sexta-feira, março 25, 2011

JOÃO MELLÃO NETO

Carta a um desempregado
JOÃO MELLÃO NETO
O Estado de S.Paulo 25/03/11

Caro cidadão Luiz da Silva, como você está se sentindo agora que retornou à planície? Na verdade, apenas trocou de Planalto - para o Paulista. É duro ficar ocioso. Permanecer em casa o dia inteiro é uma coisa enfadonha. Ainda mais quando não se tem o hábito da leitura.

A sua mulher não deve estar gostando nem um pouco dessa situação. A presença constante dos maridos no lar, como se sabe, perturba o andamento das lides domésticas.

Problemas financeiros, ao que parece, você não tem. Como é sabido, os seus antigos amigos - com grande desprendimento - cuidam de lhe prover de tudo. Mas haja tédio. Além da insegurança quanto ao futuro, essa condição abala a autoestima das pessoas.

Quase todos os governantes, enquanto estão no comando, acreditam que vão tirar de letra. E quando seus mandatos terminam caem em depressão.

São poucos os que o visitam na sua casa e são raros os que ainda lhe telefonam.

E se, de repente, você ouvir ruídos na porta?

Não se preocupe. São apenas folhas secas levadas pelo vento.

Por que você não telefona para a nova intendente? Ela, por enquanto, ainda vai atendê-lo. Anotará, atenciosamente, as suas recomendações e depois fará tudo diferente. Não fique aborrecido. Já está muito bom. Pior vai ser quando ela trocar os telefones e não lhe comunicar os novos números.

"A companheira tem muito que fazer", deduzirá você. Procurará, então, deixar um recado com a secretária dela. Impossível. Virá à linha uma assessora, com voz impessoal para lhe dizer que, no momento, a secretária da chefa não pode atender.

"Por quê?"

"Ela está "em reunião". Daria para o senhor adiantar o assunto?"

"O que é isso, companheira?! Aqui quem está falando é o ex-presidente!"

"Qual deles? Tem tantos..."

"Eu, é claro!"

"Ah! Eu acho que estou reconhecendo a sua voz. "Você" não é aquele senhor sexagenário que desceu a rampa no dia do réveillon?"

"Sou! Veja aí, no caderno de "autoridades" que deve estar em sua mesa!"

"Não vai dar, não. A agenda que tem aqui é antiga, do ano passado."

"Então eu vou pessoalmente até aí, amanhã!"

"Pode vir. O problema é que a porta que dá para a rampa fica trancada durante a semana. Venha no domingo, que fica aberto para visitação."

Você, enraivecido, desliga o telefone. Vai abordar a "companheira-em-chefe" em alguma cerimônia pública. Isso se os seguranças dela permitirem.

Por falar nisso, cidadão, por que você faltou ao almoço em homenagem àqueles americanos que estavam aqui, em férias? Sua ausência não pegou bem. Deu a impressão de que não gosta dos gringos. Ou, então, que não vai a festas em que os holofotes não estejam sobre você.

Todos os seus antigos colegas foram. E olhe que muitos deles, apesar de aposentados, ainda estão na ativa. Ficou feio para você.

Mudando de assunto, você pretende voltar ao serviço? Eu estou lhe perguntando isso porque, se você tem essa intenção, o grande problema é que a senhora sua sucessora vai querer renovar o contrato. E nesse cargo só cabe um.

Em outras palavras, o que acontece é o seguinte: para você se dar bem ela tem de se dar mal. E vice-versa. Entendeu agora por que ela não segue os seus conselhos?

A gente não tem ainda uma imagem clara de como será a sua gestão. Ela tem aparecido pouco, mas dizem que é competente. Ou seja, o contrário de você.

Ao menos para o paladar da "zelite", ela é muito melhor do que você e a sua "companheirada". A "zelite" somos todos nós que lemos jornais. Eu daria a isso outro nome: opinião pública bem informada.

Bem, para que a gente não brigue, vamos falar de outras coisas. O que é que você pretende fazer da vida, por enquanto?

Pelo que corre por aí, ora você pretende montar um instituto, ora você se oferece para atuar em algum órgão internacional. Você mesmo já declarou que pretende passar o ano inteiro percorrendo o Brasil para provar que nunca houve corrupção na sua gestão.

Já ouvi também que o seu "sonho de consumo" é ser eleito secretário-geral da Organização das Nações Unidas. O pessoal de lá, diplomaticamente, já mandou avisar a você que não vai dar. O titular desse cargo - alegam eles - é eleito pelo critério de rodízio entre os continentes. A nossa vez já passou.

Como isso não será possível, fala-se por aí que você aceitaria um posto menor: iria morar em Roma e trabalhar na Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

A ideia, nesse caso, seria a de levar aos desvalidos do mundo - principalmente da África - a sua tecnologia de "combate à fome". Por acaso você pretende ressuscitar o finado Fome Zero? Ou vai propor a eles algum tipo de Bolsa-Família? Cuidado para não ser acusado de plágio. Ao que eu saiba, não foi você que criou. Você apenas pegou alguns programas que já existiam e tratou de juntá-los em um só.

Aliás, por falar nisso, onde é que anda o Amorim? Alguém falou que ele iria trabalhar com você no "instituto". E também ouvi que ele está ainda indeciso entre outras três propostas internacionais de emprego: da Bolívia, da Venezuela e do Irã.

Outro dia pude ler aqui, no jornal, uma justificativa sua por não ter comparecido ao banquete de Brasília: você não queria ofuscar a sua sucessora.

Você ainda não entendeu que fora do poder - e não sendo mais novidade - aquilo que faz não é mais notícia.

Como dizem os árabes, "uma mosca escura, numa mesa escura, numa noite escura: somente Deus a vê".

Cidadão Luiz Inácio, é melhor você aprender a rezar.

