FOLHA DE SP - 30/03/12
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) é sócio, desde 2008, do empresário Marcelo Limírio na Nova Faculdade, instituição de ensino superior em Contagem (MG). Limírio possui 60%, e Demóstenes, 20% das participações no negócio, que tem uma terceira cotista.
Em um outro empreendimento, Limírio é sócio de Andrea Aprigio de Souza, ex-mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira, cujas conexões com Demóstenes vieram à tona na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. A empresa é o Instituto de Ciências Farmacêuticas (ICF), que existe desde 2002. Limírio se tornou parceiro da empresa em 2006, dois anos após Andrea.
Colchão Primeiro suplente de Demóstenes Torres, o empresário Wilder Pedro de Morais -cuja ex-mulher, Andressa, hoje é casada com Carlinhos Cachoeira- afirmou ter R$ 2,2 milhões em espécie na declaração de bens ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2010.
Por cima Na Índia, a presidente Dilma Rousseff comemorou a aprovação da Lei Geral da Copa e do Funpresp. "Eu não disse que não havia crise nenhuma, que era artificial?", disse aos ministros.
Jet lag Quarenta e oito horas depois de chegar a Nova Déli, Dilma ainda reclamava ontem do fuso horário (a Índia fica 8,5 horas à frente do Brasil): "Se eu piscar aqui, vocês não reparem", pediu aos jornalistas antes de iniciar sua entrevista coletiva.
Diplomacia O presidente dos EUA, Barack Obama, procurou Michel Temer após discurso do vice-presidente em Seul para perguntar sobre o Brasil e a viagem de Dilma em abril a Washington.
Mascate Com a Lei Geral aprovada, Aldo Rebelo (Esporte) investe numa agenda contra o que chama de "pessimismo exagerado" com a organização da Copa. Hoje o ministro abre o seminário Copa e Desenvolvimento, em Manaus, sobre oportunidades de negócios do evento.
Sem refresco Quem acompanha de perto a rotina do Congresso aposta que a liberação de emendas, decisiva para a votação da Lei Geral da Copa, alivia apenas temporariamente a pressão sobre o líder Arlindo Chinaglia (PT-SP). "Está longe de ser acordo de paz. É só cessar-fogo", diz um governista.
Onde pega Depois da Páscoa e, portanto, antes da discussão do Código Florestal, a agenda dos deputados com a coordenação política de Dilma é a composição de alianças locais. O problema é que cada um quer interferir em pelo menos 20 cidades nas quais mantém redutos.
Guerra das taxas Enquanto o PT propõe à Câmara paulistana o fim da cobrança pela inspeção veicular, abraçando a causa de Fernando Haddad, o PSD de Gilberto Kassab avalia rever o tributo sobre lixo hospitalar, instituído na gestão Marta Suplicy.
De grão em grão Gabriel Chalita (PMDB), que já fechou acordos com o PSC e o PTC para a prefeitura, está próximo de acertar com PSL e PRP. Os partidos lançarão 120 candidatos a vereador.
Independência Saiu do forno o projeto que transformará a Junta Comercial de SP em autarquia estadual. O texto, que será submetido à Assembleia, dará autonomia orçamentária ao órgão, que recolhe R$ 50 milhões anuais.
Visita à Folha Adriano Treve, presidente da Roche Farma do Brasil, visitou ontem a Folha. Estava com Maurício Silva de Lima, diretor médico, e Ciro Dias dos Reis, diretor-presidente da Imagem Corporativa.
com FÁBIO ZAMBELI e ANDRÉIA SADI
tiroteio
"O 'tira hermeneuta' se transformou na principal figura do processo penal brasileiro. É ele que vai pegar horas de escuta e interpretar. E o que ele entende vira verdade!"
DE ANTONIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO, O KAKAY, advogado do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), sobre a divulgação de transcrições feitas por policiais federais de conversas telefônicas a partir de grampos legais.
contraponto
A máfia no divã
Dois dias depois de uma reportagem do "Fantástico", em maio de 2011, sobre a máfia dos caça-níqueis, Carlinhos Cachoeira desabafou com sua mulher, Andressa, segundo o inquérito da Operação Monte Carlo:
-Eu tô me sentindo hoje... Sabe como que eu tô me sentindo? Tô aguentando pra não chorar. Tô me sentindo um bandido. A forma que, que... a sociedade me vê.
Andressa tenta consolá-lo, mas Cachoeira arremata:
-Coisa que eu nunca tive: um nó. É preconceito de mim mesmo. Hoje eu tô com preconceito de mim mesmo.
sexta-feira, março 30, 2012
Ganhos e perdas na senda da inovação - WASHINGTON NOVAES
O Estado de S.Paulo - 30/03/12
Quase à mesma hora em que era sepultado em São Paulo, há duas semanas, o corpo do professor Aziz Ab'Saber, uma das figuras mais importantes do pensamento científico e ambiental brasileiro, chegava às mãos do autor destas linhas o livro Espécies Nativas da Flora Brasileira de Valor Econômico Atual ou Potencial, editado pelo Ministério do Meio Ambiente, sob coordenação do gerente de Recursos Genéticos, Lídio Coradin - obra importante para o País na área em que o falecido professor da Universidade de São Paulo (USP) foi um expoente.
Considerado referência em geografia no mundo, mas também em geologia, geomorfologia, biologia evolutiva, ecologia, autor de mais de 300 trabalhos acadêmicos, ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), condecorado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e outras instituições, o professor Ab'Saber era um homem simples e acessível, que aos 87 anos e com a saúde atingida não desistia da luta. A mais recente foi contra a versão de Código Florestal defendida pelos ruralistas - a seu ver, um forte retrocesso com graves consequências, principalmente por desprezar a variedade de cenários naturais no Brasil e a necessidade de regras diferenciadas para cada um.
O autor destas linhas conheceu-o pessoalmente em 1987, durante um debate promovido por este jornal sobre um dos programas da série Caminhos da Sobrevivência, que dirigia para a televisão. O debate era específico sobre um documentário a respeito da Bacia do Rio Tietê feito por Eduardo Coutinho. Havia muita confusão entre os debatedores, quando o professor Ab'Saber começou a falar. E a impressão de toda a plateia foi de que, a bordo da nacele de um balão, todos tinham subido ao céu e lá do alto haviam começado a enxergar a bacia do rio, hoje e na História: a ocupação humana, que começara pela planície, subira os morros e se estendera; os dramas causados pela ocupação desenfreada do solo e suas consequências na bacia hidrográfica, inclusive por causa do sepultamento sob o asfalto de dezenas de córregos e outros afluentes.
Pouco tempo depois, num debate em Mato Grosso do Sul sobre os dramas do Pantanal, quando se discutia a necessidade de desassorear o Rio Taquari, que já fora o grande leito da navegação no bioma e estava reduzido a um palmo d'água, o professor Ab'Saber, com seu saber, pôs a discussão no lugar: "Vocês podem planejar então desassorear o rio durante séculos, porque o desmatamento e a erosão que ele provoca, de fato, são problemáticos; mas a questão central está em que aquela região é de formação ainda recente, em evolução, e está no centro de um cone de terra com a base invertida para cima, milhares de quilômetros de diâmetro, que ejetam areia de baixo para cima; desassorear é útil, mas o problema mesmo durará séculos, milênios".
Era assim o professor Aziz Ab'Saber, que antes de cursar a USP e nela ser professor foi, ali mesmo, jardineiro. E com essa simplicidade seguiu pela vida fora. Fará muita falta ao País.
Ele certamente gostaria de ler o livro sobre as espécies brasileiras, porque era um dos defensores exponenciais da nossa diversidade vegetal - 13% das espécies do planeta, segundo o texto, que tem como objetivo "promover o uso sustentável de espécies da flora brasileira de valor econômico atual e potencial, utilizadas local e regionalmente". Isso significa, diz o livro, novas opções para a agricultura familiar, oportunidades de investimento industrial, contribuição para a segurança alimentar, redução da vulnerabilidade do sistema alimentar brasileiro e formatos de favorecimento de comunidades locais. E todos esses caminhos são importantes para a área medicinal, para a produção de cosméticos e aromáticos, para plantio e comercialização de alimentos, para seleção de espécies adequadas ao clima, etc.
No mundo já se conhecem 250 mil espécies vegetais, dizem muitos estudos (outros apontam números menores) e a maior diversidade está no Brasil. Mas, apesar dela - observa o livro -, a nossa dieta é "altamente simplificada e dependente de recursos genéticos externos", enquanto poucas das nossas centenas de espécies comestíveis estão disponíveis no mercado. E tanto é assim que a nossa agricultura depende de espécies vindas de outras partes do mundo - café, arroz, soja, laranja, milho, trigo; na silvicultura, de eucaliptos e pinheiros; e mesmo fora das espécies vegetais, como na piscicultura (tilápias africanas e carpas asiáticas), na apicultura (polinizadores africanos), na pecuária (bovinos indianos, caprinos asiáticos, gramíneas africanas).
Então, o conhecimento das nossas espécies é vital, já que a produção mundial de alimentos, em grande parte cartelizada no comércio internacional, hoje depende basicamente de apenas 150 espécies; 15 espécies respondem por toda a energia de que depende o ser humano - e só quatro (arroz, batata, milho e trigo) respondem por metade dessa energia, segundo a ONU. Entre as pouco mais de 150 espécies mencionadas, só duas são brasileiras: mandioca e amendoim. E a própria evolução da biotecnologia entre nós dependerá do avanço no conhecimento nessa área. Até mesmo na área de medicamentos, em que os números do comércio mundial variam entre US$ 20 bilhões e US$ 250 bilhões anuais. Mas a produção interna não passa de US$ 500 milhões/ano. Só temos registrados 512 produtos fitoterapêuticos derivados de 162 espécies vegetais.
O conhecimento na área, portanto, é decisivo, até porque a perda da biodiversidade no mundo avança celeremente e já se perderam pelo menos 25% das espécies, diz o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que recomendou há dois anos ampliar para 17% as áreas terrestres protegidas e para 10% as áreas oceânicas.
Nas encruzilhadas que se apresentam para o Brasil em seu comércio exterior, em sua indústria, na política cambial, a inovação tecnológica será o fator preponderante nos próximos anos. Por isso são tão importantes os caminhos trilhados pelo livro.
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
FOLHA DE SP - 30/03/12
Presença feminina em conselhos está estagnada
A presença de mulheres nos conselhos de administração das maiores empresas brasileiras, que já era considerada tímida, não apresentou avanço nos últimos anos.
A conclusão aparece em dados preliminares de um estudo da Escola de Direito de São Paulo da FGV, que será finalizado em 2013, e cujo resultado pode ser usado no debate sobre o desenvolvimento de legislação de incentivo à maior participação feminina.
"Desde 2007 não houve grandes melhorias. Não só o Brasil tem números baixos, como está estagnado. É preciso pensar ações para inserir", diz Ligia Sica, da Direito GV.
O setor financeiro tem menor propensão a incluir mulheres no grupo, onde o percentual médio de conselheiras é de 2,9%, ante 6,5% nos demais setores. Nenhuma empresa financeira tem alta proporção de mulheres.
Nos conselhos de administração das cem empresas de maior valor de mercado da BM&FBovespa, a presença feminina é de 6%, enquanto o percentual de homens e mulheres em cursos superiores é equivalente.
A Noruega, um dos países mais desenvolvidos na inclusão, tem 44% de mulheres nos conselhos. "O país instituiu por lei uma quota", diz.
No Brasil, a maior participação feminina tem relação com controle familiar. Em 15,9% das empresas de controle familiar há alta proporção de mulheres, segundo dados do pesquisador Alexandre di Miceli, da FEA-USP.
Pacote para indústria do RS atrai empresas de energia eólica
O pacote de incentivo à indústria gaúcha, lançado nesta semana pelo governo do Rio Grande do Sul, deve atrair duas fabricantes de geradores de energia eólica ao Estado.
O diretor da regional Sul da Abeeólica (associação de energia eólica), Afonso Aguilar, não revela quais são as companhias, mas afirma que as políticas de incentivo, que já vinham sendo discutidas, foram fatores atraentes.
Com as novas medidas, o segmento de energia eólica poderá adiar o pagamento de ICMS e contar com maior volume de financiamento.
O setor calçadista, tradicional no RS, sofre com a queda das exportações à Argentina e com os importados chineses e também será beneficiado.
