impressões digitais de interesses políticos. Integrantes do MP vêm na medida nova tentativa do PT e aliados de retaliação contra o órgão, ainda um travo decorrente das investigações que resultaram na condenação de cabeças coroadas do lulopetismo. Único ministro da Corte a votar contra a deliberação, Marco Aurélio Mello adverte que o texto conflita com o Código de Processo Penal e espera que o TSE reconsidere a decisão. A oportunidade está próxima: o tribunal volta a se reunir no início de fevereiro. Pela urgência do tema, espera-se que ele encabece a pauta e que os ministros não lhe deem curso.

O rombo da Previdência - EDITORIAL O ESTADÃO

O Estado de S.Paulo - 27/01

O aumento surpreendentemente rápido do déficit da Previdência Social, de cerca de 18% entre 2012 e 2013, deixa evidente o grave risco que a atitude contemporizadora do governo Dilma em relação às necessárias mudanças no sistema previdenciário traz para seu equilíbrio no presente e para o bem-estar das gerações futuras. Como mostrou o Estado (21/1), o rombo no Regime Geral de Previdência Social (RGPS), que se mantinha relativamente estável, voltou a crescer em 2013, quando alcançou R$ 49,9 bilhões. O valor deve ter surpreendido até mesmo técnicos do governo, que esperavam um resultado semelhante ao de 2012, quando o déficit foi de R$ 42,2 bilhões.

Desde o início do ano passado, o ministro da Previdência, Garibaldi Alves, vinha admitindo que, em razão dos problemas econômicos do País - inflação alta, crescimento lento e deterioração da política fiscal - e das dificuldades cada vez maiores do governo nas relações com sua base no Congresso, seria difícil fazer avançar a reforma previdenciária. As manifestações de rua, iniciadas em junho, acabaram com a pouca disposição do governo de tratar seriamente a questão.

Com adiamentos sucessivos, o País vai perdendo as melhores oportunidades para discutir o problema. O primeiro momento foi quando a economia cresceu aceleradamente. O outro ainda está em curso e decorre da situação confortável do ponto de vista demográfico, pois ainda há muito mais brasileiros em idade ativa do que em idade de se aposentar.

Se nada for feito, o déficit da Previdência crescerá 20 vezes até 2050, de acordo com projeções do próprio governo. O rombo decorrerá do envelhecimento da população. Atualmente, para cada pessoa com mais de 60 anos, há 5,3 pessoas em idade economicamente ativa. Essa é a relação entre pessoas em idade de se aposentar e as que podem trabalhar e contribuir para a Previdência. Com a mudança do padrão demográfico, marcada pelo aumento da população idosa e pela redução da taxa de fecundidade (os brasileiros vivem mais e têm menos filhos), haverá apenas 1,8 pessoa em idade ativa para cada uma em idade de aposentadoria. Se nas condições atuais já é difícil sustentar o sistema, pode-se imaginar como será no futuro, quando a Previdência Social terá muito mais beneficiários e muito menos contribuintes.

Só essa projeção já deveria ser mais do que suficiente para estimular as autoridades e a sociedade a discutir as mudanças necessárias para evitar o comprometimento da qualidade de vida dos jovens das próximas gerações, que, se nada for feito, estarão condenados a grandes sacrifícios e poucos benefícios. Mas, além do futuro ameaçado, o sistema previdenciário enfrenta situações que lhe provocam desequilíbrios no presente e que deveriam estar sendo enfrentados com urgência.

O governo atribui parte do crescimento do déficit no ano passado à quitação, por decisão judicial, de passivos acumulados em exercícios anteriores. Mas a maior parte se deve, efetivamente, ao pagamento de benefícios correntes, alguns dos quais foram reajustados acima da inflação e outros tiveram um crescimento muito rápido.

Dos benefícios concedidos anualmente, 18% são por invalidez, um índice bem maior do que o governo considera "aceitável", de cerca de 10%, como a União Europeia impôs à Grécia como parte de seu programa de ajuste. Se, como pretende o governo, o número das aposentadorias por invalidez for reduzido em 40%, haverá uma substancial economia (no ano passado, por exemplo, uma redução dessas dimensões cortaria os gastos em R$ 20 bilhões).

Para isso, uma das medidas anunciadas é a avaliação mais rigorosa dos pedidos de auxílio-doença e de aposentadoria por invalidez, a exigência de o beneficiário submeter-se a um programa de reabilitação física e de adaptação profissional, bem como sua reavaliação a cada dois anos.

São medidas tópicas e já previstas na legislação. É preciso ir além, revendo-se, por exemplo, o tempo mínimo de contribuição para o usufruto de benefícios e o valor de alguns desses benefícios.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

Sem acordo, Cabral substitui PT por Solidariedade

 Um poço de mágoas em relação ao ex-presidente Lula, a quem acusa de fazer jogo duplo e articular a candidatura de Lindbergh Farias ao governo do Rio, o governador Sérgio Cabral (PMDB) vai se aliar ao Solidariedade, ligado ao presidenciável Aécio Neves (PSDB). Cabral convidou o deputado estadual Pedro Fernandes para a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, hoje comandada pelo PT.

