domingo, abril 08, 2012

Além da Rio+20 - MERVAL PEREIRA


O GLOBO - 08/04/12


Uma reunião em Recife nesta semana dará início aos preparativos para o Rio Clima - The Rio Climate Challenge (RCC) -, o grande evento paralelo da Rio+20 sobre clima, iniciativa das subcomissões Rio+20 do Congresso.

Grupos facilitadores, não oficiais, provenientes de países grandes emissores e de alguns países de grande vulnerabilidade, estarão reunidos paralelamente à Rio+20, em junho, para simular e modelar um esforço comum mais ambicioso, visando a um compromisso internacional sobre clima capaz de atender à demanda da ciência face ao aquecimento global.

Na definição do deputado federal Alfredo Sirkis, presidente da subcomissão Rio+20, da Comissão de Relações Exteriores e Defesa, será uma espécie de "jogo de paz" com a simulação de uma negociação entre os principais países emissores, alguns dos mais vulneráveis (menos de 20 ao todo), com a participação de atores supranacionais: agências multilaterais, ONGs, multinacionais, capital financeiro, movimento sindical.

O objetivo é chegar a um shelf agreement (acordo simbólico preparatório) em torno do limite de 450 ppm para manter o aquecimento médio do planeta neste século em 2 graus, seguindo o IPCC, simulando "um cenário factível de mitigação, adaptação e financiamento que mobilize a sociedade, influencie governos e facilite futuros avanços tanto no processo da ONU como em ações nacionais ou de grupos de países".

Serão convidados facilitadores dos seguintes países ou grupos: Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China); União Europeia (Alemanha, França, Reino Unido e UE); Umbrella Group (EUA, Canadá, Austrália, Japão, Indonésia e Rússia); Liga Árabe + Golfo (Arábia Saudita e Qatar); e Aosis (Granada, Tuvalu, Maldivas).

Os grupos de contato dos diferentes países terão três componentes básicos: político, científico e econômico.

Os organizadores pretendem que a formação dessas equipes facilitadoras misture influência política e expertise em modelagem de emissão/mitigação/adaptação e financiamento, temas que serão tópicos principais da simulação de negociações e da métrica.

Um dos principais pontos será a proposta de nova métrica unificada para metas de vários países. Atualmente, utilizam-se vários "anos-base" (1990, 1995, 2000 etc.), ou a intensidade de carbono por ponto percentual do PIB, dificultando a comparação dos esforços de diversos países.

As delegações serão comandadas por estadistas veteranos ou políticos influentes, diplomatas e quadros técnicos para explorar cenários de metas mais ambiciosas para além do Anexo I de Kyoto e dos NAMAS de Copenhagen/Cancún.

Segundo Sirkis, os quatro ex-presidentes brasileiros serão convidados para participarem do encontro em momentos diferentes.

Essas "delegações" poderão manter contato e entendimentos com seus respectivos governos e, na medida do possível, incluir quadros suscetíveis de jogar um papel futuro nas tomadas de posição nacionais relativas às mudanças climáticas.

Mas não devem representar apenas a visão oficial, para que os trabalhos do Rio Clima não reproduzam os eventuais impasses que possam surgir na negociação oficial.

Ao contrário, a ideia é que, livres das amarras oficiais, as "delegações" ofereçam soluções mais amplas que possam servir de pressão para os governos.

Por isso, os organizadores sugerem que, "no componente científico, a prioridade deve ser dada a cientistas, acadêmicos e técnicos de governo que trabalhem com cenários capazes de fornecer aos governos leques de opções. No componente econômico, é recomendável incluir quadros gestores de governos, bancos oficiais e multilaterais e da iniciativa privada".

Além dos grupos de contato por países, haverá um supranacional com a participação de organizações multilaterais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, de setores da economia global - setor financeiro, petróleo, carvão, automobilístico, agrobusiness etc. - e de ONGs de atuação internacional.

O evento paralelo à Rio+20 terá uma abertura com show acústico, em recinto fechado, de grandes artistas internacionais, como Andy Summers, do Police, que vai cantar com Gilberto Gil e outros artistas. Terá também a presença de personalidades de primeira linha, como Maurice Strong, que presidiu a Rio 92, e Yvo de Boer, ex-secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

A ideia, lembra Sirkis, teve por base o famoso Protocolo de Genebra, detalhado acordo de paz Israel-Palestina negociado por duas equipes altamente profissionais lideradas pelo ex-ministro da Justiça de Israel Yossi Beilin e pelo ex-ministro da Cultura da OLP Yasser Abed Rabbo.

Embora esse acordo permaneça na prateleira (shelf) à espera de melhores circunstâncias políticas, o processo de negociação continua inspirando movimentos mundo afora.

Os dois principais negociadores do Protocolo de Genebra participarão das reuniões tanto de Recife quanto do Rio. A presença deles gera uma pauta paralela interessante, na opinião de Sirkis, "num momento em que só se fala de guerra com o Irã e a questão palestina foi mandada às calendas gregas".

Está sendo organizada uma audiência conjunta das comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado com Yossi e Yasser, dedicada à Iniciativa de Genebra, na quinta-feira, dia 12, às 14h, no Senado.

O projeto é transformar o Rio Clima (RCC na sigla em inglês) num think tank permanente do processo de negociação do clima, tanto no da ONU quanto em outros bilaterais ou multilaterais.

Segundo Sirkis, um shelf agreement sobre clima vai ser no futuro um instrumento de mobilização da opinião pública internacional ("Sim, é possível") e pressão/apoio sobre os governos tanto no processo da ONU quanto em outros formatos que a negociação do tema venha assumir (G20, "grandes economias", acordos bilaterais etc.).

Para Sirkis, o Rio Clima fará com que o Rio de Janeiro se mantenha como cidade de referência internacional nas questões ambientais globais, posição conquistada na Rio 92 quando foi assinada a Convenção do Clima.

O teste da facada dos bancos - VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SP - 08/04/12



Redução de juros no BB e na CEF pode se transformar num teste sobre o nível de concorrência bancária


O BANCO DO BRASIL e a Caixa Econômica Federal prometem grande redução das taxas de juros, como no caso do cheque especial. Esperam assim tirar clientes de instituições privadas. A depender de como a coisa vá funcionar, a promoção pode se tornar um teste da concorrência entre bancos comerciais.

O que está havendo?

1) O governo Dilma entrou em rebuliço quando percebeu que o crescimento econômico seria também baixo no primeiro trimestre;

2) O governo atribui parte do marasmo à alta dos juros para o tomador final, apesar da queda da "taxa básica" (a Selic) desde agosto;

3) O governo deu broncas nos bancos. No caso dos estatais, a bronca já teve consequências. O governo acredita que a "liquidação de juros" nos estatais deva induzir os privados a se mexerem.

A expressão "liquidação de juros" vem devidamente entre aspas porque taxas de juros não são bananas ou geladeiras, que em geral vendem mais quando seus preços caem.

A fim de saber a influência que a "queima geral" de juros no BB e na CEF pode ter no mercado, é preciso em primeiro lugar avaliar o tamanho da promoção e as condições em que serão aceitos os novos clientes do juro baixinho. Se o movimento for pequeno, promoção de marketing apenas, não vai fazer efeito.

Segundo, é preciso lembrar que esse mercado de serviços bancários é muito imperfeito, "falho". As empresas são poucas, a informação para o cliente é ruim etc. Mais importante, neste caso: o custo de mudar de banco não é pequeno (a começar pelo custo da amolação).

Terceiro, os bancos privados podem ter razão em dizer que não vão arriscar fundos, fazer mais empréstimos, porque o mar não está para peixe, a inadimplência está alta, a economia se recupera devagar e tudo isso é risco maior -de perdas, de ameaça à saúde financeira da instituição. Podem querer deixar o prejuízo para os estatais (como muita gente pensou, equivocadamente, que seria o caso na expansão de crédito da banca pública em 2008-09).

Mas pode bem ser também que os bancos estejam confortáveis com um (suposto) baixo nível de concorrência e, assim, enfiem a faca à vontade. A facada não ocorre apenas em taxas de juros. Vide o custo da taxa de administração dos fundos de investimento. Os bancos apenas vão se mexer quando o dinheiro começar a migrar para a poupança. Pode ser que o negócio seja dominado pelo oligopólio da indolência e do conforto da baixa competição.

Nesta semana, os bancos vão pedir ao governo medidas que os ajudem a baixar os juros, que de fato são altos também porque o mercado padece mesmo de inseguranças jurídicas que encarecem o crédito e, bidu, há impostos demais.

Se levarem alguma das reivindicações, podem baixar taxas -mas isso ainda demoraria. Pode ser ainda que a redução de juros viesse com a recuperação da economia e da capacidade de pagamento média dos consumidores, mais adiante.

Assim, no curto prazo, a baixa dos juros dos estatais pode ser um teste. Se a ofensiva dos bancos públicos for relevante e os privados reagirem, dentro de alguns meses (tempo bastante para avaliar inadimplências, rentabilidades e juros), pode ser que tenhamos feito um experimento importante sobre a concorrência bancária no Brasil.

