quinta-feira, março 10, 2011

RENATA LO PRETE - PAINEL DA FOLHA

Inspeção ampliada
RENATA LO PRETE
FOLHA DE SÃO PAULO - 10/03/11

Geraldo Alckmin deverá enviar à Assembleia projeto que estende a inspeção veicular a todos os municípios da Região Metropolitana de São Paulo, tema que suscita polêmica no cinturão eleitoral de maior fragilidade para o PSDB. A vistoria hoje é obrigatória apenas na capital, com taxa anual de R$ 61,98, valor contestado na Justiça pela oposição a Gilberto Kassab.
Mesmo diante da controvérsia, a base governista acredita na aprovação do texto, amparada no argumento do ganho ambiental, já que o objetivo declarado é controlar a emissão de gases poluentes pelos escapamentos dos carros. Num segundo estágio, a ideia é levar a inspeção veicular também ao interior.

Exemplar 1 
No círculo próximo de Alckmin, há quem defenda que o governador faça com Márcio França (Turismo) "o que Covas fez com Cabrera". Em 1996, Antonio Cabrera chefiava a pasta da Agricultura, na cota do então PFL, quando o partido resolveu apoiar Celso Pitta para a prefeitura da capital. Covas despachou o secretário imediatamente.

Exemplar 2 
No comando do PSB estadual, França participou, ao lado do presidente nacional da sigla, Eduardo Campos, de toda a negociação para atrair Gilberto Kassab (DEM) -cujo projeto maior, com ou sem "partido-dormitório", é enfrentar Alckmin em 2014. Ao governador França chegou a dizer que apenas Campos tratara do assunto.

Deixa estar 
Quem conhece Alckmin acha improvável uma degola imediata, mas aposta que França -diferentemente de Guilherme Afif (DEM), que já anunciou disposição de seguir Kassab para onde for, mas está protegido pelo posto de vice- tem os dias contados.

Antifolia 
Um ministro justifica a escassa presença de autoridades federais nos camarotes deste Carnaval: "É o estilo da nova administração. Com a Dilma, ganha mais quem aparece menos".

Para constar 

Embora pretenda reivindicar, na reunião de amanhã entre Dilma Rousseff e as centrais, um índice mais generoso de correção da tabela do IR, a Força Sindical sabe perfeitamente que não há hipótese de o governo conceder nada além dos 4,5% já anunciados.

Parceria 
Durante a visita de Barack Obama, Brasil e EUA assinarão acordo que os transforma em "parceiros globais". A medida abre a perspectiva de atuação conjunta em outros países em todos os campos, do comercial ao político. O alvo principal de ambos é a África.

A regra... 
O Conselho Nacional de Justiça recebeu pedido para regulamentar movimentos grevistas de juízes. Os magistrados federais decidirão se haverá um dia de paralisação dos trabalhos, em abril próximo, para garantir reajustes anuais dos subsídios e a simetria constitucional com a carreira do Ministério Público.

...é clara? 
O juiz Eduardo Cubas, de Goiás, solicitou à corregedora do CNJ, Eliana Calmon, que autorize o regime de plantão e proíba medidas punitivas contra quem aderir à paralisação. Ou, então, que recomende evitar manifestações -com ou sem o nome de greve.

0800 
Foi pedida ao TRE-MS a inelegibilidade, por oito anos, de Raul Freixes (PT do B), ex-prefeito de Aquidauana. Sócio de uma rádio e candidato a deputado estadual em 2010, ele não pedia votos na programação, mas as ligações telefônicas para a emissora eram atendidas com uma gravação sua. Freixes não se reelegeu.

com LETÍCIA SANDER e FABIO ZAMBELI

tiroteio

"A conduta da deputada federal revela má índole, desrespeito ao povo e profunda falta de ética no trato da coisa pública."
DO PROMOTOR ROBERTO LIVIANU, presidente do Movimento do Ministério Público Democrático, sobre nota do PMN lamentando que Jaqueline Roriz, "pessoa de boa índole", tenha se deixado envolver numa "prática nefasta".

contraponto

Faça como eu digo

Em reunião do colégio de líderes da Câmara, Paulo Teixeira (PT-SP) manifestou estranheza diante da dura crítica dos tucanos ao projeto que cria a Autoridade Pública Olímpica e estabelece regras para a contratação das obras necessárias aos Jogos de 2016.
A oposição alega que a proposta ameaça a lisura das licitações, pois altera a Lei 8.666. Teixeira ponderou que o governo paulista aprovou modificações semelhantes, em 2008, por meio de lei complementar.
Duarte Nogueira (PSDB-SP) respondeu sem hesitar:
-Uma coisa é São Paulo, outra é a União...

CONTARDO CALLIGARIS

 "Cisne Negro", o Carnaval e as mães
CONTARDO CALIGARIS
 Folha de São Paulo - 10/03/11

""CISNE NEGRO" é a história, muito bem contada, do desabrochar de uma loucura. Mas amei o filme por outras razões. Aqui vão duas delas.
1) Revi "Cisne Negro" no domingo e, na volta do cinema, assisti ao Carnaval na TV.
Gosto da exuberância de alegorias e fantasias, e o que mais importa no Carnaval talvez seja a paixão das escolas ao preparar o desfile, mas resta que, na televisão, o espetáculo do carnaval e de seus bastidores consegue a façanha se ser, ao mesmo tempo, vulgar e careta. Como é possível?

É que, no espetáculo televisivo, a transgressão da folia consiste numa tremedeira de carnes (vagamente sugestiva de um exercício sexual), acompanhada de uma dose diurética de cerveja. Ou seja, o Carnaval na televisão é um programa infantil, pois é assim que as crianças imaginam a transgressão: vulgar como xixi-cocô e careta como suas suposições sobre o que acontece entre adultos na hora do sexo.
Só para confirmar: as crianças encaram com prazer o tédio de uma noite de desfiles em família, na frente da televisão. Elas acham reconfortante supor que o lado B dos adultos seja parecido com a visão infantil da transgressão: comilança, bebedeira, bunda e peitos. Só falta um pum final.

