segunda-feira, novembro 12, 2012
Hora de decisão - ALBANO FRANCO
O Globo - 12/11
As medidas adotadas pelo governo - redução da taxa básica de juros, desoneração tributária etc. - com vistas à retomada do crescimento da economia até o momento não surtiram efeito. O encolhimento da produção industrial de 3,5%, até setembro, com destaque para o setor de máquinas que decresceu 8,5% nos últimos 13 meses, acende o sinal amarelo para a repetição de baixo crescimento em 2013. O modelo lastreado no consumo está temporariamente esgotado em razão do forte endividamento das famílias, estimado em 30% da renda, além da alta inadimplência que no primeiro semestre foi 19% superior ao mesmo período de 2011. E, sem demanda crescente, o investimento induzido não acontece, ou seja, os empresários adiam seus planos de ampliar a produção. Em situações como essa, de tendência à estagnação, cabe, então, ao governo, por meio do investimento autônomo, na infraestrutura, promover a expansão da renda e elevar a competitividade pela melhoria da eficiência na logística.
Ocorre que são parcos os recursos orçamentários para investimento na infraestrutura, menos de 5%, já que o grosso da despesa pública está direcionado para a manutenção da burocracia e dos programas sociais. Resta, então, estimular a iniciativa privada a investir em logística. É o que o governo vem procurando fazer, primeiramente com a concessão dos aeroportos de Brasília, Campinas e Guarulhos. Aguarda-se para os próximos dias um novo pacote de concessões de aeroportos, portos e rodovias que será ofertado por meio de leilões que, espera-se, sejam capazes de atrair o maior número de investidores, especialmente os mais habilitados.
Convém chamar a atenção para a geração de energia, gargalo a ser equacionado, já que para crescer 4% ao ano o país vai ter que gerar a mais, a cada ano, cerca de 4 mil megawatts. Os sucessivos apagões atestam o déficit energético. No Nordeste, este problema torna-se crucial, em virtude do esgotamento do potencial hidráulico do Rio São Francisco. A solução definitiva seria a geração termonuclear, parece que afastada ou temporariamente suspensa em face do tsunami que provocou o vazamento na usina de Fukushima, no Japão.
O maior impeditivo ao crescimento sustentável da economia é, sem dúvida, a elevada carga tributária, ora em 36% do PIB, que reduz a competitividade, inibe investimentos e, consequentemente, a formação bruta de capital, atualmente na palidez de 18% do PIB, uma das menores dos países emergentes. Tornam-se inviáveis taxas continuadas de crescimento superiores a 2% ou 3%. Daí urgem mudanças na estrutura dos gastos públicos acompanhadas da eliminação de impostos incidentes sobre os investimentos e a produção.
O crescimento sustentável requer medidas desafiantes, sem as quais continuaremos exibindo taxas medíocres e com riscos de comprometer a própria estabilidade econômico-financeira do país, conseguida a duras penas.
Torcendo para a oposição - RENATO JANINE RIBEIRO
Valor Econômico - 12/11
E PSDB, maior partido de oposição, está frente a uma escolha decisiva: ou continua a nutrir o ressentimento da classe média tradicional ante a ascensão social dos mais pobres, ou conquista justamente esses ex-pobres, que subiram na vida com o governo Lula, oferecendo-lhes algo que o PT já não seria capaz de fornecer. Ou os tucanos apostam na velha classe média, como tem feito sobretudo a seção paulista do partido, ou lutam pela nova classe média. Ou ficam no ressentimento, ou partem para a proposta. Quedam-se no passado ou projetam um futuro.
O título deste artigo pode soar estranho, ainda mais se eu disser que o melhor que os cidadãos temos a fazer é torcer para a oposição - e para o governo. Torcer contra o governo é querer que ele não faça o que deve fazer. Isso prejudica a todos. Ninguém ganha se a produção, a saúde e a educação piorarem. Mas torcer para a oposição é apostar no futuro. Um dia, a oposição será governo. Se for boa na oposição, poderá ser boa no governo. A história recente mostra que os melhores governos vêm das oposições mais fortes em seus projetos: PSDB e PT. O governo é o presente, a oposição é o futuro - só que não se sabe quando chegará esse futuro, nem com qual oposição.
Mas o que entender, hoje, por oposição? Se decantarmos a gritaria própria a uma eleição, restam uma oposição visível e uma invisível. A visível é o PSDB, que continua anexando o minguado DEM e o nunca robusto PPS. Os tucanos são hoje a única força política viável que se opõe ao Planalto. Eles formam a oposição realmente existente. Quem quiser tirar o PT da Presidência precisa pensar no PSDB. Já a invisível, da qual falarei outra semana, são os verdes.
PSDB deve apostar na classe média que cresceu com o PT
Fernando Henrique, meses após a eleição de 2010, publicou na revista "Interesse Nacional" o artigo "O papel da oposição" (no singular, porque ele não considera os verdes). A tese maior é que o PSDB deve disputar com o PT a classe média, não os pobres. Não diz, mas é óbvio, que a classe média cresce devido às políticas petistas. De 2005 a 2010, cinquenta milhões de pessoas foram das classes D e E para a C. A injusta pirâmide social que caracteriza o Brasil cedeu lugar a um losango, no qual se destaca a classe C. Portanto, a ideia é que o PSDB, em vez de ser apenas o pré-Lula, seja também e sobretudo o pós-Lula. Ele se beneficiaria da herança "bendita" dos governos petistas, bem como das limitações deles para aprofundá-las. Se o maior projeto de Dilma Rousseff é converter o Brasil num país de classe média, para os tucanos o melhor será surfar nos resultados, se possível felizes, dessa ação. O PT só ofereceria aos pobres o que eles não têm, poder de compra, não seus novos desejos e necessidades. O PSDB, sim, mas desde que lute por isso. E a oportunidade se deve justamente ao crescimento petista da classe C.
O PSDB está na curiosa condição de um partido que tem nome para disputar a Presidência - um nome simpático, fotogênico, disposto a negociar - mas carece de conteúdo definido. Tem um comunicador, o que na democracia de massas é trunfo essencial, mas não sabe o que comunicar. Comparemos: FHC comunicava-se bem com a sociedade e sabia o que lhe dizer; José Serra tinha conteúdo, porém comunicou-se mal - e seu próprio conteúdo terminou contaminado pelo preconceito religioso. Já Aécio comunica bem, mas não está claro o quê. A falha é do partido. O PSDB não sabe o que oferecer hoje à sociedade, fora o discurso reativo do rancor antipetista, que afundou dois candidatos seus ao Planalto.
A questão é ir além do poder de compra, para definir a classe média. Pirâmide e losango falam de dinheiro recebido. Mas o eixo da ascensão social é a educação, até mesmo para melhorar a qualidade de nossas eleições. Temos de aprimorar a educação, garantir a saúde, firmar a cidadania. Acrescento: boa parte dessa classe média poderia ser ganha pelo empreendedorismo. Ela não precisa ter como sonho - ou pesadelo - o assalariamento. Pode empreender. Ora, o empreendedorismo é a versão mais recente do projeto liberal, isto é, do projeto da livre iniciativa, do empresário, no caso, pequeno ou médio, que tem no lucro o motor da ação. No desenho político, defender esse projeto deveria caber a um partido liberal. O mais próximo que temos do liberalismo é o PSDB.
Já comentei o absurdo que é um governo petista fazer mais pelo empreendedorismo do que os tucanos. Se é bom o PT incentivá-lo, o que causa estranheza é que, ideologicamente, a oposição deveria enfatizar ainda mais esse tema.
Serão os tucanos capazes de compor uma cesta de propostas adequada à classe média? Por ora, sua oratória política oferta à classe média um produto envelhecido: o moralismo como peça retórica com a finalidade, nem tão oculta, de reforçar a classe média tradicional no ódio aos pobres que subam na vida (moralismo esse que não se confunde com a verdadeira e necessária moralidade). Correm o risco de repetir a ação da UDN contra Getúlio Vargas, que o partido conservador detestava não tanto por seus erros e crimes, mas pelo acerto de trazer os mais pobres para a cena política. Mas o PSDB não é filho ou neto da UDN. Ele pode ter um discurso para os ex-pobres, ou os ainda pobres. Só que, para isso, precisa parar de nutrir o ressentimento dos que mantêm o nível bom de vida, mas sentem raiva porque esse nível está deixando de ser (seu) privilégio. Aliás, onde foi dar a UDN? Não conseguindo votos, abriu caminho para o golpe militar de 1964 - que, por sua vez, a extinguiu. O PSDB pode propor coisa melhor ao Brasil. Tem candidato. Falta definir um projeto, que é possível.
Ditadura das chaminés - VINICIUS MOTA
FOLHA DE SP - 12/11
SÃO PAULO - A transição em curso no Partido Comunista da China talvez seja a mais importante desde a ascensão de Deng Xiaoping, no final dos anos 1970.
A partir de Deng, a ditadura chinesa jogou fora toda prescrição socialista e maoísta para a condução da economia. Pôs-se a perseguir a acumulação industrial de capitais, numa obsessiva competição global.
A farta fonte de mão de obra, aliada à repressão dos gastos sociais, pode produzir o terceiro grande prodígio do moderno "modo de produção asiático". Com receita similar e sem dispensar o despotismo na fase inicial, há os casos do Japão, a partir do final do século 19, e da Coreia do Sul, na derradeira metade do seguinte.
A década passada marcou o auge do arranque chinês. O país desenvolveu várias corporações industriais gigantescas, enquanto o volume da força de trabalho se aproximava do máximo histórico. Converteu-se, também nesse período, numa nação de maioria urbana.
Diante da crise americana, e de uma lenta revolução tecnológica fabril, os conglomerados chineses dificilmente serão financiados no exterior na mesma escala. Produzir no México ou nos EUA deixou de ser desvantajoso em muitos casos.
Doravante a população da China passará a envelhecer, e a sair do mercado de trabalho, num ritmo bastante acelerado. Ainda assim, 300 milhões devem migrar do campo para a cidade até 2030.
Um dos segredos da manutenção do poder no Partido Comunista foi o papel central da indústria no processo. O controle político de (e por meio de) um punhado de empresas paquidérmicas fica facilitado.
Mas a sequência da prosperidade chinesa requer retração relativa do polo industrial. A contrapartida seria o florescimento de comércio e serviços, pulverizados em dezenas de milhões de empreendedores.
A ditadura das chaminés será, no mínimo, obrigada a se reinventar.
SÃO PAULO - A transição em curso no Partido Comunista da China talvez seja a mais importante desde a ascensão de Deng Xiaoping, no final dos anos 1970.
A partir de Deng, a ditadura chinesa jogou fora toda prescrição socialista e maoísta para a condução da economia. Pôs-se a perseguir a acumulação industrial de capitais, numa obsessiva competição global.
A farta fonte de mão de obra, aliada à repressão dos gastos sociais, pode produzir o terceiro grande prodígio do moderno "modo de produção asiático". Com receita similar e sem dispensar o despotismo na fase inicial, há os casos do Japão, a partir do final do século 19, e da Coreia do Sul, na derradeira metade do seguinte.
A década passada marcou o auge do arranque chinês. O país desenvolveu várias corporações industriais gigantescas, enquanto o volume da força de trabalho se aproximava do máximo histórico. Converteu-se, também nesse período, numa nação de maioria urbana.
Diante da crise americana, e de uma lenta revolução tecnológica fabril, os conglomerados chineses dificilmente serão financiados no exterior na mesma escala. Produzir no México ou nos EUA deixou de ser desvantajoso em muitos casos.
Doravante a população da China passará a envelhecer, e a sair do mercado de trabalho, num ritmo bastante acelerado. Ainda assim, 300 milhões devem migrar do campo para a cidade até 2030.
Um dos segredos da manutenção do poder no Partido Comunista foi o papel central da indústria no processo. O controle político de (e por meio de) um punhado de empresas paquidérmicas fica facilitado.
