domingo, junho 19, 2011

FERREIRA GULLAR - Às cegas


Às cegas
FERREIRA GULLAR
FOLHA DE SÃO PAULO - 19/06/11

Faz algumas semanas, cometi o atrevimento de tentar demonstrar como o Lula e o PT terminaram por ocupar, na vida política brasileira, o lugar do partido que era o seu principal adversário, o PSDB. Não havia nada de desconhecido nessa metamorfose, faltava apenas enunciá-la, e foi o que eu fiz: demonstrei como Lula e seu governo, depois de combaterem ferozmente o governo FHC e seus programas, entenderam que, se insistissem nessa postura, jamais alcançariam a presidência da República. Mudaram e ganharam as eleições.

E mais: ao assumir a chefia da nação, sem nenhum projeto, Lula viu que, se não seguisse o rumo do governo anterior, levaria o país ao desastre. E assim foi que, conforme disse naquela crônica, o lobo vestiu a pele do cordeiro, isto é, o PT virou PSDB. E a metamorfose continua, pois, agora, depois de satanizar, durante as últimas eleições, a privatização, Dilma decide privatizar os principais aeroportos do país.

Disso resultou que o PSDB não conseguiu fazer oposição de fato ao governo petista, já que para isso teria que se opor a tudo o que defendera e implantara no país. E essa situação se mantém, e de tal modo, que o PSDB, desde então, mergulhou numa apatia que vinha se agravando a cada dia. E, com a cara de pau que o caracteriza, Lula afirmou que isso ocorre porque o partido de FHC não tem programa...

A verdade é que Lula _e agora Dilma_, tendo se transformado em autores dos projetos e programas que combateram, aliaram às medidas saudáveis do governo anterior _que liquidaram com a inflação e mantiveram estável a economia_ outras abertamente populistas, visando conquistar o maior número possível de pessoas carentes.

Com isso, Lula garantiu a seu governo e seu partido uma popularidade de que jamais gozariam se tivessem persistido na pregação radical que sempre os caracterizou. Além do mais, aparelhou órgãos e empresas estatais, pondo-os todos a serviço da propaganda oficial. De tudo isso resultou o enorme crescimento do PT nas últimas eleições e a inabalável popularidade de Lula, que assim pôde eleger para a presidência uma senhora que jamais disputara qualquer pleito eleitoral. Ela governa o país, seguindo o mesmo plano populista de seu inventor, com ampla aprovação popular.

Que perspectiva viável terá um partido de oposição, como o PSDB, em face de semelhante situação? Essa pergunta de difícil resposta tem levado muitos opositores de Lula e do petismo à indecisão e à imobilidade.

É verdade que alguns fatos recentes deram certo alento à oposição, como a derrota do governo na votação do Código Florestal e, sobretudo, o escândalo que envolveu Antonio Palocci e resultou em sua saída da chefia da Casa Civil. Mas esses episódios, se revelam a verdadeira natureza do governo petista, não bastam para afirmar a oposição como alternativa de governo. Isso só acontecerá quando os líderes oposicionistas se dispuserem a refletir sobre a situação do país, visando construir um projeto de nação.

Para concebê-lo seria necessário entender que a estabilidade econômica, se é um fator positivo, não basta para definir o futuro e garantir a melhoria real da vida das pessoas, particularmente daquelas menos equipadas para crescer socialmente. Esse projeto, o PT não é capaz de criar.

E não o é porque ele não tem nem nunca teve plano de governo. Esse tipo de partido, por acreditar que todo o mal da sociedade decorre do domínio da burguesia, imagina que basta tirá-la do poder para resolver todos os problemas. Foi por isso que, para governar, o PT teve que transformar-se em PSDB. Mas continua sem projeto próprio.

Isso significa que, não o tendo, improvisa a cada dia um novo lance populista, como o recente Brasil sem Miséria, mais um slogan do que um programa de governo. Esses programas assistenciais não são capazes de alterar qualitativamente a vida das pessoas, especialmente dos jovens, cujo futuro depende da educação de qualidade.

São previsíveis os problemas que as novas tecnologias poderão criar em nosso país, no qual seu uso se estende de forma célere sem que a isso corresponda à formação de quadros técnicos aptos a fazê-lo funcionar. Enfim, o Brasil precisa de um projeto de nação.

JOSÉ SIMÃO - Ueba! Foi a Semana da Fumaça!


Ueba! Foi a Semana da Fumaça!
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 19/06/11


BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Vulcão e maconha! A Semana da Fumaça! E mais Predestinados. No Rio tem um fiscal de rendas que se chama Bernardo BEMFEITO! Caiu na malha fina? Bem feito! Rarará! E em BH tem um urologista chamado Reginaldo MARTELO! AIIII! E em Teresina, no Piauí, tem o padre José DEUSDARÁ Rocha. Rocha? Não quero. Quero que Deusdará grana, saúde e Doritos com Coca-Cola!
E olha a placa no hotel Ibis: "Nesta feijoada, você é o nosso principal ingrediente". Ou estão te chamando de porco ou tão querendo comer o teu rabo! Rarará!
E o Chile tá bombando. Olha a piada pronta: "Jogador chileno Roberto Cereceda fica pelado em centro de treinamento".
Qual o nome do centro de treinamento? Juan Pinto Durán! Devia ser o nome do vulcão. Por isso que o vulcão ainda tá em atividade. Tá de Pinto Durán! Rarará!
E esta foi a semana da fumaça: vulcão e marcha da maconha! Vulcão! O Pum da Gretchen! Mas diz que a fumaça não vem do vulcão. É de um show de reggae. Tá tendo show de reggae no Chile. E as cinzas não são do vulcão. É o pó das bandeiras do Vasco! Rarará!
E esta: "Cinzas vulcânicas vão dar volta ao mundo". Cinzas olímpicas. E Buenos Aires vira Péssimos Aires! E mais fumaça! Supremo libera Marcha da Maconha! E já tem até camiseta: "Marcha da Maconha! EU FUI?". Rarará!
E o problema da Marcha não é a maconha, é a fumaça! Vai provocar mais caos aéreo! E o Rubinho vai criar outra marcha: A Marcha Lenta! Rarará! E um leitor mandou alertar que ele acaba de comer uma dobradinha e entrou em erupção. Pânico no Cone Sul! Rarará!
PERIQUITÉRIO DA DILMA! Homem no governo Dilma é cota! Mais mulher. Depois da Barbie Gleisi, Ideli Salvatti. Filha do ET de Varginha com a Mãe do Sarampo. E o chargista Frank já tá chamando a Dilma, Gleisi e Ideli de AS PANTERAS! Rarará!
E tiraram a Ideli da Pesca. Tava assustando os peixes. Eu acho que ela tava pescando com dinamite. E o ministro da Pesca? Um dos poucos homens no governo, mandaram pescar. Homem? Vai pescar! E ele tem muita experiência: pescou um lambari no pesque-pague. E se assustou com uma tainha. E eu gostava de Ideli com o penteado antigo: peruca de arame farpado. Rarará!
E este vai ser o castigo do Palocci: trancar num quarto escuro com a Ideli. Aí, a gente ligava a luz! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

