domingo, abril 15, 2012

Caetano Veloso e os elegantes uspianos - PAULO WERNECK

FOLHA DE SP - 15/04/12


"Por que Schwarz ou Chaui nunca têm nada a dizer sobre o que se passa na Coreia do Norte?"



RESUMO Caetano Veloso comenta o ensaio recém-publicado "Verdade Tropical: Um Percurso do Nosso Tempo", em que Roberto Schwarz faz uma crítica ao livro de memórias do compositor, mas também destaca sua qualidade literária. Caetano fala de silêncios da esquerda, do estigma de conservador e reponde ao ensaísta.
"Gosto de atrito. É a base do sexo", diz Caetano Veloso à Folha. "Mas não rejeito o antagonismo."
Quinze anos depois de publicar suas memórias da Tropicália em "Verdade Tropical", um antigo antagonista bate à porta de Caetano: o crítico marxista Roberto Schwarz, no ensaio "Verdade Tropical: Um Percurso do Nosso Tempo". O texto, inédito, foi incluído no recém-lançado "Lucrécia versus Martinha" (veja crítica na pág. 6), que a Companhia das Letras lhe enviou em primeira mão.
O ensaio "reconta" criticamente a narrativa, transformando-a na história da conversão de um "menino portador de inquietação" de província a um "novo Caetano", que "festejou a derrocada da esquerda como um momento de libertação". Ao mesmo tempo, põe nas alturas a prosa do baiano.
Schwarz critica seu "traço de personalidade muito à vontade no atrito mas avesso ao antagonismo", as "ambivalências" do tropicalismo, o "patriotismo fantasioso" e "supersticioso" do compositor, sua "defesa do mercado", seu "confusionismo", sua "cumplicidade" com os agentes que o prenderam -e por aí vai.
Em suma, o ensaísta afirma que "Verdade Tropical" "compartilha os pontos de vista e o discurso dos vencedores da ditadura". Em outro momento, recrimina o "regressivo" "amor aos homens da ditadura" que Caetano e Gil expressaram.
"Esse parágrafo de Schwarz é cruel e tolo", rebate Caetano. "A prisão me pôs mais profundamente em inimizade com o projeto dos militares de direita que tomaram o Brasil". Ele reafirma sua "teimosia em permanecer no campo da esquerda", mas também diz ter deixado de temer, em 1967, "palavras como 'conservador' ou 'de direita', como se fossem xingamentos que ostracizam", diz. Direita e esquerda, nos anos da ditadura e hoje, são o foco desta entrevista, concedida por e-mail.
Ele aponta o silêncio de Schwarz e de outros expoentes do pensamento de esquerda, como a filósofa Marilena Chaui, a respeito do totalitarismo em regimes comunistas como a China e a Coreia do Norte: sobre isso, diz ele, "nossos elegantes uspianos nada dizem".
"Verdade Tropical" volta à pauta não somente pelas mãos de Schwarz, mas também pela edição em separado de um de seus capítulos, "Antropofagia", na coleção Grandes Ideias [Penguin Companhia, 72 págs., R$ 10,90].
Em agosto, o compositor completa 70 anos. A gravadora Universal abre as comemorações neste mês, com o relançamento, em CD e LP, de seu cultuado "Transa". Quarentão, o álbum foi remasterizado pelo produtor original, Steve Rooke. Em maio, sai por aqui "Live at Carnegie Hall With David Byrne", já lançado nos EUA. E, em agosto, um tributo com artistas brasileiros e estrangeiros.
Depois de produzir "Recanto", disco de Gal Costa com canções suas, Caetano volta-se para a composição de um novo CD a ser gravado com a banda Cê, que o acompanhou em "Cê" (2006) e "Zii & Zie" (2009).

Folha - Roberto Schwarz faz um misto de valorização literária e severa crítica ideológica de "Verdade Tropical", 15 anos depois da publicação. O que retém em sua leitura?
Caetano Veloso - É envaidecedor que Schwarz tenha escrito tanto (e com tanta energia) sobre meu velho livro. Claro que não coincido com o grosso da crítica ideológica. No entanto, retenho a observação de que o argumento desenvolvido a partir da cena central de "Terra em Transe" seja, no livro, um tanto mal concebido.
Por que Schwarz só publica o ensaio 15 anos depois do seu livro?
Não sei. Talvez ele o tenha lido com grande atraso (não 15 anos de atraso, é claro) e demorado muito para decidir-se a discuti-lo publicamente. Talvez ele tenha tardado também em metabolizar o que leu.
Por que o livro renasce agora, com a edição de bolso de um de seus capítulos e a crítica de Schwarz?
Não sei.
Como foi a recepção do livro nos países em que foi publicado?
Foi publicado, em boas traduções, na Itália e na Espanha (e países de língua espanhola). A tradução francesa é horrível. A grega eu não sei ler. De qualquer modo, todas as traduções partem da edição americana (os direitos fora do Brasil e de Portugal são da Knopf), que deformou muito a estrutura do original. Todos os elogios literários que o livro mereceu de Roberto não seriam justificados para quem só lesse as traduções.
Me lembro de que a "New York Times Book Review" deu resenha favorável. Ouço comentários positivos de amigos argentinos, espanhóis e italianos. Também de alguns gregos. Na França parece que, além da tradicional mania francesa de traduzir como quem corrige o original, deram o longo texto a pessoas totalmente desqualificadas intelectualmente: já que se trata de um livro de cantor pop, por que pedir a alguém que saiba ler e escrever para traduzir?
Schwarz vê a relação dos tropicalistas com a esquerda como uma "comédia de desencontros", na qual haveria mais afinidades do que divergências. Seu livro descreve longamente as divergências, e Schwarz agora as reitera. Ainda é possível falar em afinidades?
Claro que há e sempre houve afinidades. Gil e eu, além de Tom Zé e Rogério Duprat, sempre fomos "de esquerda". Nossos amigos foram sempre majoritariamente de esquerda. Na altura do tropicalismo deu-se uma virada em mim, e também em Gil, pelo menos, que exigia repensar tudo por conta própria, desfazendo adesões automáticas. O maior inimigo era esse automatismo.
A cena de "Terra em Transe" é positiva porque expõe a quebra do automatismo ideológico a que artistas e intelectuais se viam presos. Quando o protagonista fala, o tom blasfemo revela tratar-se de um momento liberador. Claro que, uma vez olhando as coisas mais livremente, os males da esquerda apareceriam.
O ensaio atribui a você uma "generalização para a esquerda do nacionalismo superficial dos estudantes que o vaiavam" e a visão da "esquerda como obstáculo à inteligência". Desde então, que renovação você vê na esquerda do ponto de vista cultural?
Toda cartilha ideológica, pode ser -e frequentemente é- obstáculo à inteligência. Eu tinha amigos na extrema esquerda que gostavam do que eu fazia e nada opunham ao tropicalismo.
Já contei em minha coluna no "Globo" como quase dei apoio logístico ao grupo de Marighella, através de minha amiga Lurdinha, uma guerrilheira que foi torturada e a quem [o delegado Sérgio Paranhos] Fleury se refere, numa entrevista, como a pessoa mais corajosa que ele conheceu.
Aliás, Hélio Oiticica, Glauber e Zé Celso eram de esquerda, além de Rubens Gerchman, Zé Agrippino e Rogério Duarte. O "desbunde" foi sobretudo um evento interno ao mundo das esquerdas. Hoje em dia, quando Delfim é defensor de Lula e Dilma e se opõe a FH, gosto da revista "Fevereiro", de Ruy Fausto, e detesto blogs como o de Paulo Henrique Amorim.
Sempre me pergunto por que Roberto Schwarz ou Marilena Chaui nunca têm nada a dizer sobre o que se passa na Coreia do Norte (não vale dizer que a "grande imprensa já diz"). Por que Lula e Tarso Genro mandaram de volta, num avião venezuelano, os atletas cubanos que tinham pedido asilo político ao Brasil? Isso é admissível? Ninguém na esquerda reclama de nada disso?
Os esforços intelectuais de [Theodor] Adorno para igualar a vida americana ao Terceiro Reich e à União Soviética só servem para provar repetidas vezes que as liberdades nas democracias liberais são suspeitas: a ostensiva falta de liberdade em países comunistas nunca é combatida, nem eloquentemente, nem cedo.
Quando eu era moço, intelectuais de esquerda dizerem-se anti-stalinistas representava um piso mínimo de elegância: quase nunca passava de uma declaração para se poder continuar sendo comunista. Não havia (como Tony Judt mostrou que não havia na França) um esforço crítico, por parte de intelectuais de esquerda, de se opor aos estados policiais.
É interessante notar que Zizek elogia o imperialismo chinês no Tibete e desculpa as paradas fascistas da Coreia do Norte. Nossos elegantes uspianos nada dizem.
Qual foi a novidade em termos de crítica ao tropicalismo no Brasil e no exterior?
Não leio quase nada sobre tropicalismo. Às vezes esse movimento é citado em publicações sobre música popular, às vezes em artigos acadêmicos (de estudos sobre América Latina ou língua portuguesa). Nada me impressiona muito.
Augusto de Campos e Ferreira Gullar polemizaram em torno de acontecimentos dos anos 1950 e 60, o país discute a Comissão da Verdade, torturadores têm sofrido "esculachos" na porta de casa. A conta dos anos 1960 e 70 não fecha?
Que conta fecha? Mas vamos andando. O ser humano é um desequilibrador. Pessoalmente, sou pela Comissão da Verdade. Há um trecho crucial em "Verdade Tropical", que Schwarz sintomaticamente ignora, em que conto o quanto aprendi sobre a verdade da sociedade brasileira ao ouvir, na cadeia, urros de dor de torturados, os quais não eram nossos companheiros de prisão política. Havia quem dissesse que se tratava de presos políticos vindos de outros quartéis. Mas chegou-se à conclusão de que eram presos comuns, ladrões da Zona Norte, bandidos.
Pois bem, antes da ditadura, durante e depois, esses maus tratos vêm se dando nas delegacias e prisões civis e militares. Se não denunciarmos (e mesmo punirmos) os torturadores que trabalhavam para o Estado, não teremos a saúde social mínima necessária para começar a acabar com isso.
Há um paralelo entre o público dos festivais e os comentaristas de internet e blogueiros de hoje?
Deve haver. Mas não interessa.
O que pensa da Comissão da Verdade e da Lei da Anistia?
Senti que o modelo espanhol da Anistia serviria para o Brasil. Hoje sou totalmente pela Comissão da Verdade e não acho que torturadores devam ser perdoados. Os guerrilheiros foram punidos (inclusive com tortura e morte). É enganoso equiparar os dois tipos de crime.
Você é retratado como um memorialista "comprometido com a vitória da nova situação, para a qual o capitalismo é inquestionável". Como responde à acusação de "conservadorismo" político?
Deixei de temer palavras como "conservador" ou "de direita", como se fossem xingamentos que ostracizam, em 1967. Minha teimosia em permanecer no campo da esquerda vem de minha crença na possibilidade de mudar para melhor o jeito de a gente viver sobre a Terra. Não descarto sequer a eventualidade de alguma violência. Mas estou certo de que o que se chama de esquerda também atrapalha muito.
O mito do Brasil e de sua oportunidade de originalidade me põe numa situação em que posso sonhar mais alto, pondo os horrores das revoluções e seus desdobramentos sob crítica. Por essa razão me atraem mais as sugestões de Mangabeira Unger do que as repetições da esquerda uspiana.
Ele abre espaço para a originalidade do Brasil. Para mim isso é fatal: somos originais, seremos originais ou desapareceremos. O capitalismo não é inquestionável: que a gasolina americana tivesse sido enriquecida com chumbo porque isso a fazia mais rentável, e que o empresário que usou essa vantagem tenha mantido em segredo a descoberta de que o chumbo era prejudicial à saúde pública para não ver cair o lucro; e que, depois de essa descoberta ter-se tornado pública, a gasolina americana tenha reduzido gradativamente até zero seu teor de chumbo, mas a brasileira não, por razões de lucro (com todas as implicações de acumulação de capital e de reafirmação de poderes imperialistas), é algo que expõe a que graus de irracionalidade e de desumanidade pode chegar uma organização social que se submeta à exclusiva força da grana. Sou contra.
Mas não quero que os que lutam contra isso possam ganhar poderes autocráticos. Uma revolução feita a partir da originalidade benigna de um Brasil de sonho deveria não precisar ser sangrenta e poderia, de qualquer modo, orientar os serviços que alguém queira prestar à Justiça de um jeito diferente daquele que tem sido desenvolvido pelos movimentos revolucionários da esquerda convencional. Estes têm levado à autocracia e a Estados policiais. Sou contra.
Além disso, quando se diz "capitalismo" o que é mesmo que se está querendo dizer? O capítulo sobre o conceito no livro de Mangabeira é instigante. E Lacan disse uma vez que "o inconsciente é capitalista".
Schwarz critica o "amor aos homens da ditadura" expresso por Gilberto Gil ao tomar ayahuasca e comenta os seus elogios à letra de "Aquele Abraço": "A lição aplicada pelos militares havia surtido efeito". Como vê essa avaliação severa?
Esse parágrafo de Schwarz é cruel e tolo. A prisão me pôs mais profundamente em inimizade com o projeto dos militares de direita que tomaram o Brasil. A descrição dos solavancos por que passamos não poderia ser desinfetada para agradar aos revolucionários de gabinete. Sou muito franco e apaixonado pela clareza e pela luz.
Gosto mais do esclarecimento do que da Dialética do Esclarecimento, que tanto obscurece. (Aliás, desconfio dessa escolha da palavra "esclarecimento" em lugar de "Iluminismo".)
A lição aplicada pelos militares surtiu efeito em mim: me fez mais realista, mais conhecedor dos pesos concretos da vida. Foi sob a ditadura, sobretudo na prisão, que aprendi a odiar o odiável em nossa sociedade.
Para o ensaísta, há uma discrepância entre as visões de "Verdade Tropical" sobre o Brasil pré-64: ora é descrito como um "ascenso socializante", com sua experiência em Santo Amaro e em Salvador, ora como "um período incubador de intolerância e ameaça à liberdade". Você enxerga essa discrepância?
Eu poderia ter sido um garoto de esquerda, sem desconfianças a respeito sequer do stalinismo. Mas não fui. Me atraiu o livro de Luís Carlos Maciel sobre Beckett, Kafka e Ionesco: a esquerda que eu conhecia era lukacsiana e ninguém falava em Adorno em 1963 em Salvador (embora se falasse muito em Gramsci, o que era pioneiro).
Poderia ter sido um garoto assim e, depois, descoberto que nos países comunistas (não só na URSS e seus satélites, mas na China de Mao, em Cuba, na Coreia do Norte) o Estado desrespeitava oficialmente os mais básicos direitos humanos -e ter me revoltado contra o projeto comunista.
Mas eu era um garoto desconfiado da "ditadura do proletariado", além de ser um sujeito pacato da baixa classe média que sentia natural horror pelo aspecto violento das revoluções.
Descobrir que a experiência do "socialismo real" era de fazer temer os esboços de implantação do comunismo entre nós não foi uma surpresa assustadora. Foi um gradual reconhecimento da complexidade das coisas. Isso aparece em meu livro com todas as idas e vindas por que minha mente passou. Com as nuances e sem evitar as questões que não ficaram resolvidas dentro de mim.
Não é um livro de propaganda ideológica. É um relato em que as reflexões relembradas -ou as sugeridas pela lembrança- acompanham cada passo.
Você se reconhece na descrição que o crítico faz de seu "traço de personalidade muito à vontade no atrito mas avesso ao antagonismo"?
Gosto de atrito. É a base do sexo. Mas não rejeito o antagonismo.
Sou nitidamente contra o Brasil ter devolvido os atletas cubanos. Sou nitidamente contra o manifesto dos militares reformados. Sou nitidamente contra Lula ter apoiado a eleição de Ahmadinejad antes de o próprio Irã decidir se as eleições tinham sido fraudadas ou não.

