sexta-feira, maio 10, 2013

Crises da insensatez - SERGIO TOSTES

O GLOBO - 10/05
Desde a Proclamação da República, sempre que alguma crise institucional se prenunciava no Brasil, pairava ostensiva ou veladamente um fantasma: a intervenção militar. Esse quadro mudou radicalmente com a posse, em 1985, do primeiro presidente civil após o golpe de 1964. De lá para cá, a partir da promulgação da Constituição de 1988, toda crise institucional tem sido resolvida no âmbito dos três poderes constitucionalmente constituídos. Esse registro é relevante no quadro atual de grave crise institucional, com o confronto aberto entre setores do Executivo, Legislativo e Judiciário.

Fato é que, quando as crises institucionais se apresentam nos dias de hoje, logo aparecem representantes qualificados de cada um dos três Poderes da República para botar água na fervura, diagnosticar o fato gerador da crise e, finalmente, saná-la. De certa forma, é o processo constitucional de freios e contrapesos sendo manejado com equilíbrio, sensatez e espírito republicano. Por que, então, vivemos sobressaltados por essas crises, geralmente - repito, geralmente - motivadas por interesses subalternos de agentes públicos também menores?

Antes que ocorra uma esgarçadura desnecessária, faça-se um repto. Ao invés de um Poder medir forcas com o outro por motivações, tolas, que cada Poder olhe para dentro de si e analise o que está errado - o que possa estar desapontando o destinatário final do exercício do poder público: o povo brasileiro.

Perguntemos se estamos bem cumprindo nossa missão, se ficarmos inertes em situações como: quando as partes de um processo judicial esperam meses e meses para cumprimentos de providências meramente burocráticas; quando magistrados, mesmo na Comarca da Capital, ignorando as regras expressas das leis e dos ordenamentos a eles cometidos, não se fazem encontradiços para as partes e os advogados, no seu horário normal de trabalho do serviço público; quando ocorrem promoções por antiguidade ou merecimento de magistrados que, notoriamente, não são detentores da indispensável qualificação técnica e moral; quando as vagas destinadas nos tribunais a advogados e promotores são preenchidas por critério casuístico.

Esse questionamento se estende também às organizações, inclusive, no âmbito dos advogados que se deixam levar pela lassidão dos princípios morais; exatamente aquilo de que deveriam ser os grandes bastiões.

Enquanto isso, o Executivo e o Legislativo cometem erros atentatórios à moralidade e ao pudor quando, em nome de princípios difusos como a suposta "governabilidade", fazem concessões ou mesmo cometem aberrações antirrepublicanas.

Comecemos a dar o exemplo em casa, sanando nossas deficiências e, em seguida, prossigamos para que a democracia no Brasil pavimente o caminho para acabarmos de vez com a prevalência secular dos interesses dos "donos do poder". Seja como faziam os donos de engenho de antanho, seja como o fazem hoje os que manipulam a máquina pública em seu próprio benefício.

Sem folga na direção - DORA KRAMER

O ESTADÃO - 10/05

Volta e meia sai uma pesquisa registrando índices de popularidade inéditos para a presidente Dilma Rousseff, em geral seguida de outra informando que, “se a eleição fosse hoje”, ela estaria reeleita. No primeiro turno.

A mais recente, encomendada pelo PSDB, coincide com os dados divulgados pelo Ibope em março: Dilma tem 53% das intenções de voto. Isso em cenário de múltiplas candidaturas adversárias. Segundo o Ibope, a presidente teria 58% enfrentando três oponentes e 60% se os desafiantes forem apenas dois, Marina Silva e Aécio Neves.

Visto assim do alto, o quadro é extremamente favorável à presidente. Ainda mais se considerados dados do Ibope sobre as intenções de voto de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio da Silva em 1998 e 2006, anos das respectivas reeleições.

FH tinha 25% na pesquisa espontânea e Lula, 27%. Nesse tipo de consulta em que não é apresentada ao pesquisado uma lista de nomes, Dilma apareceu com 35% em março último.

Mas há diferenças significativas. A antecedência da consulta, por exemplo. O índice de Lula foi medido seis meses antes da eleição, o de Fernando Henrique, três meses e o de Dilma, um ano e meio antes.

Na época, Lula estava às voltas com o escândalo do mensalão. FH enfrentava turbulências sérias na economia e na política, pois perdera a majestade com o esforço para aprovar a emenda da reeleição no ano anterior e sua base de sustentação no Congresso dava sinais graves de desgaste que viria a se consolidar depois no afastamento do então PFL (hoje DEM) e na dispersão do PMDB.

Ainda assim foram reeleitos. O tucano em primeiro turno com 53,06% dos votos e o petista no segundo, com 60,83%. Ponto a favor de Dilma? Não necessariamente.

A presidente em tese vive circunstâncias mais vantajosas: não tem oposição forte como tinha o tucano, não está na administração de um escândalo das proporções do mensalão, vive em campanha eleitoral aberta no pleno uso da máquina estatal, em suma: joga sozinha e com as “brancas”.

Nessas condições, 53% de intenções de voto não é grande coisa: o jogo ainda não começou para valer, a economia patina, as insatisfações se explicitam nos setores mais diretamente interessados (empresariado e políticos) e a imagem de grande gestora e governante austera vai batendo de frente com a realidade de resultados parcos e fisiologismo deslavado.

Se o cenário não sinaliza perda do favoritismo, tampouco desenha vitória no primeiro turno.

Ética temporã

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República vai examinar o caso do acúmulo de funções do ministro da Micro e Pequena Empresa, o vice- governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, no próximo dia 20.

Duas semanas depois de oficializada a escolha. O natural seria que a questão tivesse sido analisada (e resolvida) antes da nomeação e não depois da enxurrada de questionamentos.

Para lembrar dois exemplos em que isso foi feito a tempo e a hora em governo do PT. Gilberto Gil só aceitou o Ministério da Cultura mediante sinal verde da Comissão de Ética em relação às suas atividades artísticas. Márcio Thomaz Bastos, da Justiça, passou a administração de seus bens para uma instituição financeira e se desfez das cotas de seu escritório de advocacia, em operação aprovada previamente pela Comissão.

A propósito: a presidente disse ontem que Afif é a pessoa certa no lugar certo. Pode até ser, mas do jeito errado.


Risco da letargia - CRISTOVAM BUARQUE

GAZETA DO POVO - 10/05

Um país pode dormir em berço esplêndido, mas seu povo e suas lideranças não têm o direito de ficarem letárgicos quando seu futuro está ameaçado. Mas estamos sofrendo de letargia diante do esgotamento de um ciclo histórico que exige mudança de rumo.

É visível que nossa democracia está fragilizada por causa da corrupção, da desmoralização dos partidos tradicionais e do uso de “pacotes”, que impedem o funcionamento pleno de novas propostas. Tem também o elevado custo das campanhas, transformadas em batalhas de marqueteiros e de advogados, e o financiamento corruptor dessas campanhas milionárias. Tudo isso mostra o esgotamento de uma maneira de fazer política, com legendas de aluguel e fragilidade das verdadeiras lideranças dos movimentos sociais.

Mas nenhum outro fato demonstra mais essa fragilidade do que o controle do Legislativo pelo Executivo e a insólita disputa entre Legislativo e Judiciário. Isso não é coisa de líderes e dirigentes sérios, ainda menos de uma democracia sólida.

É visível também o risco da perda de controle da inflação, que novamente é uma realidade. Uma das conquistas da democracia foi o Plano Real, adotado por unanimidade pelas lideranças políticas nacionais. Agora, elas parecem abandonar essa grande conquista. E o povo e o movimento sindical parecem letárgicos, sem despertar enquanto é tempo para o risco do monstro da inflação e todas as suas consequências desestabilizadoras de todas as políticas, especialmente as sociais e econômicas.

Também continuamos letárgicos diante da desmoralização de outra grande conquista da democracia, que foram as medidas de transferência de renda, tanto as bolsas quanto o aumento real do salário mínimo. Este último ameaçado pela volta da inflação e pelo risco de que o aumento anual sirva como indutor de mais inflação, por corresponder a uma indexação de preços.

Estamos letárgicos diante das bolsas, desmoralizadas por se transformarem em permanentes e não em um instrumento provisório, antes da sua abolição pela emancipação do povo. Os brasileiros, especialmente os beneficiários das bolsas, ainda não se despertaram para um tempo em que se livrarão delas. E as lideranças políticas, especialmente as que se consideram de esquerda, parecem acreditar que o Brasil já fez sua revolução, ao distribuir um mínimo de sua imensa renda.

Finalmente, nosso povo e líderes estão letárgicos diante do claro atraso de nossa economia que, mesmo se crescesse, como faz há cinco séculos, é baseada na exportação de commodities, e há 60 anos na produção industrial de bens sem conteúdo científico e tecnológico. No entanto, podemos aceitar e ter no século 21 uma economia de meados do século 20. A letargia fica mais grave porque o momento de despertar ressalta na eleição presidencial. Mas até agora não se vê qualquer dos candidatos já definidos, com propostas que permitam reorientar o país. Nenhum deles parece estar interessado em despertar o povo da letargia de uma sexta economia baseada em commodities, de uma sociedade não emancipadora, da volta da inflação e de uma democracia acanhada e instável, com muita violência contra jovens e mulheres e que parece ser de brincadeira.

É muito arriscado ficar dormindo enquanto o mundo inteiro se mexe, mesmo quando em crise de crescimento na produção.

