sábado, abril 21, 2012
A volta de Mad Men - SÉRGIO AUGUSTO
O ESTADÃO - 21/04/12
Que diabos faz uma série de TV neste espaço consagrado aos livros?
Se você se fez essa pergunta é sinal de que nunca viu Mad Men ou não a acompanhou com a devida atenção, nem tomou conhecimento de que há pelo menos dois livros que a ela se referem lançados entre nós: O Guia Não Oficial de Mad Men - Os Reis da Madison Avenue, de Jesse McLean (Best Seller), e Mad Men - Comunicados do Front Publicitário, de Jerry Della Femina (Record). Muitos outros, explorando a série dos mais variados ângulos (seus drinques, suas comidas, sua moda, suas locações, suas implicações filosóficas, estéticas, nostálgicas e psicanalíticas), ainda aguardam uma tradução.
Não tocarei em nenhum deles, pois são outras obras, de ensaio e ficção, que justificam a presença, aqui, de Mad Men, cuja quinta temporada tem início na próxima segunda-feira (HBO, 22 h), após longo e lamentável interregno. Conselho aos que nunca viram a série: assistam primeiro às temporadas anteriores, disponíveis em DVD. Ela exige imersão lenta para melhor proveito de sua lânguida e inebriante narrativa, de sua opacidade onírica, e uma progressiva familiaridade com os personagens e seu milieu, a selva dos “hidden persuaders” da Madison Avenue, na primeira metade dos anos 1960.
(The Hidden Persuaders: título original de A Nova Técnica de Convencer, o mais lido estudo sociológico sobre a moderna lábia persuasiva da publicidade, escrito por Vance Packard em 1956.)
Antes de me deixar hipnotizar pela urdidura de sua trama, pelos diálogos e pelo elenco, Mad Men me pegou pela impecável reconstituição dos ambientes e do ethos cultural daquele tempo - pela ambience, enfim. Conheci Nova York no final de 1963; era aquilo mesmo. Nascido em 1965, Matthew Weiner, criador e produtor da série, precisou confiar na precisão das imagens que, do período, Hollywood nos legou. A decoração dos sets parece ter sido feita pela mesma dupla, Stuart A. Reiss-Walter M. Scott, que para a Fox desenhou os escritórios de Sob o Signo do Sexo (The Best of Everything) e O Homem do Terno Cinzento, ou pelo Edward G. Boyle de Como Vencer na Vida Sem Fazer Força, este disponível no YouTube: veja e compare os cenários - e também o ator Robert Morse, 44 anos mais novo, com o octogenário Bertram Cooper, patriarca da agência SCDP (Sterling Cooper Draper Pryce).
Livros como o de Packard, The Best of Everything (novelão de Rona Jaffe sobre o mundo editorial nova-iorquino de 1958), O Homem do Terno Cinzento (de Sloan Wilson) e outras obras canônicas da época, como Confissões de Um Publicitário (de David Ogilvy), A Multidão Solitária (de David Riesman), A Revolta de Atlas (de Ayn Rand), O Grupo (de Mary McCarthy) e O Crisântemo e a Espada (de Ruth Benedict), quando não citadas ou lidas por um personagem, aparecem em estantes e mesinhas de cabeceira. Um dos encantos de Mad Men, portanto, é sua valorização da leitura, da cultura livresca. Um dos protagonistas, o grisalho Roger Sterling, está prestes a editar um livro de memórias.
Referências diretas e indiretas a Mark Twain, Balzac, Melville, F. Scott Fitzgerald, William Faulkner, Frank O’Hara (o fundamental poeta de Meditations in an Emergency), John Cheever, D.H. Lawrence inserem-se com naturalidade na narrativa, e até Mein Kampf encontrou uma brecha num dos primeiros episódios da próxima temporada. Creio que só num filme de Godard encontraremos mais alusões literárias do que em Mad Men.
Na eclética bibliografia em trânsito nas quatro primeiras temporadas de Mad Men não encontrei nenhuma obra de ficção premiada com o Pulitzer ou o National Book Award. A nova temporada parte de 1966, ano em que Katherine Ann Porter (já citada na série, via A Nau dos Insensatos, seu único romance) acumulou, por seus contos, os dois galardões.
O Pulitzer é o Oscar do livro e o NBA, o Golden Globe. O primeiro tem mais prestígio popular; o segundo, melhor reputação. O NBA, premiando o melhor da prosa americana desde 1950, nunca negou fogo; o Pulitzer já: em 95 anos, dez vezes bateu mesa. Em 2012 não escolheu ninguém em ficção. Havia 35 anos que isso não ocorria.
A combalida indústria de livros, ainda abalada pelos últimos reveses na guerra contra o monopólio da Amazon e suas edições digitais, subiu nas tamancas. Idem autores, livreiros e críticos literários. O agito em torno do Pulitzer sempre impulsiona as vendas. Sem prêmios, só a indignação ganha espaço na mídia; e ela tem vida curta.
“Foi uma bofetada no rosto do mundo literário”, estrilou Laura Miller, crítica da Salon, para quem 2011 teve uma colheita excepcional de bons livros de ficção. Depois de ler 341 títulos, um trio de jurados composto pelo escritor Michael Cunningham, a ex-editora Susan Larson e a crítica Maureen Corrigan selecionou três finalistas: Sonhos de Trem, de Denis Johnson (traduzido pela Companhia das Letras); Swamplandia, da estreante Karen Russell; e The Pale King, o inacabado romance de David Foster Wallace, arrematado por seu editor. Submetidos, como de praxe, ao veredito dos cardeais da instituição, nenhum emplacou.
Se a peneiragem já é deficiente, dada a enorme quantidade de livros em competição, a escolha final depende sempre de um júri comprometido, acima de tudo, com o paladar literário do americano médio. Em 1971, o board do Pulitzer rejeitou obras de Eudora Welty, Saul Bellow e Joyce Carol Oates. Em 1974, embora recomendado por unanimidade pelo comitê de seleção, O Arco-íris da Gravidade, de Thomas Pynchon, foi solenemente ignorado. Como desta vez foram, por exemplo, Jeffrey Eugenides e Teju Cole.
Melhor voltarmos a 1966. Mad Men na veia.
O direito de conhecer - RUY CASTRO
FOLHA DE SP - 21/04/12
RIO DE JANEIRO - É uma velha tradição brasileira. Ao menor sinal de crise, os primeiros cortes na economia vão para a cultura. Como se houvesse o que cortar. Com ou sem crise, é de lei no Brasil que, na divisão do bolo orçamentário, a cultura fique com o farelo e lamba os beiços. E tanto faz o governo. Está escrito há 40 mil anos, como diria Nelson Rodrigues, que a cultura viverá rastejando e sendo pisada pelos governantes, podendo, no máximo, morder-lhes os calcanhares de vez em quando.
Daí espanta saber que não é só aqui que essas coisas acontecem. Os governos europeus, subitamente pobres, também estão impondo esse achatamento da cultura.
Verbas encolheram, subsídios foram reduzidos e os agentes culturais estão encolhendo suas produções a elencos menores, menos cenários, menos mão de obra.
Mas, como comentou Larry Roh-ter no "New York Times", na Europa a cultura não é uma mercadoria. "As pessoas devem ter o direito de ir à ópera", disse a ele um funcionário do governo austríaco. Ou ao concerto, diria um alemão. Ou aos museus, diria um holandês, um italiano, um francês. Ou às cidades históricas e aos monumentos, diriam todos.
É possível avaliar o custo de tudo isso num orçamento nacional, mas não o seu retorno. Quantos anos leva um garoto que foi hoje a um concerto para se tornar um virtuose do piano -ou não? Quantos milhares de jovens visitantes aos museus produzirão, um dia, um bom pintor -ou nenhum? Mas essa é uma conta que não se deve fazer a cultura é mesmo para dar prejuízo, e tudo bem.
Um dia, gostaria de ouvir de um membro do governo brasileiro que "As pessoas devem ter o direito de conhecer o Aleijadinho". Ou o mestre Valentim. Ou o padre José Maurício. Ou Debret. Ou Ernesto Nazareth. Ou Di Cavalcanti. Ou Pixinguinha. Mas, se alguém já disse, nunca ouvi.
PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV
8h - Treino de classificação do GP do Bahrein, F-1, Globo
8h - Masters 1.000 de Monte Carlo, tênis, Sportv 2
8h45 - Arsenal x Chelsea, Campeonato Inglês, ESPN Brasil e ESPN HD
10h - Cruzeiro x Vôlei Futuro, Superliga masc. de vôlei, Globo, Esporte Interativo e Sportv
10h30 - Werder Bremen x Bayern de Munique, Campeonato Alemão, ESPN
11h - Newcastle x Stoke City, Campeonato Inglês, ESPN Brasil e ESPN HD
13h30 - B. Dortmund x B. M'gladbach, Campeonato Alemão, ESPN e ESPN HD
13h30 - QPR x Tottenham, Campeonato Inglês, ESPN Brasil
14h - Elim. Sul-Americana de futsal, semifinal, Sportv
14h - Volvo Ocean Race, iatismo, Bandsports
15h - Circuito mundial de vôlei de praia, semifinal, Esporte Interativo e Sportv 2
15h45 - Napoli x Novara, Campeonato Italiano, RedeTV!, ESPN e ESPN HD
17h15 - Porto x Beira-Mar, Campeonato Português, Bandsports
18h10 - River Plate x Instituto, Campeonato Argentino (2ª divisão), ESPN Brasil
18h30 - São Paulo x Bragantino, Campeonato Paulista (quartas de final), Sportv e Sportv HD
20h30 - Saint Louis Blues x San Jose Sharks, hóquei, ESPN
5h - Maratona de Londres, atletismo, Sportv
O Supremo, sob os olhos da nação - EDITORIAL O GLOBO
O GLOBO - 21/04/12
O poder que evita o desgoverno não pode ele mesmo desgovernar-se
O país acompanhou, entre espantado e preocupado, a troca de farpas entre dois ministros do Supremo Tribunal Federal, coincidindo com a mudança de presidente na mais prestigiosa entidade da Justiçabrasileira.
Ministros do Supremo são seres humanos, e portanto sujeitos a oscilações de humor e a irritações. Mas, no caso dos ministros atualmente em exercício no STF, eles precisariam fazer um pacto de bom comportamento.
O Supremo — como o nome está dizendo — é a pedra de toque de todo o sistema constitucional brasileiro. Se ele desaparecesse, o nosso organismo jurídico seria como uma casa sem teto. Além de tudo, cabe ao STF dirimir conflitos entre os poderes da República, o que lhe confere um status ainda mais especial. Sendo assim, os ministros do Supremo podem ter os sentimentos que quiserem, inclusive em relação a seus colegas. Mas esse dado inevitável de humanidade precisa ser filtrado através de uma boa dose de compostura.
Não basta que o Supremo aja corretamente, no desempenho de suas tarefas. Seus membros precisam passar pelo menos a impressão de que são impassíveis, imparciais, objetivos — a Justiça na sua acepção mais estrita. Se não for assim, como poderão atuar na última fronteira da vida institucional?
Para citar um exemplo de agora, a nação inteira espera que o STFdesembrulhe, no menor prazo possível, a assustadora questão do mensalão. Como isso pode ser feito se os ministros não estiverem solidamente sentados em suas cadeiras, representando o melhor dos critérios de justiça, o maior conhecimento do Direito? Isto se torna ainda mais necessário numa época em que tudo é submetido a um máximo de exposição. As câmeras da TV invadem as salas de reunião, dão conta do dia a dia dos trabalhos. Se essa rotina não passar uma impressão de respeitabilidade, é todo o sistema institucional que perde o seu fio de prumo.
O novo presidente do Supremo, ministro Ayres Britto, está consciente dessas responsabilidades. Disse ele: “O poder que evita o desgoverno, o desmando e o descontrole eventual dos outros poderes não pode, ele mesmo, se desgovernar, se descontrolar”. E acrescenta: “É o poder que não pode jamais perder a confiança da coletividade, sob pena de esgarçar o próprio tecido da coesão nacional”.
Tomando posse como presidente do STF, o ministro Ayres Brittto propôs um pacto dos três poderes em defesa da Constituição; e aumentou a carga simbólica dessa proposta distribuindo exemplares da Constituição entre os que acompanharam a cerimônia.
Assim se faz referência à principal missão do Supremo, e a um elemento de civilização política. A Constituição tem esse caráter de pacto, de entendimento que serve de base para qualquer construção duradoura.
No Brasil, não podemos mostrar uma experiência tão longa e bem-sucedida como a dos Estados Unidos. Mas a Constituição em vigor tem prestado bons serviços, e já sobreviveu a muitas crises. É a partir desse patrimônio que podemos aspirar a melhores índices de convivência social.
O poder que evita o desgoverno não pode ele mesmo desgovernar-se
O país acompanhou, entre espantado e preocupado, a troca de farpas entre dois ministros do Supremo Tribunal Federal, coincidindo com a mudança de presidente na mais prestigiosa entidade da Justiçabrasileira.
Ministros do Supremo são seres humanos, e portanto sujeitos a oscilações de humor e a irritações. Mas, no caso dos ministros atualmente em exercício no STF, eles precisariam fazer um pacto de bom comportamento.
