segunda-feira, julho 18, 2011

GOSTOSA

JOSÉ GOLDEMBERG - Os problemas mundiais de energia


Os problemas mundiais de energia
JOSÉ GOLDEMBERG
O Estado de S.Paulo - 18/07/11

Viena, a bela capital do Império Austro-Húngaro, foi um dos mais importantes centros culturais da Europa desde o século 18 até 1938, quando a Áustria foi incorporada pelos nazistas à Alemanha. Nesse longo período, em Viena brilharam Mozart, Beethoven, Strauss e inúmeros outros expoentes da música e da cultura. Sigmund Freud, que viveu desde os 4 anos de idade nessa cidade, ali criou a psicanálise.

Hoje em dia Viena é a sede de numerosas organizações internacionais, como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). E também de renomadas instituições dedicadas à pesquisa, como o Instituto Internacional para a Análise de Sistemas Aplicados (Iiasa), que durante a guerra fria foi o único local de encontro de cientistas americanos e soviéticos. O Brasil recentemente se tornou um dos países-membros do Iiasa.

Ao que parece, estamos presenciando um renascimento das contribuições de Viena à ciência e à governança mundial. Lá se realizou, há cerca de um mês, um Fórum de Energia promovido pela Unido, no qual foram apresentados os resultados de um grupo de mais de cem técnicos e cientistas reunidos no Iiasa, que, depois de quatro anos de trabalho, relataram as conclusões de um estudo intitulado Energia, uma Avaliação Global.

Como se sabe, a energia que a nossa civilização exige origina-se em grande parte de combustíveis fósseis (carvão mineral, petróleo e gás natural). Apesar de sua enorme contribuição para promover o conforto de parte importante da população mundial, esse sistema está criando problemas que ameaçam a estabilidade e a continuidade do tipo de civilização que temos hoje.

Isso porque os combustíveis fósseis são a principal fonte de poluição nas grandes cidades e em regiões inteiras do mundo, com sérias implicações para a saúde. Emitem gases que estão provocando o aquecimento do planeta. E são a origem de inúmeros problemas que comprometem a segurança de abastecimento energético, uma vez que muitos países não têm reservas de petróleo e gás e ficam dependentes de pressões políticas dos fornecedores, como os países do Oriente Médio e a Rússia.

Além disso, pouco se faz, por causa do seu custo, para resolver o problema de quase 3 bilhões de pessoas sem acesso a formas modernas de energia nas regiões mais pobres do mundo.

As propostas que existem para solucionar tais problemas se originam, de modo geral, nos países industrializados, que têm acesso a combustíveis fósseis, mas estão preocupados com o aquecimento da Terra - o que só vai ocorrer a médio prazo, havendo ainda tempo para corrigir os rumos atuais. Daí o entusiasmo de alguns deles pela energia nuclear, que contribui para resolver essa questão, mas cria várias outras, de gravidade maior e imediata, como se viu no recente desastre nuclear de Fukushima, no Japão.

Já nos países em desenvolvimento os problemas são mais amplos, incluindo a necessidade de incorporar ao sistema os bilhões de habitantes que não têm acesso a serviços de energia moderna, além da necessidade de pagarem pela importação de combustíveis fósseis, o que compromete suas economias.

O Fórum de Energia de Viena analisou os resultados daquele grupo de cientistas reunidos no Iiasa e as soluções propostas. Esses estudos mostram que existem várias combinações de recursos naturais e tecnologias que permitiriam resolver simultaneamente os problemas acima mencionados sem a necessidade de energia nuclear nem de outras tecnologias ainda não completamente testadas, como a captura de carbono ou tecnologias planetárias ainda mais problemáticas.

A declaração ministerial que emergiu de Viena adotou três decisões básicas, recomendando aos países que adotem medidas para:

Garantir acesso universal de serviços de energia aos 3 bilhões de pessoas que não os possuem e a toda população mundial até 2030;

melhorar a eficiência no uso de energia em 40% até 2030;

aumentar a contribuição das energias renováveis no sistema para 30% até 2030.

A base técnica que deu origem a essas metas não vai exigir muito mais recursos do que os que são usados atualmente, mas seu redirecionamento. Ficou evidente no estudo que energias renováveis, como a eólica, a solar e a biomassa, que em geral são consumidas no local onde são produzidas, reduzem a insegurança energética.

Há também uma sinergia, isto é, uma complementação favorável entre maior eficiência energética e energias renováveis, porque maior eficiência permite realizar as mesmas tarefas com menos energia, o que favorece o uso das renováveis.

As metas do Fórum de Energia de Viena têm caráter global e cada país deverá tentar cumpri-las de acordo com suas características próprias. Para o Brasil elas não apresentam nenhum problema, porque nossa matriz energética já é renovável em 45%. Onde novos esforços poderão ser feitos é no uso mais eficiente de energia, o que pode ser conseguido etiquetando todos os equipamentos usados - como, aliás, já é feito com muitos eletrodomésticos - e aos poucos eliminando do mercado os menos eficientes.

