sexta-feira, abril 22, 2011

WASHINGTON NOVAES - Em lugar da pressa, cada um por si?



Em lugar da pressa, cada um por si?
WASHINGTON NOVAES

O Estado de S.Paulo - 22/04/11

É cansativo, recorrente, mas não há como não voltar ao tema das mudanças climáticas, tão angustiante parece ele depois de mais um ineficaz encontro preparatório, na Tailândia, para a próxima reunião da Convenção do Clima, programada para dezembro, na África do Sul. Em Bangcoc ficou patente a tendência de muitos países de descrer da possibilidade de acordo na convenção ou para prorrogação do Protocolo de Kyoto e entender que o caminho estará em legislações nacionais, não em transnacionais.

Na capital tailandesa, Japão e Nova Zelândia disseram com todas as letras e enfaticamente que não aceitam prolongar o prazo de vigência do Protocolo de Kyoto, que expira em 2012 e, bem ou mal, é o único compromisso vigente dos países industrializados de reduzir suas emissões em 5,2% sobre os níveis de 1990. A China anunciou que até 2015 reduzirá em 16% a intensidade de energia por unidade produzida, mas não assume compromisso de reduzir as emissões totais (que aumentarão). Todd Stern, o representante norte-americano, afirmou também que o acordo de Copenhague (2009), de caminhar para compromissos obrigatórios de redução de emissões, é "impraticável"; só seriam viáveis "leis nacionais" nessa direção - na hora em que a Câmara dos Deputados de seu país proibia a Agência de Proteção Ambiental de impor cotas de emissões a setores econômicos (ainda assim, o presidente Barack Obama continua afirmando que o país reduzirá suas emissões em 17%, calculadas sobre as de 2005).

Enquanto isso, tão corriqueiras já parecem informações sobre "desastres climáticos" que a comunicação parece se habituar a dedicar-lhes apenas meia dúzia de linhas. Foi assim, por exemplo, com a notícia de 156 municípios de Minas Gerais em "estado de emergência" com as chuvas que afetaram 1,58 milhão de pessoas; com as inundações no litoral do Paraná; oito mortos e centenas de desabrigados em São Lourenço do Sul; a cidade de Ilhota perdendo 70% das obras de infraestrutura que fizera para se recuperar dos eventos muito fortes há três anos; 3,5 metros de água na área da Universidade de Brasília; desabamento em Blumenau; destruição de dezenas de pontes rodoviárias em Goiás e perda de pelo menos 10% da safra de soja, com o município de Rio Verde e 13 outros em "estado de emergência"; e inundações no Acre e na Bacia do Araguaia. Este jornal chegou a mencionar (14/3) 11 mortos e 21 mil desalojados na Região Sul; 89,8 mil atingidos em 18 municípios capixabas, e 2.577 desabrigados.

Enquanto isso, o simpósio Vulnerabilidade das Cidades Brasileiras a Mudanças Climáticas, com participação do Inpe, da Unicamp, da Fiocruz e da UFRJ, advertia (Estado, 7/4) que a Região Metropolitana do Rio de Janeiro poderá ter aumento de temperatura de 4,8 graus Celsius até o fim do século e perder até 10% da área litorânea com a elevação do nível do oceano. Segundo a revista Nature (BBC, 17/2), os "eventos extremos" aumentarão 20%, pelo menos, no horizonte previsível. E o Asian Development Bank advertiu que China, Paquistão, Filipinas, Tailândia e Malásia devem preparar-se para um aumento forte de migrações, com mais ciclones, tufões, secas, inundações (China Daily, 7/2). As previsões sobre degelo total no Ártico, com elevação do nível dos oceanos, continuam presentes, embora oscilem de 2013 a 2016 (Folha de S.Paulo, 9/4.). Na Patagônia, a perda de gelo "já é dramática" (The New York Times, 6/4).

Diante desse quadro, é inacreditável que o Brasil continue sem aplicar um só centavo do plano nacional aprovado em 2010, que destinava R$ 2 bilhões a ações nesse campo, principalmente com a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e o aumento de 8 milhões de hectares no plantio direto (Folha de S.Paulo, 9/4). Um boletim do PSDB (13/4), com fortes críticas à inação federal nessa área, atribui à Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia a informação de que em 2010 morreram em eventos extremos no Brasil 1.910 pessoas (10 por milhão de habitantes, ante 2 a 3 por milhão no restante da América do Sul). E 735 municípios teriam pelo menos cinco áreas de risco cada um, só 23 cidades teriam suas regiões de risco mapeadas; 90% das 500 estações meteorológicas não teriam condições de comunicar suas previsões.

Para o professor José Marengo, do Inpe, faltam-nos profissionais qualificados para previsões. Temos muitos especialistas acadêmicos, mas faltam os especializados em leitura de mapas e dados (O Globo, 5/4). O professor Paulo Artaxo, da USP, preocupa-se com a falta de previsões corretas sobre enchentes e secas. "A América Latina está parada em tecnologias energéticas obsoletas", disse na Tailândia a secretária da Convenção do Clima, Christiana Figueres, que considera "alarmante a fossilização das matrizes energéticas na região". Segundo o Banco Mundial, o Brasil precisa de US$ 400 bilhões para reduzir suas emissões de gases até 2030.

Mas que se fará até lá, no campo mais imediato dos problemas? Diz a Prefeitura de São Paulo que em seis anos (!) não haverá mais áreas de risco na cidade. Mas o Instituto de Pesquisas Tecnológicas afirma que há 115 mil pessoas em locais de risco; dependendo do critério, podem ser 500 mil (Folha de S.Paulo, 22/2). As dimensões do problema podem ser mais bem avaliadas lembrando o cálculo da Accenture e da Barclays Capital de que a Europa precisará investir 2,9 trilhões até 2050 para modernizar suas fontes de energia e infraestruturas (a Alemanha aumentou suas emissões de gases em 4,3% em 2010); 27% dos recursos seriam para a área de transportes, outro tanto para a de edifícios, 23% para fontes de energia de baixo carbono e igual proporção para infraestruturas energéticas.

Quando a informação mudará nossa consciência e nos fará ter pressa?

GOSTOSA

MERVAL PEREIRA - Força ao Congresso


Força ao Congresso
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 22/04/11

O senador Aécio Neves, como relator de uma proposta de emenda constitucional do presidente do Senado, José Sarney, que altera a apreciação das medidas provisórias pelo Congresso, vai apresentar semana que vem, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, um parecer que, na prática, subordina as medidas provisórias - que se transformaram em um instrumento do hiperpresidencialismo - à decisão do Congresso.

