terça-feira, dezembro 27, 2011

Sem sobressaltos - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 27/12/11


A gestão de Aloizio Mercadante no Ministério da Educação será de continuidade. Serão mantidos os integrantes dos principais cargos da pasta: o secretário-executivo, José Henrique Paim; o presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), José Carlos de Freitas; e o secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior, Luís Fernando Massonetto.

Mercadante já se sentou na cadeira
O anúncio oficial de que Mercadante assumirá o MEC deverá ocorrer após o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), cujo resultado da primeira chamada será divulgado no dia 15. Só então Fernando Haddad deve deixar o ministério para se dedicar à campanha para a prefeitura de São Paulo. A presidente Dilma não gostou de Mercadante ter se antecipado e divulgado que será o novo ministro da Educação. No coquetel com lideranças partidárias na semana passada, no Palácio da Alvorada, o petista falou abertamente sobre o assunto. O MEC servirá como vitrine para Mercadante, que quer disputar o governo de São Paulo.

DESTAQUE. A ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) está na lista das cem personalidades do ano do jornal espanhol "El País", que será divulgada no final desta semana. O destaque é a aprovação da Comissão da Verdade. O texto de apresentação de Rosário é assinado pelo ex-presidente Lula, que fala em "momento histórico da causa dos Direitos Humanos e da consolidação cada vez mais forte da democracia no Brasil".

"Quanto mais tarde a gente fizer essa regulamentação, mais difícil será o entendimento” — Wellington Dias, senador (PT-PI), sobre a redistribuição dos royalties do petróleo, que deve ser votada até abril

Férias
A presidente Dilma levou uma mala de livros para as férias, entre eles "A vida quer é coragem", sobre sua própria trajetória, escrito pelo jornalista Ricardo Amaral. A presidente também quer curtir o neto durante sua estada na Bahia.

Dança das cadeiras
Presidente da Funai, Márcio Meira pediu ao ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) para deixar o cargo. E o presidente da Conab, Evangevaldo dos Santos, deve cair. Ele não tem afinidade com o ministro Mendes Ribeiro (Agricultura).

Insatisfação na base aliada
O governo deve liberar até o dia 31 apenas 20% das emendas parlamentares ao Orçamento da União de 2011. Na semana passada, o Subchefe de Assuntos Parlamentares da Secretaria de Relações Institucionais, Paulo Argenta, se reuniu com um grupo de 20 parlamentares para garantir que esses recursos seriam liberados e pedir que eles aprovassem o Orçamento do ano que vem. A insatisfação na base é grande.

Rodízio
Os senadores Wellington Dias (PI) e Walter Pinheiro (BA) disputam a liderança da bancada do PT no Senado. A decisão será tomada em 31 de janeiro. Até lá, haverá tentativa de acordo para evitar que a disputa seja decidida no voto.

Sem festa
Com o Congresso em recesso, a posse de Jader Barbalho (PMDB-PA) amanhã será um ato meramente burocrático. "O que tínhamos que comemorar, já comemoramos", disse Barbalho. Ele havia sido barrado pela Lei da Ficha Limpa.

PRESSÃO. Associações de juízes estão caindo em cima de parlamentares que criticaram o esvaziamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

RECESSO. O vice-presidente Michel Temer vai passar o fim de ano na Praia de Itacaré, na Bahia.

SUSTO. A presidente Dilma levou um susto na semana passada. Tia Arilda sofreu um tombo durante a noite, no Palácio da Alvorada, e teve que ser examinada por um médico.

GOSTOSA


Medidas do progresso - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 27/12/11


É um marco relevante o Brasil ultrapassar o Reino Unido. Ocorre por virtudes nossas e problemas deles. A comemoração é merecida, mas ao mesmo tempo é sensato verificar o quanto falta fazer em qualidade do desenvolvimento. O PIB é apenas uma das medidas, a mais conhecida. É preciso conferir o PIB per capita, o IDH e a qualidade de vida.

O que o país colhe agora foi plantado ao longo dos últimos anos, em que a economia foi estabilizada, as contas foram ajustadas, o país passou a combater mais decididamente a pobreza e a miséria. Os economistas ingleses atribuem o avanço ao aumento das exportações do Brasil para a China e à elevação dos preços das commodities. É uma explicação reducionista. O boom das commodities é parte do crescimento do Brasil, mas não explica todo o desempenho do país.

Em 11 de novembro, fiz um programa na Globonews sobre a previsão de que o Brasil iria ultrapassar o Reino Unido este ano. No programa — que voltei a postar em meu blog ontem — o economista José Márcio Camargo previu novas mudanças no ranking nos próximos dois anos:

— Parte disso é crescimento mesmo, parte é resultado do câmbio mais forte, e parte é a crise da Europa. O continente ficará uma década com baixo ou nenhum crescimento, como o Japão. O Brasil está crescendo mais do que os países desenvolvidos e menos do que os emergentes. Isso fará com que a Índia nos ultrapasse em 2013, mas em 2014 vamos ultrapassar a França.

José Márcio acha que é preciso “cuidado com essa notícia” e recomenda não ficar eufórico. Lembra que o conceito mais importante de desenvolvimento tem a ver com o bem-estar; e que deve-se olhar também a renda per capita, indicador no qual o Brasil continua muito atrás da Inglaterra. No IDH, o Brasil está no 84º lugar do ranking de 187 países avaliados, enquanto o Reino Unido está em 28º.

O embaixador Marcos Azambuja, que ouvi também no programa de novembro sobre a previsão confirmada ontem, admitiu que, mesmo considerando o fato de que o PIB é apenas uma das medidas de desenvolvimento, ele estava com ânimo de comemoração:

— O Brasil ultrapassar o PIB do Reino Unido era algo impensável para a minha geração. Acho que o Brasil não sai mais dessa lista curta dos grandes países, pelas vantagens dadas pela demografia, pelos recursos minerais, pela capacidade de produção agrícola e pelo desenvolvimento de ciência e tecnologia que até recentemente não era um ponto forte.

Se reunirmos dois brasileiros para comentar essa notícia, um vai comemorar e o outro vai ponderar que é preciso olhar as outras medidas nas quais somos fracos. E os dois estarão certos. É claro que é motivo de comemoração, mas ao mesmo tempo é preciso pôr em perspectiva, relativizar.

O Brasil deve agora buscar a qualidade do desenvolvimento, para que o crescimento seja sustentado e sustentável. Precisa ser capaz de manter o ritmo da elevação do PIB, sem as oscilações que marcaram nossa história a partir da crise dos anos 1980. Também é fundamental garantir que o avanço não se fará de forma predatória do nosso patrimônio ambiental; nem negando a parcelas da população os frutos do progresso.

Nos anos 1970 o Brasil entrou num ritmo de crescimento acelerado e chegou à sétima posição, mas cresceu com aumento da desigualdade e desequilíbrios fiscais e monetários que elevaram a inflação. Esse crescimento excludente e inflacionário minou o processo de avanço e a economia voltou a ser apenas a 13ª . Nos últimos anos conquistamos um crescimento com estabilidade monetária, com mais equilíbrio nas contas públicas e com mais inclusão.

Há motivos para comemoração e preocupação ao mesmo tempo. O Brasil ainda tem 8,5% da população abaixo da linha da pobreza, ou seja, na miséria. Mas antes da estabilização os miseráveis brasileiros eram 23% da população. A queda dos últimos anos foi resultado de políticas públicas focadas e de maior dinamismo no mercado de trabalho.

Em PIB per capita, o Brasil está fraco, atrás dos países que tem superado, como Itália, Espanha e Reino Unido. Menor que outros países em crise na Europa. O PIB per capita do Brasil para este ano, pelas estimativas do FMI, será de US$12.916. Menos do que países da Zona do Euro que estão na lona, como Grécia US$27.875; Portugal, US$22.698; Irlanda US$48.516; Espanha, US$33.297 e Itália, US$37.046. Até mesmo a Islândia, que quebrou com a crise, tem um PIB per capita maior do que todos esses países, de US$43.226.

Esses números são relativos. A maioria desses países tem população pequena, o que resulta numa conta mais alta. Já países muito populosos tendem a ter um valor bem menor. A China, por exemplo, que tem o segundo maior PIB do mundo, tem um PIB per capita de US$5.186. De todo modo, a China de fato tem um enorme contingente de pobres nas áreas rurais, ainda que tenha feito um agressivo programa de inclusão social nos últimos anos.

Há várias medidas de progresso. Há estudiosos revendo as fórmulas de cálculo para aperfeiçoar o conceito diante dos novos valores da civilização. Não podemos esquecer fatos como: o Brasil chega ao grupo dos grandes sem ter erradicado o analfabetismo.

É bom comemorar a ultrapassagem da Inglaterra, mas tendo em mente o muito que ainda falta fazer.

Privilégio - LUIZ GARCIA


O GLOBO - 27/12/11
Em princípio, faz parte das obrigações de um sistema judiciário considerar que todos os cidadãos merecem ser tratados segundo os mesmos critérios. Pode ser que mereça discussão, portanto, uma decisão recente do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso.

