quarta-feira, setembro 28, 2011

ROBERTO DaMATTA - Solidão: a crônica sem destino


Solidão: a crônica sem destino
ROBERTO DaMATTA
ESTADÃO - 28/09/11 

A solidão tem muito com a vida e muito com a morte. Os mortos estão sós e são abandonados. Devem estar dormindo profundamente, como disse Manuel Bandeira. Por algum tempo eles detêm toda a nossa atenção mas são em seguida abandonados. E esquecidos.

São entregues, sob o brilho das nossas lágrimas, a si mesmos e ao cosmos cuja totalidade não temos condições de abranger. Ao nos aproximarmos deles desmentimos radicalmente a boutade segundo a qual "de perto ninguém é normal" porque eles não são mais ninguém e são agora de todos. Viram memórias, tornam-se lembranças e saudade. Saudades cheias de luz. Uma luz fugidia e opaca. Todos os segundos e dias de suas vidas são especiais, como disse o Thornton Wilder de Nossa Cidade. Sua normalidade impressiona pelo silêncio e pela mais completa perfeição. O sono profundo é um pedaço do seu mistério.
Aliás, não há condenação mais ambígua do que a morte, exceto o exílio (ou a morte social) que, como revelou o magnífico historiador Fustel de Coulanges, era pior do que a morte entre os antigos romanos. E talvez seja assim entre nós, igualmente romanos quando damos mais importância às relações do que às pessoas e não o contrário.

Entre os fatos maiores da morte e, para além dela, do morto amado que leva um pedaço do nosso coração senão toda a nossa alma ou uma de nossas pernas, jaz um mistério: para onde foi aquela vitalidade que tem como centro a necessidade de falar, trocar, cantar, escrever, construir e comunicar? De dizer como foi, como acontece nas grandes aventuras, experiências e viagens? Como é horrível para nós, vivos e predestinados a ser, um dia, esse morto, o mutismo inviolável dessa experiência que transforma a pessoa em mais uma estrela.

Espantoso como a morte - a mais importante experiência humana - seja, por isso mesmo, a única que jamais pode ser socialmente compartilhada. Daí a sua tremenda negação em toda as culturas e sociedades, em todas as crenças e ideologias.

"Força", dizem os amigos nos olhando de esguelha e já pedindo licença para sair de perto. "Foi desta para melhor", dizem outros consolando e negando veementemente o fato de que estamos todos condenados a algo pior do que inferno, pois sofremos sem saber por quê. Temos uma descabida consciência das ferramentas do sofrimento - rejeição, injustiça, ódio, descaso, inveja, esquecimento, para não falar das mais variadas formas de doença, agressão e acidentes em suas mais temíveis combinações - mas não nos é dado conhecer os fins. As causas e os motivos que levaram de nossa humilde esfera de vida um ente querido que, afinal de contas, importava mais para nós do que para todos os outros. Essa pessoa que tinha mais valor do que todas as barras de ouro e era mais amada do que todos os poderosos somados juntos. Assaltados, como a bíblica caravana, por ladrões infames e jamais detidos como o mal de Parkinson, o de Alzheimer e outras enfermidades cujo nome grandioso é sinal de sofrimentos inenarráveis, nos deparamos com a inconsistência entre o poder da doença e a fragilidade do doente tão tímido, tão pequenino, tão sereno, tão celestial na sua banal, frágil e corajosa inocência humana e o pomposo e estranho nome do funesto atacante. Espantoso descobrir alguém que compartilha de nossa vida, tendo a sua vida afligida por essas doenças impronunciáveis.

***
A solidão tem um sintoma trivial. Você é testemunho do seu próprio choro e não deseja (porque não precisa) que ninguém lhe veja chorando. O choro do amor é para o outro - quem quer que seja esse outro. O choro da solidão é para dentro e para esse outro que vive em você. É a prova de que somos muitos e que o tão desdenhado corpo é quem tem o duro papel de juntar em si todos esses atores. Temos muitos demônios e anjos interiores, mas um só palco e um só cenário dentro do qual eles podem se manifestar. Na pior situação, o corpo deve surgir uniformizado. Com as emoções mais díspares devidamente orquestradas e reveladas (ou não) por um corpo que é instrumento, ator e palco de tudo que passamos. A alma em frangalhos, o corpo sereno. Ajoelhado, como manda o figurino cristão. Ou o corpo em frangalhos e a alma serena no seu perpétuo diálogo com todos os seus demônios.

Outro dado estranho da solidão é não se sentir sozinho. Parece paradoxal mas não é. Um torcedor do Fluminense no meio da torcida do Flamengo é a pessoa mais solitária do universo. Se o diálogo que você tem com os seus outros for positivo; se você fala com todas essas estranhas criaturas que estão dentro de você, inclusive e sobretudo com os seus mortos e doentes, a solidão lhe traz uma estranha paz. A paz de Deus é a melhor metáfora para esse sentimento que chega com a vida na sua plenitude. Numa conversa franca com você mesmo como bandido, como covarde, como ignorante, como invejoso, como sovina, como boquirroto, e como renegado. Você apara suas arestas, acerta suas contas e entra em contato com aquela outra letra que segue o "A" (do amor) e o "B" (da bênção). Refiro-me ao "C" que escreve coração e compaixão. Porque sem compaixão, amigos, não há serenidade nem só nem acompanhado. Amém.

GOSTOSA


MERVAL PEREIRA - Prioridades


Prioridades 
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 28/09/11

Enquanto o debate sobre a necessidade ou não da criação de um novo imposto para financiar o sistema de Saúde do país vai se desenrolando, vai ficando cada vez mais evidente que se está discutindo uma questão de escolha, de prioridades. Os dados mostram que o governo, de uns anos para cá, reduziu o que gastava com a Saúde e aumentou a verba para os programas assistencialistas.
Ora, o governo define suas prioridades no Orçamento da União que envia para o Congresso todos os anos, e se for aprovada a decisão de gastar 10% na Saúde, como define o texto original da Emenda 29, terá que redistribuir as verbas.
A presidente Dilma não gostou da declaração da ministra Ideli Salvatti, das Relações Institucionais - que é quem, em última análise, terá que negociar com os partidos a eventual criação do novo imposto -, dando como certa a sua criação.
Embora a declaração reflita o que o governo pensa, os articuladores palacianos acham que a ministra não deveria ter sido tão explícita com tanta antecedência, pois provocará reações.
O próprio presidente da Câmara, deputado petista Marco Maia, já declarou que não vê nenhuma chance de ser aprovado um novo imposto este ano e muito menos no ano que vem, quando serão realizadas as eleições municipais.
A tese dos governistas a favor de mais um imposto é que a Saúde surgirá como a prioridade dos eleitores, o que facilitaria a aprovação no Congresso.
Mas nada indica que quando o povo diz que a Saúde merece mais atenção do governo, esteja dando um aval ao aumento de impostos. Está apenas dizendo que o governo tem que rever suas prioridades.
Ao contrário, o que deve acontecer é um estranhamento da sociedade sobre as prioridades do governo.
Se a Saúde é o problema número um do país, por que se gasta mais em outros setores?
O interessante é que a proposta de fixar um percentual mínimo para a União, que agora a oposição e setores governistas independentes querem ressuscitar no Senado, é de autoria do ex-senador Tião Viana (PT), atual governador do Acre.
Nos últimos 10 anos, de acordo com reportagem do jornal "Folha de S. Paulo", o governo alterou suas prioridades, aumentando as verbas para os programas assistencialistas de distribuição de rendas, turbinadas por reajustes do salário mínimo e programas como o Bolsa Família, e reduzindo as verbas destinadas à Saúde.
Seguindo a mesma linha já anunciada pelo empresário Jorge Gerdau, responsável pelo programa de melhoria da gestão pública do governo Dilma, que acha que antes de pensar em novos impostos deve-se pensar em melhorar a eficiência da máquina pública, o projeto Brasil Eficiente, do Instituto Atlântico, tendo à frente o economista Paulo Rabello de Castro, está fazendo uma campanha pela regulamentação de partes da Lei de Responsabilidade Fiscal que ainda não estão em vigor.
A principal medida que não está em vigor por falta de regulamentação é a criação de um Conselho de Gestão Fiscal, que seria um instrumento que facilitaria muito o trabalho de Gerdau de reduzir o desperdício nos órgãos públicos.
A Lei de Responsabilidade Fiscal, um instrumento fundamental para o equilíbrio das contas públicas, determina, por exemplo, que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) tenha metas de receita, despesa, resultado primário e resultado nominal.
O próprio Ministério da Fazenda tem um manual que orienta estados e municípios a cumprirem a LRF, e nele manda que coloquem em seus orçamentos metas de resultado nominal.
Apesar disso, nunca um governo obedeceu a essa regra, embora não ter meta nominal seja contra a lei. Nunca nenhum governo fixou essa meta desde a aprovação da LRF, aí incluídos os governos tucanos, e tanto o Congresso quanto o TCU nunca questionaram essa falha.
No passado, a LDO já teve metas de travar o gasto corrente, impedindo que ele subisse, uma medida semelhante à proposta que Antonio Palocci fez, quando era ministro da Fazenda de Lula, de não subir os gastos acima do crescimento do PIB. Ou de não subir os gastos além dos investimentos governamentais, como chegou a ser proposto e vetado pelo governo.
Na prática, essa meta não foi cumprida e, como não havia punição, não aconteceu nada.
Outra previsão da LRF, por exemplo, é o limite para a dívida federal, mas o Congresso e o Senado sequer iniciaram a votação.
O que falta é completar a implantação da lei, aprofundar a cultura, e não aumentar impostos sempre que um setor da vida do país entre em colapso.
O novo imposto da Saúde, de acordo com os cálculos governamentais, recolheria pouco mais de R$45 bilhões ao ano, mas na última vez em que cobraram o CPMF, foram recolhidos 36 bilhões. O que quer dizer que o governo está querendo não apenas criar um novo imposto, mas aumentar a mordida no bolso do contribuinte.

