terça-feira, agosto 16, 2011

MÔNICA BERGAMO - NOVA PAULISTA


NOVA PAULISTA
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 16/08/11

A cantora Marina Lima, que trocou o Rio de Janeiro por São Paulo há um ano, apresentou o show de seu novo CD, "Clímax", no Citibank Hall, no sábado. Na plateia estavam a atriz Marisa Orth e seu namorado, o músico Dalua, e o arquiteto Isay Weinfeld, responsável pela cenografia da turnê.

JARDIM DE CASA

Depois de ser assaltado no trânsito de São Paulo, o vice-presidente Michel Temer volta a ficar próximo da violência da cidade. Neste fim de semana, vizinhos dele no Alto de Pinheiros foram assaltados. Uma das casas da praça em que ele mora foi arrombada. Os ladrões levaram computadores e outros bens do imóvel.

TUDO CALMO
Temer passou o fim de semana em sua casa, em São Paulo. Mas não percebeu a ocorrência.

TUDO CALMO 2
Recentemente, vizinhos do vice-presidente reclamaram porque a PM deixava sempre uma viatura rondando a praça. Desta vez, não havia policiais por perto.

CARTILHA
O governo federal prepara campanha para defender a regulamentação de um teto para a aposentadoria dos funcionários públicos. Hoje ele chega a R$ 26.700. Pela proposta, será igualado ao do INSS (R$ 3.691,74). Se quiserem ganhar mais, os servidores terão que aderir a uma previdência complementar em que o governo contribuiria com até 7,5% do salário.

TABUADA
Nas projeções da Previdência, um servidor com 60 anos, 35 de contribuição e salário inicial de R$ 10 mil poderia se aposentar com benefício de R$ 11.276,00 caso aderisse ao plano oficial.

NA JUSTIÇA
Reynaldo Gianecchini recebeu uma boa notícia sobre a briga contra seu ex-empresário, Daniel Mattos, para quem doou uma cobertura no Rio. O ator diz que deu a ele o apartamento apenas para que fosse comercializado. Mattos afirma que foi um presente. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) permitiu que nos documentos do imóvel conste certidão em que Giane questiona a doação.

NA JUSTIÇA 2
Gianecchini pretende, com isso, dificultar a venda.

Fátima Mader, advogada de Daniel Mattos, afirma que a certidão não impede a venda do imóvel. "Até porque o apartamento já foi comercializado", diz ela.

OS CRAQUES, A SELEÇÃO E AS "BONITONAS"

Um cartaz da Adidas com uma foto publicitária e a inscrição "Parabéns, Lucas!" anuncia o aniversário de 19 anos do meia do São Paulo e da seleção, na noite de domingo, no clube Royal. Ele ganhou uma festa da agência 9ine, que cuida de sua imagem. A brincadeira na porta é que Neymar, prestes a ser pai, daria uma caixa de camisinhas ao aniversariante, que chega às 23h, com três seguranças. "Tenho que tomar cuidado. Quero ser pai só mais para a frente. Ter dois, três filhos, quantos Deus mandar", diz.

Ele comenta a má fase da seleção, derrotada pela Alemanha. "Claro que fica um clima chato. Leva tempo até o Mano [Menezes] colocar a cara dele no time." Fala também sobre a possibilidade de o treinador dar lugar a Luiz Felipe Scolari ou Vanderlei Luxemburgo no fim do ano. "Temos que fazer nosso trabalho, independente do treinador que escolherem. Deixa isso para a diretoria."

O corintiano Ralf, titular contra a Alemanha, diz que "nem Deus agradou a todo mundo" e que "o Mano é gabaritado. O que for melhor para a gente vai ser feito". Um amigo de Ralf "resolveu vir de última hora" e não estava na lista - 450 convidados, 300 de Lucas. "Sempre tem amigos dos amigos dos amigos", diz o são-paulino.

Júnior Pedroso, do estafe de Lucas, sai para socorrer uma amiga, que "está na lista do Neymar", mas não no computador da hostess. "Não pode entrar qualquer bonitona", reclama a assessora da festa. "Ela não é bonitona, é convidada."

Outras "bonitonas" desafiam o frio e a garoa com vestidos curtos e justos. Quatro delas procuram o "Léo", que, segundo funcionários da casa, é "um empresário que apresenta amigas para jogadores". Só uma, Noelle Andressa, está na lista. À coluna, ela se identifica como Lais Fernanda, 21, modelo, e diz que "esqueceram de colocar nossos nomes". Impedidas pelos seguranças de esperar na porta, as quatro vão embora. Felipe Andreoli, do "CQC", brinca com Neymar: "Está cheio de mãe de juiz lá dentro da festa".

CONSCIÊNCIA
A procura por testes rápidos de HIV aumentou 36% no primeiro semestre, no Centro de Referência em DST/Aids do Estado de São Paulo. Foram 3.407 exames. O índice de descoberta da doença foi de 4,8%.

CONFIANÇA
Chama atenção, no levantamento, o pequeno número de mulheres que procuraram o teste: 1.023, contra 2.384 homens. A Secretaria da Saúde atribui o resultado a uma confiança equivocada: as mulheres com parceiro fixo não se consideram vulneráveis ao HIV, segundo avaliação da pasta.

GALINHA PINTADINHA
A Galinha Pintadinha, sucesso infantil no site de vídeos YouTube, vai virar musical. Ernesto Piccolo dirige a adaptação de clipes de cantigas populares encenados por uma galinha azul para os palcos. Estreia em 2012 em São Paulo e no Rio de Janeiro, pela GEO Eventos.

CONECTADA
Gisele Bündchen será blogueira por cinco dias. A partir de quinta, a top dará dicas de moda no site www.comquelookeuvou.com.br. O autor da melhor mensagem enviada a ela ganhará R$ 100 para gastar em lojas da rede C&A.

CURTO-CIRCUITO

A mostra "Mary Carmen e a Poética dos Volumes" tem coquetel de abertura para convidados, amanhã, a partir das 19h30, no Espaço Cultural Citi, na avenida Paulista.

Marcia Barrozo do Amaral e a galeria Tramas participam do Salão de Artes.

Almir Sater faz show no dia 27, às 22h, no Credicard Hall. 12 anos.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

NÃO ACREDITO!


JANIO DE FREITAS - O crime na frente


O crime na frente
 JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SP - 16/08/11

Não se veem debates sobre iniciativas ou propostas de melhor resguardo dos que vivem sob risco agudo


O ASSASSINATO DA JUÍZA Patrícia Acioli bateu como um choque generalizado, e indutor da atribuição de sua ocorrência à firmeza da vítima contra a criminalidade violenta. O abalo, à parte o componente de comoção pelas circunstâncias de ser uma juíza moça e colhida sem defesa, exprimiu a força da surpresa com a escalada da criminalidade até a vingança contra a Justiça.
"É um atentado à independência do Judiciário", "Os projéteis atingiram também a dignidade de todos os brasileiros", "A democracia foi atingida no que há de mais importante em segurança para a nação, o Judiciário" - as manifestações foram sempre claras em seu sentido de reação ao inesperado.
O surpreendente nesse crime, porém, não é a convicção de vindita como causa, embora a polícia investigue também a possibilidade passional em sua origem. Surpreendente nesse crime é que seja um ato isolado. Surpreendente é que não ocorram há muito tempo, em conformidade com o nível da violência criminal no Rio e em cidades de São Paulo, os atentados a juízes que não se curvam aos seus riscos. E a promotores e procuradores que também ousam estar à altura do seu compromisso com a sociedade.
São eles uma multidão de pessoas expostas à violência dos sentenciados e comparsas. A proteção, nos casos mínimos de sua adoção, é precária já por dificuldades técnicas, e mais ainda por falta de meios para provê-la com melhor eficácia. A desproporção entre as possibilidades para um atentado e a segurança de seu pretendido alvo são assustadoras.
Em medida imprecisa, mas inegável, os que se ocupam dos processos e julgamentos criminais são também responsáveis por aquela desigualdade excessiva de condições. Não se veem debates sobre iniciativas ou propostas de melhor resguardo dos que vivem sob risco agudo. Há alguns anos, esteve em discussão a prática da audiência sem a presença física do juiz, feita por meio de TV, talvez com o réu no presídio. Os prós e os contras esvaziaram-se sem deixar rastro algum. Haveria outros recursos para preservar a identidade do juiz, mas nem por alto foram considerados. Como se os julgados em varas criminais fossem todos pacíficos.
Não há dúvida de que a magistratura do Rio e de São Paulo deve um agradecimento à criminalidade pela falta, em relação ao Judiciário, do espírito vingativo exercido entre os bandos.
O mesmo não precisam fazer inúmeros juízes em outras regiões do país. A conduta do Judiciário do Pará em processos escandalosos como o da mortandade em Eldorado do Carajás e o do assassinato da freira Dorothy Stang, entre tantos outros, é eloquente sugestão do que compromete o Judiciário, e o põe sob condenação moral, por efeito da desproteção dos incumbidos de julgamento. Com o Judiciário, é a Justiça que se torna foragida.
Se o assassinato de Patrícia Acioli sinaliza nova etapa da criminalidade urbana, é o caso de reconhecer que está à frente do Judiciário.

MÍRIAM LEITÃO - Os erros argentinos


Os erros argentinos
MÍRIAM LEITÃO
O GLOBO - 16/08/11

O que acontece na Argentina é impensável no Brasil. Um governante que elevasse a inflação a 27% e ainda manipulasse o índice, certamente, não se reelegeria. A presidente Cristina Kirchner está sendo favorecida pelo crescimento econômico, pela viuvez - a imagem do marido morto é usada como parte da propaganda - e pela fragmentação da oposição.

Oficialmente, a inflação ficou em 10,9% em 2010, mas todos sabem que é um número fabricado no Instituto Nacional de Estadística y Censos (Indec), que tem estado sob intervenção da Casa Rosada há cinco anos.

Lá, não há tradição de institutos privados com boa reputação, como temos aqui a FGV e a Fipe. Os bancos e consultorias fazem cálculos que estão em torno de 25%. A previsão do Itaú é de que este ano a inflação será de 27%, caminhando para 30% e 35% nos próximos dois anos. Isso, apesar da queda do dinamismo econômico. O país deve crescer 6% este ano, menos do que os 9% do ano passado, mas reduzirá o ritmo para 3,5% e 3% nos próximos dois anos.

