terça-feira, fevereiro 28, 2012

Chorinho na folia - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 28/02/12
A atriz Adriana Lessa assistiu aos desfiles das escolas campeãs do Carnaval 2012, no Sambódromo de São Paulo. A cantora Margareth Menezes se apresentou no camarote Bar Brahma. Já o cantor Zeca Pagodinho, os atores Fernanda Vasconcellos e Jonatas Faro viram as melhores escolas do Rio na Sapucaí. O ator Marcelo Serrado entrou na cozinha do camarote Brahma e brincou com os funcionários.

A VOZ DO BRASIL

O governo brasileiro fará "gestões" junto ao Irã para indicar sua contrariedade à pena de morte a que um pastor daquele país, Youssef Nadarkhani, foi condenado por renunciar ao islamismo, aderindo ao cristianismo. A informação foi dada pela ministra Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, à bancada evangélica.

VOZ 2
Os parlamentares cobravam posição de Dilma Rousseff, que já se manifestou "radicalmente contra" o apedrejamento da iraniana Sakineh Ashtiani. "Se fez isso por uma mulher, por que não se manifestar em relação a um pastor?", diz o deputado Marco Feliciano (PSC-SP). De acordo com o governo, a denúncia inicial contra o pastor foi abandonada e hoje ele é acusado de alcoolismo e crimes sexuais.

TODO OUVIDOS
Feliciano, que será recebido por Gleisi amanhã, diz que trata do assunto há tempos. E só agora recebeu atenção -além de Gleisi, também o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral), que teve atritos recentes com os evangélicos, o procurou há dias. "Tomei até um susto. Mas o governo percebeu que a bancada evangélica faz diferença. E está dando mais atenção aos assuntos religiosos."

XI, ESQUECI!
Será mais complicada do que parece a reaproximação entre o prefeito Gilberto Kassab (PSD-SP) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP). Eles estavam tão distantes que Alckmin nem sequer convidou Kassab para o casamento do filho Thomaz, em dezembro. Depois, colocou a culpa no cerimonial.

LEGIÃO URBANA
Também o ex-governador Claudio Lembo, que foi vice de Alckmin e hoje é Secretário de Negócios Jurídicos, muito ligado ao prefeito, foi "esquecido" no casório. Paulo Maluf, Tasso Jereissati, Gabriel Chalita e Bruna Lombardi estavam lá, entre centenas de convidados.

OS INFILTRADOS

Policiais do Denarc desfilavam à paisana no Sambódromo de SP para flagrar usuários de drogas. O ambiente, no entanto, estava "bem família", segundo um deles revelou à coluna.

OLHA O FLASH

A galeria britânica White Cube, que representa nomes como Damien Hirst, Christian Marclay e Tracey Emin, participará da próxima SP-Arte. A feira começa no dia 10 de maio com 109 galerias, 23 delas estrangeiras, quase o dobro do que em 2011.

BOCA SUJA
No Twitter, famosos não se contiveram quando Carlinhos Brown e Sérgio Mendes perderam o Oscar de canção, anteontem, para o filme "Muppets". Ivete Sangalo escreveu: "Vou falar!!! Vai se f... car.....". E a atriz Ingrid Guimarães: "Tomar no c... Muppets! Pronto falei".

UM PÉ EM CADA CANOA

O maestro Eduardo Lages, da banda de Roberto Carlos, vai participar do cruzeiro É o Amor, de Zezé Di Camargo & Luciano. Tocará "Detalhes", "O Portão" e "Como É Grande o Meu Amor por Você" para Zezé cantar, nos shows de sábado, domingo e segunda. Também fará uma apresentação no piano-bar do navio.

CURTO-CIRCUITO


O procurador Mário Luiz Sarrubbo toma posse na quinta, às 18h30, como presidente do Colégio de Diretores de Escolas dos Ministérios Públicos do Brasil.

O artista plástico Paulo von Poser doará hoje um quadro para o Hospital de Câncer de Barretos.

O livro "Investidor Anjo", de Cássio Spina, será lançado hoje no CIEE.

Tom Cavalcante faz hoje a última apresentação paulistana do show "No Tom do Tom", às 21h, no Comedians. 18 anos.

A galeria de fotos f 2.8 será inaugurada hoje na rua Cônego Eugênio Leite.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

Agora é que são elas - DORA KRAMER

O Estado de S.Paulo - 28/02/12


A jornada foi dura e exitosa: quase três anos desde a apresentação da proposta de iniciativa popular ao Congresso, em 2009, até a confirmação da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa pelo Supremo Tribunal Federal há poucos dias.

Noves fora as exceções - tanto as bem intencionadas que enxergam riscos ao Estado de direito e perigo de surgir um novo balcão de negócios no Judiciário e nos tribunais de contas, quanto as más que não ousam dizer seus nomes - o clima geral é de celebração.

Governos, prefeituras e assembleias legislativas se propõem a estender o pré-requisito País afora e surgiu até um projeto de lei federal sugerindo a exigência de ficha limpa para diretores de ONGs postulantes ao uso de verbas federais.

Isso tudo como se já não houvesse na Constituição (artigo 37) a exigência do cumprimento dos preceitos de moralidade, legalidade, impessoalidade e publicidade para a administração pública direta, indireta e fundações nos âmbitos federal, estadual e municipal.

O Brasil parece entoar em coro um animado "agora vai". Mais realista, porém, seria ponderar um agora é que são elas.

Sim, resta o mais difícil. O teste da realidade, fonte de dúvidas pertinentes.

Como vão se comportar os partidos? Terão de fato, conforme preveem os otimistas, mais cuidado no exame da vida pregressa de alguém antes de ceder-lhe a legenda para candidatura?

A Justiça Eleitoral terá estrutura, independência disposição e agilidade para decidir sobre a concessão ou eventualmente cassação de registros ou será lenta e leniente?

O Ministério Público atuará em nome da sociedade em defesa do cumprimento da nova legislação ou permanecerá impassível como aconteceu em outras ocasiões?

Para não ir longe, lembremos a desenvoltura com que o então presidente Lula cometeu abusos durante a campanha de 2010 sem ser importunado, a não ser com a aplicação de multas sem maiores consequências.

E o eleitor, o que fará com a posse da nova ferramenta, praticará o voto limpo? Analisará com acuidade condutas e biografias ou vai escolher ao léu só para cumprir a tabela exigia pela obrigatoriedade do voto?

Ainda há outro problema: no caso de eleições proporcionais (em 2012, para vereador) o cuidado não garante nada, pois a regra em vigor não cria relação direta entre o eleitor e seu candidato. Vota-se em alguém e, de repente, se elege outro, de partido diferente e a respeito de quem não se sabe coisa alguma.

A ideia aqui não é desdenhar da importância da Lei da Ficha Limpa. Qualquer passo dado na direção de alguma mudança na maneira como a política está funcionando é muito útil. No caso específico o exemplo melhor foi o de que, com pressão, as ações acabam se impondo.

A questão é que existem muitos outros quinhentos a serem resolvidos e que não podem ser perdidos de vista, sob pena de o esforço virar pó.

Um aspecto ainda não discutido, por exemplo, guarda relação com o "dia seguinte". Vamos que todos os candidatos às eleições dos próximos anos tenham fichas devidamente abonadas pelo novo critério.

Ótimo, assumem seus mandatos e cargos de contas zeradas com a Justiça. A providência, contudo, terá sido vã se no exercício das respectivas funções não se mantiverem "limpos" e devidamente esquadrinhados por todos os instrumentos disponíveis nos três Poderes e na opinião pública.

Disso nos deram notícia as demissões em série de ministros de ficha e conduta nebulosas no ano passado.

E a respeito disso também poderá nos dar notícias boas ou más o Supremo Tribunal Federal quando do julgamento dos 38 processados sob acusação de terem montando uma quadrilha para financiar a formação de uma base político-partidária com vista à sustentação de um projeto de poder. 

De cocheira. Difícil distinguir se é torcida ou fruto de informação, mas no Palácio do Planalto trabalha-se com a hipótese de o processo do mensalão entrar na pauta do Supremo só mesmo em 2013. 

Oscar 2012! Engolimos um sapo! - JOSÉ SIMÃO


FOLHA DE SP - 28/02/12


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Oscareta 2012! Perdemos! Prum sapo: "Música de 'Os Muppets' derrota 'Rio', de Brown". Ah, não, perder pra sapo? Vamos ter que engolir esse sapo! Pior, perdemos mais um mês de Carnaval na Bahia! Por causa de um sapo! O Oscar foi pro pro brejo! Rarará!
Não teve um maluco pra subir no palco e rasgar o envelope?! E eu tava torcendo pro Carlinhos Brown e pra Meryl Streep! E o Brown ganhou um Oscarajé!
E tão dizendo que o Brasil só vai ganhar um Oscar quando o Timão ganhar a Libertadores! Rarará!
E o brega carpet?! A Jennifer Lopez tava um Drahma! E se a Angelina Jolie emagrecer dez gramas ela some no tapete! Um cara no meu Twitter disse que ela tá a cara da Noiva Cadáver! Não deve comer nada, se vê uma fatia de abacaxi, grita: "OBA!" Rarará!
E as bocas do red carpet? Todas com boca de bico de tênis Conga! E haja silicone! Se em 3032 os arqueólogos forem estudar as ruínas do red carpet só vão encontrar prótese de silicone! Silicone não é biodegradável!
E o Oscar de melhor maquiagem: Rubens Ewald Filho no TNT! Rarará! E pra tirar aquele monte de pancake do tapete vermelho? Só o pancake do Billy Cristal dava pra fazer dois "Avatar"!
E o Ricardo Teixeira devia ser indiciado pro Oscar! Rarará! E eu insisto em Oscar de melhor DVD pirata. Porque contravenção é mais criativa. Por isso mesmo! Numa banca da 25 eu encontrei "Histórias Cuzadas", "Garfeld", "Idalús" e "Temos Shrek Dubrado". O "Shrek Dubrado" não merece um Oscar?
E a fabulosa Meryl Streep em "A Dama de Ferro"? "A Dama de Ferro" enferrujou. E quando eu vi o título deste filme, "A Dama de Ferro", pensei que era a vida da Dilma. Mas a Dilma não é Dama de Ferro, é Mão de Ferro. Rarará!
E uma amiga me dizia que tinha três ícones: Madonna, Evita e Margaret Thatcher. Duas pês e uma filha da pê! Rarará!
E eu sempre digo que a estatueta do Oscar é gay: marombada, dourada e com uma espada na mão! Rarará! E como disse aquele outro: tudo bem a gente perder pros Muppets. Engolir sapo é com brasileiro mesmo. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

E a mãe ficou velhinha - JAIRO MARQUES

FOLHA DE SP - 28/02/12




Dá aflição saber que a mãe, sempre tão firme em sua marcha, agora precisa caminhar com mais calma



JÁ VINHA botando reparo havia algum tempo: cada vez mais cedo ela dormia durante nossas sessões de cinema em casa ­-até no filme do Marley, o labrador arteiro que ela amava, foi assim.