Ele mandou apagar dos registros do STF uma quantidade de ações em que os réus eram autoridades públicas. Não foi pouca coisa: desapareceram 89 processos de um total de 330, obedecendo a três circunstâncias: casos que terminaram em absolvição dos acusados, ações que prescreveram por falta de agilidade do sistema judiciário e aquelas que foram passadas para outros tribunais porque os réus perderam o direito ao foro privilegiado do STF. Parecem ser critérios razoáveis - mas por que só existem para quem trabalha para o Estado?

Um observador leigo pode reconhecer que cidadãos absolvidos têm óbvio direito ao sigilo. É mais difícil entender que o anonimato se limite a ocupantes de função pública. Ou que o privilégio exista apenas na última instância do Judiciário. Também por decisão do ministro Peluso, todas as pessoas investigadas em inquéritos do STF têm direito ao anonimato. Pode-se compreender essa proteção - mas é difícil entender que só exista na última instância do Judiciário. Onde é que fica o princípio de que a Justiça deve ser igual para todos? Ele não significa também que os direitos dos réus devem ser iguais em todas as instâncias?

O STF, quando presidido pela ministra Ellen Gracie, adotou o princípio de que pessoas absolvidas ou condenadas apenas ao pagamento de multa têm direito a uma certidão de "nada consta" do tribunal. A iniciativa do ministro Peluso amplia esse privilégio - e parece ser pelo menos discutível incluir no rol dos inocentes quem foi punido com multa. A pena, mesmo que suave, é prova de que foi reconhecida a existência de algum delito, mesmo que de pequena gravidade. Se há multa, alguma coisa foi constatada contra o cidadão que tem de pagá-la.

Seja como for, o que pode ser realmente discutível na decisão de agora do presidente do STF é a criação de um privilégio destinado unicamente a proteger a imagem de autoridades. Ou o exercício de função pública não exige, por sua própria natureza, que todos os cidadãos conheçam direitinho quem toma decisões por eles?

Décadas de fracasso - RUBENS BARBOSA


O Globo - 27/12/11


A 17ª Conferência da convenção sobre mudança do clima, realizada em Durban, na África do Sul, teve como principal prioridade a busca de acordo para a extensão do Protocolo de Kioto e a criação de um fundo para financiamento de ações climáticas urgentes nos países em desenvolvimento.

Embora seus resultados possam ser vistos como limitados e tendo deixado no ar muitas incertezas, o fato é que a Plataforma de Durban alcançou os objetivos políticos mais importantes: a extensão do Protocolo de Kioto para depois de 2012, a negociação até 2015 de um novo protocolo, que inclua todos os países com iguais obrigações, a entrar em vigor até 2020, e a criação do Fundo Verde.

Como em todas as negociações internacionais de difícil conclusão, o mérito foi deixar ambiguidades criativas no documento final e estender o prazo para sua negociação, o que tornou oneroso politicamente para EUA, China, Europa e Índia se manifestarem contra o consenso.

Na prática, todos os países, desenvolvidos e em desenvolvimento, passarão a ter compromissos obrigatórios de redução da emissão de gás de efeito estufa, visto que se omitiu referência ao princípio da obrigação comum, porém diferenciada. O Brasil mudou de posição e aceitou a redução obrigatória de emissões.

O Fundo Verde, no valor de US$100 bilhões, também foi criado com ambiguidades semelhantes: os países desenvolvidos se comprometeram a contribuir anualmente com recursos até 2020, mas os aportes financeiros e os mecanismos de longo prazo ainda terão de ser negociados.

O Brasil atuou de forma construtiva para salvar a conferência e evitar um fracasso antecipado da reunião do Rio em junho de 2012.

Na visão do governo brasileiro, a Rio+20 deverá ser uma conferência sobre o desenvolvimento em suas dimensões econômicas, social e ambiental. O principal objetivo será a renovação do compromisso internacional com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas por cúpulas anteriores sobre o assunto e do tratamento de temas novos.

A agenda da Conferência - que não se confunde com a pauta discutida em Durban - terá dois temas principais: a economia verde, no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.

O tema da "economia verde", proposto pelos países desenvolvidos, encontrou resistência de diversos países em desenvolvimento, devido ao temor de que a "economia verde" substituísse o conceito de desenvolvimento sustentável, que preserva o equilíbrio entre os objetivos do desenvolvimento econômico, da proteção ambiental, e da promoção do bem-estar social. Como país-sede tanto da Rio-92, que consagrou, no plano internacional, o conceito do desenvolvimento sustentável, quanto da Rio+20, que se pauta por esse legado, o Brasil procura ressaltar as oportunidades de complementaridade e de sinergia que podem ser exploradas nesse novo debate. A Fiesp tem manifestado a preocupação de que o conceito de economia verde seja distorcido e usado no comércio internacional como guarda-chuva de novas e sofisticadas barreiras não tarifárias.

O tema da "estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável" deve ser entendido no quadro mais amplo da necessidade de adequação das estruturas multilaterais de governança às realidades e desafios contemporâneos: melhor coordenação entre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que foi criado pela Conferência de Estocolmo de 1972, e a Comissão de Desenvolvimento Sustentável (CDS), resultado da Rio-92, ou a criação de nova instituição.

Jeffrey Sachs, conhecido economistas americano, deixando de lado sutilezas, prevê que o encontro do Rio deve servir para admitir duas décadas de fracasso no campo ambiental e deve oferecer oportunidade para o mundo reconhecer que não tem resposta para a crise. A reunião de Durban serviu para adiar essa previsão para os próximos três ou quatro anos quando ocorrerão negociações muito difíceis para dar corpo e substância aos limitados resultados agora alcançados.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

FOLHA DE SP - 27/12/11
Estratégia que derrubou tributo de preservativo será usada em pasta dental

O setor de higiene, perfumaria e cosméticos quer que, a partir de 2012, os produtos de higiene bucal recebam o mesmo tratamento tributário dado ao preservativo.

Assim como ocorre com a camisinha, a ideia é retirar de escovas, pastas, enxaguatórios e fios dentais todos os tributos federais e tentar eliminar o ICMS nos Estados, segundo João Carlos Basilio, presidente da Abihpec (associação da indústria).

"Preservar a dentição é tão importante quanto proteção sexual. É alta a taxa de idosos sem dentes nos país. Tem de ser oferecido um instrumento para a sociedade, que é a saúde bucal. É saúde pública. Não deveria haver imposto sobre tais produtos."

Preservativos são livres de IPI, ICMS e PIS/Cofins. Nos itens de saúde oral, só o IPI está descartado atualmente.

O setor tem apoiado a aprovação de duas emendas a uma MP que reduziriam as alíquotas de PIS e Cofins a serem recolhidas nos produtos.

"Depois vamos partir para a batalha junto aos governos dos Estados para o ICMS."

A estratégia será levar o tema ao Confaz, que reúne os secretários de Fazenda.

"A camisinha foi decidida no Confaz há muitos anos, com a participação da Abihpec. Argumentamos sobre a importância de difundir o uso numa época em que a doença se alastrava e havia pouca informação. Agora, periodicamente, só renovamos o pedido", diz Basilio.

Para conseguir desoneração, nas próximas reuniões do Confaz, o setor abordará a má saúde bucal no país.

O debate ocorre em um momento em que a indústria sofre reflexos da inflação no consumo de seus produtos.

CAMARÕES EM SÉRIE

A rede de restaurantes Vivenda do Camarão construirá uma nova fábrica em Cotia (SP) em 2012.

O investimento na planta, que terá capacidade de processar 500 toneladas de camarão e peixes por mês, será de cerca de R$ 20 milhões.

"Será mais que o dobro da produção atual. Manteremos Cotia como sede devido às facilidades logísticas para nossos fornecedores", diz Rodrigo Perri, sócio da rede.

Além da construção da fábrica, a companhia abrirá ao menos 31 unidades no próximo ano, sendo que dez delas serão franquias.

Cada uma das unidades próprias representa um investimento de R$ 650 mil.

Entre as cidades que receberão novas filiais da rede estão São Paulo, Uberlândia, Salvador e Rio de Janeiro.

"Temos negociações para abrir unidade em todos os Estados", diz Perri.

PAPEL-CARTÃO

Um cartão de crédito para empresas do setor gráfico foi recém-lançado pela SPP-KSR, distribuidora da Suzano Papel e Celulose.

A distribuidora espera atingir um público de cerca de 20 mil pequenas e médias empresas, que poderão comprar papéis e produtos gráficos da SPP-KSR e pagá-los em um maior número de parcelas e com prazos mais longos do que os praticados no mercado.

O cartão, no entanto, não irá fornecer empréstimos. O limite de crédito vai variar conforme o tamanho e o perfil da empresa.

A SPP-KSR pretende gerar uma receita de R$ 10 milhões por mês com o sistema de pagamento em 2012.

Nos últimos três meses, o cartão foi testado. Ao todo, 1.500 clientes se cadastraram.