A ideia central da proposta é que as medidas provisórias somente terão força de lei depois de serem consideradas admitidas pelo Congresso Nacional, dentro dos critérios de relevância e urgência hoje existentes.

Caso contrário, a matéria passaria automaticamente a tramitar como projeto de lei em regime de urgência constitucional.

A admissibilidade será apreciada por comissão mista permanente de deputados e senadores, em processo sumário, com recurso para o plenário do Congresso ou, nos períodos de recesso, pela Comissão Representativa.

Essa alteração leva, também, à extinção da comissão mista ad hoc encarregada de dar parecer sobre as medidas provisórias, algo que, segundo o relatório de Aécio Neves, a experiência já mostrou ser preciso, uma vez que esses colegiados nunca funcionaram a contento, sequer formalmente.

Outra alteração dá às medidas provisórias tratamento similar aos projetos de lei, que, se rejeitados em uma Casa legislativa, não vão à outra. Assim, não votar uma medida provisória no prazo estipulado significaria rejeitá-la. O que o relator propõe é que a tramitação das medidas provisórias em cada Casa do Congresso seja autônoma, representando um ciclo completo.

Mantém-se a previsão do sobrestamento da pauta, caso a Câmara dos Deputados não vote a matéria em 45 dias e o Senado, em 35.

Como forma de permitir maior flexibilidade para Câmara e Senado, no entanto, o sobrestamento da pauta não se aplicaria a matérias que também estejam em regime de urgência constitucional.

O parecer do senador Aécio Neves incorpora o espírito de uma proposta do senador Paulo Bauer que impõe restrições ao alcance das medidas provisórias, vedando que elas legislem sobre criação ou transformação de cargos, empregos ou funções públicas e criação ou transformação de ministérios e órgãos e entidades públicas.

Essas matérias, no entender do senador Aécio, podem ser apreciadas através de projeto de lei, nada havendo nelas que demande o processo excepcionalíssimo das medidas provisórias.

Tanto a proposta inicial de Sarney, que muda a tramitação das MPs dando mais prazo e liberdade de atuação ao Congresso no exame delas, quanto o relatório de Aécio alteram uma situação em que a maioria parlamentar cede o poder ao presidente em troca de benefícios clientelistas.

Além dos critérios de urgência e relevância, que não são obedecidos na edição das MPs, a aprovação era tão automática que o governo cansou de enviar ao Congresso medidas provisórias que traziam embutidos assuntos diferentes, sem que fosse respeitado o inciso II do artigo 7 da Lei Complementar nº 95, de 1998, que proíbe que uma lei contenha matéria estranha a seu objeto.

O governo fez isso durante muito tempo, até que as "pegadinhas", como ficaram conhecidas, foram descobertas pela oposição.

Uma medida provisória tratando de um tema irrelevante - e que, portanto, não poderia ser objeto de uma medida provisória - embutia decisão importante, como, por exemplo, a prorrogação do prazo para as empresas que aderiram ao Refis.

A edição de MPs passou a ser uma forma de impor fatos consumados ao Congresso, pois elas geram efeitos imediatos e irreversíveis.

E passaram também a ser um instrumento de atuação política do Executivo para paralisar o Legislativo nos momentos de maior crise política, conforme constatou o cientista político Sérgio Abranches em um estudo já referido aqui na coluna.

A média de sessões trancadas de 2002 a 2006, por exemplo, foi de 64%, mas atingiu seu auge (71%) entre 2004 e 2006, com o surgimento do caso Waldomiro Diniz e do mensalão.

Tanto na proposta de Sarney quanto no relatório de Aécio Neves está destacado que o procedimento de tramitação de medidas provisórias atual possibilita que o Poder Executivo legisle sem participação do Congresso.

Com as alterações propostas, o Legislativo só aprovará o que quiser, passando a ser responsável pelas medidas provisórias que entrem em vigor.

Embora tenha mostrado seu parecer a alguns deputados e senadores há dias - antes, portanto, do episódio da Lei Seca em que se envolveu no Rio -, a defesa da autonomia do Congresso pode render a Aécio Neves noticiário político mais favorável do que aquele, de conotação policial.
***
Sobre a coluna intitulada "Acesso à informação", o leitor Farlei Martins Riccio, que edita o site "Direito Administrativo em Debate" e faz pesquisa sobre o tema da transparência pública para tese de doutorado na PUC-Rio, informa que, embora o governo Barack Obama tenha determinado uma ampliação da política de "governo aberto" ("open government") logo que tomou posse, na semana passada, por força das negociações para aprovar o orçamento, o programa de transparência do governo americano - incluindo o "Data.gov" e o "USAspending.gov" - sofreu cortes orçamentários de 75%. Já outros programas e serviços foram cortados, em média, em 10% em relação ao orçamento anterior.
Em cifras, o programa tinha uma previsão de US$34 milhões e passou a contar com apenas US$8 milhões. O corte foi tão drástico que a Sunlight Foundation, organização independente de vigilância da transparência governamental, lançou uma campanha chamada "Save the Data" com o fim de mobilizar a opinião pública para a importância do programa e as consequências do corte orçamentário.

ILIMAR FRANCO - DEM rejeita fusão


DEM rejeita fusão 
ILIMAR FRANCO
O GLOBO - 22/04/11

A direção do DEM, mesmo diante da sangria provocada pelo PSD do prefeito Gilberto Kassab, não quer nem ouvir falar de fusão com o PSDB. Seus dirigentes alegam que o partido está muito desgastado e que, se forem sentar agora com os tucanos, não será uma conversa de iguais. A ordem no partido é aguentar o tranco e ter muito sangue frio. As conversas para tratar da eventual união estão adiadas para depois das eleições municipais.

A Telebrás e a austeridade
O presidente da Telebrás, Rogério Santanna, está cobrando investimentos públicos de R$ 10 bilhões, em quatro anos, para viabilizar
a recriação da estatal. Anteontem, a presidente Dilma Rousseff e o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) trataram do assunto.
Dilma, que sempre foi favorável a ressuscitar a empresa, comprometeu-se com a liberação de apenas R$ 1 bilhão por ano. É pouco, diante dos investimentos das empresas privadas, que são de cerca de R$ 6 bi anuais. Aos que reclamam mais investimento público, o ministro Paulo Bernardo argumenta: “A Telebrás era uma massa falida e estamos revigorando a empresa”.