Começou a faltar a ela aquela força de sempre para me dar uma empurradinha pelas calçadas esburacadas. Ganhou um desequilíbrio do nada e uma saudade de tudo. Mamãe envelheceu.

Dá uma certa aflição, não vou fazer rodeios para admitir, saber que a mãe, sempre tão firme em sua marcha aplicada com um sapato baixinho e confortável, que buscava o sustento, o futuro e a felicidade dos filhos, agora precisa caminhar com mais calma e cuidado.

Meu coração ficou como no momento do samba derradeiro, dias atrás, quando entrou pelo corredor do restaurante uma senhorinha esbaforida, com a mão machucada, semblante de susto e passinhos de quem havia passado maus bocados. E havia passado. Caiu no meio da rua. Estava entre a aflição da dor e a carência de algum aconchego.

E se a minha mãe, agora velhinha, desabasse em um algum ermo de mundo também? Será que a acolheriam com a atenção e a presteza que a mãe da gente tem o direito de receber? E se ela ficasse meio descompensada e não soubesse nem em que planeta estava?

O almoço perdeu a graça e eu só pensava nas feridas da senhorinha, que foi gentilmente atendida com cuidados orientais das mãos da dona do boteco, uma "japa" sorridente. Sosseguei quando ela garantiu que estava tudo bem e que cuidaria da velhinha.

Mãe não tem dor de cabeça, não tem fome, não tem preguiça de fazer mingau, não tem medo de barata, não tem limite no cartão para emprestar um dinheirinho, mas, de repente, ela envelhece e faz o filho pensar que ela pode sofrer sim.

Lá em casa, mamãe nunca foi "rainha do lar". Estava mesmo é para Margaret Thatcher em meio a contas para pagar, bocas para encher, uma criança com deficiência para dar jeito. Logo, quando vi Meryl Streep interpretando a "Dama de Ferro" já cansada, abatida pelo destino irrefutável da idade, quis dar um Oscar pelo conjunto da obra para a minha "santa".

Tudo é possível na velhice e ser velho é conquista, jamais um demérito para quem sabe aproveitar a existência. É que o tempo vai passando e fico aflito por diversas ocasiões de amor que ainda não vivi com minha mãe -nem a viagem para Poços de Caldas, que ela jura ser de caldas de doces, fizemos.

Não queria vê-la frágil, por mais bonita que seja a pétala. Não queria vê-la cansada, por mais nobre que seja o vencedor de maratonas. Não queria que jamais a senhora caísse, mãe, por mais que, como você a vida toda disse: "Quem não cai não aprende a se levantar".

Amanhã, um dia ímpar, 29 de fevereiro, é comemorado o "Dia Mundial das Doenças Raras". Estas enfermidades, a maioria de origem genética, acometem cerca de 8% dos viventes em cerca de 8.000 tipos diferentes de manifestações.

A batalha do povo "raro" e de seus filhos, pais, irmãos e amigos é por diagnósticos médicos mais rápidos e precisos para que assim se evitem efeitos que danem a vida das vítimas de forma mais cabulosa. "Tamojunto".

O retorno da política - VLADIMIR SAFATLE


FOLHA DE SP - 28/02/12


Em abril, a Europa será palco de duas importantes eleições: o primeiro turno da eleição presidencial francesa e a eleição legislativa na Grécia. Ambas ocorrerão sob o signo do agravamento da crise socioeconômica na zona do euro e do esgotamento de modelos liberais de governo.
A França, sob Nicolas Sar-kozy, iniciou um dos mais impressionantes processos, na sua história recente, de desmonte do serviço público, de restrição orçamentária e de redução de impostos para ricos.
Sarkozy havia prometido "aumentar o poder de compra das famílias", diminuir o desemprego por meio da flexibilização do trabalho e colocar a economia francesa em rota de crescimento. Nada disso foi feito. Em seu lugar, o governo francês divertia-se em expulsar ciganos e criar o Ministério da Imigração e Identidade Nacional, enquanto inúmeros estudos da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) demonstravam a importância da imigração como motor de sustentação da economia europeia.
A situação política francesa parecia o pior dos mundos. Enquanto Sarkozy e François Hollande, candidato do PS (Partido Socialista), digladiam-se na conquista do primeiro lugar, cresce o inacreditável. O FN (Front National), um partido xenófobo, racista, representante da pior tradição da extrema-direita europeia, chegou à casa dos 20%. Não é difícil compreender que, quando o medo torna-se o afeto político central, a extrema-direita sempre capitaliza.
Mas não deixa de ser interessante um movimento político que muitos julgavam impossível. Uma coalizão de agrupamentos de esquerda conseguiu lançar um candidato com densidade eleitoral,
Jean-Luc Mélénchon, que chega a 10% das intenções de voto. Um partido à esquerda do PS com dois dígitos de intenção de voto é algo que não ocorre na França desde 1981.
Sem medo de chamar de gato a um gato e de estigmatizar as derivas racistas e isolacionistas da extrema-direita, Mélénchon conseguiu empurrar para a defensiva um partido que cresceu moldando impunemente a pauta do debate político e se colocando como defensor das classes baixas contra o "cosmopolitismo" dos burocratas de Bruxelas.
Em um impressionante debate na TV entre os dois representantes do extremo político, a candidata do FN, Marine Le Pen, preferiu ler ostensivamente jornais diante das câmeras a responder às acusações do candidato da esquerda.
Isso demonstra como vale a pena relembrar uma frase visionária de Jean Baudrillard: "Melhor morrer pelos extremos do que pelas extremidades". Em momentos de grave crise, deixar que o discurso da ruptura seja monopolizado pela extrema-direita é fazer prova de suicídio político.

A Bienal sob risco - RUBENS BARBOSA

O GLOBO - 28/02/12


Fundação Bienal de São Paulo deve comemorar, em 2012, a realização de sua 30a. exposição internacional.
Como amplamente noticiado, em fins de 2011, o ministério da cultura (MINC) questionou a Fundação no tocante às prestações de contas de treze convênios assinados no periodo1999-2007. Apesar dos esclarecimentos, o MINC novamente incluiu a instituição no seu cadastro de inadimplentes no início de janeiro e bloqueou os recursos destinados à 30a Bienal. A Fundação entrou imediatamente com ação judicial, com pedido de desbloqueio dos patrocínios captados via lei Rouanet em 2010 e 2011. A liminar solicitada foi negada e a apelação até hoje não foi julgada.
O bloqueio das contas pegou de surpresa a atual diretoria, comandada com competência por Heitor Martins, que tem procurado-com sucesso resolver as pendências anteriores a sua gestão, devolvendo á Bienal a seus bons tempos.
A decisão do MINC de bloquear os bens da Fundação está repercutindo fortemente no meio artistico: curadores, galeristas e gestores culturais no Brasil e no exterior. Nossa Bienal, do porte da Bienal de Veneza e da Documenta de Kassel, desde sua Fundação passou a fazer parte do calendário das artes internacionais.Exposições paralelas organizadas por galeristas brasileiros e museus, realizadas simultaneamente com a mostra internacional, poderão ser canceladas. Se o impasse persistir, a própria existência da Fundação está ameaçada, num momento, justamente, de maior projeção internacional do Brasil, o que poderá afetar nossa credibilidade e imagem no exterior.
O que acontece com a Bienal é mais um exemplo da falta de sensibilidade para com o interesse público e para com o real prejuízo que a suspensão ou o desaparecimento da Bienal representaria para o Brasil.
A divulgação da arte brasileira, cada vez mais conhecida e reconhecida internacionalmente, é, em grande parte, resultado de um trabalho eficiente dos agentes culturais e galeristas brasileiros, que vão sentir na pele as consequências de um eventual cancelamento da Bienal.Por outro lado, deveria ser de nosso interesse que a arte contemporânea se torne mais acessível ao grande público do pais.
Como corretamente parece reconhecer o MINC, há interesse em que a Bienal de São Paulo seja realizada dentro do calendário previsto. Apesar dos entraves burocráticos, o MINC tem consciência de que sua realização é importante para o desenvolvimento e projeção do Brasil lá fora, e que ela pode servir para ampliar as perspectivas de intercâmbio cultural com o exterior. Sabe também que a mostra tem o papel de proporcionar ao público brasileiro a possibilidade de conhecer diretamente o que de melhor está sendo produzido na arte contemporânea brasileira e internacional.
Com a realização no Brasil de eventos internacionais importantes, como a reunião Rio+20, pouco antes da Bienal, da Copa do Mundo e das Olimpíadas, o cancelamento da mostra prejudicaria a percepção externa quanto a nossa capacidade de organizar eventos de grande porte.A repercussão no exterior de um eventual cancelamento da mostra será maior ainda pela visibilidade que o Brasil hoje desfruta.
Enquanto se busca uma solução definitiva para as questões financeiras pendentes, a Bienal, por meio de sua diretoria e membros de seu conselho, apresentou uma fórmula para,de imediato, solucionar o problema. Os projetos amparados pela  lei Rouanet seriam transferidos para um novo proponente, ou seja, uma nova instituição que passaria a ser responsável pela realização do evento,como uma forma possível de viabilizar a mostra. A Pinacoteca, por exemplo, poderia gerenciar a execução da Bienal mediante um termo de ajustamento de conduta.
O mundo artístico e a sociedade em geral, esperam que todos os interessados, Bienal, MINC, Controladoria Geral da União, Tribunal de Contas da União, ministérios públicos federal e estadual, empenhem-se para chegar a um acordo.
A Bienal tem de ser vista sob uma dimensão mais ampla e não como questão isolada. Sua suspensão, em decorrência da falta de sensibilidade oficial, seria uma perda irreparável para São Paulo e para o Brasil.

