domingo, setembro 04, 2011

MÔNICA BERGAMO - APOLINÁRIO NO SALÃO

APOLINÁRIO NO SALÃO
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 04/09/11

O vereador que criou o Dia do Orgulho Hétero diz que se casou virgem, lamenta ter sido chamado de "feio" e afirma que é hora de se aposentar


O vereador Carlos Apolinário, 59, coloca o CD de seu filho, Claudio Apolinário, no som instalado no segundo andar da cobertura de 280 m² em que vive com a mulher, Dalva, no bairro de Santana. Do aparelho surge a voz grave do jovem, que é pastor evangélico, interpretando a canção que fez para o pai: "Papaai, como eu admiro você/ Pois você me ensinou a viver esta vida/ Me ensinou a sorrir, me ensinou a lutar/ Me ensinou a sonhar e até mesmo a chorar/ Papaai...".

"Eu não gosto de pensar nisso porque eu não tenho um filho homossexual", diz Apolinário, autor do projeto que criava o Dia do Orgulho Heterossexual, e que foi vetado na semana passada pelo prefeito Gilberto Kassab. Além de Claudio, que é casado e tem três filhos, ele é pai de Carlos Apolinário Junior, solteiro aos 37 anos.

"Eu não ia ficar contra o meu filho. Eu continuaria amando. Mas, ainda que fosse uma filha com o namorado: precisa ficar dando beijo de língua na frente da família? Espera eu sair!"
Para o vereador, "os gays viraram uma categoria especial de ser humano. Eles não querem esperar a sociedade evoluir e se acostumar com essa questão, que é nova. Acham que todo mundo tem que engoli-los."

Ele troca o CD do filho pelo da mulher. "Aleluia, Aleluia/A Deus Jeová", canta Dalva. "Eu tinha 16 anos quando fui na casa do meu sogro, em Vila Medeiros (zona norte), pedir ela em namoro." Em dezembro, comemoram 39 anos de união. "Eu me casei virgem", diz Apolinário.
Percebe a incredulidade. "Tô te falando que ela foi a primeira!". E única, afirma.

"Sou gamado nessa mulher. Ó que bonita que ela tá ainda!" "Ainda?", rebate Dalva, enquanto arruma a mesa do café da manhã. Apolinário toma uma colher de sobremesa de azeite puro. "É a gordura de que preciso no dia." Come frutas e toma Isopure, complexo vitamínico que ajuda a ganhar músculos. Ingere 12 pílulas de ômega 3.

Há alguns anos, ele decidiu mudar o visual. "Sabe que já perdi muito voto por isso? As pessoas acham que eu não sou eu. Mas sabe aquelas coisas que te dão vontade de fazer?"
Perdeu 27 kg depois de frequentar uma clínica adventista. Fez cirurgia da vista com laser e abandonou os óculos. Corrigiu as pálpebras. Tirou o bigode. "Aí, olhei no espelho e falei: vou dar um trato no cabelo."

É quando surge em sua vida o cabeleireiro Régis Marciliano. "Estou há oito anos com ele. Já troquei de quatro salões atrás dele."

Régis já foi citado em vários jornais. O cliente famoso invocava seu nome para provar que, apesar do Dia do Hétero, não tinha preconceito, já que o cabeleireiro é gay.
"Ele me abraça, me beija", repetia. Antes de ir para o seu escritório no edifício Joelma, no centro, o vereador concorda em dar uma passada no salão de Régis. "Eu só peço que vocês não o fotografem. Os gays radicais podem fazer passeata em frente ao salão." Apolinário dirige uma perua Toyota blindada.

"Convivo aqui com 12 gays, toda sexta (dia em que Apolinário faz mão, pé e massagem relaxante). Me beijam, me respeitam, eu os respeito." Um profissional o cumprimenta.
"Esse é gay. Nem parece, né?", cochicha. Régis se aproxima. Se beijam no rosto.

O cabeleireiro não vê problema em ser fotografado. "Eu adoro o Apolinário. Eu sempre falo: "Gente, se tem o dia do gay, do negro, do índio, desse povo todo, por que não o do hétero?"
Mas Régis é contra todas as datas. "No Dia do Hétero, a gente vai comemorar o quê, Apolinário?" "Régis, o Dia do Hétero é uma besteira. Eu apresentei para discutir os excessos dos gays. Mas respeito o ser humano gay."

Régis conta que já sofreu agressão e que, na década de 80, gay "tinha que correr da polícia". Hoje, diz, "não mais". É por isso que ele é contra a Parada Gay. "Eu ia porque o gay tinha uma causa. Hoje não precisa. Tá na novela, nos shoppings. A Parada tem um sentido puramente comercial." Para Apolinário, "tirando aqueles casinhos na avenida Paulista, não tem mais agressão a gay"

Apolinário se despede: "Eu não te disse que meu cabeleireiro era um doce?".

Na polêmica do Dia do Hétero, o novelista Walcyr Carrasco escreveu em seu blog que "esse tipo de projeto sempre é inventado por gente feia". Outro jornalista disse: "A julgar pelo resultado daqueles cabelos negros [de Apolinário] como a graúna", seu cabeleireiro era um "profissional de duvidosa competência".

"Eu não me acho bonito. Mas eles estão me discriminando. Isso é argumento?" Além dos gays, diz, "tem discriminação com o gordo, o negro, o feio, o religioso. Eu sou o cara mais discriminado, sabia? Sempre escrevem 'Apolinário, evangélico'".

Diz que decidiu disputar eleições porque via os políticos fazerem campanha na igreja Assembleia de Deus da Vila Medeiros, que frequentava. "Eles sumiam depois. Pensei: por que não um candidato da própria igreja?"

Foi eleito deputado estadual, federal, vereador. Chegou a governar o Estado em 1992, quando presidia a Assembleia Legislativa e substituiu o então governador Fleury por dez dias.

Já na política, comprou a Rádio Vida. E arrenda a Rádio Musical, cujos horários aluga para igrejas evangélicas. Já teve programa nas emissoras. Na época da campanha, cabos eleitorais distribuem seu material "nas 20 mil igrejas evangélicas de SP". Ele explica: "Igreja católica tem uma em cada bairro. Se todos quiserem rezar, não tem lugar. Na favela você entra e tem meia dúzia de igrejas evangélicas. Sempre vai ter uma cadeirinha para o fiel que queira ir ao culto."

Ele diz que, no próximo ano, vai se aposentar. "Político virou sinônimo de tudo o que não presta. Um erra, todos pagam." Em 2010, foi considerado o pior vereador de SP pelo Movimento Voto Consciente. Tirou 0,42 na avaliação dos 20 projetos de sua autoria.

A imprensa, diz, "tem parcela de responsabilidade. Se um político tem um projeto bacana, ninguém fala. Se outro faz coisa errada, vira manchete". Conta que, numa entrevista a uma rádio, o locutor perguntou: "O senhor não tem nenhuma ideia melhor que o Dia do Hétero?".
"Tenho", respondeu. "Mas vocês só perguntam disso!"

Aprendeu com os anos que sucesso mesmo fazem propostas como o Dia do Hétero, que virou notícia até na americana Fox News.

Deu trabalho passar o projeto na Câmara Municipal. Os 55 vereadores têm um acordo informal para que todos aprovem duas propostas de cada um deles por semestre, num total de 110 -muitas são votadas sem que a maioria saiba de que tratam.

O projeto de Apolinário, de 2005, nunca entrava em pauta. Ele então se rebelou. E se inscreveu para comentar todos os projetos dos colegas, cada um durante meia hora. Em uma semana, falaria por 20 horas. Nas primeiras duas horas, venceu pelo cansaço. E o Dia do Hétero foi aprovado.

Com o veto do prefeito Gilberto Kassab, ele considera o assunto "encerrado". Vai agora lutar pela proibição da Parada Gay na avenida Paulista. " Convivo aqui com 12 gays, toda sexta. Me beijam, me respeitam, eu os respeito. Eu não te disse que meu cabeleireiro era um doce?"
" Eu disse ao pastor: o senhor gasta R$ 400 mil [em quatro anos de despesas da igreja] para dizer que Jesus é bom. Eu, R$ 200 mil na eleição pra dizer que sou bom"

HUMBERTO WERNECK - Nem aqui nem na Capadócia!


Nem aqui nem na Capadócia!
HUMBERTO WERNECK
O Estado de S.Paulo - 04/09/11

Era eu redator-chefe da Playboy (sim, rapazes, ela mesma, aquela revista farta em cultura trans que vocês compram para ler interessantes artigos e entrevistas aprofundadas) quando, uma tarde, me liga a escritora Hilda Hilst, grande figura e escritora melhor ainda, porém dada a chamar em momentos pouco adequados. Foi o que aconteceu naquele dia de dezembro, em plena correria para fechar uma edição que deixaríamos pronta antes das férias coletivas. Em meio ao caos, lá estava ao telefone, chorosa, aquela que não sem bons motivos já chamei de minha amiga heavy metal.

A conversa também não era nova: Hilda se dizia financeiramente arruinada, e, uma vez mais, imprecava sem piedade contra pessoas que lhe haviam "tomado" terras. Ela vivia na Casa do Sol, perto de Campinas, outrora sede de uma propriedade rural que lhe viera às mãos como herança de família. No correr dos anos, quando seu saldo bancário emagrecia, Hilda ia passando nos cobres uns nacos de terra, com o que sua fazenda acabou praticamente resumida à Casa do Sol - bela construção em estilo espanholado que a escritora dividia com agregados (Caio Fernando Abreu foi um deles), o ex-marido e várias dezenas de cães recolhidos por aí.

