quarta-feira, maio 16, 2012

O BC em busca de um novo equilíbrio - CRISTIANO ROMERO


Valor Econômico - 16/05/12


Nos últimos dias, o Banco Central (BC) se comunicou à farta com a sociedade, tentando esclarecer seus movimentos e antecipando como deve agir daqui em diante. Algumas mensagens são muito claras. Uma delas é a de que, a exemplo do que fizeram outros bancos centrais, como o da Turquia na crise de 2008/2009, o BC procura um novo equilíbrio para a economia brasileira, baseado em juros baixos e taxa de câmbio menos apreciada. Em outro recado importante, admitiu a convivência do país por um período maior de tempo com uma inflação superior à meta de 4,5%.

A questão central da comunicação recente do BC diz respeito à taxa básica de juros (Selic). Todas as mensagens dão conta de que o Banco Central aproveitará o ambiente de crise nas economias avançadas, de baixo crescimento no Brasil e de desaceleração da economia chinesa, com reflexos desinflacionários no mundo e aqui, para testar novos patamares de juros.

Neste momento, a Selic está em 9% ao ano. No próximo dia 30, se agir com "parcimônia", como sinalizaram o presidente do BC, Alexandre Tombini, e o diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve reduzi-la para 8,5%, a menor taxa nominal desde o início do Plano Real. O movimento de baixa não deve parar por aí.

Não é de agora que Tombini defende a necessidade de um novo equilíbrio para a economia brasileira. No auge da crise de 2008, quando era diretor de Normas do BC, identificou oportunidade para redução acentuada dos juros. Em outubro daquele ano, menos de um mês após a quebra do banco Lehman Brothers, chegou a propor, sem sucesso, reunião extraordinária do Copom para um corte imediato de três pontos na Selic, então fixada em 13,75% ao ano.

A ideia subjacente de Tombini, defendida na ocasião também pelo atual secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, era a de que, se o BC fosse obrigado a elevar os juros mais tarde por causa de um possível repique da inflação, o faria a partir de um patamar mais baixo. O presidente do BC reprisou esse argumento em entrevista ao repórter Fernando Dantas, de "O Estado de S. Paulo".

Se alguém tinha alguma dúvida, não deve ter mais: este BC vai reduzir os juros a limites ainda desconhecidos da política monetária brasileira. Fará isso, evidentemente, em discordância direta com as expectativas de inflação dos agentes econômicos, que seguem se deteriorando - IPCA de 5,22% para 2012 e de 5,53% para 2013.

No seminário que o BC promove anualmente sobre o regime de metas para inflação, Tombini realçou o papel das medidas macroprudenciais (por exemplo, o aumento do requerimento de capital por parte dos bancos em determinadas operações de crédito) não apenas como instrumento para assegurar a estabilidade financeira, mas também para ajudar a alcançar a estabilidade econômica. Em português claro, significa dizer que o BC não considera apenas os juros para moderar a atividade econômica e segurar os preços.

Antes da crise de 2008, disse Tombini, prevalecia o entendimento, especialmente nas economias avançadas, de que a regulação prudencial não era um instrumento de política macroeconômica. Essa percepção está mudando. A estabilidade de preços, observou ele, é condição necessária para a estabilidade macroeconômica, mas não é suficiente.

Nas últimas décadas, os países ricos conviveram com inflação baixa e pouca volatilidade do produto, caracterizando o período conhecido como a "Grande Moderação". Isso não impediu, entretanto, que essas economias mergulhassem, a partir de 2007, numa crise profunda e longa.

A crise, de acordo com Tombini, mostrou que a adoção de forma isolada de medidas microprudenciais para corrigir problemas no sistema financeiro não tem alcance sistêmico. "E os riscos sistêmicos, quando se concretizam, criam espiral negativa que pode levar instituições ou mesmo o sistema à insolvência, com implicações macroeconômicas desastrosas", argumentou.

No Copom, Tombini começou a defender a adoção de medidas macroprudenciais, em vez do aumento puro e simples de juros, desde os tempos em que era diretor de Normas. "Mesmo que conduzidas com o foco em objetivos distintos, as políticas monetárias e prudencial são complementares. As ações de uma afetam os objetivos da outra no curto, no médio e no longo prazo", afirmou.

Tombini estuda as interconexões entre ambiente macroeconômico e sistema financeiro desde os tempos de estudante. Sua tese de doutorado, concluída em 1991 na Universidade de Illinois, desenvolve a ideia de que, diante de crises provocadas por choques exógenos (as crises do petróleo nos anos 70, por exemplo), os sistemas financeiros não são neutros. Na verdade, amplificam os impactos desses choques.

No seminário, Tombini defendeu, também, a necessidade de os bancos centrais se comunicarem de forma mais explícita, sem hermetismos. Isso justificaria as novidades que o BC vem introduzindo em 2012, como a sinalização de que a Selic cairia a um dígito e, depois, o anúncio de que diminuiria a um nível próximo do mínimo histórico (os dois objetivos foram abandonados).

A mudança constante de sinalização também é justificada. "Estamos vivendo um período excepcionalmente complexo para a economia global: é possível que estejamos nessa fase da crise com equilíbrios múltiplos e com uma grande variância no cenário internacional. Basta observar a rapidez com a qual se modificou nas últimas semanas a perspectiva de crescimento nos EUA, a probabilidade de resolução da crise na zona do euro ou até os dados, por vezes contraditórios, sobre o pouso suave na China. Para quem projeta dados macroeconômicos a vida está mais difícil. Por essa razão, todos os bancos centrais têm buscado fornecer indicações e comunicações explícitas, acompanhadas com uma repetida mensagem de que esses indicativos sempre estão condicionados ao conjunto de informações disponível a cada momento. E se esse conjunto é mais volátil, naturalmente isso se reflete na necessidade de ajustar-se mais frequentemente aos desdobramentos do cenário existente", disse Tombini.

Falta de sintonia - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 16/05

A tensa participação de Dilma Rousseff na Marcha dos Prefeitos, que resultou na primeira vaia pública da presidente, serviu de alerta para os governistas quanto aos obstáculos que ela deve enfrentar até 2014 em decorrência de sua conhecida aversão a "fazer política".

Num evento tradicionalmente marcado pela divulgação de benesses federais aos municípios, Dilma disse mais "não" que "sim" a administradores, muitos dos quais ávidos por ajuda federal às vésperas da eleição.
O protesto surpreendeu o Planalto, que surfava na alta aprovação de Dilma. "O calendário dela é um, o nosso é outro. As urnas estão aí", diz um prefeito aliado.

Nua e crua Oficialmente, o Planalto afirma que Dilma sabia dos riscos de enfrentar protestos, mas preferiu "não mentir" aos prefeitos.

Que fase! Depois de ter responder por contatos com aliados de Carlinhos Cachoeira, o subsecretário de Assuntos Federativos do Planalto, Olavo Noleto, enfrentou a ira da presidente, que queria números para responder aos prefeitos. "Os dados, onde estão os dados?", reclamou ela.

Dança... Insatisfeita com a Comissão de Ética Pública, Dilma fará mudanças no órgão, mas tomará cuidado para evitar a sensação de "tutela oficial". Dos 7 membros, 5 saem entre junho e julho. Os mandatos de Sepúlveda Pertence e Américo Lourenço só vencem em 2013 e 2015.

...das cadeiras O Planalto se queixa de não ser comunicado previamente sobre as decisões anunciadas pelo colegiado. Entre os casos que causaram incômodo estão a censura pública ao ex-ministro Antonio Palocci e o processo contra Fernando Pimentel (Desenvolvimento).

Pegadinha No pedido de esclarecimentos formulado a Roberto Gurgel, a CPI quer saber quando o procurador-geral foi informado sobre a Operação Monte Carlo. A ideia é derrubar, com a discrepância de datas, a tese de que ele paralisou a Vegas por conta da outra investigação.

Data venia Na decisão que livrou Cachoeira de depor à CPI, o ministro Celso de Mello usou trecho de "Prerrogativas Profissionais do Advogado", de Alberto Toron, ex-auxiliar de Márcio Thomaz Bastos, defensor do bicheiro.

Termômetro Dilma convocou os 38 ministros para a instalação da Comissão da Verdade, prevista para hoje. "Dá até para fazer reunião ministerial'', brincou um deles, em alusão às raras ocasiões em que o alto escalão é recebido pela presidente.

Mártires Em vídeo que vai ao ar hoje no portal da Copa-2014, Pelé elogia Dilma, "que quase morreu pelo país", e diz que seu papel é apaziguar pendengas regionais entre torcedores quanto aos estádios-sede: "Aceitei [o convite] para ver se a gente acaba com essa briga".

Vai que é sua O conselho político de José Serra agirá para atrair PP e PTB, que negociam com Gabriel Chalita (PMDB). Os dois partidos estão instalados no governo de Geraldo Alckmin, sobre quem recai a pressão para persuadir Paulo Maluf e Campos Machado.

A conferir Alheio às tratativas de alianças, Luiz Flávio D'Urso (PTB) informou ontem à OAB-SP que se licenciará da entidade na última semana de maio para se dedicar à campanha eleitoral.

