FOLHA DE SP - 28/05
Diante do vaivém de versões da Caixa Econômica Federal sobre a antecipação de repasses do Bolsa Família, membros do governo se dizem "perplexos'' com a falta de controle do banco sobre a operação do benefício. Ontem a Caixa disse que a nova data foi decidida por um comitê operacional do programa, mas não informou quem o integra nem forneceu cópia da decisão. Interlocutores do governo também criticam o fato de a diretoria não ter sido informada da mudança.
Veja bem A assessoria do Ministério do Desenvolvimento Social afirma que não há um comitê, e sim uma diretoria operacional do banco.
Agenda positiva O governo marcou para o dia 12 de junho o lançamento do subsídio de mobília a beneficiários do Minha Casa Minha Vida. A publicidade do novo pacote deverá ser turbinada.
Janela 1 A crise entre PT e PMDB no Rio levou aliados de Aécio Neves a vislumbrar uma chapa com Sérgio Cabral como candidato a vice-presidente. As conversas têm incentivo do senador Francisco Dornelles (PP), tio de Aécio e aliado do governador.
Janela 2 A ala de Michel Temer, fiadora da aliança com Dilma Rousseff, é amplamente majoritária, mas há abalos em vários Estados. O mais recente é no Ceará, onde o senador Eunício Oliveira conversa com o PSDB de Tasso Jereissati, com medo de ser escanteado por PSB e PT.
Ou vai... No Planalto, circulam duas análises sobre a mudança do vice de Eduardo Campos do PDT para o PSB: na primeira, otimista, aliados de Dilma entendem que o governador de Pernambuco desistiu de ter o partido de Carlos Lupi na chapa em 2014.
... ou racha A outra leitura é que o socialista sairá candidato, mesmo sem apoio do PDT. Embora esteja na base de Dilma e controle o Ministério do Trabalho, o partido também mantém flerte com Aécio Neves (PSDB-MG).
Da casa Gilson Bittencourt ocupará interinamente a secretaria-executiva da Casa Civil, no lugar de Beto Vasconcelos. Engenheiro agrônomo e especialista em análise de políticas públicas, ele é o atual secretário-executivo adjunto da pasta.
Tiro ao alvo O ex-prefeito Gilberto Kassab, que ontem publicou artigo com críticas à política de segurança de Geraldo Alckmin, já vinha criticando a gestão do tucano em entrevistas a rádios do interior. Na sexta, em Sorocaba, disse ser "evidente" que faltam recursos para a área.
Ensaio O presidente do nanico PTN, José de Abreu, aproveitou jantar de aniversário do deputado Protógenes Queiroz (PC do B), na semana passada, em São Paulo, para lançá-lo candidato a governador pelo partido.
Camaradas O flerte entre o delegado e o partido começou no ano passado, logo depois da eleição municipal. A festa foi no apartamento da herdeira do Credit Suisse, Roberta Luchsinger, namorada do deputado. Dirigentes do PC do B não participaram.
Reforço Procuradores-gerais ibero-americanos se reunirão hoje com Roberto Gurgel para discutir a PEC 37, que reduz o poder de investigação do Ministério Público. Depois, vão até os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN).
Segredo O procurador-geral do Estado de São Paulo, Elival da Silva Ramos, mandou para a Casa Civil, em caráter sigiloso, proposta de mudança da Lei Orgânica da categoria. O texto não passou pelo Conselho da Procuradoria-Geral. Procuradores pedem audiência com Geraldo Alckmin para discutir o tema.
tiroteio
"Político que não sabe ouvir xingamentos deveria mudar de profissão. Usar seguranças para agredir um cidadão é abuso de poder."
DE CÉSAR MAIA (DEM), vereador e ex-prefeito do Rio, sobre o prefeito Eduardo Paes (PMDB), acusado de agredir um músico que o ofendeu num restaurante.
contraponto
África sem escalas
Lula discursava na semana passada em um evento da CNI sobre relações com a África. O ex-presidente reclamou da ausência de mais voos diretos para o continente, lembrando que as únicas rotas existentes eram para Angola e África do Sul.
--Você sabe qual é o problema de ir a Paris para ir à África? As pessoas acabam ficando em Paris -- brincou.
Ele se disse frustrado por não ter conseguido mudar essa realidade em seus mandatos, e completou:
--Eu cheguei a pensar em criar uma estatal, mas depois achei que era demais...
terça-feira, maio 28, 2013
FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA
O GLOBO - 28/05
DESIGUALDADE NO ACESSO DE ALUNOS À INTERNET
Nas escolas privadas, a inclusão digital está universalizada nos três níveis; nas públicas, não
É crescente, porém desigual, o nível de inclusão digital dos estudantes brasileiros. No recém-divulgado suplemento da Pnad 2011 sobre acesso à internet e à telefonia celular, o IBGE descobriu um hiato entre alunos de escolas públicas e privadas. Em média, 61,1% dos alunos do ensino fundamental acessaram a web em 2011. No ensino médio foram 82,8%e, na universidade, 98,1%.
São dados, sublinha Cimar Azeredo, responsável pela pesquisa, que escondem a desigualdade entre os dois grupos: “O acesso à internet está quase universalizado nos três níveis das escolas privadas. Na pública, há diferenças”. No ensino fundamental, por exemplo, só 57,4%dos alunos usaram internet em 2011. É má notícia para um país que precisa de mão de obra qualificada para a era digital.
Internacionalização
A carteira de crédito do Itaú Unibanco no Cone Sul cresceu 39,4% no 1º trimestre, sobre 2012. A maior alta foi no Chile (42,8%); seguido de Uruguai (40,7%) e Paraguai (32,5%). A Argentina, em crise, vem na lanterna, com +0,5%.
Educação 1
O Bank of America Merrill Lynch participou de sete das 11 operações de instituições de ensino brasileiras listadas em bolsa desde 2007. Levantou R$ 4,3 bi. Este ano, deve entrar, ao menos, em uma das três previstas.
Educação 2
A BG Brasil assinou com a Prefeitura de Angra, ontem. Investirá R$1,1 milhão em educação científica para 750 alunos da rede pública e em cursos de qualificação. O foco é óleo e gás.
Elétrico
A Eletra, de sistema de tração elétrico para veículos urbanos, fechou parceria com a Mitsubishi. Vão produzir ônibus elétricos para o Corredor ABD, que liga cidades da Grande São Paulo. Entra em teste em setembro.
Ausência
Roberto Olinto, o homem do PIB no IBGE, não participa da divulgação dos resultados do 1º tri,
amanhã. Está em Luxemburgo para reunião da ONU sobre contas nacionais. A gerente Rebeca Palis anuncia os números.
Acessibilidade
A Infraero concluiu anteontem a troca de todos os balcões de check-in do Aeroporto Santos Dumont. Os 51 mobiliários são adaptados para atender pessoas portadoras de necessidades especiais. Foram fabricados pela Marcenaria Sular. É investimento de R$ 474,8 mil.
Energia renovável
A Ceasa-RJ, no Irajá, instalou oito placas de energia solar. À noite, alimentam refletores externos com carga gerada durante o dia. A Solar Eco Energy cedeu equipamentos. Em quatro meses, a economia gerada será avaliada. Outras unidades do estado devem adotar o projeto.
É CARIOCA
Barra Shoppinge New York City Center vão de Rio de Janeiro. Distribuirão um parde camisetas a clientes que comprarem R$ 400.O ilustrador FilipeJardim assina as peças, em homenagem à cidade. Acampanha de Namoradosvai consumir R$1,6milhãoem investimento. A estimativa é trocar40 mil cupons em 14 dias. As vendas devem crescer 10% sobre a data em 2012.
É SHOW
PaulaToller é o presente do Village Mall na campanha do Dia dos Namorados. Compras a partir de R$ 900 dão direito a um par de ingressos para shows da cantora, dias 13 e 15 de junho, noteatro doshopping. No Dia das Mães, o Village distribuiu 3.500 ingressos para o espetáculo “O lago dos cisnes”. A promoção vai de amanhã a 12 dejunho.
COMÉDIA
O Megapix põe no ar hoje campanha para divulgar a estreia de “Cilada.com”, 7 de junho. O ator Bruno Mazzeo, protagonista da comédia, fará contagem regressiva. É referência a vídeo que leva o personagem a virar piada. Havas Worldwide São Paulo eVXComunicação criaram.
NAMORADOS
AToulon estreia hoje acampanha de Dia dos Namorados. O modelo Rhaun Favoretto está nas fotos de Pedro
Loreto. Vão circular na web e em pontos de vendas. Dia 7, a marca fará ação em bares de Botafogo. Dará peças, adesivos e ingressos para shows. Espera vender 15% mais.
Sede
A Kor Water Brasil, representação da americana de garrafas reutilizáveis e de design, vai abrir quiosque no Shopping Leblon, no 29 semestre. Projeto de R$ 180 mil, será o 19 da marca para o varejo no mundo, diz o sócio Eduardo Bastos. No país desde 2012, prevê R$ 3,5 milhões em receita no 19 ano.
Rock
A Blue Man lança linha de produtos licenciados do Rock in Rio em julho. Terá biquíni, sunga e canga entre as peças. Prevê vender 50% mais. Já a Cicero Papelaria terá cadernetas inspiradas no festival. Investiu R$ 40 mil. Serão 15 mil unidades.
Bordados
A Secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico promoverá o 19 Concurso de Bordados do Estado do Rio. Recebe inscrições até sexta. O resultado sai em setembro. Antes disso, em julho, peças serão expostas na Alerj. É aporte de R$ 240 mil. Caçula e AgeRio patrocinam.
Livre Mercado
A TIM fez parceria com Bradesco e Motorola num sistema de pagamento de contas via smartphone. Começa atestar o serviço, esta semana, com clientes selecionados em Rio eSP. A expansão virá até o fim do ano.
AÓrama investiu R$ 300 mil na reformulação dosite. O conteúdo educacional foi ampliado. Há novas ferramentas para análise de fundos. A butique de investimentos espera elevar em 30% o número de visitantes.
A Med-Rio Barra começa a operar no turno da tarde em julho, quatro meses antes do previsto. Passará a fazer 500 check-ups por mês, o dobro do nível atual.
É hoje, no Imperator (Méier), a Oficina Música & Inovação, ciclo de palestras sobre estruturação de projetos culturais. Quem coordena é Leo Feijó, empresário da noite. O Instituto Genesis (PUC-Rio) apoia.
A empresária Duby Novak abre loja temporária amanhã, no Market Plaza, em Campos do Jordão (SP). Espera aumento de 15% nas vendas.
DESIGUALDADE NO ACESSO DE ALUNOS À INTERNET
Nas escolas privadas, a inclusão digital está universalizada nos três níveis; nas públicas, não
É crescente, porém desigual, o nível de inclusão digital dos estudantes brasileiros. No recém-divulgado suplemento da Pnad 2011 sobre acesso à internet e à telefonia celular, o IBGE descobriu um hiato entre alunos de escolas públicas e privadas. Em média, 61,1% dos alunos do ensino fundamental acessaram a web em 2011. No ensino médio foram 82,8%e, na universidade, 98,1%.
São dados, sublinha Cimar Azeredo, responsável pela pesquisa, que escondem a desigualdade entre os dois grupos: “O acesso à internet está quase universalizado nos três níveis das escolas privadas. Na pública, há diferenças”. No ensino fundamental, por exemplo, só 57,4%dos alunos usaram internet em 2011. É má notícia para um país que precisa de mão de obra qualificada para a era digital.
Internacionalização
A carteira de crédito do Itaú Unibanco no Cone Sul cresceu 39,4% no 1º trimestre, sobre 2012. A maior alta foi no Chile (42,8%); seguido de Uruguai (40,7%) e Paraguai (32,5%). A Argentina, em crise, vem na lanterna, com +0,5%.
Educação 1
O Bank of America Merrill Lynch participou de sete das 11 operações de instituições de ensino brasileiras listadas em bolsa desde 2007. Levantou R$ 4,3 bi. Este ano, deve entrar, ao menos, em uma das três previstas.
Educação 2
A BG Brasil assinou com a Prefeitura de Angra, ontem. Investirá R$1,1 milhão em educação científica para 750 alunos da rede pública e em cursos de qualificação. O foco é óleo e gás.
Elétrico
A Eletra, de sistema de tração elétrico para veículos urbanos, fechou parceria com a Mitsubishi. Vão produzir ônibus elétricos para o Corredor ABD, que liga cidades da Grande São Paulo. Entra em teste em setembro.
Ausência
Roberto Olinto, o homem do PIB no IBGE, não participa da divulgação dos resultados do 1º tri,
amanhã. Está em Luxemburgo para reunião da ONU sobre contas nacionais. A gerente Rebeca Palis anuncia os números.
Acessibilidade
A Infraero concluiu anteontem a troca de todos os balcões de check-in do Aeroporto Santos Dumont. Os 51 mobiliários são adaptados para atender pessoas portadoras de necessidades especiais. Foram fabricados pela Marcenaria Sular. É investimento de R$ 474,8 mil.
Energia renovável
A Ceasa-RJ, no Irajá, instalou oito placas de energia solar. À noite, alimentam refletores externos com carga gerada durante o dia. A Solar Eco Energy cedeu equipamentos. Em quatro meses, a economia gerada será avaliada. Outras unidades do estado devem adotar o projeto.
É CARIOCA
Barra Shoppinge New York City Center vão de Rio de Janeiro. Distribuirão um parde camisetas a clientes que comprarem R$ 400.O ilustrador FilipeJardim assina as peças, em homenagem à cidade. Acampanha de Namoradosvai consumir R$1,6milhãoem investimento. A estimativa é trocar40 mil cupons em 14 dias. As vendas devem crescer 10% sobre a data em 2012.
É SHOW
PaulaToller é o presente do Village Mall na campanha do Dia dos Namorados. Compras a partir de R$ 900 dão direito a um par de ingressos para shows da cantora, dias 13 e 15 de junho, noteatro doshopping. No Dia das Mães, o Village distribuiu 3.500 ingressos para o espetáculo “O lago dos cisnes”. A promoção vai de amanhã a 12 dejunho.
COMÉDIA
O Megapix põe no ar hoje campanha para divulgar a estreia de “Cilada.com”, 7 de junho. O ator Bruno Mazzeo, protagonista da comédia, fará contagem regressiva. É referência a vídeo que leva o personagem a virar piada. Havas Worldwide São Paulo eVXComunicação criaram.
NAMORADOS
AToulon estreia hoje acampanha de Dia dos Namorados. O modelo Rhaun Favoretto está nas fotos de Pedro
Loreto. Vão circular na web e em pontos de vendas. Dia 7, a marca fará ação em bares de Botafogo. Dará peças, adesivos e ingressos para shows. Espera vender 15% mais.
Sede
A Kor Water Brasil, representação da americana de garrafas reutilizáveis e de design, vai abrir quiosque no Shopping Leblon, no 29 semestre. Projeto de R$ 180 mil, será o 19 da marca para o varejo no mundo, diz o sócio Eduardo Bastos. No país desde 2012, prevê R$ 3,5 milhões em receita no 19 ano.
Rock
A Blue Man lança linha de produtos licenciados do Rock in Rio em julho. Terá biquíni, sunga e canga entre as peças. Prevê vender 50% mais. Já a Cicero Papelaria terá cadernetas inspiradas no festival. Investiu R$ 40 mil. Serão 15 mil unidades.
Bordados
A Secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico promoverá o 19 Concurso de Bordados do Estado do Rio. Recebe inscrições até sexta. O resultado sai em setembro. Antes disso, em julho, peças serão expostas na Alerj. É aporte de R$ 240 mil. Caçula e AgeRio patrocinam.
Livre Mercado
A TIM fez parceria com Bradesco e Motorola num sistema de pagamento de contas via smartphone. Começa atestar o serviço, esta semana, com clientes selecionados em Rio eSP. A expansão virá até o fim do ano.
AÓrama investiu R$ 300 mil na reformulação dosite. O conteúdo educacional foi ampliado. Há novas ferramentas para análise de fundos. A butique de investimentos espera elevar em 30% o número de visitantes.
A Med-Rio Barra começa a operar no turno da tarde em julho, quatro meses antes do previsto. Passará a fazer 500 check-ups por mês, o dobro do nível atual.
É hoje, no Imperator (Méier), a Oficina Música & Inovação, ciclo de palestras sobre estruturação de projetos culturais. Quem coordena é Leo Feijó, empresário da noite. O Instituto Genesis (PUC-Rio) apoia.
A empresária Duby Novak abre loja temporária amanhã, no Market Plaza, em Campos do Jordão (SP). Espera aumento de 15% nas vendas.
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
FOLHA DE SP - 28/05
Deficit comercial de eletroeletrônicos cresce 7% no primeiro quadrimestre
O deficit da balança comercial do setor eletroeletrônico cresceu 7,15% nos quatro primeiros meses deste ano, ante o mesmo período de 2012, segundo a Abinee (associação brasileira da indústria).
Enquanto as exportações caíram 5,41%, as importações aumentaram 4,83%. O desembarque de motores e geradores foi o que mais cresceu no quadrimestre (156%).
"A importação de produtos finais preocupa até mais [que a de componentes], porque [a compra externa] começa a aumentar em áreas onde não há necessidade", afirma o presidente da entidade, Humberto Barbato.
