segunda-feira, maio 02, 2011

ANCELMO GÓIS - União gay no STF


União gay no STF
ANCELMO GÓIS
O GLOBO - 02/05/11

Quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal julga duas ações polêmicas ligadas à união gay. Uma do governo do Rio. Cabral pede que seja aplicado a casais homossexuais o regime jurídico das uniões estáveis. Outra da Procuradoria Geral da República, que pede o reconhecimento do casal gay como entidade familiar. 

Gays e a Marinha 
Aliás, o marinheiro João Silva, casado com Cláudio Nascimento, da Secretaria de Direitos Humanos do Rio, entrou com pedido de reconhecimento de cônjuge no departamento pessoal da Marinha, com direito a benefícios como plano de saúde. 

Laboratório gay
Na sexta, o ator Marcelo Serrado foi visto numa festa gay na boate The Week, no Rio. O ator, ah bom!, observava para criar seu novo personagem, o gay afetado Crodoaldo, de “Fina estampa”, próxima novela das 21h, de Aguinaldo Silva. 

O amor é lindo
Depois de três dias juntos no Paraguai, na reunião do Conmebol, Ricardo Teixeira e Joseph Blatter fizeram as pazes. O presidente da CBF vai apoiar a reeleição de Blatter para a Fifa. Blatter mudou o discurso e passou a elogiar a organização da Copa no Brasil.

No mais 
Obras paradas, contingenciamento de verbas, inflação alta e juros subindo. Dilma e o PT devem estar aprendendo agora o verdadeiro
significado da expressão “herança maldita”... de Lula. 

Chega de saudade
Sairá em livro de bolso na Alemanha “Chega de saudade”, de Ruy Castro, sobre a bossa nova, com 27 reimpressões no Brasil. O livro já tem edições em inglês, japonês, espanhol, italiano e uma edição no próprio alemão, em capa dura. 

‘Galinhão’
Quinta, lá pelas 20h, três voos da American Airlines, procedentes dos EUA, desceram um atrás do outro no Galeão-Tom Jobim, e o aeroporto não deu conta dos mais de 700 passageiros. Uma das vítimas foi o cantor Lulu Santos, que vinha de Miami e passou sufoco no caos. 

Segue...
As filas da Polícia Federal ficaram inviáveis. As bagagens de Lulu, anunciadas para sair na esteira 8, saíram na 9. Mas... sem sua guitarra! O instrumento só apareceu quando o cantor chiou. “Cheguei em casa três horas depois”, conta Lulu, que apelidou o Galeão
de... “Galinhão”. Faz sentido. 

A 3 anos da Copa... 

Sexta, o voo 3025 da TAM (Brasília-Rio) decolou às 9h52m, e pousou no Santos Dumont pontualmente, 80 minutos dep ois. Mas, no desembarque, o finger 1... pifou. Os passageiros tiveram de esperar dentro do avião 40 minutos, metade do tempo de voo,
até vir outro finger. O comandante só queria uma escada... 

Mais gringos no Rio
Em 2010, a cidade recebeu 1, 610 milhão de turistas estrangeiros: 120 mil a mais do que em 2009. No período, os gringos deixaram
no Rio mais de US$ 2 bi. A conta é de Antônio Pedro Figueira de Mello, da Riotur. Ele acredita que em 2011 o número será maior por conta do show de Paul McCartney e do Rock in Rio, em setembro. 

Falência da Sata

A Sata, empresa do velho grupo Varig que estava em recuperação judicial, teve a falência decretada sexta. A companhia, de 61 anos, foi a maior do setor de apoio aeroviário em terra do país e chegou a ter quase oito mil funcionários. “Um péssimo presente
de Dia do Trabalho”, diz Selma Balbino, presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários. 

Rei David, o gago 
O enredo da Grande Rio para o carnaval de 2012 será “Eu acredito em você. E você?”. A escola falará sobre superações. David Brazil será um dos destaques por ser gago, gay e nordestino.

País rico é... pirata
A ministra Helena Chagas tranquiliza a Associação dos Designers Gráficos, que alertou para o risco de pirataria em relação ao uso da tipologia de letras da marca “País rico é país sem pobreza”: — Não vai haver risco de pirataria, pois o Manual de Uso da Marca do Governo já prevê o uso de outra tipologia alternativa justamente para esses casos. 

Em tempo
Saudações rubro-negras!

FERNANDO DE BARROS E SILVA - A honestidade do PT


A honestidade do PT
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FOLHA DE SÃO PAULO - 02/05/11

No longínquo ano de 2000, Lula publicou um artigo histórico na "Gazeta Mercantil". Chamava-se "A honestidade como vantagem comparativa". Na ocasião, o PT o recomendou a todos os que disputavam as eleições municipais, como arma de campanha.

Citei essa peça de museu há três anos, neste espaço. Volto a fazê-lo sem a pretensão de recomendá-la ao partido que acaba de reincorporar Delúbio Soares a seus quadros.

A honestidade há muito deixou de ser uma "vantagem comparativa" do PT (a despeito de vários bons sujeitos que lá estão). Mas tampouco a desonestidade se tornou uma desvantagem na comparação com as demais legendas, como a oposição, no seu moralismo cínico e à falta do que dizer, pareceu apostar. Aos olhos do eleitorado, nenhum partido tem hoje o monopólio da ética (o PSOL talvez pudesse reivindicar o troféu, mas é irrelevante).

Isso não significa que a opinião pública seja indiferente à gatunagem. Pelo contrário. O mensalão, que quase derrubou Lula, e o caso da "famiglia Erenice", que comprometeu a campanha de Dilma, no ano passado, são bons exemplos de que grande parcela da sociedade repudia e reage à corrupção.

Ocorre que até agora a melhoria das condições de vida dos pobres foi suficiente para "compensar" as falhas morais do PT. O partido também ficou cínico. Mas corre o risco de confundir a popularidade de Lula com aprovação à roubalheira.

Ao readmitir Delúbio o PT sabe que se desgasta, mas aposta que será mais uma vez "anistiado". Em 2009, quando o ex-tesoureiro do mensalão tentou voltar e encontrou resistências (por causa da sucessão de Lula, não de princípios), deixou claro aos petistas que se alguém devia algo não era ele, mas sim os que se beneficiavam do seu silêncio.

