segunda-feira, agosto 01, 2011

EDMAR BACHA - Lições do passado para o Dnit


Lições do passado para o Dnit 
EDMAR BACHA
O GLOBO - 01/08/11

O GLOBO deu em manchete (27/7) que o Dnit foi todo loteado por partidos nos estados. Há 26 anos, no Brasil recém-redemocratizado, passei por experiência parecida como presidente do IBGE. Rememorá-la contribui para entender as dificuldades que permanecem no caminho da democratização do país.
Em maio de 1995, assumi a presidência do IBGE, por indicação do ministro do Planejamento, João Sayad. Tomei então conhecimento dos detalhes do acordo constitutivo da Aliança Democrática, formada para permitir a eleição indireta de Tancredo Neves e José Sarney para, respectivamente, presidente e vice-presidente da Nova República. O acordo previa, entre outras coisas, o direito de nomeação dos delegados estaduais do IBGE pelos deputados pertencentes aos partidos políticos que estavam assumindo os respectivos governos estaduais.
Assustado com os prejuízos que isso poderia causar à administração do IBGE, reuni os principais executivos do órgão. Ao fim de uma reunião que se prolongou por dois dias, envolvendo contactos com as representações do IBGE em cada um dos estados da Federação, elaboramos a lista dos novos delegados estaduais do IBGE, os quais nomeei no dia seguinte, sem maiores consultas políticas.
Bastou a divulgação dos nomes dos novos delegados nos estados para que imediatamente os três líderes nacionais da Aliança Democrática telefonassem, dizendo-me que as nomeações punham em risco a redemocratização do país e que eu tinha que voltar atrás. Junto com Sayad, acordamos com os líderes políticos que as nomeações iriam ser desfeitas, mas que as indicações políticas para delegados estaduais teriam que se restringir aos funcionários do próprio IBGE. Nosso principal argumento foi que, além do primado da política, a redemocratização tinha também que se basear na meritocracia e na valorização do funcionalismo.
Ato contínuo, instruímos todos ex-indicados a conseguir apoio político local, para que pudessem voltar a ser nomeados para delegados. Seguiu-se uma longa batalha de "deputados vs. delegados", a qual ocupou boa parte dos seis meses seguintes de minha presidência no IBGE.
Ao fim da batalha, quase todos funcionários que haviam sido originalmente escolhidos para delegado foram renomeados, com apenas duas exceções, se não me falha a memória. Uma foi no Maranhão, onde familiares do presidente da República indicaram um pastor protestante para delegado estadual. Outra foi no Rio Grande do Sul, onde os próprios funcionários locais do IBGE manifestaram sua preferência pelo indicado político, um geógrafo competente, que não era então dos quadros do instituto.
Pano rápido do IBGE de ontem para o Dnit de hoje. O contexto é diferente. Lá atrás, só estava em jogo o prestígio dos políticos em fazer nomeações que podiam se contrapor ao princípio da eficiência na administração pública. Agora, ademais, há as gordas comissões das empreiteiras no meio do caminho. Não basta, pois, profissionalizar a administração superior do Dnit e assegurar que seus representantes nos Estados sejam funcionários de carreira, como ocorreu no IBGE. Isso ajuda, é claro. Mas a redemocratização do país continua capenga se também não forem implantados novos mecanismos de licitação e de administração de obras, mais eficientes e menos sujeitos à corrupção do que os atuais.
EDMAR BACHA é economista e foi presidente do IBGE.

LUIZ FELIPE PONDÉ - Anões bolivarianos

Anões bolivarianos
LUIZ FELIPE PONDÉ
FOLHA DE SP - 01/08/11

O ditador do Equador, Rafael Correa, "mandou prender" alguns jornalistas de seu país porque eles o chamaram de ditador. Será que vai mandar um grupo secreto de "Kommandos" equatorianos me prender também porque eu estou dizendo que ele é ditador?

Ao processar os jornalistas (com a ajuda de seu criado, "o juiz"), provou que a hipótese do periódico "El Universo" (sobre ele ser um ditador) estava certíssima. Aliás, o mesmo caso de poder judiciário vítima de um ditador ocorre na Venezuela.

Ainda bem que o Brasil (ainda) é uma democracia e não uma ridícula república bolivariana como alguns anões políticos estão querendo criar na América do Sul.

Devemos ficar atentos aos abusos de poder que este "señor" está praticando em seu país porque, ao contrário do que pensam os paleontólogos, fósseis estão renascendo nas Américas. Duvidas?

A democracia não é um regime baseado na "aprovação popular", ou como dizia o ancestral de todo populista de esquerda, Jean-Jacques Rousseau, "vontade popular".

Democracia é um regime que busca institucionalizar as tensões múltiplas de uma sociedade criando condições históricas de um convívio o menos violento possível (em termos físicos) entre os diversos grupos de interesse.

E, neste sentido, criar órgãos de controle da mídia baseados em ideias vagas como "preconceitos", "justiça social", "honra", "igualdade política", "consciência social", e outros croquetes ideológicos é papinho de fascista.

O novo "gênero" de fascismo é se travestir de "fascismo do bem". Um bom governante não é alguém que se acha redentor de um povo, pelo contrário. Quanto menos "ideia" tiver sobre "o que deveria ser" a sociedade que governa, melhor, diz o filósofo inglês Michael Oakeshott, morto em 1990.

Redentores políticos facilmente corrompem a liberdade, como é o caso de Rafael Correa e Hugo Chávez, em nome do que eles chamam "justiça social" - tenho alergia a esse mantra.

Ou mesmo no caso do Partido dos Trabalhadores no Brasil, que corrompe a máquina do governo ideologizando a corrupção, realizando-a sob a desculpa de que quem os critica é porque são da elite.

Corrupção sob a tutela da ideologia é "pior" do que corrupção pura e simples porque os corruptores neste caso se julgam acima da lei porque representam o "povo" contra "as zelite".

Gente mal informada acha que "festa da democracia" é quando um bando de caras pálidas corre pelas ruas quebrando tudo ou berrando palavras de ordem (o nome já diz... palavras de ordem... coisa de fascista). Não, "festa da democracia" é quando você vai a uma balada e não lembra que o governo existe.

Um bom governo é aquele que você não se lembra que existe porque quase nunca precisa dele. A competência de um governo se revela em sua quase invisibilidade ideológica.