LIVRO MAIS BARATO

A Fundação Biblioteca Nacional prorrogou até o próximo sábado o prazo para inscrição de editoras, distribuidoras e pontos de venda interessados em participar dos editais para fornecer R$ 37 milhões em livros a 2.500 bibliotecas no início de 2012.

"As próprias bibliotecas passam a escolher os títulos", diz Galeno Amorim, presidente da fundação.

Mais de 10 mil títulos de até R$ 10, de 356 editoras, foram inscritos no Cadastro Nacional de Livros de Baixo Preço. "A imensa maioria é de boa qualidade", afirma.

"Além de bibliotecas, pediremos que os livros cheguem ao consumidor final para ter mais oferta de livro barato." Cerca de 425 livrarias já se apresentaram.

A Fundação, que se tornou em 2011 responsável pela política de incentivo à leitura, está mapeando o número de bibliotecas no país. "O Brasil pode ter 100 mil, incluindo as rurais. Muitas há muito não recebem nenhum livro. O cadastro poderá municiar governos ao criarem política pública para a área."

Lição de pragmatismo da Ásia - EDITORIAL O ESTADÃO


O Estado de S.Paulo - 27/12/11


China, Japão e Coreia do Sul - um quinto do produto bruto mundial - em breve poderão compor mais uma poderosa área de livre comércio, segundo anunciou no fim de semana o primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda. Os governos da China e do Japão, a segunda e a terceira maiores economias do planeta, decidiram usar as próprias moedas para o comércio bilateral, dispensando o dólar quando julgarem conveniente, e também combinaram iniciar negociações para um acordo de livre comércio. O governo coreano já havia iniciado entendimentos com o chinês há algum tempo e será chamado para um acerto a três. Só o intercâmbio China-Japão alcançou no ano passado US$ 339,3 bilhões, segundo informação oficial japonesa. Cinco dias antes, os presidentes do Mercosul, mantendo sua tradição minimalista em matéria de pactos comerciais, haviam assinado um acordo de livre comércio com a Palestina.

O uso das moedas nacionais deverá simplificar o comércio entre China e Japão e cortar os custos de operações cambiais. Até agora, 60% das transações bilaterais envolvem operações com dólares. Nas discussões do fim de semana o governo japonês comprometeu-se também a comprar títulos públicos da China - por enquanto, em pequena quantidade. Os dois países são os maiores detentores de reservas estrangeiras, especialmente americanas, e devem manter essa posição. Há pelo menos três fortes motivos para isso: o dólar permanece como a referência principal para o comércio, a moeda chinesa não é livremente conversível e, além do mais, nenhum governo tem interesse em agravar a crise nos Estados Unidos, ainda a maior potência e o mercado mais importante do mundo.

A negociação de um acordo de livre comércio será um passo a mais na integração, já muito forte, das economias chinesa, japonesa e coreana. A iniciativa seguinte poderá ser a vinculação dos três países à Asean, a área de livre comércio formada por dez países dinâmicos do sudeste asiático - incluídos Cingapura, Tailândia e Indonésia - com PIB conjunto de US$ 1,3 trilhão em 2010. Um acordo poderá levar ainda um bom tempo, mas ensaios de aproximação ocorrem desde 1997 e deram origem à sigla APT (Asean Plus Three, Asean Mais Três).

Também estão na agenda há vários anos acordos entre países da Asean e membros da Apec, o bloco de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico. Participam desse grupo, além de países da Ásia e da Oceania, Canadá, Estados Unidos, México, Peru e Chile, todos com importantes interesses comerciais no Extremo Oriente. Há pouco mais de um mês - em 21 de novembro -, os governos de Estados Unidos, Chile, Peru, Cingapura, Malásia, Austrália, Nova Zelândia e Brunei divulgaram o esboço de uma Parceria Transpacífico, destinada a promover o comércio e diversas formas de cooperação econômica, passos iniciais para compromissos mais estreitos.

Quatro latino-americanos - Chile, Peru, Colômbia e México - prometem oficializar dentro de uns seis meses a Aliança do Pacífico, um novo esforço de cooperação com objetivos essencialmente comerciais. Se esse bloco for constituído, será mais um reforço para a ligação comercial entre Estados Unidos e um grupo importante de países latino-americanos. Chile e Colômbia já têm acordos de livre comércio com os Estados Unidos. O México é membro do Nafta (Acordo Norte-americano de Livre Comércio), formado pelos três países da América do Norte. O governo americano também já firmou um acordo comercial com as autoridades da Coreia, criando mais uma ponte com o poderoso mercado do Extremo Oriente.

Nos últimos dez anos, a diplomacia econômica brasileira dividiu suas fichas entre a Rodada Doha e parcerias com países em desenvolvimento a partir do Mercosul. Enquanto a Rodada Doha derrapava, até o fracasso final oficializado há cerca de duas semanas numa conferência em Genebra, outros governos cuidaram de buscar bons acordos bilaterais e regionais. O resultado foi uma ampla trama de acordos já concluídos ou ainda em negociação. O Brasil e o Mercosul ficaram fora desse movimento. É o preço do infantilismo ideológico.

GOSTOSA


Pico de sucesso - XICO GRAZIANO


O Estado de S.Paulo - 27/12/11


Os agricultores passaram um bom Natal. E agora se preparam, animados porém receosos, para a passagem do ano. Acontece que, para a turma do campo, 2011 pode ter sido o melhor ano da história agrícola recente do País. Deixará saudades.

Uma pista apareceu, noutro dia, na divulgação, pelo IBGE, dos números sobre o crescimento do PIB nacional relativos ao terceiro trimestre do ano. Enquanto a indústria e o comércio recuaram, a agropecuária cresceu 3,2%, segurando o rojão da economia. No acumulado do ano, tudo indica um salto de 6% no PIB rural, envolvendo tanto o ramo animal (pecuária) quanto o ramo vegetal (agrícola).

E, no interior principalmente, quando a roça vai bem, ela movimenta toda a cidade: o comércio vende mais, o emprego se aquece, as pessoas ficam mais felizes. Esse é o efeito multiplicador da safra de grãos, quase 160 milhões de toneladas. Novo recorde.

Na balança comercial, as exportações do agronegócio também surpreendem. As vendas ao estrangeiro se situam num patamar 25% acima do ano passado. Mais importante, tais vendas externas geram, descontando o valor das importações, crescentes superávits, dólares para pagar as contas das importações industriais e as do comércio. Merece cutucar: sem o capiau do interior, viveria pior o bacana da metrópole.

Até os gringos estão perplexos com a força dos agricultores tupiniquins. Embora os norte-americanos continuem sendo os maiores exportadores mundiais de alimentos, o valor do superávit agrícola brasileiro ultrapassou em 65% a vantagem deles. Quer dizer, o Brasil está mais autossuficiente que o gigante do Norte em alimentos e matérias-primas agrícolas, abastecendo seu mercado interno sem precisar das importações. À exceção do trigo.

Nos demais cereais, destacando-se soja e milho, responsáveis por cerca de 80% da colheita total, este ano os produtores rurais fizeram barba e cabelo: grande produção com preços elevados. Coisa rara.

Vale a pena destacar a cafeicultura. As exportações de café devem fechar o ano em US$ 8,4 bilhões, aumento de 48% nas receitas, em comparação com 2010. Fato curioso: com o mesmo volume embarcado. Ocorre que o consumo mundial de café, incluindo o Brasil, continua crescendo, puxando os preços. Na Finlândia, é incrível, o consumo per capita chegou a 11,9 kg/ano, bem acima do brasileiro, que está em 4,8 kg/ano. Sabia disso?

Na floricultura e na fruticultura, os produtores ficaram satisfeitos com 2011. Qualquer supermercado hoje em dia vende flores e plantas ornamentais, mesmo com preços salgados ao consumidor. Frutas finas, que antes vinham de fora, agora, facilitadas pelo melhoramento genético que as adaptou aos trópicos, amadurecem nas lavouras irrigadas do Nordeste ou nos pomares das montanhas ao Sul. Bonitas e doces.

Por onde se analisa se percebe o êxito das atividades agropecuárias neste ano que finda. Na piscicultura, basta olhar a oferta de filé de tilápia, ou de sua prima mais chique, a vermelha Saint Peter, no comércio de pescados. Ou, na carcinocultura, verificar as bandejas de camarão criado em cativeiro vendidas a preços módicos, permitindo gente simples apreciar o deliciosos crustáceo que antes somente os ricos manjavam, surrupiados do mar.

Como a unanimidade é sempre improvável, os canavieiros andaram de marcha à ré em 2011. Nunca se viu um tiro no pé sofrível como o verificado na agenda do etanol. Se não fosse a falta de açúcar no mercado mundial, que adoçou os preços, a crise teria sido maior, afetando principalmente os fornecedores autônomos de cana, espremidos entremeio às gigantescas empresas que se instalaram no setor sucroalcooleiro.