Na verdade, fora esse momento anual de regressão coletiva, espera-se que, para os adultos, a transgressão seja uma excursão em territórios mais tenebrosos e mais aventurosos. Espera-se que o lado B da gente não caiba no Carnaval televisivo e que sua descoberta peça mais do que alguns litros de cerveja.
1) Nada torna a vida interessante tanto quanto a descoberta de nossa própria complexidade; 2) Talvez a função mor da cultura seja a de nos dar acesso a partes de nosso âmago que normalmente escondemos de nós mesmos; 3) Conclusão: se conseguimos viver plenamente, é graças a autores, atores, intérpretes etc. que nos revelam nosso próprio lado B (e C e D).

Agora, será que o artista poderia levar espectadores ou leitores para territórios que ele não tiver primeiro desbravado nele mesmo?
Alguns pensam assim: só quem ousa se aventurar pelo seu próprio lado B consegue revelar aos outros o lado B que eles escondem de si mesmos. Nina, a estrela do "Lago dos Cisnes", não poderia arrebatar seu público sem se entregar corajosa e perigosamente a seu lado obscuro, sem se entregar ao cisne negro nela.

Outros pensam que, para encarnar o cisne negro, Nina não precisa sentir sua lascívia na pele. Bastaria ela atuar e dançar (como dizia Diderot) com a inteligência, e não com o coração. Mas como ela poderia dançar e atuar o cisne negro com a inteligência sem conhecer e entender o que ela precisa expressar?
Seja como for, quem acha que seu lado obscuro é feito de carnes trêmulas e cerveja deveria fazer um esforço sério para sair da infância. Nesse esforço, Nina e "Cisne Negro" seriam de bastante ajuda.

2) Homens e meninos, mesmo quando aspiram à perfeição, convivem razoavelmente bem com falhas e fracassos. É porque acreditam firmemente que, mesmo imperfeitos, eles nunca deixarão de ser tudo o que suas mães pediram a Deus.
Mulheres e meninas, ao contrário, sentem que, mesmo alcançando a perfeição, não serão o que suas mães pediram a Deus. A explicação clássica disso é que elas, pelo simples fato de serem mulheres, nunca preenchem a expectativa materna tanto quanto um filho varão. Paradoxo: as mulheres aspiram à perfeição mais do que os homens porque tentam merecer uma aprovação materna que é quase impossível.

Há uma outra explicação do sentimento feminino de não corresponder às expectativas maternas. Essa explicação, mais inquietante, diz que, para uma mãe, o triunfo de uma filha (profissional ou amoroso) sempre apresenta ao menos um defeito: o de não ser o triunfo dela mesma, da própria mãe.

A mãe de Nina espera que o sucesso da filha compense suas frustrações de bailarina que renunciou à carreira. Também acusa a filha de ser a causa dessa renúncia. Qual será o melhor bálsamo para a ferida: o sucesso ou o fracasso da filha?
Muito frequentemente, as mães rivalizam com as filhas. Essa rivalidade é especialmente óbvia e feroz quando, de um jeito ou de outro, oferecendo pelúcias ou preparando chazinhos, uma mãe tenta manter a filha parada numa eterna infância.

GOSTOSA

EUGÊNIO BUCCI

A notícia como arma de guerra
EUGÊNIO BUCCI
O Estado de S.Paulo - 10/03/11

No domingo passado, antes que o dia raiasse, os habitantes de Trípoli foram acordados por metralhadoras. Quando ligaram a televisão, deram de cara com uma notícia oficialmente alvissareira: as tropas pró-Kadafi teriam dispersado os rebeldes em outras cidades e a artilharia que soava nas ruas da capital era simplesmente uma celebração da "vitória". Os telespectadores que ainda apoiam o governo, aliviados, saíram de casa rumo à Praça Verde para festejar as boas novas.

Em tempo: a emissora que noticiou a "vitória" era a TV estatal, ainda a serviço do ditador. Sem o controle da "sua" emissora, dificilmente a ditadura líbia estaria de pé até hoje. Ela sobrevive porque, além da máquina de matar sua própria gente, conta também com outra máquina, a máquina da propaganda, para enganar o povo.

Eis aqui um tema central. Não obstante, nas análises em curso sobre a onda de levantes no mundo árabe, a manipulação da informação pelas ditaduras quase nunca é debatida, explicada, entendida. Deveria ser. A falsificação oficial nos regimes autoritários ou totalitários constitui um crime, embora esse crime ainda não seja reconhecido como tal pelos organismos internacionais que se ocupam da paz e dos direitos humanos. Ela não apenas pavimenta o caminho para a opressão da sociedade pela força das armas - esta, sim, já reconhecida como crime -, como viola um direito fundamental do ser humano, o direito à informação, e, desse modo, obstrui a livre formação da opinião e da vontade. Por isso, a propaganda oficial - e criminosa - ainda em funcionamento na Líbia merece muito mais atenção do que vem recebendo. Ela é uma triste lição para as democracias, tanto para as que já existem de fato como para aquelas que só existem em sonho. Com ela podemos aprender um pouco mais sobre:

o que o Estado não deveria ser autorizado a fazer com a comunicação de interesse público;

a que fim a manipulação da informação pelo poder público pode nos conduzir;

e, por fim, como cada dia mais o jornalismo independente é vital para a manutenção da paz.

Voltemos, então, ao turbulento e absurdo domingo em Trípoli. Quem nos conta é o jornalista David D. Kirkpatrick, numa reportagem publicada na edição de segunda-feira do The New York Times. Ele relata a alegria de Noura al-Said, estudante de 17 anos, diante do noticiário do governo: "Ouvi as melhores notícias de toda a minha vida. Nós tomamos de volta todo o país." Noura al-Said festejava a "vitória" na Praça Verde, ao lado de cerca de 2 mil manifestantes, muitos deles atirando para o ar.

Evidentemente, Kadafi não tomou de volta a Líbia coisa nenhuma. Os manifestantes governistas comemoravam um feito inexistente, embalados pelo noticiário, que, como de costume, mentiu. É verdade que houve disparos à guisa de comemoração na Praça Verde, como o próprio repórter americano constatou, mas a alegação de que as rajadas da madrugada não passavam de foguetório festivo não convencia mesmo os mais crédulos. O que não foi problema para os crédulos e muito menos para os noticiários oficiais. Para ambos, a idolatria do coronel Kadafi vale mais que o registro os fatos. É uma idolatria que vem de longa data, desde que o coronel tomou o poder - a mão armada - há mais de quatro décadas, aos 27 anos de idade. Desde então, o culto à personalidade virou uma prioridade de Estado e estabeleceu a tirania com base em duas ferramentas: a propaganda e a força bruta.