Plumas O PT trata com especial atenção o seminário de educação amanhã, que será a estreia da ex-tucana Claudia Costin e da "ex-marineira" Maria Alice Setúbal ao lado de Fernando Haddad.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio
"Embalado pelo boom da construção civil em São Paulo, o 'Aprov' da administração de Gilberto Kassab se transformou na mais bem-sucedida imobiliária da cidade."
DE RAIMUNDO BONFIM, DA CENTRAL DE MOVIMENTOS POPULARES, sobre o responsável pela aprovação de empreendimentos da prefeitura paulistana, Hussain Aref Saab, ter adquirido 106 imóveis num intervalo de sete anos.

Contraponto

Não tá fácil para ninguém

Durante a Marcha dos Prefeitos, em Brasília, antes de ser vaiada Dilma Rousseff anunciava a distribuição de retroescavadeiras e motoniveladoras para municípios com até 50 mil habitantes. Foi aplaudida ao dizer que a medida valeria para este ano. Em seguida, corrigiu:
-Na verdade, a seleção é este ano e a entrega possivelmente seja no fim de ano...
Diante do coro de decepção da plateia, a presidente encerrou o tema já preparando o terreno para o protesto:
-É, a vida é dura!

Obama e o casamento gay - BORIS FAUSTO


O ESTADÃO - 16/05/12


As declarações até certo ponto surpreendentes do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, endossando o casamento entre pessoas do mesmo sexo (dia 9 de maio) vem suscitando interpretações as mais variadas. Do lado negativo, há quem considere a tomada de posição inócua porque Obama não se dispõe a promover uma legislação federal a esse respeito, deixando a questão à competência dos Estados. Estes, em grande maioria, desaprovam o casamento gay. A constatação é verdadeira no plano dos fatos materiais, mas esquece a ampla dimensão simbólica da fala presidencial. Quaisquer que sejam as implicações de curto prazo, Obama passará à História como o primeiro presidente a apoiar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Cabe lembrar também que o respaldo presidencial colocará a controvérsia, mais ainda, na ordem do dia.

Há quem afirme que esse pronunciamento resultou de pressões exercidas pelo impetuoso vice-presidente Joe Biden, figura política que bem representa a ala populista do moderado governo Obama. Dias antes, Biden fora à televisão para apoiar o casamento gay, embora, curiosamente, tenha pedido desculpas ao presidente por suas declarações horas antes de Obama fazer seu pronunciamento. Seria injusto afirmar que Obama agiu como decorrência de pressões à sua volta. Ao longo de seus quase quatro anos de governo, ele não ignorou o tema da igualdade dos direitos civis, aí incluídos os direitos dos homossexuais. Foi ele quem tratou de pôr fim à discriminação no âmbito das Forças Armadas; foi ele quem, no ano passado, decidiu não exigir, perante os tribunais, o cumprimento de uma lei federal, assinada por Bill Clinton, que define o casamento como a relação entre um homem e uma mulher.

Indo adiante, há quem considere tudo um jogo de cena, com o objetivo de produzir efeitos eleitorais positivos, com vista às eleições de novembro próximo. Afirmação combinada com o fato de que são gays muitos dos grandes contribuintes da campanha do atual presidente. Se esta última hipótese parece desproporcionada, a primeira é difícil sustentar. Negros e latinos se opõem em maioria ao casamento gay, assim como muitos católicos e evangélicos. Mas, ao mesmo tempo, é certo que o pronunciamento de Obama terá efeitos positivos na atitude dos votantes americanos menores de 30 anos, que majoritariamente, num porcentual em torno de 60%, apoiam ou aceitam o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

De qualquer forma, o presidente não deu um prato cheio aos adversários republicanos. Mesmo porque entre 50% e 55% da população americana, segundo as pesquisas, apoia ou aceita o casamento gay. Há também aqueles que ficam em cima do muro, o que equivale a não se opor à ampliação do conceito de casamento. É o caso, por exemplo, de um eleitor de Mitt Romney, de 70 anos, zelador de profissão, citado nas páginas do jornal The New York Times: "Não é comigo. Não precisamos falar sobre disso. Não sei dizer se sou a favor ou contra. Não sei o que meus netos serão".

Os dirigentes do Partido Republicano, num primeiro momento, preferiram não dar maior importância ao pronunciamento presidencial, considerado em alguns círculos conservadores como uma manobra para desviar a atenção do eleitorado de temas mais sensíveis, em especial o desemprego e a situação econômica em geral. Logo, porém, as diversas organizações da direita, assim como os assessores de Mitt Romney, perceberam que as declarações presidenciais precisam ser incluídas como um tópico importante da campanha, quanto mais não fosse, para que o candidato republicano ganhasse o voto evangélico, reticente diante do fato de ele ser um mórmon. Embora seja cedo para constatações definitivas, não parece, entretanto, que a questão tenha papel decisivo na escolha dos eleitores, independentemente de sua grande repercussão social.

É compreensível a ênfase que se tem dado à inclinação à direita da política americana, assim como à crescente influência de correntes religiosas, nas decisões de um Estado definido como leigo. De fato, figuras retrógradas passaram a ditar a linha do Partido Republicano; e as correntes religiosas ganharam força, borrando, por vezes, a linha divisória entre as igrejas e o Estado, tudo culminando com os oito anos do governo de George W. Bush. Entretanto, a onda do conservadorismo social não chegou a dominar a sociedade americana. Uma tendência significativa, sustentando valores e princípios libertários, ganhou forças, ao longo dos anos. A união estável e o debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo são um bom exemplo das transformações que vêm ocorrendo nos Estados Unidos. Basta retroagir dos dias de hoje ao ano de 1973. Foi só em dezembro daquele ano que a Associação Americana de Psiquiatria eliminou de seus documentos oficiais a menção à homossexualidade como doença mental tratável.

Vale a pena ressaltar as razões que Obama arrolou em sua fala, para explicar porque evitara lançar, até aqui, um pronunciamento em favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo: "Eu hesitei na questão do casamento gay porque pensei que uniões civis seriam suficientes. Era sensível ao fato de que, para muita gente, a palavra casamento era algo que invoca poderosas tradições e crenças religiosas".

Jogada de efeito diriam os inimigos, que os há em grande quantidade, assim como os céticos. Para mim, um líder político precisa ter coragem para fazer essa afirmação, a poucos meses das eleições presidenciais, com um tom pessoal que inclui a hesitação, o respeito por convicções arraigadas. Muita gente parece não se dar conta do fato de que, se a representação de interesses poderosos domina a política americana, os princípios ainda valem, em questões cruciais.

Pequena ajuda - MÔNICA BERGAMO


FOLHA DE SP - 16/05/12

O empresário Walter Torre, da empreiteira W/Torre, está agendando conversa com Lula. Quer que o ex-presidente interfira junto a Gilberto Kassab (PSD-SP) para que o prefeito libere a abertura de seu shopping, o JK Iguatemi, na Vila Olímpia, em SP. "Estou procurando quem se preocupa com o Brasil, quem tem vergonha na cara", diz ele.

BRAÇO CRUZADO
Torre diz que 3.500 funcionários podem ser demitidos. "Com as lojas fechadas, eles não têm onde trabalhar." A prefeitura diz que o shopping não concluiu obras no trânsito da região.

LINHA DIRETA
José Dirceu (PT-SP) também se ofereceu a Torre para "ligar para o Kassab".

REFORÇO
E Lula está usando bota ortopédica. Ele teve um dissabor há alguns dias: levou um tombo dentro de casa.

MISSÃO
O ex-ministro Antonio Palocci telefonou para João Roberto Marinho, das Organizações Globo, anteontem. Tentava convencer a TV a exibir os comerciais da campanha de Fernando Haddad à prefeitura. Marinho reafirmou que a Globo seguiria a norma eleitoral e não poderia abrir exceção para o PT.

RITMO
Joesley Batista, da JBS-Friboi, que administra e pode comprar a empreiteira Delta, não descarta demissões na empresa. "Se ela for declarada inidônea, serão 35 mil pessoas na rua."

PREÇO BAIXO
Ele afirma não acreditar, porém, que governos suspendam contratos. Se isso ocorrer, prevê uma grande batalha jurídica. "As licitações foram legais, a empreiteira ganhou pelo preço." Mas diz que apoia o pente-fino que o governo federal faz na Delta. "Eu também estou fazendo auditoria lá dentro."

MUITO PRAZER
Joesley afirma que até a semana retrasada, quando foi "apresentado" à Delta por um banco de investimentos, "nem sabia que ela existia". Depois do escândalo, passou a achar "que era uma 'empreiterazinha' do [Carlinhos] Cachoeira lá em Goiás".

DOU-LHE UMA
O quadro "Visão", pintado em 1982 pelo gaúcho Iberê Camargo, será leiloado pela casa britânica Christie's no dia 22. O lance inicial é de US$ 50 mil. A obra pertence a um colecionador americano.

EU TUÍTO
A cantora Wanderléa decidiu entrar no Twitter. Sua conta na rede de microblogs é @WandecaOficial. Até ontem no começo da tarde, ela tinha 20 seguidores.

BOLA ROLANDO
O Museu do Futebol em SP vai inaugurar biblioteca para pesquisadores do esporte ainda neste ano. Ela contará com jornais e coleções de revistas como a italiana "Guerin Sportivo" e a americana "Sports Illustrated".

BRASIL EM CANNES
O curta-metragem "Os Mortos-Vivos", da carioca Anita Rocha da Silveira, 27, integrará a seleção de curtas da quinzena dos realizadores do Festival de Cannes, que começa hoje. O filme fala sobre a paixão "em um mundo mediado por instrumentos de 'vigilância afetiva' - Skype, Facebook, SMS- e por outro, dominado por afetos efêmeros", diz a diretora.

