sábado, setembro 01, 2012

Guerra santa - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 01/09


O QG de José Serra pretende colar a imagem de Celso Russomanno à Igreja Universal do Reino de Deus para recuperar eleitores alinhados ao PSDB que migraram para o líder nas pesquisas. "Ele diz que não tem padrinho? As pessoas precisam saber que o padrinho é o Edir Macedo", diz um grão-tucano. Para serristas, a associação ajudará o ex-governador sobretudo no eleitorado católico e no segmento evangélico que disputa fieis com a igreja do bispo controlador da TV Record.

Bênção 
Como vacina, Russomanno tem dedicado espaço na agenda a encontros com católicos. Ontem, fez questão de divulgar visita a d. Fernando Figueiredo, patrono do padre Marcelo Rossi, da Renovação Carismática.

Romaria 
Gilberto Kassab organizou périplo de Serra a bispos católicos e pastores de várias denominações. Ambos foram a Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus, "rival" de Macedo.

Plano B 
Lula telefonou ontem de manhã para Fernando Haddad e o aconselhou a avaliar seriamente a possibilidade de um segundo turno contra Russomanno. Repetiu o diagnóstico em Belo Horizonte, mas afirmou que o confronto com Serra ainda é mais provável.

No gogó 
Lula, que andou poupando a voz por orientação médica, já está falando pelos cotovelos. Em BH, antes do comício de Patrus Ananias, contou "causos" em almoço com aliados. No intervalo, ainda gravou depoimentos para o livro de Fernando Morais sobre sua vida.

Fatura... 
Marta Suplicy aproveitou a entrada na campanha de Haddad para faturar com Dilma Rousseff. Anteontem, pediu nova conversa com a presidente e foi recebida no Palácio da Alvorada.

... alta 
Petistas avaliam que a senadora, isolada no partido, quer se posicionar para uma eventual reforma ministerial pós-eleição.

Suprema... 
A sucessão de Cezar Peluso no STF mobiliza as correntes internas do PT, sobretudo a CNB, de Lula, e a Mensagem ao Partido, do governador Tarso Genro (RS).

...discórdia 
O ex-presidente recebeu a visita do juiz federal Ali Mazloum, um dos preferidos da ala majoritária petista. O grupo de Tarso quer instalar no Supremo o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), mas a tendência é que ele dispute com Luís Inácio Adams (AGU) a cadeira de Carlos Ayres Britto, que se aposenta em novembro.

Padrinhos 
Também figuram nas listas dos petistas Maria Elizabeth Rocha, do Superior Tribunal Militar, que tem apoio de José Dirceu, e o desembargador do TJ-SP Xavier de Aquino, favorito dos deputados da sigla.

Etiqueta 
Causou estranheza no Planalto a crítica de Ayres Britto à lei que altera a regra do bônus de volume. Interlocutores do governo afirmam que Britto, além de ignorar a autonomia do Congresso, fez crítica indireta a Cardozo, autor da lei.

Bota-fora 
Uma festa de despedida para Peluso reuniu ontem no restaurante Porcão, em Brasília Ayres Britto, o relator do mensalão, Joaquim Barbosa, a ministra Rosa Weber, servidores e magistrados aposentados.

Timing 
De um ministro, sobre Joaquim Barbosa anunciar que vai indicar nomes a Dilma para a sucessão no STF: "Ele já assumiu a presidência ou prepara uma missa de corpo presente?".

Visita à Folha Brizola Neto, ministro do Trabalho e Emprego, visitou ontem a Folha. Estava com Luiz Fernando Emediato, assessor especial, e Aldo Renato Soares, assessor de imprensa.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio
"Chalita precisa rezar mais. Padre Marcelo, seu grande amigo, levou Serra à missa, fez muitos elogios e disse que ele será o prefeito."

DO LÍDER DO PMDB NA CÂMARA PAULISTANA, CARLOS APOLINÁRIO, sobre o apoio do ícone da Renovação Carismática, cujo livro é prefaciado por Chalita.

contraponto

Choque de gestão
Em visita ao Hospital de M'Boi Mirim, extremo sul de São Paulo, Gilberto Kassab conversava com assessores, quando percebeu a presença de um diretor da Eletropaulo. Pediu que seus auxiliares aproveitassem para entregar lista de pedidos e pendências de secretarias e subprefeituras à companhia, responsável pelo fornecimento de energia na capital. Terminada a conversa, perguntou:

-Pronto, já pediram tudo? Postes, ligações?

Ante o silêncio, o prefeito emendou:

-Agora é minha vez. Anota aí: vou ter dar uma lista de seis ou sete pessoas para você eletrocutar.

Tirando o corpo fora - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 01/09

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), diz que não foi à votação da MP do Código Florestal na Comissão Mista porque era contra o entendimento feito com os ruralistas. Ele conta que o acordo, feito à sua revelia e que desagradou à presidente Dilma, "foi construído pelos senadores Luiz Henrique (PMDB-SC) e Jorge Viana (PT-AC)".

Contra o lobby da Febraban
O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), e o relator da comissão que elabora o novo Código Penal, senador Pedro Taques (PDT-MT), puxaram a escada do líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM). Na quarta-feira, atuando em dobradinha com o presidente do DEM, José Agripino (RN), e atendendo a pedido da Febraban, Braga aprovou, a toque de caixa, na Comissão de Ciência e Tecnologia, projeto da Câmara que tipifica os crimes cibernéticos (a chamada lei Carolina Dieckmann). Braga passou por cima da CCJ e tentou votar em regime de urgência direto no plenário do Senado. Taques protestou, e Renan impediu a votação.

“Não participei para não legitimar o acordo. A maioria (da Comissão Mista) é governista e ruralista”
Sarney Filho Líder do PV na Câmara (MA), sobre a ausência na votação da MP do Código Florestal

O que dá para rir, dá para chorar
As dificuldades da candidatura José Serra (PSDB) em São Paulo são festejadas pelos tucanos mineiros. Eles temem que, eleito prefeito, Serra trabalhe para inviabilizar a candidatura de Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência.

O que fazer?
O PSDB resolveu se unir ao PT para deixar sem mandato o líder da oposição no Senado, Álvaro Dias (PR). Inimigo do governador Beto Richa, Dias foi avisado de que está fora da chapa para 2014. Ele examina três alternativas: abandonar a política, concorrer a deputado federal ou mudar de partido, alegando perseguição política.

Campanha tucana
Circula no Senado dossiê contra a recondução de Luiz Moreira para o Conselho Nacional do Ministério Público. Nele, consta que Moreira esteve, este ano, 31 vezes com José Genoino, réu do mensalão, no Ministério da Defesa.

Dilma reconhece trabalho de Jucá
Quando a presidente Dilma sancionar a MP 563, do Plano Brasil Maior, fará isso mantendo dispositivo incluído pelo relator, o ex-líder do governo no Senado Romero Jucá (PMDB-RR), que prorroga até dezembro de 2018 o prazo para apresentação de projetos para receber incentivos fiscais da Sudam e da Sudene. O governo está comovido com a fidelidade e a lealdade de Jucá, mesmo depois de defenestrado da liderança.

A "companheirada" ficou de fora
Os funcionários que ocupam cargos de confiança no governo, os DAS, estão irados com a presidente Dilma. Militantes petistas e dos partidos aliados reclamam que a LDO enviada ao Congresso não prevê aumento de seus salários.

Pensando o futuro do Brasil
O ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso entregou convite para a presidente Dilma participar do Fórum Nacional, dias 20 e 21 no Rio. Junto, exemplar do livro "Como sair do buraco?", sobre infraestrutura, do economista Raul Veloso.

COISA FEIA. O Disque Trânsito da Assembleia do Rio, comandado pelo deputado Flávio Bolsonaro (PP), avisa, via Twitter, os locais de blitz e reboques.

Corrupção privada - MIGUEL REALE JÚNIOR


O Estado de S.Paulo - 01/09


O intenso noticiário sobre o mensalão em todos os meios de comunicação, e em especial na internet, tem induzido à perspectiva de a administração pública estar sob domínio da corrupção, em contraste com a correção da atividade desenvolvida no setor privado. Essa dicotomia é enganosa: há muitos agentes políticos e servidores públicos cujo comportamento é ditado pelo respeito à moralidade em busca do bem comum e há dirigentes e empregados de entidades particulares que traem seu dever de lealdade na busca de vantagem indevida, em prejuízo dos interesses do empregador.

Em 1999 promulgou o Conselho da Europa a Convenção Penal sobre Corrupção, definindo corrupção passiva e ativa no setor privado como modelos penais a serem adotados pelos países-membros. Fundamentava-se a sugestão no entendimento de que a confiança e a lealdade eram necessárias para a existência de relações privadas e do próprio Estado de Direito.

Em 2003 a Organização das Nações Unidas (ONU) promulgou a Convenção Internacional contra a Corrupção, documento importante na luta em prol da moralidade nos setores público e privado. No artigo 21 estatui-se ser corrupção passiva, nas atividades econômicas particulares, a solicitação ou aceitação, de forma direta ou indireta, por pessoa que dirija uma entidade do setor privado ou cumpra nela qualquer função, de um benefício indevido com o fim de atuar ou se abster de fazê-lo em afronta a dever inerente às suas funções. A corrupção ativa, por sua vez, vem definida como a promessa, o oferecimento ou a concessão, a administrador ou empregado de entidade privada, de um benefício indevido com o fim de que, faltando ao dever inerente às suas funções, atue ou se abstenha de atuar.