MARCELO COELHO - Chorando em chinês


Chorando em chinês
MARCELO COELHO
FOLHA DE SP - 28/09/11 

Seja como for, é difícil acreditar que saia alguma obra-prima de um curso de poesia para a terceira idade


Um dos maiores compositores do século 20, Béla Bartók (1881-1945) dava aulas de piano, mas nunca quis ensinar composição. "Isso não se ensina", dizia ele.
Será verdade? Em certo sentido, imagino que sim: aula nenhuma poderá transformar uma pessoa medíocre em gênio criador. Em outro sentido, Bartók estava errado. Linguagens se aprendem, e toda arte, afinal, é uma linguagem.
O professor pode ensinar a técnica, a "gramática", os truques da composição (do desenho, da pintura, da poesia) e, sobretudo, pode mostrar a seus alunos onde "erraram": os clichês, as transições malfeitas, as repetições involuntárias, as intenções mal exploradas. Seja como for, é difícil acreditar que saia alguma obra-prima de um curso de poesia para a terceira idade.
Não digo obra-prima, mas um belo filme nasceu desse ponto de partida. Chama-se precisamente "Poesia" e ganhou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Cannes. Dirigido por Chang Dong-Lee, o filme coreano está agora disponível em DVD, para quem (como eu) perdeu a chance de vê-lo no cinema. Aliás, é um daqueles filmes que funcionam bem na tela da TV.
A paisagem urbana que se vê no filme é das mais desinteressantes, e o diretor não quer mostrar quase nada dela -exceto aqueles ônibus, igrejas, conjuntos habitacionais e terrenos baldios que poderiam ser tanto de Seul quanto de São Paulo ou de Porto Alegre. O que se vê em "Poesia" é a aparência, banalíssima, de seus personagens. E, mesmo assim, o rosto da atriz principal (Jeong-hie Yun) interessa mais pelo que está ocultando do que pelos sinais de emoção que possa revelar.
Talvez seja este o aspecto mais "oriental" (o único, na verdade) de um filme que trata de sentimentos capazes de merecer uma qualificação bastante fora de moda: universais.
Tem sido tão grande a insistência na incompatibilidade entre as culturas (e em nossa necessidade de respeitar o "exótico", o "diferente", o "outro") que a palavra "universal" se tornou quase proibida. Virou sintoma de pretensão, cegueira e etnocentrismo, quando deveria ser justamente o contrário.
Nenhum filme, nenhum livro, nenhuma lenda, nenhum poema de outra cultura poderia ser visto, lido ou traduzido se não possuísse, além das suas peculiaridades de linguagem e referências específicas, uma verdade humana que vai além de seus limites geográficos e temporais.
Tome-se, por exemplo, o curso de poesia para a terceira idade que a protagonista do filme (uma senhora não muito velha que começa a ter sintomas de Alzheimer) resolve acompanhar. Querendo estimular seus alunos, o professor lhes pede que contem, diante da classe, qual a experiência mais feliz que tiveram em suas vidas.
Um homem magro, encabuladíssimo, rosto muito vincado pelo trabalho, vai à frente e se espreme numa série de sorrisos. "Nunca tive muita felicidade na vida..." Conta que sempre foi muito pobre e que morou a maior parte do tempo num porão, num barraco ou coisa assim; os pais e os vários irmãos compartilhavam o mesmo quarto.
"Muito mais tarde", conta, "consegui dar entrada num apartamento". Entrou na sala vazia, sozinho, e deitou-se no chão. "Aquela sala parecia enorme... e eu me senti o dono do mundo." Está chorando, aos arrancos, quando termina de falar.
"Poesia" não se concentra muito nas cenas desse curso: gira em torno do suicídio de uma menina e das dificuldades da velhota em conversar sobre o assunto com seu neto adolescente. Contar mais estraga o filme. Passo então a outro choro, de outro personagem, também nascido do outro lado do mundo. Em "Um Conto Chinês", filme argentino de Sebastián Borensztein, o excelente ator Ignacio Huang contracena com Ricardo Darín numa engraçada e pungente história de completa incomunicação.
Huang é um chinês que procura a família na Argentina, sem saber uma palavra de espanhol. Darín é um argentino que, mestre como sempre na expressão idiomática, na "tipicidade" portenha, não quer conversa com ninguém. Vem um telefonema, entretanto, uma torrente de palavras em chinês, uma sequência de assentimentos de cabeça, um choro longamente represado, e entendemos tudo. Não é tão difícil assim, mesmo sem saber a linguagem.

MARTHA MEDEIROS - Sem explicação


Sem explicação 
MARTHA MEDEIROS
ZERO HORA - 28/09/11 

Estive no cais do porto, onde estão algumas exposições da Bienal, e deparei com uma série de instalações artísticas que, sem a ajuda dos mediadores, parecem sem sentido. Algumas funcionam pelo impacto visual, mas o que querem dizer? Se a gente não pergunta para os profissionais que ali estão, instruídos para explicar cada obra, fica-se boiando. O vídeo de um homem andando de bicicleta sob uma esteira rolante, por exemplo. Ele pedala sem sair do lugar. Monótono.

Aí consultamos os monitores e descobrimos a questão filosófica que está por trás, assim como, em outra obra, a razão de tantas formigas circularem entre bandeiras feitas de areia, alterando seu desenho original. Inusitado, apenas.

Mas aí vem a explicação: é uma forma de alertar para a precariedade dos territórios em meio à crise econômica mundial. Incentiva a nos perguntarmos o que é uma nação e como ela se comporta diante das migrações. Hum. Entendi.

Muitas coisas não têm explicação. Aliás, nem precisariam, mas nos sentimos mais seguros quando sabemos o porquê, a razão, o motivo. A coisa gratuita desperta nossa fragilidade, nos coloca em estado de ignorância. Tudo o que não entendemos zomba de nós.

Assim é nas relações amorosas, que pouco se valem da racionalidade, e assim é também o mistério da existência humana, que provoca teorias diversas e nenhuma certeza absoluta. Há muitas coisas que a gente não compreende, mas que continuam existindo à revelia do nosso desconhecimento.

Toda ausência de justificativa provoca uma certa vertigem, e foi essa vertigem que senti ao ler sobre o menino de 10 anos que, depois de balear uma professora, correu para um canto da escola e atirou contra a própria cabeça.

O tiro na professora deve ter sido acidental, um erro no manejo de uma arma que jamais deveria estar em suas mãos, mas atirar contra si próprio tem um propósito – ou deveria ter. Qual? Segundo a família, os amigos, os colegas e a própria professora atingida, o garoto era tranquilo, saudável, sem distúrbios de comportamento. Por que se suicidou?

Provavelmente entrou em pânico com o próprio gesto, temeu ser castigado, ficou com vergonha e atendeu ao impulso de sumir dali, daquele lugar, daquela situação absurda e violenta demais para seus míseros 10 anos. No ápice da tensão, fez o impensado.

Outra explicação? Poderão descobrir um histórico de agressões na família, excesso de jogos de computador inadequados para sua idade, algum transtorno psicológico que nem deu tempo de ser averiguado. Haverão de furungar, de querer saber.

Mas o mais provável é que o pequeno garoto não tivesse como explicar o tiro que havia disparado contra a professora. E, mesmo tão inocente, intuiu: sem explicação, nada se sustenta.

Faltou o mediador.

PAULO SANT’ANA - A dor nos pertence


A dor nos pertence 
PAULO SANT’ANA
ZERO HORA - 28/09/11 

Expus minha dificuldade a um amigo e ele me disse: “Se Deus quiser, vais te livrar desta dificuldade”.

Respondi : “Mas como? Estás querendo dizer que existe a chance de Deus não querer e me fazer continuar com minha dificuldade?”.

Esta expressão “se Deus quiser” é um tanto confusa. Dá a entender que Deus pode não querer.

Mas, quando se diz “se Deus quiser”, não está implícito que Deus quer o meu bem e, portanto, como ele é a fonte de todas as misericórdias, ele vai com certeza resolver o meu problema?

Ainda anteontem, eu estava vendo, às quatro horas da madrugada, a pregação do pastor Silas Malafaia, na TV Bandeirantes.

Uma vez escrevi que estava ainda à espera na televisão de um grande pregador religioso. Eu estava enfarado e desiludido com os pregadores religiosos de televisão, todos se mostravam vulgares, abruptos, incompetentes para atraírem minha atenção de potencial fiel.

Até que meu pedido foi atendido e surgiu a milagrosa figura do pastor Silas Malafaia.

É um encanto para a mente e para o coração ouvir Silas Malafaia na televisão. Começa que ele recita incontáveis capítulos e versículos da Bíblia, ilustrando seu assunto, sem auxílio da leitura. Tem na memória a Bíblia inteira.

Além disso, suas afirmações sobre teologia são deslumbrantes. Anteontem, ele estava explicando o que são as misericórdias de Deus.

Ele disse que misericórdia é ter afeição pela dor alheia, é respeitar a dor alheia e providenciar para que ela acabe.

Por sinal, acontece de a gente por vezes contar a uma pessoa das nossas dores e a pessoa dizer assim: “Isto não é nada, vai passar”.

Mas, como, não é nada? Então eu faço um relato de uma aflição que está me massacrando e aquela pessoa vem me dizer que aquilo não é nada?

Foi assim quando eu estava no início de minha carreira jornalística. Numa cirurgia, me deceparam inteiramente o meu nervo facial.

Tive obviamente paralisia facial. Eu parecia um Frankenstein. Minha boca entortou totalmente, meu olho esquerdo não fechava e, como isso deslubrificava minha córnea, corria o risco de gangrena oftalmológica se eu continuasse a não piscar.

Virei um quadro triste de ver.

E eu no hospital. E dezenas de pessoas foram me visitar. E todas elas diziam-me o seguinte: “Isto não é nada, em seguida tudo volta para o lugar”.

Pensava: “Como, não é nada? Será que estou ficando louco?”.

