sexta-feira, março 15, 2013

FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA

O GLOBO - 15/03

Inclusão
A Petrobras foi condenada pela Justiça do Trabalho por não reservar para pessoas portadoras de deficiência vagas em todos os cargos oferecidos em concursos.

A ação do MPT foi acolhida pela 619 Vara do Rio. A estatal terá de pagar R$ 500 mil ao FAT. Cabe recurso.

Eficiência
O Inmetro lança hoje, Dia do Consumidor, cartilha sobre o programa de etiquetagem veicular. Quer orientar a compra de carros mais eficientes. Em 2013, 327 modelos de 27 marcas levarão selos de “A” a “E”, como os eletrodomésticos.

Em campanha
Ludovino Lopes, da Câmara-e.net, sugeriu o Brasil como sede da 19 reunião do Conselho Internacional de Economia Digital. Ele está em evento do setor em Barcelona.
A decisão sai até junho.

Empreendedor
Três em quatro brasileiros (76%) sonham abrir negócio próprio. É segunda maior taxa do mundo, atrás apenas da Turquia. Os dados são da Endeavor Brasil, que organiza o Congresso Global de Empreendedorismo, semana que vem, no Rio.

Em tempo
As startups digitais serão tema do congresso. Em um ano, a aceleradora 21212 viabilizou R$ 11 milhões em investimentos. As startups geraram 200 empregos.

Primeira vez
O McDonald’s trará ao Brasil uma versão da promoção Monopoly, que já teve duas dezenas de edições nos EUA. Em pouco mais de um mês, vai distribuir R$ 16 milhões em prêmios. “Será a maior ação de marketing já feita no Brasil”, anuncia Hélio Muniz, diretor de comunicação. Copa e Olimpíadas serão o mote.

Prioridade
O McDonald’s planeja abrir 140 lojas na América Latina este ano. Na cozinha do setor, comenta-se que 70 ficarão no Brasil. A argentina Arcos Dorados, dona da rede, não comenta. Por dia, 1,7 milhão de pessoas passam pelas lojas.

+23,3% EM JANEIRO
Foi quanto cresceram as vendas das lojas de outros artigos de uso pessoal e doméstico no Rio. Em CE, PE, BA, MG, ES, PR e GO também houve alta de dois dígitos.

CAMPEOES
Jaqueline e Murilo, casal 20 do vôlei nacional e medalhistas olímpicos, estrelam a campanha do Tube Xtreme. É o novo modelo de tênis da brasileira Olimpikus. Com criação da DM9Sul e produção da Hungry Man, o filme entra no ar hoje na TV aberta.

CARRO NOVO
A Chevrolet estreia no domingo a campanha do novo Prisma.

Dois filmes para TV ressaltam o conforto e o design de esportivo do sedã. Criação da Commonwealth, a campanha também terá peças em mídia impressa e ações em redes sociais.

UM BARATO
A Subway estreia hoje campanha inspirada em novelas mexicanas. Apresenta a mudança de sabor do Steak Churrasco e a promoção Baratíssimo, com sanduíche por R$ 5,95. Será veiculada em televisão, internet, rádio e mídia exterior. A Borghi/Lowe assina.

PARA DOAR
O Grupo Sá Cavalcante vai distribuir R$100 mil em cédulas de R$ 2 na Grande Vitória, a partir de hoje. É parte de campanha em prol da Associação Capixaba contra o Câncer Infantil. Os cidadãos serão convidados a doar a nota à Acacci. O grupo espera aportes adicionais. A ação termina em 21 de abril.

BAIXADA
A Mega 18 Construtora lança ainda este mês o Alto Nilópolis Residências. Terá 128 apartamentos, com três quartos, suíte e churrasqueira na varanda. A área de lazer terá piscina, salão de jogos e academia. O valor de vendas deve bater R$ 40 milhões. A Kindle assina a campanha, que vai circular em impressos, internet rádio e mídia exterior.

Vezes três
A imobiliária Fernandez Mera espera vender 6.350 unidades no Rio, este ano. Serão R$ 3,3 bi em negócios, o triplo de 2012. Virão oito comerciais e 24 residenciais.

‘Retrofit’
A Lafem vai modernizar o Edifício Pinto Ribeiro, no Centro do Rio. É projeto de um fundo do Opportunity. O aporte é de R$ 11 milhões.

Dois pares
A Life lança amanhã dois residenciais no Recreio. Até junho, virão mais dois, em Botafogo. Os quatro somam R$ 80 milhões em vendas.

Livre Mercado
A RioContemporânea, escritório de arquitetura de residências de alto luxo, já tem 50% da carteira de clientes formada por chineses. Pagam até R$ 3 milhões por projeto.

A Velha Bahia lançou a marca VB Corporativo, de móveis para hotéis, escritórios e restaurantes. O projeto vai ocupar galpão de cinco mil m2 em Ramos. Aporte de R$ 500 mil. A meta é faturar 50% mais este ano.

A Sawala Imobiliária ampliou a filial da Barra. Investiu R$ 500 mil. Planeja fechar 2013 com R$ 600 milhões em volume de negócios.

É de Odebrecht e Performance, não da Gafisa, o empreendimento Porto Atlântico, que será lançado dia 23.

RECREIO
A Calçada, junto com a Montserrat, vai construir no Recreio residencial com 119 unidades. O lançamento é este mês. Serão R$ 70 milhões em vendas. Só a campanha, da Percepttiva, vai custar R$ 400 mil.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 15/03

Ritmo de licitações estagna construção pesada, diz setor
O ritmo das licitações prometidas pelo governo do Estado para uma série de obras em rodovias estagnou o setor da construção pesada em São Paulo, segundo o Sindicato da Indústria da Construção Pesada (Sinicesp).

"A abertura de novos postos de trabalho está estável desde setembro. Se as licitações anunciadas não saírem do papel, a indústria deve começar a reduzir sua mão de obra", afirma Hélcio Farias, do Sinicesp.

Em março do ano passado, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), autarquia estadual, anunciou que seriam investidos R$ 10 bilhões em rodovias até o fim de 2014.

Um acompanhamento mensal feito pelo sindicato aponta que, até o momento, R$ 3,7 bilhões foram licitados. Restam ser contratados, portanto, mais R$ 6,3 bilhões nos próximos 21 meses.

"O sinal de alerta foi ligado. O montante a ser investido é alto e demanda muitas licitações. O processo de cada uma delas demora em média seis meses", diz Farias.

O DER, porém, afirma que já foram licitados R$ 4 bilhões e que os investimentos estão dentro do cronograma.

"Nos primeiros dois anos, realizamos os projetos, agora as obras vão crescer porque eles já foram concluídos. Nós vamos cumprir o que foi dito no ano passado", diz o superintendente do órgão, Clodoaldo Pelissioni.

"Até junho, estaremos pagando R$ 300 milhões por mês [em licitações]."

Nórdicas
O tempo que se leva para fechar um contrato no Brasil e a burocracia são as principais dificuldades que uma empresa estrangeira enfrenta para se instalar no país.

A avaliação é do advogado americano Jonathan Kellner, do escritório Linklaters, que vive em São Paulo há sete anos.

"Clientes abrem empresas nos Estados Unidos em menos de 24 horas. Aqui é diferente, mas está melhorando muito, sem dúvida", diz.

"E o número de empresas que procuram informações sobre o mercado brasileiro vem aumentando de forma substancial", afirma Kellner, que se encontrou com um grupo de 14 executivas da Suécia e representantes do Veirano Advogados nesta semana em São Paulo.

"As grandes companhias suecas têm uma história longa no Brasil, mas as pequenas e médias empresas também estão procurando investir aqui", diz Elisabet Lundgren, também do Linklaters.

A evolução do país no âmbito dos negócios foi apresentada para elas, que já passaram por China e Índia para conhecer os procedimentos e as leis corporativas dos países.

Entre as executivas que vieram ao Brasil estão Veronica Rörsgård, vice-presidente da gigante de construção Skanska, Marie Hansson, sócia da Accenture AB, e Magdalena Hartman, vice-presidente de produtos financeiros globais da Nasdaq OMX.

Guerra dos sexos
O equilíbrio entre homens e mulheres nas vagas que envolvem o direito precisam de ações afirmativas e inclusivas, segundo a diretora do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp), Raquel Elita Alves Preto.

"A iniciativa privada tem um desempenho muito melhor no aproveitamento da mulher em cargos decisivos do que o ambiente público institucional", afirma.

"A avaliação que eu faço é que, no setor público, as questões da aliança política e apadrinhamento se sobrepõem às questões de mérito e de capacidade."

Um levantamento feito pela diretora mostra que no Supremo Tribunal Federal, dos 13 ministros, 11 são homens e duas são mulheres.

No Superior Tribunal de Justiça, das 30 cadeiras de ministros nomeados, apenas seis são ocupadas por elas.

Além do Brasil, Preto destaca também a desigualdade em outros países.

Na Inglaterra, aproximadamente 60% das vagas nas faculdades de Direito são ocupadas por mulheres, mas, menos de 10% são sócias do primeiro escalão dos escritórios ingleses, diz.

"Precisamos de ações inclusivas no Brasil principalmente nos órgãos públicos."

Consumidor satisfeito
Serviços e produtos oferecidos pelos setores de bebidas, drogarias e higiene pessoal são considerados os mais satisfatórios pelos consumidores brasileiros, com 82,6%, 77,9% e 76,1% de aprovação, respectivamente.

Esse é o resultado do Índice Nacional de Satisfação do Consumidor (INSC) de fevereiro de 2013, produzido pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Em comparação com janeiro de 2013, o setor de hospitais e laboratórios teve queda de 10,3 pontos percentuais no índice e fechou fevereiro com 57,3% de aceitação, foi a maior queda registrada no período.

A indústria automobilística, por sua vez, apresentou 60,2% de aprovação em fevereiro deste ano, queda de três pontos percentuais ante o mês anterior.