GOSTOSA


Pobre menina rica - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 28/02/12
A chanceler Angela Merkel foi ontem ao Parlamento pedir a aprovação do pacote de ajuda à Grécia. Seu governo é criticado por estar fazendo pouco para evitar o pior na crise, sua coalizão política acha que ela está fazendo mais do que deveria com o dinheiro do contribuinte, e uma pesquisa mostra que 62% dos alemães são contra a aprovação do novo pacote. Ontem, Merkel recebeu o apoio da oposição social-democrata.

A má sorte é tal que até o garçom errou o alvo e derrubou cerveja gelada sobre a governante alemã, em pleno inverno europeu. A situação de Merkel é um exemplo da dificuldade enfrentada pela própria Alemanha, que consegue desagradar a todos ao mesmo tempo. O mundo cobra dos países mais fortes da Zona do Euro que façam mais pelos países em dificuldade. O problema é que o único país que está realmente forte é a Alemanha.

A coalizão conservadora está dividida, e o ministro do interior pediu publicamente a saída da Grécia da Zona do Euro, um dia antes de a chanceler ir ao Parlamento pedir que aprovasse o pacote. Parece contraditório e é. No pronunciamento diante do Congresso ela fez um apelo, mas teve que admitir que não há 100% de chance de que o pacote funcione para tirar a Grécia da crise. O que ganhou mais destaque não foi seu veemente apoio do pacote, mas sim a frase de que não era garantido o sucesso do remédio.

Em Atenas, as manifestações acusam a Alemanha de intervir na economia doméstica e impor ao país o sofrimento de redução de salários, renda, economia. Nas reuniões como a deste fim de semana, no México, a dos ministros do G-20, a cobrança vem de todos os lados, como se ela tivesse a responsabilidade única e a varinha de condão. Merkel com sua hesitação crônica não ajuda a melhorar o ambiente para o país e para si própria.

A cada reunião internacional, a Alemanha fica na desagradável situação de ser cobrada por todos. A cobrança é injustamente concentrada nela, a incapacidade de decidir, mas a dificuldade é que Angela Merkel rejeita todas as ideias e apresenta poucas. Sua atitude é apenas de negação. E já está marcada a próxima temporada de saia-justa: no fim de março haverá uma reunião de cúpula da União Europeia e, certamente, todos os olhares de cobrança serão dirigidos a Angela Merkel. É um espanto que com tanta reunião, negociação, viagem, ainda reste tempo para ela governar a Alemanha, que no final das contas é a principal função do cargo que ocupa.

A proposta da reunião de fim de semana impressiona pelo volume de dinheiro envolvido. Os ministros de finanças do G-20 falaram em US$ 2 trilhões de recursos multilaterais para socorro de países em dificuldade. Isso envolveria uma coleta geral de recursos entre os países, mas aí sempre se esbarra no mesmo ponto: quanto a Alemanha está disposta a dar para o socorro dos aflitos?

Ninguém acredita que seja possível arrecadar tanto dinheiro. O economista Raphael Martello, da Tendências consultoria, lembra que a França está em época de aperto de cinto, em pleno ajuste fiscal. A Itália já esteve no ano passado no meio do furacão e continua com sua dívida acima de 100% do PIB. Aí, acaba sobrando para a Alemanha. O Japão está tentando se recuperar ainda do tombo do ano passado, após o terremoto. Os Estados Unidos lutam contra a dívida, cujo crescimento tentará conter com cortes em todo o orçamento nos próximos anos. Sobra para países emergentes, leia-se China. Mas a China espera que a Alemanha mostre mais empenho e disposição de abrir o cofre antes de dizer em quanto poderá capitalizar os fundos multilaterais de resgate.

O Reino Unido cobra da Alemanha como se não fizesse parte da mesma Europa. O fato de ela não ter entrado na Zona do Euro não a isenta de participar do esforço coletivo de evitar o desmonte da união monetária, por três motivos: a Inglaterra tem também uma frágil situação fiscal, ela também está exposta aos ricos cruzados dos bancos do continente, e a crise da região a afeta diretamente.

Se, de fora, Angela Merkel é acusada de só dizer não; dentro do país é criticada por estar dizendo sim demais e comprometendo dinheiro do contribuinte em socorro a países que recebem a ajuda como atos hostis e não como ajuda.

A ideia de que haja um fortalecimento dos fundos multilaterais, para sair deles e não de um cofre específico os recursos para o resgate, é boa. Protege os países que recebem o dinheiro, e os que concedem, das hostilidades que costumam cercar essas operações de resgate.

O mais importante nesta semana não será o resultado da reunião dos ministros das finanças do G-20. O que houve na Cidade do México foi mais do mesmo: uma nova reunião em que todos os países decidem que é preciso haver mais recursos disponíveis nos mecanismos de estabilização ou no Fundo Monetário Internacional (FMI) para momentos de instabilidade monetária. O que vai dar o tom do mercado esta semana será o novo leilão de injeção de liquidez do Banco Central Europeu (BCE). A autoridade monetária vai oferecer recursos por três anos a juros baixos para os bancos. A ideia é que com isso os bancos possam ter mais disposição de financiar os governos, principalmente os que enfrentam problemas. A primeira operação desse tipo foi feita em fim de dezembro e injetou 500 bilhões no sistema financeiro europeu. Isso reduziu a tensão. Nova injeção será feita esta semana. Isso ajuda a melhorar o humor dos investidores, mas, para a solução definitiva, o mundo continuará esperando que a Alemanha faça alguma mágica.

A força das classes médias - CELSO MING


O Estado de S.Paulo - 28/02/12


Todos os dias autoridades políticas e econômicas do mundo advertem que a geografia econômica global passa por radical processo de metamorfose e que os emergentes de hoje estarão entre as potências hegemônicas dentro de mais alguns anos.

O fenômeno subjacente é a enorme redivisão do trabalho no mundo. Bilhões de pessoas, antes marginalizadas do mercado de consumo, obtêm emprego e renda, à proporção de mais de 40 milhões por ano, apenas na Ásia.

Mas esse não é fenômeno circunscrito só ao continente asiático, depois que a China e os tigres que a cercam (Índia, Coreia do Sul, Vietnã, Indonésia, Taiwan, etc.) assumiram a corrida para o desenvolvimento econômico. O governo brasileiro se vangloria de que, em pouco mais de dez anos, nada menos que 30 milhões de brasileiros ascenderam de estrato social.

Definir o que é classe média é tarefa tão complicada quanto definir nível de pobreza. Mas, do mero ponto de vista do mercado de consumo, entende-se que fazem parte das camadas médias pessoas que gastam entre US$ 10 e US$ 100 por dia.

Sob esse critério, o Instituto Brookings, de Washington, avalia que nada menos que 2 bilhões de pessoas (29% da população mundial) constituem hoje as classes médias. E a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que, por volta de 2030, as camadas da classe média atingirão 4,9 bilhões ou entre 65% e 80% da população global. A maior parte dessa gente viverá em países hoje considerados emergentes.

Já não dá para dizer, como ainda se repetia nos anos 90, que o atual sistema econômico e político global seja excludente. Ao contrário, para o bem e para o mal, mostra-se essencialmente includente.

Pessoas mais bem nutridas, com mais saúde, mais informadas e politicamente mais integradas constituem grande avanço histórico que, no entanto, cobrará seu preço. O primeiro deles é a transferência dos empregos dos países ricos para os emergentes. Independentemente dessa realocação, é preciso perguntar se haverá, onde quer que seja, postos de trabalho para tanta gente.

Em segundo lugar, é necessário prever o impacto do brutal aumento de consumo mundial sobre suprimentos de alimentos, água doce, matérias-primas e energia. A referência para essa população são os atuais padrões de consumo das classes médias americanas, cujo símbolo é a existência de um carro em cada garagem. São crescentes as dúvidas sobre se o Planeta aguenta essa sobrecarga.

As classes médias não vivem somente da mão para a boca. Demandam cada vez mais serviços públicos de qualidade: educação, saúde, segurança, previdência, comunicações e transporte. E, com esses serviços, aumenta também a demanda por proteção social, como seguro-desemprego e auxílio-doença. A carga tributária, assim, crescerá em todo o mundo.

Do ponto de vista político, o fortalecimento das classes médias tende a favorecer a consolidação dos regimes democráticos - mas desde que suas aspirações não sejam frustradas. A História está farta de exemplos de como as classes médias descontentes podem também ser manipuladas por ditadores e regimes populistas. E esse é o maior risco. Se os Estados não derem conta da nova demanda, os regimes políticos abertos podem dançar.