Bendito entre as mulheres - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP -15/04/12


O ator Du Moscovis vive na ficção e na vida real rodeado por mulheres, mas acha que o papel delas não deve ser superestimado

Eduardo Moscovis, 43, se senta à mesa de uma churrascaria com sistema de rodízio, em Botafogo, no Rio, e é direto. "Quero paleta de cordeiro, picanha nobre e fraldinha", pede ao garçom.

Quem o acompanha no almoço não consegue imaginar que durante 12 anos ele foi vegetariano. Há algum tempo, porém, voltou a comer carne, só por um motivo: "Porque eu gosto [risos]".

É com esta mesma objetividade que ele rejeita o rótulo de "especialista do universo feminino" com sua volta à TV na série "Louco por Elas" (TV Globo). "Isso é uma roubadaça", diz à repórter Lígia Mesquita. "Não tem nada mais pretensioso e burro!"

Ele está cercado por mulheres. Na trama exibida às terças-feiras, escrita e dirigida por João Falcão, vive Léo, um treinador de futebol feminino que mora na mesma casa com a filha, a enteada e a avó e que tem a ex-mulher (Deborah Secco) por perto.

Na vida real, Du, como é chamado, está casado pela segunda vez. Tem três filhas: Gabriela, 13, e Sophia, 11, do relacionamento com Roberta Richards, e Manuela, 4, com a atual mulher, a apresentadora Cynthia Howlett. No último dia 20, nasceu seu primeiro filho homem, Antônio.

Também está no ar uma vez por mês no programa "Saia Justa" (GNT), em que participa de uma roda de mulheres que discutem diversos temas atuais.

"Está sendo maravilhoso fazer a série. Era um projeto antigo meu e do João. Por ser em um horário mais tarde [23h], temos mais liberdade de experimentação. E tem inspiração nas nossas vidas. A gente aborda esse universo feminino no qual fomos colocados. Eu vivi uma história totalmente masculina até ser pai de meninas", diz.

Ele chega ao restaurante em uma moto Vespa cor creme. "Ando de 'scooter' há dez anos." Suas orelhas estão cheias de adesivos com sementes colocados por um acupunturista. "Dei um mau jeito nas costas. Não tomei anti-inflamatório. Recorri às agulhas", conta.

Sua experiência com o universo feminino o ajudou a "entender bastante coisa", mas não explica tudo. "Vocês são mais desenvolvidas que a gente desde sempre. São mais maduras, têm mais sensibilidade. Não sei se isso é bom ou ruim", diz. "E tem um grau de tudo ao mesmo tempo das mulheres. Elas conseguem falar com três pessoas ao mesmo tempo, fazer quatro tarefas. Nós, homens, somos muito mal programados para isso."

Em casa, conta que pede ajuda. "Eu peço: não falem todas ao mesmo tempo que eu não vou conseguir assimilar. Depois, as quatro vão me cobrar e eu não vou lembrar. E não é uma questão de desinteresse, é de incapacidade mesmo."

A atração que estreou há um mês marca o retorno de Moscovis à emissora após sete anos afastado. Em 2005, depois de ter protagonizado duas novelas seguidas, o ator decidiu não renovar o contrato com a Globo.

"Eu comecei no teatro e achava que minha imagem não deveria estar tão atrelada à TV", diz. "Queria ter esse distanciamento, ver como as coisas funcionavam com outras propostas, outras pessoas. E é fato que foi muito bom pra mim." Atualmente está com um contrato por obra com a emissora carioca, que vai até dezembro.

Nesse período, fez a série de TV "Alice" (HBO) e se dedicou ao teatro e ao cinema. Atuou em cinco filmes - o inédito "Corações Sujos", de Vicente Amorim, está previsto para estrear em junho.

No teatro, suas peças mais recentes são o monólogo "O Livro" e o infantil "O Menino Que Vendia Palavras". Esta última ainda pode ser vista no Rio até o dia 30 e passou pelo Festival de Curitiba há uma semana.

A fase de experimentações fora da TV, diz, aumentou seu poder de adaptação. "Você trabalha com e sem dinheiro, numa mega produção, numa produção pobre. Aprende a ver o que você espera das pessoas, o que as pessoas esperam de você."

Afirma que "deve dar para viver" fazendo só teatro. "Tem muito ator que vive assim." Não foi o seu caso. "Eu me programei quando decidi sair da TV. Me organizei para que eu conseguisse manter a galera, mesmo não recebendo aquela quantia mensal."

Seu iPhone toca. "Oi, 'brother'. Tô acabando de almoçar e dando uma entrevista ao mesmo tempo. Em 15 minutos tô aí", avisa à produção de "Louco por Elas".

Produtor associado das últimas peças que montou no teatro, conta que mesmo tendo conseguido autorização para captar recursos via Lei Rouanet, nenhuma empresa quis patrocinar seu monólogo. "A gente fica no lugar de chato, choroso, reclamão, mas é muito difícil levantar um espetáculo."

A dificuldade, entretanto, não o estimula a se engajar em movimentos políticos da classe artística. "Não tenho nenhuma vontade. Nunca fui encantado com a política. E não recebo estímulos para gostar."

O fato de a atual presidente, Dilma Rousseff, ser mulher, "não me diz nada". "Aí acho que existe a inversão do preconceito de superestimar porque é mulher. Ué, mas vocês não são tão capazes quanto [nós]? Ela não fez nada que os outros não tenham feito. E já deixou passar oportunidades muito boas para começar a aparecer de outra forma."

Além da política, outro tema que o incomoda é a pecha de galã. "Isso é muito mais um interesse que vem de fora. É o tipo de conceito feito de uma terceira pessoa em relação a você. Se algum dia alguém achou que era isso, tem que perguntar: 'Acha que ele continua sendo?'. Só continuo fazendo a minha história, trabalhando sem ficar preso a qualquer coisa.". O ator no camarim do teatro Marista, em Curitiba, na semana passada|

Falta convencer - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 15/04/12


O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, parece impressionado com o fato de que não consegue, como antes, fazer a cabeça dos marcadores de preços.

Embora o Banco Central tenha repisado que a inflação deste ano convergirá para o centro da meta (4,5%), o mercado insiste em trabalhar com níveis mais altos, superiores a 5,0% - mesmo depois de conhecida a inflação bem mais baixa de março (de apenas o,21%, segundo o próprio Banco Central apurou com a Pesquisa Focus).

É um pouco cedo para afirmar categoricamente que o Banco Central perdeu credibilidade porque, a rigor, ainda não há instituição mais confiável na execução dessa tarefa. Mas é inegável que a atuação do Banco Central e, mais do que isso, a falta de justificativas coerentes para ela criaram um ambiente mais carregado de incertezas.

As explicações para as decisões de política monetária mudam a cada ata do Copom. A queda dos juros começou em agosto sob o argumento de que se prenunciava catástrofe financeira de vastas proporções - que não veio. Depois, que a alta anterior dos preços das commodities havia cedido e que, assim, não pressionaria a inflação interna. Em seguida, que a atividade econômica estava em desaceleração, o que sugeria que o Banco Central olhava também para a criação de empregos - embora a economia registrasse nesse quesito o melhor desempenho da história.

No início deste ano, o Banco Central anunciou o que pareceu meta de juros: a determinação de alcançar a Selic de um dígito (abaixo de 10%). E a todo momento indica que o controle da inflação também passou a ser obtido por meio da imposição de providências macroprudenciais, cujo objetivo é regular o crédito ou o câmbio, e não enquadrar a inflação.

Alguns observadores têm contra-argumentado, em defesa do Banco Central, que até instituições mais ortodoxas encarregadas da estratégia e da execução da política monetária, como o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), o Banco Central Europeu (BCE), o Banco Nacional da Suíça (banco central) e o Banco do Japão (BoJ) fazem experimentos monetários. E que não faria sentido o Banco Central do Brasil ser exceção.