"As recentes notícias na mídia de assaltos a veículos e as propagandas de algumas montadoras, má avaliadas pelo público, influenciaram a queda de satisfação com o setor", afirma Ricardo Pomeranz, professor da ESPM.

Para a natureza... A Petrobras reutilizou 23 bilhões de litros de água em 2012, quantidade suficiente para suprir 11% das atividades da empresa, segundo a companhia. O volume poderia abastecer um município com 550 mil habitantes durante um ano.

...e para o bolso Também em 2012, a estação de reúso de água do centro de pesquisas da empresa entrou em operação. Aliada à captação de água da chuva, evita-se o descarte anual de 600 milhões de litros -economia de R$ 12 milhões-, segundo a estatal.

Contra... CEOs de companhias brasileiras se encontram com executivos norte-americanos na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, nesta segunda-feira (18). A reunião vai discutir os problemas gerados pela bitributação.

...impostos Os empresários querem que seus governos abram as negociações para desonerar de bitributação os investimentos entre os dois países. Os Estados Unidos têm acordos com 65 países para eliminar a bitributação. O Brasil, com 28 países.

Reinado de Francisco - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 15/03

O grande desafio que a Igreja Católica enfrenta é a redução do percentual de fiéis no mundo. No Brasil, a tendência ao declínio tem sido constante. Eram 83%, em 1991, e caíram para 64%, em 2010. Em 1970, eram 92% dos brasileiros. Mesmo assim, ainda são 123 milhões. Em 30 anos, os evangélicos saíram de 6,6% para 22,2%. Os sem religião aumentaram de 4,7%, em 1991, para 8%.

O novo Papa começou com vários acertos. O nome é bonito e significativo. Inclinar-se para pedir ao povo que rezasse a Deus por ele reduziu a distância entre o Sumo Pontífice e os fiéis. Afinal, o catolicismo se refere ao papa como "Santo Padre" e ao cargo como "o trono de Pedro".

Mas "fim do mundo" é uma questão de ponto de vista. Para nós, brasileiros, a Argentina fica ao lado. Para Roma, a América Latina sempre foi o fim do mundo, de onde nunca havia saído antes um papa em toda a história da região, integrada ao mundo católico desde que chegaram as primeiras missões jesuítas. De qualquer maneira, suas primeiras palavras mostram o esforço da busca da empatia de comunicador, distante desde a morte de João Paulo II.

Quem viveu os anos das ditaduras latino-americanas, opondo-se aos regimes militares, sabe a diferença da Igreja no Brasil e na Argentina. Aqui, tinha-se Dom Helder Câmara, Dom Paulo Evaristo Arns e tantos outros menos conhecidos que povoavam paróquias pelo Brasil afora protegendo presos políticos ou ajudando-os a curar as cicatrizes emocionais das temporadas em prisões. Não era toda assim, mas a História registra grandes marcos, como a missa por Vladimir Herzog. Para a Sé, os brasileiros, de qualquer religião, correram para manifestar seu sentimento de repúdio ao crime. A Igreja da Argentina não dava aos católicos de lá o mesmo acolhimento e, como O GLOBO mostrou ontem nos textos da correspondente Janaína Figueiredo e no do sempre brilhante José Casado, sombras sobrevoam o passado da Igreja argentina.

O Brasil costuma se apresentar como país mais católico do mundo, mas aqui as mulheres dessa religião continuaram indo às missas ou cumprindo com seus filhos os rituais de batismo e primeira comunhão ao mesmo tempo em que descumpriram a orientação da Igreja na questão da contracepção. Os meios disponíveis de evitar a gravidez, condenados pela Igreja, foram solenemente ignorados, e o Brasil fez em cinco décadas uma brutal queda do índice de fecundidade.

Os casos de pedofilia aconteceram em todo o mundo e nunca foram enfrentados com a coragem necessária de uma instituição que precisa punir esse crime hediondo e impedir que ele se repita. Esse é um dos vários desafios de Francisco.

No Brasil, onde desembarca em julho para a Jornada Mundial da Juventude, o Papa Francisco tentará combater o que as estatísticas mostram: a queda do percentual de fiéis, que é mais intensa em algumas regiões, como o Norte, por exemplo, e entre os mais pobres.

A Igreja Católica não tem dois mil anos por acaso. Ela sempre soube mudar sem mudar. Combateu descobertas científicas do século XV, mas depois se adaptou ao fato de que a Terra se move. Tentou manter o poder secular, mas, derrotada, reformulou-se como um reinado supranacional de poder intangível. Desafiada pela Reforma Protestante, corrigiu erros mais explícitos apontados pelos dissidentes. No século XX, algumas encíclicas tentaram atualizar o pensamento social da Igreja. Vamos ver o que faz do seu reinado um argentino, filho de pais italianos, que escolheu o nome Francisco, morava em acomodações modestas, mas agora, instalado em palácios, viverá rotina nada franciscana.

Esperar para ver - CELSO MING

O ESTADÃO - 15/03

O Banco Central reconhece que a inflação piorou e que preocupa. A leitura da Ata do Copom, divulgada nesta quinta-feira, mostra que essa deterioração se apresenta como mais do que um simples desconforto. E, aparentemente, exige mais ação do governo federal.

Mas o Banco Central, presidido pelo economista Alexandre Tombini, para por aí. Quem pergunta pelo que fará para enfrentar uma inflação mais renitente fica sem resposta. O Banco Central avisa: redobrará a vigilância e a cautela – seja lá o que isso signifique – e que esperará para ver.

Uma das explicações para essa atitude protelatória pode ser a ausência de avaliação para o tamanho do impacto sobre a inflação a ser exercida pela desoneração de impostos federais da cesta básica. Foi uma decisão tomada pelo governo Dilma dois dias após a reunião do Copom, objeto desta ata, e não se sabe até que ponto a isenção de impostos será repassada para os preços. Portanto, não caberia mesmo uma avaliação do Banco Central desse contra-ataque do governo à cavalgada dos preços. Mas, de algum modo, a ata parece levar em conta o fato novo. Daí a espera.

O Banco Central admite que a deterioração dos preços é mais forte do que vinha sendo avaliada e que não tem só dois ou três focos; está generalizada. Já não indica como causa principal eventuais choques externos, como a seca na região central dos Estados Unidos, responsável pela quebra da safras de grãos. Mas reafirma que, entre as causas dessa inflação aí, está “o balanço do setor público em posição expansionista” – ou seja, as despesas excessivas do governo que criam renda e demanda; o mercado de trabalho aquecido acima da produtividade, o que eleva os custos e a demanda da economia; e a baixa folga na capacidade de produção da indústria, que aponta para uma oferta inferior à demanda.

Desta vez, a ata não repete o refrão que aparecia em todas as manifestações das autoridades da área econômica: que, apesar de elevada e generalizada, a inflação tende a perder força a partir do segundo semestre – algo que Tombini já deixara de mencionar terça-feira em Varsóvia, na exposição organizada pelo banco central da Polônia. Ao contrário, o parágrafo 28 da ata sugere que a resistência da inflação não é um “fenômeno temporário”.

E, de fato, não há nenhuma indicação segura de que a inflação desacelerará espontaneamente nos próximos meses. Seguem produzindo efeitos todos os fatores que proporcionaram uma demanda por bens e serviços acirrada demais. Como já foi dito em dois textos anteriores desta Coluna, a isenção de tributos federais (basicamente do PIS-Cofins) incidentes sobre os produtos da cesta básica não contribui para conter o consumo; ao contrário, se gerar folga no poder aquisitivo do consumidor, tende a aumentar a pressão de compra. Além disso, nada está sendo feito para baixar a inflação sobre o setor de serviços que, em fevereiro, alcançou 8,62% em 12 meses.

Até 17 de abril, data da próxima reunião do Copom, o Banco Central terá elementos novos para avaliar o comportamento da inflação. Se puder não mexer nos juros, vai preferir assim. Caso a inflação se mantenha forte demais e espalhada demais, não poderá adiar mais o aperto.

CONFIRA

Consumo robusto. Os levantamentos do IBGE confirmam a força do consumo. O avanço em volume nos 12 meses terminados em janeiro foi de 8,3% e a receita nominal (sem desconto da inflação) cresceu no período 12,3%.

Não é por aí. Nada contra as desonerações fiscais. É o que todos pedem neste país de altíssimo custo Brasil. O erro está em achar que serve para combater a inflação.

Bem-vindos - RODOLFO LANDIM

FOLHA DE SP - 15/03

Os leilões de áreas para a exploração de petróleo parecem ter voltado, para recuperar o tempo perdido


Depois de três anos e meio de espera, tudo leva a crer que teremos motivos de sobra para comemoração a partir de maio deste ano. Por diversas vezes anunciados e depois adiados, os leilões de áreas para a exploração de petróleo parecem ter voltado, agora buscando recuperar o tempo e o terreno perdidos.

São diversas as iniciativas. A primeira está relacionada à 11ª Rodada de Licitações, prevista para os dias 14 e 15 de maio, com blocos oferecidos por meio de contratos de concessão.

Inicialmente com previsão para ter 174 blocos ofertados envolvendo áreas em bacias terrestres e principalmente em bacias marítimas da margem equatorial brasileira, o leilão teve recentemente seu escopo ampliado para a inclusão de blocos da foz do Amazonas e das bacias de Pernambuco-Paraíba, Tucano e Espírito Santo-mar.

Serão ao todo 289 blocos com uma grande variedade de compromissos e riscos envolvidos, adequando as ofertas do leilão aos diferentes perfis de investidor.

Mas não para por aí. O tão badalado pré-sal, após tantas discussões no Congresso Nacional para a aprovação do novo marco regulatório de partilha de produção, deverá ser finalmente alvo de uma rodada especial a ser organizada pela ANP.

Fica a dúvida de como vai ser tratada a participação compulsória de 30% da Petrobras em todos os blocos do pré-sal a serem licitados e a obrigação de ela ser a empresa operadora de todos eles.

Os enormes desafios que vêm sendo enfrentados pela companhia para a implantação de seu plano de investimentos, não só em termos de recursos financeiros mas até mesmo humanos, parecem desaconselhar essa decisão.

