sábado, dezembro 17, 2011

Visão atual - MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 17/12/11


Fernando Henrique defende ações afirmativas para negros, uma nova postura dos governos em relação às drogas, diretórios virtuais para partidos e a dedicação ao aprendizado na questão ambiental. Em palestras que tem feito no lançamento do seu novo livro, "A soma e o resto", e no próprio livro, o que se vê é um pensador atualizado e inquieto, capaz de surpreender.

O ex-presidente veio semana passada ao Rio para o Prosa na Livraria com este jornal, para falar sobre o livro que surgiu do depoimento a Miguel Darcy de Oliveira. A obra parece uma conversa sobre temas contemporâneos e atemporais.

Umas das ideias mais instigantes do livro é que o conceito de comunidade mudou completamente com a internet. Não mais prisioneira da proximidade física, as comunidades são por afinidades, em teias que se formam no espaço virtual. Fernando Henrique, de profissão, sociólogo, está atento ao fato de que um dos objetos de estudo de sua área, as comunidades, está em completa mutação:

- A comunicação eletrônica virou desafio para os políticos porque, com ela, a sociedade vai mais rápido do que os partidos e, se alguns políticos já usam a internet, os partidos ainda não sabem usá-la. Eu já defendi a ideia de diretórios virtuais, que a lei ainda não permite. Em alguns casos, as comunidades conectam-se com efeitos impressionantes, como aconteceu este ano a partir da Tunísia para o mundo árabe.

No livro, ele alerta para o fato de que a tecnologia criou uma ruptura. "É a emergência do novo que move a sociedade. Não estamos repetindo o passado. Algo de novo está sendo gerado aqui e agora." Registra com espanto o fato de que jovens nas redes sociais contam rigorosamente tudo o que fazem aos seus amigos, mudando o conceito de privacidade. "Não estou criticando. Estou tentando descrever e entender. É como se a fruição da vida passasse a ser, desse ponto de vista, mais coletiva." Ver o futuro é fundamental até do ponto de vista pessoal. "Quem não reconhece as mudanças se condena a viver angustiado, pois vai julgar o que está acontecendo hoje com os olhos do passado", diz no livro.

Na conversa no Rio, levantei um tema que me inquieta. Estou convencida de que o Brasil não lidou bem com o debate sobre a questão racial que emergiu após as ações afirmativas que surgiram no governo dele e se aprofundaram no governo Lula. Na minha opinião, em vez de se discutir as raízes de nossas desigualdades raciais, ou as marcas de tão longa escravidão, o país entrou numa espécie de Fla-Flu, entre defensores e adversários das cotas. E para esse reducionismo contribuíram inclusive intelectuais com seus manifestos. Falei do tema porque no livro ele defende duas ideias que parecem contraditórias: que o Brasil "tem uma cultura de aceitação da diversidade", mas ao mesmo tempo tem "preconceito e desigualdade, como sabemos".

Fernando Henrique disse que ambas as características estão presentes na sociedade brasileira. Uma profunda diversidade cultural e ao mesmo tempo o preconceito e a desigualdade racial, que faz com que a elite seja majoritariamente branca:

- Defendo as ações afirmativas, mas é preciso também manter o conceito de mérito. Uma vez na universidade, os estudantes devem ser estimulados a buscar o melhor desempenho.

Sobre a questão ambiental, Fernando Henrique também mostrou que está à frente do seu partido, sempre ambíguo e dividido sobre o tema:

- Os partidos estão com medo de tomar posição, de assumir. Perderam a capacidade de entender o que está acontecendo na área ambiental. O Brasil será suicida se não levar em consideração a questão ambiental. Queimar árvore é irracional.

Ele disse que essa é uma área de cooperação suprapartidária e lembrou das várias conversas que manteve com a então senadora Marina Silva, na época em que era presidente, apesar de ela estar na oposição.

Na inquietante questão das drogas, o que defende é o que está resumido no seu documentário: que se quebre tabus. Em uma entrevista que me concedeu em 1984, quanto tinha 53 anos, ele defendeu a mesmíssima posição: a descriminalização do uso para que a sociedade faça um controle mais racional, e não a simples repressão que pode custar muito caro:

- Ao fim do mandato do atual presidente mexicano, terão morrido 50 mil mexicanos na guerra do tráfico. O equivalente aos mortos no Vietnã. E o tráfico só aumentou. O país importa arma dos EUA para ficar se matando, enquanto o consumo continua.

Sobre a crise econômica internacional, Fernando Henrique acha que o euro vai se manter, mas que o mundo precisa urgentemente de uma nova regulação financeira:

- A esquerda errou quando negou todos os liberalismos porque o liberalismo político deve ser mantido, inclusive foi defendido por Marx que se disse herdeiro dele, mas o liberalismo econômico leva à desigualdade. Por isso é preciso regulação. Os governos precisam agir rapidamente para manter o euro, do contrário, a moeda não aguenta.

No livro e nos debates, FH tem falado de assuntos atuais ou existenciais. Sobre a existência de Deus, ele diz que faz parte dos mistérios da vida:

- Como posso dizer que Deus não existe? É preciso deixar espaço na vida para o mistério. Quem pensa que está sendo hiper-racionalista, pode estar sendo irracional.

Ficaram na mão - ILIMAR FRANCO

O GLOBO - 17/12/11


Dezenas de prefeitos de todo o país estão irritados com o ministro Mário Negromonte (Cidades). Todos eles assinaram convênios no programa Pró-Transporte, mas o dinheiro do FGTS e do BNDES não chega. A explicação que o Planalto dá aos prefeitos é que o ministro assinou os convênios sem combinar com o Ministério da Fazenda. Por isso, o Conselho Monetário Nacional não autoriza o uso de recursos do FGTS para financiar essas obras.

Improviso e legalidade
O governo Dilma não contava com a aprovação do Fundo de Previdência Complementar dos Servidores. Na proposta de Orçamento para 2012 enviada ao Congresso, em agosto, não havia previsão de recursos. Quando foram aprovados os relatórios setoriais do Orçamento, em novembro, também não. Somente em 13 de dezembro, o Ministério do Planejamento pediu uma correção, destinando R$ 100 milhões para o fundo. Agora, o deputado Rodrigo Maia (RJ) vai entrar com um mandado de segurança no STJ para anular a mudança. Ele alega que o fundo não foi criado, que o pedido foi feito fora do prazo, e que tal correção só poderia ser solicitada pela presidente da República.

"Quero agradecer ao bigodudo da Pesca” — André Puccinelli, governador de Mato Grosso do Sul, em solenidade,
referindo-se ao ministro Luiz Sérgio

LINHA DO TEMPO. Em 12 de julho esta coluna publicou que o Ministério do Planejamento estava propondo a criação da figura do segundo secretário-executivo na estrutura administrativa. No dia seguinte, a ministra Miriam Belchior, na foto, contestou: "O ministério não encaminhou qualquer tipo de proposta para criação de um segundo secretário-executivo." Na quinta-feira passada, 15 de dezembro, foi criado o cargo de secretário-executivo adjunto da Casa Civil, e nomeado Gilson Bittencourt.

Nova fase
Depois de assinar ontem o último pacto regional do Brasil Sem Miséria com os estados, no próximo ano virão as parcerias municipais. Nas capitais, para qualificação profissional. No interior, oferta de serviços de saúde e assistência rural.

Ti-ti-ti
O gesto vale por mil palavras. A presidente Dilma passou o discurso do governador petista Agnelo Queiroz (Distrito Federal), na solenidade do Brasil Sem Miséria, conversando com o governador tucano Marconi Perillo (Goiás).

Recado ao "criticismo" caseiro
A presidente Dilma aproveitou a solenidade do Brasil Sem Miséria para defender o slogan do governo, "País rico é país sem pobreza", criticado por pessoas próximas a ela. "Botar no lema do governo "País rico é país sem pobreza" não é por acaso. Todo mundo pode achar que isso é um absurdo, que uma coisa é sinônima da outra. Acontece que no Brasil não foi. Lembramos a época que tinha 80 milhões de habitantes e podia crescer só para 40 milhões", disse ela.

No telefone
Num dia desses, para agradar ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) começou um telefonema assim: "Você está gostando muito daquela cadeira (a de presidente da República)".

Desagravo
As senadoras farão jantar para a ministra Rosa Weber, do Supremo, terça-feira, na casa de Lúcia Vânia (PSDB-GO). Elas não gostaram das críticas feitas a ela pelos senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Pedro Taques (PDT-MT).

O PSDB decidiu reagir. Em sua página na internet, publica notas do presidente do partido, Sérgio Guerra (PE), e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticando o livro "A privataria tucana".

O CONGRESSO 
da Juventude tucana iniciou-se ontem, em Goiânia, com o coro "1, 2, 3, 4, 5 mil. Queremos o Aécio presidente do Brasil".

NA PESQUISA Ibope para a Confederação Nacional da Agricultura, junto à população que integra a classe C, 69% são a favor do desarmamento, e 52% apoiam a cota para negros nas universidades.

GOSTOSA


CRIMES SEM CASTIGO - SÉRGIO AUGUSTO


O ESTADÃO - 17/12/11

Nesta quinta-feira uma das agressões mais vergonhosas à cultura brasileira completou 35 anos. Em 15 de dezembro de 1976, o então ministro da Justiça do governo Geisel, Armando Falcão, com base na Portaria n.º 8, 401-B, proibiu a circulação e venda em todo o território nacional do quarto livro de contos de Rubem Fonseca, Feliz Ano Novo, sob a alegação de que suas histórias exteriorizavam "matéria contrária à moral e aos bons costumes". Foi o maior presente natalino da ditadura militar ao obscurantismo naquele ano, de resto farto em abusos censórios.

A agressão chegou com pouco mais de um ano de atraso. Parafraseando o Millôr, nas ditaduras fardadas, "a justiça farda mas não talha". Best seller desde o lançamento, pela editora Artenova, em outubro de 1975, e já na terceira reimpressão, o livro de Rubem Fonseca desapareceu subitamente das livrarias. E desaparecido ficou até 1989. Treze meses para ser proibido, 13 anos para ser liberado. A proibição de Feliz Ano Novo foi o mais longamente discutido escândalo lítero-jurídico do regime militar.