Curiosamente, Hilda não parecia dar-se conta da relação que havia entre suas operações imobiliárias e o encolhimento da propriedade. Considerava-se lesada pelos compradores, uma gente solerte que a seu ver passava a perna na ingênua e desamparada escritora - e que por isso ela fustigava com rajadas de pragas e desaforos, cravejadas dos mais corrosivos e infamantes palavrões.

Naquele dezembro de 1994 Hilda estava outra vez sem dinheiro e vinha oferecer à Playboy um conto erótico de sua lavra, ainda por escrever, na linha daqueles que, fazia uns anos, lhe haviam valido notoriedade até literária. Sim, meu amor, resumiu ela cruamente, uma história com muita sacanagem. Mande lá, disse eu, confiante em que os leitores (a palavra talvez não seja bem esta) não ficariam descontentes se lhes servíssemos alguma prosa estimulante, além, claro, dos artigos interessantes e das entrevistas aprofundadas.

Confesso que não levei a sério a conversa - escaldado por experiências anteriores, imaginei que minutos depois Hilda, tendo conseguido em outra fonte a transfusão de que sua conta bancária precisava, já nem se lembraria do oferecimento da tal "história com muita sacanagem". Tinha sido assim em 1989, numa passagem que já contei: não menos chorosa, num leito de hospital, ela tanto insistiu que aceitei me transformar em seu cabo eleitoral na luta pelo troféu Juca Pato, de Intelectual do Ano, disputado também por "aquele padre", o cardeal Paulo Evaristo Arns. Perdeu, é claro - mas quando liguei, estava alegrinha, já nem se lembrava do "padre" e só faltou me consolar.

Dessa vez, porém, Hilda me surpreendeu: não se haviam passado duas horas quando me chegaram, por fax, as quatro laudas de um texto que, sem entrar no mérito da qualidade literária, resultara impublicável na Playboy. Havia nele, é verdade, uma "viscosidade no meio das coxas", mas me ocorreu que nosso leitor, ao se deparar com exotismos do tipo "deixa-me oscular tua rósea orquídea", talvez tivesse dificuldade em, digamos assim, ligar o nome à pessoa. A própria Hilda deve ter percebido a inconveniência, pois lá pelas tantas introduziu na história um personagem, Humberto, que pergunta: "Não tem um texto mais alegre?". A interlocutora, de nome Hilda, oferece sem muito entusiasmo uma alternativa: "Tem. O Cu do Sapo Liliu, mas é um texto infantil e não é inédito". "Então nada feito, Hilst", decido eu, ou melhor, Humberto. Hilda volta à carga: "Pera, pera, agora me lembro, tem este aqui" - e põe sob os olhos do interlocutor uma lauda intitulada Penis kapadocius, o que me deu o trabalho adicional de explicar à autora, agora na vida real, que o leitor da Playboy, supõe-se, não está interessado nessa mercadoria, ainda que capadócia. Tudo bem, disse Hilda Hilst, alegrinha de dar gosto.

MARTHA MEDEIROS - Tempos de amnésia obrigatória

Tempos de amnésia obrigatória 
MARTHA MEDEIROS
ZERO HORA - 04/09/11

A gente procura esquecer para poder ir adiante, mas que espécie de caminho trilhamos quando não enfrentamos a verdade?

Com diferença de poucos dias, uma amiga do Rio e um leitor aqui do Sul me enviaram vídeos protagonizados pelo escritor uruguaio Eduardo Galeano. Em um, ele dá uma entrevista e, no outro, lê os próprios textos. Ambos os programas estão acessíveis pelo YouTube. Respeito as coincidências: como é que eu ainda não havia me dedicado a esse grande pensador humanista?

Num dos vídeos, Galeano aparece lendo seu texto “El Derecho al Delírio”, onde descreve como seria um mundo ideal, e aproveita para homenagear aqueles que insistem em não esquecer a própria história (a exemplo das mães da Plaza de Mayo) nesses tempos de amnésia obrigatória.

A partir daí não ouvi mais nada, pois considerei marcante essa expressão: tempos de amnésia obrigatória. O assunto mereceria um tratado. Amnésia. É o que explica tanta neurose e tanta infelicidade. A gente procura esquecer para poder ir adiante, mas que espécie de caminho trilhamos quando não enfrentamos a verdade?

Esquecer é uma estratégia de sobrevivência. Somos todos uns esquecidos crônicos. Pra começar, esquecemos de alguns descuidos que sofremos na infância, pois nos educaram para considerar pai e mãe infalíveis.

Dessa forma, nossas dores internas acabam ganhando o apelido de fricotes, só que esses fricotes viram traumas, e esses traumas minam nossa confiança na vida e sustentam os consultórios psiquiátricos, já que esquecer é uma forma de impedir a compreensão absoluta de nós mesmos e alguém precisa nos ajudar a lembrar para nos libertarmos.

Esquecemos os desaforos que tivemos que engolir durante um casamento ou namoro, tudo porque nos ensinaram que o amor deve ser forte o suficiente para aguentar os revezes da convivência, e também por medo da solidão, que tem péssimo cartaz.

Então, para nos enquadramos e nos sentirmos amados e estoicos, esquecemos as mentiras, as traições, os maus tratos, as indiferenças e mantemos algo que ainda parece uma relação, mas que deixou de ser no momento em que enfiamos a cabeça dentro do buraco.

Esquecemos em quem votamos, céticos de que em política nada muda, e em vez de investirmos nossa energia em manifestações de repúdio à corrupção, deixamos pra lá e seguimos em frente conformados com a roubalheira, desmemoriados sobre nossos direitos.

E esquecemos, principalmente, de quem somos. Dos nossos ideais, das nossas vontades, dos nossos sonhos, das nossas crenças, tudo em prol de uma adaptação ao meio, de uma preguiça em desfazer o combinado e buscar uma saída alternativa, de uma covardia que gruda na alma e congela os movimentos. Esquecer de nós mesmos é assinar um contrato com a resignação.

Obrigada, Galeano, por nos fazer lembrar: a amnésia é uma opção, não é obrigatória.

GOSTOSA


Gisele Bündchen



DANUZA LEÃO - Por que não me ufano do meu país


Por que não me ufano do meu país 
DANUZA LEÃO 
FOLHA DE SP - 04/09/11

Se fosse na Argentina ou no Chile, o povo iria para a rua; no Rio, o máximo que acontece é uma passeatinha


A CLASSE política nunca foi flor que se cheirasse (fora as exceções etc.), mas a cada nova eleição ela consegue ficar pior. Fico pensando nesses deputados que absolveram Jaqueline Roriz; o que é que eles dizem a seus filhos? Como se explicam?

É bem verdade que, sendo o voto secreto, eles podem sempre mentir e dizer que votaram pela cassação, mas será que cola? Mas ainda tem pior: o vergonhoso secretário de Transportes do Rio, Julio Lopes, que depois da tragédia com o bondinho de Santa Teresa tentou botar a culpa no pobre do condutor que tinha morrido; é de uma falta de caráter revoltante.

Depois dessa tragédia, que deixou cinco mortos e mais de 50 feridos, qualquer secretário de Governo (sério) teria a obrigação de se demitir; se não o fizesse, o governador teria a obrigação de demiti-lo. Mas como o governador é Sergio Cabral, ele continua no cargo; quando questionado, três vezes, se iria demitir o "secretário", ele simplesmente não respondeu. Quanto tempo falta para acabar esse governo que o Rio não merece?

Se fosse na Argentina ou no Chile, o povo iria para a rua; no Brasil _no Rio_, o máximo que acontece é uma passeatinha muito frouxa, diante do mar _isso se estiver fazendo sol, para pegar uma praia depois.

Aqui, as coisas não acabam em pizza, mas em samba. O governo é o que é, e a oposição, ninguém sabe, ninguém viu. Enquanto isso, os escândalos se sucedem, e a presidente já deixou claro que não vai continuar a faxina _"faxina é para acabar com a pobreza", diz ela. Sem corrupção, presidente, o país teria dinheiro para a saúde, a educação, as estradas etc., e isso me lembra do que dizia o saudoso ministro Mario Henrique Simonsen: "fica mais barato pagar a comissão e não fazer a obra".

Tremo em pensar na Copa do Mundo; no preço que vão custar as reformas, nas licitações que não vão haver, devido à urgência _tiveram todo o tempo do mundo e deixaram tudo para a última hora. Aliás, tanto faz. Alguém acredita que alguma licitação no Brasil é séria? Estamos cansados de saber que é tudo combinado antes, viva a criatividade brasileira.
Mas o ministro do Turismo, amiguinho de Sarney, continua firme e forte no seu posto. Aliás, é só olhar para saber que ele é o homem certo para o lugar certo.

Mais do que pelo dinheiro que vai ser afanado, tremo em pensar que um estádio pode cair, como caem as pontes pelo Brasil afora, por ter sido malfeito, por terem misturado areia com o cimento, para o lucro ser maior. Houve um tempo em que a corrupção era mais personalizada, para usar a palavra da moda; hoje, qualquer escândalo é seguido por "formação de quadrilha". Que se trate de Fernandinho Beira-Mar, ou dos mais importantes ministros do governo _desse governo e do outro, o último_, a corrupção agora é coisa de quadrilha.