Até que foi me visitar Maurício Sirotsky, fundador da RBS, que me olhou atentamente e disse o seguinte: “É grave o que tens. Seria grave em qualquer pessoa, mais grave ainda em ti, que trabalhas em televisão. Vamos fazer tudo para que teu rosto volte para o lugar”.

Viram a diferença entre o que diz um sábio e o que dizem outras pessoas?

O seu Maurício entendeu a extensão da minha tragédia e sensibilizadamente atinou para a dor e a apreensão que eu estava sentindo.

Como, é nada?

É imprescindível que meçamos a dor íntima das pessoas.

LYA LUFT - Drogas: o labirinto

Drogas: o labirinto
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MIRIAM LEITÃO - Custo da crise


Custo da crise
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 28/09/11

O Banco Central pode dizer, como fez ontem o presidente Alexandre Tombini, que previu o agravamento da crise internacional. Mas ele ainda não pode garantir que isso vai provocar "pressão deflacionista" na economia brasileira. Na apresentação feita por Tombini no Senado um número chamou a atenção: a destruição de riqueza foi de quase US$10 trilhões no mundo.

Esse é o tamanho da desvalorização das ações listadas em bolsa nos últimos quatro meses. É mais do que dois terços do PIB americano.

Em qualquer medida é muito maior a perda que houve desde que a crise começou, em 2008. O PIB dos Estados Unidos saiu de um crescimento médio de 2,6% entre 2000 e 2007 para uma média de -0,3% no período 2008-2010; a Zona do Euro foi de 2,2% para -0,7%. Os emergentes perderam, mas bem menos: de 6,6% para 5,4%. O Brasil, apesar de emergente, ficou com crescimento menor do que o do seu grupo.

Impressionante é o custo social desta crise, que levou o desemprego de menos de 5% nos Estados Unidos para 11% e aos atuais 9%. Na Zona do Euro, o desemprego é hoje de 10%.

A crise elevou o endividamento de todos os países que Tombini definiu como "de economias maduras" e que alguns definem como "economias avançadas". Hoje essa classificação fica estranha. Na Zona do Euro há países como Grécia, Portugal, Eslovênia, Eslováquia, que não são exatamente maduras ou avançadas. Mas na falta de melhor nome, fica este. O mais importante é que na apresentação de Tombini ele explicou que a dívida desses países continuará crescendo, com raras exceções, nos próximos anos. Isso pelo efeito do déficit que os governos acumularam. Essas economias estão prisioneiras de um círculo vicioso porque a alta da dívida aumenta o risco soberano, isso reduz o valor dos títulos emitidos pelos governos, e a baixa perspectiva de crescimento econômico eleva a relação dívida/PIB.

Essa percepção de risco elevada não afetou apenas as economias menores da Europa. A falta de uma solução rápida para a crise está fazendo com que piore até a avaliação sobre as duas maiores economias da região, principalmente da França, que se descolou da Alemanha, como se pode ver no gráfico abaixo.

Como os bancos da Europa são os que carregam os títulos dos países da região, a percepção de risco dos bancos também subiu fortemente, principalmente dos italianos. Resultado: mais um círculo vicioso.

Com a desconfiança em alta, os empresários investem menos, os consumidores consomem menos. Nada disso é novo, tudo vem acontecendo desde 2008. O que Tombini pôde dizer é que o agravamento recente da crise não o pegou de surpresa, porque a ata da última reunião veio repleta de alertas.

O que continua destoando é sua conclusão sobre a economia brasileira. Ele garante que tudo isso levará a inflação a cair, ficar dentro do intervalo de flutuação no fim do ano e convergir para o centro da meta no ano que vem.

Não há qualquer garantia disso. E o problema é que o Banco Central tem como principal tarefa no regime de metas de inflação garantir que as taxas ficam na meta.

Ele está apostando que a inflação cairá um pouco a cada mês até maio do ano que vem. Hoje, ela está em 7,3%. Cairia dois pontos percentuais nesse período.

Não considera que a alta do dólar - ainda que tenha parado - anulou o efeito da queda das commodities. Que alguns alimentos não cairão por problemas de safra. Que o salário mínimo elevará custos de serviços e demanda.

De fato, o acumulado em 12 meses tem chance de cair a partir de outubro. Mas quanto ao ano que vem não há ainda qualquer garantia de que a queda continuará e será dessa dimensão.

Tombini garantiu aos senadores que apesar de toda a confusão do mundo está tudo dominado: hoje o BC tem R$186 bilhões a mais de compulsório do que em 2008, tem US$147 bilhões de reservas a mais, e tomou medidas que impediram o superendividamento das empresas. Disse que o BC tomou medidas que moderaram o ritmo de crescimento do PIB de 7,8% em 12 meses, em janeiro, para 4,4%. Tudo isso para explicar por que derrubou - e pelo visto continuará derrubando - os juros mesmo com a inflação acima do teto da meta.

ROLF KUNTZ - A aposta do BC e o calote


A aposta do BC e o calote
ROLF KUNTZ
O ESTADÃO - 28/09/11

Com o agravamento da crise no mundo rico, pelo menos uma aposta do Banco Central (BC) parece dar certo.

Mais que isso: se o governo grego der um calote desordenado e causar um estrago maior nas finanças da Europa, o Comitê de Política Monetária (Copom) poderá ganhar status de oráculo.

Talvez seja proposta uma canonização coletiva, se os bancos europeus perderem os €300 bilhões estimados num dos piores cenários do Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas não será necessária uma catástrofe dessa proporção. Para justificar o corte de juros anunciado no dia 31 de agosto, o comitê alegou, entre outros pontos, a perspectiva de uma boa e simples desaceleração da economia mundial - mesmo sem recessão e sem quebradeira.

Segundo o argumento, uma expansão menor da economia mundial deverá atenuar ou eliminar as pressões inflacionárias. Além disso, as pressões já diminuem no Brasil.

Para completar, o governo da presidente Dilma Rousseff está comprometido com uma política fiscal mais moderada, abrindo espaço para uma redução dos juros básicos. O conjunto parece bem arrumado. Mas será realista? Só um dos pontos alegados pelo Copom, a piora do cenário mundial, parece confirmado. Mas nem esse dado é definitivo.

Tudo poderá piorar, se as medidas anticrise propostas pelos governos da Europa e dos Estados Unidos forem rejeitadas pelos parlamentos, ou se apenas uma parte for aprovada. No caso dos Estados Unidos, o quadro será bem melhor se o Congresso aceitar todo o pacote apresentado pelo presidente Barack Obama ou, pelo menos, seus componentes mais importantes.

Nessa hipótese, a economia americana poderá crescer 2,8% no próximo ano, um ponto acima da atual projeção do FMI, segundo explicou ao Estado o economista-chefe da instituição, Olivier Blanchard. Na Europa, os governos pressionam os parlamentos para aprovar o novo modelo do fundo de estabilidade financeira. Se os parlamentares alemães concordarem, seus colegas de outros países da zona do euro serão estimulados a seguir o mesmo caminho. Nem todos os problemas serão resolvidos, mas a insegurança deverá diminuir e o financiamento das dívidas públicas poderá ser mais fácil e menos custoso. Bastaram algumas boas notícias, ou mesmo rumores positivos, para animar os mercados europeus nos últimos dois dias. Disso resultou a boa aceitação de novos papéis emitidos pelos governos da Itália e da Espanha. Ainda há, é claro, um perigoso déficit de liderança e de coordenação entre os governos, mas, até por falta de alternativa, os dirigentes dos dois países mais importantes, a Alemanha e a França, vêm tentando, unidos, apontar o caminho.

Algum resultado têm conseguido.

Se bastasse o quadro internacional para justificar o corte de juros, seria difícil criticar a decisão do Copom. Mesmo na hipótese de uma evolução mais favorável das condições externas, a ação preventiva ainda seria defensável. Mas a nova política monetária foi explicada com uma argumentação mais ampla e muito mais discutível.

Segundo o presidente do BC, Alexandre Tombini, a inflação estará abaixo do teto da meta, 6,5%, no fim deste ano. As projeções do mercado financeiro e das consultorias independentes são menos otimistas.Mas essa não é a questão mais importante. Uma fraçãozinha a mais ou a menos, até dezembro, fará pouca diferença.

Importa mesmo saber onde estará a inflação no próximo ano. Segundo as projeções independentes, estará perto de 5,5% em dezembro de 2012. Se houver um bom fundamento para essa estimativa, a pergunta será inevitável: continua em vigor o regime de metas? Segundo o BC, sim. Mas esse regime só funciona com uma boa administração de expectativas.

Quando surgem dúvidas sobre o compromisso e sobre a autonomia do BC, o sistema tende a perder eficácia.

Os sinais de desaceleração da economia brasileira continuam pouco claros.

Também isso pesa nas avaliações.

Os dados de crédito publicados ontem pelo BC reforçam as dúvidas, porque os empréstimos continuam crescendo.

A única novidade importante é a piora da linguagem: "A expansão do crédito bancário registrou aceleração em agosto, mantendo, porém, a trajetória de moderação observada ao longo do ano", etc. Aceleração na trajetória de moderação? Finalmente, há a aposta no compromisso do governo com uma política fiscal moderada. É uma alegação muito estranha, quando o projeto de Orçamento para 2012 tem como base uma estimativa de expansão econômica de 5% e inclui a perspectiva de um desconto no superávit primário, com abatimento de R$ 40,6 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Esse desconto equivale a 1% do PIB projetado. Por enquanto, só a piora do quadro internacional parece confirmar as hipóteses do Copom. Talvez um calote grego provoque um estrago suficiente para tornar irrelevantes todas as dúvidas. Só falta alguém do BC torcer por isso.

MÔNICA BERGAMO - TERCEIRO TEMPO



TERCEIRO TEMPO
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 28/09/11

Paulo Skaf assumiu o terceiro mandato à frente da Fiesp em solenidade, anteontem, no Theatro Municipal. Ricardo Lewandowski, presidente do TSE, Benjamin Steinbruch, da CSN, o governador Geraldo Alckmin, os ministros Garibaldi Alves e Orlando Silva e o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, assistiram à cerimônia.