No plano geral, as metas de Viena deverão ter grande impacto na conferência das Nações Unidas, em junho de 2012, no Rio de Janeiro, para marcar o 20.º aniversário da Convenção do Clima e da Convenção da Biodiversidade realizadas, também no Rio, em 1992. Com isso deverão tomar novo impulso os esforços para orientar o desenvolvimento energético numa direção sustentável.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Máquina de Vendas negocia com Visa lançamento de cartão neste ano
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SP - 18/07/11

A gigante varejista de móveis e eletrodomésticos Máquina de Vendas, resultado da associação entre Ricardo Eletro, Insinuante e City Lar, está em negociação com a Visa para assumir a bandeira de seu cartão de crédito.
O plástico deve ser lançado ainda neste semestre.
O banco emissor, o HSBC, é aliado da companhia na MV Shop, primeira ação da parceria da Máquina de Vendas com a HSBC/Losango, assinada no início deste ano, com sede na Bahia e atuação nacional.
A financeira foi inaugurada com base na carteira de 15 milhões de clientes da holding Máquina de Vendas.
O MV Card, cartão que tem foco nos clientes da nova classe média, foi idealizado com o objetivo de oferecer financiamentos para viagens, carros, motos e imóveis, entre outros benefícios.
A estimativa é que a emissão de cartões alcance 1,5 milhão de unidades até o fim deste ano.
Além do MV Card, a MV Shop pretende oferecer aos clientes do grupo outras opções, como carnês, cheques pré-datados e pagamento por meio de débito em conta-corrente bancária. Procuradas, a Visa e a Máquina de Vendas não confirmaram as negociações.
No final da última semana, a SDE (Secretaria de Direito Econômico), do Ministério da Justiça, recomendou a aprovação da fusão das varejistas Ricardo Eletro e Insinuante. O processo segue agora para o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que deverá emitir o parecer definitivo.

NO TOPO DA BUROCRACIA
As excessivas regulações e a burocracia são os principais fatores que devem limitar a capacidade de expansão das empresas no Brasil neste ano.
É o que mostra o relatório International Business Report da Grant Thornton, realizado em 39 países.
De acordo com o levantamento, 50% dos empresários brasileiros citaram a burocracia como entrave. O resultado está acima da média global, que é de 31%.
Entre as 39 economias, o Brasil aparece em terceiro lugar, atrás apenas da Grécia, que lidera com 57%, e da Polônia (52%).
Na comparação com 2010, a preocupação com a burocracia cresceu mais na Índia e no Brasil, com alta de 21 pontos percentuais e 13 pontos, respectivamente.
"O Brasil ainda é um dos países com maior número de trâmites. Para crescer, é preciso mitigar esse excesso de processos. Além disso, a burocracia é um entrave para o investimento estrangeiro", diz Fernando Lima, sócio da Grant Thornton Brasil.

Movimento... 
A Portonave, terminal portuário de Navegantes (SC), registrou alta de 19% nas importações no primeiro semestre deste ano, ante o mesmo período de 2010. O movimento no último semestre foi de 47,7 mil contêineres.

...no porto 
O principal produto importado foi o plástico, e a China é o país de origem da maior parte das importações.
Economia Mais de 60% dos executivos pretendem mudar seus fornecedores para reduzir custos, segundo a empresa SunGard.
Inglês A rede de idiomas Seven abrirá mais seis unidades no Estado de São Paulo até o final deste ano.

CARGA PESADA
A RB Capital e a Ramos Transportes investem R$ 50 milhões na construção de um terminal de distribuição em Guarulhos (SP).
A parceria entre as empresas envolve a gestão financeira e o desenvolvimento do projeto.
Localizado entre as rodovias Dutra e Ayrton Senna, o terminal terá 50.000 m2 e atenderá 160 caminhões simultaneamente.
"Vamos unir os nossos três terminais de São Paulo em uma única planta, mais moderna, reduzindo custos operacionais e triplicando a capacidade", diz Tibério Ramos, sócio da transportadora.
A nova estrutura deverá ficar pronta em novembro.
A transportadora vai investir mais R$ 2,7 milhões na compra de 30 caminhões. A atual frota própria é de 850 veículos.
A companhia, que possui 67 filiais em todo o país, projeta faturamento de R$ 480 milhões para o final deste ano.

CONSUMO FEMININO

O cartão de crédito é o principal gasto das mulheres das classe B e C com prestações, segundo a Quorum Brasil.
A fatura desse tipo de cartão representa 26% do valor desembolsado por pessoas do sexo feminino com parcelas mensais, de acordo com o estudo da companhia.
O pagamento de empréstimos e de automóveis aparece em seguida, com 22% e 19%, respectivamente.
As prestações consomem 18% dos rendimentos das mulheres por mês, de acordo com a pesquisa.
Os únicos gastos superiores são os de moradia e educação, com 25% e 21% do total, respectivamente.
Apenas 3% dos salários são destinados a investimentos, segundo o estudo.
A Quorum Brasil ouviu 400 mulheres entre 22 e 55 anos, durante o mês de junho, na cidade de São Paulo.
A renda familiar das entrevistadas variava de R$ 1.100 a R$ 5.000 mensais.

PIRATAS CAPTURADOS
Foram capturados 1,2 milhão de CDs de programas de computador falsificados no primeiro semestre, de acordo com levantamento da Abes (Associação Brasileira das Empresas de Software) e da ESA (Entertainment Software Association).
O número representa aumento de 36% em relação ao mesmo período do ano passado.
O Estado do Rio de Janeiro lidera o ranking do semestre, com mais de 513 mil unidades de mídias apreendidas.
Minas Gerais e Paraná aparecem em seguida.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK, e VITOR SION

DENIS LERRER ROSENFIELD - Segurança e terra de estrangeiros


Segurança e terra de estrangeiros
DENIS LERRER ROSENFIELD 
O Estado de S.Paulo - 18/07/11

É salutar que o governo esteja pensando em levar ao Legislativo projeto de lei relativo à compra de terras por estrangeiros, pois o País não pode conviver com pareceres distintos da Advocacia-Geral da União que alteram o que se entende por empresa nacional de capital estrangeiro: ora é equiparada à empresa nacionais de capital brasileiro, como na legislação anterior, ora é objeto de tratamento diferente. A insegurança jurídica torna-se, assim, a regra, travando o investimento dessas empresas e, certamente, prejudicando o desenvolvimento nacional.