Para quem não o leu (a Nova Fronteira reeditou-o este ano): são 15 contos que espelham, sem rebuços, a violência urbana, especificamente no Rio, já uma cidade sem lei e cindida por malignas desigualdades sociais, que nas quatro décadas seguintes só iria piorar. O autor merecia um prêmio qualquer por sua profética crueza, não a perseguição que lhe moveu o mais repugnante ministro da Justiça desta república, ex-aequo (e ex-equus) com Alfredo Buzaid, ocupante da pasta no governo Médici.

Ao cobrir o livro de elogios, na Veja, Affonso Romano de Sant’Anna fizera uma ressalva involuntariamente premonitória: "uma leitura superficial desta obra pode tachá-la de erótica e pornográfica". Como leitor superficial era o que mais havia nos altos escalões da ditadura, tachado de obsceno e pornográfico o livro entrou no index prohibitorum dos milicos.

Um manifesto "pela liberdade de expressão", assinado por 1.046 intelectuais, reagiu de pronto ao ucasse do dr. Falcão. Juristas questionaram a falta de embasamento legal da Portaria, "uma ação profundamente farisaica", protestou o sempre veemente psicanalista Hélio Pellegrino. Pelos critérios invocados para justificar a cassação de Feliz Ano Novo, salientou o poeta Gerardo Mello Mourão, as obras de Dante, Cervantes, Goethe, Shakespeare e outros gigantes da literatura mundial também deveriam ser tiradas de circulação.

Da trincheira oposta, uma patética saraivada de festim. A um repórter que ingenuamente contava com sua solidariedade a Rubem Fonseca, o escritor cearense Nertan Macedo, áulico da ditadura e então assessor do ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen, declarou "ignorar o assunto"; de propósito, "para não fazer publicidade de autores idiotas". Com intelectuais assim, para que censores?

No mesmo dia, o nada saudoso senador potiguar Dinarte Mariz, folclórica figura da Arena, partido oficial do governo, não só se revelou espantado e arrepiado (sic) com os contos de Feliz Ano Novo ("pornografia de baixíssimo nível, que não se vê hoje nem nos recantos mais atrasados do país"), como propôs que Rubem Fonseca, além de censurado, fosse preso.

Em 2 de maio de 1977, Rubem Fonseca ajuizou ação ordinária contra a União, reclamando a ilegalidade do ato arbitrário e pleiteando sua anulação. O pedido foi julgado improcedente. Três anos depois, os advogados do escritor apelaram da sentença no Tribunal Federal de Recursos. Obrigada a explicar-se, a Censura alegou que Feliz Ano Novo retratava, "em quase sua totalidade, personagens portadores de complexos, vícios e taras, com o objetivo de enfocar a face obscura da sociedade na prática da delinquência, suborno, latrocínio e homicídio, sem qualquer referência a sanção, utilizando linguagem bastante popular e onde a pornografia foi largamente empregada, com rápidas alusões desmerecedoras aos responsáveis pelos destinos do Brasil e ao trabalho censório".

Resumindo: crime só com castigo - elogios aos agentes da lei.

Convocado a avaliar o arrazoado da Censura, o crítico literário Afrânio Coutinho não deixou de pé uma só aleivosia. Em seu parecer, transformado em livro sobre literatura e erotismo, editado pela Cátedra, eximiu Rubem Fonseca de qualquer transgressão à lei: "O fato de usar quadros da vida real - sexo, violência, miséria - não quer dizer que ele os aprove ou desaprove. Simplesmente descreve-os, testemunha-os, usando, para ter mais eficiência artística, todos os recursos que a arte literária antiga e atual coloca à sua disposição".

Dois procuradores da República e um juiz, cujos nomes merecem ser esquecidos, socorreram a arbitrariedade do governo com novo estoque de despautérios, acusando o escritor de "dar voz a conversas de subgente", a "tipos patológicos" cujas atividades poderiam levar "certos leitores a cometer atos de natureza degradante". Quando o caso ainda estava sub judice no Tribunal Federal de Recursos, Deonísio da Silva publicou um ensaio a respeito, O Caso Rubem Fonseca: Violência e Erotismo em ‘Feliz Ano Novo’ (Alfa-Ômega, 1983), que forma, com o parecer do professor Afrânio Coutinho, um autêntico J’Accuse tupinambá.
Para defender a liberdade de Rubem Fonseca escrever como bem entendesse, seus advogados tiveram de esperar o fim da ditadura. Aí apelaram para o Tribunal Regional Federal, instância criada pela Constituição de 1988, onde, por dois votos a um, ou seja, jogo duro até o fim, o livro foi liberado em 1989. De volta às livrarias, como sói acontecer, vendeu horrores. Nada supera o marketing da censura.

Pressão política - MERVAL PEREIRA


O GLOBO - 17/12/11
O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso, fez bem de usar a prerrogativa do voto de Minerva para desempatar a decisão a favor da posse de Jader Barbalho no Senado, mesmo que a consequência seja ruim para o já baixo nível de qualidade política do Congresso.

Era preciso ser coerente com a decisão já tomada de que a Ficha Limpa não poderia ter sido aplicada na eleição passada, pelo princípio da anterioridade.

Mesmo que discorde dessa interpretação, não acredito que a lei deva valer mais para uns do que para outros.

O único, e grave problema, é que a decisão de Peluso aparentemente foi tomada sob pressão de políticos do PMDB, interessados em compensar, com a entrada de Jader, as perdas de dois senadores, Wilson Santiago e Gilvam Borges, substituídos por um tucano, Cássio Cunha Lima, e outro socialista, João Capiberibe, que ganharam as vagas devido ao mesmo fato de que a Ficha Limpa não valeu para a eleição passada.

Além do mais, havia outro senador petista ficha-suja tentando ficar com a vaga.

Como Jader foi o 2º mais votado no Pará, com mais de 4 milhões de votos, não seria justo que o critério não valesse para ele, mesmo sendo representante típico do atraso político.

O presidente do Supremo, por sinal, foi parte do problema que teve que resolver ao se negar a dar o "voto de qualidade" previsto no Artigo 13 do Regimento Interno na primeira vez em que a Ficha Limpa foi à votação no plenário do STF.

Como Peluso votara contra a entrada imediata em vigor da lei, seu desempate seria a favor do recurso ou de Joaquim Roriz ou de Jader, o que certamente provocaria reações da opinião pública, como provoca agora.

Peluso usou argumentação aparentemente democrática para não assumir a decisão final contra a Ficha Limpa, alegando não ter vocação para déspota.

Ora, se existe no regimento interno do Supremo essa definição para o desempate, usar o voto qualificado não torna ninguém déspota. É estranho também que caiba a cada presidente do STF decidir se usa ou não o critério de desempate; seria melhor que este fosse retirado do regimento interno ou que fosse tornado compulsório.

A pressão política sobre um tribunal superior já ficara explícita em junho de 2006, quando nada menos que seis juízes simplesmente admitiram publicamente que votaram sem saber o que votavam e sem medir as consequências do voto.

Contra o voto do relator, ministro Cesar Asfor Rocha, o plenário do TSE aderiu à proposta do ministro Marco Aurélio Mello de ampliar as restrições às alianças estaduais, numa leitura radicalizada da legislação sobre a verticalização eleitoral, que o Congresso estava flexibilizando.

Marco Aurélio Mello, vitorioso por 24 horas, anunciou que colocava ordem na bagunça partidária das coligações para as próximas eleições, e ainda encontrou tempo para fazer gracinhas metafóricas, chamando de "concubinato" as alianças fora das coligações nacionais.

Bastou que três pesos pesados da política nacional - os senadores José Sarney, Renan Calheiros e Antonio Carlos Magalhães - fossem pressionar o presidente do TSE para que subitamente suas excelências se dessem conta de que haviam votado de maneira errada na noite anterior, e convenceram-se de que tudo deveria voltar à estaca zero, prevalecendo a interpretação mais liberalizante sobre a verticalização.

Desta vez, foi a cúpula do PMDB que foi fazer uma "visita de cortesia" ao ministro Cezar Peluso no Supremo, e saiu de lá com instruções sobre a melhor maneira de conduzir a questão em termos técnicos.

E a "consultoria" informal mostrou-se bastante eficaz, e Peluso, afinal, convenceu-se de que dar o voto de Minerva não o transformava em "déspota".

Estive com o escritor Christopher Hitchens apenas uma vez, na Flip de 2006, quando fui o mediador de um debate entre ele e Fernando Gabeira.

Ele começou a mostrar a personalidade rebelde e polêmica nos bastidores, quando tentou combinar que o debate fosse em inglês, já que eu e Gabeira falávamos a sua língua.

Ponderei que não seria justo com a maioria do público, e também argumentei com Gabeira que seria desigual debater com um polemista como aquele no seu idioma.

E realmente foi bom, porque Hitchens estava com a corda toda naquela tarde, chamou Gabeira de terrorista sem o menor pudor, e ofereceu-se ironicamente para resolver a proibição de Gabeira entrar nos Estados Unidos por ter participado do sequestro do embaixador dos Estados Unidos em 1970.

Hitchens estava muito próximo do governo republicano, defendendo a invasão do Iraque, e disse ironicamente que conhecia "algumas pessoas" que poderiam ajudar o brasileiro.

Na hora das perguntas do público, ele se recusou a responder à maioria, classificando-as de "ingênuas".

Para desqualificar o debatedor, Hitchens me perguntou a certa altura se eu não colocaria em discussão questões "para elevar o nível debate", como por exemplo jornalismo como forma de arte.

Encerrei o assunto usando prerrogativas de mediador com um curto "no", para não ter que discutir com Hitchens.