O teor religioso e alienante de governantes como os anões bolivarianos do tipo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa salta aos olhos. Chama-me atenção como muita gente dita "politicamente consciente" ainda adere a tais fósseis políticos.

Veja, por exemplo, a veneração que a bela musa da primavera estudantil chilena confessou cultivar pelo anão bolivariano Morales da Bolívia. Não foi ele que decidiu legalizar carros roubados? A ideia, mesmo que não se realize, deve se alimentar em sua cabeça pré-histórica da noção de que "toda propriedade privada é um roubo", logo, legalizar carros roubados dos outros é um ato de "libertad"...

Daí eu supor que estamos todos enganados quando supomos que fenômenos como esses (refiro-me a este croquete ideológico chamado "socialismo do século 21") seriam objetos da ciência política ou da filosofia política. Não, deveriam ser estudados por paleontólogos da política.

Quando soube que uma das instituições políticas por trás da primavera estudantil chilena era o partido comunista, me perguntei: "Em que século estamos mesmo?"

Não consigo não ver nesses caras personagens como aqueles xamãs do neolítico (ou paleolítico?) que tinham crises histéricas e gritavam que males aconteceriam aos nossos ancestrais caso eles não rezassem para algum deus do fogo.

MÔNICA BERGAMO - 'ESTOU ECONOMIZANDO PARA TER UM FILHO'

'ESTOU ECONOMIZANDO PARA TER UM FILHO'
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 01/08/11

Mallu Magalhães segura flores de pitanga, nome do seu novo CD

Mallu Magalhães saiu da casa dos pais e, aos 18 anos, mora "um pouco em SP e um pouco no Rio" com o namorado Marcelo Camelo, 33, ex-vocalista do Los Hermanos. Juntos, ela e o músico produziram o terceiro CD de Mallu, "Pitanga", que sai em setembro. A cantora conversou com a coluna em um estúdio em Pinheiros no dia em que acabou o trabalho. Leia trechos.

Você sempre se orgulhou da sua música?
Eu não tinha essa de querer dar um CD meu para alguém. Os CDs são lindos, são maravilhosos, mas eu não via isso. Eu me escutava cantando e pensava "que lixo!". Hoje acho fofo. Criei um carinho por mim mesma. Eu não achava que faria isso da minha vida e que eu deveria fazer uma faculdade, porque não se sobrevive disso.

E está sobrevivendo bem?
Lógico! Muito melhor do que todo mundo que está fazendo a "nhaca" da faculdade nessa altura. Eu não presto para nada disso. Eu fui péssima no colegial, mas terminei. Ensino médio completo.

Você se projetou na internet. O Chico Buarque disse que viu na rede que não era amado...
A primeira grande dica é: não leia nada. Você tem lá o seu blog. As pessoas que não gostam de você vão até o seu blog, deixar o seu comentário idiota. Só que você tem o poder de colocar "unapprove" [não publicar]. É demais!
Mas em sites de notícia não dá para fazer isso.
A gente não tem controle do mundo. Daí você lê o título "Mallu Magalhães é um lixo". Você pode clicar nessa notícia ou não. Eu escolhi não. Pode ter uma crítica construtiva, mas as críticas que importam você recebe do seu pai...

Você esteve na última SPFW. Houve convite para desfilar?
Tive alguns convites. Não achei que eram nem a ocasião nem a hora. A modelo tem uma relação com o corpo que eu não tenho. Essa história de desfilar como modelo não era o como, nem o quando, nem o quanto deveria ser.

Dinheiro é importante?
Claro. Se eu não me importar, me der o valor, quem vai? E não é nem que eu queira comprar tal coisa. Você já fez a conta de quanto custa criar um filho em São Paulo? Quem faz essa conta começa uma poupança. É o meu caso. Estou economizando porque quero ter um filho.

Você emagreceu?
Eu emagreci bastante. Voltei a correr, gosto muito de corrida. Eu comia muita besteira e não tinha relação nenhuma com o meu corpo. Tem uma hora em que você quer ficar bonita.

Você quer ficar bonita agora?
Passei a ter, totalmente, essa vontade. Antes, minha questão era se eu ia comer um bolo inteiro ou dois. Hoje eu penso: "Ah, melhor não comer nada!". Brincadeira!

LIVRO ABERTO

Uma aposentada pede na Justiça a proibição do livro "Chatô - O Rei do Brasil", publicado em 1994, e indenizações por danos morais e materiais. Ela alega ser uma arrumadeira, citada em três páginas da obra de Fernando Morais, com quem Assis Chateubriand tinha relações sexuais e que foi demitida, aos gritos, quando o empresário descobriu que era noiva de outro homem.

NOVA EDIÇÃO
A 20ª Vara Cível de SP determinou a extinção do processo. Acatou o argumento do advogado da Companhia das Letras, Fernando Lottenberg, de que o caso prescreveu - a aposentada entrou com a ação 16 anos depois da publicação. A defesa da ex-doméstica diz que se baseia em um exemplar de 2009 de "Chatô" e que o prazo para prescrição, de três anos, é contado a partir de cada nova edição da obra.

ESTAÇÃO CULTURA
O Centro Cultural Banco do Brasil está cotado para ocupar o espaço destinado à cultura que será criado no local onde funcionava o hospital Matarazzo, próximo à avenida Paulista. A direção do CCBB está conversando com o grupo francês Allard, que comprou o terreno de 27 mil m² e construirá no local também um hotel de luxo e um centro comercial.

VIDA NA BALANÇA
Hebe Camargo e o goleiro Rogério Ceni, do São Paulo, receberão no dia 11 a Ordem do Mérito do Judiciário Trabalhista. Serão homenageados ao lado dos ministros Orlando Silva (Esporte) e José Eduardo Cardozo (Justiça).

RIO EM FOCO
O próximo correspondente do "New York Times" no Brasil, Simon Romero, deverá se instalar no Rio. A cobertura da Copa 2014 e da Olimpíada 2016 influenciaram na decisão do jornal.

VASSOURA MODERNA
Para que suas protagonistas "voem" no Teatro Bradesco, o musical "As Bruxas de Eastwick", que estreia no dia 14, terá o mesmo equipamento dos filmes "Homem-Aranha" e "Crepúsculo". As acrobacias são traçadas por computador, e os dados são mandados para um motor preso na cintura das atrizes, ligado a cabos suspensos.

