sexta-feira, julho 22, 2011

FERNANDO GABEIRA - Em torno da indignação


Em torno da indignação
FERNANDO GABEIRA
O Estado de S.Paulo - 22/07/11

Muitas pessoas afirmam que a corrupção chegou a níveis intoleráveis. E algumas, como Juan Arias, editor do El País, perguntam por que os brasileiros não se indignam. Em vez de buscar as causas sociológicas e econômicas, tão debatidas nos artigos sobre o tema, procuro utilizar também a memória.

Os governos Juscelino Kubitschek e João Goulart eram acusados de corrupção. É possível até dizer que os oficiais da Aeronáutica que promoveram a Revolta de Aragarças achavam a corrupção intolerável e não entendiam por que os brasileiros não se indignavam. No período Goulart havia uma forte ligação entre sindicatos e governos. Movimentos independentes no setor só surgiram no fim da década de 1960, com as greves de Osasco e Contagem. Na época anterior à ditadura, como agora, as denúncias de corrupção parecem ser apenas um contraponto oposicionista e figuram como um episódio lateral ao impulso desenvolvimentista de JK ou ao projeto de reformas de base de Goulart.

O pensamento da esquerda no poder é semelhante. Para ela, a floresta é o desenvolvimento com distribuição de renda. A corrupção é apenas uma árvore torta que insistimos em denunciar. Nesse quadro, a História do Brasil contemporâneo seria circular, com as realizações se desdobrando e algumas forças, à margem, gritando contra a corrupção.

Muita coisa mudou. O projeto de desenvolvimento recheado de corrupção não é sustentável. Novos e poderosos instrumentos estão à disposição de brasileiros muito mais bem informados que no passado. Nem sempre é preciso ir às ruas: 50 pessoas em Nova Friburgo conseguiram se organizar para pressionar a Câmara por uma CPI independente. O governo tinha maioria, mas elas venceram. Minúscula exceção, numa cidade atingida pela tragédia.

Mas a verdade é que em outros campos há também resistência. É o caso da resistência contra o mais importante ator econômico do momento: a associação do governo com alguns empresários, fundos de pensão e o BNDES. Esse grande ator é percebido de forma fragmentária. Ora se esforçando para tornar viável a usina de Belo Monte, ora no varejo tentando fundir Pão de Açúcar e Carrefour, ora sendo rejeitado no seu progressismo ingênuo, como no projeto do trem-bala. Sua ação articulada nem sempre é percebida como a de um novo ator. Exceto pelos vizinhos latino-americanos, que o consideram - a julgar pelo seminário internacional realizado no iFHC - um elemento singular do capitalismo brasileiro. Apoiadas no BNDES, as empresas brasileiras tornam-se mais competitivas no exterior. Mas trazem a desconfiança como um efeito colateral.

Cheguei, num certo momento, a comparar Lula-Dilma com Putin-Medvedev. E o capitalismo dirigido pelo Estado como fator que aproximava as experiências de Brasil e Rússia. Mas o desenrolar da crise de 2008 foi diferente para os dois. A Rússia sofreu mais que o Brasil e a interpretou como sinal para modernizar algumas áreas, privatizando-as. O Brasil, como uma oportunidade para ampliar o papel do Estado.

Pode-se compreender a demanda de indignação. Mas o sistema político está dominado, há um ator econômico poderoso e o governo emergiu vitorioso das eleições. Não há desemprego de 40% entre os jovens, como na Espanha. Ainda assim, houve indignação em Teresópolis, revelada em inúmeras manifestações. O movimento esbarrou no próprio processo político, pois conseguiu uma CPI e ela foi controlada pelo governo. O que as pessoas decidiram? Continuar manifestando indignação ou voltar à carga no momento eleitoral, quando o sistema fica mais vulnerável? Optaram pela última alternativa. Na Espanha foi a proximidade das eleições que permitiu o avanço dos indignados, mesmo sem a pretensão de disputar cargos.

Parte dos brasileiros acha que a corrupção é um preço que se paga ao desenvolvimento. Um setor da esquerda não somente acha isso, como confere uma qualidade especial ao desvio de dinheiro para causas políticas: os fins justificando os meios. Não se pode esquecer que 45 milhões votaram na oposição depois de oito anos do mesmo governo. Não eram da UNE nem da CUT.

A corrupção no Ministério dos Transportes é bastante antiga. Às vezes ele muda de mãos, passa de um partido a outro. Para os que conhecem o processo político brasileiro, a notícia não foi surpresa. As denúncias de corrupção sucedem-se diariamente e não se resolvem dentro dos canais parlamentares. Se os eleitores se indignarem, ostensivamente, podem se transformar numa indignação ambulante. As próprias pessoas que pedem hoje que se indignem vão achá-las monótonas e repetitivas. Para que os que têm o potencial de se indignar, coloca-se a questão da oportunidade exata, do preciso emprego da energia. Navega-se num sistema político cada vez mais distante, tripulado por um gigantesco ator econômico e um crescimento com viés inclusivo. Quando o adversário é ao mesmo tempo indiferente, opaco e poderoso, a indignação social tem hora.

É um problema deixar de se indignar com uma corrupção que mata, como na saúde e nos transportes, e aniquila sonhos, como na educação. Mas também é um problema indignar-se e voltar para casa de mãos vazias.

A indignação na Espanha ocorreu num momento em que poderia crescer. Ainda assim, como não se voltou para a ocupação de espaço institucional na política, seus resultados estão em aberto. O caso de Teresópolis mostrou que sem uma contrapartida institucional as melhores aspirações se afogam no pântano do próprio sistema político. O que torna a questão mais complicada do que pura e simplesmente se indignar às vésperas das eleições. É necessário vencê-las ou, no mínimo, eleger uma oposição de verdade.

A pergunta de Juan Arias é legítima. Mas seria ilusório pensar numa resposta simples, como se houvesse no enigma uma espécie de bala de prata, uma descoberta que pusesse a indignação em movimento. Em processos complicados, uma das respostas mais sábias é a do comercial de televisão: Keep walking.

ALON FEUERWERKE - Os holofotes e as surpresas


Os holofotes e as surpresas
ALON FEUERWERKE
Correio Braziliense - 22/07/2011

No governo, dizem que a balança não penderá para o lado do PT. Que é apenas um movimento para reverter o descontrole e evitar o prejuízo administrativo e político. Mas está difícil achar em Brasília quem acredite, do fundo do coração