"Um coisa é importar o que precisa. Outra é o que fabricamos", acrescenta.
O câmbio é a principal causa para a expansão do desembarque de produtos finais, de acordo com o executivo.
Apesar de não terem registrado uma elevação significativa, os componentes continuam sendo as mercadorias mais adquiridas no exterior. No período analisado, foi importado US$ 1,9 bilhão de peças para o setor de telecomunicações --alta de 6%.
"O segmento de peças praticamente desapareceu na década de 90 por causa da concorrência com Japão e China."
Do lado das exportações, Barbato responsabiliza a crise internacional e o câmbio pela retração.
O executivo se encontra hoje com representantes do Senado para apresentar proposta que pede acordos preferenciais com países como Rússia, Nigéria e Turquia.
O objetivo é abrir novos mercados para aumentar a produção, ganhar competitividade e atrair investimentos para a fabricação de componentes no país.
Construção reduz índice de contratação novamente
A desaceleração do setor de construção civil reduziu a estimativa de criação de postos de trabalho para 2013. É a segunda vez que isso ocorre neste ano.
A previsão inicial de alta de 4% no número de empregos caiu para 3,5% em março. Agora, passou para 3%, segundo o SindusCon-SP (sindicato do setor).
"A economia brasileira ainda está incerta e isso faz com que o volume de investimentos seja conservador", diz o presidente da entidade, Sergio Watanabe.
Os empregos na construção civil brasileira cresceram 1,11% em abril na comparação com março, quando 38,2 mil vagas foram criadas. Em abril de 2012, foram 46,4 mil novos postos.
"O desempenho do segmento no segundo semestre deste ano vai depender diretamente de como se sairá o governo em sua tentativa de reanimar o PIB. E isso não tem sido nada fácil", afirma Watanabe.
O Sudeste foi a região que mais contratou em 2013, com 18.568 novas vagas. O Centro-Oeste ficou em segundo lugar, com 8.195 postos.
"Estamos desacelerando, mas continuamos em crescimento. O índice deverá ficar no atual patamar até dezembro", acrescenta.
Semente A Golden Cargo, de logística de produtos agroquímicos, investirá em uma área de armazenagem de sementes na Bahia com capacidade para 350 mil sacas.
Guarda-roupa Secretárias-executivas entrevistadas pela Amcham (Câmara Americana de Comércio) afirmaram gastar até 10% de seu salário para comprar roupas apropriadas às ocasiões de trabalho.
Gelado A rede de sorvetes IceMellow acaba de entrar no mercado de Mato Grosso do Sul. A meta é abrir mais 12 unidades até o final do ano.
PROCURA-SE MÃO DE OBRA
Encontrar técnicos qualificados é a principal dor de cabeça de empregadores no Brasil, segundo pesquisa que será divulgada hoje pelo ManpowerGroup, empresa de gestão e contratação de pessoas.
A falta desses profissionais já era a principal queixa na última edição do levantamento, realizada no ano passado.
Operadores de produção e contadores estão entre os principais postos difíceis de serem preenchidos, conforme a pesquisa de 2013.
Entre os empregadores de 42 países que foram ouvidos, os cargos de engenheiro e representante de vendas estão entre os mais apontados.
No Brasil, 68% dos entrevistados disseram que enfrentam dificuldade em encontrar talentos, quase o dobro da média global (35%).
O índice no Japão é de 85%, enquanto na Irlanda e na Espanha é de 3%.
A falta de competências técnicas e habilidades (34%), a ausência de candidatos (32%) e a pouca experiência (24%) estão entre os motivos mais comuns para a dificuldade na contratação.
O levantamento mostra ainda que 43% dos empregadores ouvidos dizem que a falta de mão de obra afeta principalmente o atendimento adequado aos clientes.
Para 39%, a escassez reduz a competitividade e a produtividade em geral. Outros 25% afirmaram que essa dificuldade resulta no aumento da rotatividade de funcionários.
As soluções mais adotadas pelas organizações do mundo todo são aumentar treinamentos e benefícios de seus profissionais. Outra opção é fazer contratos mais flexíveis.
RESÍDUOS RENTÁVEIS
O mercado de resíduos sólidos no Brasil cresceu 7% em 2012, segundo dados da Abrelpe (associação das empresas de limpeza pública) que serão divulgados hoje.
No ano passado, o setor movimentou cerca de R$ 23 bilhões em recursos.
"Esse crescimento deve-se à política nacional de resíduos sólidos, que está intensificando a movimentação financeira do segmento desde 2010", afirma Carlos Roberto Vieira Silva Filho, presidente da entidade nacional.
O valor é referente aos gastos das prefeituras com os serviços terceirizados de coleta de resíduos e aos investimentos feitos pelos municípios com coleta própria, diz Silva Filho.
A defesa da classe média - RODRIGO CONSTANTINO
O GLOBO - 28/05
O melhor programa social que existe chama-se emprego. Ele garante dignidade ao ser humano, ao contrário de esmolas estatais, que criam uma perigosa dependência
Todos vimos, chocados, uma turba ensandecida invadindo agências da Caixa em diferentes estados, após rumores de suspensão do pagamento do Bolsa Família. Impressionou o fato de que a maioria ali era bem nutrida, em perfeitas condições de trabalho em um país com pleno emprego.
Uma das beneficiadas pelo programa, em entrevista, reclamou que a quantia não era suficiente para comprar uma calça para sua filha de 16 anos. O valor da calça: trezentos reais! Talvez seja parte do conceito de “justiça social” da esquerda progressista garantir que adolescentes tenham roupas de grife para bailes funk.
Não quero, naturalmente, alegar que todos aqueles agraciados pelas benesses estatais não precisam delas. Ainda há muita pobreza no Brasil, ao contrário do que o próprio governo diz, manipulando os dados. Mas essa pobreza tem forte ligação com esse modelo de governo inchado, intervencionista e paternalista.
O melhor programa social que existe chama-se emprego. Ele garante dignidade ao ser humano, ao contrário de esmolas estatais, que criam uma perigosa dependência. Para gerar melhores empregos, precisamos de menos burocracia, menos gastos públicos e impostos, mais flexibilidade nas leis trabalhistas, mais concorrência de livre mercado e um sistema melhor de educação (não confundir com jogar mais dinheiro público nesse modelo atual).
O ex-presidente Lula criticava, quando era oposição, o “voto de cabresto”, a compra de eleitores por meio de migalhas, esquema típico do coronelismo nordestino. Quão diferente é o Bolsa Família, que já contempla dezenas de milhões de pessoas, sem uma estratégia de saída? Um programa que comemora o crescimento do número de dependentes! O leitor vê tanta diferença assim?
A presidente Dilma disse que quem espalhou os boatos era “desumano”, “criminoso”, e garantiu que o programa era “definitivo”, para “sempre”. Isso diz muito. “Nada é tão permanente quanto uma medida temporária de governo”, sabia Milton Friedman. Não custa lembrar que o próprio PT costuma apelar para o “terrorismo eleitoral” em época de eleição, espalhando rumores de que a oposição pode encerrar o programa. Desumano? Criminoso?
Depois que o governo cria privilégios concentrados, com custos dispersos, quem tem coragem de ir contra? Seria suicídio político. Por isso ninguém toca no assunto, ninguém vem a público dizer o óbvio: essas esmolas prejudicam nossa democracia e não tiram essas pessoas da pobreza. As esmolas estimulam a preguiça, a passividade e a informalidade. Por que correr atrás quando o “papai” governo dá mesada?
O agravante disso tudo é que os recursos do governo não caem do céu. Para bancar as esmolas, tanto para os mais pobres como para os grandes empresários favorecidos pelo BNDES, o governo avança sobre a classe média. É esta que paga o preço mais alto desse modelo perverso. Ela tem seu couro esfolado para sustentar um estado paquidérmico e “benevolente”.
Para adicionar insulto à injúria, não recebe nada em troca. Paga impostos escandinavos para serviços africanos. Conta com escolas públicas terríveis, antros de doutrinação marxista. Os hospitais públicos também são péssimos. A infraestrutura e os meios de transporte são caóticos. A insegurança é total. Acabamos tendo que pagar tudo em dobro, fugindo para o setor privado, sempre mais eficiente.
Como se não bastasse tanto descaso, ainda somos obrigados a ver uma das representantes da esquerda, a filósofa Marilena Chauí, soltando sua verborragia em evento de lançamento de livro sobre Lula e Dilma. Chauí, aquela que diz que o mundo se ilumina quando Lula abre a boca, declarou na ocasião: “A classe média é um atraso de vida. A classe média é estupidez, é o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista.”
É fácil dizer isso quando ganha um belo salário na USP, pago pela classe média. Chauí não dá nome aos bois, pois é mais fácil tripudiar de uma abstração de classe. Mas não nos enganemos: a classe média que ela odeia somos nós, aqueles que simplesmente pretendem trabalhar e melhorar de vida, ter mais conforto material, em vez de se engajar em luta ideológica em nome dos proletários, representados pelos ricos petistas.
Pergunto: quem vai olhar por nós? Que partido representa a classe média? Com certeza, não é a esquerda das esmolas estatais bancadas com nosso suor, que depois ainda vem declarar todo seu ódio a quem paga a fatura.
-------
Perdemos dois ícones da imprensa independente: Dr. Ruy Mesquita e Roberto Civita. Que a chama da liberdade de imprensa continue acesa!
O melhor programa social que existe chama-se emprego. Ele garante dignidade ao ser humano, ao contrário de esmolas estatais, que criam uma perigosa dependência
Todos vimos, chocados, uma turba ensandecida invadindo agências da Caixa em diferentes estados, após rumores de suspensão do pagamento do Bolsa Família. Impressionou o fato de que a maioria ali era bem nutrida, em perfeitas condições de trabalho em um país com pleno emprego.
Uma das beneficiadas pelo programa, em entrevista, reclamou que a quantia não era suficiente para comprar uma calça para sua filha de 16 anos. O valor da calça: trezentos reais! Talvez seja parte do conceito de “justiça social” da esquerda progressista garantir que adolescentes tenham roupas de grife para bailes funk.
Não quero, naturalmente, alegar que todos aqueles agraciados pelas benesses estatais não precisam delas. Ainda há muita pobreza no Brasil, ao contrário do que o próprio governo diz, manipulando os dados. Mas essa pobreza tem forte ligação com esse modelo de governo inchado, intervencionista e paternalista.
O melhor programa social que existe chama-se emprego. Ele garante dignidade ao ser humano, ao contrário de esmolas estatais, que criam uma perigosa dependência. Para gerar melhores empregos, precisamos de menos burocracia, menos gastos públicos e impostos, mais flexibilidade nas leis trabalhistas, mais concorrência de livre mercado e um sistema melhor de educação (não confundir com jogar mais dinheiro público nesse modelo atual).
O ex-presidente Lula criticava, quando era oposição, o “voto de cabresto”, a compra de eleitores por meio de migalhas, esquema típico do coronelismo nordestino. Quão diferente é o Bolsa Família, que já contempla dezenas de milhões de pessoas, sem uma estratégia de saída? Um programa que comemora o crescimento do número de dependentes! O leitor vê tanta diferença assim?
A presidente Dilma disse que quem espalhou os boatos era “desumano”, “criminoso”, e garantiu que o programa era “definitivo”, para “sempre”. Isso diz muito. “Nada é tão permanente quanto uma medida temporária de governo”, sabia Milton Friedman. Não custa lembrar que o próprio PT costuma apelar para o “terrorismo eleitoral” em época de eleição, espalhando rumores de que a oposição pode encerrar o programa. Desumano? Criminoso?
Depois que o governo cria privilégios concentrados, com custos dispersos, quem tem coragem de ir contra? Seria suicídio político. Por isso ninguém toca no assunto, ninguém vem a público dizer o óbvio: essas esmolas prejudicam nossa democracia e não tiram essas pessoas da pobreza. As esmolas estimulam a preguiça, a passividade e a informalidade. Por que correr atrás quando o “papai” governo dá mesada?
O agravante disso tudo é que os recursos do governo não caem do céu. Para bancar as esmolas, tanto para os mais pobres como para os grandes empresários favorecidos pelo BNDES, o governo avança sobre a classe média. É esta que paga o preço mais alto desse modelo perverso. Ela tem seu couro esfolado para sustentar um estado paquidérmico e “benevolente”.
Para adicionar insulto à injúria, não recebe nada em troca. Paga impostos escandinavos para serviços africanos. Conta com escolas públicas terríveis, antros de doutrinação marxista. Os hospitais públicos também são péssimos. A infraestrutura e os meios de transporte são caóticos. A insegurança é total. Acabamos tendo que pagar tudo em dobro, fugindo para o setor privado, sempre mais eficiente.
Como se não bastasse tanto descaso, ainda somos obrigados a ver uma das representantes da esquerda, a filósofa Marilena Chauí, soltando sua verborragia em evento de lançamento de livro sobre Lula e Dilma. Chauí, aquela que diz que o mundo se ilumina quando Lula abre a boca, declarou na ocasião: “A classe média é um atraso de vida. A classe média é estupidez, é o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista.”
É fácil dizer isso quando ganha um belo salário na USP, pago pela classe média. Chauí não dá nome aos bois, pois é mais fácil tripudiar de uma abstração de classe. Mas não nos enganemos: a classe média que ela odeia somos nós, aqueles que simplesmente pretendem trabalhar e melhorar de vida, ter mais conforto material, em vez de se engajar em luta ideológica em nome dos proletários, representados pelos ricos petistas.
Pergunto: quem vai olhar por nós? Que partido representa a classe média? Com certeza, não é a esquerda das esmolas estatais bancadas com nosso suor, que depois ainda vem declarar todo seu ódio a quem paga a fatura.
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Perdemos dois ícones da imprensa independente: Dr. Ruy Mesquita e Roberto Civita. Que a chama da liberdade de imprensa continue acesa!
É o bonde passando - CELSO MING
O Estado de S.Paulo - 28/05
O Brasil está mesmo perdendo o bonde do desenvolvimento? Esta foi, em síntese, a advertência feita por editorial do dia 19 do Financial Times, um dos mais importantes diários de Economia e Negócios do mundo. Foi, também, o tema central do rico debate que foi ao ar neste fim de semana no Globo News Painel, conduzido pelo antenado âncora William Waack.
O economista Luiz Gonzaga Belluzzo, do Instituto de Economia da Unicamp, observou que o governo brasileiro perdeu a capacidade de coordenar a agenda de crescimento e de investimentos do setor privado.
Para o professor Samuel Pessoa, da Fundação Getúlio Vargas, o problema está no fato de que, uma vez esgotado o modelo nacional desenvolvimentista, em que o Estado tomava a iniciativa de induzir o desenvolvimento, a sociedade decidiu se voltar à formação do Estado do bem-estar social. A prioridade deixou de ser o crescimento e passou a ser a distribuição de renda.
Este é um debate que começou no governo Médici, quando o então poderoso ministro da Fazenda Delfim Netto declarou, para espanto geral, que não se pode comer o bolo antes de produzi-lo. De maneira a justificar a não recondução de Delfim ao comando da economia, o então presidente Geisel disse nos anos 70 que o bolo tem de ser distribuído ao mesmo tempo que é produzido.
Hoje, a administração Dilma está exposta à corrosão. Não consegue entregar um razoável crescimento econômico, enfrenta inflação acima do tolerável e começa a assistir à deterioração das contas externas - como analisou o professor Eduardo Giannetti da Fonseca, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).
Consequência da política adotada, de distribuir um bolo maior do que aquele que vai sendo produzido, na medida em que exige crescente importação de poupança, que vai para o consumo. Enquanto isso, o investimento continua parado, à altura dos 18% do PIB, nível de longe insuficiente para garantir um crescimento sustentável, de 3% ou 4% ao ano.
Samuel Pessoa tem razão quando afirma que, ao adotar um modelo distributivista, os governos Lula e Dilma desmontaram o pouco do sistema que buscava institucionalizar mecanismos (sobretudo pelas agências reguladoras) que transferissem para o setor privado a capacidade de investir e de desenvolver o País.
Nos anos 80, a economia mundial iniciou a formação de uma rede global de produção e suprimentos, na qual as indústrias de todo o mundo procuraram se inserir. Mas o Brasil não se empenhou em se incorporar no processo. Continua sendo uma economia fechada, com uma indústria pouco competitiva.
Enquanto isso, a presidente da República se mete em tudo e se dedica a despachar intervenções pontuais destinadas a corrigir distorções que, no entanto, provocam novas, como é o caso das desonerações setoriais iniciadas em 2012.
Uma das maiores esperanças do País, as riquezas do pré-sal, que só podem ser arrancadas do subsolo a altos custos, estão agora ameaçadas pela revolução do gás nos Estados Unidos. É o fato novo, que promete energia e insumos a baixos preços, fator que ameaça alijar boa parte da indústria brasileira do mapa econômico mundial, se uma drástica mudança de rumos não for decidida já.
Quando havia bondes, quem perdia um esperava pelo seguinte. Como não há mais, tudo fica mais complicado.
O Brasil está mesmo perdendo o bonde do desenvolvimento? Esta foi, em síntese, a advertência feita por editorial do dia 19 do Financial Times, um dos mais importantes diários de Economia e Negócios do mundo. Foi, também, o tema central do rico debate que foi ao ar neste fim de semana no Globo News Painel, conduzido pelo antenado âncora William Waack.
