quinta-feira, março 07, 2013

O escolhido - SONIA RACY

O ESTADÃO - 07/03

Jorge Gerdau passou boa parte do dia, ontem, debruçado sobre o documento de consenso com propostas de mudanças na MP dos Portos – sem alterar a ideia de maior competência, competitividade e concorrência. Tudo na busca de investimentos. Hoje, entrega a papelada, pessoalmente, a Gleisi Hoffmann.

Mas por que chamar o empresário do aço, coordenador da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade criada por Dilma, para a missão? “Fui eu que, 20 anos atrás, fiz a Lei dos Portos. Passei um ano no Congresso brigando por isso”, explica.

China…
A Anvisa estuda abrir consulta pública para regular o uso da… Medicina Tradicional Chinesa. A ideia é saber que produtos são utilizados pelos adeptos da técnica no Brasil.

…in box
E os fitoterápicos entram em pauta na reunião da diretoria do órgão, hoje. Se a proposta de considerar a “tradicionalidade” para registro dos produtos for aprovada, a matéria será levada à opinião da sociedade.

Dica firme
Aos que se perguntam sobre o pensamento econômico de Eduardo Campos, vai a informação: ele gosta das ideias de Pérsio Arida e Armínio Fraga.

Quatro patas
Clima ruim. Sócios do Jockey se reúnem para exigir transparência do presidente Eduardo da Rocha Azevedo. Particularmente, no processo de escolha da empresa que será parceira na gestão do turfe e do contrato que deu à XYZ o direito de construir anfiteatro para shows no campo de futebol.

As negociações estão sendo mantidas a sete chaves.

Quatro patas 2
Rocha Azevedo foi eleito pelos turfistas contrários a Marcio Toledo com a certeza de gestão clara e compartilhada. Justamente os que cobram hoje.

Do bem
Anna Schvartzman e Ana Feffer se unem em prol das entidades Ciam e Acredite, para ação beneficente – com concerto do pianista Arnaldo Cohen. Dia 21, no Teatro Municipal de SP.

Hermanos
Fábio Porchat e Gregório Duvivier filmarão longa na Argentina. Mote? Brasileiros em busca de porteñas: “Os argentinos é que costumam vir pegar as brasileiras, né? A gente vai mostrar o outro lado”, contou o comediante à coluna.

Dada a largada
Márcio França, presidente do PSB paulista, deve voltar ao governo Alckmin na reforma do secretariado – para reassumir o Turismo. Ele deixou a pasta em 2012, quando seu partido anunciou apoio a Haddad.

O PR quer esperar a dança das cadeiras no governo Dilma para bater o martelo sobre o cargo que ocupará em SP. Já o PSC, que apoiou Chalita em 2012, recebeu garantia de ser alocado em importante órgão do governo.

Largada 2
E Alckmin fará dois grandes eventos na próxima semana. Na segunda, reúne empresários e líderes sindicais no Bandeirantes para lançar o Conselho Paulista de Incentivo à Competitividade.

Na quinta, promove encontro com 645 prefeitos paulistas no Memorial da América Latina. Seu staff preparou cartilhas com dicas e orientações de como administrar uma cidade.

Sinergia
Francisco Costa ataca de performer. O estilista da Calvin Klein apresenta, sexta, o happening Kalos, na piscina do Sesc Belenzinho. A concepção é assinada por Vik Muniz.

Sinergia 2
No mesmo evento, Pedro Lourenço usará tecido “grafitado” por um coletivo e desenhará roupas para o público presente. Os participantes poderão, com auxílio de professores de costura, fazer seus próprios modelitos usando as criações do estilista.

Na frente
Meyer Nigri, da Tecnisa, e Marcos Lopes, da Lopes, lançam hoje o empreendimento imobiliário Jardim das Perdizes.

Edmar Bacha e Monica de Bolle lançam O Futuro da Indústria no Brasil. Dia 14, na Cultura da Paulista. No mesmo dia e local, Raí autografa seu Como Gostar de Esporte.

Ainda no dia 14, Edo Rocha inaugura exposição na Ricardo Camargo Galeria.

Acontece, dia 11, o lançamento da revista Âyné, sobre assuntos do mundo islâmico.

Costanza Pascolato terá um site para chamar de seu. A consultora de moda inaugura, dia 13, plataforma online – desenvolvida pela shop2gether.

Joaquim da Silva Quadros - ROGÉRIO GENTILE

FOLHA DE SP - 07/03

SÃO PAULO - Aplaudido nas ruas por sua atuação no caso do mensalão, o presidente do STF, Joaquim Barbosa, comporta-se cada vez mais como se fosse uma espécie de Jânio Quadros do Judiciário: temperamental, autoritário e agressivo.

Durante o julgamento, a despeito do mérito das suas posições, foi frequentemente deselegante com seus colegas, interrompendo suas falas, utilizando-se de ironias e sorrisos mal disfarçados para tentar desqualificar seus argumentos ou simplesmente agredindo-os quando nada disso funcionava. Em uma das sessões, em pé, disse ao ministro Lewandowski que ele deveria "votar de maneira sóbria". Em outra, perguntou se o colega "advogava para os réus".

Anteontem, Barbosa se superou. Ao ser abordado por jornalistas, antes que um deles conseguisse completar sua pergunta, respondeu, descontrolado: "Me deixa em paz, rapaz. Vá chafurdar no lixo, como você faz sempre". Ao entrar no elevador, ainda teve tempo de dizer: "Palhaço".

Os jornalistas pretendiam repercutir com Barbosa nota divulgada por associações de juízes na qual criticavam o ministro por ele ter dito em entrevista que a magistratura tem mentalidade "pró-impunidade". No documento, as entidades disseram que Barbosa "parte do pressuposto de ser o único detentor da verdade".

Jânio, em seu tempo, também abusava da agressividade. Na campanha de 1985 para prefeito de São Paulo, por exemplo, disse que Fernando Henrique Cardoso só faltava recomendar maconha para a merenda escolar. Em outra ocasião, ao reclamar da imprensa, perguntou: "Quando vem um repórter quadrúpede me entrevistar, como quer que eu o trate? Como bípede?".

Ao assumir a presidência do STF, Barbosa fez um importante discurso no qual disse ser preciso reconhecer que existe um grande deficit de Justiça no país. E defendeu um Judiciário sem firulas, floreios ou rapapés. Poderia ter acrescentado, também, sem destemperos e personalismos.

O preço da inclusão - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 07/03

A julgar pelas palavras do vice, Nicolás Maduro, ao anunciar oficialmente a morte do presidente Hugo Chávez, uma das indagações que se faz a respeito do futuro da Venezuela já pode ser respondida: sim, o chavismo vai sobreviver à ausência física daquele que lhe deu o nome.

Não se sabe por quanto tempo, mas a sobrevida por ora é buscada, e em princípio parece garantida, no culto ao líder feito mártir de um câncer cuja existência Maduro atribui aos "inimigos da revolução" - vale dizer qualquer adversário, sempre sob a capitania dos Estados Unidos - a "inoculação" do câncer em Chávez.

Por mais absurda, fruto óbvio da manipulação de sentimentos e necessidades que possa soar a declaração, é evidente o seu objetivo de manter viva a chama da tensão popular como combustível à defesa do regime ameaçado de desintegração com a morte da versão local do guia genial dos povos.

A fórmula é conhecida, aplicada com maior ou menor competência - no caso de Chávez, com extrema: garante-se o pão de cada dia, anima-se o circo e se mantém a massa distraída das mazelas pelas quais mais adiante pagará a conta.

Enquanto estiverem ocupados em cultuar o mito e combater fantasmas ao meio-dia, os venezuelanos compreensível e justamente satisfeitos com as melhorias na educação, alimentação, habitação e efeitos outros dos programas sociais executados nos 14 anos da era Chávez, deixam em segundo plano a inflação alta, o desabastecimentos de energia e alimentos, a violência crescente, os investimentos decrescentes, a explosão dos gastos públicos.

Com a mão esquerda, por assim dizer, Hugo Chávez reduziu significativamente a quantidade de reféns da pobreza extrema, mas com a direita retirou um patrimônio que é direito humano universal.

Ao mesmo tempo em que executou programas sociais eficazes, capturou as instituições da Venezuela e fez delas instrumentos de trabalho de um projeto autoritário.

Dentro da lógica torta de que é necessário aniquilar a democracia para poder proporcionar uma vida melhor a quem precisa.

Chávez mudou a Constituição para adaptá-la à sua conveniência de governar sem prestar contas a ninguém. Alterou a composição da Corte Suprema para ter o Judiciário não como Poder da República, mas como um avalista de seus atos. Mudou normas eleitorais para facilitar a ocupação do Legislativo por seus aliados.

Fechou a maior rede de televisão do país e impôs cerco político e econômico à imprensa independente, enquanto financiava a formação de meios de comunicação a serviço do governo.

Desestruturou a economia, jogou o país nas trevas do atraso institucional, tudo nos últimos 14 anos e até agora ancorado na figura de um populista que deixa herdeiros, deixa um cidadãos presos da sensação de orfandade, mas deixa também uma escolha à Venezuela.

Prosseguir com o chavismo numa trilha de destino desconhecido ou enfrentar o desafio de reconstruir a democracia em seu sentido pleno e reorganizar a economia sem que os mais pobres voltem à situação de exclusão que levou Hugo Chávez ao poder que, de seu ponto de vista, tão bem soube manusear.

Das bermudas. Última forma (até agora) no PMDB: em São Paulo não fará questão de candidato ao governo porque não tem nomes competitivos; em Minas está calado à espera do Ministério dos Transportes, mas espicha o olho para o grupo de Aécio Neves; no Rio fecha com o vice-governador Luiz Fernando Pezão, mas nem pensa em fazer disso razão para abrir mão do lugar na chapa de Dilma Rousseff em 2014.