As eleições municipais vêm aí, e com elas o retesar de músculos. E será inevitável que a somatória dos cenários locais se conecte novamente no noticiário à projeção das disputas futuras de poder.
É uma sinfonia conhecida.
Mas as eleições locais têm influência apenas relativa no quadro político. Dois motivos contribuem.
Primeiro, a dependência financeira de estados e municípios ao governo federal impede os Poderes locais de fazer oposição. No fim das contas, é todo mundo governo. Precisa ser.
Segundo, o eleitor exerce bastante bem a liberdade de escolha. Não é por ter votado de um jeito para prefeito que votará do mesmo jeito para governador, ou presidente.
A política local acaba tendo, sim, mais peso quando o eleitor avalia o alinhamento municipal-estadual-federal como decisivo para receber benefícios públicos.
Esse pensamento persiste, e é mais observável conforme mais pobre e dependente é a localidade.
Governos federais costumam desempenhar bem em áreas muito pobres, desprovidas de economia que permita maior independência política.
Felizmente, a pobreza vem declinando no Brasil. Tendência que produz, também felizmente, mais graus de independência no eleitorado.
Mas o Poder federal, com suas verbas, continua um instrumento não desprezível na disputa local.
Com o PT, entretanto, ocorre um fenômeno curioso. Até agora, a capilarização do partido anda aquém do padrão histórico governista.
Contribui o PT ser um partido relativamente fechado, para padrões brasileiros. Beneficia-se pouco da capacidade atrativa do governo. Mesmo quando estimula o adesismo, não faz isso de portas abertas.
Também por ter sido construído de baixo para cima e continuar dividido em tendências formalmente organizadas. É um equilíbrio interno delicado, pouco permeável a intervenções externas.
O governo comandado pelo PT no Planalto sustenta-se numa ampla coalizão congressual. E um custo da coalizão é dar sobrevida a aliados na disputa do poder local.
Esse é um foco permanente de tensão no governo.
O deputado do partido aliado vota a favor na Câmara, mas, na base, precisa enfrentar o quadro petista que, instalado num cargo de prestígio e capacidade orçamentária, ameaça tomar o reduto.
Operando por dentro da máquina para minar na base a força do aliado de Dilma Rousseff em Brasília.
Vem também daí a guerra por cargos de escalões inferiores.
O petista olha para o Planalto e enxerga um governo do PT. E quer apoio do governo para tomar os votos locais.
Já o governo precisa em Brasília dos votos dos adversários locais do PT, que por sua vez pedem ao Planalto conter o apetite dos partidários.
Mas o governo não pode tampouco desestabilizar o PT, a espinha dorsal.
A solução óbvia seria verticalizar as alianças, coisa possível na prancheta, mas altamente improvável na vida real. Aqui e ali, Brasília pode dizer façam isso, façam aquilo, mas está longe de ser viável como regra.
É um equilíbrio muito instável, e exige o máximo de perícia para não desandar.
Dilma herdou de Lula uma coalizão amplíssima e, já no primeiro ano, as tensões andam mais pronunciadas, na comparação. Com a operação política no Ministério dos Transportes, acrescenta um foco a mais de temor nos aliados.
Todos cabreiros com a hipótese de o PT avançar no espaço orçamentário alheio, e com os prováveis reflexos na capacidade de cada um desempenhar eleitoralmente ano que vem.
No governo, dizem que não. Que a balança não penderá para o lado do PT. Que é apenas um movimento para reverter o descontrole e evitar o prejuízo administrativo e político.
Mas está difícil achar em Brasília quem acredite, do fundo do coração. Dilma está performando bem em tempo real diante dos holofotes, mas, se não garantir o espaço de quem a apoia, pode ter surpresas desagradáveis no virar da esquina.

GOSTOSA

DORA KRAMER - Roncos da reação


Roncos da reação
DORA KRAMER
O ESTADÃO - 22/07/11


Valentes, mas não ao ponto de explicitar insatisfação em caráter irrevogável, deputados do PR reagem às demissões no Ministério dos Transportes com ameaças veladas ao governo.

O líder do partido na Câmara, Lincoln Portela, reivindica isonomia no rigor para toda base aliada e diz que a presidente Dilma Rousseff está “brincando com fogo”.

O deputado Luciano de Castro avisa que, atingido “na cabeça e no coração”, o PR “não tem mais que ter medo de perder o que já não existe”.

Outros tratam de disseminar a versão de que tão logo volte do recesso e reassuma sua cadeira no Senado, o ministro exonerado Alfredo Nascimento fará um discurso para pôr os pingos nos is.

De seu ponto de observação na trincheira do PMDB, o notório Eduardo Cunha pontifica: “É preciso tomar cuidado para isso não se transformar em regra: sai nos jornais e revistas e vai direto para o Diário Oficial”.

O restante do partido, vice-presidente da República inclusive, fica na encolha.

Provavelmente esperando para ver se a faxina é um espasmo e passa ou se a regra é para valer, para todos e por tempo indeterminado.

Enquanto isso, suas excelências buscam, nos bastidores, abrigo na concepção flexível de ética e na falta de interesse do ex-presidente Lula em que, uma vez (e se) consolidada a dinâmica da vassoura impiedosa, as comparações de estilo evoluam para a constatação de que o antecessor deixou uma herança para lá de maldita à sucessora.

A maneira desabrida de Lula privilegiar a lealdade em detrimento dos bons costumes é que levou as coisas do fisiologismo ao atual estado de degradação.

Logo, se a presidente estiver mesmo decidida a mudar o padrão, a opinião pública acabará percebendo o que nos últimos oito anos achou mais cômodo não perceber.

Daí as versões de que Lula está “preocupado” com a saúde da base governista, enxergando riscos à governabilidade no modo Dilma de lidar com as denúncias (por hora só) relativas ao Ministério dos Transportes.

Quais seriam esses riscos? Depende da atuação da presidente. Se ela der vazão à impetuosidade à deriva, como no caso em que mandou Antonio Palocci ameaçar o vice Michel Temer com a demissão dos ministros do PMDB se o partido não votasse o Código Florestal na Câmara tal como queria o governo, o perigo de isolamento é real.

Terá a maioria do Congresso contra ela e poderá acabar em maus lençóis quando precisar de amparo.

Agora, se agir com precisão e fundamento na correção dos rumos do que estiver realmente malfeito, o que farão diante do apoio que ela receberá da sociedade?

Declarar independência ou morte? Chamar o povo às ruas? Atear fogo às vestes?

Pedir demissão coletiva de todos os cargos? Sem unidade nem credibilidade, por hora os parceiros do consórcio blefam e torcem para que a chuva seja de verão.

Dois fervendo
O presidente da Infraero, Gustavo Matos do Vale, saiu na quarta-feira literalmente correndo de uma solenidade na Base Militar de Brasília, após receber um telefonema.

Era Dilma chamando para mandar que Vale desse um “sacode” na empresa aérea Gol por causa dos atrasos e cancelamentos no dia anterior em Congonhas.

Dividendos
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, pode sair no lucro com a crise no PR, que, além das agruras com o governo federal, enfrenta um racha interno.

A primeira ideia dos insatisfeitos era fundar um novo partido, mas eles chegaram à conclusão de que não daria tempo de tomar todas as providências legais até setembro, data limite para poder concorrer às eleições municipais de 2012.

O plano B é a adesão ao PSD de Kassab. O prefeito já recebeu alguns deputados do PR para conversar a respeito.

Ela acha
Pode ser até que não seja, mas a presidente Dilma pôs na cabeça que José Serra será o candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo.

RODOLFO LANDIM - Nó cego


Nó cego 
RODOLFO LANDIM
FOLHA DE SP - 22/07/11

Falta definir o percentual de royalties que incidirá sobre o pré-sal e a forma de divisão desses recursos

O setor de petróleo vem sofrendo nos últimos tempos algumas indefinições, de diferentes origens, mas que podem estar interligadas por uma relação de causa e efeito de difícil solução, dada a natureza e a diversidade dos interesses envolvidos.

A descoberta do pré-sal e o seu enorme potencial petrolífero levaram o governo a propor a criação de um novo marco regulatório específico, aplicável para a área de sua ocorrência. A grande maioria das reformas necessárias já foi aprovada. No entanto, falta ainda a definição do percentual de royalties que incidirá sobre a produção do pré-sal e, mais importante, da forma de divisão desses recursos. A luta envolve interesses da União, dos Estados e dos municípios, produtores e não produtores.