O capital estrangeiro tem contribuído, e muito, para o crescimento do País, não apenas no setor rural, mas também no industrial e no de serviços. É notório que o Brasil carece desses capitais e seu investimento produtivo tem sido decisivo nos últimos anos. Mas agora empresas que estavam em pleno processo de investimento nele põem freio, pois não mais sabem o que pode acontecer. De repente, devem dar uma marcha à ré, no aguardo de maior esclarecimento do que podem ou não fazer. Projetos ficam inconclusos, prejudicando, na verdade, todos nós.

Nesse contexto, a elaboração e a aprovação de uma lei que estabeleça parâmetros claros podem ser uma contribuição decisiva a esse processo. Essa é, ressaltemos, a própria função da Câmara e do Senado.

No imediato, porém, devemos ter claro que o Brasil de hoje - e o mundo - é globalizado, não cabendo nenhum preconceito contra o capital estrangeiro, em defesa de um nacionalismo estreito, que produziu efeitos tão nocivos no passado. Eis a nova realidade. A discussão a respeito deve ser técnica, não ideológica, voltada para o enfrentamento de alguns problemas reais. O País, frise-se, necessita de capitais e tecnologia estrangeiros.

Nesse sentido, a soberania nacional não pode ser confundida com uma defesa do capital nacional como se houvesse oposição irredutível ao capital externo, pois o que importa, de empresas nacionais ou internacionais, é que as leis sejam cumpridas. Aqui vale a soberania das leis. Se uma empresa nacional de capital estrangeiro cumpre as leis do País, só deve ser bem-vinda e, mesmo, apoiada.

É bem verdade que nos últimos anos a opinião pública nacional e internacional veio a perceber os recursos do planeta e dos países como finitos. Mesmo que se possa questionar se essa percepção da finitude corresponde ou não à realidade, o fato é que ela, hoje, é predominante e os governantes devem certamente levá-la em consideração. Surgem, a partir dela, formas de defesa de interesses nacionais que devem ser levados em conta.

Vejamos alguns pontos que, em nosso entender, deveriam (ou não) ser contemplados nesse novo projeto de lei:

O País carece de um sistema de informações confiável sobre sua base fundiária, principalmente, no caso, no que diz respeito à propriedade de terras por estrangeiros. Trata-se de uma base cadastral que ofereça transparência a essas propriedades, sem nenhum preconceito, por exemplo, contra empresas brasileiras de capital estrangeiro. Isso vale para minérios, silvicultura, agricultura e pecuária. A regra aqui é a transparência, a predominância do público.

Os investimentos estrangeiros devem ser distinguidos entre interesses propriamente produtivos e interesses especulativos, apostando estes últimos apenas no preço das terras, sem nenhuma preocupação quanto ao seu uso. Uns devem ser incentivados, os outros, restringidos.

Empresas brasileiras de capital estrangeiro devem ser distinguidas de empresas estrangeiras de propriedade estatal, pois, neste caso, elas tendem a fazer o jogo dos interesses de seus países de origem, investindo de acordo com os interesses de outros Estados. Aqui poderia surgir um problema de soberania nacional.

Talvez se deva igualmente pensar num tratamento diferenciado para empresas dos países do Mercosul e, de modo mais geral, da América do Sul, favorecendo a integração do continente, dada a natural liderança do País, por sua extensão territorial e sua pujança. Se o País aspira a uma grande cooperação sul-americana, mecanismos devem ser criados de favorecimento aos investimentos empresariais, sem distinção da origem dos capitais.

Deve ser descartada a ideia, como teria sido cogitado, de o Estado brasileiro ter uma golden share, uma participação acionária nessas empresas com direito a veto, pois tal mecanismo seria uma ingerência governamental no funcionamento delas, podendo ditar seus rumos. O Estado invadiria esse setor privado, burocratizando suas decisões. Imaginem o tipo de negociação que poderia ter lugar.

Poderia ser estabelecido o princípio da reciprocidade, aliás, vigente nas relações internacionais. O Brasil daria a empresas estrangeiras o mesmo tratamento que as empresas brasileiras recebem nos países onde investem. Por exemplo, um país que imponha restrições ao investimento estrangeiro receberia o mesmo tratamento aqui, não podendo ter a expectativa de tratamento diferente. Exceções seriam tratadas como tais, em função do interesse nacional.

A proposta de criação de um Conselho Nacional de Terras (Conater), que estaria sendo cogitado pelo governo. Seria o órgão encarregado de implementar essa política, segundo critérios claros, técnicos, sem nenhuma conotação ideológica contra o capital estrangeiro. É fundamental, por exemplo, que vários Ministérios nele estejam representados, como Casa Civil, Agricultura, Desenvolvimento Agrário, Defesa, Planejamento, Desenvolvimento econômico e Justiça. Agilidade e rapidez são fundamentais, pois uma empresa não pode ficar esperando indefinidamente uma resposta, o que pode ser um sério entrave para o desenvolvimento nacional.

Regras e mecanismos claros devem tomar o lugar da insegurança jurídica.

MÔNICA BERGAMO - O TIME NÃO EMPOLGA

O TIME NÃO EMPOLGA
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SP - 18/07/11

Um em cada quatro brasileiros acha que o país está "sem condições de realizar a Copa de 2014": 24,5% cravam a opção quando perguntados sobre o andamento das obras do Mundial. Somados aos 59,3% que acham que os preparativos estão atrasados, o pessimismo chega a 83,8%. Só 2,5% acham que as obras estão adiantadas. A pesquisa é da Sport + Markt, que tem multinacionais e clubes entre seus clientes.

TREM BÃO
Entre os habitantes das capitais que sediarão os jogos, os mais otimistas são os de Belo Horizonte: 6,1% acham que as obras estão adiantadas. Em Natal, os entrevistadores não encontraram ninguém que respondesse dessa maneira; em SP, 2,6%, o mesmo de Porto Alegre.