GOSTOSA

GEORGE SOROS

Europa redividida?
GEORGE SOROS

FOLHA DE SÃO PAULO - 25/03/11 

A CHAMADA crise do euro em geral vem sendo vista exclusivamente como cambial, mas constitui também uma crise de dívida soberana -e acima de tudo uma crise bancária.
A Europa enfrenta não só uma crise econômica e financeira como também uma crise política. Os países-membros da zona do euro adotaram políticas econômicas divergentes, que refletem posições individuais, e não os verdadeiros interesses nacionais -um choque de percepções que traz em si a semente de um sério conflito político.
A solução que a Europa está a ponto de adotar será ditada pela Alemanha, cujo crédito soberano é necessário para qualquer solução. Mas isso desconsidera a forte responsabilidade alemã pela crise cambial e bancária em curso, se não pela crise de dívida soberana.
A Alemanha atribui a responsabilidade pela crise a países que perderam competitividade e acumularam dívidas excessivas. Consequentemente, a Alemanha quer que todo o peso dos ajustes recaia sobre os países devedores. Mas isso desconsidera sua parcela de culpa.
Quando o euro foi introduzido, a expectativa era que produzisse convergência entre as moedas da zona do euro. Mas na verdade a moeda unificada criou divergência.
O Banco Central Europeu (BCE) tratava os títulos de dívida de todos os países-membros como desprovidos de riscos. Isso induziu os bancos que têm obrigação de manter ativos de risco zero como parte de suas reservas de capital a faturar algumas frações de ponto percentual a mais ao adquirir proporção exagerada de títulos de dívida soberana de países mais fracos.
Isso reduziu as taxas de juros dos países do chamado grupo Piigs (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) e ajudou a inflar bolhas em seus setores habitacionais, em um momento em que os custos da reunificação estavam levando a Alemanha a apertar o cinto.
Isso causou tanto a divergência na competitividade como a crise bancária na Europa, na qual os bancos alemães foram mais prejudicados que os de outros países.
Na verdade, a Alemanha vem resgatando os países pesadamente endividados como forma de proteger seu sistema bancário.
Existe algo de incoerente em resgatar o sistema bancário agora e mais tarde forçar os detentores de títulos de dívida soberana a assumir parte dos riscos, pela introdução de cláusulas de ação coletiva.
Além disso, os requisitos de competitividade exigidos pela Alemanha serão impostos em situação de desequilíbrio, o que colocará os países deficitários em posição insustentável, que pode até derrubar a Espanha, país que começou a crise do euro com dívidas inferiores às da Alemanha, em proporção ao PIB.
Como resultado, a União Europeia sofrerá algo pior que uma década perdida; passará por uma divergência crônica na qual os países superavitários dispararão e os deficitários ficarão para trás devido ao peso das dívidas acumuladas.
A Alemanha está impondo esses arranjos sob severa pressão interna, mas o público alemão não sabe a verdade e, portanto, está confuso.
Duas modificações fundamentais são necessárias. Primeiro, o Sistema Europeu de Estabilização Financeira deve servir também para resgates a bancos, e não só aos países. Isso permitiria que as dívidas soberanas fossem reestruturadas sem precipitar uma crise bancária.
Segundo, para reequilibrar o jogo, o ágio por risco que os países devedores e respeitadores das regras teriam de pagar em sua captação precisa ser removido.
Os países teriam de emitir papéis nacionais com cláusulas de ação coletiva, e pagariam o ágio por risco apenas sobre as somas superiores ao limite para a dívida pública (60% do PIB) estabelecido no Tratado de Maastricht.
A perspectiva de uma Europa de dupla velocidade vai solapar a coesão -e, com ela, a capacidade para agir em uníssono, quando necessário. É por isso que a necessidade do próximo passo na integração europeia precisa ser reconhecida claramente no momento da implementação do mecanismo de solução de crises da União Europeia.
De outra forma, os países deficitários não terão esperança de escapar de suas atuais dificuldades, por mais que trabalhem. 

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Momento oportuno
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/03/11

O Planalto trabalhou para que a saída de Maria Fernanda Ramos Coelho da presidência da Caixa fosse anunciada de forma "casada" com o seu reposicionamento no BID, numa tentativa de desvincular a medida do mau negócio com o banco Panamericano.
Apesar de seu substituto, Jorge Hereda, receber o aval do comando petista, as mudanças preocupam especialmente a ala "congressista" do partido. Carlos Borges e Clarice Coppetti, dois vice-presidentes ligados a deputados e senadores do PT, deixaram seus cargos para dar lugar a nomes da estrutura "corporativa", apoiados pelo ministro Guido Mantega, num momento em que o PMDB reforça sua presença na Caixa, com a chegada de Geddel Vieira Lima.
Troca Para aplacar a reação de petistas, Clarice Coppetti poderá ser nomeada vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa.

Qualificação 
Diretores do BC compareceram ontem em peso à posse de Gustavo do Vale na Infraero. Vale, que foi diretor do banco, brincou: "Tem até quórum para reunião do Copom".

A mulher... 
Em audiência anteontem com executivos de empresas de telefonia, Dilma Rousseff discutia tendências de mercado quando alguém lhe perguntou se já havia aderido ao "tablet". A presidente respondeu que, por enquanto, só para ler, e que estava impressionada com a rapidez de sua adaptação à nova plataforma.

...que calculava
"Estou ajudando a enriquecer o Jeff Bezos", brincou Dilma, referindo-se aos "e-books" baixados do site da Amazon. Por fim, ela se lembrou de outro uso que faz do "tablet": "À noite, para jogar Sudoku".

Máxima 
O voto do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU, ontem, favorável ao envio de relator especial ao Irã para investigar violações cometidas pelo governo Ahmadinejad evoca frase que o chanceler Patriota gosta de repetir, quando instado a comparar a política externa sob Lula e Dilma: "Continuar não é repetir".

Recolocação 
O ex-governador Orlando Pessutti (PMDB-PR), cotado para a diretoria de bancos estatais, pode ir para a Conab.

Marca 
A senadora Marta Suplicy (PT) obteve sinal verde do ministro Fernando Haddad (Educação) para prospectar áreas na Grande SP onde podem ser construídas unidades inspiradas no conceito dos CEUs. A ideia é usar verba de programas federais, como o Proinfância.

Radar 
O grupo de Geraldo Alckmin identificou aliados de Rodrigo Garcia, candidato a herdar o DEM-SP, recrutando adeptos para o PSD de Gilberto Kassab na região de São José do Rio Preto, reduto do deputado.