EXPRESSO
Em até 15 minutos, moradores de 39 municípios paulistas poderão descobrir se têm sífilis. Os exames gratuitos serão oferecidos a partir de junho, no SUS (Sistema Único de Saúde), por meio de coletas de sangue feitas com seringa ou com aparelhos que fazem um furinho no dedo para obter a amostra. Até 2013, o Programa Estadual de DST/Aids quer alcançar 145 cidades de SP.

HOLOFOTE ELEITORAL
Acompanhado da mulher, Ana Estela, e da filha, Carolina, Fernando Haddad, pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, ganhou jantar em sua homenagem na casa do advogado Ernesto Tzirulnik e de sua mulher, Lili, em Higienópolis, anteontem. Entre os convidados, Luiz Nascimento, da Camargo Corrêa, Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central, o ex-ministro José Dirceu e o empresário Joesley Batista, do grupo JBS.


LUZES, CÂMERAS

O Prêmio ABC 2012, da Associação Brasileira de Cinematografia, foi entregue no fim de semana na Cinemateca Brasileira. A atriz Maria Fernanda Cândido, acompanhada da irmã, a empresária Karina, foi a mestre de cerimônias. Circularam pelo evento o cineasta Walter Carvalho e a atriz Guta Ruiz. O filme "O Palhaço" ganhou na maioria das categorias.

curto-circuito

Amir Slama, estilista brasileiro de moda praia, ganhou reportagem no domingo no jornal italiano La Repubblica.

O Instituto Moreira Salles lança o livro "Crisálidas" no dia 21, às 19h30, no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura da av. Paulista.

Adriana Praça inaugura loja, hoje, nos Jardins.

A peça "Véspera" estreia na sexta, às 21h, no Teatro Itália. Classificação: 14.

Jerry Adriani faz show gratuito no sábado, às 16h, no bulevar São João. Livre.

O grupo Bom Gosto lança o DVD "Deixa Eu Cantar Meu Samba" com show na sexta, às 22h, no Credicard Hall. Classificação: 12.

com ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER e LÍGIA MESQUITA

BRAZIU: UM PUTEIRO NO LIXO


A verdade da comissão - HÉLIO SCHWARTSMAN


FOLHA DE SP - 16/05/12


SÃO PAULO - São bons os nomes escolhidos por Dilma Rousseff para compor a Comissão da Verdade. Ela conseguiu reunir personalidades com sólida reputação jurídica ou reconhecida militância na defesa dos direitos humanos e com baixo risco de atuar como radicais livres.

É preciso agora que eles definam o foco sobre o qual centrarão esforços. O mandato conferido pela lei 12.528, que criou a comissão, é amplo demais -abarca todas as "graves violações de direitos humanos" praticadas entre 1946 e 88- e o tempo para concluí-lo -dois anos-, muito curto.

A ênfase, portanto, deve recair sobre os crimes cometidos durante a ditadura militar (1964-1985). Aqui, é preciso, antes de mais nada, afastar a ideia de que as partes devem ser igualadas. Embora os militares gostem de dizer que travavam uma guerra contra grupos que pretendiam instalar uma ditadura comunista, a situação não chegou nem perto da de um conflito civil em que os dois lados se enfrentavam em igualdade de condições. Ainda que parte dos esquerdistas tenha pego em armas, eles eram, sob o prisma da lei, criminosos comuns protegidos pelas garantias fundamentais declaradas nas Constituições de 1946 e, depois, de 1967 -nenhuma das quais autoriza tortura ou execuções sumárias.

Os militares e os policiais envolvidos na repressão, na qualidade de servidores públicos, tinham o dever de respeitar os direitos dos presos e assegurar-lhes a integridade física. O que se constata, porém, é que houve uma verdadeira política de Estado de violação desses direitos.

A comissão só existe para contar essa história, na expectativa de que a narrativa possa funcionar como freio à violência do Estado. Não houvesse agentes públicos metidos com esses crimes, criar a Comissão da Verdade faria tanto sentido quanto inventar um comitê oficial para investigar os delitos do "bandido da luz vermelha" ou de Chico Picadinho -isto é, nenhum.

Universos paralelos do agro - ANDRÉ MELON NASSAR


O ESTADÃO - 16/05/12


No seriado Fringe, o universo primário, mundo em que vivemos, tem um universo paralelo. O mundo alternativo é muito similar ao primário, exceto por diferentes escolhas feitas pelas pessoas que o habitam. Outra diferença é que efeitos extremos são muito mais severos no universo alternativo que no primário.

O Outlook Brasil 2022 é o universo primário do agro, enquanto a campanha Veta, Dilma é seu universo paralelo. No primário, o Brasil tem orgulho do agro. No paralelo, tem vergonha. A reforma do Código Florestal, no universo primário, seria vista como necessária. No mundo alternativo, as pessoas clamam pelo veto da presidente.

No Fringe, um dos personagens quebra as barreiras que separavam os dois universos. É passada a hora de quebrar as barreiras que separam o universo primário agro do seu paralelo. Eles não são, na verdade, mundos paralelos.

O Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), em conjunto com a Fiesp e especialistas em fertilizantes, logística e metodologias de avaliação de impactos econômicos e sociais, elaborara um grande estudo avaliando o desempenho e projetando a expansão do agro brasileiro de hoje até 2022. O estudo confirma o que já sabemos hoje: o agro é um dos setores mais dinâmicos da economia brasileira.

O PIB dos setores avaliados (representando cerca de 11% do PIB nacional e 50% do PIB do agronegócio) deverá crescer ao redor de 3% ao ano em termos reais, taxa elevada para os padrões históricos de crescimento da economia brasileira. Tais setores empregam cerca de 17 milhões de pessoas e deverão gerar mais 6 milhões de ocupações, ou seja, 34% dos empregos que serão gerados em toda a economia de 2010 a 2022. O estudo confirma também o grande poder de irradiação da produção do agro no resto da economia. Quase metade da geração de empregos ocorrerá fora das cadeias do agro, sobretudo nos setores de serviços, que verão sua demanda crescer pelo crescimento econômico do agro.

Em todos os setores em que o Brasil é grande exportador (carnes, complexo soja e açúcar), o País vai ganhar participação no mercado internacional, comprovando que o agro nacional, mesmo competindo com elevados custos de transporte e crescentes custos de mão de obra, ainda é mais competitivo que seus concorrentes. O efeito de interiorização da expansão projetada do agro é também evidente. São as regiões Centro-Oeste e o Mapitoba (MA, PI, TO e BA) que mais crescerão, fruto do desenvolvimento das lavouras e da expansão da produção de carnes.

O efeito intensificação, ou efeito poupa-terra, como gostam de chamar os técnicos da Embrapa, salta aos olhos. O estudo estima que a área de lavouras crescerá 9,9 milhões de hectares. No entanto, como a produtividade deverá crescer 11,4% de 2010 a 2022, serão poupados 5 milhões de ha. Ou seja, sem tal crescimento de produtividade as lavouras demandariam adicionalmente 14,9 milhões de ha. Dos 9,9 milhões de ha de demanda adicional por terra para lavouras, 5,4 milhões virão da conversão de áreas de pastagens. A pecuária de corte e de leite vai se intensificar ainda mais e aumentará a produção em menos área de pastagens (exatamente esses 5,4 milhões de redução). São números que reforçam que o agro continuará cumprindo seu papel na busca por mais sustentabilidade na produção.

Enquanto isso, no universo paralelo cristaliza-se a visão de que a reforma do Código Florestal se resume a anistia a desmatadores, salvo-conduto para os que nunca cumpriram a legislação ambiental brasileira e é um prêmio para os ruralistas. Na visão dos defensores do Veta, Dilma, ruralista é o agricultor pouco interessado em produção, mas muito hábil na arte de explorar a terra.

O universo paralelo conseguiu fazer algo que no mundo concreto, seja o primário, seja o alternativo, é impossível: separar a produção agrícola do seu substrato, isto é, da terra. Não existe terra sem produção agrícola (a menos que ela esteja com florestas e, por conseguinte, com baixa capacidade de produção e geração renda) nem produção agrícola sem terra (em que pesem as alfaces hidropônicas que comemos de vez em quando).

Um Código Florestal que anistia desmatadores anistia também os produtores. Um código que beneficia o proprietário da terra beneficia também o que produz, porque, como nos negócios ou na vida privada, quanto mais valioso o ativo, mais se investe na sua manutenção e conservação.

No universo paralelo, o agro perdeu a batalha de opinião pública. Não soube explicar à sociedade que a reforma do Código Florestal é necessária para preservar o lado produtor do proprietário de terra. Várias tentativas foram feitas, mas com base em argumentos frágeis, por vezes xenófobos, e com muita disposição para falar, mas pouca de ouvir.

O mantra da moda é dizer que o equilíbrio entre produção e conservação é possível. No entanto, se a reforma do Código Florestal é colocada como condição para se atingir esse equilíbrio - que é o que acredito e defendo -, contraditoriamente, determinados grupos a definem como anistia.

O equilíbrio entre a coexistência do mundo primário e do paralelo no seriado Fringe é dado pelo respeito aos limites de cada universo. Quebrado esse limite e conectados os dois mundos, efeitos extremos passam a ocorrer. O equilíbrio entre produção e conservação está limitado à manutenção da produção existente e à conservação da vegetação remanescente. Não é mais que isso que o novo Código Florestal faz.