Não surpreende que, quando a sociedade rebelada já domina extensas faixas do mapa da Líbia, o ditador sobreviva exatamente porque manteve sob seu comando ao menos um pedaço das duas velhas ferramentas. Ele ainda conta com uma facção das Forças Armadas - leais a sua pessoa, não ao Estado - e com meios de comunicação oficiais. Sobre essas duas pernas consegue se equilibrar. As armas, ele as transforma em propaganda nas ruas de Trípoli. A propaganda vira arma de guerra dentro dos lares.

Até aí, o script parece não trazer novidades. É assim com todos os tiranos. Na falta de legitimidade, lançam mão de balas e notícias mentirosas. Nesse ponto, o teatro do ditador líbio seria idêntico ao teatro de outros autocratas. Em alguns quesitos, porém, a máquina de propaganda de Kadafi conseguiu ser ainda mais sufocante que suas homólogas - e também por isso merece atenção. Recentemente, circulou a notícia de que, na Líbia, os jogadores de futebol são identificados apenas pelos números de suas camisetas, de modo a não se converterem em ídolos que poderiam rivalizar com o tirano. Parece sandice, parece inconcebível, mas é assim que é.

David D. Kirkpatrick também registra essa particularidade em sua reportagem: "Os noticiários oficiais se esforçam para não citar o nome de nenhuma outra autoridade do governo, nem mesmo de jogadores de futebol, e, assim, garantem que o coronel Kadafi seja virtualmente a única figura pública no país." O tirano de Trípoli, nessa matéria, ultrapassa a megalomania de outros ditadores: ele não se pretende "o maior" ou "o melhor"; ele se imagina o único - e ainda aglutina adoradores.

Por isso, para salvar vidas na Líbia, mais importante do que cercar o espaço aéreo para os aviões da tirania talvez seja cortar a propagação das mentiras oficiais. Mais jornalistas internacionais na Líbia são imprescindíveis, assim como são necessários mais relatos dos próprios rebeldes líbios, dirigidos aos seus conterrâneos e ao mundo. A pacificação do país passa pela oferta de mais informação independente.

Fora isso, que a decrepitude ridícula e sangrenta de Muamar Kadafi sirva de alerta contra os que, em outras tendas, acalentam o projeto de usar emissoras estatais como extensão de sua vaidade pessoal.

JORNALISTA, É PROFESSOR DA ECA-USP E DA ESPM

MARIA CRISTINA FRIAS - MERCADO ABERTO

IPOs inflam remuneração de advogado, diz pesquisa
MARIA CRISTINA FRIAS
FOLHA DE SÃO PAULO - 10/03/11

O avanço no mercado de IPOs (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) tem inflacionado o salário de advogados da área, segundo a consultoria especializada em recrutamento Michael Page.
Os principais segmentos onde a demanda por profissionais chegou a elevar em até 25% os salários desde meados de 2010 são os ligados a fusões e aquisições e mercado de capitais. Um diretor jurídico pode ganhar até R$ 45 mil, além de bônus, segundo o levantamento.
A inflação de salários na área jurídica já começava a aparecer antes de a crise estourar, em 2008, mas a temperatura baixou no ano seguinte, segundo Giuliana Menezes, "headhunter" do setor na Michael Page.
Os escritórios procuram agora profissionais de "perfil mais comercial", capazes de captar negócios, de acordo com Menezes.
Outra característica que se fortaleceu foi a remuneração variável em escritórios de médio e grande porte.
Para 2011, a recrutadora diz acreditar em alta nas contratações de advogados para a área imobiliária.
"Cresce a demanda por profissionais para o segmento, que conheçam de shopping center a toda a legislação referente a propriedade."
Com o aumento da procura pelas áreas de advogados societários, de mercado de capitais e para o setor imobiliário, há a expectativa de incremento salarial de 25%, sem contar a taxa por negócios fechados.
"Percebemos também um aumento na remuneração de advogados da área tributária, mas não ultrapassa os valores anteriores a 2008. Foi apenas um resgate do patamar pré-crise", segundo afirma a recrutadora.

"Uma grande aposta agora é em advogados imobiliários e de infraestrutura, voltados a empreendimentos, construtoras e empresas de agronegócio. Escritórios querem profissional que capte negócios, com perfil comercial"
GIULIANA MENEZES
"headhunter"

ESCRITÓRIOS EM RIBEIRÃO

A Zion vai construir seu terceiro prédio comercial em Ribeirão Preto (SP). O valor do empreendimento, cujas obras começarão no final deste semestre, será de R$ 85 milhões.
A construtora já tem outros dois contratos de edifícios comerciais em Ribeirão Preto, que, somados, atingem o valor de R$ 110 milhões.
"O Estado de São Paulo é o nosso principal foco no momento", diz um dos sócios, Arnaldo Halpern.

Rumo... 
O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, liderará missão empresarial à China, de 5 a 13 de abril. A presidente Dilma Rousseff chegará no dia 12.

...ao Oriente 

O grupo de empresários que participa da missão à China vai visitar Hong Kong e Pequim, onde participará de rodadas de negócios e visitas técnicas.

CRÉDITO E COMMODITIES

O Banco Pine, que foca a concessão de crédito a pequenas e médias empresas no Brasil, tem se beneficiado da alta de commodities, principalmente do açúcar.
"Já não estamos no "middle" market clássico", afirma Norberto Zaiet, vice-presidente do Banco Pine. "Crescemos com nossos clientes. Metade deles já tem faturamento de R$ 1 bilhão." Segundo Zaiet, empresários ainda se mostram otimistas, com expectativa de expansão entre 15% e 20%. "O banco poderá crescer um pouco mais que isso com crédito em 2011", adianta Zaiet, que está para divulgar resultados da instituição.

No carrinho 
As vendas em supermercados de SP registraram queda de 21,2% em janeiro, segundo a Associação Paulista de Supermercados. A queda se deve à comparação com dezembro, quando a alta foi de 34%, devido às festas.