Complicando o complicado - RENATO ANDRADE

FOLHA DE SP - 10/05

BRASÍLIA - A conhecida incapacidade de articulação política do Palácio do Planalto não é o único fator por trás da derrota que o governo amargou nesta semana no Congresso no debate da proposta de simplificação do ICMS.

O grande erro foi acreditar que seria possível aprovar uma medida que afeta diretamente o caixa dos Estados contando apenas com o gigantismo de sua base de sustentação.

Apesar de estar no terceiro ano de mandato e no meio de uma clara antecipação da campanha presidencial, a presidente Dilma Rousseff resolveu propor uma alteração importante no sistema de cobrança do principal imposto estadual.

Dilma e sua equipe acreditavam que a boa intenção da medida --acabar com a guerra fiscal-- seria suficiente para os congressistas esquecerem os interesses paroquiais e votarem pela aprovação do projeto.

O resultado inicial da empreitada foi um desastre. No lugar de unificar e reduzir o imposto, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado conseguiu a proeza de complicar o que já era complicado.

Os senadores aumentaram o número de alíquotas do tributo e as benesses concedidas para Estados tradicionalmente contrários ao fim da guerra fiscal, mecanismo, inclusive, já condenado pelo Supremo.

Reformas tributárias são tradicionalmente apresentadas no primeiro ano de governo, quando o recém-empossado conta com maior benevolência dentro e fora do Congresso.

Ainda assim, nenhum ocupante do Planalto conseguiu até hoje mudar a sistemática do ICMS.

O tamanho da base de apoio do governo tem pouca relevância prática quando as discussões no Congresso envolvem assuntos que afetam o caixa dos Estados.

Isso já havia ficado evidente durante o debate sobre o rateio do dinheiro arrecadado com a cobrança de royalties de petróleo, que travou o Congresso. Parece que Dilma resolveu ignorar o passado recente.

A falácia dos médicos cubanos - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 10/05
Não poderia ser pior a medida em estudo pelo governo federal - a importação de 6 mil médicos cubanos - para resolver o problema da falta desses profissionais em cidades do interior, principalmente nas regiões mais pobres do País. Além das restrições legais ao seu trabalho aqui, que deveriam bastar para invalidar a ideia, é preciso considerar também a duvidosa qualificação técnica desses médicos. Como essa não é a primeira vez que a medicina cubana é apresentada como valiosa ajuda para a solução de nossos problemas, sem base em nenhum dado objetivo, tal insistência torna inescapável a conclusão de que o governo está misturando perigosamente política com saúde da população.

Embora a questão esteja sendo estudada, além dele, também pelos Ministérios da Saúde e da Educação, não deixa de ser significativo que tenha sido o titular do Ministério das Relações Exteriores, Antônio Patriota, que anunciou a possível adoção da medida, depois de um encontro com seu colega cubano, Bruno Rodriguez, em Brasília. "Estamos nos organizando para receber um número maior de médicos (cubanos) aqui, em vista do déficit de profissionais de medicina. Trata-se de uma cooperação que tem grande potencial e a qual atribuímos um grande valor estratégico", disse ele. Acrescentou o ministro, de acordo com o jornal. O Globo, que a vinda daqueles médicos fortaleceria ainda mais a parceria do Brasil com Cuba numa área em que este país "detém clara vantagem e se estabeleceu mundialmente como um país que contribui para elevar os níveis de saúde aqui na América Latina". Como o que está em discussão não são sistemas de saúde, mas especificamente a possível contribuição de médicos cubanos, supõe-se que Patriota, ao falar em "clara vantagem", tenha se referido à da medicina cubana sobre a brasileira. Isto é, na melhor da hipóteses, um exagero retórico, que não pode ser levado a sério, mas que coloca em evidência o componente político da medida em estudo.

Os médicos cubanos viriam como prestadores de serviço ao governo brasileiro, com contratos temporários - de dois a três anos - assinados com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Como a lei exige a revalidação dos diplomas desses profissionais para que eles possam trabalhar aqui, o Ministério da Saúde estaria tentando, desde o ano passado, negociar com o Conselho Federal de Medicina (CFM) a concessão de licença provisória por aquele período, tanto para médicos de Cuba como "de Portugal e Espanha. A pronta reação do CFM ao anúncio de que aquela medida estava em estudo, com duras críticas do governo, mostra que a negociação deu em nada.

Em dura nota oficial, ele condena "qualquer iniciativa que proporcione a entrada irresponsável de médicos estrangeiros e de brasileiros com diplomas de Medicina obtidos no exterior sem sua respectiva validação". Como pela lei essa validação é obrigatória, a questão deverá ser levada à Justiça. A nota chama a medida de "agressão à Nação", porque atenderia a "interesses específicos e eleitorais". A posição adotada pelo CFM se justifica plenamente. Como o governo sabe que dificilmente os médicos cubanos conseguirão passar no exame para validação de seus diplomas, a tal licença provisória é um expediente para contornar a exigência legal.

Foram decepcionantes os resultados do exame, feito no ano passado, para a validação de diplomas de médicos, cubanos ou não, formados em Cuba. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), dos 182 inscritos, só 20 foram aprovados, ou seja, 1 de cada 9. E aos cuidados desse tipo de médico, comprovadamente sem a necessária qualificação, que o governo quer deixar a população pobre das pequenas cidades.

Têm razão portanto os especialistas, quando afirmam que a solução não é importar médicos cubanos ou contratar brasileiros formados em Cuba, sem diplomas validados. É investir cada vez mais na formação de médicos brasileiros e criar estímulos para que trabalhem no interior.

Impunidade e transparência - EDITORIAL ZERO HORA

ZERO HORA - 10/04


O desabafo do governador paulista sobre a sonegação de informações que encobre a corrupção deveria ser avalizado por todos os ocupantes de cargos públicos.


São impactantes, pela representatividade de seu autor, as frases proferidas esta semana pelo governador de São Paulo sobre a existência de uma corrupção subterrânea no setor público, que talvez nunca a venha ser do conhecimento da população. Disse o senhor Geraldo Alckmin que "o povo não sabe de um décimo do que se passa contra ele", e completou que, se todos os corruptos fossem identificados e punidos, "ia faltar guilhotina" no país. Está certo o homem que comanda o Estado mais poderoso da Federação, por saber, pela convivência de quase quatro décadas com a atividade pública, como os desvios de conduta nem sempre são identificados, em todas as esferas de poder.
O único exagero do governador é a referência simbólica à guilhotina, o que não tira o mérito do alerta, feito quando do lançamento de um programa estadual de apoio às prefeituras, para a viabilização do acesso de todos às informações dos atos administrativos municipais. Os brasileiros certamente sabem muito pouco do que é tramado, cotidianamente, contras os seus interesses. Delitos são encobertos, pelos mais variados motivos _ e muitas pelo conluio dos que, por dever, teriam a obrigação de denunciá-los. Mecanismos de fiscalização interna, mesmo que venham sendo aperfeiçoados em algumas instituições, ainda são rejeitados em outras. Controles externos também falham, permitindo a repetição de irregularidades, viabilizadas sempre, nos governos e nas mais variadas instituições, pela cumplicidade de corrompidos e corruptores.
Acobertam-se crimes, favorecidos em boa medida também pelo acobertamento de informações que deveriam ser acessíveis a todos. Há uma conspiração contra a visibilidade das ações públicas, como preconizam o programa lançado pelo governo paulista e iniciativas semelhantes implantadas em todo o Brasil. Não são poucos os casos de desrespeito explícito a uma lei promulgada há ano e meio, com o propósito de tornar obrigatória a disponibilização de informações de Executivo, Legislativo e Judiciário, em especial as de interesse coletivo. O estímulo à participação popular e ao controle social da gestão pública esbarra em todo tipo de reação, como os recursos à Justiça e as liminares que impedem a divulgação de cargos e salários dos servidores.
O desabafo do governador deveria ser avalizado por todos os ocupantes de cargos públicos. E merece atenção porque também ele enfrenta, com as investigações que apontam o envolvimento de um secretário em delitos graves, o desafio de contribuir para que Ministério Público e Justiça possam dispor do máximo de transparência do Executivo. Os brasileiros poderão se declarar bem informados, quando, numa situação inversa à que preocupa o senhor Alckmin, não tiverem conhecimento de menos de um décimo do que se articula ilegalmente contra seus interesses.

A inoperância no poder - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 10/05

Impasse na MP dos portos reforça estigma da péssima articulação política do Planalto e compromete modernização da economia


No papel, a presidente Dilma Rousseff conta com apoio avassalador no Congresso Nacional. Exercem oposição de fato apenas cinco partidos, que, juntos, dominam menos de 20% das cadeiras na Câmara dos Deputados.

Na prática, o desempenho dos projetos prioritários do Planalto no Legislativo tem sido no mínimo frustrante.

O bate-boca que escancarou o impasse em torno da medida provisória da modernização dos portos, anteontem, foi o exemplo mais recente da inoperância que ameaça se tornar estigma da administração Dilma Rousseff.

O governo federal perdeu a capacidade de conduzir o debate e assistiu impotente à desfiguração da proposta. A decomposição foi tamanha que o melhor destino do projeto parece ser a lata do lixo.

Dilma fez ontem um último apelo para votar a medida provisória. O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), convocou sessão extraordinária na próxima segunda-feira para avaliá-la. Teria ainda de passar pelo crivo do Senado até a próxima quinta-feira para não caducar.