Essa animação extraordinária na agricultura em 2011 se deve a várias causas. Na verdade, ela culmina um ciclo trienal de sucesso na produção e, mais importante, na renda do produtor rural, causado principalmente pelo aquecimento dos preços internacionais das commodities. O choque de demanda, puxado pela urbanização da China, coincidiu com problemas climáticos na oferta mundial de grãos e carnes, elevando os patamares de preços. Nem a valorização do real ante o dólar, e tampouco as tremendas deficiências na logística (estradas esburacadas, ferrovias onerosas, portos vagarosos), impediu boa margem de rentabilidade na agropecuária nacional.

Caíram os estoques globais de alimentos. Segundo André Pessoa, excelente economista agrícola, os níveis atuais dos principais grãos - soja, milho e trigo - representam somente 20% da necessidade de consumo no ano seguinte, aperto registrado apenas na década de 1970, antes da chamada Revolução Verde. Por isso continuará certa tendência altista de preços.

Mas os tempos de crise na economia mundial andam tirando o sono não só dos agricultores, mas de qualquer empresário ou trabalhador, no campo e na cidade. Enormes são as incertezas para 2012. Nada indica, por exemplo, que os chineses manterão os crescentes volumes adquiridos de soja. Na Europa, obviamente, os mercados exigentes estarão bem mais fechados. Os créditos internacionais recuaram. Por aí vai.

O ano novo está chegando. A agricultura brasileira, com certeza, continuará nele seguindo sua trajetória vitoriosa, coroada em 2011 com um pico de sucesso. A demanda mundial por alimentos continuará a exigir terras e homens aptos, tecnologia e qualidade, coragem e labuta, requisitos de produção que a zona rural oferece no Brasil.

Um dia, pois a esperança nunca morre, a sociedade inteira descobrirá esta vantagem, a modernidade da roça. E passará a tratar o agricultor nacional com o respeito que, afora amargarem pelo passado, merecem os construtores do futuro.

Feliz ano-novo!

Emenda PanAmericano - RENATA LO PRETE

FOLHA DE SP - 27/12/11
Numa mudança de estatuto motivada pelo socorro ao PanAmericano, o Fundo Garantidor de Créditos não terá mais em seu conselho presidentes de bancos privados. São essas instituições que abastecem o FGC de recursos para impedir crises sistêmicas.

A ideia é evitar conflito de interesses como o ocorrida na reunião que selou a ajuda ao PanAmericano, no final de 2010. Na ocasião, os bancos privados que negociavam diretamente com Silvio Santos tinham contratos de créditos vendidos pelo PanAmericano. Muitos desses títulos já estavam quitados pelos devedores sem que o dinheiro tivesse sido repassado.

Mico Em junho de 2010, quando o BC detectou as irregularidades, o Bradesco tinha 1,2 milhão de contratos do PanAmericano, o Itaú, 574 mil, e o Santander, 148 mil. Os três foram obrigados a aceitar garantias que nem se aproximavam do rombo de R$ 2,5 bi -mais tarde recalculado para R$ 4,3 bi.

Truco Em reunião para tratar do socorro, Silvio Santos alegou desconhecer as fraudes e descartou empenhar seu patrimônio pessoal, protegido no exterior. Disse que deixassem o PanAmericano quebrar. Se isso ocorresse, pelo menos 14 outros bancos iriam junto. O acordo foi então assinado.

Check-in A Embratur vai anunciar um recorde de arrecadação de divisas do turismo receptivo neste ano. Foram US$ 6,6 bi gastos no país por turistas estrangeiros.

Check-out A notícia ruim é que o déficit nessa balança do turismo também será recorde: com o dólar barato, turistas brasileiros gastaram lá fora cerca de US$ 19 bi.

A calhar Quem é da área avalia que o governo gostou de ver adiada para 2012 a novela dos royalties do pré-sal. Isso porque, com os leilões suspensos, a Petrobras se livra de de fazer investimentos para os quais não tem bala.

Off-line Por limitação de tempo, a primeira leva de bolsistas do Ciência sem Fronteiras seguirá para o exterior sem o laptop que o governo federal prometeu entregar a cada participante do programa. Quando já estiverem em sua universidade de destino, eles receberão o dinheiro para comprar o equipamento.

Ufa! O Judiciário de Mato Grosso do Sul comemorou as liminares que paralisaram as investigações do CNJ em curso. No Estado, além do fato de nenhum dos desembargadores ter declarado Imposto de Renda, ainda há procedimentos para apurar suspeita de venda de sentenças.

Solavanco Ainda assim, o Judiciário do Estado segue na mira. O ministro Gilson Dipp, do STJ, determinou a quebra de sigilo da Assembleia sul-matogrossense, e a investigação atinge em cheio também o Tribunal de Justiça.

Chapéu alheio Os mineiros da Turma do Chapéu, que promovem a postulação presidencial de Aécio Neves, desembarcam em São Paulo hoje para gravar entrevista com o governador Geraldo Alckmin, peça essencial do xadrez tucano para 2014.

Mão aberta O governador Renato Casagrande (PSB) anunciará amanhã, em balanço, que o governo liquidou R$ 1,2 bi em investimentos em 2011. O volume é recorde no Espírito Santo.

Mão de vaca O alto volume de gastos do Estado compensa a falta de ajuda federal: há dez anos o ES se reveza entre a última e a penúltima posições no ranking de aportes diretos da União.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio

"Se o PT não tiver candidato próprio em Curitiba, será a disputa Ducci-Fruet, ou "tutti-fruti", entre dois nomes com o mesmo sabor ideológico e programático."

DO DEPUTADO DR. ROSINHA, que pleiteia a indicação petista, sobre a perspectiva de o partido apoiar o ex-tucano Gustavo Fruet (PDT), que enfrentará o prefeito Luciano Ducci (PSB) na capital paranaense.

contraponto

Para bom entendedor

No recém-lançado "A Vida Quer é Coragem", o jornalista Ricardo Amaral conta episódio ocorrido no segundo semestre de 2008, quando Antonio Palocci, já avisado por Lula de que Dilma Rousseff seria candidata à Presidência, visitou a chefe da Casa Civil no Planalto:

-Como é, está preparada?

-Palocci, está maluco? De onde "ocê" tirou isso?

Ele então voltou a Lula:

-Ela me disse que vocês não conversaram nada...

-Não mesmo. Nem vou conversar isso com ela.

O mensalão, a mentira ideológica e a vergonha do Exército - JARBAS PASSARINHO


CORREIO BRAZILIENSE - 27/12/11

O mensalão chega ao limite dos prazos judiciais para a sua apuração às vésperas de consumar a absolvição coletiva dos denunciados, por efeito da prescrição voluntária. Os quatro anos decorridos, entre hoje e a denúncia da “organização criminosa”, assim denominada pelo honrado procurador-geral da República, Antônio Souza, ao Supremo Tribunal Federal, em agosto de 2007, foram fruto de manobras protelatórias dos advogados e da tardança tradicional da Justiça. Já causaram a prescrição do crime de formação de quadrilha que pesa sobre José Dirceu, “chefe da quadrilha dos 40”, assim qualificado na denúncia. Daí a preocupação com a possível prescrição total em 2012, ano final para o voto do relator, Joaquim Barbosa.

O processo avança a passo de cágado, agora sob a ameaça da declaração pública, intempestiva do voto anunciado pelo ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo, a quem cabe falar imediatamente e obrigatoriamente após receber o relatório, para opinar. Dizendo-se compelido a ler e opinar sobre mais de 2 mil páginas do processo, de que já recebera cópia e acaba de receber o original das mãos do ministro Barbosa, alega só poder fazê-lo em 2013.

Nessa data, estaremos há um ano de cumpridos todos os prazos para o voto final do ministro Joaquim Barbosa. Então dois ministros de conhecida inclinação para votar contra os mensaleiros terão deixado o STF por terem mais de 70 anos, obrigando-os à aposentadoria compulsória. Informa a revista Veja — edição de 21 de dezembro de 2011 — que “o voto anunciado do ministro Lewandowski criou um enorme mal-estar entre os colegas do Supremo Tribunal Federal”, pois tornaria o processo totalmente perempto.

Certamente não esperava que o relator, mediante grande esforço físico e mental, iria remeter-lhe o processo pronto para a revisão, como já o fez. Antecipou sua disposição de, recebido de volta o relatório com o parecer do revisor, estará pronto para apresentar seu voto final habilitando o STF a iniciar o julgamento em abril. No relatório, antecipa voto, condenando desde logo José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, líderes do PT e Marcos Valério, organizadores “do mecanismo que possibilitou ao governo de Lula desviar milhões de reais dos cofres públicos para financiar campanhas políticas e subornar deputados”.

O desafio do maior escândalo ocorrido logo no segundo ano do primeiro mandato de Lula abateu muito o então presidente. Sua popularidade desabou de 80% para 20%. Dizendo-se traído, foi acreditado. Cumpriu o conselho do seu ministro da Justiça, criminalista famoso, e passou a dizer que se tratava de “inocente caixa dois”. Desde então, os mensaleiros viraram vítimas de uma farsa.

A leniência de ontem é trocada hoje pelo combate aos acusados de má conduta, exceção para o companheiro de guerrilha. O atual ministro de Estado Fernando Pimentel é o caso. Companheira de crença ideológica que perfilhou quando, ainda estudante, a hoje presidente deixou-se empolgar pela paixão revolucionária que dominou o século 20. No discurso de posse na Presidência da República declarou que não se arrependia e tinha orgulho desse passado.

