quinta-feira, agosto 11, 2011

VINÍCIUS TORRES FREIRE - O grande massacre de bancos

O grande massacre de bancos
VINICIUS TORRES FREIRE
FOLHA DE SP - 11/08/11 

Ações de bancos europeus entram na grande xepa que há tempo também derruba seus colegas nos EUA


O QUE SE PASSA? Além do medo vago de uma recessão enorme, ninguém parece saber nada. Um sujeito que sabe das coisas, vive no topo do mundo e em geral é franco, Mohamed El-Erian diz que ninguém sabe nada, por isso o medo, por isso a liquidação geral nos mercados.
El-Erian é o presidente (CEO) e coexecutivo-chefe de investimentos (CIO) da Pimco, a maior investidora em renda fixa do mundo. Em entrevista à TV Bloomberg, na tarde de ontem, ele dizia o seguinte: "O mercado passa por [um momento de] volatilidade maciça. Não surpreende, pois estamos em mares nunca dantes navegados ["uncharted waters"] no que diz respeito à economia, às políticas [econômicas] e, portanto, aos mercados".
Então agora a França pode perder a nota máxima de investimento. Então, "as Bolsas mergulham com a volta das preocupações com a Europa", como dizia a manchete da noite de ontem da edição on-line do diário econômico britânico "Financial Times". Essas seriam as novidades. Novidades?
"Volta" da preocupação com a Europa? Por que o presidente da França, Nicolas Sarkozy, encurtou as férias para uma reunião de emergência de seu governo? Francamente. Que o Titanic europeu tem passado raspando por um monte de icebergs não é novidade nenhuma.
Desde segunda-feira, o Banco Central Europeu mantém as imunodeprimidas Itália e Espanha numa bolha de plástico, isoladas dos vírus dos mercados, por meio da compra de dívida dos dois países.
O BCE espera que, até setembro, entre em funcionamento o fundo ampliado para salvar governos europeus da quebra. Mas há dúvida geral sobre se haverá botes para salvar tanta gente do naufrágio (dinheiro para cobrir tanto governo quase falido) -ou se a Alemanha vai concordar em fornecer os botes. Isso é sabido faz semanas. O resto é especulação insana além da conta, como a de agora, com a França.
Decerto calotes de governos feririam de morte bancos europeus, que viram suas ações despencar ontem.
Na França, o Société Générale caiu 14,7%. O BNP, 9,5%. O Crédit Agricole, 11,8%. Na Itália, o Monte dei Paschi caiu 9,8%. O Unicredit, 9,4%. O Intesa, 13,7%. Na Espanha, queda de 8,3% para o Santander.
Ruim? É. Mas nos EUA prosseguia também ontem a grande e nova liquidação das ações dos grandes bancos. O Bank of America caiu 10,9%.
O Citi, 10,5%. O Wells Fargo, 7,7%. Até o Goldman Sachs, que continua muito longe de ser um banco comercial, caiu 10,1%.
Mesmo que ninguém saiba nada nesta carnificina insana de valores e de análises racionais, parece que se suspeita de algo podre nos bancos -ao menos, o rumor pegou.
Os bancos americanos agora têm muito menos negócios exóticos e alavancados. Têm, pois, de viver mais de empréstimos. Mas os juros estão baixíssimos e o apetite por crédito não vai melhor -vai diminuir mais, numa recessão. Seria apenas isso? Talvez. Ainda há especialista no assunto para quem os bancões americanos têm pouco capital e ainda muito negócio podre na caixinha.
Verdade? Por ora, não há registro de dificuldade de financiamento dos bancos americanos (na Europa, isso já ocorre). Apenas rumores, porém, podem arrebentar a saúde de bancos. Rumores, rumores e "psicologia de manada". É isso.

CLÓVIS ROSSI - Rebeldes com causa e sem agenda


Rebeldes com causa e sem agenda
CLÓVIS ROSSI
FOLHA DE SP - 11/08/11

Não se trata de rebelião de cidadãos frustrados pela crise mas, sim, de revolta de consumidores/saqueadores


Seria tentador ver nos distúrbios dos últimos dias no Reino Unido uma revolta dos "famélicos do mundo", para citar a Internacional. Tentador, mas errado.
Visto pelos olhos da esquerda britânica que se expressa pelo jornal "The Independent", o que está acontecendo "não é um protesto político. Os amotinados não têm uma agenda. Não têm um comando central. A meta é o saqueio aquisitivo ou a destruição descerebrada". Reforça Walter Oppenheimer, o excelente correspondente do espanhol "El País" em Londres: "As turbas não assaltam supermercados para levar comida; o principal objetivo têm sido as lojas de celulares, as de eletrodomésticos, as de roupas e de calçados esportivos". O "Independent" informa que houve um caso em que o saqueador, antes de levar a mercadoria, experimentou um sapato, para ver se a ponteira era, digamos, "fashion".
Tudo somado, dá para dizer que se trata não de uma rebelião de cidadãos frustrados pela crise e pelos cortes promovidos pelo governo, e, sim, de uma revolta de consumidores/saqueadores que não conseguem satisfazer a ânsia de consumo, a bandeira do capitalismo. A esse respeito, diz ao "Guardian" Alex Hiller, especialista em marketing e consumo da Nottingham Business School: "A sociedade de consumo depende de sua habilidade para participar dela. O que hoje reconhecemos como um consumidor nasceu de horas mais curtas [de trabalho], salários mais altos e disponibilidade de crédito. Se você está lidando com uma porção de gente que não têm os dois últimos elementos, o contrato [social] não funciona".
Não pense que esse raciocínio se aplica exclusivamente aos bairros deprimidos de Londres (que, aliás, seriam de classe média no Brasil, sem parentesco com as favelas).
Como diz Darryl Seibel, responsável pela Comunicação dos Jogos Olímpicos de Londres, o que está acontecendo "não é um reflexo de Londres, mas do mundo que vivemos hoje em dia".
Claro que Seibel está se antecipando a possíveis questionamentos sobre a segurança em Londres com vistas à Olimpíada, mas nem por isso deixa de ter razão. Tanto que muito brasileiro também questiona o Rio como sede olímpica cada vez que há casos mais espetaculares de violência urbana.
Se Seibel está certo -e acho que está-, então a rebelião consumista ocorre também em São Paulo, de que dão prova, para citar apenas casos recentíssimos, as "meninas do arrastão" da Vila Mariana e os marmanjos dos arrastões em restaurantes, respeitadas as colossais diferenças de escala e de violência empregada.
Vale também para o Brasil a avaliação para o "Monde" de Fabien Jobard, sociólogo do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Social): "A única certeza é a de que, em uma sociedade na qual os bairros são tradicionalmente sustentados por chefes de comunidade respeitáveis, um laço se rompeu. Seja entre tais responsáveis e a polícia, seja entre esses líderes e parte da população que se emancipou de sua autoridade moral e escapou a seu controle".
Não lembra o que se diz sobre o controle do crime organizado em certos bairros de tantas cidades brasileiras?

CONTARDO CALLIGARIS - Vampiros comportados

Vampiros comportados
CONTARDO CALLIGARIS
FOLHA DE SP - 11/08/11 

Os adolescentes de hoje "desejam pequeno" ou será que eles perseguem um ideal de autocontrole?


Nos últimos anos, repetidamente, manifestei certa preocupação com o fato de que os adolescentes de hoje me parecem "desejar pequeno", ou seja, sonhar com projetos muito "razoáveis", se não desanimadores e quase resignados. A adolescência de minha geração, nos anos 1960, era o contrário: sonhávamos com uma grandiosidade ridícula, sem preocuparmo-nos com as condições efetivas de realização de nossos sonhos.
Deu no que deu: alguns efeitos bons, outros péssimos. Por exemplo, não conseguimos fazer "a" revolução, mas transformamos os costumes (para melhor, pelo menos até agora). Por outro lado, nossa paixão revolucionária defendeu e sustentou caricaturas sinistras de nossos ideais sociais -ou seja, nossas aspirações, por serem desmedidas, produziram alguns monstros.
Talvez isso não aconteça (ou aconteça menos) com os adolescentes de hoje; não seria necessariamente uma perda. Um pai, preocupado, como eu, com o "desejar pequeno" do filho, foi direto ao assunto e perguntou ao menino: "Mas quais são seus sonhos para a vida?". A resposta que ele recebeu o levou a me escrever: "É como se ele (o menino) desconfiasse de seus desejos, como se achasse que eles não são bem dele".
De fato, os adolescentes sempre têm certa desconfiança em relação à proveniência de seu querer. Afinal, logo quando eles começam a sonhar com o que poderia ser sua vida adulta, sofrem também uma irrupção de desejos que, no começo, mal entendem.
Claro, a sexualidade já existe na infância, mas, na puberdade, ela chacoalha o corpo de maneira inédita. É compreensível que um adolescente se pergunte o que é aquilo, para que serve e sobretudo de onde vem. Em geral, antes mesmo de ter se acostumado com a transformação de seu corpo, o adolescente constata que os adultos olham para ele de maneira diferente, como se ele fosse um objeto erótico possível. Disso deriva, provavelmente, a suspeita do adolescente de que o desejo que o transforma vem dos outros -dos adultos, que devem ser todos tarados.
Das primeiras reflexões de Freud até George A. Romero ("A Noite dos Mortos-Vivos", de 1968), esta explicação se popularizou: o desejo vem dos adultos, que avançam babando atrás da gente, querem nos pegar e, se possível, morder e contaminar. Mortos-vivos ou simplesmente artríticos, eles têm mobilidade restrita e pouca fantasia, pois só parecem querer uma coisa: que a gente fique que nem eles.
Pois bem, com a saga "Crepúsculo", de Stephenie Meyer (e sua adaptação cinematográfica), apareceu um novo paradigma da origem do desejo (alimentado, aliás, por séries televisivas, como "True Blood" e "Vampire Diaries"). Eis qual.
O desejo continua vindo dos outros, mas a mordida que contamina é desejada ardentemente pelas "vítimas", enquanto vampiros (e lobisomens) se controlam: embora sejam tão fissurados quanto um morto-vivo à procura de carne, eles resistem e se recusam a morder, enquanto os humanos imploram para serem mordidos.
O novo paradigma, em suma, diz que: 1) o desejo vem dos outros, mas, uma vez que tenhamos sido mordidos (como queremos ser), ele será o nosso, estará na gente, 2) ser vampiro à nossa vez será ótimo e 3) não por isso esqueceremos que desejar é um exercício de autocontrole.
É como se os adolescentes estivessem adotando um ideal em que o desejo seria deles mesmos, fortíssimo e indomável (uma verdadeira fissura), mas heroicamente contido. O vampiro será vegetariano, só se permitirá beber sangue de animais e saberá amar uma humana sem ceder à vontade louca de mordê-la. Da mesma forma, nós, sem recalque, teremos fantasias, sonhos e desejos, sexuais ou outros, poderosíssimos, mas saberemos discipliná-los.
Será que os adolescentes "desejam pequeno" (como eu pensava) ou será que, à diferença de nós quando éramos adolescentes, eles não idealizam o descontrole, mas a disciplina de si?
Se esse for o caso, talvez os adolescentes de hoje devam sua sabedoria à constatação de que, ao sair de cena, nossa geração, que pretendia desejar muito e descontroladamente, não está deixando uma lembrança muito boa.
Só um exemplo: o descontrole do desejo, ultimamente (e não só no Brasil) aparece sobretudo na falta de autocontrole de classes políticas desavergonhadas e vorazes (de votos ou de privilégios).