Romper esse limite, como querem os Veta, Dilma, porá produção e conservação em pé de guerra. Essa guerra não interessa a ninguém, nem mesmo aos que, por ignorância ou ideologia, clamam pelo veto. A guerra que interessa é levar o Brasil à condição de nação rica e com capacidade de garantir desenvolvimento sustentável para sua população. Sem o crescimento do agro essa guerra nunca será vencida.

Partilha de impostos - FRANCISCO DORNELLES


O GLOBO - 16/05/12


Contribuir para o equilíbrio da Federação,redistribuindo renda das regiões mais desenvolvidas para estados das regiões menos desenvolvidas do país, é o objetivo básico do Fundo de Participação dos Estados (FPE). Criado em meados dos anos 60, com receita oriunda de quase metade dos impostos de renda e de produtos industrializados arrecadados pela União, é hora de atualizar o mecanismo de sua distribuição entre os estados.

Hoje é feito um rateio por meio de uma tabela fixa, que foi elaborada no início dos anos 90 de forma discricionária. A partir de 2013, os recursos do FPE deverão ser divididos segundo critérios previstos em lei, por força de decisão do Supremo Tribunal Federal, que julgou inconstitucional as normas que congelaram a divisão regional dos recursos. É uma das questões mais relevantes e complexas que o Congresso Nacional precisará equacionar ainda este ano.

Defendo uma proposta de modernização do FPE que tem três critérios básicos: participação dos estados na arrecadaçãogerada em seu território; distribuição proporcional à população e à superfície; e redistribuição de renda em favor dos estados de menor renda por habitante.

O critério da participação, que agora incluo, é aplicado pela destinação de parcela de 10% do FPE para os estados, segundo a arrecadação no seu território dos impostos federais que integram o fundo.

Já para o critério da distribuição, serão considerados critérios que já eram adotados na origem do fundo, quais sejam, a superfície, com peso de 5%, e a população, com peso de 15%.

O principal critério é o da redistribuição, que preconiza a divisão de 70% da receita do fundo de forma inversamente proporcional à renda por habitante de cada estado e do Distrito Federal — ou seja, quanto menor sua renda por habitante, maior repasse receberá do FPE em termos proporcionais.

Com essa proposta, todos os membros da federação serão contemplados. A cota de cada um refletirá a ponderação de sua participação nos diferentes critérios, e isso atende ao preceito constitucional de que o FPE deve promover o equilíbrio socioeconômico da Federação. No lugar do rateio arbitrado de forma discricionária e condenado pelo STF, ele passará a ser feito com critérios técnicos, que buscam desconcentrar a receita pública, em favor dos governos com menor potencial para gerar recursos de maneira autônoma.

A proposta apresentada ao debate público fixa critérios de rateio para o FPE que conciliam participação, distribuição e redistribuição, de forma a atualizar a sistemática de transferência de receita entre governos na Federação Brasileira.

A manipulação de um conflito - KÁTIA ABREU


FOLHA DE SP - 16/05/12


A Funai, sem base legal, quer transformar um quinto do Brasil em terra indígena. Há 460 mil índios no país, cerca de 0,25% da nossa população


A questão das demarcações das terras indígenas, recorrente entre nós, parte invariavelmente de uma premissa falsa: a de que estaria comprometida por um indefectível senso de injustiça e espírito espoliativo. Mais: os proprietários rurais, só para não variar, seriam os grandes vilões desse processo.

A partir daí, surgem distorções, justificam-se excessos, manipula-se a opinião pública. Mas os números contam uma história bem diferente.

Nada menos que 14,7% do território nacional, ou 125 milhões de hectares, pertencem aos índios. São cerca de 115 mil famílias ou 460 mil habitantes em aldeias -0,25% da população nacional.

Já a população urbana -cerca de 40 milhões de famílias ou 160 milhões de habitantes- ocupa 11% do território (93 milhões de hectares).

A população rural de assentados -1 milhão de famílias ou 4 milhões de pessoas- ocupa 88 milhões de hectares ou 10,3% do território. Esse percentual, somado a toda a área de produção agrícola (grãos, pastagens etc), perfaz um total de 27,7% de todo o território nacional.

Os recentes conflitos, envolvendo agricultores e índios, não decorrem, como se sustenta, da tentativa de reduzir a área indígena.

Trata-se do contrário: a Funai quer ampliá-las. Acha insuficientes os 14,7% e quer estendê-los, sem base legal, para 20%.

Ampliar as áreas indígenas de 14,7% para 20% do território implica em acrescentar 45 milhões de hectares ao que hoje está demarcado. Como não se espera que essa ampliação se dê sobre unidades de conservação ou terras devolutas, a agropecuária é que irá ceder espaço.

As pretensões indígenas equivalem a mais de 10 Estados do Rio de Janeiro ou 19% da área hoje ocupada com a produção de alimentos, fibras e biocombustíveis. Retirar de produção essa área levará a uma redução estimada em US$ 93 bilhões ao ano no valor bruto da produção do setor.

O cipoal de leis (só a Constituição dedica dez artigos ao tema indígena) não facilitou a elucidação das controvérsias. Foi preciso que, ao tempo da regulamentação da reserva de Raposa/Serra do Sol, em 2009, o Supremo Tribunal Federal estabelecesse, como parâmetro para a questão, 19 orientações práticas.

Uma delas veda a ampliação de áreas já demarcadas. Transcrevo, a propósito, o voto que então proferiu o ministro Ayres Brito, hoje presidente daquela Corte: "Aqui, é preciso ver que a nossa Lei Maior trabalhou com data certa: a data da promulgação dela própria (5 de outubro de 1988) como insubstituível referencial para reconhecimento, aos índios, 'dos direitos sobre as terras que tradicionalmente ocupam'."

Não bastasse essa decisão, a Advocacia-Geral da União, em parecer que detalhava aquelas condicionantes do STF, explicitou a impossibilidade de ampliação das terras indígenas já demarcadas.

Não obstante, a Funai e algumas dezenas de ONGs, ignorando o STF, insistem nessa ampliação, o que mantém a tensão no campo, gerando violência e prejudicando a produção agrícola.

Nesse contexto se inserem os conflitos no sul da Bahia e também no Mato Grosso do Sul, no Rio Grande do Sul e no Maranhão, que prenunciam outros, pois geram expectativas falsas às populações indígenas.

Quem ganha com isso? Não é o país, que hoje desfruta da melhor e mais barata comida do mundo e ostenta a condição de segundo maior exportador de alimentos.

Não são também os índios, que, como os números mostram, não precisam de espaço físico, mas de saneamento, de educação e de um sistema de saúde eficiente. Precisam, enfim, de uma vida mais digna, como todos nós.

Lei de Acesso e eleições - FERNANDO RODRIGUES


FOLHA DE SP - 16/05/12


BRASÍLIA - A Lei de Acesso à Informação entra em vigor hoje. O debate sobre a regra teve início em 2003. Mas é agora que começa o grande desafio. A norma só vai pegar se houver empenho de agentes públicos para suprir a demanda por dados que fazem a diferença na vida cotidiana das pessoas.

Um exemplo relevante está sendo dado pelo juiz Márlon Reis. Ele foi um dos mentores da Lei da Ficha Limpa e é responsável pela 58ª Zona Eleitoral do Maranhão, que abrange três cidades (João Lisboa, Buritirana e Senador La Rocque).

Nessas pequenas localidades, segundo decisão de Márlon Reis, os políticos candidatos a prefeito e a vereador terão de informar quem são todos os seus doadores de campanha e os valores recebidos antes da realização da eleição de outubro.

Pode parecer um despautério, e é, mas no Brasil os políticos estão desobrigados de revelar detalhes de quanto e de quem receberam dinheiro durante suas campanhas. A informação só é fornecida após o pleito. Os eleitores votam sem conhecer um dado vital. Essa janela de opacidade está na Lei Eleitoral.

"Mas a Lei de Acesso é mais recente e revoga outras normas anteriores que tratam de informações públicas. Por essa razão tomei tal decisão", explica Reis.

É evidente que tal interpretação será questionada em instâncias superiores. Acabará chegando ao Supremo Tribunal Federal. Na hora devida, os ministros do STF dirão se os brasileiros têm ou não têm o direito de saber antes de votar quem paga pelas eleições dos políticos.

Se vingar a decisão tomada nas três cidades do Maranhão, será um exemplo de como a Lei de Acesso terá um impacto real no país. A nova regra de transparência dará assim aos cidadãos o direito de ter informações úteis num momento importante como é a hora de votar. Vai demorar até que o assunto esteja pacificado. Mas esse é o caminho.

Juros mais baixos irão destravar o crescimento? - ZEINA LATIF e MARCELO GAZZANO


VALOR ECONÔMICO -SP - 16/05/12


Há uma ampla expectativa de recuperação mais expressiva da economia no segundo semestre deste ano ou talvez antes disso, com a retomada da produção industrial, que praticamente estagnou no início de 2010. Nossas expectativas são mais modestas, principalmente no que se refere ao cenário para a indústria e, consequentemente, para o investimento, já que são variáveis altamente correlacionadas. Nossa avaliação não se baseia nos conhecidos entraves estruturais ao crescimento, pois trata-se de uma análise para o curto e médio prazo; o foco são as decisões recentes de política econômica.