Revisão
A Prefeitura de SP suspendeu a licitação para contratar empresa de assessoria de comunicação por seis meses alegando "inúmeros questionamentos" ao edital. Os envelopes seriam abertos em 1º de abril.

Visitas à Folha 

Giovanni Cerri, secretário da Saúde do Estado de São Paulo, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Ricardo Liguori e Vanderlei França, assessores de imprensa.

João Grandino Rodas, reitor da USP, visitou ontem a Folha. Estava com Helio Nogueira da Cruz, vice-reitor, Telma Maria Tenório Zorn, pró-reitora de Graduação, Vahan Agopyan, pró-reitor de Pós-Graduação, Marco Antonio Zago, pró-reitor de Pesquisa, Maria Arminda do Nascimento Arruda, pró-reitora de Cultura e Extensão, Alberto Carlos Amadio, chefe de gabinete, e Adriana Cruz, assessora de imprensa.
com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"Em vez de discutirmos as usinas de Angra, usamos a receita dos outros partidos: uma briga interna que drena nossas energias."
DO EX-SECRETÁRIO DO MEIO AMBIENTE DE SP FÁBIO FELDMANN, criticando a disputa pelo comando do PV, dividido entre os grupos da ex-senadora Marina Silva e do presidente nacional da sigla, José Luiz Penna.

contraponto

Cadê?


Depois de recolher 28 das 32 assinaturas necessárias para abrir a CPI dos Radares, o deputado Hamilton Pereira (PT) se deu conta, ontem, de que havia perdido o requerimento no plenário da Assembleia paulista.
-Sumiu! Vou ter de começar tudo de novo!
Lembrando que vários colegas retiraram os nomes das listas de pedidos de investigação sob pressão do governo, o também petista Simão Pedro sugeriu:
-Faça um boletim de ocorrência. Pelo visto, não são apenas as assinaturas que estão sumindo...

DILMA CABEÇA OCA

MERVAL PEREIRA

Pela moralidade
MERVAL PEREIRA

O GLOBO - 25/03/11 

O ministro Luiz Fux vai ter muito trabalho para se livrar da pecha de ser o responsável pela sobrevida política de tipos como Jader Barbalho, que retornou do limbo em que se encontrava devido ao voto de desempate contra a adoção da Lei da Ficha Limpa já para as eleições do ano passado.
Evidentemente, trata-se de uma matéria polêmica, a ponto de ter perdurado um empate na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que a lei, por ter sido aprovada antes das convenções, não provocou mudanças no processo eleitoral, não sendo necessário, portanto, esperar um ano para aplicá-la, como manda a Constituição em casos de mudanças de regras eleitorais.
A maioria dos juízes do Supremo decidiu ao contrário, mesmo que eles tenham elogiado o espírito da lei. A base comum dos votos contra a aplicação imediata foi o artigo 16 da Constituição, que impede a aplicação de novas regras eleitorais a menos de um ano antes da votação, para não afetar a "segurança jurídica" de candidatos e eleitores, que o ministro Gilmar Mendes classificou de cláusula pétrea da democracia.
O presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, argumentou que o princípio da anualidade não precisa ser observado porque a nova lei não alterou a igualdade na disputa. "Não se verificou alteração da chamada paridade de armas. Todos os candidatos de todos os partidos estavam exatamente na mesma situação antes do registro, antes das convenções partidárias".
Também a ministra Cármem Lúcia defendeu que o processo eleitoral começa com as convenções, quando as candidaturas são formalizadas. Portanto, as novas regras de inelegibilidade não teriam afetado diretamente os concorrentes. "Não vejo quebra das condições de igualdade", disse.
Ao analisar a questão da anterioridade da lei eleitoral, prevista no artigo 16 da Constituição Federal, o Tribunal Superior Eleitoral já decidira que a criação, por lei complementar, de novas causas de inelegibilidade não se enquadra nela, pois a Lei da Ficha Limpa não rompe a igualdade das condições de disputa entre os contendores e também não é uma decisão retroativa, pois simplesmente inclui novas exigências para que todos os candidatos sejam registrados.
A lei ficaria caracterizada como retroativa se, por exemplo, um deputado já eleito perdesse o mandato por estar enquadrado nela, mas esse não era o espírito da legislação aprovada no Congresso.
O que se aprovou não é uma mudança na legislação atual, mas novas exigências para o acesso à legenda partidária para concorrer às eleições.
Apenas os novos candidatos, mesmo que desejando a reeleição, encontraram pela frente novas exigências, além daquelas a que estavam acostumados.
O espírito da lei tem base na seguinte pergunta: por que uma pessoa é impedida de fazer concurso público se tiver antecedentes criminais de alguma espécie, mesmo sem trânsito em julgado, e pode se candidatar e assumir um mandato eletivo? Para além da discussão técnica sobre prazos para a aplicação da lei, os cinco juízes que votaram pela sua imediata vigência utilizaram o princípio da moralidade que deve reger o serviço público, previsto na Constituição, e é aí que se encontra a chave para o entendimento do que significou o julgamento de quarta-feira.
Se não bastasse representar um avanço democrático fundamental, por ter nascido de uma petição pública com milhões de assinaturas, a Lei da Ficha Limpa teve uma qualidade suplementar, a de ultrapassar a exigência do "trânsito em julgado" dos processos, prevista na lei complementar das inelegibilidades e que protegia os candidatos infratores eternamente, na miríade de recursos que a lei brasileira permite.
Desde 2006, há um consenso entre os presidentes de Tribunais Regionais Eleitorais de todo o país, de fazer prevalecer a interpretação que não se pode deferir registro de candidatura quando existe prova de vida pregressa que atenta contra os princípios constitucionais.
E sempre esse princípio era derrubado pelo Tribunal Superior Eleitoral por uma margem mínima. O ministro Carlos Ayres Britto foi um dos derrotados em julgamentos no TSE, e no de quarta-feira reafirmou seu ponto de vista que "o cidadão tem o direito de escolher, para a formação dos quadros estatais, candidatos de vida pregressa retilínea", ressaltando a importância do artigo 14 da Constituição Federal, que prega a moralidade na vida pública.
Vitoriosa a tese que a lei vale para ser aplicada na próxima eleição, temos vários casos de políticos que se elegeram em 2010 e de antemão não poderão concorrer à reeleição em 2014. Estarão exercendo um mandato já com a definição de que são fichas-sujas, o que torna a decisão do Supremo uma incongruência em si mesma.
"A Constituição diz que pode ser corrupto em 2010 e não pode em 2012?", questionou a senadora Marinor Britto (PSOL) pelo Twitter, que perderá o mandato para Jader Barbalho no Pará.
A alegação levantada pelo ministro Luiz Fux de que é preciso garantir estabilidade às regras eleitorais para impedir que governantes alterem a lei para se manterem eternamente no poder, como faziam no período militar, foi rebatida pelos ministros que colocaram a moralidade pública acima dessa tecnicalidade constitucional.
Além do mais, o que se busca com a lei não é a manutenção do poder, e sim a moralização da vida pública. Ao contrário, a decisão do Supremo permitiu que figuras políticas deletérias ganhassem uma sobrevida política no poder. 