DORMITÓRIO

A segurança em torno de Hugo Chávez preocupava funcionários do hospital Sírio-Libanês. O presidente venezuelano anda sempre cercado de dezenas de agentes. O desafio seria abrigá-los no local sem "transformar o Sírio em um quartel", de acordo com integrante da administração do hospital.

TRANSPARÊNCIA

Outra dificuldade seria a transparência: mesmo autoridades como Dilma Rousseff e o ex-vice José Alencar autorizaram a publicação de boletins sobre sua situação, ainda que séria. Já as informações sobre a saúde de Chávez têm sido controladas.

CAETANO CRIOLO
O rapper Criolo foi convidado a fazer um duo com Caetano Veloso no VMB, premiação da MTV marcada para outubro. Os dois vão cantar "Não Existe Amor em SP", música de Criolo que estourou na internet.

DIAS DE ÍNDIO
A mostra "Irmãos: O Xingu dos Villas-Boas" comemora os 50 anos da criação do Parque Nacional do Xingu. Estiveram no Sesc Pompeia para a abertura o diretor Cao Hamburger, Diane Maia e Noel Villas-Boas, herdeiro da família indigenista.

LEMBRANÇAS

Será lançado hoje em SP o festival de teatro "Raul Cortez nos Céus de São Paulo". A data foi escolhida a dedo: há cinco anos, em 18 de julho de 2006, o ator morria vitimado por um câncer. O prefeito Gilberto Kassab deu R$ 4 milhões para o evento.

ESTRELAS NOS CEUS

O festival prevê que dez espetáculos sejam apresentados nos CEUs da prefeitura entre agosto e dezembro. São peças estreladas por Fernanda Montenegro, Elias Andreato, Débora Falabella, Reynaldo Gianecchini, Caco Ciocler, Gero Camilo, Deborah Evelyn, Julia Lemmertz e Juca de Oliveira. A produtora Lulu Librandi fez a curadoria da programação, aprovada pelo secretário Alexandre Schneider, da Educação.

OS NOIVOS
O senador Demóstenes Torres está em lua de mel na Costa Amalfitana, na Itália. Ele se casou na semana passada com a advogada Flávia Coelho e viajou para aproveitar o verão europeu.

HOLERITE

O emprego formal no varejo da região metropolitana de SP cresceu 6,3% em abril, em relação ao mesmo período de 2010. Os dados são da Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de SP).

BANDEIRA PAULISTA
O governador Geraldo Alckmin reuniu tucanos em jantar para Fernando Henrique Cardoso no Palácio dos Bandeirantes.

CURTO-CIRCUITO

Ricardo Napoleão inicia hoje a oficina de seis dias "Corpo e Improvisação: A Decolagem do Clown", na sala Crisantempo, na Vila Madalena. Preço das aulas: R$ 500.

O ex-presidente Lula recebe o Prêmio Personalidade do Ano da revista "Vida Imobiliária", no dia 25.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Cimento eleitoral
RENATA LO PRETE
RANIER BRAGON - interino
FOLHA DE SP - 18/07/11

Políticos de praticamente todos os partidos em São Paulo receberam doações de campanha que estão sendo questionadas pelo Ministério Público Eleitoral. No setor de construção, engenharia e incorporação, cerca de 70 empresas figuram na lista das que teriam direcionado aos candidatos, em 2010, mais do que o limite previsto em lei -2% de seu faturamento bruto.
Entre os beneficiados estão o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que recebeu R$ 517 mil dessas empresas, e o tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff, José de Filippi Jr. (PT), que captou R$ 20 mil de uma delas para sua campanha a deputado federal.
Outro lado Advogado da campanha de Alckmin, Ricardo Penteado diz não haver a "menor possibilidade" de fiscalizar essa questão. "Só o doador conhece os limites com que vai trabalhar." A assessoria de Filippi Jr. diz que suas contas foram aprovadas sem ressalvas.

Axé 

O ex-presidente Lula e o governador Jaques Wagner (PT-BA) vão nesta semana a Santo Amaro da Purificação visitar dona Canô, 103, mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia, que se restabelece depois de internação por problemas respiratórios.

Bota-fora 
Com apostas sobre quem seria o "próximo na lista" da degola ministerial, uma ala do PMDB quis "se antecipar" e sugerir a Pedro Novais que deixasse o Turismo. A movimentação foi abortada pelo líder Henrique Eduardo Alves (RN).

Fila do INSS 
Garibaldi Alves (Previdência) disse há alguns dias que ainda não tinha discutido com Dilma a reforma do setor. "Tenho que ver até onde ela quer que vá. Quando íamos conversar, surgiu o caso Palocci."

Supertrunfo 
Diante da dificuldade do PR em encontrar um nome para a pasta dos Transportes, antes da efetivação de Pedro Passos, alguém sugeriu Nilmar Ruiz, ex-prefeita de Palmas. Com o seguinte argumento: "Ela é mulher. A Dilma iria adorar!"

Fui

Desde que foi preterido para a articulação política de Dilma, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), não parou de viajar, sempre em missão oficial: foi a França e Portugal e, agora, está nos EUA.

Dobradinha 
O PMDB tenta atrair o DEM, instalado no governo de Geraldo Alckmin, para a chapa de Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo. Juntos, os dois partidos largariam com a maior fatia do horário eleitoral de TV, trunfo essencial para "despolarizar" a disputa.

BBB 
Secretários de Segurança Pública dos 12 Estados-sedes da Copa-2014 irão a Washington e Nova York para conhecer os centros de comando e controle em funcionamento nas duas cidades norte-americanas.

Álbum 
A Assembleia paulista mandou imprimir 7.000 exemplares de jornal com as biografias e fotos dos 94 deputados em exercício. Sem licitação, a encomenda foi feita à Imprensa Oficial. O contrato é de R$ 77 mil e ainda prevê uma revista com as atividades de mandato.

Fronteira livre 
Brasil e Colômbia discutem a possibilidade de permitir que forças de um país possam entrar em faixas delimitadas do território do outro em operações contra o narcotráfico.