Seja qual for o resultado da operação emergencial --o provável é que seja ruim--, o processo aprofundou o descrédito com a articulação política do Planalto. O fracasso na condução parlamentar tem sido a regra. Ocorreu no projeto de distribuição federativa de impostos (royalties) do petróleo e no Código Florestal. Reincide agora no trâmite desastrado do projeto de reforma do ICMS.

É o caso de perguntar para que serve uma base tão ampla de apoio, ancorada numa expansão bizantina do time de ministros, que já se aproxima das 40 cabeças. Vale decerto para aumentar as chances de reeleição no ano que vem e sufocar a competição eleitoral.

Não tem servido, entretanto, para tornar a economia nacional mais competitiva. Pelo contrário, poucas vezes como agora as tentativas de mitigar as graves ineficiências na regulação da economia do país estiveram tão ameaçadas pelo atraso e pelo modo mesquinho e paroquial de fazer política em Brasília.

Oriunda da tecnocracia, a presidente Dilma Rousseff trouxe uma centelha de esperança no sentido de modernizar a negociação com parlamentares. A imagem da gestora eficiente, entretanto, vai se apagando no anedotário, à medida que seu grupo mal coordenado de assessores de baixa estatura profissional e nenhuma autonomia política produz desgaste e derrota no Congresso Nacional.

Se quiser entrar para a história como a presidente cuja desarticulação política conduziu o país a um longo período de crescimento baixo, Dilma está no caminho certo.

A novela dos portos - GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 10/05


Para alguns, portos são lugares onde o que menos interessa é a eficiência operacional. Pelo contrário, são lugares nos quais devem se eternizar as administrações políticas com todos os seus horrores


Comecemos por perguntar: para que servem os portos? Primeiro, experimentemos uma resposta técnica e simples: eles servem como lugar próprio para atracar navios para embarque e desembarque de passageiros ou de mercadorias com valor econômico. Constituem, portanto, um meio de fazer circular riquezas, sejam as geradas no próprio país ou as resultantes de trocas internacionais. Serão tanto melhores quanto mais aparelhados e eficientes, de operação mais barata e mais rápida e quanto mais capazes forem de movimentar os maiores volumes de carga. Há, portanto, uma relação muito próxima de causa e efeito: portos mais eficazes dão maior contribuição ao desenvolvimento.

Chegar a tal estágio ideal é, em tese, o objetivo da Medida Provisória 595, baixada pelo governo federal em fins do ano passado e que, agora, passa pela via-sacra do debate e das emendas parlamentares na Câmara Federal. A MP tem prazo de validade: vai expirar se não for aprovada até o próximo dia 16 pelo Congresso. Na próxima segunda-feira, a matéria volta ao plenário, em mais uma tentativa de votação. Mas tantas e tão polêmicas são as mudanças sugeridas que, se aceitas em sua maioria – ou se alterados os seus principais fundamentos – se converterá num amontoado de novas regras que, ao contrário do objetivo de modernizar os portos nacionais, poderão representar sério risco de impor o mais indesejável retrocesso.

Desde seu envio ao Legislativo, a MP 595 recebeu nada menos de 645 emendas e inúmeros destaques, sobre os quais os parlamentares não conseguem atingir um grau mínimo de consenso. A razão de tais divergências – que até ontem pareciam insuperáveis – é que para muitos parlamentares os portos brasileiros merecem definição diferente daquela clássica exposta no início deste texto.

Para alguns, portos são lugares onde o que menos interessa é a eficiência operacional. Pelo contrário, são lugares nos quais devem se eternizar as administrações políticas com todos os seus horrores – os cabides de emprego, as negociatas, a concessão de privilégios indevidos a grupos empresariais e trabalhadores politicamente instrumentalizados por seus sindicatos. Por trás de tantas emendas e de tanta discussão, há a defesa explícita ou implícita dos mesmos vícios que a MP 595 pretendia corrigir e superar.

A tal ponto se tornaram claras as más intenções de alguns dos grupos que procuram influir para a desfiguração da MP que um deputado fluminense – o notório Anthony Garotinho, logo ele – chegou a provocar tumulto e interrupção do processo de votação no plenário da Câmara, anteontem, ao fazer uma sugestão de baixo calado: ao invés da MP dos Portos, ela acabaria merecendo a alcunha de “MP dos Porcos”, propôs ele, de forma ofensiva e generalizada a tantos quantos, bem ou mal intencionados, lutam por suas emendas.

A MP não nasceu perfeita e incólume a visões diferentes e honestas. Um de seus defeitos é o de retirar dos estados e concentrar nos órgão da União algumas atribuições importantes que seriam melhor gerenciadas localmente. Mas, para além dos lobbies de natureza econômica, querem se impor sobre a busca de modernização dos portos tendências nitidamente de caráter ideológico, já de longo tempo superadas pela nova realidade mundial, sob o falso pretexto de que a MP nada mais seria do que um instrumento amplo, geral e irrestrito de privatização.

Nem tanto ao mar nem tanto à terra. A medida provisória, a despeito da necessidade de correções e aperfeiçoamentos pontuais, veio para corrigir um dos maiores gargalos logísticos com que o país se defronta. Sem portos modernos e eficientes, a inserção do Brasil nos mercados globais fica extremamente prejudicada, na medida em que, em razão sobretudo das altas tarifas que pratica e da lentidão das operações, anula nosso poder de competição – algo com que nossos parlamentares deveriam se preocupar mais.

A persistência da inflação - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 10/05

Na visão otimista de Brasília, a inflação, depois de ultrapassar o limite superior da meta (6,5%), com 6,59%, recuará. De fato, mas o 0,55% do IPCA de abril veio acima das previsões, subiu em relação a março (0,47%) e, assim, o índice em 12 meses recuou menos que o esperado, estacionando na fronteira dos 6,49%. O centro da meta, de 4,5%, continua distante, e as melhores expectativas apontam para um índice pouco acima de 5% este ano, ainda alto.

O Banco Central saiu da letargia na última reunião do Copom, elevou os juros básicos (Selic) em 0,25 ponto, para 7,5%, por não desconhecer como a persistência de uma inflação elevada, numa economia ainda bastante indexada, pode deteriorar as expectativas e manter os preços sob pressão.

O momento é cada vez mais de escolhas do governo. É evidente a tentação de manter o mercado de trabalho aquecido com vistas às eleições do ano que vem. Porém, num quadro de quase pleno emprego, o crescimento dos salários acima da produtividade deprime a indústria — o setor deu sinais de vida em março, porém, em relação ao mesmo mês do ano passado, continua com números negativos (retração de 3,3%). Faz com que "vaze" demanda para as importações, ajudando a desequilibrar a balança comercial. E, por paradoxal que seja, isto contribui para mais um "pibinho".

Além de tudo, impulsiona a inflação nos serviços. Em abril, este item do IPCA subiu 0,54%, mais que a média. Em bases anualizadas, a alta é de 8,13%. Com os salários em ascensão, e sem que haja concorrência externa — não se importam manicures, oficinas etc — , os serviços ostentam razoável fôlego para se tornar mais caros.

Pelo menos até agora, a aposta oficial na redução da pressão vinda dos alimentos ainda não se confirma na dimensão esperada. Há retrações, mas o encarecimento de vários produtos funciona como um anteparo às quedas. Só em abril, por exemplo, a batata inglesa deu um salto de 60,4%.

No saldo final deste surto de inflação são punidas as famílias mais pobres, clássicas vítimas da carestia na alimentação. Aquelas, por ironia, com as quais o governo conta para a reeleição de Dilma.

Diretores do BC têm procurado reafirmar o compromisso da instituição com a defesa do poder aquisitivo da moeda — é o que se espera de um banco central. Justifica-se, porém, o mantra devido ao déficit de credibilidade na autonomia da instituição. A próxima reunião do Copom, na última semana do mês, será novo teste para o BC.

Fica claro que se trata de uma falácia o argumento de que a inflação brasileira foi impulsionada pela quebra de safras americanas e em outras regiões do mundo. Afinal, este impacto inflacionário não se observou nos demais países. As causas são mais internas que externas.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“[Renan Calheiros] tem me surpreendido positivamente”
Senador Cristovam Buarque (PDT-DF) sobre a atuação do atual presidente do Senado


DILMA ADOROU ATAQUE DE GAROTINHO A LÍDER DO PMDB

Apesar de haver atrapalhado os planos do governo de votar a Medida Provisória dos Portos, o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) agradou em cheio a presidente Dilma após acusar o líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), de propor emenda aglutinativa que fez da MP dos Portos em uma “MP dos Porcos”, da “negociata”. Dilma detesta Cunha, um ex-aliado cujos métodos Garotinho afirma conhecer muito bem. O PR até recuou da decisão de afastá-lo da liderança do partido na Câmara.

NOMES AOS BOIS

Estariam por trás da “MP dos Porcos” o banqueiro Daniel Dantas e lobistas a seu serviço, segundo acusou o deputado Garotinho.

NITROGLICERINA PURA

O presidente da Câmara, Henrique Alves, ligado a Eduardo Cunha, não informou se pretende investigar as graves denúncias de Garotinho.

CHUMBO TROCADO

O líder do PMDB quer levar Garotinho à comissão de ética “por acusar sem provas”. A oposição prefere investigar as denúncias de Garotinho.

ALERGIA

Dilma deixou clara sua ojeriza a Eduardo Cunha após jantar no Palácio Jaburu esta semana: ela nem sequer o cumprimentou.