O diretor-executivo da Abicalçados (Associação Brasileiras das Indústrias de Calçados), Heitor Klein, no entanto, diz que os empresários gaúchos consideraram as propostas insuficientes.
"No Nordeste, [os incentivos fiscais] são superiores. Fica difícil ter competitividade."
A região atraiu fábricas com mão de obra barata.
O pacote tenta alavancar o crescimento industrial do Estado, quase nulo nos últimos três anos (em 2011, a expansão foi de 0,6%).
"A intenção do governo é boa para continuarmos a enfrentar as crises internacional e cambial, além daquela em que o Estado se encontra", diz o presidente da Fiergs, Heitor Müller.
A guerra fiscal é outro fator que prejudica o Estado.
EMPRÉSTIMO AO FORNECEDOR
O Rio de Janeiro é responsável pelo valor mais alto de financiamentos do programa Progredir, voltado para fornecedores da Petrobras.
Até o momento, o Estado viabilizou 129 operações, que totalizaram R$ 494,3 milhões.
Minas Gerais e São Paulo aparecem em seguida, com R$ 478,0 milhões e R$ 435,4 milhões, respectivamente.
Fora da região Sudeste, o Estado com maior volume de financiamentos é o Rio Grande do Sul, com cerca de R$ 143,5 milhões.
O programa, lançado em junho de 2011, já concedeu R$ 1,8 bilhão em empréstimos.
POPULAR
Com obras em Diadema e Jundiaí, a GMK Incorporadora investe em Campinas.
O projeto faz parte da Operação Urbana Parque Linear do Capivari, que reúne diversas empresas, entre elas Gafisa e Rossi.
O grupo todo alocou cerca de R$ 12 milhões na infraestrutura comum, como o sistema viário.
A GMK terá lançamentos em aproximadamente 120 mil m2 do terreno. Um dos projetos é um conjunto residencial com cerca de 2.500 unidades e VGV superior a R$ 400 milhões.
No restante, a empresa ainda não decidiu se fará outros empreendimentos residenciais, que podem ter mais 1.500 unidades, ou comerciais, com oferta de serviços, além de escritórios, e VGV de R$ 250 milhões.
A incorporadora participou do Minha Casa Minha Vida, mas, por ora, não pretende repetir a experiência, diz o diretor André Kovari.
"Além da burocracia para aprovação, os valores estão defasados e não vale mais a pena", afirma ele.
Refeição rápida O McDonald's abrirá 14 restaurantes em três meses. Serão cinco unidades no Rio Grande do Sul e duas em Minas Gerais, São Paulo e Bahia. Pará e Paraná também receberão lojas.
Poliglota O Centro Britânico Franquias firmou convênio com a Polícia Militar de São Paulo. A rede de escolas de idiomas desenvolveu um curso específico para policiais atenderem turistas estrangeiros.
Cerâmico A indústria de cerâmica registrou crescimento de 7,5% em 2011, segundo a Anicer (associação do setor). O aumento foi impulsionado por obras de infraestrutura e investimentos em habitação.
União A Câmara Espanhola de Comércio no Brasil assumirá a presidência do Eurocâmaras (conselho das câmaras da Europa no Brasil), órgão que reúne entidades de diversos países, a partir de julho.
LIÇÃO INGLESA PARA PPP
Tim Banfield, diretor do National Audit Office (o "TCU do Reino Unido"), está no Brasil para encontros com organizações do setor público e executivos do setor privado.
Ontem, o executivo revelou que o Reino Unido também discute quando usar as PPPs.
Lá, o debate mais importante é o limite das parcerias, devido à piora da situação fiscal dos governos europeus.
"Uma PPP dura 30 anos. Significa que o governo compromete parte do orçamento por um longo período. Portanto, é importante pensar se uma parceria assim é viável", afirma Banfield.
Por causa disso, o governo local criou a Major Project Authority, órgão que se reporta diretamente ao primeiro-ministro, David Cameron, e que discute quando adotar PPPs.
Ao Brasil sugere: critério ao escolher projetos, detalhamento das cláusulas do contrato, postura de aliança e não de confronto com o parceiro e previsibilidade ao elaborar orçamentos para longos prazos.
Telefone voador Oi e TAM fecharam parceria para reduzir em 50% as tarifas para uso do celular nos voos da companhia. A promoção, que terá duração de quatro meses, começa em 1º de abril.
Imóvel nos EUA A demanda de brasileiros por residências em Miami acima de US$ 1 milhão está em alta. Em 2011, a imobiliária Elite International Realty vendeu 110 imóveis, alta de 45%
Presença feminina em conselhos está estagnada
A presença de mulheres nos conselhos de administração das maiores empresas brasileiras, que já era considerada tímida, não apresentou avanço nos últimos anos.
A conclusão aparece em dados preliminares de um estudo da Escola de Direito de São Paulo da FGV, que será finalizado em 2013, e cujo resultado pode ser usado no debate sobre o desenvolvimento de legislação de incentivo à maior participação feminina.
"Desde 2007 não houve grandes melhorias. Não só o Brasil tem números baixos, como está estagnado. É preciso pensar ações para inserir", diz Ligia Sica, da Direito GV.
O setor financeiro tem menor propensão a incluir mulheres no grupo, onde o percentual médio de conselheiras é de 2,9%, ante 6,5% nos demais setores. Nenhuma empresa financeira tem alta proporção de mulheres.
Nos conselhos de administração das cem empresas de maior valor de mercado da BM&FBovespa, a presença feminina é de 6%, enquanto o percentual de homens e mulheres em cursos superiores é equivalente.
A Noruega, um dos países mais desenvolvidos na inclusão, tem 44% de mulheres nos conselhos. "O país instituiu por lei uma quota", diz.
No Brasil, a maior participação feminina tem relação com controle familiar. Em 15,9% das empresas de controle familiar há alta proporção de mulheres, segundo dados do pesquisador Alexandre di Miceli, da FEA-USP.
Pacote para indústria do RS atrai empresas de energia eólica
O pacote de incentivo à indústria gaúcha, lançado nesta semana pelo governo do Rio Grande do Sul, deve atrair duas fabricantes de geradores de energia eólica ao Estado.
O diretor da regional Sul da Abeeólica (associação de energia eólica), Afonso Aguilar, não revela quais são as companhias, mas afirma que as políticas de incentivo, que já vinham sendo discutidas, foram fatores atraentes.
Com as novas medidas, o segmento de energia eólica poderá adiar o pagamento de ICMS e contar com maior volume de financiamento.
O setor calçadista, tradicional no RS, sofre com a queda das exportações à Argentina e com os importados chineses e também será beneficiado.
O diretor-executivo da Abicalçados (Associação Brasileiras das Indústrias de Calçados), Heitor Klein, no entanto, diz que os empresários gaúchos consideraram as propostas insuficientes.
"No Nordeste, [os incentivos fiscais] são superiores. Fica difícil ter competitividade."
A região atraiu fábricas com mão de obra barata.
O pacote tenta alavancar o crescimento industrial do Estado, quase nulo nos últimos três anos (em 2011, a expansão foi de 0,6%).
"A intenção do governo é boa para continuarmos a enfrentar as crises internacional e cambial, além daquela em que o Estado se encontra", diz o presidente da Fiergs, Heitor Müller.
A guerra fiscal é outro fator que prejudica o Estado.
EMPRÉSTIMO AO FORNECEDOR
O Rio de Janeiro é responsável pelo valor mais alto de financiamentos do programa Progredir, voltado para fornecedores da Petrobras.
Até o momento, o Estado viabilizou 129 operações, que totalizaram R$ 494,3 milhões.
Minas Gerais e São Paulo aparecem em seguida, com R$ 478,0 milhões e R$ 435,4 milhões, respectivamente.
Fora da região Sudeste, o Estado com maior volume de financiamentos é o Rio Grande do Sul, com cerca de R$ 143,5 milhões.
O programa, lançado em junho de 2011, já concedeu R$ 1,8 bilhão em empréstimos.
POPULAR
Com obras em Diadema e Jundiaí, a GMK Incorporadora investe em Campinas.
O projeto faz parte da Operação Urbana Parque Linear do Capivari, que reúne diversas empresas, entre elas Gafisa e Rossi.
O grupo todo alocou cerca de R$ 12 milhões na infraestrutura comum, como o sistema viário.
A GMK terá lançamentos em aproximadamente 120 mil m2 do terreno. Um dos projetos é um conjunto residencial com cerca de 2.500 unidades e VGV superior a R$ 400 milhões.
No restante, a empresa ainda não decidiu se fará outros empreendimentos residenciais, que podem ter mais 1.500 unidades, ou comerciais, com oferta de serviços, além de escritórios, e VGV de R$ 250 milhões.
A incorporadora participou do Minha Casa Minha Vida, mas, por ora, não pretende repetir a experiência, diz o diretor André Kovari.
"Além da burocracia para aprovação, os valores estão defasados e não vale mais a pena", afirma ele.
Refeição rápida O McDonald's abrirá 14 restaurantes em três meses. Serão cinco unidades no Rio Grande do Sul e duas em Minas Gerais, São Paulo e Bahia. Pará e Paraná também receberão lojas.
Poliglota O Centro Britânico Franquias firmou convênio com a Polícia Militar de São Paulo. A rede de escolas de idiomas desenvolveu um curso específico para policiais atenderem turistas estrangeiros.
Cerâmico A indústria de cerâmica registrou crescimento de 7,5% em 2011, segundo a Anicer (associação do setor). O aumento foi impulsionado por obras de infraestrutura e investimentos em habitação.
União A Câmara Espanhola de Comércio no Brasil assumirá a presidência do Eurocâmaras (conselho das câmaras da Europa no Brasil), órgão que reúne entidades de diversos países, a partir de julho.
LIÇÃO INGLESA PARA PPP
Tim Banfield, diretor do National Audit Office (o "TCU do Reino Unido"), está no Brasil para encontros com organizações do setor público e executivos do setor privado.
Ontem, o executivo revelou que o Reino Unido também discute quando usar as PPPs.
Lá, o debate mais importante é o limite das parcerias, devido à piora da situação fiscal dos governos europeus.
"Uma PPP dura 30 anos. Significa que o governo compromete parte do orçamento por um longo período. Portanto, é importante pensar se uma parceria assim é viável", afirma Banfield.
Por causa disso, o governo local criou a Major Project Authority, órgão que se reporta diretamente ao primeiro-ministro, David Cameron, e que discute quando adotar PPPs.
Ao Brasil sugere: critério ao escolher projetos, detalhamento das cláusulas do contrato, postura de aliança e não de confronto com o parceiro e previsibilidade ao elaborar orçamentos para longos prazos.
Telefone voador Oi e TAM fecharam parceria para reduzir em 50% as tarifas para uso do celular nos voos da companhia. A promoção, que terá duração de quatro meses, começa em 1º de abril.
Imóvel nos EUA A demanda de brasileiros por residências em Miami acima de US$ 1 milhão está em alta. Em 2011, a imobiliária Elite International Realty vendeu 110 imóveis, alta de 45%
Erraram, de novo - MARCELO COUTINHO
O Globo - 30/03/12
O Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira, pôs em prática há mais de 100 anos uma política externa em direção aos EUA. Fazia todo sentido à época, já que a Europa aos poucos perdia poder econômico. Nada melhor naquele momento do que ampliar a cooperação com Washington. Começamos, então, a nos tornar parte de um arranjo pan-americano, que bem mais tarde daria origem à OEA.
Algo semelhante ocorre hoje. Seguindo os fluxos do comércio internacional e pressentindo mudanças, o Itamaraty promove uma aproximação maior com a China. O governo chegou a modificar a nossa identidade latino-americana em favor de outra ainda em construção em torno dos Brics, mais vinculada à Ásia, adotando uma política basicamente de prestígio.
Há similaridades entre a política do Barão e a atual. Queremos ser vistos como uma fonte de estabilidade na América do Sul, e até o Acre voltou a ser uma questão, agora com os haitianos imigrantes. Mas, enquanto no início do século XX estabelecemos relações especiais com a potência em ascensão para que ela não interferisse em assuntos do nosso interesse, recentemente contribuímos para a entrada dos negócios asiáticos na América Latina, o que acabou enfraquecendo nossas exportações industriais.