Fascinação - LUIZ FERNANDO VERISSIMO


O GLOBO - 08/04/12


Em 1948 o Botafogo jogou em Porto Alegre. O que havia de extraordinário no fato de o Botafogo estar jogando em Porto Alegre? Em primeiro lugar, o próprio Botafogo. Oswaldo, Gerson, Santos (que ainda não era chamado de Nilton para distinguir do Djalma Santos), Geninho, Paraguaio, Otavio... Em segundo lugar, eu, guri, na arquibancada do estádio do Internacional, com inacreditáveis 64 anos menos, maravilhado. Em terceiro lugar, um time do Rio estar em Porto Alegre, uma raridade, na época. Havia pouquíssimo intercâmbio de clubes cariocas e paulistas com clubes do resto do Brasil. Nos campeonatos nacionais de seleções estaduais, a seleção gaúcha invariavelmente eliminava as de Santa Catarina e do Paraná e a vi enfrentar a de São Paulo, que invariavelmente nos eliminava. De sorte que vi alguns jogadores famosos de São Paulo em ação. Do Rio, nenhum. Ademir, Zizinho, Jair etc. - uma geração inteira de estrelas - eu só conheci pelo rádio, ou nas páginas de jornais e revistas (ah, a emoção ainda viva de comprar O GLOBO Esportivo todas as semanas, com retratos dos ídolos distantes em rotogravuras coloridas na capa...). Mas naquela noite memorável, vi o Nilton Santos em pessoa. Carne, osso e áurea.

O Heleno não era mais do Botafogo em 1948. Acho que já tinha ido jogar na Argentina. Talvez ninguém representasse como ele não só o fascínio que os jogadores cariocas que nunca víamos jogar tinham para nós como nossa fascinação pelo próprio Rio, por aquela vida crepitante à beira-mar que também só víamos na imaginação. Assim os amores, as brigas, o cabelo engomado e o perfil de cinema do "Gilda" eram parte da sua legenda tanto quanto o seu futebol. E o seu futebol, confirmam todos que o viram jogar, era magnífico. Até hoje se diz que o melhor ataque já formado numa seleção brasileira, pelo menos no tempo em que os ataques eram de cinco, foi: Tesourinha, Zizinho, Heleno, Jair e Ademir. Heleno era "cerebral", um adjetivo que caiu em desuso no futebol brasileiro, talvez por falta de cérebros, e ao mesmo tempo um finalizador mortal, e grande cabeceador. Tudo isto eu só posso imaginar.

Ainda não vi o filme que o José Henrique Fonseca fez da história do Heleno, mas já gostei. Que faça sucesso e dê frutos: mais filmes sobre futebol - esta paixão nacional tradicionalmente e curiosamente mal aproveitada na literatura e no cinema. É verdade que personalidades como a do Heleno não são comuns no universo do futebol, mas este tem dramas e comédias sem fim só esperando os roteiristas.

Lembranças do passado - SUELY CALDAS


O Estado de S.Paulo - 08/04/12


Quando não há um programa estrutural de longo prazo, um rumo definido e metas consistentes a alcançar, a saída é agir sobre o imediato com paliativos pontuais e temporários. Alguns até têm efeito, embora transitório e de curta duração. Já outros, desgastados e desacreditados pelo uso exagerado, têm efeito nulo - a não ser para o caixa do Tesouro, esvaziado por tantas renúncias fiscais e subsídios de crédito, beneficiando uns poucos e deixando a maioria de fora.

Com o caixa esvaziado, o governo teme perder mais receita, entra num círculo vicioso e renuncia a fazer a coisa certa: avançar sobre uma reforma tributária que alivie a carga de impostos pagos por 190 milhões de brasileiros, obrigados a entregar aos cofres públicos 36% de tudo o que ganham com o seu trabalho.

Foi esse o espetáculo que a presidente Dilma Rousseff e seus ministros apresentaram na última terça-feira, em Brasília, ao anunciarem a segunda fase do Plano Brasil Maior.

No palco, o show sem brilho e repetitivo. Na plateia, lideranças de empresários e trabalhadores, apáticas, descrentes, sem entusiasmo. Os presidentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson de Andrade; da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf; e da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, consideraram as medidas positivas, mas "não resolvem, são paliativos".

Lançada há oito meses, a política industrial do governo Dilma pouco produziu de efeito e até hoje é desconhecida de 72% dos industriais, segundo pesquisa da Fiesp. A segunda versão - na verdade uma reprise vitaminada da primeira - trouxe duas novidades, uma boa e a outra nem tanto. A boa: a desoneração da contribuição do INSS foi ampliada para 15 setores industriais. A outra: um quinto aporte de dinheiro do Tesouro ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), desta vez de R$ 45 bilhões, que vai aumentar a dívida pública e adicionar custo extra ao contribuinte. A desoneração vai custar R$ 7,2 bilhões por ano e o novo aporte capacita o BNDES a conceder R$ 150 bilhões em novos empréstimos este ano.

O propósito da presidente Dilma Rousseff é tirar a indústria do naufrágio, incentivar o setor privado a investir e retomar o crescimento econômico este ano acima da taxa medíocre do ano passado, de preferência próxima de 4,5%. Mas sua equipe econômica confunde qualidade com quantidade. Arquitetou um tsunami de medidas de renúncia fiscal, crédito subsidiado e barreiras à importação, reprisando um modelo usado em fartura pelos governos militares e esgotado há mais de 20 anos.

Se, em algum momento, um produto importado vence a concorrência com o nacional, os homens da Fazenda rapidamente recorrem a alguma ação protecionista: sobretaxam a importação, impõem barreira às compras do governo, no estilo, bem ao gosto dos generais, de criar reservas de mercado e que trouxe enormes atrasos e perdas à qualidade tecnológica da nossa indústria.

Com sabedoria e bom senso, a presidente da República bem que poderia usar seu capital político de 77% de popularidade (ponto para ela nos embates com a base parlamentar) para fincar as bases de um crescimento econômico sólido, avançando nas reformas estruturais e removendo os gargalos da infraestrutura, com a ajuda do investimento privado, de agências reguladoras com perfil técnico e autonomia de ação e regras de regulação estáveis e eficientes.

Se conseguir êxito nas reformas e multiplicar o investimento em infraestrutura, Dilma afasta metade dos entraves que encarecem o custo de produzir no Brasil, com ganhos em competitividade para o produto brasileiro na disputa com concorrentes. Sem nenhum subsídio sujeito a contestações na Organização Mundial do Comércio (OMC), com certeza a indústria exportadora só tem a ganhar.

Na outra metade, dois entraves a superar: acelerar a produtividade e a qualificação do trabalhador brasileiro com investimento em educação; e conceber outra reforma - mais difícil e trabalhosa - do setor financeiro, dirigida a restabelecer o crédito privado de longo prazo para o investimento produtivo e devolver à Bolsa de Valores a função de capitalizar investimentos para as empresas.

Comércio exterior - Além da ampliação de linhas de crédito e do conceito de empresa exportadora, as medidas anunciadas terça-feira não mudam as regras na exportação. Ainda bem. Parte das dificuldades nessa área vem do câmbio, da valorização do real em relação ao dólar. O governo tem agido com o arsenal de que dispõe e, no momento, parece satisfeito com o dólar pouco acima de R$ 1,80. Mas há quem tire do baú velhas e mirabolantes ideias do passado testadas à exaustão e de resultados desastrosos.

Um dos conselheiros mais ouvidos pelo ex-presidente Lula e, dizem alguns, também por sua sucessora, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo fez uma série de propostas extravagantes em entrevista ao Estadão (3/4, B4). A começar pelo câmbio, que, na sua visão, deveria saltar para R$ 2,10, com o governo intervindo diretamente na taxa e abolindo o sistema de flutuação. E a inflação, como fica? Ora, diz ele, "ninguém mais acredita no sistema de metas de inflação". Ou seja, como ele não vê problema se a inflação acelerar, sua proposta é abolir a meta de inflação e o câmbio flutuante.

Apenas dois números para contrapor tal exotismo: em 12 anos de vigência, só em três anos (2001 a 2003) a inflação ultrapassou a meta. Desde então, o índice não passa de 6,5% e, em 2006, ficou em 3,14%, abaixo do centro da meta. Ou seja, se hoje a inflação não rouba dinheiro dos brasileiros, isso se deve ao sistema de metas. Quanto ao câmbio, basta lembrar que a receita com exportação patinava até a chegada do câmbio flutuante, em 1999. Depois disso a receita disparou, saltando de US$ 48 bilhões para US$ 256 bilhões, em 2011. E tem produzido expressivos saldos comerciais para o País.

Na entrevista, Belluzzo diz-se saudoso de outro exotismo fora de época: o programa Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação (Befiex) e o crédito-prêmio de IPI, criados pelo ex-ministro Delfim Netto, há quase 40 anos, para estimular exportações e extintos porque foram condenados pela OMC. O Befiex isentava de tributos insumos usados em produto exportado e o crédito-prêmio doava verba pública às empresas que exportassem. Os dois implicavam brutal transferência de renda da população para empresas exportadoras.