Alguns fatores podem, de fato, melhorar o desempenho da economia nos próximos meses. Um possível canal seria via confiança do empresário, que ensaia uma recuperação após a sensível piora no segundo semestre do ano passado, devido ao agravamento da crise internacional e também ao acúmulo de estoques. Naquele momento, o conservadorismo do empresário se refletiu no enfraquecimento da produção, bem como em menor investimento e algumas demissões na indústria. É, portanto, bem-vinda a melhora recente da confiança, lembrando que o impacto na produção industrial tende a ocorrer com defasagem em torno de seis meses.

No entanto, ainda que este seja um canal relevante, talvez não tenha fôlego suficiente para gerar per se um impulso duradouro na economia. Afinal, a confiança do empresário é em boa medida uma variável endógena, ou seja, que se retroalimenta do próprio desempenho da economia.

É crucial a clareza nos diagnósticos para que a ação do governo não seja equivocada para reverter a estagnação

Temos então que investigar outros motores de crescimento, que por sua vez acabem por impulsionar a própria confiança do empresário. Apesar do câmbio menos fortalecido, a demanda externa provavelmente pouco ajudará, estando o volume do comércio mundial apenas 5% acima do patamar pré-crise de 2008. Assim sendo, o candidato natural seria a política econômica via impulso fiscal, creditício e monetário promovido pelo governo. No entanto, vemos sérios limites nessa estratégia.

Ao estimular o consumo, a política econômica pode se mostrar contraproducente, lembrando que, infelizmente, a demanda não cria sua própria oferta. Acreditamos que o problema da indústria, mesmo numa análise de curto e médio prazo, é de baixa competitividade, e não de fraqueza de demanda. Isso fica claro quando se observa o aumento expressivo do custo unitário do trabalho nos últimos anos vis-à-vis o hiato entre produção e vendas do varejo sendo fechado por importações crescentes. Estimular o consumo em um contexto de mercado de trabalho aquecido e de elevado ganho do salário mínimo tende a pressionar adicionalmente o custo da mão de obra. Além disso, gera-se uma maior resistência da inflação, o que aumenta a valorização real do câmbio em termos efetivos. Acaba-se por agravar um importante fator que já vêm corroendo a produtividade da indústria: a relação salário e câmbio.

E quanto ao estímulo ao investimento contido nas políticas governamentais, principalmente via crédito de bancos públicos? Os dados sugerem que esse caminho não seria suficiente para gerar um ciclo de investimentos. O consumo aparente de bens de capital está praticamente estagnado desde o início de 2010, sendo que a produção de bens de capital registrou em março queda de 1,5% na média dos últimos 12 meses, apesar do elevado crédito do BNDES. Na construção civil, que conta com a ajuda do Minha Casa Minha Vida, o quadro não chega a ser alentador, pois a produção de insumos cresceu modestos 3,6%. Esse quadro indica limites da ação do governo para estimular o investimento privado.

Restaria então investigar o papel da política monetária, considerando que seu efeito demora pelo menos dois trimestres para se materializar sobre a demanda agregada e, assim, sobre a produção industrial. Para isso, utilizamos dois modelos estatísticos: um para estimar a produção industrial (ou a "forma reduzida" da função produção industrial, no jargão dos economistas) e outro para estimar o investimento. Ambos os modelos indicaram que, nos últimos anos, houve uma queda do poder da taxa real de juros para influenciar a indústria e o investimento. Isso significa que o efeito do relaxamento monetário em curso poderá ser inferior ao esperado.

Ainda que, provavelmente, boa parte desse resultado dos modelos possa decorrer da própria redução da taxa real de juros neutra (aquela que permite o país crescer sem causar aceleração da inflação), isso não significa espaço ainda maior para corte da Selic, pelo risco de termos maior pressão sobre salários e rigidez inflacionária corroendo a competitividade do país. Em outras palavras, a redução da Selic seria muito mais eficaz para estimular o consumo do que a produção.

Alguns analistas alegam haver um canal alternativo de transmissão da política monetária sobre a atividade econômica, tal que com juros mais baixos, a produção seria destravada, devido à redução de seu custo de oportunidade, estimulando assim ainda mais o investimento. Mesmo assumindo a existência desse canal, nossa conclusão não se altera, pois, em princípio esse canal teria sido capturado pelos modelos econométricos.

A conclusão final é que os cortes da taxa de juros tendem a ter baixa eficácia para estimular a economia como um todo, por conta do atual contexto de pressão de custos da mão de obra agravado pelas políticas de estímulo ao consumo, e de ausência de medidas e reformas que recuperem de fato a confiança do empresário. Com os canais de crescimento obstruídos, o poder da política monetária tende a ser limitado.

A possível decepção com o ritmo de crescimento, diante da fraqueza da indústria e do baixo dinamismo do investimento, poderá se traduzir em um gatilho para mais políticas governamentais. Assim sendo, é crucial a clareza nos diagnósticos para que a ação do governo não seja inefetiva ou, pior, equivocada, sobrecarregando os ombros do Banco Central.

A tranquilidade de Mantega - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 16/05


Os brasileiros têm motivos para otimismo, apesar da crise global, e podem esperar um crescimento econômico maior que o do ano passado e inflação em queda, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Alguns efeitos da crise, como a desvalorização do real, são até benéficos para a indústria nacional e para a geração de empregos, de acordo com sua avaliação. O País está mais preparado que em 2008 para enfrentar o choque externo e, além disso, o mercado interno continuará sustentando a expansão da atividade, afirmou o ministro numa entrevista exclusiva à Agência Estado. Ele tem motivos para exibir alguma tranquilidade, principalmente quando compara a situação do Brasil com a de países mais desenvolvidos, sobrecarregados pela dívida pública e atolados em sérias dificuldades fiscais. A situação desses países, segundo o ministro, se agravou nos últimos anos, por causa de políticas de ajuste estritamente recessivas. Um pouco menos de otimismo, no entanto, seria mais tranquilizador para quem examina com algum cuidado a situação brasileira e os principais obstáculos ao desenvolvimento nacional.

O ministro da Fazenda está certo quando aponta o mercado interno como um ativo importante e uma vantagem do Brasil na comparação com muitos outros países. Exagera de forma perigosa, no entanto, ao insistir num roteiro de crescimento econômico baseado somente nesse mercado. A palavra "somente" é justificável, quando se examina o desempenho da economia nacional nos últimos anos. A contribuição das exportações e importações de bens e serviços para a expansão da economia vem sendo negativa, principalmente por causa da baixa competitividade do setor industrial.

O ministro, no entanto, mostra-se pouco preocupado com isso. Quanto ao poder de competição, deverá melhorar, segundo calcula, graças à valorização do dólar. Ele, a presidente Dilma Rousseff e as torcidas do Flamengo e do Corinthians estão satisfeitos com o dólar próximo de R$ 2,00. A depreciação do real, insiste, é boa para a indústria, porque barateia seus produtos em moeda estrangeira. O efeito inflacionário, de acordo com o ministro, será limitado, até porque as cotações dos produtos básicos têm caído no mercado internacional e devem pressionar menos os preços internos.

Essa argumentação deixa de lado questões importantes, mas é, ao mesmo tempo, reveladora. Ao falar sobre competitividade industrial, o ministro quase se limita a mencionar o câmbio, como se outros fatores fossem irrelevantes. Ele só vai um pouco adiante ao apontar a possibilidade de novos setores serem beneficiados pela desoneração da folha de pagamento, iniciada no ano passado. É muito pouco. As desvantagens do produtor brasileiro, quando se trata de competição internacional, são muito mais amplas, mas o ministro da Fazenda e seus colegas muito raramente enfrentam esse fato. Ele também se refere na entrevista à continuidade dos investimentos públicos, como se de fato o governo federal fosse um importante investidor em infraestrutura e outros itens essenciais à eficiência produtiva. Mas esse não é o caso e não há sinal de reconhecimento desse fato.

Além do mais, a redução dos preços das commodities, nos últimos meses, limitou severamente o aumento da receita de exportações - apenas 2% maior que a de um ano antes, de janeiro a abril - e diminuiu de 35% o superávit comercial. As importações, no entanto, foram 4,8% maiores que as de janeiro a abril de 2011 e essa é uma das consequências do crescimento baseado exclusivamente no mercado interno.

O ministro falha, portanto, por exibir uma visão muito restrita das vantagens da economia brasileira e dos obstáculos ao crescimento equilibrado. Ao menosprezar esses obstáculos - e também o risco de inflação - ele mais uma vez confirma um padrão de governo marcado pela visão limitada e pela acomodação diante dos obstáculos. É fácil criticar os europeus pela ênfase excessiva nas políticas de ajuste recessivo. Muito mais difícil, para o governo brasileiro, tem sido o reconhecimento do próprio imobilismo, quando se trata de reformas para elevar o potencial de crescimento econômico do País.

Mais devagar - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 16/05/12



Na entrevista que concedeu ontem à Agência Estado (ver pág. B4), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não escondeu que o governo está muito satisfeito com a desvalorização do real (alta do dólar no câmbio interno) e com a queda dos juros. Mas não pode dizer o mesmo nem do ritmo do crescimento econômico, nem da perspectiva de receitas com exportações, nem do comportamento da inflação.

A alta do dólar acumulada neste ano (até ontem ) é de 7,01%. As cotações fecharam ontem nos R$ 2,00 por dólar e o ministro alardeia aumento da competitividade da indústria.

