sábado, dezembro 21, 2013

Os culpados somos nós PLÁCIDO FERNANDES VIEIRA

CORREIO BRAZILIENSE - 21/12
A reeleição de Dilma, mostram as pesquisas, parece certa. Mas é bom lembrar que imprevistos acontecem. Como em junho, quando milhares de brasileiros saíram às ruas para cobrar mais decência de políticos e um país melhor. À época, blogueiros chapas-brancas de aluguel escracharam 1% dos eleitores que não comungava do Brasil maravilha. Estupefatos com a multidão nas ruas, logo tacharam de direitistas os manifestantes que bradavam contra a corrupção e pediam serviços públicos de boa qualidade. Pode um crime destes: querer decência na política?Pesquisas de opinião, à época, desorientaram o governo, a oposição, jornalistas, cientistas políticos. Enfim, todos. Ninguém nunca imaginou uma reação dessas por parte do brasileiro - esse sujeito tratado como otário por políticos inescrupulosos e que sempre engoliu em seco, impassível, toda a roubalheira possível e até inimaginável do dinheiro que paga de impostos. Como, de repente, do nada, esse turbilhão de gente acordava, vaiava Dilma num estádio lotado e dizia que não estava assim tão satisfeito com o Brasil maravilha?

Num primeiro momento, o que enlouqueceu os chapas-brancas é que os brasileiros que saíram às ruas vetaram a participação, nos protestos, de claques organizadas. Manifestantes de aluguel com bandeiras de partidos, de direita ou de esquerda, não eram bem recebidos. Cresceu, então, a infiltração dos black blocs. E a violência estúpida dos mascarados e da polícia nas passeatas acabou, para alívio dos corruptos de plantão, afastando os cidadãos comuns. Aí, tão surpreendente como surgiu, o movimento cívico desapareceu de cena.
A indignação expressada nos protestos também parece que sumiu das pesquisas de intenção de voto. Rapidamente, Dilma recuperou a popularidade - menos em Brasília - e segue rumo a uma reeleição tranquila. Nem o retrocesso na economia, a principal marca da atual presidente, como bem apontou Marina, parece abalar a perspectiva de vitória certa.
No Congresso, o conforto com a volta do conformismo da população é tão grande que, no apagar das luzes do ano legislativo, os deputados federais ainda tiveram o topete de aprovar para eles mesmos um mimo de R$ 16 milhões. É mais dinheiro que sai do nosso bolso e, em vez de servir para melhorar serviços públicos, vai bancar mordomias das excelências. E nem dá pra reclamar. Os culpados desse escracho somos nós mesmos. Ou não?

Paternalismo libertário - HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 21/12

SÃO PAULO - No final, a obrigatoriedade de as montadoras instalarem airbags e freios ABS em todos os veículos novos foi mantida. Fico feliz, mas não resisto a levantar uma interessante e até certo ponto incômoda discussão filosófica.

Até que ponto o Estado pode interferir em transações voluntárias entre vendedores e compradores? No caso dos freios, é decerto legítimo tornar o sistema ABS um item de fábrica. Um veículo que não consegue parar, afinal, representa ameaça não só para o motorista e seus passageiros como também para terceiros. Mas será que esse raciocínio vale para o airbag?

Não me parece absurdo que alguém dispense esse item em troca de preço menor no automóvel. Vale observar que o poder público admite que motociclistas circulem sem esse tipo de proteção. Além disso, atividades bem mais perigosas, como alpinismo de altitude e mergulho em cavernas, são perfeitamente legais.

A discussão é análoga à da obrigatoriedade do cinto de segurança. Cabe ao Estado impedir que um cidadão faça mal a si mesmo? Meus instintos libertários dizem que não, mas meu pendor consequencialista sugere que sim. Trata-se, afinal, de interferência pequena que salva vidas.

Há um meio de conciliar essas duas intuições, recorrendo ao "paternalismo libertário" proposto por Richard Thaler e Cass Sunstein. A ideia aqui é reconhecer que seres humanos frequentemente fazem escolhas erradas e, através de desenhos institucionais, tentar empurrá-los para as certas, mas sem autoritarismo.

No caso do airbag e do cinto, em vez de coagir, bastaria exigir do interessado que assine meia dúzia de formulários isentando fabricantes e o Estado de qualquer responsabilidade por sua escolha. Como o viés de inércia é forte, o mais provável é que um número reduzido de libertários obstinados se desse ao trabalho. As virtudes públicas da obrigatoriedade são conservadas, e a liberdade individual, preservada.

Papai Noel a 2,1 mil km/hora - ALBERTO DINES

GAZETA DO POVO - PR - 21/12

As perplexidades de junho estão esquecidas, não serviram para coisa alguma. Completado o primeiro semestre da difícil convivência com a humildade, nossos governantes fazem questão de exibir a mesma arrogância e idêntica desatenção ao atendimento das expectativas populares.

Depois dos sacolejos produzidos pelas manif (como dizem os franceses quando se referem às manifestações) e na véspera de um agitado ano eleitoral, as agendas políticas parecem totalmente desconectadas da realidade. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, marinheiro de primeira viagem e talvez por isso mais sensível, é o único que demonstra não ter esquecido o susto. Priorizou o transporte público e, na esfera da sua competência, esforça-se para diminuir o terror e a tortura da imobilidade urbana.

Logo saberemos se a sua terapia é eficaz ou paliativa, se as opções oferecidas são substantivas ou cosméticas. O importante é perceber que a maior metrópole do país não finge de avestruz: está intensamente envolvida no debate acionado por um movimento de proporções inéditas e natureza imprecisa – portanto, inconcluso.

O contrário ocorre no âmbito federal: as lições de junho foram para o lixo. O debate é deletério; as prioridades, idem. O salto à frente destinado a empolgar a sociedade resume-se à compra de 36 supercaças de fabricação sueca que começarão a ser entregues em 2018 se o cronograma for obedecido.

Embora 12 anos atrasada, a decisão foi correta sob todos os pontos de vista – estratégico, militar e econômico. Mas a bandeira desfraldada através dessa transação não atende às necessidades nem às expectativas de um país que já deveria ter decolado da condição de promessa.

As ameaças que pairam no nosso horizonte não são as externas. O pretexto da defesa da soberania territorial só será validado quando formos capazes de defendê-las dos inimigos que estão ao lado, dentro das nossas fronteiras, sabotando o progresso, trabalhando contra o bem comum.

A espionagem eletrônica da qual o país está sendo vítima não será combatida pelos punhos (Gripen) suecos. Para defender nossas riquezas, sobretudo submarinas, precisamos antes de competência organizacional e eficiência educacional, políticas públicas inovadoras, pluralistas.

Os pilotos da FAB são considerados os melhores do mundo, mas, antes que levantem voo com suas máquinas novinhas em folha, será necessário superar as turbulências que há oito anos consecutivos atormentam a nossa aviação comercial. A parceria Brasil-Suécia tem tudo para dar certo. Sobretudo quando atentarmos para as nossas diferenças: eles estão fechando presídios por falta de criminosos, os nossos estão abarrotados.

A figura do Papai Noel sentado no cockpit de um supercaça deverá agradar à criançada e à vasta gama de associados do Clube Brasil Grande. Os membros do Clube Brasil Justo, mais numerosos, certamente preferirão Papai Noel lendo uma biografia não autorizada. Ou um romance chamado Lembrem-se de Junho.

O buraco é mais embaixo - FERNÃO LARA MESQUITA

O ESTADÃO - 21/12

Acompanho a comemoração na imprensa em torno da votação do Supremo Tribunal Federal (STF) que caminha na direção de “proibir” o financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas e me bate um desânimo ancestral.

Alguém acredita que de feto vai cessar a roubalheira na construção de estradas, de metrôs, de hidrelétricas; na saúde pública; na construção de escolas; na escolha dos livros didáticos comprados pelo governo; na merenda escolar; na compra de remédios e ambulâncias; na expedição de alvarás para construções privadas; na fiscalização de feiras, bares e restaurantes; do guarda que troca a multa por 50 paus – vá lá! escolha você mesmo! – se o Supremo Tribunal Federal proibir o financiamento de campanhas eleitorais com doações de empresas privadas?

Alguém acredita que o horário eleitoral gratuito se tomará menos mentiroso e nefasto se o direito que os políticos se outorgam de mentir pela corja sem contraditório em rede nacional em horário nobre for financiado só com dinheiro público?

Alguém acredita que as próprias doações de campanha cessarão apenas porque os meritíssimos assim decidiram? Que foi por feita de alguém ter essa boa ideia que vimos sendo roubados há 513 anos?

E o PT, que levantou essa bandeira exatamente a partir do minuto em que chegou “lá” e nem um segundo antes, fê-lo para que o País deixe de “ser”, ou para ficar sozinho distribuindo bolsas, isenções de impostos, quebrando a Petrobrás para encher o tanque da freguesia a preço eleitoralmente conveniente, destruindo a indústria nacional à custa de aumentos de salário sem aumentos de produtividade, sustentando o consumo contratando dívida e inflação futuras e o mais que a gente sabe, sozinho na raia?

Por que a imprensa se presta a dar ares de seriedade a tapeação tão evidente e antiga? Ela não consulta os seus próprios arquivos? Os livros de História, para se lembrar de há quanto tempo a gente que nos explora vive de remexer o acessório para manter como está o principal?

Não, o vício é nacional, não é só dos políticos. Mais do que isso, o vício é cultural. Irmana meia humanidade.

Regulamentar o irregulamentável. Encher bibliotecas inteiras de leis e leis sobre leis sem perder um minuto sequer com considerações práticas sobre a fectibilidade de aplicá-las. Discutir infindavelmente sobre o nada com uma retórica grandiloquente. Fazer revoluções em palanques, em tribunas e em mesas de bar. Eis as marcas do DNA latino! Até as mensagens do Twitter já se propôs regulamentar nos espasmos legiferantes da presente temporada. O que virá depois? O Facebook e o resto da internet? E então a definição das conversas e sussurros regulares e irregulares nas praças públicas?