À noite, encontrei-o nas ruas de Paraty, pelo jeito trôpego bebendo uma das muitas caipirinhas daquele dia. Agradeceu-me por não ter aceitado mudar o rumo do debate, aparentemente arrependido das "más-criações" da tarde, e quando perguntei se estava gostando de Paraty, me respondeu a sua maneira debochada:

"Como poderia não gostar de passear por autêntica favela, bebendo a bebida típica do lugar e ouvindo música nativa?"

Estava claro que não era nada daquilo que pensava, estava apenas exercitando provocações, e por isso achei graça. Meses depois, na Condé Nast Traveller, uma das mais importantes revistas de viagem do mundo, ele escreveu um artigo sobre Paraty, onde a classificava como "uma adorável cidade antiga bem no meio do litoral espetacular que se estende do Rio de Janeiro a São Paulo".

"(...) É um lugar de verdade, cujos habitantes pescam peixes, realizam coisas, tocam negócios e fazem música. O ambiente é democrático beirando o igualitarismo, com um arco-íris de cores humanas e uma grande variedade de música e comida.

À noite eu me juntei ao povo que dançava do lado de fora da igreja onde os escravos costumavam rezar e ouvi ritmos que aparentemente iam bem com o rum local. (referência à cachaça ou à caipirinha).

No meio da noite, a maré veio e gentilmente lavou as ruas de paralelepípedos antes de se retrair".

Um país à deriva - MARCO ANTONIO VILLA

FOLHA DE SP - 17/12/11

Na centenária história da República não houve, no primeiro ano, uma administração com tantas acusações de corrupção que levaram a demissões de ministros, como a da presidente Dilma Rousseff.

Excetuando-se o primeiro trimestre, de lá para cá a rotina foi a gerência de crises e mais crises. Nenhuma delas por questão programática ou ideológica. Não. Todas devido às gravíssimas acusações de mau uso dos recursos públicos e de favorecimentos dos parceiros da base governamental.

Neste ano ficou provado, mais uma vez, que o presidencialismo de transação é um fracasso. A partilha irresponsável da máquina pública paralisou o governo.

A incapacidade de gestão -já tão presente no final da Presidência de Lula- se aprofundou. A piora do quadro internacional não trouxe qualquer tipo de preocupação para o conjunto do governo.

Algumas medidas adotadas ficaram restritas ao Ministério da Fazenda. Como se a grave crise internacional fosse simplesmente uma mera turbulência, e não o prenúncio de longo período de estagnação, especialmente da Europa, e com repercussões ainda difíceis de quantificar na economia Ásia-Pacífico.

O governo brasileiro mantém-se como um observador passivo, e demonstrando até certo prazer mórbido com os problemas europeus e com a dificuldade da recuperação dos Estados Unidos. Como se não pudesse ser atingido gravemente pelos efeitos de uma crise no centro do sistema capitalista.

Se é correto afirmar que o mundo está iniciando um processo de inversão das antigas relações econômicas centro-periferia, isso não significa que o Brasil possa suportar um lustro sem que ocorra uma reativação das economias americana e europeia.

A crise de 2008 -e a estagnação de 2009, com crescimento negativo de 0,3%- não foi suficiente para que o governo tomasse um rumo correto. Foi guiado exclusivamente pelo viés eleitoral de curto (2010) e médio prazos (2014). A inexistência de um projeto para o país é cada dia mais evidente. Nem simples promessas eleitorais foram cumpridas.

Nenhuma delas. Serviram utilitariamente para dar algum tipo de verniz programático a uma aliança com objetivos continuístas. Foram selecionadas algumas propostas, mas sem qualquer possibilidade de viabilização. Basta citar, entre tantos exemplos, o programa (fracassado) Minha Casa, Minha Vida.

O país está à deriva. Navega por inércia. A queda da projeção da taxa de crescimento é simplesmente uma mostra da incompetência. Mas o pior está por vir.

Não foi desenvolvido nenhum plano para enfrentar com êxito a nova situação internacional. Tempo não faltou. Assim como sinais preocupantes no conjunto da economia e nas contas públicas.

A bazófia e o discurso vazio não são a melhor forma de enfrentar as dificuldades. É fundamental ter iniciativa, originalidade, propostas exequíveis e quadros técnicos com capacidade administrativa, mas o essencial é mudar a lógica perversa deste arranjo de governo.

Dizendo o óbvio -que na nossa política nem sempre é evidente-, o objetivo do governo não é saciar a base de sustentação política com o saque do erário, como vem ocorrendo até hoje. Deve ter um mínimo de responsabilidade republicana, pensar no país, e não somente no projeto continuísta.

Contudo, tendo como pano de fundo o primeiro ano de governo, a perspectiva é de imobilismo. Algumas mudanças nos ministérios devem ocorrer, pois o desgaste é inevitável. Nada indica, porém, uma alteração de rumo ou uma melhora na qualidade de gestão. A irresponsabilidade vai se manter. E caminhamos para um 2012 cinzento.

Direito à informação - EDITORIAL FOLHA DE SP

FOLHA DE SP - 17/12/11
Faltando pouco mais de quatro meses para que entre em vigor a nova Lei de Acesso à Informação, a maioria dos servidores do governo federal ainda se mostra despreparada para cumpri-la, e mandatários continuam a agir como se tivessem a prerrogativa particular de decidir o que o público pode ou não saber.

Sancionado no mês passado, o conjunto de normas representará, se cumprido de forma adequada, inegável ganho democrático, ao ampliar os direitos da sociedade e tornar a administração pública mais transparente.

A legislação consagra o princípio de que o verdadeiro dono dos dados produzidos pelo Estado é o cidadão, a quem se confere o direito de solicitar a informação que considerar adequada, a qualquer momento, sem precisar apresentar justificativas sobre as razões que o movem. Resguardam-se, é claro, as normas legais que impõem algum grau de sigilo a documentos.

A lei, para se tornar efetiva, pressupõe uma importante mudança de hábitos e mentalidades na máquina pública. Em resposta a uma pesquisa da Controladoria-Geral da União, mais da metade dos servidores do Executivo federal disse não haver em seu local de trabalho órgão ou profissional designado para atender à demanda por informação.

Não é apenas o funcionalismo que se encontra despreparado. Numa demonstração de absoluto descaso pela nova legislação, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), recorreu ao Supremo Tribunal Federal para tentar limitar o acesso de deputados a dados produzidos por sua administração.

Ele pretende modificar uma norma local que obriga o governo a responder a requerimentos encaminhados por qualquer parlamentar. Se é esse o tratamento dispensado a representantes eleitos do povo, pode-se imaginar como serão recebidos os pedidos diretos de cidadãos fluminenses.

Investimentos materiais e logísticos serão necessários para que a Lei de Acesso à Informação funcione -e é de esperar que providências sejam tomadas antes de maio próximo, quando o diploma entrará em vigor. Não será fácil superar a cultura patrimonialista que alimenta a resistência da esfera pública brasileira a abrir-se para a sociedade, mas é esse justamente o objetivo que a lei pretende atingir.

Boneco cego - RUY CASTRO

FOLHA DE SP - 17/12/11
RIO DE JANEIRO - O Oscar que Orson Welles ganhou em 1941 pelo roteiro de "Cidadão Kane" vai a leilão semana que vem em Los Angeles. O lance mínimo é de US$ 1 milhão. Para quem é rico e do ramo, deve ser barato. Foi o único Oscar que "Kane" recebeu, dos nove a que foi indicado, e o único que Orson levou por um filme, e olhe que dividido com Herman J. Mankiewicz.
Não é de hoje que o Oscar vai ao cinema e não enxerga nada. Para o boneco, o melhor filme de 1941 foi "Como Era Verde Meu Vale", de
John Ford, e o melhor ator, Gary Cooper, por "Sargento York". Com todo o respeito por Ford e Cooper, inclusive nesses filmes, hoje parece inacreditável que "Kane" e Welles não tenham ficado com os ditos Oscars.
O filme seguinte de Orson, "Soberba", também foi indicado entre os melhores de 1942, mas perdeu para o correto, quadrado e apenas oportuno "Rosa de Esperança", drama de guerra de William Wyler. Derrota discutível, embora, naquele ano, nenhum dos dois se comparasse a "Contrastes Humanos", de Preston Sturges, nem sequer cogitado. E, mais até do que o magnífico George Sanders em "A Malvada", era Orson, no papel de Harry Lime, quem merecia ser o melhor ator coadjuvante de 1950, por "O Terceiro Homem".
O caso mais escandaloso, no entanto, foi o de "A Marca da Maldade", ignorado de alto a baixo em 1958 e pelo qual Welles deveria ter ganhado, no mínimo, os Oscars de melhor filme, diretor e ator -os quais couberam, respectivamente, ao musical "Gigi", ao diretor deste, Vincente Minnelli, e a David Niven por "Vidas Separadas". E por que a estatueta de ator coadjuvante em 1959 coube a Hugh Griffith por "Ben-Hur", e não a Orson no papel do advogado em "Estranha Compulsão", de Richard Fleischer?
Pensando bem, talvez US$ 1 milhão seja muito dinheiro por um boneco cego.

GOSTOSA


GELEIA GERAL - MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SP - 17/12/11
Renan Calheiros (PMDB- AL) ajudou na coleta de assinaturas da CPI para investigar a privatização no governo de Fernando Henrique Cardoso. Detalhe: ele foi um dos principais ministros da era FHC, quando ocupou o cargo de ministro da Justiça.

TUDO COMBINADO
O PT está turbinando a CPI, proposta pelo deputado Protógenes Queiroz (PC do B-SP). Mas já traçou o roteiro: fará barulho em torno da comissão, proposta para investigar denúncias do livro "A Privataria Tucana", de Amaury Ribeiro Jr, até março. Neste mês, o petista Marco Maia (RS), que preside a Câmara dos Deputados, vai arquivá-la por "carência de objeto específico". O próprio governo petista não tem interesse no barulho de uma CPI.

TUDO COMBINADO 2
Maia até já tranquilizou tucanos que foram procurá-lo, conforme revelou anteontem o "Painel" da Folha.