JOSÉ SERRA - O Brasil e a crise: estresse, não catástrofe


O Brasil e a crise: estresse, não catástrofe
JOSÉ SERRA
O Estado de S.Paulo - 11/08/11

Não é possível prever a extensão e a profundidade do mergulho das economias da Europa e dos EUA, mas se pode esperar, no mínimo, uma estressante instabilidade financeira, ao lado da inflexão para baixo no crescimento da economia mundial.

No caso dos EUA, o impasse político sobre os limites do endividamento público ocorreu quando a economia apresentava sinais de fraqueza. A política monetária frouxa e a desvalorização do dólar nos últimos anos mostraram-se incapazes de reativar a demanda e o crescimento de maneira sustentada.

Paralelamente, o governo Obama não conseguiu promover uma expansão do gasto público que tivesse efeitos multiplicadores poderosos sobre os investimentos e o emprego, como num modelo keynesiano básico. O aumento do déficit e da dívida desde 2008 resultou em grande medida da absorção da dívida do setor privado. Agora, a simples perspectiva de cortes (suaves) naquele gasto piorou as expectativas em todo o mundo. Note-se que a guerra política no Congresso vai piorar até o fim do ano eleitoral de 2012.

Na Europa a crise é pior que nos EUA e diretamente proporcional às vicissitudes causadas pela implantação da moeda comum. A política monetária tornou-se única, nas mãos do Banco Central Europeu (BCE). No entanto, a mobilidade de capital e trabalho na área é baixa, o que exigiria um grande orçamento (ou fundo de estabilidade) para amortecer os possíveis choques assimétricos nos países-membros. Mas a política fiscal (impostos, gastos e dívida pública) não foi unificada e continuou sendo um assunto de cada país. O orçamento da União Europeia é relativamente irrisório - pouco mais de 1% do PIB. No Brasil, que é uma federação, a União detém mais de 20%. Na federação americana, a Califórnia representa um sexo do PIB, mas a falência financeira do Estado não trouxe grandes abalos ao país. A Grécia tem cerca de 2% do PIB europeu, mas seu colapso financeiro teve um quase efeito dominó no Velho Mundo.

A política monetária única, em si, também produziu distorções. Um exemplo? Até a crise financeira mundial de 2008 a Espanha vinha crescendo depressa, com inflação mais alta do que a média europeia e taxa real de juros próxima a zero. Era preciso elevar essa taxa, mas o BCE a manteve abaixo do necessário para estabilizar a economia espanhola e superior à de que necessitavam as economias alemã, francesa e italiana (dois terços do PIB da região), que cresciam mais lentamente. O dinheiro barato favoreceu a formação da bolha de crédito na Espanha, fator que levou o país à linha de frente da desconfiança dos credores.

Se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come: largar o euro provocaria hiperinflação na Grécia e violenta deflação na Alemanha. Criar os Estados Unidos da Europa é impossível a médio prazo. Assim, entre os dois extremos - abandonar a moeda comum ou virar uma verdadeira federação -, os países dominantes vão preferir o meio do caminho, fórmula pouco segura para acabar com a instabilidade, mas que poderá servir à prioridade, a curto prazo, de evitar que a "crise" da dívida dos países-membros contagie diretamente o sistema financeiro europeu.

E o Brasil? Sua economia, nos últimos anos, exibiu um crescimento dentro da média da América Latina, abaixo da Ásia e acima dos centros desenvolvidos. Isso foi conseguido graças ao excepcional desempenho das exportações de matérias-primas e alimentos, na quantidade e, principalmente, nos preços. Nunca antes na História deste país os preços das exportações brasileiras cresceram tanto durante um período tão prolongado.

O estilo de desenvolvimento brasileiro tem combinado aspectos curiosos. O sistema financeiro privado é relativamente sólido. A taxa de juros é a mais alta do mundo, não obstante os riscos de crédito e câmbio terem declinado. A enorme diferença entre os juros domésticos e os internacionais apreciou a taxa de câmbio como em nenhum outro país, prejudicando as exportações de manufaturados e favorecendo suas importações. A carga tributária é a maior dos países emergentes, mas a poupança governamental é baixa. A taxa de investimentos é pequena em razão dessa reduzida poupança e da falta de oportunidades (rentáveis) de investimentos do setor privado, principalmente na indústria. O consumo expandiu-se a um ritmo bem superior ao do PIB. Há uma marcha forçada de desindustrialização em razão do câmbio e da carga tributária. O saldo da balança comercial tem caído, apesar do boom de preços, e o déficit em conta corrente cresceu rapidamente, juntamente com o passivo externo do País. Por causa dos juros muito altos e do real supervalorizado, vão se multiplicando os subsídios fiscais ao setor privado, sem planejamento nem controle da eficácia. Em suma, trata-se de um "modelo" de crescimento que não é sustentável por muito tempo, embora a curto prazo exiba indicadores razoáveis de emprego, renda e consumo, além de bons negócios nas áreas financeira e de commodities.

Os atuais transtornos das economias no norte vão estressar esse modelo, mas não necessariamente se afigurarão catastróficos para a economia brasileira. Tanto quanto é possível prever, pode haver retração, mas não colapso, numa variável-chave, que são os preços das commodities, indexados ao dólar. O compromisso do Federal Reserve de manter a taxa de juros no chão por mais dois anos manterá o dólar fraco. O imenso diferencial de juros continuará atraindo dólares e pressionando o valor do real para cima, talvez com mais força, em razão do encolhimento adicional de oportunidades nas economias centrais. A agressividade dos países exportadores de manufaturados deve tornar-se mais feroz ainda, competindo com as exportações brasileiras e assediando nosso mercado interno. Em suma, haverá manutenção ou reforço de algumas das condições do estilo de desenvolvimento acima esboçado - para mim, frágil - num contexto de menor dinamismo do crescimento.

JANIO DE FREITAS - Acima da onda


Acima da onda 
JANIO DE FREITAS
FOLHA DE SP - 11/08/11

Grupos políticos atingidos pela faxina temem retaliar Dilma e ficar com a mácula de ligação com as fraudes


OS GRUPOS POLÍTICOS atingidos pela limpeza no governo, ou temerosos de sê-lo se o expurgo continua, têm duas limitações para passar das atuais insinuações à retaliação de fato contra Dilma Rousseff. Trate-se do vozerio proveniente do pelotão encabeçado pelo deputado Henrique Eduardo Alves, trate-se dos perplexos do PT, ou dos laterais PTB e PR -todos com representantes nos decaídos de bolsos cheios.
A fragilidade dos grupos e partidos atingidos, na eventualidade de um embate, é maior que a da Presidência. O confronto não poderia dar-se sem que a opinião pública dele tivesse conhecimento, ainda que fragmentado e caótico, como é próprio dos relatos nos meios de comunicação. E, diante de uma sociedade ansiosa por atos moralizadores da política e da administração, qualquer represália ao saneamento ético seria expor-se a uma execração que o governo nem precisaria incentivar.
As reações aos primeiros atos de limpeza são, por si mesmos, demonstrações dessa posição frágil dos grupos e partidos atingidos, ou passíveis de sê-lo. O que os move não é a cabeça de fulano ou o nome de sicrano, é a mácula que os atinge em seu eleitorado, como coadjuvantes ou patrocinadores do que cada eleitor vê como roubo, e roubo partilhado. A fragilizar ainda mais os atingidos, há a proximidade de eleições e a consequente necessidade dos congressistas de mobilizarem as suas bases.
Por outra via, mas com o mesmo efeito, está o risco de perda da presença no governo, em caso de hostilidade parlamentar efetiva. A dimensão desse risco está bem à vista com o sucedido ao DEM desde a perda da proeminente presença governamental e parlamentar que teve, como PFL, até a posse de Lula. De igual perda advém boa parte da perturbação mental do PSDB, o catatônico. Diante disso, o PMDB sabe o que seria de si sem a presença de que tem usufruído em todos os governos, a qualquer preço, desde a volta ao regime civil. O governo talvez não saiba disso, mas o PMDB sabe que pode fazer de tudo, menos o que ameace sua presença na máquina de governo.
A necessidade é mútua, sim, de utilização de cargos, verbas e poderes governamentais pelos políticos e seus partidos, e de apoio parlamentar pelos governos. Nisso está o jogo político. Mais dotado, nele, de meios e de poder, ao governo Dilma Rousseff basta não se perder em um tropeço excessivo, para que o confronto das conveniências o favoreça.