O PT agora retribui tanto sacrifício. Num partido há muito delubizado, ao voltar do degredo essa triste figura se torna uma espécie de herói da desonestidade como vantagem comparativa.

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO


Brasileiros se aliam a estrangeiros para trazer tecnologia de energia a partir de lixo
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 02/05/11

Após a aprovação da regulamentação do tratamento de resíduos sólidos no Brasil, no final de 2010, companhias brasileiras e estrangeiras começam a se aproximar para desenvolver tecnologias de geração de energia a partir da queima de lixo.
O avanço ainda é tímido, segundo o vice-presidente da Abdib (associação de infraestrutura), Newton Azevedo.
Projetos privados ou PPPs têm sido estudados e atraem olhares de suíços, franceses e alemães, mais experientes na cogeração de energia ou vapor pela incineração.
"Há muito movimento, mas, de efetivo, há pouca coisa. O setor considera, agora que o ambiente legal está mais seguro", diz Azevedo.
Uma das estrangeiras que viram oportunidade no mercado nacional, a alemã Fisia Babcock, fornecedora de tecnologia no setor, se associou à brasileira Enfil Controle Ambiental, que já atuava em tratamento de água.
Usinas desse tipo são adequadas a grandes cidades, diz Renato Greco, executivo da Enfil. A empresa avalia se concorrerá a projetos de PPP para montar planta em Barueri. São Bernardo e Baixada Santista devem ser as próximas opções. "O custo dessas plantas é alto. Aterro sanitário ainda é mais barato."
Outro exemplo, a brasileira HVE se aliou à alemã Oschatz, para trazer tecnologia e montar projetos de mais de R$ 250 milhões, segundo o sócio William Horstmann.
A Foz, empresa de saneamento da Odebrecht, tem estudos com francesas, segundo Azevedo, também vice-presidente da empresa.

RISCO ATÉ DE CADEIRA VAZIAO tema do próximo Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, no final de janeiro de 2012, será provavelmente risco.
"Como confrontar rupturas, como mitigar riscos e como viver com eles", disse, o fundador e presidente do Fórum, Klaus Schwab, antes de deixar o Brasil, após a edição latina da reunião, encerrada na sexta-feira.
"Veja o que ocorreu desde Davos, em janeiro: movimentos no mundo árabe, Japão... Queremos, porém, sempre nos proteger contra surpresas", afirma Schwab, para logo acrescentar que as mudanças em países árabes não foram surpresa para ele. "Já havia dito que poderíamos ter logo outro "Maio 68"."
Surpresa geral mesmo foi o "forfait" da presidente Dilma Rousseff no evento. O pronunciamento confirmado para quinta-feira foi adiado para o dia seguinte, quando veio o cancelamento definitivo da presença dela.

SEM CLIMA PARA NEGÓCIOS
O esforço do governo brasileiro em criar clima propício para a realização de negócios é menor do que o realizado em outros países latino-americanos, como Costa Rica e México, de acordo com pesquisa da Nearshore.
Menos da metade dos entrevistados (42,9%) disse que o Poder Executivo no Brasil está ativamente envolvido com a questão.
O grau de estabilidade política do Brasil foi avaliado em 84,6% e a presidente Dilma Rousseff foi elogiada pela aproximação com os EUA. O Brasil, porém, ficou atrás da Colômbia, com 94,3%. A pesquisa ouviu 266 executivos dos EUA em fevereiro.

CONSERVADORISMO NA LINGERIE
A marca argentina de lingerie Caro Cuore, presente em 12 países, reabre sua operação no Brasil, depois de mais de dez anos fora do país.
Até 2012, está prevista a inauguração de dez unidades, um crescimento "inicialmente conservador", segundo sua representante, Virginia Perez Ferrés, que testou o mercado brasileiro por quase dois anos com vendas em Campinas, antes de dar início aos investimentos mais volumosos em novas lojas.
A expansão começa com uma unidade no shopping Iguatemi de Alphaville e fica mais agressiva após 2012. Deve chegar a 50 lojas até 2015, com a entrada no formato de franquias, estratégia de expansão adotada também no interior da Argentina recentemente.
"De todos os turistas que compram em Buenos Aires, 70% são brasileiros", afirma a empresária.

Mão de obra... 
Para driblar a falta de mão de obra, a Amanco vai capacitar cerca de 29 mil profissionais da construção civil neste ano, em parceria com Senai, ONG Neotropica e Doutores da Construção. Em 2010, foram 22 mil.

...na construção 
Entre as áreas dos cursos, estão hidráulica, alvenaria, acabamento, pintura e elétrica.

Imobiliário 
O HSBC disponibilizará cerca de 80 profissionais para atender aos clientes da Brasil Brokers. A parceria prevê financiamento de até 90% do valor do imóvel por um período de 30 anos.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e VITOR SION

GEORGE VIDOR - Cuidado justificado


Cuidado justificado
GEORGE VIDOR
O GLOBO - 02/05/11
O crédito financia o correspondente à metade da economia brasileira. Há cinco anos, financiava menos de um terço do Produto Interno Bruto (PIB). Isso significa que os parâmetros de política monetária de alguns anos atrás não servem mais para a conjuntura atual. Ajustes de 0,25 ponto percentual na Taxa Selic têm hoje mais efeito sobre a economia que no passado recente.

O Banco Central tem então toda a razão de tomar cuidado com o aperto monetário que está em andamento para esfriar a economia e evitar que a inflação e o câmbio abortem um ciclo virtuoso de investimentos que vem se formando no país.

Nesse sentido, é pouco provável que as taxas de juros básicos ultrapassem o patamar de 12,75% em 2011 (é claro que isso dependerá da resposta dos preços de bens e serviços às medidas já tomadas pelas autoridades monetárias).

Por quase dez anos "adiei" uma viagem de férias à Turquia pelo receio (não de todo injustificado) de acabar sendo pisoteado por hordas de turistas... Há quem diga que o animal mais próximo do ser humano não é o macaco, mas sim o turista... Este ano resolvi cumprir a promessa de conhecer a Turquia, e não me arrependi em qualquer momento.