Esta é mesmo uma crise global diferente e exige respostas diferentes, como as dos grandes bancos centrais, no limite da responsabilidade (ou da irresponsabilidade). E não haveria, em princípio, contraindicação para que, nessas circunstâncias, o Banco Central do Brasil também buscasse outros caminhos para as Índias.

A diferença é que lá fora os novos vieses de política monetária vêm com justificativas e avisos claros dos objetivos pretendidos. Por aqui, não. A política mudou e o Banco Central procura outros efeitos. Mas mantém o discurso de que as intervenções no câmbio só buscam evitar a volatilidade das cotações, não a desvalorização do real; e que a política monetária opera apenas para enfiar a inflação para dentro da meta, não para alcançar juros de um dígito ou incentivar a atividade produtiva e o emprego.

O resultado é a criação de um cenário em que não fica clara a estratégia. É natural que essa falta de explicações prejudique uma missão importante do Banco Central num regime de metas de inflação: a da condução das expectativas.

Aleluia! Neymar lota o Congresso! - JOSÉ SIMÃO


FOLHA DE SP - 15/04/12


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Predestinada do dia! Gerente do Santander em São Caetano: Fabiana BATTISALDO! Só o meu que nunca bate! E este professor de sobrevivência no Exército: Major Muleta. Rarará!
E um leitor me disse que pegar o Demóstenes com a boca na botija é a mesma coisa que pegar o Bolsonaro assistindo a "Glee"!
E o babado da semana: Neymar jogando uma peladinha com os "depús" no Congresso! Parabéns, Neymar, por conseguir lotar o Congresso. Coisa que não acontece há décadas! Até os fantasmas apareceram. Fantasmas, laranjas e os 800 parentes do Sarney. Para pedir autógrafo. Neymar no Congresso! Neymar e a turma da penalidade máxima.
Só que o Congresso não joga bola, leva bola. Come bola. Ah, e carrinho por trás. Adoram dar carrinho por trás!
Tavam comemorando o centenário do Santos. Quer dizer, o Congresso só vai lotar de novo daqui a cem anos!
E o Pelé deu uma de Vanusa: esqueceu o hino do Santos. O Pelé vanusou!

E esta: "Cirurgia plástica pode deduzir do imposto de renda". Oba! Dona Marisa, Marta, Amaury Jr. e Silvio Santos vão ter isenção vitalícia! E a Angela Bismarchi, isenção para oito encarnações.
Eu também vou fazer plástica: desentortar o pingolim e juntar as sobrancelhas. Eu quero uma monocelha igual à do Galvão! Rarará! E tenho uma amiga que fez tanta plástica que, quando ela breca, a boca abre! Breca e dá risada. Aí o povo pergunta: "Do que essa mulher tá tanto rindo?". "Não tô rindo, tô brecando." Rarará!
Outro babado da semana: a fila do visto para os Estados Unidos. A Hillary Hilária prometeu abrir dois consulados: em BH e Porto Alegre. Ou seja, mais duas filas! Hillary inaugura duas filas no Brasil. Fico impressionado com a fila do visto para os Estados Unidos. É fila ou fuga em massa? Fuga em massa!
O Obama tem que puxar muito o saco dos brasileiros: "Brasileiros gastam R$ 3 bi em fevereiro nos EUA". Um na Gap, um na Nike e outro em Miami. Se você encontrar um monte de areia com uma sacola em cima, pode cavucar que é um brasileiro. Se a fila do SUS causasse tanta indignação quanto a do visto, acabariam as filas do SUS!
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Comissão da verdade - ILIMAR FRANCO


O GLOBO - 15/04/12

O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), por delegação da presidente Dilma, está fazendo consultas e convites para os sete integrantes da Comissão da Verdade. Já estão confirmados o ex-ministro Nilmário Miranda e o cardeal Dom Evaristo Arns. A comissão terá um tucano: José Gregori ou Paulo Sérgio Pinheiro. E um familiar de vítima da repressão pela ditadura militar: Clarisse Herzog, mulher de Vladimir Herzog, ou Vera Lucia Facciolla Paiva, filha do ex-deputado Rubens Paiva.

Nomeação sai até o final do mês
A presidente Dilma chegou a esses nomes depois de receber indicações dos ministros Maria do Rosário (Direitos Humanos) e José Eduardo Cardozo (Justiça), e 50 sugestões de familiares de vítimas. Ela também ouviu o seu ex-marido, Carlos Araújo, e o ex-presidente Lula. Estão ainda em aberto as vagas destinadas a um historiador e a um jurista. O advogado Márcio Thomaz Bastos jogou sua indicação pela janela ao assumir a defesa do contraventor Carlos Cachoeira. O sétimo nome será escolha pessoal da presidente Dilma. A Comissão irá funcionar no Centro Cultural Banco do Brasil e terá 14 técnicos: um DAS 5 e 13 DAS 4.

"Não esperem nada do Congresso, do Judiciário e do Executivo. Se não fosse o movimento da sociedade e das redes sociais, jamais o Ficha Limpa teria sido aprovado” 
— Pedro Simon, senador (PMDB-RS)

PRECEDENTE. O presidente do Conselho de Ética do Senado, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), na foto, vai terça-feira ao ministro do STF, Ricardo Lewandowski, para pedir que libere o inquérito contra Demóstenes Torres. Lembrará que o Supremo compartilhou as informações do inquérito relacionado ao ex-senador Luiz Octávio. Maurício Corrêa era o relator do processo no STF e, na época, repassou as informações à comissão.

Na gangorra
O ministro Aloizio Mercadante (Educação) vinha em voo de cruzeiro no governo. Mas a desenvoltura de sua atuação, junto ao PT e aos aliados, a favor da criação da CPI do Carlos Cachoeira, não foi bem vista pela presidente Dilma.

Guerrilha
A cúpula do PMDB decidiu detonar a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais). As razões: sua relação preferencial com o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), e suas reuniões com a base do partido na Câmara.

Cavendish e os apetites do PMDB
O empresário Fernando Cavendish, da Delta, é um velho conhecido dos embates no PMDB. Nas eleições presidenciais de 1998, quando o ex-presidente Fernando Henrique (PSDB) foi reeleito, e o PMDB fez coligação com o tucano, ele era um dos sustentáculos da campanha do ex-governador Anthony Garotinho pela candidatura própria. O empresário alugou uma casa no Lago Sul, que serviu de bunker para Garotinho tentar aliciar os convencionais do partido para sua tese.

Nunca antes...
O ex-presidente Lula já definiu sua estratégia para responder a qualquer tentativa de relacioná-lo à empresa Delta, que cresceu em seu governo: “nunca antes na História desse pais" o governo federal contratou tantas empresas.

Silêncio
O senador Mário Couto (PSDB-PA) subiu à tribuna 12 vezes desde o início do escândalo Cachoeira. Em três delas, falou da CPI. Esbravejou contra o PT, parlamentares envolvidos, mas não fez crítica ao contraventor Carlos Cachoeira.

INTENSA a disputa de bastidores pela indicação do próximo desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. O PT nacional está bancando a candidatura do advogado Eduardo Löenhaupt da Cunha.

SEU MAIS FORTE concorrente é o advogado João Berchmans Serra, ex-sócio do escritório “Pinheiro Neto”, e apoiado pelo empresariado paulista.

EM TEMPOS DE CPI, os integrantes do governo estão sendo comunicados de que a presidente Dilma não tem compromisso com o erro.

GOSTOSA


A ilusão de uma CPI a favor - JOÃO BOSCO RABELLO

O ESTADÃO - 15/04/12


A criação da CPI do Cachoeira produziu nos bastidores de Brasília uma semana de intensas discussões sobre sua lógica política - da forma como esta é exercida pelas agremiações partidárias no país. A leitura mais corrente é a de que o PT, feita uma espécie de relação custo/benefício, concluiu que tem mais a ganhar do que a perder com a investigação das ligações públicas e privadas do jogo clandestino.

Perderia, de pronto, um governador - Agnelo Queiroz, do DF -, mas produziria estragos no rival aliado, o PMDB, e, principalmente, relativizaria a gravidade do mensalão, prestes a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na pior das hipóteses, em ano de eleições municipais não seria o único partido sob julgamento por desvios políticos e legais.

Nada disso, porém, tem consistência para explicar a razão de um governo e seu partido comemorarem uma CPI - instrumento, por origem, da minoria, pela primeira vez instalado por iniciativa da maioria. É ilusão acreditar que a CPI possa se contrapor ao mensalão - ambos caminharão paralelos ampliando a ação saneadora sobre modos e costumes políticos de há muito condenados pela sociedade.

O que, de fato, o PT espera é que a CPI alcance o Judiciário e mine sua credibilidade como julgador dos crimes políticos do partido. Outra ilusão, porque o eventual envolvimento de uma autoridade não compromete todo o Poder.

Nos últimos dias, os petistas parecem ter se dado conta de que deram um "tiro no pé", conforme já sussurram pelos corredores do Congresso. A boa notícia é que a "trapalhada" serve ao País, que ganha com as investigações .

Gilmar Mendes,o alvo do PT

O PT alimenta a expectativa de explorar as relações pessoais do senador Demóstenes Torres (GO) com o ministro Gilmar Mendes, do STF, cuja enteada já trabalhou como funcionária no gabinete do parlamentar. Nesse elo, do qual o PT aspira extrair mais alguma coisa, estaria o embrião para arguir o impedimento do ministro no julgamento de Demóstenes no tribunal. E, por extensão, questionar sua credibilidade como julgador do mensalão, no qual é voto certo contra os interesses do partido.

Tiro n’água

Uma semana antes da decisão de criar a CPI do Cachoeira, a ministra Ideli Salvatti era uma das mais entusiasmadas defensoras da investigação. Numa reunião na casa de Jilmar Tatto, ela pediu a CPI alegando que nada respingaria no governo. O encontro
reuniu petistas insatisfeitos com o afastamento de Candido Vaccarezza da liderança do governo. Dias depois, o assessor da Presidência Olavo Noleto seria flagrado nos muitos grampos da Polícia Federal.

Na berlinda

Durante a reunião no gabinete de José Sarney (PMDB-AP) para discutir a CPI do Cachoeira, o líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), alardeava aos presentes que pediria a convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Um
dos objetivos do PT, com a investigação, é tentar desestabilizar o Judiciário, às vésperas do julgamento do mensalão. Gurgel segurou por dois anos o pedido de investigação de Demóstenes Torres no Supremo.

Coisas do passado


Cotado para o Ministério do Trabalho, Vieira da Cunha (PDT-RS) relatou a CPI que investigou ligações do PT com o jogo do bicho no Rio Grande do Sul em 2001 e atingiu o governo Olívio Dutra – quando Dilma Roussef era secretária de Minas e Energia – e contribuiu para a derrota do partido no ano seguinte para a aliança PMDB-PSDB. Dilma trocou o PDT pelo PT no ano da CPI.


“Paciência, ele sabia dos riscos”

Presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS)
SOBRE A AMEAÇA DA CPI AO GOVERNADOR AGNELO QUEIROZ (PT-DF)

Tentáculos - VERA MAGALHÃES - PAINEL


FOLHA DE SP - 15/04/12



Autoridades que acompanham as investigações da Operação Monte Carlo da Polícia Federal afirmam que os seus desdobramentos atingirão outras praças do país, especialmente Tocantins. Em Palmas, o Ministério Público já investiga suspeitas de fraude no contrato de R$ 14 milhões para coleta de lixo firmado com a construtora Delta. Trata-se do mesmo serviço prestado no Distrito Federal, onde foram apontadas pela PF as digitais do grupo de Carlinhos Cachoeira.
Outra empreiteira na mira é a Rio Tocantins, do empresário Rossine Guimarães, que doou quase R$ 5 milhões para campanhas estaduais do PSDB e do PMDB.

Classificados Exonerada no dia 2 do gabinete de Demóstenes Torres (sem partido-GO), Ketlin Feitosa, enteada do ministro Gilmar Mendes, do STF, foi nomeada assessora da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado. O presidente é Benedito de Lira (PP-AL).