O partido trabalha com a ideia de dois palanques -acha que o PT não desiste de Lindberg Farias - e com a hipótese de Pezão assumir o governo mediante licença de Sérgio Cabral para concorrer ao Senado.

Os riscos no dilúvio pós-Chávez - LUIZ FELIPE LAMPREIA

O GLOBO - 07/03
A sucessão de Chávez não obedece à velha regra das monarquias hereditárias: rei morto, rei posto. Nicolás Maduro foi ungido pelo próprio Chávez e será quase certamente eleito no pleito que se realizará em trinta dias. Porém falta-lhe carisma e peso na mente do povo venezuelano. Por isso, mesmo que confortavelmente eleito, ainda terá que construir sua imagem e consolidar seu poder em face de outros importantes personagens do chavismo.

A médio prazo, o perigo para Maduro está em que, se não forem bem dosadas as dificeis medidas econômicas que a economia venezuelana requer, urgentemente, ventos fortes se levantarão contra ele. O pai do povo tudo podia, mas agora ele se foi. Seus sucessores não têm o mesmo poder nem sua intransferível estatura. Maduro poderá protelar estas ações, mas os problemas só podem agravar-se. Poderá radicalizar, como já começou a fazer, falando em complô americano para matar Chávez e aprofundando a marcha para o "socialismo bolivariano", o que quer que isto signifique. De todo modo, ele não tem a voz forte de Chávez, porque isto não se herda. É na inevitável turbulência que seu poder será testado e a janela de oportunidade pode se abrir para seus concorrentes, como Diosdado Cabello, Rafael Ramírez (ministro do Petróleo), Jorge Giordani (ministro das Finanças) ou mesmo Adam Chávez, irmão do falecido.

Enfim, a morte de um presidente autoritário e centralizador como Chavez deixa um grande vácuo e a política não aceita vácuos. Ele passou o seu tempo no poder impedindo o surgimento de rivais e equilibrando as diversas correntes de sua base, mas reservando para si próprio a arbitragem final. Os herdeiros de Chávez calcularam toda a coreografia da sucessão, mas há imponderáveis que não podem ser manipulados e a essência do poder foi-se com Chávez. A coesão do chavismo será agora duramente posta à prova.

Talvez agora eles venham a socorrer-se dos irmãos Castro, malgrado o fracasso patente da medicina cubana. Estes teriam tudo a perder se a Venezuela mudasse de rumo e farão o possível para teleguiar Nicolás Maduro, seu preferido, no sentido revolucionário. Os cubanos já mostraram sua influência e agora vão tentar multiplicá-la.

Em todo caso, pode-se dizer que a sociedade venezuela, em sua maioria, acreditava em Chávez por efeito, em parte, do realismo mágico latino-americano. Acreditará na infalibilidade dos herdeiros? Não é a mesma coisa, diria o Barão de Itararé, impedioso e jocoso analista político de nossa terra. Mas, em conclusão, eu diria que só os videntes talvez pudessem decifrar o futuro do chavismo, e que a história ensina que, depois de reis-sol, como dizia Luiz XIV, resta o dilúvio.

O chavismo sem Chávez - ELIANE CANTANHÊDE

FOLHA DE SP - 07/03

BRASÍLIA - O espectro da perenização do chavismo ronda a Venezuela, mas não tanto a América do Sul.

Golpista em 1992 e vítima de golpe dez anos depois, o tenente-coronel Hugo Chávez tinha duas obsessões: igualdade social e América Latina. Custasse o que custasse.

Em 14 anos de poder, reduziu a miséria do país de 49,4% para 29,5%, segundo a Cepal. E os pobres venezuelanos não ganharam só recursos, mas também autoestima. Isso, ou esse chavismo, não tem retorno.

O apoio popular -potencializado pela morte e aliado à submissão do Executivo, do Legislativo, do Judiciário e dos militares- é mais do que suficiente para eleger o ex-chanceler Nicolás Maduro em 30 dias. Mas dificilmente para eternizá-lo, como eternizou o próprio Chávez.

Maduro terá dificuldade para manter a coesão do poder chavista. Sem a liderança inquestionável do "comandante", as disputas intestinas devem explodir assim que passar o luto. Como ocorreu com o peronismo na Argentina e com o Partido Colorado no Paraguai, os herdeiros do chavismo tendem a se multiplicar -e a guerrear entre si.

Com sobrevida na Venezuela, o chavismo tem menos chances na América do Sul, onde o lulismo prevalece. Chávez e Lula personificam as maiorias de seus países, mas Chávez centralizou, Lula negociou; Chávez estatizou, Lula abriu.

Falta gás (não literalmente) ao Equador, à Bolívia e à curiosa Argentina para conduzir adiante e disseminar o chavismo, ou "socialismo do século 21" ou mesmo a Alba (aliança bolivariana). Especialmente tendo Brasil, Chile, Colômbia, Peru, Paraguai e o peculiar Uruguai aderido ao pragmatismo desenvolvimentista.

A grande vitória de Chávez foi na área social, a derrota foi na economia. A Venezuela cresce, mas com inflação, desabastecimento e violência. E sem eliminar a excessiva -e nociva- dependência do petróleo.

Em tempo: sem Chávez, a região perde metade da graça.

Qual socialismo cabe em Caracas? - CLÓVIS ROSSI

FOLHA DE SP - 07/03

Novo presidente está condenado a refazer as pontes com o setor privado, ainda majoritário


O socialismo do século 21 de Hugo Chávez é menos socialista que o do século 20, se por socialismo se entender a estatização dos meios de produção.

É o que mostra o Banco Central da Venezuela: o reinado de Chávez aumentou, sim, a participação do Estado na economia, mas o setor privado ainda responde por 58,2% do Produto Interno Bruto. O Estado avançou de 35%, quando Chávez assumiu, em 1999, para 41,8% em 2012.

A pergunta seguinte é óbvia: se, como parece mais provável hoje, Nicolás Maduro se eleger presidente, haverá mais avanço do Estado ou alguma recuperação do setor privado?

A boa lógica manda cravar a segunda hipótese. Simples de explicar: o vice-presidente é tido como homem de confiança da liderança cubana, uma das razões, talvez a principal, para que tenha sido ungido por Chávez como seu sucessor.

Se Cuba está abrindo espaço para o setor privado, não faria sentido recomendar o contrário a Maduro.

Até porque a liderança cubana tem interesse vital em que a Venezuela dê certo: de 20% a 22% da economia cubana é gerado pela estreita associação com a Venezuela.

E, para a Venezuela dar certo, é indispensável refazer as pontes com o setor privado. Não bastam os programas sociais que fizeram a glória eleitoral de Chávez e serão parte fixa da agenda política venezuelana pelo futuro previsível.

Para manter tais programas, o setor privado terá que ser chamado a cooperar porque o papel do Estado como locomotiva econômica aproxima-se da exaustão.

A ineficiência da economia venezuelana reflete-se em dois fenômenos que minam a popularidade de qualquer governo: inflação exagerada (20,1% em 2012, o mais alto índice da América Latina) e desabastecimento (20,4% dos produtos que os consumidores pedem na rede comercial não estavam disponíveis em janeiro).

Para não falar no deficit público, que, em 2012, situou-se na altura de 11,9% do PIB, patamar insustentável no médio prazo e que, obviamente, dificulta a expansão do gasto público, principal motor do crescimento de 45% que a economia da Venezuela conheceu nos anos Chávez.

Há, portanto, razões de sobra para supor que Maduro, se de fato se eleger, olhará menos para o socialismo cubano do século 20 e mais para o "lulismo", cujo líder "também fez do 'povo' e do alívio da pobreza uma prioridade, e, com melhor gerenciamento e sem a polarização no confronto com o 'império', teve impressionante sucesso", como escreve Jon Lee Anderson para a "New Yorker".

Até porque rótulos como "socialismo do século 21" contam pouco ou nada para as massas, como depõe para "El País" Beatriz Lecumberri, ex-chefe do escritório da agência France Presse em Caracas: "O socialismo e a luta contra o capitalismo não impregnaram um povo consumista, individualista e convencido de que o petróleo resolverá seus problemas".

Ou, como dizia o então líder chinês Deng Xiaoping, "não importa a cor do gato, desde que ele pegue o rato".

Maduro terá, pois, que decidir com que socialismo pegar o rato da prosperidade venezuelana.

Chávez = EUA + China - CARLOS ALBERTO SARDENBERG

O GLOBO - 07/03

A Aliança do Pacífico, considerada uma traição por Chávez e vista com desconfiança pelo Brasil, vai bastante bem, cresce mais e com menos inflação. Já o Mercosul...


Como outros líderes latino-americanos que marcaram seus currículos com a redução da pobreza, também Chávez deve isso a dois fatores principais: a forte expansão do capitalismo global e, nesse processo, a presença da China.

Parece provocação — e é um pouco mesmo —, mas observem os números: quando Chávez chegou ao poder, em 1998, a Venezuela já era uma potência petrolífera, mas o barril saía por uns 20 dólares. Chegou a bater nos 40 dólares em 2001, caiu de novo, oscilou algum tempo na média de US$ 30, até que, a partir do fim de 2002, engatou uma marcha ascendente que o levou para cima dos 100 dólares.

O período 2003/08 é conhecido como “anos dourados”. Houve crescimento em todo mundo, o comércio global se expandiu a taxas recordes de 10% ao ano, milhões de pessoas deixaram a pobreza e entraram nas classes médias nos países emergentes. E a China, que vinha forte desde o fim dos anos 80, consolidou sua posição como segunda potência, ampliando sua fome por commodities, alimentos e petróleo.