Ataque especulativo - VERA MAGALHÃES - PAINEL

FOLHA DE SP - 08/04/12

O Planalto já identificou no bloco PR-PTB do Senado um movimento organizado para ocupar uma vaga na Esplanada. O principal alvo é o Ministério de Desenvolvimento e Indústria, de Fernando Pimentel. O senador Blairo Maggi (MT) é o nome do grupo para o cargo.
Como Dilma Rousseff se recusa a dar o Ministério dos Transportes para o PR, a solução seria oferecer outra pasta para esse grupo que é maior, com 14 senadores. Integrantes do bloco confirmam o objetivo. "Não temos pressa. Se Dilma pedir, temos um estoque de opções para lugares nos quais estão sentados nomes menores que as cadeiras'', alfineta um senador.

Combo Os partidos querem ampliar o bloco com o PSC, do senador Eduardo Amorim (SE). A ideia é passar a bancada do PT e, no ano que vem, pleitear a primeira vice-presidência da Casa.

Nova chance O advogado Márcio Thomaz Bastos deve impetrar nesta semana novo habeas corpus para tentar a soltura de seu cliente Carlinhos Cachoeira, preso desde fevereiro por acusação de contravenção como resultado da Operação Monte Carlo.

Manancial O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), agora às voltas com Cachoeira, destinou R$ 1 milhão em emenda ao Orçamento de 2005 para a construção de um lago artificial de 44 mil m² em Barro Alto, próxima ao entorno do DF, que tem 6 mil habitantes.

Cotada A pequena Barro Alto atrai negócios. Foi lá o primeiro contrato de consultoria da Sabesp, em 2010. A cidade tem grande jazida de níquel, que levou uma mineradora multinacional a investir R$ 2 bilhões.

Luxo Em uma conversa interceptada pela PF, Cachoeira conversa com um interlocutor a respeito da compra de um imóvel em Miami. O empresário pede uma casa com saída para o mar, mesmo advertido de que o preço chegaria a R$ 7,5 milhões.

Lula... Marcos Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, será candidato a vereador em São Bernardo. Ele deixou o cargo de diretor de Turismo da prefeitura na quinta-feira. Sua candidatura foi acertada entre Lula e o prefeito Luiz Marinho.

... lá Marcos Lula já pleiteou uma vaga na Câmara da cidade em 2008, mas teve a candidatura impugnada às vésperas da eleição por ser filho do presidente. Ainda assim teve mais de 3.000 votos.

Médio prazo Pré-candidato ao governo paulista em 2014, Paulo Skaf protagonizará as inserções regionais do PMDB no interior de São Paulo a partir de terça-feira.

Bonde O PMDB gravou 40 programas diferentes e, além do dirigente da Fiesp, aparecerão o presidente estadual, Baleia Rossi, e os nomes da sigla para as eleições nas maiores cidades.

Parabólica 1 Em ano eleitoral, câmaras de 39 cidades da Grande São Paulo montam estrutura para veiculação de programação em sinal aberto e digital de TV.

Parabólica 2
 Após aval da Anatel, as sessões poderão ser transmitidas pelo canal 61. O consórcio de legislativos quer contratar a EBC para a produção de conteúdo e confecção da grade.

Razões Aqueles que aconselharam o governador Geraldo Alckmin a nomear Márcio Rosa para o cargo de procurador-geral do Estado argumentaram que o primeiro colocado na eleição interna, Felipe Locke, havia assumido muitos "compromissos corporativos" na campanha.

com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI

tiroteio

"Não sei o que é pior: um prefeito que abandona a cidade deixando o cargo no meio do mandato ou um prefeito que abandona a cidade ficando na cadeira."
DO PRÉ-CANDIDATO DO PT À PREFEITURA DE SÃO PAULO, FERNANDO HADDAD, aproveitando para atacar tanto o adversário José Serra quanto o atual prefeito e aliado do tucano, Gilberto Kassab (PSD).

Contraponto

Fuga em massa


O vice-presidente da República, Michel Temer, participava de evento na casa do deputado Newton Cardoso (PMDB-MG) para comemorar a viagem feita ao Líbano, no final do ano passado. Enquanto os deputados jantavam, duas dançarinas do ventre entraram no ambiente.
Surpresos, os parlamentares se entreolharam e aguardaram o término da primeira dança para sair de fininho pela cozinha, guiados por Temer. Quando as dançarinas voltaram para concluir o show, uma delas indagou:
-Gente, cadê todo mundo? Cadê o vice?

Demóstenes - ROBERTO ROMANO


O Estado de S.Paulo - 08/04/12


Hérmias foi um político afortunado, mas caído em desgraça por trair o rei da Pérsia em favor de Felipe II da Macedônia, pai de Alexandre Magno. Demóstenes, inimigo de Felipe e do soberano persa, aproveitou a deixa e, no parlamento de Atenas, denunciou as vilanias de Hérmias. Escutemos o discurso do bravo Demóstenes: "O agente e cúmplice de Filipe (...), durante a ação que Filipe prepara contra o Grande Rei (persa), foi finalmente preso. Assim, o Grande Rei virá a conhecer toda a trama e não através de nossas acusações, que poderiam parecer geradas pelos nossos interesses particulares, mas diretamente através do principal artífice executor" (Demóstenes, Quarta Filípica, 10).

A prisão de Hérmias ocorreu na luta pelo controle de Bizâncio. Ele foi torturado segundo as técnicas habituais. Impressiona, no discurso do insigne Demóstenes, o silêncio sobre o jeito como o soberano persa encontrou a "verdade". Como diz Luciano Canfora, o retor grego "tinha plena consciência dos 'métodos' com que o rei da Pérsia arrancava a verdade de suas vítimas". Demóstenes sabia ser valente nas bravatas, pisoteando a desgraça de um adversário fraco (Um Ofício Perigoso, Editora Perspectiva).

O mais vil em Demóstenes não é a sua bravata. Ele sabia de antemão, como indica ainda Luciano Canfora, o conteúdo das confissões que seriam arrancadas de Hérmias, pois tinha espiões entre os inimigos. O pior fato, calado pelo político na sua arenga aos parlamentares, é que ele mesmo, o bravo perseguidor de corruptos, era um corrompido: seu nome estava no livro-caixa do "Grande Rei". O fato foi descoberto quando Alexandre, sucessor de Felipe, abriu os arquivos persas após sua vitória. Canfora indica o passo de Plutarco (Vida de Demóstenes, 20), mas não cita o que diz o filósofo sobre o nosso herói de reputação ilibada.

Escutemos: "Demóstenes era homem em quem não se poderia muito confiar no campo das armas, nem era ele muito prevenido contra a corrupção dos presentes e doações; pois, embora fosse impossível que Felipe o conquistasse, ele, no entanto, se deixava comprar a preço do ouro e da prata que vinham de Susa e de Ectabane. Disposto a louvar os belos e gloriosos feitos de seus velhos ancestrais, ele não seguia ou imitava seus exemplos". Susa, Ectabane e Babilônia eram cidades nucleares da Pérsia antiga... Plutarco, mestre da ética ocidental, com poucos vocábulos diz tudo sobre o duplo lado de um parlamentar oficialmente impoluto.

Uma prática nefanda, sempre em voga na vida política desde os tempos gregos, é a técnica do desmascaramento alheio para preservar a própria face. A máscara, que todo ser humano usa para guardar os próprios segredos, serve como arma de proteção e ataque. Todo indivíduo maneja a própria máscara e, "como ator, nela se transforma" (Elias Canetti, O Personagem e a Máscara). Quem pretende desmascarar os semelhantes deles retira a defesa e o possível ataque no mundo social. Desmascarar é cobrir o rosto com uma outra máscara, a de assassino da vida moral alheia. O pior inimigo de qualquer sociedade é o desmascarador, o Demóstenes que lateja em todo poderoso.

Raros parlamentares, na História ocidental, podem estar seguros de que o livro-caixa, espelho que revela o seu verdadeiro semblante, jamais virá à luz diurna. Douto e ardiloso, Bismarck, o chanceler de ferro: "Ah, se as pessoas soubessem como são feitas as salsichas... e as leis!"

O desmascarador pode ser movido por vários motivos: o ressentimento, a inveja, o ódio sectário, a concorrência infeliz, as desilusões financeiras, amorosas, etc. Não raro, ele é movido por algo que, em outro tratado de Plutarco, se designa como kakourgia, o erotismo de ver o mal que se abate sobre os demais. Na língua alemã existe o termo Schadenfreude, alegria com a tristeza do próximo.

Quando se diz que alguém finge ser honrado como os varões de Plutarco, não se tem ideia exata do pretendido por ele em suas biografias de indivíduos ilustres. Cada herói grego tem ali o contraponto de uma personalidade romana. Tal forma estilística serve para analisar os personagens em perspectiva, comparando virtudes e defeitos dos retratados. Não existe grego ou romano absolutamente puro. Fino observador ético, Plutarco mostra os erros dos generais, políticos, pensadores, sobretudo o seu excesso de virtude transformado em vício. O conceito filosófico para designar tal inchaço é hybris, orgulho sem medida, usado nas tragédias atenienses. Na Ética de Spinoza, o mesmo conceito recebe um nome exato, existimatio: a ideia de si mesmo que tem o soberbo, julgando estar acima dos demais. O soberbo imagina ser lícito desprezar, caçoar, humilhar os fracos e "inferiores". O desmascarador é atacado pela hybris (na religião cristã, o pai da mentira, Lúcifer, é soberbo) e se compraz em sua almejada preeminência sobre os semelhantes.