E prefiro não fazer as contas de quanto tempo falta para as eleições majoritárias, para não pensar nas caras dos governantes rindo muito e voando, de Estado em Estado, nos jatinhos dos empresários, para ver os jogos do Brasil. E, a cada vez que nossa seleção ganhar, considerar e fazer cara de que a vitória é um pouco deles.
Cansei, mas vou continuar votando; é o que posso fazer.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Jogo de duplas
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 04/09/11

Instado a comparar a relação Dilma Rousseff-Alexandre Tombini à de Lula com Henrique Meirelles, um observador privilegiado dos dois governos conta que o presidente anterior ouvia as explanações do titular do Banco Central, normalmente as aceitava e de vez em quando lhe dava uns ralhos. Meirelles, por seu turno, buscava acordos de longo prazo com o chefe -um desenho de política que Lula acompanhava a intervalos dilatados. Já entre Dilma e Tombini a conversa é mais técnica, e os entendimentos, de prazo mais curto -ela segue os dados amiúde.
Lula exigia de Meirelles que fosse a público se explicar. Nesse quesito, Dilma cobra menos de Tombini.


Semelhanças Assim como Lula e Meirelles, Dilma e Tombini pouco se conheciam antes de trabalharem juntos. E, em ambos os casos, desenvolveu-se uma relação de respeito mútuo.

Ruptura O queixo caído dos ministros do Supremo Tribunal Federal diante do "perdido" que o governo ameaçou dar no reajuste do Judiciário se explica: desde a presidência de Carlos Velloso (1999-2001), o Executivo não mexia na proposta orçamentária do Judiciário.

Ponta cabeça 1 Causou estranheza no próprio governo a entrevista coletiva na qual a ministra Miriam Belchior (Planejamento) apresentou o Orçamento de 2012 e, ato contínuo, disse que ele sofrerá um contingenciamento de mais de R$ 25 bi.

Ponta cabeça 2 Em geral, o Executivo atribui a necessidade de promover cortes aos "jabutis" acrescentados pelo Congresso -que, neste caso, ainda não havia nem recebido a peça. Ou seja, o governo admitiu a necessidade de rever o próprio trabalho -ao anunciá-lo.

Edição Sem prejuízo da opinião geral de que Dilma estava desenvolta como nunca antes em sua aparição no congresso do PT, alguns correligionários mais afiados ainda esperam ver três expressões banidas do discurso da presidente: "eu acho", "eu queria" e "no meu governo" -em vez de "nosso".

Confecom 2.0 A malhação da imprensa revelou-se o assunto principal do congresso do PT. No partido, há quem reconheça que não havia outro disponível.

Bíblico Do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), prevendo no Twitter aliança PT-PMDB já no primeiro turno da eleição paulistana: "Lula quer o apoio do PMDB a [Fernando] Haddad. Logo veremos [Michel] Temer vestido de Salomé oferecendo a cabeça de Chalita na bandeja ao Guia Genial dos Povos".

Parceria 1 Na tentativa de conter o PSDB no seu principal reduto, Temer negocia diretamente com os petistas um pacote para a Baixada Santista em 2012. O vice convenceu o prefeito peemedebista de Santos, João Paulo Papa, a lançar candidato de seu grupo à sucessão, vetando pacto com os tucanos.

Parceria 2 O nome provável é o de Sérgio Aquino (presidente da Autoridade Portuária), abrindo caminho para composição que envolveria até a ex-prefeita Telma de Souza (PT), hoje deputada estadual. Pelas mãos de Temer, as siglas também podem se unir em Praia Grande, Cubatão e Guarujá.

Eldorado Beneficiado pelo pré-sal e pela expansão da indústria naval, o litoral sul é alvo de Geraldo Alckmin, que anunciou obras bilionárias, como o VLT e o túnel. O governador patrocina a candidatura santista de Paulo Barbosa, seu secretário de Desenvolvimento.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"Agora fica claro o motivo do isolamento do Serra. Ele está afinado com a gente, e o restante do PSDB, totalmente perdido."
DO DEPUTADO ANDRÉ VARGAS (PT-PR), sobre as críticas de tucanos à redução da taxa básica de juros determinada pelo Banco Central, bandeira histórica do candidato derrotado do partido à Presidência da República.

contraponto

Texto e contexto


Chico Alencar (PSOL-RJ) e Nelson Pellegrino (PT-BA) visitavam exposição na Câmara sobre os 50 anos da Campanha da Legalidade, quando pararam diante de reprodução do bilhete com o qual Jânio Quadros renunciou. Ao ler o trecho "deixando com o ministro da Justiça, as razões de meu ato", Alencar comentou:
-Quem diria: o presidente professor cometeu um erro gramatical, separando o verbo de seu objeto!
Pellegrino retrucou:
-Professor Chico, acho que o erro realmente grave do Jânio foi de análise de conjuntura...

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO - Crônica de um tempo difícil


Crônica de um tempo difícil
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
O Estado de S.Paulo - 04/09/11

Às vezes me dá vontade de ser mais cronista do que articulista. Explico-me: espera-se de um articulista que argumente lógica e concatenadamente sobre um assunto qualquer. Já o cronista pode divagar. Estou ficando cansado de argumentar, e com mais vontade de discorrer sem pretensões do que ter de demonstrar a lógica de meus argumentos.

Começo por fazer uma confissão. Na quinta-feira, dia 1.º de setembro, depois de um prazeroso almoço com bons amigos que ainda se dão ao trabalho de continuar a celebrar meus já batidos 80 anos, cheguei ao instituto às 5 e meia da tarde. Recebi um antigo colaborador e amigo que não via há muito tempo (por sinal, hoje general do Exército) e, ainda, me dispus a mostrar-lhe a exposição sobre o Brasil de antes e depois do Plano Real que o acervo do iFHC preparou para servir às novas gerações e, quem sabe, despertar o interesse de algum pesquisador. Às 7 da noite, terminada a visita à exposição, recebi um recado de uma das minhas assessoras: não me esquecer do artigo para o primeiro domingo de setembro!

Mais grave ainda: devia sair de casa para o aeroporto na sexta-feira às 7 e meia da manhã para ir a Montevidéu, a convite de meu amigo o ex-presidente Julio Sanguinetti. Que fazer? Tinha em mente dois temas para este domingo. Algumas reflexões sobre a crise da economia dos países ricos e a nossa experiência em lidar com a questão ou, algo mais quente, os limites da "faxina" da presidente Dilma Rousseff e minhas declarações a esse respeito. Temas sérios. Confesso, faltou-me energia para discutir a fundo essas questões em duas horas - que era o que me restava -, embora não me faltasse apetite para dar alguns palpites como cronista (sem querer ofender os brios dos verdadeiros cronistas).

Vamos lá. Primeiro, a crise financeira deles e o nosso "legado", palavra pretensiosa e tão mistificadora como a expressão que andou na moda, herança maldita. No caso dos países ricos, é indiscutível, o que causou a crise foi mais o desregramento do sistema financeiro e a crença cega nas autocorreções do mercado do que a gastança governamental, a crise fiscal, embora esta exista também. Em nosso caso, foram as agruras nas contas externas e, sobretudo, as especulações contra a moeda nacional - o "contágio" -, acrescidas, também, de fragilidades fiscais. Lá, como aqui, com as mesmas razões ou sem razões aparentes, as agências avaliadoras de risco desempenharam papel importante para desencadear dúvidas sobre a liquidez e a solvência.

Mas param por aí as similitudes. Nem tínhamos a possibilidade de picotar e transformar as hipotecas em "derivativos", pois o crédito imobiliário era pequeno, nem de empurrar para o Banco Central o desastre financeiro dos bancos e quejandos. Entre nós, também houve alguma "socialização das perdas", isto é, o Tesouro (eu, você e todos os contribuintes) acabou pagando algo dos desatinos dos banqueiros e especuladores. Mas em pequena proporção: o grosso foi pago pelos próprios banqueiros audaciosos. Tiveram seus bens indisponíveis e perderam seus bancos. Isso foi o Proer. E os bancos públicos estaduais, quando governadores tomavam dinheiro emprestado e não pagavam, foram privatizados ou fechados. Nesses casos também houve algum aumento da dívida pública federal, justificável para barrar de vez a possibilidade de desregramentos futuros. Isso foi o Proes.

Nos Estados Unidos e na Europa, o que vemos? Inundação de dinheiro público via bancos centrais para salvar o sistema financeiro, sem nenhuma penalização dos responsáveis e, ainda por cima, cortes drásticos nos orçamentos, sem aumento de impostos, fazendo com que os menos aquinhoados paguem os desvarios dos mais ricos! Pior: tudo isso sem que a economia retome o seu dinamismo. Na Europa, um empurra-empurra para ver se algum país paga pelos empréstimos que seus bancos fizeram aos países ora em penúria ou se o Banco Central Europeu - quer dizer, todos - vai pagar. Sempre, além disso, há cortes drásticos no orçamento para pôr as contas fiscais em ordem. Resultado: poucas chances de crescimento nos próximos anos. Dá para entender?

Quando daqui gritávamos contra a desregulação - cheguei a apoiar a Taxa Tobin, um imposto sobre as transações financeiras internacionais, que quase todos os economistas condenam, para criar um fundo de solvência dos países endividados -, vinham-nos com a mesma receita: aperto fiscal e nada mais, salvo um ou outro empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) quando a situação já era desesperadora. Quem com ferro fere com ferro será ferido.

