VALOR ECONÔMICO - 23/12/11
Como pensar um cenário de estresse para o Brasil? Cada crise tem suas particularidades, então, o desenrolar de cada uma segue um caminho. Mas os pontos de contágio são praticamente os mesmos, especialmente se os episódios de crise são separados por pouco tempo.
Isso sugere olhar para a crise de 2008 como base para imaginar como a economia brasileira está reagindo à crise atual. É isso que o Banco Central (BC) tem feito, sustentando que sua postura monetária é consistente com a convergência da inflação para a meta em 2012, com um choque que tenha 25% da intensidade da crise de 2008.
A escolha do BC faz sentido. De fato, há duas dimensões para calibrar qualquer choque: seu tamanho e seu padrão intertemporal. Em termos de tamanho, o episódio de 2008 fornece uma referência. Para o padrão intertemporal, o choque de 2008 foi certamente em formato de "V", uma forte queda seguida por forte alta. Mas não é muito provável que a atual crise siga esse padrão, sendo mais provável um formato em "L", uma queda seguida por um período longo de estagnação.
Brasil cresceu devido à fatores exógenos; talvez não haja como reverter um choque externo de forma adequada
O que diferencia esses padrões? Em 2008 tivemos uma forte reação por parte das economias afetadas pela crise, e o que foi mais importante para o Brasil, uma fortíssima reação da China.
A expectativa que agora veremos um padrão em formato de "L" vem do fato que há pouco espaço, fiscal ou monetário, para as economias avançadas e a China reagir mais uma vez com a mesma agressividade. Mas certamente o espaço para reação do Brasil é bem maior: ainda temos, até depois dos recentes cortes, uma das taxas de juros mais altas do mundo; mais de US$ 350 bilhões em reservas; há por volta de R$ 400 bilhões em depósitos compulsórios; e a situação fiscal brasileira é bastante saudável.
Mas seria factível garantir o crescimento, especialmente dado um provável padrão intertemporal em "L"? Para tentar responder isso, adaptamos um modelo da economia brasileira recentemente publicado, utilizado pelo BC. A adaptação foi no sentido de introduzir explicitamente variáveis exógenas externas para poder captar os "pontos de entrada" da crise nos componentes do Produto Interno Bruto (PIB). Exemplo disso seria ter na equação de investimento, por exemplo, tanto o crescimento da economia chinesa como oscilações nos preços das commodities como variáveis independentes.
Formulando esse modelo, temos que adotar uma regra para a resposta da política econômica. Na formulação original, a política monetária segue uma regra de Taylor. Infelizmente essa regra estima uma Selic acima de 12%, portanto bastante longe do que está sendo praticado pelo BC. Decidimos em função disso calibrar a taxa Selic na nossa simulação para maximizar o crescimento econômico observando um limite de 6% para a inflação.
Contemplamos dois cenários, em padrão de "L", com tamanhos equivalentes a 25% e 100% ao que ocorreu em 2008, distribuídos igualmente durante dois anos. Nos resultados a questão do tamanho é muito importante: no caso de um choque de 25%, na nossa simulação a economia consegue crescer acima de 3% em 2012 e 2013 (especificamente 3,3% e 3%). Para chegar nesse resultado, a Selic cai, de forma contínua, até chegar a 6% ao ano, com a inflação oscilando entre 5,2% e 5,7% ao ano.
O que surpreende são os resultados do choque 100% igual a 2008. O crescimento cai para 1,9% em 2012 e 0,6% em 2013, apesar da Selic cair para 4% ao ano, sendo efetivamente negativa em termos reais. Nesse caso temos a inflação oscilando entre 5% e 5,7%.
O que está por trás de um resultado, no seu conjunto tão negativo, com pouco crescimento apesar de uma resposta muito agressiva da política monetária? Tendo em conta as limitações desse tipo de exercício estatístico, o que ele revela em nossa opinião é que, apesar da economia brasileira ser relativamente fechada, a contribuição das variáveis externas ao nosso crescimento é significativa. Um choque (como simulado aqui) no qual há uma queda contínua nos preços das commodities e outros fatores exógenos não tem como ser compensado de forma adequada. Nosso espaço para reagir é grande, mas não o suficiente frente uma crise em padrão "L".
Infelizmente, a nosso ver, o resultado concreto pode ser até pior do que apontado pela simulação. Há elementos institucionais, como a questão da poupança, que inibem uma queda tão agressiva da Selic. Além disso, nossas simulações pressupõem uma queda ordenada da taxa de câmbio, o que ajuda a balança comercial ficar em equilíbrio apesar da queda na demanda e preço das commodities. Seria fácil imaginar que, com um passivo externo calculado pelo BC de US$ 1,3 trilhão, uma piora do cenário como imaginada aqui levaria a uma queda ainda mais forte do real, limitando o espaço de resposta da política monetária.
Apesar dessas ressalvas, acreditamos que essas simulações servem de alerta de que o Brasil avançou principalmente por fatores externos, e não é crível acreditar que haverá como compensar uma reversão como imaginada aqui.
Tony Volpon é diretor do Nomura Securities International, Inc.
sexta-feira, dezembro 23, 2011
Concerto espanhol - EDUARDO MALUF
O Estado de S.Paulo - 23/12/11
Tentei buscar outro tema, mas não consegui. Não por falta de assunto, mas por ser impossível ignorar o que o Barcelona realizou no domingo e tem feito já há alguns anos na Europa. O espetáculo apresentado no Japão provocou um fenômeno que nunca tinha visto em quase 15 anos de carreira: repercussão e mobilização até mesmo entre os que não gostam de futebol. Mais até do que em grandes títulos conquistados por nossos clubes.
Fui ao dentista, no início da semana, em Londrina. Dr. Hilton deu "boa tarde" e, antes de falar sobre o tratamento, suspirou: "Nossa, foi incrível o que fez o Barcelona". Uma tia que raramente vê jogos e não tem a menor ideia, por exemplo, de como funciona a regra do impedimento se disse impressionada: "Parecia outro esporte, não futebol".
No intervalo do jogo, na manhã de domingo, meu pai não se conteve e pegou o telefone para exaltar esse "time extraterrestre": "Fazia tempo que não via nada igual, está parecendo um confronto entre profissionais de primeira e um catadão da várzea".
Todos têm razão. O comentário mais incômodo para nós, brasileiros, certamente foi o último. O Santos parecia mesmo time de várzea. Mas é o melhor que temos aqui no País. E continua sendo muito bom. Tem um técnico respeitado, um dos melhores jogadores do mundo e alguns atletas de alto nível.
O que houve então? Nada de diferente do que havia ocorrido, por exemplo, com o Real Madrid uma semana antes. A equipe de Cristiano Ronaldo, com o apoio da torcida, saiu na frente, mas depois sofreu três gols e escapou de levar pelo menos uns cinco.
O Real é ruim? De jeito nenhum. O Barcelona é que extrapola tudo o que podemos definir como bom futebol. Aliás, os torcedores deveriam usar smoking ou, pelo menos, paletó e gravata para ver esse conjunto se apresentar. Como se fossem a um concerto de Mozart na Ópera de Viena.
Não vi o Santos de Pelé jogar, infelizmente. Assisti, por videoteipe, à Laranja Mecânica dos anos 70 e acompanhei, já fanático pela bola, a nossa seleção de 82, a Argentina de 86, o Flamengo de Zico, o Corinthians de Sócrates, o São Paulo de Raí, o Palmeiras da Parmalat... Nenhum desses (descarto o Santos na comparação) para mim foi superior ou mesmo igual ao Barcelona de hoje.
É óbvio que precisamos respeitar a distância de uma época para a outra e as mudanças no futebol. E temos de levar em consideração o calor do momento. Todos estamos extasiados, impressionados, boquiabertos com o talento do grupo dirigido por Pep Guardiola. Mesmo pesando todos esses fatores, a equipe catalã fica na frente.
Os grandes times citados tinham nomes espetaculares e jogo vistoso. Mas sofriam derrotas e deixavam o oponente se divertir um pouco. Os adversários do Barcelona não se divertem, não curtem a partida. Correm para um lado, correm para o outro, mas raramente tocam na bola. Devem se sentir num jogo de "bobinho", implorando pelo fim do tormento.
Passando o bastão - RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 23/12/11
Começou a transição no MEC. Na quarta, Aloizio Mercadante, futuro titular, reuniu-se no ministério com Fernando Haddad, que deixará o cargo para disputar a eleição municipal. Ontem, em viagem a São Paulo, os dois tiveram conversa reservada com Dilma Rousseff.
Mercadante pretende manter pelo menos dois integrantes da atual cúpula: o secretário-executivo, José Henrique Paim, e o secretário de Regulação e Supervisão do Ensino Superior, Luís Fernando Massonetto. Planeja também levar alguns de seus atuais auxiliares na Ciência e Tecnologia, mas não muitos, porque a presidente não quer ver a pasta esvaziada.
Climão Removida da disputa paulistana e prestes a perder a vice-presidência do Senado, Marta Suplicy acusou o golpe da escolha de Mercadante para o Ministério da Educação. No Natal dos catadores, ontem, os dois nem se cumprimentaram.
Filho pródigo Dada a guerra entre facções do PP e o olho gordo do PT sobre as Cidades, passou a ser considerada a volta de Márcio Fortes - descontente na Autoridade Pública Olímpica- para o comando da pasta.
Sonho distante Os petistas, que também veem subir a cotação de Fortes, reconhecem que será difícil abiscoitar Cidades na reforma, pois isso desencadearia um efeito dominó de partidos e pastas que Dilma quer evitar.
Só pensa naquilo No jantar de fim de ano oferecido anteontem aos líderes da base aliada, Dilma fez graça com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS): "Ele agora fica ligando toda hora para saber se eu e o Temer não vamos viajar".
Fast food A confraternização durou apenas das 20h às 21h30. A senha para os convivas se retirarem, como está virando tradição na era Dilma, é a convocação para posar para a foto oficial na rampa do Alvorada uma vez encerrada a fala presidencial.
Assopra... Embora tenha cuidado de frisar que não quebrou sigilo de ninguém em suas investigações, na contramão do que alegam entidades de magistrados, a corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, foi para lá de cuidadosa em relação aos ministros do Supremo em entrevista coletiva ontem.
...e assopra Eliana sabe bem que, tal como ficaram as coisas depois da liminar de Marco Aurélio Mello, ela agora depende da boa vontade do plenário para restaurar, ainda que parcialmente, as atribuições da corregedoria.
#fail Ironicamente, Marco Aurélio Mello só concedeu a liminar polêmica depois de pregar no deserto durante semanas para levar o assunto ao plenário, no que esbarrou no desejo de Cezar Peluso de fazer uma "pauta positiva" para o STF no fim do ano.
Repatriado O ex-senador Arthur Virgílio (AM) deixará seu cargo na embaixada do Brasil em Lisboa para assumir uma nova secretaria de relações internacionais no PSDB. Paralelamente, vai viajar o país para ajudar a organizar as candidaturas tucanas nas capitais.
Pesos... Dirigida por Paulo Skaf (PMDB), a Fiesp vai patrocinar um novo indicador de desempenho do Legislativo. A primeira experiência se dará na Câmara paulistana até junho de 2012.
...e medidas Encerrada a varredura do trabalho dos vereadores, Skaf, que pretende disputar o governo paulista em 2014, espera adaptar o instrumento para medir também a produtividade de deputados e senadores.
com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI
tiroteio
"Transparência com dinheiro público não se presta a hipocrisia. Não dá para ser agressivo quando se trata do PT e contemporizar quando alguém da oposição é questionado."
DO PRESIDENTE DO PT PAULISTA, EDINHO SILVA, sobre o líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), que disse não ver problema em usar um motorista pago pela Casa para transportar os filhos em sua base eleitoral.
contraponto
Brigada anti-incêndio
Surpreendidos com a ordem de Dilma Rousseff para que fossem conferir in loco o incêndio na favela do Moinho, ontem, os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria Geral), Tereza Campello (Desenvolvimento Social) e Maria do Rosário (Direitos Humanos) se reuniram antes de ir.
-Alguém aí tem um Google Maps para a gente ver onde é?- pediu Maria do Rosário.
-Perto do aeroporto, eu vi a fumaça- disse Tereza.
Foram salvas por um dos presentes, que fez o favor de explicar que Campos Elíseos fica bem longe de Congonhas.
Mercadante pretende manter pelo menos dois integrantes da atual cúpula: o secretário-executivo, José Henrique Paim, e o secretário de Regulação e Supervisão do Ensino Superior, Luís Fernando Massonetto. Planeja também levar alguns de seus atuais auxiliares na Ciência e Tecnologia, mas não muitos, porque a presidente não quer ver a pasta esvaziada.
Climão Removida da disputa paulistana e prestes a perder a vice-presidência do Senado, Marta Suplicy acusou o golpe da escolha de Mercadante para o Ministério da Educação. No Natal dos catadores, ontem, os dois nem se cumprimentaram.
Filho pródigo Dada a guerra entre facções do PP e o olho gordo do PT sobre as Cidades, passou a ser considerada a volta de Márcio Fortes - descontente na Autoridade Pública Olímpica- para o comando da pasta.
Sonho distante Os petistas, que também veem subir a cotação de Fortes, reconhecem que será difícil abiscoitar Cidades na reforma, pois isso desencadearia um efeito dominó de partidos e pastas que Dilma quer evitar.
Só pensa naquilo No jantar de fim de ano oferecido anteontem aos líderes da base aliada, Dilma fez graça com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS): "Ele agora fica ligando toda hora para saber se eu e o Temer não vamos viajar".
Fast food A confraternização durou apenas das 20h às 21h30. A senha para os convivas se retirarem, como está virando tradição na era Dilma, é a convocação para posar para a foto oficial na rampa do Alvorada uma vez encerrada a fala presidencial.
Assopra... Embora tenha cuidado de frisar que não quebrou sigilo de ninguém em suas investigações, na contramão do que alegam entidades de magistrados, a corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, foi para lá de cuidadosa em relação aos ministros do Supremo em entrevista coletiva ontem.