"Queremos também no Brasil uma Comissão da Verdade para contar a verdadeira história do massacre do povo indígena e da escravidão do povo negro” — Paulo Paim, senador (PT-RS)

SAIA JUSTA. A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) está indignada com o líder petista na Câmara, Paulo Teixeira (SP). “Ele quer retroceder. Um terço de candidatas mulher nós conquistamos há 15 anos (1996). O companheiro tem que avançar um pouquinho mais”, criticou. Tudo isso porque o Senado aprovou o voto em lista, onde cada candidato homem será seguido por uma mulher. Teixeira está defendendo uma mulher para cada dois homens.

A meta

O prefeito Gilberto Kassab e os principais organizadores do PSD estão entusiasmados. Acreditam que o partido chegará a uma bancada de 50 deputados. Ela será menor apenas que as do PT (87), do PMDB (78) e do PSDB (53).

Participação popular
 
O PT quer reduzir as exigências para a apresentação de leis de iniciativa popular, como a da Ficha Limpa. Hoje é preciso ter um milhão de assinaturas, coletadas em pelo menos cinco estados, para que a lei seja votada pelo Congresso.

Improviso na saúde indígena
A Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), criada pelo exministro da Saúde José Gomes Temporão, não engrenou. No Dia do Índio, na última terça-feira, a pedido do ministro Alexandre Padilha (Saúde), foi assinado um decreto presidencial que prorrogou ate o fim deste ano a transição na gestão da saúde indígena. A Sesai não deu conta do recado, e a tarefa continuará a ser executada pela Funasa. Nos próximos dias, um ato fará transferência de recursos da Sesai para a Funasa. 

Vem aí a bolsa...
Com o apoio dos ministros que discutem o Código Florestal, está para ser criada a Bolsa Verde, que pretende pagar aos pequenos proprietários, que são donos de até quatro módulos rurais, pela preser vação das matas ao longo dos rios.

 O VICE-PREFEITO de Belo Horizonte, o petista Roberto Carvalho, quer romper a aliança com o prefeito socialista Márcio Lacerda. Carvalho quer ser candidato à prefeitura pelo PT.
 O GOVERNADOR Marconi Perillo (PSDB-GO) e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) se entenderam. Demóstenes vai ser o candidato dos tucanos à prefeitura de Goiânia ano que vem.
● A PRESIDENTE Dilma Rousseff anda elogiando o trabalho do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) na relatoria do Código Florestal.

CEIA PECADORA

ANNA RAMALHO - Babados fortíssimos


Babados fortíssimos
ANNA RAMALHO
JORNAL DO BRASIL - 22/04/11

Essa crise da OSB dá mesmo pano pra manga. As irregularidades começaram a pipocar após a audiência pública realizada na Alerj, onde foi apresentado o Estatuto do Sindicato dos Músicos Profissionais do Rio e o contrato de trabalho do maestro Roberto Minczuk. O estatuto determina que qualquer demissão deve ser submetida à Comissão de Músicos da OSB e isso não aconteceu.

Mistério no contracheque

Segundo a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que preside a Frente Parlamentar de Cultura no Congresso Nacional, o contrato do maestro Minczuk também se constituía em outro grande mistério. Seus rendimentos, por exemplo, foram omitidos por uma inexplicável “clausula de sigilo”, que a parlamentar nunca conseguiu descobrir nem mesmo quando foi secretária Municipal de Cultura do Rio.

Clima quente 
O silêncio foi quebrado quando Jandira leu publicamente o teor de um contrato terceirizado com empresa prestadora de serviços para a Fundação OSB, o que credita ao affair mais um detalhe intrigante. Embora o regente Minczuk não seja funcionário da OSB, seus proventos chegam a R$ 200 mil mensais, além dos rendimentos como diretor artístico e maestro da Filarmônica de Calgary, no Canadá.

Tem mais

A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cultura , no Congresso Nacional, decidiu apoiar o trabalho da Comissão de Cultura da Alerj e aprofundar as investigações sobre as denúncias de assédio moral e ameaça à integridade física feitas pelos integrantes da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) e a OSB Jovem durante a audiência. O objetivo será de apurar os fatos denunciados e exigir rigor na punição dos culpados.

Exemplo da PM

A bem sucedida instalação das UPPs no Rio de Janeiro servirá de mote para um debate entre executivos durante o Congresso Estadual de Gestão de Pessoas, em maio, na Barra da Tijuca. Eles aprenderão com a Polícia Militar do Rio como promover transformações sociais por meio de gestões profissionais.

Pílulas de sabedoria
Assim que o editor José Mário Pereira liberar, Aristoteles Drummond vai revisar o livro que já tem montado com frases e pensamentos de Roberto Campos e que vai ter como título Pérolas e frases de Roberto Campos em pílulas. Ari foi e continua sendo fiel escudeiro de Roberto Campos, seu guru e amigo, e luta para manter acesa a chama das idéias desse grande brasileiro.

Festa rosa em Nova YorkSir Elton John e Sting dando pinta na 17ª Pink Party, um benefit chiquérrimo que acontece anualmente no Waldorf Astória, em Nova York, com renda para a Fundação para Pesquisa do Câncer de Mama.

Desde que foi criada por Evelyn Lauder, dona da gigante dos cosméticos Estée Lauder, já arrecadou mais de US$ 300 milhões para a Fundação. Os dois artistas cantaram pela causa e dispensaram cachê.

EDITORIAL - O GLOBO - BC atenua nos juros e alimenta dúvidas


BC atenua nos juros e alimenta dúvidas
EDITORIAL
O GLOBO - 22/04/11
As evidências do mais grave surto de inflação desde aquele criado pelo risco PT em 2002/2003 se acumulam. O último IPCA quinzenal fechou em 6,44% rumo ao teto da meta de 6,5%; em três meses o índice ultrapassou 3%, quando o centro da meta anual é de 4,5%; e o número de itens em alta na composição dos índices se amplia, sinal de que a pressão inflacionária contamina toda a economia.

Mas, mesmo assim, o BC, na reunião desta semana do Conselho de Política Monetária (Copom), por cinco votos a dois, optou por um aumento da taxa básica de juros (Selic) de apenas 0,25 ponto percentual, para 12%, depois de duas remarcações sucessivas de 0,5 ponto. Aumentam, portanto, as dúvidas quanto à profissão de fé do presidente do BC, Alexandre Tombini, no combate duro à inflação, feita no fim do ano passado ao ser escolhido para o cargo. Pior, firma-se o entendimento de que o BC no governo Dilma Rousseff funciona como linha auxiliar do "desenvolvimentismo" encastelado no Ministério da Fazenda, pregador da perigosa tese de que um "pouco mais" de inflação é justificável, se permitir um crescimento econômico mais acelerado. A tese é ilusória porque a própria inflação abortará mais tarde a decolagem da economia.