Mas a sequência da prosperidade chinesa requer retração relativa do polo industrial. A contrapartida seria o florescimento de comércio e serviços, pulverizados em dezenas de milhões de empreendedores.
A ditadura das chaminés será, no mínimo, obrigada a se reinventar.
Lavando a alma - LÚCIA GUIMARÃES
O Estado de S.Paulo - 12/11
NOVA YORK - "O establishment branco é agora a minoria. Não é mais a América tradicional. Metade do público quer coisas. E quem vai dar coisas a eles? O presidente Obama."
(Âncora Bill O'Reilly, da Fox News, na noite terça-feira, dia 6)
Se você, caro leitor, está contente e aliviado, como eu, com a derrota da intransigente direita americana na eleição presidencial, lembro que podemos brindar também por outro motivo.
Mesmo que você não tenha seus sentidos assaltados diariamente pelas imagens, sons e rios de texto da máquina publicitária de Rupert Murdoch, também conhecida pelo slogan risível Fair and Balanced (Justa e Equilibrada), a rede Fox News, pode ter ouvido falar do ataque de nervos sofrido pelos propagandistas da rede durante a apuração. A mídia conservadora americana, responsável pela bolha obscurantista em que só sobrevivem fatos que confirmam sua visão de mundo, ficou nua como o rei, na frente de milhões de súditos espectadores. Enganou seu público ao dizer que Obama era uma anomalia a ser corrigida. Um presidente ilegítimo, eleito por sorte da primeira vez. Mas essa visão da primeira eleição de Obama, como uma peça pregada por uma conjuntura favorável, não é exatamente monopólio da direita.
A Fox emprega, entre outros, Sarah Palin e o nefasto Karl Rove, ex-assessor político de George W. Bush, hoje especializado em esvaziar as contas bancárias de milionários descontentes com o país de Barack Obama. Rove, tendo investido US$ 300 milhões do dinheiro alheio para fazer propaganda política, num esforço frívolo, que não impediu nem a reeleição de Obama nem a retomada do controle republicano no Senado, decidiu que tinha direito aos próprios fatos. Ao vivo, na noite de terça- feira, quando os analistas de números de seu patrão davam a vitória a Obama em Ohio, Rove questionou a aritmética e foi humilhado por sua colega de bancada, que fez a câmera do estúdio acompanhá-la ao centro de apurações da Fox.
No dia seguinte, Rove teve a desfaçatez de declarar que Obama "suprimiu o voto" na eleição. O suíno Rush Limbaugh disse que Obama ganhou porque o povo não vota contra Papai Noel. Sean Hannity, outro proeminente âncora da Fox, disse que os eleitores de Obama são crianças mimadas cujos pais deixam que eles comam porcaria e assistam TV à vontade, oferecendo aos críticos a chance de especular se faz menos mal comer porcaria do que assistir ao autor do comentário. Até a diáfana Peggy Noonan, ex-redatora de discursos do mais moderado George Bush pai, declarou: Quem previa a vitória de Obama ignorava o mundo à sua volta. Como dizia Bush filho, esta "comunidade que se baseia na realidade" é um problema. Gente como Nate Silver, que criou um método estatístico em seu blog doNew York Times e previu acertadamente a vitória de Obama, ameaçando, com matemática, o mercado de trabalho para os meteorologistas políticos.
Pouco antes da votação que reelegeu Barack Obama, o historiador Kevin Kruse, da Universidade de Princeton, publicou um artigo de opinião no New York Times, dizendo que uma derrota garantida nesta malcheirosa campanha de 2012 seria a derrota da verdade. Atualizando a frase atribuída a Abraão Lincoln, Kruse disse que é possível enganar todas as pessoas durante todo o tempo necessário para fazer campanha. E apontou Mitt Romney como o campeão absoluto da falsificação de fatos.
Na terça-feira, em Times Square, com a temperatura perto de zero e o calor da segunda explosão popular de alegria pela vitória de Barack Obama, lembrei de um ditado que trouxe do Rio na bagagem, ao me mudar para Nova York.
E compartilho a sabedoria carioca com a oligarquia que vive na bolha:
"Malandro demais se atrapalha."
Brasil sem choro pela Argentina de Moreno - SERGIO LEO
Valor Econômico - 12/11
Há um esforço visível dos dirigentes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para evitar que as escaramuças dos exportadores brasileiros com a aduana argentina se transformem em conflito aberto. Há esforço do governo brasileiro para reconhecer que, apesar das barreiras argentinas, o Brasil mantém superávit no comércio com aquele país, uma economia em luta para evitar a deterioração de suas contas externas. Mas há um profundo desgaste com a Argentina no Brasil; autoridades brasileiras devem convidar empresários, em breve, para discutir um provável endurecimento no trato com os vizinhos.
Sinal do esgotamento da paciência no governo brasileiro foi a reunião de quinta-feira passada, na Fiesp, com empresários e representantes dos governos dos dois países, marcada para tratar de negócios. O secretário do Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno, truculento inspirador e gerente do atual protecionismo argentino, negou divergências no campo bilateral. As relações bilaterais se "solidificaram", garantiu, mantendo na face uma expressão sólida como madeira de lei.
Moreno ouviu da secretária de Comércio Exterior do Brasil, Tatiana Prazeres, queixas maciças contra o crescente desvio de comércio provocado pelas barreiras comerciais argentinas. Usando dados do Indec, o instituto de estatísticas argentino, a secretária disse - e publicou, no site do ministério na internet, que as vendas do Brasil à Argentina caíram 19,4% entre janeiro e setembro na comparação com o mesmo período de 2011, enquanto se reduziram em apenas 3,4% as vendas dos outros países ao sócio brasileiro no Mercosul.
Desvio de comércio contra brasileiros deve gerar reação
Tatiana Prazeres poderia ter sido mais detalhista. O Indec mostra que, nos primeiros nove meses do ano, as importações argentinas de outros fornecedores aumentaram em 1,6% nas compras de máquinas agrícolas; em 2,2% nas de autopeças; em 25% nas de têxteis e confecções; e em 54% (!) nas de eletrodomésticos da linha branca. Nesse período, o país reduziu essas mesmas importações provenientes do Brasil em, respectivamente, 13%, 9%, 12% e 19%.
O Brasil chegou a perder 10% de sua fatia de mercado em eletrodomésticos da linha branca para outros países. Em têxteis e confecções, a perda chegou a 7%.
Para se fazer justiça aos argentinos, é preciso registrar que os brasileiros foram menos afetados que seus concorrentes estrangeiros no setor de calçados, um dos que mais estão sentindo a arbitrariedade das barreiras argentinas - e se queixando delas. A queda nas exportações brasileiras de calçados ao vizinho foi de 29% entre janeiro e setembro, na comparação com os primeiros nove meses de 2011; mas as exportações de outros países aos argentinos caíram 33%. O Brasil aumentou sua fatia no mercado de calçados importados de 49,6% para 51% de janeiro a setembro.
Há casos raros de aumento de importações com preferência argentina pelo produto brasileiro em relação ao de outros países: fumo e toucinho são os mais relevantes. Em compensação, os argentinos compraram 39% a mais em automóveis de outros países e reduziram em 9% suas compras do Brasil - que, de 70% do mercado argentino para carros importados, passou a 60%.
A carne suína, outro caso raro em que a queda de importações foi mais sensível para os concorrentes que para os brasileiros, passou a enfrentar problemas sérios desde setembro, quando, sob alegações de barreiras no Brasil ao limão argentino, Moreno impôs sua mão pesada sobre os embarques dessa mercadoria para a Argentina.
Outro parêntese para dar uma grama de razão aos argentinos: segue líquida e certa a injustificável barreira sanitária contra os camarões argentinos, sustentada pelo lobby dos produtores brasileiros agasalhado pelo Ministério da Pesca no Brasil, por motivos políticos.
O espantoso é que o desvio de comércio provocado pela fixação dos fiscais de Moreno com os produtos brasileiros beneficiou praticamente todos os grandes parceiros da Argentina, à exceção do Chile, em detrimento do Brasil. Ainda assim, alguns desses países entraram com queixas contra os argentinos na Organização Mundial do Comércio (OMC). O Brasil, por enquanto, segue exercitando sua "paciência estratégica".
Comparando-se janeiro e setembro de 2011 com o mesmo período deste ano, a parcela no total de importações argentinas que coube à União Europeia aumentou de 15,7% para 18,4%; a dos países da América do Norte, de 14,7% para 16,7%; a do Japão, de 1,8% para 2,1%. A China permaneceu com 13,7% e o Brasil, que teoricamente manteria com os argentinos uma união aduaneira com livre trânsito de mercadorias entre as fronteiras, caiu de 29,6% para 26%.
No período mais recente, o desvio do comércio se tornou ainda mais acentuado. Na comparação entre o total das importações entre junho e setembro de 2011 e 2012, a parcela do Brasil caiu de 28,6% para 24,6%, a do Chile, 0,1% e a da Coreia, de 2,2% para 1,7%. Mas subiram as fatias de mercado dos países da América do Norte (de 13,5% para 17,3%); da União Europeia (de 15,1% para 17,3%), China (2,5% para 3,1%) e Japão (1,8% a 2,1%), entre outros.
Os brasileiros consideram inaceitável essa perda relativa de mercado no seu principal sócio no Mercosul. A Argentina tem, no entanto, pelo menos três pontos a favorecer uma melhoria em suas contas externas no ano que vem, abrindo espaço a uma administração mais flexível de suas alfândegas: o serviço da dívida menos pesado em 2013 reduzirá a necessidade de recursos em moeda estrangeira, e a melhor safra de soja e o crescimento da economia brasileira devem garantir um volume maior de ingressos.
Um velho produtor argentino costumava dizer que a crise gera oportunidades em todo mundo, mas, na Argentina, as oportunidades costumam gerar crises. Seria bom imaginar que a frase não passa de um dito espirituoso e que a Argentina encontrará inteligência política para sair da crise em que anda se metendo, ao som cada vez mais alto de panelas batidas nas ruas por uma crescente oposição.
Não anda - MELCHIADES FILHO
FOLHA DE SP - 12/11
BRASÍLIA - Dilma deixou o Congresso soltinho para discutir a distribuição dos royalties do petróleo e aprovar uma lei com dispositivos claramente inconstitucionais, que projeta longas batalhas na Justiça e ameaça o cronograma de leilões. Isso quando a Petrobras já tinha problemas mais que suficientes.
No setor elétrico, a opção foi pela truculência. Medida provisória mudou as regras radicalmente e exigiu adesão dos concessionários antes de definidos os critérios de remuneração. Nem todos, óbvio, toleraram a pancada. O impasse deverá forçar a reabertura de prazos e a revisão de termos. Dificilmente a presidente cumprirá a promessa de baixar em 20% a tarifa de luz em fevereiro.
A frustração com a licitação dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília nem o Planalto disfarça. Já no dia seguinte começou a estudar como reestruturar os consórcios que ganharam o direito de operar esses terminais. O plano de privatização de Galeão e Confins teve de ser colocado em banho-maria.
O governo reavalia seu modelo de concessão de rodovias. A cada semestre, ajusta o edital do trem-bala. Do pacote de mobilidade da Copa-2014, nem 10% saiu do papel.
Não espanta, daí, a baixa expectativa em torno do plano logístico para os portos, que em princípio seria anunciado amanhã. O mercado antecipa os embaços, as fragilidades técnicas, as incertezas jurídicas.
Dilma partiu de diagnósticos certos: os gargalos de infraestrutura precisam ser enfrentados e o quadro de depressão econômica reduz a resistência a mexidas regulatórias. Mas, não tendo até agora encaixado uma bola, ela corre risco de ficar carimbada como a presidente que não produz e não deixa produzir.