Até 2003, a Venezuela recebia em média US$ 30 bilhões ao ano com a exportação de petróleo. Cinco anos depois, embolsou US$ 90 bilhões, mesmo tendo reduzido o volume exportado. Esse o dinheiro do chavismo.

Petróleo é petróleo, claro, mas todos os países que tinham minérios, commodities em geral e alimentos para exportar deram-se muito bem. Inclusive o Brasil, cujas exportações saltaram de US$ 58 bi, em 2002, para US$ 161 bi em 2008. Uma onda de prosperidade varreu a América Latina.

Todos sofreram com a crise global financeira de 2008/09, mas a Venezuela sofreu mais, por causa da inteira dependência do petróleo. O país perdeu algo como US$ 60 bi de receitas de exportação e penou dois anos de recessão. Os demais latino-americanos, com políticas econômicas mais prudentes e atividade diversificada, ou nem tiveram recessão ou saíram rapidinho.

Como a China conseguiu sustentar seus níveis fortes de crescimento, puxando os emergentes, e como houve o início da recuperação nos EUA e outros países do mundo rico, os preços do óleo e das commodities voltaram a subir. A receita de exportação da Venezuela aumentou exponencialmente, chegou a ultrapassar os 100 bilhões anuais.

Curiosamente, enquanto os latino-americanos desviavam seus fluxos de comércio dos EUA para a China, caso do Brasil, a Venezuela manteve o Grande Satã, o Império, como seu principal parceiro. Cerca de 40% das exportações venezuelanas — só óleo — vão para os americanos, 10% para a China, 5% para a Índia e 4% para Cuba. No lado inverso, 30% das importações venezuelanas chegam dos EUA, 15% da China e 10% do Brasil.

Todos os países latino-americanos tiveram riqueza adicional para atacar velhos problemas sociais. E conseguiram resultados nos últimos dez anos. Como registrou a Carta do Ibre de fevereiro, a pobreza foi reduzida em todos os países da região, assim como todos colocaram mais crianças na escola.

Para simplificar o argumento: o Chile, com sua política econômica pró-mercado, democracia, abertura externa, tarifas baixas de importação, acordos de livre comércio com os EUA e outras dezenas de países, pode ser considerado o oposto da Venezuela bolivariana. Pois o Chile reduziu o desemprego e o nível de pobreza — neste caso menos do que na Venezuela, mas simplesmente porque tinha menos pobres no início.

Todos os países da região se utilizaram de programas de transferência de renda (tipo Bolsa Família), alguns mais eficientes, outros apenas assistencialistas e populistas, como os da Venezuela. (Por exemplo: distribuir às comunidades de chavistas eletrônicos chineses trocados por petróleo.)

E para seguir na comparação dos opostos — o país neoliberal e o bolivariano — basta observar a situação atual de cada um e verificar como cada um aproveitou a bonança externa. O Chile em crescimento sustentado, inflação baixinha, infraestrutura eficiente, indicadores sociais avançando. A Venezuela com a maior inflação da região, desorganizada, serviços públicos em situação lastimável, violência nas ruas e sem crescimento quando se exclui o petróleo.

Tudo culpa dos EUA, dizia Chávez. O pessoal acreditava nele. Não vai acreditar no seu sucessor. Dias difíceis aguardam a Venezuela.

Por outro lado, o eixo “não bolivariano”, os países que estão formando a Aliança do Pacífico, considerada uma traição por Chávez e vista com desconfiança pelo Brasil, vai bastante bem. Chile, Colômbia, Peru e México crescem mais e com menos inflação. Já o Mercosul...

FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA

O GLOBO - 07/03

Encomendas
Beira R$ 1,5 bilhão o volume de negócios estimado para a primeira rodada de negócios do Compra Rio para o setor automotivo. É dia 21, em Resende (RJ). PSA, MAN e Nissan serão âncoras. Estão em busca de fornecedores.

Para cima
Bateu R$ 1,259 bilhão a receita bruta das Empresas Concremat, de engenharia, em 2012. Um ano antes, faturaram R$ 906 milhões. O plano estratégico prevê R$ 1,5 bi em 2015. Deve ser revisto. Para cima.

De volta
Após pedidos insistentes de consumidoras, a Mondeléz International decidiu relançar a linha Clight Tea. Desde agosto de 2012, 34% das solicitações no SAC pediam a volta. Estará na 2ª quinzena de março no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Saúde
O Hospital de Clínicas de Niterói terá 550 leitos até 2015. É o triplo da capacidade atual. Vai investir R$ 44 milhões na expansão. Abrirá nova Unidade Materna Infantil com capacidade para 700 internações por mês.

Em alta
O mercado de brinquedos, consoles e games no Brasil bateu R$ 6,5 bi em 2012. Foi alta de 24% sobre 2011. Mas há espaço para avançar, diz a consultoria GfK. A média, de gasto por criança, aqui, é de US$ 53; um sexto da Europa.

Moda pirata 1
Em um ano, a Osklen entrou com dez processos judiciais por pirataria de criações e estampas. Duas já tiveram decisão final favorável. Cinco conseguiram liminares.

Moda pirata 2
O escritório Montaury Pimenta, Machado & Vieira de Mello emitiu 33 notificações extrajudiciais em defesa da Osklen. Vinte estão resolvidas.

Museu
O escritório Dannemann Siemsen trabalhou por seis meses na liberação dos direitos autorais de obras
e exposições do MAR. Foram mais de 150 autorizações.

Associado a André Esteves, do BTG Pactual, Eike Batista espera recuperar rapidamente a confiança em suas empresas

Tem potencial explosivo, para o bem e para o mal, a associação entre a EBX, de Eike Batista, e o BTG Pactual, de André Esteves. A aliança une dois empresários afeitos a risco, métodos agressivos de gestão e planos ambiciosos de crescimento. Serão de arrepiar as reuniões semanais do comitê de gestão comandado pela dupla, diz uma fonte. Esteves, tijucano de classe média, começou a carreira, nos anos 1980, como funcionário do Banco Pactual, do qual acabou dono. Gosta de dizer que é o único banqueiro capaz de cantar, de cor, um samba enredo. E canta mesmo. É com sua energia (e seus bilhões) que Eike conta para reverter, rapidamente, a má fase de seu grupo empresarial na bolsa, opina outro executivo. Em 2012, a OGX, de óleo e gás, perdeu dois terços do valor na BM&FBovespa. Na virada do ano, Eike tentou resgatar a confiança do mercado com a contratação de Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, ex-Ipiranga. Os planos de longo prazo do agora ex-vice-presidente não combinaram com a pressa do dono da EBX. Adriano Vaz, que trabalhou com Eike anos atrás, intermediou a parceria com Esteves. Os agora sócios andaram juntos tentando comprar a Vale. No passado, deu errado.

R$ 150 BILHÕES EM ATIVOS
Tinha o Grupo BTG Pactual no fim de 2012. As receitas combinadas do banco e dos braços de participações e investimentos somaram R$ 6,816 bi. O lucro líquido do ano passado foi de R$ 3,255 bilhões.

ATITUDE
Luiza Brunet estrela folheto que a Avon apresenta hoje, com o lançamento da Gargantilha da Atitude, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, amanhã. Os lucros obtidos com as vendas do produto até maio vão
para projetos relacionados ao combate à violência doméstica. Desde 2008, o Instituto Avon destinou R$ 4 milhões à causa.

VÁ DE CINTO
A 1001 estreia amanhã ação para estimular o uso do cinto de segurança nas viagens de ônibus. Criação da PS10, a campanha brinca com a tira de proteção das malas. O cinto reduz em até 75% o número de mortos e feridos em acidentes de trânsito.

MARCA PROTEGIDA
A Namco Bandai, criadora e dona do Pac-Man, fará campanha para esclarecer as regras de uso de imagem dos personagens do jogo. Sai domingo em jornais.

O game é copiado, sem autorização, em produtos como canecas e roupas. “As pessoas desconhecem que há proteção da marca e direitos autorais”, diz Rafael Lacaz, do Kasznar Leonardos, que representa a empresa no Brasil.

LivreMercado
A catarinense Bellacotton, de higiene pessoal, investiu R$ 95 mil na remodelação da linha feminina.

O Estaleiro Enseada do Paraguaçu lançou site ontem, com espaço para inscrição de currículos. Terá seis mil vagas e programa de trainee.

Chegou a Ribeirão Preto a rádio CBN. Prevê público de dois milhões.

A Ortobom dá desconto de 40% até 7 de abril. Quer vender 10% mais.

Mulher 1
A Lafarge, de material de construção, admitiu sete mulheres no grupo de 17 trainees deste ano. A meta é
chegar a 2020 com 35% dos cargos de liderança ocupados por elas. Hoje, no Brasil, detêm 23%. Já a Michelin, de pneus, quer mulheres em 15% das vagas nas fábricas ao redor do mundo. Atualmente, elas são 9% na América Latina.

Mulher 2
Mais da metade (54%) das 1.500 mulheres que responderam pesquisa do site Vagas.com mudaram de emprego nos últimos dois anos. Delas, 47% subiram de posição. Oito em cada dez planejam trocar de emprego,
se não forem promovidas num par de anos. Mas só 8% sonham com cargos de alta chefia. A pesquisa foi feita em fevereiro.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 07/03

Indústria nacional de pneus teme outras medidas do governo federal
A indústria nacional de pneus teme que um novo aumento de alíquota de importação para pneus possa prejudicar ainda mais o setor.

No ano passado, a tão esperada alta das alíquotas para coibir a importação de pneus, além de ter incluído um número de produtos considerado insuficiente pelo setor, ainda elevou taxas para matéria-prima.