Ainda Spinoza, no Tratado Político, aponta os intelectuais como ícones da soberba. "Os filósofos concebem as afecções que lutam em nós como vícios nos quais os homens caem por sua falta. Por tal motivo eles se habituaram a ridicularizar e deplorar tais afecções e, mesmo, as detestar se desejam parecer mais imbuídos de moral. Acreditam agir divinamente, elevados ao cume da sabedoria ao elogiar, entusiastas, uma natureza humana inexistente, invectivando em discursos a que existe na realidade". Seguidor de Maquiavel, ele arremata dizendo que os políticos não possuem tal soberba, embora vivam construindo armadilhas para os seus iguais e para os governados. Quando um político assume a máscara do moralista para destruir os seus pares, trata-se de astúcia imprudente. Pois a pedra colocada por ele na trilha dos outros, com muita probabilidade, o fará tropeçar. Afinal, todo livro-caixa oculto, cedo ou tarde, pode ser aberto.

O emergente e a potência - ELIANE CANTANHÊDE

FOHA DE SP - 08/04/12

BRASÍLIA - A beligerância verbal e as idiossincrasias entre o Brasil e os EUA esfriaram muito de Lula para Dilma. E os interesses continuam.

O Itamaraty está mais tímido, e Dilma não é tão bom produto de política externa quanto Lula era, mas ela também é altamente popular, tem o trunfo real de ser a primeira presidente brasileira mulher e é quem, de fato, dá a linha da diplomacia brasileira -para os EUA, "uma diplomacia de valores, não só de interesses".

É possível acrescentar: sem uma busca frenética por lideranças que ou são naturais, como na América do Sul, ou prematuras, como nas negociações de paz no Oriente Médio.

Poucas pautas de Dilma são tão ricas e importantes como a que ela leva para Washington. Há desde o "Ciência sem Fronteiras" (intercâmbio de estudantes que os dois lados enaltecem) até inúmeros entreveros comerciais, o foco em energia e as espinhosas questões de Síria e Irã. Os EUA insistem na tática de torniquetes financeiros, econômicos e comerciais, enquanto o Brasil contra-argumenta que isso só piora as coisas.

No caso da Síria, o Brasil tenta se equilibrar entre os EUA e a Rússia e a China -parceiros nos Brics que dão suporte ao regime assassino de Assad-, mas o embaixador Thomas Shannon (EUA) minimiza: "Brasil e EUA pensam quase igual, o vocabulário é que é diferente". (Cá para nós, vocabulário é tudo em diplomacia...)

Mas a questão mais delicada nem é Síria, é Irã. O Brasil teme que a política de sanções chegue a um resultado oposto, empurrando os aiatolás para a guerra. Já os EUA pressionam o Irã para evitar, por tabela, que Israel vá às armas. A ação do Ocidente seguraria os ânimos dos israelenses.

Portanto, o lado mais visível da visita de Dilma aos EUA será a economia, mas o que vai valer mais não será o dito em público, mas o não dito. Ou melhor, o dito entre Dilma e Obama, a portas fechadas, sobre os sólidos interesses bilaterais e as escorregadias questões internacionais.

GOSTOSA


É o medo da especulação - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 08/04/12


A primeira qualidade de um bom estrategista é identificar a principal ameaça e, em seguida, atacá-la com eficácia. Lutar em várias frentes ao mesmo tempo e com inimigos diferentes quase sempre leva ao fracasso. É o que o governo Dilma parece ignorar.

Seus ministros se espalham, mais ou menos atarantados, e se dedicam a armar artilharias particulares contra inimigos secundários ou até imaginários. Às vezes tudo se resume a uma grande guerra cambial, como a identificada pelo ministro Guido Mantega. A presidente Dilma Rousseff não vê nenhuma guerra a enfrentar, mas um tsunami monetário, espécie de catástrofe provocada pelos grandes bancos centrais.

O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, por sua vez, revela duas obsessões: atacar a concorrência predatória (chinesa) ao produto brasileiro e neutralizar pretensos estragos provocados pelo capital especulativo.

Contra esse último item propõe operação abrangente e radical: taxar com IOF toda e qualquer venda de moeda estrangeira no mercado interno. Se depois for comprovado que esse capital veio para gerar riquezas e empregos, a proposta é devolver ao investidor os recursos tomados. O importante para o ministro é que toda a entrada de capital seja de longo prazo.

O problema aí é achar que a ameaça se concentra no capital especulativo, que só é perigoso quando o país não tem reservas externas - como o Brasil no passado. Hoje, a economia brasileira está defendida por colchão de US$ 365 bilhões.

Ou o capital especulativo opera no curtíssimo prazo ou não é especulativo. É de sua natureza chegar, morder, tirar proveito imediato do que pretende e, em seguida, ir embora. Quando entra no País, o capital especulativo ajuda, sim, a provocar sobrevalorização do real (baixa da cotação do dólar), tão temida pela indústria por lhe tirar competitividade. Mas, ao sair, produz o efeito contrário. Se o fluxo de capitais especulativos é relativamente grande, todos os dias há um entra e sai de moeda estrangeira, cujo efeito líquido sobre o câmbio tende à soma zero - e não uma decorrente valorização constante do real.

Montar uma megaoperação destinada a evitar ou afugentar capitais especulativos é, em primeiro lugar, eleger o inimigo errado. E, em segundo lugar, implica consumir grande quantidade de energia em políticas artificiais.

Em princípio, não haveria nada de especialmente errado em adotar uma política econômica "diferente de tudo o que está aí" - como exigia o PT do Congresso de Olinda, de 2001. Mas é preciso que seja consistente.

A atual política econômica do governo Dilma é reativa. Há apenas dois meses não se importava nem um pouco com o esvaziamento da indústria. De repente, entendeu que virou caso para chamar o corpo de bombeiros.

A nova política do governo tende a contra-atacar ameaças esparsas com providências improvisadas. O sujeito ficou ansioso demais? Meta-lhe Rivotril . Ficou deprimido? Aplique-lhe doses fortes de Ritalina. Passou a tossir demais, injete-lhe antibióticos na veia.

Esses são procedimentos que tentam atacar sintomas, não fortalecer o organismo; ao contrário, tendem a criar novos desequilíbrios.

Amores fakes – ou quem é quem? - WALCYR CARRASCO


REVISTA ÉPOCA

Fiz um perfil falso com fotos de um ator pornô. Tive uma legião de fãs – e fui até convidado para ser modelo 
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Walcyr Carrasco (Foto: reprodução)
Há alguns anos minha autoestima andava no dedão do pé. Sofrera uma rejeição terrível. Para compensar, me fartava de chocolates. Tinha dificuldade até de viajar de avião, porque minha barriga batia na poltrona da frente. Quando a gente está mal, inventa bobagem. Era a época de ouro do Orkut. Criei um fake, com um nome charmoso que não revelo nem sob tortura. Pesquisei na internet. Capturei umas fotos lindas de um ator pornô americano. Não usei as explícitas, minha loucura não chegou a tanto. Botei as melhores sem camisa, de sunga, até uma de terno e óculos. Imaginei uma biografia. Meu fake era um jovem estudante de arquitetura que parou o curso por falta de grana. Inscrevi-me nas comunidades em que logicamente ele se abrigaria: de arquitetura, decoração, filmes. E convidei gente para fazer “amizade”. Para minha surpresa, todos topavam sem muitas perguntas. Dali a pouco a página estava cheia, e os amigos atraíram outros contatos. Nas mensagens pessoais, contava minha saga, falava sobre minhas dificuldades financeiras, dizia buscar um grande amor. Em pouco tempo, tinha uma legião de fãs de ambos os sexos. Recebi dicas de empregos. Uma garota me convidou para um fim de semana em Búzios. (Bem, não sei se era uma jovenzinha, também podia estar me enganando.) Um paulista fez confidências sobre sua picante vida amorosa e declarou que eu era seu melhor amigo. Várias pessoas tentaram marcar encontros. Fingia que topava, mas na última hora dava uma desculpa. Por uma questão de princípio, nunca deixei ninguém esperando. Finalmente, um booker de uma agência de modelos me convidou para fotos. Eu me senti realizado. Cheguei a me admirar no espelho, vitorioso:
– Consegui! Consegui! Fui convidado para ser modelo.
Passado o instante de glória suprema, refleti melhor:
– Mas o convite é para o fake. Aquele corpo não é o meu.
Só então percebi o grau de piração em que tinha entrado. Aquele personagem já se tornara parte de mim. Reagia às cantadas, aos elogios, como se fossem dirigidos a mim mesmo. Só que, do outro lado do espelho, havia somente meu velho eu. Para minha própria saúde mental, abandonei o fake.
Um amigo fez pior. Estava em crise no casamento. Entrou em sites de relacionamento com um perfil falso. Feminino. Fazia charme, viveu relacionamentos profundos.
– Cheguei a ter um envolvimento que durou seis meses. O sujeito nunca suspeitou que eu também fosse homem. Já falava em termos uma vida juntos!
É incrível pretender se casar com alguém que só se conhece virtualmente. Mas acontece.
Meu amigo destruiu o perfil e superou a crise matrimonial.
No mundo dos adolescentes, os fakes se tornaram um problema. Garotas usam fotos de mulheres adultas, algumas seminuas. Meninos, de rapazes malhados. Estabelecem relacionamentos com pessoas acima de sua idade. Até fingem relações amorosas. Discutem sexo. O encontro ao vivo não acontece. Mesmo assim, são experiências que não estão preparados para viver. Como aconteceu comigo, fantasiam ser outra pessoa. Um educador diz:Alguns atores globais, de nomes não revelados, se deram mal. Um safado criou um fake de uma mulher sensual. Não sei como fez tecnicamente, mas usou filmes pornográficos. Os cativados “conversavam” com a câmera aberta. A mulher interagia com stripteases e ofertas sexuais. O vigarista gravou tudo. Inclusive o “entusiasmo” dos famosos. Mais tarde, eles receberam o recado para depositar R$ 50 mil em determinada conta. Ou os vídeos seriam expostos na internet. Conta-se que muitos pagaram. Outros acabaram na web. Sem nunca contar o que realmente aconteceu, para o mico não ser maior.
– É mais comum do que se pensa. Adolescentes e até crianças se escondem atrás de fakes. Não é saudável. Substituem as experiências dessa fase da vida por uma falsa, virtual.
Redes sociais como o Facebook estipulam uma idade mínima para participar. Com os fakes, a proibição torna-se nula.
Viver um personagem pode ser mais agradável que enfrentar os desafios da realidade. Embora os adolescentes sejam mais frágeis, isso vale para todas as idades. É um risco para o equilíbrio psicológico.
Reconheço que fiquei balançado ao me relacionar por meio de um fake. Desisti. Optei pela vida real. Às vezes, confesso, sinto saudades. Visito a página de meu personagem. Anos depois, ainda há quem envie poesias românticas ilustradas com rosas vermelhas.
Sem dúvida, provoquei algumas paixões. 