Trinta milhões de pessoas visitam a Turquia anualmente, a negócios ou a lazer. Istambul, uma cidade com 11 milhões de habitantes, já é o sétimo destino mais visitado do planeta. É realmente um formigueiro humano, mas o transporte público funciona bem, a cidade é bem sinalizada e relativamente fácil transitá-la mesmo para alguém que não saiba uma palavra sequer em turco.

O turismo é o segmento mais importante da economia turca, mas a agricultura se mantém como principal atividade produtiva. Frutas, verduras, legumes, chás e as famosas especiarias (motivo de cobiça nos séculos XIV, XV e XVI) são produzidas em larga escala em vales férteis que margeiam os mares Egeu e Mediterrâneo. Nas áreas centrais, mais secas, os agricultores produzem cereais e algodão, e também criam ovelhas, cabras, vacas, fornecendo carne, leite, lã e couro para a indústria.

A proximidade com o mercado europeu ainda permite que a indústria têxtil turca consiga competir com a chinesa nessa região. Mas os bazares turcos já estão infestados de produtos "made in China" ou "made in India". Um comprador desatento pode levar um tapete chinês, confeccionado em máquina, no lugar de turcos artesanais autênticos - que são de uma beleza irresistível (por causa desse risco de levar gato por lebre, é mais seguro comprá-los na Capadócia do que em Istambul).

Fábricas de couro, joias e cerâmicas são tradicionais na Turquia, mas pouca gente sabe que cerca de 25% dos carros usados pelos europeus são montados lá, nas cercanias de Ismirna.

Brasil e Turquia têm poucas semelhanças históricas, culturais e geográficas. No entanto, as economias dos dois países passaram por momentos muito parecidos nas últimas décadas. Inflação descontrolada, endividamento excessivo, desequilíbrios nas contas externas e juros estratosféricos. Hoje, a Turquia vive uma relativa estabilidade monetária, cresce acima da média mundial e tal qual a economia brasileira ainda disputa as primeiras colocações no ranking dos juros altos.

Na política, a Turquia é vista como modelo para os países de Oriente Médio que anseiam por regimes democráticos. Desde que Ataturk derrubou a monarquia otomana em 1920 e instituiu um Estado laico, a república turca consegue separar a forte influência religiosa muçulmana dos assuntos de governo. Os militares intervieram algumas vezes na política, mas souberam se retirar nos devidos momentos e assim mantiveram seu prestígio no país.

Não é à toa que a Turquia atrai a atenção de tantos visitantes. Além de paisagens indescritíveis, como as da Capadócia, a História passa por lá. Os turcos foram os últimos a chegar na Anatólia, vindos da região do Mar Cáspio, no século XI. Antes disso, povos mesopotâmicos, hititas (os primeiros a usar o ferro em armas), frígios, gregos antigos, romanos e hebreus a ocuparam. Alexandre, o Grande, começou por ali, ao vencer os persas, a trajetória que o levou até o Rio Ganges. No estreito de Dardanelos, Leônidas e seus trezentos soldados enfrentaram Xerxes "lutando à sombra" por causa da saraivada de flechas capazes de apagar a luz do sol. Marco Antonio e Cleópatra desafiaram Julio Cesar quando estavam na Anatólia. Depois da queda de Roma pelas invasões bárbaras, o império bizantino sobreviveu por quase mil anos em Constantinopla (a cidade se chamava antes Bizâncio). E desse período subsiste um dos monumentos da humanidade, que é a antiga basílica de Santa Sofia, hoje museu. Com essa construção, no século VI, o imperador Justiniano esperava superar o templo de Salomão, e tudo indica que conseguiu. Os primeiros cristãos se refugiaram na Anatólia, e suas marcas são vistas nas cavernas escavadas no Vale do Goreme (Capadócia). São Paulo, escorado em sua cidadania romana, peregrinou e pregou pelas cidades do Mediterrâneo e seus caminhos fazem parte de um roteiro que um número crescente de grupos de católicos vem visitando. Próxima às ruínas da cidade grega/romana de Éfoso fica o local que seria o último refúgio de Santa Maria, mãe de Jesus. Os judeus também encontraram refúgio na Anatólia, após a diáspora e a inquisição espanhola.

Se esse acervo não bastasse, ainda há muito o que se ver de reminiscências do poderosíssimo império otomano, pois os palácios onde viveram os 36 sultões estão ainda firmes e fortes em Istambul (nome adotado depois da tomada de Constantinopla pelos turcos no ano de 1453). Em breve, vou postar no blog (www.oglobo.com.br/blogs) algumas sugestões para quem planeja visitar a Turquia.

JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO - Cinco meias e uma inteira


Cinco meias e uma inteira
JOSÉ ROBERTO DE TOLEDO
O ESTADO DE SÃO PAULO - 02/05/11
Cinco fatos que convém você saber sobre como o Brasil está amadurecendo:

1. A idade média da população brasileira aumentou três anos na última década: pulou de 29 anos em 2000 para 32 anos em 2010. O envelhecimento está acelerando: a idade média era de 27 anos em 1991.

2. Em duas décadas, o peso das crianças no total da população diminuiu de 35% para 24%. Há 5,1 milhões a menos de brasileiros entre 0 e 14 anos hoje do que havia em 1991. Esse grupo abriga os jovens em idade escolar obrigatória.

3. O segmento que mais ganhou importância na distribuição etária nos últimos 20 anos foi o dos brasileiros em idade de trabalhar. O grupo daqueles de 25 a 60 anos cresceu de 38% para 47% do total da população. Há 33,5 milhões a mais de brasileiros nessa faixa etária.

4. O segundo estrato populacional que mais engordou desde 1991 foi o daqueles em tempo de se aposentar. Há cerca de 10 milhões a mais de pessoas com 60 anos ou mais velhas, em comparação ao que havia duas décadas atrás. Já são 11% dos brasileiros e continuam subindo.

5. O estrato jovem da população, entre 15 e 25 anos, cresceu 5 milhões desde 1991, mas estabilizou seu peso no total da população. Era de 19% há 20 anos, passou a 20% em 2000, e agora está em 18%. Sua tendência é lentamente diminuir de importância.