...e assopra Eliana sabe bem que, tal como ficaram as coisas depois da liminar de Marco Aurélio Mello, ela agora depende da boa vontade do plenário para restaurar, ainda que parcialmente, as atribuições da corregedoria.
#fail Ironicamente, Marco Aurélio Mello só concedeu a liminar polêmica depois de pregar no deserto durante semanas para levar o assunto ao plenário, no que esbarrou no desejo de Cezar Peluso de fazer uma "pauta positiva" para o STF no fim do ano.
Repatriado O ex-senador Arthur Virgílio (AM) deixará seu cargo na embaixada do Brasil em Lisboa para assumir uma nova secretaria de relações internacionais no PSDB. Paralelamente, vai viajar o país para ajudar a organizar as candidaturas tucanas nas capitais.
Pesos... Dirigida por Paulo Skaf (PMDB), a Fiesp vai patrocinar um novo indicador de desempenho do Legislativo. A primeira experiência se dará na Câmara paulistana até junho de 2012.
...e medidas Encerrada a varredura do trabalho dos vereadores, Skaf, que pretende disputar o governo paulista em 2014, espera adaptar o instrumento para medir também a produtividade de deputados e senadores.
com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI
tiroteio
"Transparência com dinheiro público não se presta a hipocrisia. Não dá para ser agressivo quando se trata do PT e contemporizar quando alguém da oposição é questionado."
DO PRESIDENTE DO PT PAULISTA, EDINHO SILVA, sobre o líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), que disse não ver problema em usar um motorista pago pela Casa para transportar os filhos em sua base eleitoral.
contraponto
Brigada anti-incêndio
Surpreendidos com a ordem de Dilma Rousseff para que fossem conferir in loco o incêndio na favela do Moinho, ontem, os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria Geral), Tereza Campello (Desenvolvimento Social) e Maria do Rosário (Direitos Humanos) se reuniram antes de ir.
-Alguém aí tem um Google Maps para a gente ver onde é?- pediu Maria do Rosário.
-Perto do aeroporto, eu vi a fumaça- disse Tereza.
Foram salvas por um dos presentes, que fez o favor de explicar que Campos Elíseos fica bem longe de Congonhas.
Triste coleguismo - LUIZ GARCIA
O GLOBO - 23/12/11
O eficiente e patriota legislador a gente conhece pela disposição para qualquer sacrifício no patriótico exercício do seu mandato. Portanto, cidadãos eleitores, façam o favor de registrar o gesto da Mesa Diretora do Senado na última terça-feira.
O Congresso está em recesso. É o período oferecido aos seus integrantes para que descansem da faina parlamentar para entrar em contato com seus eleitores e conhecer seus desejos e necessidades - e assim melhor representá-los.
Pois fique a nação ciente de que a Mesa Diretora do Senado descobriu tarefa mais importante e meritória para estes dias pré-natalinos. Sob o comando do infatigável presidente José Sarney, ela decidiu abandonar o recesso no próximo dia 28 e voar para Brasília, onde dará posse ao senador Jader Barbalho. É o tipo de sacrifício que nada tem de patriótico - muito menos de eficiente no que se refere ao prestígio da imagem do Legislativo no eleitorado.
Pelo visto, o presidente do Senado, José Sarney, e seus companheiros da Mesa têm confiança absoluta na desatenção e na memória curta dos eleitores de seus estados. Se algum leitor justifica essa confiança, vale a pena lembrar-lhe que Barbalho foi, merecidamente, a vítima mais notória da Lei da Ficha Limpa.
Sua ficha ficou suja devido a acusações de fraudes em três órgãos públicos: Sudam, Banpará e Ministério da Agricultura. Ou seja: por onde andou, sujou. Não se pode negar que, sozinho, ele justifica a existência de uma lei contra fichas-pretas.
E isso torna triste, tanto quanto difícil de entender, a devoção com que a Mesa do Senado protege a carreira política de Barbalho. É o companheirismo na sua versão mais lamentável. E que cria perigo assustador: o de que a Lei da Ficha Limpa - praticamente imposta à classe política por um movimento popular inédito e altamente expressivo - acabe entrando no histórico rol das leis que não pegaram.
Há tempo e oportunidade para que isso não aconteça. Mas será preciso que o Congresso coloque em recesso permanente o triste coleguismo que a Mesa do Senado acaba de demonstrar.
A China é vizinha - FERNANDO GABEIRA
FOLHA DE SP - 23/12/11
O livro de Henry Kissinger Sobre a China (Ed.Objetiva) não é um livro totalmente sobre a China. É mais um relato das relações diplomáticas entre os dois grandes países - EUA e China.
Para tornar o processo inteligível, Kissinger faz um longo apanhado da história da China. Pela observação dos líderes chineses, com quem o autor conviveu, aparecem também, em muitos momentos, os fundamentos da própria cultura chinesa. Kissinger, de certa forma, viu a China evoluir do isolamento relativo à ampla presença no mundo; do medo de ser atacada à discussão sobre o que fazer com sua formidável força. Algumas lições do autor sobre os chineses são simples e diretas. Não adianta, por exemplo, esperar que a China compre mais e venda menos. A exportação é um fator de seu crescimento e estabilidade.
Kissinger não critica os idealistas que querem ver os direitos humanos respeitados na China.
Mas também não os anima, ao constatar que, quanto maior a pressão internacional, maior a resistência dos chineses. A relação entre dois países adversários que souberam congelar divergências para avançar juntos em algumas áreas é, sem dúvida, um grande momento diplomático.
Alguns traços dos chineses impressionam bem.
Não caio na tentação de transplantar soluções para o Brasil, ignorando as diferenças históricas, culturais e políticas.
Isso, no entanto, é válido para qualquer outro país. Em todo o livro, ressalta-se a visão de longo prazo dos chineses. Um diálogo transcrito por Kissinger dá um exemplo. Num momento de crise na relação entre China e EUA,em 1996, Kissinger pergunta a Jiang Zemim se ainda estava valendo a declaração de Mao de que a China poderia esperar 100 anos por Taiwan.
"Não - respondeu Jiang -, a promessa foi feita há 23 anos. Agora só restam 77".
Essa noção generosa do tempo pode sugerir resignação, uma demora em resolver os problemas. Não é assim na China.
A análise do momento histórico e a definição de suas tarefas são realizadas com eficácia. O reconhecimento do atraso do país em ciência, tecnologia e seu esforço gigantesco para superá-lo são prova disso. Hoje, somos parceiros na construção de satélites.
Num país democrático, nem sempre os políticos conseguem transcender aos processos eleitorais.
É mais difícil trabalhar com a ideia de longo prazo.O êxito nas relações China-EUA dependeu, e muito, da existência de um objetivo comum: neutralizar a URSS. Isso não limita o estudo do caso apenas às relações internacionais.
No campo da política nacional, o reconhecimento das lacunas e a definição de metas que envolvam o país não são impossíveis.
É preciso colocar entre parênteses o desejo de catequizar o outro e congelar grandes problemas momentaneamente insolúveis. A China não tolera oposição.Nesse sistema, foi mais fácil reconhecer lacunas com franqueza. Em contexto eleitoral, é difícil que um governo o faça.
Recentemente, os dados sobre a execução de obras no Brasil em 2010 foram desapontadores no campo da habitação, saneamento básico e no Programa Luz Para Todos.
Os debates na Câmara apontaram mais para a interpretação dos números. Quem os ouvisse achava que a realidade é só mais uma versão. De que lado estava? Era difícil concluir. A existência de grandes objetivos compartilhados no País não dissolve as divergências, não atenua os ressentimentos nem resolve magicamente os problemas. Mas seria uma espécie de quadro mais amplo, dentro do qual o processo democrático seguiria seu rumo.
Obama sonhou com um tipo de unidade nacional e fracassou nesse ponto.
O entrechoque com objetivos puramente eleitorais é inevitável, mas limitado. Uma geração de políticos que domina a cena no Brasil, por exemplo, pode desaparecer antes que o País tenha cobertura universal de saneamento. Numa democracia, o Congresso é o espaço para definir objetivos comuns.
Mas é prisioneiro das questões imediatas.
O caso da extraordinária ascensão da China é típico.
Nossas relações se tornaram importantes sem que despertassem interesse equivalente no Parlamento. Pessoalmente, insisti na questão dos direitos humanos e manifestei simpatia pelo Tibete. Não abordei, com ênfase, o crescimento chinês e a complexidade das relações como Brasil.
O livro de Kissinger, uma visão parcial, é um estímulo para estudara China. Assim como o são reportagens que mostram suas experiências vitoriosas. A China ganhou muito quando abriu os olhos para o Ocidente. O Brasil pode ganhar muito ao abrir os olhos para a China. Desde que se compreendam as diferenças e haja um generoso diálogo intercultural.
Diferenças são assim. Deng Xiaoping achava que o socialismo iria levar 75 gerações para se realizar.
Um líder brasileiro pode, por seu turno, esperar também que, em algumas gerações, os direitos humanos sejam universais.
Soja, terras, minério, muita coisa no Brasil interessa aos chineses no momento. O acidente com o cargueiro Vale Beijing, na Baía de São Marcos, revelou que a Vale do Rio Doce pensa em usar 45 navios com capacidade de 400 mil toneladas cada para abastecer o mercado asiático. Operação de risco.
A indústria brasileira tem perdido fôlego. E, como tantas outras no mundo, precisa discutir com o governo o que fazer para competir com os preços chineses. Antes que o declínio seja irreversível.
O momento para focalizar a China é importante porque há sinais de crise no ar. Alguns números de sua economia são preocupantes e fala-se numa bolha explodindo no setor da construção civil.
Se a China espirrar, podemos ficar resfriados no Brasil. É uma constatação conjuntural.Alongo prazo, as relações devem se tornar mais importantes ainda.
Em certos setores, a tática talvez nem seja competir, como tentamos no passado, com reserva de mercado para computadores.
Assim como a informática, a indústria de energia solar é um passaporte para o futuro. A China avançou nesse campo e poderia nos levar com ela.
EUA e China caminham juntos pois cada um sabe, precisamente, o que quer. Em relação à China, pode ser que saibamos qual é nosso interesse. Mas falta discussão.
2012 no rescaldo de 2011 - VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SP - 23/12/11
Números recentes indicam que crescimento econômico neste ano e no que vem deve ficar na média de 3%
A BATELADA de dados econômicos brasileiros desta penúltima semana do ano indica que:
1) Outubro parece ter sido mesmo o fundo do poço. Por ora, não há pistas de que exista um alçapão nesse fundo, com um buraco mais embaixo. Mas o quarto trimestre tem cheiro de estagnação, mais ou menos como o do terceiro. Difícil o PIB deste ano passar de 2,8%;
2) O primeiro trimestre de 2012 será fraquinho ainda. E tenso. O resultado da inflação pode desanuviar ou deteriorar o ambiente. No período, saberemos se o IPCA cairá na medida prevista por governo/BC. Em fevereiro e março também haverá nova oportunidade para os governos europeus fazerem besteira;
3) Se tudo der certo, a economia brasileira estará bem animada lá por setembro. Mas vai ser preciso artifício para fazer o PIB crescer mais do que os 3,5% previstos ontem pelo Banco Central.
Ontem, o IBGE divulgou os números do desemprego de novembro.
No que diz respeito a inflação e crescimento, é relevante o aumento fraco da massa salarial (os salários somados): 2,2% em relação a novembro de 2010. No trimestre final de 2010, a massa crescia a mais de 10%. Na média de janeiro a outubro de 2011, mais de 5%.
Além disso, note-se a convergência da fraqueza dos números do emprego formal nos dados do Caged (registros do Ministério do Trabalho sobre admitidos/demitidos) e na pesquisa do IBGE. Ou seja, as empresas maiores e/ou melhores, as que mais empregam formalmente, estão com as barbas de molho.
O Banco Central estimou nesta semana que o crédito vai crescer 17,5% neste ano e 15% em 2012. Em termos reais, dá quase na mesma. É um aumento forte, ainda. Mas não implica impulso extra para o crescimento. Além do mais, na estimativa do BC está implícita a projeção de que o crescimento do crédito dependerá de mais empréstimos dos bancos públicos (responsáveis pelo grosso do crédito direcionado: BNDES, habitação, agricultura).
De onde viriam os impulsos para contrabalançar a tendência de baixa deste final de ano?
Como dizia relatório de ontem dos economistas do Bradesco: "... a recuperação do PIB vai se dar ao longo dos próximos trimestres, conforme as medidas de estímulo (redução de juros, reversão das medidas macroprudenciais, aumento de investimentos públicos, elevação de desembolsos do BNDES e isenção tributária para alguns setores) surtirem efeito e o ajuste de estoques industriais se completar".
Parte dos estímulos está no forno: baixa de juros e baixa de impostos para a indústria, embora o efeito da tributação menor sobre a indústria seja mais incerto. Os demais, por ora, estão projetados, pois:
1) O governo não especificou se e quando vai anular parte das medidas administrativas de controle de crédito ("macroprudenciais");
2) O governo quer aumentar o investimento, mas depende de ter projetos prontos e receita suficiente (para gastar e fazer superavit);
3) O aumento do crédito do BNDES não depende só do banco, mas ainda da demanda das empresas.
Além disso, há a dúvida sobre o investimento das estatais, maior que o da União. Enfim, vamos ver o governo se mexendo bastante para fazer o PIB aumentar ao menos 4%. O que não soa muito bem.
Números recentes indicam que crescimento econômico neste ano e no que vem deve ficar na média de 3%
A BATELADA de dados econômicos brasileiros desta penúltima semana do ano indica que:
1) Outubro parece ter sido mesmo o fundo do poço. Por ora, não há pistas de que exista um alçapão nesse fundo, com um buraco mais embaixo. Mas o quarto trimestre tem cheiro de estagnação, mais ou menos como o do terceiro. Difícil o PIB deste ano passar de 2,8%;
2) O primeiro trimestre de 2012 será fraquinho ainda. E tenso. O resultado da inflação pode desanuviar ou deteriorar o ambiente. No período, saberemos se o IPCA cairá na medida prevista por governo/BC. Em fevereiro e março também haverá nova oportunidade para os governos europeus fazerem besteira;
3) Se tudo der certo, a economia brasileira estará bem animada lá por setembro. Mas vai ser preciso artifício para fazer o PIB crescer mais do que os 3,5% previstos ontem pelo Banco Central.