Esse é um fator que poderá atrasar futuramente o desenvolvimento do pré-sal e, consequentemente, os benefícios para o país em termos do desenvolvimento de sua indústria de suprimento de bens e serviços para o setor, criação de empregos, recolhimento de tributos etc.

Isso sem falar nos potenciais investidores que poderão desistir de participar do leilão por não querer correr os riscos de ter a prioridade de seus investimentos dependente da Petrobras ou simplesmente pelo fato de não poderem ser operadores.

Mas o maior problema parece ser o de forçar a Petrobras por lei a fazer algo que, de acordo com a sua visão, não seja um bom negócio. Esse é um princípio difícil de defender.

Contudo permitir a oferta de novas oportunidades de investimento no pré-sal, que foram suspensas desde 2007 com a retirada da 9ª Rodada de 41 blocos oferecidos ainda em regime de concessão, é sempre boa notícia.

Apesar das grandes dificuldades operacionais para organizar tantos leilões em tão pouco tempo, a ANP trabalha para realizar ainda mais dois. Um deles estaria ligado a ofertas de blocos em bacias maduras (com elevado nível de exploração) e em áreas inativas com acumulações marginais.

O outro estaria voltado àquele que se tornou o maior foco dos investidores da atividade de exploração nos Estados Unidos, as áreas com potencial de produção de gás não convencional ou "shale gas" (gás de xisto).

Aqui cabe louvar: essas duas iniciativas poderão dar um grande impulso à indústria de petróleo no Brasil. A produção esperada para os poços é relativamente baixa quando comparada às enormes produções por poço reportadas nas atividades "offshore", mas os investimentos serão também significativamente menores, abrindo espaço para a atuação de inúmeras empresas de pequeno e médio porte.

Espera-se que, a exemplo do que ocorreu na época da 7ª Rodada, sejam desenhados incentivos aos potenciais investidores, como a redução dos royalties ao seu patamar mínimo de 5%.

Seria também importante nesses casos dar maior peso nos critérios de julgamento das propostas ao programa comprometido de investimentos do que ao bônus de assinatura a ser pago.

Diante de todo esse quadro positivo, resta apenas a lamentar o fato de os leilões estarem voltando quando a maioria das empresas de petróleo brasileiras está passando por momentos ruins no mercado, o que pode vir a afetar a concorrência e o interesse no leilão.

Questão de cacife - DENISE ROTHENBURG


CORREIO BRAZILIENSE - 15/03

À primeira vista, a recusa do presidente do PSD, Gilberto Kassab, em colocar sua legenda como parte do governo Dilma Rousseff nesse momento pode transmitir um quê de liberdade para a eventualidade de um projeto alternativo prosperar, leia-se, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Mas, na verdade, é muito mais do que isso. Com o seu gesto, Kassab segue a velha máxima de quem chega primeiro bebe água limpa e encontra a mesa farta. Quem chega por último, tem que se contentar com os restos.

A atual reforma ministerial, para o PSB, teria essa cara de “resto”. O novo partido encontrou ocupados todos os postos que poderia sonhar, caso do Ministério das Cidades, a Integração Nacional, a Agricultura, área na qual o PSD trafega muito à vontade na figura da senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional de Agricultura (CNA). Se Dilma mexesse em algum partido para abrigar os novos aliados, fatalmente teria problemas. Daí, ficou para os pessedistas a “sobra”, ou seja, o novo Ministério da Pequena e Micro Empresa. Esse ministério precisa de, pelo menos, um ano para ser organizado. Sendo assim, quando o ministro, seja quem for, tomar pé do serviço, já estará na hora sair para a campanha de 2014.

Diante dessa constatação, bem pragmática, o PSD dispensou o convite, mas deixou claro o interesse em um ingresso para a próxima temporada. “Ela está mais forte do que nunca no partido”, diz o ex-prefeito paulistano. Kassab não vê hoje nenhum adversário capaz de comprometer a reeleição da presidente Dilma Rousseff, embora considere que a campanha não será um passeio. Na visão dele, a economia caminha para uma melhora. Ainda que a recuperação seja bem menor do que o otimismo do ministro da Fazenda, Guido Mantega, será suficiente para dar à presidente o discurso de que ela segurou as rédeas da crise. E, sendo assim, o alcance dos programas sociais completará os votos rumo ao segundo mandato. Daí, o aceno de Kassab à presidente.

Enquanto isso, no futuro…

Ao anunciar desde já o apoio à presidente Dilma numa campanha pela reeleição, o PSD tenta garantir um passe para os camarotes vips do segundo mandato, leia-se ministérios de ponta. Entre quatro paredes, o PSD não descarta inclusive, quem sabe, ocupar o lugar do PSB na correlação de forças da base governista, se houver uma segunda temporada de Dilma no comando do país. Eduardo Campos, ao que tudo indica, será candidato a presidente. Logo, a presidente, se reeleita, terá mais espaço para acomodar os aliados de primeira hora.

O PSD repete o PSB ainda em outro aspecto. Em 2010, o partido de Eduardo Campos decidiu não apresentar a candidatura de Ciro Gomes contra Dilma com a justificativa de não prejudicar os candidatos a governos estaduais. Agora, é o PSD quem faz essa leitura. O fato de não ter cargos e facilitar hoje a vida de Dilma dá ao PSD mais moral para, logo ali na frente, pedir ao PT e à presidente uma parceria nos estados no ano que vem. Na Bahia, o vice-governador, Otto Alencar, é pré-candidato ao Palácio de Ondina. O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, que, por sinal, participou do jantar da última quarta-feira com a presidente, também deve concorrer à reeleição.

Além de todos esses aspectos, o PSD, ao não entrar agora no governo, consegue ainda manter intacta a imagem de independência em relação ao governo federal. E, de mais a mais, na política assim como na vida nada é definitivo. Se algo desandar até 2014, o PSD sempre poderá mudar os rumos sem ficar com aquela pecha de que largou o governo em busca do novo. No momento, entretanto, o PSD não acredita muito no sucesso de Eduardo Campos para 2014 e, como não deseja seguir com o PSDB, joga suas fichas no futuro governo Dilma.

O fato de não querer se aliar a Eduardo Campos, entretanto, não representa um rompimento do PSD com o PSB. O partido de Kassab apenas considera que não haverá amplitude da base socialista para o ano que vem. Seus aliados acreditam que nem mesmo o PDT, hoje com setores para lá de empolgados com o governador pernambucano, dá sinais de que abandonará o barco de Dilma. Em 2018, pode até ser. Mas, agora, avalia o PSD, não é hora. Por enquanto, o PSD ficará mesmo de pé, atrás da mesa de jogo, observando como Dilma movimenta as cartas que tem na mão e só vai se sentar à mesa na hora de fechar 2014, quando seu passe estará mais valorizado. Agora, o cacife seria baratinho.

O nó da reforma - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 15/03

A presidente Dilma não vai nomear o deputado Luciano Castro para o Ministério dos Transportes, como propôs o PR. Ela quer manter o atual ministro, Paulo Passos. A direção do PR apresentou seu nome, mas ele enfrenta resistências internas. O ex-presidente Valdemar Costa Neto defende, sutilmente, um nome que una o partido. Essa é a decisão mais difícil para a presidente.

O PMDB está nas nuvens
A reforma ministerial não foi anunciada, mas a cúpula do PMDB já comemora. A expectativa do partido é que o deputado Antonio Andrade seja nomeado para a Agricultura, e Moreira Franco, para a Secretaria da Aviação Civil. O ministro Gastão Vieira (Turismo) deve ser mantido, e o vice Michel Temer teria convencido o contrariado ministro Mendes Ribeiro a assumir a Secretaria de Assuntos Estratégicos. Um dirigente do partido explicou que as eleições de 2014 estão aí e que é preciso que a presidente Dilma qualifique o PMDB. E comentou: “No governo Lula, tínhamos Saúde, Comunicações e Integração Nacional e, neste, ficamos só com Agricultura e Turismo.”

“O ruim para o Brasil não é ter ideias. O ruim para o Brasil é que a ideia não é boa porque não fui eu que dei” 

Beto Albuquerque Líder do PSB na Câmara (RS), sobre as críticas à proposta do governador Eduardo Campos (PSB-PE) de renegociar a distribuição dos royalties do petróleo

Onde está o dinheiro?
Sem orçamento para trabalhar, o futuro ministro da Micro e Pequena Empresa indicará o vice-presidente da área na Caixa, para que ele tenha condições de se mexer na pasta.

Sinal dos tempos
No governo Fernando Henrique, quando tinha bancadas de cerca de 90 deputados e 20 senadores, o ex-PFL, hoje DEM, estava na vanguarda na defesa do fim das coligações nas eleições proporcionais. Agora, com apenas 30 deputados e cinco senadores, seu líder na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), comunicou que seu partido votará contra.

O alçapão
Integrantes da bancada governista na Câmara estão trabalhando para abrir uma janela de 30 dias em agosto para permitir que deputados, senadores, prefeitos, governadores e vereadores troquem de partido sem perder o mandato.

A primeira missão do Papa
Um religioso católico brasileiro, que conhece os bastidores do Vaticano, avalia que tão importante quanto a escolha do Papa Francisco será a definição do cardeal que será nomeado para a Secretaria de Estado do Vaticano. Ele é uma espécie de primeiro-ministro e, na prática, sua principal tarefa será implementar as reformas e as correções administrativas na Cúria Romana.

Espécies ameaçadas de extinção
A ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) aprovou, na Convenção de Bangcoc, moção pelo controle rigoroso do comércio internacional de cinco espécies de tubarão e duas de raias-manta. Essa regra já se aplica nas águas brasileiras.

Todo mundo com os pés nas urnas
O presidente da Embratur, Flávio Dino (PCdoB), dá a largada amanhã, em Imperatriz, na sua candidatura ao governo do Maranhão. Com o apoio do PSD e do PDT, o seu mote é: “Evitar as bodas de ouro de Sarney no Palácio dos Leões”.