Cabe, então, indagar se cumpre ao direito penal vir a tutelar a honestidade no campo privado, dentro das empresas ou mesmo em associações civis, impondo uma ética dos negócios, quando medidas no âmbito do direito trabalhista ou comercial poderiam contemplar sanções suficientes contra o mal da deslealdade nas atividades particulares.

Uma norma incriminadora não se cria sem exame da realidade que se visa a regular. Verifica-se, especialmente na atividade empresarial, ocorrer não raramente entrega de "comissão" ou qualquer outra vantagem, por exemplo, viagens, a dirigente ou empregado como contrapartida ofertada pelo fornecedor na compra com sobrepreço, na aquisição de elevadas quantidades inúteis de insumos, na não reclamação de vícios do produto fornecido. Até mesmo a contratação desnecessária de serviços ou de empregados pode seguir-se à promessa de entrega de presentes ou de porcentual dos honorários ou salários percebidos.

Essa realidade sentida na vida cotidiana de empresas reflete uma atmosfera de desprezo pelos valores da confiança e da correção, registrável nesta sociedade de consumismo desenfreado, em que a busca pela fama ou pela fruição de bens de luxo justifica o esquecimento de limites morais. Prevalece, então, acendrado individualismo, que compromete a consideração pelo outro, para se sobrepor o interesse próprio ao interesse social ou das entidades que se integra.

Assim, sucede por vezes não ganhar reconhecimento a atuação segundo a honestidade nas relações de trabalho e econômicas, virtude fundamental para cimentar um confiável tecido social e para gerar uma atmosfera de correção na vida habitual. Ao se trair a entidade empregadora, para lhe causar um prejuízo em busca de proveito pessoal, se está a consagrar a imoralidade no cotidiano da vida, pois se vive onde se trabalha.

Desse modo, não apenas a entidade prejudicada é atingida, mas valores de ordem ética são feridos, disseminando-se a afronta aos deveres de lealdade com contaminação do conjunto social, pois, como destaca o penalista italiano Gabrio Forti, essa difusa e abrangente corrupção causa uma estimulação recíproca de busca e oferta de subornos. Ser honesto passa a ser próprio dos trouxas.

Jamais, portanto, a reafirmação pela via penal dos valores da honestidade e da lealdade se mostra tão essencial. Por essa razão se deve criminalizar a forma mais grave de deslealdade do administrador ou do empregado que atua com menoscabo do interesse social e atraiçoa a entidade ao se corromper pela venda de decisão prejudicial à entidade para ganhar vantagem indevida, violando, pois, o dever de correção necessária e exigível pelo empregador, como doador constante de confiança.

O administrador pode ser desleal ao deixar de fazer um bom negócio para a empresa, indicando-o a um amigo, mas sem receber proveito. Pode receber um suborno, mas sem prejudicar a empresa, ao escolher o fornecedor de melhor preço. Ambas as hipóteses não devem ser punidas no campo penal. A este, a meu ver, cumpre, tão só, punir o fato que concilie ambas as circunstâncias: receber suborno e dar prejuízo, deixando ao direito trabalhista e comercial fixar a ilicitude da mera deslealdade. Dessa maneira, se os valores positivos da honestidade e da fidelidade devem ser cotidianamente respeitados, apenas cabe, no entanto, dar relevo penal às condutas nas quais o dirigente ou o empregado aceitam ofertas de locupletamento em prejuízo do empregador, dando vantagens indevidas a terceiros em ato de traição. Com esse comportamento se provoca, também, dano à sociedade, por se desvirtuar a competição comercial, com a vitória do ofertante que suborna em prejuízo do concorrente honesto.

Sem firme valorização da lealdade no exercício de emprego ou profissão aberta estará a porta para a prevalência da busca do sucesso financeiro a qualquer custo. Justifica-se, portanto, criminalizar a corrupção passiva e ativa no setor privado, como reafirmação de valores essenciais ao sadio tecido social, para se afrontar o mal do locupletamento, grandemente entranhado em nossa cultura.

GOSTOSA


Ueba! Troco voto por paçoquinha! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 01/09

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E esta notícia da Folha: "Menino vira pastor aos 11 anos". E aos 15 compra a Record? Rarará!

E atenção! Ereções 2012! Troco meu título de eleitor por uma cadeirinha de praia. E um outro disse que troca por uma paçoquinha. E uma outra disse: "Do jeito que estão os candidatos, troco apenas pelo direito de ir à praia!".

E o João Paulo Cunha? Levou um chocolate dos tiozinhos do Supremo! Condenado padrão! E o site Eramos6: "Depois de presidir a Câmara, João Paulo Cunha vai presidiar". É um novo verbo: presidiar. Pois eu acho que o João Paulo Cunha vai presidir o Cadeião de Osasco! Rarará!

E adorei a charge do Duke com o Cunha no celular: "Alô, eu quero cancelar o pedido de uma pizza". Rarará! E um dos ministros disse que o termo adequado não é "fatiado", é "segmentado". Oba! Então na fila dos frios fica assim: "Eu quero cem gramas de presunto segmentado e 200 gramas de salame segmentado bem fininho!".

E o hilário eleitoral? E o advogado da Marcha da Maconha, o André Barros, é candidato no Rio: "Baseado na sua consciência, aperta um, três, quatro, 20". Se apertar vinte, ninguém tem condição de ir votar! Ele vai perder eleitor. No dia da eleição, o cara aperta um, fuma dois, chega à urna e esquece o número dele! Rarará!

E até o jogador Dinei é candidato. O Dinei já fez tudo na vida, menos jogar bola. E o Ademir da Guia parece o avô do Gagallo! E usa imagens dos jogos dos anos 1950. Sensacional. Arquivo do Canal 100!

E o bom do Russomanno ( prefeito é que todos vão poder reclamar pro Bispo! Rarará! E eu disse que o Chalita tá a cara do Doutor Hollywood. Mas outros acham que o Chalita parece pai do Luan Santana ! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

A Galera Medonha! A Turma da Tarja Preta! Direto de Itabira, Minas: Ladim. Com o slogan: "É de ladim que a gente gosta". Há divergências!. Porque em Volta Redonda tem o Dibruço. Com o slogan:" Mude de posição, vote Dibruço". Nunca.

E o slogan de um candidato baiano sincero: "Votem em mim! Não aguento mais comer mortadela". Rarará!

A situação tá ficando psicodélica! O Brasil tomou um ácido no café da manhã! Ainda bem que nóis sofre, mas nóis goza!

Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Gentil comércio - HÉLIO SCHWARTSMAN

FOLHA DE SP - 01/09


SÃO PAULO - Com a entrada da Rússia na Organização Mundial do Comércio, a entidade passou a englobar todas as potências do planeta. É verdade que, devido ao fracasso da Rodada Doha, a organização não anda em alta, mas há razões para celebrar a adesão do país eslavo.
Embora nós nem sempre nos demos conta, o comércio foi, e provavelmente ainda é, uma das principais forças de manutenção da paz mundial. Como explica Steven Pinker em "The Better Angels of Our Nature", durante a maior parte da história da humanidade as circunstâncias econômicas impunham uma lógica pela qual quase sempre valia a pena massacrar povos vizinhos. Eles não apenas não traziam nenhum benefício ao meu grupo como representavam uma ameaça, ainda que tênue. Assim como nós cogitávamos atacá-los preventivamente, eles teciam considerações semelhantes em relação a nós. Mesmo que não tivéssemos grande antipatia uns pelos outros, estávamos presos a essa armadilha imposta pela teoria dos jogos.
A entrada em cena do comércio muda a lógica das coisas: saímos de um jogo de soma zero para entrarmos num de soma positiva. Os incentivos à violência se alteram. Com a possibilidade do comércio, meus vizinhos se tornam, pela primeira vez, mais valiosos vivos do que mortos.
O interessante nesse mecanismo é que ele esconde uma inversão de valores. A esquerda de um modo geral, seguindo os passos de pensadores religiosos como santo Agostinho e são Jerônimo, costuma imprecar contra o egoísmo e a ganância do capitalismo, mas, quando vamos à teoria dos jogos, verificamos que o mercado, na verdade, constitui um estímulo à empatia -provavelmente maior que o das religiões. O homem de negócios precisa tratar bem seus clientes, ou os perderá. E quanto mais fregueses atrair, mais rico ficará. É o que o economista Samuel Ricard, no início do século 18, chamou de "gentil comércio".

Economia desafiadora - MIRIAM LEITÃO


O GLOBO - 01/09
O PIB cresceu pouco no segundo trimestre: 0,4%. O que cresceu foi puxado pela agropecuária, que subiu 4,9%, mas tem baixo peso na fórmula de cálculo do IBGE. Pesou mais o encolhimento da indústria, de 2,5%. O investimento diminuiu, e o consumo aumentou, tanto das famílias quanto do governo. Apesar de todos os estímulos, o país cresceu apenas 1,2% nos últimos 12 meses.
Durante um ano o Banco Central derrubou os juros. O primeiro corte foi em primeiro de setembro de 2011. Em 12 meses, a Selic caiu de 12,5% para 7,5%, numa redução de cinco pontos que levou o país aos juros mais baixos da história. Ainda assim, a economia esfriou. No acumulado de 4 trimestres, há uma desaceleração contínua: no terceiro trimestre de 2010 o país estava crescendo a 7,6%; no dado de ontem, foi para 1,2%.