Ontem, o IBGE divulgou os números do desemprego de novembro.
No que diz respeito a inflação e crescimento, é relevante o aumento fraco da massa salarial (os salários somados): 2,2% em relação a novembro de 2010. No trimestre final de 2010, a massa crescia a mais de 10%. Na média de janeiro a outubro de 2011, mais de 5%.
Além disso, note-se a convergência da fraqueza dos números do emprego formal nos dados do Caged (registros do Ministério do Trabalho sobre admitidos/demitidos) e na pesquisa do IBGE. Ou seja, as empresas maiores e/ou melhores, as que mais empregam formalmente, estão com as barbas de molho.
O Banco Central estimou nesta semana que o crédito vai crescer 17,5% neste ano e 15% em 2012. Em termos reais, dá quase na mesma. É um aumento forte, ainda. Mas não implica impulso extra para o crescimento. Além do mais, na estimativa do BC está implícita a projeção de que o crescimento do crédito dependerá de mais empréstimos dos bancos públicos (responsáveis pelo grosso do crédito direcionado: BNDES, habitação, agricultura).
De onde viriam os impulsos para contrabalançar a tendência de baixa deste final de ano?
Como dizia relatório de ontem dos economistas do Bradesco: "... a recuperação do PIB vai se dar ao longo dos próximos trimestres, conforme as medidas de estímulo (redução de juros, reversão das medidas macroprudenciais, aumento de investimentos públicos, elevação de desembolsos do BNDES e isenção tributária para alguns setores) surtirem efeito e o ajuste de estoques industriais se completar".
Parte dos estímulos está no forno: baixa de juros e baixa de impostos para a indústria, embora o efeito da tributação menor sobre a indústria seja mais incerto. Os demais, por ora, estão projetados, pois:
1) O governo não especificou se e quando vai anular parte das medidas administrativas de controle de crédito ("macroprudenciais");
2) O governo quer aumentar o investimento, mas depende de ter projetos prontos e receita suficiente (para gastar e fazer superavit);
3) O aumento do crédito do BNDES não depende só do banco, mas ainda da demanda das empresas.
Além disso, há a dúvida sobre o investimento das estatais, maior que o da União. Enfim, vamos ver o governo se mexendo bastante para fazer o PIB aumentar ao menos 4%. O que não soa muito bem.
Sonata para Carmen - HUGO STUDART
FOLHA DE SP - 23/12/11
Carmen acalenta a esperança de ouvir a canção que Hélio lhe compôs antes de desaparecer, quando partiu para a guerrilha do Araguaia; será a sua sonata
Carmen Navarro tem passado seus dias à espera de uma canção. Qual? Ora, isso ela não canta, é um segredo, um dos mais fechados dentre os arquivos secretos da ditadura militar brasileira. Mas a espera é torturante. Aos 83 anos, lúcida, culta e bem informada, Carmen aguarda a chegada da música que seu filho Hélio Luiz Navarro Magalhães compôs antes de partir.
A última vez em que se viram foi em 1970. Hélio tocou-lhe a canção e saiu. Foi se juntar à turma que montava a guerrilha do Araguaia. Era um compositor, pianista, estudante de química. Adotou o codinome de Edinho. Hoje figura na lista dos 136 desaparecidos da ditadura.
Sua mãe acredita que ele esteja vivo, resguardado sob uma nova identidade que teriam lhe arrumado os militares. Por anos Carmen alimentou a esperança de reaver o filho. Hoje conforma-se em receber um singelo acalento, um sinal de vida -a música que ele lhe compôs. Pode chegar por e-mail anônimo.
A história por trás desse drama é pura nitroglicerina política - e provoca tantas fúrias quanto são as lágrimas de Carmen. Em fins de 1973, o presidente Emílio Médici deu ordens ao Exército para caçar e aniquilar os 47 guerrilheiros que ainda lutavam no Araguaia. Ernesto Geisel confirmou a ordem de não deixar ninguém vivo.
Ocorre que cinco deles teriam sido poupados. Os militares os chamam de "mortos-vivos". Teriam feito acordo de delação premiada e recebido novas identidades. Pelo acerto, não poderiam sequer procurar suas famílias. Quem são eles?
Ora, os nomes são conhecidos há quase 40 anos por grande parte da antiga repressão e há mais de 20 anos pela esquerda. O ex-senador Jarbas Passarinho já revelou e confirmou que de fato seriam cinco os "mortos-vivos", e que empregou dois deles no MEC quando era ministro da Educação.
A Justiça Federal já expediu ordem à Polícia Federal para que investigue e localize esses possíveis sobreviventes. Na ordem, citou os nomes a serem procurados. É um tema que deve entrar para a Comissão da Verdade.
O caso mais conhecido envolve Hélio Luiz e os dois companheiros que com ele foram presos, Luiz Renê Silveira, o "Duda", e Antônio de Pádua Costa, o "Piauí".
Hélio é filho de um comandante de Marinha, Hélio de Magalhães. Também é sobrinho do almirante Gualber de Magalhães. Quando os três foram presos, Gualber era o vice-ministro da Marinha. Os prisioneiros já estavam sendo executados no Araguaia. Mas quando o Exército descobriu quem era "Edinho", reviu os planos. Ele teria apelado pelos dos amigos "Duda" e "Piauí".
Passarinho acredita que sejam esses dois os que abrigou no MEC. Aberta a exceção, pelo menos mais dois teriam feito acordo para sobreviver -um deles seria Tobias Pereira Jr., o "Josias".
Hélio teria ficado sob a proteção do Centro de Informações da Marinha. Os demais, sob monitoramento do Centro de Informações do Exército. Carmen Navarro jamais acreditou na morte do filho. Com o ex-marido, há muito falecido, tentou em vão informações. Já o ex-cunhado Gualber, passou três décadas tentando convencê-la, com ênfase inexplicável, de que o sobrinho teria sido morto no Araguaia.
Sob nova identidade, Hélio teria se mudado para São Paulo a fim de trabalhar numa multinacional francesa que na época se instalava no Brasil. Carmen informa que, nessa época, o almirante Gualber alugou um terreno da família para o Carrefour se instalar no Brasil. Hélio teria se casado logo depois da guerrilha e tido dois filhos. Mas nunca procurou a mãe.
O amigo Luiz Renê, se vivo estiver, também jamais procurou a família. No caso de outro possível poupado, Tobias, é sua família que se recusa a receber militantes de esquerda ou jornalistas.
Há um ano, Carmen enviou uma carta ao filho por meio da Marinha. Dizia a Hélio Luiz que não lhe cobraria ou perguntaria nada, que ele nada precisava justificar -mas que apenas a deixasse vê-lo uma vez. É provável que a carta esteja na gaveta de algum militar.
Ainda mais resignada, Carmen agora acalenta a esperança de escutar aquela canção que Hélio lhe compôs antes de desaparecer. Será sua sonata.
HUGO STUDART é jornalista e historiador, autor de "A Lei da Selva", livro sobre as ações militares na guerrilha do Araguaia.
Carmen acalenta a esperança de ouvir a canção que Hélio lhe compôs antes de desaparecer, quando partiu para a guerrilha do Araguaia; será a sua sonata
Carmen Navarro tem passado seus dias à espera de uma canção. Qual? Ora, isso ela não canta, é um segredo, um dos mais fechados dentre os arquivos secretos da ditadura militar brasileira. Mas a espera é torturante. Aos 83 anos, lúcida, culta e bem informada, Carmen aguarda a chegada da música que seu filho Hélio Luiz Navarro Magalhães compôs antes de partir.
A última vez em que se viram foi em 1970. Hélio tocou-lhe a canção e saiu. Foi se juntar à turma que montava a guerrilha do Araguaia. Era um compositor, pianista, estudante de química. Adotou o codinome de Edinho. Hoje figura na lista dos 136 desaparecidos da ditadura.
Sua mãe acredita que ele esteja vivo, resguardado sob uma nova identidade que teriam lhe arrumado os militares. Por anos Carmen alimentou a esperança de reaver o filho. Hoje conforma-se em receber um singelo acalento, um sinal de vida -a música que ele lhe compôs. Pode chegar por e-mail anônimo.
A história por trás desse drama é pura nitroglicerina política - e provoca tantas fúrias quanto são as lágrimas de Carmen. Em fins de 1973, o presidente Emílio Médici deu ordens ao Exército para caçar e aniquilar os 47 guerrilheiros que ainda lutavam no Araguaia. Ernesto Geisel confirmou a ordem de não deixar ninguém vivo.
Ocorre que cinco deles teriam sido poupados. Os militares os chamam de "mortos-vivos". Teriam feito acordo de delação premiada e recebido novas identidades. Pelo acerto, não poderiam sequer procurar suas famílias. Quem são eles?
Ora, os nomes são conhecidos há quase 40 anos por grande parte da antiga repressão e há mais de 20 anos pela esquerda. O ex-senador Jarbas Passarinho já revelou e confirmou que de fato seriam cinco os "mortos-vivos", e que empregou dois deles no MEC quando era ministro da Educação.
A Justiça Federal já expediu ordem à Polícia Federal para que investigue e localize esses possíveis sobreviventes. Na ordem, citou os nomes a serem procurados. É um tema que deve entrar para a Comissão da Verdade.
O caso mais conhecido envolve Hélio Luiz e os dois companheiros que com ele foram presos, Luiz Renê Silveira, o "Duda", e Antônio de Pádua Costa, o "Piauí".
Hélio é filho de um comandante de Marinha, Hélio de Magalhães. Também é sobrinho do almirante Gualber de Magalhães. Quando os três foram presos, Gualber era o vice-ministro da Marinha. Os prisioneiros já estavam sendo executados no Araguaia. Mas quando o Exército descobriu quem era "Edinho", reviu os planos. Ele teria apelado pelos dos amigos "Duda" e "Piauí".
Passarinho acredita que sejam esses dois os que abrigou no MEC. Aberta a exceção, pelo menos mais dois teriam feito acordo para sobreviver -um deles seria Tobias Pereira Jr., o "Josias".
Hélio teria ficado sob a proteção do Centro de Informações da Marinha. Os demais, sob monitoramento do Centro de Informações do Exército. Carmen Navarro jamais acreditou na morte do filho. Com o ex-marido, há muito falecido, tentou em vão informações. Já o ex-cunhado Gualber, passou três décadas tentando convencê-la, com ênfase inexplicável, de que o sobrinho teria sido morto no Araguaia.
Sob nova identidade, Hélio teria se mudado para São Paulo a fim de trabalhar numa multinacional francesa que na época se instalava no Brasil. Carmen informa que, nessa época, o almirante Gualber alugou um terreno da família para o Carrefour se instalar no Brasil. Hélio teria se casado logo depois da guerrilha e tido dois filhos. Mas nunca procurou a mãe.
O amigo Luiz Renê, se vivo estiver, também jamais procurou a família. No caso de outro possível poupado, Tobias, é sua família que se recusa a receber militantes de esquerda ou jornalistas.
Há um ano, Carmen enviou uma carta ao filho por meio da Marinha. Dizia a Hélio Luiz que não lhe cobraria ou perguntaria nada, que ele nada precisava justificar -mas que apenas a deixasse vê-lo uma vez. É provável que a carta esteja na gaveta de algum militar.
Ainda mais resignada, Carmen agora acalenta a esperança de escutar aquela canção que Hélio lhe compôs antes de desaparecer. Será sua sonata.
HUGO STUDART é jornalista e historiador, autor de "A Lei da Selva", livro sobre as ações militares na guerrilha do Araguaia.
CLAUDIO HUMBERTO
“Esse é o verdadeiro ovo da serpente”
Ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça, e o esvaziamento do CNJ
FRAUDE: CAIXA SÓ AGIU APÓS QUEIXA DE INVESTIDOR
O petista Jorge Hereda, presidente da Caixa, disse que promoveu a “apuração de responsabilidade disciplinar e civil” da suposta fraude de R$ 1 bilhão que lesou vários investidores, inclusive bancos e fundos de pensão. Ele se esqueceu de contar um detalhe: conforme documentos em poder da coluna, só fez isso após queixa das instituições que investiram em cédulas crédito imobiliário, recomendadas pela Caixa.
A CAIXA GARANTIU
Após a Caixa atestar que os papéis eram bons, a corretora Tetto comprou as “cédulas de crédito imobiliário” e as vendeu no mercado.
ESTRANHA OMISSÃO
Durante três anos, a Caixa recomendou os papéis, atribuindo-lhes notas elevadas de confiança. Em fevereiro, admitiu que se enganara.
‘CULPA DO SISTEMA’
A Caixa atribuiu o “engano”, que fez sumir R$ 1 bilhão, ao seu sistema informatizado de monitoramento, que esteve todo o tempo “fora do ar”.
INVESTIGAÇÃO
O Ministério Público deve investigar a Caixa pelos supostos crimes de improbidade administrativa, peculato, estelionato e corrupção.
HENRIQUE: ‘NEM GUINDASTE’ TIRA GARIBALDI DO CARGO
O líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN), diz que “nem com guindaste” o governo tira o primo Garibaldi Alves da Previdência, na reforma ministerial: “Ele tem feito ótimo trabalho; o abacaxi do começo virou doce”. Saindo do governo, Garibaldi Alves seria forte candidato a presidente do Senado, inclusive com o apoio da presidente Dilma. E isso tornaria inviável a eleição de Henrique para presidente da Câmara.
LÁ E CÁ
O Congresso dos EUA atingiu o menor índice de aprovação da história dos EUA, com apenas 11% de avaliação positiva. Esses americanos...
FREADA BRUSCA
Para o senador Valdir Raupp (RO), presidente do PMDB, o governo exagerou na dose ao “pisar demais no freio” nos gastos para 2012.
CANSEI
Ao contrário da semana de milhões de brasileiros, que só termina sexta, a presidente Dilma “enforcou”, sem sequer desejar Boas Festas.