O BC tem sido, ainda, desastroso na comunicação com o mercado. Na sexta-feira passada, Tombini, em Washington, para onde fora participar de reuniões no FMI, alertou que o país "está no meio de um ciclo de aperto monetário", e chamou a atenção para os cuidados necessários diante do excesso de liquidez, capaz de pôr em risco a estabilidade financeira do país.

Parecia uma reciclagem do sentido do texto do relatório trimestral de inflação, em que o BC expôs a defesa de um enfrentamento light do descontrole de preços, música melodiosa aos ouvidos "desenvolvimentistas". Em troca, continuariam a ser manejados os instrumentos "macroprudenciais" de aperto no crédito. Que devem mesmo ser acionados, mas numa conjugação com políticas monetária (juros) e fiscal (gastos) mais ativas. A atenuação na alta dos juros, decretada quarta-feira, indica que as entrevistas dadas em Washington pelo presidente do BC não significavam a antecipação de qualquer maior vigor na luta contra a inflação. Eram apenas ruídos na comunicação do BC.

O texto do comunicado sobre a decisão do Copom tenta justificar a moderação - pelo menos com a correta discordância de dois diretores do BC - com a execução de um plano de ataque ao descontrole de preços de mais longo prazo, uma reafirmação da arriscada ideia de trazer a inflação ao centro da meta (4,5%) apenas no fim do ano que vem.

Será possível? Há sérias dúvidas. Uma delas é que se despreza o efeito pernicioso dos mecanismos de indexação que persistem na economia brasileira, e estimulados, por exemplo, quando se estabelece uma regra fixa para o reajuste do salário mínimo. Este, por sinal, sério problema em contagem regressiva para o ano que vem, quando o SM deverá ter um reajuste na faixa dos 14%, mais um aperto no acelerador da inflação.

Há, ainda, a questão do preço de combustíveis, com a gasolina sendo subsidiada - hoje, pela Petrobras; amanhã, talvez pelo Tesouro, via redução da Cide. Tudo somado, resulta que a sociedade corre o risco de ter de conviver com uma inflação engessada num patamar mais elevado que os 4,5% da meta, por sua vez já acima da inflação no mundo.

GOSTOSA

MÔNICA BERGAMO - SÓ USO ESPELHO PRA ME PENTEAR


SÓ USO ESPELHO PRA ME PENTEAR
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 22/04/11

O piloto Nelsinho Piquet, que trocou a Fórmula 1 pela Nascar Truck Series, é o modelo do editorial de moda inverno da próxima edição da revista "Daslu". O convite partiu de Eliana Tranchesi, dona da butique, que imaginou um autódromo para o cenário das fotos. Nelsinho disputa hoje a quinta etapa da Nascar em Nashville, nos EUA.

DIVISÃO DE TAREFAS
O ex-presidente Lula gravou nesta semana participação nos comerciais do PT, que vão ao ar a partir do dia 30. Será a estrela das propagandas, junto com Dilma Rousseff. Os dois vão aparecer sozinhos, em peças diferentes. No roteiro, Lula falará mais para o "povão". A presidente, para a classe média.

BOLEIA
Um estrategista do PT afirma que a tentativa de transformar Dilma em um "anti-Lula", elogiando a presidente e contrapondo seu governo ao do antecessor, facilitará a vida do partido. "Em São Paulo, a gente coloca o Lula no caminhão na periferia. Vem de Guaianases, Itaquera, Jardim Ângela. Chegando perto do centro da cidade, ele desce do caminhão e a Dilma sobe para falar para a classe média do Tatuapé, dos Jardins, de Higienópolis."

BANCO DA CIDADE
O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, vem ao Brasil em 1º de junho. Ele se junta ao prefeito Gilberto Kassab e a Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, no C40 São Paulo Summit, em que serão discutidas medidas para combater a mudança climática nas grandes cidades.

NÃO HÁ VAGAS
Os hotéis de São Paulo, lotados em eventos como o show da banda U2, registraram ocupação recorde no primeiro trimestre do ano. Em média, ela chegou a 64,47%, superior ao registrado em 2010 (62,05%), o melhor ano até agora. Desde 2005 os estabelecimentos da cidade estão cada vez mais cheios -a taxa de ocupação, naquele ano, foi de 49,94%. Ou seja, metade dos quartos disponíveis ficavam desocupados naquela época.

DO MELHOR
Os números mostram que a ocupação é maior nos apartamentos de luxo: 70,59%, contra 59,62% dos classificados como econômicos.

SONO CARO
E a maior taxa de ocupação leva também à recuperação tarifária, com o valor das diárias crescendo mais, em relação ao trimestre anterior, que o movimento dos hotéis: cerca de 13%.

Em 2005, a diária média na cidade era de R$ 136; em 2010, saltou para R$ 198; e agora chegou a R$ 224.

BONO & ROBERTO
Além de se apresentar em Copacabana, o U2 pretende gravar um DVD no Corcovado, no Rio, na Copa de 2014. A ideia é convidar parceiros para cantarem com a banda. A renda seria revertida para projetos humanitários do mundo todo. Entre os brasileiros que a equipe do grupo imagina convidar estão Ivete Sangalo, que Bono adora, e o Rei Roberto Carlos.

EU TOPO
A cantora sertaneja Paula Fernandes será a estrela do quadro "História de Vida", do programa de Eliana, no domingo, no SBT. A apresentadora a questionou sobre Roberto Carlos, com quem teria um romance. Paula disse que "namoraria ele". A direção do programa decidiu cortar essa parte da entrevista em respeito ao cantor, que está de luto por causa da morte de sua enteada.

O CARA
Eike Batista, que viu o valor de suas empresas despencar nas bolsas nesta semana, receberá hoje o prêmio de empresário do ano 2011 no encontro do Lide, em Comandatuba, na Bahia.

A VIDA É FALABELLA

Miguel Falabella lançou no Rio, na terça, o livro "Vivendo em Voz Alta", em que mistura memórias de vida com fantasia; foram receber autógrafos na Livraria Argumento, no Leblon, as atrizes Paula Burlamaqui, Sheron Menezes, Maria Padilha e Marisa Orth.

CURTO-CIRCUITO

André Abujamra apresenta seu novo CD, "Mafaro", no Auditório Ibirapuera. Hoje e amanhã, às 21h, e no domingo, às 19h. Livre.