Saíram a Doutrina Monroe e o Corolário Roosevelt, entrou a primazia de Xangai. A latino-americanização e o universalismo de um tipo de política adotada a partir dos anos 1960 (política externa independente e pragmatismo responsável), em certa contraposição ao legado do Barão, mantêm-se apenas no discurso de membros do atual governo. Na verdade, voltamos a concentrar relações ao centro do sistema.
Em 1912, mais de 90% do que exportávamos para os EUA eram produtos básicos como café, borracha, algodão e açúcar, e comprávamos deles 80% de manufaturados e 20% de alimentos. Tornou-se o nosso maior mercado externo. Atualmente, o parceiro mudou, mas não os pesos relativos. 90% do que compramos dos chineses são manufaturas e 10% de alimentos, enquanto mais de 90% do que vendemos a eles são commodities como minério de ferro, soja e petróleo. Agora, como na Velha República, a inserção da economia brasileira no mundo dá-se mediante bens com baixíssimo valor agregado.
É importante salientar ainda o impressionante crescimento da dependência do Brasil em relação à China, talvez até superior em relação aos EUA cem anos atrás. 28% das exportações brasileiras iam para o vizinho do Norte no início do século XX, quando havia menos de 60 países independentes. 14% das nossas exportações já vão agora para a China, embora existam quase 200 nações. Em termos relativos ao tamanho da comunidade internacional, surpreende muito mais a importância chinesa.
Após a morte do Barão, não demoraria muito para que os EUA se transformassem também em nosso maior credor internacional. Antes era a Inglaterra quem mais nos emprestava dinheiro, normalmente para suportar o serviço da dívida e possibilitar compras externas. A relação Brasil-China segue o mesmo caminho. Os investimentos de Pequim aqui são com vistas ao seu próprio abastecimento, numa política conhecida dos antigos colonizadores.
Observa-se, no entanto, uma distinção fundamental. Diferentemente da era Paranhos Júnior, hoje ocorre um processo de desindustrialização. Quando o Brasil trocou o Reino Unido pelos Estados Unidos, trocou seis por meia dúzia em relação econômica. Primários exportadores éramos e continuamos até os anos 1950. Mas, quando o governo substitui os EUA pela China e Índia, ajuda a derrubar a indústria nacional.
No passado, como hoje, o Brasil se via muito bem posicionado internacionalmente, tão bem a ponto de se candidatar a um assento permanente no extinto Conselho Executivo da Liga das Nações. Após jactâncias diplomáticas, o Brasil ficou de fora do principal órgão decisório do mundo durante o governo Arthur Bernardes (1922-1926). O chanceler Feliz Pacheco tinha a convicção de que o Brasil, então membro rotativo, estava à altura das grandes potências.
O mesmo erro de percepção atingiu o Itamaraty de novo. O Brasil não tem condições neste momento de competir comercialmente nem mesmo com o México. Dizer que a China depende do Brasil é como afirmar que os europeus dependiam de nós para a provisão de banha de porco na Primeira Guerra. Os chineses precisam dos nossos recursos naturais como precisamos do dinheiro deles. Isso se chama desigualdade, e não interdependência. Uma diferença que um século depois do Barão não pode ser simplesmente apagada.
Na meta este ano - MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 30/03/12
A inflação ficará na meta este ano em qualquer cenário. Se os juros não caírem, o IPCA fica em 4,4%. Se caírem, fica no centro da meta: 4,5%. Essa é a aposta do Banco Central. Uma parte disso se confirma porque está havendo uma queda dos preços das commodities no mundo. Mas se o petróleo continuar subindo, e o dólar também, vai ficar mais difícil para a Petrobras não elevar o preço da gasolina. E se o combustível subir esse quadro se altera.
O Banco Central está moderadamente otimista em relação ao país: na sua visão, o nível de atividade melhora ao longo do ano e o Brasil crescerá 3,5% em 2012, mas com uma taxa de inflação na meta, o que torna esse ritmo mais sustentável. Mas o BC aumentou em 0,5 ponto sua previsão de inflação para 2013, de 4,7% para 5,2%, e isso significa que a pequena melhoria no ritmo de crescimento da economia já vai deixar a taxa mais distante do centro da meta.
De qualquer maneira, o quadro está bem melhor agora do que estava no ano passado, neste mesmo momento, em que a taxa de inflação ameaçava ficar acima do teto da meta. E, de fato, a ameaça se concretizou. Durante meses o IPCA ficou acima do limite e chegou a 7,31% em setembro. Mas o quadro agora é de "desinflação global", segundo o Banco Central, e a inflação acumulada em 12 meses já recuou para 5,85% em fevereiro.
Os preços das commodities, em qualquer índice internacional, estão em queda. Tanto os alimentos medidos pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), quanto pelo CRB (Commodity Ressearch Bureau), um índice que mede também outras commodities que não apenas alimentos, mostram isso. De acordo com o Relatório de Inflação do Banco Central, o índice CRB acumulado em 12 meses saiu de 30,4% de alta, em abril de 2011, para uma retração de 11%, em fevereiro de 2012. Ou seja, passou a ter viés deflacionário. A mesma coisa aconteceu com o índice da FAO, que foi de 38,1% para -9,5%.
Inflação menor é excelente notícia, mas, por outro lado, esses alimentos e matérias-primas com preços menores podem significar menos receita de exportação para o Brasil, altamente dependente de commodities no seu comércio exterior. Mesmo assim, a balança comercial está na verdade melhor do que estava há um ano. O saldo em 12 meses até fevereiro foi de US$ 28,6 bilhões; no ano passado, em abril, era de US$ 21,6 bilhões.
O Banco Central avalia que a economia mundial continuará com baixo crescimento, a crise da Zona do Euro está longe do fim, a economia americana começa a se recuperar, mas o preço do petróleo está instável. Se o petróleo continuar com preço alto, a recuperação dos EUA, que é a melhor notícia no cenário internacional, correrá risco. No ano passado, a alta da gasolina afetou o consumo dos americanos e anulou o início da recuperação.
Além disso, a alta do combustível tem impacto inflacionário independentemente do contexto recessivo em tantos países. É por isso que o primeiro-ministro francês, François Fillon, está tentando mobilizar os países a usarem suas reservas de petróleo para derrubar o preço, que ontem estava em US$ 123 o barril do tipo brent. Mantido esse patamar por mais algum tempo, ficará mais difícil para o governo e para a Petrobras segurarem os preços da gasolina congelados.
O preço do petróleo está volátil por temor de crise nos países produtores. Por isso, a única forma de baixá-lo é o aumento da produção pela Arábia Saudita. A venda das reservas de petróleo dos países pode ajudar por um tempo, mas o mercado precisa de certeza de fornecimento estável.
O mercado tem uma visão de inflação diferente da que o BC mostrou ontem no Relatório Trimestral. A pesquisa Focus feita pelo Banco Central junto às instituições financeiras e consultorias mostrou na última segunda-feira que a previsão para 2012 é de 5,28%, acima, portanto, da prevista pelo governo. Mercado e Banco Central concordam que no ano que vem a inflação vai subir em relação a 2012. Segundo o Boletim Focus, ficará em 5,5%, já distante do centro da meta.
O cenário do Banco Central depende de que os preços internacionais de inúmeros produtos continuem caindo e que o preço do petróleo se estabilize e não haja qualquer novo susto nas economias em crise da Europa. Aqui, o governo está incentivando o consumo através de reduções fiscais e ampliação do crédito para sair do quadro de baixo crescimento. Para evitar que isso produza inflação, o Banco Central tem que estar atento a todos os riscos no cenário. Do contrário, repete-se o mesmo enredo: os juros caem, a inflação sobe, e os juros precisam subir novamente. O mais importante seria ter juros mais baixos de forma permanente.
O risco do ano passado conseguiu ser superado e este ano a inflação está mais baixa, mas ainda não há garantia de que a taxa está mesmo convergindo para a meta em 12 meses como afirma o Relatório Trimestral de Inflação divulgado ontem pelo Banco Central.
A inflação ficará na meta este ano em qualquer cenário. Se os juros não caírem, o IPCA fica em 4,4%. Se caírem, fica no centro da meta: 4,5%. Essa é a aposta do Banco Central. Uma parte disso se confirma porque está havendo uma queda dos preços das commodities no mundo. Mas se o petróleo continuar subindo, e o dólar também, vai ficar mais difícil para a Petrobras não elevar o preço da gasolina. E se o combustível subir esse quadro se altera.
O Banco Central está moderadamente otimista em relação ao país: na sua visão, o nível de atividade melhora ao longo do ano e o Brasil crescerá 3,5% em 2012, mas com uma taxa de inflação na meta, o que torna esse ritmo mais sustentável. Mas o BC aumentou em 0,5 ponto sua previsão de inflação para 2013, de 4,7% para 5,2%, e isso significa que a pequena melhoria no ritmo de crescimento da economia já vai deixar a taxa mais distante do centro da meta.
De qualquer maneira, o quadro está bem melhor agora do que estava no ano passado, neste mesmo momento, em que a taxa de inflação ameaçava ficar acima do teto da meta. E, de fato, a ameaça se concretizou. Durante meses o IPCA ficou acima do limite e chegou a 7,31% em setembro. Mas o quadro agora é de "desinflação global", segundo o Banco Central, e a inflação acumulada em 12 meses já recuou para 5,85% em fevereiro.
Os preços das commodities, em qualquer índice internacional, estão em queda. Tanto os alimentos medidos pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), quanto pelo CRB (Commodity Ressearch Bureau), um índice que mede também outras commodities que não apenas alimentos, mostram isso. De acordo com o Relatório de Inflação do Banco Central, o índice CRB acumulado em 12 meses saiu de 30,4% de alta, em abril de 2011, para uma retração de 11%, em fevereiro de 2012. Ou seja, passou a ter viés deflacionário. A mesma coisa aconteceu com o índice da FAO, que foi de 38,1% para -9,5%.
Inflação menor é excelente notícia, mas, por outro lado, esses alimentos e matérias-primas com preços menores podem significar menos receita de exportação para o Brasil, altamente dependente de commodities no seu comércio exterior. Mesmo assim, a balança comercial está na verdade melhor do que estava há um ano. O saldo em 12 meses até fevereiro foi de US$ 28,6 bilhões; no ano passado, em abril, era de US$ 21,6 bilhões.
O Banco Central avalia que a economia mundial continuará com baixo crescimento, a crise da Zona do Euro está longe do fim, a economia americana começa a se recuperar, mas o preço do petróleo está instável. Se o petróleo continuar com preço alto, a recuperação dos EUA, que é a melhor notícia no cenário internacional, correrá risco. No ano passado, a alta da gasolina afetou o consumo dos americanos e anulou o início da recuperação.
Além disso, a alta do combustível tem impacto inflacionário independentemente do contexto recessivo em tantos países. É por isso que o primeiro-ministro francês, François Fillon, está tentando mobilizar os países a usarem suas reservas de petróleo para derrubar o preço, que ontem estava em US$ 123 o barril do tipo brent. Mantido esse patamar por mais algum tempo, ficará mais difícil para o governo e para a Petrobras segurarem os preços da gasolina congelados.
O preço do petróleo está volátil por temor de crise nos países produtores. Por isso, a única forma de baixá-lo é o aumento da produção pela Arábia Saudita. A venda das reservas de petróleo dos países pode ajudar por um tempo, mas o mercado precisa de certeza de fornecimento estável.
O mercado tem uma visão de inflação diferente da que o BC mostrou ontem no Relatório Trimestral. A pesquisa Focus feita pelo Banco Central junto às instituições financeiras e consultorias mostrou na última segunda-feira que a previsão para 2012 é de 5,28%, acima, portanto, da prevista pelo governo. Mercado e Banco Central concordam que no ano que vem a inflação vai subir em relação a 2012. Segundo o Boletim Focus, ficará em 5,5%, já distante do centro da meta.
O cenário do Banco Central depende de que os preços internacionais de inúmeros produtos continuem caindo e que o preço do petróleo se estabilize e não haja qualquer novo susto nas economias em crise da Europa. Aqui, o governo está incentivando o consumo através de reduções fiscais e ampliação do crédito para sair do quadro de baixo crescimento. Para evitar que isso produza inflação, o Banco Central tem que estar atento a todos os riscos no cenário. Do contrário, repete-se o mesmo enredo: os juros caem, a inflação sobe, e os juros precisam subir novamente. O mais importante seria ter juros mais baixos de forma permanente.