CONTEMPORÂNEOS
O Instituto Inhotim e o Louvre vão oferecer em Brumadinho (MG), em outubro, residências técnicas em conservação de arte contemporânea. Inicialmente serão seis vagas, para brasileiros e franceses, num acordo do Instituto Brasileiro de Museus e da UFMG com a instituição parisiense.

MEL NA BOCA
A atriz Mel Lisboa anda passeando pelos arredores da Cracolândia, no centro de SP. É um laboratório para peça que fará sobre a Boca do Lixo, indústria do cinema alternativo que floresceu na região. E ficou assustada: "Está mais boca do lixo agora do que naquela época, né?".

VIDA DUPLA
A cantora Pitty entra em estúdio hoje para gravar o primeiro CD de seu projeto paralelo com o guitarrista Martin, o duo Agridoce. A dupla compõe e toca músicas de estilo folk.

QUADRO DE AMOR

O artista Anderson Ac estreou a mostra "Álbum de Família", em que pinta parentes seus que morreram. Os trabalhos estão expostos no Centro, na Galeria Soso, de Mario Almeida. O curador Daniel Rangel esteve na abertura.

ALMOÇO NAS ALTURAS

Os empresários Mara e Eduardo Linhares inauguraram o restaurante Trio, na sexta, no 19º andar de um prédio da Vila Olímpia. O banqueteiro Charlô Whately conferiu o local.

CURTO-CIRCUITO

A segunda edição do Selo de Qualidade Ospitalità Italiana tem lançamento hoje, às 19h, no colégio Dante Alighieri.

O chef Pier Paolo Picchi comemora quatro anos do restaurante Picchi com um menu à base de lagostas.

O 4º Simpósio Brasileiro de Construção Sustentável acontece nesta quinta e sexta no WTC, em SP.

com DIÓGENES CAMPANHA (interino), LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

EDITORIAL - O ESTADO DE SÃO PAULO - PAC continua devagar


PAC continua devagar
EDITORIAL
O Estado de S.Paulo - 01/08/11

Pelo menos uma boa notícia foi apresentada no primeiro balanço do PAC 2, o Programa de Aceleração do Crescimento preparado para o governo da presidente Dilma Rousseff. A novidade é subproduto do escândalo no Ministério dos Transportes, mas a decisão valerá para licitações de obras de todos os setores. As concorrências serão baseadas em projetos executivos e não mais em projetos sumários, como ocorreu durante anos.

O objetivo é limitar o recurso a aditivos contratuais com mudanças de prazos, de preços e até do alcance de cada projeto. Entre 2007 e 2011, os aditivos em contratos celebrados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) chegaram a R$ 3,7 bilhões, 9,1% do valor total contratado, segundo informou o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos.

Dentro da lei, no entanto, os acréscimos poderiam ter chegado a 25%, comentou o ministro. Ele esqueceu de comentar se as licitações e contratos estavam dentro do espírito da lei. Parece haver no governo alguma dúvida a respeito do assunto: todas as licitações do setor de transportes foram suspensas no fim de junho, por determinação da presidente, e projetos em licitação ou mesmo já licitados estão sujeitos à revisão. Também estas informações são mencionadas no documento sobre o PAC.

A promessa de moralização e de maior vigilância dos contratos foi a única novidade importante apresentada no balanço pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Ela manteve o tom mais otimista - quase triunfal - de sua antecessora na gerência do PAC, a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff. Na gestão anterior, segundo ela, o PAC ajudou a cumprir os objetivos de investimento, crescimento econômico e geração de empregos fixados em 2007.

O exagero é evidente: a execução dos projetos foi sempre muito deficiente. Uma boa indicação desse mau desempenho é a execução do chamado PAC orçamentário, aquele dependente do Orçamento-Geral da União: dos R$ 96,4 bilhões autorizados para os quatro anos, só foram desembolsados R$ 58,7 bilhões, 60,9% do total. Mais de metade dos desembolsos (54,7%) foi feita com restos a pagar, sobras de um exercício para o outro. A maior parte dos pagamentos feitos neste ano, na execução do PAC orçamentário, teve a mesma fonte, como já foi mostrado no dia 4 de julho numa análise baseada em números do Siafi, o sistema de informação financeira mantido pelo governo.

A análise foi divulgada pela organização Contas Abertas e diverge do relatório oficial divulgado na sexta-feira. Quanto ao crescimento econômico entre 2007 e 2010, é obviamente atribuível à expansão do mercado interno, aos investimentos privados e à elevação das exportações. O governo foi, sobretudo, um entrave, exceto pela transferência de renda a milhões de famílias pobres e à elevação real do salário mínimo. O investimento das estatais dependeu quase exclusivamente da Petrobrás e esse quadro pouco deve ter mudado neste ano.

No material divulgado na sexta-feira, os números são agrupados ou detalhados de acordo com o interesse do governo. Será necessário um exame mais trabalhoso antes de uma avaliação completa dos dados.

No entanto, mesmo o discurso otimista apresentado pela ministra do Planejamento foi insuficiente para disfarçar certos pormenores nada auspiciosos. Segundo o documento, só 74% dos investimentos previstos deverão ser concluídos até 2014. Serão terminadas mais tarde, entre outras obras, a Hidrelétrica de Belo Monte, o complexo petroquímico do Rio de Janeiro e a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste.

Embora montados para transmitir uma visão otimista, os quadros do relatório são pouco animadores. Segundo o documento, a "execução global" do programa, no primeiro semestre, alcançou o valor de R$ 86,4 bilhões. Desse total, R$ 35 bilhões corresponderam a financiamentos habitacionais. Outros R$ 3 bilhões são do programa Minha Casa, Minha Vida. Somados estes dois, chega-se ao equivalente a 44% do total "executado" em seis meses. É bom financiar habitação, mas eliminar gargalos de infraestrutura é outra coisa.

O PAC continua muito devagar. Que tal uma faxina para acelerar?

