quarta-feira, fevereiro 13, 2013

A irmã de Freud - ELIANA CARDOSO

O ESTADÃO - 13/02

Vi a casa: número 20, Maresfield Gardens, Londres. Ali Freud morou um ano até setembro de 1939, quando morreu. Escapara dos nazistas em 1938, levando consigo a mulher, a cunhada, a filha, o filho, o médico com sua própria família, duas domésticas, o cachorrinho, a biblioteca e enorme coleção de objetos comprados de antiquários. Para trás deixou as irmãs, que morreram em campos de concentração.

Li Freud's Sister (Penguin). O escritor macedônio Goce Smilevski dá voz a uma delas, Adolfina. O romance baseia-se em fatos, porém cria no leitor o sentimento desconfortável de que, ao retratar Sigmund Freud como vilão, o autor busca a polêmica. Ao mesmo tempo, ao narrar a vida de Adolfina como cheia de crueldade e loucura, Smilevski inventa uma obra de arte que muitos leitores acharão fascinante e outros, controversa.

Uma irmã leva à outra e eu, da de Freud, chego à de Shakespeare, invenção de Virgínia Woolf no ensaio Um teto todo seu. O que teria sido a vida da irmã de Shakespeare se ela tivesse existido e nascido com o talento do irmão? Responde Woolf: "Qualquer mulher nascida com um grande talento no século XVI teria certamente enlouquecido (...). Pois não é preciso muito conhecimento de psicologia para se ter certeza de que uma jovem altamente dotada que tentasse usar sua veia poética teria sido tão contrariada e impedida pelas outras pessoas, tão torturada e dilacerada pelos próprios instintos conflitantes, que teria decerto perdido a saúde física e mental".

Como em vários países ainda hoje, nos anos em que Virgínia Woolf escreveu e Freud se mudou de Viena para Londres, séculos de inércia pautavam a vida feminina. No quarto capítulo de Freud's Sister, Adolfina sofre com um aborto, intervenção então ilegal na Europa. Hoje a legalização mudou esse cenário na maioria dos países desenvolvidos, mas em outros continua a causar traumas. O tema continua ligado à pergunta do que querem as mulheres.

A mulher quer duas coisas fundamentais, que parecem garantidas ao homem. A primeira é a soberania do próprio corpo. É essa soberania do corpo que lhe garante que não sofrerá mutilações (ao contrário do que ocorre no Egito), escolherá seus parceiros sexuais (ao contrário do que ocorre na Índia) e decidirá quando ter filhos (ao contrário do que ocorre onde não existe acesso irrestrito aos serviços de saúde reprodutiva).

Em segundo lugar, ela quer a oportunidade de ganhar uma renda com seu trabalho e dela dispor como julgar conveniente. Dinheiro é fundamental. Mas seria muito pouco enfatizar apenas o papel do dinheiro na desigualdade entre os gêneros. A mudança de percepções e atitudes tem importância similar. Precisamos - para homens e mulheres - de uma mentalidade andrógina, como a de Shakespeare, e não de uma mentalidade machista, como a de Freud. Dizia Virgínia Woolf em Um teto todo seu: "É fatal ser um homem ou uma mulher, pura e simplesmente; é preciso ser masculinamente feminina ou femininamente masculino".

Durante milênios o discurso da diferença entre os gêneros contribuiu para manter as mulheres sob o jugo masculino. A mulher que tem sucesso nos negócios ou na política leva a pecha de masculina ou agressiva ou, simplesmente, de feia, enquanto ninguém se ocupa de discutir a beleza de Getúlio Vargas ou Hugo Chávez.

Essa mentalidade muda devagar. No evento de formalização do projeto Women Entrepreneurship Banking - uma parceria entre o BID e o Itaú Unibanco para a promoção do crédito e outros serviços para mulheres empreendedoras no Brasil - distribuiu-se material à imprensa. Neste material, a diretora do Itaú descreve a necessidade de novos projetos, porque "as mulheres pensam, agem e trabalham de maneira diferente dos homens". Não é por aí, amiga. Esse discurso abre as portas à discriminação e à remuneração diferenciada devida à diferença de gêneros numa mesma atividade. Independentemente de suas características biológicas, homens, mulheres e transexuais são iguais perante a lei.

As infinitas e sutis diferenças entre homens e mulheres (devidas em parte à biologia, em parte à cultura e em parte não explicadas) - assim como as que existem entre homens e homens, entre mulheres e mulheres, entre homossexuais e entre pansexuais - resolvem-se no nível individual. No trabalho a mulher quer competir em condição de igualdade. Por exemplo. Interessa a ela que a lei conceda os mesmos direitos de licença por ocasião do nascimento de uma criança a homens e mulheres, revolucionando a mentalidade fora e dentro de casa.

Portanto, a iniciativa BID-Itaú terá relevância na medida em que a criação de oportunidades de financiamento para mulheres ajudar a reduzir diferenças impostas por discriminações - não por diferenças nas características de gênero - e, ao criar oportunidades, contribuir para o crescimento do País.

Vale entender que o desperdício de talento feminino debilita a economia, o abuso das mulheres corrompe a sociedade e sua marginalização enfraquece o sistema político. A desigualdade de gênero não é apenas moralmente indefensável. Ela é ruim para os negócios e ruim para a economia. Recomendo a leitura do relatório Gender Inequality, preparado pelo Emerging Markets Symposium (disponível a partir de 15/2 no site http://ems.gtc.ox.ac.uk/).

Já se tornou clichê invocar a importância da educação na promoção da mobilidade social, no aumento da produtividade e na redução da incidência de gravidez precoce. Também se conhece a necessidade do apoio do setor privado para soluções criativas no cuidado de crianças e velhos. A igualdade de gênero deveria constituir objetivo nacional e os governos mais esclarecidos terão de se engajar na luta para que, nas condições impostas em empréstimos, as instituições financeiras multilaterais (como o Banco Mundial) incorporem práticas para a promoção da igualdade entre os gêneros. Afinal, como dizem os chineses, as mulheres sustentam a metade do céu.

Dia de bom futebol - TOSTÃO

FOLHA DE SP - 13/02

Atlético-MG x São Paulo e Real Madrid x Manchester United são as duas grandes partidas de hoje


QUANDO UM time, nitidamente superior, com melhores jogadores, com mais força coletiva e com um futebol mais moderno, perde um jogo decisivo, temos de relativizar o resultado, já que existe um grande número de fatores surpreendentes e ocasionais envolvidos no placar, em vez de mudar os conceitos e diminuir as virtudes da equipe favorita.

Se Espanha e Brasil fizessem hoje a final da Copa, e a seleção brasileira vencesse, o futebol coletivo e o estilo de jogar dos espanhóis, com muita troca de passes, continuaria com a mesma qualidade e eficiência. Analisar o jogo a partir somente de um resultado é uma visão estreita e medíocre, diante da complexidade de uma partida.

Hoje, pela Libertadores, o jogo mais esperado é entre Atlético-MG e São Paulo. Deveria ser no Mineirão. Apesar das palavras do presidente Alexandre Kalil, suspeito que a principal razão de o Galo preferir o Independência é técnica, e não comercial. Os jogadores, Cuca e o presidente sabem que, no Independência, são maiores as chances de o Atlético-MG vencer.

No Brasileirão, o Atlético-MG sufocava os adversários, pela pressão da torcida e pela maneira de jogar, marcando mais à frente. A bola estava sempre próxima do gol. As principais jogadas eram aéreas, com os cruzamentos de Ronaldinho para os grandalhões Jô, Leonardo Silva e Réver, ou os chutões e os passes longos para o pivô Jô ajeitar para o companheiro. Deu certo. No Mineirão, a postura teria de mudar.

Outro grande jogo hoje é entre Real Madrid e Manchester United, pela Liga dos Campeões. Por jogar em casa e ter maior número de craques, o Real tem mais chances de vencer. Não dou tanta importância aos tantos problemas de relacionamento noticiados entre Mourinho e os jogadores. Quando o time estava no auge, acontecia o mesmo.

O Manchester United tem uma grande qualidade, cada dia mais rara, que é possuir uma dupla de ótimos atacantes, formada por Rooney e Van Persie. Não há um centroavante fixo. Os dois dão passes e fazem gols. Em vez de ter uma linha de três meias e um centroavante, o time inglês joga com um meia de cada lado e dois atacantes. A armação das jogadas pelo centro é feita por um dos atacantes, que recua para receber a bola, ou por um volante que avança.

Foi o que fez o Corinthians contra o Chelsea, quando Tite tirou o meia Douglas e colocou Emerson mais à frente, formando dupla com Guerrero. O técnico repete essa formação, com Pato e Guerrero. No Brasileirão, o Fluminense cresceu quando Wellington Nem passou a atuar mais próximo de Fred.

Nada mais ultrapassado do que jogar todo compartimentado, com volantes para marcar, com um meia de ligação para dar passes decisivos, com um centroavante para fazer o gol e com um meia de cada lado, que vai e volta.

PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV - 13/02


12h - Brasil Open, tênis, Bandsports

14h30 - Brasil Open, tênis, Bandsports e SporTV

17h - Brasil Open, tênis, Bandsports e SporTV

17h30 - Real Madrid x Manchestet United, Copa dos Campeões, ESPN, ESPN HD e Band

19h30 - Deportes Iquique (CHI) x Peñarol (URU), Libertadores, FoxSports

20h - Brasil Open, tênis, Bandsports e SporTV

20h - Asa x ABC, Copa do Nordeste, Esporte Interativo

22h - Caracas (VEN) x Fluminense, Libertadores, Globo (menos para SP)

22h - Atlético-MG x São Paulo, Libertadores, Globo (para SP), FoxSports e SporTV

22h - Campinense x Sport, Copa do Nordeste, Esporte Interativo

22h - Fortaleza x Santa Cruz, Copa do Nordeste, Esporte Interativo (para o Nordeste)

22h30 - Boston Celtics x Chicago Bulls, NBA, ESPN e ESPN HD

Voos restritos - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 13/02

Embora tenham autonomia para voar 24h, os Vants, aviões de vigilância do governo, não podem ficar no ar toda essa jornada. Os países vizinhos reclamaram ao Brasil de eventuais invasões de seus espaços aéreos. Outro problema que o governo enfrenta é que, como esses aviões sobrevoam áreas sem conflito, as autoridades precisam cuidar para evitar colisões com outras aeronaves.