BURACO DA FECHADURA
O Banco do Brasil vai colocar seus técnicos para fiscalizar a verba que o Ministério do Turismo destina à realização de festas nos municípios brasileiros. A ideia do governo é sanar irregularidades na prestação de contas dos eventos, alimentados principalmente por dinheiro de emendas parlamentares. O banco, que já fiscaliza a aplicação de recursos do Minha Casa, Minha Vida, teria profissionais com experiência nesse tipo de tarefa.

PORTA FECHADA
Ronaldo não deve voltar tão cedo à bancada do "CQC": o craque, que sempre prestigiou o programa e participou de suas brincadeiras, considerou ofensivas declarações feitas por Rafinha Bastos sobre a cantora Wanessa Camargo, mulher de seu sócio Marcus Buaiz na 9ine. "Eu comeria ela e o bebê", afirmou o humorista, ao falar sobre a gravidez da cantora. O ex-jogador e até sua mulher, Bia Antony, chegaram a reclamar com a direção da TV Bandeirantes sobre o episódio.

ALERTA
A Band também transmitiu a Rafinha Bastos a discordância da empresa em relação ao episódio. Disse que ofensas desse tipo estão em desacordo com a linha da emissora. Já a assessoria do humorista informou ontem que ele não tem nada a declarar sobre o fato.

ALERTA 2
Marcus Buaiz estuda abrir um processo contra o humorista. Procurado, o empresário não quis se manifestar.

MAR REVOLTO
Datena diz que a entrevista que Jorge Kajuru teria feito com o goleiro Bruno é "igual a cabeça de bacalhau: ninguém viu". Kajuru declarou que tinha enviado a reportagem a Datena. "Ele é meu irmão. Mas não me mandou nada. Só me disse que tinha [a entrevista]. Eu disse a ele que não sei se tenho interesse [em veicular]. Eu acho que o cara que está preso tem que falar por meio de seus advogados", diz o apresentador.

A VIDA NA TELINHA
A TV Globo fez festa para lançar sua nova novela das 6, "A Vida da Gente", no La Luna. No elenco estão Fernanda Vasconcelos, Regiane Alves, Thiago Lacerda e Marjorie Estiano, entre outros.

PEQUENA ÁREA
A Record sonha em ter o ex-jogador e deputado Romário (PSB-RJ) como comentarista da emissora nos Jogos Pan-Americanos.

SHOW DO MILHÃO
O apresentador Luciano Huck lança no dia 1º de outubro a marca de camisetas Huck, em parceria com a grife Reserva. A cada semana uma nova estampa ficará à venda por sete dias na loja virtual. A primeira traz a frase "Os 40 são os novos 20".

A ESCOLHIDA
A soprano americana Janice Baird dará vida a Brünhilde, protagonista da ópera "A Valquíria", de Wagner, que será encenada no Theatro Municipal de SP em novembro. A direção é do brasileiro André Heller-Lopes. Os ingressos para as cinco apresentações estão esgotados.

SOL NASCENTE
A cantora Blubell, uma das revelações da nova cena musical, foi convidada pela embaixada brasileira no Japão a fazer uma turnê no país em outubro. Ela apresentará canções do disco "Eu Sou do Tempo em que a Gente se Telefonava" em Nagoya, Yokohama, Kamakura e Aoyama.

HOTEL CENTRAL
O Centro Paula Souza assina hoje convênio para ter cursos de gastronomia e hotelaria na Etec que será construída na Nova Luz.
O Instituto Italiano de Culinária para Estrangeiros treinará técnicos em cozinha, hospedagem, bar e restaurante. O prédio da Etec, com 4.000 m², terá um mini-hotel com quatro apartamentos, para as aulas práticas.

CURTO-CIRCUITO

Geraldo Azevedo faz shows neste sábado e domingo no Sesc Belenzinho. Classificação: 12 anos.

Gisela Rao lança hoje o livro "Não Comi, Não Rezei, mas Me Amei", das 18h30 às 21h30, na Livraria da Vila do shopping Pátio Higienópolis.

O espetáculo "Hermanoteu na Terra de Godah", da Cia. de Comédia Os Melhores do Mundo, volta a SP nos dias 21 e 22 de outubro, no Citibank Hall. Classificação: 14 anos.

A premiação do programa Para Mulheres na Ciência acontece hoje, às 19h, no Copacabana Palace.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

JOSÉ SIMÃO - Hoje! Selecinha x Nojentinha!


Hoje! Selecinha x Nojentinha!
 JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 28/09/11 

Os bancos estão em greve. Oba! Banco no Brasil só serve pra duas coisas: pagar conta e rolar dívida


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Oba! Pensamento do dia: "Se sua vida está ruim, pense no cara que cuida do banheiro do Rock in Rio". Rarará!E hoje é dia da Selecinha. Brasil x Argentina! Selecinha x Nojentinha! Vai ser aquela peladona. Peladona em Belém. No estádio do Mangueirão. E tá proibido fazer trocadilho com Mangueirão! Tipo: o Mano viu o Mangueirão entrar!
E outra bomba: os bancos estão em greve. Oba! Banco no Brasil só serve pra duas coisas: pagar conta e rolar dívida. E o gerente ainda tem que estar de bom humor!
E como disse a Hebe Camargo do Twitter: "Banco em greve na minha idade é falta de lazer. O que farei pela manhã?". Acabou o lazer dos aposentados: alugar gerente de banco!
E os grevistas que se cuidem. Sabe como se chama o presidente do Bradesco? Luiz Carlos TRABUCO! Rarará! E sabe como se chama o superintendente de ouvidoria do Bradesco? Guilherme CALLADO!
E o cheque especial está tão alto, mas tão alto, que já tão chamando de cheque ESPACIAL! E reparou que toda foto que a gente tira no Brasil aparece uma agência do Bradesco atrás? Toda rua no Brasil tem duas coisas: igreja evangélica e agência do Bradesco! E o Palmeiras também tá em greve. Greve de vitórias! E a minha conta vive em greve! E um amigo meu entrou em greve de fome. Só pra não comer a mulher! Rarará!
E essa a gente se esqueceu de comentar: o Galvão Urubueno na F1! Mais rouco que a Foca da Disney! Mandou o Hamilton procurar um psiquiatra. Por que não vão os dois? Tem beliche no psiquiatra? Fica um em cima e outro embaixo!
E diz que um psiquiatra falou pro paciente: "Qual o seu problema? Me conte tudo desde o início". "No início eu criei o céu e a terra." Então o paciente era o Galvão Bueno. Rarará! E essa: "PSDB aposta em neto de Mário Covas para renovação em SP". Renovação? Renovação do PSDB: o neto do Covas em São Paulo e o neto do Tancredo em Brasília! E ainda coliga com o neto do ACM Neto. Rarará!E reparou que São Paulo tem fixação por anel? Rodoanel e agora Ferroanel! Transportes via anel! Rarará! Paulista bota o anel na roda. Só se locomove pelo anel. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

ANTONIO PRATA - Não funciona


Não funciona
ANTONIO PRATA
FOLHA DE SP - 28/09/11

Com o intuito de facilitar um pouco nossa passagem pela Terra, fiz uma pequena lista com alguns estorvos


SE OS princípios da seleção natural valessem para os objetos criados pelo homem, estariam extintos há muito tempo o chuveiro elétrico, o repelente em espiral e o sachê de ketchup. É curioso: enquanto a natureza, esse monstro acéfalo, paga regiamente seu tributo à perfeição, mandando pro beleléu tudo o que não se adapta (alô, Neandertal!), nós toleramos uma quantidade absurda de inutensílios, como se suas existências fossem incontornáveis feito a morte, os impostos e a trilha sonora do vizinho. Não são! Com o intuito de facilitar um pouquinho nossa tão atribulada passagem pela Terra, fiz uma pequena lista com alguns desses estorvos.

Sachê de ketchup. A pior realização da humanidade, depois da versão orquestrada de Ilariê. Nas lanchonetes sempre nos dão logo cinco saquinhos, pois sabem que não conseguiremos abrir os quatro primeiros, mesmo que nos atraquemos com unhas e dentes àqueles sarcásticos dizeres: "Rasgue aqui".

Chuveiro elétrico. A segunda pior realização da humanidade, depois do sachê de ketchup e da versão orquestrada de Ilariê. A água só esquenta de verdade se não abrirmos quase nada a torneira: sob o fiozinho escaldante que escorre da ducha (sic), é como se você estivesse com o cocuruto no Saara, a barriga no Ártico, a bunda na Patagônia e os pés -bem, não se preocupe com os pés, pois após cinco minutos eles terão congelado e perdido toda a sensibilidade.

Repelente em espiral. Tem um cheiro gostoso, remete-me à infância e é bonito de ver queimando no escuro; mas, enquanto me deleito em meio ao torpor hippie-praiano, pernilongos e borrachudos deleitam-se com meu sangue. Repelente em espiral só repele os mosquitos de si próprio. E olhe lá...

Rede. Rede é lindo, rede é Brasil, é um objeto maravilhoso -mas não para se deitar. Quando você encontra a posição das pernas, perde a da cabeça, quando ajeita a cabeça, desarruma as pernas... Acho que as redes deveriam ser penduradas abertas na parede, como um quadro, uma peça de tapeçaria.

Secador de mãos a ar. Funciona muito bem -se você não tiver mais nada a fazer pelo resto da tarde, além de ficar virando as mãos de um lado pro outro, dentro de um banheiro público, só para que o dono do estabelecimento economize R$ 0,05 em folhas de papel. E não me fale em ecologia, pois o secador é elétrico, somos todos adultos e sabemos que a eletricidade não vem da cegonha: por mais limpa que seja, é sempre fruto de alguma sacanagem com o ambiente.

Embalagens de plástico duro. Estou há uma semana tentando tirar meu mouse novo de uma dessas armaduras plásticas. Ontem, fui comprar uma tesoura e -inferno!- ela vinha com a mesma inviolável carapaça.