"Houve aumentos para pouquíssimas medidas de pneus, inexpressivas. E a elevação na importação de borracha sintética eleva custos", diz Alberto Mayer, presidente da Anip (associação nacional do setor).

"Há apenas um fornecedor nacional. Precisamos ter também no exterior", afirma.

"Enquanto deveriam ser drasticamente reduzidas, vai -se na contramão. Há risco de desindustrialização também no setor de pneus ou de não se fazer mais investimentos."

A Anip vai se reunir na próxima sexta-feira no Mdic para discutir uma nova lista de aumentos de borracha sintética, segundo Mayer.

Em 2012, a produção da indústria brasileira de pneus caiu 6,4% em relação a 2011, com 62,6 milhões de pneus fabricados, segundo a Anip.

No ano anterior, o setor já havia registrado queda de 0,6% ante 2010.

Em 2012, a exportação caiu 28% ante 2011. Para 2013, a expectativa do setor ainda é de alta entre 4% e 5% na produção, de acordo com Mayer.

SUBMARINO ESCOCÊS
Michael Moore, ministro britânico para a Escócia, virá ao Brasil para estimular parcerias entre os dois países no setor de energia, em especial nos segmentos de petróleo e gás.

Moore chegará no próximo domingo em Porto Alegre (RS) e na semana que vem estará no Rio de Janeiro para participar da Conferência UK Energy in Brasil.

O evento vai reunir 60 empresas do Reino Unido para discutir as áreas de tecnologia submarina, de construção offshore e de maximização de produção.

Com experiência em exploração de petróleo em águas profundas, empresas britânicas querem se estabelecer no Brasil a fim de fornecer tecnologia para a Petrobras na exploração do pré-sal.

Graça Foster, presidente da Petrobras, e o ministro Edison Lobão (Minas e Energia). são esperados na conferência, segundo o consulado britânico em São Paulo.

SOTAQUE PARANAENSE NA BAHIA
A rede de hotéis e resort Mabu, do Paraná, irá entrar no mercado nordestino no próximo mês, quando passará a administrar o Costa Brasilis Resort, na Bahia.

A empresa negocia a gestão de mais um empreendimento desse modelo no Nordeste e de dois hotéis no Sul.

Proprietária de três unidades e administradora de outras duas, a rede Mabu planeja se expandir fazendo a gestão de empreendimentos de terceiros.

"Se fossemos comprar, não cresceríamos na mesma velocidade. Buscar a ampliação por meio de administração é a tendência do mercado", diz o CEO da companhia, Wellington Estruquel.

O projeto da empresa é ter cerca de 25 empreendimentos até 2017, em "seis ou sete" Estados.

Até dezembro, a rede irá investir R$ 20 milhões no resort de Foz do Iguaçu. Os 208 quartos antigos serão reformados e a sala de eventos, ampliada. No ano passado, foi injetado um aporte de R$ 30 milhões na construção de outros 154 apartamentos.

A companhia faturou R$ 72 milhões em 2012. Para este ano, Estruquel prevê R$ 90 milhões.

TRATAMENTO NO SHOPPING
A rede de estética Onodera vai abrir sua primeira loja em shopping center.

A unidade será no shopping Tamboré e a inauguração está prevista para o próximo mês.

O novo ponto será próprio e faz parte do plano de expansão da marca para este ano. Franquias em cidades como Recife, Natal, Uberlândia e Salvador estão programadas para serem abertas ainda no primeiro semestre.

"Acreditamos que teremos o dobro do faturamento de uma unidade de rua. Se a experiência for boa, abriremos o processo de franquia também para lojas em shoppings", diz Lucy Onodera, diretora-executiva da rede.

O investimento da unidade será de 40% a 50% maior do que o de uma instalada fora dos centros de compras, segundo Lucy.

Com 98% de clientes do público feminino, a nova unidade oferecerá serviço aos homens.

"Eles também poderão fazer massagem. É algo que não é oferecido normalmente em nossas unidades", diz a executiva.

R$ 78 milhões é a previsão de faturamento da rede neste ano

57 é o total de unidades no país

5 foi o número de novos pontos em 2012

PESCA LICENCIADA
A licença ambiental simplificada para a aquicultura poderá beneficiar 10 mil trabalhadores, segundo Maria Fernanda Ferreira, secretária nacional de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura.

Ferreira está em São Paulo para discutir o assunto e se reúne hoje com diretores da companhia de de saneamento ambiental, órgão do Estado.

Cadeira O Banco BMG contratou novos executivos: Marco Antônio Antunes, que atuou no Itaú Unibanco, assume como diretor de controladoria, e Valéria Fernandes, que ficou por dez anos no ABN AMRO, trabalhará na área de recursos humanos.

Guarda... O mercado de gerenciamento de documentos corporativos faturou R$ 2 bilhões em 2012. O resultado foi 15% maior em comparação com o ano de 2011, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Gerenciamento de Documentos (ABGD).

...de papéis As perspectivas para 2013 também são boas. "Trabalhar com ferramentas de gerenciamento de documentos passou a ser um diferencial relevante na redução de custos e na qualidade gerencial", diz Eduardo Coppola, presidente da ABGD.

Clube fechado A catarinense Uatt?, rede de produtos para presente, foi selecionada para integrar o clube de empreendedores Endeavor (organização que apoia empresários). A companhia tem cerca de 70 unidades no país e faturou R$ 102 milhões em 2012.

Tempo de reflexão - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 07/03

Há muito para a América Latina refletir e aprender com esse cometa chamado Hugo Chávez que passou sobre a Venezuela nos últimos 14 anos. Chávez atenuou a tragédia social histórica no país, mas sua incompetência como administrador fez o país perder a chance de uma mudança estrutural na economia. Na política, enfraqueceu instituições que deveria fortalecer.

Vários países da região enfrentam problemas similares: uma institucionalização incompleta da democracia, pobreza herdada de anos de abandono dos mais pobres, índices altos de violência, chances econômicas perdidas. Na história de Chávez como presidente houve tudo isso, mas em outros países também há desafios semelhantes. Por isso, a avaliação temperada dos seus erros e acertos ajuda toda a região.

Para manter sua liderança, Chávez não precisava ter dividido tão profundamente o país, mas era da sua natureza governar acirrando conflitos, criando falsos inimigos e culpando alguém. A relação com os Estados Unidos diz bem isso. Tanta retórica para nada, já que o comércio se aprofundou e, como disse ontem aqui, é 10 vezes maior do que a soma da corrente de comércio com o Brasil.

Os Estados Unidos são a maior economia do mundo e a forma de se relacionar com o país é com maturidade e pragmatismo. Chávez escolheu uma retórica ultrapassada e dispensável. No comércio, foi pragmático. Nunca deixou de ser um grande parceiro dos americanos.

Vários países da região vivem de vender commodities. E esses produtos têm períodos de altas de preços que não duram para sempre. O mais inteligente é aproveitar as ondas boas para fazer mudanças permanentes. Chávez fracassou nesse ponto: o petróleo custava US$ 10 o barril quando ele assumiu e chegou a USS 140. Depois, voltou um pouco e está em US$ 90. O salto ornamental das receitas foi usado em parte para alimentar políticas pró-pobres mas não fundamentou uma mudança estrutural da economia nem a preparou para receitas menores.

Outros países que são grandes exportadores de commodities na região têm se comportado nos períodos de explosão de preços como se o boom fosse durar para sempre. O Brasil, inclusive, tem perdido chances de usar as receitas extras para tornar-se mais competitivo em outras áreas.

As políticas de combate à pobreza foram benéficas lá, aqui, e em outros países da região. O erro é apresentá-las como doação de um líder magnânimo. Isso lembra o que há de mais velho na América Latina: o caudilhismo populista. As políticas sociais têm que ser um direito dos mais pobres e formatadas para promovê-los a outro patamar de qualidade de vida. Nesse caso, a educação é ferramenta principal. Houve melhora dos indicadores educacionais lá - e aqui - mas insuficientes.

A república dos países hispânicos é mais velha; a nossa tem apenas 123 anos. Mas em toda a região a democracia sofreu interrupções freqüentes e é preciso fortalecer suas bases. Aqui, o Brasil tem tido um notável avanço na institucionalização do Estado de Direito desde 1985. O modelo chavista, copiado em outros países, tenta minar esses valores democráticos em nome de uma suposta "revolução" Ele tentou um golpe em 1992 e sofreu uma tentativa de golpe em 2002. Uma região com um passado conturbado como a nossa deve sempre preservar a estabilidade política.

A inflação alta diminui a eficácia das políticas sociais. O descuido com a política de segurança eleva o número de homicídios, o que atinge principalmente os mais pobres. Uma economia forte preserva os ganhos sociais. Chávez não entendeu essa correlação entre a economia e o social. É hora de refletir sobre esses erros para evitá-los.

Da cartola, novo reajuste - CELSO MING

O Estado de S.Paulo - 07/03

O reajuste de 5% nas tarifas do óleo diesel, quase cinco semanas depois do reajuste anterior, diz muita coisa sobre como são tomadas as decisões no governo federal.

O discurso continuava sendo o de que não havia o que reajustar, uma vez que a política de preços da Petrobrás está focada no longo prazo, não no curto. Mas nunca ficou claro o que são curto e longo prazos nessa relação.

Apesar do seu impacto sobre a inflação, numa situação em que os preços da economia galopam, o governo havia decidido no final de janeiro reajustar a gasolina em 6,6% e o óleo diesel em 5,4%. Agora, optou por mais essa recomposição, desta vez somente do diesel. Por que também esse mal não foi feito de uma vez, como recomendou Maquiavel, é coisa que não se fica sabendo. (Veja, no gráfico, os reajustes feitos pela Petrobrás desde junho de 2012.)