Os 7,6% foram um ponto fora da curva, pelos excessivos estímulos na eleição presidencial de 2010. O 1,2% atual também se espera que seja um ponto fora da curva. A desaceleração foi maior do que se imaginava. O que intriga é a resistência da economia, que permanece fria apesar de tantos estímulos monetários e fiscais.

A desaceleração foi em parte resultado da piora da crise internacional. Mas isso não explica tudo. A inflação caiu fortemente pelo desaquecimento interno, pela queda do preço de algumas commodities, como resultado da crise externa. A inflação foi de 7,3% em setembro passado para 4,9%. Depois voltou a subir para 5,2%. O cenário econômico está se complicando: a economia está fria, apesar dos estímulos, e a inflação já está subindo.

A alta da inflação é em grande parte efeito do choque agrícola que o mundo está vivendo pela seca nos Estados Unidos. Outra parte é impacto do dólar. O ritmo de crescimento deve melhorar até o fim do ano. O risco é a indústria aproveitar o bom momento e repassar aos preços o impacto do câmbio. Os IGPs já estão subindo. O acumulado em 12 meses do IGP-M estava em 8% em agosto passado, caiu para 3,3% e agora está em 7,7%. Só no mês passado, o preço agrícola no atacado subiu 6%. Não é trivial a tarefa que o BC tem pela frente. Precisará, como avisou, ter "a máxima parcimônia" nos estímulos monetários daqui para diante.

O empréstimos e os calotes permanecem em alta. O estoque de crédito na economia subiu novamente em julho e atingiu 50,7% do PIB, num ritmo de crescimento de 17,7% em 12 meses. Em julho do ano passado, estava em 46,1%. A inadimplência das pessoas físicas voltou a 7,9%, mesmo com a queda dos juros e o aumento dos prazos para pagamento.

Difícil achar que esse ritmo de alta do crédito seja sustentável, mesmo que caia para um nível de 15%, que o Banco Central considera como "moderado". O estoque das dívidas em atraso é de R$ 83 bilhões, com uma alta de 28% nos últimos 12 meses. O crédito podre subiu 20% em um ano e já soma R$ 68 bilhões.

A presidente Dilma Rousseff chegará à metade do seu mandato, no fim do ano, com dois números anuais magros de crescimento econômico e sem pousar a inflação no centro da meta. O desafio dos condutores da economia não é fácil. O nível de atividade vai responder mais positivamente no segundo semestre aos estímulos, mas isso tem que acontecer sem aumentar a inflação. Num quadro de aceleração, será mais fácil manter o que tem sido a boa notícia que é o mercado de trabalho aquecido. Apesar da alta do dólar, as exportações caíram no PIB do segundo trimestre. O incentivo via crédito está claramente se esgotando. O segredo tem que ser aumentar o investimento. Com mais investimento o país pode ter em 2013 um ritmo mais forte de crescimento.

Foi ruim. E agora? - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 01/09


Foi muito fraco, mas nada fora do esperado.

O crescimento do PIB do segundo trimestre sobre o anterior foi de apenas 0,4%, como apontou ontem o IBGE. Dá para dizer que, do ponto de vista meramente quantitativo e de formação de renda, o primeiro semestre fraquejou, especialmente pelo mau desempenho da indústria.

Não dá para aceitar os diagnósticos do governo de que esse fiasco se deveu, sobretudo, à prostração da economia internacional. Toda a estratégia de política econômica foi feita levando-se em conta a paradeira externa. Tanto assim que a maioria dos pacotes de estímulo buscou acionar o consumo interno. De mais a mais, Estados Unidos (um dos focos da crise), Canadá, Rússia, Índia, Chile, México, Colômbia e África do Sul - apenas alguns exemplos - crescerão em 2012 bem mais do que o Brasil e também estão imersos na crise global.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também não tem razão quando responsabiliza os bancos por terem desacelerado o crédito. Ele cresce acima de 17% em 12 meses - o que não é pouco.

A ênfase contracíclica no consumo foi aparentemente um erro porque, pesada demais com a elevação de custos, a indústria não conseguiu aproveitar o aumento da demanda. A maior ênfase que passou a ser dada pela política econômica ao investimento pode corrigir essa falha.

Passadas essas águas, importa agora olhar para a frente. Tanto Mantega como o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, apostam em que a virada está logo aí. Contam com avanço do PIB de 4,0% ao ano no segundo semestre.

Essa expectativa é compartilhada não só por líderes do setor privado, mas também pela maioria dos analistas, que contam com crescimento em 2012 de 1,73% - como mostra a última Pesquisa Focus, do Banco Central. Para emplacar esse resultado, será preciso que, neste semestre, o PIB cresça em torno desses 4,0%.

Novas projeções otimistas são condição indispensável para que estas se confirmem, porque é preciso que os agentes econômicos acreditem. Mas podem não bastar. Este terceiro trimestre não mostra indícios claros de forte recuperação.

Não dá para desprezar os efeitos sobre a atividade produtiva ainda a serem provocados pela derrubada dos juros, pelos novos estímulos à economia, pela nova rodada de investimentos e pela expansão do crédito. O maior gerador de incertezas segue sendo o setor externo, que Mantega exagera quando explica o mau desempenho da economia, mas que parece desconsiderar quando aponta para suas projeções sempre otimistas.

Paradoxalmente, nessa área, a melhor fonte de esperanças ainda é a ação dos grandes bancos centrais, que a presidente Dilma tanto vem acusando de provocar tsunamis cambiais.

Nas próximas semanas, esperam-se novas "operações fora de padrão" a serem acionadas pelo Banco Central Europeu. E ontem, Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), avisou estar aberto para nova rodada de emissão de moeda. Se não forem suficientes para reverter a crise, esses tiros de bazuca ao menos deverão concorrer para desentocar os capitais de volta ao risco. Caso se confirmem, podem ajudar a puxar o PIB do Brasil neste semestre.

O STF aperta o cerco - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 01/09


Muito mais do que confirmar a condenação do ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha e de seus cúmplices, na Ação Penal 470, o voto do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres Britto, prolatado na última quinta-feira, escancarou a trama urdida no Parlamento e fora dele pelo PT e aliados para proteger seus membros que estão sentados no banco dos réus no julgamento desse que, a cada dia que passa, se confirma como o maior escândalo de corrupção da história da política brasileira. Para Ayres Britto, a emenda introduzida na Lei 12.232/2010, que regula a contratação de serviços de publicidade por órgãos públicos, na qual está baseada a argumentação de defesa dos acusados de se terem apropriado indevidamente, em contrato com o Banco do Brasil, da chamada "bonificação de volume", foi "preparada intencionalmente, maquinadamente" em benefício dos acusados da Ação Penal 470, constituindo-se em "atentado veemente, desabrido e escancarado" ao preceito constitucional segundo o qual "a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada".

A manifestação do presidente da Suprema Corte confirma a já clara tendência que a primeira "fatia" do julgamento evidencia, de estarem os juízes do STF firmando "convicção também sobre o imperativo de extirpar qualquer resquício de tolerância à corrupção e de resignação à impunidade", como pontuamos em editorial publicado ontem.

De fato, o contrato firmado entre o Banco do Brasil (BB) e as agências de publicidade de Marcos Valério estipulava claramente que os descontos e outras vantagens obtidas junto aos veículos de comunicação, como o bônus de volume, teriam que ser devolvidos ao banco, em vez de serem apropriados pelas agências, como é comum nos contratos com anunciantes privados. Mas as agências de Marcos Valério simplesmente embolsaram os quase R$ 3 milhões da bonificação, que teriam sido aplicados, segundo a denúncia da Procuradoria-Geral, no esquema do mensalão.

Em 2010 o presidente Lula sancionou a Lei 12.232, aprovada pelo Congresso, que dispõe sobre "as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda". Atendendo a reivindicações "do mercado", segundo o autor do projeto, o deputado petista José Eduardo Cardozo (SP), hoje ministro da Justiça, o projeto permitia às agências de propaganda embolsar os descontos e outras bonificações na veiculação de propaganda oficial. Uma emenda apresentada por seu colega de partido Claudio Vignatti (SC), estendeu o benefício às licitações então em andamento e aos contratos em execução. O relator do projeto, deputado Milton Monti (PR-SP), do mesmo partido do réu do mensalão Valdemar Costa Neto (SP), não apenas acolheu a emenda, como estendeu o benefício aos contratos já encerrados na data de publicação da lei.

Com base na Lei 12.232, a ministra do TCU Ana Arraes - ex-deputada federal pelo PSB e mãe do governador pernambucano, Eduardo Campos -, contrariando parecer técnico, poucas semanas antes do início do julgamento da Ação Panal 470, considerou regulares as prestações de contas referentes aos famigerados contratos entre o BB e as agências de Marcos Valério. Ou seja, ofereceu de bandeja forte argumento legal para a defesa de vários réus do mensalão. Mas a decisão da ministra Ana Arraes foi contestada pelo Ministério Público de Contas. O TCU decidiu então suspender os efeitos da decisão e a matéria será novamente submetida à apreciação do plenário. Depois da contundente manifestação do presidente do STF, é pouco provável que seja mantida a contribuição de Ana Arraes à absolvição dos mensaleiros.