E que tal começar pelo final, como fizeram os países onde de feto existe democracia? Que tal declarar todo mundo -? a começar pelo “rei” – igual a todo mundo perante “A Lei”? Ter um único foro de julgamento para todos? Uma única prisão para quem quer que queira pisar deliberadamente no tomate? Um ou no máximo dois recursos de julgamento?

A doença degenerativa do Brasil se chama impunidade. De modo que acabar com a impunidade feria mais pela cura da nossa chaga política e de todas as outras que ela abre e infecciona do

que mais 50 decisões do STF sobre a periferia da regra eleitoral. “Ah, mas se formos esperar o Congresso a reforma política não sai nunca!” Não sai mesmo. Mas a função do Judiciário não é tomar o lugar dos legisladores sob esse pretexto. A função do Judiciário é enquadrar os legisladores na lei que eles próprios escrevem. Na única lei que deveria viger no País, igual para todos. É fazer isso que o resto acontece sozinho!

E impunidade não é só a dos ladrões e dos outros criminosos que nos mantêm trancados e acuados porque com eles o Judiciário é tão mole quanto é largo o bolso de advogados e juizes com poderes para decidir a seu bel prazer quem vaie quem não vai para a jaula. Impunidade é também a do representante que trai o seu representado e vende o seu mandato para quem e quantas vezes quiser.

Para essa vertente da doença nacional existe o remédio do voto distrital com recall que amarra cada político eleito a um grupo claramente identificado de eleitores e dá a esses eleitores o direito de cassar essa representação quando quiserem e pelo motivo que quiserem, como prescreve a Constituição, que diz que “todo poder emana do povo e em seu nome será exercido”.

“O problema”, eu não me canso de repetir com Teodore Roosevelt, “não é haver corrupção, condição inerente ao ser humano. O problema é o corrupto poder exibir o seu sucesso, o que é subversivo”.

O problema,vale dizer em termos mais focados no caso em discussão, não é a exposição dos agentes públicos ao poder econômico, o que é absolutamente inevitável; o problema é não poder punir quem é pego abusando dele. E ninguém sabe disso melhor que este STF, que tenta há oito anos enfiar e manter meia dúzia de salaflários na prisão, e não consegue.

Faria muito mais por nossa remissão esse Supremo Tribunal se tratasse de olhar para o próprio umbigo e acabai com os “embargos infringentes”, a meia dúzia de “”tribunais especiais” para “pessoas especiais”e os outros 20 mil recursos que mantém à disposição dos bandidos comuns com carteira recheada, que provam todos os dias a cada brasileirinho e a cada brasileirinha, desde que nascem, seja na Vieira Souto, seja no Morro do Alemão, que, sim, o crime compensa.

E vale repetir: as sociedades funcionam como cadeias de transmissão de forças nas quais o elemento mais próximo do povo, a fonte de onde emana a legitimidade dos demais poderes, é a imprensa. Enquanto ela seguir obrigando-se, por um suposto “imperativo ético” inventado em nossas escolas aparelhadas, a amplificar as iniciativas dos poderes constituídos emprestando-lhes ares de seriedade, eles seguirão tão confortavelmente refesteladas na mentira quanto estão hoje.

Um problema em qualquer língua - LUIZ FERNANDO JANOT

O GLOBO - 21/12

A abertura aleatória de ruas para atender exclusivamente às questões de operacionalidade das Unidades de Polícia Pacificadora é um equívoco conceitual



Acadêmicos, empresários e marqueteiros têm a mania de fazer uso de anglicismos para aparentar conhecimento ou mostrar que estão antenados com o linguajar da moda. No campo da arquitetura e do urbanismo é comum o uso corriqueiro e equivocado de certas expressões — green buildings, bussiness district, smart cities, urban clusters, generic city — para qualificar aspectos inerentes às cidades. Em meio a essa exaltação pseudointelectual, resgatou-se a expressãogentrification para designar qualquer espécie de renovação de áreas urbanas. Chegou-se, inclusive, a associá-la ao processo de urbanização das favelas.

Derivada de gentry — que significa de origem gentil, de boa linhagem ou nobre — essa expressão tem sido traduzida literalmente por “gentrificação”, ou seja, “enobrecimento” de áreas degradadas. Tal conceito foi empregado de forma pioneira na requalificação urbana do Soho, em Nova York, e em algumas cidades europeias, durante as décadas de 1980 e 1990.

Na verdade, tratava-se de uma estratégia do poder público para revitalizar áreas urbanas em parceria com a iniciativa privada. O processo consistia na recuperação e requalificação dos imóveis existentes e na construção de novos edifícios com a intenção de atrair para essas localidades segmentos sociais com poder aquisitivo mais elevado. O sucesso alcançado por tais iniciativas pioneiras repercutiu favoravelmente em outros países, inclusive no Brasil, onde ocorreram intervenções semelhantes nos bairros do Pelourinho, em Salvador, e no Recife Antigo, ambas no início da década de 1990.

De lá para cá muita coisa mudou. Recentemente, o Estado passou a delegar às grandes empreiteiras, através de parcerias público-privadas, a gestão dos negócios imobiliários envolvendo a recuperação e a transformação de áreas abandonadas. Essa tendência se consolidou a partir das exigências mercadológicas relacionadas com a organização da Copa do Mundo e das Olimpíadas. E, nesse contexto, a gentrificação se tornou um dos principais protagonistas desse processo.

Para melhorar a aparência dos espaços urbanos privilegiaram a construção de edificações suntuosas sem dotar o seu entorno com a infraestrutura necessária. Relegou-se a um segundo plano o verdadeiro sentido social dessas realizações. A tão sonhada proposta de integrar todas as favelas do Rio à cidade formal deixou de ser prioridade. Os projetos de urbanização para essas áreas permanecem em compasso de espera enquanto as empreiteiras continuam realizando intervenções localizadas.

A abertura aleatória de ruas para atender exclusivamente às questões de operacionalidade das Unidades de Polícia Pacificadora é um equívoco conceitual. Em urbanismo não existem soluções generalizantes. As estratégias de segurança pública devem caminhar solidariamente com os demais determinantes dos projetos de urbanização. Não se pode ignorar as características morfológicas dessas localidades.

Portanto, a eventual remoção de habitações para este ou para outros fins deverá ser precedida de estudos e projetos atentos às peculiaridades de cada coletividade. Sempre que possível, os moradores devem ser realocados em novas construções no interior da própria comunidade ou no seu entorno imediato. O processo de remoção deve se restringir às construções que se encontram em margens de rios, em encostas sujeitas à instabilidade geológica, em talvegues por onde escoam as águas pluviais, em espaços sem condições de salubridade, em percursos destinados às redes de infraestrutura e à abertura de vias que facilitem a acessibilidade dos moradores e dos agentes públicos e privados que atuam no cotidiano dessas comunidades.

Não será através do processo de gentrificação que se alcançará a melhoria das condições de vida em nossas favelas, muito menos a sua integração com a cidade formal. Esse modelo só servirá para agravar, ainda mais, a atual tendência de exclusão social. O resto é conversa fiada.

Ideia de jerico - FERNANDO RODRIGUES

FOLHA DE SP - 21/12

BRASÍLIA - Estudei jornalismo na Inglaterra nos anos 80 e me assustei com uma das disciplinas: taquigrafia. É que ao pedir emprego, os repórteres ingleses precisavam colocar no currículo quantas palavras conseguiam anotar por minuto.

Não sei como é hoje, mas à época era proibido qualquer tipo de gravação em certos lugares públicos na Inglaterra. Na Câmara dos Lordes, nem pensar. O jornalista se virava rabiscando o máximo que conseguia no menor tempo possível.

Fracassei em "shorthand" (taquigrafia, em inglês). Não enxerguei uso na técnica. Preferi ficar com o meu sistema próprio de garatujas que só eu entendo. Além disso, embora muito mais atrasado do que a Inglaterra, o Brasil já não tinha a péssima tradição de proibir repórteres de usar gravadores no Congresso e em vários locais públicos. Bastava gravar.

Esse é um bom costume. Há por aqui o registro eletrônico de sessões do Congresso, de falas presidenciais e de sessões do Poder Judiciário.

É evidente que juízes estranharam e ainda se incomodam com a TV Justiça. Mas é um avanço institucional enorme permitir aos cidadãos de todo o país ter acesso a julgamentos, ao vivo e em cores. Há um valor pedagógico em disseminar na sociedade como se dá a prática do direito.

Só que agora um deputado do PT acaba de apresentar um projeto de lei propondo o fim das transmissões das sessões do STF. O objetivo é evitar a exposição das "entranhas da Justiça" que são "mostradas com sensacionalismo exacerbado por parte de alguns ministros em particular".

Regressiva e inconstitucional (com um Poder interferindo em outro), a proposta talvez não devesse ser assunto aqui. Como no Brasil há às vezes raios em céu azul, é melhor registrar para que, se o retrocesso vier, ninguém possa alegar ter sido apanhado de surpresa. E fica outra vez confirmado o triste axioma da democracia local: toda vez que um deputado tem uma ideia o Brasil piora.

Surge um ingrediente da ‘tempestade perfeita’ - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 21/12

O início da redução dos estímulos monetários nos EUA é um dos componentes do cenário que levaria a fortes pressões para uma desvalorização ainda maior do real



No mesmo dia, quarta-feira, em que o presidente do Banco Central americano (Fed), Ben Bernanke, anunciava em Washington que afinal o programa de afrouxamento monetário (Quantitative Easing) começaria a ser reduzido, no Brasil conheciam-se as mais recentes estatísticas sobre as contas externas do país, referentes ao período de janeiro a novembro. Há relação entre as duas coisas.