AJUDA BRASILEIRA A FLAGELADOS TEM 40 DIAS DE ATRASO

Somente partiram ontem, com 40 dias de atraso, os dez mil colchões doados pelo governo brasileiro aos desabrigados das chuvas na cidade argentina de La Plata. Os colchões são transportados no Almirante Sabóia, um navio de desembarque de tropas da Marinha do Brasil, mas a esta altura, em razão da demora, a situação dos flagelados já foi resolvida. Pelo menos 56 pessoas morreram durante a tragédia.

INCONTROLÁVEL

O ex-ministro Carlos Lupi prefere aliança a apoiar o deputado Antonio Reguffe (PDT) ao governo do DF, em 2014. É “independente demais”.

JOGOS DO PODER

Eleito presidente do PSDB-SP, o deputado Duarte Nogueira diz que José Serra não sai do partido: “Não tem porque, ele continua jogando”.

ACHOU POUCO?

A executiva do PSC discutirá terça, em Brasília, o lançamento do deputado Marco Feliciano, ele mesmo, à sucessão de Dilma, em 2014.

RECEITA DE FESTA

É bela a vida sindical: quatro diretores da Receita em São Paulo, com salários de R$ 12 mil, passaram quatro dias esta semana visitando “cumpanheros” de sete regionais para “formar novas lideranças”.

VEXAME BRASILEIRO

O importante jornal britânico The Guardian publicou em sua capa a foto constrangedora de uma cracolândia no centro de São Paulo, no país que continua fazendo muito pouco no combate às drogas..

MÃO LAVANDO A OUTRA

Para prevenir especulações maldosas, o presidente mais ou menos eleito da Venezuela, Nicolás Maduro, deveria esclarecer que não veio ao Brasil comprar papel higiênico, que está em falta em seu país, com filas de virar quarteirão para tentar comprar um rolo.

CANSEI DE PERDER

A vitória de Roberto Azevêdo na OMC interrompeu a série de derrotas do Itamaraty em disputas internacionais. Na gestão do ex-chanceler megalonanico Celso Amorim, o Brasil perdeu todas as contendas.

PIJAMA DIPLOMÁTICO

Afastados sob acusação de assédio, o embaixador Américo Fontenelle (que ainda está em Sidney, Austrália) e o adjunto César Cidade poderão ganhar pizza à Patriota: aposentadoria, em vez de demissão.

ESPELHO MEU

A denúncia de assédio contra o cônsul do Brasil em Sidney (Austrália), Américo Fontenelle, agora descoberta pelos jornalões, foi revelada nesta coluna em 14 de fevereiro. Noticiamos acusação idêntica em 2007, quando ele era cônsul em Toronto (Canadá), que deu em pizza.

BOM DE VOTO

O Brasil vai doar US$ 1 milhão, através da ONU, para financiar o processo eleitoral no Haiti, conhecido pela fraude e por levas de haitianos que se amontoam no Acre com ajuda de atravessadores.

CAINDO FORA

O grupo francês Egis sairá do consórcio que administra o aeroporto de Campinas (SP), por alegada incompetência. Deve ser substituído pela operadora Flughafen Munchen, do aeroporto de Munique (Alemanha).

PENSANDO BEM…

…assim como ao dia segue-se a noite, Eike Batista, amigo de Lula e de Sérgio Cabral, ganhou a licitação para administrar o Maracanã.


PODER SEM PUDOR

ENCONTRO MARCADO

Nos anos 70, o economista Mangabeira Unger participou de um debate do MDB. Ele é brasileiro, mas após uma temporada nos EUA adquiriu sotaque mais carregado que turista americano. Dias depois, o deputado Marcus Cunha, do MDB, recebeu um telefonema. O sotaque inconfundível de Unger solicitava um encontro no dia seguinte, no cafezinho da Câmara. Unger também receberia telefonema de um Marcus Cunha propondo encontro no mesmo lugar. Na hora marcada, cada um quis saber o motivo do convite.

- Mas foi você que me convidou - espantou-se Unger.

- Não, foi você que me ligou - respondeu Cunha.

Ali perto, saboreando um cafezinho, um deputado do Paraná se divertia com a cena. Era o brincalhão Maurício Fruet, exímio imitador de vozes.

SEXTA NOS JORNAIS


- Globo: Mesmo sem lei: Casamento gay já é legal na metade dos estados
- Folha: Após derrotas, Dilma faz apelo ao Congresso
- Estadão: Dilma e Lula veem articulação política frágil para 2014
- Correio: Após capas, PM compra arma de choque micada
- Valor: BC prepara medida para desestimular uso do CDI
- Zero Hora: Cerco à adulteração – MP vai responsabilizar indústrias de leite por falhas na fiscalização
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quinta-feira, maio 09, 2013

Transplantes de amor e esperança - ALEX MEDEIROS

PORTALNOAR


Uma história de solidariedade humana e amor numa família marcada por gestos.
albimar_annie

Albimar Morais é um desses caras imunes às inimizades. Poucos têm sua capacidade de fazer amigos e preservá-los ao longo do tempo. Do seu irmão, Carlos Morais, herdou alguns amigos da imprensa que cultiva até hoje, como eu e Rubens Lemos Filho.

Devemos, eu e Rubinho, uma considerável parte dos nossos acervos de raridades futebolísticas aos gestos generosos de Albimar, incansável nas suas viagens em garimpar nos sebos as velharias que compõem o nosso patrimônio material e lúdico.

Gestos e atos de bondade e solidariedade fazem parte do histórico familiar desse amigo. E é sobre dois incríveis momentos da vida de Albimar o motivo principal da minha crônica dessa quarta-feira, 8/5, uma data inesquecível para ele e todos os seus parentes.

Logo mais no começo da noite, ele estará reunido com seus entes queridos num jantar para marcar a data de hoje, aniversário de um ano de uma cirurgia de transplante de rim que lhe devolveu a saúde, debilitada por anos desde que uma pressão baixa o atacou.

Mas, para contar sobre os dois instantes incríveis da sua vida é preciso voltar ao ano de 1983, período em que o Brasil começava a se acostumar com a democracia e a ensaiar a volta das eleições diretas e o combate à inflação monstruosa que destruía a economia.

Naquele ano de aperto financeiro para muitas famílias, a de Albimar foi surpreendida pelo agravamento da saúde da sua irmã, que desde tenra idade sofria de diabete. Gleide, mulher de outro amigo (Humberto do restaurante Xique-Xique) urgia um transplante.

Na desesperada corrida pela vida que ocorre nas filas hospitalares por um rim saudável, Albimar mandou para escanteio a horrorosa burocracia e correu para salvar sua irmã, prontificando-se a arrancar um dos seus rins, que logo foi transplantado para ela.

A saúde retornou ao patamar regular da vida de Gleide, que durante 12 longos e agradáveis anos voltou a conviver em paz com seus familiares, só vindo a falecer por uma isquemia repentina e traiçoeira, que invariavelmente surpreende nossas vidas.

Foi seis anos depois da morte da irmã que Albimar Morais adquiriu pressão alta, essa moléstia que aos poucos vai minando a saúde como um torturador invisível. Daí para outros problemas é um trajeto biológico que dificilmente os remédios invertem.

Com o passar dos anos e com a chegada da tal meia-idade, a saúde do meu amigo foi agravando e o jogou nas penosas sessões de hemodiálise. Passou a viver uma vida pela metade, com as horas de lazer interrompidas por remédios e visitas aos médicos.

Foi então que aquela tradição familiar dos bons gestos aconteceu, de novo, mas dessa vez em favor dele e não de algum parente que ele decidiu ajudar. Na sua interpretação, um anjo lhe apareceu com todas as características humanas de uma querida sobrinha.

Ele estava almoçando no restaurante Cassol, em Petrópolis, quando ela chegou à sua mesa: “Tio, o senhor está fazendo hemodiálise e precisa de um transplante de rim? Pois eu estou indo fazer os exames necessários para doar um para você”, disse a garota.

Era Annie, filha de ninguém menos que Gleide, a irmã que ele salvou quase três décadas antes. Era a história humana se repetindo bem diferente da tese de Karl Marx, no caso dele em dois momentos exatamente iguais em bondade, amor e esperança.

A filha de Albimar também fez os exames de compatibilidade, mas foi a sobrinha a escolhida e classificada pelos médicos, por ser mais velha. E aí, em 8 de maio de 2012, a vida voltou ao normal para ele através do gesto amoroso da filha da saudosa mana.

Desde que ouvi essa história, entre arrepios e emoção, fiquei com vontade de contá-la, até que no último encontro com Albimar ele me autorizou a compartilhar com os leitores. No jantar de hoje com a família, ele desejaria muito a presença de mais gente.

Como a equipe de Ricardo Lagreca no Hospital das Clínicas, responsável pelo exitoso transplante; também o cirurgião Paulo Medeiros e a nefrologista Kellen Costa; os profissionais da clínica de Berilo de Castro e José Euber, os enfermeiros dos dias de hemodiálise.

Campos e a homossexualidade - CONTARDO CALLIGARIS

FOLHA DE SP - 09/05

Como reagir ao anúncio que seu filho é gay? Eu optaria pela indiferença se possível, não fingida


Em 1999, o Conselho Federal de Psicologia decretou que os psicólogos não devem propor curas para a homossexualidade, visto que a homossexualidade não é um transtorno mental. O deputado João Campos (PSDB-GO) não concorda; ele acha que o CFP não pode "restringir o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação profissional".