Sem teto 

A reforma administrativa do Senado prevê que os apartamentos funcionais só poderão ser ocupados por senadores. Hoje, há ministros do Judiciário e do TCU usando os imóveis.
com LETÍCIA SANDER e FÁBIO ZAMBELI

tiroteio
"Maricá e Itaboraí viraram sonho de consumo dos políticos. Todo mundo está querendo virar xeique."
DO DEPUTADO RODRIGO MAIA (DEM-RJ), sobre José Dirceu ter instalado aliados na prefeitura de Maricá, que vive boom com a indústria de petróleo, assim como o outro município fluminense.

contraponto

Base aliada

Na última quarta-feira, a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado votava autorização para que o Estado do Rio pudesse contrair um empréstimo. Ao citar a presença do vice-governador Luiz Fernando Pezão, o presidente da comissão, Delcídio Amaral (PT-MS), notou que ele estava com vários secretários.
-Inclusive nosso sempre senador Regis Fichtner -, emendou o senador Francisco Dornelles (PP-RJ).
-Vejo que o Pezão trouxe sua própria bancada para garantir quorum na votação -, concluiu Delcídio.

J. R. GUZZO - Trovoada sem chuva


Trovoada sem chuva 
J. R. GUZZO
REVISTA VEJA

Uma das principais dificuldades do governo Dilma Rousseff, pelo que foi possível perceber nestes seis primeiros meses, é que a presidente da República vive brava. Diante de todo e qualquer problema que aparece, o noticiário diz sempre a mesma coisa: Dilma ficou brava, ou muito brava. Está irritada. Ou está impaciente. Ou não gostou. Ou passou uma descompostura geral à sua volta. Ou deixou de castigo os doutores fulano, beltrano e sicrano, e por aí se vai. E quanto ao problema real que causou esse mau humor todo - ficou bem resolvido? Não vai acontecer de novo? Alguma coisa melhorou? Nada disso; fica tudo igual e, às vezes, fica pior. A presidente acha que está, com os seus pitos, corrigindo os erros cometidos e mostrando que tem braço firme para governar. Na prática, o que está fazendo é outra coisa. Está confundindo cara feia com autoridade; é o governo através da bronca. Talvez seja bom para a máquina de propaganda do Palácio do Planalto, que pode vender a imagem de uma presidente capaz de botar na linha qualquer peixe graúdo que lhe apareça pela frente, que age rápido e não tolera serviço malfeito. Mas na prática, até agora, a qualidade de seu governo não melhorou nada com isso, pois Dilma não muda, e talvez nem possa mudar, aquilo que realmente está criando os problemas. É trovoada que vai embora e não traz um pingo de chuva.

O que está criando os problemas é o avanço cada vez mais rápido da privatização do estado brasileiro - ou, em linguagem mais direta, a utilização da máquina do governo em benefício de interesses privados e a transferência de renda pública para bolsos particulares. É história que está aí há muito tempo, mas que atravessa, na atual administração, fronteiras nunca atingidas antes neste país. Os exemplos são constantes, custam caro e acontecem praticamente à vista de todos. Basta olhar, para começo de conversa, as empreiteiras de obras públicas - jamais mandaram também no governo como agora. Decidem preços, falsificam licitações, alteram contratos, ignoram prazos e dão ordens nos ministérios. O empresário Abilio Diniz se comportava até outro dia como presidente do BNDES, que se dispunha a lhe fornecer mais de 4 bilhões de reais para a realização de um negócio de seu interesse pessoal no Grupo Pão de Açúçar; o projeto acabou em naufrágio, mas deixou claro como empresários amigos do governo se sentem à vontade diante do patrimônio público. O notório deputado Valdemar Costa Neto, dono de um dos mais extensos prontuários da política brasileira, despachava até outro dia dentro do Ministério dos Transportes, foco do último escândalo classe "A" da administração federal. Amigos, aliados e parceiros do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não tem cargo oficial nenhum e teoricamente é um cidadão particular, circulam nos ministérios, empresas estatais e outros órgãos públicos como se estivessem em casa. Jatinhos de magnatas que têm negócios pendentes com o governo são hoje o meio de transporte regular de Lula e da companheirada.

Enquanto as coisas forem assim, e elas são cada vez mais assim, não adianta nada a presidente ficar brava. A braveza de Dilma pode assustar os subordinados mais inseguros, mas não causa a menor impressão em profissionais calejados como o deputado Costa Neto - podem até trocar de sala, mas não mudam de atividade. O desfecho da mais recente calamidade fornecida pelo Ministério dos Transportes, onde reportagens de VEJA flagraram práticas grosseiras de corrupção, é um excelente exemplo disso. O ministro Alfredo Nascimento, depois de receber "confiança" de Dilma, acabou sendo colocado na rua, junto com os burocratões mais vistosos do seu entorno. Mas para o seu lugar foi nomeado o número 2 do ministério, que está lá há anos; a menos que não comparecesse ao local de trabalho, viveu esse tempo todo no meio da ventania.

Qual é a mudança, então? O PR, grupo que foi presenteado com o Ministério dos Transportes pelo ex-presidente Lula, não vai largar o osso; a "base aliada" e as gangues partidárias que mandam em Brasília não vão mudar de conduta. Alteração, mesmo, só continua acontecendo com o PT, em conseqüência de sua caminhada ao lado de gigantes da política brasileira como o PR e bandos semelhantes. O partido-farol das massas populares, em algum momento dessa viagem que já dura mais de oito anos, acabou trocando de lado. Na pose e no palavrório, ainda se apresenta como a vanguarda das forças do bem. Na vida real, fica cada vez mais parecido com o deputado Costa Neto.