A esta altura do julgamento em curso no STF, já começam a ser sentidos os efeitos saneadores da firmeza com que a maioria dos ministros se mostra disposta a combater a corrupção na vida pública. João Paulo Cunha renunciou à sua candidatura a prefeito de Osasco e está por perder o seu mandato de deputado federal. Há de ter muita gente colocando as barbas de molho.

Menos impunidade - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 01/09


Julgamento do mensalão no STF suscita sensação de mudança no tratamento da corrupção que ainda precisa se confirmar no longo prazo


Ao iniciar seu voto no Supremo Tribunal Federal, condenando João Paulo Cunha e outros réus do mensalão, a ministra Cármen Lúcia recordou as palavras de um jurista de meados do século passado que assinalavam a impunidade dos crimes de corrupção no Brasil.

Seria talvez exagero considerar, como fez a ministra, que o país mudou nesse aspecto. As últimas decisões do Supremo puseram em prática, ainda assim, uma disposição positiva para tratar com inusitado rigor delitos difíceis de coibir.

O alto grau de poder concentrado nas mãos de quem os pratica tende a tornar especialmente complexa, como assinalaram diversos ministros, a obtenção de provas materiais irretorquíveis, "fotográficas", do que acontece sob redobrados véus de ocultação.

Foi suficiente e múltiplo, entretanto, o conjunto dos indícios que levaram a maioria dos ministros a condenar o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) por corrupção passiva e peculato. Ainda que persistam muitos itens do mensalão por analisar no STF, a decisão tem caráter exemplar.

Diminui a sensação de permissividade que, ao longo de décadas, estimulou políticos de diversas ideologias a considerar propina e desvio de recursos públicos como ingredientes normais da atividade.

É forçoso lembrar, porém, que o mesmo Cunha agora condenado desfrutava de favoritismo na disputa pela Prefeitura de Osasco (SP). Por desinformação ou crença pessoal na ideia de que "todo político faz isso", é grande a parcela da população para a qual a suspeita de corrupção não pesa na escolha de seus representantes.

Não é incompatível com essa atitude a convicção, aparentemente oposta, de que todo político mereceria cadeia, em julgamento sumário e sem garantias legais. A pena privativa de liberdade, como esta Folha tem assinalado várias vezes, só deveria ser aplicada nos casos em que o condenado traz real ameaça à segurança pública.

Com todas as delongas de que se cercou, e com minúcias e divergências capazes de testar a paciência até dos próprios ministros, o julgamento do mensalão tem posto à prova esse duplo simplismo -tanto o de quem não se importa com a condenação quanto o dos que a querem a qualquer preço.

Se há muito de exemplar nas decisões até aqui alcançadas, não são menores as lições que o processo pode trazer -no que assegura de respeito às garantias constitucionais, ao debate civilizado e ao exame de cada caso com rigor, mas sem tendenciosidade nem paixão.

O herói sem rosto - ÁLVARO PEREIRA JUNIOR


FOLHA DE SP - 01/09

Responda sinceramente: se você visse uma foto de Neil Armstrong, saberia dizer de quem se trata?

Edgar criou uma seita e se fez guru, Charlie tornou-se pastor evangélico, Edwin mergulhou no álcool e na depressão, Alan virou pintor de um único tema (o espaço), James diz ter recebido recados diretos de Deus, outro Alan (que era linha-dura) amoleceu o coração, Eugene viu a vida perder graça e cor, Jack entrou para política e fugiu enojado, John tentou retomar a rotina mas sofreu decepções brutais no trabalho, Pete levou tudo meio na brincadeira, David foi punido por tentar lucrar com sua aventura, Neil simplesmente desapareceu.

Neil é Neil Armstrong, engenheiro e astronauta (nesta ordem), morto semana passada, aos 82 anos. É o nome estelar de um grupo muito seleto: os 12 homens que andaram na Lua, "moonwalkers", palavra tão sonora e bonita em inglês. Edgar Mitchell, Charlie Duke, Edwin "Buzz" Aldrin, os Alans Bean e Shepard, James Irwin, Eugene Cernan, Jack Schmitt, John Young, Pete Conrad e David Scott completam a lista.

Centenas de astronautas, e até alguns bicões, foram ao espaço, na órbita da Terra. Mas os 12 acima, e mais uns poucos, viajaram além: escaparam da gravidade terrestre.

Para os que orbitam a Terra, ela é a presença dominante: viva, colossal.

Mas, para quem chega mais longe, nosso planeta não passa de um ponto flutuando no infinito. Neil Armstrong se deu conta disso quando, na Lua, fechou um olho e, com o polegar, bloqueou toda a visão da Terra.

Questionado se isso o fez sentir-se gigante, respondeu: "Não. Fez com que eu me sentisse muito, muito pequeno". A declaração resume sua personalidade.

De todos os nomes que marcaram o século 20, talvez Neil Armstrong, comandante da Apollo 11, seja o único ao qual não se associa, imediatamente, um rosto. De Lênin a Einstein, de Churchill a Pelé, passando por James Joyce, Hitler, Freud, nome e feições são inseparáveis. Mas nunca foi assim para Armstrong.

Sinceramente: antes de ver as fotos publicadas nos últimos dias, você se lembrava do rosto do primeiro homem na Lua? Mesmo se fosse aquela tão linda, tirada pelo companheiro de jornada, Buzz Aldrin, quando eles acabavam de voltar ao módulo lunar, depois da "moonwalk" pioneira, Neil sem capacete, sorriso aberto, lágrimas nos olhos pequenos, se essa imagem fosse apresentada de repente, você saberia de quem se tratava?

A não ser que seja "astronautólogo", com certeza a resposta é não. Até o site da NBC News se confundiu. No dia da morte, chamou Neil Armstrong de "Neil Young".

Neil quis assim. Ainda que sem intenção, manteve um "low profile" até na Lua: não há fotos dele andando pelo satélite. Só dois ou três registros precários, obtidos por filmadoras presas à nave. Não exatamente fotos -imagens de cinema congeladas.

Máquina fotográfica, mesmo, só havia uma. Armstrong fez dezenas de fotos do colega na superfície lunar. Mas não houve recíproca. Aldrin diz que, em meio a tantas tarefas, se esqueceu.

Especulou-se sobre uma possível vingança de Aldrin por não ter sido o primeiro a pisar na Lua. No livro de James R. Hansen, "First Man: The Life of Neil A. Armstrong", Neil disse não acreditar nisso. Aldrin também nega.

Ao voltar da Lua, Neil Armstrong cumpriu suas obrigações sociais e políticas e, tão rápido quanto pôde, recolheu-se. Primeiro, a uma função burocrática na Nasa. Depois, a uma cadeira de engenharia na modesta (para os padrões americanos) Universidade de Cincinnati, em seu Ohio natal.

Deu raras entrevistas, resguardou obstinadamente a intimidade e só voltou à Nasa quando chamado (nas investigações dos acidentes da Apollo 13 e do ônibus espacial Challenger).

Extraí a maioria destas informações de um livro excelente: "Moondust" (2005), de Andrew Smith, que saiu em busca dos "moonwalkers" vivos (eram nove; agora, oito).

Smith aborda um sentimento também explorado em vários livros e filmes: a mágoa de alguns astronautas das missões posteriores à Apollo 11. Com o público já acostumado aos pousos lunares, "moonwalkers" pós-Armstrong julgam não ter recebido o devido reconhecimento.

Um dia, dos nove, restará só um: o último homem vivo a ter andado na Lua. Talvez, tantos anos depois, esse herói derradeiro atinja a notoriedade que sente merecer. A mesma notoriedade de que tanto fugiu o engenheiro Neil Armstrong, piloto civil, ele sim, o primeiro homem na Lua.

Delírios e ideologias - SÉRGIO TELLES


O Estado de S.Paulo - 01/09


Semana passada, o extremista norueguês Anders Breivik, que em julho de 2011 praticou dois atentados sucessivos nos quais matou 77 pessoas e feriu outras 242, foi considerado "legalmente são" pela corte de Oslo e, como tal, condenado à pena máxima daquele país - confinamento por 21 anos.

A pergunta que imediatamente ocorre a qualquer um é - como se pode afirmar que não é louco alguém que comete um ato como esse?

A dúvida atinge não apenas o público leigo, pois mesmo os especialistas discordaram quanto ao diagnóstico de Breivik. Em novembro de 2011, um grupo de peritos o considerou como um caso de esquizofrenia paranoide. Mais recentemente, outro grupo afirmou que, mesmo tendo diversos transtornos e sintomas, Breivik não é um psicótico, sendo capaz de avaliar as consequências de seus próprios atos, opinião que prevaleceu no julgamento.

Para entender a discordância entre os peritos, imaginemos duas situações. A primeira mostra Breivik tomado pela ideia de que determinadas pessoas são clones de seres humanos controlados por alienígenas, que os usam como espiões visando à futura invasão de nosso planeta. Convencido de que a Terra pode ser destruída pelos extraterrestres, Breivik se sente na obrigação de lutar contra essa ameaça e mata seus agentes. Na segunda, acreditando que a Noruega corre o perigo de perder sua identidade nacional ameaçada pelo multiculturalismo, política alimentada por marxistas que não se importam com o crescimento da "Eurábia" (termo pelo qual radicais de direita se referem a uma temida islãmização da Europa), Breivik executa uma ação "cruel, mas necessária", para alertar a todos sobre o perigo e convocar os tíbios à luta.