Já o ministro Pimentel, não. Em resposta aos que o atacam da prática de suspeita relação financeira com a Federação das Indústrias de Minas Gerais, quando deixou a Prefeitura de Belo Horizonte, sempre foi democrata toda a sua vida e pela defesa da democracia lutara contra a “ditadura militar”. Não é verdade. Desde sua filiação à facção marxista Colina, de estudantes de Minas Gerais, usando codinome, foi colega da jovem que hoje é presidente da República e do destacado líder Daniel Aarão Reis, mais tarde preso e exilado. Pois é Daniel quem o desmente por escrito para os jornais. Afirma que nenhum documento da guerrilha fala em luta pela democracia. Confirma-o também para a mídia Fernando Gabeira, enquanto José Dirceu acrescenta que a versão falsa foi um artifício usado a partir da luta pela anistia, por ser mais aceitável para com a opinião pública.

Quando eclodiu a série de desonestidades no Dnit do Ministério dos Transportes, o noticiário da mídia foi profuso em relação às fraudes em vários dos convênios para transposição de águas do Rio São Francisco para a região do semiárido do Nordeste. Obra de vulto faraônico do PAC, está praticamente paralisada por falta de verba para prosseguir os trabalhos. Aproveitando-se disso, houve quem se utilizasse da ausência da fiscalização permanente e desviasse máquinas do patrimônio da União para uso próprio ou para projetos do mesmo programa em curso, não importa.

Havia, entre os convênios, alguns a cargo do Exército. Fiquei confiante como sempre na tradicional reputação respeitável colhida pela Engenharia Militar de Construção. Os civis responsáveis pelos desvios foram demitidos. A honestidade, nunca antes manchada e por isso dela colhida em obras civis associadas, horrorizou-me vê-la pela primeira vez moralmente ofendida. Temos orgulho desde a existência do Exército, de centenas de anos, de conduta inatacável. Antes da eclosão pública e política das fraudes, o Exército já havia aberto inquérito que certamente trará consequências cuja gravidade é incompatível com generosidade para com quem enlameou a honra da instituição.

EM OUTRO ALTAR - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 27/12/11


Uma pesquisa feita com mil pessoas entre setembro e outubro pela consultoria OThink, de gestão de negócios, apontou que 18% dos entrevistados acreditam que os filhos, netos e bisnetos terão a mesma religião que eles em 2050. Para 27%, os descendentes terão uma religião diferente. E 55% responderam não saber se seus herdeiros seguirão a mesma fé.

ALTAR 2
As mulheres são mais confiantes que os homens de que seus filhos e netos seguirão a religião que elas adotaram: 22%, contra 16% dos homens. A chamada "classe A" é a que menos acredita que a religião de seus descendentes continuará a mesma da deles: 16%, contra 21% da faixa de população definida como "classe C".

LUPA
O Ministério do Turismo será priorizado na remoção que a AGU (Advocacia-Geral da União) fará para colocar 20 profissionais atuando na Esplanada. A expectativa é que a pasta receba entre dois e quatro advogados, deslocados dos Estados. Eles devem reforçar a consultoria jurídica, para evitar irregularidades como as fraudes em convênios que tumultuaram o ministério em 2011.

SACA-ROLHA
A Abras (Associação Brasileira de Supermercados) conseguiu liminar na Justiça para que os supermercados possam vender vinhos sem o selo de controle fiscal a partir de 1º de janeiro. Com a decisão, os estabelecimentos poderão vender as bebidas em estoque compradas antes da implementação da lei, em janeiro deste ano, que determina que garrafas importadas precisem ser seladas na entrada do país e as bebidas nacionais, na saída das fábricas.

EM BLOCO
Sônia Mascaro lançou pré-candidatura à presidência da OAB-SP. Em 2009, ela integrou a chapa de Rui Fragoso, segundo colocado na eleição. "Não estou buscando o apoio dele e do Antônio Cláudio Mariz de Oliveira. Eu pertenço ao grupo político deles", diz.

DANCE SEM PARAR
Didi Wagner apresentará um novo programa no canal pago Multishow, em 2012. A atração será gravada em Nova York e acompanhará seis jovens dançarinos brasileiros que buscam uma vaga de trabalho na Broadway.

A BELA E A FERA
O clássico "A Bela e a Fera" ganhará um musical versão infantil. O espetáculo, uma parceria da Disney e da brasileira Filmland, será apresentado gratuitamente em 19 cidades do Nordeste.

RAÍZES
Margareth Menezes grava nesta semana o clipe da música "Bonapá" (do refrão "Um é ímpar e dois é par") no terreno que foi de seu avô, próximo a Salvador. Foi lá que ela começou a cantar.

PISTA QUENTE
A balada Set, na avenida Faria Lima, fez festa natalina no fim da semana. O ator Taumaturgo Ferreira, o estilista Carlos Miele, João Doria Neto, Isabel Matarazzo, João Bordon, Roberta Bastos e Peu Guimarães circularam pela boate.

A FILHA DA LUIZA
A top carioca Yasmin Brunet (Ford), 23, fez um ensaio sensual em Nova York para a revista americana "Lovecat". A jovem, filha da ex-modelo Luiza Brunet e do empresário Armando Fernandez, mora na cidade americana e está de férias no Rio. Ela aproveitou a vinda ao país para anunciar que se casa em 2012 com o modelo Evandro Soldati. Os dois namoram há seis anos. Em janeiro, ela participa das semanas de moda Fashion Rio e São Paulo Fashion Week.

CURTO-CIRCUITO
A grife Mandi inaugura hoje loja em Trancoso, com festa a partir das 18h.

A Reserva doará uma camiseta a cada peça vendida até o dia 31. As doações irão para a Apae e o Instituto Central de Cidadania.

O DJ Dukka Calliery e a escola de samba Vai-Vai se apresentarão no Réveillon da Kiss&Fly e do Buddha Sushi, no Guarujá. 18 anos.

A loja Celina Dias faz liquidação de almofadas, papéis de parede e tecidos até o dia 15 de janeiro.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

Um começo medíocre - RODRIGO CONSTANTINO

O GLOBO - 27/12/11
O governo Dilma completa seu primeiro ano. O que pode ser dito sobre sua gestão até aqui? De forma resumida, o governo não parece à altura dos desafios que o país enfrenta. A sensação que fica é que a presidente deseja empurrar os problemas com a barriga, na expectativa de que cheguemos logo em 2014.

Durante as eleições, foi vendida a imagem de que Dilma era uma eficiente gestora que atuava nos bastidores. Deve ser uma atuação muito discreta mesmo, pois os resultados custam a aparecer. O que vimos foi uma série de atrasos em importantes obras públicas, além do corte nos investimentos como meio para atingir as metas fiscais, já que o governo foi incapaz de reduzir os gastos correntes. A privatização dos caóticos aeroportos nem saiu ainda!

A economia perdeu força e chega ao fim do ano com crescimento pífio. O Ibovespa cai quase 20%. A inflação deve romper o topo da já elevada meta, com o setor de serviços subindo mais de 9%. Trata-se do resultado dos estímulos estatais do modelo "desenvolvimentista", que olha apenas o curto prazo. O BNDES, com seu "orçamento paralelo", tenta compensar a ausência das reformas que dariam maior dinamismo à economia.

O país vive em um verdadeiro manicômio tributário, não apenas pela magnitude dos impostos, como por sua enorme complexidade. O que o governo fez? Tentou resgatar a CPMF. A receita tributária sobe sem parar, fruto da gula insaciável do governo. Para piorar, há sinais de incrível retrocesso protecionista, como na elevação do IPI para carros importados.

Nossas leis trabalhistas são ultrapassadas, distribuindo privilégios demais aos que possuem carteira assinada à custa daqueles na informalidade. As máfias sindicais vivem do indecente "imposto sindical". O que fez o governo para reverter este quadro?

A demografia brasileira ainda permite algum tempo para reformar o sistema previdenciário antes de uma catástrofe nos moldes da Europa, lembrando que lá os países ao menos ficaram ricos antes de envelhecerem. Mas o Brasil, mesmo com população jovem, apresenta um rombo previdenciário insustentável. Onde está a reforma?

A educação pública no Brasil continua de péssima qualidade, e a presidente resolveu manter Fernando Haddad no ministério mesmo depois de seguidos tropeços. O MEC está cada vez mais ideologizado. Nada de concreto foi feito para enfrentar o corporativismo no setor e impor maior meritocracia.

Alguns podem argumentar que existe "vontade política", mas a necessidade de preservar a "governabilidade" não permite grandes mudanças. Ora, foi o próprio PT quem buscou este modelo de poder! O presidente Lula teve oito anos para lutar por uma reforma política, mas o "mensalão" pareceu um atalho mais atraente. O governo ficou refém de uma colcha de retalhos sem nenhuma afinidade programática. Tudo se resume à partilha do butim da coisa pública.