FERNANDO DE BARROS E SILVA

Marina na floresta
FERNANDO DE BARROS E SILVA
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/03/11

SÃO PAULO - Escancarou-se a disputa pelo comando e pelos rumos do PV. De um lado estão José Luiz Penna, presidente dos "verdes", e o deputado Zequinha Sarney (MA), do mainstream partidário; do outro, os "marineiros", representados pela voz do deputado Alfredo Sirkis, presidente do PV no Rio.
A briga explodiu depois que Penna manobrou internamente e aprovou a prorrogação de seu mandato por mais um ano, frustrando a expectativa de que haveria renovação da direção verde ainda em 2011.
Era uma crise anunciada. Marina fez com o PV um casamento de conveniência. A um partido sem expressão, vinha a calhar a candidata negra e de origem pobre, cuja trajetória pública se confundia com a pauta ambiental e a bandeira do desenvolvimento sustentável. Marina teve quase 20 milhões de votos. Acumulou respeitabilidade. Mas não engordou a bancada verde.
Marina tomou Doril depois da eleição. Ela e seu grupo agora buscam respaldo na mídia e na opinião pública, que lhes são simpáticas, porque no front interno levaram uma rasteira. Quem manda no cartório verde é Penna e sua turma.
No cargo desde 1999, esse tipo meio "hipponga", que mais lembra um remanescente de Arembepe, fala menos na língua peace & love do que no idioma dos negócios. Importa ao PV de Penna estar com Kassab em São Paulo, com Alckmin no Estado e com Dilma no plano federal. O PV é o Partido da Voltinha, sempre de olho no próximo cliente.
Entre os "marineiros" circula até a versão de que Penna estaria agindo em nome de interesses maiores, sobretudo do petismo, empenhado em desarticular o legado eleitoral de Marina. Parece uma tese típica da esquerda, um tanto paranoica.
Marina é uma reserva de energia limpa no PV. Mas precisaria também produzir alguma combustão política. Ela transmite a incômoda sensação de estar sempre num pedestal -além e acima das disputas. Sem descer da árvore para brigar, vai acabar eleita rainha da floresta.

GOSTOSA

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

Grupo brasileiro investe R$ 600 milhões em 2011
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/03/11

Com negócios em áreas como construção, mineração e saúde, o brasileiro Colleman Group pretende investir R$ 600 milhões neste ano.
Os recursos serão destinados a alguns de seus próprios negócios e a aquisições em outros setores.
O braço de engenharia do grupo receberá R$ 300 milhões, que serão injetados em projetos do programa "Minha Casa, Minha Vida", em que a empresa atua.
"A maior parte das construtoras não trabalha na faixa de zero a três salários mínimos. É onde queremos investir", diz o presidente Jailson Martins de Almeida.
Os terrenos para construções voltadas a este perfil de renda são muito específicos, segundo Almeida. Devem ser planos, para reduzir o custo.
Aproximadamente R$ 250 milhões serão destinados à capitalização de fundos de investimento para a compra de empresas.
Foram adquiridos helicópteros para prestar serviço de transporte para empresas petrolíferas. Neste segmento está prevista a compra de mais equipamentos, de acordo com Almeida.
O restante do recurso será distribuído entre a companhia de serviços odontológicos Dentall Prime e a frota da American Rent a Car, de locação de veículos.
A holding, que controla a operação de 40 empresas, especialmente do setor de serviços, estuda negócios na área de educação para um futuro investimento.

Setor de óleo e gás é o que mais atrai estrangeiros

O número de executivos estrangeiros interessados em trabalhar no Brasil continua a crescer.
Apenas no setor de óleo e gás, a estrela do momento, o envio de currículos do exterior aumentou 38% de janeiro até ontem, em relação ao primeiro trimestre de 2010, segundo a Michael Page, empresa global de seleção de executivos de média e alta gerência.
"As contratações subiram 20%", diz o diretor-geral do Brasil, Paulo Pontes. "O Brasil está entre os países que pagam melhor. No mercado financeiro, as remunerações aqui estão no patamar das de Londres e Nova York."
A grande demanda interna por executivos é que pressiona os salários para cima.
A Michael Page recebe cerca de 200 currículos de fora por mês. O Rio de Janeiro fica com a maior parte, cerca de 60%, enquanto São Paulo recebe 40%.
A consultoria especializada em recrutamento Fesa, por sua vez, registra aumento da procura desde a crise de 2008, quando recebia dois currículos de estrangeiros por dia. Hoje, a média é de dez (10% do total).
"O crescimento econômico brasileiro e o espaço no mercado devido à falta de profissionais qualificados atraem candidatos", diz o diretor da consultoria, Carlos Guilherme Nosé.

No vermelho 
O total de famílias endividadas na região metropolitana de São Paulo caiu um ponto percentual de fevereiro para março -passou de 54% para 53%, segundo a Fecomercio. O número de famílias nessa situação é de 1,89 milhão.

Brasil... 
A trajetória do país no cenário global será discutida em um encontro promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais e pelo instituto inglês Chatham House no dia 7 de abril no Copacabana Palace.

...no mundo 
O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, o diretor da Comissão Europeia Jean-Claude Thébault e os ministros brasileiros Antonio Patriota (Relações Exteriores) e Nelson Jobim (Defesa) confirmaram presença.