A OAB E O MINISTÉRIO DA JUSTIÇA vão promover um mutirão para verificar a situação dos presos no país. A ideia é tirar da cadeia quem já pode sair.

À espera de um vacilo - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 15/03

O Planalto entende que Eduardo Campos (PSB) cometeu seu primeiro "erro político" como presidenciável ao propor saída negociada para o impasse dos royalties. Integrantes do governo classificam sua proposta como inviável e afirmam que ele se omitiu na questão mais espinhosa: o Fundo de Participação dos Estados. O Congresso tem até julho para aprovar nova regra de distribuição da verba. O STF já sinalizou que, se o prazo estourar, vai suspender os repasses federais.

Verão passado O PT está compilando vídeos e declarações do governador de Pernambuco criticando o Rio de Janeiro por não aceitar dividir a receita dos royalties.

Antídoto Ciente do bombardeio que se anuncia, o PSB também fez um clipping de declarações antigas de Campos na mesma linha do acordo que propôs agora.

Timing 1 Petistas e peemedebistas culpam Ideli Salvatti (Relações Institucionais) por Campos ter surfado no tema dos royalties. Alessandro Molon (PT-RJ) levou à ministra proposta idêntica antes de o Congresso derrubar o veto de Dilma Rousseff.

Timing 2 Ideli disse que não poderia costurar um acordo sem a anuência dos Estados não-produtores. Aliados acham que ela deveria ter conduzido a negociação.

Luz... A abstenção do PSD na primeira votação de peso de Fernando Haddad na Câmara, a da inspeção veicular, deixou o governo em alerta. O prefeito quer seduzir kassabistas para projetos que exigem quórum qualificado, como o Plano Diretor.

... amarela Com o PSD, o governo Haddad espera ter 40 dos 55 votos na Casa. "Nossa aproximação com Kassab será lenta e segura", diz o secretário João Antonio (Relações Governamentais).

Nem vem O governo propôs que o PMDB trocasse a relatoria na Câmara da medida provisória da desoneração de produtos da cesta básica com o PT. O partido não topou.

Vida prática Como parte do pacote que anunciará hoje, Dilma deve pedir à Câmara "colaboração" para acelerar o debate de temas que afligem o consumidor e tramitam nas comissões da Casa.

Confessionário Além de participar da posse do papa Francisco, na terça-feira, Dilma terá encontro reservado com o pontífice na véspera. Ela deve estar acompanhada de Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral). A presidente deve tratar sobre a vinda do argentino à Jornada da Juventude, em julho, no Rio.

Fé... Escolhido para relatar o documento final da 5ª Conferência dos Bispos Latino-Americanos, de 2007, em Aparecida, Jorge Mario Bergoglio enfrentou polêmica na conclusão do texto, que propunha que a Igreja Católica fosse "ao encontro do povo".

... e política Além do embate que o então cardeal de Buenos Aires travou com a ala ligada à prelazia conservadora Opus Dei, o manifesto passou por modificações após a aprovação. Atribuídas nos bastidores ao Vaticano, as emendas alvejaram as Comunidades Eclesiais de Base, pilar dos progressistas.

Acervo Após revisão, Ricardo Lewandowski liberou ontem para publicação dez volumes, com 1.200 páginas, de notas orais dos debates travados no Supremo durante o julgamento do mensalão. O ministro deverá divulgar seu voto nos próximos dias, como já fez Joaquim Barbosa.

Plantão médico Depois de o ministro Alexandre Padilha (Saúde) ter prometido a secretários da área recursos federais "sem limites" para construção e reformas de UBSs em São Paulo, Geraldo Alckmin anunciou ontem a prefeitos R$ 200 milhões para a mesma finalidade.

Chapa 2 A corrente Mensagem ao Partido se reúne nos dias 22 e 23, em Brasília, para lançar a candidatura de Paulo Teixeira (SP) à presidência nacional do PT. Rui Falcão busca novo mandato.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio
"A Igreja fez menos que deveria para proteger as vítimas da ditadura. Mas só a consciência do novo papa pode dizer onde ele falhou."
DE RENATO SIMÕES, secretário de Movimentos Populares do PT, sobre a conduta de Jorge Mario Bergoglio ante o governo militar na Argentina.

contraponto


Leite derramado


Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) conversava com jornalistas no Planalto sobre a escolha do papa Francisco quando lhe perguntaram sobre uma chácara que tem próxima a Brasília.

-Minha quitinete rural? Ah, vai muito mal- lamentou-se o ministro.

E emendou, diante da curiosidade geral:

-Roubaram minha vaca leiteira. De uma vez perdi um terço do meu rebanho de três vacas...

A manipulação eleitoral do pré-sal - ROGÉRIO FURQUIM WERNECK

O GLOBO - 15/03

É hora de livrar o pré-sal das regras concebidas no calor da campanha presidencial


O desfecho da selvagem disputa federativa pelas receitas dos royalties do petróleo, com a derrubada do veto presidencial, enseja reflexões sobre a forma lamentável com que o País vem enfrentando o desafio de se preparar para tirar bom proveito das jazidas do pré-sal. Ter em mente o que teria sido possível, num cenário alternativo, ajuda a perceber a extensão dos equívocos que deram lugar ao problemático arcabouço legal que hoje pauta a exploração e a partilha do pré-sal.

Há cerca de cinco anos, quando o País começou a se mobilizar com o problema, o governo poderia ter dado ao pré-sal o encaminhamento cuidadoso e, quem sabe, suprapartidário, que a importância da questão exigia. O flexível marco regulatório que então disciplinava a exploração de petróleo no Brasil vinha funcionando bastante bem. E poderia ter sido facilmente adaptado para acomodar as especificidades do pré-sal.

Mas essa possibilidade de encaminhamento mais sóbrio da questão foi perdida. Às voltas com a desaceleração do crescimento, na esteira da crise econômica mundial, e com o desafio de eleger uma sucessora sem experiência eleitoral prévia, o presidente Lula não resistiu à tentação de partidarizar a discussão do pré-sal e transformar a questão em plataforma de lançamento da candidatura Dilma Rousseff.

Em vez de aproveitar o marco regulatório preexistente, desenvolvido pelo governo FHC, o Planalto quis impor novo conjunto de regras que marcasse quebra inequívoca com o arranjo então vigente. Algo que caracterizasse restauração do controle estatal sobre a exploração de petróleo no Brasil. E que exacerbasse diferenças que pudessem favorecer a candidata oficial no embate político. Foi o que se viu, em agosto de 2009, quando o governo deu a público o novo marco regulatório do pré-sal, numa cerimônia grandiosa em Brasília, para 3000 convidados, marcada por um tom nacionalista que parecia desenterrado dos anos 50. Já era a prevalência da lógica do marqueteiro.

É difícil saber que importância, de fato, acabou tendo a partidarização do pré-sal na eleição de Dilma Rousseff. Mas não resta dúvida de que o tema teve presença desmedida em sua campanha. Em meio a infindáveis cenas em que a candidata exibia mãos lambuzadas de petróleo e envergava macacões e capacetes da Petrobrás, em plataformas, embarcações e estaleiros, reais e virtuais, os eleitores foram conclamados, na reta final da campanha, a eleger "a presidente que não vai deixar privatizar a Petrobrás nem o pré-sal".

Agora, aos poucos, o governo vai-se dando conta dos custos do encaminhamento partidarizado e pouco razoável que deu à questão do pré-sal. Constata que não percebeu os efeitos altamente deletérios das exigências de que a Petrobrás tenha monopólio da operação dos campos do pré-sal e participação de pelo menos 30% em cada consórcio que venha a explorar tais campos. E também se dá conta dos problemas que vêm sendo causados pelas absurdas exigências de conteúdo local para equipamentos utilizados no pré-sal. A questão agora é como a Petrobrás e o pré-sal poderão se livrar dessas camisas de força sem que o recuo imponha ao governo um custo político excessivo.

A adoção do regime de partilha reabriu inevitável discussão sobre a participação de Estados e municípios nos resultados da exploração do pré-sal. Atiçado o vespeiro federativo, a voracidade da disputa pelos recursos tomou conta do Congresso. De pouco adiantou o veto presidencial. Acabou derrubado.

Com alguma razão, a presidente Dilma agora se preocupa com sua imagem junto aos eleitores dos Estados produtores de petróleo. Foi noticiado que Dilma gostaria que ficasse claro que, na questão dos royalties, "sempre esteve com o Rio". A presidente não poderia dizer outra coisa. Mas a verdade é que, como qualquer pessoa minimamente familiarizada com as tensões do federalismo fiscal brasileiro era capaz de prever, a reabertura da caixa de Pandora da distribuição de royalties não poderia ter tido outro desfecho. Disso, até o marqueteiro sabia.

Ora, direis, contar estrelas - GASTÃO VIEIRA

FOLHA DE SP - 15/03

A três meses da Copa das Confederações, a quase totalidade dos hotéis não aderiu à classificação de estrelas feita pelo governo


Quem já passou pelo inconveniente sabe como é difícil conter a frustração: o turista chega ao destino de férias dos seus sonhos depois de meses planejando uma viagem; paga por um hotel que se anuncia como três, quatro ou até mesmo cinco estrelas; e, no final, encontra acomodações de qualidade muito inferior ao que fora anunciado.

Durante mais de uma década, esse constrangimento foi lugar-comum no Brasil. Sem regras claras de classificação, o setor hoteleiro do país viu-se vítima de uma verdadeira grilagem de estrelas, distribuídas por hotéis, pousadas, resorts e flats de acordo com os critérios de cada um.

O resultado foi uma perda gradual da confiança do turista na hotelaria brasileira. As estrelas passaram a ser vistas como simples referência aproximada ou, pior, como mais uma dessas regras que "não colam" no Brasil. Isso causou problemas à imagem do país no exterior e uma competição desleal entre empresas que zelavam pela qualidade de seus serviços e outras que se aproveitavam do descontrole.