PEDE PRA SAIR, ZERO UM
O governo não quer “marola” na base aliada, por isso o presidente da Conab, Evangevaldo Moreira, ainda não foi demitido. Mas o ministro Mendes Ribeiro (Agricultura) espera que ele peça para sair, após ser acusado pelo Ministério Público Federal de fraudar o exame da OAB.
CARA METADE
Avesso até a fotos, o empresário Arthur Soares Filho, o “rei Arthur” das licitações no Rio, comemorou não se sabe o quê em almoço no Gero, em Ipanema, com o governador Sérgio Cabral e a mulher, Adriana.
PERPLEXIDADE
Aliados do governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), estão em choque: ele andou ouvindo conselhos de Welinton Morais, ex-secretário de Comunicação de Roriz e Arruda que até foi preso na Caixa de Pandora.
TELHADO DE VIDRO
Os líderes do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, e o do PT, Paulo Teixeira, alegaram “preservação da liderança” para não assinar a CPI da Privataria. No fundo, temem uma “CPI do B” na contramão.
PEIXE VIVO
Com mais de 8 mil km de costa, o Brasil foi o maior importador de peixes do Vietnã, segundo o site especializado FIS. Abalado por várias guerras, a meta mundial vietnamita, em 2012, é exportar US$ 6,5 bi.
CACHORRO GRANDE
A corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, sabe onde se meteu na briga com o Supremo: na onda da “faxina” no imaginário popular, sairá ainda mais fortalecida se perder a contenda.
RIO DE TRAPALHADAS
Nem a Secretaria de Segurança do Rio deve ter entendido: o tenente-coronel Djalma Beltrami, suspeito de corrupção na PM, só foi afastado após a prisão, relaxada 48 horas depois pela Justiça, por falta de provas.
PAU DE GALINHEIRO
Leitor assíduo de colunas como esta, que não o temem, um Eduardo Cunha tem o hábito de ofender quem o critica, como os soropositivos que tentaram infectar desafetos com o próprio sangue. Este não é contagioso. Como pau de galinheiro, suja só quem dele se aproxima.
DERRETIDO
Guido Mantega (Fazenda) é forte candidato ao prêmio “Rolando Lero” da coluna, com seu PIB que balança mais que a cantora Shakira.
PODER SEM PUDOR
SARGENTO STEPHANES
Em 1958, Tenente Ribas, um oficial de Engenharia do Exército, era o subcomandante da 5ª Companhia, em Curitiba (PR), e descobriu que um dos recrutas tinha nível melhor que os demais: era aluno do segundo ano da Escola Técnica. Ficou curioso: por que ele não incorporou no CPOR? “Não tenho condições, senhor”, respondeu o filho de pequenos agricultores.
Em dois meses, o rapaz foi promovido a sargento e ficou cinco anos na tropa. Era o sargento Reinhold Stephanes, hoje deputado federal pelo PSD-PR, que chegou a ocupar os ministérios da Agricultura e da Previdência.
Ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça, e o esvaziamento do CNJ
FRAUDE: CAIXA SÓ AGIU APÓS QUEIXA DE INVESTIDOR
O petista Jorge Hereda, presidente da Caixa, disse que promoveu a “apuração de responsabilidade disciplinar e civil” da suposta fraude de R$ 1 bilhão que lesou vários investidores, inclusive bancos e fundos de pensão. Ele se esqueceu de contar um detalhe: conforme documentos em poder da coluna, só fez isso após queixa das instituições que investiram em cédulas crédito imobiliário, recomendadas pela Caixa.
A CAIXA GARANTIU
Após a Caixa atestar que os papéis eram bons, a corretora Tetto comprou as “cédulas de crédito imobiliário” e as vendeu no mercado.
ESTRANHA OMISSÃO
Durante três anos, a Caixa recomendou os papéis, atribuindo-lhes notas elevadas de confiança. Em fevereiro, admitiu que se enganara.
‘CULPA DO SISTEMA’
A Caixa atribuiu o “engano”, que fez sumir R$ 1 bilhão, ao seu sistema informatizado de monitoramento, que esteve todo o tempo “fora do ar”.
INVESTIGAÇÃO
O Ministério Público deve investigar a Caixa pelos supostos crimes de improbidade administrativa, peculato, estelionato e corrupção.
HENRIQUE: ‘NEM GUINDASTE’ TIRA GARIBALDI DO CARGO
O líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN), diz que “nem com guindaste” o governo tira o primo Garibaldi Alves da Previdência, na reforma ministerial: “Ele tem feito ótimo trabalho; o abacaxi do começo virou doce”. Saindo do governo, Garibaldi Alves seria forte candidato a presidente do Senado, inclusive com o apoio da presidente Dilma. E isso tornaria inviável a eleição de Henrique para presidente da Câmara.
LÁ E CÁ
O Congresso dos EUA atingiu o menor índice de aprovação da história dos EUA, com apenas 11% de avaliação positiva. Esses americanos...
FREADA BRUSCA
Para o senador Valdir Raupp (RO), presidente do PMDB, o governo exagerou na dose ao “pisar demais no freio” nos gastos para 2012.
CANSEI
Ao contrário da semana de milhões de brasileiros, que só termina sexta, a presidente Dilma “enforcou”, sem sequer desejar Boas Festas.
PEDE PRA SAIR, ZERO UM
O governo não quer “marola” na base aliada, por isso o presidente da Conab, Evangevaldo Moreira, ainda não foi demitido. Mas o ministro Mendes Ribeiro (Agricultura) espera que ele peça para sair, após ser acusado pelo Ministério Público Federal de fraudar o exame da OAB.
CARA METADE
Avesso até a fotos, o empresário Arthur Soares Filho, o “rei Arthur” das licitações no Rio, comemorou não se sabe o quê em almoço no Gero, em Ipanema, com o governador Sérgio Cabral e a mulher, Adriana.
PERPLEXIDADE
Aliados do governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), estão em choque: ele andou ouvindo conselhos de Welinton Morais, ex-secretário de Comunicação de Roriz e Arruda que até foi preso na Caixa de Pandora.
TELHADO DE VIDRO
Os líderes do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, e o do PT, Paulo Teixeira, alegaram “preservação da liderança” para não assinar a CPI da Privataria. No fundo, temem uma “CPI do B” na contramão.
PEIXE VIVO
Com mais de 8 mil km de costa, o Brasil foi o maior importador de peixes do Vietnã, segundo o site especializado FIS. Abalado por várias guerras, a meta mundial vietnamita, em 2012, é exportar US$ 6,5 bi.
CACHORRO GRANDE
A corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, sabe onde se meteu na briga com o Supremo: na onda da “faxina” no imaginário popular, sairá ainda mais fortalecida se perder a contenda.
RIO DE TRAPALHADAS
Nem a Secretaria de Segurança do Rio deve ter entendido: o tenente-coronel Djalma Beltrami, suspeito de corrupção na PM, só foi afastado após a prisão, relaxada 48 horas depois pela Justiça, por falta de provas.
PAU DE GALINHEIRO
Leitor assíduo de colunas como esta, que não o temem, um Eduardo Cunha tem o hábito de ofender quem o critica, como os soropositivos que tentaram infectar desafetos com o próprio sangue. Este não é contagioso. Como pau de galinheiro, suja só quem dele se aproxima.
DERRETIDO
Guido Mantega (Fazenda) é forte candidato ao prêmio “Rolando Lero” da coluna, com seu PIB que balança mais que a cantora Shakira.
PODER SEM PUDOR
SARGENTO STEPHANES
Em 1958, Tenente Ribas, um oficial de Engenharia do Exército, era o subcomandante da 5ª Companhia, em Curitiba (PR), e descobriu que um dos recrutas tinha nível melhor que os demais: era aluno do segundo ano da Escola Técnica. Ficou curioso: por que ele não incorporou no CPOR? “Não tenho condições, senhor”, respondeu o filho de pequenos agricultores.
Em dois meses, o rapaz foi promovido a sargento e ficou cinco anos na tropa. Era o sargento Reinhold Stephanes, hoje deputado federal pelo PSD-PR, que chegou a ocupar os ministérios da Agricultura e da Previdência.
SEXTA NOS JORNAIS
- Globo: Movimento racha e greve de Natal fracassa em aeroportos
- Folha: Juízes pedem investigação de conduta de corregedora
- Estadão: Corregedora de Justiça diz que juízes omitem dados sobre renda
- Correio: Governo suspende 2,3 mil promoções e revolta PMs
- Valor: Sem monopólio há 14 anos, Petrobras tem 90% do setor
- Estado de Minas: Saúde das crianças em perigo nas praças de BH
- Zero Hora: RS puxa recorde de emprego no país
quinta-feira, dezembro 22, 2011
Sem saliência - ANCELMO GOIS
O GLOBO - 22/12/11
O ministro Alexandre Padilha recebeu uma comissão de evangélicos em seu gabinete. A turma foi propor o seguinte tema, acredite, para a tradicional campanha de carnaval contra a Aids: “Nesse carnaval, não transe. Preserve-se para o casamento. Família é bom.”
Segue...
Padilha, segundo o senador evangélico Magno Malta, que estava presente, “foi extremamente receptivo”: — O ministro prometeu elaborar uma cartilha com as nossas mensagens.
Latam no mercado
Logo após a criação da Latam, resultado da fusão da chilena Lan com a TAM, a nova empresa, para se capitalizar, deve lançar várias ofertas públicas iniciais, as chamadas IPOs (do inglês “initial public offering”). A primeira deve ser a da TAM MRO, braço de manutenção da brasileira. A expectativa é que, vitaminada pela similar da Lan, gere receita superior a R$ 2 bi.
Também...
Depois, deve vir o do setor de carga, considerado o forte da Lan, e, a seguir, o de turismo — e por aí vai. A ideia é separar todos os serviços das duas voadoras em empresas abertas no mercado.
Chávez está fofo
O governo Chávez prendeu e deportou para Colômbia e EUA dois traficantes colombianos procurados por estes países. Sei não. Isto mostra que o antiamericano Chávez, que já quis até fazer guerra contra a Colômbia, anda, digamos, meio fofo.
Natal do cinema
Vem aí o Prêmio Desempenho do Cinema, dado às dez maiores bilheterias do ano no Rio. Criado pela Secretaria de Cultura de Cabral, vai distribuir R$ 3 milhões para os produtores vencedores investirem em novos filmes.
MANGUINHOS VAI ganhar, em fevereiro, uma estação de trem do ramal da Leopoldina, construída pela Secretaria estadual de Obras. Terá três andares, escadas rolantes e elevador (veja a reprodução). A ideia é acabar com a tal “Faixa de Gaza”, como é chamada a área dominada por bandidos nos arredores da Avenida Leopoldo Bulhões e da Rua Uranos. A elevação de um trecho de três quilômetros da via férrea já está pronta. Veja a foto ao lado
‘Hello?’
As cidades-sedes da Copa de 2014 devem ganhar uma central 0800 para turistas estrangeiros com serviço de tradução via telefone. O ministro Gastão Vieira já encomendou um projeto. Além de inglês e espanhol, o 0800 vai incluir alemão e francês.
Maria 8 x 7 Dilma
Maria Prestes, 81 anos, viúva de Luís Carlos Prestes, venceu Dilma por 8 a 7 numa votação no Senado para escolher, entre 28 nomes, as homenageadas de 2012 com o Diploma Bertha Lutz, concedido a mulheres que se destacam na luta pela igualdade de gêneros. Mas, como serão cinco homenageadas, Dilma... ficou em segundo e está dentro. Ah, bom!
100 mulheres
O coleguinha Joaquim Gente Boa Ferreira dos Santos vai lançar, em 2012, pela Objetiva, um livro com 100 crônicas inéditas sobre mulheres.
Vacina anticatapora
Sérgio Cabral vai incluir a catapora no calendário estadual de vacinação.
Diário de Justiça
A 18a- Câmara Cível do Rio condenou a academia A!Body- Tech de Copacabana a pagar R$ 15 mil, por danos morais e estéticos, a Raul Hue Chaves. O rapaz foi vítima de dois cortes profundos quando o pedal da bicicleta de “spinning” em que se exercitava quebrou.
Mas...
“Spinning” é o cacete.
O amor é lindo
Georgiana Guinle e o advogado Leonardo Antonelli, irmão da atriz Giovana, acabam de chegar do Egito no maior chamego.
O outro lado
Jorge de Sá, filho de Sandra de Sá, a cantora, nega que tenha pedido à prefeitura licença para montar uma galeria numa vila de Ipanema e, em vez disso, iniciado obras de um restaurante. Diz que a galeria apenas teria “leve gastronomia, o que nem de longe se assemelha a grande restaurante, boate ou similar”.
Pedra no caminho
Um vândalo ignorante pichou a placa com um texto de Carlos Drummond de Andrade, em Copacabana, perto de onde o grande poeta morava.
No mais
Um supereconomista gaiato, que já esteve no governo, imagina como será a carta de desculpas de Alexandre Tombini, presidente do BC, para o ministro Guido Mantega, agora que o teto da meta da inflação já foi ultrapassado:
— Será algo assim: “Graças aos esforços de Vossa Senhoria, a meta de inflação não foi cumprida. Que coisa boa! Pois, com inflação alta, o juro real é mais baixo. Além disso, investidores externos saem do Brasil, desvalorizando o câmbio. Então, juro real baixo e câmbio desvalorizado, do jeito que Vossa Senhoria queria!”
É. Pode ser.
O ministro Alexandre Padilha recebeu uma comissão de evangélicos em seu gabinete. A turma foi propor o seguinte tema, acredite, para a tradicional campanha de carnaval contra a Aids: “Nesse carnaval, não transe. Preserve-se para o casamento. Família é bom.”
Segue...
Padilha, segundo o senador evangélico Magno Malta, que estava presente, “foi extremamente receptivo”: — O ministro prometeu elaborar uma cartilha com as nossas mensagens.
Latam no mercado
Logo após a criação da Latam, resultado da fusão da chilena Lan com a TAM, a nova empresa, para se capitalizar, deve lançar várias ofertas públicas iniciais, as chamadas IPOs (do inglês “initial public offering”). A primeira deve ser a da TAM MRO, braço de manutenção da brasileira. A expectativa é que, vitaminada pela similar da Lan, gere receita superior a R$ 2 bi.