Dá para intuir que sejam três as razões pelas quais o governo se viu forçado a dar mais esse passo. A primeira delas é a ameaça de rebaixamento da Petrobrás na escala das agências de classificação de risco, especialmente Moody's, Standard & Poor's e Fitch. Se a empresa perder o grau de investimento, em decorrência da deterioração das condições financeiras, apenas fundos que admitem ativos especulativos em suas carteiras poderiam adquirir seus títulos de dívida. O efeito disso seria redução do mercado comprador desses títulos e, portanto, a alta dos juros - que a Petrobrás seria obrigada a pagar nas operações de refinanciamento do seu passivo. Não se sabe ainda até que ponto esse reajuste será suficiente para conseguir afastar a ameaça.

O segundo motivo que deve ter levado ao novo reajuste foi o estrago que o achatamento dos preços dos derivados de petróleo vinha provocando na capacidade da Petrobrás de enfrentar sua carteira de investimentos, de US$ 236,5 bilhões até 2016. E isso acontece num momento em que o governo Dilma está especialmente empenhado em reforçar a capacidade de alavancagem da economia.

A terceira razão é a tentativa do governo de desmentir a fama de hostil aos negócios (business unfriendly) - como vinha sendo sugerido por observadores estrangeiros e que gerava visível afastamento por parte dos empresários locais.

Esse reajuste é, de longe, insuficiente. Para alinhá-los aos níveis internacionais hoje vigentes, os preços do óleo diesel deveriam ser corrigidos pela Petrobrás em mais 15%, e os da gasolina, em 16% - apontam cálculos do Deutsche Bank. Ou seja, para garantir a política de controle de preços do governo federal, persiste a hemorragia do caixa da Petrobrás.

A questão de fundo é a falta de critério que defina os preços. As atualizações saem da cartola quando e nas proporções que o governo quer. Assim como este e os reajustes anteriores foram negados e depois concedidos, os futuros, hoje negados, também podem. Trata-se, portanto, de um elemento de insegurança e de instabilidade entre outros tantos que permeiam a atual política.

O fator incerteza prejudica mais os investimentos do que as eventuais consequências inflacionárias, desde que, de alguma maneira, possam ser previstas.

Pão, pão, queijo, queijo - ROBERTO LUIS TROSTER

VALOR ECONÔMICO - 07/03

Este mês, o Banco Central vai produzir mais de uma centena de páginas e tabelas detalhando pormenores da decisão do Copom: o comunicado após a reunião, a ata na próxima quinta-feira e o relatório de inflação e a nota à imprensa de política monetária e operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional em três semanas, além de pesquisas, apresentações e entrevistas.

Analistas e jornalistas vão dissecar esse vasto material para avaliar o preço do dinheiro, seu custo e sua dinâmica ao longo do tempo. É uma tarefa importante para que todos possam fazer escolhas intertemporais mais seguras. Entretanto, o resultado será limitado, não por falha dos diagnósticos, mas porque informações fundamentais não são divulgadas com clareza.

A mais essencial de todas é a meta de inflação, um mistério. Com certeza não é 4,5% tal qual definido pelo Conselho Monetário Nacional. As estimativas não convergem para esse número nos próximos cinco anos. Pelo contrário, a dispersão das projeções aumenta em vez de diminuir quando se estende o horizonte, refletindo a incerteza sobre a evolução dos preços. Há especulações de que a meta pode ser o teto da banda, 6,5%, ou um valor inferior ao do ano passado, 5,84%, ou ainda um número redondo como 5,5% ou 6%. Fica a indagação.

Além da indefinição, há uma percepção de que o regime de metas de inflação foi trocado para outro de metas de IPCA. O índice produzido pelo IBGE, que deveria ser tratado como um reflexo da evolução dos preços na economia como um todo é o objeto de ações voltadas para controlar seu resultado, como o congelamento de tarifas de ônibus ou adicionar mais ETANOL à gasolina sem reduzir seu valor. O indicador parece ter se transformado em um objetivo da política econômica. Para baixar a febre do paciente, esfria-se o termômetro.

Nas informações sobre o crédito, ocorre algo semelhante. Mais dados e mais abrangentes foram adicionados na nota à imprensa, como os direcionados, algo louvável. Entretanto, deixaram fora um essencial para entender a dinâmica dos financiamentos, que é a adição das taxas dos cartões. O preço de uma modalidade que é usada por menos de 1% dos financiamentos foi incluído, mas ficou fora outro que representa 75% dos tomadores.

Uma distorção que permanece é que para o cálculo da margem (spread) e da taxa média, computa-se o valor médio ponderado pelas concessões do dia, o que é corretíssimo. Entretanto, para chegar à média mensal do sistema financeiro, utiliza-se o saldo de crédito existente.

Ilustrando, supondo que há dois produtos apenas no sistema, um financiamento imobiliário de R$ 900,00 já concedido, que custe 10% ao ano, e nesse mês há apenas uma concessão de cheque especial de R$ 100,00 com juros 110%. Usando-se essa metodologia, a taxa média será de 20% ((900x10+100x110)/(900+100)), entretanto usando a ponderação de concessões será de 110%. Fica a dúvida de qual é a mais correta.

Na nova nota à imprensa, além dos avanços, também se deve registrar um retrocesso. É a exclusão da tabela "Saldos por valor". Faz diferença, e muita, a evolução dos financiamentos em cada segmento. O impacto de uma operação de R$ 1 bilhão é diferente que o de um milhão de financiamentos de mil reais cada. O crédito para o pequeno tomador vinha apresentando uma contração real forte, um problema grave e omitir a informação não resolve.

Há mais confusão com taxas. Em janeiro, a Anefac calcula a taxa média para a pessoa física em 88,6% e o Banco Central em 24,6%. Essas diferenças tiram credibilidade das duas instituições e dificultam o trabalho dos que acompanham a evolução do crédito.

Outra concepção equivocada na transparência ocorre com o cadastro positivo. Foi aprovado e pode ter uma contribuição importante na redução das margens de crédito e da inadimplência. Mas será tênue, muito aquém da potencial, em razão do tratamento assimétrico dado ao credor, com muitas informações, e ao devedor, com poucos esclarecimentos. Uma percepção melhor do financiado induz a decisões mais prudentes.

O ponto do artigo é que há espaço para aprimoramentos na divulgação de informações. Abundam evidências empíricas mostrando que mais transparência tem efeitos benéficos no crédito e na política de juros. A credibilidade do Banco Central tem um viés deflacionário, aumenta a potência da política monetária, melhora a previsibilidade de decisões dos agentes econômicos e induz a decisões mais criteriosas na tomada de financiamentos.

A literatura especializada prova que mais transparência reduz a inflação e a inadimplência. São dois problemas que afligem a economia brasileira. Um terceiro, mais grave, é a complacência. A cada dia que passa, a inflação torna-se mais resiliente e a dinâmica do crédito mais anêmica. É hora de mudar.

O quadro econômico é propício para alterações de rota: a economia está crescendo, há espaço para reduzir a taxa neutra, a pressão inflacionária é controlável, há capacidade ociosa na oferta de crédito e, o mais importante, o governo tem apoio popular e está determinado a reduzir os juros e aumentar o volume de financiamentos.

O que fazer? O primeiro passo é "Pão, pão, queijo, queijo". A incerteza é mais prejudicial que os juros para decisões de investimentos e financiamentos.



Um complemento é fazer ajustes na meta de inflação e na banda. Subir a meta para 5,5% este ano e definir a dos próximos seis anos decrescendo 0,5% cada ano, até chegar a 2,5%. Isso deve ser acompanhado com um estreitamento da banda, para 1,5% este ano, reduzido para 1,0%, a partir de 2016. O afunilamento da faixa reforça a credibilidade do BC e a sinalização de que em quatro anos a inflação ficará abaixo dos 4,5% é importante para romper o piso das expectativas que está se cristalizando.

Enfim, mais transparência não vai eliminar todos os problemas da política monetária e do crédito, mas ajuda.

Uma saída para o fator previdenciário - RENATO FOLLADOR

GAZETA DO POVO - PR - 07/03

Outra vez me perguntam se o fator previdenciário vai cair. Sempre disse “não acredito!”, por duas razões.

A primeira: ele é tecnicamente correto. A aposentadoria está rigorosamente atrelada ao que o trabalhador contribuiu ao INSS e à expectativa dos anos que ele vai sobreviver recebendo o benefício. Se aposentou-se cedo, sua reserva previdenciária é menor, e como ele, teoricamente, vai viver mais tempo, a aposentadoria é diminuta. Agora, se deixar para se aposentar mais tarde, será maior. Além de ele ter tido mais tempo de contribuição, por estar mais velho, vai ter uma expectativa de sobrevida menor recebendo do INSS.

Com o aumento da longevidade, não há saída: ou trabalha-se mais ou recebe-se menos. O contrário não dá. Se cair o fator, vem idade mínima maior e vamos trocar mandioca por aipim.

Outra razão para o fator não cair: o déficit de R$ 45 bilhões do INSS dobraria em poucos anos. De onde menos se espera que venha alguma coisa... é que não vem nada mesmo. Pensem comigo: com dinheiro curto, os governos preferem investir em obras que fazem o país crescer, ou em programas sociais que dão popularidade e votos.

Mas lanço uma ideia: embora, pelo fator, a aposentadoria já aumente com o tempo, por que não estimular quem já puder se aposentar a continuar trabalhando, isentando-o de contribuição ao INSS? O trabalhador tem um aumento salarial para ficar na ativa; o INSS vai pagar menos anos de aposentadoria para quem postergar a inatividade – além de desarmar a bomba-relógio futura das desaposentadorias –; estimula-se o emprego e o investimento feito pelas empresas em formação de pessoal ao longo dos anos; diminui-se o turnover e a dificuldade de se encontrar mão de obra qualificada; e, por fim, o governo troca um déficit crescente por um, no mínimo, estável.