O deputado Marco Feliciano (PSC-SP), paradoxal presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, colocou o projeto de Campos na pauta de ontem (8/5) da dita comissão.

Na última hora, a pedido de Henrique Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara, a pauta foi suspensa.

Existe uma longa e sinistra história das terapias que pretendem "curar" os homossexuais, ou seja, "reorientar" ou "converter" sua sexualidade --sinistra, digo, pela violência dos remédios propostos sem fundamento clínico algum (castração, ablação do clitóris, eletroconvulsoterapia etc.).

No Irã de hoje, por exemplo, os homossexuais (que, segundo o governo, não existem) não são perseguidos se eles aceitarem uma cura que consiste na mudança forçada de sexo (engraçadamente, a charia local parece proibir a homossexualidade, mas tolerar o transexualismo).

Vamos ao último capítulo dessa história, no Ocidente. Em 2001, Robert Spitzer, psiquiatra respeitado, juntou, num relatório, 200 casos de "conversão" de indivíduos "altamente motivados" (nenhum dos quais tinha sido paciente dele). O estudo parecia documentar a possibilidade de reorientar alguém sexualmente. Durante uma década, discutiu-se sobre a validade dos dados recolhidos por Spitzer.

Resultado: no ano passado, Spitzer, professor emérito da Universidade Columbia, publicou uma carta aberta na qual ele declara que seu estudo não provava que uma terapia, seja ela qual for, pudesse permitir mudar a orientação sexual de alguém e que não havia como saber se as declarações dos indivíduos entrevistados para o estudo eram confiáveis e não autoenganos ou simplesmente mentiras.

Ele concluía: "Peço desculpas a qualquer pessoa gay que perdeu seu tempo e sua energia passando por algum tipo de terapia de conversão porque acreditou que eu tivesse demonstrado que a terapia de conversão funcionaria".

As terapias de reorientação ou conversão, hoje, são defendidas só por associações ou indivíduos inspirados por uma condenação moral ou religiosa da homossexualidade.

Essa condenação é tão legítima quanto qualquer crença, mas ela não pode oferecer uma "cura" em nome de uma disciplina clínica. Em outras palavras, qualquer um, padre, pastor ou charlatão, pode inventar um exorcismo para desalojar o demônio do corpo dos homossexuais. Mas o médico e o psicólogo não vendem exorcismos.

Em suma, sem a intervenção de Henrique Alves, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara teria desperdiçado seu tempo (e nosso dinheiro). Passemos a outra questão.

Recentemente, o pai da cantora Katy Perry, pastor evangélico, perturbado porque a filha canta uma música sobre beijar outra garota, declarou que Katy é filha do diabo.

A estupidez dos outros é refresco. Mas resta que, para muitos pais, não é fácil decidir como reagir ao anúncio de que seu filho ou sua filha é gay.

Sabemos que mandar o filho ou a filha para uma cura de conversão não é uma boa ideia. Em compensação, alguns pais "modernos", para evitar o ridículo do pai de Katy Perry, são tentados por uma aceitação festiva, eventualmente fingida. Como se situar nesse arco, entre "você é doente" e "que maravilha!"?

Eu optaria por uma espécie de indiferença --se possível, não fingida.

Tanto a aceitação festiva quanto a maldição empurram o jovem para uma reação em que ele dará a sua orientação sexual o valor de uma identidade, como se gritasse "olha, mamãe, sou gay", quer seja para desafiar os pais e o mundo, quer seja para ganhar seu aplauso.

De fato, a orientação sexual de um indivíduo não precisa ser um traço relevante de sua identidade. Em geral, quando ela se estabelece como tal, é de maneira reativa.

No caso da homossexualidade, isso é inevitável por causa da resistência social que a homossexualidade encontra. Se identificar como homossexual é uma maneira de se impor e lutar. E haverá homossexuais "assumidos" e militantes até que não haja mais Campos e Felicianos.

Agora, os heterossexuais assumidos e militantes são tão reativos quanto os homossexuais. Só que, hoje, os heterossexuais não reagem contra nenhuma discriminação; talvez eles estejam reagindo contra a única homossexualidade que os ameaça: a que eles reprimem neles mesmos.

Dois + dois = ? - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

O GLOBO - 09/05

Um economista americano desconhecido estava revendo a tese de dois economistas muito conhecidos, que provava que a responsabilidade fiscal e a austeridade nos gastos sociais favoreciam, em vez de atrasar, como diziam alguns, a recuperação econômica, e estavam sendo usadas por economistas oficiais para justificar o aperto aplicado pela maioria dos governos do mundo contra a crise, quando descobriu um erro. Não um erro de posicionamento, de interpretação ou de redação - um erro de matemática. Certas contas não fechavam. Dois mais dois simplesmente não dava quatro. O economista desconhecido publicou sua descoberta, o que o tornou conhecido, e os dois economistas conhecidos reconheceram seu erro, mas não lhe deram importância, o que os tornou cúmplices declarados do massacre que a tese deles continua causando. A certeza de que com o tempo a austeridade se justificará, demonstrada claramente nas contas erradas da dupla, só conseguiu transformar "austeridade" em palavrão, nos países em que a maioria da população continua pagando, com desemprego e miséria, pelos desmandos dos seus governos e a ditadura do capital financeiro, responsável pela crise.

Mas talvez haja uma explicação que absolva os dois economistas conhecidos. É difícil imaginar que eles não tenham recorrido aos seus lepitopes, ou aos lepitopes de assistentes, para fazer suas contas. ("Veja aí, dois mais dois quanto dá.") E os lepitopes podem ter fracassado. Hoje confiamos tudo ao computador, por que não confiar na sua matemática? E a sua matemática pode entrar em pane. Me lembrei da história do Millôr sobre o último homem do mundo que ainda sabia contar nos dedos. Um dia, todos os sistemas interligados do mundo caem. Ninguém mais consegue escrever sem um teclado, o que dirá fazer contas sem uma calculadora eletrônica. Recorrem ao homem, que cobra caro pelo seu serviço. E o fornece tranquilamente, certo de que se errar nas suas contas primitivas, não haverá como comprovar o erro. Ele será a autoridade final em todas as contas.

A austeridade não está dando certo em nenhum lugar do mundo, muito menos nos países mais sacrificados pela crise como Grécia e Espanha. Na Inglaterra, as pompas fúnebres para Margaret Thatcher, Mrs. Austeridade, também foram, um pouco, uma celebração provocativa do aperto promovido pelo governo conservador. O neoliberalismo dando um último chute no "welfare state" antes de ser canonizado.

Ueba! O Sinistrério da Dilma! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 09/05

E o Afif é empresário, vice-governador e ministro. E pede música no "Fantástico"!


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!

E hoje começa a clássica pergunta: "O que você vai dar pra sua mãe?". Um Viagra pro meu pai. Isso! Faça sua mãe feliz: dê um Viagra pro seu pai!

E aquela inundação de spams: "Passe o Dia das Mães com o Fábio Júnior". "Mãe, geratriz da concepção humana." Geratriz da concepção humana?

Tucanaram a mãe. Se eu fosse mãe e me chamassem de geratriz da concepção humana, dava um tapão na orelha!

E como diz um amigo meu: "A Dilma parece a minha mãe, não consegue passar o dia feliz sem dar um pitaco em alguém". Rarará!

E o Ministério? Ops, o Sinistrério da Dilma. Mais um sinistro: "Afif Domingos é o novo ministro da Dilma".

Mais um? Isso não é um ministério, é uma rave. Parece a estação de metrô da Sé às 18h!

A Dilma derrubou uns 20 e empossou uns 30!

E adorei a charge do Sinfronio flagrando a posse do Afif. Dilma: "Tenho o orgulho de empossar no ministério... Que ministério é mesmo?". Qualquer um! Rarará!

E o Afif é empresário, vice-governador e ministro. E pede música no "Fantástico"!

Manchete do Piauí Herald: "Afif acumula três funções e pede música no Fantástico'".

E, representação por representação, tinha que ter o Ministério das Periguetes, o Ministério das Bancas Piratas, o Ministério das Calçadas Quebradas, o Ministério das Perguntas Cretinas! Rarará!

E o futebol? Um amigo meu tem uma dúvida hamletiana futebolística: "Não sei o que é pior, ter um Rogério que adianta ou um Valdivia que não adianta".

E já tem campanha na internet: #VaiTrabalharValdivia! Gente, não estressa o Valdivia! Rarará!

É mole? É mole, mas sobe!

O Brasil é Lúdico! Olha esta faixa numa igreja: "Deus ama quem dá com alegria".

Oba! E não é só Deus que ama quem dá com alegria!

E esta outra direto de Alagoinhas, na Bahia: "Fazemos corteijo funbre". Rarará!

E esta placa deve ser do Cebolinha: "Temos flango de glanja". Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje só amanhã!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Risco de inflação por longo tempo no limite é alimentar indexação - JOSÉ PAULO KUPFER

O Estado de S.Paulo - 09/05

A inflação de abril, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), baliza do sistema de metas, voltou a surpreender, negativamente, em abril. O resultado divulgado pelo IBGE mostrou aceleração em relação a março, embora tenha recuado, no acumulado em 12 meses, o mínimo suficiente para voltar ao limite do intervalo, que tinha sido ultrapassado, no mês anterior.