Também...
Depois, deve vir o do setor de carga, considerado o forte da Lan, e, a seguir, o de turismo — e por aí vai. A ideia é separar todos os serviços das duas voadoras em empresas abertas no mercado.
Chávez está fofo
O governo Chávez prendeu e deportou para Colômbia e EUA dois traficantes colombianos procurados por estes países. Sei não. Isto mostra que o antiamericano Chávez, que já quis até fazer guerra contra a Colômbia, anda, digamos, meio fofo.
Natal do cinema
Vem aí o Prêmio Desempenho do Cinema, dado às dez maiores bilheterias do ano no Rio. Criado pela Secretaria de Cultura de Cabral, vai distribuir R$ 3 milhões para os produtores vencedores investirem em novos filmes.
MANGUINHOS VAI ganhar, em fevereiro, uma estação de trem do ramal da Leopoldina, construída pela Secretaria estadual de Obras. Terá três andares, escadas rolantes e elevador (veja a reprodução). A ideia é acabar com a tal “Faixa de Gaza”, como é chamada a área dominada por bandidos nos arredores da Avenida Leopoldo Bulhões e da Rua Uranos. A elevação de um trecho de três quilômetros da via férrea já está pronta. Veja a foto ao lado
‘Hello?’
As cidades-sedes da Copa de 2014 devem ganhar uma central 0800 para turistas estrangeiros com serviço de tradução via telefone. O ministro Gastão Vieira já encomendou um projeto. Além de inglês e espanhol, o 0800 vai incluir alemão e francês.
Maria 8 x 7 Dilma
Maria Prestes, 81 anos, viúva de Luís Carlos Prestes, venceu Dilma por 8 a 7 numa votação no Senado para escolher, entre 28 nomes, as homenageadas de 2012 com o Diploma Bertha Lutz, concedido a mulheres que se destacam na luta pela igualdade de gêneros. Mas, como serão cinco homenageadas, Dilma... ficou em segundo e está dentro. Ah, bom!
100 mulheres
O coleguinha Joaquim Gente Boa Ferreira dos Santos vai lançar, em 2012, pela Objetiva, um livro com 100 crônicas inéditas sobre mulheres.
Vacina anticatapora
Sérgio Cabral vai incluir a catapora no calendário estadual de vacinação.
Diário de Justiça
A 18a- Câmara Cível do Rio condenou a academia A!Body- Tech de Copacabana a pagar R$ 15 mil, por danos morais e estéticos, a Raul Hue Chaves. O rapaz foi vítima de dois cortes profundos quando o pedal da bicicleta de “spinning” em que se exercitava quebrou.
Mas...
“Spinning” é o cacete.
O amor é lindo
Georgiana Guinle e o advogado Leonardo Antonelli, irmão da atriz Giovana, acabam de chegar do Egito no maior chamego.
O outro lado
Jorge de Sá, filho de Sandra de Sá, a cantora, nega que tenha pedido à prefeitura licença para montar uma galeria numa vila de Ipanema e, em vez disso, iniciado obras de um restaurante. Diz que a galeria apenas teria “leve gastronomia, o que nem de longe se assemelha a grande restaurante, boate ou similar”.
Pedra no caminho
Um vândalo ignorante pichou a placa com um texto de Carlos Drummond de Andrade, em Copacabana, perto de onde o grande poeta morava.
No mais
Um supereconomista gaiato, que já esteve no governo, imagina como será a carta de desculpas de Alexandre Tombini, presidente do BC, para o ministro Guido Mantega, agora que o teto da meta da inflação já foi ultrapassado:
— Será algo assim: “Graças aos esforços de Vossa Senhoria, a meta de inflação não foi cumprida. Que coisa boa! Pois, com inflação alta, o juro real é mais baixo. Além disso, investidores externos saem do Brasil, desvalorizando o câmbio. Então, juro real baixo e câmbio desvalorizado, do jeito que Vossa Senhoria queria!”
É. Pode ser.
O teste - DENISE ROTHENBURG
Correio Braziliense - 22/12/11
Renan deflagra pré-campanha para presidente do Senado. PT não quer deixar o PMDB mandar em todo o Congresso no biênio 2013-2014. Esse jogo vai dominar os bastidores das eleições de 2012 e das relações entre governo e Congresso
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) estava calmamente almoçando ontem com uma assessora no restaurante do Senado. De repente, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), o avista à distância. Levanta e faz questão de ir até a mesa, apenas cumprimentá-lo. O gesto poderia parecer normal se fossem grandes amigos que se reencontram. Mas, em política, os amigos são poucos e os adversários diversos. E o tempo passa mais rápido do que no relógio do cidadão comum.
Na política, já é 2012. Um ano em que estará em xeque a relação PT-PMDB. E a maior prova desse jogo será a Presidência do Senado. Renan participou pela primeira vez do almoço de confraternização que todos os anos o presidente do partido, Valdir Raupp, promove com os jornalistas credenciados da Casa. E até discursou. Disse que esse ano não foi fácil do ponto de vista político e prometeu um 2012 com mais notícias.
Essa promessa Renan começou a cumprir ontem mesmo, ao comparecer ao almoço. Ele não costuma frequentar o restaurante dos senadores. A outra notícia foi se levantar da mesa para cumprimentar Demóstenes. O senador goiano tem uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece os poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Fez de tudo ontem para que a proposta fosse a votos na Comissão de Constituição e Justiça pela manhã. Não conseguiu. Eunício Oliveira não aceitou colocar a proposta em votação. Demóstenes saiu irritado com Eunício, outro pré-candidato a presidente do Senado.
Por falar em Eunício...
O presidente da CCJ já havia deflagrado a pré-campanha, chamando os senadores para uma confraternização em sua casa na semana passada. Ele mandou para os colegas de presente de Natal uma garrafa de Veuve-Cliquot, a viúva mais famosa da França.
Enquanto os peemedebistas fazem seu jogo, o PT observa preocupado. Como disse aqui outro dia, o partido já foi alertado pelo seu maior conselheiro, o ex-presidente Lula, sobre os perigos de deixar o PMDB tomar conta das duas Casas nos dois últimos anos do governo Dilma, logo depois das eleições municipais. Nesse período, a relação entre PT e PMDB não costuma ficar muito boa. Até acertar o passo de novo — e se acertar — demora.
Os petistas, por enquanto, cuidam apenas de conversar sobre o novo líder do partido. E ainda não vêem brechas para tirar o PMDB do comando da Câmara. Entre os deputados existe um acordo fechado para apoiar o nome que os peemedebistas indicarem para substituição do atual presidente, Marco Maia (PT-RS). No Senado, a questão é regimental. O maior partido indica o comandante. O PMDB é maioria, portanto, caberá a ele escolher o presidente da Casa. E, na reunião de ontem ficou claro que o partido não abrirá mão do cargo.
Embora tenha se desentendido com Demóstenes ontem, Eunício ajudou muito o governo nas votações recentes. Na Desvinculação de Receitas da União (DRU), por exemplo, criou um pedido de vista vapt-vupt, como esses serviços de entrega rápidas das lanchonetes. Eunício deu apenas duas horas para que a oposição analisasse o texto. O estudo da DRU por Demóstenes teve que sair tão rápido quanto um Big Mac.
Ontem, Renan e Eunício se sentaram lado a lado no almoço de Raupp. Quando Renan voltou da mesa de Demóstenes, não resisti: "Candidato a presidente do Senado sai até da mesa para cumprimentar seus colegas da oposição. Tem que agregar, né, senador?". Renan apenas sorriu e disse que ainda é cedo para tratar desse assunto. Mas não nega o gesto proposital.
Num dado momento do almoço, Renan perguntou a Raupp se ele costuma almoçar ali com frequência, se os colegas vão muito ali. O presidente do PMDB disse que sempre tem senador no pedaço. Renan fez aquela expressão de quem registrou esse dado que, para muitos, pode parecer irrelevante. Mas não para um candidato a presidente do Senado. Podem cobrar: Renan estará mais por ali a partir de fevereiro, quando o Congresso reabre as portas da esperança.
No caso de Renan, a esperança é conquistar simpatias e apoiadores ao longo de todo o ano. Para os jornalistas, mais notícias. Para Demóstenes, ver sua PEC aprovada. Afinal, ali, no escurinho do Congresso, muito já tratam do CNJ como o yorkshire do ministro Marco Aurélio Mello. Em tempo: qualquer semelhança com o caso da mulher que matou o cachorrinho a pauladas é mera coincidência. Mas essa é outra história.
Dó - SONIA RACY
Uma polêmica está rondando a tradicional premiação anual da APCA, realizada este mês. Tudo por causa do prêmio de “Melhor Projeto Musical” da categoria Música Erudita.
O vencedor foi o “Panorama da Música Brasileira - Unicamp”. Trabalho cuja missão foi divulgar 12 compositores brasileiros vivos durante o ano todo. Entre eles, Eduardo Escalante.
O que causa burburinho é que Escalante é, justamente, um dos três jurados.
Ré
Indagado ontem, Escalante rebate as críticas: “Não vejo conflito de interesses, quem pensar isso está redondamente enganado. A decisão da comissão formada por mim e mais dois críticos foi unânime. Achamos que este foi o projeto que mais se destacou no ano”. Procurada, a APCA não quis se manifestar.
Da Lei
Está encalhada a licitação orçada em R$ 6 bilhões para a construção de vários trechos do Rodoanel. Ao querer unir as regras do Bird (que financia parte da obra) e a lei 866, o governo paulista conseguiu ser questionado no TCU, TCE e Poder Judiciário.
E as empreiteiras prometem ainda mais ações contra.
Inútil brigar
Na suposta queda de braço entre LulaeSérgio Cabralpela indicação na CBF, caso Ricardo Teixeirasaia antes do fim do seu mandato em 2015, há um pormenor que está sendo esquecido.
Pelo estatuto da Confederação, saindo Teixeira, assume o vice, José Maria Marin.
Transformers
Corre por Brasília que o fato de Aloizio Mercadante ter adotado estilo low-profile teria pesado na possível decisão deDilma em transferi-lo para o Ministério da Educação. A presidente não estava gostando muito da falação de Haddad.
Tucanos teens
Levantamento feito na conferência da semana passada, em Goiânia, entre 1097 jovens tucanos, resultou no seguinte perfil: homem, católico, nível universitário, que costuma beber, mas nunca usou drogas.
Está explicada em parte posição da Juventude do PSDB registrada na pesquisa: são contra a descriminalização da maconha e a favor da redução da maioridade penal. Na contramão do que pregam os líderes tucanos, principalmente FHC.
Relax do relax
O movimento em Trancoso, na Tangará, de Sonia Prado, está intenso. Não só pelos hóspedes já relaxando à beira-mar. Mas pelo treinamento intensivo de integrantes do SPA L’Occitane.
Que estabeleceu parceria com a pousada neste verão.
Sem samba no pé
Haddad tem dito a interlocutores que vai recusar qualquer proposta de desfilar no carnaval. Ele foi sondado para sair na ala da CUT no desfile da Gaviões da Fiel, que homenageará Lula.
“Fez bem. Desfilar é a coisa mais pé fria, tanto para o candidato, como para escola. Ao final, ou um ou outro caem”, brincou um espirituoso assessor.
Samba em tudo
Paulinho da Viola está que não se aguenta com bloco que será criado no carnaval carioca em sua homenagem: o Timoneiros da Viola. Ao lado de Teresa Cristina,Elton Medeiros e a Velha Guarda da Portela, promete uma participação pra lá de especial.
Sambando.
Aliás, Paulinho aproveitou o fim de ano para encarnar o marceneiro. Está repaginando seu escritório e criando estante para acomodar seus incontáveis livros.
Pelo cinema
Antonio Banderas se comprometeu: vai produzir os cinco melhores roteiros de curta-metragem do concurso Make It Short, criado por ele. Além de dar 15 mil euros a cada finalista.
O vencedor também ganhará curso no ECAM, em Madri.
Dinheiro sujo - TUTTY VASQUES
O ESTADÃO - 22/12/11
De uma coisa o bicheiro carioca que escondia R$ 2 milhões no esgoto da casa de seu tio não pode ser acusado: lavagem de dinheiro!
Popularidade alta
O ministro Marco Aurélio Mello vai, aos poucos, roubando a cena do lendário Gilmar Mendes nas conversas de botequim sobre o STF. Depois do quinto chope, todo mundo tem algo a dizer sobre a decisão que tomou para reduzir os poderes do Conselho Nacional de Justiça na investigação de magistrados da pá-virada.
Alta médica
O ministro Joaquim Barbosa tirou um peso das costas ao entregar o relatório do mensalão para julgamento do caso no STF. Capaz até de faltar menos ao trabalho por causa de problemas de coluna em 2012.
Ajuda de custo
Entreouvido nos corredores do Senado:
- Você vem à sessão extraordinária da posse do Jader Barbalho na próxima quarta-feira?
- Depende: quanto ele está pagando por cabeça?
Sorria!
O Congresso entra hoje em recesso! Isso quer dizer o seguinte: o noticiário político deve diminuir sensivelmente nos jornais de amanhã!
Boletim médico
João Gilberto não espirra há três dias!
Agora vai!
Enfim uma boa notícia da zona do euro: a polícia francesa prendeu o ladrão que, com uma arma de brinquedo, vinha roubando croissants em série nas padarias de Paris. Não é nada, não é nada...
O futebol é mesmo o ópio do povo! Veja só o caso dos espanhóis, coitados: vivem em um país mergulhado em estagnação econômica, altos índices de desemprego, dívida pública exorbitante, histeria do mercado financeiro, cortes na seguridade social, achatamento salarial e, no entanto, só se fala nas ruas do banho de bola do Barcelona na final do Mundial de Clubes no Japão.
Ninguém por lá dá mais a menor bola nem para o escândalo do envolvimento do genro do rei Juan Carlos em desvio de dinheiro público.
Os jornais só falam em "los mejores del mundo", "de otro mundo", "el mayor espetáculo del mundo", "el rey del mundo", enfim, "los hermanos" vivem um certo clima de escapismo que durante muitos anos prevaleceu por aqui. "Arriba, Espanha!"