Espanha 
A Câmara de Comércio de Barcelona e o Iese Business School farão evento sobre negócios no Brasil, nos dias 24 e 25. Roger Agnelli, presidente da Vale, estará presente.

SEM RISCOS
A compra de imóveis e veículos para uso imediato é o principal investimento de 48,4% dos brasileiros que recebem mais de R$ 4.000 por mês, segundo pesquisa da consultoria Fractal.
As aplicações financeiras de baixo risco, como poupança, fundos de pensão e de renda fixa, aparecem em seguida, com 31,2%.
O investimento na criação de empresas atrai apenas 10,0% dos 5.269 entrevistados pela consultoria.
As duas maiores preocupações dessa classe social, de acordo com a pesquisa, são a segurança e a educação dos familiares.
A atividade realizada com maior frequência durante o tempo livre é assistir televisão. Mais de 85% dos entrevistados responderam que gostam dessa forma de lazer.
A pesquisa foi feita em nove cidades, como São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro.

com JOANA CUNHA, ALESSANDRA KIANEK e VITOR SION

GOSTOSA

MÔNICA BERGAMO

EMPREGO EM ALTA
MÔNICA BERGAMO
FOLHA DE SÃO PAULO - 10/03/11

A criação de empregos formais em fevereiro baterá recorde no Brasil para o período: dados preliminares mostram que serão pelo menos 208 mil vagas, contra 205 mil abertas no mesmo mês do ano passado, revela o ministro Carlos Lupi, do Trabalho. "É provável que cheguemos a 210 mil. Foi o melhor fevereiro da história."

CALDO
O número definitivo será fechado nos próximos dias. "Às vezes, uma demissão em massa num setor puxa isso para baixo. Ainda não temos os dados do setor sucroalcooleiro, por exemplo", diz o ministro. A diferença, no entanto, não deve alterar muito o que já mostram os dados fechados até agora. "A agricultura do Sul e do Centro-Oeste estão fortes e devem equilibrar qualquer diferença."

LUPINHO
Ainda Lupi, sobre as diferenças de estilo entre o ex-presidente Lula e a sucessora e atual chefe, Dilma Rousseff: "Ele fica íntimo em cinco minutos. Ela é mais fechada, muito formal com quem não conhece". O que não seria o seu caso: "Convivemos há 20 anos. Ela só me chama de Lupinho".

PRATOS LIMPOS

O ministro Orlando Silva, do Esporte, procurou Henrique Meirelles para conversar. A ideia era aparar as arestas em relação à APO (Autoridade Pública Olímpica), que Silva desejaria ocupar, mas para a qual Meirelles foi convidado. O ex-presidente do Banco Central ouviu do ministro que este jamais almejou o cargo.

CORDA BAMBA

Meirelles, por sinal, não tinha dado resposta definitiva ao convite até o Carnaval.

PONTE POPULAR
Adiado por tempo indeterminado por Geraldo Alckmin (PSDB-SP), o projeto de construção de uma ponte ligando Santos ao Guarujá não foi abandonado. Só que a equipe do novo governador defende que sobre a ponte passem ao menos ônibus -no projeto anterior, cuja maquete foi "inaugurada" pelo ex-governador José Serra (PSDB-SP), só carros de passeio poderiam atravessá-la.

CARACÓIS

Um dos temores de Roberto Carlos antes do desfile da Beija-Flor era que uma tempestade desarrumasse seus cabelos. Um boné foi providenciado para alguma emergência. Não foi usado.

Quando o Rei entrou no sambódromo, o sol raiava.

AS CERTINHAS

O publicitário Aaron Sutton, da Mood, que assina a campanha de Sandy na Devassa, provocou consumidores no Facebook brincando que, depois de uma certinha que tem "lado devassa", procura uma devassa que tenha lado certinha para a próxima peça publicitária. "Me sugeriram Rita Cadillac, Geisy Arruda, Gretchen, Ariadna e a Mara Maravilha", diz ele.

SALPICADOS NA FOLIA
Fotos Mônica Bergamo/Folhapress

Mano Menezes
O técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, curtiu o Carnaval no camarote de Roberto Carlos; Roberto D'Avila foi ao Rio, Samba & Carnaval; Gloria Pires e Will.i.am, do Black Eyed Peas, passaram pela Brahma; e Susana Vieira ficou na Grande Rio.

ANA HICKMANN

"NÃO TENHO DO QUE ME CULPAR"

De molho em casa por causa do tombo na Sapucaí, a apresentadora Ana Hickmann falou à coluna:

Folha - Como você está?
Ana Hickmann - Dolorida. Mas tô bem, tô inteira.

Todo mundo se assustou quando te viu cair.
Tinha muita água na avenida quando a Grande Rio [escola pela qual desfilou] entrou. Tanto que meu primeiro tombo foi logo no comecinho da avenida. Pensei: "Quer saber de uma coisa? Vou tirar a bota, não vou me machucar". Aí senti segurança e pulei igual a uma maluca, né? Acabei tomando mais um tombo quase no finalzinho.

No que pensou?
Foi tudo tão rápido! Levantei a perna para fazer o giro e quando tentei botar o pé no chão, acabei caindo. Caramba, parecia que eu estava fazendo flexão no chão, deitei literalmente no chão. O único reflexo foi o de proteger o rosto. Coloquei os dois braços na frente. Por isso bati o cotovelo e acabei batendo com mais força o joelho e a bacia. Doeu bastante.

E o peso da fantasia?

Eu escutei tanta bobagem! "Ah, ela é muito grande, a fantasia é pesada, por isso ela caiu." Não foi nada disso. Sabe que a minha fantasia não era pesada? A gente montou um corset que prendia todas as plumas nas minhas costas. O peso estava distribuído por todo o meu corpo. Foi o que me protegeu ali na hora. Com a quantidade de chuva, infelizmente aconteceu. Foi um acidente. Podia ser com qualquer pessoa. Não tenho do que me culpar. Escorreguei e ponto.

E o susto?
O que mais me assustou foi o rosto de todo mundo na hora em que levantei. "Será que quebrei alguma coisa e não tô percebendo?". Quando vi que não tinha nada rasgado, quebrado, e no que fiquei em pé, pensei: "Vou até o fim". O corpo tá quente, cê vai na adrenalina, cê vai na emoção: "Ah, quero terminar".

E depois?