Qual o significado das mudanças no perfil etário do brasileiro e quais as implicações dessa nova dinâmica populacional para o País?

Menos crianças significa menos demanda por escolas até o ensino fundamental. É uma chance para os governos de todas as esferas melhorarem a qualidade da educação pública, já que o problema da quantidade e do acesso à escola está encaminhado para uma solução natural.

Entretanto, os passos de tartaruga que carregam a evolução do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) refletem o quão pouco foi feito pela melhoria do ensino.

Daqui para frente, será necessário um esforço cada vez maior para aumentar a escolaridade média do brasileiro. As novas gerações de estudantes, por mais tempo que passem na escola, são menos numerosas do que as anteriores. Terão, portanto, um impacto proporcionalmente menor no grau de instrução da força de trabalho quando se formarem.

Quanto mais tempo for perdido sem investimentos sérios em educação, mais difícil será alcançar os países que deram um salto educacional nos últimos anos, como a Coreia do Sul. A oportunidade está passando sem ser aproveitada. A perda de tempo é irrecuperável.

Os governos Fernando Henrique e Lula se beneficiaram da janela demográfica que fez aumentar em quase 20 milhões a força de trabalho brasileira apenas nos últimos dez anos. Mais gente produzindo significa mais riqueza e melhor distribuição do peso exercido pelos dependentes (crianças e idosos) sobre quem está em idade ativa.

O governo Dilma deve continuar usufruindo dessa tendência, bem como o(a) próximo(a) presidente. Mas, ao mesmo tempo, surgem demandas inerentes ao envelhecimento da população: mais despesas com saúde, com procedimentos médicos caros, e crescimento exponencial do número de aposentadorias e pensões, para citar alguns exemplos.

É preciso previdência para sustentar o conjunto crescente de pacientes e aposentados. Trata-se de uma preocupação que os governantes devem ter, senão pelo bem comum, ao menos para garantir seu próprio futuro. Afinal, os políticos recebem mais aposentadorias do que quaisquer outros brasileiros.

A estabilização da proporção de jovens que deveriam estar no ensino médio ou na faculdade recomenda comedimento na abertura de novas vagas no ensino superior. Em vez de uma expansão ilimitada, melhor seria fechar vagas de administração e jornalismo e aumentar as de medicina e engenharia.

Num futuro não muito distante, o Brasil corre o risco de enfrentar uma bolha universitária semelhante à que os EUA temem que estoure em breve: os custos para pagar a faculdade são tão altos que o recém-formado não consegue um emprego que compense o que ele gastou para obter seu diploma.

Outro risco associado a uma menor proporção de jovens é o País perder capacidade de inovar. Por isso, melhor aproveitar a juventude atual para estimular o desenvolvimento tecnológico e a pesquisa científica.

LUIZ FELIPE PONDÉ - Do batom vermelho no trabalho


Do batom vermelho no trabalho
LUIZ FELIPE PONDÉ 
Folha de São Paulo – 02.05.2011

O erro das chatinhas é supor que a percepção da beleza feminina implica em excluir a capacidade feminina

Muitas leitoras me perguntam se sou contra a emancipação feminina. Como alguém pode ser contra uma mulher fazer o que quiser da vida e se desenvolver livremente? Ser contra a emancipação feminina é como ser contra aviões ou computadores.
O que leva muitas leitoras a pensarem que sou contra a emancipação feminina é porque não poupo o feminismo de seus excessos teóricos e de sua desmedida negação ideológica dos sofrimentos que a emancipação causou.
Não acredito na afirmação de que a sexualidade seja mero fenômeno social (teoria de gênero na sua versão “hard”), sou darwinista até a última gota de sangue: acho que nossas fêmeas (não apenas elas) carregam sobre suas almas o peso de milhares de anos de adaptação a condições específicas de cada sexo.
Por exemplo, para que serviria um macho chorão e covarde, em meio à savana africana, se escondendo atrás de “sua” fêmea grávida, no momento em que um predador fosse comê-los como janta? Para nada. Provavelmente as mais inteligentes se recusaram a reproduzir com tais frouxos. E elas legaram às suas filhas essa percepção aguda contra o macho fracassado.
Resultado, as fêmeas da espécie não suportam homens pobres, fracassados e deprimidos, mesmo que mintam por aí dizendo o contrário, porque ficou bonitinho mentir para deixar todo mundo feliz.
O pensamento público hoje em dia flerta com o jardim da infância. A mentalidade de classe média (covarde e mesquinha) devora a inteligência viril.
Lembro quando estava na sétima série do então “ensino fundamental”, por volta de 1974. Estudava num colégio da elite branca de Salvador. Colégio jesuíta, que só tinha meninos. Naquele ano, os padres colocaram quatro meninas em cada classe. No ano seguinte, mais quatro. No seguinte, a sala estava cheia de meninas, todas lindas, pelo que me lembro. Com seus cabelos longos e cacheados.
Foi uma mudança cósmica. Novas hierarquias foram criadas. Os hábitos mudaram, passamos a brigar menos no recreio, não só o futebol contava, mas também com quem as meninas falavam. Quem comia o lanche com uma delas estava no paraíso.
Quem ganhava um sorriso de uma delas virava celebridade. Grande parte dos meninos morria de medo de falar com elas. Chegar perto era um ato heroico porque a indiferença era como a morte.
Os grupos de trabalho em classe disputavam cada uma delas. Grupos só de meninos eram a assinatura do fracasso.
É assim que vejo a emancipação feminina: um presente para nosso cotidiano, na escola, no trabalho, nos aeroportos, nos congressos, nas ruas. Com suas saias, calças justas, saltos altos, batons vermelhos, elas pintam nosso cotidiano com o desejo. E, com o desejo, o clássico inferno da insegurança de cada um de nós.
Imagino o horror que era trabalhar numa universidade onde todo o corpo docente fosse apenas de homens e as classes fossem cheias de rapazes. Que tédio.
Ou uma empresa onde apenas homens trabalhassem. Como seria uma reunião sem uma colega de pernas lindas resolvendo problemas sérios com um toque de charme inigualável?
Claro, as mais chatinhas me acusarão de machista quando pareço “defender” a emancipação feminina porque gosto de ver o mundo do trabalho cheio de saias curtas e batons vermelhos. Podem achar, não ligo para o que elas pensam. Dirão que sou um egoísta. Será culpa da minha mãe?
O erro das mais chatinhas está em supor que a percepção da beleza feminina implica em exclusão da percepção da capacidade feminina. Não, a beleza feminina torna a parceria com as mulheres no trabalho um oásis em meio ao deserto da violência profissional cotidiana.
Outro erro é não perceber o escopo da beleza feminina no cotidiano do trabalho. A beleza feminina inclui uma série de fatores que vai do corpo à voz doce ao dizer “bom dia”, das ancas à forma sutil com que elas enxergam coisas para as quais os homens são cegos, surdos e mudos, da “intuição feminina” ao erótico de ter “um chefe” mulher.
A vida sem Eros é uma vida menor. Um mundo só de homens é em branco e preto. Prefiro o batom vermelho na boca à burca no corpo.