PARTICULAR
Diferentes na intenção e no teor, as versões da primeira entrevista dada por Celso Amorim atenuam, querendo ou não, o seu discurso de posse. Mas anulam o sinal, dado então, da disposição prioritária de ser, mais do que um ministro com os ônus que a tarefa exija, uma figura de agrado dos militares.
O discurso não foi de posse na direção executiva do setor militar do Estado, foi de relações pessoais. Ou seja, não foi feito para falar ao país.

MARCIA PELTIER - Ar pesado


Ar pesado
MARCIA PELTIER
JORNAL DO COMMÉRCIO - 11/08/11
 
O Ministério do Trabalho está fazendo um levantamento sobre o impacto no mercado de trabalho caso haja elevação de tributos sobre a importação de aparelhos de ar condicionado split por empresas brasileiras. A solicitação foi feita pelo Gecex (comitê executivo de gestão do Ministério do Desenvolvimento) após a mobilização de 20 companhias nacionais contra a proposta, que elevaria o imposto de importação de 18% para 35% e o IPI, de 20% para 35%. O pleito pelo aumento de tributos partiu de seis multinacionais, instaladas na Zona Franca de Manaus, sob o argumento de conter a invasão de produtos chineses.

Sem refresco
Segundo Denisson de Freitas, da Komeco, as importadoras nacionais respondem, juntas, por cerca de 3.500 empregos. Ele estima que, pelo menos, três mil seriam extintos com a elevação dos impostos, sem contar os dez mil empregos indiretos. Freitas, que tem encontro hoje com o secretário-executivo do MT, diz ainda que as empresas já arcam com uma carga tributária de 60%. ‘’O que defendemos é a utilização de instrumentos que promovam equilíbrio no mercado’’, frisa.

Cano
A 6ª Câmara Cível do TJ Rio anulou multa de R$ 2.020,00, aplicada pela Cedae contra o posto de combustível ALG, em Bonsucesso. O posto instalou um equipamento para eliminar o ar da tubulação de água e pagar apenas pelo que realmente consumiu. Os desembargadores concluíram que não houve fraude e proibiram a concessionária de cortar a água da empresa.

Mais que o mestre
Chega ao Rio, amanhã, o trompetista americano Jon Faddis, que fará um tributo a Miles Davis, no sábado, dentro do festival I Love Jazz, na praça do Centro Cultural dos Correios. Faddis começou a carreira aos 15 anos na banda de Dizzy Gillespie que, anos mais tarde, o considerou melhor do que ele próprio. Regente, compositor e arranjador, Faddis foi diretor da Carnegie Hall Jazz Orchestra e já se apresentou para vários presidentes, inclusive Barack Obama. O evento gratuito ocorre paralelo à exposição sobre Davis no CCBB.

Como uma pastora
A cantora Rosanah Fiengo tornou-se evangélica recentemente por causa da amizade com Claudia Valente, dona de uma rede de restaurantes que perdeu a filha de 16 anos e buscou consolo na carreira de cantora gospel. Uma tem feito participação especial no show da outra, quando interpretam juntas o hit de Rosanah, O amor e o poder, com nova letra assinada por Claudia. O refrão Como uma deusa virou Como o meu Deus.

Bola sete
Após um ano fechado para reformas, o Bilhar e Bar Guanabara, famoso por sua varanda com vista panorâmica da agora revitalizada Praça Tiradentes, reabre em grande estilo. Ganhou um restaurante que funcionará em três turnos e um palco para shows de MPB e mantém as nove mesas oficiais de bilhar. Quem esteve lá foi Nelson Rodrigues Filho. Em setembro, ele retoma as peças baseadas nos textos do pai dramaturgo, encenadas por um grupo de atores que interagem com o público. Dicró abre os shows se apresentando amanhã e nas duas próximas sextas-feiras.

Passe roqueiro
Alguns privilegiados já começaram a receber, numa caixinha, convites para o camarote do Rock in Rio, que receberá cerca de 4 mil das 100 mil pessoas esperadas por dia no festival, em setembro. Não haverá área restrita, a não ser um segundo andar onde serão recebidas autoridades como o governador Sérgio Cabral e patrocinadores. A presidente Dilma foi convidada para a abertura.

‘Heavy metal’
A embalagem vem, também, com um adesivo que promete virar objeto cobiçado: o de estacionamento vip, já que os mortais não poderão estacionar nas proximidades do festival. O bufê será assinado pelo Aquim, dedicado a roqueiros das mais diferentes tribos: haverá de cheeseburguinhos com molho barbecue e bufê de queijos a pratos como ragout de carneiro, risoto de lula e musseline de baroa com óleo de trufas, mais picolés, brigadeiros e gâteaus de sobremesa.

Cerveja ‘high tech’
Pela segunda vez investidores americanos interessados na área de tecnologia se reúnem na cidade, num bar, para conhecer novos projetos. O Geeks on Beer de hoje acontece no Espaço Lapa Café e contará, também, com integrantes da aceleradora nova-iorquina 21 212, que acaba de abrir filial no Rio. Os investidores-anjos de uma aceleradora injetam o capital necessário para uma empresa nascer, estipulam um prazo para ter retorno e, então, partem para outro negócio.

Atuante
O almoço anual que o projeto Leitura para Todos, do Instituto Oldemburg, oferece em agradecimento a seus parceiros, fez uma homenagem especial, quarta-feira, ao escritor Antônio Torres. Das 718 salas de leitura implantadas pelo programa pelo país, Torres dá nome a seis. Todas foram inauguradas por ele, inclusive a que fica em Bangu 3.

Livre Acesso
O enólogo chileno Enrique Tirado, da Viña Concha y Toro, participa, hoje, de jantar para convidados com degustação, na Cavist Vinoteca, de uma nova safra do vinho Dom Melchor, considerado pelos especialistas um dos melhores cabernet sauvignons do mundo. Com a colheita 2001 e 2003, o vinho conseguiu o quarto lugar entre os Top 100 pela revista americana Wine Spectator.

Com um investimento de R$ 500 mil, o Pró-Cardíaco acaba de adquirir o mais moderno aparelho que permite capturar imagens do coração em 3D e em tempo real. O aparelho é útil tanto para exames de diagnósticos como para procedimentos de cateterismo mais precisos.

É hoje, às 21hs, a pré-estréia da comédia romântica O Homem do Futuro, de Claudio Torres, com Wagner Moura e Alinne Moraes, no Cinemark Dowtown.

Hoje, o enólogo Juan Roby, da vinícola Lagarde, de Mendoza, estará no Giuseppe Grill Leblon apresentando alguns dos seus melhores rótulos durante jantar harmonizado, a R$ 140 por pessoa.

Bernardo Fonseca, proprietário da X3M, organiza sábado e domingo a terceira etapa do XTERRA Brazil, no Portobello Resort & Safári. O evento conta com um triathlon e uma ultra maratona noturna (off road) de 50 Km.

André Chaves é o novo diretor comercial do Bolsa de Mulher, grupo de mídia digital multiplataforma feminina, pertencente à Ideiasnet.

A cantora Daniela Procopio terá uma de suas canções inserida na trilha do curta Vale da lua, que será filmado em setembro, na Chapada dos Veadeiros, em Goiânia. O filme é um projeto do ator e produtor Marco Polo.

Com Marcia Bahia, Cristiane Rodrigues, Marcia Arbache e Gabriela Brito

MÔNICA BERGAMO - QUEREMOS GIANE


QUEREMOS GIANE
MÔNICA BERGAMO 
FOLHA DE SP - 11/08/11

Internado no hospital Sírio-Libanês, Reynaldo Gianecchini não poderá apresentar a peça "Cruel" no Festival de Teatro Raul Cortez nos CEUs de São Paulo. Após o cancelamento, a prefeitura começou a receber ligações chorosas de fãs do Ipiranga, que não poderão ver o ator no bairro.

PÃO QUENTE
A revista "Piauí", com a entrevista que causou a demissão de Nelson Jobim, esgotou nas bancas. A editora teve que reimprimir 15 mil exemplares extras.

EU SOU RICA
O Brasil é o 11º país com mais milionários, segundo o ranking World Wealth Report publicado na "América Economia" deste mês. O país possui 155,4 mil pessoas com ativos de US$ 1 milhão ou mais para investir, número 6% maior que em 2009. De acordo com a revista, em 2010, 8.000 brasileiros viraram milionários.

PLANTÃO MÉDICO
O cantor Prince, que se apresenta no Rio, no dia 27, no festival Back2Black, pediu à produção do evento para ter à sua disposição, 24 horas, em caso de emergência, um médico, um dentista, um quiroprático e um especialista de voz.

ROSE BOM BAR
Será em setembro, nos Jardins, a inauguração do Italiano Bar e Cucina, novo empreendimento de Angelo Leuzzi, criador do Rose Bom Bom. O chef Luciano Boseggia comandará as panelas do local.

PRONTO, FALEI
Da atriz Marisa Orth, na pré-estreia do filme "Onde Está a Felicidade?", para os fotógrafos que avançavam em cima dela: "Gente, mas tá fraco de celebridade aqui, hein? Só tem eu, é isso?".

CÉREBRO ELETRÔNICO
O governo dos EUA dará uma bolsa de US$ 600 mil para o engenheiro paulista Paulo Blikstein, professor da Universidade Stanford, pesquisar projetos que unem tecnologia de ponta à educação, em cinco anos.

'A CÂMARA É UMA FÁBRICA DE LOUCOS'


Oito meses depois de assumir o mandato, o palhaço Tiririca já sabe responder o que faz um deputado federal: "É uma pessoa que trabalha muito e produz muito pouco", diz. Isso porque a Câmara, na opinião dele, "é uma fábrica de loucos. Uma fábrica de loucos". Os parlamentares muitas vezes varam as madrugadas em discussões intermináveis em que "ninguém escuta ninguém". "Um deputado fala e nenhum presta atenção nele. Outro dia mesmo tinha um fazendo um discurso superbacana, sobre educação. Outro pediu a palavra. E reclamou: 'Já pedimos para instalarem tomadas novas aqui e não instalaram'. É uma coisa de louco."