Por enquanto, o crescimento forte está retirando um pouco do desconforto econômico que a inflação produz. As categorias mais fortes estão conseguindo reajustes salariais de 30%. O poder de consumo tem se mantido, mas os desequilíbrios estão aumentando. Os argentinos estão mostrando que são mais lenientes com a inflação. Brasileiros e argentinos sofreram diante do mesmo inimigo, mas os brasileiros aprenderam. Aqui, seria inimaginável uma intervenção no IBGE para manipular o índice; e governo, empresas e famílias estão preocupados com a taxa de inflação, que está em 6,7%.

O Kirchnerismo estava com baixa popularidade quando o ex-presidente Nestor Kirchner morreu. As dificuldades de relacionamento com a Confederación General del Trabajo (CGT), de Hugo Moyano, eram cada vez maiores. A partir da viuvez, no entanto, Cristina recuperou fortemente sua popularidade. Manteve luto fechado, cercou-se dos dois filhos que lideram o movimento da juventude peronista e manteve sob controle os conflitos com o velho sindicalismo peronista, usando, entre outras coisas, o controle que o governo tem sobre o Judiciário. Moyano é acusado em alguns processos.

As primárias deste fim de semana foram uma eleição de fato. A amostra reproduz o eleitorado. Em outubro, haverá uma confirmação do resultado, porque ficou claro que há enorme distância entre a presidente e a oposição. Na comemoração, Cristina disse que a vitória era "dele", e os eleitores responderam que "ele"estava ali.

Em 1973, Héctor Cámpora foi eleito presidente com o lema Cámpora al gobierno, Perón al poder. O voto em Cámpora representava um voto "nele". No caso, ele era o próprio Juan Domingo Perón, que, muito vivo, quis exercer diretamente o poder. O governo Cámpora, que mobilizou a juventude daquela época, a geração de Cristina, durou 60 dias. Cumpriu seu papel de ser apenas uma ponte para a volta de Perón. O fim de tudo foi trágico, como se sabe. Por mais que os argentinos explorem na política a mística dos mortos, os vivos é que governam. Perón criou uma corrente política, um partido, mas o kirchnerismo é apenas uma facção desse partido.

A partir da morte de Kirchner, o que começou, de fato, foi o governo Cristina Fernandez. Ela usa de forma indisfarçável a imagem do marido na política. Quando vivo, era fonte de atritos; morto, tem sido santificado. A presidente aprofundou algumas escolhas perigosas que haviam sido feitas pelo casal: aumento de gastos para manter o país crescendo em qualquer conjuntura, uso das reservas para pagamento de dívidas, estatização dos fundos de pensão, e também protecionismo para agradar à indústria.

Esse crescimento turbinado e inflacionado tem fôlego curto e os primeiros anos do próximo governo serão difíceis, como disse ontem aqui neste jornal o jornalista argentino Joaquim Morales Solá.

Uma das decisões mais perigosas foi a de usar os recursos dos fundos de pensão, tanto de empresas públicas, quanto de empresas privadas, como se fossem recursos do governo. É uma bomba de efeito retardado. A Argentina tem feito escolhas insensatas do ponto de vista econômico.

A oposição se fragmentou, facilitando a vida de Cristina. Como o processo eleitoral é do voto em lista, abrir mão agora de concorrer para apoiar outro candidato seria abrir mão das candidaturas para o Parlamento também.

Cristina Kirchner se preparou para ter maior poder, ao usar as listas em cada província. Os governadores foram chamados ao palácio de governo e lá receberam os nomes dos candidatos na ordem que ela queria. Os primeiros lugares na lista do vencedor são garantia de mandato, nesse sistema que fortalece os caciques partidários.

Cristina usou esse poder para pôr nas cabeças das listas provinciais jovens militantes do movimento "La Campora", comandado por seus filhos Máximo e Florencia. Isso dará a ela mais controle do Congresso, mas mais distanciamento das lideranças tradicionais do partido.

Outro fator que impulsiona o bom momento econômico, o Brasil conhece bem: é o boom das commodities.

A Argentina é a terceira maior exportadora de soja, grande exportadora de milho, trigo e carnes. A seca provocou uma quebra de 10% na safra de soja, mas isso foi compensado pela alta dos preços.

Enquanto o país cresce, o governo vai elidindo seus problemas fiscais ou com a inflação ou com decisões como a estatização dos fundos de pensão. Os ricos repetem o que fizeram em outros surtos inflacionários: poupam em dólar em contas no Uruguai ou nas Bahamas.

FABIO GIAMBIAGI - Um ajuste fiscal convencional


Um ajuste fiscal convencional
FABIO GIAMBIAGI
O Globo - 16/08/2011

Divulgados os dados fiscais do primeiro semestre, é uma ocasião propícia para fazer uma análise do ajuste em curso, para avaliar até que ponto ele segue os cânones do que se pretendia implementar por ocasião do anúncio dos cortes em fevereiro ou se, pelo contrário, a realidade está se configurando distinta em relação aos planos oficiais.

Os dados sugerem que a sábia sentença de Churchill, de que "jamais se deve colocar um princípio em pedestal tão alto que não se possa abaixá-lo um pouco para se adaptar às circunstâncias", mais uma vez terá mostrado a sua validade. Recapitulemos o cenário existente no começo do ano: na ocasião, alegava-se que seria necessário um ajustamento fiscal, mas que ele seria diferente dos ajustes praticados em outras ocasiões, por governos associados a uma orientação supostamente mais liberal, uma vez que o investimento não seria cortado.

Havia quatro coisas que causavam certa espécie em tal conjunto de informações. A primeira era o erro de diagnóstico: até as pedras da rua sabem que antes de 1999 não havia ajuste fiscal e os dados da União, no site da STN, no item "Balanço orçamentário", provam que o investimento da União na média dos 4 anos 1999/2002 foi de 0,83% do PIB, contra uma média de 0,74% do PIB nos 4 anos 1995/1998. O mesmo critério, aliás, devido ao colapso do investimento em 2003, mostra que nos primeiros quatro anos do Governo Lula tal variável diminuiu para 0,64% do PIB. Em outras palavras, quem "arrochou" o investimento em relação ao governo anterior foi o Governo Lula I, e não o Governo FHC II.

A segunda causa de perplexidade acerca da racionalidade da retórica pró-ajuste adotada no começo de 2011 era o pano de fundo político. Discursos em defesa de "colocar ordem na casa" são habituais em começo de governo, quando a antiga oposição assume o poder, mas são pouco frequentes na presença de governos de continuidade, como é o caso da administração atual em relação à anterior.

A terceira causa de inadequação lógica na formulação do ajuste era o contexto em que isso se dava. Quadros de ajuste são defensáveis, mesmo se o governo é de continuidade, quando há um fenômeno novo em pauta. Às vezes um governo promete algo e depois se vê em dificuldades para cumprir as promessas, porque o quadro muda. Acontece nas melhores famílias. Nesse caso, basta explicar, pois o cidadão em geral entende que a viabilidade das propostas depende das condições de contexto. Ocorre que o quadro que estávamos vivenciando no começo de 2011 não diferia daquele que era viável imaginar por ocasião da campanha eleitoral de 2010. Cada um pode ter as preferências políticas que quiser, mas precisamos todos respeitar a lógica. Sendo o contexto de 2011, em que se tomaram as medidas, previsível à luz do cenário de dificuldades imaginado por dez entre dez analistas em 2010, de duas uma: ou as promessas de campanha eram viáveis - e nesse caso o ajuste seria desnecessário - ou o ajuste seria necessário, e nesse caso prometeu-se ao eleitorado ano passado um produto que não poderia ser entregue. Diga-se, a bem da verdade, que a mesma crítica cabe também à oposição, com sua proposta de aumentar o salário mínimo para R$600.

A quarta causa de desconforto é em relação ao futuro. O ajuste foi apresentado como uma forma de preservar a saúde fiscal do país para poder acelerar o ritmo de gasto em investimento no futuro. Ora, ou o aumento já contratado do gasto corrente para 2012, devido ao salto do salário mínimo em janeiro do ano que vem, vai fazer do aumento do investimento futuro mais uma promessa inexequível, ou, para que o investimento depois aumente, haverá na virada da esquina uma piora do resultado primário. Nesse caso, porém, o ajuste de 2011 acabaria daqui a cinco meses...

O fato, quando se olha para os números, é que no primeiro semestre as despesas de investimento caíram 5% em termos reais, e as despesas correntes aumentaram 5%, também em termos reais, usando o IPCA como deflator. Não houve corte algum do gasto agregado, que aumentou 4% reais. Estamos diante de um ajuste convencional: mais carga tributária na veia - a receita aumentou 13% reais! - e redução do investimento. Em outros tempos, dir-se-ia, trata-se de um ajuste "nos moldes do FMI"...