A confusão, agora, é "deles" e, como é "deles" e não há mais eles sem nós, barbas de molho, porque a recessão em marcha acabará por nos atingir. Enquanto isso, os sonhos de um G-20 ativo tratando de regular o mercado financeiro morre na praia. Não aprenderam nossa lição: além do apregoado aperto fiscal, seguimos as regras da Basileia, isto é, nosso Banco Central pôs freio à especulação e à irresponsabilidade no sistema financeiro, desde os tempos do Proer e do Proes. E não descuidamos de ter um Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ativo nem dos programas de transferência de renda para os mais pobres e de aumentos reais do salário mínimo desde 1994 até hoje.

Em contrapartida, deveríamos aprender com os países ricos que com corrupção pública não se deve brincar. Na Alemanha, o grande consolidador da União Europeia, Helmut Kohl, pagou alto preço por não querer dizer quem o ajudou em eleições e, recentemente, um importante ministro foi demitido por denúncia de plágio acadêmico. Assim, agora que se começou a falar em faxina, creio que devemos apoiar as iniciativas nesse sentido - desde uma CPI até os atos da presidente, estimulando-a a ir mais longe -, sem deixar que o governo ou um partido, mesmo que de oposição, se apodere da bandeira da moralização. Isso seria logo visto como manobra política e perderia apoios na sociedade, que se cansou de tanta impunidade.

Daí a pensar, como alguns pensam, que estamos querendo apoiar governos ou ficar bem na foto, é desconhecimento das reais motivações ou insensatez de quem não vê mais longe: as forças da corrupção estão mais enraizadas no poder do que parece. Sem tática, persistência e visão de futuro, será difícil barrá-las.

ELIO GASPARI - A Fiocruz precisa tomar a vacina da licitação


A Fiocruz precisa tomar a vacina da licitação
ELIO GASPARI
O GLOBO - 04/09/11

Contrato da informática foi suspenso temporariamente, mas o negócio continua com um forte cheiro de Dnit


A FIOCRUZ PRECISA de uma vacina para se proteger contra a bactéria "menigococus criminalis brasiliensis". Sua diretoria resolveu suspender, temporariamente, o contrato de até R$ 365 milhões assinado sem licitação com a empresa portuguesa Alert para informatizar seus serviços e, sobretudo, para a operação, sabe-se lá quando, do banco de dados do Cartão SUS. É pouco.
(Estava errada a informação aqui publicada na semana passada segundo a qual o contrato atenderia apenas duas unidades da Fiocruz. Estava errada também outra informação, publicada em janeiro, segundo a qual o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nada contrataria para o Cartão SUS sem licitação pública. Ele mudou de ideia, para pior.)
O contrato da Fiocruz com a Alert tem um forte cheiro de Dnit. Não só porque não houve licitação, como também porque o faturamento mundial da empresa em 2010 foi de 47 milhões (R$ 107 milhões), valor bastante inferior ao contrato firmado. Se isso fosse pouco, entre os argumentos usados para justificar a escolha da Alert estava o de que ela tinha uma certificação do renomado IHE, o "Integrated the Healthcare Enterprise". Em seu sítio na internet o IHE roga que seu santo nome não seja usado como fator de "certificação" ou "validação" de empresas ou programas.
Se um cidadão for convidado pela gloriosa Fiocruz para tomar uma vacina, a tradição e o bom senso recomendam que aceite a sugestão. Se convidarem essa mesma pessoa para servir de testemunha num contrato como o da Alert, ela deve fugir como se estivesse diante da peste. Jogaram a credibilidade da fundação na briga de cobras que acompanha a discussão do software do Cartão SUS.
Os sábios da Fiocruz e do Ministério da Saúde suspenderam o contrato e estão pesquisando modalidades de transparência, legitimação e consulta para avaliar o negócio. Querem tratar o doente com curativos, quando o melhor remédio contra o "menigococus criminalis brasiliensis" é a velha e boa vacina da licitação pública. Quem quiser disputa, e quem ganhar leva.

TREM-BALA
Para a crônica dos fracassos do projeto do trem-bala. Até julho passado, quando o governo desistiu do leilão de sua concessão, informava-se que o principal consórcio interessado no negócio era formado por empresas coreanas.
Parolagem. O consórcio coreano implodiu meses antes. Seu executivo mais qualificado já retornara a Seul.

MASMORRA CAPIXABA
As masmorras do governo do Espírito Santo fazem história. O Ministério Público Federal vem perdendo todas as paradas para resolver o problema das más condições da penitenciária de Barra de São Francisco. Sua população, projetada para 106 presos, passou de 274 em 2008 para 364 em 2010, ou 1,09 metro quadrado por pessoa. Uma perícia da Polícia Federal concluiu que o presídio "não possuía, em suas unidades celulares, condições mínimas de salubridade para a existência humana". Aos pedidos de informações o governo do Estado responde com lero-leros, às solicitações de providências, com silêncio.
O Ministério Público Federal pediu à Justiça que suspenda a remessa de presos para Barra de São Francisco e que a União fiscalize o seu descongestionamento. A juíza da 1ª Vara Federal de Colatina negou o pedido e lembrou que "a concretização de todos os direitos fundamentais e sociais esbarra nas limitações materiais do Estado".
Desse jeito, a penitenciária ficará na mesma, mas surgiu um perigo: que alguém proponha a criação de um novo imposto para financiar (em tese) as masmorras nacionais. Até porque os doutores que mandam em Barra de São Francisco sustentam que "se comparada a outras unidades" ela se encontra "em situação favorável".

UM LIXO DE FAXINA
O melhor retrato da postura do PT diante de toda e qualquer faxina foi conseguido na noite de terça-feira pelo repórter fotográfico Ailton de Freitas.
Ele mostrou o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), paternal e sorridente, cumprimentando a deputada Jaqueline Roriz durante a sessão em que ela viria a ser consagrada pelos seus pares.
Vaccarezza e a doutora Dilma informam que o governo precisa de um novo imposto para financiar a saúde. Durante a campanha eleitoral ela dizia o contrário.
Eremildo, o Idiota, entendeu os recados: a faxina será feita no bolso da choldra.

MÁS MARQUETAGENS
Ao insinuar a responsabilidade do condutor (morto) do bondinho de Santa Teresa pelo desastre que matou cinco pessoas e feriu 57, o doutor Julio Lopes, secretário de Transportes do governador Sérgio Cabral, reciclou um velho ditado segundo o qual "tudo na vida é passageiro, menos o cobrador e o motorneiro".
Na linguagem dos administradores de crises, "em governo marqueteiro, a desgraça é do passageiro e a culpa é do motorneiro".
Dias depois da sentença do secretário, o governador admitiu que a oficina de reparo dos bondes está sucateada, mas o doutor Lopes voltou a pontificar: "Nós investimos recursos significativos, mas não no montante que se poderá investir agora, em função dessa trágica ocorrência". Transformou desgraça em estímulo ao investimento.
(Em julho passado os doutores Lopes e Cabral levaram a doutora Dilma para a inauguração do teleférico do Alemão. Havia o teleférico, mas não havia o serviço.)

A "BOLA DE CRISTAL" PARA O VOTO AMERICANO
Faltam 14 meses para a eleição americana. Aqui vai um refresco para quem pretende acompanhá-la fora do universo das superstições. É o site de Larry Sabato, um professor da Universidade de Virgínia que estuda o comportamento do eleitorado e tem uma enorme coragem, pois em 2002 criou uma newsletter eletrônica (grátis como o ar) chamada "Sabato's Crystal Ball" ("A Bola de Cristal de Sabato"). Infelizmente, está em inglês.
Sabato acertou todos os principais resultados eleitorais, com uma precisão que passou a casa dos 90%. Ele sustenta que não se deve projetar 2012 a partir do resultado da eleição do ano passado, quando os republicanos trituraram os democratas. A razão é matemática. O eleitorado que vai às eleições intermediárias é diferente, e menor, do que aquele que vai às presidenciais. Em 2008 Obama teve 69,5 milhões de votos. Em 2010 os republicanos ganharam a maioria na Câmara com 44,6 milhões de votos.
O nome do jogo numa eleição presidencial é o comparecimento. De uma maneira geral, em qualquer eleição, comparecem 40% dos eleitores. Quando a Casa Branca está em jogo, podem comparecer mais 20%. Os outros 40% simplesmente não vão votar. Em 2008 Obama conseguiu atrair mais eleitores democratas e sobretudo jovens.
Está na rede um artigo do professor Andrew Hacker publicado pelo "The New York Review of Books", intitulado "The Next Election: The Surprising Reality" ("A Próxima Eleição: A Surpreendente Realidade"). É coisa fina.

GOSTOSA


GAUDÊNCIO TORQUATO - O lulismo e o dilmismo


O lulismo e o dilmismo
GAUDÊNCIO TORQUATO
O Estado de S.Paulo - 04/09/11

Ao entrar no nono mês, o governo Dilma deixa transparecer os primeiros traços de sua cara. Que permite divisar contornos mais homogêneos e menos oblíquos que a do ciclo Lula. As diferenças não se devem a razões de natureza política e nem de longe se abrigam na discutível hipótese, de viés conspirador, de que as criaturas, mais cedo ou mais tarde, acabam se rebelando contra o criador. Quem apostar na ideia de que um dia a criatura Dilma tomará rumos diferentes do criador Luiz Inácio perderá feio. Os dois atores fazem parte do mesmo enredo. E até se completam, pois o que sobra nele falta nela, e vice-versa. Exemplo: carisma e experimentação, de um lado, apuro técnico e organicidade, de outro. Um distanciamento, mesmo ocasional, traria perda para ambos. A configuração mais retilínea da atual administração resulta da identidade da presidente, da qual se extrai a ênfase em vetores como planejamento, controles e cobranças, análise de performances, calibragem da máquina, substituição de peças e sintonia fina nos programas. O dilmismo, como se pode designar tal modelagem, terá o condão de lapidar o lulismo, expurgar excessos, preencher reentrâncias, aplainar caminhos.