DE STONE PARA LULA

O cineasta Oliver Stone enviou carta ontem ao "camarada Lula". Ele diz que muitos nos EUA têm Lula dentro de seus corações e torcem por ele. "Você continua sendo um dos meus heróis", diz Stone. "Ouça o seu corpo e cuide do equilíbrio dele." A carta chegou às mãos de Lula por meio de Max Arvelaiz, embaixador da Venezuela no Brasil.

CORREIO
O ex-presidente recebeu recentemente também cartas da chanceler alemã, Angela Merkel, e do porto-riquenho Benício del Toro. O ator, que interpretou Che Guevara no cinema, lembrou que o argentino também raspou a cabeça, como ocorreu agora com Lula. Fez isso para entrar na Bolívia nos anos 60 sem ser reconhecido.

BILHETE IDA E VOLTA
O Turismetrô, programa de passeios a bordo do sistema metroviário, retoma hoje as intervenções em que atores fantasiados contam episódios da cidade em pontos do centro histórico. Elas estavam suspensas havia quatro meses, porque as contratações dos artistas não estavam regularizadas. A deputada Rita Passos (PSD) havia pedido à SPTuris a retomada das performances.

AMAZÔNIA QUE SONHA
Christiane Torloni recebeu nesta semana o Prêmio Chico Mendes de Florestania. A atriz, no ar em "Fina Estampa", é idealizadora do movimento Amazônia para Sempre, que recolheu mais de 1 milhão de assinaturas para a preservação da floresta amazônica. "É um grande reconhecimento e uma motivação do tamanho do mundo", diz.

A MÃE DO MANO

Mano Wladimir, 9, filho de Marisa Monte, era um dos mais animados durante a apresentação da mãe, na quinta, na festa de lançamento do iTunes, no hotel Unique, em SP. Cantou e gritou, contrastando com a frieza da maioria da plateia de executivos, que conversava durante o show.

BELEZA DE FESTA
A cantora Wanessa, a modelo Loris Kraemerth e a apresentadora Sabrina Sato foram à festa de aniversário do promoter Diego Rodrigues, anteontem, na balada SET.

GAROTO DO ROCK
O ator Raoni Carneiro, no ar como Tião na novela "Aquele Beijo", da TV Globo, acaba de lançar o CD
"Na Volta Que o Mundo Dá", com sua banda Trupe. Em janeiro, o grupo faz shows no Rio de Janeiro e em Niterói.

CURTO-CIRCUITO

Selton Mello abre hoje, às 11h30, mostra em sua homenagem, no Cinespaço The Square Granja Vianna. Grátis.

A Domingueira Jun Daiti estreia amanhã, às 17h, no Studio SP-Vila.

O projeto Cello Dance, com coreografias e solos de violoncelo, acontece hoje, às 21h, no teatro Sérgio Cardoso. Livre.

A cervejaria Miller faz festa hoje, na Vila Leopoldina. 18 anos.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

Claros e transparentes - SÉRGIO CÔRTES

O GLOBO - 17/12/11

Semana passada, o plenário do Senado aprovou, por 70 votos a 1, o projeto de lei complementar que regulamenta a chamada Emenda 29 e estabelece, entre outras disposições, os valores mínimos a serem destinados ao setor de saúde pública por parte de União, estados e municípios.

É evidente que precisamos de mais recursos para Saúde no Brasil e no Rio de Janeiro, mas não necessariamente precisamos de mais um imposto para isso. Um país que se orgulha de dizer que é o único no mundo com mais de 100 milhões de habitantes que tem um sistema universal de saúde, o SUS, não pode aplicar menos de 4% do PIB em saúde pública (somados gastos de União, estados e municípios).

Uma reflexão que poucos parecem dispostos a fazer é que o Brasil, ainda que um gigante na universalização da saúde, gasta menos que a saúde suplementar, sendo que esta atende apenas 30% da população. Cinquenta e cinco por cento de todo o gasto em saúde são privados. E essa aplicação é excludente não só porque concentra investimentos no percentual da população que tem mais recursos, como também na forma e destino da aplicação destes. A saúde suplementar não faz transplante - 90% dos transplantes são custeados pelo SUS, sendo que o Brasil é líder na realização de transplantes de fígado no mundo. A saúde suplementar não imuniza - 100% das campanhas de vacinação, tão fundamentais para evitar que doenças extintas no país retornem, ou que outras transformem-se em epidemias, são custeados pelo SUS. A saúde suplementar não toma conta de vigilância sanitária, apenas para citar alguns exemplos. Esses investimentos representam média de US$300 per capita, cerca da metade do que o Chile e a Argentina aplicam e bem longe dos US$3 mil de Espanha, Canadá e Reino Unido.

Agora, independentemente do modelo de financiamento, a regulamentação da Emenda 29 deveria trazer um componente que garantisse um contrato para a utilização de novos recursos. Porque não adianta garantir mais dinheiro, se não forem criados mecanismos para que sejam bem aplicados. Nós, enquanto gestores públicos da saúde, temos que ter metas a cumprir. Cumpriu, ganha mais. Não cumpriu, ganha menos.

Este modelo, o governo do Estado do Rio de Janeiro implantou em 2010 com o Programa de Apoio aos Hospitais do Interior (PAHI), no qual o repasse aos municípios e seus hospitais - quer públicos ou filantrópicos - está condicionado ao alcance de metas quantitativas e qualitativas preestabelecidas. Resultado: mais de 90% das prefeituras passaram a prestar conta dos recursos e a superar metas de atendimento e promoção à saúde. Uma pequena revolução silenciosa no interior do estado.

A saúde precisa de mais recursos. Mas que estes venham obrigatoriamente atrelados a contratos de gestão bem claros e transparentes. Para assim ampliar, de fato, a universalização do direito à saúde.

Ueba! Neymar x Neymessi! - JOSÉ SIMÃO

FOLHA DE SP - 17/12/11

E com essa crise, eu tô achando que os espanhóis vão pedir dinheiro emprestado pro Neymar!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Acelera o final do ano! Começou a fase escada rolante. Todo ano, nesta época, parece que a gente subiu uma escada rolante ao contrário: sobe, sobe e não sai do lugar.
Aliás, já imaginou encarar uma escada rolante de shopping? Lotada! Precisa de senha pra subir. Senha 2079, pode subir! Aquela gorda de collant com uma caixa na cabeça, pode subir! Rarará!
E olha o que um tuiteiro me perguntou: "uma semana pro Natal, já fui a shopping, supermercado, padaria e ainda não ouvi a música da Simone, resta alguma esperança?" Rarará!
E um amigo está em Nova York e disse que só tem brasileiro comprando e tirando foto com o Papai Noel que, na verdade, é outro brasileiro. Rarará!
E amanhã! Duelo de Titãs! Neymar x Messi! A dupla Neymar e Neymessi! Pica-pau Encapetado X Galã de QuerMessi! E você sabe como é ego de jogador argentino, né? Estoura um relâmpago, eles arrumam o topete pensando que é flash!
E com essa crise, eu tô achando que esses espanhóis vão pedir dinheiro emprestado pro Neymar! Você pensa que eles estão correndo pra tirar a bola, mas é pra pedir dinheiro emprestado! Rarará! Dame dos euros!
E adorei a charge do Nani com a Europa no médico: "Ai, doutor, o Portugal me dói, tô com uma dor na Espanha e na Grécia. A Itália, então, não para de latejar". Rarará!
E sabe como se diz paz em catalão? Pau! Então, se vocês ouvirem os jogadores do Barcelona gritando "queremos pau", eles só querem paz! Paz nos estádios! Pau nos estádios! E em Barcelona a situação tá tão braba que olha o cartaz num açougue: "filete de pobre, 3,95 euros". Dez gramas! E adeus, Japão.
E, ao contrário das piadas, tem um restaurante em São Carlos chamado O Espetão do Japonês! Rarará. É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: é mole, mas trisca pra ver o que acontece!
E mais uma pra minha série "Os Predestinados"! Proctologista em Manaus: doutora Felicidade. Felicidade Santos Gimenez. Já imaginou na hora da consulta, na hora do toque? Ai, doutora, que feliciiiiiidade! Rarará! E não podemos nos esquecer daquela biba de língua "plesa", fã do Messi: "Messeu com o Messi, messeu comigo". Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

É assim e pronto - RENATA LO PRETE

FOLHA DE SP - 17/12/11
Governistas com pendências diversas a resolver enxergaram nos resultados da nova pesquisa CNI/Ibope, bastante confortáveis para Dilma Rousseff, um sinal adicional de que não será nada fácil obter concessões da presidente neste final de ano.

Como fez em outras ocasiões ao longo de 2011, a presidente tenderá a se aproveitar dos números favoráveis para bater o pé em negociações como a do reajuste do Judiciário -ontem rejeitado novamente e de forma categórica por ela. A atitude "empoderada" de Dilma foi percebida em seguidos temas abordados durante café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto.

De A a Z No café da manhã, Dilma fez questão de dizer que ainda não leu "A Vida quer é Coragem", sua biografia escrita pelo jornalista Ricardo Amaral. Carlos Araújo, ex-marido e confidente da presidente, leu com lupa.

Parceria tática 1 Quem acompanhou a operação para enterrar as chances de votar a criação do fundo de previdência dos servidores em 2011 ficou pasmo com a sintonia entre o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT), e o presidente da Câmara, Marco Maia (PT). Os dois normalmente se estranham.

Parceria tática 2 Pouco antes do anúncio de que o projeto sairia da pauta, quando o Planalto ainda pressionava pela votação, Maia perguntou a Vaccarezza: "Você tem mesmo coragem?" E o outro: "Claro que eu tenho". Maia: "Então vamos nessa".

Remendo Sem o Funpresp, o governo vai tentar adiar contratações na máquina federal para depois de março, quando se espera que o projeto já esteja aprovado.

Em dupla Preocupado em se manter em evidência enquanto seu partido é cortejado pelo PT, Netinho de Paula (PC do B) deverá se apresentar nos palcos da periferia paulistana acompanhado do também pagodeiro Belo, autor do hit "Amor Bandido".