A situação começou a mudar em 2008, quando foi sancionada a Política Nacional do Turismo (lei nº 11.771), prevendo o estabelecimento de normas de classificação dos meios de hospedagem por regulamento posterior. Essas finalmente foram instituídas pelo decreto nº 7.500/2011, que criou o Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem, o SBClass. Ele trouxe de volta as estrelas à hotelaria brasileira e deu ao Ministério do Turismo a exclusividade na sua distribuição.

O SBClass foi estabelecido após uma série de estudos, que analisaram experiências de 24 países. Em 2010, mais de 300 especialistas foram consultados em uma série de oficinas, que terminaram em seis cursos de capacitação e 26 avaliações-piloto. Seus critérios nada têm de arbitrário, portanto.

Além disso, pensando numa concorrência justa, as estrelas do SBClass são definidas de acordo com sete categorias de estabelecimento. Assim, resorts não competem com hotéis, pousadas não competem com hotéis históricos.

Os critérios também são distribuídos de acordo com uma matriz, de forma que alguns itens são, por assim dizer, "de série" -todo hotel cinco estrelas precisa ter TV por assinatura nos quartos-, enquanto outros são "opcionais" -nem todo hotel cinco estrelas precisa ter piscina.

O custo da classificação é baixo: menos de R$ 900 por três anos de registro, dependendo do estabelecimento. Ele inclui a placa com as estrelas e a visita do Inmetro, órgão que fechou uma parceria com o Ministério do Turismo para vistoriar o cumprimento dos critérios.

Apesar de tudo isso, a adesão dos hotéis ao sistema tem sido incrivelmente baixa. Somente três dezenas se registraram até agora para ganhar estrelas, num universo de cerca de 6.260 que integram o Cadastur, o cadastro oficial de empresas de turismo do governo brasileiro.

Na prática, isso significa que sites de viagem continuam vendendo estabelecimentos sem classificação oficial (e, em alguns casos, gato por lebre) e que hotéis legitimamente estrelados ainda estão competindo em desvantagem. O mercado ainda está recebendo a sinalização errada, a três meses da Copa das Confederações.

Acredito que a razão para o aparente desinteresse seja o desconhecimento do SBClass por parte das empresas. Há uma mitologia em torno dos critérios de classificação que não resiste ao menor escrutínio: muitos dos critérios são eletivos e muitos dos obrigatórios são itens que os hotéis já possuem.

Há também, possivelmente, resistências localizadas em algumas cidades de hotelaria antiga, mas que não são maiores do que o desejo do setor de ser competitivo e jogar limpo com o cliente.

Embora o decreto que criou o sistema dê ao ministério a prerrogativa de retirar estrelas de hotéis não cadastrados, preferimos convencê-los a aderir. Mas a proximidade dos grandes eventos requer que esse processo seja acelerado. Afinal, o maior interesse de todos, independentemente do número de estrelas, é que o turista volte, sempre.

Herança complicada - LUIZ GARCIA

O GLOBO - 15/03
Na história dos ditadores latino-americanos, predominam os militares, por razão óbvia: eles têm os tanques e os canhões. Seria injusto, no entanto, deixar de lembrar os casos em que os generais voltaram para os quartéis voluntariamente. Mas não foi assim com o venezuelano Hugo Chávez, pelo menos no início de sua busca de poder. Chefiando um golpe militar, em 1992, tentou e não conseguiu derrubar o presidente civil Andrés Pérez e ele foi preso. 

Mas, curiosamente, o golpe fracassado transformou Chávez num líder popular: seis anos depois, em 1998, ele foi eleito presidente. A gangorra voltou a funcionar: os já citados militares o derrubaram em 2002. Mas, dois dias depois, outros militares lhe devolveram a Presidência. E não foi o fim da novela: em junho do mesmo ano, a Justiça Eleitoral atendeu a um manifesto com mais de dois milhões de assinaturas e convocou um referendo popular que devolveu o mandato a Chávez. 

Ele ainda se reelegeria mais uma vez, e também saiu ganhando num referendo que aprovava a reeleição ilimitada do presidente. Em seu governo, segundo a Cepal (instituição confiável), em 12 anos o número de venezuelanos pobres caiu de 49% para 27%. Mesmo que o petróleo estivesse jorrando nas torneiras das cozinhas de Caracas, é preciso reconhecer que o governo tinha algum mérito nisso. Até os demagogos mais sem vergonha precisam mostrar serviço em alguma área, de vez em quando. E Chávez certamente era um craque em demagogia. 

Mas não são virtudes e defeitos do presidente morto que têm qualquer interesse agora para os venezuelanos. Políticos com o perfil do falecido raramente se preocupam em preparar herdeiros, exceto quando têm filhotes interessados, o que não é o caso na Venezuela. A oposição alimenta, naturalmente, as suas ambições. Mas enfrenta um adversário quase sempre invencível: o fantasma de Chávez. Como se sabe, falecidos raramente erram - e os erros que cometeram em vida são rapidamente sepultados. 

Disse um sociólogo e professor universitário em Caracas, Tulio Hernández, que está nascendo no país um novo populismo, centrado na imagem de Chávez. E esta só tende a se fortificar. Além disso, começam a circular boatos de que ele teria sido envenenado. E outros: segundo o mais curioso deles, o presidente morreu porque teria comido restos mortais de Simón Bolívar, para ser o novo "Libertador". Não foi explicado onde foram conseguidos pedaços do falecido. 

Para complicar as coisas, já há três candidatos disputando a herança política do falecido. Um deles é o vice-presidente Nicolás Maduro; outro é o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello; o terceiro, Henrique Capriles, principal líder da oposição. Ele teve votação considerável nas eleições do ano passado contra Chávez - mas, como se sabe, enfrenta um desafio que costuma ser muito difícil: não é nada fácil falar mal de quem já morreu. Principalmente no caso de falecidos recentes. 

De feitiços e feiticeiros - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 15/03

Usada e abusada nas duas últimas campanhas presidenciais, carregada para cima e para baixo nos dois primeiros governos do PT a fim de que o então presidente Luiz Inácio da Silva se apresentasse como uma espécie de Getúlio Vargas revivido aos olhos da História em retrospectiva, a Petrobrás vai assumindo lugar de destaque no antecipado embate de 2014.

Dessa vez, porém, com sinal trocado: é a oposição que carrega a empresa para o centro da cena. Sem os mesmos instrumentos porque não tem o governo nas mãos para anunciar grandes feitos (em geral ao molde de mercado futuro), o provável candidato do PSDB, senador Aécio Neves, igualmente exagera ao comprometer-se a entrar numa guerra para "salvar o País" por meio da recuperação da Petrobrás.

Mas, fato é que vem batendo na mesma tecla do mau desempenho da companhia traduzido na queda do valor no mercado financeiro, na perda de pontos no ranking mundial, na redução acentuada dos lucros, na diminuição da capacidade de investimentos, no aparelhamento e uso político da empresa.

Neste último aspecto, o PT de certa forma passou recibo ao responder à provocação do adversário por intermédio da presidente da Petrobrás, Graça Foster. Para não corroborar a acusação do PSDB, ela deveria ficar fora disso. Talvez o PT tenha avaliado que, ao divulgar uma entrevista dela no site do partido, tenha dado um caráter "técnico" à resposta.

Os tucanos agora parecem dispostos a ir à forra, já que em 2006 e 2010 o PT conseguiu votos e espaço acusando o PSDB de querer privatizar a Petrobrás. A versão aí se sobrepôs ao fato de que nunca foi essa a intenção.

Agora que os resultados são ruins e o tão festejado pré-sal nada rendeu ainda além de discórdia entre Estados e forças aliadas, é como se o feitiço tivesse virado contra o feiticeiro.

O PT, contudo, tem tempo e, sobretudo, ferramentas para encontrar um antídoto: a máquina federal, o prestígio da presidente Dilma Rousseff e nenhum pudor de usar o governo para fins eleitorais.

Mão do gato. A presidente Dilma manipulou o poder de veto para rejeitar a proposta (de iniciativa do PSDB) de desoneração dos produtos da cesta básica, aprovada pelo Congresso no ano passado.

Meses depois, usou o espaço reservado ao chefe da Nação em rede nacional de rádio e televisão para comunicar a decisão do governo de desonerar os produtos da cesta básica.

Ainda que se pudesse abstrair a existência de leis que falam na igualdade de condições em disputas eleitorais, impossível não levar em conta a realidade de absoluta e abusiva desigualdade.

Por isso mesmo soa graciosa a versão de que o "Palácio do Planalto" considera "eleitoreira" a proposta do governador Eduardo Campos de buscar uma saída negociada entre Estados produtores e não produtores de petróleo, para a crise dos royalties.

O objetivo dele pode até ser - e parece mesmo ser - construir plataforma de lançamento entre os colegas, mas o governo federal não é exatamente credenciado para desqualificar atos dessa natureza.

Instantâneo. No quesito nó em pingo d'água: o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, saiu-se como protagonista da reunião de quarta-feira dos governadores no Congresso, cujos mestres de cerimônia - Henrique Alves e Renan Calheiros - foram mantidos à distância do PSB nas respectivas eleições para presidentes da Câmara e do Senado.

Trajetórias exemplares - HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 15/03

SÃO PAULO - É difícil provar teorias no domínio das ciências sociais. Além de o estatuto epistemológico desse campo do saber ser precário, os resultados de experimentos e análises não colaboram, pintando em geral quadros ambíguos, incompatíveis com conclusões unívocas.

Em raras ocasiões, porém, as forças da história nos brindam com experimentos "naturais" que permitem vislumbrar relações que, de outro modo, permaneceriam invisíveis. Um exemplo eloquente é o das Coreias.

O jovem ditador norte-coreano, Kim Jong-un, acaba de revogar o armistício com o sul. Ele segue o padrão familiar de exibir músculos bélicos para arrancar concessões e algum dinheiro de vizinhos amedrontados e das potências ocidentais. É um governo que vive de chantagem, já que fracassou em todo o resto.