Bagagem 
A indústria de turismo será discutida no Fórum Panrotas - Tendências do Turismo 2011. Na segunda-feira, o evento reúne os ministros da pasta do Brasil, Pedro Novais, e de Portugal, Bernardo Trindade.

Natural 
A Beraca, empresa que fornece extrato de frutos da Amazônia para L'Occitane, patrocina fórum, na próxima semana, sobre a indústria de cosméticos em Milão.

Tour 

A agência B360, que faz parte do grupo STB, vai disponibilizar dez novos programas de viagem a partir do dia 6 de abril. Entre as novidades estão um spa na Índia, um roteiro de compras na França e outro pelos principais museus do mundo.

Internacional 
A Confenar (confederação nacional das revendas Ambev e das empresas de distribuição) participa, no próximo domingo, 27, com a NBWA (associação americana dos distribuidores de bebida), da reunião que definirá a pauta do setor para este ano de 2011 nos EUA.

Imagem 

Fábio Barbosa, presidente do Conselho de Administração do Banco Santander no Brasil, o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, e Mozart Neves Ramos, conselheiro da organização Todos pela Educação, discutem a imagem que os brasileiros têm de si, em SP, no dia 29.

Vitrine A marca de moda Thelure inicia expansão neste ano, com investimento de R$ 6 milhões. Acaba de se instalar em Ribeirão Preto e se prepara para abrir no shopping Iguatemi. Há previsão de inaugurar, até agosto, mais quatro franquias.

SOBE E DESCE
A LGTECH fechou acordo para fornecer 92 elevadores para a PDG, empresa do setor de construção. O valor total do negócio será de cerca de R$ 8 milhões, segundo o presidente da fabricante de elevadores, Lauro Galdino. A empresa abrirá unidades em ao menos dois Estados brasileiros nos próximos quatro meses: no Paraná, em maio, e na região Nordeste, em julho. "Estamos estudando se o melhor local é no Ceará, em Pernambuco ou na Bahia", diz Galdino. As filiais serão escritórios para vender, instalar e facilitar a manutenção permanente dos elevadores. A LGTECH, que começou a comercializar seus produtos em 2009, espera fechar negócios com empresas de outros países até o final do ano para iniciar seu processo de internacionalização. "Começaremos com Argentina, Chile ou México."

DE SOMBREIRO

Os brasileiros foram os turistas que mais aumentaram seus gastos com cartão de crédito no México em 2010, na comparação com o ano anterior, de acordo com pesquisa realizada pela Visa.
O crescimento foi de 85%, o que elevou os gastos de brasileiros no país para US$ 54,5 milhões no ano passado.
Os norte-americanos foram os responsáveis pelo valor mais alto gasto no México com cartão de crédito no período: US$ 3,1 bilhões ou 7% a mais que em 2009.
Em segundo lugar ficaram os canadenses, com US$ 538 milhões e crescimento de 21%, segundo a Visa.
Os cartões de crédito de turistas clientes da empresa movimentaram US$ 4,4 bilhões no México em 2010, aumento de 12% ante 2009.
com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e VITOR SION

WASHINGTON NOVAES

As utopias do Xingu nos seus 50 anos
WASHINGTON NOVAES
O Estado de S.Paulo - 25/03/11

Começa a tomar corpo em áreas da comunidade científica, do jornalismo, das artes, do Judiciário, além de organizações não governamentais, um projeto de levar à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) uma proposta de reconhecer o Parque Indígena do Xingu, que está completando 50 anos, como patrimônio histórico, cultural e ambiental da humanidade. Nada mais justo e necessário para essa área de 2,6 milhões de hectares (26 mil quilômetros quadrados), criada no governo Jânio Quadros, em 1961, por proposta dos irmãos Villas-Bôas, onde vivem 16 etnias e há vestígios documentados de ocupações e culturas há mais de mil anos. Mas essa grande ilha de conservação ambiental e cultural, em Mato Grosso, corre riscos muito graves, por estar no meio de um território devastado pelo desmatamento e pelo avanço das culturas de grãos e da pecuária.

A proposta tem apoio explícito, entre muitas figuras, do ex-ministro Gilberto Gil, do artista plástico Siron Franco, do ex-presidente da Funai Márcio Santilli (que já coordenou pelo Instituto Socioambiental o projeto Ikatu, de iniciativas para proteger as bordas do parque). Muita gente. Mas está esbarrando num ponto crucial: para ser examinada e aprovada pela Unesco a proposta precisa ser encabeçada pelo governo federal. E algumas áreas do governo resistem, por entenderem que o reconhecimento implicaria "restrições à soberania nacional", já que implicaria obrigações em relação ao parque e proibição de certas atividades que possam ameaçá-la (por isso não há no Brasil nenhuma terra indígena demarcada protegida pela Unesco).

É o mesmo caminho que, em 2002, impediu, por exemplo, que se construísse um capítulo sobre clima e meio ambiente na Agenda 21 nacional. Na ocasião, o representante do Itamaraty na comissão da Agenda declarou ali, explicitamente, que esse tema era "privativo do Itamaraty e da área de segurança nacional, porque implica restrições à soberania nacional". Em 2003, apresentada de novo a proposta à comissão da Agenda 21 e por ela aprovada, foi novamente esquecida.

É pena. Porque, à medida em que avança o cerco da produção sobre o Xingu, cresce o risco de transformação dessas culturas. Os jovens, até por causa do contato frequente com pessoas de fora do parque, e com ajuda da educação bilíngue (português e língua originária), que lhes permite assistir à televisão, querem todos os objetos e modos da cultura branca. Não querem ser pajés - e sem estes se esvaem os fundamentos de uma cultura toda regida por espíritos, que traduz seu respeito a essas entidades em cantos e danças, pinturas e adornos corporais; e todo um modo de viver.