O economista Luiz Gonzaga Belluzzo, do Instituto de Economia da Unicamp, observou que o governo brasileiro perdeu a capacidade de coordenar a agenda de crescimento e de investimentos do setor privado.
Para o professor Samuel Pessoa, da Fundação Getúlio Vargas, o problema está no fato de que, uma vez esgotado o modelo nacional desenvolvimentista, em que o Estado tomava a iniciativa de induzir o desenvolvimento, a sociedade decidiu se voltar à formação do Estado do bem-estar social. A prioridade deixou de ser o crescimento e passou a ser a distribuição de renda.
Este é um debate que começou no governo Médici, quando o então poderoso ministro da Fazenda Delfim Netto declarou, para espanto geral, que não se pode comer o bolo antes de produzi-lo. De maneira a justificar a não recondução de Delfim ao comando da economia, o então presidente Geisel disse nos anos 70 que o bolo tem de ser distribuído ao mesmo tempo que é produzido.
Hoje, a administração Dilma está exposta à corrosão. Não consegue entregar um razoável crescimento econômico, enfrenta inflação acima do tolerável e começa a assistir à deterioração das contas externas - como analisou o professor Eduardo Giannetti da Fonseca, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).
Consequência da política adotada, de distribuir um bolo maior do que aquele que vai sendo produzido, na medida em que exige crescente importação de poupança, que vai para o consumo. Enquanto isso, o investimento continua parado, à altura dos 18% do PIB, nível de longe insuficiente para garantir um crescimento sustentável, de 3% ou 4% ao ano.
Samuel Pessoa tem razão quando afirma que, ao adotar um modelo distributivista, os governos Lula e Dilma desmontaram o pouco do sistema que buscava institucionalizar mecanismos (sobretudo pelas agências reguladoras) que transferissem para o setor privado a capacidade de investir e de desenvolver o País.
Nos anos 80, a economia mundial iniciou a formação de uma rede global de produção e suprimentos, na qual as indústrias de todo o mundo procuraram se inserir. Mas o Brasil não se empenhou em se incorporar no processo. Continua sendo uma economia fechada, com uma indústria pouco competitiva.
Enquanto isso, a presidente da República se mete em tudo e se dedica a despachar intervenções pontuais destinadas a corrigir distorções que, no entanto, provocam novas, como é o caso das desonerações setoriais iniciadas em 2012.
Uma das maiores esperanças do País, as riquezas do pré-sal, que só podem ser arrancadas do subsolo a altos custos, estão agora ameaçadas pela revolução do gás nos Estados Unidos. É o fato novo, que promete energia e insumos a baixos preços, fator que ameaça alijar boa parte da indústria brasileira do mapa econômico mundial, se uma drástica mudança de rumos não for decidida já.
Quando havia bondes, quem perdia um esperava pelo seguinte. Como não há mais, tudo fica mais complicado.
Copom no tabuleiro - MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 28/05
Os sinais que vieram da China, as palavras que foram ditas nos Estados Unidos, as previsões dos economistas, os indicadores do IBGE, tudo torna mais difícil a decisão do Banco Central a ser tomada na reunião que começa hoje e termina amanhã. O PIB do primeiro trimestre sairá na manhã do dia da decisão, ajudando a orientar a decisão do Copom sobre os juros, hoje em 7,5%.
No mercado financeiro, há dúvidas. Há quem preveja uma alta de 0,5%, pelo fato de o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, ter falado em fazer "tudo o que for necessário" para reduzir a inflação. Eu acho que têm mais chance de acertar os que acreditam que o ajuste será de mais 0,25%. E isso pela mistura que está no primeiro parágrafo.
A China está esquisita. O número que saiu na semana passada é apenas um indicador antecedente da indústria, mas, se o país estiver desacelerando mais rapidamente do que se imagina, é água fria no crescimento mundial. Para nós, que somos fornecedores de insumos industriais, saber que a indústria chinesa pode ter encolhido em maio é para se levar em conta.
Isso derruba mais os preços das commodities que o Brasil exporta e pode ter um impacto de redução da inflação aqui. É até espantoso que com tanta queda de preço ainda não tenha havido redução mais forte do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial.
Já nos EUA, o sinal dado pelo Fed foi de redução do ritmo do incentivo monetário. Nada de suspensão dos estímulos mensais. Apenas comprar menos títulos. Mas o mundo anda com os nervos tão à flor da pele que isso e o dado das encomendas dos diretores de compras da indústria chinesa - PMI - foram o suficiente para derrubar os mercados. Eles se preocupam com a China mais fraca e se preocupam com os EUA um pouco mais forte, porque isso pode significar retirada dos estímulos por parte do BC americano.
O PIB do Brasil no primeiro trimestre deve ser bom. Talvez pouco menor do que o 1,05% antecipado pelo IBC-Br, o índice de atividade econômica do Banco Central. Até no governo esperam algo em torno de 0,9%, mas isso é crescimento que, anualizado, dá perto de 4%. Só que ontem, de novo, a pesquisa Focus - consulta feita pelo BC com instituições do mercado financeiro - mostrou nova queda na previsão do PIB de 2013, para 2,93%.
A atividade este ano está minguando, como já foi dito aqui na coluna, só que a inflação, mesmo com todos os truques do governo, continua alta. O último foi aumentar o subsídio e a desoneração às empresas de ônibus para que a tarifa não suba muito em São Paulo e, assim, junho tenha inflação menor.
Uma cambalhota foi dada no preço da energia. O governo reduziu as tarifas e, em seguida, a longa estiagem e o baixo nível de reservatórios obrigaram o uso de todas as térmicas do país por muito tempo. Algumas foram desligadas, mas a maioria permanece em atividade. Isso elevou o custo da energia. Para o preço não chegar ao consumidor, o governo vai usar uma conta que estava marcada para ser extinta, a CDE. Desta vez, será alimentada não pelo consumidor, mas por dinheiro a ser pago nos próximos 10 anos por Itaipu ao governo.
A inflação permanece tinhosa, apesar da queda dos preços das matérias-primas no mercado internacional, da desaceleração da China, dos truques do governo e da primeira elevação da taxa de juros na última reunião. Mas a atividade está ficando mais fraca. O número do primeiro trimestre será bom, mas nada exuberante, e pode não se manter nos trimestre seguintes.
Quando a atividade está fraca, a inflação alta, e o mundo incerto, é o momento difícil de fazer a reunião do Copom. O mercado faz suas apostas. Elas são a dinheiro. Um volume incalculável de reais circula no mercado futuro de juros. E desta vez há bancos grandes em lados diferentes.
No mercado financeiro, há dúvidas. Há quem preveja uma alta de 0,5%, pelo fato de o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, ter falado em fazer "tudo o que for necessário" para reduzir a inflação. Eu acho que têm mais chance de acertar os que acreditam que o ajuste será de mais 0,25%. E isso pela mistura que está no primeiro parágrafo.
A China está esquisita. O número que saiu na semana passada é apenas um indicador antecedente da indústria, mas, se o país estiver desacelerando mais rapidamente do que se imagina, é água fria no crescimento mundial. Para nós, que somos fornecedores de insumos industriais, saber que a indústria chinesa pode ter encolhido em maio é para se levar em conta.
Isso derruba mais os preços das commodities que o Brasil exporta e pode ter um impacto de redução da inflação aqui. É até espantoso que com tanta queda de preço ainda não tenha havido redução mais forte do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial.
Já nos EUA, o sinal dado pelo Fed foi de redução do ritmo do incentivo monetário. Nada de suspensão dos estímulos mensais. Apenas comprar menos títulos. Mas o mundo anda com os nervos tão à flor da pele que isso e o dado das encomendas dos diretores de compras da indústria chinesa - PMI - foram o suficiente para derrubar os mercados. Eles se preocupam com a China mais fraca e se preocupam com os EUA um pouco mais forte, porque isso pode significar retirada dos estímulos por parte do BC americano.
O PIB do Brasil no primeiro trimestre deve ser bom. Talvez pouco menor do que o 1,05% antecipado pelo IBC-Br, o índice de atividade econômica do Banco Central. Até no governo esperam algo em torno de 0,9%, mas isso é crescimento que, anualizado, dá perto de 4%. Só que ontem, de novo, a pesquisa Focus - consulta feita pelo BC com instituições do mercado financeiro - mostrou nova queda na previsão do PIB de 2013, para 2,93%.
A atividade este ano está minguando, como já foi dito aqui na coluna, só que a inflação, mesmo com todos os truques do governo, continua alta. O último foi aumentar o subsídio e a desoneração às empresas de ônibus para que a tarifa não suba muito em São Paulo e, assim, junho tenha inflação menor.
Uma cambalhota foi dada no preço da energia. O governo reduziu as tarifas e, em seguida, a longa estiagem e o baixo nível de reservatórios obrigaram o uso de todas as térmicas do país por muito tempo. Algumas foram desligadas, mas a maioria permanece em atividade. Isso elevou o custo da energia. Para o preço não chegar ao consumidor, o governo vai usar uma conta que estava marcada para ser extinta, a CDE. Desta vez, será alimentada não pelo consumidor, mas por dinheiro a ser pago nos próximos 10 anos por Itaipu ao governo.
A inflação permanece tinhosa, apesar da queda dos preços das matérias-primas no mercado internacional, da desaceleração da China, dos truques do governo e da primeira elevação da taxa de juros na última reunião. Mas a atividade está ficando mais fraca. O número do primeiro trimestre será bom, mas nada exuberante, e pode não se manter nos trimestre seguintes.
Quando a atividade está fraca, a inflação alta, e o mundo incerto, é o momento difícil de fazer a reunião do Copom. O mercado faz suas apostas. Elas são a dinheiro. Um volume incalculável de reais circula no mercado futuro de juros. E desta vez há bancos grandes em lados diferentes.
Na corda bamba - JOSÉ PAULO KUPFER
O Estado de S.Paulo - 28/05
As estimativas para o crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre de 2013, em relação ao trimestre anterior, já estiveram em 1,5% e agora, às vésperas da divulgação do número oficial pelo IBGE, previsto para amanhã, recuaram para 0,8%. Pelas indicações conhecidas, no entanto, será mais surpreendente se o IBGE anunciar uma expansão trimestral abaixo do ponto mediano das estimativas - 0,6%, por exemplo - do que acima - em torno de 1,0%.
De todo modo, tudo indica que o ritmo do primeiro trimestre não se repetirá nos trimestres restantes do ano. Se só ficar na marca mediana de 0,8%, o avanço da economia, nos primeiros três meses do ano, alcançaria a taxa anualizada de 3,2%, acima do que, no momento, os especialistas esperam para o ano como um todo, que é algo entre 2,8% e 3,0%.
Nas planilhas dos analistas, o crescimento médio trimestral projetado para o resto de 2013 está variando entre 0,6% e 0,7%. É um sinal de que não são esperados grandes solavancos, para cima ou para baixo, daqui para a frente. Vistas de outro prisma, essas projeções, que se diferenciam por décimos ou centésimos, estão transmitindo a mensagem de que não se vislumbram, em prazos não muito curtos, maiores margens de manobra para a política econômica.
O que, de fato, vem caracterizando o jogo da economia brasileira em 2013 - e possivelmente se repetirá nos próximos dois ou três anos - é a existência de limites estreitos para a movimentação das peças no tabuleiro das ações econômicas. São variados os exemplos desses limites, mas basta verificar o que já ocorre com as contas externas para dimensionar o problema.
Está cada vez mais nítido que a trajetória no setor externo é de deterioração. A balança comercial exibe agora déficits desconhecidos há mais de uma década e poderá fechar o ano com resultados decepcionantes. Mesmo reconhecendo as fragilidades competitivas brasileiras, são variadas as indicações de que o movimento de desvalorização cambial ocorrido entre 2011 e 2012 foi rápido e acentuado o bastante para impactar os índices de inflação, mas não o suficiente para promover um reequilíbrio das contas externas.
Sabe-se faz tempo que um conjunto muito acima do normal de "trade offs" - a expressão do jargão dos economistas que designa escolhas conflitantes, em que a solução de um problema pode causar outro - havia se instalado na economia brasileira. As restrições a uma aplicação mais flexível da política cambial é um dos casos mais evidentes, embora nem de longe seja o único desses "trade offs". Eles também podem ser encontrados na política fiscal, que tende a ser expansionista para estimular a economia, mas, ao fazê-lo, pressiona a inflação e exige do Banco Central uma dosagem mais forte nos juros básicos, afetando o setor externo, via câmbio, e o crescimento, via aumento nos custos do crédito.
Por uma coincidência de calendário, a divulgação dos números do PIB do primeiro trimestre se dará no mesmo dia em que os diretores do Banco Central, reunidos no Comitê de Política Monetária (Copom), decidirão a nova taxa de juros pelos próximos 45 dias. Os analistas estão divididos entre um novo aumento de 0,25 ponto porcentual ou uma aceleração para 0,5 ponto, levando a taxa Selic de 7,5% ao ano para 7,75% ou 8,0%. Alguns acreditam que, qualquer que seja a escolha, como na reunião de abril, não será unânime - refletindo algumas dessas contradições.
Não há, infelizmente, solução única ou de curto prazo para tantos dilemas. Ainda mais em meio a um ambiente externo marcado por um renitente baixo crescimento - tendência à qual agora parece se juntar a China. Viver na corda bamba de escolhas conflitantes, em resumo, é o que nos espera por um certo tempo.
As estimativas para o crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre de 2013, em relação ao trimestre anterior, já estiveram em 1,5% e agora, às vésperas da divulgação do número oficial pelo IBGE, previsto para amanhã, recuaram para 0,8%. Pelas indicações conhecidas, no entanto, será mais surpreendente se o IBGE anunciar uma expansão trimestral abaixo do ponto mediano das estimativas - 0,6%, por exemplo - do que acima - em torno de 1,0%.
De todo modo, tudo indica que o ritmo do primeiro trimestre não se repetirá nos trimestres restantes do ano. Se só ficar na marca mediana de 0,8%, o avanço da economia, nos primeiros três meses do ano, alcançaria a taxa anualizada de 3,2%, acima do que, no momento, os especialistas esperam para o ano como um todo, que é algo entre 2,8% e 3,0%.
Nas planilhas dos analistas, o crescimento médio trimestral projetado para o resto de 2013 está variando entre 0,6% e 0,7%. É um sinal de que não são esperados grandes solavancos, para cima ou para baixo, daqui para a frente. Vistas de outro prisma, essas projeções, que se diferenciam por décimos ou centésimos, estão transmitindo a mensagem de que não se vislumbram, em prazos não muito curtos, maiores margens de manobra para a política econômica.
O que, de fato, vem caracterizando o jogo da economia brasileira em 2013 - e possivelmente se repetirá nos próximos dois ou três anos - é a existência de limites estreitos para a movimentação das peças no tabuleiro das ações econômicas. São variados os exemplos desses limites, mas basta verificar o que já ocorre com as contas externas para dimensionar o problema.
Está cada vez mais nítido que a trajetória no setor externo é de deterioração. A balança comercial exibe agora déficits desconhecidos há mais de uma década e poderá fechar o ano com resultados decepcionantes. Mesmo reconhecendo as fragilidades competitivas brasileiras, são variadas as indicações de que o movimento de desvalorização cambial ocorrido entre 2011 e 2012 foi rápido e acentuado o bastante para impactar os índices de inflação, mas não o suficiente para promover um reequilíbrio das contas externas.
Sabe-se faz tempo que um conjunto muito acima do normal de "trade offs" - a expressão do jargão dos economistas que designa escolhas conflitantes, em que a solução de um problema pode causar outro - havia se instalado na economia brasileira. As restrições a uma aplicação mais flexível da política cambial é um dos casos mais evidentes, embora nem de longe seja o único desses "trade offs". Eles também podem ser encontrados na política fiscal, que tende a ser expansionista para estimular a economia, mas, ao fazê-lo, pressiona a inflação e exige do Banco Central uma dosagem mais forte nos juros básicos, afetando o setor externo, via câmbio, e o crescimento, via aumento nos custos do crédito.
Por uma coincidência de calendário, a divulgação dos números do PIB do primeiro trimestre se dará no mesmo dia em que os diretores do Banco Central, reunidos no Comitê de Política Monetária (Copom), decidirão a nova taxa de juros pelos próximos 45 dias. Os analistas estão divididos entre um novo aumento de 0,25 ponto porcentual ou uma aceleração para 0,5 ponto, levando a taxa Selic de 7,5% ao ano para 7,75% ou 8,0%. Alguns acreditam que, qualquer que seja a escolha, como na reunião de abril, não será unânime - refletindo algumas dessas contradições.
Não há, infelizmente, solução única ou de curto prazo para tantos dilemas. Ainda mais em meio a um ambiente externo marcado por um renitente baixo crescimento - tendência à qual agora parece se juntar a China. Viver na corda bamba de escolhas conflitantes, em resumo, é o que nos espera por um certo tempo.
Resgate de utopias - RUBENS BARBOSA
O GLOBO - 28/05
A instabilidade econômica e a inflação galopante até o Plano Real, em 1994, impediram que governo e setor privado pudessem pensar o planejamento do país e das empresas a médio e longo prazos. Quase 20 anos depois, com a economia estabilizada e a inflação sob controle, não mais se justifica a inexistência de políticas públicas com visão de futuro.