Tiririca fica sempre calado em seu lugar, observando. "Se eu fosse fazer uma comédia disso aqui, seria o maior sucesso. Mas eu nem posso. Porque faço parte daqui. E tem o decoro parlamentar." Ele não dá as declarações em tom de crítica. Apenas constata os fatos. "Tiririca tem razão. Mandou bem. Uma pessoa normal que assiste à sessão da Câmara pela primeira vez acha mesmo que é coisa de maluco", diz o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).

Eleito com 1,3 milhão de votos, a segunda maior votação da história para o cargo, Tiririca faz uma careta quando questionado sobre a possibilidade de concorrer à reeleição, em 2014. "Meus assessores dizem que todo mundo, no fim, gosta daqui, quer voltar. E que comigo vai ser assim também. Mas, por enquanto... não sei, não."

A caminho do cafezinho da Câmara, onde lancharia um escondidinho de carne seca, Tiririca é parado a todo momento para dar autógrafos e tirar fotografias, até com outros deputados. Poucos reparam na novidade: ele tirou o bigode. "No fim de semana, eu tomei uns conhaques e fui fazer a barba. Aí meu filho disse: 'Olha, pai, teu bigode ficou torto!' Raspei o bigode."

As pessoas entregam a ele CDs, cartas para encaminhar aos apresentadores Gugu Liberato, Tom Cavalcante e Ana Hickmann, seus colegas da TV Record, desenhos, livros de piadas. E fazem pedidos. Muitos pedidos. "O mais louco foi o de um cara que queria que eu entregasse uma música dele para o Julio Iglesias gravar. E nem era um CD. Era só um papel com a letra. Ele ficou uns cem dias me seguindo na Câmara." ? Tiririca recebe 200 pessoas por dia em seu gabinete. "Às vezes, temos que organizar numa fila", diz a assessora Edith Silva. Sempre grudada no deputado, atendendo o seu celular, pegando recado de parlamentares, alertando Tiririca quando jornalistas se aproximam, ela já ganhou até o apelido de "Florentina".

"As pessoas me pedem cadeiras de rodas, emprego. E a gente encaminha. Outro dia uma senhora pediu medicamentos. Ligamos para o [hospital] Sarah [Kubitschek]. As pessoas sabem que, com um telefonema da gente, um abraço [o pedido é atendido]", diz Tiririca. "Isso é sensacional." O contato com "o povo", diz, é uma das coisas boas do mandato. "Nos meus shows, eu fico no palco, distante. Aqui, não. Todos me param no corredor."

"E tem gente até do Sul que vem aqui só pra me ver", diz. "Torcem, rezam por mim. Uma senhora de 80 anos me disse: 'Cê já apanhou? Então agora você vai apanhar'. E bateu com força nas minhas costas, de tão emocionada."

Ele diz que não foi atingido pelos escândalos de seu partido, o PR. "Graças a Deus, não respingou em mim, não. Também, entramos só agora! As pessoas sabem que não temos nada a ver com isso."

FILA DA PIPOCA
O filme "Onde Está a Felicidade?", de Carlos Alberto Riccelli com Bruna Lombardi, teve pré-estreia anteontem no shopping Iguatemi. Entre os convidados, as atrizes Mônica Torres e Paula Cohen, a cantora Rita Gullo e Layla Motta, filha do arquiteto Carlos Motta.

CURTO-CIRCUITO

Alexandre Padilha participa, no sábado, do Encontro das Ligas de Combate ao Câncer, em Jaú.

A rede irlandesa de supermercados de luxo Superquinn passa a vender vinhos Miolo e Valduga.

Mulheres receberão aulas de direção hoje, no autódromo de interlagos, em evento da BMW.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Minuto de silêncio
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 11/08/11

A paralisação das votações da Câmara ontem começou a ser articulada na véspera por diferentes partidos governistas. Madrugada adentro, chegou-se a cogitar que outras siglas imitassem o PR, não aparecendo na reunião do Conselho Político com Dilma Rousseff. A turma do "deixa disso" entrou em campo, mas não a ponto de desmobilizar o dia de braços cruzados.
Há queixas quanto à Operação Voucher, mas a questão principal é a torneira fechada das emendas. Em reunião de líderes com o presidente Marco Maia (PT-RS), o PMDB deixou claro que não deixará a DRU (Desvinculação de Receitas da União) passar, como quer o Planalto, antes da votação da emenda 29.
Marola O Planalto acredita que a cenografia da Operação Voucher embutiu um claro recado da PF a José Eduardo Cardozo (Justiça). A corporação reclama do contingenciamento de seus recursos, da redução no número de ações e de falta de diálogo com o ministério.

Termômetro Num périplo por gabinetes do PR no Senado ontem, Ideli Salvatti (Relações Institucionais) conversou com Alfredo Nascimento (AM), Blairo Maggi (MT) e Antonio Russo (MS).
Saiu convencida de que não há risco imediato de o insatisfeito partido deixar a base. Seus integrantes prometem uma "posição responsável" em relação ao governo.

Com moderação Ao contrário do que havia feito na Câmara, Wagner Rossi mediu as palavras no Senado ao falar de Oscar Jucá Neto, irmão de Romero Jucá (PMDB-RR) e agora metralhadora voltada contra a Agricultura. O líder do governo assistia na primeira fila.

Parentes 1 Durante o depoimento, Álvaro Dias (PSDB-PR) fez uma série de questionamentos sobre a comissão de licitação do ministério, cujo chefe foi afastado sob suspeita de cometer irregularidades. Ao responder, o peemedebista comentou: "A atual presidente é uma pessoa que o senhor conhece".

Parentes 2 Trata-se de Veridiana Dias, sobrinha do senador. Este, indagado a respeito horas depois, deu de ombros: "E eu com isso?".

Em progresso Não só os postos de comando da Conab devem ser trocados. Estão na mira duas secretarias do Ministério da Agricultura.

Espanador A incorporação do termo "faxina" ao vocabulário da Esplanada rendeu a Dilma um novo apelido: "a diarista". Segundo explicação ouvida em Brasília, a presidente "limpa um cômodo da casa a cada dia".

Quem avisa... Na reunião do Conselho Político, Roberto Amaral (PSB) disse a Dilma que seria bom não somar ao cenário de dificuldades econômicas um quadro de crise política, sob pena de a presidente não conseguir o apoio do Congresso às medidas que precisar adotar.

Subterrâneo O túnel de 900 metros entre Santos e Guarujá que Geraldo Alckmin detalha hoje está orçado em R$ 1,4 bilhão. A ponte estaiada prometida por José Serra custaria R$ 1,5 bilhão, sem contar desapropriações.

No limite Depois dos professores e policiais, o governo paulista anuncia hoje recomposição salarial para os servidores da saúde. Com a medida, a gestão tucana tenta impedir que a categoria entre em greve amanhã.

Digestivo Hoje com apoio de 2 dos 11 vereadores do PT paulistano, Fernando Haddad almoçará no sábado com a bancada. Petistas apostam que o preferido de Lula para a disputa de 2012 computará novas adesões ao final do encontro.

com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio

"Esta turma aqui votou na Dilma, mas quem está governando é a Vana".
DO EX-DEPUTADO JOÃO CALDAS (PSDB-AL), em visita à Câmara, resgatando o pouco lembrado segundo nome da presidente da República para dar uma medida do descontentamento da base aliada com o Planalto.

contraponto

Pano rápido

Durante reunião de Ideli Salvatti com os senadores peemedebistas, anteontem, Roberto Requião (PR) provocou a ministra, às gargalhadas:
-Olha, nós do PMDB queremos total isonomia em relação ao tratamento dispensado pelo governo ao PR: é camburão na porta!
Ideli riu e, para fugir da saia justa, saiu-se com esta:
-Eu vou responder com uma frase que ouvi outro dia de um correligionário do Paraná: na política existe a oposição, a situação e o Requião!

MERVAL PEREIRA - Vantagens e desvantagens


Vantagens e desvantagens 
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 11/08/11