A cantora Sandy retoma turnê do show "Manuscrito" no Citibank Hall em 13 e 14 de maio, às 22h. Indicação etária: oito anos.

Cláudia Matarazzo dá palestra para alunos de MBA de hotelaria de luxo sobre roteiro turístico que criou na Itália. Amanhã, às 18h, no Sofitel.

O chef francês Alain Burnell cozinha hoje e amanhã na Pousada Port Louis, em Tabatinga, litoral norte de SP. A partir das 20h.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA, THAIS BILENKY e CHICO FELITTI

IGOR GIELOW - E Cuba, Dilma?


E Cuba, Dilma?
IGOR GIELOW

FOLHA DE SÃO PAULO - 22/04/11

BRASÍLIA - Até por falta de outra agenda enquanto o Banco Central duela com o mercado, Dilma Rousseff segue com sua cruzada para distinguir-se do governo Lula na política externa. É fácil e não dói. Muito bem, agora temos uma presidente que se preocupa com os direitos humanos, que não irá tolerar abusos mesmo em parceiros como o Irã. Certo?
Calma lá. Falemos de Cuba, por quem o coração esquerdista do governo bate tão forte. Na semana em que a ilha dos irmãos Castro encena mais uma etapa da pantomima de "mudança", seria muito interessante saber o que de fato Dilma tem a dizer sobre tudo isso.
Porque posições formais, como a expressada ontem nesta Folha pela assessoria do Itamaraty, parecem chover no molhado. "Caminho a percorrer" em direitos humanos é um eufemismo ofensivo aos mortos, presos e calados pela ditadura comunista cubana -sejam quantos forem, não há diferença entre uma e 100 mil vítimas quando o assunto é violência política.
Cuba está no centro do espírito petista. Seus militantes enchem os olhos de lágrimas ao exultar gente como Che Guevara, basta ir a um evento do partido e ver as camisetas à venda. Quando presidente, sempre que podia Lula dava mostras de seu amor pelo regime local. Até congratulou-se com a gerontocracia insular enquanto morria um dissidente, devidamente tripudiado como criminoso comum.
OK, vamos considerar que Dilma não é uma petista histórica, mas de ocasião. Importa pouco: a presidente militou em um grupo que queria a implantação de uma ditadura comunista não muito diferente da que está definhando em Cuba agora. Os métodos de seus colegas, basicamente o assassinato e a espoliação de opositores, não diferiam do "paredón" e quetais.
Os anos passaram, e o mundo mudou. Cuba agora finge mudar, na ilusão de virar um misto de China e cassino. Dilma terá mudado?

RENATA LO PRETE - PAINEL


Consenso na marra
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 22/04/11

Em nova reunião sobre Código Florestal, marcada para terça-feira, o Planalto decidiu que convocará, além dos ministros das áreas e o relator do projeto na Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), os líderes dos partidos aliados. A intenção é mostrar que a posição do governo deve ser apoiada pelos votos da base.
Há, entretanto, um assunto sem aparente conciliação que contrapõe Aldo e os petistas, que é a recomposição da reserva legal para pequenos produtores familiares. "Eles são os nossos franceses", provoca Aldo, numa alusão aos agricultores europeus que recebem subsídio "para não desaparecerem".

Apelo 
O governo tenta evitar que as divisões cheguem ao plenário da Câmara. "Um código de todos não pode ter vencedores ou vencidos", defende Luiz Sérgio (Relações Institucionais).

Está no gibi 

Maurício de Sousa entrou na campanha contra as mudanças no Código Florestal. O cartunista fez uma tirinha em que os personagens da Turma da Mônica aparecem de preto, portando cartazes contra o projeto.

Na telinha 

Hiperativo, Lula protagonizará as inserções do PT a partir do dia 30. Ele gravou anteontem, em São Bernardo. Um dos comerciais é sobre reforma política. Em outro, sua voz e a de Dilma se revezam para louvar feitos do governo.

Apetite 
O almoço oferecido ontem pelo ex-ministro Walfrido Mares Guia em sua fazenda, a princípio reservado, atraiu 200 pessoas, entre políticos e empresários.

Vaia 

Dilma enfrentou em Ouro Preto seu primeiro (e incipiente) protesto. Militantes do PSOL interromperam seu discurso aos gritos de "hipócrita". Ela se desconcertou, mas logo retomou a fala.

Claque 

Já Antonio Anastasia teve a ajuda de um grupo que empunhava lenços brancos. Deixaram o local logo depois da fala do tucano, sem ouvir a presidente.

Pra já 
O governador Raimundo Colombo (SC) esteve com FHC. Disse que a fusão imediata com o PSDB o ajudaria a ficar no DEM, resistindo ao aceno do novo partido de Gilberto Kassab.

Pra nunca 
José Serra tem se manifestado contra a fusão quando questionado sobre o assunto. Diz que não pode ser do mesmo partido que o desafeto Rodrigo Maia.

Deixa disso 
Depois da debandada no PSDB paulistano, Geraldo Alckmin enfrenta agora crise em sua bancada na Assembleia. Os tucanos Barros Munhoz, presidente da Casa, e Samuel Moreira, líder governista, entraram em choque na discussão de projetos de interesse do Judiciário, forçando o QG do Bandeirantes a intervir.

Trator 
À revelia da liderança de Alckmin, Munhoz colocou em votação proposta que cria cargos no TJ-SP. Moreira havia pedido prazo maior para debate, pois o governo teme o impacto orçamentário da cumulatividade de gratificações embutidas no texto original.

Asfalto selvagem 
Dois aliados de Alckmin brigam pela presidência da cobiçada Comissão de Transportes, responsável pela fiscalização de obras viárias e de contratos de concessionárias de rodovias. O PSDB indicou João Caramez, mas o "demo" Edmir Chedid disputa a recondução, com apoio do PTB.

Cabe mais um? 

Para acomodar seus interesses, PSDB e PT querem aumentar de 11 para 13 o total de membros da poderosa comissão. Com a manobra, petistas e tucanos passariam de duas para três vagas cada.
com FABIO ZAMBELI e ANA FLOR

tiroteio

"Os tucanos têm praticado o stalinismo às avessas. Stalin bania os inimigos para se manter no poder. O PSDB agora extermina seus amigos para se manter na oposição."
DO SENADOR ALOYSIO NUNES (PSDB-SP), sobre a crise na bancada tucana na Câmara paulistana, que resultou na saída de seis vereadores do partido.

contraponto

Amor platônico
Diante de um grupo de senadores, entre eles o petista Walter Pinheiro (BA), Francisco Dornelles (RJ) lançou um galanteio para Vanessa Grazziotin (AM):
-Por esses seus olhos, abandono a presidência do PP e me filio ao PCdoB.
Minutos depois, ao declarar seu voto numa comissão, Dornelles voltou à carga:
-Acompanho a senadora Vanessa!
Pinheiro, novamente presente, aconselhou:
-Dornelles, desiste dessa moça. Não vai dar certo.