Ritmo de festa O "conselho político" de Fernando Haddad precipitou disputa dentro do PT. Embalados pelo entusiasmo de dirigentes que falam em vitória no primeiro turno, vereadores e deputados passaram a considerar a montagem do colegiado uma espécie de laboratório para o possível secretariado.

Cabe mais um? O "conselhão", de início com 24 cadeiras, já tem 27 integrantes. Oficialmente, a disputa por assento é vista no partido como "demarcação de espaço", mas apenas para a redação do programa de governo.

W.O. Marta Suplicy alegou compromissos familiares e faltará hoje, pela segunda vez consecutiva, à reunião do conselho de Haddad.

Tucanocídio Vereadores boicotaram ontem o evento em que a direção do PSDB da capital marcou a data das prévias para 4 de março.

Cronômetro Geraldo Alckmin avisou aos 26 secretários que cada um terá cinco minutos para prestar contas no balanço de hoje no Bandeirantes. Ele deve anunciar novo corte no custeio.

Visitas à Folha Sonia Francine, superintendente da Sutaco (autarquia do governo estadual para artesanato) e pré-candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, visitou ontem a Folha. Estava acompanhada de Lylian Concellos, chefe de gabinete.

Yang Xingfeng, vice-presidente da Associação All-China dos Jornalistas e presidente do Nanfang Media Group, visitou ontem a Folha. Estava com Huang Kun, vice-cônsul em São Paulo.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio

"Agora ele é nosso adversário. Para ser candidato a prefeito de Curitiba em 2012, vai ter que pedir licença ao ex-ministro Carlos Lupi."

DO PRESIDENTE DA JUVENTUDE NACIONAL DO PSDB, MARCELLO RICHA, filho do governador Beto Richa, sobre o ex-deputado Gustavo Fruet, que trocou o ninho tucano pelo PDT para disputar a eleição na capital paranaense.

contraponto

Sob os holofotes

Em recente visita a Paris para lançar a candidatura de São Paulo a sede da Expo Universal de 2020, Michel Temer, Gilberto Kassab e secretários do prefeito foram almoçar num bistrô. Quando todos já estavam à mesa, o peemedebista percebeu que o sol batia diretamente em seu rosto, e um assessor, decidido a baixar um toldo, pediu ajuda ao garçom. Este, ao saber que se tratava do vice-presidente brasileiro, respondeu:

-Ora, o sol não está incomodando nada! Está iluminando a figura mais importante da mesa, isso sim!

GOSTOSA


Quando quer, o STF faz - FERNANDO RODRIGUES


FOLHA DE SP - 17/12/11

BRASÍLIA - Como sempre diz o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a democracia é um processo. Em Brasília, é possível assistir de perto a essa marcha sem fim. O país está na estrada certa, mas a velocidade é ainda lentíssima.

O bom político é o que consegue driblar essa sina gradualista. Não é fácil. FHC, Lula e, agora, Dilma são adeptos do mesmo ritmo. É igual no Legislativo e no Judiciário. Congressistas e juízes demonstram pouco interesse em acelerar o processo.

O risco de prescrição de penas do mensalão é uma prova acabada do atraso da democracia brasileira. O caso é de 2005. Hoje, seis anos depois, segue encalacrado na Justiça.

Ao vocalizar, nesta semana, o que todos já comentavam nos corredores do Supremo Tribunal Federal, o ministro Ricardo Lewandowski prestou um serviço. Sua declaração sobre a prescrição de penas do mensalão provocou uma movimentação inaudita. Passou-se a buscar uma saída contra o arquivamento.

Adeptos da tese do "copo meio vazio" enxergam incongruência na fala de Lewandowski. Afinal, ele é um dos 11 ministros do STF. Por que não tomou uma atitude mais cedo?

Outra forma de analisar a declaração é olhar para os lados e perguntar: por que os outros ministros do STF não vieram a público ou tomaram alguma atitude para evitar o esquecimento do mensalão?

A rigor, o alerta de Lewandowski talvez tenha vindo tarde demais. A essa altura, parece inevitável a prescrição de um dos crimes mais comuns entre os 38 réus do mensalão -o de formação de quadrilha.

Mas o STF é um tribunal político. Quando deseja algo, faz. Nada proíbe os 11 ministros de, no início de 2012, tentarem um mutirão.

Por determinação do presidente do STF, Cezar Peluso, todos os ministros terão agora acesso integral ao processo. O que os impede de fazer o julgamento em um mês ou dois? Nada. Exceto a política.

Política de exportação, decisão de que governo? - JOSÉ AUGUSTO DE CASTRO


O Estado de S.Paulo - 17/12/11


Merece aplausos a informação divulgada recentemente pelo governo federal de que em 2012 vai dar prioridade à África e à América Latina na promoção das exportações brasileiras. Decisão oportuna, pois, além de esses mercados serem alternativas viáveis para compensar reflexos comerciais negativos advindos da crise internacional que se avizinha, representam os principais destinos para exportação de produtos manufaturados e de serviços de engenharia, importante segmento indutor e viabilizador de exportação de manufaturados.

Essa atuação ratifica a política adotada nos últimos anos, que permitiu transformar nossos laços culturais com a África em oportunidades comerciais para produtos brasileiros. O acerto da medida é confirmado pelas estatísticas de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, que nos últimos anos mostram crescimento nas exportações brasileiras destinadas ao continente africano, com destaque especial para produtos manufaturados.

Em sentido figurado, esse cenário é resultado do plantio feito pelo Brasil com sementes selecionadas e cuja colheita tem apresentado elevada produtividade, mas pode ser ainda maior se forem adotadas corretas técnicas de adubação, representadas pela adequada utilização de instrumentos de política de comércio exterior, em especial mecanismos de financiamentos.

Dados da OMC mostram que em 2009 os manufaturados responderam por 69,5% das importações africanas e 68,8% das importações das Américas do Sul e Central, sinalizando a existência de espaço para expandir a presença comercial brasileira. Mas, não obstante os resultados favoráveis obtidos, nem todos no governo caminham na mesma direção, pois, enquanto as áreas diretamente envolvidas com o comércio exterior trabalham para criar condições para estimular e tornar viável a expansão das exportações de manufaturados, outros setores atuam em sentido oposto. Esse descasamento é constatado pelo montante de recursos alocados no Orçamento federal para o Proex financiar as exportações de bens e serviços em 2012, completamente desvinculado das corretas ações governamentais anunciadas.

O Comitê de Financiamento e Garantia de Exportações (Cofig), órgão integrado por representantes de sete ministérios e quatro instituições financeiras atuantes na área, definiu e propôs para o orçamento do Proex em 2012 o total de R$ 3,98 bilhões, sendo R$ 2,78 bilhões na modalidade financiamento e R$ 1,2 bilhão na equalização. Porém, baseado em fatos desconhecidos e distantes da realidade do comércio internacional, na proposta orçamentária esses recursos foram reduzidos a R$ 1,28 bilhão, R$ 0,8 bilhão e R$ 0,48 bilhão, respectivamente, representando expressivo corte de 68%, 71% e 60%.

Essa decisão ilógica é reveladora da falta de sintonia entre as diversas áreas do governo federal, principalmente quando se tem notícia de que o montante de financiamentos à exportação já aprovados pelo Cofig para 2012, com recursos do Proex, supera o valor que consta na proposta orçamentária. Adicionalmente, os recursos definidos para o Proex em 2012 poderão ser ainda mais escassos, pois a exposição de motivos da Medida Provisória n.º 541 informa que o aporte ao Fundo de Financiamento à Exportação, criado pelo Plano Brasil Maior, será feito com recursos do Proex. Por sua vez, a Portaria Secex n.º 42, de 7/12/2011, autoriza que a partir de 8/12/2011 as exportações de até US$ 50 mil realizadas com Declaração Simplificada de Exportação tenham acesso aos financiamentos do Proex.

O projetado corte no orçamento do Proex gera diversos fatores negativos: 1) Contraria o Plano Brasil Maior, voltado para imprimir competitividade às exportações; 2) frustra a estratégia de intensificar o comércio em mercados alternativos, especialmente africanos e sul-americanos; 3) reduz a competitividade das exportações de manufaturados, com perda de negócios e menor geração de empregos; 4) Prejudica a promoção comercial e a eficácia das missões comerciais à África e às Américas; 5) e afeta a imagem comercial do Brasil, por vender e não poder entregar.

Com o orçamento previsto para financiar as exportações em 2012, o ano comercial brasileiro terá cerca de nove meses, enquanto os nossos concorrentes atuarão nos 12 meses do ano-calendário, significando perda de mercado. Países concorrentes, notadamente a China, ficarão felizes com essa decisão, que significa estímulo indireto às suas exportações. Sempre deve ser lembrado que a competição chinesa, em especial na África, oferece cooperação e ajuda econômica aliadas a operações comerciais, apoiadas em engenhosos mecanismos financeiros, abundantes recursos, atraentes taxas de juros e garantias para os negócios internacionais.

Para evitar a obrigação de fixar orçamento anual, com riscos comerciais e de ficar dependente da insuficiência de recursos, a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) há anos insiste na criação de um fundo rotativo para financiar as exportações, visando a ficar livre de contingenciamentos burocráticos internos. Considerando que 2012 será um ano difícil para o comércio mundial, em especial para o Brasil, com a provável queda nas cotações das commodities, a redução do orçamento do Proex fará o País deixar de colher o que tem plantado nos últimos anos. E o que é pior, a colheita será efetuada, mas por nossos concorrentes, que penhoradamente agradecem ao Brasil esse fair-play.

Certamente serão lamentados os empregos não criados, as divisas não ingressadas e os espaços comerciais não conquistados, ou até mesmo perdidos, especialmente num mundo em crise. Mas ainda há tempo para corrigir essa distorção no orçamento do Proex para 2012, decorrente de falta de sintonia e sensibilidade. Basta querer.

Erro de diagnóstico? - CELSO MING

O ESTADÃO - 17/12/11

Uma das mais fortes críticas ao tratamento dado à crise da União Europeia pela chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, é a de que o diagnóstico está errado.