Quando nossa civilização acabar e só restarem ruínas, essas embalagens resistirão, incólumes. Sobre nós, dirão os homens do futuro: "Eram ignorantes, crédulos e autodestrutivos, mas, caramba, que embalagens produziam!".

A lista das coisas que não funcionam é longa, caro leitor, mas a coluna é curta, de modo que devo parar por aqui. Prometo retomar o assunto noutra oportunidade e abordar uma variação muito importante do tema: as ideias que não funcionam. Adianto aqui algumas delas: pintar a própria casa, camping e relação a três. Até breve.

FERNANDO DE BARROS E SILVA - A Justiça e o sargento Garcia


A Justiça e o sargento Garcia
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FOLHA DE SP - 28/09/11

SÃO PAULO - "Sabe que dia eu vou inspecionar São Paulo? No dia em que o sargento Garcia prender o Zorro. É um Tribunal de Justiça fechado, refratário a qualquer ação do CNJ, e o presidente do Supremo Tribunal Federal é paulista."
A corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon, pôs os cinco dedos na ferida na entrevista que concedeu à APJ (Associação Paulista de Jornais). Sem a fala empolada característica do Judiciário, disse que a marcha em curso para reduzir as competências do CNJ, proibindo-o de investigar e punir magistrados antes que os próprios tribunais estaduais o façam, é "o primeiro caminho para a impunidade da magistratura, que hoje está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos escondidos atrás da toga".
Alguém dúvida que seja verdade?
O CNJ, no entanto, capitaneado pelo ministro Cezar Peluso, tomou a dianteira da reação corporativa à corregedora. Em nota oficial, disse que suas declarações "de forma generalizada ofendem a idoneidade e a dignidade de todos os magistrados e de todo o Poder Judiciário".
Onde estaria a "ofensa generalizada" ao Judiciário? Se digo que o jornalismo está "infiltrado de bandidos escondidos atrás da pena" não quero dizer com isso que todos os jornalistas -nem a maioria deles- sejam venais. Em vez de enfrentar um problema real, o CNJ endossa o teatro da dignidade abalada do Judiciário e faz o jogo do obscurantismo.
Além da corrupção, a Corregedoria do CNJ já identificou pelos Estados diversos problemas disciplinares e de gestão, casos de processos que mofam nas prateleiras, muitas vezes por inação deliberada do juiz.
O TJ-SP, de onde vem Peluso, é um conhecido templo do espírito corporativo mais arcaico e arraigado.
A decisão que o STF tomará a respeito das atribuições do CNJ pode representar um grande retrocesso institucional. Apostar na ação das Corregedorias locais é como acreditar na eficiência do sargento Garcia.

ANTONIO DELFIM NETTO - Câmbio


Câmbio
ANTONIO DELFIM NETTO
FOLHA DE SP - 28/09/11

O comportamento dos bancos centrais dos EUA e da Eurolândia são preocupantes. Nos EUA, Obama não conseguiu sequer nomear os dois diretores faltantes do Fed.
A repetição da "operação Twist" (vender títulos de curto prazo e comprar de longo), usada nos anos 60 do século passado com resultado pífio, sugere que o Fed esgotou o seu estoque de mágicas.
Inundou a economia de liquidez, mas não conseguiu induzir nem os consumidores a aumentar seus dispêndios (por temor do desemprego e pela tremenda queda do valor de seus ativos, qualquer coisa como US$ 7 trilhões), nem os empresários a aumentar seus investimentos (por falta de perspectiva de demanda), nem restabelecer plenamente o financiamento interbancário.
Na Eurolândia, a situação não é melhor. Seu Banco Central parece paralisado à espera da substituição do seu presidente, Jean-Claude Trichet, pelo já escolhido, Mario Draghi, um competente, experiente e pragmático economista italiano que desperta as maiores desconfianças dos puristas monetários alemães...
É hora, portanto, de insistirmos num programa social e econômico capaz de, em 2030, dar emprego de boa qualidade para 150 milhões de cidadãos que terão entre 15 e 65 anos de idade.
O cabo de guerra entre os analistas financeiros e a administração econômica do país vai continuar enquanto o poder incumbente não convencê-los de que o programa está, e vai continuar, a ser promovido sob a égide de um controle fiscal calibrado, sem exageros nem leniência, perseguido tenazmente, ano após ano, sem fantasias contábeis.
Não há razão objetiva para imaginar que esteja acontecendo no Brasil uma mudança no famoso tripé da política econômica canônica.
Se existe ainda alguma dúvida de que ele deve ser condicionado pelo pragmático e pelo oportunismo conjuntural, basta olhar para o que fez a Suíça com a sua moeda nas últimas semanas.
A propósito, seria a recente desvalorização do real só consequência das medidas de restrição cambial adotadas recentemente no Brasil? Certamente, não! Todas as moedas do mundo (menos o yen) se desvalorizaram frente ao dólar.
O dólar americano se fortaleceu porque continua, na opinião dos investidores mundiais e a despeito de ter perdido um "A", o refúgio mais seguro para seu capital.
O efeito inflacionário dela decorrente deve ser amenizado devido à relação inversa entre o valor do dólar e o preço das commodities: quando o dólar sobe seus preços caem. O efeito final será, talvez, positivo e de magnitude incerta, mas provavelmente menor do que sugerem os "terroristas" que apanharam no câmbio...

VÍCTOR GARCÍA RODRÍGUEZ - Pressa e descontrole nos gastos da Copa


Pressa e descontrole nos gastos da Copa
VÍCTOR GARCÍA RODRÍGUEZ
FOLHA DE SP - 28/09/11

Em um Estado famoso pela impunidade, a intervenção jurisdicional nas obras públicas só é eficaz antes do desembolso integral


A discussão acerca da legalidade da dispensa de licitação para as obras da Copa do Mundo e da Olimpíada, que agora chega ao Supremo Tribunal Federal, padece de uma redução de foco.

A dúvida com que terão de se haver aqueles que julgarão a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.655 -na qual a Procuradoria-Geral pede que seja suspenso o Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC) da lei 12.462/11- pode ser menos relevante do que aquela que deverão enfrentar os membros do Judiciário nos tribunais inferiores e nas varas singulares, quando diante da análise da legalidade de cada um dos pagamentos públicos cuja apreciação lhes for exigida.

A decisão sobre a constitucionalidade do RDC, ainda que tenha seus efeitos diretos nos regimes de contratação, não me parece, por dois motivos principais, ser o cerne do problema.

Primeiro, porque a nossa Suprema Corte tem dado respostas rápidas e democráticas, a partir de um debate plural e diante da ótica da Constituição, que é muito obtusa.

Segundo, porque, embora uma lei originada de medida provisória possa dizer o contrário, é impossível afastar o controle jurisdicional das contas públicas -para tal fim, há variados instrumentos disponíveis. O art. 5º, inciso XXXV da Constituição Federal deixa isso bastante claro.

O problema real é que, em um Estado famoso pela impunidade, especialmente naquilo que diz respeito aos crimes contra o erário (quer na aplicação de penas, quer na quase nula recuperação do dinheiro desviado a particulares), a intervenção jurisdicional nas obras públicas somente é eficaz em sua modalidade anterior ao desembolso integral, em que a eventual anulação do procedimento licitatório irregular é uma opção importante, porém não única.

Em outras palavras, o efeito colateral inevitável do único remédio judicial eficaz contra possível desvio de recursos é a suspensão do pagamento, que importa em paralisação de obra.

Mas a paralisação implica em passagem de tempo. Esse tempo que, em se tratando da Copa do Mundo de 2014, tem-se apresentado mais escasso do que o dinheiro público.

Então, o fator emergência, que já tradicionalmente é invocado para se cometerem injustiças, transforma-se em fator criminógeno; seria ingênuo imaginar que corruptos e corruptores não estejam, neste momento, a calcular o quanto a tal "emergência" lhes renderá em números concretos.

Eles sabem que a pressa na execução dos trabalhos visando aos dois grandes eventos esportivos, amplamente disseminada na opinião pública, opõe-se frontalmente à resistência inerente a qualquer intervenção judicial e, assim, sopra a favor do aumento indiscriminado de custos.

Se é verdade que o STF tem estrutura para suportar pressão dessa espécie, o mesmo não se poderá dizer, no futuro, a respeito dos tribunais inferiores, quando frente a casos concretos, e a dias contados da inauguração de nossas vitrines para o mundo.

O efeito, portanto, pode ser reverso: quando decidida sob a velada coação da impossibilidade real de paralisação de uma obra pública, a ação judicial originada para estancar uma despesa imoral acaba por se transformar em seu mais eficaz e talvez conveniente instrumento homologatório.

A urgência, como argumento, sairá mais cara do que a dispensa parcial das licitações.

*VÍCTOR GABRIEL RODRÍGUEZ é professor doutor do Departamento de Direito Público da Universidade de São Paulo (Faculdade de Direito de Ribeirão Preto)

CELSO MING - Muda para ficar como está


Muda para ficar como está
CELSO MING
O ESTADÃO - 28/09/11

A redução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), de R$ 0,23 para R$ 0,19 por litro de gasolina, foi pequena demais para mudar alguma coisa na política de combustíveis do governo federal.

Agindo pequeno, perdeu-se outra oportunidade de ajustar mais adequadamente o mercado, hoje desfavorável para o álcool.

A Cide não é um imposto para arrecadar. É de natureza regulatória. Por isso, falar em renúncia fiscal como consequência dessa redução não faz sentido.

A decisão mais importante do governo foi diminuir de 25% para 20% o teor de álcool anidro na mistura com a gasolina.

Além de deter menor teor energético, o álcool é mais barato do que a gasolina. Isso significa que o litro de combustível, agora com menos álcool e mais gasolina, ficaria mais caro. Assim, para compensar esse aumento de custos, o governo reduziu a Cide.

A razão pela qual caiu o volume de álcool na mistura é a já conhecida quebra da safra do setor sucroalcooleiro do Centro- Sul do Brasil, que termina em novembro.