Quem é o chefe
Mesmo com dificuldades de percorrer as fronteiras e com implantação atrasada, há disputa no governo pelo controle dos Vants. A Polícia Federal e o Comando da Aeronáutica travam uma queda de braço pelos aviões, que têm como função percorrer o espaço aéreo brasileiro e os 16 mil quilômetros de fronteiras com dez países para coibir o narcotráfico e o contrabando de armas. A Aeronáutica quer coordenar o uso de todos os aparelhos, deixando a PF como subordinada. Mas o primeiro round foi vencido pelos policiais federais. A presidente Dilma decidiu que cada órgão comanda os seus Vants.

“É revoltante o quanto o Parlamento se apequena. A grande preocupação são os cargos e a liberação de emendas”
José Antônio Reguffe
Deputado federal (PDT-DF)

Sem auxílio
Servidores vulneráveis da PF não estão encontrando serviço de apoio psicológico criado pelo órgão. No ano passado, ocorreram 12 suicídios, número que alarmou a entidade.

Mas a ajuda prometida não está chegando na ponta.

Novo marco
Está nas mãos de Giles Azevedo, chefe de gabinete da presidente Dilma, o marco regulatório da mineração.

Geólogo de formação e concursado do Departamento Nacional de Produção Mineral, Giles está comandando o debate dentro do governo sobre as novas regras do setor que atingem, principalmente, Minas Gerais e Pará.

Mensalão na telona
Um ministro do STF assistia ao filme "Lincoln", em Brasília. Quando os personagens falam em suborno para aprovar emenda do fim da escravidão, tascou: "isso me lembra o Delúbio!".

Cargos sem fim
A presidente Dilma vai se dedicar nos próximos dias a preencher cargos no Executivo e no Judiciário. Além da minirreforma ministerial, precisa indicar nomes para três agências reguladoras. Não houve ainda substituição dos irmãos Paulo e Rubens Vieira na ANA e na Anac, pegos na Operação Porto Seguro. A ANTT atua com três interinos.

Estão vagos três postos no STJ e um no STF.

Agora vai
O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), convidou os 27 governadores para reunião, dia 13 de março. Quer discutir o novo pacto federativo, porque o atual sistema de distribuição de recursos está "falido".

Virou piada
Nada como rir de si mesmo. Deputados e senadores peemedebistas não param de sugerir nomes do partido para o lugar do Papa Bento XVI nas redes sociais. Os senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL) lideram.

TUDO CERTO
Michel Temer será reconduzido à presidência do PMDB. Continuará licenciado e o vice, Valdir Raupp, seguirá no comando.

Fantasmas da seca - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 13/02

Relatório inédito do Ministério da Integração aponta indícios de fraude em cinco dos 14 lotes da transposição do São Francisco, principal obra do PAC no Nordeste e cuja realização está atrasada em cinco anos. O processo foi enviado ao TCU e ao Ministério Público Federal. A investigação teve início em maio de 2012, quando empreiteiras contratadas tentavam receber por serviços não realizados, incluindo desde escavações até a retirada de pedras de locais onde não havia canteiros.

Onde pega Foram listadas irregularidades nos lotes 1, 2, 9, 10 e 11. O pente-fino no lote 9 já foi finalizado. Os processos restantes serão averiguados pela Consultoria Jurídica do ministério até abril. A varredura não estimou o prejuízo aos cofres públicos. O cálculo caberá ao TCU.

Conluio Além da devolução de valores recebidos, as empreiteiras citadas poderão ser excluídas de concorrências públicas por até dois anos. O documento também acusa a empresa contratada pelo governo para fiscalizar a obra de acobertar as falhas.

Outro lado O ministério confirma as investigações, mas só irá se pronunciar após defesa das empresas, o que deverá ocorrer em um prazo de 15 dias. Os casos apurados são relativos ao período de março a dezembro de 2010.

Repaginado Pré-candidato ao governo do Rio, Luiz Fernando Pezão passa por série de procedimentos estéticos em preparação para o pleito. O vice de Sérgio Cabral emagreceu e fez tratamento dentário. Em março, usará as inserções do PMDB para se apresentar na TV.

Desagravo A despeito das críticas de seu partido a Roberto Gurgel, Domingos Dutra (PT-MA) atacou, na tribuna da Câmara, Fernando Collor (PTB-AL), algoz do Procurador-Geral da República. "Não creio que [Collor] tenha autoridade moral para questionar o Ministério Público".

Genuflexório O silêncio protocolar de governo de Dilma Rousseff sobre a renúncia de Bento 16 chamou a atenção de observadores da diplomacia internacional. Ontem, o Itamaraty emitiu nota oficial sobre os testes nucleares norte-coreanos, mas não se manifestou a respeito da mudança no Vaticano.

Número mágico O QG de Fernando Haddad trabalha com a perspectiva de conquistar 42 votos entre 55 possíveis para aprovação, com margem razoável de segurança, do pacote de projetos que o prefeito enviará à Câmara paulistana após a folia.

Vem comigo Para atingir a marca, os responsáveis pela articulação política do PT intensificarão o corpo a corpo com as bancadas independentes até a próxima semana. Espaço no governo e influência nas subprefeituras estão no "kit" de sedução.

Sabor do campo Candidata a assumir ministério na cota do PSD, a senadora Kátia Abreu (TO) exibiu nas redes sociais fotos de pamonhas que diz ter preparado com amigas em sua fazenda durante o feriado de Carnaval. "Ficou deliciosa: doce, salgada ou com pimenta."

Reação... Mesmo com a onda de ataques do crime organizado ganhando corpo em Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD) vê com reservas o envio de tropas da Força Nacional de Segurança ao Estado. Até ontem, 29 cidades haviam sido afetadas.

... em cadeia Aliados do governador dizem que os agentes federais são treinados para ações cirúrgicas em morros, confrontos de rua e tomada de posições. E que a gênese da crise catarinense está nos presídios. "O que nos ajudaria é apoio na inteligência policial", afirma um interlocutor de Colombo.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio
Lula não aceita ser papa porque já se acha Deus. E, como Terceira Pessoa da Trindade, pretende inspirar os cardeais no conclave.
DE JOSÉ HENRIQUE REIS LOBO (PSDB), ex-secretário do governo José Serra, relacionando a sucessão de Bento 16 à conduta do petista como ex-presidente.

contraponto


Direto ao ponto


Na semana passada, Dilma Rousseff recebeu congressistas do PR, fechando rodada de conversa com líderes do partido. Presente ao encontro, o deputado Anthony Garotinho (RJ) desandou a relembrar os tempos em que ele e a presidente eram filiados ao PDT, legenda de Leonel Brizola. Após alguns minutos do discurso do ex-governador do Rio, Alfredo Nascimento (AM), líder do Senado, interrompeu Garotinho.

Nascimento, presidente da sigla brincou:

-Ei, vamos parando por aqui porque até você chegar no PR vai acabar o nosso tempo com a presidente...

Vem aí um conclave inesquecível - ELIO GASPARI

O ESTADÃO - 13/02

É possível que se acabe a época de papados eurocêntricos que começou em 1978 com João Paulo II


Tudo o que se pode esperar da escolha do sucessor de Bento 16 é o fim de um Vaticano eurocêntrico. Desde que Karol Wojtyla tornou-se João Paulo 2º a Europa é o centro das atenções da Cúria. O papa polonês cumpriu uma fenomenal missão histórica ajudando a desmontar décadas de tolerância com as ditaduras comunistas. Seu sucessor teve um pontificado medíocre enrolado pela tolerância com escândalos sexuais e financeiros de sacerdotes. Um deles passou de raspão pelo Brasil, num trambique do namorado da atriz Anne Hathaway, sócio do sobrinho do atual decano do Colégio de Cardeais, o poderoso ex-secretário de Estado Angelo Sodano. A moça micou em US$ 135 mil e o rapaz foi preso nos Estados Unidos.

As dificuldades do Vaticano com suas finanças são antigas. Foi Pio 9º quem avisou: "Posso ser infalível, mas estou falido." Já os desempenhos sexuais de alguns sacerdotes, mesmo sendo coisa antiga, tornou-se uma encrenca recente, com a qual João Paulo 2º e Bento 16 nunca conseguiram lidar direito, envenenando a missão pastoral de dioceses europeias e americanas.

O eurocentrismo da Cúria Romana refletiu-se no Brasil. Durante o pontificado de Paulo 6º, Pindorama passou de dois para oito cardeais. Hoje tem cinco. Bento 16 deixou sem o barrete cardinalício as arquidioceses de Rio e Brasília. Porto Alegre teve cardeal e está sem. Recife, a primeira sé cardinalícia do país, está na segunda divisão desde os anos 60, quando a ditadura hostilizava d. Helder Câmara e não queria vê-lo cardeal. Se foi econômico com os barretes brasileiros, Bento 16 foi generoso aspergindo-os pela Europa. Elevou a diocese de Valência (800 mil habitantes), na Espanha, mas não confirmou o barrete de Porto Alegre (1,4 milhão de habitantes).

Quem especular o nome do sucessor de Ratzinger pode jogar cara ou coroa. Nos seis últimos conclaves elegeram-se três favoritos (Ratzinger, Paulo 6º e Pio 12) e três azarões (João Paulo 2º, João Paulo 1º e João 23, um gorducho que mal cabia nas vestes preparadas pelos alfaiates que trabalharam no conclave).