O Supremo — como o nome está dizendo — é a pedra de toque de todo o sistema constitucional brasileiro. Se ele desaparecesse, o nosso organismo jurídico seria como uma casa sem teto. Além de tudo, cabe ao STF dirimir conflitos entre os poderes da República, o que lhe confere um status ainda mais especial. Sendo assim, os ministros do Supremo podem ter os sentimentos que quiserem, inclusive em relação a seus colegas. Mas esse dado inevitável de humanidade precisa ser filtrado através de uma boa dose de compostura.
Não basta que o Supremo aja corretamente, no desempenho de suas tarefas. Seus membros precisam passar pelo menos a impressão de que são impassíveis, imparciais, objetivos — a Justiça na sua acepção mais estrita. Se não for assim, como poderão atuar na última fronteira da vida institucional?
Para citar um exemplo de agora, a nação inteira espera que o STFdesembrulhe, no menor prazo possível, a assustadora questão do mensalão. Como isso pode ser feito se os ministros não estiverem solidamente sentados em suas cadeiras, representando o melhor dos critérios de justiça, o maior conhecimento do Direito? Isto se torna ainda mais necessário numa época em que tudo é submetido a um máximo de exposição. As câmeras da TV invadem as salas de reunião, dão conta do dia a dia dos trabalhos. Se essa rotina não passar uma impressão de respeitabilidade, é todo o sistema institucional que perde o seu fio de prumo.
O novo presidente do Supremo, ministro Ayres Britto, está consciente dessas responsabilidades. Disse ele: “O poder que evita o desgoverno, o desmando e o descontrole eventual dos outros poderes não pode, ele mesmo, se desgovernar, se descontrolar”. E acrescenta: “É o poder que não pode jamais perder a confiança da coletividade, sob pena de esgarçar o próprio tecido da coesão nacional”.
Tomando posse como presidente do STF, o ministro Ayres Brittto propôs um pacto dos três poderes em defesa da Constituição; e aumentou a carga simbólica dessa proposta distribuindo exemplares da Constituição entre os que acompanharam a cerimônia.
Assim se faz referência à principal missão do Supremo, e a um elemento de civilização política. A Constituição tem esse caráter de pacto, de entendimento que serve de base para qualquer construção duradoura.
No Brasil, não podemos mostrar uma experiência tão longa e bem-sucedida como a dos Estados Unidos. Mas a Constituição em vigor tem prestado bons serviços, e já sobreviveu a muitas crises. É a partir desse patrimônio que podemos aspirar a melhores índices de convivência social.
Governo dividido - ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 21/04/12
O governo Dilma vai enfrentar rachado a votação do Código Florestal. O PMDB e o PT vão medir forças no plenário na terça-feira. O PMDB e o ministro Mendes Ribeiro (Agricultura) apoiam o texto do relator Paulo Piau (PMDB-MG). O PT e os ministros Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário) querem manter o texto do Senado. O relator alega que seu texto reflete o desejo da maioria da Casa. O PT, sem votos para ganhar, pode obstruir a votação.
Eleições diretas para presidente da OAB
O vigoroso discurso do presidente da OAB, Ophir Cavalcante, na posse no STF, provocou mal-estar no Congresso. Ophir afirmou que o “Parlamento tornou-se um pântano” e que “com honrosas exceções, o Parlamento tem servido de balcão de negócios”. Irritados, vários líderes querem apressar a votação, na CCJ da
Câmara, de projeto do deputado Hugo Leal (PSC-RJ) pelo qual as eleições para a presidência do Conselho Federal da OAB passem a ser diretas. Pretendem também aprovar emenda que prevê que a contabilidade da OAB, a exemplo das dos demais conselhos profissionais, seja submetida ao TCU.
"Aqui estou para dizer ao novo presidente do STF que a sociedade espera que esse tema (mensalão) não seja mais postergado. E que a Justiça promova a punição exemplar dos culpados pelos crimes”
— Ophir Cavalcante, presidente da OAB, no discurso no STF
O GOVERNO DILMA E A CPI. O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), explica por que não vai integrar a CPI: “O trabalho exaustivo de uma CPI não é compatível com a agenda de líder. O governo é neutro e não tem uma missão a ser cumprida na CPI. A CPI não é agenda do governo”. No ano eleitoral, ele quer usar seu tempo para aprovar, por exemplo, as MPs do Brasil Maior e as novas regras do FPE e do FPM.
Cenas de Brasília
Ao cruzar com uma excursão escolar que visitava o Senado, na tarde da sexta-feira, um transeunte bradou em alto e bom som, para estupefação geral: “Aqui é o lugar mais seguro do mundo. Não tem ladrão, só trabalhador!”
Corte
A presidente Dilma orientou a EBC a cortar de suas viagens jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas da TV e Agência Brasil. Pediu para ser acompanhada somente pela NBR (agência oficial de notícias), sob a justificativa de corte de gastos.
O Rio de Janeiro e a Construtora Delta
O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) fez levantamento dos negócios da Construtora Delta com o Estado do Rio. Seus primeiros contratos foram no governo Anthony Garotinho (1999/2002): total de R$ 146 milhões. Na gestão Rosinha (2003/2006), R$ 398 milhões, sendo R$ 2,1 milhões (3%) com dispensa de licitação. No primeiro mandato de Sérgio Cabral (20007/2010), R$ 992,4 milhões, sendo R$ 148,3 milhões (14,9%) com dispensa de licitação. No segundo (2011/2012), R$ 496,9 milhões, sendo R$ 85,6 milhões (17,2%) sem licitação.
Batendo o martelo
O governador Cid Gomes (PSB-CE) e a prefeita Luizianne Lins (PT) vão acertar, na próxima semana, o candidato à prefeitura de Fortaleza. Os petistas que estão no páreo são o secretário Elmano Freitas e o deputado Artur Bruno.
Fla x Flu
O ex-prefeito de Recife João Paulo desistiu de disputar a prévia do PT. O governador Eduardo Campos (PSB) fechou com a candidatura do deputado Maurício Rands contra a do prefeito João da Costa, que quer concorrer à reeleição.
VISIONÁRIO. A biografia do senador Demóstenes Torres (GO), exibida em seu blog, informa que a ONU o incluiu entre as mil personalidades do mundo inteiro para pensar o século XXI.
A SECRETARIA de Direitos Humanos vai reunir as centrais sindicais, na terça-feira, para organizar manifestações para pressionar o Congresso a votar com urgência a PEC do Trabalho Escravo.
CORRELAÇÃO DE FORÇAS. O bloco liderado pelo PMDB terá 13 vagas na CPI. O bloco sob o comando do PT terá 12 representantes. A oposição, sete votos.
O governo Dilma vai enfrentar rachado a votação do Código Florestal. O PMDB e o PT vão medir forças no plenário na terça-feira. O PMDB e o ministro Mendes Ribeiro (Agricultura) apoiam o texto do relator Paulo Piau (PMDB-MG). O PT e os ministros Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário) querem manter o texto do Senado. O relator alega que seu texto reflete o desejo da maioria da Casa. O PT, sem votos para ganhar, pode obstruir a votação.
Eleições diretas para presidente da OAB
O vigoroso discurso do presidente da OAB, Ophir Cavalcante, na posse no STF, provocou mal-estar no Congresso. Ophir afirmou que o “Parlamento tornou-se um pântano” e que “com honrosas exceções, o Parlamento tem servido de balcão de negócios”. Irritados, vários líderes querem apressar a votação, na CCJ da
Câmara, de projeto do deputado Hugo Leal (PSC-RJ) pelo qual as eleições para a presidência do Conselho Federal da OAB passem a ser diretas. Pretendem também aprovar emenda que prevê que a contabilidade da OAB, a exemplo das dos demais conselhos profissionais, seja submetida ao TCU.
"Aqui estou para dizer ao novo presidente do STF que a sociedade espera que esse tema (mensalão) não seja mais postergado. E que a Justiça promova a punição exemplar dos culpados pelos crimes”
— Ophir Cavalcante, presidente da OAB, no discurso no STF
O GOVERNO DILMA E A CPI. O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), explica por que não vai integrar a CPI: “O trabalho exaustivo de uma CPI não é compatível com a agenda de líder. O governo é neutro e não tem uma missão a ser cumprida na CPI. A CPI não é agenda do governo”. No ano eleitoral, ele quer usar seu tempo para aprovar, por exemplo, as MPs do Brasil Maior e as novas regras do FPE e do FPM.
Cenas de Brasília
Ao cruzar com uma excursão escolar que visitava o Senado, na tarde da sexta-feira, um transeunte bradou em alto e bom som, para estupefação geral: “Aqui é o lugar mais seguro do mundo. Não tem ladrão, só trabalhador!”
Corte
A presidente Dilma orientou a EBC a cortar de suas viagens jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas da TV e Agência Brasil. Pediu para ser acompanhada somente pela NBR (agência oficial de notícias), sob a justificativa de corte de gastos.
O Rio de Janeiro e a Construtora Delta
O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) fez levantamento dos negócios da Construtora Delta com o Estado do Rio. Seus primeiros contratos foram no governo Anthony Garotinho (1999/2002): total de R$ 146 milhões. Na gestão Rosinha (2003/2006), R$ 398 milhões, sendo R$ 2,1 milhões (3%) com dispensa de licitação. No primeiro mandato de Sérgio Cabral (20007/2010), R$ 992,4 milhões, sendo R$ 148,3 milhões (14,9%) com dispensa de licitação. No segundo (2011/2012), R$ 496,9 milhões, sendo R$ 85,6 milhões (17,2%) sem licitação.
Batendo o martelo
O governador Cid Gomes (PSB-CE) e a prefeita Luizianne Lins (PT) vão acertar, na próxima semana, o candidato à prefeitura de Fortaleza. Os petistas que estão no páreo são o secretário Elmano Freitas e o deputado Artur Bruno.
Fla x Flu
O ex-prefeito de Recife João Paulo desistiu de disputar a prévia do PT. O governador Eduardo Campos (PSB) fechou com a candidatura do deputado Maurício Rands contra a do prefeito João da Costa, que quer concorrer à reeleição.
VISIONÁRIO. A biografia do senador Demóstenes Torres (GO), exibida em seu blog, informa que a ONU o incluiu entre as mil personalidades do mundo inteiro para pensar o século XXI.
A SECRETARIA de Direitos Humanos vai reunir as centrais sindicais, na terça-feira, para organizar manifestações para pressionar o Congresso a votar com urgência a PEC do Trabalho Escravo.
CORRELAÇÃO DE FORÇAS. O bloco liderado pelo PMDB terá 13 vagas na CPI. O bloco sob o comando do PT terá 12 representantes. A oposição, sete votos.
Guerra no Supremo - HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 21/04/12
SÃO PAULO - É verdade que os ministros poderiam ser um pouco mais cordatos, mas a chamada guerra no Supremo não apenas está longe de ser um problema como ainda é sinal de que o tribunal máximo anda saudável. Em termos institucionais, é bom que os magistrados discordem, compitam e até se odeiem.
O propósito de uma corte colegiada é oferecer aos casos que a ela chegam uma apreciação mais cuidadosa e multifacetada, escapando ao unilateralismo do juiz singular. Cada ser humano, afinal, é prisioneiro de seus próprios preconceitos.
Só que colocar um grupo para decidir não é um processo sem riscos. Sabe-se desde os anos 50, com os experimentos de Solomon Asch sobre a conformidade, que basta pôr um ator para "puxar" respostas absurdas a uma questão óbvia que 75% das pessoas o acompanharão. Pior, reunir gente que pensa igual para conversar frequentemente resulta numa radicalização das ideias.
Nem tudo, porém, está perdido. Como mostram Ori e Rom Brafman, a existência de pessoas "do contra" ("dissenters", em inglês) é importante para evitar que caiamos nas armadilhas do pensamento de grupo. A figura do "dissenter", embora possa produzir fricções de alto custo emocional, também costuma levar a maioria a reformular seus argumentos, de modo a responder a objeções percebidas como relevantes.
Essa dinâmica é especialmente valiosa em tribunais colegiados. O "do contra" aqui, mesmo que não leve a uma mudança na decisão e ainda que provoque brigas homéricas, é um elemento fundamental para melhorar a qualidade do trabalho.
Assim, em vez de tentar suprimir o dissenso, o ideal seria que o STF o colocasse para trabalhar a seu favor. Ampliar as rotinas pelas quais os ministros possam conhecer melhor as opiniões divergentes de seus pares antes de elaborar seus votos seria uma medida inteligente. É o que fazem muitas das cortes coletivas.
Uma questão pessoal - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 21/04/12
Não é a primeira vez nem será a última que ministros do Supremo Tribunal Federal baterão boca em público, embora nunca seja dignificante para a mais alta instância do Poder Judiciário que seus membros se digladiem em público. Mas o importante, sempre que há um desentendimento deste tipo, é saber se ele foi deflagrado por uma questão de fundo ou se tem origem em questões puramente pessoais. Nada indica que o ambiente do Supremo esteja conflagrado, e muito menos por razões de cunho político.
O que ocorreu foi um desabafo fora de hora do ministro Cezar Peluso, que se antecipou à aposentadoria, que só ocorrerá em setembro, e passou a falar como um não membro do STF, e uma resposta um tom acima do ministro Joaquim Barbosa, um ministro propenso a confrontos, especialmente atingido pela referência a supostos problemas com sua cor de pele.