No ano passado, a produção de álcool foi de 25,39 bilhões de litros. Neste ano, não será superior a 21,0 bilhões, o que equivale a um recuo de 17,25%. Além da falta de investimentos em massa verde (cana-de-açúcar) e problemas climáticos, pesa nessa retração o aumento de custos na agricultura, especialmente no preço da terra (arrendamentos) e dos fertilizantes.

O produtor de álcool não consegue repassar esses custos para o preço por esbarrar no achatamento das cotações da gasolina.

Sempre que os preços do álcool ultrapassam em 70% os da gasolina, o consumidor dos veículos flex (40% da frota nacional e mais de 80% dos carros novos vendidos hoje) acaba optando por encher o tanque com gasolina.

A produção de cana-de-açúcar no Centro- Sul até a primeira quinzena de setembro caiu 10,18% em relação ao mesmo período do ano passado, informam os últimos levantamentos da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), instituição que reúne grande número de produtores do setor (veja a tabela).

A redução de álcool anidro na mistura carburante, de apenas 5 pontos porcentuais, terá um impacto insignificante na oferta do produto. O álcool anidro corresponde a apenas 33% da produção total. Os 63% restantes são do tipo hidratado, que vai sem mistura ou nos carros flex ou nos veículos movidos somente a álcool.

A quebra de produção do álcool vai produzir três efeitos: (1) aumento de consumo de gasolina; (2) aumento de importações de álcool; e (3) aumento de importação de gasolina pela Petrobrás, que também não vem produzindo o suficiente para dar conta do consumo que, em 2010, aumentou 19% e, neste ano, vem crescendo mais 17%.

O ajuste da Cide é mais um puxadinho construído pelo governo. Permanece intocada a questão de fundo, ou seja, o esvaziamento relativo do programa do álcool, cuja principal razão é a perda de competitividade da produção, como ficou dito. E esta, por sua vez, depois da disseminação dos carros flex, se assenta na agora rígida relação de preços da gasolina e do álcool.

Tudo se passa como se o governo Dilma estivesse bem mais entusiasmado como futuro do petróleo (pré-sal) do que com a continuidade dos programas de biocombustíveis (álcool e biodiesel).

Sem bandas no câmbio

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, não repetiu ontem no Senado o argumento de que a política cambial neutraliza volatilidades. Dessa vez, preferiu dizer: "Trabalhamos para evitar movimentos bruscos da moeda para os dois lados". Só que as cotações continuam tendo movimentos bruscos. Tombini também desmentiu que o Banco Central trabalha com piso ou teto (bandas de câmbio).

JOSÉ NÊUMANNE - O Brasil de hoje é o Maranhão de 1966



O Brasil de hoje é o Maranhão de 1966
JOSÉ NÊUMANNE
O ESTADÃO - 28/09/11

Nesta semana, este Estadão ainda não se livrou da censura imposta pelo Judiciário às notícias a respeito da Operação Boi Barrica, na qual a Polícia Federal(PF) investigou negócios suspeitos da família Sarney. Esta também foi aliviada com a notícia de que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) invalidou as provas que a referida autoridade policial levantou na dita investigação. O YouTube revelou a cinéfilos e interessados em política um curta metragem de propaganda feito pelo baiano Glauber Rocha, ícone do Cinema Novo e da sétima arte no Brasil, por encomenda do então jovem governador do Maranhão, registrando o início de uma carreira política que, contrariando as previsões mais otimistas, o levou à Presidência da República. E a um poder, na presidência do Senado, que ora lhe permite substituir no Ministério do Turismo um indicado, Pedro Novais, afastado por suspeita de corrupção e evidências de má gestão, por outro, Gastão Vieira, cuja única virtude notória é a de ser mais um ilustre desconhecido e leigo nos assuntos da pasta a assumi-la.

O filme de Glauber Rocha,Maranhão 66, suscitou um debate inócuo em torno das intenções e dos verdadeiros interesses do cineasta e da notória sagacidade do político profissional que patrocinou um comercial da própria posse e terminou por financiar um documentário vivo e cru da dura realidade do País e de seu Estado miserável. Questionou- se se o cineasta foi leal a seu patrocinador ou se se aproveitou do patrocínio dele para, com imagens chocantes,denunciar o abismo existente entre o discurso barroco do empossado e a revoltante miséria de seu eleitorado.

Também foram levantadas dúvidas sobre o papel do protagonista do filme no relativo ostracismo em que a obra mergulhou, não merecendo a fortuna crítica que obras como Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe viriam a ter. Glauber foi um militante de esquerda, mas aderiu à ditadura em seus estertores quando voltou ao Brasil, chegando a chamar o ideólogo da intervenção militar contra a pretensa República sindicalista, general Golbery do Couto e Silva, de "gênio da raça". O Sarney por ele filmado era da "Bossa Nova" da UDN, com tinturas pink, mas aderiu ao regime autoritário e, depois,se afastou dele para entrar na chapa que lhe pôs fim no colégio eleitoral.

Personagem e autor podem, assim, alinhar-se na galeria das "metamorfoses ambulantes" em que Luiz Inácio Lula da Silva se introduziu, inspirando-se em Raul Seixas, para justificar na prática sua adesão ao lema de Assis Chateaubriand,segundo o qual "a coerência é a virtude dos imbecis". Mas, com todo o respeito às boas intenções de quem entrou no debate, não é a incoerência do material do curta-metragem que interessa, e sim exatamente o contrário: a permanência das práticas denunciadas com a imagética bruta da fita sob a gestão do orador inflamado e empolado, que as usava para de tratar seus antecessores, dos quais assumiu os mesmos vícios ao tomar-lhes o lugar nos braços do povo que, "bestializado", na definição de José Murilo de Carvalho,o ouvia e aclamava.

O autor deste texto é glauber ia no de carteirinha: presidio Cine Clube Glauber Rocha em Campina Grande um ano depois de o curta ter sido produzido, mas nunca me interessei por ele. Graças ao mesmo YouTube que trouxe de volta obras-primas perdidas da música para cinema no Brasil, como as trilhas de Sérgio Ricardo para Deus e o Diabo na Terra do Sol e de Geraldo Vandré para A Hora e a Vez de Augusto Matraga, Maranhão 66 emergiu. E despertou o debate errado: não importa se Glauber exaltou ou execrou Sarney nem se este foi elogiado ou ludibriado pelo cineasta contratado. Interessa é perceber a genialidade da peça cinematográfica no que ela tem de mais poderoso: a constatação de que a cena de um homem fazendo um penico de prato antecede outra em que urubus sobrevoam um lixão, ao som da retórica barroca e vazia de um demagogo, retratando o Maranhão daquela época e, sem tirar nem pôr, o Brasil de agora.

Sarney, que preside o Senado e o Congresso e põe no Ministério do Turismo de Dilma Rousseff quem lhe apraz, é o símbolo vivo do Brasil em que, no poder, o PT da presidente, associado ao saco de gatos do PMDB do senador pelo Amapá, mantém incólume "tudo isso que está aí" e que Lula prometeu a seus devotos exterminar. O problema do filme feito para exaltar a esperança no jovem político que assumiu o poder prometendo mudar tudo não é ter seu diretor traído, ou não, o acordo feito com o financiador ao expor as mazelas que ele garantiu que acabaria e não acabou. A tragédia é que nada mudou.

E não é o caso só de Sarney. A vassoura com que Jânio Quadros varreria o Brasil terminou sendo posta atrás da porta do Palácio do Planalto para expulsá-lo do poder.O caçador de marajás Fernando Collor foi defenestrado sob a acusação de ter executado com desenvoltura as práticas daninhas que usou como chamarizes para atrair eleitores incautos e,depois do período sabático fora do poder, voltou ao Congresso para bajular os novos guardiães dos cofres da viúva.

E estes também desempenharam com idêntico cinismo o papel de restauradores da moralidade que engrossaram o caldo sujo da malversação do erário, primeiro, sob Luiz Inácio Lula da Silva e, depois, sob Dilma Rousseff,cuja meia faxina em nada fica devendo aos arroubos de falso moralismo de antanho.

Desde sempre, vem sendo cumprida a verdadeira missão dos políticos no poder no Brasil sob qualquer regime e com qualquer bandeira partidária:"O Estado brasileiro usa as leis para manter os maus costumes",definiu, magistralmente,o antropólogo Roberto Da Matta na entrevista das páginas amarelas da Veja desta semana. Foi por isso que aqui se inverteu o aforismo de Heráclito de Éfeso: o rio em que nos banhamos tem sido emporcalhado a jusante por quem promete limpar a água - Sarney, Jânio, Collor, Lula, Dilma, etc.

RENATA LO PRETE - Porteira aberta


 Porteira aberta
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 28/09/11

O reconhecimento formal do registro do PSD incendiará a semana derradeira de filiações com vistas a 2012. O aval do TSE era a senha aguardada por detentores de mandatos que desejavam migrar para o partido de Gilberto Kassab, mas hesitavam, pois temiam colocar em risco seus projetos locais de curto prazo.
O impacto mais expressivo será visto em São Paulo, onde a indefinição jurídica travava a articulação de Kassab para sua sucessão. Com o sinal verde, ganha força o nome do vice-governador, Guilherme Afif. Puxando a lista de prefeitos "demos" que engordarão a nascitura agremiação está o de Mogi das Cruzes, Marco Bertaiolli.

Abafa o caso Minutos após a proclamação da vitória do PSD no TSE, alguns dirigentes do DEM já falavam nos bastidores em abortar a tentativa de questionar o resultado no STF, sob pena de encarar outra derrota, dada como certa pela maioria.

Origem 1 Alckmistas enxergam a digital de José Serra em esforços que pipocam na blogosfera para desconstruir no nascedouro a pré-candidatura do tucano Bruno Covas à Prefeitura de São Paulo.

Origem 2
Descartado Aloysio Nunes, que não aceitou concorrer, Serra enxerga em Guilherme Afif a única possibilidade de amarrar Geraldo Alckmin e Kassab no mesmo barco. Ocorre que, para o governador, seu vice não é opção.

