quinta-feira, março 21, 2013

O grande teste do PT - DENISE ROTHENBURG

CORREIO BRAZILIENSE - 21/03

Nas fotos, Dilma Rousseff e Michel Temer nunca foram tão felizes. Mas se alguém for avaliar como vai o casamento de fato, verá um poço de problemas nos estados. Os exemplos são inúmeros. Recentemente, os jornais de Mato Grosso do Sul abriram a temporada de notícias sobre a sucessão do governador André Puccinelli com declarações do senador Delcídio Amaral, do PT, a respeito de palanque único para a presidente Dilma Rousseff em seu estado. Foi o suficiente para que desandassem os ensaios de reaproximação entre petistas e peemedebistas por ali.

O PMDB de Mato Grosso do Sul há duas eleições concorre como aliado dos tucanos. Apoiaram Geraldo Alckmin em 2006 e José Serra em 2010. Agora, entretanto, esse casamento parecia ter chegado aos estertores. Mas a nova aposta dos peemedebistas em direção à presidente Dilma e à campanha reeleitoral está a um passo de naufragar, porque o PT não abre mão da candidatura própria nem planeja ter dois palanques para Dilma.

Essa história serve apenas para ilustrar um cenário que promete se repetir por vários estados brasileiros, onde os petistas terão que escolher: ou fecham um palanque próprio e jogam a campanha presidencial para o “seja o que Deus quiser” ou então dividem os espaços ou cedem a candidatura ao principal aliado, de modo a deixar clara a prioridade de manter o governo federal.

Até o momento, apenas em Sergipe e no Distrito Federal a convivência entre PT e PMDB é considerada como da maior lealdade. Em São Paulo, as perspectivas de acordo são grandes, mas, nos outros estados, ou Lula entra para resolver ou o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ou mesmo o tucano Aécio Neves pescarão aliados, como já vêm fazendo entre os sul-matogrossenses.

A avaliação geral é a de que, dado o adiantado das conversas para 2014 na seara política, ou Lula e o vice-presidente Michel Temer entram logo em campo para acalmar os ânimos dos demais jogadores ou a confusão vai crescer a ponto de paralisar a partida ou tornar impossível a busca de acordos de cavalheiros.

Enquanto isso no Planalto...

Embora a pesquisa CNI/Ibope apontando a alta popularidade do governo tenha sido positiva para a presidente Dilma, há a certeza de que nem ela nem o PT estão hoje nadando de braçada em berço esplêndido, para dispensar aliados ou impor sua vontade em todos os estados. Afinal, ela concorrerá contra dois jeitosos, forjados na arte da política de agregar, Aécio e Eduardo. (Ok, há ainda Marina Silva na pista da pré-campanha presidencial, mas ela não conseguiu formalizar seu partido, portanto, não pode ser colocada no mesmo patamar).

Até o momento, Dilma tratou de ajeitar apenas a situação das cúpulas partidárias — faltam ainda o PR, a ser recebido hoje, e o PTB, partido que o PT adoraria fechar ao lado de Dilma para cortar os laços dos petebistas com Eduardo Campos e Aécio.

O PT, por enquanto, está mais dedicado à sua eleição interna do que aos palanques estaduais, deixando tudo correr meio frouxo. Inclusive Lula não entrou de vez porque acredita que Eduardo, por exemplo, desistirá em prol de um projeto futuro com o apoio dos petistas, o que, cá entre nós, leitor, é sonho de uma noite de verão.

No fundo, os petistas sabem que todos os partidos que se sentirem prejudicados poderão terminar jogando suas estruturas em favor de outros candidatos. Portanto, da mesma forma que começaram a dividir o governo com o PMDB, terão que cuidar dos palanques. E reza o ditado, é melhor prevenir do que remediar. A hora de agir é agora.

Nos balcões do governo - CARLOS ALBERTO SARDENBERG

O GLOBO - 21/03

Só no ano passado, os brasileiros pagaram nada menos que R$ 61 bilhões na conta de telefone. Reparem: é só o imposto pago diretamente pelo consumidor. Ainda tem o das empresas


Para estimular o investimento privado nas redes de fibra ótica, o governo federal vai conceder isenção de impostos (IPI e PIS/Pasep e Cofins). Para isso, a empresa interessada só precisa cumprir algumas condições, como adquirir equipamentos e serviços de produção nacional, em percentuais que variam conforme o projeto.

Coisa simples, por exemplo: em projetos de telefonia 3G e 4G, as empresas terão de gastar 50% em equipamentos, sendo 70% deles fabricados de acordo com o PPB e 20% do total de gastos com tecnologia nacional.

Não sabe o que é o PPB? Trata-se do Processo Produtivo Básico, conjunto de normas de outros três ministérios, que definem as etapas da produção fabril. Ainda não entendeu? Bom, simplificando: se a empresa está no PPB, isso é um carimbo dizendo que ela fabrica coisas de verdade.

Assim, tendo um projeto que respeita todas as condições, a companhia pede ao Ministério das Comunicações sua qualificação para o Regime Especial de Tributação do Programa Nacional de Banda Larga — pode chamar de REPNBL.

Estando tudo OK, ainda não acabou. A empresa passa então ao balcão do Ministério da Fazenda, que concede (ou não, é claro) a habilitação final para o REPNBL.

Tudo dando certo, o governo acredita que as teles farão investimentos de uns R$ 16 a 18 bilhões, isso até 2016. Nesse mesmo prazo, o governo deixaria de arrecadar algo como R$ 6 bilhões.

É muito ou é pouco?

Façam as contas: só no ano passado, os brasileiros pagaram nada menos que R$ 61 bilhões na conta de telefone. Reparem: esse é só o imposto pago diretamente pelo consumidor. Além disso, as companhias recolhem outros impostos em suas atividades, como, por exemplo, na instalação de redes. É só aqui que as elas terão a isenção tributária parcial do REPNBL/PPB.

Não seria mais simples, e justo, reduzir a conta do consumidor? É verdade que, dos R$ 61 bilhões pagos pelo usuário, R$ 33 bilhões vão para os governos estaduais na forma de ICMS. O governo federal pode dizer que não tem nada com isso, mas não é assim. Se o programa é nacional, Brasília deveria liderá-lo. Além disso, tem muito imposto federal que permanece na conta.

Também não seria mais simples uma isenção horizontal para investimentos, sem toda aquela burocracia? Terá o Ministério das Comunicações estrutura para avaliar seriamente e a tempo todas aquelas condições? Não é muito balcão de passagem?

Mas o governo gosta de um bom pacote. Ainda na semana passada, lançou outro, o Inova Empresa, que vai financiar ou dar dinheiro para projetos de inovação. São R$ 32,9 bilhões, para dois anos. O pessoal do setor estranhou. Isso porque, em 2009, o governo federal havia lançado a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, para financiar investimentos de R$ 75 bilhões em quatro anos. Não se sabe bem quanto foi efetivamente aplicado, mas parece coisa requentada, não parece?

A novidade nesse programa foi a criação de mais uma estatal, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), para fazer o meio de campo entre instituições públicas de pesquisa e companhias privadas. Também vai centralizar as demandas e a distribuição dos recursos. Por isso, a nova estatal deverá ser enxuta e ágil. Ou seja, seu comitê gestor será formado por apenas quatro ministérios e uma secretaria.

Mais enxuto ao menos do que o conselho de seis ministros também criado recentemente para fazer uma lista de produtos de consumo essenciais.

O governo está atacando em outra frente nesse setor das telecomunicações. Nas licitações para a construção e operação ferrovias (10 mil km) e rodovias (7,5 mil), vai exigir que os concessionários construam redes de fibra ótica ao longo das vias, por dutos subterrâneos.

Essas redes serão obrigatoriamente entregues à Empresa de Planejamento e Logística (EPL), estatal que decidirá quem e como poderá utilizá-las. Outro balcão. Nada se disse se a estatal vai pagar por isso ou se vai tudo para o custo do construtor.

Essa EPL foi criada recentemente para cuidar do trem-bala, no que, aliás, terá outro balcão. A empresa estrangeira que trouxer a tecnologia terá que transferi-la integralmente para a EPL. Esta depois decidirá quais companhias brasileiras terão acesso.

Um balcão parecido aparece nas concessões de ferrovias. Outra estatal, a Valec, vai comprar toda a oferta de carga das novas vias e depois vender para as transportadoras. A mesma Valec que, no passado, andou comprando dormente a preço de trilho e que, recentemente, ficou sem trilho para suas obras.

Diz o governo que está ajudando as empresas a evitar o risco de mercado. Eles acham que os balcões do governo não têm risco.

Sucessão de encrencas - CELSO MING

O Estado de S.Paulo - 21/03

A questão dos royalties do petróleo já é uma encrenca enorme e pode se tornar maior ainda.

Convém, primeiro, resumir o que está em jogo. A Constituição Federal (art. 20, § 1.º) prevê o pagamento de uma "compensação financeira" a Estados e municípios produtores de recursos minerais, entre os quais estão petróleo e gás.

Essa compensação passou a ser conhecida pela expressão inglesa royalty, plural royalties. O governo Dilma entendeu que, no caso do pré-sal, esses royalties deveriam ser pagos não só aos Estados e municípios onde se localizam os poços produtores, mas que fossem estendidos a todos os Estados e municípios.

Sob o argumento de que as riquezas do subsolo são da União, e não dos Estados e municípios onde estão os poços produtores, o Congresso mudou o projeto de lei e foi ainda mais radical: reconheceu o direito de todos os Estados e municípios aos royalties provenientes não apenas das novas áreas do pré-sal, mas também de todas as áreas de exploração de petróleo e gás. Sob o argumento de que essa decisão do Congresso atropela um direito adquirido dos Estados e municípios produtores, a presidente Dilma vetou essa extensão. No entanto, há duas semanas, o Congresso derrubou o veto. Com isso, os royalties de toda a produção de petróleo e gás (e não só do pré-sal) teriam de ser distribuídos a todos os Estados e municípios.