Foi muito saco de gelo, inflamatório e, no dia seguinte, fiz a ressonância. Tive um estiramento no tendão. Graças a Deus, não vai precisar de cirurgia. Vou ter que andar de muleta alguns dias, tô com uma joelheira superfashion, horrorooosa. Mas vai passar.

Quando volta a gravar?

Só na semana que vem. A sorte foi que tinha folga nesta semana. Mas já estamos fazendo planos, já estão preparando sofá, poltrona, para eu gravar na primeira semaninha. O médico disse que, se cuidar nos primeiros dias, consigo ficar boa logo. Eu disse: "Tudo bem, vou ficar boazinha".

CURTO-CIRCUITO

A cantora Tiê fará show de lançamento do disco "A Coruja e o Coração" no dia 8 de abril, às 19h, no Auditório Ibirapuera. Livre.

O musical "Nara" , sobre a cantora Nara Leão, reestreia hoje no teatro Jaraguá. Classificação: oito anos. Henrique Prata, do Hospital do Câncer de Barretos, convidou Garth Brooks para ser embaixador musical da instituição.

A peça "Menina Nina", de Ziraldo, estreia no dia 19 no Sesc Pinheiros. Classificação: quatro anos.

com DIÓGENES CAMPANHA, LÍGIA MESQUITA e THAIS BILENKY

CARLOS ALBERTO SARDENBERG

A Constituição para alguns, custos para todos
CARLOS ALBERTO SARDENBERG

O GLOBO - 10/03/11

Vamos imaginar duas situações: 1. Um cidadão mora em uma casa isolada, em cidade ou em um bairro sem internet;

2. O Congresso brasileiro aprova a emenda que inscreve o acesso à internet como mais um direito social relacionado no artigo sexto da Constituição.

Esse cidadão pode, então, ir à Justiça e exigir que o Estado leve até sua casa uma linha de internet, a mais rápida disponível no mercado. Digamos que a região seja inacessível, circunstância que tornará a instalação da linha muitíssimo mais cara. Não tem importância.

Pela proposta de emenda constitucional apresentada pelo senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), o Estado, sendo o responsável pelo atendimento daquele direito social, será também o provedor do serviço. Ou seja, a conta vai para o governo, quer dizer, para todos os demais cidadãos contribuintes.

Absurdo? Pois é assim mesmo que vai funcionar. O exemplo-limite permite exibir a essência da situação. Mas não precisamos ir até a casa isolada em região isolada.

O Brasil ainda hoje tem apenas 20% das residências com acesso à internet. (Não quer dizer que apenas 20% da população sejam internautas. Muitas pessoas se ligam na rede pelas lan houses, por exemplo, ou no trabalho. São cerca de 70 milhões de internautas)

De todo modo, a rede continua sendo limitada. Se aprovada a emenda, imediatamente torna-se dever do Estado prover o serviço para os outros 80% - simplesmente para cumprir a Constituição, que passaria a determinar o direito universal à Rede Mundial de Computadores, como está no texto do projeto.

Sem dúvida nenhuma, um país moderno precisa ter acesso amplo à internet de banda larga. Trata-se de um instrumento de progresso pessoal e nacional.

Mas, eis a questão correta, por que a maior parte das residências ainda não tem o acesso direto à internet? Porque isso é caro para essas famílias. Precisam pagar pelo computador, pelo modem e pela ligação, quando está disponível no bairro.

É caro nos dois sentidos. Pelo lado da oferta, como diriam os economistas, é pesado o investimento necessário para a instalação e a operação das redes de transmissão de sinais (fibras óticas, por exemplo). Para viabilizar o investimento, é preciso contar com a existência de um mercado amplo, ou seja, de um número de consumidores potenciais que "paguem" o investimento a um preço razoável e adequado à renda da região. Não adiantaria nada instalar a rede para cobrar mil reais de mensalidade.

E daí vem o problema pelo lado do consumo: a renda de boa parte das famílias não alcança o preço. Uma questão de mercado.

Como tratar disso?

Uma maneira é a emenda constitucional. A pior maneira. Fazer do acesso à internet um direito constitucional não o torna gratuito. Apenas o torna exigível pelo cidadão e cria uma responsabilidade do Estado. Continua precisando de muito dinheiro para cumprir a Constituição. Como a capacidade de investimento do Estado não é infinita, ao contrário do que pensam os políticos, o direito constitucional simplesmente não é cumprido.

Fica como a saúde, um direito do cidadão, dever do Estado, como está na Constituição. Todo brasileiro deveria ser atendido de graça num hospital de nível internacional, com os melhores medicamentos disponíveis.

Vai lá pegar uma fila de um hospital público para ver como esse direito é cumprido. Por isso, 45 milhões de brasileiros se cuidam com os planos e seguros saúde privados. Assim como milhões de famílias colocam suas crianças em escolas particulares, porque o Estado não cumpre corretamente sua função de atender ao direito universal à educação.

O caso do direito à internet não quebra o país, mesmo porque o governo não vai conseguir mobilizar os recursos para gastar nisso. O que mudará? É que os políticos terão o pretexto para fazer com que o governo leve algumas redes para algumas regiões, aquelas mais interessantes eleitoralmente.

Além disso, as pessoas mais ricas, com acesso a bons escritórios de advocacia, poderão acionar o Estado para instalar fibra ótica gratuita, digamos, numa ilha de Angra dos Reis. Absurdo? Nada disso. Hoje, muitas pessoas acionam o governo e conseguem na Justiça tratamento em hospitais americanos ou a importação de remédios exclusivos, tudo por conta do governo, porque o direito à saúde é constitucional.

Em resumo, e como em outras situações, o direito constitucional à internet crias gastos por conta de todos e serviços para alguns.

E sabem outro jeito de atacar o problema?

Reduzindo os impostos e demais taxas e encargos, que representam cerca de metade da conta de telecomunicações. É isso mesmo, nossos telefones e nossa internet estão entre os mais caros do mundo. E a causa principal é justamente a carga de impostos - que os políticos enfiam na conta para ter dinheiro para distribuir as suas clientelas.

Eliminem os impostos (inclusive sobre computadores), ofereçam mais liberdade de operação às companhias privadas, abram a competição e incluam subsídios apenas para as famílias pobres -- pronto, estará resolvido o problema.