Esta é uma desvalorização do real arrancada a fórceps. Não é algo sustentável a prazos mais longos. Não foi o dólar antes mais barato que tirou competitividade da indústria brasileira. Foi o altíssimo custo Brasil - que vem aumentando, porque o preço da mão de obra disparou.

Mantega comemora porque "o empresário quer câmbio" e ele está entregando câmbio - e não reformas para valer, que derrubem o custo Brasil. Mas, como ocorreu no passado, durante certo tempo, o governo conseguirá compensar com mais câmbio o estrago na competitividade da indústria causado pelo custo Brasil. Mas isso tem tudo para ter fôlego curto.

Como o professor Affonso Celso Pastore explicou em artigo recente (Estado de 6/5/2012), dado o baixo nível de poupança interna, o Brasil precisa contar com o afluxo de investimentos estrangeiros. Para isso, é necessário que as contas externas (Contas Correntes) apresentem déficit. Ou seja, o Brasil terá de manter importações elevadas. Como não vai importar nem produtos agrícolas, nem minérios, nem petróleo, é inevitável que o ajuste se faça com base nas importações de industrializados.

Também é ótimo que o ministro venha conseguindo certo sucesso na derrubada dos juros. O que ainda tem de ser visto é se dá para segurar a inflação na meta. A crise externa e a nova safra de derrubada dos preços das commodities ajudam nessa tarefa, mas, outra vez, é preciso que essas coisas sejam sustentáveis. E, para tanto, será necessário colocar em marcha as reformas, que estão emperradas.

Quanto ao crescimento econômico, dá para notar que o ministro Mantega já desistiu dos tais 4,5% a 5,0% prometidos no início do ano e já fala em algo mais do que foi o pibinho o de 2011, que ela acha bom: "Você ter 2,7% como piso de crescimento tá muito é bom", disse ele.

Mantega atribui esse desempenho insatisfatório "à crise externa", o que é apenas um pedaço da verdade. Se o consumo interno caminha entre 5,5% e 6,0% ao ano, como ele também disse, não haveria razão especial para que o sistema produtivo ficasse tão para trás. Se fica, é porque a indústria não tem competitividade; não consegue atender plenamente o mercado interno, que precisa ser suprido cada vez mais pelas importações.

Fiquemos com os dados do ministro. A crise está derrubando os preços internacionais dos manufaturados. Caso a crise externa dure mais quatro ou cinco anos, como ele calcula, os preços internacionais dos manufaturados ficarão achatados durante todo esse tempo, sem que a indústria brasileira tenha condições de derrubar o déficit da balança comercial de manufaturados, de US$ 90 bilhões por ano. Ou seja, nem com essas estocadas no câmbio a indústria brasileira vai ter condições satisfatórias de competir por fatias crescentes de mercado externo.

Direito de saber - MIRIAM LEITÃO


O GLOBO - 16/05/12


"Período medonho, horroroso para o Brasil, uma vergonha. Passou, graças a Deus." Foi como a cantora Maria Bethânia, na entrevista a Chico Pinheiro, na semana passada, definiu o regime militar. Sim, medonho. E é parte desse passado que os integrantes da Comissão da Verdade vão investigar a partir de hoje quando tomarem posse. O equilíbrio da escolha dos nomes, os limites do trabalho da comissão, tudo inspira confiança.

A Comissão da Verdade vai apenas buscar informações, procurar respostas para velhas perguntas, dúvidas que não poderiam ser herdadas pelas próximas gerações. Não se coloca, portanto, a questão sobre a vigência ou não da Lei da Anistia. Ela está em vigor. Não foi, como se diz, fruto de um momento de conciliação do país. Foi, na verdade, o máximo que se conseguiu dentro do regime militar quando ele ainda tinha forças para impor uma interpretação diferente da inicialmente imaginada por quem cunhou o slogan "ampla, geral e irrestrita". Apesar de ser falha e nascida no meio do período autoritário, a Lei da Anistia está sendo respeitada. A Comissão da Verdade tem poderes apenas de apurar as circunstâncias dos desaparecimentos, mortes e torturas ocorridos na ditadura.

O que aconteceu com Vladimir Herzog no pouco tempo em que ficou preso, e como ele foi assassinado, aos 38 anos? Ele, que se apresentou sozinho numa manhã de sábado de 1975 ao local do seu martírio, o II Exército, em São Paulo. O que aconteceu com o deputado Rubens Paiva, que aos 42 anos foi apanhado em sua casa no Rio de Janeiro, diante da família, sem culpa formada, sem acusação? O que aconteceu depois que Paiva entrou em dependências do I Exército, no Rio, em 1971 ? Como foi morto o jovem Stuart Angel, também em 1971, aos 25 anos, nas instalações da Aeronáutica da Base Aérea do Galeão?

As perguntas são inúmeras sobre os mortos e sobre os que simplesmente nunca mais voltaram. E é dever do Estado procurar as respostas, mesmo tanto tempo depois. Estamos passando pela vergonha de não ter respostas diante de tribunais internacionais que reconhecemos como legítimos e dos quais somos integrantes.

A ideia de que não há mais nada a procurar não resistiu à própria criação da Comissão. Assim que foi criada, alguns fatos e testemunhas começaram a aparecer, como os chocantes relatos que estão no livro recém-lançado "Memórias de uma guerra suja", de Cláudio Guerra, em depoimento aos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros.

Mesmo com toda a estranheza que possa ter provocado a versão que ele apresentou, o fato mais relevante é que Cláudio Guerra assume crime de morte. Ele admite que matou, revela as circunstâncias em que os crimes foram praticados, e informa sobre os que estiveram com ele em cada assassinato. Isso é mais forte e relevante do que quaisquer outros detalhes. O livro é matéria-prima para a Comissão.

Outros fatos polêmicos certamente virão à tona enquanto os depoimentos estiverem sendo tomados ou nas sindicâncias que efetuarem. O país demorou muito a fazer esse trabalho de busca e apreensão das informações sobre fatos que fazem parte da História do Brasil e que revelados preencherão também lacunas familiares. Começa, enfim, no dia de hoje essa busca. A maioria dos documentos comprometedores foi destruída, levada por particulares para apagar rastros de seus próprios crimes, escondida pelos sucessivos comandos das Forças Armadas. Mesmo assim, a Comissão da Verdade tem autonomia para agir, para fechar algumas lacunas, para desmontar mentiras que permaneceram até hoje.

Claro que não há uma verdade só, mas esse é o nome que tradicionalmente tem sido dado às comissões que investigam crimes de período autoritário. Claro que toda narrativa histórica está sujeita a revisões e controvérsias. Mas o que a democracia brasileira tem feito até agora, por omissão, é aceitar que se perpetuem versões impostas pelo regime de força, num momento de censura à imprensa e cerceamento das instituições. Isso é uma anomalia. As Forças Armadas não reconhecem que Rubens Paiva estava onde ele morreu, mesmo diante da prova que foi o recibo assinado pelo Exército de entrega à família do carro no qual ele saiu de casa. Não apurar seria aceitar que fiquem como oficiais as versões inventadas pelos militares. Seria matar duas vezes nossos mortos e desaparecidos.

Uma comissão de sete pessoas em apenas dois anos não consegue desfazer tanta mentira institucionalizada, mas apenas ficará registrado que diante de mentiras deslavadas criadas pela ditadura o Brasil disse "não".

O debate sobre se também é preciso investigar os atos da esquerda armada é ocioso. Eles foram punidos de algum modo. Presos, exilados, torturados, condenados por tribunais militares, com defesa cerceada e advogados ameaçados. Alguns nem isso tiveram. Foram apenas executados, ou morreram sob tortura dentro de quartéis ou na tenebrosa Casa da Morte.

Que os integrantes da comissão usem sua maturidade, equilíbrio e experiência - e até a diversidade entre eles - em favor do país. Que não percam o foco de que investigam as circunstâncias da morte e do desaparecimento de brasileiros atingidos pelo terror de Estado. Que não façam isso por desejo de vingança, mas porque essas informações pertencem às famílias das vítimas, em primeiro lugar, e ao país, em segundo lugar. E assim enterrem aquele tempo medonho.

Vampirismo econômico - ROLF KUNTZ


O Estado de S.Paulo - 16/05/12


Quatro países sul-americanos cresceram bem mais que o Brasil, no ano passado, com taxas de inflação muito menores. Resultados melhores que os brasileiros foram alcançados também por economias emergentes da Europa. No Brasil, empresários desconhecem ou menosprezam esses dados e se mostram dispostos, mais uma vez, a embarcar na aventura de "um pouco mais de inflação" para conseguir um pouco mais de crescimento - como se prosperidade e estabilidade fossem objetivos incompatíveis. Segundo um representante da indústria, o governo tem de bancar o risco inflacionário gerado pela alta do dólar para garantir mais atividade e preservar a produção nacional. Opiniões desse tipo têm aparecido com frequência e são um complemento previsível dos apelos por mais protecionismo e mais intervenções paternalistas (ou maternalistas) do governo. O filme é conhecido: a história inclui produtos vagabundos e caros para consumidores desprotegidos, inflação alta, desemprego estrutural e crises periódicas de balanço de pagamentos. A segurança criada pelas barreiras é tão enganadora quanto injusta.

Em 2011, a inflação média do Brasil chegou a 6,6%, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 2,7%. Estes são os números de alguns latino-americanos administrados com maturidade: Colômbia, 3,4% de inflação e 5,9% de crescimento; Peru, 3,4% e 6,9%; Chile, 3,3% e 5,9%; Equador, 4,5% e 7,8%. Alguns europeus conseguiram, apesar da crise regional, combinar expansão e estabilidade: Polônia, 4,3% de inflação e 4,3% de aumento do PIB; Lituânia, 4,1% e 5,9%; Turquia, 6,5% e 8,5%.