O risco do ano passado conseguiu ser superado e este ano a inflação está mais baixa, mas ainda não há garantia de que a taxa está mesmo convergindo para a meta em 12 meses como afirma o Relatório Trimestral de Inflação divulgado ontem pelo Banco Central.
Quando tirarem Demóstenes da sala - MARIA CRISTINA FERNANDES
VALOR ECONÔMICO - 30/03/12
Uma das mais eloquentes lideranças da oposição virou reú no Supremo Tribunal Federal na mesma semana em que o governo saiu vitorioso em dois dos principais projetos de sua pauta legislativa do ano, a criação do fundo de previdência complementar dos servidores e a Lei Geral da Copa.
Não há causalidade entre um e outro fato. E isso explica por que uma crise que parecia tão aguda nas relações da presidente Dilma Rousseff com o Congresso se desfez de uma hora para outra.
O ocaso do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pouco afeta a governabilidade de Dilma. E não apenas pela condição minoritária de seu partido, mas porque não é na oposição que o projeto de poder da presidente é posto em xeque, mas dentro de sua própria base. Quando um parlamentar como Demóstenes cai em desgraça, as bandeiras que defende passam a depender mais de seus simpatizantes na base aliada do governo, o que lhes aumenta os antagonismos.
Bravatas prosperaram no vazio de propostas
Ao virar o jogo no Congresso, Dilma mostrou que ainda dispõe dos recursos políticos - e orçamentários - para conter essa soma de interesses antagônicos que a sustenta.
À distância, deu condições aos seus novos líderes na Câmara e no Senado de promover a troca de guarda e autonomia aos ministros para negociar com os parlamentares. Articulados com o presidente da Câmara, Marco Maia, e a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, promoveram os acordos que levaram à aprovação dos projetos.
A chance dessa pax parlamentar perdurar é diretamente proporcional à disposição do governo de cumprir acordos como aquele que fixou para depois da Páscoa a votação do código florestal. O entendimento também tem mais chance de prosperar se os compromissos firmados entre os ministros e os parlamentares forem cumpridos.
Isso certamente passa pela liberação de emendas. Enquanto não inventarem outro jeito de os parlamentares influenciarem num naco de investimentos do governo em benefício de comunidades que garantem a continuidade de sua carreira política vai continuar sendo assim.
A faxina de Dilma pode não passar de discurso mas não é na liberação de emenda que mora o engodo, e sim na triangulação entre parlamentares, seus indicados na máquina de governo e fornecedores públicos que recebem pelo serviço que não prestam.
É dos lucros dessa triangulação que vivem muitos políticos deste e de outros governos. É mais simples coibi-los quando são miudezas que estão em jogo, como nos contratos prestados por Ongs. É a esse fim que parece se destinar o projeto de criação do fundo para o financiamento dessas entidades que o governo vai enviar ao Congresso.
Mas difícil de fechar é o ralo por onde passam os grandes contratos. Basta ver o histórico de entreveros entre o Executivo e o Tribunal de Contas da União. E mesmo que haja alguma disposição real em fechar o ralo, a torneira jorra mais forte à medida que crescem a economia e a capacidade de investimento do governo.
A corrupção pode até ser um problema do tamanho que Demóstenes Torres costumava pintar da tribuna, mas o que os indícios de seu processo no STF parecem indicar é que a contravenção tem laços que extrapolam o governo de plantão. Alicia parlamentares de de todos os matizes, desde que influentes no aparato policial e na cúpula do judiciário.
Demóstenes Torres não era um denunciante qualquer. Chegou ao Senado no mesmo ano em que o PT alcançou o Planalto foi um de mais implacáveis críticos até ser acusado de receber mesada do mesmo contraventor que detonou o escândalo Waldomiro Diniz, o primeiro da era petista.
Nesse meio tempo jogou no descrédito um dos mais operantes policiais do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-delegado geral da Polícia Federal e ex-superintendente da Abin, Paulo Lacerda, ao acusá-lo de um grampo nunca provado no Supremo Tribunal Federal..
Arrematou a cultivada imagem de paladino da moralidade ao tornar-se um dos grandes defensores da Lei da Ficha Limpa e dos poderes de investigação do CNJ.
O senador foi alçado à condição de ideólogo conservador ao encabeçar a resistência parlamentar à política de cotas raciais. Numa audiência promovida pelo Supremo chegou a dizer que a escravidão teria beneficiado o continente africano por ter sido o primeiro item de sua pauta de exportações. E que, por isso, faria pouco sentido para o Brasil adotar políticas compensatórias para os negros que, além do mais, haviam proliferado por meio de relações consensuais entre escravas e brancos.
O apoio que recebeu na pregação anticotas o encorajou a prosseguir na cruzada de ideólogo do conservadorismo com um projeto que trata o viciado em drogas como um deliquente e institui uma política nacional de internação compulsória.
Acabou angariando o respeito e a admiração de seus pares pela coragem de assumir essas posições num país crescentemente marcado por políticas inclusivas.
Foi a dificuldade de a oposição oferecer uma agenda alternativa ao crescimento econômico que deu fermento às bravatas de Demóstenes. De tão dependente de bandeiras moralistas, os oposicionistas perderam a capacidade de se aglutinar mesmo face a um tema tão crucial para o futuro quanto a desindustrialização.
Foi com esse tema que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) subiu à tribuna na quarta-feira passada. Face à recomposição da base governista, urgia recuperar iniciativa à oposição. Dali a pouco o PSDB daria seus votos à aprovação da Funpresp, em nome de uma reforma iniciada pelo governo tucano e sequenciada pelos petistas. O discurso de Aécio teve pouca ressonância, mas os governistas bateram bumbo com a aprovação quase unânime.
Se a pauta legislativa se aprofundar na agenda da indústria nacional, focada em questões tributárias e trabalhistas, o consenso, como mostrou levantamento de Caio Junqueira (Valor, 28/03/2012), tem dias contados. Agora que tiraram Demóstenes da sala bem que o jogo podia começar.
Ueba! O Mano virou Mamano! - JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SSP - 30/03/12
Slogan da Copa: "Todos num ritmo só". Se for no ritmo das obras, vai ser o ritmo do jabuti!
BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Manchete do jornal "Meia Hora": "O Mano tava MAMANO?". Rarará! Lei Seca dá olé no técnico da seleção. Até a sogra do Kaká zoou! E avisa pro Mamano que seleção sem o Kaká é um Kokô! Rarará!
E adorei o slogan da Copa: "Todos num ritmo só". Se for no ritmo das obras, vai ser o ritmo do jabuti! E agora, direto do País da Piada Pronta: "Loira se disfarça com peruca loira para clonar cartão".
E eu tô com duas fotos: a de uma casa alugada por traficantes, e o boteco ao lado: SEI ONDE TEM! Boteco Sei Onde Tem. Só a polícia não sabe! Rarará.
E outra foto: o Exército ocupando o morro do Alemão e, no fundo, um salão de beleza: Salão BURUCUTU! Rarará!
E esta outra: "Casa noturna faz campanha por Adriano em BH". Já tem até outdoor: "Adriano! Venha jogar em BH! Santorinni oferece camarote VIP, segurança e três garçons exclusivos".
E o Sensacionalista revela o tratamento do Adriano no Barmengo, ops, no Flamengo: de dia, na churrascaria e, de noite, é transferido pra boate. De maca! Rarará! Ah, e repouso absoluto. E não pode nem treinar e nem jogar nos fins de semana. Pra não atrapalhar o desempenho nas baladas! Rarará!
E o senador Demóstenes com o amigo bicheiro? O Demóstenes quer ver o bicho em pé! E o chargista Amarildo revela que, se o Demóstenes sair do DEM, passa a se chamar Óstenes! Sobrou o Óstenes! É como ficar pelado! Rarará!
E uma vez o bicheiro Noal foi à TV e perguntaram: "Daria pra explicar esta coisa complexa que é o jogo do bicho?". "Fácil, tem lápis e papel aí?". Rarará!
Demóstenes, se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. Tá indo Cachoeira abaixo! É mole? É mole, mas sobe!
Predestinados! Sabe como é o nome do delegado que está investigando a violência das torcidas? Jorge CARRASCO! Torcida vira trucida. TRUCIDA ORGANIZADA! E mais esta piada pronta: "Assinado convênio: presidiários trabalharão no Itaquerão". Mutirão da casa própria. Rarará. Minha Casa Minha Vida!
E este adesivo num carro em Franca: "Jesus POTREGE". Só não protege quem escreve. Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Desastre legal - HÉLIO SCHWARTSMAN
FOLHA DE SP - 30/03/12
SÃO PAULO - Como os juízes andam precisando de quem os defenda, louvo a decisão do STJ de amenizar a chamada Lei Seca. Não estou sugerindo que as pessoas devam dirigir embriagadas, mas recomendo que os legisladores aprendam a legislar.
Eles escreveram uma peça indecente e não vejo como o STJ teria podido salvar o espírito da lei sem usurpar funções que não são suas.
O problema é a nova redação que a lei nº 11.705 deu ao artigo 306 do Código de trânsito, que prevê a detenção. Aqui, o legislador inadvertidamente alterou o tipo penal, que passou de conduzir veículo "sob a influência de álcool" para "com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a seis decigramas".
Ocorre, como reafirmou o STJ, que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. Se o motorista se recusa a soprar o bafômetro ou ceder sangue para análise, não há como provar que excedeu a quantidade máxima. Testemunhas podem jurar que ele estava bêbado como um gambá, mas não que ultrapassou 6 dg/l. E sem prova competente não há crime.
Em relação à multa e à suspensão da carteira, sanção administrativa prevista no artigo 165, o problema não se coloca, pois ali o tipo infracional ainda é "dirigir sob influência".
As barbeiragens não param aqui. Tanto o 165 como o 306 trazem a expressão "ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência". Acontece que café e nicotina são substâncias psicoativas que geram dependência. Estão em tese proscritos. Já LSD, embora cause alucinações, não provoca dependência e, assim, não cai na malha das autoridades de trânsito. A situação só não é absurda porque a polícia sabiamente ignora a lei.
Se o governo insiste em prender condutores ébrios, pode baixar uma MP que suspenda a 11.705 e a substitua por dispositivos coerentes. De minha parte, eu os tornaria mais sóbrios também. Crimes sem vítima não deveriam implicar penas de prisão.
Máscara - MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 30/03/12
O caso do senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás, vem atraindo a atenção não apenas do mundo político, mas também dos meios artísticos e psicanalíticos. Outro dia escrevi que o senador havia criado um personagem para si próprio, e o ator Antonio Pitanga me disse que está fascinado pelas facetas desse personagem e pela capacidade do senador de assumir um papel tão complexo quanto este, de defensor da moral e dos bons costumes, enquanto, por baixo do pano, mantinha uma relação promíscua com um contraventor.
Até mesmo agora, apanhado em flagrante por gravações feitas com a autorização da Justiça, o senador trabalha em duas frentes distintas: no Judiciário, pretende anular a validade das gravações, e, no plano político, tenta o apoio de seus pares para não ser julgado pela Comissão de Ética.
Segundo o psicanalista Joel Birman, professor da UFRJ e da Uerj, o senador Demóstenes é um mitômano que acreditou na sua própria fantasia.
Ele vestiu uma máscara, e ela acabou se colando em seu corpo. Ao dizer "Eu não sou mais o Demóstenes", está revelando uma personalidade psicologicamente quebrada, como se dissesse "Eu não sei mais quem é o Demóstenes".
Está também se fazendo de vítima para seus pares, a fim de evitar um julgamento político na Comissão de Ética do Senado.
Essa vitimização é importante, ressalta Joel Birman, no sentido de revelar uma estratégia de defesa. Esse personagem que o senador criou para si próprio não era uma mentira de Demóstenes, ele incorporou esse personagem e acreditava nele.
Podia acusar com veemência seus colegas senadores apanhados em desvios, como Renan Calheiros, enquanto mantinha o relacionamento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira porque, como todo psicopata, não misturava as personalidades.
A de homem público era essa criada por ele para colocá-lo com destaque entre seus pares na defesa da ética na política, mesmo que tivesse no particular uma conduta antiética.
Outro exemplo recente de psicopatia na política foi o do ex-governador José Roberto Arruda, por sinal também do DEM e já devidamente expulso pelo partido, que chorou na tribuna do Senado, dizendo-se arrependido pela quebra do sigilo da votação no painel eletrônico.
