quarta-feira, maio 18, 2011

MERVAL PEREIRA - Falha legal, falha moral


Falha legal, falha moral 
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 18/05/11

O caso do patrimônio do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, que foi multiplicado enquanto exercia o mandato de deputado federal depois de ter sido ministro da Fazenda no governo Lula, traz em si duas questões, a moral e a legal. Existe uma inadequação legal que há muito é conhecida: a legislação brasileira permite que parlamentares participem de empresas privadas, suas ou de terceiros, ao mesmo tempo em que exercem seus mandatos.

E há a questão moral, do tráfico de influência e das informações sigilosas.

O artigo 54 da Constituição Federal afirma que, a partir da diplomação, um deputado ou senador não pode exercer funções remuneradas em órgãos da administração pública, como fundações, empresas estatais, empresas públicas e autarquias.

O artigo 55 pune com a imediata perda do mandato o parlamentar que ocupar função nessas entidades da administração pública.

Outra contradição é que ao servidor público comum é vedado exercer cargo administrativo em empresa privada, mas o servidor público eleito, inclusive governadores e prefeitos, tem essa permissão, com a exceção de empresas de comunicação.

Para se defender, o ministro Antonio Palocci cita, em uma nota oficial divulgada ontem, levantamento recente que revelou que nada menos que "273 deputados federais e senadores da atual legislatura são sócios de estabelecimentos comercial, industrial, de prestação de serviços ou de atividade rural".

O mesmo motivo que faz com que a Constituição proíba a participação de parlamentares em empresas públicas deveria ditar a proibição de participar de empresas privadas, pois deputados e senadores, governadores, prefeitos e vereadores têm condições de produzir ou influenciar leis que beneficiem empresas privadas, próprias ou para as quais trabalhem, como conselheiros ou consultores.

No caso específico do ministro Antonio Palocci, ele como deputado petista e ex-ministro da Fazenda de Lula, reconhecidamente um político da copa e cozinha do Palácio do Planalto mesmo depois de ter sido obrigado a deixar o cargo pelo escândalo da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo, teria condições especiais para interferir em decisões governamentais a favor de seus clientes.

A única maneira de esclarecer as dúvidas quanto à origem de sua nova fortuna seria revelar quais foram as empresas que o contrataram, para que se pudesse cruzar essas informações com eventuais decisões do governo que as tivessem beneficiado.

Outro colega seu atingido em pleno voo pelo escândalo do mensalão, o ex-ministro José Dirceu, tem a mesma suspeita sobre seus trabalhos de consultoria, embora no seu caso exista a vantagem para ele de que já não tem mais qualquer ligação formal com o governo, nem mesmo um mandato de deputado, cassado que foi no episódio.

Apesar disso, seu prestígio dentro do PT e sua notória ligação com os principais dirigentes do país, inclusive o ex-presidente Lula, colocam-no em situação privilegiada neste mercado de consultorias, que muitos veem como um disfarce para o puro trabalho de lobista.

As questões a serem discutidas são o tráfico de influência ou as informações internas que porventura possam ter beneficiado as empresas que os contrataram.

Por isso, a comparação que o ministro Antonio Palocci fez com outras figuras de governos anteriores, em sua nota oficial, não se justifica do ponto de vista formal, embora tenham a mesma raiz.

Diz a nota oficial da Casa Civil, com toda a razão, que, "no mercado de capitais e em outros setores, a passagem por Ministério da Fazenda, BNDES ou Banco Central proporciona uma experiência única que dá enorme valor a estes profissionais no mercado".

E cita que "muitos se tornaram, em poucos anos, banqueiros como os ex- presidentes do Bacen e do BNDES Pérsio Arida e André Lara Rezende, diretores de instituições financeiras como o ex-ministro Pedro Malan ou consultores de prestígio como o ex-ministro Mailson da Nóbrega".

Nenhum desses exerceu cargo legislativo, o que os assemelha, sem juízo de valor, mais a José Dirceu, que começou a carreira de consultor depois de perder o mandato, do que a Palocci, inclusive porque tiveram que fazer uma quarentena antes de voltarem ao mercado de trabalho.

Do ponto de vista legal, no entanto, o deputado federal eleito Antonio Palocci não tinha qualquer impedimento para montar uma consultoria, e o preço de seus conselhos era fixado pelo valor que o mercado lhes atribuía, não havendo regras para essa definição.

Ninguém discute que os trabalhos de consultoria de um ex-ministro como Antonio Palocci tenham valor incalculável para as empresas que o contrataram. Mas, quanto mais alto for esse valor, maior é a possibilidade de que embuta uma dose de expectativa de resultado devido à origem da consultoria, que certamente não está explicitada na negociação, mas pressentida.

Mesmo assim, é curioso notar que, para se defender de acusações de enriquecimento ilícito, mais uma vez um petista de alto gabarito hierárquico venha citar exemplos de ex-integrantes do governo de Fernando Henrique Cardoso que tanto foram acusados de enriquecimento ilícito pelo próprio PT.

ANDRÉ MELONI NASSAR - Modelo agroexportador, bom ou ruim?


Modelo agroexportador, bom ou ruim?
ANDRÉ MELONI NASSAR
O Estado de S.Paulo - 18/05/11

Nos últimos três artigos publicados neste espaço, mostrei que as exportações do agro brasileiro continuarão crescendo, respondendo à demanda por alimentos nos países em desenvolvimento e aos elevados preços internacionais. Argumentei, também, que o Brasil vai crescer mais do que outros exportadores, porque, a menos que políticas erradas sejam adotadas, o agro brasileiro responde mais rapidamente às elevações de preço que o de outros países. Isso ocorre porque o agro brasileiro combina três condições não encontradas nos demais: disponibilidade de terra e água, estrutura produtiva que favorece a expansão e alto nível tecnológico na produção. O modelo agroexportador brasileiro, portanto, vai ganhar força.

Mesmo que de forma indireta, os benefícios desse modelo têm sido postos em dúvida, em diferentes frentes. A primeira afirma que os custos ambientais da produção de commodities são muito elevados, já que elas são intensivas em recursos naturais e sua produção consome muita energia. Essa crítica parte da premissa de que toda indústria intensiva em recursos naturais traz danos ao ambiente, que, num modelo exportador e com especialização, são maiores do que num modelo não exportador. Assume, também, que seus produtores, sendo países emergentes, possuem regulamentações ambientais mais fracas. Considera, ainda, que os benefícios sociais do aumento da produção são discutíveis, porque envolve setores que geram pouca renda e têm baixo conteúdo tecnológico. Por fim, argumenta que os setores produtores de commodities requerem elevada intensidade energética.

Tal crítica ignora diversos fatos. O primeiro é que o "dano" ao ambiente não provém apenas do lado do uso dos insumos, mas também dos produtos finais. No quesito emissões de gases de efeito estufa, o agro é o setor que mais capta carbono da atmosfera. Em segundo lugar, ignora que o Brasil é um dos países líderes em regulamentações que se referem à responsabilidade ambiental e social do setor agropecuário.