Como entendida pela chamada dupla Mercozy, esta crise de endividamento insustentável foi gerada pela gastança incontida dos governos nos últimos dez anos e só pode ser revertida pela austeridade orçamentária.

Os críticos afirmam que a verdadeira causa da crise é o desequilíbrio de suas contas externas: esses países há anos estão importando mais bens e serviços do que exportam e, para fechar suas contas externas, têm de trazer capitais para dentro de suas economias, por meio do endividamento.

Em outras palavras, eles dizem que esta crise não foi criada por despesas excessivas dos governos dos países do bloco do euro, mas, sim, por rombos sucessivos no seu balanço de pagamentos. (A tabela dá uma ideia do problema.) Quem mais tem insistido nesse diagnóstico é o economista Martim Wolf-um dos analistas de macroeconomia mais respeitados do mundo, que escreve semanalmente no diário Financial Times, de Londres.

Se esse ponto de vista está correto, a política de austeridade e de sacrifícios imposta aos quase quebrados para reequilibrar as finanças públicas- e não os balanços de pagamento - não tem lógica, porque ataca a causa errada.

De fato, na área do euro existem dois blocos nítidos. Há o dos países superavitários, que são Alemanha,Finlândia,Holanda, Áustria, Bélgica e França, economias que registram superávits entre 6% (caso da Finlândia) e 1% do PIB (França). E há o conjunto dos deficitários, os demais que ostentam déficits que variam de 9% (como Portugal) a 1%do PIB (Itália).

Países que carregam superávit sem conta corrente são os que exportam mais bens e serviços. Ei sso é assim porque seu sistema produtivo é mais competitivo do que o dos países que não obtêm os mesmos resultados. A falta de competitividade, por sua vez, é a consequência de custos mais elevados na economia: sistema produtivo tecnologicamente ultrapassado, salários e custos sociais mais altos,carga tributária maior, infraestrutura precária e cara, instituições rígidas demais, sistemas previdenciários sobrecarregados.

Como é que se corrigem desequilíbrios estruturais nas Contas Correntes? Se cada país tivesse sua própria moeda, as deficiências seriam mais facilmente compensadas por meio de valorização cambial nos países superavitários e/ou desvalorização cambial nos deficitários.

O problema é que na União Europeia a moeda é compartilhada e, nessas condições, não pode ser valorizada ou desvalorizada para uns e não para outros. Além disso, os mercados de trabalho são pouco integrados, por causa das diferenças de idioma.

Assim, soluções implicariam reformas estruturais para a unificação dos sistemas tributários e previdenciários e investimentos em infraestrutura. Afora isso, os salários nos países superavitários teriam de subir para favorecer elevação do consumo, que deveria cair nos países deficitários para empurrar as exportações.

Mas, afinal, quem está certo: a dupla Mercozy ou seus críticos? O que dá para dizer é que isso lembra a velha e não resolvida questão de quem veio primeiro, se o ovo ou a galinha.

Não há muito como separar desequilíbrios fiscais de desequilíbrios em Conta Corrente. São faces da mesma moeda. Quando carregam déficits estruturais, os países estão consumindo mais do que podem e por isso importam demais e dependem de captação externa de capitais. Isso, por sua vez, quase sempre é reflexo de contas públicas desequilibradas, ou seja, de despesas de governo muito maiores do que as receitas.

A questão da natureza da crise e do melhor tratamento a adotar para debelá-la não é desprezível e vai ser objeto de grandes discussões. Os problemas mais graves não são diagnósticos e tratamentos eventualmente equivocados, mas, sim, os dirigentes do bloco do euro não atacarem adequadamente nem os seus desequilíbrios fiscais e tampouco os externos. E, assim, a crise vai se acirrando sem solução à vista, sabe-se lá com que desdobramentos funestos para a democracia.

Inclusão financeira - ROBERTO RODRIGUES

FOLHA DE SP - 17/12/11

A democracia só é completa quando as oportunidades são iguais para todos, e isso as cooperativas fazem bem


Sempre que há alguma crise mundial no setor financeiro, as cooperativas de crédito sofrem menos que os bancos comerciais, por causa da maior exposição de ativos que estes têm. Cooperativismo é uma doutrina socioeconômica cujo conceito tradicional é o da busca da melhoria das condições sociais dos associados por meio de seu progresso econômico.

Isso faz do cooperado a qualquer tipo de cooperativa um cidadão com três funções: ele é ao mesmo tempo dono, investidor e usuário da instituição que é dele, pertence a ele e aos seus companheiros de atividade profissional.

A cooperativa de crédito tem uma característica adicional: ela opera principalmente nas regiões ou setores em que os bancos convencionais não têm muito interesse, seja porque não existem grandes valores de recursos disponíveis, seja porque os recursos estão dispersos em um número elevado de pessoas mais pobres, cujo mutualismo paga pouco.

E essa é outra razão pela qual as cooperativas de crédito e seus bancos de cúpula (os bancos cooperativos) sofrem menos que os demais bancos: porque os ativos são pulverizados entre milhões de pequenos mutuários que têm aversão ao risco -e são os proprietários da instituição financeira.

Na atual crise, a situação não mudou. No mundo todo, os sistemas cooperativos de crédito têm reagido melhor que os bancos, suportando os problemas dela derivados com certa tranquilidade. No Brasil, esse movimento ainda é pequeno, apesar de representar uma forma mais acessível ao crédito de menor custo. As cooperativas de crédito têm apenas 2% de participação no Sistema Financeiro Nacional.

Segundo o Woccu (Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito), em 2010 já existiam no mundo mais de 53 mil cooperativas de crédito operando em cem países, com 190 milhões de cooperados. E, no seu conjunto, representavam 7,5% do mercado financeiro, quase quatro vezes a participação das nossas. E isso sem contar os bancos cooperativos, cujo "market share" na Europa (segundo a Associação Europeia dos Bancos Cooperativos) chegava a 20% já em 2008, na grande crise daquele ano.

Ainda de acordo com o Woccu, em 2010, em cerca de quatro países as cooperativas de crédito já tinham ativos superando US$ 1 trilhão: França (US$ 4,2 trilhões), Alemanha (US$ 1,46 trilhão), Japão (US$ 1,05 trilhão) e Itália (US$ 1,03 trilhão), seguidos de perto por mais três países com ativos acima de US$ 900 bilhões (Estados Unidos, China e Holanda). O Brasil, mesmo com movimento ainda jovem, já é o 13º país com maior volume de ativos no setor: US$ 54 bilhões em 2010.

Mas aqui também o movimento vem crescendo de forma notável. Até outubro deste ano, os empréstimos realizados pelas cooperativas às pessoas físicas chegaram a US$ 30 bilhões (segundo o BC), com crescimento de 24% ante o ano passado, quando a crise não era pronunciada como agora.

A Organização das Cooperativas Brasileiras calcula que esse setor crescerá mais de 30% em 2011. Temos 1.370 cooperativas de crédito operando em 45% dos municípios brasileiros em 4.529 pontos de atendimento, com 5,1 milhões de associados e 56 mil funcionários. São quatro os setores centrais de crédito cooperativo no Brasil: o Sicoob, o Sicredi, o Unicred e o sistema Ancosol, da economia solidária. O primeiro cresceu 35% em 2010, enquanto os bancos cresceram 17%.

Trata-se de uma notícia alvissareira. O cooperativismo de crédito representa "inclusão financeira".

Boa parte das cooperativas está em municípios com baixa densidade demográfica, com média de 20 habitantes por km², e que não têm acesso a nenhuma outra instituição financeira.

Que cresça esse movimento: afinal, democracia não é apenas política; ela somente é completa quando as oportunidades são iguais para todos, e isso as cooperativas fazem muito bem.

Aliás, já dizia Mário Kruel Guimarães, ideólogo das cooperativas de crédito rural no Brasil: "Com esse instrumento, podemos caminhar com nossas próprias pernas". E tomara que os quatro sistemas se juntem num só para terem mais poder.

Confiança do consumidor ainda explica aprovação - JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO


O ESTADÃO - 17/12/11

Enquanto a confiança do consumidor estiver em alta, é improvável que a popularidade do governo mova-se no sentido contrário. Antes de a aprovação de Dilma Rousseff subir, cresceu o Índice de Expectativa do Consumidor (Inec) medido pela mesma dupla CNI/Ibope que aferiu a popularidade presidencial. Quando o bolso está cheio, outros problemas, como notícias de corrupção, incomodam menos o cidadão.

Apesar de a crise econômica internacional ter atrofiado o crescimento do PIB brasileiro, ela não diminuiu o otimismo do consumidor. Pelo menos até agora. Os indicadores da situação financeira individual que compõem o Inec melhoraram em novembro e em dezembro. Nada guarda correlação mais estreita com a popularidade presidencial do que a combinação desses dois indicadores.

A presidente terminou 2011 tão bem quanto começou, com os mesmos 56% de 'ótimo' e 'bom'. É um índice historicamente alto. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisou de quatro anos de governo para chegar a esse patamar. E seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, só atingiu-o uma vez, em março de 1997.

Dilma herdou grande parte da popularidade de Lula, mas conseguiu mantê-la alta graças ao bom desempenho do consumo. Para isso contaram não apenas a renda individual mas também o acesso do consumidor ao crédito pessoal. Não por coincidência, facilitar o crédito é uma das primeiras medidas que o governo toma quando a economia esfria.

Juros mais baixos e crédito fácil têm impacto principalmente no bolso dos mais pobres. São as pessoas que ganham até um salário mínimo que mais bem avaliam o governo Dilma, que são mais otimistas com o futuro de sua gestão e que mais confiam na presidente.

Como no governo Lula, o grau de aprovação é inversamente proporcional à renda e à escolaridade. Os mais críticos são os que ganham mais e quem tem diploma de nível superior. Mas as diferenças são menos dramáticas do que foram ao governo do antecessor. Dilma vai proporcionalmente melhor entre as mulheres e no Sul, por exemplo.