$IGILO NA$ OBRA$

CELSO LAFER - FHC aos 80


FHC aos 80
CELSO LAFER
O ESTADÃO - 19/06/11


Fernando Henrique Cardoso chega aos 80 anos em grande forma e na plenitude das qualidades que dele fizeram um grande intelectual e um grande homem público. É o nosso elder statesman e a sua palavra tem prioridade na agenda de discussão nacional. Tem prioridade porque é dotada de autoridade, que se caracteriza por ser menos que um comando, mas mais do que um conselho, na definição de Mommsen. Essa autoridade é fruto do seu percurso e do seu legado, que aqui destaco celebrando o seu aniversário e, ao mesmo tempo, contrapondo-me à damnatio memoriae com a qual o presidente Lula, o PT e os seus simpatizantes, inclusive no mundo acadêmico, buscaram infligir à sua trajetória.

A damnatio memoriae é um instituto do Direito Romano por meio do qual um sucessor condenava a memória do seu antecessor, buscando apagar a sua imagem e eliminar o seu nome das inscrições, considerando-o um inimigo ou uma vergonha para o Estado romano. No Brasil, esse é o objetivo da retórica da "herança maldita", tal como persistentemente aplicada à qualificação da sua gestão presidencial por seu sucessor e acólitos. Ressalvo que dessa postura se afastou a presidente Dilma Rousseff, ao saudar com civilidade republicana os 80 anos de FHC e ao identificar os seus méritos.

Fernando Henrique é um raro caso, no Brasil e no mundo, de um grande intelectual que foi bem-sucedido na política, alcançando a Presidência da República no primeiro turno, por voto majoritário, em duas sucessivas eleições. Usualmente os intelectuais, na medida em que se interessam pela política, ou se dedicam à crítica do poder ou a assessorar o poder. FHC, além de ter desempenhado esses dois papéis, exerceu o poder no vértice do sistema político brasileiro. Logrou alcançar e exercer o poder em função de certas características de personalidade que merecem o elogio, e não a condenação de uma ressentida damnatio memoriae.

FHC foi afirmando a sua liderança desde os tempos da universidade, o que lhe valeu o reconhecimento dos seus pares. São componentes do modo de ser da sua liderança a agilidade e a rapidez da inteligência, que os gregos qualificam de anquinoia, e o dom de gentes, da prazerosa civilidade do seu trato com as pessoas..

A política requer coragem, que é uma "virtude forte" necessária para o ofício de governar e vai além das virtudes requeridas para lidar com as necessidades da vida e as exigências da profissão. É o sentimento de suas próprias forças, como a define Montesquieu. É saber manter a dignidade sob pressão, nas palavras de Hemingway, no confronto com o perigo e as dificuldades. Coragem, nos precisos termos das definições acima mencionadas, nunca faltou a FHC, como posso testemunhar ao tê-lo visto enfrentar seja a aposentadoria compulsória na USP por obra do arbítrio do regime militar e o bafo da repressão nos momentos iniciais do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), seja, em outro plano, no exercício da Presidência, a desestabilizadora crise do câmbio de 1999, que pôs em risco o Plano Real. Teve, para dar outro exemplo, a coragem de assumir o Ministério da Fazenda, no governo Itamar Franco, para enfrentar o imenso desafio de debelar anos de uma inflação desenfreada e corrosiva. A coragem também passa pela firmeza de lidar com temas controvertidos e se contrapor ao seu grupo político e à tendência majoritária da opinião pública. É a nota do seu empenho atual na discussão do problema das drogas, que mostra que os anos não enfraqueceram a sua vocação de combate.

O juízo político é a capacidade de perceber as características que singularizam um contexto. Beneficia-se da visão geral que o conhecimento oferece, mas requer a competência para identificar, numa dada realidade, as particularidades do que pode ou não resultar. FHC, na sua trajetória, foi capaz de olhar o distante e observar o perto, nas palavras de Goethe. Desse modo, como intelectual apto a se orientar na História, sempre teve visão global para entender o conjunto das coisas no Brasil e no mundo e, por obra da qualidade do seu juízo político, a sensibilidade para captar o espaço do potencial das conjunturas com que se confrontou. Pôde, assim, exercer, para falar com Albert Hirschman, a sua íntegra "paixão pelo possível".

Assegurou, na sua Presidência, republicanamente, a governabilidade democrática de um país complexo como o Brasil, por meio de uma liderança aparelhada por um superior juízo político que soube dosar harmonização com inovação e transformação. Logrou, desse modo, orientar o País a partir do Estado e mudar a sociedade brasileira, pois guiado pelo seu sentido de direção construiu um novo patamar de possibilidades para o nosso país.

FHC transformou a sociedade brasileira com o Plano Real, que, com a estabilidade da moeda, assegurou a previsibilidade social das expectativas e promoveu a redistribuição de renda. Impôs racionalidade administrativa com a legislação da responsabilidade fiscal e as privatizações. Garantiu a solidez do sistema bancário com o Proer. Inaugurou o novo alcance das redes de proteção social com o Bolsa-Escola. Empenhou-se na institucionalização da democracia, no fortalecimento da cidadania e na valorização dos direitos humanos. Deu destaque à agenda ambiental. Elevou, com as suas realizações e sua presença pessoal, o alcance do papel do Brasil no mundo. Em síntese, o seu legado é o de um grande homem público que promoveu a ampliação do poder de controle da sociedade brasileira sobre o seu destino, de que se vem beneficiando, de maneira duradoura, o nosso país.

Celebrar o seu aniversário é uma oportunidade de celebrar a sua obra e a sua pessoa e, no meu caso, de afirmar que é um privilégio fruir a sua convivência e, assim, saudar, com amizade e admiração, os seus jovens, sábios e democraticamente bem-humorados 80 anos.