MERVAL PEREIRA - Apoio necessário


Apoio necessário
 MERVAL PEREIRA 
O GLOBO - 16/08/11

O movimento comandado pelo senador Pedro Simon, de apoio suprapartidário ao combate à corrupção no governo que a presidente Dilma vem realizando, é sintoma de uma situação política controversa de difícil solução. É inegável que a presidente tem encontrado na opinião pública uma receptividade grande a seus gestos, que parecem levar o governo para um confronto com a política fisiológica que dá sustentação à coalizão governamental.
Nem mesmo o fato de que ela foi beneficiária desse mesmo esquema para se eleger presidente da República parece afetar a credibilidade de sua ação.
Como se a população estivesse disposta a relevar seu conhecimento anterior da situação, e até mesmo sua convivência com esse mesmo esquema corrupto que ora parece rejeitar, desde que ela se disponha a acabar com ele.
Parece ser de entendimento público que a chefe da Casa Civil e depois candidata a presidente não poderia impedir que o ex-presidente Lula tratasse a pão de ló os mesmos políticos, mesmo que tenha sido eleita graças em boa medida à ação deles.
Ao mesmo tempo, e devido à percepção de que ela vem se comportando como uma traidora, a própria base aliada a vem pressionando para que retorne ao leito natural da política pragmática implementada por seu tutor, o ex-presidente Lula.
Foi por essa razão, aliás, que surgiu o movimento de apoio à presidente, para respaldá-la contra o que estaria se caracterizando como uma rebelião interna.
Mas esse apoio político, rejeitado pelo núcleo principal do PMDB e do PT, pode não ser de grande ajuda.
Na sessão de ontem, houve demonstrações das lideranças daqueles dois partidos de que o apoio ao combate à corrupção não é a prioridade deles, ao contrário do que parece ser para a sociedade.
Não é nada paradoxal que a presidente Dilma se fortaleça nas pesquisas de opinião com essa faxina ética, mas se enfraqueça dentro de sua própria base aliada.
Só demonstra a distância cada vez maior entre a sociedade e a classe política, diferença bem captada pelo marqueteiro João Santana, que parece ser o cérebro por trás dessa faxina ministerial.
Como não é uma política capaz de transformar em retórica de palanque essa força que a sociedade lhe dá, a presidente Dilma parece presa a uma armadilha que não tem saída fácil.
Embora tenha uma base política aliada que cobre cerca de 70% do Congresso, a presidente Dilma vem desagradando a seus apoiadores de tal maneira que hoje já não é possível saber a quantas anda sua base aliada real.
Por razões corretas, como a insatisfação com as grosserias presidenciais ou com sua maneira centralizadora de presidir a República, ou pelas piores razões, seus aliados estão hoje com o pé atrás em relação aos seus futuros políticos e não se entusiasmam muito com a perspectiva de ter Dilma como presidente em um segundo mandato.
Isso mal encerrada a metade do primeiro ano do primeiro mandato, o que é um péssimo sinal do que teremos pela frente.
Não chego a achar que ela virá a ter problemas para terminar seu mandato, como o ex-ministro José Dirceu andou comentando em rodas brasilienses - e depois desmentiu, como é próprio dos boquirrotos apanhados em indiscrições -, mas que terá dificuldades políticas no Congresso, isso terá.
Para a parte da base aliada que ainda faz política, a centralização das decisões não apenas retira poder de seus subordinados diretos, que não podem decidir com autonomia, como emperra a máquina pública.
Também a grosseria no trato pessoal ergue um muro que separa a presidente de seus assessores, tornando problemática a convivência no Palácio do Planalto.
Mas o mais grave, e nesse caso é preciso que a presidente tenha o apoio que ontem alguns senadores lhe ofereceram, é a reação contra a ação de limpeza que vem sendo feita, que fica assim limitada pelos interesses políticos que lhe tolhem os movimentos quando a faxina chega às portas do PMDB e do PT.
No caso do Ministério do Turismo, essa reação ganhou contornos de legalidade com a ação atrabiliária da Polícia Federal e, sobretudo, com o vazamento das fotos feitas pela Polícia Civil de Macapá.
Além de não haver razão para que os presos fossem fotografados sem camisa, as fotos foram tornadas públicas, numa ação de desmoralização que afronta os direitos individuais mesmo do maior ladrão.
Esses excessos só beneficiaram os presos, pois o foco da discussão passou a ser os abusos cometidos contra eles, e não os crimes de que são acusados.
Quando a presidente Dilma, com toda a razão, diz que a divulgação das fotos é "inaceitável", ela parece para setores mais radicais estar defendendo os acusados, quando na verdade está defendendo o estado de direito.
"Tenho o dever de afirmar que farei tudo que estiver ao meu alcance para coibir abusos, excessos e afrontas à dignidade de qualquer cidadão que venha a ser investigado. O meu governo quer uma Justiça eficaz, célere, mas sóbria e democrática, senhora da razão e incontestável nas suas atitudes e providências", ressaltou a presidente Dilma em uma declaração pública ontem que define bem sua posição.
Mas a inobservância desses princípios não pode ser pretexto para que as investigações não prossigam.

DORA KRAMER - Inversão de valor

Inversão de valor
 DORA KRAMER
O ESTADÃO - 16/08/11

A presidente Dilma Rousseff ficou “irritada” com a ação da Polícia Federal no Ministério do Turismo. “Furiosa”, chamou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, aos costumes e ele, por sua vez, “enquadrou” os subordinados da PF pela ocorrência de “exageros” na prisão de 36 suspeitos de corrupção na pasta.

A presidente teria ficado inconformada por não ter sido informada da operação e, desse modo, impossibilitada de evitar uma crise política na base aliada. Mais especificamente no PT e no PMDB, partidos aos quais era filiada parte dos envolvidos. Tipo da história mal contada para apaziguar insatisfeitos.

Se avisada com antecedência, a presidente faria o quê? Cancelaria a operação? Dentro da legalidade, impossível, uma vez que as prisões são e foram feitas por determinação da Justiça. Daria um alerta geral? Seria cúmplice na eventual fuga de um ou outro suspeito, acusada de obstrução da Justiça. Conversaria com os padrinhos de cada um, para tranquilizá-los? De nada adiantaria, pois as prisões seriam feitas do mesmo jeito. Note-se: por determinação da Justiça, não por capricho da Polícia Federal.

Ah, há o modo deselegante, o uso de algemas, a exposição das fotos dos suspeitos, a truculência, a agressão aos direitos individuais. Há tudo isso, mas nada disso no momento, nem o modus operandi da Polícia Federal, é mais grave que as descobertas que têm sido feitas sobre o atrevido modus vivendi dos aproveitadores das funções públicas. Ou, para dizer de forma menos polida mesmo correndo o risco de agredir a sensibilidades repentinamente à flor da pele, dos corruptos.

Numa absoluta (e absurda) inversão de valores, as reações à ação da PF em cumprimento a decisão judicial ganharam mais destaque nos últimos dias que os atos cometidos em altos gabinetes dos Ministérios dos Transportes, da Agricultura e do Turismo. Ficaram em segundo plano o superfaturamento, o pagamento de propinas, o tráfico de influência, o empreguismo, o nepotismo, o acobertamento, o favorecimento e malversações do gênero que grassam em repartições públicas federais como parte da rotina.

O lobista que transitava à vontade nas dependências do Ministério da Agricultura sob os auspícios de ninguém menos que o braço direito do ministro não é muito diferente do funcionário sem cargo formal e com acesso franqueado ao Ministério dos Transportes, que atuava sob o patrocínio do diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). No Turismo, era o vice-ministro em pessoa quem orientava a montagem de empresas de fachada para receber verbas públicas.

Há uma sistemática e há uma rede de ligações pessoais, partidárias e profissionais que precisa com urgência começar a ser desmontada. Esse é o ponto, é o foco do qual se pretende desviar a atenção geral sob a chancela da defesa do Estado de Direito.

Foi o tema de manifestação da presidente Dilma ontem, quando o primordial seria que comentasse as acusações de que o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, permitiu o uso eleitoral dos estoques da Conab, quando presidente da estatal, acobertou fraude em licitação na Agricultura e patrocinou pagamento irregular de dívida na presidência da Companhia Docas de São Paulo.

Todos os cargos ocupados por indicação do vice-presidente Michel Temer, seu amigo há 50 anos e recentemente locutor oficial de ato de desagravo a Rossi.

Tempo ao tempo
Em princípio, José Serra não será candidato à Prefeitura de São Paulo, preferindo se preservar para tentar a Presidência da República outra vez em 2014. Até porque pesquisas de opinião mostram que o eleitor paulistano não receberia bem uma candidatura a prefeito já previamente marcada pela possibilidade de renúncia (mais uma vez) no segundo ano de mandato. Serra sabe que se fosse eleito prefeito estaria irremediavelmente preso ao cargo até o fim. Entre os que têm mais chance de obter a legenda do PSDB, o candidato preferido por ele é o senador Aloysio Nunes Ferreira.

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE


Um por todos
SONIA RACY
O ESTADÃO - 16/08/11

Está programado. Dilma anuncia a unificação de programas federais e estaduais, de combate à miséria, em um só cartão.

O fará em São Paulo, quinta-feira, ao assinar o Brasil Sem Miséria, pacto sudeste, com Alckmin, Sérgio Cabral e Renato Casagrande.

A presidente almoça, depois, no Bandeirantes.

Sampa

No mesmo evento, Alckmin pretende revelar programa conjunto de complemento de renda, que pode chegar a R$ 70.

Para tanto, seu secretário Rodrigo Garcia estava ontem em Brasília... costurando.

Mico-leão

O Ibama de São Paulo vive problemas internos com servidores terceirizados. Parte dos contratados pela Esuta, empresa de Fortaleza, está há oito meses recebendo salários com atraso. Benefícios como vale-transporte e depósito de FGTS também têm sido pagos fora do prazo.

Mico-leão 2

O Ibama informa: abriu processo administrativo para apurar o caso.

Tipo exportação

Cléo Pires e Bruno Mazzeo viajam para Miami no fim do mês. Vão apresentar Qualquer Gato Vira-Lata e Cilada.com no Brazilian Film Festival.

Se a moda pega...

Parceira dos "quatro grandes" do Rio, a Brahma criou um novo modelo de negócio. Está bancando, sem intermediários, os projetos de infraestrutura de Flamengo, Botafogo, Fluminense e Vasco.

Nem um só centavo passa pelos cofres dos clubes.

Passando o chapéu

O baile de gala da BrazilFoundation, dia 19 de setembro, em Nova York, está sold out. Montado para acontecer na Biblioteca Pública, tem como missão arrecadar recursos nos EUA para projetos sociais no Brasil. Serão quatro, os homenageados: Bernardo Paz, do Instituto Inhotim, Luciano Huck, do Instituto Criar, Renata Nascimento, da Comunitas, e Carlos Saldanha, diretor do longa Rio.

Andrea Dellal, chairman do evento deste ano, está na Big Apple cuidando dos preparativos da festa. Ao lado de Nizan Guanaes, co-chairman.

Casa nova

Solange Vieira fugiu do caos aéreo para entrar na crise econômica. A ex-Anac está no Itaú-BBA.

Mãos dadas

Jorge Gerdau, do Movimento Brasil Competitivo, assina hoje memorando com o BID.

Intuito? Promover fortalecimento da gestão no setor público.

Pêndulo

Pelo que se apurou, aliás, Gerdau está mais perto de colocar seu pé dentro da Usiminas.

E Benjamin Steinbruch, que também deseja comprar uma fatia da empresa, mais longe.

Ouvido engajado

O movimento Viva Vitão, organizado por amigos de Vitor Gurman, chegou aos palcos. Depois de apoio de times de futebol, ganhou o do grupo Monobloco.

No show de sábado, integrantes da bateria vestiam camisetas com o slogan "Não espere perder um amigo para mudar de atitude".

Upgrade

Thomas Kelly, cônsul americano, deixa São Paulo. Assume, em Washington, o posto de secretário adjunto para assuntos políticos militares. "Se tiver sorte, meu trabalho me trará de volta", destaca Kelly que, na condição de californiano, se sente em casa por aqui. "Os brasileiros são calorosos, pessoas acolhedoras e abertas. E muito otimistas. Todo mundo com quem converso acredita que seus filhos terão uma vida melhor que seus pais."