A discussão é tão acalorada que se chegou ao absurdo de aproveitar a oportunidade para tentar modificar a forma de divisão dos royalties dos campos já em produção, o que afetaria enormemente o equilíbrio econômico dos Estados e dos municípios produtores.

Foi aprovada uma lei redistribuindo os valores arrecadados, vetada pelo ex-presidente Lula, mas as ameaças, notadamente das bancadas de Estados do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste, continuam pairando no ar e pressionando para que a solução final contemple seus Estados com fatia maior do bolo.

Enquanto isso não for resolvido, não teremos leilões para as áreas do pré-sal, agora já dentro do novo marco regulatório. É bem verdade que a Petrobras já detém a operação de um grande número de blocos licitados sob o regime de concessão, algo suficiente para mantê-la ocupada por muito tempo. De certa maneira, isso reduz a urgência para a solução do caso, pelo menos por parte da Petrobras.

Por outro lado, após mais de dois anos e meio sem leilões, foi anunciado em abril que o CNPE se reuniu e aprovou a continuidade dos leilões de blocos exploratórios, obviamente fora da área do pré-sal.

Para tal, foram selecionados setores de várias bacias sedimentares terrestres e marítimas do Norte e do Nordeste brasileiro. Essa foi, sem dúvida, uma boa notícia para os Estados dessas regiões, já que o processo exploratório é sempre o início de uma série de atividades que movimentam a economia local.

Em caso de sucesso, investimentos adicionais ainda mais significativos são proporcionados no período de desenvolvimento dos campos de petróleo, além do crescimento da arrecadação tributária através de impostos diretos e indiretos sobre a produção de petróleo.

Mas ficou por aí. Passados vários meses da decisão do CNPE, a ANP, órgão responsável pela organização do leilão, ainda não recebeu a autorização para iniciar o processo de oferta. Na recente cerimônia de posse de dois novos diretores da ANP, um político do Nordeste reclamou da demora, enfatizando que ela ocorria exatamente no momento em que seu Estado seria incluído no leilão depois de vários anos.

Coincidência? Pode ser que não, e que tudo seja moeda de troca de um pacote maior em negociação.

Na mesma linha se encontra a tão discutida revisão do plano de negócios da Petrobras. Sabe-se que ela já foi apresentada e rejeitada duas vezes pelo seu conselho de administração. A expectativa do mercado é que seja apresentado um programa de investimentos que contemple uma maior parcela de recursos destinada à atividade de exploração e de produção, até mesmo para poder incluir as áreas adquiridas através do processo de cessão onerosa ocorrido no final do ano passado.

Como o cobertor é curto e o simples crescimento dos compromissos para atender a todos os projetos levaria a companhia a um nível de endividamento pouco saudável, a solução seria reduzir investimentos em outras áreas de menor atratividade, notadamente na construção de novas refinarias. Porém, como é exatamente no Nordeste que está a grande concentração desses projetos, fazer isso sem que haja uma defesa técnica por parte da empresa é mexer em casa de marimbondo.

Quanto mais temas são incluídos em uma negociação, maior a dificuldade para chegar ao consenso. Hoje, parece que teremos mais uma apreciação do plano da Petrobras pelo seu conselho. Veremos se o nó começará a ser desatado.

MÔNICA BERGAMO - PAPEL PASSADO


PAPEL PASSADO
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 22/07/11

O DEM vai requerer aos cartórios de todo o país que só liberem as certidões de apoiamento ao PSD depois de convocar, um por um, os eleitores que assinaram as listas de apoio ao novo partido para comprovar a autenticidade. Perícia feita a pedido da Folha revelou a existência de firmas falsas nos documentos apresentados pela sigla que está sendo criada pelo prefeito Gilberto Kassab. Também já foram constatados nomes de eleitores mortos.

FIRMA RECONHECIDA
"Queremos que as assinaturas deixem de ser reconhecidas por semelhança, mas por autenticidade", diz o advogado do DEM, Ricardo Vita Porto, que prepara representação para a Justiça Eleitoral. "É igual quando você vai reconhecer firma de um documento. Tem que assinar na frente do tabelião."

CONTINÊNCIA
Nomeada para ser a "Dilma da Dilma", a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, tem um obstáculo a transpor para convencer no figurino, de acordo com parlamentar do PT que esteve com ela recentemente no Planalto: Gleisi passou a integrar o grupo numeroso dos ministros que "morrem de medo" das broncas da chefe.

DATENA ALERTA
A Record está limitando as entrevistas de José Luiz Datena depois de o apresentador ter declarado à coluna que poderia voltar à Band. A orientação é que, por enquanto, ele deixe as polêmicas para seus comentários no "Cidade Alerta".

AMOR.COM

Durante a apresentação que fez ao vivo, anteontem, na internet, Chico Buarque revelou que a namorada, a cantora Thais Gulin, acompanhava a performance. Ele comentou, no ar, com João Bosco: "Olha a Thais ali". Os dois não assumem publicamente o romance.

NÃO É A MAMÃE!
Sucesso nas últimas semanas, o anúncio do PR em que Tiririca (PR-SP)exibe seus "pais" recrutou atores para fingirem ser a família dele. A "mãe" nem sequer era a mesma que Tiririca apresentou na campanha eleitoral.

CASA NOVA
O novo contrato da Casa Cor com o Jockey prevê que a mostra de decoração deixe de utilizar uma área de 11 mil m². Nela, o clube pretende construir spa, quadras e campos esportivos e ampliar seu deque, hoje com duas piscinas, para virar um parque aquático. O Jockey já reabriu a venda de um lote de 200 títulos, por R$ 30 mil.

CANTAR E CANTAR
Wagner Moura gravou a música "Creep", da banda Radiohead, para a trilha sonora do longa "O Homem do Futuro". O ator é o protagonista do filme de Claudio Torres, que estreia no dia 2 de setembro.

DA ALMA

Vai se chamar Almamaria o restaurante espanhol de tapas da rua Oscar Freire, com inauguração prevista para o fim de setembro em frente ao hotel Emiliano. O projeto é do arquiteto Arthur Casas.

PAULISTANO
Enquanto aguarda sua total recuperação de uma cirurgia para estrear no São Paulo, o jogador Luis Fabiano tem aproveitado o tempo livre na capital paulista. Anteontem, ele e um amigo tomavam vinho tinto e experimentavam diferentes queijos no restaurante Zena, que fica nos Jardins. O Fabuloso deixou o local cedo, dirigindo sua própria BMW.

ÓPERA POP A meio-soprano Katherine Jenkins apresentou no Teatro Abril versões eruditas de músicas populares, como "No Woman, No Cry", de Bob Marley

CURTO-CIRCUITO

A Tucca (Associação Para Crianças e Adolescentes com Câncer) completa 13 anos com a marca de 1.500 pacientes atendidos.

O Olodum tocará na festa Gambiarra hoje. No clube The Week, às 23h. 18 anos.

Tiago Guiness e Suellen Santana são os DJs convidados de hoje no Sonique. A partir das 22h. 18 anos.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

JOSÉ SIMÃO - 'A Fazenda 4'! Todos fazendo de 4

'A Fazenda 4'! Todos fazendo de 4
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SP - 22/07/11

Devido aos quadrúpedes, devia ser "Fazenda de 4"! E com a Bruna Surfistinha é "Fazendo de 4"!