Enfim, a geografia humana está mudando e essas mudanças impõem desafios às gerações que estão vindo aí.

Farc, paz ou mudança de ramo? - CLÓVIS ROSSI

FOLHA DE SP - 28/02/12



Leitura predominante na Colômbia é de que a guerrilha está apenas trocando as fontes de renda

Na Colômbia, são duas as leituras a respeito do anúncio das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) de que vão abandonar os sequestros como fonte de financiamento.

A visão aparentemente minoritária acredita, ainda que cautelosamente, que se trata de um passo para a paz tão desejada em um país que vive praticamente meio século de guerra interna. É a leitura, por exemplo, de Iván Cepeda, histórico militante dos direitos humanos, hoje deputado pelo grupo esquerdista Polo Democrático e integrante da Comissão de Paz do Parlamento.

Cepeda qualifica de "gesto histórico" o anúncio das Farc, toma-o como um dos movimentos que o presidente Juan Manuel Santos vinha pedindo à narcoguerrilha para iniciar um diálogo de paz e cobra: "O governo agora deve registrar esses gestos e começar a abrir os cenários para usar a chave da paz".

Vale lembrar que o fim dos sequestros e a libertação dos reféns, iniciativas anunciadas pelas Farc, são apenas duas das condições que o presidente Juan Manuel Santos exige para iniciar negociações. Ele quer também o fim do tráfico de drogas, do recrutamento de menores e dos ataques terroristas.

Para reforçar a desconfiança com que foi recebido no governo o anúncio da narcoguerrilha, as Farc lançaram violenta ofensiva

nas montanhas do Departamento de Cauca, no Sudoeste, menos de 24 horas depois de prometer o fim dos sequestros.

Entra então a segunda leitura sobre o anúncio, a pessimista, de que se trata apenas de uma mudança de ramo nos negócios do grupo. Markus Schultze-Kraft, pesquisador do Instituto de Estudos do Desenvolvimento da Universidade de Sussex, lembra, por exemplo, que "o número de sequestros na Colômbia declinou firmemente nos últimos anos devido à crescente capacidade do governo de proteger seus cidadãos".

Ou seja, as Farc estariam apenas prometendo não fazer o que já não conseguem fazer com a mesma intensidade.

Reforça editorial de ontem do jornal "El Tiempo": "Não faltará o cético que afirme que o sequestro havia deixado de ser uma fonte importante de dinheiro para esse grupo há algum tempo, pois não somente as ações das autoridades tiveram êxito na hora de reduzir o flagelo como o narcotráfico resultou ser uma opção criminosa mais atraente".

Antes mesmo do anúncio de domingo, Eduardo Pizarro, em livro de 2011 sobre as Farc, já dizia que o grupo estava procurando alternativas às suas duas fontes principais de recursos, o sequestro extorsivo e o tráfico de drogas, que Pizarro qualificava de "presentes envenenados". O sequestro porque podia colocar seus autores na mira da Corte Penal Internacional e, o tráfico, porque expõe quem o pratica à extradição para os EUA.

Pizarro diz que o grupo estava entrando na mineração clandestina, na apropriação de recursos públicos e aumentando o esquema de extorsões.

Esta segunda leitura parece mais pertinente: quem se acostumou a movimentar grandes somas de dinheiro não consegue adaptar-se a uma vida mais simples, inevitável se houver uma desmobilização.

Oportunidade - BENJAMIN STEINBRUCH

FOLHA DE SP - 28/02/12



Países aproveitaram seus bônus demográficos para enriquecer; para o Brasil, a oportunidade é agora

Até os mais pessimistas concordam que o Brasil vive um dos bons momentos de sua história. Atravessou sem traumas a crise financeira de 2008, provocada pelos Estados Unidos, e parece fazer o mesmo na atual crise da Europa.

Desde o início do século, a economia brasileira foi beneficiada pelo duradouro movimento de alta dos preços das commodities em geral, decorrente, em grande parte, da demanda da China. Por aqui, políticas eficientes de distribuição de renda, durante muitos anos desprezadas pelo poder público, acabaram sendo adotadas e deram importante impulso ao mercado interno.

Essa ampliação do consumo interno não ocorreu devido a nenhuma política genial. Fez-se o óbvio. Aos que sofrem pela miséria ofereceu-se uma renda mínima, por meio dos programas sociais, para que pudessem pelo menos ter acesso a itens essenciais. Aos assalariados de baixíssima renda concedeu-se um salário mínimo mais elevado, com reajustes anuais acima da inflação. Aos demais cidadãos, ampliou-se a capacidade de acesso ao crédito, ainda que as taxas de juros continuem altas demais.

Tudo isso se deu em um ambiente econômico de relativa estabilidade monetária, conseguido desde o lançamento do Plano Real, em 1994.

Não estou aqui para sustentar que o país não tem problemas. Na verdade, tudo o que foi feito é apenas o começo. Falta um eficiente sistema de educação pública, o atendimento no setor de saúde é vergonhoso e a infraestrutura precária exige recursos e agilidade para ser transformada. A própria indústria, setor no qual sempre trabalhei, encontra-se em um momento crucial, sendo assolada pela competição externa e sem condições de reagir, à espera de mudanças no câmbio e nos custos internos.

Mas isso é outra história. O objetivo aqui é lembrar que o Brasil tem, apesar dos problemas, uma oportunidade histórica de enriquecer. Isso é o que pensam as pessoas que observam nosso país lá de fora. Há até um sentimento explícito de inveja nos comentários de quem compara as condições de países europeus com as do Brasil de hoje.

Se prevalecer o bom-senso, vem aí, com toda certeza, um novo ciclo de prosperidade, decorrente dos pesados investimentos que estão sendo feitos no setor de energia, especialmente no de petróleo. A exploração das gigantescas reservas do pré-sal tendem a proporcionar grande afluxo de riqueza para o país.

Não fosse tudo isso, o país vive um período de bônus demográfico, porque a maioria da população está em idade economicamente ativa. Há hoje, no país, mais de 130 milhões de pessoas na faixa de 15 a 64 anos, 67% da população total.

Ter essa parcela da população majoritária em relação à camada de dependentes (velhos e crianças) é uma dádiva que precisa ser aproveitada, porque ela vai durar apenas uns 20 ou 30 anos.

Em 2020, segundo as previsões do IBGE, esse bônus demográfico será ainda maior, quando a população em plena atividade alcançará 71% do total dos brasileiros. A partir de 2025, o número de idosos começará a crescer, o que determinará a diminuição gradual dessa vantagem demográfica.

Entre 1965 e 1990, a Coreia do Sul, por exemplo, passou por um período de bônus demográfico e soube aproveitá-lo -seu PIB aumentou 88 vezes nesse período, de US$ 3 bilhões para US$ 264 bilhões. Os chineses se beneficiam neste momento de sua estrutura etária favorável, decorrência do rigoroso controle de natalidade imposto no país na segunda metade do século passado.

O Brasil precisa aproveitar essa benesse demográfica. Manter o crescimento do PIB em pelo menos 5% a 6% ao ano é fundamental. Políticas públicas devem ser capazes de absorver a mão de obra disponível em grande quantidade e dar incentivo à produção e à produtividade internas. Além disso, o momento exige planejamento cuidadoso de políticas para a educação da imensa massa de pessoas em idade produtiva e para cuidar de sua saúde.

EUA, França, Alemanha, Coreia, Japão e outros países aproveitaram seus bônus demográficos para enriquecer com democracia. Para o Brasil, pelo menos neste século, não haverá uma segunda janela demográfica. A oportunidade é agora.

Cabala econômica - JOSÉ PAULO KUPFER

O ESTADÃO - 28/02/12

Ao provocar os analistas de mercado a divulgarem suas hipóteses para as chamadas "taxas neutras" macroeconômicas, o Banco Central colheu a indicação de que as próprias premissas são, no momento, mais benignas do que as do mercado. Ainda que praticamente metade dos analistas considere que essas taxas possam recuar nos próximos anos, a continuidade do processo de redução dos juros básicos, como quer o BC, é desaconselhada pelos economistas consultados.

Há, no entanto, sinais suficientes de que o BC continuará o movimento de corte nos juros básicos na reunião do Comitê de Política Monetária daqui a uma semana e, possivelmente, também na de abril. O próprio Boletim Focus, que divulga as projeções desses mesmos analistas, registra a previsão de que a taxa básica de juros chegará ao fim de 2012 em 9,5% ao ano.

Taxas neutras - ou de equilíbrio, ou ainda taxas naturais - são aquelas que, de acordo com as definições dos manuais-padrão de economia, permitem o máximo de crescimento econômico sem produzir pressões inflacionárias. Mas também poderiam ser descritas como aquelas que, a cada período histórico, são surradas pela realidade.

As tentativas de encontrar "taxas naturais" se sustentam na utopia, alimentada por um tipo de pensamento econômico, de que não só a economia consolidou, ao longo da História, status de ciência, mas também pode almejar um lugar entre as ciências naturais. Há, sem dúvida, imensas divergências a respeito.

Juros,emprego, gastos públicos, para quase tudo é possível estabelecer, segundo uma certa crença, o nível máximo (ou, conforme o caso, mínimo) a que se pode esticar a corda sem liberar pressões inflacionárias. Mas o índice de êxito, quando o conceito teórico é aplicado na prática, numa avaliação benevolente, pode ser classificado como baixo.

Da "curva de Philips", de fins dos anos 50, que visava determinar o nível máximo de emprego que não pressionaria a inflação, ao"impulso fiscal", da década de 90, cuja pretensão é estabelecer até que ponto os gastos públicos podem crescer sem promover inflação, lá se vão mais de 50 anos de experimentos sucessivamente descredenciados pelos fatos. O problema, até aqui insolúvel, é que nenhum desses índices pode ser diretamente observado ou mensurado. Vivem de hipóteses.