Já foi "pra frente Brasil" no tempo em que Pelé era o Messi da vez. Éramos respeitados no mundo como "o país do futebol" e, não por acaso, nossa economia era na época uma piada ainda maior do que a lambança financeira em curso na Espanha.
Nada contra, feliz do país quebrado economicamente que tem futebol de ponta para dar alguma alegria a seu povo. Quem já passou por isso sabe: a espanholada tem mais que festejar 2011!
Será o Benedito?
Martinho da Vila cruzou os dedos discretamente: Mart'nália e Djavan trancaram-se em estúdio para uma mixagem. Quem sabe, né não? Esse mundo anda tão doido, que tudo pode acontecer!
Euroduto - CELSO MING
O Banco Central Europeu (BCE) inundou de dinheiro o mercado europeu nesta quarta-feira, ao distribuir quase meio trilhão de euros em empréstimos de três anos a todos os bancos da área, mais outros 30 bilhões de euros por três meses. As operações foram completadas com objetivo declarado de enfrentar a falta de crédito da Eurolândia.
Para isso, o BCE flexibilizou as garantias (colaterais) desses empréstimos. Aceitou não só títulos de dívidas de países da periferia do euro, mas também créditos a pequenas empresas.
Os juros cobrados nas operações mais longas foram de 1% ao ano. Recomenda-se que os bancos compareçam aos lançamentos futuros de títulos dos países europeus, que pagarão por esse dinheiro juros entre 2% e 5% ao ano.
Depois de ensaiar comemoração por injeção de capital superior à esperada, os mercados voltaram a temer o agravamento da crise por duas razões: os bancos não devem recorrer tão cedo a novas compras de títulos públicos para entregar ao BCE como garantia, o que tende a derrubar esse mercado nas próximas semanas; e a crise de confiança pode ser ainda mais séria, a ponto de levar os bancos à procura recorde de financiamentos do BCE.
Embora crie demanda para títulos públicos europeus – cada vez mais rejeitados no mercado – essa megaoperação não configura mudança de política monetária. Forçado pelas autoridades da Alemanha e da França, o BCE vem se negando a exercer o papel de emprestador de última instância a Estados nacionais – embora continue a prestar assistência financeira ilimitada aos bancos.
Pode-se pensar que o repasse de moeda emitida para que os bancos comprem previa ou posteriormente títulos dos países europeus (para entregá-los como garantia de empréstimos) não passa de emissão disfarçada de moeda – o que, em última análise, financia despesas públicas, prática vedada pelos tratados do euro.
Mas não é isso. O objetivo do BCE, agora comandado pelo italiano Mario Draghi (foto), não é cobrir despesas de governo. É destravar o crédito, já que nem os bancos emprestam recursos entre si – com medo da deterioração da qualidade dos seus créditos, mais e mais sujeitos a calotes. Isto é, não se trata de operação de política fiscal, proibida a bancos centrais; mas de política monetária propriamente dita, atribuição dos bancos centrais.
Mesmo que essa injeção de dinheiro tenha sido programada há meses, é provável que o BCE a tenha aproveitado para colocar mais liquidez no mercado, dada a iminência de rebaixamento da qualidade dos títulos de alguns países cuja dívida era considerada, até então, de primeira linha (o caso da França, em especial).
Esse novo despejo de dinheiro não resolve o principal problema de fundo da área do euro: persistência de endividamento insustentável por grande parte dos países do bloco. Tampouco tira o euro do terreno de areia movediça em que está atolado por insuficiência de fundamentos (falta de unidade fiscal e política entre os Estados da Eurolândia).
Agora é preciso ver até que ponto os bancos agora fartamente irrigados pelo BCE estão mesmo dispostos a usar boa fatia desse volume para refinanciar Estados europeus quebrados – ou se eles darão prioridade para recompor seus caixas num ambiente de escassez de recursos.
Confira
Em outubro, alguns analistas entenderam equivocadamente que a expansão do crédito estava em franca desaceleração. Os números de novembro, divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central, confirmam que a aparente quebra de ritmo de outubro resultou da greve dos bancários, que truncou a concessão de novos créditos.
Mais do que o pretendido. A expansão do estoque de crédito, de 48,2% do PIB em 12 meses (até novembro), foi de 18,2%, algo significativamente acima do desejado pelo Banco Central que, no início do ano, julgava poder contê-lo em 15%.
MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO
FOLHA DE SP - 22/12/11
"Não é verdade que desrespeitaremos a lei", diz JAC Motors
"Faltou ética e verdade na declaração de Cledorvino Belini, que, além de presidente da Fiat, é também presidente da Anfavea, representante das montadoras", diz Sérgio Habib, presidente da chinesa JAC Motors no Brasil, que anunciou a construção de fábrica na Bahia.
Em entrevista à coluna no domingo passado, Belini afirmou que "trabalhamos com índice de nacionalização muito alto e quem está chegando está pensando em índice baixo."
"A JAC Motors disse que vai fazer uma fábrica na Bahia com R$ 900 milhões. Fico pensando, mas nós somos idiotas aqui. Gastei R$ 1 bilhão para fazer um carro [o novo Palio], e o cara vai fazer fábrica e produto? O diferencial é o índice de nacionalização", concluiu Belini.
"Nós também seremos sócios da Anfavea", diz Habib. "Ele desmereceu os chineses, nivelou todas as marcas por baixo ao dizer que não pensamos em respeitar a legislação nacional."
Para o empresário, a Anfavea deveria receber bem as novas entrantes.
"É melhor produzir no Brasil, do que no México e trazer para o país."
Habib considera incoerente com a exigência do governo brasileiro de produção com 65% de conteúdo nacional a possibilidade de os "carros serem trazidos do México, onde se exige apenas 30% de nacionalização, sem pagar alíquota de importação e IPI aumentado".
Habib, entretanto, admite que se o governo brasileiro não permitir que a empresa comece a produzir no Brasil com apenas 25% de conteúdo nacional no primeiro ano para chegar aos 65% apenas no quarto ano, o empreendimento não será viável.
"Sem flexibilizar, não faremos fábrica no Brasil."
O empresário disse que tem tido uma boa receptividade a essa demanda com membros do governo.
"Devem dar uma resposta definitiva no primeiro trimestre de 2012. Sem isso, nem começaremos a terraplenagem", afirma.
"Se a lei não mudar, melhor ter fábrica no México"
"Se a Fiat gasta R$ 1 bi em um projeto, é por isso que o carro brasileiro é o mais caro do mundo"
"Já estamos conversando com sistemistas para cumprir a lei de conteúdo nacional. Não sei por que a Fiat está tão incomodada com a JAC Motors"
Números da Empresa
R$ 900 milhões é o investimento que a Jac Motors fará em fábrica na BA e em projeto de novo carro
100 mil carros por ano será a capacidade de produção
80% do investimento correspondem ao aporte do grupo SHC, de Sérgio Habib
20% do montante ficará a cargo da JAC Motors da China
Folha abre concurso para ilustrador
As inscrições para a quinta edição do Concurso de Ilustração da Folha começam hoje. Os cinco primeiros colocados serão colaboradores desta coluna por três meses.
O tema dos trabalhos deve ser economia, tanto nacional como internacional. As ilustrações também precisam estar sincronizadas com o noticiário econômico e com o mundo empresarial.
Os candidatos devem enviar nove trabalhos inéditos (seis tirinhas e três cartuns).
Entre os temas tratados nas últimas ilustrações estão a crise na Europa, o movimento "Ocupe Wall Street" e a desaceleração do PIB brasileiro.
Informações sobre o regulamento estão na Ilustrada de hoje e na Folha.com.
Maré de Shoppings
Em 2012, a empreendedora e administradora de shopping centers Ancar Ivanhoe vai investir para expandir sua participação nas regiões Norte e Nordeste.
A empresa inaugura presença em Fortaleza a partir do início de 2012 com quatro shoppings, de acordo com o copresidente Marcelo Carvalho.
Três deles, de propriedade grupo North Empreendimentos Brasil, já estão em funcionamento, mas passarão a ser administrados pela Ancar.
O quarto empreendimento, com foco nas classes B e C, será construído em parceria com o grupo North e a Diagonal Construtora e terá investimentos de R$ 240 milhões. A entrega está prevista para 2013.
A chegada a Fortaleza marca a expansão de esforços no Nordeste, onde a empresa atua apenas em Natal, com um empreendimento.
No início do ano que vem, a companhia deve também anunciar a primeira expansão do Porto Velho Shopping, em Rondônia.
Números da empresa
R$ 240 milhões serão investidos no novo empreendimento em Fortaleza
20 empreendimentos estão no portfólio
11 são as cidades em que a empresa estará presente
Carro zero na garagem
Os consumidores de países em desenvolvimento são os que têm mais intenção de comprar carros novos, segundo estudo do grupo francês de consultoria Capgemini.
Entre brasileiros, chineses, russos e indianos, 88% das pessoas pretendem comprar veículos zero-quilômetro.
Nos países desenvolvidos, esse índice é de 66%.
Os habitantes dos quatro membros do Bric também são os mais influenciados por comentários sobre automóveis, de acordo com a pesquisa.
Para 38% dos brasileiros, a inclusão de um seguro é o serviço mais importante que pode ser contratado no momento da compra do carro.
A companhia ouviu 8.000 pessoas em oito países.
"Não é verdade que desrespeitaremos a lei", diz JAC Motors
"Faltou ética e verdade na declaração de Cledorvino Belini, que, além de presidente da Fiat, é também presidente da Anfavea, representante das montadoras", diz Sérgio Habib, presidente da chinesa JAC Motors no Brasil, que anunciou a construção de fábrica na Bahia.
Em entrevista à coluna no domingo passado, Belini afirmou que "trabalhamos com índice de nacionalização muito alto e quem está chegando está pensando em índice baixo."
"A JAC Motors disse que vai fazer uma fábrica na Bahia com R$ 900 milhões. Fico pensando, mas nós somos idiotas aqui. Gastei R$ 1 bilhão para fazer um carro [o novo Palio], e o cara vai fazer fábrica e produto? O diferencial é o índice de nacionalização", concluiu Belini.
"Nós também seremos sócios da Anfavea", diz Habib. "Ele desmereceu os chineses, nivelou todas as marcas por baixo ao dizer que não pensamos em respeitar a legislação nacional."
Para o empresário, a Anfavea deveria receber bem as novas entrantes.
"É melhor produzir no Brasil, do que no México e trazer para o país."
Habib considera incoerente com a exigência do governo brasileiro de produção com 65% de conteúdo nacional a possibilidade de os "carros serem trazidos do México, onde se exige apenas 30% de nacionalização, sem pagar alíquota de importação e IPI aumentado".
Habib, entretanto, admite que se o governo brasileiro não permitir que a empresa comece a produzir no Brasil com apenas 25% de conteúdo nacional no primeiro ano para chegar aos 65% apenas no quarto ano, o empreendimento não será viável.
"Sem flexibilizar, não faremos fábrica no Brasil."
O empresário disse que tem tido uma boa receptividade a essa demanda com membros do governo.
"Devem dar uma resposta definitiva no primeiro trimestre de 2012. Sem isso, nem começaremos a terraplenagem", afirma.
"Se a lei não mudar, melhor ter fábrica no México"
"Se a Fiat gasta R$ 1 bi em um projeto, é por isso que o carro brasileiro é o mais caro do mundo"
"Já estamos conversando com sistemistas para cumprir a lei de conteúdo nacional. Não sei por que a Fiat está tão incomodada com a JAC Motors"
Números da Empresa
R$ 900 milhões é o investimento que a Jac Motors fará em fábrica na BA e em projeto de novo carro
100 mil carros por ano será a capacidade de produção
80% do investimento correspondem ao aporte do grupo SHC, de Sérgio Habib
20% do montante ficará a cargo da JAC Motors da China
Folha abre concurso para ilustrador
As inscrições para a quinta edição do Concurso de Ilustração da Folha começam hoje. Os cinco primeiros colocados serão colaboradores desta coluna por três meses.
O tema dos trabalhos deve ser economia, tanto nacional como internacional. As ilustrações também precisam estar sincronizadas com o noticiário econômico e com o mundo empresarial.
Os candidatos devem enviar nove trabalhos inéditos (seis tirinhas e três cartuns).
Entre os temas tratados nas últimas ilustrações estão a crise na Europa, o movimento "Ocupe Wall Street" e a desaceleração do PIB brasileiro.
Informações sobre o regulamento estão na Ilustrada de hoje e na Folha.com.
Maré de Shoppings
Em 2012, a empreendedora e administradora de shopping centers Ancar Ivanhoe vai investir para expandir sua participação nas regiões Norte e Nordeste.
A empresa inaugura presença em Fortaleza a partir do início de 2012 com quatro shoppings, de acordo com o copresidente Marcelo Carvalho.
Três deles, de propriedade grupo North Empreendimentos Brasil, já estão em funcionamento, mas passarão a ser administrados pela Ancar.
O quarto empreendimento, com foco nas classes B e C, será construído em parceria com o grupo North e a Diagonal Construtora e terá investimentos de R$ 240 milhões. A entrega está prevista para 2013.
A chegada a Fortaleza marca a expansão de esforços no Nordeste, onde a empresa atua apenas em Natal, com um empreendimento.
No início do ano que vem, a companhia deve também anunciar a primeira expansão do Porto Velho Shopping, em Rondônia.
Números da empresa
R$ 240 milhões serão investidos no novo empreendimento em Fortaleza
20 empreendimentos estão no portfólio
11 são as cidades em que a empresa estará presente
Carro zero na garagem
Os consumidores de países em desenvolvimento são os que têm mais intenção de comprar carros novos, segundo estudo do grupo francês de consultoria Capgemini.
Entre brasileiros, chineses, russos e indianos, 88% das pessoas pretendem comprar veículos zero-quilômetro.
Nos países desenvolvidos, esse índice é de 66%.
Os habitantes dos quatro membros do Bric também são os mais influenciados por comentários sobre automóveis, de acordo com a pesquisa.
Para 38% dos brasileiros, a inclusão de um seguro é o serviço mais importante que pode ser contratado no momento da compra do carro.