Ao contrário do que se pensa, o agro tem um enorme efeito multiplicador de renda e gerador de empregos indiretos em regiões com setores industriais e de serviços menos diversificados, ou seja, todos os municípios que não são grandes capitais e estão espalhados pelo interior do País. Por fim, especialização e alguma concentração da produção são sinônimas de eficiência e, em épocas de preocupações com a segurança alimentar mundial e os altos preços de produtos intensivos em recursos naturais, baixa eficiência é tudo o que não se deve almejar.

A tese de elevada intensidade energética não se aplica ao agro. De todos os setores, excluindo os de serviços, o agropecuário é o de menor intensidade energética (energia consumida por valor de produto gerado). O setor de alimentos e bebidas, que não faz parte do setor agropecuário, apesar de ter elevada intensidade energética, obtém 75% da energia consumida do bagaço de cana, diferenciando-se dos demais setores industriais. Além disso, avaliando no tempo, agropecuária e alimentos são os dois setores que apresentam o maior ganho de produtividade no uso da energia.

A segunda crítica afirma que as crescentes exportações de commodities estão contribuindo para apreciar o câmbio, intensificando o processo de desindustrialização da economia brasileira. Ela se baseia na ideia da doença holandesa. A definição não dogmática de doença holandesa se refere a uma possível apreciação na taxa de câmbio devida a descobertas ou choques nos preços de commodities, baseados em recursos naturais. Fortes incrementos nos fluxos cambiais, tais como entrada de capitais estrangeiros decorrentes, entre outras razões, de elevadas taxas de juros ou condições macroeconômicas específicas, também podem levar a situações de doença holandesa. A maior consequência da apreciação da taxa de câmbio num quadro de doença holandesa seria a desindustrialização do País. No Brasil, por muito tempo se afirmou que as crescentes exportações agroindustriais - como se o agro não fosse um setor intensivo em capital e tecnologia - seriam uma das responsáveis caso a doença holandesa atingisse o nosso país.

Atualmente, diante de contínua valorização do real e de crescente participação dos produtos básicos na pauta exportadora brasileira, o tema da desindustrialização voltou à baila. Embora a discussão atual não necessariamente seja dirigida às exportações do agro - ela enfoca com maior vigor o setor de minérios e petróleo aqui, no Brasil -, os elevados preços internacionais das commodities agrícolas têm colocado o setor como alvo também.

Estudos contendo análises sobre doença holandesa e regime cambial são unânimes em dois pontos. A valorização cambial pode provocar realocação de fatores de produção, que se movem dos setores industriais, que têm produtos transacionados internacionalmente, para setores da economia baseados em produtos não comercializáveis. No entanto, a apreciação cambial decorrente da doença holandesa não provoca redução do crescimento econômico, ou seja, a realocação pode afetar negativamente alguns setores industriais, mas não implica perda para a sociedade.

Uma tentação quase irresistível dos defensores da tese da desindustrialização, que está ganhando força no Brasil, é atacar as exportações de commodities, ignorando o fato de que a doença holandesa não compromete crescimento e esquecendo que vários fatores não relacionados ao câmbio determinam a baixa competitividade de alguns setores industriais no País.

Qualquer medida que venha a inibir o modelo agroexportador brasileiro, seja ela fundamentada em argumentos ambientais, sociais, de consumo de energia, baixo conteúdo tecnológico ou de desindustrialização do País, vai comprometer o desempenho de um dos poucos setores em que o Brasil é verdadeiramente competitivo.

GOSTOSA

ROLF KUNTZ - Ministério da Desigualdade


Ministério da Desigualdade
ROLF KUNTZ
O Estado de S.Paulo - 18/05/11

O nome oficial é Ministério da Educação, mas podem chamá-lo Ministério da Desigualdade. Ministério da Incompetência também serve: a palavra tanto se aplica à atuação de seus dirigentes quanto se aplicará à condição das vítimas do padrão educacional proposto no livro Por Uma Vida Melhor, comprado e distribuído pelo governo. A presidente Dilma Rousseff prometeu trabalhar pela redução da miséria. Se quiser fazê-lo, terá de cuidar da qualificação de milhões de brasileiros para o trabalho. Mais que isso, terá de promover sua preparação para trabalhar numa economia cada vez mais complexa e exposta à competição internacional. Tratar os pobres como coitadinhos e incapazes conduzirá ao resultado oposto. Se há preconceito, não é de quem considera errada a violação da gramática. Preconceituoso e elitista é quem condena o pobre a uma instrução de baixa qualidade e ainda o aconselha a contentar-se com isso.

Os problemas de formação profissional e o mau desempenho dos alunos brasileiros em testes de avaliação foram apontados com suficiente clareza em artigo de Carlos Alberto Sardenberg, publicado anteontem neste caderno. Concorrentes do Brasil, incluída a China, estão empenhados em oferecer uma educação muito melhor a seus estudantes. Em vez de tratar os pobres como inferiores, autoridades educacionais desses países cuidam de prepará-los para se igualar aos melhores do mundo.

Não é preciso insistir nesse ponto. Mas é indispensável chamar a atenção para a concorrência em outro nível. No Brasil, quem tem bom senso e condição econômica tenta oferecer aos filhos a melhor educação possível. Pais instruídos procuram boas escolas e valorizam aquelas conhecidas pelo alto padrão de exigência. Rejeitam a ideia do diploma conquistado pelo caminho fácil. Além disso, estimulam os filhos a frequentar cursos de línguas e a envolver-se em atividades intelectualmente estimulantes. Nas melhores escolas, crianças pré-adolescentes são treinadas para combinar criatividade e rigor. Assim como as autoridades dos países mais dinâmicos e competitivos, as famílias brasileiras mais atentas aos desafios do mundo real continuarão em busca dos padrões educacionais mais altos.

Famílias saídas há pouco tempo da pobreza também reconhecem a importância de oferecer uma boa formação a seus filhos e por isso procuram escolas particulares. "Meu filho só tem 5 aninhos e já está aprendendo a ler e a escrever. Nessa idade, na escola pública, ninguém sabe nada ainda", disse uma agente de saúde citada em reportagem publicada no Estado de domingo.

Outra personagem da história explicou: "Não é metideza, é necessidade. Eu trabalho como empregada doméstica o dia todo. Meu marido é coletor de lixo e também passa o dia fora. Pagar a escola para a Gecielle foi a melhor opção". Mas ela descobriu também outra vantagem: "Com meus outros dois filhos não pude (pagar). A situação era muito pior. Na escola pública onde eles estudam já teve tiroteio. Na da Gecielle não tem nada disso e ela ainda aprende mais, tem lição de casa e tudo". Pois é: ela aprende, tem lição de casa e a mãe se mostra convencida de ter feito um bom negócio. As duas entrevistadas apostam nos filhos, apertam o cinto para pagar a escola e têm uma clara visão dos problemas: crianças pobres aprendem, como quaisquer outras, quando têm oportunidade.

Tratar os pobres com paternalismo, como pessoas incapazes de aprender a língua oficial e de aguentar os padrões de uma escola séria, é condená-los a ficar para trás, marginalizados e limitados às piores escolhas. Apoiar essa política é agir como se o mundo fosse esperar os mais lentos. Em países com políticas sociais decentes a solução é dar um impulso extra às pessoas em posição inicial desvantajosa.