BRAZIU: O PUTEIRO

MERVAL PEREIRA

Distorções eleitorais
MERVAL PEREIRA
O GLOBO - 10/03/11

Nada é mais exemplar da pequena esperteza política que prevalece no Congresso, e também das distorções de nosso sistema eleitoral, do que a insistência da presidência da Câmara de não acatar a decisão doSupremo Tribunal Federal (STF) de que os suplentes que eventualmente assumam mandato devem ser os dos partidos, e não os das coligações que disputaram a eleição.

Esse entendimento, que quebrou um hábito de décadas do Congresso, é consequência de uma decisão recente do STF que definiu que a fidelidade partidária é condição para o exercício de mandato eleitoral, e, portanto, a vaga que um eleito ocupa não é um direito pessoal, e pertence à legenda pela qual disputou a eleição.

Em dezembro passado, em decisão colegiada sobre um pedido do PMDB, o Supremo reafirmou esse entendimento e decidiu que os efeitos eleitorais das coligações se encerram após a apuração dos votos, ou seja, que as coligações servem para eleger, não para a substituição dos eleitos.

O artigo 112 do Código Eleitoral se refere exclusivamente aos “suplentes da representação partidária”, e não faz qualquer referência aos suplentes das coligações — algo que, a rigor, não existe expressamente no contexto legal do Direito eleitoral, lembra Lauro Barretto, advogado autor de mais de uma dezena de livros sobre Direito eleitoral e Direito partidário. De acordo com levantamento do site “Congresso em foco”, quase metade dos suplentes (22 dos 46 novos parlamentares) que já assumiram mandato na Câmara dos Deputados correm o risco de perder o cargo devido à decisão do Supremo Tribunal Federal. As mudanças atingiriam as bancadas de 12 estados e do Distrito Federal. A discussão persiste porque na primeira decisão apenas oito dos onze ministros votaram.

Com a posse de Luiz Fux, existe a possibilidade teórica de a determinação mudar, pois além dos ministros Ellen Gracie e Joaquim Barbosa, que não votaram, outros podem mudar de voto. Nada indica, porém, que isso ocorra, pois até agora todas as decisões sobre mandados de segurança para assegurar a posse de suplentes mantiveram a decisão anterior do STF.

O presidente da Câmara, deputado Marco Maia, tem dado declarações sobre o perigo de ficarem 29 cadeiras vagas se a decisão do Supremo for aplicada, e outros “especialistas” falam sobre a necessidade de serem convocadas “eleições para suplentes”, no caso de um partido não ter ninguém para ser convocado como suplente devido aos resultados eleitorais. São argumentos que indicam uma tentativa de tumultuar o ambiente político, pois não é possível imaginar que a presidência da Câmara não tenha assessoria para orientá-la sobre a legislação eleitoral.

O advogado Paulo Barretto dá um exemplo objetivo que aconteceu nas eleições de 2002, quando Enéas, do Prona, foi eleito deputado federal por São Paulo, com mais de 1,5 milhão de votos, votação que daria para eleger mais seis deputados federais do mesmo partido ou coligação pelas “sobras de legendas”.

Como o Prona, que naquele pleito não estava coligado com outro partido, só havia registrado mais cinco candidatos, a outra vaga de deputado federal foi preenchida pela norma definida na legislação eleitoral. Foi feita uma retotalização da distribuição dos votos de cada partido/coligação, e a cadeira não preenchida ficou para o partido/coligação com direito à próxima vaga decorrente de “sobra”. É o próprio Código Eleitoral, em seu artigo 109, que prevê a distribuição das vagas não preenchidas mediante esta contagem das “sobras de legenda”, lembra Barretto.

Como se vê, não há possibilidade de ficarem “cadeiras vazias” na Câmara dos Deputados por falta de suplentes do mesmo partido, nem necessidade de “eleição de suplente”. Essa confusão sobre os suplentes é um efeito colateral de uma distorção fundamental de nosso sistema eleitoral, que são as coligações em pleito proporcional. Coligações feitas apenas para preencher o chamado “quociente eleitoral”, que é o número mínimo de votos para se eleger um deputado ou vereador, quase sempre prescindindo de maiores proximidades ideológicas ou programáticas.

Esse fenômeno faz com que nas eleições de 2010 apenas 86 deputados federais tenham sido eleitos por partidos não coligados. Para combater o que acusam de ser mais um sintoma da “judicialização” da política, os políticos, através do deputado Ronaldo Caiado, providenciaram a apresentação de uma proposta de emenda constitucional para legalizar o direito de os suplentes das coligações assumirem as vagas em aberto nas casas legislativas.

Essa PEC, no entanto, mesmo que venha a ser aprovada, só terá efeito para os suplentes das coligações nas próximas eleições. Ela, ao mesmo tempo, é um reconhecimento de que falta um apoio na legislação para a prática de nomear suplentes de coligações, que só vinha sendo aceita porque o Supremo não havia sido consultado a respeito.

Agora que os partidos passaram a ser legalmente os detentores das vagas, e a mudança de partido está sujeita a normas de fidelidade partidária mais rigorosas, a questão veio à tona. Ela poderia ter uma solução simples com a revogação das coligações nas eleições proporcionais, mas este é um dos pontos de uma eventual reforma política que dificilmente será encarado pelos partidos políticos. A não ser que se aprove o voto distrital puro ou o “distritão”, que acabam com o voto proporcional.

MÍRIAM LEITÃO

Silêncio conveniente
MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 10/03/11

É particularmente interessante a expressão “governo chamado de militar”, no documento que as Forças Armadas enviaram ao ministro da Defesa contra a Comissão da Verdade. Quer dizer que um governo que por 21 anos instalou generais na Presidência e julgou seus opositores civis em tribunais militares era então um governo civil? Isso é novidade.

O documento divulgado ontem pelo trabalho do repórter Evandro Éboli, de O GLOBO, revela que os comandantes das três forças consideram que o passado passou, e que qualquer investigação sobre torturas e circunstâncias das mortes dos opositores políticos seria “abrir ferida na amálgama nacional.” Diz ainda que este tipo de investigação “pode provocar tensões e sérias desavenças.” Os militares argumentam que os fatos se passaram há mais de 30 anos, que pessoas envolvidas já morreram e documentos e provas perderam-se no tempo e portanto nada deve ser investigado.