Não à toa, empresários fazem fila para conversar com o governador Eduardo Campos (PSB-PE), num ensaio precipitado, antes de perspectivas eleitorais mais definidas, da busca de "alternativa de poder".
BRASÍLIA - Dilma deixou o Congresso soltinho para discutir a distribuição dos royalties do petróleo e aprovar uma lei com dispositivos claramente inconstitucionais, que projeta longas batalhas na Justiça e ameaça o cronograma de leilões. Isso quando a Petrobras já tinha problemas mais que suficientes.
No setor elétrico, a opção foi pela truculência. Medida provisória mudou as regras radicalmente e exigiu adesão dos concessionários antes de definidos os critérios de remuneração. Nem todos, óbvio, toleraram a pancada. O impasse deverá forçar a reabertura de prazos e a revisão de termos. Dificilmente a presidente cumprirá a promessa de baixar em 20% a tarifa de luz em fevereiro.
A frustração com a licitação dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília nem o Planalto disfarça. Já no dia seguinte começou a estudar como reestruturar os consórcios que ganharam o direito de operar esses terminais. O plano de privatização de Galeão e Confins teve de ser colocado em banho-maria.
O governo reavalia seu modelo de concessão de rodovias. A cada semestre, ajusta o edital do trem-bala. Do pacote de mobilidade da Copa-2014, nem 10% saiu do papel.
Não espanta, daí, a baixa expectativa em torno do plano logístico para os portos, que em princípio seria anunciado amanhã. O mercado antecipa os embaços, as fragilidades técnicas, as incertezas jurídicas.
Dilma partiu de diagnósticos certos: os gargalos de infraestrutura precisam ser enfrentados e o quadro de depressão econômica reduz a resistência a mexidas regulatórias. Mas, não tendo até agora encaixado uma bola, ela corre risco de ficar carimbada como a presidente que não produz e não deixa produzir.
Não à toa, empresários fazem fila para conversar com o governador Eduardo Campos (PSB-PE), num ensaio precipitado, antes de perspectivas eleitorais mais definidas, da busca de "alternativa de poder".
Por que o consumo sufoca a indústria - RAUL VELLOSO
O ESTADÃO - 12/11
Puxadas pelas transferências públicas e pelo crédito explosivo, as vendas reais do comércio há muito crescem em ritmo chinês, à média de 8% ao ano, enquanto a indústria decresce, acompanhando a balada dissonante da crise mundial. É o que deu em setembro. Em parte, isso se deve à crise de demanda que vem de fora. Afinal de contas, a indústria é superaberta ao exterior. É surpreendente, contudo, que a indústria não decole quando, em que pese a crise, o consumo cresce a taxas tão elevadas e sem interrupção há vários anos.
A falta de dinamismo se concentra na indústria de transformação, que hoje representa apenas 14% do Produto Interno Bruto (PIB). No final de 1994, representava 30% do total. Enquanto isso, o peso do setor de serviços, que antes se aproximava de 60%, hoje chega perto de 70% do PIB. Esse fenômeno não é exclusividade nossa. Ocorre em todo o mundo ocidental. Os dados da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad) mostram, com clareza, o peso da indústria no PIB caindo do lado de cá, enquanto na Índia e na China ocorre exatamente o inverso. É o confronto de dois modelos diametralmente opostos. O modelo consumidor (ocidental) versus o modelo poupador (oriental).
A coisa vem piorando. Até setembro de 2008, a indústria crescia a uma taxa que era 60% da taxa do consumo. Diante da crise, a taxa anual desabou para -16% em dezembro de 2008, enquanto o menor nível a que chegou a taxa do consumo ainda era positivo (+1%, em março de 2009). A indústria se recuperou rapidamente, mas depois estagnou ou caiu, em que pese as injeções de socorro do governo. Enquanto isso, o consumo continuou a mil por hora.
Já expliquei isso aqui. Ao pressionar fortemente a demanda por serviços e industrializados, o modelo pró-consumo tende a aumentar salários e preços nos primeiros e só salários nos segundos, pois ali os preços são determinados fora do País, basicamente pela China. Dá-se, assim, uma apreciação real da moeda, que, cozinhada internamente, é o veículo pelo qual a economia busca novo equilíbrio. Em serviços não há, basicamente, como atender à subida da demanda via importações. Por isso os preços tendem a subir. Exatamente o contrário ocorre na indústria. A apreciação induz maiores importações de industrializados e os recursos em geral são atraídos pelo segmento onde os preços e, portanto, as rentabilidades, são maiores, ou seja, serviços.
Note que a inflação é pressionada pelos serviços, mas é aliviada pela apreciação da moeda. É só acompanhar a decomposição setorial do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos últimos anos, confrontando a evolução dos bens e serviços não comercializáveis com o exterior em relação à dos plenamente transacionáveis.
Não há espaço para explicar o modelo oriental, exatamente complementar ao nosso, havendo o elemento adicional de que temos recursos naturais e eles não. Daí as grandes exportações de commodities para lá, em troca de industrializados. Colocando as commodities nessa história, a tendência à apreciação se acentua, pois somos fortes exportadores líquidos, e os preços externos, também fora de nosso controle, têm subido fortemente desde 2003. Assim, pelos dois lados - serviços e commodities -, o Brasil atrai grande volume de capitais externos para inversão nesses segmentos, cobrindo a necessidade de financiar o déficit externo.
Outro fator a acentuar a mesma tendência é a recente inundação de liquidez mundial. Assim, mesmo com o Banco Central comprando toneladas de dólares, o valor real do dólar caiu sistematicamente até bem pouco, e o déficit externo - ou a entrada de poupança externa - subiu cerca de cinco pontos porcentuais do PIB, viabilizando idêntico aumento da taxa de investimento e uma subida expressiva do crescimento potencial do PIB. Como há pleno emprego na economia, é sinal de que houve transferência maciça de mão de obra da indústria para serviços e commodities, concomitantemente com os aumentos de salários, algo que surpreende a todos.
Assim, para o Brasil crescer mais sem mudar o modelo, é preciso apoiar a expansão dos setores de serviços e commodities, e não travá-la, como o governo às vezes tem feito. No caso dos serviços de infraestrutura, energia elétrica e petróleo, a interferência governamental é muito grande por definição e é um prato cheio para tentações populistas. Sabedor das pressões que o modelo pró-consumo exerce sobre esses preços, em vez de agir com vistas à redução dos preços no longo prazo, tem-se procurado a via fácil de impor preços artificialmente baixos no curto prazo, esperando que o setor privado (ou com domínio estatal, como no caso da Petrobrás e da Eletrobrás) atenda bem os consumidores de hoje e expanda o que for necessário.
O louvável esforço de incrementar as concessões de infraestrutura de transportes corre o risco de dar com os burros n'água, pois a imposição de retornos pouco atrativos e certos procedimentos inadequados nos leilões de concessões favorecem o surgimento de concessionários despreparados para as difíceis tarefas à frente. Nesse contexto, a política industrial deve ser altamente seletiva, com foco na competitividade internacional.
Energia - AÉCIO NEVES
FOLHA DE SP - 12/11
Ninguém questiona a necessidade de redução do custo da energia elétrica no Brasil. Mas já sabemos que a MP 579 vai muito além disso, alterando o marco regulatório do setor elétrico brasileiro. Como aponta o ex-ministro João Camilo Penna, o governo teria outras formas mais diretas para diminuir o valor das contas de luz pagas pelos consumidores, como uma maior redução de impostos. O caminho escolhido é complexo e, por isso, merece ser debatido com cautela, sem arroubos de intolerância.
Não é justo com o país reduzir medidas com desdobramentos tão amplos a um falso maniqueísmo que tenta colocar, de um lado, os que querem baixar o valor da conta de luz e, do outro, apresentar os que propõem o debate como meros defensores de interesses das empresas do setor.
Mais uma vez, pontua-se a forma desrespeitosa com que o Planalto trata o Congresso, ao fixar prazos que impedem a correta discussão do tema no Parlamento, alijando-o da sua legítima participação em decisão dessa envergadura.
Segundo especialistas, a MP 579 traz conteúdo que ignora a necessidade de expansão do setor elétrico, afugentando investidores e descapitalizando perigosamente as concessionárias. Ninguém sabe onde buscar os recursos para o acréscimo de 5 a 7 mil MW a cada ano necessários ao crescimento da economia.
Hoje o país está ameaçado de viver uma crise de abastecimento que poderia ser evitada se pudéssemos contar com mais 3,3 mil MW, caso as termoelétricas, vencedoras dos leilões de 2005, estivessem aptas a entrar em operação, mas esses projetos ou foram cancelados ou estão atrasados.
Considerando essas usinas canceladas e outras previstas para entrar em operação nos próximos anos, cujos projetos foram abandonados, temos quase 6 mil MW de redução na expansão esperada de geração, causando uma enorme incerteza quanto ao atendimento do mercado futuro.
A energia produzida por parques eólicos no Nordeste é uma alternativa com a qual ainda não podemos contar, pois as linhas de transmissão que deveriam conectá-la ao sistema não foram concluídas pelo governo federal. Essa falta de planejamento provocou o aumento do custo no mercado de curto prazo. No inicio do ano, o custo da energia no mercado livre era R$ 12,20 e agora chega a R$ 400,00.
Insisto: o tema é complexo e deve ser amplamente discutido também para que não seja aberto um precedente em relação à credibilidade dos marcos regulatórios no país.
Nos últimos anos o governo não deu atenção ao ponto mais importante para reduzir o custo da energia: um planejamento capaz de garantir a ampliação da oferta. E, como dizia o ex-presidente Juscelino Kubitscheck, "energia cara é aquela que não existe".
Ninguém questiona a necessidade de redução do custo da energia elétrica no Brasil. Mas já sabemos que a MP 579 vai muito além disso, alterando o marco regulatório do setor elétrico brasileiro. Como aponta o ex-ministro João Camilo Penna, o governo teria outras formas mais diretas para diminuir o valor das contas de luz pagas pelos consumidores, como uma maior redução de impostos. O caminho escolhido é complexo e, por isso, merece ser debatido com cautela, sem arroubos de intolerância.
Não é justo com o país reduzir medidas com desdobramentos tão amplos a um falso maniqueísmo que tenta colocar, de um lado, os que querem baixar o valor da conta de luz e, do outro, apresentar os que propõem o debate como meros defensores de interesses das empresas do setor.
Mais uma vez, pontua-se a forma desrespeitosa com que o Planalto trata o Congresso, ao fixar prazos que impedem a correta discussão do tema no Parlamento, alijando-o da sua legítima participação em decisão dessa envergadura.
Segundo especialistas, a MP 579 traz conteúdo que ignora a necessidade de expansão do setor elétrico, afugentando investidores e descapitalizando perigosamente as concessionárias. Ninguém sabe onde buscar os recursos para o acréscimo de 5 a 7 mil MW a cada ano necessários ao crescimento da economia.
Hoje o país está ameaçado de viver uma crise de abastecimento que poderia ser evitada se pudéssemos contar com mais 3,3 mil MW, caso as termoelétricas, vencedoras dos leilões de 2005, estivessem aptas a entrar em operação, mas esses projetos ou foram cancelados ou estão atrasados.
Considerando essas usinas canceladas e outras previstas para entrar em operação nos próximos anos, cujos projetos foram abandonados, temos quase 6 mil MW de redução na expansão esperada de geração, causando uma enorme incerteza quanto ao atendimento do mercado futuro.
A energia produzida por parques eólicos no Nordeste é uma alternativa com a qual ainda não podemos contar, pois as linhas de transmissão que deveriam conectá-la ao sistema não foram concluídas pelo governo federal. Essa falta de planejamento provocou o aumento do custo no mercado de curto prazo. No inicio do ano, o custo da energia no mercado livre era R$ 12,20 e agora chega a R$ 400,00.
Insisto: o tema é complexo e deve ser amplamente discutido também para que não seja aberto um precedente em relação à credibilidade dos marcos regulatórios no país.