Observa-se que a estrutura das duas ideias é semelhante. Há um suposto perigo a ser combatido e a disposição para exercer a punição e eventual eliminação dos que o provocaram. Mas há uma diferença importante. No primeiro caso, configura-se um delírio - um sistema de crenças não compartilhadas coletivamente e que se afastam do que é considerado como realidade. Nessa hipótese, Breivik não poderia ser legalmente responsabilizado por seus atos. No segundo, Breivik apresenta convicções ideológicas - sistemas de crenças que, correspondendo ou não à realidade, são compartilhados por uma considerável parcela da população da Noruega e da Europa. Dessa maneira, suas ideias não são consideradas delirantes e ele é responsabilizado pelos atos delas decorrentes.

Por serem sistemas de crenças, delírios e ideologias não são de fácil discriminação. Algumas crenças delirantes logo evidenciam uma distância frente à realidade e o senso comum, o que nem sempre ocorre com as crenças ideológicas. Não poucas vezes elas se mostram tão fantasiosas e imaginárias quanto os delírios e só não são reconhecidas como tal por serem amplamente compartilhadas pelo grupo social, como ilustram as ideologias políticas e religiosas.

A realidade se impõe brutalmente através da morte, da doença, das grandes catástrofes, do acaso - acontecimentos impossíveis de serem negados. Mas quando transcorre suave e corriqueira no dia a dia, a realidade pode ser negada, o que fazemos regularmente e com variada intensidade, pois a envolvemos com crenças delirantes ou ideológicas, com o objetivo de melhor satisfazer nossos desejos conscientes e inconscientes, refutando tudo aquilo que nela a eles se opõe. Por isso, o recurso de aferir a veracidade dos delírios e ideologias contrastando-os com a realidade, à qual supostamente se referem, nem sempre é confiável. É difícil usar a realidade como padrão de objetividade e verdade, pois só a vemos de forma distorcida, através das lentes de nossos desejos.

As ideias que comandaram os atos de Breivik - a islãmofobia, o racismo, o preconceito - não foram consideradas loucas por serem socialmente compartilhadas. Mas persiste a dúvida. Tal ideologia é "normal" ou é, de fato, um delírio socialmente compartilhado, tal como o foi a ideologia nazista para o povo alemão?

Transcendendo a decisão jurídica sobre a imputação e a sentença, um caso como o de Breivik levanta uma questão maior sobre o assassinato: é "normal" um homem matar seu semelhante, ou este é sempre um ato "louco"?

Para vivermos em comum, temos de abrir mão de nosso narcisismo primordial, que nos faz crer na onipotência e na completude. É um longo caminho a ser trilhado para que se chegue a aceitar as limitações, as incapacidades, a inveja do outro, a necessidade de conter os desejos agressivos e eróticos em prol do bem de todos. Afastadas todas as racionalizações, em última instância, o assassinato decorre da persistência do narcisismo mais primitivo, da intolerância frente ao outro que, pelo simples fato de existir, impõe restrições a minhas pretensões de tudo ser, ter e poder, e que, por isso, tem de ser eliminado. Por isso, psicanaliticamente, o assassinato será sempre um ato louco, insano, psicótico, a não ser quando exercido em legítima defesa - importante e inevitável exceção.

Individual, em massa, punido pela lei ou por ela exigido (contra o "inimigo") durante as guerras, o assassinato é a evidência mais extremada da agressividade e destrutividade inerentes ao ser humano. Frente a elas, só nos resta tentar domá-las, contrabalançá-las com as pulsões de vida, com a criatividade, com Eros. É imprescindível abandonarmos a fórmula projetiva "eu sou bom, ele é mau" e adotarmos outra mais realista e integradora - "a maldade, a agressão e a destrutividade estão dentro de cada um de nós, devemos controlá-las e neutralizá-las com as forças construtivas das quais também dispomos".

Língua no museu - RUY CASTRO


FOLHA DE SP - 01/09

RIO DE JANEIRO - Numa próxima ida a São Paulo, vou voltar ao museu da Língua Portuguesa. Acabo de saber ("Ilustrada", ontem) que os textos de seu espaço expositivo ainda estão na velha ortografia -ou seja, na língua como a conhecíamos, antes do "acordo" assinado em 2008 por parte dos membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (leia-se o Brasil). Preciso fazer isto antes de 31 de dezembro, quando a nova ortografia será obrigatória, e o trema, por exemplo, irá se juntar aos extintos mamutes, pterodáctilos e leitores de Pearl S. Buck.

Lá, terei o prazer de ler palavras como "pingüim", "lingüista" ou "desmilingüido", com o velho trema. Penso até em lê-las em voz alta, se ninguém estiver olhando, e lambendo cada trema como Chicabon -antes que sejam reduzidas a "pinguim", "linguista" e "desmilinguido" e assim comecem a ser ditas pelos jovens que não sabem como elas soavam. Aliás, passei pelo problema outro dia nesta coluna, quando reproduzi o trecho da letra do samba "O Pato", que diz "O pato/ Vinha cantando alegremente/ Quem-quem".

Escrevi, como sói, "qüem-qüem", mesmo sabendo que meus tremas não chegariam vivos ao jornal impresso, e que a única pessoa que leria "quem-quem" como "qüem-qüem" seria o professor Evanildo Bechara, um dos autores da reforma. Quando a coluna saiu, submeti-a a alguns jovens pouco versados em bossa nova. Todos pronunciaram "quem-quem". E se, um dia, Evanildo for chamado de "linguista", e não "lingüista"?

O poeta mineiro Abgar Renault (1901-1995), que não aderiu às reformas de 1943 e de 1971, morreu escrevendo "phosphoro", "pthysica" e "portuguez". Seguindo seu exemplo, continuarei a escrever "qüem-qüem" e deixarei a meus editores a tarefa de expurgar os tremas.

Acho que o museu da Língua Portuguesa deveria continuar na velha ortografia. Afinal, é um museu, não?

O prelúdio e a piada de salão - NELSON MARCHEZAN JUNIOR


ZERO HORA - 01/09

Nos tempos em que se acreditava na impunidade, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que o escândalo do mensalão, classificado como maior episódio de corrupção política da história do país, acabaria ao fim e ao cabo virando "piada de salão".

Imaginava o tesoureiro petista que, com o passar do tempo, a opinião pública seria flexibilizada e o escândalo, em que pese a suas dimensões e graves consequências, findaria melancolicamente entre aqueles episódios que servem para apimentar jocosas e frívolas conversas nos salões do poder.

Nas suas contas, o homem das finanças imaginava, ainda, que a própria Justiça acabaria relevando as dimensões do crime com o baixar da poeira. Na sua fictícia contabilidade, o mensalão do PT viraria um desses episódios de crise política que crescem a partir de uma certa artificialização e morrem com o passar do tempo. Cometia erro duplo: nem a crise era artificial, tampouco o tempo seria benevolente.

Passada a primeira parte do julgamento do mensalão do PT no Supremo, com base nos pedidos de condenação já feitos, Delúbio Soares já sabe que deve esquecer a "piada de salão" e se preocupar seriamente com o prelúdio feito pelo ministro relator Joaquim Barbosa.

Ao pedir, por exemplo, a condenação do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil (BB) Henrique Pizzolato e do empresário Marcos Valério, o ministro enviou sinais de que votará pela condenação de Delúbio Soares, como consequência de sua participação no esquema de distribuição de dinheiro para a compra de apoio político.

Os tons pela condenação ficam mais claros quando o prelúdio de Barbosa abre o foco em torno dos desvios de recursos do Banco do Brasil. Ali, fica absolutamente caracterizado que a SMPB, a DNA e a Graffiti simularam empréstimos junto ao Banco Rural e, além disso, usaram o Banco do Brasil no momento de lavar o dinheiro obtido de forma fraudulenta.

Nesse prelúdio, Delúbio foi citado 50 vezes no voto do ministro relator referente aos desvios de recursos públicos da Câmara dos Deputados e do Banco do Brasil para as empresas de Marcos Valério.

O voto do relator Ricardo Lewandowski, condenando Henrique Pizzolato por corrupção passiva, já seria uma nota grave pós-prelúdio e que tem fortes repercussões no julgamento de Delúbio Soares.

Será muito difícil encontrar acordes dissonantes que possam confirmar a piada de salão proclamada por Delúbio Soares. Como se fosse uma orquestra afinada, embora composta de solistas independentes, o Supremo Tribunal Federal caminha na direção de suprimir a piada de mau gosto e de fazer ecoar nos salões o hino do fim da impunidade.

A terceira via em SP - MERVAL PEREIRA


O GLOBO - 01/09


Para o professor Romero Jacob, da PUC-Rio, e sua turma de pesquisadores, o que está acontecendo em São Paulo na disputa da prefeitura não é novidade. Eles trabalham com o que chamam de "geografia do voto", buscando recuperar, através de 150 mapas, o comportamento dos eleitores por zonas eleitorais nas cidades do Rio e São Paulo.

O e-book " A geografia do voto nas eleições para prefeito e presidente nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo: 1996-2010" está acessível a todos, de graça, na página da editora da PUC- Rio: http://www.editora.vrc.puc-rio.br/ .