A imagem do "pente-fino" cai bem nas operações que o lulismo desenvolveu em diversas frentes. Convém definir o lulismo: um ajuntamento de programas, alguns de argamassa frouxa, implantados sob o escudo do real estável, que geraram um "novo milagre brasileiro", expressão de Rudá Ricci para explicar o ingresso de 30 milhões de pessoas no meio da pirâmide. Ainda conforme o sociólogo, "o lulismo teria se formado a partir do encontro com as classes menos abastadas do País, que rejeitam ideologias". E, claro, trombeteado por um líder que, no dizer de José Nêumanne Pinto em seu livro O que Sei de Lula, "é e sempre foi, sobretudo, um manipulador de emoções da massa". Sendo assim, diferencia-se do petismo, porquanto este tinha como foco as classes trabalhadoras organizadas em estruturas tradicionais e aquele abre os braços a contingentes desorganizados, desideologizados e pragmáticos. A análise do ciclo Lula permite distinguir alta dose de experimentalismo, como se constata nas idas e vindas que marcaram o início do Fome Zero. E mesmo após arrumar as coordenadas na área social, a partir da integração de projetos da era FHC, que redundou no símbolo da redenção de milhões de brasileiros, o Bolsa-Família, o lulismo deixou, ao fim de oito anos de império de Luiz Inácio, a impressão de larga defasagem entre discurso e prática. Espaços como os de infraestrutura e educação registraram resíduos de improvisação, como se vê nas planilhas do PAC ou em livros didáticos editados sob o selo de patrulhas que ousaram apresentar nova versão para a História do País.

Aduz-se, portanto, que o dilmismo veste o figurino adequado ao momento. Primeiro, por mostrar disposição de cortar gorduras acumuladas no corpo administrativo, tarefa complexa, diga-se, porque decisão dessa natureza contraria interesses da base partidária. Confira-se, a título de exemplificação, a assepsia que a presidente tenta realizar nos recônditos ministeriais. De forma lenta e gradual, a chefe do governo desobstrui dutos congestionados por sujeira, formando novas composições com quadros técnicos. O estilo Dilma incomoda aliados? Sem dúvida. Os parceiros não lhe dão o troco, ouve-se à boca pequena, por sentirem que manobra contrária à limpeza seria um bumerangue. Andar na contramão da faxina é defender sujeira. Um risco para a imagem pública do representante do povo.

A condição de mulher, ademais, ajuda-a a empreender o mutirão de depuração, eis que projeta os valores encarnados pela dona de casa: zelo, preocupação, cuidados com a organização do lar. Se parcelas governistas ameaçam ir para o confronto, juntando-se à oposição, como indicam a votação da Emenda 29 e da PEC 300, o governo brande o argumento da crise que nos ameaça. No planeta quase em chamas, onde nações poderosas dão sinais cada vez mais próximos de calote em credores, o Brasil não se pode dar ao luxo de gastança desbragada, como se via na era Lula. Querem mais dinheiro para a saúde? Indiquem a fonte, diz a presidente. Eis mais um elemento de diferenciação entre o ontem e o hoje. Luiz Inácio era um ás no campo da articulação política. Escudava-se na conversa ao pé do ouvido, no conchavo, na capacidade de convencimento. Lábia declamada com o mel do carisma é puro acalento. Tranquilizante. Já o estilo duro, direto, conciso de Dilma gera temor. É inegável, porém, que o País não aguentaria mais uma jornada de experimentações, andando em curvas, algumas bem fechadas, subindo em palanques no interregno de pleitos, escancarando cofres, expandindo ao infinito os gastos públicos. Se o dilmismo aperfeiçoar a rota da governança sob a marca da responsabilidade, ganhará o reconhecimento da sociedade.

Neste ponto, convém pinçar mais um traço relevante na metodologia da atual governante: a altanaria, a capacidade de não se deixar envolver pela competição interpartidária quando estão em jogo questões de absoluta prioridade. O programa Brasil sem Miséria, que complementa e ajusta a rede social tecida no ciclo anterior, foi lançado no Palácio dos Bandeirantes, ao lado do governador Alckmin e do ex-presidente Fernando Henrique. Significado: a vida pátria deve ser uma obra comum. Compartilhada por gregos e troianos. Gestos como esse abrem a esperança de que o dilmismo faça muito bem ao País.

CARLOS HEITOR CONY - De profundis

De profundis 
CARLOS HEITOR CONY
FOLHA DE SP - 04/09/11

RIO DE JANEIRO - Lembrei recentemente o episódio do sujeito que precisava enterrar a mulher e encontrou os cemitérios sob intervenção federal devido ao roubo de estátuas e sepulturas. A corrupção atingira até mesmo as últimas moradas dos mortais.

Tivemos agora, por outros motivos, uma greve dos coveiros, creio que inédita, mas necessária. Com raríssimas exceções, os cemitérios brasileiros são uma calamidade, e até mesmo degradantes.

Há uma geral falta de dignidade e nem sempre os coveiros são os responsáveis. Aliás, um dos mistérios que nunca entendi direito foi a existência de duas categorias profissionais: o coveiro e o bandeirinha de futebol.

Em uma pesquisa entre crianças para saber o que pretendem ser na vida, nenhuma delas mencionará a atividade do coveiro e a do bandeirinha. No entanto eles existem, um deles se tornou famoso quando desenterrou a caveira de Yorik e deu a Hamlet a oportunidade para um dos grandes momentos de William Shakespeare.

Não foi no meu tempo, mas na gripe de 1918, que ficou na história como a Espanhola. Pelo menos no Rio de Janeiro foi uma calamidade. O camarada ia atravessar a rua com saúde e chegava na outra calçada em condição de cadáver.

Nem os coveiros nem os cemitérios davam conta da oferta, muitos botavam os corpos na calçada, prática que foi condenada pelas autoridades sanitárias. Com a imaginação dos cariocas, bolou-se uma alternativa. O corpo era levado para os bondes, para qualquer um que passasse pela rua. A família pagava a passagem. No fim da linha, o único passageiro vivo era o motorneiro, mas nem sempre.

Sabemos que, hoje, a procura de corpos ceifados pela ditadura militar faz parte de uma Comissão da Verdade. Recuando no tempo, ainda não se sabe onde tantas vítimas da Espanhola foram parar.

JANIO DE FREITAS - Ação entre amigos



Ação entre amigos
JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SP - 04/11
Enquanto for possível transgredir princípios da ONU, como ocorre na Líbia, será ingênuo crer que potências agem por menos do que ambição
OS RELATOS MENOS ligeiros da conferência "Amigos da Líbia", em Paris, proporcionam o primeiro esclarecimento documental das discutidas motivações, entre princípios humanitários e suspeitados interesses gananciosos, para a ação de potências ocidentais no país africano e tanta passividade ante os massacres da população pelas ditaduras na Síria, no Iêmen, no Barein e outras.
Como aperitivo para a reunião dos governantes e representantes de 63 países, o jornal parisiense "Libération" divulgou uma carta, datada de abril, em que o Conselho Nacional de Transição da Líbia rebelde se compromete a destinar à França, em troca do seu reconhecimento como governo legítimo, 35% da produção de petróleo líbio. Ao que o ministro do Exterior francês, Alain Juppé, anexa palavras talvez distraídas, mas definitivas: "A operação na Líbia é muito dispendiosa. É também um investimento no futuro".
Ficou explicado o pronto reconhecimento recebido do presidente Sarkozy pelos integrantes e pelo próprio conselho, assim como sua condição de governo nos 18 meses seguintes à esperada queda real de Gaddafi. Reino Unido (Inglaterra) e Itália fizeram o mesmo reconhecimento rápido, logo, é presumível que tenham também recebido cartas permutando a riqueza petrolífera da Líbia.
Mas a divisão do legado transferiu para a conferência o clima de disputa que estava só na Líbia. Ingleses, franceses e italianos disputaram com garra o espólio pós-guerra. O bravo ministro do Exterior do Reino Unido foi tão belicamente determinado, com sua proclamação de que "as empresas britânicas não ficarão para trás" na disputa com as francesas e italianas, que não tardou um rateio inaugural para a atividade imediata de meia dúzia de petrolíferas na Líbia.
Enquanto for possível transgredir impunemente decisões e princípios da ONU, como ingleses e franceses fazem na Líbia, será ingênua toda crença de que as potências ajam, em algum caso, por menos do que ambição de domínio e das riquezas alheias.
Entre os "Amigos da Líbia" (alguns tão amigos que já eram muito amigos nos tempos de Gaddafi), quem não saiu da conferência com seu butim, ou com a promessa de tê-lo, lá ganhou ao menos uma frase de Hillary Clinton que deveria ser lembrada a cada dia: "Vencer uma guerra não traz nenhuma garantia de preservação da paz".
O INFORMANTE
Se o embaixador dos EUA no Brasil em 2008, Clifford Sobel, acreditou no então senador piauiense Heráclito Fortes, não é assunto nosso. Mas que um senador brasileiro desse a outro país informações falsas que comprometiam o Brasil, negando-lhe a soberania e sua proteção, não é atitude que se permitisse passar em branco, como ocorre.
Heráclito Fortes deveria ser chamado a fundamentar sua "certeza de envolvimento estrangeiro, possivelmente das Farc", no treinamento guerrilheiro de sem-terra, e que uma entidade cultural do Piauí tem "possíveis conexões terroristas". Se incapaz de fazê-lo, não há motivo para que não seja responsabilizado judicialmente pela gravidade de sua atitude.
Entre a correspondência do embaixador para o governo dos EUA e a negativa de Heráclito Fortes da conversa citada pelo primeiro, a escolha é automática.