Nesse cenário, até as notícias de queda de ministros têm viés positivo para Dilma. As demissões dos auxiliares são interpretadas pela maioria como ações contra a corrupção. Cada ministro que cai, maior a faxina. É um mau sinal para os aliados da presidente, cada vez mais vulneráveis a trocas. Só lhes resta retaliar nos bastidores do Congresso e, novidade da semana, do Supremo.

Consciência em construção - CRISTOVAM BUARQUE


O GLOBO - 17/12/11

No dia 2 de dezembro de 2011, o presidente da República em exercício, deputado federal Marco Maia (PT-RS), sancionou a Lei nº 12.533 que institui a data de 16 de março como Dia Nacional da Consciência das Mudanças Climáticas. Pode parecer um ato sem grandes consequências, mas, a partir dele, essa data passa a ser usada em todo o país para debater a tragédia que nos ameaça por causa da crise ecológica e também buscar soluções para os problemas que enfrentam. Imaginemos todos os estudantes brasileiros debatendo em suas escolas qual o tipo de progresso que estamos realizando, quais os problemas que a humanidade tem adiante e como enfrentá-los, usando esse dia para buscar respostas às perguntas que o mundo apresenta. A Subcomissão do Senado para a Cúpula Rio+20 preparou uma lista destas questões sobre o futuro da humanidade. Elas podem ser vistas no texto "Desafios da humanidade", que pode ser acessado no site www.cristovam.org.br. Ressalto algumas das questões:

Água, como conservá-la? Se não adquirirmos uma consciência da escassez de água potável no mundo e não usarmos esta consciência para encontrar formas de poupar e reciclar a água potável que temos, nossos descendentes vão passar por graves dificuldades em um futuro não muito distante.

energia, para quê e como? Este é um problema perceptível por causa do esgotamento do petróleo, mas temos deixado o assunto para os técnicos, esquecendo que ele é também de comportamento pessoal e de política social. Buscamos aumentar a oferta, sem procurar como elevar o bem-estar usando menos energia. Os governos lutam desesperadamente por novas hidrelétricas, sem perceber que é possível reduzir o consumo de energia elétrica, nem entender que há outras fontes que já deveriam estar sendo utilizadas extensivamente.

Crescimento, até quando poderá continuar? A crise europeia mostra na prática o que há décadas se discute teoricamente: que não há como a economia da produção material continuar crescendo eternamente. Mais do que um problema financeiro, a crise europeia é o resultado do esgotamento de um tipo de civilização que define progresso como sinônimo de crescimento econômico: o progresso medido pela velocidade da utilização dos recursos materiais para servir à voracidade do consumo.

Progresso, como redefini-lo? Não é mais lógico nem ético adotar progresso como sinônimo de crescimento econômico, conseguido graças à depredação ambiental, ao aumento da desigualdade, à produção de armas e ao consumismo. Mas ainda não temos um conceito alternativo; ainda não se definiu com clareza o que é desenvolvimento sustentável, ainda não se aceita a ideia de que é possível elevar o bem-estar mesmo sem crescimento econômico.

Indicadores de progresso, quais utilizar? Se progresso não é determinado pela taxa de crescimento do PIB, é preciso encontrar outros indicadores que meçam o nível de bem-estar. O IDH - Índice de Desenvolvimento Humano - representou uma revolução. IDH leva em consideração a expectativa de vida ao nascer, educação e PIB per capita. Estimado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o IDH mostra o contraste do Brasil, como um exemplo de progresso, a 7ª economia do mundo; e, ao mesmo tempo, exemplo de fracasso, por sermos o 84º país em progresso social. Mas é preciso ampliar seu conceito até podermos, a cada ano, indicar o quanto cada país melhorou o bem-estar das pessoas sem depredar a natureza.

Decrescimento com bem-estar é possível? Se o crescimento começa a se esgotar, como a Europa mostra, cabe perguntar se é possível melhorar o bem-estar com a economia decrescendo. Aumentar a oferta de alguns bens e reduzir de outros, mesmo que a soma não represente crescimento de um ano para outro.

Estas e outras perguntas poderão ser debatidas graças ao Dia Nacional de Consciência das Mudanças Climáticas, com a sanção da Lei 12.533 de 2011.

Alguns anos atrás, Celso Furtado disse: "Os homens de minha geração demonstraram que está ao alcance do engenho humano conduzir a humanidade ao suicídio. Espero que a nova geração comprove que também está ao alcance do homem abrir caminho de acesso a um mundo em que prevaleçam a compaixão, a felicidade, a beleza e a solidariedade." Esta nova geração só pode ser formada por debates entre os jovens. E o Dia Nacional da Consciência das Mudanças Climáticas poderá ter um importante papel na construção dessa consciência.

A oportunidade perdida dos países árabes - GILLES LAPOUGE


O ESTADÃO - 17/12/11

Gilles Lapouge analisa o cenário nos países que foram palco das primeiras revoltas



Como era bela a primavera dos países árabes, há um ano! Em dezembro de 2010, na Tunísia, um miserável vendedor ambulante, Mohammed Buazizi, imolou-se e, de uma extremidade à outra do país, as manifestações sucederam-se numa verdadeira torrente, numa onda de indignação, de coragem, de alegria. Sem líderes, sem partidos, sem chefes de orquestra, sem a “mão do estrangeiro”. O “marco zero” da desgraça e da revolta, ao mesmo tempo.

Em Túnis, em seus belos palácios, o ditador Zine el-Abidine Ben Ali, paralisado, não compreendeu nada. Ficou amedrontado e fugiu. Em 14 de janeiro, caiu. As ruas ganharam a batalha. Começava a Primavera Árabe que se alastraria como um rastilho de pólvora por todo o Magreb.

A esperança e o heroísmo são contagiosos. Dias depois, em 25 de janeiro, as ruas levantavam-se no Egito. No centro do Cairo, a Praça Tahrir foi invadida. O velho déspota Hosni Mubarak assustou-se. Em 11 de fevereiro, também fugiu. O mundo ficou perplexo. Não seria um engano, um truque? Uma ilusão de ótica?

As pessoas começaram a sonhar. Será que isso continuaria? Bastou que uns miseráveis de pés no chão os pressionassem para que estes tiranos de segunda categoria - que o Ocidente vergonhosamente protegeu durante 25 anos - saíssem, com o rabo entre as pernas.

E se isso continuasse? E continuou! Foi a vez de os miseráveis atacarem um tirano mais ameaçador, o coronel Muamar Kadafi, o bufão que os europeus haviam bajulado por tanto tempo. Kadafi tinha o Exército ao seu lado e o povo líbio não conseguiu derrubá-lo. Então, o filósofo francês Bernard-Henry Lévy conseguiu habilmente fazer com que o presidente Nicolas Sarkozy se voltasse contra Kadafi. A Grã-Bretanha o imitou, e, logo depois, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Os combates foram violentos. Kadafi morreu e a Líbia libertou-se. O incêndio espalhou-se por outras plagas: o Iêmen levantou-se e, na Síria, começaram os tumultos.

E o que a Primavera Árabe se tornou, depois de alguns meses? Na Síria, os combates continuam, mas nos três primeiros países libertados, Tunísia, Egito e Líbia, começou o processo de reinstalação de governos civis, constitucionais e democráticos. Foram realizadas eleições. Mas o resultado foi inquietante. O que resta agora da euforia e da festa, à saída das urnas? Nada de tão palpitante. Onde está a bela Primavera Árabe? Será inútil procurá-la, desapareceu. Bastaram seis meses para que se tornasse uma primavera perdida.

O primeiro país a se libertar, a Tunísia, foi às urnas em 23 de outubro. Eleições irrepreensíveis, com grande afluência dos votantes, um modelo de democracia. Mas o resultado não foi o esperado. Os grandes vencedores não foram os liberais, os democratas, os jovens indignados de janeiro, mas os islâmicos do partido Ennahda.
As eleições no Egito foram mais complexas do que na pequena Tunísia. Elas se realizam em várias fases. A primeira já passou e os resultados já são conhecidos. A lição foi praticamente a mesma da Tunísia: os liberais e os democratas foram esmagados pelos islâmicos, que obtiveram 63% dos votos.

Como ocorreu na Tunísia, os islâmicos egípcios têm duas variantes. Uma variante tranquila: o Partido da Justiça e da Liberdade, que recebeu 37% dos votos. É o partido da Irmandade Muçulmana, que desempenhou um papel significativo no despertar do Islã. Seus chefes são homens idosos, dotados de uma boa formação intelectual que excluem os extremistas; eles se contentam em recomendar uma volta a um Islã conservador. Ainda invocam o exemplo dos islâmicos moderados no poder na Tunísia, um Islã tolerante.

O caso da Líbia é mais indefinido. A guerra que os revoltosos travaram contra os soldados de Kadafi deixou sequelas assustadoras. A nova Líbia é um país demolido, fragmentado, dilacerado pelos ódios e as lembranças.

Se acrescentarmos que, no Oriente Médio, a Síria oscila depois de nove meses de combates ignobilmente travados por Assad, conviremos que o rosto da primavera do Magreb e do Oriente Médio é às vezes crispado. Embora o movimento continue alimentando esperanças, defronta-se com dois perigos extremos: por um lado, o retorno dos militares preocupados em impedir o caos. Por outro, o que é talvez ainda pior, o avanço, num prazo mais ou menos longo, das cortes do islamismo radical por intermédio dos salafistas e dos bandos de fanáticos. Ninguém perdeu e ninguém ganhou. Mas a esperança ingênua e obtusa daqueles que estavam convencidos de que a democracia desceria, “como uma pomba”, sobre o Magreb e o Oriente Médio, revela-se um gigantesco erro de análise.

Inverno. Em todo caso, há um país para o qual esta primavera foi um “inverno”: Israel. Os israelenses temem, acima de tudo, que os equilíbrios estratégicos da região se deteriorem em detrimento do seu país.