Na segunda-feira, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu liminar aos Estados do Rio, Espírito Santo e São Paulo, os principais produtores, que se sentiram lesados em seus direitos constitucionais, e suspendeu a redistribuição dos royalties até que o mérito da questão seja julgado.

Alguns deputados criticaram o Supremo por "judicializar a política" e atropelar decisão tomada pela maioria do Congresso. É grave equívoco. O que está sendo garantido pela liminar do STF são direitos constitucionais, que se sobrepõem a eventuais decisões dos políticos. O primeiro deles é o respeito ao que já estava contratado, consubstanciado em perdas de receitas por parte dos Estados e municípios produtores que, conforme algumas projeções, podem atingir até R$ 27 bilhões até 2020.

O Supremo pode entender que não basta respeitar os contratos já existentes. E que será preciso atender à Constituição quando define o caráter compensatório dos royalties devidos a Estados e municípios produtores de minerais, por perdas e transtornos causados pela exploração. Assim, toda a lei nova do rateio dos royalties ficaria prejudicada e que abriria espaço para a volta do regime antigo, de pagamento apenas aos Estados e municípios de onde são extraídos os minerais.

Esse ponto de vista já foi externado pela ministra do STF, Cármen Lúcia (foto), na sentença que concedeu a liminar. Foi o bastante para que alguns políticos sentissem ameaçada a sua galinha de ovos de ouro e já se dispõem a elaborar projeto de lei de emenda à Constituição que muda o conceito de royalty e lhe tira o tratamento de "como compensação".

É tamanha a fome por royalties que, aparentemente, uma emenda dessas poderia garantir enorme mobilização dos políticos e alcançar a maioria qualificada de dois terços para sua aprovação. Mas isso levaria tempo e poderia atrasar ainda mais as novas licitações de exploração de petróleo e gás. Não seria apenas uma encrenca; seria uma sucessão de encrencas.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 21/03

Volta de térmicas a carvão pode liberar R$ 6 bi em projetos
Cerca de R$ 6 bilhões em projetos poderão ser desengavetados se o governo federal permitir que usinas térmicas movidas a carvão participem do próximo leilão de energia, a ser realizado no segundo semestre deste ano.

Na terça, o ministro de Minas e Energias, Edison Lobão, sinalizou que a fonte deverá ser contemplada no próximo edital.

O último leilão que autorizou a participação das usinas a carvão foi realizado em 2008. Questões ambientais e de mercado (a energia de termelétricas é mais cara) foram responsáveis por excluí-las das disputas seguintes.

A volta do carvão ocorreria para garantir uma maior segurança energética e evitaria sustos em decorrência do nível dos reservatórios de água.

Hoje, a fonte gera 1,4% da matriz energética do país -a capacidade instalada é de 1.752 MW, segundo a Associação Brasileira do Carvão Mineral.

"Outros 2.452 MW, cujos projetos demandarão cerca de R$ 6 bilhões, estão aptos a participar de leilões, pois já têm licença ambiental prévia", diz o presidente da entidade, Luiz Fernando Zancan.

Um dos empreendimentos será o da Usitesc, das empresas Carboníferas Criciúma e Metropolitana, além do fundo de investimentos Energia PCH.

"Desde 2009 estamos aguardando. Chegamos a estar qualificados para o leilão de 2009, que foi cancelado", diz Kaioa Gomes, responsável pelo projeto de R$ 1,6 bilhão.

"Era inviável implantarmos a usina para operarmos no mercado livre, onde os preços são muito baixos."

A empresa MPX, de Eike Batista, também tem projetos já licenciados.

EM ALTA NA CRISE
O grupo paranaense Ouro Verde, especializado em locação e terceirização de carros e máquinas, investirá R$ 50 milhões para ampliar sua frota de veículos pesados.

Serão comprados cerca de mil equipamentos utilizados nos segmentos industrial e de mineração, como empilhadeiras e retroescavadeiras.

O setor da empresa que trabalha com essas máquinas registrou expansão de 97% no ano passado.

"No momento de dificuldade econômica, o empresário prefere alugar um equipamento do que investir na aquisição. Por isso, nos beneficiamos dessa incerteza de mercado e crescemos", afirma o presidente da empresa, Karlis Kruklis.

Para este ano, o executivo espera um aumento de cerca de 70% do segmento.

As máquinas industriais, ao lado de equipamentos para o setor sucroalcooleiro, como colheitadeiras e tratores, correspondem a dois terços do faturamento da companhia, que no ano passado foi de R$ 510 milhões.

A área agrícola, porém, não registrou crescimento em 2012. A previsão é que haja uma expansão de 20% neste ano.

A frota de veículos leves do grupo também será ampliada -receberá um aporte de aproximadamente R$ 200 milhões até dezembro.

R$ 510 MILHÕES
foi o faturamento em 2012

5.850
será o número de veículos pesados no final deste ano

20.000
será o total de veículos leves em dezembro

VIAGEM SEGURA
Parceria entre a operadora de turismo Agaxtur e a Interface Seguros (Ifaseg) possibilitará aos turistas a cobertura total do preço pago por pacotes.

Com o novo seguro, o cliente não precisará pagar multas de hotéis e voos e poderá cancelar a viagem dias antes, mesmo sem motivo grave.

O produto será lançado na próxima semana e vai valer para pacotes com destino a Bariloche na temporada de inverno 2013. O seguro sairá por R$ 59,90 (cobertura de R$ 2.000) com opções para atender valores maiores.

"Esperamos aumento de 30% na venda de pacotes, o seguro tira a insegurança do cliente", afirma Aldo Leone, dono da Agaxtur.

SUPERAVIT DE ESCRITÓRIOS
A oferta de escritórios e salas comerciais de alto padrão e alto luxo em Alphaville encerrou 2012 com uma taxa de disponibilidade de 43,5%, segundo um levantamento da Colliers International.

O volume locável no bairro aumentou aproximadamente 47% na comparação com 2011. Foram mais de 265 mil metros quadrados disponíveis em 2012 ante os 181 mil metros quadrados existentes em 2011.

"A tendência é que a absorção das unidades ocorra de forma lenta nos próximos anos", diz Sandra Ralston, vice-presidente da Colliers.

A escassez de mão de obra na região de Alphaville e os novos empreendimentos em São Paulo, como em Jurubatuba e Barra Funda, são alguns dos motivos da preferência de empresas pela capital, segundo Ralston.

PREÇO E ALGO MAIS
A maioria dos brasileiros leva em conta a confiabilidade das empresas e o preço dos produtos ao comprar on-line. Os resultados são de uma pesquisa da Rakuten, empresa que oferece serviços de internet, realizada em 12 países.

Pelo estudo, confiabilidade (59,50%) e preço baixo (56,10%) são as características mais importantes para o comprador virtual do Brasil.

"Ainda que o preço seja importante, os consumidores procuram mais. Querem marcas confiáveis que proporcionem boas experiências de compra", diz Alessandro Gil, da Rakuten Brasil.

E o varejo vai... Jean-Charles Naouri, CEO do Casino, controlador do Grupo Pão de Açúcar, foi eleito o melhor CEO no setor de varejo de alimentos na Europa, segundo o ranking da Institutional Investor de 2012.

...para os franceses Pela primeira vez, o grupo Casino entrou na lista das "mais respeitadas empresas europeias". Cerca de 3.000 gestores de fundos e analistas escolheram os melhores executivos em 36 setores.

Beleza A multinacional francesa L'Oréal irá expandir sua fábrica do Rio de Janeiro neste ano. A expectativa da empresa é dobrar sua capacidade de produção no local. O investimento será de aproximadamente R$ 14 milhões.

FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA

O GLOBO - 21/03

Turismo
Gastão Vieira, ministro do Turismo, determinou a criação de um programa de capacitação de brasileiros no exterior. Áustria e Bélgica, dois importantes centros de formação na Europa, já ofereceram cursos de seis meses a dois anos. Ontem, Vieira se reuniu com autoridades dos dois países.

Em tempo
O plano fica pronto ainda este ano. De início, haverá um piloto com 30 brasileiros. O Ciência Sem Fronteiras, federal, só tem intercâmbio em ciências e engenharia.

Espólio 1
O juiz Guilherme B. Pereira, da 25ª Vara Federal do Rio, anulou a autorização para Maria Lucia Pereira gerir as lojas e os direitos da marca Jopar. Viúva do fundador da rede de moda masculina, Maria Lucia é acusada pelos filhos de Victor Parente, Alex e Victor Junior, de fraudar o documento, segundo o advogado Raphael Miranda.

Espólio 2
O desembargador Paulo Espírito Santo, da 1ª Turma do TRF da 2ª Região, marcou para terça o julgamento do caso em 2ª instância. A advogada da ré, Ana Cláudia Correa, não se pronunciou.

Bodas de prata
O Hard Rock Café ganhou no INPI a batalha contra a Castelo Branco Lanches. A briga pela marca começara em 1987. Causa do escritório Montaury Pimenta.

Vezes três
A C&A vai triplicar investimentos em ações de relacionamento com a clientela este ano. Dia 1º de abril, lança aplicativo para fãs da marca personalizarem suas páginas no Facebook com imagens para capa e perfil. A rede já tem mais de 3,2 milhões de seguidores.

Privilégio
No lançamento da coleção com a estilista Carina Duek, na terça, clientes cadastradas terão acesso aos produtos antes da abertura das lojas.

Treze
A Lupo vai inaugurar, até maio, treze lojas em cinco estados. Só em São Paulo serão seis. O investimento beira R$ 500 mil por unidade, sem contar o ponto. A rede passará a 244 filiais no país.

R$ 270 MILHÕES
É o valor da concessão para instaslar e explorar, por 25 anos, hotel e s centro de convenção nos velhos prédios da Varig e da Vasp, perto s do Santos Dumont. O contrato com a GJP será assinado em abril.