Em onze meses, o Brasil jamais teve um déficit tão grande: US$ 72,7 bilhões, cifra que representa o saldo resultante do confronto entre entradas e saídas de divisas no comércio de mercadorias e serviços. A nova projeção do BC para o ano é um déficit de US$ 79 bilhões. Tudo está, até agora, sob controle. O déficit chega a 3,57% do PIB, nível administrável, se for considerada a entrada de dólares por meio de investimentos diretos e aplicações financeiras. Mas, como se costuma dizer, a foto não é preocupante, porém o filme, em movimento, não aponta em boa direção. A tendência de degradação nas contas externas deve colocar em estado de alerta os responsáveis pela política econômica.

Neste quadro, coloca-se o início da redução do estímulo monetário americano: em vez de US$ 85 bilhões mensais, serão gastos US$ 75 bilhões na compra de títulos, para injetar liquidez na economia, enquanto os juros básicos são mantidos entre zero e 0,25%. O gradualismo deve presidir esta operação. Mas é inexorável o efeito colateral de valorização do dólar e, consequentemente, desvalorização de outras moedas. Quanto menos confiáveis os fundamentos de um país, maior será a fuga de divisas de volta a Wall Street, diante da perspectiva de elevação dos juros americanos. O Brasil se enquadra neste caso. A desvalorização do real, de cerca de 15% a 20%, ocorrida desde a primeira menção de Bernanke, em junho, de que chegaria o momento da redução do "afrouxamento monetário", parece ter sido a precificação antecipada deste movimento. Tanto que, agora, o câmbio não não oscilou muito.

Mas é só o início. Um real desvalorizado ajuda a reanimar as exportações de manufaturados, ao compensar parte das debilidades competitivas do país, mas aumenta a temperatura na fornalha já bastante aquecida da inflação. Começa a aparecer um dos componentes da "tempestade perfeita" de que teme o ex-ministro Delfim Netto. Se a nota de risco do país deixar de ser de "grau de investimento", como temem Delfim e analistas, surgirão mais pressões para desvalorizar o real. Pois, não bastasse a tendência de fuga de divisas de volta a Wall Street, a elevação da nota de risco brasileira terá o mesmo efeito. Não se deve esquecer que muitos fundos de investimentos globais só podem atuar em economias com "grau de investimento".

Brasília não deve se enganar com a ausência de grandes turbulências no momento. A possibilidade da "tempestade perfeita” existe, e por isso a questão da transparência e credibilidade das contas públicas, insiste-se, deve ser prioridade absoluta no Planalto.


A luz cobra a conta - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 21/12

Reduzir tarifa de energia elétrica é importante para o país, mas ausência de planejamento ameaça tornar iniciativa insustentável


É inatacável, como princípio, a decisão do governo Dilma Rousseff (PT) de tentar reduzir os preços da energia elétrica. Trata-se de oferecer algum alívio ao bolso dos contribuintes e, sobretudo, de resgatar uma parte da competitividade que o setor privado brasileiro tem perdido nos últimos anos.

Deficiências na execução da medida e a truculência estatal com o setor elétrico, contudo, ameaçam transformar a redução da tarifa energética em mais uma iniciativa insustentável deste governo.

Os problemas começaram quando Dilma estipulou um corte na conta de luz --perto de 20% para residências e de 30% para indústria, comércio etc.-- e compeliu empresas do setor a perseguir a meta.

Alegando que a medida provocaria desequilíbrio financeiro em seus caixas, algumas estatais que atuam no campo da geração --como Cesp (São Paulo), Cemig (Minas Gerais) e Copel (Paraná)-- não aderiram ao plano federal.

Como consequência, sobrou para o Tesouro Nacional pagar uma fatura que, para piorar, foi majorada pelo fraco regime de chuvas. A fim de compensar a baixa produção hidrelétrica, o governo precisou lançar mão das térmicas, mais caras. Os subsídios, em recursos do contribuinte, foram da ordem de R$ 10 bilhões neste ano.

As dificuldades continuarão em 2014. As atuais condições de mercado apontam para alta das tarifas. Especialistas afirmam que os reservatórios das hidrelétricas não voltarão aos níveis normais.

Além disso, leilão de energia realizado nesta semana resultou na contratação de apenas metade da demanda prevista para o ano que vem, a preços muito elevados em relação aos de contratos anteriores.

Essa diferença --que será ainda maior no caso da energia negociada à vista, cujos preços têm sido maiores-- pode ser incorporada às tarifas ao longo de 2014.

O governo, porém, no intuito de evitar repasses ao consumidor, parece decidido a continuar arcando com gastos bilionários --atitude temerária dada a evidente fragilidade das contas públicas. Adiou para 2015, por exemplo, a instituição de mecanismo de correção tarifária, que seria acionado de acordo com o custo da energia a cada mês.

Nada justifica tamanha prodigalidade, a não ser o cálculo eleitoral.

Se a falta de chuvas e o consequente baixo nível dos reservatórios respondem por parte do alto custo da energia, é inegável que o principal artífice da confusão atual é o próprio governo. A diminuição da conta de luz deve ser impulsionada por ganhos de eficiência, e não pela retórica populista.

O pior de tudo é que, diante dos riscos de longo prazo, o aumento da tarifa em 2014 ou a manutenção de injustificáveis subsídios são problemas menores. A maior ameaça decorre da própria incerteza regulatória, capaz de minar a confiança do setor para realizar os investimentos de que o país tanto precisa.

A inflação e a segurança dos motoristas - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 21/12

Na polêmica sobre a obrigatoriedade de airbags e freios ABS nos carros, entre a bolsa ou a vida, Guido Mantega parecia preferir a primeira opção até ser desautorizado


A estatística mais recente do Ministério da Saúde informa que mais de 43 mil brasileiros morreram vítimas de acidentes de trânsito em 2011. A mesma fonte revela que, em 2012, 180 mil sofreram traumatismos graves nas ruas e estradas do país. Esses números colocam o Brasil em 4.º lugar no ranking mundial de violência no trânsito: para cada milhão de veículos em circulação, registram-se 640 mortes por ano, ao passo que no Japão, por exemplo, o índice é de 60 óbitos.

Esses dados mostram que o Brasil vive uma situação de violência no trânsito cujas consequências só são comparáveis às causadas por guerras ou por grandes terremotos e tsunamis que afetam outras regiões do mundo. Culpa de quem? Para as autoridades, é sempre mais cômodo afirmar que é dos condutores de veículos, que dirigem sob efeito de álcool, abusam da velocidade e desrespeitam as mais triviais normas do Código de Trânsito Brasileiro.

Claro, os motoristas têm sua parcela de culpa, e que não é pequena; mas o quadro poderia ser menos trágico se, além da boa educação dos motoristas, as estradas e ruas fossem melhores, a fiscalização fosse mais eficiente e se os veículos fabricados no Brasil fossem dotados de equipamentos de segurança mais eficazes para proteger a integridade física de condutores e passageiros em caso de acidente. Tais equipamentos, diga-se de passagem, há muitos anos são exigidos das montadoras – as mesmas, aliás, que operam no Brasil – nos países desenvolvidos.

Os últimos dias foram tomados por uma polêmica nacional surreal a respeito do tema: o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sinalizou a possibilidade de as fábricas brasileiras de automóveis serem desobrigadas de cumprir já em 2014 uma obrigação, prevista desde 2009, de equipá-los com freios ABS e airbags. Segundo ele, os veículos custariam mais caro, o que influiria negativamente no cálculo da inflação, além de provocar desemprego nas linhas de montagem de carros mais antiquados. Quanto às vidas perdidas... bem, isto é apenas um detalhe.

O ministro foi logo desautorizado pelos seus superiores e a exigência terá mesmo de ser cumprida no ano que vem. Mas, ainda assim, não custa lembrar que Mantega, embora talvez tivesse um pouco de razão quanto à eventual pressão inflacionária que a modernização dos automóveis provocaria (calcula-se que sairiam R$ 1,5 mil mais caros que os modelos atuais), ele pegou o caminho errado ao colocar a discussão nesses termos.

De fato, entre a bolsa ou a vida, ele parece preferir a primeira opção, mas melhor teria se havido se, em vez de se preocupar com os efeitos inflacionários de airbags e freios, viesse demonstrando mais eficiência para controlar outros fatores mais poderosos que têm mantido a inflação brasileira beirando o teto da meta, de 6,5% ao ano. Reduzir os gastos excessivos e improdutivos da máquina pública seria, só para citar um exemplo, mais eficaz para reconduzir a inflação ao centro da meta (de 4,5%) que adiar a adoção de itens de segurança dos veículos.

Sensatez no Fed, não no Brasil - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 21/12
A economia americana está em recuperação, ganhará impulso nos próximos dois anos, o desemprego continuará em queda e os estímulos monetários serão retirados gradualmente a partir de janeiro, segundo o informe distribuído na quarta-feira pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). A decisão, sensata e cautelosa, valeu como um presente de Natal aos condutores de política econômica da maior parte dos países. O cenário de 2014 ficou um pouco mais claro e menos ameaçador. Ministros de Finanças e autoridades monetárias poderão planejar seus roteiros e trabalhar com j mais segurança, porque agora dispõem de novos marcos para balizar suas decisões. No Brasil, dirigentes do Banco Central (BC) aproveitaram o momento e anunciaram sua política de câmbio para os próximos seis meses, contribuindo para aliviar, pelo menos por um lado, as tensões no mercado financeiro.