Trânsito Roque Barbiere (PTB), delator da suposta venda de emendas na Assembleia paulista, exibe nas redes sociais fotos nas quais aparece ao lado de Alckmin e quatro secretários de Estado. No Twitter, festeja a liberação de R$ 300 mil para a reforma de um hospital em seu reduto eleitoral.

Intempéries De um deputado da base aliada, sobre a reação do Brasil à crise internacional: "Aqui ainda não chegou nem marolinha, e já estão anunciando tsunami".

Estado das coisas
O Supremo, que deve decidir hoje sobre ação impetrada pela Associação dos Magistrados Brasileiros, tem ao menos quatro votos certos para amputar a corregedoria do CNJ: Cezar Peluso, Celso de Mello, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski. E, do outro lado, só dois considerados seguros: Gilmar Mendes e Luiz Antonio Toffoli.

Selado? Há quem diga que, mesmo em caso de pedido de vista, o quarteto favorável à ação da AMB pretende antecipar o voto. Embora menos transparente a respeito, Luiz Fux tende a acompanhar esse grupo.

Decibéis
Rolou gritaria pesada antes da reunião do CNJ que terminou com nota de Peluso para enquadrar a corregedora Eliana Calmon.

Babel 1 Depois de ouvir Guido Mantega em nova reunião sobre os royalties do petróleo, Francisco Dornelles (PP-RJ) disse: "Os Estados não-produtores querem R$ 8 bi. Se a União quer dar R$ 2 bi, de onde vão tirar o resto? Esse dinheiro não existe".

Babel 2 Para indignação da bancada do Rio, Edson Santos (PT-RJ) defendeu com veemência a necessidade de poupar a Petrobras. Os congressistas fluminenses haviam sugerido alterar a cobrança de participação especial, conta que seria paga pelas petroleiras.

Visita à Folha José Olympio Pereira, corresponsável pelo Banco de Investimento do Credit Suisse no Brasil, visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Daniella Camargos, diretora da Máquina de Notícia.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio

"O mecanismo de ingresso no partido é o mesmo para todos. O PSDB não pode decidir agora que há filiados de numerada e filiados de arquibancada."

DO TUCANO ANDREA MATARAZZO, secretário estadual da Cultura e pré-candidato à prefeitura paulistana, rejeitando a ideia de restringir em qualquer medida o colégio eleitoral das prévias que o partido deverá realizar.

contraponto

Profissão de risco


Durante inauguração de uma agência do INSS no município paulista de Ribeirão Preto, anteontem, o ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, defendia em discurso a necessidade de promover reformas no instituto, em especial no que diz respeito aos processos de aposentadorias. De repente, parou e comentou:

-Eu estou falando tanto em mudanças... Falando coisas que nem deveria falar... Do jeito que os ministros estão caindo, devo ser o próximo- disse o peemedebista, arrancando gargalhadas da plateia.

DORA KRAMER - Reforço de caixa



Reforço de caixa
DORA KRAMER
O ESTADÃO - 28/09/11

A reforma política que o PT está propondo à Câmara dos Deputados e que o ex-presidente Lula já encampou como bandeira de luta serve ao partido do poder, mas não serve ao eleitor nem serve para mudar, muito menos para melhorar, o sistema eleitoral vigente no País.

Em alguns aspectos, piora, e por isso é de suma importância que a sociedade se engaje nessa discussão com a mesma disposição com que se alistou no debate sobre a Lei da Ficha Limpa.

É certo que a exigência de vida pregressa sem contas abertas na Justiça para candidatos a representantes populares corre risco.

O Supremo Tribunal Federal está para votar a constitucionalidade da lei e pode derrubá-la.

Mas, ainda assim, valeu a pena. Não fosse a pressão exercida sobre o Congresso no início do ano passado, o assunto continuaria fora da pauta nacional, seria apenas uma abstração.A manifestação do STF seja qual for obrigará a algum tipo de solução para o problema.

A dita reforma política engendrada pelo PT é desses assuntos que requerem toda atenção do público. Mais não fosse porque mexe no bolso de todos.

São dois os pontos principais: a instituição do voto em lista mitigado mediante um confuso método misto de escolhas partidárias e nominais e o financiamento das campanhas eleitorais.

Não há no horizonte da proposta nada que favoreça a correção do sistema representativo.

O foco é dinheiro e poder.

Quando o PT fala em financiamento público de campanha busca construir um álibi para o julgamento do processo do mensalão no Supremo, baseado no principal argumento da defesa de que não houve corrupção, mas apenas adaptação do partido às exigências impostas pela realidade que obriga partidos e candidatosrecorreremadinheirodecaixa2.

Mas não é financiamento público de fato o que propõe o partido.É a constituição de um fundo partidário composto por dinheiro do Orçamento da União, a ser abastecido também por doações de pessoas físicas e jurídicas.

E sem o limite determinado. Hoje as pessoas físicas podem doar oequivalenteaaté10% da renda declarada no IReas jurídicas até 2% do faturamento anual.

Ou seja, ao sistema atual (piorado) acrescenta-se o financiamento público.

De quanto?OTSE determinaria o montante, segundo o projeto.Mas,é possível fazer um cálculo aproximado, com base nos R$ 7 por eleitor já propostos em outras ocasiões.

Levando em conta os 135 milhões de eleitores registrados em 2010, teríamos quase R$1bilhão reservado do Orçamento às campanhas. Somado aos atuais R$ 300 milhões do Fundo Partidário e aos cerca de R$ 800 milhões resultantes da renúncia fiscal das emissoras pela transmissão do horário eleitoral gratuito, o gasto público com os partidos ultrapassaria os R$ 2 bilhões.

Isso sem garantia de que não haveria caixa 2.

As doações do fundo dito público seriam distribuídas da seguinte maneira: 5% igualmente a todos os partidos,15%a todas as legendas com representação na Câmara dos Deputados e80%divididos proporcionalmente ao número de votos obtidos na eleição anterior.

Ou seja, os maiores partidos de hoje levam a maior parte do dinheiro, o que assegura que continuem sendo os mais fortes. Favoreceria o PT e o PMDB.

Garantida a parte do leão, a distribuição interna entre candidatos só dependeria de um acerto prévio entre as direções e as empresas interessadas, exatamente como é feito hoje.

Os beneficiados? Os eleitos pelas cúpulas do partido para integrar a lista fechada. Por esse sistema o que se teria cada vez mais é a submissão dos parlamentares às respectivas direções, que,no caso dos partidos no poder, significa dizer o governo.

Ah,mas há a possibilidade de se eleger nominalmente metade dos deputados.

Por qual sistema? Diz a proposta: "Dividir-se-á a soma aritmética do número de votos da legenda dado à lista partidária preordenada e dos votos nominais dados aos candidatos nela inscritos pelo número de lugares por eles obtidos, mais um, cabendo ao partido ou coligação que apresentar a maior média um dos lugares a preencher".

Não deu para entender? Pois é, pelo jeito essa é a ideia.

FERNANDO RODRIGUES - Só vai piorar


Só vai piorar 
FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SP - 28/09/11

BRASÍLIA - A direção da Câmara dos Deputados analisou e considerou legal a sessão da Comissão de Constituição e Justiça que aprovou 118 projetos em apenas três minu tos na semana passada.

São inúmeros os escândalos sem consequência nem punição porque tudo "é legal". No caso da sessão fantasma da CCJ, 35 deputados assinaram a lista de presença, mas ficaram só dois, um presidindo e um votando. Nada no regimento interno da Casa impede tal prática.

O presidente da Câmara, Marco Maia, do PT do Rio Grande do Sul, explicou que esse procedimento é padrão.

Se fosse anulada a sessão da semana passada, centenas de outras das últimas décadas precisariam também perder a validade.

Na realidade, o sistema de votação no Congresso é inimigo do debate. Poucos deputados e senadores sabem exatamente o que está sendo debatido. É comum a cena de um deputado perguntar ao outro: "Voto a favor ou contra?". Em seguida, aperta o botão e sai do plenário sem ter ideia do assunto sobre o qual opinou. Mas é legal.

É óbvio que muitas vezes há consenso e algum projeto pode e deve ser aprovado com o voto simbólico de todos. A encrenca se dá quando o procedimento se torna uma praxe irrefletida da maioria.

O descaso com as votações fragiliza o Congresso. Torna-o desimportante. Há razões diversas na raiz dessa conjuntura. Duas principais são a fragmentação partidária e a consequente hegemonia do Poder Executivo.

Há 22 partidos representados hoje na Câmara e no Senado. Desses, só três ou quatro, se tanto, podem ser considerados de oposição -e mesmo nessas siglas há vários votando pró-Planalto.

Fragmentados em suas legendas, os congressistas são presas fáceis para o presidente de turno. Aí é mais cômodo votar sem pensar, pois o governo ganha todas. Há chance de o quadro melhorar em breve? Chance zero.

QUARTA NOS JORNAIS


O Globo: No país da impunidade - Punição a juízes abre guerra na cúpula do Poder Judiciário

FOLHA DE SP: Justiça aprova o PSD, novo partido de Kassab

O Estado de S. Paulo: Juízes reagem a crítica de corregedora que vê 'bandidos de toga'

Correio Braziliense: Pizza, não! Acabou a farra do queijo

Valor Econômico: Unidos, bancos pequenos vão ao varejo vender CDB

Jornal do Commercio: Só o Náutico faz a festa

Zero Hora: Nova Ponte do Guaíba sairá do papel com recursos privados





CLAUDIO HUMBERTO

“Vaccarezza é um pé de boi para trabalhar”
Presidente da Câmara Marco Maia, outro pé de boi, falando do líder do Governo

BB abandona Brasília para fortalecer o PT em SP 
A presidência do Banco do Brasil está “fatiando” sua sede em Brasília e transferindo diretorias para São Paulo. O objetivo é fortalecer o PT nas eleições municipais de 2012. Após dobrar a verba de propaganda de R$ 240 milhões para R$ 420 milhões, a diretoria de Marketing vai levar mais de 70% dos cem funcionários para a capital paulista. Ficam em Brasília o setor de “endomarketing” e parte da assessoria de imprensa, que parece ignorar tudo: diz não haver “definição” sobre a mudança.