Pode-se esperar que depois de um papa saído da academia de teólogos e da burocracia de Roma, venha um pastor, como os dois João Paulo e João 23. Um administrador de diocese do Terceiro Mundo uniria o útil ao agradável. É assim que entra nas listas, com um sopro romano, o cardeal de São Paulo, d. Odilo Scherer, pastor de uma das maiores arquidioceses do mundo. Aos 63 anos, teria um longo pontificado. Ele tem uma característica anfíbia. É brasileiro, mas, como quatro outros cardeais brasileiros (Cláudio Hummes, Paulo Evaristo Arns, Aloísio Lorscheider e Vicente Scherer, seu parente distante), descende da imigração alemã. A mola mestra da eleição dos dois últimos papas foi a capacidade de articulação da hierarquia alemã.

D. Odilo lidera a facção conservadora do clero brasileiro, derrotada na última eleição da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e nas eleições gerais em que se meteu. Para consumo mundial, preenche o requisito de um papa do Terceiro Mundo, condição só superável pela escolha de um africano como Francis Arinze, de Lagos, na Nigéria. Mais que africano, Arinze tem 80 anos e passou 25 em Roma. Seria um papa de transição.

Com uma eleição marcada para o fim de março e um papa vivo, vem aí um conclave inesquecível.

As cartas nas mangas no pôquer do poder - JOSÉ NEUMANNE

O ESTADÃO - 13/02

As circunstâncias que cercaram a eleição e a posse de Renan Calheiros na presidência do Senado e de Henrique Eduardo Alves na da Câmara e a eventual diferença entre o que este disse a seus pares e depois aparentemente, e só aparentemente, contradisse à imprensa à saída do Supremo Tribunal Federal (STF) exibem cartas escondidas nas mangas dos poderosos da República. E a verdade que não quer calar se impõe: os políticos, especialmente os detentores de mandatos parlamentares, não abrem mão de uma prerrogativa que acham inerente à própria condição no Estado Democrático de Direito à brasileira - a de estarem acima da lei que eles mesmos aprovam e serem mais iguais do que os outros cidadãos perante a dita-cuja.

Desde a promulgação da Constituição de 1988 foi-se adotando a regra consuetudinária e nunca explicitada de que os políticos profissionais se arrogam o direito de gozar privilégios negados ao zé-ninguém do populacho. Até o histórico julgamento pelo STF do escândalo do mensalão, o grupo que se assenhoreou do poder sob as barbas do profeta Lulinha Paz e Amor deixou claro que se sentia no direito consagrado por Deus e pelo Partido dos Trabalhadores (PT) de praticar um crime contábil, o caixa 2, pelo simples fato de que os adversários também o cometiam impunemente. Era algo similar à declaração de inocência de um assassino confesso sob o argumento de que desde o fratricida bíblico Caim inúmeros homicidas não foram punidos pelo delito.

Não são lanas caprinas a obviedade de que o apelo ao crime menor era um jeitinho à brasileira para gozar a prescrição num costume ancestral de processos prolongados por infinitas apelações de plena defesa. No entanto, no julgamento, alguns ministros do STF, com destaque para Cármen Lúcia, não deixaram de reclamar do acinte cínico de quem apelava para o falacioso caixa 2 e declarar que crime é crime e não pode ficar sem punição. No mensalão, o Judiciário acabou por jogar no lixo a pretensão estapafúrdia dos políticos da licença para delinquir.

Ao longo da mais desastrada gestão na presidência da Câmara dos Deputados da História, Marco Maia (PT-RS) fez coro às reclamações dos mandatários mensaleiros condenados contra a "indevida" interferência do Supremo na decisão de cassar, ou não, seus mandatos, cabendo a decisão, a seu ver, aos colegas. A ideia de que o Parlamento é um clube fechado em que os sócios se reservam o direito de dar bolas brancas, vermelhas ou pretas a sócios forçados a deixar seu convívio por condenações judiciais dá bem uma ideia da democracia extravagante que nossos representantes no Congresso têm do exercício dessa representação. Teria Henriquinho a avalizado ao reivindicar a "última palavra" no caso?

Sim e não. De fato, como lembrou com clarividência o ministro do STF Gilmar Mendes, o Supremo é que condena e cassa, cabendo à Câmara providenciar o afastamento dos membros condenados, et pour cause, impedidos de exercer mandato de representação popular. Então, o novo presidente não mentiu aos pares ao lhes atribuir a "última palavra" nem ao presidente do Supremo e relator do mensalão, Joaquim Barbosa, ao negar qualquer tentativa de não dar provimento à decisão judicial em última instância, quando ela for tomada (ainda falta julgar recursos). Com o devido respeito, seria o caso de usar aqui o estratagema do marido que diz ter sempre a última palavra em casa. E ela é: "Sim, senhora". A eventualidade do atrito entre Poderes resultou de açodamento de quem a noticiou.

Henriquinho não desafiou a Justiça, mas os colegas que o elegeram, como os que sufragaram Renan Calheiros no Senado, passaram um recado mais preocupante à Nação: o de que se dispõem a usar os mandatos de representação como se fossem cartas brancas, sem dar a mínima para eventuais queixas da sociedade por suas escolhas. As denúncias contra ambos contrastadas com as margens da vitória afastam dúvidas quanto a isso.

Renan deu-se ao luxo de apresentar a candidatura à undécima hora e Henriquinho se fez de vítima, ajudado pelo surgimento de um dossiê anônimo reunindo acusações que todos os votantes já conheciam, porque foram tiradas do noticiário impresso dos dias anteriores. Tal noticiário expõe a hipocrisia do Poder Executivo, que ao longo do processo de escolha dos dignitários fez prosperarem indícios de que preferia candidatos de currículo menos polêmico na linha sucessória da presidente da República. Talvez seja mais fácil acreditar que o PT blefa no pôquer do poder com duas cartas: ou aproveita as denúncias para enfraquecer os interlocutores na presidência das duas Casas do Congresso ou espera que as denúncias os arranquem das cadeiras. Nesta hipótese, dois companheiros ascenderiam aos postos: André Vargas (PT-PR), da tropa de choque de José Dirceu, e Jorge Vianna (PT-AC), irmão de Tião, que há cinco anos ascendeu ao posto de Renan, vergado este ao peso do "denunciômetro".

Papel ainda mais hipócrita - e no caso, ridículo - foi feito pelos opositores. O senador Aécio Neves (PSDB-MG), tido e havido como a bola de vez da oposição para evitar a reeleição de Dilma Rousseff, rompeu sua longa ausência da tribuna para fazer um apelo aos correligionários tucanos para que não optassem por Renan. Ou discursou para os anais sem contar com as consequências de suas palavras vazias, sendo sonso, ou, de tão ausente na obrigação de liderar o dissenso na Casa, ninguém lhe deu atenção alguma, fazendo ele as vezes de bobo da Corte.

Com Dilma dando prioridade à reeleição sobre a gestão e a oposição fingindo se fingir de morta para evitar que se perceba que já morreu e se esqueceram de enterrá-la, segue o País à deriva. Resta à cidadania confiar em que mais uma vez o único Poder que não escolhe, o Judiciário, consiga impor-se sobre as tentativas que na certa o Legislativo fará para adiar o quanto for possível a inevitável cassação dos quatro congressistas condenados por corrupção e formação de quadrilha.

Taxa de juros fica onde está - CRISTIANO ROMERO

VALOR ECONÔMICO - 13/02

Desde que ficou claro que o Banco Central (BC) não usaria, por um bom tempo, a taxa básica de juros (Selic) para combater a inflação, o mercado passou a entender que o câmbio passaria a ser o instrumento usado com essa finalidade, uma vez que o terceiro recurso (o controle da demanda agregada via redução dos gastos públicos) foi abandonado em 2012 e neste ano. O BC reforçou essa percepção entre o início de dezembro, quando atuou de forma firme no mercado para tirar a cotação do dólar do patamar de R$ 2,13, e o fim de janeiro, quando voltou a intervir, desta vez, para apreciar a taxa um pouco mais e estabelecer um "equilíbrio" em torno de R$ 2.

Na semana passada, o presidente do BC, Alexandre Tombini, achou por bem prestar alguns esclarecimentos após o anúncio, pelo IBGE, da inflação de janeiro, que ficou em 0,86%, o maior índice para janeiro desde 2003. De fato, seria desaconselhável que, divulgado o avanço do IPCA, a autoridade monetária se calasse.

Com declarações à imprensa, Tombini procurou coordenar expectativas. Reconheceu o desconforto do BC com uma inflação que, em 12 meses, chegou a 6,15%, valor perigosamente próximo do teto da banda (6,5%), e sinalizou que "está avaliando tudo" ao seu alcance para enfrentar o problema. O mercado entendeu que o Comitê de Política Monetária (Copom) pode elevar a taxa Selic antes do esperado.

Para BC, taxa de equilíbrio do câmbio está em torno de R$ 2

De fato, Tombini teve a intenção de transmitir uma mensagem forte para corrigir a percepção, disseminada nas ruas, de que o BC, pressionado politicamente pelo Palácio do Planalto, está disposto a correr riscos no front inflacionário. O presidente do BC tentou deixar claro que não.

Apesar disso, a estratégia não mudou. Vale o que está na ata da última reunião do Copom: a Selic, que está em 7,25% ao ano, ficará estável por um período "suficientemente prolongado". O Comitê julga que não faz sentido elevar os juros com o Produto Interno Bruto (PIB) rodando bem abaixo do potencial. Promover um aperto monetário agora poderia abortar uma ainda incipiente recuperação da atividade.

Nos cálculos do BC, a inflação em 12 meses recua no segundo semestre, mas antes vai subir mais pouco mais. Convergência à meta no terceiro trimestre está descartada, conforme apurou a jornalista Angela Bittencourt, do Valor. Mas o BC atuará, nesta fase mais difícil, para melhorar as expectativas.