Chama a atenção o denodo com que, a cada revés, tenta-se encontrar uma nova saída convincente para as taxas naturais. A "curva de Philips", que relaciona inversamente inflação e emprego, por exemplo, teve seus momentos de glória, mas apanhou feio com a estagflação americana dos anos 70-quando desemprego e inflação subiram juntos - e implodiu nos anos 80 - quando, nos Estados Unidos, em período de altos ganhos de produtividade, o desemprego manteve-se abaixo da taxa neutra sem provocar inflação.

Descobriu-se então que a coisa não funcionava bem no curto prazo. E assim a "curva de Philips" abriu caminho para a "Nairu" (taxa de desemprego que não acelera a inflação, na sigla em inglês), que já vinha sendo gestada por Milton Friedman e Edmund Phelps, dois laureados com o Prêmio Nobel, desde fins dos anos 60.

A "Nairu" está na base do conceito atual mais amplo de "produto potencial", que se traduz pelo nível de utilização da capacidade instalada que não produz inflação. Hoje tão em voga também no debate das políticas econômicas no Brasil, esse é outro conceito que vive às turras com a realidade.

Desde pelo menos 2004, a economia brasileira cresce acima do "produto potencial" geralmente aceito, sem descontrole inflacionário. Correndo atrás do prejuízo, os analistas, nesse período, elevaram o "produto potencial", sucessivamente, de 2,5% para 3,5% e depois para 4,5%. No momento, as hipóteses convergem para 5% e até mesmo 5,5%.

A amplitude dos achados para a taxa real neutra de juros e para a "Nairu" (taxa neutra de desemprego), na pesquisado BC com os analistas,basta para demonstrar a fragilidade da aplicação prática dos conceitos. No caso dos juros, a mediana ficou em 5,5%, mas a taxa variou de 3,8% a 7,4%. No caso do desemprego, com mediana em 6,5%, a variação foi de 4,4% a 8%. Com quem ficar?

A moral dessa história toda é que as taxas naturais são úteis como ferramentas de referência, só que não deveriam ser tomadas como dogmas na definição e na aplicação de políticas. Elas dependem dos movimentos do "produto potencial" e este não é mensurável antes que o "potencial" se concretize. Qualquer um tem o direito de tentar antecipar esses movimentos, mas todos deveriam estar conscientes de que o exercício não passa de uma espécie de cabala econômica.

Está no radar... - ANTÔNIO DELFIM NETO

VALOR ECONÔMICO - 28/02/12

O Banco Central construiu e publica, mensalmente, um Índice da Atividade Econômica (IBC-Br) que tenta simular e antecipar as variações do Produto Interno Bruto (PIB). Trata-se de um conjunto de informações convenientemente ponderadas, que quando comparadas às estimativas do PIB trimestral construídas pelo IBGE mostram uma alta covariação. A base do IBC-Br é a média de 2002 = 100. No início de 2011 ele revelou a perda de dinamismo do PIB em resposta às medidas macroprudenciais tomadas pelo governo para prevenir uma aceleração da taxa de inflação. No último trimestre, como mostram os dados a seguir (2002 = 100, dessazonalizado), houve uma recuperação: 1º trimestre/2011 = 140,26; 2º trimestre/2011 = 139,92; 3º trimestre/2011 = 139,29; 4º trimestre/2011 = 140,02.

Aparentemente, o PIB atingiu sua maior queda em outubro (139,32). Retomou ritmo mais vigoroso a partir de novembro, também em respostas às medidas do próprio governo. Em novembro o nível foi de 140,33 (um acréscimo de 1,29%) e em dezembro, 141,13 (um acréscimo de 0,57%), aumentos mais altos dos que os previstos pela maioria os analistas do mercado, o que sugere algum otimismo para 2012.

Todas as "previsões" estão sujeitas a condicionalidades frequentemente não explicitadas. Como disse o grande economista e membro do comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra Charles Goodhart, "as previsões são razoáveis quando tudo permanece constante e o futuro acaba sendo parecido com o passado. Os modelos comuns utilizados pelos bancos centrais forçam, praticamente, as previsões e as remetem às tendências passadas. Entretanto, quando há uma mudança da situação eles - como todos os outros "previsores" - encontram-se em graves dificuldades". E continua: "Nem os bancos centrais, nem qualquer outro organismo (ou pessoas) detém uma fórmula aceitável para prever, quer o PIB, quer a taxa de inflação ou mesmo a taxa de juros para além de uns poucos meses. Se você acredita (Goodhart usa a palavra "believe" = tomar como verdade) que existem poderosas forças que fazem a economia retornar a um equilíbrio, tais projeções de prazo médio são satisfatórias. Mas se tais forças centrípetas existem, a política monetária torna-se muito fácil, com ou sem o benefício das previsões ("Longer-Term Forecasts are a Step Backwards", "Financial Times", 1º de fevereiro de 2012). No nosso caso é claro que nem estamos em condições normais, nem existem forças poderosas que nos levem de volta a um "equilíbrio". Esse, obviamente, só existe nos "modelos" com os quais tentamos organizar nossos pensamentos e têm pouco a ver com a realidade.

Em momentos como o atual, a ideia conservadora "que o tiver que ser, será" é inaceitável, porque a política econômica do governo está vigilante: o Banco Central está antenado com a realidade nacional e cuidadoso com a internacional. Dispõe de instrumentos macroprudenciais cujos efeitos foram minimizados por alguns analistas, mas aos quais a economia respondeu com bastante rapidez (como foi o caso no início de 2011), além da manobra com a taxa de juros (no segundo semestre). A difícil situação orçamentária construída ao longo de muitos anos e, pelo menos em parte, resultante do desejo de construir uma sociedade mais "justa" (com maior igualdade de oportunidades) implícita na Constituição de 1988, foi mantida de forma muito razoável em 2011 e a despeito de toda a descrença de uma parte do "mercado" deve sê-lo em 2012. As últimas semanas revelam que a política econômica prossegue na mesma linha, com o corte do Orçamento, a baixa da taxa de juros, a ampliação controlada do crédito, o aumento dos investimentos dos três níveis de administração pública e a cooptação do setor privado, a despeito da curiosa disputa semântica entre "concessão" e "privatização".

É certo que continua a pressão de preços do setor de serviços. Mas sabemos que não pode e não deve ser resolvida, como sugerem alguns, reduzindo ainda mais o crescimento do PIB por meio do aumento da taxa de juro real. Por outro lado, espera-se que o Congresso aprove já no primeiro semestre, a lei da previdência do funcionalismo público. Com isso abre-se o caminho para que o Executivo acelere a remessa de projetos de lei que facilitem a melhoria do "ambiente de negócios", reduzam o "custo Brasil" e estimulem a rápida criação de novas empresas.

Nos últimos dois meses, três mudanças foram importantes: 1ª) com relação ao misterioso "produto potencial" parece que agora o "mercado" aceita que ele anda às voltas de 4,5%; 2ª) o Banco Central quis saber do sistema financeiro como ele calcula a taxa de juros "neutra"; e 3ª) houve uma melhora dos humores do setor privado em matéria de confiança no governo. Isso, somado aos sinais positivos do IBC-Br de novembro e dezembro mostra que, se tivermos disposição de fazê-lo, um crescimento de 4% a 4,5% em 2012 não está fora do radar, mesmo porque ele é bissexto!

GOSTOSA


Meninos, eu vi... - ARNALDO JABOR


O Estado de S.Paulo - 28/02/12


Acabou o carnaval e tenho de recomeçar a pensar sobre o País. Dizer o quê? O Brasil está difícil de entender nesta mistura de atraso e modernização que o mundo demanda. Nada do que já vi se compara à indefinição angustiante de hoje. Nossas crises eram mais nítidas e nos chocavam pela obviedade. Já vi tantas mudanças políticas...

Eu vi as empregadas gritando, a cozinheira chorando, o rádio dando a notícia: "Getúlio deu um tiro no peito!" Anos depois, ouvi, no estribo de um bonde: "O Jânio renunciou!" Como? Tomou um porre e foi embora depois de proibir o biquíni e brigas de galo. Ali no bonde, entendi que os 'bons tempos' da utopia de JK tinham acabado, que alguma coisa suja estava a caminho. Depois, meninos, eu vi o fogo queimar a UNE, onde chegaria o sonhado 'socialismo tropical', em abril de 64, quando fugi pela janela dos fundos, enquanto o general Mourão Filho tomava a cidade, dizendo: "Não sei de nada. Sou apenas uma vaca fardada!" Eu vi, como num pesadelo, a população festejando a vitória da ditadura, com velas na janela e rosários na mão; vi a capa do O Cruzeiro com o Castelo Branco, o novo presidente da República, de boné verde, feio como um ET.