Nos últimos anos o governo não deu atenção ao ponto mais importante para reduzir o custo da energia: um planejamento capaz de garantir a ampliação da oferta. E, como dizia o ex-presidente Juscelino Kubitscheck, "energia cara é aquela que não existe".
NO MEIO DO CAMINHO - MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 12/11
A maioria das pessoas que abre um novo negócio no Brasil está concentrada na classe C. Uma pesquisa encomendada pelo Sebrae revela que 55,5% são desse grupo; 37,5% são das classes A e B e só 7,3% de D e E.
POR DENTRO
De acordo com o presidente do Sebrae Nacional, na média mundial os empreendedores estão concentrados em faixas de renda mais altas. Os números mostram, portanto, que no Brasil o empreendedorismo é "fator de inclusão social". Os negócios mais comuns na classe C são venda de roupas, cabeleireiro, alvenaria, lanchonetes, mercearias e armazéns.
DO BARULHO
Quatro viaturas baixaram no Bagatelle Bistrot na noite da última quinta-feira. A polícia foi acionada por vizinhos da recém-inaugurada franquia da badalada casa de Nova York. A sucursal paulistana abriu as portas na última semana na rua Padre João Manuel, nos Jardins.
DO BARULHO 2
O advogado Ricardo Melaré, um dos dez sócios do local, diz que o restaurante conta com sistema de vedação de som. "Seguimos 100% as normas da prefeitura e estamos aberto ao diálogo com a vizinhança." Segundo ele, a polícia não comprovou excessos. Inconformado, um dos vizinhos insones jogou ovos pela janela.
VILA DA TRISTEZA
"Tristeza", de Niltinho Tristeza e Haroldo Lobo, foi a canção mais executada no bairro da Vila Madalena, em SP, no primeiro semestre. Cartola fica com o terceiro e quarto lugares, com "Tive Sim" e "O Sol Nascerá". "E Vamos à Luta", de Gonzaguinha, está em sexto.
O tema do desenho "Bob Esponja" fica em oitavo, segundo o Ecad, que faz medição em bares, casas noturnas e lojas.
SÓ QUERO SER FELIZ
A cantora Vanessa da Mata está em Los Angeles gravando seu novo álbum, com produção dos músicos Kassin e Liminha.
Durante esse novo projeto, ela se desligou do escritório que gerenciava sua carreira. Aos amigos ela tem dito que está "em busca de uma relação profissional feliz".
OLHA O GONGO!
Acontece hoje, às 21h, no teatro Sérgio Cardoso, o Show do Gongo. A competição, que desde 1999 era só entre vídeos feitos pelo público, terá humor stand-up, performance e dança "bate-cabelo".
Pela primeira vez, a apresentadora Marisa Orth pediu um segurança para ficar no palco, com medo da reação de quem for rejeitado por ela, que toca um gongo quando não gosta do número. "Fica todo o mundo histérico na hora", diz o criador do evento, André Fischer.
ÁGUA SUJA
A ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, criticou a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de SP) no Fórum de Sustentabilidade da revista "Exame": "Se vocês soubessem a qualidade da água de um rio que sai de SP e chega ao Rio não iriam mais para a cidade maravilhosa".
ÁGUA SUJA 2
A Sabesp afirma que a qualidade da água do rio Paraíba do Sul, no seu trecho paulista, é reconhecida e atestada pela Agência Nacional de Águas em documento que examina os recursos hídricos no país. Quanto às águas que chegam ao Rio, a empresa diz que sua "área de atuação vai apenas até a divisa entre os dois Estados".
SHOW DO TUFÃO
Murilo Benício interrompe suas férias após a novela "Avenida Brasil" para fazer presença em um evento em SP. Ele estará no shopping JK Iguatemi amanhã, na inauguração de uma relojoaria.
COMIDA CURA
Os médicos David Poplack e Murali Chintagumpala, do Texas Children's Hospital, foram homenageados em jantar promovido pela Tucca (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer). A florista Luly Vidigal e Lucila Furlan foram ao evento, no Real Parque.
FLASHES
O galerista Alex Bueno de Moraes e o publicitário Mario Cohen foram à abertura da feira SP - Arte/Foto. A edição deste ano aconteceu no shopping JK Iguatemi, da família de Carlos Jereissati Filho.
Curto-circuito
Alexandre Borges apresenta o espetáculo "Poema Bar" no teatro Sesi da av. Paulista, às 20h30. Livre.
O ator James Franco vai a festa na Gucci do shopping JK Iguatemi, às 19h.
O filme "Amanhecer - Parte 2", da saga "Crepúsculo", tem pré-estreia na quarta, às 21h, no Cinépolis JK Iguatemi. 12 anos.
A Família Schürmann faz palestra, às 20h, no Colégio I.L Peretz.
JR Duran lança o número três da revista "Nacional" no Kosushi do shopping Cidade Jardim, às 20h.
Começa hoje o projeto "Lê pra Mim?", em que famosos lerão para crianças.
Óleo da discórdia - PAULO GUEDES
O GLOBO - 12/11
Nunca antes na História deste país tantos políticos foram com tanta sede aos poços. A riqueza submersa do pré-sal tornou-se o óleo da discórdia. A guerra dos royalties é fruto da profunda insatisfação com o atual regime de distribuição dos recursos orçamentários entre as unidades da Federação. É apenas outra face da omissão do Congresso, de um vácuo legislativo quanto à reforma fiscal. E também da ausência desse tema fundamental na agenda do Poder Executivo nos sucessivos governos.
Prefeitos, governadores e suas bancadas de deputados e senadores exercem pressões legítimas pela descentralização de recursos e atribuições da União para os estados e municípios. Para o atendimento das novas prioridades de uma democracia emergente, a Constituição de 1988 deflagrou o início desta sístole representativa. Porém, mesmo governantes que se dizem progressistas têm resistido à descentralização administrativa associada a essas transferências de recursos.
Para aumentar sua arrecadação e sua influência política, o governo federal recorreu com frequência a contribuições não compartilhadas com estados e municípios. Teria de reduzir a participação da União nos royalties do petróleo, como entendeu Lula após vetar a proposta anterior. A concentração de poder político e recursos públicos no governo federal, um quarto de século após a redemocratização, demonstra uma transição inacabada do antigo regime militar rumo à grande sociedade aberta.
Agora o pau vai comer. Estados do Norte e do Nordeste, que se lançaram com extraordinário apetite sobre os royalties do petróleo, podem estar atirando em seu próprio pé. As próximas licitações programadas para 2013 ocorrem em sua região, tornando-os potencialmente estados produtores. Por sua ganância, serão retaliados sem paternalismo ou condescendência quando forem redefinidos os critérios de distribuição dos recursos do Fundo de Participação dos Estados.
O presidente da Câmara, deputado Marco Maia, se equivoca quando diz que o governador Sérgio Cabral exagera ao advertir para o caos financeiro no Rio, com repercussões sobre a Copa e a Olimpíada. Faltou dizer da tragédia eleitoral que se abaterá sobre a chapa Dilma-Temer (PT-PMDB) nas eleições de 2014. Terão zero voto entre cariocas e fluminenses.
É a geografia, estúpido - JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO
O Estado de S.Paulo - 12/11
Mesmo dentro de uma metrópole, vivemos em aldeias. As comunidades, quarteirões, bairros comem, vestem, constroem e também votam parecido. Pressão dos pares, convivência, desejo de ser aceito, de pertencer, de ser igual. Sejam quais forem as razões subjacentes, elas têm um poder maior do que qualquer outra estrutura social no resultado da eleição.
É duas vezes mais fácil um paulistano votar igual a seu vizinho do que a outro paulistano que tenha renda ou escolaridade equivalente à sua mas more num bairro muito diferente do dele. Em São Paulo, a geografia prevê com o dobro de precisão o comportamento do eleitor do que a economia. Não é força de expressão. É um fato estatístico, medido pelo Ibope.
Essa constatação ajuda a enterrar mitos sobre como se forma a opinião pública. Ela não obedece a lei da gravidade, as tendências não viajam de cima para baixo. Não são os mais escolarizados que "ensinam" os sem-diploma a votar, nem os mais ricos influenciam o voto dos mais pobres. Os movimentos são laterais, se espalham e se espelham entre semelhantes.
Por isso, as redes sociais de carne e osso são politicamente mais influentes do que os meios de comunicação desde há muito tempo. O que Orkut, Twitter e Facebook fizeram foi explodir as fronteiras físicas e potencializar, virtualmente, um fenômeno real.
Usando uma bateria de testes estatísticos chamados "qui-quadrado", o Ibope mediu o grau de associação entre variáveis usadas para analisar o voto - como escolaridade, renda, idade e religião. Segundo a CEO do Ibope Inteligência, Marcia Cavallari, nenhuma variável antecipou tão bem o comportamento do eleitor quanto as áreas homogêneas delineadas pelo Estadão Dados em parceria com o próprio Ibope.
Mais importante, o teste estatístico rodado no banco de dados das pesquisas de intenção de voto se confirmou nas urnas.
Desde 2008 exatamente as mesmas zonas eleitorais paulistanas têm votado majoritariamente em candidatos petistas a prefeito, governador e presidente no primeiro turno. Outro tanto de zonas votou em peso no candidato que melhor encarnou a antítese do petista em cada pleito. Dois polos que se repelem eleitoralmente, mas se completam economicamente.
No segundo turno, ganha quem invade o território alheio. José Serra (PSDB) invadiu a área homogênea petista em 2004 e derrotou Marta Suplicy (PT). Desta vez, Fernando Haddad (PT) deu o troco. O sentido da invasão depende da conjuntura de cada eleição: se o eleitor está satisfeito e quer continuidade do governante ou se, ao contrário, desaprova o prefeito da vez e quer mudança, por exemplo.
As oscilações conjunturais fazem o resultado da eleição pender de um partido para o outro. Mas elas não derrubam as estruturas do voto nem embaralharam as zonas eleitorais aleatoriamente.
A princípio, atribuiu-se a homogeneidade geográfica do voto a eleitores que compartilhavam a mesma renda e escolaridade. O que o estudo demostra é que a proximidade comunitária é mais importante do que semelhanças socioeconômicas. O eleitor que fez faculdade votará diferente se morar no Morumbi ou em Guaianases.
A aldeia a que pertence explica melhor por que um eleitor vota contra certo partido do que o quanto ele tem no bolso. Ele vai se guiar mais pelas conversas com familiares e amigos do que por quantos diplomas pendurou na parede.
Outro resultado do estudo do Ibope foi a comprovação de que, de todas as variáveis analisadas, a única que não está associada à decisão do voto é a religião. Numa eleição majoritária, tanto faz se o eleitor é católico, evangélico ou agnóstico. A opção religiosa não define a escolha do prefeito ou presidente. Políticos que bajulam padres e pastores perdem tempo e dinheiro, entre outras coisas.
O voto geográfico não é exclusividade paulistana. Aparece de Manaus a Salvador, diz Marcia Cavallari. Tampouco é uma jabuticaba, um brasileirismo. Nos EUA, é até mais fácil de ver por conta do bipartidarismo. Os Estados e condados têm duas cores possíveis: são vermelhos quando votam no partido Republicano ou azuis quando sufragam o Partido Democrata. Mudar de cor é como virar-casaca no futebol, compara Marcia.
Do universo vê-se uma procissão de aldeias, azuis e vermelhas. Algumas estão juntas e formam cidades, mas ainda assim são aldeias. Preservam sua unidade homogênea em meio à diversidade urbana. Muitas outras mais estão esparsas entre suas iguais. Formam um miolo avermelhado envolto por aldeias de outra cor. O mapa eleitoral dos EUA é uma melancia de casca azul.