Houve ansiedade em todo o mundo - e muita especulação nos mercados - a partir de maio, quando os dirigentes do Fed anunciaram a intenção de iniciar, dentro de alguns meses, a retirada dos estímulos à recuperação econômica. O banco central americano vinha injetando US$ 85 bilhões nos mercados, mensalmente, por meio da compra de títulos do Tesouro e de papéis lastreados em hipotecas. A primeira resposta a esse anúncio foi uma corrida ao dólar e a denominados em moeda americana. Isso afetou o câmbio em todo o mundo e desvalorizou o real, intensificando as pressões inflacionárias.

Novas ondas de agitação surgiram nos meses seguintes, enquanto os operadores do mercado tentavam adivinhar quando começaria a mudar a política do Fed. Para atenuar a instabilidade no câmbio, o BC passou a intervir regularmente no mercado, oferecendo volumes previamente definidos de dólares. As oscilações foram limitadas e foi possível evitar uma sangria de reservas. As intervenções continuarão nos próximos seis meses e envolverão valores menores, se a distensão nos mercados se confirmar.

Mas os motivos de preocupação permaneceram. Ninguém podia dizer com segurança como ficariam os mercados, quando o Fed começasse a reduzir os estímulos. Como era previsível, o sistema financeiro se antecipou à mudança e o crédito se tornou, em pouco tempo, menos acessível e mais caro.

Dirigentes e economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendaram com insistência, nos últimos meses, muita cautela na execução das mudanças. A recomendação era dirigida, em princípio, também ao Banco Central Europeu e ao da Inglaterra, igualmente empenhados em políticas de estímulos monetários. Mas o grande fator de preocupação era mesmo a expectativa de uma política menos frouxa nos Estados Unidos. Os sinais vitais da economia americana vinham melhorando muito mais velozmente que os indicadores dos demais países desenvolvidos. Logo, caberia ao Fed tomar a dianteira na adoção de uma política menos expansionista.

A mudança anunciada pelo BC americano atende amplamente a necessidades de gradualismo e moderação. A injeção de recursos no mercado passará de US$ 85 bilhões para US$ 75 bilhões a partir de janeiro. Não há motivo para se esperar grande impacto. Novos cortes poderão ocorrer em cada uma das reuniões do Fed previstas para 2014. Nesse caso, os estímulos serão extintos até o fim do ano. Mas isso dependerá dos indicadores de crescimento econômico e de emprego, como deixou claro o presidente do Fed, Ben Bernanke. No fim de janeiro ele deverá ser substituído no posto por Janet Yellen, também diretora do Fed e conhecida por sua moderação.

Se os dirigentes do Fed indicassem a disposição de mudar a política de forma abrupta, os brasileiros teriam motivos especiais para se preocupar. Com as contas públicas frágeis, a inflação elevada e o balanço de pagamentos esburacado, a economia brasileira é mais vulnerável que a maior parte das emergentes a turbulências internacionais. O governo deveria deixar de bravatas e tomar o rumo da seriedade. A decisão do Fed elimina só um fator de tensão. Os fatores internos permanecem.

Enem sob novo risco - EDITORIAL CORREIO BRAZILIENSE

CORREIO BRAZILIENSE - 21/12
Imaginava-se ultrapassada a fase de trapalhadas do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do Ministério da Educação (MEC), que marcou os primeiros anos da elevação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) à condição de porta única de entrada para as universidades públicas brasileiras. Foram tantas as falhas, fraudes e confusões, que muitas universidades invocaram sua independência para adiar a adesão ao teste.A todo momento surgia uma novidade para desmoralizar o Inep e o MEC. O então ministro Fernando Haddad gastou amplo estoque de explicações e justificativas para manter nos cargos a equipe responsável pelo exame, como se nada lhes dissesse respeito. Nos últimos dois anos, com a troca de comando, a organização do Enem conseguiu aos poucos se firmar e reconquistar a confiança das universidades e, principalmente, dos estudantes. Este ano, mais de 7 milhões de candidatos a uma vaga no ensino público universitário ou a bolsas em faculdades particulares deram uma sinalização inequívoca de que o teste se consolidou.

Mas essa boa ideia desenvolvida para substituir o velho e muitas vezes injusto vestibular volta a correr o risco de desmoralização. A Polícia Civil de Minas Gerais, que havia descoberto uma quadrilha especializada em fraudar exames de seleção para cursos de medicina privados, com atuação em Caratinga, na Zona da Mata mineira, e "clientela" em outras partes do estado e no interior do Rio de Janeiro, conseguiu apurar que os mesmos quadrilheiros atuaram para fraudar o Enem deste ano.
Não se sabe ao certo quantos estudantes pagaram entre R$ 70 mil e R$ 100 mil para receber no celular, durante a prova, as respostas que lhes garantiram desempenho de alunos exemplares. A polícia prendeu dois suspeitos que teriam comprado os testes de um fiscal do Enem a tempo de submetê-lo a uma equipe de professores.

É preocupante o teor da conversa telefônica em que um dos bandidos convenceu um estudante da facilidade que ambos teriam na operação: "O Enem é bagunçado. Não tem fiscalização, é escolinha pública que aplica. São essas velhinhas de colégio que tomam conta". Ou seja, concorrentes daquela região a uma vaga numa universidade pública brasileira entraram com celular no bolso, sem ser incomodados, para fazer a prova. É uma clara e injusta vantagem sobre milhões de outros candidatos.
Ontem, numa tentativa de mostrar que está vigilante, o Inep anunciou a eliminação de 1.522 candidatos no país (396 em Minas, sendo quatro em Barbacena, na Zona da Mata) por suspeita de fraude. Mas o próprio instituto não tinha como estabelecer ligação entre os apanhados pela fiscalização do Enem e os envolvidos na fraude da quadrilha descoberta pela polícia mineira. O que restou evidente, por mais que o MEC tente minimizar o episódio, é que o esquema montado para dar segurança ao Enem precisar ser urgentemente revisto, sob pena de ingressar em mais uma longa novela de tropeços e, o que é pior, de injustiças.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“É um direito dele”
Ministro Gilberto Carvalho sobre a nova oferta de emprego para José Dirceu


HENRIQUE AMEAÇA O STF COM DECRETO LEGISLATIVO

O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB), telefonou a Luiz Fux, ministro do Supremo Tribunal Federal, para advertir sobre a iminente crise entre os poderes, caso as empresas privadas venham a ser mesmo proibidas de financiar campanhas. Alves alertou ao relator da ação no STF que a Câmara possui mecanismos, como decreto legislativo, para sustar a aplicação da decisão do STF, “se necessário”.

IRRITAÇÃO

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também está indignado com o julgamento do financiamento de campanha no STF.

NADA MUDA

Renan e Henrique alegam que é decisão do Congresso manter o sistema eleitoral como está, incluindo o financiamento de campanhas.

MUITO ESTRANHO

É intrigante a posição do Senado e da Câmara: por que, afinal, eles amam tanto o financiamento de campanha por empresas privadas?

ANO NOVO

Com o pedido de vista do ministro Teori Zavascki, o Supremo deverá retomar apenas em 2014 o julgamento sobre doações eleitorais.

PESQUISA: APENAS 15% PARTICIPAM DE PROTESTOS

Levantamento do Instituto Paraná Pesquisa, revelada nesta sexta (20), mostra que apenas 15,5% das pessoas participaram de algum protesto em 2013, apesar de 96% estarem cientes das manifestações e 19,2% aprovarem os atos. A corrupção é o maior motivo para ir às ruas (33%), seguida do transporte (23%), Copa (19,4%) e a economia (16%). A pesquisa ouviu 2.250 pessoas em 158 municípios entre os dias 3 e 7.

VIOLÊNCIA ASSUSTA

Entre os 18% que desaprovam os protestos, 13,3% disseram achá-los violentos e apenas 1,9% disse desaprovar por causa do vandalismo.

SEM RESPOSTAS

Apesar de apoiar os protestos, 52,8% dos pesquisados dizem que não houve qualquer mudança no País após as manifestações de junho.

TUDO COMO SEMPRE

Quando perguntados sobre alguma mudança local (na sua cidade) após as manifestações, 67,9% disseram não ter percebido nada.

CALOTE UNICAMERAL

O juiz federal do TRF da primeira região, Paulo Ricardo de Souza Cruz, determinou que a Câmara pague o que deve à agência de viagens que venceu licitação para prestar serviço em 2012. De acordo com a ação, a inadimplência gerou sérios problemas para a empresa.

QUEM AVISA...

Após pendenga judicial, a Força Aérea dos EUA comprou os Super Tucanos, esperando “retorno” com a venda dos caças Super Hornet. As turbinas americanas dos suecos Gripen podem dar dor de cabeça.

BATE, CORAÇÃO

Uma brasileira está especialmente feliz com a decisão de Dilma de comprar os caças Gripen: a rainha Silvia, da Suécia, que no mês passado veio ao Brasil visitar a ONG que criou contra a pedofilia.

CAMPANHA

Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) disse que Dilma vai “viajar bastante” no ano que vem para entregar obras do governo. Tudo para melhorar a “energia”. Nada a ver com pesquisas e eleições. Anrã.

APARTIDÁRIO

José Gerardo Grossi, futuro patrão de José Dirceu, é o advogado de políticos como o ex-presidente Lula e do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) no inquérito 2280, o mensalão mineiro no Supremo.

SINAIS DE FUMAÇA

Kim Jong-Un, tirano da Coreia do Norte, não gostou dos protestos na Coreia do Sul contra a “grande dignidade” de seu país. Ameaçou – por fax – atacar sem avisar. Se suas armas forem tão avançadas quanto suas comunicações, os rivais do Sul não precisam se preocupar.

ULALÁ

Diversão garantida nos comentários dos leitores on-line dos jornais franceses, especulando quem pagou e quem recebeu propina na negociação entre Sarkozy e Lula, na anunciada compra dos Rafale.