O contraste entre as duas Coreias não poderia ser maior. Ao norte do paralelo 38, temos um dos países mais pobres da Ásia, no qual a população não tem acesso a praticamente nenhuma comodidade da vida moderna, como luz elétrica e telefones, e é assolada por fomes periódicas.

Já no sul, as pessoas vivem com padrões de Primeiro Mundo. A educação é uma das melhores do planeta e o país não cessa de melhorar sua posição em praticamente todos os indicadores de riqueza e bem-estar.

Como explicar tamanha assimetria, já que o povo é o mesmo e os recursos naturais à disposição dos respectivos governos não são tão diferentes? Só o que separa as duas populações é o fato de, a um dado momento da história recente, terem seguido caminhos políticos distintos.

Enquanto o norte fechou-se numa tirania comunista retrógrada, o sul experimentou uma ditadura de direita só um pouco menos brutal, mas que, a certa altura, foi capaz de abrir-se, promovendo reformas democratizantes, a começar pela educação.

Essa é, provavelmente, a melhor demonstração possível de que as instituições fazem toda a diferença.

E o fundo do poço, é o fim do caminho - FERNANDO GABEIRA

O ESTADO DE S. PAULO - 15/03
Eventos insuportá­veis sopram de Bra­sília. Renan Calheiros é presidente do Senado. O depu­tado João Maga­lhães, que tem as contas bancá­rias bloqueadas, foi eleito presi­dente da Comissão de Finanças. E para completar, o pastor Mar­co Feliciano, acusado de racis­mo e homofobia, mas antes de tudo um perfeito cafajeste, foi escolhido presidente da Comis­são de Direitos Humanos.

Às vezes é preciso mergulhar no passado para respirar. Pasto­res picaretas na literatura são bem mais interessantes. Em 1960, Burt Lancaster fez um cafa- jeste genial que vendia a religião no filme Elmer Gantry. Ganhou Oscar de melhor ator e Richard Brooks, o de melhor rotei­rista. No filme, Burt Lancaster é um pregador brilhante que sedu­zia com o som das palavras: estre­la matutina, estrela vespertina...

O filme é baseado no livro de Sinclair Lewis, escrito no meio da década de 20. A construção do personagem foi resultado de um longo trabalho do escritor, que entrevistava religiosos e, às vezes, ouvia três sermões dife­rentes por dia. Criticado em to­dos os púlpitos, Lewis enfren­tou forte reação religiosa: um pastor chegou a pedir cinco anos de prisão para o romancista. Sin­clair Lewis, em seu tempo, ja­mais poderia colher frases como a do pastor brasileiro Marco Feliciano: "Desculpe se vou agredir os seus ouvidos, mas o reto não foi feito para ser penetrado".

Quase um século se passou, com inegáveis avanços demo­cráticos e uma grande dose de vulgaridade. No fundo, tanto o personagem vivido por Burt Lãncaster, com seu brilho e sua veia poética, como o pastor Mar­co Feliciano se batem pela mes­ma causa: o dinheiro dos fiéis. O que torna Feliciano singular é sua aterrissagem na Comissão de Direitos Humanos.

Não foi um relâmpago em céu azul, mas resultado de um longo processo de degradação que transformou o Congresso desenhado por Niemeyer numa espécie de cavema sombria, com lógi­ca oposta à da sociedade, que a mantém. Ao longo desses anos a comissão sempre foi dirigida pe­la esquerda. Partidos de outros matizes não se interessam por ela, associando, erradamente, di­reitos humanos à esquerda. A longa hegemonia de um setor acabou enfraquecendo o tema, uma vez que o viés ideológico tende a enxergar humanidade apenas no seu campo político.

Um grande mérito dos direi­tos humanos é sua universalida­de. São direitos de um indivíduo, não importa a que paitido per­tença, em que país tenha nasci­do ou viva. Quando Lula compa­rou os presos políticos de Cuba aos traficantes do PCC, o movi­mento não reclamou. Quando comparou os opositores em luta no Irã a torcidas de futebol, novo silêncio. Há pouca solidarieda­de com as populações que vivem sob o controle armado do tráfi­co. E uma tendência histórica é ver o policial apenas como um transgressor dos direitos huma­nos, ignorando até os que mor­rem em atos de bravura.

Abandonada pelos grandes partidos, a comissão foi, final­mente, rejeitada pelo PT. A es­querda não compreendeu inte­gralmente o conceito de univer­salidade e a direita, ao ignorar os direitos humanos, joga fora o be­bê com a água de banho.

Não foram nossos erros no movimento de direitos huma­nos que trouxeram Feliciano ao centro da cena. Ele não chegou ao topo à frente de um onda ra­cista e anti-homossexuais, ape­sar de suas declarações bombásticas. Ele triunfou porque é cafa­jeste, e essa condição hoje é in­dispensável para o ascender no Congresso. Expressa um longo processo de degradação impul­sionado pelo PT.

Cada um certamente terá sua maneira de elaborar o caminho pelo qual se produziu tal aberra­ção. Convém à boa consciência considerar Feliciano um aciden­te de percurso. Ou, então, conestá-la com a clássica frase: mas não se pode negar que as pes­soas aumentaram seu nível de consumo. No mundo onde o consumo é a única medida, o dis­curso da presidente Dilma aos brasileiros parece anúncio de su­permercado: o arroz, o feijão, o óleo, a pasta de dente, olhe a pas­ta de dente, que no passado não entrava na cesta básica. Por que só agora, se a porta sempre este­ve abeita, como no Castelo de Kafka? Por que vetou o projeto de um oposicionista que isenta­va a cesta básica de impostos fe­derais? O arroz, o feijão e a pasta de dente, olha a pasta de dente.

O pastor Marco Feliciano é um personagem que recebeu um cartão de crédito de um fiel e o advertiu porque se esqueceu de mandar a senha: "Depois vai reclamar quando Deus não fizer o milagre". Da mesma forma, o Congresso se comportou com o pré-sal. Diante da complexida­de e riqueza da exploração des­sas jazidas profundas, limitou- se a discutir apaixonadamente a divisão do dinheiro. Recebeu o cartão de crédito e logo usou a senha para detoná-lo.

A irracionalidade da condu­ção do pré-sal foi marcada por um tom nacionalista. A Petrobrás, diziam, deve ter participa­ção em todos os contratos. Mas não seria melhor para a Petrobrás ter a preferência e partici­par apenas dos contratos que lhe interessassem? Mas eles são muy amigos, querem que a em­presa entre em todas as explora­ções, até nas canoas furadas.

Apesar do Congresso, os direi­tos humanos continuam sendo uma causa digna de por ela se bater. Apesar da desagregadora condução parlamentar no episó­dio do pré-sal, as pessoas não perderam a sensação da unidade do País. Pesquisa do Ibope mos­tra que 75% dos entrevistados quer a renúncia de Renan Calheiros. O único ser humano que Fe­liciano poderia ter ajudado ao as­sumir a comissão é o próprio Calheiros, que ganhou companhia no circo de horrores de Brasília.

Vivemos numa época em que número maior de pessoas conse­gue se informar melhor sobre o que se passa no País e no mun­do. Elas certamente farão um contraponto à altura. Mas o pro­blema continua em aberto. Por mais extensa e bem informada que seja uma rede, ela não substi­tui instituições nacionais.

O horizonte do País fica mais estreito sem um espaço que pos­sa chamar de Congresso. Como reconstruir essa ruína? É o tipo de pergunta que daria um car­tão de crédito para responder com acerto. Infelizmente, ain­da não tenho a senha.

Papel das agências - JOSÉ DOMINGOS VARGAS

O GLOBO - 15/03
O tema "agências de fomento" pode trazer à memória o insucesso dos bancos estaduais nas décadas de 1980/1990, mas não podemos fugir de uma discussão mais ampla do destino e da missão das instituições financeiras não bancárias - as agências de fomento - cujo nascedouro deu-se nos primeiros anos do século XXI e que inauguraram um novo entendimento das possibilidades do desenvolvimento regional. 

Limitadas a atuar nos estados em que estão sediadas, são vitais para operacionalizar empreendimentos comprometidos com o esforço local em promover desenvolvimento econômico orientado para o crescimento e a geração de emprego e renda. 

Falar em desenvolvimento regional com qualidade e planejamento nos leva a refletir sobre a atuação das agências de fomento na intermediação e na captação de recursos, que sustentem o empresariado em suas demandas específicas, sem perder competitividade e agilidade. 

Este é um ponto que gostaria de deixar claro: estar ao lado da missão de apoio ao desenvolvimento econômico e social do estado não libera as agências de fomento de operar em sintonia com as melhores práticas de mercado. 

Taxas de juros decrescentes, uma concorrência ávida por resultados e uma clientela que quer atendimento eficiente e particularizado são os desafios para o mercado financeiro. 

Estar alinhado e ainda se manter no foco catalisador do crescimento local faz da agência de fomento uma instituição que não pode prescindir de políticas bem definidas, estratégias de atuação flexíveis e sólida competência funcional, para que suas operações tenham repercussão positiva no desenvolvimento local. 

Há aqueles que defendem que os bancos comerciais e as instituições de fomento federais atendem a todas as demandas, não havendo motivo para que as agências estaduais tenham uma reserva de atuação ou enfoque diferenciado. 

Entretanto, as agências de fomento são diferentes e o aprofundamento das possibilidades de sua atuação em uma estrutura de complementaridade possibilitará maior eficiência do sistema nacional de fomento. 

Hoje, na Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro - AgeRio -, percebo que há ressonância da tese de que o desenvolvimento local necessita de um instrumento voltado para demandas específicas e customizadas. 

A agência de fomento é capaz de visualizar e agir em nichos e segmentos que necessitam de apoio, ter conhecimento das vocações regionais e, principalmente, estar sintonizada com a política de crescimento do estado, enfim, construir redes de projetos que gerem cadeias produtivas de grande poder de alcance. 

Dar às agências de fomento condições para que efetivamente atuem, sem descuidar dos resultados e da boa governança, é escrever uma nova história. 