O paternalismo é muito mais vantajoso para quem concede benefícios do que para quem recebe. Massas protegidas por Pais ou Mães do Povo tendem a ser dominadas com facilidade e nunca exercem plenamente a cidadania. Tratá-las como pessoas irremediavelmente inferiores é condená-las a ser politicamente subdesenvolvidas. Ensiná-las a conformar-se com "nóis vai" e "os menino joga bola" é vedar-lhes o acesso a aprendizados mais complexos e à possibilidade de pensar livremente. As oportunidades serão cada vez mais limitadas para os monoglotas. Muito piores serão as condições dos semiglotas, embora alguns, muito raramente, possam até presidir um país.

A presidente Dilma Rousseff parece haver renunciado ao papel de Mãe do Brasil, planejado por seu antecessor e grande eleitor. Ao anunciar a intenção de oferecer aos pobres a porta de saída dos programas assistenciais, ela mostrou preferir um caminho mais democrático. Mas, para segui-lo, precisará livrar-se do entulho do paternalismo e da demagogia. Uma faxina no Ministério da Educação ajudaria muito.

MÔNICA BERGAMO - ALTO RISCO


ALTO RISCO
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/05/11

A Honda do Brasil se reuniu anteontem com sindicalistas em São Paulo e comunicou que pode confirmar em breve a demissão de 1.270 trabalhadores de sua fábrica em Sumaré, no interior de São Paulo. A crise no Japão depois do tsunami afetou o abastecimento de componentes vindos daquele país. A produção de automóveis caiu de 600 para 300 por dia.

SAÍDA

Na reunião foram discutidas alternativas para a demissão. Uma delas é a suspensão temporária do contrato de trabalho com os empregados. "Estudamos várias alternativas. Não tem nada oficial", diz Paulo Takeuchi, diretor de relações institucionais da empresa.

TODA SUA
Walter Torre, da construtora WTorre, enviou carta a Ricardo Teixeira, da CBF, colocando a arena do Palmeiras à disposição para a Copa das Confederações, em 2013 -e para a Copa do Mundo de 2014. Com o estádio do Corinthians em banho-maria, Torre, que recomeçou nesta semana as obras da sede do Verdão, garante que ela estará pronta em dois anos, já que é tocada com "100% de recursos privados".

TORPEDO

Uma cópia da carta foi mostrada ao governador Geraldo Alckmin, de SP.

OLHOS NOS OLHOS
O governador, por sinal, está marcando encontro com Ricardo Teixeira.

ÀS ORDENS
Jorge Pagura, secretário estadual do Esporte, diz que o governo de SP deve apresentar três estádios como opção para a Copa das Confederações: Pacaembu, Morumbi e a arena do Palmeiras.

PONTO FINAL
E Alckmin é mais direto que sua equipe ao falar sobre a nova estação de metrô no bairro de Higienópolis: "Já está decidido. Será na rua Sergipe". Ele até desenhou o traçado da linha-6 laranja e entregou à coluna com a localização da nova parada.

MODESTA

A nova estação de Higienópolis não será grandiosa, diz Alckmin, como são as de Pinheiros e da Vila Prudente, por exemplo. Como ela não terá interconexão com trem e ônibus, será construída em moldes mais modestos, como os da avenida Paulista.

MESA-REDONDA
Foram anteontem ao jantar de abertura do Congresso Internacional de Jornalismo Cultural, na casa de Daysi Bregantini, nos Jardins, convidados como a ensaísta americana Camille Paglia, o cineasta alemão Werner Herzog e o escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez.

NATUREZA-VIVA

A galeria Mendes Wood, nos Jardins, abriu a mostra "Front Space", com telas em que o maranhanse Thiago Martins de Melo retrata ícones do seu cotidiano. Passaram por lá a artista Marina Rheingantz, o curador Felipe Dmab e a atriz Luciana Vendramini.

TODO OUVIDOS

O ministro Guido Mantega, da Fazenda, deve se reunir hoje em Brasília com governadores do Sul e do Sudeste para discutir proposta de reforma tributária.

SIM, NÓS USAMOS

Para se defender da "acusação" de que não toma cerveja, embora faça propaganda da bebida, Sandy insinuou que outros colegas fazem anúncios de produtos que não consomem. "Ou todo mundo acha que a Xuxa usa Monange e que o Luciano Huck e a Angélica usam Niely Gold?". Pois Xuxa diz que não só usa como o hidratante de que mais gosta é o azul. Huck vai além: "Temos Niely Gold em casa. E confiamos na qualidade do produto, senão jamais iríamos associar nossa imagem".

ACARAJÉ À PAULISTA

Para promover o início dos voos diretos entre São Paulo e Barcelona, em junho, a companhia aérea espanhola Iberia destaca a capital paulista em sua revista de bordo deste mês.

Com o título "A Nova York do Sul", a matéria diz que o acarajé é um dos pratos típicos da cidade.

A BROADWAY É AQUI

O musical "Grey Gardens", que conta a história de duas ex-socialites parentes de Jacqueline Kennedy Onassis, ganhará versão brasileira dirigida por Wolf Maya.

AMÉLIE ENTRE NÓS
A francesa Audrey Tautou, do longa "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", desembarca no país no próximo mês. A atriz participará do Festival Varilux de Cinema apresentando o filme "Uma Doce Mentira".

CURTO-CIRCUITO

Samir Yazbek lança o livro "As Folhas do Cedro" hoje, às 18h30, na Livraria da Vila de Pinheiros.

Daniel Boaventura gravou a canção "She", de Charles Aznavour, para a novela "Morde & Assopra".

Vera Simão promove festa de abertura do Casar2011 hoje, às 19h30, no Terraço Daslu.

O livro "Saúde Integral" será lançado hoje, às 19h, na Saraiva do shopping Higienópolis.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

MARCELO COELHO - Politicamente fascista


Politicamente fascista 
MARCELO COELHO 
FOLHA DE SÃO PAULÇO - 18/05/11

Todo pateta com pretensões à originalidade e à ironia toma a iniciativa de se dizer "incorreto"


O comediante Danilo Gentili pediu desculpas pela piada antissemita que divulgou no Twitter. A saber, a de que os velhos de Higienópolis temem o metrô no bairro porque "a última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz".

Aceitar suas desculpas pode ser fácil ou difícil, conforme a disposição de cada um. O difícil é imaginar que, com isso, ele venha a dizer menos cretinices no futuro.

Não aguentei mais do que alguns minutos do programa "CQC", na TV Bandeirantes, do qual é ele uma das estrelas mais festejadas. Mas há um vídeo no YouTube, reproduzindo uma apresentação em Brasília do seu show Politicamente Incorreto, em outubro de 2010.

Dá para desculpar muita coisa, mas não a falta de graça. O nome oficial do Palácio do Planalto é Palácio dos Despachos, diz ele. "Deve ser por isso que tem tanto encosto lá." Quem o construiu foi Oscar Niemeyer, continua o humorista. E construiu muitas outras coisas, como as pirâmides do Egito.

A plateia tenta rir, mas só fica feliz mesmo quando ouve que Lula é cachaceiro, ou que (rá, rá) o nome real de Sarney é Ribamar. Prossegue citando os políticos que Sarney apoiou; encerra a lista dizendo que ele só não apoiou o próprio câncer porque "o câncer era benigno".