Senti que surgia um outro Brasil desconhecido e parecia que estava vendo pela primeira vez as pedras da rua, os anúncios, os ônibus, os pneus dos carros, como um trem fantasma andando pra trás. Eu, que só vivera até então de palavras utópicas, era humilhado pela invasão do mundo real. Depois, vi a tristeza dos dias militares, Brasil ame-o ou deixe-o, a Transamazônica arrombando a floresta, vi o rosto embotado de Costa e Silva, a gargalhada da primeira perua Yolanda, mandando o marido fechar o Congresso, vi na TV, numa noite imunda e ventosa de dezembro, o decreto do AI-5, o fim de todas as liberdades, a gente enlouquecendo e fugindo pela rua em câmera lenta, criminosos na própria terra; depois, vi a cara do Médici, frio como um vampiro, com sua mulher do lado, magra, infeliz, torcendo pela Copa do Mundo de 70, Pelé, Tostão, Rivellino e porrada, tortura, sangue dos amigos guerrilheiros heroicos e loucos, sentindo por eles respeito e desprezo, pela coragem e pela burrice de querer vencer o Exército com estilingues; não vi, mas muitos viram, meu amigo Stuart Angel morrendo com a boca no cano de descarga de um jipe, dentro de um quartel, enquanto, em São Paulo, Herzog era pendurado numa corda e os publicitários enchiam o rabo de dinheiro com as migalhas do "milagre" brasileiro, enquanto as cachoeiras de Sete Quedas desapareciam de repente. Depois, eu vi os órgãos genitais do general Figueiredo, sobressaindo de sua sunguinha preta, ele fazendo ginástica, seminu para a nação contemplar; era nauseante ver o presidente pulando a cavalo, truculento, devolvendo o País falido aos paisanos, para nós pagarmos a conta da dívida externa; vi as grandes marchas pelas "diretas" que não rolaram e, estarrecido, vi um micróbio chegando para mudar nossa história, um micróbio, vírus, sei lá, andando pela rua, de galochas e chapéu, entrando na barriga do Tancredo Neves na hora da posse e matando o homem diante de nosso desespero, e vi então a democracia restaurada pelo bigodão do Sarney, o homem da ditadura, de jaquetão, posando de oligarca esclarecido; vi o fracasso do Plano Cruzado, depois eu vi a volta de todos os vícios nacionais, o clientelismo, a corrupção, o País ingovernável, a inflação chegando a 80% ao mês, com as maquininhas do supermercado fazendo "tlec tlec tlec" como matracas fúnebres de nossa tragédia, eu vi tanta coisa... Vi o massacre de miseráveis pela fome, ou melhor, eu não vi os milhões de mortos pela correção monetária - não vi porque eles morriam silenciosamente, longe da burguesia e da mídia, mas vi os bancos ganhando bilhões no "over" e no "spread", vi os dólares no colchão, a sensação de perda diária de valor da vida, vi a decepção com a democracia, pois tudo tinha piorado. Vi de repente o Collor vindo de longe, fazendo um "cooper" em direção ao nosso destino, bonito, jovem, fascinando os otários da nação, que entraram numa onda política de veados esperançosos: "Ele é macho, bonito e vai nos salvar!", e vi logo depois o Collor confiscar a grana do País todo, vi a sinistra careca de PC juntando o bilhão do butim, vi Zélia dançando o bolero Besame Mucho com Bernardo Cabral na cara do País quebrado, vi depois a guerra dos irmãos Collor, Fernando contra Pedro, culminando com a campanha pelo impeachment, vi tanta coisa, meninos, e depois eu vi, por mero acaso, por uma súbita cisma de Itamar Franco, vi o FHC chegar ao poder, com a única tentativa de racionalidade política de nossa história nesse antro de fisiológicos e ignorantes e vi a maior campanha de oposição de nossa época, implacável, sabotadora, movida pela inveja repulsiva da Academia contra ele e vi a traição de seus aliados, unidos contra as reformas, agarrados na corrupção ou na doença infantil de suas ideologias mortas; depois, eu vi a tomada do poder pelo PT e tive a esperança de que haveria uma continuação das portas abertas pelo Plano Real e pelas medidas modernizantes do governo de FHC e tive a maior decepção de minha vida, ao ver que jogaram o País numa rota regressista, criando um novo patrimonialismo de Estado: a aliança entre velha esquerda e velha direita, senhores feudais e pelegos, vi depois o governo se transformar num showmício permanente para o bem do Lula, na obsessão de desqualificar os avanços do mundo moderno.

Depois, recentemente, vejo a sucessora Dilma tentando governar, mais lúcida e mais honesta que seus aliados, ocupada o tempo todo em desfazer as armadilhas que seu chefe deixou. Os tempos anteriores eram mais nítidos até em sua sordidez. É difícil analisar nosso momento. É duro para um comentarista político. A economia vai bem, por sorte apenas. Dilma é legal, seria. Mas é muito grande a ambivalência entre Estado e sociedade, entre pelegos e democratas, entre boas intenções e dependência de alianças sujas. E vejo que não sei o que vejo.

PROGRAMAÇÃO ESPORTIVA NA TV


16h - Brasil x Bósnia, amistoso, Globo e Sportv

17h - Copa dos Campeões de vôlei feminino, playoffs, Bandsports

18h45 - Florianópolis x Sesi, Superliga masculina de vôlei, Sportv

21h - Minas x Rio de Janeiro, Superliga feminina de vôlei, Sportv

21h - Boston Bruins x Ottawa Senators, hóquei, ESPN e ESPN HD

Decisões equivocadas sobre escolas de medicina - ADIB JATENE

FOLHA DE SP - 28/02/12

Médicos qualificados doaram o seu tempo para avaliar cursos ruins e cortar vagas; o Conselho Nacional de Educação ignorou o nosso trabalho e recriou todas



O Conselho Nacional de Educação acaba de tornar sem efeito decisões da Secretaria de Educação Superior (Sesu) do Ministério da Educação (MEC) sobre a redução de vagas em cursos de medicina.

Até 1996, o país possuía 82 faculdades de medicina, das quais 33 eram privadas (40%). Em 12 anos, entre 1996 e 2008, foram criadas 98 novas faculdades, das quais 68 privadas (70%).

Existiam ainda, sob análise do MEC, mais de 50 pedidos de autorizações de novas faculdades, praticamente todas privadas e sem infraestrutura mínima para ministrar um curso médico.

Em 2008, o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) identificou 17 escolas, entre as que tinham formandos, com nota inferior a três (em uma escala de um a cinco).

Alarmado com a situação, o então ministro Fernando Haddad, após discutir o problema, concordou em recriar a Comissão de Especialistas do Ensino Médico, presidida por mim e com maioria absoluta de membros da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM), inclusive com quatro ex-presidentes. Todos os membros têm ampla atuação e experiência na área.

Após uma revisão dos pré-requisitos que a entidade que deseja abrir o curso médico deveria observar, foi explicitado que, como item eliminatório, a entidade teria de possuir um complexo médico-hospitalar com pelo menos quatro leitos por vaga pretendida. Seria necessário ter também uma residência médica reconhecida pelo Ministério da Saúde e um pronto-socorro em atividade.

Alem disso, a instituição deveria possuir um complexo ambulatorial, contando tanto com unidades básicas com o Programa de Saúde da Família quanto com ambulatórios de especialidades.

Desse modo, estaria garantido o campo de treinamento e dimensionado o número de vagas. Na hipótese de a instituição não possuir complexo próprio, seria permitido um convênio, por período não inferior a dez anos, sem compartilhamento com outra instituição.

Quanto às escolas existentes cujo desempenho no Enade foi insatisfatório, decidiu-se fazer uma visita ao local com pelo menos dois membros da comissão.

Eles, após entrevistas com docentes e com discentes e visitas às instalações, avaliaram as condições para a oferta do curso e elaboraram relatórios circunstanciados.

Na impossibilidade de indicar o fechamento da escola, optaram por reduzir o número de vagas, deixando o mínimo tolerável, capaz de beneficiar não apenas os alunos, mas também a população que seria atendida pelos egressos dessas escolas.

Baseado nesse trabalho sério, de pessoas que doaram seu tempo na expectativa de melhorar o ensino médico, foi que a Sesu acolheu as indicações e reduziu o número de vagas em várias escolas médicas. Isso aconteceu depois de ampla discussão com a comissão de especialistas -que, reitero, avaliou com o maior cuidado a situação do ensino nessas entidades.

De repente, o Diário Oficial da União publica uma decisão por unanimidade do Conselho Nacional de Educação (CNE) restaurando o número de vagas previamente existentes, desconsiderando o trabalho da comissão, que levou mais de dois anos para ser executado -sem nem sequer dar uma oportunidade para nos manifestarmos.

Decisões equivocadas como essas servem para desmotivar os que ainda acreditam ser possível corrigir as iniquidades, criadas por influência empresarial ou política, e para reforçar a ideia de que não adianta lutar por dias melhores.

Mas ainda há gente neste país que acredita, mesmo com as instituições atuais e com os conselhos suscetíveis a pressões, ser possível avançar.

Decisões como a do CNE não nos farão desistir. Elas nos alimentam para continuarmos a luta, que antes de ser nossa deveria ser do CNE.

Prévias: diálogo - ANDREA MATARAZZO

BRASIL ECONÔMICO - 28/02/12


Dos mais de 130 milhões de eleitores brasileiros, poucos têm conhecimento da legislação que determina as regras para eleições no país. Só quem realmente está envolvido no processo político sabe, por exemplo, que há prazo para um prefeito ou governador se desligar do cargo caso deseje concorrer a uma eleição no ano corrente. Entre as várias determinações da legislação eleitoral brasileira, há uma que discorre sobre as convenções partidárias: nos anos em que haverá eleições, os partidos políticos devem se reunir no mês de junho para escolher seus candidatos e homologar suas coligações. Porém, não há previsão ou regras para o processo de escolha e, tampouco, para a realização de pré-campanhas. É esse o tema que pretendo abordar aqui.

Essa pauta, ainda pouco debatida no Brasil, está sempre no ar, permeando o universo político-partidário. Guardadas as diferenças culturais e legais, nos Estados Unidos o processo de escolha prévia de candidatos conhecido como primárias é um modelo a ser analisado. Lá, os procedimentos, já bastante conhecidos, estão consolidados; candidatos chegam a percorrer o país inteiro apresentando suas ideias, debatendo e recebendo sugestões.