DENIS LERRER ROSENFIELD - Crime e mal


Crime e mal
DENIS LERRER ROSENFIELD
O Estado de S.Paulo - 01/08/11

O assassinato de 77 pessoas na Noruega, cometido por uma pessoa aparentemente normal, nórdica, branca, criada dentro do Estado de bem-estar social, levanta uma série de questões relativas à compreensão de um fato que foge do que consideramos a normalidade. Mais do que isso, tal fato suscita questões sobre o que entendemos por natureza humana, a partir da qual são construídas as formas mesmas de organização do Estado. Conceitos, então, multiplicam-se para explicar o que aparece como inexplicável, talvez porque nossos parâmetros de compreensão do que foge da normalidade sejam muito estreitos. Atentemos para alguns aspectos.

1.º - Chama particularmente a atenção a polícia norueguesa estar completamente despreparada para enfrentar esse tipo de crime, como se ele caísse fora do seu escopo de atuação. O crime seria uma "enormidade" para os parâmetros do que essa polícia considera "normal", objeto de sua ação específica. Dentre outros fatos, demorou mais de uma hora para chegar à Ilha de Utoya, onde jovens do partido social-democrata participavam de uma convenção. Se tivesse sido eficiente, pelos menos metade das pessoas mortas teria sido salva.

2.º - A justificativa de que não havia helicópteros disponíveis porque os pilotos estavam de férias é francamente risível. No entanto, o chefe de polícia foi prestigiado ao fazer essa declaração. Isso porque os próprios dirigentes do país compartilham a mesma opinião, a de que é normal pilotos de helicópteros tirarem férias em julho ou agosto. O problema é que o próprio país já vinha sendo objeto de ameaças do terror islâmico e, certamente, não as tomou a sério. Ou pensam que terroristas só atuam em momentos em que a polícia está totalmente preparada?

3.º - A ação veio de onde menos esperavam, ou seja, de um cristão, branco, nórdico, alguém de dentro do sistema. Na verdade, esse tipo de pessoa não deveria ser, para o Estado norueguês, objeto de preocupação, pois, conforme a concepção do Estado de bem-estar social, uma vez resolvidos os problemas sociais básicos, um crime como o cometido não poderia mais ocorrer. Estabelece-se uma conexão entre criminalidade e condições sociais, como se as segundas extirpassem a primeira.

4.º - A pressuposição aqui em questão é a de que a natureza humana está voltada necessariamente para o "bem", o "mal" sendo uma espécie de disfunção social ou psicológica. No âmbito social, com as condições do Estado de bem-estar social dadas, a ação humana não poderia mais estar voltada para tal tipo de disfunção. Desconsidera-se uma outra possibilidade, que não quer ser sequer pensada: a de que o ser humano tem uma propensão ao mal, independentemente de condições sociais.

5.º - Nesse sentido, não é casual que o criminoso tenha declarado que seu crime seria o mais "monstruoso" depois dos do nazismo, estabelecendo ele mesmo uma filiação com uma forma de mal "político", fenômeno intrigante que Hannah Arendt procurou pensar recorrendo ao conceito kantiano de "mal radical". Há pessoas, grupos humanos e agremiações políticas que voltam suas ações, racionalmente, para a realização do mal, fazendo isso parte de seu projeto, para além de quaisquer considerações de ordem social ou psicológica.

6.º - O advogado do criminoso, estupefato com seu cliente, pois ele foge aos parâmetros da "normalidade", descreveu-o como "frio", "calmo", não demonstrando nenhum arrependimento. Sabia precisamente o que fazia e por que o fazia, segundo as suas convicções. Ele exibiu, operante, uma razão voltada para o mal. Não se trata de um descontrole emocional, ao contrário, nota-se extremo controle. A qualificação de "louco" ou de "insanidade mental" nada mais é do que o resultado dessa estupefação, palavras utilizadas para explicar o que, para essa compreensão da normalidade, é inexplicável.

7.º - A pena máxima para crimes na Noruega é de 21 anos, podendo, em casos excepcionais, ser prorrogada a cada 5 anos em caso de extrema periculosidade. Há, no entanto, um artigo na lei que aumenta a pena para 30 anos em caso de atentado aos "direitos humanos". Do ponto de vista numérico, não faz grande diferença. O problema é outro. A legislação penal norueguesa, assim como a de boa parte dos países ditos desenvolvidos, está baseada no pressuposto de que a prisão não é uma punição, mas um instrumento de regeneração. Ou seja, está excluída a hipótese de que haja indivíduos não regeneráveis, não reeducáveis, que deveriam ser excluídos do convívio humano livre, seja pela prisão perpétua ou pela pena de morte.

8.º - Indivíduos cuja propensão para o mal se faz através de uma "fria" racionalidade caem fora da legislação penal e do sistema prisional desse tipo de Estado, baseado na concepção de que todos os indivíduos, por serem seres humanos, são reeducáveis. Imaginem um indivíduo desses, "reeducado", saindo da prisão... Apenas repetirá o que já fez! A sociedade seria de novo exposta a um perigo que nasce dessa forma do "politicamente correto", a da reeducação, da regeneração.

9.º - O juiz encarregado do caso mostrou uma compreensão do caso ao decidir que essa etapa do seu julgamento seria a portas fechadas, não estando aberta ao público nem às suas formas espetaculares de transmissão midiática, ao vivo. Ações voltadas para o mal contam, para alcançar seus objetivos, com os efeitos midiáticos, de modo que seu autor possa exibir suas "razões", "ideias" e "concepções". O criminoso teria ficado "decepcionado" com a decisão judicial, pois ela o impede de cumprir a sua "missão". O juiz, dessa maneira, limitou os seus efeitos, procurando evitar que "outros" sofram o efeito da emulação, da repetição.

Se as sociedades não pensarem o mal como uma dimensão essencial da ação humana, sobretudo em sua forma "política", ficarão completamente desguarnecidas ante ações desse tipo.

CARLOS ALBERTO SARDENBERG - Elevando a inflação


Elevando a inflação
CARLOS ALBERTO SARDENBERG
O Estado de S.Paulo - 01/08/11

Junte as histórias: a presidente Dilma Rousseff afirma que o combate à inflação não pode matar o crescimento econômico. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirma que, se a inflação do ano ficar abaixo de 6,5%, a meta terá sido cumprida. O Banco Central (BC) deixa de dizer que seu objetivo é levar a inflação para o centro da meta (4,5%) em 2012.

Conclusão: os 4,5% ficaram para 2013.

Ninguém do governo disse isso com todos os números e muitos analistas acham que o compromisso com a meta em 2012 está de pé. Mas o jeitão da coisa parece ter mudado: o governo se encaminha para aceitar uma inflação mais alta por um tempo maior.