FERNANDO DE BARROS E SILVA - As artes da USP


As artes da USP
FERNANDO DE BARROS E SILVA 
FOLHA DE SP - 04/09/11

A Secretaria de Estado da Cultura investiu cerca de R$ 80 milhões na reforma do antigo prédio do Detran, no Ibirapuera, a fim de transformá-lo na nova sede do MAC-USP, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. Faz todo o sentido.

Seu acervo é, de longe, o mais importante de arte moderna na América Latina. Reúne em torno de 8.000 obras, do último autorretrato de Modigliani a quadros de Picasso, Matisse, Miró, Max Ernst, De Chirico, Umberto Boccioni, Tarsila, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Volpi, entre centenas de artistas.

Na USP, onde hoje se encontra, esse patrimônio fica praticamente escondido. O museu é pequeno e o acesso é difícil. Estão expostos de 1% a 5% das obras, apenas. O reitor da USP, no entanto, se recusa agora a transferir o MAC do campus.

Por que privar o público de ter um museu à altura de seu acervo, integrado, no mesmo complexo de cultura e lazer, à Fundação Bienal, ao MAM, ao Museu Afro Brasil, à área do parque Ibirapuera?

João Grandino Rodas alega "problemas profundos", mas o que oferece são desculpas esfarrapadas. Primeiro, implica com o Clube das Arcadas, que o XI de Agosto pretende construir no terreno ao lado do prédio. Logo ele, que brigou com o centro acadêmico quando era diretor da Faculdade de Direito. Rodas também não quer gastar com a manutenção do museu. Balela. Qual seria a dificuldade de captar recursos no mercado? Bancos adoram financiar a arte -algo "neutro", colorido, que não cria problemas e as pessoas acham chique, mesmo quando (ou porque) não entendem.

Na hora de criar fundações que propiciam ganhos externos aos docentes, a USP atua com desenvoltura. Quando se trata do acesso do público à cultura, age como uma típica repartição pública dos anos 1950 -"não dá". Para os burocratas encastelados no seu mundinho, de costas para a sociedade que os financia, nada dá. Não dá é para aguentar mais esse tipo de coisa.

SAÚDE E O JOGO


UGO GIORGETTI - Cariocas


Cariocas
UGO GIORGETTI 
O Estado de S.Paulo - 04/09/11

Nós paulistas não confessamos, mas estamos um pouco perplexos com a performance dos times cariocas neste Brasileiro. Como? Entre os quatro primeiros, três cariocas!? Como é possível, já que tínhamos nos acostumado a olhar para o Rio com certa indulgência, com certa distância que um superior tem em relação ao subalterno.

É claro que já houve provas de que algo tinha mudado, entre outros exemplos anteriores, com a vitória do Fluminense no Brasileiro passado. Mas podiam ser apenas acidentes, algo episódico, mais devido a uma solitária força individual do que a uma improvável ressurreição em bloco do futebol carioca. Além disso, o treinador que colocou o Flu no lugar mais alto do pódio era o mais paulista dos treinadores brasileiros. Muricy nos colocava, nós paulistas, de algum modo como participantes da vitória dos cariocas.

O campeonato atual, porém, não deixa muitas dúvidas. São três cariocas na ponta da tabela e o Fluminense subindo, como se viu na vitória sobre o São Paulo em pleno Morumbi. Como explicar esse estado de coisas? Procuramos em vão nos times cariocas grandes craques. Não há muitos, infelizmente. Um Ronaldo Gaúcho aqui, uma revelação acolá, mas nada de tão extraordinário. Nada que alguns times de São Paulo também não tenham.

Esse raciocínio leva a outro. Quem sabe essa colocação não responde a uma situação momentânea que vai mudar conforme o torneio avança, coisa, aliás, muito comum neste ano. É possível, concordo. É possível que ao fim e ao cabo restem poucos cariocas na ponta da tabela, quem sabe nenhum.

Renovação. Mas gostaria de pensar o contrário. Gostaria que essa pontuação dos cariocas fosse até o fim, não por qualquer sentimento contra os times paulistas, longe disso, mas porque suspeito de que algo bom para o futebol brasileiro esteja ocorrendo no Rio. Desconfio que o êxito atual do futebol carioca se deve à renovação evidente na direção dos clubes.

Não sei muito bem quem dirige o Botafogo e o Fluminense. Sei que houve eleições no Fluminense e um presidente jovem e articulado assumiu. Mas sei bem quem dirige o Vasco e o Flamengo. Basta olhar para eles para ver porque seus times vão bem. Digo olhar, olhar mesmo, observar suas caras, e não me venham com a velha história de que as aparências enganam. Patrícia Amorim e Roberto Dinamite transmitem confiança imediatamente. São mais do que gente do esporte, são esportistas. Competiram. Sabem o que é ganhar e perder na pele, sabem, por isso, a responsabilidade que é dirigir clubes grandes. Principalmente dão a impressão de amadores.

Amador, isto é, quem ama. É nessa condição que se enquadram Dinamite e Patrícia Amorim. Estou cheio de profissionais, e gente que se intitula profissional. Viva os amadores, os que, em primeiro lugar, colocam seu amor ao clube. Só uma vez estive com Patrícia Amorim, rapidamente, numa curta reunião, mas mesmo assim concluí que estava diante de uma figura nova de dirigente. Jovem, olhar rápido e atento, compreendendo imediatamente as coisas e de uma garra e disposição impressionantes. E foi uma atleta vencedora. Surgiu se sabe de onde, coisa que não é tão comum acontecer. Os torcedores saberem de onde vem o dirigente, sua carreira de feitos e vitórias me parece importante.

Dinamite nunca vi pessoalmente, mas sua carreira também fala por si. Nesse caso até mais do que Patrícia, pois foi um dos maiores ídolos da história do Vasco, e não só do Vasco, mas do futebol brasileiro. É impossível deixar de ver também as dificuldades que teve de enfrentar para reerguer o grande clube de São Januário.

Com isso não estou falando que não cometem erros, nem que não há em São Paulo dirigentes assim. Há, sem dúvida, e nomes podem ser apontados facilmente. Mas, a meu ver, não são a regra. No Rio parece que esse tipo de dirigente, que vem com ideais novas e coloca o clube acima de tudo, está se tornando regra, não exceção. Por isso torço para que o êxito desse futebol carioca continue. Dirigente ganha jogo e campeonato, sim. Aliás, só dirigente ganha jogo e campeonato.

Como nas batalhas quem ganha ou perde é o general.

ANTERO GRECO - A grande lorota


A grande lorota
ANTERO GRECO
O Estado de S.Paulo - 04/09/11

Tem muito lero-lero no futebol. Parece que, sem uma conversa mole, ele perde a essência. A maior é quando chega técnico novo e se fala em projeto, tentativa de tornar solene ato corriqueiro de troca de comando. Dá urticária ouvir esse papo furado, que não passa de teatro mambembe, pois nenhum dos personagens acredita no que se diz. Com exceções, e bota exceção nisso!, a maioria dos "professores" estaciona um tempo no clube e leva um pé nos fundilhos tão logo acumule fileira de maus resultados. É convidado a cantar em outra freguesia, onde invariavelmente será apresentado como "o cara", até cair ali adiante. E a roda-viva segue a girar indefinidamente.

Só nesta semana houve três casos de saída de treinadores em clubes da Série A e dois alarmes falsos. O Atlético-PR perdeu Renato Gaúcho, o Cruzeiro mandou Joel Santana levantar o Fundo de Garantia e o Bahia disse "obrigado por tudo, passar bem" para René Simões. No Corinthians, se acenou com a possibilidade de defenestrar Tite e mesmo destino teria Abel Braga no Flu. Para alívio de ambos, suas equipes venceram. O motivo para quedas e ameaças é sempre o mesmo: o desempenho não agradava e os times escorregavam na tabela.

Convenhamos: trata-se de esculhambação danada, curso completo de falta de respeito. E uma contradição do tamanho de um bonde. Técnicos desembarcam a peso de ouro - salários de R$ 200 mil, 300 mil, 500 mil mensais parecem troco de cafezinho - com a missão de recolocar uma agremiação nos trilhos e de levá-la à glória, ao topo da classificação. Enquanto der certo, palmas e tapinhas nas costas. Começou a fazer água, bota-se o sujeito pra correr. Dispensas, na maior parte das vezes, ocorrem à noite e por telefone, de preferência o fixo para não aumentar a conta do celular.

Não se trata de demitir executivo que não atingiu metas, prática comum em empresas. Mas, tenho certeza, haveria mais critério nas escolhas dos gestores da bola. O festival de degolas acontece porque técnico não é levado a sério, noves fora as situações especiais. Os dirigentes os veem como mal necessário e não creem em sua capacidade e na importância da função. Na ótica deles, esses profissionais funcionam como motivadores de elenco. Por isso, lhes oferecem os tubos, que logo lhe são tirados.