A DANÇA DO DINHEIRO

A ONG Human Rights Foundation criticou a cantora Mariah Carey por ganhar US$ 1 milhão em show para o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos e filha, a mais rica africana, segundo a Forbes. Foi “gorjeta”, perto dos mais de US$ 3 bilhões “doados” pelo Brasil.

PENSANDO BEM...

...a grande inquietação dos mensaleiros presos na Papuda é reencontrar, no dia 25, o sapatinho que colocaram na grade para Papai Noel.


PODER SEM PUDOR

CAÇA AO ELEITOR

Contam, em Divinópolis (MG) que certa vez o vereador Dé Pasteleiro (PMDB) recebeu uma ligação no celular pedindo o seu comparecimento urgente na sede do partido, para assinar documentos necessários ao registro de sua candidatura à reeleição. A resposta de Pasteleiro:

- Agora não posso. O velório tá bom demais de voto...

SÁBADO NOS JORNAIS

- O Globo: BC prevê alta da inflação com Copa e Olimpíadas 
- Folha: Haddad perde no STF e desiste de aumentar o IPTU em 2014
- Estado: STF mantém liminar e IPTU terá reajuste só pela inflação
- Correio: Distritais gastaram meio milhão só com gasolina
- Jornal do Commercio: Agora somos metade sem você
- Zero Hora: Promessa para rodovias do RS: O pacote de obras de Dilma

sexta-feira, dezembro 20, 2013

Coxinha lembra Erundina - BARBARA GANCIA

FOLHA DE SP - 20/12

Alô, paulistada chorona! Sem tomar riscos e demonstrar resiliência não anda. Manda a brasa, coxinha!


Explique-me se puder, você que faz parte dessa gente bron­zeada e saiu às ruas para pro­testar contra "tudo isso que está aí". Alguém consegue conceber a re­forma de uma quitinete, que seja, sem causar incômodo?

Estou curiosa: como se pretende romper o muro (rodoanel?) da de­sigualdade que insiste em embru­tecer nossa cidade sem passar por alguns percalços?

Tudo bem, a imagem é pretensio­sa e talvez exija recursos mentais dos quais, por ora, não dispomos. A visão de uma São Paulo inclusiva, em que uma Paraisópolis possa conviver harmoniosamente com um Morumbi ainda não aterrissou em Congonhas ou desembarcou na rodoviária do Tietê.

Mas por que saímos às ruas então? Não foi por mudanças? Se existis­sem pesquisas de opinião na época da construção dos aquedutos ro­manos, será que a turma acusaria algum desconforto quanto às obras? "Aumentou o tráfego de bi­gas perto de casa, aquilo está um fe­dor de estrume que só vendo".

Não é preciso ir tão longe. Basta lembrar da revolta ocorrida quan­do Oswaldo Cruz iniciou o mutirão da vacinação.

Tudo isto para dizer que o paulis­tano é um desorientado que fala uma coisa e faz outra. Saiu às ruas pedindo melhores serviços, mas quer que isso aconteça num piscar de olhos, como se fosse possível dormir em Perdizes e acordar em Bel Air, só porque quis assim.

O Minhocão é o monumento maior ao modelo "recauchutagem rápida", dá-lhe um tapa e não se fala mais nisso, de uma cidade sem pla­nejamento de longo prazo e sem modelo do que quis ser quando crescesse, que não ousou passar por mudanças algo dolorosas para endireitar e deu nisto.

Está na hora de amadurecer. An­dei pensando e estudando o nosso prefeito. E cheguei a algumas con­clusões. Para começar, alguém que consegue desagradar Lula, Paulo Skaf, Serra, Kassab e Geraldo Alck­min ao mesmo tempo deveria rece­ber, o quanto antes, a medalha da Ordem do Rio Branco.

Ué? O sapo barbudo não disse que seria melhor se Haddad tivesse perdido? Pronto. Sinal que deve ser o cara certo para a missão. E, olha só: o sujeito foi adjunto do Sayad (ponto) inventou os CEUs (fre­quento e sei da importância --mais um ponto), inventou também o Prouni a custo zero para o governo (golaço) e está indo lá enfrentar so­zinho o STF. Quem o chama de bur­raldo e ingênuo só pode estar mal informado, né não?

Lembro do Brasil intei­ro xingando o Parreira de burro na Copa de 1994. Da classificação até a final. Pois é. Fernando Haddad criou uma controladoria que co­meçou detonando --veja só-- a máfia da construção e do mercado imobi­liário. E carro, numa visão de admi­nistrador que trabalha pensando nos próximos 50 anos, é para ficar na garagem e servir só para fim de semana. Então cada um que segure sua onda por enquanto. Sem o sa­crifício voluntário de cada britâni­co, os aliados não teriam vencido a 2ª Guerra, sabia não?

São Paulo sofre as consequências de décadas de soluções levianas e pilhagem. E ainda tem de arcar com uma população de bebês chorões, comodistas e hipócritas. Pois eu folgo em saber que alguém tem co­ragem de peitar as máfias que do­minam Gotham City, a despeito da chiadeira, das pesquisas de opinião e de estarmos em véspera de elei­ção. Admiro quem toma riscos e de­monstra resiliência. Manda a bra­sa, coxinha!

Um pouco de silêncio - MICHEL LAUB

FOLHA DE SP - 20/12

Para um cronista de meio século atrás, digamos, o maior temor era a falta de assunto. Hoje é o contrário.


Desde o surgimento da internet, é difícil ler um texto como "A Boa Manhã", de Rubem Braga, que identifica a felicidade com a ausência do que dizer. Em qual dia de 2013, ano em que houve o julgamento do mensalão, os protestos de junho, o intérprete falso no funeral de Mandela e a glória do rei do camarote, foi possível resistir à compulsão de se expressar?

Não que o mundo seja mais movimentado hoje. O que aumentou foram os veículos para que corram versões dos fatos. O modernismo errou ao decretar a morte da narrativa. Idem quem segue falando da morte da ficção. Pois o que mais há agora são narrativas ficcionais: o tipo de relato sobre nós mesmos, mediado pela idealização --tudo falso, portanto-- que fazemos de nossa inteligência, cultura, humor e experiência social.

O pior pecado de um colunista é ser previsível. Caio nele com frequência, como o leitor deve perceber, mas tento fugir do figurino tradicional dos que agem assim: blocos monolíticos de opinião, que alinham qualquer controvérsia --do casamento gay ao modelo de exploração do campo de Libra-- segundo um sistema que parece coerente.

Só parece: muita gente defende a liberação das drogas e é a favor de restrições policialescas para o tabaco. Parte dos que condenam o aborto baseados no princípio de proteção à vida apoiam a pena de morte. Parte dos que advogam a separação entre religião e Estado no Ocidente se enchem de tolerância multiculturalista ao analisar teocracias. O paradoxo não impede, claro, que se aponte o dedo para a desonestidade, agressividade e ignorância dos adversários.

(Para não deixar dúvida: sou a favor do casamento gay e da adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo. A favor da separação entre Estado e religião sempre. A favor do tratamento de drogas e aborto como questões de saúde pública, e não de polícia. Contra a propaganda de cigarro e a pena de morte. Nada tenho a dizer sobre o campo de Libra.)

O segundo pior pecado de um colunista é se apaixonar pela própria retórica. Como a frase melhora quando tiramos dela as adversativas, não é mesmo? Tudo fica mais irônico e viril. O ritmo do parágrafo anterior, que já não é lá muito harmonioso, ficaria pior se eu incluísse a construção "não acho, todavia, que religiosos são obscurantistas por definição".

Ou "no debate do aborto, estou mais do lado pragmático --que tenta evitar mortes de mães em partos sem cuidados e desestruturação familiar por gravidezes não desejadas-- que no de princípios, pois tenho dificuldade em lidar com o 'conceito político' de vida".

Ou "no das drogas, ao contrário, penso mais na liberdade de cada um usar o que quiser, fazendo mal a si mesmo inclusive, que nas consequências. Tenho dúvidas se o consumo diminuiria com uma flexibilização da lei. E se o crime organizado não mudaria apenas de droga ou de ramo, caso perdesse os atuais lucros com a maconha".

Ocorre que é nas adversativas que pode estar a precisão. O estilo piora, mas é difícil pensar sobre um tema sem ao menos testar --com a empatia que estiver ao alcance-- a viabilidade lógica e moral do argumento contrário.

Algumas coisas são inegociáveis, claro, mas nem toda ponderação é sinônimo de relativismo covarde. Assim como nem toda omissão. Pierre Bayard escreveu um ensaio divertido chamado "Como Falar dos Livros que Não Lemos" (Objetiva).

Gostaria que alguém escrevesse um com a tese oposta: como resistir em falar dos livros que lemos, dos filmes que vimos, do que aparece na TV ou do que comemos no almoço, e do trânsito e da poluição e da péssima qualidade dos serviços na cidade e assim por diante.

Seria um bom final para este longo 2013: um pouco de vazio e tédio em vez do fetiche do registro e do movimento. Uma paisagem à beira da praia sem o filtro de um aplicativo. Nenhuma hashtag comentando o desempenho sexual de ninguém. A experiência fora do alcance do relato, a vida que não precisa ser classificada e explicada nos limites --sempre mais estreitos-- da linguagem.

Um pouco de silêncio, portanto.

Feliz Natal. Feliz Ano-Novo. E boas férias para mim (deve dar para perceber que estou precisando).

O frango nosso de cada dia - JOÃO GUILHERME SABINO OMETTO

O GLOBO - 20/12

Embora se mantenha como o maior exportador e terceiro produtor mundial de carne de frango, o Brasil precisa evitar a repetição da crise do setor em 2012, a mais grave de sua história, que custou dez mil empregos. Porém, os dados da União Brasileira de Avicultura (Ubabef) mostram que persistem as dificuldades: oscilações nos preços dos insumos; câmbio desfavorável à exportação; deficiências na infraestrutura; e dificuldade de crédito para pequenos produtores.