Diferentemente de um bate-boca anterior, este apresentado ao vivo e em cores pela TV Senado, entre Barbosa e o então presidente Gilmar Mendes, desta vez não havia nenhum debate doutrinário, apenas maneiras diversas de encarar a vida.
Tanto que a única crítica aos procedimentos do STF feita por Peluso em sua entrevista ao Consultor Jurídico, a de que os ministros tendiam a votar de acordo com a opinião pública, não foi rebatida por Barbosa.
Quando Gilmar Mendes o acusou de fazer "populismo judicial", argumentando que "esse negócio de classe não cola", Barbosa retrucou que levava em conta "as consequências" de suas decisões.
Ali estava revelado que também no Supremo há um debate entre os "consequencialistas", que interpretam a lei atentos ao resultado da decisão, contra os "formalistas", que se atêm à letra da lei - um debate doutrinário sério, que ocorre em vários lugares do mundo.
Mas, no caso presente, nem mesmo esse debate aconteceu, ficando os ataques recíprocos mais no campo pessoal, o que mostra que desta vez não há nenhuma questão de fundo subjacente.
Há quem atribua os constantes atritos entre os juízes do Supremo ao fato de que, nos últimos anos, houve uma renovação de seus membros, fazendo com que hoje haja mais ministros sintonizados com o espírito da Constituição de 1988. Há também a midiatização dos debates, deflagrada pelo televisionamento direto das reuniões, uma tendência irreversível que dá transparência às decisões, mas transformou os ministros do Supremo em celebridades.
Mas a partidarização do Supremo, no entanto, não parece ser a tônica de sua composição, fenômeno que seria mais tipicamente dos Estados Unidos, onde há o bipartidarismo, do que no Brasil, onde Lula tanto é capaz de nomear o ministro Carlos Alberto Direito, um conservador católico, como Eros Grau, que se diz marxista.
Nomeado por Fernando Henrique Cardoso, Gilmar Mendes mantém um retrato do ex-presidente em sua mesa de trabalho. Já Joaquim Barbosa, escolhido por indicação de Frei Betto, ex-assessor especial de Lula, não pode ser identificado explicitamente com Lula, no máximo com uma ala do PT, tanto que aceitou a denúncia contra os 40 do mensalão.
E o ministro Cezar Peluso também foi nomeado por Lula e também é dado como um voto contra os mensaleiros, tanto que sua aposentadoria, em setembro, entra na conta dos réus como um fator de retardo do julgamento, e sua substituição, como um voto contrário a menos.
Nesse raciocínio que beneficia os réus, se até lá a questão não estiver julgada, o processo seria sustado até que a presidente Dilma indicasse o substituto, o que poderia demorar, ajudando na contagem de tempo para a prescrição.
Há quem aposte, por sinal, que se os dois ministros que se aposentarão este ano - Peluso, em setembro, e Ayres Britto, em novembro - tendessem a votar a favor dos mensaleiros, o PT e a base aliada trabalhariam no Congresso para aprovar a chamada "PEC da Bengala", passando a idade de aposentadoria para 75 anos.
No entanto, há uma forte tendência entre os estudiosos de identificar um grande teor de personalismo nos julgamentos do Supremo, fazendo com que o tribunal funcione mais como o resultado de posições individuais do que como um colegiado, o que retiraria da série de nomeações de governos ideologicamente alinhados - os governos petistas de Lula e Dilma nomearam 8 dos 11 ministros atuais - a formação de um tribunal à sua imagem e semelhança. Além do mais, o fato de o mandato ser intocável até a aposentadoria, aos 70 anos, dá ao ministro nomeado independência em relação a quem o nomeou.
O que preocupou mais o novo presidente do Supremo, ministro Ayres Britto, foi a declaração de Joaquim Barbosa de que, quando presidente, o ministro Cezar Peluso manipulou sentenças do Supremo.
A acusação é grave, mais ainda porque destituída de qualquer base na realidade. Quando termina um julgamento, o presidente da Corte resume o voto vencedor em voz alta, diante de seus pares e das câmeras de televisão.
Qualquer desvio do resultado, por incompreensão ou erro de interpretação, é imediatamente rebatido pela maioria.
Além disso, quando é feita pelo relator a ementa com a decisão oficial, todos os ministros a recebem antes de ser divulgada, ainda a tempo de corrigir algum eventual erro.
O ministro Joaquim Barbosa referiu-se diretamente ao episódio do voto de minerva proferido por Peluso a favor de Jader Barbalho na decisão sobre se a Lei da Ficha Limpa o impedia de assumir uma vaga no Senado, quando Peluso se recusara a votar duas vezes em outra ocasião.
Na ocasião, porém, explicou que, na primeira sessão de julgamento sobre a chamada "Ficha Limpa", quando se recusou a desempatar o julgamento, o fez simplesmente porque a maioria dos ministros presentes não concordou com a aplicação da regra regimental.
No caso de Jader, porém, todos os ministros presentes, inclusive os que tinham votado em sentido contrário, decidiram aplicar a regra regimental.
Outro caso polêmico refere-se ao julgamento de Cesare Battisti, quando, logo depois da votação, Peluso, que era o relator e foi voto vencido, disse que não tinha condições intelectuais de redigir a ementa com a decisão do Supremo, ressaltando, com ironia, o que considerava incongruência da decisão de extraditar o italiano, mas permitir que o presidente da República não cumprisse os acordos internacionais firmados pelo país.
O ministro Peluso certamente estava reagindo ao voto da maioria, mas não tentando manipulá-lo.
Não é a primeira vez nem será a última que ministros do Supremo Tribunal Federal baterão boca em público, embora nunca seja dignificante para a mais alta instância do Poder Judiciário que seus membros se digladiem em público. Mas o importante, sempre que há um desentendimento deste tipo, é saber se ele foi deflagrado por uma questão de fundo ou se tem origem em questões puramente pessoais. Nada indica que o ambiente do Supremo esteja conflagrado, e muito menos por razões de cunho político.
O que ocorreu foi um desabafo fora de hora do ministro Cezar Peluso, que se antecipou à aposentadoria, que só ocorrerá em setembro, e passou a falar como um não membro do STF, e uma resposta um tom acima do ministro Joaquim Barbosa, um ministro propenso a confrontos, especialmente atingido pela referência a supostos problemas com sua cor de pele.
Diferentemente de um bate-boca anterior, este apresentado ao vivo e em cores pela TV Senado, entre Barbosa e o então presidente Gilmar Mendes, desta vez não havia nenhum debate doutrinário, apenas maneiras diversas de encarar a vida.
Tanto que a única crítica aos procedimentos do STF feita por Peluso em sua entrevista ao Consultor Jurídico, a de que os ministros tendiam a votar de acordo com a opinião pública, não foi rebatida por Barbosa.
Quando Gilmar Mendes o acusou de fazer "populismo judicial", argumentando que "esse negócio de classe não cola", Barbosa retrucou que levava em conta "as consequências" de suas decisões.
Ali estava revelado que também no Supremo há um debate entre os "consequencialistas", que interpretam a lei atentos ao resultado da decisão, contra os "formalistas", que se atêm à letra da lei - um debate doutrinário sério, que ocorre em vários lugares do mundo.
Mas, no caso presente, nem mesmo esse debate aconteceu, ficando os ataques recíprocos mais no campo pessoal, o que mostra que desta vez não há nenhuma questão de fundo subjacente.
Há quem atribua os constantes atritos entre os juízes do Supremo ao fato de que, nos últimos anos, houve uma renovação de seus membros, fazendo com que hoje haja mais ministros sintonizados com o espírito da Constituição de 1988. Há também a midiatização dos debates, deflagrada pelo televisionamento direto das reuniões, uma tendência irreversível que dá transparência às decisões, mas transformou os ministros do Supremo em celebridades.
Mas a partidarização do Supremo, no entanto, não parece ser a tônica de sua composição, fenômeno que seria mais tipicamente dos Estados Unidos, onde há o bipartidarismo, do que no Brasil, onde Lula tanto é capaz de nomear o ministro Carlos Alberto Direito, um conservador católico, como Eros Grau, que se diz marxista.
Nomeado por Fernando Henrique Cardoso, Gilmar Mendes mantém um retrato do ex-presidente em sua mesa de trabalho. Já Joaquim Barbosa, escolhido por indicação de Frei Betto, ex-assessor especial de Lula, não pode ser identificado explicitamente com Lula, no máximo com uma ala do PT, tanto que aceitou a denúncia contra os 40 do mensalão.
E o ministro Cezar Peluso também foi nomeado por Lula e também é dado como um voto contra os mensaleiros, tanto que sua aposentadoria, em setembro, entra na conta dos réus como um fator de retardo do julgamento, e sua substituição, como um voto contrário a menos.
Nesse raciocínio que beneficia os réus, se até lá a questão não estiver julgada, o processo seria sustado até que a presidente Dilma indicasse o substituto, o que poderia demorar, ajudando na contagem de tempo para a prescrição.
Há quem aposte, por sinal, que se os dois ministros que se aposentarão este ano - Peluso, em setembro, e Ayres Britto, em novembro - tendessem a votar a favor dos mensaleiros, o PT e a base aliada trabalhariam no Congresso para aprovar a chamada "PEC da Bengala", passando a idade de aposentadoria para 75 anos.
No entanto, há uma forte tendência entre os estudiosos de identificar um grande teor de personalismo nos julgamentos do Supremo, fazendo com que o tribunal funcione mais como o resultado de posições individuais do que como um colegiado, o que retiraria da série de nomeações de governos ideologicamente alinhados - os governos petistas de Lula e Dilma nomearam 8 dos 11 ministros atuais - a formação de um tribunal à sua imagem e semelhança. Além do mais, o fato de o mandato ser intocável até a aposentadoria, aos 70 anos, dá ao ministro nomeado independência em relação a quem o nomeou.
O que preocupou mais o novo presidente do Supremo, ministro Ayres Britto, foi a declaração de Joaquim Barbosa de que, quando presidente, o ministro Cezar Peluso manipulou sentenças do Supremo.
A acusação é grave, mais ainda porque destituída de qualquer base na realidade. Quando termina um julgamento, o presidente da Corte resume o voto vencedor em voz alta, diante de seus pares e das câmeras de televisão.
Qualquer desvio do resultado, por incompreensão ou erro de interpretação, é imediatamente rebatido pela maioria.
Além disso, quando é feita pelo relator a ementa com a decisão oficial, todos os ministros a recebem antes de ser divulgada, ainda a tempo de corrigir algum eventual erro.
O ministro Joaquim Barbosa referiu-se diretamente ao episódio do voto de minerva proferido por Peluso a favor de Jader Barbalho na decisão sobre se a Lei da Ficha Limpa o impedia de assumir uma vaga no Senado, quando Peluso se recusara a votar duas vezes em outra ocasião.
Na ocasião, porém, explicou que, na primeira sessão de julgamento sobre a chamada "Ficha Limpa", quando se recusou a desempatar o julgamento, o fez simplesmente porque a maioria dos ministros presentes não concordou com a aplicação da regra regimental.
No caso de Jader, porém, todos os ministros presentes, inclusive os que tinham votado em sentido contrário, decidiram aplicar a regra regimental.
Outro caso polêmico refere-se ao julgamento de Cesare Battisti, quando, logo depois da votação, Peluso, que era o relator e foi voto vencido, disse que não tinha condições intelectuais de redigir a ementa com a decisão do Supremo, ressaltando, com ironia, o que considerava incongruência da decisão de extraditar o italiano, mas permitir que o presidente da República não cumprisse os acordos internacionais firmados pelo país.
O ministro Peluso certamente estava reagindo ao voto da maioria, mas não tentando manipulá-lo.
Novas presidências e expectativas - WALTER CENEVIVA
FOLHA DE SP - 21/04/12
A função dos ministros Ayres Britto e Cármen Lúcia terá mais espinhos do que flores no percurso
A VIDA judicial do Brasil, no que interessa ao povo e aos profissionais que a integram, parece este ano destinada a inusitado destaque. Nossa mais alta corte da Justiça tem novo presidente por alguns meses, e a última instância da justiça eleitoral será conduzida por uma ministra que pela primeira vez terá a missão de garantir nacionalmente a legalidade do pleito.
As duas circunstâncias não parecem preocupantes. Tanto o ministro Ayres Britto, na presidência do STF (Supremo Tribunal Federal), quanto a ministra Cármen Lúcia, na presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) têm condições para levar a bom termo sua missão, embora se saiba que a função de ambos terá mais espinhos do que flores no percurso.
A previsão do "tempo quente" na Corte Suprema foi de certo modo sugerida pelas declarações na saída do ministro César Peluso, sem as habituais homenagens ao presidente que se despede. No plano da lei haverá o drama do "quorum" para os próximos julgamentos.
Cairá nas mãos de Ayres Britto a batata quente de uma das mais rumorosas questões político-legais-criminais da história, com "figurões" e "figurinhas" do universo político e empresarial, sob acusações sérias: o caso do "mensalão". No curso dos trabalhos surgirão intervenções dos demais ministros, além das que cabem à defesa e à acusação. O presidente da corte precisará da colaboração de seus colegas na dissidência entre os que consideram imperativo o julgamento e os oponentes à pressão nesse sentido. Sabem todos que será danoso para a corte se manobras protelatórias impedirem o julgamento, sobrevindo a prescrição, afastada a apreciação do mérito da questão.