LUIZ FELIPE PONDÉ - A tentação totalitária



A tentação totalitária
LUIZ FELIPE PONDÉ 
Folha de SP – 18.07.2011

Primeiro vem a certeza de si mesmo como agente do “bem total”, depois você vira autoritário em nome dele


VOCÊ SE considera uma pessoa totalitária? Claro que não, imagino. Você deve ser uma pessoa legal, somos todos.

Às vezes, me emociono e choro diante de minhas boas intenções e me pergunto: como pode existir o mal no mundo? Fossem todos iguais a mim, o mundo seria tão bom… (risadas).

Totalitários são aqueles skinheads que batem em negros, nordestinos e gays.

Mas a verdade é que ser totalitário é mais complexo do que ser uma caricatura ridícula de nazista na periferia de São Paulo.

A essência do totalitarismo não é apenas governos fortes no estilo do fascismo e comunismo clássicos do século 20.

Chama minha atenção um dado essencial do totalitarismo, quase sempre esquecido, e que também era presente nos totalitarismos do século 20.

Você, amante profundo do bem, sabe qual é? Calma, chegaremos lá.

Você se lembra de um filme chamado “Um Homem Bom”, com Viggo Mortensen, no qual ele é um cara legal, um professor universitário não simpatizante do nazismo (o filme se passa na Alemanha nazista), e que acaba sendo “usado” pelo partido?

Pois bem. Neste filme, há uma cena maravilhosa, entre outras. Uma cena num parque lindo, verde, cheio de árvores (a propósito, os nazistas eram sabidamente amantes da natureza e dos animais), famílias brincando, casais se amando, cachorros correndo, até parece o Ibirapuera de domingo.

Aliás, este é um dos melhores filmes sobre como o nazismo se implantou em sua casa, às vezes, sem você perceber e, às vezes, até achando legal porque graças a ele (o partido) você arrumaria um melhor emprego e mais estabilidade na vida.

Fosse hoje em dia, quem sabe, um desses consultores por aí diria, “para ter uma melhor qualidade de vida”.

E aí, a jovem esposa do professor legal (ele acabara de trocar sua esposa de 40 anos por uma de 25 -é, eu sei, banal como a morte) o puxa pelo braço querendo levá-lo para o comício do partido que ia rolar naquele domingão no parque onde as famílias iam em busca de uma melhor qualidade de vida.

Mas ele não tem nenhuma vontade de ir para o comício porque sente um certo “mal-estar” com aquilo tudo. Mas ela, bonita, gostosa, loira, jovem e apaixonada (não se iluda, um par de pernas e uma boca vermelha são mais fortes do que qualquer “visão política de mundo”), diz: “meu amor, tanta gente junta querendo o bem não pode ser tão mal assim”.

É, meu caro amante do bem, esta frase é uma das melhores definições do processo, às vezes invisível, que leva uma pessoa a ser totalitária sem saber: “quero apenas o bem de todos”.

Aí está a característica do totalitarismo que sempre nos escapa, porque ficamos presos nas caricaturas dos skinheads: aquelas pessoas, sim, se emocionavam e choravam diante de tanta boa vontade, diante de tanta emoção coletiva e determinação para o bem.

Esquecemos que naqueles comícios, as pessoas estavam ali “para o bem”.

Se você tem absoluta certeza que “você é do bem”, cuidado, um dia você pode chorar num comício achando que aquilo tudo é lindo e em nome de um futuro melhor.

E se essa certeza vier acompanhada de alguma “verdade cientifica” (como foi comum nos totalitarismos históricos) associada a educadores que querem “fazer seres humanos melhores” (como foi comum nos totalitarismos históricos) e, finalmente, se tiver a ambição política, aí, então, já era.

Toda vez que alguém quiser fazer um ser humano melhor, associando ciência (o ideal da verdade), educação (o ideal de homem) e política (o ideal de mundo), estamos diante da essência do totalitarismo.

O que move uma personalidade totalitária é a certeza de que ela está fazendo o “bem para todos”, não é a vontade de destruir grupos diferentes do dela.

Primeiro vem a certeza de si mesmo como agente do “bem total”, depois você vira autoritário em nome desse bem total.

O melhor antídoto para a tentação do totalitarismo não é a certeza de um “outro bem”, mas a dúvida acerca do que é o bem, aquilo que desde Aristóteles chamamos de prudência, a maior de todas as virtudes políticas.

Não confio em ninguém que queira criar um homem melhor.

AÉCIO NEVES - Itinerário da transformação

Itinerário da transformação
AÉCIO NEVES
FOLHA DE SP - 18/07/11

Neste meu tempo de vida pública -quase três décadas-, tive o privilégio de viver experiências marcantes, algumas definitivas, que adensaram minhas crenças na ação política. Desde as Diretas-Já e Tancredo, a Constituinte de 1988, o exercício da liderança partidária no Congresso, as grandes reformas empreendidas nos anos 1990, depois a presidência da Câmara e por duas vezes no governo de Minas, compreendi que não há outro caminho para avançar que não passe por ela, a política. O contrário também é verdade: quando amesquinhada e violentada, ela pode se transformar no espaço da intransigência e, por consequência, do impedimento às mudanças necessárias. Avançamos sempre quando a boa política preponderou, guiada pelas causas nacionais de cada tempo. Os saltos que demos, em cada fragmento da história, foram resultantes das dinâmicas capazes de construir convergências -ainda que tênues- e soluções, ainda que só as possíveis.

Hoje, há claros sinais de que uma silenciosa transformação está em curso na direção de uma nova convergência, cujo centro é um inédito protagonismo do cidadão. Inédito porque, desta vez, não há uma grande bandeira a ser hasteada pelas multidões, como as que encheram as praças nas Diretas-Já. Se não há mais protestos reunindo milhares, eles se movem pelo dia a dia animados por questionamentos e fortalecidos por convicções e indignações depositadas à porta dos poderes públicos. Cada vez menos brasileiros estão dispostos a aceitar os pequenos e os grandes pecados sublimados pelas burocracias governistas.