LUZ DO SOL
A Biblioteca Pública Estadual será o 1º prédio do governo fluminense a ter sistema de geração de energia solar. Na cobertura de 260 metros quadrados do prédio, vizinho à Igreja de São Jorge, no Centro, já foram instalados 162 módulos fotovoltaicos (foto). Vão ser capazes de gerar 51,5 MWh/ano e compensar a emissão de 132,5 toneladas de CO2, diz Julio Bueno, secretário de Desenvolvimento Econômico. A Light investiu R$ 525 mil no projeto, que integra o Rio Capital da Energia, programa estadual. O sistema entra em operação até junho. O consórcio Concrejato-FW Engenharia toca a
reforma da biblioteca.

ACESSÓRIOS
A Metally, de bijuterias, estreia hoje a campanha do inverno 2013 na internet. A modelo Julia Brandão posou para Hozana Schuindt.

A marca fornece acessórios para 900 pontos de venda, incluindo as redes Cantão, Afghan e Shop 126. Espera faturar 20% mais.

MALHAÇAO
A CCM, de moda fitness, também lança hoje a coleção de inverno. A moda militar americana e o rock inglês inspiraram as peças. Erica Castro fotografou a modelo Carina Graciola. A marca espera vender 20% mais sobre a temporada passada 2012.
A rede tem 13 unidades no país. Oito delas ficam no Estado do Rio.

Grelhado
O Galli Grill vai abrir três filiais em Niterói, uma delas no Plaza Shopping, em abril. Aporte de R$ 4 milhões. No 2º semestre, virão mais duas, no Rio e em São Paulo.

Cachorro-quente
A Geneal abrirá, este mês, lojas em Copacabana, Casa Shopping e Norte Shopping. Investiu R$ 340 mil, no total.

Saudável
A Seletti, paulista de comida saudável, inaugura loja na Tijuca mês que vem. Aporte de R$ 500 mil, será a 2ª da rede no Rio. No país, são 29.

Cafezinho
A Lavazza, italiana de café, investe R$ 300 mil em centro de treinamento no Rio. Prevê faturar R$ 60 milhões no Brasil este ano, alta de 20%.

Livre Mercado
Já chegou a 115 países a ação Tweet Censurado, da DM9Rio para a Anistia Internacional. Na Turquia, há página na língua local. Em menos de um mês, dez milhões de pessoas já usaram a hashtag que denuncia restrições à liberdade de expressão.
A Depilatti abre, em maio, a 5ª loja no Rio. Aporte de R$ 250 mil. A unidade, em Vila Isabel, terá 120 m2.
A Cacau Noir lança amanhã ação de Páscoa no Instagram. Dará ovo de um quilo. A DPZ assina.
A Bauducco/Hershey’s terá ação para a data em parceria com a Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar 5ª que vem. Distribuirá 600 chocolates. Prevê vender 8% mais.

A inflação, o BC, o governo e os juros - ROBERTO MACEDO

O ESTADÃO - 21/03

O agravamento da inflação mostra três atores atuando no que fazer. Num canto, o mercado financeiro e alguns acadêmicos defendem um imediato aumento da taxa básica de juros, ou Selic. Noutro, o governo recorre a medidas inconsistentes entre si, e até ao controle direto de alguns preços. Fez e ainda o faz de várias maneiras, como ao alterar regras do mercado de energia, conter o preço de derivados do petróleo e desonerar de tributos federais a cesta básica. No meio está o Banco Central (BC) que reconhece a piora da inflação, mas não aumenta a Selic, tolhido que está por sua dependência do governo.

Dada essa dependência, tomarei o governo e o BC como de um lado só. Quanto àqueles que pregam com ênfase o aumento dos juros, a dependência vem de sua adesão estrita ao modelo de metas de inflação. Nada veem além dele, pelo qual a Selic deve subir se a inflação se agravar; e se ficar abaixo do centro da meta do BC, hoje em 4,5% ao ano, o Banco Central pode reduzir os juros, mas essa meta deveria ser ainda menor.

Ora, esse modelo está longe de sacrossanto. Mesmo antes da crise que abalou os mercados financeiros em 2008 já não era uma unanimidade, pois funcionava em determinados países e circunstâncias, e não noutros. E com essa crise se evidenciou a dificuldade de os bancos centrais se anteciparem à eclosão delas de modo a evitar a instabilidade financeira decorrente.

Com isso, no debate internacional há um esforço para rever tal modelo. Destaco o documento Rethinking Central Banking (Repensando os Bancos Centrais, disponível em www.brookings.edu/research/reports/2011/09/ciepr-central-banking). Foi preparado por 15 especialistas de renome, entre eles Barry Eichengreen, Raghuram Rajan, Dani Rodrik, Kenneth Rogoff e o nosso Armínio Fraga.

Volta-se para questões de maior interesse internacional e de países ricos e destaca tarefas adicionais que os bancos centrais devem ter, como essa de se anteciparem a crises. Nessa linha, recomenda, entre outras, o recurso a medidas conhecidas como macroprudenciais, ou de controle do crédito, e institucionais, como a criação de um comitê internacional para coordenar ações dos bancos centrais nacionais, já que seus efeitos costumam estender-se também a outros países.

Em particular, nos seus mercados cambiais, em que a transposição de fronteiras é comum. Ao falar de guerra cambial, é disso que autoridades brasileiras se queixam quando nossa moeda é afetada. Quanto a isso, o documento admite um temporário controle do fluxo de capitais estrangeiros, o que é abominado pelos mais contundentes defensores do modelo de metas de inflação, pois ligada a ele está também a defesa do câmbio flutuante.

Diante de considerações como essas que admitem o controle cambial ao lado de medidas macroprudenciais, o papel da taxa básica de juros permanece importante, mas num enredo a que se incorporam outros atores, como esses. Para o Brasil a lição é que esse elenco ampliado não deve ser demonizado pelos que limitam a política monetária à inflação e ao uso da Selic.

Passando ao governo e seu BC, o problema maior é que sua política dita econômica é também radical. Seu maior objetivo é político, o de assegurar a reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014. Como ela admite que na campanha eleitoral tudo pode, seu séquito segue seu comando. E fica no faz-tudo casuístico, sem maior consistência na utilização dos instrumentos de política econômica. Assim, quer menores taxas de juros, o que é uma preocupação legítima, mas insustentável diante da indisciplina fiscal e creditícia praticada pelo governo. As ações governamentais nessas duas áreas poderiam inscrever-se como macroimprudenciais.

Juros mais baixos combinados com essa indisciplina estimulam a demanda, e isso ocorre numa situação em que a oferta está contida por investimentos fracos e o custo de mão de obra está em ascensão. Mas o governo insiste em turbinar a demanda e dá no que deu: mais inflação. Isso ao lado de um sentimento de insegurança quanto à natureza da política econômica, o que desestimula decisões de investir. Daí resultam também as taxinhas do PIB e o conformismo com outras apenas um pouco maiores.

Diante desse quadro, cabe a moderação da política creditícia e fiscal - esta também enfatizada pelo documento -, exceto na realização de investimentos, particularmente em infraestrutura, que beneficiará todos os que a utilizarem, e não apenas os escolhidos para receberem este ou aquele incentivo governamental. Sem essa moderação fica difícil, neste momento, assegurar uma Selic permanentemente baixa.

No ano que vem o Plano Real fará 20 anos. Como os jovens brasileiros de idade semelhante, deve ser preservado dos riscos de descaminho. No caso, causados por esse vício eleitoreiro que está na raiz da política econômica governamental.

Quanto aos apóstolos radicais do modelo de metas, seria importante se fossem tomados por uma visão mais aberta sobre a teoria e a prática da política monetária. O mundo real é muitíssimo mais complexo do que esse modelo imagina e há essa necessidade de os bancos centrais reconhecerem a importância de outros temas e problemas além da sua pauta tradicional. Como conclui o referido documento: "Bancos centrais terão maior chance de resguardar sua independência e credibilidade se explicitamente reconhecerem e cuidarem das tensões entre metas de inflação e outros objetivos simultâneos, em lugar de negar essas conexões, e fazer apenas o trivial a que estão acostumados".

Os que defendem essa trivialidade no Brasil se credenciariam à gratidão nacional se pusessem seu talento intelectual a resolver essas tensões sem restringi-lo apenas a exercícios contextualizados numa órbita muito distante da realidade.

Comércio externo estagnado - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 21/03

Não será pelo comércio com o exterior que a economia vai crescer mais forte este ano. A balança comercial carrega um déficit de US$ 5,5 bilhões até a terceira semana de março e a corrente de comércio está 1,9% menor que a do mesmo período de 2012. A exportação caiu 10%, e a importação subiu 5%. O setor de petróleo e derivados tem um rombo de US$ 2,6 bilhões em menos de três meses.

O déficit do setor de petróleo e derivados deve ficar, ao longo do ano, em US$ 11 bilhões, segundo projeção da RC Consultores. Se a conta for feita só com os derivados, o déficit será de US$ 17 bilhões.

Quando o assunto é crescimento econômico, mais importante que olhar para o saldo da balança é ver o que está acontecendo com a corrente de comércio, ou seja, a soma das importações com as exportações. O crescimento das importações também é sinal de vigor econômico porque contribui para a estatística do PIB via consumo e investimentos. É justamente esse dado que preocupa, porque até agora há retração de 1,9% na comparação com o mesmo período de 2012, e no ano passado já houve queda em relação a 2011.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, acredita que mesmo com tudo isso o ano fechará com saldo positivo de US$ 14 bilhões. O problema é a previsão de estagnação da corrente de comércio, em US$ 465 bi.

A RC Consultores estima que o déficit do setor de petróleo vai subir - no ano passado foi de US$ 9,2 bilhões - porque haverá aumento de importação de petróleo bruto e a produção interna ficará estagnada, reduzindo a exportação. Olhando apenas para os derivados, o rombo encostará em US$ 17 bilhões.

O motivo já se sabe: o consumo de combustíveis aumentou muito com a venda de carros e o Brasil não é autossuficiente na produção de derivados. Além disso, o subsídio à gasolina acabou desestimulando o setor de etanol. A única saída tem sido aumentar importações.