Levado à militância partidária, o debate reacende a participação política local, fomenta a identificação dos problemas e a busca de soluções. Diferentemente do que alguns analistas políticos pensam, os cidadãos, quando chamados devidamente a participar, se interessam, e muito, pela discussão daquilo que muda suas vidas. Na política atual, ser eleito é resultado não só das campanhas eleitorais, como também da capacidade de diálogo com o eleitor e do convencimento prévio de que é possível atender às demandas da população.

Partindo desse ponto de vista, o PSDB paulista iniciou, em 2011, o procedimento para escolha do seu candidato a prefeito de São Paulo, de forma democrática e com a participação de toda a militância.

A cidade foi dividida em regiões de acordo com os diretórios do partido, se estabeleceu uma profusão de propostas; debates mobilizaram a sociedade, a imprensa e os movimentos populares, reacendendo a participação política e, também, entusiasmando os militantes, já acostumados com a imposição de candidaturas.

A militância, que não se organizava mais como nos primórdios da formação do partido, passou a ser ouvida. Sem dúvida, esse é o meio para que se possa entregar a cada região o que ela precisa.

Uma coisa é certa: o processo de prévias ora consolidado garante mais e melhores condições de participação da sociedade.

O PSDB deu um salto enorme na direção de antecipar o debate de ideias e conhecimentos entre seus candidatos. O partido teve de ouvir seus dirigentes e a população em suas várias regiões e especificidades. Com isso, nos permitimos prever mais acertadamente o que se espera da condução do futuro programa de governo para a cidade de São Paulo. Com certeza, marcaremos uma era em que a população poderá cobrar resultados com maior facilidade e estará mais segura para saber quem realmente tem condição de apontar o rumo e liderar o desenvolvimento com qualidade que todos queremos.

O que aflige a Europa? - PAUL KRUGMAN

O ESTÃDÃO - 28/02/12

Os países em pior situação só têm opções ruins diante de si: terão de sofrer as dores da deflação ou tomar a drástica decisão de deixar o euro, da qual se aproxima a Grécia



As coisas vão muito mal por aqui, como desemprego ultrapassando a marca dos 13%. A situação é ainda pior na Grécia, na Irlanda e também na Espanha, e a Europa como um todo parece estar escorregando de volta à recessão.

Por que a Europa se converteu no paciente doente da economia mundial? Todos sabem a resposta. Infelizmente, aquilo que a maioria das pessoas sabe a respeito do problema não é verdadeiro - e histórias falsas a respeito dos problemas europeus estão distorcendo nosso discurso econômico.

Basta lermos um artigo opinativo sobre a Europa - ou, com frequência, uma reportagem supostamente factual-para nos depararmos com uma de duas histórias, um par que eu descreveria como a narrativa republicana e a narrativa alemã. Nenhuma destas histórias corresponde aos fatos.

A versão republicana-ela consiste num dos temas centrais da campanha de Mitt Romney-diz que a Europa está em má situação porque fez demais para ajudar aos pobres e desafortunados, e que estaríamos testemunhando os últimos estertores do Estado de bem estar social. Esta versão é, por sinal, uma eterna favorita entre os políticos de direita: em 1991, quando a Suécia enfrentou uma crise bancária decorrente da desregulamentação (soa familiar?), o Cato Institute publicou um relatório triunfante mostrando como o episódio comprovava o fracasso de todo o modelo do Estado de bem estar.

Cheguei a mencionar que a Suécia, país que ainda conta comum generosíssimo Estado de bem estar, é atualmente um mercado altamente próspero, apresentando um crescimento econômico mais acelerado que o de qualquer outro país rico? Mas é melhor adotar uma abordagem sistemática. Vamos analisar os 15 países europeus que atualmente usam o euro(excluindo Maltae Chipre),e organizá-los de acordo com a proporção do seu PIB que era investida em programas sociais antes da crise. Será que os principais países problemáticos( Grécia,Irlanda, Portugal, Espanha e Itália) se destacam por contarem com Estados de bem estar desproporcionalmente grandes? Não, este não era o caso deles; somente a Itália figurava entre as cinco posições mais altas deste ranking e, ainda assim, seu Estado de bem estar era menor do que o alemão.

Assim, o problema não foi provocado por Estados de bem estar excessivamente grandes.

A seguir, a versão alemã, segundo a qual tudo não passa de uma questão de irresponsabilidade fiscal. Esta história parece se encaixar no caso grego, e só. A Itália apresentou déficits nos anos anteriores à crise, mas estes foram apenas um pouco maiores do que os apresentados pela Alemanha (a imensa dívida da Itália é um legado de políticas irresponsáveis de muitos anos atrás). Os déficits de Portugal eram significativamente menores, enquanto Espanha e Irlanda chegavam a registrar superávits.

Ah, e os países que não usam o euro parecem poder arcar com grandes déficits e grandes dívidas sem passar por crises. Grã-Bretanha e Estados Unidos conseguem empréstimos de longo prazo a juros de aproximadamente 2%; o Japão, muito mais endividado do que qualquer país europeu, incluindo a Grécia, paga juros de apenas 1%.

Em outras palavras, a helenização do nosso discurso econômico, de acordo com a qual bastaria a todos nós um ou dois anos de déficits para nos tornarmos outra Grécia, é completamente infundada.

Questão monetária. Assim sendo, o que aflige a Europa? A verdade é que se trata principalmente de uma questão monetária. Ao introduzir uma moeda única desprovida das instituições necessárias para garantir o funcionamento desta moeda, a Europa reinventou na prática os defeitos do padrão ouro - defeitos que desempenharam um papel importante ao precipitar e perpetuar a Grande Depressão.

Mais especificamente, a criação do euro fomentou uma falsa sensação de segurança entre os investidores privados, desencadeando imensos e insustentáveis fluxos de capital destinados aos países de toda a periferia europeia. Como consequência da entrada destes fluxos, os custos e os preços aumentaram, a manufatura perdeu a competitividade, e países que apresentavam uma balança comercial relativamente equilibrada em 1999 começaram, em vez disso, a acumular imensos déficits comerciais. Foi então que a música parou.

Se os países periféricos ainda tivessem suas próprias moedas, eles poderiam usar a desvalorização para restaurar rapidamente a competitividade-coisa que certamente fariam. Mas eles não podem mais contar com esta alternativa, o que significa que têm diante de si um prolongado período de desemprego maciço e deflação lenta e arrastada.

Suas crises de endividamento são principalmente um produto desta triste perspectiva, pois economias deprimidas levam a déficits orçamentários e a deflação amplia o fardo do endividamento.

Ora, compreender a natureza dos problemas que afetam a Europa é algo que proporciona um benefício limitado para os próprios europeus. Os países em pior situação, em especial, só têm opções ruins diante de si: terão de sofrer as dores da deflação ou tomar a drástica decisão de deixar o euro, algo que não será politicamente viável a não ser que (ou até que) tudo o mais fracasse - um ponto do qual a Grécia está se aproximado. A Alemanha poderia ajudar ao reverter suas próprias políticas de austeridade e ao aceitar uma inflação mais alta, mais o país se recusa a fazê-lo.

Mas, para o restante de nós, entender corretamente o problema europeu é algo que faz uma imensa diferença, pois falsas histórias a respeito da Europa estão sendo usadas para fazer avançar políticas que seriam cruéis, destrutivas, ou ambas as coisas. Da próxima vez que aparecer algum especialista evocando o exemplo europeu para exigir que os americanos destruam sua rede de assistência social ou cortem os gastos em face de uma economia profundamente deprimida, eis o que precisamos saber: tais especialistas não têm ideia do que estão dizendo. /TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Keynes e os juros - JOSÉ LUIS OREIRO

VALOR ECONÔMICO - 28/02/12
Recentemente o Banco Central (BC) solicitou às instituições financeiras estimativas a respeito do valor da taxa de juros neutra para a economia brasileira, ou seja, o valor da taxa real de juros para o qual a demanda agregada é igual ao produto potencial de forma que a inflação seja mantida constante ao longo do tempo. Essas estimativas apontam para uma taxa neutra em torno de 5,5% ao ano, o que significa uma redução de 1,25 ponto percentual desde novembro de 2010, quando uma consulta indicou a taxa neutra em torno de 6,75%. A redução observada na taxa neutra seria o resultado de "mudanças estruturais significativas na economia brasileira", segundo a ata do Copom, não tendo nenhuma relação com a condução da política monetária.

Uma reflexão um pouco mais aprofundada sobre quais seriam essas mudanças estruturais significativas, contudo, não aponta para nenhuma mudança em particular. De fato, a condução da política fiscal continua basicamente a mesma do segundo mandato do presidente Lula, a poupança pública não apresentou nenhuma melhoria significativa, o crédito doméstico continua se expandindo a taxas elevadas, o grau de indexação formal da economia brasileira ainda é alto e os títulos pós-fixados mantêm uma participação expressiva na dívida pública. Daqui se segue que não há nenhuma razão concreta para se acreditar que tenha ocorrido nos últimos anos um aumento da eficácia da política monetária e/ou uma redução da taxa de juros de "equilíbrio". Sendo assim, como explicar a mudança nas expectativas do mercado a respeito da taxa de juros neutra?

Na sua Teoria Geral do Emprego, Keynes criou o conceito de taxa de juros segura, ou seja, o valor da taxa de juros que o público acredita que irá prevalecer no longo prazo. A taxa de juros segura nada mais é do que uma convenção social, ou seja, uma crença compartilhada entre os agentes econômicos a respeito do valor em torno do qual a taxa de juros flutua ao longo do tempo. Essa convenção não está baseada em "fatores objetivos" como pensa a teoria neoclássica. Em particular, a taxa de juros segura não é equivalente ao conceito de taxa natural de juros dos modelos Dynamic Stochastic General Equilibrium (DSGE) tão em voga atualmente. A taxa natural de juros é tida, nesses modelos, como independente da política monetária, sendo determinada pela produtividade do capital e pelas preferências intertemporais das famílias.