A companhia ouviu 8.000 pessoas em oito países.
Conflito de interesses - ROGÉRIO GENTILE
FOLHA DE SP - 22/12/11
SÃO PAULO - O ministro do STF Ricardo Lewandowski conseguiu agregar mais um adjetivo à coleção do Judiciário brasileiro. Além de morosa, ineficiente e corporativa, sabemos agora que a Justiça também pode ser ardilosa.
O magistrado concedeu, na última segunda, uma liminar suspendendo uma investigação da corregedoria do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), mas escondeu o fato de que tem interesse pessoal no caso -é um dos beneficiários da suposta irregularidade.
A corregedoria desconfia que alguns magistrados, entre os quais Lewandowski, receberam, com seus salários, pagamentos indevidos de até R$ 1 milhão e, por isso, iniciou em novembro uma devassa nas contas do Tribunal de Justiça de São Paulo (onde o ministro foi desembargador antes de ser alçado ao STF).
Tanto faz se os desembargadores, como diz o ministro, tinham mesmo direito a esse pagamento. Um juiz é obrigado pelo Código de Processo Civil a se declarar impedido de exercer suas funções em ações em que é parte interessada.
Lewandowski não o fez e, quando a Folha revelou o problema, subestimou a inteligência alheia: disse que não se considerou impedido porque não julgou o mérito do caso.
O ministro não encerrou o processo, de fato, mas, ao suspender a investigação, é evidente que interferiu no andamento de um caso que poderia prejudicá-lo.
Mais tarde, ao constatar o desastre da declaração, adotou outra estratégia de defesa. Disse não ter se beneficiado da liminar por não ser investigado pela corregedoria.
Sim, o alvo da apuração é o TJ, e não ele. Mas isso não anula o fato de que, ao final da apuração, poderia ficar claro que recebeu dinheiro irregularmente. E isso, queira ou não o ministro, chama-se conflito de interesses, o que, num país sério, dá margem para a abertura de um processo para apurar eventual crime de responsabilidade -cuja pena é a perda da função pública.
Caixa-preta - EDITORIAL FOLHA DE SP
FOLHA DE SP - 22/12/11
Enquanto PT e PMDB digladiam-se pelo controle de postos importantes da Caixa Econômica Federal, começam a vir a público os efeitos nocivos da cultura de aparelhamento de órgãos estatais que se difundiu de forma inédita sob o governo petista -e não poupou aquela instituição financeira.
Já pairavam suspeitas sobre a decisão da Caixa de investir no banco PanAmericano quando era patente que a instituição enfrentava problemas. Agora, como esta Folha revelou no domingo, uma série de transações suspeitas poderá resultar em prejuízo de até R$ 1 bilhão para a União.
Uma corretora carioca vendeu papéis de alto risco e baixo valor por preços muito acima dos de mercado, graças a uma misteriosa pane no sistema da Caixa que deveria monitorar a transação. Como o governo é o garantidor dos títulos, poderá arcar com o prejuízo, caso os compradores recorram à Justiça para cobrir suas perdas.
O banco culpa uma empresa terceirizada de informática pela falha que retirou o sistema do ar no período em que se realizaram as operações -de setembro de 2008 a agosto de 2009. Já a corretora diz que não houve irregularidades.
As investigações ainda estão em curso, mas chama a atenção que um problema dessa magnitude tenha acontecido no quarto maior banco do país sem que fosse de pronto identificado.
A área onde ocorreu o negócio é da alçada do PMDB. A agremiação ocupa 3 das 11 vice-presidências da Caixa. Outras quatro são controladas pelo PT.
Os dois partidos nem mais se dão ao trabalho de indicar profissionais para os cargos com perfil técnico. Os próprios políticos vão assumindo essas posições. Derrotado na disputa do governo da Bahia, Geddel Vieira Lima (PMDB), por exemplo, tornou-se vice-presidente do setor de Pessoa Jurídica da Caixa; já o presidente do banco é o arquiteto petista Jorge Hereda.
É claro que há especialistas competentes na instituição, mas esse e outros episódios ressaltam a necessidade de impor regras ao preenchimento de postos públicos.
A privatização do Estado por interesses partidários precisa ser combatida. Ao menos em parte, os problemas se resolveriam com uma reforma que reduzisse de maneira significativa os mais de 20 mil cargos de confiança hoje existentes e fixasse critérios mínimos para a ocupação dos demais.
Enquanto PT e PMDB digladiam-se pelo controle de postos importantes da Caixa Econômica Federal, começam a vir a público os efeitos nocivos da cultura de aparelhamento de órgãos estatais que se difundiu de forma inédita sob o governo petista -e não poupou aquela instituição financeira.
Já pairavam suspeitas sobre a decisão da Caixa de investir no banco PanAmericano quando era patente que a instituição enfrentava problemas. Agora, como esta Folha revelou no domingo, uma série de transações suspeitas poderá resultar em prejuízo de até R$ 1 bilhão para a União.
Uma corretora carioca vendeu papéis de alto risco e baixo valor por preços muito acima dos de mercado, graças a uma misteriosa pane no sistema da Caixa que deveria monitorar a transação. Como o governo é o garantidor dos títulos, poderá arcar com o prejuízo, caso os compradores recorram à Justiça para cobrir suas perdas.
O banco culpa uma empresa terceirizada de informática pela falha que retirou o sistema do ar no período em que se realizaram as operações -de setembro de 2008 a agosto de 2009. Já a corretora diz que não houve irregularidades.
As investigações ainda estão em curso, mas chama a atenção que um problema dessa magnitude tenha acontecido no quarto maior banco do país sem que fosse de pronto identificado.
A área onde ocorreu o negócio é da alçada do PMDB. A agremiação ocupa 3 das 11 vice-presidências da Caixa. Outras quatro são controladas pelo PT.
Os dois partidos nem mais se dão ao trabalho de indicar profissionais para os cargos com perfil técnico. Os próprios políticos vão assumindo essas posições. Derrotado na disputa do governo da Bahia, Geddel Vieira Lima (PMDB), por exemplo, tornou-se vice-presidente do setor de Pessoa Jurídica da Caixa; já o presidente do banco é o arquiteto petista Jorge Hereda.
É claro que há especialistas competentes na instituição, mas esse e outros episódios ressaltam a necessidade de impor regras ao preenchimento de postos públicos.
A privatização do Estado por interesses partidários precisa ser combatida. Ao menos em parte, os problemas se resolveriam com uma reforma que reduzisse de maneira significativa os mais de 20 mil cargos de confiança hoje existentes e fixasse critérios mínimos para a ocupação dos demais.
Cristina une-se à pior "patota" - CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SP - 22/12/11
Guerra ao "Clarín" leva à aliança com quem dizia, no período Menem, "roubar para a Coroa"
A política argentina sempre foi excessiva e desgraçadamente permeada pelas "patotas", grupos em geral violentos que tratam de submeter os adversários pela força, e não pelos argumentos.
É triste verificar que adere ao método uma presidente, Cristina Fernández de Kirchner, vítima da mais selvagem das "patotas", a ditadura do período 1976/1983, que promoveu um autêntico genocídio.
Refiro-me ao episódio de invasão pela Gendarmería da sede da Cablevisión, a empresa de TV a cabo de propriedade do Grupo Clarín, ao qual Cristina, como seu marido e antecessor, Néstor, declararam guerra aberta.
A alegação de que a ação no canal foi determinada por um juiz não resiste ao mais distraído olhar sobre a história.
Primeiro, porque o juiz é de Mendoza, área em que a Cablevisión não opera. Segundo, porque a intervenção é descabida para uma investigação de cunho econômico-comercial (supostas práticas lesivas à concorrência), mais ainda com o uso de força militar. Equivale a considerar culpado o investigado antes da investigação.
"Nunca a Gendarmería havia chutado a porta", escreve, por exemplo, para o "Clarín" Jorge Lanata, o provocador jornalista que criou o "Página12" -que, sem Lanata, deixou de ser provocador e se tornou uma espécie de "Diário Oficial" informal dos Kirchner.
O que torna ainda mais terrível a ação de terça-feira é o fato de que Cristina Kirchner aliou-se ao que há de pior no peronismo, um certo José Luis Manzano, um dos dois donos do Grupo Uno, que pretende expandir seus negócios forçando a divisão de Cablevisión e Multicanal, fusão que havia sido aprovada pelo marido de Cristina quando presidente no tempo em que os dois namoravam o Grupo Clarín.
Sobre Manzano, é eloquente o livro escrito por Horacio Verbitsky, um dos melhores jornalistas argentinos e uma das estrelas justamente do "Página12" kirchnerista. Chama-se "Robo por la Corona", frase que se atribui a Manzano quando cercado de um mundo de acusações no tempo em que era ministro [do Interior] de Carlos Menem, um dos presidentes mais corruptos de um país de história pouco pura nesse terreno.
Há dez anos, "Página12" publicava a seguinte informação sobre Manzano e seu sócio no Grupo Uno, Daniel Vila:
"Uma denúncia ante a Administração Federal de Ingressos Públicos [a Receita argentina] sustenta que o ex-ministro menemista José Luis Manzano e seu sócio, Daniel Vila, cometeram infrações à Lei Penal Tributária e 'lavagem de dinheiro de Manzano' por mais de US$ 400 milhões 'obtidos ilicitamente durante a sua passagem pela função pública'".
Talvez a conivência com essa "patota", nascida no governo, o de Menem, que completou o processo de aniquilamento da Argentina iniciado pela ditadura, explique recentíssima crítica de Miguel Bonasso, que foi líder dos "Montoneros" e é expoente da esquerda peronista, sintomaticamente publicada não por "Página12", mas pelo britânico "The Guardian".
Nela, Bonasso diz que "a Argentina está muito longe do paraíso que é pintado pela propaganda oficial".
Guerra ao "Clarín" leva à aliança com quem dizia, no período Menem, "roubar para a Coroa"
A política argentina sempre foi excessiva e desgraçadamente permeada pelas "patotas", grupos em geral violentos que tratam de submeter os adversários pela força, e não pelos argumentos.
É triste verificar que adere ao método uma presidente, Cristina Fernández de Kirchner, vítima da mais selvagem das "patotas", a ditadura do período 1976/1983, que promoveu um autêntico genocídio.
Refiro-me ao episódio de invasão pela Gendarmería da sede da Cablevisión, a empresa de TV a cabo de propriedade do Grupo Clarín, ao qual Cristina, como seu marido e antecessor, Néstor, declararam guerra aberta.
A alegação de que a ação no canal foi determinada por um juiz não resiste ao mais distraído olhar sobre a história.
Primeiro, porque o juiz é de Mendoza, área em que a Cablevisión não opera. Segundo, porque a intervenção é descabida para uma investigação de cunho econômico-comercial (supostas práticas lesivas à concorrência), mais ainda com o uso de força militar. Equivale a considerar culpado o investigado antes da investigação.
"Nunca a Gendarmería havia chutado a porta", escreve, por exemplo, para o "Clarín" Jorge Lanata, o provocador jornalista que criou o "Página12" -que, sem Lanata, deixou de ser provocador e se tornou uma espécie de "Diário Oficial" informal dos Kirchner.
O que torna ainda mais terrível a ação de terça-feira é o fato de que Cristina Kirchner aliou-se ao que há de pior no peronismo, um certo José Luis Manzano, um dos dois donos do Grupo Uno, que pretende expandir seus negócios forçando a divisão de Cablevisión e Multicanal, fusão que havia sido aprovada pelo marido de Cristina quando presidente no tempo em que os dois namoravam o Grupo Clarín.
Sobre Manzano, é eloquente o livro escrito por Horacio Verbitsky, um dos melhores jornalistas argentinos e uma das estrelas justamente do "Página12" kirchnerista. Chama-se "Robo por la Corona", frase que se atribui a Manzano quando cercado de um mundo de acusações no tempo em que era ministro [do Interior] de Carlos Menem, um dos presidentes mais corruptos de um país de história pouco pura nesse terreno.
Há dez anos, "Página12" publicava a seguinte informação sobre Manzano e seu sócio no Grupo Uno, Daniel Vila:
"Uma denúncia ante a Administração Federal de Ingressos Públicos [a Receita argentina] sustenta que o ex-ministro menemista José Luis Manzano e seu sócio, Daniel Vila, cometeram infrações à Lei Penal Tributária e 'lavagem de dinheiro de Manzano' por mais de US$ 400 milhões 'obtidos ilicitamente durante a sua passagem pela função pública'".
Talvez a conivência com essa "patota", nascida no governo, o de Menem, que completou o processo de aniquilamento da Argentina iniciado pela ditadura, explique recentíssima crítica de Miguel Bonasso, que foi líder dos "Montoneros" e é expoente da esquerda peronista, sintomaticamente publicada não por "Página12", mas pelo britânico "The Guardian".
Nela, Bonasso diz que "a Argentina está muito longe do paraíso que é pintado pela propaganda oficial".
Estresse tucano - ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 22/12/11
Por insistência do ex-governador José Serra, na reunião da Executiva do PSDB de anteontem, houve um debate sobre o livro "A privataria tucana". Serra afirmou que a publicação tinha o dedo do PT mas também do fogo amigo. Depois fez críticas duras a um grupo de comunicação. O secretário-geral do partido, deputado Rodrigo de Castro (MG), e o deputado Eduardo Azeredo (MG) não gostaram e saíram em defesa da empresa atacada.
Serra, o livro e as 100 mentiras
Para a Executiva tucana, Serra afirmou: "Sou a maior vítima de dôssies do partido" e citou Caimã e Amaury Ribeiro Jr/Fernando Pimentel. Sobre o autor da publicação, comentou: "O Amaury é um inocente útil, temos de descobrir é quem mandou fazer". Após relatar que leu o livro "A Privataria Tucana", ele concluiu: "O livro tem 100 mentiras em suas 345 páginas". Serra também deu apoio à decisão do partido de processar o autor e a editora, dizendo que se tratava de um livro contra o partido e o governo do ex-presidente Fernando Henrique. E, lembrou, que a coleta dos dados para o livro começou quando havia uma disputa interna pela candidatura a presidente nas eleições de 2010.