Os aplausos e risadas, pode-se acreditar, vêm menos da qualidade das piadas e mais da vontade de manifestação política do público. Detestam-se, com razão, os abusos dos congressistas brasileiros. Só por isso, imagino, alguém ri quando Gentili diz preferir que a capital do país ficasse no Rio: "Lá pelo menos tem bala perdida para acertar deputado".

Melhor parar antes que eu fique sem respiração de tanto rir. Como se vê, em todo caso, o título do show não é bem o que parece. "Politicamente incorreto", no caso, faz referência às coisas erradas feitas pelos políticos, mais do que ao que há de chocante em piadas sobre negros ou homossexuais.

A questão é que o rótulo vende. Ser "politicamente incorreto", no Brasil de hoje, é motivo de orgulho. Todo pateta com pretensões à originalidade e à ironia toma a iniciativa de se dizer "incorreto" - e com isso se vê autorizado a abrir seu destampatório contra as mulheres, os gays, os negros, os índios e quem mais ele conseguir.

Não nego que o "politicamente correto", em suas versões mais extremadas, seja uma interdição ao pensamento, uma polícia ideológica.

Mas o "politicamente incorreto", em sua suposta heresia, na maior parte das vezes não passa de banalidade e estupidez.

Reproduz preconceitos antiquíssimos como se fossem novidades cintilantes. "Mulheres são burras!" "Ser contra a guerra é viadagem!" "Polícia tem de dar porrada!" "Bolsa Família serve para engordar vagabundo!" "Nordestino é atrasado!" "Criança só endireita no couro!"

Diz ou escreve tudo isso, e não disfarça um sorrisinho: "Viram como sou inteligente?".

"Como sou verdadeiro?" "Como sou corajoso?" "Como sou trágico?" "Como sou politicamente incorreto?"

O problema é que "politicamente incorreto", na verdade, é um rótulo enganoso. Quem diz essas coisas não é, para falar com todas as letras, "politicamente incorreto". Quem diz essas coisas é politicamente fascista.

Só que a palavra "fascista", hoje em dia, virou um termo... politicamente incorreto. Chegamos a um paradoxo, a uma contradição.

O rótulo "politicamente incorreto" acaba sendo uma forma eufemística, bem-educada e aceitável (isto é, "politicamente correta") de se dizer reacionário, direitista, fascistoide.

A babaquice, claro, não é monopólio da direita nem da esquerda. Foi a partir de uma perspectiva "de esquerda" que Danilo Gentili resolveu criticar "os velhos de Higienópolis" que não querem metrô perto de casa.

Uma ou outra manifestação de preconceito contra "gente diferenciada", destacada no jornal, alimentou a fantasia mais cara à elite brasileira: a de que "elite" são os outros, não nós mesmos. Para limpar a própria imagem, nada melhor do que culpar nossos vizinhos.

Os vizinhos judeus, por exemplo. É este um dos mecanismos, e não o vagão de um metrô, que ajudam a levar até Auschwitz.

GOSTOSA

JOSÉ SIMÃO - Ueba! Pau de tucano cura câncer!


Ueba! Pau de tucano cura câncer! 
JOSÉ SIMÃO
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/05/11

E sabe qual é a semelhança entre o Corinthians e o Bin Laden? Ambos viraram comida de peixe. Rarará!

BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
O mundo caiu na gandaia. Ex-amante do diretor do FMI se chama Piroska e o pai do Sarkozy se chama Pál. Tá explicado. O Sarkozy puxou o pai! Meu pai é Pál! E a manchete do Twitteiro: "DNA do Programa do Ratinho comprova: Neymar não é o pai do filho da Carla Bruni".
E atenção! Direto do "Jornal da Cidade", de Bauru: "Descoberta! Planta do cerrado cura úlcera e câncer!". E sabe como é nome da planta? Pau de tucano. Rarará! Por isso que o Serra só fala em saúde! O pau do Serra pode curar úlcera. Mas o Serra inteiro dá úlcera!
E como disse o outro: em São Paulo a gente leva pau de tucano desde os tempos do Covas. Rarará!
E sabe qual a diferença entre o diretor do FMI e o Berlusconi? É que o Berlusconi paga! Rarará! E sabe qual é a semelhança entre o Corinthians e o Bin Laden? Ambos viraram comida de peixe. Rarará!
E descobriram maconha e vídeo pornô na casa do Bin Laden. Normal! Terrorista aposentado vai fazer o quê? Já sei, ele tava fumando uma bomba, ouvindo Bob Marley e aí a polícia chegou! E ficava vendo vídeo pornô! Por isso que pegaram ele: cinco contra um! Rarará!
E vídeo pornô toda casa tem. Não precisa ser casa de terrorista! E diz que o Flamengo tem dois times: um pra jogar no Rio e outro pra jogar fora. Rarará!
E a Dilma declarou que os chineses são ótimos anfitriões: "Você fala com um e quando vai falar com outro, esse já sabe de tudo". Ela falou com o mesmo chinês pensando que era outro. Rarará! Avisa para a Dilma que todo chinês é cópia pirata de outro chinês!
E o e-mail de um amigo meu: "Moro em Higienópolis, sou a favor do metrô, não sou da elite paulistana, não sou eleitor do PSDB, uso o metrô da Marechal, frequento os botecos da Maria Antonia e Santa Cecília e como na padusca em frente ao Piratininga. Onde eu entro nessa?". Entra pelo cano. Vai ser extraditado para a Brasilândia. Capital da Gente Diferenciada!
E eu tenho a foto do metrô diferenciado para gente diferenciada: uma Kombi grudada na outra! E tá pronto o metrô diferenciado!
"Estação Higienópolis agora será na Sergipe". Esse metrô de Higienópolis parece espinha: fica mudando de lugar o tempo todo. Uma hora tá na bochecha, outra hora tá no nariz, no queixo! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!

ELIO GASPARI - Dois consultores, Palocci e Kissinger


Dois consultores, Palocci e Kissinger
ELIO GASPARI
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/05/11

O ministro Antonio Palocci gosta de viver perigosamente. Em 2002, ele apareceu na política nacional como ex-prefeito de Ribeirão Preto. Quatro anos depois, perdeu o Ministério da Fazenda numa encrenca em que havia grampos, lixo, pacotes de dinheiro e amigos de fé. Seu ex-secretário de governo abriu uma empresa de consultoria na casa de uma copeira. Em 1993, esse amigo tinha um patrimônio de 13 mil. Em 2004, aos 41 anos, amealhara R$ 1,4 milhão. Outro alugou uma casa em Brasília adiantando R$ 60 mil (em dinheiro vivo, com cinta de banco) por seis meses de contrato. O moço declarara à Receita Federal uma renda anual de R$ 20 mil. Nessa casa funcionou a "República de Ribeirão Preto".

Palocci enfrentou invicto todos os inquéritos e processos. Ele caiu em 2006 porque, tendo repetido à saciedade que jamais pisara na casa do amigo, foi desmentido pelo caseiro Francenildo Santos Costa. Quando o comissariado da Caixa Econômica violou o sigilo bancário, da testemunha indesejada, a blindagem vazou.