Pediu desculpas públicas a seus pares e aos eleitores, além da família, passou por um período de purgação, para recuperar a popularidade até ser eleito governador de Brasília.
Durante um bom tempo foi tido como um governador exemplar e um quadro político de primeiro nível, potencial candidato à Presidência da República e objeto de desejo de políticos de diversos partidos como companheiro de chapa.
Enquanto isso, mantinha nos subterrâneos de seu governo um vastíssimo esquema de corrupção de políticos e fornecedores de sua administração.
O advogado do senador Demóstenes Torres, o famoso Kakay de Brasília, deu também uma declaração interessante outro dia. Disse que o senador estava naturalmente apreensivo com as notícias vazadas, pois elas minavam sua credibilidade, mas que, do ponto de vista jurídico, estava totalmente tranquilo.
Isso significa que a defesa do senador vai tentar impugnar as gravações feitas pela Polícia Federal, alegando que elas seriam ilegais.
Para o advogado Kakay, não importa que um juiz de primeira instância tenha autorizado as gravações telefônicas, pois, como o senador tem foro privilegiado, elas só poderiam ser feitas com a autorização do Supremo.
Como as únicas provas que existem nos autos são as gravações, conforme admite até mesmo o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a luta será em torno da legalidade ou não das escutas telefônicas.
Há quem defenda a tese de que, como o senador Demóstenes Torres não era o objeto das escutas, e sim o bicheiro Carlinhos Cachoeira, não seria preciso pedir autorização do Supremo.
Tendo sido descoberto de maneira indireta, o senador estaria nesse caso sujeito a investigações pelo envolvimento em uma ação criminosa descoberta por acaso.
Caberá ao ministro do Supremo Ricardo Lewandowski decidir sobre o assunto, ao mesmo tempo em que o Senado estará obrigado a decidir se o convoca ao Conselho de Ética.
À medida que as provas vão sendo divulgadas, cria-se na opinião pública um clamor pela punição do senador que dificilmente poderá ser ignorado tanto pelo Supremo quanto pelo Senado.
Duas decisões polêmicas recentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Com relação à Lei Seca, concordo com a exigência de teste do bafômetro ou exame de sangue para definição sobre o estado etílico de um motorista.
O simples testemunho não pode ser uma prova conclusiva, como querem alguns textos legais em tramitação no Congresso.
No entanto, um motorista que cometa uma infração ao volante, especialmente se causar vítima, teria que ser obrigado a fazer o teste por um juiz.
Anteriormente o STJ decidira não punir um homem que mantivera relações sexuais com uma menor de 12 anos porque ficou provado que a criança já se prostituía antes do encontro com o acusado.
Como a partir de 2009 a relação sexual com menor de 14 anos foi classificada de "estupro de vulnerável", os senhores juízes consideraram que, no caso em discussão, não houvera "estupro".
O julgamento meramente técnico de uma chaga social brasileira transforma-se em uma maneira indireta de estimular a prostituição infantil, que deveria ser combatida em todas as circunstâncias.
VIK FORA DA VILAÇA - MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 30/03/12
Burburinho no mundo das artes: Vik Muniz, um dos mais célebres artistas plásticos brasileiros, não será mais representado no Brasil pela galeria Fortes Vilaça. Os dois romperam depois de quase 15 anos de parceria.
VIK 2
O diretor artístico da galeria, Alexandre Gabriel, confirma. E compara o fato "ao fim de um casamento". Mas afirma que a separação, "embora sofrida", está sendo amigável. "Foi uma decisão demorada e consensual de ambas as partes. O Vik expandiu imensamente seu campo de atuação e houve um distanciamento natural."
VIK 3
O diretor da Fortes Vilaça nega que as obras de Vik tenham hoje menos apelo comercial. "Ele continua sendo um artista de tremendo sucesso", afirma.
BATIDA FORTE
Depois de um ano de adiamento, a audiência de instrução do processo que Antônio da Silva, o Toinho Batera, ex-baterista de Ivete Sangalo, move contra a cantora foi marcada. Será no dia 25 de maio na 18ª Vara do Trabalho de Salvador. Ivete ou algum funcionário de sua empresa, a Caco de Telha, terá que comparecer. Ela chamará um de seus músicos como testemunha.
BATIDA 2
Batera entrou com a ação após ser demitido por Ivete e cobra indenização. Afirma que ela obrigou os músicos de sua banda a abrirem uma empresa para não ter que contratá-los formalmente. Valton Pessoa, advogado de Ivete, diz que o trabalho dos músicos era autônomo.
OUVIDOS DE ANDRES
Andres Sanchez diz em seu livro de memórias que, quando presidente do Corinthians, criou uma "rede de ouvidos" que contavam o que os jogadores faziam fora de campo. Um garçom do Fasano informou certa vez que um goleiro do clube estava lá com um dirigente do Fluminense e que acertavam "negócio de 120 mil reais, acho que era salário". O atleta foi cobrado por Sanchez no dia seguinte e "ficou branco".
EM FAMÍLIA
O livro de Andres, "O Mais Louco do Bando", será lançado em maio pela G7 Books e está sendo escrito por seu primo, Tadeo Sanchez.
SR. E SRA. MACBETH
Depois da desistência de Ana Paula Arósio (que seria substituída por Selma Egrei), a nova montagem de "Macbeth" terá apenas elenco masculino. Marcello Antony continua como protagonista e Claudio Fontana assume o papel de Lady Macbeth. A peça estreia no dia 31 de maio, no teatro Vivo, dentro do programa Vivo EnCena.
LING LING
São Paulo ganhará neste ano o primeiro festival de cinema e cultura asiática da cidade, o Traffic.
O evento acontecerá em agosto em salas de cinema.
A BALADA DE JEAN CHARLES
Nacib Carvalho
Roger Waters (no meio) se encontrou com Matozinhos e Maria Otone, pais de Jean Charles de Menezes, antes de seu show em Porto Alegre. O músico homenageia o eletricista brasileiro, assassinado pela polícia no metrô de Londres em 2005, em um segmento do espetáculo "The Wall". A foto de Jean Charles é exibida no telão acompanhada por sons de um trem e das 11 balas que o mataram.
Waters disse que era especial conhecer a família dele, que viajou de Gonzaga (MG) para o encontro. No show, ele canta a música "The Ballad of Jean Charles de Menezes", que compôs sobre o caso.
MENSAGEM DIRETA
O presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, mandou mensagem via Facebook ao colega Ricardo Sayeg, pré-candidato de oposição à sua sucessão. Parabenizou-o pela participação no pleito e ofereceu "minha solidariedade ao irmão Hermes, pelo que fez o Toron". Alberto Toron, outro dos pré-candidatos da oposição, criticou em entrevista Raimundo Hermes Barbosa, que disputou a eleição passada contra D'Urso, por não apoiá-lo. Hermes está com Sayeg.
DUPLA
Leandra Leal e Bruno Gagliasso, que interpretaram um casal na novela "Passione", repetirão a dobradinha no cinema.
Estão no elenco de "Mato Sem Cachorro", longa de Pedro Amorim que deve ser rodado no segundo semestre.
TRAÇOS FINOS
A exposição "Encontros: Tomie Ohtake e Nobuo Mitsunashi" teve vernissage anteontem, na Galeria Deco, em São Paulo, com a presença dos artistas e outros convidados. Bianca Cutait e Cida Izique passaram por lá.
TE VI NA TEVÊ
Vice-Presidente Artístico e de Produção da Rede Record, Honorilton Gonçalves compareceu à festa de lançamento da programação da emissora no hotel Sheraton WTC. Os apresentadores Ana Hickmann e Gugu Liberato, os atores Paloma Duarte e Bruno Ferrari e a jornalista Ana Paula Padrão, entre outros convidados, também circularam pelo evento, em São Paulo.
CURTO-CIRCUITO
O cantor Thiaguinho, ex-Exaltasamba, faz shows nos dias 5, 6 e 7 de abril, no Credicard Hall. Classificação etária: 16 anos.
O livro "Imagem e Poder", de Paulo Martins, será lançado hoje, às 18h30, na Livraria da Vila dos Jardins.
Lucas Santtana faz show hoje, às 21h, no Sesc Vila Mariana. 12 anos.
O Festival Internacional de Linguagem Eletrônica começa no dia 9 de abril no Oi Futuro, no Rio, com palestra de Raquel Kogan e Alexandre Ribeiro de Sá.
com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY
Burburinho no mundo das artes: Vik Muniz, um dos mais célebres artistas plásticos brasileiros, não será mais representado no Brasil pela galeria Fortes Vilaça. Os dois romperam depois de quase 15 anos de parceria.
VIK 2
O diretor artístico da galeria, Alexandre Gabriel, confirma. E compara o fato "ao fim de um casamento". Mas afirma que a separação, "embora sofrida", está sendo amigável. "Foi uma decisão demorada e consensual de ambas as partes. O Vik expandiu imensamente seu campo de atuação e houve um distanciamento natural."
VIK 3
O diretor da Fortes Vilaça nega que as obras de Vik tenham hoje menos apelo comercial. "Ele continua sendo um artista de tremendo sucesso", afirma.
BATIDA FORTE
Depois de um ano de adiamento, a audiência de instrução do processo que Antônio da Silva, o Toinho Batera, ex-baterista de Ivete Sangalo, move contra a cantora foi marcada. Será no dia 25 de maio na 18ª Vara do Trabalho de Salvador. Ivete ou algum funcionário de sua empresa, a Caco de Telha, terá que comparecer. Ela chamará um de seus músicos como testemunha.
BATIDA 2
Batera entrou com a ação após ser demitido por Ivete e cobra indenização. Afirma que ela obrigou os músicos de sua banda a abrirem uma empresa para não ter que contratá-los formalmente. Valton Pessoa, advogado de Ivete, diz que o trabalho dos músicos era autônomo.
OUVIDOS DE ANDRES
Andres Sanchez diz em seu livro de memórias que, quando presidente do Corinthians, criou uma "rede de ouvidos" que contavam o que os jogadores faziam fora de campo. Um garçom do Fasano informou certa vez que um goleiro do clube estava lá com um dirigente do Fluminense e que acertavam "negócio de 120 mil reais, acho que era salário". O atleta foi cobrado por Sanchez no dia seguinte e "ficou branco".
EM FAMÍLIA
O livro de Andres, "O Mais Louco do Bando", será lançado em maio pela G7 Books e está sendo escrito por seu primo, Tadeo Sanchez.
SR. E SRA. MACBETH
Depois da desistência de Ana Paula Arósio (que seria substituída por Selma Egrei), a nova montagem de "Macbeth" terá apenas elenco masculino. Marcello Antony continua como protagonista e Claudio Fontana assume o papel de Lady Macbeth. A peça estreia no dia 31 de maio, no teatro Vivo, dentro do programa Vivo EnCena.
LING LING
São Paulo ganhará neste ano o primeiro festival de cinema e cultura asiática da cidade, o Traffic.
O evento acontecerá em agosto em salas de cinema.
A BALADA DE JEAN CHARLES
Nacib Carvalho
Roger Waters (no meio) se encontrou com Matozinhos e Maria Otone, pais de Jean Charles de Menezes, antes de seu show em Porto Alegre. O músico homenageia o eletricista brasileiro, assassinado pela polícia no metrô de Londres em 2005, em um segmento do espetáculo "The Wall". A foto de Jean Charles é exibida no telão acompanhada por sons de um trem e das 11 balas que o mataram.
Waters disse que era especial conhecer a família dele, que viajou de Gonzaga (MG) para o encontro. No show, ele canta a música "The Ballad of Jean Charles de Menezes", que compôs sobre o caso.
MENSAGEM DIRETA
O presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, mandou mensagem via Facebook ao colega Ricardo Sayeg, pré-candidato de oposição à sua sucessão. Parabenizou-o pela participação no pleito e ofereceu "minha solidariedade ao irmão Hermes, pelo que fez o Toron". Alberto Toron, outro dos pré-candidatos da oposição, criticou em entrevista Raimundo Hermes Barbosa, que disputou a eleição passada contra D'Urso, por não apoiá-lo. Hermes está com Sayeg.
DUPLA
Leandra Leal e Bruno Gagliasso, que interpretaram um casal na novela "Passione", repetirão a dobradinha no cinema.
