CORREIO BRAZILIENSE - 27/03
Quando a então deputada Ana Arraes, do PSB pernambucano e mãe do governador do estado, Eduardo Campos, venceu a disputa para integrar o Tribunal de Contas da União (TCU) houve quem dissesse que Eduardo vencera o primeiro embate no Parlamento. Errado. A primeira briga de fato contra o governo Dilma Rousseff começou ontem. E prosseguirá por todo esse semestre.
O pano de fundo dessa disputa é a Medida Provisória 595, que detalha o novo marco regulatório dos portos. Para quem já leu a respeito, peço licença para situar aqueles que não acompanham o tema. Eduardo Campos classifica que a centralização das licitações dos serviços portuários na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) é quebra do pacto federativo e cita o porto de Suape como de “excelência”. A ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, afirma que não e menciona de forma enfática que não existem “ilhas de excelência”.
O impasse está criado. Agora, governo federal e Eduardo Campos vão cabalar votos no plenário da Câmara e do Senado. Os socialistas consideram que a resistência do governo em negociar é apenas porque se trata de Eduardo, pré-candidato a presidente da República contra a presidente Dilma. E agora ela pretende usar a MP para mostrar quem manda. “Por que ela não transforma Suape num Terminal de Uso Privativo como fez com o do Ceará? Só não faz e vai para a briga porque é o Eduardo que está defendendo que as licitações de Suape não fiquem centralizadas”, dizia o deputado Márcio França (PSB-SP),enquanto Eduardo Campos era cercado por repórteres ontem ao sair da comissão que estuda o tema.
Essa briga entre Eduardo Campos e o governo Dilma Rousseff ficaria restrita a pé de pagina dos jornais e nem seria tratada aqui nesta coluna se fosse apenas mais um embate entre um estado e o governo federal. Mas não é bem assim. O fato de Eduardo Campos ser pré-candidato a presidente da República põe essa disputa sob os holofotes na forma de uma queda de braço, onde cada partido será monitorado com uma lupa. Quem for favorável à descentralização das licitações estará do lado de Eduardo Campos. Quem for contra estará ao lado de Dilma.
Nessa disputa, não se surpreenda, leitor, se Eduardo Campos levar a melhor. Ele pode unir o útil ao agradável. Primeiramente, a centralização das licitações prevista na Medida Provisória desagradou aos atuais gestores dos portos, embora tenha sido feita com a maior boa vontade por parte do governo federal. Esse é o lado agradável para alguns políticos ligados aos atuais dirigentes portuários.
Além disso, há o argumento da utilidade política. Muitos partidos que aguardam um chamamento do Planalto podem se alinhar ao governador nesse tema para dar um recado à presidente Dilma Rousseff. A bancada do PR espera um cargo de primeiro escalão para chamar de seu. No mesmo barco, está o PTB de Gim Argello e do vice-presidente da legenda, Benito Gama. Ora, se levar um susto na MP dos Portos, talvez Dilma acelere esse chamado.
Enquanto isso, na matemática...
A presidente pode perfeitamente considerar que as suas intenções de voto, suficientes hoje para assegurar uma vitória no primeiro turno, podem dispensar uma rendição às manobras partidárias. Mas, como me contava ontem um integrante da base governista, intenção de voto a mais de um no da eleição é algo volátil. Anthony Garotinho, por exemplo, tinha 4% nas pesquisas em 2002, faltando menos de um mês para a eleição. Obteve 19% dos votos e por pouco não foi ao segundo turno contra Lula. Seguro morreu de velho. Ou Dilma acerta logo a base para votar a MP, ou terá problemas ali na frente. Faça sua aposta. Vale registro ainda a forma como Eduardo está tirando o PSDB do debate dessa MP. Mas essa é outra história.
quarta-feira, março 27, 2013
FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS &CIA
O GLOBO - 27/03
RIO RECEBEU R$ 264 MILHÕES DE ROYALTIES EM MARÇO
ANP fez repasses a União, estados e prefeituras três dias após liminar do STF. Lei antiga vale, no mínimo, até maio
Foi de R$ 264,065 milhões (veja o gráfico) o valor que o Estado do Rio recebeu de royalties pela produção de óleo e gás em janeiro deste ano. A Agência Nacional do Petróleo fez o repasse ao governo fluminense 5ª feira passada, três dias depois de a ministra Cármen Lúcia conceder liminar suspendendo os efeitos da nova lei de repartição da renda do óleo e gás. Nos pagamentos até maio, a ANP já avisou que levará em conta a Lei 9.478, antiga. Trata-se do texto em vigor no início do mês em que ocorreu a produção. Assim, União, estados e municípios produtores receberão em abril os royalties referentes a fevereiro; e em maio, os de março. Mas a situação tende a se estender, ao menos, até junho, uma vez que o plenário do STF não mudará a decisão da ministra antes do 1º de abril.
AOS PÉS
A Outer, de calçados, lança hoje campanha da coleção de inverno, “Tempo de ação”. Um condomínio no Itanhangá serviu de cenário. As fotos, de Eduardo Guedes, serão veiculadas nas mídias sociais da marca. Dona de sete lojas no Rio e de uma em Recife, a grife prevê alta de 20% no faturamento sobre o inverno passado.
MENINOS
A Aviator, grife masculina, apresenta a campanha de inverno na internet na próxima quarta-feira, 3 de abril. É o mesmo dia em que as peças chegarão às lojas. O modelo Fernando Diniz posou para o fotógrafo Markos Fortes. As imagens vão circular em mídia impressa na 2ª quinzena de maio. A marca quer vender até 30% mais. Tem 22 unidades e loja virtual.
Feriadão
Está em 74,51% a taxa de ocupação dos hotéis cariocas para o feriadão da Páscoa. São cinco pontos percentuais (79,12%) abaixo da Semana Santa 2012, diz a ABIH-RJ. É resultado do aumento da oferta de quartos no Rio. Nos eixos Leme-Copacabana e Ipanema-Leblon, o índice passa de 90%.
Cultura
A Oi divulga hoje o resultado da edição 2013 do programa Patrocínios Culturais Incentivados. Foram 103 selecionados, contra 92 no ano passado. Festival do Rio, Bienal de Artes Visuais do Mercosul (RS) e Orquestra de Sopros de Pindoretama (CE) estão no grupo. A operadora investe até R$ 50 milhões por ano em cultura.
Está caro
A alta no cachê dos DJs estrangeiros já ameaça a realização de eventos no Brasil. É o que diz a i9 Branding, organizadora do E-Music. Em maio, o evento deve levar 15 mil pessoas à Cidade do Rock. É aporte de R$ 3 milhões. No RMC, em fevereiro, houve a mesma queixa. O valores dos DJs subiram 65% sobre 2012.
e-Patentes
O INPI espera reduzir em 30% o tempo de análise dos pedidos de patentes com o depósito de processos via internet. O serviço foi lançado dia 20.O 1º pedido on-line saiu do escritório de advocacia Dannemann Siemsen. O INPI já tem dois.
É seguro 1
A demanda por seguro ambiental disparou 89% em janeiro de 2013 sobre um ano antes, diz a FenSeg. As empresas arrecadaram cerca de R$ 2,1 milhões no mês. Em 2012, as apólices variaram de R$ 5 milhões a R$100 milhões.
É seguro 2
A DBTrans, de logística de transportes, vai entrar no mercado segurador. Está lançando o Rodocred Seguros. Prevê somar R$ 132,8 milhões em prêmios em cinco anos.
Convergência
Institutos de pesquisas de estados brasileiros discutem com IBGE e Ipea a unificação de metodologias de estudos socioeconômicos. “Os dados precisam ser compatíveis e comparáveis”, diz Julio Miragaya, do Codeplan (DF).
Livre Mercado
O Icec, índice de confiança do empresário do comércio, caiu 0,2% em março, para 126,9 pontos. Foi a 9ª queda na comparação com o ano anterior. A expectativa com o futuro subiu 1,5%. Os dados são da CNC.
A LLX criou blog sobre o Porto do Açu. Informa andamento das obras e projetos socioambientais.
Roberto Ramos, da Odebrecht Óleo e Gás, presidirá a Amcham Rio. Vai substituir Henrique Rzezinski.
A posse é dia 5 de abril.
A Aspen Pharma vai doar 40 caixas do xampu Kwell aos Amigos de Fé, em São Paulo. Há um surto de pediculose no instituto, dedicado a crianças portadoras de HIV.
CIDADANIA
O Sistema Firjan põe na rua hoje a campanha do Sesi Cidadania. As estrelas são funcionários e moradores de comunidades com UPP, caso de Edilma Carvalho, agente do programa. Ela aparece com o Morro da Providência ao fundo. O filme vai circular na web. É criação da DM9Rio.
Azeite 1
A Nutrilabs, de alimentos naturais e funcionais, espera faturar R$ 12 milhões em 2014. Investiu R$ 150 mil na nova linha Azeite Vianna, com sete opções aromáticas.
Azeite 2
A Olisur importou 700 mil litros de azeite chileno. Quer bater 5% de participação de mercado no Estado do Rio.
Olha o mate 1
A MegaMatte está investindo R$ 3 milhões na abertura de uma dezena de lojas neste 1º semestre, todas franquias. Duas abrem esta semana no Rio: Curicica e Centro.
Olha o mate 2
A rede de lanchonetes termina março com 106 lojas no país. As receitas vão subir 10% com as inaugurações.
CASA ÉTNICA
As estampas étnicas são destaque da coleção de inverno da Riachuelo Moda Casa. As peças chegam esta semana às lojas. A campanha, em TV e impressos, estreia na terça, dia 2 de abril. O grupo tem 157 lojas próprias no país e mais de 17 milhões de clientes no cartão Riachuelo.
RIO RECEBEU R$ 264 MILHÕES DE ROYALTIES EM MARÇO
ANP fez repasses a União, estados e prefeituras três dias após liminar do STF. Lei antiga vale, no mínimo, até maio
Foi de R$ 264,065 milhões (veja o gráfico) o valor que o Estado do Rio recebeu de royalties pela produção de óleo e gás em janeiro deste ano. A Agência Nacional do Petróleo fez o repasse ao governo fluminense 5ª feira passada, três dias depois de a ministra Cármen Lúcia conceder liminar suspendendo os efeitos da nova lei de repartição da renda do óleo e gás. Nos pagamentos até maio, a ANP já avisou que levará em conta a Lei 9.478, antiga. Trata-se do texto em vigor no início do mês em que ocorreu a produção. Assim, União, estados e municípios produtores receberão em abril os royalties referentes a fevereiro; e em maio, os de março. Mas a situação tende a se estender, ao menos, até junho, uma vez que o plenário do STF não mudará a decisão da ministra antes do 1º de abril.
AOS PÉS
A Outer, de calçados, lança hoje campanha da coleção de inverno, “Tempo de ação”. Um condomínio no Itanhangá serviu de cenário. As fotos, de Eduardo Guedes, serão veiculadas nas mídias sociais da marca. Dona de sete lojas no Rio e de uma em Recife, a grife prevê alta de 20% no faturamento sobre o inverno passado.
MENINOS
A Aviator, grife masculina, apresenta a campanha de inverno na internet na próxima quarta-feira, 3 de abril. É o mesmo dia em que as peças chegarão às lojas. O modelo Fernando Diniz posou para o fotógrafo Markos Fortes. As imagens vão circular em mídia impressa na 2ª quinzena de maio. A marca quer vender até 30% mais. Tem 22 unidades e loja virtual.
Feriadão
Está em 74,51% a taxa de ocupação dos hotéis cariocas para o feriadão da Páscoa. São cinco pontos percentuais (79,12%) abaixo da Semana Santa 2012, diz a ABIH-RJ. É resultado do aumento da oferta de quartos no Rio. Nos eixos Leme-Copacabana e Ipanema-Leblon, o índice passa de 90%.
Cultura
A Oi divulga hoje o resultado da edição 2013 do programa Patrocínios Culturais Incentivados. Foram 103 selecionados, contra 92 no ano passado. Festival do Rio, Bienal de Artes Visuais do Mercosul (RS) e Orquestra de Sopros de Pindoretama (CE) estão no grupo. A operadora investe até R$ 50 milhões por ano em cultura.
Está caro
A alta no cachê dos DJs estrangeiros já ameaça a realização de eventos no Brasil. É o que diz a i9 Branding, organizadora do E-Music. Em maio, o evento deve levar 15 mil pessoas à Cidade do Rock. É aporte de R$ 3 milhões. No RMC, em fevereiro, houve a mesma queixa. O valores dos DJs subiram 65% sobre 2012.
e-Patentes
O INPI espera reduzir em 30% o tempo de análise dos pedidos de patentes com o depósito de processos via internet. O serviço foi lançado dia 20.O 1º pedido on-line saiu do escritório de advocacia Dannemann Siemsen. O INPI já tem dois.
É seguro 1
A demanda por seguro ambiental disparou 89% em janeiro de 2013 sobre um ano antes, diz a FenSeg. As empresas arrecadaram cerca de R$ 2,1 milhões no mês. Em 2012, as apólices variaram de R$ 5 milhões a R$100 milhões.
É seguro 2
A DBTrans, de logística de transportes, vai entrar no mercado segurador. Está lançando o Rodocred Seguros. Prevê somar R$ 132,8 milhões em prêmios em cinco anos.
Convergência
Institutos de pesquisas de estados brasileiros discutem com IBGE e Ipea a unificação de metodologias de estudos socioeconômicos. “Os dados precisam ser compatíveis e comparáveis”, diz Julio Miragaya, do Codeplan (DF).
Livre Mercado
O Icec, índice de confiança do empresário do comércio, caiu 0,2% em março, para 126,9 pontos. Foi a 9ª queda na comparação com o ano anterior. A expectativa com o futuro subiu 1,5%. Os dados são da CNC.
A LLX criou blog sobre o Porto do Açu. Informa andamento das obras e projetos socioambientais.
Roberto Ramos, da Odebrecht Óleo e Gás, presidirá a Amcham Rio. Vai substituir Henrique Rzezinski.
A posse é dia 5 de abril.
A Aspen Pharma vai doar 40 caixas do xampu Kwell aos Amigos de Fé, em São Paulo. Há um surto de pediculose no instituto, dedicado a crianças portadoras de HIV.
CIDADANIA
O Sistema Firjan põe na rua hoje a campanha do Sesi Cidadania. As estrelas são funcionários e moradores de comunidades com UPP, caso de Edilma Carvalho, agente do programa. Ela aparece com o Morro da Providência ao fundo. O filme vai circular na web. É criação da DM9Rio.
Azeite 1
A Nutrilabs, de alimentos naturais e funcionais, espera faturar R$ 12 milhões em 2014. Investiu R$ 150 mil na nova linha Azeite Vianna, com sete opções aromáticas.
Azeite 2
A Olisur importou 700 mil litros de azeite chileno. Quer bater 5% de participação de mercado no Estado do Rio.
Olha o mate 1
A MegaMatte está investindo R$ 3 milhões na abertura de uma dezena de lojas neste 1º semestre, todas franquias. Duas abrem esta semana no Rio: Curicica e Centro.
Olha o mate 2
A rede de lanchonetes termina março com 106 lojas no país. As receitas vão subir 10% com as inaugurações.
CASA ÉTNICA
As estampas étnicas são destaque da coleção de inverno da Riachuelo Moda Casa. As peças chegam esta semana às lojas. A campanha, em TV e impressos, estreia na terça, dia 2 de abril. O grupo tem 157 lojas próprias no país e mais de 17 milhões de clientes no cartão Riachuelo.
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
FOLHA DE SP - 27/03
Argentina fecha contrato com portuguesa para setor eólico
A companhia argentina Impsa, fabricante de maquinaria para parques eólicos, fechou contrato de R$ 135 milhões para fornecer equipamentos e manutenção a duas usinas da portuguesa Tecneira, que serão construídas no Ceará.
A montagem dos aerogeradores deve acontecer já em janeiro e fevereiro do próximo ano, quando os ventos na região são mais fracos.
No total, foram vendidos 21 equipamentos. Todos serão fabricados em uma planta no Pernambuco -a maior da companhia.