O presidente Demóstenes em Nova Iorque - ELIO GASPARI


O GLOBO - 08/04/12

Setembro de 2015: eleito presidente da República em novembro do ano passado, Demóstenes Torres chegou ontem a Nova Iorque para abrir a Assembleia Geral das Nações Unidas. Reuniu-se com o presidente Barack Obama, de quem cobrou uma política mais agressiva contra os governos da Bolívia, do Equador e da Venezuela, "controlados por aparelhos partidários que sonham em transformar a América Latina numa nova Cuba". Antes de embarcar, Demóste- nes abriu uma crise diplomática com o Paraguai, anunciando sua intenção de rever o Tratado da Hidrelétrica de Itaipu.

O presidente brasileiro assumiu prometendo fazer "a faxina ética que o país precisa". Para isso, criou um ministério com superpoderes, entregue ao ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Numa reviravolta em relação a suas posições anteriores, o presidente apoiou um projeto que legaliza o jogo no país. Ele reestruturou o programa Bolsa-Família, reduzindo-lhe as verbas e criando obstáculos para o acesso aos seus benefícios. Patrocinou projetos reduzindo a maioridade penal para 16 anos e autorizando a internação compulsória de drogados. Determinou que uma comissão especial expurgue o catálogo de livros didáticos distribuídos pelo Ministério da Educação. Atualmente, percorre o país pedindo a convocação de uma Assembleia Constituinte. A oposição do Partido dos Trabalhadores denuncia a existência de uma aliança entre o presidente e quase todos os grandes meios de comunicação do país.

Ao desembarcar no aeroporto Kennedy, Demóstenes ironizou as críticas à presença de uma jovem assessora na sua comitiva: "Lamentavelmente, ela não é minha amante, porque é linda". À noite, o presidente compareceu a um jantar no restaurante Four Seasons, organizado pelo empresário Claudio Abreu, que até março de 2012 dirigia um escritório regional de relações corporativas da empreiteira Delta. Abreu é o atual secretário-executivo da Comissão de Revisão dos Contratos de Grande Obras, presidida pelo ex-procurador geral Roberto Gurgel. Chamou a atenção na comitiva do presidente o fato de alguns integrantes carregarem celulares habilitados numa loja da rua 46. Eles são chamados de "Clube do Nextel".

Em 2012, a carreira do atual presidente foi ameaçada por uma investigação que o associava ao empresário Carlos Augusto Ramos, também conhecido como "Carlinhos Cachoeira", marido da ex-mulher do atual senador Wilder Pedro de Morais, que era suplente de Demóstenes. O trabalho da Polícia Federal foi desqualificado pela Justiça. O assunto foi esquecido quando surgiram as denúncias do BolaGate contra o governo da presidente Dilma Rousseff envolvendo contratos de serviços e engenharia de estádios para a Copa do Mundo cancelada em 2013. A eleição de campeões da moralidade é um fenômeno comum no Brasil. Em 1959, Jânio Quadros elegeu-se montando uma vassoura. Em 1989, triunfou Fernando Collor de Mello. O primeiro renunciou numa tentativa de golpe de Estado e terminou seus dias apoquentado por pressões familiares para que revelasse os números de suas contas bancárias no exterior. O segundo deixou o poder acusado de corrupção e viveu por algum tempo em Miami, elegeu-se senador e apoiou a candidatura de Demóstenes. O tesoureiro de sua campanha foi assassinado.

Presente ao jantar do Four Seasons, o empresário Carlos Augusto Ramos não quis falar à imprensa. Ele hoje lidera o setor da indústria farmacêutica brasileira beneficiado pelos incentivos concedidos no governo anterior. Ramos chegou acompanhado pelo ministro dos Transportes, Marconi Perillo, que governou o estado do presidente e foi o principal articulador do apoio do PSDB à sua candidatura. Uma dissidência do PT, liderada pelo deputado Rubens Otoni, também apoiou a candidatura de Demóstenes. O presidente anunciou que a BingoBrás será presidida por um ex-petista.

Abril de 2012: quem conhece o tamanho do conto do vigário moralista de Fernando Collor e Jânio Quadros sabe que tudo o que está escrito aí em cima poderia ter acontecido.

Cotas

Pelo andar da carruagem, o Supremo Tribunal Federal julgará nos próximos meses a ação de inconstitucionalidade das cotas para afrodescendentes nas universidades públicas.

Seu novo presidente, Carlos Ayres Britto, assumirá na semana que vem com mais um item na agenda: prioridade para processos que ajudem a Viúva a obrigar larápios a devolver o que embolsaram.

Tesoura no MP

Por falar em caça aos larápios, está à espera de julgamento no STF uma ação da Associação dos Membros de Tribunais de Contas do Brasil pedindo que se declare inconstitucional uma lei aprovada em Roraima, tirando a autonomia dos Ministérios Públicos dos TCs.

Cortar as asas dos procuradores é o objeto do desejo de muita gente, inclusive da pior gente.

Novo nome

Não se supunha que surgissem tantas dificuldades para preencher os sete lugares da Comissão da Verdade.

Na última semana, surgiu uma ideia, apenas uma ideia. A de convidar o cardeal Claudio Hummes, de 77 anos. Ex-arcebispo de São Paulo. Até 2010 dirigiu a poderosa Congregação do Clero, na Cúria romana.

Durante as greves do ABC, quando o Brasil começou a ouvir falar em Lula, ele era bispo de Santo André e solidarizou-se com os trabalhadores. Ao longo do pontificado de João Paulo II, afastou-se da igreja militante. Será difícil rotulá-lo.

Resta saber se aceita.

Boa notícia

O Supremo Tribunal Federal decidiu enviar ao Congresso um projeto de lei vedando a destruição de processos judiciais.

Se a Câmara e o Senado trabalharem rápido, acaba a piromania destruidora de uma parte da história nacional, autorizada no governo de José Sarney.

A ideia era destruir processos considerados irrelevantes. Por exemplo: como o de um pernambucano que teve um dedo decepado num acidente de trabalho. Era o dedo de Lula, cujo processo foi destruído.

A preservação dos documentos tem um custo elevado para o Judiciário, mas pode-se chegar a uma solução com a ajuda de universidades e filantropos. A Justiça do Trabalho do Rio Grande do Sul já dá o exemplo.

Lula 2.0

Nosso Guia telefonou para o empresário Eike Batista, solidarizando-se com o seu filho, aperreado pelo episódio em que atropelou o ciclista Wanderson Pereira dos Santos.

Ao tempo em que ele rodava o programa Lula 1.0, teria ligado também para a família de Wanderson, que morreu.

Dilma no Taj

A doutora Dilma já foi turista de dinheiro curto. O que ela diria se chegasse a Agra com apenas poucas horas da manhã disponíveis e, indo ao Taj Mahal, fosse informada de que o monumento estava fechado para uma visita especial do presidente José Sarney e sua comitiva?

Monumentos suntuosos sem povo por perto são coisa de monarcas delirantes. O Xá Jahan, que construiu o Taj, foi declarado incompetente pelo filho e morreu em prisão domiciliar.