Batismo Integrantes da Polícia Federal chegaram a sugerir que a operação que prendeu Carlinhos Cachoeira fosse chamada de Tromba D'Água, numa alusão ao acusado de contravenção. Mas prevaleceu Monte Carlo, que faz menção aos jogos de azar.

Drible De um ministro do PT para o senador Gim Argello (DF), líder do bloco PTB-PR, batizado de União e Força no Senado: "Você deu um golpe de mestre".

Dever de casa Após ser enquadrada por Dilma, a ministra Ideli Salvatti recebeu na sexta-feira os líderes Jilmar Tatto, Arlindo Chinaglia e Renan Calheiros (PMDB) para discutir os desdobramentos da CPI do Cachoeira.

Time O PMDB vai montar uma brigada contra Marconi Perillo (GO) e Agnelo Queiroz (DF) na CPI. O partido pode indicar os deputados Luiz Pitiman, que deixou o governo do DF derrubado pelo PT, e Íris de Araújo (GO), adversária do governador tucano.

Melhor idade O presidente do STF, Carlos Ayres Britto, trabalha pela aprovação da PEC da Bengala, que amplia de 70 para 75 anos a idade-limite de aposentadoria compulsória de juízes. O ministro faz 70 anos em novembro, e terá um mandato curto à frente do tribunal.

De saída O ministro Ricardo Lewandowski deve renunciar ao mandato noTribunal Superior Eleitoral na semana que vem, quando a ministra Cármen Lúcia assume a presidência do TSE.

Hora extra Ministros do STF que defendem o julgamento do mensalão ainda neste ano acreditam que, com a saída do TSE, Lewandowski terá tempo de se dedicar exclusivamente ao processo, do qual é o revisor.

Sinal... O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) ouviu de parlamentares da base aliada que o PSD atribui à pressão feita pelo PT parecer contrário dado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ao pedido da legenda para ter acesso ao fundo partidário.

... amarelo Quando tinha expectativa de se coligar com o PSD em São Paulo, o PT fazia gestões no TSE a favor do pleito do partido de Gilberto Kassab, de olho no tempo de TV. Como o prefeito apoiou José Serra, os petistas mudaram de opinião.

Dia D O PT escolherá hoje os 300 delegados que decidirão se o partido apoiará Gustavo Fruet (PDT) à Prefeitura de Curitiba (PR), como quer o ministro Paulo Bernardo (Comunicações), ou seguirá voo solo, como defende a ala do deputado Dr. Rosinha.
com SILVIO NAVARRO e ANDRÉIA SADI

tiroteio

É o culto sem limites à personalidade feito com dinheiro público. O próximo passo será construir uma estátua do ex-presidente Lula, como se fazia para os deuses gregos.
DO SENADOR ALVARO DIAS (PSDB-PR), sobre os R$ 14 milhões que o governo investirá para financiar a construção de um museu para lembrar as greves de metalúrgicos no ABC comandadas pelo ex-presidente Lula.

contraponto

Como velhos amigos

Quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chegou ao quarto do hospital Sírio Libanês para visitar seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, que se recuperava de um câncer, foi recebido na porta pelo petista.
Deixando de lado as desavenças políticas, trocaram gentilezas. O tucano saudou a recuperação do petista:
-Olá, presidente. Mas você está muito bem!
-Bem está você. Vai chegar aos 100! -, replicou Lula.
-Ô, Lula, para que estabelecer limite para isso? Deixa a vida me levar! -, encerrou FHC, do alto de seus 80.

Al-Qaeda no miolo da África - GILLES LAPOUGE


O Estado de S.Paulo - 15/04/12


A cidade de Timbuctu, no coração do Sahel, estaria nas mãos dos islâmicos. Não é certo, mas a inquietação é grande. Testemunhas descrevem o caos absoluto na região. Timbuctu, que se encontra na margem do vasto deserto do Saara, está localizada na parte norte do Mali, cuja capital é Bamako.

Há alguns dias, um golpe militar, sob o comando do capitão Sanogo, destituiu o governo. Uma junta militar assumiu a direção em Bamako. Logo em seguida, uma parte do Mali, exatamente a região desértica do Saara, declarou que não se submeteria mais a Bamako e assumia o controle da parte saariana do país, com o objetivo de ressuscitar o Estado de Azawad.

Bem, tudo já é um pouco complicado, mas nas horas que se seguiram a situação piorou, uma vez que dois outros grupos de guerreiros surgiram na parte saariana do Mali. Dois grupos diferentes mas que têm em comum uma ideologia: ambos são formados por extremistas islâmicos.

O primeiro grupo é conhecido. Trata-se da Al-Qaeda do Magreb Islâmico, que há três anos vêm sequestrando europeus, às vezes para conseguir resgates milionários, outras simplesmente para assassiná-los. O segundo grupo, que até agora não era conhecido, denomina-se Ansar Dine, é comandado por Iyad ag Ghaly e também se afirma islâmico radical (salafista). Assim como o primeiro, declarou que pretende instaurar nessa parte saariana do Mali um Estado islâmico, um califado, e decretar a sharia, a medonha Justiça corânica, com mutilações, apedrejamentos etc.

Como desenrolar esse emaranhado? É em Timbuctu que a situação é mais confusa. Com as poucas informações que chegam, podemos propor esse cenário: a cidade estaria nas mãos dos islâmicos, da Al-Qaeda ou do Ansar Dine, ou sob o controle das suas facções ao mesmo tempo.

No entanto, em torno da cidade, estariam os guerreiros tuaregues que não se ocupam de religião, mas também pretendem recriar o antigo Estado tuaregue de Awazad, separando-se do Mali. Essa é uma situação crítica do ponto de vista geográfico. Timbuctu (e o norte do Mali) está no coração da África, entre a África do Sahel e a África negra. Acrescente-se a isso uma enorme carga simbólica.

Essa é a "cidade dos 333 santos" e foi uma das grandes capitais da África. No século XVI tinha 100 mil habitantes (hoje são 33 mil). Uma universidade resplandecente, com 25 mil alunos.

Cidade soberba, tombada pelo Patrimônio Mundial da Unesco, Timbuctu é uma espécie de farol para os africanos. Abriga as maiores bibliotecas da África Central. Orgulha-se de possuir mais de 100 mil manuscritos raros, arquivados há séculos nas bibliotecas privadas da cidade, textos não encontrados em nenhum lugar, verdadeiros tesouros.

Há uma frase que diz: "O sal vem do norte. O ouro vem do sul. O dinheiro vem do país dos brancos. Mas a palavra de Deus e as coisas santas, você só encontrará em Timbuctu".

Essa é a joia rara cuja paz foi violada pela guerra. Esta é a cidade que talvez tenha sido tomada pelos discípulos da Al-Qaeda. Mas a situação está tão instável e tão obscura que talvez nos dê o direito de esperar que a ordem política seja restabelecida. TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

O risco da moeda europeia - KENNETH ROGOFF


O GLOBO - 15/04/12

Com o desemprego entre os jovens chegando a 50% em países da zona do euro como Espanha e Grécia, é o caso de se perguntar: sacrifica-se uma geração em nome de uma moeda de países diversos demais para serem sustentáveis? Se for assim, ampliar a zona do euro estará de acordo com o aparente objetivo da Europa de maximizar a integração econômica, sem necessariamente adotar a união política total?

A boa notícia é que a pesquisa econômica de fato tem algumas coisas a dizer sobre se a Europa deveria ter uma moeda única. A má notícia é que se tornou cada vez mais claro que, pelo menos para grandes países, áreas de moeda única serão altamente instáveis caso não sigam fronteiras nacionais. No mínimo, as uniões monetárias requerem uma confederação com muito mais poder centralizado sobre tributação e outras políticas do que os líderes europeus imaginam para a zona do euro.

E a famosa conjectura feita em 1961 pelo ganhador do Prêmio Nobel Robert Mundell de que as fronteiras nacional e monetária não necessariamente precisam coincidir? Em seu provocativo trabalho "A Theory of Optimum Currency Areas", na "American Economic Review", Mundell argumentou que, na medida em que os trabalhadores pudessem mover-se dentro de uma região monetária em busca de empregos, a região poderia deixar de recorrer ao mecanismo de equilíbrio do ajuste da taxa cambial. Ele deu crédito a outro (futuro) Prêmio Nobel, James Meade, por ter reconhecido a importância da mobilidade laboral em estudo anterior, mas criticou-o por interpretar a ideia de forma muito limitada, especialmente no contexto da nascente integração europeia.

Mundell não enfatizou crises financeiras, mas presumivelmente a mobilidade da força de trabalho é mais importante hoje do que nunca. Não surpreende que os trabalhadores deixem os países em crise da zona do euro, mas não necessariamente para nações mais fortes ao norte. Em vez disso, trabalhadores portugueses se dirigem a antigas colônias em expansão, como Brasil e Macau. Trabalhadores irlandeses estão partindo em massa para Canadá, Austrália e EUA. Trabalhadores espanhóis buscam a Romênia, até recentemente uma grande fonte de mão de obra para a agricultura na Espanha.

Ainda assim, se a mobilidade dentro da zona do euro fosse de algum modo semelhante ao ideal de Mundell, não estaríamos vendo 25% de desemprego na Espanha, enquanto na Alemanha a taxa está abaixo de 7%.

Depois, articulistas reconheceram que há outros critérios essenciais para uma união monetária bem-sucedida, difíceis de alcançar sem profunda integração política. Peter Kenen argumentou, no final da década de 60, que, sem movimentos cambiais como amortecedores, uma união monetária requer transferências fiscais como forma de compartilhar riscos.

Para um país normal, o sistema de tributação constitui um enorme estabilizador. Nos EUA, quando o preço dos combustíveis sobe, a renda cresce no Texas e em Montana. Isto significa que esses estados contribuem mais para o orçamento nacional, dessa forma ajudando o resto do país. A Europa, é claro, não tem uma significativa autoridade tributária centralizada, de modo que o estabilizador automático está ausente.

Alguns acadêmicos europeus tentaram argumentar que não havia necessidade de transferências ao estilo americano porque qualquer degrau desejado de compartilhamento de riscos pode ser, na teoria, atingido via mercados financeiros. A afirmação está enormemente equivocada. Mercados financeiros podem ser frágeis e fornecem pouca capacidade de compartilhar riscos ligados aos rendimentos do trabalho, que constituem a maior parte da renda em qualquer economia avançada.

Kenen estava principalmente preocupado com transferências a curto prazo para suavizar solavancos cíclicos. Mas, numa união monetária com grandes diferenças de renda e níveis de desenvolvimento, o curto prazo pode se estender por um longo tempo. Muitos alemães sentem, acertadamente, que qualquer sistema de transferência fiscal se transformará num tubo de alimentação permanente, do mesmo modo que o Norte da Itália sustentou o Sul no último século. De fato, passados mais de 20 anos, alemães ainda não vêm um fim para as contas decorrentes da reunificação do país.

Mais tarde, Maurice Obstfeld assinalou que, além de transferências fiscais, uma união monetária necessita de regras claramente definidas em relação ao emprestador de última instância. Do contrário, haverá excesso de corrida aos bancos e pânico de devedores. Obstfeld tinha em mente um mecanismo de socorro aos bancos, mas hoje está suficientemente claro que também é preciso um emprestador de última instância para estados e municipalidades.

Um corolário lógico dos critérios estabelecidos por Kenen e Obstfeld, e mesmo da tese da mobilidade laboral de Mundell, é que as uniões monetárias não podem sobreviver sem legitimidade política, muito provavelmente envolvendo eleições em toda uma região. Os líderes europeus não podem fazer grandes transferências entre países, indefinidamente, sem um coerente arcabouço político europeu.

Formuladores de política na Europa queixam-se com frequência que, se não fosse a crise financeira nos EUA, a zona do euro estaria bem. Talvez estejam certos. Mas qualquer sistema financeiro deve ser capaz de resistir a choques, inclusive os mais fortes.