O câmbio ajuda. Depois de sofrer depreciação de 30% entre setembro de 2011 e setembro de 2012, apreciou mais de 6% desde o início de dezembro, quando o BC decidiu interromper a escalada do dólar e acabar com a expectativa de que a taxa iria a R$ 2,30 ou R$ 2,40. A apreciação dos últimos dois meses foi resultado das intervenções da autoridade no mercado.

O jogo é combinado. Para não pressionar ainda mais a inflação, o governo aumentou a gasolina abaixo do que vinha pedindo a PETROBRAS, mas a apreciação do câmbio diminuiu a defasagem dos preços dos combustíveis. O efeito combinado de reajuste com real mais valorizado impulsiona os investimentos da estatal, que, desta forma, dá sua contribuição para o crescimento do PIB. Com a apreciação do câmbio, as importações ficam mais baratas e o Banco Central tem uma ajuda importante para segurar os preços domésticos.

A PETROBRAS vinha pedindo há tempos autorização para reajustar a gasolina. No debate interno, o BC sempre alegou que a gasolina no Brasil é a mais cara da América Latina e que o ideal seria trabalhar os fatores que provocam uma diferença considerável entre o preço na bomba, para o consumidor, e o preço na refinaria. Enquanto este está abaixo dos valores internacionais, o da bomba é altíssimo.

Importadora de óleo diesel, gasolina e PETRÓLEO leve (mais caro), a PETROBRAS sofreu impactos negativos com a maxidesvalorização do real em 2011 e 2012. A defasagem dos preços estava custando a seus cofres prejuízo mensal estimado em R$ 1,8 bilhão, segundo apurou o repórter Fernando Torres, do Valor. Isso certamente diminuiu a capacidade de investimento da estatal, que responde sozinha por cerca de 8% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) do país.

A taxa de investimento da economia, medida pela FBCF, isto é, pela compra de máquinas e equipamentos e pelos gastos com construção, está em queda há cinco trimestres. O reforço de caixa da PETROBRAS pode ser, portanto, um alento nessa área, dada a sua participação na FBCF.

Economistas da Ibiúna Investimentos estimam que, após o reajuste autorizado há duas semanas, a defasagem do preço da gasolina caiu para 7,5%. Se a taxa de câmbio continuasse apreciando, quando chegasse a R$ 1,90, a diferença cairia para 2,6%. Se caísse para R$ 1,85, hipótese neste momento improvável, a defasagem desapareceria.

O BC foi informado antes do percentual de reajuste da gasolina. Tanto que divulgou o percentual (aproximado para 5%) na última ata do Copom, antes do anúncio oficial do reajuste. O BC ficou sabendo antes também que o corte da tarifa de energia seria maior (de 18%, em média) que o previsto inicialmente. Precisava dessas informações para sinalizar, na ata, que as pressões inflacionárias seriam enfrentadas.

Resumindo o enredo, temos que o BC "concordou" com o reajuste da gasolina, mas convenceu o Palácio do Planalto a não autorizar o reajuste solicitado (15%). Em troca, o governo concordou com uma certa apreciação da taxa de câmbio, o que, por sua vez, ajudou a diminuir a defasagem dos preços dos combustíveis, beneficiando a PETROBRAS e o investimento.

O pano de fundo de toda essa trama é: a taxa de juros baixa, uma das principais bandeiras políticas da presidente Dilma Rousseff, continuará na mínima histórica. Até quando? Por um bom tempo.

A taxa de câmbio já se moveu. Caiu de R$ 2,13 (pico de 2012) para R$ 1,97 na sexta-feira passada. A tendência é que fique em torno de R$ 2. Sempre que houver movimentos bruscos para cima ou para baixo, o BC atuará. Mas uma coisa é certa: neste momento, a política de desvalorização deliberada do real para ajudar a indústria está suspensa. A prioridade neste momento é conter a inflação.


MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 13/02


Argentina reduz compra de eletrônicos do Brasil
Enquanto as exportações brasileiras da indústria eletrônica para a Argentina decrescem, as vendas para os Estados Unidos caminham na direção contrária, segundo a Abinee (associação do setor).

Tradicional parceira comercial do Brasil no setor, a Argentina reduziu em mais de 18% suas compras de eletroeletrônicos no ano passado em relação a 2011.

O país ganhou independência em relação ao mercado brasileiro nos últimos anos no segmento de aparelhos celulares, de acordo com Humberto Barbato, presidente da entidade.

"Eles fizeram um esforço nessa área e desenvolveram a indústria", afirma.

Na contramão, as aquisições norte-americanas tiveram alta de 32% na mesma base de comparação.

As vendas do setor aos Estados Unidos somaram US$ 1,59 bilhão no ano passado. Para a Argentina, ficaram em US$ 1,61 bilhão.

A tendência, segundo a entidade, é que os Estados Unidos resgatem a posição de principais compradores estrangeiros do setor, situação que não ocorria desde 2006.

A participação norte-americana no total das exportações do setor eletroeletrônico do Brasil subiu de 14,7% para 20,6%, enquanto a argentina recuou de 24,3% para 20,9%, segundo o levantamento da entidade.

"Os Estados Unidos apenas retomaram uma posição normal nos negócios de outros equipamentos que resgataram a competitividade devido a alterações no câmbio e desoneração na folha de pagamento", diz Barbato.

Peso... A Protege, empresa especializada em segurança, desenvolveu um novo modelo de carro-forte. Chamado de "jipe-forte", o veículo está em fase de testes.

...leve Enquanto o carro-forte convencional pesa entre 5.800 quilos e 7.300 quilos, o novo modelo terá 3.800 quilos. O comprimento cai de 5,3 metros para 4,78 metros.

FERMENTO NO PRATO
Com 39 lojas no país atualmente, a rede de fast-food Seletti Culinária Saudável pretende chegar a 50 unidades no final deste ano.

O projeto inclui praças onde a empresa ainda não está presente, no Sul e no Centro-Oeste.

A rede, que atua com lojas em shoppings, desenvolveu um modelo compacto, que dará suporte à expansão.

"Vamos levar o formato para lugares como postos de gasolina, academias, universidades e hospitais", afirma Luis Felipe Campos, sócio-diretor da Seletti.

Para 2014, a meta é acelerar o processo com a abertura de lojas de rua.

"Esse é um projeto que já está em estudo, mas ainda não podemos calcular o volume", afirma o empresário.


FLÁVIA OLIVEIRA - NEGÓCIOS & CIA

O GLOBO - 13/02


TEM GRINGO NOS CURSOS MBA DO BRASIL
De olho no mercado de trabalho local, estrangeiros estudam até o “jeitinho” de negociar

Uma leva de estrangeiros interessados em conquistar o mercado brasileiro anda desembarcando nas escolas de negócios do país. Eles vêm em busca de oportunidades de trabalho, mais abundantes que nas economias desenvolvidas, mesmo com PIB modesto de 2012. Só a Fundação Dom Cabral, com unidades em Minas e São Paulo, recebeu 1.400 alunos do exterior em 2012. Nas duas escolas de negócios da Fundação Getulio Vargas (FGV), chegaram 364, alta de 29% sobre 2011. Sozinha, a unidade carioca registrou salto de 62%. O Rio chama a atenção pela concentração de investimentos em óleo e gás. Não por acaso, a unidade que a Dom Cabral inaugura no Rio, em abril, terá pós-graduação voltada ao setor. Além disso, terá o 1º programa Learning Journey, no qual cerca de 20 executivos do MBA da suíça Saint Gallen virão ao país para aprender o “jeitinho brasileiro” de negociar. Aluno da École de Management Strasbourg, o francês Maxime Furst está há três meses no Ibmec Rio estudando marketing de serviços e a tal habilidade local. Vai ficar mais seis. Seu projeto é entender as diferenças do varejo da França e do Brasil. “Do atendimento à organização, tudo é diferente. As empresas francesas vão precisar se adaptar, se quiserem fazer negócios no Brasil”, diz. Ano passado, o Ibmec teve 40 estrangeiros em seus cursos de MBAs.

+450% ALUNOS DE FORA
Foi este o salto registrado pela Coppead/UFRJ nos últimos oito anos. Só no biênio 2011-2012, a alta foi de 30%. Franceses, italianos, espanhóis, alemães, russos e indianos lideram a demanda.

CAPITAL DO RESSEGURO
Saiu o projeto do Centro Internacional de Resseguros, na Cinelândia. Quem assina é o escritório Arq&Urb. O complexo, de 17 andares, terá 50 resseguradoras, salas e lojas. Fica pronto em 2014. É parceria de Jones Lang LaSalle, Rio Negócios e Fenaber. O Opportunity elaborou a proposta.

MAIS SAÚDE
O Grupo Memorial vai investir R$ 40 milhões em complexo de saúde no Engenho de Dentro, no Rio. Terá hospital e centros de pesquisas e de estudos. Serão, ao todo, 300 leitos, 20 salas de cirurgia e capacidade para 500 mil exames mensais. O grupo é dono de sete hospitais e 31 clínicas.

Quem vem
Os americanos Jorge Pérez e Stephen Ross, fundadores das empresas Related, do setor imobiliário, passaram o carnaval no Rio. Curtiram a folia, mas estão de olho no mercado carioca. Prometem anunciar investimento na cidade em breve. Nos EUA, têm projetos de US$ 20 bi.

Óleo e gás
A Tridimensional fez parceria tecnológica com a inglesa DPS. Vai construir separadores de óleo e gás compactos para plataformas da Bacia de Campos. A brasileira faturou R$ 100 milhões em 2012. Quer bater R$ 120 milhões este ano.

Ir e vir
A Coppe/UFRJ assinou convênio com a Oi. Juntas, vão mapear deslocamentos de moradores da Região Metropolitana do Rio. A operadora vai entender melhor o comportamento dos clientes. O setor público terá dados para políticas em transporte e até em saúde.