85º - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 15/03

BRASÍLIA - Todos os governos se sentem injustiçados e nenhum aceita crítica. Nos do PT, é pior ainda: quem não é parceiro vira adversário, quando não inimigo. Cá pra nós, nem o papa Bento 16 escapou.

Dito isso, Mercadante (Educação) e Tereza Campello (Desenvolvimento Social) têm alguma razão quando reclamam do ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos países. Mas não toda.

Têm razão ao dizer que o Pnud, da ONU, usa dados defasados, não capta a rápida inclusão no Brasil e acaba sendo "injusto". Em vez de desmentir, o Pnud admite que utiliza dados antigos -por uma questão de "isonomia" com os outros países.

Mas os ministros não têm razão quando ignoram que, se o Brasil evolui na área social, os demais também progridem, e muito. Nos Bric, houve enormes avanços nas últimas décadas. Na América do Sul, idem. O Brasil não é uma ilha, nem tem vitórias e méritos sozinho. O aumento da classe média, por exemplo, é mundial, apesar do oba-oba interno.

Pesquisas, números, cruzamentos são sempre passíveis de apaixonados debates, ainda mais num terreno tão sensível como o das melhorias sociais. A iniciativa do Pnud de monitorar os esforços e provocar reações e competição tem a melhor das intenções, mas os resultados devem ser vistos mais pelo aspecto geral do que número a número.

Pelos resultados divulgados ontem, o Brasil evolui positivamente desde 1980, cresceu 23,7% desde 1990 e está no bloco de países com IDH alto. Ainda assim, continua em 85º lugar entre 187 países -atrás, aqui na região, de Chile, Argentina, Uruguai, Venezuela e Peru. (Não bastassem Maradona, Messi, os Prêmios Nobel e agora o papa Francisco...)

Vamos convir. Além de ficar atrás de todos esses cinco sul-americanos no IDH, ficou também no índice de crescimento do PIB de 2012. E isso, apesar do legítimo esperneio, não deve ser pura coincidência, certo?

A inflação piora, o BC espera - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 15/03
A inflação aumen­tou, espalhou-se, ficou mais resis­tente, chegou a 6,31% nos 12 me­ses terminados em fevereiro, quase bateu no li­mite de tolerância e as previ­sões mais otimistas do Banco Central (BC) foram pelo ralo. Tudo isso - e muito mais - é re­conhecido na ata da última reu­nião do Copom, mas a taxa bási­ca de juros, principal instrumen­to de combate à alta geral de preços, vai continuar em 7,25% pelo menos até 17 de abril. Até lá, o comitê deverá acompanhar a evolução do cenário econômi­co para definir seus próximos passos. A resistência a um novo aumento de juros seria menos surpreendente se a ata fosse me­nos detalhada na descrição dos problemas. Nesse caso, seria possível acusar o BC de irrealismo ou, pior, de tentar esconder os dados mais preocupantes. Mas a história é outra. Os deta­lhes mais negativos estão lá, bem explicados e bem avalia­dos nos 76 parágrafos do relató­rio. Todos os pontos relevantes foram examinados. Só faltaram as conclusões práticas. Teimo­sia? Nervos de aço? Ou terá fal­tado a autorização do Planalto para a mexida nos juros?

A última hipótese é bastante plausível, já que o governo insis­te em apresentar a redução dos juros, iniciada em 31 de agosto de 2011, como importante con­quista política. Desse ponto de vista, a elevação da taxa seria um retrocesso, mas retrocesso maior, e muito mais perigoso, é tratar a política monetária co­mo parte da retórica eleitoral. De toda forma, podem argu­mentar os economistas do BC, deverá ser possível conter a in­flação com juros bem menores que aqueles observados até há dois anos. Com a maior integra­ção financeira, a política mone­tária tomou-se mais eficiente. Com isso, a taxa neutra - aque­la suficiente para estabilizar os preços - deve ser hoje mais bai­xa do que foi recentemente. O argumento é plausível, mas a ta­xa necessária, neste momento, é decerto maior que os 7,25% em vigor.

A ata fornece razões mais que suficientes a favor desse ponto de vista. Para começar, o texto contém pelo menos 11 re­ferências à piora da inflação, com expressões como "mais al­ta", "mais elevada", "aumento", "resistente" e "dispersão". Em várias passagens, o documento reproduz comentários há mui­to tempo repetidos por analis­tas e em geral desprezados em relatórios oficiais.

Merece atenção especial a re­ferência ao índice de difusão, usado por economistas para me­dir a contaminação dos preços. Esse indicador mostra a porcen­tagem de itens com elevação de preços em um dado período. Há muito tempo esse número tem oscilado entre 65% e 70% e recentemente passou de 70%. Em outras palavras, os aumen­tos são espalhados e isso contra­ria a tese, teimosamente susten­tada no discurso oficial, de uma inflação quase restrita ao merca­do de alimentos. A referência à dispersão dos aumentos é espe­cialmente importante, porque envolve, apesar de alguma res­salva, o reconhecimento da in­flação como um problema bem mais amplo do que em geral se admitia. Além disso, a disper­são, somada a pressões sazo­nais, contribui para tornar a in­flação resistente. Essa "dinâmi­ca desfavorável", segundo a ata, pode ser, mais que um fenôme­no temporário, uma "acomoda­ção da inflação em patamar mais elevado". Apesar disso, o comitê recomenda uma política administrada com cautela.

A ata repete velhas advertên­cias sobre a "estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho" e sobre o risco de au­mentos salariais incompatí­veis com o crescimento da pro­dutividade. O texto menciona a política fiscal expansionista, repetindo um alerta já incluí­do em análise anterior. Ainda assim o Copom reafirma a sua crença em um resultado fiscal de acordo com a meta. A auste­ridade foi uma da condições apontadas em 2011 para o êxi­to da redução de juros. Essa ex­pectativa jamais foi confirma­da na prática. Mas o Copom in­siste em demonstrar sua fé, embora se permita, há algum tempo, citar o expansionismo das contas públicas.

Enfim, a ata menciona o bai­xo crescimento da produção. Mas isso, ressalva o Copom, é um problema de oferta, fora do alcance da política monetá­ria. Isso têm dito, há muito tempo, os críticos da política econômica.

Além do futebol - EDITORIAL ZERO HORA

ZERO HORA - 15/03

O país deve se apressar para cumprir os compromissos assumidos com grandes eventos esportivos, como a Copa. Ao mesmo tempo, precisa se preparar desde já para evitar que os gastos em megaestruturas se revelem inúteis depois dos jogos.


O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, reagiu com veemência à possibilidade de que os estádios construídos para a Copa das Confederações (neste ano) e para a Copa do Mundo (no próximo) se transformem em "elefantes brancos" após os jogos, como ocorreu na África do Sul, país no qual foi realizado o último Mundial. Sob a justificativa de que todas as praças esportivas estão sendo edificadas no conceito de arenas multiúso, o ministro garantiu que, mesmo as erguidas em cidades com pouca tradição futebolística, como Cuiabá, Natal e Brasília, por exemplo, poderão receber eventos, shows, congressos e outras atividades que as mantenham funcionando. É o que todos os brasileiros esperam e desejam. Ainda assim, tal prognóstico só se concretizará se os governantes, os administradores desses estádios e os promotores de eventos decidirem se desafiar sob o ponto de vista da iniciativa e criatividade daqui para a frente.
Evidentemente, não há como estabelecer parâmetro de comparação entre o significado do futebol para a África do Sul e para o Brasil. Em alguns casos, porém, os excessos cometidos no país-sede da última Copa se assemelham aos registrados em algumas cidades brasileiras. Só o Cape Town Stadium, por exemplo, consumiu o equivalente a R$ 1 bilhão. O valor se aproxima dos R$ 1,5 bilhão previstos para o Estádio Mané Garrincha, em Brasília, no qual pressões políticas típicas da Capital Federal elevaram os gastos em relação às previsões iniciais e superdimensionaram a capacidade, que será superior a 71 mil pessoas. O suntuoso estádio da Cidade do Cabo nunca mais foi usado em todo o seu potencial desde a realização dos jogos de 2010. Obviamente, metrópoles importantes dos dois países não teriam como ficar fora de um certame capaz de projetá-las mundialmente. Se não quiserem passar pela mesma frustração sul-africana, porém, cidades como Brasília precisam se mobilizar desde já.
Consciente desse risco, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) programou para a Capital Federal o jogo de abertura do Campeonato Brasileiro, em maio. Está sendo negociada igualmente, com a federação cearense, uma melhor utilização da nova arena de Fortaleza, que em seguida abrigará jogos da Copa das Confederações, uma espécie de teste para o Mundial, um ano depois. Esse, porém, é o tipo de ação que precisará se tornar cada vez mais rotineiro.
O país deve se apressar para cumprir os compromissos assumidos com grandes eventos esportivos, como a Copa. Ao mesmo tempo, precisa se preparar desde já para evitar que os gastos em megaestruturas se revelem inúteis depois dos jogos. Se o conceito de arena é inovador, como ressalva o ministro do Esporte, é importante que implique também uma mudança cultural à altura, capaz de assegurar, com ousadia e planejamento, ganhos permanentes para os brasileiros.


Sinal de sensatez na diplomacia - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 15/03

O início de governo de Dilma Rousseff criou expectativas positivas de um ajuste na política externa, para realinhá-la às melhores tradições profissionais do Itamaraty. Depois dos oitos anos de Lula, durante os quais se forjou a “diplomacia companheira”, impregnada de um terceiro-mundismo trazido do século passado, os primeiros movimentos de Dilma pareciam sensatos.

Antes mesmo de tomar posse, criticou o Irã no caso da condenação da viúva Sakineh Ashtiani à morte por apedrejamento, acusada de adultério, e, já no Planalto, afastou-se do ditador Muamar Kadafi. Foram atitudes de impacto porque o iraniano Ahmadinejad e o líbio Kadafi eram tratados por Lula como aliados de primeira linha, postura de inconsequência juvenil, apenas para marcar posição contrária aos Estados Unidos.