A Europa pode não ser, segundo qualquer padrão que se adote, uma área monetária ótima. Mas, sem maior integração política e econômica - que poderá terminar não incluindo todos os atuais membros da zona do euro -, a moeda única corre o risco de não chegar ao fim desta década.

O caríssimo kW brasileiro - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 15/04/12


O governo tem adotado medidas para dar mais competitividade à indústria instalada no País, mas até agora não atacou fatores estruturais que fazem do Brasil um dos países mais caros do mundo para a produção de manufaturas. Um exemplo é o custo da energia elétrica fornecida à indústria, 52% maior do que a tarifa média internacional, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), citada em recente estudo divulgado pela Firjan. O levantamento da IEA mostrou que a tarifa média cobrada da indústria brasileira era de R$ 329 por megawatt-hora (MWh) em comparação com a média de R$ 215,50 por MWh em 27 países analisados. Isso não só prejudica a capacidade dos produtos brasileiros de concorrer no mercado internacional, mas afeta diretamente os preços internos para o consumidor, favorecendo a aquisição de similares importados, com efeitos danosos sobre os níveis de emprego no País.

Como os industriais têm salientado, isso é um contrassenso em um país que tanto investiu e continua a investir pesado em energia hidrelétrica, fonte renovável, limpa e muito mais barata do que a queima de combustíveis fósseis para produzir eletricidade, como se verifica em muitos países industrializados. A energia elétrica é muito cara no Brasil principalmente por causa da carga tributária que incide sobre as tarifas. O mesmo estudo mostra que os tributos federais, incluindo o PIS/Cofins, com alíquota variável entre 12% e 15%, e o ICMS cobrado pelos Estados, representam, em média, 31,5% da tarifa final. A alíquota média do ICMS sobre consumo de energia é de 25%, mas há Estados em que esse tributo alcança 40%.

Os responsáveis pela condução da política econômica não desconhecem esse problema. As reivindicações da indústria e ameaças de multinacionais de fechar as portas de subsidiárias no País, dado o alto custo de energia elétrica, estão "emparedando" o governo, como disse uma fonte de Brasília a este jornal. Buscando uma saída, começou um jogo de empurra entre a União e os Estados. O governo aceitaria baixar seus tributos, se os Estados concordassem em fazer o mesmo com relação ao ICMS. Com essa finalidade, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, planeja apresentar uma proposta da União ao Conselho de Política Fazendária (Confaz), composto pelos secretários da Fazenda dos Estados. Dessa reunião do colegiado deveria sair uma decisão "conjunta" para reduzir a carga tributária sobre as contas de eletricidade pagas pela indústria.

Tudo isso cheira a encenação. Se o governo federal estivesse decidido a fazer essa desoneração, poderia baixar a alíquota do PIS/Cofins de imediato sobre o consumo industrial de eletricidade, antes de convocar reunião do Confaz. Com isso, teria autoridade moral para induzir os Estados a reduzirem suas alíquotas de ICMS sobre as contas de luz, e argumentos para isso não faltariam.

Empenhados em atrair indústrias para seus territórios, os Estados, com exceções, têm concedido incentivos fiscais a torto e a direito a empreendimentos diversos, no contexto da guerra fiscal, ao arrepio da lei. Contudo, esses incentivos não atingem o ICMS sobre as contas de eletricidade, cuja cobrança é uma fonte fácil e garantida de arrecadação. Os governos estaduais não se dão conta de que podem perder fábricas se continuarem com alíquotas tão elevadas de ICMS sobre energia, pois induzem investidores a buscar condições mais favoráveis em outros países.

Condicionar a decisão federal a um acerto prévio com os Estados só complica a situação, como mostra a reação dos governadores que já reivindicam "compensações". Há pleitos legítimos dos Estados que devem ser levados em consideração pelo Executivo e pelo Congresso, mas a redução da carga tributária sobre eletricidade para a indústria deve estar acima dessas questões. Trata-se de dar mais competitividade à indústria nacional como um todo - aí incluído o setor agroindustrial. O que está em jogo é a capacidade de o Brasil poder firmar-se como potência industrial em um mundo agressivamente competitivo.

Tributação da energia elétrica é um peso - EDITORIAL O GLOBO

O GLOBO - 15/04/12



O Brasil tem a matriz energética com maior participação de fontes renováveis no mundo. Isso porque mais de 80% da geração de energia elétrica, por exemplo, são oriundos de usinas hidráulicas, eólicas e de biomassa.

A preocupação com a necessidade de redução do impacto ambiental e social de grandes obras fez, porém, com que o país adotasse uma política mais rigorosa de licenciamento de hidrelétricas. As usinas têm sido construídas nos últimos anos evitando-se ao máximo o alagamento de áreas vizinhas às barragens. Já não se aprova a construção de usinas com previsão de reservatórios de acumulação de água. Novas hidrelétricas são chamadas "a fio d"água" porque são alimentadas pelo vazão natural dos rios. Assim, nos períodos de chuva, a capacidade de geração dessas hidrelétricas se amplia, ocorrendo o inverso nos meses de baixa precipitação.

Como o regime de chuvas varia conforme a região do país, o Brasil compensa essas diferenças por meio do seu sistema interligado, com linhas de transmissão que possibilitam levar energia do Pará ao Nordeste, de Rondônia para São Paulo, de Minas para o Rio Grande do Sul, e vice-versa.

Para que a população e a economia não fiquem à mercê da boa vontade da meteorologia, a capacidade instalada deve superar, e muito, o consumo médio. E os empreendimentos precisam andar à frente do consumo projetado. Como os grandes aproveitamentos estão na Amazônia, distantes dos principais centros de consumo, a energia é transmitida por centenas ou milhares de quilômetros.

A garantia de suprimento de energia exige investimentos vultosos, que devem ser remunerados adequadamente a médio e longo prazos. Felizmente, o Brasil tem conseguido reduzir os custos de geração, especialmente o de fontes renováveis. Mas, ainda assim, foi-se o tempo da energia barata, que possibilitava, por exemplo, a implantação de indústrias eletrointensivas (alumínio, entre outras), beneficiando-as com tarifas especiais.

Mas hoje não é exatamente a tarifa de eletricidade que traz mais dor de cabeça aos industriais, comerciantes e consumidores residenciais. Na verdade, o que tem pesado no preço na energia são os encargos (há uma série deles) e os impostos em que se destaca o ICMS, dos estados. Há, ainda, o PIS e Cofins, federais. A tributação já chega às raias do absurdo em alguns deles a ponto de, dependendo da classe tarifária do consumidor, ser preferível não usar a rede nos horários de pico de consumo e recorrer a geradores a óleo diesel, o que é um contrassenso.

Como o custo da energia, para a produção, reduz a competitividade das empresas, a tributação excessiva terá de ser revista. Não é problema de fácil solução porque a receita de ICMS proveniente daenergia elétrica passou a ser um dos principais itens da arrecadação própria de várias unidades da federação. Porém, não é raro que os mesmos estados ofereçam incentivos fiscais para atrair novas indústrias, tirando de um lado e repondo de outro. Uma tributação mais razoável sobre a energia elétrica poderia dispensar parte desses incentivos, e ainda fortaleceria o parque de empresas já instaladas, que não usufrui de tais benefícios.

A diplomacia de Santos - MAC MARGOLIS


O Estado de S.Paulo - 15/04/12


Na ponta do lápis, a 6ª Cúpula das Américas impressiona. Para abrigar as autoridades e suas comitivas em Cartagena, na Colômbia, foram mobilizados 5 mil policiais especiais, 680 viaturas, 6 aeronaves e helicópteros, incontáveis câmeras de segurança e sensores eletrônicos para detectar explosivos e drogas.

Pudera. Reunir e conduzir o encontro de chefes de Estado de 34 países do continente pode ser a glória ou o pesadelo de qualquer anfitrião. Apenas na comitiva do presidente americano, Barack Obama, havia mil integrantes.

O mais impressionante desta edição da reunião trienal, que se encerra hoje na costa colombiana, não é a parafernália sofisticada nem tampouco o desfile do poder bélico, mas a invisível e espinhosa engrenagem diplomática e política dos bastidores.

O continente pode não ser um zona de convulsão. Não há movimentos separatistas ou guerras. Ninguém está confeccionando uma ogiva nuclear na moita. No entanto, as relações nas Américas tampouco são flores e orquestrá-las exige habilidades incomuns. E é aqui que Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, começa a brilhar.

Não fossem a astúcia e o empenho do colombiano, essa cúpula poderia ter implodido na véspera. A primeira mina terrestre foi Cuba. Hermano inconveniente das Américas, o regime cubano ainda encarna a reserva sentimental latino-americana, o Davi que parou o Golias ianque.

Sua ditadura, porém, choca-se com o compromisso democrático cada vez mais sólido. Para não espantar Obama, coube a Santos desconvidar Havana, sem pisar em fundamentalismos vizinhos.

Ninguém se esquece de 2002, quando o então presidente mexicano Vicente Fox pediu discrição a Fidel Castro em uma cúpula da ONU para assegurar a participação de George W. Bush. Fidel gravou o telefonema e a intimação de Fox: "Pode vir, mas coma e vá embora" , disse Fox.

Desta vez, o papel de homem-bomba sobrou para o presidente equatoriano, Rafael Correa. Em solidariedade a Castro, ele boicotou a reunião colombiana e tentou levar consigo os companheiros da aliança bolivariana. São 11 os sócios do projeto do venezuelano Hugo Chávez, a maioria ilhas inexpressivas caribenhas, mas sua ausência em bloco seria um desfalque na mesa de 34 lugares.

Trabalhando nos bastidores, Santos soltou pêsames anódinos. "Gostaria que fosse a última cúpula sem Cuba", disse. O colombiano também isolou Correa, evitou a debandada bolivariana e garantiu o fim de semana caribenho de Obama. Até o patriarca Chávez fez questão de confirmar sua presença, apesar do tratamento contra um câncer.

Não foram gestos pequenos. Embora isenta há décadas de guerras abertas, a América Latina ainda vive uma diplomacia conturbada. Bolivianos e peruanos brigaram com os chilenos pelo acesso ao mar, uma querela que data do século 19.

Ano passado, Nicarágua invadiu um pântano da Costa Rica apoiada por mapas fajutos. A disputa de uma fábrica de celulose na fronteira levou Uruguai e Argentina à Corte Internacional de Justiça, em Haia, em 2010.

Enquanto isso, a Colômbia brigava com todo mundo. Sob a mão dura do então presidente Alvaro Uribe, Bogotá se aproximou dos Estados Unidos e enfrentou Hugo Chávez, que reagiu fechando a fronteira do seu maior parceiro comercial.

Para desentocar guerrilheiros colombianos das selvas vizinhas, Uribe bombardeou um campo de insurgentes no Equador, operação comandada pelo então ministro de Defesa Juan Manuel Santos. Suceder o popular Uribe parecia temeroso. Santos, um economista de fala mansa, tinha tudo para fraquejar. Sua proeza foi contornar o belicismo da era uribista e preservar a mão firme contra a guerrilha e a bandidagem.

Logo, o colombiano procurou Chávez, desfazendo em uma tarde quase uma década de guerra fria e oportunidades econômicas perdidas. Também fez as pazes com Correa, que o proibira de pisar em território equatoriano sob pena de prisão.

Cordial com os EUA, desfez o acordo com Washington para ampliar sua presença militar no país. Santos cortejou a China e convenceu o Congresso americano a aprovar o tratado de livre comércio, emperrado desde 2006. Não se sabe ainda o saldo de Cartagena, mas ninguém dúvida que em Santos, América Latina já tem um novo protagonista.

O Brasil reaprendeu a tapar buracos - ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE


FOLHA DE SP - 15/04/12

O Minha Casa, Minha Vida, o Luz para Todos, leilões de aeroportos e metrôs resolvem problemas do presente, talvez até do passado, não do futuro

Em artigo recente ("Retrocesso em ciência e tecnologia", no dia 6 de março) atribuí o corte de 23% do orçamento do MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia), enquanto a média foi de 4,0%, à incapacidade da presente administração de perceber a importância de atividades de pesquisas e desenvolvimento para o futuro do país.