A conversa sobre inflação intensificou-se nos últimos dias, quando o dólar passou de R$ 1,90 e rapidamente se aproximou de R$ 2,00. Alguns economistas logo chamaram a atenção para o possível efeito inflacionário do câmbio desvalorizado. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, mostrou pouca ou nenhuma preocupação com esse risco e preferiu dar ênfase ao efeito benéfico da variação cambial. Dólar mais caro significa maior poder de competição para o produtor brasileiro. A discussão é um tanto vaga, neste momento, porque ninguém pode dizer com segurança como será o câmbio dentro de alguns meses, se a crise europeia amainar, os investidores se acalmarem e a procura de ativos em dólares ficar menos intensa. Falta saber, além disso, como estará a relação entre os juros brasileiros e os ganhos proporcionados por outras aplicações. Vários analistas mantêm a aposta numa acomodação do câmbio em cerca de R$ 1,85 por dólar.

Enquanto os especialistas tentam projetar a cotação da moeda americana, empresários festejam a depreciação do real, em coro com o ministro Mantega e sua chefe. Segundo o ministro, ele, "a torcida do Flamengo e a do Fluminense" estão satisfeitos com o câmbio atual. Além disso, a presidente Dilma Rousseff mostra-se preocupada com a competitividade da indústria, não com o dólar mais caro, acrescentou.

Mas a pressão inflacionária é apenas um dos possíveis efeitos indesejáveis da depreciação cambial. Pode-se atenuar esse efeito com a moderação do gasto público e uma gestão prudente do crédito. Surto inflacionário por causa do câmbio não é fatalidade, exceto em ambiente de tolerância. É o risco brasileiro.

A depreciação do real pode ser acompanhada também de efeitos perigosos na gestão da economia. Durante décadas, no Brasil, o câmbio desvalorizado serviu para disfarçar uma porção de ineficiências tanto das empresas quanto do ambiente econômico. As exportações avançavam muito devagar e o Brasil era insignificante no mercado internacional. Mas o câmbio depreciado funcionava como um energético, a indústria era protegida por enormes barreiras e os consumidores eram explorados sem perceber claramente a patifaria. O controle represava os preços internos e a indexação enganava assalariados e pequenos poupadores. Pouca gente contestava a aliança entre o governo voluntarista e balofo e os favoritos da corte.

Alguns itens desse roteiro talvez estejam descartados, mas o voluntarismo, o protecionismo, a ineficiência do governo, o intervencionismo e a engorda do setor público são cada vez mais sensíveis. Sem compromisso com a reforma do péssimo sistema tributário, o governo se limita a remendos. Sua incompetência gerencial se reflete na incapacidade de conduzir programas e projetos para o aumento da produtividade geral do País. De vez em quando, empresários cobram reformas relevantes. Mas brigam a maior parte do tempo pela redução dos juros e pela correção do câmbio, como se isso resolvesse os problemas de competitividade. Obviamente não resolve. Quanto ao voluntarismo, será bem-vindo enquanto resultar em domesticação do Banco Central, reserva de mercado e formas variadas de protecionismo. O passado, em alguns países, é tão difícil de enterrar quanto um vampiro.

As novas metas - PEDRO FERREIRA e RENATO FRAGELLI


VALOR ECONÔMICO -SP - 16/05/12


Desde meados de 2011, uma nova política econômica vem sendo implantada, afastando-se do bem-sucedido tripé formado pela meta de inflação, câmbio flexível e meta de superávit primário que vigorou desde 1999. A mudança iniciou-se com reduções mais arrojadas da taxa Selic, que passou de 12,5% ao ano para os atuais 9%, mesmo diante de um consenso de mercado de que o centro da meta (4,5%) não seria alcançado. Na política cambial, a fim de se forçar a desvalorização do real, elevou-se o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a entrada de capitais para 6%, reduzindo-se a atratividade de aplicações em moeda doméstica, bem como intensificaram-se as compras de reservas pelo Banco Central.

A novidade mais recente na política econômica foi a pressão do Planalto sobre os bancos estatais para reduzirem suas taxas de empréstimos. Do antigo tripé, somente o superávit primário de 3% do PIB parece ainda subsistir, embora sua obtenção dependa crescentemente de receitas extraordinárias e até imaginárias, como depósitos judiciais ainda pendentes de deliberação final da Justiça.

Num momento em que a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) patina, devendo ficar abaixo de 3% em 2012, o objetivo da política de juros adotada é incentivar o consumo e o investimento. Embora não seja uma taxa baixa frente à experiência recente, está muito aquém do desejo do governo que ainda sonha com os 4,4% ao ano que caracterizaram em média os anos de bonança do governo Lula. Para isto ele empenha todas as armas de seu arsenal. Até o momento, a agressiva redução da taxa Selic não comprometeu o controle da inflação, embora as previsões para 2013 sejam menos otimistas. Mas o fato de as taxas de juros reais de longo prazo terem também caído abaixo de 5% ao ano indica alguma confiança em que o país caminha para taxas reais de equilíbrio permanentemente mais baixas.

Do antigo tripé macroeconômico somente o superávit primário de 3% do PIB parece ainda subsistir

A utilização dos bancos públicos para liderar a redução dos juros sobre empréstimos pode ser entendida como uma tentativa de empurrar um mercado oligopolizado na direção de um comportamento mais competitivo. Em princípio, quando dois grandes players, como a Caixa Econômica Federal (CEF) e o Banco do Brasil (BB), baixam coordenadamente suas taxas de empréstimos, pode-se potencialmente gerar um novo equilíbrio com spreads bancários mais baixos. Em que pese o fato de a estratégia prejudicar os acionistas privados do Banco do Brasil, cumpre reconhecer que bancos públicos não deveriam se comportar como os privados que se guiam pela maximização de lucros, mas ter como objetivo maximizar o bem-estar da sociedade. Se a manobra for bem-sucedida, os ganhos para a sociedade podem suplantar as perdas.

Mas a agressiva ênfase na redução das taxas de juros envolve riscos. Até o final de 2010, a política monetária tinha como objetivo coordenar as expectativas inflacionárias. Choques de oferta desviavam temporariamente as expectativas inflacionárias de curto prazo do centro da meta, mas a credibilidade do Banco Central era evidenciada pelo fato de as previsões com prazo mais extenso se situarem em torno de 4,5% ao ano. A nova política econômica aparentemente definiu novos parâmetros: uma meta para a taxa nominal de câmbio - será que R$ 2,00 satisfaz os industriais? - e outra para a taxa de juros de empréstimos bancários, enquanto o Banco Central parece considerar a sua tarefa cumprida quando a taxa de inflação não supera 6,5% ao ano, isto é, o topo da meta. Quem hoje crê que a inflação dos próximos 36 meses ou 48 meses ficará em 4,5% ao ano? A previsão mais popular está algo em torno de 5,5%. Este cenário poderá levar os agentes econômicos a tomarem medidas mais defensivas (por exemplo, maiores reajustes de preços) frente a aumentos futuros da incerteza econômica, o que elevará consideravelmente o custo das políticas anti-inflacionárias.

Há perigos também no uso dos bancos públicos para redução dos juros. A CEF já carrega em seu portfólio 100% dos empréstimos imobiliários à baixa renda. São devedores de alto risco. Além disso, a expansão agressiva do crédito durante a crise de 2008 necessariamente implica em devedores selecionados com menos cautela. A preservação dos spreads, apesar da queda da taxa Selic, bem como o aumento recente da inadimplência bancária, são sintomas de que a qualidade da carteira do sistema bancário piorou.

Mesmo baixando suas taxas de empréstimos, os bancos privados terão uma seletividade maior que os públicos. Estes tendem a ficar com os tomadores mais arriscados. Qualquer choque negativo implicará em aumento adicional da inadimplência e no abalo da saúde financeira da Caixa e BB. Como o governo não vai permitir que eles quebrem, ou mesmo que cheguem perto disto, pode-se prever no futuro vultosos aportes do Tesouro a esses bancos. Isto já ocorreu no passado e a conta para os contribuintes foi sempre salgada.

O elevado crescimento dos anos Lula resultou parcialmente da combinação das reformas implantadas por FHC com os termos de troca favoráveis ao Brasil. Esses frutos já foram colhidos. Desde a interrupção das reformas institucionais desencadeada pela crise do mensalão, a única mudança significativa implantada pelo governo PT foi o fundo de pensão dos servidores, mesmo assim somente para novos servidores. Não será mudando o que deu certo desde 1999, e arranhando a credibilidade do Banco Central que o crescimento estável será alcançado.

Nova poupança e política monetária - MARIO MESQUITA


FOLHA DE SP - 16/05/12


AO RESOLVER lidar com a questão da remuneração da poupança, o governo demonstrou coragem política.

O objetivo da mudança, segundo se infere de declarações das autoridades, é ampliar o espaço para a continuidade do processo de redução da taxa básica de juros, que ampara a campanha pela redução também das taxas de juros aos tomadores finais de recursos.

Com isso, e diante dos números fracos de atividade econômica, é bem provável que a taxa básica de juros atinja novos mínimos históricos. Mas a alteração da regra de remuneração da poupança terá implicações que se estenderão além do corrente ciclo de política monetária.