Haddad e o mercado - VERA MAGALHÃES - PAINEL
FOLHA DE SP - 12/11
O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad, escolheu e deve anunciar hoje o economista Marcos Cruz, 37 anos, da empresa McKinsey & Company, para a Secretaria de Finanças, pasta nevrálgica, que terá de renegociar a dívida da cidade. Cruz atuou na consultoria que a McKinsey presta ao governo federal em parceria com o Movimento Brasil Competitivo, iniciativa da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, pilotada pelo empresário Jorge Gerdau.
Perfil 1 Graduado pela Unicamp e com MBA no Insead, na França, Marcos Cruz é sócio global da McKinsey desde 1999, responsável pela área de Educação na América Latina. É tido no meio acadêmico como um dos maiores especialistas do país da "segunda onda de gestão", que prioriza de planejamento com foco em resultado.
Perfil 2 O novo secretário de Finanças concentrou sua atuação nos últimos anos em planejamento estratégico e implantação de projetos para clientes públicos e privados. Defende que um gestor deve ter no máximo 50 prioridades e se concentrar nelas.
Núcleo duro 1 Além do titular de Finanças, Haddad escalará dois ex-secretários do governo Marta Suplicy. Segundo relatos do eleito a petistas, o vereador Antonio Donato, que coordenou a campanha e chefia a transição, será secretário de Governo. Ele ocupou a pasta de subprefeituras na gestão Marta.
Núcleo duro 2 Braço-direito de Haddad no MEC, Luís Fernando Massonetto assumirá a Secretaria de Negócios Jurídicos, função que já ocupou por dois meses na administração da ex-prefeita.
Núcleo duro 3 O prefeito eleito formalizará ainda hoje o arquiteto Fernando de Mello Franco, da USP de São Carlos, para a pasta de Desenvolvimeto Urbano, conforme antecipou anteontem a coluna Mônica Bergamo. Ele atuou na elaboração do programa de governo do PT.
Arremeteu O acidente no aeroporto de Congonhas impediu viagem de Haddad a Brasília ontem, onde deveria jantar com o ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades), interlocutor do PP para negociar a participação do partido de Paulo Maluf na gestão.
Pedindo água Dilma Rousseff anuncia amanhã o "Mais Irrigação", que prevê cerca de R$ 3 bilhões para o combate à seca do Nordeste. É mais um modo de a presidente fincar uma bandeira no Nordeste e se contrapor às articulações de Eduardo Campos (PSB) para disputar a Presidência em 2014.
Para foto A cerimônia terá pompa e circunstância, com a presença dos governadores da região, entre eles o de Pernambuco, no Planalto.
Agente duplo O plano foi concebido pelo ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, que é do partido de Eduardo Campos. Na sexta, na volta de Salvador, ele mostrou o projeto a Dilma, que o considerou pronto para ser divulgado.
Independente FC Um grupo de 11 senadores jantou na semana passada no apartamento de Jarbas Vasconcelos (PMDB) para costurar uma candidatura alternativa à de Renan Calheiros (PMDB-AL) à presidência da Casa.
Prospecção O anfitrião defende a escolha de Ricardo Ferraço, pelo fato de ser do PMDB. Senador em primeiro mandato, o capixaba tem dito que prefere não ser o ungido. O jantar reuniu nomes de PMDB, PSDB, PSOL e PDT, mas a articulação tem ainda apoios no PP e no PSB.
Na OAB... A escolha para a presidência da OAB-SP repete lances da disputa partidária. A chapa de Ricardo Sayeg registrou boletim de ocorrência contra a divulgação de pesquisa Ibope entre os filiados da entidade.
... como na política O candidato oposicionista também deve ir à Justiça para forçar que a eleição use urnas eletrônicas, e não votação manual, como está previsto.
Tiroteio
Se o 'Homem Novo' nomear o líder de Kassab, será o maior estelionato eleitoral desde que Lula pôs o tucano Henrique Meirelles no BC.
DO TESOUREIRO DO PSDB, FÁBIO LEPIQUE, sobre o vereador reeleito Roberto Trípoli (PV) ser cotado para a Secretaria do Verde e Meio Ambiente de Haddad.
Contraponto
Duplamente imortal
Em recente reunião do PMDB no Palácio do Jaburu, o presidente do Senado, José Sarney (AP), interrompeu as conversas políticas para contar uma piada:
-Vocês já conhecem aquela da chegada da Hebe Camargo no céu?
Diante da negativa geral, emendou:
-Ela chegou e foi logo dizendo: 'São Pedro, gracinha! Mas e o Sarney, não vem nunca?'
Todos riram do humor autorreferente do imortal da ABL.
Chave para a prosperidade - RUBENS RICUPERO e JAMAL KHOKHAR
O GLOBO - 12/11
Precisamos assegurar estágios de alta qualidade para alunos brasileiros no Canadá e aumentar esforços para atrair alunos e pesquisadores canadenses ao Brasil
Temos muito a celebrar no âmbito das relações entre o Brasil e o Canadá. O Canadá se comprometeu a receber 12 mil estudantes brasileiros através do programa Ciência sem Fronteiras, o que o coloca como um dos principais parceiros do Brasil neste programa inovador.
O foco na educação, ciência, tecnologia e inovação é vital à melhoria da competitividade em nossos países, para garantir uma taxa de crescimento sustentável e criar empregos de qualidade em setores estratégicos em uma economia do conhecimento.
Em muitos setores-chaves, o Brasil e o Canadá já estão entre os países mais inovadores do mundo. Possuem, ainda, em abundância, as principais necessidades do sucesso no mundo de hoje — recursos naturais, água e terras produtivas. Contamos com uma base forte na área de ciência e tecnologia, e lideramos o mundo em vários setores, como comunicações e energia. Podemos, no entanto, fazer mais.
A chave para a prosperidade sustentável tem sido o desenvolvimento de estratégias que acelerem a transição para uma nova era criativa em todas as disciplinas. Isso porque a inovação não se resume apenas a cientistas em aventais brancos trabalhando em laboratórios isolados, mas também a pessoas da vida real criando aplicações práticas no dia a dia. Trata-se de estabelecer parcerias para a criação e aplicação de uma nova geração de conhecimento e fazer florescer uma interação ativa entre o setor privado e as universidades, faculdades e institutos politécnicos.
Por meio da colaboração internacional em pesquisas e intercâmbios acadêmicos, o conhecimento se transforma em uma ferramenta ainda mais valiosa, pois a troca expandida de ideias estimula a criatividade e permite ampliar os horizontes da imaginação.
Impulsionadas pela inovação colaborativa, nossas economias oferecem grandes oportunidades para a cooperação mútua, o que resulta em maior competitividade para ambos.
O Canadá já é o destino preferido dos brasileiros para aprender uma segunda língua e temos um número crescente de alunos buscando oportunidades para fazer faculdade, graduação e pós-graduação no país. Ademais, os mais de 200 acordos entre as nossas instituições, inclusive 75 novas parcerias firmadas recentemente, podem permitir melhores condições para facilitar o intercâmbio e o reconhecimento dos cursos e diplomas entre nossos países.
No âmbito do programa Ciências sem Fronteiras, o Fórum Empresarial Brasil-Canadá, lançado pela presidente Rousseff e pelo primeiro-ministro Harper no ano passado, é uma forma de assegurar estágios de alta qualidade para os alunos brasileiros, a fim de proporcionar a experiência necessária para esses alunos voltarem ao Brasil e contribuírem, concretamente, para o crescimento de uma economia do conhecimento e em uma colaboração mais abrangente entre os nossos países. Devemos aumentar, também, os esforços para atrair alunos e pesquisadores canadenses ao Brasil para que essa cooperação ocorra em ambas as direções.
Acima de tudo, precisamos unir forças para moldar as tendências — regionais e mundiais — no sentido de criar e comercializar novos conhecimentos em ciência e tecnologia e, por fim, impulsionar a prosperidade mútua.
Precisamos assegurar estágios de alta qualidade para alunos brasileiros no Canadá e aumentar esforços para atrair alunos e pesquisadores canadenses ao Brasil
Temos muito a celebrar no âmbito das relações entre o Brasil e o Canadá. O Canadá se comprometeu a receber 12 mil estudantes brasileiros através do programa Ciência sem Fronteiras, o que o coloca como um dos principais parceiros do Brasil neste programa inovador.
O foco na educação, ciência, tecnologia e inovação é vital à melhoria da competitividade em nossos países, para garantir uma taxa de crescimento sustentável e criar empregos de qualidade em setores estratégicos em uma economia do conhecimento.
Em muitos setores-chaves, o Brasil e o Canadá já estão entre os países mais inovadores do mundo. Possuem, ainda, em abundância, as principais necessidades do sucesso no mundo de hoje — recursos naturais, água e terras produtivas. Contamos com uma base forte na área de ciência e tecnologia, e lideramos o mundo em vários setores, como comunicações e energia. Podemos, no entanto, fazer mais.
A chave para a prosperidade sustentável tem sido o desenvolvimento de estratégias que acelerem a transição para uma nova era criativa em todas as disciplinas. Isso porque a inovação não se resume apenas a cientistas em aventais brancos trabalhando em laboratórios isolados, mas também a pessoas da vida real criando aplicações práticas no dia a dia. Trata-se de estabelecer parcerias para a criação e aplicação de uma nova geração de conhecimento e fazer florescer uma interação ativa entre o setor privado e as universidades, faculdades e institutos politécnicos.
Por meio da colaboração internacional em pesquisas e intercâmbios acadêmicos, o conhecimento se transforma em uma ferramenta ainda mais valiosa, pois a troca expandida de ideias estimula a criatividade e permite ampliar os horizontes da imaginação.
Impulsionadas pela inovação colaborativa, nossas economias oferecem grandes oportunidades para a cooperação mútua, o que resulta em maior competitividade para ambos.
O Canadá já é o destino preferido dos brasileiros para aprender uma segunda língua e temos um número crescente de alunos buscando oportunidades para fazer faculdade, graduação e pós-graduação no país. Ademais, os mais de 200 acordos entre as nossas instituições, inclusive 75 novas parcerias firmadas recentemente, podem permitir melhores condições para facilitar o intercâmbio e o reconhecimento dos cursos e diplomas entre nossos países.
No âmbito do programa Ciências sem Fronteiras, o Fórum Empresarial Brasil-Canadá, lançado pela presidente Rousseff e pelo primeiro-ministro Harper no ano passado, é uma forma de assegurar estágios de alta qualidade para os alunos brasileiros, a fim de proporcionar a experiência necessária para esses alunos voltarem ao Brasil e contribuírem, concretamente, para o crescimento de uma economia do conhecimento e em uma colaboração mais abrangente entre os nossos países. Devemos aumentar, também, os esforços para atrair alunos e pesquisadores canadenses ao Brasil para que essa cooperação ocorra em ambas as direções.
Acima de tudo, precisamos unir forças para moldar as tendências — regionais e mundiais — no sentido de criar e comercializar novos conhecimentos em ciência e tecnologia e, por fim, impulsionar a prosperidade mútua.
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
FOLHA DE SP - 12/11
São Paulo 2020
Para sediar a Expo 2020, a Prefeitura da cidade prevê a construção de um grande centro de convenções. Mas não espera lucro com o evento
Projeto do centro de convenções que receberá a Exposição Universal em oito anos se São Paulo for a cidade escolhida
A Prefeitura de São Paulo estrutura uma PPP (parceria público-privada) para erguer em três fases os 715 mil m² de um novo centro de convenções, em uma área de 5,7 km² (mais de três vezes o tamanho do parque Ibirapuera).
"Na PPP, será criada uma sociedade de propósito específico, na qual participarão o vencedor da licitação para ser sócio da prefeitura e a SPTuris, que terá 49%", afirma o secretário municipal Marcos Cintra (Desenvolvimento Econômico e Trabalho).
Além de R$ 2,2 bilhões em investimentos apenas para a construção da primeira fase do centro, será necessário um aporte público de cerca de R$ 1,5 bilhão para obras de acesso da Rodovia Bandeirantes, saneamento, despoluição, além de desapropriações.