Igualmente, é muito menor na vida cotidiana a resignação quanto às nossas eternas contradições, que perpassam diferentes gerações e governos. A lista é infindável e energiza uma nova consciência brasileira. A impressionante troca de opiniões e ideias nas redes sociais dá a dimensão da enorme vontade de participação popular nas decisões antes exclusivas à corte. É uma mobilização natural, a favor do Brasil, que vem sendo construída fora da ortodoxia dos ritos partidários e da política formal, e que reflete o imutável desejo coletivo de, finalmente, conquistarmos um projeto de país mais solidário.

É essa força, aparentemente desorganizada, que assume, aos olhos da sociedade, a legitimidade perdida pelos sindicatos e movimentos sociais que, aparelhados, deixaram de ser os instrumentos catalisadores das mudanças. Vivemos um novo tempo em que o cidadão é cada vez mais protagonista da cena política, e não só destinatário dos discursos políticos. Esse parece ser o caminho definitivo da nossa verdadeira transformação como sociedade e como indivíduos. Tomara!

RUY CASTRO - Contra papai e mamãe


Contra papai e mamãe
RUY CASTRO
FOLHA DE SP - 18/07/11

RIO DE JANEIRO - Theodore Roszak, o inventor da palavra "contracultura", morreu outro dia na Califórnia, aos 77 anos. Era um historiador, um observador social, um pensador multidisciplinar. Mas só será lembrado por seu livro de 1968, "A Contracultura", em que cunhou a expressão e tentou dar um sentido a tudo que envolvia a juventude naquela época.
O que não era pouco. De repente, milhões de rapazes e moças em toda parte se levantaram contra o "sistema" -leia-se o governo, os políticos, a Guerra do Vietnã, as ditaduras militares, os professores, a autoridade em geral, a moral estabelecida, a sociedade de consumo, a arte "bem-feita", o barbeiro do bairro, os maiores de 30 anos ou, à falta de melhor, papai e mamãe. Mas não significava que todos protestassem contra as mesmas coisas.
A contracultura foi a passagem do primado da razão (que levou uma parte ultrapolitizada da juventude a lutar contra as ditaduras, as desigualdades sociais, o sistema universitário, a censura etc.) ao primado da não razão (que fez com que outra parte preferisse "cair fora" das cidades e ir queimar fumo, tomar ácido, fazer filhos, plantar coquinhos, catar piolhos e ouvir Jimi Hendrix no meio do mato).
Durante algum tempo, pareceu que a segunda facção -a dos hippies, drop-outs, psicodélicos, místicos, ocultistas e alienados em geral- iria prevalecer. Prometia-se um novo homem, sem os velhos defeitos. Até que, naturalmente, o "sistema" absorveu esse antirracionalismo, converteu-o em produtos e serviços, e o pôs à venda. A contracultura se tornou a nova cultura, e tão careta quanto.
Roszak nunca aceitou bem essa conclusão. Para ele, os ecos da contracultura estão entre nós até hoje -na informalidade ao vestir, na comida mais saudável, na ecologia, nos direitos humanos. Tudo bem. Mas o novo homem não veio, só mudaram os defeitos.

RICARDO NOBLAT - Mestre do engodo

Mestre do engodo
RICARDO NOBLAT
O GLOBO - 18/07/11

Que raciocínio tosco o de Lula ao traçar um paralelo entre gastos do governo com anúncios em rádio, televisão e jornal, e gastos com patrocínio de congressos como o da União Nacional dos Estudantes (UNE) realizado na semana passada, em Goiânia. Lula sabe que feijoada com paio nada tem a ver com Cid Sampaio. Mas aposta na ignorância alheia. 

Cid Sampaio foi um político da extinta União Democática Nacional (UDN). Governou Pernambuco entre 1959 e 1963. Químico industrial e usineiro, opôs-se ao golpe militar de 1964, mas em seguida aderiu à Arena, partido do governo. Se elegeu deputado federal. E, mais tarde, como suplente, assumiu uma vaga no Senado. 

Entrou nessa 
história por causa do paio, que ganhou lugar aqui por causa da mania de Lula de apelar para falácias. Por que o governo
gasta muito dinheiro com anúncios? Ora, para “vender suas realizações”. Em muitos casos, para contar também com a boa vontade de uma imprensa servil, colaboracionista e chapa-branca. 

Anunciar, portanto, 
atende aos seus interesses — dos legítimos aos inconfessáveis. Um veículo de comunicação só pode se comportar com independência, exercendo seu papel de fiscal rigoroso dos poderes públicos e privados, se for economicamente independente. É uma pena que por toda parte tão poucos de fato o sejam. 

Mas desses,
 registre-se, não se queixam políticos como Lula. Pelo contrário. Queixam- se, sim, daqueles que não podem controlar de um jeito ou de outro. Daqueles que não se orientam por sua cartilha ideológica. Daqueles que acertando ou errando teimam em tentar
corresponder às expectativas do distinto público. 

A presidente Dilma Rousseff tem demonstrado compreender melhor do que Lula para que serve a imprensa. Um governo sábio tira partido das críticas da imprensa para tentar governar melhor. Um governo sábio enxerga na imprensa um aliado e aproveita suas denúncias para corrigir o que anda mal.

Quanto ao Congresso 
da UNE... O dinheiro gasto com ele por ministérios e empresas estatais atende a um único e censurável objetivo: o de manter sob rédea curta, curtíssima, a mais conhecida das entidades estudantis. Cooptá-la já não é mais preciso. Cooptada ela já foi desde que chegaram ao poder os partidos que a dominam. 