Na verdade, diz ele, é um pouco buscar "escolhas políticas homogêneas em espaços políticos complexos". A série histórica põe questões que nos permitem olhar a campanha de modo mais abrangente. No caso de São Paulo, por exemplo, fica claro que há uma terceira via, com forças locais que conseguem se viabilizar mesmo diante da organização maior de PT e PSDB. Em sete eleições, desde 1985, a vitória é do que ele chama de "direita paulistana". O PT ganhou duas vezes, com Luiza Erundina e Marta Suplicy, e o PSDB, uma, com José Serra, e, como mostra a série histórica, a terceira via tem se afirmado ao longo do tempo, com a direita paulistana ganhando quatro vezes: Jânio Quadros, Paulo Maluf, Celso Pitta e Gilberto Kassab.

O candidato Celso Russomanno, do PRB, que está à frente nas pesquisas, seria o representante desse "malufismo repaginado". O histórico é muito mais de disputa do PT com os "malufismos" nas suas variações da direita paulistana do que de PT contra PSDB, como acontece em nível nacional, ressalta Romero Jacob. O fato de Russomano estar roubando votos de Serra nos chamados redutos tucanos, os "votos azuis", é uma contrapartida da tendência histórica desses grupos de apoiar o PSDB.

O voto antipetista estaria buscando em Russomanno a solução mais pragmática, dizem as pesquisas eleitorais de Ibope e Datafolha. Mesmo quando Maluf diz que vai apoiar o petista Fernando Haddad - e quando disse que apoiava Marta Suplicy -, no final os votos vão para os tucanos, lembra Jacob. Segundo o histórico, um cenário de disputa entre Russomanno e Haddad, se acontecer, não seria nada estranho. Ele lembra que só houve uma eleição para prefeito em que o PT ficou de fora da disputa: em 1985, quando deu Jânio Quadros contra Fernando Henrique.

A pergunta-chave, para Jacob, é qual seria a tendência dessa força política conservadora hoje: preferiria ficar ao lado do governador ou da presidente da República? Outra incógnita é para onde iriam as forças hoje com Russomanno se der Serra x Haddad. Em 2004 foram para Serra. Se pegarmos os números do primeiro para o segundo turno, diz Jacob, o que se vê é que o eleitor tucano e o malufista foram para Serra e Kassab também em 2008.

Em São Paulo, a parte central da cidade é área por excelência tucana. Ali o PSDB sempre teve votações excepcionais. Tem renda alta e maior escolaridade, e a área de renda mais baixa fica com o PT, enquanto Mooca, Ipiranga, áreas de classe média baixa, é de onde a direita paulistana tira sua força.

Quando se vai caminhando para as extremidades do município, para as zonas Sul, Leste, Noroeste, nos limites do município com o entorno, sobretudo com os municípios industriais, cresce a força do PT. Isso fica claro na divisa entre o ABCD e a zonas Sul e Leste: ABCD, Guarulhos, Osasco, onde há a grande concentração industrial. Em oito eleições o PT vai ter voto na periferia da capital, e o PSDB, na parte central. O que se observa sempre é que há uma área na cidade de São Paulo malufista.

O resultado final vai depender de ganhar de muito onde se é mais forte, e perder de pouco na área em que o adversário é mais forte. A parte central de São Paulo, além de tucana, é católica (83% da população). Nas zonas Leste, Sul e Noroeste, os evangélicos vão a 30% da população. O candidato Gabriel Chalita (PMDB) pode ter sido plantado para tirar voto do Serra na área central, já que é católico, ligado ao padre Marcelo Rossi e à renovação carismática, raciocina Jacob.

E Russomanno poderia atrair o voto popular, mas também das igrejas pentecostais. Não foi por outra razão que os serristas ligados ao prefeito Kassab deram corda para essa candidatura, sem esperar que ela ganhasse a força própria que parece ter no momento. (Amanhã, a eleição no Rio)

Um desestímulo à educação - SÉRGIO AMAD COSTA


O ESTADO DE S. PAULO - 01/09


Há uma visão equivocada no País de que o setor privado colabora pouco com a educação de seus profissionais. Pelo contrário, muitas empresas investem na capacitação de seus colaboradores, visando a suprir a deficiência do Estado em oferecer educação em todos os graus, inclusive o profissional. Não são poucas as companhias que concedem bolsas de estudo aos seus empregados em todos os níveis do ensino formal.

O fato é que o Brasil, na concorrência internacional, está em muita desvantagem no quesito educação. Isso se revela notoriamente na baixa produtividade dos trabalhadores em geral no País. E é por isso que não é possível entender algumas atitudes de nossos governantes que, em vez de estimularem ainda mais as empresas a investir na qualificação de seus profissionais, criam leis que inibem a concessão de bolsas de estudo.

Exemplo emblemático de negligência do governo no estímulo à educação é traduzido na Lei n.º 12.513, sancionada pela Presidência da República em 26 de outubro de 2011. Embora esse dispositivo legal, por natureza, tenha a finalidade de ampliar a oferta de educação profissional e tecnológica, na sua essência o que sobressai é o seu lado arrecadatório, limitando as destinações das empresas para bolsas de estudo, sob pena de tributação da contribuição previdenciária.

É verdade que a situação anterior a essa nova lei também não era boa. A legislação não era clara e gerava insegurança jurídica. Mas, em geral, a Lei n.º 8.212/91 garantia a isenção de contribuição previdenciária para bolsas de estudo concedidas somente à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissional voltados para as atividades desenvolvidas pela empresa.

Essa lei exigia também que, caso a empresa ofertas se a bolsa de estudo, todos os profissionais teriam de ter acesso ao benefício. Além de limitar o universo de cursos quanto à não tributação, ela desestimulava muitas empresas a conceder esse benefício, por causa da dificuldade financeira de arcar com a educação para todos os empregados.

Pois bem, a recente Lei n.º 12.513/11 veio tentar mudar esse quadro, mas ela avança, por um lado, e retrocede, e muito, por outro. Anda para a frente, ao ampliar o universo de cursos que podem ser ofertados em termos de bolsas de estudo. Ela inclui, também, a educação profissional técnica de nível médio e a educação profissional e tecnológica de graduação e pós-graduação. E não exige mais que a bolsa de estudo, quando concedida, se estenda a todos os profissionais.

Mas essa lei anda para trás quando limita a isenção de tributar a empresa que concede bolsa de estudo. A companhia tem de recolher contribuição à Previdência se o valor mensal da bolsa de estudo for superior a R$ 933 (uma vez e meia o valor mínimo do salário contribuição) ou superior a 5% da remuneração do trabalhador. Entre os dois, vale o maior. E, pior, o empregado que recebe a bolsa também é tributado, contribuindo de acordo com a sua faixa salarial.

O retrocesso nessa lei também se verifica ao manter a exigência de que a bolsa de estudo deva ser destinada a cursos vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Ora, tal exigência não faz sentido algum. Um exemplo: numa empresa cuja área de tecnologia da informação ( TI) é terceirizada, um curso de TI poderá não se enquadrar nos quesitos de subsídio para o tratamento de isenção previdenciária.

A Lei n.º 12.513/11 precisa ser revista. Aliás, ela ainda vai gerar muita confusão, pois o artigo 458 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) define que o auxílio educacional não é considerado como salário. Ou seja, é verba para o trabalho, e não pelo trabalho, sem incidência, assim, da contribuição previdenciária. Mas enquanto são debatidos os conceitos, e essa discussão vai longe, as empresas, para não correrem o risco de ser multadas, vão pagando o tributo ou vão, infelizmente, evitando conceder bolsas de estudo, tão necessárias para o País, que carece de educação.

Verbos que não se ensinam - CLÓVIS ROSSI

FOLHA DE SP - 01/09


Jornalismo é um exercício basicamente simples, que depende da boa execução de apenas quatro verbos: saber ler, ouvir, ver e contar. Se alguém acha que ao menos um desses verbos (o ideal seria que fossem todos) pode ser ensinado em uma faculdade de jornalismo, deve mesmo ser a favor do diploma específico. Quem, como eu, duvida dessa possibilidade só pode ser contra. Eu sou.

Pegue-se o verbo ler, em ambos os sentidos, o mais primário, de alfabetização para compreender palavras escritas, e o mais nobre, o de gosto pela leitura. No primeiro caso, ou se aprende a ler na escola primária ou nunca mais, salvo raros casos de autodidatas.

No segundo, tampouco a faculdade pode ensinar o gosto pela leitura. Ou vem do berço ou se adquire nos primeiros tempos pós-alfabetização.

Como não creio que se possa escrever bem sem ler bastante, depender da faculdade de jornalismo para desenvolver esse gosto só fará o profissional chegar ao mercado de trabalho com um deficit talvez irreparável.

Alguma faculdade pode ensinar a ver? Ou a ouvir? Duvido.

Pode, sim, desenvolver o talento, de todo modo natural, para contar histórias. Mas qualquer faculdade pode fazê-lo, acho.

Pulemos da teoria para os fatos concretos. Ricardo Kotscho não fez faculdade de jornalismo. Nem qualquer outra, a não ser depois que já estava solidamente instalado na profissão. Nada disso o impediu de se tornar um dos melhores repórteres de todos os tempos no jornalismo brasileiro.

Se, quando eu lhe dei o primeiro emprego na chamada grande imprensa (no "Estadão"), já vigorasse a exigência do diploma, o jornalismo brasileiro teria perdido um imenso talento.