Estão no elenco de "Mato Sem Cachorro", longa de Pedro Amorim que deve ser rodado no segundo semestre.
TRAÇOS FINOS
A exposição "Encontros: Tomie Ohtake e Nobuo Mitsunashi" teve vernissage anteontem, na Galeria Deco, em São Paulo, com a presença dos artistas e outros convidados. Bianca Cutait e Cida Izique passaram por lá.
TE VI NA TEVÊ
Vice-Presidente Artístico e de Produção da Rede Record, Honorilton Gonçalves compareceu à festa de lançamento da programação da emissora no hotel Sheraton WTC. Os apresentadores Ana Hickmann e Gugu Liberato, os atores Paloma Duarte e Bruno Ferrari e a jornalista Ana Paula Padrão, entre outros convidados, também circularam pelo evento, em São Paulo.
CURTO-CIRCUITO
O cantor Thiaguinho, ex-Exaltasamba, faz shows nos dias 5, 6 e 7 de abril, no Credicard Hall. Classificação etária: 16 anos.
O livro "Imagem e Poder", de Paulo Martins, será lançado hoje, às 18h30, na Livraria da Vila dos Jardins.
Lucas Santtana faz show hoje, às 21h, no Sesc Vila Mariana. 12 anos.
O Festival Internacional de Linguagem Eletrônica começa no dia 9 de abril no Oi Futuro, no Rio, com palestra de Raquel Kogan e Alexandre Ribeiro de Sá.
com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY
À beira do abismo - ROBERTO FREIRE
BRASIL ECONÔMICO - 30/03/12
É uma temeridade, em tempos de crise, acreditarmos nas previsões sobre o desempenho econômico realizadas pelas instituições que tratam do assunto, entre elas, o nosso Ministério da Fazenda. Por outro lado, é relevante termos presente os dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre o crescimento da economia mundial para 2011-2012, estimado em cerca de 4%. Isto é, se os responsáveis pela política econômica mantiverem seus compromissos com a estabilidade financeira mundial.
Este resultado, contudo, será desigual. Os países desenvolvidos terão pequena recuperação do nível de atividade econômica. Seu crescimento estimado de 0,75% a.a, no primeiro semestre de 2011, subiu para 1,5% a.a., em 2012. Os países emergentes terão crescimento mais robusto, exceto o Brasil. Restrições de capacidade, aperto nas políticas fiscal e monetária e desaceleração da demanda externa fazem com que o crescimento médio se reduza de 7% a.a, no primeiro semestre de 2011, para 6%a.a, em 2012.
Segundo o FMI, quatro tipos de ameaças afetam a economia mundial: a primeira delas é a crise bancária e de endividamento nos países avançados; a segunda se refere às políticas fracas para lidar com o legado da crise das economias avançadas; a terceira está relacionada às vulnerabilidades nas economias dos países emergentes; e, por fim, a volatilidade dos preços das commodities e tensões geopolíticas.
No que diz respeito às economias emergentes, essas estão sujeitas ao risco de sobreaquecimento de suas economias que pode aumentar sua fragilidade financeira. O ritmo de expansão do crédito e o crescimento dos preços dos ativos têm permanecido elevados em vários países em desenvolvimento, como Brasil, Colômbia, Hong Kong, Índia, Indonésia, Peru e Turquia. Há ainda a possibilidade de bolha de ativos nos países emergentes, alimentada pela expansão do crédito bancário. Se a bolha estourar devido ao aumento da aversão ao risco dos investidores internacionais, poderemos ter um movimento de parada súbita de capitais externos para essas economias, seguido de queda acentuada nos preços dos ativos e crescente fragilidade do setor bancário. Na China, o ritmo de expansão do crédito, embora ainda esteja alto, começa a diminuir gradativamente.
No caso específico do Brasil, o que temos observado é um processo consistente de queda da participação da indústria de transformação no PIB. Essa "desindustrialização" tem efeitos negativos sobre o dinamismo da economia no longo prazo - uma vez que a indústria é a principal difusora do progresso tecnológico para a economia como um todo.
A continuidade desse processo na economia brasileira deverá, portanto, reduzir seu dinamismo no médio e longo prazos. Desde o segundo semestre de 2010, o PIB do país tem apresentado uma desaceleração bastante pronunciada, o que já reflete os efeitos do referido processo. Mas, ao que parece, o governo Dilma não consegue se livrar dos remendos localizados, como a prorrogação do IPI, desoneração da folha de pagamento e incidência da previdência no faturamento, conforme a reclamação dos setores envolvidos, como a melhor resposta aos perigos que enfrenta nossa indústria.
Apitos e pajelanças - FERNANDO GABEIRA
O ESTADO DE SP - 30/03/12
Pajelança é um conjunto de rituais realizados por um pajé com objetivo de cura ou previsão de acontecimentos futuros. Essa palavra entrou mais fortemente em nosso vocabulário em 1986, quando o cacique Raoni e o pajé Sapaim vieram ao Rio para tentar curar o cientista Augusto Ruschi, envenenado por um sapo. A cerimônia foi no Jardim Botânico e consistiu em soprar fumaça de um grosso cigarro azulado e, certamente, de orações rituais. Mais tarde a expressão se ampliou para a política, por causa das grandes reuniões com militantes que Brizola fazia na reta final da campanha.
A maioria dos políticos gosta de falar. Brizola gostava muito e, com longos discursos, transmitia a disposição de luta que podia ser decisiva em campanhas em que havia equilíbrio de forças. Ao transplantar a pajelança para a política, Brizola trabalhava a energia psicológica, destituída do conteúdo espiritual que os indígenas comunicam a ela. Tornou- a um ritual mais próximo dos jogadores de futebol que se abraçam no vestiário, ou mesmo do grito de uma torcida: Hip, hurra, é hora, é hora, é hora!
Não nego a importância da energia coletiva que eventualmente uma pajelança, no sentido político, possa injetar. Mas quando acionado fora da hora o ritual tende mais a inquietar do que propriamente a animar. Foi como me senti com a reunião de Dilma Rousseff com alguns empresários poderosos, tratados pela imprensa pelo apelido de PIB nacional. Na semana que antecedeu o encontro fontes no Planalto diziam à mídia que o objetivo da reunião era despertar o espírito animal dos capitalistas. Uma pajelança. Décadas de negação do capitalismo, de humanização do capitalismo e agora seus instintos animais se tornam o objeto do desejo da esquerda no poder.Instintos animais no bom sentido.
Em outro teatro, o pajé está às voltas exatamente com os instintos animais do capitalismo financeiro. Como não havia animal comporte capaz de nomeá-lo,recorreu- se à adaptação de uma catástrofe natural: tsunami de dólares. O governo atua como um domador do bicho capitalista, estimulando instintos em certas áreas e, no cenário mundial, pedindo que sejam contidos os instintos de cruzar fronteiras para lucros rápidos. O PIB nacional não foi tão alto.Há ainda aumento de empregos e distribuição de renda. O crescimento não é só um valor aritmético. Mas os problemas que temos pela frente são complexos de mais para uma pajelança. Além do mais, segundo os próprios critérios de Brizola, apajelança é boa ou má na medida em que dissemina esperanças. A simplicidade da escolha desconcertou quem esperava uma consciência maior de como é complexa a reativação econômica.
Outro espetáculo ofuscou a pajelança: a denúncia de corrupção na saúde do Rio. Foram dez minutos de denúncias no Fantástico,mostrando como as empresas agiam, oferecendo propina. Nele emergiu a lógica das novelas. Uma personagem se destacou: RenataCavas. É um caso para aulas de roteiro. Ao longo do programa, ela desdobrou a personagem com coerência tal que acabou roubando a cena.
Quando sentiu a hesitação do "funcionário" representa do pelo repórter da Globo, Renata tranquilizou-o quanto à normalidade da propina: "É a ética do mercado, entende?" Para quem diviniza o mercado, é como se dissesse: não é pecado.E em seguida,um pouco irritada com a ingenuidade do "funcionário", usou da ironia. "É legal um contrato que vamos assinar?" Renata: "Claro que é legal, carimbo, papel timbrado, até tipo sanguíneo".
Nesse momento do espetáculo ela se tornou vilã por ironizar quem desconhece os meandros da corrupção: uma grande parte dos brasileiros.
A personagem desdobra-se com a coerência de um autor. Onde entra o dinheiro da propina?" Renata: "Shopping, subsolo, Quinta da Boa Vista, na Floresta da Tijuca, por exemplo, olha que chique!"."Em que moedas vocês pagam a propina?" Renata: "Na que você quiser, meu bem. Iens, você quer receber em iens?"
Quais os próximos capítulos?
Os governos decidiram revisar seus contratos. Só no Rio beiram osR$400milhões.Comorevisar contratos legais, timbrados e comtipo sanguíneo?Aúnica pista são os aditivos. Legalmente não deveriam passar de 20%.Há casodeaditivosde300%aoorçamento inicial. Será um trabalho áspero e ninguém pode prever o resultado final. Talvez Renata...
Não é só a investigação que promete baixo ibope. É também o desdobramento político, sobretudo no delicado campo de regular algumas práticas empresariais. Seguindo exemplo de alguns países, apresentei um projeto criando algumas normas para empresas brasileiras no exterior. Não eram moralistas, jogavam apenas com o elemento estratégico da imagem nacional num mundo em constante intercâmbio. Certos instintos animais podem morder o nosso próprio rabo. Resta perseguir como crítico de espetáculo o que não obtive na política.
Mas não se fazem mais pajelanças como a de Brizola nem surgem grandes ondas de indignação diante de denúncias que expõem desvios dos suados recursos nacionais. Talvez Sapaim continue fumando seu cigarro azul, desvendando os mistérios do futuro. Não precisamos mais de suas nuvens aromáticas. Precisamos, sim, de mais apitos. Só assim poderíamos revelar com clareza toda a complexa relação de fornecedores, governos e campanhas políticas. Os episódios ocorrem e submergem, como, por exemplo,um acidente de helicóptero na Bahia que mostrou a intimidade entre compradores e vendedores de obras públicas.
Brasília envia uma série de mini capítulos com a cena única de gente enfiando dinheiro no bolso, na valise, nas meias. Agora apareceu a reportagem do Fantástico. Quando é que veremos uma trama completa, com todos os principais vilões e um capítulo final?
Sempre há uma outra novela, dirão os céticos. Mas com outro enredo. Já há público para isso.O mecanismo foi escancarado.Não adianta fingir que não aconteceu. Só o otimismo de uma vilã poderia salvar a sorte do esquema. Ela diria: "Daqui a pouco os escândalos da Copa vão sepultar os desvios na saúde pública".
Quando veremos uma trama completa, com todos os principais vilões e um capítulo final?
Não nego a importância da energia coletiva que eventualmente uma pajelança, no sentido político, possa injetar. Mas quando acionado fora da hora o ritual tende mais a inquietar do que propriamente a animar. Foi como me senti com a reunião de Dilma Rousseff com alguns empresários poderosos, tratados pela imprensa pelo apelido de PIB nacional. Na semana que antecedeu o encontro fontes no Planalto diziam à mídia que o objetivo da reunião era despertar o espírito animal dos capitalistas. Uma pajelança. Décadas de negação do capitalismo, de humanização do capitalismo e agora seus instintos animais se tornam o objeto do desejo da esquerda no poder.Instintos animais no bom sentido.
Em outro teatro, o pajé está às voltas exatamente com os instintos animais do capitalismo financeiro. Como não havia animal comporte capaz de nomeá-lo,recorreu- se à adaptação de uma catástrofe natural: tsunami de dólares. O governo atua como um domador do bicho capitalista, estimulando instintos em certas áreas e, no cenário mundial, pedindo que sejam contidos os instintos de cruzar fronteiras para lucros rápidos. O PIB nacional não foi tão alto.Há ainda aumento de empregos e distribuição de renda. O crescimento não é só um valor aritmético. Mas os problemas que temos pela frente são complexos de mais para uma pajelança. Além do mais, segundo os próprios critérios de Brizola, apajelança é boa ou má na medida em que dissemina esperanças. A simplicidade da escolha desconcertou quem esperava uma consciência maior de como é complexa a reativação econômica.
Outro espetáculo ofuscou a pajelança: a denúncia de corrupção na saúde do Rio. Foram dez minutos de denúncias no Fantástico,mostrando como as empresas agiam, oferecendo propina. Nele emergiu a lógica das novelas. Uma personagem se destacou: RenataCavas. É um caso para aulas de roteiro. Ao longo do programa, ela desdobrou a personagem com coerência tal que acabou roubando a cena.