Até o golpe militar de 1964, a UNE frequentava os salões da República, mas não era sócia dos seus donos. A eles se opunha com alguma frequência e com maior ou menor virulência. Talvez por isso fosse respeitada e temida. Mais de uma vez os presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart, por exemplo, foram obrigados a negociar com ela. 

Formalmente extinta pelo golpe, a UNE sobreviveu ao incêndio de sua sede no bairro do Flamengo, no Rio, articulou-se com o resto da oposição e liderou em todo o país gigantescas manifestações de massa contra o regime dos generais. As reivindicações específicas dos estudantes cederam a vez à reivindicação coletiva por liberdade. 

Em 2003, 
o partido que manda na UNE há décadas, o PCdoB, subiu a rampa do Palácio do Planalto junto com o PT de Lula. E foi a partir daí que a UNE esqueceu a sua história e vendeu a sua alma. Apequenou-se. Acabou entrando para o elenco dos chamados “movimentos sociais”, todos eles alimentados por verbas do governo. 

A lei da anistia só prevê reparações de caráter pessoal a familiares e vítimas da ditadura de 64. O governo Lula aprovou outra lei no Congresso para permitir que a UNE recebesse a título de reparação uma bolada de R$ 44,6 milhões destinada à construção de sua nova sede – um prédio de 13 andares, projetado por Oscar Niemayer. 

Hoje, a UNE, que em 1940 defendeu o fim da ditadura do Estado Novo, que em 1942 pregou o apoio aos Aliados contra o nazismo,
que em 1956 combateu nas ruas do Rio o aumento do preço da passagem dos bondes, e que no início dos anos 60 criou o Centro Popular de Cultura, não passa de uma fotografia desbotada pela ação do tempo.

CLÁUDIO HUMBERTO

"Acho que o companheiro Haddad é adequado"
Lula e a candidatura do ministro Fernando Haddad (Educação) à prefeitura de São Paulo 


PR de Valdemar está irregular na Receita
Criado em outubro de 2006 com a fusão do Partido Liberal e Prona, o Partido da República está irregular na Receita. A coluna apurou no site da instituição que o CNPJ do antigo PL continua ativo, funcionando na sala do presidente "de honra" Valdemar Costa Neto, no Congresso. Já o CNJP do PR está registrado em seis salas na Asa Norte, em Brasília. Na ata do partido, no cartório do 1º Ofício do DF, consta o CNPJ do PL.


Romaria

Nesta terça, parlamentares do Ceará estão convidados a apresentar suas "demandas" (pedidos de cargos) ao Palácio do Planalto.


Listas de Ideli

Para tentar acalmar bancadas federais de cada Estado, ainda indóceis, a ministra Ideli Salvatti pediu listas de indicações para cargos públicos.


Campanha

Presidente da Câmara, Marco Maia foi ao casório do filho do deputado Damião Feliciano (PDT-PB), candidato a ministro do TCU. Humm...


Dever de musa

A gaúcha Manuela D'Ávila (PCdoB) tem sido estimulada a frequentar academia de ginástica, daquelas bem burguesas. São as melhores.


'Ata de preços'

A empresa de tecnologia da informação CNC Soluctions fatura cada vez mais com a licitação vencida na regional do Ministério da Fazenda em Minas. A suspeita é de que o objetivo não era executar o serviço, mas obter o "registro de ata de preços", que permite sua contratação por qualquer órgão público nas mesmas condições. A CNC nega a fraude. Apesar dos serviços licitados orçados em R$ 170 milhões, o primeiro pagamento da Receita-MG foi de apenas 1 real, para validar o contrato.

Nirvana

Desde a curiosa licitação em Minas, a CNC já reivindicou contratos, com base em "ata de preços", em pelo menos 19 órgãos públicos.


Fenômeno

A CNC Soluctions usou "ata de preços" para contratos na Receita em Florianópolis, Recife, Brasília, Curitiba, São Paulo, Campinas etc.


Imparável

Outros órgãos públicos, como Câmara Municipal de São Paulo, TJ do Rio de Janeiro usaram "registro da ata de preço" para contratar a CNC.


Ministra Nancy

A presidenta Dilma está bem impressionada com informações sobre a qualificação da ministra Nancy Andrighi, do STJ. É nome fortíssimo para suceder a ministra Ellen Gracie no Supremo Tribunal Federal.


Águas rolando

A União ignora a agenda "verde": gastou R$ 129,4 milhões com água e esgoto no primeiro semestre, revela o site Contas Abertas. A Defesa foi a campeã da torneira aberta e da descarga: torrou R$ 40,8 milhões. talistas Chico Mendes, em Xapuri (AC), está há dez meses com as contas de energia e água sem pagar. Os turistas reclamam, porque ficam impedidos de conhecer o local.


PODER SEM PUDOR

Sucatas paralisadas
Certa vez, no Senado, durante discussão de um projeto que autorizava a doação de 12 velhos aviões da Força Aérea Brasileira ao Paraguai e à Bolívia, Edison Lobão (PMDB-MA) disse que das 800 aeronaves da FAB, 400 estavam paralisadas. O tucano Arthur Virgílio (AM) interveio:
- Com a doação dos 12 aviões, a FAB ainda ficará com 48,5% da frota paralisada. Se o governo Lula doar os 400, poderá proclamar que deixou a FAB com 1 da frota em condições de voo...

SEGUNDA NOS JORNAIS

- Globo: Teresópolis terá de devolver o dinheiro das chuvas

- Folha: Expansão imobiliária cria cinturão de favelas em SP

- Estadão: Dnit e Valec têm contratos com empresas suspeitas

- Correio: Aumento da violência sufoca hospitais do DF

- Valor: Belo Monte traz 'pesadelo' logístico para empresas

- Estado de Minas: Aposentado vira arrimo de família

- Jornal do Commercio: Só o Santa está feliz

- Zero Hora: DPs e Brigada Militar ampliam ofensiva pelo desarmamento no RS