O rombo dos derivados vai continuar pelos próximos anos porque a Petrobras não tem condições de aumentar a produção local de derivados a curto prazo. O Plano de Negócios da empresa para o período 2013 e 2017 mostra os erros dos últimos anos, de permitir a interferência das razões políticas nas decisões de investimento, como nas escolhas da localização de refinarias longe dos centros consumidores.

O caso mais explícito de interferência política foi a Refinaria Abreu e Lima, que tem como sócia a venezuelana PDVSA. Foi uma decisão tomada pelos então presidentes Lula e Hugo Chávez. Os venezuelanos não cumpriram a parte deles, e a morte de Chávez deixa ainda mais incerto o futuro da empresa. Isso sem falar no fato de que a refinaria estava orçada em US$ 2 bilhões e já está em US$ 17 bi. A entrega da obra está atrasada. O cenário é o mesmo com as refinarias Premium I e Premium II, no Nordeste, longe dos centros de consumo, que podem ter cronogramas adiados.

Com um déficit tão grande em derivados, a esperança vem mesmo da exportação das commodities agrícolas e minerais. O problema é que o embarque da safra recorde de soja está atrasando, segundo José Augusto de Castro. A razão é a de sempre: gargalos logísticos do país. Há filas quilométricas de caminhões, porque os terminais de descarregamento estão superlotados. Nos portos, navios ficam parados à espera da carga que não chega no prazo combinado. Já há notícias de cancelamento de contratos por parte dos chineses, que consideram como calote a entrega fora do prazo. Neste mês de março, até a terceira semana, o embarque de soja, em toneladas, está 14% menor que no mesmo período do ano passado, com queda de 42% no farelo de soja. E o Brasil colheu uma supersafra.

Preocupações ambientais - MARCELO MITERHOF

FOLHA DE SP - 21/03

Só protestar não basta, pois, sem energia, não é possível crescer e incluir mais pessoas


A coluna passada angariou simpatia de ambientalistas em razão da sugestão de acelerar a diversificação da matriz elétrica e por ter levado em conta fatores extraeconômicos ao discutir as hidrelétricas na Amazônia.

Hoje, faço um contraponto. A preocupação ambiental tem sido bem útil para nos ensinar práticas que diminuem os desperdícios. Nos últimos anos, aprendi coisas que favorecem o uso racional da água e contrariam a educação que recebi na infância, como reduzir o número diário de descargas sanitárias.

Também sobre políticas públicas o ambientalismo tem dado contribuições, por exemplo, ao reivindicar o desenvolvimento de fontes limpas de eletricidade e a intensificação da conservação de energia.

Mas há algo perturbador na atuação de parte do movimento ambientalista no que se refere ao que fazer sobre o aquecimento global.

Não se costuma duvidar de que as temperaturas subiram. A causa pode ser a ação humana -que desde a Revolução Industrial usa os recursos naturais de forma quase exponencial, provocando pesados danos ambientais, como emissões de CO₂ e desmatamentos- ou ser fenômeno aleatório, que se dissipará.

A maioria dos cientistas advoga que a ação humana foi decisiva. Sou fã da ciência, mas a história mostra que seu discurso é incapaz de dar conta de tudo que há no mundo, tornando-se por vezes dogmático.

Se é verdade que a Revolução Industrial mudou a escala da intervenção humana sobre o planeta, também é certo que a natureza é tão maior e mais poderosa que a humanidade que tenho dúvidas sobre o que está realmente ocorrendo.

Ademais, vale lembrar que, diante de um conhecimento por natureza incerto, cada um acredita no que quer. Por exemplo, como a maioria, entendo e aceito a moderna descrição do Sistema Solar, mesmo só a visualizando por desenhos. Logo, não é despropositado dizer que a crença no heliocentrismo vem em parte de minha simpatia pela coragem de Copérnico e Galileu e pelas implicações da derrocada do geocentrismo, que enfraqueceu a igreja e fortaleceu as liberdades.

Assim, prefiro não limitar os planos para o crescimento do Brasil. Nesse ponto surgem minhas divergências com o ambientalismo radical. Certos de que a Terra virou uma Sodoma e Gomorra do consumismo, militantes pressionam contra projetos cruciais para o crescimento sustentado, como as hidrelétricas.

A geração hídrica é considerada limpa, pois emite quantidades ínfimas de CO₂. Mas sua implantação causa danos. Para compensá-los, os investimentos socioambientais em projetos de hidrelétricas no país são de 10% do total, nível atingido graças às pressões de ambientalistas e movimentos sociais. Porém muitos militantes não estão satisfeitos.

A insatisfação é natural num movimento que iniciou suas reivindicações em grande desvantagem, quando o uso de combustíveis fósseis já havia mudado sobremaneira a forma de ocupar o planeta.

Ainda assim, um grave problema surge quando não se oferece opção ou se propõem coisas por demais genéricas, por exemplo tomando a conservação de energia como panaceia. A preservação ambiental vira uma causa estagnacionista, que acaba defendendo congelar a pobreza.

É difícil que países como a China e o Brasil abram mão de buscar padrão de consumo próximo ao dos desenvolvidos e é improvável que a maioria, se a renda permitir, deixe hábitos como viajar de avião e comer carne frequentemente.

Quer dizer, o ambientalismo extremista está fadado ao fracasso, mesmo se estiver certo. A saída possível é desenvolver tecnologias mais eficientes ambientalmente, como as energias solar, eólica e por biomassa e os veículos elétricos.

A energia eólica é um bom exemplo: seu custo vem se tornando competitivo, embora sua qualidade ainda sofra com as oscilações dos ventos, exigindo novas tecnologias para poder aumentar sua participação na matriz energética.

Para tanto, é preciso regular os mercados e crescer, de maneira que empresas e governos tenham recursos (demanda) para desenvolver tais tecnologias.

Enquanto isso, seria bom combinar regras. Por exemplo, quem não gosta de um projeto de hidrelétrica precisa especificar alternativas viáveis que servirão de compensação. Só protestar não basta, pois, sem energia, não é possível crescer e incluir mais pessoas. E isso não pode estar em disputa.

Tarefa difícil - MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 21/03

A pesquisa do Ibope/CNI foi uma ducha de água fria nos candidatos a opositores da reeleição da presidente Dilma Rousseff, em menor intensidade para o senador Aécio Neves, que é mesmo da oposição. Não parece provável que desista da candidatura mesmo diante da aparência de imbatível que a presidente Dilma ostenta nesses dias.

Há quem acredite nos meios políticos - um deles é o governador Eduardo Campos, que torce por isso - que o senador Aécio Neves pode partir para tentar se eleger novamente governador de Minas se a presidente estiver muito bem nas pesquisas no início do ano, mas é difícil que isso aconteça. Ao assumir a presidência do PSDB em maio, Aécio estará comprometido com um projeto partidário que não se abandona sem mais nem menos.

Nem uma eventual dissidência tucana em São Paulo pode servir de desculpa, pois tudo indica que ele terá o apoio do governador Geraldo Alckmin, mesmo que José Serra não se engaje na campanha. Como Aécio ainda tem quatro anos de mandato, poderia disputar a eleição presidencial sem perder o mandato, e ficaria com a imagem nacional para tentar novamente em 2018. É claro que naquela eleição poderá ter outra vez um candidato de peso em São Paulo, se o governador Geraldo Alckmin se reeleger.

O governador Eduardo Campos, que costeia o alambrado governista quase fora do controle, deve ter tomado um baque com o crescimento de popularidade presidencial no Nordeste, sua região. Mas reagiu como quem está disposto à luta. Já havia dito que popularidade não é voto, e disse sobre a pesquisa que ninguém deve cantar vitória antes do tempo.

O governador de Pernambuco tem dito a interlocutores que está disposto a se candidatar mesmo para perder, embora não goste de perder, desde que o PSB considere essa uma tarefa importante com vistas ao futuro do partido. Os poucos setores que têm dúvidas sobre a viabilidade de sua candidatura temem que esse périplo que vem fazendo pelo país, reunindo-se com políticos e empresários, dê ao eleitorado pernambucano a sensação de que está abandonando o estado, quando o principal trunfo que ele tem é sua gestão.

Parece ser uma preocupação excessiva, pois a situação de Campos em Pernambuco é diferente da de Gilberto Kassab em São Paulo, que foi punido pelo eleitorado depois que, na percepção popular, abandonou a cidade para sair pelo país na construção do seu PSD.

Campos tem uma tradição na política de Pernambuco, na linhagem do avô Miguel Arraes, que Kassab não tinha. Mesmo com Dilma apresentando esse desempenho de favorita nas pesquisas, é muito difícil imaginar que ela possa vencer no primeiro turno como os analistas petistas - alguns com contratos assinados de prestação de serviços que desqualificam suas análises - anunciam já estar decidido nas estrelas.

Em 2010, bastou que Marina tivesse cerca de 20% dos votos para levar a eleição para o segundo turno. A então candidata petista recebeu 46,91% dos votos válidos (que exclui brancos e nulos). Serra obteve 32,61% dos votos, e Marina Silva (PV), 19,33%. Na sequência, Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) teve 0,87% dos votos válidos, José Maria Eymael (PSDC), 0,09%, Zé Maria (PSTU), 0,08%, Levy Fidelix (PRTB), 0,06%, Ivan Pinheiro (PCB), 0,04% e Rui Costa Pimenta (PCO), 0,01%.

Como dessa vez deve estar na lista Campos, será preciso que dois dos três principais candidatos fracassem para não haver segundo turno. Os tucanos fazem a seguinte conta sobre os 45% de votos que tiveram no segundo turno em 2010: a fragilidade de Dilma ajudou, mas no contraponto Lula estava na Presidência, empenhado 100% em campanha. Com mais de 7,5% de crescimento do PIB no ano, com Petrobras e pré-sal "brilhando", sem traço visível de inflação, hoje aguda e presente no dia a dia das famílias.