Como já registraram tantos antropólogos, são culturas em que não há delegação de poder, em que o chefe não dá ordens - ele é o mais informado, o que melhor conhece a história de seu povo, sua divisão do trabalho; é o grande mediador de conflitos, o que fala melhor, o que mais sofre; mas não dá ordens. E cada indivíduo na aldeia é autossuficiente, sabe fazer tudo o que precisa para sobreviver, sua casa, sua lavoura, seus objetos úteis e de adorno, sabe caçar e pescar, não depende de ninguém para nada. E ali a informação é aberta, o que um sabe todos podem saber. Então, sem delegação de poder não pode haver repressão organizada, dominação de um indivíduo ou um grupo por outro indivíduo ou outro grupo - ainda mais quando são todos autossuficientes e igualmente informados. E esses indivíduos ainda são capazes de identificar na natureza o que lhes pode ser útil. Por isso é importante para eles preservar o seu entorno, não sobrecarregá-lo: sempre que uma aldeia atinge algumas centenas de moradores, ela se divide e uma parte deles implanta, longe, um novo aglomerado. Muita sabedoria, muitos luxos.

A sofisticação pode ir ainda mais longe, como gostava de contar Orlando Villas-Bôas, que ali viveu durante décadas e falava com admiração de certos ângulos da relação homem-mulher. Os casais são livres para se juntar e separar, só depende deles, não há reprovação social. Mas se um homem não estiver satisfeito com sua mulher - porque ela, por exemplo, não está trazendo para casa água limpa, o que é tarefa da mulher na divisão tradicional do trabalho ali -, ele não vai sequer se queixar à mulher; porque ela trará água se quiser, e não por direito do homem; e a queixa implicaria reconhecer um direito masculino - que não existe. O máximo que o homem poderá fazer é contar aos homens mais velhos. Que reunirão todos os homens e todas as mulheres e explicarão como se deu a divisão de trabalho entre eles, porque tais tarefas couberam aos homens, porque outras couberam às mulheres. E a mulher que não traz água, "se quiser, enfia a carapuça", dizia Orlando, "se não quiser, não enfia, separa-se, faz o que quiser". Sem recriminação social. Muito sofisticado.

É de utopias como as do Xingu que a nossa cultura se afastou e precisa cada vez mais ouvir os sinais - de uma sociedade tão consciente de seus direitos e deveres que não precisa receber ordens; de uma sociedade em que os indivíduos são autossuficientes, não dependem de ninguém e são capazes de conservar o seu entorno; de uma sociedade com a informação aberta, na qual o que um sabe todos podem saber. Não voltaremos a ser índios, até porque não temos competência para tanto, mas podemos aprender com eles. "Homem e natureza são casados. É o único matrimônio indissolúvel que conheço. Dissolvido este casamento, o homem tomba num exílio feito de poeira amarga e estéril", escreveu o saudoso psicanalista Hélio Pellegrino num livro de homenagem ao médico Noel Nutels, que dedicou sua vida aos índios, inclusive do Xingu.

Se é assim, precisamos pelo menos ajudar a manter um espaço único como o do Parque do Xingu e as culturas que ali sobrevivem. Um projeto como esse, se levado à Unesco, pode ter um papel fundamental nessa direção.

BRAZIU: O PUTEIRO

SONIA RACY - DIRETO DA FONTE

Pagando o pato
SONIA RACY
O ESTADO DE SÃO PAUYLO - 25/03/11

Pelo andar da carruagem, Ganso pode se "afogar" na própria ambição. Suas negociações com o Santos não estavam caminhando bem ontem, pelo menos até a hora do almoço.

Consta que o Inter de Milão ofereceu pagar por ele 25 milhões de euros. O que o clube acha pouquíssimo. Além disso, os italianos teriam que morrer com multa estipulada em 50 milhões de euros para conseguir sua liberação. Se a venda envolvesse um clube nacional, a multa seria menor, de R$ 60 milhões.

Pelo jeito, Ganso vai ter que jogar no Santos até 2015 quando vence seu contrato.

Ombro a ombro
Dilma convocou Fernando Haddad para a viagem a Portugal, semana que vem.

Com uma missão: sentar-se ao seu lado durante a solenidade em que Lula receberá o título de Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra, uma das mais tradicionais da Europa.

PositivoA prefeitura paulista conseguiu um trunfo: carta do BNDES sinalizando que o banco apoiará a PPP da Saúde em Sampa.

Sem berros
Antes de lançar seu PSD, Kassab ofereceu uma carneirada para todos os vereadores, com a ausência apenas dos piores desafetos. Foi sexta, na casa de Antonio Carlos Malufe, seu secretário.

Ante o clima de traição no ar, a churrascada virou motivo de piada e acabou batizada entre vereadores de... Sacrifício dos Carneiros. Trata-se uma referência ao episódio bíblico em que Abraão, no lugar de sacrificar o filho, levou o animal à morte.

Leitura dinâmica
Fern Michaels é a nova aposta da editora Larousse. A primeira obra a sair do forno é a série The Scoop (The Godmathers), ainda sem título em português.

Gibi multiface

Vem aí A Turma da Mônica como nunca se viu.

Maurício de Sousa firmou parceria com a Digital 21para empreendimento que levará seus personagens para cinema, TV, web e games.

Invasão urbana
Desde o momento em que tomou conhecimento da autorização que Marcos Cintra deu para a JHSF fazer estudo da viabilidade econômica de terreno do Itaim, Marcelo Mattos só pensa em uma coisa: pedir que o secretário da prefeitura paulista se demita. "Governos existem para cuidar dos bens públicos e não vendê-los porque não conseguem fazê-lo. Qual será a próxima ideia? Leiloar o Parque Ibirapuera?", desabafa o presidente interino da Sociedade de Amigos do Itaim-Bibi.

Dizendo sentir saudades de Andrea Matarazzo, conseguiu salvar área na região criando o Parque do Povo.

Operária da vozBibi Ferreira começou a ensaiar o espetáculo que celebrará seus 70 anos de carreira. Aos 88 anos, ela treina a voz quatro horas por dia com um maestro.

A estreia se dá em junho.

Para todos

A Virada Cultural terá ópera ao ar livre pela primeira vez. A apresentação de I Pagliacci, de Ruggero Leoncavallo, será no Pátio do Colégio e terá na regência Abel Rocha, recém-empossado diretor artístico do Municipal.

E tempo: Paulinho da Viola também irá se apresentar na Virada.

Raiz carioca
Anne Hathaway, que veio divulgar o filme Rio, visitou imóvel de Tonico Monteiro de Carvalho, em Santa Teresa. Pretende comprar o imóvel carioca do sobrinho de Olavo Monteiro de Carvalho.