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Confirmado! A final da Copa América vai ser em Minas: UrugUAI x ParagUAI! Rarará!
E "A Fazenda 4"? Devido ao número de quadrúpedes, devia ser "Fazenda de 4"! E com a Bruna Surfistinha no elenco é "Fazendo de 4"! Bruna Surfistinha em "Fazendo de 4"! Rarará!
Adorei o elenco trash da "Fazenda": Bruna Surfistinha, Cumpadre Washington, João Kléber, Renata Banhara, Valesca Popozuda e Dinei do Corinthians! Isso é fazenda ou prisão agrícola? Rarará! A nata da bagaça! Fazenda, um programa CULTURRAL! E eu sei o que eles criam naquela fazenda: PELANCA! Só tem pelanca e tatuagem despencada! E eu vi uma cena bizarra: o Cumpadre Washington mexendo o molho do macarrão com a mão. AAAARGH! Voce comeria um macarronada feita pelo Cumprade Washington? E o João Kléber? Mas ele não estava em Portugal? Fazendo programa de pegadinha? Imagine fazer pegadinha com português? Tem que explicar. Pegadinha com bula! Rarará!
E diz que o João Kléber vai servir de repelente. Nem pernilongo e muriçoca suportam. Deixa ele em pé no quarto a noite inteira! Rarará!
E a Valesca Popozuda? O Popozão da Valesca só cabe em TV 56 polegadas. Aquilo não é uma bunda, é um abuso de autoridade. Bunda tipo marquise: é tão grande que, quando chove, só molha a parte de cima! Rarará!
E eu já disse que aumenta o periquitério da Dilma. Mais uma periquita pro ministério. Convidou a dona do Magazine Luiza pra pasta da Micro e Pequena Empresa. Micro não pode ser, porque ela pesa uns 200 kg. Rarará! Finalmente uma ministra de peso! E ela é a imagem do bum econômico da Já Era Lula.Ou seja, ela é o Abílio do Lula.
Por falar em Abílio, o Piauí Herald diz que o Pão de Açúcar agora quer fazer fusão com o Corcovado. Rarará! E a única fusão que deu certo foi aquele supermercado em Campos do Jordão: CARREFULVIO!
E mais dois pra minha série Os Predestinados! Dono de pedreira em Guarulhos: Fausto MARTELLO. E sabe como se chama o gerente da Caixa em Curitiba? Diego TARIFA! Quando ele nasceu, a mãe gritou: vem pra Caixa você também! Rarará! Nóis sofre mas nóis goza. Que eu vou pingar o meu colirio alucinógeno!

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Crescem lojas de conveniência em postos de gasolina
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 22/07/11

Em busca de melhores margens de lucro, postos de gasolina vêm investindo em lojas de conveniência, que apresentaram crescimento médio acima dos 10% nos últimos três anos.
O país deve fechar 2011 com quase 7.000 lojas de conveniência nos postos. No final de 2015, a estimativa é que estarão em funcionamento pouco mais de 10 mil estabelecimentos do gênero.
Até dezembro de 2010, o país tinha 6.153 lojas em postos de gasolina. Isso significou avanço de 12% ante o total verificado em 2009.
Há pouco mais de 35 mil postos no país, o que mostra que ainda há bastante espaço para novas lojas.
"A margem bruta com a venda de combustíveis não passa de 10%. É baixa, já esteve perto de 20%. Então, os postos têm que descobrir novos serviços", afirma Pedro Paulo Batista, diretor de patrimônio do Sindcomb-RJ (Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e de Lojas de Conveniência do Rio).
O forte crescimento do mercado atrai cada vez mais novos "players".
Nos últimos cinco anos, grandes redes varejistas que têm postos de gasolina, como Walmart e Lojas Americanas, passaram a investir em lojas em postos.

PARADA PARA ABASTECER
Marcas de fast food como Bob's e Spoleto também partiram para os postos de gasolina, atraídas pelo incremento das vendas do varejo e pelo aumento da frota de carros.
As vendas médias das lojas em postos cresceram acima dos 50% em 2010.
Para Flavio Franceschetti, consultor do Sindicom, "a mentalidade de 'ter loja só para ter', que provocou o surgimento de simulacros de loja, está sendo superada pela de 'ter loja para se diferenciar'". Os preços também caíram, avalia.
Abertas há 25 anos, essas lojas cobravam mais caro do que pequenos mercados e padarias de bairro.
"Hoje, as lojas já olham padarias como concorrentes."

AÇO FUNDIDO

A Açotubo, especializada na distribuição de aços e tubos, investirá R$ 33 milhões na ampliação de fábricas e galpões e na compra de máquinas para o lançamento de uma linha de produtos.
A companhia acaba de abrir filiais para estoque em Sertãozinho (SP), Ipatinga (MG) e Serra (ES).
O plano de expansão reflete as novas necessidades da empresa, após a fusão com a Incotep e a Artex, que cortam as peças de aço no tamanho exigido pelo cliente.
"O comprador quer ter menos trabalho e exige o produto acabado", diz o sócio José Antonio Ribamar Bassi.
O faturamento das três empresas no ano passado foi de cerca de R$ 680 milhões, sendo que a Açotubo representou 70% do montante.
A companhia reduziu a previsão de crescimento neste ano de 27% para 20%. "A queda no preço de alguns produtos influencia os resultados." A projeção de faturamento para 2012, porém, foi mantida em R$ 1 bilhão.

ARTE 40 GRAUS
Os empresários Luiz Calainho e Alexandre Accioly são os novos sócios de Elisangela Valadares e Brenda Valansi Osorio na ArtRio (Feira Internacional de Arte do Rio de Janeiro).
"Vamos transformar a feira em um negócio vivo o ano inteiro, com uma série de eventos e exposições menores", diz Calainho.
A primeira edição da feira, que recebeu investimento de R$ 1 milhão da Prefeitura do Rio, vai acontecer de 8 a 11 de setembro, no Pier Mauá, com ingresso a R$ 30.
"A ideia é levar a arte contemporânea para o Carnaval e outros festivais."
Cerca de 80 galerias estão confirmadas, sendo 50% delas estrangeiras, como a Leon Tovar, de Nova York, e a Riccardo Crespi, de Milão.
"Com a crise na Europa, os colecionadores passaram a olhar para o mercado latino-americano. O crescimento econômico do Brasil também gera crescimento cultural", diz Osorio.

BANCO NA TV

A partir de hoje, clientes do Banco do Brasil poderão realizar transações bancárias por meio do controle remoto de suas televisões. A solução foi desenvolvida em parceria com a Totvs.
Para funcionar, é preciso que a TV esteja conectada a um conversor de TV digital com software de interatividade e o selo Sticker Center, segundo o banco.
"Por enquanto, a solução vem embarcada nos conversores das marcas Visiontec e D-Link, mas a previsão é que, nos próximos meses, a tecnologia esteja presente em equipamentos de outras marcas", informa a instituição.
O Bradesco lançou em junho em parceria com a Samsung, seu aplicativo para serviços financeiros em TVs.
A ferramenta permite que o cliente acesse sua conta para fazer consulta de saldos e extratos diretamente nos aparelhos de televisão ou Blu-ray compatíveis e conectados à internet.

Casa... 
Os contratos novos de locação residencial na cidade de São Paulo subiram 1% em junho, na comparação com os contratos assinados em maio, segundo o Secovi-SP (Sindicato da Habitação).