Palocci submergiu, elegeu-se deputado federal em 2006, terminou o mandato e voltou ao Planalto, como chefe da Casa Civil. Doutora Dilma mal completou seis meses de palácio e, uma semana depois do retorno do companheiro Delúbio Soares ao PT, há uma nova encrenca no varal de Palocci. Os repórteres Andreza Matais e José Ernesto Credendio revelaram que, em 2006, o ministro tinha um patrimônio declarado de R$ 375 mil. Quatro anos depois, tendo recebido da Viúva R$ 974 mil (brutos), amealhara R$ 7,5 milhões.

O ministro informa que esse patrimônio resultou do trabalho de sua empresa de consultoria. A sabedoria de Palocci rendeu um ervanário de 1,1 milhão de dólares anuais. Dando-se por irrelevante uma funcionária que não sabe dizer o que se faz por lá, na consultoria só trabalha o doutor. A Kissinger Associates, uma das mais poderosas firmas do ramo, tem dez sócios, cinco dos quais são diretores. Noves fora o ex-secretário de Estado Henry Kissinger, lá estão um ex-vice-rei do Iraque e um ex-governador. O professor não faz lobby junto ao governo americano e, por isso, não abre suas contas. Entre seus clientes estão a Coca-Cola, o American Express e a Fiat. Em 1987, com menos de quatro anos de existência, faturou US$ 5 milhões. (Hoje fatura o dobro.) Um de seus diretores, o general Brent Scowcroft, chefe da assessoria para assuntos de segurança nacional dos presidentes Gerald Ford e Bush 1, e presidente do Conselho Consultivo para questões de inteligência de Bush 2, recebe perto de US$ 300 mil anuais na firma.

Por mais que o real esteja sobrevalorizado, cotar a jovem consultoria de Palocci a 22% da firma de Kissinger nos seus primeiros anos faz pouco sentido.

Em 2003, quando começaram os penares de Palocci, ele poderia ter se dissociado da turma de Ribeirão Preto. Não tendo esterilizado seus tratos, tropeçou em Francenildo.

Palocci argumenta que suas relações com os clientes estão protegidas por cláusulas de confidencialidade. Isso não impede que, num gesto heroico, seus fregueses diferenciados saiam do armário, dizendo em que ramos atuam. Não precisam descrever o serviço recebido. Basta mostrar o rosto.

RUY CASTRO - Toca o barco


Toca o barco
RUY CASTRO
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/05/11

RIO DE JANEIRO - Até o meio-dia de sábado, as negociações para mitigar a crise econômica da Europa estavam bem encaminhadas, com Portugal, Irlanda e Grécia na expectativa de o FMI liberar bilhões de euros para apagar seus incêndios imediatos. Ao mesmo tempo, a sucessão presidencial na França (eleições marcadas para 2012) se encaminhava para uma troca de estilo de governo, e para melhor, esperavam os franceses.

De repente, tudo empacou porque o super-homem que protagonizava tais movimentos, fiando-se em seus poderes, gostou de uma camareira e a atacou grosseiramente em seu apartamento de hotel em Nova York. A camareira deu queixa. O homem foi arrancado da primeira classe do avião em que embarcava para Paris, identificado por ela numa fila de suspeitos, desfilado de algemas para os fotógrafos e viu negada uma fiança milionária. Em horas, seu mundo caiu.

A desgraça de Dominique Strauss-Kahn, 62 anos e, então, o nº 1 do FMI, não é a primeira do gênero. Mas, sempre que acontece, eu me pergunto que pulsões secretas de um indivíduo não interferem no destino de milhões que não têm nada com elas. Ou o Strauss-Kahn sóbrio e competente, em quem um sistema inteiro apostava para voltar à prosperidade, seria um, e o trêfego Dominique, que não podia ver um rabo de saia, outro?

Não creio. Nelson Rodrigues dizia que, se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém. Nossa sensibilidade ou hipocrisia pode rejeitar esse conceito, mas ele é difícil de derrubar.

O FMI soltou o dinheiro para Portugal, seu nº 2 deve tornar-se o novo nº 1, as negociações para salvar a Europa continuam e a França se virará como sempre. Em breve, DSK será apenas um nome nos arquivos dos jornais, só lembrado quando alguém escorregar feio de novo como ele. Toca o barco.

MÍRIAM LEITÃO - Rever impostos


Rever impostos
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 18/05/11
Ainda não se sabe como desonerar a folha, já que essa contribuição arrecada R$95 bi, mas há duas alternativas para substituir o imposto hoje cobrado das empresas sobre o total dos salários pagos aos trabalhadores.

- Podemos transferir a cobrança para um imposto sobre valor agregado como PIS/Cofins, ou sobre o faturamento geral da empresa. Estamos fazendo simulação de cada modalidade em cada indústria. Até o setor de capital intensivo apóia a cobrança sobre valor agregado porque isso desoneraria a exportação - disse o ministro numa entrevista que me concedeu ao programa Espaço Aberto, da Globonews.

Mantega acha que as mudanças propostas para o ICMS não terão desta vez a reação dos estados, apesar de os de maior peso econômico serem governados pela oposição. Ele conta que já está conversando com eles:

- O ICMS é o imposto mais complexo e seu mair peso recai sobre a produção. Os estados todos estão com problemas e se queixam da guerra fiscal. Chegamos ao paroxismo de que alguns estados incentivam a importação contra o produto nacional. Há conflito entre os estados, queixas ao STF. Por isso a nossa proposta é a de baixar gradualmente o ICMS interestadual que hoje está entre 7% a 12% para 2%.

Segundo Mantega os maiores estados não reclamariam contra a proposta porque eles teriam a ganhar, os menores seriam compensados com a redução de impostos federais na atração de investimentos.

- Nossa ideia é fechar essa proposta sobre a desoneração da folha salarial e uma proposta de redução gradativa do ICMS interestadual até junho para apresentá-la para a sociedade - afirmou.

Ele disse que aquela proposta de reforma tributária que está no Congresso será deixada de lado porque o governo teria se convencido de que uma reforma ampla é muito difícil pela reação dos estados à discussão sobre onde recolher o ICMS, se na origem ou no destino. Ele acha que o melhor seria no destino. A decisão do governo diante do impasse é ir propondo ideias, como a que fará agora, e pôr em marcha uma agenda tributária para simplificar os impostos sobre a produção, tirar o peso que recai sobre o emprego para estimular a formalização do mercado de trabalho que já está em marcha.

O ministro garante que o governo está reduzindo a carga tributária, apesar de o número divulgado pelo próprio governo ter mostrado nos últimos anos um aumento, com pequena queda em 2009, para nova alta em 2010. Ele disse que ao longo dos últimos cinco anos, o governo permitiu desoneração de R$100 bi:

- A carga subiu por causa da alta do PIB e da formalização. Reduzimos IR, IPI, diminuímos carga sobre pessoa física com novas alíquotas e diminuição de impostos indiretos. Estamos melhorando o aproveitamento do crédito do PIS/Cofins de 24 meses para 12, e logo irá a zero.

Para a maioria das empresas e pessoas a sensação é de pagar mais e as estatísticas mostram aumento do percentual de impostos sobre o PIB. Mas o importante é que Mantega garante que não está parada a agenda tributária e que serão anunciadas novas propostas de redução ou simplificação de impostos no próximo mês.