Sem tais ingredientes, a tarefa será facilitada, pois, além de tudo, Aécio parece um candidato mais "leve" que Serra. O governo vê com outros olhos: hoje a candidatura de Dilma teria em seu apoio a alta popularidade da presidente, que não existia em 2010, além da de Lula. E a economia melhorará este ano, o suficiente para manter a sensação de bem-estar da população.

Os pontos-chave1 A pesquisa mostrando a popularidade de Dilma foi uma ducha de água fria nos seus prováveis adversários em 2014. O que menos deve ter sentido foi Aécio Neves, que levará um projeto oposicionista para a campanha 

O PT contra o ministro do PT - EUGÊNIO BUCCI

O ESTADÃO - 21/03

A oposição no Brasil vai mal. Marina Silva não sabe se conseguirá legalizar seu partido - a sua "Rede", que ainda nem nasceu direito e já se encontra ameaçada de extinção. Eduardo Campos encarna a crise existencial de um triângulo desamoroso: não discutiu suficientemente a relação entre sua própria pessoa, seu partido e a diáfana "base aliada" - essa entidade que não tem base, não tem tantos aliados assim, não ajuda, mas também não atrapalha. Aécio Neves ainda mal começou e já começou mal: seus pronunciamentos iniciais criticando a presidente da República por só pensar em reeleição padecem de uma amnésia suicida. Será que ele não se lembra de que quem só pensava em reeleição era o primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, que mudou as regras do jogo (durante o jogo) apenas para faturar um segundo mandato?

Em suma, o governo de Dilma Rousseff corre solto. Ou, também solto, fica parado. Faz e não faz o que bem quer, fala o que bem entende - e às vezes fala do que não entende. Sem ser incomodado. O Palácio do Planalto vê subir a inflação e os índices de popularidade. Em recente pesquisa do Ibope, divulgada nesta semana, 63% dos entrevistados consideram o governo Dilma "bom" ou "ótimo" (eram 62% em dezembro). Detalhe: para nada menos que 20% dos eleitores brasileiros, Dilma é melhor que Lula.

Do ponto de vista da presidente-candidata, se melhorar, desanda. Seu grande cabo eleitoral é a oposição inerte. Nada em seu governo encontra obstáculos. Os ministérios não conhecem o que seja resistência programática. Todos têm apenas apoiadores. Todos menos um: o Ministério das Comunicações acabou trombando com um partido que lhe faz oposição sistemática. Esse vetor oposicionista atende pelo nome de Partido dos Trabalhadores. Isso mesmo, o PT. O mesmo partido ao qual o ministro titular da pasta, Paulo Bernardo, é filiado desde 1985, o mesmo partido que apoia o governo de Dilma Rousseff combate ferozmente o Ministério das Comunicações.

O PT quer para já a chamada regulamentação dos meios de comunicação. No documento Democratização da Mídia é Urgente e Inadiável, aprovado dia 1.º de março em Fortaleza, o Diretório Nacional do PT conclama o governo a enviar ao Congresso Nacional um projeto de marco regulatório das comunicações. Na resolução os petistas cobram também a revisão das isenções concedidas às empresas do setor.

Ontem o Estado trouxe declarações do ministro Paulo Bernardo contestando as afirmações do partido que lhe faz oposição. Ele qualifica de "incompreensível" a atitude do partido de misturar dois temas que, na sua visão, são distintos: a regulação da mídia e investimentos públicos. É também "incompreensível", a seus olhos, que o PT deflagre uma ofensiva contra as isenções fiscais concedidas pelo governo às empresas de telecomunicação. "Será que o PT acha que são as teles que pagam esse imposto?", indaga o ministro. E ele mesmo responde o óbvio: "O custo é alto e quem paga é o consumidor".

Quanto a isso, a resolução do Diretório Nacional cometeu um erro grave: multiplicou por dez o valor das desonerações fiscais. Segundo o documento petista, conforme anotou a reportagem do Estado, em matéria assinada por Vera Rosa, "o alívio fiscal concedido às empresas, com o novo Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), alcançava R$ 60 bilhões, número dez vezes maior do que o anunciado pelo governo". A pedido de Paulo Bernardo, o partido corrigiu-se (o valor correto é R$ 6 bilhões), mas não recuou um dígito sequer na oposição que faz à pasta das Comunicações.

Paulo Bernardo tem bons argumentos contra seus antagonistas. "A Constituição veda a censura e, portanto, o marco regulatório não pode ser confundido com controle da imprensa nem com nenhum tipo de controle de nada", alega. Tem absoluta razão. Existe, de fato, em algumas áreas da oposição ao Ministério das Comunicações um certo furor censório, por assim dizer, o que precisa ser examinado mais de perto.

Em parte por vingança contra os veículos que deram ampla cobertura ao julgamento do mensalão, em parte por oportunismo populista, há quem argumente à boca pequena que regular os meios de comunicação é uma forma de enquadrar o jornalismo, forçando as emissoras a adotar pautas mais favoráveis às agendas oficiais. Ondas assim vêm se agigantando no Equador, na Venezuela e na Argentina. Se bem-sucedidas, levarão a uma relativa asfixia dos debates democráticos. É curioso como existe ainda hoje quem enxergue nesse caminho uma saída. Mais que curioso, é desconcertante notar que setores da esquerda na América do Sul tenham tomado para si estratégias autoritárias que as ditaduras militares tentaram, sem sucesso, impor aos meios de comunicação. O governismo imposto nunca dá certo - à esquerda ou à direita, tanto faz.

Para complicar ainda mais o irracionalismo do cenário - o partido do governo fazendo oposição cerrada (não obstante aberta) a um dos ministros do governo -, temos então esta discrepância: militantes que se dizem democráticos defendendo políticas autoritárias para enquadrar veladamente o noticiário.

Diante disso, o Ministério das Comunicações erra ao silenciar. Com sua morosidade acaba dando forças ao PT. Paulo Bernardo bem sabe que o Brasil precisa de uma nova legislação que dê jeito em vícios graves da radiodifusão; sabe que isso nada tem que ver com censura, mas com modernizar o mercado, inibindo ainda mais as possibilidades de censura. Não por acaso, todos os países democráticos dispõem de marcos regulatórios claros - e, ao menos nesse quesito, vão muito bem.

O Ministério das Comunicações faria bem se tomasse a iniciativa e convocasse a sociedade para a elaboração de um novo marco regulatório. Assim, deixaria para trás as chantagens do PT e o imobilismo dos que querem deixar tudo como está (como se fosse possível).

Campos e Serra - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 21/03

BRASÍLIA - Um dado relevante da pesquisa CNI-Ibope sobre a popularidade da presidente é o período de campo (minado para a oposição): os eleitores foram ouvidos de 8 a 11 de março, ou seja, exatamente em cima do Dia da Mulher e do pronunciamento em que Dilma anunciou, em tom de campanha, pela TV, o fim de impostos da cesta básica. Deve ter sido coincidência...

E um resultado muitíssimo relevante é que a popularidade dela subiu fora da margem de erro e bateu em 85% no Nordeste, região muito populosa, que rendeu votações decisivas para Lula e Dilma e é fundamental para a candidatura Eduardo Campos. Com 85% de Dilma, ele tem pouca margem para trabalhar. E, sem o Nordeste, pode ir tirando o cavalinho da chuva.

Enquanto Campos tenta se viabilizar e Aécio debate tecnicamente o esfarelamento da Petrobras, a agenda de Dilma é concreta e simbólica, ao mesmo tempo: foto e sorrisos com Francisco, o papa "dos pobres"; redução na conta de luz e no preço do prato que vai à mesa dos brasileiros todo santo dia; pesquisas que demonstram força e sossegam aliados afoitos; ministérios para os partidos; muitas viagens ao Nordeste.

Essa estratégia, aliada à imagem de mulher firme, mantém a presidente como favorita. Não evita, porém, a ameaça do segundo turno, que é sempre uma pedreira -e custa caro.

A ameaça é bastante real, com Aécio prometendo grande votação em Minas, Campos abrindo uma cunha no Nordeste, Marina acolhendo os "sonháticos" e Gabeira embalando o voto "cult", sem falar que Chico Alencar (PSOL) pode criar uma opção para o que resta da esquerda pura.



Ah! Por falar nisso, José Serra e Eduardo Campos se encontraram sigilosamente em São Paulo. E não foi para falar de flores. Já tem gente até sonhando com uma chapa geográfica e sinuosa: Campos e Serra.Em política, nada é impossível.

Falta de ar - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 21/03

Digamos que não seja uma probabilidade, mas não chega a ser uma impossibilidade o ex-governador José Serra e um grupo de tucanos deixarem o PSDB em busca de oxigênio, já um tanto fartos de serem excluídos das decisões e, ao mesmo tempo, apontados como o motivo da desunião interna e fator preponderante para a busca do êxito em 2014.

Parênteses: na hipótese remota de isso vir a acontecer, em princípio não seria para Serra se candidatar à Presidência.

Mas o tema não é de fácil trato. A questão é para qual partido iriam e como fazer esse movimento sem que sejam responsabilizados pela desintegração do PSDB e, no caso de a candidatura do senador Aécio Neves à presidência da República, não sejam culpados por isso.

De onde, o que se têm hoje é uma imensa insatisfação sem solução à vista na perspectiva de ruptura. Resta, nas condições objetivas de hoje, administrar as divergências e tentar construir convergências básicas.

Serra e Aécio conversaram junto com o governador Geraldo Alckmin na segunda-feira à noite, quem acompanha o noticiário já sabe disso. Nada ficou resolvido, tudo ficou em aberto e, a rigor, não fizeram muita coisa de diferente em relação a encontros anteriores.

Um detalhe irrelevante no conteúdo, mas significativo do ponto de vista dessa relação algo estrábica (cada um olha em direção diferente): o senador diz que conversaram durante três horas e o ex-governador afirma que a reunião durou pouco mais de uma hora.

Por que isso? Sabe-se lá, idiossincrasias talvez. Na essência, contudo, as versões de ambos os lados não se conflitam. O que não quer dizer que tenham feito o relato completo do que realmente foi dito. Aécio explicitou o desejo de presidir o PSDB e disse que era importante como credencial para rodar o País sem precisar assumir a candidatura presidencial.