A possibilidade de um mesmo grupo partidário nomear a maioria ou, no limite, até mesmo a totalidade dos membros do Supremo Tribunal Federal faz com que o caso brasileiro se diferencie de seu modelo, que é a Suprema Corte dos Estados Unidos. Nos EUA, os presidentes nomeiam os ministros também, mas lá o Congresso, sempre equilibrado pelos partidos Republicano e Democrata, é mais severo ao aprovar as indicações: o ex-presidente George W. Bush não conseguiu emplacar sua advogada, que renunciou antes de se submeter à sabatina, diante da reação negativa que sua indicação suscitou.
Mas o mais importante é que, lá, o cargo de ministro é vitalício, o que faz abrir pouquíssimas vagas nos oito anos de mandato de um presidente que se reelege. Aqui, a idade limite de 70 anos e o sistema de aposentadoria pública estimulam a aposentadoria precoce, casos da ministra Ellen Gracie e de Nelson Jobim, entre outros.
Outra diferença fundamental é que na Corte Suprema a presidência é vitalícia, e seu ocupante é escolhido pelo presidente da República.
O jurista Joaquim Falcão, diretor da Faculdade de Direito da FGV do Rio, considera que a excessiva rotatividade da presidência do STF "gera descontinuidade, quase insegurança jurídica e administrativa".
Aqui, o presidente tem "o poder de pauta, que é muito grande. Lá, ele é um paciente formulador de consensos, a médio prazo", diz Falcão. "O presidente, em qualquer dos casos, conduz as prioridades do Supremo, mas, aqui, a pauta do ministro Jobim era uma; a da ministra Ellen Gracie, outra; a do ministro Gilmar Mendes, outra".
Mais ainda, ressalta Joaquim Falcão. "O presidente do STF, sendo presidente do Conselho Nacional de Justiça, também faz com que a rotatividade estimule uma descontinuidade de políticas administrativas".
Gilmar Mendes, por exemplo, era a favor de que os julgamentos dos juízes fossem públicos. Já o ministro Cezar Peluso, atual presidente, quer que sejam todos sob segredo de Justiça.
Jobim priorizou o combate ao nepotismo e o teto salarial, que não foram prioridades dos sucessores. "Sem continuidade, essas políticas perdem eficiência e se diluem no tempo diante da oposição dos magistrados contrários", diz Falcão. Por essas razões, ele advoga que uma reforma do STF e da gestão dos tribunais deveria contemplar um mandato de pelo menos cinco anos para o presidente.
Quanto à vitaliciedade, princípio para assegurar a independência do juiz, Falcão acha que ela estaria plenamente assegurada também por mandato fixo mais longo, combinado com uma aposentadoria razoável.
"Embora a legitimidade do Supremo não venha da representação eleitoral, ela vem da sintonia com os cidadãos para construir um difícil equilíbrio entre manter os princípios do pacto constitucional e ao mesmo tempo atualizá-los pelas permanentes mudanças sociais, políticas, econômicas e tecnológicas. Mandatos mais curtos permitem a renovação de maior sintonia com a evolução social a que estamos todos condenados", defende Joaquim Falcão.
O também jurista Luís Roberto Barroso, professor de Direito da Uerj, lembra que há dois grandes modelos de cortes supremas, ou de cortes constitucionais no mundo: um, representado pela Suprema Corte americana, na qual nos inspiramos; outro, pela Corte Constitucional alemã, que é o modelo que prevalece na Europa e foi seguido por democracias novas, como a da África do Sul.
Na Alemanha, os juízes constitucionais são nomeados pelo Legislativo, com exigência de maioria absoluta, e servem por um mandato de 12 anos, sem possibilidade de recondução.
Os partidos, diz Barroso, veem-se na contingência de convergirem para um nome de consenso, que normalmente será um professor ou acadêmico respeitável. Nos EUA, a importância do papel do Senado se manifesta, sobretudo, no cuidado com que o presidente escolhe o nome que vai indicar, para não correr o risco de rejeição, embora os casos de rejeição efetiva sejam muito poucos.
O fato de não existir aposentadoria compulsória, analisa Barroso, traz vantagens e desvantagens em cada modelo. "No caso da Suprema Corte americana, os ministros servem por 20, 30 e até 40 anos. Isso descola o tribunal, mais intensamente, do processo político majoritário, isto é, da política eleitoral".
Um ministro que atravessa diversos períodos presidenciais torna mais fácil que a Corte, em certas conjunturas, desempenhe o que se chama de papel "contra-majoritário"", o que pode ser bom, mas às vezes é ruim, ressalta, citando exemplos de casos em que, como no governo Roosevelt, o Supremo, mais conservador, interferiu na execução do "New Deal".
Na Alemanha, a politização e o ativismo são bem menores. Mas a Corte Constitucional tem influência política igual ou maior do que a Suprema Corte americana. "Pessoalmente, não vejo problema -- e até acho bom que alguns ministros não fiquem além de 10 anos e outros fiquem por 20 ou 25. Isso faz com que uns tenham mais sintonia política com o momento contemporâneo, outros menos", diz Barroso.
No Brasil, houve um caso de permanência longa (cerca de 25 anos) que teve influência histórica, recorda Barroso, o do ministro Moreira Alves. "Homem de formação jurídica sólida, seriedade e argumentação combativa", Moreira Alves foi nomeado no regime militar e nutria pouca simpatia pela Constituição de 88. "Enquanto ele esteve na Corte, sua liderança manteve a interpretação constitucional, sob a Constituição de 88, quase idêntica à que vigorava no período militar".
A partir da aposentadoria de Moreira Alves, conta Barroso, ministros como Sepúlveda Pertence, Celso de Mello e, mais à frente, Gilmar Mendes, começaram a desenhar uma Suprema Corte com participação política mais relevante. Esse processo se aprofundou na era Lula.
"Embora haja riscos democráticos envolvidos em uma expansão excessiva de qualquer corte de Justiça", até aqui Barroso considera que o STF "serviu muito bem à democracia brasileira".

JOSÉ SIMÃO - Bolsas! Vou investir em sapato!


Bolsas! Vou investir em sapato!
 JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 11/08/11

E tem um repórter da TV portuguesa que se chama Paulo Catarro. Ainda bem que é em HD e não em 3D!


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta!
Jacareí: "Vereador chama professores de vagabundos". Como é o nome do vereador? Dario BURRO! Burro xinga professores!
E mais esta: "Mantega pede ajuda dos Três Poderes para enfrentar crise internacional". Pai, Filho e Espírito Santo. Rarará!
E a melô das Bolsas: "Pra cima/ pra baixo/ pra cima e pra baixo eu vou!". Emoção de montanha-russa. Montanha-russa só é bom em motel! E como disse uma amiga: "Com essa queda das bolsas, melhor investir em sapatos". Isso! Vou investir em sapatos! Rarará!
E a melô da Dilma: "Ministros Malditos! Ministros Malditos!". Agora é o do Turismo! Mais um pra Dilma mandar passear! "Devassa no Turismo: PF prende 35 pessoas". O que é isso? Excursão? Pacote? Chama a CVC! Charter da PF com destino a um presídio no Nordeste! Com direito a hospedagem grátis e banho de sol. Rarará!
E um leitor me disse que levou um susto quando leu "Devassa no Turismo": pensei que a Sandy tinha levado o anel pra passear! Rarará! E a manchete do Sensacionalista: "EUA e Fluminense temem novo rebaixamento". E aplicar na bolsa é assim: ou é na bunda ou na veia! EUA rebaixado! Entrou pro SPC! Não pode comprar nem nas Casas Bahia! Rarará!
E eu adoro esta expressão: "Teto da dívida". Eu não estou quebrado, o teto da minha dívida é que tá baixo! Tucanaram a pindaíba! Ou como disse o outro: "Minha dívida tá destelhada"! A dívida pode ter teto, mas o mundo tá sem chão! Teto da dívida deixa o mundo sem chão!
É mole? É mole, mas sobe! Ou como disse aquele outro: "É mole, mas trisca pra ver o que acontece!".E sabe como o PMDB pegou o Ministério da Agricultura? Falaram pra Dilma: "O PMDB está na sala de recepção". "Manda plantar batatas." "Oba! Mais um ministério."
E esta: "Família de misses do Amapá tem três irmãs com títulos de beleza". Como é o nome da mãe delas? Marilene Modesto. E tem um repórter da RTP, Rádio e Televisão de Portugal, que se chama Paulo Catarro. Ainda bem que é em HD e não em 3D! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Região de Viracopos terá novo centro de logística
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 11/08/11

De olho no movimento e na anunciada expansão do aeroporto de Viracopos, a Racional Engenharia vai construir um parque logístico em uma área de 172 mil m2, em Indaiatuba (SP).
No valor de R$ 150 milhões, atualmente em fase de desenvolvimento, o Centeranel Viracopos será vizinho do aeroporto, quando ampliado.
Com área de 90 mil m2 para ser locável, em módulos a partir de aproximadamente 1.800 m2, o empreendimento será o segundo da empresa no setor. A Racional construiu e administra outro centro de distribuição no Rodoanel, que antes de ser concluído foi ampliado.
Newton Simões, presidente da companhia, afirma ainda não ter sentido retração na contratação de novas obras.
"Já temos R$ 1,2 bilhão em carteira para 2012. São grandes projetos que dificilmente serão paralisados", diz. "Não sei como fica agora com esse cenário de crise", acrescenta o empresário que afirma, no entanto, não ter sentido reação no mercado.
Segundo Simões, na área de engenharia, que constrói para grandes clientes, são 16 obras em andamento, com valor médio de R$ 100 milhões. Há cerca de oito ou nove anos, eram de R$ 50 milhões, lembra ele.
O crescimento do setor de shopping centers continua responsável por boa parte da receita da companhia, que constrói atualmente seis centros de compras. A área de incorporação deve a partir deste ano gerar quase metade do caixa da empresa.

BENEFÍCIO NAS PEQUENAS
O número de pequenas e médias empresas que compram seguros de saúde é cada vez maior no Brasil.
As principais seguradoras do país apresentam alta em sua carteira desse segmento no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2010.
Na Bradesco Saúde, o crescimento foi de 34%.
A alta nos prêmios da carteira de pequenas e médias empresas da SulAmérica ficou em 37,5%.
A carteira da Porto Seguro, por sua vez, aumentou 12% no primeiro semestre de 2011, ante o mesmo período do ano passado. O mesmo crescimento foi registrado no que se refere às empresas de grande porte.
As pequenas e médias companhias correspondem a cerca de 15% da carteira de saúde da Porto Seguro.

VAGAS NO PRÉ-SAL
A demanda do segmento de petróleo e gás por engenheiros aumentou em 120% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o segundo semestre de 2010, devido ao avanço do pré-sal.
O número consta de levantamento da filial do Rio de Janeiro da consultoria de recrutamento Asap.
O mercado de petróleo e gás representou, no período, 27% dos projetos da filial carioca da empresa.
Bens de consumo ficaram com 25%, assim como tecnologia da informação e telecomunicações.
A indústria apareceu com 23% da participação no primeiro semestre.

CHÃO DE FÁBRICA PAULISTA
O número de empresas abertas em São Paulo alcançou 209.175 até 10 de agosto, segundo a agência de promoção de investimentos do Estado, Investe São Paulo, com base em dados da Jucesp.
"Por enquanto, a crise americana não afetou o mercado interno paulista. Neste ano, o Estado de São Paulo atingiu mais de 3 milhões de empresas ativas. A economia brasileira continua em bom ritmo e o empreendedorismo do povo paulista permanece em crescimento", afirma Luciano Almeida, presidente da agência.
A entidade estima que, em 2011, o número atingirá o mesmo patamar de 2010.