 Mundos e fundos 
Em troca de apoio a Fernando Pezão na sua sucessão, Cabral também prometeu ajudar o Solidariedade a eleger dois deputados federais.

 Eis a questão 
O Solidariedade está dividido entre apoiar Pezão ou Lindbergh, que oferece a vice à vereadora Rosa Fernandes, mãe de Pedro Fernandes.

 Tô fora 
 A Operação Agrofantasma, da PF, em setembro, investigou desvios no Programa de Aquisição de Alimentos, com recursos da Conab.

 Muito doido  
Piada no Twitter com o território “livre de polícia” na Cracolândia: Quando teremos, em São Paulo, um território livre do prefeito Haddad?

DF mantém 33 imóveis funcionais para servidor
Com dificuldades para acomodar todos os alunos matriculados na rede pública por falta de escolas, o governo do Distrito Federal mantém, há anos, 33 imóveis funcionais para abrigar um seleto grupo de servidores, inclusive militares. Só no Setor de Mansões Dom Bosco, área valorizada de Brasília, são oito casas. No bairro vizinho, o Lago Sul, outras duas belas casas. Há também 18 apartamentos na Asa Sul.

 Taxa-gorjeta 
 Ocupante do imóvel funcional paga mensalmente um milésimo do valor da casa, segundo decreto de 2002, do ex-governador Joaquim Roriz.

 Sortudo  
Um dos servidores que conquistou o direito de morar no Setor de Mansões Dom Bosco é assessor técnico de mudas do Jardim Botânico.

 Patrimônio 
 Casa funcional na QI 11, no Lago Sul, está avaliada em R$8,5 milhões. O aluguel de cada uma das 8 casas, na SMDB, pode chegar a R$18 mil.

 Pagando dívida 
 A indicação de Arthur Chioro para o Ministério da Saúde é vista no PT como uma compensação de Lula ao prefeito de São Bernardo (SP), Luiz Marinho, a quem o ex-presidente havia prometido apoiar para disputar o governo paulista, e o preteriu em favor de Alexandre Padilha.

 Jericolândia 
 A cinco meses da Copa, o prefeito Fernando Haddad (PT-SP) criou um problema onde havia outro: bairro da “luz vermelha” do crack no centro da cidade, aberto à curiosidade, ao tráfico e ao horror dos turistas.

 Chama o ladrão 
 A Secretaria de Segurança de São Paulo proibiu empresas de monitoramento de alarme de ligar para a polícia em caso de invasão. Só o dono ou gerente pode avisar que seu estabelecimento foi roubado, informando seu nome e CPF. 

 Piadistas 
 O ministro Alexandre Padilha (Saúde) e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf (PMDB), trataram um ao outro por “governador”, para depois caírem na risada. Parecem não acreditar nas próprias piadas.

 Dono do Brasil 
 Duas das vinte empresas “donas do Brasil”, segundo a revista Forbes, são controladas em parte pelo BNDES, banco de fomento do governo federal. O valor das duas empresas soma R$ 143,3 bilhões.

Aliança na Bahia 
 Os senadores José Agripino (RN) e Aécio Neves (PSDB-MG) se reunirão nesta terça (28) para discutir a aliança em torno da candidatura de Paulo Souto (DEM) ao governo da Bahia.

Que DF? 
 Eleitos no Distrito Federal, Cristovam Buarque (PDT) e Rodrigo Rollemberg (PSB) posam de “senadores do Brasil”: preferiram não aplicar suas emendas parlamentares no DF, mas em nível nacional.

Protesto autorizado 
 Adoradores de mensaleiros emporcalham, há meses, o estacionamento do Supremo Tribunal Federal, xingando diariamente o ministro Joaquim Barbosa. Ao contrário dos alunos da Gama Filho, que protestavam contra o governo e foram retirados, com estes a polícia não se incomoda.

Pensando bem...
...com a economia derretendo na Argentina e na Venezuela, vem aí a moeda virtual do Mercosul: o “zerocoin”.

PODER SEM PUDOR

Sonho de bom filho

Delegado de polícia de sucesso, João Arraes virou secretário de Segurança no governo do pernambucano Carlos Wilson, já falecido, quando este concluiu o segundo governo de Miguel Arraes. Numa viagem ao Rio de Janeiro, João foi a um show das mulatas do Sargentelli. Ficou deslumbrado:
- Deus me livre de morrer antes de trazer mãe para ver um negócio tão bonito como esse...

SEGUNDA NOS JORNAIS

Globo: Brasil tem só um fiscal por 579km² de área protegida
Folha: Manifestante é ferido a tiro pela PM em ato em SP
- O Estadão: Protesto violento faz governo convocar reunião sobre a Copa
Correio: Temor de radicalização ronda novos protestos
Estado de Minas: Problemas expressos
Zero Hora: Acordo contestado – TCE questiona prefeitura sobre obras junto à Arena
Brasil Econômico: “A gestão do Banco Central é temerária”