O relator no STF é o ministro Ricardo Lewandowski. Enfrenta o trabalho para compor a definição de cada elemento de informação, a respeito de cada envolvido em cada fato. Lewandowski foi para o STF com longa prática no Tribunal de Justiça de São Paulo. Depende dele a primeira etapa dos trabalhos, a do relatório. Sua competência lhe permitirá até determinar o arquivamento em face de manifesta causa excludente da ilicitude de ato ou da culpabilidade do agente, embora não pareça probabilidade previsível. Serão seguidas, além das normas regimentais, as regras do Código de Processo Penal para fatos que envolvam a interpretação constitucional, de competência exclusiva da alta corte.
Superada a participação do relator, começará a tomada dos votos, na linha crescente da antiguidade dos ministros, se não houver novos pedidos de vista a serem deferidos e, em casos especiais, indeferidos. O presidente terá voto de desempate para o final pronunciamento da corte. Se por qualquer circunstância Ayres Britto não comparecer ou não puder atuar, será substituído pelo vice-presidente, ministro Joaquim Barbosa, também empossado esta semana. Os meandros têm tantas alternativas que não arrisco fazer outras previsões.
Nas questões do direito eleitoral, os primeiros meses de gestão da ministra Cármen Lúcia tenderão a trazer as questões habituais de nível, digamos, ameno. Serão mais difíceis ou mais agitadas quando o pleito estiver próximo e, portanto, no calor crescente da disputa. Daí a certeza: o ano jurídico será democraticamente animado e animador.
A função dos ministros Ayres Britto e Cármen Lúcia terá mais espinhos do que flores no percurso
A VIDA judicial do Brasil, no que interessa ao povo e aos profissionais que a integram, parece este ano destinada a inusitado destaque. Nossa mais alta corte da Justiça tem novo presidente por alguns meses, e a última instância da justiça eleitoral será conduzida por uma ministra que pela primeira vez terá a missão de garantir nacionalmente a legalidade do pleito.
As duas circunstâncias não parecem preocupantes. Tanto o ministro Ayres Britto, na presidência do STF (Supremo Tribunal Federal), quanto a ministra Cármen Lúcia, na presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) têm condições para levar a bom termo sua missão, embora se saiba que a função de ambos terá mais espinhos do que flores no percurso.
A previsão do "tempo quente" na Corte Suprema foi de certo modo sugerida pelas declarações na saída do ministro César Peluso, sem as habituais homenagens ao presidente que se despede. No plano da lei haverá o drama do "quorum" para os próximos julgamentos.
Cairá nas mãos de Ayres Britto a batata quente de uma das mais rumorosas questões político-legais-criminais da história, com "figurões" e "figurinhas" do universo político e empresarial, sob acusações sérias: o caso do "mensalão". No curso dos trabalhos surgirão intervenções dos demais ministros, além das que cabem à defesa e à acusação. O presidente da corte precisará da colaboração de seus colegas na dissidência entre os que consideram imperativo o julgamento e os oponentes à pressão nesse sentido. Sabem todos que será danoso para a corte se manobras protelatórias impedirem o julgamento, sobrevindo a prescrição, afastada a apreciação do mérito da questão.
O relator no STF é o ministro Ricardo Lewandowski. Enfrenta o trabalho para compor a definição de cada elemento de informação, a respeito de cada envolvido em cada fato. Lewandowski foi para o STF com longa prática no Tribunal de Justiça de São Paulo. Depende dele a primeira etapa dos trabalhos, a do relatório. Sua competência lhe permitirá até determinar o arquivamento em face de manifesta causa excludente da ilicitude de ato ou da culpabilidade do agente, embora não pareça probabilidade previsível. Serão seguidas, além das normas regimentais, as regras do Código de Processo Penal para fatos que envolvam a interpretação constitucional, de competência exclusiva da alta corte.
Superada a participação do relator, começará a tomada dos votos, na linha crescente da antiguidade dos ministros, se não houver novos pedidos de vista a serem deferidos e, em casos especiais, indeferidos. O presidente terá voto de desempate para o final pronunciamento da corte. Se por qualquer circunstância Ayres Britto não comparecer ou não puder atuar, será substituído pelo vice-presidente, ministro Joaquim Barbosa, também empossado esta semana. Os meandros têm tantas alternativas que não arrisco fazer outras previsões.
Nas questões do direito eleitoral, os primeiros meses de gestão da ministra Cármen Lúcia tenderão a trazer as questões habituais de nível, digamos, ameno. Serão mais difíceis ou mais agitadas quando o pleito estiver próximo e, portanto, no calor crescente da disputa. Daí a certeza: o ano jurídico será democraticamente animado e animador.
Brasília! Niemeyer foi abduzido! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 21/04/12
Hoje é aniversário de Brasília! Capital do Desvio Federal. Ops, do Detrito Federal! Rarará!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão urgente! O esculhambador-geral da República!
Olha esta placa num portão em Palmas (TO): "Juaquim Clariano, pesso favor não vende nada para espoza sem minha autorização". Deve ser o marido da Val Marchiori. Rarará!
E o predestinado do dia! Sabe o nome do autor do hino de Brasília? Capitão Furtado! Rarará!
Hoje é aniversário de Brasília. Capital do Desvio Federal. Ops, do Detrito Federal. Mas, como dizem os brasilienses: "Sou brasiliense, mas sou inocente".
E o Niemeyer é um visionário. Desenhou o Congresso com dois penicões. Um pra cima e outro pra baixo. Botou dois penicões no Congresso. E eu acho Brasília um escândalo. Um escândalo de beleza!
O Niemeyer viu disco voador? Eu acho que ele foi abduzido e voltou direto pra prancheta! Brasília era ficção científica.
Hoje é a cidade que mais aparece na televisão. "Você conhece Brasília?". "Conheço! Pela televisão." "Onde fica Brasília?". "No "Jornal Nacional"." Brasília é a capital do "Jornal Nacional". Rarará!
E hoje é Tiradentes! Dia Nacional dos Enforcados! Tiradentes devia ter sido enforcado na terça-feira, aí a gente enforcava a segunda! Enforcava o enforcado! É feriado, mas ninguém sabe quem é Tiradentes.
Um repórter perguntou para um menino: "Você sabe quem é Tiradentes?". "Sei, Tiradentes é um feriado." Rarará! Todo ano eu conto esse caso porque é emblemático. Gostaram do emblemático?!
E visitar Minas no feriado de Tiradentes não é turismo, é insurreição! Tiradentes foi enforcado e esquartejado. Porque não queria pagar um imposto, o quinto. Por um quinto, ele foi enforcado.
Com os impostos hoje em dia, ele seria passado numa máquina de moer carne. Virava hambúrguer! Almôndega! Quibe mineiro! Rarará! É mole? É mole, mas sobe! E eu tenho uma amiga perua tão fresca, mas tão fresca, que ela não fala Aleijadinho, fala Aleijadérrimo! "Comprei duas obras do Aleijadérrimo."
E na estrada BH-Ouro Preto tem um motel chamado: ITA MARA! E eu já viajei muito pelo interior de Minas. Minas é um monte de morro com um monte de gente dando adeus! E um amigo meu não vai viajar: prefere gastar o dinheiro dos pedágios em pizza, cinema e joias!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Ameaça à urbanidade - LUIZ FERNANDO JANOT
O GLOBO - 21/04/12
Em 2010, cerca de dois anos depois da bem-sucedida instalação da primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), na Favela Santa Marta, o Rio voltou a viver momentos de grande tensão diante das violentas ações praticadas, em vários pontos da cidade, por facções do tráfico de entorpecentes. Eram manifestações planejadas para demonstrar o poder de fogo dessas organizações criminosas e, ao mesmo tempo, desafiar as forças policiais.
As ações se alternavam entre arrastões e roubos de veículos em vias de grande circulação, incêndios de ônibus, ordem para fechar lojas comerciais e, para coroar a prepotência desses grupos, o desfile armado por certas ruas da cidade. O desafio à ordem pública atingiu, nessa ocasião, proporções insustentáveis. Como reação, no dia 28 de outubro daquele ano, o governo do estado, com o apoio do governo federal e a participação das Forças Armadas, decidiu dar um basta nessas provocações ao empreender uma verdadeira operação de guerra para ocupar o Morro do Alemão, onde se localizavam as principais bases de articulação do movimento. Com a ocupação do morro e a fuga dos marginais, esse dia se tornou um marco simbólico no processo de retomada dos territórios ocupados por traficantes e milicianos.
Curiosamente, quase dois anos depois desse episódio, uma nova tentativa de desestabilizar a segurança pública voltou a pairar sobre o Rio. Desta feita, como reação ao sucesso da política de pacificação das favelas que inibiu a livre movimentação do tráfico armado nessas comunidades. A Rocinha, atualmente ocupada por forças de segurança enquanto aguarda a implantação da sua UPP, vem registrando, com certa frequência, enfrentamentos entre facções rivais do tráfico interessadas no controle da venda de drogas. Esses conflitos têm gerado tiroteios e mortes, inclusive, recentemente, a de um policial militar fuzilado durante uma perseguição por becos e vielas. O clima de apreensão decorrente desses fatos e de outros semelhantes que estão ocorrendo em paralelo ameaça a urbanidade conquistada após a pacificação das favelas. Hoje, se notam alguns semblantes tensos e olhares preocupados de pessoas que temem ser assaltadas durante os seus trajetos cotidianos. A tranquilidade que tomou conta das ruas do Rio, durante o último verão, já não é mais a mesma.
Transitar por certos locais da cidade se tornou uma atividade de risco e uma preocupação a mais diante do aumento do número de assaltos a pedestres e de roubos praticados por motoqueiros armados que se aproveitam dos engarrafamentos de trânsito para quebrar o vidro dos automóveis e roubar seus motoristas. Outro exemplo lamentável ocorreu nas imediações da Central do Brasil e da Praça da República, onde bandos de jovens usuários de crack e cheiradores de cola praticavam assaltos e ameaçavam transeuntes. Não há como ser tolerante em situações como essas, que, a qualquer descuido, poderão colocar por terra toda a esperança de pacificação da cidade. E, não se iludam, caso esse retrocesso aconteça, dificilmente se conseguirá recuperar o padrão de urbanidade que começou a se consolidar junto à população.
Para que essa fatalidade não venha a ocorrer é indispensável que o poder público intensifique a sua presença nas ruas, através da guarda municipal e do policiamento ostensivo. Em relação às favelas é fundamental priorizar, além da política de segurança, um projeto inovador de educação ampliada e diversificada que possa contribuir para que as camadas mais pobres da população tenham acesso aos programas de desenvolvimento econômico e de expressão cultural. Numa sociedade como a nossa, marcada por fortes contrastes sociais, é fundamental elevar a autoestima dos jovens para que eles possam, de bom grado, optar por um trabalho digno em vez de debandar para o meio da criminalidade. Nesse aspecto, a atividade formal desempenha um papel relevante ao oferecer melhores condições para dignificar o trabalhador e, consequentemente, o próprio ser humano.
Portanto, se não houver investimentos maciços na urbanização das favelas, na melhoria das condições da habitação, na geração de empregos e na criação de programas específicos de educação e de trabalho, não haverá segurança pública que seja capaz de sustentar, por muito tempo, a pacificação dessas comunidades e, por extensão, da própria cidade. Se pacificar as favelas contribui para a elevação da qualidade de vida dos seus moradores, por outro lado, não há como fechar os olhos para as precárias condições de habitabilidade que existem nessas comunidades. Neste momento em que toda a população do Rio se vê envolvida no fortalecimento da imagem da cidade é fundamental que essas metas sejam, de fato, realizadas e que novos avanços sejam propostos para que se alcance a urbanidade desejada no menor espaço de tempo possível.
De volta aos holofotes - VERA MAGALHÃES - PAINEL
FOLHA DE SP - 21/04/12
Nova investigação da Polícia Federal envolve o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, personagem de proa do mensalão. Na denúncia da Operação Lee Oswald, deflagrada no Espírito Santo, o empresário investigado Jurandy Nogueira Júnior pede ajuda a Delúbio para expandir negócios que tinha em Presidente Kennedy (ES) para outros municípios do Estado e de Goiás.
Em 28 de janeiro, a secretária de Delúbio liga e marca encontro com Jurandy no restaurante 14 Bis, no Rio de Janeiro. O empresário relatou ter obtido nessa conversa promessa de ajuda de Delúbio para negociar projetos de implantação de lousa digital driblando licitações.
Elo A ponte entre Delúbio e o empresário investigado é o deputado estadual Mizael Oliveira (PDT-GO), que, segundo a Polícia Federal, atuava para patrocinar os negócios de Jurandy em Goiás.
Missão Na denúncia, Jurandy faz o seguinte relato sobre o que Delúbio teria prometido no almoço, se referindo a Mizael: "É muito difícil, mas vou mexer porque um pedido do meu deputado é praticamente uma ordem".
O que é A Operação Lee Oswald -batizada em alusão ao assassino de John Kennedy, que dá nome à cidade capixaba- investigou fraudes em licitações e prendeu 28 pessoas, entre elas o prefeito de Presidente Kennedy, Reginaldo Quinta (PTB), acusado de desvio de R$ 50 milhões.