Certamente por mera coincidência, uma semana depois, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, em artigo intitulado "O Brasil reaprendeu a pensar o futuro" (14 de março) enumera uma extensa lista de realizações da administração atual e da anterior, inclusive o Programa de Acelerações do Crescimento (PAC), como prova da tese proposta no título de seu artigo.

Pois bem, pretendo demonstrar, utilizando os mesmos exemplos apresentados pela ministra, exatamente o contrário.

Inicialmente, faço notar que muitos dos dados de crescimento apresentados não têm sentido, pois não são apresentadas as suas bases iniciais. Um vasto crescimento percentual sobre um quase nada pode ser ainda muito pequeno.

Enquanto a China e Índia investem anualmente mais de 40% e quase 50% de seus respectivos PIBs, o Brasil aplica apenas cerca de 16%.

Como consequência, China e Índia vêm crescendo em média com taxas entre duas e três vezes superiores à brasileira. É verdade, todavia, que essas altas taxas de investimento são impraticáveis em uma democracia plena. Com investimentos limitados, é surpreendente que o Brasil venha crescendo ao ritmo médio de 4,2%. Mas isso nada tem a ver com o futuro.

Obras como as dos programas Minha Casa, Minha Vida e Luz para Todos, a pavimentação de rodovias, a perfuração de poços de petróleo e metrôs "pra cá e pra lá", mencionados pela ministra, por imprescindíveis que sejam, resolvem problemas do presente, senão do passado. Nada têm a ver com o futuro do Brasil.

Os leilões de quatro aeroportos também não se referem ao futuro do Brasil. Resolverão, na melhor das hipóteses, problemas prementes de hoje. O aumento de 2.800 MW para o parque de geração de eletricidade é pífio. Menos que 3% no período pressuposto de seis ou sete anos.

Mesmo Belo Monte e outras grandes usinas na Amazônia, omitidos pela ministra, não representam o futuro, pois nesse caso os investimentos devem ser feitos agora para que amadureçam em sete ou oito anos. A Eletrobras faz isso rotineiramente há pelo menos 50 anos.

Pensando no futuro, embora timidamente, estão algumas empresas e instituições brasileiras privadas e estatais, como a CPFL, a Embrapa e a Petrobras. Elas promovem atividades de pesquisa e investimentos-piloto em energias alternativas, como eólica, biomassa etc.

Também algumas das instituições ligadas ao MCT e a outros ministérios se ocupam com projetos de energias alternativas, como ainda em outras áreas inovadoras.

Todavia são essas as iniciativas que serão prejudicadas ou inviabilizadas pelo corte no orçamento do MCT e pelo concomitante contingenciamento imposto ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Será que o Brasil reaprendeu a pensar o futuro? Se não, pelo menos aprendeu a tapar buracos. Já é, para quem é, muita coisa.


Uma guerra sem sentido - SUELY CALDAS


O Estado de S.Paulo - 15/04/12


Fora o desastrado encontro entre a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e o ministro Guido Mantega, na terça-feira, o corte nas taxas de juros anunciado pela Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil (BB) ainda não produziu efeito nos bancos privados. O presidente da Febraban, Murilo Portugal, entregou documento com 20 propostas e avisou: "A bola agora está com o governo". Ou seja, se seus pedidos não forem atendidos, não haverá queda nos juros. No dia seguinte, Mantega deu bronca, falou grosso, chamou os bancos de "campeões do spread" e avisou: o governo não vai reduzir os impostos e o corte dos juros terá de sair da margem de lucro dos bancos. Se nenhum dos lados cede e o clima hostil predomina, não há entendimento e tudo fica como antes.

A não ser que a estratégia anunciada pela Caixa e o BB produza o efeito pretendido: correntistas migrem em massa para os dois bancos públicos e pressionem os privados a também cortar juros para não perder mercado. O que não é fácil, mas também não é impossível.

Vez por outra o governo usa os bancos públicos para forçar a queda de juros nos privados, mas sem êxito. Justamente porque as taxas baixas funcionam temporariamente e, mesmo assim, de forma seletiva, aplicadas a uns poucos, deixando de fora a maioria dos clientes - empresas e pessoas físicas. Para essa nova estratégia vingar, é fundamental que o corte seja para valer, não de mentirinha, e que seja abrangente, não excludente. Do contrário, quando a poeira baixar e o assunto morrer, tudo volta a ser como antes e todos os bancos - privados e públicos - continuarão com lucros tão altos quanto seus spreads. Já ocorreu mais de uma vez.

Só que agora a estratégia trouxe uma boa novidade: pela primeira vez a Caixa alardeou a decisão de baixar juros em campanha publicitária na TV, comprometendo-se explicitamente com um público mais amplo. Se aplicá-la de forma massiva, pode, sim, tirar clientes dos bancos privados, aumentar o faturamento e compensar a queda da taxa com ganhos de escala. Mas, se repetir o passado, restringir o corte a poucos felizardos e fazer da exceção a regra, o banco e o governo ficarão desmoralizados e desacreditados diante dos correntistas. E aí continuarão ganhando todos os bancos - públicos e privados - no campeonato mundial de spread.

Sempre que o Banco Central (BC) altera a taxa Selic, a imprensa publica o ranking de juros no mundo e o Brasil figura no primeiro lugar em juros altos. A Selic cai, mas as taxas dos bancos não. O ministro Mantega lembrou, na quinta-feira: os bancos captam dinheiro a 9,75% ao ano e emprestam a 30%, 40%, 50% e até 80%, dependendo das linhas de crédito. É realmente exorbitante. Mas o ministro omitiu a responsabilidade do governo nisso: entre impostos e compulsório (dinheiro que os bancos são obrigados a recolher ao BC), o governo é responsável por 26,04% do spread. Só que a margem de lucro dos bancos é mais gorda (toma 34,15% do spread) e tem espaço para baixar. Mas será com pressão política de Dilma e Mantega?

Empresas e bancos tomam decisões pressionados por fatores de mercado, de queda ou aumento das vendas, de perdas ou ganhos diante da concorrência. A pressão política pode até funcionar, mas por pouco tempo, logo volta ao que era antes. Por isso a estratégia da Caixa e do BB tem chance de sucesso. Se levada com competência, reforçar a campanha publicitária e impuser perdas aos bancos privados, aos poucos ela pode reverter a posição do Brasil de rei de juros altos. Mas o governo precisa ajudar, saindo da cena e deixando as forças de mercado agirem. Tem razão o presidente da Febraban ao dizer que o tema juros precisa "sair da agenda política" (faltou acrescentar "eleitoreira"). Mas ele perde a razão quando condiciona o corte nas taxas ao atendimento dos interesses dos bancos.

Antes os banqueiros condicionavam a queda dos juros à aprovação do cadastro positivo pelo Congresso. Cadastro aprovado, desde 2010, os juros não caíram, até subiram. Aí eles passaram a responsabilizar os impostos, a inadimplência, o compulsório...

PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV



7h30 - Novara x Lazio, Campeonato Italiano, ESPN Brasil

8h - Torneio de Barcelona, Tênis fem. (final), Bandsports

9h15 - Spartak Moscou x Rubin Kazan, Campeonato Russo, ESPN

10h - Cesena x Juventus, Campeonato Italiano, ESPN Brasil e Sportv

10h30 - B. M'gladbach x Colônia, Campeonato Alemão, ESPN HD e Esporte Interativo

12h - M. United x Aston Villa, Campeonato Inglês, ESPN

12h - Brasil x Bolívia, Eliminatórias Sul-Americana de futsal, Sportv

13h - Real Madrid x Lucentum, Espanhol de basquete, Bandsports

14h - Tottenham x Chelsea, Copa da Inglaterra, ESPN, ESPN HD e Esporte Interativo

15h45 - Roma x Fiorentina, Campeonato Italiano, ESPN Brasil

16h - Ponte Preta x Corinthians, Campeonato Paulista, Band e Globo (para SP)

16h - Linense x São Paulo, Campeonato Paulista, Sportv

16h - Botafogo x Guarani, Campeonato Paulista, Sportv 2

16h - Nova Iguaçu x Vasco, Estadual do Rio, Band e Globo (menos SP)

16h30 - Rayo Vallecano x Atl. de Madri, Campeonato Espanhol, ESPN e ESPN HD

17h - GP de Long Beach, Indy, Bandsports

21h - New York x Los Angeles, Beisebol, ESPN e ESPN HD

5h30 - Masters 1.000 de Montecarlo, Tênis, Sportv 2

Lula até a metade - JANIO DE FREITAS

FOLHA DE SP - 15/04/12


É remota a chance de a CPI comprovar, como é ideia do petista, parte das motivações que levaram ao mensalão

O motivo de Lula para o seu empenho por uma CPI de Carlinhos Cachoeira comprova, mais uma vez, o valor da sua intuição. Mas, daí a alcançar o final pretendido, é muito duvidoso.

O dispositivo montado por Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, é tão amplo e penetrante que não seria a imprensa a ficar esquecida. Como Lula intui, não há dúvida de que auxiliares e intermediários de Carlinhos Cachoeira sejam abastecedores de parte da imprensa, no ininterrupto noticiário de denúncias. Sobretudo muitas das denúncias contrárias ao governo Lula e, está convicto o ex-presidente, algumas delas sujeitas a terem sua origem desvendada pela CPI. Até aí, o menos duvidoso da intuição.

Duvidar das intuições de Lula é temerário, mas, daquele ponto em diante, inevitável. É muito remota a possibilidade de que a CPI consiga comprovar, no dispositivo de Carlinhos Cachoeira, como é ideia do ex-presidente, parte importante das motivações que levaram às denúncias e ao escândalo do mensalão.

Não propriamente porque tal presença fosse improvável. Mas pelas dificuldades, operacionais e políticas neste ano eleitoral, de levar uma CPI, já titubeante antes de existir, a investigar os temores do jogo diante do governo Lula. E as ações reativas que houvesse. Temores sobrecarregados, aliás, pela frustração das perspectivas destituídas no governo de Collor e dos colloridos como Roberto Jefferson.

A intuição de Lula, atribuindo ao círculo de Carlinhos Cachoeira o fornecimento de denúncias, faz a cúpula do PT julgar oportuno o seu projeto de conselho de comunicação, ou quais sejam seus outros nomes. A ocasião é muito imprópria, porém.

Primeiro, porque há notícias denunciantes de boa e de má-fé, e não cabe igualá-las para criar a oportunidade imaginada pela cúpula petista. Depois, porque se trata de assunto sério demais para ser tratado em meio a dias tumultuosos.


EMPREITEIRAS

O presidente Evo Morales suspendeu o contrato de seu governo com a empreiteira OAS, acusada de descumprimento -não o primeiro- dos termos contratados. O governo brasileiro interessou-se pelos problemas passados com empresas brasileiras no exterior, fazendo negociações em geral bem-sucedidas.

As contratações externas de empreiteiras brasileiras são cada vez mais numerosas. Ao Brasil não cabe, porém, agir como é a norma dos Estados Unidos, que saem em defesa do que é americano só por ser americano, o demais é secundário.

Assim como defende as empresas brasileiras, o Brasil deve verificar com segurança a ocorrência de erros e, encontrando-os, não há por que ajudá-las à custa de trabalhos e gastos cobertos com dinheiro público.

O ideal seria até a criação de multas no caso de mau serviço prestado ao conceito do Brasil.


ABUSO

Passa de cômica a insolente a exigência dos bancos de mais benesses para admitir a redução dos seus juros. Os bancos brasileiros são os mais lucrativos do Ocidente.