De fato, o Brasil perdeu tempo demais. Logo após o último general sair do Planalto, há 26 anos, era difícil por dois motivos. Primeiro, o medo imposto por eles de que qualquer mexida nessa ferida fosse entendida como uma provocação à qual reagiriam. Depois, o presidente que por fatalidade assumiu, José Sarney, tinha sido um fiel servidor do regime. As ambiguidades desse início adiaram o encontro com a verdade daquele período sombrio; depois, os presidentes que se seguiram vacilaram e aceitaram o mesmo veto que agora as Forças Armadas tentam impor à Comissão da Verdade. Existe algum argumento para que não se tente saber em que circunstâncias morreu o deputado Rubens Paiva? Ou como foi morto o jovem Stuart Angel? Como e de que forma foi morto Vladimir Herzog?

O corpo do operário Manoel Fiel Filho, após ser preso, foi entregue à família com sinais visíveis de tortura e com a ordem de que fosse enterrado rapidamente, sem perguntas, sem divulgação. Tantos outros simplesmente desapareceram sem que se tenha qualquer vestígio. Por que estamos proibidos de perguntar como morreram? Por que isso iria ferir a “amálgama” nacional? Se é verdade que os documentos se perderam, por que então as Forças Armadas querem evitar o anonimato para quem entregar documentos ou der depoimentos esclarecedores? No texto, os comandantes militares consideram que uma das razões para não se olhar para este passado é que “o governo não foi derrubado pelas forças políticas, mas ensejou lenta e gradual transição e devolução do poder aos civis.”

Essa versão parcial faz pouco da longa resistência, anula a luta de bravos como Mário Covas, Ulysses Guimarães, tantos outros que nunca aceitaram o arbítrio, mesmo sob riscos. Isso apaga da História os milhões que foram para as praças na Campanha das Diretas. Elimina a habilidade da oposição de ir no próprio colégio eleitoral, criado pelo governo militar, e lá arrancar a vitória de Tancredo. Esta versão de que a democracia foi apenas uma concessão ofende os fatos e a memória. Sim, os militares fizeram um lento afrouxamento das piores leis, mas até o presidente Ernesto Geisel, que tem boa imagem por ter enfrentado a linha dura, fechou o Congresso e governou com o AI-5 até primeiro de janeiro de 1979, quando faltavam apenas dois meses e meio para terminar seu período de governo. Esse trecho do documento, de que eles entregaram o poder espontaneamente aos civis, não conversa com o outro, em que eles se referem àquele período com a expressão “governo chamado de militar.” Como a parte em que eles dizem que é legítimo “as famílias buscarem seus entes queridos” não conversa com a parte que discorda da criação da Comissão da Verdade.

A quem as famílias perguntarão pelos seus entes queridos se, como diz o documento dos comandantes militares, tudo isso é passado, no qual não se deve mexer para não ferir a paz nacional? Há ruas no Brasil — em São Paulo, por exemplo — que se chamam 31 de março; a termelétrica de Candiota ainda se chama presidente Médici. Ainda se ensina nos 12 colégios militares às crianças e adolescentes que não houve ditadura militar no Brasil, e que as cassações e a censura foram necessárias por causa da intransigência da oposição, como informou a “Folha de S.Paulo” no ano passado. Alguns se perguntam se essas informações resgatadas vão levar ou não a processos contra os responsáveis.

Ouvido, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou que a Anistia apagou os crimes. Este aspecto da polêmica está, portanto, encerrado. Acho que os militares têm razão em dizer que é preciso saber também dos chamados justiçamentos executados por alguns grupos de esquerda. Eles usam o argumento como chantagem, mas é de fato necessário incluir no mesmo rol de fatos a buscar. Inaceitável é ainda hoje haver o veto dos militares a que uma comissão busque informações sobre pontos nebulosos do nosso passado recente. Os comandantes militares de hoje não estão comprometidos com os atos cometidos naquele período, mas ao se empenharem tanto em encobrir o que seus antecessores fizeram comprometem a instituição como um todo. Essa tendência de nada apurar, tudo esquecer, lembra a “astuta amnésia” de que falou no artigo de ontem o jornalista Elio Gaspari, sobre outro pedaço infeliz da nossa história, soterrado para não comprometer a versão de que tudo foi suave no Brasil, da escravidão à ditadura.

GOSTOSA

VERISSIMO

A grande final
VERISSIMO
O GLOBO - 10/03/11

Eu era bom no totó. Ou pebolim, ou como quer que chamem aquele futebol de mesa com os bonequinhos. Aquele que o pessoal dos videogames hoje dá risada só de ouvir falar. E eu era imbatível no totó.
É verdade que jogava muito sozinho. Meu time, o Fluminense, magistralmente manejado, envolvia completamente o estático Flamengo do adversário ausente. Mas de tanto treinar contra ninguém, na infância e na adolescência, acabei melhor do que todos os adversários reais que eventualmente enfrentava. Até aparecer o Iñaki.
O Iñaki era basco. Tinha se casado na Espanha com a minha prima Heloísa e os dois estavam morando em Porto Alegre. Ele ia muito na nossa casa, para ouvir os discos de Mozart do meu pai e jogar totó comigo. Não era apenas um exímio jogador. Também era um teórico do totó. Foi ele que não só decidiu trocar a tradicional bola de ping-pong por uma menor, de madeira, que facilitava o controle, como mandou fazer as bolas de acordo com suas especificações precisas. E me ganhava sempre. Descobriu, inclusive, uma maneira de anular a minha jogada mais mortífera, um passe lateral para o Bigode chutar de longe que nunca falhava. Contra o Iñaki o
Bigode não acertava uma.
Uma vez fizemos um torneio de totó na nossa casa. Apenas um pretexto para reunir os amigos. Depois da comida, a mesa de jantar foi afastada e substituída pela de totó. Jogos eliminatórios, mata-mata. Meu desempenho foi digno. Ajudado pelo fator campo, cheguei a uma semifinal, mas fui eliminado. Pelo Iñaki, claro.
O Iñaki foi para a decisão com o vencedor da outra semifinal. E finalmente encontrou um adversário que o igualava em técnica e vontade de ganhar: Elias Figueroa! O zagueiro chileno que na época era o grande ídolo do Internacional e iria comandar o time na conquista de um bicampeonato brasileiro. E que era o campeão de totó das concentrações do Inter.
Sinto dizer (anti-clímax) que não me lembro quem ganhou a grande final. Sei que durante a batalha os brasileiros se retraíram: era Chile contra País Basco, uma questão de outro sangue, nada a ver conosco.
Só nos restava dar espaço às feras.