Foi só. A política externa de Dilma Rousseff desde então curvou-se, quase sempre, aos desígnios da ala bolivariana-chavista do continente. Até que, nesta semana, o representante brasileiro em reunião realizada no Equador para examinar a reforma da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), ficou do lado oposto ao do bloco em que se encontram o próprio Equador, Venezuela, Bolívia e Nicarágua, os bolivarianos.

Depois que a CIDH condenou a construção da usina de Belo Monte, há dois anos, ao aceitar denúncias de organizações sociais de que a obra prejudicaria populações indígenas, um Planalto irritado fez menção de reforçar os bolivarianos nos ataques à comissão.

O governo Dilma misturou assuntos distintos. Seria grave equívoco o Brasil retaliar a comissão devido ao caso da hidrelétrica, aliando-se a um grupo de países interessados em silenciar as denúncias da CIDH dos atentados que cometem contra a liberdade de expressão.

Daí o presidente do Equador, Rafael Correa, um dos que mais perseguem a imprensa independente na região, trabalhar com afinco para que a assembleia geral extraordinária da OEA, dia 22, limite a ação da CIDH.

Se Dilma apoiasse o estrangulamento da CIDH, participaria de um ataque sério à liberdade de expressão no continente. Seria uma incoerência em relação à postura da presidente no plano político interno brasileiro.

Tem sido praxe candidatos a presidente no Brasil assinarem a Declaração de Chapultepec, da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), de apoio à liberdade de expressão no continente. Ela não fugiu à tradição e tem cumprido o compromisso que assumiu.

Não passou despercebido, nas declarações que a presidente deu de lamento pela morte de Hugo Chávez, o registro de que nem sempre concordara com posições do caudilho. É certo que uma das discordâncias é sobre a perseguição à mídia independente movida pelo chavismo. Não faz mesmo sentido apoiar a manobra contra a CIDH.

Federação desarticulada - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 15/03

Uma reunião de governadores, realizada anteontem em Brasília, engatou uma contramarcha na votação da medida provisória 599, que unifica as alíquotas interestaduais do ICMS em 4%. Miopia e interesses locais, assim, devem retirar da pauta do Congresso a principal iniciativa para acabar com a guerra fiscal e a insegurança sobre as regras desse imposto.

Segundo o Ministério da Fazenda, 20 dos 27 Estados seriam beneficiados. Os perdedores contariam com um fundo de R$ 296 bilhões, para compensações por quebra de receitas ao longo de 20 anos.

As resistências mais fortes partem de Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Eles querem preservar o arbítrio sobre o imposto para poder distribuir incentivos fiscais e, com isso, atrair empresas sediadas em outras unidades da Federação -política que a literatura econômica batizou como a de "empobrecer o seu vizinho".

Esse lobby omite que o suposto direito de definir a alíquota do ICMS à revelia do Conselho Nacional de Política Fazendária foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Alguns Estados chegaram ao ponto de isentar importações para atrair outras receitas a suas fronteiras, o que barateia produtos estrangeiros e traz prejuízo direto às empresas brasileiras -prática em boa hora banida.

A unificação das alíquotas do ICMS nos termos propostos pelo Planalto é apenas mais um capítulo da disputa irracional pelo bolo da arrecadação federal. Os governadores, paroquial e compreensivelmente, só têm olhos para as reformas que lhes tragam receita.

Além do ICMS, a lista inclui a redistribuição dos royalties do petróleo e as regras de partilha do Fundo de Participação dos Estados. Neste caso último caso, nem a determinação do Supremo de que novos critérios de rateio fossem votados pelo Congresso até o final de 2012 foi acatada.

A escalada do conflito do petróleo, com a derrubada do veto presidencial à redistribuição das receitas, atesta o estrago causado pela omissão do Planalto. A questão federativa é importante demais para ser relegada ao oportunismo dos governadores e das bancadas estaduais no Congresso.

O correto seria considerar em conjunto todos o ganhos e perdas das várias pendências e promover, por mais difícil que pareça, um encontro de contas combinado com ampla reforma tributária e fiscal.

A União detém o trunfo de refinanciar dívidas estaduais a taxas mais baixas. Mas, se não se articular no Parlamento, pode perder a chance de usá-lo pelo bem comum.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Para com isso, Gastão, pelo amor de Deus. Não tem nada disso”
Presidente Dilma ao ministro Gastão Vieira (Turismo), que indagara sobre sua saída


FREIRE OFERECEU PRESIDÊNCIA DO PPS A JOSÉ SERRA

O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), ofereceu seu lugar a José Serra, na condição de o tucano apoiar a candidatura do governador pernambucano Eduardo Campos (PSB) à Presidência da República, contra o mineiro Aécio Neves. A informação foi confirmada por dirigentes dos dois partidos. Pelo acordo, Freire seria “repatriado” a Pernambuco com a garantia de reeleição para deputado federal.

SERRA 2014

O acordo com o PSB garantiria também a candidatura de Serra ao governo de São Paulo pelo PPS, em 2014, contra Geraldo Alckmin.

MÃO FORTE DE UM...

A mão forte de Serra garantiu mandato de federal em São Paulo ao pernambucano Roberto Freire, que dificilmente repetirá a proeza.

...LAVA A OUTRA

A mão forte de Eduardo Campos garantiria outro mandato para Roberto Freire, novamente por Pernambuco, desde que Serra o apoie em 2014.

NADA FEITO, AINDA

José Serra não esconde que se opõe a Aécio Neves, mas ainda não cogitou abandonar o partido, segundo os aliados que lhe restam no PSDB.

ALMIRANTES DÃO EXEMPLO REJEITANDO DINHEIRO EXTRA

Dois almirantes de esquadra, Arthur Pires Ramos e Gilberto Max Roffé Hirschfelde, deveriam ganhar citação em compêndios de ética pública. Convidados a assumir cargos em Brasília, cada um com direito a R$ 80 mil em ajudas de custo e transporte, ambos recusaram porque logo teriam de sair: serão transferidos compulsoriamente para a reserva no próximo mês de junho. Abriram mão do “extra” em respeito à Viúva.

FOMOS!

A Comissão de Anistia não trabalha desde 7 de dezembro de 2012, segundo o site do Ministério da Justiça. Quem sabe após a Páscoa...

ALIANÇA

O PTB e o PSC decidiram se aliar nas eleições 2014. O senador Eduardo Amorim disputará o governo de Sergipe.

VOTO DE POBREZA

As comitivas oficiais brasileiras, inclusive de Dilma, devem maneirar nas visitas ao papa Francisco: ele anda de ônibus no Vaticano.

TE CUIDA, DILMA

O homem é santo, mas não é Deus: interlocutores do papa Francisco dizem que a evidente simpatia esconde uma têmpera de ferro, que não leva desaforo para casa. A argentina Cristina Kirchner que o diga.

CARNAVAL REFINADO

Revolta até aliados a compra pela Petrobras de uma refinara no Texas por US$ 1 bilhão e 180 milhões, apenas 7 anos após alguém tê-la adquirido por US$ 42,5 milhões. Vem aí um carnaval e a convocação de Graça Foster para se explicar na Câmara é apenas o começo.

GARANTIDO

A presidente Dilma confirmou ao governador campeão de votos do Amazonas, Omar Aziz (PDS), que vai mesmo à inauguração do novo “bumbódromo” em Parintins, marcada para o mês de junho.

BRIGA SEM MOCINHO

A briga entre os senadores Jader Barbalho (PMDB) e Mário Couto (PSDB), do Pará, constrange os colegas. Todos os dias chegam aos gabinetes envelopes com acusações de um contra outro. Os senadores nem abrem mais as correspondências. Vão diretas para o lixo.

HETEROFOBIA, PODE

Dias atrás, em Brasília, em festa de diplomatas, um convidado rejeitou uma cantada e foi questionado com espanto: “Você é hétero?!”. Ele confirmou. Foi ridicularizado e humilhado até ir embora, enxotado.

OMISSÃO CRIMINOSA

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu a Fretax Táxi Aéreo, cujo avião caiu em Belém e matou dez pessoas: não havia copiloto. E quem vai punir a omissão da Anac, que não a fiscalizou?

SEM REFORMA

O líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), não acredita que a reforma política seja votada em 9 de abril, como quer o presidente da Casa, Henrique Alves (PMDB). “Não terá consenso. O ponto de partida é o financiamento público. Fora isso, vamos ser contra”, avisou.

IDH

Nicolás Maduro disse que “Chávez sugeriu a Deus o nome do papa” e a argentina Cristina Kirchner proclamou que “Diabetes é doença de rico”. Formaram-se na conhecida Escola Bolivariana de Sandices.

PENSANDO BEM...

...a negativa de cientistas em embalsamar Hugo Chávez atesta que para a Ciência ele não serviu nem para múmia.


PODER SEM PUDOR

ILUSTRE FILHO DE DEUS

O ex-presidente Lula sempre morreu de medo de avião. Na campanha presidencial de 1994, ele voava com um pequeno grupo de militantes e amigos para Tarauacá, cidade próxima à divisa entre Acre e Amazonas, quando uma forte turbulência sacudiu o pequeno bimotor. O avião balançava e Lula foi ficando cada vez mais nervoso, até desabafar:

- Os materialistas que se virem, porque eu vou começar a rezar...

SEXTA NOS JORNAIS

Globo: Uma semana depois… Cesta básica sobe, ao contrário do prometido
Folha: Igreja não pode virar ONG beneficente, alerta o papa
Estadão: Na 1ª homilia, papa pede conduta ‘irrepreensível’
Correio: O evangelho segundo Francisco
Valor: Governo mudará regime de proteção a patentes
Estado de Minas: Primeiro sermão. Primeiro alerta
Zero Hora: Palavras de Francisco
Jornal do Commercio: Mais três fábricas no complexo da Fiat
Brasil Econômico: Ata do Copom derruba previsões de alta da taxa de juros em abril