Não faz muito tempo que a Fazenda esperava para este ano uma inflação (sempre medida pelo IPCA, índice do IBGE) em torno dos 5%. Aos poucos, foi admitindo algo maior - tudo por culpa dos preços internacionais de alimentos - e, mais recentemente, Mantega disse que até 6,5% estaria tudo bem.

É uma análise tão criativa quanto a contabilidade que turbinou as contas públicas no ano passado. A meta de inflação no Brasil é de 4,5%, com tolerância de dois pontos para baixo (que ninguém conta) ou para cima. Logo, pode ir até 6,5%, mas em circunstâncias excepcionais. Essa margem é colocada justamente para acomodar pressões inesperadas, que estejam em parte ou totalmente fora do controle das autoridades locais.

É justamente o caso da alta internacional de preço de alimentos, causada por aumento de consumo, mas também por quebra de safra e problemas climáticos em diversos países. Essas cotações pressionam os preços locais e a inflação de alimentos contamina o índice ao consumidor. E aí? Uma forte alta de juros, aqui, não altera o clima na Rússia.

Assim, é preciso acomodar essas elevações e combater seus efeitos secundários, utilizando-se, por algum período, da margem de tolerância. Ou seja, não se pode dizer, aqui, que qualquer inflação abaixo de 6,51% ao ano cumpre a meta.

Não cumpre. É um desvio. Transformar esse desvio em regra equivale, simplesmente, a elevar a meta de inflação - e parece ser exatamente essa a intenção do governo.

Nas projeções do Banco Central, divulgadas na última Ata do Comitê de Política Monetária (Copom), a inflação só volta para a meta em meados de 2013, daqui a dois anos, portanto, um tempo muito largo.

Quando os cenários mostram isso, o Banco Central, pela atual política monetária, deve elevar os juros hoje para trazer a inflação para a meta num prazo menor, digamos 12 meses, que era a conversa inicial das autoridades monetárias.

Ficaria assim: em 2010 e 2011, a inflação rodaria na casa dos 6%, mas caindo forte no segundo semestre deste ano para chegar nos 4,5% em 2012.

Mas a Ata disse umas coisas e deixou de dizer outras, levando analistas a entender que o Banco Central está preparando o ambiente para suspender o ciclo de alta de juros nos atuais 12,5%. Sendo isso mesmo, o conjunto só fecha com a aceitação de inflação maior ao longo de todo o próximo ano e início de 2013.

Ficamos assim: em 2010, o BC parou de elevar juros para não atrapalhar a eleição de Dilma Rousseff e, assim, comprometeu os resultados daquele ano e de parte deste. Agora, o pretexto é não elevar juros para manter o crescimento perto dos 5%. O risco é indexar a inflação num nível perigoso e obter menos crescimento econômico.

Agora, no segundo semestre, ocorrem negociações salariais de categorias importantes e numerosas. O Banco Central alerta: aumentos acima da produtividade são inflacionários.

De fato, são, mas a medida da produtividade não é trivial. E como dizer aos trabalhadores que a inflação está elevada por um bom tempo, a economia veio bem, setores estão com lucros bons, mas os salários têm de ser regulados pela expectativa de inflação menor? Sobretudo quando se sabe que o salário mínimo vai subir 14% em janeiro.

Dinheiro do povo. A coluna da semana passada (Com o dinheiro do povo), sobre o uso de dinheiro público na Copa do Mundo e seus estádios, provocou respostas que me deixaram entre surpreendido e preocupado.

Alguns leitores aderiram totalmente à tese do "locupletemo-nos todos". Se tem roubalheira por toda parte, escreveram, se os políticos se aproveitam dos cargos, se o governo ajuda tantas empresas e bancos, por que não dar dinheiro para os estádios da Copa?

Leitores corintianos - alguns, é claro - foram ainda mais longe. Acham que seu time tem o direito de receber dinheiro público para a construção do estádio, por uma série de motivos: é um time popular, ou seja, representa parte do povo; sua torcida movimenta negócios; outros times ganharam presentes equivalentes; e, afinal, todo mundo mete a mão.

No que se refere ao debate proposto sobre a prioridade dos gastos públicos - vale a pena gastar em estádios, em vez de aplicar em hospitais e escolas? O estádio do Corinthians seria a melhor maneira de estimular o desenvolvimento da região de Itaquera? -, algumas respostas foram ainda mais desanimadoras. Alguns leitores simplesmente entenderam que, sendo o colunista um torcedor do São Paulo, estava simplesmente tentando torpedear o estádio do "rival".

Outros ainda disseram que havia uma conspiração carioca para levar o jogo de abertura para o Maracanã.

Digamos, com boa vontade, que há, aí, apenas o efeito negativo de paixões regionais e/ou por clubes. Mas é preocupante a frequência com que se repete o argumento pela "democratização" da roubalheira.

LUIZA NAGIB ELUF - Política e políticos


Política e políticos
LUIZA NAGIB ELUF
O Estado de S.Paulo 01/08/11

Nossa presidenta vem enfrentando com firmeza a crise aberta no Ministério dos Transportes. Seja para agradar à classe média, como dizem alguns críticos, seja para aprimorar a sua gestão, como parece ser, ela está muito correta em sanear a administração.

O problema é que nem bem se começa a equacionar um Ministério apodrecido e já surgem denúncias de corrupção na Agência Nacional de Petróleo. E antes de qualquer desses dois fatos um ministro importante foi obrigado a deixar o cargo por não ter como explicar o crescimento gigantesco do seu patrimônio.

Esperamos que Dilma Rousseff continue em sua cruzada moralizadora, pois é disso que o Brasil precisa. Mas devemos aprofundar a análise dos fatos e procurar as origens mais remotas de tanta deterioração.

A classe política tem a pior reputação dentre todas as atividades no País, e não é sem motivo. O sistema que se criou de preenchimento de cargos em troca de apoio político, nos chamados governos de coalizão, destina posições estratégicas da administração aos indicados pelos partidos da base aliada, a fim de que a governabilidade se torne viável. Tal prática dificulta a aplicação de critérios de competência nas nomeações para os cargos de confiança. Assim, pessoas sem o menor preparo técnico acabam assumindo responsabilidades para as quais não se encontram preparadas. O País sofre com a inoperância da máquina, em total prejuízo do interesse público, enquanto os gestores da vez usam do poder para enriquecer a si mesmos e a seus padrinhos.