Celso Lafer: PROFESSOR TITULAR DA FACULDADE DE DIREITO DA USP, MEMBRO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE CIÊNCIAS E DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS, FOI MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES NO GOVERNO FHC

MERVAL PEREIRA - Teoria e prática


 Teoria e prática
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 19/06/11

Publicado na mais recente edição de Opinião Pública, revista de ciência política da Unicamp, um trabalho do cientista político Octavio Amorim Neto, da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas do Rio, o geógrafo Bruno Cortez, do IBGE, e Samuel Pessôa, economista do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), da FGV-Rio oferece uma proposta de reforma do sistema eleitoral da Câmara dos Deputados.
Embora mantendo o sistema de representação proporcional com lista aberta, a proposta o altera em dois aspectos-chave: reduz o número de cadeiras disputadas nas circunscrições eleitorais, que são redesenhadas com esse objetivo, e estabelece uma regra proporcional de distribuição de cadeiras entre partidos coligados. Os autores consideram que nosso sistema eleitoral favorece demasiadamente o quesito representatividade, a ponto de termos uma das legislaturas mais fragmentadas do mundo. Ainda que não seja o caso de se abandonar a representação proporcional, consideram imperativo facilitar a vida do eleitor, oferecendo-lhe um quadro partidário mais compacto e nítido por meio da redução do número de partidos.
Para reduzir o número de partidos, existem dois métodos principais: a imposição de uma rigorosa cláusula de barreira e a redução da magnitude média das circunscrições eleitorais.
Neste artigo, os autores defendem a segunda alternativa, mas desaconselham a sua forma mais radical, a adoção de distritos uninominais ou suas variantes.
A ideia é reduzir moderadamente a magnitude existente por meio de um novo desenho das circunscrições eleitorais do país (os estados), além de propor uma regra proporcional de alocação de cadeiras dentro das coligações eleitorais. Segundo estudos, nosso presidencialismo de coalizão, apesar das suas mazelas, pode ser efetivo, mas os autores desse trabalho defendem a tese de que "não precisa sê-lo a um custo tão alto, custo gerado, em boa medida, pela alta fragmentação legislativa". A proposta do trabalho mantém inalterado o peso de cada estado da Federação na Câmara dos Deputados. Assim, os autores procuram criar circunscrições as mais homogêneas possíveis, de acordo com o que acreditam ser a principal clivagem política do país, a socioeconômica.
As circunscrições eleitorais a serem criadas para cada uma das 12 unidades da Federação que têm mais de 16 cadeiras na Câmara, e passariam a ter de oito a 12, são as seguintes: São Paulo, oito (sendo duas no município de São Paulo); Minas Gerais, seis; Rio de Janeiro, cinco (sendo duas no município do Rio de Janeiro); Paraná, três; Santa Catarina, duas; Rio Grande do Sul, três; Bahia, quatro; Pernambuco, três; Ceará, duas; Maranhão, duas; Goiás, duas; Pará, duas. A proposta advoga a manutenção do instituto das coligações partidárias para as eleições legislativas, mas altera a regra de distribuição das cadeiras de modo a torná-la proporcional.
A distribuição das cadeiras intracoligações seria proporcional à votação de cada partido integrante das alianças eleitorais. Ou seja, como as coligações, sob as regras atuais, favorecem os pequenos partidos, que, por si só, não conseguem atingir o quociente eleitoral, sob a regra proposta deixa de existir o estímulo espúrio para que os pequenos partidos predem os grandes que aceitem com eles se coligar. Por último, a proposta mantém as coligações porque elas podem ser úteis para adiantar o processo de construção da base de sustentação dos governos antes do primeiro turno das eleições presidenciais, oferecendo também uma compensação aos pequenos partidos pelo aumento dos quocientes eleitorais gerado pela redução na magnitude das circunscrições eleitorais.
O artigo também apresenta os resultados de um exercício de simulação feito com base nos dados das eleições de 2006, por meio do qual se recalcula a composição partidária da Câmara dos Deputados a par tir das regras preconizadas. O exercício mostra que o novo sistema reduz moderadamente a fragmentação partidária. Os quatro maiores partidos ganharam cadeiras. Todas as demais bancadas, com a exceção do PSB, que ganhou três cadeiras, perderam. Os maiores perdedores são o PP pela direita, que perde sete cadeiras; o PTB pela centro-direita, que perde oito cadeiras; o PDT pela centro-esquerda, que perde nove cadeiras; e o PCdoB, pela esquerda, que perde sete cadeiras.
Os autores consideram, do ponto de vista acadêmico, que a alteração na regra eleitoral não mudaria o equilíbrio político no Congresso. Esquerda e direita, liquidamente, nem perdem, nem ganham. Os partidos nanicos praticamente desapareceriam e os partidos intermediários teriam o seu tamanho reduzido. Caso interessante é do PV, que perde somente uma cadeira.
Mas, do ponto de vista político, a teoria na prática é outra. Como se vê, na vida real é praticamente nula a chance de uma alteração desse tipo ser aprovada pelo Congresso, qualquer que ele seja, mesmo que organize melhor nosso sistema político-eleitoral.

RENATA LO PRETE - PAINEL


Caminho alternativo
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 19/06/11

Recomendação de aliados de peso à ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti: se quiser evitar a votação da PEC 300, que estabelece piso salarial para os policiais, o Planalto deve recorrer aos tribunais, e não cobrar fidelidade do Congresso Nacional.
De acordo com essa avaliação, o governo tem uma chance razoável na Justiça, sob o argumento de que seria inconstitucional definir um piso nacional sem a existência de fundo específico para bancá-lo. Já na Câmara, as vozes mais experientes afirmam que a perspectiva para a PEC 300 é exatamente a mesma que se viu no Código Florestal: se votar, aprova.
Às moscas Por absoluta falta de quorum, a Câmara votará nesta semana apenas projetos de consenso. Além das festas de São João -que manterão as bancadas do Norte e do Nordeste em seus Estados-, há o feriado de Corpus Christi na quinta-feira. Fora a caravana de deputados que seguiu ontem para um seminário sobre o Brasil em Harvard.

Siga a chefe 

Dilma Rousseff recomendou às ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann (Casa Civil) que adotem uma dieta magra de declarações públicas.

Quero ver 
A presidente passou a receber relatório diário com um resumo do que 50 veículos estrangeiros publicam a respeito do governo e do país. Produzido desde a era Lula, o papel faz parte de um contrato de R$ 15 milhões anuais firmado com uma assessoria de imprensa, mas até então era endereçado exclusivamente à Secretaria de Comunicação.

Juro! 
A frase mais ouvida atualmente no Congresso é: "Eu tenho um excelente relacionamento com a Dilma".

Dilema 
De um expoente da oposição, justificando para um empresário sua boa vontade com a presidente: "Se ela tiver dificuldades demais, o Lula volta".

Cachorrada 

Herança deixada por José Dirceu ao passar o cargo -e a residência oficial- de chefe da Casa Civil- a Dilma, em 2005, o labrador Nego "casou-se" com uma cadela levada para o Palácio da Alvorada e agora é pai de uma ninhada que vem recebendo especial cuidado da presidente.

Pódio 
Observação de quem acompanha de perto a formação da equipe que vai tocar os Jogos de 2016, na qual já estão Henrique Meirelles, Sérgio Cabral e Eduardo Paes e que poderá contar ainda com o ex-ministro Márcio Fortes: "Não vai dar certo. É muita estrela para uma Olimpíada só".

Oremos 
A comunidade de base da seção paulista da CNBB defende em carta aberta a indicação de Wellington Diniz, ligado a movimentos populares, para a superintendência local do Incra. Ele concorre com José Baccarin, envolvido no escândalo dos aloprados quando tesoureiro da campanha de Aloizio Mercadante (PT), em 2006.