Se a obrigatoriedade do diploma valesse nos anos 1960, o jornalismo brasileiro teria ficado sem o gênio de Cláudio Abramo (1923-1987), que foi corresponsável pelas reformas que tornaram o "Estadão", primeiro, e a Folha, depois, os grandes jornais que são.

Abramo não tinha diploma algum. Não obstante, foi convidado pela USP para ministrar curso de aperfeiçoamento para estudantes de pós-graduação. Irônico, não?

Desconfio que boa parte das equipes com as quais Cláudio trabalhou tampouco tinha diploma de jornalista, o que não impediu que fizessem grandes jornais.

Esclareço, antes que alguém suspeite que estou advogando em causa própria, que eu, ao contrário de Kotscho e Abramo, tenho, sim, diploma específico, aliás o único. Mas garanto que aprendi mais, na prática, com gente como Kotscho, Abramo e tantos outros sem diploma do que na faculdade.

Um segundo ponto que me leva a ser contra o diploma específico é a evidência de que nem a mais perfeita faculdade de jornalismo do mundo pode ter um currículo que ensine a seus alunos todos os temas que, um dia ou outro, podem lhes cair sobre a cabeça. Não dá para ensinar agricultura e transportes, tênis e política, legislação e teatro -e por aí vai. Não dá.

Quem pensa em entrar para o jornalismo com um objetivo definido (jornalismo econômico, digamos) deve fazer economia e não jornalismo. Se tiver desenvolvido os quatro verbos-pilares (ver, ouvir, ler e contar), estará mais pronto para a profissão, na área específica, do que se fizer jornalismo.

Último ponto: não entro na discussão sobre a diferença entre profissões (medicina, engenharia, por exemplo) que, mal exercidas, podem matar, e aquelas (jornalismo) que não podem e, portanto, não precisam de diploma específico. Jornalismo pode matar, sim, mesmo que seja moralmente. Mas é de uma presunção absurda supor que só faculdades de jornalismo ensinam ética.

Entre a palavra e o real - SILVIANO SANTIAGO


O ESTADÃO - 01/09


O acaso de uma viagem leva-me a abrir e a examinar o livro Todas as Palavras (Assírio & Alvim, 2012), poesia reunida do português Manuel António Pina, nascido em 1943, e ainda pouco conhecido no Brasil. Embora bem recebidas regionalmente, suas sucessivas coleções de poemas circulavam apenas entre os "happy few". Era tido como autor de livros infantojuvenis e jornalista político. A produção poética ganhou destaque internacional na edição 2011 do Prêmio Camões. Os jurados a elegeram. Ao receber o prêmio, o poeta engendra trocadilho que tem graça e faz sentido: "É a coisa mais inesperada que poderia esperar". Nuno Ramos de Almeida diz que ele "não acredita em milagres, mas faz tudo para que eles aconteçam".

Com resultado nulo ou inesperado, a reflexão durante a espera foi tema na literatura do desconcertante século 20, quando as certezas se esboroaram no chão da dúvida e da decepção. Haja vista a primazia conferida à peça Esperando Godot, de Samuel Beckett, e o sentido da expectativa masoquista exposto por Albert Camus, o Sísifo. Na sala de espera do dentista, o paciente aguarda a vez e a dor simbólica. Leia-se no romance A Peste: "Pergunta: O que fazer para não perder tempo – Resposta: Experimentá-lo em toda sua extensão. Meios: Passar dias na sala de espera do dentista, sentado de maneira desconfortável".

Como lugar dramático, a sala de espera incita o artista – não comprometido com a ação política – à observação da fragilidade e da precariedade do esforço humano, que lhe causam angústia existencial. Compele-o ao imperioso ceticismo frente ao homem e ao mundo. Circunstâncias dão origem a valores transitórios e a crença nestes é vista como traição ao compromisso fundador do artista e do intelectual modernos.

Manuel António Pina sabe que, ao usar a palavra como ferramenta expressiva, o poeta escreve – na hesitação entre som e sentido, para retomar Paul Valéry – o verso que levanta potencialidades de significado e se robustece de novas e outras indeterminações. No poema, dobra-se o mundo "entre ser e possibilidade". Se entrevistado sobre a construção do real pela poesia, António Pina arrasta o curioso até a antessala do conhecimento para que reflita sobre a ambivalência de significado na vida real, dando como exemplo o experimento científico conhecido como o gato de Schrödinger. Fechado numa caixa e à mercê duma ampola de veneno, que pode ou não ter sido quebrada, o gato está momentaneamente vivo e morto. Aberta a caixa e observado o conteúdo, vai-se a ambiguidade: o gato vive ou está morto. Ao se ganhar o sentido do real, colapsa-se a esperança de o bichano estar vivo e morto. Perde-se o indecidível, para citar Jacques Derrida.

O cientista acondiciona o gato numa caixa ardilosa. O poeta aprisiona a palavra num poema. O potencial assassino da ampola de veneno em relação ao gato, assim como o potencial explosivo da palavra poética frente ao real, tem mera função aleatória. Afirma António Pina: "Nunca saberemos como é o mundo real, e até que ponto ele coincide com aquele que construímos através da observação e com recurso à linguagem". E continua: "Nós é que construímos de fato a realidade através da observação, nós é que lhe damos sentido".

A congruência da palavra poética com as coisas – a harmonia do que é morto com o que é vivo – é metaforizada por António Pina pelo par de meias (a não ser confundido com o não coincidente par de sapatos). O poeta cita uma passagem da Mineralogia e Geologia Gerais: "Como exemplo de congruência / podemos tomar um par de meias / que tanto se pode calçar no pé / esquerdo como no pé direito". É do par de meias – e das palavras no poema – o direito ao paradoxo de Schröndinger e à congruência. Já cada sapato calça seu próprio pé.

O milagre da poesia consiste em fazer com que, fora da caixa, se perpetue o estado indecidível da palavra dentro dela. Após a observação do poeta e a decisão do poema, a palavra poética ainda se robustece como indeterminação explosiva, semelhante à proposta pela relação entre gato e ampola em Shrödinger. Antes de ser sentido, ela é sílaba, plenitude, e silêncio, vazio. Em "os tempos não", poema que abre a poesia reunida, lemos: "As palavras esmagam-se entre o silêncio / que as cerca e o silêncio que transportam". Não é pela semântica das palavras, é pelo seu "hálito" que o poeta constrói o verso. No poema "O livro", lemos: "O que o livro diz é não dito / como uma paisagem entrando pela janela de um quarto vazio". Em "Arte poética", complementa: "Vai pois, poema, procura / a voz literal / que desocultadamente fala / sob tanta literatura. / Se a escutares, porém, tapa os ouvidos, porque pela primeira vez estás sozinho".

Tecido em palavras poéticas, o "par de meias" (leia-se: a vida) calça indistintamente o princípio e o fim do homem. Nascimento e morte se harmonizam. Não há milagre, mas é preciso se esforçar para que ele aconteça. Tal atitude é inspirada a António Pina por T. S. Eliot, cujos versos sobre o esforço de o poeta tornar a incongruência congruente são citados: "chegar aonde começamos / e conhecer o lugar pela primeira vez". O par de meias de Eliot está também nos versos do próprio António Pina, que, aliás, são recorrentes: "O rio da morte corre para a nascente", ou: "Voltamos sempre ao princípio, estamos perdidos!". Manuel ainda se inspira em texto bíblico para escrever outros e muitos poemas: "Aquele que quer morrer / é aquele que quer conservar a vida".

A hesitação entre a palavra e o real. A ressurreição do gato, a afirmar e a negar a observação. A incerteza sobre o caminhar da vida na morte. As três damas regulam o imperioso ceticismo na poesia de António Pina, dada como "falta", falta que é construída a partir do verso "O braço que falta ao mendigo é que o sustenta". Para culminar: "É o que falta que fala".

O futuro em jogo - DANIEL ORLEAN e EDUARDO DANTAS


O GLOBO - 01/09


O Brasil encontra-se em um momento crítico da sua trajetória. Por um lado, várias boas notícias. Somos uma potência em desenvolvimento com características que nos tornam, segundo alguns analistas, a opção mais confiável mesmo entre os Brics. Por outro lado, ainda mantemos algumas características que nos vinculam a um passado arcaico, comprometendo diretamente a competitividade de nossos produtos e serviços.

Em apenas dois anos, caímos oito posições no ranking de competitividade global, indo da 38ª para a 46ª colocação. As principais causas para esse anacronismo são a educação e o desenvolvimento do nosso povo.

Milhões de jovens ingressam em um mercado de trabalho cada vez mais representativo no cenário internacional. Entretanto, encontrar pessoas com as competências requeridas vem sendo um grande desafio para as organizações. Em uma pesquisa que envolveu quase 40 mil empresas em 39 países, foi constatado que um em cada três empregadores encontra dificuldades no preenchimento de cargos. No Brasil, a situação é ainda mais alarmante: 57% das companhias têm este problema.

Alguns sinais indicam melhorias recentes nesse quadro da educação no país. De acordo com os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) divulgados este mês, o Brasil superou as metas projetadas pelo MEC para 2011 em todo o ensino fundamental, ou seja, do 1º ao 9º ano, e igualou a meta proposta para o ensino médio. Embora os resultados individuais para municípios e escolas tenham se apresentado bastante desiguais, chama atenção a redução da diferença na avaliação entre instituições de ensino particulares e públicas. O abismo persiste, mas os números mostram que as escolas particulares registraram queda em alguns estados, como é o caso do Rio de Janeiro, enquanto houve uma ligeira melhora nas escolas públicas em geral.