O mais incrível é que a sociedade esclarecida não reage. Não exige respeito ao erário, não sai às ruas para mostrar a sua indignação, não pressiona pela investigação dos suspeitos, não reclama os seus direitos na Justiça. Nosso povo, quando se manifesta, é para o vizinho, para o companheiro na fila do banco, para os amigos num encontro social. Aí é capaz de se revoltar, de vituperar, de desprezar, até de ameaçar, mas, na verdade, não faz nada se utilizando dos canais competentes, como as controladorias, as corregedorias, as ouvidorias, o Ministério Público (MP), os Tribunais de Contas e as organizações não governamentais (ONGs) que atuam em defesa da transparência, além do Poder Judiciário, por meio de ação popular, e dos organismos internacionais.

O preço da omissão é a eterna corrupção. E a população se justifica dizendo que o Brasil não tem jeito, que é assim mesmo. Com isso todo mundo vai virando ladrão, o mau exemplo se enraíza nas indistintas camadas da população e leva os valores morais para o ralo. Essa forma de indução ao crime é epidêmica. Contagia todas as classes sociais, as instituições, as organizações.

Quando uma pessoa preparada e disposta a lutar pelos valores inerentes ao bem comum se candidata a um cargo eletivo, por vezes sofre resistência até de amigos e familiares. A concepção de que a política é um meio deteriorado e suspeito configura um desestímulo, um desprestígio ao postulante. Essa concepção da política é equivocada. Como a sociedade brasileira avalia poder mudar a situação atual senão votando em pessoas realmente comprometidas com o interesse público? A atitude de alienação é um salvo-conduto para os corruptos.

A sempre falada reforma política precisa ser feita de verdade, começando pelos partidos. É dentro de suas estruturas viciadas que prosperam aqueles que buscam no cargo público um meio de enriquecer. Falta democracia interna, falta seriedade nas filiações, falta compromisso com o ideário político. A reforma deveria começar regulando as atividades internas das agremiações e estabelecendo limites éticos que vão muito além da mera fidelidade partidária.

Em vez de dar prioridade a vantagens pessoais, nossos administradores precisam elaborar e pôr em prática propostas para um País melhor. E essas propostas devem começar pelos municípios, a fim de que sejam agradáveis, saudáveis, limpos, belos, organizados. O aperfeiçoamento da segurança pública somente pode prosperar em cidades planejadas e bem cuidadas. Onde reinam o caos urbano, a sujeira, a confusão, as enchentes, a poluição, a falta de saneamento e de moradias, a terra de ninguém, ali prospera o crime. Para que possamos ter uma vida tranquila e sem medo temos de estar num espaço público bem cuidado e no qual prevaleça a ordem. Isso depende da ação das prefeituras e das Câmaras Municipais.

A reforma política, atualmente em gestação no Congresso Nacional, poderia contemplar o voto distrital, ou o distrital misto, a fim de aproximar os eleitores dos eleitos e facilitar a cobrança das promessas de campanha, além de várias outras vantagens. O voto em lista fechada também está sendo estudado e, se for aprovado, deverá estipular alternância de gênero, ou seja, um nome de homem seguido de um nome de mulher, conforme constou do relatório no Senado. Esse avanço seria muito importante para corrigir a disparidade na representação feminina e masculina no Poder Legislativo. Não há dúvida de que, com chances reais de serem eleitas, haverá muitas mulheres pleiteando legenda nos partidos.

O debate político não se pode restringir às épocas de eleições. Afinal, os políticos são uma coisa e a política é outra. A sociedade tem de estar permanentemente mobilizada para discutir seus destinos, cobrando dos governantes o cumprimento de seus programas e a lisura administrativa. Para tanto é imprescindível que a sociedade tenha acesso às informações sobre as práticas administrativas, uma vez que a transparência é um direito da cidadania.

A política é importante para cada um de nós e nada vai melhorar sem a participação de todos.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Agenda 2014
RENATA LO PRETE
RANIER BRAGON - interino
FOLHA DE SP - 01/08/11

O plano plurianual que Geraldo Alckmin encaminhará à Assembleia paulista até o dia 15 estipulará R$ 80 bilhões como meta de investimentos para os quatro anos de governo. O tucano esquadrinhou para o primeiro escalão, com base nos relatos da Fazenda sobre arrecadação em excesso, seu cronograma de obras prioritárias até 2014, ano em que pretende estar na urna eletrônica. O documento está ancorado no tripé "continuar, avançar e inovar".
Alckmin descarta, por ora, a necessidade de obtenção de novas receitas externas -o que adia a hipótese de venda da Cesp, estudada no início do ano.

Corda bamba No governo, os defensores da permanência de Nelson Jobim (Defesa) estimulavam o ministro a cancelar a ida ao "Roda Viva", hoje, ou a aproveitar o programa para amenizar o tom da declaração de voto em José Serra.

No aguardo 1 Integrantes do Planalto diziam ontem que a metralhadora disparada por Oscar Jucá Neto contra o ministro Wagner Rossi (Agricultura) aparenta esperneio de um recém-demitido, sem maiores consequências. Salvo, ressalvavam, "fato novo". Hoje a presidente Dilma Rousseff ouvirá o relato da história da boca do irmão do denunciante, seu líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

No aguardo 2 Ao PMDB, Jucá já vem se explicando. Assegurou não corroborar a atitude do irmão, com quem não teria conseguido falar no sábado.

Vips A Câmara publicou na sexta-feira a renovação do contrato de R$ 90 mil ao ano pelo uso de sala no aeroporto de Brasília para "atendimento a parlamentares".

À mesa A cúpula do PT, que tem encontro nacional no Rio, nesta semana, jantará com o prefeito Eduardo Paes (PMDB). Os petistas discutem indicar o vice em sua chapa à reeleição.

Teste A oposição trata a votação do requerimento de convocação de Paulo Passos (Transportes) à Comissão de Fiscalização e Controle como termômetro da reação do PR e da base governista à "faxina" de Dilma na pasta.

Calendário O MST aproveitará o Dia Nacional de Lutas, na quarta, para cobrar celeridade na reforma agrária. João Paulo Rodrigues, líder do movimento, refuta o argumento do governo de que a lentidão se deve ao início de gestão. "Não é o primeiro ano de Dilma. É o nono ano do governo do PT".