Quando a doutora foi ao Metropolitan, de Nova Iorque, e percorreu a exposição de Franz Hals, não passou pela cabeça de seus áulicos pedir que fechassem a mostra. Tomara que em sua visita a Washington não queiram fechar a National Gallery.

Perigosa assimetria - JOSUÉ GOMES DA SILVA

FOLHA DE SP - 08/04/12

Em recente painel do qual participei na Organização Mundial do Comércio (OMC), sobre o impacto do desalinhamento do câmbio, observei que o problema pode provocar perdas irreversíveis na estrutura manufatureira de países com moedas supervalorizadas. O Brasil é um exemplo.

A despeito de nossa economia vir apresentando evolução positiva, houve desaceleração acentuada no crescimento em 2011 devido em parte ao controle inflacionário, mas também ao fraco desempenho da indústria. Esse quadro deve-se à intensa concorrência estrangeira, ajudada pelo real sobrevalorizado, enquanto a maioria das importações vem de países com moedas desvalorizadas.

O superavit comercial médio do Brasil desde 2008, entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões, advém principalmente das commodities. Os manufaturados tiveram deficit de US$ 92,5 bilhões em 2011. Apenas há seis anos haviam registrado saldo positivo de US$ 5,1 bilhões.

A deterioração foi assustadoramente rápida! Enfatizei isso na OMC. Aliás, foi uma grande conquista da diplomacia brasileira conseguir que os impactos dos desalinhamentos cambiais fossem debatidos nesse organismo.

Notamos que começa a se formar forte opinião na comunidade internacional de que as distorções devem ser corrigidas. Até as duras trocas de acusações entre as representações do governo americano e do chinês devem ser entendidas como reconhecimento do problema.

No Brasil, lembramos, juros e impostos elevados, energia e logística caras e a "guerra fiscal dos portos" praticada por alguns Estados também contribuem para os problemas enfrentados pela indústria. Porém nenhum fator compara-se ao impacto esmagador do câmbio.

Em todas as metodologias para calcular tal desalinhamento, a conclusão é a mesma: o real está supervalorizado, e a moeda de vários de nossos parceiros comerciais, subvalorizada.

A Fundação Getulio Vargas calcula em 30% e, com base nesse índice, mostra que as tarifas de importação brasileiras são negativas para todos os grupos de produtos.

Assim, em vez de proteger a produção nacional, incentivam importações. E mais: se essas taxas fossem ajustadas para considerar a desvalorização das moedas de nossos parceiros, fica mais gritante o impacto da dupla assimetria, que reduz a competitividade, faz cair as receitas e a lucratividade das exportações, incentiva o ingresso de manufaturados estrangeiros, inibe investimentos e rompe cadeias de abastecimento.

Portanto, a dupla assimetria precisa ser solucionada no âmbito do comércio exterior. Caso contrário, pode recrudescer o protecionismo, na contramão de regras multilaterais justas e civilizadas.

PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV


7h - Levante x Atl. de Madri, Campeonato Espanhol, ESPN e ESPN HD

9h30 - M. United x QPR, Campeonato Inglês, ESPN Brasil

9h45 - Munster x Ulster, Heineken Cup (rúgbi), ESPN HD

9h45 - Brasil x Macedônia, Pré-Olímpico masc. de handebol, ESPN

10h - RJX x Vôlei Futuro, Superliga masc. de vôlei, Globo

10h30 - Schalke x Hannover, Campeonato Alemão, Bandsports

11h - Mundial masc. de curling, Final, Sportv 2

12h - Arsenal x M. City, Campeonato Inglês, ESPN Brasil

12h30 - Hamburgo x Bayer Leverkusen, Campeonato Alemão, Bandsports

15h - Masters Tournament, Golfe, ESPN e ESPN HD

16h - Brasil x Colômbia, Copa Davis, Sportv 2

16h - Guarani x Palmeiras, Campeonato Paulista, Band e Globo (para SP)

16h - Botafogo x Friburguense, Estadual do Rio, Band e Globo (menos SP)

16h - GP do Qatar, MotoGP, Sportv e Sportv HD

16h30 - Real Madrid x Valencia, Campeonato Espanhol, ESPN Brasil

18h30 - XV de Piracicaba x Ponte Preta, Campeonato Paulista, Sportv

20h - Chicago Cubs x Milwaukee Brewers, Beisebol, ESPN e ESPN HD

CLAUDIO HUMBERTO

“É impossível ser esse ano”

Gustavo Vale, presidente da Infraero, descartando novo leilão de aeroportos em 2012

GOVERNADORES QUEREM ABAFAR CPI DE CACHOEIRA 

Com as ramificações do escândalo envolvendo Carlinhos Cachoeira se estendendo a outros partidos, governadores e prefeitos têm acionado lideranças na Câmara na tentativa de abortar a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará as tratativas do bicheiro. Eles temem que a “politização das investigações” prejudique candidatos e alianças fechadas para as eleições municipais deste ano.

NOME SUJO

Autor do requerimento para criar a CPI, Protógenes Queiroz (PCdoB) garante ter amplo apoio dos líderes: “A Câmara precisa limpar o nome”. 

SEGUNDO INQUÉRITO

Disputam a relatoria da CPI de Cachoeira os tucanos Fernando Francischini, delegado da PF, e Carlos Sampaio, promotor de Justiça.

INTERESSADOS

No PMDB, já declararam interesse em participar da CPI os deputados Fábio Trad (MS), Íris de Araújo (GO) e Francisco Escórcio (MA).

DEM TÁ DENTRO

O deputado Pauderney Avelino, um dos primeiros do DEM a assinar requerimento pela criação da CPI, também quer uma vaga.

DF: PM FINGE QUE TRABALHA E ENGANA COMANDO

O governo petista do DF enfrenta grave problema de falta de comando e até de indisciplina na Polícia Militar, e a Secretaria de Segurança Pública já percebeu: a pretexto da “operação-tartaruga” que pressiona por melhores salários, embora já sejam os mais bem pagos do País, os PMs ficam aquartelados quando estão escalados, e saem às ruas apenas os que recebem adicional de R$ 250 por dia para trabalhar na folga. Como estes são minoria, quase não se veem policiais nas ruas.

ENGANAÇÃO

A PM não registra ausência de policiais ao trabalho, e divulga que “tudo está dentro da normalidade”. Mas na prática a teoria é outra. 

CELEBRAÇÃO DO CRIME

A cada recorde na criminalidade, os chefes da “operação-tartaruga” da PM-DF insultam a população com e-mails de comemoração aos jornais.

COISA DE BANDIDO

O secretário de Segurança do DF, Sandro Avelar, não se conforma com PMs comemorando a criminalidade no DF: “Isso é coisa de bandido”.

DECADÊNCIA

A indicação de Marta Suplicy para embaixada em Washignton revoltou diplomatas de carreira, que sem padrinho levam 15, 20 anos para alcançar posto tão cobiçado, e já teve nomes como Joaquim Nabuco, Oswaldo Aranha, Roberto Campos e Marcílio Marques Moreira.

FAMÍLIA ESTATAL

O nepotismo voa na Infraero: documentos em poder da coluna mostram filhas, irmãos e sobrinhos de diretores e gerentes em meteóricas promoções salariais de quase 100%. A contratação de consultoria para reestruturação dorme há 1 ano na gaveta.

PONTO DE ENCONTRO

Para o vice-presidente da Caixa Econômica, Geddel Vieira Lima (PMDB), o deputado Antônio Imbassahy (PSDB) pode ser o “ponto de encontro” das oposições nas eleições municipais para a capital baiana.

NA TORCIDA

Líder do PSD, Guilherme Campos (SP) diz estar “bem encaminhado” o acordo para o secretário de Educação, Alexandre Schneider, ser o vice de José Serra em São Paulo: “Ele tem a confiança do candidato”.

CERCO NO TRÁFICO

O vice-presidente Michel Temer e os ministros Celso Amorim (Defesa) e José Eduardo Cardoso (Justiça) organizam para os dias 14 e 15 de maio a Operação Ágata 4, que combaterá o tráfico de drogas em Oiapoque (AP), Tiriós (PA), Boa Vista e Surucucu (RR) e Manaus (AM). 

NA CAIXINHA

A Secretaria de Direito Econômico, do Ministério da Justiça, vai investigar cinco fabricantes de laticínios do Rio Grande do Sul por suposto cartel do leite C: preços iguais e aquele gosto de água...

PARADISE LOST

Diante da avalanche de pedidos de vistos, a embaixada dos EUA decidiu dificultar um pouco para os brasileiros, além de subir o preço: antes em português, o formulário on-line DS-160 voltou a ser em inglês.

PRECONCEITO AMARELO

Empresários brasileiros voltaram à China certos de que os US$ 1,4 trilhões depositados no Banco de Desenvolvimento local para investimentos no exterior teriam o Brasil como preferência não fosse o preconceito do governo pela compra de terras por chineses.

FAÇAM SUAS APOSTAS...

Carlinhos Cachoeira garante: neste Domingo de Páscoa, vai dar coelho. 