CRUZ

MIRIAM LEITÃO - Pagador de impostos


Pagador de impostos 
MIRIAM LEITÃO

O GLOBO - 22/04/11

Em dez anos a carga tributária do Brasil subiu cinco pontos percentuais do PIB. É um peso de impostos muito maior do que o de muitos países ricos que oferecem serviços melhores aos cidadãos. Os impostos são mal distribuídos; pesam mais sobre o trabalho e a produção do que sobre o patrimônio. As isenções e os Refis criam desigualdades entre os contribuintes.
De acordo com um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), o Brasil tem a décima quarta maior carga tributária entre os países da OCDE. O país não faz parte dessa organização onde está a maioria dos países mais ricos do mundo; mas se fizesse, estaria nesta posição no ranking. Têm carga menor que a do Brasil países como Estados Unidos, Canadá e Espanha. Só para ficar em alguns.
Ninguém é contra o pagamento de impostos, mas hoje, a carga tributária virou um problema econômico, segundo o presidente do IBPT, João Elói Olenike.
- É insustentável continuar aumentando os impostos assim. Isso cria distorção e atrapalha o crescimento. Para se ter uma ideia, em 2001, a carga era 30,03% e em 2010, foi para 35,13%. Isso significa que o governo tirou a mais da sociedade, só com esse crescimento, no acumulado de dez anos, R$1,850 trilhão. Tirou meio Brasil do Brasil em dez anos, só com o aumento dos impostos.
Bianca Xavier, que é coordenadora de pós-graduação de Direito Tributário da Fundação Getulio Vargas, pondera que o refinanciamento das dívidas fiscais só pode ser um instrumento usado uma vez. Se é um mecanismo frequente, alguma coisa está errada.
- Houve Refis em 2000, 2003, 2006, 2009 e daqui a três anos vão esperar que aconteça outro. É um sintoma de que o governo reconhece que as empresas precisam de um mecanismo de recuperação fiscal, ou seja, que a carga é alta demais. A Procuradoria da Receita Federal tem dito que isso causa um problema de isonomia. Afinal, quem paga em dia é prejudicado. Quem não paga e entra no Refis tem 180 meses para pagar e juros mais baixos.
Conversei com os dois especialistas no programa da Globonews desta semana. O que fica claro para quem se detém um pouco nesse tema é o emaranhado que é a estrutura de impostos no Brasil. Mesmo quem sabe que o país tem impostos e taxas demais, fica espantado com a informação dada por Bianca Xavier de que a cada hora duas normas tributárias são baixadas no Brasil. Ela conta que frequentemente tem de desdizer numa aula o que disse na aula anterior, porque entre uma e outra, a norma que havia explicado é alterada.
João Elói lembra outra perversidade: há muitos impostos indiretos que recaem sobre o consumo e isso pesa desigualmente sobre os brasileiros. Quem é mais pobre acaba pagando relativamente mais. Nos produtos, todos os consumidores, independentemente do seu poder aquisitivo, pagam o mesmo imposto. E não há transparência.
- Em outros países, há o Imposto sobre Valor Adicionado e as notas discriminam o quanto de imposto está sendo pago em cada produto. No Brasil, o consumidor não sabe quanto está pagando em cada mercadoria. O imposto sobre patrimônio no Brasil é baixo; 70% da carga recaem sobre produção, faturamento e salário. As empresas têm de pagar R$120 de impostos, taxas e contribuições em cada R$100 pagos de salário. Isso incentiva a informalidade ou o pagamento de parte do salário por fora.
A informalidade é outro problema decorrente dos excessos de regras, impostos e carga tributária no Brasil. Os dois especialistas acham que nos últimos anos a tendência tem sido diminuir a informalidade, com as notas fiscais eletrônicas e outros mecanismos de fiscalização. Mesmo assim, diz João Elói, de cada R$1 arrecadado, pelo menos R$0,30 estão sendo sonegados. Bianca Xavier lembra que isso deveria estar reduzindo o peso dos impostos sobre os contribuintes.
- Se numa mesa de restaurante alguns saem sem pagar, a conta fica maior para quem fica. Mas se há mais pessoas entre os pagantes, a conta deveria ficar relativamente mais leve. E isso não está acontecendo.
Segundo um texto divulgado recentemente pelo IBPT, "o brasileiro, em geral, não é contra o pagamento de tributos, até mesmo porque tem consciência de sua importância para custear a máquina pública. O que o angustia e causa revolta é saber que paga - e paga muito - ao governo e não tem um retorno minimamente satisfatório". De acordo com João Elói, o maior peso recai sobre a classe média.
As isenções dadas a algumas empresas ou a alguns setores criam outras injustiças.
- Isenção é política fiscal. Toda vez que o governo dá uma isenção, alguém vai ter de pagar por isso. É preciso saber quem está sendo desonerado, as razões dos benefícios e quem pagará por eles. Tem de ser isonômico. Não se pode dar para uma empresa e não para o concorrente. Até recentemente, para citar um exemplo, a LG tinha um benefício que a Phillips não tinha no mesmo produto. Tributo tem de ser neutro. Desonerações são privilégios - diz Bianca Xavier.
Quando o governo sustenta que a carga brasileira não é alta, certamente não está pensando em tudo isso: que ela é mais alta que a de muitos países que oferecem serviços melhor, que é desigualmente distribuída, que as desonerações são arbitrárias, que tem aumentado ano a ano, que existem normas, impostos e taxas demais enlouquecendo o contribuinte. Além disso, não há no horizonte um alívio desse peso e destas complicações que atormentam o contribuinte brasileiro. 