"Nossa principal operação está no Brasil por causa do tamanho do mercado", diz o vice-presidente da empresa, José Luis Menghini.
"O BNDES também facilitou nosso trabalho no país", acrescenta Menghini.
Atualmente, a Impsa tem capacidade para produzir até 450 aerogeradores por ano no Brasil.
Esse número deve subir para cerca de 660 com a construção de uma fábrica no Rio Grande do Sul.
"Serão entre 200 e 220 unidades, ainda depende da demanda do Uruguai e da região Sul", afirma.
Apenas 5% da produção brasileira da companhia é exportada. Argentina, Venezuela e Uruguai são os principais mercados de destino.
No ano passado, a Impsa faturou aproximadamente US$ 1,4 bilhão. A Tecneira, por sua vez, está entrando no país com esses dois parques eólicos.
Como em Yale
A Gant, grife que surgiu da inspiração do estilo de estudantes das grandes universidades americanas, cresce no Brasil através de multimarcas. A estratégia de expansão foi definida em 2011 e, de lá para cá, a marca já está em 83 pontos de venda, além da presença em três lojas próprias, uma em Curitiba e duas em São Paulo.
Impressiona o crescimento no Nordeste. "Vendemos até blazers por lá, ainda que bermudas e camisas saiam mais", diz o CEO Luis Mendes.
A grife vê espaço para crescer também, por meio de franquias.
Podem chegar a 20 ou 30 novos pontos de venda, segundo Mendes, que não fala em prazos.
A abertura de duas unidades, inclusive uma loja própria, já está em negociação. "Nossas próximas prioridades são São Paulo e Belo Horizonte", afirma.
Multinacional aumentará a produção de químicos no país
A AkzoNobel, multinacional de origem holandesa do setor de tintas e revestimentos industriais, irá aumentar sua capacidade de produção no país de químicos para o setor de petróleo e gás.
O diretor da empresa para Brasil e América Latina, Jaap de Jong, afirma que será investido nas fábricas da companhia, mas não divulga o valor nem as unidades que receberão o aporte.
Jong diz que os resultados recentes da Petrobras não afetarão os projetos de expansão desse segmento da AkzoNobel.
"Realmente, isso não nos preocupa. Ela [a petrolífera] vai fazer seus investimentos que precisam ser feitos. A única pergunta é se fará dentro do cronograma."
Com a crise na Europa, o Brasil passou a ser uma das prioridades da multinacional. A intenção é que o faturamento no país chegue a € 1,5 bilhão em 2015.
"O dobro do que tínhamos em 2010", diz Jong.
Hoje, os países emergentes são responsáveis por 45% da receita da empresa -número que deve se elevar para 50% em três anos.
O crescimento do PIB brasileiro de 0,9% também não assusta o executivo.
"Para nós, os setores importantes são de infraestrutura, automotivo, petróleo, agricultura e mineração. Todos eles cresceram mais que o PIB."
Indenização sobre rodas
A Mapfre pagou mais de R$ 2 bilhões em indenizações de seguros de automóveis para seus clientes em 2012. O montante é quase a metade do total pago de sinistros, que foi de R$ 4,3 bilhões.
A SulAmérica destinou aproximadamente R$ 1,5 bilhão para o pagamento das perdas e danos dos segurados na mesma modalidade. O valor corresponde a cerca de 65% do prêmio (novos contratos) no período.
A Porto Seguro pagou R$ 1,9 bilhão em indenizações no mesmo período.
É a economia
Mais da metade (52%) dos britânicos acha que a economia é a questão mais importante a ser enfrentada pelo país. Os dados são de um levantamento do Ipsos Group, companhia especializada em pesquisa, realizado na ilha em março deste ano.
Em segundo lugar nas preocupações britânicas (29%), estão relações raciais e imigração, alta de sete pontos percentuais ante janeiro.
A boa notícia é que o desemprego caiu da segunda para a terceira posição entre as temáticas mais importantes.
A falta de emprego apresenta trajetória de queda nas preocupações gerais desde abril do ano passado, quando foi de 40%.
O NHS, serviço nacional de saúde, foi o que apresentou maior alta na pesquisa, crescimento de oito pontos percentuais ante fevereiro.
A companhia argentina Impsa, fabricante de maquinaria para parques eólicos, fechou contrato de R$ 135 milhões para fornecer equipamentos e manutenção a duas usinas da portuguesa Tecneira, que serão construídas no Ceará.
A montagem dos aerogeradores deve acontecer já em janeiro e fevereiro do próximo ano, quando os ventos na região são mais fracos.
No total, foram vendidos 21 equipamentos. Todos serão fabricados em uma planta no Pernambuco -a maior da companhia.
"Nossa principal operação está no Brasil por causa do tamanho do mercado", diz o vice-presidente da empresa, José Luis Menghini.
"O BNDES também facilitou nosso trabalho no país", acrescenta Menghini.
Atualmente, a Impsa tem capacidade para produzir até 450 aerogeradores por ano no Brasil.
Esse número deve subir para cerca de 660 com a construção de uma fábrica no Rio Grande do Sul.
"Serão entre 200 e 220 unidades, ainda depende da demanda do Uruguai e da região Sul", afirma.
Apenas 5% da produção brasileira da companhia é exportada. Argentina, Venezuela e Uruguai são os principais mercados de destino.
No ano passado, a Impsa faturou aproximadamente US$ 1,4 bilhão. A Tecneira, por sua vez, está entrando no país com esses dois parques eólicos.
Como em Yale
A Gant, grife que surgiu da inspiração do estilo de estudantes das grandes universidades americanas, cresce no Brasil através de multimarcas. A estratégia de expansão foi definida em 2011 e, de lá para cá, a marca já está em 83 pontos de venda, além da presença em três lojas próprias, uma em Curitiba e duas em São Paulo.
Impressiona o crescimento no Nordeste. "Vendemos até blazers por lá, ainda que bermudas e camisas saiam mais", diz o CEO Luis Mendes.
A grife vê espaço para crescer também, por meio de franquias.
Podem chegar a 20 ou 30 novos pontos de venda, segundo Mendes, que não fala em prazos.
A abertura de duas unidades, inclusive uma loja própria, já está em negociação. "Nossas próximas prioridades são São Paulo e Belo Horizonte", afirma.
Multinacional aumentará a produção de químicos no país
A AkzoNobel, multinacional de origem holandesa do setor de tintas e revestimentos industriais, irá aumentar sua capacidade de produção no país de químicos para o setor de petróleo e gás.
O diretor da empresa para Brasil e América Latina, Jaap de Jong, afirma que será investido nas fábricas da companhia, mas não divulga o valor nem as unidades que receberão o aporte.
Jong diz que os resultados recentes da Petrobras não afetarão os projetos de expansão desse segmento da AkzoNobel.
"Realmente, isso não nos preocupa. Ela [a petrolífera] vai fazer seus investimentos que precisam ser feitos. A única pergunta é se fará dentro do cronograma."
Com a crise na Europa, o Brasil passou a ser uma das prioridades da multinacional. A intenção é que o faturamento no país chegue a € 1,5 bilhão em 2015.
"O dobro do que tínhamos em 2010", diz Jong.
Hoje, os países emergentes são responsáveis por 45% da receita da empresa -número que deve se elevar para 50% em três anos.
O crescimento do PIB brasileiro de 0,9% também não assusta o executivo.
"Para nós, os setores importantes são de infraestrutura, automotivo, petróleo, agricultura e mineração. Todos eles cresceram mais que o PIB."
Indenização sobre rodas
A Mapfre pagou mais de R$ 2 bilhões em indenizações de seguros de automóveis para seus clientes em 2012. O montante é quase a metade do total pago de sinistros, que foi de R$ 4,3 bilhões.
A SulAmérica destinou aproximadamente R$ 1,5 bilhão para o pagamento das perdas e danos dos segurados na mesma modalidade. O valor corresponde a cerca de 65% do prêmio (novos contratos) no período.
A Porto Seguro pagou R$ 1,9 bilhão em indenizações no mesmo período.
É a economia
Mais da metade (52%) dos britânicos acha que a economia é a questão mais importante a ser enfrentada pelo país. Os dados são de um levantamento do Ipsos Group, companhia especializada em pesquisa, realizado na ilha em março deste ano.
Em segundo lugar nas preocupações britânicas (29%), estão relações raciais e imigração, alta de sete pontos percentuais ante janeiro.
A boa notícia é que o desemprego caiu da segunda para a terceira posição entre as temáticas mais importantes.
A falta de emprego apresenta trajetória de queda nas preocupações gerais desde abril do ano passado, quando foi de 40%.
O NHS, serviço nacional de saúde, foi o que apresentou maior alta na pesquisa, crescimento de oito pontos percentuais ante fevereiro.
Centro da dúvida - MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 27/03
O resgate ao Chipre tem sabor de derrota para a zona do euro. O Chipre impôs controle à entrada e saída de capitais, o que numa zona de moeda comum é uma contradição. Logo, a ilha está dentro e fora da união monetária. A confiança nos bancos foi quebrada com o confisco sobre depósitos acima de € 100 mil. As lideranças europeias foram incompetentes e falaram o que não devia.
Ontem, tentava-se ainda consertar a declaração do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem. O ministro holandês provocou a queda das ações de bancos espanhóis, italianos e até franceses ao dizer que o caso de Chipre seria o modelo. Deu medo nos aplicadores, e com razão. Depois, garantiram que é um caso à parte, mas a Eslovênia começou a afundar da mesma maneira.
Os depósitos até € 100 mil são protegidos por lei europeia. A cifra garante os que têm menos, mas atinge a classe média. Sendo feito dentro de uma reestruturação bancária, o confisco não precisa de aprovação dos parlamentos e isso quer dizer que a qualquer momento outros países podem baixar a medida. Para efeito de comparação, se esse confisco fosse aplicado no Brasil, quem tivesse R$ 260 mil em conta perderia entre 30% e 40% disso da noite para o dia. Poderia ficar até R$ 104 mil mais pobre. Não é difícil imaginar a dúvida que paira sobre a cabeça de gregos, portugueses, espanhóis, irlandeses e italianos. Eles olharão de forma diferente para os seus extratos bancários. A quebra de confiança e ameaça de saques colocam novamente em risco a solvência do cambaleante sistema financeiro europeu.
- Se eu fosse europeu, e tivesse dinheiro em conta acima desse corte, estaria cogitando sacar as economias para deixar apenas € 99,99 mil. Se as pessoas fizerem isso, os bancos terão problemas - disse a economista Monica de Bolle, da consultoria Galanto.
O termo técnico é taxação sobre depósitos, mas, na prática, o que houve foi confisco. Dentro de um processo de reestruturação bancária, estabeleceu-se um valor que não pode ser resgatado nas contas acima de € 100 mil. Se fosse imposto, como pensou-se inicialmente, tinha que passar pelo parlamento. Para Monica de Bolle, o controle de capitais sobre o Chipre significa que o país está dentro de uma união monetária, mas seu dinheiro tem menos liberdade que o de outros países. Virou um caso à parte na zona do euro:
- O capital que está dentro do Chipre, agora, é diferente do que está na Alemanha, Grécia, Portugal. São euros diferentes. O euro do Chipre é uma moeda que não é conversível porque sofre controle de capitais. Isso coloca o país com um pé dentro da zona do euro e outro fora.
O segundo maior banco do país, o Laiki, foi fechado, com a separação dos ativos podres dos bons. Os ativos bons serão incorporados ao Banco do Chipre, o maior do país, e os ruins, liquidados. E o primeiro, cujo presidente está se demitindo, o Banco do Chipre, só não foi fechado para não desorganizar mais a economia. Os bancos ainda não passaram pelo teste de fogo que será reabrir após ficarem mais de uma semana fechados.
A pergunta mais difícil de responder é: por que a Europa resolveu quebrar o pilar de sustentação dos bancos - a confiança - em troca de um resgate de € 10 bi, menos de 10% do que foi gasto com a Grécia? O que mais se diz é que a chanceler Angela Merkel tem eleições em setembro e não quer desagradar seu eleitor com mais um resgate. Principalmente ao Chipre, uma pequena ilha, paraíso fiscal, com fortes relações com a Rússia. Mas a explicação parece insuficiente.
De qualquer maneira, a crise no Chipre está destinada a ficar na história econômica como um dos momentos de maior imperícia das autoridades.
A crise da Grécia atormentou o mundo e foi controlada com dificuldade. Agora, é o Chipre que está no centro da dúvida sobre o futuro da moeda comum. Tudo o que havia sido superado começa a ser rediscutido. Nunca tantos erraram tanto em tão pouco tempo.
Ontem, tentava-se ainda consertar a declaração do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem. O ministro holandês provocou a queda das ações de bancos espanhóis, italianos e até franceses ao dizer que o caso de Chipre seria o modelo. Deu medo nos aplicadores, e com razão. Depois, garantiram que é um caso à parte, mas a Eslovênia começou a afundar da mesma maneira.
Os depósitos até € 100 mil são protegidos por lei europeia. A cifra garante os que têm menos, mas atinge a classe média. Sendo feito dentro de uma reestruturação bancária, o confisco não precisa de aprovação dos parlamentos e isso quer dizer que a qualquer momento outros países podem baixar a medida. Para efeito de comparação, se esse confisco fosse aplicado no Brasil, quem tivesse R$ 260 mil em conta perderia entre 30% e 40% disso da noite para o dia. Poderia ficar até R$ 104 mil mais pobre. Não é difícil imaginar a dúvida que paira sobre a cabeça de gregos, portugueses, espanhóis, irlandeses e italianos. Eles olharão de forma diferente para os seus extratos bancários. A quebra de confiança e ameaça de saques colocam novamente em risco a solvência do cambaleante sistema financeiro europeu.
- Se eu fosse europeu, e tivesse dinheiro em conta acima desse corte, estaria cogitando sacar as economias para deixar apenas € 99,99 mil. Se as pessoas fizerem isso, os bancos terão problemas - disse a economista Monica de Bolle, da consultoria Galanto.
O termo técnico é taxação sobre depósitos, mas, na prática, o que houve foi confisco. Dentro de um processo de reestruturação bancária, estabeleceu-se um valor que não pode ser resgatado nas contas acima de € 100 mil. Se fosse imposto, como pensou-se inicialmente, tinha que passar pelo parlamento. Para Monica de Bolle, o controle de capitais sobre o Chipre significa que o país está dentro de uma união monetária, mas seu dinheiro tem menos liberdade que o de outros países. Virou um caso à parte na zona do euro:
- O capital que está dentro do Chipre, agora, é diferente do que está na Alemanha, Grécia, Portugal. São euros diferentes. O euro do Chipre é uma moeda que não é conversível porque sofre controle de capitais. Isso coloca o país com um pé dentro da zona do euro e outro fora.
O segundo maior banco do país, o Laiki, foi fechado, com a separação dos ativos podres dos bons. Os ativos bons serão incorporados ao Banco do Chipre, o maior do país, e os ruins, liquidados. E o primeiro, cujo presidente está se demitindo, o Banco do Chipre, só não foi fechado para não desorganizar mais a economia. Os bancos ainda não passaram pelo teste de fogo que será reabrir após ficarem mais de uma semana fechados.
A pergunta mais difícil de responder é: por que a Europa resolveu quebrar o pilar de sustentação dos bancos - a confiança - em troca de um resgate de € 10 bi, menos de 10% do que foi gasto com a Grécia? O que mais se diz é que a chanceler Angela Merkel tem eleições em setembro e não quer desagradar seu eleitor com mais um resgate. Principalmente ao Chipre, uma pequena ilha, paraíso fiscal, com fortes relações com a Rússia. Mas a explicação parece insuficiente.
De qualquer maneira, a crise no Chipre está destinada a ficar na história econômica como um dos momentos de maior imperícia das autoridades.
A crise da Grécia atormentou o mundo e foi controlada com dificuldade. Agora, é o Chipre que está no centro da dúvida sobre o futuro da moeda comum. Tudo o que havia sido superado começa a ser rediscutido. Nunca tantos erraram tanto em tão pouco tempo.