"Alguns ministros do STF, quando indicados, eles vêm aqui com a humildade franciscana. Quando passam a ser ministros, passam a ter empáfia, orgulho napoleônico” — Pedro Taques, senador (PDT-MT)
DOM QUIXOTE. Sonho de consumo de todos os partidos, de líderes políticos e dos cientistas políticos, mais uma vez, como em tentativas anteriores, a reforma política não foi aprovada. A Câmara criou uma comissão especial, que teve como relator o deputado Henrique Fontana (PT-SP), que não conseguiu votar sua proposta. O petista decidiu adotar a proposta petista: voto em lista e financiamento público. A maioria ficou contra.
"Tô" indo embora
A secretária extraordinária para Superação da Extrema Pobreza, Ana Fonseca, está deixando o Ministério do Desenvolvimento Social. "Não sou iogurte, mas tenho prazo de validade", brinca, contando que seu acordo era ficar um ano.
Sem marola
O PSB quer fortalecer o governador Eduardo Campos (PE), mas não trabalha para que ele seja candidato a presidente em 2014. O partido sequer aposta em tirar o PMDB da Vice-presidência. O jogo só muda se o governo Dilma fracassar.
Comunista contesta versão
Um aliado do ex-ministro Orlando Silva contesta informação publicada aqui sobre a reunião da direção nacional do PCdoB que tratou dos fatos que levaram à mudança do comando do Ministério do Esporte. Ela afirma que "apenas uma pessoa" falou em "avaliar erros de gestão", das cinqüenta que usaram da palavra. A voz crítica foi a do novo secretário-executivo da pasta, Luis Fernandes, braço-direito do ministro Aldo Rebelo.
Rebeldes
Os Paulos, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) e o senador Paulo Paim (PT-RS), não vão deixar votar o Orçamento de 2012. Esta não é a primeira vez que Paim ao defender os aposentados desafia o governo de seu partido.
Vai voltar
Os petistas, envolvidos no processo de paz na diretoria da Caixa Econômica Federal, informaram aos negociadores do PMDB que o vice-presidente de Loterias, Fábio Cleto, será reconduzido para o Conselho Curador do FGTS.
O PRESIDENTE da Câmara, Marco Maia (PT-RS), fez rasgados elogios ao líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), em jantar de fim de ano que ofereceu aos parlamentares e ministros petistas.
O SECRETÁRIO de Futebol do Ministério do Esporte, Alcino Rocha, pediu demissão do cargo. Ele é um remanescente da equipe do ex-ministro Orlando Silva.
CORREÇÃO. Na pesquisa qualitativa encomendada pelo DEM a referência ao governador Antonio Carlos Magalhães é positiva junto aos eleitores da Bahia.
Serra, o livro e as 100 mentiras
Para a Executiva tucana, Serra afirmou: "Sou a maior vítima de dôssies do partido" e citou Caimã e Amaury Ribeiro Jr/Fernando Pimentel. Sobre o autor da publicação, comentou: "O Amaury é um inocente útil, temos de descobrir é quem mandou fazer". Após relatar que leu o livro "A Privataria Tucana", ele concluiu: "O livro tem 100 mentiras em suas 345 páginas". Serra também deu apoio à decisão do partido de processar o autor e a editora, dizendo que se tratava de um livro contra o partido e o governo do ex-presidente Fernando Henrique. E, lembrou, que a coleta dos dados para o livro começou quando havia uma disputa interna pela candidatura a presidente nas eleições de 2010.
"Alguns ministros do STF, quando indicados, eles vêm aqui com a humildade franciscana. Quando passam a ser ministros, passam a ter empáfia, orgulho napoleônico” — Pedro Taques, senador (PDT-MT)
DOM QUIXOTE. Sonho de consumo de todos os partidos, de líderes políticos e dos cientistas políticos, mais uma vez, como em tentativas anteriores, a reforma política não foi aprovada. A Câmara criou uma comissão especial, que teve como relator o deputado Henrique Fontana (PT-SP), que não conseguiu votar sua proposta. O petista decidiu adotar a proposta petista: voto em lista e financiamento público. A maioria ficou contra.
"Tô" indo embora
A secretária extraordinária para Superação da Extrema Pobreza, Ana Fonseca, está deixando o Ministério do Desenvolvimento Social. "Não sou iogurte, mas tenho prazo de validade", brinca, contando que seu acordo era ficar um ano.
Sem marola
O PSB quer fortalecer o governador Eduardo Campos (PE), mas não trabalha para que ele seja candidato a presidente em 2014. O partido sequer aposta em tirar o PMDB da Vice-presidência. O jogo só muda se o governo Dilma fracassar.
Comunista contesta versão
Um aliado do ex-ministro Orlando Silva contesta informação publicada aqui sobre a reunião da direção nacional do PCdoB que tratou dos fatos que levaram à mudança do comando do Ministério do Esporte. Ela afirma que "apenas uma pessoa" falou em "avaliar erros de gestão", das cinqüenta que usaram da palavra. A voz crítica foi a do novo secretário-executivo da pasta, Luis Fernandes, braço-direito do ministro Aldo Rebelo.
Rebeldes
Os Paulos, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) e o senador Paulo Paim (PT-RS), não vão deixar votar o Orçamento de 2012. Esta não é a primeira vez que Paim ao defender os aposentados desafia o governo de seu partido.
Vai voltar
Os petistas, envolvidos no processo de paz na diretoria da Caixa Econômica Federal, informaram aos negociadores do PMDB que o vice-presidente de Loterias, Fábio Cleto, será reconduzido para o Conselho Curador do FGTS.
O PRESIDENTE da Câmara, Marco Maia (PT-RS), fez rasgados elogios ao líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), em jantar de fim de ano que ofereceu aos parlamentares e ministros petistas.
O SECRETÁRIO de Futebol do Ministério do Esporte, Alcino Rocha, pediu demissão do cargo. Ele é um remanescente da equipe do ex-ministro Orlando Silva.
CORREÇÃO. Na pesquisa qualitativa encomendada pelo DEM a referência ao governador Antonio Carlos Magalhães é positiva junto aos eleitores da Bahia.
Declínio anunciado - REGINA ALVAREZ
O GLOBO - 22/12/11
A Sondagem de Investimentos da Indústria divulgada ontem pela FGV reforçou o que já estava evidente em outros indicadores: o agravamento da crise no setor industrial e as previsões sombrias para 2012, com redução de investimentos, do faturamento e das contratações. O pior dos mundos para uma economia que, nas palavras do ministro da Fazenda, chegou ao fundo do poço neste fim de ano e precisa se recuperar no próximo.
O declínio da indústria não é fato novo. É um processo que começou no ano passado e agravou-se a partir do segundo semestre deste ano. A crise externa pegou de jeito um setor fragilizado pela baixa competitividade e um câmbio desfavorável. O cenário externo adverso e o acirramento da concorrência com os produtos asiáticos tornou agudos os problemas crônicos.
- Fomos muito tolerantes com a baixa competitividade e avançamos muito pouco na redução dos custos tributários, dos custos do trabalho, do capital e da burocracia - observa Flávio Castelo Branco, da CNI.
Julio Almeida, economista do Iedi, considera a crise muito grave e sem volta no curto prazo. Ele lembra que outros segmentos atingidos pela crise externa têm escapes que a indústria não tem. No setor agroindustrial, por exemplo, os preços internacionais são competitivos e a produtividade muito mais elevada.
O que preocupa esses especialistas não é apenas o declínio da indústria, mas os efeitos da crise no conjunto da economia. O impacto no emprego já apareceu nos números de novembro divulgados pelo Ministério do Trabalho.
- O emprego perdido hoje significa consumo menor amanhã de bens de serviços, queda nas vendas do comércio. Não dá para dizer que a crise é só na indústria, porque esse processo acaba transbordando para outros setores com efeitos encadeados - destaca o economista do Iedi.
No curto prazo, os economistas só enxergam duas possibilidades para amenizar o problema: segurar a taxa de câmbio e reforçar a defesa comercial para brecar as importações, especialmente a invasão de produtos asiáticos que estão ferindo de morte alguns segmentos industriais.
Mas isso não resolve os problemas estruturais. Para crescer, a indústria precisa produzir melhor e mais barato e isso pressupõe uma ação coordenação do governo e do setor produtivo para reduzir custos de insumos e a carga tributária, investir em inovação e aumentar a produtividade e competitividade. Se esses problemas estruturais não forem resolvidos, o futuro é incerto ou talvez nem exista.
No limite
Para que a inflação fique dentro da meta este ano, o IPCA de dezembro terá de variar, no máximo, 0,50%. Assim, acumularia alta de 6,5%, encostando no teto. Mas a divulgação do IPCA-15, a prévia da inflação oficial, que subiu 6,56%, deixou os analistas pessimistas. Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, prevê que o IPCA acumulará alta de 6,51%. Já Roberto Padovani, da Votorantim Corretora, projeta 6,53%.
Vilões da inflação
Os economistas são unânimes ao apontar o vilão da inflação deste ano. Ele atende pelo nome de serviços, deve acumular alta de 9% e seguir crescendo forte em 2012, por conta do aumento do salário mínimo. Fazer essa inflação desacelerar é o grande desafio do governo. O aumento dos preços dos alimentos, que desaceleraram em relação a 2010, mas devem fechar o ano com alta acima de 7%; do etanol e das passagens aéreas também pressionaram a inflação.
Mau negócio
A Petrobras já deixou claro que a importação de gasolina crescerá em 2012. Isso significa que pretende comprar lá fora mais de 45 mil barris diários do produto, que foi a média de 2011. O especialista em energia Adriano Pires lembra que para cada barril importado, a Petrobras perde R$ 0,30, porque vende no mercado interno mais barato do que compra. Segundo ele, o Brasil passou a ser autossuficiente em petróleo e importador de derivados.
Cartinha
Se a inflação ficar acima de 6,5% no ano, o BC terá de apresentar uma carta aberta ao Ministério da Fazenda, explicando as razões para não ter atingido a meta, prática prevista no sistema. Isso não acontece desde 2004, mas o economista Luis Otávio Leal diz que há chance de termos uma "cartinha" no início de 2012.
- Numa situação normal, é ruim, porque pode mostrar leniência com a inflação, mas o mundo está de pernas para o ar. Apresentar a carta não é a situação ideal, mas temos de lembrar que inflação em alta não é um problema só do Brasil.
O declínio da indústria não é fato novo. É um processo que começou no ano passado e agravou-se a partir do segundo semestre deste ano. A crise externa pegou de jeito um setor fragilizado pela baixa competitividade e um câmbio desfavorável. O cenário externo adverso e o acirramento da concorrência com os produtos asiáticos tornou agudos os problemas crônicos.
- Fomos muito tolerantes com a baixa competitividade e avançamos muito pouco na redução dos custos tributários, dos custos do trabalho, do capital e da burocracia - observa Flávio Castelo Branco, da CNI.
Julio Almeida, economista do Iedi, considera a crise muito grave e sem volta no curto prazo. Ele lembra que outros segmentos atingidos pela crise externa têm escapes que a indústria não tem. No setor agroindustrial, por exemplo, os preços internacionais são competitivos e a produtividade muito mais elevada.
O que preocupa esses especialistas não é apenas o declínio da indústria, mas os efeitos da crise no conjunto da economia. O impacto no emprego já apareceu nos números de novembro divulgados pelo Ministério do Trabalho.
- O emprego perdido hoje significa consumo menor amanhã de bens de serviços, queda nas vendas do comércio. Não dá para dizer que a crise é só na indústria, porque esse processo acaba transbordando para outros setores com efeitos encadeados - destaca o economista do Iedi.
No curto prazo, os economistas só enxergam duas possibilidades para amenizar o problema: segurar a taxa de câmbio e reforçar a defesa comercial para brecar as importações, especialmente a invasão de produtos asiáticos que estão ferindo de morte alguns segmentos industriais.
Mas isso não resolve os problemas estruturais. Para crescer, a indústria precisa produzir melhor e mais barato e isso pressupõe uma ação coordenação do governo e do setor produtivo para reduzir custos de insumos e a carga tributária, investir em inovação e aumentar a produtividade e competitividade. Se esses problemas estruturais não forem resolvidos, o futuro é incerto ou talvez nem exista.
No limite
Para que a inflação fique dentro da meta este ano, o IPCA de dezembro terá de variar, no máximo, 0,50%. Assim, acumularia alta de 6,5%, encostando no teto. Mas a divulgação do IPCA-15, a prévia da inflação oficial, que subiu 6,56%, deixou os analistas pessimistas. Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, prevê que o IPCA acumulará alta de 6,51%. Já Roberto Padovani, da Votorantim Corretora, projeta 6,53%.
Vilões da inflação
Os economistas são unânimes ao apontar o vilão da inflação deste ano. Ele atende pelo nome de serviços, deve acumular alta de 9% e seguir crescendo forte em 2012, por conta do aumento do salário mínimo. Fazer essa inflação desacelerar é o grande desafio do governo. O aumento dos preços dos alimentos, que desaceleraram em relação a 2010, mas devem fechar o ano com alta acima de 7%; do etanol e das passagens aéreas também pressionaram a inflação.
Mau negócio
A Petrobras já deixou claro que a importação de gasolina crescerá em 2012. Isso significa que pretende comprar lá fora mais de 45 mil barris diários do produto, que foi a média de 2011. O especialista em energia Adriano Pires lembra que para cada barril importado, a Petrobras perde R$ 0,30, porque vende no mercado interno mais barato do que compra. Segundo ele, o Brasil passou a ser autossuficiente em petróleo e importador de derivados.
Cartinha
Se a inflação ficar acima de 6,5% no ano, o BC terá de apresentar uma carta aberta ao Ministério da Fazenda, explicando as razões para não ter atingido a meta, prática prevista no sistema. Isso não acontece desde 2004, mas o economista Luis Otávio Leal diz que há chance de termos uma "cartinha" no início de 2012.
- Numa situação normal, é ruim, porque pode mostrar leniência com a inflação, mas o mundo está de pernas para o ar. Apresentar a carta não é a situação ideal, mas temos de lembrar que inflação em alta não é um problema só do Brasil.
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