DORA KRAMER - Injusta causa


Injusta causa
DORA KRAMER

O ESTADO DE SÃO PAULO - 22/04/11

Em tese a criação do PSOL como produto de um racha no PT logo nos primeiros acordes do governo Lula, teria de ter provocado mais estridência. No entanto, a reacomodação da dissidência esquerdista foi até silenciosa se comparada ao barulho provocado pela anunciada fundação do PSD.
A ideia lançada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, na forma de bote salva-vidas aos interessados em escapar do naufrágio do DEM, tem causado agitação incomum em face da fragilidade dos partidos no Brasil.
Kassab nem formalizou a legenda e já motiva um corre-corre à Justiça de partidos que buscam garantir a posse dos mandatos dos dissidentes e/ou se organizam para tentar barrar o registro do PSD.
Um desses recursos pode realmente ser um debate importante em torno da norma estabelecida pelo Tribunal Superior Eleitoral há quatro anos, determinando que os mandatos eletivos pertencem aos partidos que podem reivindicá-los de volta se o eleito decidir trocar de legenda.
As exceções, reconhecidas como justas causas para mudanças, são as seguintes: quando o político eleito por um partido sofre perseguições internas, quando o partido altera sua orientação doutrinária original, quando há fusão entre duas legendas ou quando um novo partido é criado.
Este último ponto é alvo de uma ação direta de inconstitucionalidade que o presidente do PPS, deputado Roberto Freire, apresentou ao Supremo Tribunal Federal na semana passada.
Alega que o TSE "inventou" uma brecha que não pode ser entendida como justa causa, exatamente porque nesse caso o partido de origem não "deu uma causa" que justificasse a saída. No entanto, acaba punido com a perda dos mandatos.
"Um partido não pode ser punido porque simplesmente determinado filiado resolveu sair sem que tenha sofrido grave perseguição ou que tenha havido mudança programática essencial", argumenta Roberto Freire, para quem o TSE "legislou" e "exorbitou" ao criar aquela exceção.
E por que contestar só agora uma norma criada em março de 2007? Seria para fustigar Kassab e nada mais?
"Kassab pode criar 200 partidos e levar com ele quantos políticos quiser, só não pode é levar junto os mandatos porque é isso o que diz a lei. Se não, não é necessário mais haver norma de fidelidade porque a saída está dada: basta criar um partido e se institui de novo o troca-troca."
Ilusão à toa. Na atual conjuntura adversa, o DEM não está ganhando nem aposta. Em dezembro, Jorge Bornhausen jurava de pés juntos e para todos os santos que não havia a menor hipótese de o prefeito Gilberto Kassab deixar o partido. Dizia que o que se publicava a respeito eram especulações mentirosas.
Mês passado José Agripino Maia, presidente do DEM, assegurava que o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, era fidelíssimo correligionário. O governador está com um pé fora e outro também.
Barreira. A ideia de fusão do DEM ao PSDB tem defensores nos dois partidos, mas tem detratores também. Para estes o plano não tem chance de dar certo por causa de dificuldades regionais.
Algumas delas: na Bahia quem ficaria no comando, o tucano Jutahy Júnior ou Antonio Carlos Magalhães Neto? Em Goiás quem seria o dono da bola, Marconi Perilo ou Ronaldo Caiado (DEM)?
No Rio, Cesar Maia e o filho Rodrigo iriam querer comandar a banda, mas antes disso, porém, precisariam passar por cima dos cadáveres dos tucanos locais. E por aí vai a confusão Brasil afora. Paz mesmo só reinaria em Minas onde Aécio Neves é dono do DEM já há um bom tempo.
Tempo de Murici. Quase metade do secretariado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, é composta de deputados estaduais. Cada um por si, fazendo a política que mais convém às respectivas carreiras. 

FERNANDO DE BARROS E SILVA - Justiça parceira do crime


Justiça parceira do crime
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FOLHA DE SÃO PAULO - 22/04/11

SÃO PAULO - O atirador tinha duas armas, mas bastou uma para que consumasse o massacre dos estudantes em Realengo. Uma arma.
É isso o que é desviado por dia, em média, dos fóruns de Justiça pelo país. Foram roubadas pelo menos 3.266 armas de depósitos do Judiciário desde 2004, conforme reportagem na Folha de ontem. O número real certamente é maior porque em vários casos os tribunais registram o roubo, mas não detalham quantas desapareceram.
Não há instalações nem fiscalização adequadas para armas que ficam sob responsabilidade do Judiciário, como prova de um crime.
Em alguns lugares elas são acomodadas em caixas de sapato. Há relatos de estagiários de direito que viraram dublês de traficante, tamanha a facilidade do acesso aos locais das armas sob custódia.
É um descalabro que o Poder a quem cabe promover a justiça atue como fornecedor do mercado ilegal de armas e acabe parceiro do crime -por omissão, conivência ou participação direta de agentes públicos.
Isso tudo serve para evidenciar o que há de quimera e diversionismo na discussão a respeito de um novo plebiscito sobre a proibição de armas legais no país. A maioria infelizmente votou contra isso em 2005. Importamos na época, de forma postiça, o debate norte-americano, como se a liberdade individual estivesse sendo ameaçada. Colou. Os reacionários venceram.
Mas o Estatuto do Desarmamento, em vigência desde 2003, já representou enorme avanço ao restringir o registro, a posse e a comercialização de armas. O maior problema hoje não está na lei. Está no abismo entre ela e a realidade.
Um exemplo: um delegado disse à CPI das Armas, no Rio, que pelo menos 70% de 150 mil armas apreendidas pela polícia fluminense já poderiam ter sido destruídas por ordem da Justiça. E por que não são? Por inércia, por negligência, porque há gente interessada que não sejam para lucrar com sua sobrevida (e a morte de inocentes).

GOSTOSA

RUY CASTRO - O macaco tá certo


O macaco tá certo
RUY CASTRO

FOLHA DE SÃO PAULO - 22/04/11

RIO DE JANEIRO - Nesta terça-feira, o Tribunal de Justiça do Rio concedeu habeas corpus a 40 policiais civis e militares acusados de formação de quadrilha armada, peculato, corrupção passiva, comércio ilegal de armas de fogo, extorsão qualificada, associação com a milícia e outras atividades não regulamentares. Eles agora responderão a essas acusações em liberdade. Pior para a Operação Guilhotina, desfechada em fevereiro pela Polícia Federal para sanear o aparelho.
No mesmo dia, uma juíza, também do Rio, negou o pedido de prisão preventiva do pedreiro Luiz Carlos Oliveira, 50 anos, que confessou ter degolado, com um caco de garrafa, a universitária Mariana Gonçalves dos Santos, 21, dentro de uma escola em Campo Grande, no dia 7 de março. Em suas sentenças, lavradas em legalês arcaico, os juízes alegaram não ser necessário manter em prisão cautelar tanto os 40 policiais quanto o degolador.
Por coincidência, ainda nesse dia -um dia cheio-, e sempre no Rio, o Tribunal de Justiça negou o habeas corpus que permitiria ao chimpanzé Jimmy, 27 anos, se mudar do zoo de Niterói, onde vive numa jaula, para o Santuário dos Primatas, em Sorocaba (SP), onde seria mais feliz. O argumento foi o de que, embora compartilhe 99,4% do DNA humano, Jimmy não é gente, donde inabilitado para beneficiar-se de um habeas corpus.
Enquanto isto, o ex-médico Roger Abdelmassih, 67, condenado a 278 anos de prisão por estupro e violento atentado ao pudor contra 60 mulheres em sua clínica em São Paulo e, naturalmente, foragido, anuncia de alguma parte que sua mulher, de 32 anos, está grávida e que ele será pai de gêmeos.
Um antigo programa de TV de Jô Soares, "O Planeta dos Homens", tinha um bordão: "O macaco tá certo". Vide Jimmy. Interrompeu sua evolução na hora H para conservar o 0,6% de características que o distinguem dos humanos.