Fusões e aquisições em tecnologia batem recorde

As fusões e aquisições no setor de tecnologia movimentaram US$ 52,1 bilhões (cerca de R$ 84,8 bilhões) no segundo trimestre deste ano, de acordo com levantamento da Ernst & Young.
O valor é o maior registrado pela companhia desde o começo da série histórica do estudo, em 2007.
O crescimento do montante foi de 69% ante o mesmo período de 2010.
O número de operações, porém, apresentou queda de 2% em relação aos três primeiros meses deste ano, de 794 para 777.
É a primeira diminuição na quantidade de transações realizadas nos últimos oito trimestres, segundo a empresa de consultoria e auditoria.

Cliente... O setor de telecomunicações está em baixa na percepção do consumidor, aponta índice de satisfação da ESPM. Fechou julho com 39,7% de aprovação, queda de 6,1% ante junho, devido a ligações indesejadas de operadoras.

...insatisfeito O grupo total avaliado, que aborda outros setores como varejo e financeiro, ficou com 60,2%.

Saúde Lançado no mercado brasileiro em setembro de 2010, o Cialis Diário -medicamento para disfunção erétil da Eli Lilly- representa hoje 8,6% do volume de vendas da marca Cialis no Brasil.

Fruta no... A marca de sorvetes Rochinha vai inaugurar uma fábrica em São José dos Campos, com investimentos de R$ 8 milhões. A produção será triplicada e a distribuição passará a ser nacional.

...palito A empresa elevou em 20% o número de pontos de venda em São Paulo, que agora chega a 700.

Suco orgânico Para conquistar o Nordeste, a gaúcha Econatura, de suco de uva orgânico, abre escritório em Fortaleza. Até o fim do ano, o produto deve ser vendido na Paraíba e em Pernambuco. A produção cresceu 19% neste ano.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e VITOR SION

GOSTOSA


ADRIANO PIRES e ABEL HOLTZ - É preciso preços competitivos


 É preciso preços competitivos
ADRIANO PIRES  e  ABEL HOLTZ
O ESTADÃO - 11/08/11
Energia "velha", um dos componentes dos contratos vincendos em 2015 - aquela energia produzida em empreendimentos existentes, ditos amortizados, e que tinham contratos iniciais -, ao tempo em que as decisões quanto à renovação das concessões não estão claras, não significará necessariamente preços baixos e que será recontratada.

Considerando que a maioria dos contratos de concessões é com empresas estatais, as consequências são uma incógnita. Para as estatais federais, prevalecendo o argumento de que as plantas estão amortizadas, qualquer preço para a energia que cubra a operação da empresa e a manutenção das usinas satisfaz ao acionista principal, cuja remuneração não se enquadra na ótica de crescimento com as próprias forças. Ainda assim, será impossível a manutenção das empresas só com as receitas de Operação e Manutenção (O&M). Se assim for, uma grande demissão em massa poderá ser prevista, venda de estoques, equipamentos e veículos, enxugamento do corpo diretivo e postergação de tributos e compromissos previdenciários.

Para as estatais estaduais, com exceção da Cesp, o raciocínio é idêntico. Para a Cesp é diferente porque o governo de São Paulo já afirmou sua intenção de vender a empresa. Neste caso, se prevalecer a tese do secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, de o governo federal retomar a concessão e remunerar os atuais concessionários pela O&M das usinas, o governo paulista não terá o que vender e muito terá a pagar sem grandes receitas. Com essa solução, o governo federal estará adicionando um componente ao processo de decisão - o político -, ampliando sobremaneira as dificuldades de encontrar uma solução negociada, e teremos longos, custosos e demorados processos judiciais. Não nos parece um bom caminho.

Há dois outros aspectos importantes e bem conhecidos, relacionados ao preço final da energia, caso se deseje atingir a modicidade tarifária. O primeiro diz respeito à carga tributaria incidente no preço final, que chega, segundo alguns cálculos, a 52,6% da fatura. Sem querer redefinir a incidência de tributos sobre este insumo e tendo presente o preceito constitucional pelo qual sobre a energia elétrica só incide o ICMS, há que se refletir por que não compensar a incidência do tributo na cadeia de produção com sua compensação nos tributos pagos durante a construção da geração.

Neste mesmo diapasão, há que se rever por que há ICMS sobre a prestação de serviços que ocorrem na cadeia produtiva, como o custo da transmissão, e sobre taxas como a de fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica, quando o certo seria incidir o ISS ou nada. Se, constitucionalmente, há a obrigação de incidir o ICMS, que seja só na energia, e não nas taxas e serviços componentes da cadeia. Seguramente, seria obtida a modicidade tarifária apenas modificando a metodologia de cálculo.

O segundo aspecto é no sentido contrário, ou seja, o custo da energia elétrica tende a subir. Esse é um fato concreto, relembre-se que os empreendimentos mais próximos aos centros de carga já foram construídos por serem mais baratos. Foi a regra adotada ao longo dos anos e é correta, pois define um incremento de custos para a energia elétrica que vier a ser produzida, derivado do investimento em transmissão, e aqueles consequentes, as perdas no processo - quanto maior a distância, maior o investimento e maiores são as perdas no transporte e na transformação.

Por tudo isso se depreende que a expansão da oferta de energia elétrica está mais ligada ao respeito aos contratos, à revisão da incidência tributária na cadeia produtiva e ao pragmatismo na análise do problema ambiental, na eleição dos empreendimentos a serem construídos com a presença ou não do Estado, do que, propriamente, ao modelo a ser adotado para o setor. É preciso agir sem voluntarismos e pensando no desenvolvimento do País no médio e no longo prazos, com abundância de energia a preços competitivos internacionalmente, para a demanda industrial e atendimento universal da população.

RESPECTIVAMENTE, DIRETOR DO CENTRO BRASILEIRO DE INFRAESTRUTURA (CBIE); E ENGENHEIRO, CONSULTOR NA ÁREA DE ENERGIA E NEGÓCIOS

MÍRIAM LEITÃO - Armas e fraquezas

Armas e fraquezas
MÍRIAM LEITÃO
O GLOBO - 11/08/11
A crise pode se agravar, mas o Brasil tem muitas armas. Imune, nenhum país fica numa crise internacional. Mas o Brasil tem US$340 bilhões de reservas, depósito compulsório para liberar, gastos para cortar, juros para baixar. Do ponto de vista fiscal, cambial e monetário, há muita coisa que as autoridades podem fazer. Mas o governo, inclusive o Banco Central, erra no diagnóstico fiscal.

Durante uma parte do dia, ontem, foi a França que entrou na lupa do mercado financeiro. O presidente Nicolas Sarkozy suspendeu as férias, convocou o governo, anunciou corte de gastos. Nada estava adiantando: as bolsas continuaram caindo dos dois lados do Atlântico e o banco Société Générale, o mais exposto à dívida francesa, afundou nas bolsas, com uma queda que chegou a 20%, para fechar em -14,7%. As agências reafirmaram o crédito de triplo A da França e Alemanha, mas isso não foi suficiente para salvar o dia. As bolsas da Alemanha, França, Itália e Espanha caíram mais de 5%. As americanas também fecharam em forte queda, de mais de 4%, enquanto a bolsa brasileira oscilou muito mas conseguiu se manter no azul. A queda este ano já é tão grande na Bovespa que há empresas sendo negociadas abaixo do valor patrimonial. Que lições se tira dessas horas de nervosismo da tarde de ontem?

Primeiro, como ensinou Armínio Fraga, na crise da Ásia, "quando a bruxa voa, ela olha para todos os lados." Segundo, se a França for olhada com maus olhos, o que se verá é que ela tem os seguintes pontos de fraqueza: dívida pública de 87% do PIB; déficit que no ano passado foi de 7% e que promete este ano ficar abaixo de 6%; déficit primário de 3,5%.

A Standard & Poor"s defendeu a manutenção da nota máxima para a França porque, segundo ela, o país não demonstrou a mesma dúvida política sobre corte de gastos que foi demonstrada pelos americanos. De fato, os EUA mostraram enorme incapacidade política no episódio da elevação do teto da dívida; mas a França, onde a simples elevação de dois anos na idade de aposentadoria levou, tempos atrás, até estudantes secundaristas à rua, que mantém intocados extravagantes gastos públicos que beneficiam a elite, não é nenhum primor de ajuste fiscal.

O caso da Europa é grave. Até agora não há instrumentos fortes o suficiente para vencer uma crise de confiança em relação à dívida soberana dos grandes países. A governança é falha, as tomadas de decisão são lentas demais. A crise era grega e virou europeia exatamente pela demora na formação do consenso entre os 17 países. A Alemanha tem apenas a França como parceira no esforço de sanear a Europa. Se a França entra no radar da bruxa, a Alemanha sozinha não vai salvar ninguém, até porque o CDU de Angela Merkel começa a contestar cada vez mais o papel de pagador de última instância que está sobrando para o país. Portanto, a terceira lição a tirar é que em administração de crise, a demora e a hesitação podem custar muito caro.

Em 2008, os bancos começaram a quebrar em dominó. Sob esse risco, os governos agiram, socializando prejuízos. Erraram quando salvaram os banqueiros junto com os bancos. Depois que socializaram as perdas, eles, os governos, passaram a ter problemas de déficits e dívidas. Os bancos passaram a cobrar cada vez mais para rolar as dívidas de países europeus e isso aumentou a crise de confiança em relação a eles mesmos. Se são os grandes detentores de títulos dos governos, são os mais vulneráveis em um eventual calote. A quarta lição é que o mundo continua prisioneiro desse redemoinho de crise bancária-crise fiscal, crise fiscal-crise bancária.

Ainda não há luz no fim do túnel. Esta semana o mundo está passando pelo impensável: rebaixamento da dívida americana, crise de confiança em relação às dívidas da Itália e da França e novas dúvidas em relação a grandes bancos americanos e europeus.