Isso porque, em linhas gerais, a mudança introduzida pelo governo tende a aumentar a potência da política monetária. Isso significa que desvios da taxa de política em relação ao seu nível neutro -a chamada taxa neutra de juros- terão efeitos maiores sobre a atividade econômica e a inflação do que tinham antes das mudanças.

Sob esse ponto de vista, o impacto da nova poupança será tanto maior quanto mais rápida for a migração de parcela majoritária do estoque de poupança para o novo regime. Se isso ocorrer ao longo de quatro a seis meses, o impacto inicial será mais intenso; se a transição durar um par de anos, o impacto inicial deve ser limitado.

Na mesma linha, os efeitos da mudança de remuneração da poupança tenderiam a ser maiores caso a regra valesse para todos os níveis de taxa básica de juros, e não apenas a partir de determinado patamar.

No caso específico das mudanças recém-anunciadas, variações da Selic serão transmitidas automaticamente (embora de forma menos que proporcional) à remuneração da poupança, influenciando o comportamento dos poupadores, que terão mais ou menos incentivos para adiar decisões de consumo.

Com vistas a preparar a economia para um novo ambiente de taxas de juros, outros entraves institucionais deveriam ser enfrentados: crédito subsidiado e meta para a inflação.

Cerca de um terço do total de crédito concedido no país refere-se a empréstimos direcionados, sendo que um quinto a empréstimos do BNDES. Esses últimos têm como taxa básica não a Selic, mas a TJLP (atualmente em 9% e 6% ao ano, respectivamente). Tal fonte de crédito subsidiado evidentemente também reduz a eficácia da política monetária.

No novo ambiente de taxas de juros, seria razoável proporcionar aos tomadores de recursos do BNDES isonomia com os clientes das cadernetas de poupança, ou seja, vincular a TJLP à Selic.

Não havendo ambiente político para a remoção imediata do subsídio embutido nos empréstimos do BNDES, esta poderia ocorrer de forma gradativa, desde que de início seja feita a vinculação entre a TJLP e a Selic, talvez à razão atual -ou seja, a TJLP seria fixa inicialmente em dois terços da Selic.

Com isso, a potência da política monetária teria incremento adicional, dado que uma parcela bem maior do crédito passaria a ser sensível à taxa básica. Nessas circunstâncias, o BC teria sucesso em promover a convergência da inflação para a trajetória de metas com variações menores da Selic.

Por último, mas não menos importante, seria aconselhável utilizar o período desinflacionário da economia mundial para finalmente começar a trazer a meta para a inflação a patamares internacionais. O padrão de taxas de juros nominais vigentes em uma economia inevitavelmente reflete o nível de inflação tolerado.

Uma economia com inflação alta dificilmente terá as mesmas taxas de juros do que outra que preze mais a estabilidade de preços.

Exemplos na região corroboram essa visão. Chile e México perseguem a mesma meta de inflação (3%) e têm, em ambos os casos, taxas de política bem inferiores à praticada no Brasil, 5% e 4,5% ao ano -não é verdade, portanto, que metas de inflação mais ambiciosas levem necessariamente a taxas de juros mais elevadas.

Nessa área, também o governo poderia avançar, ainda que gradativamente, no caminho da normalização das nossas instituições.

PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV


7h - Masters 1.000 de Roma, tênis, Sportv 2

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21h50 - Vasco x Corinthians, Taça Libertadores, Globo e Fox Sports

21h50 - São Paulo x Goiás, Copa do Brasil, Band, ESPN Brasil e Sportv

21h50 - Vitória x Coritiba, Copa do Brasil, ESPN e Sportv 2

CLAUDIO HUMBERTO

“Lutem pela distribuição [de royalties de petróleo] daqui pra frente”
Presidente Dilma, a um grupo de prefeitos, sugerindo que esqueçam o passado

PT: PRIORIDADE É ATACAR GOVERNADOR TUCANO NA CPI

A bancada do PT na CPI mista do Cachoeira se reuniu para definir o alvo principal, nos próximos dias: o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Orientados pelo ex-presidente Lula, os petistas vão apresentar requerimento para convocar Leonardo Almeida Ramos, sobrinho do bicheiro, que teria emitido três cheques, no valor total de R$ 1,4 milhão, para a compra de um imóvel que pertencia a Perillo.

ENDEREÇO CONHECIDO

Cachoeira estava nessa casa, localizada no Condomínio Alfaville, em Goiânia, quando foi preso em fevereiro pela Polícia Federal. 

OUTRO COMPRADOR

Marconi Perillo sustenta que vendeu o imóvel para o dono de uma faculdade goiana, e não a Cachoeira. Para o PT, houve “triangulação”.

BUSCA DE ARMAMENTOS

Os petistas vão pedir também a quebra de sigilo fiscal e bancário das empresas de Cachoeira que atuavam em Goiás e em paraísos fiscais. 

ESTÁ EXPLICADO

Do deputado Silvio Costa (PTB-PE) sobre ataque do PT a Perillo na CPI do Cachoeira: “No mensalão, quem mais bateu em Lula foi Perillo”.

FILIAÇÃO AO PMDB VIROU OPÇÃO PARA DEMÓSTENES

Sem partido desde que se desligou do DEM, o senador Demóstenes Torres (GO) dá sinais de que estaria interessado em atender ao convite que chegou a esnobar, antes da denúncia de seu envolvimento com o bicheiro Carlos Cachoeira: filiar-se ao PMDB. O objetivo seria escapar da cassação em troca de uma punição mais branda, como a suspensão temporária do mandato, por exemplo, durante o período de seis meses. 

MAIOR BANCADA

Maior partido, hoje com 19 senadores, o PMDB tem direito a indicar o futuro presidente da Casa. O PT tem treze senadores, e o PSDB dez.

QUEM GANHA

A filiação de Demóstenes solidificaria o favoritismo de Renan Calheiros na briga interna no PMDB para indicar o futuro presidente do Senado.

TÔ FORA

A deputada Íris de Araújo (GO) fez chegar à cúpula do PMDB o aviso: se Demóstenes entrar no partido por uma porta, ela sairá por outra.

OLHOS BEM ABERTOS

O ministro Brizola Neto (Trabalho) tem apenas 32 anos, mas sofre de glaucoma. Enxerga muito pouco. Isso não o impede de ficar de olho no antecessor Carlos Lupi, que fez de tudo para impedir sua nomeação.

CONFRONTO 

O senador Jorge Viana (PT-AC) lamentou o que chama de “confronto” entre Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Ele acha que a CPI precisa agir para impedir o desgaste das duas instituições. 

TAQUES, O LEOPARDO

Durante reunião ontem da CPI mista do Cachoeira, seu presidente, Vital do Rêgo (PMDB-PB), rasgou seda para o senador matogrossense Pedro Taques (PDT): “Sua terra é uma área de grandes leopardos”. 

HAJA PACIÊNCIA

Delegado de profissão, o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) ficou impaciente com o falatório dos membros da CPI mista de Cachoeira ontem: “Quanta besteira, estamos perdendo tempo”. 

PIZZA A BORDO

O senador Mário Couto (PSDB-PA) bradou contra decisão da Comissão de Ética da Presidência de arquivar denúncia contra a ministra Ideli Salvatti: “Ela comprou 38 lanchas, a preço superfaturado, sem licitação. E a empresa beneficiada bancou 80% da campanha eleitoral dela”. 

BLINDAGEM FRUSTRADA

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que ocupa vaga do PSDB na CPI, admite pressão tucana para blindar o governador Marconi Perillo: “Se eles quiserem, peçam a vaga de volta. Não vou me omitir”. 

PT EM SEU LABIRINTO

Candidato a prefeito de Salvador, Nelson Pellegrino (PT) diz ter apoio de oito partidos “emergentes” (sem votos, no dialeto dos políticos) mais o PSD. Para vice, hesita entre o esquerdista PCdoB ou o direitista PP.

OS SEM-CACHÊ

Alguns escritores reclamam o cachê de participação na Bienal do Livro de Brasília, mas os organizadores garantem que tudo será pago até o final do mês. Patrocinadores ainda não honraram seus compromissos.

FALA, BARÃO

Os tempos bicudos no Congresso fazem lembrar a sentença do Barão de Itararé: “Dizes-me com quem andas e eu te direi se vou contigo.” 


PODER SEM PUDOR

SENTENÇA DE MORTE

Papel em branco aceita tudo. Em Vajota (CE), o candidato a prefeito Gentil Pires (PSB) convenceu um adversário a ser seu vice prometendo renunciar dois anos depois. E entregou a ele um papel em branco com sua assinatura. Eleito, Gentil não cumpriu o trato. E a vingança foi cruel: a Câmara Municipal recebeu uma carta-renúncia, onde ele confessava bater na mulher, beber muito e não se sentir “em condições morais” para o cargo. Destituído, ele reconheceu a sua assinatura, mas não a carta.

Moral da história: assinar em branco é a sentença de morte amanhã.

QUARTA NOS JORNAIS


Globo: Congresso e tribunais não estão prontos para abrir informações
Folha: Resistência à austeridade leva Grécia a nova eleição
Estadão: Dilma ataca impostos e quer reforma tributária pontual
Valor: União pode retirar créditos ruins dos bancos públicos
Estado de Minas: Uma cadeia só para quem não paga pensão
Zero Hora: Randon investirá R$ 2,5 bi no Estado