Serra não vê ligação entre uma coisa e outra. Uma presidência de partido não é sustentáculo para candidaturas à Presidência da República.

Ao contrário: o comando da legenda deixaria o candidato exposto a questões desconfortáveis. Por exemplo, a resolução de querelas internas que possam resultar em conflito com uma ou outra ala do partido.

Dias antes desse encontro, Aécio Neves fez um movimento tático. Consultou alguns aliados de Serra, entre os quais o senador Aloysio Nunes Ferreira, o vice-presidente do PSDB, Alberto Goldman, e o deputado Jutahy Magalhães, sobre a hipótese de Serra querer assumir a presidência do partido e impor esse desejo como condição para ficar.

O assunto não foi abordado na conversa de segunda-feira. Se fosse, qual seria a resposta? Serra desconversa. Seus amigos também, mas dão uma pista quando alegam que o paulista está sem mandato e Aécio tem a tribuna do Senado e uma pré-candidatura à Presidência. Logo...

Ao trabalho. O deputado Marco Feliciano está por um fio na presidência da Comissão de Direitos Humanos, mas, mesmo que se vá, fica o problema da inadequação de folhas corridas aos cargos.

O presidente da Câmara fatura o pedido de renúncia, os colegas do PSC faturam a pressão para que ele saísse, os protestos produziram resultados, mas o caso é registrado como exceção.

Se ele insistir, os integrantes da comissão poderiam usar o poder da maioria para que não prosperem propostas desrespeitosas aos direitos alheios.

De derrota em derrota, ele perde a legitimidade para presidir o colegiado. Para isso, no entanto, seria necessário suas excelências não darem asas ao corpo mole e comparecer às reuniões para combatê-lo.

Se prosseguirem as indicações desprovidas de critérios e se o Congresso deixar que investigados e até condenados ocupem cargos de destaque, a saída de Feliciano terá sido jogo para a arquibancada.

A paz necessária entre Parlamento e opinião pública - FABIO FELDMANN

BRASIL ECONÔMICO - 21/03

A designação do deputado Marco Feliciano (PSC - SP) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados revela o divórcio existente hoje entre o Congresso Nacional e a opinião pública. É extremamente doloroso, para a minha geração, ver que este conjunto de atitudes compromete em última instância a democracia, visto que o Parlamento é, necessariamente, um de seus pilares.

No mundo há uma crise na representação política tradicional, que se reflete na falta de credibilidade dos partidos políticos. O exemplo da recente eleição italiana confirma esse quadro, sendo fundamental se repensar os instrumentos de participação política, sem deixar de assinalar que o mais poderoso de todos é o voto. A cada quatro anos o eleitor manifesta o seu apoio ou desapreço a este ou aquele candidato.

No caso do deputado Feliciano, a responsabilidade maior pela sua designação está no Colégio de Líderes. Este decide a distribuição das comissões temáticas entre os partidos representados na Câmara dos Deputados. A eleição que ocorre nestas últimas, de maneira geral, é de caráter meramente formal, sendo que os líderes dos partidos indicam quais os deputados que integrarão as diversas comissões. Não é raro substituí-los em algumas circunstâncias especiais. Quando há uma matéria relevante e o parlamentar não segue orientação partidária, é comum haver a sua substituição.

Na tormentosa discussão do Código Florestal, houve o estabelecimento de uma Comissão Especial na legislatura passada, que também foi marcada pela falta de equilíbrio entre as diferentes posições sobre a matéria. A tal ponto que o deputado José Sarney Filho cinicamente comentava que quando entrava em uma reunião da Comissão, pensava estar na Comissão de Agricultura.

Neste episódio, mais uma vez, se assinala uma omissão grave do Colégio de Líderes, que tem por obrigação, pelo papel que exerce, manter o equilíbrio no Parlamento entre a maioria e a minoria. Bem como garantir a credibilidade da instituição perante a sociedade. São nestes momentos de crise que surgem os verdadeiros líderes: aqueles que compreendem a necessidade de pensar e agir com grandeza. E neste caso, fazer as pazes com a opinião pública.

Nessa altura dos acontecimentos, o melhor que poderia acontecer ao Parlamento seria uma negociação conduzida pelo Colégio de Líderes, no sentido de todos os membros da Comissão de Direitos Humanos renunciarem. E, com isso, permitir a sua recomposição com a serenidade necessária. Caso contrário, a Câmara dos Deputados irá carregar, nos próximos tempos, o preço da sua própria desmoralização. Com a perda da credibilidade do Parlamento, a grande prejudicada é a democracia.

O conclave tucano - RICARDO BALTHAZAR

FOLHA DE SP - 21/03

SÃO PAULO - Parece mais fácil escolher um novo papa do que um candidato a presidente da República no PSDB. O papa Francisco apresentou-se ao mundo após apenas dois dias de conclave e cinco votações. O senador mineiro Aécio Neves foi lançado há um mês pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ainda não conseguiu unir o partido em torno do seu nome.

O principal problema de Aécio é a resistência que encontra entre os tucanos paulistas. O ex-governador José Serra o detesta. Duas vezes candidato a presidente e duas vezes derrotado, dissemina dúvidas sobre a viabilidade da candidatura de Aécio e faz o que pode para atrapalhá-lo.

O governador Geraldo Alckmin, que disputou a Presidência em 2006 e também perdeu, agora está mais preocupado com sua campanha à reeleição. Mas ele sonha com uma nova candidatura presidencial no futuro e passou a ver Aécio como um competidor indesejável dentro do partido de uns tempos para cá.

Pouco conhecido fora de Minas Gerais, Aécio precisará de ajuda em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Mas tudo que conseguiu até agora foi a promessa de que ganhará uma carona para ir a um congresso partidário na próxima semana e terá Alckmin a seu lado nas fotografias.

Pouca gente duvida de que Aécio aparecerá na sacada depois que sair fumaça branca do conclave tucano. O que mais preocupa o partido é o tempo perdido. Enquanto Aécio se reúne com Serra e Alckmin para discutir suas picuinhas, o governador Eduardo Campos (PSB) desfila pelos salões fazendo amigos no meio empresarial e até dentro do PSDB.

O mais difícil talvez ainda esteja por vir. Aécio desperdiçou os últimos dois anos fazendo discursos banais no Senado. Quando acabar o nhe-nhe-nhem e assumir sua candidatura, Aécio precisará de uma conversa que faça o eleitorado voltar a prestar atenção na oposição. O perigo para o PSDB é ele só começar a pensar nisso quando for tarde demais.

O que o MEC não "encherga" - ARNALDO NISKIER

CORREIO BRAZILIENSE - 21/03
Acreditamos piamente que os examinadores do Enem, contratados pelo MEC para a correção das provas de língua portuguesa, saibam como são escritas as palavras "enxergar", "razoável" e trouxe". Se deram 1.000 pontos, para provas consideradas perfeitas, com os candidatos utilizando as formas "enchergar", "rasoavel" e trousse", como comprovou o jornal O Globo, é porque desprezaram a norma padrão ou culta, numa atitude francamente irresponsável. São linguistas da Universidade de Brasília que orientaram esse comportamento, com o beneplácito do Inep.

Parece que o Enem sofre com alguma caveira de burro que o acompanha desde os primeiros exames. Já teve de tudo: da quebra do sigilo das provas, passando pela venda de respostas, a essa triste novidade. Isso pode ser consequência da guerra surda travada entre linguistas (em geral jovens) e gramáticos, que se digladiam para interpretar, cada um a seu modo, a melhor maneira de promover a integridade do nosso vernáculo.

O pior de tudo é que o aluno se torna a maior vítima desse lamentável processo. Os professores, em geral, seguem a orientação dos gramáticos e respeitam a norma padrão, expressa no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, editado pela Academia Brasileira de Letras. Vêm os inovadores e topam tudo pela mudança, provocando o caos no ensino. Cabe ao MEC uma palavra ponderada de orientação, mas este abre mão dos seus poderes e se deixa levar, como uma folha de papel ao vento, correndo de um lado para o outro.

Isso parece um complô. No julgamento de uma licitação, no MEC, uma excelente revista de língua portuguesa foi sacrificada com o emprego dos mesmos argumentos. Os julgadores eram linguistas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Elogiaram a publicação, mas condenaram o que lhes pareceu excesso de "gramatiquice".

A prova de que a correção é feita de modo superficial e rápido está no fato revelado de que um aluno inseriu, no meio da redação, uma explicação sobre como se prepara um miojo. E ficou por isso mesmo. Ou seja, passou direto, sem que o examinador tenha percebido. Irresponsabilidade?

Outro candidato escreveu que "é natural que hajam debates" e nenhum ponto lhe foi tirado. As explicações do Inep são risíveis diante de uma enxurrada de erros crassos de concordância verbal, acentuação e pontuação. Esses "desvios" não são considerados graves pelo MEC, o que nos leva a crer que está certo o professor que, diante desse descalabro, achou que se deveria dar à OAB a correção das redações. "Pelo menos eles fazem a coisa com seriedade".

O Guia do Participante do Enem, que foi alvo de muitas críticas, nos primeiros exames, prometeu um rigor extremo nas competências, mas não é o que ocorre na prática. A primeira das cinco competências é muito clara quando recomenda "demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita." Se, na hora da correção, isso se afrouxa, é claro que se está indo por um caminho condenável. O que levou um professor de cursinho a elaborar o seguinte raciocínio a respeito disso tudo: "O ministro Aloizio Mercadante trousse para o MEC uma visão que não encherga o que seja rasoavel." Será?

Os que amam a língua portuguesa, sendo ou não especialistas, assistem a esse triste espetáculo e se perguntam se vale a pena lutar para que haja dois exames ao ano, como muitos pretendem. Estamos diante de uma questão de competência, pois recursos não faltam. Quem garante que a UnB está fazendo a seleção dos examinadores de forma isenta? De todo modo, o problema está posto e merece ampla discussão. Não se deve deixar os candidatos com esse tipo de perplexidade, sem saber o caminho a tomar. O adequado é a norma culta, e ponto final.