O Brasil precisa se preparar para o cenário de agravamento da crise. Se houver novos episódios de redução da oferta de crédito internacional, o BC tem como agir da mesma forma que fez em 2008, usando reservas, liberando compulsório, diminuindo taxa de juros.

Há um ponto fraco: o fiscal. Ao contrário do que diz o governo, inclusive o Banco Central, o fiscal não está nada bem. O erro está nas comparações feitas pelo governo entre o déficit brasileiro e o de outros países. Nossa dívida é mais cara e o Brasil vem de anos excelentes, com crescimento, elevação da arrecadação e ganhos espantosos nos termos de troca: o que a gente exporta ficou mais valorizado; o que a gente compra, mais barato. Ainda assim, o país elevou consistentemente todas as despesas e tem um primário menor do que em 2008. Subiu mais gasto de custeio do que os investimentos. Recriou um orçamento paralelo na relação entre Tesouro-BNDES, no qual há contratado gasto público não adequadamente contabilizado, e até o ano passado usou fórmulas criativas na contabilidade que tiraram solidez e transparência dos dados fiscais. Esse é o ponto fraco do Brasil na crise atual.

Por enquanto, há ainda muita incerteza em relação à evolução da conjuntura econômica. É preciso continuar monitorando o mercado como o Banco Central vem fazendo para ter o diagnóstico preciso e usar os instrumentos adequados.

CELSO MING - No foco, os bancos


No foco, os bancos
CELSO MING

 O Estado de S.Paulo - 11/08/11

Por enquanto, os atuais desdobramentos da crise global não mostraram nenhum problema sério de colapso do crédito, como em 2008/2009. Mas até que ponto o risco sistêmico (crise em cadeia dos bancos) está descartado? Os ataques ao Bank of America (Estados Unidos); e ao Crédit Agricole, ao BNP Paribas e ao Societé Générale (França) não dizem o contrário?

Quando estourou a bolha das hipotecas, em 2008, a primeira vítima foram os bancos com enormes volumes de ativos privados que, de um dia para o outro, se tornaram papéis sem valor ("lixo podre"). O crédito entrou em colapso porque ninguém tinha como aferir a saúde patrimonial das instituições financeiras. Os próprios bancos deixaram de confiar em bancos. O naufrágio do Lehman Brothers confirmou os prognósticos mais pessimistas.

De lá para cá, nos Estados Unidos e na Europa, além de socorridos, os bancos foram obrigados a reforçar seu capital e, de um modo ou de outro, livraram-se da carga de ativos que provocara a catástrofe.

Esta nova fase não corresponde mais à rejeição de títulos privados, mas à de títulos públicos. Os Estados soberanos, fortemente endividados, elevaram ainda mais suas dívidas para socorrer bancos e empresas importantes. Também gastaram mais com seguro-desemprego e perderam receitas, porque a recessão derrubou a arrecadação de impostos e taxas.

Os bancos estão agora sobrecarregados com títulos de dívida soberana (dos tesouros nacionais). Até recentemente, pensava-se que esses ativos não dariam chabu, pois um Estado não pode falir. Mas, em 2001, houve o grande calote da Argentina e agora ficou mais claro que nem Grécia nem Portugal estão em condições de honrar todos seus compromissos. Mais ainda: dúvidas crescentes envolvem os títulos das dívidas de Itália, Espanha e, agora, França, cuja dívida está ameaçada de rebaixamento.

Os grandes detentores desses títulos são os bancos europeus. E o argumento contrário à reestruturação das dívidas grega e portuguesa proveio do Banco Central Europeu (BCE): cortes nesses passivos prejudicariam os bancos detentores desses ativos. Portanto, o BCE estava (e está) temendo crise sistêmica.

O que mudou de duas semanas para cá foi que o BCE passou a fazer o que antes se negava: recomprar dos bancos europeus títulos de dívida soberana para que pudessem enfrentar essas crises de liquidez.

Apesar disso, na Europa e nos Estados Unidos, dívidas de responsabilidade de grandes bancos são tidas como problema. O custo dos swaps de default de crédito (CDS, na sigla em inglês) dos bancos - operações pelas quais o mercado compra um seguro contra o calote de um título - disparou. Isso mostra que, apesar da ajuda dos bancos centrais, detentores de aplicações desses bancos perdem o sono. E ações de bancos europeus e americanos afundam (veja no gráfico) - o que não deixa de ser sinal de perda de confiança.

O que dá para dizer é que os grandes bancos centrais estão atentos e agindo. E os governos de França, Itália e Espanha parecem mais dispostos a reequilibrar seus orçamentos.

Caiu o risco de que os bancos sejam abandonados à sua própria sorte. Mas essa blindagem não se fará a baixos custos.

CONFIRA

Ainda aquecido

Os números que vão a seguir mostram que, a despeito da forte desaceleração da economia global, o mercado interno continua aquecido.

Gasolina

O consumo interno de gasolina cresceu 6,6% no primeiro semestre deste ano em relação aos primeiros seis meses do ano passado.

Cimento

Também no primeiro semestre de 2011, em relação ao de 2010, as vendas de cimento no País cresceram 7,6%. Isso mostra que a construção civil continua avançando mais do que o resto da produção.

Alimentos

A primeira prévia do IGP-M de agosto mostrou um disparo nos preços dos alimentos. O Índice de Preços no Atacado avançou 0,8% (foi de -1,17% na primeira prévia de julho). A pressão dos preços se concentrou sobre as carnes bovina e suína e, também, sobre a soja. Esse comportamento avisa que o recuo da inflação já não é mais o mesmo.

ALBERTO TAMER - Mais crise, mais dólar


Mais crise, mais dólar
ALBERTO TAMER

O Estado de S.Paulo - 11/08/11

Enquanto as bolsas continuam caindo lá fora, os investidores correram para os títulos do Tesouro americano, aqueles mesmos que a Standard & Poor"s pretendia desvalorizar reduzindo a nota de crédito dos Estados Unidos. São os mais seguros (e menos rentáveis) neste vendaval que assola os mercados nos dois lados do Atlântico.

A opção para os títulos americanos, são os títulos americanos, comentou o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, com o qual todos concordam. No momento, apenas China, Japão, Grã-Bretanha e Brasil detêm 58% de todos os títulos do Tesouro americano. E estão comprando mais por falta de opção. O que todos temem, agora, não é a incapacidade de os EUA não honrarem sua dívida, mas o risco maior de recessão.

O bom e o mau. Quais as consequências de tudo isso para o Brasil? Muitas, mas nem todas são negativas. O preço das commodities está recuando com a fuga das aplicações de risco. O índice das commodities em geral está ainda valorizado no ano (28%), mas aumentou apenas 1,5% na última semana. E tendem a recuar mais. Motivos: fuga do risco para títulos americanos e menor demanda provocada pela desaceleração econômica, que se acentua. Tudo isso é bom e mal para o Brasil. Bom, porque reduz a pressão de alta sobre os preços dos alimentos e derivados de petróleo que alimentam a inflação e, ao mesmo tempo, deve conter a entrada de dólares decorrente das exportações de matérias-primas. Ao lado das aplicações financeiras, essa é a porta de entrada até agora escancarada por onde entra a moeda americana. Mas é mal porque enfraquece a balança comercial. Muitos analistas já estimam que o superávit deve ficar ainda em US$ 10 bilhões este ano porque os contratos já estão fechados, mas pode virar déficit em 2012. Não seria de todo mal considerando as reservas de US$ 343 bilhões, mas também não é bom diante da crise lá fora que pode conter os investimentos.

Juro compensa. A decisão do Fed de manter juros reais negativos no mínimo por mais dois anos, vai atrair mais investidores para papéis do Brasil. Mesmo que o BC venha a reduzir os juros, o diferencial entre a taxa interna e externa é enorme. Juro real negativo lá fora, e 6% aqui, descontada a inflação. E isso num mercado de menor risco, com reservas cambiais que podem ser usadas.

O que eles dizem lá fora? Os economistas mais respeitados no exterior estão preocupados, mas se recusam a aceitar o clima de pânico que dominou as bolsas. Entre eles, dois prêmios Nobel, Paul Krugman e Joseph Stiglitz, aos quais se juntou o não menos respeitado Kenneth Rogoff. O erro foi considerar que a economia americana (e europeia também) tinha saído da recessão. A solução? Rogoff, Krugman e Stiglitz rompem de alguma forma com os ortodoxos e não aceitam a teoria de cortar gastos para reduzir a dívida mesmo com risco de recessão. A saída é atrair investimentos privados, afrouxar a política monetária, criar e injetar dólares no mercado. Até aceitam mais inflação.

Bom para eles, não para nós. O banco central americano pode anunciar ainda este mês nova compra de títulos (QE 3), agora de Estados e municípios, injetando mais alguns bilhões ou trilhões de dólares no mercado. Ruim para o Brasil, pois desvaloriza ainda mais a moeda americana, bom para eles que estão dizendo aos consumidores americanos, venham, peguem dinheiro a custo zero e saiam comprando. Ou se cria emprego a qualquer custo, ou a economia mundial vai continuar assim ainda por alguns anos.

O que se espera? O mercado previa ontem que os bancos centrais aumentarão as intervenções no mercado e que, de uma forma ou de outras, os EUA vão adotar medidas fiscais e monetárias para reanimar a economia. Quanto ao Brasil, o BC aumentou as reservas em US$ 150 bilhões nos últimos meses e ainda ontem comprou mais dólares. No mais, é manter e não desestimular a demanda interna que foi fortalecida pela entrada no mercado de 35 milhões de consumidores. Deu certo em 2008, quando a crise era pior. Pode dar certo agora.

O CHEFE DA QUADRILHA


ELIANE CANTANHÊDE - Tombos e lágrimas.