Lysenko baixou no CNPq e na ANS - ELIO GASPARI

O GLOBO - 15/04/12


Baixou no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico, CNPq, e na Agencia Nacional de Saúde Suplementar o espírito do comissário Lysenko, o queridinho de Stalin que bloqueou as pesquisas de genética na União Soviética. Em 2006 o CNPq publicou um edital (046) encomendando 16 pesquisas relacionadas com o mercado de medicina privada e a ação da ANS. Uma delas, intitulada "Dinâmica e tendências do mercado de saúde suplementar no contexto da regulação", foi coordenada pela professora Ligia Bahia, da UFRJ. Mobilizando sete pesquisadores e três voluntários, estudou o atendimento de 30 operadoras do Rio e de São Paulo com uma clientela de 7 milhões de pessoas que pagavam entre R$ 31 e R$ 145,50 mensais. O trabalho, apresentado em dezembro de 2009, foi aprovado em agosto de 2011 por três pareceristas convocados pelo CNPq.

Aqui vão três resultados:

Se o cliente pede o cancelamento de seu plano, as empresas continuam cobrando por vários meses. (Exceções: Unimed Paulistana e Dix.)

Três operadoras não enviaram livretos aos beneficiários listando a rede de atendimento. Muitos manuais confundem mais do que explicam. Listam hospitais, mas não informam quais especialidades atendem e são imprecisos na especificação de coberturas hospitalares de oncologia, neurologia e psiquiatria.

Uma empresa, com 1,7 milhão de clientes, dispõe de uma rede de seis hospitais, o que dá 290 mil vítimas para cada hospital. Na outra ponta, a São Cristóvão, com 53 mil fregueses, tem 35 hospitais.

A pesquisa concluiu que "a ANS não tem atuado para impedir a negativa de cobertura pela falta ou restrição da rede de prestadores". Sugeriu que a agência faça um cadastro dos clientes, fiscalize a qualidade das informações oferecidas e impeça a oferta de planos acima da capacidade das operadoras.

Caiu o céu um cima da professora. O CNPq diz que ela não entregou a pesquisa. Errado, ela colocou-a na plataforma Carlos Chagas, uma das bases de dados do CNPq. Acima de tudo, rejeitaram o trabalho, pois "os resultados estavam desconectados dos objetivos propostos". Fica a impressão de que a conexão seria estabelecida se as conclusões fossem outras.

O trabalho da professora foi desqualificado por analistas da ANS que instruíram um processo ao qual não lhe dão acesso. Fechando o circuito, o CNPq quer que ela devolva R$ 141 mil, como se não tivesse trabalhado. Ligia Bahia está com sorte, pois os adversários das teorias do doutor Lysenko foram mandados para o Gulag.

Sugestão: O CNPq e a ANS podem botar a cara na vitrine divulgando toda a documentação disponível, ou até convocando um painel para discutir o trabalho da professora. Ele está no site da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (http://www.abrasco.org.br/UserFiles/File/Abrasco%20Divulga/Relatorio.pdf).

Um dia a Revista de História da Biblioteca Nacional poderá publicar uma reportagem intitulada "Censura e poder no império das letras", contando o que lá aconteceu nos primeiros meses de 2012.

No dia 24 de janeiro, o jornalista Celso de Castro Barbosa publicou no site da Revista de História uma resenha do livro "A Privataria Tucana". Durante nove dias o texto esteve no ar, até que foi condenado publicamente pelo presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra. Daí em diante deu-se uma sucessão de desastres. A resenha foi expurgada, quando a boa norma recomendava que fosse contraditada por outros textos. A Sociedade dos Amigos da Biblioteca Nacional (Sabin) informou que o texto não passara pelos procedimentos burocráticos da redação. Falso. Em seguida, a colaboração regular de Barbosa foi dispensada pelo editor da revista, professor Luciano Figueiredo

No dia 29 de fevereiro o jornalista enviou uma carta a oito membros do Conselho Editorial da revista contando seu caso: "Gostar de um livro, senhoras e senhores conselheiros, não é crime". Nenhum deles respondeu e até hoje o Conselho nada disse sobre o expurgo do texto. Nem a Sabin.

Enquanto essa panela fervia, a Sabin demitiu o professor Figueiredo. Um caso nada tinha a ver com o outro, pois as razões da dispensa eram administrativas. Diversos conselheiros, insatisfeitos com a demissão, ameaçaram renunciar. A briga tinha cacique demais e índios de menos, até que a redação, que faz a revista, resolveu falar. Ela enviou uma carta aos conselheiros informando que "um incômodo tem nos acompanhado: o discurso público dos senhores em solidariedade ao ex-editor, na tentativa de fazê-lo retornar à revista". Queixaram-se de sua gestão e mais: "A RHBN precisa de um editor que não ordene à equipe trabalhos extra-RHBN, sem remuneração".

No dia 1, Celso de Castro Barbosa enviou nova carta aos mesmos oito conselheiros da revista, com a mais justa das queixas: "Procurei mantê-los informados, mas o que se seguiu foi seu silêncio estridente. (...) Francamente, com amigos como vocês, a Biblioteca Nacional não precisa de inimigos".

Resposta, nem pensar.

Clima

O encontro da doutora Dilma com o companheiro Obama teve o clima das reuniões de Fernando Henrique Cardoso com George W. Bush e de José Sarney com Ronald Reagan.

Não rolou boa química.

Ficção científica

O comissário Aloizio Mercadante confirmou na sua passagem pelos Estados Unidos que é o titular do Ministério da Ficção Científica do governo.

Anunciou que "o Massachusetts Institute of Technology abrirá um MIT no Brasil". Repetiu: "Teremos uma escola do MIT no Brasil". Foi prontamente desmentido, num comunicado da instituição: "O MIT não abre filiais no exterior".

Em 2011, ao assumir o Ministério da Ciência e Tecnologia, anunciou a construção de um laboratório oceanográfico em alto-mar. Cadê?

Durante a visita da doutora Dilma à China, Mercadante esteve na cena do anúncio de um investimento de US$ 12 bilhões da empresa Foxconn. Cadê?

Algum dia Mercadante mostrará como os professores da rede pública organizarão suas aulas com os 600 mil tablets que resolveu comprar.

Preconceito

Lula reclama e informa que em seu telefonema ao empresário Eike Batista recomendou-lhe que prestasse "todo o apoio possível" à família do ciclista Wanderson Pereira dos Santos, atropelado por seu filho Thor.

A questão continua do mesmo tamanho: Nosso Guia ligou para o homem mais rico do Brasil, mas não telefonou, oferecendo sua solidariedade, à família do morto, um ajudante de caminhoneiro.

O tempo fechou em Brasília - SUZANA SINGER


FOLHA DE SP - 15/04/12


Na cobertura do caso Cachoeira, a imprensa precisa evitar a armadilha do PT, mas precisa dar exemplo de transparência

As nuvens carregadas do novo escândalo político que tomam Brasília são um tremendo desafio para a imprensa. Personagens tidos como probos estão sendo revistos, um sem-número de interesses emerge a cada nova revelação, não é fácil entender a posição do governo e a própria mídia está sob escrutínio.

A primeira surpresa do caso Cachoeira foi a descoberta de sua relação com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM), até então uma espécie de arauto da moralidade, sempre disponível para repercutir denúncias de corrupção. Só nas páginas da Folha, ele se pronunciou contra juízes, o PC do B, Palocci, Arruda, José Sarney, Renan Calheiros...

Figura importante na denúncia do "mensalão", o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), também aparece nas investigações, que apontam uma influência do bicheiro em seu governo.

Mas não sobrou apenas para a oposição. Sombras foram lançadas sobre o governador petista Agnelo Queiroz, do Distrito Federal, e sobre um assessor que dava expediente no Palácio do Planalto.

Em meio à confusão, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, detectou uma "operação abafa" de setores políticos e veículos de comunicação para tentar impedir que "se esclareçam plenamente" as relações entre Demóstenes e o bicheiro.

Falcão incitou também a futura CPI do Cachoeira a investigar "os vínculos obscuros" de "Demóstenes e sua quadrilha" com a imprensa.

Não sei o que o presidente do PT anda lendo para achar que estão querendo colocar panos quentes no caso, já que os principais jornais e revistas do país não param de publicar grampos e denúncias.

Sobre os tais "vínculos obscuros", o que veio a público, por enquanto, foi um diálogo entre Carlos Cachoeira e um de seus auxiliares, citando um jornalista da "Veja". Na conversa, publicada pela própria revista, Cachoeira diz que os "grandes furos" dados pelo jornalista foram passados por ele, mas que não recebeu nenhum favor em troca.

A Folha enxergou na fala do PT a intenção de investir, uma vez mais, contra a mídia. E saiu em defesa da imprensa, ao afirmar que a "produção de reportagens investigativas naturalmente envolve contato de jornalistas com fontes de informação de vários matizes".

Não se sabe se algo comprometedor envolvendo a imprensa surgirá desse lamaçal. Para o PT, interessa usar o caso Cachoeira para empastelar o "mensalão", que poderá ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal nos próximos meses. O presidente do partido fala em desfazer a "farsa do mensalão" montada por "supostos moralistas".

A imprensa não pode cair na armadilha de permitir que um escândalo anule o outro. Tem o dever de apurar tudo -mas sem se poupar. É hora de dar um exemplo de transparência.

EUA esperam pelo Brasil - ALBERTO TAMER


O Estado de S.Paulo - 15/04/12


A economia chinesa desacelerou para 8,1% no primeiro trimestre, o comércio mundial vai crescer apenas 3,7%, abaixo dos 5,0% do ano passado, um dos piores resultados desde a crise de 2008, e só os Estados Unidos dão sinais ainda de expansão. Mas é um crescimento em grande parte baseado no aumento das exportações, 7,2% este ano, enquanto as importações não devem passar de 3,7%, de acordo com previsões da Organização Mundial do Comércio (OMC). Mesmo assim, são ainda o mercado mais aberto no mundo, com importações anuais da ordem de US$ 1,5 trilhão e um impressionante déficit comercial US$ 744 bilhões nos últimos 12 meses.

Desculpem. Vou cansar. Sim, a coluna pede desculpas por cansar o leitor com mais dados oficiais, mas são imprescindíveis para mostrar como o Brasil ainda não explorou as oportunidades nessa economia que, sozinha, tem um PIB igual ao dos 27 países da União Europeia. Está aberta, e a espera de nós. E não se trata apenas de comércio, mas de investimentos e, como assinalamos na última coluna, de ensino técnico e superior nas universidades americanas.

Parceiro menor. As relações bilaterais deram sinais de leve melhora este ano, mas ainda são marginais. O Brasil exportou no primeiro trimestre o equivalente a US$ 25,9 bilhões para os EUA. Dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que entre janeiro e fevereiro, havia 3.218 empresas exportando para o mercado americano, número quase igual ao mesmo período do ano passado e, anualmente, cerca de 8.176 importando dos EUA: um aumento de 500 empresas.

E isso num mercado que, ao contrário do outro parceiro (a China), importa do Brasil 64% de produtos manufaturados e básicos (43% só industriais!) e 21% de semimanufaturados. Não é só petróleo e minério, como revela o site do Ministério do Desenvolvimento, mdic@gov.br, no comércio Brasil-EUA.

Mas eles não atrapalham? A resposta é não. Não só não atrapalham, mas, no governo Dilma, estão fazendo tudo para ajudar. Nos últimos meses, Obama adotou uma série de medidas que favorecem diretamente as exportações brasileiras. A mais simbólica foi a extinção do subsídio e a sobretaxa que incidia nas compras de etanol brasileiro, um tema político delicado para o presidente americano que enfrentou e venceu a forte oposição dos produtores americanos de milho e grãos.

Ao mesmo tempo, ao contrário do que fez com a Argentina, Obama decidiu manter o Brasil no SGP, importante programa que reduz tarifas que incidem sobre exportações brasileiras para o mercado americano. Houve também liberalização da importação de carne suína de Santa Catarina, entre outras medidas. Resta completar a mudança do subsídio ao algodão, determinada pela OMC, ainda dependendo do Congresso, e a liberação total de carne bovina.