Lembra que a Amcham em SP é a maior câmara de comércio americana fora dos Estados Unidos e que nada menos que 350 empresas da Fortune 500 têm operações no Brasil. Além disso, o consulado paulista emite mais vistos do que qualquer outro no mundo. Substituto? Só no ano que vem. Kelly sai dia 27.

O que o senhor deixa para seu sucessor?

O distrito coberto pelo consulado abrange cinco estados, com 72 milhões de habitantes. Meu sucessor continuará o trabalho de construir pontes de entendimento e melhorar ainda mais o processo de vistos, ajudar a aumentar o interesse e o número de pessoas que desejam estudar nos EUA e vice-versa.

Qual o volume de vistos emitidos pelo consulado?

Em 2010, foram cerca de 320 mil somente em São Paulo. Mais do que qualquer outro posto diplomático dos EUA no mundo. E este ano promete: até julho, foram 228.514 vistos. Aumento de 32%. Estamos atendendo 2.300 solicitações por dia. Até o fim do ano imagino quase 500 mil.

Entre a chegada e a partida, que transformações percebeu? Assistimos à eleição histórica da primeira mulher presidente do Brasil e recebemos, além de vários funcionários do alto escalão, o presidente Obama no início da crise na Líbia. Ele não cancelou sua visita pela importância do Brasil. E é significativo o presidente ter escolhido vir para cá antes de a presidente visitar os EUA.

O que os Estados Unidos esperam do Brasil?

Consideram o País como um ator global, não apenas emergente, mas que já emergiu. Nosso relacionamento tem dimensão bilateral, mas o aspecto mais importante diz respeito à forma como trabalhamos em conjunto para resolver problemas do mundo. Vocês são, talvez, o primeiro país de dimensões continentais a se inserir no contexto global apenas com o uso do soft power - ideais, valores e diálogo.

A presença das empresas americanas está aumentando?

Definitivamente. A sensação é que converso, a cada semana, com um novo CEO americano interessado em investir aqui. Empresas de pequeno e médio porte, inclusive.

EDITORIAL - FOLHA DE SÃO PAULO - A imagem de Dilma

A imagem de Dilma
EDITORIAL
FOLHA DE SP - 16/08/11
Presidente colhe dividendos de popularidade com "faxina" na Esplanada, mas sua gestão mal começou a enfrentar os grandes problemas do país

A popularidade de Dilma Rousseff permanece alta, como verificaram pesquisas de opinião tanto do Datafolha quanto do Ibope: 48% de avaliações "ótimo" e "bom" para seu governo.
Os questionários, aplicados no final de julho e começo de agosto, não captaram o efeito da deterioração das expectativas econômicas com a corrida às Bolsas e o novo escândalo, envolvendo agora o Ministério do Turismo. Mas é pouco provável que esses eventos da semana passada pudessem prejudicar a imagem da presidente.
O vendaval que varreu os mercados financeiros do mundo, embora tenha sacudido também a Bovespa, por ora afeta pouco a economia nacional. A estimativa de crescimento do PIB para este ano pode ser revista de 4% para 3,5%, mas não há explosão inflacionária nem alta de desemprego à vista. Ao contrário: avalia-se que o repique da crise de 2008 oferece boa oportunidade para o Brasil começar a reduzir a taxa de juros.
A percepção do público é de um país em bonança, ainda que o poder aquisitivo tenha sofrido alguma perda com a alta de preços de serviços e de alimentos. E Dilma vai firmando a imagem -um tanto superfaturada- de governante disposta a combater a corrupção.
Como seu governo também é visto como continuidade da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, na visão de muitos ela estaria saindo melhor que a encomenda: um Lula sem mensalão, por assim dizer.
Chama a atenção que Dilma detenha avaliação popular tão positiva ao terminar seu primeiro semestre de governo (Fernando Henrique Cardoso e Lula, nessa altura dos seus, ficaram na faixa de 40% a 43%). Para ser rigoroso, sua administração ainda não começou. Nenhum grande plano seu viu a luz do dia, com exceção de pacotes publicitários como o Brasil sem Miséria.
Os futuros índices de popularidade de Dilma resultarão menos de sua imagem presente ou de suas iniciativas erráticas e mais dos atos de governo real que será obrigada a praticar. Ontem, a presidente vetou na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2012 um artigo que reservava verba para reajustar acima da inflação os proventos de aposentados do INSS. Por elogiável que seja tal disciplina fiscal, decerto não contribuirá para torná-la mais popular.
Mais decisões como essa terão de ser tomadas, nos meses vindouros. O arrefecimento da dinâmica econômica trará erosão paulatina da sensação de bem-estar.
Se os escândalos e denúncias de corrupção prosseguirem, cedo ou tarde afetarão o prestígio do governo. Para o público, ficará evidente que a "faxina" está aquém da sujeira acumulada em décadas de desmandos. Para a classe política incrustada no Congresso, Dilma verá agravada a fama adquirida de parceira iracunda e refratária a compromissos.
Até aqui, a presidente favoreceu a opinião pública em detrimento da base parlamentar. Se a primeira lhe faltar, terá de seguir o conselho de Lula e ceder à segunda.

GOSTOSA


MARCIA PELTIER - Pacto


Pacto 
MARCIA PELTIER
JORNAL DO COMMÉRCIO - 16/08/11

O governador Sérgio Cabral estará presente ao encontro, esta quinta-feira, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, da presidente Dilma com os governadores da região Sudeste. Cabral, Geraldo Alckmin, Antônio Anastasia e Renato Casagrande vão se comprometer a apoiar o governo no programa Brasil sem Miséria.

'Bond girl' na blitz

Quem passar no teste da Lei Seca, amanhã, dependendo do local da cidade onde estiver, poderá receber das mãos da Bond girl Michelle Yeoh – de 007 O amanhã nunca morre - um adesivo da campanha. É que a atriz oriental, natural da Malásia, é hoje embaixatriz da ONU de todas as campanhas de prevenção de acidentes de trânsito no mundo. Mas a bela não estará sozinha: ao seu lado, o marido, Jean Todt, presidente da FIA, Federação Internacional de Automobilismo.

Condecorada

Michelle participa durante o dia, no Intercontinental, do movimento Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011-2010. A atriz também trabalhou nos filmes O Tigre e o dragão, Memórias de uma gueixa e A Múmia: tumba do imperador dragão. Ela possui a comenda da Legião de Honra e o título de datin concedido pelo seu país, que equivale ao de dame na nobreza britânica.

Família empreendedora

O casal Salomão e Riva Crosman e seus filhos Bruno e Paulo estão apostando firme na expansão do setor de decoração no Rio. Eles abrem, hoje, a quarta loja Novo Ambiente e a primeira flagship carioca da italiana Kartell, famosa por seus móveis de policarbonato transparentes e coloridos assinados por designers como Philippe Starck, Patricia Urquiola e Piero Lissoni. Ligando uma loja a outra, da Redentor à Joana Angélica, haverá um tapete vermelho. A tarde terá comidinhas de Monique Benoliel e trilha do DJ Henrique Piraí.

Dupla

Michel Temer, que virá ao Rio quinta-feira para receber o título de doutor honoris causa da Academia Brasileira de Filosofia, virá acompanhado do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia. É que na ocasião será assinado um termo de cooperação técnica com a comissão de meio ambiente da Câmara para a criação do Centro de Altos Estudos em Sustentabilidade da academia.

Entre os conterrâneos

O acadêmico Carlos Nejar, orador da cerimônia, será, por sua vez, homenageado dia 30. Em sua terra natal, o Rio Grande do Sul, receberá o prêmio Personalidade do Ano RBS, na Expointer.

Supertenda

A 3ª edição do Salão Estadual de Turismo, que acontece em outubro nas areias da Praia de Copacabana, será dedicada à Região Serrana. A intenção é mostrar que 90% dos hotéis e instituições culturais de Petrópolis, Teresópolis e Friburgo já se refizeram dos estragos da chuva de janeiro. Pela primeira vez todos os 92 municípios do estado vão participar com estandes, abrigados por uma tenda de 4 mil m².

Malas prontas

A procura por pacotes para o Ano Novo, a pouco mais de quatro meses para o final do ano, está animando as agências de turismo. Segundo a Marsans Brasil, a demanda já é 35% maior do que no mesmo período do ano passado. A busca por roteiros domésticos e internacionais, aliás, vem crescendo desde o início de 2011, o que levou a empresa a colocar em prática um plano de expansão por franquias. Com uma rede própria de 36 lojas no Rio e em São Paulo, pretende chegar em 2014 com 200 unidades franqueadas.

Laser de fogo

A 11ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio condenou o Centro de Cirurgia Plástica e Reabilitação (CCPR) a pagar R$ 15 mil de indenização para Vanessa de Souza, que sofreu queimadura durante sessão de depilação a laser. A vítima contou, ainda, que teve febre e que as manchas demoraram dois anos para desaparecerem do seu corpo.

Livre Acesso

O colunista Gilberto Amaral festejou, ontem, os 52 anos de casamento com Mara com missa para a família na residência de Brasília, que tem altar para Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. JK foi um dos padrinhos do casamento.

O chef francês Cyril Bosviel, do hotel Le Royal Lyon Bellecour e professor do L’Institute Paul Bocuse, regerá um jantar, quinta-feira, no Blason, ao lado de Pierre Landry, chef da casa, dentro do projeto Les Grands Chefs.

O cantor e ator Igor Cotrim faz show com seu grupo Beep-Polares amanhã, na Nuth Barra.

Até o fim deste mês, o Sheraton Barra vai receber doações de edredom e cobertor novos em prol da ONG Ressurgir.

A TIM e a Warner Bros. Pictures fecharam parceria para premiar novos clientes da operadora. Hoje, 250 receberão ingressos para a pré-estreia em 3D de Lanterna Verde, no UCI New York City Center.

A marca carioca de moda Azul Mamão doou 70 kg de tecido para o Banco da Providência. Com a ajuda de costureiras voluntárias, parte do material será transformado em roupas para recém-nascidos da maternidade-escola da UFRJ. Outra parte seguirá para as Agências de Família do Banco da Providência.