Do ponto de vista keynesiano, o conceito de taxa natural de juros é um completo nonsense porque pressupõe a independência entre o produto potencial e a demanda agregada. Isso porque, em função da existência generalizada de economias de escala e de equilíbrios múltiplos gerados a partir de efeitos de histerese no mercado de trabalho, o produto potencial não é uma variável exógena, mas é dependente da trajetória seguida pelo produto efetivo (e, portanto, pela demanda agregada) ao longo do tempo.

Voltando à taxa de juros segura, Keynes afirma na sua Teoria Geral que: "A autoridade monetária controla, com facilidade, a taxa de juros a curto prazo, não só pelo fato de não ser difícil criar a convicção de que sua política não mudará sensivelmente em um futuro muito próximo, como também em virtude de a possível perda ser pequena, quando comparada com o rendimento corrente (a não ser que este chegue a ponto de ser quase nulo). Mas a taxa a longo prazo pode mostrar-se mais recalcitrante no momento em que caia a um nível que, com base na experiência passada e nas expectativas correntes da política monetária futura, a opinião abalizada considera "inseguro".

Isso não quer dizer, obviamente, que o Banco Central não seja capaz de influenciar a taxa de juros de longo prazo. Ele poderá fazê-lo desde que consiga induzir uma mudança nas expectativas que os agentes econômicos formulam a respeito da taxa segura de juros. Em outras palavras, uma redução da taxa de juros de longo prazo envolve necessariamente a mudança da convenção prevalecente no mercado financeiro sobre o valor da taxa segura. Se o BC não for capaz de produzir uma mudança nas convenções sobre a taxa de juros segura, então a redução da taxa de juros de longo prazo resultante da redução do valor corrente da taxa de juros de curto prazo irá induzir uma expectativa de elevação da taxa longa no futuro próximo. Em função disso, as expectativas a respeito dos valores futuros da taxa de juros serão reajustadas para cima, produzindo o realinhamento do valor corrente da taxa longa na direção da taxa de juros segura.

Daqui se segue que uma condição fundamental para que o BC seja capaz de influenciar a taxa de juros de longo prazo é que a política monetária tenha credibilidade. Credibilidade não significa o compromisso único e exclusivo da autoridade monetária com uma taxa de inflação baixa, como entendem os economistas neoclássicos; mas deriva-se do entendimento por parte dos agentes econômicos de que a política monetária é compatível com o interesse público, sendo conduzida com convicção por parte de uma autoridade monetária, que não corra o risco de ser suplantada. Sendo assim, "uma política monetária que a opinião pública considere experimental em sua natureza e facilmente sujeita a mudanças pode falhar no seu objetivo de reduzir consideravelmente a taxa de juros a longo prazo".

Nesse contexto, as convenções prevalecentes a respeito do valor da taxa de juros segura podem ser alteradas se o público perceber que a política monetária é conduzida de maneira lógica e firme por parte do BC. Via de regra, isso exige mudanças moderadas e graduais na taxa de juros de curto prazo, dando tempo para que o público se acostume com patamares mais baixos de taxas de juros.

Com base nesse arrazoado, uma explicação possível para a redução observada das estimativas da taxa neutra é que nos últimos anos o BC tem sinalizado de forma clara e consistente seu desejo de reduzir gradualmente o patamar dos juros. Como essa sinalização é vista pelo mercado como baseada no julgamento técnico da autoridade monetária, e não como resultado de ingerência política no BC, segue-se que a mesma é vista como compatível com o interesse público e, portanto, crível. Mantidas essas condições, o BC poderá obter uma redução ainda maior da taxa de juros se persistir com sua política gradualista.

CLAUDIO HUMBERTO

“Ibsen foi o psicanalista do PMDB. Tirou o partido da depressão”
Deputado Darcísio Perondi (RS), apoiando Ibsen Pinheiro à Prefeitura de Porto Alegre 

IMÓVEIS FUNCIONAIS PESAM NO BOLSO DO CIDADÃO

Os Três Poderes fazem da União uma das maiores imobiliárias de Brasília, cujos apartamentos e até mansões “funcionais”, situados em áreas nobres da cidade, foram comprados e são mantidos pelo contribuinte para mordomia de auxiliares de primeiro a terceiro escalões, que não pagam para ocupá-los. A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) contabiliza milhares desses imóveis na capital.

POR NOSSA CONTA

Na Presidência da República, 77 aspones moram, de graça, por conta do contribuinte, em imóveis cujo metro quadrado vale até R$ 13 mil.

FORA DA REGRA

O Itamaraty, que segue “regras diferenciadas”, administra 527 imóveis, incluindo a mansão do titular, na valorizada Península dos Ministros.

ASSIM É MOLEZA

A Câmara dos Deputados dispõe de 432 apartamentos e o Senado de 72, sem falar no “auxílio residência” de até R$ 4 mil e outros benefícios.

FIM DA MORDOMIA

O senador Álvaro Dias (PR), que não usa a regalia, quer discutir o fim de imóveis funcionais, criados há 50 anos para servidores transferidos.

BASE NA ANTÁRTIDA TINHA PROBLEMAS DESDE 2006

Não foi por falta de aviso: há seis anos, em 2006, o almirante Antonio Cesar Sepulveda alertou, em artigo, para graves problemas na Base Comandante Ferraz, na Antártida, que pegou fogo no sábado (26), destruindo equipamentos e pesquisas de quase trinta anos. Culpou instalações corroídas pela ferrugem, falta de prevenção contra incêndio e de manutenção dos tanques de reabastecimento, tudo funcionando “na base do jeitinho”, além de laboratórios e alojamento precários.

PERDIDOS NO GELO

No artigo do Jornal do Commercio (RJ), o almirante advertiu até para falhas de comunicação ameaçando pesquisadores fora da Base. 

PROFÉTICO

Sepulveda previu desastre ecológico: em dezembro, uma chata afundou com 10 mil litros de óleo, perto da Base. A Marinha silenciou.

LONGE DE CASA

Aposentado, Sepulveda trabalha no Texas, nos EUA, onde, em 1999, descobriu plano secreto de invasão americana ao Brasil na 2ª Guerra.

‘NEM’ TE LIGO 

Dorme sono profundo na gaveta da Secretaria de Segurança do Rio, há três meses, a investigação da estranha fuga e captura do traficante “Nem”, envolvendo delegado e inspetor da Região dos Lagos e outros policiais que escoltavam o bandido, mas a Polícia Federal impediu.

CRISTOVAM 2014

O senador Cristovam Buarque (PDT) sente-se “puxado” pelos eleitores, inclusive petistas, e “empurrado” pelo ex-aliado Agnelo Queiroz (PT) a disputar o governo do DF em 2014. Já cumpre agenda de candidato.

SÓ PENSA NAQUILO

O PR se recusa a participar do conselho político de Dilma até que seja acertado cargo na Esplanada. “Já que o governo nos quer na base, queremos espaço no governo”, reivindica o senador Blairo Maggi (MT).

ILHA DOENTE

A blogueira dissidente Yoani Sánchez avisou, no Twitter, que operações foram desmarcadas num hospital em Havana onde o porra-louca Chávez pode ser operado. E ironizou: “Ele sabe quanto ganha um oncologista? Menos de US$ 40. Trouxe luvas e desinfetantes para banheiros?”. 

CEARÁ BATE O PÉ

O senador Eunício Oliveira (PMDB) e o governador Cid Gomes (PSB) uniram forças para tentar manter na diretoria do Dnocs o interino Ramon Rodrigues, que também é cearense.

QUEM ACREDITA?

A Câmara Legislativa do DF decide hoje se acaba com o pagamento de 14º e 15º salários a suas excelências, que já metem a mão no bolso do contribuinte para subsídios, verba de gabinete e de representação, combustível, etc., no total de mais de R$ 190 mil ao mês.

PRIVATIZAÇÃO, NÃO 

O governo de Minas garante que não ter qualquer pretensão de privatizar a Copasa, a estatal de água e saneamento. No Estado, seria necessário até um plebiscito para 

viabilizar eventual privatização.

DEPUTADO AMEAÇADO

O deputado Áureo Ribeiro (PRTB-RJ) afirma estar ameaçado de morte por insistir na apuração dos desvios de verbas do SUS na Secretaria de Saúde de Duque de Caxias. A Polícia Civil do Rio investiga o caso.

PENSANDO BEM...

...“Como botar fogo no gelo” foi a última pesquisa do Brasil na Antártida.

PODER SEM PUDOR

MEMÓRIA AFIADA

O senador Áureo Mello passava o carnaval de 1994 no Rio de Janeiro, na casa da família do poeta J. G. de Araújo Jorge. Certo dia, foi surpreendido pela famosa foto, nos jornais, de Itamar Franco com a modelo Lílian Ramos, no Sambódromo. Ela vestia só uma camiseta, sem nada por baixo.

– Que papelão o Itamar fez na avenida... – comentou um amigo do senador.

Áureo Mello ajeitou os óculos, aproximou o jornal do rosto e pilheriou:

– Meu Deus! Se não me falha a memória, isto aí é a dita cuja.

O senador tinha boa memória.

TERÇA NOS JORNAIS


Globo: Rio vai criar força-tarefa contra policiais do bicho
Folha: Depósito milionário para ex-vice do BB é investigado
Estadão: Serra ainda pode disputar a Presidência, indica FHC
Valor: Justiça processa cartéis mundiais de componentes
Jornal do Commercio: Piso do professor sobe para R$ 1.451
Zero Hora: Estado faz mutirão para manter Copa na Capital