Nossa conta 
A mudança parcial do Banco do Brasil atende a conveniência política e até pessoal de diretores paulistas. Mas o custo será nosso, e é secreto. 

Lorota oficial 
A justificativa oficial do BB para a transferência é a de que o mercado financeiro “está concentrado em São Paulo”. Mas é só uma lorota.

Esvaziamento 
A diretoria de Mercado de Capitais do BB trocará a sede de Brasília por duas instalações, maiores e mais caras, em São Paulo e no Rio.

Lipo forçada 
A lipoaspiração do BB em Brasília começou com a transferência da subsidiária BB-DTVM (distribuidora de títulos) para o Rio de Janeiro.

Agulhas Negras: cadete em coma após exercício 
Um cadete da Academia Militar das Agulhas Negras está em coma no Hospital Samer, de Resende (RJ), com rins e pâncreas paralisados. Renan Mendonça Borges Gama, o cadete Gama, passou mal durante exercícios, pediu ajuda médica, mas o instrutor, um capitão, negou-lhe o socorro, acusou-o de “corpo mole” e atirou nele um cantil d’água. Obrigado a seguir nos exercícios, desmaiou com parada cardíaca.

Culpa de bactérias 
Em nota, o comandante da Aman diz que “os médicos trabalham com três hipóteses: “Leptospirose, Febre Maculosa ou Rabdomiólise”. Anrã.
Clima de terror Todos têm medo de falar sobre o cadete da Aman em coma, inclusive no hospital. Um pai disse ter medo de represálias contra o filho dele.

Dois exemplos
Em 2008, o cadete Maurício Silva Dias morreu em treinamento avaliado como cruel. Em abril último, 60 passaram mal e foram hospitalizados.

Vai dar rolo 
Fornecedores se queixaram a autoridades sobre a criação de dificuldades para a venda de “facilidades” na SLU, autarquia de limpeza pública do governo do DF. Bens e serviços são entregues e executados, mas a hora do pagamento é também hora de assédio.

Fronteira escancarada 
Em reunião reservada com deputados do PT, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) sinalizou que não controla a Polícia Federal, que vai contratar 4 mil agentes mas ninguém na PF quer ir para a fronteira.

Fofoca petista 
O PT espalha no Congresso que a crítica à aprovação de 118 projetos em três minutos, na Câmara, seria uma reação da Globo ao fato de que entre eles havia a renovação de concessões das rivais Band e Record.

Centro na Justiça 
A deputada distrital Celina Leão (PMN) vai representar no Ministério Público contra a obra do centro administrativo do governo do DF, em Ceilândia. Ela questiona valores, o contrato suspeito e o transtorno aos servidores, maioria residente longe do local, a quase 30 km de Brasília.

Ana detonada 
Cresceu a pressão da família para que a ministra Ana de Holanda (Cultura) deixe o cargo. A irmã de Chico Buarque foi implacavelmente vaiada na abertura do Festival de Cinema de Brasília.

Crime ambiental 
Com o nome ligado a acusações de irregularidades em contratos para recolher lixo em Maceió, a Limpel constituiu outra empresa, URCD Ilha Grande Ltda, para outro negócio polêmico: a instalação de um aterro sanitário em área de preservação ambiental no município de Pilar.

Paz no BRB 
O BRB fechou acordo antes do prazo limite para a decretação da greve dos bancários. Em nota, o banco destacou que não busca apenas bons resultados, mas valorizar os funcionários e a qualidade dos serviços.

ONG oportunista 
A ONG “Rio de Paz” fincou 594 vassouras em Copacabana insinuando que corrupção é coisa do Congresso. Em Brasília, amarelou: quis “entregar” vassouras para os parlamentares fazerem faxina ética. Mas apontar ladroagem em governos que a financiam, que é bom, nada.

Perdeu, Jafois 
O ex-ministro Pedro Novais perdeu comemoração de dupla data ontem: os dias do Idoso e do Turismo. 

PODER SEM PUDOR
Candidato a patife 
O falecido senador Jefferson Péres (AM) decidiu disputar com o senador Cristovam Buarque (DF) a candidatura do PDT para a sucessão de Lula, em 2010. Péres estava intrigado com a transformação dos presidentes, depois de eleitos:
– Será que você vira patife ao chegar ao poder? Gostaria de ser testado...

terça-feira, setembro 27, 2011

ANCELMO GOIS - Alto nível


Alto nível 
ANCELMO GOIS
O GLOBO - 27/09/11

No meio da frustração da Fifa com o projeto da Lei Geral da Copa, começou a ser articulado ontem um encontro entre Dilma Rousseff e Joseph Blatter, presidente da entidade, para aparar as arestas.

De volta às aulas

A UNB pode ter mais um aluno famoso. É que o senador Marcelo Crivella tenta uma vaga no mestrado em Ciência Política.

Ontem, fez prova de inglês.

Deus castiga

Frei Cláudio, pároco da Igreja do Carmo, em Belo Horizonte, não passou pelo teste do bafômetro semana passada numa blitz da Lei Seca. O padre alegou que havia bebido vinho na hora da comunhão.

Terminou sendo liberado, mas só depois de prometer aos fiscais rezar três ave-marias.

Marketing da bola

Júlio Mariz está deixando o comando da Traffic, a gigante do marketing esportivo.

Gois no Rock in Rio I

O acadêmico Arnaldo Niskier considerou prova de mau-gosto e desrespeito o vocalista inglês Lemmy Kilmister, do Motörhead, "ter usado esta cruz de guerra nazista (no pescoço do artista) no Rock in Rio".

A cruz é de 1813, bem anterior ao nazismo. Mas foi usada no III Reich.

Paris é uma festa

Lula está desde domingo hospedado no Lutetia Paris, na capital francesa.

Aliás, o número de hóspedes brasileiros no hotel, cuja diária vai até 3.500 euros (quase R$9 mil), aumentou 40% de 2009 para 2010.


AS OBRAS do Maracanã receberam a visita do maior artilheiro da história do famoso estádio. Zico, que balançou 333 vezes as redes do lendário templo do futebol, bateu bola com operários (veja na foto, a embaixadinha de cabeça) e viu que as fundações das arquibancadas, que vão deixar o público mais perto do gramado, começaram a ser feitas pela Secretaria estadual de Obras. Também já foi dada a partida na concretagem dos degraus, que estão sendo feitos e estocados no próprio estádio. Até dezembro, a nova arquibancada começa a ganhar forma, novo passo na reconstrução do querido Maraca, que rejuvenescerá para consagrar os artilheiros do futuro 


Yankee go home

Parece esquisito. E é.

A Petrobras não vai participar da Offshore Technology Conference, maior evento do setor petrolífero do mundo, que será realizada (pela primeira fora dos EUA) de 4 a 6 de outubro agora, no Rio.

OTC X IBP...

A versão na Rádio Pré-Sal é que a estatal tomou a atitude em apoio ao tradicional Instituto Brasileiro de Petróleo, que ficou de fora do projeto americano.

A OTC viria disputar o mercado desse tipo de evento com o próprio IBP, que a cada dois anos faz a Rio Oil & Gas.

Questão política...

O que se diz é que o próprio governo americano tentou, sem sucesso, ajudar a OTC a ser mais bem recebida no Brasil.

ZONA FRANCA

O jornalista João Máximo recebeu ontem a Medalha Pedro Ernesto do vereador Eliomar Coelho.

Dia 29, na ABL, será lançada a coleção "História do Brasil Nação: 1808-2010", com mesa-redonda.

Alberto Bardawil e Cecília Queiroz produzem o 5º BRAFFTV.

Hoje, na Travessa (Leblon), será lan-çado "A urgência do presente, biografia da crise ambiental", de Israel Klabin.

Hoje, na ESG, tem debate sobre a liberação das drogas.

Volney Pitombo fala no Congresso Americano de Cirurgia Plástica.

A soprano Anne Meyer se apresenta hoje na UFRJ.

A NEP vendeu todas as unidades do Supreme Campos.

Os 15 anos do maior sistema de crédito cooperativista do Brasil foram festejados, no Pense SICOOB.

Cico Caseira dá aula de teatro gratuita para terceira idade no Espaço Move.

N. S. Anunciação

O governo do Rio lança quinta agora os dois primeiros volumes do Inventário da Arte Sacra Fluminense, feito pelo Inepac.

A pesquisa resgatou, entre outras joias, esta pintura de Nossa Senhora da Anunciação (foto), que está na Capela de Nossa Senhora de Saúde, em Maricá.

Drive-thru de Deus

Semana passada, vários templos da Universal - entre eles o da Barra - estenderam faixas oferecendo "Orações drive-thru". Aliás, drive-thru é o... você sabe.

Alô, Eduardo Paes!

Lotes em área de Mata Atlântica estão à venda no Morro do Pendura Saia, em Paquetá. Cada terreno custa R$5 mil.

"É invasão", denuncia José Luis Alqueres, do Movimento Paquetá Sustentável.

Quem sai aos seus...

Pedro Verissimo, o cantor que é filho do mestre Luis Fernando, faz amanhã, na Casa da Gávea, show de músicas inéditas.

Gois no Rock... II

Um motorista de uma van, que tentou furar o bloqueio da prefeitura, neste fim de semana, na boca da Cidade do Rock, apelou:

- Não é lotada, não. Aqui só tem parente.

- Então, me diga o nome daquele ali - pediu um fiscal.

O do volante pensou e disse:

- Sabe, moço, é que é tudo parente de longe...

Ah bom!

No mais

A presença de Neymar & Cia provoca uma comoção em Belém (veja na foto). A seleção brasileira, a exemplo da Arena no passado e do lulismo no presente, parece fazer mais sucesso nos rincões distantes. Com todo o respeito.