A mediocridade satisfeita - ALEXANDRE SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 27/03
O comportamento do mercado de trabalho, salários e preços aponta uma conclusão desanimadora
O crescimento brasileiro acelerou visivelmente entre 2003 e 2010, atingindo uma velocidade média de 4% ao ano, ante 2,5% ao ano nos oito anos anteriores.
Voltamos, porém, a patinar em 2011 e 2012, crescendo a menos de 2% ao ano. Mesmo que observe-
mos a aceleração esperada para este ano (3%) e para o próximo (3,5%), estaremos de volta ao patamar anterior. Trata-se de desaceleração cíclica ou de reflexo de um problema mais profundo?
Não resta dúvida acerca do diagnóstico do governo.
Na sua visão, a piora do desempenho é tratada como questão cíclica, provavelmente causada pela crise internacional, assim como pela menor disponibilidade de crédito, um mini "replay" da crise de 2009, que mereceria, portanto, o mesmo tipo de resposta: juros mais baixos, aumento da disponibilidade de crédito por meio dos bancos públicos e, por fim, uma política fiscal mais frouxa, expressa na redução ("anticíclica") do superavit primário.
Há apenas um problema com esse diagnóstico: não encontra o menor amparo na realidade.
Para começar, é difícil justificar que a crise internacional teria causado uma redução no crescimento brasileiro ao mesmo tempo em que vários países da região, até mais dependentes de commodities do que o Brasil, tenham registrado aceleração no período.
Afora isso, em 2009 observamos piora no mercado de trabalho e redução expressiva da inflação.
Agora, ao contrário, o desemprego continuou a cair, e a inflação, após breve queda (em boa parte devido às mudanças metodológicas no IPCA), voltou a acelerar, a ponto de forçar até o relutante BC a recuar de sua promessa de manter "a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado".
Tais observações são consistentes com uma economia que, em vez de enfrentar uma desaceleração cíclica, parece operar próxima ao seu potencial, como expresso na menor taxa de desemprego observada desde o início da série do IBGE.
Da mesma forma, diferentemente do observado em 2009, quando a velocidade de crescimento dos salários nominais caiu de valores próximos a 11%-12% ao ano para algo em torno de 4%-5% ao ano, estes se expandem hoje a 9%-10% ao ano, também um sintoma de aquecimento no mercado de trabalho.
Aliás, dado que o crescimento da produtividade teima em permanecer ao redor de 1%-1,5% ao ano, bem inferior à expansão salarial, não é difícil concluir que o custo por unidade produzida venha aumentando e, portanto, pressionando a inflação, em particular nos segmentos em que a concorrência internacional é escassa (por exemplo, serviços).
O comportamento do mercado de trabalho, salários e preços aponta, portanto, para uma conclusão desanimadora. A queda de desempenho não se deve principalmente a questões cíclicas, mas, sim, como finalmente o BC parece ter reconhecido, "a limitações no campo da oferta", ou seja, gargalos no mercado de trabalho (e também infraestrutura) que impedem o crescimento mais vigoroso.
Não se trata, quero deixar claro, de afirmar que houve necessariamente redução do nosso ritmo de crescimento potencial nos últimos anos, mas de algo até mais sério.
É bastante possível que sempre tenha sido baixo; tendo saído, porém, de uma situação de desemprego muito elevado no começo
da década passada, pudemos crescer acima do potencial pela utilização da mão de obra então disponível, reduzindo o desemprego ao longo do processo.
Essa estratégia enfrenta suas óbvias limitações, no entanto, quando a disponibilidade de mão de obra se esgota.
Assim, como não preparamos a transição para um crescimento baseado na produtividade, na prática abandonando o processo de reforma que se estendeu de 1995 a 2006, esses limites se traduzem em crescimento baixo e inflação alta.
Já a persistência da estratégia atual de política econômica sugere que o governo está mais do que satisfeito com essa mediocridade.
O comportamento do mercado de trabalho, salários e preços aponta uma conclusão desanimadora
O crescimento brasileiro acelerou visivelmente entre 2003 e 2010, atingindo uma velocidade média de 4% ao ano, ante 2,5% ao ano nos oito anos anteriores.
Voltamos, porém, a patinar em 2011 e 2012, crescendo a menos de 2% ao ano. Mesmo que observe-
mos a aceleração esperada para este ano (3%) e para o próximo (3,5%), estaremos de volta ao patamar anterior. Trata-se de desaceleração cíclica ou de reflexo de um problema mais profundo?
Não resta dúvida acerca do diagnóstico do governo.
Na sua visão, a piora do desempenho é tratada como questão cíclica, provavelmente causada pela crise internacional, assim como pela menor disponibilidade de crédito, um mini "replay" da crise de 2009, que mereceria, portanto, o mesmo tipo de resposta: juros mais baixos, aumento da disponibilidade de crédito por meio dos bancos públicos e, por fim, uma política fiscal mais frouxa, expressa na redução ("anticíclica") do superavit primário.
Há apenas um problema com esse diagnóstico: não encontra o menor amparo na realidade.
Para começar, é difícil justificar que a crise internacional teria causado uma redução no crescimento brasileiro ao mesmo tempo em que vários países da região, até mais dependentes de commodities do que o Brasil, tenham registrado aceleração no período.
Afora isso, em 2009 observamos piora no mercado de trabalho e redução expressiva da inflação.
Agora, ao contrário, o desemprego continuou a cair, e a inflação, após breve queda (em boa parte devido às mudanças metodológicas no IPCA), voltou a acelerar, a ponto de forçar até o relutante BC a recuar de sua promessa de manter "a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado".
Tais observações são consistentes com uma economia que, em vez de enfrentar uma desaceleração cíclica, parece operar próxima ao seu potencial, como expresso na menor taxa de desemprego observada desde o início da série do IBGE.
Da mesma forma, diferentemente do observado em 2009, quando a velocidade de crescimento dos salários nominais caiu de valores próximos a 11%-12% ao ano para algo em torno de 4%-5% ao ano, estes se expandem hoje a 9%-10% ao ano, também um sintoma de aquecimento no mercado de trabalho.
Aliás, dado que o crescimento da produtividade teima em permanecer ao redor de 1%-1,5% ao ano, bem inferior à expansão salarial, não é difícil concluir que o custo por unidade produzida venha aumentando e, portanto, pressionando a inflação, em particular nos segmentos em que a concorrência internacional é escassa (por exemplo, serviços).
O comportamento do mercado de trabalho, salários e preços aponta, portanto, para uma conclusão desanimadora. A queda de desempenho não se deve principalmente a questões cíclicas, mas, sim, como finalmente o BC parece ter reconhecido, "a limitações no campo da oferta", ou seja, gargalos no mercado de trabalho (e também infraestrutura) que impedem o crescimento mais vigoroso.
Não se trata, quero deixar claro, de afirmar que houve necessariamente redução do nosso ritmo de crescimento potencial nos últimos anos, mas de algo até mais sério.
É bastante possível que sempre tenha sido baixo; tendo saído, porém, de uma situação de desemprego muito elevado no começo
da década passada, pudemos crescer acima do potencial pela utilização da mão de obra então disponível, reduzindo o desemprego ao longo do processo.
Essa estratégia enfrenta suas óbvias limitações, no entanto, quando a disponibilidade de mão de obra se esgota.
Assim, como não preparamos a transição para um crescimento baseado na produtividade, na prática abandonando o processo de reforma que se estendeu de 1995 a 2006, esses limites se traduzem em crescimento baixo e inflação alta.
Já a persistência da estratégia atual de política econômica sugere que o governo está mais do que satisfeito com essa mediocridade.
Mundo, vasto mundo - ELIANA CARDOSO
O ESTADO DE S. PAULO - 27/03
Falta delicadeza à cópula dos tubarões. Os machos mordem as fêmeas, cuja pele chega a sangrar. Violações coletivas sobejam e os filhotes de uma única ninhada têm vários pais. A espécie Carcharias taunis pratica o canibalismo: no útero, os embriões comem- se uns aos outros, na mais feroz competição entre consanguíneos de que temos notícia. Como a fêmea do tubarão tem dois úteros, a mãe Carcharias taurus pode dar à luz dois filhotes matadores. Cada um deles, tendo engolido todos os rivais com quem compartilhou o primeiro abrigo, já nasce sabido e experiente.
Se você acha que o mercado financeiro é um mar de tubarões e acredita que o governo salva os peixes menores e suas poupanças, com certeza caiu do cavalo quando soube que o resgate de Chipre deveria incluir um imposto sobre os depósitos bancários mesmo abaixo dos garantidos EUR 100 mil. Como era de esperar, os cipriotas correram para caixas eletrônicos na tentativa desesperada de retirar seus recursos dos bancos. A medida (embora rejeitada pelo Parlamento e substituída por outra que atinge principalmente russos acusados de lavagem de dinheiro) fez seu estrago. Pois a confiança, difícil de ganhar, é fácil de perder. De agora em diante, impostos sobre depósitos se tornarão um elemento em resgates futuros.
Por enquanto o choque não foi suficiente para gerar revisões das expectativas para o crescimento em 2013. Portanto, prevalece a projeção de crescimento global em cerca de 3%, com recuperação fraca nas economias avançadas. O doloroso corte de gastos para reduzir a dívida dos países europeus continua valendo, lado a lado com o rali de ativos de risco nos EUA, em resposta à política monetária não convencional do Fed e dos bancos centrais da Inglaterra, da Europa, da Suíça e do Japão, todos eles engajados nalgum tipo de afrouxamento quantitativo. Os perigos de 2013 ainda lembram os de 2012, nesse oceano moderno povoado de tubarões e leviatãs.
Na arena política, a primavera árabe vai-se transformando em sombrio inverno. E embora pareça improvável um conflito militar entre o Irã, de um lado, e, do outro, Israel e EUA, ouve- se o ribombar dos tambores de guerra. Israel recusa-se a aceitar um Irã com armas nucleares e os líderes iranianos não estão dispostos a abandonar os esforços para desenvolvê-las.
Na arena econômica, nos EUA, mais cedo ou mais tarde, republicanos e democratas se envolverão em outra briga sobre o teto da dívida e assustarão os investidores com mais um suspense fiscal. Na China, as rodadas de estímulos monetário e creditício em 2012 mantiveram o modelo de crescimento desequilibrado com base na poupança excessiva, enquanto a liderança conservadora e gradualista contribui para o risco de aterrissagem forçada. Na Europa - onde parecia que as ações do Banco Central Europeu tinham reduzido os riscos de abandono do euro pela Grécia e garantido à Itália e à Espanha o acesso ao mercado de crédito - os problemas continuam sem solução: grandes estoques de dívida privada e pública, envelhecimento da população, baixo crescimento da produtividade... E, agora, o resgate às avessas de Chipre.
Nesse cenário tão conturbado, a vida na América Latina parece bem mais tranqüila, apesar das crises na Venezuela e na Argentina, onde a rápida desvalorização da taxa de câmbio no mercado paralelo (fruto do aumento da inflação e dos controles cambiais) comprova políticas econômicas insustentáveis. Mas enquanto a Argentina sofre com a incerteza associada ao processo judicial de sua dívida nos EUA, com o desequilíbrio externo e o medo da maxidesvalorização, o México está a caminho de se tornar o queridinho do mercado financeiro.
Entre 15 e 17 de março, no Panamá, os participantes do encontro anual do Banco Interamericano festejavam a onda de reformas que se inicia no México e cantavam as glórias do Chile, do Peru e da Colômbia. Augusto de La Torre, economista- chefe do Banco Mundial para a América Latina, mostrava preocupação com a volatilidade dos capitais internacionais. O que fazer? Controles? O diretor para a região do Hemisfério Ocidental no FMI, Alejandro Werner, disse que não gosta dessa medida. O ministro das Finanças da Colômbia, Maurício Cárdenas, confessou igual desagrado, mas revelou que, por via das dúvidas, mantém sobre a mesa de trabalho uma pasta com detalhes de controles de capitais. Vai que...
No momento - dizem os entendidos - Brasil e México oferecem dois modelos rivais. A visão predominante sobre o México é de que o país, detentor do maior número de acordos de livre-comércio assinados na região e comprometido com a abertura ao comércio (60% do PIB mexicano), contrasta fortemente com o Brasil, que vem abraçando o protecionismo. O Brasil, que ganhou enorme estatura durante as últimas décadas, enfrenta hoje investidores cada vez mais cautelosos. Eles acham justa a decisão da agência de classificação de risco Moody"s de rebaixar a nota de crédito da Caixa Econômica e do BNDES.
Mesmo para quem questiona o mérito dessas comparações, o México tem uma boa história para narrar. Conta com o dividendo demográfico, pois a idade média de sua população é de 26 anos. Cresceu 3,9% em 2012 com respeitável situação fiscal. A dívida bruta do setor público, de 34% do PIB, é a metade da dívida bruta do Brasil. Aqui e lá, as projeções de crescimento para 2013 não são muito diferentes. O elemento que favorece o futuro do México e o otimismo dos investidores reside na onda de reformas estruturais lançadas pelo presidente Enrique Pena Nieto. O que importa não é o crescimento de curto prazo, mas a perspectiva de reformas. Cá e lá, o progresso econômico no longo prazo depende de reformas em áreas-chave, tais como a tributária, a segurança, a educação, pensões e energia. Parece que elas se fazem necessárias em todo o mundo. Se eu me chamasse Raimundo...
Omissão continuada nos temas tabus - ROSÂNGELA BITTAR
VALOR ECONÔMICO - 27/03
A recusa do PSC a atender um apelo da Câmara para trocar um deputado do partido, iniciante e já desmoralizado presidente da Comissão de Direitos Humanos, o evangélico Marco Feliciano, denunciado como homofóbico e racista, que não conseguiu levar adiante nenhuma reunião tal o barulho do protesto que enfrenta, é um exemplo da falta de preparo dos políticos, dos partidos, dos candidatos, do governo, dos marqueteiros em geral para os temas da moral e da religião que afloram nas campanhas eleitorais.
São questões que passam três anos em branco, até surgirem como uma onda avassaladora no palanque. Afirma-se que foram os temas religiosos, os dogmas, as questões morais e as posições definidas inadequadamente no plano de marketing que levaram a presidente Dilma, em 2010, a disputar o segundo turno. Sabendo-se disso, alega-se que é preciso fazer algo para que candidatos não fiquem à mercê dos malafaias do palanque. Mas nada se faz.
O mais simples, coerente e normal seria atribuir a esse tipo de tema uma definição de foro íntimo. Cada candidato pensa como pensa, defende o que defende, em lugar de se transformar em marionete da rede social ou da marquetagem. Mas as questões religiosas e morais já estão, no momento, gritando aos partidos que novamente derrubarão e erguerão candidatos se a elas não for dada a atenção devida.
Custa a um candidato convencer-se, e uma vez convicto, assumir a posição, que obrigar a mulher a cumprir pena por aborto é uma crueldade adicional? As mulheres evangélicas e católicas não fazem aborto? Não há mulheres divorciadas no catolicismo? Não há gays nas famílias evangélicas? Imagina-se que o candidato seria compreendido pelo seu eleitorado seja qual for sua posição, mas nenhum quer testar. Pode dizer, também, que é radicalmente contra o aborto por razões religiosas, e seguir em frente com sua campanha a presidente, a senador, a vereador, a deputado, vendendo um plano de ação para o país, não para os que dirigem os ofícios religiosos e, pior ainda, que se elegem com ele.
E o divórcio? E os métodos contraceptivos? E a união homoafetiva? Como todas as questões que deixam os políticos ao sabor do socorro de um amigo padre, de um pastor, de um chefe da torcida do time da Igreja, o Supremo Tribunal Federal já os ajudou na montagem de um arcabouço jurídico sobre algumas dessas questões, mas nem desse ponto de vista conseguem transitar por elas em campanha. Buscar na sua consciência, na sua formação, na filosofia e na modernização da sociedade um pensamento racional, então, dá ainda mais trabalho.
Há políticos com liderança nos partidos que acreditam ser este tema do interesse da mídia, um problema que comove mais a crônica política que o eleitor. Não é verdade, e estão aí os avanços da sociedade para mostrar o contrário, bem como as manifestações do eleitorado em pesquisas de opinião.