Mantega se disse "perplexo" com o que está acontecendo com Dominique Strauss-Kahn:

- Espero que tudo se esclareça o mais rapidamente possível. Nossa avaliação é de que ele foi um dos melhores diretores-gerentes do FMI. Tem feito excelente trabalho, coordenou os países na crise, foi muito ativo e importante na busca de uma solução.

Contou que quando Dominique Strauss-Kahn veio ao Brasil pedir nosso apoio para assumir o comando do Fundo, prometeu que na sua sucessão lutaria para que fosse derrubado o critério que estabelece que só um europeu pode ser o dirigente do FMI:

- É prematuro discutir a sucessão no Fundo e o Brasil torce para que tudo se esclareça em favor do Dominique, mas é preciso se estabelecer a meritocracia, que a pessoa que dirija o FMI seja escolhida por seus méritos e não por ser europeu. Ele é um europeu competente, mas há nomes também de países emergentes. Vamos batalhar pela meritocracia.

Outro assunto que conversei com o ministro foi a inflação e as pressões inflacionárias. Ele admitiu que o governo está preocupado, como toda a sociedade:

- Vivemos um surto mundial que atinge mais as economias aquecidas, como as emergentes. A inflação de commodities está recuando, mas nas economias que crescem mais o risco é de que a alta de preços seja difundida. No Brasil há a indexação que permanece. Mas nos últimos cinco anos a meta foi cumprida. Em 2010, a economia ficou muito aquecida, mas estamos desaquecendo. Estamos jogando água na fervura sem apagar o fogo.

Mantega admitiu que os juros altos o incomodam, mas afirmou que agora eles não podem cair.

O ministro Guido Mantega disse que no mês que vem o governo vai anunciar propostas e medidas para reduzir a carga tributária. Uma das principais decisões é a de desonerar a folha de salários para as empresas. A Fazenda já está conversando com os governadores para a redução do ICMS estadual. Ele garante que não se pensa em recriar a CPMF.

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Na linha de frente
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/05/11

A berlinda em que se encontra Antonio Palocci deve acelerar um movimento para ampliar a exposição pública de Dilma Rousseff. Antes mesmo das revelações sobre a evolução patrimonial do chefe da Casa Civil, Lula já havia aconselhado sua sucessora a sair do gabinete. A agenda da presidente, em regra bastante reclusa, ficou ainda mais restrita em semanas recentes devido à convalescença da pneumonia.
Mesmo entre os maiores defensores de Palocci, há quem avalie que o episódio tem como efeito colateral escancarar o grau de dependência do governo -e da própria Dilma- em relação ao ministro.

Deixa quieto 

Um grão-petista observa: "Melhor não encrencar com esse negócio de evolução patrimonial do Palocci. Imagine qual será a do Lula daqui a um ano".

Atalho 
Com a Câmara embrenhada no Código Florestal, governistas discutem a possibilidade de jogar para uma MP em tramitação no Senado o capítulo sobre a mudança na Lei de Licitações para obras da Copa e da Olimpíada. Assim, os senadores discutiriam primeiro o mérito das mudanças. Se aprovado, o texto voltaria para a Câmara, que só poderia aprovar ou rejeitar tudo, sem fazer ajustes pontuais. Mas a reação à tentativa de gambiarra é grande.

Expertise 
Embora concursados em carreiras ligadas à educação, 30 funcionários que atuavam no escritório paulista do MEC, desativado ontem, serão deslocados para sedes regionais do Ministério da Agricultura, Advocacia Geral e Secretaria do Patrimônio da União.

Capilaridade 
Portaria do Ministério da Justiça publicada no "Diário Oficial" de hoje autoriza a Polícia Rodoviária Federal a receber armas de fogo, acessórios ou munição e emitir o protocolo referente à indenização, como parte da Campanha Nacional do Desarmamento. Nas próximas semanas, também ONGs serão credenciadas para fazer o serviço.

Estrela 
A despeito da anunciada recomendação para que adotasse baixo perfil em seu retorno ao PT, o tesoureiro do mensalão, Delúbio Soares, foi a atração em reunião ontem do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

Jogo armado 
Embora formalmente a decisão caiba à Fifa, o Palácio dos Bandeirantes desconfia que o governo federal opera para retirar de SP e levar a Brasília a abertura da Copa de 2014. O diagnóstico, que já vinha se formando, foi fechado após reunião, sexta passada, na qual a Odebrecht informou que o estádio do Corinthians custará cerca de R$ 1 bi, e não R$ 650 mi, como anunciado até recentemente.

Sei lá...
Quando Geraldo Alckmin quis saber a razão de tamanho salto, o representante da Odebrecht respondeu apenas que o orçamento havia sido refeito.

...mil coisas 
Cada um em seu papel, o governador, o ministro Orlando Silva (Esporte), o prefeito Gilberto Kassab e o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, disseram não ter como financiar os R$ 350 mi adicionais. Esperado, Luciano Coutinho (BNDES) não compareceu.

PPP 
O governo paulista -que, desde o início do processo, afirmou a disposição de investir em transporte, não em construção de estádio- sente o cheiro de operação casada entre a empreiteira e o governo federal.

Tim-tim 

Em janeiro, num jantar na casa de Marcelo Odebrecht, todos os atores do encontro de sexta (mais Luciano Coutinho) celebraram a construção do "Itaquerão" por R$ 650 mi - e com financiamento público apenas do BNDES.

Pai da criança 
Para lembrar: foi Lula quem, em agosto passado, uniu Odebrecht e Corinthians no projeto do novo estádio.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"Chegamos ao cúmulo de o Ministério da Educação comprar livros para ensinar errado. É política típica de um desgoverno."
DO LÍDER DO PSDB NA CÂMARA, DUARTE NOGUEIRA, sobre o MEC distribuir a 485 mil alunos o livro "Por uma vida melhor", que defende o uso da linguagem popular e admite erros gramaticais.

contraponto

Revolta do bioma


Durante a abertura de feira agropecuária em Ribeirão Preto, o apresentador elogiava Aldo Rebelo (PC do B-SP), herói dos ruralistas por seu relatório do Código Florestal. De repente, o homem engasgou e começou a falar fino, até se desculpar:
-Entrou uma mosca na garganta...
Um ambientalista brincou:
-Bastou falar no Aldo e veja só o que aconteceu. Acho que os insetos já estão vingando a natureza!