Cabe mais um As Centrais sindicais, que esperam levar 60 mil às ruas de São Paulo, no evento, conseguiram a adesão da UNE arrastando para a lista de reivindicações a aplicação de 10% do PIB em Educação.

Vela O secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, disse que pedirá hoje à Aneel que cobre das empresas a implementação de linhas de transmissão entre as 16 subestações da capital. Segundo ele, a medida teria evitado o apagão que atingiu na semana passada 680 mil clientes -a unidade de Jaguaré, responsável pela falha, não tem ligação com as outras subestações.

Contra-ataque O PT produziu dossiê enumerando problemas das principais obras viárias do governo paulista na Região Metropolitana, alvo de ofensiva deflagrada por Alckmin. O material, que abrange Rodoanel, Jacu-Pêssego e Nova Marginal, tenta desconstruir o planejamento tucano para o cinturão de predominância petista no entorno da capital.

com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"Será um semestre carregado de fortes emoções. Para resumir: teremos uma longa novela, de alta pontuação no Ibope."
DO LÍDER DO PMDB NA CÂMARA, HENRIQUE EDUARDO ALVES (RN), sobre o clima de insatisfação e as suspeitas de irregularidades que rondam alguns partidos da base governista nesse reinício das atividades do Congresso.

contraponto

Na marca da cal


Pouco antes de um encontro no Rio, na semana passada, Pelé contava vantagem em conversa com integrantes do governo:
-Eu fiz mil gols porque, na época, não cobrava pênalti. Se eu cobrasse, teria chegado aos 2.000 gols-, disse o ex-jogador, agora embaixador extraordinário do Brasil para a Copa do Mundo de 2014.
Imediatamente, o presidente da Embratur, Flávio Dino (PC do B) brincou:
- Então se ofereça agora para a seleção do Mano!

RICARDO NOBLAT - Saudades de Gilda!

Saudades de Gilda!
RICARDO NOBLAT
O GLOBO - 01/08/11

 Jamais haverá uma mulher como Gilda! Quero dizer: Rita Hayworth, a estrela do filme de 1946 com esse nome que a tornou o maior símbolo sexual da época. Por aqui, jamais haverá outro inconfidente como Roberto Jefferson, ex-deputado federal e expresidente do PTB, que em 2005 denunciou o mensalão do PT. Nós, jornalistas, somos órfãos dele.

Tem um inconfidente novo na praça: Oscar Jucá Neto, o Jucazinho. Suspeito de prevaricar, foi demitido da Companhia Nacional de Abastecimento. Deu o troco: em entrevista à “Veja”, disse que há corrupção grossa no ministério da Agricultura. É briga interna do PMDB. Jucazinho está longe de fazer sombra a Roberto Jefferson. 

Quando algum detentor de segredos cabeludos se vê ameaçado de perder o emprego, os jornalistas trocam olhares ansiosos e começam a cercá-lo. Os mais ousados até se arriscam a escrever que a República irá abaixo caso o sujeito perca o controle e decida contar o que sabe. Costuma ser mais torcida do que crença. 

Torcemos, por exemplo, para que um dos aloprados abrisse o bico. Em vão. O silêncio deles e o descaso das autoridades contribuíram para que ficasse impune o escândalo do dossiê fabricado pelo PT para atazanar a vida de Geraldo Alckmin e de José Serra, candidatos a presidente e a governador de São Paulo em 2006. Torcemos para que Paulo Preto admitisse ter tomado dinheiro de empresários para financiar no ano passado a campanha de Serra a presidente. Em vão. Paulo Vieira de Souza, vulgo Paulo Preto, havia sido diretor de engenharia da empresa Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa). Conhecia o caminho dos cofres gordos. 

Luiz Antonio Pagot,
 demitido pela presidente Dilma Rousseff da direção-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), tinha munição suficiente para produzir um estrago maior do que o protagonizado por Roberto Jefferson. Preferiu não usá-la. Céus! Por quê?

Porque o governo Dilma aprendeu com os governos passados a não incorrer no mesmo erro cometido por Lula em relação a Roberto Jefferson. Sarney tinha horror a demitir, mas quando era obrigado a fazê-lo não deixava demitidos em apuros. FH também não deixava, embora demitisse com mais facilidade. 

Roberto Jefferson
 fez tudo para não pagar sozinho pela roubalheira descoberta na Empresa de Correios e Telégrafos, entregue aos cuidados do PTB. Quanto mais pedia ajuda a auxiliares de Lula, mais a corda se apertava em torno do seu pescoço. Convencido de que estava condenado, concluiu: “Posso até morrer, mas outros morrerão comigo.” 

Desde que Dilma decidiu afastar Pagot do Dnit, o governo estendeu um macio e cerimonioso tapete vermelho para que ele fosse embora, digamos, de cabeça erguida. Tanto cuidado se justificava. Pagot arrecadou dinheiro para o 1o- e o 2o- turnos da eleição de Dilma. E ainda arrecadou mais para pagar dívidas de campanha. 

De resto,
 vicejava a suspeita, alimentada por ele mesmo, de que assinara contratos e engolira aditivos somente para livrar o PT de sérias dificuldades financeiras. Lula tinha Pagot na mais alta conta, essa é que é a verdade. O comando nacional do PT, então nem se fala. Perdeu um companheirão — eficiente, discreto e solidário. 

O senador Blairo Maggi 
(PRMT), padrinho político de Pagot, foi convidado para suceder Alfredo Nascimento no ministério dos Transportes. O convite não era para valer, era só para amansar Pagot. Maggi jamais aceitaria, para não correr o risco de ver expostas e mal interpretadas asentranhas dos seus negócios com o governo. 

Pagot recusou 
o afastamento sumário e declarou-se em férias — exigência aceita. Ofereceu-se para depor no Congresso — exigência aceita. Ali, não entregou ninguém, mas repetiu que nada fizera sem o conhecimento dos seus superiores — o governo ouviu em silêncio. Por fim, despediu-se do Dnit com a certeza de que não será processado. Saudades de Gilda!