Começa hoje, no Rio, o encontro nacional dos Comitês do Proler, o Programa Nacional de Leitura. Espalhados por 70 regiões do país e vinculado à Biblioteca Nacional, o Proler atende 400 municípios brasileiros.

Com Marcia Bahia, Cristiane Rodrigues, Marcia Arbache e Gabriela Brito

LOURDES SOLA - O desafio americano: reinterpretando Churchill


O desafio americano: reinterpretando Churchill
LOURDES SOLA
O Estado de S.Paulo - 16/08/11

Momentos de grande significação política e cultural tendem a ser apreciados apenas em retrospecto. Já na economia ocorre o contrário: a prospecção do futuro pelos agentes de mercado assombra o presente e afeta as decisões econômicas e políticas futuras. Como avaliar, então, a conjunção de episódios extremos e sem precedentes como o rebaixamento dos títulos da dívida soberana dos Estados Unidos pela Standard and Poor"s e o impasse entre democratas e republicanos no Congresso americano? Ambos os episódios indicam que o timing e a percepção do que seja "risco político", esta dominante entre os agentes de mercado, prevaleceram sobre os dos demais atores envolvidos, políticos eleitos e o eleitor mediano.

Não é de surpreender, portanto, que o novo ciclo de crises na zona do euro tenha dado impulso a um quase consenso entre os analistas: a ênfase no déficit de liderança nos EUA e na Europa. Na mídia especializada, uma das capas da revista britânica The Economist diz tudo: Angela Merkel e Barack Obama são travestidos em quimono, por analogia com o declínio econômico do Japão. (Uma imagem de mau gosto, nas circunstâncias pós-terremoto-tsunami-radiação.) Há hoje duas variações desse mantra. Por um lado, os clamores contra a classe política americana, por um tipo de brinkmanship indiferente aos interesses do país e ao alcance sistêmico de suas decisões; por outro, mais cá do que lá, o reducionismo econômico leva à idealização das capacidades do governo da China - cujo sistema político e econômico é o mais opaco dos integrantes do G-20.

Essas análises padecem de uma dupla limitação: a qualidade da liderança é pensada em termos abstratos e também carecem de uma perspectiva temporal a partir da qual os episódios individuais são mais inteligíveis. Liderança importa, por isso vale a pena listar algumas questões que ajudam a ressituar o seu papel em Washington, em termos da arte do possível. Lembrando, antes, que essa arte se faz mais complexa em democracias, porque mais midiatizada por valores, por instituições que garantem pluralismo e concorrência política - e pela mídia. Seus resultados são inevitavelmente mais lentos. É assim que contextualizo o juízo fleumático de Winston Churchill motivado pela demora dos EUA em entrar na 2.ª Guerra: "Os americanos fazem a coisa certa depois de esgotar todas as outras possibilidades".

O primeiro passo é ter claro o que mudou desde 2008. Foi a natureza da crise que, de financeira e centrada no choque de descrédito de instituições privadas (e das agências de rating), passou a ter forte dimensão fiscal. Hoje é crise de governos. Isso obriga a uma redefinição das capacidades do Estado. Mas recapacitar o Estado em contexto democrático é um processo lento, que não se esgota na reestruturação do seu sistema de gastos e de financiamento. Envolve também uma mudança no padrão de relações com a sociedade e, no caso dos EUA, se faz num quadro doméstico de relativo equilíbrio entre os Poderes. Recapacitar o Estado nessas condições (deixo de lado seu papel internacional) é politicamente viável sob duas condições facilitadoras: que haja Estado e que seja possível às lideranças políticas criar um horizonte temporal de crescimento para um eleitorado polarizado. A primeira condição está presente nos EUA, mas não na União Europeia, que não é um Estado, mas uma construção política inacabada. Suas lideranças se confrontam com o desafio de empreender mais um ciclo de delegação de soberanias, agora fiscal, com a anuência dos respectivos eleitorados. O que está em questão aqui é a legitimação de um futuro Estado federado.

Será possível criar um horizonte temporal de crescimento para o eleitorado americano? A resposta requer que se situem algumas das mudanças que explicam a polarização do quadro político.

Pesquisas do Pew Center indicam a escala das transformações da sociedade americana a partir de meados dos anos 1980. Uma proporção crescente de americanos percebe sua sociedade como dividida em termos econômicos - entre "os que têm" e os "que não tem" -, incluindo-se na segunda categoria. Os dados sobre concentração de renda confirmam a percepção, mas seu caráter inédito deve ser analisado à luz das características distintivas da sociedade americana até então. Uma sociedade que nasceu ancorada em valores igualitários (entre os brancos), pautada pela rejeição de quaisquer indícios de divisão social em bases econômicas, porque avessa à "guerra de classes"; e um sistema de valores que reduz o fracasso e o sucesso a uma questão de responsabilidade individual.

O economista Raghuran Rajan (Valor, 5-7/8) aponta a causa dessa transformação: o hiato entre as exigências crescentes do mercado de trabalho nos últimos 20 anos em termos de capacitação profissional e as respostas precárias do sistema educacional. Importa que esse hiato tenha passado despercebido pelas classes médias e pelos políticos enquanto foi possível sustentar altos níveis de consumo com créditos ancorados na casa própria. Até o estouro da bolha imobiliária ficaram abaixo do radar de ambos os atores dois desdobramentos irreversíveis: o declínio da velha economia de empregos de baixa capacitação e bons salários e sua contrapartida, a emergência de "ricos" que são "trabalhadores ricos", não ociosos. Em tempos de vacas magras, estes são susceptíveis ao mantra republicano contra qualquer aumento de imposto: seu sucesso é questão individual.

Dos "have nots" não se pode esperar que entendam intuitivamente mais do que a perda de seu status, por morte súbita. A tarefa de explicar, criando um horizonte de crescimento e de reintegração ao sistema, cabe aos políticos. Já, porque "dar dinheiro aos banqueiros" é mais fácil de explicar em democracia, por ser esse um sistema com potencial autocorretivo, garantida a alternância no poder, os críticos aprendem.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Esqueceram de mim
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 16/08/11

Ainda sem saber ao certo o tamanho do aporte de recursos que SP terá de fazer para abrir a Copa, Geraldo Alckmin ignorou o evento em seu plano plurianual de governo, anunciado ontem. Do documento constam só os R$ 350 mi há muito destinados a obras no entorno do Itaquerão. Já o investimento na ampliação da capacidade do estádio não está no texto enviado à Assembleia. E outros itens relativos ao Mundial aparecem apenas no capítulo de "economia criativa".
O governo tucano sabe que terá de desembolsar no Itaquerão bem mais do que os R$ 30 mi anunciados. No ajuste dessa conta, o governador será novamente confrontado com seu discurso de campanha.

Eldorado Em privado, Emanuel Fernandes (Planejamento) e Andrea Calabi (Fazenda) divergiram quanto aos números do PPA. O primeiro defendia prudência diante do cenário internacional. O segundo apostava em oportunidades para SP com a crise, o que garantiria os R$ 118 bi em investimentos até 2015. Calabi levou a melhor.

Penetra No sábado, alegando que iria presentear o neto corintiano, um homem saiu fotografando o Itaquerão. Impressionados com sua desenvoltura, funcionários acabaram por descobrir que se tratava de um manifestante contrário ao investimento público na obra. Contra esse tipo de apuro, a construtora quer montar um estande, próximo ao metrô, para mostrar o andamento dos trabalhos, reduzindo a presença de curiosos "in loco".

Marcação 1 É grande a pressão da PF para que o Ministério Público denuncie o ex-deputado Colbert Martins e o ex-número dois do Turismo Mário Moysés, dois dos presos -como os demais, já libertados- na Operação Voucher. Na sexta, o procurador do caso disse que não havia elementos para tanto.

Marcação 2 Questionada por alguns procedimentos na operação, a PF entende que a eventual exclusão de Martins e Moysés da denúncia fragilizaria sua posição.

Retaguarda O PMDB está pagando a defesa de Colbert Martins. O presidente Valdir Raupp diz que é assunto do partido: "Entendemos que não há como separar uma coisa da outra".

Tudo lá Recolhidas pela polícia, as imagens do sistema de segurança do restaurante Beirute, em Brasília, captam com nitidez a agressão do lobista Julio Fróes, que fazia e desfazia no Ministério da Agricultura, a um repórter da revista "Veja".

Mãe... Empenhado em colocar a mãe, Ana Arraes (PSB-PE), no Tribunal de Contas da União, o governador Eduardo Campos (PSB-PE) não gostou de ver seu até então grande amigo Aldo Rebelo (PC do B-SP) pleitear a mesma vaga. Além de trânsito suprapartidário, o deputado, relator do Código Florestal, conta com apoio maciço da bancada ruralista.

...é mãe Além do filho, Ana tem a seu lado o senador Aécio Neves (PSDB-MG). O outro candidato competitivo é Jovair Arantes (PTB-GO), bem posto no "baixo clero".

Amperagem Em seminário na Fiesp, José Serra falará hoje sobre energia. O evento é promovido por Paulo Skaf, que no encerramento fará críticas severas ao modelo da privatização do setor elétrico, iniciada em 95, quando o tucano era ministro do Planejamento de FHC.

Permanente Mesmo com convenções marcadas para 23 de setembro, o PMDB optará por renovar a comissão provisória paulistana, mantendo o partido sob controle de Gabriel Chalita em 2012, quando este pretende disputar a prefeitura.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"Defender a juventude, a liberdade e os hackers éticos incomoda os reacionários e os que têm visão autoritária da sociedade."
DO DEPUTADO FEDERAL EMILIANO JOSÉ (PT-BA), em resposta à crítica do deputado estadual Cauê Macris (PSDB-SP) ao ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), que prega diálogo entre o governo e os hackers.

contraponto

Direto aos finalmentes


Último a falar em seminário sobre a Copa de 2014 realizado em Fortaleza, o ministro do Esporte, Orlando Silva, já tinha ouvido por seis vezes a tradicional nominata. Por isso, quando por fim chegou sua vez, ele achou por bem promover uma rápida enquete:
-Quem quer que eu cite todas as autoridades presentes, levante a mão, por favor...
Diante da imobilidade da plateia, ele prosseguiu:
-Quem não quer que fale todos os nomes, levante...
Com apoio unânime, guardou os papéis no bolso:
-Como sou democrático, vamos ao que interessa...