Holofotes sobre os portos - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 21/03

Diante dos problemas logísticos, a perspectiva de novas supersafras soa como alerta, e não motivo de comemoração


Principal gargalo logístico para o escoamento da produção rural, os portos brasileiros tornaram-se foco das atenções neste ano de supersafra de soja e milho. É lamentável que isso ocorra em momentos em que a infraestrutura passa por testes de eficiência. As discussões deveriam se estender à sociedade permanentemente e corresponder às pretensões nacionais de ampliar a produção e a exportação de alimentos.

A troca de comando no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) torna a ocasião oportuna para questionamentos. A esperança de que o país tenha um centro de inteligência capaz de direcionar investimentos conforme um plano estratégico de longo prazo, por enquanto, é depositada sobre medidas como a criação da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), em dezembro do ano passado. Mas isso não é suficiente.

Antes que o ministro Antônio Andrade assuma o comando de projetos de longo prazo, tornaram-se necessárias medidas urgentes. Impasses como os registrados em Paranaguá ameaçam travar os embarques e atrapalhar as exportações. E chegou-se a este ponto justamente porque não houve planejamento logístico.

As ameaças de greve no Porto de Paranaguá, que tentam impedir a abertura da área portuária à iniciativa privada, prevista na Medida Provisória 595, são reforçadas pelo problema das dívidas trabalhistas do Órgão Gestor de Mão de Obra do Trabalhador Portuário e Avulso (Ogmo). Os operadores podem parar não só por estarem participando do movimento nacional contra a MP dos Portos, mas principalmente por terem seus salários suspensos. O risco é concreto pela iminência de o Ogmo ter seu saldo bancário total bloqueado para o pagamento das dívidas.

Essas questões não podiam ser previstas, mas surgem justamente das imperfeições do sistema portuário, que demora para evoluir e não atende às necessidades do país. O Brasil simplesmente virou, no último ano, o maior produtor e exportador de soja e o maior exportador de milho – com quebra climática e tudo. A ampliação das lavouras e o investimento em tecnologia no campo vêm determinando um novo patamar a cada safra. Se as exportações não acompanharem a colheita, o risco é de prejuízos astronômicos para a cadeia produtiva. Os questionamentos vêm do próprio mercado de commodities agrícolas. Os operadores não têm dúvida da capacidade de o Brasil ampliar a produção. Demonstram preocupação, sim, quanto aos gargalos que limitam o escoamento. Filas de caminhões em rodovias e aglomeração de navios em portos reduzem automaticamente os preços dos grãos brasileiros.

Neste momento, o país está prestes a confirmar uma grande safra de verão. Ao mesmo tempo, amplia o plantio de milho de inverno. A tendência é de que sejam colhidos em 2012/13, pela primeira vez, perto de 185 milhões de toneladas. Uma notícia que, diante dos problemas logísticos, soa como alerta, e não motivo de comemoração.

Mais da metade da produção nacional de grãos concentra-se em estados que, no futuro, devem usar por­tos alternativos a Paranaguá. Porém, por enquanto e por um longo prazo, a estrutura continua­rá sendo imprescindível para os interesses do Para­ná, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Caminhões que rodam de 2 mil a 3 mil quilômetros estariam esperando, em pontos distantes de Paranaguá, até 45 dias para concluir a tarefa de transporte da produção. O agendamento da chegada das carretas, controlado pelo porto, apenas organiza o tráfego, mas não resolve o problema das filas.

Não é à toa que o frete aumentou até 50% em Mato Grosso e no Paraná. Os reajustes atribuídos à Lei do Caminhoneiro são também reflexo da falta de infraestrutura, pública e privada. O país não tem frota suficiente para o transporte da produção. Caminhões do Paraná sobem o mapa para atender Mato Grosso, por exemplo.

Os marcos regulatórios que prometem modernizar a logística, como a MP dos Portos, são urgentes. Mas merecem ser amplamente debatidos justamente para que não piorem a situação quando entrarem em vigor. Os setores privado e público precisam dividir responsabilidades para destravar a logística. O caminho é de renovação e planejamento, com administração de interesses pautada num projeto maior, o do aumento na produção e desenvolvimento da economia brasileira.

Dilma está com tudo - EDITORIAL O ESTADÃO

O Estado de S.Paulo - 21/03

O consumidor brasileiro, em geral, não quer saber quanto desembolsará ao todo na compra de um produto em parcelas a perder de vista. Preocupa-se apenas em saber se a prestação mensal cabe no seu bolso. Esse mesmo cidadão, com toda a certeza, não sabe, e, se sabe, pouco se lhe dá, que ele é quem pagará futuramente pelas bondades do governo sem lastro na realidade econômica. Por exemplo, a desoneração tarifária que fez baixar a conta de luz - tida como uma das razões do crescimento da popularidade da presidente Dilma Rousseff. Mas é assim que o mundo funciona.

Na última pesquisa encomendada ao Ibope pela Confederação Nacional da Indústria, realizada pouco depois de ela anunciar, em rede nacional de rádio e de TV, a redução do preço da eletricidade e, adiante, o corte de impostos sobre os produtos da cesta básica, a avaliação positiva do governo chegou a 63%, ante 62% em dezembro. A aprovação pessoal de Dilma - do "seu jeito de governar" - passou de 78% para 79%; a confiança no seu desempenho, de 73% para 75%. Dada a margem de erro de 2 pontos porcentuais da sondagem, um economista diria, talvez, que o prestígio da presidente se mantém estável, com viés de alta.

O conjunto dos dados, no entanto, demonstra que essa é uma conclusão insatisfatória. Vistos em perspectiva, os números deixam claro que, nos últimos 12 meses pelo menos, se consolidou a tendência favorável a Dilma na opinião popular. Eis por que o possível candidato tucano ao Planalto em 2014, senador Aécio Neves, saiu-se com um disparate ao dizer que os resultados da pesquisa traduzem um "sentimento momentâneo". A menos que usasse o termo momento à maneira dos físicos (momentum), como sinônimo de impulso, aceleração.

Dilma pode comemorar outra proeza - ter ultrapassado o seu patrono Lula pela primeira vez, embora por margem mínima. Vinte por cento dos entrevistados, ante 19% no levantamento anterior, consideram o seu governo melhor que o dele. O contingente que discorda caiu de 21% para 18%, e os que não veem diferença entre ambos são hoje 61%, um aumento de 2 pontos porcentuais. No mesmo período do primeiro mandato de Lula, em março de 2005 portanto, apenas 39% julgavam "ótimo" ou "bom" o seu governo, 41% assinavam a alternativa "regular" e 17% o reprovavam. No boletim de Dilma, as notas são 63%, 29% e 7%.

Ao mesmo tempo, a distribuição do apoio a Dilma por classe de renda, nível de escolaridade, local de residência e região geográfica se torna mais parecida com o padrão lulista de popularidade. Entre os entrevistados com renda familiar de até um salário mínimo, por exemplo, a aprovação da presidente passou de 68% para 70%. Já na faixa de 5 a 10 salários, caiu de 66% para 61%. Ela ficou mais popular no interior e nas periferias urbanas do que nas capitais. No Sul, a avaliação positiva caiu de 62% para 60%. No Nordeste, a sua aprovação pessoal alcança 85% - a mais favorável de todas as estatísticas para Dilma e uma inquietante notícia para as aspirações presidenciais do governador pernambucano Eduardo Campos.

Seria uma simplificação atribuir os resultados da sondagem à exposição intensiva da presidente na mídia de massa, trazendo boas-novas às mancheias e varrendo para debaixo do tapete os graves desacertos do governo. Os baixos índices de desemprego, os ganhos reais de renda - ainda não neutralizados pela alta dos preços -, a ênfase do Planalto nas políticas distributivas e, quem diria, a imagem simpática que Dilma aprendeu a transmitir se combinam para fortalecer o endosso a ela. Em toda parte, as pessoas aplaudem ou condenam os governantes comparando a situação em que vivem com a em que viviam e que podem creditar (ou debitar) ao governo de turno.

Além disso, porque não dispõe de informações que a faça temperar o seu otimismo - ou porque descrê daquelas que lhe são desconfortáveis - a maioria dos brasileiros tende a supor que o futuro será a continuação do presente, bastando manter o atual governo. A natural prevalência na mídia da provedora de benesses aumenta a sensação de contentamento. Até onde chegará esse contentamento se o governo Dilma chegar a ser tão ótimo quanto a população acredita que está sendo?

A missão latino-americana do Papa - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 21/03

As multidões no funeral de Chávez e os peronistas que batem bumbos por Cristina são formadas, em grande parte, por católicos


Ao demonstrar sua vontade de abrir novos caminhos para a Igreja, o Papa Francisco inspira enorme interesse. Chama a atenção sua clara opção pelos pobres, pela humildade e simplicidade, a visível disposição de reformar a Cúria e enfrentar problemas espinhosos, como o da pedofilia entre o clero católico. O Papa Francisco tem sobre os ombros a monumental tarefa de resgatar a credibilidade da Igreja, abalada também por problemas financeiros do Banco do Vaticano. Mas apenas a disposição de fazê-lo já lhe rendeu uma ampla frente de boa vontade.

A América Latina tem 42% dos católicos do mundo e grande número de pobres ainda não resgatados pela atuação dos líderes dos diversos países. Essa massa se tornou campo fértil para políticos populistas que garantem sua permanência no poder com manobras antidemocráticas e forte assistencialismo. É o caso do chavismo, na Venezuela (e de seus discípulos em Bolívia, Equador, Nicarágua), e do kirchnerismo, na Argentina. Ao revalorizar a atuação da Igreja junto aos pobres, o Papa — ainda que tenha em mente mais a atuação pastoral e espiritual —, torna-se uma preocupação para esses governos. As multidões que seguiram o funeral de Chávez e os peronistas que batem bumbos por Cristina Kirchner são, em grande parte, formadas por católicos. Na Venezuela e na Argentina, mais de 90% da população se diz católica.