Tombos e lágrimas
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 11-08/11 

No empurra-empurra de culpas que se desenrola à luz do dia e nos bastidores de Brasília, o PR desmoronou nos Transportes, o PMDB balança na Agricultura e o PT escorrega no Turismo, com a Operação Voucher da PF. Os desvios não são de agora, são herança do governo Lula.

No caso do Turismo e da Embratur, particularmente, não são da gestão do PMDB, mas, sim, do PT. É o que os peemedebistas não se cansam de dizer, até com um certo gosto.

O ministro Pedro Novais é do PMDB de Sarney e do Maranhão de Sarney. E os escândalos se desenvolvem em Brasília, em São Paulo e no Amapá, que elege Sarney. Mas o velho senador diz não ter nada a ver com Novais, que deve ter caído de paraquedas no Turismo, às vésperas da Copa e da Olimpíada.

Já Marta Suplicy, ex-ministra do Turismo, não nega a proximidade com Mário Moysés, seu ex-assessor, ex-presidente da Embratur e um dos 35 presos. Não há como evitar o efeito não só em uma eventual campanha à Prefeitura de São Paulo, mas já na disputa interna pela legenda do PT. Marta foi vista com lágrimas nos olhos no Senado.

Em meio ao caos, destaca-se a perplexidade e a irritação do Planalto (leia-se Dilma, Ideli, Gleisi) com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que nem atua na articulação política, nem cria fatos positivos, nem é capaz de informar a presidente de uma operação da PF com 200 agentes e dezenas de presos de altíssima visibilidade nacional. Aliás, Cardozo nem sabia.

No final, sobra para a PF, que voltou a usar algemas e a expor suspeitos algemados, como se estivesse testando limites. E sobra também para a imprensa: em falta de boas explicações, surge uma súbita indignação com o “denuncismo”.

Até pode haver excessos, e muitas vezes há, mas a PF e a imprensa não inventaram pessoas, desvios e institutos fraudulentos. Ajustar a forma é fácil. Difícil – e prioritário – é mudar o conteúdo viciado.

LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO - O espírito da coisa

O espírito da coisa
LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO 
O GLOBO - 11/08/11

Dizem que juiz de futebol bom é o que não é notado. O Nelson Jobim não poderia ser julgado pelo mesmo critério porque um homem do seu tamanho e com sua personalidade nunca deixaria de ser notado. Mas, mesmo não tendo exatamente um perfil baixo, Jobim foi um ministro da Defesa razoavelmente discreto. Não houve nenhuma crise maior com os militares durante sua gestão e a coisa mais controvertida que ele disse no cargo – que os registros da ditadura em poder dos militares já tinham sido destruídos – recebeu, curiosamente, pouca atenção, e nenhuma cobrança.
A maior falha do Jobim como ministro talvez se deva à sua envergadura. Se fosse um ministro da Defesa menor vestindo aquela farda de campanha na companhia de militares, como ele fez mais de uma vez, o erro seria menos conspícuo. Escolhendo o traje militar tamanho GG, com camuflagem, para ser fotografado como um membro da tropa, Jobim subverteu o que é, afinal, o significado mais importante de se ter um ministro civil da Defesa: o fato de ele ser um civil.
A criação do cargo de ministro da Defesa como existe em todos os países adiantados do mundo e até em alguns atrasados, foi um dos bons feitos do governo Fernando Henrique. Marcou o fim oficial de uma era em que se lia as ordens do dia dos quartéis para conhecer aquela emanação ominosa, “o pensamento militar”, e muitas vezes o nosso destino político. A distinção entre o chefe civil das forças armadas e seus subordinados de uniforme deveria ser enfatizada até no meio da selva, em vez de sacrificada por uma ideia equivocada de companheirismo ou integração. Acho até que, mesmo em missões no mato, o ministro deveria ir de terno e gravata. E, vá lá, de botas. Mas civis.
O Jobim, vestindo-se como soldado, mostrou que não tinha entendido o espírito da coisa.Ou então estava apenas cedendo a um ímpeto juvenil, e neste caso está perdoado. De qualquer maneira, podemos ter uma certeza. Jamais veremos o Celso Amorim de uniforme de campanha.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Eles vêm da Marta, sim, do tempo da Marta e depois dela”
SERGIO GUERRA (PE), PRESIDENTE DO PSDB, E OS AMIGOS DE MARTA SUPLICY PRESOS PELA PF

EX-MINISTRO TEME QUE DILMA NÃO CONCLUA MANDATO 
O ex-ministro José Dirceu manteve em Brasília conversas reservadas com dirigentes e políticos aliados, como o senador José Sarney, além de líderes partidários. Para um dos senadores do PMDB com quem conversou, Dirceu está “apavorado” com erros da presidente Dilma no relacionamento com partidos e o Congresso. O ex-ministro deixou claro aos interlocutores o seu temor: que Dilma não conclua o mandato.

‘EUZINHA’ NO COMANDO 
A preocupação de Dilma é não virar refém do Congresso e desautoriza o meio de campo de ministros: “Quem manda aqui sou euzinha”, avisa.

SÚPLICA DE IDELI... 
Na reunião anterior do conselho político, Ideli Salvatti tomou bronca após um apelo para o Congresso votar: “Peço, imploro aos senhores...” 

...DESAUTORIZADA 
Dilma interrompeu, desautorizando a ministra e provocando mal-estar: “Ideli, isso de pedir, implorar, é coisa sua, não minha, nem do governo”. 

FILME ANTIGO 
O último presidente que pretendeu governar ignorando o Congresso acabou derrubado por um impeachment.

POLO DE MANAUS ABRE GUERRA CONTRA IMPORTADORES 
O governador do Amazonas, Omar Aziz, compara importadores de aparelhos de ar-condicionados do tipo split a contrabandistas “legalizados”. Ele diz que o Polo de Manaus até 2009 produzia 80% dos splits vendidos no Brasil, hoje responde por pouco mais de 20%, em razão das importações que geram empregos na China e na Coreia. Aziz destaca que só esse setor emprega 5 mil em Manaus.

LIMITAÇÕES 
O uso de gás pela indústria de splits, no Polo de Manaus, é limitado pelo protocolo de Kyoto, que o Brasil subscreveu; importadores, não.

DESIGUAL 
Outra queixa dos fabricantes de splits no Polo de Manaus: eles são obrigados a comprar os compressores no Brasil; os importadores, não. 

VOTOU, BYE, BYE 
Desde dezembro, Dilma não dá a mínima para os 745,7 mil seguidores do seu Twitter. Prometeu voltar em 2011, mas esqueceu.

OPERAÇÃO BOTA FORA 
O PMDB identificou um movimento do PT para derrubar o senador Romero Jucá (RR) da liderança do governo, vazando denúncias contra ele. Quem deseja seu lugar é o senador Walter Pinheiro (PT-BA). 

OPERAÇÃO VOUCHER 
O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) achou abusivo a Polícia Federal algemar e exibir os presos da Operação Voucher. Mandou apurar. Os chefes da 
operação podem ser punidos disciplinarmente.

CULPADOS SE BENEFICIAM 
O deputado Sergio Carneiro (PT-BA) lembrou ontem que está em vigor a súmula vinculante 11, do Supremo Tribunal Federal, limitando uso de algemas aos casos de resistência à prisão e “fundado receio de fuga”, sob risco de punição do policial e nulidade da prisão e do processo.

LEITE DERRAMADO 
Ao ver referência a seu nome, na TV, a deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP), que mandou R$ 4 milhões em emendas para a ONG corrupta no Amapá, caiu no choro no gabinete na Câmara.

COMENDADOR 
Além dos ministros da Casa Civil e da Justiça, receberá hoje a Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, do TST, o professor e 
doutor Osmar Paixão Côrtes, um dos advogados mais admirados de 
Brasília.

ROMÁRIO NA 3ª DP 
O deputado Romário (PSB-RJ) tem sido adotado por Brasília. Visitou a 3ª DP, no Cruzeiro, a convite do delegado e amigo Onofre Martins. Foi o total alvoroço de policiais para conseguirem o autógrafo do “Baxinho”.

TÁ RUSSO 
Oficialmente, a desculpa foi falta de interesse. Mas ninguém esconde no governo da Rússia, potência bélica, que faltou dinheiro para o país mandar comitiva aos Jogos Mundiais Militares no Rio, mês passado. 

SEM RELATÓRIO 
O presidente do TCU, ministro Benjamin Zymler, ligou ao general Enzo Peri, comandante do Exército. Disse não existir relatório – só notas técnicas – sobre eventuais irregularidades em contratos com 
empresas.

RAPIDINHA 
A presidente Dilma inaugurou o governo-motel: o ministro entra, goza com a nossa cara, e sai. 

PODER SEM PUDOR
O HOMEM DOS BIGODES 
Derrotado na disputa pelo governo do Ceará, em 1990, o ex-ministro Paulo Lustosa resolveu percorrer o Estado agradecendo os votos dos eleitores. Nos cafundós, pelas 3 horas da madrugada, muito cansado, pediu abrigo na casa de um agricultor. O homem, sonolento, atendeu Lustosa com simpatia, sem saber com quem estava falando. O político não perderia a chance:
– Diga-me, moço, em quem vocês votaram para governador?
– Mulher! – gritou o homem para dentro de casa – em quem a gente votou?
– Foi naquele moço de bigode, o Lustosa!
O ex-candidato cofiou os bigodes e se apresentou:
– Eu sou o Lustosa e andei a noite inteira para vir aqui agradecer a vocês....

QUINTA NOS JORNAIS


Globo: Tiros em ônibus eram da PM, que reconhece erro

Folha: Bancos da França e dos EUA levam bolsas para baixo

Estadão: Cúpula do Turismo deu aval a fraude em convênios

Correio: Supremo manda nomear aprovados em concurso

Valor: Perda de valor de bancos no exterior inquieta o governo

Estado de Minas: Falta de gasolina fará preço subir em Minas

Jornal do Commercio: O trânsito do futuro

Zero Hora: Ministro reabre debate sobre uso de algemas