MÔNICA BERGAMO - Bianca Bin


Bianca Bin
MÔNICA BERGAMO

FOLHA DE SÃO PAULO - 02/05/11
A paulista Bianca Bin, 20, vive sua primeira protagonista de novela em "Cordel Encantado" (Globo). Ela, que estudou teatro na Célia Helena, é capa da "Criativa" deste mês. E conta que fazer TV não era a meta. "Existe gente no teatro que vê [a TV] como uma coisa menor. Fazia parte desse grupinho. Sou o típico caso que cuspiu para cima."

FROM BRAZIL

A meta de exportação para 2011 será revisada para cima. Até janeiro, o governo esperava alcançar um resultado de US$ 228 bilhões no ano. A nova previsão, que deve ser anunciada hoje pelo ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, é de US$ 244 bilhões, ou 21% superior aos números registrados em 2010.

FROM BRAZIL 2
A revisão é consequência do crescimento das exportações no primeiro trimestre: 28,5%, em relação ao mesmo período de 2010. Foram exportados US$ 51,2 bilhões, recorde histórico para o período. Além das commodities, em alta, aumentou o volume de exportações de produtos industrializados como caminhões, autopeças, máquinas para terraplanagem e mineração, siderúrgicos e aviões, em especial jatos executivos.

FROM BRAZIL 3

Houve ampliação das exportações para Ásia (41% a mais que em 2010), América Latina (20%), Europa Oriental (37%), Oriente Médio (30%) e África (39%).

SONDAGEM
O conselho da Fundação Nemirovsky, incompleto desde a renúncia de quatro membros, há duas semanas, pode ter novos componentes. Já foram sondados para integrá-lo personalidades como o advogado e ex-ministro Márcio Thomaz Bastos e Celita Procópio, da Faap. Eles receberam bem a ideia, mas ainda não deram uma resposta definitiva.

CONSULTORIA

Os herdeiros do casal José e Paulina Nemirovsky, que construiu o acervo, um dos mais representativos do modernismo brasileiro, gostariam que Pedro Paulo de Sena Madureira integrasse o conselho. A outra opção estudada é a de contratá-lo como consultor pessoal.

VERDE NO BRANCO

O ex-presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, vai recorrer àJustiça para pedir auditoria e perícia oficiais no balanço do clube. Quando ele saiu, deixou relatório mostrando que o deficit era de R$ 25 milhões. Com a nova gestão, os números foram alterados e esse rombo já passa de R$ 70 milhões. Belluzzo quer investigação, mas sob supervisão judicial.

PAPITO
O jogador Julio Baptista, do Málaga, será pai. Ele e a mulher, Silvia, estiveram no Brasil para anunciar a boa-nova à família. Ela está grávida de dois meses.

VIVA ARMÊNIA

O líder espiritual da Armênia, Karekin 2º, agendou encontro com o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), e com o senador José Sarney no dia 9 de maio, durante sua visita ao país.

A MODA DAS COTAS
A próxima edição da semana de moda Casa de Criadores, em junho, acontecerá em novo local: o Museu Afro Brasil, no parque Ibirapuera, em São Paulo. "Por isso, cada desfile terá que contar com 20% de modelos negros", diz André Hidalgo, organizador do evento.

PRETO NO BRANCO

Um usuário do Orkut foi condenado por crime de racismo porque fazia parte das comunidades "Racista não, higiênico", "Sou racista" e "Orgulho branco". A pena, de dois anos de prisão, foi substituída pelo mesmo período de serviços comunitários, mais multa. Uma das testemunhas do processo foi o promotor Christiano Jorge Santos, que havia oferecido a primeira denúncia contra o internauta, anteriormente rejeitada. O réu, Leonardo da Silva, 27, pode apelar. Ele não quis falar com a coluna.

PRETA NO BRANCO

E Preta Gil diz já ter aberto o processo de crime racial contra o deputado Jair Bolsonaro (PP - RJ).

DISPUTA MUSICAL

Chega aos palcos cariocas em agosto o musical "Emilinha e Marlene", que conta a disputa das cantoras, apelidadas "rainhas do rádio" na década de 1950. O texto, de Thereza Falcão e Júlio Fischer, passou pelo crivo de Bibi Ferreira, um dos personagens retratados na peça.

GOL DE PLACA

O artista Fábio Miguez abriu a mostra "Placas" na galeria Marília Razuk, no Itaim, com 18 pinturas executadas nos dois últimos anos. Luiz Cury esteve entre os que passaram pela abertura.

BELEZA SE PÕE NA MESA

Duplas de mãe e filha como Cris Lotaif e Lelê Saddi foram convocadas a fazer arranjos de mesas para o Dia das Mães; os enfeites estão em exposição na Daslu, por onde passaram Bete Arbaitman, Márcia Goldfarb, entre outros.

CURTO-CICUITO

Bia Doria lança amanhã, na Livraria da Vila do shopping Cidade Jardim, o livro com as obras que ela realizou nos últimos seis anos. No mesmo dia, o shopping inaugura exposição com 42 de suas peças espalhadas por seus jardins. A partir das 18h30.

A 7ª Semana do Empreendedorismo começa hoje na FGV, com participações de Antônio Ermírio de Moraes Neto, Julio Vasconcellos, Paulo Lima e Roberto Lima.