Para resumir, mês após mês, a alta de preços tem resistido, teimosamente, nos andares mais altos do intervalo da meta. Conhecido o número de abril, mesmo assim, as projeções continuam apontando para uma tendência mais moderada em 2013, depois do repique previsto em junho, com a absorção dos aumentos previstos para a tarifas de transporte público em grandes cidades. A expectativa é de que a safra recorde de grãos e a estabilização da oferta de produtos "in natura", deem, afinal, o ar da graça, permitindo ao IPCA fechar o ano com variação acumulada entre 5,5% e 5,7%.

Em meio ao vaivém dos preços, chamou atenção a magnitude do desvio entre o valor encontrado para o IPCA de abril (0,55%) e a mediana das projeções do mercado para o mesmo índice (0,48%). A distância entre a previsão e a realidade, de acordo com a explicação mais utilizada, ocorreu, especialmente, em razão de elevações de preços inesperadas no item saúde e cuidados pessoais.

Mais do que indicar que, no setor de serviços, a inflação se mantém animada, refletindo as excelentes condições de emprego na área, e o fato de que o segmento passa ao largo da concorrência com importados, é o caso de levantar uma sobrancelha para os riscos de que médicos, cabeleireiros e afins já estejam treinando para o jogo de indexar seus preços às altas de seus custos.

Vale mencionar que os medicamentos, parte do item que escapou das previsões do IPCA e formou o time dos vilões da inflação de abril, têm preços indexados. Mas também não se pode esquecer que o processo, no caso, é de outra natureza, resquício de uma "velha" indexação, que continua a alcançar um terço do total dos componentes do IPCA. Além disso, o processo, se já ocorre, está longe de ser generalizado, tanto que o recuo recente nas vendas do comércio varejista e da busca de crédito se deve, na visão de analistas, a efeitos de uma inflação mais elevada.

Em tempos de ressurgimento da ideia de aplicar gatilhos salariais automáticos, ainda que seu lançamento tenha obedecido apenas a um cálculo político, não custa, de todo modo, vigiar para impedir que o velho esporte nacional volte a campo.

Vitória do atraso - VALDO CRUZ

FOLHA DE SP - 09/05

BRASÍLIA - Mais uma vez, o Brasil deve perder uma oportunidade para modernizar regras, práticas e procedimentos arcaicos que tanto travam nosso caminho na direção de, quem sabe um dia, nos transformarmos num país desenvolvido.

A despeito dos esforços do governo Dilma, o destino das reformas do ICMS e dos portos brasileiros, vitais para tornar nossa economia mais competitiva interna e externamente, está praticamente sacramentado: naufragar no Congresso.

O atual modelo de ICMS gera guerra fiscal entre Estados, onera investimentos e encarece exportações. Nosso sistema portuário é caótico e precário, está na lanterna mundial em qualidade de infraestrutura e ocupa os primeiros lugares no quesito custo elevado de embarcação.

Mesmo assim, o interesse nacional ficará, novamente, em segundo plano diante do lobby de alguns governadores, empresários e trabalhadores decididos a manter suas reservas de mercado e privilégios.

O governo acredita ter chegado perto de um acordo para aprovar a reforma do ICMS, mas errou no timing de votação. O calendário eleitoral contaminou o debate e criou no Planalto o receio de fazer inimigos às vésperas da eleição.

Resultado: deve desistir de sua própria proposta e descobriu que esta é uma reforma para ser feita em primeiro ano de governo.

No caso da mudança nas regras dos portos, o erro da equipe de Dilma foi não consultar nenhuma das partes envolvidas antes de enviar sua medida ao Congresso por considerá-la a melhor para o Brasil.

De fato, realmente era a melhor em quase sua totalidade. Mas contrariou vários interesses consolidados de uma só vez, fazendo seus inimigos se unirem contra a ideia.

Apesar dos erros, não se pode negar que o governo tenta aprovar as reformas. Deve esbarrar no que podemos chamar de vitória do atraso. Triste realidade num país que precisa ser competitivo para crescer.

Modelo esgotado e reeleição travam economia - RAUL VELLOSO

ESTADÃO - 09/05

Era difícil de enxergar isto com clareza, mas o governo Lula recebeu a bola da gestão anterior prontinha para marcar o gol. As reservas em dólares tinham começado a crescer, os sistemas de câmbio flexível e de metas de inflação funcionavam bem, ao tempo que os resultados fiscais primários tinham alcançado a marca de 3,1% do PIB, partindo de zero em 1998.

Por dificuldade de enxergar o que tinha acontecido e o que viria a seguir, havia o temor de explosão da razão entre a dívida pública líquida de ativos financeiros e o PIB, qualquer que fosse a inclinação do novo governante em relação à questão fiscal.

Dados o elevado estoque inicial de dívida, a taxa Selic real e a taxa de crescimento do PIB com que se raciocinava para projeções dessa mesma razão, e supondo, ainda, a taxa de câmbio constante, o superávit primário requerido para estabilizá-la se situava bem acima de 3% do PIB, algo visto como quase impossível de pôr em prática, depois de todo o penoso ajuste feito até então. A taxa Selic real esperada, na mente dos analistas, era de 11% ao ano. A taxa de crescimento do PIB considerada nos cálculos era da ordem de 2,7% ao ano, média observada em fase próxima precedente.

Assim, a economia brasileira estava travada, por não ser possível antecipar que o IBGE divulgaria uma nova série do PIB com valores 10% maiores que a série em vigor e que o mundo explodiria em liquidez e crescimento. Pelo primeiro fator, a razão dívida/PIB passaria de 50% para 45% de uma tacada só. A explosão de liquidez jogaria para cima a relação entre os preços de exportação e de importação do Brasil - forte ganho de termos de troca - e inundaria o País de capitais. Graças a isso, as altas taxas de juros reais, que agiam como uma pesada trava no funcionamento da economia brasileira, poderiam rapidamente cair - como de fato ocorreu - para níveis há pouco inimagináveis. E, logo em seguida, o PIB poderia subir a uma velocidade também fora da maioria das previsões, o que seria facilitado pelas altas taxas de desemprego em vigor, ou seja, pelos baixos níveis de utilização de capacidade.

Veio a crise e o Brasil foi um dos países emergentes a superá-la mais rapidamente. De lá para cá, contudo, vai ficando cada vez mais evidente que o modelo econômico que vem sendo adotado desde os primeiros momentos do governo Lula, e que ganhou novos contornos diante da crise e das novas prioridades do governo Dilma, está se esgotando. Uma análise aprofundada desse esgotamento seria longa demais para o espaço deste artigo. Mas o fato é que, ao contrário da maioria dos países emergentes, o Brasil pós-crise passou a crescer menos e está perdendo o controle da inflação. A precipitada antecipação da campanha de Dilma Rousseff à reeleição torna preocupante o quadro econômico atual, em vista da paralisia na adoção de medidas impopulares que tomou conta da ação governamental.

Na apresentação que farei com parceiros no Fórum Nacional Inae/BNDES, na semana que vem, um dos destaques será a deterioração recente dos resultados fiscais, que se encaixa nesse quadro de esgotamento e que o governo inexplicavelmente tem procurado esconder por meio de artifícios contábeis e outras medidas do tipo.

A verdade é que, em vista da melhoria dos parâmetros que afetam a evolução da razão dívida/PIB, os superávits primários poderiam cair até certo ponto sem comprometer a credibilidade fiscal do País. O problema, hoje, é que devemos estar chegando ao limite máximo de possibilidades dessa queda, enquanto o governo terá, desnecessariamente, perdido grande parte da credibilidade acumulada no passado no que toca a prometer e cumprir metas na área fiscal. Isso já se vê, inclusive, pela evolução desfavorável de indicadores de risco Brasil relativamente a outros emergentes desde 2012.

Acompanhar a implementação de metas fiscais ficou cada vez mais difícil, especialmente para investidores de fora, e o Brasil vai queimando cartuchos acumulados com tanto sacrifício.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 09/05

Hospital faz obras de R$ 147 mi sem interromper o atendimento
O Hospital do Servidor Público Estadual (na zona sul da capital) fará uma reforma no valor de R$ 147 milhões sem interromper o atendimento aos usuários.

Em 50 anos, será a maior reconstrução do hospital, que tem cerca de mil leitos, 5 mil trabalhadores e atende a 1,3 milhão de servidores do governo estadual, seus dependentes e agregados, pacientes de todo o Estado.

As obras na unidade, um complexo de 70 mil m², começam nos próximos dias e correspondem à construção de praticamente três hospitais de médio porte, com 200 leitos cada.

A reforma, que deve durar dois anos e aprimorar todas as áreas, ampliará em 25% o Centro de Oncologia, que passará a fazer cerca de 14,4 mil procedimentos por ano.

O número de leitos de UTI será duplicado.

Antes da reforma, com recursos do tesouro estadual, Latif Abrão Junior, superintendente do Instituto de Assistência Médica ao Servidor, deu uma ordem na casa.

"De obra todo mundo gosta, mas tínhamos antes de melhorar os processos de gestão, aumentar o acesso à assistência e o acolhimento, além de equacionar a questão financeira do instituto ao qual o hospital está ligado", diz Abrão Júnior, ex-presidente da Intermédica Saúde.

"Triplicamos as consultas e exames em quatro anos." Tudo continuará em funcionamento, "inclusive o pronto-socorro, unidade que fechou na reforma do Hospital das Clínicas." O desafio é ainda maior porque 60% dos pacientes internados possuem 60 anos ou mais.