Remédio
Coppead/UFRJ e Fidelize serão parceiras em estudo sobre o setor farmacêutico. A empresa de TI vai bancar dois anos de pesquisas em trade marketing.

Inovador
A Faperj investiu R$ 120 mil em projeto de cabide para pessoas portadoras de deficiência visual. Vem com chip que grava o modelo da roupa. Instituições do Rio e SP receberão amostras.

Popular
A Cury Construtora lançou 30% dos empreendimentos do programa Minha Casa Minha Vida na Região Metropolitana do Rio, ano passado. Foram 1.670 unidades, com valor de vendas de R$ 220 milhões.

Foi alta de quase 60% sobre 2011, quando levou R$ 140 milhões por 1.100 unidades.

De luxo
A JTavares fechou parceria com a Keller Williams, dos EUA. Venderá por aqui imóveis em Miami com preço superior a US$ 1 milhão.

Os brasileiros são hoje os estrangeiros que mais compram unidades de alto padrão na cidade americana. A consultoria imobiliária prevê faturar 20% mais.

É doce 1
O mercado de chicletes e balas fechou agora os dados de 2011. Pela primeira vez, bateu R$10 bilhões em faturamento. A consultoria Mintel estima R$ 10,8 bi em 2012.O preço médio atingiu R$ 44 por quilo. Subiu 23% no período 2007-2011.

É doce 2
A quantidade vendida se manteve estável nos quatro anos. Já o faturamento cresceu 27%. “Com a renda melhor, o brasileiro passou a comprar produtos mais caros. Também impactou a alta de quase 100% do açúcar”, diz Jean Manuel Gonçalves, analista sênior de alimentos da Mintel.

É Páscoa
A rede Walmart espera elevar em 20% a venda de produtos típicos da Páscoa este ano. Avarejista comercializa 350 tipos de ovos de chocolate.

Café
A rede de franquias Fran’s Café faturou R$ 130 milhões no ano passado. Foi aumento de 18% sobre 2011. Com 148 lojas no país, quer chegar a 185 até dezembro. Os alvos são as regiões Centro-Oeste e Sul, onde serão abertas 20 unidades até o fim de 2013.

Hambúrguer
O Joe & Leo’s bateu R$ 18 milhões em receitas em 2012, desempenho 15% melhor que no ano anterior. Vendeu 6,8 toneladas de hambúrgueres. Credita o bom resultado às ações pelos 18 anos da rede. Prevê alta de 15% nas vendas neste 1º semestre no Rio.

Triste papel - EDITORIAL GAZETA DO POVO - PR

GAZETA DO POVO - PR - 13/02

Se Guido Mantega não for percebido como alguém que conhece sua área, suas palavras não serão tomadas como informação útil para orientar as decisões empresariais


Há uma crença geral de que quem manda de fato na política econômica e dá as ordens é a presidente Dilma Rousseff e não o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Além da personalidade forte e autoritária, a presidente tem instrução formal em Economia e sua vocação maior é para a gestão cotidiana do governo, e não para os tratos políticos. Até aí, nada de errado com o fato de a presidente concentrar as grandes decisões estratégicas do governo, sobretudo as de ordem econômica, em suas mãos – pois, afinal de contas, ela foi eleita e é a responsável maior pelos resultados.

Porém, sendo o governo muito grande e as tarefas, variadas e complexas, é desejável que cada ministro tenha mais conhecimento de sua área que o presidente da República, além de ser o formulador das soluções e atuar como um assessor do primeiro mandatário nas escolhas feitas pelo governo. Na área da economia, não é isso que acontece. O ministro da Fazenda parece mais um mensageiro de análises, dados e informações produzidos por sua assessoria a fim de que a presidente examine e decida, cabendo a ele o papel de divulgar, defender e implementar, mas jamais decidir.

O ministro da Fazenda dirige a mais importante área da administração pública pela importância que a economia tem para o sucesso ou fracasso do governo, razão por que o ocupante desse cargo deve ser um especialista nos assuntos pertinentes e deve ter credibilidade nacional e internacional. Não pode ser um executivo qualquer, um tarefereiro sem ideias e de poucas luzes intelectuais. É óbvio que o ministro deve ser disciplinado e seguir as diretrizes do presidente, mas ele deve ser, também, portador de ideias, conceitos e propostas capazes de iluminar as decisões do governo e, inclusive, alertar para os erros e as medidas prejudiciais à economia.

É notório que o ministro Mantega é esforçado, tem passado ileso em relação a denúncias de corrupção – apesar de alguns escorregões, como foi o caso de uma indicação sua para a presidência da Casa da Moeda (o indicado se envolveu em supostas fraudes) –, é uma figura simpática e transita bem no governo. Porém, além de não apresentar ideias e não deixar clara qual sua linha de pensamento, o ministro vive se contradizendo e criando dúvidas em relação à política econômica, deixando os agentes de mercado sem saber qual, afinal, será o caminho do governo.

Um exemplo do mau papel que o ministro vem desempenhando está em suas declarações sobre a política cambial. Ora ele diz que o governo trabalhará para elevar o preço do dólar, a fim de evitar a desindustrialização e a perda de competitividade dos exportadores; ora dá indicações em sentido contrário, a ponto de analistas internacionais terem manifestado dúvidas sobre suas declarações ambíguas. Outra área em que o ministro vem desmoralizando suas próprias palavras é a das previsões econômicas. O caso mais vexatório foi a insistência com que ele declarou por diversas vezes que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceria 4% em 2012, quando empresários e analistas sabiam que esse número não passaria de 2%. O resultado foi pior e ficou em apenas 1%.

Ainda outro exemplo são as explicações estapafúrdias para as manipulações contábeis das contas feitas para fechar 2012. Com a enorme reação negativa interna e externa, era de esperar que o ministro recuasse e orientasse a presidente Dilma para não mais repetir manipulações similares. Estranhamente, o ministro continuou defendendo as manobras e voltou a repeti-las, avisando que excluirá as desonerações tributárias do cálculo do superávit primário.

Se continuar nessa linha, o ministro da Fazenda terá de amargar a corrosão de sua credibilidade como interlocutor dos setores produtivos e dos investidores. Ele tem a simpatia de seus interlocutores, é uma pessoa tratável e disposta a dialogar. Infelizmente, esse aspecto formal do relacionamento de uma autoridade com os representantes da economia não basta para que as coisas andem bem. Se o dirigente não for percebido como alguém que conhece sua área e com prestígio perante o chefe maior da nação, suas palavras não serão tomadas como informação útil para orientar as decisões empresariais. Perde o ministro e perde o país.

É preciso cuidar da Petrobrás - ADRIANO PIRES

O ESTADÃO - 13/02

O ano de 2012 para a Petrobrás deve ser registrado para não ser repetido. A produção de petróleo caiu 2,3%; o lucro, 36%; o Ebitda, 14%; e a empresa chegou a registrar prejuízo de R$ 1,35 bilhão no 2.º trimestre. A situação difícil é resultado de anos de interferência governamental na empresa. O governo do PT usou e abusou da Petrobrás - na prática, privatizou a empresa em seu benefício próprio, transformando-a em instrumento de política econômica, de política industrial e de política partidária. Esta foi a 4.ª vez em que o lucro da empresa apresentou queda no governo do PT (2004, 2007 e 2009), e foi o pior resultado desde 2004. Aliás, 2012 guarda semelhança com 2004, quando a produção de petróleo também apresentou queda de 3,1%. É importante chamar a atenção: a deterioração observada deu-se num ambiente que seria considerado um cenário perfeito para qualquer empresa petrolífera, com preço do petróleo alto, demanda por derivados crescente e quase monopólio do mercado.

O principal motivo para o péssimo resultado da empresa em 2012 foi o controle dos preços dos combustíveis, que os manteve fortemente defasados em relação ao mercado internacional. Num ambiente de forte crescimento da demanda, a Petrobrás se viu obrigada a elevar vigorosamente suas importações de gasolina e diesel, ocasionando um prejuízo de R$ 34,2 bilhões na área de abastecimento. De fato, o prejuízo dessa área cresceu 136% em relação ao ano de 2011. Aumentos de custos, baixa de poços secos e a estagnação da produção, tanto doméstica quanto internacional, foram outros fatores determinantes do frustrante resultado operacional.

O resultado de 2012 só não foi pior por causa de R$ 2,6 bilhões em receitas financeiras, oriundas de operações contábeis com títulos públicos e reconhecimento de juros de depósitos judiciais. Esse é o famoso jeitinho brasileiro, que tem sido muito utilizado pela equipe econômica.

Com a piora da geração de caixa da empresa e o efeito da desvalorização cambial sobre a dívida, a relação dívida líquida/Ebitda elevou-se para 2,77 (em 2011 a relação era de 1,66), fato que pode provocar um futuro rebaixamento da classificação de risco da empresa, o que dificultaria e encareceria, ainda mais, o financiamento. Essa questão se torna ainda mais grave quando se leva em consideração a necessidade de caixa da empresa para fazer face aos investimentos dos próximos anos, em particular a produção no pré-sal.

Aparentemente, a empresa pretende elevar seu caixa e financiar seus investimentos à custa do acionista minoritário, por meio da diminuição do pagamento de dividendos, o que representa um retrocesso de governança. Pela primeira vez o dividendo dos papéis ON será muito menor do que o dos PN, R$ 0,47 e R$ 0,96 por ação, respectivamente.

Para 2013, as perspectivas também não são nada boas. Após o aumento insuficiente no preço da gasolina e do diesel concedido no final de janeiro, não há expectativa de novo reajuste por causa das preocupações com a inflação e da proximidade do período das eleições presidenciais. A manutenção da política de preços domésticos controlados e defasados da gasolina e do diesel se dará num contexto de aumento da demanda doméstica e elevação do preço do petróleo no mercado internacional em razão da recuperação econômica americana. Ou seja, os problemas de geração de caixa continuarão se agravando.