INFLAÇÃO DO PRÉ-SAL

CLAUDIO HUMBERTO



“Onde estão os políticos? Cadê a denúncia do mensalão do DEM?”
DEBORAH GUERNER DURANTE SEU JULGAMENTO PELOS COLEGAS NO CONSELHO NACIONAL DO MP

ANP CONSTATA CARTELIZAÇÃO DE PREÇOS NO DF
A Agência Nacional do Petróleo concluiu estudos, aos quais esta coluna teve acesso, constatando a prática de cartelização dos preços dos combustíveis no Distrito Federal. O levantamento da ANP foi realizado a pedido do ministro Edison Lobão (Minas e Energia), que, residente em Brasília, conhece bem a história da exploração do cartel que controla e determina os preços dos combustíveis na Capital. 

DESPISTE GROSSEIRO 
A ANP verificou a prática criminosa de cartel, no máximo com diferenças mínimas de R$ 0,001, para tentar disfarça a cartelização. 

AUMENTO SÚBITOS 
Fiscais da ANP constataram aumentos bruscos no DF, ao contrário dos demais estados, onde os reajustes são paulatinos e justificados.

SEM SENTIDO 
Na capital, os combustíveis chegam a custar oitenta centavos por litro mais baratos que nos postos de municípios goianos do Entorno do DF.

AGORA É COM O CADE 
O estudo da ANP será entregue segunda-feira (25) ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça.

PT ACUSADO DE “APARELHAR” 20 MIL CARGOS NA ECT 
Técnicos de carreira da Empresa de Correios e Telégrafos revelam que está em curso um silencioso aparelhamento da estatal por militantes do PT, ocupando mais de mais de 20.000 postos de chefia, do nível estratégico ao tático-operacional. Para facilitar isso, o diretor Nelson Luiz de Oliveira Freitas, considerado o presidente da fato da ECT, reduziu os requisitos para cargos de chefia, em todos os níveis.

FUNDO DO POÇO 
Agora, nos Correios, quase não são exigidas formação e experiência para ocupar cargos de chefia; basta ser filiado ou apadrinhado do PT.

HI-TECH 
Empolgado com a possível fabricação de iPads no Brasil, Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) largou o Twitter desde 4 de janeiro. 

PERGUNTA ANIMAL 
O TJ-RJ se negou a libertar um chimpanzé do zoo porque animal não pode ter habeas-corpus. Vale o mesmo para o ex-jogador Edmundo?

JOGADA 
O líder do PT, Paulo Teixeira (PT), fala sozinho quando tenta impedir a aprovação do novo Código Florestal. O Planalto percebeu que ele apenas deseja negociar a indicação do irmão, Vicente Teixeira, para uma vaga aberta da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

TIME FOR FUN 
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, ausente no enterro das vítimas de Realengo por “problemas de saúde”, foi flagrado no show do U2, em São Paulo, pela blogueira Vivi Mascaro, do portal IG.

CORTESIA PALACIANA 
O presidente do PPS, Roberto Freire, recebeu telefonema do Planalto cumprimentando-o pelo aniversário, quarta (20). Socialista e ateu, quase recusava os votos de “Boa Páscoa”, mas preferiu agradecer.

SEM SAÍDA 
Até prêmio Nobel sofre na urna: o peruano Mario Vargas Llosa anunciou que votará em Ollanta Umala para presidente, dia 5 de junho. “Sem alegria”, disse, “mas porque prometeu ser igual a Lula”. 

FALA QUE NÃO ESCUTO 
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, garantiu o fim do evento, em 2010, mas o Aterro do Flamengo, área tombada, será de novo invadido por multidão neste sábado, para culto da Igreja Mundial do Poder de Deus. 

PARAFUSETA 
O brasileiro Mateus Ribeiro da Costa pegou 30 meses de cadeia e terá que pagar US$ 1 milhão por fraude na empresa automobilística Magnetti Marelli, nos EUA: a grana foi investida em imóveis no Brasil. 

OS OSSOS DO BARÃO 
Virou bagunça: o ministro Pedro Novais (Turismo), que pagou motel com dinheiro da Câmara, foi medalhado por Dilma com a Grã Cruz de Rio Branco, que a ex-ministra Erenice Guerra ganhou, em 2010. 

ENGANA QUE ELES GOSTAM 
O primeiro-ministro da Ucrânia, Mykola Azarov, anunciou que até 2014 construirá com o Brasil base de lançamento de foguetes em Alcântara (MA), rachando meio a meio as despesas. Os parentes dos 21 civis mortos na base em 2003 ganharam só R$ 100 mil de indenização. 

BRASIL SEM JEITO 
O Ministério da Justiça abriu 2.500 vagas para o tratamento dos chamados “dependentes químicos”. Incluem viciados em caninha 51? 

PODER SEM PUDOR
PROMOÇÃO INSTANTÂNEA 
Raposa política, José Maria Alckimin sempre se saía de situações de “saia justa”. Certa vez, solícito, recebeu um militar em audiência:
– Tenha a bondade, major.
– Não sou major, dr. Alckimin, sou apenas um capitão.
O político mineiro não se fez de rogado:
– Para mim, é major, na promoção de minha amizade...

SEXTA NOS JORNAIS

Globo: Multas por sonegar imposto podem chegar a R$ 100 bi
Folha: 'Maquiagem' de produtos crescem junto com Inflação
Estadão: Dilma enquadra agências reguladoras
Correio: Comer... Rezar... Amar...
Zero Hora: Feriadão de Páscoa 2011. Por que as estradas pararam
- Estado de Minas: Calvário nas estradas