No governo não existe um pensamento estratégico, nem um efetivo planejamento que antecipe os problemas do crescimento e equacione as dificuldades nas áreas de energia, meio ambiente, segurança, crescimento urbano, indústria, comércio exterior e mesmo de política externa.
Perdeu-se a noção de que a busca da utopia — como o fim da inflação e a eliminação da pobreza — é um dos motores do desenvolvimento e dos avanços sociais.
Em meio a esta situação de perplexidade, proposta elaborada pela Fiesp de uma estratégia para o crescimento da economia brasileira com um horizonte de 15 anos deveria merecer o exame do governo e do setor privado e ser debatida pelo Congresso e pela sociedade em geral.
O propósito do trabalho é contribuir para o desenvolvimento sustentado do país, tendo como premissa a combinação do crescimento econômico com avanços sociais. O projeto apresenta definição de metas e de estratégias, e não está centrado apenas nos interesses da indústria, mas de toda a sociedade brasileira.
A meta da proposta é dobrar a renda per capita do pais em 15 anos. De US$ 10.979 em 2014 para US$ 22.000 em 2029, medidos em paridade do poder de compra, e elevar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para o patamar de entrada das nações do primeiro mundo. Para a consecução desses objetivos, será necessário que o PIB avance a uma taxa média de 5,3% ao ano.
Esse é um projeto de futuro viável. Seu êxito resultará da capacidade da sociedade brasileira de incrementar o investimento em capital físico, formar em maior escala recursos humanos qualificados e maximizar a produtividade total dos fatores. Os países bem-sucedidos em dobrar o PIB em períodos inferiores a 20 anos (Japão, Coreia do Sul, Malásia e Taiwan), partindo de patamar próximo ao Brasil atual, definiram um conjunto de ações visando a apoiar a indústria de transformação. Os investimentos devem saltar dos atuais 17,7% para uma taxa média de 23,7% do PIB em 15 anos. O investimento público terá fundamental importância e será beneficiado pela redução dos gastos com juros da divida pública e por um programa de controle da expansão do gasto corrente.
Os setores com potencial para atrair investimento seriam o da construção civil e infraestrutura (rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias), do agronegócio (grãos, sucroalcooleiro, proteína animal e fertilizantes), do petróleo e gás e da indústria de transformação (naval, automobilístico, químico, siderúrgico e bens de capital) e seus subsetores.
O trabalho indica politicas macroeconômicas e setoriais para alavancar os investimentos. A Fiesp lança o debate. Resgatemos a utopia.
A instabilidade econômica e a inflação galopante até o Plano Real, em 1994, impediram que governo e setor privado pudessem pensar o planejamento do país e das empresas a médio e longo prazos. Quase 20 anos depois, com a economia estabilizada e a inflação sob controle, não mais se justifica a inexistência de políticas públicas com visão de futuro.
No governo não existe um pensamento estratégico, nem um efetivo planejamento que antecipe os problemas do crescimento e equacione as dificuldades nas áreas de energia, meio ambiente, segurança, crescimento urbano, indústria, comércio exterior e mesmo de política externa.
Perdeu-se a noção de que a busca da utopia — como o fim da inflação e a eliminação da pobreza — é um dos motores do desenvolvimento e dos avanços sociais.
Em meio a esta situação de perplexidade, proposta elaborada pela Fiesp de uma estratégia para o crescimento da economia brasileira com um horizonte de 15 anos deveria merecer o exame do governo e do setor privado e ser debatida pelo Congresso e pela sociedade em geral.
O propósito do trabalho é contribuir para o desenvolvimento sustentado do país, tendo como premissa a combinação do crescimento econômico com avanços sociais. O projeto apresenta definição de metas e de estratégias, e não está centrado apenas nos interesses da indústria, mas de toda a sociedade brasileira.
A meta da proposta é dobrar a renda per capita do pais em 15 anos. De US$ 10.979 em 2014 para US$ 22.000 em 2029, medidos em paridade do poder de compra, e elevar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para o patamar de entrada das nações do primeiro mundo. Para a consecução desses objetivos, será necessário que o PIB avance a uma taxa média de 5,3% ao ano.
Esse é um projeto de futuro viável. Seu êxito resultará da capacidade da sociedade brasileira de incrementar o investimento em capital físico, formar em maior escala recursos humanos qualificados e maximizar a produtividade total dos fatores. Os países bem-sucedidos em dobrar o PIB em períodos inferiores a 20 anos (Japão, Coreia do Sul, Malásia e Taiwan), partindo de patamar próximo ao Brasil atual, definiram um conjunto de ações visando a apoiar a indústria de transformação. Os investimentos devem saltar dos atuais 17,7% para uma taxa média de 23,7% do PIB em 15 anos. O investimento público terá fundamental importância e será beneficiado pela redução dos gastos com juros da divida pública e por um programa de controle da expansão do gasto corrente.
Os setores com potencial para atrair investimento seriam o da construção civil e infraestrutura (rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias), do agronegócio (grãos, sucroalcooleiro, proteína animal e fertilizantes), do petróleo e gás e da indústria de transformação (naval, automobilístico, químico, siderúrgico e bens de capital) e seus subsetores.
O trabalho indica politicas macroeconômicas e setoriais para alavancar os investimentos. A Fiesp lança o debate. Resgatemos a utopia.
Crescimento mais difícil - ANTONIO DELFIM NETTO
Valor Econômico - 28/05
É cada vez mais evidente que para devolver à economia brasileira a capacidade de crescer robustamente temos de resolver um problema muito complicado que foi criado ao longo de vários anos. Agravou-se brutalmente depois da crise de 2008 que continua a dizimar a economia mundial. Trata-se da longa e tenaz sobrevalorização da moeda nacional produzida pelo controle da taxa de câmbio nominal através da taxa de juro real (até recentemente a mais elevada do mundo) e do estímulo ao aumento do salário nominal muito acima da produtividade do trabalho.
Não é sem razão, portanto, que a participação de nossas exportações no total mundial continua, há pelo menos 30 anos, em torno de 1,3%. Desde 1974, cada vez que o Brasil foi premiado com um ciclo de melhoria substancial da relação de troca, isto é, quando os preços da exportação crescem mais depressa do que os da importação (1977, 1997 e 2011), manipulamos a taxa de câmbio para reduzir a inflação. No fim de cada ciclo pagamos o preço e corremos ao Fundo Monetário Internacional! Agora parece que é diferente porque temos US$ 380 bilhões de reservas, mas há controvérsia! O último ciclo de melhoria da relação de troca parece ter terminado em 2011, como se vê no gráfico nº 1 (pé da coluna) .
Hoje poucos economistas discutem o fato que em condições normais de pressão e temperatura (quando não há controle discricionário da taxa de câmbio nominal, os salários nominais são fixados pelo mercado de trabalho e há liberdade de movimento de capitais) a taxa de câmbio real em países dominados por exportações primárias (produtos agrícolas, energéticos e minerais) é determinada: 1º) pelo diferencial da taxa de juros real interna e externa; e 2º) pela relação de troca. Estudos empíricos bem conduzidos mostram que o primeiro fator é mais importante que o segundo.
O que nos espera no futuro próximo ainda envolto na névoa da incerteza, mas pressentido pela pesada pressão de suas pegadas? Talvez o seguinte:
1º) um ciclo de deterioração da relação de troca cuja profundidade dependerá da evolução da economia chinesa;
2º) uma elevação da taxa de juro real externa que alterará a direção do movimento dos capitais;
3º) um diferencial civilizado entre a taxa de juro real interna e a externa que tornará o país menos atrativo;
4º) uma valorização do dólar pelo aumento da taxa de juros e porque os EUA crescerão com a nova energia produzida internamente o que reduzirá seu déficit comercial. A valorização do dólar terá efeito sobre os preços das "commodities";
5º) um tratamento mais amigável do governo com relação ao setor privado, devido a compreensão que investidores não são instituições de caridade. Isso abrirá as portas para o financiamento externo de nosso setor de infraestrutura e, finalmente,
6º) a ressurreição do pré-sal que em cinco ou seis anos nos tornará menos vulnerável aos eventos externos, mas poderá também, se mal conduzido, levar ainda a maior precarização de nossas relações externas.
Não é possível prever o efeito "líquido" de tantas variáveis, mas é seguro que um crescimento econômico mais sadio e robusto exige a recuperação do nosso setor industrial, o que só poderá ocorrer com a desvalorização do real como, aliás, parecem indicar os fatos acima. É o que sugere, também, a rápida deterioração da nossa balança comercial e o saldo em conta corrente revelado na tabela 1.
Se essas considerações estão corretas, todos os dias vão continuar a acumular-se tensões que em algum momento (uma emergência indiscernível nos dados) produzirão ou uma inversão na crença da solidez infinita das reservas cambiais, ou nas expectativas dos agentes (empresas, bancos, fundos) que testarão o Banco Central. Isso pode gerar um ajuste instantâneo (como é a característica do mercado cambial) que seria um desastre acompanhado por uma crise bancária e a aceleração da taxa de inflação. É claro, portanto, que a política econômica deve antecipar-se e preparar as condições para a superação ordenada da sobrevalorização do real que foi produzida ao longo dos anos.
É preciso notar, também, que a piora da relação de troca torna mais difícil o bem-estar da sociedade. Quando ela está aumentando, o "poder de compra" das exportações em termos dos produtos importados cresce sem que haja mais utilização de fatores. Tudo se passa como se tivesse havido um aumento da "produtividade": uma tonelada de exportação comprava uma tonelada de importação. Se agora compra 1,1 tonelada ganhamos, sem aplicar mais fatores de produção, 100 quilos de produtos importados! O contrário acontece quando a relação de troca diminui, como agora está acontecendo e talvez prossiga nos próximos anos.
É cada vez mais evidente que para devolver à economia brasileira a capacidade de crescer robustamente temos de resolver um problema muito complicado que foi criado ao longo de vários anos. Agravou-se brutalmente depois da crise de 2008 que continua a dizimar a economia mundial. Trata-se da longa e tenaz sobrevalorização da moeda nacional produzida pelo controle da taxa de câmbio nominal através da taxa de juro real (até recentemente a mais elevada do mundo) e do estímulo ao aumento do salário nominal muito acima da produtividade do trabalho.
Não é sem razão, portanto, que a participação de nossas exportações no total mundial continua, há pelo menos 30 anos, em torno de 1,3%. Desde 1974, cada vez que o Brasil foi premiado com um ciclo de melhoria substancial da relação de troca, isto é, quando os preços da exportação crescem mais depressa do que os da importação (1977, 1997 e 2011), manipulamos a taxa de câmbio para reduzir a inflação. No fim de cada ciclo pagamos o preço e corremos ao Fundo Monetário Internacional! Agora parece que é diferente porque temos US$ 380 bilhões de reservas, mas há controvérsia! O último ciclo de melhoria da relação de troca parece ter terminado em 2011, como se vê no gráfico nº 1 (pé da coluna) .
Hoje poucos economistas discutem o fato que em condições normais de pressão e temperatura (quando não há controle discricionário da taxa de câmbio nominal, os salários nominais são fixados pelo mercado de trabalho e há liberdade de movimento de capitais) a taxa de câmbio real em países dominados por exportações primárias (produtos agrícolas, energéticos e minerais) é determinada: 1º) pelo diferencial da taxa de juros real interna e externa; e 2º) pela relação de troca. Estudos empíricos bem conduzidos mostram que o primeiro fator é mais importante que o segundo.
O que nos espera no futuro próximo ainda envolto na névoa da incerteza, mas pressentido pela pesada pressão de suas pegadas? Talvez o seguinte:
1º) um ciclo de deterioração da relação de troca cuja profundidade dependerá da evolução da economia chinesa;
2º) uma elevação da taxa de juro real externa que alterará a direção do movimento dos capitais;
3º) um diferencial civilizado entre a taxa de juro real interna e a externa que tornará o país menos atrativo;
4º) uma valorização do dólar pelo aumento da taxa de juros e porque os EUA crescerão com a nova energia produzida internamente o que reduzirá seu déficit comercial. A valorização do dólar terá efeito sobre os preços das "commodities";
5º) um tratamento mais amigável do governo com relação ao setor privado, devido a compreensão que investidores não são instituições de caridade. Isso abrirá as portas para o financiamento externo de nosso setor de infraestrutura e, finalmente,
6º) a ressurreição do pré-sal que em cinco ou seis anos nos tornará menos vulnerável aos eventos externos, mas poderá também, se mal conduzido, levar ainda a maior precarização de nossas relações externas.
Não é possível prever o efeito "líquido" de tantas variáveis, mas é seguro que um crescimento econômico mais sadio e robusto exige a recuperação do nosso setor industrial, o que só poderá ocorrer com a desvalorização do real como, aliás, parecem indicar os fatos acima. É o que sugere, também, a rápida deterioração da nossa balança comercial e o saldo em conta corrente revelado na tabela 1.
Se essas considerações estão corretas, todos os dias vão continuar a acumular-se tensões que em algum momento (uma emergência indiscernível nos dados) produzirão ou uma inversão na crença da solidez infinita das reservas cambiais, ou nas expectativas dos agentes (empresas, bancos, fundos) que testarão o Banco Central. Isso pode gerar um ajuste instantâneo (como é a característica do mercado cambial) que seria um desastre acompanhado por uma crise bancária e a aceleração da taxa de inflação. É claro, portanto, que a política econômica deve antecipar-se e preparar as condições para a superação ordenada da sobrevalorização do real que foi produzida ao longo dos anos.
É preciso notar, também, que a piora da relação de troca torna mais difícil o bem-estar da sociedade. Quando ela está aumentando, o "poder de compra" das exportações em termos dos produtos importados cresce sem que haja mais utilização de fatores. Tudo se passa como se tivesse havido um aumento da "produtividade": uma tonelada de exportação comprava uma tonelada de importação. Se agora compra 1,1 tonelada ganhamos, sem aplicar mais fatores de produção, 100 quilos de produtos importados! O contrário acontece quando a relação de troca diminui, como agora está acontecendo e talvez prossiga nos próximos anos.
Novos municípios - LUIZ GARCIA
O GLOBO - 28/05
Subir na vida é desejo óbvio e natural de qualquer cidadão - e isso também é verdade para vilas e vilarejos. Todos sonham com uma promoção para a condição de cidades. Há quase 20 anos, uma emenda constitucional retirou dos estados brasileiros o poder de emancipar vilas e vilarejos.
O motivo era óbvio: a emancipação era exagerada.
Atendia a motivos políticos, e deixava de lado a exigência essencial de que as comunidades tivessem recursos para enfrentar o aumento de despesas públicas indispensáveis no novo patamar.
A situação pode mudar novamente: está para ser votado na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei complementar que devolve às Assembleias Legislativas o poder de criar novos municípios. Se for aprovado e sancionado, nascerão, segundo um levantamento do jornal, mais de 400 municípios, elevando o total de 5.570 para quase seis mil.
O desejo de subir na vida, pelo visto, é comum tanto nas cidades como nos cidadãos.
Mas subir na vida pode custar caro. Entre 2001 e 2010 - bem recentemente, portanto - foi criada uma batelada de municípios com até oito mil habitantes, e cada um deles tem orçamento anual de cerca de R$ 20 milhões. Mas todos eles têm futuro incerto: os processos que os criaram estão para serem julgados pelo Supremo Tribunal Federal.
Os defensores da leva de promoções, reunidos na Frente Nacional de Apoio à Criação de Novos Municípios, que alega ter o apoio de 350 parlamentares de diversos partidos, afirmam, sem medo da decisão do STF, que Assembleias de diversos estados deverão votar sobre a criação de 250 novos municípios - e aprovar o pleito de 180. Mas, além do julgamento do Supremo, a questão também será decidida no Congresso, segundo uma emenda constitucional de 1996.
É natural que os políticos locais desejem a promoção. Mas a emenda de 96 criou condições severas para isso, baseadas no tamanho da população e na situação econômica da comunidade.
Ela também exige um plebiscito no qual os maiores interessados, ou seja, a população local, aprovem a transformação da cidade em município.
E há números a serem respeitados. Recentemente, uma pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro estudou a situação de 58 prefeituras criadas recentemente. Nelas foram criados mais de 30 mil cargos públicos. E receberam um total de R$ 1,3 bilhão ao longo de cinco anos. Mas, na maioria das cidades, isso não significou melhoria de vida para a população.
Como lembrou uma fonte da Firjan, a criação do município não traz, por si só, aumento de recursos que beneficie os cidadãos: "Gerar novos municípios não implica necessariamente obter nova arrecadação", disse ela.
O número de distritos promovidos a município já permite que os cidadãos que pensem em imitá-los avaliem, com cabeça fria, as vantagens da mudança - e, principalmente, os riscos de uma transformação que é mais complexa do que pode parecer.
O motivo era óbvio: a emancipação era exagerada.
Atendia a motivos políticos, e deixava de lado a exigência essencial de que as comunidades tivessem recursos para enfrentar o aumento de despesas públicas indispensáveis no novo patamar.
A situação pode mudar novamente: está para ser votado na Câmara dos Deputados um Projeto de Lei complementar que devolve às Assembleias Legislativas o poder de criar novos municípios. Se for aprovado e sancionado, nascerão, segundo um levantamento do jornal, mais de 400 municípios, elevando o total de 5.570 para quase seis mil.