A presidente da Petrobrás procurou não dar falsas esperanças ao mercado ao declarar que 2013 será um ano difícil, com baixas de poços secos equivalentes às de 2012 e queda na produção por causa da necessidade de manutenção das plataformas, o que reforça a ideia de que há um longo trabalho para consertar as falhas de gestão dos últimos dez anos. Boas notícias, quem sabe, só em 2014. Mas, como a Petrobrás é um transatlântico, e, portanto, a mudança de rota é lenta, o mais provável é que a estatal só volte a encontrar os caminhos da eficiência e da lucratividade em 2016. Isso se o acionista majoritário passar a respeitar os interesses dos minoritários.

Teoria gravitacional da inflação - ALEXANDRE SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 13/02

Redução dos juros é uma bandeira eleitoral e, com pleito próximo, alta forte da taxa Selic é improvável


O IBGE registrou em janeiro a inflação mais elevada para o mês desde 2003, 0,86%. O número é alto, mas sua análise revela características ainda mais inquietantes.

Nada menos do que 75% dos itens pesquisados registraram aumento de preços em janeiro, também a maior proporção observada desde 2003, sugerindo que -ao contrário da história oficial- a aceleração da inflação não está ligada à evolução de uns poucos preços, mas se trata de fenômeno disseminado.

Além disso, as medidas de inflação que buscam atenuar os movimentos exagerados de preços (os chamados "núcleos" da inflação) também alcançaram níveis recordes para o mês.

Registre-se, por fim, que o mau desempenho ocorreu a despeito do apelo patético feito aos prefeitos de grandes capitais para que adiassem a elevação das passagens de ônibus, assim como da antecipação da redução das tarifas de energia. Sem tais manobras, a encrenca seria ainda maior.

Há, é bom que se diga, um tanto de sazonalidade na história: a inflação mensal é, em geral, mais alta no começo e no final do ano e perde força no período de maio a julho.

Seria, portanto, despropositado tomar o resultado do mês de janeiro como valor representativo do que nos espera ao longo de 2013. Ainda assim, a inflação medida em 12 meses (portanto livre de sazonalidade) superou os 6%, sacudindo, aparentemente, o torpor que tem caracterizado a atuação do Banco Central nos últimos anos, a ponto de o organismo admitir, embora com ressalvas, preocupação com a evolução da inflação "no curto prazo".

Foi o que bastou para que o mercado passasse a questionar a estratégia (com o perdão da palavra) anti-inflacionária do Banco Central. É sabido que este não revela a menor intenção de alterar a taxa de juros "por um período de tempo suficientemente prolongado".

À luz, porém, da aceleração inflacionária e do aparente desconforto do Banco Central com tal situação, já há quem aposte na possibilidade de que a promessa de estabilidade da taxa Selic se mostre impossível de ser mantida, pelo menos por um período tão longo quanto o prometido pelo Copom.

Não por outro motivo as taxas de juros futuros se elevaram, incorporando uma probabilidade mais alta de o Banco Central ser obrigado a retomar uma posição mais ativa na condução da política monetária, condizente com o que se espera de uma instituição minimamente comprometida com a estabilidade de preços.

Em momentos como este é que se espera que um economista diga a que veio, isto é, se haverá (ou não) aumento das taxas de juros neste ano, contrariando o consenso da profissão, que ainda aponta para estabilidade da Selic até dezembro de 2013.

Por mais que me desagrade repetir o consenso, desta vez me parece mais provável que o BC mantenha a Selic inalterada.

De qualquer forma, mesmo que, em cenário mais remoto, o BC venha a elevar as taxas de juros, creio que não o fará (como não o fez) em intensidade suficiente para domar o processo inflacionário, ainda mais considerando a proximidade com o ciclo eleitoral.

A verdade é que a definição da taxa Selic, que deveria ser um instrumento para controlar a inflação, tornou-se um objetivo de política econômica e, mais que isso, uma bandeira eleitoral.

Em tais circunstâncias o Banco Central enfrenta obstáculos consideráveis à sua autonomia, como a redução dos juros em meio à aceleração inflacionária permite inferir.

É mais provável que o governo lide com a inflação da forma como tem feito nos últimos tempos, ou seja, por meio de reduções pontuais de tributos, adiando o momento de encontro com o teto da meta (6,5%), sem tratar, porém, das causas fundamentais do problema.

Não há, porém, como trazer a taxa de inflação de volta à meta sem uma verdadeira estratégia de política monetária, apenas alívios temporários, que não mudam a tendência central do processo. Inflação não volta à meta por gravidade, nem por torcida; somente quando o Banco Central faz o seu trabalho de forma consistente.

Carnaval da surpresa - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 13/02

A gente pensa que todo carnaval vai ser uma pasmaceira: notícias sobre o desfile das escolas de samba - mais as do Rio que as de São Paulo. Informações sobre os blocos, orientações sobre a volta de quem viajou, e as notícias que alguns heroicos plantonistas nos jornais descolam. E aí aparece o inesperado: a renúncia do Papa. Foi um carnaval histórico, e não pelos motivos que se espera.

O papa, que ainda não se sabe quem é, e cujo nome sairá só quando houver uma fumaça branca nos céus de Roma, visitará o Brasil em junho. Não é um espanto? Nem foi escolhido e já se sabe que estamos bem no comecinho da fila dos compromissos papais, na Jornada Mundial de Juventude.

Então, para quem descrê do inesperado no jornalismo, ele está aí fazendo mais um dos seus milagres. A quarta-feira de cinzas, normalmente, é dia de noticiar o resultado do desfile de São Paulo, falar da expectativa para o resultado do sambódromo e contar as piadas de sempre sobre o fato de que agora sim o ano vai começar. Mas, nesta quarta, tem ainda novas especulações vindas diretamente de Roma e informações de que o presidente Obama decidiu tirar 34 mil dos 66 mil soldados do Afeganistão no prazo de um ano. É o desembarque, afinal.

O papa teve um pontificado breve, se comparado ao de João Paulo II, mas não tão breve. Afinal, sete anos, dez meses e dez dias representam quase dois mandatos presidenciais no Brasil e nos Estados Unidos.

As análises dos especialistas são de que ele estava dando sinais de cansaço, de que não exercia o poder com gosto, porque prefere seus estudos e trabalhos intelectuais. O que é uma colunista de economia para negar as variáveis dessa equação religiosa? Mas o cardeal Ratzinger sempre esteve próximo do poder, sempre o exerceu mesmo antes do pontificado, nunca foi o intelectual desapegado que alguns analistas o apresentam. Ele certamente tentará exercer sua influência na escolha do sucessor.

O pontificado é diferente de qualquer outro poder. É mais do que um líder religioso e diferente de um chefe de Estado; apesar de ser os dois ao mesmo tempo e ter os seus mais de um bilhão de seguidores espalhados por vários países. Se o de João Paulo II foi o de intensas viagens pelo mundo para tentar usar sua inegável capacidade de comunicação e seu carisma na luta contra a tendência de redução do número de fieis, o de Bento XVI foi introduzido como sendo uma afirmação do setor mais conservador da Igreja.

Os vaticanólogos tentam dizer que o inesperado era bem previsível, mas na verdade foi espantosa a notícia da segunda de carnaval. Entre os fatos lembrados como fonte do desgosto papal está o vazamento da sua correspondência, cujo culpado foi seu mordomo; e a insuficiente reação ao mais forte desafio da Igreja que são as sucessivas denúncias de pedofilia. Há os que garantem haver mesmo sinais de problemas de saúde, o que aos 85 anos parecem bem prováveis. E há até quem fale da reação ao ajuste no orçamento do Vaticano, que foi feito com mão de ferro através da revisão de contratos de fornecimento, gestão e construção da cidade-Estado. Essas revisões teriam transformado déficit em superávit, mas desagradado muito os que aceitavam os altos preços cobrados pelos fornecedores. O autor da façanha fiscal, o arcebispo Carlo Maria Viganò - sonho de várias ordens econômicas - acabou sendo enviado para longe de Roma. Foi ser embaixador do Vaticano nos Estados Unidos. Poderia até ser convocado pela burocracia do país no qual serve, mas no orçamento dos EUA não há santo que dê jeito.

Uma das formas de reduzir o gasto americano será certamente reduzir a máquina de guerra. O que o presidente Barack Obama decidiu anunciar no Estado da União, o discurso anual no Congresso, é um passo tardio e insuficiente para reduzir uma das fontes da ruína do orçamento do país.

Para uma colunista que tem que escrever até na terça-feira gorda não posso me queixar deste carnaval. Desta vez, não tive que falar de mais um erro da política econômica. E se fosse falar do Brasil, esta coluna poderia se debruçar sobre mais um inesperado: já atingiu 1% do eleitorado o movimento popular de assinaturas pelo impeachment do presidente do Senado. Uma coisa é certa, jornalista não pode desta vez se queixar de falta de notícia para ocupar o seu espaço.

Economia - ANTONIO DELFIM NETTO

FOLHA DE SP - 13/02

A crise "surpresa" de 2008 tornou instantaneamente obsoletos livros e textos de macroeconomia que se apoiavam em agentes abstratos. É tempo de grande humildade para a profissão. É preciso cada vez mais cuidado com a tendência a aviar "receitas" universais para a política econômica extraídas de modelos que têm pouco a ver com a realidade.

Para mostrar que não exagero, peço licença para transcrever dois pequenos textos de reconhecidas autoridades. O primeiro é da "OECD Economic Outlook" (1/2007), cujo departamento econômico possui dezenas de profissionais no "estado da arte".

Diz o texto: "No último 'Outlook', sugerimos que a desaceleração dos EUA não indicava um período de fraqueza para a economia mundial, como aconteceu na crise de 2001. Pelo contrário, um 'rebalanceamento' cuidadoso deveria ser esperado, com a Europa tomando a dianteira dos EUA em produzir o crescimento dos países da OECD [OCDE]". E acrescenta: "Os recentes acontecimentos confirmaram aquele prognóstico. De fato, a situação econômica é hoje, de muitas maneiras, melhor do que a que temos tido há anos". Isso no segundo semestre de 2007, só seis meses antes da tragédia!