Tais problemas podem culminar com a queda de produção no último trimestre de 2013. Em 2012, já houve recuo, no acumulado do ano, de 3,17% ante 2011. São necessárias ações do poder público para evitar a desestruturação da atividade. Não se deve ignorar, ainda, o apoio aos segmentos exportadores neste momento negativo da balança comercial.

A avicultura é organizada, mantendo-se dinâmica em meio aos obstáculos. O Brasil, com 12,6 milhões de toneladas (2012), responde por 15% da produção global de carne de frango, atrás somente de Estados Unidos e China. O forte sistema cooperativista e os 3,5 milhões de empregos mantidos pelo setor mostram sua importância social. O valor bruto da produção foi de R$ 42 bilhões em 2012, com potencial de crescimento.

Maior exportador, com 35% do total mundial, o país colocou 3,9 milhões de toneladas no mercado externo em 2012. Isso posiciona o produto como o terceiro da pauta de nosso agronegócio no comércio exterior. Tal desempenho deve-se à qualidade, que se reflete na redução de barreiras sanitárias, e ao baixo custo da produção. Neste aspecto, cabe um alerta: em 2002, produzíamos com vantagem de 30 centavos de dólar por quilo do animal vivo em relação aos Estados Unidos. A diferença caiu para 0,05 centavos e nossa competitividade está praticamente nivelada à da Tailândia.

É necessário reverter a tendência de redução do crescimento das exportações: de 2001 a 2004, elas evoluíram 24,5%; de 2005 a 2008, 10,6%; de 2009 a 2012, só 2,6%. Essa queda fez com que o setor deixasse de gerar 94 mil empregos e receita adicional de US$ 1,65 bilhão. Poderemos deixar de criar 103 mil postos de trabalho até 2020, se não mitigarmos os custos da produção, com redução da carga tributária, barateamento dos fretes e operações portuárias, aporte tecnológico e maior produtividade da mão de obra.

O frango é importante para os brasileiros, que consumiram 9,1milhões de toneladas em 2012 (45 quilos per capita/ano, contra 13 quilos na média global). O mercado interno é visto como o grande vetor do incremento da produção. Carne apreciada pelo paladar nacional, saudável e de alto valor nutritivo, sua oferta responde à expansão da demanda gerada pelo aumento da renda e crescimento populacional. O Brasil ainda não pode “cantar de galo” pela sua inserção no mercado internacional. É preciso ser realista e reconhecer que lhe falta inovação, possibilitar melhor logística para escoar a produção e crescer ainda mais em qualidade.

As razões do presidente - GILLES LAPOUGE

O Estado de S.Paulo - 20/12

O carinhoso Vladimir Putin não estendeu sua mão misericordiosa apenas à tripulação do navio do Greenpeace. Entre os agraciados por seu perdão, está um dos condenados mais famosos do mundo, Mikhail Khodorkovski, preso desde 2003, na Sibéria, a 6 mil quilômetros de Moscou.

É uma notícia importante. Khodorkovski é um exemplo da história caótica da Rússia depois do fim da URSS. Ele nasceu em Moscou, em 1963, de pai judeu e mãe russa ortodoxa. Ainda criança, distinguiu-se por ser um aluno brilhante e, mais tarde, cursou a faculdade de química.

Posteriormente, foi um membro ativo do Komsomol, a juventude comunista, antes de se tornar um destacado militante do Partido Comunista. Quando chegou a perestroika, de Gorbachev, não hesitou em lançar-se no mundo dos negócios e logo reuniu um pequeno capital. Depois da queda da URSS, o capital aumentou de maneira fantástica, como num conto de fadas.

A fada que tocou com sua varinha mágica o jovem brilhante chamava-se Boris Ieltsin. Foi Ieltsin, o presidente da Rússia, esse personagem vulgar, grosseiro, bêbado e meio louco que fabricou, como se fosse no meio de uma bebedeira, esses nababos que frequentemente encontramos à frente de clubes de futebol na Grã-Bretanha ou em Mônaco.

Em 1995, na época da privatização das empresas estatais russas, Khodorkovski comprou o grupo petrolífero Yukos por US$ 360 milhões. Nove anos mais tarde, em 2004, o Yukos tinha se tornado um mastodonte e valia US$ 27 bilhões.

Por que razão, com Putin no poder, Khodorkovski foi parar no banco dos réus? Oficialmente, foi vítima da caça às bruxas que Putin lançou contra as "práticas mafiosas" da era Ieltsin (lembremos que o próprio Putin foi instalado na presidência por Ieltsin).

"Por que então, se há alguns meses, a Justiça anunciara que haviam sido descobertas novas infâmias e perversidades de Khodorkovski, Putin decidiu agora libertá-lo? Oficialmente, com a série de indultos comemoram-se os 20 anos da Constituição russa, mas não devemos esquecer dos Jogos Olímpicos de Inverno, organizados em Sochi, que começarão no dia 7 de fevereiro.

Barack Obama acaba de anunciar que nenhum membro do seu gabinete estará presente. Pior ainda: a Casa Branca decidiu incluir na delegação oficial americana uma militante da causa homossexual, a ex-campeã de tênis Billie Jean King. O francês François Hollande também anunciou que não vai.

As duas jovens russas, as Pussy Riot, que ridicularizaram Putin e cometeram sacrilégio na igreja ortodoxa de Moscou, também devem ser libertadas. A anistia libertará cerca de 20 mil presos. Então, nas prisões russas restarão apenas 800 mil. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Marrocos! Galo vira Marrecos! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 20/12

Clube Atlético Mineiro: o CAM! CAM quer dizer Coitado do Atlético em Marrakech! Rarará!


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E adoro essas manchetes de Pernambuco: "Velhinho preso por mamar na jumenta". Tadinho do velhinho, vai pra Papuda também? Rarará!

"Dilma compra 36 caças suecos Gripen." Então a Dilma não comprou um caça, comprou um resfriado: GRIPEN! Então Saúden! O sueco já vem espirrando!

E atenção! Marrocos Urgente! O Galo virou Marrecos! Os marroquinos e os marrequinhos! O Atlético perdeu pro Raja Casablanca! Todo galo tem seu dia de canja! Foi Galo e voltou Canja!

E como gritaria o Galvão: "Raja Coração, Amigos". Rarará.

Clube Atlético Mineiro: o CAM! CAM quer dizer Coitado do Atlético em Marrakech! E diz que eles voltaram de CAMelo! Rarará! Esculhambação, viu! E o tuiteiro Miltoshiba lembra a clássica cena do clássico Casablanca: "Play it again, CAM!". Rarará! E confundiram o Ronaldinho Gaúcho com um camelo. Aqueles dentões de camelo! Rarará!

E lá no Marrocos todos têm a cara do Romário! Que foi flagrado no show do Luan Santana com uma trans. Pra pagar a língua pelas indiretas ridículas que ele dava pro Ronalducho Fofômeno!

O problema não é a trans, é o show do Luan Santana! Rarará! O Romário é gordura trans! Rarará!

E o versinho do dia: "Enquanto o mineiro xingava/ mais um gol do Raja". E a piada pronta: a maior e mais tradicional churrascaria em BH se chama: RAJA GRILL! Na avenida Raja Gabaglia! Haja Raja! Churrascaria Raja Grill! Tradução: O Raja Riu! O Raja Grill vai servir galeto no espeto!

E diz que os atleticanos foram conhecer o deserto e gritaram: "Nossa, quanto polvilho, dá pra fazer uma tonelada de pão de queijo!". E eu tô zoando com os mineiros, mas eu adoro Minas. Já viajei muito por Minas. Um monte de montanhas com gente dando adeus! A coisa mais fofa!

E tem aquela minha amiga perua que é tão chique que chama o Aleijadinho de Aleijadérrimo. "Vou pra Minas comprar obras do Aleijadérrimo". Rarará.

E sabe como mineira chama sexo oral? Chupar um queijo! Rarará! Tô esculhambando de novo. Como diz um amigo mineiro: "Por que, Jesus?". E o Galo tá cantando A Galinha Pintadinha! Rarará.

Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje, só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Uma cabeça na bandeja - LUIZ CARLOS AZEDO

CORREIO BRAZILIENSE - 20/12

Michel Temer acumula mais micos na mão. As críticas de seus pares são de que se acomodou no cargo de vice-presidente e já não defende os interesses do partido nas bolas divididas. Decidiu exercer o papel de representante de Dilma Rousseff nos conflitos

O título é meio mórbido, mas não tem nada a ver com os três presos decapitados na rebelião do presídio de Pedrinhas, no Maranhão, um retrato das condições desumanas das nossas cadeias, que lembram as masmorras da escravidão romana. Vale, porém, o registro. Trata-se, no caso, de uma parábola — figura de estilo — que descreve com exatidão a situação do presidente do PMDB, Michel Temer, na chapa da reeleição da presidente Dilma Rousseff. Sua cabeça está sendo oferecida pelos caciques da legenda para quem quiser resolver os problemas regionais da aliança do PMDB com o PT.

Notável constitucionalista e hábil articulador político, Temer conseguiu a proeza de unir o PMDB, uma confederação de caciques políticos estaduais, para apoiar o governo Lula, o que lhe garantiu a vaga de vice-presidente da República. Ficaram de fora apenas alguns caciques recalcitrantes, como o ex-governador de Pernambuco Jarbas Vasconcelos. O vice de Dilma manteve o PMDB no governo administrando conflitos regionais com incrível competência, como o da Bahia, onde Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Integração Nacional do governo Lula, passou sete anos se digladiando com o governador Jaques Wagner (PT); mesmo assim, no governo Dilma, manteve o cargo de vice-presidente da Caixa Econômica Federal (CEF). De uns tempos pra cá, na medida em que a eleição se aproxima, porém, Temer começa a perder o controle da situação do PMDB.