Rebeldes 
O desencontro de ideias entre os irmãos Ferreira Gomes -Ciro e Cid, este governador do Ceará- e o próprio partido não se resume ao plano nacional. Em nome da aliança estadual, ambos querem apoiar o PT na sucessão de Luizianne Lins em Fortaleza, contra ala do PSB local que prega candidatura própria.

Cromático 
O ex-deputado Gustavo Fruet renovou seu site, dando-lhe tom verde, sem sinal da sigla PSDB ou do azul e amarelo tucanos. A seção paranaense trabalha contra sua candidatura a prefeito de Curitiba.
com LETÍCIA SANDER e RANIER BRAGON

tiroteio

"Do jeito que a coisa vai, o estatuto do PSD terá de abraçar o princípio da reencarnação."
DO DEPUTADO FEDERAL LÚCIO VIEIRA LIMA (PMDB-BA), sobre o episódio dos cinco eleitores mortos que "assinaram", em Santa Catarina, fichas de apoio à criação do partido do prefeito paulistano, Gilberto Kassab.

contraponto

Regime aberto

Na segunda passada, o líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira, foi recebido em audiência pelo secretário de Administração Penitenciária de São Paulo, Lourival Gomes. Em pauta, assuntos de interesse dos municípios da base do deputado, na região de Ribeirão Preto. Ao final, Gomes saudou Nogueira:
-É uma alegria vê-lo. Sinta-se sempre em casa!
Rindo, o deputado retrucou:
-Sou muito grato pela acolhida. Desde que eu não seja um hóspede de longa duração!

MIRIAM LEITÃO - Além do básico


Além do básico
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO 19/06/11

O Brasil já fez o básico: pôs todas as crianças na escola, reduziu a mortalidade infantil, criou um sistema universal de saúde, incluiu trabalhadores rurais na Previdência e está enfrentado a violência. Avançamos, mas o economista Edmar Bacha e o sociólogo Simon Schwarstzman dizem que agora começa o complexo, que vai exigir do País aprender a pensar de outra forma.

Brasil: A Nova Agenda Social é o nome de um livro organizado pelos dois. É resultado de um ano de trabalho e três seminários com 15 especialistas do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade e do Instituto de Estudos de Política Econômica Casa das Garças. Em qualquer área, há assuntos difíceis para os quais o País tem de encontrar soluções, olhando experiências que deram certo em outros países.

A Constituição de 1988 estabeleceu que a “saúde é um direito de todos e um dever do Estado”. Dito assim, parece que o País tem serviço universal, integral, igualitário. Não tem. “Há uma contradição entre a promessa da Constituição e a realidade. Os 25% de renda mais alta têm plano de saúde que usam para procedimentos normais. O SUS é dos pobres, exceto quando os ricos precisam dele para as emergências e os tratamentos e exames de alta complexidade”, diz Bacha.

No livro constata-se que o SUS gasta mais com os mais ricos do que com os 30% mais pobres do País. Há outra complicação que está agravando o problema, segundo Simon Schwartzman: “Está havendo um processo de judicialização.

Como a Constituição estabelece que o direito à saúde é completo e integral, se alguém for à Justiça com um bom advogado consegue, por exemplo, que o Estado pague seu medicamento. Tem crescido muito. São novas obrigações que recaem sobre o sistema, pela via judicial, desorganizando a capacidade de atendimento. A mesma coisa com exames complexos e caros. O sistema tem o princípio da equidade e uma prática desigual.”

Todos os temas são complexos, diz Bacha. Os planos de saúde deveriam em tese pagar por esses serviços mais caros, mas dizem que com tabela SUS não dá para trabalhar. Daqui para diante, alerta Simon, os serviços ficarão mais caros pela sofisticação natural dos avanços da medicina e porque a população ficará mais velha. “Nada disso está sendo devidamente estudado. Há problemas de gestão, integração entre planos de saúde e o SUS. Propor só aumento do gasto com Saúde é começar pelo final”, afirma Bacha.

Conversei com os dois no programa Espaço Aberto, da Globonews. O curioso é que apesar de ser discussão sobre agenda social, há mais economistas do que sociólogos na lista dos autores dos estudos no livro. Simon acha que os economistas são bem vindos ao debate e lamenta que existam poucos sociólogos debatendo os assuntos. Bacha diz que é natural o interesse dos economistas: “Esses gastos dos quais falamos representam 25% do PIB. Compare com o tempo que os economistas dedicam aos estudos sobre indústria, que é 12% do PIB.”

Pela complexidade dos problemas nessa etapa do desenvolvimento do País fica claro que é preciso mais cabeças pensantes para se encontrar as soluções viáveis.

No combate à violência, Simon levanta tese polêmica: de que as Forças Armadas deveriam repensar seu papel diante das mudanças que ocorreram nas áreas internacional e interna. Acha que elas deveriam pensar em sua presença nos problemas internos de forma mais permanente: “É uma discussão complicada e difícil. O entendimento de todos é que a presença dos militares é temporária. Mas as Forças Armadas deveriam discutir um papel de mais longo prazo e mais permanente na segurança interna. A ideia de uma atuação só externa é antiquada, dada a situação interna e internacional.”

Bacha lembra que nos grandes centros como no Rio entende-se que a presença dos militares na segurança é incidental, como houve na ocupação do Complexo do Alemão. Mas os desafios maiores hoje estão nas cidades do Nordeste, Norte e Centro-Oeste, onde a autoridade não tem estrutura para enfrentar os problemas.

Na Previdência, o Brasil tem números que mostram de forma eloquente que alguma coisa está errada. “Temos 10% da população com mais de 60 anos e gastamos 11% do PIB com a Previdência, o mesmo nível de países que tem 30% de pessoas nessa faixa etária. Pela juventude da nossa população o País deveria estar gastando 4,5%”, diz Bacha.

Apesar disso, lembra Simon, no Brasil não há idade mínima de aposentadoria e as mulheres têm a vantagem de cinco anos a menos na contagem do tempo, apesar de viverem em média sete anos a mais. Nos outros países essa diferença já acabou e está se elevando a idade mínima.

Na educação está tudo por ser feito. O que o Brasil fez até hoje foi universalizar o ensino fundamental. Agora há um enorme dever de casa.

“Saber como gerenciar a escola para que o resultado que se busca seja seu principal objetivo que é educar; dar formação adequada para professores; organizar disciplinas; procurar experiências de outros países. Não há solução fácil. Antes era colocar a criança na escola; construir escola e chamar professor. Agora é desenvolver inteligências”, afirma Simon.