PRAGA

FERNANDO RODRIGUES - Palocci e o poder


 Palocci e o poder
FERNANDO RODRIGUES
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/05/11
Brasília - Durante 16 anos, o Brasil foi governado com uma fórmula única. FHC e Lula, de 1995 a 2010, foram presidentes fortes. Pairavam acima dos seus ministros. No alto escalão, estimulavam fricções entre dois grupos de assessores com ideologias antagônicas.
Sob FHC, de um lado estavam José Serra, Sérgio Motta e outros desenvolvimentistas. Do outro, Pedro Malan, Gustavo Franco e Armínio Fraga. O presidente arbitrava quando necessário. Nunca houve uma prevalência completa de uns sobre os outros na Esplanada.
Lula começou seu governo em 2003 com uma troika: José Dirceu, Antonio Palocci e Luiz Gushiken. Havia divergência entre eles. Palocci logo desgarrou-se. Aliou-se ao pragmatismo do mercado representado por Henrique Meirelles no Banco Central. Sentado em sua cadeira presidencial, Lula fazia como FHC: arbitrava e mantinha o equilíbrio entre seus comandados.
Com Dilma Rousseff, essa configuração operacional do poder deixou de existir. Não há mais dois grupos de ministros igualmente poderosos disputando a implantação de um modelo de governança no país. Abaixo da presidente só há seu ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, quase um Richelieu com poderes plenipotenciários e muito acima dos demais colegas.
Não que tenha sido eliminada a dicotomia entre ministros. Longe disso. Eles continuam a divergir. Mas ninguém em Brasília enxerga um único colaborador de Dilma com o poder para sequer tentar se emparelhar a Palocci.
O ministro da Casa Civil teve um caminho suave até agora sob Dilma. Aí veio o solavanco provocado pela reportagem da Folha relatando seu aumento exuberante de patrimônio. Em política, ensina o ditado brasiliense, tudo o que tem de ser explicado não é bom. Mas explicação de menos também não é sempre a melhor tática. Palocci terá de usar seus poderes como nunca para ultrapassar o atual obstáculo.

SERGIO BERMUDES - Adevérbio não vareia


Adevérbio não vareia
SERGIO BERMUDES
O GLOBO - 18/05/11

Aepígrafe é atribuída a Pinheiro Machado, respondendo a um "bate com menas força", de Hermes da Fonseca, de dentro do gabinete presidencial, cuja porta o caudilho esmurrava. Talvez essa frase a aprovasse (aplauda-se o anacoluto, mas condene-se o eco) a autora do livro cuja distribuição foi noticiada pelo GLOBO (14/5). Segundo a reportagem, o tal livreco - "Por uma vida melhor", da coleção "Viver e aprender" - aceita que se fale "os livro" (no plural o artigo e no singular o substantivo), embora com o risco de "preconceito linguístico", que seria a reprovação da sintaxe inusitada. Vai além a autora. Considera corretas orações como "nós pega o peixe" e "os menino pega o peixe". Deus a perdoe e os demônios lhe levem os erros escancarados. Só se explicam atitudes desse tipo por parte de pessoas que, não conseguindo se projetar por alguma apreciável criação original, se empenham em se destacar pelo anômalo, coonestando, por exemplo, o aleijão vernacular, endossando o solecismo que, "realmente feio, é quase bestial", para repetir Camilo Castelo Branco, na sua esquecida polêmica com Carlos de Laet.

Conforme a matéria do GLOBO, a autora do livro afirmou que não se aprende a língua portuguesa "decorando regras ou procurando palavras corretas em dicionários". Parece que ela pretende queimar os léxicos, ainda que conformes com os alcorões da língua. O Ministério da Educação saiu do habitual torpor, para defender a sua afilhada. A nota do MEC diz que o livro estimula a formação de cidadãos que usem a língua com flexibilidade. Trata o alfarrábio como uma espécie de vacina que previne ou cura a moléstia, injetando no paciente o vírus que a provoca.

Urge responder a baboseira, reproduzida na reportagem, de que o ensino deve ser plural, com diferentes gêneros textuais e práticas de comunicação para que a desenvoltura linguística aconteça. É demasia pretender, nos dias correntes, que se escreva com a finura auditiva de Rui, crítico da frase "só pode", do projeto do Código Civil de 1916, porque "só pó estruge como o popocar de um foguete em meio à frase" ("Réplica", 43). Entretanto, não se deixe quem fala e sobretudo quem escreve sucumbir a um hediondo e chocante "houveram coisas terríveis", que Laet, na polêmica aludida, censurou em Camilo, o qual, depois de inconvincente justificativa, pretendeu esconder sua cinca em construções surpreendentes de clássicos como os portugueses Francisco Dias Gomes, Filinto Elísio e Ferreira Gordo. Evite-se o medonho "faziam" tantos anos, encontradiço em Machado de Assis que, como assinalou Rui Barbosa, nunca foi modelo de perfeita linguagem, apesar do estilo primoroso. A gramática normativa profliga a sintaxe que endossa o erro crasso de linguagem. É certo que Manuel Bandeira ("Evocação do Recife") chama a "língua errada do povo" de "língua correta do povo" porque "ele é que fala gostoso o português do Brasil", ao passo que "nós o que fazemos é macaquear a sintaxe lusíada". Mas será que o poeta concordaria com o professor que achasse correto escrever "no cais da Rua da Aurora os menino escondido ia pescar muitos peixe", ou barbarismos semelhantes?

Por conveniência ou apedeutismo, a autora do livro nunca suficientemente combatido foge da lição de que é preciso falar correto. Como ensina o linguista Otto Jespersen, citado por Celso Cunha e Lindley Cintra, na sua admirável "Nova Gramática do Português Contemporâneo", "falar correto significa o falar que a comunidade espera, e erro em linguagem equivale a desvios desta norma, sem relação alguma com o valor interno das palavras ou formas". A língua é um fenômeno social. Por isso, aceitam-se construções anômalas, que a comunidade concebeu pela necessidade de expressar-se com adequação e comodamente. Daí, as chamadas "elegâncias de linguagem", ou mesmo as figuras de construção, errôneas só na aparência, porém corretas no conteúdo, como os idiotismos (v. g., "nós é que somos patriotas"). Repugna, no entanto, à comunidade e, nela, até às pessoas de linguajar pobre, mais do que os preciosismos, a maneira estropiada de dizer, só usada na chula algaravia, tal como "os livro", "nós pega o peixe", "os menino pega o peixe". Perguntei à minha cozinheira, de primário incompleto mas arguto entendimento, o que achava da frase "menos é adevérbio e adevérbio não vareia". Ela reagiu com a exclamação que também me ocorreu, diante da notícia do livro temerário: "Santo Deus!" º

SERGIO BERMUDES é advogado e professor de Direito na PUC-RJ .

ANTONIO DELFIM NETO - Meritocracia


Meritocracia
ANTONIO DELFIM NETO
FOLHA DE SÃO PAULO - 18/05/11
Há poucas dúvidas sobre dois fatos:
1º) Que a carga tributária bruta no Brasil é sempre maior do que a dos países com a mesma renda per capita. Trata-se do financiamento do processo civilizatório construído na Constituição de 1988, em que o país revelou preferir uma sociedade que proporcione igualdade de oportunidade para todos. Isso implica serviços de saúde e educação universais e gratuitos.
2º) Que, com toda evidência, o principal problema não é propriamente a alta carga tributária, mas o uso bastante ineficiente que se faz dela. Temos um Estado pesado, burocratizado, nepotista, lento e ideologicamente aparelhado, que se alimenta de uma centralização do poder frequentemente excessiva.
Se fosse necessária uma "prova" disso, bastaria lembrar que, nos últimos 16 anos, o PIB cresceu de 100 (1995) para 157 (2010), ou seja, 57%, enquanto o PIB apropriado e distribuído pelo governo (graças ao aumento do PIB e ao aumento da carga tributária) cresceu 94%, e o apropriado pelo setor privado, 42%.
Dada a evidente diferença de produtividade entre os dois setores, não é de estranhar que o PIB per capita cresceu 1,6% ao ano no período, mesmo quando se leva em conta o efeito positivo e civilizatório da melhoria da distribuição de renda. A crítica não é e não pode ser à política de distribuição, mas à sua administração.
Desde o início do governo Dilma, a ministra Miriam Belchior (Planejamento) vinha sugerindo o programa de "fazer um pouco mais com um pouco menos".
Na última semana, ao anunciar a instalação da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade, que será presidida pelo competente empresário Jorge Gerdau Johannpeter, a presidente colocou como prioridade na agenda do governo a construção de um "Estado meritocrático e profissional".
Seria bom lembrar que, há 2.200 anos, isso foi instituído por um imperador chinês que queria livrar-se do nepotismo que sempre acompanha aqueles que, pela força ou pelas urnas, colocam-se no poder.
Em 1937, tentou-se fazer o mesmo no Brasil com a criação do Dasp (Departamento Administrativo do Serviço Público), que prestou bons serviços até ser extinto em 1986, quando se organizou a Sedap (Secretaria de Administração Pública) em seu lugar. Houve uma tentativa de ativá-la no governo FHC, com o ilustre ministro Bresser-Pereira, mas as boas ideias foram dissipadas pela falta de vontade...
Parece que o início do processo será na melhoria do formidável, mas ainda ineficiente, SUS. Se funcionar (e não há razão para que não o seja), a presidente justificará o que disse em seu discurso: "Este é um momento fundamental do meu governo".