A primeira crise no sistema de alianças construído por Temer foi na eleição do líder da bancada do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que o Palácio do Planalto tentou detonar. Michel vacilou diante das pressões, mas o parlamentar resistiu e registrou a ocorrência. Por muito pouco, Henrique Eduardo Alves (RN), o presidente da Casa, também não fez o mesmo para agradar à presidente da República. Depois, a crise se instalou no Rio de Janeiro, onde o governador Sérgio Cabral (PMDB), que tinha o maior cacife eleitoral da legenda, foi abandonado por Dilma e, agora, e vem sendo enrolado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O senador Lindbergh Farias será mesmo o candidato do PT contra Luiz Fernando Pezão (PMDB, o vice de Cabral. O PT empurra com a barriga a saída do governo, mas está escrito nas estrelas que Cabral somente se manterá na aliança com os petistas se jogar a tolha quanto à própria sucessão.

Nova crise eclodiu no Ceará, onde o senador Eunício de Oliveira(PMDB) é candidato a governador e reclama o apoio do PT e dos irmãos Gomes. Ocorre que nem Cid, o governador, nem o irmão Ciro, cotado para o Ministério da Saúde, desejam abrir mão de uma candidatura de seu próprio esquema político, que migrou do PSB para o Pros. Bom de briga, Eunício cobra solidariedade dos pares e já mandou recado de que não aceita palanque duplo no Ceará. Situação semelhante começa a ocorrer também no Maranhão e na Paraíba, onde o PT rói a corda da aliança com os senadores José Sarney (PMDB-AP) e Vital do Rego (PMDB-PB), respectivamente. Michel Temer acumula mais micos na mão. As críticas de seus pares são de que se acomodou no cargo e já não defende os interesses do partido nas bolas divididas. Decidiu exercer o papel de representante de Dilma Rousseff nos conflitos, em vez de defender com unhas e dentes os interesses do PMDB junto ao governo. É aí que mora o perigo.

A situação tornou-se tão crítica que os caciques ameaçam entregar a cabeça de Temer na aliança com o PT e cuidar da própria vida. Se preciso for, estão dispostos a engrossar o “Volta, Lula!”, com o filho do falecido vice-presidente José Alencar, Josué, que se filiou ao PMDB de Minas, na vice do ex-presidente da República, no lugar de Temer. Acontece que a fórmula também agrada a Dilma, que assim mudaria a cara de sua chapa de candidata à reeleição, fortalecendo-se em Minas. Ou seja, os caciques regionais do PMDB interessados em manter ou conquistar governos locais estão dispostos a oferecer a cabeça de Temer numa bandeja — seja para Dilma seja para Lula.

Grande irmão
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, é o nome escolhido pela presidente Dilma Rousseff para comandar o megaesquema de segurança que será montado durante a Copa do Mundo. Policiais das sedes e demais forças de segurança já estão sendo treinados por agentes norte-americanos na prevenção de atos terroristas. Cardozo disporá de amplos poderes legais, administrativos, recursos e homens para investigar qualquer indivíduo suspeito de ter relações com organizações terroristas durante os jogos.

MILHÕES DE AMIGOS - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 20/12

Luiza Brunet organizou festa pelo aniversário de 60 anos de seu namorado, o empresário Lírio Parisotto, na Casa Fasano. A ministra da Cultura, Marta Suplicy, com o marido, Marcio Toledo, a apresentadora Luciana Gimenez com Marcelo Carvalho e a atriz Christiane Torloni foram à comemoração. O ex-ministro Luiz Furlan e os empresários José Luiz Gandini, Ricardo Bellino e Ivo Rosset, com a mulher, Eleonora, também passaram por lá. A modelo Bárbara Fialho, o stylist Rafa Mendonça e a arquiteta Raquel Silveira curtiram a festa que teve show da dupla Victor e Leo.

EU TE PROPONHO
A Câmara Municipal de São Paulo votou em 2013 mais projetos do que nos dois anos anteriores. Os vereadores aprovaram 539 propostas --72% a mais do que em 2012 (313) e 88% superior ao total de 2011 (286). Os parlamentares apresentaram 854 textos. O Executivo, 43.

EU TE PROPONHO 2
Um acordo entre as bancadas, liderado pelo presidente da Câmara, José Américo (PT-SP), dá a cada vereador o direito de submeter quatro propostas a análise. Projetos polêmicos, como o fim da inspeção veicular, a homenagem à Rota e o reajuste do IPTU, passaram pelo plenário. Em 2014, as discussões devem se concentrar na revisão do Plano Diretor, na Lei de Zoneamento e no Código de Obras.

ADEUS
Marcelo Rehder deixará a SPTuris no dia 6 de janeiro.

TORCIDA
Vaiado no evento de catadores, ontem, em SP, o deputado Paulo Maluf (PP-SP) diz que não se surpreendeu. "Palmeirense não aplaude corintiano. E corintiano não aplaude palmeirense." Segundo Maluf, "eles não gostam de mim, mas gostam das minhas obras. Ninguém fez mais pelo pobre em SP do que eu". O parlamentar afirma ainda que "a pior coisa do mundo é a indiferença. No dia em que eu não for vaiado nem aplaudido, aí sim vou ficar chateado".

AQUELE ABRAÇO
Rejeitado pela plateia, Maluf diz que foi muito bem tratado no palanque em que estava Dilma Rousseff. "O Gilberto Carvalho [ministro da Secretaria-Geral da Presidência] me deu um grande abraço, agradeceu a minha presença. O [senador Eduardo] Suplicy também."

EM FAMÍLIA
Maluf diz que conversou bastante com o senador petista, e lamentou mais uma vez a morte de dona Filomena Matarazzo, mãe de Suplicy. Diz que ela era amiga de sua mãe, dona Maria Maluf. "A dona Filomena tinha 106 anos. Minha mãe, se viva, teria 108. Elas se encontravam em recepções, festas, casamentos. E frequentavam a mesma missa, sempre às quartas-feiras, às 9 da manhã, no Colégio São Luís."

BABILÔNIA
As garrafas do vinho tinto Château Cos d'Estournel em dez formatos diferentes viraram atração na festa de 60 anos do empresário Lírio Parisotto (fotos ao lado), dono da Videolar. As vedetes foram as gigantes de 18 litros (equivalente a 24 garrafas comuns), chamadas de Melchior, que no Brasil chegam a custar R$ 80 mil cada uma. A unidade de 750 ml é vendida por R$ 2.500.

BABILÔNIA 2
O empresário ofereceu aos convidados cerca de cem garrafas de tinto Bordeaux, safra 2000, considerada excepcional. E 300 garrafas de champanhe Dom Pérignon (cerca de R$ 800 cada um). "Todas as bebidas vieram da adega de 11 mil rótulos do próprio Lírio, que é uma das melhores do país", diz Manoel Beato, sommelier do Grupo Fasano, que ajudou o anfitrião a fazer a harmonização do jantar.

EM ALTA
A TV Globo lança hoje uma campanha para estimular o uso da TV digital no país, estrelada por Fernanda Lima e Thiago Lacerda. A emissora calcula que, até a Copa de 2014, 70% dos espectadores terão acesso à tecnologia. Hoje, segundo o Ibope, a transmissão está disponível para 100 milhões.

CURTO-CIRCUITO
Marco Luque faz show de comédia e improviso ao vivo, hoje, às 14h, em sua página no Facebook.

A mostra "Livro de Assinaturas", de Dudu Santos, foi prorrogada até 25 de janeiro, na Galeria Jaqueline Martins, em Pinheiros.

O Bixiga 70 se apresenta hoje, às 20h, na Funarte, em Santa Cecília. Livre.

Amir Slama e Phebo lançam guirlandas especiais de Vic Meirelles, hoje, a partir das 16h, na Oscar Freire.

Fê Lemos, baterista do Capital Inicial, será DJ hoje, às 22h, em festa no The PUB, na Augusta. 18 anos.

Tania Bulhões e Yan Acioli oferecem feijoada para convidados, hoje, no Jardim América.

Inezita Barroso lançou o DVD "Cabloca Eu Sou", que resgata imagens de seus 63 anos de carreira.

A contradição - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 20/12

Os petistas não se conformam com algumas sinalizações da presidente Dilma na reforma ministerial. Com seu adiamento, eles querem dobrar a presidente em alguns casos. Não aceitam a preferência de Dilma por Ciro Gomes (PROS) na Saúde. Eles querem que a pasta fique com o PT e recorrem ao ex-presidente Lula pela nomeação do atual secretário-executivo, Mozart Salles.

Na contramão
O candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, prega "meritocracia, profissionalismo na gestão pública e combate ao aparelhamento partidário" Enquanto isso, o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, enviou projeto à Assembleia goiana dando estabilidade aos funcionários comissionados quando estes completarem 15 anos ininterruptos de serviço público estadual. Ele se elegeu governador em 1998, foi reeleito, depois sucedido pelo seu vice e, em 2010, voltou para o cargo. No mês que vem, seu grupo político completa 15 anos no poder. Se isso virar lei, esses funcionários só poderão ser demitidos, no futuro, com um processo administrativo disciplinar.


"O Aécio Neves não quis partir para o confronto. Isso é uma questão de estilo e de temperamento"
Bruno Araújo
Deputado federal (PSDB-PE), sobre o candidato tucano ter adotado a versão mais light do documento dos 12 pontos, desprezando a primeira versão, que fazia críticas contundentes à presidente Dilma e aos governos do PT.