Feito o básico nas políticas sociais, agora é a hora da qualidade. É bem mais difícil, mas uma agenda inevitável. (Com Álvaro Gribel)

GOSTOSA

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Idade no currículo
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 19/06/11

Currículo sem informação de idade, sexo, estado civil e filhos. É assim nos EUA.
Mais que uma questão cultural, a ausência desses dados, comuns no Brasil, é uma questão jurídica.
"É passível de processo. As leis contra discriminação são severas no país", diz Marcelo Cuellar, da Michael Page.
"A pessoa pode alegar que foi não foi contratada por ter dito que tinha filho e processa a empresa", diz Ricardo Bevilacqua, da empresa de recrutação Robert Half.
Para evitar o problema, essas informações não são pedidas no currículo ou na inscrição pela internet.
Em algumas empresas, códigos de conduta proíbem também na entrevista perguntar se o candidato é casado e o que faz nas horas vagas. "São detalhes da vida pessoal que não interferem na vida profissional", afirma.
As restrições adotadas na política de recrutamento nos EUA são positivas, segundo Marco Tulio Zanini, professor de gestão da FGV-RJ.
"No Brasil, não existe uma política clara e séria para o combate à discriminação no mercado de trabalho", diz.
Em países asiáticos, como Japão e Coreia do Sul, as informações nos currículos são parecidas com as usadas no Brasil, segundo Francisco Ramirez, professor do Insper.
O mesmo ocorre nos países da América Latina.
Na Europa, a contratação é mais flexível. Na Alemanha, foto e idade entram nos currículos, mas não são fator de exclusão, segundo Zanini.
A Inglaterra caminha para algo mais próximo dos EUA, diz Bevilacqua.

PRIMEIRO OLHAR

As companhias estão cada vez mais preocupadas com a experiência profissional no processo de recrutamento.
É o que revela pesquisa em 11 países, com mais de 2.500 executivos tomadores de decisão, feita pela empresa de recrutamento Robert Half.
Para 41% dos executivos, na média global, o primeiro ponto de atenção ao analisar um currículo é a experiência profissional. No Brasil, 36% dos entrevistados disseram analisar primeiro esse item.
As informações pessoais, como idade e estado civil, recebem mais atenção na Áustria, onde 11% revelaram priorizar esses dados, ante 6% na média global.
A Suíça é a que dá mais atenção para a foto do candidato, com 10% das respostas.

FIGURINO CARIOCA

A incorporadora carioca Latini Bertoletti vai lançar seis condomínios no Rio de Janeiro até o final deste ano.
Estão em fase de aprovação três projetos residenciais, em Niterói, Jardim Botânico e Tijuca, dois comerciais (Barra e Niterói) e um imobiliário misto, de "flats" e escritórios, em Macaé.
O VGV (Valor Geral de Vendas) projetado é de R$ 600 milhões, segundo o sócio Marcelo Latini.
"Com a escassez de terrenos e ações de segurança do governo, há um movimento de migração para áreas que não eram exploradas por estar abandonadas devido à violência", diz Latini.
A companhia prepara a sua estreia fora do Rio.
Vai exportar para São Paulo e para a região Norte do país o modelo de imobiliário misto, como o que fez no shopping Nova América, na zona norte do Rio.
"São torres de escritórios e hotel desenvolvidos ao lado de um shopping já pronto, geralmente no mesmo terreno", diz o sócio Joaquim Pedro Bertoletti.

O QUE ESTOU LENDO

Roberto Quiroga, advogado tributarista
"Memórias de um sobrevivente", de Luiz Alberto Mendes (ed. Cia da Letras), é uma história real, inacreditável e representa um histórico do crime no Brasil", diz Roberto Quiroga, sócio do Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados.
O livro de um ex-presidiário mostra como os crimes mudaram. "Começou com o batedor de carteira, passou para o assalto a pequenos comércios, depois para bancos, sequestros e culminou com fraude bancária pela internet. Todos crimes ligados ao fluxo do dinheiro."

Demanda de estrangeiros por imóvel no Brasil cresce até 50%
O número de estrangeiros que procuram imóveis para comprar no Brasil aumentou em até 50% neste ano, segundo imobiliárias.
Esse foi o crescimento das vendas para pessoas de outros países na imobiliária Judice & Araujo, do RJ. Hoje esse tipo de negócio representa 30% do total da empresa.
A média do valor dos imóveis adquiridos pelos estrangeiros é de R$ 2 milhões, segundo a imobiliária.
Em SP, na Bamberg Imóveis, o aumento foi de 20%. O presidente da empresa, Michael Bamberg, diz que os clientes compram casas para investir. "Aqui se consegue rendimento de até 12%. Na Alemanha, o máximo é 6%."
Na Coelho da Fonseca, a maioria dos compradores estrangeiros também busca maior rentabilidade.
com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK, VITOR SION e LUCIANA DYNIEWICZ