Não adianta esperar que se reduza a força desses grupos religiosos que estão se transformando em forças eleitorais complexas, principalmente nas campanhas proporcionais. Nas majoritárias, expõem o candidato, mais do que o elegem. O governo nada está fazendo, também, para que a presidente Dilma enfrente a disputa de 2014 mais confortável no discurso. Não se tem notícias que, além do marqueteiro oficial, o ministério da Mulher, o da Justiça, o da Saúde ou o secretário-geral da Presidência, responsável pela temática religiosa no governo Dilma, estudem o assunto.
Depois não venham reclamar porque Dilma ficou exposta aos malafaias do palanque. Persistem no erro os que não percebem o crescimento do problema, a cada eleição, o potencial de contradição e constrangimento nele contido. O candidato se vê no meio do tiroteio e diz qualquer coisa, criando reviravoltas eleitorais para desmentir os que imaginam que o assunto não tem a relevância imaginada.
Pesquisa Datafolha, de 21 de março, que entrevistou 2.653 eleitores em 166 municípios, revelou que 58% se disseram católicos, 21% evangélicos e pentecostais. No IBGE, o percentual de católicos na população chega a 64%, e já se divulgou pesquisa mostrando que, no Brasil, os evangélicos somam mais de 40% da população. Não dá para apostar que esse contingente se deixe levar, eleitoralmente, pelos dogmas religiosos. Até porque as contradições afloraram de uma maneira contundente também na sociedade, fato evidenciado nas últimas semanas.
Mostrou-se que os brasileiros querem que o papa seja liberal, mas rejeitam o aborto e o casamento gay. A Igreja Católica deveria, revelou a pesquisa, ser mais liberal em temas como contracepção e divórcio. Boa parte dos brasileiros discorda de posições da igreja. A divergência maior diz respeito ao uso de métodos para evitar a concepção. Para 83% o papa deveria orientar a Igreja a se posicionar a favor do uso de preservativos e 77% defenderam a pílula anticoncepcional, enquanto 61% são favoráveis a que o papa aceite o uso da pílula do dia seguinte pelas mulheres, método considerado abortivo pela Igreja.
Portanto, discute-se tudo, muda-se de posição, avança-se, e há até o crescimento do contingente de eleitores que se declararam, nas últimas pesquisas, sem religião. O drama está na rua e a sociedade nesse tipo de questão está mais avançada que as instituições religiosas e os partidos políticos. Os dogmas vão estar em evidência, este ano, como já estiveram na oportunidade da eleição do papa e na distribuição do poder no Congresso, com a jornada mundial da juventude, a ser realizada no Brasil. Já se questiona o ensino religioso nas escolas. Ebulições que acontecem à revelia dos políticos.
Que façam um conclave para definir como vão tratar o assunto, que convoquem os especialistas do partido, que levem o problema às convenções. A quantidade de bobagens ditas por ocasião da eleição do papa e das eleições de evangélicos homofóbicos na Câmara revela que, por enquanto, estão fadados a sucumbir à condução da propaganda e dos escândalos montados nas redes sociais.
Quem souber tratar isso vai fazer toda a diferença.
Empregabilidade - ANTONIO DELFIM NETTO
FOLHA DE SP - 27/03
Nos dias 20 e 21 de março deste ano, o Datafolha ouviu 2.653 pessoas escolhidas dentro do seu conjunto amostral. A margem de erro é de mais ou menos 2%. Os resultados sugerem uma profunda divergência cognitiva entre os beneficiados pela inclusão social no governo Dilma e os agentes do investimento, que devem produzir o aumento da oferta para atender àquela inclusão.
Sem a redução dessa divergência, o atual estado de graça da sociedade caminhará para dificuldades crescentes devido à impossibilidade de violar uma lei física: só se pode distribuir o que já foi produzido! No fundo, é o atendimento da demanda de bens e serviços sociais, gerada pelo aumento da renda do trabalho e pelas transferências de renda, que garante a aprovação de 65% ao governo Dilma. Mas ele só pode ser feito permanentemente pela resposta positiva dos 7% que o condenam como ruim ou péssimo. Em outros termos, pelos investidores privados que aumentam a oferta.
A boa notícia é que a compreensão dessas limitações parece orientar o governo. Suas intervenções (que, no curto prazo, parecem hiperativismo tumultuado) vão maturar no médio prazo. Vão destravar os investimentos e produzir um aumento da produtividade total dos fatores.
O Datafolha revela outros aspectos da dissonância nas interpretações da situação econômica nos boletins das instituições financeiras. Estes sugerem que o país está à beira da estagflação, enquanto 76% dos entrevistados achavam, na terceira semana de março, que ele é ótimo ou bom para se viver; 85% acreditavam que a situação econômica do Brasil vai ficar como está ou melhorar; 77% que o poder de compra dos salários vai permanecer ou melhorar; e 64% responderam que o nível de desemprego ficará o mesmo ou diminuirá.
Onde a dissonância parece diminuir é no resultado do Datafolha sobre o que esperam da taxa de inflação: apenas 49% creem que ela vai ficar onde está ou vai diminuir.
Aqui, seguramente, o governo tem um problema complexo que muitos economistas creem ter solução simples: "aumentar a taxa de juros real e gerar desemprego!". Mas, como afirmaram Mauro Paulino e Alessandro Janoni, do Datafolha ("Poder", 24/3), "a base da sensação de bem-estar não se resume à perspectiva de mobilidade social, inclusão no mercado consumidor ou acesso a políticas sociais", mas à mudança contundente do "sentimento de empregabilidade do brasileiro".
A pesquisa mostrou que 75% dos entrevistados não sentem que correm risco de demissão e 59% não creem que tenham a possibilidade de ficar sem emprego. A solução do problema inflacionário é mais trabalhosa: exige mais inteligência, mais paciência e o ataque com vigor das ineficiências do mercado de trabalho.
Nos dias 20 e 21 de março deste ano, o Datafolha ouviu 2.653 pessoas escolhidas dentro do seu conjunto amostral. A margem de erro é de mais ou menos 2%. Os resultados sugerem uma profunda divergência cognitiva entre os beneficiados pela inclusão social no governo Dilma e os agentes do investimento, que devem produzir o aumento da oferta para atender àquela inclusão.
Sem a redução dessa divergência, o atual estado de graça da sociedade caminhará para dificuldades crescentes devido à impossibilidade de violar uma lei física: só se pode distribuir o que já foi produzido! No fundo, é o atendimento da demanda de bens e serviços sociais, gerada pelo aumento da renda do trabalho e pelas transferências de renda, que garante a aprovação de 65% ao governo Dilma. Mas ele só pode ser feito permanentemente pela resposta positiva dos 7% que o condenam como ruim ou péssimo. Em outros termos, pelos investidores privados que aumentam a oferta.
A boa notícia é que a compreensão dessas limitações parece orientar o governo. Suas intervenções (que, no curto prazo, parecem hiperativismo tumultuado) vão maturar no médio prazo. Vão destravar os investimentos e produzir um aumento da produtividade total dos fatores.
O Datafolha revela outros aspectos da dissonância nas interpretações da situação econômica nos boletins das instituições financeiras. Estes sugerem que o país está à beira da estagflação, enquanto 76% dos entrevistados achavam, na terceira semana de março, que ele é ótimo ou bom para se viver; 85% acreditavam que a situação econômica do Brasil vai ficar como está ou melhorar; 77% que o poder de compra dos salários vai permanecer ou melhorar; e 64% responderam que o nível de desemprego ficará o mesmo ou diminuirá.
Onde a dissonância parece diminuir é no resultado do Datafolha sobre o que esperam da taxa de inflação: apenas 49% creem que ela vai ficar onde está ou vai diminuir.
Aqui, seguramente, o governo tem um problema complexo que muitos economistas creem ter solução simples: "aumentar a taxa de juros real e gerar desemprego!". Mas, como afirmaram Mauro Paulino e Alessandro Janoni, do Datafolha ("Poder", 24/3), "a base da sensação de bem-estar não se resume à perspectiva de mobilidade social, inclusão no mercado consumidor ou acesso a políticas sociais", mas à mudança contundente do "sentimento de empregabilidade do brasileiro".
A pesquisa mostrou que 75% dos entrevistados não sentem que correm risco de demissão e 59% não creem que tenham a possibilidade de ficar sem emprego. A solução do problema inflacionário é mais trabalhosa: exige mais inteligência, mais paciência e o ataque com vigor das ineficiências do mercado de trabalho.
Um fundo político - CELSO MING
O ESTADO DE S. PAULO - 27/03
Na reunião de cúpula que começou nesta terça-feira e continua nesta quarta na África do Sul, os chefes de governo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) criaram um fundo de resgate cuja utilidade não é clara. Parece mais uma iniciativa destinada a passar para o mundo a ideia de que a sigla Brics não é artificial e que pode vir a construir boa unidade política.
Pela sua condição de contingência, esse fundo estaria disponível sempre que um dos países-membros enfrentasse crise de liquidez, ou seja, tivesse de lidar com repentina incapacidade de honrar compromissos no exterior. Assim, desempenharia função parecida com a do Fundo Monetário Internacional e, nesse sentido, se apresentaria como alternativa ao Fundo.
A tabela que está logo aí mostra que as cinco economias têm impressionante volume de reservas internacionais. E reserva é o que o nome diz: uma carteira de recursos imediatamente disponíveis cuja função é proteger a economia contra eventuais crises de caixa.
Em outras palavras, fica difícil entender como um fundo extra de somente US$ 100 bilhões poderia propiciar mais defesa contra sufocos dessa natureza do que esse montão de recursos formado pelas próprias reservas internacionais. As da China, por exemplo, são 35 vezes maiores do que será o patrimônio desse fundo; as da Rússia, 5 vezes; as do Brasil, 3,7; e as da Índia, 2,9.
Neste momento, o único país que poderia ser atingido por um esvaziamento relativamente rápido de suas reservas seria a África do Sul, que, no entanto, tem sozinha mais da metade dos recursos disponíveis nesse fundo.
Do ponto de vista do Brasil, a disponibilidade dessa nova fonte de recursos de contingência poderia servir para que o Banco Central reduzisse sua demanda de dólares que depois fossem estocados nas reservas, como são hoje, a um custo muito alto. (Porque cada compra de dólares que depois serão aplicados a juros baixos exige emissão de títulos da dívida pública, que pagam juros de ao menos 7,25% ao ano.)
Mas a decisão de aumentar ou diminuir as reservas internacionais do Brasil não é determinada pela necessidade de construir um colchão de proteção contra crises, mas pela de executar a política cambial. Se o governo federal entende que é preciso desvalorizar o real (elevar a cotação do dólar) ou impedir valorização maior, o Banco Central compra moeda estrangeira no câmbio interno; se o objetivo é o contrário, vende.
Do ponto de vista técnico, esse fundo não faz lá muito sentido. Nenhum grupo de países se disporia a criar um patrimônio desses somente para uma ajuda eventual à África do Sul.
O que se pode dizer é que se trata de uma iniciativa destinada a passar o recado de que as cinco economias que fazem parte do Brics querem demonstrar que são mais do que uma sigla inventada em 2001 por um economista (Jim O"Neill, então do Grupo Goldman Sachs). E que, agora, se propõem a dar certo conteúdo político a uma aglomeração que, no momento, está longe de compor uma unidade.
Política externa? Em Durban, onde se encontra para a reunião de cúpula dos Brics, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, defendeu a criação do Banco de Desenvolvimento dos Brics. Entre seus argumentos está a necessidade de ajudar países africanos a montar sua infraestrutura. Se for por aí, esse banco ganha o jeitão de ser alavanca destinada a fazer política de influência dentro da África.
Na reunião de cúpula que começou nesta terça-feira e continua nesta quarta na África do Sul, os chefes de governo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) criaram um fundo de resgate cuja utilidade não é clara. Parece mais uma iniciativa destinada a passar para o mundo a ideia de que a sigla Brics não é artificial e que pode vir a construir boa unidade política.
Pela sua condição de contingência, esse fundo estaria disponível sempre que um dos países-membros enfrentasse crise de liquidez, ou seja, tivesse de lidar com repentina incapacidade de honrar compromissos no exterior. Assim, desempenharia função parecida com a do Fundo Monetário Internacional e, nesse sentido, se apresentaria como alternativa ao Fundo.
A tabela que está logo aí mostra que as cinco economias têm impressionante volume de reservas internacionais. E reserva é o que o nome diz: uma carteira de recursos imediatamente disponíveis cuja função é proteger a economia contra eventuais crises de caixa.
Em outras palavras, fica difícil entender como um fundo extra de somente US$ 100 bilhões poderia propiciar mais defesa contra sufocos dessa natureza do que esse montão de recursos formado pelas próprias reservas internacionais. As da China, por exemplo, são 35 vezes maiores do que será o patrimônio desse fundo; as da Rússia, 5 vezes; as do Brasil, 3,7; e as da Índia, 2,9.
Neste momento, o único país que poderia ser atingido por um esvaziamento relativamente rápido de suas reservas seria a África do Sul, que, no entanto, tem sozinha mais da metade dos recursos disponíveis nesse fundo.
Do ponto de vista do Brasil, a disponibilidade dessa nova fonte de recursos de contingência poderia servir para que o Banco Central reduzisse sua demanda de dólares que depois fossem estocados nas reservas, como são hoje, a um custo muito alto. (Porque cada compra de dólares que depois serão aplicados a juros baixos exige emissão de títulos da dívida pública, que pagam juros de ao menos 7,25% ao ano.)
Mas a decisão de aumentar ou diminuir as reservas internacionais do Brasil não é determinada pela necessidade de construir um colchão de proteção contra crises, mas pela de executar a política cambial. Se o governo federal entende que é preciso desvalorizar o real (elevar a cotação do dólar) ou impedir valorização maior, o Banco Central compra moeda estrangeira no câmbio interno; se o objetivo é o contrário, vende.
Do ponto de vista técnico, esse fundo não faz lá muito sentido. Nenhum grupo de países se disporia a criar um patrimônio desses somente para uma ajuda eventual à África do Sul.
O que se pode dizer é que se trata de uma iniciativa destinada a passar o recado de que as cinco economias que fazem parte do Brics querem demonstrar que são mais do que uma sigla inventada em 2001 por um economista (Jim O"Neill, então do Grupo Goldman Sachs). E que, agora, se propõem a dar certo conteúdo político a uma aglomeração que, no momento, está longe de compor uma unidade.
Política externa? Em Durban, onde se encontra para a reunião de cúpula dos Brics, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, defendeu a criação do Banco de Desenvolvimento dos Brics. Entre seus argumentos está a necessidade de ajudar países africanos a montar sua infraestrutura. Se for por aí, esse banco ganha o jeitão de ser alavanca destinada a fazer política de influência dentro da África.
Domesticando o trabalho - HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 27/03
SÃO PAULO - Numa república, precisamos limitar ao máximo as leis que criam distinções de direitos entre diferentes segmentos sociais. Nesse contexto, não há como deixar de aplaudir a PEC que iguala os direitos trabalhistas de empregados domésticos aos dos demais assalariados. Daí não decorre que tudo já esteja resolvido com a aprovação.
A fase de adaptação pode trazer efeitos opostos aos esperados. Se a lei for aplicada com rigor, os custos de contratação sobem significativamente, fazendo com que uma fatia da classe média ou desista da doméstica ou recorra à informalidade.
Se os prejuízos ficassem limitados à perda de conforto para um grupo, poderíamos seguir em frente, mas não é tão simples. Se a oferta de empregos domésticos encolher muito rapidamente, haverá comprometimento da renda para muitas trabalhadoras. Também não será fácil treiná-las para assumir outras funções.
Na hipótese de aumento da informalidade, tudo ficaria mais ou menos como está em termos de custos e renda, mas estaríamos criando um problema futuro para a Previdência e haveria a precarização da situação trabalhista das domésticas, que é o exato oposto do que se deseja.
Parte dos problemas pode ser contornada na regulamentação. Se se permitir que a jornada de oito horas seja executada em dois blocos de quatro horas, de modo que a doméstica possa preparar as três refeições do dia sem incorrer em várias horas extras, o impacto das mudanças fica mais palatável para os empregadores e será menos conturbada a inevitável transição do atual modelo em que quase todas as famílias de classe média têm uma empregada para a situação, verificada nos países ricos, em que a doméstica é luxo para poucos.