Nada a acusar. Como lembra o colega Rolf Kuntz, em seu artigo do dia 12, no caderno de Economia do Estado, "ninguém pode acusar o governo americano de haver criado obstáculo à expansão do comércio bilateral, nem de haver imposto nos últimos anos barreiras importantes aos manufaturados brasileiros... Brasília deu prioridade a entendimentos comerciais com parceiros emergentes e em desenvolvimento". E deu nisso que está aí.

Melhorou, mas é pouco. No primeiro trimestre do ano, as exportações do Brasil para os EUA aumentaram 41%. Estão agora em US$ 6,9 bilhões, o que representa 12,6% das vendas totais. Se o leitor quiser saber se é muito, lembro que somente em fevereiro apenas os Estados Unido importaram US$ 227 bilhões! Dados oficiais do Departamento do Comércio divulgados na quinta-feira. Nada mesmo.

Clinton, pouco a fazer. A secretária de Estado Hillary Clinton chega ao Brasil para visita de dois dias, mas quando muito, vai dizer que seu governo nada mais pode fazer para alterar esse quadro que foi agravado nos desmandos diplomáticos do governo passado. Ela poderá lembrar que os EUA são de longe os maiores investidores no Brasil, representam este ano quase 13% do total. Mas é inútil procurar nos EUA os obstáculos às nossas exportações que permanecem à margem do trilionário mercado americano, aberto e à espera do Brasil. A presidente mostrou decisão de mudar esse cenário. Agora, é ir adiante, com mais essa reunião em Cartagena. Mas o trabalho a fazer está aqui.

A classe C e a política - GAUDÊNCIO TORQUATO


O Estado de S.Paulo - 15/04/12


Se a bola de cristal é o objeto de desejo dos atores políticos em ano eleitoral, que procuram saber se seu futuro será venturoso ou inglório, imagine-se a importância que sobre ela se deposita quando o País se prepara para remodelar toda a base de seu edifício político sob a égide de dois fenômenos: a mudança na composição demográfica e a nova geografia do voto. No lugar ocupado outrora por ciganas adivinhas, que em tempos bucólicos tomavam as praças das cidades para mostrar aos transeuntes as pistas do amanhã, temos hoje as pesquisas de opinião. São essas as modernas bolas de cristal que procuram identificar posições alcançadas por candidatos e alçadas administrativas no sistema de avaliação social. Elas serão, nos meses a seguir, a maior atração dos habitantes do planeta eleitoral, ansiosos para conhecer suas chances de vitória no pleito que mobilizará a população de 5.564 municípios.

As sondagens, como se sabe, flagram percepções momentâneas, sendo tarefa complexa e muitas vezes incontornável distinguir a intensidade e a direção das emoções humanas. Faz-se a ressalva para aduzir que as eleições de outubro, a par de fatores imprevisíveis que costumam desmontar visões e projeções, ocorrerão na sombra de misteriosa indagação: qual é o pensamento político da classe C?

Antes de enveredar pela trilha, convém pinçar dados que realçam a força desse grupamento, a começar pela lembrança de que a classe C absorveu nos últimos anos cerca de 40 milhões de brasileiros, chegando à soma de 53% da população e devendo alcançar os 60% em 2014. A transformação efetiva da pirâmide social em losango, com as camadas médias passando a ser maiores que as de baixo e as de cima, implica alteração substantiva na geografia eleitoral? A ascensão de uma classe na escada social muda sua visão da política? Ou, ainda, o voto do eleitor será influenciado pela conquista de renda superior à que detinha na eleição anterior?

Eventuais respostas começam pela relação entre os avanços alcançados pela classe C e as novas atitudes que passou a tomar. A principal conquista deu-se no plano da renda. A radiografia mostra que cerca de 105 milhões de brasileiros alçaram ao patamar do poder de compra, dado que tem servido para planejar o sistema de vendas. A partir daí se fotografou um corpo social mais otimista que outros, mais aberto ao circuito dos amigos, mais fiel às marcas do mercado, mais seletivo, objetivo e descomplicado.

Revelações interessantes pipocam. Na classe C os formadores de opinião, ao contrário do que ocorre em outras, não são os mais velhos ou os mais experientes, mas os jovens, que estão bem empregados, são bem-educados e conectados ao mundo. São eles que mostram a realidade aos pais. Outra faceta interessante, segundo o pesquisador Renato Meirelles, é o fato de que os emergentes procuram autenticidade. Se a velha sociologia pregava que o sonho recorrente de uma classe era ascender à posição da classe acima, o paradigma agora é outro. Os componentes da nova classe fazem ácidas críticas aos gastos e comportamentos perdulários dos habitantes dos andares de cima. Os ricos, para eles, não são exemplo de vida. Qual é sua aspiração? Quem os motiva é o perfil que veio de baixo, lutou, conseguiu, alçou voo e hoje realiza seu sonho com seu negócio.

Onde está a nova classe? O Sudeste abriga o maior contingente, com 48,2%, vindo o Nordeste na sequência, com 22,6%, e o Sul, em terceiro, com 17,4%. As três regiões contam com 93 milhões de habitantes. Outra abordagem para medir a força do contingente é o gasto com consumo: em 2009 a classe C (renda familiar entre R$ 1.200 e R$ 4.900) gastou R$ 881 bilhões do total de R$ 2,2 trilhões do País. O salto na área educacional também impressiona: entre 2002 e 2010 os eleitores de nível universitário dessa classe saltaram de 6 milhões para mais de 9 milhões, devendo chegar aos 11 milhões em 2014; na área do ensino médio, os 48 milhões de eleitores do ano passado passarão a 52 milhões em 2014. Saltos, avanços, melhoria de padrão de vida sinalizam maiores exigências na esfera da representação política? Essa é a pergunta que movimentará as bolas de cristal, cada vez mais escassas nos terreiros eleitorais. Vamos às pistas. A alma do eleitor do "Brasil da distribuição de renda e do acesso ao crédito" continua conservadora, fiel aos ritos religiosos, éticos e normativos. É, porém, mais exigente: quer do Estado serviços mais qualificados, a partir da saúde, segurança e educação.

Outra indicação: cultiva o amor à região que o abriga. Por conseguinte, suas necessidades passam pelas demandas do mundo que habita. Seu bairro é o centro das atenções. As questões abrangentes da metrópole soam como abstrações aos ouvidos do eleitor encastelado em sua célula. O cidadão da classe C quer ver o candidato, olho no olho, com soluções claras, simples, factíveis para os setores que afetam seu cotidiano. Os laços de família, a tradição religiosa (os cultos expandem-se na paisagem urbana), os hábitos da região vão plasmando uma comunidade solidária, fraternal, exigente. Sob a perspectiva da política, é razoável supor afinação mais estreita com a representação próxima à causa comunitária. O discurso local vence a expressão global.

Mudou, sim, o tamanho do bolso da classe. E aqui é possível estabelecer uma conexão estreita entre renda e política. A hipótese é de que se forma uma nova geografia do voto, começando na região do bolso - que precisa ser bem suprido e, claro, preservado. A garantia de bolso cheio implica manutenção do status quo. Essa será a condição para a geladeira cheia de produtos. Que preservarão o instinto de sobrevivência, barriga satisfeita, segundo ponto na geografia eleitoral. Uma ponte de agradecimentos liga o estômago saciado ao coração, terceiro espaço geográfico. Culmina o processo com a mensagem que sai do coração para a cabeça. Daí sairá a decisão do voto. A rota, como sói acontecer na política, pode ter muitos desvios.

CLAUDIO HUMBERTO


"O esquema de Cachoeira é como polvo de vários tentáculos"
Wadih Damous, presidente da OAB-RJ, sobre caso Cachoeira envolvendo políticos


PMDB pode indicar Jucá para presidente da CPI

A cúpula do PMDB tenta convencer o ex-líder do governo no Senado Romero Jucá (RO) a assumir a presidência da CPI do Cachoeira. Sua experiência da CPI da Petrobras, conduzida sem sobressaltos para o governo, é referência para sua escolha. Como no caso do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), cotado para a relatoria, a indicação de Jucá representaria reconhecimento ao trabalho como líder do governo.

Bancada sênior

O PMDB se fará representar, na CPI do Cachoeira, por uma bancada de parlamentares experientes para não dar chance a “erros”.

Possíveis nomes

O líder Renan Calheiros (AL), Eunício Oliveira (CE), Vital do Rego (PB) e Lobão Filho (MA) podem ser os demais nomes do PMDB na CPI.

Paralisia à vista

A presidenta Dilma agora acha que CPI só interessa a oposição. Ela teme que a comissão paralise votações importantes no Congresso.

Caciques e índios

Líder do PT, Valter Pinheiro (BA) só chama o correligionário Wellington Dias (PI) de “Índio”. O apelido já ganha adesão de caciques no Senado.

Lupi e Paulinho brigam no PDT por novo ministro

O ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi e o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, travam queda de braço para emplacar o futuro ministro do Trabalho. Presidente do partido, Lupi rompeu com Paulinho após seu veto à indicação do deputado Vieira da Cunha (RS) e defesa Brizola Neto (RJ), seu desafeto na sigla. Dilma decidiu “dar um tempo”. Descobriu que, sem ministro, a pasta vai bem.

Imbróglio

Dilma preferia Vieira da Cunha, vetado pela Força Sindical, e rejeitou Manoel Dias, secretário do PDT e ligado demais a Lupi para ser aceito.

Na pressão

Paulinho da Força procurou Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), esta semana, para cobrar a nomeação de Brizola Neto.

Só falta você

O bloco PTB-PR-PSC, batizado de União e Força e liderado por Gim Argello (DF), ganhou outro apelido no Senado: “Agora só falta você”.

Curta e intensa

O belo voto do ministro Carlos Ayres Britto, no caso dos anencéfalos, sinaliza que sua presidência no Supremo Tribunal Federal será curta, posto que se conclui já em setembro, mas será mesmo intensa.

Nem o MP sabia

O promotor Fernando Krebs revelou que o Ministério Público de Goiás não conhecia o esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira “na dimensão em que apareceu”. A surpresa foi geral, no Estado.

Cintura de pilão

O PMDB está embasbacado com a menção de Dilma ao projeto social do líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN) em reunião com 2.500 prefeitos. Soou como elogio. Madame está aprendendo a jogar.

Na luta

Aos 85 anos e com a humildade que caracteriza seus gestos e a própria vida, o ex-governador da Bahia e ex-ministro da Defesa Waldir Pires (PT) será candidato a vereador, em Salvador.

Sem distinções

A ministra Ideli Salvatti estranhou que o ministro Alexandre Padilha (Saúde) tenha sido “poupado” de convocação. Mas é que, ao contrario dela, ele já havia aceitado convite para comparecer à Câmara em maio.

Guilhotina só coletiva

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) disse a Roberto Requião (PMDB-PR), em papo de cafezinho, que ele deveria relatar a cassação do mandato de Demóstenes: “Para cortar uma cabeça só? Quero não”, respondeu o ex-governador do Paraná.

Beco sem saída

No DEM, avalia-se que “não é tão simples assim” decidir pela fusão com outros partidos. O problema são as desavenças estaduais com o PSDB em estados como Goiás, Sergipe, Rio Grande do Sul e Bahia.

Deixa pra lá

A bancada feminina da Câmara bem que tentou a presença da primeira presidenta eleita do país, Dilma Rousseff, em café da manhã com as deputadas. Diante de negativas sucessivas, desistiram.

Pensando bem...

...o escândalo Cachoeira é o mensalão enjaulado.

Animal errado

No final dos anos 70, quando Arena e MDB eram os partidos autorizados pela ditadura, vivia em Manaus um comerciante sírio, Salim, conhecido por “Jacaré”. Certo dia, às vésperas da eleição de 1978, recebeu uma ligação:
- Aqui é Luís Humberto, da Comissão de Finanças da Arena. Estamos reunindo recursos para a campanha do vice-governador João Bosco, nosso candidato ao Senado. Precisamos de sua contribuição financeira.
- De jeito nenhum, patrício. A Arena só tem leão ou rato. Eu sou Jacaré.