Munição Indicado para a CPI do Cachoeira, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) vai requerer ao STF (Supremo Tribunal Federal) acesso à Operação Las Vegas, que deu origem à Monte Carlo. O inquérito contém informações que ainda não vieram à tona sobre Carlinhos Cachoeira e políticos de vários partidos.
Ontem e hoje Miro Teixeira, que compôs em 1992 a CPI que pediu o impeachment do ex-presidente Fernando Collor, terá o atual senador do PTB de Alagoas como colega na nova comissão.
Cabo de guerra O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, foi favorável, em ofício a Ricardo Lewandoski, ao compartilhamento de informações da Monte Carlo com o Senado. O ministro do STF ainda não decidiu se vai repassar o inquérito ao Conselho de Ética da Casa.
Serviço de... Governadores do Nordeste pedirão, em reunião em Aracaju (SE), na segunda-feira, providências urgentes à presidente Dilma Rousseff para combater a seca que se alastra por vários Estados da região.
...meteorologia Eduardo Campos (PSB-PE) dirá a Dilma que o semiárido perdeu todas as culturas. Levará previsão de que o fenômeno El Niño atingirá o Nordeste em 2013. Os Estados querem que o governo amplie o Bolsa Família para que não seja necessário recorrer à prática de distribuir cestas básicas.
Cenário Ameaçado de ser varrido do mapa nas eleições, o DEM reunirá a bancada federal na segunda-feira, em Salvador (BA), para contabilizar seus candidatos e traçar um mapa de alianças nas eleições municipais.
Visitas à Folha Aldo Rebelo, ministro do Esporte, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava com Luis Antonio Paulino, chefe da assessoria, e Fernando Guedes, assessor.
Renato Henry Sant'Anna, presidente da Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), visitou ontem a Folha. Estava com Flávio Landi, da Comissão Legislativa da entidade, e Jô Ristow, assessora.
com SILVIO NAVARRO e ANDRÉIA SADI
tiroteio
"Essa transmissão ao vivo de guerra de vaidades é boa para quem está no UFC. É muito ruim quando ministro do Supremo Tribunal Federal rasga a toga em público."
DO PRESIDENTE DO PTB, ROBERTO JEFFERSON (RJ), sobre a recente troca de farpas entre os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) Cezar Peluso e Joaquim Barbosa antes da votação do processo do mensalão.
contraponto
Santo de casa
Após a posse no STF (Supremo Tribunal Federal) anteontem, o novo presidente da Corte, ministro Carlos Ayres Britto, recebia um a um os cumprimentos de convidados e familiares. Na fila para chegar ao ministro, foram muitos os comentários sobre o discurso dedicado à mulher dele, pontuado por elogios.
Uma autoridade não resistiu:
-Tomara que minha mulher não tenha visto a posse pela TV. Ela vai pensar: 'Isso que é homem de verdade, não o que tenho lá em casa!'
Por que os impostos não bastam - EDITORIAL 0 ESTADÃO
O Estado de S.Paulo - 21/04/12
A situação fiscal brasileira é bem melhor que a da maior parte dos países desenvolvidos, mas bem pior que a da maioria dos emergentes, segundo números divulgados pelo FMI. Para cobrir suas necessidades de financiamento - dívida vencida e déficit orçamentário -, o governo brasileiro precisará do equivalente a 18,5% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e 18% no próximo. A maior parte do problema decorre do pesado endividamento acumulado ao longo de muitos anos, mas o resultado corrente da execução orçamentária também é muito menos brilhante que o de vários outros países. A disciplina fiscal tem sido insuficiente para permitir uma estabilização duradoura das contas públicas e para livrá-las do peso de juros excessivos.
O Brasil aparece em terceiro lugar, pela magnitude do financiamento necessário, numa lista de 23 emergentes. Só é superado pelo Paquistão, um país com forte instabilidade política e graves problemas de segurança, e pela Hungria, um dos membros da União Europeia mais afetados pela crise global dos últimos anos. Em 2012, o governo precisará de dinheiro para financiar um déficit fiscal de 2,3% do PIB e uma dívida equivalente a 16,2%. Para 2013 estão previstos um déficit de 2,4% e vencimentos correspondentes a 15,7% do PIB.
Neste ano, as necessidades de cobertura correspondem a pouco menos que o dobro da média ponderada dos 23 países - 9,5% do PIB. Países sul-americanos estão entre aqueles em melhor situação, nesse conjunto. O campeão da saúde fiscal é o Chile, com déficit orçamentário de 0,3% e compromissos a liquidar de 1% do PIB. As previsões para o Peru indicam um superávit fiscal de 1,1% e dívida a pagar de 2,5% do PIB. A Colômbia também aparece em posição confortável, com uma necessidade total de cobertura de 3,9%. Esses três países têm obtido uma invejável combinação de estabilidade fiscal, inflação controlada e crescimento firme dos negócios.
No Chile, a solidez dos fundamentos macroeconômicos tem facilitado o crescimento e a modernização do país por mais de duas décadas. O governo chileno adotou há muitos anos uma gestão fiscal baseada num princípio simples, mas muito saudável: economizar nos anos de prosperidade, quando a receita de impostos se eleva, e gastar nos anos difíceis o suficiente para estimular a economia.
A fidelidade a essa política permitiu também a criação de um fundo soberano de investimentos, usado como importante alavanca do crescimento econômico. Muito diferente é o fundo soberano instituído pelo governo brasileiro, formado com a emissão de títulos públicos, isto é, com endividamento. Fundos desse tipo são normalmente alimentados, na origem, com um excedente fiscal - inexistente no Brasil - ou com recursos provenientes de um superávit externo.
Entre os vários países com necessidades de financiamento público menores que as do Brasil há alguns com déficits fiscais proporcionalmente maiores, como Índia, Polônia, Malásia e África do Sul, mas em todos esses casos o peso da dívida pública é muito menor. O governo da Malásia, por exemplo, deve ter neste ano um déficit fiscal de 4,3% do PIB, mas a despesa com a dívida prevista para o ano é de apenas 3,3%. A necessidade total de cobertura (7,6%) é menos da metade daquela projetada para o caso brasileiro.
A dívida pública brasileira é uma velha herança. Aumentou consideravelmente nos anos 80, quando os juros internacionais subiram muito. Mais de 40 países foram arrastados pela crise da dívida, a partir de 1982. Mas seus governos foram capazes de reorganizar as contas públicas e de reduzir o peso da dívida. O Brasil continuou prisioneiro do endividamento inflado naquele período e, além disso, permitiu o aumento de seu peso nos anos seguintes.
No entanto, a carga tributária brasileira é maior que a de todos ou quase todos os países emergentes e até mais pesada que a de algumas economias avançadas, como os EUA e o Japão. O governo arrecada muito, mas vive num aperto financeiro muito maior que o observado em outros países emergentes. Isso acontece por razões políticas e tem forte relação com a moralidade da gestão pública.
troca de guarda - MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 21/04/12
O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) deve anunciar em breve mudanças na Fundação Seade, vinculada à Secretaria Estadual de Planejamento e centro de referência nacional em pesquisas e estatísticas socioeconômicas e demográficas. A diretora-executiva Felícia Madeira, há nove anos no cargo, deixará o comando da instituição.
TROCA 2
Em seu lugar deverá assumir a socióloga Maria Helena Guimarães de Castro, ex-secretária da Educação de SP na gestão de José Serra. Maria Helena figura em primeiro lugar na lista tríplice que o conselho do Seade enviou ao governador.
DEIXA DISSO
O ministro Joaquim Barbosa avisou com antecedência o novo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Carlos Ayres Britto, que daria uma resposta "dura" ao colega Cezar Peluso, que o chamou de "inseguro" e fez referências a sua cor numa entrevista ao site Consultor Jurídico. Britto tentou demovê-lo da ideia. Em vão.
ARSENAL
Em entrevista ao jornal "O Globo", publicada ontem, Joaquim Barbosa chamou Peluso de "ridículo", "brega", "caipira", "corporativo", "desleal", "tirano" e "pequeno". Disse ainda que o ex-presidente manipulava resultados no Supremo e comparou suas declarações às de "racistas" que "tomam liberdades".
HUMOR
Peluzo, que antes da entrevista de Barbosa tentou pedir desculpas a ele, procurou outros ministros para explicar declarações que deu na entrevista ao Consultor Jurídico.
Gilmar Mendes reagiu com bom humor às referências feitas a ele: "Não se preocupe. Não tenho sensibilidade de mulher feia".
SEMEANDO
Gabriel Chalita (PMDB-SP) estreita laços com evangélicos. Ex-seminarista, o pré-candidato à prefeitura almoçou com lideranças como o bispo Rodovalho, da igreja Sara Nossa Terra.
MEU QUERIDO PÉ
Uma cadeira caiu no pé do padre Marcelo Rossi, em uma missa, na noite de quinta. Com medo de ter rompido um ligamento ou quebrado o metatarso, ele foi para o hospital na manhã de ontem, mas exames descartaram qualquer problema. O sacerdote apresentou seu programa de rádio sob efeito de sedativos, falando de forma extremamente pausada.
COTAÇÃO
O marchand Paulo Kuczynski vendeu a pintura "A Mulher do Caminhão", de Di Cavalcanti, antes mesmo de abrir a mostra onde ela estará exposta. A obra pertencia à coleção do joalheiro Lucien Finkelstein, parceiro do artista. "Di - Alguns Inesquecíveis" abre hoje para convidados no Escritório de Arte.
FESTA DOIS EM UM
O cantor Rogério Flausino vai aproveitar a festa de lançamento do novo DVD do Jota Quest, "Folia & Caos", na terça, no Beco 203, em São Paulo, para comemorar seu aniversário. O evento terá um show especial da banda, com participações de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá.
PROJEÇÃO
A cantora Maria Rita, o publicitário Pedro Tourinho e os cineastas Johnny Araújo e Sophia Tess foram anteontem ao festival de cinema ao ar livre Vivo Open Air. O evento, no Jockey Club de São Paulo, teve show de Moraes Moreira e Davi Moraes.
curto-circuito
A missa de sétimo dia da atriz Marly Bueno, pioneira da TV, será realizada hoje, às 8h30, no Santuário Nossa Senhora do Rosário de Fátima, na avenida Dr. Arnaldo, nº 1.831, no Sumaré.
Serpui Marie faz coquetel de abertura de sua loja nos Jardins, na terça-feira. Das 18h às 21h, na alameda Jaú.
Guilherme Coelho comemora hoje aniversário com jantar nordestino, a partir das 21h30, no Leopolldo dos Jardins.
A exposição "A Dimensão do Afeto", com obras de Fernando Araújo, terá vernissage na segunda-feira, a partir das 19h, no Espaço Cultural Citi, na avenida Paulista.
com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY
O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) deve anunciar em breve mudanças na Fundação Seade, vinculada à Secretaria Estadual de Planejamento e centro de referência nacional em pesquisas e estatísticas socioeconômicas e demográficas. A diretora-executiva Felícia Madeira, há nove anos no cargo, deixará o comando da instituição.
TROCA 2
Em seu lugar deverá assumir a socióloga Maria Helena Guimarães de Castro, ex-secretária da Educação de SP na gestão de José Serra. Maria Helena figura em primeiro lugar na lista tríplice que o conselho do Seade enviou ao governador.
DEIXA DISSO
O ministro Joaquim Barbosa avisou com antecedência o novo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Carlos Ayres Britto, que daria uma resposta "dura" ao colega Cezar Peluso, que o chamou de "inseguro" e fez referências a sua cor numa entrevista ao site Consultor Jurídico. Britto tentou demovê-lo da ideia. Em vão.
ARSENAL
Em entrevista ao jornal "O Globo", publicada ontem, Joaquim Barbosa chamou Peluso de "ridículo", "brega", "caipira", "corporativo", "desleal", "tirano" e "pequeno". Disse ainda que o ex-presidente manipulava resultados no Supremo e comparou suas declarações às de "racistas" que "tomam liberdades".
HUMOR
Peluzo, que antes da entrevista de Barbosa tentou pedir desculpas a ele, procurou outros ministros para explicar declarações que deu na entrevista ao Consultor Jurídico.
Gilmar Mendes reagiu com bom humor às referências feitas a ele: "Não se preocupe. Não tenho sensibilidade de mulher feia".
SEMEANDO
Gabriel Chalita (PMDB-SP) estreita laços com evangélicos. Ex-seminarista, o pré-candidato à prefeitura almoçou com lideranças como o bispo Rodovalho, da igreja Sara Nossa Terra.
MEU QUERIDO PÉ
Uma cadeira caiu no pé do padre Marcelo Rossi, em uma missa, na noite de quinta. Com medo de ter rompido um ligamento ou quebrado o metatarso, ele foi para o hospital na manhã de ontem, mas exames descartaram qualquer problema. O sacerdote apresentou seu programa de rádio sob efeito de sedativos, falando de forma extremamente pausada.
COTAÇÃO
O marchand Paulo Kuczynski vendeu a pintura "A Mulher do Caminhão", de Di Cavalcanti, antes mesmo de abrir a mostra onde ela estará exposta. A obra pertencia à coleção do joalheiro Lucien Finkelstein, parceiro do artista. "Di - Alguns Inesquecíveis" abre hoje para convidados no Escritório de Arte.