Paulo Borges promove brunch, hoje, no Terraço Daslu, para falar de seu novo evento, o Galeria Mais.

A editora Nova Criação lança hoje a revista "Wish Casa" no Museu da Casa Brasileira às 20h30.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

MARIA INÊS DOLCI - Quem ama a classe média?


Quem ama a classe média?
MARIA INÊS DOLCI
FOLHA DE SÃO PAULO - 02/05/11
Na verdade, o que a maioria ama não é a classe média, e sim o que ela conquista com trabalho e muito suor


TODOS AMAM a classe média brasileira -a mais antiga e a ascendente. Todos querem seu dinheiro, seu consumo, seus votos.
Os políticos falam em nome dela, mas não tocam em temas urgentes, mas sempre esquecidos, como a necessidade de uma reforma tributária e fiscal. Ou em favor dos direitos dos consumidores.
As empresas fazem suas campanhas de marketing, de vendas, suas ações de responsabilidade social (reais ou aparentes) para esses brasileiros que têm poder de consumo de razoável, a maioria, para bom, a minoria. Ninguém ouve a classe média, contudo -exceto em levantamentos para definir um novo produto ou um novo serviço.
É interessante que quem pague as contas, todas elas, seja tratado como se fosse invisível.
A classe média começa a colocar a mão no bolso antes de nascer, por intermédio dos pais e das mães. Pois se eles não tiverem como arcar com as mensalidades de um plano de saúde privado, as mães sofrerão em filas para marcar consultas, exames e outros procedimentos.
Nascer é caro, e depende de bons hospitais e médicos de qualidade.
Isso tem custo, que é pago, no mínimo, duas vezes: nos impostos que não garantem um bom sistema público de saúde e na contratação de planos particulares.
Pode-se alegar que as empresas bancam a maior parte da saúde suplementar para seus funcionários, mas isso volta, de alguma maneira, nos preços de produtos e serviços.
O jovem com alguma renda familiar é espoliado até na diversão, se gostar, por exemplo, de um simples jogo de videogame. Os tributos incidentes sobre esses produtos mais do que duplicam seus preços.
Também não é muito fácil exercer o direito de ir e vir em grandes cidades, pois o transporte público é ruim, desconfortável e lotado. Os veículos particulares rodam em ruas, avenidas e estradas esburacadas, pagam pedágios caros e sofrem nas mãos dos produtores de álcool, que decidem fabricar açúcar em vez do combustível porque o mercado externo tem forte demanda.
Os preços da gasolina beiram os R$ 3 por litro, e os do álcool não estão muito distantes disso.
Namorar não é das atividades mais baratas, porque o lazer é caro nos shopping centers da vida. Mas casar, bem, isso sim exige dinheiro e paciência com os preparativos e a qualidade oscilante dos serviços.
O pacote completo -documentos, cerimônia religiosa e festa- consome milhares de reais.
Justamente quando o novo casal necessita de uma moradia, própria ou alugada. Há mais crédito habitacional, mas as taxas se somam em desfavor dos jovens. Muita papelada, gastos e mais gastos.
Ao longo de sua vida, os consumidores de classe média pagarão as contas de energia elétrica, de telefonia fixa e móvel, de acesso à banda larga e de TV por assinatura das mais salgadas do mundo.
Terão de fazer seguros automotivos, de vida e contribuir para a aposentadoria complementar -se puderem, evidentemente.
Dificilmente conseguem receber, contudo, quando fazem jus aos seguros que fizeram.
Todos estão de olho na classe média, então, mas ninguém faz nada por ela. Quando se afirma algo assim, nos acusam de defender quem já tem privilégios. Quais são as vantagens desses brasileiros?
Estudar muito, lutar por uma vaga no mercado de trabalho, pagar toneladas de tributos e não receber serviços públicos de qualidade? Não ter segurança em casa nem nas ruas, para eles, para suas famílias e para seus bens?
O capítulo final das vidas também é movido a muito dinheiro. Funerárias já contam com planos especiais, com mensalidades pagas durante a vida, para bancar a última viagem.
Se as agências reguladoras funcionassem bem e equilibrassem o jogo empresas-consumidores, a trajetória aqui descrita seria menos sofrida. Se a Justiça fosse célere e enquadrasse os poderosos, também.
Na verdade, o que a maioria ama não é a classe média, e sim o que ela conquista com trabalho e muito suor, para bancar um estado caro e ineficiente, que não consegue nem assegurar aeroportos e estádios para uma Copa do Mundo.

DILMA CABEÇA OCA

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA


Ordem das coisas
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 02/05/11

Ao longo da semana passada, Dilma Rousseff manifestou a auxiliares a preocupação de não transmitir ao público a ideia de que sua gripe, agora transformada em pneumonia, se deve à vacina tomada na segunda-feira. Na verdade, a presidente apresentou os primeiros sintomas tão logo chegou da viagem à China.
Assessores atribuem ao sistema de ar-condicionado do Palácio do Planalto -e em especial do Salão Nobre, que estava uma geladeira durante a longa reunião do "Conselhão", na terça-feira- a piora do quadro de Dilma. Embora ontem seu médico tenha falado em ritmo normal de trabalho, é esperada alguma desaceleração pelo menos no início da semana.
Melhor dizendo No governo federal, ninguém se refere mais ao programa de combate à "miséria". O termo utilizado para designar a situação-alvo das medidas em elaboração no Ministério do Desenvolvimento Social é "pobreza extrema".

Vem aí 
Dilma e Lula combinaram que, no segundo semestre, o ex-presidente acompanhará sua sucessora em algumas viagens pelo país. Lula, como se sabe, já está com a atenção inteiramente voltada para as eleições municipais de 2012.

Gostei 

Na contramão do isolacionismo da CUT, José Dirceu elogiou em seu blog o ato conjunto das demais centrais no 1º de Maio.

Sujeito oculto

Geraldo Alckmin e Aécio Neves, que conseguiram conversar um tanto durante o ato das centrais, teriam à noite encontro reservado e mais longo. Em pauta, a "unidade" do PSDB.

Meninos da bolha 
Um tucano razoavelmente equidistante das facções que se digladiam em São Paulo atribui o espetáculo de autofagia à longa permanência do partido no poder estadual. Acredita que alguns de seus correligionários padecem da ilusão de viver num território assegurado, daí dedicarem tanto tempo e energia a dizimar o próprio exército.