O desejo de subir na vida, pelo visto, é comum tanto nas cidades como nos cidadãos.
Mas subir na vida pode custar caro. Entre 2001 e 2010 - bem recentemente, portanto - foi criada uma batelada de municípios com até oito mil habitantes, e cada um deles tem orçamento anual de cerca de R$ 20 milhões. Mas todos eles têm futuro incerto: os processos que os criaram estão para serem julgados pelo Supremo Tribunal Federal.
Os defensores da leva de promoções, reunidos na Frente Nacional de Apoio à Criação de Novos Municípios, que alega ter o apoio de 350 parlamentares de diversos partidos, afirmam, sem medo da decisão do STF, que Assembleias de diversos estados deverão votar sobre a criação de 250 novos municípios - e aprovar o pleito de 180. Mas, além do julgamento do Supremo, a questão também será decidida no Congresso, segundo uma emenda constitucional de 1996.
É natural que os políticos locais desejem a promoção. Mas a emenda de 96 criou condições severas para isso, baseadas no tamanho da população e na situação econômica da comunidade.
Ela também exige um plebiscito no qual os maiores interessados, ou seja, a população local, aprovem a transformação da cidade em município.
E há números a serem respeitados. Recentemente, uma pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro estudou a situação de 58 prefeituras criadas recentemente. Nelas foram criados mais de 30 mil cargos públicos. E receberam um total de R$ 1,3 bilhão ao longo de cinco anos. Mas, na maioria das cidades, isso não significou melhoria de vida para a população.
Como lembrou uma fonte da Firjan, a criação do município não traz, por si só, aumento de recursos que beneficie os cidadãos: "Gerar novos municípios não implica necessariamente obter nova arrecadação", disse ela.
O número de distritos promovidos a município já permite que os cidadãos que pensem em imitá-los avaliem, com cabeça fria, as vantagens da mudança - e, principalmente, os riscos de uma transformação que é mais complexa do que pode parecer.
A força de um boato - DORA KRAMER
O Estado de S.Paulo - 28/05
Tipo da brincadeira de mau gosto - ou manobra malsucedida - essa história do boato sobre o fim do programa Bolsa Família, que levou à aflição milhares de brasileiros, provocando corre-corre às agências da Caixa Econômica Federal, gritaria e muita confusão na semana passada.
Sabe-se que na guerra - e aqui em jogo esteve a batalha pela sobrevivência - a primeira vítima é a verdade. A origem do falatório ainda não está esclarecida, mas a capacidade de uma falsidade repetida tornar-se verdade, se manipuladas as emoções "certas", é amplamente conhecida embora seja lição ainda não devidamente aprendida por ouvidos sensíveis à armadilha.
A balela correu e por algum tempo convenceu os que se viram no risco do prejuízo. Normalizados os pagamentos que haviam sido adiantados sem maiores explicações pela Caixa, sobram suspeições.
Fala-se de um possível interesse do governo em reafirmar a importância do programa para as famílias que contam com esse dinheiro e da demonstração do potencial de reação à insinuação de que só o PT no poder garantiria a continuidade.
Desconfiança merecedora de pouco crédito, dada sua pouquíssima lógica. Com os instrumentos de propaganda à disposição, o governo teria meios menos traumáticos (e mais seguros) de renovar o "contrato" da identificação do Bolsa Família com Lula e companhia.
É verdade que a arte de fazer uso da versão como substituição do fato não é estranha a esse grupo. Assim como é verdade que a Caixa tem tropeçado na divergência de justificativas sobre as mudanças feitas no sistema de pagamentos aos beneficiários do programa. De onde é bom confiar nos bons propósitos desconfiando sempre das reais intenções.
A ministra Maria do Rosário precipitou-se ao atribuir à oposição a orquestração da boataria. Foi repreendida, mas na realidade seguira a regra que espalha a brasa antes de confirmada a veracidade do incêndio.
Talvez tenha errado na forma: primária, explícita. Haveria outras maneiras mais sutis de criar a desconfiança sobre os adversários do governo. De mentiras bem pregadas há exemplos variados.
Recentemente o ex-presidente Lula admitiu que a Carta aos Brasileiros era, na visão dele, uma peça de ficção na qual não acreditava quando foi convencido de que sua vitória em 2002 dependia da assinatura de um compromisso que só depois viria a perceber que, se não cumprisse, não governaria.
A obra-prima no quesito, no entanto, foi a versão da "herança maldita" legada pelos antecessores. Boato de força incomensurável e o efeito deletério de inscrever uma falsidade na História do Brasil.
Risca de giz. A campanha presidencial do senador Aécio Neves, quando e se confirmada, terá coordenação exclusiva, com estrutura totalmente separada das eleições estaduais a fim de não gerar conflitos de interesses que em outras ocasiões acabaram prejudicando a candidatura nacional.
A prioridade será a campanha a presidente, ainda que "algumas questões locais tenham de ser sacrificadas", diz o senador. Ou seja, os planos regionais terão de se submeter às conveniências do projeto nacional.
Missão a cumprir. O ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, continua disposto a antecipar sua aposentadoria que, por idade, seria só em 2015. Mas vai adiar um pouco o plano.
Inicialmente, o ministro havia anunciado a saída neste ano. Agora está na dependência dos embargos do processo do mensalão, cujo exame não será concluído antes de meados do segundo semestre. E Celso de Mello só sai depois de concluído o julgamento.
Tipo da brincadeira de mau gosto - ou manobra malsucedida - essa história do boato sobre o fim do programa Bolsa Família, que levou à aflição milhares de brasileiros, provocando corre-corre às agências da Caixa Econômica Federal, gritaria e muita confusão na semana passada.
Sabe-se que na guerra - e aqui em jogo esteve a batalha pela sobrevivência - a primeira vítima é a verdade. A origem do falatório ainda não está esclarecida, mas a capacidade de uma falsidade repetida tornar-se verdade, se manipuladas as emoções "certas", é amplamente conhecida embora seja lição ainda não devidamente aprendida por ouvidos sensíveis à armadilha.
A balela correu e por algum tempo convenceu os que se viram no risco do prejuízo. Normalizados os pagamentos que haviam sido adiantados sem maiores explicações pela Caixa, sobram suspeições.
Fala-se de um possível interesse do governo em reafirmar a importância do programa para as famílias que contam com esse dinheiro e da demonstração do potencial de reação à insinuação de que só o PT no poder garantiria a continuidade.
Desconfiança merecedora de pouco crédito, dada sua pouquíssima lógica. Com os instrumentos de propaganda à disposição, o governo teria meios menos traumáticos (e mais seguros) de renovar o "contrato" da identificação do Bolsa Família com Lula e companhia.
É verdade que a arte de fazer uso da versão como substituição do fato não é estranha a esse grupo. Assim como é verdade que a Caixa tem tropeçado na divergência de justificativas sobre as mudanças feitas no sistema de pagamentos aos beneficiários do programa. De onde é bom confiar nos bons propósitos desconfiando sempre das reais intenções.
A ministra Maria do Rosário precipitou-se ao atribuir à oposição a orquestração da boataria. Foi repreendida, mas na realidade seguira a regra que espalha a brasa antes de confirmada a veracidade do incêndio.
Talvez tenha errado na forma: primária, explícita. Haveria outras maneiras mais sutis de criar a desconfiança sobre os adversários do governo. De mentiras bem pregadas há exemplos variados.
Recentemente o ex-presidente Lula admitiu que a Carta aos Brasileiros era, na visão dele, uma peça de ficção na qual não acreditava quando foi convencido de que sua vitória em 2002 dependia da assinatura de um compromisso que só depois viria a perceber que, se não cumprisse, não governaria.
A obra-prima no quesito, no entanto, foi a versão da "herança maldita" legada pelos antecessores. Boato de força incomensurável e o efeito deletério de inscrever uma falsidade na História do Brasil.
Risca de giz. A campanha presidencial do senador Aécio Neves, quando e se confirmada, terá coordenação exclusiva, com estrutura totalmente separada das eleições estaduais a fim de não gerar conflitos de interesses que em outras ocasiões acabaram prejudicando a candidatura nacional.
A prioridade será a campanha a presidente, ainda que "algumas questões locais tenham de ser sacrificadas", diz o senador. Ou seja, os planos regionais terão de se submeter às conveniências do projeto nacional.
Missão a cumprir. O ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal, continua disposto a antecipar sua aposentadoria que, por idade, seria só em 2015. Mas vai adiar um pouco o plano.
Inicialmente, o ministro havia anunciado a saída neste ano. Agora está na dependência dos embargos do processo do mensalão, cujo exame não será concluído antes de meados do segundo semestre. E Celso de Mello só sai depois de concluído o julgamento.
Fogo de palha? - ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 28/05
BRASÍLIA - O encantamento do mundo com o Brasil está cada vez mais com jeitão de fogo de palha.
Depois do fenômeno Lula, do dínamo Celso Amorim, do crescimento de 7,5% em 2010 e da boa visibilidade internacional, tanto em fóruns ambientais e econômicos quanto em complexas negociações políticas, o Brasil deslizou suavemente de volta ao seu patamar real.
Afora o segundo lugar de Dilma na revista "Forbes" entre as mulheres mais poderosas do planeta e a vitória do embaixador Roberto Azevêdo para a direção-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio) --no rastro da inserção mundial da época Lula-Amorim--, o antes queridinho Brasil parece se encaixar de novo como apenas mais uma peça no cenário, não uma peça-chave.
A Alca já estava morta, a Rodada Doha na OMC adormece, o acordo do Mercosul com a União Europeia não anda, os acordos bilaterais foram vetados e até a tão propalada "aliança estratégica" com a França esfarelou. Não bastasse o ex-presidente Sarkozy ter passado a perna em Lula na votação sobre o Irã na ONU, vem agora Hollande votar no candidato mexicano na OMC. Se aliança havia, não há mais. Só ficou a conta da fabricação de submarinos convencionais e um de propulsão nuclear.
Com um "pibinho" de menos de 1% em 2012 e a toda hora sendo reavaliado para baixo em 2013, mais a inflação assanhada, o deficit na balança e o vai e vem nos números da extrema pobreza, a realidade vai corroendo a mística e deve, ou deveria, refletir nas aulas de Dilma nos EUA e na Europa enaltecendo o "desenvolvimento sustentável" brasileiro.
Um dado ainda mais concreto é a união dos pragmáticos México, Chile, Colômbia e Peru na Aliança do Pacífico, provocando um contraponto desconfortável com o ideológico Mercosul, que está sem rumo e, com a mesma mão esquerda, suspendeu o Paraguai e acolheu a Venezuela.
Qual o resultado? Vem aí uma meia-volta, volver, do Brasil para os EUA.
BRASÍLIA - O encantamento do mundo com o Brasil está cada vez mais com jeitão de fogo de palha.
Depois do fenômeno Lula, do dínamo Celso Amorim, do crescimento de 7,5% em 2010 e da boa visibilidade internacional, tanto em fóruns ambientais e econômicos quanto em complexas negociações políticas, o Brasil deslizou suavemente de volta ao seu patamar real.
Afora o segundo lugar de Dilma na revista "Forbes" entre as mulheres mais poderosas do planeta e a vitória do embaixador Roberto Azevêdo para a direção-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio) --no rastro da inserção mundial da época Lula-Amorim--, o antes queridinho Brasil parece se encaixar de novo como apenas mais uma peça no cenário, não uma peça-chave.
A Alca já estava morta, a Rodada Doha na OMC adormece, o acordo do Mercosul com a União Europeia não anda, os acordos bilaterais foram vetados e até a tão propalada "aliança estratégica" com a França esfarelou. Não bastasse o ex-presidente Sarkozy ter passado a perna em Lula na votação sobre o Irã na ONU, vem agora Hollande votar no candidato mexicano na OMC. Se aliança havia, não há mais. Só ficou a conta da fabricação de submarinos convencionais e um de propulsão nuclear.
Com um "pibinho" de menos de 1% em 2012 e a toda hora sendo reavaliado para baixo em 2013, mais a inflação assanhada, o deficit na balança e o vai e vem nos números da extrema pobreza, a realidade vai corroendo a mística e deve, ou deveria, refletir nas aulas de Dilma nos EUA e na Europa enaltecendo o "desenvolvimento sustentável" brasileiro.
Um dado ainda mais concreto é a união dos pragmáticos México, Chile, Colômbia e Peru na Aliança do Pacífico, provocando um contraponto desconfortável com o ideológico Mercosul, que está sem rumo e, com a mesma mão esquerda, suspendeu o Paraguai e acolheu a Venezuela.
Qual o resultado? Vem aí uma meia-volta, volver, do Brasil para os EUA.
Wei Qi da base contra Dilma - DENISE ROTHENBURG
CORREIO BRAZILIENSE - 28/05
A base aliada age para cercar o Planalto, de forma a obrigar Dilma Rousseff a mudar a área política do governo. O perigo, entretanto, é o feitiço virar contra o feiticeiro
Esse jogo, muito popular na China e já citado aqui em outra oportunidade, requer especialmente estratégia. Consiste em cercar o adversário até que ele seja dominado e não tenha para onde correr. A dificuldade em fazer fluir os projetos ontem e a CPI da Petrobras foram duas jogadas importantes no sentido de tentar fechar o cerco ao Planalto, dentro da partida entre a presidente Dilma Rousseff e a sua própria base política. Tanto é que o governo trabalha a retirada de assinaturas do pedido.
Essa CPI não é para já. Há uma fila de requerimentos na frente, e os deputados sabem disso. Mas só o fato de ter sido apresentada já coloca a maior empresa brasileira sob foco, com uma acirrada batalha de comunicação com viés político. Nos jornais, o destaque inicial foi para a antecipação do leilão do pré-sal em um mês, de novembro para outubro deste ano. Ora, a diferença é tão pouca que levou o meio político a inferir que esse anúncio serviu apenas para tirar o impacto da notícia da apresentação do pedido de CPI.
A vantagem do governo nessa seara durou pouco. Esta semana, por exemplo, foi aberta com notícias sobre a compra da refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos, e a existência de documentos que apontam falhas em cláusulas contratuais, o que ajuda a reforçar os argumentos em favor da CPI. Uma reportagem de O Estado de S.Paulo, por exemplo, levanta suspeitas de favorecimento à empresa belga Astra, sócia da Petrobras no início do negócio, em 2005, tempo em que Dilma Rousseff ainda era presidente do conselho da empresa, conforme dissemos aqui na semana passada.
À medida em que as notícias forem avançando e, por tabela, as suspeitas, o caldo vai engrossando e o pedido de CPI pode terminar virando um projeto de resolução que, se aprovado em plenário, terá efeito automático. Mas isso também não é para agora. O cálculo é avançar com isso no segundo semestre, sob a justificativa de que, quanto mais perto do ano eleitoral, mais cercado fica o governo.
O perigo nesse jogo é o feitiço virar contra o feiticeiro e Dilma, acuada, terminar vista pelo povo como uma vítima de congressistas que só se interessam por cargos. Afinal, o governo venceu a batalha da comunicação em torno da medida provisória que reduz a tarifa de energia. E, se o Congresso deixar de votar essa proposta, vai ficar ruim é para os políticos. Podem apostar.
Enquanto isso, no PMDB…
O líder do partido, Eduardo Cunha, foi um dos primeiros a chegar ontem em Brasília, empenhadíssimo em demonstrar ao governo que não é nem de longe o (único) responsável pelas agruras do Poder Executivo no Congresso Nacional. Certamente, há outros. O problema é conseguir com que o Planalto acredite, uma vez que vem do PMDB grande parte dos problemas governamentais, a começar pelo pedido de CPI da Petrobras, que só atingiu o número de assinaturas por conta do empenho do peemedebista Leonardo Quintão, de Minas Gerais.
A raiz dessa briga é a desconfiança dos peemedebistas de que estão prestes a ser rifados, não só nas eleições estaduais quanto no próprio governo. E, se for assim mesmo, Dilma que se prepare, porque se um Quintão magoado por não ter sido escolhido ministro lá atrás deu esse desgaste com o foco sobre a Petrobras, imagine o que não farão os demais. Está na hora de Dilma e seu vice, Michel Temer, terem aquela DR (discussão da relação), sob pena de os projetos governamentais de interesse da população pagarem o pato dessa rinha política entre o governo e seu maior aliado.
Por falar em aliados…
As ações da CEF, de antecipar a liberação dos recursos, sem dúvida contribuíram para a balbúrdia em torno do Bolsa Família há 11 dias. Falta, entretanto, trazer a público todos os responsáveis. Essa novela ainda terá outros capítulos.
E no Mané…
No domingo, chamou a atenção também a desenvoltura do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, e do ministro Gilmar Mendes entre ministros e parlamentares petistas presentes à tribuna do Governo do Distrito Federal, ao lado do governador Agnelo Queiroz (PT). O clima era de confraternização. O futebol realmente opera milagres.
A base aliada age para cercar o Planalto, de forma a obrigar Dilma Rousseff a mudar a área política do governo. O perigo, entretanto, é o feitiço virar contra o feiticeiro
Esse jogo, muito popular na China e já citado aqui em outra oportunidade, requer especialmente estratégia. Consiste em cercar o adversário até que ele seja dominado e não tenha para onde correr. A dificuldade em fazer fluir os projetos ontem e a CPI da Petrobras foram duas jogadas importantes no sentido de tentar fechar o cerco ao Planalto, dentro da partida entre a presidente Dilma Rousseff e a sua própria base política. Tanto é que o governo trabalha a retirada de assinaturas do pedido.