CLÁUDIO HUMBERTO

“Se isso for concretizado, não tenho condições de ficar no PSB”
DEPUTADA LUIZA ERUNDINA (SP) E A ANUNCIADA FUSÃO AO PDB, PARTIDO DE GILBERTO KASSAB

CGU MANTÉM ESTACIONAMENTO NA “MÃO GRANDE” 
Malandramente, a Controladoria-Geral da União tenta impedir na Justiça que o dono de um terreno em frente à sua sede, em Brasília, construa um prédio. A CGU alega um suposto “risco à segurança”, mas a verdade é outra: abuso de poder. O terreno tem sido usado como estacionamento privativo dos servidores da CGU há mais de cinco anos. Sem pagar um centavo de aluguel. O ministro Ari Pargendler, do Superior Tribunal de Justiça, barrou a malandragem: “não se justifica”.

BASEADO NA LEI 
A CGU explica que baseou a ação no Código Civil, e candidamente garante não ter a intenção de impedir a construção do prédio
vizinho.

CONGELADA 
Enquanto o processo que analisa a idoneidade e suficiência da caução do proprietário está na 8ª Vara, a obra ao lado da CGU está
parada.

EM FAMÍLIA 
A presidente Dilma levou o ex-marido Carlos Araújo e mais cinco familiares para o carnaval ao lado dela e da filha no litoral potiguar.

QUERIA SOSSEGO 
A governadora Rosalba Ciarlini e a prefeita Micarla Sousa quiseram visitar Dilma, no carnaval. Ela só falou com Rosalba. E ao telefone.

SP: ALCKMIN AFAGA PETISTAS PARA AGRADAR DILMA 
O governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) tenta mudar a relação com os prefeitos petistas, tratados a pão e água por José Serra, para reforçar as boas relações com o governo Dilma. Prometeu o bilhete único, reivindicação das prefeituras da Grande São Paulo, onde o PT tem força, e anunciou a retomada do projeto de trem São Paulo-Guarulhos, maior prefeitura petista no estado, parado há décadas.

NO PAÍS DO CARNAVAL 
Momo amoleceu a fama de durona da presidente Dilma: sua agenda ontem só começou às 14 horas, afinal, era Quarta-Feira de Cinzas. 

RECRUTA GENOINO 
O Diário Oficial deverá publicar nesta quinta-feira a nomeação do ex-deputado José Genoino para a assessoria do ministro da Defesa.

CAI FORA, DEPUTADA 
A direção do PMN sinaliza que a deputada Jaqueline Roriz (DF) deve deixar o partido. Até a aconselhou a renunciar ao mandato.

CORREGEDOR NA COLA 
Ao contrário do reticente presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), o corregedor, deputado Eduardo da Fonte (PE), não topa usar a gaveta para favorecer Jaqueline Roriz. O clima do País é outro, advertiu ele.

CONDIÇÃO INEGOCIÁVEL 
O PMDB topa receber a filiação do deputado Gabriel Chalita (PSB-SP) e assegurar-lhe espaço para disputar a prefeitura paulistana, mas avisou: não aceitará os irmãos Cid e Ciro Gomes (CE) de contrabando.

DEVOLVE, TOP-TOP 
O aspone para assuntos internacionais aleatórios, Marco AurélioTop-Top Garcia, passa a semana em Havana às nossas custas. Retorna sábado. Caso que clama por ação civil pública para repor o dinheiro.

SEM NOTÍCIAS 
O presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Ari Parlandger, suspendeu a distribuição do clipping de notícias aos ministros. Diz que é para economizar. Quem quiser que leia jornal ou acesse a internet.

PADRÃO SANTANDER 
As queixas e ações judiciais de clientes contra o banco Santander se sucedem, e não por acaso. Grande parte, especialmente em Brasília, não consegue usar o internet banking há três semanas. Suspeita-se até de truque para dificultar o movimento de dinheiro em conta. Humm...

DOMÍNIO DO MULHERIO 
O Rio Grande do Sul tem 634 magistrados atuando no estado. Desse total, 315 são mulheres, 313 homens. Os seis que faltam nessa conta não têm outra opção sexual. São vagas em aberto mesmo.

DEDO PERIGOSO 
Primeiro, o ministro do Supremo, Luiz Fux, virou “Pux”. Ontem, o Diário Oficial da União despachou um servidor da Defesa para o “Institute of Brazilian Business and Pubic (sic) Management”, em Washington. 

CAMELÓDROMO 
Lula, que com a experiência de um “correspondente de guerra” falará a convite da rede Al Jazeera sobre o Oriente Médio, voa amanhã para Doha, no Qatar, com três seguranças, e volta na segunda (14). A Qatar Airways, a única com voo direito de São Paulo, está nas nuvens. 

PENSANDO BEM... 
Com inflação e alta do preço do petróleo, começa agora o carnaval da Dilma. 

PODER SEM PUDOR
DESPACHO ÚNICO 
Hélio Garcia era governador de Minas e tinha um jeito especial de trabalhar. Ou de não trabalhar: delegava tudo. Certa vez, o atual deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG), secretário de Saúde, tomou medidas que se chocavam com a corrente progressista em Saúde Pública. Hélio mandou desfazê-las:
– Nomeei você porque eu não queria um conservador, queria um comunista!
Foi o único despacho de chefe e chefiado em dois anos no cargo.

BRAZIU: O PUTEIRO

QUINTA NOS JORNAIS

Globo: Rei dá à Beija-Flor recorde de títulos no Sambódromo
Folha: USP é preterida por 25% dos alunos selecionados
Estadão: BNDES já empresta três vezes mais que o Banco Mundial
Correio: Pressionada, filha de Roriz sai de comissão
Valor: Custos de Jirau sobem e obra já atinge R$ 13 bi
Jornal do Commercio: Mortos pela água e pelo fogo
Zero Hora: SEC estuda selecionar professores pela nota em exame nacional