ELIO GASPARI - Com sorte, a saúde entra na agenda

Com sorte, a saúde entra na agenda
ELIO GASPARI
O GLOBO - 19/06/11

O deputado Marco Maia (PT-RS) prometeu votar ainda este mês a regulamentação da Emenda 29, que define a destinação de recursos para a saúde pública nacional. Como ele e o Planalto andam se estranhando, ficou no ar um tom de troco, quase pirraça, mas há males que vêm para bem. Durante a campanha eleitoral, Dilma Rousseff prometeu “tomar iniciativas logo no inicio do mandato para regulamentar a Emenda Constitucional 29”. Se ela e o presidente da Câmara resolveram desencruar uma votação que neste ano completará 11 anos de espera, algo de bom poderá acontecer.
Por trás da construção indecifrável da “regulamentação da emenda 29” está a discussão da partilha dos recursos para a saúde (sem chance de ressurreição da CPMF). Ela libertará os melhores e os piores interesses. Nada melhor do que colocá-los na vitrine. Primeiro na Câmara, depois no Senado. Será uma briga bonita.
Dados de 2008 informam que 13 Estados não gastavam com a saúde pública o que manda a Constituição. Nessa modalidade, o campeão do calote foi o Rio Grande do Sul. Há governos que pagam planos de carreira do funcionalismo, restaurantes ou mesmo coleta de lixo jogando-os nas rubricas da saúde. Até gastos com segurança pública viraram despesas com saúde.
Como ensinou o juiz americano Louis Brandeis, “a luz do sol é o melhor desinfetante”.
Negócios da China, para inglês ver
Durante a viagem de Dilma Rousseff à China a marquetagem do governo anunciou dois êxitos:
1) O governo de Pequim concordara em tirar a fábrica da Embraer de Harbin da geladeira, abrindo-lhe o mercado para a fabricação de jatos executivos Legacy. (O mercado de jatinhos chinês, deprimido pelo governo, é menor do que o paranaense, mas deixa pra lá).
A comitiva brasileira voltou para o Brasil no dia 17 de abril. A fábrica da Embraer parou no dia 26. O repórter Fabiano Maisonnave mostrou que seus operários, sem o que fazer, jogam peteca na linha de montagem.
2) A empresa Foxconn montaria iPads no Brasil e, além disso, faria um investimento de US$ 12 bilhões em cinco anos, gerando 100 mil empregos.
O governo acabou com a maluquice que negava às tabuletas os benefícios dados aos computadores e as maquininhas da Apple começarão a ser produzidas em setembro, em Jundiaí. Até agora não se conhece o plano de investimentos dos US$ 12 bilhões da Foxconn. Sabe-se apenas que o velho e bom BNDES será chamado para botar algum no negócio.
Pelo jeito, a única coisa que a doutora trouxe da China foi uma gripe.
Salve Rainha
O ministro Gilberto Carvalho lamentou a prisão do companheiro José Rainha Júnior. Não se sabe o que ele achou da cana de uma noite tomada pelo ex-jogador Edmundo.
Vale lembrar que Rainha está há tempo na estrada. Em 1995, quando se tornou uma celebridade, disse o seguinte para justificar o fato de viver numa casa da CESP na cidade de Teodoro Sampaio:
“Eu sou um cidadão e pago impostos.”
Era um pied a terre, pois o empresário sem-terra tinha uma gleba de quatro hectares num assentamento próximo.
Bechara e a Viúva
Uma admiradora do idioma pediu à Academia Brasileira de Letras que lhe explicasse a origem da expressão “a Viúva” para designar a boa senhora que paga contas.
O professor Evanildo Bechara foi atrás e achou uma viúva generosa na Bíblia. Ela está em Marcos 12:
“Estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos deitavam muito.
Vindo, porém, uma pobre viúva deitou duas pequenas moedas, que valiam meio centavo.
E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro.
Porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento.”
Essa é a viúva pobre. No anedotário militar da primeira metade do século passado há outra, frequentemente lembrada pelo general Ernesto Geisel durante seu governo. É a “Viúva do Duque de Caxias”, “Viúva do Caxias” ou simplesmente “Viúva”. (Dona Ana Luisa, na vida real).
Pode-se supor que ela nasceu quando alguém perguntou: “E quem paga?”
Varejão
Está dura a vida do New York Times. Depois de ter fechado o acesso ao conteúdo, o melhor jornal do mundo viu-se batido pelo site ‘Huffington Post’ no volume de acessos às suas paginas na internet e resolveu botar um brinde no pano verde.
Quem compra uma assinatura de três meses (US$ 105), ganha uma caixa-teclado para iPad que custa US$ 100 nas lojas.
O ‘Huffington Post’ é grátis como o ar. Fechando o acesso, o Times perdeu 11% de seus visitantes e ainda não há como se calcular o valor da clientela paga que conseguiu.
4 bi
Está marcada para a próxima quarta-feira a reunião do Conselho de Contribuintes que julgará o recurso do Banco Santander contra uma autuação de R$ 4 bilhões que lhe foi imposta pela Receita Federal em 2008.
O processo deveria ter sido julgado na segunda quinzena de maio, quando o ambiente político estava contaminado pelo noticiário envolvendo a prosperidade do então ministro Antonio Palocci.
Ao tempo em que era deputado e consultor, Palocci deu uma palestra para executivos do Santander.
Trotski vive
Boa notícia para os trotsquistas saudosos de seu guia. A família voltou a brilhar, com Nora Volkow, sua bisneta. Ela nasceu na cidade do México, na casa em que Leon Trotsky foi assassinado e também trabalha para mudar a cabeça das pessoas. A doutora dirige a agência do governo americano que lida com abuso no consumo de drogas.
Sem bigode, cavanhaque e mosca, é a cara do bisavô.

DINHEIRO NA FOGUEIRA

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE


Mar branco
SONIA RACY
O  ESTADÃO - 19/06/11

A diretoria do Santos quer a torcida vestida de branco na final da Libertadores, quarta-feira, contra o Peñarol, no Pacaembu.

Pelé está escalado para entregar a taça ao vencedor.

Macaron

Chico Buarque comemora seu aniversário hoje em...Paris. Ele zarpou sozinho para a Cidade Luz após terminar gravação do seu novo CD. Só volta em julho.

Martelo batido

A Cia. das Letras lançará dois novos títulos de Thomas L. Friedman. O inédito That Used to Be Us e From Beirut to Jerusalem, vencedor do National Book Award de 1989.

Big Brother Jesus


A Igreja Universal do Reino de Deus instalou câmeras e transmite ao vivo, em seu site, a construção de seu Templo de Salomão.

De peso
A Dicta&Contradicta fechou parceria com a Civilização Brasileira. Depois de 40 anos, a editora resolveu voltar a investir na publicação periódica de ensaios, retomando tradição criada durante o regime militar. Lançamento? Amanhã, na Cultura do Conjunto Nacional.

Trabalha Brasil!

Em tempos de contenção de gastos, a comitiva brasileira na reunião da OIT, em Genebra, foi de longe a mais generosa. Além de Carlos Lupi, do Trabalho, estiveram por lá: Garibaldi Alves, da Previdência, Luiza Helena de Bairros, da Igualdade Racial, e Iriny Lopes, da Política para Mulheres. Mais deputados e senadores. Os EUA não enviaram um só ministro ao encontro.

Responsabilidade Social


Itaú, BID e Endeavor fecharam parceria. Montarão programa de capacitação para pequenas e médias empresas focadas em produtos e serviços para as classes C, D e E. Investimento? US$1 milhão. O anúncio sai no fim do mês.

Cafu dá hoje o pontapé inicial na partida final da Copa das Nações Danone, maior torneio de futebol para crianças de 10 a 12 anos do mundo. No Cepeusp.

A Associação dos Amigos da Criança Pelo Esporte Maior avisa: realiza hoje sua festa junina. Também tem comemoração hoje no Projeto Âncora. Com direito a apresentação de circo das crianças.

Recém lançada a ONG Liberta, que luta para trazer de volta à sociedade crianças vítimas de trabalho escravo e abuso sexual, promove happy hour beneficente na Chácara do Jockey. Terça.

Mais de 70 funcionários da Ultragaz serão voluntários da Junior Achievement. A organização de educação prática em economia e negócios, que desenvolve projetos em 14 cidades brasileiras.

O Instituto Ecofuturo, de Daniel Feffer, prorrogou o prazo de inscrições do concurso cultural Ler e Escrever é Preciso. Até 15 de julho.

Zico e Romário estão de malas prontas. Viajarão para Atenas acompanhando 50 atletas brasileiros, dia 23. Trata-se da Special Olympics, jogos para esportistas portadores de deficiência mental.

Cerca de 300 jovens da comunidade judaica participam da Campanha de Arrecadação de Agasalhos. Hoje, em Higienópolis.

Detalhes nem tão pequenos...

DORA KRAMER - A alma do negócio


A alma do negócio
DORA KRAMER
O ESTADÃO - 19/06/11

O argumento do governo para tentar legitimar o sigilo sobre os orçamentos das obras da Copa do Mundo e da Olimpíada é muito parecido com a justificativa apresentada pelo então ministro Antonio Palocci para conferir legitimidade à recusa de abrir as informações sobre as atividades de sua empresa de consultoria.

Ambos alegaram que todos os dados estariam “à disposição dos órgãos de controle”. Nem Palocci nem Dilma convenceram com seus peculiares raciocínios a respeito, primeiro, do que seja o preceito da publicidade exigida na administração pública e, segundo, da capacidade do público de acreditar em sofismas.