"Aqui não dá para priorizá-los na fila. Quase todo o mundo é idoso." O novo PS será especializado no atendimento a essa faixa etária.

O Centro de Promoção e Proteção à Saúde do Idoso contará com um serviço de reabilitação física e social para a promoção do envelhecimento saudável. Terá também uma área de lazer e um anfiteatro para 420 pessoas.

NÚMEROS

R$ 147 milhões
serão investidos na reforma

1. 000
é o número de leitos da unidade

5. 000
são os funcionários

400 mil
consultas são realizadas mensalmente

1. 800
cirurgias são feitas por mês

60%
dos pacientes são idosos

Depois de briga diplomática, 271 veículos chegam da Bolívia
O Brasil já recebeu de volta 271 veículos furtados ou roubados que estavam na Bolívia ao menos desde 2011, segundo a FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais).

O governo Evo Morales permitiu naquele ano o registro de carros sem documentos.

Somente em fevereiro deste ano, após uma longa negociação diplomática, parte deles passou a atravessar a fronteira em Corumbá (MS).

Desde 2011, foram identificados no país vizinho 4.341 veículos com registros de roubos e furtos no Brasil.

Desse total, 483 carros de passeio, motos, caminhões e outros veículos foram apreendidos por autoridades bolivianas no momento da regularização e ficaram em depósitos.

Aqueles que atravessam a fronteira seguem para Campo Grande (MS) e ficam com a Polícia Civil. Todo o trajeto é custeado pela FenSeg.

Quinze seguradoras são donas de 96 veículos. A polícia começou a identificar os demais proprietários, que deverão custear a transferência.

Outros 42 carros apreendidos mais recentemente devem chegar pelo Acre.

"Essa iniciativa desvaloriza o veículo brasileiro na Bolívia, reduzindo roubos e furtos e até a violência nas cidades", diz o diretor-executivo da FenSeg, Neival Freitas.

VAIVÉM RODOVIÁRIO
A Justiça Federal no Rio Grande do Sul decidiu anteontem manter para o fim deste ano a concessão de uma das sete empresas que administram rodovias gaúchas.

O fim dos primeiros contratos de concessão de rodovias no país, firmados há 15 anos, gerou uma série de disputas judiciárias no Estado.

Outras concessionárias já conseguiram determinações semelhantes, contra a tentativa do governo estadual de retomar 11 praças de pedágio até o final deste mês.

A Santa Cruz Rodovias, que conseguiu agora a decisão favorável, administra três praças de pedágio a cerca de 150 km de Porto Alegre.

Sem a liminar, duas delas passariam nos próximos dias para o governo estadual, que começaria a receber as receitas. Outra seria da União, que deixaria de cobrar.

Para a Empresa Gaúcha de Rodovias, vinculada à administração estadual, o prazo de 15 anos de concessão está prestes a se encerrar.

A Santa Cruz, porém, alega na Justiça que a conta vale a partir da ordem de início da operação, que foi expedida em dezembro de 1998.

Os trechos em disputa totalizam mais de 590 km.

R$ 37 MILHÕES AO ANO
é quanto o governo do RS estima arrecadar com dois pedágios que hoje são da Santa Cruz Rodovias

DA LOJA PARA O QUIOSQUE
A coreana Samsung adotará quiosques como novo modelo de negócios.

No ano passado, a companhia abriu suas primeiras lojas exclusivas, em uma estratégia para se aproximar dos consumidores. Hoje, são 12 unidades no país. Cada uma recebe em média 5.000 clientes por mês, de acordo com dados da empresa.

Os quiosques venderão apenas a linha móvel da marca --smartphones, tablets, notebooks e câmeras-- e serão franquias.

A primeira unidade será inaugurada em Fortaleza, no shopping Iguatemi. O modelo não existe em outros países.

HOSPEDAGEM CATARINENSE
A Blue Tree Hotels fechou contrato com a Cota Empreendimentos Imobiliários para a administração de um hotel que será construído na cidade de Itajaí (SC).

O investimento será de R$ 35 milhões e a nova unidade ficará localizada na região central do município.

Com 200 apartamentos e um centro de convenções, o empreendimento (concebido para a categoria quatro estrelas) deverá ser inaugurado em 2015.

"Estamos investindo em cidades com grande potencial de negócios. Itajaí é uma delas devido a quantidade de empresas que estão se instalando por lá", afirma Chieko Aoki, presidente da rede Blue Tree.

R$ 35 milhões
serão investidos na construção do novo hotel em Itajaí (SC)

24
é o número de hotéis que a Blue Tree tem no Brasil

4.809
é o total de quartos que a rede disponibiliza atualmente em suas unidades no país

Garagem... A Ceva Logistics, com atuação em cerca de 170 países, irá instalar uma unidade de armazenamento em Juiz de Fora (MG). No local, prestará serviços para uma montadora --cujo nome não foi divulgado por questões contratuais.

...nova A Mercedes-Benz tem fábrica na cidade e a Fiat assinou, no ano passado, um protocolo de intenções com a prefeitura para implantar um centro de distribuições na região. A Ceva teve um faturamento global de € 7,2 bilhões em 2012.

Troca A ABB, empresa suíça de tecnologia de energia, fechou contrato de R$ 16 milhões para substituir seis unidades de disjuntor de gerador na hidrelétrica Luiz Gonzaga (PE), pertencente à Chesf. A conclusão das obras está prevista para meados de 2015.

FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA

O GLOBO - 09/05

Deu Manchester 1
Serão em Manchester, no Reino Unido, as edições 2014-2017 da Soccerex, convenção da indústria do futebol que se despede este ano do Rio. A organização negociava com a Rússia, país-sede da Copa 2018, a realização do evento em São Petersburgo ou Moscou. Os ingleses cobriram a oferta.

Deu Manchester 2
A cidade, que investe no futebol como nova vocação econômica, vai pagar pela Soccerex 50% além do que os russos pretendiam gastar. E 15% mais que o Rio. A 1ª feira em Manchester será em setembro de 2014; a 4ª do Rio, em novembro deste ano.

Em tempo
Salvador abrigará as edições 2014, 15 e 16) do Fórum Soccerex das Américas. O governo da Bahia apoia. O 1º será a dois meses da Copa.

Na fila
A Espaço Rubro Negro, loja oficial do Flamengo, já tem 16 mil pessoas inscritas para comprar a nova camisa do time. As peças começam a chegar em 28 de maio nas 22 unidades no Rio. As vendas devem subir 35% no dia.

Imagina
A Abap, das agências de publicidade, faz seminário, dia 14, no Rio, sobre ações de marketing permitidas pela Fifa para a Copa das Confederações e a Copa 2014. Vicente Rosenfeld, consultor de proteção às marcas da Fifa, participa.

-40% NO CUSTO DE PRODUÇÃO
É quanto pode cair o gasto total dos shoppings com as promoções cooperadas, estima a Ancar Ivanhoe. Para não haver danos à imagem, é preciso reunir shoppings com perfis parecidos.

Mão de obra 1
A Engemav contratou 15 dos 25 formandos da 1ª turma do curso básico de elétrica, parte do projeto Instalação Social. Há seis anos no Rio, a paulista de engenharia decidiu formar profissionais de comunidades cariocas, para driblar o apagão de mão de obra, diz o gerente João Cosenza. Deve crescer 30% este ano.

Mão de obra 2
A Sonda IT, de soluções de TI, aprovou cerca de 93% dos 207 funcionários que participaram de prova de certificação do SAP Associate. Todos atuam na Petrobras, no Rio. A chilena investiu R$ 500 mil em 41 mil horas de treinamentos internos e externos em 2012.

AMOR NA MODA
Agrife AD LifeStyle veicula catálogo de Dia dos Namorados em mídias sociais, hoje. Terá versão impressa, com 25 mil unidades. Os modelos Ana Hartmann eGuilhermeValle posaram para o fotógrafo Felipe Gaspar. Dona de 65 lojas, a marca prevê crescimento de 18% nas vendas.

NA REDE 1
A Salinas fechou com a Amazon. Agrife brasileira vai pôrà venda no site americano 20 biquínis do verão 2013.O preço médio é de US$ 75.

NA REDE 2
A loja virtual OffS hopper começa a venderTidsy, Luiza Dias, Andrea Bogosian e Nica Kessler (foto) sábado. Espera vender 20% mais.


AÇÕES CASADAS PARA OTIMIZAR CAMPANHAS
Shoppings querem ganhar consumidor com promoções cooperadas e unindo mais de uma data do varejo
Os shoppings brasileiros estão investindo em campanhas que casam mais de uma data do varejo, como Dia das Mães e dos Namorados. É um passo adiante nas promoções cooperadas, que unem malls de um mesmo grupo. O objetivo é fazer ações maiores a custos menores. “São datas em que todos estão comunicando a mesma coisa. O desafio é aparecer. E, claro, estimular a venda', explica Mônica Maciel, gerente de marketing corporativo da Ancar Invanhoe. O grupo faz campanha de Mães e Namorados em parceria com a Visa, sorteando ingressos para a Copa das Confederações. “A ação cooperada reduz o investimento total',' diz. No mercado, a estratégia é vista com reservas. “São campanhas com resultado de curto prazo, como a onda do sorteio do carro zero. Isso pode
afetar a identidade de cada mall', alerta Leonardo Cavalcanti, da agência PS10. Luiz Marinho, sócio-diretor da GS&BW diz que a tendência é ditada pela necessidade: “É um momento de hipercompetição. O risco é criar um consumidor oportunista'. Para Mônica, as campanhas institucionais não podem perder força: “Se atuarmos só nas datas fortes do varejo, arranhamos a identidade do mall”.