...nova 
No acumulado em 12 meses, a alta é de 17,6%. A falta de imóveis para alugar justifica a elevação dos preços.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK, VITOR SION e CIRILO JUNIOR

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

No gogó
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SP - 22/07/11

O Ministério da Previdência levou a Dilma Rousseff simulações sobre as vantagens de se alterar o sistema de aposentadoria do serviço público. A presidente determinou que os cálculos sejam submetidos a instituições como o Ipea e o IBGE. Se a lógica for consolidada, ela mostrou disposição em "patrocinar" o projeto. Mas deixou claro que é preciso uma estratégia de comunicação para que as mudanças não sejam vistas como "punição" ao funcionalismo.
Segundo a Previdência, um servidor que entra hoje nos quadros do Estado com salário de R$ 10 mil se aposentaria com R$ 11,4 mil. Já com um fundo de pensão para o setor, o benefício chegaria a R$ 13,3 mil.

Fila 
Com a audiência de ontem entre Dilma e Pedro Novais (Turismo), Moreira Franco (Assuntos Estratégicos) é o único na Esplanada que até hoje não teve reunião oficial e individual com a presidente. O ministro está em missão oficial a Roma.

Medindo... 
O discurso de Luiz Antônio Pagot ao governo continua o de não se conformar com suspeitas em relação à sua conduta. Mas com a ressalva de que não representará constrangimentos, "até porque a vida não acaba amanhã".

...o pulso 
Avaliação no Planalto: depois dos elogios públicos de Tarso Genro a Hideraldo Caron, tudo indica que ele trocará o Dnit pelo governo gaúcho.

Rinha 

O presidente do PTB, Roberto Jefferson, usou o apelido que deu ao desafeto Valdemar Costa Neto durante o escândalo do mensalão para dizer não acreditar em retaliação do PR ao governo. "Dilma não parece ser o tipo que teme galo mutuca [fujão]", escreveu no blog.

Ação social 
Uma campanha pelo voto consciente, feita sem custos adicionais, levou o Senado a figurar em premiação da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing. Mas vai ter que entrar com R$ 13 mil para o rateio da solenidade, que inclui troféu e medalha.

Turma... 
Secretários de Geraldo Alckmin passaram o dia dando explicações nas ruas, por telefone e pelas redes sociais sobre a mudança no discurso do tucano, agora disposto a investir no Itaquerão. Os mais cobrados eram os que torcem pelo Corinthians, dono do estádio.

...do amendoim 
Santista, o governador relatou a sindicalistas com quem se reuniu no Bandeirantes que também foi inquirido por palmeirenses e são-paulinos sobre a decisão de bancar a capacidade extra para a partida inaugural da Copa.

Fio da navalha 
Refém do discurso de campanha refratário à injeção de verba pública em estádios, Alckmin só cedeu ao consórcio Corinthians-Odebrecht na iminência do fracasso do acordo com o clube. Sabia que a perda da abertura lhe seria creditada em 2014.

Porta-voz 
A equipe do tucano só não imaginava que caberia a um dirigente da construtora o anúncio da cifra estimada para a locação da estrutura provisória, já apelidada de "puxadinho".

Retrovisor 
Nas entrevistas concedidas ontem sobre o Itaquerão, Alckmin sublinhou que a decisão de São Paulo pleitear a abertura da Copa fora tomada "lá atrás, em 2007" -primeiro ano da gestão de José Serra.

Bloqueio 
O governo do Maranhão perdeu R$ 7 milhões de recursos federais, da Secretaria de Direitos Humanos, destinados à construção e reforma de unidades para adolescentes infratores. O Estado não teria apresentado projeto e contrapartida.

tiroteio

"Como deputado federal, estou cobrando verbas que o governo prometeu ao Estado e não honrou. Não aceito calote."
DO PRESIDENTE DO PSDB, SÉRGIO GUERRA (PE), sobre críticas de petistas por ele ter ido ao Planalto tratar de emendas para Pernambuco.

contraponto

Santa de casa

Em audiência pública no Senado, Katia Abreu (TO) questionava o ministro Fernando Haddad (Educação) sobre o suposto descontrole no processo de escolha das publicações distribuídas nas escolas:
-É preciso identificar todos os envolvidos, pois no Brasil não há santo. Tem gente ruim em todo lugar.
O presidente da Comissão de Educação, Roberto Requião (PMDB-PR), a interrompeu:
-Senadora, por favor, só quero aqui reivindicar a santidade da Irmã Dulce...

NELSON MOTTA - Pagar, doar, contribuir

Pagar, doar, contribuir
NELSON MOTTA

 O Estado de S.Paulo - 22/07/11

Lula já tem agendadas 23 palestras até o fim do ano no Brasil e no exterior, que devem lhe render no mínimo 6 milhões de reais. Somando-se o que já faturou até agora, e o que ainda virá, vai fechar o seu ano fiscal bem acima dos 10 milhões. Nada mal para um primeiro ano de atividades, nada contra também, muito pelo contrário, ele merece, vale quanto pesa. Na sociedade de livre mercado ele está valorizado e é justo que seu custo seja proporcional aos benefícios que traz aos que o pagam.

Ver a cara, a fúria e os palavrões de Lula ao assinar sua declaração de renda e preencher um cheque de pelo menos 3 milhões de reais para a Receita Federal não tem preço.

Lula vai sentir na própria carne a sensação de quem trabalhou, viajou, se esforçou, se cansou e aturou chatos durante quatro meses do ano, exclusivamente para alimentar o Leão.

Mas depois das mordidas, dos milhões que vão lhe sobrar, quanto ele vai doar ao PT, ao Instituto Lula, a causas sociais? Mas como doação mesmo, não como renuncia fiscal via Lei Rouanet ou do ICMS, que é outra incógnita: que artistas e ONGs merecerão fatias de renuncia fiscal da empresa de palestras de Lula? Velhos companheiros já estão sonhando com doações generosas de seu rico correligionário para as campanhas eleitorais de 2012.

Com certeza ele sabe muito bem como, onde, por que e por quem são gastos os nossos impostos. Agora vai sentir como os quatro meses de trabalho dele são torrados. Porque imposto no bolso dos outros não é refresco, é verba pública.

O vício já vem do verbo: pagar ou contribuir? Enquanto nos Estados Unidos e na Inglaterra os pagadores de impostos e taxas são chamados de "tax payers", aqui nos chamam de contribuintes, que logo remete a algo facultativo, circunstancial:

"O senhor pode contribuir para a nossa obra social?" "Agora não dá, passa na semana que vem, tá?"

Assim, as contrapartidas do Estado também ficam relativas e opcionais. Pagadores se sentem com muito mais moral e autoridade para cobrar serviços e ações do Estado do que meros contribuintes.

Lula vai sentir no bolso as diferenças entre uns e outros.

MÍRIAM LEITÃO - União reforçada

União reforçada
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 22/07/11
A Europa decidiu dobrar a aposta na união monetária. O que se viu nas últimas horas foi um esforço coordenado de encontrar uma engenharia financeira que dê mais tempo à Grécia e tente prevenir o contágio. O outro caminho da Europa poderia ser lançar os frágeis ao mar - o que os levaria a voltar para as suas moedas - enquanto os fortes continuariam sendo partes da União.

Só há dificuldades à frente para manter a União Europeia da maneira como ela foi concebida, mas os líderes estão fazendo um esforço extraordinário para resgatar e sanear a Grécia, criar um cordão de isolamento que proteja outras economias, e seguir em frente com o projeto de união. Não fazem isso pelas belas colunas gregas, mas porque os bancos de outros países e o Banco Central Europeu (BCE) estão expostos à dívida dos gregos. Mesmo assim, o que os grandes países fizeram foi redobrar a aposta, aumentando os recursos de ajuda, e obrigando os bancos a participar dos custos de uma solução.