PODER SEM PUDOR

CONFISSÃO A JATO

Joaquim Felizardo era um velho militante e foi logo preso, no golpe de 1964. Aguardava a vez de ser interrogado no corredor do Dops, ao lado de outro suspeito de ser comunista, um advogado gay, quando o delegado gritou:

– Tragam o pederasta e o comuna!

Progressista, mas nem um pouco politicamente correto, Felizardo deu um salto à frente para confessar rapidinho:

– Doutor, o comunista sou eu, hein?

DOMINGO NOS JORNAIS


Globo: Programas falham e Brasil não atrai médico para áreas pobres
Folha: Licitações vão ter regra para ‘produtos verdes’
Estadão: Um terço dos ministros ganha salários acima do teto
Correio: A noite em que Brasília levou um tiro no peito
Estado de Minas: Infância interrompida
Zero Hora: Ameaças obrigam juíza gaúcha a pedir proteção

sábado, abril 07, 2012

Ismael Silva era gay? - ANCELMO GOIS

O GLOBO - 07/04/12

Paulo Lins, autor de “Cidade de Deus”, provoca polêmica no mundo do samba ao afirmar que Ismael Silva (1905/1978), criador da primeira escola de samba e autor de “Se você jurar” e “Antonico” , era gay. A revelação está no livro “Desde que o samba é samba”, recém-lançado. Sérgio Cabral , o grande pesquisador do samba, diz que já tinha ouvido falar sobre isso: “Só que eu nunca vi gesto, atitude ou mesmo uma frase dele que o identificassem como gay.”

Prova pífia

Também o escritor Flávio Moreira da Costa, autor, entre outros, da biografia do Nelson Cavaquinho, diz-se meio indignado com a revelação de Lins: “A prova é pífia, pois ele diz que ouviu de uma pessoa que lhe afirmou categoricamente.” Haroldo Costa, outro sambista e pesquisador, argumenta que não há confirmação da condição homossexual de Ismael: “Nas ocasiões em que estive com ele, nada me fez suspeitar disso.”

No mais...

Cabral deixa uma pergunta: “Qual a importância das preferências sexuais de um compositor para a história do samba carioca?”

Te cuida, Dirceu

Ontem, em Copacabana, o Movimento 31 de Julho, Contra Corrupção recolhia assinaturas pedindo ao STF o julgamento já
do mensalão.

Política e samba

Cléo Ferreira, a mulher de Martinho da Vila, vai ser candidata a vereadora pelo PCdoB.

Liceu Português
Em Paris, um grupo de empresários com interesses no Brasil se prepara para fundar um Liceu Português, de ensino bilíngue. A tarefa fica mais fácil por causa do acordo ortográfico, que unifica o estudo da língua portuguesa.

MEIA-VOLTA, volver. Sérgio Cabral decidiu não mais vender o Banerjão, prédio de 30 andares na Av. Nilo Peçanha, antiga sede do finado banco. Um decreto em maio excluiu o prédio do espólio do Banerj, vendido ao Bradesco. A ideia agora é ele continuar abrigando a administração estadual e incluir os gabinetes do governador e do vice. Antes fará uma bela reforma, dessas que atendem hoje pelo nome metido a besta de retrofit. Veja aqui na imagem como o Edifício Lúcio Costa (este é seu nome de batismo) vai ficar.

Amiga de sorte
Lily Safra leiloará uma parte de sua coleção de joias, doando o dinheiro arrecadado a obras sociais, inclusive uma organização que cuida de tratamento de água em Salvador, na Bahia.

Aliás...

Há alguns anos, almoçando com uma amiga no Rio, ouviu dela enormes elogios aos brincos de esmeraldas que usava.

Segue...

Horas depois, o motorista de Lily chegou à casa da amiga com um pequeno embrulho. Eram os brincos.

Batatas brasileiras

O maior McDonald’s do mundo vai funcionar em Londres nos Jogos Olímpicos. Os paulistas David e Leandro, gerentes da rede em São Paulo, vão trabalhar lá fritando batatas... inglesas.

Como uma deusa...
Lembra - se da Rosana , aquela que por anos cantou nas boates gays e fez sucesso com o hit “O amor e o poder” (“Como uma deusa”)? Virou evangélica e vai lançar um CD gospel. Rosana também faz pregações em redutos GLS.

Porto Olímpico

A Prefeitura do Rio finalizou a compra de um terreno da União de 116 mil metros quadrados na região do Porto. Coisa de uns R$ 53 milhões. Na área será construído o Porto Olímpico, um condomínio de prédios com cerca de dois mil apartamentos.

À prova de fogo

O laboratório de tecnologia submarina da Coppe, no Fundão, não tem, acredite, extintores de incêndio. Alunos da UFRJ estão fazendo um abaixo-assinado para cobrar o equipamento à reitoria.

País de contrastes

Japeri é pobre, pobre de marré deci. É o pior IDH da Região Sudeste. Mas é um filho seu quem vai representar o Brasil no campeonato mundial juvenilde... golfe, um esporte com fama de elitista, o Jr. British Open, em julho, na Inglaterra. É de lá o atleta Anderson Nunes, de 16 anos.

Tubarão no Arpoador

Quinta, Antônio Carlos Medeiros, o publicitário conhecido como Chefinho, estava nadando no Arpoador à tardinha quando uns pescadores que estavam na pedra começaram a gritar. É que eles teriam visto um tubarão na água. Para fugir, Chefinho teve que escalar a pedra.

Zumbi or not zumbi - MARCELO RUBENS PAIVA


O Estado de S.Paulo - 07/04/12


Zumbi lembra "nzambi", que, na região do Congo, significa Deus.

Existem para todos os gostos. O abobado, fácil de matar. Os ágeis e fortões. Os que ganham vida durante a jornada, como no game Left 4 Dead. Os que se alimentam de cavalos, como no filme Survival of the Dead. E animais zumbis, como na série Resident Evil.

No passado, era apenas uma entidade de crenças afro caribenhas, conhecida como vodu, que intrigou o racionalismo do pensamento ocidental.

Em meados dos anos 30, a antropóloga de Harvard, Zorra Neale, começou a difundir o mito haitiano do ser que não tem vontade própria e é controlado por um "bokor".

Na mesma época, surgiram "bokors" de sanidade duvidosa, capazes de mobilizar hipnoticamente grandes massas, como Hitler e Mussolini.

Durante a contracultura, a geração LSD circulou por países da AL devorando cultos sincretistas e tudo quanto é tipo de raiz, flor, cacto, cipó, peiote, para abrir as portas da percepção, em busca da luz divina natural e do barato ritualista.

O sentido da vida não estava nos manuais dos eletrodomésticos da sociedade de consumo pós-guerra. Místicos diziam que, se a Igreja tinha provas semânticas da vida após a morte, os haitianos tinham provas materiais, que circulavam em estado de torpor pelas ruelas pobres e escuras das suas aldeias.

O etnobotânico também de Harvard, Wade Davis, maior autoridade em farmacologia de zumbis, escreveu que duas substâncias específicas injetadas na corrente sanguínea, o "coup de poudre", toxina encontrada na carne do baiacu, e drogas dissociativas, como a datura, transformam o mais crente num obediente seguidor. Uma espécie de Goebbels ingerível.

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Zumbi na sua pureza é um morto que foi reanimado e vaga como um sujeito irracional. Tem escaras, ossos aparentes, olhos vazados. Não fala, pois perdeu a língua no processo de decomposição interrompido. Não raciocina; o pouco oxigênio da tumba danificou a massa encefálica.

Mas simboliza diversos arquétipos. Pode ser escravizado e manipulado como um capitão do mato. Pode simbolizar o trabalhador hipnotizado pelas correntes de uma linha de produção industrial, como os empregados chineses da Foxconn, montadora da Apple, que precisam de redes nas janelas, para não cometerem suicídio.

Numa interpretação da psiquiatria, aspectos psicológicos da "zumbificação" sugerem o início de um estado esquizofrênico. E até a filosofia criou o conceito "zumbi filosófico", para definir o ser que não possui consciência plena, mas tem a biologia ou o comportamento de um homem.

Passeatas de zumbis, manifestações estilo flash mob ou Zombie Walk - pessoas fantasiadas que saem correndo por ruas, parques e shoppings - são contabilizadas pelo Guiness.

Hoje, o zumbi concorre com o vampiro, virou um ícone do cinema e da cultura de massas. Por quê?

Simboliza o medo da violência urbana, já que bêbados, drogados e degenerados saem das tocas em estado catatônico e ocupam as pacatas ruas das cidades, circulando livremente depois que o sol se põe.

As doenças sexualmente transmissíveis também alimentaram a sua popularidade, especialmente entre os teens. Monstros querem nosso sangue ainda puro e inocente. "Loosers" que se vestem como mendigos, não com roupas de grife, e que só sobrevivem se conseguirem a transfusão da saúde burguesa bem tratada pela previdência privada.

Numa leitura marxista, simboliza a falência do Estado de bem-estar social, que não é capaz de dar emprego, residência, saúde, gera injustiças sociais, tensões e medo, gera diferentes castas. Zumbi é o lumpesinato.