Raiz carioca 2Já Rico Lindenbojm e Dirceu Mansano, da produtora Ponto Zero, ousaram na divulgação da animação. Montaram estrutura de 11 metros no Copa para projetar o trailer do filme.

Qual o destino da energia nuclear?

Em tempos de pós-tragédia no Japão, até Angela Merkel avisa estar buscando uma "exit strategy" para a produção de energia nuclear. Se ela, que não é exatamente uma ativista do Greenpeace, admite publicamente que quer encontrar alternativas, o Brasil, com a abundância de águas que tem, poderá fazer o mesmo.

A opinião é de José Goldemberg, físico eleito em 2007, pela revista Times, como um dos Heróis do Meio Ambiente. "O mundo todo fará um reexame do processo", acredita o também vencedor do Prêmio Planeta Azul, considerado o "Nobel" da área. Resultado? No mínimo, a energia nuclear vai encarecer, na opinião de Goldemberg, um dos principais opositores da construção de Angra 3.

É consenso que o acidente no Japão provou, mais uma vez, que é ilusão acreditar que há segurança nas usinas nucleares. "Não é como um avião que quando cai, você sabe exatamente o que esta queda provocou. No caso da radioatividade, o acidente não tem só características localizadas. Elas são muito mais amplas e incertas", analisa o físico, se mostrando surpreso pelo fato de a radioatividade ter chegado às águas da costa dos EUA.

Por essas e outras, Goldemberg continua achando que o programa nuclear brasileiro é equivocado. "No Brasil, a energia nuclear é dispensável. Não precisamos disso".

Na frente

Paraty recebe entre os dias 4 e 10 o Paraty Spa Days. Do qual participam dez pousadas, 12 restaurantes, 4 escunas e um spa.

Luiz Calainho estreia hoje novo programa com Luana Piovani. Na TVirgula, do portal Virgula.

Alexandre Tombini, do BC, entrega a Roberto Setubal, do Itaú, prêmio da revista Banco Hoje. No Espaço Rosa Rosarum, hoje.

Pedro Alterio faz show de violão e piano com o Bruno Piazza. Hoje, na Sala Crisantempo, na
Vila Madalena.

Sarney anda um tanto quanto emotivo. Não é que o senador caiu no choro na comemoração dos 45 anos do PMDB, terça-feira?

ELIANE CANTANHÊDE

Um governo para chamar de seu
ELIANE CANTANHÊDE
FOLHA DE SÃO PAULO - 25/03/11

BRASÍLIA - O voto brasileiro no Conselho de Direitos Humanos da ONU, a favor de um relator especial para apurar abusos no Irã, é o passo mais concreto na guinada da política externa. É assim que, suavemente, como ninguém esperava, Dilma vai se distanciando de Lula e firmando uma marca para seu próprio governo. O que é ótimo.
Dilma já havia sinalizado o que queria quando considerou "bárbara" a pena de apedrejamento da iraniana Sakineh e, na entrevista ao "The New York Times", disse que não podia nem seria condescendente com coisas assim.
Apesar de o voto romper com um histórico de dez anos de votos favoráveis ao Irã, a presidente e o chanceler Antonio Patriota não tiveram dificuldade -e, aliás, nem perderam muito tempo- para fechar a posição brasileira no conselho. Foi algo simples, natural, sem necessidade de grandes debates e sem contestação interna.
Em entrevista à Folha, no início do mês, o chefe de Imprensa e principal conselheiro do presidente Mahmoud Ahmadinejad, Ali Akbar Javanfekr, disse que Dilma estava mal informada sobre o Irã, que há "2.500 Sakinehs nas prisões brasileiras" e que tinha "esperança" de que o Brasil não aprovasse o relator especial do conselho.
Também à Folha, na edição de ontem, véspera da votação, o ex-chanceler Celso Amorim declarou que "provavelmente" não votaria a favor de um relator especial para o Irã. Mas, ao ler a reportagem, já se previa, ou até sabia, que "provavelmente" Patriota e Dilma garantiriam um dos 22 votos a favor.
As relações do Irã de Ahmadinejad com o Brasil, portanto, não são mais as mesmas. Aliás, nem o próprio governo brasileiro.

Mas... a foto de "O Globo", de um PM parrudo jogando spray de pimenta numa menininha negra e desabrigada, comprova: o país Brasil ainda tem muito a mudar.

GOSTOSA

RUY CASTRO

Rainha Elizabeth
RUY CASTRO

FOLHA DE SÃO PAULO - 25/03/11

RIO DE JANEIRO - Nos anos 50, José Amadio, crítico de cinema de "O Cruzeiro", achou um jeito de homenagear sua estrela favorita, Elizabeth Taylor. Elegeu-a "madrinha da coluna". Com isso, podia dar o retratinho dela todas as semanas, no alto, ao lado de seu nome.
De 1967 a 1972, em que andei entrando e saindo da "Manchete" como repórter e redator, nosso diretor Justino Martins não passava seis meses sem dar Elizabeth Taylor na capa da revista. Bastava faltar um assunto mais importante. O 6x6, com o fabuloso rosto de Elizabeth cravejado pelos olhos violeta, se materializava na minha mesa sem mais nem menos. Eu perguntava: "Qual é o assunto, Justino? O que está acontecendo com Elizabeth Taylor?". E ele respondia: "Nada. Elizabeth Taylor não precisa de assunto. O assunto é ela".
Nessa época, a grande fase de Elizabeth no cinema já estava ficando para trás, e sua presença na mídia se devia mais ao intenso e turbulento casamento com Richard Burton -na verdade, um ménage à trois, envolvendo também o uísque Black Label. Os dois eram alcoólatras: Elizabeth salvou-se à custa de duas internações no Betty Ford Center, na Califórnia; Richard morreu abraçado à garrafa.
Ela foi das poucas estrelas infantis cuja carreira sobreviveu à adolescência e à vida adulta. Enquanto Shirley Temple, Deanna Durbin, Margaret O"Brien e tantas outras pararam nas tranças, apenas Judy Garland e Natalie Wood foram em frente -mas não por tanto tempo quanto Elizabeth. Nasceu estrela, mas, com o tempo, tornou-se uma senhora atriz.
Não é vero que fosse a última diva da Hollywood clássica. Dos meus álbuns de figurinhas "Ídolos da Tela", da Editora Vecchi, de 1955 e 1958, continuam firmes, entre as americanas, Shirley MacLaine (76 anos), Kim Novak (77) e Doris Day (88). Mas, sim, só Elizabeth tinha o porte de rainha.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Copa do Mundo e Olimpíadas passam, mas o desenvolvimento fica”
MINISTRO ORLANDO SILVA (ESPORTE) SOBRE OS INVESTIMENTOS DO GOVERNO PARA OS EVENTOS