A Alemanha estava certa desde o início. Não haveria solução possível sem a participação do setor privado. Em certo ponto, é uma proposta com os princípios do acordo de renegociação da dívida da América Latina. Na nossa crise, houve uma troca total de títulos das dívidas velhas por novos papéis, com desconto no valor do principal. Os bancos aceitaram perder. Desta vez, há um outro desenho: os governos centrais reforçam o caixa do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, os bancos pagam parte da conta, o FMI também entra no financiamento, e a Grécia tem mais tempo e menos juros para pagar sua dívida.

A solução foi sendo desenhada na reunião interminável de quarta-feira em Berlim, entre a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy. Depois, o presidente do Banco Central Europeu, Jean Claude Trichet, entrou na conversa para o desenho final. Ainda é cedo para dizer que toda essa engenharia financeira resolverá a fila de problemas que o continente tem, mas é tempo suficiente para dizer que, testados no limite, os líderes europeus já demonstraram duas vezes que querem sim manter o projeto político de uma federação de nações com a mesma moeda, ainda que isso seja tão difícil de sustentar em tempos de crise. A primeira demonstração foi dada na criação do Fundo de Estabilização, e agora no desenho de uma proposta de resgate da Grécia e de medidas preventivas para outras economias fragilizadas pela longa crise.

A crise mostrou o tamanho de cada país. A Alemanha foi a líder incontestável do processo; a França resistiu às propostas alemãs e, nas últimas horas, entrou com ideia alternativa, como a de um imposto sobre os bancos, mais difícil de executar. Acabou cedendo ao projeto desenhado pela Alemanha de fazer os bancos participarem do custo de construção de uma solução. A Itália de Silvio Berlusconi é parte do problema porque também está endividada demais e recentemente foi a fonte de um dia de sobressaltos no mercado financeiro. A Inglaterra, que não faz parte do euro e manteve a sua libra, teve mais uma vez aquela atitude de distanciamento, resumida na famosa piada sobre eles. Quando o nevoeiro na região impede os voos entre a Grã-Bretanha e o resto da Europa, os ingleses dizem: "o continente está isolado." Eles são uma ilha à parte. Nos últimos dias, têm vivido seu próprio inferno, com o escândalo Murdoch que virou crise política, além de estarem economicamente fracos.

Como se sabe, o diabo mora nos detalhes e ontem estavam todos ocupados com o detalhamento dos pontos do acordo. Em princípio, ele estabelece que a Grécia terá uma redução das taxas de juros e mais tempo para pagar a ajuda que já recebeu. Antes, o período máximo era de 7,5 anos; agora, o período mínimo será de 15 anos. Além disso, os gregos receberão outro aporte de pelo menos 109 bilhões, além dos 110 bilhões que receberam, o que fará o socorro passar de 90% do pib. Para evitar um contágio, Irlanda e Portugal também poderão receber aportes com as mesmas condições.

A participação do setor privado é a grande novidade e foi estimada inicialmente em 37 bi. Os líderes europeus falaram de um menu de opções para que os bancos possam aderir voluntariamente ao programa, mas o cardápio não foi revelado. Normalmente, nessas negociações, há uma mistura de alongamento de prazos ou desconto. O banco que aceita um desconto maior recebe mais rápido. O banco que dá um desconto menor demora mais para receber.

O "Financial Times" afirmou que as três principais agências de risco vão classificar o socorro grego como moratória - que seria a primeira de um país da Zona do Euro - porque os credores não vão receber no prazo. Isso quer dizer que haverá perda para os bancos por meio do mercado de seguros CDS (Credit Default Swap). Quem estiver com seguro contra calote na mão poderá repassar a fatura. Mas há interpretações diferentes no mercado. Há quem considere que em se tratando de uma adesão voluntária dos bancos não seria tecnicamente um calote.

Também foi permitido que o Fundo Europeu de Estabilização compre dívida pública no mercado secundário e mantenha o socorro a bancos da Zona do Euro mesmo em países que estejam de fora do pacote, por meio de aporte aos governos. O BCE foi obrigado a ceder e aceitar títulos gregos como colateral, ainda que eles sejam rebaixados pelas agências.

Pode ser que nada disso dê certo. Afinal, nunca foi tão grande o ceticismo com relação ao futuro da união monetária entre países com tantas diferenças. Apesar disso, o euro tem desafiado as previsões e se fortalecido diante do dólar. Nas últimas 48 horas os líderes da Europa deram uma impressionante demonstração de que querem continuar com o projeto.

ROGÉRIO L. FURQUIM WERNECK - Malbaratando o pouco que se investe

Malbaratando o pouco que se investe
ROGÉRIO L. FURQUIM WERNECK
O ESTADÃO - 22/07/11

Em meio ao debate econômico, há uma ideia que comanda amplo consenso no País: é preciso elevar a taxa de investimento. Para manter crescimento relativamente rápido, o Brasil tem de passar a investir uma proporção bem maior do PIB. Como conseguir isso é outra questão. Que já não comanda tanto consenso. Embora muitos entendam que a chave para o salto no investimento esteja no aumento da geração de poupança pelo governo, não falta quem acredite que, de uma forma ou de outra, a taxa de investimento pode ser elevada na marra.

Deixando de lado fantasias voluntaristas, é bom ter em mente que mesmo políticas bem concebidas, focadas no aumento da taxa de investimento, não trarão resultados espetaculares, da noite para o dia. Isso significa que o Brasil terá de conviver por algum tempo com taxas de investimento relativamente baixas. E que, portanto, é absolutamente crucial assegurar que o parco esforço de investimento que o País tem conseguido fazer seja tão eficiente quanto possível. Desperdícios de investimento, numa economia que já investe tão pouco, tendem a ser especialmente custosos.

Dessa perspectiva, o quadro que hoje se tem no País parece desolador. Basta ter em conta o variado painel de desperdícios que se vê em alguns dos mais dispendiosos programas de investimento do governo. O grande destaque é o desajuizado e faraônico projeto do trem-bala, que padece de problemas de todo tipo, amplamente ressaltados pelos mais variados analistas. Depois do fracasso retumbante da licitação da semana passada, o governo quer agora dobrar a parada. Vai decompor a licitação em duas. E, para estimular o interesse dos investidores, está disposto a oferecer, além de farto financiamento subsidiado do BNDES, a perspectiva de um orçamento em aberto, com garantia de que as perdas serão cobertas pelo Tesouro.

Preocupam também as contradições e os custos cada vez maiores da política protecionista inconsequente que o governo vem impondo à Petrobrás. A exigência de que os equipamentos supridos à empresa tenham pelo menos 65% de conteúdo nacional vem tendo o efeito que se esperava: brutal encarecimento dos investimentos no pré-sal. A empresa vem sendo obrigada a suspender a licitação de sondas de perfuração, em vista dos preços absurdamente altos apresentados pelos licitantes.

A Petrobrás vem arcando, também, com o ônus da construção de refinarias no Nordeste, que, embora não façam sentido para a empresa, se transformaram em promessas de campanha na eleição presidencial. A maior delas está sendo construída em problemática sociedade com a PDVSA, na esteira de mais uma aposta equivocada da política externa. A estatal venezuelana, que já vinha enfrentando dificuldades para apresentar garantias aceitáveis ao BNDES, financiador da obra, passou agora a alegar que seu custo se tornou excessivo.

É importante notar que, como boa parte dos recursos públicos destinados a investimento tem passado pelo BNDES, a instituição está profunda e diretamente envolvida em todos esses casos de ineficiência. Basta ter em conta o papel crucial que o banco desempenhou em cada uma das iniciativas de investimento mencionadas acima.