Haverá um bônus extra se a discussão resultar na revisão de pontos da legislação trabalhista. Regras que impedem a implementação de acordos que as duas partes julgam satisfatórios dificilmente são positivas.
SÃO PAULO - Numa república, precisamos limitar ao máximo as leis que criam distinções de direitos entre diferentes segmentos sociais. Nesse contexto, não há como deixar de aplaudir a PEC que iguala os direitos trabalhistas de empregados domésticos aos dos demais assalariados. Daí não decorre que tudo já esteja resolvido com a aprovação.
A fase de adaptação pode trazer efeitos opostos aos esperados. Se a lei for aplicada com rigor, os custos de contratação sobem significativamente, fazendo com que uma fatia da classe média ou desista da doméstica ou recorra à informalidade.
Se os prejuízos ficassem limitados à perda de conforto para um grupo, poderíamos seguir em frente, mas não é tão simples. Se a oferta de empregos domésticos encolher muito rapidamente, haverá comprometimento da renda para muitas trabalhadoras. Também não será fácil treiná-las para assumir outras funções.
Na hipótese de aumento da informalidade, tudo ficaria mais ou menos como está em termos de custos e renda, mas estaríamos criando um problema futuro para a Previdência e haveria a precarização da situação trabalhista das domésticas, que é o exato oposto do que se deseja.
Parte dos problemas pode ser contornada na regulamentação. Se se permitir que a jornada de oito horas seja executada em dois blocos de quatro horas, de modo que a doméstica possa preparar as três refeições do dia sem incorrer em várias horas extras, o impacto das mudanças fica mais palatável para os empregadores e será menos conturbada a inevitável transição do atual modelo em que quase todas as famílias de classe média têm uma empregada para a situação, verificada nos países ricos, em que a doméstica é luxo para poucos.
Haverá um bônus extra se a discussão resultar na revisão de pontos da legislação trabalhista. Regras que impedem a implementação de acordos que as duas partes julgam satisfatórios dificilmente são positivas.
O fenômeno Eduardo Campos - ELIO GASPARI
O GLOBO - 27/03
O governador de Pernambuco é, mas não é; está mas não está; e até agora foi um propagador de platitudes
Eduardo Campos é candidato a presidente da República. É ou não é? Ele está na base de apoio do governo de Dilma Rousseff. Está ou não está? Segundo o senador Jarbas Vasconcelos, o simples fato de ele ter dito que "dá para fazer muito mais" mostra que é um dissidente. Mostra, ou não mostra?
Nenhuma dessas perguntas foi respondida pelo governador. Seria cedo para fazê-lo, mas indo-se às ideias que Eduardo Campos defendeu desde a sua transformação em fenômeno federal, vai-se a em abissal silêncio. Ele poderia ter ido a uma universidade com um plano para fazer melhor na educação. Poderia ter ido a um seminário sobre saúde pública. Nada. Foi a São Paulo reunir-se com empresários. Se levou ideias ou buscou apoios, não ficou claro, pois nem ele expôs propostas nem os empresários mostraram suas oferendas. Até agora, o governador cumpriu uma agenda politico-gastronômica da qual resultou uma única informação de conteúdo: o cozido que o senador Jarbas Vasconcelos lhe ofereceu leva carnes de segunda com pirão de farinha de mandioca.
Suas propostas são um acúmulo de platitudes. Diz coisas assim:
"Não há grande incômodo nas grandes massas. Não há na classe média esse sentimento, nem de forma generalizada no empresariado. Mas há, nesse instante, nas elites, grande preocupação com o futuro. Há o sentimento de que as coisas podem piorar."
Seu melhor momento deu-se quando citou o avô, Miguel Arraes:
"Na política, você encontra 90% dos políticos atrás de ser alguma coisa. Dificilmente eles sabem para que."
Não era citação, mas carapuça. Nenhum comensal de Eduardo Campos enunciou o "para que" e muito menos ele ofereceu uma pista.
Campos propõe-se a "renovar a política". Durante a passagem da doutora Dilma por seu Estado um veículo do Instituto de Tecnologia de Pernambuco distribuía faixas louvando-o e uma jovem desempregada de 24 anos contou que prometeram-lhe R$ 20 para carregar a propaganda. Nas suas últimas campanhas presidenciais o PSDB alternou marquetagens, platitudes e cruzadas religiosas. Deu no que deu.
Um candidato que está na base do governo mas não está é uma contradição em termos, coisa de uma época que passou. Candidatos que se fizeram de rogados foram fritos. Na última eleição municipal deu-se em São Paulo um fenômeno que merece ser estudado por quem pretenda vencer uma eleição majoritária. Depois de uma campanha na qual o PT tinha um poste e o PSDB um candidato relutante, o asteróide Celso Russomano tinha 46% das preferencias na Zona Leste da cidade. Em duas semanas, caiu para 24%, um desfalque estimado em 270 mil votos. Ele tinha fama como apresentador de programa de TV, sem partido forte ou tempo de propaganda gratuita. Na reta final, propôs uma tarifa de ônibus diferenciada: quem fizesse percurso maior pagaria mais. Tradução: o trabalhador que mora longe do serviço tomaria uma mordida. Russomano não chegou ao segundo turno.
As eleições brasileiras não se decidem mais num joguinho de doações, marquetagens e alianças de cúpula. Como nos cozidos, esses ingredientes temperam o prato mas, sem carnes, nada feito, pois tanto um bilionário como um esfomeado sabem quando não há substância no prato.
O governador de Pernambuco é, mas não é; está mas não está; e até agora foi um propagador de platitudes
Eduardo Campos é candidato a presidente da República. É ou não é? Ele está na base de apoio do governo de Dilma Rousseff. Está ou não está? Segundo o senador Jarbas Vasconcelos, o simples fato de ele ter dito que "dá para fazer muito mais" mostra que é um dissidente. Mostra, ou não mostra?
Nenhuma dessas perguntas foi respondida pelo governador. Seria cedo para fazê-lo, mas indo-se às ideias que Eduardo Campos defendeu desde a sua transformação em fenômeno federal, vai-se a em abissal silêncio. Ele poderia ter ido a uma universidade com um plano para fazer melhor na educação. Poderia ter ido a um seminário sobre saúde pública. Nada. Foi a São Paulo reunir-se com empresários. Se levou ideias ou buscou apoios, não ficou claro, pois nem ele expôs propostas nem os empresários mostraram suas oferendas. Até agora, o governador cumpriu uma agenda politico-gastronômica da qual resultou uma única informação de conteúdo: o cozido que o senador Jarbas Vasconcelos lhe ofereceu leva carnes de segunda com pirão de farinha de mandioca.
Suas propostas são um acúmulo de platitudes. Diz coisas assim:
"Não há grande incômodo nas grandes massas. Não há na classe média esse sentimento, nem de forma generalizada no empresariado. Mas há, nesse instante, nas elites, grande preocupação com o futuro. Há o sentimento de que as coisas podem piorar."
Seu melhor momento deu-se quando citou o avô, Miguel Arraes:
"Na política, você encontra 90% dos políticos atrás de ser alguma coisa. Dificilmente eles sabem para que."
Não era citação, mas carapuça. Nenhum comensal de Eduardo Campos enunciou o "para que" e muito menos ele ofereceu uma pista.
Campos propõe-se a "renovar a política". Durante a passagem da doutora Dilma por seu Estado um veículo do Instituto de Tecnologia de Pernambuco distribuía faixas louvando-o e uma jovem desempregada de 24 anos contou que prometeram-lhe R$ 20 para carregar a propaganda. Nas suas últimas campanhas presidenciais o PSDB alternou marquetagens, platitudes e cruzadas religiosas. Deu no que deu.
Um candidato que está na base do governo mas não está é uma contradição em termos, coisa de uma época que passou. Candidatos que se fizeram de rogados foram fritos. Na última eleição municipal deu-se em São Paulo um fenômeno que merece ser estudado por quem pretenda vencer uma eleição majoritária. Depois de uma campanha na qual o PT tinha um poste e o PSDB um candidato relutante, o asteróide Celso Russomano tinha 46% das preferencias na Zona Leste da cidade. Em duas semanas, caiu para 24%, um desfalque estimado em 270 mil votos. Ele tinha fama como apresentador de programa de TV, sem partido forte ou tempo de propaganda gratuita. Na reta final, propôs uma tarifa de ônibus diferenciada: quem fizesse percurso maior pagaria mais. Tradução: o trabalhador que mora longe do serviço tomaria uma mordida. Russomano não chegou ao segundo turno.
As eleições brasileiras não se decidem mais num joguinho de doações, marquetagens e alianças de cúpula. Como nos cozidos, esses ingredientes temperam o prato mas, sem carnes, nada feito, pois tanto um bilionário como um esfomeado sabem quando não há substância no prato.
Eleição já, para não ter de trabalhar - JOSÉ NEUMANNE
O ESTADO DE S. PAULO - 27/03
Todas as estradas que levam aos Portos de Santos e Paranaguá estão bloqueadas por filas de caminhões carregados com a supersafra de 38 milhões de toneladas de soja esperando para descarregar o produto em terminais portuários incapacitados para embarcar tanto grão. A China, a maior compradora do mundo, está desistindo, à medida que o tempo passa, do que adquiriu e, por causa disso, o minério de ferro não foi ultrapassado pela leguminosa como o maior produto de exportação da nossa Pátria amada, idolatrada, salve, salve! Enquanto tudo isso ocorre, a presidente Dilma Rousseff põe Antônio Andrade, peemedebista mineiro, no lugar de Mendes Júnior, peemedebista gaúcho, no Ministério da Agricultura. Mas não por causa do apagão da logística ou pelo colapso da infraestrutura, e sim porque trata de acomodar mais partidos em seu superpalanque da eleição de 2014.
A soja tinha de ser entregue faz tempo, mas a maior responsável pela operação desastrosa dos nossos portos só pensa no que vai ter de enfrentar em outubro do ano que vem - daqui a um ano e sete meses. Pode? Pois é! Diante da expectativa de os paulistas não conseguirem passar o feriado da Páscoa no litoral ao pé da Serra do Mar porque a Piaçaguera-Guarujá está intransitável, não há um líder oposicionista empenhado em entender, explicar, traduzir e criticar o absurdo. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) não foi solidarizar-se com os caminhoneiros paralisados, mas gastou todo o seu tempo e seu latim para apagar o fogo ateado com as manifestações de apreço de José Serra (PSDB-SP) pelo adversário Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Assim como o governo, a oposição só pensa naquilo para depois da Copa.
Os meios de comunicação não ficam atrás. Apesar de noticiarem o absurdo de uma burocracia que culpa o excesso de produtos a exportar, e não o descalabro dos portos mal administrados e das estradas esburacadas, dão destaque mesmo às potencialidades (se é que há alguma) da Rede de Marina Silva.
Na semana passada, o governo anunciou que a Petrobrás não venderá mais a refinaria de sua propriedade em Pasadena, no Texas (EUA), por causa do prejuízo que teria. Ora bolas, o prejuízo já foi dado! Agora a questão se resume a ter um prejuízo de US$ 1 bilhão, se a estatal brasileira conseguir passar adiante o mico que comprou dos belgas, ou US$ 1,180 bilhão, se mantiverem sua contabilidade a atividade gravosa da empresa mal comprada. Não consta que haja um agente da republicana Polícia Federal do dr. José Eduardo Martins Cardozo investigando quem saiu ganhando na compra, que, aliás, só acrescenta mais um grão no areal de lambanças de uma empresa cujos donos somos nós.
Mas a oposição foi para o circuito Elizabeth Arden do tríduo momesco no Recife, em Salvador e no Rio de Janeiro e deixou a nau capitania do "petróleo é nosso" afundar num mar de lama. Prometeu voltar depois da Quaita-Feira de Cinzas e ficou na muda esperando a Páscoa chegar, que, como diria o poeta pernambucano Ascenso Ferreira, conterrâneo do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, "ninguém é de ferro".
O ex-governador Serra trocou afagos em público com o neto do dr. Miguel Arraes para despertar a ciumeira de Aécio, a cuja indiferença atribui grande responsabilidade por sua derrota na eleição presidencial de 2010. Depois de perder de novo, em 2012, para outro poste de Lula, Fernando Haddad (PT), a Prefeitura de São Paulo, deixando desprotegido mais um bastião da oposição à invasão do bloco governista, formado por PT e PMDB, o furibundo tucano nem quis saber da surra que o partido dele levou da presidente Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas Datafolha e Ibope divulgadas neste fim de semana. Como se diz sempre nessas pesquisas, "se a eleição fosse hoje"... Acontece que não é, e por isso mesmo a pesquisa de nada vale. Mas o professor Serra nem se deu ao trabalho de constatar.
Pesquisa de opinião pública é "o retrato do momento", dizem os marqueteiros que fazem os seus clientes pagar uma fortuna por essa inutilidade. Ou seja, as pesquisas que dão como certa a vitória da presidente na eleição da qual ela é óbvia favorita são como se se fotografasse o treino do Corinthians para o próximo compromisso pelo Campeonato Paulista anunciando que o time será o campeão da Libertadores da América do ano que vem. Aécio Neves até lembrou isso - como destacou que o governo preenche os intervalos comerciais da programação da televisão e a chefe e candidata não se cansa de produzir "factoides" eleitorais -, mas já chega eivado de suspeita por ser o principal interessado. Ou melhor, prejudicado,
O cidadão continua morrendo nos buracos das estradas agora ocupadas pelos caminhões que não são descarregados nos portos, ou nos pisos nus de uma rede hospitalar pública sem vagas, sem maças e sem médicos. Nossos filhos frequentam estabelecimentos de ensino incapazes de ensinar o bê-á-bá e a tabuada. Mas, empregada (ainda que mal remunerada) e de barriga cheia, com uma Bolsa-Família a receber e uma bolsa-escola a não frequentar, a maioria comemora até o advento de um papa argentino. Como a redução da tarifa elétrica e a isenção de impostos na cesta básica, que não baixou os preços dos alimentos, mas cristalizou o prestígio da presidente entre o povão, que nem carente mais é.
Carente mesmo é a democracia brasileira, que depende de ídolos como o mais popular de todos, Lula da Silva, padrinho de Dilma, por não dispor de instituições fortes capazes de formar políticos com cultura cívica e burocratas que sejam capazes de fazer algo mais útil do que furtar o erário. Dependente de eleições, como o viciado da droga, nosso Estado Democrático de Direito toma doses de demagogia na veia todos os dias. Com 39 ministérios, o governo não tem como governar e apenas galga o palanque para passar o tempo prestando atenção na arenga que esconde a inércia e o malfeito nossos de cada dia.
A linguagem dos políticos - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 27/03
Pesquisando sobre a linguagem dos políticos, tema sobre o qual escreveria na coluna que se segue, encontrei a seguinte definição do escritor inglês George Orwell: "A linguagem política destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade, e o crime se torne respeitável, bem como a imprimir ao vento uma aparência de solidez." É uma visão cética da atividade política, que não corresponde exatamente à minha, mas dá bem a medida de como os políticos, não só os brasileiros e não de agora, são vistos pela opinião pública.
Os casos que analisarei aconteceram nos últimos dias e não revelam tão graves distorções de caráter dos envolvidos, mas de qualquer maneira são exemplos saídos do forno de como se deve ter cautela com a linguagem dos políticos. A presidente Dilma foi a Serra Talhada para pela primeira vez encontrar-se oficialmente com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tido e havido como seu provável adversário em 2014, em seu território político. No entendimento generalizado, a presidente mandou um recado para seu quase ex-aliado, dizendo que é impossível governar sem uma coalizão forte, mas que precisava de parceiros comprometidos com o projeto de governo. Pois ontem Campos garantiu que não entendeu a frase como um recado indireto e foi peremptório: "A presidente Dilma não é mulher de mandar recados, e nem eu sou homem de receber recados. Ela não é dada a esse tipo de conversa, e nem eu".
Parece uma resposta altiva, de quem não se deixa emparedar nem mesmo pela presidente. Na verdade, porém, é absolutamente necessário para Campos fingir que não entendeu o recado dado, pois o entendimento o obrigaria a tomar uma decisão agora, sair do governo, entregando todos os cargos, ou desistir de sua provável candidatura.