LULA TRANSFERIU US$ 3,6 BILHÕES PARA O PARAGUAI 
A partir da posse da presidente Dilma, o governo do Paraguai voltou a estimular ataques ao Brasil, utilizando velhos chavões e antigas mentiras. Mas continua sonegando dos paraguaios que durante o governo Lula foram drenados mais de US$ 3,6 bilhões brasileiros para aquele País, segundo fonte do governo federal. Isso representa dois terços do orçamento anual do Estado da Paraíba, por exemplo.

CUNHADO FOLGADO 
O Paraguai não entrou com um só centavo na construção de Itaipu e 98% da água utilizada na hidrelétrica é brasileira.

MAU PAGADOR 
Coube ao Paraguai só um microinvestimento de US$ 50 milhões, que têm sido pagos a conta-gotas há décadas, e com os lucros de Itaipu.

CHAPÉU ALHEIO 
O Brasil gasta atualmente US$ 400 milhões na linha de transmissão que levará energia decente para Assunção, capital paraguaia.

“REVISÃO” IMPROVÁVEL 
Lula propôs ao Congresso a revisão do Tratado de Itaipu, mas é improvável sua votação antes da visita de Dilma a Assunção, em maio. 

EMPREITEIRAS EM GUERRA PELO PAC DE AEROPORTOS 
As cinco maiores empreiteiras estão em pé de guerra pela Secretaria Nacional de Aeroportos. Nome forte no Planalto para revolucionar e modernizar os aeroportos, o executivo Luiz Eduardo Falco, presidente da Oi, fez carreira na Andrade Gutierrez. Por isso Odebrecht, Camargo Correa, Queiroz Galvão e OAS não querem nem ouvir falar em sua ascensão à joia da coroa do PAC para a Copa 2014 e Olimpíadas.

JÁ ERA 
A estrutura do Maracanã não suporta o projeto de reforma. O governo hesita, mas terá de implodir o velho estádio ou o Rio de Janeiro fica sem a Copa.

DE BENGALA 
Se as 718 creches prometidas por Dilma forem construídas em ritmo de PAC, só os netinhos dos bebês de hoje terão babá e bilubilu. 

NEM REZANDO 
Com rombo de R$ 630 milhões, o fundo Prece (Cedae) teve as contas aprovadas em 2010. Novo plano quer “contribuição” dos servidores.

SESSÃO ESPÍRITA 
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), agora ocupando o gabinete que pertenceu ao saudoso Romeu Tuma, foi avisado pela assessoria que nesta sexta o local será visitado por espíritas. Funcionários de Demóstenes juram que Tuma tem aparecido por lá.

TUDO NA MESMA 
O Boletim do Senado dispensou do ponto exatos 79 funcionários de gabinetes de senadores. Já os servidores de carreira, que pegam no pesado, terão de botar o dedão no ponto eletrônico biométrico. 

DESASTRE ANUNCIADO 
O ministro Orlando Silva (Esporte) avisou ontem, durante o 1º Fórum Brasília de Políticas Públicas, promovido pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, na capital, que as obras nos aeroportos devem durar pelo menos três anos. Na hipótese mais otimista. 

BRASIL EM DEBATE 
O presidente do Grupo Band, Johnny Saad, participou, ontem, como anfitrião, dos debates do 1º Fórum Brasília de Políticas
Públicas, com o Michel Temer e as maiores autoridades do governo e do
Congresso.

DEFICIENTE VISUAL 
O Audi branco blindado do jogador Adriano, chutado pelo futebol italiano, ocupava vaga de deficiente na loja de piscinas “Carrapeta”, quarta (23), na Barra, Rio. Saiu pimpão, com dois amigos. 

KASSAB SE DEU MAL 
Em nome da família, Ana Christina Kubitschek Pereira, neta de Juscelino, reagiu indignada ao registro do site www.JK.org.br pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab. Avisou que adotará providências legais e disse que “um verdadeiro democrata” jamais ousaria fazer isso.

ASSUNTO PROIBIDO 
O secretário de Comunicação do PT propôs ontem no Twitter que o Brasil, assim como fez com o Irã, investigue os EUA por violações dos direitos humanos em Guantánamo, Cuba. Já em Cuba, nadica. 

MAIS UM A ONG 
Repórteres Sem Fronteiras pediu apuração “urgente” do ataque ao jornalista Ricardo Gama, no Rio de Janeiro, crítico feroz em seu blog da política e dos policiais fluminenses. Levou três tiros e ficou cego de um olho. 

PENSANDO BEM... 
A vitória da ficha suja é a volta dos que não foram. 

PODER SEM PUDOR
FILHOTE DE PEIXE 
Até mesmo Tiago, filho pequeno do ex-deputado Babá (PSOL-PA), ficou impressionado com a intolerância do PT, no poder. Após a expulsão do pai do partido, ele passou a recusar a camiseta do PT que usava para dormir e, certo dia, Tiago brincava na sala do apartamento ouvindo Babá discorrer sobre os prejuízos causados aos trabalhadores pelo governo, quando disparou:
– Pai, o Lula vai tirar os brinquedos das crianças?

COMPLICADO

SEXTA NOS JORNAIS

Globo: Brasil muda e agora apoia investigar os abusos do Irã
Estadão: Brasil muda de posição na ONU e irrita regime do Irã
Valor: Novos governadores dão sequência à guerra fiscal
Estado de Minas: ...E não é que vai sujar ainda mais?
Jornal do Commercio: Preço do álcool fica menos competitivo
Zero Hora: Dilma revê a política do Brasil sobre o Irã
- Folha de S. Paulo: Dilma modifica política de Lula e vota contra o Irã