Há vantagens para o trabalhador: o incentivo para continuar na ativa, pois a isenção da contribuição ao INSS representa um aumento salarial de 11%; ao se aposentar mais tarde, a perda dos 11% no salário será compensada por um benefício maior resultante da melhora no fator; o trabalhador que continua na ativa deixa de contribuir por mais tempo com um valor que não recuperará depois, ao se aposentar mais tarde, recebendo o benefício por menos tempo; e o trabalhador continua tendo a opção de escolher o momento em que deseja se aposentar.

Para a empresa, a vantagem é a retenção do empregado em quem investiu recursos em treinamento, agora experiente, maduro e conhecedor do negócio da empresa. O governo, apesar da perda da receita de contribuição do trabalhador (11%), ganha na redução da despesa, uma vez que menos trabalhadores estarão se aposentando no primeiro momento em que cumprirem suas carências.

O governo federal acaba de anunciar que 80% dos seus servidores que já cumpriram as carências mínimas para se aposentar preferiram continuar trabalhando por causa do abono de permanência, que é não pagar contribuição previdenciária até a hora da aposentadoria. E lá, diferente do INSS, não há o fator que aumenta com o tempo e melhora a aposentadoria.

Parece que minha ideia não é despropositada. Vale uma reflexão!

Retomar os leilões é mais importante - CLÁUDIO PINHO

O GLOBO - 07/03
Entender as discussões em torno dos royalties é muito mais do que discutir se este ou aquele estado deve ficar com esta ou aquela parcela do que é explorado.

Em que pese ter sido noticiado o veto como uma vitória dos estados produtores, a verdade é que a leitura nos termos contidos no veto demonstram que houve uma mudança da política e que a distribuição será diferente para os futuros contratos.

Os limites para discutir royalties já estão bem definidos e provavelmente a decisão do Supremo Tribunal Federal será, em última instância, um meio termo entre o que querem os estados produtores e os não produtores. Desde a criação da Petrobras, em 1953, a alíquota dos royalties foi de 5%. Em 1997, eles passaram a ser variados, sendo garantido o mínimo de 5%. Esta primeira premissa é desfavorável aos estados produtores, pois levará à conclusão de que a distribuição constitucional só protege os 5%, o que em síntese é verdadeiro.

A segunda premissa, desta vez favorável aos estados produtores, é que a compensação prevista na Constituição Federal de 1988 é pelo impacto ambiental, mas principalmente pela perda de receita tributária.

Esse argumento, normalmente relegado a um segundo plano nos debates nacionais é essencial para a defesa do estado produtor.

O modelo tributário da Constituição Federal prevê que a arrecadação do ICMS ficaria no estado produtor. A exceção a este princípio foi criada em relação a algumas atividades, como a comercialização de petróleo e derivados e energia elétrica. Nesses casos, a tributação foi totalmente retirada do estado que primeiro recebe a mercadoria. Numa análise fria, o constituinte retirou 18% dos estados produtores e os compensou com royalties de 5%, deixando que os 18% ficassem para o estado que consumisse o produto.

Daí porque a derrubada do veto, e posterior ingresso com medida judicial pelo Estado do Rio, não trará insegurança jurídica, pois provavelmente será concedida liminar para restabelecer a posição anterior, quando valia o veto.

Empresas estrangeiras no Brasil são pressionadas por suas matrizes e algumas estão deixando o país.

Planos de negócios foram revistos.

Cresce o interesse por áreas do présal africano. A retomada dos leilões indica que a política brasileira em relação ao petróleo sairá da inércia.

E isso hoje é prioritário.

0,9%, a taxinha anual do Pibão - ROBERTO MACEDO

O ESTADO DE S. PAULO - 07/03

Descabidamente o termo pibinho passou a ser usado como referência à pequena taxa anual de crescimento do PIB, o produto interno bruto brasileiro. No ano passado ela ficou em 0,9%, realmente merecedora de um diminutivo. Mas nosso PIB é enorme e nada tem de pibinho.

Em 2012 alcançou R$ 4.402.537.000.000,00, em números redondos a partir dos milhões. Esse número enorme cai à metade se convertido em dólares e, mesmo assim, é um dos maiores do mundo, deixando o Brasil num sexto ou sétimo lugar, dependendo do valor do PIB de outros países no mesmo ano e da taxa de câmbio utilizada.

A última edição da revista Veja veio com matéria sobre a taxinha de 0,9% em 2012, intitulada Gente, o PIB sumiu!. Como um PIB desse tamanhão poderia sumir? Só se viesse o fim do mundo e desaparecessem também os 193.946.886 habitantes do País, conforme dados de julho de 2012. Com esse outro grande número, o PIB por habitante foi de R$ 22.599,70 no mesmo ano. Em dólares, uma cifra perto de US$ 11 mil, a qual deixa o Brasil entre os países muito ricos e os muito pobres. Nessa segunda divisão também é chamado de país em desenvolvimento, mas com taxinhas como essa vai continuar por aí, e ultrapassado por outros corredores.

Onde está o problema? Aqui o governo federal escolheu como bodes expiatórios a crise econômica mundial que veio em 2008 e a da zona do euro, que sobreveio em 2011, também contagiosa, ainda que em menor grau. Essas crises tiveram os seus impactos, que não se esgotaram desde então. Mas nossos problemas maiores estão aqui dentro mesmo e se nos dispuséssemos a encará-los e resolvê-los o Brasil deixaria taxinhas como essa de 2012 na poeira da História. Outra atitude importante seria a de não se contentar com outras na faixa de 3% a 4%, mas fixar como meta um mínimo de 5%.

Essa percepção de taxinhas "made in Brazil" hoje está mais clara, pois basta ver aqui perto, na América Latina, que países também sujeitos às mesmas crises citadas mostram um desempenho bem melhor que o nosso. Dados do balanço preliminar de 2012 da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), da ONU, revelam que o Brasil teve a segunda pior taxa de crescimento entre os países de maior PIB (México, Argentina, Colômbia, Venezuela, Chile, Peru e Equador), todos com taxas de 3,8% ou mais. Com exceção da Argentina, que, segundo fontes privadas, teve seu crescimento estimado em 0,5%. Vale lembrar que dados econômicos argentinos de fontes oficiais não são confiáveis. No caso, a previsão oficial foi de 2%.

Há vários anos insisto, neste e noutros espaços, em que a economia brasileira investe muito pouco na expansão da capacidade de produzir seu PIB de bens e serviços. Ou seja, em fábricas, fazendas, hospitais, estradas, portos e tudo o mais que tenha capacidade produtiva. No momento, por exemplo, uma safra recorde de grãos no Centro-Oeste está enfrentando enormes dificuldades para chegar aos portos e passar por eles, o que aumenta os custos dessa safra e diminui a sua competitividade.

Em 2012 o Brasil investiu apenas 18,1% do seu PIB. E andando na contramão, pois em 2010 e 2011 havia investido a média de 194%. São taxas muito baixas, típicas de países já ricos, que, como tal, não precisam mais investir muito.

Repetidas vezes vinha mostrando que os países de maior crescimento, a China e a índia, investiam perto de 40% e 30%, respectivamente. Depois de ver os dados da Cepal, passei a citar taxas de investimento de países mais próximos na esperança de que seu exemplo seja mais observado e seguido. Em 2012 foram México (23,5%), Colômbia (27,9%), Venezuela (26,9%), Chile (27,7%), Equador (24,9%) e Peru (32,2%!).

De tanto pregar o aumento da taxa de investimento do Brasil, em certo momento me perguntei se não estava a chover no molhado. Mas percebi que o terreno continuava seco ao ver os governos petistas a pregar e praticar sua crença de que o crédito e outras medidas pró-consumo seriam suficientes para estimular também os indispensáveis investimentos. Ora, isso pode ser válido no curto prazo, como para estimular o nível de atividade quando a economia passa por uma crise e consumidores e investidores estão retraídos. Porém depois, como hoje, o efeito dessas medidas tende a se esgotar, porque o endividamento cresce e o estímulo do crédito se reduz.

Além disso, como também já aconteceu, o investimento e a produção - o lado da oferta - não cresceram na mesma proporção do estímulo dado à demanda, e a inflação aumentou. E mais: parte do estímulo também vaza para o exterior, mediante mais importações, ou seja, para o PIB de outros países. O investimento, por sua vez, gera emprego, produção e renda e, como no caso da infraestrutura, também pode contribuir para ampliar a competitividade de nossas exportações.

Parece que a ficha da necessidade de maiores investimentos caiu em Brasília e soa como música ouvir discursos presidenciais falando de mais rodovias, ferrovias, ampliação de portos, parcerias público-privadas e coisas do tipo. Continuarei a pregação, pois não estou convencido de que o chão já esteja suficientemente molhado, e que esses discursos trarão efetivamente um substancial aumento da taxa de investimento.

Quanto a isso, o maior investimento que o governo deve fazer no momento é na sua capacidade de realizar. Se as obras vierem - e não virão sem que os tocadores delas se sintam suficientemente encorajados com as suas perspectivas de lucro -, servirão também para dissipar a desconfiança hoje generalizada em torno da natureza e da efetividade da ação governamental. E melhoraria também a disposição daqueles que, mesmo não diretamente nelas envolvidos, observam o governo e ficam à espera de um sinal encorajador para realizar os seus próprios investimentos e ampliar o seu consumo.