O segundo é do competente economista D. Acemoglu ("The Crisis of 2008 - Structural Lessons for and from Economics", 1/2009): "Ainda que seja muito cedo para dizer como o segundo semestre de 2008 comparecerá nos livros de história, não pode haver a menor dúvida de que ele significará uma oportunidade crítica para a economia. É uma oportunidade para nós -e aqui digo a maioria dos economistas, entre os quais eu, infelizmente, me incluo- nos livrarmos de certas ideias que nunca deveríamos ter aceitado. É também a oportunidade para tomar alguma distância e refletir sobre o que temos aprendido com nossas investigações teóricas e empíricas -separar as que não foram contaminadas pelos eventos recentes- e perguntar se elas ainda podem nos guiar no debate atual sobre a política econômica".

Quais seriam as ideias nefastas a que se refere Acemoglu? Suspeito que uma delas é do Nobel Robert Lucas: "A teoria econômica é análise matemática. Todo o resto é figuração ou conversa" (Professional Memoir", 4/2001).

É fundamental que se reconheça o imenso fracasso de nossas teorizações para que possamos transcendê-las e começar a reconstruí-las com um ponto de vista diferente, reconhecendo que devemos introjetar a heterogeneidade do comportamento dos agentes que levam à sua auto-organização. Isso já está em marcha nos principais centros de pesquisa, mas vai levar anos para ser incorporado aos livros e textos, o que exigirá um esforço sério e redobrado dos nossos jovens professores para antecipá-las para seus alunos.


Perplexidade - CELSO MING

O ESTADO DE S. PAULO - 13/02

Há enorme perplexidade dentro do governo com a disparada da inflação.

Nos últimos dias, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deu declarações que não são do seu estilo. Reconheceu que está "desconfortável" com a escalada dos preços e admite que essa inflação persistirá nos próximos meses. Por enquanto, põe fé em que lá pelo final deste ano voltará a convergir mais ou menos espontaneamente para a meta.

A estratégia de esperar para ver parece perigosa. Não está claro se o governo Dilma está em condições de enfrentar o estresse de uma inflação acima de 6% ao ano por mais cinco ou seis meses. Além disso, está operando muito próximo dos limites. Não há folga para enfrentar imprevistos nem o que o então deputado Tancredo Neves chamava de "o imponderável".

Essa inflação aí já é parte do imprevisto e do imponderável. Nem o Banco Central nem a Fazenda esperavam por tanto. No último Relatório de Inflação, editado em dezembro, o Banco Central projetou para todo o ano de 2013 uma inflação de apenas 4,8% - número que, pouco mais de um mês depois, aparece como fortemente irrealista. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, por sua vez, vinha apontando a baixa ou a relativa estabilidade dos preços internacionais das commodities como fator decisivo para redução das pressões inflacionárias internas.

O governo Dilma vem sendo surpreendido pelos fatos. Apostou todas as fichas na forte reaceleração da economia e vem trombando com a sucessão de pibinhos. Anunciou grandes investimentos, mas não consegue agilizá-los. Proclamou que a inflação seguiria comportada sem a necessidade de novos antídotos e, no entanto, vai sendo atropelado por esses números preocupantes do IBGE. Imaginava que a desvalorização cambial (alta do dólar) devolveria a competitividade ao setor produtivo, mas não consegue garantir o câmbio real (descontada a inflação) pretendido. Se é surpreendido pelos fatos, é óbvio que o governo não conduz o processo. Está, sim, sendo conduzido por ele.

Às vezes as autoridades dão sinais de que percebem a desarrumação dos fundamentos da economia. Mas não conseguem garantir nem disciplina orçamentária, nem inflação na meta, nem o câmbio prometido e muito menos o crescimento econômico projetado.

Basta ver a série recente das estatísticas do IPCA para saber que, ao menos por seis meses, a inflação anual tenderá a ficar acima dos 6,0%. Não está claro se o governo Dilma está em condições de enfrentar o estresse de uma inflação acima de 6% ao ano por todo esse tempo. E é um período longo demais para que o Banco Central e a Fazenda sigam somente divergindo e se omitindo mutuamente, vendendo essas diferenças como prova de autonomia.

Caso as despesas públicas sigam o ritmo previsto; caso o câmbio não possa ser usado como âncora dos preços; e caso o Banco Central siga impedido de puxar pelos juros, o ajuste se fará com mais inflação e menos crescimento econômico.

O problema é que essas coisas cobram um preço. Por enquanto, a presidente Dilma ostenta uma enorme poupança política. As classes médias brasileiras parecem satisfeitas porque hoje tem mais emprego, compraram carro, se alimentam melhor e, se não viajaram para Miami, já estão providenciando passaporte.

Enfim, a conta ainda não foi apresentada. Mas pode começar a ser na hora mais imprópria para o governo, às vésperas das eleições de 2014.


Sinais de desarrumação na política econômica - EDITORIAL VALOR ECONÔMICO

VALOR ECONÔMICO - 13/02

Há sinais de desarrumação na política econômica e um dos mais visíveis é a inflação. Ela foi alta em janeiro (0,86%) e em 12 meses (6,15%). Os núcleos do IPCA, índice que baliza o sistema de metas, não caíram abaixo dos 5% nos últimos 25 meses, pelo menos. Há choques de preços (alimentos é o principal deles) propiciando esses resultados nada favoráveis. Mas com o IPCA fugindo do centro da meta pelo terceiro ano consecutivo - e, em 2013, a caminho do quarto -, parece ter se consolidado novo patamar de preços, sustentado também pelos mecanismos de indexação infelizmente subsistentes na economia.

Inflação alta e a economia crescendo a uma taxa medíocre, ao redor de 1%, colocam em xeque a receita do governo de estímulos à economia. Os incentivos à demanda, que nunca foi fraca nos últimos anos, não foram suficientes para devolver um ritmo adequado de crescimento, pelo menos acima dos 3%. A situação externa não ajudou nessa tarefa, mas outros países emergentes, diante das mesmas dificuldades, têm se saído bem melhor que o Brasil, tanto em termos de expansão quanto de inflação.

A resposta oficial ao baixo dinamismo da economia mudou recentemente para melhor, embora os métodos utilizados obscureçam esse fato. Os estímulos setoriais ainda em vigor cedem lugar à redução dos impostos para boa variedade de setores, como é o caso da substituição da tributação da Previdência, que migra da folha de salários para o faturamento. A cesta básica está prestes a se livrar dos impostos federais. A tarifa de energia, uma das mais caras do mundo, foi cortada na marra, em uma ação cujos efeitos de longo prazo sobre a oferta de energia não são isentos de riscos.

O governo parece ter se convencido, corretamente, de que é chegada a hora de deslocar os incentivos do consumo para os investimentos. De forma geral, ele reduziu significativamente o custo de capital, ao derrubar bastante os juros. E, não sem um certo amargor ideológico, o governo com viés estatizante de Dilma deu passos em direção à iniciativa privada, ao destravar as concessões de aeroportos, portos, rodovias e ferrovias. A infraestrutura já era a indutora dos investimentos, e eles deverão ganhar celeridade e volume com a abertura de novas oportunidades a empresas privadas.

Os ajustes de política foram feitos, porém, em meio a sinalizações confusas ou claramente antagônicas. O caso mais ostensivo envolveu o câmbio. O Banco Central, ao encerrar o ciclo de baixa dos juros, comprometeu-se com a manutenção das taxas atuais por tempo "suficientemente prolongado". Para que isso se concretize em um cenário adverso da inflação, não há muitas opções. O mercado passou a nutrir expectativas no terreno cambial de que a valorização do dólar poderá ajudar nessa área. Isso, porém, piora as condições já ruins de competitividade da indústria. Há um dilema, o qual o ministro da Fazenda, Guido Mantega, procurou resolver com declarações precipitadas, indicando que tudo isso é legal, desde que o BC não jogue o dólar abaixo dos R$ 1,85, apontando um piso. No dia anterior, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, já havia dito, o que parece ter se tornado um segredo de Polichinelo, que o teto da cotação agora é R$ 2. Pode-se até adivinhar o que o governo quer fazer com o câmbio, mas uma coisa é certa: quando todos palpitam na questão, as chances de fracasso sobem exponencialmente.

A base da discussão cambial é a inflação. A política do BC foi correta, mas dizer que a variação dos preços convergirá para 4,5% de "forma não linear" em um futuro indeterminado é um cheque em branco sobre a credibilidade conquistada. Na prática, o desafio do BC hoje é impedir que a inflação ultrapasse o teto da banda.

A maior guinada, para pior, veio da política fiscal. Os investimentos avançam pouco por falta de poupança interna, mas, sem recursos, o governo decidiu que pode criar dinheiro em árvore, no pomar do BNDES. As macumbas para atingir a meta de superávit primário de 3,1% do PIB são desmoralizantes - e desnecessárias. Com superávit entre 1,5% a 1,8% do PIB, a relação entre dívida pública e PIB se estabilizaria. O pior sinal veio com a intenção de alterar a Lei de Responsabilidade Fiscal, desfazendo a obrigatoriedade de que renúncias fiscais sejam acompanhadas da indicação dos recursos para cobri-las. Esse é o caminho seguro para mais inflação.


O vaivém da moeda - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 13/02

Um real forte demais decerto prejudica ao menos parte da indústria brasileira, pois barateia a compra de produtos importados.

Um real fraco demais tem efeito inflacionário, pois contribui para elevar ainda mais os preços domésticos. Na média, eles passam a avançar para um nível próximo do teto da meta oficial de inflação (ou 6,5%, uma vez que ela é de 4,5% ao ano, com tolerância de dois pontos percentuais).