O resultado está aí: "nunca antes na história deste país" tivemos tantos escândalos de corrupção em apenas um ano de governo. Seis ministros já caíram por conta disso, e outro está na corda bamba. E aqui surge o grande paradoxo: a popularidade da presidente segue em patamar elevado. A classe média parece ter acreditado na imagem de "faxineira" intolerante com os "malfeitos". Se a gestora eficiente não convence mais em uma economia em franca desaceleração, então ao menos se tem a bandeira ética como refúgio.

Mas esta não resiste a um minuto de reflexão. Todos os escândalos foram apontados pela imprensa, e a reação do governo sempre foi a de ganhar tempo ou proteger os acusados. O caso mais recente, do ministro Fernando Pimentel, que prestou "consultorias" milionárias entre um cargo público e outro, derruba de vez a máscara da "faxina". O caso se assemelha bastante ao de Palocci, e a própria presidente Dilma declarou que este só saiu porque quis.

Não há intolerância alguma com "malfeitos". Ao contrário, este é um governo envolto em escândalos, cuja responsabilidade é, em última instância, sempre da própria presidente, que escolhe seus ministros. É questão de tempo até a maioria perceber que esta "faxina ética" não passa de um engodo.

O governo Dilma, em seu primeiro ano, não soube aproveitar o capital político fruto da popularidade elevada: não apresentou nenhuma reforma relevante; não cortou gastos públicos; reduziu os investimentos; ressuscitou fantasmas ideológicos como o protecionismo; não debelou a ameaça inflacionária; e entregou fraco crescimento. Isso tudo além dos infindáveis escândalos de corrupção. Um começo medíocre, sendo bastante obsequioso.

GOSTOSA


Ficou maior. E daí? - CELSO MING

O Estado de S.Paulo - 27/12/11


Ontem o Guardian - importante diário de Londres - publicou matéria que já considera o Brasil a 6.ª maior economia do mundo, ultrapassando a do Reino Unido - segundo conclusões de consultoria privada inglesa. A "novidade", no entanto, já constava em dados divulgados pelo FMI em setembro, mas pouca gente deu importância à projeção (veja a tabela).

O risco é o de que agora o governo de Brasília e o cidadão médio deem mostras de subdesenvolvimento e recebam a informação com doses excessivas de autolouvação - e, assim, se perca o senso de realidade.

Também em economia, o brasileiro tende a se considerar maioral. E, como no futebol, continua nutrindo a sensação de campeão do mundo. Lá pelas tantas, sobrevém a lavada de 4 a 0 do Barcelona em cima do Santos para devolvê-lo ao rés do chão. Assim, é preciso ver com objetividade notícias assim e a confirmação que virá mais cedo ou mais tarde.

Tamanho do PIB é como tamanho de caneca. E o Brasil é um canecão. Tem quatro vezes a população do Reino Unido e 35 vezes a sua área territorial. Natural que, mais dia menos dia, ultrapasse o tamanho da economia de países bem mais acanhados em massa consumidora e extensão.

Enfim, é necessário examinar esses conceitos não só pela dimensão da caneca, mas também pela qualidade de seu conteúdo. A renda per capita britânica, por exemplo, é mais de três vezes maior do que a do Brasil e a partir daí se começa a ver as coisas como realmente são.

A economia brasileira ainda é um garrafão de mazelas: baixo nível de escolaridade, concentração de renda, bolsões de miséria, déficit habitacional, grande incidência de criminalidade, infraestrutura precária, enorme carga tributária, burocracia exasperante, Justiça lenta e pouco eficiente, corrupção endêmica... e por aí vai.

É claro que isso não é tudo. O potencial é extraordinário não só em recursos naturais, como também em capacidade de inovação e de flexibilidade da brava gente.

Mas há a energia que domina um punhado de emergentes - e não só o Brasil. Enquanto o momento é de relativa estagnação dos países de economia avançada, é ao mesmo tempo de crescimento bem mais rápido das economias em ascensão.

Esse grupo, liderado pela China (que ultrapassou neste ano o Japão como 2.ª economia do mundo), responde hoje por cerca de 40% do PIB mundial, ou seja, por 40% de tudo quanto é produzido no planeta. É também o destino de nada menos que 37% do investimento global - registra levantamento do grupo inglês HSBC.

Tal qual em outros temas, estimativas variam de analista para analista. Mas é praticamente inexorável que, até 2050, pelo menos 19 emergentes estarão entre as 30 maiores economias do mundo.

Mais impressionante é a velocidade do consumo. Só a China incorpora ao mercado perto de 30 milhões de pessoas por ano. Na Ásia, a classe média - diz o mesmo relatório do HSBC - corresponde a 60% da população (1,9 bilhão de pessoas).

Boa pergunta consiste em saber se o mundo aguenta esse novo ritmo de produção e consumo.

CONFIRA

● Estouro Falta incluir os números de dezembro.

É grande a probabilidade de que neste ano a inflação medida pelo IPCA estoure a meta (já admitidos os 2 pontos porcentuais de escape).

Os levantamentos feitos em cerca de 100 instituições financeiras e consultorias pelo Banco Central apontam para inflação de 6,54%.

● Por trás, a gastança embora não configure perda de controle, esse esticão é resultado da forte elevação das despesas públicas em 2010, ano de eleições, que o Banco Central acabou por tolerar.

O parto da cidadania russa - CLÓVIS ROSSI

FOLHA DE SP - 27/12/11

Vinte anos após o fim da URSS, a era Putin dá todos os sinais de esgotamento 

Vinte anos depois do fim da União Soviética, a Rússia parece estar vivendo o parto da sua cidadania.
Para entender melhor, comecemos com Dmitri Trenin, analista do centro Carnegie para a Paz Internacional, que faz a seguinte avaliação das manifestações de massa:
"O atual sistema político russo, que eu chamo de autoritarismo com o consentimento dos governados, só pode funcionar na medida em que o consentimento esteja assegurado. (...) Não é o caso em 2011".
Avaliação aceita pelo próprio presidente Dmitri Medvedev, que disse na semana passada:
"O velho modelo -que serviu fielmente nosso Estado em anos recentes- exauriu-se. Precisamos mudar o modelo, e só então haverá desenvolvimento dinâmico".
Não é uma constatação que nasça apenas dos protestos deste fim de ano. Em fevereiro, um grupo de analistas políticos, empresários e jornalistas, alguns próximos do poder, enviaram carta aberta a Medvedev na qual pediam uma profunda mudança de rota porque "a injustiça, a corrupção e a mentira levaram o país ao isolamento moral".
O problema com tais avaliações é que nenhuma delas prevê uma derrota de Vladimir Putin, o primeiro-ministro e candidato a presidente na eleição de 4 de março, embora seja ele o alvo principal dos protestos e o responsável pelo modelo que até seu amigo Medvedev afirma estar exaurido.
A eleição será, portanto, o momento para se comprovar se a revista "The Economist" acertou em sua avaliação, na semana passada, de que os protestos, os maiores desde o início dos anos 90, "marcaram não uma revolução, mas a transformação da classe média de consumidores em cidadãos".
Se é isso, seria um imenso salto. Os russos jamais foram cidadãos, seja no czarismo, no comunismo ou mesmo no pós-comunismo.
Hoje, há três tipos de russos candidatos a cidadãos, conforme trabalho de Matthew Rojansky, vice-diretor do Programa para a Rússia e a Eurásia do centro Carnegie.
Há o terço digamos "putinista" fiel, "preparado para respaldá-lo indefinidamente pelo simples fato de que trouxe estabilidade e, em termos relativos, assegurou a prosperidade".
Há o terço anti-Putin, "um mosaico de facções ideológica e programaticamente opostas, unidas por não gostar do que a Rússia é sob Putin, se não do próprio Putin".
E há a versão russa dos "swing voters", os eleitores oscilantes que, apesar de terem se beneficiado de uma fatia da prosperidade da era Putin, veem limitações reais para suas vidas -e para o futuro de seus filhos.
O "Washington Post", sem usar o termo "swing voters", descreve esse pedaço da classe média de uma forma parecida. Assim:
"Por uma década, os moscovitas perseguiram suas carreiras, saborearam café em cafeterias, leram revistas de luxo, fizeram compras na Ikea [linha sueca de móveis e acessórios para casa] e viajaram para o exterior, deixando que Vladimir Putin consolidasse seu poder. Agora, querem que o Estado os respeite como cidadãos bem-sucedidos".
Resta saber se o pleito presidencial de março emitirá a certidão de nascimento da cidadania.

Influência da taxa de câmbio relativiza as comparações - FERNANDO DANTAS


O Estado de S.Paulo - 27/12/11


Segundo a base de dados da Perspectiva Econômica Mundial, documento do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil passou o Reino Unido em termos de PIB em dólares correntes em 2011. Com isso, tornou-se a sexta maior economia do mundo, depois de Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França.

Os dados do FMI são uma projeção, já que não há números fechados do PIB de 2011. O FMI estima que o PIB brasileiro feche 2011 em US$ 2,518 trilhões, comparado a US$ 2,481 trilhões do Reino Unido. Em 2010, o PIB do Brasil foi, de acordo com a base de dados do Fundo, de US$ 2,090 trilhões, comparado a US$ 2,250 trilhões do Reino Unido.