A grande questão é: enquanto a educação permanece insuficiente, a necessidade por pessoas qualificadas avança, já que os problemas se tornam mais complexos. Nossa educação só irá melhorar com um intenso investimento na atualização e na formação de professores. E, para isso, temos uma oportunidade única.

A inserção de novas tecnologias no ensino passa por dois pressupostos básicos. O primeiro é que o universo transmidiático vem englobando as novas gerações, impulsionado pela afinidade natural que os jovens têm pelo novo. O segundo é ligado à forma como aprendemos e como as tecnologias podem impulsionar esse processo.

É preciso dar passos largos e rápidos em direção a uma educação engajadora. Para isso, é necessário investir em uma formação de professores que busque envolvê-los no processo educacional como agentes de transformação.

PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV


7h - Atletismo, Paraolimpíada, SporTV 2

8h45 - West Ham x Fulham, Inglês, ESPN e ESPN +

9h - Treino de classificação do GP da Bélgica, F-1, Globo

9h - Brasil x Grã-Bretanha, Basquete, Paraolimpíada, SporTV 2

10h - Biarritz x Toulouse, rúgbi, Bandsports

10h30 - Nuremberg x B. Dortmund, Alemão, ESPN Brasil

10h30 - GP da Bélgica, GP2, SporTV

10h30 - Circuito Mundial: etapa da Finlândia, vôlei de praia fem., Esporte Interativo

10h45 - Ciclismo, Paraolimpíada, SporTV 3

11h - West Bromwich x Everton, Inglês, Fox Sports

11h - Tottenham x Norwich, Inglês, ESPN

11h15 - Japão x Alemanha, Basquete, Paraolimpíada, SporTV 3

12h - Aberto dos EUA, tênis, ESPN + e SporTV 2

12h15 - Brasil x Grã-Bretanha, futebol de 7, Paraolimpíada, SporTV 3

13h - Torino x Pescara, Italiano, Fox Sports

13h - Orlândia x Suzano, Liga futsal, ESPN Brasil e SporTV

13h30 - Manchester City x Queens Park Rangers, Inglês, ESPN

13h30 - Natação, Paraolimpíada, SporTV 3

15h - Atletismo, Paraolimpíada, SporTV 3

15h30 - Aberto dos EUA, tênis, ESPN, ESPN + e SporTV 2

15h45 - Bologna x Milan, Italiano, Fox Sports

16h - Paraná x Goiás, Série B, Band

16h - Macaé x Caxias-RS, Série C, SporTV

16h30 - Olhanense x Porto, Português, Bandsports

18h20 - Canadá x Polônia, Basquete, Paraolimpíada, SporTV 3

18h30 - Paulistano x Palmeiras, Paulista masc. de Basquete, ESPN Brasil

18h30 - Figueirense x Fluminense, Brasileiro, SporTV (menos SC)

20h - Aberto dos EUA, tênis, ESPN, ESPN + e SporTV 2

5h30 - GP da Bélgica, GP2, SporTV

CLAUDIO HUMBERTO

“Agora é a hora de ficar calado”
Deputado João Paulo Cunha (PT-SP), após ser condenado no processo do mensalão


INOCENTADO, MONTEIRO VOLTA AO GOVERNO DO DF 

Ex-chefe de gabinete do governador Agnelo Queiroz, Cláudio Monteiro será reconduzido ao governo do DF depois de ter sido inocentado em investigação da Secretaria de Transparência, por “ausência de qualquer deslize ou conduta administrativamente irregular”. Ele mesmo havia solicitado afastamento e a investigação, após ser acusado na Operação Monte Carlo de suposta ligação ao bicheiro Cachoeira.

O HOMEM DA COPA

Cláudio Monteiro não voltará ao cargo. Agnelo o designará Secretário Extraordinário para Copa do Mundo. Vai cuidar das obras do estádio.

AQUI ME TENS DE REGRESSO

Antes de sair do governo, em junho, Cláudio Monteiro já acumulava as funções de tocador da obra do Estádio Nacional Mané Garrincha.

APLAUSOS NA CPI

O auxiliar de Agnelo Queiroz esteve na CPI do Cachoeira e, apesar de habeas corpus para ficar calado, falou pelos cotovelos. Saiu aplaudido.

CADÊ A PROPINA?

Na CPI, Monteiro pediu prova de sua ligação a Cachoeira: “Vou citar Genival Lacerda e a música ‘Onde está o rádio?’ E a propina? Cadê?”.

“PCC” GANHA CAMISAS AUTOGRAFADAS DO CORINTHIANS

Os bandidões Marcola e Carambola, chefes da organização criminosa “PCC”, que controla presídios paulistas, ganharam de presente camisas autografadas pelo elenco do Corinthians, depois da conquista da Copa Libertadores. A informação foi divulgada durante um seminário sobre Inteligência e Contrainteligência, realizado pela Escola Paulista de Magistratura, em São Paulo, provocando espanto e indignação.

SERRA EM BAIXA

Os petistas de São Paulo acham que já na próxima pesquisa o candidato Fernando Haddad ultrapassará o tucano José Serra.

DEBANDADA

Sentindo-se desprestigiados por José Serra, candidatos a vereador de sua coligação simplesmente abandonaram a campanha.

VEREADORA FEDERAL

O ministro Aldo Rebelo (Esporte) apresentou Eliana Pedrosa (PSD) a amigos, chamando-a de vereadora. Mas ela é deputada distrital no DF.

DF: A POLÍCIA MAIS BEM PAGA

A Polícia Civil do DF segue em greve, mas de barriga cheia, cujos salários a tornam a polícia civil mais bem paga do País. Os delegados, por exemplo, ganham entre R$ 13.368,68 e R$ 19.699,82, dependendo da classe. Agentes, peritos etc., entre R$ 7.885,99 e R$ 19.699,82.

RANKING NACIONAL

Os policiais civis de São Paulo, Estado rico, ganham R$ 2.210 por mês e estão em 15º lugar no ranking nacional. Em 2º lugar, os do Pará, com R$ 3.340 – menos da metade do que recebem os colegas do DF.

PELA METADE

Gilberto Gil fazia show em Brasília, na semana passada, quando o interrompeu na metade: faltou-lhe voz. Fez outra apresentação quinta-feira, e foi a vez de um fã ilustre abandonar a plateia no meio do show: o ministro Joaquim Barbosa não aguentou as dores na coluna.

MAIA DESENGAVETA

Marco Maia é gaúcho, mas está de olho no Nordeste: reunirá os líderes na terça, às 15h30, para decidir a votação de um projeto engavetado desde 2008, que cria a nova estrutura da Sudene.

CONSOLIDANDO ALIADOS

Cotado para disputar a Presidência em 2014, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) participará da campanha do candidato pelo DEM a prefeito de Salvador, ACM Neto. A visita à capital baiana será em setembro. 

SURPREENDEU

Do deputado Alfredo Kaefer (PSDB-PR) sobre o crescimento nas pesquisas do candidato pelo PSC a prefeito de Curitiba, Ratinho Junior: “Ele é o Celso Russomanno do Paraná. Vai dar trabalho...”. 

PR NA BASE

Apesar de se declarar independente, o líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), não vê problema em participar de reuniões da base governista: “Eles gostam de mim, sempre me chamam, nada impede”. 

GRAMA BEM TRATADA

A Secretaria de Esportes do DF vai gastar R$ 142,5 mil na manutenção do gramado do Estádio Bezerrão, no Gama, cidade onde nasceu o craque Kaká. Nesse estádio o Brasil goleou Portugal por 6x2, em 2008.

PERGUNTA NA BASE AÉREA

Um dos dois caças Mirage fez vôo rasante, destruindo vidraças em Brasília, e os militares terão 30% de reajuste. E se o rasante fosse dos dois Mirage? 

PODER SEM PUDOR

O CANIL QUE FOI SEM NUNCA TER SIDO

Antes de a presidente Dilma Rousseff mandar construir um belo canil para seu cão labrador "Nego", nos jardins do Palácio Alvorada, somente um outro governo viu algo parecido. Durante visita a Portugal antes da posse, no início dos anos 1960, o casal Eloá e Jânio Quadros ganhou uma cadela e, logo após se mudar para o Alvorada, a primeira-dama mandou erguer um canil. Jânio somente soube da história certo dia, logo cedo. "Não quero ver o menor resquício disto quando voltar do trabalho!", ordenou. E o canil sumiu, como lembra ainda hoje, com detalhes, o arquiteto Carlos Magalhães, que era do Departamento de Obras Complementares da Novacap, que construiu e demoliu o canil com rapidez estonteante.

SÁBADO NOS JORNAIS


Globo: Brasil teve semestre perdido na economia
Folha: Brasil tem o maior ciclo de PIB fraco desde o Plano Real
Estadão: Investimento tem 4ª queda seguida e PIB cresce só 0,4%
Correio: Brasília para cinco vezes mais imposto que media nacional
Estado de Minas: O Brasil cresceu muito
- Jornal do Commercio: Economia a passos lentos
Zero Hora: PIB reage, mas baixo investimento inquieta