Veja o caso do Cruzeiro. A largada em 2011 foi exuberante, sobretudo na Libertadores. Os adversários eram abatidos como moscas, a Raposa matreira despontava como candidata ao título. Até vir a eliminação. Cuca balançou, fez hora extra no Brasileiro até ver-se obrigado a limpar o armário. Recorreu-se à experiência e à verve de papai Joel Santana. Pronto, esse era o homem adequado para domar o elenco, com sua lábia e sua prancheta! O projeto durou 8 vitórias e 7 derrotas. E lá vem hoje o Cruzeiro de interino enfrentar o Palmeiras.

Quando procuraram Joel, os cartolas mineiros de fato tinham proposta de trabalho de longo prazo ou buscavam apenas apagar incêndio e oferecer resposta à torcida? Viro mico de circo, mas fico com a segunda hipótese, que serve para o Cruzeiro e para a maioria dos times, da Primeira Divisão aos catadões dos campeonatos internos das firmas. Cite sem vacilar exemplo atual no futebol brasileiro de projeto de fato em andamento sob a batuta de um treinador veterano de casa. Como é?! Não lembra? Também não me ocorre nenhum.

O desamor é recíproco, embora menos frequente. Técnico também se enche e pega o boné, como fez Renato Gaúcho sem nenhuma cerimônia. Notou que o panorama continuaria feio no Atlético-PR e saiu do olho do furacão, com a desculpa de que estava com saudade da família, instalada no Rio. Renato soltou a dica, logo ao chegar a Curitiba, pouco tempo atrás: avisou que nem desfaria as malas. Não era para menos, antes dele o clube despedira outros 4 em 2011.

Sei que é regra de ouro da selva do futebol despachar treinador aos primeiros sintomas de crise. Mas fará boa colheita aquele que tiver o peito de bancar técnico calejado e qualificado - tá certo, não são muitos - mesmo na turbulência. Esses podem gabar-se de ter projetos - e vão se dar bem.

E se? Não é delírio, mas o Brasileiro corre risco de ter novo líder hoje. Não é nenhum despautério o Coritiba em casa atravancar a vida do Corinthians (40 pontos) e o Vasco (38) bater o lanterna América-MG em Minas. Torneio maluco e emocionantes desses...

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Manchester pode inspirar onda de IPOs no futebol
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 04/09/11

O exemplo do Manchester United, que deve fazer seu IPO na Bolsa de Cingapura até o fim de 2011, pode gerar uma onda de profissionalização e abertura de capital no futebol? Apesar da resistência de boleiros ao mercado financeiro, especialistas defendem um placar diferente.
"Seria uma solução para os clubes profissionalizarem a gestão e implantarem uma boa governança", diz Marcelo Kayath, corresponsável pelo banco de investimento do Credit Suisse no Brasil. O banco é o coordenador global da operação do Manchester.
Um candidato a presidente de um dos 12 grandes times do país pretendia fazer o IPO do departamento de futebol, mas não se elegeu. Como a receita com a venda de jogadores varia muito, seriam usadas fontes mais estáveis, como a comercialização de ingressos e produtos do time.
Antes do IPO, clubes têm de fazer uma reformulação jurídica e societária, o que não é bem-visto por sócios, diz Eduardo Carlezzo, especialista em direito esportivo.
"Seria uma nova via de investimento para o torcedor, mas a ideia nunca passa no Conselho Deliberativo."
Especialistas dizem que o IPO desagrada pessoas que estão no poder nos clubes, mas que essa dificuldade pode ser contornada.
"O dirigente pode manter o controle, com 51% do capital e 49% na Bolsa. E a operação deve ser 'à la Vale', em que sócios compram com desconto", diz Kayath.

O QUE EU ESTOU LENDO
Gilberto Kassab, prefeito de SP

Além do novo partido, o prefeito de SP, Gilberto Kassab, se ocupa com a China. O prefeito lê "On China", de Henry Kissinger. "Ele desperta diferentes reações, mas tem inegável capacidade intelectual. Kissinger foi personagem destacado nas relações internacionais durante quase duas décadas e propõe uma reflexão sobre a convivência entre as grandes potências", diz.
"É bem interessante o paralelo entre estilos de agir e pensar de norte-americanos e chineses e como isso influenciou a relação entre os países. Estou descobrindo uma leitura essencial para quem quer entender o mundo em que vivemos", acrescenta.

FANTÁSTICA FÁBRICA
A Cacau Show vai comprar mais duas fazendas, na Bahia e no Pará, além das três em Linhares (ES) onde planta cacau. Por que verticalizar em vez de terceirizar etapas da produção?
"Quero participar de todo o processo, para ter mais qualidade. O cliente não quer mais trocar dinheiro por chocolate. Quer uma experiência", diz Alexandre Costa, presidente da marca, que começou o negócio na Páscoa de 88, aos 17 anos. Conseguiu uma encomenda, mas não encontrou ovos de 50 gramas. Decidiu produzi-los por conta própria e contratou uma senhora que fazia chocolate. Depois de dias de 18 horas de trabalho, o pedido foi entregue. "Hoje são mais de 1000 lojas, quase todas franquias, em todo o país, e a Cacau Show é a maior rede de chocolates finos do mundo", diz.
Serão R$ 35 milhões os investimentos até abril: R$ 20 milhões na fábrica, R$ 8 milhões em equipamentos e R$ 7 milhões nas fazendas. Conforme a região, o cacau tem sabor diferente. "O consumidor está se sofisticando. Ocorrerá com o chocolate o que aconteceu com o vinho no país. E queremos sair na frente."

NÚMEROS
54 mil m²
será o tamanho da fábrica, que hoje tem 18 mil m² e produz cerca de 12 mil toneladas de chocolate por ano

48%
foi o crescimento médio nos últimos cinco anos

1052 lojas
até dezembro

COM QUE ROUPA
ENCOLHI
Os ternos diminuíram: calça e paletó estão mais curtos e justos. As bocas das calças estão mais estreitas. A largura delas abaixo do joelho foram reduzidas em um centímetro, de acordo com a direção da grife Ermenegildo Zegna no Brasil.
O comprimento do paletó, que costumava ser na primeira "junção de dedos", está um palmo acima, segundo a Armani no Brasil. Com a peça mais curta, o terceiro botão desapareceu. Os anos 60 são a referência das novas coleções.
A modelagem "mais seca" é na medida exata da pessoa, de acordo com a direção da marca Ricardo Almeida. O alfaiate João Camargo diz que o paletó deve dividir o corpo de quem o veste na metade, sem considerar a cabeça.
com JOANA CUNHA, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

GOSTOSA


LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO - Milagre


Milagre
LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO 
O GLOBO - 04/09/11


Deus colocou uma barra de ouro na cabeceira de um rabino, que quando acordou e viu o que Deus tinha feito ergueu as mãos para o alto e disse:

– Senhor, quem sou eu para receber esta dádiva?
E diante do silêncio de Deus, o rabino continuou:
– Quem sou eu para ser distinguido desta maneira?
E:
– Quem sou eu para enriquecer assim, da noite para o dia?
E disse mais:
– Quem sou eu, pobre de mim, para merecer um presente tão precioso, quando tantos mais necessitados do que eu não receberam?
E mais:
– Quem sou eu, Senhor, na minha humildade, para ser abençoado por este milagre?
E Deus ficou tão impressionado com os protestos reincidentes do rabino que falou:
– Talvez eu tenha mesmo me enganado, e essa barra de ouro seja para outro rabino...
Ao que o rabino escondeu a barra de ouro dentro da camisola, rapidamente, e disse:
– Quem sou eu para ser a prova de que Deus se engana?
PERFUMES
E tem a parábola do mendigo cego que todos os dias recebia uma esmola de uma mulher que passava, e que ele reconhecia pelo perfume. Cada dia um perfume diferente.
– Mmmm. Violeta – dizia o mendigo, depois de ouvir o tilintar da moeda no seu chapéu.
– Acertou – dizia a mulher.
No outro dia:
– Mmmm. Jasmim. Maravilha.
– Obrigada.
– Mmmmm. Rosa.
– Acertou de novo.
Todos os dias a mesma coisa.
– Mmmm. Lírio.
– Mmmm. Cravo.
– Mmmmm. Dracena.
Um dia a mulher disse ao mendigo que não tinha nenhuma moeda para lhe dar.
– Não importa – disse o mendigo. – Só o seu perfume de gardênia já me enche de prazer.
– Obrigada!
Até que um dia a mulher resolveu testar o mendigo.Perfumou-se de enxofre e amoníaco e despejou muitas moedas no seu chapéu. E o mendigo ouviu o tilintar das muitas moedas, aspirou fundo e exclamou:
– Mmmmm. Flor de laranjeira!
DECIDIDO
(Da série “Poesia numa hora dessas?!”)

Encoste o ouvido num tronco
e ouça o sangue do mundo rodando.
Encoste o ouvido no chão
e ouça o mundo ronronando.
O mundo funciona sozinho
e com destino decidido.
Recolha-se ao seu cantinho
e, claro, limpe o ouvido.

FERREIRA GULLAR - Colhendo o que plantou

Colhendo o que plantou
FERREIRA GULLAR
FOLHA DE SP - 04/09/11

Como disse aqui na ocasião em que Lula deixava o governo, não pretendia voltar a escrever sobre ele. Principalmente porque deixava o governo. Sucede que não se sabe ao certo se ele o deixou e, se o deixou, atua como se não o tivesse deixado - outro dia inaugurou um hospital na Bahia - e se preparasse para reassumi-lo de fato em 2014.