Essa última hipótese, aliás, era motivo de especulação ontem em Brasília. Não foram poucos os que viram na fala de Campos sinais de que ele está começando a recuar de seu projeto de voo solo. Não que ele tenha admitido isso, mas usou palavras mais ambíguas do que tem usado e, sobretudo, adiou para abril de 2014 a decisão oficial, quando havia dito que em setembro deste ano ele se decidiria, para dar aos companheiros de partido tempo suficiente para se organizarem, seja qual for a decisão.
Um recuo, a esta altura do campeonato, seria ruim para a oposição, pois fortaleceria a base aliada, mas seria pior ainda para o jovem Eduardo Campos. Indicaria que ele avaliou como insuficientes seus apoios para enfrentar o favoritismo de Dilma. Mas, sobretudo, seria uma demonstração de fraqueza diante do PT e do PMDB que colocaria o PSB em situação mais frágil ainda na coalizão. Também os tucanos andam usando as palavras de maneira a não esclarecer o quadro político. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, achava que o senador Aécio Neves não deveria ser o presidente do PSDB, concordando com o ex-governador José Serra. Na reunião do partido na segunda-feira, ele acabou se convencendo de que seria bom para Aécio presidir a legenda, assim poderia viajar pelo país para organizar o partido, ouvir as famosas bases partidárias.
Tudo isso para quê? Para tornar-se um candidato à Presidência mais forte, está subentendido. Mas ontem, talvez temendo ter ido além do que deveria, Alckmin fez questão de ressaltar que o fato de apoiar Aécio para presidente do PSDB não significa necessariamente lançá-lo como candidato à Presidência da República. É claro que não, embora seja improvável que levem Aécio a realizar trabalho de reestruturação partidária para que ele desemboque em outra candidatura. E se Aécio não é o candidato putativo dos tucanos, que força terá ele para fazer as reformas que pretende? O comentário de Alckmin indica que ele ainda tem dificuldades para apoiar integralmente a candidatura Aécio à Presidência. Passos importantes foram dados nessa direção, e nem Aécio quer ser anunciado candidato agora.
Mas certos comentários revelam mais pelo que não dizem, e é essa a marca da linguagem dos políticos. Patrick Charaudeau, professor na Universidade de Paris-Nord (Paris 13), uma das maiores autoridades mundiais em análise do discurso, compara o discurso político a um jogo de máscaras. "Toda palavra pronunciada deve ser tomada ao mesmo tempo pelo que ela diz e não diz. Jamais deve ser entendida ao pé da letra, numa transparência ingênua, mas como resultado de uma estratégia cujo enunciador nem sempre é soberano".
A luta continua - DORA KRAMER
O Estado de S.Paulo - 27/03
Dia desses o presidente do PT, Rui Falcão, declarou que o partido já estava conformado: ao menos enquanto Dilma Rousseff for presidente não há chance de o governo encampar projeto de regulação dos meios de comunicação.
E não há mesmo, porque o objetivo central do PT não é a necessária modernização das regras do setor com sua adaptação aos novos tempos, o chamado marco regulatório. A ideia é distorcer o marco da democracia - a liberdade de expressão para todos, não só para a imprensa -, buscando formas de controle do Estado sobre os meios de comunicação.
Com esse pano de fundo é que se desenrola a divergência entre o partido e o Ministério das Comunicações, comandado pelo também petista Paulo Bernardo, por causa da concessão de incentivos fiscais a empresas de telecomunicação.
Nesse cenário é que Rui Falcão fez uma declaração que só aparentemente traduz a desistência de insistir em levar ao Congresso um projeto de restrição de liberdade com o nome de "controle social da mídia".
Ludibria-se a sociedade insinuando que a ela caberá o comando quando o que se pretende mesmo é dar ao governo o poder de subtração de um direito fundamental da pessoa.
Em verdade, o PT - ou a ala mais atrevida do partido - não desistiu de nada. Lança mão de qualquer pretexto para demonstrar sua insatisfação com a veiculação livre de informações e opiniões.
Obrigados, por determinação de Lula, a recuar de uma manifestação oficial contra o resultado do julgamento do mensalão no último encontro partidário, os petistas resolveram improvisar atacando as desonerações a empresas de comunicação. Coisa que não fazem quando há redução de impostos à indústria automobilística, aos produtos da chamada "linha branca", medidas que rendem votos e popularidade.
O documento, além do equívoco de conceito, já que a finalidade da desoneração é permitir a ampliação de investimentos em serviços de banda larga, continha um erro crasso: falava em R$ 60 bilhões quando o total das isenções fiscais é de R$ 6 bilhões.
Inicialmente isso passou despercebido da imprensa, mas o ministro Paulo Bernardo viu, reclamou com Rui Falcão e a divergência veio a público.
Confronto desnecessário, em tese. Do ponto de vista do PT, mais um pretexto para fomentar a interdição da crítica e criar uma discussão que lhe permita sair do isolamento no Congresso.
Hoje não tem apoio nos partidos aliados, mas quanto mais o Parlamento se desmoralizar, quanto mais isso repercutir negativamente nos meios de comunicação, quem sabe? O PT pode ganhar adeptos para travar o mau combate.
Colateral. A participação de artistas, intelectuais e setores outrora influentes na sociedade em causas de interesse público, hoje perde importância.
Descontadas ínfimas exceções, afastaram-se da política. Por medo da patrulha, cansaço ou equívoco ideológico que resultou em omissão, quando não conivência explícita, em casos como o do mensalão.
Agora, quando resolvem abraçar um combate, eles não têm voz forte o suficiente para interferir nos resultados. O exemplo mais recente, mas não o único, é o engajamento nos protestos contra a permanência do deputado Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos.
De onde se constata que o bom combate perde a eficácia quando tem dois pesos.
A passividade diante da corrupção, a defesa da tese de que o PT só fez o que todo mundo faz e que a "mão suja" é instrumento inerente à política acabaram levando governantes e representantes em geral a se liberar de quaisquer constrangimentos. A indignação não sensibiliza.
Na percepção dos partidos e políticos cooptados, se o PT pode pintar e bordar tudo o mais é permitido sob a proteção da "marca" antes associada a ideais de razoável conduta.
Dia desses o presidente do PT, Rui Falcão, declarou que o partido já estava conformado: ao menos enquanto Dilma Rousseff for presidente não há chance de o governo encampar projeto de regulação dos meios de comunicação.
E não há mesmo, porque o objetivo central do PT não é a necessária modernização das regras do setor com sua adaptação aos novos tempos, o chamado marco regulatório. A ideia é distorcer o marco da democracia - a liberdade de expressão para todos, não só para a imprensa -, buscando formas de controle do Estado sobre os meios de comunicação.
Com esse pano de fundo é que se desenrola a divergência entre o partido e o Ministério das Comunicações, comandado pelo também petista Paulo Bernardo, por causa da concessão de incentivos fiscais a empresas de telecomunicação.
Nesse cenário é que Rui Falcão fez uma declaração que só aparentemente traduz a desistência de insistir em levar ao Congresso um projeto de restrição de liberdade com o nome de "controle social da mídia".
Ludibria-se a sociedade insinuando que a ela caberá o comando quando o que se pretende mesmo é dar ao governo o poder de subtração de um direito fundamental da pessoa.
Em verdade, o PT - ou a ala mais atrevida do partido - não desistiu de nada. Lança mão de qualquer pretexto para demonstrar sua insatisfação com a veiculação livre de informações e opiniões.
Obrigados, por determinação de Lula, a recuar de uma manifestação oficial contra o resultado do julgamento do mensalão no último encontro partidário, os petistas resolveram improvisar atacando as desonerações a empresas de comunicação. Coisa que não fazem quando há redução de impostos à indústria automobilística, aos produtos da chamada "linha branca", medidas que rendem votos e popularidade.
O documento, além do equívoco de conceito, já que a finalidade da desoneração é permitir a ampliação de investimentos em serviços de banda larga, continha um erro crasso: falava em R$ 60 bilhões quando o total das isenções fiscais é de R$ 6 bilhões.
Inicialmente isso passou despercebido da imprensa, mas o ministro Paulo Bernardo viu, reclamou com Rui Falcão e a divergência veio a público.
Confronto desnecessário, em tese. Do ponto de vista do PT, mais um pretexto para fomentar a interdição da crítica e criar uma discussão que lhe permita sair do isolamento no Congresso.
Hoje não tem apoio nos partidos aliados, mas quanto mais o Parlamento se desmoralizar, quanto mais isso repercutir negativamente nos meios de comunicação, quem sabe? O PT pode ganhar adeptos para travar o mau combate.
Colateral. A participação de artistas, intelectuais e setores outrora influentes na sociedade em causas de interesse público, hoje perde importância.
Descontadas ínfimas exceções, afastaram-se da política. Por medo da patrulha, cansaço ou equívoco ideológico que resultou em omissão, quando não conivência explícita, em casos como o do mensalão.
Agora, quando resolvem abraçar um combate, eles não têm voz forte o suficiente para interferir nos resultados. O exemplo mais recente, mas não o único, é o engajamento nos protestos contra a permanência do deputado Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos.
De onde se constata que o bom combate perde a eficácia quando tem dois pesos.
A passividade diante da corrupção, a defesa da tese de que o PT só fez o que todo mundo faz e que a "mão suja" é instrumento inerente à política acabaram levando governantes e representantes em geral a se liberar de quaisquer constrangimentos. A indignação não sensibiliza.
Na percepção dos partidos e políticos cooptados, se o PT pode pintar e bordar tudo o mais é permitido sob a proteção da "marca" antes associada a ideais de razoável conduta.
Lugar de bandido é na cadeia - ONYX LORENZONI
ZERO HORA - 27/03
Investir na polícia traz calafrios em muita gente, mas nós temos que decidir de que lado ficar
Por incrível que possa parecer, essa frase é polêmica no Brasil. Anos e anos de ideário de esquerda construíram na cabeça de muitos brasileiros que bandido é uma "vítima da sociedade". Que ele somente entrou na criminalidade por falta de oportunidades. Pois bem, façamos uma breve reflexão. De acordo com os dados oficiais, vivemos uma oferta de emprego em patamares elevados. De onde se deveria concluir o seguinte: se há empregos, então há oportunidades, logo a criminalidade no Brasil deveria estar diminuindo. Mas, não é isso que se vê. A criminalidade aumenta. E mais grave. A crueldade aumenta. Isso acontece porque a leitura do problema sempre foi equivocada. Considerar que pobreza e falta de oportunidade levam a criminalidade nos levaria a concluir que todo pobre é bandido. Nada mais absurdo. Um cidadão de bem não admitiria cometer crimes, mesmo frente a grandes dificuldades. Criminalidade tem a ver com questões morais de caráter pessoal.
O problema da segurança pública por certo tem raízes sociais e culturais, mas seu combate diz respeito a como o governo encara o problema e como ele o enfrenta. Se formos movidos pelo sentimento de condescendência em relação ao criminoso, estaremos sendo omissos e impiedosos em relação às verdadeiras vítimas do crime: o cidadão de bem.
Há uma farta quantidade de exemplos de países que venceram a batalha contra sua criminalidade. E nem precisamos recorrer a exemplos norte-americanos como a "Tolerância zero" implantada em Nova York. A Colômbia e o Chile venceram a violência em seus países. E como o fizeram? Fizeram com polícia, bem treinada, bem paga e bem equipada.
Falar em investir na polícia traz calafrios em muita gente, mas nós temos que decidir de que lado ficar. Ou seremos uma sociedade onde a polícia faz a defesa das pessoas, das propriedades e mantém a ordem. Ou vamos nos acomodar em nossas casas, dando as costas a estes profissionais e apenas nos queixando quando passamos a fazer parte das estatísticas da violência.
Outros pontos são vitais para o combate a violência. O controle das fronteiras para evitar que armas e drogas entrem em nosso país, diminuindo assim o potencial ofensivo das quadrilhas. O uso da inteligência policial para desarticular as quadrilhas e a construção de presídios. Nenhuma dessas ações vêm sendo tomada de maneira efetiva no Brasil e os governos estaduais lamentavelmente não têm recursos necessários para fazer isso.
Construir presídios é dar condições dignas para que os apenados cumpram suas penas. Investir e treinar a polícia não é apoiar a truculência, é qualificar os profissionais que arriscam suas vidas por nós. Os investimentos em segurança pública são um recado claro e direto para os criminosos de que o Estado garantirá a ordem e que o crime será combatido com rigor. Enquanto o sentimento de impunidade continuar a ser alimentado pela incompetência do Estado a criminalidade continuará a assombrar as famílias brasileiras em todos os cantos do país.
Investir na polícia traz calafrios em muita gente, mas nós temos que decidir de que lado ficar
Por incrível que possa parecer, essa frase é polêmica no Brasil. Anos e anos de ideário de esquerda construíram na cabeça de muitos brasileiros que bandido é uma "vítima da sociedade". Que ele somente entrou na criminalidade por falta de oportunidades. Pois bem, façamos uma breve reflexão. De acordo com os dados oficiais, vivemos uma oferta de emprego em patamares elevados. De onde se deveria concluir o seguinte: se há empregos, então há oportunidades, logo a criminalidade no Brasil deveria estar diminuindo. Mas, não é isso que se vê. A criminalidade aumenta. E mais grave. A crueldade aumenta. Isso acontece porque a leitura do problema sempre foi equivocada. Considerar que pobreza e falta de oportunidade levam a criminalidade nos levaria a concluir que todo pobre é bandido. Nada mais absurdo. Um cidadão de bem não admitiria cometer crimes, mesmo frente a grandes dificuldades. Criminalidade tem a ver com questões morais de caráter pessoal.
O problema da segurança pública por certo tem raízes sociais e culturais, mas seu combate diz respeito a como o governo encara o problema e como ele o enfrenta. Se formos movidos pelo sentimento de condescendência em relação ao criminoso, estaremos sendo omissos e impiedosos em relação às verdadeiras vítimas do crime: o cidadão de bem.
Há uma farta quantidade de exemplos de países que venceram a batalha contra sua criminalidade. E nem precisamos recorrer a exemplos norte-americanos como a "Tolerância zero" implantada em Nova York. A Colômbia e o Chile venceram a violência em seus países. E como o fizeram? Fizeram com polícia, bem treinada, bem paga e bem equipada.
Falar em investir na polícia traz calafrios em muita gente, mas nós temos que decidir de que lado ficar. Ou seremos uma sociedade onde a polícia faz a defesa das pessoas, das propriedades e mantém a ordem. Ou vamos nos acomodar em nossas casas, dando as costas a estes profissionais e apenas nos queixando quando passamos a fazer parte das estatísticas da violência.
Outros pontos são vitais para o combate a violência. O controle das fronteiras para evitar que armas e drogas entrem em nosso país, diminuindo assim o potencial ofensivo das quadrilhas. O uso da inteligência policial para desarticular as quadrilhas e a construção de presídios. Nenhuma dessas ações vêm sendo tomada de maneira efetiva no Brasil e os governos estaduais lamentavelmente não têm recursos necessários para fazer isso.
Construir presídios é dar condições dignas para que os apenados cumpram suas penas. Investir e treinar a polícia não é apoiar a truculência, é qualificar os profissionais que arriscam suas vidas por nós. Os investimentos em segurança pública são um recado claro e direto para os criminosos de que o Estado garantirá a ordem e que o crime será combatido com rigor. Enquanto o sentimento de impunidade continuar a ser alimentado pela incompetência do Estado a criminalidade continuará a assombrar as famílias brasileiras em todos os cantos do país.
Romper ou não romper - FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 27/03
BRASÍLIA - O pré-candidato a presidente mais badalado pela mídia até agora é o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB. Ele terá de fazer cálculos complexos antes de anunciar sua decisão de entrar (ou não) na corrida pelo Palácio do Planalto no ano que vem.
A favor do projeto do pernambucano só há dois cenários, ambos temerários. O primeiro e mais otimista é que Campos poderia atropelar Dilma Rousseff. Surfaria na fadiga de material do PT, há mais de uma década no poder. Sairia vencedor em 2014.