ALEXANDRE BARROS - O perigo está na curva ascendente


O perigo está na curva ascendente
ALEXANDRE BARROS
O Estado de S.Paulo - 16/08/11

O futuro será sempre igual ao passado... salvo se for diferente. Mesmo quando parece diferente, as raízes já estão no presente. O presente de hoje é o passado de amanhã. De repente, algo acontece (esquecemos que, no tempo da História, um ou dois anos são de repente). Falta enxergar.

No 11 de Setembro o mundo ficou pasmo. Telefonou-me uma amiga e disse que ligasse a TV. Quando vi o choque do segundo avião (ficou claro que era ataque, e não acidente), meu primeiro pensamento foi: mas, certamente, nos milhares de reuniões de segurança, alguém deve ter falado nisso, uma bomba é desnecessária quando o avião é a bomba. O fenômeno chama-se groupthink. Reuniões são dominadas pelos paradigmas existentes. Hipóteses que fogem muito a eles são desconsideradas. Por isso reuniões produzem muitas bobagens.

Eu não estava errado. Mais de um ano depois, uma agente do escritório de Minneapolis do FBI levantou essa lebre: contou que as evidências existiam e o tema havia sido proposto, mas a discussão não prosperou.

Muito antes, em 1994, se não me engano, rebeldes argelinos sequestraram um avião na rota Argel-Paris para jogá-lo contra a Torre Eiffel. Pensaram (certo) que o avião chegaria a Paris já com os tanques vazios. Resolveram pousar em Marselha para reabastecer (errado). Ao pousar, ignoraram que o paradigma vigente estava preparado para não deixar decolar um avião sequestrado. Foram presos.

As recentes rebeliões populares no Azerbaijão, no Chile, na China, na Espanha, nas Filipinas, na Grécia, na Indonésia, em Israel, em Portugal, no Reino Unido, na Rússia, na Tailândia, no Bahrein, no Egito, na Jordânia, no Marrocos, na Líbia, na Síria, na Tunísia e no Iêmen causam perplexidade, mas todas têm uma coisa em comum: com o progresso tecnológico e um período de crescimento mundial razoavelmente bom até 2008, muita gente começou a subir a longa e penosa escada da ascensão social. As políticas específicas que permitiram isso foram diversas, mas ocorriam em todos esses países, e em mais alguns (como o Brasil), mais ou menos ao mesmo tempo.

Todo mundo resolveu rebelar-se. Por quê? As tecnologias de comunicação moderna permitem mobilização rápida. Em 2008 as redes sociais divulgaram a campanha de Barack Obama. Em 2011 mobilizaram massas para protestos. Serão gastas muitas letras para tentar explicar por que tanta gente em tantos lugares, quase ao mesmo tempo, resolveu rebelar-se.

Os sinais já estavam lá. O futuro já existia, a dificuldade era enxergá-lo por falta de paradigma. A televisão (aberta, a cabo ou no ciberespaço) e as redes permitiam conhecimento e comunicações instantâneas. Todos os que queriam saber o que estava acontecendo tinham notícias em tempo real. Como prever que isso iria acontecer? Olhando as raízes.

Isso é mais ou menos como olhar uma foto publicada para mostrar uma coisa e ficar tão pregado no centro da imagem que não se vê o que está em volta. Há uma foto clássica do presidente Truman que mostra a manchete do Chicago Daily Tribune dizendo que seu opositor tinha ganho. A notícia fundamentou-se em projeções baseadas em pesquisas que, afinal, se provaram erradas.

Já fiz o teste com grande número de audiências: mostro a foto e pergunto o que há de importante nela. A maioria das pessoas só vê a manchete com a notícia errada, o microfone e Truman rindo de orelha a orelha. Poucos são os que "veem" que lhe falta um dente. É um detalhe, mas que nos conta muito sobre a sociedade americana. Na década de 1940 era possível ser eleito presidente dos EUA sem ter um dente. Já imaginaram Obama, Bush, Gore ou Clinton banguelas, fazendo campanha?

A dificuldade de ver o contexto prejudica a percepção. Foram uma grande surpresa os protestos na Inglaterra (e olhe a Olimpíada a menos de um ano) porque as pessoas estavam focadas na porção errada da foto. A ascensão social já estava travada.

No Brasil, o governo já começa a anunciar que a crise de 2011 pode obrigar-nos, todos, a apertar o cinto (nisso o presidente Lula nem tão errado estava em 2008 ao dizer que a primeira crise era uma marolinha). Lula fez como na anedota: mandou a primeira notícia dizendo que "o gato subiu no telhado". No País, dependerá de quantos furos haja necessidade de apertar. Todas as pessoas que já mudaram de classe e seguem mudando terão sua subida barrada. E isso pode explodir.

Na Venezuela, Hugo Chávez está em tratamento de câncer. Que resultado poderá ter sua eventual morte? Como reagirão os que estão subindo? Na Colômbia, a valorização do ouro transformou-o no mais importante produto do país, desbancando a droga. No Chile, a democracia de esquerda, que manteve o livre mercado e o sistema capitalista, também enfrenta protestos. Na Bolívia, como reagirão todos os que depositam esperanças (não importa se verdadeiras ou não) em Evo Morales? E em Cuba, que acontecerá quando Fidel morrer? Raúl Castro está avisando que o "gato subiu no telhado", flexibilizando algumas regras de ouro do comunismo arcaico da ilha, mas pode ser que a velocidade seja insuficiente.

Essas são algumas das coisas que, quando surgirem, poderão aparecer como surpresas, mas o mundo já mudou. O futuro será igual ao passado, que já é hoje. Culpa nossa, que não vemos que falta um dente no presidente Truman ou que não é preciso uma bomba para cometer um atentado como o de 2011, quando as pessoas percebem que o avião com os tanques cheios é a bomba.

Os pobres já se acostumaram, em muitos países, com a ideia de que podem melhorar de vida e subir na escala social. O futuro será igual ao passado, que já é hoje, e não precisamos de muitas explicações sociológicas para concluir que uma das maiores razões da raiva humana é a frustração de expectativas.

ARNALDO JABOR - Dois filmes profetizaram o presente

Dois filmes profetizaram o presente
ARNALDO JABOR
O ESTADÃO - 16/08/11

Em 1996, escrevi sobre dois filmes que me arrepiaram a espinha.

Um deles foi "Forrest Gump" e o outro "Independence Day", filme catástrofe-ufanista que todos viram. Foram dois sucessos internacionais e dois recados para o mundo de hoje. Não era preciso ser profeta para ver nosso triste presente nos filmes americanos dos anos 90.

Relendo hoje os dois textos, vejo que as condições objetivas para a "desconstrução" do mundo atual já estavam sendo cozinhadas no fogão das bruxas. Dava para ouvi-las cantando, como em "Macbeth": "Something wicked this way comes" (Coisas terríveis vêm por aí...).

Na era Clinton, a sabotagem dos republicanos já estava rolando. Não deram um minuto de sossego para o homem. A cada dia, inventavam uma nova sacanagem. Foram acusações imobiliárias em Whitewater, pecados em Little Rock, até que, um belo dia, caiu do céu o "boquete" fatal da Monica Lewinksy, dando chance ao promotor Kenneth Starr de liderar a campanha mais implacável que vi na vida e que hoje se consolida com a recente vitória dos "tea parties" fascistas, a Ku Klux Klan do Capitólio.

Hoje, já dá para ver que as administrações democratas, dos anos 60 até Clinton, foram fogos fátuos; vemos que os democratas são exceções fortuitas, pois a verdadeira América tem um DNA republicano.

Naqueles filmes, já estava inscrito o desejo psicótico desse país, que sempre teve a capacidade de se auto--criticar e reformar, mas que agora talvez esteja num estágio de inexplicável autoimolação. O cinema americano sempre foi um sintoma.

Quando vi "Forrest Gump", percebi (e escrevi) que alguém como Bush viria nos infernizar a vida. Estavam ali os sinais.

Primeiro, espantou-me o infinito sucesso de "Forrest Gump". Foi uma bilheteria gigantesca. Por quê? - pensei. E escrevi que aquele filme transformara 30 anos da história americana num trem de banalidades, desmoralizando as lutas românticas que a América travou nos anos 60 e 70.

Um raro analista do "New Yorker" disse: o filme "reduz o tumulto das últimas décadas a um parque temático de realidade virtual: uma versão da Disney para os baby-boomers".

É o que acho.

"Forrest Gump" condena os que criticaram o conformismo e o preconceito. Tudo aquilo que contestou o sonho americano, tentando aperfeiçoá-lo, é ridicularizado para impor uma suprema "sabedoria do idiota", superior a qualquer reflexão culta ou politicamente moderna.

O movimento negro foi transformado num grupo de loucos que espancam mulheres; os hippies, liderados por um Abbie Hoffman imbecil , parecem mendigos e palhaços; as liberdades sexuais conquistadas são viradas em sujas orgias pecaminosas e decadentes; os heroicos veteranos do Vietnã, aleijados e abandonados, foram retratados como detestáveis mentirosos, numa justificação sobre covardes como Bush que, na época, vivia alcoolizado no Texas, fora da guerra, pelas graças do seu papai.

No filme, a namorada de Gump, Jenny, é punida por seus excessos, já que ela foi hippie, namorou um negro e contestou a guerra em Washington. Por isso, morre castigada por um vírus misterioso, uma clara sugestão da Aids. Escrevi na época: "Forrest Gump" é o precursor do que seremos. Ele é o habitante ideal da sociedade conformista do futuro. É o idiota que venceu". Bush, em 2004, discursou em Yale para os alunos: "Eu sou a prova de que um mau estudante pode ser presidente...!".

"Gump" foi lançado em 95. E, logo depois, em 96, um outro filme prefigurou a América e o mundo de hoje: "Independence Day" - e não só ele, mas outros, como "Godzilla", "Deep Impact", "Armagedon"...

Também senti um arrepio do horror : se "Forrest Gump" era o personagem, "Independence Day" criava o cenário e o contexto.

Para quem não viu, "Independence Day" conta a história de ETs invadindo os Estados Unidos. Com o fim da Guerra Fria, os americanos ficaram sem inimigos claros. No imaginário de Hollywood, os inimigos passaram a ser os rebeldes e psicopatas antissociais que "Gump" condena ou então, no caso de "Independence", os ETs - uma clara metáfora para invasores estrangeiros. Quem seriam eles? Os chicanos, talvez, os islâmicos, os excluídos, nós - de Governador Valadares? Quem tinha ocupado o lugar dos comunistas?