"Não são gastos, mas um legado que fica para SP, e que estariam fora da PPP."
Se São Paulo for eleita, a organização da Exposição Universal 2020 demandará outros recursos, da ordem de R$ 5,9 bilhões, públicos e privados, diz o secretário.
Para obras de infraestrutura, como as do metrô, irão outros R$ 18 bilhões.
"Temos o apoio imprescindível dos governos estadual e federal." Uma outra área será disponibilizada para a construção de pavilhões dos países, restaurantes, parques e uma torre ambiental.
A expectativa é atrair 30 milhões de visitantes, em seis meses. Xangai (China) obteve mais de 70 milhões na feira de 2010.
"Prevemos receitas de cerca de R$ 6,1 bilhões com patrocínios e venda de 21 milhões de ingressos", diz.
"A ideia não é dar lucro. Se sobrarem, serão apenas R$ 200 milhões. E, nesse caso, baratearíamos os ingressos estimados em cerca de R$ 71."
As obras em Milão (Itália), para o evento em 2015, estão em cerca de R$ 10 bilhões.
Para Cintra, a Expo acelerará investimentos na área.
"Além disso, o setor de eventos, uma vocação de São Paulo, é dos que mais crescem. E as instalações para feiras, como o Anhembi, estão obsoletas e insuficientes."
ELEIÇÃO EM PARIS
O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab e o seu sucessor, Fernando Haddad, vão participar de reuniões de apresentação da candidatura da cidade para sede da Exposição Universal 2020, entre os dias 20 e 22, em Paris.
Na comitiva, estarão também representantes da Abdib (associação de infraestrutura) e de empresas interessadas no projeto.
A cidade concorrerá com Dubai (Emirados Árabes Unidos), Esmirna (Turquia), Ayuthaya (Tailândia) e Iekaterinburgo (Rússia).
As duas primeiras são consideradas as candidatas de maior potencial para vencer.
A eleição para sediar o evento, que reúne dezenas de países durante seis meses, está marcada apenas para o ano que vem.
GIGANTES DO ORIENTE
O Brasil pode deixar de exportar apenas commodities para a China e passar a vender produtos industrializados, segundo o sócio-sênior da consultoria BCG (Boston Consulting Group) Michael Silverstein, que esteve no Brasil na última semana.
"Mas o governo tem de ajudar com capital e treinamento, e as empresas devem criar suas oportunidades", diz. "Os negócios da [rede de fast food americana] KFC na China passaram de US$ 500 milhões para US$ 5 bilhões em dez anos. Mas a companhia criou seu espaço, com serviço 24 horas e entrega feita com bicicletas."
A Índia é outro país em que o Brasil precisa prestar atenção, sugere. Com o ritmo de crescimento de sua população, "tem potencial para ser o principal do mundo entre 2020 e 2030."
Já estamos em quarto...em presos - ALEXANDRE BARROS
O ESTADÃO - 12/11
Nada para celebrar. Matéria da revista The Economist sobre prisões, publicada na edição de 22 de setembro, pinta um quadro desolador das cadeias nas Américas do Sul e Central. O Brasil chegou ao quarto lugar em número de presos no mundo.
Apesar do crescimento vertiginoso da classe C e de sermos a sexta economia do mundo, não vi em nenhum lugar o governo comemorando esse quarto lugar. Julita Lemgruber, socióloga e ex-diretora do Sistema Prisional do Estado do Rio de Janeiro, encabeçou uma campanha, na década de 1990, para mudar a lei e possibilitar que acusados de crimes não violentos, cujas possíveis penas não ultrapassassem quatro anos, pudessem ser beneficiados com penas alternativas, isto é, que não envolvessem encarceramento. Aprovada a lei, ela descobriu quando era que a porca torcia o rabo: os juízes não queriam condenar pessoas a penas alternativas, preferiam mandar os condenados para a cadeia, apesar da lei. É a visão de que prisão é vingança, e não apenas o que deveria ser: uma maneira de isolar criminosos violentos.
Recentemente ouvi uma entrevista de uma senhora, se não me engano, do Ministério Público de São Paulo, falando sobre tráfico de animais silvestres. Estamos na época do nascimento de papagaios, quando os colecionadores se dedicam com mais afinco a traficar as pobres aves. Ela reclamava de que era muito difícil prender alguém por esse crime. E, mesmo preso e condenado, "só passaria um ano na cadeia". Qualquer pessoa de bom senso percebe que prender alguém por um ano por vender um papagaio "ilegal" envolve enorme desproporcionalidade entre o crime e a pena.
Pior é a desproporcionalidade econômica. Encarcerar custa muito caro. O processo é longo e penoso. É verdade que gera trabalho para policiais, advogados, promotores e juízes. Se condenados, há o custo de trancafiar os culpados, por 12 meses, como hóspedes involuntários do Estado, como gostava de dizer o Barão de Itararé. O preso terá de comer, dormir, vestir-se, banhar-se, receber cuidados médicos e ser vigiado por agentes penitenciários, por piores que sejam as condições prisionais no País. Quase todo mundo sabe disso, mas ninguém fala. Essa conta não fecha. É um investimento perdedor. Uma empresa tentando funcionar com base nessas finanças faliria rapidamente, só que Estados não falem.
Milton Friedman, Prêmio Nobel de Economia, dizia que quando alguém gasta dinheiro dos outros (leia-se nosso) em benefício dos outros (presumivelmente, nós), não importam nem o custo nem a qualidade do serviço. Como o governo não produz nada, só extrai recursos de quem faz. E o pior: para pagar despesas decididas por parlamentares eleitos, que não precisam se preocupar com os gastos, porque nós pagaremos. Se um crime faz "sucesso" nos noticiários de televisão, os parlamentares o tornam hediondo. Dobram a pena... e a despesa.
Com a crise, os malabarismos amanteigados da política econômica aumentam. O governo quer mágica: cortar despesas sem reduzir custos. O setor de prisões não é irrelevante.
Temos atualmente, segundo os dados da The Economist, 515 mil cidadãos na cadeia, já condenados. E outros mais que já cumpriram suas penas, mas a burocracia ainda não encontrou tempo para libertá-los. Como a grande maioria dos presos cai na categoria "ppp" (pretos, prostitutas e pobres), a sociedade prefere esquecer-se disso.
Estamos formando recursos humanos competentíssimos para o crime. O tempo que presos passam na cadeia equivale a uma pós-graduação em tempo integral e de dedicação exclusiva. Entra traficante de papagaio, sai assassino. Quem sabe os Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia se dedicam a fazer um estudo sobre isso, para ver se alguma coisa se aproveita para tornar mais eficiente essa "política de formação de mão de obra"?
Mas a porca já avisou que vai torcer o rabo mais uma vez: acabou a prisão especial e, com a democratização do ensino superior (de maior ou de menor qualidade, não é o caso de discutir aqui), a turma do "ppp" está chegando à faculdade. Como fica a elite? Mudará a lei para prender menos gente, reservando a prisão para crimes violentos, a fim de nos vermos livres deste humilhante quarto lugar, ou continuaremos a encarcerar com a mesma sanha?
A pós-graduação em crime obtida na cadeia é exclusiva em relação a outros treinamentos de alto nível. Deixamos estar para ver como é que fica? Ou pensaremos seriamente em reabilitar as pessoas que cometeram violações legais não violentas sem mandá-las para a prisão?
A demografia dos Brics pode nos dar conselhos sobre isso. A China e a Índia têm população sobrando. Se desperdiçarem alguns milhões, seu progresso e seu crescimento não serão ameaçados. A Rússia e o Brasil, não. Na Rússia a população já está em queda. No Brasil o ritmo de crescimento populacional reduziu-se bastante e, pelas estimativas que fazem os demógrafos - os únicos cientistas sociais que têm capacidade real de prever o futuro acertadamente -, nossa população se estabilizará em torno de 2030 e daí para a frente começará a declinar. Não temos, portanto, o superávit populacional da China e da Índia, que permite desperdícios. Aqui, cada cidadão produtivo recuperável que perdermos em definitivo para o crime fará falta. E muita.
É alentador ler as declarações de Marcos Carneiro de Lima, delegado-geral da Polícia Civil (Estado, 28/9): "Não defendo que a prisão seja solução para todos os crimes, como furtos e outros casos mais leves. A prisão deve ser lugar de crimes violentos". Esperemos que mais pessoas responsáveis por essas áreas se mobilizem para que possamos usar produtivamente os recursos humanos que as cadeias têm enorme potencial de desperdiçar.
Ideologia que empobrece - ANTONIO ABRUNHOSA
FOLHA DE SP - 12/11
Delegados dos ministérios da saúde no evento da ONU sobre o tabaco ignoram a realidade. Querem prejudicar produtores, consumidores e o Sul do Brasil
A Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), criada em 1999, foi o primeiro tratado internacional promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma agência das Nações Unidas, que considerou o tabaco a maior ameaça para a saúde no mundo, antes da AIDS, malária ou cólera.
Após tantos anos, podemos constatar dois fatos preocupantes: primeiro, em todo esse tempo e apesar das dezenas de milhões de dólares gastos pelos grupos de trabalho, a OMS não produziu um único estudo que mostre a viabilidade de uma cultura capaz de substituir o tabaco numa região produtora ou num país.
Segundo, apesar de a CQCT ter como objetivo diminuir o consumo e a exposição à fumaça do tabaco, os temas que serão discutidos e votados na 5ª Conferência das Partes (COP 5) da CQCT, entre 12 e 17 de novembro, em Seul, na Coreia do Sul, estão diretamente relacionados à produção de tabaco.
As ideias avançadas por alguns países membros dos grupos de trabalho no início de 2012 demonstraram o perigo de deixar a proposta e discussão destas medidas nas mãos de delegados de ministérios da saúde, que ignoram a realidade da produção de tabaco em âmbito global.
Só o desconhecimento de causa explicaria a sugestão de medidas como a proibição do apoio técnico e dos contratos entre produtores e empresas compradoras, a proibição de empréstimos bancários e de qualquer apoio do governo aos produtores de tabaco, o desmantelamento de organismos que relacionam os governos com os produtores e a redução por decreto da área plantada.
Tudo isso é proposto sem que qualquer alternativa seja apontada para os produtores que teriam de abandonar a cultura.
Aliás, o Brasil, que exporta 85% da sua produção atual, antecipou-se com a criação de uma medida para restringir a produção de tabaco. Lançada em junho, pelo Banco Central, a resolução foi contestada por ministros por conta de sua completa inviabilidade no meio rural. Voltou-se atrás na decisão.
Maior exportador mundial de tabaco desde 1993 e o segundo maior produtor, tais medidas criariam caos na região Sul, onde se concentra 96% da produção nacional. E, pior, sem se verificar qualquer efeito positivo na saúde dos fumantes, que continuariam a utilizar produtos contrabandeados ou produzidos em países concorrentes que nem sequer ratificaram a CQCT -caso dos EUA, da vizinha Argentina, dos africanos Zimbábue e Malaui e da Indonésia.
Se a própria OMS prevê a continuidade do número de fumantes nas próximas décadas, esses países ficariam satisfeitos em substituir a produção brasileira, que hoje emprega mais de 2,5 milhões de brasileiros e gera mais de R$ 10 bilhões aos cofres públicos.
Paradoxalmente, a CQCT recusou até hoje a participação de qualquer das organizações que participam da Associação Internacional dos Produtores de Tabaco (ITGA), que representam mais de 30 milhões de produtores espalhados por mais de 20 países em quatro continentes.
Ninguém conhece melhor as possíveis alternativas à cultura e as condições da sua viabilidade do que os produtores de tabaco que as vêm buscando há décadas.