A armadilha da parcimônia - MARCELO MITERHOF

FOLHA DE SP - 07/03

Errar quando a economia esfria tem efeito pior (desemprego) do que no caso oposto (inflação)


Um dos valores morais que mais prezo é a parcimônia. Como o conhecimento humano é limitado, mesmo potente, ele não elimina o desconhecimento. Assim, a parcimônia, sem ser interdição à realização das coisas, confere uma saudável dose de dúvida sobre nossas convicções e ações.

Por exemplo, não sou militante das causas ambientais. Mas desde criança aprendi facilmente hábitos como não deixar lâmpadas e aparelhos ligados sem necessidade. Mais tarde, a poupança, ao menos para quem não tem renda baixa, mostrou-se algo que dá estabilidade à vida, o que me faz não ser perdulário.

Em razão disso, há quem considere incoerente minhas crenças macroeconômicas, que defendem que o Estado deve, por meio do gasto público, minorar os impactos adversos do ciclo de negócios. Ou seja, a receita para combater crises é a contrária da pregada pelos economistas ortodoxos, que enfatizam ajuste fiscal, controle estrito da inflação, flexibilização de leis trabalhistas etc.

De fato, há nisso algo paradoxal. A explicação para isso foi dada por Keynes, que mostrou que a macroeconomia não pode ser reduzida totalmente aos fundamentos do comportamento microeconômico.

Foi Hélio Schwartsman quem me apontou que isso não se restringe à economia. Em sua coluna de 11/10/2012 no site da Folha, ele mostrou que a emergência -propriedade de sistemas complexos que faz com que o todo tenha características que não se verificam nas partes- é um fenômeno verificado em diferentes ciências.

Um exemplo é o avião: nenhuma das partes é capaz de voar por si só, mas o todo, sim. Um feixe de neurônios tem propriedades que não se veem em neurônios isolados. O córtex, em interação com outras partes do encéfalo e do corpo, apresenta características, como a consciência, que não há em feixes de neurônios.

Nas ciências naturais, mesmo que ainda não se saiba a razão de uma emergência, não há dúvida da sua existência. Não se tenta reduzir o genoma ao gene.

Ao contrário, nas ciências sociais, é comum falar de família ou mercado como se fossem composições indistintas de seus indivíduos.

Na economia moderna, a emergência tem causa conhecida, ainda que não amplamente aceita, dada pela moeda. Ativo central das relações econômicas, emitido pelo Estado e cujo valor é fiduciário (não há lastro), a moeda e o crédito são os responsáveis por alavancar a economia com rapidez se as expectativas são de demanda para as empresas.

Por outro lado, quando há pessimismo, o refúgio que os agentes encontram na moeda como reserva de valor faz com que a reversão do ciclo também seja mais aguda, pois esse é um ativo que não necessita de trabalho para ser produzido (seu custo de produção é ínfimo).

A economia monetária de produção ressalta duas características da emergência: alavancar a realidade, fazendo coisas surgir, e também deixar os sistemas mais voláteis.

A divergência existe porque a ortodoxia não reconhece tal propriedade da moeda, que é tratada como neutra. Quer dizer, ela facilita as trocas, mas em essência uma economia monetária não se diferencia de uma feira de escambo.

Se preços e salários são livres, o mercado se ajusta até obter o pleno emprego. A poupança agregada é fruto da abstenção de consumo da sociedade, em vez de ser o resultado final (a emergência) do processo de geração de renda desencadeado pelo investimento. Empreendedorismo e propensão a poupar são os principais determinantes do dinamismo econômico. O governo não deve interferir na economia para tentar mudar isso, pois o resultado somente seria inflação. Como uma dona de casa, ele não deve gastar mais do que ganha (arrecada).

Keynes, porém, pontuou que preços e salários são rígidos para baixo. Diante disso, os economistas ortodoxos propõem as reformas micro como a forma de adequar a realidade à sua teoria, tentando criar as condições para que o comportamento racional prevaleça, como na ideia do homo economicus, aquele perfeitamente informado, que busca seus interesses de modo preciso.

Os heterodoxos buscam lidar com as possibilidades e os riscos que a emergência traz. O papel contracíclico do Estado é crucial: gerar deficit quando os negócios estão fracos e conter a demanda no aquecimento. Na dúvida, é bom ter em conta que errar quando a economia esfria tem efeito pior (desemprego) do que no caso oposto, cujo malefício é apenas a inflação.

É o caso de ser parcimonioso com a parcimônia. Exagerada e deslocadamente, ela produz sofrimento sem necessidade.

Lamentável truculência - EDITORIAL O ESTADÃO

O ESTADO DE S. PAULO - 07/03

É profundamente lamentável que, por causa de um temperamento muitas vezes descontrolado, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, coloque em risco a admiração e a credibilidade que conquistou - não apenas para si, mas, com a colaboração de seus pares, principalmente para o Poder republicano que hoje comanda - por ocasião do histórico julgamento da Ação Penal 470, que, ao mandar para a cadeia uma quadrilha de criminosos de colarinho-branco, sinalizou o fim da impunidade para os poderosos da política brasileira.
Joaquim Barbosa, cuja história de vida é um exemplo e um estímulo para todos os seus compatriotas, está hoje empenhado, na presidência do STF e doConselho Nacional de Justiça (CNJ), numa luta muito mais ampla e renhida do que a que enfrentou no julgamento do mensalão, que teve a espinhosa responsabilidade de relatar. Profundo conhecedor das mazelas da Justiça brasileira, Barbosa está firmemente determinado a dar a contribuição de seus mandatos à frente do STF e do CNJ para que o aparato Judiciário se torne verdadeiramente capaz de fazer justiça a partir do princípio fundamental de que todos os cidadãos são iguais perante a lei.

Contudo, diante do peso do desafio que se coloca diante do ministro, as reiteradas manifestações de descontrole emocional de Barbosa tornam-se muito preocupantes. Já durante o julgamento do mensalão, transmitido ao vivo e acompanhado por um enorme contingente de brasileiros, em várias ocasiões o então ministro relator tratou com impaciência e descortesia os pares que se opunham a suas ponderações. Mais de uma vez, viu-se obrigado a se desculpar. E a maior parte do público sempre assimilou esses deslizes com alguma tolerância, até porque era testemunha do padecimento físico que um problema crônico de coluna impunha ao ministro.

No entanto, na última terça- feira, à saída de uma sessão do CNJ, o destempero de Joaquim Barbosa ultrapassou os limites da civilidade. Ele ofendeu, com inacreditável truculência, um repórter deste jornal que tentava lhe fazer uma pergunta sobre a crítica que o ministro recebera de associações de juizes por ter dito, numa entrevista, que há juizes que aplicam com demasiada complacência uma lei penal já excessivamente leniente. Sem permitir que o jornalista sequer concluísse a pergunta, Barbosa pediu que fosse deixado em paz e fulminou, em tom raivoso: "Vá chafurdar no lixo, como você faz sempre". E, enquanto seu assessor tentava afastá-lo dali, ainda chamou de "palhaço" o profissional que queria apenas entrevistá-lo.

O fato de a vítima da truculência do ministro ser um repórter deste jornal é irrelevante. A irresponsabilidade cometida por Barbosa atinge toda a imprensa, e não se redime com um anódino pedido de desculpas formulado em nota oficial pela assessoria do STF. Nem minimiza a gravidade do ocorrido a alegação, contida na nota, de que Joaquim Barbosa fora "ríspido" com o jornalista porque saíra de uma longa reunião do CNJ "tomado pelo cansaço e por fortes dores". Se não se sente em condições físicas e psicológicas para manter um comportamento público compatível com a dignidade dos cargos que exerce, Joaquim Barbosa deveria deles se afastar. É o que merece como ser humano, é o que dele espera a enorme massa de brasileiros que por ele tem demonstrado, até agora, admiração, respeito e apreço.

A reincidência do presidente do STF num comportamento reprovável sob todos os aspectos - desde a transgressão da liturgia do cargo que ocupa até o comprometimento de uma imagem pública que favorece o aperfeiçoamento das instituições nacionais - foi recebida com escandaloso regozijo, nas mídias sociais, pelas viúvas do mensalão, interessadas em desacreditar o principal responsável pelo desfecho da Ação Penal 470, em proveito dos dirigentes partidários condenados à prisão pelo crime de comprar apoio parlamentar para o governo Lula.

E hora de Joaquim Barbosa parar para pensar que pode estar começando a desfazer tudo o que até agora construiu com grande competência e admirável dedicação.

Sem serviço na Copa - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 07/02

Brasileiros e estrangeiros aficionados por futebol que se cuidem. Não se exclui que a Copa de 2014 seja prejudicada por uma crise digital, diante da dificuldade do país de se preparar para o pico na demanda por telecomunicações.

O tráfego de dados pela internet explodiu em anos recentes. Estima-se que a cada mês de 2012 tenha circulado pela rede mundial conteúdo equivalente a mais de 8 bilhões de DVDs. Menos de 4% disso foi enviado por aparelhos móveis, como celulares e tablets, mas o volume de bits transferido por eles deverá mais que decuplicar nos próximos cinco anos.

No Brasil, como em muitos países engolfados tardiamente por essa avalanche digital, a disseminação da banda larga se dá principalmente por meio da telefonia móvel. Conjugada com o fator Copa do Mundo, essa tendência engendra um quadro preocupante.

O país está atrasado na matéria. Afoba-se para pôr no ar a quarta geração (4G), mas não faz funcionar direito nem a anterior (3G) -um serviço caro e péssimo, hoje.

A continuar o ritmo atual de expansão da base de usuários em descompasso com a infraestrutura de transmissão (como seu número insuficiente de antenas), as deficiências se agravarão. E ficarão mais evidentes ainda na Copa de 2014, quando o tráfego de dados crescerá de forma exponencial.