Esse desfecho não é impossível, embora seja altamente improvável, dadas as condições atuais. O governo do PT despeja milhões de reais no mercado. Dá dinheiro quase de graça para empresas tomarem emprestado. Corta impostos a granel. Fortalece programas sociais. São medidas que não consertam a economia, mas empurram a conjuntura de hoje até a campanha eleitoral de 2014. Aí fica difícil fazer oposição.
O segundo cenário supostamente favorável a Campos é ainda mais frágil: como candidato, mesmo perdendo, ele acumularia forças para 2018. Na história política presidencial recente, essa estratégia deu certo apenas para Luiz Inácio Lula da Silva -que era um líder sindical já conhecido nacionalmente desde sempre e tinha por trás de si o PT. Campos não é Lula, muito menos o PSB é o PT.
Se os fatores pró-candidatura de Campos são frágeis, os riscos são muito mais robustos. Com quem o PSB poderia se coligar nos 26 Estados e no Distrito Federal para eleger deputados, senadores e governadores? Só partidos nanicos. Os principais estarão alinhados a Dilma Rousseff ou a outros candidatos -Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (Rede).
Também parece óbvio que o PT tentará dizimar Campos e o PSB logo após o eventual rompimento. Há risco real de ele e seu partido saírem do processo menores do que entraram. Tudo isso será bem ponderado até março ou abril de 2014.
BRASÍLIA - O pré-candidato a presidente mais badalado pela mídia até agora é o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB. Ele terá de fazer cálculos complexos antes de anunciar sua decisão de entrar (ou não) na corrida pelo Palácio do Planalto no ano que vem.
A favor do projeto do pernambucano só há dois cenários, ambos temerários. O primeiro e mais otimista é que Campos poderia atropelar Dilma Rousseff. Surfaria na fadiga de material do PT, há mais de uma década no poder. Sairia vencedor em 2014.
Esse desfecho não é impossível, embora seja altamente improvável, dadas as condições atuais. O governo do PT despeja milhões de reais no mercado. Dá dinheiro quase de graça para empresas tomarem emprestado. Corta impostos a granel. Fortalece programas sociais. São medidas que não consertam a economia, mas empurram a conjuntura de hoje até a campanha eleitoral de 2014. Aí fica difícil fazer oposição.
O segundo cenário supostamente favorável a Campos é ainda mais frágil: como candidato, mesmo perdendo, ele acumularia forças para 2018. Na história política presidencial recente, essa estratégia deu certo apenas para Luiz Inácio Lula da Silva -que era um líder sindical já conhecido nacionalmente desde sempre e tinha por trás de si o PT. Campos não é Lula, muito menos o PSB é o PT.
Se os fatores pró-candidatura de Campos são frágeis, os riscos são muito mais robustos. Com quem o PSB poderia se coligar nos 26 Estados e no Distrito Federal para eleger deputados, senadores e governadores? Só partidos nanicos. Os principais estarão alinhados a Dilma Rousseff ou a outros candidatos -Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (Rede).
Também parece óbvio que o PT tentará dizimar Campos e o PSB logo após o eventual rompimento. Há risco real de ele e seu partido saírem do processo menores do que entraram. Tudo isso será bem ponderado até março ou abril de 2014.
Aécio sob pressão - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 27/03
Apoio do PSDB paulista, enfim, exige que senador defina plataforma para 2014, sob pena de abrir espaço para Eduardo Campos, do PSB
O evento desta segunda-feira do PSDB paulista, para demonstrar apoio ao senador Aécio Neves, atenua a imagem de uma divisão grave no maior partido da oposição. Os tucanos seguem tão unidos -ou desunidos- como têm estado desde que deixaram o governo federal, no início da década passada.
Desde então, um punhado de caciques disputa e controla as indicações nas eleições majoritárias. A soma de suas personalidades e veleidades entra em atrito constante, e às vezes em franca contradição, com as diretrizes de estabelecer um programa partidário coerente e de privilegiar condutas que se sobreponham ao personalismo.
O que acontece há dois anos nesse minúsculo grupo de comando é o enfraquecimento de um de seus próceres, José Serra. Duas derrotas sucessivas -para a Presidência, em 2010, e para a prefeitura paulistana, em 2012- anularam sua capacidade de colocar-se no caminho de Aécio Neves.
O ex-governador paulista tornou-se um incômodo menor no processo de unção do senador mineiro à condição de candidato tucano ao Planalto em 2014. Com a bênção do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do governador Geraldo Alckmin, Aécio deverá assumir o comando da legenda em maio e, a partir daí, desenvolver sua estratégia até a eleição.
Aécio Neves está sozinho na disputa interna, e esse é o seu maior problema. Enquanto se debatia com lideranças mais fortes, como em 2010 contra Serra, tinha ao menos um pretexto para não dizer exatamente a que veio. Agora o candidato que pretende governar o Brasil, antepondo-se a uma presidente popular que será competitiva no ano que vem, está desafiado a revelar, sem subterfúgios, sua plataforma e sua personalidade.
Os primeiros ensaios e discursos de Aécio Neves têm sido desapontadores. Não se depreende muito bem o que deseja fazer de diferente em relação à administração Dilma Rousseff. Melhorar a operação da Petrobras, emancipar os mais pobres da dependência de bolsas e recursos públicos e aperfeiçoar a gestão federal, tópicos aos quais Aécio se aferra, seriam temas adequados a qualquer candidato, de situação ou de oposição.
Saber em que se distinguiria a candidatura de Aécio Neves é ainda mais crucial para o PSDB diante da desenvoltura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), nesta aquecida pré-temporada eleitoral. Semidesgarrado do bloco governista, Campos arrebata simpatias em setores da opinião pública e do empresariado usualmente próximos dos tucanos.
Talvez esse veio não seja largo o suficiente para abrigar dois candidatos fortes de oposição em 2014.
Apoio do PSDB paulista, enfim, exige que senador defina plataforma para 2014, sob pena de abrir espaço para Eduardo Campos, do PSB
O evento desta segunda-feira do PSDB paulista, para demonstrar apoio ao senador Aécio Neves, atenua a imagem de uma divisão grave no maior partido da oposição. Os tucanos seguem tão unidos -ou desunidos- como têm estado desde que deixaram o governo federal, no início da década passada.
Desde então, um punhado de caciques disputa e controla as indicações nas eleições majoritárias. A soma de suas personalidades e veleidades entra em atrito constante, e às vezes em franca contradição, com as diretrizes de estabelecer um programa partidário coerente e de privilegiar condutas que se sobreponham ao personalismo.
O que acontece há dois anos nesse minúsculo grupo de comando é o enfraquecimento de um de seus próceres, José Serra. Duas derrotas sucessivas -para a Presidência, em 2010, e para a prefeitura paulistana, em 2012- anularam sua capacidade de colocar-se no caminho de Aécio Neves.
O ex-governador paulista tornou-se um incômodo menor no processo de unção do senador mineiro à condição de candidato tucano ao Planalto em 2014. Com a bênção do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do governador Geraldo Alckmin, Aécio deverá assumir o comando da legenda em maio e, a partir daí, desenvolver sua estratégia até a eleição.
Aécio Neves está sozinho na disputa interna, e esse é o seu maior problema. Enquanto se debatia com lideranças mais fortes, como em 2010 contra Serra, tinha ao menos um pretexto para não dizer exatamente a que veio. Agora o candidato que pretende governar o Brasil, antepondo-se a uma presidente popular que será competitiva no ano que vem, está desafiado a revelar, sem subterfúgios, sua plataforma e sua personalidade.
Os primeiros ensaios e discursos de Aécio Neves têm sido desapontadores. Não se depreende muito bem o que deseja fazer de diferente em relação à administração Dilma Rousseff. Melhorar a operação da Petrobras, emancipar os mais pobres da dependência de bolsas e recursos públicos e aperfeiçoar a gestão federal, tópicos aos quais Aécio se aferra, seriam temas adequados a qualquer candidato, de situação ou de oposição.
Saber em que se distinguiria a candidatura de Aécio Neves é ainda mais crucial para o PSDB diante da desenvoltura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), nesta aquecida pré-temporada eleitoral. Semidesgarrado do bloco governista, Campos arrebata simpatias em setores da opinião pública e do empresariado usualmente próximos dos tucanos.
Talvez esse veio não seja largo o suficiente para abrigar dois candidatos fortes de oposição em 2014.
Pacote para o consumidor - EDITORIAL O ESTADÃO
O ESTADO DE S. PAULO - 27/03
Com intenção nitidamente eleitoreira, o governo baixou mais um pacote, tendo como mote desta vez a defesa do consumidor. Preparado de improviso, ele inclui medidas já em vigor, outras que estavam em discussão e propostas diversas que parecem ter sido tiradas do fundo de alguma gaveta.
Das novas medidas, nenhuma tem aplicação imediata e a de maior impacto - o fortalecimento da ação dos Procons, que passariam a ter o poder de decidir sobre a restituição de cobranças indevidas relativas à compra e venda de mercadorias, sem passar necessariamente pela Justiça, desde que haja acordos prévios fechados nesses órgãos - ainda depende da aprovação de Projeto de Lei encaminhado ao Congresso Nacional.
O aparato institucional ganhou mais um colegiado - a Câmara Nacional das Relações de Consumo, composta pelos ministros da Justiça, Fazenda, Desenvolvimento, Planejamento e Casa Civil - que definirá o Plano Nacional de Consumo e Cidadania, incluindo sanções mais severas, em complemento ao Código de Defesa do Consumidor. A curto prazo, ela terá de relacionar 30 produtos considerados essenciais, que poderão ser trocados ou substituídos imediatamente pelo vendedor se o consumidor identificar algum defeito.
Essa lista deverá ser discutida com o setor privado, podendo incluir itens como fogão, geladeira e aparelhos de telefone celular. Ainda não se sabe quando a medida entrará em vigor e qual o prazo para reclamações com direito à devolução e substituição da mercadoria pelo fabricante ou pelo estabelecimento comercial. Aparelhos eletroeletrônicos geralmente têm prazo de garantia de funcionamento em perfeitas condições, sendo prevista sua troca ou reparo em caso de falha. Segundo especialistas em direito do consumidor, somente quando for divulgada a lista será possível avaliar se haverá alteração no sistema de comercialização.
Já as empresas que operam no comércio eletrônico, até agora não regulamentadas, serão obrigadas, por decreto, a criar, no prazo de 60 dias, um canal de atendimento aos consumidores em seus sites. O e-commerce vem crescendo muito no País, acumulando paralelamente um grande número de queixas relativas a atrasos e produtos trocados, nos casos tanto de compras individuais como coletivas.
Para tornar o pacote o mais abrangente possível, o governo mobilizou órgãos como o Conselho Monetário Nacional (CMN) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O CMN reeditou e reforçou, em reunião extraordinária, algumas normas já em vigor, mas que não vinham sendo cumpridas por todos os bancos. A partir de i.° de julho, os bancos serão obrigados a obedecer a três padrões para a cobrança de tarifas, exigindo-se também transparência nas operações de crédito e de câmbio. Deverão ser discriminados, em planilhas anexas aos contratos, os itens que compõem o custo total, incluindo tarifas, juros e encargos. O objetivo, como disse o diretor de Normas do Banco Central (BC), Sérgio Odilon dos Anjos, é dar mais competitividade ao setor bancário.
Com relação às telecomunicações, setor que é o campeão de reclamações aos Procons, a Anatel colocou em consulta pública uma série de medidas, que vão desde a proibição de vendas casadas de produtos e serviços, sistemas para comparação de tarifas, que apresentam grande variação entre uma e outra operadora, até a ampliação de atendimento para cobertura de 600 microrregiões do País. A agência, porém, não relacionou quais são essas áreas, o que é essencial. Sabe-se que hoje, mesmo nas regiões mais desenvolvidas, as ligações por celular para muitas cidades ou bairros não podem ser completadas.
Embora não modifique nada a curto prazo, o pacote é ambicioso e presume que o BC e as agências reguladoras cumpram seu papel fiscalizador. As medidas podem ter um efeito positivo, mas como disse o coordenador executivo do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Fulvio Gianella, "vamos ter de acompanhar de perto o governo" para que as novas regras sejam efetivamente cumpridas no prazo previsto.
Das novas medidas, nenhuma tem aplicação imediata e a de maior impacto - o fortalecimento da ação dos Procons, que passariam a ter o poder de decidir sobre a restituição de cobranças indevidas relativas à compra e venda de mercadorias, sem passar necessariamente pela Justiça, desde que haja acordos prévios fechados nesses órgãos - ainda depende da aprovação de Projeto de Lei encaminhado ao Congresso Nacional.
O aparato institucional ganhou mais um colegiado - a Câmara Nacional das Relações de Consumo, composta pelos ministros da Justiça, Fazenda, Desenvolvimento, Planejamento e Casa Civil - que definirá o Plano Nacional de Consumo e Cidadania, incluindo sanções mais severas, em complemento ao Código de Defesa do Consumidor. A curto prazo, ela terá de relacionar 30 produtos considerados essenciais, que poderão ser trocados ou substituídos imediatamente pelo vendedor se o consumidor identificar algum defeito.
Essa lista deverá ser discutida com o setor privado, podendo incluir itens como fogão, geladeira e aparelhos de telefone celular. Ainda não se sabe quando a medida entrará em vigor e qual o prazo para reclamações com direito à devolução e substituição da mercadoria pelo fabricante ou pelo estabelecimento comercial. Aparelhos eletroeletrônicos geralmente têm prazo de garantia de funcionamento em perfeitas condições, sendo prevista sua troca ou reparo em caso de falha. Segundo especialistas em direito do consumidor, somente quando for divulgada a lista será possível avaliar se haverá alteração no sistema de comercialização.
Já as empresas que operam no comércio eletrônico, até agora não regulamentadas, serão obrigadas, por decreto, a criar, no prazo de 60 dias, um canal de atendimento aos consumidores em seus sites. O e-commerce vem crescendo muito no País, acumulando paralelamente um grande número de queixas relativas a atrasos e produtos trocados, nos casos tanto de compras individuais como coletivas.
Para tornar o pacote o mais abrangente possível, o governo mobilizou órgãos como o Conselho Monetário Nacional (CMN) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O CMN reeditou e reforçou, em reunião extraordinária, algumas normas já em vigor, mas que não vinham sendo cumpridas por todos os bancos. A partir de i.° de julho, os bancos serão obrigados a obedecer a três padrões para a cobrança de tarifas, exigindo-se também transparência nas operações de crédito e de câmbio. Deverão ser discriminados, em planilhas anexas aos contratos, os itens que compõem o custo total, incluindo tarifas, juros e encargos. O objetivo, como disse o diretor de Normas do Banco Central (BC), Sérgio Odilon dos Anjos, é dar mais competitividade ao setor bancário.
Com relação às telecomunicações, setor que é o campeão de reclamações aos Procons, a Anatel colocou em consulta pública uma série de medidas, que vão desde a proibição de vendas casadas de produtos e serviços, sistemas para comparação de tarifas, que apresentam grande variação entre uma e outra operadora, até a ampliação de atendimento para cobertura de 600 microrregiões do País. A agência, porém, não relacionou quais são essas áreas, o que é essencial. Sabe-se que hoje, mesmo nas regiões mais desenvolvidas, as ligações por celular para muitas cidades ou bairros não podem ser completadas.
Embora não modifique nada a curto prazo, o pacote é ambicioso e presume que o BC e as agências reguladoras cumpram seu papel fiscalizador. As medidas podem ter um efeito positivo, mas como disse o coordenador executivo do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Fulvio Gianella, "vamos ter de acompanhar de perto o governo" para que as novas regras sejam efetivamente cumpridas no prazo previsto.
Chipre ensina a Europa e o mundo - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 27/03
A crise que pulverizou o “paraíso financeiro” de Chipre deve ser entendida como um alerta ao mundo sobre tibiezas no trato do sistema bancário. Parece desproporcional uma ilha que representa apenas 0,2% do PIB da zona do euro colocar o mercado financeiro global em estado de alerta. Mas é o que acontece quando o manejo da órbita financeira da economia, setor de alto poder de destruição se mal regulado, escapa dos limites da sensatez.