Metrópole 
Visto com reservas pelo PT, o projeto que regulamenta a Região Metropolitana de SP, de interesse de Alckmin, entra em discussão nesta semana na Assembleia. Enquanto isso, o governador inicia rodada de reuniões com os prefeitos do ABC para tratar de obras de transporte e saneamento.

Zaga reforçada 1 

Na esteira de desentendimentos entre o presidente da Assembleia paulista, Barros Munhoz, e o líder do governo na Casa, Samuel Moreira, ambos tucanos, Alckmin indicou Vinícius Camarinha (PSB) e Mauro Bragato (PSDB) para a vice-liderança de sua bancada.

Zaga reforçada 2 
A escolha tem duplo objetivo: além de auxiliar Moreira nos projetos de interesse do Palácio dos Bandeirantes, os dois entrarão em campo na semana posterior ao anúncio de que os quatro deputados do PDT assinarão o requerimento da CPI dos Pedágios. O PSB de Camarinha é o alvo preferencial do PT para atingir as 32 adesões necessárias à abertura da comissão.

O astro 
Dos quatro números oferecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral ao nascituro PSD -18, 28, 30 e 51-, a numeróloga Delfina Manente sugere que o partido do prefeito Gilberto Kassab escolha o 30, que, "no âmbito político, representa realização, grandes empreendimentos e estabilidade".

Oremos 
Petistas de Guarulhos relativizam a influência de d. Luiz Gonzaga Bergonzini, que liderou boicote a Dilma na campanha de 2010. O bispo, que neste mês completa 75 anos, deve pedir aposentadoria ao Vaticano.


com FABIO ZAMBELI e ANA FLOR

tiroteio
"Marta Suplicy é a nossa Maria Antonieta. Fala o que lhe dá na telha. Espere a guilhotina das urnas paulistanas."
DO TUCANO EDUARDO GRAEFF, secretário-geral da Presidência no governo de Fernando Henrique Cardoso, sobre a ex-prefeita, que defendeu o "timing" da refiliação de Delúbio Soares ao PT sob o argumento de que "o assunto terá pouco espaço nos jornais, por causa do casamento do príncipe William".

contraponto

Farta experiência

Convidado a participar do 1º de Maio conjunto das centrais sindicais, João Paulo Rodrigues, um dos dirigentes nacionais do MST, chegou em cima da hora, depois de passar pelo evento da CUT, na praça da Sé.
Com dificuldades para entrar no espaço já superlotado, enviou um torpedo para o celular de João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força:
-Estou aqui. Deixa eu subir. Veja como autorizar.
Juruna "torpedeou" de volta, brincando:
-Você invade fazendas e não consegue entrar aqui?
Ato contínuo, Rodrigues foi visto no meio da festa.

SANDRA CAVALCANTI - O Brasil dos fatos e das versões


O Brasil dos fatos e das versões
SANDRA CAVALCANTI

 O Estado de S.Paulo - 02/05/11

Tem sido assim desde o começo da nossa História. É incrível como nossa trajetória é contada! Quem se debruça sobre os fatos fica escandalizado com a diferença entre eles e as suas "consagradas versões".

Esse comportamento fraudulento faz com que, em nosso país, todo historiador seja levado a trabalhar como um arqueólogo, que tem de cavar, raspar poeiras, decifrar hieróglifos e tentar entender os obscuros textos dos pergaminhos. Sempre na busca da verdade dos fatos.

Para alegria nossa, o Brasil tem sido presenteado com obras estupendas, realizadas por excelentes pesquisadores. Eles têm conseguido divulgar um conhecimento cada vez mais correto dos fatos da nossa História. E essa tarefa saneadora de desmitificação das versões tem alcançado enorme sucesso de vendas para as editoras.

Está claro que obras desse padrão não constarão jamais da lista dos livros adotados pelos técnicos ideológicos do Ministério da Educação (MEC). Para eles, quanto mais os brasileiros forem enganados pelas versões oficiais, melhor para a turma que comanda o atraso de nossa formação cultural.

Mas não é apenas nos livros "oficiais" que a nossa História é deturpada. Fazem parte dessa lavagem cerebral os demais instrumentos de comunicação dependentes do governo. Rádios e TVs, oficiais ou agregados. Todos subvencionados generosamente, à custa dos nossos impostos. No nosso dia a dia somos bombardeados pelas versões que o Planalto divulga sem cessar. Informações erradas, dados falsificados, episódios distorcidos, explicações mentirosas, enfim, um povo tratado como se todos fossem idiotas e sem nenhum espírito crítico.

Veja-se agora o que está acontecendo com o famoso episódio do mensalão do PT. Já está quase esquecido! Foi, no entanto, o mais vergonhoso episódio ocorrido em nossa História recente. Um plano frio, cínico, típico de um grupo que só tinha um objetivo em suas supostas lutas pela ética e pela moralidade: chegar ao poder e se vingar. Vingar de quê? Os autores desse plano eram, e ainda são, indivíduos ressentidos, cheios de raiva contra as "elites" - letradas, bem alimentadas, patrões e chefes. Para eles, chegar ao poder era a suprema desforra.

Esse tem sido sempre o sentimento da esquerda sem estudos, valores e visão do mundo. Entre uma esquerda raivosa e uma direita sem escrúpulos, o entendimento sempre se dá muito bem.

A chegada de Lula ao poder mostrou que essa é a mentalidade deles. Para ganhar a eleição tinha de mudar o discurso? Era preciso mudar a rota? O PT não teve dúvidas: mudou.

Mudou, mas chegou ao Planalto com as mesmas disposições de antes. E mesmo usando as receitas do governo anterior, tratou de vender ao País a ideia de ter recebido uma "herança maldita". Sempre o mesmo processo de criar versões, apagar os fatos e vender uma "nova História" ao Brasil.

Quando foram apanhados roubando recursos públicos, espalharam que aquilo teria sido um simples "caixa 2". Não foi! A Justiça definiu-o como crime de formação de quadrilha. São 38 réus no processo. Nestes seis anos, a versão vai vencendo. A quadrilha do mensalão está de volta ao poder, inocentada pelos seus eleitores. A última cartada da versão já está na mesa: em agosto prescreve o crime. Se a denúncia criminal não for feita até lá, teremos uma nova derrota dos fatos.