Esses números, que apontam um salto de mais de 20% no valor do PIB brasileiro em dólares correntes em apenas um ano, provavelmente foram influenciados pelas projeções de câmbio do FMI, já que a economia brasileira em 2011 não deve crescer mais do que 3%. Mesmo levando-se em conta a valorização do câmbio entre 2010 e 2011, o salto parece muito grande.

Quando se toma o PIB em dólares com paridade de poder de compra (PPP), o quadro muda, e o Brasil ainda está na sétima posição no ranking das projeções do FMI para 2011. Os dólares PPP levam em consideração as diferenças de custo de vida em cada país,.

Curiosamente, porém, no ranking do FMI de 2011, o PIB brasileiro em dólares correntes, de US$ 2,518 trilhões, é superior ao PIB em dólares PPP, de US$ 2,309 trilhões. Normalmente, é o contrário que ocorre. Quando o PIB de um país mais pobre que os Estados Unidos é corrigido para levar em consideração o custo de vida, o resultado tende a aumentar.

Todos esses complicadores das variações cambiais e do próprio critério PPP, muito difícil de estimar, mostram que os rankings de países por PIB devem ser tomados com o adequado grão de sal. Assim como o Brasil alcançou a sexta posição, dela pode cair novamente dependendo menos do crescimento real da economia do que de oscilações das taxas de câmbio globais.

Outra questão relevante é que o PIB mede o tamanho total da economia, e naturalmente tende a crescer com a população. Se for tomado o PIB per capita, que de fato mede o desenvolvimento econômico, social e humano, Brics como Brasil, China e Índia despencam na tabela.

As dores se confirmam - JOSÉ PAULO KUPFER


O Estado de S.Paulo - 27/12/11



Nos cenários básicos, em que não ocorrem rupturas, é possível encontrar uma razoável convergência em torno da hipótese de expansão modesta da atividade econômica nos Estados Unidos e um recuo moderado na economia chinesa. Os EUA, de acordo com as projeções, repetirão, em 2012, mais um ano de crescimento sem brilho, na vizinhança de 1,5%. A China, às voltas com os excessos dos últimos anos, recuará de 9% ao ano para algo como 7%.

Também há convergência em relação ao que deve ocorrer na Europa, mais precisamente na zona do euro, o tumultuado coração econômico e político da região. O cenário em que mais se aposta é de uma recessão moderada em 2012, entre 1% e 2%.

A economia mundial, nesse ambiente, apresentaria um crescimento inferior a 3%. Nessa estimativa está embutida uma expansão em torno de 5% para o conjunto das economias emergentes, que, de todo modo, continuaria a puxar o crescimento global, se bem que com menor intensidade.

Consequência esperada de um crescimento morno com risco de se tornar fraco, o comércio internacional também deverá andar em velocidade mais reduzida. Esforços exportadores mais ativos se verão limitados por demanda menos intensa e barreiras protecionistas. Nas projeções, o crescimento do fluxo de comércio internacional, que era de mais de 8% anuais antes da crise de 2008, está agora reduzido a menos de 5%.

Parte desse recuo se dará no mercado de commodities. Os freios no nível de atividades na China, com destaque para os segmentos de infraestrutura e construção civil, formam a base de sustentação de tais previsões. Cortes em torno de 10% nos índices de preços de commodities agrícolas e outro tanto nas minerais estão no visor dos analistas. No caso do petróleo, a expectativa é de cotações estabilizadas, embora acima de US$ 100 o barril.

Com seu variado leque de obstáculos institucionais, reforçados pelas limitações de uma moeda comum, a zona do euro, na Europa, navega num canal estreito de águas agitadas. Não parece existir, fora da ruptura da moeda comum - hipótese que tem subido na bolsa de apostas, mas ainda é um azarão -, saída da crise que não expresse um quadro de recessão nos países mais vulneráveis. E de condenação dos menos vulneráveis a um período de crescimento abaixo do potencial.

Não é, concorda-se, nada animador. Mas o que seria de se esperar? Trata-se, na verdade, de um quadro previsível, reflexo de um inevitável processo de desalavancagem, que está em curso, com seus conhecidos e tortuosos movimentos. Nada, por sinal, muito diferente, em essência, do que tem ocorrido na história dos estouros de bolhas financeiras, pelo menos desde a grande crise de 1929. Como nos casos anteriores, este de agora também está confirmando que será demorado e dolorido.

Normalmente, entre o início da limpeza do terreno contaminado por ativos podres, a arrumação da casa e o retorno a um tipo de crescimento mais sustentável decorrem no mínimo cinco anos. Se essa história se repetir, o aperto dos cintos não terminará antes de 2015. Tudo indica que a traumática lição da quebra do Lehman Brothers foi aprendida e um novo colapso, repetição de 2009, quando boa parte das economias mundo afora desceu ao fundo do poço, parece afastada. Mas, de qualquer modo, será difícil escapar de uma fase de longa contração em câmera lenta.

As projeções conhecidas para 2013 reforçam a possibilidade de recuperação lenta ou, simplesmente, de estagnação. Embora o viés da expansão econômica estimada seja um pouco mais favorável, os números continuariam tímidos, principalmente se comparados com a evolução econômica anterior a 2007. O crescimento global permaneceria em torno de 3%, sem mudanças significativas no ritmo de atividades nos Estados Unidos e na China, enquanto a Europa ainda enfrentaria mais um ano - provavelmente não o último - de estagnação.

Não seria realista, no fim das contas, imaginar um mundo econômico risonho, nas circunstâncias em que se encontram as tradicionais locomotivas do crescimento global. Menos realista ainda seria acreditar que os países emergentes teriam fôlego armazenado para carregar nas costas o crescimento econômico global no provavelmente longo período requerido para completar a desalavancagem.

O fato é que as dores do processo eram previsíveis e elas, simplesmente, estão se confirmando.

* * *

Por falar em previsões, há as que preveem o fim do mundo para 2012. Mais um motivo, por via das dúvidas, para fazer do novo ano um Ano-Novo pleno de realizações, tolerância e paz. Feliz 2012!

Brasil, uma ilusão de ótica real - VINICIUS TORRES FREIRE

FOLHA DE SP - 27/12/11

Economia brasileira é ou está perto de ser a sexta maior do mundo; temos só tamanho ou crescemos?


QUANDO CRIANÇA, nos anos 1970, costumava ouvir tias mineiras e cariocas dizer de meninos grandes, mas dados a bobices infantis: "Só tem tamanho e molecagem".

A economia do Brasil é ou está perto de ser a sexta maior do mundo, passando a do Reino Unido. Estaríamos atrás de EUA, China, Japão, Alemanha e França.

Crescemos ou "só temos tamanho"? Por que nosso PIB parece tão grande? É para nos enganar melhor?

O assunto se tornou midiático porque uma consultoria britânica passou tal projeção para um jornal (o "Guardian") e, na leseira noticiosa de finais de ano, essas coisas repercutem. Até o governo soltou nota. Mas o FMI, entre outros, havia feito tal projeção em outubro.

Enfim, por que um PIB tão grande? Antes de responder a Chapeuzinho Vermelho, note-se que há várias modos de comparar PIBs, quase todos tão válidos e imprecisos quanto os outros. Além do mais, nosso PIB per capita (dividido pela população) ainda anda lá pela casa do 70º lugar. Sabemos que somos mais pobrinhos que os britânicos.

Para fazer comparações, é preciso converter o PIB de cada país numa moeda comum (em geral, dólares) -há vários modos de fazê-lo. O valor do PIB na moeda original também pode ser medido de várias maneiras. Logo, há espaço para truque.



Desde 2000, o Brasil cresceu muito mais que a média da Europa e que o Reino Unido, em termos reais (descontada a inflação).

O Brasil cresceu 53%. A eurozona (17 países), 18%. O Reino Unido, 24%. Desde 2006, a economia brasileira anda num ritmo inédito em décadas. Cresceu 28% desde então. A eurozona, naufragada na crise, 5,7%. O Reino Unido, 2,9%.

Ainda assim, essa diferença de ritmo apenas não é a chave do tamanho do PIBão brasileiro.

Em 2006, em dólares correntes, o PIB brasileiro era de US$ 1,1 trilhão. Em 2011, chegará a US$ 2,5 trilhões. Obviamente, como se acabou de dizer, a economia não dobrou de tamanho desde 2006 -em termos reais. Parte do inchaço se deve ao câmbio. Como o real vale cada vez mais em termos de dólares, o PIB fica cada vez maior -em dólares.

Mera ilusão de ótica? Também não. Nosso poder de compra aumentou de fato. O mercado brasileiro é maior. O retorno que a economia brasileira dá para investidores estrangeiros é também maior.

O real se valorizou, de resto, porque a economia brasileira é também "melhor". Cresce mais, tem contas públicas mais em ordem etc. Por ser "melhor", tornou-se ainda maior (quando medida em dólares): mais investimento (mais dólares) vem para o Brasil, o que valoriza o real.