Infelizmente não dá para falar bem dele, mesmo porque o que me traz de volta ao tema é, por um lado o que ele anda fazendo e dizendo e, por outro, a avaliação que a distância dele me possibilitou.

Não tenho prazer nenhum em falar mal de ninguém, particularmente quando se trata de uma figura nacional em quem tanta gente acredita. Pode parecer má vontade ou rancor, mas não é nada disso.

Penso como simples cidadão, atento ao que fazem os políticos e às consequências disso na sociedade. Tanto mais se esse político tem o peso e a influência de um líder como Lula.

Basta ver o que conseguiu quando presidente da República, usando de carisma, habilidade e falta de escrúpulos para montar uma máquina de poder difícil de enfrentar.

Não discuto a legitimidade de um partido ou de um líder pretender governar o país por mais de um mandato ou voltar ao poder, já que a lei o permite. A meu juízo, quanto mais alternância melhor, já que dificulta a manutenção de feudos no organismo do Estado. Se a permanência prolongada já oferece esse risco, tanto pior é quando se trata de um partido ou líder pouco confiáveis.

E, se meu juízo a respeito de Lula já não era bom, o distanciamento e a revelação de novos fatos só vieram agravá-lo.

Lula é, sem dúvida, um fenômeno. Poucos líderes possuem, como ele, tanta sagacidade aliada à falta total de escrúpulos. Hoje entendo por que Brizola referindo-se a ele disse que "era capaz de pisar no pescoço da mãe". Com isso, não quis apontá-lo como um sujeito de temperamento violento e, sim, destituído de qualquer compromisso com os valores morais. Só lhe importa o poder. De modo que, para conquistá-lo e mantê-lo, tudo vale.

Não me esqueço da expressão que vi no olhar de Lula, em 2005, quando eclodiu o escândalo do mensalão: era um misto de pavor e perplexidade. "Fui traído", afirmou então, tentando safar-se, e o conseguiu, jogando a culpa sobre seus auxiliares imediatos. Pouco depois, dizia que o mensalão era uma espécie de caixa dois. Hoje afirma que tudo não passou de uma conspiração para tirá-lo do poder. Isso, muito embora o procurador-geral da República tenha aceito denunciar 34 dos 40 acusados no processo.

Esse é o Lula, que se apropriou dos programas do seu antecessor, muito embora tudo tenha feito para impedir que fossem implantados.

Forçado pelas circunstâncias, rendeu-se à aliança com o PMDB, mas manteve o pacto com a arraia miúda, já não a troco de grana, mas de cargos públicos e vista grossa para a corrupção que, em seu governo, se instalou nos ministérios.

Enfim, posso ter hoje uma compreensão melhor de quem é Lula e quais os seus propósitos. Ele é produto deste momento histórico, quando o fim dos partidos comunistas e do revolucionarismo guerrilheiro abriu caminho para líderes neopopulistas que, arvorando-se em defensores dos pobres, negociam com os ricos a paz social em troca de apoio material e político.

É o que Lula fazia como presidente, aliando o discurso antiamericano à oferta de empréstimos subsidiados do BNDES a grandes empresários. Se estava de acordo com as falcatruas praticadas por seus nomeados, pouco importava. Fez que de nada sabia, como convinha.

Eis a herança maldita que ele deixou para Dilma: para não passar por conivente, teve ela de demitir dezenas de "companheiros", envoltos em falcatruas.

No entanto, para ficar bem com os partidos da base, diz que a demissão dos corruptos não é faxina, que lembra sujeira. Aliás, corrupção também mudou de nome: agora se chama "malfeitos", como traquinagens de crianças... Haja eufemismos! E logo da parte de Dilma, que é a finesse em pessoa.

Mas os escândalos não param e em apenas oito meses. Já imaginou o que acontecerá em quatro anos? O lulismo está colhendo o que plantou. Independentemente do nome que Dilma dê a isso, talvez seja o começo do fim da aventura neopopulista, a que o país foi arrastado nestes últimos oito anos.

CLÁUDIO HUMBERTO

“É lamentável ver um partido trabalhar contra a criação de outro”
GILBERTO KASSAB, PREFEITO DE SÃO PAULO, FUNDADOR DO PSD, AO RECLAMAR DO DEM

MERCADANTE FAZ DILMA CONSTRANGER ITAMARATY 
As estripulias egocêntricas do ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) causaram um incidente diplomático dentro do próprio governo. Ele forçou a presidente Dilma Rousseff a indicar Laércio Vinhas, um não diplomata, para o cargo de representante do Brasil na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, Áustria. Causou enorme insatisfação dentro do Itamaraty, que não foi consultado.

O PIONEIRO 
Laércio Vinhas vai substituir o embaixador Antônio José Guerreiro, que assumiu em 2006, quando o Brasil ganhou o cargo na AIEA.

CHEGA PRA LÁ 
Para nomear aliado na Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEM), Mercadante tirou Laércio Vinhas. Precisava de algum lugar 
para ele.

MEU GAROTO 
O ministro alçou a presidente da CNEM o afilhado Ângelo Fernando Padilha. Foi o próprio Mercadante o mestre de cerimônia de posse.

CURRÍCULOS 
Vinhas é consultor independente da ONU há 20 anos. Padilha é doutor em energia. Mercadante é... pré-candidato do PT em São Paulo.

OAS DO AMIGO LULA TEME DISSOLUÇÃO DA BANCOOP 
Empreiteira favorita do ex-presidente, a OAS tentou reverter a decisão unânime do Ministério Público de São Paulo de propor intervenção na Cooperativa Habitacional dos Bancários, fundada por petistas e suspeita de desviar fundos a campanhas do PT. A empresa alegou “defesa dos seus direitos e dos cooperados” para tocar as obras de cinco condomínios, como o “Mar Cantábrico”, onde Lula tem cobertura.

GOELA ABAIXO 
Cooperados denunciam que a OAS finaliza as obras da falida Bancoop a um custo milionário, sem escolha: ou aceitam ou saem da cooperativa. 

ASSOMBRAÇÃO 
O PT gosta de assustar: agora ressurge o tal projeto “controle da mídia”. Sem maioria no Congresso, ou reativa o mensalão ou derruba a Globo. 

TE CUIDA! 
O ministro Orlando Silva (Esporte) é alvo de fogo amigo. Setores do PT querem tirar dele a pasta, com gorda verba para a Copa do Mundo.

PRENÚNCIO DE APOCALIPSE 
O Ministério Público do Maranhão denunciou a prefeita de Timon, Socorro Waquim (PMDB-MA), por suposto calote nos servidores municipais, sem salário há mais de ano. Também seria a prefeita mais cara do país, recebendo R$40 mil mensais. Prenúncio de quebra-quebra.

NOME É DESTINO 
O Ministério Público Federal denunciou um juiz do trabalho por suposta fraude de “pós-graduação” no currículo para ser professor de universidade em Minas. Nome 
do predestinado: Gigli Cattabriga Júnior. 

MADE IN USA 
O boom imobiliário e o PAC dão emprego à indústria americana de equipamentos de construção, segundo dados do setor nos EUA: Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru são os maiores compradores. 

DEITA E ROLA 
A “faxina” parou mesmo: o governo federal reduziu de R$ 11,5 milhões para R$ 9 milhões a verba para ações de prevenção e transparência, e tirou R$ 500 mil para a correição dos chamados “malfeitos”.

SUSEP LOTEADA 
Henrique Brandão, presidente do Sindicato dos Corretores do Rio, estende tentáculos sobre a Superintendência de Seguros Privados. Preposto do ex-deputado Roberto Jefferson no setor, ele acaba de emplacar Carlos Amorelli na influente diretoria de Fiscalização da Susep. 

MAIS UM 
Brandão também reforçou a escolha de Luciano Santana para a presidência da Susep. Ele foi denunciado por gestão fraudulenta pelo MP Federal. Geriu “de forma temerária” a Cooperativa de Corretores.

TOGA & KIMONO 
A Associação Brasileira das Federações Esportivas homenageou ontem o ministro do STF Luiz Fux. Ele é faixa preta de Jiu-Jitsu desde 1993 e pratica o esporte desde os 26 anos de idade. 

PERGUNTA DE PROVA 
Jaqueline Roriz foi inocentada por ter praticado o crime antes de ser deputada. Alegou que praticou o delito como “cidadã comum”. Assim, o STF vai devolver seu processo para ser julgado pela justiça comum?

PEGA! 
Depois de Pagot, Fatureto, Caixeta e Masella, o Transportes tem Pêgas. 

PODER SEM PUDOR
CACHOEIRA DE SIMPATIA 
Juscelino Kubitschek era um craque na arte de agradar platéias. Certa vez, quando governador, visitou a cidade de Tombos (MG), na divisa com o Estado do Rio, cujo nome era uma referência à belíssima queda d’água no Rio Carangola. E causou estupor ao se referir à cachoeira, no discurso:
– Isso não é natural...
A plateia ainda estava boquiaberta, perplexa, quando JK completou:
– ...É tão linda que só pode ser obra do povo de Tombos!
Saiu do palanque carregado nos braços.

DOMINGO NOS JORNAIS


Globo: A Justiça que tarda e falha - Estado do Rio arquiva 96% dos inquéritos de homicídio

Folha: Brasil perdeu uma Bolívia em desvio de cofres públicos

Estadão: Varejo adota cautela e já prevê Natal moderado

Correio: Brasília vira paraíso de grifes superluxuosas

Zero Hora: Quem está por trás da insurreição dos PMs

Jornal do Commercio: Verão chega com velhos problemas