A desenvoltura dos integrantes da quadrilha do mensalão e da quadrilha do dossiê contra José Serra já vem despertando muitas suspeitas. Os réus andam muito à vontade nos palácios. Muitas declarações, muitas aparições públicas, muitas articulações, enfim, muita recuperação de terreno. Tudo isso leva a crer que está em marcha uma grande manobra para tornar vitoriosa a versão criada pelo então presidente Lula: "O mensalão não existiu. Foi tudo armação da oposição"!

Colocar o mensaleiro João Paulo Cunha na presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados é mais do que um acinte, é uma ameaça para constranger o Supremo Tribunal Federal. A presença desenvolta de José Dirceu nos acontecimentos recentes e o seu evidente prestígio junto à ocupante da Presidência da República, tudo isso é uma sinalização mais do que evidente. Das tentativas feitas para apagar fatos e divulgar versões, essa de Lula é a mais ousada de quantas têm marcado o comportamento dos líderes petistas.

Há dias a Polícia Federal conseguiu terminar o seu relatório a esse respeito. Entregou o penoso e bem feito trabalho ao procurador-geral da República. Está, pois, nas mãos dele ajudar na luta entre os fatos e as versões.

Tenho medo. O mês de agosto não me traz boas recordações. A tentativa de assassinar Carlos Lacerda. A morte do major Rubens Vaz. O suicídio de Getúlio Vargas. Anos depois, também em agosto, a renúncia jamais explicada, e jamais entendida, de Jânio Quadros. Renúncia que abriu para Brizola e Jango a tentação de, por golpe e com o apoio de pequeno grupo militar, implantar aqui uma República sindicalista, com a ajuda de Cuba e da Rússia. Se não fosse o patriotismo da maior parte das nossas Forças Armadas, em 31 de março de 1964 o Brasil teria dado um dos passos mais tristes de sua História.

Mas a tradição de criar versões e negar os fatos não muda. A mídia tem passado os últimos tempos divulgando exatamente o contrário da realidade. Na maioria das reportagens, os fatos cederam às versões. Os golpistas Jango e Brizola são saudados como legalistas. Os legalistas, que seguiram Castelo Branco e impediram o golpe, são apontados como golpistas. As Forças Armadas nem podem mais comemorar o 31 de Março!

Que agosto não nos traga desgosto. Vamos ver o que acontece com os "heróis" do mensalão...

CLÁUDIO HUMBERTO


"Ele teve um comportamento adequado ao que pensa o partido"
Rui Falcão, novo presidente nacional do PT, sobre a volta de Delúbio Soares
Retorno ao PT dá força a negócios de Delúbio
O retorno do ex-tesoureiro Delúbio Soares ao PT premia seu valioso silêncio por não ter feito revelações que poderiam comprometer o ex-presidente Lula no escândalo do mensalão, e também dá força às atividades que ele jamais deixou de desenvolver no Governo federal. Essas atividades renderam a Delúbio Soares a reputação de "operador discreto e eficiente", um autêntico "desencravador de unhas".

Conta outra...

Frequentando ministérios que "furam poço", Delúbio não voltou ao PT para ser candidato a vereador em Buriti Alegre (GO), como afirma.

Big boss

Dilma fica só "irritada" com a incompetência de ministros e assessores. Deveria demiti-los, se é mesmo a "gerentona" que tanto propagam.

Caçada

O Brasil, que se absteve na ONU contra "uso da força", vai à guerra contra Kadafi: a Itália bombardeará com caças AMX da Embraer.

GomesNews

Lívia, filha do ex-ministro Ciro Gomes, criou um blog de notícias. Estré ia na nova profissão entrevistando Marina Silva (PV-AC).

Relax

Os passageiros vão continuar se estressando, mas os servidores de nove aero portos, não: a Infraero vai contratar massagistas para eles.

Correios

'As denúncias não procedem', foi a resposta curta da direção dos Correios, com jeito de telegrama, sobre várias irregularidades apontadas por técnicos de carreira da estatal, antes respeitada e hoje em acelerado desmonte, segundo o Tribunal de Contas da Uni ão. O alvo das denúncias é o diretor de administração Nelson Luiz de Oliveira Freitas, considerado "presidente de fato" da estatal.

Aparelhamento

Dizem os técnicos que é obra do diretor Nelson Luiz de Oliveira o novo estatuto abrindo 20 mil postos de chefia para a "cumpanherada".

Põe na conta

Ações ju diciais de vítimas de assédio moral durante a gestão já atingem cifras milionárias, se gundo os técnicos de carreira da ECT.

Alma do negócio

Atende pelo nome de "Paleta Pintura e Propaganda Ltda" uma das fornecedoras dos milionários "puxadinhos" em aeroportos, instalações provisórias que a Infraero chama de "módulos operacionais". Humm...

Perdeu, Rio

O governador do Rio, Sérgio Cabral, anda revoltado com a decisão de Benjamin Steinbruch de transferir para São Paulo a sede e sobretudo os impostos recolhidos pela CSN, a Companhia Siderúrgica Nacional.

PODER SEM PUDOR

Delfim, o eletricista
Em Santa Maria (RS) para uma palestra sobre economia, no final de 1991, o deputado Delfim Netto (SP) respondia com evasivas às perguntas sobre a expectativa de um novo "choque econômico". Diante da terceira insistência do deputado Adylson Mota sobre o tal "choque", ele perdeu a paciência:
- Eu acho que vocês estão ansiosos para falar com um eletricista e eu sou apenas uma economista...

SEGUNDA NOS JORNAIS

O Globo: Bin Laden está morto

Folha de S. Paulo: Osama Bin Laden está morto, afirma Obama

O Estado de S. Paulo: Inflação vira bandeira política no 1° de maio

Correio Braziliense: Morto: EUA anunciam o fim da caçada a Osama Bin Laden

Valor Econômico: Dados de abril confirmam acomodação na indústria

Estado de Minas: Obama anuncia que Bin Laden foi morto