FESTA DOIS EM UM
O cantor Rogério Flausino vai aproveitar a festa de lançamento do novo DVD do Jota Quest, "Folia & Caos", na terça, no Beco 203, em São Paulo, para comemorar seu aniversário. O evento terá um show especial da banda, com participações de Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá.
PROJEÇÃO
A cantora Maria Rita, o publicitário Pedro Tourinho e os cineastas Johnny Araújo e Sophia Tess foram anteontem ao festival de cinema ao ar livre Vivo Open Air. O evento, no Jockey Club de São Paulo, teve show de Moraes Moreira e Davi Moraes.
curto-circuito
A missa de sétimo dia da atriz Marly Bueno, pioneira da TV, será realizada hoje, às 8h30, no Santuário Nossa Senhora do Rosário de Fátima, na avenida Dr. Arnaldo, nº 1.831, no Sumaré.
Serpui Marie faz coquetel de abertura de sua loja nos Jardins, na terça-feira. Das 18h às 21h, na alameda Jaú.
Guilherme Coelho comemora hoje aniversário com jantar nordestino, a partir das 21h30, no Leopolldo dos Jardins.
A exposição "A Dimensão do Afeto", com obras de Fernando Araújo, terá vernissage na segunda-feira, a partir das 19h, no Espaço Cultural Citi, na avenida Paulista.
com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY
Intolerância religiosa - DRAUZIO VARELLA
FOLHA DE SP - 21/04/12
O fervor religioso é uma arma assustadora, disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso
SOU ATEU e mereço o mesmo respeito que tenho pelos religiosos.
A humanidade inteira segue uma religião ou crê em algum ser ou fenômeno transcendental que dê sentido à existência. Os que não sentem necessidade de teorias para explicar a que viemos e para onde iremos são tão poucos que parecem extraterrestres.
Dono de um cérebro com capacidade de processamento de dados incomparável na escala animal, ao que tudo indica só o homem faz conjecturas sobre o destino depois da morte. A possibilidade de que a última batida do coração decrete o fim do espetáculo é aterradora. Do medo e do inconformismo gerado por ela, nasce a tendência a acreditar que somos eternos, caso único entre os seres vivos.
Todos os povos que deixaram registros manifestaram a crença de que sobreviveriam à decomposição de seus corpos. Para atender esse desejo, o imaginário humano criou uma infinidade de deuses e paraísos celestiais. Jamais faltaram, entretanto, mulheres e homens avessos a interferências mágicas em assuntos terrenos. Perseguidos e assassinados no passado, para eles a vida eterna não faz sentido.
Não se trata de opção ideológica: o ateu não acredita simplesmente porque não consegue. O mesmo mecanismo intelectual que leva alguém a crer leva outro a desacreditar.
Os religiosos que têm dificuldade para entender como alguém pode discordar de sua cosmovisão devem pensar que eles também são ateus quando confrontados com crenças alheias.
Que sentido tem para um protestante a reverência que o hindu faz diante da estátua de uma vaca dourada? Ou a oração do muçulmano voltado para Meca? Ou o espírita que afirma ser a reencarnação de Alexandre, o Grande? Para hindus, muçulmanos e espíritas esse cristão não seria ateu?
Na realidade, a religião do próximo não passa de um amontoado de falsidades e superstições. Não é o que pensa o evangélico na encruzilhada quando vê as velas e o galo preto? Ou o judeu quando encontra um católico ajoelhado aos pés da virgem imaculada que teria dado à luz ao filho do Senhor? Ou o politeísta ao ouvir que não há milhares, mas um único Deus?
Quantas tragédias foram desencadeadas pela intolerância dos que não admitem princípios religiosos diferentes dos seus? Quantos acusados de hereges ou infiéis perderam a vida?
O ateu desperta a ira dos fanáticos, porque aceitá-lo como ser pensante obriga-os a questionar suas próprias convicções. Não é outra a razão que os fez apropriar-se indevidamente das melhores qualidades humanas e atribuir as demais às tentações do Diabo. Generosidade, solidariedade, compaixão e amor ao próximo constituem reserva de mercado dos tementes a Deus, embora em nome Dele sejam cometidas as piores atrocidades.
Os pastores milagreiros da TV que tomam dinheiro dos pobres são tolerados porque o fazem em nome de Cristo. O menino que explode com a bomba no supermercado desperta admiração entre seus pares porque obedeceria aos desígnios do Profeta. Fossem ateus, seriam considerados mensageiros de Satanás.
Ajudamos um estranho caído na rua, damos gorjetas em restaurantes aos quais nunca voltaremos e fazemos doações para crianças desconhecidas, não para agradar a Deus, mas porque cooperação mútua e altruísmo recíproco fazem parte do repertório comportamental não apenas do homem, mas de gorilas, hienas, leoas, formigas e muitos outros, como demonstraram os etologistas.
O fervor religioso é uma arma assustadora, sempre disposta a disparar contra os que pensam de modo diverso. Em vez de unir, ele divide a sociedade -quando não semeia o ódio que leva às perseguições e aos massacres.
Para o crente, os ateus são desprezíveis, desprovidos de princípios morais, materialistas, incapazes de um gesto de compaixão, preconceito que explica por que tantos fingem crer no que julgam absurdo.
Fui educado para respeitar as crenças de todos, por mais bizarras que a mim pareçam. Se a religião ajuda uma pessoa a enfrentar suas contradições existenciais, seja bem-vinda, desde que não a torne intolerante, autoritária ou violenta.
Quanto aos religiosos, leitor, não os considero iluminados nem crédulos, superiores ou inferiores, os anos me ensinaram a julgar os homens por suas ações, não pelas convicções que apregoam.
O não é o que parece - CELSO MING
O ESTADÃO - 21/04/12
O governo federal já não acredita em que os juros altos no Brasil sejam os principais fatores de atração de capitais e de valorização do real, responsáveis, por sua vez, pela perdade competitividade do setor produtivo.
A presidente Dilma, por exemplo, insiste em que o principal fator é o tsunami monetário provocado pelos grandes bancos centrais ao emitir volumes colossais de moeda, situação de farta liquidez que acaba desembarcando por aqui.O ministro da Fazenda, Guido Mantega, se refere ao fenômeno com outro termo: guerra cambial.
E agora, o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, acaba de reconhecer que as tão denunciadas operações de arbitragem com juros, cujo objetivo é tirar proveito dos juros mais altos pagos no Brasil, são só fatores subsidiários nesse processo - como apontou ontem matéria de Claudia Safatle,no jornal Valor Econômico.
Não está ao alcance do governo brasileiro impedir emissões de moeda dos grandes bancos centrais, essenciais para estancar os efeitos da crise global. As reclamações da presidente Dilma e do ministro Mantega não passam de esperneio.
Seria,por sua vez, tiro no pé tentar bloquear a entrada de capitais quando o País precisa atrair poupança externa para ajudar a cobrir o rombo crescente nas contas externas. E há mais do que simples dúvidas de que a atuação do Banco Central na compra de moeda estrangeira esteja atingindo o objetivo pretendido. Ao contrário, há razões para crerem que esteja acirrando o efeito oposto.
O Banco Central abandonou seu compromisso anterior de comprar moeda estrangeira só para evitar excessiva volatilidade (comprar apenas "sobras"). Passou a atuar para provocar um rali nas cotações do dólar no câmbio interno. Somente nos 16 dias úteis de abril (até ontem),a alta do dólar foi de 2,5%. Com isso, as reservas externas saltaram de US$ 352 bilhões, ao final de dezembro, para US$ 371 bilhões, até dia 19 - crescimento de 5,4%.
Paradoxalmente, o aumento da agressividade do Banco Central na compra de dólares,com o objetivo de provocar desvalorização do real- e não mais de impedir a volatilidade das cotações -, tende a atrair mais capitais,à medida que acentua a percepção de solidez da economia. Trata-se de uma operação enxuga gelo, com aumento do gelo a ser enxugado. Em certo aspecto, isso também passou a ser reconhecido pelo secretário Nelson Barbosa.
Enfim, as providências tomadas pelo governo nos últimos 12 meses para devolver competitividade à indústria esbarram em enormes limitações e mesmo em gols contra, como a produzida pela exuberância das reservas externas. Dirigentes da indústria,grande beneficiária dos favores oficiais, reclamam do seu baixo alcance prático, de sua transitoriedade e de sua extensão a apenas um punhado de eleitos.
O fortalecimento da indústria brasileira em pleno processo de esvaziamento depende da intensificação de dois fatores: das reformas destinadas a baixar os custos de produção e demais investimentos em infraestrutura.E ambos dependendo forte aumento da poupança interna.
Na prática, o fortalecimento do setor produtivo exige guinada importante no modelo de política econômica, que hoje privilegia o consumo e não o investimento.
O governo federal já não acredita em que os juros altos no Brasil sejam os principais fatores de atração de capitais e de valorização do real, responsáveis, por sua vez, pela perdade competitividade do setor produtivo.
A presidente Dilma, por exemplo, insiste em que o principal fator é o tsunami monetário provocado pelos grandes bancos centrais ao emitir volumes colossais de moeda, situação de farta liquidez que acaba desembarcando por aqui.O ministro da Fazenda, Guido Mantega, se refere ao fenômeno com outro termo: guerra cambial.
E agora, o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, acaba de reconhecer que as tão denunciadas operações de arbitragem com juros, cujo objetivo é tirar proveito dos juros mais altos pagos no Brasil, são só fatores subsidiários nesse processo - como apontou ontem matéria de Claudia Safatle,no jornal Valor Econômico.
Não está ao alcance do governo brasileiro impedir emissões de moeda dos grandes bancos centrais, essenciais para estancar os efeitos da crise global. As reclamações da presidente Dilma e do ministro Mantega não passam de esperneio.
Seria,por sua vez, tiro no pé tentar bloquear a entrada de capitais quando o País precisa atrair poupança externa para ajudar a cobrir o rombo crescente nas contas externas. E há mais do que simples dúvidas de que a atuação do Banco Central na compra de moeda estrangeira esteja atingindo o objetivo pretendido. Ao contrário, há razões para crerem que esteja acirrando o efeito oposto.
O Banco Central abandonou seu compromisso anterior de comprar moeda estrangeira só para evitar excessiva volatilidade (comprar apenas "sobras"). Passou a atuar para provocar um rali nas cotações do dólar no câmbio interno. Somente nos 16 dias úteis de abril (até ontem),a alta do dólar foi de 2,5%. Com isso, as reservas externas saltaram de US$ 352 bilhões, ao final de dezembro, para US$ 371 bilhões, até dia 19 - crescimento de 5,4%.
Paradoxalmente, o aumento da agressividade do Banco Central na compra de dólares,com o objetivo de provocar desvalorização do real- e não mais de impedir a volatilidade das cotações -, tende a atrair mais capitais,à medida que acentua a percepção de solidez da economia. Trata-se de uma operação enxuga gelo, com aumento do gelo a ser enxugado. Em certo aspecto, isso também passou a ser reconhecido pelo secretário Nelson Barbosa.
Enfim, as providências tomadas pelo governo nos últimos 12 meses para devolver competitividade à indústria esbarram em enormes limitações e mesmo em gols contra, como a produzida pela exuberância das reservas externas. Dirigentes da indústria,grande beneficiária dos favores oficiais, reclamam do seu baixo alcance prático, de sua transitoriedade e de sua extensão a apenas um punhado de eleitos.
O fortalecimento da indústria brasileira em pleno processo de esvaziamento depende da intensificação de dois fatores: das reformas destinadas a baixar os custos de produção e demais investimentos em infraestrutura.E ambos dependendo forte aumento da poupança interna.
Na prática, o fortalecimento do setor produtivo exige guinada importante no modelo de política econômica, que hoje privilegia o consumo e não o investimento.
Privatização x parceria - ROBERTO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 21/04/12
Com parcerias, as empresas de pesquisa ganham capacidade para competir com as empresas privadas
Nas últimas semanas, algumas matérias sobre a Embrapa foram veiculadas pela mídia, colocando em discussão a modernização de nossa grande e respeitada instituição de pesquisa, e tratando de um projeto de lei do Senado para a abertura do capital da empresa, a exemplo da Petrobras e do Banco do Brasil.
Também veio à baila a questão da pesquisa pública x pesquisa privada: qual das duas é mais eficiente? Vamos por partes.
Em primeiro lugar, BB e Petrobras são empresas que devem ter lucro: seus acionistas precisam ser remunerados por investirem nelas.
Uma empresa privada de pesquisa pode ter o mesmo desiderato, o que está certo. No entanto, é possível que, em razão disso, a pesquisa da empresa privada privilegie os cultivos mais importantes para o mercado. Faz todo o sentido colocar atenção em produtos como a soja, o milho e o algodão, cuja força mercadológica é grande, e nem tanto em produtos sem expressão comercial. É claro que o país todo lucrará com ganhos de produtividade nas grandes culturas, uma vez que estas ficam mais competitivas, avançam sobre mercados externos, geram emprego, renda, riqueza e excedentes exportáveis
Tudo isso é desejável, mas a empresa pública de pesquisa tem outros objetivos. Entre eles, a conservação da biodiversidade, de bancos de germoplasma, a avaliação do potencial de recursos genéticos, estudos sobre pragas e doenças ainda não existentes no país e que podem vir a ocorrer etc.