Mas é provável que exista, sim, uma ilusão embutida nessa taxa de câmbio, nesse real tão valorizado.

O Brasil está caro demais -e inflando. Um carro vagabundinho custa US$ 20 mil, um prato em restaurante bom custa mais de US$ 30, os salários estão relativamente altos (dada a nossa produtividade). Nossa inflação é maior que a de muitos de nossos parceiros comerciais.

Consumimos demais. Parte desse excesso é bancada por exportação de recursos naturais com preços muito altos -altos até quando?

O real deve estar sobrevalorizado. Logo, nosso PIBão em dólares talvez seja um pouco ilusório. Como o valor do real. Tais excessos vão ser talhados, mais ou menos tarde.

Fundo perdido - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 27/12/11

Constituído pelo governo federal em 2008, fundo soberano brasileiro não tem cumprido sua função de proteger poupança do país

Em 2008 o governo federal decidiu constituir um fundo de investimento, o fundo soberano brasileiro, utilizando parte do superavit primário das contas públicas -o saldo obtido antes do pagamento dos juros da dívida.

O aporte na época foi de R$ 14,2 bilhões. Em tese o fundo seguiria a prática internacional de preservar e dar rentabilidade à poupança do país, por meio de investimentos no Brasil e no exterior.

Não é isso que tem ocorrido. Neste ano, até 19 de dezembro, registrou-se um prejuízo de R$ 3,6 bilhões. O patrimônio caiu de R$ 18,8 bilhões para R$ 15,4 bilhões. No período todo de vigência do fundo soberano, quase três anos completos, o retorno total foi de apenas 8,5%.

A perda é causada principalmente pelo investimento maciço em ações da Petrobras, que representam 74% da carteira.

Esta concentração, decorrente da participação do fundo soberano na capitalização da empresa, no ano passado, vai contra a filosofia consagrada de diversificação de investimentos e controle de riscos -a aposta excessiva em um único papel aumenta o potencial de perdas.

Uma vez que se trata de recursos da sociedade, que não pode decidir sobre a estratégia de investimento, o cuidado na gestão deveria ser redobrado.

Uma análise do regulamento do fundo também deixa dúvidas se as regras de composição da carteira têm sido respeitadas.

Entre outras restrições, o regulamento estipula que não pode haver concentração superior a 25% dos recursos em ações de uma mesma empresa de capital aberto.

Os responsáveis pelo fundo precisam prestar contas dessa que aparenta ser uma flagrante irregularidade, sujeita a penalidades da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A própria legitimidade do fundo é questionável. Ao contrário de outros países, onde recursos excedentes são destinados ao fundo soberano, no Brasil não há sobra de caixa -depois de pagar juros, o governo brasileiro é deficitário. É como se alguém, já bastante endividado, separasse recursos e os utilizasse para investimentos de risco.

Em suma, o fundo soberano é uma ficção -nem é composto por poupança pública, porque ela não existe, e nem garante a rentabilidade do dinheiro nele comprometido, porque seu desempenho é pífio.

É inescapável a conclusão de que o erário assume cada vez mais riscos com a gestão do fundo. E o prejuízo é de toda a sociedade.

CLAUDIO HUMBERTO

“Não fomos nós. Foram eles que criaram.”

Guilherme Afif (PSD) sobre os 66 cargos de assessoria para o partido, na Câmara

DEPUTADO DEFENDE PROTEGIDO ACUSADO DE FRAUDE 

O presidente da Cia Nacional de Abastecimento, Evangevaldo Moreira, responde a inquérito do Ministério Público Federal de Goiás por fraudar o Exame da OAB, mas o deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que o indicou, resolveu criticar o ministro Mendes Ribeiro (Agricultura), que exigiu explicações do subordinado. “É preciso ter respeito e ética”, diz Arantes, referindo-se ao ministro, claro, e não ao protegido denunciado.

SEM EXPLICAÇÕES 

Mendes Ribeiro esperou, em vão, explicações do presidente da Conab sobre a grave acusação de fraude. Evangevaldo deverá ser demitido.

CORTINA DE FUMAÇA

Jovair Arantes tenta politizar o caso policial em que se meteu seu amigo Evangevaldo. Diz que Mendes Ribeiro “quer é o cargo para ele”.

VAI OUVIR

Líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes diz esperar o fim das férias para se queixar do ministro a Dilma. Corre o risco de tomar bronca.

RABO PRESO

Do senador Pedro Taques (PDT-MT) sobre a redução dos poderes do Conselho Nacional de Justiça: “Quem não deve, não teme”. 

DF: POLÍCIA MONITORA VAZAMENTO COM FIM POLÍTICO

A Polícia Civil do DF monitora com lupa a ameaça de vazamento de trechos de investigações sigilosas para fins político-eleitorais. O diretor-geral da corporação, delegado Onofre de Morais, admite que há vários “pen-drives” em poder de colegas eventualmente ligados a políticos, mas não acredita que se utilizem disso, até porque estariam sujeitos a penalidades rigorosas pelo crime de violação de sigilo funcional.

ZONA DE CONFORTO

O Tribunal de Justiça do DF entrará 2012 nas nuvens: comprou 1.297 monitores por R$ 404 mil e R$ 143,1 mil em poltronas ergonômicas.

CRAQUE EM CAMPO

O advogado Alexandre Jobim assumirá no começo do ano a vice-presidência de Relações Institucionais do Grupo RBS, de Porto Alegre.

PAÍS RICO

Com oito feriados nacionais e oito pontos facultativos em 2012, os brasileiros terão, ao todo, duas folgas a mais do que em 2011.

A PIOR DO PAÍS

O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) afirmou que a CEB é “a pior empresa de energia do país”. Ele sabe o que diz: um apagão maroto deixou sua rua sem energia às 23h da véspera do Natal (24), e por 16 horas. Nervosa, a assessoria da CEB alegou queima de transformador.

AGORA, SIM

O Brasil estabeleceu relações com Tonga, segundo o Itamaraty. Agora fazem sentido, na carreira, os versos do poeta diplomata Vinícius de Moraes: “Eu vou é mandar você/Pra Tonga da mironga do kabuletê”.

RESTOS A PAGAR

Líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN) promete bater na porta da ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), nesta terça, em pleno recesso parlamentar, Tentará o pagamento de emendas parlamentares com recursos retidos de prefeituras inadimplentes.

VIDA BOA

Apenas 40% dos servidores da Caesb, estatal de águas do DF, foram trabalhar após o Natal. O governo autorizou “revezamento” nestes dias. Os contribuintes que sustentam tudo isso continuam trabalhando.

‘PRIVATARIA’ NO MEC

Abaixo-assinado do site Petição Pública pede que o livro A Privataria Tucana seja distribuído gratuitamente pelo Ministério da Educação ao ensino médio. O número de assinaturas ainda não chegou a cinco.

GOVERNANÇA CORPORATIVA

O ex-presidente do banco BRB Edmilson Gama da Silva, um dos mais admirados gestores da Caixa, lançou “Governança Corporativa”, livro que deve virar referência na área. São 607 páginas de um glossário atualizado com mais de 1.200 verbetes, conceitos e termos técnicos.

FORA DO AR

A auto-atendimento de agencias do Banco do Brasil em Florianópolis, esteve fora do ar no sábado, no domingo e parte da segunda (26). Ninguém pôde sacar, tirar cheques etc. A culpa, claro, foi “do sistema”.

CHEIRO DE QUEIMADO

O Hospital São Rafael em Salvador (BA) diz não ter vínculo com a Fundação San Rafaelle, mas a Justiça da Itália prendeu um dirigente da instituição filantrópica, que teria fraudado impostos no Brasil e envolvimento com prostituição de menores na baiana São Gonçalo. 

ARARA ILUSTRE

O ex-presidente FHC, maior dos tucanos, está com toda pinta de arara azul. Ele exibiu Nova York, estes dias, sua cabeleireira azulada. 

PODER SEM PUDOR

LUVA FINA

O ex-deputado José Borba (PMDB-PR) tinha um chefe de gabinete que era dado a resolver diferenças no braço. Após uma “reunião” para resolver sua desavença com um ex-sócio, ele não cansava de explicar a mão machucada, em conversas na Câmara:

– Eu estava de luva para não machucar a mão, mas como ele resistiu e a coisa demorou muito, acho que escolhi uma luva muito fina...

TERÇA NOS JORNAIS


O Globo: "Milagres" da economia - Brasil passa Reino Unido, mas só terá renda igual em 20 anos

Folha de S. Paulo: Homicídio cai e roubo de veículos sobe em SP

O Estado de S. Paulo: PIB do Brasil já supera o britânico, diz consultoria

Correio Braziliense: Brasil é a 6ª economia, mas continua desigual

Valor Econômico: Projetos de US$ 25,7 bi da Vale têm risco ambiental

Estado de Minas: Prisioneiros da poluição

Jornal do Commercio: Promoções por toda parte

Zero Hora: Guerra das togas - O Judiciário não gosta de ser fiscalizado, diz ministro do STJ