A recusa obstinada da CQCT apenas deixa aos produtores a via da contestação e da luta contra medidas que apenas arruinariam a vida das suas famílias. No Brasil, não é diferente: a ideologia está cegando o governo brasileiro e pode empobrecer milhares de cidadãos que não plantam tabaco por diversão: estão ganhando seu sustento e sua dignidade a cada safra -em 2012, somente o tabaco gerou R$ 4,6 bilhões de receita aos produtores brasileiros.
Delegados dos ministérios da saúde no evento da ONU sobre o tabaco ignoram a realidade. Querem prejudicar produtores, consumidores e o Sul do Brasil
A Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), criada em 1999, foi o primeiro tratado internacional promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma agência das Nações Unidas, que considerou o tabaco a maior ameaça para a saúde no mundo, antes da AIDS, malária ou cólera.
Após tantos anos, podemos constatar dois fatos preocupantes: primeiro, em todo esse tempo e apesar das dezenas de milhões de dólares gastos pelos grupos de trabalho, a OMS não produziu um único estudo que mostre a viabilidade de uma cultura capaz de substituir o tabaco numa região produtora ou num país.
Segundo, apesar de a CQCT ter como objetivo diminuir o consumo e a exposição à fumaça do tabaco, os temas que serão discutidos e votados na 5ª Conferência das Partes (COP 5) da CQCT, entre 12 e 17 de novembro, em Seul, na Coreia do Sul, estão diretamente relacionados à produção de tabaco.
As ideias avançadas por alguns países membros dos grupos de trabalho no início de 2012 demonstraram o perigo de deixar a proposta e discussão destas medidas nas mãos de delegados de ministérios da saúde, que ignoram a realidade da produção de tabaco em âmbito global.
Só o desconhecimento de causa explicaria a sugestão de medidas como a proibição do apoio técnico e dos contratos entre produtores e empresas compradoras, a proibição de empréstimos bancários e de qualquer apoio do governo aos produtores de tabaco, o desmantelamento de organismos que relacionam os governos com os produtores e a redução por decreto da área plantada.
Tudo isso é proposto sem que qualquer alternativa seja apontada para os produtores que teriam de abandonar a cultura.
Aliás, o Brasil, que exporta 85% da sua produção atual, antecipou-se com a criação de uma medida para restringir a produção de tabaco. Lançada em junho, pelo Banco Central, a resolução foi contestada por ministros por conta de sua completa inviabilidade no meio rural. Voltou-se atrás na decisão.
Maior exportador mundial de tabaco desde 1993 e o segundo maior produtor, tais medidas criariam caos na região Sul, onde se concentra 96% da produção nacional. E, pior, sem se verificar qualquer efeito positivo na saúde dos fumantes, que continuariam a utilizar produtos contrabandeados ou produzidos em países concorrentes que nem sequer ratificaram a CQCT -caso dos EUA, da vizinha Argentina, dos africanos Zimbábue e Malaui e da Indonésia.
Se a própria OMS prevê a continuidade do número de fumantes nas próximas décadas, esses países ficariam satisfeitos em substituir a produção brasileira, que hoje emprega mais de 2,5 milhões de brasileiros e gera mais de R$ 10 bilhões aos cofres públicos.
Paradoxalmente, a CQCT recusou até hoje a participação de qualquer das organizações que participam da Associação Internacional dos Produtores de Tabaco (ITGA), que representam mais de 30 milhões de produtores espalhados por mais de 20 países em quatro continentes.
Ninguém conhece melhor as possíveis alternativas à cultura e as condições da sua viabilidade do que os produtores de tabaco que as vêm buscando há décadas.
A recusa obstinada da CQCT apenas deixa aos produtores a via da contestação e da luta contra medidas que apenas arruinariam a vida das suas famílias. No Brasil, não é diferente: a ideologia está cegando o governo brasileiro e pode empobrecer milhares de cidadãos que não plantam tabaco por diversão: estão ganhando seu sustento e sua dignidade a cada safra -em 2012, somente o tabaco gerou R$ 4,6 bilhões de receita aos produtores brasileiros.
Tiro que sai pela culatra - GEORGE VIDOR
O GLOBO - 12/11
A redução esperada para as tarifas de eletricidade pode não ocorrer da forma que o governo anunciou
Os analistas financeiros fizeram as contas e acham que, pelo menos para as companhias abertas do setor elétrico, valeria mais a pena manter por dois ou três anos as concessões de usinas hidrelétricas com as tarifas atuais, do que renová-las por trinta anos nas condições propostas pelo governo. Se isso vier a acontecer não ocorrerá a almejada redução de 16% dos preços da energia elétrica para o público, em média, já a partir do ano que vem, como pretendido pela presidente Dilma. Haveria assim um desgaste político, que ainda pode ser evitado. O problema é que, qualquer que venha a ser a solução, isso significará um corte nas tarifas inferior ao que foi propagandeado pelo governo, e a oposição certamente saberá explorar esse recuo.
No entanto, manter tudo como está fará com a Chesf passe a faturar pouco mais de R$ 11 milhões mensais pela energia que gera nas usinas Paulo Afonso I, II, III ou IV, que são importantes para o subsistema do Nordeste e não podem ter sua manutenção negligenciada. A medida provisória que fixou as regras da renovação das usinas que terão seus contratos caducando a partir de 2015 pode sofrer emendas salvadoras no Congresso. Mas, depois da decisão sobre os royalties do petróleo, que não levou em conta questões técnicas e financeiras, é difícil esperar que deputados e senadores consigam legislar adequadamente sobre tema tão complexo como esse da energia elétrica. O melhor é que o próprio governo reveja a proposta para uma situação mais realista.
Como a maior parte das empresas privadas não deve ser atingida por essas mudanças, é possível que os investimentos prossigam no setor. No entanto, as estatais sairão do páreo, o que tornará os leilões de novas usinas menos concorridos. O resultado é que as tarifas da energia nova tenderão a subir mais, anulando o efeito de corte de preços da energia velha decorrentes da renovação das concessões.
Válvulas de escape para o crédito
Aproximadamente 75% do crédito dos grandes bancos estão concentrados nas 32 regiões metropolitanas, parcela ligeiramente superior à participação dessas áreas do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Nas chamadas cooperativas de crédito, essa relação é inversa, pois 75% de suas operações de crédito são realizadas fora das regiões metropolitanas, pois muitas delas têm origem na atividade rural. Somente a partir da gestão de Arminio Fraga é que o Banco Central voltou a abrir espaço para as cooperativas de crédito. Nos últimos anos, já com a regulamentação que as permite atuar em praticamente todas as atividades bancárias, as cooperativas tiveram um crescimento surpreendente, a ponto de mexer na estrutura de taxas de juros nas praças onde são mais atuantes. Um exemplo bem marcante é do Paraná. Em Maringá, onde a cooperativa local criou um clima de competição entre os bancos, as taxas de juros eram cerca de um terço mais baixas do que em Londrina, cidade situada a 100 quilômetros, que não contava com esse tipo de instituição. As cooperativas não têm fins lucrativos e geralmente usam seus ganhos para aumentar reservas. Excedentes de caixa do sistema são diariamente transacionados no mercado interbancário por uma instituição, o Bancoob.
Não é a tributação
As empresas que exploram e produzem petróleo no Brasil assumem, contratualmente, o compromisso de encomendar no país bens e serviços que correspondam a um determinado percentual do seu investimento total. Essa obrigatoriedade de conteúdo local é uma tentativa de aproveitar o potencial do mercado brasileiro para estimular a formação de uma extensa cadeia produtiva no setor de petróleo e gás. Mas evidentemente que em muitos segmentos dessa cadeia há empresas iniciantes, ainda sem escala de produção para serem competitivas. E há também os fatores negativos que compõem o chamado custo Brasil. Para remover alguns desses obstáculos, o BNDES contratou um estudo para analisar a questão da tributação. O escritório Vieira Rezende, um dos especialistas na legislação do setor, concluiu o trabalho e chegou a conclusão interessante: a tributação não chega a ser uma barreira relevante para a competitividade das empresas brasileiras. O Estado de São Paulo, que responde por 40% a 60% dos componentes industriais e materiais usados pelo setor, taxa em 4% (ICMS) esses bens. Minas e Espírito Santo chegam a taxar em até 15% de ICMS, mas não têm participação expressiva na cadeira produtiva. Para competir com os componentes importados, beneficiados por um regime especial de tributação conhecido como Repetro, as autoridades federais estudam algumas medidas que deem igualdade de condições a produtos nacionais.
Eleições - recados para a imprensa - CARLOS ALBERTO DI FRANCO
O ESTADÃO - 12/11
Fechamos mais um ciclo do calendário eleitoral. Prefeitos e vereadoras estão, teoricamente, próximos da vida dos cidadãos. O eleitor, como sempre, foi seduzido pelas mensagens do marketing político. E nós, jornalistas, não conseguimos fazer o necessário contraponto. Não sou injusto. Reconheço que fomos capazes de produzir excelentes cadernos especiais. Admito, também, que inundamos o leitor com páginas e páginas de cobertura eleitoral. Quantidade não faltou. Mas a hora é de reflexão e autocrítica a respeito da qualidade dessas coberturas.
Os jornais, creio, não conseguiram romper a agenda do marketing dos candidatos. Ataques recíprocos, baixarias e promessas, sem o devido contraponto, ocuparam as páginas dos diários. É difícil imaginar que o leitor, visivelmente desencantado com o show eleitoral, tenha interesse numa cobertura que não consegue ir além do espetáculo político. Assistiu-se a uma desintermediação dos jornais. A imprensa, em geral, ficou a reboque das pautas dos candidatos, não foi capaz de estabelecer debates sobre questões relevantes e limitou-se, muitas vezes, a repercutir questões produzidas nos programas eleitorais gratuitos.
Na cidade de São Paulo, concretamente, as páginas de política foram tomadas por declarações sobre o "kit anti-homofobia", a influência do mensalão na eleição, a possibilidade de o ex-prefeito José Serra (PSDB), novamente postulante ao cargo, renunciar outra vez e as visitas dos candidatos às igrejas. Esse comentário, da ombudsman da Folha de S.Paulo sobre a cobertura de seu jornal, bem se poderia aplicar à imprensa em geral. Realmente, nas muitas páginas que dedicaram ao assunto, os jornais não se mostraram capazes de fugir da pauta ditada pelos marqueteiros, para questionar os candidatos de forma objetiva quanto aos problemas da cidade e suas promessas de campanha.
Campanhas milionárias, promessas irrealizáveis e imagens produzidas fazem parte do marketing dos candidatos. Assistiu-se, mais uma vez, a um show de efeitos especiais produzido para aliciar o grande público, mas, no fundo, vazio de conteúdo e carente de seriedade. O marketing, ferramenta importante para a transmissão da verdade, pode, infelizmente, ser transformado em instrumento de mistificação. Estamos assistindo à morte da política e ao advento da era da inconsistência.
Os programas eleitorais gratuitos vendem uma bela embalagem, mas, de fato, são paupérrimos na discussão das ideias. Nós, jornalistas, somos (ou deveríamos ser) o contraponto a essa tendência. Cabe-nos a missão de rasgar a embalagem e desnudar os candidatos. Somente nós, estou certo, podemos minorar os efeitos perniciosos de um espetáculo audiovisual que, certamente, não contribui para o fortalecimento de uma democracia verdadeira e amadurecida.
As pesquisas eleitorais, por outro lado, podem contribuir para o estabelecimento do debate cívico. Elas representam uma manifestação concreta do direito à informação e democratizam o processo eleitoral. Mas a importância das pesquisas não elimina a necessidade do seu aprimoramento, sobretudo no que se refere à sua divulgação pela imprensa. De fato, os problemas não costumam estar nas pesquisas - os institutos brasileiros de pesquisa têm uma tradição de profissionalismo -, mas na maneira como são interpretadas e divulgadas.