Os argentinos conhecem a atuação do cardeal arcebispo Jorge Bergoglio, visitante frequente das “vilas miséria” (favelas) na periferia de Buenos Aires, para levar ajuda à população marginalizada. Conhece-a também o governo. Bergoglio tem sido um crítico contumaz dos descaminhos kirchneristas e o ex-presidente Néstor Kirchner já o chamou de “líder da oposição”. Cristina adota um mis-en-scène de reaproximação com o Pontífice, mas a Casa Rosada não escondeu o desconforto com a decisão do conclave. E setores do kirchnerismo montaram campanha para denegrir o Pontífice devido à já desmentida ligação com a ditadura militar, protagonizada pelo jornalista Horacio Verbitsky, do “Página 12”, veículo sob influência da Casa Rosada. A missão de Francisco apenas começa e sua atuação deve ser posta na perspectiva correta de líder espiritual. Mas é impossível não fazer uma relação com o papel do Papa João Paulo II no desmonte do comunismo em sua Polônia natal, um capítulo no efeito dominó na Europa Oriental, a queda do Muro de Berlim e, em última análise, o fim da URSS.

Esta relação é feita por Roberto Guareschi, ex-diretor do “Clarín”, jornal perseguido por Cristina K., em artigo publicado no “Valor”. Lembra das desavenças entre Bergoglio e o então presidente argentino Néstor Kirchner, e afirma que a corrente kirchenista teme o Papa. Afinal, os dois trabalham com o mesmo público, os pobres. Os peronistas , manipulando-os. Práticas demagógicas e autoritárias do populismo serão acompanhadas de Roma por quem conhece o assunto.

O cravo e a ferradura - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 21/03

Após fim de 14º e 15º salários, Câmara acerta ao limitar horas extras, mas já recria gastos com cotas de deputados e cargos para PSD

Foram evasivas as respostas que deram o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) ao falar sobre o destino que dariam às verbas economizadas com o elogiável fim do 14º e 15º salários de parlamentares, medida aprovada no final de fevereiro.

"Espero que essas economias todas possam ser direcionadas para o fortalecimento da atividade do Senado", disse o presidente dessa Casa. "Não sei. Boa pergunta", afirmou o presidente da Câmara, como se não fosse significativa uma poupança estimada em cerca de R$ 80 milhões a cada legislatura.

Não faltaram, à época, comentários céticos diante da rara demonstração de austeridade. Menos de um mês depois, a desconfiança prova-se justificada: a Câmara já prepara outras despesas, com a criação de mais cargos comissionados e a ampliação da cota de gastos de cada parlamentar.

Desnecessário dizer que tais iniciativas resultarão em aumento de custos para a Câmara. No caso das cotas (verbas para passagens aéreas, contas telefônicas e combustível, entre outras), o reajuste deve acompanhar a inflação dos últimos dois anos, com impacto anual previsto em R$ 23 milhões.

Nunca é demais lembrar que o congressista brasileiro já é o segundo mais caro do mundo. Além das cotas parlamentares (que oscilam em torno de R$ 30 mil, a depender do Estado de origem do político), cada deputado recebe R$ 78 mil para contratar assessores, salário de R$ 26,7 mil e auxílio-moradia de R$ 3.000 -que também será reajustado.

A criação de cargos implicará custos menos suntuosos, mas nem por isso a iniciativa se torna mais palatável. Ao contrário, ela demonstra com eloquência como funciona a lógica tortuosa dos parlamentares brasileiros.

O que se pretende com o ato nada mais é que abrigar apaniguados do PSD. Como a sigla foi criada pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab depois das últimas eleições, o partido não participou, originalmente, da partilha de cargos -distribuídos de acordo com o tamanho da bancada eleita. Ou seja, em vez de redividir as vagas, a Mesa Diretora julgou ser mais conveniente abrir novos espaços.

A Câmara também anunciou medidas para diminuir despesas com horas extras de servidores. Iniciativa louvável, mas insuficiente para compensar a majoração de gastos.

Após seguidos escândalos, seria rematada ingenuidade supor que a Mesa age de boa-fé. Seus ocupantes sabem melhor que ninguém o que estão fazendo: tiram um tanto com uma mão, para simular moderação perante a opinião pública, e recriam gastos com a outra.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“A partir da próxima eleição, seremos governo ou oposição”
Gilberto Kassab, presidente do PSD, adiando o dilema existencial do seu partido


BANCÁRIOS ACUSAM DESMONTE DO BB EM BRASÍLIA

Funcionários do Banco do Brasil, parlamentares e sindicalistas se mobilizam contra o que chamam de “desmonte” da sede do Banco do Brasil, em Brasília, e sua transferência para São Paulo. Eduardo Araújo, diretor do sindicato, denuncia inclusive que o BB estaria fazendo a transferência de forma discreta, para não chamar a atenção, mas já suprimiu 70 cargos em apenas uma diretoria em Brasília.

BANCO NEGA

O BB nega as transferências de suas diretorias: investiu R$ 300 milhões em seu datacenter e criou 630 cargos nos últimos dois anos na capital.

BANCÁRIOS CONFIRMAM

Sindicalistas confirmam que desde 2010 o Banco do Brasil transferiu setores para São Paulo de áreas importantes: Agronegócio e Comercial.

SÓ UM PEDAÇO

Apos negar o fato, o Banco do Brasil confirmou em seguida apenas a transferência de trinta cargos da área comercial para São Paulo.

VIAGEM À ITALIANA

Apenas cinco convidados acompanharam oficialmente Dilma à Itália, outros 46 eram aspones, seguranças e “papagaios de pirata”.

OPOSIÇÃO QUER APURAR LUXO DE DILMA EM ROMA

A oposição quer saber o custo da viagem da presidente Dilma a Roma, cuja comitiva ocupou 52 apartamentos no luxuoso hotel The Westin Excelsior, onde a diária mais barata de uma suíte de luxo chega a R$ 6 mil. Como esta coluna revelou na terça (19), ela não quis se hospedar no palácio Diria Pamphilj, sede da Embaixada do Brasil, que dispõe de inúmeras suítes e apartamentos para acolher autoridades brasileiras.

LOROTA BOBA

A lorota do chanceler Antonio Patriota, “explicando” o fato de Dilma de não se hospedar na embaixada, foi uma confissão de incompetência.

CAROCHINHA

Patriota disse que a embaixada foi evitada porque é iminente a troca de embaixador, como se num momento assim o posto ficasse às moscas.

REQUERIMENTO

Líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR) pediu informações ao Palácio do Planalto sobre o alto custo do passeio de Dilma e comitiva.

TOURADA

O jornal espanhol ABC criticou “o socialismo” nada franciscano de Dilma, hospedada em hotel luxuoso com enorme comitiva, citando a embaixada vazia e grátis em Roma, como destacou esta coluna dia 19.

BRASIL BOM DE SOJA

O Departamento (ministério) de Agricultura do governo Obama prevê que no fim do ano o Brasil vai superar os Estados Unidos na produção de soja. Produziremos 52 milhões de sacas a mais. Chupa, gringo!

DISPENSA DE PONTO

Parlamentares que presidem partidos são dispensados de frequência. Por isso, Rui Falcão (PT) mal aparece na Assembleia de São Paulo e Aécio Neves (PSDB), a partir de maio, vai escafeder Brasil afora.

PENTA, MAS FRAQUINHA

O Times, o maior jornal da minúscula república de Malta, tirou um sarro com o time de Felipão: “A seleção pentacampeã está apenas seis posições à frente de Mali (no ranking Fifa). Mali se aproxima”.

À BEIRA DE UM ATAQUE

Em sessão na Comissão de Infraestrutura do Senado, Pedro Taques (PDT-MT) notou a presença de desafeto e parece haver entrado em pânico. Informado pelo presidente da comissão, Fernando Collor (PTB-AL), Renan Calheiros acionou os segurança da Polícia Legislativa.

SOB SUSPEITA

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, terá que explicar no Senado por que o banco privilegia algumas empresas. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) acha tudo muito suspeito.

CASA DO ATRASO

Somente agora, dez anos depois, a Câmara vai analisar projeto do atual ministro Garibaldi Alves (Previdência) que trata do caso Suzane Richthofen, aquela que assassinou os próprios pais em 2002.

DECADÊNCIA

Assinantes da Sky em Brasília, incluindo autoridades, estão há dez dias sem sintonizar a GloboNews e demais canais da Globosat. Sinal de que a operadora anda brigando com um dos seus principais clientes.

PENSANDO BEM...

...que belo filme faria Fellini sobre a “dolce vita” da comitiva de Dilma em Roma, com Alberto Sordi no papel do ministro Aloizio Mercadante.


PODER SEM PUDOR

XINGANDO QUEM SAÍA

Na Praça dos Três Poderes lotada, povão em transe, Fernando Henrique e Lula se enrolavam com a faixa presidencial, na solenidade de transmissão de cargo. Um militante babando ressentimentos passou a xingar FHC com um potente vozeirão. Gritou todos os palavrões que aprendeu na vida, acompanhado em coro pela plateia, até esgotar o repertório. Coçou a cabeça, como se procurasse um xingamento novo, e arrematou, para o delírio da galera:

- ...seu ...seu... seu sociólogo!

QUINTA NOS JORNAIS

Globo: Irresponsabilidade. De novo: Prédio para vítimas de tragédia ameaça cair
Folha: Vereadores de SP aprovam fim da inspeção veicular
Estadão: E-mails indicam conluio entre conselheiros do CNJ
Correio: Um país à flor da pele
Valor: STF impõe perda de R$ 34 bi à União com o PIS e a Cofins
Estado de Minas: Candidatos à UFMG já temem invasão paulista
Jornal do Commercio: Lei das domésticas cria muitas dúvidas
Zero Hora: Relato de professoras aperta cerco ao Enem