Zelar para que tais gargalos sejam evitados ou desfeitos é atribuição da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que só recentemente passou a fazer pressão mais decidida sobre as operadoras de telefonia celular. A julgar por um relatório de 2012 do Tribunal de Contas da União (TCU), contudo, há receio de que a agência esteja desprevenida para a Copa.

De acordo com o TCU, a Anatel teria realizado só uma fração dos investimentos em projetos exigidos pelo Comitê Gestor da Copa 2014. A agência reguladora diz que tem adotado todas as providências e que os investimentos previstos se realizaram; admite, porém, que 8 dos 31 projetos estão fora do prazo.

Teme-se que a agência chegue ao Mundial desaparelhada para fiscalizar se as operadoras estarão utilizando corretamente as frequências designadas. É algo decisivo para impedir interferências que prejudiquem a transmissão dos jogos pela TV.

Claro está que não só na Copa a Anatel precisa funcionar. Mas é um grande momento para a agência não falhar.

Elevação de custos na China favorece Brasil - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 07/03

Mas Dilma não pode deixar o país na dependência do acaso. É crucial reduzir o custo Brasil, pela modernização dos portos, licitação de projetos de infraestrutura etc.


Se um retrato da China tirado há uma década fosse projetado mecanicamente para mais dez ou vinte anos, mostraria uma potência mundial hegemônica, depois de, em função das imbatíveis condições oferecidas às empresas, ter atraído a maior parte das grandes linhas de produção industrial do planeta.

Mas, como a vida, a economia é mutante por natureza. E é parte de qualquer processo de industrialização que a procura incessante por fatores de produção — mão de obra, por exemplo — faça o seu custo subir e alterar as margens de competitividade da região em crescimento. Na realidade, não é tão simples assim, pois políticas cambiais podem compensar os efeitos negativos do encarecimento de custos internos, mas, em algum momento, os ventos podem mudar.

Acontece com a China. Segundo cálculos da Boston Consulting, o longo ciclo de salários baixos está se esgotando: entre 2005 e 2010, os salários chineses aumentaram anualmente, em média, 19%, contra 4% nos Estados Unidos. Claro, ainda há enorme distância entre os dois níveis de remuneração — mas já foi bem maior.

A Ford americana fechou acordo com sindicatos para criar, até 2015, 12 mil empregos à base de US$ 15 e US$ 16 por hora, segundo “O Estado de S.Paulo”. Enquanto na China, com aumentos de 18% anuais, a remuneração média poderá chegar a US$ 6,31 em 2015. Porém, em 2000 era irrisório meio centavo de dólar.

Este é um dos fatores por trás da volta de fábricas para o Ocidente. O próprio Brasil receberá parte do que a Mattel, um dos maiores fabricantes de brinquedos do mundo, produz na China.

A Apple é conhecida por trazer, há algum tempo, em seus produtos o registro: “Projetado na Califórnia, montado na China”. Pois mandará de volta para os Estados Unidos pelo menos uma linha de montagem de computadores Mac.

Não são fatos isolados. No México, a recuperação da economia se deve, em alguma medida, à volta de linhas de montagem que se instalaram na fronteira com os Estados Unidos — as “maquiladoras” —, no âmbito do acordo de livre comércio com americanos e canadenses (Nafta), mas que foram atraídas pelos baixos custos da China.

A torcida é que a produção de calçados que o Brasil perdeu para os chineses também tome o caminho de volta. Mas o governo não pode esperar de braços cruzados. O acaso precisa ser apenas mais um incentivo a que a presidente Dilma não recue no projeto estratégico de reduzir para valer o chamado custo Brasil. Não pode ficar na dependência do que acontece na economia chinesa, nem de manipulações cambiais que funcionam como acelerador da inflação, já bastante elevada.

Libertar os portos de esquemas cartoriais, cortar impostos para valer, desbastar a densa burocracia, fazer as devidas concessões na melhoria e ampliação da infraestrutura são necessidades imperiosas, incondicionais.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

“Ela é mais popular que o Lula”
Cid Gomes (PSB), governador do Ceará, eleitor declarado da presidente Dilma


‘MARCHA’ PAGOU R$ 70 DE CACHÊ A MANIFESTANTES

Além de sinais exteriores de opulência, como banners, bandeirolas e balões como materiais mais caros do mercado, organizadores de “marcha” de sindicalistas, ontem, em Brasília, recrutaram milhares de pessoas na periferia do DF para fazer número, em troca de lanches, boné, camiseta e cachê de R$ 70,00. Estima-se que a “marcha” de mais de 40 mil participantes custou pelo menos R$ 3,2 milhões.

QUEM PAGA

Há em Brasília escritórios que oferecem “manifestantes profissionais”, pagos com dinheiro do imposto sindical e de convênios do governo.

EXCURSÃO

Uma centena de ônibus utilizados no transporte dos “manifestantes”, entre a periferia do DF e Brasília, custou entre R$ 600 e R$ 900 cada.

DINHEIRO A RODO

Custou ao menos R$ 140 cada um dos dois mil banners em material sintético, pendurados em postes de Brasília pelas centrais sindicais.

NA FILA

Com internet censurada na ilha, os cubanos só souberam da morte de Hugo Chávez ontem, na edição impressa do jornal oficial Granma.

NO RIO, DESPREPARO DA PREFEITURA AGRAVOU O CAOS

A Prefeitura do Rio de Janeiro emitiu alerta de chuva “ocasionalmente forte” 20 minutos antes do dilúvio que matou 4 pessoas e inundou os locais de sempre na cidade, alguns conhecidos há mais de cem anos. O estatal Inmet alertou a mesma chuva à Defesa Civil do Rio, mas sem o índice pluviométrico de um mês em meia hora, “difícil de prever, mas previsível com calorão”, disse-nos ontem um meteorologista federal.

DANE-SE O CONTRIBUINTE

Autoridades cariocas confiam nas orações, nas sirenes de alerta em morros e na paciência dos contribuintes para permanecerem impunes.

NINGUÉM MERECE

O lixo atômico do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, garantiu que Chávez “ressuscitará”, como Jesus e o imã muçulmano Mahdi. Na Síria, talvez.

AQUI, NÃO

Funcionários no consulado-geral em Barcelona assinaram declaração garantindo não sofrerem qualquer tipo de assédio moral de diplomatas.

ALÉM DA DÍVIDA

Para Dilma, a morte de Hugo Chávez deixa “um vazio”. Não se referia ao “vazio” de US$ 3,6 bilhões no cofre Petrobras, valor do calote do fanfarrão na obra conjunta da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

DURO RECADO

O Superior Tribunal de Justiça mostrou que se lixa para pressões do governo: não incluiu Augusto Rossini, do Departamento Penitenciário Nacional, na lista tríplice para ministro do STJ. E meteu o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), chefe de Rossini, em tremenda saia justa.

HOMENS DOENDO

O ministro Joaquim Barbosa, que descarregou suas dores nas costas de Felipe Recondo, repórter conhecido pela elegância no trato, deveria colar um adesivo na toga: “Não se aproxime, hoje está doendo muito”.

PROTOCOLO IGNORADO

Outro gesto de Barbosa, terça, desagradou a magistrados: na posse do novo presidente do TST, ministro Carlos Alberto, ele deixou o recinto antes da presidente da República.

OLHO GRANDE

Causou frisson ontem na Câmara a presença de Renata Bueno, recém-eleita ao parlamento italiano. Ela é filha do líder do PPS, Rubens Bueno (PR). Além da simpatia e inteligência, os deputados repararam sua beleza.

DIFÍCIL ACEITAÇÃO

O deputado Miro Teixeira (RJ) propôs à comissão conciliadora do PDT a manutenção do diretório nacional exatamente como está, com Carlos Lupi na presidência e o ministro Brizola Neto (Trabalho) na vice.

SUBIU O TOM

Fábio Ramalho (MG) ameaça sair do PV após briga com o líder Sarney Filho (MA). Ele alega ter sido atropelado pelo líder na escolha do presidente da Comissão de Meio Ambiente: “Ele não tem palavra”.

PAPAI VIAJOU

O ex-bispo tarado e ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo aproveitou o enterro do “amigo” Hugo Chávez, para faltar a (mais um) teste de paternidade exigido pela Justiça, informou a rádio 650 AM.

VOCÊ DECIDE

A boa notícia: Guido Mantega (Fazenda) garante que a economia “está em recuperação”. A má: respira por aparelhos made in China.


PODER SEM PUDOR

A COMADRE JACKIE

O prefeito José Amâncio Costa, do interior paraense, dera o nome de personalidades importantes aos sete filhos: Nelson, Maria Antonieta, Bismarck, Wilson, Getúlio, Juscelino e Kennedy. Para o batismo deste último, convidara o próprio, que não pôde vir, mas foi representado pelo cônsul americano em Belém. Poucos meses depois, Kennedy foi assassinado. Amâncio chorou copiosamente a morte do xará de seu filho. E a quem tentava consolá-lo, ele respondia:

- O que me preocupa mesmo é a minha comadre Jacqueline...

QUINTA NOS JORNAIS


Globo: Incerteza na Venezuela – Multidão vela Chavéz e disputa eleitoral começa
Folha: Missão das tropas é eleger chavista, diz chefe militar
Estadão: Venezuela se despede de Chávez e teme instabilidade
Correio: Antes mesmo do adeus a Chávez… Começa a briga pelo poder no país
Valor: BC muda posição e já admite elevar a taxa básica de juro
Zero Hora: Alertas ao ensino gaucho
Estado de MinasComoção e dúvidas
Brasil Econômico: Dilma e Mantega entram em cena para aumentar os investimentos