Quando sentiu a hesitação do "funcionário" representa do pelo repórter da Globo, Renata tranquilizou-o quanto à normalidade da propina: "É a ética do mercado, entende?" Para quem diviniza o mercado, é como se dissesse: não é pecado.E em seguida,um pouco irritada com a ingenuidade do "funcionário", usou da ironia. "É legal um contrato que vamos assinar?" Renata: "Claro que é legal, carimbo, papel timbrado, até tipo sanguíneo".
Nesse momento do espetáculo ela se tornou vilã por ironizar quem desconhece os meandros da corrupção: uma grande parte dos brasileiros.
A personagem desdobra-se com a coerência de um autor. Onde entra o dinheiro da propina?" Renata: "Shopping, subsolo, Quinta da Boa Vista, na Floresta da Tijuca, por exemplo, olha que chique!"."Em que moedas vocês pagam a propina?" Renata: "Na que você quiser, meu bem. Iens, você quer receber em iens?"
Quais os próximos capítulos?
Os governos decidiram revisar seus contratos. Só no Rio beiram osR$400milhões.Comorevisar contratos legais, timbrados e comtipo sanguíneo?Aúnica pista são os aditivos. Legalmente não deveriam passar de 20%.Há casodeaditivosde300%aoorçamento inicial. Será um trabalho áspero e ninguém pode prever o resultado final. Talvez Renata...
Não é só a investigação que promete baixo ibope. É também o desdobramento político, sobretudo no delicado campo de regular algumas práticas empresariais. Seguindo exemplo de alguns países, apresentei um projeto criando algumas normas para empresas brasileiras no exterior. Não eram moralistas, jogavam apenas com o elemento estratégico da imagem nacional num mundo em constante intercâmbio. Certos instintos animais podem morder o nosso próprio rabo. Resta perseguir como crítico de espetáculo o que não obtive na política.
Mas não se fazem mais pajelanças como a de Brizola nem surgem grandes ondas de indignação diante de denúncias que expõem desvios dos suados recursos nacionais. Talvez Sapaim continue fumando seu cigarro azul, desvendando os mistérios do futuro. Não precisamos mais de suas nuvens aromáticas. Precisamos, sim, de mais apitos. Só assim poderíamos revelar com clareza toda a complexa relação de fornecedores, governos e campanhas políticas. Os episódios ocorrem e submergem, como, por exemplo,um acidente de helicóptero na Bahia que mostrou a intimidade entre compradores e vendedores de obras públicas.
Brasília envia uma série de mini capítulos com a cena única de gente enfiando dinheiro no bolso, na valise, nas meias. Agora apareceu a reportagem do Fantástico. Quando é que veremos uma trama completa, com todos os principais vilões e um capítulo final?
Sempre há uma outra novela, dirão os céticos. Mas com outro enredo. Já há público para isso.O mecanismo foi escancarado.Não adianta fingir que não aconteceu. Só o otimismo de uma vilã poderia salvar a sorte do esquema. Ela diria: "Daqui a pouco os escândalos da Copa vão sepultar os desvios na saúde pública".
Quando veremos uma trama completa, com todos os principais vilões e um capítulo final?
Trovoadas de março - MARINA SILVA
FOLHA DE SP - 30/03/12
O Brasil perdeu, na última terça-feira, uma de suas vozes mais críticas e independentes. O brilhante, multitalentoso e bem-humorado Millôr Fernandes nos deixou, aos 88 anos.
Fica sua extensa obra de escritor, artista plástico, humorista, dramaturgo, cartunista, jornalista e homem antenado com o seu tempo. Seu humor inteligentíssimo nos fazia rir ao mesmo tempo em que denunciava, com acidez, as mais variadas falácias.
Fica a lição do "guru do Méier" de que é preciso sempre olhar para a realidade sob uma perspectiva crítica.
Quem dera tivéssemos todos essa mesma perspicácia. O estilo debochado de Millôr desnudava os políticos de sorrisos congelados e intenções inconfessáveis. Vai fazer muita falta, principalmente em ano de eleição, quando promessas vazias são potencializadas pelo marketing frio e calculado.
Cada vez mais, os que se acham espertos usam os mesmos truques já tão conhecidos, como se a sociedade cumprisse apenas um papel secundário de plateia. Pior, em um espetáculo em que os mágicos se contentam com truques amadores, os malabaristas nem ligam se muitos dos seus pratos se espatifam no chão e a maquiagem dos artistas se mostra borrada, revelando sua face nada engraçada.
É mais ou menos o que se vê agora no Congresso Nacional. Um projeto que acaba com a proteção das florestas do Brasil é apresentado como o "novo" código florestal.
Para diminuir o constrangimento, falou-se em deixar a votação para depois da conferência Rio+20, mas a sanha voraz da motosserra estabelece prazos e exigências.
O governo acata, afinal a governabilidade hoje se sustenta não em ideias ou projetos para o país, mas em interesses de partidos que, em grande parte, já se apresentam sem máscaras.
Entretanto, como bem escreveu Millôr certa vez, entre suas muitas frases brilhantemente sarcásticas, "tome nota, amigo: as aparências não enganam".
Chegamos ao Saara da política. Nesse deserto desolador, sobressai a beleza do gesto do operário e do sociólogo, que, por duas vezes, se visitaram em situações de grande dificuldade. Uma para fortalecer a luta pela democracia e a outra para trocar o abraço que, apesar das muitas divergências, não se priva da arte de dar e receber, da imprescindível dose de respeito e afeto que ajuda a produzir boas porções de bálsamo capaz de enfraquecer até a doença. De resto, tudo parece estéril e sem vida.
Perdemos, em um mesmo mês, a graça de Chico Anysio e de Millôr Fernandes. Já chega. Basta, março. Para com teus relâmpagos e trovoadas e manda logo tuas águas. Traz o outono da calma que anima o coração.
O novo papel estratégico do gás - RODOLFO LANDIM
FOLHA DE SP - 30/03/12
O Brasil dispõe de vastas bacias sedimentares, com significativas ocorrências de rochas geradoras
Nas aulas de geologia e engenharia de petróleo, aprendemos que tanto ele como o gás natural (GN) são fluidos formados por uma complexa mistura de hidrocarbonetos e que a existência de um campo de petróleo está sempre associada à ocorrência de uma série de eventos.
Em resumo, esses eventos envolvem não só a geração de hidrocarbonetos através de rochas ricas em matéria orgânica como a migração, que é o deslocamento deles para rochas produtoras mais permeáveis, chamadas de rochas-reservatório, as quais ainda devem estar estruturadas, criando uma espécie de armadilha para a acumulação do petróleo e/ou do gás no seu topo, e capeadas por uma rocha impermeável com a função de impedir que o fluido continue migrando até a superfície e se perca.
No entanto, o que vem acontecendo nos Estados Unidos em relação ao GN é algo que muda esse paradigma. Lá, ele vem sendo produzido diretamente de rochas geradoras a partir do uso de novas tecnologias de engenharia de poços.
Quando as primeiras companhias operadoras começaram a obter sucesso com a aplicação desses novos métodos, houve um redirecionamento estratégico de várias outras, que passaram a vender seus ativos de exploração e produção em todo o mundo, canalizando esses recursos para o que prometia ser a grande saída para a redução da dependência energética externa do país.
Os resultados foram tão bons que a produção de GN aumentou muito e o preço caiu vertiginosamente. Só para ter uma ideia, ele, que quase sempre esteve nos últimos anos acima dos US$ 6 por milhão de BTUs (British Thermal Unit, unidade britânica que mede o poder calorífico do gás), caiu de forma consistente para menos da metade, provocando total descolamento entre os preços do GN e do petróleo, o que deverá causar grandes transformações na matriz energética daquele país.
Na área de geração de energia elétrica, várias usinas a carvão do país têm tido as suas licenças prorrogadas, em parte graças ao forte lobby do setor carvoeiro. Mas, com custos de investimento significativamente menores e perspectivas de preço de combustível de longo prazo bem mais atrativas do que no passado, as usinas geradoras a gás natural têm tudo para ocupar os espaços a serem criados no setor.
Além disso, já está em curso por lá uma parcial transformação da frota de veículos pesados de diesel para GN. É certo que hoje a rede de distribuição pelas estradas é ainda muito pequena, mas já existem mais de 500 postos de distribuição espalhados pelo país, boa parte deles abastecidos por GN comprimido e liquefeito. Incentivos fiscais foram criados e podem reduzir o preço de um caminhão novo movido a GN em até US$ 30 mil.
Estima-se que o uso do GN geraria uma economia para os usuários de diesel de US$ 1,5 por galão, ou seja, teriam a sua parcela de custos relativos ao combustível reduzida quase à metade. E não faltam aqueles que defendem que os EUA autorizem a instalação de unidades de liquefação de gás para a exportação do produto, já que na Europa, por exemplo, ele é vendido por cerca de US$ 12 por milhão de BTUs.
Tudo isso nos faz lembrar Ahmed Yamani, poderoso ministro do petróleo da Arábia Saudita no período de 1962 a 1986, quando disse que "o longo prazo não é favorável à Opep porque ele ajuda a tecnologia, seu verdadeiro inimigo", para depois cunhar a frase lapidar de que "tal como a idade da pedra não acabou por falta de pedras, a idade do petróleo não acabará por falta de petróleo".
Tomara que o Conselho Nacional de Política Energética esteja atento aos movimentos que estão ocorrendo no mundo, uma vez que o Brasil dispõe de vastas bacias sedimentares que, somadas, possuem uma dimensão continental, todas com significativas ocorrências de rochas geradoras. E, como já disse o ditado popular, vento que venta lá tem tudo para ventar cá também.
O que também vai ser preciso é vontade política para que as oportunidades exploratórias através de leilões voltem a existir no Brasil e que grande parte do petróleo e do gás natural não continue embaixo da terra como já ocorre há milhões de anos, sem gerar benefício econômico para a sociedade.
Em resumo, esses eventos envolvem não só a geração de hidrocarbonetos através de rochas ricas em matéria orgânica como a migração, que é o deslocamento deles para rochas produtoras mais permeáveis, chamadas de rochas-reservatório, as quais ainda devem estar estruturadas, criando uma espécie de armadilha para a acumulação do petróleo e/ou do gás no seu topo, e capeadas por uma rocha impermeável com a função de impedir que o fluido continue migrando até a superfície e se perca.
No entanto, o que vem acontecendo nos Estados Unidos em relação ao GN é algo que muda esse paradigma. Lá, ele vem sendo produzido diretamente de rochas geradoras a partir do uso de novas tecnologias de engenharia de poços.
Quando as primeiras companhias operadoras começaram a obter sucesso com a aplicação desses novos métodos, houve um redirecionamento estratégico de várias outras, que passaram a vender seus ativos de exploração e produção em todo o mundo, canalizando esses recursos para o que prometia ser a grande saída para a redução da dependência energética externa do país.
Os resultados foram tão bons que a produção de GN aumentou muito e o preço caiu vertiginosamente. Só para ter uma ideia, ele, que quase sempre esteve nos últimos anos acima dos US$ 6 por milhão de BTUs (British Thermal Unit, unidade britânica que mede o poder calorífico do gás), caiu de forma consistente para menos da metade, provocando total descolamento entre os preços do GN e do petróleo, o que deverá causar grandes transformações na matriz energética daquele país.
Na área de geração de energia elétrica, várias usinas a carvão do país têm tido as suas licenças prorrogadas, em parte graças ao forte lobby do setor carvoeiro. Mas, com custos de investimento significativamente menores e perspectivas de preço de combustível de longo prazo bem mais atrativas do que no passado, as usinas geradoras a gás natural têm tudo para ocupar os espaços a serem criados no setor.
Além disso, já está em curso por lá uma parcial transformação da frota de veículos pesados de diesel para GN. É certo que hoje a rede de distribuição pelas estradas é ainda muito pequena, mas já existem mais de 500 postos de distribuição espalhados pelo país, boa parte deles abastecidos por GN comprimido e liquefeito. Incentivos fiscais foram criados e podem reduzir o preço de um caminhão novo movido a GN em até US$ 30 mil.