Em plena propaganda da "globalização liberal", que ainda se considerava multilateral, já estava ali, visível a olho nu, o nacionalismo republicano se preparando, o protecionismo e a paranoia unilateral contra o resto do mundo.

E mais: o filme denotava um desejo inconsciente de autodestruição.

Escrevi em 96: "O filme atende aos desejos dos terroristas (muito antes de Osama bin Laden agir como um cineasta de filme-catástrofe). No filme, a América é destruída com fogo e sangue, espatifada com amor e ódio.

No filme, vemos um pavoroso "delírio de ruína" misturado com um patriotismo vingativo. Os marginais e vagabundos (como os contestadores dos anos 60) vibravam na cena em que os ETs destroem a Casa Branca".

Quando vi "Forrest Gump", tive um mal-estar de que algo importante estava mudando; quando
vi "Independence Day", tive a visão esquisita de um futuro muito torto. Senti que a barra pesaria nos Estados Unidos, vi que o "God zilla" republicano já andava solto.

Aí, o 11 de Setembro chegou e disparou a nova era.

Hoje, estamos assistindo à síntese desses dois filmes sintomáticos: imbecis reacionários tomando o poder contra Barack Obama ("negro comunista com nome islâmico que tem de ser destruído") e as receitas econômicas que enfiaram na goela do presidente negro, que são o contrário do necessário, fórmulas que levarão os Estados Unidos a uma derrocada maior do que a que Bush conseguiu na imagem do país.

Forrest Gumps destroem o país como em "Independence Day".

Agora, sinto medo e depressão. A ficção virou realidade? Ou será o contrário?

VINÍCIUS TORRES FREIRE - Dilma, efeito Obama, chá e lama


Dilma, efeito Obama, chá e lama
VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SP - 16/08/11

Revoltas no Congresso podem levar a votação projetos que dificultam combate à crise mundial

A PRESIDENTE não está muito bem nas bases. Quer dizer, na "base aliada", essa expressão que denomina a coalizão parlamentar que em tese apoia Dilma Rousseff.
Alguns partidos alugados para compor a coalizão governista ameaçam pular fora ou azucrinar o governo em votações no Congresso.
Como se sabe, Dilma continua a fazer a limpa em algumas boquinhas do lixo ocupadas por "aliados", o que lhe tem causado problemas desde março no Congresso.
Antes do recesso parlamentar, em junho, "aliados" e até petistas mais notáveis ameaçavam colocar em votação projetos que provocariam buracos nas contas do governo. Agora, o zum-zum da chantagem vem subindo de tom. Os partidos de aluguel se revoltam com as baixas na sua turma (de apenas demissões simples a inquéritos e prisões).
Não se sabe se as ameaças são blefes, tentativas de intimidar o governo. Difícil imaginar que esses partidos se arrisquem a sobreviver sem os favores do governo.
Mas, se há um momento bom para fazer chantagem, é este agora. Há perspectiva de crise mundial grave, com reflexos no Brasil. Mesmo sem tumulto econômico lá fora, o governo já fazia mágicas e milagres a fim de equilibrar o Orçamento. Uma votação indesejável pode tumultuar o ambiente aqui dentro.
Em suma, parte do Congresso daqui pode produzir o "efeito Obama". Barack Obama foi chantageado por uma ala radicalmente alucinada do Partido Republicano, que quase levou os Estados Unidos ao calote. Trata-se do Tea Party, o "grupo do chá". Aqui, trata-se do "bando da lama".
Há um projeto que cria um piso salarial para policiais. Pode ser votada a regulamentação da emenda constitucional 29, que determina a destinação de recursos orçamentários para a saúde e especifica o que seja despesa com saúde. Pode ser votado reajuste para o Judiciário.
A regulamentação da emenda 29 vai criar despesas extras nos Estados, que vão cobrar compensações do governo federal. Mesmo que não levem, isso vai afetar o balanço fiscal do setor público. Há outras hipóteses de despesa extra, como as compensações que Estados exigem caso lhes seja retirada a participação nos royalties do petróleo.
Caso o Congresso aprove aumentos de gastos sem dizer de onde vai sair a receita, o mal não será feito de imediato. Dilma pode sempre vetar uma outra maluquice, correndo o risco, porém, de ver aumentado o nível do tumulto político. Se não recorrer ao veto, terá de lidar com aumentos de despesas para 2012.
No ano que vem, virá um aumento cavalar do salário mínimo, o que vai elevar despesas com INSS, benefícios sociais outros e seguro-desemprego. O governo começará a pagar a conta das reduções de impostos para empresas.
Haverá ainda, em 2012, pressões por liberação de recursos devidas a obras esportivas e aquelas demandadas em ano de eleição. O governo já havia programado, enfim, despender mais no novo programa de combate à miséria.
Não, tais aumentos de gastos não vão, em si mesmos, provocar catástrofe ou desarranjo terminal nas contas públicas. Porém, vão fazer com que o governo perca a chance de reduzir mais rapidamente a inflação sem o recurso daninho ao aumento da taxa de juros.

ELIANE CANTANHÊDE - Escolinha do professor Fred

Escolinha do professor Fred
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 16/08/11 

Os ministérios dos Transportes, da Agricultura e do Turismo estão dando uma verdadeira aula de corrupção. Tudo é claro, didático, objetivo. E escancarado, despudorado, como mostram as gravações da Polícia Federal.

Numa das fitas, o secretário-executivo do Turismo, Frederico Silva da Costa – chamado de “reverendo” e “bambambã” em outros trechos – ensina ao empresário Fábio de Mello (e a todo o país) como fazer uma “empresa de fachada”. “Pega um prédio moderno, meio andar (...). O importante é a fachada. Tem que ser uma coisa moderna, que inspira confiança em relação ao tamanho das coisas que vocês estão fazendo. Pega um negócio aí pra chamar a atenção, assim, de porte, por três meses. Mas é pra ontem! Que alguém aparecer pra tirar uma foto lá nos próximos dois dias, as chances são altas”.

Em outra conversa gravada, o empresário Humberto Silva Gomes, que voltava dos EUA, revela-se um professor de patriotismo: “É pro governo, joga o valor pra três, tudo vezes três”. Por quê? “Quando é dinheiro público, não pesa no seu bolso, aí você joga pro alto mesmo. Até porque, se você não jogar, você vai perder logo de cara, porque todo mundo vai jogar”.

Em outra escuta, Luiz Gustavo Machado, diretor da ONG Ibrasi, ensina para a colega Maria Helena Necchi: “Se eles não concordarem, vão mandar pra Brasília. Mandou pra Brasília, ficou fácil”. Uma funcionária do Turismo foi ao Amapá só para orientar uma ONG sobre como forjar uma prestação de contas. E Dalmo Queiroz, sócio de ONG investigada, explicou o que fazer em caso de problema: “Você vai lá e compra o CNPJ”.

Tudo é falso: Frederico não é nenhum reverendo, as ONGs envolvidas não têm nada de santas, as empresas são “de fachada”, os CNPJs, comprados, e os preços, multiplicados por três. É o “rouba, mas faz”? Nem isso. O turismo está uma porcaria.

BASE PODRE


MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Em menor ritmo, emprego chega a 3 mi na construção
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 12/08/11

A construção civil brasileira superou a marca de 3 milhões de trabalhadores em junho, segundo levantamento do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo).
Apesar do recorde, o ritmo de crescimento atual é menos vigoroso do que aquele registrado nos últimos anos. Foram contratadas mais de 37 mil pessoas com carteira assinada no mês.
O primeiro semestre deste ano teve 196,5 mil trabalhadores contratados. O número é inferior aos 268,5 mil do mesmo período de 2010.
Após registrar saldo negativo de mais de 84 mil vagas em dezembro, o setor teve crescimentos mensais inferiores até maio, na comparação com cada mês de 2010.
Em março, foram criadas apenas 5.236 vagas, ante 45.704 no mesmo mês do ano passado, de acordo com os dados do SindusCon.
"Houve de fato uma desaceleração de 2011 com relação a 2010. Inicialmente é possível ler que a construção estaria perdendo força, mas ainda enfrentamos necessidade de capacitação de mão de obra", diz o presidente da entidade, Sergio Watanabe.
A queda pode ter sido causada pelo desequilíbrio entre as obras que foram concluídas e entregues, em quantidade maior do que as que se iniciam, segundo Watanabe.
"Isso se deve ao número de obras que estão sendo executadas. O período de maturação é um pouco longo."
O município de São Paulo chegou a fechar centenas de vagas em outubro.

TRANSPORTE DO PETRÓLEO
A Brasil Supply, que investe R$ 85 milhões no mercado marítimo offshore em 2011, lança nesta semana sua segunda embarcação, o BSCO 02, com investimento de US$ 6 milhões, para atender bases de apoio das plataformas de petróleo e gás no Nordeste, em transporte de carga e tripulantes.
A operação do BSCO 02 começa em setembro e ficará à disposição da Petrobras.
Para 2012, o investimento previsto é de mais R$ 150 milhões. O objetivo da empresa é construir 11 embarcações para este mercado.
Em março a empresa lançou o BSCO 01. Ambos obtiveram financiamento do Fundo Nacional da Marinha Mercante. Cada embarcação tem capacidade para transportar 30 m³ de água, 30 m³ de óleo, 60 toneladas de carga geral e 60 passageiros.

RIO+20
O governo federal espera cerca de 50 mil delegados na Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável que o Rio de Janeiro irá sediar entre 28 de maio e 6 de junho de 2012. Vinte anos depois da Rio 92, o evento não focará apenas temas ambientais. A ONU pretende estabelecer as bases de uma economia mais sustentável na próxima conferência. Em 1º de novembro, o governo entrega à ONU o documento com suas propostas.

FROTA TERCEIRIZADA
A locadora de veículos Let´s investirá R$ 190 milhões nos próximos dois anos para renovação e expansão de sua frota.
A companhia terminará este ano com 6.000 automóveis e planeja chegar a 10 mil em 2013. Os carros são trocados após dois anos ou ao completarem 90 mil km.
"A frota das locadoras representa 15% do mercado nacional e a tendência é que esse número cresça, pois as empresas têm optado pela terceirização de veículos", diz o presidente da companhia, Sergio Magnani.
Até 2009, a Let´s também alugava para pessoas físicas, mas desistiu do negócio para se especializar na terceirização de frotas de empresas.
"Tivemos que optar, pois os segmentos exigem estratégias distintas. O aluguel para pessoas requer maior número de lojas, com ênfase em aeroportos."
A sede da locadora fica em Araraquara (SP), mas a companhia diz ter clientes em todos os Estados do país.