Para coroar o quadro de desperdício de investimento público, o País toma conhecimento do amplo esquema de corrupção que há tempos se instalou no Ministério dos Transportes. E acompanha a deprimente atualização diária do mapa das suas intermináveis ramificações. O que se constata é que há um leque variado de razões para o gritante desperdício que hoje se vê. A ineficiência do investimento pode advir de puro desatino, como no caso do trem-bala, de decisões eleitoreiras, como no caso das refinarias, de formulações impensadas de política industrial, feitas sob forte influência de interesses especiais, como no caso da compra de equipamentos para o pré-sal, ou de simples e escancarada corrupção, como no caso dos Transportes. Já é o momento de o País passar a dar destino mais nobre aos recursos que, a duras penas, tem conseguido mobilizar para investimento.

MERVAL PEREIRA - Sinais de alerta

Sinais de alerta
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 22/07/11
O quinto aumento seguido da taxa Selic na gestão Dilma Rousseff parece demonstrar que o governo está claramente perdendo a batalha das expectativas. Até 2010, quando o ano começava, às vezes pairava alguma dúvida sobre o cumprimento da meta estrita naquele ano, mas havia uma fé completa de todos os agentes econômicos de que ela seria cumprida no ano seguinte, ou seja, entendia-se que qualquer desvio da meta seria temporário.

Essa percepção devia-se à credibilidade do Banco Central sob a presidência de Henrique Meirelles. Desde o início do governo Dilma, esta credibilidade foi se deteriorando.

Não apenas havia uma enorme desconfiança no cumprimento da meta de 2011, como também os melhores previsores do Focus (pesquisa semanal que coleta as projeções de analistas do mercado financeiro para a inflação) também não acreditavam no cumprimento da meta de 2012.

Pior ainda: para esses chamados "top five" do médio prazo, a expectativa aumentou para 2012, e agora está em 5,3 %, embora tenha diminuído um pouco nas últimas semanas.

Para o economista Fabio Giambiagi, que enumerou essa sucessão de indicadores do mercado financeiro, o governo erra em não levar esses sinais a sério: no início do ano, quando o governo dizia que a taxa de 2011 ficaria apenas um pouco acima da meta de 4,5 %, esses "top five de médio prazo" (os que melhor taxa de acerto têm) apontavam para 2011 uma inflação de 6,0%, e hoje ela está em 6,75%, como mostrou o IPCA-15, acima do máximo da meta, que é de 6,5%.

Giambiagi lembra que este ano o governo vem melhorando suas contas de três formas:

I) aumento forte da arrecadação, em parte pelo rescaldo do reflexo do crescimento de 2010 sobre os balanços e os rendimentos no ano em curso;

II) contenção do investimento (a despesa de capital caiu 5 % reais até maio);

III) "arrocho" nas contas do OCC ("outras despesas de custeio e capital") que não FAT, Bolsa-Família, saúde, etc.

"Nada disso é reproduzível em 2012", diz ele: a receita não aumentará tanto, após um ano de crescimento mais normal do PIB, o investimento terá que retomar uma dinâmica positiva tanto pela aproximação da eleição de 2014 como pelas obras da Copa, e após o "arrocho" de 2011 não haverá muito o que cortar em itens como diárias, viagens e outras despesas menores que claramente estão sendo contidas este ano.

Ao mesmo tempo, o aumento do salário mínimo vai onerar as contas em 0,3% do PIB. "O resultado dessa soma de elementos, tudo indica, será a redução do superávit primário como proporção do PIB".

Giambiagi vê o governo caminhando rumo a um sistema de "geometria variável", "em que a uma meta de inflação que na prática não condiciona a ação das autoridades, vai se somar uma segunda meta - a fiscal - que também não será uma meta efetiva".

O próprio governo parece reconhecer isso, ressalta o economista, quando admite descontar algumas rubricas da meta fiscal do ano que vem. "É como se uma pessoa fizesse ao médico uma promessa de entrar em uma dieta rígida, mas na prática do consumo diário de calorias não incluísse o doce depois do almoço e só contabilizasse um dos três bombons depois do jantar. É um exercício de auto-engano".

O aumento já contratado de cerca de 14% no salário mínimo do próximo ano, e os aumentos reais para os aposentados que ganham mais de um mínimo já aprovados pelo Congresso, só farão impactar o déficit da Previdência, e Fabio Giambiagi acha difícil que se concretizem os rumores de que a presidente Dilma pretende promover a regulamentação do sistema de previdência complementar dos servidores públicos, aprovado pelo Congresso em 2003 e que nunca entrou em vigor.

Ele ressalta que tanto em 1999, com Fernando Henrique Cardoso, como em 2003 com Lula, as reformas previdenciárias que ambos governos fizeram tiveram diagnóstico claro acerca das razões da proposta; coordenação firme do processo por parte da Fazenda; liderança política clara do Presidente da República em pessoa; e suporte partidário muito forte, na forma da aliança PSDB-PFL e parte do PMDB com FHC e da aliança inicial montada pelo Lula em 2003 e que naquele ano se mostrou politicamente muito eficiente.

"A comparação daquelas condições com as atuais chega a ser cruel para com o governo Dilma, onde ninguém consegue vir a público falar abertamente da questão, a Presidente não se envolve com o tema, o ministro da Fazenda não participa de reuniões para tratar do assunto e o entendimento no interior da base aliada acerca de qualquer coisa não é dos melhores", comenta Giambiagi.

Em 2003, com Lula no auge da sua força política, o governo demorou 8 meses para aprovar a reforma, que foi enviada ao Congresso em abril e aprovada em dezembro.

"Agora há conversas entre Fazenda e Previdência à qual tenho a impressão que ainda não se incorporaram os advogados, o que é um capítulo importante para dar consistência jurídica a qualquer proposta, e depois ainda restará a etapa da negociação com as centrais sindicais".

Pelo andar da carruagem, esse projeto, se vier a conhecer a luz, não tomará estado público antes do último trimestre do ano, avalia Giambiagi.

"Com isso, o calendário de votação entrará no segundo semestre de 2012, o que significa que não será votado por ser ano eleitoral e ficará para 2013. Aí será necessário ver como Lula - cada vez mais solto como possível candidato para daqui a 3 anos - vai encarar o assunto".

O economista Fabio Giambiagi faz uma comparação entre a situação atual do Brasil e a Grécia antes da crise econômica: "O Brasil está muito melhor do que a Grécia, não há dúvida nenhuma, mas o que se diz sobre a Grécia hoje? O país não aproveitou os anos de bonança do euro para melhorar a sua situação. O que os gregos fizeram? Aumentaram o gasto público e continuaram se aposentando muito cedo".

Fabio Giambiagi diz que, quando pensa "no que estamos deixando de fazer em matéria de reformas, inebriados pela euforia destes anos", teme pelo futuro, ainda mais se constatarmos que "o Parlamento brasileiro está cheio de oradores gregos".