A pesquisa pública trata de temas de longo prazo, serve para aumentar o estoque do conhecimento, o que ajuda a aprimorar teorias e parâmetros científicos no país. Não há preocupação de lucro com a pesquisa, mas sim lucro para seus usuários. Com isso, quando o risco de fracasso é alto, só a pesquisa pública pode investir.
Portanto, é fundamental que existam empresas públicas na área da pesquisa agrícola. O que seria do agro brasileiro sem o Instituto Agronômico de Campinas, o Biológico, o Pesca, o Florestal, o Instituto de Zootecnia, as universidades e a Embrapa? Afinal, nem café, cana, laranja, soja, milho, algodão, boi, suíno ou frango são nativos. Vieram de fora e foram aqui aclimatados por nossos órgãos de pesquisa.
Em segundo lugar, há um tema muito complexo: em geral, as empresas de tecnologia agrícola estão ligadas a companhias que vendem outros insumos, como fertilizantes, defensivos, máquinas e que também oferecem crédito ao produtor. Com isso, a semente desenvolvida pela pesquisa privada faz parte de um pacote tecnológico e o produtor, de certa forma, compra tudo junto. E muitas vezes já contrata a venda da sua produção à mesma empresa ou a parceiras dela.
E isso a empresa pública não pode fazer: o papel dela é produzir a tecnologia que gera a semente. E, por conseguinte, ela perde mercado de sementes porque não tem o pacote todo.
E ainda há outro problema: a empresa pública é muito mais burocratizada. Se quebra uma colhedeira na hora de colher um experimento, por exemplo, o mesmo pode ser perdido.
Mas nada disso justificaria plenamente a privatização da Embrapa, do IAC ou do Biológico.
O que é necessário, isso sim, é flexibilizar sua gestão, agilizar as ações e, naturalmente, melhorar seus orçamentos, uma vez que todos têm excelentes recursos humanos treinados e capazes, além de boas estruturas.
E um dos melhores caminhos para isso é a parceria.
No caso da Embrapa, uma parceria perfeita seria com o cooperativismo. As cooperativas entregam o pacote tecnológico e compram, processam e comercializam a produção dos cooperados.
Com um mecanismo desses, a Embrapa -ou o IAC- ganha capacidade de competir com as empresas privadas, aliás, muito necessárias para o agro brasileiro.
Há, por fim, outra alternativa: são as Empresas de Propósito Específico (EPEs), previstas pela Lei de Inovação Tecnológica, mas, para que funcionem, é preciso aperfeiçoar a lei. Em suma: privatizações, não; parcerias, sim.
-
Baixar "spreads" exige medidas sustentáveis - GUSTAVO LOYOLA
O ESTADÃO - 21/04/12
Está em pleno vapor uma espécie de cruzada do governo para aumentar o crédito na economia. Quer baixar a qualquer custo o spread bancário e induzir o sistema bancário a elevar a oferta de crédito para estimular a economia. O objetivo em si não está errado e deve ser perseguido, mas o caminho aparentemente escolhido pode vir a ser desastroso e contraproducente.
Inicialmente, é necessário considerar que o crescimento da oferta de crédito deve ocorrer sempre de maneira sustentada e sem aumento dos riscos sistêmicos. A recente crise do subprime nos EUA e os problemas fiscais na zona do euro são evidências claríssimas dos riscos do excesso de alavancagem e da imprudência na concessão de crédito pelos bancos. Medidas do governo para forçar os bancos - públicos ou privados - a emprestarem mais com taxas artificialmente baixas podem levar à formação de bolhas no mercado de crédito com consequências imprevisíveis para a estabilidade financeira sistêmica.
Assim, a cruzada do governo só faz sentido se baseada em agenda tecnicamente sólida e com respaldo na atuação do Banco Central (BC) como responsável último pela supervisão financeira no Brasil. Os motivos por que as margens financeiras são elevadas no País são sobejamente conhecidos, principalmente a partir de estudos conduzidos pelo próprio BC ao longo dos últimos anos. Tais estudos permitem o estabelecimento de agenda de medidas com o intuito de reduzir os spreads e aumentar a eficiência da intermediação financeira.
Mas a recente determinação do governo aos bancos públicos para baixarem as taxas cobradas em suas operações de crédito indica a preferência por um caminho alternativo para mais rapidamente alcançar o objetivo de diminuir os spreads, através da provocação de uma "guerra de preços" no mercado bancário. A estratégia, embora eventualmente benéfica para os clientes e a atividade econômica no curto prazo, traz riscos evidentes sob o ponto de vista da estabilidade financeira sistêmica e, no caso dos bancos públicos, também riscos fiscais que não devem ser negligenciados.
Uma alternativa melhor seria, a partir dos insuspeitos trabalhos do BC sobre a composição do spread bancário, retomar a agenda de ações para lidar com as causas que estão na raiz do problema. Como se sabe, segundo estudo do BC publicado em 2010 e disponível em seu site, em torno de 29% do spread se deve à inadimplência dos tomadores de crédito; 22%, aos impostos; 12,5% correspondem aos custos administrativos; cerca de 4%, à soma dos efeitos dos compulsórios, dos subsídios cruzados e do recolhimento ao FGC. O restante, aproximadamente 32,5% do spread, é atribuído à "margem líquida, erros e omissões".
Tal decomposição sugere a existência de múltiplos fatores a serem enfrentados na busca por menores spreads. Uma mera observação a olho nu já basta para constatar que parcela relevante do spread está ligada, direta ou indiretamente, às políticas públicas, sejam tributárias, regulatórias ou de outra natureza. Parece, pois, difícil avançar na questão dos spreads, sem que tais políticas sejam, no mínimo, reavaliadas, obviamente não perdendo de vista os legítimos objetivos de cada uma delas. Da mesma forma, baratear o crédito no Brasil necessariamente passa pela redução da inadimplência, que hoje consome quase 1/3 do spread. Não há como imaginar a queda sustentada da inadimplência sem iniciativas que estão necessariamente no âmbito do governo, embora possa haver contribuições importantes do setor privado para este objetivo.
Por outro lado, o aumento da eficiência do sistema bancário é igualmente relevante para a queda dos spreads, aliás, como acertadamente salienta o BC no estudo de 2010. Isso sugere que "parte da bola", pelo menos, está com os bancos - públicos e privados, que devem se tornar cada vez mais eficientes nas funções de intermediários financeiros.
Em suma, é necessário um permanente diálogo entre o setor bancário e o governo, com vistas à implementação de medidas sustentáveis para redução de spread, objetivo que deve ser atingido sem ameaças à estabilidade financeira.
Está em pleno vapor uma espécie de cruzada do governo para aumentar o crédito na economia. Quer baixar a qualquer custo o spread bancário e induzir o sistema bancário a elevar a oferta de crédito para estimular a economia. O objetivo em si não está errado e deve ser perseguido, mas o caminho aparentemente escolhido pode vir a ser desastroso e contraproducente.
Inicialmente, é necessário considerar que o crescimento da oferta de crédito deve ocorrer sempre de maneira sustentada e sem aumento dos riscos sistêmicos. A recente crise do subprime nos EUA e os problemas fiscais na zona do euro são evidências claríssimas dos riscos do excesso de alavancagem e da imprudência na concessão de crédito pelos bancos. Medidas do governo para forçar os bancos - públicos ou privados - a emprestarem mais com taxas artificialmente baixas podem levar à formação de bolhas no mercado de crédito com consequências imprevisíveis para a estabilidade financeira sistêmica.
Assim, a cruzada do governo só faz sentido se baseada em agenda tecnicamente sólida e com respaldo na atuação do Banco Central (BC) como responsável último pela supervisão financeira no Brasil. Os motivos por que as margens financeiras são elevadas no País são sobejamente conhecidos, principalmente a partir de estudos conduzidos pelo próprio BC ao longo dos últimos anos. Tais estudos permitem o estabelecimento de agenda de medidas com o intuito de reduzir os spreads e aumentar a eficiência da intermediação financeira.
Mas a recente determinação do governo aos bancos públicos para baixarem as taxas cobradas em suas operações de crédito indica a preferência por um caminho alternativo para mais rapidamente alcançar o objetivo de diminuir os spreads, através da provocação de uma "guerra de preços" no mercado bancário. A estratégia, embora eventualmente benéfica para os clientes e a atividade econômica no curto prazo, traz riscos evidentes sob o ponto de vista da estabilidade financeira sistêmica e, no caso dos bancos públicos, também riscos fiscais que não devem ser negligenciados.
Uma alternativa melhor seria, a partir dos insuspeitos trabalhos do BC sobre a composição do spread bancário, retomar a agenda de ações para lidar com as causas que estão na raiz do problema. Como se sabe, segundo estudo do BC publicado em 2010 e disponível em seu site, em torno de 29% do spread se deve à inadimplência dos tomadores de crédito; 22%, aos impostos; 12,5% correspondem aos custos administrativos; cerca de 4%, à soma dos efeitos dos compulsórios, dos subsídios cruzados e do recolhimento ao FGC. O restante, aproximadamente 32,5% do spread, é atribuído à "margem líquida, erros e omissões".
Tal decomposição sugere a existência de múltiplos fatores a serem enfrentados na busca por menores spreads. Uma mera observação a olho nu já basta para constatar que parcela relevante do spread está ligada, direta ou indiretamente, às políticas públicas, sejam tributárias, regulatórias ou de outra natureza. Parece, pois, difícil avançar na questão dos spreads, sem que tais políticas sejam, no mínimo, reavaliadas, obviamente não perdendo de vista os legítimos objetivos de cada uma delas. Da mesma forma, baratear o crédito no Brasil necessariamente passa pela redução da inadimplência, que hoje consome quase 1/3 do spread. Não há como imaginar a queda sustentada da inadimplência sem iniciativas que estão necessariamente no âmbito do governo, embora possa haver contribuições importantes do setor privado para este objetivo.
Por outro lado, o aumento da eficiência do sistema bancário é igualmente relevante para a queda dos spreads, aliás, como acertadamente salienta o BC no estudo de 2010. Isso sugere que "parte da bola", pelo menos, está com os bancos - públicos e privados, que devem se tornar cada vez mais eficientes nas funções de intermediários financeiros.
Em suma, é necessário um permanente diálogo entre o setor bancário e o governo, com vistas à implementação de medidas sustentáveis para redução de spread, objetivo que deve ser atingido sem ameaças à estabilidade financeira.
O consumidor é o pato - ALEXANDRE BARROS
O ESTADÃO - 21/04/12
Produtores querem sempre ganhar mais nas costas dos consumidores. Até aí, tudo bem. Estamos falando de capitalismo e mercado. Cada um busca seu ganho maior.
Há, entretanto, uma esquina da História na qual se encontram com frequência Adam Smith, Karl Marx e Milton Friedman. Lá eles esquecem suas discordâncias e falam alegremente de um tema a respeito do qual os três concordam enfaticamente: quando homens de negócios se reúnem, mesmo que socialmente, logo eles começam a arquitetar formas de ganhar mais nas costas dos consumidores.
Isso se complica quando participam dessa conspiração os sindicatos, porque, sempre que setores mais organizados se juntam, terão, em princípio, maior capacidade de se articular para extrair mais dos menos organizados, que, dados o seu número e a sua dispersão, são os consumidores. Estratégias mais articuladas de setores organizados tendem a derrotar setores menos organizados.
O alarmante é quando todos fazem isso com a conivência do governo, que é o que vai acontecer agora com os Conselhos de Competitividade. Esses conselhos são a nova fantasia das Câmaras Setoriais.
No tempo das Câmaras Setoriais eu era consultor de um grupo de empresários norte-americanos. Encontrava-me com eles uma vez por mês para discutir políticas governamentais e como defender-se delas. Quando surgiram as Câmaras Setoriais, um desses presidentes, recém-chegado dos Estados Unidos - que, como costumava acontecer com presidentes de muitas empresas, não entendia nada de Brasil -, guiava-se apenas pelas aparência e só havia lido sobre o nosso país um livro chamado Brasil para Principiantes, que se concentrava nas mazelas de Pindorama. E todos os meses esse mesmo presidente reclamava de tudo no País, sobretudo das Câmaras Setoriais. Depois de meses de reclamações, um de seus colegas disse: "Ô Brian, para de reclamar e vê se aprende um pouco mais sobre o Brasil. As Câmaras Setoriais são uma das maiores bênçãos que já tivemos. Nunca ganhamos tanto dinheiro! Você já pensou em se reunir com os seus competidores e com os sindicatos e estabelecer os preços mais lucrativos para sua empresa cobrar e os melhores salários para os sindicatos?"
O Brian, perplexo, reagiu: "Mas eu não poderia fazer isso. Eu iria para a cadeia. Isso é crime de price fixing!".
"Então, Brian", ponderou o colega, "abandone um pouco os seus preconceitos e pense que isso, no Brasil, não é crime. Aqui você pode conspirar contra os consumidores com a anuência, a concordância e, mais, com a participação do governo. Caia na real, Brian". Desse dia em diante ele nunca mais reclamou do Brasil.