A descrição dos efeitos mais simples e imediatos da variação do preço da moeda brasileira demonstra os limites da utilização da taxa de câmbio, apenas, como instrumento para lidar com as dificuldades da economia brasileira.

Alarmado com a pressão sobre os preços brasileiros de um dólar caro, que chegou a quase R$ 2,10, o Banco Central atuou no mercado para fortalecer o real.

Preocupado com a possibilidade de o dólar descer para um patamar próximo de R$ 1,85, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que intervirá de modo a impedir tamanha valorização da moeda brasileira.

Dado este cabo de guerra, o dólar deverá variar em torno de um limite estreito, perto de R$ 2. É o que indica o Ministério do Desenvolvimento, que denominou o modelo de "câmbio vigilante", parente muito remoto do regime flutuante, extinto de fato entre 2011 e 2012.

Na prática, o preço do dólar não depende apenas das vontades do governo brasileiro. A redução dos juros, por exemplo, contribuiu para a desvalorização do real, com a queda na demanda pela moeda brasileira em consequência da saída de investidores estrangeiros (interessados em lucrar com a diferença entre a alta taxa brasileira e as de outros países, baixas).

Seja qual for o determinante da taxa de câmbio, porém, o preço da moeda por si só não é capaz de dar conta das insuficiências da política econômica. Não é possível controlar a inflação quando os juros estão baixos e os gastos são altos, ou tentar baixar custos desvalorizando o real e estimulando altas de salários.

Tais contradições só não resultam imediatamente em problemas críticos devido a remendos como controles de preços disfarçados (combustíveis, transportes públicos urbanos, reduções localizadas de impostos).

Remendos, por definição, são provisórios, assim como será provisório esse equilíbrio precário da nova política econômica. A conta chegará, um dia, por meio de juros mais altos, redução do consumo ou gradual deterioração das condições macroeconômicas do país.

O ajuste necessário dos fundos de pensão - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 13/02


As empresas que patrocinam fundos de pensão com planos de benefício definido (BD) terão de rever as contas, afetadas desde 2012 pela redução dos juros das aplicações. Os recursos não permitirão cobrir as obrigações, como mostrou a Petrobrás, que registrou em 2012 um aumento do passivo atuarial de R$ 21,1 bilhões para custear aposentadorias e planos de saúde. Outras companhias estatais terão de fazer o mesmo, com recursos próprios ou do Tesouro - ou seja, dos contribuintes.

Os fundos de pensão têm patrimônio de R$ 600 bilhões e obrigações vultosas. Um grupo de 15 empresas citadas pelo jornal Valor patrocina fundos com patrimônio de R$ 360 bilhões, em geral em regime de benefício definido. Só os planos do Banco do Brasil, da Petrobrás e da Caixa Econômica Federal tinham patrimônio superior a R$ 255 bilhões, segundo os últimos dados da entidade de classe (Abrapp). Os fundos são auditados e têm metas atuariais - e são acompanhados de perto pelo Ministério da Previdência.

Há dois tipos básicos de planos de aposentadoria complementar - de contribuição definida (CD) e de benefício definido. Neste (BD) o risco é maior, pois o benefício tem relação com o último salário.

A previdência privada ganhou peso nos anos 60, quando era preciso atrair profissionais para as estatais, assegurando aposentadorias superiores às do INSS. Com a estabilização monetária, o risco cresceu. Os fundos passaram a oferecer planos CD.

Mas, enquanto os juros reais foram altos, as metas atuariais (inflação mais 6% ao ano, em geral) eram cumpridas com folga. Com a queda dos juros, o Conselho de Gestão da Previdência Complementar, hoje Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC), determinou a diminuição progressiva das metas das carteiras de previdência. Em vez de 6% ao ano, a meta foi limitada a 4,5% ao ano, até 2018. Mas o rombo já existe.

A cada diminuição de um ponto porcentual da renda das aplicações financeiras, as obrigações do fundo aumentam 20%, calcula o professor Edson Jardim, da Fipecafi. É uma medida aproximada, pois há situações específicas, como a de empresas que bancam planos de saúde para os aposentados.

Em alguns fundos, as carteiras ainda rendem mais do que a meta atuarial. Se o superávit é alto, é possível até distribuir resultados, como fez a fundação Previ, do Banco do Brasil. Mas, em geral, não há folga e as patrocinadoras terão de fazer aportes para cobrir o déficit. O pior seria protelar a revisão das regras dos planos de aposentadoria que ficaram inviáveis.

COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO

"Se o Ricardo Teixeira não é corrupto, o sol não existe"
Alvaro Dias (PSDB-PR), sobre condenação de jornalista por chamar presidente da CBF de corrupto

Gurgel pede pressa no julgamento de onze governadores

Procurador-geral da República, Roberto Gurgel pretende que o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral julguem até julho os processos de cassação de onze governadores. As ações são por abuso de poder econômico e político, compra de votos e uso indevido dos meios de comunicação. O Ministério Público já pediu a cassação de governadores como Tião Viana (PT-AC) e Anchieta Jr. (PSDB-RR).


Lista negra

Do PMDB, estão na lista Roseana Sarney (MA), André Puccinelli (TO) e Sérgio Cabral (RJ). Já do PSB, Cid Gomes (CE) e Wilson Martins (PI).


Faltaram provas

Dos eleitos em 2010, o TSE só julgou até agora a ação contra Rosalba Ciarlini (DEM-RN), também acusada de gastos ilícitos. Foi absolvida.


Histórico

Em 2008 e 2009, o TSE cassou o então governador da Paraíba, Cássio Cunha, do Maranhão, Jackson Lago, e de Tocantins, Marcelo Miranda.


Era o que faltava

Escolas públicas do DF copiam as privadas e exigem material escolar individual e coletivo. Famílias pobres gastam até R$ 100 com material.


Dilma quer ‘cortar asas’ de Arthur Virgílio no Amazonas

A presidenta Dilma pediu ao senador Alfredo Nascimento (PR) para fazer as pazes com o desafeto Eduardo Braga (PMDB) e unir forças para “cortar as asas” do tucano Arthur Virgílio que, eleito prefeito de Manaus em 2012, certamente planeja retornar a Brasília como senador ou disputar o governo estadual. Dilma, nesse caso, é mais uma “porta-voz” do ex-presidente Lula, que considera Virgílio um inimigo a abater.


Derrotados

Lula e Dilma se empenharam na campanha de 2012 em Manaus, mas não evitaram a derrota de Vanessa Graziotin (PCdoB) para o tucano.


Sem perdão

Sem perdoar o protagonismo dos políticos que se opuseram a seu governo, no Congresso, Lula investiu forte na derrota de todos eles.


Paredão

Lula tentou impedir a reeleição dos senadores Heráclito Fortes (DEM-PI) e Tasso Jereissati (PSDB-CE). José Agripino (DEM-RN) escapou.


Azedou

A cúpula do PMDB decidiu dar um gelo no deputado Sandro Mabel (GO). Cristão-novo no partido, ele decidiu, de forma isolada, entrar com ação para anular a eleição de líder, na qual saiu derrotado.


Inutilidade

Réu no escândalo “Caixa de Pandora”, o deputado distrital Aylton Gomes (PR-DF) já tem o que fazer na Câmara Legislativa do DF: é dele o projeto de criação do “Dia da Despedida do Servidor Público”.


A Copa é nossa

Tem muita gente rindo à toa no Conselho Nacional de Justiça com a nova missão de “coordenar e fiscalizar obras e litígios” na Copa de 2014: terão viagens, diárias e hotéis nas cidades-sede para o serviço.


Confuso

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) ficou em cima do muro, diante da notícia da renúncia do papa Bento XVI. Ele não sabe como classificar a atitude, se como uma “fuga” ou um ato de “coragem”.


Fábrica de linguiça

É febril o movimento de relatórios de chefões a assistentes na Infraero às duas consultorias de “diagnóstico” contratadas pela estatal: têm que justificar o que fazem, em quanto tempo e se sua área é importante.


Canoa furada

A solução do antigo conflito da pesca ilegal na vizinha Guiana esbarra num problemão: a Marinha do Brasil não pode enviar uma fragata de patrulha ao rio Oiapoque até o fim das “negociações diplomáticas”.


Alô, ANS

Clientes da Unimed Brasília sofrem com o péssimo atendimento. Quando não está ocupado o telefone para marcação de consulta, a ligação cai antes de completar a solicitação. Nem a ouvidoria funciona.


Feijoada

A causa é justa para eles e injusta para nós: o Brasil importa feijão da China, após doar quase 12 mil toneladas do produto à Coreia do Norte, Bangladesh e Sri-Lanka, num total de mais de US$6 milhões, via ONU.


Assim não dá

Está descartada a candidatura de Fernando Henrique a Papa: ele é agnóstico.


Poder sem pudor


Para toda a vida

José Paulo Freire era figura folclórica da política paulista. Transitava de Jânio Quadros para os adversários e vice-versa com desenvoltura e nenhum constrangimento. Certa vez, quando o banqueiro Magalhães Pinto articulava a formação do Partido Popular (PP), ele logo aderiu.

- Você no PP, na oposição? – estranhou o amigo mineiro Olavo Drummond.
Ele justificou, dando uma piscadela:

- Partido de governo dura cinco anos. Partido de banqueiro dura a vida inteira...

QUARTA NOS JORNAIS


Globo: Trono Vazio- Só agora, Vaticano revela problema cardíaco do Papa
Folha: Bento 16 não vai interferir em sucessão, diz Vaticano
Estadão: Disputa de poder foi um dos motivos da saída de Bento XVI
Correio: Novo papa terá de evitar fuga de fiéis
Valor: Concessão de ferrovias terá ‘gatilho’ para ampliações
Estado de Minas: O jogo do poder no Vaticano – Quem vai calçar as sandálias do pescador?
Jornal do Commercio: Esta quarta é cinza