BRAZIU: O PUTEIRO

ELIANE CANTANHÊDE - Guerra de dossiês

Guerra de dossiês
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SP - 22/07/11
BRASÍLIA - Quantos ministérios o PTB tem no governo? Nenhum.
E algum cacique ou parlamentar do partido anda triste pelos cantos, ameaçando romper? Não.
Tenham ou não ministérios, os petebistas são governo -e não pelos belos olhos de Dilma. Foram governo com Fernando Henrique, continuaram com Lula e não largaram o osso nem mesmo quando o chefão Roberto Jefferson detonou o mensalão e explodiu a aura do PT. Transporte-se (a alusão ao ministério em crise não foi por acaso...) a premissa para o PR e conclui-se que as ameaças dos "republicanos" depois da perda dos Transportes não passam de "chororô de derrotados", como Lula classificou a inglória resistência dos iranianos ao regime Ahmadinejad.
O PR, como o PTB, não sabe fazer política sem as benesses do poder. Ninguém imagina Valdemar Costa Neto e Lincoln Portela, por exemplo, engrossando o coro da oposição no primeiro ano de mandato, com um horizonte sorridente de verbas, favores e empregos, no mínimo pelos próximos três anos e meio. E as verbas, favores e empregos não são exclusivos dos Transportes e de Brasília. Ali só eram mais concentrados e mais fáceis.
Costa Neto é acusado de participar de reuniões nos Transportes. Além de não negar, ele provavelmente vai dizer que também participa na Saúde, na Educação, nas Cidades... Conhece bem os caminhos. E não vai perdê-los totalmente pelos percalços nos Transportes. Vão-se os Transportes, fica toda uma Esplanada dos Ministérios.
Há, porém, um outro tipo de risco para Dilma ao confrontar cobras criadas: em vez de agirem às claras na oposição, elas podem agir sorrateiramente numa guerra de dossiês. Se capotaram por denúncias nos Transportes, bem podem engarrafar o trânsito do PT. Além de, como Valdemar, conhecerem bem os caminhos, os "republicanos" sabem direitinho, como o petebista Jefferson, onde ficam os buracos.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Política hoje não é coisa de partido...”
EX-PRESIDENTE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, SOBRE SEU SITE “APARTIDÁRIO”.

FAMÍLIA DE DEPUTADO FATURA COM DNIT 
O MPF investiga irregularidades em licitações na seção do Piauí do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), comandado por Sebastião Ribeiro, cunhado do deputado federal Marcelo Carvalho (PMDB). A campeã de licitações é a Construtora Jurema, de propriedade dos irmãos do deputado, com contratos milionários. Completa o feudo o filho do deputado, Castro Dias Neto, secretário de Infraestrutura do Estado, que também fez pagamentos
à Jurema. 

PELA ESTRADA AFORA... 
A Construtora Jurema, dos irmãos Humberto e João Castro, fatura mais de R$ 300 mil por mês nas obras de manutenção da
BR-343.

TIÃO SORRISO 
Servidor do Dnit e alçado ao trono pelo deputado cunhado, Ribeiro, o Tião Sorriso, se gaba de ter gastado meio milhão no casamento da filha.

CANTA PARA MIM 
Humberto Carvalho ganhou o governador Wellington Dias ano passado. Pagou show privado de José Augusto para ele e mulher, fãs do cantor.

APARTE
Marcelo Castro diz que os irmãos têm a construtora há 40 anos, quando ele ainda era médico, e que atuam com lisura nas licitações. 

GOVERNO DO RIO: “TREM DE EMPREGOS” NA CHINA 
A invasão da China entra nos trilhos também no Rio, com nova importação de 60 trens para a SuperVia, que administra os trens da capital. A “concorrência pública” internacional, em setembro, mal disfarça a crescente desindustrialização e a injustiça fiscal em mais um setor no País: o governo compra sem pagar imposto de importação, ao contrário da indústria ferroviária, que perde encomendas. E empregos. 

ALTA QUALIDADE 
O governo do Rio promete “padrão internacional de qualidade”. Resta saber se controlará os frequentes problemas nas linhas do metrô. 

PERGUNTA SUBMERSA 
Ao lançar a construção do primeiro submarino nuclear brasileiro, Dilma avisou que era “para defesa”. Se atacados, chamamos o Super-Homem?

CALENDÁRIO DE VACINAS 
A economia da Europa está gripada, a dos EUA espirrando, e no Brasil o preço do lenço de papel está pela hora da morte. 

MISTÉRIO NO AR 
O comandante do voo 6010 da Avianca, após 1h20 de atraso para decolar ontem de Congonhas para Santos Dumont, avisou que o motivo foi uma “operação presidencial” no aeroporto carioca. A presidenta estava em Brasília, e o Palácio não confirmou nenhum voo para o Rio de Janeiro.

ZONA VERMELHA 
O Departamento de Estado emitiu alerta aos americanos sobre a segurança em hotéis de luxo no Rio, após o assalto em Santa Teresa, na segunda (18), e ao Intercontinental, na Zona Oeste, em agosto passado. 

O “FOGO” DO PR VIRA... 
“Nunca disse que o governo está brincando com fogo”, afirmou ontem no Twitter o líder do PR na Câmara, deputado federal Lincoln Portela, exigindo “apuração rigorosa das denúncias no Dnit e Transportes”. 

... “POSICIONAMENTO IDEOLÓGICO” 
Portela diz apoiar a convocação do ministro Paulo Passos e ter quatro requerimentos em quatro Comissões para “esclarecimentos” de Luiz Pagot e do ex-ministro Nascimento. “Temos posicionamento ideológico”. 

MAGAZINE LUIZA SEM GRANA
Juiz em São Paulo se surpreendeu com o caixa zerado do gigante do varejo, ao cobrar indenização de R$ 15,3 mil por danos morais a microempresário. Após acordo, pagou R$ 23,4 mil. Luiza Trajano, dona da rede, é cotada para o ministério da Micro e Pequena Empresa.

ATRASADÃO 
Guido Mantega (Fazenda) deve autorizar hoje, enfim, o Plano de Investimentos da Petrobras para 2011, de US$ 224,5 bilhões. Só assim a estatal poderá participar dos leilões de blocos da ANP, travados.

NOTÍCIA VELHA 
A Petrobras admitiu ontem (21), que vai construir sem a PdVSA a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, como antecipou a coluna, em junho. O aporte de R$ 3,6 bilhões do porralouca Chávez sumiu no ralo. 

DONA DO CONGRESSO 
Marinor Brito (PSOL-PA) desconhece as normas da Casa Alta e se empolgou numa entrevista para rádio de Belém. Disse que era a única senadora do Brasil a responder pelo Senado pelo período de recesso. 

NÚMERO MÁGICO 
Dilma já demitiu 16 no DNIT. Faltam 155 para 171. 

PODER SEM PUDOR
O FRACASSO DE EUFROSINO 
Eufrosino Pedro era dono de bar em Pirassununga (SP), nos anos 50, e se candidatou a vereador. Uma placa no boteco convidava: “Beba uma pinga de graça e leve meu santinho”. Foi um sucesso, até virou parada obrigatória de caminhoneiros. Teve só 11 votos – o número de eleitores na família. Eufrosino cobrou a traição do primeiro caminhoneiro que passou. 
– Como? Eu votei no senhor, lá em Goiás! – jurou o homem. 
Eufrosino descobriu, desolado, que teve votos em muitas cidades e até outros Estados. Em Pirassununga, que é bom, nada.

SEXTA NOS JORNAIS

- Globo: Portos inaugurados há dois anos afundam na Amazônia

- Folha: Europa aprova socorro que deve levar Grécia ao calote

- Estadão: Dnit libera verba de estradas para fazer casas

- Correio: Três vidas soterradas pelo descaso

- Valor: Aditivos param trechos de obras no São Francisco

- Estado de Minas: Impasse na mesa de bar

- Jornal do Commercio: Justiça ordena fim da greve no Detran

- Zero Hora: Inundação