ESPORTES
O SporTV estreia hoje a campanha “Mais respeito com as magrelas”. O apelo contra os seguidos acidentes com ciclistas vai circularem TV, web, folhetos e mídia externa. A Bandeira de Mello criou. O canal também vai divulgara transmissão da Copa das Confederações. Onibus adesivados vão rodarem SP e Rio, amanhã.

A Kindle assina.

Feirão
A filial carioca da imobiliária Fernandez Mera espera vender R$ 10 milhões no Feirão da Casa Própria da CEF, de 17 a 19 deste mês, no Riocentro. É alta de 28,2% sobre o ano passado, quando negociou R$ 7,8 milhões em imóveis.
Vai oferecer mil unidades.

Vezes três
A Pinto de Almeida, de Niterói, prevê lançar seis empreendimentos em 2013. Serão cinco residenciais e um comercial. Devem somar R$ 300 milhões em vendas.

É praticamente o triplo do ano passado, quando a construtora comercializou R$ 110 milhões.

Tá lento
A Protel, administradora de condomínios, estima alta de 12% no total de unidades em carteira este ano. Vai desacelerar, frente ao avanço de 20% em 2012. Tudo a ver com o atraso na entrega de obras pelas construtoras.

LivreMercado
Otorneio Brasil HorseShowTour, que começa amanhã, distribui R$ 588 mil em prêmios este ano. Patrocinado por Governo do Rio, Oi, Mitsubishi e Coca-Cola, o evento vai custar R$ 6 milhões.

A Fabulous, marca da Agilità, terá esta nde próprio, pela 1ªvez, no Salão Bossa Nova. Vai investir R$ 700 mil. Quervender40%mais.

O mexicano Rota66abrefilial na Avenida Atlântica (Copacabana), no fim do mês. Estima aumento de 25% no faturamento.

É hoje e amanhã o seminário sobre oserviçode praticagem no Brasil. O Conapra organiza. O evento, no Rio, deve reunir300 profissionais. Comissão do governo elabora regras de contratações do setor.

O Instituto Refazer pôs camiseta à venda no site Use Huck, parceria de Luciano Huck e Reserva. Parte da renda vai para a entidade.

A Mood conquistou a conta de ativação da Raízen. Criará ações na área de esportes automotores, caso de StockCar e Fórmula 1.

A farinha de trigo ajudou a empurrar a alta dos preços - EDITORIAL O ESTADÃO

O Estado de S.Paulo - 09/05

O preço do pãozinho francês subiu 0,8%, em abril, 4,7%, no quadrimestre, e 15,86%, nos últimos 12 meses, devido ao preço do trigo - o Brasil consome cerca de 10 milhões de toneladas anuais, mas produz pouco mais do que a metade. O pãozinho contribuiu, assim, para a alta dos preços dos alimentos e bebidas de 0,96%, no mês passado, e para que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrasse um aumento de 0,55%, muito superior às projeções das consultorias privadas e reforçando o fato de que a luta contra a inflação é "constante e imutável", como disse há pouco a presidente Dilma. Resta ver se as armas anti-inflacionárias do governo desarmam mais esse fator de perturbação nos preços.

O IPCA, que mede a inflação oficial, superou março (0,47%) e foi de 6,49%, em 12 meses, esbarrando no teto do regime de metas, cujo objetivo é uma inflação anual de 4,5%. Em apenas quatro meses, a inflação de 2013 já atingiu 2,5% - e, se o ritmo de alta se mantiver constante até o fim do ano, o índice chegará a 7,68%. A alta de preços é generalizada, embora, no mês, o índice de difusão tenha caído de 69,04% para 65,75%.

Com a exceção dos itens de transportes e comunicação, todos os demais registraram elevação - liderados pela saúde e cuidados pessoais (+1,28%). Isoladamente, a alta de 2,99% nos preços dos remédios foi a que mais pesou na inflação do mês - contribuindo com 0,1 ponto porcentual ou 18% do IPCA. O governo autorizou um aumento dos preços dos remédios entre 2,7% e 6,31%.

Outros preços sob controle também subiram, nos últimos 12 meses, como as taxas de água e de esgoto (+8,26%), reduzindo o impacto da baixa das tarifas de telefonia fixa e de energia, por exemplo. Como ponto positivo, há um arrefecimento na inflação de serviços, mas esta ainda é muito alta (8,1% em 12 meses).

O IPCA de abril obriga os especialistas a reestimarem, para cima, a expectativa de inflação para 2013 (hoje de 5,71%, segundo a pesquisa Focus, do Banco Central). Estimula, ainda, a discussão sobre políticas monetária e de crédito mais restritivas, nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

O decano dos economistas clássicos brasileiros Eugenio Gudin escreveu no século passado que a inflação é o estado de coisas em que há mais direitos de haver do que bens que podem ser havidos. Traduzindo, a inflação é um fenômeno monetário. Se o governo quer mesmo derrubar a inflação, talvez não deva ignorar de todo a velha máxima.

Governo grande - CARLOS ALBERTO SARDENBERG

O GLOBO - 09/05

Sábado passado à tarde, aeroporto de Miami: quase três horas para carimbar o passaporte. Voos desembarcavam passageiros do mundo todo. Pessoas se aglomeravam em filas apertadas, manifestavam surpresa. Alguns brasileiros arriscavam a ironia: isso aqui está pior que Guarulhos, hein!? Pois deveriam estar contando com a confusão.

No começo da fila, um cartaz grande anunciava: "em razão dos cortes no orçamento federal, o departamento de imigração está trabalhando com menos funcionários do que o normal. Por favor, seja paciente e colabore com os agentes".

Conversa daqui e dali - nessas filas em caracol , você vai criando um companheirismo de infortúnio, pois cruza várias vezes com as mesmas pessoas - e deu para saber que quase ninguém ali sabia o que estava acontecendo. Algumas pessoas nem haviam percebido o cartaz. Outras, sim, mas estavam longe de saber por que, afinal, havia os tais cortes no orçamento federal.

Sentiam na carne os efeitos de um impasse político em Washington, mas nem imaginavam que se tratava disso, de governo e política. Para resumir, portanto: o presidente Obama e os líderes republicanos, depois de anos de negociações, ainda não chegaram a um acordo de longo prazo para o necessário ajuste das contas públicas americanas, com déficits anuais e dívidas elevadas. Como o orçamento federal tem se ser votado todo ano, há um impasse anual. Em um desses momentos, os dois lados concordaram com um arranjo provisório e estabeleceram que, não havendo entendimento consistente um ano depois, entrariam em vigor cortes automáticos de gastos em toda a administração federal, além de aumentos de impostos.

É o que está acontecendo. Na flexível administração americana, a falta de verbas públicas produz resultados imediatos. Funcionários são demitidos ou, solução mais branda, mandados para casa, em licença não remunerada; obras e compras, de equipamentos militares, por exemplo, são eliminadas: e serviços tornam-se precários, como a imigração nos aeroportos.

No caso daquele sábado à tarde, as vítimas eram estrangeiras. Não havia fila no guichê dos residentes nos EUA. Mas os americanos estavam pagando caro pela redução no número de controladores de tráfego aéreo: voos atrasados no país inteiro. Isso foi torrou tanto a paciência dos consumidores, que o Congresso reuniu-se às pressas para aprovar a liberação de verbas extraordinárias para o departamento de controle de voos, com o voto amplo de democratas e republicanos.

E quer saber? É bom mesmo que falhas da gestão pública sejam imediatamente sentidas pela população. É educativo. Desde a crise de 2008, tornou-se moda dizer que a culpa de tudo foi o excesso de liberalismo, que teria eliminado regulações e reduzido demais o tamanho e as funções do Estado. De fato, houve pouca regulação das atividades financeiras, mas especialmente nos EUA e em alguns países da Europa, como a Inglaterra. Mas está claro que não se pode dizer que o sistema financeiro brasileiro foi em algum momento desregulamentado. Nem nos demais emergentes.

Quanto ao tamanho governo, vamos concordar, gente: só cresceu e isso no mundo todo, EUA incluídos, como se vê agora.

Obama, que tem o poder de ordenar os cortes, tem sido acusado pelos republicanos de criar caso de propósito. Estaria cortando recursos de serviços diretos ao público para dizer: estão vendo! tudo culpa desses republicanos que não querem aumentar impostos para os ricos!

E assim o debate tornou-se mais urgente, embora não menos fácil: o governo é grande, é preciso cortar gastos - quais? - e aumentar impostos - de quem?

A propósito, governos estaduais querem cobrar imposto ao consumidor nas vendas via Internet. Hoje, essas vendas só são taxadas quando o vendedor tem presença física no Estado. Logo, as grandes lojas de departamentos já recolhem o imposto e, claro, o colocam no preço. Já empresas médias e pequenas, instaladas em um único Estado, e que só vendem pela Internet, não recolhem nada e ganham uma vantagem.

Uma decisão antiga da Suprema Corte diz que essas empresas não têm como lidar com a legislação tributária de tantos estados. Mas agora os legisladores federais estão dizendo que modernos softwares podem fazer isso facilmente. Entende-se a cobiça: uma arrecadação de US$ 12 bi/ano.

Nasce assim o ICMS americano. Eu não disse que o governo sempre cresce? E da pior maneira…