Dar publicidade aos números após a conclusão das licitações e ainda assim apenas aos “órgãos de controle” com restrição para divulgação, está longe de ser uma conduta de quem preza a transparência como quis fazer crer a presidente na sexta-feira ao tentar transformar em “mal-entendido” o que foi muito bem compreendido.

Dificilmente a medida provisória que institui aquela e outras barbaridades conseguirá passar pelo Senado da forma como passou pela Câmara, com autorização para empreiteiras aumentarem de forma ilimitada os custos das obras e extensão das facilidades de correntes do Regime Diferenciado de Contratações para cidades onde não haverá jogos da Copa em 2014 nem competições da Olimpíada de 2016.

As reações contrárias servirão para pelo menos minorar os óbvios efeitos perniciosos da MP.

Evitá-los é impossível já que o governo, embora tivesse tido tempo suficiente para ter dado início ao processo pelas vias normais, preferiu deixar tudo para a última hora.

Custa crer que o tenha feito de propósito, justamente para, na pressão, afrouxar os controles e, quando menos se esperava, ainda procurar o abrigo no sigilo a fim de evitar o cotejo entre os orçamentos iniciais e os custos finais.

Pagamos agora a conta da inépcia. Mais à frente, quando a malandragem produzir suas consequências, pagaremos a conta da má-fé na forma do escândalo certo desde já contratado pelo sigilo de hoje que resultará na CPI de amanhã.

Intenção e gesto

A boa educação é sempre bem-vinda, embora nem sempre seja praticada. Daí as saudações à manifestação benfazeja da presidente Dilma Rousseff ao “acadêmico inovador, o político habilidoso, o ministro arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação”, Fernando Henrique Cardoso.

Mais que votos de feliz aniversário, Dilma, segundo auxiliares, pretendeu oferecer-se à distensão.

A civilidade e a reverência à realidade também são sempre bem-vindos, embora nem sempre sejam praticados.

Notadamente quando a necessidade impõe comportamentos distintos, conforme se constata no exame de declarações feitas durante a campanha eleitoral e já depois, com Dilma na Presidência. Eis algumas.

“Tínhamos diante de nós (na transição entre governos Lula e FH) um país que era o reino das desigualdades” (abril de 2010).

“Não havia (no governo FH) planejamento estratégico, não havia crescimento de investimento público, não havia parceria com a iniciativa privada” (março de 2010).

“Os tucanos venderam R$ 100 bilhões do patrimônio público e elevaram a dívida pública para R$ 600 bilhões. Que grande gestão financeira eles fizeram?” (agosto de 2010).

“Eu tenho sido acusada de querer ganhar a eleição antes da hora, de sentar na cadeira antes da hora. Quem sentou na cadeira antes foi o ex-presidente da República.

Por dois motivos não faço isso: porque respeito o voto popular e porque acho que dá azar e ficou visível que deu azar” (agosto de 2010).

“É fácil (governar o Brasil) quando a gente compara a situação de hoje com o país que encontramos em 2003: uma inflação absolutamente fora do controle, sem reservas, dependente do Fundo Monetário”.

Esta última em entrevista ao escritor português Miguel Sousa Tavares em 28 de março de 2011, menos de três meses antes da carta enviada ao “querido presidente, que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica”.

GOSTOSA

ELIANE CANTANHÊDE - Tremeliques na área externa


Tremeliques na área externa
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SÃO PAULO - 19/06/11

Dilma Rousseff estava à vontade e de calças jeans no longo voo até a China, depois de avisada pelo Itamaraty de que não haveria nenhuma autoridade à sua espera.

No desembarque, Antonio Patriota volta ao avião, esbaforido, para dizer que ninguém menos que o vice-presidente chinês fora recebê-la. Dilma ficou uma fera e deu uma bronca no chanceler. Quem haverá de lhe tirar a razão?

Mais adiante, Patriota se reuniu com Hillary Clinton nos EUA, e juntos deram uma entrevista coletiva em que o chanceler foi pródigo em obviedades e econômico em informações relevantes.

Conclusão: não saiu nada na primeira página dos jornais brasileiros. Um espanto. Alguém consegue imaginar um encontro de Celso Amorim com a secretária de Estado dos EUA passando em branco?

É assim que Patriota, pianista, estudioso de música clássica, que fala fluentemente várias línguas e é o típico primeiro de turma, vai deslizando da condição de invisível para a de insignificante. Política externa se faz por gestos, atos e palavras.

Não mudo, imóvel, nos bastidores. Dilma não está gostando.

Em dois tremeliques, porém, não se debite a culpa a Patriota: na desfeita com a Prêmio Nobel da Paz Shirin Ebadi, a iraniana que foi esnobada pela presidente, e no silêncio ensurdecedor do Itamaraty diante da crise com a Itália pela não extradição de Cesare Battisti.

Os anfitriões de Ebadi foram para o ataque, reclamando publicamente que Dilma não a incluíra na agenda. A presidente se sentiu pressionada e bateu pé: “Ah, é? Agora é que não recebo mesmo”.

No caso Battisti, a posição vem desde Amorim: se Lula se deixou levar por Tarso Genro, que passou por cima do Itamaraty e da Justiça para manter o italiano no Brasil, a diplomacia tirou o time de campo e opera no vestiário. Amorim fingiu que não era com ele, Patriota foi atrás. Aí, inverte-se o jogo: quem haverá de lhes tirar a razão?

LUIS FERNANDO VERISSIMO - Outra carta da Dorinha


Outra carta da Dorinha
LUIS FERNANDO VERISSIMO
O GLOBO - 19/06/11

Recebo outra carta da ravissante Dora Avante. Sim, ela está viva. A notícia de que teria desaparecido durante uma lipoaspiração que não soubera onde parar foi um pouco exagerada, segundo suas próprias palavras. Dorinha, como se sabe, não revela a idade. Diz que não comemora mais seu aniversário “para não banalizar a data”. Só Deus e o Pitanguy sabem quantos anos ela tem e Dorinha confia na discrição dos dois. Sua carta veio, como sempre, escrita com tinta grená em papel violeta aromatizado com o perfume “Mange moi” – que, de acordo com a defesa do 
Strauss-Kahn, era o que a camareira da Guiné estava usando naquela tarde.
“Caríssimo. Beijíssimos! Sim, sou eu, ou um fac-símile razoável. Acho que depois da última plástica sobrou muito pouco do original. Não, eu não estava morta, estava em Miami, que é pior. Na volta vim num avião com trezentas crianças, todas com chapéus do Mickey Mouse. Cada vez entendo menos as críticas a Herodes, claramente um injustiçado. Na praia conheci um surfista chamado Dwayne que gostou tanto dos meus seios que não tive coragem de dizer que nenhum dos dois era meu. Como você sabe, fui a primeira mulher a fazer ‘topless’ numa praia brasileira, embora não seja verdade que o padre Anchieta protestou. Dwayne e eu conversamos, apesar de ser difícil saber quando um americano está falando ou mascando chiclete mais alto, e marcamos um encontro mais tarde na minha cama. Onde nos conhecemos no sentido bíblico mas numa versão condensada, passando rapidamente de Atos a Apocalipse, pois descobri que o Dwayne se chamava Argemiro e era de Governador Valadares. E não queria ser pago em dólares mas em reais, que valem mais. No verão que vem, Praia de Ramos. Onde pelo menos quando você exclama ‘Jesus!’ não aparecem três cubanos e dizem ‘si?’.
Mas tudo isso é para contar que eu e meu grupo, as Socialaites Socialistas – Tatiana (‘Tati’) Bitati, Lusimara (‘Lus’) Trosa, Cristina (‘Qui’) Coisa e as outras –, estamos nos mudando para Brasília, para estarmos por perto caso a Dilma nos chame para o ministério. Não é para bajular mas sou totalmente a favor do sigilo eterno para os documentos da República. Vai que apareçam os versinhos safados que o marechal Dutra me mandava! Da tua Dorinha.”