Essa CPI não é para já. Há uma fila de requerimentos na frente, e os deputados sabem disso. Mas só o fato de ter sido apresentada já coloca a maior empresa brasileira sob foco, com uma acirrada batalha de comunicação com viés político. Nos jornais, o destaque inicial foi para a antecipação do leilão do pré-sal em um mês, de novembro para outubro deste ano. Ora, a diferença é tão pouca que levou o meio político a inferir que esse anúncio serviu apenas para tirar o impacto da notícia da apresentação do pedido de CPI.
A vantagem do governo nessa seara durou pouco. Esta semana, por exemplo, foi aberta com notícias sobre a compra da refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos, e a existência de documentos que apontam falhas em cláusulas contratuais, o que ajuda a reforçar os argumentos em favor da CPI. Uma reportagem de O Estado de S.Paulo, por exemplo, levanta suspeitas de favorecimento à empresa belga Astra, sócia da Petrobras no início do negócio, em 2005, tempo em que Dilma Rousseff ainda era presidente do conselho da empresa, conforme dissemos aqui na semana passada.
À medida em que as notícias forem avançando e, por tabela, as suspeitas, o caldo vai engrossando e o pedido de CPI pode terminar virando um projeto de resolução que, se aprovado em plenário, terá efeito automático. Mas isso também não é para agora. O cálculo é avançar com isso no segundo semestre, sob a justificativa de que, quanto mais perto do ano eleitoral, mais cercado fica o governo.
O perigo nesse jogo é o feitiço virar contra o feiticeiro e Dilma, acuada, terminar vista pelo povo como uma vítima de congressistas que só se interessam por cargos. Afinal, o governo venceu a batalha da comunicação em torno da medida provisória que reduz a tarifa de energia. E, se o Congresso deixar de votar essa proposta, vai ficar ruim é para os políticos. Podem apostar.
Enquanto isso, no PMDB…
O líder do partido, Eduardo Cunha, foi um dos primeiros a chegar ontem em Brasília, empenhadíssimo em demonstrar ao governo que não é nem de longe o (único) responsável pelas agruras do Poder Executivo no Congresso Nacional. Certamente, há outros. O problema é conseguir com que o Planalto acredite, uma vez que vem do PMDB grande parte dos problemas governamentais, a começar pelo pedido de CPI da Petrobras, que só atingiu o número de assinaturas por conta do empenho do peemedebista Leonardo Quintão, de Minas Gerais.
A raiz dessa briga é a desconfiança dos peemedebistas de que estão prestes a ser rifados, não só nas eleições estaduais quanto no próprio governo. E, se for assim mesmo, Dilma que se prepare, porque se um Quintão magoado por não ter sido escolhido ministro lá atrás deu esse desgaste com o foco sobre a Petrobras, imagine o que não farão os demais. Está na hora de Dilma e seu vice, Michel Temer, terem aquela DR (discussão da relação), sob pena de os projetos governamentais de interesse da população pagarem o pato dessa rinha política entre o governo e seu maior aliado.
Por falar em aliados…
As ações da CEF, de antecipar a liberação dos recursos, sem dúvida contribuíram para a balbúrdia em torno do Bolsa Família há 11 dias. Falta, entretanto, trazer a público todos os responsáveis. Essa novela ainda terá outros capítulos.
E no Mané…
No domingo, chamou a atenção também a desenvoltura do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, e do ministro Gilmar Mendes entre ministros e parlamentares petistas presentes à tribuna do Governo do Distrito Federal, ao lado do governador Agnelo Queiroz (PT). O clima era de confraternização. O futebol realmente opera milagres.
A mamata dos planos - HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 28/05
SÃO PAULO - Em sua coluna de domingo, Elio Gaspari tocou o dedo na ferida dos planos de saúde. As operadoras que cobram mensalidades muito baixas --há no mercado produtos comercializados por menos de R$ 70-- só são viáveis porque, ao menor sinal de doença cara, despacham o segurado para o SUS.
A solução favorita de sanitaristas e jornalistas para o problema é reforçar os mecanismos legais que permitem ao governo ser ressarcido pelos planos sempre que um de seus clientes é atendido pelo SUS. Pessoalmente, não gosto muito. Dado que há alternativas, não acho sábio criar uma nova estrutura burocrática incumbida de conferir todos os atendimentos realizados em hospitais públicos do país, cruzá-los com a base de segurados, enviar as respectivas cobranças e garantir que sejam pagas.
Para piorar o quadro, essa máquina estaria fincada na ANS, agência de saúde suplementar que, como Gaspari bem mostrou, vive promiscuamente próxima ao mercado.
Considerando que um eventual sucesso do governo em cobrar as operadoras resultaria em mensalidades maiores, é muito mais simples e eficaz resolver o problema pela via fiscal, estabelecendo limites para as deduções de IR que os contribuintes podem fazer com o pagamento de planos. A conta recairia sobre os segurados de qualquer jeito, mas não precisaríamos criar um monte de novos cargos e salários públicos.
Outra providência útil é permitir que as operadoras comercializem, além dos planos de saúde e com as atuais regras de cobertura, produtos mais simples. Eles teriam de ter um nome diferente e incluiriam apenas a realização de consultas e exames laboratoriais de baixa sofisticação. Isso já ajudaria a aliviar a demanda sobre o setor público. Quem precisasse de algo mais complexo seria encaminhado para o SUS. No fundo, é o que os planos muito baratos oferecem hoje, com a diferença de que ninguém estaria sendo enganado.
SÃO PAULO - Em sua coluna de domingo, Elio Gaspari tocou o dedo na ferida dos planos de saúde. As operadoras que cobram mensalidades muito baixas --há no mercado produtos comercializados por menos de R$ 70-- só são viáveis porque, ao menor sinal de doença cara, despacham o segurado para o SUS.
A solução favorita de sanitaristas e jornalistas para o problema é reforçar os mecanismos legais que permitem ao governo ser ressarcido pelos planos sempre que um de seus clientes é atendido pelo SUS. Pessoalmente, não gosto muito. Dado que há alternativas, não acho sábio criar uma nova estrutura burocrática incumbida de conferir todos os atendimentos realizados em hospitais públicos do país, cruzá-los com a base de segurados, enviar as respectivas cobranças e garantir que sejam pagas.
Para piorar o quadro, essa máquina estaria fincada na ANS, agência de saúde suplementar que, como Gaspari bem mostrou, vive promiscuamente próxima ao mercado.
Considerando que um eventual sucesso do governo em cobrar as operadoras resultaria em mensalidades maiores, é muito mais simples e eficaz resolver o problema pela via fiscal, estabelecendo limites para as deduções de IR que os contribuintes podem fazer com o pagamento de planos. A conta recairia sobre os segurados de qualquer jeito, mas não precisaríamos criar um monte de novos cargos e salários públicos.
Outra providência útil é permitir que as operadoras comercializem, além dos planos de saúde e com as atuais regras de cobertura, produtos mais simples. Eles teriam de ter um nome diferente e incluiriam apenas a realização de consultas e exames laboratoriais de baixa sofisticação. Isso já ajudaria a aliviar a demanda sobre o setor público. Quem precisasse de algo mais complexo seria encaminhado para o SUS. No fundo, é o que os planos muito baratos oferecem hoje, com a diferença de que ninguém estaria sendo enganado.
Vai sobrar para Lula - EDITORIAL O ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 28/05
As verdades têm vida própria. Independem das intenções de quem as enuncia. Mas o efeito do enunciado varia conforme o seu autor. Uma coisa, por exemplo, é a "mídia conservadora" apontar as deficiências da gestão Dilma Rousseff, outra coisa é o presidente do PT, Rui Falcão, afirmar, como fez de público dias atrás, que o legado dos anos Lula, "um dos principais elementos para a eleição da companheira Dilma", é "insuficiente para garantir a reeleição". O alvo aparente de suas preocupações é o partido, o poder petista. "Que novas propostas", perguntou em dado momento, "nós oferecemos para a sociedade para que ela veja no nosso governo não só a manutenção do que foi conquistado, mas novas possibilidades de continuar avançando?" Seria o caso, segundo ele, da reforma política, com a adoção do financiamento público das campanhas e da "democratização dos meios de comunicação".
É claro, no entanto, que ele não diria o que disse sobre os riscos à reeleição da presidente se, a esta altura, tendo consumido mais da metade do mandato, ela já tivesse ao menos lançado os fundamentos de um legado para chamar de seu. Os números favoráveis do emprego e da renda ainda sustentam a aprovação de Dilma e lhe dão a dianteira para a sucessão de 2014. Mas a ânsia do governo em impedir que concorram outros nomes viáveis, além do provável candidato tucano Aécio Neves - o que remeteria inevitavelmente a disputa ao face a face do segundo turno -, revela uma insegurança comparável à embutida no alerta de Rui Falcão. Instalada no Planalto única e exclusivamente graças à fenomenal popularidade de seu patrono, que vendeu ao eleitorado o conto de fadas da competência superlativa da até então ministra da Casa Civil, a apadrinhada vestiu a faixa presidencial sem um objetivo nítido e definidor a guiar as suas ações - a marca de um governo, em suma. Limitou-se à promessa de dar continuidade à obra do criador.
A presumível expert em questões da área elétrica, que entrou para o governo Lula pela porta do Ministério de Minas e Energia, perdeu a oportunidade histórica de acrescentar à herança recebida um compromisso central com a recuperação da esfrangalhada infraestrutura nacional - não apenas por seu óbvio impacto para a economia, mas para a sua imagem perante a população. Explica-se: à medida que passou a ter acesso ao mercado de bens e serviços, a "nova classe média" começou também a experimentar os efeitos da obsolescência de há muito deplorada pelos usuários de renda mais elevada de rodovias e aeroportos, por exemplo. Uma Dilma "modernizadora" receberia a retribuição nas urnas. Em vez disso, lidando aos trancos e barrancos com o problema e os eternos atrasos nas obras reparadoras, a presidente torna a falar em "tolerância zero", como se a ameaça movesse as máquinas paradas.
A verdade irretocável é que a administração federal se esfarela a olhos vistos, em larga medida - já não bastassem os seus vícios estruturais - pela forma como a presidente funciona. O seu, digamos, estilo de gestão é um entrave ao desempenho, que já não é lá essas coisas, de sua equipe. Centralizadora, obsessivamente detalhista, Dilma quer saber de tudo e nada delega. Trata os subordinados com uma rudeza que inibe as aptidões que possam ter. "Todo mundo morre de medo dela", disse ao Valor um alto executivo, familiarizado com os bastidores do Planalto, ecoando o que é voz corrente em Brasília. Um auxiliar da própria Dilma lembra que, depois de um primeiro ano de mandato praticamente perdido, ela fez saber, na primeira reunião ministerial de 2012, que governaria "como uma prefeita" e anunciou o monitoramento de todos os programas do Executivo. Ela "questiona, pede correções, reorienta", descreve a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Faltou dizer que isso faz os dias durarem 48 horas.
Parece uma forma perversa de compensar a falta de um atributo que muda de figura o exercício do poder: a aptidão para liderar. Cada qual a seu modo, Fernando Henrique e Lula da Silva lideraram os seus governos. No ano que vem, se o legado do petista for pouco para dar a Dilma o segundo mandato, sobrará para ele, em pessoa, a missão de reeleger o "poste".
As verdades têm vida própria. Independem das intenções de quem as enuncia. Mas o efeito do enunciado varia conforme o seu autor. Uma coisa, por exemplo, é a "mídia conservadora" apontar as deficiências da gestão Dilma Rousseff, outra coisa é o presidente do PT, Rui Falcão, afirmar, como fez de público dias atrás, que o legado dos anos Lula, "um dos principais elementos para a eleição da companheira Dilma", é "insuficiente para garantir a reeleição". O alvo aparente de suas preocupações é o partido, o poder petista. "Que novas propostas", perguntou em dado momento, "nós oferecemos para a sociedade para que ela veja no nosso governo não só a manutenção do que foi conquistado, mas novas possibilidades de continuar avançando?" Seria o caso, segundo ele, da reforma política, com a adoção do financiamento público das campanhas e da "democratização dos meios de comunicação".
É claro, no entanto, que ele não diria o que disse sobre os riscos à reeleição da presidente se, a esta altura, tendo consumido mais da metade do mandato, ela já tivesse ao menos lançado os fundamentos de um legado para chamar de seu. Os números favoráveis do emprego e da renda ainda sustentam a aprovação de Dilma e lhe dão a dianteira para a sucessão de 2014. Mas a ânsia do governo em impedir que concorram outros nomes viáveis, além do provável candidato tucano Aécio Neves - o que remeteria inevitavelmente a disputa ao face a face do segundo turno -, revela uma insegurança comparável à embutida no alerta de Rui Falcão. Instalada no Planalto única e exclusivamente graças à fenomenal popularidade de seu patrono, que vendeu ao eleitorado o conto de fadas da competência superlativa da até então ministra da Casa Civil, a apadrinhada vestiu a faixa presidencial sem um objetivo nítido e definidor a guiar as suas ações - a marca de um governo, em suma. Limitou-se à promessa de dar continuidade à obra do criador.
A presumível expert em questões da área elétrica, que entrou para o governo Lula pela porta do Ministério de Minas e Energia, perdeu a oportunidade histórica de acrescentar à herança recebida um compromisso central com a recuperação da esfrangalhada infraestrutura nacional - não apenas por seu óbvio impacto para a economia, mas para a sua imagem perante a população. Explica-se: à medida que passou a ter acesso ao mercado de bens e serviços, a "nova classe média" começou também a experimentar os efeitos da obsolescência de há muito deplorada pelos usuários de renda mais elevada de rodovias e aeroportos, por exemplo. Uma Dilma "modernizadora" receberia a retribuição nas urnas. Em vez disso, lidando aos trancos e barrancos com o problema e os eternos atrasos nas obras reparadoras, a presidente torna a falar em "tolerância zero", como se a ameaça movesse as máquinas paradas.
A verdade irretocável é que a administração federal se esfarela a olhos vistos, em larga medida - já não bastassem os seus vícios estruturais - pela forma como a presidente funciona. O seu, digamos, estilo de gestão é um entrave ao desempenho, que já não é lá essas coisas, de sua equipe. Centralizadora, obsessivamente detalhista, Dilma quer saber de tudo e nada delega. Trata os subordinados com uma rudeza que inibe as aptidões que possam ter. "Todo mundo morre de medo dela", disse ao Valor um alto executivo, familiarizado com os bastidores do Planalto, ecoando o que é voz corrente em Brasília. Um auxiliar da própria Dilma lembra que, depois de um primeiro ano de mandato praticamente perdido, ela fez saber, na primeira reunião ministerial de 2012, que governaria "como uma prefeita" e anunciou o monitoramento de todos os programas do Executivo. Ela "questiona, pede correções, reorienta", descreve a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Faltou dizer que isso faz os dias durarem 48 horas.
Parece uma forma perversa de compensar a falta de um atributo que muda de figura o exercício do poder: a aptidão para liderar. Cada qual a seu modo, Fernando Henrique e Lula da Silva lideraram os seus governos. No ano que vem, se o legado do petista for pouco para dar a Dilma o segundo mandato, sobrará para ele, em pessoa, a missão de reeleger o "poste".
O Brasil perde pontos - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 28/05
Avolumam-se também no exterior críticas à condução da política econômica, o que afasta investidores de vários negócios atraentes no país
Há pelo menos dois anos, meios de comunicação que informam a elite mundial de investidores têm coletado e difundido imagens negativas a respeito do Brasil.
Critica-se o alto custo de produzir no país, o descaminho da política econômica, a inércia institucional (ausência de reformas que removam empecilhos ao empreendimento privado) e o reavivado intervencionismo do governo.
Esse resumo em quase nada difere das críticas sensatas de economistas e empresários brasileiros. No entanto, a queixa estrangeira mais ruidosa é pautada por interesses e dada a exageros cíclicos.
Alguns financistas enxergam menos atrativos no Brasil devido à baixa das taxas de juros. As intervenções no mercado de câmbio, entre outras, também contribuíram para a repulsa.
O baixo crescimento acabou por esgotar o interesse de muitos investidores, que nos tempos de bonança acorreram para a Bolsa brasileira, na expectativa de lucros e valorização crescentes das empresas.
No ciclo de alta, recorriam ao clichê de "bola da vez" para qualificar o país. Mas nem de longe o Brasil seria uma China. Por outro lado, nem mesmo nestes anos de crescimento medíocre terão sido obstruídas as vias para a recuperação do crescimento mais rápido. Mesmo lerdo o país oferece oportunidades de negócio relevantes, se por mais não fosse, ao menos pelo tamanho de seu mercado.
Nas últimas semanas, ficaram evidentes tais oportunidades. Uma subsidiária do Banco do Brasil (BB Seguridade) realizou a maior venda inicial de ações em todo o mundo neste ano, no valor de R$ 11,5 bilhões. A Petrobras captou US$ 11 bilhões com a emissão de títulos externos, a juros baixos.