Tapa-buraco A Prefeitura de Recife fechou contrato de um ano com a EcoTech para a manutenção de asfalto. O investimento é de R$ 13,5 milhões em serviços que envolvem tapa-buraco, ondulações e depressões no asfalto.

Crédito no campo Os recursos direcionados ao crédito rural devem alcançar R$ 107,6 bilhões em junho de 2012, fim do prazo de financiamento da safra 2011/12, com alta de 15% sobre junho deste ano, segundo projeção da RC Consultores.

Geladeira... O segmento de "frozen" iogurte cresce no Nordeste. A Yogoothies pretende implantar cerca de 15 novas lojas na região até o final de 2012. A primeira unidade será inaugurada neste mês em Natal (RN).

...no Nordeste O Sudeste ainda é a região com maior concentração de lojas (59,2%), mas o Nordeste será a nova rota, segundo a empresa.

Febre De acordo com a ABF (Associação Brasileira de Franchising), no ano passado surgiram 14 novas redes especializadas em "frozen" iogurte.

Novo CEO Com 15 anos de casa, Luiz Fernando Musa foi promovido a CEO da Ogilvy & Mather Brasil. Sérgio Amado segue como presidente do Grupo Ogilvy Brasil. Musa assume o comando da maior unidade da empresa, a de publicidade.

Urologia... A japonesa Astellas lança no Brasil medicamento indicado para frequência e incontinência urinária.

...em foco Com vendas de cerca de US$ 910 milhões por ano, o Vesicare, comercializado nos EUA há mais de sete anos, representa mais de 7% do faturamento da empresa.

FORA DE SÃO PAULO
A Clavi Incorporações, criada há um ano, lança até novembro os seus primeiros projetos. Serão três empreendimentos comerciais na Grande São Paulo, em Osasco, Alphaville e Guarulhos.
"Ficamos oito meses analisando o mercado. Não vale a pena investir na cidade de São Paulo pela demora na aprovação de projetos", afirma o presidente da empresa, Vitório Panicucci.
O investimento será de R$ 40 milhões e o valor geral de vendas, de R$ 300 milhões.
Em 2012, a companhia lança seu primeiro prédio residencial, em Barueri, e avalia a possibilidade de ter negócios fora de São Paulo, em Campo Grande (MS).
"Pretendíamos ter forte presença em São Paulo e Campinas antes de ir para outros Estados, mas estamos de olho nas oportunidades."

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e VITOR SION

FERNANDO DE BARROS E SILVA - Quanto vale a Agricultura?


Quanto vale a Agricultura?
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FOLHA DE SP - 16/08/11

SÃO PAULO - O acerto de contas com a corrupção institucionalizada bateu na porta do PMDB. Era previsível. Já faz tempo que a pasta do Turismo se converteu em central de maracutaias envolvendo emendas parlamentares, empresas de fachada e convênios fajutos. Por ora, o afilhado de Sarney segue no cargo.
Mas o problema maior reside na Agricultura, comandada por Wagner Rossi, o homem de Michel Temer. Conforme o personagem vai sendo retirado da sombra, percebe-se que não se trata de passar a limpo uma, duas ou três suspeitas de corrupção, mas sim toda uma vida dedicada aos princípios do PMDB.
Se fosse aplicar ao partido os critérios que adotou em relação ao PR, Dilma teria motivos de sobra para alcançar Wagner Rossi com suas chineladas. É pouco provável que isso aconteça, ao menos por ora.
Pelo seu tamanho e pela posição que ocupa na aliança, o PMDB tem força para viabilizar ou melar o que um de seus caciques já chamou de "esse negócio da governabilidade". São 20 senadores e 80 deputados, além da ameaça, já vocalizada, de formar um bloco na Câmara com PR, PTB, PP e PSC, o que amplificaria muito seu poder de chantagem.
Por isso, o caso Wagner Rossi talvez exponha os limites do método Rousseff de depuração do sistema político. O ministro não arreda o pé da Agricultura, onde Temer o plantou. A não ser que seja apanhado em flagrante ou vire alvo de mobilização popular. Mas a indignação difusa das classes médias ainda parece muito distante de deixar o sofá ou ir além da tela do computador.
A presidente não disfarça sua ojeriza pela política como ela é, mas foi com esse pacote de viagem (ou essa cesta básica) que ela se elegeu. Em grande medida, é prisioneira desse arranjo que avalizou.
Com seu modo de agir, Dilma despertou expectativas na sociedade e insatisfações entre os políticos. Do jeito que está armado o jogo, é possível que venha a frustar as primeiras e não consiga controlar a sede de revanche dos amigos de Lula.

CLÁUDIO HUMBERTO

“É absolutamente inaceitável a exposição de pessoas investigadas”
PRESIDENTE DILMA SOBRE O VAZAMENTO DE FOTOS DOS PRESOS NA OPERAÇÃO VOUCHER, DA PF.

SENADORES PREGAM ‘ÉTICA’, MAS NÃO ASSINAM CPI 
Senadores de vários partidos reiteraram ontem o compromisso com a ética, até pregaram uma “frente anticorrupção”, mas, na prática, a teoria é diferente: convidados a assinar a criação de CPI para investigar as irregularidades que criticam, os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF), Paulo Paim (PT-RS), Kátia Abreu (DEM-TO), Pedro Simon (PMDB-RS) e Zezé Perrela (PDT-MG) desconversaram. 

GOVERNISTAS 
Os senadores esbravejam contra a corrupção, mas, a pretexto de defenderem o “estado de direito”, preferem apoiar a presidente Dilma.

APOIO RETIRADO 
A CPI tem 22 assinaturas, cinco a menos que o necessário. Kátia Abreu, Zezé Perrela e Pedro Simon retiraram seus nomes.

INVESTIGUE-SE 
Pedro Taques (PDT-MT), Ana Amélia (PP-RS) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) também fazem a defesa da ética, mas querem a CPI.

NEM PENSAR 
Zezé Perrela ficou incomunicável ontem, em sua fazenda de Minas. Paim diz que apoia a PF e o MP, mas, CPI no Senado, nem pensar.

ALOPRADO FATURA JETONS EM CONSELHOS DO BB 
A conta bancária de Expedito Afonso Veloso ganha reforço nada aloprado. Um dos acusados pelo dossiê contra José Serra em 2006, ele conta com a generosidade dos amigos petistas. Atualmente, fatura jetons como “conselheiro fiscal” de subsidiárias do Banco do Brasil, como a BB Seguros e Participações S.A. BB Aliança Rev Participações S.A. Ele é hoje secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico.

MILIONÁRIO 
As subsidiárias do BB se recusaram a revelar o pró-labore. Mas o jetom para esses cargos em estatais deste porte chega a R$ 12 mil.

COSTAS PROTEGIDAS 
Deve ser mais confortável a volta do ministro Joaquim Barbosa para julgar o mensalão: o STF pagará R$ 107,7 mil por 55 novas poltronas. 

DESANUVIANDO 
O líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP) garante: “Esta semana desanuvia, para voltarmos à pauta positiva. O PR dará apoio 
crítico”.

DESFEITA AO STF 
Os ministros Carmen Lucia e Marco Aurélio estavam na posse de Roberto Gurgel, mas o Supremo Tribunal Federal, onde o empossado representa o Ministério Público, não foi convidado à mesa principal.

CASA DO PAI LULA 
O ex-ministro Antonio Palocci integrará o conselho do Instituto Lula. Falta convidar Erenice Guerra para os Recursos Humanos, Cesare Battisti para a segurança privada e ter Jeany Mary Corner na recepção.

LA VITA È BELLA 
Repercutiu na Itália a entrevista do terrorista Cesare Battisti à Piauí, nas bancas: “Adoro o Rio, as belas mulheres, as praias, já sonho em português”. O presidente do sindicato independente da polícia italiana pediu de novo que o governo Berlusconi rompa relações com o Brasil.

OS MAIS IGUAIS 
Projeto do senador Pedro Taques (PDT-MT) aumenta penas de crimes contra magistrados e promotores. Muito justo. Mas faltou incluir crimes contra padres que lutam contra grileiros, agentes carcerários que vigiam bandidos e jornalistas que denunciam malfeitorias de todos eles. 

CADÊ O CADE?
Está na hora de o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abrir o olho: meia dúzia de grupos empresariais controla 75% das 92 concessionárias no DF. Que fazem concorrência de mentirinha.

MAIOR SUJEIRA 
Investigada pelo Ministério Público no esquema do lixo da Prefeitura de Maceió, a empresa Limpel parte agora para o crime ambiental: quer implantar uma central de tratamento de lixo na única reserva florestal de Pilar, perto da capital, uma das mais antigas de Alagoas.

PROCURADO DO TURISMO... 
Acusado de fraudes no Turismo, Humberto Silva Gomes escreveu de Miami no Twitter que volta ao Brasil na quarta (17) “já condenado pela PF e pela opinião pública”, quando então conhecerá seus “erros”. 

...PROCURAVA PADRINHO 
Procurado pela Interpol, afirma que foi “vítima de falhas de origem” (no ministério). Na demissão de Palocci, postou: “Sou ótimo consultor. Só me falta ser nomeado ministro e ter padrinho barbudinho para ganhar”. 

TRABALHADORES DO BRASIL 
Próximo capítulo da Operação Voucher: os acusados na Justiça do Trabalho exigindo carteira assinada, horas extras e retroativos. 

PODER SEM PUDOR
AS BELAS DA TARDE 
Aldo Rebelo (PCdoB-SP) presidia a Câmara dos Deputados e também a sessão, naquela tarde, quando saudou um grupo de belas estudantes que se acomodavam nas galerias.
– Sejam bem-vindas! – exclamou ao microfone, com simpatia.
Único deputado no plenário e de costas para as galerias, Pauderney Avelino (DEM-AM) protestou:
– Um monte de mulher bonita e eu tendo de olhar para você!...

TERÇA NOS JORNAIS


Globo: Dilma veta aumento real já acertado para aposentados

Folha: Para servidor, ministério de Rossi está corrompido

Estadão: Governo veta aumento real no valor da aposentadoria

Correio: Aposentados vão ficar sem ganho real em 2012

Valor: Bancos públicos voltam a puxar expansão do crédito

Estado de Minas: Aposentados ficam sem aumento real em 2012

Zero Hora: Número de mortes no trânsito cai 11% no RS