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Em 1968, o diretor de cinema George Romero sacou o potencial e a representação contemporânea desse personagem no filme A Volta dos Mortos Vivos.

Mal sabia que sua releitura do mito caribenho daria num dos maiores clássicos do cinema de horror e influenciaria a cultura pop, o cinema fantástico, a literatura e os games.

Filme de baixo orçamento, com poucas locações, gerou polêmica por ser acusado defender o satanismo e ir contra valores religiosos.

Exibidores só aceitavam nas suas salas Night of the Flesh Eaters, o nome original, se os produtores cortassem cenas mais sangrentas e oferecessem um final otimista.

Sim, porque, para completar o fascínio que filmes de zumbis exercem, todos têm o apocalipse como fio condutor, tema inevitável no auge da Guerra Fria e, agora, com o Aquecimento Global, Fim da Camada de Ozônio, Derretimento das Calotas, etc.

Na série Resident Evil, com Milla Jovovich- não mais magrinha e pálida de O Quinto Elemento de Luc Besson- os zumbis são sarados, vivem num mundo que terminou e, como em Matrix, está mais digital que analógico.

Até nossa Alice Braga os combateu com Will Smith em Eu Sou a Lenda. E quem não se lembra de Michael "Wacko" Jackson dançando com eles em Thriller?

Também tiraram uma onda dos zumbis, como em Todo Mundo Quase Morto (2004) e Zumbilândia (2009), genial filme que passou em branco aqui no Brasil, considerado a maior bilheteria mundial de filmes de zumbi, estrelado por, ironia, Jesse Eiseberg, o mesmo que protagonizou um ano depois Mark Zuckerberg no filme A Rede Social, fundador do Facebook, acusado de sugar a sua privacidade.

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Duvido que um cent desse megassucesso tenha sido enviado como royalties aos feiticeiros do Haiti ou xamãs do Congo.

E é bom que se saiba que, para acabar com um zumbi, caso você trombe com um (matar não é a palavra, pois ele já está morto), é preciso destruir o cérebro ou a coluna vertebral. Simples. Basta atirar na cabeça ou separá-la do corpo. Mas, cuidado. Tem cabeças decepadas que podem morder.

Todos (os outros) são hipócritas - RUTH DE AQUINO


REVISTA ÉPOCA

RUTH DE AQUINO  é colunista de ÉPOCA raquino@edglobo.com.br (Foto: ÉPOCA)
A Semana Santa, para os católicos militantes, é tempo de confissão dos pecados. O ainda senador Demóstenes Torres, demônio em pessoa para seus amigos traídos, é formado em Direito na Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Não sabemos como será a Páscoa de Demóstenes.
Se usará esse tempo como um período de contrição. Se pedirá perdão ao padre e a quem acreditou nele. Se recordará a infância na cidade de Anicuns, maldizendo o momento em que caiu em tentação e virou o símbolo maior da hipocrisia política no Brasil. Se continuará a se sentir vítima de um prejulgamento do DEM, partido do qual se afastou para não ser expulso. Se dormirá o sono tranquilo dos que têm foro privilegiado. Se sonhará com a ressurreição num país sem memória que reabilita Renans e Collors. Um país que adia perigosamente o julgamento do mensalão.
Escândalos morais no Senado e na Câmara indignam os brasileiros, que se sentem reféns de um esquema grotesco de corrupção. Mas esse caso envolveu um intocável. Dá azia, um certo asco. É quase como se o secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, exemplo de pacificador incorruptível, fosse flagrado recebendo propina de um chefe do tráfico. Impensável. Por isso Beltrame resiste a entrar para a política.
O Lula sincero, antes de ser contaminado pelo poder, afirmou que havia “pelo menos 300 picaretas no Congresso”. Depois, presidente eleito com a bandeira da ética, nivelou-se por baixo e passou a fazer “o que todo mundo faz”.
Nas últimas semanas, escutamos e lemos detalhes de conversas entre o “doutor” Demóstenes e o “professor” Cachoeira, gravadas pela Polícia Federal. É sabido que os senadores têm pena de si mesmos, por ganhar apenas R$ 19 mil por mês, fora as mordomias. Nada mais lógico, portanto, que um senador receba de um contraventor eletrodomésticos, passagens e uns milhões de reais. Nada mais deprimente. Ganhar de um bandido um fogão e uma geladeira importados?
O goiano não era conhecido pela massa do eleitorado (“Demóstenes quem?”). No meio político, era o paladino da ética, relator da Lei da Ficha Limpa. Suas frases de efeito resgatavam a luta pela moralidade. “Os políticos estão perdendo a vergonha na cara. A imagem do Senado, hoje, é a de um pau de galinheiro” – sobre Renan Calheiros. “Vai ser a CPI do Zé Mané: investiga o Zé Mané e esquece as autoridades” – sobre a CPI do cartão corporativo. “Defendo sempre a expulsão sumária” – sobre as denúncias contra o então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, do DEM.
Ninguém quer assumir a presidência do Conselho de Ética, acéfalo desde setembro do ano passado. O senador Lobão Filho, do PMDB do Maranhão, foi franco: “Essa missão de julgar os pares é muito espinhosa. Me deixa fora dessa”. Quem comandará o processo será o presidente do Senado, José Sarney, que andou ausente. A Semana Santa está aí, e Brasília vazia, em clima de pré-feriado. Deve existir uma explicação para Demóstenes cair em desgraça agora e não em 2009, quando já havia um relatório que o incriminava.Agora, o Zé Mané faz uma força danada para acompanhar a novela de Demóstenes. O senador, isolado, se torce todo para evitar o fogo da Inquisição. No início de março, 44 dos 81 senadores defenderam Demóstenes das acusações de lobista de Cachoeira. Pouco a pouco, os amigos tiraram o corpo fora das labaredas. Entre as opções de futuro de Demóstenes – renúncia, licença, julgamento pelo Conselho de Ética –, talvez prefira ser julgado. O senador sabe bem quem estará do outro lado.
A hipocrisia não é um privilégio do atual réu. Em alguma medida, somos todos hipócritas. Diz o psicanalista Francisco Daudt: “A hipocrisia é essencial ao convívio social. Você não diz a uma mãe que o bebê dela é feio”. Daudt lembra ter ouvido de um entrevistado na televisão americana: “Não dou para ser casado ou político, não aguentaria ficar mentindo o dia inteiro”.
O que é preciso distinguir, segundo Daudt, é a mentira inócua, que funciona como “um lubrificante social”, da hipocrisia danosa. “Os exagerados dão uma pista das mentiras”, diz Daudt. “O falso moralismo cria suspeitas. Lembra nosso caçador de marajás? O pior é que às vezes eles acreditam tanto em suas mentiras que acabam criando personagens inexistentes.”
Demóstenes tem em seu gabinete várias ampliações de charges suas. Mostram “o herói Demóstenes”. Ele acreditava nisso. Era uma espécie de ícone da nova direita e dos jovens do DEM. Dificilmente aproveitará a Sexta-feira da Paixão para rezar e pedir perdão. Ele sabe que será perdoado. Em 188 anos de Senado, apenas um senador foi cassado pela Casa. E não foi por propina ou tráfico de influência. Foi por mentir a seus pares. Isso é pecado mortal.

Destruição criativa - HÉLIO SCHWARTSMAN



FOLHA DE SP - 07/04/12


SÃO PAULO - O desemprego na zona do euro bateu nos 10,8%, a pior taxa desde 1997, chegando a extremos como 50% em grupos específicos como entre os jovens gregos e espanhóis. A resposta dos países tem sido desregulamentar o mercado de trabalho, na esperança de que, ao facilitar as demissões, empresas possam voltar a crescer.
Os sindicatos e a população, é óbvio, não gostam e ameaçam com greves, protestos e votos na oposição.
Se a iniciativa vai ou não dar certo, eu não sei dizer. O que dá para afirmar é que historicamente a geração de riqueza sempre esteve associada à destruição de empregos.
Um exemplo eloquente é o do trabalho no campo nos EUA. Em 1800, era preciso manter 95 de cada 100 norte-americanos em fazendas para alimentar o país. Em 1900, eram 40. Hoje, são apenas três. Esse enorme contingente que perdeu seu emprego na lavoura foi para as cidades, onde se dedica a outras atividades, muito mais especializadas e produtivas, e engrossa as fileiras do mercado consumidor, cuja existência faz com que valha a pena desenvolver invenções e novos produtos. Para economistas como Julian Simon, o que gera a riqueza, em última análise, são ideias. A imaginação humana é o recurso final.
A insistência na manutenção de empregos, tão comum entre trabalhadores, sindicalistas e políticos, pode tornar-se, paradoxalmente, uma força reacionária, que freia ganhos de produtividade. Isso fica claro na sobrevivência de profissões-fósseis, como ascensoristas, frentistas e cobradores de ônibus, que só existem por um misto de saudosismo com regulamentações arcaizantes.
Mais lógica é a posição de países escandinavos que, sob a rubrica "flexicurity", são flexíveis na dispensa do trabalhador, mas investem muito em treinamento e num bom seguro-desemprego. A demissão não fica menos traumática, mas o sistema ao menos tem coerência interna.