Exclusividade
A articulação política da reeleição da presidente Dilma vai perder um de seus principais atores caso o ministro Aloizio Mercadante (Educação) seja transferido para a Casa Civil, essa função tem tarefa única: cuidar do governo

O recado
Numa conversa com os ministros Luiz Fux e Gilmar Mendes, o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB), avisou que vai anular qualquer decisão do STF ou do TSE que proíba a doação de empresas às campanhas. E lembrou ter revogado decisão do TSE que mudava o número de vagas para deputado federal dos estados.

Mudança polêmica
No STF, o ministro Teori Zavascki segurou o julgamento de ação pela proibição das doações eleitorais pelas empresas. No TSE, coube ao ministro Gilmar Mendes tirar o tema de pauta. A maioria do Congresso é contra a proibição.

Memória curta
Ele deixou o governo de Brasília engolfado pelo então chamado mensalão do DEM. Mas, agora, o ex-governador José Roberto Arruda (PR) lidera pesquisa feita sob encomenda para tucanos e empresários. Ele só não está na ponta no cenário com outro ex-governador: Joaquim Roriz. Em segundo, está o governador Agnelo Queiroz (PT).

Será possível?
A despeito de eventuais cotoveladas, o PT quer manter boa vizinhança com o candidato do PSB, Eduardo Campos. Os petistas querem o apoio dos eleitores do socialista num segundo turno.

Guerra de pesquisas
O PMDB e o PT travam batalha para convencer Lula sobre qual é o candidato viável ao governo do Rio. O ex-presidente quer um só candidato, pois a divisão favorece o deputado Anthony Garotinho (PR).


O EX-PREFEITO DE NITERÓI Godofredo Pinto avalia convite do ministro Marcelo Crivella (Pesca) para formular um programa de governo para o Rio.

Dança da cadeira - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 20/12

O destino de Aloizio Mercadante está no topo da lista de prioridades de Dilma Rousseff. O ministro da Educação deve deixar a pasta e pode ir para a Casa Civil ou para o QG de campanha. Ministros do PT têm feito lobby para que o secretário-executivo do Ministério da Previdência, Carlos Gabas, vá para o lugar de Gleisi Hoffmann. Os petistas avaliam que, se Mercadante assumir, continuará no posto caso Dilma se reeleja. "Ninguém consegue tirá-lo depois'', constata um aliado.

Bem na fita Outra ala de petistas diz, em defesa de Mercadante, que ele tem sido mais "low profile'' nas reuniões políticas e que a presidente o considera uma peça de segurança do governo.

Garupa Gabas tornou-se próximo de Dilma. Foi com o secretário que ela deu o já famoso passeio de moto.

Ficou para... Dilma pretendia discutir com Lula ontem decisões da pré-campanha, mas a agenda encavalou com a festa de fim de ano do instituto do ex-presidente.

... depois Uma das preocupações é a escolha de um local para que comece a funcionar até fevereiro o núcleo operacional da campanha. O grupo que cuidará da logística será escalado em janeiro.

Brasa Diante da demora de Dilma no evento com catadores de rua, em São Paulo, Lula pediu a assessores para ligarem a TV. Assim que terminou a fala da aliada, mandou ligar a churrasqueira.

Dublê O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), levou um susto ao entrar sob vaias no palco do Natal dos catadores. Só depois notou que os apupos eram para Paulo Maluf (PP).

Aí, não Auxiliares de Dilma dizem que ela iria se queixar a Lula pelo fato de a CUT incentivar greve de fim do ano nos aeroportos. Ontem, aeronautas aceitaram proposta das empresas aéreas e cancelaram a paralisação.

Frente verde Além de buscar aproximação com o PV, aliados de Eduardo Campos (PSB) abriram negociações com o PEN. Os pessebistas acreditam que os cerca de 600 candidatos a deputado que a sigla quer lançar pelo Brasil podem ajudar a campanha do pernambucano.

Enturmada O grupo de Marina Silva temia que Eliana Calmon, que optou por se filiar simbolicamente à Rede, ficasse isolada no PSB. Os marineiros ficaram aliviados quando viram que Lídice da Mata (PSB) apresentou pessoalmente a juíza aposentada aos outros pessebistas.

Atalho 1 Sem acordo para votar o novo Código da Mineração na semana passada, como havia sido anunciado por Henrique Alves (PMDB-RN), peemedebistas articulam para que o projeto seja apresentado diretamente no plenário em 2014, após o recesso.

Atalho 2 A manobra tem o objetivo de evitar pressão de empresas mineradoras sobre deputados da comissão especial que discute o tema. Alguns desses parlamentares propõem a criação de uma participação especial para o setor, nos moldes do petróleo.

Cabe... A propaganda da Fiesp em que Paulo Skaf comemora a derrubada do reajuste do IPTU provocou desconforto na Associação Comercial de São Paulo e na Fecomercio. As duas entidades integram a ação que questionou o aumento e dividiram os gastos com advogados.

... mais um? Dirigentes afirmam que Skaf tenta protagonizar o caso, em busca de popularidade para a disputa pelo governo paulista em 2014. A Associação Comercial é área de influência de Gilberto Kassab (PSD), que também é pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes.

com ANDRÉIA SADI e BRUNO BOGHOSSIAN

tiroteio
"A escolha dos novos caças suecos coloca o Brasil em posição de cobaia. É como decidir aplicar uma vacina que nunca foi testada."

DO DEPUTADO ESTADUAL ORLANDO MORANDO (PSDB-SP), sobre a decisão do governo de comprar o Gripen NG, que nunca foi usado em operações militares.

contraponto


Sandálias da humildade
Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, aproveitou a última sessão do ano, na quarta-feira, para agradecer aos colegas pelo empenho em 2013. Os senadores brincaram com Vital, cotado para assumir o Ministério da Integração Nacional na reforma da Esplanada.

--Vou apresentar uma proposta para que o senhor possa ser ministro e presidente da CCJ, acumulado --disse Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

Sem jeito, o peemedebista respondeu:

--Espero estar aqui no ano que vem!

Duelo de titãs - DENISE ROTHENBURG

CORREIO BRAZILIENSE - 20/12

Na confraternização de fim de ano com jornalistas, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, dizia que o Poder Legislativo fará “quantas PECs forem necessárias para evitar que o Supremo Tribunal Federal (STF) legisle sobre as doações de campanhas eleitorais”. Os peemedebistas planejam várias Propostas de Emendas Constitucionais, que vão além das doações de campanha. Querem inclusive influir na rotina do STF, como estabelecer uma “ordem cronológica de processos em julgamentos de ações e mandatos com idêntica situação processual”, dando preferência aos mais antigos.

O que leva à reação dos parlamentares é a manifestação de alguns ministros de que a não-doação de empresas seria cláusula pétrea, portanto, de aplicabilidade imediata, caso o STF decida nessa direção. Os partidos não querem o fim desse financiamento. A avaliação geral é a de que, sem o financiamento privado, só o PT terá recursos, porque tem a máquina do governo federal em mãos, controla grande parte dos sindicatos e maior poder de mobilização. Os demais ficariam a ver navios. Essa briga entre STF e Congresso será o tema de estreia do ano eleitoral.

No forno
Em meio às Propostas de Emenda Constitucional em gestação na guerra entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal, vem uma para reduzir a idade dos ministros. Em vez da aposentadoria aos 70 anos, a ideia é reduzir para 60 anos. Essa vem quase que sob encomenda para aposentar Joaquim Barbosa, hoje com 59 anos.

Madrugada dos ponteiros
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva ficaram reunidos a portas fechadas até 2h da matina de quinta-feira em Salvador. Na solenidade de ontem, para filiação de Eliana Calmon ao PSB baiano, a ambientalista só se referia ele como “meu presidente”.

Fome & vontade
O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) começou a conversar com o colega Armando Monteiro Neto, do PTB, sobre uma dobradinha no estado. Os dois se aproximaram depois que se sentiram meio largados. O PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, primeira opção de Jarbas, não deixa claro se dará ao peemedebista a vaga de senador na chapa. Da mesma forma, o PT estadual não diz nem sim, nem não, à candidatura de Armando ao governo do estado e tende a lançar candidato próprio.

Data marcada
Uma das primeiras mudanças na equipe de Dilma Rousseff em 2014 será a da Casa Civil. Como Gleisi Hoffman tem mandato de senadora, ela deixa o cargo assim que o Congresso reabrir, no início de fevereiro. Por isso, passará o mês de janeiro entregando a cobrança dos projetos governamentais ao sucessor, hoje entre o “motoqueiro” secretário-geral da previdência, Carlos Gabas, e a ministra do Planejamento, Miriam Belchor. As apostas, entretanto, pesam mais hoje sobre Miriam, por causa da preferência de Dilma em trabalhar diretamente com as mulheres.

Gestos I/ Desde que transmitiu o governo a Roberto Requião, em março de 1991, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) não pisava no Palácio do Iguaçu. Ao todo, foram 8.310 dias. Ontem, quebrou a contagem para receber a comenda ordem do Pinheiro, conferida pelo governador Beto Richa, seu colega de partido. Foi a maior prova de que o PSDB no Paraná está pacificado.

Gestos II/ Outros que receberam a comenda foram o arcebispo de São Paulo, Dom Odílo Scherer, e o ex-governador paulista José Serra. Calma pessoal: Aécio Neves recebeu a comenda no primeiro do mandato de Beto Richa.

Férias coletivas/ No que depender do Congresso Nacional, o ano acabou na última quarta-feira, quando a maioria das excelências correu para o aeroporto a fim de escapar da greve dos aeroviários marcada para amanhã. Agora não tem mais greve e nem parlamentar em Brasília.

Sinceridade demais/ Pré-candidata ao senado pela Bahia, Eliana Calmon (foto) disse, em seu primeiro discurso, não conhecer seu estado natal, mas prometeu visitar cada recanto. Os marqueteiros não gostaram. Quem está atento às ruas retrucou que ficou bom. Afinal, se ela chegar com o discurso do político tradicional, se lasca.