Até no front interno houve uma melhora aqui, outra ali. O governo voltou a licitar áreas de exploração de petróleo e gás e arrecadou R$ 2,8 bilhões no leilão, com ágio de 797%. Também aprovou uma lei de privatização de portos que, embora limitada, trouxe um avanço.
Na semana que passou, porém, o governo reafirmou que prosseguirá sua política econômica equivocada: gastar a fim de estimular o crescimento por meio de consumo ainda maior, consumo que é evidentemente excessivo sob inflação e deficit externo crescentes. Ademais, dado o vício estatista, há atrasos graves nas concessões de serviços públicos.
A situação geral no governo ainda não mudou: parece faltar-lhe imaginação e capacidade operacional. Não há programa algum para dar conta da teia burocrática e tributária que emperra os negócios.
O Planalto não lidera ação nacional a fim de reformar um dos mais disfuncionais sistemas de ensino do mundo. É incapaz de investir eficazmente até mesmo os parcos recursos que reserva para a deficitária infraestrutura.
Enfim, o governo continua a executar uma política macroeconômica acanhada, que perde prestígio a cada dia, o que pode de fato dar cabo do otimismo remanescente, no exterior, a respeito do país.
Avolumam-se também no exterior críticas à condução da política econômica, o que afasta investidores de vários negócios atraentes no país
Há pelo menos dois anos, meios de comunicação que informam a elite mundial de investidores têm coletado e difundido imagens negativas a respeito do Brasil.
Critica-se o alto custo de produzir no país, o descaminho da política econômica, a inércia institucional (ausência de reformas que removam empecilhos ao empreendimento privado) e o reavivado intervencionismo do governo.
Esse resumo em quase nada difere das críticas sensatas de economistas e empresários brasileiros. No entanto, a queixa estrangeira mais ruidosa é pautada por interesses e dada a exageros cíclicos.
Alguns financistas enxergam menos atrativos no Brasil devido à baixa das taxas de juros. As intervenções no mercado de câmbio, entre outras, também contribuíram para a repulsa.
O baixo crescimento acabou por esgotar o interesse de muitos investidores, que nos tempos de bonança acorreram para a Bolsa brasileira, na expectativa de lucros e valorização crescentes das empresas.
No ciclo de alta, recorriam ao clichê de "bola da vez" para qualificar o país. Mas nem de longe o Brasil seria uma China. Por outro lado, nem mesmo nestes anos de crescimento medíocre terão sido obstruídas as vias para a recuperação do crescimento mais rápido. Mesmo lerdo o país oferece oportunidades de negócio relevantes, se por mais não fosse, ao menos pelo tamanho de seu mercado.
Nas últimas semanas, ficaram evidentes tais oportunidades. Uma subsidiária do Banco do Brasil (BB Seguridade) realizou a maior venda inicial de ações em todo o mundo neste ano, no valor de R$ 11,5 bilhões. A Petrobras captou US$ 11 bilhões com a emissão de títulos externos, a juros baixos.
Até no front interno houve uma melhora aqui, outra ali. O governo voltou a licitar áreas de exploração de petróleo e gás e arrecadou R$ 2,8 bilhões no leilão, com ágio de 797%. Também aprovou uma lei de privatização de portos que, embora limitada, trouxe um avanço.
Na semana que passou, porém, o governo reafirmou que prosseguirá sua política econômica equivocada: gastar a fim de estimular o crescimento por meio de consumo ainda maior, consumo que é evidentemente excessivo sob inflação e deficit externo crescentes. Ademais, dado o vício estatista, há atrasos graves nas concessões de serviços públicos.
A situação geral no governo ainda não mudou: parece faltar-lhe imaginação e capacidade operacional. Não há programa algum para dar conta da teia burocrática e tributária que emperra os negócios.
O Planalto não lidera ação nacional a fim de reformar um dos mais disfuncionais sistemas de ensino do mundo. É incapaz de investir eficazmente até mesmo os parcos recursos que reserva para a deficitária infraestrutura.
Enfim, o governo continua a executar uma política macroeconômica acanhada, que perde prestígio a cada dia, o que pode de fato dar cabo do otimismo remanescente, no exterior, a respeito do país.
Feriados da Copa - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR
GAZETA DO POVO - PR - 28/05
Com a opção pelos feriados, o Brasil corre o risco de passar uma mensagem equivocada de que valoriza pouco o trabalho e a produção
A Lei Geral da Copa, sancionada em junho do ano passado pela presidente Dilma, deixou aberta a possibilidade de a União declarar feriados nacionais nos dias em que houver jogos da seleção brasileira durante a Copa do Mundo de 2014. Também tornou possível que estados e municípios estabeleçam feriados nos dias de partidas nas cidades-sede. Em Curitiba, a Comissão Especial para Assuntos Relacionados à Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016 da Câmara de Vereadores (Ceaco) criou até uma enquete eletrônica para consultar a população sobre a proposta. Dos 6.439 internautas que responderam à consulta, 87% concordaram com a medida.
O argumento principal para justificar as folgas é garantir a mobilidade urbana nas cidades-sede. Conforme mostrou a reportagem da Gazeta do Povo no último domingo, segundo o Comitê Gestor da Copa, o número de veículos nas ruas da capital diminui em média 37% nos dias de feriado, o que tornaria mais fácil minimizar os problemas crônicos do trânsito curitibano durante o evento.
Interessante notar que várias obras – reunidas sob sugestivo nome de “PAC da Copa” – deveriam preparar não só Curitiba, mas todas as demais cidades-sede para receber o Mundial, melhorando inclusive as condições de mobilidade, o que tornaria desnecessário adotar medidas para diminuir o fluxo de veículos nos dias de jogos. Esse, aliás, seria o tal “legado da Copa”, discurso sempre presente nas justificativas para que o país investisse tanto para receber o evento. O problema é que das 18 obras previstas para a capital paranaense todas estão atrasadas, segundo dados de um relatório técnico divulgado no mês passado pelo Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR). E se o ritmo atual dos trabalhos continuar, parte das obras só será concluída depois do Mundial.
Do ponto de vista econômico, os feriados, como já discutimos neste mesmo espaço, sempre têm um alto custo. Estimativa da Associação Comercial do Paraná (ACP) revela um prejuízo médio para o comércio local de R$ 160 milhões em cada dia de feriado na capital. Como seriam pelo menos quatro dias úteis de folga – o número pode aumentar porque o governo federal poderá decretar feriados nacionais nos dias de jogos da seleção brasileira –, as perdas seriam de no mínimo R$ 640 milhões. Além disso, muitos empresários investiram na capacitação de empregados e na compra de equipamentos e insumos contando com um movimento intenso. Se as folgas forem decretadas, boa parte desse investimento será perdida.
Sabe-se que a Copa é um evento popular e que atrai a simpatia de milhares de brasileiros – que certamente têm todo direito de usufruir momentos de alegria e desconcentração que o Mundial pode proporcionar, mas não parece razoável paralisar toda a cidade devido a um evento que não ocupará mais de duas horas a cada dia de jogo e que será acompanhado por no máximo 41 mil torcedores nos estádios.
Com a opção pelos feriados, o Brasil corre o risco de reforçar a ideia que se faz no exterior, de um país pouco afeito ao trabalho e à produção. Mesmo que o país seja reconhecido por seu caráter alegre, imagem que pode e deve ser cultivada, certamente não queremos que essa alegria seja associada ao descompromisso com o trabalho. Para citar apenas exemplos recentes, lembremos que nem a Alemanha, em 2006, nem a África do Sul, em 2010, decretaram feriados como se cogita fazer por aqui. Em vez disso, os dois países, um mais próspero e outro em desenvolvimento, aproveitaram a oportunidade singular para mostrar aos visitantes estrangeiros que valorizam o esporte sem depreciar todas as demais atividades de suas sociedades. A lição vale para o Brasil. Podemos desconstruir estereótipos provando que somos uma nação capaz de sediar um evento do porte da Copa do Mundo sem paralisar nossas cidades.
Em vez da adoção de paliativos, sociedade e poder público poderiam aproveitar a ocasião para encontrar alternativas que garantam a mobilidade dos turistas e da população. Que os turistas deixam o Brasil com a certeza de que estiveram num país alegre, mas também comprometido com o trabalho.
Com a opção pelos feriados, o Brasil corre o risco de passar uma mensagem equivocada de que valoriza pouco o trabalho e a produção
A Lei Geral da Copa, sancionada em junho do ano passado pela presidente Dilma, deixou aberta a possibilidade de a União declarar feriados nacionais nos dias em que houver jogos da seleção brasileira durante a Copa do Mundo de 2014. Também tornou possível que estados e municípios estabeleçam feriados nos dias de partidas nas cidades-sede. Em Curitiba, a Comissão Especial para Assuntos Relacionados à Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016 da Câmara de Vereadores (Ceaco) criou até uma enquete eletrônica para consultar a população sobre a proposta. Dos 6.439 internautas que responderam à consulta, 87% concordaram com a medida.
O argumento principal para justificar as folgas é garantir a mobilidade urbana nas cidades-sede. Conforme mostrou a reportagem da Gazeta do Povo no último domingo, segundo o Comitê Gestor da Copa, o número de veículos nas ruas da capital diminui em média 37% nos dias de feriado, o que tornaria mais fácil minimizar os problemas crônicos do trânsito curitibano durante o evento.
Interessante notar que várias obras – reunidas sob sugestivo nome de “PAC da Copa” – deveriam preparar não só Curitiba, mas todas as demais cidades-sede para receber o Mundial, melhorando inclusive as condições de mobilidade, o que tornaria desnecessário adotar medidas para diminuir o fluxo de veículos nos dias de jogos. Esse, aliás, seria o tal “legado da Copa”, discurso sempre presente nas justificativas para que o país investisse tanto para receber o evento. O problema é que das 18 obras previstas para a capital paranaense todas estão atrasadas, segundo dados de um relatório técnico divulgado no mês passado pelo Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR). E se o ritmo atual dos trabalhos continuar, parte das obras só será concluída depois do Mundial.
Do ponto de vista econômico, os feriados, como já discutimos neste mesmo espaço, sempre têm um alto custo. Estimativa da Associação Comercial do Paraná (ACP) revela um prejuízo médio para o comércio local de R$ 160 milhões em cada dia de feriado na capital. Como seriam pelo menos quatro dias úteis de folga – o número pode aumentar porque o governo federal poderá decretar feriados nacionais nos dias de jogos da seleção brasileira –, as perdas seriam de no mínimo R$ 640 milhões. Além disso, muitos empresários investiram na capacitação de empregados e na compra de equipamentos e insumos contando com um movimento intenso. Se as folgas forem decretadas, boa parte desse investimento será perdida.
Sabe-se que a Copa é um evento popular e que atrai a simpatia de milhares de brasileiros – que certamente têm todo direito de usufruir momentos de alegria e desconcentração que o Mundial pode proporcionar, mas não parece razoável paralisar toda a cidade devido a um evento que não ocupará mais de duas horas a cada dia de jogo e que será acompanhado por no máximo 41 mil torcedores nos estádios.
Com a opção pelos feriados, o Brasil corre o risco de reforçar a ideia que se faz no exterior, de um país pouco afeito ao trabalho e à produção. Mesmo que o país seja reconhecido por seu caráter alegre, imagem que pode e deve ser cultivada, certamente não queremos que essa alegria seja associada ao descompromisso com o trabalho. Para citar apenas exemplos recentes, lembremos que nem a Alemanha, em 2006, nem a África do Sul, em 2010, decretaram feriados como se cogita fazer por aqui. Em vez disso, os dois países, um mais próspero e outro em desenvolvimento, aproveitaram a oportunidade singular para mostrar aos visitantes estrangeiros que valorizam o esporte sem depreciar todas as demais atividades de suas sociedades. A lição vale para o Brasil. Podemos desconstruir estereótipos provando que somos uma nação capaz de sediar um evento do porte da Copa do Mundo sem paralisar nossas cidades.
Em vez da adoção de paliativos, sociedade e poder público poderiam aproveitar a ocasião para encontrar alternativas que garantam a mobilidade dos turistas e da população. Que os turistas deixam o Brasil com a certeza de que estiveram num país alegre, mas também comprometido com o trabalho.
Uma referência de liberdade - EDITORIAL ZERO HORA
ZERO HORA - 28/05
Ultrapassa os limites do ambiente da comunicação e da imprensa o acervo deixado pelo empresário Roberto Civita. Mais do que um grupo editorial, o presidente do Conselho de Administração da Editora Abril construiu no Brasil um conceito de jornalismo crítico e independente, expressado pelas múltiplas publicações que ajudou a criar e a gerir. Com a sua morte, o país herda também sua referência na luta permanente pela liberdade de expressão e pela defesa intransigente da democracia. Civita construiu, inicialmente ao lado do pai e depois como sucessor, no comando da empresa, histórias de sucesso no mercado de revistas, com publicações marcadas pelo pioneirismo, que inovaram, atenderam demandas de públicos amplos e tiveram o mérito de interpretar a realidade brasileira.
Durante sua gestão, os veículos da Abril reafirmaram a missão de vigiar o comportamento de ocupantes de cargos públicos, consolidando assim uma das características da editora desde sua criação. Foi com essa determinação que o grupo cumpriu papel importante na moralização das instituições, com contribuições decisivas à identificação e ao esclarecimento de desmandos. Sob o comando de Roberto Civita, as publicações da Abril ofereceram, no exercício do jornalismo investigativo, subsídios importantes para que a população tomasse conhecimento de fatos como os que determinaram a queda de Fernando Collor de Mello da Presidência, em 1992, e o afastamento e posterior julgamento de políticos envolvidos com o mensalão, a partir de 2005.
Civita foi um empreendedor, cujas iniciativas serviram de modelo a outras empresas, por saber conciliar publicações dedicadas ao jornalismo e ao entretenimento, sempre com a prevalência da qualidade e da liberdade editorial. O criador de Veja também nos deixa como patrimônio a preocupação com a educação, presente na linha editorial das revistas e em sua conduta como cidadão.
Ultrapassa os limites do ambiente da comunicação e da imprensa o acervo deixado pelo empresário Roberto Civita. Mais do que um grupo editorial, o presidente do Conselho de Administração da Editora Abril construiu no Brasil um conceito de jornalismo crítico e independente, expressado pelas múltiplas publicações que ajudou a criar e a gerir. Com a sua morte, o país herda também sua referência na luta permanente pela liberdade de expressão e pela defesa intransigente da democracia. Civita construiu, inicialmente ao lado do pai e depois como sucessor, no comando da empresa, histórias de sucesso no mercado de revistas, com publicações marcadas pelo pioneirismo, que inovaram, atenderam demandas de públicos amplos e tiveram o mérito de interpretar a realidade brasileira.
Durante sua gestão, os veículos da Abril reafirmaram a missão de vigiar o comportamento de ocupantes de cargos públicos, consolidando assim uma das características da editora desde sua criação. Foi com essa determinação que o grupo cumpriu papel importante na moralização das instituições, com contribuições decisivas à identificação e ao esclarecimento de desmandos. Sob o comando de Roberto Civita, as publicações da Abril ofereceram, no exercício do jornalismo investigativo, subsídios importantes para que a população tomasse conhecimento de fatos como os que determinaram a queda de Fernando Collor de Mello da Presidência, em 1992, e o afastamento e posterior julgamento de políticos envolvidos com o mensalão, a partir de 2005.
Civita foi um empreendedor, cujas iniciativas serviram de modelo a outras empresas, por saber conciliar publicações dedicadas ao jornalismo e ao entretenimento, sempre com a prevalência da qualidade e da liberdade editorial. O criador de Veja também nos deixa como patrimônio a preocupação com a educação, presente na linha editorial das revistas e em sua conduta como cidadão.
É inaceitável a volta da ‘indústria de municípios’ - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 28/05
A excessiva pulverização de prefeituras, a partir da redemocratização, teve de ser contida por razões de bom senso. O Congresso ameaça voltar atrás
Na desgastada vida parlamentar brasileira costuma ocorrer de tudo — ou quase. Presidente da Câmara já perdeu o cargo por receber um “mensalinho” de concessionário de restaurante na Casa, garçom ganha mais que engenheiro e médico, e por aí segue. Mas não é sempre que se tenta restabelecer algo que indiscutivelmente não deu qualquer contribuição positiva para a coletividade.
Pois é o que busca um grupo de deputados reunidos em torno de um projeto de lei complementar (PLC 2008/416), de autoria de José Augusto Maia (PTB-PE), destinado a ressuscitar a “indústria” de criação de municípios, responsável, logo no início do processo de redemocratização, pelo surgimento de um grande número de prefeituras incapazes de sobreviver sem a ajuda de repasses estaduais e federais.
Em outras palavras, vivem custeadas pelo contribuinte de impostos estaduais e federais. Quando esta linha de produção de municípios inviáveis começou a operar a plena carga, com a Constituição de 1988, havia 4.180 prefeituras. O esquema foi contido em 2000, porém já havia cerca de 1.400 municípios a mais — hoje ultrapassam 5.500, e a grande maioria vive dos repasses. A “indústria” só perdeu ímpeto porque emenda constitucional tirou o poder de as assembleias legislativas deliberarem sobre o tema. É o que o projeto de lei complementar quer ressuscitar. Com o evidente objetivo de tornar a permitir que caciques da política regional voltem a liberar plebiscitos sobre a emancipação de distritos e povoados, sem a interveniência do Congresso. São inúmeras as evidências de que quase nunca o surgimento de nova prefeitura significou melhorias para população.