A origem do atual desastre, em que o rombo dos dois bancos cipriotas equivale a 47% do PIB do país, está na criação do “paraíso”, na década de 80, durante a recuperação da economia cipriota depois da invasão turca de 1974. Veio a adesão ao euro e, com ela, a festa: moeda forte, crédito abundante e barato, o mesmo filme de roteiro feliz que passou em Portugal, Grécia, Espanha etc. O final é conhecido.
A crise cipriota apanhou no contrapé bilhões de dólares de russos — consta que parte de origem suspeita — e até economias de aposentados ingleses amantes do sol do Mediterrâneo. Se tiverem depósitos/aplicações inferiores a € 100 mil, estarão livres do prejuízo. Pelo menos por enquanto. Mas, na primeira e temerária versão do resgate de Chipre, todos os depositantes seriam punidos, mesmo que € 100 mil sejam o limite de segurança adotado na Europa, até o qual o dinheiro de depositantes e investidores está preservado. Depois de duras negociações, a “troika” (Comissão Europeia, FMI e BC europeu) concordou em manter a salvo as contas até este limite e usar o restante para, somado aos € 10 bilhões liberados pela UE, manter Chipre em pé.
No balanço de erros, até agora, há o crasso cometido pela “troika” de ameaçar todos os depositantes. Com isso, lançou a semente de uma corrida bancária no próprio continente. A falha foi corrigida, embora não se saiba se o medo do confisco foi totalmente eliminado. Há outra: a demora da União Europeia em criar a autoridade bancária centralizada que supervisionará os bancos de algum porte, para agir antes dos incêndios. Será preciso um Proer, usado no Brasil com habilidade para sanear o sistema sem traumas.
Se não fosse o sistema financeiro globalizado, o mundo não teria passado por um ciclo histórico de desenvolvimento, China à frente. Mas foi também a leniência do Fed (Federal Reserve, BC americano), ao fixar taxas de juros muito baixas, durante muito tempo, que semeou bolhas de crédito nos Estados Unidos e no mundo. A bolha imobiliária americana estourou, e o resto já é História.
Cabe a lembrança no momento em que o governo brasileiro executa uma política também voluntariosa de alavancagem de bancos públicos por meio do endividamento do Tesouro, inclusive com artifícios contábeis para maquiar a situação fiscal da União. Em boa hora, BNDES e CEF tiveram a nota de risco rebaixada pela agência Moody`s. Outro alerta sobre leniências bancárias. O Chipre parece um lugar distante de tudo. Não é bem assim.
A crise que pulverizou o “paraíso financeiro” de Chipre deve ser entendida como um alerta ao mundo sobre tibiezas no trato do sistema bancário. Parece desproporcional uma ilha que representa apenas 0,2% do PIB da zona do euro colocar o mercado financeiro global em estado de alerta. Mas é o que acontece quando o manejo da órbita financeira da economia, setor de alto poder de destruição se mal regulado, escapa dos limites da sensatez.
A origem do atual desastre, em que o rombo dos dois bancos cipriotas equivale a 47% do PIB do país, está na criação do “paraíso”, na década de 80, durante a recuperação da economia cipriota depois da invasão turca de 1974. Veio a adesão ao euro e, com ela, a festa: moeda forte, crédito abundante e barato, o mesmo filme de roteiro feliz que passou em Portugal, Grécia, Espanha etc. O final é conhecido.
A crise cipriota apanhou no contrapé bilhões de dólares de russos — consta que parte de origem suspeita — e até economias de aposentados ingleses amantes do sol do Mediterrâneo. Se tiverem depósitos/aplicações inferiores a € 100 mil, estarão livres do prejuízo. Pelo menos por enquanto. Mas, na primeira e temerária versão do resgate de Chipre, todos os depositantes seriam punidos, mesmo que € 100 mil sejam o limite de segurança adotado na Europa, até o qual o dinheiro de depositantes e investidores está preservado. Depois de duras negociações, a “troika” (Comissão Europeia, FMI e BC europeu) concordou em manter a salvo as contas até este limite e usar o restante para, somado aos € 10 bilhões liberados pela UE, manter Chipre em pé.
No balanço de erros, até agora, há o crasso cometido pela “troika” de ameaçar todos os depositantes. Com isso, lançou a semente de uma corrida bancária no próprio continente. A falha foi corrigida, embora não se saiba se o medo do confisco foi totalmente eliminado. Há outra: a demora da União Europeia em criar a autoridade bancária centralizada que supervisionará os bancos de algum porte, para agir antes dos incêndios. Será preciso um Proer, usado no Brasil com habilidade para sanear o sistema sem traumas.
Se não fosse o sistema financeiro globalizado, o mundo não teria passado por um ciclo histórico de desenvolvimento, China à frente. Mas foi também a leniência do Fed (Federal Reserve, BC americano), ao fixar taxas de juros muito baixas, durante muito tempo, que semeou bolhas de crédito nos Estados Unidos e no mundo. A bolha imobiliária americana estourou, e o resto já é História.
Cabe a lembrança no momento em que o governo brasileiro executa uma política também voluntariosa de alavancagem de bancos públicos por meio do endividamento do Tesouro, inclusive com artifícios contábeis para maquiar a situação fiscal da União. Em boa hora, BNDES e CEF tiveram a nota de risco rebaixada pela agência Moody`s. Outro alerta sobre leniências bancárias. O Chipre parece um lugar distante de tudo. Não é bem assim.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
“Cada político tem que perceber que mandato é produto perecível”
Ex-presidente Lula, sem disfarçar a saudade que deveras sente dos tempos de poder
PORTOS PODEM SER PRETEXTO PARA CAMPOS ROMPER
Cotado para disputar a Presidência em 2014, o governador Eduardo Campos (PSB-PE) cogita usar a Medida Provisória dos Portos como motivo para romper com Dilma, sua possível adversária nas eleições. Segundo aliados, as divergências sobre transferir a gestão do Porto de Suape para o governo federal eram tudo o que ele procurava para justificar sua saída da base aliada do governo.
MOTIVO ELEITORAL
Mais interessado em acirrar o embate, o PSB sequer apresentou emendas à MP para garantir tratamento diferenciado a Suape.
TOM DO DISCURSO
Eduardo Campos aproveitou a última audiência pública sobre a MP dos Portos, ontem, para alfinetar o governo. O Planalto não gostou.
NÃO DÁ IDEIA!
Está no Twitter a sugestão de que Lula exija admissão por cota, se o ex-presidente FHC entrar na Academia Brasileira de Letras.
LÍNGUA SECRETA
O jornal ABC, da Espanha, observou que o papa Francisco, argentino, só falou espanhol uma vez. Em português, nem isso. E vem ao Brasil.
INGLATERRA RECUA DE AUMENTAR IMPOSTO DA CERVEJA
Como no Brasil, o governo britânico havia aumentado imposto acima da inflação para fabricantes de cerveja, a partir de 2008 e até 2015. Mas acaba de revogar: isso provocou uma crise generalizada dos pubs, um dos principais cartões postais da Inglaterra, com demissões e fechamentos. A British Beer and Pub Association calcula que, desde 2008, seis mil pubs fecharam suas portas, média de 18 por semana.
SERÁ PIOR NO BRASIL
No Brasil, o impacto será maior que na Inglaterra: lá, o imposto cresceu 2% acima da inflação; aqui, serão 26%, o maior aumento da história.
DESEMPREGO À VISTA
O aumento de impostos para cervejas começa em abril, no Brasil, e até 2018, afetando 1 milhão de empregadores de 6 milhões de pessoas.
FOGO AMIGO
O PR desconfia de “fogo amigo” no grande número de opções para assumir o ministério prometido pela presidente Dilma ao partido.
FATO INÉDITO
Pela primeira vez, Dilma não levou Aloizio Mercadante (MEC) à reunião do Brics, bloco do Brasil, Rússia, Índia e China e África do Sul. O “Papagaio de pirata” oficial foi com ela à reunião do Brics na China em 2011, e na Índia, em 2012, onde sua participação não foi notada.
SEM NOÇÃO
A presidente Dilma levou uma comitiva de 52 pessoas para Roma, onde somente ela viu o papa Francisco. E levou 60 à importante cúpula anual dos países do Brics, na África do Sul.
EM CAUSA PRÓPRIA
O deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE) presidiu ontem a sessão que criou estrutura – com dez cargos comissionados – para o Conselho de Altos Estudos, que será comandado por ele mesmo na Câmara.
SEM SAÍDA
O deputado serrista Jutahy Júnior (BA) acha que José Serra tem apenas duas opções: apoiar a candidatura do tucano Aécio Neves à Presidência ou sair do PSDB.
E Serra prefere a segunda opção.
NUMA FRIA
A Agência Brasileira de Inteligência demitiu por justa causa o agente William Tomazi Nogueira, que teria roubado dados confidenciais em dois meses de trabalho na Abin, como revelou a coluna, em setembro.
TRIANGULAÇÃO
Para escapar da chateação de órgãos fiscalizadores, o governo do DF repassou à ONU os recursos para pagar serviços de limpeza, vigilância e brigadista no estádio de Brasília, na Copa das Confederações. O PNUD, que se presta a isso, publicou aviso de licitação em São Paulo.
ALÔ, ANATEL!
A operadora de tv por assinatura SKY clama por uma acusação de estelionato: seu sinal não chega a cliente de Brasília há duas semanas, mas se recusa a descontar o serviço não prestado da fatura mensal.
SEM HERDEIRAS
O ex-governador do DF Joaquim Roriz (sem partido) não sabe quem apoiará nas próximas eleições, mas garante: não será a distrital Eliana Pedrosa (PSD), que tenta herdar os votos do rorizismo.
PENSANDO BEM...
...as ONGs do “politicamente correto” viverão seu dia de glória quando descobrirem um índio (ou índia) negro e gay.
PODER SEM PUDOR
BOM PARA CACHORRO
Nos anos 1960, o chanceler Vasco Leitão da Cunha aproveitou e concedeu uma entrevista a caminho do aeroporto de Brasília, no carro oficial. No caminho, um cachorro atravessou a pista, o motorista fez uma manobra brusca, o carrão derrapou, e por muito pouco não houve um acidente grave. Passado o susto, ele respirou fundo e advertiu o pálido motorista, diplomaticamente:
- Meu caro Josias. Tenha sempre bom o seu coração, mas nunca esqueça de acionar o bom cérebro. Se tivesse acontecido o pior, imagine a manchete amanhã: "Motorista mata ministro para salvar um cachorro"...
Ex-presidente Lula, sem disfarçar a saudade que deveras sente dos tempos de poder
PORTOS PODEM SER PRETEXTO PARA CAMPOS ROMPER
Cotado para disputar a Presidência em 2014, o governador Eduardo Campos (PSB-PE) cogita usar a Medida Provisória dos Portos como motivo para romper com Dilma, sua possível adversária nas eleições. Segundo aliados, as divergências sobre transferir a gestão do Porto de Suape para o governo federal eram tudo o que ele procurava para justificar sua saída da base aliada do governo.
MOTIVO ELEITORAL
Mais interessado em acirrar o embate, o PSB sequer apresentou emendas à MP para garantir tratamento diferenciado a Suape.
TOM DO DISCURSO
Eduardo Campos aproveitou a última audiência pública sobre a MP dos Portos, ontem, para alfinetar o governo. O Planalto não gostou.
NÃO DÁ IDEIA!
Está no Twitter a sugestão de que Lula exija admissão por cota, se o ex-presidente FHC entrar na Academia Brasileira de Letras.
LÍNGUA SECRETA
O jornal ABC, da Espanha, observou que o papa Francisco, argentino, só falou espanhol uma vez. Em português, nem isso. E vem ao Brasil.
INGLATERRA RECUA DE AUMENTAR IMPOSTO DA CERVEJA
Como no Brasil, o governo britânico havia aumentado imposto acima da inflação para fabricantes de cerveja, a partir de 2008 e até 2015. Mas acaba de revogar: isso provocou uma crise generalizada dos pubs, um dos principais cartões postais da Inglaterra, com demissões e fechamentos. A British Beer and Pub Association calcula que, desde 2008, seis mil pubs fecharam suas portas, média de 18 por semana.
SERÁ PIOR NO BRASIL
No Brasil, o impacto será maior que na Inglaterra: lá, o imposto cresceu 2% acima da inflação; aqui, serão 26%, o maior aumento da história.
DESEMPREGO À VISTA
O aumento de impostos para cervejas começa em abril, no Brasil, e até 2018, afetando 1 milhão de empregadores de 6 milhões de pessoas.
FOGO AMIGO
O PR desconfia de “fogo amigo” no grande número de opções para assumir o ministério prometido pela presidente Dilma ao partido.
FATO INÉDITO
Pela primeira vez, Dilma não levou Aloizio Mercadante (MEC) à reunião do Brics, bloco do Brasil, Rússia, Índia e China e África do Sul. O “Papagaio de pirata” oficial foi com ela à reunião do Brics na China em 2011, e na Índia, em 2012, onde sua participação não foi notada.
SEM NOÇÃO
A presidente Dilma levou uma comitiva de 52 pessoas para Roma, onde somente ela viu o papa Francisco. E levou 60 à importante cúpula anual dos países do Brics, na África do Sul.
EM CAUSA PRÓPRIA
O deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE) presidiu ontem a sessão que criou estrutura – com dez cargos comissionados – para o Conselho de Altos Estudos, que será comandado por ele mesmo na Câmara.
SEM SAÍDA
O deputado serrista Jutahy Júnior (BA) acha que José Serra tem apenas duas opções: apoiar a candidatura do tucano Aécio Neves à Presidência ou sair do PSDB.
E Serra prefere a segunda opção.
NUMA FRIA
A Agência Brasileira de Inteligência demitiu por justa causa o agente William Tomazi Nogueira, que teria roubado dados confidenciais em dois meses de trabalho na Abin, como revelou a coluna, em setembro.
TRIANGULAÇÃO
Para escapar da chateação de órgãos fiscalizadores, o governo do DF repassou à ONU os recursos para pagar serviços de limpeza, vigilância e brigadista no estádio de Brasília, na Copa das Confederações. O PNUD, que se presta a isso, publicou aviso de licitação em São Paulo.
ALÔ, ANATEL!
A operadora de tv por assinatura SKY clama por uma acusação de estelionato: seu sinal não chega a cliente de Brasília há duas semanas, mas se recusa a descontar o serviço não prestado da fatura mensal.
SEM HERDEIRAS
O ex-governador do DF Joaquim Roriz (sem partido) não sabe quem apoiará nas próximas eleições, mas garante: não será a distrital Eliana Pedrosa (PSD), que tenta herdar os votos do rorizismo.
PENSANDO BEM...
...as ONGs do “politicamente correto” viverão seu dia de glória quando descobrirem um índio (ou índia) negro e gay.
PODER SEM PUDOR
BOM PARA CACHORRO
Nos anos 1960, o chanceler Vasco Leitão da Cunha aproveitou e concedeu uma entrevista a caminho do aeroporto de Brasília, no carro oficial. No caminho, um cachorro atravessou a pista, o motorista fez uma manobra brusca, o carrão derrapou, e por muito pouco não houve um acidente grave. Passado o susto, ele respirou fundo e advertiu o pálido motorista, diplomaticamente:
- Meu caro Josias. Tenha sempre bom o seu coração, mas nunca esqueça de acionar o bom cérebro. Se tivesse acontecido o pior, imagine a manchete amanhã: "Motorista mata ministro para salvar um cachorro"...
QUARTA NOS JORNAIS
- Globo: Imagina na Copa: Falha fecha Engenhão e Rio fica sem estádio
- Folha: Domésticas passam a ter direito a FGTS e hora extra
- Estadão: PSC ignora pressões e Feliciano fica em comissão
- Correio: Brasil aprova, enfim, a segunda abolição
- Valor: “Prioridade em todos os Estados é reeleger Dilma”
- Jornal do Commercio: Aeroporto e metrô ligados até agosto
- Zero Hora: Nova lei das domésticas entra em vigor no dia 2
- Brasil Econômico: Planalto defende MP dos Portos, mas Pernambuco quer exceção
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