NÃO MARCHA

CLAUDIO HUMBERTO



“Vocês querem acabar comigo, mas eu que vou acabar com vocês”
GILBERTO KASSAB A RODRIGO GARCIA, EX-ALIADO E ATUAL SECRETÁRIO DE GERALDO ALCKMIN

ISOLADA NO PV, MARINA ARTICULA FUNDAÇÃO DO PS 
Em conversas reservadas com aliados, em Brasília, a ex-senadora Marina Silva (AC) revelou que pode sair do PV até 2013, caso o partido entre na base de apoio ao governo de Dilma Rousseff. Ela continua isolada entre os próprios correligionários, por isso planeja fundar o “Partido da Sustentabilidade” (PS). Marina teme não conseguir espaço no PV para se lançar candidata à Presidência da República em 2014. 

PATRIMÔNIO ELEITORAL 
Para Marina, seduzido por cargos, o PV correrá para o abraço com Dilma, e que ela precisa fazer valer seus 20 milhões de votos em 2010.

ZORBA MINEIRO 
O Superior Tribunal de Justiça deu habeas-corpus a condenado em Minas por furto de cuecas usadas de um varal. Também não havia dólares nelas. 

FANTASMINHA 
O ministro Orlando Silva (Esporte), o da tapioca, garantiu a “máxima transparência” nas licitações da Copa. “Tipo assim” um ectoplasma? 

DIVÓRCIO À ITALIANA 
A próxima cidade a romper com sua “gêmea” Farroupilha (RS), em protesto contra Battisti, poderá ser Latina, na Itália. Laguna já rompeu. 

‘PALOCCI-DEPENDENTE’, DILMA SUFOCOU EX-MINISTRO 
Mesmo no período mais crítico da crise Palocci, Dilma Rousseff chegava a “prender” o então ministro da Casa Civil, a seu lado, até nove horas seguidas, todos os dias, obrigando-o inclusive a estar presente nas audiências que concedida a ministros, governadores, empresários etc. Essa “Palocci-dependência” sufocou a capacidade do ex-ministro de articular a defesa, avaliam ex-assessores e amigos.

NARIZ RETORCIDO 
Ex-assessores de Palocci avaliam que Dilma desdenhou do tamanho da crise, achando que demonstrações de prestígio salvariam o auxiliar.

MÃOS ATADAS 
Em plena crise, o então ministro Palocci não atendia líderes políticos, nem para articular a defesa no Congresso, porque Dilma não o largava.

MINAS DE OURO 
Terra do ex-vice-presidente, onde a família Alencar tem imóveis, o povo de Muriaé (MG) levou facada da prefeitura: IPTU vai subir 100%.

PRIMEIRA TROMBADA 
Lula baixou em Brasília, sexta, para apagar incêndio iniciado pela ministra Gleisi Hoffmann. A chefe da Casa Civil esnobou um apadrinhado do PMDB, Raimundo Lima, e nomeou um amigo petista, Marcelo Afonso Silva, para a diretoria de Obtenção de Terras do Incra.

CHAMANDO O BOMBEIRO 
O grupo dos treze deputados federais do PT que manda na bancada petista na Câmara aposta que o clima de beligerância entre Dilma e Marcos Maia não vai terminar bem. Pediram a interferência de Lula.

CAMPANHA 
Amanda Gurgel, professora fenômeno no Youtube, é filiada ao PSTU e sairá candidata a prefeita de Natal. Sem saber, ou fingindo não saber, a Globo ajuda: nesta segunda, deve ir ao programa de Ana Maria Braga.

MAIS DUAS PALESTRAS 
Em jantar com embaixadores africanos em Brasília, quinta, Lula fechou mais duas palestras. Apesar de não gostar de ler, falará na Biblioteca de Alexandria, no Egito, e depois na União Africana, na Guiné. O governo pagará diárias e passagens para seus seguranças do Exército.

PARALISIA 
Roncam desde 2004, nas gavetas Câmara do DF, as prestações de contas dos ex-governadores Joaquim Roriz, Maria Abadia e José Roberto Arruda. Deve ser trabalho demais e mordomia de menos. 

PÕE NA CONTA 
Em surdina, sob vista grossa da Controladoria Geral da União, os “cumpanhêro” vão enviar ao Congresso até novembro, a proposta de equiparar técnicos de nível médio a auditores na CGU, aumentando despesa, claro. O Supremo e o TCU consideram inconstitucional.

O BRASIL É UM CUSTO... 
A conta é do Le Monde, reproduzida no jornal inglês The Guardian: há 30 mil leis, 49 tratados internacionais e doze orçamentos pendentes no Congresso em Brasília, “uma das cidades caras do mundo”. 

...ATÉ NA PIZZA 
Tudo é mais caro aqui, diz o jornal francês: pizza e croissant “custam o dobro do preço em Londres e Paris”, e conclui: os números revelam muito sobre o custo de vida e a futilidade de governar no Brasil.”

PERGUNTA NA PISTA 
A lei proíbe, mas em vez do falecido Orestes Quércia, Viracopos Lula não seria o nome mais apropriado para o aeroporto paulista? 

PODER SEM PUDOR
DISCRIMINAÇÃO 
Quando soube que foram sacados R$ 20 mil (o menor valor de todos) para o deputado Professor Luizinho (PT-SP), na boca do caixa do mensalão do primeiro governo Lula, o então senador José Jorge (PE), hoje ministro do Tribunal de Contas da União, não perdeu a piada:
– Professor é discriminado até nisso...

DOMINGO NOS JORNAIS

Globo: Brasil faz 18 leis por dia, e a maioria vai para o lixo

Folha: Renda cresce mais no NE e desigualdade cai

Estadão: BC vê inflação menor com crescimento

Correio: Mapa do aluguel em Brasília mostra variação de 14.200%

Zero Hora: Por que a economia da Europa balança?