Jamais Israel esteve mais isolado do que hoje. Na capital israelense, as interrogações voltam-se para o Egito que, em 1979, assinou com Israel um tratado que preservava a paz entre os dois países. De fato, se um grupo islâmico tomar o poder no Cairo, mesmo na forma moderada da Irmandade Muçulmana, poderá esvaziar o tratado de 1979, pondo fim ao diálogo com os israelenses em favor do Hamas, os palestinos islâmicos de Gaza, inimigos mortais de Israel.

Por outro lado, na fronteira entre Egito e Israel estende-se o Deserto do Sinai, onde hoje reina a anarquia mais desoladora. Ora, sempre que existir um vácuo de poder, será preenchido pelas organizações terroristas. É o que constatamos na Somália, onde o desaparecimento do Estado engendrou um terrorismo apavorante. Ao que tudo indica, o Sinai está seguindo o mesmo caminho.

É este o panorama instável, fluido e indefinido que as primaveras árabes deixam atrás de si. Ninguém pode prever o rumo que os acontecimentos tomarão. Uma coisa é certa: o equilíbrio precário que se estabeleceu no Oriente Médio, com picos da violência mais sinistra de tempos em tempos, foi quebrado. A subversão é total. Procuram-se novas relações de força, solidariedades inéditas, inimizades desconhecidas.

Ninguém sabe para que equilíbrios mais ou menos vertiginosos este imenso redemoinho nos levará. O que parece infelizmente provável é que a maravilhosa temporada das revoltas dos jovens contra os opressores se encerrou. E os vencedores não serão necessariamente os que criaram o movimento, com a própria morte, os democratas, os pacíficos ou os razoáveis. Na sombra, negros batalhões preparam grandes manobras. /TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Coalizão - MARTA SUPLICY

FOLHA DE SP - 17/12/11

Em sua última coluna aqui neste espaço ("Emenda 29", "Opinião", 12/12), o senador Aécio Neves avaliou o saldo do primeiro ano da atual legislatura como "negativo". Com todo respeito ao meu colega, discordo totalmente de sua afirmação sobre as "inúmeras agendas frustradas".

Muitos projetos importantes e inúmeras medidas provisórias, necessárias para dar base legal a iniciativas do governo, foram aprovados.

A maioria deles é desconhecida pela grande massa, que só perceberá os benefícios quando eles chegarem ao seu cotidiano. Mas o povo mantém a confiança, uma vez que o governo Dilma apresenta os índices mais altos que um presidente já teve em um primeiro mandato. E não é fácil substituir Lula, melhorar os programas que tinham promessa de continuidade e começar a ter um estilo próprio de governar.

Em termos de articulação política, o primeiro ano de governo é sempre decisivo para consolidar e afinar as alianças e encaminhar os compromissos de campanha que, em certa medida, definem seu caráter e destino.

O primeiro grande desafio da presidenta foi a votação do reajuste do salário mínimo. Fruto de intensa articulação política, acompanhada pessoalmente pela presidenta, a vitória na votação mostrou a força da base de apoio ao atual governo e assegurou que os salários dos trabalhadores terão ganhos reais sobre a inflação. E que serão compatíveis com a capacidade financeira do país.

Na votação do Código Florestal na Câmara dos Deputados, todos os partidos da base aliada tiveram dissidentes, o que levou Dilma ao primeiro revés naquela Casa. O desfecho foi revertido no Senado. Depois de quase seis meses de negociação, aprovamos, por 59 votos a sete, um texto que buscou o equilíbrio entre as necessidades do setor produtivo e as necessidades de preservação ambiental.

Tive o privilégio de relatar o projeto de lei que cria o Pronatec, outro gol de Dilma. O programa, de R$ 6,75 bilhões, dará acesso a cursos de qualificação profissional a 8 milhões de pessoas até 2014.

Aprovamos a regulamentação da Emenda 29, definindo o que são gastos com saúde e quanto cada um dos entes federativos deve investir. Com a aprovação da Desvinculação das Receitas da União, na próxima semana, a presidenta terá espaço para manobrar o Orçamento para implementar prioridades e enfrentar a crise que será brava ainda.

Precisa mais? Precisa. Nosso governo tem enorme e heterogênea base e enfrenta sérios problemas ministeriais. Enquanto os projetos de inclusão social forem implementados e o povo sentir firmeza na condução de Dilma diante da economia e dos malfeitos, não vejo como a boa avaliação irá mudar. A pesquisa publicada ontem confirma isso.

CLAUDIO HUMBERTO

“Chega de assassinatos morais de inocentes”
Ex-presidente FHC, pregando a reação do PSDB ao livro A Privataria Tucana

SKAF SERÁ HÓSPEDE DO CONTRIBUINTE EM NORONHA

O presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, Paulo Skaf, gosta de transformar suas entrevistas em aulas de gestão, apesar dos próprios insucessos empresariais, e adora pregar a redução dos gastos públicos, mas sua filiação ao PMDB deve ter produzido nele mudanças significativas. O líder da rica Fiesp vai gozar férias como hóspede do contribuinte, em instalações militares da ilha de Fernando de Noronha.

ELE É O CARA

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), agora conta vantagem. Diz que recebe “ligações frequentes” do ex-presidente Lula.

REFORMA, ADEUS

Reforma ministerial em janeiro é coisa para fazer dormitar bovinos. Ficam todos e só saem os que irão disputar cargos eletivos.

PAI DOS POBRES

O Brasil, que já doou US$ 1 milhão a refugiados palestinos em Gaza para assistência à Saúde e Educação, vai dar mais US$7,5 milhões.

PT ON FIRE 

O PSDB ironiza a edição esgotada de 15 mil livros de A Privataria Tucana: só de cargos comissionados, o PT tem 26 mil em Brasília.

PGR ENROLA E NÃO RESPONDE ITÁLIA SOBRE TERRORISTA

A Procuradoria-Geral da República enrola, enrola, e não responde a interpelação dos advogados do Estado italiano sobre se o terrorista Cesare Battisti pode permanecer no Brasil como estrangeiro em situação ilegal, uma vez que falsificou o passaporte para entrar no País, e isso é crime. O caso foi empurrado para o recesso, e a resposta – que deveria levar dez dias – só sai em janeiro. E o terrorista vai ficando...

É BOM FAZER MALAS

No Planalto, já há quem acredite que Cesare Battisti passará o Natal em sua dolce vitta no Brasil, mas no Carnaval estará longe daqui.

CUMPRA-SE

Assessores dizem que Battisti não faria Dilma interferir nos caminhos da Justiça. Ela seria mais respeitosa que Lula ao Direito Internacional.

NADA A DECLARAR

A Procuradoria-Geral da República foi procurada para se pronunciar sobre a interpelação da Itália, mas optou pelo silêncio.

PEQUENO AVANÇO

Dilma avisou que partidos governistas continuarão a fazer indicações, mas não haverá mais ministro-cacique, como Alfredo Nascimento (Transportes), do PR, e Carlos Lupi (Trabalho), do PDT. É um avanço.

O REI SOL

Há ministros e ministros, entre os que disputam espaço a cotoveladas. Dilma deixou claro, ontem, que Guido Mantega (Fazenda), por exemplo, é o ministro solar. Os demais apenas fazem parte da constelação. E só.

O QUE É ISSO, COMPANHEIRO?

“Ídolo” da causa palestina, o terrorista venezuelano Ilich Ramírez, ou “Carlos, o Chacal” deve estar na rebordosa: nenhum companheiro do PT, nem o porra-louca Chávez, protestou contra os 18 anos de cadeia.

À BEIRA DE UM ATAQUE

O PSDB procurou os dois únicos deputados do partido que assinaram requerimento pela criação da CPI da Privataria Tucana. “Ficaram loucos comigo”, disse um deles, Fernando Francischini (PR).

TOMA LÁ, DÁ CÁ

Provocado por Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) a apoiar a CPI da Privataria Tucana, o tucano Nelson Marchezan Jr (RS) reagiu: “Só se você apoiar a CPI contra o ex-ministro Orlando Silva, do seu partido”.

CNMP É DA FIELDS

A agência Fields, presidida pelo publicitário Sidney Campos, celebra a conquista da conta do Conselho Nacional do Ministério Público, o CNMP. A Fields é uma das mais premiadas agências de Brasília.

DE VOLTA AO FUTURO

O deputado Ernandes Amorim (PTB-RO) se encrencou de novo: ex-prefeito de Ariquemes, foi condenado a devolver R$ 1,3 milhão por fraudar o Diário Oficial para beneficiar uma construtora da cidade.

PÁGINAS DA VIDA

Autoridade em câncer no país, José Guilherme Vartanian, do Hospital A.C. Camargo (SP), voltou ao noticiário após falar da doença de Lula: em 1992, foi acusado de espancar Marcos Takashi Kawamoto até a morte, em Maringá (PR). O crime prescreveu, Marcos é nome de rua.

BEST SELLER

O Twitter não perdoa: a piada de ontem no microblog anunciava que Lula lançará livro sobre suas palestras. Serão 240 páginas em branco. 


PODER SEM PUDOR

PREFEITO CHORÃO

O prefeito de Salvador, João Henrique (PDT), que sob a menor pressão cai no choro, enfrentou uma saia justa no Teatro Castro Alves, certa vez, na entrega do prêmio Dodô & Osmar aos destaques do Carnaval. Ele subiu ao palco para entregar o prêmio a Ivete Sangalo e foi vaiado por cinco minutos, sob gritos de “chorão!” ou “sai daí, chorão!”. Ivete tentou socorrer:

– Ele é chorão, minha gente, mas é gente boa...

Ele foi embora e, claro, depois desabou em um pranto interminável.

SÁBADO NOS JORNAIS


- O Globo: Dilma: caso de Pimentel não tem nada a ver com governo

Folha de S. Paulo: Dilma rejeita interferência de partidos no governo

O Estado de S. Paulo: Dilma diz que "não é hora" de dar reajuste aos servidores

Correio Braziliense: Dilma descarta reajuste

Estado de Minas: Presentão de Natal para vereadores de BH

Zero Hora: Inquérito indicia PMs e agrava cisão na polícia