AÉCIO NEVES - Arquiteturas políticas

Arquiteturas políticas
AÉCIO NEVES
FOLHA DE SP - 01/08/11


Ninguém desconhece as enormes dificuldades pelas quais passa o país, neste momento em que se acentua uma arquitetura de relações políticas baseada na subordinação dos partidos e na delegação a eles, como contrapartida, de extensas áreas da administração federal, que funcionam como autênticos feudos, na lógica do chamado "presidencialismo de coalizão".
O que se assiste não é um fenômeno novo. Se não é correto limitá-lo aos governos do PT, é forçoso reconhecer que a luta fratricida por cargos e espaços de poder se adensou e se institucionalizou, a um custo cada vez maior para o país.
Por mais que os primeiros movimentos da presidente Dilma Rousseff busquem sinalizar certa indisposição quanto à manutenção desse modelo, e esta postura mereça ser saudada, também é preciso lembrar que o atual governo reproduz e perpetua os mesmos códigos de relações políticas do anterior, do qual a presidente foi figura de destaque.
Não podemos cair na armadilha de acreditar que exista um esforço novo para fazer valer uma autêntica faxina institucional, enquanto o que vermos se restringir apenas a respostas pontuais à indignação da população diante de denúncias da imprensa.
Instrumentos simples, implementados por meio das auditorias permanentes dos órgãos federais, poderiam significar uma providência muito mais eficaz do que a simples troca de cadeiras. Em Minas, por exemplo, a criação e o efetivo funcionamento de uma rede de auditorias preventivas representaram importantes conquistas do modelo de gestão lá implantado.
Nesta semana, quando o Congresso retoma seus trabalhos, o governo terá oportunidade de reposicionar-se diante da verdadeira enxurrada de questionamentos que sobre ele pesa. Um bom recomeço seria o apoio da presidente ao entendimento que tem sido buscado, no Senado, em torno de um novo rito para tramitação das medidas provisórias, que restitui ao Congresso suas prerrogativas constitucionais.
Há também grande expectativa em relação ao posicionamento do governo sobre as mudanças aprovadas na LDO, que abrem a caixa preta da emissão de títulos do Tesouro e limitam os gastos federais.
O encaminhamento que a presidente dará a essas matérias demonstrará, na prática, qual a verdadeira disposição do governo. Se sancionar as mudanças aprovadas no Congresso permitirá um avanço importante nas relações entre os Poderes. Se vetá-las, estará condenando todos nós a um triste e envelhecido cenário, agravado pela ausência de uma agenda para o país. Trata-se, portanto, de um momento decisivo. Ou caminhamos para recuperar o tempo perdido ou encerraremos 2011 como viemos até aqui: imobilizados por sucessivas crises e regidos pelo improviso.

CLÁUDIO HUMBERTO

"Estamos tipo o Vasco, de vice em vice-campeonato, chegando lá" 

Deputado Federal Ribamar Alves (PSB-MA), sobre lançar Eduardo Campos à Presidência



Ineficiência desafia aumento de voos no País
Os voos domésticos cresceram 19% no Brasil este ano, segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), e o governo promete 30% mais eficiência nos aeroportos. Mas pilotos experientes da Agência Nacional de Aviação Civil apontam "alerta amarelo" para Copa do Mundo: só Cumbica, em Guarulhos (SP), tem sistema eficiente para pouso com nevoeiro, o ILS categoria 2. Os EUA têm mais de cem.

Ideia de jerico
O aeroporto internacional de Curitiba (PR) tem, mas fica em manutenção...no nevoeiro. Resultado: escalas de voo comprometidas.

A fila não anda
Florianópolis recebe mais de 150 mil voos fretados, mas sem pista para taxiar – o pouso na pista principal, com a distância exigida, gera atrasos.

Puxa e estica
Os "puxadinhos" de passageiros da Infraero ignoram os pátios lotados (e fechados) de aviões em Guarulhos, Vitória (ES) e Confins (BH).

Desperdício
Também há bagunça no ar: a aerovia contornando o litoral até São Paulo pelo Rio, não Minas. São mil litros de querosene a mais em cada voo.

Grampolândia

Jornalistas em área de risco poderão ter seguro de vida, segundo projeto na Câmara dos Deputados, mas não inclui o perigo ao telefone.

Dieta entalada
Pesquisa do IBGE revela que os brasileiros excedem no consumo de sal. Deve ser para temperar os sapos engolidos durante o noticiário político.

Zona Franca cresce
A Superintendência da Zona Franca de Manaus aprovou 51 projetos industriais e de serviços, com investimento de US$620 milhões, que criação 3.497 empregos em três anos no pólo de Manaus. Entre os projetos, estão a produção de tablets e celulares.

‘Teje preso’
Demitido e denunciado pelo Ministério Público, um agente penitenciário de Mato Grosso do Sul desafiou o juiz para que o processe, para provar as denúncias de câmeras clandestinas no presídio de Campo Grande.

Romário em romaria
O deputado Romário (PSB-RJ) visitou cinco estados (Piauí, Pernambuco, Paraíba, Ceará e Espírito Santo) durante o recesso parlamentar. Não bateu bola. Atuou como garoto propaganda em campanhas antidrogas.

Escondidinho VIP
A Câmara dos Deputados renovou por R$89,5 mil o contrato com a Infraero pela sala exclusiva de 43m² no aeroporto de Brasília.

Poder sem pudor

A raposa em ação

Governador de Minas e já em campanha para presidente, Tancredo Neves fez um gesto de cortesia ao governo João Figueiredo: incluiu a ministra da Educação, Esther de Figueiredo Ferraz, entre os agraciados pela medalha da Inconfidência. No dia da solenidade, a ministra estranhou a homenagem:
– Não tenho qualquer das qualidades exigidas para merecer isso...
Em seu discurso, Tancredo justificou a reputação de raposa política:
– A ministra está, realmente, fora do regime da medalha: ela tem muito mais virtudes que as exigidas...

SEGUNDA NOS JORNAIS

Globo: EUA:Obama anuncia acordo que evita calote

Folha: Obama anuncia acordo que evita calote nos EUA

Estadão: Concessionárias públicas lideram queixas no Procon

Correio: Obama fecha acordo para evitar calote

Valor: Só o projeto do trem-bala custa R$ 1 milhão por km

Estado de Minas: Impunidade à vista

Jornal do Commercio: Volta às aulas exigirá paciência no trânsito

Zero Hora: Colapso no Central força ida de presos para Charqueadas