O protagonismo excessivo das pesquisas na mídia empurra para segundo plano o debate das ideias, dos planos de governo e das políticas públicas. A participação da imprensa na divulgação dos resultados das pesquisas influi decididamente na configuração da opinião pública e da vida democrática. Impõem-se, por isso, cuidado redobrado e, principalmente, bom adestramento técnico dos jornalistas quanto ao procedimento das pesquisas.
É um equívoco reduzir a cobertura política a uma mera reprodução dos índices fornecidos pelos institutos de pesquisa. Trata-se, certamente, de uma atitude que brota de uma reta intenção: transmitir um quadro isento do momento eleitoral. Tal decisão, no entanto, tem o seu reverso e exige, talvez, uma mudança de orientação. O simples registro das pesquisas pode apresentar um quadro superficial da realidade. Ocultam-se, por exemplo, aspectos relevantes do perfil dos candidatos, as forças que o sustentam, a consistência de suas propostas.
Por isso, uma cobertura de qualidade é, antes de mais nada, uma questão de foco. É preciso declarar guerra ao jornalismo declaratório e assumir, efetivamente, a agenda do cidadão. A busca da isenção não exime o jornalista de questionar os candidatos e os detentores de funções públicas e de impedir que usem os jornais para seu marketing político e pessoal.
É importante fixar a atenção não nos marqueteiros e em suas estratégias de imagem, mas na consistência dos programas de governo. É necessário resgatar o inventário das promessas e cobrar coerência. O drama das cidades - segurança, educação, saúde, saneamento básico, iluminação, qualidade da pavimentação das ruas, transporte público de qualidade e responsabilidade fiscal, entre outros - não pode ficar refém de slogans populistas e de receitas irrealizáveis. Os candidatos deverão mostrar capacidade de gestão, experiência, ousadia e criatividade.
Transparência nos negócios públicos, ética, qualificação e competência são as principais demandas da sociedade. E são também as pautas de uma boa cobertura eleitoral. Deixemos de lado a pirotecnia do marketing e não nos deixemos algemar pelas necessárias pesquisas eleitorais. Nosso papel, único e intransferível, é ir mais fundo. A pergunta inteligente faz a diferença. E é o que o leitor espera de nós.
Direitos devidos - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 12/11
O mercado de imóveis de alto luxo em Miami deve aos consumidores brasileiros uma curiosa inovação. Trata-se do quarto de empregada, tipo de aposento inusitado para os padrões dos Estados Unidos, mas que pode ser, como se diz, um "diferencial" para atrair os brasileiros em busca de apartamentos na Flórida.
A informação, trazida recentemente pela colunista Mônica Bergamo às páginas daFolha, diz muito sobre os costumes brasileiros. Apesar de avanços sociais, o trabalho doméstico é dos que mais nitidamente se filiam, numa linha longa e contínua, ao passado da escravidão.
Mesmo a Constituição de 1988, sabidamente generosa quanto à ampliação dos direitos sociais, limitou as garantias trabalhistas dos funcionários domésticos.
A distorção encontra, agora, possibilidades reais de ser corrigida. Uma comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou, na semana passada, proposta de emenda constitucional que amplia significativamente os direitos dessa categoria de trabalhadores.
Se prosperar a emenda, empregados domésticos passarão a receber benefícios correspondentes às horas extras, limitando-se a jornada diária a oito horas, com limite de 44 horas semanais.
Será ainda obrigatório o recolhimento, pelo empregador, da contribuição ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), além do pagamento de salário-família para empregados de baixa renda, de adicional por trabalho noturno, auxílio-creche e seguro contra acidentes de trabalho.
Inovações desse tipo -ainda a serem examinadas pelo plenário da Câmara e pelo Senado- irão pesar no orçamento dos patrões.
Segundo o Sedesp (Sindicato dos Empregadores Domésticos do Estado de São Paulo), uma empregada registrada por R$ 622 -atual salário mínimo- poderá custar R$ 2.750 por mês, se dormir no trabalho e receber horas extras.
A direção do sindicato aponta, não sem razão, o risco de estreitar-se a oferta de empregos em decorrência desse aumento de custos. Mas é o que aconteceu, afinal, na grande maioria dos países desenvolvidos.
"O que adianta ter um Camaro amarelo e não ter condições de mantê-lo?" -lamentou a presidente do Sedesp, numa frase infeliz.
Está bem na hora de a sociedade brasileira se decidir entre os reclamos de quem mantém um Camaro na garagem e os direitos de trabalhadores a quem se negam horas extras, seguro-desemprego e limites para a jornada de trabalho.
O mercado de imóveis de alto luxo em Miami deve aos consumidores brasileiros uma curiosa inovação. Trata-se do quarto de empregada, tipo de aposento inusitado para os padrões dos Estados Unidos, mas que pode ser, como se diz, um "diferencial" para atrair os brasileiros em busca de apartamentos na Flórida.
A informação, trazida recentemente pela colunista Mônica Bergamo às páginas daFolha, diz muito sobre os costumes brasileiros. Apesar de avanços sociais, o trabalho doméstico é dos que mais nitidamente se filiam, numa linha longa e contínua, ao passado da escravidão.
Mesmo a Constituição de 1988, sabidamente generosa quanto à ampliação dos direitos sociais, limitou as garantias trabalhistas dos funcionários domésticos.
A distorção encontra, agora, possibilidades reais de ser corrigida. Uma comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou, na semana passada, proposta de emenda constitucional que amplia significativamente os direitos dessa categoria de trabalhadores.
Se prosperar a emenda, empregados domésticos passarão a receber benefícios correspondentes às horas extras, limitando-se a jornada diária a oito horas, com limite de 44 horas semanais.
Será ainda obrigatório o recolhimento, pelo empregador, da contribuição ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), além do pagamento de salário-família para empregados de baixa renda, de adicional por trabalho noturno, auxílio-creche e seguro contra acidentes de trabalho.
Inovações desse tipo -ainda a serem examinadas pelo plenário da Câmara e pelo Senado- irão pesar no orçamento dos patrões.
Segundo o Sedesp (Sindicato dos Empregadores Domésticos do Estado de São Paulo), uma empregada registrada por R$ 622 -atual salário mínimo- poderá custar R$ 2.750 por mês, se dormir no trabalho e receber horas extras.
A direção do sindicato aponta, não sem razão, o risco de estreitar-se a oferta de empregos em decorrência desse aumento de custos. Mas é o que aconteceu, afinal, na grande maioria dos países desenvolvidos.
"O que adianta ter um Camaro amarelo e não ter condições de mantê-lo?" -lamentou a presidente do Sedesp, numa frase infeliz.
Está bem na hora de a sociedade brasileira se decidir entre os reclamos de quem mantém um Camaro na garagem e os direitos de trabalhadores a quem se negam horas extras, seguro-desemprego e limites para a jornada de trabalho.
COLUNA DE CLAUDIO HUMBERTO
Não há nenhum enfoque político no julgamento do processo
Ministro Luiz Fux (STF)aplicando um “calaboca” em José Dirceu, réu do mensalão
Mais de mil pessoas estão ‘grampeadas’ no DF
Mais de mil pessoas estão com os telefones grampeados no Distrito Federal, segundo segredou o diretor-geral da Policia Civil, delegado Jorge Xavier, e que “muitas prisões” serão realizadas nos próximos dias. Ele fez essa revelação durante reunião com membros da bancada federal – senadores e deputados – do DF para explicar que a atividade policial não foi afetada pela greve de agentes, iniciada há 80 dias.
Império da lei
Enquanto somente no Distrito Federal mil pessoas estão grampeadas neste momento, nos Estados Unidos a média é de 1.700 por ano.
Todos ouvidos
Na capital do grampo, as polícias Federal e Civil têm o “Guardião”, sistema que monitora milhares de telefones simultaneamente.
Que lei?
Policias são acusadas de ignorar a lei 9.296/96, que autoriza grampo somente na apuração de crime para o qual é prevista pena de prisão.
Cinco estrelas
Proibidos de fazer greve, militares ironizam a paralisação dos juízes pedindo salários acima de R$ 24 mil. General ganha R$ 14 mil brutos.
Dirceu acha que vai cumprir 4 anos de reclusão
Réu no processo do mensalão, já condenado pelo Supremo Tribunal Federal, o ex-ministro da Casa Civil de Lula José Dirceu fez as contas e informou a familiares e amigos sua estimativa. Ele acha que a sentença será elevada, mas deverá cumprir pena, em regime fechado, de no máximo quatro anos de reclusão. Sente-se injustiçado, alega inocência, mas avalia que são mínimas as chances de pena reduzida.
Nem pensar
O senador Francisco Dornelles (RJ) desconversa quando a pauta é a possível fusão do PP com o PSD: “Nunca ouvi falar disso”.
Mau exemplo
Presidente da CPMI da Violência contra Mulheres, Jô Moraes (PCdoB-MG) registrou: só o Rio de Janeiro não enviou autoridades à reunião.
Carência política
Outros partidos aliados ao governo estão inquietos após reunião da presidenta Dilma com o PMDB e PSB. Pedem o mesmo tratamento.
Solidariedade, o novo partido
Presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) articula a criação do PS (Partido Solidariedade), que une sindicalistas também da Nova Central e UGT.
Bye, bye, PDT
Inspirado no movimento liderado pelo polonês Lech Wallesa, o Solidariedade brasileiro nascerá da divisão do PDT, agravada pela briga do ministro Brizola Neto (Trabalho) com o antecessor Carlos Lupi.
Retoque na silhueta
As amigas acham que ela não precisava, mas a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) aproveitou a troca de próteses nos seios para dar uma geral na silhueta, logo apos a eleição. Já está recuperada.
Quem manda de fato
Virou piada na imprensa européia: o mais eficaz combate ao crack no Rio não foi obra do governo Sergio Cabral, e sim dos traficantes do morro da Serrinha, que, em faixas, decretaram a proibição da droga.
Intervenção divina
O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) comemorou os erros no projeto dos royalties aprovado pela Câmara, o que pode aumentar as chances dos estados produtores em briga judicial: “Isso é obra do Cristo Redentor”.
Trabalhar é possível
O deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF) faz parte da minoria assídua de 4% do Congresso. Ele compareceu a todas as sessões, apesar de presidir a Frente Parlamentar de Gestão Pública, e de participar de várias comissões, como a de Orçamento e a CPI do Cachoeira.
Cinco estados lutam por...
Representantes dos governos da Bahia, Goiás, Tocantins, Piauí e Minas vão ao Supremo Tribunal Federal, amanhã, para tentar colocar um ponto final em uma briga que se arrasta há quase trinta anos.
...nova fronteira agrícola
O conflito envolve terras no oeste baiano, avaliadas em R$ 1 bilhão, que somam 10 mil quilômetros quadrados, a nova fronteira agrícola do país, produtora de milho, algodão e soja. A Bahia é autora da ação.
Pensando bem...
...após a manifestação gigantesca contra ela, só resta a Cristina Kirchner seguir o poeta Drummond e “dançar um tango argentino”.
Fé no emprego
Getúlio Vargas resolveu mudar a denominação de muitos municípios brasileiros, em 1938, e acabou gerando confusão. Na Paraíba, Misericórdia virou Itaporanga, pela vontade do prefeito Praxedes Pitanga. A oposição protestou. Em meio à guerra, numa missa, um funcionário da prefeitura rezou em voz alta:
- Salve Rainha, mãe de Itaporanga...
O padre reclamou, ele explicou:
- Mas, seu padre, se a gente disser misericórdia o Praxedes demite...
SEGUNDA NOS JORNAIS
- Globo: Um julgamento para a história
- Folha: Violência tem escalada e mortes chegam a 31
- Estadão: Entrada de imigrante qualificado será facilitada
- Valor: Nova regra afeta captação de debêntures de elétricas
- Estado de Minas: Trânsito de BH em um beco sem saída
- Zero Hora: Superlotação ameaça liberar 350 presos
- Correio Braziliense: Estrondo, pânico e concurso anulado
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