O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, criado pela Federação das Indústrias fluminenses, foi aplicado em 50 municípios criados entre 2001 e 2010. Juntos, abriram 31 mil empregos públicos, e, em cinco anos, receberam R$ 1,3 bilhão em repasses da Federação. Mesmo assim, na maioria destas cidades, os indicadores sociais não melhoraram. O levantamento aponta algumas distorções causadas pela pulverização municipal: serve, principalmente, para inchar o universo do funcionalismo público e dragar recursos do resto da Federação. Este é mesmo o objetivo dos caciques que se mobilizam para criar novas unidades federativas: ampliar currais eleitorais via empreguismo e buscar verbas para administrar, sabe-se como.
Um problema é que, no Brasil, mesmo pequenas prefeituras reproduzem o arcabouço institucional de estados e da União, com casa legislativa, procuradores, secretarias/ministérios, etc. E poucas vezes a economia local gera renda a ser tributada capaz de financiar este custo. Além disso, nem sempre o prefeito se interessa por cobrar o principal gravame municipal, o IPTU — por demagogia e/ou despreparo. É mais cômodo viver da mesada dos repasses, um ônus para os demais contribuintes. Peso que aumentará se o Congresso fizer voltar o passado.
A excessiva pulverização de prefeituras, a partir da redemocratização, teve de ser contida por razões de bom senso. O Congresso ameaça voltar atrás
Na desgastada vida parlamentar brasileira costuma ocorrer de tudo — ou quase. Presidente da Câmara já perdeu o cargo por receber um “mensalinho” de concessionário de restaurante na Casa, garçom ganha mais que engenheiro e médico, e por aí segue. Mas não é sempre que se tenta restabelecer algo que indiscutivelmente não deu qualquer contribuição positiva para a coletividade.
Pois é o que busca um grupo de deputados reunidos em torno de um projeto de lei complementar (PLC 2008/416), de autoria de José Augusto Maia (PTB-PE), destinado a ressuscitar a “indústria” de criação de municípios, responsável, logo no início do processo de redemocratização, pelo surgimento de um grande número de prefeituras incapazes de sobreviver sem a ajuda de repasses estaduais e federais.
Em outras palavras, vivem custeadas pelo contribuinte de impostos estaduais e federais. Quando esta linha de produção de municípios inviáveis começou a operar a plena carga, com a Constituição de 1988, havia 4.180 prefeituras. O esquema foi contido em 2000, porém já havia cerca de 1.400 municípios a mais — hoje ultrapassam 5.500, e a grande maioria vive dos repasses. A “indústria” só perdeu ímpeto porque emenda constitucional tirou o poder de as assembleias legislativas deliberarem sobre o tema. É o que o projeto de lei complementar quer ressuscitar. Com o evidente objetivo de tornar a permitir que caciques da política regional voltem a liberar plebiscitos sobre a emancipação de distritos e povoados, sem a interveniência do Congresso. São inúmeras as evidências de que quase nunca o surgimento de nova prefeitura significou melhorias para população.
O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, criado pela Federação das Indústrias fluminenses, foi aplicado em 50 municípios criados entre 2001 e 2010. Juntos, abriram 31 mil empregos públicos, e, em cinco anos, receberam R$ 1,3 bilhão em repasses da Federação. Mesmo assim, na maioria destas cidades, os indicadores sociais não melhoraram. O levantamento aponta algumas distorções causadas pela pulverização municipal: serve, principalmente, para inchar o universo do funcionalismo público e dragar recursos do resto da Federação. Este é mesmo o objetivo dos caciques que se mobilizam para criar novas unidades federativas: ampliar currais eleitorais via empreguismo e buscar verbas para administrar, sabe-se como.
Um problema é que, no Brasil, mesmo pequenas prefeituras reproduzem o arcabouço institucional de estados e da União, com casa legislativa, procuradores, secretarias/ministérios, etc. E poucas vezes a economia local gera renda a ser tributada capaz de financiar este custo. Além disso, nem sempre o prefeito se interessa por cobrar o principal gravame municipal, o IPTU — por demagogia e/ou despreparo. É mais cômodo viver da mesada dos repasses, um ônus para os demais contribuintes. Peso que aumentará se o Congresso fizer voltar o passado.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“O povo está com sede de indignação”
Senador Cristovam Buarque (PDT-DF) pedindo mais espanto com as injustiças sociais
REFORÇO
Criado para negociar PEC 37, o grupo de trabalho pediu audiência esta semana com Henrique Alves e o ministro Eduardo Cardozo (Justiça).
CONDIÇÕES
O grupo cogita dar ao MP o poder de investigar em caso de omissão da PF, dano irreparável ao patrimônio e perigo de perecerem as provas.
QUEM FISCALIZA?
O Ministério Público fiscaliza a polícia, mas não quer controle externo. A tendência dos parlamentares é atribuir esse controle ao Judiciário.
RETALIAÇÃO À VISTA
Deputados reclamam do abuso de poder do MP, mas temem retaliação caso aprovem o projeto sem consenso. A votação é aberta.
EMPREGO EM PRIMEIRO LUGAR, ADVERTE ESPECIALISTA
A reunião do Copom, que começa hoje e termina amanhã, coloca de novo os especuladores do juro alto em forte tensão, mas o economista Laurence Ball, da Jonhs Hopkins University, jogou um balde de gelo nos que defendem, no Banco Central, a escalada de meio ponto na taxa Selic. Em seminário do próprio BC, disse que o desemprego é mais importante do que mirar só na inflação. “Perder o emprego é algo devastador, mas é ainda mais devastador num país como o Brasil.
TESE QUEBRADA
O argumento de Laurence Ball quebra a tese dos economistas ortodoxos, que querem combater a inflação com desemprego alto.
GRADUALISMO
Ball reforça parte do governo, que prefere gradualismo e moderação, pois a inflação está dentro da meta anual e com tendência de queda.
PERGUNTA NA BILHETERIA
Já que os traficantes do Rio saúdam eventos esportivos a bala, o ingresso para os jogos da Copa vêm com seguro de vida?
QUE LOROTA, SEU CABRAL
Os traficantes do Complexo do Alemão não precisaram de mais de dez minutos de chuva de balas, após mais um “toque de recolher”, para liquidar de uma vez a lorota de favelas cariocas “pacificadas”.
LULA BUSINESS
Para quem não entendeu a viagem da presidente Dilma à Etiópia: o Brasil vai financiar, via BNDES, a ferrovia de US$ 1 bilhão que uma empreiteira brasileira vai construir até o sul do Sudão, como adiantou a coluna em janeiro. Tudo arrumado pelo ex-presidente Lula, claro.
TODOS POR UM
Petistas ligados à presidente Dilma reclamam que o ex-presidente Lula só dificultou a governabilidade ao antecipar corrida eleitoral para salvar a própria pele no ‘caso Rose’ e ofuscar o julgamento do mensalão.
CHANCES REMOTAS
O ex-presidente do Corinthians Andrés Sanches se agarra a Ricardo Teixeira, de quem foi assessor, e ao ex-presidente Lula, mas para ser candidato a presidente da CBF precisaria reunir o apoio de ao menos 7 presidentes de federações estaduais. Missão praticamente impossível.
CHACOLHADA
Durou exatamente um mês a caxirola criada pelo músico Carlinhos Brown. Como esta coluna antecipou, a Fifa proibiu a tosca imitação do caxixi da capoeira. Será conhecida no museu como “caxirolo”.
PONTE AÉREA
O ex-ministro de FHC Eduardo Jorge foi escalado para reorganizar o PSDB no DF. Em abril, o ex-presidente Marcio Machado foi condenado a quase cinco anos de prisão, por corrupção no governo Arruda.
E NA COPA?
Parlamentares que tinham agenda ontem à tarde em Brasília dizem ter passado um verdadeiro perrengue para conseguir comprar passagens aéreas com destino à capital. Os voos estavam superlotados.
FERIADO ANTECIPADO
Com o feriado de Corpus Christi na quinta, os líderes da base aliada já avisaram ao governo que terão dificuldade para garantir o quórum esta semana para votar as duas MPs que caducam na próxima segunda (3).
PENSANDO BEM...
...têm razão o prefeito do Rio, que bateu, e o músico que apanhou ao xingá-lo.
ALVES TEME QUE BRIGA MP X PF GERE DENUNCISMO
Diante da guerra de lobbies entre Polícia Federal e Ministério Público, o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), sinalizou que só votará a PEC 37, que discute poder de investigação de promotores, em caso de "consenso absoluto". O presidente teme que o acirramento de ânimos resulte em uma enxurrada de denúncias das instituições para demonstrar força, além de confusão no plenário durante a votação.
Senador Cristovam Buarque (PDT-DF) pedindo mais espanto com as injustiças sociais
REFORÇO
Criado para negociar PEC 37, o grupo de trabalho pediu audiência esta semana com Henrique Alves e o ministro Eduardo Cardozo (Justiça).
CONDIÇÕES
O grupo cogita dar ao MP o poder de investigar em caso de omissão da PF, dano irreparável ao patrimônio e perigo de perecerem as provas.
QUEM FISCALIZA?
O Ministério Público fiscaliza a polícia, mas não quer controle externo. A tendência dos parlamentares é atribuir esse controle ao Judiciário.
RETALIAÇÃO À VISTA
Deputados reclamam do abuso de poder do MP, mas temem retaliação caso aprovem o projeto sem consenso. A votação é aberta.
EMPREGO EM PRIMEIRO LUGAR, ADVERTE ESPECIALISTA
A reunião do Copom, que começa hoje e termina amanhã, coloca de novo os especuladores do juro alto em forte tensão, mas o economista Laurence Ball, da Jonhs Hopkins University, jogou um balde de gelo nos que defendem, no Banco Central, a escalada de meio ponto na taxa Selic. Em seminário do próprio BC, disse que o desemprego é mais importante do que mirar só na inflação. “Perder o emprego é algo devastador, mas é ainda mais devastador num país como o Brasil.
TESE QUEBRADA
O argumento de Laurence Ball quebra a tese dos economistas ortodoxos, que querem combater a inflação com desemprego alto.
GRADUALISMO
Ball reforça parte do governo, que prefere gradualismo e moderação, pois a inflação está dentro da meta anual e com tendência de queda.
PERGUNTA NA BILHETERIA
Já que os traficantes do Rio saúdam eventos esportivos a bala, o ingresso para os jogos da Copa vêm com seguro de vida?
QUE LOROTA, SEU CABRAL
Os traficantes do Complexo do Alemão não precisaram de mais de dez minutos de chuva de balas, após mais um “toque de recolher”, para liquidar de uma vez a lorota de favelas cariocas “pacificadas”.
LULA BUSINESS
Para quem não entendeu a viagem da presidente Dilma à Etiópia: o Brasil vai financiar, via BNDES, a ferrovia de US$ 1 bilhão que uma empreiteira brasileira vai construir até o sul do Sudão, como adiantou a coluna em janeiro. Tudo arrumado pelo ex-presidente Lula, claro.
TODOS POR UM
Petistas ligados à presidente Dilma reclamam que o ex-presidente Lula só dificultou a governabilidade ao antecipar corrida eleitoral para salvar a própria pele no ‘caso Rose’ e ofuscar o julgamento do mensalão.
CHANCES REMOTAS
O ex-presidente do Corinthians Andrés Sanches se agarra a Ricardo Teixeira, de quem foi assessor, e ao ex-presidente Lula, mas para ser candidato a presidente da CBF precisaria reunir o apoio de ao menos 7 presidentes de federações estaduais. Missão praticamente impossível.
CHACOLHADA
Durou exatamente um mês a caxirola criada pelo músico Carlinhos Brown. Como esta coluna antecipou, a Fifa proibiu a tosca imitação do caxixi da capoeira. Será conhecida no museu como “caxirolo”.
PONTE AÉREA
O ex-ministro de FHC Eduardo Jorge foi escalado para reorganizar o PSDB no DF. Em abril, o ex-presidente Marcio Machado foi condenado a quase cinco anos de prisão, por corrupção no governo Arruda.
E NA COPA?
Parlamentares que tinham agenda ontem à tarde em Brasília dizem ter passado um verdadeiro perrengue para conseguir comprar passagens aéreas com destino à capital. Os voos estavam superlotados.
FERIADO ANTECIPADO
Com o feriado de Corpus Christi na quinta, os líderes da base aliada já avisaram ao governo que terão dificuldade para garantir o quórum esta semana para votar as duas MPs que caducam na próxima segunda (3).
PENSANDO BEM...
...têm razão o prefeito do Rio, que bateu, e o músico que apanhou ao xingá-lo.
ALVES TEME QUE BRIGA MP X PF GERE DENUNCISMO
Diante da guerra de lobbies entre Polícia Federal e Ministério Público, o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), sinalizou que só votará a PEC 37, que discute poder de investigação de promotores, em caso de "consenso absoluto". O presidente teme que o acirramento de ânimos resulte em uma enxurrada de denúncias das instituições para demonstrar força, além de confusão no plenário durante a votação.
TERÇA NOS JORNAIS
- Globo: O sub do sub do sub: Governo culpa 3º escalão por erro no Bolsa Família
- Folha: Caixa admite que cometeu erro sobre Bolsa Família
- Estadão: Caixa omitiu liberação do Bolsa Família e admite erro
- Valor: Ritmo do aperto divide BC e diretoria busca consenso
- Estado de Minas: BH tem 60% de casas noturnas sem fiscalização
- Zero Hora: Piorou
- Correio Braziliense: Erros e desculpas na crise do Bolsa Família
- Jornal do Commercio: Enem tem número recorde de inscritos
- Brasil Econômico: Mercado conta com PIB entre 0,8% e 1%
segunda-feira, maio 27, 2013
Zero mais zero - J. R. GUZZO
REVISTA VEJA
O episódio permanece, no anedotário da história, como uma prova de que é perfeitamente possível aproveitar a própria ignorância para obter um benefício importante — importantíssimo, na verdade. para os que salvaram a sua vida seguindo a recomendação recebida. Galeno não tinha a mais remota ideia de como curar a peste, algo que só seria descoberto uns 1600 anos depois, mais ou menos. Mas sabia algumas coisas interessantes. Sabia, por exemplo, que a doença aparecia numas cidades e não em outras, que permaneciam totalmente imunes â epidemia. Por quê? Pergunta inútil. raciocinava ele, já que não havia tempo de ticar fazendo pesquisas científicas quando centenas de pessoas morriam todos os dias nas cidades atingidas pela peste. Sabia, também, que um indivíduo ainda não contaminado permanecia plenamente saudável quando se mudava para algum lugar livre da praga. Não se importava nem um pouco, enfim, em admitir sua ignorância sobre o assunto: ao contrário dos seus colegas, que ticavam receitando remédios absurdos, rezas e mandingas para esconder o fato de que não sabiam nada sobre 0 tratamento da doença, preferia salvar pela observação lógica aqueles que ainda não estavam condenados.
Galeno, na escuridão do século II, não sabia muita coisa. Era capaz, entre outras proezas, de desmontar um macaco inteiro numa autópsia e, em seguida, colocar cada peça de volta exatamente no lugar em que estava. Mas dizia que isso lhe ensinava muito sobre macacos, e pouco sobre o homem. Achava, por exemplo, que o sangue se originava no fígado, e tinha dúvidas sobre a disposição dos músculos do corpo humano: hoje. provavelmente, não o deixariam clinicar num posto de saúde do interior do Ceará. Mas Galeno era um ás em servir-se da sua inteligência para vencer a sua ignorância. Ao recusar-se a ficar inventando falsas respostas para questões que desconhecia, e por limitar-se a aplicar ao paciente o que de fato sabia, forçava a si próprio a aprender mais, e a aprender com mais certeza. O resultado é que acabou se tomando um farol para a medicina por mais de 1000 anos após a sua morte.
Em muita coisa, no Brasil de hoje. vivemos um momento oposto ao do mundo mental de Galeno — a ignorância serve para derrotar a inteligência. Grandes vultos do nosso mundo cultural, político, social e outros abarrotam seus sites com cursos, mestrados, pós-graduações e outros feitos d"armas que atribuem a si próprios: infelizmente, não informam o que aprenderam. Sem isso,o que se tem é zero mais zero. No papel o sujeito é um crânio, e se comporta com aquela arrogância que só a falta de mérito pode comprar — mas, na hora de mostrar o que realmente sabe, apresenta um diploma em vez de uma resposta. Em outros casos, sai-se na direção oposta: a ignorância é promovida a virtude, e a falta de estudo vira um certificado de sucesso na vida. Gente desse tipo é convidada a dar aulas ao mundo, aceitar tarefas incompatíveis com os seus conhecimentos e até a receber títulos de doutor honoris causa, aqueles que exigem um chapéu estranho que fica sempre torto na cabeça do homenageado. Um cidadão de mínimo bom-senso, em tal situação, diria: "Muito obrigado, mas não posso aceitar, porque não entendo nada deste assunto. Não há causa para a honoris.
Mas quem faria isso? O título, os aplausos de platéias tidas como sofisticadas e a canonização do ignorante valem mais que o mérito. Quanto menos o indivíduo sabe, tanto menos quer saber. Por que haveria de querer? Não se mexe em ignorância que está ganhando.
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