CLÁUDIO HUMBERTO



“Estou na reta final. Não tenho mais a doença”
PRESIDENTE DILMA SOBRE A PNEUMONIA CONTRAÍDA EM BRASÍLIA, MAS TRATADA EM SÃO PAULO

DILMA AMEAÇOU SUBSTITUIR PALOCCI POR PIMENTEL 
A presidente Dilma está tão convencida quanto o próprio Antônio Palocci que foi obra de “fogo amigo” a denúncia de que o ministro da Casa Civil aumentou seu patrimônio vinte vezes em quatro anos. Ela mandou um recado “ameaçador” aos deputados do PT-SP hostis a Palocci: a opção dela para a Casa Civil é o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento), “inimigo nº 1” dos petistas paulistas insatisfeitos.

DOR DE COTOVELO 
Depois de Antônio Palocci, o mineiro Fernando Pimentel é o ministro mais próximo de Dilma, por isso virou alvo a ser abatido pelo PT-SP.

TUDO POR CARGOS 
Deputados petistas como João Paulo Cunha e Ricardo Berzoini lideram a insatisfação pelo não preenchimento de cargos no governo Dilma.

GARRAS EXIBIDAS 
Os petistas aos quais Dilma atribui o bombardeio contra Palocci impuseram a ela o deputado estadual Rui Falcão como presidente nacional do PT.

SILÊNCIO 
Dilma não era favorável ao retorno do ex-tesoureiro Delúbio Soares ao PT. Mas silenciou diante do movimento dos petistas para ressuscitá-lo.

CÂMARA DISCUTE VENDAS SUSPEITAS EM INFORMÁTICA 
Audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara vai discutir amanhã (19) uma questão que pode acabar na Polícia Federal: a exclusividade na venda de produtos de informática para o governo. O deputado Salvador Zimbaldi (PDT-SP) convidou executivos da IBM e quer entender, por exemplo, por que venda de produtos da Oracle só pode ser feita a governos por meio da Ação Informática Brasil Ltda, que fatura R$ 400 milhões ao ano sem grande esforço. E sem licitação.

NÃO ESTÃO NEM AÍ 
Cyro Diehl, presidente da Oracle, e Mauricio David Teixeira, da Ação Informática, decidiram ignorar o convite para a audiência pública.

DUPLA NO SAL 
Empresas sob suspeita devem ter o destino da Microsoft em questão idêntica: acusação de formação de cartel e abuso de poder econômico.

ENTENDIMENTO 
A Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça e o TCU já condenaram o modelo de venda agora adotado pela Oracle no Brasil.

CÂMARA INCORRIGÍVEL 
Na CPI do Pró-DF da Câmara Legislativa, criada para investigar o achaque a empresários interessados em implantar suas indústrias, o vice-presidente será Olair Francisco (PTdoB), um dos beneficiários, e o relator Aylton Gomes (PR), enroladíssimo na Caixa de Pandora. 

PAÍS RICO É OUTRA COISA 
O primeiro-ministro da Suécia, Frederik Reinfeldt, deve ter ficado chocado com Brasília. Ao contrário dos brasileiros, os políticos suecos não têm salários, nem mordomias, e Reinfeldt lava as próprias roupas.

DESOBEDIÊNCIA 
O juiz Álvaro Ciarlinni, da 2ª Vara de Fazenda Pública do DF, mandou ontem verificar se foi mesmo descumprida sua ordem de suspender as obras ilegais do home-center C&C (Casa e Construção), em Brasília. Os responsáveis estão sujeitos a prisão e a multa diária de R$ 100 mil.

MARCA DO PÊNALTI 
Depois de vê-lo outra vez desautorizado pelo presidente da Câmara, Marco Maia, o Planalto decidiu descartar Candido Vaccarezza (PT-SP) da liderança do governo na Câmara. É só uma questão de tempo.

OPOSIÇÃO NA FILA 
Caso o Tribunal Regional Eleitoral do DF condene Robério Bandeira, suplente do deputado distrital cassado Benício Tavares (PMDB), a vaga vai sobrar para o suplente do PSDB, Raimundo Ribeiro.

BALÃO DE ENSAIO 
Apeado da liderança do PT desde que passou a defender plantações de maconha em cooperativas, Paulo Teixeira (SP) resolveu ambicionar a presidência da Câmara. Só para chatear outro pretendente, Arlindo Chinaglia (SP), que assumiu a liderança de fato do partido.

MAMÃE EU QUERO... 
As bancadas do Acre, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins pretendem mudar o fato de não receberem um tostão dos royalties do petróleo. 

FUNDO DE GARRAFA 
O deputado Acelino Popó (PRB-BA) quer ter uma visão melhor do ringue político em que se meteu, em Brasília. Ontem à tarde, ele trocou as lentes de seus óculos por outras, mais fortes.

TRIUNFO DA IGNORÂNCIA 
O Ministério da Educação e o PT agora querem transformar o idioma de Lula, com seus erros grosseiros, no idioma do Brasil. 

PODER SEM PUDOR 
FALTA O INSTRUMENTO 
Durante reunião na Câmara dos Deputados, certa vez, após rasgar elogios à colega Maria do Rosário (PT-RS), o deputado Severiano Alves (PDT-BA) ressalvou:
– Faço isso pelo mérito da matéria, não estou puxando o saco da colega...
– E nem poderia – respondeu na bucha o deputado que presidia a sessão, Paulo Delgado (PT-MG) – já que a colega não dispõe deste instrumento...

QUARTA NOS JORNAIS

O Globo: Palocci diz que fez o mesmo que parlamentares e ex-ministros

Folha de S. Paulo: Ex-ministro vale muito no mercado, diz Palocci

O Estado de S. Paulo: Cinco ministros de Dilma têm empresas de consultoria

Correio Braziliense: Só falta a punição da Justiça

Valor Econômico: Perda de caixa preocupa indústria da construção

Estado de Minas: Voltar a viver