Estima-se que o uso do GN geraria uma economia para os usuários de diesel de US$ 1,5 por galão, ou seja, teriam a sua parcela de custos relativos ao combustível reduzida quase à metade. E não faltam aqueles que defendem que os EUA autorizem a instalação de unidades de liquefação de gás para a exportação do produto, já que na Europa, por exemplo, ele é vendido por cerca de US$ 12 por milhão de BTUs.
Tudo isso nos faz lembrar Ahmed Yamani, poderoso ministro do petróleo da Arábia Saudita no período de 1962 a 1986, quando disse que "o longo prazo não é favorável à Opep porque ele ajuda a tecnologia, seu verdadeiro inimigo", para depois cunhar a frase lapidar de que "tal como a idade da pedra não acabou por falta de pedras, a idade do petróleo não acabará por falta de petróleo".
Tomara que o Conselho Nacional de Política Energética esteja atento aos movimentos que estão ocorrendo no mundo, uma vez que o Brasil dispõe de vastas bacias sedimentares que, somadas, possuem uma dimensão continental, todas com significativas ocorrências de rochas geradoras. E, como já disse o ditado popular, vento que venta lá tem tudo para ventar cá também.
O que também vai ser preciso é vontade política para que as oportunidades exploratórias através de leilões voltem a existir no Brasil e que grande parte do petróleo e do gás natural não continue embaixo da terra como já ocorre há milhões de anos, sem gerar benefício econômico para a sociedade.
CLAUDIO HUMBERTO
“Cargos são passageiros. A honra não é, a dignidade não é”
Deputada Rose de Freitas (PMDB-ES) em resposta ao deputado Arlindo Chinaglia (PT)
LICITAÇÃO SUSPEITA LEVA EX-DIRETOR À SEDE DA ANTT
Barrado pelo Senado para permanecer na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), o ex-diretor Bernardo Figueiredo trabalha para convalidar a concessão de um trecho da BR-101, apesar das suspeitas de irregularidades na proposta vencedora, como a falta do Plano de Negócios, exigido no edital. Sem ele, abre-se caminho para burlar o critério do menor preço e não haveria como averiguar se a ganhadora, de fato, investiria em obras, segurança, etc., conforme o contrato.
QUASE NADA
Um detalhe intrigante na licitação da ANTT: é infinitesimal a diferença do preço entre a vencedora e a segunda colocada: R$ 0,00221.
VISITA IMPREVISTA
Sempre preocupado e muito ativo, Bernardo Figueiredo esteve ontem visitando a sede da ANTT, segundo funcionários da agência. Humm...
PRAZO FINAL
Vence nesta sexta o prazo para a procuradoria da ANTT se pronunciar sobre a eventual impugnação da licitação. A diretoria definirá no dia 12.
SUA SUMIDADE
A piada do momento é que Lula ficou curado porque Deus em pessoa visitou-o na terça (27) no hospital. E até posaram juntos para fotos.
EMBAIXADORA PAGARÁ R$ 55 MIL DE INDENIZAÇÃO
A Justiça do Trabalho condenou a embaixadora do Panamá no Brasil, Gabriela Garcia Carranza, a indenizar em R$ 55 mil a ex-funcionária Deudete dos Santos por danos morais, multas trabalhistas e litigância de má-fé. Gabriela, conforme denunciou a Coluna em maio de 2011, é acusada de tratar funcionários de forma “desumana”, sobretudo os humildes. O Itamaraty prometeu pedir sua substituição, se condenada.
QUE VERGONHA
O Ministério das Relações Exteriores criou uma entrada de serviço para que “punhos de renda” não se misturem a “serviçais” e estagiários.
POBRES SOB SUSPEITA
O Ministério das Relações Exteriores ainda informou que a criação de entrada de serviço, ilegal e discriminadora, é “medida de segurança”.
BICOS CALADOS
A associação (Asmre) e o sindicato nacional dos servidores (Sinditamaraty) calaram sobre a humilhação imposta aos associados.
GUERRA DE EGOS
Cresceram os conflitos entre a ministra Gleisi Hoffman (Casa Civil) e seu auxiliar Beto Vasconcelos, queridinho da presidente Dilma Rousseff. A guerra só acaba se Beto substituir Luiz Adams na Advocacia Geral da União. Mas o chefe da AGU terá de virar ministro do Supremo Tribunal Federal.
DANÇA DAS CADEIRAS
A ministra Elizabeth Rocha, do Superior Tribunal Militar, e Flavia Piovesan, ligada ao ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), estão no páreo para o Supremo Tribunal Federal. Duas vagas serão abertas.
BARBAS DE MOLHO
As denúncias contra o governo de Ricardo Coutinho (PSB), na Paraíba, preocupam o partido e seu presidente, governador Eduardo Campos (PE), que não querem a sigla vinculada a casos de corrupção.
CONSPIRAÇÃO
Cerca de 40 deputados da facção Construindo um Novo Brasil se reuniram na casa de André Vargas (PT-PR), terça à noite. Arderam as orelhas dos líderes trapalhões Arlindo Chinaglia e Jilmar Tatto.
A VOZ DA SABEDORIA
Para Ruy Barbosa, patrono dos advogados, “a anistia, que é o olvido, a extinção, o cancelamento do passado criminal, não se retrata. Concedida, é irretirável, como é irrenunciável, definitiva, perpétua”.
PRATO SERVIDO FRIO
Esperava-se que o ministro relator do processo contra Demóstenes Torres (DEM-GO) no Supremo Tribunal Federal abrisse mão da tarefa. Após a criação do PSD, o senador atacou: “Enquanto Lewandowski dançava na boquinha da garrafa, o Marco Aurélio se esforçava para segurar o tchan.”
LUTA PELA VIDA
Ameaçada de expulsão, a brasileira Miriam, 19, tetraplégica e epiléptica, ganhou mais dois meses em Loiret, na França. A família saiu do Brasil em 2007, em busca de tratamento mais barato e eficaz.
TIRIRICA E A BIRITA
Em uma roda de deputados, o palhaço Tiririca (PR) revelou ter votado contra a venda de bebidas na Copa de 2014: “Se for mesmo proibido, vou comemorar bebendo em frente a um estádio”.
PENSANDO BEM...
...dize-me com quem andas e te direi que bicho vai dar.
PODER SEM PUDOR
SENADOR NÃO É LASTRO
O senador Marco Maciel sobrevoava o interior do Rio Grande do Sul, em meados de 1989, quando o pequeno avião Piper começou a ser sacudido por fortes rajadas de vento. Preocupado, o piloto fez um pouso em Júlio de Castilhos, longe do destino – o município de Cruz Alta. Maciel se fez de mouco, mas contou depois a amigos, achando muita graça, que ouviu o piloto olhar para seu porte de fiapo e murmurar:
– Faltou lastro...
Deputada Rose de Freitas (PMDB-ES) em resposta ao deputado Arlindo Chinaglia (PT)
LICITAÇÃO SUSPEITA LEVA EX-DIRETOR À SEDE DA ANTT
Barrado pelo Senado para permanecer na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), o ex-diretor Bernardo Figueiredo trabalha para convalidar a concessão de um trecho da BR-101, apesar das suspeitas de irregularidades na proposta vencedora, como a falta do Plano de Negócios, exigido no edital. Sem ele, abre-se caminho para burlar o critério do menor preço e não haveria como averiguar se a ganhadora, de fato, investiria em obras, segurança, etc., conforme o contrato.
QUASE NADA
Um detalhe intrigante na licitação da ANTT: é infinitesimal a diferença do preço entre a vencedora e a segunda colocada: R$ 0,00221.
VISITA IMPREVISTA
Sempre preocupado e muito ativo, Bernardo Figueiredo esteve ontem visitando a sede da ANTT, segundo funcionários da agência. Humm...
PRAZO FINAL
Vence nesta sexta o prazo para a procuradoria da ANTT se pronunciar sobre a eventual impugnação da licitação. A diretoria definirá no dia 12.
SUA SUMIDADE
A piada do momento é que Lula ficou curado porque Deus em pessoa visitou-o na terça (27) no hospital. E até posaram juntos para fotos.
EMBAIXADORA PAGARÁ R$ 55 MIL DE INDENIZAÇÃO
A Justiça do Trabalho condenou a embaixadora do Panamá no Brasil, Gabriela Garcia Carranza, a indenizar em R$ 55 mil a ex-funcionária Deudete dos Santos por danos morais, multas trabalhistas e litigância de má-fé. Gabriela, conforme denunciou a Coluna em maio de 2011, é acusada de tratar funcionários de forma “desumana”, sobretudo os humildes. O Itamaraty prometeu pedir sua substituição, se condenada.
QUE VERGONHA
O Ministério das Relações Exteriores criou uma entrada de serviço para que “punhos de renda” não se misturem a “serviçais” e estagiários.
POBRES SOB SUSPEITA
O Ministério das Relações Exteriores ainda informou que a criação de entrada de serviço, ilegal e discriminadora, é “medida de segurança”.
BICOS CALADOS
A associação (Asmre) e o sindicato nacional dos servidores (Sinditamaraty) calaram sobre a humilhação imposta aos associados.
GUERRA DE EGOS
Cresceram os conflitos entre a ministra Gleisi Hoffman (Casa Civil) e seu auxiliar Beto Vasconcelos, queridinho da presidente Dilma Rousseff. A guerra só acaba se Beto substituir Luiz Adams na Advocacia Geral da União. Mas o chefe da AGU terá de virar ministro do Supremo Tribunal Federal.
DANÇA DAS CADEIRAS
A ministra Elizabeth Rocha, do Superior Tribunal Militar, e Flavia Piovesan, ligada ao ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), estão no páreo para o Supremo Tribunal Federal. Duas vagas serão abertas.
BARBAS DE MOLHO
As denúncias contra o governo de Ricardo Coutinho (PSB), na Paraíba, preocupam o partido e seu presidente, governador Eduardo Campos (PE), que não querem a sigla vinculada a casos de corrupção.
CONSPIRAÇÃO
Cerca de 40 deputados da facção Construindo um Novo Brasil se reuniram na casa de André Vargas (PT-PR), terça à noite. Arderam as orelhas dos líderes trapalhões Arlindo Chinaglia e Jilmar Tatto.
A VOZ DA SABEDORIA
Para Ruy Barbosa, patrono dos advogados, “a anistia, que é o olvido, a extinção, o cancelamento do passado criminal, não se retrata. Concedida, é irretirável, como é irrenunciável, definitiva, perpétua”.
PRATO SERVIDO FRIO
Esperava-se que o ministro relator do processo contra Demóstenes Torres (DEM-GO) no Supremo Tribunal Federal abrisse mão da tarefa. Após a criação do PSD, o senador atacou: “Enquanto Lewandowski dançava na boquinha da garrafa, o Marco Aurélio se esforçava para segurar o tchan.”
LUTA PELA VIDA
Ameaçada de expulsão, a brasileira Miriam, 19, tetraplégica e epiléptica, ganhou mais dois meses em Loiret, na França. A família saiu do Brasil em 2007, em busca de tratamento mais barato e eficaz.
TIRIRICA E A BIRITA
Em uma roda de deputados, o palhaço Tiririca (PR) revelou ter votado contra a venda de bebidas na Copa de 2014: “Se for mesmo proibido, vou comemorar bebendo em frente a um estádio”.
PENSANDO BEM...
...dize-me com quem andas e te direi que bicho vai dar.
PODER SEM PUDOR
SENADOR NÃO É LASTRO
O senador Marco Maciel sobrevoava o interior do Rio Grande do Sul, em meados de 1989, quando o pequeno avião Piper começou a ser sacudido por fortes rajadas de vento. Preocupado, o piloto fez um pouso em Júlio de Castilhos, longe do destino – o município de Cruz Alta. Maciel se fez de mouco, mas contou depois a amigos, achando muita graça, que ouviu o piloto olhar para seu porte de fiapo e murmurar:
– Faltou lastro...
SEXTA NOS JORNAIS
- Globo: Senador fazia lobby para bicheiro, revela gravação
- Folha: ‘Sem voz estaria morto’, diz Lula
- Estadão: Dilma pede que potências ‘baixem o tom’ sobre o Irã
- Correio: Escola cobra extra de alunos com Down
- Valor: Chrysler vai voltar a fazer carros no Brasil
- Zero Hora: Pacote de Dilma vai do salário aos carros
- Estado de Minas: Prefeitura de BH paga 14º e 15º (mas só para os chefes)
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