Agora teremos a reedição dessas mesmas políticas, só que com nova fantasia, Desta vez a fantasia é a de Conselhos de Competitividade, mas a essência é exatamente a mesma: empresários de setores escolhidos porque fizeram um lobby mais eficiente se reunirão com sindicatos idem e com representantes do governo para garantirem os melhores lucros para aquelas, os melhores salários para estes e impostos maiores para o governo. Trocado em miúdos, você, leitor-consumidor, pagará o pato.
Essa é a solução mais fácil porque não entra na essência do problema. A culpa será jogada em cima dos chineses - o preconceito é sempre mais facilmente exercido em relação a quem tem alguma característica diferente, como uma cor de pele diferente, olhos puxados ou falar uma língua enrolada que ninguém entende. Com isso teremos, na realidade, mais protecionismo, que é a maneira mais eficiente que os empresários ineficientes encontraram de "nos proteger" (a nós, consumidores) contra preços mais baixos.
Num jantar na Casa Branca pouco antes da morte de Steve Jobs, presidente da Apple (ele compareceu), em determinado momento o anfitrião, o presidente Barack Obama, disse aos convidados: "Nós precisamos trazer de volta alguns desses empregos que migraram para a Ásia". E Jobs respondeu: "Esses empregos não voltarão aos Estados Unidos, sr. presidente".
Sempre que aparecem novos competidores nos mercados se escolhe um novo vilão. Agora são os chineses, cujos brinquedos são acusados de intoxicar as crianças com suas tintas, além de seus eletrônicos serem taxados de ordinários.
Mas esse filme é reprise. Fui fotógrafo amador aficionado nos tempos da fotografia de filme e me lembro bem de quando apareceram no mercado umas câmeras com marcas esquisitas. Dizia-se que eram todas feitas de plástico e não prestavam para nada. Coisas como Nikon, Canon, todas feitas no Japão, o vilão de então. Fotógrafos tradicionais ficavam sempre com os dois pés atrás, acostumados que estavam com marcas tradicionais, do tipo Leica, Voigtländer, Rolleiflex e outros nomes germânicos.
O mundo deu várias voltas, as marcas japonesas ainda são as melhores. Mas passaram a ser produzida em Cingapura, na Coreia do Sul, e agora estão globalizadas: cada parte é produzida onde custe mais barato.
Enquanto o governo, os empresários e os sindicatos não entenderem que o segredo de ser competitivo é ser criativo e conseguir produzir melhores bens a custos mais baixos, em vez de erguer muralhas tarifárias e não tarifárias para produtos estrangeiros melhores, mais eficientes e mais baratos, continuaremos a correr na esteira: conseguimos cansar-nos, mas não saímos do lugar.
Enquanto isso, os consumidores brasileiros estarão pagando mais caro, as indústrias ineficientes seguirão sendo assim e o Estado acreditará que poderá seguir cobrando impostos excessivamente elevados. Ao consumidor restará pagar o pato.
No ensaio da peça dos Brics temos cinco atores em busca de um papel. Os chineses já sabem qual será o deles e tudo indica que estão se saindo muito bem. Vamos ver quanto tempo os outros quatro atores vão aprender a desempenhar bem os seus.
CLAUDIO HUMBERTO
“Essa autofagia acaba enfraquecendo a instituição”
Ministro Marco Aurélio sobre a briga dos colegas Cezar Peluso e Joaquim Barbosa
GRUPO QUER EVITAR O GOVERNO ‘TRATORANDO’ A CPI
Parlamentares dissidentes e de oposição se articulam para evitar que a tropa de choque do PT e do governo “tratorem” ou “patrolem” a CPI do Cachoeira. Eles planejam agir com Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União e Receita Federal para trazer à tona detalhes que não constam no inquérito da Polícia Federal. Integram o grupo Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Taques (PDT-MT), senadores, e os deputados Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) e Miro Teixeira (PDT-RJ).
ESTRATÉGIAS
O grupo “independente” se reunirá no início a semana, já para traçar as primeiras estratégias de atuação na CPI de Cachoeira.
SOBRE PAU E PEDRA
Esses políticos querem transformar em lema a frase do ministro Ayres Britto, de fazer Justiça “por cima de pau e pedra, se necessário”.
ADAPTAÇÃO
Para a vice-presidente da Câmara, Rose de Freitas (PMDB-ES), é preciso aumentar a CPI de Cachoeira: “Faltou encaixar o PSD”.
PARA QUE TE QUERO
A oposição quer a CPI para localizar um suposto vídeo do Cachoeira entregando R$1,5 milhão, a figurão do PT, para a campanha de Dilma.
BRASIL PODE ENVIAR TROPA PARA A GUINÉ-BISSAU
O Conselho de Segurança da ONU analisa a possibilidade de enviar uma força multinacional à Guiné-Bissau, na África, com a participação do Brasil, para tentar restabelecer a ordem, após o golpe militar nas eleições do segundo turno. A embaixadora brasileira na ONU, Maria Luiza Viotti, disse à agência Lusa que a decisão sai em uma semana. O governo militar já avisou que “não aceitará intervenção estrangeira”.
NA FORCA
É hoje, Dia de Tiradentes, a 3ª Marcha Contra a Corrupção, em várias capitais às 15h, exigindo o julgamento do mensalão já, no Supremo.
CARDÁPIO
Após Coreia do Norte e Bangladesh, o Sri-Lanka vai receber US$2,2 milhões em arroz e feijão doados pelo Brasil, através da ONU.
NO FORNO
Em caso de pizza, Carlinhos Cachoeira não pretende ser o “presunto” da CPI Mista do Congresso.
SÓ DANÇANDO
O deputado Miriquinho Batista (PT-PA) quer o carimbó – dança favorita da ex-governadora petista Ana Carepa – como patrimônio imaterial. A dança da pizza, da ex-deputada federal Guadagnin, fica para depois.
SINA BRASILEIRA
O carioca Ronaldo de Luna Braga, 29, pegou 7 anos e meio de cadeia na Austrália, por contrabando de 1,5 quilos de cocaína pura. Alegou que “precisava pagar os estudos”.
RUMO AO SUL
Delegado da PF, o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) vai convocar o ex-governador Roberto Requião, que acusou o governador do Paraná, Beto Richa, de contatos com Cachoeira. Richa nega.
AMIGO DA ONÇA
Presidente do PPS, Roberto Freire (SP) considera que o ex-presidente Lula agiu como “amigo da onça” da presidenta Dilma, ao incentivar a CPI de Cachoeira: “comissão de inquérito é instrumento de oposição”.
ROTEIRO
Para o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), o roteiro dos depoimentos na CPI de Cachoeira deve ser, pela ordem: Cachoeira, senador Demóstenes Torres e o dono da Delta, Fernando Cavendish.
BATEU NO TETO
Não ficarão nas demissões de 110 comandantes e copilotos as dispensas na GOL. Cresceu mais que autorizava a tradição de ex-empresa de ônibus, e perde dinheiro a rodo. Vai demitir 800 este ano.
É FOGO!
Parece piada: em meio às chamas do escândalo, a Presidência da República pagou R$ 544 mil por equipamentos de respiração e máscaras de fuga para a turma dos primeiros socorros e no Planalto.
A COPA VEM AÍ
No aeroporto de Curitiba, a sala vip da GOL fechou as portas, as filas do check-in só crescem e os banheiros deveriam ser interditados pelo Serviço de Proteção aos Animais. Nem eles tolerariam tanta imundície.
SANGUE NOS OLHOS
Reflexão publicada no Twitter: “Lula age mais pelo fígado que pela cabeça. Como o fígado dele não está lá essas coisas...”.
PODER SEM PUDOR
O “coronel” e vereador Nei Ferreira era candidato à reeleição, em Vitória da Conquista (BA), quando visitou um bairro da cidade:
– Aqui eu quero 750 votos – gritou no palanque.
– Pois o sr. vai ter 1.500 votos, coronel – cochichou um cabo eleitoral.
Ferreira voltou a proclamar, ao microfone:
– Eu sei que 1.500 eleitores já prometeram votar em mim neste bairro, mas como eleitor é um animal muito safado, eu aceito a metade!
Ministro Marco Aurélio sobre a briga dos colegas Cezar Peluso e Joaquim Barbosa
GRUPO QUER EVITAR O GOVERNO ‘TRATORANDO’ A CPI
Parlamentares dissidentes e de oposição se articulam para evitar que a tropa de choque do PT e do governo “tratorem” ou “patrolem” a CPI do Cachoeira. Eles planejam agir com Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União e Receita Federal para trazer à tona detalhes que não constam no inquérito da Polícia Federal. Integram o grupo Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Taques (PDT-MT), senadores, e os deputados Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) e Miro Teixeira (PDT-RJ).
ESTRATÉGIAS
O grupo “independente” se reunirá no início a semana, já para traçar as primeiras estratégias de atuação na CPI de Cachoeira.
SOBRE PAU E PEDRA
Esses políticos querem transformar em lema a frase do ministro Ayres Britto, de fazer Justiça “por cima de pau e pedra, se necessário”.
ADAPTAÇÃO
Para a vice-presidente da Câmara, Rose de Freitas (PMDB-ES), é preciso aumentar a CPI de Cachoeira: “Faltou encaixar o PSD”.
PARA QUE TE QUERO
A oposição quer a CPI para localizar um suposto vídeo do Cachoeira entregando R$1,5 milhão, a figurão do PT, para a campanha de Dilma.
BRASIL PODE ENVIAR TROPA PARA A GUINÉ-BISSAU
O Conselho de Segurança da ONU analisa a possibilidade de enviar uma força multinacional à Guiné-Bissau, na África, com a participação do Brasil, para tentar restabelecer a ordem, após o golpe militar nas eleições do segundo turno. A embaixadora brasileira na ONU, Maria Luiza Viotti, disse à agência Lusa que a decisão sai em uma semana. O governo militar já avisou que “não aceitará intervenção estrangeira”.
NA FORCA
É hoje, Dia de Tiradentes, a 3ª Marcha Contra a Corrupção, em várias capitais às 15h, exigindo o julgamento do mensalão já, no Supremo.
CARDÁPIO
Após Coreia do Norte e Bangladesh, o Sri-Lanka vai receber US$2,2 milhões em arroz e feijão doados pelo Brasil, através da ONU.
NO FORNO
Em caso de pizza, Carlinhos Cachoeira não pretende ser o “presunto” da CPI Mista do Congresso.
SÓ DANÇANDO
O deputado Miriquinho Batista (PT-PA) quer o carimbó – dança favorita da ex-governadora petista Ana Carepa – como patrimônio imaterial. A dança da pizza, da ex-deputada federal Guadagnin, fica para depois.
SINA BRASILEIRA
O carioca Ronaldo de Luna Braga, 29, pegou 7 anos e meio de cadeia na Austrália, por contrabando de 1,5 quilos de cocaína pura. Alegou que “precisava pagar os estudos”.
RUMO AO SUL
Delegado da PF, o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) vai convocar o ex-governador Roberto Requião, que acusou o governador do Paraná, Beto Richa, de contatos com Cachoeira. Richa nega.
AMIGO DA ONÇA
Presidente do PPS, Roberto Freire (SP) considera que o ex-presidente Lula agiu como “amigo da onça” da presidenta Dilma, ao incentivar a CPI de Cachoeira: “comissão de inquérito é instrumento de oposição”.
ROTEIRO
Para o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), o roteiro dos depoimentos na CPI de Cachoeira deve ser, pela ordem: Cachoeira, senador Demóstenes Torres e o dono da Delta, Fernando Cavendish.
BATEU NO TETO
Não ficarão nas demissões de 110 comandantes e copilotos as dispensas na GOL. Cresceu mais que autorizava a tradição de ex-empresa de ônibus, e perde dinheiro a rodo. Vai demitir 800 este ano.
É FOGO!
Parece piada: em meio às chamas do escândalo, a Presidência da República pagou R$ 544 mil por equipamentos de respiração e máscaras de fuga para a turma dos primeiros socorros e no Planalto.
A COPA VEM AÍ
No aeroporto de Curitiba, a sala vip da GOL fechou as portas, as filas do check-in só crescem e os banheiros deveriam ser interditados pelo Serviço de Proteção aos Animais. Nem eles tolerariam tanta imundície.
SANGUE NOS OLHOS
Reflexão publicada no Twitter: “Lula age mais pelo fígado que pela cabeça. Como o fígado dele não está lá essas coisas...”.
PODER SEM PUDOR
O “coronel” e vereador Nei Ferreira era candidato à reeleição, em Vitória da Conquista (BA), quando visitou um bairro da cidade:
– Aqui eu quero 750 votos – gritou no palanque.
– Pois o sr. vai ter 1.500 votos, coronel – cochichou um cabo eleitoral.
Ferreira voltou a proclamar, ao microfone:
– Eu sei que 1.500 eleitores já prometeram votar em mim neste bairro, mas como eleitor é um animal muito safado, eu aceito a metade!
SÁBADO NOS JORNAIS
- Globo: Acuada por CPI, Delta sai da reforma do Maracanã
- Folha: Novo presidente do STF intervém para conter crise
- Estadão: Maracanã: Delta deve deixar obra
- Correio: A capital das 18.993 noites
- Estado de Minas: Fim do aluguel agrava falta de garagem em BH
- Zero Hora: Redução do juro acelera debate sobre regras da poupança
Assinar:
Postagens (Atom)